Especial Dia da Mulher: Séries com protagonistas mulheres

Oi pessoal, tudo bem?

O Especial Dia da Mulher continua, e o tema de hoje são séries protagonizadas por mulheres! Do humor ao drama, espero contemplar a maior variedade possível. Vamos lá? 😉

Orange is the New Black

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Impossível falar sobre força e diversidade sem citar Orange is the New Black. Ambientada numa prisão feminina, a série dá voz a uma enorme gama de mulheres (com suas próprias histórias e vivências), desenvolvendo todas elas com excelência. Temas como violência policial, racismo, abuso sexual e muitos outros assuntos são tratados nas 7 temporadas.

Outlander

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Claire, protagonista de Outlander, é uma mulher progressista e empoderada mesmo antes de viajar no tempo e ir parar na Escócia do século XVIII. No início da série ela é uma enfermeira que participou da Segunda Guerra e posteriormente ela é a única mulher em sua turma no curso de Medicina. Isso sem contar a influência e o respeito que ela adquire enquanto vive no passado, em uma época ainda mais hostil para as mulheres.

Jessica Jones

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A série se destaca por abordar temas pesados e realistas em uma série do gênero de super-heróis. Jessica é uma protagonista imperfeita e cheia de vícios, mas é também uma sobrevivente: ela foi vítima de um relacionamento abusivo, e as consequências disso são tratadas de modo responsável e coerente. Além disso, Jessica também vai de encontro a padrões de beleza e estereótipos de representação típicos das HQs, que hiper-sexualizam as heroínas. Se ficarem interessados, falo mais sobre isso no meu TCC (que foi sobre a série). 😀

One Day at a Time

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Nessa série (que é uma das minhas comédias favoritas), temos uma família de origem cubana que vive nos Estados Unidos e é conduzida por duas mulheres fortes e inspiradoras: Lupe e sua mãe, Lydia. Além disso, a filha mais velha de Lupe (Elena) é uma jovem empoderada e questionadora que levanta diversas discussões importantes. Assuntos como machismo, xenofobia, sexualidade e saúde mental são abordados com responsabilidade ao longo dos episódios, e o melhor de tudo: com um humor que não ofende nem machuca. Série perfeita, sem defeitos. ❤

Alias Grace

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O que mais gosto nessa minissérie, que adapta a obra de Margaret Atwood, é o uso da feminilidade como recurso de sobrevivência. Grace, acusada de matar seu patrão e a governanta, convence o júri (e o espectador) de sua inocência por meio de uma representação de fragilidade. A ambiguidade da personagem é fascinante e evidencia que mulheres têm inúmeras camadas e possibilidades de ação – inclusive para a manipulação e para atos de crueldade.

Big Little Lies

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Essa série é um espetáculo do início ao fim, especialmente quando consideramos somente a primeira temporada. Com um elenco de respeito que dá vida a mulheres com personalidades distintas, Big Little Lies é contundente ao falar sobre relacionamento abusivo e agressão, além de trazer na prática o poder da sororidade.

Inacreditável

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A produção mais recente da lista é um soco no estômago, especialmente por ser a dramatização de um caso real. Nos 8 episódios, a série problematiza o fato de que a violência sexual é sempre questionada, o que não ocorre com outros tipos de crimes. Inacreditável coloca o dedo na ferida ao mostrar que vítimas de estupro costumam ser violentadas duas vezes: pelo agressor e pela sociedade, que com frequência coloca sua credibilidade em xeque. É uma série dolorosa, mas imperdível.

Grace and Frankie

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Pra terminar, uma sugestão mais leve e muito válida. Grace and Frankie retrata uma fase da vida pouco explorada nas produções de entretenimento: a terceira idade. Além da amizade inspiradora de duas mulheres tão diferentes que aprendem a se respeitar, Grace and Frankie também traz abordagens muito interessantes sobre sexualidade e autonomia sobre a própria vida em uma idade vista por muitos como limitada.

Espero que tenham gostado da lista!
Agora quero saber: quais séries vocês adicionariam ao post? 😀

Especial Dia da Mulher: Livros sobre mulheres fortes

Oi galera, tudo certo?

Engana-se quem pensa que hoje, Dia Internacional da Mulher, é um momento para comemorações. Na realidade, a data representa a luta feminina por igualdade de gênero – luta esta que ainda é (muito) necessária.

Por isso, resolvi fazer uma semana especial de conteúdos relacionados ao universo feminino, com dicas de obras (começando por livros) que retratam mulheres fortes, incríveis e diversas – assim como nós somos. Espero que gostem. 💪

As Parceiras – Lya Luft

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Apesar da melancolia e da grande dose de reflexão, esse é um livro que me marcou muito por trazer o protagonismo feminino de maneira tão realista. Anelise narra não apenas suas conquistas e dores, mas também as das mulheres que a antecederam na família (e que marcaram sua vida e seu jeito de ver o mundo).

O Conto da Aia – Margaret Atwood

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Vocês devem estar cansados de me ver indicando esse livro, né? Desculpem, mas ele é incrível e todo mundo deveria ler. 🤷‍♀ A obra evidencia que retrocessos podem sim acontecer a qualquer momento, além de expor como o patriarcado impacta nossas vidas de muitas formas, das mais óbvias (como o controle sobre nossos corpos) às mais sutis (como o incentivo à rivalidade feminina). 

Outros Jeitos de Usar a Boca – Rupi Kaur

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Mesmo não sendo fã de poesias, fui fisgada pelo jeito singelo e particular de Rupi Kaur abordar o universo feminino. Dos prazeres às dores do ser mulher, a poetisa trata de assuntos que vão desde relacionamentos abusivos a amor próprio e ancestralidade.

Sejamos Todos Feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

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Esse livro é uma excelente porta de entrada pra quem quer entender mais sobre o feminismo. De maneira acessível e clara, a autora aborda algumas situações pelas quais a maioria das mulheres já passou, exemplificando as muitas formas de desigualdade de gênero que sofremos hoje.

O Segredo do Meu Marido – Liane Moriarty

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O que gosto nas obras da Liane Moriarty é o modo como ela dá voz a diferentes tipos de mulheres, e isso acontece também em O Segredo do Meu Marido. As três protagonistas que conduzem a trama desse livro são cheias de defeitos e qualidades, com dilemas que envolvem principalmente maternidade e família.

Claro que existem inúmeros outros títulos clássicos que poderiam estar aqui, mas usei como critério pra lista livros que eu já resenhei aqui no blog e que eu não menciono sempre (com exceção de O Conto da Aia porque né, esse pode 🙈).

E vocês, quais livros com essa temática indicariam?
Me contem nos comentários! 📚

Review: Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você

Oi galera, tudo bem?

Depois do sucesso de Para Todos Os Garotos Que Já Amei, eu estava ansiosa para conferir P.S. Ainda Amo Você. Depois de 1 ano e meio de espera, o filme finalmente está entre nós! \o/

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Sinopse: Lara Jean (Lana Condor) não esperava se apaixonar por Peter Kavinsky (Noah Centineo) quando eles fingiam namorar, mas a relação entre os dois rapidamente deixou de ser artificial. Só que, ao se reconectar com uma paixão do passado, John Ambrose McClaren (Jordan Fisher), tudo fica ainda mais complicado para a jovem, que precisa entender o que se passa internamente para tomar uma grande decisão.

P.S. Ainda Amo Você inevitavelmente difere de modo considerável de sua contraparte literária, já que um dos principais plots (o vazamento do vídeo no ofurô) é trabalhado no primeiro longa. Isso faz com que a continuação não foque tanto nesse aspecto importante da vida da Lara Jean e de seu relacionamento com Peter, começando já no primeiro encontro oficial deles. Tudo parece ir superbem entre os dois, até que a protagonista recebe a resposta de uma de suas cartas de amor: dessa vez quem entra em contato é John Ambrose McClaren, que balançou o coração da garota no início da adolescência. Quando Lara Jean descobre que o jovem vai trabalhar como voluntário na mesma instituição que ela, seus sentimentos ficam ainda mais confusos.

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Eu não quero focar totalmente em explorar as diferenças do livro e do filme (que são várias), mas para citar rapidamente algumas das principais: aqui John Ambrose não é neto de Stormy, a senhora com quem Lara Jean faz amizade no instituto Belleview; Josh nem é mencionado; Margot tem uma participação minúscula e a maneira como Lara Jean descobre que Peter e Gen estão se vendo também é menos impactante. Essas mudanças têm como consequência um enfraquecimento dos dilemas vividos pelo casal principal e uma conexão mais fraca entre Lara Jean e John Ambrose. E acho que foi isso que fez com que o filme não causasse em mim o mesmo impacto do primeiro: parece que faltou tempero, sabem?

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Felizmente, a adição de John Ambrose foi bem-vinda. O novo ator transmite a gentileza e a timidez do personagem de uma maneira muito fofa e, assim como no livro, me vi torcendo por ele. Eu realmente detesto as atitudes de Peter em P.S. Ainda Amo Você, e sinceramente não sei se perdoaria todo o rolê do vazamento do vídeo do ofurô. No filme a resolução desse conflito acaba sendo morna e fácil demais, e sinto que o personagem não teve a evolução que precisava. Outra coisa da qual senti falta foi a dinâmica familiar de Lara Jean e seu relacionamento com Stormy. Esta, em especial, é uma personagem muito importante para a protagonista, trazendo conselhos sobre a vida e sobre garotos e incitando Lara Jean a se permitir viver mais experiências. No filme ela aparece bem pouco, o que acaba sendo um desperdício.

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O longa, porém, acerta ao mostrar que é impossível se relacionar com alguém estando com o coração 100% seguro. Amar é ser vulnerável, é saber que seu coração pode ser partido e que você não tem controle sobre isso. Lara Jean é uma garota que sonha em viver um grande romance, mas que na prática se coloca na defensiva. Sua insegurança em relação à Gen a impede de ser ela mesma e de viver seu relacionamento plenamente (ainda que as atitudes de Peter não ajudem em nada na insegurança dela rs). Quando ela finalmente entende que precisa deixar certos medos pra trás, ela consegue se abrir para uma relação de verdade, que tem seus altos e baixos.

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Para Todos Os Garotos: P.S. Ainda Amo Você não brilha tanto quanto o primeiro filme, apesar de ser um romance fofo e que entretém. O potencial dos personagens não é explorado ao máximo, mas o carinho que sentimos por eles se mantém. Agora nos resta aguardar o terceiro longa e torcer para que a conclusão dessa trilogia aqueça nosso coração. 🙂

Título original: To All The Boys: P.S. I Still Love You
Ano de lançamento: 2020
Direção: Michael Fimognari
Elenco: Lana Condor, Noah Centineo, Jordan Fisher, Holland Taylor

 

Review: Por Lugares Incríveis

Oi pessoal, tudo bem?

Um dos filmes mais aguardados por mim finalmente chegou à Netflix, e hoje vou contar pra vocês o que achei de Por Lugares Incríveis.

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Sinopse: Devastada pela perda da irmã, a introvertida Violet Markey (Elle Fanning) recupera a vontade de viver ao conhecer Theodore Finch (Justice Smith), um jovem excêntrico e imprevisível.

Quem leu minha resenha sabe que o livro de Jennifer Niven me tocou profundamente e se tornou um dos meus favoritos. A trágica história de amor de Violet Markey e Theodore Finch arrebatou meu coração, arrancou lágrimas e soluços e me causou uma tremenda ressaca literária. Em parte, sua adaptação conseguiu causar sensações semelhantes.

Na história, conhecemos dois adolescentes repletos de cicatrizes emocionais. Violet perdeu a irmã em um acidente e desde então vive num torpor. Finch, por sua vez, se apresenta com uma fachada irreverente e efusiva – que esconde demônios internos e um quadro depressivo do qual ninguém sabe. Unidos por um projeto da escola, os dois precisam conhecer e escrever a respeito de lugares de Indiana, e essas andanças permitem que um amor nasça e certas feridas se fechem.

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Preciso dizer que me apaixonei pela performance de Elle Fanning como Violet. A atriz superou minhas expectativas e conseguiu dar vida às nuances e profundidade da personagem. Suas expressões apáticas lentamente vão sendo substituídas por sorrisos tímidos e, conforme o longa acontece, ela vai desabrochando. Justice Smith, por outro lado, não conseguiu evocar o mesmo apego que senti pelo Finch do livro. Sinto que até houve esforço na atuação mas, para ser justa, o roteiro não favoreceu: o roteiro foca muito mais em Violet e em sua transformação do que nos problemas que Finch mantêm ocultos. Isso faz com que o personagem perca muito de sua riqueza e até dificulta para o espectador entender o quê afinal ele está vivendo. No livro existem vários momentos narrados pela sua perspectiva, e lá fica claro (ainda que nunca escrito explicitamente) que os quadros de depressão que o acometem são frequentes e intensos. O jovem fala sobre a morte em diversas oportunidades, o que não acontece no filme. Essa foi a maior falha da adaptação, na minha opinião: Finch é importante demais pra ficar em segundo plano, apenas como um trampolim para a melhora de Violet.

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Apesar de não ter me apaixonado pela performance de Justice Smith, gostei da sua química com Elle Fanning. As cenas em que os dois jovens passam juntos e pouco a pouco se apaixonam são encantadoras e prometem arrancar sorrisos bobos. Assim como no livro, o romance acontece de maneira natural, conforme Violet vai se abrindo para viver (e se permitir sentir) novamente.

Infelizmente, os temas importantes tratados no livro não ganham o mesmo espaço no filme (o que pode ser lido até como irresponsabilidade da adaptação, devido à gravidade do assunto abordado). Como mencionei anteriormente, os problemas de Finch ficam em segundo plano quando comparados aos de Violet. Acontece que, para entender o final, é imprescindível ter todo o contexto a respeito do personagem: o bullying que ele sofre, sua família disfuncional, a omissão dos adultos ao seu redor. Esse somatório de eventos faz com que Finch se sinta cada vez mais sem esperança, sem conseguir sair sozinho do vazio no qual ele frequentemente se encontra. No filme temos uma única cena que eu considero poderosa nesse sentido: ao conversar com sua irmã, Finch tenta encontrar um modo de acreditar que seu pai (que também enfrentava momentos sombrios) poderia ser salvo. Indiretamente, ao falar sobre o pai, o jovem revela uma vontade dele próprio ser salvo, um desejo de encontrar algum argumento que prove que há saída. 

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Apesar das falhas relacionadas a Finch, Por Lugares Incríveis me emocionou demais (os olhos inchados que o digam). Parte dessa emoção aconteceu por lembrar do livro e da tristeza que eu senti quando cheguei ao fim, mas a outra parte é mérito do longa. O filme consegue trazer a atmosfera das páginas com competência, a fotografia encanta e a trilha sonora é emocionante, sendo crucial para evocar emoções. Apesar das ressalvas, que considero importantes, eu gostei bastante do que vi na tela, e sinto que foi feito um bom trabalho na adaptação. Foi bom lembrar de todas as cores em uma, em pleno brilho, mais uma vez.

Título original: All The Bright Places
Ano de lançamento: 2020
Direção: Brett Haley
Elenco: Elle Fanning, Justice Smith, Alexandre Shipp, Luke Wilson, Kelli O’Hara, Keegan-Michael Key

Resenha: Um Acordo Pecaminoso – Lisa Kleypas

Oi pessoal, tudo bem?

Demorei, mas comprei e li o terceiro volume da série Os Ravenels, Um Acordo Pecaminoso. Eu estava bem curiosa por essa história e já adianto que foi mais uma ótima experiência lendo Lisa Kleypas.

um acordo pecaminosoGaranta o seu!

Sinopse: Lady Pandora Ravenel é muito diferente das debutantes de sua idade. Enquanto a maioria delas não perde uma festa da temporada londrina e sonha encontrar um marido, Pandora prefere ficar em casa idealizando jogos de tabuleiro e planejando se tornar uma mulher independente. Mas certa noite, num baile deslumbrante, ela é flagrada numa situação muito comprometedora com um malicioso e lindo estranho. Gabriel, o lorde St. Vincent, passou anos conseguindo evitar o casamento, até ser conquistado por uma garota rebelde que não quer nada com ele. Só que ele acha Pandora irresistível e fará o que for preciso para possuí-la. Para alcançar seus objetivos, os dois fazem um acordo curioso, e entram em uma batalha de vontades divertida e sensual, como só Lisa Kleypas é capaz de criar.

Pandora Ravenel já tinha roubado a cena nos livros anteriores da série graças ao seu jeito travesso e espontâneo de ser. A jovem é inteligente, perspicaz e curiosa – características que afastam qualquer pretendente da nobreza. Em uma certa noite, ao tentar resgatar o brinco perdido de uma amiga no meio de um baile, Pandora fica com o vestido preso em um banco, precisando ser auxiliada por um rapaz que passava despreocupado. A identidade dele faz qualquer fã de As Quatro Estações do Amor se empolgar: trata-se de Gabriel, lorde St. Vincent, filho de Sebastian e Evie (sim, o casal de Pecados no Inverno). Após serem flagrados, a ideia de um casamento por obrigação vira uma ameaça: Gabriel não tinha o intuito de se prender a uma garota tão selvagem; Pandora tem pânico de se casar e perder sua independência. O que ambos não esperavam, porém, é perceber o quão intrigados e atraídos eles ficaram um pelo outro.

Ai, gente. O que dizer desse livro? É impossível não torcer pela Pandora e pelo Gabriel, de verdade. Começando pela mocinha: a jovem é obstinada e criativa, e um de seus principais objetivos é fazer sucesso desenvolvendo jogos de tabuleiro (contando com o apoio do cunhado, Winterborne, para vendê-los). Para Pandora, o casamento significa prisão, pois ela sabe que todas as posses e direitos da mulher são transferidos imediatamente para o marido. Entretanto, quando Pandora percebe que Gabriel não a julga por falar demais nem se intimida com sua personalidade espevitada (somado o fato de que ele é lindíssimo, é claro), ela inevitavelmente fica balançada. Lorde St. Vincent, por sua vez, é um sonho de protagonista: ao perceber que está atraído por Pandora, ele tenta convencê-la a aceitar o casamento. Para isso, ele busca compreender os medos da jovem e vai em busca de uma solução legal que permita que Pandora empreenda.

Todo o jogo de sedução envolvendo Pandora e Gabriel é muito bacana de conferir. Nesse livro descobrimos características da personagem que até então eram um mistério, como o fato dela ter um péssimo equilíbrio (devido a um trauma no tímpano), o que explica sua falta de vontade de dançar e participar dos eventos sociais. Com toda a paciência, Gabriel vai auxiliando Pandora no processo de adquirir autoconfiança, mostrando-se um parceiro que a apoia em diversos níveis. Porém, apesar de ter herdado o título do pai, o novo lorde St. Vincent é muito diferente de seu antecessor: Gabriel é comedido e racional, buscando sempre a perfeição em tudo que faz (o que por muitas vezes torna sua sufocante). Portanto, ele também aprende com Pandora, sabendo que é necessário deixar o controle de lado em alguns momentos.

um acordo pecaminoso

Outro personagem que vale mencionar é (adivinhem?) Devon Ravenel. Se alguém tem dúvida de que esse cara é perfeito, espero que ela suma ao ler Um Acordo Pecaminoso. O apoio e a proteção que ele oferece a Pandora quando sua reputação está em risco são comoventes e provam o caráter desse personagem que me fez suspirar já em Um Sedutor Sem Coração (de cujo título eu discordo de forma veemente 😂). Outros personagens queridos também fazem aparições bacanas: além dos já citados Sebastian e Evie, temos um breve vislumbre de Westcliff, Winterborne, Dra. Garrett e Ethan Ramson (o detetive de Uma Noiva Para Winterborne).

Existem algumas reviravoltas além do romance que tornam Um Acordo Pecaminoso ainda mais interessante. O plot do casal não demora taaanto a se resolver, e o terço final do livro oferece situações de perigo que visam dar ação à trama. Eu gostei mais do plot de Pandora e Gabriel, mas também curti as escolhas que Lisa Kleypas fez na reta final.

Um Acordo Pecaminoso foi uma ótima leitura, com um casal que conquista e uma trama envolvente. Pra falar a verdade, até agora não teve um livro da série Os Ravenels que eu não tenha gostado (diferente do que ocorreu com As Quatro Estações do Amor, em que só fui me apaixonar no terceiro livro 😂). Então a dica é: se você está em busca de romances de época com ótimos personagens, essa série vai te conquistar.

Título Original: Devil in Spring
Série: Os Ravenels
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
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Dica de Série: Cara x Cara

Oi pessoal, tudo bem?

Em outubro do ano passado estreou Cara x Cara na Netflix. O trailer instigante e o fato de ser protagonizada por Paul Rudd foram o suficiente para me fazer conferir a série. Bora falar a respeito? 😀

cara x cara

Sinopse: Empenhado em se tornar uma pessoa melhor, um homem decide começar um tratamento especial e descobre que foi substituído por uma nova e aperfeiçoada versão – revelando que seu pior inimigo é ele mesmo.

Cara x Cara nos apresenta a Miles, um homem cuja vida estagnou: ele não consegue criar uma peça publicitária realmente criativa há muito tempo, seu casamento está à beira da ruína e nenhum dos seus projetos sai do papel. Quando ele ouve falar de um SPA que promete trazer à tona sua melhor versão, ele não hesita em fazer o tratamento (extremamente suspeito, em uma clínica com ares de clandestinidade). O resultado, porém, é surpreendente: Miles é clonado, e é seu clone o indivíduo que tem as tais características aperfeiçoadas, ainda que não saiba que é um doppelgänger. Quando uma das etapas do processo dá errado, o Miles original e o novo Miles ficam frente a frente e precisam decidir juntos como conduzir a situação.

O talento e o carisma de Paul Rudd são inegáveis. O ator consegue transmitir por meio das expressões faciais e da linguagem corporal qual Miles estamos vendo em cena: ora o infeliz Miles original, ora o novo Miles melhorado. Os conflitos na série acontecem em parte porque eles precisam trabalhar juntos pra que ninguém descubra que existem duas versões do mesmo homem, e isso os obriga a olhar para suas imperfeições. O novo Miles traz fôlego à carreira do original e o auxilia na ascensão profissional, mas ele não consegue deixar de se sentir uma fraude, já que todas as suas memórias não são realmente dele. O Miles original, em contrapartida, se sente ameaçado pela suposta perfeição de seu clone, que aparentemente faz tudo muito melhor do que ele seria capaz – inclusive se relacionar com a esposa, Kate.

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Conforme os episódios vão passando e vamos conhecendo mais o personagem de Miles, a série sutilmente nos mostra que ele parece viver um quadro depressivo bastante significativo. O que inicialmente é visto como estagnação vai se revelando como uma apatia pela vida, uma incapacidade de sentir prazer nas coisas e consequentemente uma falta de movimento. Esse aspecto é bem interessante porque torna Miles mais complexo, menos unidimensional: ele não é só um cara que “encheu” o saco das coisas e não tem coragem de mudar. 

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Os dramas do novo Miles também são interessantes. Como se sentir verdadeiramente você quando tudo que você viveu e lembra são experiências de outra pessoa? Como construir sua verdadeira identidade quando você é uma cópia de alguém que já existe? Enquanto tenta conquistar o afeto de Kate, o doppelgänger percebe que não basta ser cheio de qualidades: o amor também é baseado nas coisas difíceis que um casal supera, nos momentos em que uma pessoa está ali para apoiar a outra – e não foi ele quem fez parte daqueles momentos. Toda essa dúvida sobre a própria existência é bem bacana e ajuda a humanizar o personagem.

Contudo, apesar das discussões instigantes e do ritmo dos episódios ser bem fácil de acompanhar, Cara x Cara se perde um pouco na reta final. O triângulo amoroso que se forma não cativa e o final da temporada é bastante brusco, dando margem a uma continuação que possivelmente nem aconteça. Sinto que a série perdeu um pouco da minha atenção quando começou a tirar o foco da dualidade entre os dois Miles e ir por um caminho mais “quem vai ficar com Kate?”.

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Um dos maiores trunfos de Cara x Cara é conseguir equilibrar humor e questões existenciais em episódios de 25 minutos que não cansam o espectador. É muito fácil se relacionar com os conflitos vividos por ambos os Miles. Quem nunca se questionou sobre si mesmo? Buscar a nossa melhor versão nem sempre é fácil, e os traumas pelo caminho podem tornar o processo ainda mais exaustivo. Contudo, vale lembrar que às vezes essa tal “melhor versão” pode ser uma projeção irreal, baseada nas expectativas que os outros (e nós mesmos) criamos. A ironia disso reside no fato de que tanto o Miles original quanto o novo Miles não se sentem completos e suficientes, invejando o outro.

Resumindo, Cara x Cara não foi a série mais inesquecível que assisti no último ano, mas foi uma experiência que me surpreendeu positivamente. Gostei da performance de Paul Rudd e dos debates propostos pela série. O ritmo fluido, os ótimos momentos de humor, as discussões sobre identidade e a curta duração dos episódios formam um combo propício a uma maratona. Vale espiar! 😉

Título original: Living With Yourself
Ano de lançamento: 2019
Direção: Timothy Greenberg
Elenco: Paul Rudd, Aisling Bea, Desmin Borges, Karen Pittman

Resenha: Biblioteca Sobre Rodas – David Whitehouse

Oi pessoal, tudo bem?

Devido à sinopse fofa e a proposta de cenário peculiar (uma biblioteca itinerante), fiquei bem curiosa a respeito de Biblioteca Sobre Rodas. Hoje conto pra vocês o que achei dessa leitura. 😉

biblioteca sobre rodasGaranta o seu!

Sinopse: Bobby Nusku tem um amigo: Sunny Clay. E depois Bobby Nusku tem dois amigos: Sunny Clay e Rosa Reed. E depois Bobby Nusku tem três amigos: Sunny Clay, Rosa Reed e Val Reed. E depois Bobby Nusku tem quatro amigos: Sunny Clay, Rosa Reed, Val Reed e Joe Joe. E depois Bobby Nusku tem quatro amigos e um cachorro: Sunny Clay, Rosa Reed, Val Reed, Joe Joe e Bert. E finalmente Bobby Nusku tem uma família. Em Biblioteca sobre rodas conheceremos a história dessa família às avessas, onde os laços de sangue são o que menos importa na trajetória deles. O que importa de verdade quando todos eles entram naquele caminhão lotado de livros e clássicos valiosos é a confiança que tem uns nos outros e a forma genuína como se amam, cada um com suas características, cada um com seu passado torto, cada um com suas diferenças que os tornam únicos.

Bobby Nusku é um garoto solitário, que vive apenas com seu pai (que frequentemente o agride) e sua madrasta desde que sua mãe partira. Como companhia ele tem um único amigo, Sunny Clay, e também seu hábito de guardar pequenos “fragmentos” da casa e das coisas da mãe para quando ela voltar. Porém, quando a mãe de Sunny decide se mudar, Bobby se vê na posição de ter que enfrentar a solidão e o bullying sozinho. Até que ele conhece Rosa Reed, uma menina doce e muito especial que traz Bobby para dentro de sua família (composta pela própria Rosa, pela sua mãe, Val, e pelo seu cachorro preguiçoso, Bert). Quando Val se depara com sua demissão iminente da biblioteca itinerante na qual trabalha, somando-se ao fato de que Bobby apresenta hematomas causados pelo pai, a personagem decide tomar uma decisão impactante: colocar todos na biblioteca e partir.

Biblioteca Sobre Rodas é uma história sobre formas de ser família. O livro questiona de maneira sensível esse conceito: a família não precisa ser tradicional, mas sim feita de pessoas que se amam e se apoiam. Convivendo uns com os outros, Bobby, Val, Rosa e Bert aprendem a respeitar suas particularidades, apreciando cada instante que vivem juntos e aceitando verdadeiramente uns aos outros. Quando um quarto elemento, Joe, se une ao time, a dinâmica entre eles sofre alguns ruídos mas, mesmo nesse novo contexto, os personagens aprendem a conviver em harmonia.

resenha biblioteca sobre rodas

Outra característica bem interessante da narrativa diz respeito às próprias histórias. Por estarem em meio aos livros (afinal, a biblioteca itinerante por si só é uma espécie de personagem, além de cenário), a nova família de Bobby passa muito tempo lendo e divagando sobre as tramas, e Bobby se questiona se aquelas histórias fantásticas poderiam acontecer com alguém tão normal quanto ele. O menino, porém, não se dá conta que sua própria vida é uma aventura, com direito a perseguição policial, revelações impactantes e até mesmo um plot twist no final. 😛 Entretanto, é importante ressaltar que, apesar de ser um livro doce e gentil, Biblioteca Sobre Rodas carece de ganchos que deixem o leitor ávido por continuar. Mesmo sendo curtinho, eu levei um tempo pra ler devido a essa característica.

Acho que o ensinamento mais valioso de Biblioteca Sobre Rodas reside no fato de que não importa muito o destino ou os desafios no caminho, mas sim quem você tem ao seu lado pra se agarrar e se amparar. E essa lição já é suficiente pra deixar um quentinho no coração ao fechar das páginas – lembrando que, segundo a Val, as histórias nunca têm fim; elas continuam mesmo quando as páginas terminam. E eu gosto de pensar que a história de Bobby Nusku e sua família continua. 🙂

Título Original: Mobile Library
Autor: David Whitehouse
Editora: Rocco
Número de páginas: 288
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.