Resenha: O Jogo do Coringa – Marie Lu

Oi gente, tudo bem?

Depois de muita espera e ansiedade, hoje vim contar pra vocês o que achei de O Jogo do Coringa, continuação de Warcross. ❤ Ah, fica o aviso: o texto possui spoilers do livro anterior.

o jogo do coringa marie luGaranta o seu!

Sinopse: Emika Chen quase não conseguiu sair viva do campeonato de Warcross. Agora que ela sabe a verdade por trás do algoritmo e Hideo no NeuroLink, ela não pode mais confiar na pessoa que ela mais acreditava estar do seu lado. Determinada a parar os terríveis planos de Hideo, Emika e os Phoenix Riders se juntam para lutar contra uma nova ameaça a solta nas ruas iluminadas de Tokyo. Entretanto, ela vai descobrir que tudo tem seu preço e que a história por trás de Zero vai muito além do que ela achava que conhecia. Uma vez dentro dessa história, o único caminho é seguir em frente. Determinada a salvar todos que ama, Emika não vai poupar esforços para descobrir a verdade sobre a história da família de Hideo, destruir seu algoritmo e salvar o mundo de Warcross.

Depois de descobrir a verdade sobre o algoritmo de Hideo, bem como sobre a identidade de Zero, Emika Chen se vê em uma verdadeira encruzilhada: tentar caçar o homem que ama sozinha ou se juntar a seu inimigo na missão de impedir Hideo. Após um ataque no mundo real, do qual ela é salva por uma assassina que trabalha para Zero, Emika decide juntar-se a ele – ainda que cheia de desconfianças. A jovem conhece então a organização dos Blackcoats, da qual Zero faz parte, que alega ser uma espécie de justiceira, impedindo que grandes poderes fiquem sob a responsabilidade de uma única pessoa. A partir desse momento, a missão de Emika é se aproximar novamente de Hideo e impedir que ele instale o algoritmo em todas as lentes NeuroLink remanescentes, de modo a ter controle total sobre os pensamentos das pessoas. Porém, a garota também decide investigar mais a fundo o passado sombrio de seus novos “aliados”.

Assim como aconteceu comigo durante a leitura de Warcross, achei o início de O Jogo do Coringa um pouco arrastado. Emika perdeu muito de seu protagonismo, ficando refém de diversas situações que a impediam de efetivamente agir. Especialmente no primeiro terço da obra eu senti falta de sua impetuosidade e temi que ela acabasse se tornando a típica mocinha que precisa ser salva. A verdade é que, infelizmente, Emika acabou ofuscada, sendo alguém pouco ativa na obra – com exceção, talvez, das sequências finais, em que seu pensamento lógico acabou sendo útil. Aqui, Hideo acabou tendo um papel muito mais decisivo, assim como o próprio Zero. E vale dizer que o embate entre os dois, pra mim, foi a parte mais interessante de O Jogo do Coringa (que de “jogo da Coringa”, Emika, não teve praticamente nada).

Marie Lu também aprofunda um pouquinho mais o background dos companheiros de time de Emika, algo que eu tinha sentido falta em Warcross. Apesar de ainda ser um desenvolvimento raso, alguns deles ganharam camadas que os tornaram mais interessantes (especialmente Roshan e Tremaine, que acaba se tornando um aliado valioso). Além dos personagens antigos, temos a inserção de dois novos elementos importantíssimos para a trama: a Dra. Dana Taylor e Jax, ambas dos Blackcoats. A primeira é uma mulher enigmática e discreta; a segunda é a assassina que fica encarregada de proteger Emika, cujo laço misterioso com Zero é bastante instigante.

resenha o jogo do coringa marie lu.png

Assim como ocorre em Warcross, o plot twist trazido aqui é muito bom e me pegou totalmente desprevenida. Quando você acha que não há muito mais a aprofundar sobre determinados personagens, o livro não hesita em mostrar que você está errado. E, seguindo o exemplo de se seu antecessor, O Jogo do Coringa novamente traz à tona discussões sobre o papel da tecnologia, sobre (falta de) ética em pesquisa, sobre nossas responsabilidades acerca das decisões que tomamos e sobre o real controle que exercemos (ou não) em nosso dia a dia, em meio a tantas evoluções e possibilidades hi-tech. A única coisa que me decepcionou em relação ao final foi o destino de um personagem-chave, que acaba sendo otimista demais em um cenário em que aquilo não parecia “caber”, dando uma sensação forçada e tirando a força de momentos emocionantes e decisivos. Se já tiver lido e quiser saber de quem estou falando, selecione a frase a seguir: para mim, Zero/Sasuke não deveria ter sobrevivido após a destruição do NeuroLink. Quando percebemos que o personagem segue vivo em forma de dados, muito do impacto da cena (e da reação de Hideo) acaba desperdiçado.

Com cenas muito emocionantes – cheias de dor, saudade e arrependimento –, grandes exemplos de amizade e personagens imperfeitos, O Jogo do Coringa é uma obra que encerra de maneira satisfatória a história iniciada em Warcross. E sem deixar de lado as cenas de ação alucinantes e os plot twists de tirar o fôlego! Apesar do segundo volume ser um pouquinho inferior em relação ao primeiro, eu gostei demais desse universo tecnológico criado por Marie Lu. E se você ainda não conferiu essa duologia incrível, está na hora de adentrar em Warcross também. 😉

Título Original: Wildcard
Série: Warcross
Autor: Marie Lu
Editora: Fantástica Rocco (selo da Editora Rocco)
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.
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Resenha: A Mulher na Janela – A. J. Finn

Oi gente, tudo bem?

Há muito tempo eu estava com A Mulher na Janela na wishlist, e estava determinada a ler antes da estreia do filme. Mas é como dizem né: não alimente o Monstro da Expectativa. 🤐 E já conto pra vocês porquê!

a mulher na janela aj finn.pngGaranta o seu!

Sinopse: Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e… espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle?

Anna Fox é uma mulher que vive reclusa em sua casa, abusando da mistura de remédios e álcool. A personagem sofre de agorafobia (um transtorno que, no caso dela, está relacionado ao medo de lugares abertos), está separada do marido e da filha e encontra distração para seus dias em hobbies como ajudar estranhos em um fórum para agorafóbicos, jogar partidas de xadrez online e, é claro, em stalkear seus vizinhos pela janela, utilizando o zoom poderoso de sua câmera. Quando os Russells chegam para ocupar a casa em frente à sua, Anna fica obcecada em observar seus passos, sendo eles um reflexo da família feliz que a sua própria costumava ser. Anna rapidamente faz amizade com o filho do casal, Ethan, e sua mãe, Jane; entretanto, em uma noite particularmente cheia de vinho, Anna presencia o assassinato da vizinha. O problema é que, ao chamar a polícia, ninguém acredita nela – e uma mulher que ela nunca viu antes se apresenta como Jane.

O plot de “eu vi um crime acontecer e ninguém acredita em mim” rapidamente me fez lembrar do ótimo A Mulher na Cabine 10. O problema aqui é que Anna não é uma personagem carismática: ela é alguém que sofre de um transtorno que provoca empatia, mas cuja personalidade não causa o mesmo efeito. Durante as primeiras 100 páginas do livro nada acontece, e vemos somente a rotina enclausurada da protagonista, que não faz outra coisa além de beber, assistir a filmes antigos, participar do fórum e jogar xadrez. A verdade é que o início do livro é extremamente enfadonho e, somado ao fato de que Anna é uma teimosa que faz tudo errado (como, por exemplo, mentir para seu psiquiatra e tomar os remédios com álcool – algo proibido em seu tratamento), fica ainda mais difícil criar afeição por ela.

A casa da protagonista é como um personagem próprio: assim como Anna, a casa está caindo aos pedaços. Suja, mal-cuidada e com traços de descaso, a casa não é somente um cenário para o livro, mas uma fonte de apoio para a protagonista. Somente naquele ambiente Anna sente-se protegida e, portanto, quando Anna começa a ter sua privacidade violada, o livro começa a ficar mais interessante. Certa de que um crime foi cometido na casa dos Russells, Anna cria uma situação bastante delicada com a polícia e os vizinhos, que contestam sua sanidade e a fazem duvidar de si mesma. É nesse momento que acontece o plot twist mais interessante do livro (mais precisamente, na página 261). Sim, a coisa mais interessante da trama demora mais de 200 páginas pra acontecer. 😦

resenha a mulher na janela

Entretanto, devo elogiar o cuidado de A. J. Finn em costurar todos os detalhes da trama. Mesmo as partes mais cansativas da rotina de Anna acabam tendo um propósito e explicam detalhes fundamentais do mistério que a personagem vive. Entretanto, isso também gerou outra questão: previsibilidade. A revelação final foi extremamente frustrante pra mim, que já desconfiava de quem era o culpado e como muitas coisas haviam sido feitas muitas e muitas páginas antes. O lado bom é que elas fizeram sentido, o lado ruim é que o livro não me trouxe um pingo de surpresa. E se você ficou curioso pra saber o que estou falando, selecione o spoiler a seguir: pra mim ficou óbvio que Ethan era o culpado quando o gato, Punch, passou a fugir dele. Animais não mudam assim, de graça, portanto atribuí o novo comportamento de Punch à culpa de Ethan. Além disso, desde o início da trama eu desconfiei da GrannyLizzie, do fórum. Quando Anna começou a se abrir com ela e falar demais sobre a vida pessoal (algo que a personagem não costuma fazer), pensei: “ih, isso aí vai dar merda”. Dito e feito.

Não sei se minhas expectativas estavam altas demais, se as resenhas que li não foram diversas o suficiente ou se simplesmente o livro não funcionou comigo. A verdade é que não gostei de A Mulher na Janela, e os motivos são basicamente o fato da primeira metade ser enfadonha e a segunda ser previsível. Como estou acostumada a ler thrillers e livros policiais, está sendo cada vez mais difícil uma obra do gênero me surpreender, então talvez isso tenha influenciado nessa minha experiência de leitura. Ainda assim, acredito que vou gostar da adaptação cinematográfica, especialmente se a direção optar por focar na tensão dentro da casa e em criar um clima de angústia (que, na obra literária, eu quase não senti). Mas, para ser justa, admito que a sequência de ação no final do livro é bem bacana e acho que vai ficar beeem aflitiva no filme. Então, para resumir: não considero A Mulher na Janela imperdível, mas se você não tiver o hábito de ler esse estilo literário, talvez ele possa te surpreender. Arriscar ou não fica a seu critério! 😉

Título Original: The Woman in the Window
Autor: A. J. Finn
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 352
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Resenha: Uma Curva no Tempo – Dani Atkins

Oi gente, tudo bem?

Em fevereiro, o tema da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) foi “livros encalhados”. Basicamente, listamos aqueles livros que estavam esperando há um tempão na estante (ou nos e-readers rs) e que nunca ganhavam vez.

uma amiga indicou

A Carol, do Caverna Literária, me indicou a leitura de Uma Curva no Tempo, e hoje vim contar pra vocês o que achei. Preparem os lencinhos!

uma curva no tempo dani atkins.pngGaranta o seu!

Sinopse: A noite do acidente mudou tudo… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim… Ou funciona? A noite do acidente foi uma grande sorte… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel é perfeita. Ela tem um noivo maravilhoso, pai e amigos adoráveis e a carreira com que sempre sonhou. Mas por que será que ela não consegue afastar as lembranças de uma vida muito diferente?

Rachel vivia uma vida praticamente perfeita: estava terminando o Ensino Médio, tinha um namorado lindo e em breve iria para a faculdade. Até que, no jantar de despedida com os amigos, um acidente mudou tudo. Um carro desgovernado atingiu o restaurante no qual eles estavam e seu melhor amigo, Jimmy, morreu ao salvar a vida de Rachel. O livro então dá um salto para 5 anos para o futuro (vou chamar de realidade A) e descobrimos que a vida da protagonista saiu totalmente dos trilhos: ela convive com dores de cabeça atordoantes, mora em um apartamento minúsculo e nunca foi para a faculdade. A morte de Jimmy afetou Rachel das mais diferentes maneiras e ela sente o luto com uma intensidade esmagadora. Quando é forçada a voltar à sua cidade natal para o casamento de sua outra melhor amiga, Sarah, Rachel decide confrontar a sua dor e visitar a lápide de Jimmy; entretanto, uma crise de enxaqueca a faz desmaiar e bater a cabeça no chão frio do cemitério. E então o livro nos mostra outra realidade 5 anos depois do acidente – que agora vou chamar de realidade B. Nela, Rachel conquistou tudo o que queria: seu namoro de Ensino Médio transformou-se em noivado, ela formou-se em jornalismo e tem um apartamento incrível. Porém, ao voltar à cidade natal para o casamento de Sarah, um assalto faz com que ela caia no chão e bata a cabeça com força. Quem acorda na realidade B, entretanto, é a Rachel da realidade A, e ela se depara com esse turbilhão de novidades, sendo a principal delas o fato de que Jimmy está vivo. O problema é que ela não tem nenhuma memória dessa linha do tempo e tenta a todo custo provar que as vivências estão trocadas.

Dani Atkins consegue nos deixar tão confusos quanto Rachel quando as realidades paralelas – se é que podemos chamar assim – se misturam. De certa forma, conhecemos a Rachel A (da realidade em que Jimmy morreu), depois Rachel B (da realidade em que Jimmy não morreu) e, por fim, Rachel A inserida na realidade da Rachel B. Deu pra entender, né? 😂 Entretanto, acredito que a autora tenha dedicado tempo demais ao momento de confusão da “Rachel A”, com muitas e muitas páginas desenvolvendo sua estranheza com aquele mundo e sua tentativa de retornar ao velho. Isso torna a reação dela verossímil? Talvez. Mas quando você vive uma vida terrível e tem a chance de recomeçar, você realmente tentaria voltar? Eu, no lugar dela, acho que não. E todo esse plot de Rachel tentando se conectar com sua “verdadeira realidade” acaba sendo um pouco cansativo, porque não ajuda a conferir carisma à protagonista-narradora.

Com o passar das páginas, Rachel tem a oportunidade de se aproximar de uma versão adulta de Jimmy e finalmente confrontar uma situação que todos ao seu redor já tinham percebido, menos ela: o sentimento que o rapaz sempre nutriu a vida toda pela melhor amiga. Na nova realidade, Rachel tem a chance de visualizar como as coisas poderiam ser entre eles e percebe que Jimmy – ou melhor, seus sentimentos por ele – sempre foram a resposta para tudo que ela viveu desde o acidente. E, já que o rapaz está em pauta, devo dizer que o personagem é um amor, mas não causa o mesmo impacto da linha do tempo “original”. Acontece que o relato de Rachel sobre a noite do acidente deixou a importância de Jimmy tão evidentes que o apego foi instantâneo – assim como a dor que sentimos quando descobrimos que ele se foi.

resenha uma curva no tempo

Apesar do romance ser um aspecto importante da trama, meu conselho pra vocês é o seguinte: não se deixem enganar pela capa e pela sinopse, essa não é só uma história de amor. Eu me mantive desconfiada durante a leitura inteira e simplesmente não consegui comprar aquilo que Rachel estava vivendo como real. A verdade é que o livro fala sobre perda, escolhas, a importância da família e o quanto, muitas vezes, gostaríamos de ter uma segunda chance na vida. Além disso, a obra também mostra a importância de abrir o coração, falar o que sente e ser honesto consigo mesmo. Nunca sabemos qual será a próxima oportunidade de fazê-lo, então cada dia importa e cada momento é único, justamente por sua fugacidade. O final do livro é um pouco previsível, pois as pistas estavam todas lá, no decorrer das páginas. Ainda assim, é impossível não concluir a leitura com um misto de tristeza e conformidade, pois ele nos faz pensar que talvez tenha sido melhor daquele jeito. Afinal, na situação apresentada pela obra, o que é melhor: viver uma realidade esmagadora ou aquilo que você sempre sonhou, ainda que com sacrifícios? Portanto, o fim acaba tendo um sabor agridoce.

Falando um pouco sobre o que não curti na obra: existem alguns erros de continuidade ao longo do livro (por exemplo: uma hora a Rachel fala em cinco anos e em outro, sete). Também menciona que jamais revelaria x informação ao pai, e páginas depois ela o faz. São pequenos detalhes que não chegam a atrapalhar a trama, mas os notei. Outro aspecto não tão legal diz respeito ao fato de que as coisas demoram a “pegar no tranco”, especialmente pela confusão experimentada por Rachel A ao acordar na realidade B. O livro se demora muito nisso e, somado ao fato de que a narrativa de Dani Atkins é mais poética e trabalhada, a leitura não foi tão ágil quanto eu esperava.

Em suma, Uma Curva no Tempo me agradou bastante, mesmo não entrando para o meu hall de favoritos. É um livro tocante, que utiliza uma situação triste para trazer belas lições. Se você gosta de romances dramáticos, vale a pena dar uma chance. Porém, prepare-se para as eventuais lágrimas que surgirem pelo caminho. 😉

Título Original: Fractured
Autor: Dani Atkins
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 240
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Resenha: Desafiando as Estrelas – Claudia Gray

Oi gente, tudo bem?

A resenha de hoje é sobre Desafiando as Estrelas, um livro de ficção científica cheio de cenas de ação.

desafiando as estrelas claudia gray.pngGaranta o seu!

Sinopse: Noemi Vidal é uma soldado do planeta Gênesis, que um dia já foi uma colônia da Terra e hoje está em guerra por sua independência. Os humanos da Gênesis lutaram contra os exércitos de mecans, robôs humanoides terrestres, por décadas e o conflito não parece estar chegando ao fim. Depois de um ataque surpresa, Noemi acaba presa em uma nave abandonada, onde conhece Abel, o protótipo mecan mais sofisticado já feito. E ele deveria ser seu inimigo. Mas a programação de Abel o força a obedecer a Noemi como sua comandante, o que significa que ele tem que ajudar a salvar a Gênesis — mesmo que o plano dela para chegar à vitória implique a morte dele. Forçados a trabalhar juntos, os dois embarcam numa perigosíssima aventura pela galáxia e se veem obrigados a questionar tudo o que sempre tomaram como verdade absoluta.

Em um futuro muito distante, a Terra atingiu avanços tecnológicos memoráveis, criando inclusive andróides humanóides – chamados mecans, cujos modelos vão de B a Z – com as mais diversas funções: temos o modelo Tare, para a medicina, as Rainhas e os Charlies para a guerra, entre muitos outros. Porém, o avanço tecnológico também culminou na total destruição do meio ambiente, tornando o planeta incapaz de suportar a quantidade de seres humanos que nele vivia. Assim, a Terra conseguiu colonizar outros planetas no que agora é chamado de Loop, um sistema que envolve a própria Terra e seus mundos: Stronghold (onde se extrai ferro, minério e afins), Cray (um local árido, em que vivem as maiores mentes e cientistas oriundos da Terra), Kismet (uma espécie de destino paradisíaco, para onde vão os ricos e famosos de férias) e Gênesis (o planeta mais parecido com a própria Terra). Acontece que a Gênesis iniciou a chamada Guerra da Liberdade, de modo a ter independência da Terra, pois acredita que os terráqueos farão com eles o mesmo que fizeram com o próprio planeta: exploração e destruição.

O plot por si só já é extremamente interessante, com uma construção de universo riquíssima e cheia de detalhes a serem explorados. Isso fica ainda mais interessante quando conhecemos nossos dois protagonistas-narradores: Noemi Vidal, uma jovem de 17 anos e soldado da Gênesis, e Abel, o mecan mais avançado da galáxia e único exemplar do modelo A, criado pelo próprio Burton Mansfield (a mente por trás da invenção dos mecans). Os dois se reúnem da maneira mais improvável: Noemi vê sua melhor amiga se ferir em uma batalha inesperada e a conduz até uma nave aparentemente abandonada; o que ela não sabia é que Abel estava preso lá há 30 anos, após a fuga da tripulação e de seu criador. As coisas ficam ainda mais surpreendentes quando Abel é forçado por sua programação a obedecer a maior autoridade humana à bordo, tornando Noemi sua comandante. A jovem agarra essa chance e traça um plano envolvendo Abel e a destruição do Portão Gênesis, uma construção que une buracos de minhoca e permite viagens espaciais – inclusive dos mecans da Terra, que dizimam cada vez mais soldados da Gênesis. Para isso, os dois partem em uma missão que envolve explorar a galáxia em busca do objeto capaz de destruir o Portão.

É muito difícil falar sobre esse livro sem me aprofundar um pouco mais sobre o enredo, mas acredito que tenha conseguido contar tudo que vocês precisam saber para entender a trama. Apesar de parecer complexo, Desafiando as Estrelas vai apresentando os fatos de maneira gradual e facilmente compreensível. Com o passar dos capítulos, vamos aprendendo mais sobre a personalidade fechada e a baixa autoestima de Noemi, sobre sua relação com a melhor amiga, sobre sua conexão com o planeta natal, sobre a extensão do universo, bem como sobre a solidão sentida por Abel ao longo dos 30 anos presos na nave, sua maneira peculiar de funcionar, os aspectos orgânicos e cibernéticos que formam seu corpo, as novas conexões neurais que seu cérebro foi capaz de produzir nas últimas três décadas… Ou seja, nenhuma informação é jogada de modo brusco ao leitor, tornando fácil acreditar e assimilar esse novo mundo que Claudia Gray propõe.

resenha desafiando as estrelas.png

E como não amar a dinâmica de Noemi e Abel? Os dois começam a trama como inimigos declarados, tornam-se cúmplices e parceiros, desenvolvem uma amizade sólida e, por fim, sentimentos mais profundos florescem. Só que tudo isso ocorre de maneira gradual, após atitudes e situações que fazem com que tudo faça sentido. Abel inicialmente é compelido a ajudar Noemi devido à sua programação, mas ao conviver com ela percebe sua coragem, seu altruísmo e seu caráter. A jovem, por outro lado, pouco a pouco percebe que Abel está longe de ser somente uma máquina, mas sim um ser diferente de tudo que ela já viu, com pensamentos e opiniões próprias… com uma alma (e vamos separar um minuto para exaltar o fato da personagem ser latina? Já quero ver essa representatividade em um filme ou série!). O melhor de tudo é que cada um aflora no outro o melhor que eles podem ser: enquanto Noemi é a primeira a acreditar na alma de Abel, ele mostra a ela o quanto sua vida é valiosa e o quanto ela é importante. Mas, se eu tivesse que escolher um favorito, acho que ficaria com Abel. Os comentários práticos e diretos dele me divertiram demais (especialmente quando ele sugere prostituição como a solução óbvia para conseguirem dinheiro HAHAHA! Sério, essa cena é bem engraçada).

Outro aspecto muito bacana do livro é que ele nos mostra que as coisas nem sempre são o que parecem ser. Conforme vai conhecendo outras realidades – e as dificuldades que os seres humanos passam em todos os planetas do Loop –, Noemi passa a questionar o quão correto é a Gênesis se fechar para os outros mundos. Ao conviver com pessoas diferentes, a jovem passa a abrir sua mente e entender que nada é preto no branco, e que suas crenças sobre os mundos do Loop eram deturpadas e sem proximidade com a realidade; isso fica nítido em sua relação com Abel. Se antes ela julgava os mecans seres descartáveis, somente objetos, o dia a dia com ele a faz perceber que muito do que ela acreditava não era correto. Perceber como a personagem se abre a novas experiências e permite que suas crenças sejam questionadas é algo interessante e saudável, afinal, nem sempre existe uma única verdade que sirva para todos. Agora, como crítica negativa, deixo somente a obviedade do plot twist, que eu já havia previsto muito tempo antes de acontecer.

Desafiando as Estrelas tem uma excelente construção de universo, uma narrativa muito envolvente e personagens excelentes (inclusive os secundários, que surgem enquanto Abel e Noemi exploram o universo). Eu até admito que demorei mais do que o normal para terminar essa leitura e, em alguns momentos, acabei ficando entediada ou com sono, mas atribuo isso ao fato de que o último mês foi muito exaustivo pra mim (por motivos pessoais e profissionais). Desafiando as Estrelas é uma obra excelente, que tem todos os elementos necessários para agradar a fãs de sci-fi ou, simplesmente, leitores que adoram histórias cheias de ação, novos mundos, personagens divertidos e ambientação bem desenvolvida. Recomendo! ❤

Título Original: Defy the Stars
Série: Constelação
Autor: Claudia Gray
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 387
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: A Sutil Arte de Ligar o F*da-se – Mark Manson

Oi gente, tudo bem?

Antes de irmos para o post de hoje, queria lembrá-los de que tá rolando sorteio de A Fogueira (livro de estreia de Krysten Ritter, a Jessica Jones) aqui no blog. Bora participar! ❤
E agora vamos à resenha: o livro em questão é A Sutil Arte de Ligar o F*da-se, uma das minhas últimas leituras de 2018.

a sutil arte de ligar o foda-seGaranta o seu!

Sinopse: Chega de tentar buscar um sucesso que só existe na sua cabeça. Chega de se torturar para pensar positivo enquanto sua vida vai ladeira abaixo. Chega de se sentir inferior por não ver o lado bom de estar no fundo do poço. Coaching, autoajuda, desenvolvimento pessoal, mentalização positiva – sem querer desprezar o valor de nada disso, a grande verdade é que às vezes nos sentimos quase sufocados diante da pressão infinita por parecermos otimistas o tempo todo. É um pecado social se deixar abater quando as coisas não vão bem. Ninguém pode fracassar simplesmente, sem aprender nada com isso. Não dá mais. É insuportável. E é aí que entra a revolucionária e sutil arte de ligar o foda-se. Mark Manson usa toda a sua sagacidade de escritor e seu olhar crítico para propor um novo caminho rumo a uma vida melhor, mais coerente com a realidade e consciente dos nossos limites.

Eu não sou muito adepta a obras de autoajuda, mas foi difícil ignorar um livro cujo título incentiva o leitor a literalmente ligar o foda-se. Sendo eu uma pessoa bastante ansiosa e que se preocupa (até demais) com os outros – e o que os outros pensam de mim -, achei que me faria bem sair da caixa e ler algo com uma proposta como essa. E não é que a experiência foi interessante?

Mark Manson é um autor direto, que dá sua opinião sem meandros. Confesso que durante parte da leitura não simpatizei com ele (vamos combinar, ele é um cara cheio de privilégios), mas não posso negar que as reflexões que ele me propôs foram valiosas. Começando pelo título do livro: ao sugerir que a gente ligue mais o foda-se para as coisas, o autor não quer dizer que a gente não deva ligar pra nada nem ninguém. O que ele quer dizer é que precisamos PRIORIZAR aquilo que verdadeiramente é importante, para que possamos deixar de lado o que não é. Desse modo, paramos de nos estressar com situações que fogem ao nosso controle, que são triviais, que não valem o nosso sono. Esse conceito já foi suficiente pra me fazer pensar e refletir sobre o modo como lido com diversas coisas na vida, então nesse ponto já estava considerando a leitura útil.

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Posteriormente, o autor também discorre sobre como a busca constante pela felicidade é um erro. Em sua opinião, as pessoas fogem tanto das decepções e dores que não se permitem crescer; elas acreditam que seus problemas são únicos, que elas são especiais (no sucesso ou no fracasso) e que ninguém compreende as dificuldades que elas passam – quando, na verdade, a maioria de nós compartilha de problemas muito semelhantes (em maior ou menor grau) e ninguém é tão especial assim. Para Mark Manson, a partir do momento que aceitamos que a dor e a desilusão fazem parte do processo de crescimento, temos coragem para tomar atitudes, resolver problemas e, aí sim, encontrar a felicidade.

Para tal, Mark Manson propõe que repensemos nossos valores. Ele acredita que existam valores ruins e valores bons para guiar nossas escolhas. Os valores ruins estão, basicamente, ligados a terceiros: “sucesso pra mim é ser amado por todos”, por exemplo. É algo que não depende de você, mas de outras pessoas. Portanto, é um grande gerador de ansiedade. Quando você muda seus valores para algo que você possa realizar (como, por exemplo, “ser honesto(a) em meus relacionamentos”), é possível administrar muito melhor aquilo que você realmente deseja para si, inclusive mudar a sua visão sobre sucesso e fracasso.

Eu não concordei com todas as teorias de Mark Manson sobre a vida e nem sempre achei o autor a pessoa mais carismática do mundo. Contudo, não posso negar que A Sutil Arte de Ligar o F*da-se me fez pensar. Ao terminar a leitura, cheguei à conclusão de que ela me fez bem por abrir a minha mente e me mostrar como pode ser saudável ligar o botão do “foda-se” pro que não é importante. 🙂 Vale a pena dar uma chance.

Título original: The Subtle Art of Not Giving a F*ck
Autor: Mark Manson
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 224
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Resenha: Para Sempre Perdida – Amy Gentry

Oi gente, tudo bem?

Mas é claro que a primeira resenha de 2019 seria de um thriller, né? Hoje conto pra vocês o que achei de Para Sempre Perdida.

para sempre perdida amy gentry.pngGaranta o seu!

Sinopse: Transcorridos oito anos de seu sequestro, Julie Whitaker retorna subitamente para casa. A família, ainda que petrificada pela tragédia, se manteve unida e esperou muito por esse momento. Para Anna, no entanto, a volta da filha ao lar desperta mais questões do que respostas, mais dúvidas do que conforto. Ao notar incoerências no discurso da filha, Anna conclui que o seu pesadelo está apenas começando: ela suspeita da identidade da jovem, duvida de seus relatos e conclui que precisa descobrir a verdade sobre o sequestro da filha a qualquer custo.

Quando bati o olho nessa capa e nessa sinopse já me senti instantaneamente curiosa para conferir a trama de uma família que, após enfrentar o sequestro e a perda de sua filha mais velha, se depara com seu súbito retorno oito anos depois. Com o elemento da desconfiança presente – afinal, a mulher que retornou é mesmo Julie, a menina desaparecida? –, esse livro provoca no leitor a sensação de que nenhuma informação é verdadeira.

A narrativa colabora com esse sentimento: os capítulos são intercalados, sendo narrados em primeira pessoa por Anna (mãe de Julie) e em terceira pessoa por jovens que são parte fundamental da trama. São esses os capítulos mais confusos, especialmente no início, porque aparentemente eles não possuem conexão alguma. Com o passar do tempo, entretanto, as peças vão se encaixando e tudo começa a fazer sentido (não posso falar mais nada sem dar spoiler!!!). Minha dica, portanto, é a seguinte: prestem atenção nesses capítulos, pois eles fornecem informações valiosas para compreender o grande mistério da trama.

Ao longo da trama, a autora também aborda as rachaduras familiares causadas pelo sequestro de Julie. Anna e o marido se afastaram, a filha mais nova – que presenciou o sequestro – foi negligenciada pela mãe e os laços entre elas são completamente fragilizados. Achei uma pena que a autora não tenha utilizado Jane, a filha mais nova, como uma das narradoras, já que a personagem carrega um grande trauma e possível culpa por ter presenciado o sequestro da irmã sem poder fazer nada para impedi-lo.

Apesar da autora ter conseguido demonstrar os problemas que a família enfrentou, senti falta de um maior aprofundamento emocional dos personagens. Nos capítulos de Anna temos vislumbres do sofrimento vivido pela família, mas que rapidamente são substituídos pela desconfiança de que aquela mulher não seja realmente sua filha. A partir daí, Anna aceita a ajuda de um detetive particular que está determinado a resolver o mistério. Em contrapartida, os capítulos em terceira pessoa são mais ricos em aprofundamento – porém são todos narrados no passado. Novamente, o desenvolvimento dos personagens no tempo presente acaba sendo superficial.

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Nesse sentido, os capítulos narrados no passado se destacam. Com o passar das páginas, o leitor conhece as dores e as dificuldades vividas pela narradora, que precisou vencer muitos desafios cruéis para sobreviver. É bem interessante como o livro utiliza a performance da fragilidade feminina como meio de sobrevivência: nossa narradora em diversos momentos aparenta ser alguém frágil, que precisa ser salva, como estratégia para atingir seus objetivos. Porém, não digo isso de modo a recriminá-la (apesar das atitudes erradas); ela realmente precisava sobreviver, e usou das ferramentas que tinha para tal. Esse aspecto da obra me lembrou muito de Alias Grace, em que também temos uma personagem feminina valendo-se do estereótipo errôneo construído em torno das mulheres para evitar a morte.

Existem algumas coisas que, para mim não fizeram muito sentido. São spoilers, então pule para o próximo parágrafo se não quiser ler. Primeira questão: se Julie é mesmo Julie, por que a obsessão por esconder o cabelo natural? É normal que cabelos loiros escureçam um pouco ao longo dos anos. Segunda questão: quantos anos afinal tinha Charlie/Maxwell? Ele é descrito como um cara mais velho, mas ao mesmo tempo fazia parte do grupo de jovens da igreja (?). Terceira questão: Julie sumiu aos 13 anos e voltou aos 21. Como Anna teve dificuldades em reconhecer seu rosto? Se fosse uma criança muito mais jovem, eu compreenderia, mas não era o caso. Pessoas não mudam TANTO a fisionomia dos 13 aos 21 anos, o rosto permanece reconhecível, já que nossos traços principais já estão bem definidos. Por outro lado, Julie sofreu muito e isso pode ter envelhecido ou mudado um pouco seu semblante, mas ainda assim… Achei meio forçado, uma conveniência de roteiro (para que Julie tivesse idade e ideias próprias o suficiente para ser ~corrompida por alguém na internet).

O final do livro é bastante satisfatório e consegue conectar a maioria das peças apresentadas ao longo da trama. A justificativa para o que acontece é verossímil, tanto que existem casos parecidos (e bem recentes) no mundo real. O desfecho proporciona algumas reflexões sobre como nem sempre conhecemos a fundo as pessoas que amamos e como é fundamental que exista comunicação e apoio no ambiente familiar. E, é claro, do cuidado que devemos ter com a internet, onde jovens podem ser facilmente seduzidos. Aproveito esse momento também para elogiar a capa, que é fantástica: a foto é super aflitiva e os olhos da menina tendo sua boca tapada são expressivos e comoventes. As cruzes espalhadas pela capa também são muito significativas. No final do livro você compreende como a capa foi bem pensada.

Para Sempre Perdida foi uma leitura satisfatória, com um mistério instigante e uma situação bastante delicada e importante como tema. A autora conseguiu concluir a maior parte das pontas soltas com eficiência, entregando uma história redondinha e bem construída – apesar de triste e dolorosa. Recomendo!

Título original: Good As Gone
Autor: Amy Gentry
Editora: Rocco
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Todos Nós Vemos Estrelas – Larissa Siriani e Leo Oliveira

Oi gente, tudo bem?

Estamos em vibes natalinas por aqui! 🎅🎄 Como diria a Phoebe, de Friends: “Happy Christmas Eve Eve!” 😂 E é claro que vai rolar resenha temática, né? Em parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer, a coluna Uma Amiga Indicou do mês decidiu falar de obras de Natal. 😍uma amiga indicou

Eu resolvi seguir a dica da Pâm e conferir Todos Nós Vemos Estrelas, da Larissa Siriani e Leo Oliveira.

todos nos vemos estrelas.pngGaranta o seu!

Sinopse: Quando o Natal se aproxima, as pessoas ficam mais nostálgicas, amáveis e caridosas. Bem, isso é o que se espera. Porque para Lisa as coisas não são bem assim. Ela só gostaria de passar as férias trancada em seu quarto com seu livro favorito, lendo novamente as aventuras do príncipe Lucien em Trinitam. Mas… E quando seus planos falham miseravelmente e você precisa lidar com acontecimentos inesperados e visitas que parecem – ou talvez sejam mesmo – de outro mundo? Uma novela de fantasia recheada de magia, amizade, família, amor e estrelas. Porque é disso que o Natal é feito.

O que mais me surpreendeu nesse conto é o fato de que, apesar do número limitado de páginas (pouco mais de 100), os autores conseguiram criar duas histórias igualmente instigantes que se conectam e nos conquistam. Lisa é uma menina tímida que ama ler. Sua série favorita é A Glória do Traidor, protagonizada pelo príncipe Lucien. O caminho dos dois se cruza quando Lisa escreve em um caderno que ganhou de amigo secreto (da sua crush, Helô, que faz uma descrição bem ofensiva de Lisa na hora de entregar o presente) que gostaria de ter alguém que realmente a entendesse. Nesse momento, Lucien é transportado das páginas para o mundo real, o que causa uma confusão tremenda em ambos.

É muuuito divertido acompanhar o estranhamento de Lucien no nosso mundo. Lisa tem que explicar tudo a ele, inclusive o uso do banheiro HAHAHA! Existe uma mudança no estilo narrativo que me agradou bastante: os capítulos de Lisa são em primeira pessoa e trazem a fluidez e a modernidade da época dela; os de Lucien são narrados em terceira pessoa por um narrador onisciente. Achei essa escolha acertada, porque mantém o estilo narrativo do livro fictício e combina com obras de fantasia, fazendo o leitor sentir que mesmo em nosso mundo Lucien ainda faz parte de um universo fantástico.

Outro aspecto positivo da leitura é o fato de que 1) Lisa é lésbica e 2) isso não é a coisa mais importante sobre ela. A naturalidade com que a sexualidade da protagonista é trabalhada é muito bacana, e eu sempre fico contente quando vejo esse tema sendo abordado de modo tão tranquilo (como deveria mesmo ser! Espero que um dia cheguemos lá). Representatividade é sempre bem-vinda! ❤ Além disso, o conto consegue abordar a personalidade da protagonista, assim como sua relação com a família e as dificuldades que ela sente de se aproximar da madrasta, Tatiana. Apesar dos assuntos não serem suuuper aprofundados – até pelo número curto de páginas –, eles são trabalhados de modo eficiente para o contexto.

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Minha maior frustração com o conto é saber que A Gloria do Traidor não é de verdade. 😦 Achei a história de Lucien tão interessante que ia amar se os autores decidissem publicá-la! E, como crítica, achei o final um pouco abrupto; é revelada uma grande reviravolta e o leitor não sabe se aquilo realmente acontece ou não. Quando você termina a leitura, a sensação é de “preciso saber o final!!!”, sabem? E eu não gosto dessa sensação. 😛

Tá, mas e o Natal? Ele é só pano de fundo mesmo. O conto acontece na época de Natal, o que pode justificar um pouco a “magia” capaz de realizar o sonho de Lisa e trazer Lucien de Trinitam para nosso mundo. Mas, fora isso, o conto não se preocupa tanto em explorar a data no modo mais “tradicional” (decoração, ceia, etc.). A trama é mais voltada à amizade, a entender as diferenças, a abrir o coração para outra pessoa entrar… Lições muito bonitas que, na minha opinião, combinam muito com essa época. ❤

Todos Nós Vemos Estrelas foi uma grata surpresa que superou minhas expectativas. Divertido, com bons personagens e uma trama construída de maneira eficiente para o número de páginas proposto, é uma ótima opção de leitura para terminar o ano. E também um lembrete de que, se olharmos para o céu, podemos estar mais próximos de quem amamos.

Feliz Natal, povo! 😍🎄

Título Original: Todos Nós Vemos Estrelas
Autores: Larissa Siriani e Leo Oliveira
Editora: Amazon
Número de páginas: 119
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