Resenha: P. S.: Ainda Amo Você – Jenny Han

Oi, pessoal. Tudo certinho?

Hoje vim contar pra vocês minha opinião sobre P.S.: Ainda Amo Você, meu livro favorito da trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei. ❤

capa ps ainda amo voceGaranta o seu!

Sinopse: Lara Jean sempre teve uma vida amorosa muito movimentada, pelo menos na cabeça dela. Para cada garoto por quem se apaixonou e desapaixonou platonicamente, ela escreveu uma bela carta de despedida. Cartas muito dela, muito pessoais, que de repente e sem explicação foram parar nas mãos dos destinatários. Em “Para todos os garotos que já amei”, Lara Jean não fazia ideia de como sair dessa enrascada, muito menos sabia que o namoro de mentirinha com Peter Kavinsky, inventado apenas para fugir do total constrangimento, se transformaria em algo mais. Agora, em “P.S.: Ainda amo você”, Lara Jean tem que aprender como é estar em um relacionamento que, pela primeira vez, não é de faz de conta. E quando ela parece estar conseguindo, um garoto do passado cai de paraquedas bem no meio de tudo, e os sentimentos de Lara por ele também retornam. Uma história delicada e comovente que vai mostrar que se apaixonar é a parte fácil: emocionante mesmo é o que vem depois.

O livro se passa pouco tempo depois do final do primeiro volume, e Lara Jean está decidida a fazer as pazes com Peter, o que acaba acontecendo. Os dois então voltam a namorar e tudo parece perfeito, até que a protagonista sofre um grande impacto emocional: um vídeo dela e de Peter se beijando no ofurô cai na internet, insinuando para o mundo que os dois transaram naquela situação (o que não é verdade). Completamente desestabilizada, Lara Jean encontra conforto na promessa de Peter de que vai descobrir quem fez isso e tirar o vídeo do ar. Contudo, a garota não consegue tirar da cabeça de que a culpada é Genevieve, a ex-namorada dele.

Eu achei muito interessante que Jenny Han tenha trazido uma ideia que se aproxima do revenge porn nesse livro (ainda que não tenha acontecido nada sexual na ocasião). De forma sutil, a autora problematiza e discute a maneira como homens e mulheres são impactados de formas diferentes por essas situações: enquanto a reputação e o dia a dia de Peter mantiveram-se intactos, Lara Jean viu-se sendo julgada por colegas e até mesmo professores. Esse tipo de debate é extremamente importante, ainda mais quando levamos em consideração que é um livro voltado ao público mais jovem. Só por esse aspecto eu já considero que P.S.: Ainda Amo Você tem um grande mérito.

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Além disso, a trama tem alguns “mistérios” que ao mesmo tempo me instigaram e me revoltaram. Peter, que foi um sonho no primeiro livro, se comporta de um modo totalmente babaca nesse volume. Sem revelar o motivo à namorada, ele passa o livro inteiro apoiando e estando presente na vida de Genevieve, dando como desculpa o fato de ela “precisar dele”. Lara Jean, apesar de tentar ser paciente e compreensiva, obviamente se magoa nesse processo. E é aí que um quarto elemento entra em jogo: Jonh Ambrose McClaren, amigo de infância e um de seus antigos amores,. Ele entra em contato com Lara Jean após receber uma de suas cartas de amor enviadas por engano e os dois retomam a amizade. Entretanto, outros sentimentos acabam florescendo, e eu vou ser sincera com vocês: nesse volume, fui #TeamJohn. Eita garoto perfeito, viu? O Peter pisou TANTO na bola com a Lara Jean que, assim como a protagonista, acabei abrindo meu coração pra esse novo personagem se instalar. Sorry not sorry. ¯\_(ツ)_/¯

Apesar de eu não ser fã de triângulos amorosos, a maneira como Jenny Han construiu essa dinâmica foi muito natural e realista. Não houve drama desnecessário ou situações que fugissem da essência dos personagens, o que é extremamente positivo. Apesar da irritação que eu senti em relação à Peter, o livro prendeu tanto minha atenção que o li em um dia, louca pra saber quem Lara Jean escolheria e, também, quem foi responsável por vazar o vídeo do ofurô.

Os temas atuais e pertinentes, o carisma dos personagens e a maneira singela e real como a autora conduziu a história nesse volume fez de P. S.: Ainda Amo Você meu livro favorito da trilogia. É nítido como os personagens evoluíram e amadureceram, mas também é perceptível que a adolescência é um período cheio de desafios que eles ainda precisam vencer. Leitura mais do que recomendada, especialmente para os fãs da Lara Jean. ❤

Título Original: P.S. I Still Love You
Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei
Autor: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304
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Resenha: O Sorriso da Hiena – Gustavo Ávila

Olá pessoal, tudo bem?

Hoje é dia de uma resenha nacional! Vim contar pra vocês o que achei de O Sorriso da Hiena, do autor Gustavo Ávila, uma obra que eu estava ansiosa para conferir há algum tempo. 🙂

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Sinopse: Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitável psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém, a proposta feita pelo misterioso David coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. Para saber se é uma pessoa má por ter presenciado o brutal assassinato dos seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a dele, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma na vida delas. Até onde ele será capaz de ir? É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?

Esse livro já me ganhou na sinopse. Além de ser uma trama policial (que eu adoro!), a discussão que ele promete trazer é extremamente instigante: afinal, o mal nasce com o indivíduo ou é criado a partir de suas experiências? Para descobrir a resposta, o misterioso David entra em contato com William, um psicólogo infantil que estuda justamente essas questões em suas pesquisas acadêmicas. David, aos 8 anos, viu seus pais serem mortos brutalmente na sua frente, e acredita que isso tenha sido um fator determinante para torná-lo o monstro que ele acredita ser no presente. Ele propõe então que William atenda 5 crianças que, em breve, também viverão o mesmo trauma: o homem planeja fazer com suas famílias o que fizeram com a dele. Apesar de inicialmente relutante, a curiosidade científica de William e o sentimento de que ele não faz o suficiente para levar o bem ao mundo o levam a aceitar o acordo. Perseguindo o rastro de sangue que David deixa atrás de si, temos Artur, um dos melhores investigadores da polícia local. Com Síndrome de Asperger, ele tem poucas habilidades sociais, mas um excelente faro e raciocínio lógico. Entretanto, as pistas são escassas, e o caso, mais complexo do que aparenta.

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O Sorriso da Hiena tem uma narrativa extremamente envolvente, bem como um enredo que mexe com o leitor. Ao longo das páginas, vemos a decadência de William enquanto trabalha com as vítimas de David. O personagem, antes ético e centrado, se transforma completamente e ultrapassa todos os limites em nome do seu segredo e de sua pesquisa. Por outro lado, é eletrizante acompanhar o esforço de Artur em juntar as peças e ir em busca de toda e qualquer pista que possa ajudá-lo a descobrir o culpado.

Contudo, o desfecho do livro foi um pouco decepcionante. Fiquei frustrada que poucas coisas tenham efetivamente se resolvido com a ajuda de Artur, pois isso me deu a sensação de que o personagem foi subaproveitado. 😦 Além disso, acredito que a discussão sobre o bem e o mal teve menos espaço e importância do que a sinopse deu a entender.

Apesar das ressalvas e das poucas páginas, O Sorriso da Hiena consegue entregar uma trama policial envolvente e emocionante. Enquanto lia, facilmente conseguia imaginar o livro virando um filme ou série de TV (o que pode realmente acontecer, já que os direitos foram comprados pela Globo). Existem diversas cenas que deixam o leitor aflito e causam aquele senso de urgência necessário a tramas desse tipo. É uma leitura excelente e envolvente. Recomendo! 🙂

Título Original: O Sorriso da Hiena
Autor: Gustavo Ávila
Editora: Verus
Número de páginas: 266
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Resenha: Para Todos Os Garotos Que Já Amei – Jenny Han

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje a dica é um romance muito fofinho que em breve estará também nas telonas: Para Todos Os Garotos Que Já Amei, da Jenny Han! ❤

capa para todos os garotos que ja amei.pngGaranta o seu!

Sinopse: Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.

Lara Jean é uma garota doce e sonhadora. Romântica ao extremo, ela tem o hábito de escrever cartas para todos os garotos por quem já se apaixonou e guardá-las em uma caixa de chapéu. A protagonista vive com o pai e suas duas irmãs, Margot e Kitty (também conhecidas como “as irmãs Song”). Ela e Margot são melhores amigas, e Lara Jean se inspira na irmã mais velha para tudo. Porém, a protagonista tem um segredo doloroso: há anos ela é apaixonada por Josh, namorado de Margot e seu amigo de infância. Esse sentimento, há tanto tempo soterrado, vem à tona quando Margot e Josh terminam, devido à decisão da irmã Song mais velha de estudar fora do país. As coisas se complicam para Lara Jean quando acidentalmente seu segredo é exposto, e ela precisa consertar sua relação com Josh. Para isso, a solução mais rápida na qual consegue pensar é fingir ser namorada de Peter Kavinski – alvo de uma das suas cartas e o garoto mais popular da escola.

Para Todos Os Garotos Que Já Amei pode soar como mais uma comédia romântica na qual a menina nerd finge um relacionamento com o cara popular e, contra todas as chances, os dois acabam se apaixonando. Bom, de fato o livro é sobre isso. Mas o que conquista na obra de Jenny Han é a maneira como os personagens se relacionam e crescem juntos.

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Lara Jean é uma personagem que não me conquistou muito nesse primeiro volume da trilogia. Sua constante mania de se autodepreciar e de se comparar com Margot foram muito irritantes pra mim. Mas ela é uma garota tão gentil e com um coração tão grande que eu entendi o motivo pelo qual as pessoas gostam dela. Josh é um cara legal, mas sem muito brilho. Na verdade, o encanto dele está muito mais nas recordações de Lara Jean a seu respeito do que em sua participação na trama. Quem realmente rouba a cena é o charmosíssimo Peter Kavinski. Ele topa fingir ser namorado de Lara Jean para dar o troco na ex, Genevieve, que o dispensou para ficar com outra pessoa.

Apesar de boa parte do relacionamento de Lara Jean e Peter ser fictício, a dinâmica entre eles é incrível. O mais bacana é que, aos poucos, cada um aprende a ceder um pouquinho, a se comprometer, a fazer parte da vida e do dia a dia um do outro. E não é disso que os relacionamentos são feitos? Com o passar do tempo, Lara Jean vai se tornando mais segura de si graças ao envolvimento com Peter, enquanto ele passa a apreciar cada vez mais a companhia e a personalidade caseira dela, tão diferente da dele. Esse crescimento dos dois é maravilhoso!

Jenny Han soube construir uma relação juvenil que nos deixa suspirando e lembrando de como era ser adolescente. Apesar de eu não ter me apaixonado por Lara Jean nesse volume, eu devorei o livro. Ele é gostoso de ler e traz uma sensação nostálgica e agradável enquanto aquece nossos corações. ❤ Para os fãs de romances bem fofos, é a obra ideal.

Título Original: To All the Boys I’ve Loved Before
Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei
Autor: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 320
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Resenha: O Chamado do Cuco – Robert Galbraith

Oi, pessoal. Tudo certo?

Para o post de hoje trago um livro que, depois de muita expectativa, eu finalmente li no ano passado: O Chamado do Cuco, o primeiro livro policial escrito por J. K. Rowling sob o pseudônimo Robert Galbraith.

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Sinopse: Quando uma modelo problemática cai para a morte de uma varanda coberta de neve, presume-se que ela tenha cometido suicídio. No entanto, seu irmão tem suas dúvidas e decide chamar o detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de guerra, ferido física e psicologicamente, e sua vida está em desordem. O caso lhe garante uma sobrevida financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais ele mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrias ficam as coisas e mais perto do perigo ele chega.

Galbraith (vou me referir a “o autor”) nos apresenta à Lula Landry, uma modelo internacionalmente famosa que aparentemente cometeu suicídio. Três meses depois do ocorrido, John Bristow, o irmão da falecida, procura um detetive particular para investigar novamente a morte de Lula, que ele acredita ter sido assassinato. O detetive escolhido é Cormoran Strike, antigo amigo do irmão mais novo de Bristow, também já falecido. Strike está em uma situação financeira complicada: rompeu com a ex-noiva, está morando no escritório, as dívidas estão crescendo e ele tem que arcar com o salário da secretária temporária, Robin Ellacott. Esses fatores fazem com que ele aceite o caso, ainda que acredite na hipótese de suicídio. Porém, conforme investiga e adentra o universo (não tão) glamuroso da modelo, Strike começa a mudar de ideia.

Após o salto temporal que ocorre após o falecimento de Lula Landry, temos muito contato com Robin, cujo ponto de vista inicia o primeiro capítulo. Ela está animadíssima por ter sido pedida em casamento e nem se importa com o fato de estar indo trabalhar como secretária temporária. Quando descobre que seu empregador é um detetive particular – profissão pela qual ela é secretamente apaixonada desde a infância – a moça fica ainda mais encantada. Mas a relação com Strike não começa com o pé direito: ele é um homem reservado e bastante seco (em grande parte graças aos inúmeros problemas que vem enfrentando na vida pessoal). Ex-militar, Strike perdeu a perna no Afeganistão e agora vive com os casos que ocasionalmente surgem em seu escritório. Eu gostei de O Chamado do Cuco logo nas primeiras páginas que, inclusive, me fizeram rir – devido à dinâmica entre o desajeitado Strike e a prestativa Robin. Essa dinâmica fica ainda melhor conforme o detetive gradualmente começa a perceber o valor de Robin, que o auxilia em diversos aspectos do caso, sendo extremamente pró-ativa e determinada. Com o passar das páginas, a afinidade entre eles cresce e surge uma amizade inesperada e cativante. Contudo, a maior parte do livro realmente ocorre sob o ponto de vista de Strike, que investiga quase todo o mistério sozinho – ainda que a ajuda de Robin seja importante e muito bem-vinda.

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Um aspecto extremamente positivo de O Chamado do Cuco é que, como sempre, o autor (agora me refiro à habilidade de J. K. mesmo) consegue criar personagens de modo extremamente aprofundado, convincente e real. Por mais que o foco seja o caso Lula Landry, conhecemos Strike a fundo enquanto a história se desenrola. O personagem, inicialmente fechado em si mesmo, começa a se abrir para o leitor conforme suas camadas vão sendo removidas e vamos descobrindo mais sobre ele, sua ex-noiva, seu passado no exército e seu histórico familiar. E isso é construído de maneira exemplar, fazendo com que o leitor crie um laço com ele. Robin também é uma personagem incrível, apesar de ter menos espaço no primeiro volume. Ela é profissional, determinada, cheia de iniciativa e com um grande coração. Comentário com spoiler a seguir, selecione se quiser ler: e já deu pra sentir que Galbraith foi minando o relacionamento dela com o noivo de modo sutil. Não duvido que terminem em breve.

A investigação em si tem seus momentos cansativos. São muuuitas pessoas que Strike precisa interrogar, e o detetive não nos dá pistas sobre o que está pensando a respeito do suspeito. Só descobrimos sua lógica no final mesmo e, apesar de não ter sido a situação mais surpreendente do mundo, conseguiu entrelaçar todas as pontas soltas e encerrar o caso de modo eficiente, ainda que um pouco previsível.

O Chamado do Cuco foi um ótimo romance de estreia, apesar de perder um pouco o fôlego na metade do livro. Com personagens bem construídos, uma narrativa envolvente e um desfecho satisfatório, acredito que a leitura seja extremamente válida. Além disso, já estou apaixonada por Strike e Robin, e não vejo a hora de conferir a próxima aventura dos dois. Recomendo!

Título Original: The Cuckoo’s Calling
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 448
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Resenha: E Não Sobrou Nenhum – Agatha Christie

Oi gente, como estão?

Recentemente, tive minha primeira experiência lendo Agatha Christie e hoje eu vim contar um pouquinho a respeito pra vocês! 🙂 Escolhi um livro que já me ganhou na sinopse: E Não Sobrou Nenhum, que é também um dos maiores best-sellers de todos os tempos e o livro mais vendido da autora.

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Sinopse: Uma ilha misteriosa, um poema infantil, dez soldadinhos de porcelana e muito suspense são os ingredientes com que Agatha Christie constrói seu romance mais importante. Na ilha do Soldado, antiga propriedade de um milionário norte-americano, dez pessoas sem nenhuma ligação aparente são confrontadas por uma voz misteriosa com fatos marcantes de seus passados. É neste clima de tensão e desconforto que as mortes inexplicáveis começam e, sem comunicação com o continente devido a uma forte tempestade, a estadia transforma-se em um pesadelo. Todos se perguntam: quem é o misterioso anfitrião, mr. Owen? Existe mais alguém na ilha? O assassino pode ser um dos convidados? Que mente ardilosa teria preparado um crime tão complexo? E, sobretudo, por quê? Medo, confinamento e angústia: que o leitor descubra por si mesmo porque E não sobrou nenhum foi eleito o melhor romance policial de todos os tempos.

Dez pessoas são convidadas (com pretextos diferentes) a passar uma semana na ilha do Soldado, nos arredores do condado de Devon. Ao chegar lá, elas descobrem que o misterioso anfitrião, o Mr. U. N. Owen, não chegou ao local ainda, o que causa certo estranhamento. Contudo, as coisas realmente ficam estranhas quando uma gravação começa a tocar por meio de um gramofone, e uma voz misteriosa acusa cada uma daquelas pessoas de ter cometido algum crime e saído impune. Quando as primeiras mortes começam a acontecer, os sobreviventes ficam cada vez mais assustados e, é claro, desconfiados uns dos outros.

Pra vocês terem ideia do quanto esse livro me prendeu, eu li cerca de 317 páginas (ou 226 de 286, na proporção do Kobo) numa sentada. Pra mim, que venho me queixando de não conseguir ficar muito tempo lendo, só essa pequena conquista já foi suficiente pra me deixar exultante. Mas o mérito é da autora e da história extremamente envolvente que ela construiu. A cada página virada eu ficava mais curiosa pra saber o que iria acontecer, por mais que exista o spoiler sem graça do título do livro e uma pista bem óbvia logo de cara. Essa pista não é um spoiler: trata-se do poema que os hóspedes encontram nos quartos, que fala sobre 10 soldadinhos que vão “sumindo” (ou morrendo) um a um. Mesmo com esses dois fatores (o título e o poema), eu queria muito descobrir quem seria o próximo da lista – enquanto tentava descobrir quem era o responsável pelo crime.

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Minha única decepção ficou por conta de alguns aspectos do final do livro. A seguinte frase tem spoiler, selecione se quiser ler: eu achei a última morte, da Vera, meio nonsense. Mesmo com o trauma de ter matado Lombard, eu não achei que ela tinha o perfil de quem se mataria. Pareceu que a personagem tava hipnotizada (apesar de não estar, como o vilão revela mais tarde). O vilão era alguém de quem eu tinha desconfiado até certo ponto da narrativa, mas que descartei, então fiquei surpresa com a maneira que a autora desenvolveu essa revelação e o crime em si. A próxima frase também tem spoiler, selecione se quiser ler: só fiquei decepcionada com a motivação do vilão, que era um psicopata justiceiro com uma doença terminal. Achei essa uma alternativa fácil demais.

A ambientação do livro foi um dos pontos fortes. Por se passar em uma ilha, a sensação de claustrofobia e angústia se manteve presente ao longo de toda a leitura – sensação que os próprios personagens sentiam. Quando uma tempestade atinge o local e impossibilita qualquer chance de resgate, é impossível não sentir ainda mais medo da situação. Além disso, Agatha Christie também consegue desenvolver muito bem as emoções dos seus personagens. Com histórias totalmente diferentes, mas aspectos em comum em seu passado, cada personagem tem uma personalidade bem marcante. Meus favoritos foram Lombard, Armstrong, Vera e Wargrave. Eles tiveram uma participação mais ativa na trama e nos diálogos, então foi mais interessante ler as cenas nas quais eles estavam em evidência. Porém, gostar deles é um paradoxo, já que os personagens são acusados de crimes terríveis (mesmo que alguns deles demonstrem remorso pelo que fizeram). Nesse sentido, Lombard é o meu preferido, pois é o mais autêntico do grupo.

E Não Sobrou Nenhum é um livro de suspense policial incrível, que te deixa aflito e curioso do início ao fim. Já consegui entender porque a autora é considerada Rainha do Crime e meu único arrependimento é não ter começado a ler suas obras antes. 😛 Recomendo!

Título Original: And Then There Were None
Autor: Agatha Christie
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 400
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Resenha: Segredos de Uma Noite de Verão – Lisa Kleypas

Oi pessoal, tudo certo?

Apesar da popularidade na blogosfera, eu nunca tinha lido nenhum romance de época. Para iniciar minha experiência nesse gênero literário, escolhi a série As Quatro Estações do Amor, da Lisa Kleypas, e hoje trago minhas impressões sobre o primeiro volume, Segredos de Uma Noite de Verão!

segredos de uma noite de verão.pngGaranta o seu!

Sinopse: Apesar de sua beleza e de seus modos encantadores, Annabelle Peyton nunca foi tirada para dançar nos eventos da sociedade londrina. Como qualquer moça de sua idade, ela mantém as esperanças de encontrar alguém, mas, sem um dote para oferecer e vendo a família em situação difícil, amor é um luxo ao qual não pode se dar. Certa noite, em um dos bailes da temporada, conhece outras três moças também cansadas de ver o tempo passar sem ninguém para dividir sua vida. Juntas, as quatro dão início a um plano: usar todo o seu charme e sua astúcia feminina para encontrar um marido para cada, começando por Annabelle. No entanto, o admirador mais intrigante e persistente de Annabelle, o rico e poderoso Simon Hunt, não parece ter interesse em levá-la ao altar – apenas a prazeres irresistíveis em seu quarto. A jovem está decidida a rejeitar essa proposta, só que é cada vez mais difícil resistir à sedução do rapaz. As amigas se esforçam para encontrar um pretendente mais apropriado para ela. Mas a tarefa se complica depois que, numa noite de verão, Annabelle se entrega aos beijos tentadores de Simon… e descobre que o amor é um jogo perigoso.

Eu realmente não vejo necessidade de explicar mais aspectos do enredo além do que diz a sinopse, que já é bem completa. Por esse motivo, vou passar direto às minhas impressões. Eu já esperava um clichê em Segredos de Uma Noite de Verão e, de fato, o livro é um tanto previsível. Contudo, isso não me incomodou porque, desde que sejam bem construídos, não me importo com clichês. O meu problema durante a leitura foi com a própria Annabelle: mesmo estando em uma situação difícil, a personagem tem um ar soberbo bastante irritante. Entendo que a criação da moça fez com que ela sonhasse com uma vida de nobreza em meio à alta sociedade, mas eu não consigo gostar desse tipo de personagem, que julga os outros por status ou aparências. Contudo, o lado positivo de Annabelle é que a moça é gentil e verdadeiramente preocupada não só com o próprio bem-estar, mas com o da sua família também. Simon Hunt, por outro lado, foi um personagem muito mais interessante. Assim como Annabelle, o leitor vai conhecendo Simon aos poucos, e percebendo nuances dele que a princípio não ficam claras: ele é um homem justo, determinado e muito inteligente. Porém, até que essas camadas do personagem sejam demonstradas, o leitor tem que aguentar muita teimosia e arrogância por parte do casal.

Sim, em diversos momentos fiquei com borboletas no estômago quando Annabelle e Simon estavam juntos. As cenas picantes do livro são realmente muito boas (ainda mais se comparadas às de 50 Tons de Cinza, minha última experiência com livros de teor erótico) mas, mais para o final, acabaram caindo na repetição e perdendo a graça. Eu acho que preferi muito mais o clima de gato e rato que permeava o relacionamento dos dois no início da obra, que foi mudando gradualmente conforme Annabelle baixava a guarda e conhecia um outro lado de Hunt.

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Quem realmente ganhou meu coração nesse volume foram as três outras solteironas, especialmente Lillian e Daisy. ❤ As irmãs americanas não têm problemas financeiros, mas não estão acostumadas à toda pompa britânica. Isso faz com que elas sejam muito diferentes do que a sociedade londrina espera delas (e de um jeito muito engraçado)! Evie, a terceira solteirona, é um doce, sendo uma personagem delicada, confiável e fácil de se afeiçoar.

Um aspecto importante – e um dos pontos altos do livro – foi a ambientação histórica. O enredo se passa durante o declínio da nobreza, que se vê cada vez mais endividada, tentando levar um estilo de vida que não condiz com as mudanças na economia. Por outro lado, temos comerciantes sendo cada vez mais ricos e bem-sucedidos, crescendo em termos de importância – mas com o valor social ainda posto em xeque por quem vive nos antigos moldes (como faz a própria Annabelle ao julgar Simon por seu ofício). O interessante nesse contexto é que a protagonista, aos poucos, começa a perceber que sua idealização de vida perfeita está cada vez mais ultrapassada, e que o futuro já está chegando (com suas rodovias, suas máquinas a vapor e com o progresso oriundo dessas inovações).

Segredos de Uma Noite de Verão foi uma experiência satisfatória, apesar de não ter sido inesquecível. Gostei da ambientação e até mesmo dos clichês, mas Annabelle não me cativou. Eu recomendo esse livro mais para quem já gosta das obras da Lisa Kleypas ou para quem já é fã de romances de época, mas acho válido que o leitor não crie grandes expectativas em relação à obra.

Título Original: Secrets of a Summer Night
Série: As Quatro Estações do Amor
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288
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Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca – Rupi Kaur

Oi pessoal. Tudo certo?

Um livro que vem sendo muito comentado é Outros Jeitos de Usar a Boca, da poetisa Rupi Kaur. Vi algumas poesias rolando no Facebook, fiquei curiosa e resolvi conferir a obra, que hoje eu resenho pra vocês. 😉

outros jeitos de usar a boca rupi kaur.pngGaranta o seu!

Sinopse: ‘outros jeitos de usar a boca’ é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Eu já comentei por aqui que não sou fã de poesias mas, de vez em quando, acabo gostando de uma ou outra. Porém, o teor feminista da obra de Rupi Kaur me deixou com vontade de conhecer o livro e acabei lendo ele todo de uma vez – já que são poemas curtinhos, em sua maioria. Eles são divididos em quatro categorias: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Sim, tudo escrito com letras minúsculas, bem como todas as poesias do livro – o que acredito ser o estilo de escrita da autora.

Em a dor, a autora aborda aspectos difíceis do “ser mulher”. Alguns temas abordados são a violência doméstica, o abuso sexual, as relações complicadas entre pais e filhas, o teor abusivo e violento de alguns discursos dentro de relações diversas (familiares e amorosas), a falta de autoconfiança e autoestima, entre outros. Mas os poemas mais marcantes, ao meu ver, foram os que abordavam violência sexual. Enquanto lia os trechos que falavam sobre esse tema, a empatia e a experiência de ser mulher e viver com medo todos os dias falaram mais forte e eu me senti incomodada – o que, acredito, seja um dos objetivos desses poemas.

Em o amor, Rupi Kaur escreve sobre as delícias de estar apaixonado, sobre a satisfação causada pelo sexo consensual e preocupado com a satisfação feminina, sobre se sentir segura nos braços de alguém que cuida de você, que te compreende e que te apoia. São poemas com uma carga erótica bem presente, mas que também englobam outros aspectos como companheirismo e confiança.

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Em a ruptura, a autora parte para o próximo passo da narrativa. Após sofrer com relações abusivas e finalmente encontrar uma relação saudável, na terceira parte da história ela discorre sobre o fim de um relacionamento. Os poemas transbordam emoção, além de mostrar o lado “feio” de um fim de relacionamento: a frieza, o afastamento, as brigas, o esforço em manter algo que já não tem mais sentido apenas por orgulho… Aqui, o tom das poesias é triste e melancólico.

Por fim, temos a cura. Para fechar o ciclo, a poetisa aborda seu renascimento, além de trazer poemas cheios de amor próprio e sororidade. Ela também traz com orgulho sua herança cultural nesse quarto “bloco”, além de celebrar as mulheres em suas mais variadas formas. A cada página virada, um sentimento de empoderamento ia tomando conta de mim, sendo este meu momento preferido do livro. Aliás, meu poema favorito (que ilustra o post) faz parte dele. ❤

Não vou mentir pra vocês: não gostei de vários poemas. Vários mesmo. Eu ia lendo sem interesse esses trechos que eu não curtia tanto e passando para a próxima página, mas isso não desmerece o conteúdo como um todo. Outros Jeitos de Usar a Boca constrói uma narrativa por meio da poesia e traz temas MUITO importantes e pertinentes, principalmente por abordar a violência contra a mulher, as opressões estruturais que sofremos, o foco no nosso prazer sexual e, principalmente, na nossa capacidade de cura e de fortalecimento – sozinhas enquanto indivíduos e unidas enquanto mulheres. E, por mais que eu não seja uma grande fã de poesia, essa leitura foi extremamente válida justamente por me fazer sentir representada. E, por isso, eu recomendo a todos, mesmo que você (assim como eu) não seja um grande fã do estilo. Vale a pena dar uma chance. 🙂

Título Original: Milk and Honey
Autor: Rupi Kaur
Tradução: Ana Guadalupe
Editora: Planeta
Número de páginas: 208
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