Resenha: Para Sempre Perdida – Amy Gentry

Oi gente, tudo bem?

Mas é claro que a primeira resenha de 2019 seria de um thriller, né? Hoje conto pra vocês o que achei de Para Sempre Perdida.

para sempre perdida amy gentry.pngGaranta o seu!

Sinopse: Transcorridos oito anos de seu sequestro, Julie Whitaker retorna subitamente para casa. A família, ainda que petrificada pela tragédia, se manteve unida e esperou muito por esse momento. Para Anna, no entanto, a volta da filha ao lar desperta mais questões do que respostas, mais dúvidas do que conforto. Ao notar incoerências no discurso da filha, Anna conclui que o seu pesadelo está apenas começando: ela suspeita da identidade da jovem, duvida de seus relatos e conclui que precisa descobrir a verdade sobre o sequestro da filha a qualquer custo.

Quando bati o olho nessa capa e nessa sinopse já me senti instantaneamente curiosa para conferir a trama de uma família que, após enfrentar o sequestro e a perda de sua filha mais velha, se depara com seu súbito retorno oito anos depois. Com o elemento da desconfiança presente – afinal, a mulher que retornou é mesmo Julie, a menina desaparecida? –, esse livro provoca no leitor a sensação de que nenhuma informação é verdadeira.

A narrativa colabora com esse sentimento: os capítulos são intercalados, sendo narrados em primeira pessoa por Anna (mãe de Julie) e em terceira pessoa por jovens que são parte fundamental da trama. São esses os capítulos mais confusos, especialmente no início, porque aparentemente eles não possuem conexão alguma. Com o passar do tempo, entretanto, as peças vão se encaixando e tudo começa a fazer sentido (não posso falar mais nada sem dar spoiler!!!). Minha dica, portanto, é a seguinte: prestem atenção nesses capítulos, pois eles fornecem informações valiosas para compreender o grande mistério da trama.

Ao longo da trama, a autora também aborda as rachaduras familiares causadas pelo sequestro de Julie. Anna e o marido se afastaram, a filha mais nova – que presenciou o sequestro – foi negligenciada pela mãe e os laços entre elas são completamente fragilizados. Achei uma pena que a autora não tenha utilizado Jane, a filha mais nova, como uma das narradoras, já que a personagem carrega um grande trauma e possível culpa por ter presenciado o sequestro da irmã sem poder fazer nada para impedi-lo.

Apesar da autora ter conseguido demonstrar os problemas que a família enfrentou, senti falta de um maior aprofundamento emocional dos personagens. Nos capítulos de Anna temos vislumbres do sofrimento vivido pela família, mas que rapidamente são substituídos pela desconfiança de que aquela mulher não seja realmente sua família. A partir daí, Anna aceita a ajuda de um detetive particular que está determinado a resolver o mistério. Em contrapartida, os capítulos em terceira pessoa são mais ricos em aprofundamento – porém são todos narrados no passado. Novamente, o desenvolvimento dos personagens no tempo presente acaba sendo superficial.

resenha para sempre perdida amy gentry.png

Nesse sentido, os capítulos narrados no passado se destacam. Com o passar das páginas, o leitor conhece as dores e as dificuldades vividas pela narradora, que precisou vencer muitos desafios cruéis para sobreviver. É bem interessante como o livro utiliza a performance da fragilidade feminina como meio de sobrevivência: nossa narradora em diversos momentos aparenta ser alguém frágil, que precisa ser salva, como estratégia para atingir seus objetivos. Porém, não digo isso de modo a recriminá-la (apesar das atitudes erradas); ela realmente precisava sobreviver, e usou das ferramentas que tinha para tal. Esse aspecto da obra me lembrou muito de Alias Grace, em que também temos uma personagem feminina valendo-se do estereótipo errôneo construído em torno das mulheres para evitar a morte.

Existem algumas coisas que, para mim não fizeram muito sentido. São spoilers, então pule para o próximo parágrafo se não quiser ler. Primeira questão: se Julie é mesmo Julie, por que a obsessão por esconder o cabelo natural? É normal que cabelos loiros escureçam um pouco ao longo dos anos. Segunda questão: quantos anos afinal tinha Charlie/Maxwell? Ele é descrito como um cara mais velho, mas ao mesmo tempo fazia parte do grupo de jovens da igreja (?). Terceira questão: Julie sumiu aos 13 anos e voltou aos 21. Como Anna teve dificuldades em reconhecer seu rosto? Se fosse uma criança muito mais jovem, eu compreenderia, mas não era o caso. Pessoas não mudam TANTO a fisionomia dos 13 aos 21 anos, o rosto permanece reconhecível, já que nossos traços principais já estão bem definidos. Por outro lado, Julie sofreu muito e isso pode ter envelhecido ou mudado um pouco seu semblante, mas ainda assim… Achei meio forçado, uma conveniência de roteiro (para que Julie tivesse idade e ideias próprias o suficiente para ser ~corrompida por alguém na internet).

O final do livro é bastante satisfatório e consegue conectar a maioria das peças apresentadas ao longo da trama. A justificativa para o que acontece é verossímil, tanto que existem casos parecidos (e bem recentes) no mundo real. O desfecho proporciona algumas reflexões sobre como nem sempre conhecemos a fundo as pessoas que amamos e como é fundamental que exista comunicação e apoio no ambiente familiar. E, é claro, do cuidado que devemos ter com a internet, onde jovens podem ser facilmente seduzidos. Aproveito esse momento também para elogiar a capa, que é fantástica: a foto é super aflitiva e os olhos da menina tendo sua boca tapada são expressivos e comoventes. As cruzes espalhadas pela capa também são muito significativas. No final do livro você compreende como a capa foi bem pensada.

Para Sempre Perdida foi uma leitura satisfatória, com um mistério instigante e uma situação bastante delicada e importante como tema. A autora conseguiu concluir a maior parte das pontas soltas com eficiência, entregando uma história redondinha e bem construída – apesar de triste e dolorosa. Recomendo!

Título original: Good As Gone
Autor: Amy Gentry
Editora: Rocco
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.
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Resenha: Todos Nós Vemos Estrelas – Larissa Siriani e Leo Oliveira

Oi gente, tudo bem?

Estamos em vibes natalinas por aqui! 🎅🎄 Como diria a Phoebe, de Friends: “Happy Christmas Eve Eve!” 😂 E é claro que vai rolar resenha temática, né? Em parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer, a coluna Uma Amiga Indicou do mês decidiu falar de obras de Natal. 😍uma amiga indicou

Eu resolvi seguir a dica da Pâm e conferir Todos Nós Vemos Estrelas, da Larissa Siriani e Leo Oliveira.

todos nos vemos estrelas.pngGaranta o seu!

Sinopse: Quando o Natal se aproxima, as pessoas ficam mais nostálgicas, amáveis e caridosas. Bem, isso é o que se espera. Porque para Lisa as coisas não são bem assim. Ela só gostaria de passar as férias trancada em seu quarto com seu livro favorito, lendo novamente as aventuras do príncipe Lucien em Trinitam. Mas… E quando seus planos falham miseravelmente e você precisa lidar com acontecimentos inesperados e visitas que parecem – ou talvez sejam mesmo – de outro mundo? Uma novela de fantasia recheada de magia, amizade, família, amor e estrelas. Porque é disso que o Natal é feito.

O que mais me surpreendeu nesse conto é o fato de que, apesar do número limitado de páginas (pouco mais de 100), os autores conseguiram criar duas histórias igualmente instigantes que se conectam e nos conquistam. Lisa é uma menina tímida que ama ler. Sua série favorita é A Glória do Traidor, protagonizada pelo príncipe Lucien. O caminho dos dois se cruza quando Lisa escreve em um caderno que ganhou de amigo secreto (da sua crush, Helô, que faz uma descrição bem ofensiva de Lisa na hora de entregar o presente) que gostaria de ter alguém que realmente a entendesse. Nesse momento, Lucien é transportado das páginas para o mundo real, o que causa uma confusão tremenda em ambos.

É muuuito divertido acompanhar o estranhamento de Lucien no nosso mundo. Lisa tem que explicar tudo a ele, inclusive o uso do banheiro HAHAHA! Existe uma mudança no estilo narrativo que me agradou bastante: os capítulos de Lisa são em primeira pessoa e trazem a fluidez e a modernidade da época dela; os de Lucien são narrados em terceira pessoa por um narrador onisciente. Achei essa escolha acertada, porque mantém o estilo narrativo do livro fictício e combina com obras de fantasia, fazendo o leitor sentir que mesmo em nosso mundo Lucien ainda faz parte de um universo fantástico.

Outro aspecto positivo da leitura é o fato de que 1) Lisa é lésbica e 2) isso não é a coisa mais importante sobre ela. A naturalidade com que a sexualidade da protagonista é trabalhada é muito bacana, e eu sempre fico contente quando vejo esse tema sendo abordado de modo tão tranquilo (como deveria mesmo ser! Espero que um dia cheguemos lá). Representatividade é sempre bem-vinda! ❤ Além disso, o conto consegue abordar a personalidade da protagonista, assim como sua relação com a família e as dificuldades que ela sente de se aproximar da madrasta, Tatiana. Apesar dos assuntos não serem suuuper aprofundados – até pelo número curto de páginas –, eles são trabalhados de modo eficiente para o contexto.

resenha todos nos vemos estrelas.png

Minha maior frustração com o conto é saber que A Gloria do Traidor não é de verdade. 😦 Achei a história de Lucien tão interessante que ia amar se os autores decidissem publicá-la! E, como crítica, achei o final um pouco abrupto; é revelada uma grande reviravolta e o leitor não sabe se aquilo realmente acontece ou não. Quando você termina a leitura, a sensação é de “preciso saber o final!!!”, sabem? E eu não gosto dessa sensação. 😛

Tá, mas e o Natal? Ele é só pano de fundo mesmo. O conto acontece na época de Natal, o que pode justificar um pouco a “magia” capaz de realizar o sonho de Lisa e trazer Lucien de Trinitam para nosso mundo. Mas, fora isso, o conto não se preocupa tanto em explorar a data no modo mais “tradicional” (decoração, ceia, etc.). A trama é mais voltada à amizade, a entender as diferenças, a abrir o coração para outra pessoa entrar… Lições muito bonitas que, na minha opinião, combinam muito com essa época. ❤

Todos Nós Vemos Estrelas foi uma grata surpresa que superou minhas expectativas. Divertido, com bons personagens e uma trama construída de maneira eficiente para o número de páginas proposto, é uma ótima opção de leitura para terminar o ano. E também um lembrete de que, se olharmos para o céu, podemos estar mais próximos de quem amamos.

Feliz Natal, povo! 😍🎄

Título Original: Todos Nós Vemos Estrelas
Autores: Larissa Siriani e Leo Oliveira
Editora: Amazon
Número de páginas: 119
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Resenha: Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja – Mindy Mejia

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei do ótimo suspense Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja.

tudo que voce quiser que eu seja mindy mejia.pngGaranta o seu!

Sinopse: Hattie Hoffman passou os 17 anos de sua vida representando papéis – de boa filha, ótima aluna, namorada ideal. Mas Hattie espera mais do que isso da vida, e o que ela deseja acaba se tornando muito, muito perigoso. Quando a jovem é encontrada brutalmente assassinada, todos da cidadezinha onde vivia ficam estarrecidos com o crime. Logo vem à tona que Hattie estava envolvida num relacionamento com potencial explosivo. A questão é: alguém mais sabia disso? Será que o namorado de Hattie seria capaz de cometer um crime, se soubesse da traição? Ou será que o comportamento impulsivo da jovem a colocou no lugar errado, na hora errada? Com uma trama repleta de reviravoltas, Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja desafia o leitor a reconhecer o tênue limite entre inocência e culpa, identidade e decepção. E fica a questão: o amor leva ao autoconhecimento ou à destruição?

Hattie Hoffman ama atuar. Sua atuação, entretanto, não se restringe aos palcos. A garota tem diversos papéis prontos que executa com maestria: aluna perfeita, filha dedicada, excelente amiga, namorada ideal. Entretanto, quando ela é encontrada brutalmente assassinada, todos em sua pequena cidade natal, Pine Valley, ficam perplexos e devastados. Com uma narrativa não linear, que alterna entre passado e presente, vamos desvendando esse mistério pela perspectiva de três personagens: Del, o xerife; Peter, o professor de inglês e amante de Hattie; e, por fim, a própria Hattie.

Além do título, a capa do livro já evidencia a principal característica da protagonista: a personalidade de Hattie é fragmentada, e não sabemos ao certo quem ela realmente é. Após sua morte, acompanhamos diversos segredos da vida da personagem sendo desvendados por meio de seus relatos e também da investigação de Del. E, para ser sincera, enquanto a garota ia sendo desvendada, foi impossível não pensar em Hattie quase que como uma sociopata. Ela é capaz de interpretar múltiplas personagens, dependendo do interlocutor, sem o mínimo de remorso, ensaiando mentalmente tudo que precisa dizer ou fazer para obter o que deseja.

Peter, por outro lado, é um personagem que inicialmente causa pena. Ele foi arrastado para o interior porque a mãe de sua esposa está doente e, desde a mudança, sua mulher parece cada vez mais distante e indiferente, fazendo pouco caso de qualquer tentativa de aproximação. Porém, não demora para que o personagem conquiste meu ranço. Quando ele descobre que a mulher com quem conversava pela internet era Hattie, sua primeira atitude é botar um ponto final na relação (o correto a se fazer). Entretanto, após muita “insistência da jovem”, Peter cede aos seus desejos quando a garota completa 18 anos, e os dois vivem um caso durante meses.

Muitas coisas me causaram incômodo nessa relação: em primeiro lugar, é um homem mais velho em uma posição de poder (professor > aluna) olhando de modo sexual para uma adolescente e se relacionando com ela; em segundo, obviamente, a traição em si; por último, mas não menos importante, o fato de que a autora coloca Hattie como a pessoa que “faz” Peter ceder. É Hattie quem insiste e “corrompe o pobre professor” até ele perder a sanidade e não resistir aos seus encantos. Essa vibe de “jovem provocante que seduz o homem mais velho relutante” é muito problemática, porque reforça o estereótipo da menina sedutora e ardilosa, a verdadeira culpada pela corrupção moral do homem. Pelo amor de Deus, Peter era o adulto na relação, ele era o responsável por tomar a atitude correta!

resenha tudo que voce quiser que eu seja mindy mejia

Agora, falando um pouquinho sobre Del. O personagem, assim como o leitor, tenta encaixar as peças para entender o que aconteceu. Apesar de ter menos espaço narrativo do que Hattie e Peter, ainda assim conseguimos conhecer um pouco mais sobre ele e seu passado. Ele é um homem íntegro, solitário, mas que valoriza as amizades acima de tudo (em especial com os Hoffman, de quem é amigo há mais de 20 anos). Para o xerife, é extremamente doloroso investigar a morte de Hattie, devido à sua aproximação com a família. E, é claro, também é doloroso perceber como a garota vivia uma vida de segredos.

O mistério em relação à morte de Hattie não é o que prende o leitor. Inclusive, a resolução do caso deixa bastante a desejar. Mas o brilho de Tudo O Que Você Quiser Que Eu Seja não está no mistério, e sim na excelente construção dos personagens. Mindy Mejia consegue criar indivíduos muito verossímeis, cheios de qualidades e, principalmente, falhas. Seus questionamentos e sentimentos são realistas, e a trama não coloca as coisas preto no branco. Não, eu não me afeiçoei aos personagens, mas isso não quer dizer que eu não tenha conseguido admirar o modo como eles foram sendo desenvolvidos ao longo das páginas. As relações humanas – incluindo as obsessões doentias, as escolhas morais duvidosas e os atos extremos – são apresentadas de uma forma extremamente envolvente e bem construída. Como uma leitora que valoriza MUITO personagens bem desenvolvidos, fiquei totalmente satisfeita.

Enquanto lia Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja, percebi que estava menos interessada no mistério em si do que na vida dos personagens. Nesse sentido, me lembrei de O Segredo do Meu Marido, que também faz um ótimo trabalho em destrinchar as relações e os sentimentos humanos. Mindy Mejia consegue atingir esse objetivo neste livro, trazendo à vida personagens ambíguos e diversos questionamentos sobre identidade, culpa, responsabilidade, escolhas e sobre como nem sempre conhecemos de verdade as pessoas que amamos. Recomendo muito!

Título original: Everything You Want Me To Be
Autor: Mindy Mejia
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Vox – Christina Dalcher

Oi gente, tudo bem?

No final de setembro eu recebi da Editora Arqueiro o convite para ler Vox, um de seus lançamentos mais comentados, e hoje eu vim contar pra vocês o que achei dessa distopia. Aproveito também para agradecer à Editora Arqueiro pelo convite e pela confiança, foi um grande prazer realizar essa leitura. ❤

vox christina dalcher.pngGaranta o seu!

Sinopse: O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade. Esse é só o começo… Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir. Mas não é o fim. Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

É impossível não notar as semelhanças de Vox com O Conto da Aia, do conteúdo às cores da capa. O primeiro tem nítidas inspirações no segundo: um governo autoritário baseado no extremismo religioso (aqui conhecido como Movimento Puro), a retirada dos direitos civis das mulheres, uma protagonista que rememora o passado e não consegue acreditar como as coisas chegaram àquele ponto. Entretanto, de certo modo, Vox é menos “radical” que a obra de Atwood. Explico: nesta distopia, as mudanças que ocorrem na sociedade são muito mais próximas da nossa realidade. As mulheres são excluídas da força de trabalho e passam a ter uma quantia contada de palavras por dia (caso ultrapassem o número 100, levam choques), mas têm permissão de conversar entre si – com essa limitação, é claro –, manter suas casas e também suas famílias. Essa proximidade com a nossa realidade torna Vox um livro tão assustador quanto O Conto da Aia, justamente porque é muito fácil e possível imaginar as coisas acontecendo do modo como é descrito por Christina Dalcher.

O primeiro terço do livro nos dá muitos tapas na cara. Jean McClellan, a protagonista, foi uma renomada cientista que agora se vê presa aos indesejados afazeres domésticos. Enquanto relembra seu passado, uma personagem muito importante se faz presente em seus pensamentos: Jackie, sua antiga colega de quarto e ativista feminista. Em diversos momentos, as duas tiveram diferenças ideológicas na juventude, especialmente porque Jackie insistia na importância de se posicionar contra o retrocesso, enquanto Jean preferia estudar e focar na própria vida acadêmica. Existe um momento do livro em que Jean relembra, inclusive, que não votou nas eleições para presidente, e agora reflete as consequências disso no governo autoritário que ela é obrigada a aceitar. Ela é a típica cidadã comum que pensa que “não vai dar nada” e que acaba se omitindo para manter a consciência tranquila. Conseguem perceber semelhanças com a realidade? Enquanto eu lia Vox, foi inevitável refletir sobre o contexto político brasileiro e os retrocessos que pairam sobre nós. Pra mim, foi apavorante.

Por mais que o início do livro seja uma sequência de socos no estômago e relatos desconfortáveis, ele provoca e nos faz refletir. Eu fiquei totalmente imersa nos relatos de Jean sobre o presente e sobre o passado, por mais que a inquietude também estivesse ali. Infelizmente, da metade para o final o livro ganha um rumo completamente diferente. Após um acidente, o irmão do Presidente Myers desenvolve afasia de Wernicke (tema do estudo de Jean antes das mudanças políticas), e ela é recrutada para fazer parte da equipe que deve curá-lo. Essa afasia, causada por um dano cerebral, faz com que o indivíduo não consiga interpretar as palavras, muito menos proferi-las de modo que façam sentido. Depois de relutar, Jean aceita a proposta e passa a trabalhar com sua antiga chefe, Lin, e Lorenzo, seu amante. A partir desse momento, Vox perde um pouco de seu tom reflexivo e provocativo, ganhando ares de um livro de espionagem. Jean descobre diversos segredos do governo e, junto de seus colegas (especialmente Lorenzo), decide agir. O terço final do livro destoa completamente do resto: as sequências são corridas, cheias de Deus ex-machina e não trazem a verossimilhança que tanto elogiei no início da trama. Vox acaba deixando de lado as questões morais e políticas para focar em sequências mal desenvolvidas com uma pegada de livro de ação/policial.

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Falando um pouco sobre os personagens agora: eu não aprovo traição e, portanto, não consegui achar certo o relacionamento de Jean e Lorenzo. Porém, esse aspecto da vida da protagonista não me fez odiá-la, ou ao próprio Lorenzo. A Jean é uma personagem cheia de privilégios, mas só se dá conta disso quando é tarde demais. Ela tem defeitos e qualidades, o que faz dela alguém bastante real. Ela sofre ao assistir os homens de sua vida (principalmente o marido, Patrick, e os três filhos) vivendo normalmente, tendo a capacidade de falar sem restrições, enquanto ela e a filha mais nova, Sonia, precisam contar cada palavra. Ela se esforça para não odiá-los, mas irracionalmente a mágoa toma conta dela, especialmente porque Patrick demonstra certa apatia durante boa parte da trama. Somando tudo isso ao fato de que ela vive uma paixão avassaladora por Lorenzo, é fácil perceber que seu casamento é sustentado apenas por obrigação, já que o governo não permite que mulheres vivam sozinhas.

E já que o assunto são os personagens, novamente devo mencionar Jackie. Ela é aquela mulher vista como histérica pelas pessoas, especialmente por sua ênfase discursiva ao falar sobre privilégios masculinos. De certo modo, é o estereótipo de “feminista” que as pessoas costumam utilizar pejorativamente. Entretanto, a verdade é que Jackie tem a visão que faltava a Jean, percebendo muito antes os movimentos da sociedade rumo ao retrocesso. Sua determinação em protestar e abrir os olhos das pessoas à sua volta era extremamente necessária mas, infelizmente, as pessoas se recusaram a ouvir. Pra mim, Jackie é alguém muito lúcida e com motivos muito coerentes para sentir tanta raiva; afinal, como não sentir raiva quando seus direitos são ameaçados?

Vox é um livro com uma premissa excelente e uma narrativa muito boa. Só não dou nota máxima por causa do final mesmo, que é um tanto forçado e abrupto, ainda mais comparado ao início da trama. Apesar disso, recomendo demais a leitura! Os acontecimentos narrados por Jean são incômodos e revoltantes, mas não impossíveis. Livros como Vox são cada vez mais necessários, especialmente quando observamos o conservadorismo ganhando voz em diversas partes do mundo, inclusive aqui. E é nossa responsabilidade não ficar em silêncio.

Título original: Vox
Autor: Christina Dalcher
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Sejamos Todos Feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

Oi galera, tudo bem?

Ontem foi o Dia da Consciência Negra e, considerando importância da data, a coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da AleCaverna LiteráriaA Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) decidiu que em novembro abordaríamos alguma obra produzida ou protagonizada por uma pessoa negra.

uma amiga indicou
A obra que eu escolhi trazer pra vocês é Sejamos Todos Feministas, da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

sejamos todos feministas chimamanda ngozi adichieGaranta o seu!

Sinopse: Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade. Sejamos Todos Feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDxEuston, que conta com mais de 1 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé.

Um livro tão curtinho, mas cheio de verdades: essa é a definição de Sejamos Todos Feministas. A obra adapta um discurso da autora no TEDxEuston, que traz vivências pessoais para pontuar os impactos causados nos sujeitos devido à desigualdade de gênero.

Quando criança, o melhor amigo de Chimamanda disse a ela que ela era feminista. Esse diálogo fez com que a autora buscasse entender o significado do termo, até então desconhecido: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos. Chimamanda parte então para diversas reflexões sobre o tom pejorativo que as pessoas costumam utilizar ao falar sobre feminismo, bem como as diversas desigualdades que ela sofreu ou presenciou apenas por ser mulher.

Outro aspecto importante é que Chimamanda contextualiza sua fala usando como referencial a sociedade nigeriana, de onde ela é originária. As coisas são muito difíceis para as mulheres de lá (a mutilação genital feminina era permitida por lei até pouco tempo), mas diversos relatos não diferem muito do que vemos ao redor do mundo – e no próprio Brasil.

sejamos todos feministas chimamanda ngozi adichie

Mulheres são, desde muito novas, incentivadas a buscar o casamento como o ápice de sua realização. São ensinadas a agradar aos homens e jamais ultrapassá-los no que diz respeito ao sucesso profissional e financeiro. Parafraseando a obra: você pode ser bem-sucedida, mas não muito. Por outro lado, o contexto machista que envolve a criação dos indivíduos desde a infância promove uma masculinidade tóxica de ego muito frágil: os homens também precisam se provar o tempo todo e, caso qualquer coisa fuja do ideal de virilidade que eles devem alcançar, a autoconfiança deles é afetada. Basicamente, ao explorar diversas facetas do machismo, Chimamanda expõe como esse modo de funcionamento da sociedade prejudica homens e mulheres (mulheres em uma escala muito pior, obviamente). Ela propõe que todos nós repensemos nossas atitudes e o modo como criamos as crianças, visando uma relação igualitária entre os gêneros.

Com um tom que me lembrou bastante Clube da Luta Feminista (em função dos relatos pessoais e da narrativa fácil e informal), Sejamos Todos Feministas é uma obra incrível para nos relembrar dos impactos causados pela desigualdade de gêneros. Didático e extremamente simples de compreender, é um livro com um discurso valioso, que deve ser lido por todo mundo. 😉

Título Original: We Should All Be Feminists
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 63
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Resenha: Sem Coração – Marissa Meyer

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Sem Coração, o primeiro romance avulso de Marissa Meyer, autora das Crônicas Lunares.

sem coração marissa meyerGaranta o seu!

Sinopse: Sem Coração é a história da jovem de 17 anos que sonha em abrir uma confeitaria com sua melhor amiga e empregada, Mary Ann. Mas Catherine é de família nobre, e confeiteira é uma função exercida por meros plebeus. Para realizar seu sonho, Catherine tenta conquistar o rei, enviando para ele macarrons, tortas de limão e outras delícias. O que ela não previa era que o rei se apaixonasse por ela e a pedisse em casamento. E pior: numa das festas no palácio, ela conhece o Coringa, o novo bobo da corte, por quem se apaixona perdidamente. Nasce aí um amor proibido que marcará a vida de Catherine para sempre.

Não sou uma grande fã do universo de Lewis Carroll, apesar de ter lido Alice No País das Maravilhas e Alice Através do Espelho e, também, assistido aos filmes. Por algum motivo, o mundo excêntrico do autor nunca conseguiu me cativar. Ainda assim, Sem Coração consegue agradar quem adora esse universo e também quem não dá tanta bola assim (como eu). Apesar das maluquices do Reino de Copas estarem presentes e de vários personagens icônicos aparecerem, esses aspectos não são o foco da narrativa (como nos livros de Alice), mas sim os sonhos e sentimentos de Catherine, bem como sua trajetória rumo à vilania.

Catherine é a filha do Marquês do Recanto da Pedra da Tartaruga. O sonho de seus pais para seu futuro é que ela seja Rainha, dado o fato de que o Rei parece encantado por ela e está decidido a pedi-la em casamento. Porém, o sonho de Cath é abrir uma confeitaria com sua criada e melhor amiga, Mary Ann. Cozinhar e preparar doces é sua grande paixão e, por mais bondoso que o Rei seja, Cath despreza seu jeito atrapalhado e ineficiente de cuidar do reino. Seus sentimentos ficam ainda mais bagunçados após conhecer o novo bobo da corte, Jest. O Coringa, com seus belos olhos amarelos e jeito misterioso, não demora a conquistar o coração de Cath, que se vê em um dilema sobre que caminho seguir: o dos seus sonhos ou o que seus pais esperam para ela.

Falando em Catherine, ela é uma personagem que me causou múltiplos sentimentos: por um lado, gostei de seu jeito sonhador, sua autoconfiança, sua bondade e gentileza; porém, não dá pra negar: ela foi uma covarde o livro inteiro. Entendo que ela tivesse medo de decepcionar os pais, mas de que adianta ser tão sonhadora se ela não é nada determinada? Em diversos momentos a própria personagem conclui que não impediu o Rei de cortejá-la, não disse o que realmente pensava ou não agiu como deveria. Portanto, “corajosa” definitivamente não é o adjetivo que melhor lhe descreve. E isso causa um certo cansaço, porque vemos Catherine “deixando” as coisas acontecerem sem reagir. De Jest eu gostei, fiquei envolvida em seus mistérios e sua personalidade encantadora. Assim como Cath, Jest tem uma essência doce e gentil (o que fica evidente em seu respeito pelo Rei e pelos sentimentos que o monarca nutre por Cath). Entendo que Cath tenha ficado fascinada por ele, já que o personagem consegue “enfeitiçar” todos ao seu redor.

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É meio triste você começar um livro sabendo seu desfecho, especialmente quando se trata da história de origem de uma vilã. Afinal, por mais esperanças que o leitor possa sentir, você sabe que toda a inocência e bondade da protagonista serão afogadas em algum acontecimento que a transformará na temida Rainha de Copas. O que me deixou mais chateada, nesse caso, é que o acontecimento poderia ter sido evitado se ela não fosse tão teimosa e descrente. Há inúmeras evidências de magia e coisas impossíveis em Copas, mas mesmo assim Cath teima e age contra tudo que lhe foi avisado. Porém, devo admitir que o motivo para tal atitude é nobre, o que redimiu um pouco a personagem aos meus olhos.

Outra questão interessante é o modo como Hatta, o Chapeleiro Maluco, foi construído. Em primeiro lugar, seus sentimentos por Jest são genuínos e, no final, faz todo sentido seu comportamento ao longo do livro. Em segundo lugar, seu medo de encarar seu destino – a perda da sanidade – é palpável, e ele busca de todas as formas escapar disso. Até que o final do livro muda tudo, para todos.

E já que mencionei o final, vale dizer que até a metade do livro eu não estava sendo envolvida pela história. Marissa Meyer narra MUITO bem, mas a trama em si não estava conseguindo me prender. Basicamente, nada acontecia: Cath e Jest flertavam, ela ficava indecisa e se acovardava. O mistério sobre Sir Peter e sua esposa (um casal super estranho, com atitudes suspeitas) me deixava mais curiosa do que a trama de Cath, apesar do plot previsível. Entretanto, no terço final do livro as coisas ganham ritmo. Cath passa a agir mais e, junto de Jest, toma atitudes ousadas em nome do próprio futuro e felicidade. As cenas de ação que ocorrem a partir disso são muito boas, e o desfecho de certos personagens conseguiu me deixar com os olhos marejados.

Sem Coração demorou a engrenar e me conquistar mas, no geral, foi uma boa experiência. Adorei o modo de Marissa Meyer de contar histórias (e fiquei com vontade de ler as Crônicas Lunares, inclusive). Apesar do tom fatalista inerente de qualquer história de origem de um vilão, Sem Coração consegue mostrar que a temida Rainha de Copas já teve sonhos, gentileza e amor. O problema é que, quando tudo lhe é tirado, seu coração já não serve pra mais nada. Vale a leitura! 😉

Título original: Heartless
Autor: Marissa Meyer
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 416
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: A Herdeira da Morte – Melinda Salisbury

Oi gente, tudo certinho?

O post de hoje é sobre A Herdeira da Morte, o primeiro volume de uma trilogia de fantasia escrita por Melinda Salisbury. 🙂

a herdeira da morte melinda salisbury.pngGaranta o seu!

Sinopse: Twylla tem 17 anos, vive num castelo e, embora seja noiva do príncipe, não é exatamente um membro da corte. Ela é o carrasco. Primeiro de uma surpreendente série de fantasia, Herdeira da Morte conta a história de uma garota capaz de matar instantaneamente qualquer pessoa que ela toca. Até mesmo seu noivo, cujo sangue real supostamente o torna imune ao toque fatal de Twylla, evita sua companhia. Porém, quando um novo guarda chega ao castelo, ele enxerga a garota por trás da Deusa mortal que ela encarna, e um amor proibido nasce entre os dois. Mas a rainha tem um plano para acabar com seus inimigos, e eles incluem os dons de Twylla. Será que a jovem se manterá fiel a seu reino ou abandonará tudo em nome de um amor condenado?

Twylla é a Daunen Encarnada. Basicamente, isso quer dizer que ela é a reencarnação da filha de dois deuses, Daeg e Naeht (Sol e Lua, respectivamente), e deve servir como fonte de esperança ao reino de Lormere. Mas suas funções vão além de orar, cuidar do templo e ser a futura esposa do príncipe: ela é também o carrasco da corte. Por ser a Daunen Encarnada, ela é a única capaz de sobreviver ao pior veneno do reino, a Praga-da-Manhã, e esse veneno fica impregnado em sua pele – tornando-a capaz de matar com um simples toque. Acostumada a viver isolada e sem nenhum contato humano, Twylla vê sua rotina mudar com a chegada de um novo guarda, Lief: um rapaz jovem, curioso e impulsivo, que a trata sem cerimônias e conversa com ela como igual. Twylla precisa então decidir entre seus sentimentos e seus deveres para com o reino.

A Herdeira da Morte tinha tanto potencial: uma garota com a capacidade de matar, uma rainha odiosa e controladora, uma corte cheia de segredos, uma mitologia bastante rica… Infelizmente, a maior parte da trama não explora esses elementos. Para começar, o livro demora bastante a engrenar, e os acontecimentos relevantes começam a ocorrer lá pela metade da trama. Eu até relevei essa questão, já que os primeiros livros de séries de fantasia costumam ser mais descritivos e introdutórios, mas não posso negar que essa característica fez com que a leitura demorasse a “pegar no tranco”. Entretanto, devo elogiar a capacidade de Melinda Salisbury de criar a ambientação do seu universo, dando aos poucos as informações que foram moldando o mundo fictício onde a história se passa. O problema maior nesse livro foi… o casal.

Eu comecei a leitura achando a proposta super interessante, especialmente devido à mitologia criada pela autora. Mas a verdade é que faltou carisma nos personagens. Twylla não chega a ser irritante, mas está longe de conquistar o leitor. Eu consigo compreender sua personalidade mais fechada, especialmente por carregar a culpa de ser a carrasca do reino, mas a grande questão é que a personagem não brilha. Ela não luta pelo próprio destino, ela não toma decisões, ela permanece estagnada. Lief, por outro lado, é um tanto forçado. A relação entre eles é construída às pressas, e basta apenas um mês para que ambos estejam apaixonadíssimos e fazendo juras de amor eterno. Acho que estou ficando velha, por isso não cola mais pra mim. 😛

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Merek, o príncipe e terceiro elemento do triângulo amoroso, começa como um personagem misterioso e interessante, mas no fim não é nada além de patético e digno de pena. Porém, apesar dos “mocinhos” serem esquecíveis, temos uma vilã bem digna, com uma vibe meio Cersei Lannister/Rainha Má: maldosa, ambiciosa, egoísta e louca. Ela é cruel apenas pelo prazer de ser cruel. O problema? Ela SOME durante METADE do livro! Enquanto o romance se desenrola, a autora cria uma desculpa meio furada para o sumiço da rainha, que deixa de ser uma ameaça real durante boa parte da trama. Que desperdício!

Os plot twists do final conseguem manter o leitor interessado, mas em contrapartida são bem nonsense e, até certo ponto, clichês. A trama do Príncipe Adormecido (uma das lendas que fazem parte da mitologia de Lormere) ganha espaço DO NADA e o leitor fica “ué”. E o epílogo? Não sei até agora o que senti a respeito. Por um lado, foi bacana ver Twylla tomando as rédeas da própria vida; por outro, fiquei insatisfeita com tantas coisas importantes em aberto.

Eu terminei A Herdeira da Morte com sentimentos confusos. De modo geral, não gostei das decisões de Melinda Salisbury para o desenvolvimento da história. Por outro lado, achei muito rico e interessante o universo criado por ela, cheio de mitos e lendas instigantes. Sabe quando um livro tem muito potencial e você fica triste porque ele não foi bem explorado? Pois é. 😦

Título Original: The Sin Eater’s Daughter
Série: A Herdeira da Morte
Autor: Melinda Salisbury
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.