Dica de Série: The Witness for the Prosecution

Oi povo! Como estão?

Hoje eu trago pra vocês o review da última minissérie baseada nas obras da Agatha Christie que conferi recentemente: The Witness for the Prosecution. Vocês podem conferir também aqui no blog os reviews de And Then There Were None, The ABC Murders e Ordeal by Innocence. 😉

the witness for the prosecution

Sinopse: Adaptação feita pela BBC da obra de Agatha Christie. Situada na década de 1920, a minissérie apresenta o julgamento de Leonard Vole (Billy Howle), jovem acusado de ter assassinado Emily French (Cattrall), uma rica senhora a quem prestava conselhos financeiros. Tendo herdado sua fortuna, Leonard se tornou o único suspeito do crime. A sua situação se complica quando Janet Mackenzie (Monica Dolan), governanta da casa, presta seu depoimento. A única chance de Leonard de provar sua inocência é sua esposa Romaine (Andrea Riseborough). Mas esta o surpreende quando se torna uma testemunha de acusação.

Emily French, uma rica senhora solitária e nome importante da sociedade, foi morta. O principal suspeito é Leonard Vole, um rapaz com quem Emily mantivera uma relação nos últimos meses. A empregada de Emily não hesita em acusá-lo, alegando que o rapaz era um oportunista e estava de olho no dinheiro de sua patroa. Leonard então investe todas as suas fichas em sua esposa, Romaine, uma jovem atriz que busca ascensão. Porém, tanto Leonard quanto seu advogado de defesa, John Mayhew, ficam boquiabertos quando Romaine decide ser a testemunha de acusação da promotoria.

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A trama de The Witness for the Prosecution é bem linear e curtinha: são apenas 2 episódios que focam na busca de John por um meio de salvar Leonard. Entre uma cena de julgamento e outra, temos o passado do advogado explorado: seu casamento foi arruinado pela perda do único filho na guerra, da qual somente John retornou vivo. A melancolia do personagem é evidente e ele deposita na missão de salvar Leonard sua redenção.

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Outro aspecto interessante é a figura de Romaine. Ela é uma verdadeira incógnita, cuja verdadeira face está oculta em meio a maquiagens, cenários encantadores e figurinos deslumbrantes. Quem é Romaine, afinal? Uma atriz em ascensão? Uma mulher invejosa que deseja o papel principal no teatro (pertencente a outra mulher)? Uma esposa traída e de coração partido? O fato de Romaine se voltar contra Leonard é o ponto mais interessante do julgamento, apesar de não ser surpreendente o fato dela querer se vingar pelos meses de traição.

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O plot twist no final é satisfatório, explicando a atitude dos personagens de maneira convincente e dando ao espectador um novo olhar sobre eles. Como ponto negativo, eu diria que o ritmo é um pouco enrolado (especialmente nas cenas envolvendo John) e o julgamento em si é fácil demais, não causando nenhuma sensação de aflição no espectador. Em suma, The Witness for the Prosecution é uma minissérie bacana e curtinha, ideal para um entretenimento mais rápido. Não é imperdível e nem a melhor minissérie baseada nas obras de Agatha Christie, mas em geral vale a pena. 😀

Título original: The Witness for the Prosecution
Ano de lançamento: 2016
Direção: Julian Jarrold
Elenco: Toby Jones, Billy Howle, Andrea Riseborough, Kim Cattrall, Monica Dolan

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Review: Kimetsu no Yaiba

Oi gente, como estão?

Depois de My Hero Academia, meu namorado conseguiu de novo: me indicou um anime e eu acabei fisgada! Estou falando do ótimo Kimetsu no Yaiba (também conhecido como Demon Slayer).

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Sinopse: Desde os tempos antigos, abundam os rumores de demônios devoradores de homens à espreita na floresta. Por causa disso, os moradores locais nunca se aventuram do lado de fora durante a noite. Diz a lenda que um matador de demônios também perambula pela noite, caçando esses demônios sanguinários. Para o jovem Tanjiro, esses rumores logo se tornarão sua dura realidade… Desde a morte de seu pai, Tanjiro assumiu a responsabilidade de sustentar sua família. Embora suas vidas possam ser endurecidas pela tragédia, eles encontraram a felicidade. Mas esse calor efêmero é destruído um dia quando Tanjiro encontra sua família abatida e o único sobrevivente, sua irmã Nezuko, se transformou em um demônio. Para sua surpresa, no entanto, Nezuko ainda mostra sinais de emoção humana e pensamento… Assim começa a busca de Tanjiro para lutar contra os demônios e transformar sua irmã humana novamente.

A primeira coisa que me chamou a atenção nesse anime foi o traço, que é lindo. Sabe quando você fica olhando encantada pros personagens e cenários? Foi assim que me senti no primeiro episódio. A qualidade técnica é impecável, a trilha sonora envolve e as cenas de ação têm muita fluidez e realmente captam a nossa atenção. Mas e a história, é tão boa quanto os aspectos técnicos?

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Sim! Em Kimetsu no Yaiba, acompanhamos a jornada do jovem Tanjiro em busca de uma cura para sua irmã, Nezuko, que foi transformada em um demônio. A fatalidade aconteceu após toda a família dos dois ser morta pela mesma criatura, mas Nezuko acabou sobrevivendo e tornando-se uma delas. Porém, inexplicavelmente, a jovem ainda consegue ter lampejos de sua humanidade e manter seu desejo por carne humana sob controle, o que motivou Tanjiro a encontrar uma forma de reverter o que aconteceu. Para isso, ele faz um treinamento intenso para se tornar um Exterminador de Demônios – uma organização dedicada a liquidar todos aqueles que colocam vidas humanas em risco. Após dois anos de extenuante treinamento, Tanjiro conquista o título e parte com Nezuko para diversas missões, onde faz novas amizades e conquista companheiros.

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Tanjiro é a estrela de Kimetsu no Yaiba. Em alguns aspectos, ele me lembra o Midoriya, de My Hero Academia: é muito dedicado, responsável e esbanja empatia, preocupando-se sempre com o bem das pessoas ao seu redor. Ele é um líder nato, de coração gigante e muito senso de responsabilidade (o que já era nítido quando sua família ainda estava viva, já que ele era o mais velho dos irmãos). Seus companheiros também são carismáticos (eu adoro os surtos explosivos do Inosuke e os momentos badass do Zenitsu – que nem sabe ainda de sua total capacidade) e Nezuko é uma fofa, ainda que tenha se destacado muito pouco na maior parte dessa primeira temporada.

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As batalhas são incríveis e muito boas de assistir. Uma das coisas de que mais gosto em Kimetsu no Yaiba é o fato de que Tanjiro não fica fodão da noite para o dia, usando do privilégio de protagonista. Ele treina MUITO e se esforça MUITO pra chegar aonde chegou e conseguir lutar contra os demônios que enfrenta, o que dá mais credibilidade à sua trajetória. Outro aspecto que torna essas batalhas mais interessantes é que diversos demônios que Tanjiro encontra pelo caminho têm motivos próprios para sofrer: eles também foram humanos um dia e muitos deles ainda carregam as dores de seu passado. Como crítica negativa, acho válido comentar que o vilão principal foi mal explorado, pelo menos na primeira temporada. Ele aparece somente uma vez e, apesar de demonstrar claramente sua capacidade de ser cruel, sua aparição até o momento não trouxe grande desenvolvimento para a história.

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Resumindo, Kimetsu no Yaiba é uma excelente opção de anime para quem já gosta do gênero, mas também pode ser sua porta de entrada para esse tipo de produção. Qualidade técnica, história envolvente (ainda que simples) e personagens carismáticos fazem de Kimetsu no Yaiba uma ótima aposta. Recomendo muito!

Título original: Kimetsu no Yaiba
Ano de lançamento: 2019
Direção: Haruo Sotozaki
Roteiro: Ufotable
Elenco: Natsuki Hanae, Akari Kitô, Yoshitsugu Matsuoka, Hiro Shimono, Takahiro Sakurai

Lista #7: Pais da literatura

Oi gente, tudo bem?

Em primeiro lugar, gostaria de desejar a todos o melhor Dia dos Pais possível. ❤ Para muita gente essa não é uma data fácil, mas espero que vocês tenham um bom domingo apesar disso. E para quem essa data representa coisas boas, eu desejo muita celebração e amor!

No clima da data, a coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) se uniu para fazer uma lista com exemplos de pais incríveis (e outros nem tão incríveis assim…) da literatura. Bora conferir? 😉

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Exemplo de paizão

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Alessandra: Sr. Bennet – Orgulho e Preconceito
Um exemplo de pai amoroso e compreensivo. Que busca apenas a felicidade das filhas. Um grande exemplo disso é a sua famosa frase que num momento de desespero para Lizzie acalmou seu coração: “se você não se casar com Mr. Collins, sua mãe nunca mais a verá de novo. E eu nunca mais a verei se você se casar”. É ou não é um dos maiores atos de amor, principalmente para a época representada?
Carol Antonucci: Nate Pullman – Extraordinário
Quando se trata desse livro, todos lembram e admiram (com razão!!) a Isabel, mãe de August, mas o pai dele também é extremamente amoroso e companheiro do filho. Ele o incentiva a enfrentar seus medos, lhe dá coragem, e é uma figura paterna inspiradora. Um paizão que merece ser lembrado!
Carol Cristina: Maverick – O ódio que você semeia (Angie Thomas)
QUE PAIZÃO! Maverick (pai de Starr, Seven e Sekani) antes de se casar com a mãe dela tinha envolvimento com o tráfico local, mas mudou totalmente de vida. Virou dono de um mercadinho local, e durante o livro soube estimular o senso crítico, dar o exemplo e ensinamentos valiosos para seus filhos. Esse pai sabe quem foi e quem é, não abandona seus valores, é amoroso e presente, luta pela família e por seus semelhantes, passa por injustiças mas nunca desiste!
Pâmela: Chris Astor – A Menina que Semeava
Esse pai é maravilhoso e lembra muito os papais que contam histórias antes de dormir para que seus filhos possam ter um bom sono, só que nesse caso não é apenas no sono. Ele passa uma barra com a filha com câncer e ainda ter que lidar com a ex-mulher insuportável…. No entanto, para ajudar a filha a ter esperança, cria um mundo maravilhoso para a mesma viver além da imaginação.
Priscilla: Sr. Covey – Trilogia Para Todos os Garotos Que Já Amei
Viúvo e com 3 filhas mulheres, Dan Covey é um grande exemplo de pai dedicado e atencioso, que se esforça ao máximo para entendê-las e ajudá-las. Sempre buscando manter as tradições coreanas de sua falecida esposa vivas na família, o pai da Lara Jean é aquele tipo de personagem que é impossível não gostar. Seria incrível se todos os pais seguissem o exemplo do Sr. Covey e assumissem seus papeis ativamente na criação dos filhos, né não?

Pai embuste

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Alessandra: Madoc – O Príncipe Cruel (Série O Povo do Ar)
Madoc é o pai adotivo das gêmeas Jude (protagonista da série) e Taryn e também é o responsável pela morte da mãe e do verdadeiro pai das duas garotas. Acho que deu para entender o nível de crueldade desse moço, né? Sim, ele cria as órfãs, porém de uma maneira fria e distante. E nem posso contar as traições que comete no decorrer da obra, pois seria um grande spoiler.
Carol Antonucci: Donovan O’Neil – Novembro, 9
Um cara famoso, um pai ausente, que só encontra a filha para contar as novidades de sua vida e da nova esposa, sem se tocar no quanto o evento que queimou boa parte do corpo de sua filha, ainda a traumatizava. Temos pais mais embustes que isso, certamente, mas esse ganhou meu ranço.
Carol Cristina: Anderson – Série Estilhaça-me (Tahereh Mafi)
PENSEM NUM SER DESPREZÍVEL! Anderson é o pai de Warner na série, e comandante supremo do Restabelecimento. Desgraçou com a vida do meu Aaron Warner, a cabeça do rapaz é toda psicologicamente ferrada por causa das atrocidades que o pai fazia e o obrigava a fazer também. Anderson não sente um pingo de amor por Warner, odeia tudo o que o filho ama e o faz sofrer “para que se torne melhor e mais forte”. Esse é um pai que faz coisas inacreditáveis pra tentar fazer do filho um monstro como ele!
Pâmela: Sr. Thénardier- Os Miseráveis
Ô homenzinho sem-vergonha e insuportável juntamente com a esposa, mas vamos focar no senhor. No final você até fica com um pouco de dó dele? Bem pouco, mas durante toda a obra, ele dificulta a vida de Cosette, Fantine e, mais tarde, Marius, além de ser um exemplo de corrupção em meados de 1800. Além disso, os filhos, por mais que possam parecer arrogantes, na verdade, são apenas necessitados de carinho e de um ombro e até disso eles privam o mais jovem deles. É fogo!
Priscilla: Jonny Rokeby – Série Cormoran Strike
O pai de Strike é a personificação da babaquice: o outrora rockstar engravidou uma de suas groupies, Leda, e nunca quis envolvimento algum com ela ou com a criança. Além disso, na única vez em que Strike precisou dele (com um pedido de empréstimo financeiro), Rokeby colocou até advogados para cobrá-lo, sem o menor pudor. Outro aspecto enfurecedor é que ele tem outros filhos, para os quais ele dá suporte – ou seja, o personagem é um retrato bem realista de muuuitos exemplos de pais que encontramos por aí, que ignoram a existência dos filhos e/ou só dão importância para suas novas famílias. Péssimo!

E vocês, quem colocariam nessa lista? 😉
Beijos e até o próximo post!

Resenha: Soppy: Os Pequenos Detalhes do Amor – Philippa Rice

Oi galera, tudo bem?

Em junho, ainda no clima de Dia dos Namorados, resolvi solicitar à Editora Rocco um livro muito fofo que estava no meu radar há um tempo: Soppy: Os Pequenos Detalhes do Amor, da designer Philippa Rice. Hoje conto (e mostro!) o que achei, além de comparar com Love Is, outra obra bem semelhante da editora.

soppy philippa riceGaranta o seu!

Sinopse: Soppy: os pequenos detalhes do amor, de Philippa Rice, é uma reunião de bem-humoradas tirinhas criadas a partir de momentos da vida real da designer britânica com seu namorado. Bastante popular na web, com mais de meio milhão de postagens no Tumblr, Soppy conquistou as redes sociais com declarações de amor escondidas nos detalhes do cotidiano de um relacionamento, como dividir uma xícara de chá, a leitura de um livro ou comentários irônicos à frente da TV numa tarde chuvosa. As charmosas ilustrações capturam com delicadeza a experiência universal de dividir uma vida a dois, e celebram a beleza de encontrar o amor em todo lugar. Soppy chega às prateleiras pelo Fábrica231, o selo de entretenimento da Rocco, a tempo de se tornar uma ótima opção de presente para o Dia dos Namorados.

É impossível pensar em Soppy e não lembrar imediatamente de Love Is, da Puuung. Afinal, a proposta é a mesma: ilustrar o amor no dia a dia, com suas sutilezas e detalhes do cotidiano. Ao terminar o livro, a conclusão se repete: o amor é algo a ser construído diariamente, com cuidado e dedicação; relacionamentos não duram baseados somente no fogo da paixão, mas se sustentam graças ao empenho em transformar mesmo algo simples em um momento especial. Os gestos mais despretensiosos podem ser uma forma de dizer “eu te amo”, como por exemplo preparar um chá quentinho para o seu amor, ajeitar o cachecol do(a) parceiro(a) em um dia frio, dividir as tarefas de casa ou simplesmente dormir de conchinha (dividindo-se entre quem vai ser a conchinha maior ou menor, é claro!). Me digam: como não ficar com um sorriso no rosto diante disso?

Mas apesar da proposta e conclusão serem semelhantes, Soppy tem diferenças bem importantes e marcantes em relação a Love Is. Philippa Rice traz mais personalidade aos seus personagens e tirinhas, trazendo inclusive diversos diálogos, de tom mais brincalhão e debochado. A protagonista é bem sapeca (como quando “trapaceia” no cara ou coroa para pedir pizza), e o seu namorado também tem uma participação mais ativa. O legal do livro trazer os diálogos dos dois é que isso confere personalidade ao casal, trazendo suas vivências para a nossa realidade de uma maneira mais natural. Além das cenas fofas, Soppy também aborda momentos engraçados, conseguindo me fazer rir durante a leitura (corri pra marcar meu namorado na tirinha da pizza, porque eu também sempre tento trapacear para pedir comida em vez de cozinhar rs). Por fim, também vale elogiar o fato de que a ilustradora traz o ponto de vista dos dois personagens juntos, mas também separados – valorizando a individualidade, um elemento muito importante em qualquer relação.

Apesar do estilo artístico de Love Is ser mais “bonito” visualmente (em função do traço e da aquarela), eu gostei mais de Soppy. Curti o fato de haver diálogos no livro, além de ter me identificado mais com as situações vividas pelos personagens. O traço é mais minimalista, mas não deixa de ser fofíssimo, e é muito legal acompanhar as diferentes situações que o casal vivencia. Recomendo muito, especialmente se você aprecia ilustrações e quer se divertir enquanto tem o coração aquecido ao mesmo tempo. ❤ Sem mais delongas, bora para as fotos!

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“Podemos pedir pizza mesmo assim?” 😂

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Título Original: Soppy: A Love Story
Autor: Philippa Rice
Editora: Fábrica231 (selo da Editora Rocco)
Número de páginas: 112
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Review: Como Ser Solteira

Oi gente, tudo bem?

Na vibe das comédias românticas despretensiosas, acabei assistindo a Como Ser Solteira, um filme do qual nunca tinha ouvido falar, mas que acabou me surpreendendo.

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Sinopse: Alice (Dakota Johnson) acabou de sair de um relacionamento e não sabe muito bem como agir sem outra metade. Para sua sorte, ela tem uma animada amiga (Rebel Wilson), especialista na vida noturna de Nova York, que passa a ensiná-la como ser solteira.

Alice é uma jovem acostumada a estar em relacionamentos. Estando em um namoro duradouro com Josh, ela resolve “dar um tempo” para se descobrir. Alice logo percebe que cometeu um erro e, ao tentar voltar com o rapaz, descobre que ele já seguiu em frente. A partir desse momento (e do sofrimento causado pelo término real oficial), a jovem começa a descobrir um novo jeito de viver, aproximando-se de sua nova amiga de trabalho (a solteira inveterada, Robin) e experimentando novas possibilidades. Além da jornada de Alice, o filme também traz de maneira um pouco menos aprofundada os dramas amorosos de Meg (irmã de Alice, que sempre prioriza a carreira e evita relacionamentos) e Lucy (a romântica que não perde a esperança de encontrar o cara ideal).

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Com os diversos núcleos de personagens, o filme me lembrou outras comédias românticas semelhantes, como Ele Não Está Tão Afim de Você. Ao longo da 1h50 de duração, Como Ser Solteira vai nos conduzindo pelas delícias e dificuldades de não ter um relacionamento, enquanto explora o jeito de cada personagem lidar com a situação. Existem os clichês, obviamente, como o barman gostosão que não abre mão da solteirice, mas se apaixona pela pessoa mais improvável. Mas quem disse que eu ligo pra clichês em comédias românticas? Gosto e assumo. 😂 Contudo, mesmo com os clichês, o filme também traz algumas quebras de expectativas. Quando pensamos que determinado personagem vai ter um desfecho X, a condução da narrativa o leva para o caminho Y. Isso é bem legal, porque tira a obviedade de alguns plots e nos traz algumas surpresas bem-vindas.

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Mas, sem dúvidas, a trama mais interessante é justamente a de Alice (apesar da performance nada surpreendente de Dakota Johnson, com sua Anastasia 2.0). Existe uma pressão social bem grande para que encontremos um grande amor e, tratando-se das mulheres, isso é redobrado. Se para um homem ser solteirão não é um problema, para mulheres isso (ainda) traz um estigma negativo. E Alice é a jovem que nunca soube ficar sozinha, tendo sua vida orbitando em torno de uma relação; quando ela é forçada a encarar o mundo por si mesma, transformações incríveis acontecem de dentro para fora. Por mais que doa em alguns momentos, é um processo fundamental. Afinal, é impossível estar pleno e feliz ao lado de alguém quando você mesma não se conhece, e essa é a lição mais bacana que o filme traz.

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Como Ser Solteira é uma comédia romântica bacana, com cenas divertidas e até mesmo algumas reviravoltas. Assisti sem nenhuma expectativa e acabei me surpreendendo, pois o filme conseguiu me entreter e me fazer refletir – mesmo que de modo mais superficial. Não é inesquecível e nem vai marcar a sua vida, mas com uma pipoquinha e um cobertor vale muito a pena conferir! 😀

Título original: How to be Single
Ano de lançamento: 2016
Direção: Christian Ditter
Elenco: Dakota Johnson, Rebel Wilson, Leslie Mann, Alison Brie, Anders Holm, Nicholas Braun, Jason Mantzoukas, Damon Wayans Junior

Dica de Série: The ABC Murders

Oi gente, tudo bem?

Depois de And Then There Were None e Ordeal by Innocence, cá estou pra falar de mais uma minissérie da BBC que adapta um livro de Agatha Christie: The ABC Murders. Vamos descobrir o que achei? Lembrando que não li o livro, então minhas opiniões são exclusivamente sobre o que foi mostrado na série. 😉

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Sinopse: O icônico detetive criado por Agatha Christie, Hercule Poirot (John Malkovich), investiga um inimigo mais inteligente e desafiador do que ele jamais imaginou. Em uma Inglaterra da década de 1930 cada vez mais dividida, um assassino em série conhecido apenas como A.B.C. assola a população. Em cada cena do crime a única pista deixada é um guia de trens popular na Inglaterra de título “ABC”.

A minissérie de 3 episódios adapta uma das aventuras de Hercule Poirot, que agora é um idoso sem a notoriedade de outrora. Visto pelos outros como decadente, Hercule vive uma vida discreta, ainda que demonstre melancolia em sua expressão. Porém, o brilhante detetive é obrigado a entrar em cena novamente quando um criminoso, que se autodenomina A.B.C., lhe envia uma carta, instigando-o a encontrá-lo e demonstrando motivações pessoais para acioná-lo. Quando o primeiro assassinato acontece (cujo local e vítima tinham nomes iniciados em A), Hercule percebe que os planos do assassino são meticulosos e não vão parar. Entretanto, o novo inspetor da polícia – Crome, um jovem querendo provar seu valor – não parece inclinado a deixar Hercule colaborar.

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Que o gênero policial é meu favorito não é novidade, então sempre fico animada para conferir tramas assim, com a perseguição de algum serial killer, um embate entre duas mentes brilhantes e um mistério bem desenvolvido. A primeira coisa que me chamou a atenção em The ABC Murders é que, aparentemente, o último elemento não existia: a série mostra o rosto do homem chamado Alexander Bonaparte Cust logo de cara. No decorrer dos três episódios, acompanhamos duas perspectivas: a de Alexander e a de Hercule, que acaba sendo contratado pelo irmão de uma das vítimas para investigar o caso oficialmente.

Hercule está um tanto abatido em The ABC Murders. Na época em que a trama acontece, a Inglaterra está promovendo campanhas segregacionistas, e é nítido o desconforto do detetive belga, que há anos vive no país e colabora com ele tanto quanto qualquer cidadão inglês. Além desse clima separatista desconfortável e injusto, o detetive também está inseguro com sua idade e com a falta de propósito que parece lhe acometer, e foi bem surpreendente ver Hercule Poirot tão vulnerável. Entretanto, ele é inabalável e em nenhum momento pensou em desistir de investigar o caso, cujo número de vítimas só crescia.

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O que me decepcionou em The ABC Murders foi o fato de que Poirot não brilhou – e isso não tem a ver com o fato de ele estar “decadente”. Sua inteligência e sagacidade seguiram presentes ao longo da trama, mas de algum modo a série não conseguiu transmitir isso. Senti, enquanto assistia, que as contribuições de Hercule para o caso eram pequenas demais, e portanto a resolução do crime também acabou perdendo um pouco o impacto. Entretanto, para ser justa, a revelação final foi muito boa, transformando uma motivação gananciosa em uma psicopatia e um gosto por matar. Outro ponto fraco está no ritmo dos episódios. Por diversas vezes há flashes do passado de Poirot que prometem uma revelação (que, de fato, surpreende); o problema é que esse recurso é usado de modo repetitivo, cansando o espectador. Ainda sobre o ritmo, a série peca em não causar aflição em quem assiste. Em nenhum momento prendi o fôlego ou temi pelos personagens, o que foi uma pena.

As atuações me surpreenderam, especialmente de Andrew Buchan (Franklin Clarke), Eamon Farren (Alexander Cust) e Rupert Grint (Inspetor Crome). Aliás, gostei de ver essa nova faceta de Rupert Grint. Fora Harry Potter, eu só tinha visto outra série com ele, Sicknote, mas detestei e larguei na segunda temporada. Mesmo não tendo curtido a série, já tinha percebido que Rupert tem potencial, e The ABC Murders me confirmou isso. A potterhead que vive em mim espera vê-lo em mais produções por aí. 😀

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Em suma, The ABC Murders não é uma série ruim, mas também não é memorável. Ela tem um plot twist bem bacana (o que fez ganhar pontos comigo), mas peca no ritmo dos episódios e no tratamento dado a Poirot. Apesar disso, a proposta da trama em si me agradou e me deixou com vontade de ler o livro: quero muito ver as diferenças existentes, especialmente na resolução do caso (espero que Poirot seja mais participativo!). Se você tiver um tempinho de sobra e quiser conferir uma série bem produzida, mas não perfeita, vale a pena espiar The ABC Murders. o/

Título original: The ABC Murders
Ano de lançamento: 2018
Direção: Sarah Phelps
Elenco: John Malkovich, Rupert Grint, Eamon Farren, Andrew Buchan, Tara Fitzgerald, Freya Mavor

Top 5 coisas favoritas em Stranger Things 3

Oi galera, tudo bem?

Agora que já faz três semanas que Stranger Things 3 estreou, resolvi trazer pra vocês meus pontos favoritos sobre a temporada. ❤ Dei um tempinho pra falar a respeito pra que mais pessoas pudessem ter terminado de assistir, então esse post CONTÉM SPOILERS, ok?

1) Empoderamento feminino

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Uma coisa que Stranger Things 3 acertou em cheio foi a representação das mulheres na série. Até a segunda temporada, infelizmente não havíamos tido muitas interações relevantes entre mulheres, tendo uma grande repetição da Síndrome da Smurfete: uma mulher badass no meio de um núcleo masculino. Em Stranger Things 3, tivemos três ótimas discussões nesse sentido. A primeira delas diz respeito à amizade de Eleven e Max: as duas, que começaram a relação com animosidade, tornaram-se grandes amigas. Isso é positivo por diversas questões: mostra que mulheres podem ser amigas e que a rivalidade é nociva, trouxe mais independência e segurança para Eleven como indivíduo e fortaleceu a sororidade. Amei demais! ❤ A segunda discussão importante diz respeito ao trabalho de Nancy, que agora é estagiária no jornal local e tem que ouvir piadas misóginas enquanto serve café – mesmo tendo um instinto muito mais aguçado do que os jornalistas homens que a ridicularizam. A série evidencia o quanto era complicado para as mulheres na época conseguirem seu espaço (uma realidade que ainda hoje acontece). Felizmente, a jovem não desiste de seus objetivos, apesar de se sentir emocionalmente abalada. Por fim, esse plot do jornal nos deu um terceiro momento valioso: a conversa entre Nancy e sua mãe, Karen. Além da demonstração de afeto de Nancy, que revela se inspirar na figura materna, também temos uma lição valiosa de Karen, que impulsiona Nancy e não desistir de seus objetivos e não se deixar vencer pelo machismo que ela enfrenta. Um dos melhores diálogos da temporada! ❤

2) Ritmo alucinante

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Em diversos momentos da temporada eu literalmente segurei a respiração. Stranger Things 3 está recheada de cenas de perseguição e outras tantas de muita tensão. Há um quê de filme de terror na temporada, em que você fica ansioso pelo que vai acontecer e com medo pelo destino dos personagens. Nenhuma temporada antes tinha me causado tanta ansiedade quanto essa, e a vontade de maratonar era insaciável. Do início ao fim, Stranger Things 3 se mantém envolvente e eletrizante, mostrando o quanto a série cresceu.

3) Vários núcleos de personagens

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Durante a temporada, vemos os personagens interagindo com pessoas diferentes e envolvendo-se em missões distintas – ainda que ligadas ao mesmo objetivo. Foi muito legal ver Nancy e Jonathan investigando a questão dos fertilizantes enquanto Eleven e companhia se envolviam na investigação das pessoas ~abduzidas pelo Mind Flayer, por exemplo. Essa dinâmica fez com que a série não ficasse repetitiva e trouxesse novos ares para os personagens, e acho que o núcleo que mais se beneficiou disso foi o de Dustin e Steve: como não amar todas as cenas deles com Robin e Erica?

4) Novos (e representativos!) personagens

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Isso nos traz a um item muito bacana da temporada: Stranger Things 3 apresentou sua primeira personagem assumidamente LGBT. Robin roubou a cena durante toda a temporada e, apesar de eu tê-la shippado com o Steve (afinal, meu nenê merece uma namorada tão incrível quanto a Robin), a cena em que ela revela ser lésbica foi emocionante. Além da excelente reação super natural do Steve, apesar de estar apaixonado por ela, foi um grande passo em termos de representatividade – especialmente quando consideramos que, se hoje o preconceito ainda é enorme, nos anos 80 deveria ser mil vezes pior. Além de Robin, tivemos a adição de mais uma personagem negra de modo recorrente e importante na temporada, a atrevida Erica (irmã mais nova de Lucas, que já havia aparecido na season 2). Adorei as interações dela com o grupo e espero que ela participe ativamente da próxima temporada também! 

5) Amadurecimento

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O mote principal da divulgação da terceira temporada foi “eles não são mais crianças”, e a série conseguiu trabalhar em cima desse conceito com sucesso. Isso fica nítido na sensação de deslocamento de Will (cuja infância foi de certa forma roubada), que agora vê seus amigos mais preocupados com namoradas do que com passar tempo juntos jogando e se divertindo; fica nítido também nas dificuldades de Nancy e Jonathan ao enfrentar os primeiros dilemas da vida adulta; e, principalmente, é reforçado no final emocionante da temporada. A perda de Hopper traz uma carga emocional muito importante para todos os protagonistas, demonstrando que os perigos que eles enfrentam são reais e que a vida também pode ser cheia de dor. Para um grupo tão jovem quanto o de Eleven e companhia, é uma lição bastante dura de aprender. E o fato dela ter acontecido enfatiza a necessidade de se adaptar às mudanças e amadurecer (e isso que eu, com quase 26 anos na cara, chorei que nem criança na cena da carta).

E vocês, o que acharam da temporada? Me contem nos comentários, vou adorar saber! ❤
E não esqueçam de deixar 8 centímetros de porta aberta! :’)