Resenha: O Conto da Aia – Margaret Atwood

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de O Conto da Aia, clássico distópico de Margaret Wood que deu origem à série The Handmaid’s Tale. 😉

o conto da aia margaret atwood.pngGaranta o seu!

Sinopse: Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump.

Offred é uma moradora da República de Gilead (conhecida, no passado, como Estados Unidos). Diversos fatores fizeram com que grande parte da população tenha se tornado infértil, e há uma grande preocupação com a natalidade em declínio. A função de Offred nessa nova sociedade é ser uma Aia: uma mulher responsável por gerar um filho para a família de um membro do alto escalão do governo. Gilead é um país teocrata, calcado nas crenças do Antigo Testamento, e as mulheres têm papéis bem delimitados: reprodutoras (Aias), esposas, professoras (Tias) ou “domésticas” (Marthas). É através dos olhos de Offred que o leitor tem um vislumbre dos horrores que envolvem esse sistema

Eu terminei de ler esse livro em julho, mas só agora consegui escrever a respeito. A verdade é que O Conto da Aia não é um livro para ser devorado e lido de uma vez, mas sim uma obra que deve ser lida com calma, para que você possa absorver sua atmosfera enquanto compreende sua realidade. A autora é bem misteriosa no início da trama: você vai entendendo aos poucos, de acordo com as reflexões da protagonista.

A narrativa de Offred vai e vem no passado. Sabemos apenas que ela foi capturada 3 anos antes e, desde então, passou pelo treinamento necessário para se tornar uma Aia. Em Gilead, as mulheres são proibidas de ler e escrever (com exceção das Tias), então a oralidade é uma característica da narrativa: como Offred não pode escrever, ela conta ao leitor o que aconteceu com ela; desse modo, acompanhamos seu fluxo de pensamentos e seus devaneios. Isso confere à narrativa um tom intimista e também sufocante: estamos o tempo todo imersos na mente de Offred. Ela narra seu tédio, sua apatia e, claro, suas lembranças. Ela viveu em um mundo com liberdades e direitos civis e presenciou isso ser retirado das mulheres, o que é muito doloroso.

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A autora faz uma reflexão que mexeu bastante comigo: ela mostra ao leitor que as transformações podem ocorrer lentamente. Nem sempre é algo explosivo e repentino que causa mudanças drásticas em uma sociedade; muitas vezes, o discurso dos indivíduos vai dando indícios do que está por vir. Em O Conto da Aia, existem matérias nos jornais que dão pistas de que algo grave está por acontecer, mas a população não liga, não leva a sério, simplesmente porque parece distante e irreal demais. Até que acontece. Não nos comportamos exatamente assim fora da ficção?

Outra reflexão óbvia trazida por Margaret Atwood é a questão do papel da mulher em Gilead. Nessa sociedade extremista religiosa, as mulheres são designadas a papéis estereotipados: reprodutoras, professoras, donas de casa, esposas. Elas não podem ler, trabalhar, amar, conversar… Não podem nada. Nesse contexto, as Tias gozam de autoridade, mas somente sobre as mulheres sob sua tutela. Quando todos os seus direitos e liberdades são retirados, exercer poder sobre um grupo acaba sendo muito tentador, e as Tias ilustram essa situação. O papel biológico dita as regras em Gilead; sendo a reprodução o pilar dessa sociedade, gays e lésbicas não-férteis são descartáveis.

O Conto da Aia faz um trabalho primoroso em expor sutilezas do patriarcado de modo gritante. Por meio de lavagem cerebral (ou imposição de medo mesmo), as Tias fazem com que as mulheres aceitem seus papéis e condenem quem sai da normaGilead também exerce vigilância constante, por meio dos Olhos (espiões) e das próprias Aias, que fiscalizam e denunciam umas às outras, demonstrando o quanto mulheres estão inseridas em um contexto que as coloca contra si mesmas. Além disso, a obra também escancara a hipocrisia do sistema: apesar de ser baseado em regras religiosas rigorosas e punitivas, os Comandantes usufruem de prazeres proibidos graças ao seu status elevado.

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Eu tinha a expectativa de que a trama fosse sofrer alguma reviravolta. Mas a verdade é que o livro não se trata de uma revolta. Inclusive, esse aspecto me lembrou muito 1984 (do George Orwell), cujo foco é fazer o leitor mergulhar na realidade opressora dos personagens, muito mais do que propor um enredo que busque impressionar por conta dos acontecimentos em si. O final do livro incomoda, causa desconforto. As notas históricas mostram Offred sob a luz acadêmica – de um homem. Ele fala de suas vivências com frieza e até certo divertimento/ironia. É muito doloroso perceber a história de Offred, de uma mulher com tantos sofrimentos e nuances, sendo resumida a um estudo.

Como crítica, eu diria que o estilo narrativo é um pouco estranho. Não tem aspas nem travessão pra demarcar a maior parte dos diálogos: eles acontecem realmente como uma narração oral (o que faz sentido, considerando que é essa a sensação que a protagonista deseja transmitir). Essas situações ocorrem quando a personagem rememora conversas do passado, como as lições dadas pelas Tias. Com o tempo o leitor acostuma, mas é estranho ler frases construídas assim: Olá, meninas, disse a Tia Lydia. Vocês são especiais.

Sendo mulher e feminista, devo dizer que foi doloroso chegar ao fim de O Conto da Aia. O livro é poderoso não por trazer inúmeras reviravoltas de tirar o fôlego, mas por narrar com muito realismo e verossimilhança uma situação distópica com alicerces reais. Não é difícil imaginar algo desse nível acontecendo (lembrei da revolução no Irã, por exemplo, e Marjane Satrapi fala sobre as mudanças na sociedade em Persépolis). Entretanto, por mais difícil que a leitura seja, ela também tem seus momentos de inspiração: os lampejos de revolta e insubordinação de Offred dão certo consolo.

Sei que a resenha ficou enorme, mas fiz o melhor que pude pra botar pra fora todos os sentimentos e reflexões que tive ao ler O Conto da Aia. Esse é um daqueles livros que podem até não agradar todo mundo, mas que definitivamente mexem com você. Recomendo MUITO essa leitura, e obrigada por ter lido até aqui! ❤

Título Original: The Handmaid’s Tale
Autor: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Número de páginas: 368
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.
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Resenha: O Bicho-da-Seda – Robert Galbraith

Oi galera, tudo bem?

Li o segundo volume da série Cormoran Strike, O Bicho-da-Seda, e hoje conto pra vocês minhas impressões a respeito. 😉

o bicho da seda robert galbraithGaranta o seu!

Sinopse: Quando o escritor Owen Quine desaparece, sua esposa vai a procura do detetive Cormoran Strike. De início, a Sra. Quine pensa que seu marido apenas se afastou por conta própria, por uns dias — como já tinha feito antes —, e ela pede a Strike para que o encontre e o traga para casa. Mas conforme Strike investiga o caso, se torna claro que há mais no desaparecimento de Owen do que sua mulher pensa. O escritor havia terminado um manuscrito contendo descrições venenosas de quase todos que conhecia. Se o livro fosse publicado, poderia arruinar vidas: o que significa que existiam várias pessoas que poderiam querer silenciá-lo. Quando Quine é encontrado brutalmente assassinado em circunstâncias bizarras, a investigação se torna uma corrida contra o tempo para entender a motivação de um assassino impiedoso, um assassino como Strike nunca havia visto antes.

Que eu adoro livros de investigação, não é novidade pra quem me acompanha aqui no blog. Eu curti bastante a experiência com O Chamado do Cuco e vi muito potencial em J. K. Rowling (ou melhor, Robert Galbraith) de seguir nesse tipo de história. Felizmente, os pontos positivos do primeiro volume se mantiveram; entretanto, os defeitos também.

Após solucionar o caso Lula Landry, Strike ganha certa notoriedade, trazendo mais casos ao seu escritório e permitindo que ele tenha uma vida um pouco mais confortável. Robin segue como sua secretária, mas com a expectativa de tornar-se ajudante de Strike assim que possível. As coisas no escritório iam bem (com Strike investigando, basicamente, maridos e esposas infiéis), até que Leonora Quine bate à sua porta e alega que seu marido, o escritor Owen Quine, está desaparecido. Descrente que a polícia poderá ajudá-la (já que seu excêntrico marido tinha o hábito de fugir), a estranha e rude mulher deposita suas esperanças em Strike, que aceita o caso. Strike não demora a descobrir, entretanto, que Owen Quine não está desaparecido: ele foi brutalmente assassinado. A questão é que Quine recentemente escreveu um livro que difama inúmeros nomes importantes do ramo editorial, dando motivos a diversas pessoas para querer algum tipo de retaliação.

Duas coisas me chamaram a atenção no caso de O Bicho-da-Seda: o modo como Owen Quine foi assassinado e seu próprio manuscrito, Bombyx Mori (que significa, justamente, bicho-da-seda). Para investigar os possíveis suspeitos, Strike adentra na mente doentia de Quine enquanto lê sua obra repleta de violência e sexo, fazendo conexões entre os personagens e as pessoas reais. Assim como ele, o leitor vai tentando conectar as peças enquanto lê ambos os livros: o de Quine e o de Galbraith. O interessante é que novamente Galbraith não revela nenhum detalhe dos pensamentos de Strike em relação ao criminoso ao leitor; há um momento em que o detetive está certo de quem é o assassino, mas várias páginas se passam até que a gente descubra. Se o objetivo é atiçar a curiosidade do leitor, pra mim isso deu certo! Devoreeei as páginas finais. 😛

resenha o bicho da seda robert galbraith

Robin também ganha destaque nesse volume, o que me deixou bem contente. Ela é inteligente, empática e competente. Além da beleza física, sua personalidade conquista o leitor e também os personagens com quem ela interage. Porém, seu plot demora a engrenar, já que durante boa parte do livro ela está magoada com Strike (por não treiná-la) ou brigando com Matthew (um chato que só faz criticá-la por suas escolhas profissionais). Entretanto, quando ela tem a chance de brilhar, é um arraso só! ❤

Em relação à narrativa, Galbraith peca por ser descritivo demais em relação às ruas e locais de Londres. Por um lado, isso torna a leitura bem imersiva. Por outro, é cansativo, já que são descrições específicas e “insiders” (e, como eu não conheço Londres, ficava meio difícil de imaginar, já que muitas vezes o autor cita apenas nomes de lugares). Além disso, ele repete à exaustão alguns recursos que já ficaram claros anteriormente (como as dificuldades de locomoção de Strike ou a instabilidade de Charlotte). Entretanto, no final da trama, o autor consegue fechar todas as pontas soltas, o que considero imprescindível nos romances policiais. Só não gostei tanto da revelação do assassino e suas motivações quanto curti em O Chamado do Cuco; foi menos emocionante, com motivos menos impactantes (ainda que o autor tenha me enganando novamente a respeito de sua identidade).

Em suma, terminei O Bicho-da-Seda tendo a certeza de que, apesar das ressalvas, me tornei fã de Strike e Robin. Essa dupla carismática me cativou, e o modo de Robert Galbraith contar suas histórias e manter o mistério no ar durante toda a leitura conseguiram me envolver. Além disso, o autor conseguiu trazer à tona a disputa de egos que envolve o mercado editorial, fazendo uma crítica ácida e interessante (como também fez em relação à mídia em O Chamado do Cuco, diga-se de passagem). Recomendo! 😉

Título Original: The Silkworm
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 464
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Agora e Para Sempre, Lara Jean – Jenny Han

Oi, meu povo! Turubom? 🙂

Aproveitando que o filme Para Todos Os Garotos Que Já Amei estreia nessa sexta-feira (yay! ❤), hoje vim contar minhas impressões sobre o último volume da trilogia, Agora e Para Sempre, Lara Jean!

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Sinopse: Na surpreendente e emocionante conclusão da série, o último ano de Lara Jean no colégio não podia estar melhor: ela está apaixonadíssima pelo namorado, Peter; seu pai vai se casar em breve com a vizinha, a sra. Rothschild; e sua irmã mais velha, Margot, vai passar o verão em casa. Mas, por mais que esteja se divertindo muito — organizando o casamento do pai e fazendo planos para os passeios de turma e para o baile de formatura —, Lara Jean não pode ignorar as grandes decisões que precisa tomar, e a principal delas envolve a universidade na qual vai estudar. A menina viu Margot passar pelos mesmos questionamentos, e agora é ela quem precisa decidir se vai deixar sua família — e, quem sabe, o amor de sua vida — para trás. Quando o coração e a razão apontam para direções diferentes, qual deles se deve ouvir?

Depois de viverem um relacionamento de mentira que se tornou um namoro de verdade, de superarem dificuldades como o vazamento do vídeo do ofurô e mesmo a dúvida causada por um triângulo amoroso, Lara Jean e Peter estão mais fortes do que nunca. Eles estão prestes a concluir o Ensino Médio e seus destinos estão traçados: eles pretendem ir juntos para a mesma faculdade, a Universidade de Virgínia (ou UVA). Entretanto, a vida às vezes acontece da maneira mais inesperada, e Lara Jean precisa lidar com uma mudança brusca no rumo de seus planos quando ela descobre que não foi aceita na universidade dos seus sonhos.

Agora e Para Sempre, Lara Jean nos traz de volta o romance encantador de Lara Jean e Peter K., que agora estão um pouco mais maduros e certos do que sentem um pelo outro. Contudo, a vida da protagonista vira de cabeça pra baixo quando ela precisa encarar o fato de que 1) não vai para a universidade que tanto queria e 2) vai ter que estudar longe de Peter. A distância iminente é uma sombra que paira na cabeça dos protagonistas. E isso se torna um fardo pesado pois, apesar de eles terem evoluído desde o primeiro volume, Lara Jean e Peter ainda não conseguem sentar e conversar a respeito de modo maduro e honesto (o que é facilmente explicado pela idade dos dois que, afinal, ainda são adolescentes).

O que mais gostei nesse livro foi ver Lara Jean se desafiando. Apesar do baque inicial com a rejeição inesperada, a garota é aceita em outras universidades ainda mais renomadas e concorridas. Apesar de ter uma possibilidade de escolha confortável à frente, Lara Jean se permite ousar e ouvir seu coração, sem abrir mão de sua essência. Chris, sua melhor amiga, tem um papel bem importante nesse processo, incentivando Lara Jean e mostrando as inúmeras possibilidades que ela tem pela frente. Contudo, o ponto negativo é que Peter acaba ficando bastante apagado ao longo da trama, quase como um agente passivo na relação.

resenha agora e para sempre lara jean jenny han

E, em parte, eu culpo a falta de prioridades de Jenny Han pelo pouco desenvolvimento que o casal protagonista teve neste volume. Por que digo isso? Porque a autora preferiu dedicar páginas e mais páginas ao casamento do pai de Lara Jean com a vizinha, Treena. A protagonista se envolveu em cada detalhe do casamento (como válvula de escape para a ansiedade), e o leitor se vê no meio disso tudo: acompanhando a dinâmica familiar, o estranhamento de Margot com a nova membro da família, vendo os preparativos para o casamento, etc. Isso é bacana para aprofundar os outros personagens da família de Lara Jean mas, na minha opinião, foram dedicadas páginas demais a esse plot e de menos ao relacionamento de Lara Jean e Peter. 😦

Outro aspecto negativo é que o livro é linear demais. Tirando a surpresa em relação às universidades, nada demais acontece. Há o baile de formatura, a viagem a Nova York, o casamento… e todos esses acontecimentos são muito sem sal. Você fica esperando que algo bombástico aconteça, mas isso não vem. Talvez eu esperasse mais emoção e entrega nesse último livro, o que não aconteceu. Isso me fez sentir que Jenny Han se manteve na zona de conforto. E o final… sinceramente, não foi o que eu esperava. De certo modo, foi doce e otimista. Por outro lado, a chance de dar merda tudo acabar mal é grande. Eu gostaria de algo mais fechado, que me desse certeza de que eles deram certo. Depois de uma trilogia tão fofinha, o que eu menos queria era um final que desse abertura para sentimentos de tristeza. 😦 Utópico, talvez, mas acho que combinaria com o tom da história como um todo (que em nenhum momento se propôs a ser um retrato cínico dos relacionamentos reais).

Apesar de eu ter considerado parte da obra um desperdício narrativo (em função dessa subtrama toda do casamento, principalmente), Agora e Para Sempre, Lara Jean foi uma experiência mais positiva do que negativa. Ele conclui a história desse casal improvável, unido por uma carta que não deveria ter sido enviada, e nos deixa com gostinho de quero mais. Vou sentir saudades de Lara Jean e de Peter K.

Título Original: Always And Forever, Lara Jean
Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei
Autor: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304
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Resenha: P. S.: Ainda Amo Você – Jenny Han

Oi, pessoal. Tudo certinho?

Hoje vim contar pra vocês minha opinião sobre P.S.: Ainda Amo Você, meu livro favorito da trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei. ❤

capa ps ainda amo voceGaranta o seu!

Sinopse: Lara Jean sempre teve uma vida amorosa muito movimentada, pelo menos na cabeça dela. Para cada garoto por quem se apaixonou e desapaixonou platonicamente, ela escreveu uma bela carta de despedida. Cartas muito dela, muito pessoais, que de repente e sem explicação foram parar nas mãos dos destinatários. Em “Para todos os garotos que já amei”, Lara Jean não fazia ideia de como sair dessa enrascada, muito menos sabia que o namoro de mentirinha com Peter Kavinsky, inventado apenas para fugir do total constrangimento, se transformaria em algo mais. Agora, em “P.S.: Ainda amo você”, Lara Jean tem que aprender como é estar em um relacionamento que, pela primeira vez, não é de faz de conta. E quando ela parece estar conseguindo, um garoto do passado cai de paraquedas bem no meio de tudo, e os sentimentos de Lara por ele também retornam. Uma história delicada e comovente que vai mostrar que se apaixonar é a parte fácil: emocionante mesmo é o que vem depois.

O livro se passa pouco tempo depois do final do primeiro volume, e Lara Jean está decidida a fazer as pazes com Peter, o que acaba acontecendo. Os dois então voltam a namorar e tudo parece perfeito, até que a protagonista sofre um grande impacto emocional: um vídeo dela e de Peter se beijando no ofurô cai na internet, insinuando para o mundo que os dois transaram naquela situação (o que não é verdade). Completamente desestabilizada, Lara Jean encontra conforto na promessa de Peter de que vai descobrir quem fez isso e tirar o vídeo do ar. Contudo, a garota não consegue tirar da cabeça de que a culpada é Genevieve, a ex-namorada dele.

Eu achei muito interessante que Jenny Han tenha trazido uma ideia que se aproxima do revenge porn nesse livro (ainda que não tenha acontecido nada sexual na ocasião). De forma sutil, a autora problematiza e discute a maneira como homens e mulheres são impactados de formas diferentes por essas situações: enquanto a reputação e o dia a dia de Peter mantiveram-se intactos, Lara Jean viu-se sendo julgada por colegas e até mesmo professores. Esse tipo de debate é extremamente importante, ainda mais quando levamos em consideração que é um livro voltado ao público mais jovem. Só por esse aspecto eu já considero que P.S.: Ainda Amo Você tem um grande mérito.

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Além disso, a trama tem alguns “mistérios” que ao mesmo tempo me instigaram e me revoltaram. Peter, que foi um sonho no primeiro livro, se comporta de um modo totalmente babaca nesse volume. Sem revelar o motivo à namorada, ele passa o livro inteiro apoiando e estando presente na vida de Genevieve, dando como desculpa o fato de ela “precisar dele”. Lara Jean, apesar de tentar ser paciente e compreensiva, obviamente se magoa nesse processo. E é aí que um quarto elemento entra em jogo: Jonh Ambrose McClaren, amigo de infância e um de seus antigos amores,. Ele entra em contato com Lara Jean após receber uma de suas cartas de amor enviadas por engano e os dois retomam a amizade. Entretanto, outros sentimentos acabam florescendo, e eu vou ser sincera com vocês: nesse volume, fui #TeamJohn. Eita garoto perfeito, viu? O Peter pisou TANTO na bola com a Lara Jean que, assim como a protagonista, acabei abrindo meu coração pra esse novo personagem se instalar. Sorry not sorry. ¯\_(ツ)_/¯

Apesar de eu não ser fã de triângulos amorosos, a maneira como Jenny Han construiu essa dinâmica foi muito natural e realista. Não houve drama desnecessário ou situações que fugissem da essência dos personagens, o que é extremamente positivo. Apesar da irritação que eu senti em relação à Peter, o livro prendeu tanto minha atenção que o li em um dia, louca pra saber quem Lara Jean escolheria e, também, quem foi responsável por vazar o vídeo do ofurô.

Os temas atuais e pertinentes, o carisma dos personagens e a maneira singela e real como a autora conduziu a história nesse volume fez de P. S.: Ainda Amo Você meu livro favorito da trilogia. É nítido como os personagens evoluíram e amadureceram, mas também é perceptível que a adolescência é um período cheio de desafios que eles ainda precisam vencer. Leitura mais do que recomendada, especialmente para os fãs da Lara Jean. ❤

Título Original: P.S. I Still Love You
Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei
Autor: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304
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Resenha: O Sorriso da Hiena – Gustavo Ávila

Olá pessoal, tudo bem?

Hoje é dia de uma resenha nacional! Vim contar pra vocês o que achei de O Sorriso da Hiena, do autor Gustavo Ávila, uma obra que eu estava ansiosa para conferir há algum tempo. 🙂

capa o sorriso da hiena gustavo avila.pngGaranta o seu!

Sinopse: Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitável psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém, a proposta feita pelo misterioso David coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é uma pessoa má por ter presenciado o brutal assassinato dos seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a dele, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma na vida delas. Até onde ele será capaz de ir? É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?

Esse livro já me ganhou na sinopse. Além de ser uma trama policial (que eu adoro!), a discussão que ele promete trazer é extremamente instigante: afinal, o mal nasce com o indivíduo ou é criado a partir de suas experiências? Para descobrir a resposta, o misterioso David entra em contato com William, um psicólogo infantil que estuda justamente essas questões em suas pesquisas acadêmicas. David, aos 8 anos, viu seus pais serem mortos brutalmente na sua frente, e acredita que isso tenha sido um fator determinante para torná-lo o monstro que ele acredita ser no presente. Ele propõe então que William atenda 5 crianças que, em breve, também viverão o mesmo trauma: o homem planeja fazer com suas famílias o que fizeram com a dele. Apesar de inicialmente relutante, a curiosidade científica de William e o sentimento de que ele não faz o suficiente para levar o bem ao mundo o levam a aceitar o acordo. Perseguindo o rastro de sangue que David deixa atrás de si, temos Artur, um dos melhores investigadores da polícia local. Com Síndrome de Asperger, ele tem poucas habilidades sociais, mas um excelente faro e raciocínio lógico. Entretanto, as pistas são escassas, e o caso, mais complexo do que aparenta.

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O Sorriso da Hiena tem uma narrativa extremamente envolvente, bem como um enredo que mexe com o leitor. Ao longo das páginas, vemos a decadência de William enquanto trabalha com as vítimas de David. O personagem, antes ético e centrado, se transforma completamente e ultrapassa todos os limites em nome do seu segredo e de sua pesquisa. Por outro lado, é eletrizante acompanhar o esforço de Artur em juntar as peças e ir em busca de toda e qualquer pista que possa ajudá-lo a descobrir o culpado.

Contudo, o desfecho do livro foi um pouco decepcionante. Fiquei frustrada que poucas coisas tenham efetivamente se resolvido com a ajuda de Artur, pois isso me deu a sensação de que o personagem foi subaproveitado. 😦 Além disso, acredito que a discussão sobre o bem e o mal teve menos espaço e importância do que a sinopse deu a entender.

Apesar das ressalvas e das poucas páginas, O Sorriso da Hiena consegue entregar uma trama policial envolvente e emocionante. Enquanto lia, facilmente conseguia imaginar o livro virando um filme ou série de TV (o que pode realmente acontecer, já que os direitos foram comprados pela Globo). Existem diversas cenas que deixam o leitor aflito e causam aquele senso de urgência necessário a tramas desse tipo. É uma leitura excelente e envolvente. Recomendo! 🙂

Título Original: O Sorriso da Hiena
Autor: Gustavo Ávila
Editora: Verus
Número de páginas: 266
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Resenha: Para Todos Os Garotos Que Já Amei – Jenny Han

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje a dica é um romance muito fofinho que em breve estará também nas telonas: Para Todos Os Garotos Que Já Amei, da Jenny Han! ❤

capa para todos os garotos que ja amei.pngGaranta o seu!

Sinopse: Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.

Lara Jean é uma garota doce e sonhadora. Romântica ao extremo, ela tem o hábito de escrever cartas para todos os garotos por quem já se apaixonou e guardá-las em uma caixa de chapéu. A protagonista vive com o pai e suas duas irmãs, Margot e Kitty (também conhecidas como “as irmãs Song”). Ela e Margot são melhores amigas, e Lara Jean se inspira na irmã mais velha para tudo. Porém, a protagonista tem um segredo doloroso: há anos ela é apaixonada por Josh, namorado de Margot e seu amigo de infância. Esse sentimento, há tanto tempo soterrado, vem à tona quando Margot e Josh terminam, devido à decisão da irmã Song mais velha de estudar fora do país. As coisas se complicam para Lara Jean quando acidentalmente seu segredo é exposto, e ela precisa consertar sua relação com Josh. Para isso, a solução mais rápida na qual consegue pensar é fingir ser namorada de Peter Kavinski – alvo de uma das suas cartas e o garoto mais popular da escola.

Para Todos Os Garotos Que Já Amei pode soar como mais uma comédia romântica na qual a menina nerd finge um relacionamento com o cara popular e, contra todas as chances, os dois acabam se apaixonando. Bom, de fato o livro é sobre isso. Mas o que conquista na obra de Jenny Han é a maneira como os personagens se relacionam e crescem juntos.

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Lara Jean é uma personagem que não me conquistou muito nesse primeiro volume da trilogia. Sua constante mania de se autodepreciar e de se comparar com Margot foram muito irritantes pra mim. Mas ela é uma garota tão gentil e com um coração tão grande que eu entendi o motivo pelo qual as pessoas gostam dela. Josh é um cara legal, mas sem muito brilho. Na verdade, o encanto dele está muito mais nas recordações de Lara Jean a seu respeito do que em sua participação na trama. Quem realmente rouba a cena é o charmosíssimo Peter Kavinski. Ele topa fingir ser namorado de Lara Jean para dar o troco na ex, Genevieve, que o dispensou para ficar com outra pessoa.

Apesar de boa parte do relacionamento de Lara Jean e Peter ser fictício, a dinâmica entre eles é incrível. O mais bacana é que, aos poucos, cada um aprende a ceder um pouquinho, a se comprometer, a fazer parte da vida e do dia a dia um do outro. E não é disso que os relacionamentos são feitos? Com o passar do tempo, Lara Jean vai se tornando mais segura de si graças ao envolvimento com Peter, enquanto ele passa a apreciar cada vez mais a companhia e a personalidade caseira dela, tão diferente da dele. Esse crescimento dos dois é maravilhoso!

Jenny Han soube construir uma relação juvenil que nos deixa suspirando e lembrando de como era ser adolescente. Apesar de eu não ter me apaixonado por Lara Jean nesse volume, eu devorei o livro. Ele é gostoso de ler e traz uma sensação nostálgica e agradável enquanto aquece nossos corações. ❤ Para os fãs de romances bem fofos, é a obra ideal.

Título Original: To All the Boys I’ve Loved Before
Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei
Autor: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 320
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Resenha: O Chamado do Cuco – Robert Galbraith

Oi, pessoal. Tudo certo?

Para o post de hoje trago um livro que, depois de muita expectativa, eu finalmente li no ano passado: O Chamado do Cuco, o primeiro livro policial escrito por J. K. Rowling sob o pseudônimo Robert Galbraith.

o chamado do cuco robert galbraith.pngGaranta o seu!

Sinopse: Quando uma modelo problemática cai para a morte de uma varanda coberta de neve, presume-se que ela tenha cometido suicídio. No entanto, seu irmão tem suas dúvidas e decide chamar o detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de guerra, ferido física e psicologicamente, e sua vida está em desordem. O caso lhe garante uma sobrevida financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais ele mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrias ficam as coisas e mais perto do perigo ele chega.

Galbraith (vou me referir a “o autor”) nos apresenta à Lula Landry, uma modelo internacionalmente famosa que aparentemente cometeu suicídio. Três meses depois do ocorrido, John Bristow, o irmão da falecida, procura um detetive particular para investigar novamente a morte de Lula, que ele acredita ter sido assassinato. O detetive escolhido é Cormoran Strike, antigo amigo do irmão mais novo de Bristow, também já falecido. Strike está em uma situação financeira complicada: rompeu com a ex-noiva, está morando no escritório, as dívidas estão crescendo e ele tem que arcar com o salário da secretária temporária, Robin Ellacott. Esses fatores fazem com que ele aceite o caso, ainda que acredite na hipótese de suicídio. Porém, conforme investiga e adentra o universo (não tão) glamuroso da modelo, Strike começa a mudar de ideia.

Após o salto temporal que ocorre após o falecimento de Lula Landry, temos muito contato com Robin, cujo ponto de vista inicia o primeiro capítulo. Ela está animadíssima por ter sido pedida em casamento e nem se importa com o fato de estar indo trabalhar como secretária temporária. Quando descobre que seu empregador é um detetive particular – profissão pela qual ela é secretamente apaixonada desde a infância – a moça fica ainda mais encantada. Mas a relação com Strike não começa com o pé direito: ele é um homem reservado e bastante seco (em grande parte graças aos inúmeros problemas que vem enfrentando na vida pessoal). Ex-militar, Strike perdeu a perna no Afeganistão e agora vive com os casos que ocasionalmente surgem em seu escritório. Eu gostei de O Chamado do Cuco logo nas primeiras páginas que, inclusive, me fizeram rir – devido à dinâmica entre o desajeitado Strike e a prestativa Robin. Essa dinâmica fica ainda melhor conforme o detetive gradualmente começa a perceber o valor de Robin, que o auxilia em diversos aspectos do caso, sendo extremamente pró-ativa e determinada. Com o passar das páginas, a afinidade entre eles cresce e surge uma amizade inesperada e cativante. Contudo, a maior parte do livro realmente ocorre sob o ponto de vista de Strike, que investiga quase todo o mistério sozinho – ainda que a ajuda de Robin seja importante e muito bem-vinda.

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Um aspecto extremamente positivo de O Chamado do Cuco é que, como sempre, o autor (agora me refiro à habilidade de J. K. mesmo) consegue criar personagens de modo extremamente aprofundado, convincente e real. Por mais que o foco seja o caso Lula Landry, conhecemos Strike a fundo enquanto a história se desenrola. O personagem, inicialmente fechado em si mesmo, começa a se abrir para o leitor conforme suas camadas vão sendo removidas e vamos descobrindo mais sobre ele, sua ex-noiva, seu passado no exército e seu histórico familiar. E isso é construído de maneira exemplar, fazendo com que o leitor crie um laço com ele. Robin também é uma personagem incrível, apesar de ter menos espaço no primeiro volume. Ela é profissional, determinada, cheia de iniciativa e com um grande coração. Comentário com spoiler a seguir, selecione se quiser ler: e já deu pra sentir que Galbraith foi minando o relacionamento dela com o noivo de modo sutil. Não duvido que terminem em breve.

A investigação em si tem seus momentos cansativos. São muuuitas pessoas que Strike precisa interrogar, e o detetive não nos dá pistas sobre o que está pensando a respeito do suspeito. Só descobrimos sua lógica no final mesmo e, apesar de não ter sido a situação mais surpreendente do mundo, conseguiu entrelaçar todas as pontas soltas e encerrar o caso de modo eficiente, ainda que um pouco previsível.

O Chamado do Cuco foi um ótimo romance de estreia, apesar de perder um pouco o fôlego na metade do livro. Com personagens bem construídos, uma narrativa envolvente e um desfecho satisfatório, acredito que a leitura seja extremamente válida. Além disso, já estou apaixonada por Strike e Robin, e não vejo a hora de conferir a próxima aventura dos dois. Recomendo!

Título Original: The Cuckoo’s Calling
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 448
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