Resenha: O Conto da Aia: Graphic Novel – Margaret Atwood e Renee Nault

Oi pessoal, tudo bem?

No ano passado eu contei aqui no blog todas as inquietações e reflexões provocadas pela leitura de O Conto da Aia. 2019 me trouxe a oportunidade de revivê-las por meio de uma graphic novel maravilhosa (e, em breve, com a continuação da história, Os Testamentos). Hoje eu mostro pra vocês alguns detalhes da versão ilustrada desse livro que precisa ser lido por todo mundo. Vem ver!

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Sinopse: Tudo o que as Aias usam é vermelho: como a cor do sangue, que nos define. Offred é uma aia da República de Gilead, um lugar onde as mulheres são proibidas de ler, trabalhar e manter amizades. Ela serve na casa do Comandante e de sua esposa, e sob a nova ordem social ela tem apenas um propósito: uma vez por mês, deve deitar-se de costas e rezar para que o Comandante a engravide, porque em uma época de declínio da natalidade, Offred e as outras Aias têm valor apenas se forem férteis. Mas Offred se recorda dos anos anteriores a Gilead, quando era uma mulher independente, com um emprego, uma família e um nome próprio. Hoje, suas lembranças e sua vontade de sobreviver são atos de rebeldia. Provocante, surpreendente, profético. O conto da Aia é um fenômeno mundial, já adaptado para cinema, ópera, balé e uma premiada série de TV. Nessa nova versão em graphic novel, com arte arrebatadora de Renée Nault, a aterrorizante realidade de Gilead é trazida à vida como nunca antes.

Não é fácil adaptar um livro denso em uma história em quadrinhos. O Conto da Aia é narrado em primeira pessoa por Offred, uma Aia, cujo fluxo de pensamento não é linear. Enquanto rememora o passado e tenta reconstruir o passo a passo vivido pela sociedade para chegarem até onde estão, Offred também narra o presente opressivo no qual vive. E apesar de não ser fácil retratar essas idas e vindas de maneira clara, a graphic novel consegue fazer isso mantendo a fluidez da narrativa. Algumas ilustrações falam por si só, com frases mais soltas que retratam a desconexão das memórias de Offred – bem como sua tentativa de se desconectar com o próprio corpo, para tornar a vida mais suportável.

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Porém, obviamente, nem todos os detalhes da obra original têm espaço na graphic novel (não quero dar spoilers, mas tem um relacionamento importante, especialmente pelo caráter afrontoso, que ganha pouco espaço na HQ). Esse aspecto não chega a atrapalhar a condução da história, e mesmo o controverso (e chocante) epílogo aparece na graphic novel, ainda que de maneira condensada. É normal que algumas coisas precisem ser deixadas de fora quando uma obra é adaptada para os quadrinhos, e nesse caso os principais fatos foram mantidos e a história permaneceu coesa. Entretanto, a narrativa de Margaret Atwood é ímpar, e vale a pena conferir a obra original para absorver toda a intensidade de O Conto da Aia.

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Por último, mas não menos importante: a edição em si está incrível. A capa é aveludada, há um marca-páginas acetinado e as laterais das páginas trazem um pattern floral lindo. Não poderia deixar de mencionar o vermelho, cor marcante da obra (a cor das Aias), que faz parte de todos esses detalhes que mencionei. E o que dizer das ilustrações? Renee Nault usa a aquarela e o vermelho vibrante como pilares em toda a graphic novel. O traço da artista é muito bonito e cada virar de página merece uma atenção especial, para absorver cada detalhe.

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O Conto da Aia: Graphic Novel é uma obra imperdível pra quem já é apaixonado pela obra de Margaret Atwood, pela série The Handmaid’s Tale ou pra quem quer ter um primeiro contato com essa história impactante e necessária. Recomendo mil vezes! ❤

Título Original: The Handmaid’s Tale: Graphic Novel
Autor: Margaret Atwood e Renee Nault
Editora: Rocco
Número de páginas: 240
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Criatividade S.A. – Ed Catmull (com Amy Wallace)

Oi gente, tudo bem?

A resenha de hoje é de um livro que normalmente não faria parte das minhas leituras, mas que escolhi justamente por me tirar da zona de conforto (e ter um tema muito útil pra mim no momento): Criatividade S.A., escrito pelo fundador da Pixar, Ed Catmull.

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Sinopse: Qual a fórmula do sucesso por trás de filmes adorados por multidões como Toy Story, Monstros S.A. ou Procurando Nemo? Em Criatividade S.A., Ed Catmull conta a trajetória de sucesso do mais importante e lucrativo estúdio de animação da atualidade, a Pixar, que ele ajudou a fundar, ao lado de Steve Jobs e John Lasseter, em 1986. Dos encontros da equipe às sessões de brainstorm, o autor conta a história da empresa que revolucionou a indústria de animação cinematográfica e divide com o leitor sua experiência na gestão de uma das mais bem-sucedidas companhias de criação do mundo, mostrando como se constrói uma cultura da criatividade, num livro definitivo para quem busca inspiração para os próprios negócios.

Para quem não sabe, eu sou publicitária e trabalho com Social Media e conteúdo desde 2015. No início desse ano eu assumi a liderança da minha equipe e, inexperiente no cargo, senti necessidade de estudar a respeito de gestão. Felizmente, Criatividade S.A. conseguiu reunir tudo que eu buscava: é um livro que fala sobre liderança e processos gerenciais, mas também fala sobre uma empresa que eu admiro desde sempre, a Pixar. Foi a oportunidade perfeita para eu me desafiar numa leitura diferente (e realmente foi mais difícil pra mim, levei quase o mês inteiro pra concluir, apesar de ter gostado) e ainda aprender muito no processo. 😀

Criatividade S.A. é um misto de livro de memórias e ensinamentos sobre gestão. Ed Catmull, o fundador da Pixar, era apaixonado por animação e pela Disney desde criança, porém não se via com o talento necessário para trabalhar como animador (nos moldes da época, ou seja, em 2D). Também interessado em física e tecnologia, Ed Catmull voltou seus estudos à área da Ciência da Computação, onde teve grandes oportunidades de trabalhar com pesquisa e desenvolver as ferramentas que conduziriam à realização de seu maior sonho: criar o primeiro longa-metragem inteiramente animado por computador. Essa ambição foi alimentada por cerca de 20 anos, Ed Catmull precisou passar por diversas empresas – entre elas a Lucasfilm –, até que Steve Jobs comprou aquela que futuramente seria conhecida como Pixar Animation Studios (confesso que não sei o que me surpreendeu mais, o envolvimento de George Lucas ou de Steve Jobs rs).

Conforme Ed Catmull narra as etapas que transformaram a Pixar no que ela é hoje, lições importantes são passadas em meio às memórias. O fundador e presidente da Pixar, entre outras coisas, valoriza as pessoas acima de boas ideias, é a favor de sinceridade total independentemente da hierarquia, acredita no poder do feedback e vê a criatividade como algo a ser construído por nós. Além dessas opiniões terem me feito refletir bastante sobre gestão, os fracassos narrados pelo autor também tiveram o mesmo efeito: Ed Catmull não vê as falhas como um problema a ser temido, mas sim como parte fundamental e inevitável de qualquer processo criativo. É muito bacana entender mais sobre o backstage da Pixar, com seus erros e acertos, e saber como uma empresa que quase operou no vermelho e foi engolida pelo mercado transformou-se em referência na arte de contar histórias. Sem dúvidas, é inspirador.

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Porém, em determinado ponto da leitura, me senti um pouco desconfortável sem saber bem a razão, até que um momento de clareza me atingiu: Criatividade S.A. é um livro majoritariamente sobre homens exaltando outros homens. Existem algumas mulheres importantes na história da Pixar? Sim. Elas recebem grande espaço no livro? Não. Entendo que na época a participação de mulheres nesse mercado pudesse ser mais restrita (especialmente por envolver tecnologia), e até hoje vemos disparidade nessa proporção. Mas, apesar do contexto histórico, foi cansativo ler Ed Catmull falando sobre seus brilhantes colegas homens o tempo todo. A sensação de desconforto ficou mil vezes pior quando descobri – não pelo livro, mas pela Wikipédia – que John Lasseter (diretor criativo da Pixar, responsável por Toy Story, o primeiro sucesso do estúdio) foi acusado de assédio sexual. Ler tantos elogios sobre o homem ao longo do livro, ver Ed Catmull exaltando seu brilhantismo e sua importância para a Pixar, tornou-se bem nauseante à luz desses novos fatos. É uma ironia amarga ler sobre a importância da criação de uma cultura empresarial sadia onde um dos principais envolvidos é acusado de assédio. 

Tirando essa importante ressalva, eu diria que Criatividade S.A. é um excelente livro para quem se interessa por liderança e criatividade. Existem partes da obra que são de fato mais enfadonhas, mas o somatório de ensinamentos (e fun facts) é valioso. Eu não tenho o hábito de marcar minhas quotes favoritas nos livros que leio, mas no caso de Criatividade S.A. eu acabei separando alguns pensamentos que, para mim, se destacaram (vou listar alguns no fim do texto pra vocês conferirem). Em resumo, foi ótimo sair da minha zona de conforto e com certeza vou refletir sobre muitas das lições originadas na Pixar. 😉

  • “Acredito que os melhores gerentes reconhecem e abrem espaço para aquilo que não conhecem – não apenas porque a humildade é uma virtude, mas porque até que a pessoa adote essa atitude mental, os grandes avanços mais importantes não podem acontecer.”
  • “[…] os líderes bem-sucedidos aceitam a realidade de que seus modelos podem estar errados ou incompletos. Só quando admitimos não saber algo é que podemos aprender.”
  • “[…] você não é sua ideia e, caso se identifique demais com suas ideias, irá se ofender quando elas forem questionadas. Para montar um sistema de feedback saudável, você precisa remover da equação a dinâmica de poder – em outras palavras, deve ser capaz de focalizar o problema, e não a pessoa.”
  • “Uma boa observação diz o que está errado, o que está faltando, o que não está claro e o que não faz sentido. Uma boa observação é feita no momento oportuno, e não tarde demais para corrigir o problema. […] Mas, acima de tudo, uma boa observação é específica.”
  • “Isto é vital: quando a experimentação é vista como necessária e produtiva, não como uma frustrante perda de tempo, as pessoas gostam do seu trabalho – mesmo que ele as esteja confundindo.”
  • “O trabalho do gerente não é evitar riscos, mas desenvolver a capacidade para se recuperar.”

Título Original: Creativity, Inc.
Autor: Ed Catmull (com Amy Wallace)
Editora: Rocco
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Daniel, Daniel, Daniel – Wesley King

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim falar sobre um livro incrível, que fala sobre um assunto ainda pouco explorado na literatura: o TOC. Trata-se de Daniel, Daniel, Daniel.

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Sinopse: Daniel é o reserva do time de futebol da escola, e isso significa que ele é basicamente o garoto da água. Ele gasta todo o tempo dos treinos arrumando e organizando os copos para seu time – e rezando para que ninguém perceba. Na verdade, Daniel passa a maior parte do tempo esperando que ninguém note seus hábitos estranhos – ele os chama de Choques. Eles incluem ter uma lista de números “ruins” e evitar escrevê-los, por exemplo, ou ligar e desligar o interruptor dezenas de vezes até se sentir bem de novo. Daniel acha que é maluco e esconde essa impressão sobre si mesmo, principalmente de seus pais, seu melhor amigo Max e Raya, a garota por quem é secretamente apaixonado. Sua vida fica ainda mais estranha quando ele recebe um bilhete misterioso com um pedido de ajuda assinado pela “Colega das Crianças das Estrelas”, seja lá o que isso significa. E de repente, Daniel, que era um zé-ninguém na escola, se vê dentro da investigação de um grande mistério. Este livro é sobre se sentir diferente e deslocado e encontrar aquelas pessoas que conseguem enxergar e entender você de verdade.

Daniel é um garoto aparentemente normal de 13 anos: apesar de sentir-se um pouco desengonçado, ele é inteligente, adora ler e escrever, tem um melhor amigo chamado Max, um crush tremendo na colega de escola, Raya e, por fim, faz parte do time de futebol americano (apesar de odiar o esporte). O que ninguém sabe sobre Daniel é que ele esconde um segredo: ele se sente maluco. Por motivos que ele não compreende, Daniel sofre com o que ele chama de Choques, que o impulsionam a tentar “consertar coisas” de maneira obsessiva, caso contrário ele sente que vai morrer. O que o protagonista não sabe é que existe um nome para isso, e o fato de ele escovar os dentes até a gengiva sangrar ou ligar e desligar o interruptor várias vezes não é maluquice: Daniel sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Porém, por não ter conhecimento do que realmente acontece com ele, o jovem vive uma vida bastante solitária, escondendo seu segredo e usando uma máscara social para tentar parecer o mais normal possível. Porém, quando uma outra colega de escola, Sara Malvern, entra em contato com ele, as coisas viram de cabeça para baixo. Conhecida como PsicoSara (por ser introspectiva e não falar com ninguém, além de ter transtornos como bipolaridade e depressão), a jovem parece enxergar o verdadeiro Daniel, aquele que ninguém mais vê. Quando ela pede o auxílio do garoto para investigar o sumiço do pai – que ela acredita ter sido um assassinato –, Daniel se envolve não apenas em situações de risco físico, mas também descobre um novo mundo no qual ele não é tão anormal assim.

Meu conselho é: não se apeguem à parte investigativa da sinopse; ela é simples e com resoluções fáceis, onde tudo dá certo apesar da improbabilidade. Mas isso nem de longe é um problema, afinal, o livro não é sobre isso. A investigação é o mote que dá início à amizade inesperada entre Daniel e Sara: a busca pela verdade sobre o que aconteceu com o pai da menina nos mantém curiosos e tem um ótimo desfecho, mas o grande brilho do livro está na relação entre os personagens e na maneira como o autor fala sobre um assunto tão delicado de maneira tão comovente.

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Os quatro personagens principais do livro são muito carismáticos. São pessoas boas, cativantes e que ganham a nossa torcida. Sara é uma jovem com inúmeros transtornos, que optou por fechar-se em si mesma, até que vê em Daniel a oportunidade de ser autêntica. O que as pessoas não imaginam sobre ela é que ela é inteligente, engraçada e irreverente. Max, por sua vez, é o melhor amigo de Daniel e um cara super confiável. Os dois não tem tantos gostos em comum (sendo Max um apaixonado por futebol americano, enquanto Dani só joga para não ser excluído), mas ainda assim Max está sempre “watching Daniel’s back”, sabem? Ele cuida do amigo e faz o que está ao seu alcance para incentivá-lo. Raya, o interesse amoroso do protagonista, é uma jovem simpática, inteligente e madura, que vê em Daniel as qualidades que muitos consideram defeitos: a esperteza, a sensibilidade e o bom papo. É fácil shippar os dois, por mais que eu entenda quem o shippe com Sara (mas eu os prefiro como amigos, não gosto da ideia de que o apoio e o conforto venham somente de um possível romance, sabem?). Por fim, temos Daniel: perspicaz, educado, inteligente e gentil, é impossível não gostar dele. Mesmo achando Sara esquisita, ele tem empatia o suficiente para ajudá-la em seus planos ousados; mesmo odiando futebol americano, ele se dedica como pode porque sabe o quanto importa para Max. O fato de Daniel ter TOC, apesar de MUITO pesado para o personagem, é só um dos aspectos que o fazem ser quem ele é. Há muitas qualidades apaixonantes em Daniel, e enquanto lemos suas experiências é difícil não sentir a dor do personagem e torcer pra que ele encontre um caminho que o ajude.

Falando um pouco sobre a narrativa, ela acontece em primeira pessoa, exceto quando Daniel está trabalhando em seu livro (que, por sinal, eu super leria!). Seu discurso é irreverente e há diversos momentos e diálogos com um humor ácido que eu adorei. Entretanto, há cenas bastante angustiantes: Daniel narra as suas crises explicando seu desespero e seus sentimentos de pânico. Lemos quando o personagem escova os dentes até a gengiva sangrar, quando crava as unhas na bochecha ou quando dorme em meio a lágrimas. E é doloroso perceber que 1) ele não se sente seguro pra pedir ajuda e 2) seus pais, quando percebem algo errado, são meio negligentes e preferem acreditar nas desculpas que Daniel inventa. Durante os momentos de crise, a vontade é de entrar no livro e tentar ajudar Daniel da maneira que for possível (e justamente por ser uma situação tão tensa, esse livro nos faz questionar qualquer piadinha com “hmmm isso tá desorganizado, meu TOC pira”). Felizmente, quem exerce esse papel é Sara: a garota, que sempre conviveu com os próprios transtornos, enxerga Daniel como ele é e o faz confrontar a realidade de que ele tem TOC. É um primeiro passo para entender a situação e, a partir daí, buscar apoio. Afinal, como o próprio autor comenta no início do livro, é muito mais difícil enfrentar isso sem ajuda.

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Daniel, Daniel, Daniel é um livro apaixonante, com personagens que realmente te conquistam e com um tema super importante e pouco explorado. Mais do que falar sobre TOC, transtornos psicológicos e investigação de um assassinato, a obra também aborda o peso da solidão. Em seu livro, Daniel escreve sobre um garoto que cometeu um erro e exterminou a raça humana; na vida real, Daniel veste uma máscara que impede que suas conexões e relacionamentos sejam 100% reais, devido ao medo de ser rotulado e resumido ao seu transtorno – o que é quase tão solitário quanto ser o único ser humano no mundo. Com o tempo, porém, Daniel enxerga que ser vulnerável não é uma fraqueza e que a solidão não é a solução. E acho que essa lição serve pra todos nós.

Título Original: OCDaniel
Autor: Wesley King
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 280
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Garotas Incompletas – Débora S. Mattana e Michael Vasconcelos

Oi gente, tudo bem?

Para o mês de setembro, a coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias, Interrupted Dreamer e Tear de Informações) escolheu como tema a antologia Garotas Incompletas – organizada por Débora S. Mattana e Michael Vasconcelos , devido a uma participação muito especial: a Carol Antonuci, do Caverna Literária, é uma das autoras! 😍

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Já adianto que, infelizmente, o livro não me agradou. De maneira geral, senti que faltou maturidade narrativa e uma revisão mais caprichada (sobram exemplos de frases cheias de vírgulas e um tanto mal escritas). Porém, para não ser injusta com os contos que se sobressaem positivamente, resolvi resenhá-los em separado.

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Sinopse: Quando o inconsciente emerge, elas não sabem para onde olhar. Dizem por aí que monstros vivem em cantos escuros, submersos nas águas profundas, mas, talvez, apenas estejam escondidos nas mentes mais prejudicadas. Deixe-nos contar: estas garotas não fazem parte do círculo de mocinhas que gostam de bombons e flores, elas precisam de mais para que você possa fazer parte de sua história. Está preparado?

Vamos aos melhores contos da antologia? 😉

Romeu e Julieta – Michael Vasconcelos: aqui temos uma espécie de “releitura” de A Pequena Sereia, que vai ficando mais clara com as referências trazidas pelo autor. Gostei da personalidade da narradora, que tem um jeito direto e atrevido de contar a sua história trágica de amor. O final é condizente com o resto da trama, apesar de previsível.

Seu Amor em Três Dias – Katerine Grinaldi: gostei bastante do plot escolhido por Katerine Grinaldi para desenvolver sua personagem perturbada: a conhecida frase “trago seu amor de volta em 3 dias”. A protagonista se transforma de uma maneira bem interessante com o desenrolar das páginas e a autora escreve muito bem, de maneira envolvente e criativa.

Parque dos Segredos – Carol Antonucci: juro que não é porque a Carol é minha amiga e companheira de coluna, mas adorei o conto dela! Parques de diversões – cenário em que a história se passa – passam uma atmosfera mista de diversão e tensão, e o protagonista parece vivenciar essa dúvida sobre o que sentir ao longo da trama. Apaixonado pela misteriosa Meredith, ele aceita embarcar em uma aventura no parque, sem imaginar o que vai acontecer. O final foi cruel e abrupto, deixando as cenas de terror para a imaginação do leitor.

Considerações finais: a maior parte dos contos peca pela pressa, pois são poucas páginas para desenvolver histórias que exigem que você acredite na loucura, na psicopatia ou, em alguns casos, até mesmo nos dramas das personagens. Os que conseguem fazer isso são os que se destacam, como Parque dos Segredos (que tem aquela vibe dos micro-contos de terror, que conseguem impactar e assustar) e Seu Amor em Três Dias (provavelmente meu favorito). Ainda assim, apesar de não ter gostado da antologia e não poder dizer pra vocês que a recomendo, devo elogiar a iniciativa de trazer histórias com personagens femininas problemáticas ou simplesmente cruéis no centro da narrativa, rompendo com aquele ideal de fragilidade e pureza que muitas vezes são esperados das mulheres. 🙂

Título Original: Garotas Incompletas
Organizadores: Débora S. Mattana e Michael Vasconcelos
Editora: Sinna
Número de páginas: 146
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Resenha: Extraordinário – R. J. Palacio

Oi gente, tudo bem?

Em julho, o Dia do Amigo foi o tema da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer). Nós fizemos uma lista com livros que falassem de amizade e cada uma poderia escolher alguma obra para ler e resenhar.

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A Carol sugeriu a leitura de Extraordinário e eu juntei a fome com a vontade de comer, já que tinha curiosidade pela história há um tempo. Vamos descobrir o que achei? 😀

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Sinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade… até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular em Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apenas da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros. Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade – um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor.

Extraordinário conta a história do pequeno August Pullman, um menino que nasceu com uma condição genética responsável por uma grave deformidade em seu rosto. Acostumado a causar choque nas pessoas, o garoto sempre estudou em casa, com o auxílio da mãe; até que seus pais decidem que está na hora de matriculá-lo em uma escola de verdade. Inicialmente atordoado e preocupado – afinal, Auggie sabe o quanto as pessoas podem ser cruéis –, o menino decide encarar o desafio, onde vive experiências diversas, algumas tristes e outras enriquecedoras.

A narrativa de Extraordinário é ótima, e a autora opta por trazer capítulos curtos (adoro!) para contar diversos episódios da vida de Auggie. O livro utiliza a primeira pessoa, mas não é somente o protagonista que tem voz: também temos a narrativa de sua irmã (Olivia), de alguns de seus colegas de escola, entre outros personagens. Ou seja, com esse recurso é possível entender o sentimento de várias pessoas que orbitam a vida de Auggie, suas impressões sobre o garoto e sua condição e o impacto que ele causa em suas vidas. 

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Nem preciso dizer que o livro é repleto de lições, né? Empatia, entender a dor do outro, aceitar a diferença, abraçar a diversidade, oferecer a amizade sem esperar nada em troca, perdoar os erros, aprender a dizer adeus… São tantos momentos singelos e cheios de significado que é impossível não se sentir tocado. Os preceitos do Sr. Browne (um professor de Auggie) resumem bem diversos desses ensinamentos, e o meu favorito é aquele que vocês já devem ter lido na internet: “quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil”. ❤

Os personagens também são ótimos e com seus dilemas próprios. A irmã de Auggie, Olivia, foi provavelmente minha favorita: ainda que completamente apaixonada pelo irmão, Olivia também sente a dor de ter sido deixada de lado a vida toda. Ela sabe que August precisa de mais atenção e causa mais aflição em seus pais, mas a garota inevitavelmente sente a mágoa de nunca ser a prioridade da família. Mais humana do que isso, impossível. O novo amigo de Auggie na escola, Jack, também tem um plot interessante: ele gosta muito de Auggie mas a pressão externa faz com que ele cometa alguns erros na amizade dos dois. Porém, é justamente essa situação que o faz amadurecer e buscar sua redenção.

Extraordinário é um livro incrível, cheio de significado e simplicidade. Ao concluir a leitura, você sente que a experiência te tornou um pouquinho melhor. É uma obra que fala de amizade e de amadurecimento de uma maneira doce e relevante. Recomendo!

Título Original: Wonder
Autor: R. J. Palacio
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 320
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Resenha: Soppy: Os Pequenos Detalhes do Amor – Philippa Rice

Oi galera, tudo bem?

Em junho, ainda no clima de Dia dos Namorados, resolvi solicitar à Editora Rocco um livro muito fofo que estava no meu radar há um tempo: Soppy: Os Pequenos Detalhes do Amor, da designer Philippa Rice. Hoje conto (e mostro!) o que achei, além de comparar com Love Is, outra obra bem semelhante da editora.

soppy philippa riceGaranta o seu!

Sinopse: Soppy: os pequenos detalhes do amor, de Philippa Rice, é uma reunião de bem-humoradas tirinhas criadas a partir de momentos da vida real da designer britânica com seu namorado. Bastante popular na web, com mais de meio milhão de postagens no Tumblr, Soppy conquistou as redes sociais com declarações de amor escondidas nos detalhes do cotidiano de um relacionamento, como dividir uma xícara de chá, a leitura de um livro ou comentários irônicos à frente da TV numa tarde chuvosa. As charmosas ilustrações capturam com delicadeza a experiência universal de dividir uma vida a dois, e celebram a beleza de encontrar o amor em todo lugar. Soppy chega às prateleiras pelo Fábrica231, o selo de entretenimento da Rocco, a tempo de se tornar uma ótima opção de presente para o Dia dos Namorados.

É impossível pensar em Soppy e não lembrar imediatamente de Love Is, da Puuung. Afinal, a proposta é a mesma: ilustrar o amor no dia a dia, com suas sutilezas e detalhes do cotidiano. Ao terminar o livro, a conclusão se repete: o amor é algo a ser construído diariamente, com cuidado e dedicação; relacionamentos não duram baseados somente no fogo da paixão, mas se sustentam graças ao empenho em transformar mesmo algo simples em um momento especial. Os gestos mais despretensiosos podem ser uma forma de dizer “eu te amo”, como por exemplo preparar um chá quentinho para o seu amor, ajeitar o cachecol do(a) parceiro(a) em um dia frio, dividir as tarefas de casa ou simplesmente dormir de conchinha (dividindo-se entre quem vai ser a conchinha maior ou menor, é claro!). Me digam: como não ficar com um sorriso no rosto diante disso?

Mas apesar da proposta e conclusão serem semelhantes, Soppy tem diferenças bem importantes e marcantes em relação a Love Is. Philippa Rice traz mais personalidade aos seus personagens e tirinhas, trazendo inclusive diversos diálogos, de tom mais brincalhão e debochado. A protagonista é bem sapeca (como quando “trapaceia” no cara ou coroa para pedir pizza), e o seu namorado também tem uma participação mais ativa. O legal do livro trazer os diálogos dos dois é que isso confere personalidade ao casal, trazendo suas vivências para a nossa realidade de uma maneira mais natural. Além das cenas fofas, Soppy também aborda momentos engraçados, conseguindo me fazer rir durante a leitura (corri pra marcar meu namorado na tirinha da pizza, porque eu também sempre tento trapacear para pedir comida em vez de cozinhar rs). Por fim, também vale elogiar o fato de que a ilustradora traz o ponto de vista dos dois personagens juntos, mas também separados – valorizando a individualidade, um elemento muito importante em qualquer relação.

Apesar do estilo artístico de Love Is ser mais “bonito” visualmente (em função do traço e da aquarela), eu gostei mais de Soppy. Curti o fato de haver diálogos no livro, além de ter me identificado mais com as situações vividas pelos personagens. O traço é mais minimalista, mas não deixa de ser fofíssimo, e é muito legal acompanhar as diferentes situações que o casal vivencia. Recomendo muito, especialmente se você aprecia ilustrações e quer se divertir enquanto tem o coração aquecido ao mesmo tempo. ❤ Sem mais delongas, bora para as fotos!

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“Podemos pedir pizza mesmo assim?” 😂

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Título Original: Soppy: A Love Story
Autor: Philippa Rice
Editora: Fábrica231 (selo da Editora Rocco)
Número de páginas: 112
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo – Iain Reid

Oi pessoal, tudo certinho?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo, um livro que divide opiniões (especialmente no Skoob rs).

eu estou pensando em acabar com tudoGaranta o seu!

Sinopse: No romance de estreia do canadense Iain Reid, Jake conduz o carro em que ele e a namorada, que narra a história, vão à fazenda dos pais do rapaz. Durante a longa viagem por estradas desertas e escuras, a garota, atormentada com a perseguição de um homem misterioso que deixa sempre a mesma mensagem de voz em seu telefone, pensa em encerrar o relacionamento com Jake. Mas talvez seja tarde demais. Reid, que tem dois livros de não-ficção elogiados pela crítica e contribui para veículos de prestígio como a revista New Yorker, une, numa narrativa profundamente psicológica, tanto referências de terror clássico, quanto elementos de suspenses menos tradicionais, sustentando a trama para além das limitações inerentes ao gênero. Um thriller denso que esconde, em meio ao medo provocado pela sensação de uma tragédia iminente, alegorias sobre a própria vida ser uma tragédia anunciada.

Quando me deparei com esse título, pensei que pudesse ser a história de alguém cogitando o suicídio. Será que é isso mesmo que acontece? Vou deixar pra vocês descobrirem. O que posso dizer é que inicialmente a obra quebra essa expectativa e nos guia pelos conflitos internos de uma jovem que cogita terminar seu relacionamento com o namorado, Jake. Ela decidiu viajar com o rapaz para conhecer seus pais, na esperança de que isso a ajude a tomar a decisão. E é assim que o livro começa: acompanhamos o casal no carro, indo rumo ao interior, enquanto conversam sobre a vida e ela, secretamente, reflete sobre a vontade de manter ou não o namoro. Porém, o livro ganha um tom totalmente diferente quando eles chegam na fazenda dos pais de Jake: em primeiro lugar, o rapaz começa a agir estranhamente, muito mais introspectivo do que de costume; em segundo, a casa e os pais de Jake transmitem uma aura que causa desconforto na protagonista, embora eles sejam gentis e ela não saiba o motivo da sensação. É a partir disso que o livro cumpre o que promete: você vai sentir medo, mas não vai saber porquê.

As primeiras 100 páginas de Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo não são particularmente envolventes, e eu achei o casal um tanto pedante. Jake é o típico cara gentil e intelectual, sempre com algo inteligente na ponta da língua e opiniões bem fortes sobre as coisas (boooring rs). Já a protagonista (cujo nome permanece um mistério) é alguém que se sente muito atraída por Jake, embora tenha o sentimento de que a relação não vai durar por incompatibilidade. Além disso, a moça também guarda um segredo: ela recebe diversas chamadas perturbadoras em seu telefone, e a pessoa que liga sempre deixa mensagens estranhas em sua caixa postal. Nesse ponto o leitor já sente que há algo de muito esquisito na trama, ainda que ela pareça tranquila e mundana. Para deixar as coisas ainda mais interessantes, os capítulos narrados pela protagonista são intercalados com capítulos curtinhos, que se passam no presente, e consistem apenas em um diálogo de duas pessoas que não aparecem na trama: elas estão discutindo sobre uma morte que aconteceu, falando sobre as circunstâncias e sobre alguém que não sabemos quem é. Esses capítulos auxiliam muito a criar o clima de tensão, porque você começa a temer pela segurança dos personagens.

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Quando Jake e a namorada chegam na casa dos pais dele, comecei a me sentir tão desconfortável quanto a protagonista. Sabe aquela sensação de filme de terror, em que você tem certeza de que algo pode acontecer a qualquer momento? É isso que Iain Reid transmite na narrativa. Se até a metade o livro é um tanto cansativo – especialmente pelas filosofadas entediantes do casal –, depois que a obra ganha esse tom inquietante é impossível parar de ler. Pra vocês terem ideia: levei mais de duas semanas para ler a primeira metade do livro, e apenas uma noite para ler o resto. 👀

Conforme os capítulos (tanto os protagonizados pelo casal quanto os capítulos dos diálogos) ganham ritmo, é muito difícil largar a leitura. Mas foi no final que a obra realmente conseguiu me deixar sem fôlego: bem construído e surpreendente, ele quebra todas as expectativas construídas até o momento. A narrativa repentinamente torna-se confusa e talvez você precise ler mais de uma vez pra entender que sim, é aquilo mesmo que está acontecendo. Como crítica ao final eu deixo somente alguns elementos que não foram explicados mas, de resto, foi um desfecho excelente. É o tipo de reviravolta que faz você questionar tudo o que leu até ali, dando uma vontade súbita de voltar as páginas e ler tudo de novo (e eu fiz isso com os capítulos curtos, dos diálogos. Adorei ver como tudo se encaixou, por sinal). E eu sou o tipo de pessoa que leva finais MUITO em consideração pra avaliar uma obra. Quando o enredo é bom, mas o final é ruim, eu costumo ficar decepcionada. Quando o desenrolar não é dos melhores, mas o desfecho é mindblowing, isso costuma fazer a obra ganhar pontos comigo. E foi o que aconteceu com Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo: não foi uma leitura que eu amei, por diversas vezes me deu sono e eu nem mesmo gostei do casal protagonista. Ainda assim, o final foi tão bom e me fez pensar nele por tanto tempo que eu simplesmente não consigo classificá-lo como uma experiência negativa. 

Por fim, vale elogiar a edição caprichada da Fábrica231. Com capa dura e aplicações em verniz, o livro já chama a atenção à primeira vista. As contracapas contam com ilustrações que reforçam o clima perturbador da trama, e as páginas pretas e riscadas combinam com o teor (e até mesmo o desfecho) da obra. É muito legal quando você conclui uma história e percebe que tudo nela conversa entre si, inclusive o trabalho gráfico.

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Com uma construção crescente de tensão – e até mesmo claustrofobia –, Iain Reid nos apresenta uma história aflitiva, surpreendente e (por que não dizer?) triste. A obra traz o conceito da memória como uma invenção: mesmo as lembranças de acontecimentos reais são floreadas e deturpadas pela nossa mente. Com isso (e outras cositas más), a trama evidencia o quanto as nossas mentes podem ser fascinantes e perigosas na mesma medida. Mas é só isso que posso dizer a respeito das reflexões da trama: Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo é o tipo de livro cuja história você não pode aprofundar muito numa resenha para não estragar a experiência de quem lê, pois é muito melhor ir juntando as peças aos poucos. Recomendo, nem que seja para você descobrir por si mesmo se vai amar ou odiar. 😉

Título Original: I’m Thinking of Ending Things
Autor: Iain Reid
Editora: Fábrica231
Número de páginas: 224
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Branco Letal – Robert Galbraith

Oi gente, tudo bem?

Depois de mais de 600 páginas, cá estou para contar o que achei do muito aguardado (por mim, pelo menos rs) Branco Letal, a nova aventura de Cormoran Strike e Robin Ellacott. ❤ A resenha tem spoilers dos livros anteriores, ok?

branco letal robert galbraithGaranta o seu!

Sinopse: Quando Billy, um jovem problemático, vai à agência do detetive particular Cormoran Strike procurando sua ajuda na investigação de um crime que ele pensa ter testemunhado quando criança, Strike fica profundamente aflito. Embora tenha problemas mentais evidentes e não consiga se lembrar de muitos detalhes concretos, há algo de sincero nele e na história que conta. Mas antes que Strike consiga interrogá-lo melhor, Billy foge de seu escritório em pânico. Tentando chegar ao fundo da história de Billy, Strike e Robin Ellacott — antes sua secretária, agora uma sócia na agência — partem seguindo um rastro tortuoso que os leva pelas ruas do submundo de Londres, até um refúgio secreto dentro do Parlamento e a uma mansão bela, porém sinistra, no interior do país. E durante esta investigação labiríntica, a própria vida de Strike não está nada fácil: graças à fama recente como detetive particular, ele não consegue mais agir nos bastidores, como antigamente. Além disso, sua relação com a antiga secretária carrega mais tensão do que no passado — Robin agora é inestimável para Strike nos negócios, mas a relação pessoal dos dois é muito mais espinhosa.

Após o final bombástico de Vocação Para o Mal, o novo livro de Robert Galbraith vem para elucidar o que aconteceu após o casamento de Robin e Matthew. Strike e ela fazem as pazes e ele pede para que ela volte ao trabalho – mas não é só isso que acontece no casamento. De cara, os sentimentos que até então estavam sutis nos volumes anteriores ficam muito mais evidentes, e é nítido que Robin e Strike sentem mais do que amizade e camaradagem um pelo outro. Ainda assim, movida por diversos sentimentos (culpa, confusão, incerteza), Robin acaba dando uma chance ao casamento – cuja viagem para a lua de mel a afasta de vez de Strike.

Um ano depois, o relacionamento dos dois está abalado, restringindo-se à esfera profissional. Porém, eles precisam trabalhar juntos novamente em um caso quando o jovem Billy, um garoto perturbado, invade o escritório e alega ter visto um assassinato quando era criança. As coisas ficam ainda mais estranhas quando a dupla de detetives é procurada pelo Ministro da Cultura, Jasper Chiswell, que alega estar sendo chantageado por ninguém mais, ninguém menos que o irmão do tal Billy. Isso é o suficiente para que uma pulga persistente fique atrás da orelha de Strike, que aceita o caso e decide investigar Billy também.

Com 656 páginas, é óbvio que acontece MUITA coisa em Branco Letal. Acompanhamos Strike e Robin investigando diversos ambientes – incluindo a Câmara dos Comuns, onde Robin se infiltra para investigar outros políticos – e também várias pessoas diferentes. Enquanto tenta descobrir os segredos daqueles que chantageiam Chiswell, Strike também tenta juntar as peças que formam o quebra-cabeça da história (não tão) maluca de Billy. Porém, é lá pela metade do livro que uma reviravolta surpreendente acontece, e eu diria que é a partir daí que as coisas realmente ganham fôlego. 

branco letal robert galbraith

O maior trunfo de Branco Letal está no desenvolvimento da dupla de detetives que tanto me cativa. Strike e Robin têm seus sentimentos mais explorados do que nunca nesse volume, e muitas vezes seus anseios ganham mais destaque do que a investigação. Sendo fã da série principalmente por causa deles, gostei muito disso e me envolvi com seus dramas – especialmente de Robin, que casou com um verdadeiro embuste. Além disso, esse aprofundamento dos personagens também vai sustentando as mudanças pelas quais eles passam e dão mais força aos seus sentimentos. Por outro lado, o ponto fraco do livro está em uma característica que já pontuei em volumes anteriores: Robert Galbaith enrola demais. Definitivamente, Branco Letal poderia ser um livro mais ágil e mais curto, especialmente quando penso que aquilo que realmente bota a história em movimento acontece lá pela metade (pois, até então, a investigação estava super morna). Sendo bem sincera, existem plots e personagens que são praticamente descartáveis, cuja resolução é tão simplória que poderiam ter sido facilmente removidos (selecione se quiser ler: na boa, todo o auê envolvendo o Billy foi desnecessário, e Robert Galbraith poderia ter feito a história ser bem mais dinâmica sem perder tempo com isso).

Apesar de ser um livro inegavelmente mais longo do que o necessário, a narrativa envolvente da qual tanto gosto não me decepcionou. Mesmo com tantas páginas e plots que pareciam não ter fim, era gostoso ler Branco Letal, e as páginas fluíam com muita facilidade. Tinha dias que eu lia um monte e ficava com aquele gosto de quero mais, sem vontade de ir dormir porque precisava de mais um capítulo. E, quando um livro consegue me causar essa sensação, eu consigo perdoá-lo por ser um pouco prolixo. 😛 Além disso, vale mencionar o final, que trouxe uma resolução bastante surpreendente – me senti enganada pelo(a) culpado(a) e adoro quando isso acontece!

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Sobre questões técnicas da edição em si: há algumas falhas de revisão, e em alguns momentos o nome dos personagens aparece errado, o que me incomoda um pouco. Também não curti muito que a identidade visual da capa tenha mudado, porque agora os livros não combinam na estante. 😦 Por outro lado, amei ver que nessa capa Strike não está sozinho, tendo a companhia de Robin! ❤ Nada mais justo, agora que eles são oficialmente sócios!

Resumindo, Branco Letal foi um livro do qual gostei bastante, apesar de ser desnecessariamente longo. A narrativa de Robert Galbraith sempre me envolve, e o carisma de Strike e Robin, que me cativou desde O Chamado do Cuco, está presente. O final surpreende, com uma ótima reviravolta, e ainda traz novas possibilidades bem interessantes para os protagonistas. Não vejo a hora de conferir a próxima aventura da dupla e, apesar dos deslizes que o autor possa cometer, sei que é grande a probabilidade de eu novamente adorar a experiência. ❤

Título Original: Letal White
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 656
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Love Is: Ilustrações Sobre o Amor – Puuung

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei do fofíssimo Love Is: Ilustrações Sobre o Amor, da ilustradora sul-coreana Puuung.

love isGaranta o seu!

Sinopse: Com suas ilustrações sensíveis e criativas, a jovem artista Puuung escolheu celebrar o amor cotidiano, retratando o dia a dia de um casal apaixonado, inspirando-se nos momentos que ela própria compartilhou com o namorado. Puuung acredita, no entanto, que qualquer casal pode se sentir retratado em suas ilustrações e a série de animação com os mesmos personagens.

Do que é feito um grande amor? De grandes gestos? De declarações colossais? Para Puuung, o amor está nas pequenas atitudes do dia a dia, no carinho cotidiano, na simplicidade que mantém o amor aceso.

Por meio de ilustrações singelas, em estilo aquarelado e traço simples, Puuung celebra os detalhes que transformam uma situação comum em um gesto de amor. Seja colocando um cobertorzinho na pessoa amada, para protegê-la do frio quando ela pegou no sono; seja trazendo algo que você sabe que ela ama comer; seja nos diálogos sobre tudo e sobre nada; seja em trabalhar juntinhos, no mesmo ambiente, mesmo que em projetos separados; seja em dar aquele abraço apertado quando tudo que a pessoa precisa é chorar.

Love Is: Ilustrações sobre o amor é um livro que aquece o coração e demonstra que o amor é construído dia a dia, com dedicação e comprometimento. São os pequenos gestos, o cuidado e o carinho constantes, que mantêm o sentimento vivo. Vejam as fotos abaixo e me digam: tem como não se encantar com essa obra (que, aliás, é uma ótima opção de presente romântico)? ❤

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Título Original: Puuung Illustration Book Love is
Autor: Puuung
Editora: Fábrica231 (selo da Editora Rocco)
Número de páginas: 208
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Livro cedido em parceria com a editora.
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Resenha: O Jogo do Coringa – Marie Lu

Oi gente, tudo bem?

Depois de muita espera e ansiedade, hoje vim contar pra vocês o que achei de O Jogo do Coringa, continuação de Warcross. ❤ Ah, fica o aviso: o texto possui spoilers do livro anterior.

o jogo do coringa marie luGaranta o seu!

Sinopse: Emika Chen quase não conseguiu sair viva do campeonato de Warcross. Agora que ela sabe a verdade por trás do algoritmo e Hideo no NeuroLink, ela não pode mais confiar na pessoa que ela mais acreditava estar do seu lado. Determinada a parar os terríveis planos de Hideo, Emika e os Phoenix Riders se juntam para lutar contra uma nova ameaça a solta nas ruas iluminadas de Tokyo. Entretanto, ela vai descobrir que tudo tem seu preço e que a história por trás de Zero vai muito além do que ela achava que conhecia. Uma vez dentro dessa história, o único caminho é seguir em frente. Determinada a salvar todos que ama, Emika não vai poupar esforços para descobrir a verdade sobre a história da família de Hideo, destruir seu algoritmo e salvar o mundo de Warcross.

Depois de descobrir a verdade sobre o algoritmo de Hideo, bem como sobre a identidade de Zero, Emika Chen se vê em uma verdadeira encruzilhada: tentar caçar o homem que ama sozinha ou se juntar a seu inimigo na missão de impedir Hideo. Após um ataque no mundo real, do qual ela é salva por uma assassina que trabalha para Zero, Emika decide juntar-se a ele – ainda que cheia de desconfianças. A jovem conhece então a organização dos Blackcoats, da qual Zero faz parte, que alega ser uma espécie de justiceira, impedindo que grandes poderes fiquem sob a responsabilidade de uma única pessoa. A partir desse momento, a missão de Emika é se aproximar novamente de Hideo e impedir que ele instale o algoritmo em todas as lentes NeuroLink remanescentes, de modo a ter controle total sobre os pensamentos das pessoas. Porém, a garota também decide investigar mais a fundo o passado sombrio de seus novos “aliados”.

Assim como aconteceu comigo durante a leitura de Warcross, achei o início de O Jogo do Coringa um pouco arrastado. Emika perdeu muito de seu protagonismo, ficando refém de diversas situações que a impediam de efetivamente agir. Especialmente no primeiro terço da obra eu senti falta de sua impetuosidade e temi que ela acabasse se tornando a típica mocinha que precisa ser salva. A verdade é que, infelizmente, Emika acabou ofuscada, sendo alguém pouco ativa na obra – com exceção, talvez, das sequências finais, em que seu pensamento lógico acabou sendo útil. Aqui, Hideo acabou tendo um papel muito mais decisivo, assim como o próprio Zero. E vale dizer que o embate entre os dois, pra mim, foi a parte mais interessante de O Jogo do Coringa (que de “jogo da Coringa”, Emika, não teve praticamente nada).

Marie Lu também aprofunda um pouquinho mais o background dos companheiros de time de Emika, algo que eu tinha sentido falta em Warcross. Apesar de ainda ser um desenvolvimento raso, alguns deles ganharam camadas que os tornaram mais interessantes (especialmente Roshan e Tremaine, que acaba se tornando um aliado valioso). Além dos personagens antigos, temos a inserção de dois novos elementos importantíssimos para a trama: a Dra. Dana Taylor e Jax, ambas dos Blackcoats. A primeira é uma mulher enigmática e discreta; a segunda é a assassina que fica encarregada de proteger Emika, cujo laço misterioso com Zero é bastante instigante.

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Assim como ocorre em Warcross, o plot twist trazido aqui é muito bom e me pegou totalmente desprevenida. Quando você acha que não há muito mais a aprofundar sobre determinados personagens, o livro não hesita em mostrar que você está errado. E, seguindo o exemplo de se seu antecessor, O Jogo do Coringa novamente traz à tona discussões sobre o papel da tecnologia, sobre (falta de) ética em pesquisa, sobre nossas responsabilidades acerca das decisões que tomamos e sobre o real controle que exercemos (ou não) em nosso dia a dia, em meio a tantas evoluções e possibilidades hi-tech. A única coisa que me decepcionou em relação ao final foi o destino de um personagem-chave, que acaba sendo otimista demais em um cenário em que aquilo não parecia “caber”, dando uma sensação forçada e tirando a força de momentos emocionantes e decisivos. Se já tiver lido e quiser saber de quem estou falando, selecione a frase a seguir: para mim, Zero/Sasuke não deveria ter sobrevivido após a destruição do NeuroLink. Quando percebemos que o personagem segue vivo em forma de dados, muito do impacto da cena (e da reação de Hideo) acaba desperdiçado.

Com cenas muito emocionantes – cheias de dor, saudade e arrependimento –, grandes exemplos de amizade e personagens imperfeitos, O Jogo do Coringa é uma obra que encerra de maneira satisfatória a história iniciada em Warcross. E sem deixar de lado as cenas de ação alucinantes e os plot twists de tirar o fôlego! Apesar do segundo volume ser um pouquinho inferior em relação ao primeiro, eu gostei demais desse universo tecnológico criado por Marie Lu. E se você ainda não conferiu essa duologia incrível, está na hora de adentrar em Warcross também. 😉

Título Original: Wildcard
Série: Warcross
Autor: Marie Lu
Editora: Fantástica Rocco (selo da Editora Rocco)
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
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