Resenha: O Saotur: Segredos de um Reino Sem Nome – N. S. Moraes

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje trago pra vocês a resenha de O Saotur: Segredos de um Reino Sem Nome, da autora parceira N. S. Moraes. Pra facilitar, vou chamá-lo apenas de O Saotur, certo? 😉

O Saotur - Natalia Smirnova Moraes - Livro 1

Sinopse: Depois de se aventurar pelo mundo em um navio de saqueadores e criminosos, Constantin Teller é levado por um trágico naufrágio à terras das quais o mundo nunca ouviu falar. Terras guardadas por escudos de Menelau como se fossem o maior dos segredos. O forasteiro é resgatado por Lyhty Morken Fin, uma jovem que chama a atenção pelo olhar de cor púrpura e vitalidade contagiante, e que torna-se uma amiga para a qual ele confessa uma vida de crimes e promiscuidade. Aspirante a escritor, Constantin deseja espiar seus crimes quando é levado até a capital onde passa a morar. Mas nem tudo está em paz nessas terras estranhas e a aparição do forasteiro apenas esquenta ainda mais os ânimos de um povo dividido, de uma raça oprimida e de um castelo envolto em mistérios. Um confronto entre o povo das águas e o reino já é inevitável. Aventuras, segredos, traições, orgulho e amores proibidos são apenas algumas das facetas de um lugar cuja existência foi oculta por séculos. Histórias envolventes que vão mudar o rumo de muitas vidas, criaturas majestosas e revelações chocantes ilustram os capítulos deste livro.

A obra nos apresenta a Constantin Teller, um rapaz que passou a vida toda a bordo do navio pirata Volvet, até que uma tempestade causou o seu naufrágio. Contudo, ele sobrevive ao acidente e acorda em uma praia – lembrando apenas do desastre e de uma mão cadavérica que parece tê-lo guiado até o local. O rapaz é resgatado por uma bela e curiosa jovem, Lyhty, com quem rapidamente faz amizade. Conforme se recupera, Constantin percebe que as terras nas quais se encontra parecem fazer parte de um mundo totalmente à parte do nosso. E, ao ser convocado pela realeza – os governantes e protetores do local –, Constantin tem uma chance de deixar de ser um forasteiro e fazer parte daquele mundo fantástico.

Eu fiquei muito impressionada com a criatividade da Natalia. Ela construiu um universo tão rico que, a cada página, eu me encantava tanto quanto o próprio Constantin. Com a ajuda de Lyhty, o forasteiro vai descobrindo como aquelas terras desconhecidas funcionam. O local é protegido pelos Escudos de Menelau, que o separa do mundo exterior (algo semelhante à ilha de Themyscira, da Mulher-Maravilha). As pessoas fazem parte de casas que determinam seu ofício: a casa de Astoria, por exemplo, é a casa dos estudiosos; a casa de Paeron é a casa dos escritores, a qual Constantin almeja pertencer; a casa Silith (da qual Lyhty faz parte) é a casa dos costureiros, e por aí vai. A princípio, o lugar é muito pacifico e harmonioso, com uma exceção: as pessoas vivem com medo das criaturas conhecidas como Saotur, que vivem no mar e se alimentam de carne – inclusive humana. Devido a acordos antigos, da época da construção dos Escudos de Menelau, é permitido aos Saotur viver sob sua proteção. Contudo, existe um clima de tensão entre as espécies, porque os Saotur não podem pisar em terra firme e, nos mares, os alimentos ficam cada vez mais escassos. Enquanto os personagens temem e odeiam essa espécie, a autora habilmente apresenta ao leitor outros aspectos dessas criaturas. Por meio de uma narrativa em terceira pessoa com múltiplos enfoques, N. S. Moraes nos permite conhecer um lado dos Saotur que os humanos da história se recusam a enxergar. E Saphere, uma criança meio-humana, meio-Saotur, é um elemento-chave nesse dilema entre as espécies.

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Os personagens são muito cativantes. Constantin foi um homem que viveu diversas aventuras e partiu muitos corações ao longo da sua jornada com os piratas. Contudo, seu sonho é deixar essa vida para trás e tornar-se um escritor – oportunidade que lhe é concedida pela realeza. Lyhty é uma personagem encantadora: divertida, carismática, curiosa e cheia de vida. Os dois têm uma química incrível e eu amei a amizade (e o posterior interesse) entre eles se desenvolver. Mas uma das tramas que mais me conquistou foi a história de amor proibida entre Helena e Lótus. Fiquei emocionada com o sentimento deles, que era genuíno e teve como fruto Saphere. Outros personagens interessantes surgiram, como Orpheu (o líder do Alto Conselho), Theonis (um dos sábios da casa de Astoria) e a própria realeza em si: Amaranth (que eu já odeio!), Ayohan (odeio mais ainda!) e Eliot. Acredito que existem muitas coisas esperando por esses personagens no futuro, e mal posso esperar para descobrir.

Encontrei pouquíssimos erros de revisão ou ortografia. Aliás, fiquei admirada com a habilidade de Natalia – que é uma autora russa – escrevendo uma fantasia tão rica em português. Claro, ela veio para o Brasil muito jovem (conforme ela contou na entrevista aqui do blog), mas nosso idioma não é tão simples, e ela o domina perfeitamente (escrevendo melhor do que muitos autores que já li, inclusive). Enquanto eu lia O Saotur, eu podia facilmente imaginar a história tornando-se um filme ou uma série de TV. Potencial para isso a obra tem, pois é cheia de elementos fantásticos criativos, personagens cativantes e intrigas políticas que, suponho, serão aprofundadas no volume seguinte.

O Saotur: Segredos de um Reino Sem Nome foi uma leitura maravilhosa e envolvente. O final é de cair o queixo (sério, fui correndo chamar a Natalia inbox para falar a respeito quando terminei de ler HAHAHA!) e eu me apaixonei pelo universo construído pela autora. Mal vejo a hora de poder conferir a continuação! ❤ Agradeço novamente à autora por ter confiado no meu trabalho e ter me dado a oportunidade de conferir essa história incrível. ❤ Se você é fã de fantasias, O Saotur é uma obra promissora e imperdível. Vale a pena conferir!

Título Original: O Saotur: Segredos de um Reino Sem Nome
Autor: N. S. Moraes
Editora: Independente
Número de páginas: 230

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Review: It: A Coisa

Oi gente, tudo bem?

Apesar de sempre ter odiado palhaços e não ser fã de filmes terror (confesso: morro de medo!), os trailers, o burburinho e a curiosidade falaram mais alto e ontem fui conferir It: A Coisa, nova adaptação do clássico de Stephen King.

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Sinopse: Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado “Losers Club” – o Clube dos Otários. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do “Losers Club” acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

O longa já começa mostrando a que veio, com a clássica cena do bueiro, em que o pequeno Georgie Denbrough desaparece. Após um salto temporal de alguns meses, vemos que seu irmão, Bill, não está lidando bem com a situação e estuda uma forma de encontrá-lo. Junto com seus amigos mais antigos (Richie, Eddie e Stanley) e com algumas novas amizades (Ben, Beverly e Mike), o grupo – que se intitula Clube dos Otários – passa a investigar não apenas o desaparecimento de Georgie, mas também a estranha circunstância que faz com que diversas crianças também estejam desaparecendo. 

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O filme dedica um bom tempo de tela a desenvolver cada criança individualmente, mostrando não apenas suas personalidades, mas também o contexto na qual estão inseridas e, principalmente, seus medos. São esses medos que servem como combustível para que Pennywise os atormente e os atraia, fazendo com que eles vivam diversos momentos de puro terror. Como se não bastasse a ameaça do palhaço, o grupo ainda sofre com o bullying de alguns valentões (momento no qual o filme aproveita para mostrar como violência gera violência) e com conflitos na própria casa (especialmente no caso de Beverly, mas esse tópico merece uma atenção especial). O pano de fundo, desenvolvido gradualmente, bem como as atuações incríveis e extremamente competentes – destaque para Finn Wolfhard, que não lembra em nada o Mike de Stranger Things –, fazem com que o público se apegue aos personagens e também explica a origem de seus temores, dando motivação para que o grupo enfrente a ameaça que atormenta a cidade de Derry há séculos – e aparece a cada 27 anos.

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Pelas resenhas que li e comentários que ouvi, eu achei que o filme seria mais brutal visualmente, mas não é tanto assim. Ele assusta, sim, e as cenas feitas para te dar pulos na cadeira funcionam. Entretanto, pelo menos pra mim, o que realmente apavora é o clima de insegurança que toma conta dos personagens. A ameaça era quase onipresente, já que Pennywise faz aparições em diversos pontos distintos. As cenas foram construídas com uma tensão crescente, da trilha sonora à iluminação. Ao mesmo tempo, o filme é muito… engraçado! Eu ri alto em diversos momentos, porque as piadas eram naturais e com excelente timing. Richie e Eddie são os personagens que mais me fizeram rir, cada um à sua maneira: enquanto o primeiro tem aquele jeitão desaforado e imaturo típico da idade, o segundo é hipocondríaco e começa a trama se preocupando mais com higiene e doenças do que com o perigo que se aproxima. Esses momentos engraçado foram ótimos, pois trouxeram leveza a um filme que assusta na medida certa, sem forçar a barra.

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Agora, preciso comentar sobre o medo da Beverly. Se você não quiser saber o que é, pule para o próximo parágrafo. 😉 A menina vive sozinha com o pai, é abusada e vive em pânico das investidas dadas por ele. O homem, que é desprezível em cada fio de cabelo, sexualiza e objetifica a filha, das roupas aos longos cabelos (que ela corta para causar repulsa no pai, que diz que ela ficou parecendo um menino). Uma das cenas mais tensas e assustadoras do filme não envolveu o Pennywise, mas sim uma tentativa de abuso por parte do pai de Beverly: revoltado por saber que a menina está andando com os garotos, ele vai pra cima dela, que revida e consegue se defender. Quando ela vence o homem que a aterroriza (acertando-o com um golpe poderoso na cabeça) é impossível não ficar exultante. E mesmo no fim, quando o palhaço tenta assombrá-la com a imagem do pai, Beverly consegue enfrentá-lo novamente. Pra mim, esse foi o pior dos medos trabalhados no filme, simplesmente porque ele é… real. Acontece todos os dias, com milhares de meninas (70% dos estupros acontecem dentro de casa, cometidos por parentes da vítima). E isso torna a vivência da Beverly muito mais assustadora do que qualquer entidade fictícia, pois ilustra com maestria como o ser humano pode ser um dos piores vilões.

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It: A Coisa é um filme assustador e divertido, com atuações impecáveis e uma trama que te prende na cadeira e não te deixa desviar os olhos do que ocorre na tela. Vale a pena seguir o exemplo do Clube dos Otários e vencer o medo para conferir esse longa. 😉

Título original: It
Ano de lançamento: 2017
Direção: Andy Muschietti
Elenco:  Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs,  Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Bill Skarsgård, Nicholas Hamilton

5 motivos para assistir Outlander!

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje finalmente estreia a 3ª temporada de Outlander e eu estou empolgadíssima! Já fiz resenha dela aqui no blog (logo que a série começou, em 2014) e mantenho o que disse na época: a série segue como uma das minhas favoritas!
E, para fazer um aquecimento para a nova temporada, resolvi listar 5 motivos pelos quais você deve dar uma chance a essa série JÁ!

1) O enredo

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Outlander conta a história de Claire Randall que, ao viajar pela Escócia com o marido em uma segunda lua de mel, acaba sendo transportada 200 anos no passado. Lá, ela conhece Jamie Fraser, um highlander encantador que a protege e por quem ela se apaixona, sendo correspondida. Contudo, em uma época cheia de riscos e com muitos inimigos à espreita, o casal precisa vencer diversos desafios que colocam suas vidas em perigo. Essa é só a pontinha do iceberg do enredo de Outlander. Não tem como não se encantar com a história de amor de Claire e Jamie e torcer para que tudo dê certo. Além de tudo isso, a série é cheia de referências histórias, incluindo momentos como a Revolução Jacobina. A trama é riquíssima, envolvente e deixa o espectador ansiando por mais um episódio.

2) Fotografia e figurinos

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Gente do céu, que ambientação mais linda a dessa série! Seja com as paisagens escocesas da primeira temporada ou nos bailes parisienses da segunda, os cenários são de cair o queixo! Outro aspecto de encher os olhos são os figurinos. Na primeira temporada, os trajes escoceses roubam a cena e já encantam, com seu aspecto mais rústico e cores mais frias. Mas é na segunda temporada que os figurinos ficam ainda mais encantadores. Na França, Jamie e Claire utilizam roupas típicas da região e da época, e cada peça é cheia de detalhes, como os vestidos coloridos de tecidos nobres cheios de bordados e trajes masculinos galantes bem trabalhados.

3) A abertura

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“Sing me a song of a lass that is gone…” Como não se arrepiar quando essa música começa a tocar? Com um arranjo maravilhoso, inspirado nas músicas tradicionais escocesas, e a voz incrível de Raya Yarbrough cantando a melodia, é impossível não ficar apaixonada por essa abertura. As cenas que passam ao fundo também são muito significativas e trazem deslumbres importantes da história. Eis uma abertura que eu não pulo. 😉

4) Protagonista feminina empoderada

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Mesmo em 1945, Claire já era uma mulher à frente de seu tempo. Teimosa, forte, determinada, bem resolvida sexualmente, independente, excelente profissional… esses são só alguns dos atributos que passam pela minha cabeça quando penso na Claire. E isso se mantém em evidência mesmo quando ela volta no tempo: ela não baixa a cabeça para ninguém, sendo ousada e atrevida – características vistas com maus olhos na época. Claro que, sob alguns aspectos, a personagem precisa ceder, já que se encontra em uma posição e em um contexto totalmente diferente, mas isso mostra também sua versatilidade e adaptabilidade. A personagem também vai contra os estereótipos de mocinha indefesa ao partir para a ação em diversos momentos (dadas suas limitações). Ela arquiteta planos e não teme fazer o que for necessário para proteger as pessoas que ama. Além de tudo isso, também é bacana que ela seja sexualmente mais experiente que Jamie, invertendo os papéis que já estamos de saco cheio costumamos ver em romances, nos quais o homem é o galã conquistador. Em suma, Claire é uma protagonista forte e empoderada em qualquer época.

5) Jamie Fraser

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Mas é óbvio que eu separaria um tópico só pra falar do Jamie, meu maior crush fictício ever! ❤ O sotaque charmoso, o cabelo ruivo cacheado, os olhos azuis… por onde a gente começa? HAHAHA! Mas, muito além da aparência, eu preciso falar sobre a personalidade de Jamie. Ele é um rapaz (apesar da idade dos atores não fazer jus à descrição dos livros, na história original ele é super jovem) corajoso, exímio guerreiro, teimoso e romântico. Por mais que ele viva e faça parte de um contexto extremamente machista (o que explica algumas atitudes menos nobres que ele toma em determinados momentos), o personagem faz tudo o que está ao seu alcance para melhorar essas falhas e se adequar ao que a Claire espera de uma relação – considerando que ela vem de um casamento saudável, respeitoso e a 200 anos dali. Quando digo “se adequar”, isso não significa “se moldar, perder a essência, ser capacho”. Significa entender o que Claire diz, refletir a respeito e buscar melhorar, para que a relação dos dois se mantenha saudável. Obviamente é um desafio: Claire é uma mulher questionadora e de atitude forte, que toma as rédeas de muitas situações. Mas isso não o desencoraja ou o intimida: isso o excita, o deixa mais apaixonado, faz com que ele a admire ainda mais. Sério gente… tem como não amar esse cara?

Bônus: as cenas de sexo. Só vou dizer isso a respeito. Assistam e entendam o que tô querendo dizer HAHAHAHAHA!

E aí, depois de ler esse post vocês também ficaram animados para a estreia da 3ª temporada? Ou talvez com vontade de conhecer a série? De uma coisa eu tenho certeza: vocês não vão se arrepender! Outlander é viciante!

Beijos e até semana que vem!

Review: Planeta dos Macacos – A Guerra

Oi, pessoal. Tudo certo?

Apesar de não ter assistido a Planeta dos Macacos – A Origem e a Planeta dos Macacos – O Confronto no cinema, eu tinha muita simpatia pela série por ter visto algumas cenas do primeiro filme na TV e curtido. Com a estreia do terceiro longa, resolvi assistir aos predecessores e, feito isso, fui ao cinema conferir Planeta dos Macacos – A Guerra. E já posso adiantar: estou muito feliz com essa saga!

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Sinopse: Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César (Andy Serkis) e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel (Woody Harrelson). Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito e outros são capturados, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.

Após o confronto que aconteceu no filme anterior, César e seu grupo de macacos vivem em uma comunidade na floresta. Eles estão sob constante ataque por parte dos militares – comandados pelo inescrupuloso Coronel – que foram chamados pelo rádio também no filme anterior. A primeira cena do filme já nos apresenta a esse clima de tensão constante, com um embate feroz na floresta repleto de baixas para ambos os lados, símios e humanos. Os macacos pretendem ir embora para um local afastado, com o intuito de fugir dessa guerra incessante, mas o Coronel surge para impedir esses planos. Em uma sequência extremamente tensa – com vários cortes, muitas sombras e uma trilha sonora angustiante – uma tragédia acontece, colocando César em um caminho de ódio e vingança. Com o intuito de acabar de uma vez por todas com o Coronel, César parte com mais três fieis companheiros (Maurice, Rocket e Luca) em busca da base militar humana.

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Toda a nova trilogia de Planeta dos Macacos traz diversos questionamentos importantes, como a questão da empatia e o que realmente é ser “humano” ou “racional”. Toda a história é contada pela perspectiva de César, então acompanhamos os conflitos internos do personagem – que um dia foi criado e amado por humanos, mas há muito tempo tem se deparado com o pior deles – bem como as dores e a luta para manter sua comunidade segura. Em contrapartida, do lado humano da narrativa (que nunca assume o fio condutor do enredo) temos terríveis exemplos, muito mais bestiais e incapazes de dialogar e tentar fazer as coisas de uma nova forma. Mais uma vez, humanos cometem os mesmos erros do passado, causando segregação, extermínio e intolerância. Já deu pra perceber que o filme é uma alegoria incrível sobre o que acontece na política mundial hoje, né? A própria construção de um muro para a separação dos inimigos é mostrada no longa, que não poderia ser mais atual, ao mesmo tempo em que faz referências ao holocausto em uma espécie de “campo de concentração símio”.

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A atuação de Andy Serkis por meio da tecnologia de captura de movimentos é sensacional, e ficou cada vez mais profunda com o passar dos filmes, acompanhando a evolução do protagonista (há uma cena em específico na qual toda a dor e sofrimento do personagem transparecem, e eu fiquei de boca aberta com a competência do ator e com a evolução dessa tecnologia). César é um personagem extremamente verossímil, cheio de nuances e sentimentos conflitantes. Após passar por uma perda terrível em A Guerra, o personagem fica cada vez mais sombrio e parecido com seu antigo amigo e traidor, Koba, o antagonista de O Confronto. Ao mesmo tempo, o espectador nunca deixa de compreender suas motivações, justamente porque acompanhamos a complexidade do personagem ser construída ao longo da trilogia. Outra atuação importante é a de Woody Harrelson no papel de Coronel. Cruel, o personagem é ao mesmo tempo insano e crível, porque o enredo o constrói de modo a explicar (mas jamais justificar) suas ações.

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Cenários espetaculares, trilha sonora impecável e jogo de luzes envolvente são alguns dos elementos que mais chamaram a atenção no filme, porque constroem perfeitamente a atmosfera. Também não faltam cenas emocionantes que me levaram às lágrimas mais de uma vez. Contudo, nem tudo são flores, e eu achei que o filme peca em alguns quesitos (principalmente quando comparo aos longas anteriores, que pra mim foram extremamente envolventes). O roteiro parece se perder um pouco da metade para o final do filme, com a inserção de muitas informações novas que eu julguei desnecessárias. Parece que forçaram um pouco a analogia (que já estava bem clara) de que humanos são mais feras que os macacos com a nova mutação do vírus, sei lá. Também achei que o foco na humana Nova foi um desperdício, já que as estrelas do filme sempre foram os macacos. Ela protagoniza algumas cenas sensíveis que, ao meu ver, não tinham espaço para a participação dela (pôster incluso, cof cof). O Macaco Mau é um novo personagem que traz alívio cômico ao longa, é cativante, mas me pareceu deslocado, já que nenhum filme da trilogia tinha essa pegada. E em relação ao desfecho… bom, achei coerente, mas previsível. Antes de entrar na sala de cinema eu ainda comentei com o meu namorado que imaginava que determinada coisa aconteceria, e aconteceu. Faz sentido com a jornada do personagem, mas a maneira como isso aconteceu me pareceu um pouco utópica (selecione se quiser ler: o César se machucou seriamente na batalha, mas ainda assim conseguiu marchar com sua família até a nova “terra prometida” e só morreu ao chegar lá. Forçado, né?).

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Planeta dos Macacos – A Guerra não é o meu filme favorito da trilogia, mas encerra de forma digna, competente e emocionante a jornada de César. Por mais que existam algumas falhas em relação aos longas anteriores, o filme foi capaz de me emocionar e me deixar satisfeita com os rumos tomados por essa saga que me conquistou completamente. Recomendo não apenas esse filme, mas a nova trilogia Planeta dos Macacos como um todo. Vocês não vão se arrepender!

Título original: War for the Planet of the Apes
Ano de lançamento: 2017
Direção: Matt Reeves
Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Karin Konoval, Steve Zahn, Terry Notary, Michael Adamthwaite, Amiah Miller

Dica de Série: Os Defensores

Oi gente! Como vocês estão?

Depois de aguardar com MUITA ansiedade, finalmente Os Defensores chegaram à Netflix! ❤ Apesar de ter visto a série numa sentada no fim de semana passado, resolvi esperar os ânimos acalmarem pra falar a respeito. Então vamos ao review!

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Sinopse: Eles não estão nem aí para fazer amigos. O lance deles é salvar Nova York. Demolidor, Luke Cage, Jessica Jones e Punho de Ferro são os Defensores.

Na cronologia das séries Marvel e Netflix, Os Defensores se passa alguns meses depois da segunda temporada de Demolidor e começa mostrando cada personagem individualmente: Matt deixou o uniforme pra trás e está trabalhando como advogado de casos pro bono; Jessica não voltou a atuar como investigadora após vencer Kilgrave; Luke saiu da prisão e voltou ao Harlem e Danny segue caçando membros do Tentáculo pelo mundo na companhia de Colleen. Contudo, após um terremoto suspeito, todos os personagens acabam se envolvendo com investigações próprias que culminam no mesmo ponto: o prédio do Mirdland Circle, epicentro dos tremores e sede do Tentáculo. Movidos por motivações próprias, mas com um inimigo em comum, Os Defensores acabam se unindo contra a ameaça.

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Eu amei o fato da série ter levado alguns episódios construindo o enredo individual de cada personagem antes de unir o grupo. Isso fez com que eles não parecessem um time de super amigos (uma piada da própria série, btw) repentinamente, mas sim pessoas com interesses próprios que viram nessa união algo imprescindível para a vitória. Outro aspecto extremamente positivo é que a trama do Tentáculo – que vinha se desenrolando desde as temporadas solo de Demolidor – teve aprofundamento e explicações, e eu fiquei muito satisfeita.

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Agora vamos falar dos personagens. Como não amar cada momento que aproximava Matt, Jessica, Luke e Danny? Se antes eu achava que a Claire seria o principal ponto de contato deles, com o passar dos episódios vi que a trama por si só estruturou esses encontros de maneira muito coerente. A dinâmica entre eles foi maravilhosa e rolou muita química entre os personagens. Destaque para Luke e Jessica (que são casados nas HQs): foi possível ver o carinho existente entre os personagens nos diálogos e no apoio mútuo. Só achei um pouco esquisito ver tanto afeto porque, na série solo de Luke, ele parece nem querer falar a respeito dela. De qualquer forma, se forem construir um romance novamente, espero que a Claire não saia magoada nesse processo (amo a Jess, mas também amo a Claire!).

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Também gostei da evolução de Danny nessa série. Se eu achei Punho de Ferro péssima, acredito que o personagem tenha melhorado muito em Os Defensores. A dinâmica dele com Luke foi super bacana, trazendo a jovialidade do personagem de uma maneira mais positiva (e não tão impulsiva como na sua série solo). Também adorei a reação dos personagens e as zoações sempre que Danny falava de K’un-Lun. Por último, temos Matt, que está vivendo um momento de crise por tentar viver apenas como advogado – sendo que sua essência e real personalidade é a de Demolidor. Eu admito que o plot dele foi o menos interessante pra mim, por não ser fã da Elektra (em seguida me aprofundarei nisso), mas ainda assim gosto muito do personagem.

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O Tentáculo também foi bem trabalhado, e Alexandra foi uma líder muito interessante. Porém, como já mencionei, meu ranço fica por conta da Elektra: eu acho a personagem boring e sem carisma. Não consigo gostar dela e acho que já deu de Elektra (ao menos como vilã) nesse universo. Alguns membros da organização não tiveram tanto destaque, como Bakuto, Sowande e Murakami. Parecia que eles estavam ali apenas para serem os outros braços do Tentáculo, já que Alexandra e, principalmente, Gao, roubavam a cena.

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Outra coisa que eu preciso elogiar são os jogos de luzes e cores na abertura (que é fantástica!) e ao longo dos episódios! Eu adorava assistir as cenas de transição dos personagens e perceber como as cores influenciavam o ambiente dependendo de quem fosse o foco. Quando Os Defensores finalmente estão juntos, também é possível perceber as luzes e as cores tendo maior ou menor destaque, dependendo de quem fosse o “protagonista” de determinado diálogo ou enquadramento (eu ficava dizendo “vermelho!”, “roxo!”, “verde!”, “amarelo!” que nem uma criança chata e empolgada nesses momentos HAHAHA!).

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Em suma, eu amei real oficial Os Defensores. 😛 Amei a história, amei a forma como os personagens se uniram e amei como a série encaminhou as histórias deles individualmente, deixando muito material para as próximas temporadas solo. Apesar da temporada ter sido mais curta (Punho de Ferro é que deveria ter tido apenas 8 episódios #fikdik) e eu já estar morrendo de saudade dos personagens, acredito que a história ficou na medida perfeita! ❤ Recomendo mil vezes!

Título original: Marvel’s The Defenders
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Douglas Petrie, Marco Ramirez
Elenco: Charlie Cox, Krysten Ritter, Mike Colter, Finn Jones, Elodie Yung, Sigourney Weaver, Wai Ching Ho

Resenha: A Hospedeira – Stephenie Meyer

Olá, meu povo! Tudo certo?

Hoje eu trago pra vocês a resenha do que foi provavelmente a leitura mais demorada que já fiz: A Hospedeira, da Stephenie Meyer. Mas isso não quer dizer que foi ruim não. 😉 Calma, já vou explicar!

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Sinopse: Melanie Stryder se recusa a desaparecer. Nosso planeta foi dominado por um inimigo que não pode ser detectado. Os humanos se tornaram hospedeiros dos invasores. Suas mentes são extraídas enquanto seus corpos permanecem intactos e prosseguem suas vidas aparentemente sem alteração. A maior parte da humanidade sucumbiu a tal processo. Quando Melanie, um dos humanos “selvagens” que ainda restam, é capturada, ela tem certeza de que será seu fim. Peregrina, a ‘alma’ invasora designada para o corpo de Melanie, foi alertada sobre os desafios de viver dentro de um ser humano: as emoções irresistíveis, o excesso de sensações, a persistência das lembranças e das memórias vívidas. Mas há uma dificuldade pela qual Peregrina não esperava: a antiga ocupante de seu corpo se recusa a desistir da posse de sua mente. Peregrina investiga os pensamentos de Melanie com o objetivo de descobrir o paradeiro dos remanescentes da resistência humana. Entretanto, Melanie ocupa a mente de sua invasora com visões do homem que ama: Jared, que continua incapaz de se separar dos desejos de seu corpo. Peregrina começa a se sentir intensamente atraída por alguém a quem foi submetida em uma espécie de exposição forçada. Quando os acontecimentos fazem de Melanie e Peregrina improváveis aliadas, elas partem em uma busca incerta e perigosa pelo homem que ambas amam.

Como a sinopse já é bem completa, não vou explicar muito o enredo e vou direto para os meus comentários. Eu comecei a ler A Hospedeira em 2013. Na época eu fazia faculdade e cursinho pré-vestibular pra tentar trocar de curso, ou seja, minha rotina era punk. Talvez por isso a leitura não tenha me fisgado, acho que não era bem o momento, então acabei parando mais ou menos na metade do livro. Esse ano (sim, 4 anos depois!) resolvi continuar de onde tinha parado. Obviamente fiquei com preguiça de começar do zero, especialmente porque o início do livro é bem maçante, então voltei uns dois capítulos pra relembrar a história e segui com a leitura. E não é que eu gostei? 

Até Peg e Mel encontrarem o esconderijo dos humanos, a história é MUITO arrastada. E mesmo depois que elas são levadas para esse lugar, a história demora a engrenar. Só que Stephenie Meyer tem um estilo de narrativa envolvente, então você acaba se apegando aos personagens e ficando curioso pra saber o que vai acontecer. Afinal, trata-se de duas pessoas ocupando o mesmo corpo. Como esse dilema vai se resolver? E é essa questão que me manteve interessada no enredo durante as mais de 500 páginas.

Eu achei a ideia da autora bastante criativa. Primeiro, porque ela criou uma espécie alienígena que, honestamente, é muito melhor do que nós somos. As almas são pacíficas, altruístas, amigáveis, honestas… boas. E em vários momentos do livro vemos características opostas nos seres humanos, as pessoas pelas quais, em tese, deveríamos torcer. Mas, ao mesmo tempo em que Stephenie Meyer nos apresenta ao lado cruel e sujo da humanidade, ela também faz com que a própria Peg fique encantada por nossa espécie: ela vê como humanos são capazes de amar com todo o coração e fazer de tudo pelas pessoas que lhe são importantes.

resenha a hospedeira stephenie meyer

Durante boa parte do livro, Peg é rejeitada pela comunidade humana. Apenas Jeb (tio de Melanie e líder do local), Jamie, Walter, Ian e alguns outros humanos (cuja participação é tão insignificante que eu nem fiz questão de lembrar dos nomes deles) aceitam a presença de Peg no esconderijo. E demora bastante para que a personagem ganhe espaço no local, o que tem dois lados: 1) é cansativo, porque vemos Peg sendo escorraçada por páginas e páginas sem fim e 2) é coerente, porque não faria sentido algum uma alienígena que rouba a consciência humana ser aceita em um piscar de olhos. A demora para que os acontecimentos fluíssem deu veracidade à história, porque tornou a aceitação de Peg na comunidade algo muito mais verossímil – e eu aprecio isso. Confesso que em vários momentos senti que aquele número de páginas não era realmente necessário, mas preciso admitir que essa construção gradual da história e dos personagens tornou tudo mais crível.

Falando um pouquinho sobre os personagens: Peg é maravilhosa! Ela é coerente do início ao fim e entendemos todas as decisões e conflitos da personagem. Suas decisões (especialmente no final) fazem todo o sentido com a sua jornada, e isso me deixou bastante feliz. Mel, apesar de dividir os pensamentos com Peg, não é tão marcante, e é muito insegura também. Tudo bem, ela está numa situação horrível e dá pra entender o azedume da personagem, mas ainda assim ela não me conquistou. Jamie e alguns outros aliados da Peg são bastante indiferentes, não me marcando sob nenhum aspecto. Jared é um cara um tanto irritante e eu não simpatizei com ele (principalmente ao saber que Mel tinha 17 anos quando os dois se conheceram, e ele 34. Sorry, não consigo achar normal). Quem realmente roubou meu coração nesse livro foi Ian. Ao se aproximar de Peg, ele passa a enxergá-la como o ser único que ela é, respeitando-a enquanto alma e enquanto indivíduo. Ele é apaixonante! ❤ Contudo, um defeito importante está no fato de que a Stephenie Meyer tende a escrever personagens masculinos com tendências violentas como sinônimo de “preocupação”/amor. Isso acontece mais de uma vez, tanto com Jared quanto com Ian.

Eu diria que os maiores defeitos do livro ficam por conta do “romance” (muitas aspas aqui) meio meloso com Jared, do desenrolar arrastado até Peg e Mel chegarem às cavernas que abrigam os humanos e, por último, a falta de ameaça real. A vilã da história é quase um bicho-papão, e não sentimos medo pelos personagens durante o livro inteiro. A única cena de ação e perigo envolvendo a antagonista nem é mostrada, Peg apenas fica sabendo. Ou seja, impacto zero. Lembrei muito do final de Amanhecer, na qual está todo mundo apavorado em relação aos Volturi e nem rola batalha nenhuma. 😛

Eu sei que a resenha ficou grande, mas depois de demorar 4 anos pra retomar essa leitura, eu precisava desabafar HAHAHA! Em resumo, eu gostei bastante de A Hospedeira. O plot é criativo e a construção da espécie alienígena é muito bacana. Com personagens interessantes e uma trama que se desenrola de modo bastante coeso, acho que Stephenie Meyer construiu uma história muito interessante e até mesmo mais madura, se comparada com Crepúsculo. Existem alguns defeitos, é claro, mas ainda assim os pontos positivos prevaleceram. Recomendo! 😉

Título Original: The Host
Autor: Stephenie Meyer
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 557

P.S. (selecione caso não se importe com spoilers): achei bizarro a autora não ter dito como as primeiras almas capturaram os seres humanos, já que são uma espécie bem pequena e frágil, que não sobrevive fora do corpo humano. o.O

Dica de Série: Big Little Lies

Oi, gente! Tudo bem?

Para o post de hoje, trouxe a resenha de uma minissérie maravilhosa da HBO: Big Little Lies! Baseada no livro homônimo da autora Liane Moriarty, a série conquistou várias indicações (merecidas) ao Emmy desse ano.

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Sinopse: Big Little Lies conta a história de três mães que se aproximam quando seus filhos passam a estudar juntos no jardim de infância. Até então, elas levam vidas aparentemente perfeitas, mas os acontecimentos que se desenrolam levam as três a extremos como assassinato e subversão.

Em Big Little Lies, acompanhamos três mulheres de uma cidade australiana: Madeline, Celeste e Jane. As três acabam se aproximando, pois seus filhos estudam juntos, e uma amizade muito forte nasce entre elas. Ao longo dos episódios, vemos esse laço se estreitando, ao mesmo tempo em que acompanhamos os segredos que elas guardam, entre eles relacionamento abusivo, infidelidade, abuso sexual, entre outros.

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É complicado falar sobre Big Little Lies sem dar spoilers, já que a série é bem curtinha (com apenas 7 episódios) e fala de assuntos muito importantes. Mas vamos lá, vou me esforçar. 😛 A série tem duas linhas temporais: no presente, sabemos que uma pessoa morreu – mas não sabemos quem, sendo este o mistério condutor da narrativa. Diversas pessoas da cidade estão sendo interrogadas, e elas opinam a respeito das três protagonistas sob diversos aspectos. A outra linha temporal mostra o que aconteceu antes dessa morte, e a maior parte das cenas se dá nesse contexto.

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O mistério a respeito de quem morreu é uma das coisas que mantém o espectador atento? Sem dúvidas. Mas, definitivamente, não é esse o aspecto mais interessante da trama. O que realmente me envolveu em Big Little Lies é a relação entre as mulheres: suas rivalidades, suas amizades, seus segredos. A série se passa inteiramente sob a perspectiva de mulheres, sendo elas totalmente diferentes entre si, com qualidades e defeitos. Assuntos importantes, como estupro e violência doméstica, não são romantizados e são representados de forma realista, o que nos causa extremo desconforto e revolta – justamente pela aproximação com a realidade. Outro fator muito importante e empoderador de Big Little Lies é a sororidade. Na minissérie, vemos mulheres apoiando uma a outra de modo inspirador. As três amigas protagonistas são o maior exemplo disso, mas com o passar dos episódios temos outras provas de que que mulheres unidas são muito mais fortes. ❤

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Acho complicado falar das personagens individualmente, justamente porque quero evitar dar spoilers. O que posso dizer é que Madeline, Celeste e Jane me conquistaram, ainda que não sejam perfeitas (ou talvez justamente por isso). Madeline é meio obsessiva, mas tem um coração de ouro. Celeste é uma mãe dedicada e uma mulher muito sensível. Jane é jovem, mas tem muitas responsabilidades nos ombros, principalmente por ser uma mãe solteira. Ainda assim, a personagem lida com tudo da melhor maneira que consegue, sendo um grande exemplo de força (bem como Celeste). As atuações também estão fantásticas, com destaque para Nicole Kidman, que teve uma carga emocional bastante pesada em sua personagem, e Shailene Woodley, que me surpreendeu muito pelas diversas nuances apresentadas. Alexander Skarsgård também fez muito bem o seu papel, mostrando com perfeição como um homem abusivo se comporta e manipula suas vítimas (e me fazendo odiá-lo mais a cada segundo). Por fim, as crianças também roubam a cena, com destaque para a filha mais nova de Madeline (que faz as melhores playlists!) e o filhinho de Jane (que é um amorzinho). ❤

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Outro aspecto incrível da série é a montagem. Com diversas alegorias maravilhosas, que incluem cenas com o oceano batendo nas pedras para representar violência, a série tem diversas cenas hipnotizantes. A fotografia é incrível e o desenrolar dos episódios é extremamente envolvente.

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Peço desculpas se a resenha ficou um pouco vaga, mas realmente não quero estragar a surpresa de ninguém revelando mais do que o necessário a respeito do enredo. O que eu posso dizer com convicção é: Big Little Lies é uma minissérie girl power de qualidade inquestionável, com um enredo maravilhoso e temas extremamente importantes – por mais dolorosos e difíceis que sejam. O único ponto negativo fica por conta do final. Não me entendam mal: ele me fez vibrar! Mas, ainda assim, foi bem previsível. De qualquer forma, essa foi uma das melhores séries que já assisti e me deixou de boca aberta. Recomendo demais!

Título original:  Big Little Lies
Ano de lançamento: 2017
Criador: David E. Kelley
Elenco: Reese Witherspoon, Nicole Kidman, Shailene Woodley, Zoë Kravitz, Laura Dern, Alexander Skarsgård, Adam Scott, James Tupper