Review: Klaus

Oi gente, tudo bem?

Chega o final de ano e a onda de filmes natalinos chega junto. Apesar de eu não curtir muito esse tipo de longa, um deles chamou imediatamente minha atenção: a animação Klaus.

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Sinopse: Um carteiro egoísta e um fabricante de brinquedos solitário cultivam uma amizade improvável e levam alegria a uma cidade fria e sombria.

A primeira coisa que reparei em Klaus é que o traço do filme remete às produções da Disney na década de 90 e início dos anos 2000. E não é pra menos: o responsável por Klaus trabalhou como animador da empresa e, inclusive, fez um dos filmes favoritos, Planeta do Tesouro. ❤ Só nesse aspecto Klaus já ganhou alguns pontos comigo, porque sinto muita falta de animações 2D – e, nesse caso, a arte ainda tem alguns diferenciais em relação àquela época, tornando o filme visualmente encantador.

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A trama acompanha o jovem Jesper, o preguiçoso e mimado herdeiro de uma grande empresa de correios. Seu pai, cansado de dar diversas chances ao filho, decide enviá-lo como carteiro a uma cidade isolada, Smeerensburg, onde Jesper precisa permanecer por um ano trabalhando seriamente caso queira voltar à vida mansa que levava. Chegando lá, o rapaz percebe que seu ofício é desnecessário, já que o ódio e o rancor tomam conta da cidade devido a uma rixa antiga entre duas famílias e, portanto, ninguém envia cartas. Ao conhecer Klaus, um velho marceneiro que vive na floresta, Jesper acaba provocando uma situação inesperada: ao entregar um brinquedo feito por Klaus a uma criança, a notícia se espalha entre os pequenos e todos começam a enviar cartas na esperança de ganhar um presente também. E é assim que a parceria entre os dois começa.

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Klaus é o filme sobre o Papai Noel mais criativo a que já assisti. O longa ressignifica todos os aspectos da mitologia original e, ainda assim, reconhecemos claramente as referências presentes na trama. É muito divertido acompanhar cada cena e entender qual aspecto do personagem está sendo revelado, especialmente pela forma inesperada que muitas delas acontecem. A cena do trenó voador, por exemplo, é de arrancar risadas!

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Os personagens são carismáticos e têm papéis importantes a cumprir. Jesper é o clichê do egoísta que se transforma, mas seu carisma e jeito atrapalhado nos conquistam; Klaus é o personagem cujas dores são apresentadas, mas também seu coração gigante e sua vontade de fazer o bem; Alva é uma professora sem esperança que acaba sendo tocada pelo movimento iniciado (ainda que sem querer) por Jesper; e até a briga dos vilões acaba sendo divertida.

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A trama se desenrola de maneira cativante, e as mudanças que acontecem com os personagens são graduais e críveis. Aos poucos, a própria cidade vai se transformando, sendo tocada pelos atos generosos do homem misterioso que entrega brinquedos às crianças. São elas, inclusive, que aproximam os adultos e mostram que a rixa secular já está mais do que ultrapassada. Os personagens principais não escapam desse processo e, pouco a pouco, se veem como parte daquela comunidade, que abre mão das brigas sem fim em nome da empatia e da generosidade.

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Klaus é um filme doce, engraçado e emocionante, que vai muito além do conceito simplista de ser um filme de Natal. É uma história sobre mudanças (externas e internas) e sobre o poder da gentileza. Da animação à trama, Klaus encanta em cada detalhe, nos levando das risadas às lágrimas e deixando a sensação de que assistimos a algo incrível. O que é a mais pura verdade. ❤

Tìtulo original: Klaus
Ano de lançamento: 2019
Direção: Sergio Pablos
Elenco: Jason Schwartzman, J. K. Simmons, Rashida Jones, Joan Cusack, Will Sasso, Norm Macdonald, Neda Margrethe Labba

Dica de Série: The Boys

Oi gente, tudo bem?

Com a chegada do Amazon Prime (que eu corri pra assinar pois: só R$ 9,90 por mês rs), resolvi explorar as produções oferecidas na plataforma. E a primeira delas foi The Boys, que estava sendo muito elogiada pela crítica. Hoje conto pra vocês o que eu achei. 😀

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Sinopse: The Boys é uma visão irreverente do que acontece quando super-heróis, que são tão populares quanto celebridades, tão influentes quanto políticos e tão reverenciados como deuses, abusam de seus superpoderes ao invés de usá-los para o bem. É o sem poder contra o superpoder, quando os rapazes embarcam em uma jornada heroica para expor a verdade sobre “Os Sete” com o apoio da Vought.

Em uma realidade na qual ser um super-herói virou uma profissão que gera bilhões em lucro, quão fácil é se deixar corromper pelo sistema? Em The Boys, corporações enriquecem patrocinando diversos supers, mas as verdadeiras estrelas americanas são o grupo conhecido como Os Sete: além de salvarem a população, também são estrelas de comerciais, garotos e garotas-propaganda, modelos e tudo mais que for necessário. O problema, porém, é que tanto poder nas mãos de poucos não demora a corromper esses heróis que, em tese, deveriam proteger as pessoas. Vidas humanas perdidas são tratadas como fatalidades inevitáveis, como algo que “faz parte do jogo”. E uma dessas perdas dá o start na história.

Hughie perde sua namorada de uma maneira brutal: a um passo da calçada, enquanto se despedem, a moça é literalmente explodida em pedacinhos pela ultravelocidade de um super-herói chamado A-Train, um membro dos Sete. A empresa que o patrocina, Vought, oferece uma quantia ínfima como reparação, além de exigir a assinatura de um contrato de confidencialidade. Depois de recusar a proposta, Hughie decide se vingar, mas acaba se envolvendo numa confusão com outro membro dos Sete e sendo salvo por Butcher, um homem misterioso que vinha observando a situação das sombras. Hughie descobre então que Butcher é líder de um grupo que busca desmascarar os super (como são chamados), expondo seu abuso de poder para a sociedade. Mas como enfrentar seres tão inigualavelmente fortes? Especialmente quando o líder deles, o Capitão Pátria, têm poderes equivalentes ao do Super-Homem?

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The Boys é uma grande sátira à moral imaculada comumente apresentada em histórias de super-heróis. Tendo personagens que podem ser versões debochadas tanto de figuras da Marvel quanto da DC, a série utiliza cenas gore e humor ácido para mostrar uma realidade na qual super-heróis são movidos pelo capitalismo e por interesses próprios. Mesmo aqueles que ainda não perderam a fé em fazer a coisa certa são submetidos e dobrados em algum nível ao sistema. O maior exemplo disso é Starlight, a nova membro dos Sete: a jovem sempre foi motivada por ajudar as pessoas e fazer a diferença, mas é submetida a abuso sexual e uma transformação visual causada por motivos comerciais. E nesse ponto já faço um elogio a The Boys: apesar de ter cenas de sexo, em nenhum momento o abuso sexual é gráfico, ficando apenas nas entrelinhas, mas sendo poderoso o suficiente como denúncia. Starlight é uma das melhores personagens da série porque, paradoxalmente, ela é uma das mais humanas: seu poder grandioso não a salva de sofrer as mesmas pressões psicológicas que mulheres sofrem o tempo todo; além disso, sua essência é bondosa e ela genuinamente quer usar seus poderes para o bem.

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O grupo que dá nome à série também tem elementos interessantes. Butcher odeia todos os Supers porque atribui à Vought o desaparecimento de sua mulher. Seus aliados, Leitinho e Francês, têm uma relação de gato e rato divertida de assistir. A última membro do grupo, “A Fêmea”, também é interessante, tendo um relacionamento surpreendente com o Francês. De todos, eu diria que Hughie é o mais sem graça (mas, para ser honesta, tenho ranço do seu crush na Starlight, já que aparentemente rapidinho ele esquece que acabou de perder a namorada rs).

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É impossível não falar em personagens sem mencionar Os Sete. Odiosos de diversas maneiras, todos eles têm momentos de podridão escancarada, à exceção de Starlight e, em menor escala, Queen Maeve. Porém, nenhum membro dos Sete causa tanta repulsa quanto Capitão Pátria. Tido como símbolo americano e como sinônimo de paz, o personagem é conceitualmente uma mistura de Super-Homem (pelos poderes descomunais) com Capitão América (pela vibe “orgulho americano”). Mas só conceitualmente mesmo, já que na prática ele é um verdadeiro psicopata. Tendo um relacionamento doentio com Madellyn Still, um dos nomes mais importantes da Vought, o Capitão Pátria não hesita em abusar de seus poderes, matar inocentes e ameaçar qualquer um que ouse desafiá-lo. A maior fonte de desconforto que senti ao assistir The Boys veio das cenas em que ele estava envolvido, tamanha sua falta de caráter e humanidade.

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O desenvolvimento da temporada é ágil, há muita ação e reviravoltas interessantes na trama. A série desconstrói o conceito maniqueísta das HQs, onde normalmente é tudo preto no branco, com pouco espaço para tons de cinza. Porém, como eu disse anteriormente, há cenas de sexo e momentos bem gore ao longo da temporada (com direito a sangue e tripas pra todo lado), então talvez esses elementos não agradem todo mundo. Ainda assim, The Boys é uma excelente produção repleta de boas atuações e humor ácido, que traz uma visão nova e uma abordagem diferente do universo de super-heróis. Gostei muito e recomendo! 😉

Título original: The Boys
Ano de lançamento: 2019
Direção: Eric Kripke
Elenco: Karl Urban, Jack Quaid, Antony Starr, Erin Moriarty, Dominique McElligott, Tomer Kapon, Laz Alonso, Karen Fukuhara, Elisabeth Shue, Jessie Usher, Chace Crawford

O que fazer em Providencia, no Caribe colombiano

Oi gente, tudo certo?

Demorei (pra caramba), mas cheguei com o último post da série de roteiros que preparei pra vocês a respeito de San Andrés e Providencia, no Caribe colombiano. 😀 Espero que minhas dicas tenham sido úteis e possam ajudar vocês a planejar uma viagem incrível pra esses destinos paradisíacos. ❤

Como chegar em Providencia

Como eu estava muito determinada a conhecer a “irmã menor” de San Andrés (para visitar um lugar lindo sobre o qual vou falar em seguida), meu namorado e eu garantimos o transporte pra lá ainda no Brasil. Fomos de avião, pela companhia aérea caríssima Satena, mas depois descobrimos que existe uma bem mais em conta, chamada San German. Não é uma passagem barata, mas eu queria tanto conhecer Providencia que fiz esse sacrifício. E valeu muito a pena, pois a ilha é incrível e são só 30 minutinhos de viagem! ❤ O avião é bem pequeno, despressurizado e dá pra ver a cabine, o piloto e o co-piloto. Dá um pouco de medo? Dá, mas é de boas rs. Para economizar, decidimos retornar a San Andrés de catamarã, pela empresa Conocemos Navegando. Dica de amiga: NÃO façam isso, se puderem evitar. São cerca de 2h a 3h de viagem que vocês perdem, em que poderiam estar curtindo a praia ou qualquer outra coisa. Meu namorado ficou bem enjoado e acabou desanimado durante o resto do dia. Sério, economizem um pouquinho mais e vão e voltem de avião, vale a pena (e a diferença de preço nem é tão grande assim).

O que fazer em Providencia

1. Passeio ao redor da ilha

Assim como em San Andrés, um dos passeios imperdíveis em Providencia é alugar uma moto ou mule para dar a volta à ilha. Nós fizemos ambas as coisas e, no caso da mule, até eu dirigi. 😛 Foi bem divertido! A vantagem de dar a volta na ilha é que você pode ir parando nas diversas praias e explorar cada cantinho sem pressa. Como as praias são distantes umas das outras e existem muitos desníveis, também é uma boa opção pra você não se cansar tanto caminhando. Por fim, você pode estacionar perto da Puente de los Enamorados, a ponte que liga Providencia a Santa Catalina (uma ilha menorzinha), e atravessar para conhecê-la. Nós ficamos só na ponte mesmo, porque decidimos visitar Santa Catalina somente no último dia. O cansaço falou mais alto, a curiosidade não era tanta e acabamos não batendo perna por lá. Quem sabe em uma próxima vez?

 

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Do ladinho da travessia para Santa Catalina.

2. Cayo Cangrejo

O principal motivo para nossa visita a Providencia! ❤ Cayo Cangrejo é um passeio que sai a partir de Providencia, sendo uma ilhotinha minúscula que você conhece a pé rapidamente. Os barcos te levam e te buscam nos horários combinados e você fica o dia por lá, então lembre-se de levar água e snacks pra não ficar com fome. Pagamos 40.000 COP pelo transporte e 18.000 COP para entrar. Eu lia sobre Cayo Cangrejo em blogs de viagem e ficava encantada com as fotos do lugar, mas nada disso me preparou pra emoção que foi chegar lá de verdade e ver tudo isso ao vivo. Há um morro na ilha que você sobe sem esforço e, do topo, você tem uma vista praticamente 360º da ilhota e do mar de sete cores. Se isso não fosse bonito o suficiente, a cor da água é de uma transparência indescritível, de um azul mais claro que piscina! Para completar a experiência, vimos duas tartarugas marinhas, e meu namorado até selfie conseguiu fazer com uma delas. Quando eu lembro de Cayo Cangrejo, sinto vontade de chorar, de verdade. A beleza e a paz que esse lugar transmite não cabem em palavras, e Cayo Cangrejo tem todo o meu amor!

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Vista das pedras que ficam no topo de Cayo Cangrejo.

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O mar mais lindo que eu já vi na vida. 💙

3. Playa de Manzanillo (ou Manchaneel Bay)

Essa é uma praia bem tranquila onde fica o famoso Roland’s Bar, um local bem reggae vibes e mega tranquilo. Lá tem uma corda e uns pneus onde você pode fazer a Miley e se dependurar, é bem legal. 😂 Tem uns doguinhos pra fazer carinho também hahaha! ❤ Ficamos pouco tempo por lá, foi uma parada rápida enquanto estávamos com a moto alugada, mas gostei bastante da calmaria.

4. Playa de Água Dulce (ou Freshwater Bay)

Foi a partir dessa praia que fizemos o mergulho de cilindro, sobre o qual falarei em seguida. Há alguns coqueiros, a areia é macia e o mar é bonito. Ali fica o restaurante Miss Elma, que foi bem recomendado por outros turistas, e apesar das porções não serem abundantes, são gostosas (nós provamos o camarão empanado). De Água Dulce é possível ver o belíssimo pôr do sol em Providencia, mas não foi nosso lugar favorito.

5. Praia de South West Bay

A praia que conquistou o nosso coração em Providencia. ❤ Apesar de não ter a cor típica do mar caribenho, sendo de um tom mais escuro (em função também da areia mais fina e com textura mais macia), essa praia nos proporcionou momentos inexplicáveis. Nós a visitamos logo no primeiro dia, pra assistir ao pôr do sol, e eu garanto que é a coisa mais linda. Nos outros dias em que ficamos na ilha acabamos repetindo a ida à South West Bay várias vezes, e não faltam motivos: o mar é tão calmo que parece uma lagoa, ela é extremamente pacífica e tranquila, há um restaurante famoso (El Divino Niño, onde comemos uma porção de frutos do mar que incluía até caracol!) e, para completar, há estrutura completa pra você relaxar, com redes e espreguiçadeiras. A melhor parte? Essa estrutura é gratuita, você pode usar livremente! ❤ Melhor praia da vida!

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A vida que eu quero: curtindo uma rede e uma cervejinha gelada em South West Bay. 😂

6. Mergulho de cilindro

Outra experiência indescritível que Providencia me proporcionou foi o mergulho de cilindro. Pra vocês entenderem o drama: até janeiro desse ano eu não conseguia nem boiar, tamanho meu medo de entrar água nos ouvidos ou no nariz. Mesmo mergulhar a cabeça na piscina era um desafio pra mim. Porém, pedi pro meu namorado me ensinar antes da viagem e fiquei determinada a perder o máximo possível desse medo para curtir de verdade San Andrés e Providencia. Apesar dos grandes avanços, o pânico de pensar em mim a 10 metros de profundidade foi PUNK. Meu namorado queria muito viver essa experiência e eu acabei me desafiando a fazer também. Escolhemos a escola Felipe Diving e, como nunca havíamos mergulhado, começamos com uma aula teórica, depois fomos para a beira da praia treinar o que haviam nos ensinado e por fim fomos para o mar. Esse foi o dia mais difícil da viagem inteira: eu estava nervosa, parecia que não conseguia aplicar nenhum dos ensinamentos e, pra ajudar, tive uma das piores crises de pânico da vida dentro do barco, a caminho do ponto de mergulho. Eu me tremia inteira e não conseguia falar porque, se falasse, cairia no choro rs. Acontece que eu sou teimosa pra caralho e pensei: “eu já paguei pelo mergulho e tô no barco. Vou tentar descer! O máximo que vai acontecer é eu pedir pra voltar”. Pois bem: meu pânico não melhorou quando vi que as pessoas precisam se jogar pra trás do barco, que nem nos filmes, em função do peso do equipamento. Imaginem o que uma pessoa paralisada de medo sentiu quando viu que teria que fazer isso! Mas vamos lá, né, fui lá e fiz. Dentro d’água, o pânico não diminuiu instantaneamente, mas o instrutor percebeu e me deu a mão. Isso fez TODA a diferença: ele manteve o contato visual, ficou me acalmando e não me soltou o passeio todo. Moral da história: fiquei tensa pra caralho, mas consegui fazer o fuckin’ mergulho! A sensação foi de dever cumprido e de orgulho genuíno pela minha coragem; mas, sendo honesta, não é algo que eu pretenda fazer de novo (ao menos não tão cedo hahaha!).

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Quem vê o ✌ não vê o pânico rs.

Quando chegamos a Providencia, eu tive uma péssima primeira impressão. Ela é muito mais parada que San Andrés, não tem nada pra fazer à noite e pra chegar a qualquer lugar é preciso mototáxi ou aluguel de transporte. Porém, conforme eu fui vivenciando a ilha e a paz inigualável que ela proporciona, meu coração foi completamente conquistado. Em Providencia pudemos voltar caminhando tranquilamente por cerca de 1km da praia à noite; conhecemos um casal de canadenses muito querido (oi, Andy e Mary!), tomamos uma cerveja juntos e vimos um céu tomado por estrelas na beira da praia; conheci meu atual lugar favorito do mundo (Cayo Cangrejo, te amo) e também vivi um desafio gigantesco no mergulho… Enfim. São muitos motivos para amar Providencia, e eu sou muito grata pela decisão de ter ficado o tempo que fiquei por lá. Torço pra que vocês também tenham a chance de ver isso de pertinho! ❤

E, se quiserem mais dicas ou tiverem dúvidas, fiquem à vontade para perguntar nos comentários.
Beijos e até o próximo post!

Review: Deixe a Neve Cair

Oi pessoal, tudo bem?

E cá estou para mais uma postagem da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de HistóriasInterrupted Dreamer e Tear de Informações). \o/

uma amiga indicou

Para novembro, escolhemos falar sobre Deixe a Neve Cair, o novo filme da Netflix baseado no romance de mesmo nome.

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Sinopse: Um forte nevasca atinge a cidade de Gracetown na véspera de Natal e a transforma em um inesperado refúgio romântico. Um trem retido no meio do nada, uma corrida com os amigos no frio congelante e lidar com a tristeza da perda do namorado ideal. Três histórias de amor distintas que se conectam entre si. 

Deixe a Neve Cair é um daqueles filmes de romance com histórias paralelas que têm elementos em comum. Nesse caso, os protagonistas provavelmente frequentam a mesma escola (afinal, o longa não deixa isso claro rs) e também uma casa de waffles da cidade (alguns como funcionários e outros como clientes). As histórias se convergem graças a uma festa de Natal que acontece no local.

São três os núcleos principais: Angie (também conhecida como Duke) e Tobin; Dorrie, sua melhor amiga Addie e sua crush; e Julie e Stuart. Angie e Tobin são melhores amigos desde sempre, mas o que a garota não sabe é que Tobin está perdidamente apaixonado por ela. Quando um rapaz parece demonstrar interesse em Angie, Tobin precisa decidir se vai tomar uma atitude e lutar por ela ou não. Dorrie e Addie também são melhores amigas, mas a relação fica complicada quando Addie coloca seu namorado em primeiro lugar. Ela stalkeia o rapaz e tenta controlar seus passos, e quando Dorrie aponta os erros que ela comete, as duas brigam feio. Para completar, Dorrie está interessada em uma garota com quem saiu e, apesar da jovem dizer o quanto gosta dela, na frente das outras pessoas ela finge que nem a conhece. Por último, temos Julie e Stuart: a primeira é uma jovem dividida entre ir para uma faculdade em Nova York ou ficar na cidade para cuidar da mãe doente, enquanto Stuart é um jovem cantor famoso que acaba passando o Natal sozinho por falta de companhia. Ao se conhecerem em um trem, eles acabam passando o dia juntos e uma química inevitável surge.

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A primeira coisa que preciso dizer sobre Deixe a Neve Cair é que ele é um romance clichê. Em geral, isso não é um problema pra mim, desde que os clichês sejam bem desenvolvidos – o que não acontece aqui. Para vocês terem ideia, a crush de Dorrie NEM TEM NOME! Ela aparece pela primeira vez e Dorrie se refere a ela com uma frase tipo “aquela garota e eu tivemos um lance”. E aí o filme passa o tempo todo tentando convencer o espectador de que devemos nos importar com os sentimentos existentes entre elas – sem nem se dar ao trabalho de desenvolver a tal garota. Eu sinceramente só fui descobrir que a jovem tinha nome olhando no IMDB, e não duvido que a informação tenha sido extraída do livro, mas enfim.

O plot de Julie e Stuart também não poderia ter sido mais forçado. O cantor famoso querendo passar o dia com uma desconhecida só porque ela não deu uma de fã louca foi muito “eye rolling” pra mim. A performance de Shameik Moore no papel não ajudou em nada a tornar Stuart um pouco mais verossímil, já que as expressões faciais eram basicamente as mesmas o tempo todo. Não consegui comprar o romance entre eles, infelizmente. 😦 Já a história de Angie e Tobin também é mais do mesmo. Não tenho muito a criticar, tampouco a elogiar. A melhor cena dos dois é quando cantam juntos, mas nada que tenha aquecido meu coração (como sempre espero desse tipo de filme).

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A personagem mais interessante de Deixe a Neve Cair é a mulher que usa roupas de alumínio. Além de engraçada e carismática, ela divide bons momentos com Addie, trazendo algumas verdades que a personagem precisa ouvir. A jovem é autocentrada, insegura e obcecada pelo namorado, o que a torna bastante controladora. Porém, com o passar do tempo, ela percebe a importância das amizades e de dar valor a quem gosta de você de verdade. Tudo isso em meio a várias brigas com a mulher das roupas de alumínio rs.

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Deixe a Neve Cair é um filme que provavelmente vou esquecer em pouco tempo. Pelo trailer, eu tinha expectativas bem mais altas e realmente esperava uma história que me fizesse dizer “own” em algum momento. Infelizmente, não rolou. 😦

Tìtulo original: Let it Snow
Ano de lançamento: 2019
Direção: Luke Snellin
Elenco: Isabela Merced, Shameik Moore, Odeya Rush, Liv Hewson, Mitchell Hope, Kiernan Shipka, Matthew Noszka, Jacob Batalon, Joan Cusack, Anna Akana

Resenha: O Conto da Aia: Graphic Novel – Margaret Atwood e Renee Nault

Oi pessoal, tudo bem?

No ano passado eu contei aqui no blog todas as inquietações e reflexões provocadas pela leitura de O Conto da Aia. 2019 me trouxe a oportunidade de revivê-las por meio de uma graphic novel maravilhosa (e, em breve, com a continuação da história, Os Testamentos). Hoje eu mostro pra vocês alguns detalhes da versão ilustrada desse livro que precisa ser lido por todo mundo. Vem ver!

o conto da aia graphic novelGaranta o seu!

Sinopse: Tudo o que as Aias usam é vermelho: como a cor do sangue, que nos define. Offred é uma aia da República de Gilead, um lugar onde as mulheres são proibidas de ler, trabalhar e manter amizades. Ela serve na casa do Comandante e de sua esposa, e sob a nova ordem social ela tem apenas um propósito: uma vez por mês, deve deitar-se de costas e rezar para que o Comandante a engravide, porque em uma época de declínio da natalidade, Offred e as outras Aias têm valor apenas se forem férteis. Mas Offred se recorda dos anos anteriores a Gilead, quando era uma mulher independente, com um emprego, uma família e um nome próprio. Hoje, suas lembranças e sua vontade de sobreviver são atos de rebeldia. Provocante, surpreendente, profético. O conto da Aia é um fenômeno mundial, já adaptado para cinema, ópera, balé e uma premiada série de TV. Nessa nova versão em graphic novel, com arte arrebatadora de Renée Nault, a aterrorizante realidade de Gilead é trazida à vida como nunca antes.

Não é fácil adaptar um livro denso em uma história em quadrinhos. O Conto da Aia é narrado em primeira pessoa por Offred, uma Aia, cujo fluxo de pensamento não é linear. Enquanto rememora o passado e tenta reconstruir o passo a passo vivido pela sociedade para chegarem até onde estão, Offred também narra o presente opressivo no qual vive. E apesar de não ser fácil retratar essas idas e vindas de maneira clara, a graphic novel consegue fazer isso mantendo a fluidez da narrativa. Algumas ilustrações falam por si só, com frases mais soltas que retratam a desconexão das memórias de Offred – bem como sua tentativa de se desconectar com o próprio corpo, para tornar a vida mais suportável.

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Porém, obviamente, nem todos os detalhes da obra original têm espaço na graphic novel (não quero dar spoilers, mas tem um relacionamento importante, especialmente pelo caráter afrontoso, que ganha pouco espaço na HQ). Esse aspecto não chega a atrapalhar a condução da história, e mesmo o controverso (e chocante) epílogo aparece na graphic novel, ainda que de maneira condensada. É normal que algumas coisas precisem ser deixadas de fora quando uma obra é adaptada para os quadrinhos, e nesse caso os principais fatos foram mantidos e a história permaneceu coesa. Entretanto, a narrativa de Margaret Atwood é ímpar, e vale a pena conferir a obra original para absorver toda a intensidade de O Conto da Aia.

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Por último, mas não menos importante: a edição em si está incrível. A capa é aveludada, há um marca-páginas acetinado e as laterais das páginas trazem um pattern floral lindo. Não poderia deixar de mencionar o vermelho, cor marcante da obra (a cor das Aias), que faz parte de todos esses detalhes que mencionei. E o que dizer das ilustrações? Renee Nault usa a aquarela e o vermelho vibrante como pilares em toda a graphic novel. O traço da artista é muito bonito e cada virar de página merece uma atenção especial, para absorver cada detalhe.

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O Conto da Aia: Graphic Novel é uma obra imperdível pra quem já é apaixonado pela obra de Margaret Atwood, pela série The Handmaid’s Tale ou pra quem quer ter um primeiro contato com essa história impactante e necessária. Recomendo mil vezes! ❤

Título Original: The Handmaid’s Tale: Graphic Novel
Autor: Margaret Atwood e Renee Nault
Editora: Rocco
Número de páginas: 240
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Criatividade S.A. – Ed Catmull (com Amy Wallace)

Oi gente, tudo bem?

A resenha de hoje é de um livro que normalmente não faria parte das minhas leituras, mas que escolhi justamente por me tirar da zona de conforto (e ter um tema muito útil pra mim no momento): Criatividade S.A., escrito pelo fundador da Pixar, Ed Catmull.

criatividade sa ed catmullGaranta o seu!

Sinopse: Qual a fórmula do sucesso por trás de filmes adorados por multidões como Toy Story, Monstros S.A. ou Procurando Nemo? Em Criatividade S.A., Ed Catmull conta a trajetória de sucesso do mais importante e lucrativo estúdio de animação da atualidade, a Pixar, que ele ajudou a fundar, ao lado de Steve Jobs e John Lasseter, em 1986. Dos encontros da equipe às sessões de brainstorm, o autor conta a história da empresa que revolucionou a indústria de animação cinematográfica e divide com o leitor sua experiência na gestão de uma das mais bem-sucedidas companhias de criação do mundo, mostrando como se constrói uma cultura da criatividade, num livro definitivo para quem busca inspiração para os próprios negócios.

Para quem não sabe, eu sou publicitária e trabalho com Social Media e conteúdo desde 2015. No início desse ano eu assumi a liderança da minha equipe e, inexperiente no cargo, senti necessidade de estudar a respeito de gestão. Felizmente, Criatividade S.A. conseguiu reunir tudo que eu buscava: é um livro que fala sobre liderança e processos gerenciais, mas também fala sobre uma empresa que eu admiro desde sempre, a Pixar. Foi a oportunidade perfeita para eu me desafiar numa leitura diferente (e realmente foi mais difícil pra mim, levei quase o mês inteiro pra concluir, apesar de ter gostado) e ainda aprender muito no processo. 😀

Criatividade S.A. é um misto de livro de memórias e ensinamentos sobre gestão. Ed Catmull, o fundador da Pixar, era apaixonado por animação e pela Disney desde criança, porém não se via com o talento necessário para trabalhar como animador (nos moldes da época, ou seja, em 2D). Também interessado em física e tecnologia, Ed Catmull voltou seus estudos à área da Ciência da Computação, onde teve grandes oportunidades de trabalhar com pesquisa e desenvolver as ferramentas que conduziriam à realização de seu maior sonho: criar o primeiro longa-metragem inteiramente animado por computador. Essa ambição foi alimentada por cerca de 20 anos, Ed Catmull precisou passar por diversas empresas – entre elas a Lucasfilm –, até que Steve Jobs comprou aquela que futuramente seria conhecida como Pixar Animation Studios (confesso que não sei o que me surpreendeu mais, o envolvimento de George Lucas ou de Steve Jobs rs).

Conforme Ed Catmull narra as etapas que transformaram a Pixar no que ela é hoje, lições importantes são passadas em meio às memórias. O fundador e presidente da Pixar, entre outras coisas, valoriza as pessoas acima de boas ideias, é a favor de sinceridade total independentemente da hierarquia, acredita no poder do feedback e vê a criatividade como algo a ser construído por nós. Além dessas opiniões terem me feito refletir bastante sobre gestão, os fracassos narrados pelo autor também tiveram o mesmo efeito: Ed Catmull não vê as falhas como um problema a ser temido, mas sim como parte fundamental e inevitável de qualquer processo criativo. É muito bacana entender mais sobre o backstage da Pixar, com seus erros e acertos, e saber como uma empresa que quase operou no vermelho e foi engolida pelo mercado transformou-se em referência na arte de contar histórias. Sem dúvidas, é inspirador.

resenha criatividade sa

Porém, em determinado ponto da leitura, me senti um pouco desconfortável sem saber bem a razão, até que um momento de clareza me atingiu: Criatividade S.A. é um livro majoritariamente sobre homens exaltando outros homens. Existem algumas mulheres importantes na história da Pixar? Sim. Elas recebem grande espaço no livro? Não. Entendo que na época a participação de mulheres nesse mercado pudesse ser mais restrita (especialmente por envolver tecnologia), e até hoje vemos disparidade nessa proporção. Mas, apesar do contexto histórico, foi cansativo ler Ed Catmull falando sobre seus brilhantes colegas homens o tempo todo. A sensação de desconforto ficou mil vezes pior quando descobri – não pelo livro, mas pela Wikipédia – que John Lasseter (diretor criativo da Pixar, responsável por Toy Story, o primeiro sucesso do estúdio) foi acusado de assédio sexual. Ler tantos elogios sobre o homem ao longo do livro, ver Ed Catmull exaltando seu brilhantismo e sua importância para a Pixar, tornou-se bem nauseante à luz desses novos fatos. É uma ironia amarga ler sobre a importância da criação de uma cultura empresarial sadia onde um dos principais envolvidos é acusado de assédio. 

Tirando essa importante ressalva, eu diria que Criatividade S.A. é um excelente livro para quem se interessa por liderança e criatividade. Existem partes da obra que são de fato mais enfadonhas, mas o somatório de ensinamentos (e fun facts) é valioso. Eu não tenho o hábito de marcar minhas quotes favoritas nos livros que leio, mas no caso de Criatividade S.A. eu acabei separando alguns pensamentos que, para mim, se destacaram (vou listar alguns no fim do texto pra vocês conferirem). Em resumo, foi ótimo sair da minha zona de conforto e com certeza vou refletir sobre muitas das lições originadas na Pixar. 😉

  • “Acredito que os melhores gerentes reconhecem e abrem espaço para aquilo que não conhecem – não apenas porque a humildade é uma virtude, mas porque até que a pessoa adote essa atitude mental, os grandes avanços mais importantes não podem acontecer.”
  • “[…] os líderes bem-sucedidos aceitam a realidade de que seus modelos podem estar errados ou incompletos. Só quando admitimos não saber algo é que podemos aprender.”
  • “[…] você não é sua ideia e, caso se identifique demais com suas ideias, irá se ofender quando elas forem questionadas. Para montar um sistema de feedback saudável, você precisa remover da equação a dinâmica de poder – em outras palavras, deve ser capaz de focalizar o problema, e não a pessoa.”
  • “Uma boa observação diz o que está errado, o que está faltando, o que não está claro e o que não faz sentido. Uma boa observação é feita no momento oportuno, e não tarde demais para corrigir o problema. […] Mas, acima de tudo, uma boa observação é específica.”
  • “Isto é vital: quando a experimentação é vista como necessária e produtiva, não como uma frustrante perda de tempo, as pessoas gostam do seu trabalho – mesmo que ele as esteja confundindo.”
  • “O trabalho do gerente não é evitar riscos, mas desenvolver a capacidade para se recuperar.”

Título Original: Creativity, Inc.
Autor: Ed Catmull (com Amy Wallace)
Editora: Rocco
Número de páginas: 320
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Lista #8: Top 3 pra curtir o Halloween

Oi pessoal, tudo bem?

Em outubro, o tema da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de HistóriasInterrupted Dreamer e Tear de Informações) não poderia ser outro: Halloween! 🎃

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Eu reuni 3 dicas para vocês curtirem a data em grande estilo. Vamos lá? 🦇

Os Outros

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Eu não sou muito fã de filmes de terror porque sou medrosa e me impressiono fácil. Apesar de Os Outros ser considerado mais um suspense que um terror propriamente dito, ainda assim o filme rende cenas assustadoras e momentos de tensão. O final é surpreendente e é difícil não se arrepiar. É um filme meio antigo, mas se você ainda não conhece, vale a pena. 😉

Mindhunter

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Assim como não vejo muitos filmes de terror, o mesmo se aplica a séries. Porém, fiquei pensando: tem coisa mais assustadora do que a maldade real, em seu nível mais puro? Mindhunter é uma série baseada em fatos reais que apresenta a criação da Unidade de Ciência Comportamental do FBI, responsável por estudar e mapear o comportamento de serial killers. A frieza dos crimes torna-se ainda mais difícil de digerir quando pensamos que todos os casos apresentados na série ocorreram na vida real.

O Vilarejo – Raphael Montes

o vilarejo raphael montesResenha | Compre aqui

Agora vamos para uma dica de leitura! O Vilarejo é um livro de contos bem bacana, que explora a crueldade e a podridão humanas sob diversas perspectivas – trazendo como principal motor a influência demoníaca. O mais bacana do livro é que os contos estão interligados, apesar de funcionarem de modo independente.

Curtiram as dicas, pessoal? Espero que tenham um Dia das Bruxas cheio de maratonas, leituras, doces e travessuras. 😉

Beijos e até o próximo post!