Resenha: O Ickabog – J. K. Rowling

Oi pessoal, tudo certo?

Assim como boa parte do fandom, eu também me decepcionei demais com a J. K. Rowling desde seus tweets transfóbicos. Inclusive não pretendia (nem pretendo, até o momento) adquirir seus livros novos, mas acabei recebendo como uma ação de divulgação da Editora Rocco um exemplar de O Ickabog. Decidi fazer um esforço de descolar um pouco a experiência de leitura da obra das coisas horríveis que ela disse, e felizmente esse esforço foi recompensado, porque eu me deparei com um ótimo livro (e devo admitir: mesmo zangada, continuo gostando de tudo que essa mulher escreve – exceto seus tweets, obviamente).

Garanta o seu!

Sinopse: Com a altura de dois cavalos, olhos que brilham como bolas de fogo, garras afiadas e compridas feito navalhas, o Ickabog está chegando. Um monstro mítico, um reino em perigo e uma aventura que irá testar a bravura de duas crianças. Descubra uma história brilhantemente original, divertida e irônica, sobre o poder da esperança e da amizade, de J.K. Rowling, autora de Harry Potter, uma das maiores contadoras de história de todos os tempos. O reino da Cornucópia já foi o mais feliz do mundo. Tinha muito ouro, um rei com os melhores bigodes que você poderia imaginar, e açougueiros, padeiros e queijeiros cujas comidas deliciosas faziam uma pessoa dançar de prazer. Tudo parecia perfeito, mas nos pântanos enevoados ao norte, segundo a lenda, vivia o monstruoso Ickabog. Qualquer pessoa sensata sabia que o Ickabog era apenas um mito para assustar as crianças e fazê-las se comportar. Mas quando esse mito ganha vida própria, lançando uma sombra sobre o reino, duas crianças – os melhores amigos Bert e Daisy – embarcam em uma grande aventura para desvendar a verdade, descobrir onde está o verdadeiro monstro e trazer a esperança e a felicidade de volta para Cornucópia. Em uma bela edição capa dura O Ickabog traz 34 ilustrações coloridas de crianças brasileiras de 7 a 12 anos de vários estados do Brasil, vencedoras do Concurso de Ilustração Ickabog.

O Ickabog é um livro que J. K. começou a escrever para os seus filhos quando eles eram pequenos, mas só concluiu durante a pandemia no ano passado. Cada capítulo foi sendo disponibilizado na internet e também rolou um concurso no qual crianças brasileiras foram escolhidas para ilustrar o livro. A edição física está fantástica, a Editora Rocco caprichou muito em cada detalhe: a capa é dura e alguns elementos têm um brilho dourado muito bonito, além das ilustrações nas páginas internas. 

A história começa com um típico “Era uma vez…”, que já nos transporta para o tempo tranquilo da infância. A autora conta a história do reino da Cornucópia, um lugar feliz, tranquilo e conhecido por sua excelente gastronomia e produção de vinho. O reino era governado pelo gentil (mas ingênuo e vaidoso) Rei Fred, cujos amigos mais próximos eram o vil Lorde Cuspêncio e Lorde Palermo, braço direito de Cuspêncio. Quando um aldeão pede ajuda ao rei para que salve seu cachorro desaparecido de um monstro conhecido como Ickabog (até então apenas uma lenda), uma série de eventos trágicos dá a Cuspêncio a desculpa perfeita para manipular o rei e fazer da Cornucópia apenas uma sombra do que era. E mudar esse destino é algo que está em mãos muito jovens: mais precisamente os amigos de infância Daisy e Bert.

Dá pra notar como a premissa já transmite o caráter lúdico da história, não é mesmo? A obra trata de assuntos pertinentes de uma forma fácil para que as crianças entendam, mas também capaz de fazer os adultos refletirem: há um governo que se isenta da responsabilidade (causando muita desigualdade e sofrimento), a corrupção destruindo a vida de milhares de pessoas, as graves consequências das “fake news” (ainda que ditas de outra forma) e também o preconceito contra aquilo que é desconhecido. E ao mesmo tempo em que fiquei impressionada com o quanto o livro dialoga com a realidade em que vivemos, também foi impossível não ficar me perguntando como uma autora que fala com tanta sensibilidade sobre esses assuntos pode corroborar na vida real com discursos que oprimem grupos já marginalizados. Tenho muita dificuldade de assimilar isso, sério. :/

Agora, falando sobre os protagonistas, Daisy e Bert são personagens cativantes. Ambos tiveram perdas familiares causadas pelas pessoas no poder e tiveram suas vidas radicalmente mudadas. Daisy em especial é uma personagem que causa muita afeição: mesmo com toda a crueldade que ela presenciou e mesmo com uma carga tão grande de dor ainda na infância, a menina se transformou numa jovem que cuida do próximo e que crê na bondade dos outros. Daisy é um ótimo exemplo para as crianças, tanto de coragem quanto de resiliência e de empatia.

Como pontos negativos eu traria somente dois aspectos: o livro ganha uma certa “barriga” lá pela metade que torna um pouco mais difícil prosseguir, especialmente porque há uma longa sequência de negatividade acontecendo; o segundo ponto é o final, que soou apressado em comparação a todo o tempo que a autora dedicou ao resto da narrativa – especialmente porque é no terço final que um personagem MUITO importante aparece, e ele merecia mais espaço.

O Ickabog foi uma leitura leve, divertida e que me transportou pras histórias que eu lia quando era pequena, ainda que com uma crítica social mais elaborada. É difícil não fazer paralelos com os (des)governos que ganharam força nos últimos anos e pensar que países como o nosso estão sendo jogados cada vez mais fundo na lama por irresponsabilidade e crueldade alheia. Mas, apesar de trazer a dor e o sofrimento da Cornucópia ao longo das páginas, O Ickabog termina como um livro infantil deve terminar: com a esperança de um “felizes para sempre”. E em tempos como esses, toda dose de esperança é bem-vinda. 🙂

Título original: The Ickabog
Autora:
J. K. Rowling
Editora: Rocco
Número de páginas: 288
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Branco Letal – Robert Galbraith

Oi gente, tudo bem?

Depois de mais de 600 páginas, cá estou para contar o que achei do muito aguardado (por mim, pelo menos rs) Branco Letal, a nova aventura de Cormoran Strike e Robin Ellacott. ❤ A resenha tem spoilers dos livros anteriores, ok?

branco letal robert galbraithGaranta o seu!

Sinopse: Quando Billy, um jovem problemático, vai à agência do detetive particular Cormoran Strike procurando sua ajuda na investigação de um crime que ele pensa ter testemunhado quando criança, Strike fica profundamente aflito. Embora tenha problemas mentais evidentes e não consiga se lembrar de muitos detalhes concretos, há algo de sincero nele e na história que conta. Mas antes que Strike consiga interrogá-lo melhor, Billy foge de seu escritório em pânico. Tentando chegar ao fundo da história de Billy, Strike e Robin Ellacott — antes sua secretária, agora uma sócia na agência — partem seguindo um rastro tortuoso que os leva pelas ruas do submundo de Londres, até um refúgio secreto dentro do Parlamento e a uma mansão bela, porém sinistra, no interior do país. E durante esta investigação labiríntica, a própria vida de Strike não está nada fácil: graças à fama recente como detetive particular, ele não consegue mais agir nos bastidores, como antigamente. Além disso, sua relação com a antiga secretária carrega mais tensão do que no passado — Robin agora é inestimável para Strike nos negócios, mas a relação pessoal dos dois é muito mais espinhosa.

Após o final bombástico de Vocação Para o Mal, o novo livro de Robert Galbraith vem para elucidar o que aconteceu após o casamento de Robin e Matthew. Strike e ela fazem as pazes e ele pede para que ela volte ao trabalho – mas não é só isso que acontece no casamento. De cara, os sentimentos que até então estavam sutis nos volumes anteriores ficam muito mais evidentes, e é nítido que Robin e Strike sentem mais do que amizade e camaradagem um pelo outro. Ainda assim, movida por diversos sentimentos (culpa, confusão, incerteza), Robin acaba dando uma chance ao casamento – cuja viagem para a lua de mel a afasta de vez de Strike.

Um ano depois, o relacionamento dos dois está abalado, restringindo-se à esfera profissional. Porém, eles precisam trabalhar juntos novamente em um caso quando o jovem Billy, um garoto perturbado, invade o escritório e alega ter visto um assassinato quando era criança. As coisas ficam ainda mais estranhas quando a dupla de detetives é procurada pelo Ministro da Cultura, Jasper Chiswell, que alega estar sendo chantageado por ninguém mais, ninguém menos que o irmão do tal Billy. Isso é o suficiente para que uma pulga persistente fique atrás da orelha de Strike, que aceita o caso e decide investigar Billy também.

Com 656 páginas, é óbvio que acontece MUITA coisa em Branco Letal. Acompanhamos Strike e Robin investigando diversos ambientes – incluindo a Câmara dos Comuns, onde Robin se infiltra para investigar outros políticos – e também várias pessoas diferentes. Enquanto tenta descobrir os segredos daqueles que chantageiam Chiswell, Strike também tenta juntar as peças que formam o quebra-cabeça da história (não tão) maluca de Billy. Porém, é lá pela metade do livro que uma reviravolta surpreendente acontece, e eu diria que é a partir daí que as coisas realmente ganham fôlego. 

branco letal robert galbraith

O maior trunfo de Branco Letal está no desenvolvimento da dupla de detetives que tanto me cativa. Strike e Robin têm seus sentimentos mais explorados do que nunca nesse volume, e muitas vezes seus anseios ganham mais destaque do que a investigação. Sendo fã da série principalmente por causa deles, gostei muito disso e me envolvi com seus dramas – especialmente de Robin, que casou com um verdadeiro embuste. Além disso, esse aprofundamento dos personagens também vai sustentando as mudanças pelas quais eles passam e dão mais força aos seus sentimentos. Por outro lado, o ponto fraco do livro está em uma característica que já pontuei em volumes anteriores: Robert Galbaith enrola demais. Definitivamente, Branco Letal poderia ser um livro mais ágil e mais curto, especialmente quando penso que aquilo que realmente bota a história em movimento acontece lá pela metade (pois, até então, a investigação estava super morna). Sendo bem sincera, existem plots e personagens que são praticamente descartáveis, cuja resolução é tão simplória que poderiam ter sido facilmente removidos (selecione se quiser ler: na boa, todo o auê envolvendo o Billy foi desnecessário, e Robert Galbraith poderia ter feito a história ser bem mais dinâmica sem perder tempo com isso).

Apesar de ser um livro inegavelmente mais longo do que o necessário, a narrativa envolvente da qual tanto gosto não me decepcionou. Mesmo com tantas páginas e plots que pareciam não ter fim, era gostoso ler Branco Letal, e as páginas fluíam com muita facilidade. Tinha dias que eu lia um monte e ficava com aquele gosto de quero mais, sem vontade de ir dormir porque precisava de mais um capítulo. E, quando um livro consegue me causar essa sensação, eu consigo perdoá-lo por ser um pouco prolixo. 😛 Além disso, vale mencionar o final, que trouxe uma resolução bastante surpreendente – me senti enganada pelo(a) culpado(a) e adoro quando isso acontece!

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Sobre questões técnicas da edição em si: há algumas falhas de revisão, e em alguns momentos o nome dos personagens aparece errado, o que me incomoda um pouco. Também não curti muito que a identidade visual da capa tenha mudado, porque agora os livros não combinam na estante. 😦 Por outro lado, amei ver que nessa capa Strike não está sozinho, tendo a companhia de Robin! ❤ Nada mais justo, agora que eles são oficialmente sócios!

Resumindo, Branco Letal foi um livro do qual gostei bastante, apesar de ser desnecessariamente longo. A narrativa de Robert Galbraith sempre me envolve, e o carisma de Strike e Robin, que me cativou desde O Chamado do Cuco, está presente. O final surpreende, com uma ótima reviravolta, e ainda traz novas possibilidades bem interessantes para os protagonistas. Não vejo a hora de conferir a próxima aventura da dupla e, apesar dos deslizes que o autor possa cometer, sei que é grande a probabilidade de eu novamente adorar a experiência. ❤

Título Original: Letal White
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 656
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Vocação Para o Mal – Robert Galbraith

Oi gente, tudo certo?

Terminei o livro mais recente (publicado no Brasil) da série Cormoran Strike, Vocação Para o Mal, e hoje vim contar pra vocês minhas impressões sobre ele.

vocação para o mal robert galbraithGaranta o seu!

Sinopse: Quando um pacote contendo a perna decepada de uma mulher é entregue a Robin Ellacott, seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, suspeita de quatro pessoas de seu passado que poderiam ser capazes de tamanha brutalidade. Mas quando a polícia foca no suspeito que Strike tem cada vez mais certeza de que não é o criminoso, ele e Robin precisam correr contra o tempo para descobrir a verdade. Depois de O chamado do Cuco e O bicho-da-seda, o terceiro romance da aclamada série escrita por Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling, é um suspense inteligente, com reviravoltas inesperadas a cada página, e também a emocionante história de um homem e de uma mulher numa encruzilhada em suas vidas pessoais e profissionais.

Após a resolução de dois casos com grande destaque na mídia, Strike finalmente pode respirar mais tranquilamente, sabendo que as finanças estão ficando em dia e que o escritório prospera. Robin também está exultante nesse volume, após finalmente ter realizado o curso de contravigilância pago por Strike. Entretanto, a calmaria é interrompida quando Robin recebe uma encomenda destinada a ela: em vez das esperadas câmeras descartáveis (para o casamento com Matthew), o que a jovem recebe é uma perna decepada.

Vocação Para o Mal é interessante especialmente porque, nesse caso, existem motivações pessoais contra Strike. De imediato, após o recebimento da perna, o detetive já faz uma lista de homens em seu passado que teriam bons motivos para querer destruí-lo: Jeff Whittaker (ex-marido de sua mãe, que Strike acredita tê-la matado), Noel Brockbank (ex-soldado e pedófilo em quem Strike causou lesão cerebral) e Donald Laing (também ex-membro do Exército, colocado atrás das grades por Strike). Todos os homens têm um grande histórico de violência, que os tornam perfeitamente capazes de terem cometido tal atrocidade. Entretanto, a maior fonte de preocupação de Strike é Robin.

A parceira de Strike vive um turbilhão de emoções nesse livro. Além de ter recebido a perna, ela descobre algo sobre o noivo, Matthew, que a deixa completamente desestabilizada. São nessas circunstâncias que ela conta a Strike o que aconteceu para que ela tivesse tido agorafobia e largado a faculdade de Psicologia. Ao descobrirmos mais sobre o passado de Robin, não apenas entendemos algumas de suas escolhas de vida como também a admiramos ainda mais por sua força e sua coragem. Robin é um mulherão da porra (e merecia mais que o embuste do Matthew). Não sei como me sinto sobre um possível envolvimento romântico dela com Strike nos livros (porque na série eu shippo loucamente, em função da química dos atores) mas, se isso acontecer no futuro, vai ser de maneira natural, já que o autor construiu a relação de confiança dos dois ao longo dos três livros.

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Minha crítica a esse volume permanece a mesma dos anteriores: Robert Galbraith enrola demais! Existem cenas que podem ser facilmente classificadas como fillers, não existindo necessidade de estarem ali. Se o autor fosse um pouco mais direto – mesmo para dar as várias pistas (verdadeiras e falsas) – o livro fluiria muito melhor. Confesso que esse aspecto da escrita de Robert Galbraith está me deixando um pouco apreensiva para o seu novo livro, Lethal White (lançado em setembro no Reino Unido), que tem mais de 600 páginas. Se grande parte delas forem encheção de linguiça, ficarei bastante decepcionada. 😦 A conclusão do livro não foi tão impactante quanto nos volumes anteriores, pois já sabemos quem são os suspeitos e que eles são odiosos. Não é como se fosse uma surpresa descobrir que qualquer um era um assassino, sabem? Nesse sentido, O Chamado do Cuco ganha disparado, tendo o melhor desfecho da série até agora.

Vocação Para o Mal foi um livro muito bacana para desenvolver a dupla de detetives, mas pecou um pouco no mistério em si. A resolução do caso foi arrastada e o final não surpreendeu, o que é um pouco decepcionante em livros policiais. Entretanto, eu gosto demais de Strike e de Robin e curti muito ver suas emoções e pensamentos em destaque. Não foi o melhor livro da série, mas não chegou a decepcionar. 😉

Título Original: Career of Evil
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 496
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: O Bicho-da-Seda – Robert Galbraith

Oi galera, tudo bem?

Li o segundo volume da série Cormoran Strike, O Bicho-da-Seda, e hoje conto pra vocês minhas impressões a respeito. 😉

o bicho da seda robert galbraithGaranta o seu!

Sinopse: Quando o escritor Owen Quine desaparece, sua esposa vai a procura do detetive Cormoran Strike. De início, a Sra. Quine pensa que seu marido apenas se afastou por conta própria, por uns dias — como já tinha feito antes —, e ela pede a Strike para que o encontre e o traga para casa. Mas conforme Strike investiga o caso, se torna claro que há mais no desaparecimento de Owen do que sua mulher pensa. O escritor havia terminado um manuscrito contendo descrições venenosas de quase todos que conhecia. Se o livro fosse publicado, poderia arruinar vidas: o que significa que existiam várias pessoas que poderiam querer silenciá-lo. Quando Quine é encontrado brutalmente assassinado em circunstâncias bizarras, a investigação se torna uma corrida contra o tempo para entender a motivação de um assassino impiedoso, um assassino como Strike nunca havia visto antes.

Que eu adoro livros de investigação, não é novidade pra quem me acompanha aqui no blog. Eu curti bastante a experiência com O Chamado do Cuco e vi muito potencial em J. K. Rowling (ou melhor, Robert Galbraith) de seguir nesse tipo de história. Felizmente, os pontos positivos do primeiro volume se mantiveram; entretanto, os defeitos também.

Após solucionar o caso Lula Landry, Strike ganha certa notoriedade, trazendo mais casos ao seu escritório e permitindo que ele tenha uma vida um pouco mais confortável. Robin segue como sua secretária, mas com a expectativa de tornar-se ajudante de Strike assim que possível. As coisas no escritório iam bem (com Strike investigando, basicamente, maridos e esposas infiéis), até que Leonora Quine bate à sua porta e alega que seu marido, o escritor Owen Quine, está desaparecido. Descrente que a polícia poderá ajudá-la (já que seu excêntrico marido tinha o hábito de fugir), a estranha e rude mulher deposita suas esperanças em Strike, que aceita o caso. Strike não demora a descobrir, entretanto, que Owen Quine não está desaparecido: ele foi brutalmente assassinado. A questão é que Quine recentemente escreveu um livro que difama inúmeros nomes importantes do ramo editorial, dando motivos a diversas pessoas para querer algum tipo de retaliação.

Duas coisas me chamaram a atenção no caso de O Bicho-da-Seda: o modo como Owen Quine foi assassinado e seu próprio manuscrito, Bombyx Mori (que significa, justamente, bicho-da-seda). Para investigar os possíveis suspeitos, Strike adentra na mente doentia de Quine enquanto lê sua obra repleta de violência e sexo, fazendo conexões entre os personagens e as pessoas reais. Assim como ele, o leitor vai tentando conectar as peças enquanto lê ambos os livros: o de Quine e o de Galbraith. O interessante é que novamente Galbraith não revela nenhum detalhe dos pensamentos de Strike em relação ao criminoso ao leitor; há um momento em que o detetive está certo de quem é o assassino, mas várias páginas se passam até que a gente descubra. Se o objetivo é atiçar a curiosidade do leitor, pra mim isso deu certo! Devoreeei as páginas finais. 😛

resenha o bicho da seda robert galbraith

Robin também ganha destaque nesse volume, o que me deixou bem contente. Ela é inteligente, empática e competente. Além da beleza física, sua personalidade conquista o leitor e também os personagens com quem ela interage. Porém, seu plot demora a engrenar, já que durante boa parte do livro ela está magoada com Strike (por não treiná-la) ou brigando com Matthew (um chato que só faz criticá-la por suas escolhas profissionais). Entretanto, quando ela tem a chance de brilhar, é um arraso só! ❤

Em relação à narrativa, Galbraith peca por ser descritivo demais em relação às ruas e locais de Londres. Por um lado, isso torna a leitura bem imersiva. Por outro, é cansativo, já que são descrições específicas e “insiders” (e, como eu não conheço Londres, ficava meio difícil de imaginar, já que muitas vezes o autor cita apenas nomes de lugares). Além disso, ele repete à exaustão alguns recursos que já ficaram claros anteriormente (como as dificuldades de locomoção de Strike ou a instabilidade de Charlotte). Entretanto, no final da trama, o autor consegue fechar todas as pontas soltas, o que considero imprescindível nos romances policiais. Só não gostei tanto da revelação do assassino e suas motivações quanto curti em O Chamado do Cuco; foi menos emocionante, com motivos menos impactantes (ainda que o autor tenha me enganando novamente a respeito de sua identidade).

Em suma, terminei O Bicho-da-Seda tendo a certeza de que, apesar das ressalvas, me tornei fã de Strike e Robin. Essa dupla carismática me cativou, e o modo de Robert Galbraith contar suas histórias e manter o mistério no ar durante toda a leitura conseguiram me envolver. Além disso, o autor conseguiu trazer à tona a disputa de egos que envolve o mercado editorial, fazendo uma crítica ácida e interessante (como também fez em relação à mídia em O Chamado do Cuco, diga-se de passagem). Recomendo! 😉

Título Original: The Silkworm
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 464
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: O Chamado do Cuco – Robert Galbraith

Oi, pessoal. Tudo certo?

Para o post de hoje trago um livro que, depois de muita expectativa, eu finalmente li no ano passado: O Chamado do Cuco, o primeiro livro policial escrito por J. K. Rowling sob o pseudônimo Robert Galbraith.

o chamado do cuco robert galbraith.pngGaranta o seu!

Sinopse: Quando uma modelo problemática cai para a morte de uma varanda coberta de neve, presume-se que ela tenha cometido suicídio. No entanto, seu irmão tem suas dúvidas e decide chamar o detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de guerra, ferido física e psicologicamente, e sua vida está em desordem. O caso lhe garante uma sobrevida financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais ele mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrias ficam as coisas e mais perto do perigo ele chega.

Galbraith (vou me referir a “o autor”) nos apresenta à Lula Landry, uma modelo internacionalmente famosa que aparentemente cometeu suicídio. Três meses depois do ocorrido, John Bristow, o irmão da falecida, procura um detetive particular para investigar novamente a morte de Lula, que ele acredita ter sido assassinato. O detetive escolhido é Cormoran Strike, antigo amigo do irmão mais novo de Bristow, também já falecido. Strike está em uma situação financeira complicada: rompeu com a ex-noiva, está morando no escritório, as dívidas estão crescendo e ele tem que arcar com o salário da secretária temporária, Robin Ellacott. Esses fatores fazem com que ele aceite o caso, ainda que acredite na hipótese de suicídio. Porém, conforme investiga e adentra o universo (não tão) glamuroso da modelo, Strike começa a mudar de ideia.

Após o salto temporal que ocorre após o falecimento de Lula Landry, temos muito contato com Robin, cujo ponto de vista inicia o primeiro capítulo. Ela está animadíssima por ter sido pedida em casamento e nem se importa com o fato de estar indo trabalhar como secretária temporária. Quando descobre que seu empregador é um detetive particular – profissão pela qual ela é secretamente apaixonada desde a infância – a moça fica ainda mais encantada. Mas a relação com Strike não começa com o pé direito: ele é um homem reservado e bastante seco (em grande parte graças aos inúmeros problemas que vem enfrentando na vida pessoal). Ex-militar, Strike perdeu a perna no Afeganistão e agora vive com os casos que ocasionalmente surgem em seu escritório. Eu gostei de O Chamado do Cuco logo nas primeiras páginas que, inclusive, me fizeram rir – devido à dinâmica entre o desajeitado Strike e a prestativa Robin. Essa dinâmica fica ainda melhor conforme o detetive gradualmente começa a perceber o valor de Robin, que o auxilia em diversos aspectos do caso, sendo extremamente pró-ativa e determinada. Com o passar das páginas, a afinidade entre eles cresce e surge uma amizade inesperada e cativante. Contudo, a maior parte do livro realmente ocorre sob o ponto de vista de Strike, que investiga quase todo o mistério sozinho – ainda que a ajuda de Robin seja importante e muito bem-vinda.

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Um aspecto extremamente positivo de O Chamado do Cuco é que, como sempre, o autor (agora me refiro à habilidade de J. K. mesmo) consegue criar personagens de modo extremamente aprofundado, convincente e real. Por mais que o foco seja o caso Lula Landry, conhecemos Strike a fundo enquanto a história se desenrola. O personagem, inicialmente fechado em si mesmo, começa a se abrir para o leitor conforme suas camadas vão sendo removidas e vamos descobrindo mais sobre ele, sua ex-noiva, seu passado no exército e seu histórico familiar. E isso é construído de maneira exemplar, fazendo com que o leitor crie um laço com ele. Robin também é uma personagem incrível, apesar de ter menos espaço no primeiro volume. Ela é profissional, determinada, cheia de iniciativa e com um grande coração. Comentário com spoiler a seguir, selecione se quiser ler: e já deu pra sentir que Galbraith foi minando o relacionamento dela com o noivo de modo sutil. Não duvido que terminem em breve.

A investigação em si tem seus momentos cansativos. São muuuitas pessoas que Strike precisa interrogar, e o detetive não nos dá pistas sobre o que está pensando a respeito do suspeito. Só descobrimos sua lógica no final mesmo e, apesar de não ter sido a situação mais surpreendente do mundo, conseguiu entrelaçar todas as pontas soltas e encerrar o caso de modo eficiente, ainda que um pouco previsível.

O Chamado do Cuco foi um ótimo romance de estreia, apesar de perder um pouco o fôlego na metade do livro. Com personagens bem construídos, uma narrativa envolvente e um desfecho satisfatório, acredito que a leitura seja extremamente válida. Além disso, já estou apaixonada por Strike e Robin, e não vejo a hora de conferir a próxima aventura dos dois. Recomendo!

Título Original: The Cuckoo’s Calling
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 448
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Resenha: Morte Súbita – J. K. Rowling

Oi, meu povo! Como estão?

Para o post de hoje, trago pra vocês o primeiro livro fora do universo Harry Potter que li da minha rainha J. K. Rowling. ❤ Me refiro a Morte Súbita, uma obra que causa muitas opiniões controversas.

morte subita jk rowling.pngGaranta o seu!

Sinopse: Este livro de J.K. Rowling conta a história de Pagford e seus habitantes, que, após a morte inesperada de Barry Fairbrother, membro da Câmara do vilarejo, fica em choque. Pagford é, aparentemente, uma pacata cidade inglesa com tudo o de mais comum e organizado que pode haver, mas o que está por trás da fachada bonita é uma cidade em guerra – uma guerra de classes, credos, gerações e interesses. Ricos em guerra com os pobres, adolescentes em guerra com seus pais, esposas em guerra com seus maridos, professores em guerra com seus pupilos – Pagford não é o que parece ser. O assento vazio deixado por Barry no conselho municipal logo se torna o catalisador para a maior guerra que a cidade já viu. Quem triunfará em uma eleição repleta de duplicidade, paixão e revelações inesperadas?

Se não me falha a memória, eu ganhei esse livro de uma amiga em 2012 e, até então, nunca havia dado uma chance a ele. As duras críticas na internet acabaram me fazendo ter uma impressão negativa (ou talvez receosa) em relação à obra e acabei me enrolando pra conferi-la. Esse ano, na tentativa de diminuir cada vez mais os livros não lidos da minha estante, decidi que era hora de conhecê-lo e tirar minhas próprias conclusões. E minha opinião é bem positiva!

Morte Súbita tem seu start com a morte de Barry Fairbrother, um importante membro da cidade fictícia de Pagford. Membro do Conselho Distrital, pai de família exemplar, treinador do time de remo da escola, Barry era uma pessoa cujo nome todos conheciam. Mas nem só de amizade e admiração eram feitas suas relações: no Conselho Distrital, Barry tinha muitos conflitos por defender o bairro conhecido como Fields – uma zona da cidade bastante pobre e com altos índices de criminalidade. E eu diria que uns 80% do enredo do livro rodeia todo esse conflito em relação a Fields e Barry, por mais que o personagem morra no prólogo. Mesmo sendo ausente, ele é uma peça-chave na trama.

A partir da morte de Barry, vários acontecimentos têm início. O casal Howard e Shirley Mollison (os maiores rivais de Barry no Conselho) se preparam para tentar eleger seu filho, Miles, como substituto de Barry; Samantha Mollison, esposa de Miles, se afasta cada vez mais do marido por essa decisão; Gavin Hughes, sócio de Miles, vive um relacionamento conturbado com a namorada, Kay Bawden, uma mulher com quem ele não tem coragem de terminar; Kay, por sua vez, lida com a revolta da filha, Gaia (que não queria ter se mudado de Londres para o vilarejo de Pagford) e com as dificuldades do seu emprego como assistente social, no qual ajuda a família Wheedon; Krystal Wheedon, uma garota problemática, tenta manter a mãe longe das drogas enquanto cuida do irmão de apenas três anos; Andrew Price, colega de Gaia e Krystal, sofre com a violência de um pai abusivo; o casal Colin e Tessa Wall tentam lidar com o filho rebelde Stuart (Bola), ao mesmo tempo em que Colin se candidata ao Conselho; Parminder Jawanda, médica e membro do Conselho, lida com a tristeza após a morte de Barry, mas sem perceber que parte de sua família tem seus próprios sofrimentos; Sukhvinder Jawanda, filha de Parminder, sofre bullying e é maltratada por Bola, mas não tem coragem de contar a situação a ninguém… e por aí vai.

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Sim, existem MUITOS nomes em Morte Súbita (eu nem citei todos). E sim, todos eles são importantes. Porque Morte Súbita é um livro que fala sobre as relações pessoais em uma cidadezinha interiorana com valores conservadores. E esses valores caem por terra quando começam a invadir o site do Conselho Distrital para postar verdades sujas sobre diversos membros daquela comunidade. Esse gatilho coloca tudo em movimento, e vemos as máscaras de vários personagens caindo.

Acho importantíssimo falar também sobre a crítica social incrivelmente inteligente que J. K. Rowling constrói por meio da polêmica a respeito de Fields. Os protagonistas desse plot são os membros da família Wheedon. Krystal e sua mãe, Terri, são personagens difíceis e problemáticas e, em um primeiro momento, é muito fácil que nossa tendência seja a de de julgá-las e desprezá-las. Porém, com o passar das páginas, vamos descobrindo muito mais a respeito delas: conhecemos suas dores, seu sofrimento, seus traumas. Percebemos que a pobreza e a desigualdade social as levaram para esse caminho difícil, do qual nem todos conseguem voltar. E, sendo brasileira, foi muito fácil enxergar como essa realidade acontece todos os dias em nosso país, tão desigual e injusto. A crítica que J. K. tão habilmente constrói se aplica totalmente à nossa realidade, o que torna todo esse enredo da família Wheedon ainda mais indigesto e amargo.

Morte Súbita tem uma história que se desenrola aos poucos. A narrativa, feita em terceira pessoa, mas sob a ótica de vários personagens, leva um tempo para engrenar. Mas, assim que você entende quem é quem em Pagford e quais são suas motivações e suas histórias, a trama fica muito mais instigante. Pra vocês terem ideia de quanto fui sendo absorvida pela história, eu devorei as últimas 100 páginas (fiquei lendo até às 3h da manhã e quase morri de sono no outro dia hahaha). O final é um soco no estômago e me deixou bastante impactada, ao mesmo tempo em que tenta trazer uma visão positiva sobre alguns aspectos. Resumindo, Morte Súbita é uma obra excelente, bem construída e com críticas extremamente importantes. J. K. Rowling não decepciona! ❤

Título Original: The Casual Vacancy
Autor: J. K. Rowling
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 501
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Resenha: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada – J. K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Oi, gente! Tudo bem?

Essa é provavelmente uma das resenhas mais difíceis que já fiz. Hoje vim falar um pouquinho (mentira, vai ter textão) sobre um livro um tanto controverso, que eu demorei meses pra ler por puro medo: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. 

harry potter e a criança amaldiçoada.pngGaranta o seu!

Sinopse: Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

A história é basicamente a seguinte: Harry e seu filho do meio, Alvo Potter, não têm uma relação próxima. O afastamento entre os dois se deu principalmente após a entrada do garoto em Hogwarts, onde foi selecionado para a Sonserina e fez um único amigo: Escórpio Malfoy. Após uma briga, Alvo decide voltar no tempo usando um Vira-Tempo que Harry – agora chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia – confiscou, com o intuito de salvar Cedrico Diggory. Essa motivação vem não apenas da briga com o pai, mas também da visita de Amos Diggory e sua sobrinha, Delphi, à casa de Harry. Amos não aceita que o filho tenha morrido em vão e, ao ouvir os rumores de que um novo Vira-Tempo foi encontrado, pressiona Harry a usá-lo. A atitude de Alvo em roubar o Vira-Tempo e voltar até o Torneio Tribruxo com Escórpio acaba causando desdobramentos terríveis no futuro, e não apenas os dois, como os personagens adultos (Harry, Gina, Hermione, Rony e Draco) precisam correr pra consertar as falhas temporais.

Como vocês já devem saber, a narrativa de A Criança Amaldiçoada é diferente de todos os outros livros da saga, pois trata-se de um roteiro de uma peça de teatro. Particularmente, esse tipo de narrativa não me incomodou. O roteiro tem algumas descrições que nos ajudam a imaginar a cena e segue um ritmo bem tranquilo de acompanhar. Durante a leitura eu me peguei em diversos momentos divagando sobre como aquelas cenas seriam levadas para um palco. Nos cinemas temos os efeitos especiais que fazem a magia acontecer, mas e no teatro? Fiquei bem curiosa.

Se meus problemas com A Criança Amaldiçoada não começaram na narrativa, eles começaram em algo mais importante e grave: no enredo. Não vou dar spoilers, obviamente, mas a questão é que o livro desconstrói muita coisa da saga original de uma maneira impiedosa. A mitologia por trás de vários artefatos – principalmente o Vira-Tempo – é ignorada e totalmente modificada sem maiores explicações. O uso desse objeto faz de A Criança Amaldiçoada praticamente um Efeito Borboleta bruxo! 😛 Além disso, os personagens (com exceção de Draco) não eram condizentes com os sete livros anteriores, sendo um esboço bem fraco do que eles costumavam ser ou, talvez, sendo um esboço mal feito dos filmes. Aliás, parece que o livro inteiro foi escrito por alguém que não leu os livros e só assistiu às adaptações: os personagens são rasos e tomam atitudes que não correspondem às suas contrapartes literárias, alguns plots que já ficaram no passado há eras são retomados (oi, Cedrico), algumas cenas e personagens são romantizados de uma maneira que não faz sentido nenhum, os artefatos utilizados são aqueles famosinhos nos filmes (Vira-Tempo e Mapa do Maroto)… Enfim, sinto que, na tentativa de fazer uma homenagem a aspectos clássicos da saga, A Criança Amaldiçoada se tornou apenas um fanservice fraquíssimo.

Foram vários os aspectos que eu não gostei, né? Pois é, dei rage em diversos momentos durante a leitura. Mas não posso ser injusta, existem pontos positivos em A Criança Amaldiçoada. O primeiro deles: Escórpio Malfoy. ❤ Ele tem a fofura da Luna, mas sem a esquisitice, sabem? É um personagem doce, leal e inteligente. Na verdade, nem sei porque foi parar na Sonserina, Lufa-Lufa ou Corvinal combinariam muito mais com ele! Escórpio salva A Criança Amaldiçoada, porque Alvo é um péssimo protagonista. Além dele, outro Malfoy teve destaque no livro: Draco. Ele foi o único personagem que manteve sua essência original, e foi além: mostrou-se um pai feroz, que faria de tudo pelo filho. Apesar de sua comunicação com Escórpio não ser tão boa, sentimos a cada fala do personagem quão intenso é seu amor. Além deles, A Criança Amaldiçoada também traz algumas passagens interessantes: no último Ato existe uma cena muito triste e bonita, que conseguiu me fazer chorar.

Em suma, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é um livro “ok”. Tem alguns momentos bacanas, mas em geral eu senti que não passava de um fanservice mercenário. Como potterhead desde os 8 ou 9 anos, isso é muito difícil pra mim. Talvez a peça seja incrível, mas não foi fácil ler o que li e ver meus personagens favoritos transformados no que se transformaram. Não gostei de ver a saga que mais amo na vida transformada em algo tão tosco. Na verdade, se a J. K. Rowling não tivesse considerado o livro canônico (ou seja, parte da saga original), eu olharia pra ele de modo mais tranquilo. Agora, sabendo que ele é de fato a continuação, fiquei frustrada. Infelizmente, não tive aquela sensação gostosa de voltar a Hogwarts, sabem? Espero que um dia eu possa assistir à peça ao vivo e mudar de ideia. 🙂

Agora, pra quem quiser ler, seguem abaixo algumas considerações COM SPOILER. Selecione se quiser ler:

  • Harry usando a influência dele no Ministério pra ameaçar a Minerva (agora diretora de Hogwarts)? Achei muito nonsense, considerando que o personagem sempre desprezou os Malfoy justamente por menosprezarem as pessoas e usarem de poder para conseguirem o que queriam.
  • Não faz sentido todo esse drama entre Harry e Alvo pelo fato do garoto ter sido colocado na Sonserina, principalmente porque As Relíquias da Morte termina justamente com Harry dizendo que isso não é importante.
  • Gina virou a ameba inútil dos filmes, com falas e ações que não acrescentam nada na história.
  • Hermione foi muito burra ao deixar o Vira-Tempo escondido nos livros. Ela é muito mais brilhante do que isso!
  • Rony foi transformado e resumido a um tiozão do “é pavê ou pacumê”. Botem logo um nariz de palhaço no personagem e terminam de avacalhá-lo.
  • Não consigo imaginar o Voldemort transando e tendo uma filha. Talvez porque a saga original não explore tanto esses quesitos. Mas ok, até que dá pra engolir.
  • Alvo Potter PIOR PESSOA. Todo mundo reclama que o Harry fala umas coisas pesadas pro filho, mas quem não perderia a paciência com Alvo? Harry faz de tudo pra demonstrar seu amor e o guri não aceita nenhuma das tentativas do pai, sempre agindo com revolta e autopiedade (sendo que Escórpio tem muito mais problemas do que ele).
  • Snape aliado a Rony e Hermione? Que romantização escrota do personagem. Gente, aceitem: Snape pode ter sido corajoso e heroico, mas não era uma BOA pessoa. Ele era um professor abusivo e ponto. Mais um fanservice descarado.
  • A cena do quadro do Dumbledore também foi difícil de engolir. Nunca vi um quadro se comportar daquele jeito e demonstrar emoções.

Título Original: Harry Potter and the Cursed Child
Autor: J. K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Review: Animais Fantásticos e Onde Habitam

Olá, pessoal! Tudo bem?

E depois de muita espera, muita ansiedade e duas idas ao cinema (uma na estreia e uma hoje), trago pra vocês meu review de Animais Fantásticos e Onde Habitam! ❤

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Sinopse: O excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) chega à cidade de Nova York levando com muito zelo sua preciosa maleta, um objeto mágico onde ele carrega fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte-america, que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar todas suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam fugindo.

Não foi fácil escrever esse review. Como potterhead assumida, vocês sabem como é difícil pra mim manter a compostura quando falo sobre o universo mágico de J. K. Rowling HAHAHA! Mas vou me esforçar ao máximo pra trazer pra vocês o que achei de mais relevante em relação ao filme. 😉

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Começando pela história: o roteiro de J. K. Rowling está incrível! Sério, essa mulher é capaz de fazer qualquer coisa com maestria! Apesar do início do filme ser um pouco mais lento, logo a trama começa a ganhar complexidade e somos apresentados a um universo totalmente novo. A história começa basicamente assim: o magizoologista Newt Scamander viaja a Nova York para comprar um presente, mas se vê no centro de uma confusão quando um dos animais que ele carrega em sua mala escapa e ele precisa usar magia na frente de um não-maj (aka trouxa), Jacob Kowalski. Quando se prepara para apagar a memória de Kowalski, este é mais rápido e sai correndo… com a mala de Newt! 😛 A partir desse incidente, o primeiro plot do filme tem início: três animais fogem da mala de Newt e ele se une a Jacob para tentar recuperá-los. Os dois acabam ganhando duas aliadas inesperadas: Tina e Queenie Goldstein, duas irmãs bruxas. Contudo, a trama vai muito além disso, pois existem outros aspectos em ação: o medo dos bruxos de serem descobertos pelos não-majs, a presença de seitas como a dos Segundos Salemianos (que buscam desmascarar os bruxos e promovem o ódio contra eles) e, principalmente, a ameaça latente de Gerardo Grindewald, um terrível bruxo das trevas. Além disso, novamente J. K. Rowling traz temas atuais para suas histórias: o filme fala, entre outras coisas, sobre questões políticas e extremismo. Sim, existem algumas pontas soltas (como o veneno com capacidades obliviativas no final) e personagens subexplorados (como a Presidente Picquery), mas eu espero que isso seja melhor trabalhado no futuro.

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Além de um roteiro incrível, temos outro ponto forte característico do universo de J. K. Rowling: ótimos personagens! Eddie Redmayne trouxe à vida um Newt doce, tímido, totalmente deslocado e sem jeito para interações humanas, mas totalmente confortável com seus amigos animais. Tina Goldstein também é uma boa personagem: ex-auror, a funcionária do MACUSA (Congresso Mágico dos EUA) tem um caráter forte e busca sempre fazer o certo. Sua irmã, Queenie, é um amor! Meiga e engraçada, ela é tão leal quanto a irmã. Mas Jacob Kowalski rouba a cena! ❤ Carismático, engraçado e corajoso, o não-maj representa a todos nós com seu encanto e respeito em relação ao mundo bruxo. Também gostei da atuação de Ezra Miller, com seu Credence traumatizado e perturbado. Colin Farrell nos apresenta a um vilão dissimulado e consistente, mas um pouco óbvio demais. Agora, em relação a Grindelwald… não gostei, gente, sorry. Aquela caracterização ficou MUITO tosca e forçada, mais um dos estereótipos de Johnny Depp. Espero que ele surpreenda na atuação nos próximos filmes, porque olha…

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Agora, um dos pontos fortes do filme é, obviamente, o clima de magia. Na estreia eu assisti a Animais Fantásticos no cinema normal, sem 3D, e hoje conferi em IMAX. Em ambos os casos, eu me senti totalmente envolvida pelos cenários, pela ambientação, pelos efeitos especiais e, é claro, pelos animais. ❤ A criatividade de J. K. Rowling é surpreendente, e pudemos conhecer um lado de seu mundo mágico que tinha muito potencial para ser explorado: o das criaturas mágicas. Adorei conhecer os animais de Newt e já me apaixonei por suas peculiaridades! Outro aspecto totalmente novo é a ameaça dos Obscurus, “seres” totalmente inéditos, com infinitas possibilidades para serem explorados. Em relação a essas novidades todas, devo admitir que em IMAX elas ficaram ainda mais evidentes, pois os efeitos especiais saltaram aos olhos, proporcionando grande imersão.

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Bom, resumindo: Animais Fantásticos e Onde Habitam foi uma surpresa maravilhosa. Conseguiu se afastar de Harry Potter e ter vida própria ao mesmo tempo em que evoca nostalgia por nos levar de volta a esse universo sensacional. Gostei muito do tom mais leve e do humor presentes no filme e adorei o fato dele ter caminhado com as próprias pernas, usando apenas algumas referências a Harry Potter. O longa tem algumas falhas (como algumas pontas soltas e algumas atuações, conforme já citei antes), mas acerta muito mais do que erra. Com o perdão do trocadilho, mas se tem um adjetivo que combine com esse filme, certamente é fantástico. 🙂

Título original: Fantastic Beasts and Where to Find Them
Ano de lançamento: 2016
Direção: David Yates
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterson, Dan Fogler, Alison Sudol, Colin Farrell, Ezra Miller

Infinitas Vidas Informa #15

Oi gente, tudo bem?

Mais um mês que chega ao fim e mais um Infinitas Vidas Informa no ar. 😀
Confira as notícias que separei pra vocês ao longo de agosto!

How To Get Away With Murder ganha fotos e pôster da terceira temporada

novas fotos how to get away with murder

Annalise Keating e seus pupilos estão (quase) de volta! 🙂 A terceira temporada da série, que estreia 22 de setembro, ganhou pôster e fotos oficiais. Confira!

J. K. Rowling vai lançar três novos e-books referentes ao mundo mágico

ebooks pottermore

Os livros digitais serão lançados no Pottermore e já têm títulos definidos! São eles: “Hogwarts: An Incomplete and Unreliable Guide”, “Short Stories from Hogwarts of Power, Political and Pesky Poltergeists” e “Short Stories from Hogwarts of Heroism, Hardship and Dangerous Hobbies”. Saiba mais!

Vazam novas fotos do live action de A Bela e a Fera 

a bela e a fera novas fotos

O novo filme da Disney está sendo aguardado com ansiedade. Enquanto sua estreia não chega, algumas fotos vazadas vão matando nossa curiosidade. Nas imagens, podemos ver Lumière, Cogsworth, Gaston e Adam (Fera)! Confira!

Espero que tenham gostado das notícias, pessoal. 😉
Beijos e até semana que vem!