Resenha: Uma Herdeira Apaixonada – Lisa Kleypas

Oi meu povo, tudo bem?

Bora seguir com as resenhas de Os Ravenels? Hoje vim contar pra vocês minha opinião sobre o livro que já se transformou no meu favorito da série: Uma Herdeira Apaixonada. ❤

Garanta o seu!

Sinopse: Embora a bela jovem viúva Phoebe, Lady Clare, nunca tenha conhecido West Ravenel, ela sabe uma coisa com certeza: ele é mau e um valentão podre. Quando estava no colégio interno, ele fez da vida de seu falecido marido uma desgraça, e ela nunca o perdoará por isso. Mas quando Phoebe participa de um casamento de família, encontra um estranho arrojado e impossivelmente charmoso, que a abala com um choque de atração de fogo e gelo. E então ele se apresenta como ninguém menos que West Ravenel. West é um homem com um passado manchado. Sem perdão, sem desculpas. No entanto, a partir do momento em que conhece Phoebe, West é consumido por um desejo irresistível, sem mencionar a amarga consciência de que uma mulher como ela está fora de seu alcance. O que West não negocia é que Phoebe não é uma dama aristocrática. Ela é filha de uma Wallflower obstinada que há muito tempo fugiu com Sebastian, lorde St. Vincent – o libertino mais diabolicamente perverso da Inglaterra. Em pouco tempo, Phoebe começa a seduzir o homem que despertou sua natureza ardente e demonstrou um prazer inimaginável. Sua paixão avassaladora será suficiente para superar os obstáculos do passado? Só a filha do diabo sabe…

Fui conquistada por West Ravenel desde Um Sedutor Sem Coração. O antigo libertino preguiçoso acaba se inspirando no irmão mais velho, Devon, e decide ajudá-lo com lealdade e força de vontade a transformar o Priorado Eversby em uma propriedade lucrativa e saudável para os arrendatários. Como não amar esse serzinho? É óbvio que eu ia querer acompanhar sua história de amor, né! E aqui ele encontra alguém à altura: Phoebe, lady Clare, filha de ninguém mais, ninguém menos que um dos casais mais populares da série As Quatro Estações do Amor: Eve e Sebastian (a Lisa não perde a chance de aproveitar esse casal, né? 😂). A jovem é uma viúva que já viveu um grande amor e, por conta disso, não sonha em ter uma experiência assim novamente, pois acredita que já tirou a sorte grande por ter tido essa oportunidade uma vez. Para completar, ela inicia sua relação com West de forma antagônica, pois ele esteve envolvido de forma negativa no passado de Henry, seu falecido marido.

Ai, gente, não sei nem o que dizer. Esse livro me fez suspirar do início ao fim! Phoebe e West se conhecem graças às festividades em celebração do noivado de Pandora (prima de West) com Gabriel (irmão de Phoebe), protagonistas do terceiro livro. Como quase sempre acontece nos romances de época, a atração entre eles logo se torna óbvia. Entretanto, há um obstáculo no coração de Phoebe: quando criança, seu marido, Henry, foi vítima de bullying por West. Ambos estudaram no mesmo colégio interno e o jovem foi muito atormentado, relatando tudo em cartas para Phoebe. Por isso, a primeira reação da moça é se afastar de West em respeito à memória do marido, mas ela não contava com as mudanças profundas pelas quais nosso protagonista masculino passou. Logo fica nítida a afinidade existente entre eles, que se divertem juntos e conversam de igual pra igual.

Uma Herdeira Apaixonada é um livro mais tranquilo, por assim dizer. Diferente da maior parte dos volumes antecessores, que contam com mais riscos, vilões e perigos ao longo da trama, a história de West e Phoebe é mais linear, como um rio tranquilo. Isso é um defeito? Na na ni na não. Essa dinâmica funciona muito bem aqui, porque faz total sentido com o comportamento dos personagens e suas dificuldades, que são muito mais emocionais e subjetivas. Ainda que o final da trama tente trazer um elemento mais aflitivo, a verdade é que ele quase não faz diferença, e o que fisga o leitor é realmente o processo gradual e delicioso pelo qual o casal protagonista se aproxima e se apaixona.

Phoebe é uma jovem altruísta e leal a todos que ela ama. Isso inclui a Henry, que foi seu amor de infância e sofreu de uma doença que o manteve debilitado por toda a vida. Por isso, a viúva se contenta com uma vida pacata, dedicando seu amor e energia aos filhos pequenos e aceitando o galanteio tímido do primo de Henry, que foi um candidato aprovado pelo próprio falecido para desposá-la. Porém, quando conhece West, Phoebe se dá conta de duas coisas: em primeiro lugar, ele não é mais o valentão que infernizou a vida de Henry; em segundo lugar, ele não apenas a respeita e a instiga a controlar as rédeas da própria vida como também demonstra um amor genuíno por seus filhos. Com isso em mente, Phoebe muda de postura e se transforma em uma pessoa que toma as próprias decisões e conduz seu destino: o que inclui transar com West mesmo sabendo que ele não deseja se casar e isso pode trazer consequências à sua reputação.

West, em contrapartida, tem mais camadas de si reveladas nesse livro. Quem acompanha a série já sabe que ele é corajoso, carismático e trabalha duro. Ele respeita os arrendatários e estende a mão para quem precisa. Mas seu passado o assombra: ele foi protagonista de vários vexames e, desde a infância, esteve acostumado a resolver as coisas com violência e alarde. Se já tínhamos alguns sinais do motivo por causa de Devon, aqui Lisa Kleypas os reforça: os dois irmãos não tiveram pais amorosos e, quando eles morreram, foram “jogados de mão em mão” entre os parentes, até irem parar no colégio interno. West não conheceu o amor familiar, exceto o do seu irmão, por isso ele tem um medo enorme de estragar tudo com Phoebe e, principalmente, com seus filhos. Ele se sente tão indigno de tal amor que foge de assumir qualquer compromisso com ela, ainda que fique extremamente deprimido quando precisam se afastar. Felizmente existem personagens secundários muuuito úteis pra desenrolar essa história. ❤

Uma Herdeira Apaixonada me lembrou um pouco o meu livro favorito de As Quatro Estações do Amor, Escândalos na Primavera, em termos de estrutura – um romance sólido, tranquilo e com personagens doces e cativantes parece ser a fórmula que mais conquista o meu coração, e Lisa Kleypas conseguiu isso aqui. Comecei a leitura apaixonada pelo West e terminei apaixonada pelo casal. Recomendo muito! 🥰

Título original: Devil’s Daughter
Série: Os Ravenels
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 272
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Dica de Série: Loki

Oi pessoal, tudo bem?

Na última quarta-feira Loki, a série do Disney+ focada no Deus da Trapaça, chegou ao fim, e hoje vim compartilhar minhas impressões a respeito com vocês!

Sinopse: Depois de roubar o Tesseract em “Vingadores: Ultimato”, Loki acaba perante a Autoridade de Variância Temporal (AVT), uma organização burocrática kafkiana que existe fora do tempo e do espaço.

Quem viu Vingadores: Ultimato lembra que o plano dos heróis era voltar no tempo para recuperar as Joias do Infinito, certo? Ao voltarem para 2012, porém, uma confusão acontece e o Loki daquela timeline escapa, e é nessa série que descobrimos o que acontece com ele. O protagonista não demora a ser capturado por outra organização: a AVT (Autoridade de Variância Temporal), responsável por cuidar da Linha Temporal Sagrada que mantém os eventos do universo onde devem estar, e por eliminar qualquer elemento que fuja desse “script”, as chamadas Variantes (sendo este o caso de Loki). Porém, em vez de ser eliminado, Loki é recrutado por um dos agentes da AVT – Mosbius – para auxiliá-lo num problema muito maior: existe alguma outra Variante do Loki causando perturbações consideráveis na linha do tempo e eliminando os agentes da organização, e Mosbius acredita que não há ninguém melhor que um Loki para ajudá-lo a encontrar outro.

Para ser totalmente sincera com vocês, demorei um pouquinho a gostar de Loki. Os primeiros episódios foram bem medianos pra mim, ainda que divertidos. Tom Hiddleston tem carisma, assim como Owen Wilson, então a dupla funciona bem. Obviamente, Mosbius não confia totalmente em Loki, e Loki também tenta enganar Mosbius sempre que possível para benefício próprio. Mas ao longo dos primeiros episódios os dois conseguem focar na missão de rastrear a Variante Loki que está causando as perturbações: uma mulher que abdicou do nome Loki e se autodenomina Sylvie.

Sylvie teve uma vida ainda mais difícil que a do Loki que conhecemos: ela foi identificada como Variante e removida do seu universo original ainda na infância. Porém, ela deu um jeito de escapar da AVT ao roubar um dos dispositivos que eles usam para se mover pelo espaço-tempo (conhecidos como Temp Pads). Seu objetivo máximo é destruir a AVT e se vingar da vida que lhe roubaram, mas devido a inúmeras situações problemáticas, ela e Loki acabam sendo obrigados a trabalhar em conjunto para escaparem da aniquilação por parte da organização.

Vou dizer pra vocês que o que mais gostei em Loki foi da relação que ele construiu com esses personagens, mais até do que do protagonista. O “nosso” Loki em si, pra mim, brilhou menos do que eu esperava. Na AVT ele tem a oportunidade de assistir ao filme da própria vida e isso faz com que uma chave seja virada em sua mente e ele bruscamente se transforma no Loki que conhecemos em Ultimato. Isso, pra mim, foi um tanto forçado – afinal, um homem que estava no auge da sua vilania se transformou completamente ao ver sua vida em uma tela? Entendo que tenha um apelo forte devido a tudo que ele sofreu, mas o Loki de Ultimato levou 8 anos para chegar naquele estágio de desconstrução, e o espectador acompanhou isso acontecer. Na série, por mais que a AVT não siga as regras do espaço-tempo que conhecemos, ainda assim me pareceu brusca a mudança do protagonista.

Depois dos primeiros dois ou três episódios, que achei mais parados, Loki começa a ter uns plot twists mais interessantes e fui ficando mais animada para descobrir os segredos da AVT. Porém, a season finale veio com um balde de água fria e um excesso de diálogos expositivos que me passou a impressão de que o roteirista correu pra explicar tudo que precisava para pavimentar o terreno para Doutor Estranho 2, que vai focar nessa questão do multiverso. Porém, não posso negar que o carisma de Loki é bastante envolvente e faz você querer assistindo à série. Sua relação de gato e rato com Sylphie também é bacana, exceto quando os roteiristas decidem colocar uma tensão romântica/sexual que me causou o mesmo constrangimento de estar assistindo a uma cena de sexo com minha mãe do lado rs.

Das três séries da Marvel que já saíram no Disney+, considerei Loki a mais fraca. Mas ela traz conceitos importantes para entendermos o que vem pela frente, e vale a pena assistir para matar as saudades do Deus da Trapaça. Não achei genial nem fora da média, mas é um entretenimento legal, com um final BEM mindblowing (adoro!) e que traz de volta um personagem que foi ganhando cada vez mais o coração do fandom ao longo de todos esses anos de MCU. 🙂

Título original: Loki
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Waldron
Elenco: Tom Hiddleston, Owen Wilson, Sophia Di Martino, Gugu Mbatha-Raw

Séries que abandonei #2

Oi meu povo, tudo bem?

Preparados pra mais uma listinha de desistências televisivas? Hoje vim dividir com vocês algumas séries que eu simplesmente aceitei que não tinham mais a ver comigo. Sabem como é… acontece! 🤷‍♀

Please Like Me

Adoro comédias e vi Please Like Me sendo bastante elogiada, mas assisti a uns 3 ou 4 episódios e não demos match. Acho que a personalidade irritante e egoísta do protagonista foi o fator de decisão mais crucial.

La Casa de Papel

Review

Apesar das várias cenas forçadas, como a Tokio invadindo a Casa da Moeda de moto com um monte de policiais ao redor, achei a primeira temporada (dividida em duas pela Netflix) bem legal. Mas pra mim aquele final resolvia, sabem? Senti zero necessidade de continuação e fiquei com muita preguiça quando renovaram.

Shooter

Não sou nada fã de armas e afins, mas meu namorado gosta de filmes de ação e com isso acabei vendo Shooter com ele. Mesmo sem ser um estilo que eu normalmente consuma, a série é bem envolvente porque tem várias reviravoltas e momentos de tensão. Acontece que a série foi cancelada e isso me tirou todo o tesão de seguir assistindo. 😦

How to Get Away With Murder

Adoreeei a primeira temporada e curti a segunda também, mas quando cheguei na terceira eu já tava achando desgastante. How to Get Away With Murder virou muito novelão (pro meu gosto), por isso desisti dela.

The Walking Dead

Essa série já figurou entre as minhas favoritas, mas hoje sequer penso em retomar. The Walking Dead começou a pecar na repetição dos plots toda vez que uma nova ameaça surgia, e isso somado a episódios muito longos foi algo que me desanimou bastante.

O Mundo Sombrio de Sabrina

Review

Pra mim Sabrina foi decaindo da primeira temporada em diante. As situações foram ficando cada vez mais inverossímeis (mesmo pra um universo mágico) e a pegada adolescente foi ficando mais forte – e hoje em dia já não tenho muita afinidade com esse estilo. Quando vi as críticas bem ruins a respeito da series finale, fiquei com menos energia pra conferir a última temporada (na qual parei). Catei uns spoilers, descobri o que acontece e deixei por isso mesmo.

Fleabag

Sei que essa é uma série aclamada, mas vi uns 2 ou 3 episódios e não curti nenhum. Não sei se foi o estilo da série ou o jeito da própria Fleabag (que não me cativou), mas rapidamente decidi que não investiria mais tempo tentando gostar. Abandonei sem dó!

Agora quero saber quais são as séries abandonadas de vocês! 👀
Me contem nos comentários?

Resenha: Arlindo – Ilustralu

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar de já ter visto anteriormente o trabalho da Luiza Souza (mais conhecida como @ilustralu) no Twitter, não fazia ideia do tema da sua webcomic, Arlindo. Porém, já sabia que a história tinha muitos fãs – inclusive rolou um projeto de financiamento coletivo para o livro. Quando a Editora Seguinte me oportunizou a chance de ler, é óbvio que não pensei duas vezes e mergulhei na história desse menino doce, fã de Sandy & Junior e que fala os “ah meu Deus” mais fofos do mundo! ❤

Garanta o seu!

Sinopse: Arlindo é um garoto cheio de sonhos e vontade de encontrar seu lugar no mundo. Tudo o que ele quer é seguir sua vida de adolescente na cidadezinha onde mora, no interior do Rio Grande do Norte. Ele aluga filmes na locadora com as amigas todo sábado, sente o coração bater mais forte pelas primeiras paqueras, canta muito Sandy & Júnior no chuveiro, e ainda cuida da irmã mais nova e ajuda a mãe a fazer doces para vender. Por mais que ele se esforce e dê o seu melhor, muita gente na cidade não aceita Arlindo ― o que traz uma série de problemas na escola e até mesmo dentro de casa. Aos poucos, porém, ele vai perceber que vale a pena lutar para ser quem ele é, ainda mais quando tem tanta gente com quem contar. Com um traço divertido, cores vibrantes e um monte de referências aos anos 2000, esta história em quadrinhos que já conquistou milhares de fãs na internet fala sobre encontrar forças nas pessoas que a gente ama e dentro de nós mesmos.

Arlindo – ou Lindo, como as pessoas mais próximas o chamam – é um adolescente leal aos amigos, gentil com as pessoas e muito cúmplice da mãe, que trabalha fazendo doces. Porém, existe uma face da sua intimidade que o aflige e que ele não consegue revelar: Lindo é um rapaz gay. Vivendo no Rio Grande do Norte e tendo um pai extremamente machista (o próprio estereótipo de “cabra macho”), é comum para o protagonista ouvir comentários negativos sobre outras pessoas que já assumiram sua sexualidade, o que causa um sofrimento constante em seu coração. Ao longo das páginas, o leitor acompanha as aflições de Arlindo e sua transformação enquanto busca se encontrar – no mundo e em si mesmo.

Arlindo é uma HQ que provoca uma identificação imediata em quem cresceu nos anos 2000. Não faltam referências à época, da trilha sonora a hábitos como ir até uma locadora e escolher um filme, por exemplo. Quando Lindo e sua tia cantam Sandy & Junior, o leitor canta junto. Quando Lis, uma das amigas mais próximas do protagonista, coloca “Na Sua Estante” para tocar, a voz da Pitty vem automaticamente à mente. Arlindo nos leva para uma época em que conversar com o crush no MSN depois da meia-noite era uma prática comum, que passávamos menos tempo nas redes sociais e mais tempo de pernas pro ar com os amigos e, é claro, nos faz lembrar de como é ser um adolescente que ainda não sabe muita coisa sobre si mesmo e sobre o mundo.

resenha arlindo ilustralu

Apesar das cores felizes e do traço fofo, existem cenas em Arlindo que são capazes de transmitir com intensidade a dor causada pela homofobia. O que conheço do lado mais machista da cultura nordestina (pelo meu falecido pai, que era de lá) me faz enxergar muitas semelhanças com esse lado da cultura gaúcha (de onde sou) no que diz respeito à masculinidade tóxica. O pai de Arlindo, cujo nome ele passou ao filho (que é Junior), destila seu preconceito sem pensar duas vezes. Quando um amigo gay de Lindo é agredido, seu pai acha que o que aconteceu “foi pouco”. Ele intimida o filho até mesmo quando o menino está ajudando a mãe na cozinha pra que ela não fique sobrecarregada. Esses são exemplos de situações muito reais que inúmeros jovens LGBTQIA+ sofrem diariamente pelo simples fato de serem quem são. Em Arlindo a homofobia é exposta desde suas camadas mais “superficiais” até medidas mais extremas.

Mas, apesar de ter algumas cenas tristes como essas, Arlindo é uma HQ alto astral e que enche o nosso coração de amor. O leitor acompanha de perto Lindo ter seu primeiro crush correspondido e torce pra que tudo dê certo entre eles. O jovem, que nunca tinha revelado esse lado de si, encontra um espaço seguro para trazer seu verdadeiro eu à tona, e isso é muito bonito de ver – além de ser inspirador pra quem possa estar na mesma situação. E a representatividade não termina no protagonista, pois a HQ também tem espaço para outros personagens terem suas questões trabalhadas. Com isso, a história vai avançando para um lugar no qual os personagens conseguem encontrar colo e segurança uns nos outros, substituindo o medo e a solidão por uma sensação de pertencimento.

resenha arlindo ilustralu 2

Arlindo é uma história em quadrinhos linda e acolhedora que fala sobre a coragem de sermos nós mesmos e a busca pelo nosso lugar no mundo. A HQ traz uma mensagem poderosa sobre não ser errado ser quem somos, porque (como diz Amanda, tia de Lindo) “tudo que a gente tem é a gente”. Histórias assim deveriam ser lidas por todos, pra que a empatia prospere e pra que todos tenham o direito de viver a vida plena que merecem. 🌈

Título original: Arlindo
Autora:
Ilustralu
Editora: Seguinte
Número de páginas: 200
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Mostre Seu Trabalho! – Austin Kleon

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de ter adorado Siga em Frente, fiquei com vontade de conferir as outras obras de Austin Kleon. E, já que comecei pelo caminho inverso de leitura, a resenha de hoje é sobre o “livro do meio”, Mostre Seu Trabalho!.

Garanta o seu!

Sinopse: Depois de Roube como um artista, o escritor e artista gráfico Austin Kleon ensina ao leitor como compartilhar sua criatividade e tornar seu trabalho conhecido na era digital. Dividido em 10 capítulos com regras transformadoras e objetivas, citações, exemplos práticos e ilustrações bem-humoradas, Mostre seu trabalho! derruba de vez o mito do “gênio solitário” ao propor atitudes que valorizam o compartilhamento de ideias durante o processo criativo sem medo de ser “roubado”. Para Kleon, a generosidade supera a genialidade no mundo atual, e a capacidade de estar acessível e de saber usar as redes sociais de maneira produtiva, de forma a criar interesse e curiosidade em torno de seus projetos, é mais efetiva para tornar seu trabalho conhecido e relevante do que o desgastado “networking”.

Pra quem não sabe, sou publicitária e trabalho liderando um time criativo, o que faz com que eu pense e reflita frequentemente sobre esse assunto. Além disso, eu mesma já escrevi dois contos e tenho a escrita como companheira desde a adolescência. Por fim, vale dizer que muitas vezes me pego pensando sobre meu papel como propulsora do hábito da leitura, tanto aqui quando no Instagram. Some todos esses elementos e acho que dá pra sacar porque os livros do Austin Kleon, que falam de forma direta, prática e descomplicada sobre o universo criativo me interessam tanto, né?

Pra mim, trabalhar com criatividade é constantemente se questionar sobre a qualidade desse trabalho. Ele é bom o bastante para que as pessoas se importem com ele? E, se não for, eu deveria mostrá-lo pro mundo mesmo assim? Sob o ponto de vista de Austin Kleon, a resposta é sim. Em Mostre Seu Trabalho!, o autor desmistifica aquela ideia de que a criatividade é algo inerente a pessoas geniais, além de tirar o peso de que cada criação seja uma obra-prima. Muitas das coisas que faremos não serão boas, e tá tudo bem. Para Kleon, é muito mais produtivo a gente parar de tentar ser excepcional e focar na construção diária, tijolinho por tijolinho, do nosso trabalho e da nossa criatividade – e não de uma forma isolada, mas dividindo isso com o mundo, inspirando e sendo inspirado(a).

Enquanto Siga em Frente trabalha muito mais a questão da busca pelo propósito e da aceitação de que não somos criativos o tempo todo, Mostre Seu Trabalho! tem esse papel de incentivar os criativos a serem mais vulneráveis, generosos e se exporem mais. Com isso, Austin Kleon provoca o questionamento: quantos projetos já não deixamos de “parir” por receio do que os outros podem pensar?

Vou dividir uma fragilidade recente minha pra servir de exemplo: faz alguns meses que eu lembrei de um dos contos que mencionei no início do post. Ele foi selecionado para uma antologia em 2015, mas na época eu não tinha orçamento pra bancar a publicação. Quando lembrei dele, eu li e gostei bastante do que encontrei nas páginas, o que me fez pensar em publicá-lo de forma independente – ideia apoiada por diversos amigos, inclusive. Mesmo recebendo elogios de quem foi leitor beta, me perguntem se o conto está publicado. Não, porque procrastino cada detalhe em busca de uma perfeição 1) desnecessária e 2) incapaz de ser atingida. Percebem como a autossabotagem nos impede de colocar nosso trabalho no mundo e, consequentemente, aprender com ele?

Eu gostei muito de Mostre Seu Trabalho!, ainda que as dicas de Austin Kleon não tenham ressoado em mim tanto quanto aquelas trazidas em Siga em Frente (que segue como meu favorito). Acredito que tenha a ver com meu mood pessoal e profissional no momento da leitura de cada um dos livros, mas ainda assim me senti encorajada em diversas passagens de Mostre Seu Trabalho!. Ser lembrada de que o processo criativo não é pautado em genialidade, destinado a poucos escolhidos, me tirou um baita peso dos ombros, assim como a leveza de aceitar que nem todo trabalho precisa ser incrível – e tá tudo bem. Espero que essas lições tirem um peso de você também. 😀

Título original: Show Your Work! 10 Ways To Share Your Creativity And Get Discovered
Autor:
 Austin Kleon
Editora: Rocco
Número de páginas: 224
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Review: A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Oi pessoal, tudo bem?

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi um play despretensioso que eu dei na Netflix, mas que me arrancou muitas risadas, me entreteve e também me comoveu. Preparados pra conhecer?

Sinopse: Uma revolta de robôs interrompe a viagem da família. Agora o destino da raça humana está nas mãos dos Mitchells — a família mais estranha do mundo.

A trama tem seu pontapé inicial quando Katie, a filha mais velha dos Mitchell, é aceita para cursar a faculdade de cinema. Empolgada para conhecer pessoas que compartilhem da sua paixão – já que, em geral, ela se sente uma outsider -, Katie não contava com a decisão de seu pai, Rick, de fazer uma viagem de carro em família (em vez de deixá-la ir de avião). A relação dos dois, que no passado era muito cúmplice, está num momento delicado: Katie não sente que seu pai a compreenda, enquanto Rick acha que a filha está distante. Em paralelo a esse plot, temos outro catalisador superimportante que acontece bem longe da road trip: no Vale do Silício, uma convenção de tecnologia comandada pelo gênio Mark Bowman, que inventou a inteligência artificial PAL, anuncia um modelo novo de robôs com tecnologia de ponta; o problema é que Mark descarta PAL como algo ultrapassado, fazendo com que ela decida se revoltar e comandar os robôs, colocando-os contra a humanidade. E é assim, em meio ao caos, que a família Mitchell é pega de surpresa e precisa encontrar não apenas uma forma de fugir e sobreviver, mas também de impedir PAL.

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é produzido pelos responsáveis pelo excelente Homem-Aranha no Aranhaverso, e podemos encontrar algumas similaridades no que diz respeito à arte. Como no filme do Cabeça de Teia, aqui também temos um visual predominantemente 3D, mas cheio de elementos 2D e intervenções interessantes. Isso torna o longa visualmente atrativo e, no meu caso, foi um recurso que prendeu bastante minha atenção. A identidade visual é muito bacana e a atmosfera é muito divertida e imersiva, tornando as quase 2h de duração muito gostosas de assistir.

O filme também acerta em cheio no humor. Além dos quatro membros da família Mitchell (os já mencionados Katie e Rick, mas também Linda, a mãe, e Aaron, o filho mais novo), temos ainda dois robôs comandados por PAL que sofrem uma pane parcial ao serem danificados e acabam se tornando aliados improváveis de Katie e sua família. E todos eles se veem numa posição totalmente inesperada: a de heróis da humanidade. Enquanto PAL comanda os robôs para capturar os humanos, os Mitchell (com o auxílio dos seus novos companheiros inorgânicos) conseguem escapar, e precisam ir até o epicentro da revolta pra desativar a inteligência artificial – caso contrário, todas as pessoas capturadas serão enviadas para o espaço (sim, pra morrer mesmo). E todas as situações que a família passa pra tentar chegar até PAL em segurança são muito engraçadas, assim como as perseguições pela estrada e as interações com outros eletroeletrônicos. Pra fechar com chave de ouro há também o humor sarcástico em torno de um jovem genial que revolucionou a tecnologia e as consequências de suas atitudes. Qualquer semelhança com a realidade pode ou não ser mera coincidência. 😛

Mas meu elemento favorito de A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas não poderia ser outro se não os próprios Mitchell (e seu maravilhoso pug, Monchi). Cada personagem tem uma personalidade marcante e protagoniza cenas engraçadas, por mais que o foco maior seja em Katie e Rick. Linda é uma mulher engraçada e, quando os filhos estão em perigo, reage como uma leoa; Aaron é um irmão mais novo fofíssimo que é tão “esquisito” quando Katie e olha pra irmã com admiração; Rick é um pai zeloso e que ama os filhos, mas que nem sempre consegue demonstrar isso da forma como eles – especialmente Katie – precisam; e a própria Katie é uma jovem criativa e irreverente, mas que também não consegue enxergar os sacrifícios que o pai fez por ela. Com o passar do tempo e com a convivência forçada no carro (somada ao medo da extinção, é claro), os personagens são obrigados a olhar com mais atenção um para o outro, e os laços vão se estreitando. Pra fechar, também adorei como a sexualidade de um dos personagens é trabalhada: de forma totalmente natural e leve.

Resumindo, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi um dos melhores filmes de animação a que assisti recentemente, reunindo em si uma produção de alta qualidade, um enredo divertido e envolvente e personagens muito cativantes. Se você não sabe o que fazer nesse domingo, corre lá na Netflix e dê o play. Prometo que vai valer a pena! 😉

Título original: The Mitchells vs the Machines
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Rianda
Elenco: Abbi Jacobson, Danny McBride, Maya Rudolph, Michael Rianda, Eric André, Olivia Colman

Resenha: Maus – Art Spiegelman

Oi pessoal, tudo bem?

Recentemente eu comprei Maus para dar de presente a um amigo e senti vontade de fazer uma releitura, especialmente porque fazia anos (mais precisamente em 2015) que eu tinha entrado em contato com a graphic novel. Sou da opinião de que, muitas vezes, uma segunda leitura transforma o modo como determinadas obras nos fazem sentir, e posso dizer com tranquilidade que o teor da graphic novel de Art Spiegelman seguiu emocionante pra mim ao narrar a história de seu pai, um sobrevivente de Auschwitz.

Garanta o seu!

Sinopse: Maus (“rato”, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.

Em Maus, vemos duas histórias sendo delineadas: uma delas é a que Vladek Spiegelman, pai de Art, conta ao filho, na qual ele narra fatos importantes de sua vida antes e durante a Segunda Guerra Mundial; a segunda é a convivência dos dois enquanto Art entrevista o pai para a posterior criação dos quadrinhos. E ambas são capazes de provocar emoções, ainda que por motivos diferentes.

Vladek Spiegelman foi um homem polonês e judeu que era bem-sucedido no ramo dos tecidos. Quando ele conhece Anja Spiegelman, os dois não demoram a se apaixonar e se casar. A felicidade parece ficar completa quando o casal engravida e dá à luz o primogênito Richieu, mas a graphic novel vai ganhando contornos sombrios ao nos apresentar a uma depressão pós-parto que acomete Anja e à propagação da ideologia nazista, que aos poucos se aproxima dos Spiegelman.

Por meio do relato de Vladek, o leitor consegue sentir a surpresa dos judeus na Polônia ao observarem os primeiros signos nazistas sendo exibidos no país, assim como os primeiros assaltos de violência que passam a sofrer. Aos poucos eles são expulsos de suas casas para guetos, são destituídos de seus próprios negócios e começam a conviver com a pobreza e a fome. Ao longo das páginas, a sagacidade de Vladek é essencial para que ele e a esposa encontrem bons esconderijos e consigam se proteger dos nazistas, mas inevitavelmente ambos acabam indo para Auschwitz. A história de terror da Segunda Guerra Mundial é amplamente conhecida, então a partir daqui não vou me alongar mais nas situações vividas por Vladek nesse sentido, focando mais nas sensações subjetivas que a leitura me causou.

Um dos aspectos de que mais gostei em Maus é que os personagens principais – especialmente Vladek e Art – têm suas nuances exploradas, ainda que de formas sutis em diálogos e situações corriqueiras. Nos relatos do passado, o leitor se depara com um Vladek perspicaz, determinado, muito resiliente e capaz de tudo para proteger Anja. No presente, vemos Art exasperado ao lidar com um pai idoso, cheio de manias, teimoso e muquirana (sendo que essa última característica chega a ser até mesmo “temida” por Art, por receio de retratar um estereótipo judeu). Essa ruptura da representação de Vladek é muito eficiente em humanizar o personagem e conferir camadas à sua construção de forma a não romantizá-lo apesar de tudo que ele sofreu (uma cena ótima para colocar isso em evidência é aquela em que Vladek demonstra preconceito contra um rapaz negro; seria de se esperar que alguém que foi perseguido pelo mesmo motivo evitasse reproduzir esse erro). Tal abordagem não se aplica somente ao pai, mas também ao filho: não faltam cenas em que Art perde a paciência com Vladek, além de deixar claro em mais de uma ocasião que não tem interesse em passar muito tempo além das entrevistas em sua companhia.

E já que falei em humanização, vale comentar um aspecto que obviamente chama a atenção em Maus: o antropomorfismo. Art Spiegelman usa desse recurso para categorizar alguns personagens: os alemães são gatos, os poloneses são porcos, os estadunidenses são cachorros e, é claro, os judeus são ratos. Por meio dessas analogias, o ilustrador evidencia as relações de poder e expõe a forma como os judeus eram vistos e tratados: uma praga a ser eliminada. O teor das ilustrações também envia uma mensagem: são traços grossos, pesados, com bastante informação – que ficam ainda mais intensos ao retratar cenas cruéis, como judeus enforcados ou pessoas esmagadas em vagões de trem e abandonadas para morrer mais ao final da guerra.

Um fato que me passou pela cabeça ao longo da leitura foi o quanto o elemento sorte esteve envolvido na sobrevivência das vítimas do nazismo. Sem tirar os méritos de Vladek, que era um homem inteligente, astuto e com boas tomadas de decisão, porém outros tantos tiveram comportamentos parecidos, fizeram esforços parecidos, mas infelizmente não atingiram o mesmo resultado. Esse tipo de impotência traz um peso na boca do estômago, especialmente quando a gente se depara com uma trama assim ao viver um momento em que tantas vidas estão sendo perdidas de forma desnecessária e injusta (ainda que por motivos totalmente diferentes, que não cabem a comparação).

Maus é uma graphic novel que vai além de contar a história de um sobrevivente do Holocausto. A trama nos conduz por um processo de rememoração familiar cheio de feridas e de assuntos mal resolvidos que, com o passar das páginas, parece se dirigir para certo nível de cura. E, apesar do tema em si ser pesado e as emoções dos personagens também, há um trecho de que gosto muito e que me traz uma dose de esperança (muito bem-vinda no momento atual): “e eu vi que inferno não é em toda parte. Ainda tinha vida no mundo”. 🙂

Título original: Maus
Autor:
Art Spiegelman
Editora: Quadrinhos na Cia
Número de páginas: 296
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Review: Raya e o Último Dragão

Oi galera, tudo certo?

Faz tempo que não rola um review de animação por aqui, né? Então hoje vamos falar um pouquinho sobre um dos filmes mais recentes da Disney: Raya e o Último Dragão!

Sinopse: Há muito tempo, no mundo de fantasia de Kumandra, humanos e dragões viviam juntos em harmonia. Mas quando uma força maligna ameaçou a terra, os dragões se sacrificaram para salvar a humanidade. Agora, 500 anos depois, o mesmo mal voltou e cabe a uma guerreira solitária, Raya, rastrear o lendário último dragão para restaurar a terra despedaçada e seu povo dividido. No entanto, ao longo de sua jornada, ela aprenderá que será necessário mais do que um dragão para salvar o mundo – também será necessário confiança e trabalho em equipe.

Em um passado longínquo no reino de Kumandra, os dragões eram comuns e responsáveis pela prosperidade dos seres humanos. Porém, o surgimento de criaturas malignas chamadas Druun capazes de transformar aqueles com quem entram em contato em pedra – ameaçam a paz, e os dragões fazem um último esforço para salvar a humanidade. Sem os dragões, Kumandra se dividiu em vários países rivais, que desejam ser os detentores da Pedra do Dragão, uma relíquia deixada pela dragão Sisu no momento em que os Druun foram derrotados. Raya, a protagonista, é uma jovem que carrega um peso em sua consciência: durante um evento pacifista promovido por seu pai, a menina confiou na pessoa errada, Namaari, que tentou roubar a Pedra do Dragão. Essa atitude levou a uma batalha entre os países (Coração, Garra, Presa, Espinha e Cauda), fazendo com que a relíquia fosse partida em vários pedaços, o que culmina no retorno dos Druun e na transformação do pai de Raya (e muitos outros humanos) em pedra. Em sua busca para consertar as coisas, Raya acaba fazendo aliados improváveis e, principalmente, despertando a própria Sisu.

Esse é o contexto de Raya e o Último Dragão e, apesar das criaturas malignas terem dado início à desolação, o filme é muito mais pautado na rivalidade e nas relações humanas. O pai de Raya era um pacifista que acreditava que a união dos países era o melhor caminho para se protegerem do mal. Entretanto, o medo do desconhecido, o egoísmo, a desconfiança e o desejo de proteger os seus tornaram os outros líderes cegos para qualquer caminho diferente do poder. E as consequências disso são mostradas ao espectador: ao chegar na Espinha, por exemplo, Raya encontra um terreno desolado com apenas um único sobrevivente.

Um aspecto muito legal e que torna Raya e o Último Dragão bastante dinâmico é a forma como, a cada local visitado, a garota vai “recrutando” sem querer alguém como aliado. Tudo começa com seu sucesso em despertar Sisu, a única dragão que não foi transformada em pedra. Dali em diante a dupla se une a um pequeno empresário, Boun; ao trio de pilantrinhas composto por três macacos e a bebê Little Noi; e Tong, o guerreiro sobrevivente da Espinha. Apesar de suas personalidades totalmente diferentes, eles compartilham de uma coisa em comum: a perda de entes queridos para os Druun. Isso os motiva a trabalharem juntos em prol do mesmo objetivo, que é resgatar as peças da Pedra do Dragão e usar os poderes de Sisu para trazer as pessoas de volta. 

Ao longo do filme vamos percebendo que a própria Raya se tornou uma pessoa desconfiada. Se na infância ela era inspirada pelo coração e mente abertos do pai, a traição de Namaari deixou uma cicatriz profunda em seu coração. É totalmente compreensível o receio que ela tem de se abrir e tentar o caminho da negociação e da colaboração. Sisu, porém, é uma personagem alegre e cativante, cujo coração aberto pouco a pouco contagia Raya e a inspira a baixar a guarda e repensar seu caminho solitário.

Outro aspecto muito bacana de ser ressaltado é que o mundo fictício de Raya e o Último Dragão é inspirado nos países do Sudoeste Asiático. A cada local que Raya e seu grupo visita temos uma ambientação completamente diferente, o que é ótimo pra combater a ideia de que a Ásia tem apenas uma cultura e uma aparência. A animação é linda e as paisagens também, o que já é de praxe nas animações da Disney.

Raya e o Último Dragão é um ótimo filme de aventura que empolga e entretém. Apesar de ter um tipo de criatura aterrorizante dando o start nos acontecimentos, a trama acerta ao evidenciar que o maior desafio são as próprias fraquezas humanas, e como a colaboração é a peça-chave para vencer dificuldades coletivas. E se tem uma coisa que os últimos dois anos têm nos mostrado é que o individualismo não é uma opção quando um mal atinge a todos, e que a empatia e a cooperação são fundamentais para sairmos vitoriosos de momentos assim. 

Título original: Raya and the Last Dragon
Ano de lançamento: 2021
Direção: Don Hall, Carlos López Estrada
Elenco: Kelly Marie Tran, Awkwafina, Izaac Wang, Gemma Chan, Daniel Dae Kim, Benedict Wong, Jona Xiao, Thalia Tran

Resenha: Nove Desconhecidos – Liane Moriarty

Oi pessoal, tudo bem?

Nove Desconhecidos, da Liane Moriarty, vai ganhar uma adaptação em minissérie pelo Hulu. Como o livro já estava no meu radar, corri pra ler e compartilhar com vocês minhas impressões antes da adaptação (que conta com a presença de Nicole Kidman) estrear. Vamos conhecer!

Garanta o seu!

Sinopse: Nove pessoas se reúnem em um spa bem distante da cidade. A quilômetros da civilização, sem carro nem celulares, elas não têm qualquer contato com o mundo exterior. Apenas tempo para pensarem em si mesmas e se conhecerem melhor. Algumas estão lá para perder peso, algumas para tentar recomeçar a vida, outras por razões inconfessáveis até para elas mesmas. No meio de tanto luxo e mimo, sucos e meditação, todos sabem que vão precisar se esforçar nos próximos dez dias. Mas ninguém é capaz de imaginar o tamanho do desafio.

Antes de iniciar a resenha propriamente dita, tenho um disclaimer importante a fazer: entrei em contato com Liane Moriarty de forma “indireta”, ao assistir e me apaixonar por Big Little Lies (a série de TV). A construção do mistério e, principalmente, dos personagens me encantou completamente. Por isso, resolvi ler O Segredo do Meu Marido, e foi com essa leitura que entendi duas coisas: o foco da Liane Moriarty é o desenvolvimento psicológico dos seus personagens e o mistério em si fica em segundo plano. Ainda assim, ao ler a sinopse do livro, imaginei que encontraria um livro que pudesse focar mais no suspense, mas não é o caso: falar sobre Nove Desconhecidos é falar sobre seus personagens.

Em essência, o enredo é muito simples: nove pessoas com intuitos diferentes compram um pacote de transformação pessoal no spa Tranquillum House. Ele é dirigido por Masha (o papel que Nicole Kidman irá interpretar), uma mulher que abandonou a vida de executiva após uma experiência de quase-morte para se dedicar ao mercado de saúde e relaxamento. A abordagem de Masha, que é apoiada por dois consultores de bem-estar (Yao e Delilah), é pouco ortodoxa, mas a princípio parece inofensiva: celulares são proibidos, há um período de silêncio obrigatório e existem momentos para jejum, por exemplo. Quando a diretora decide colocar em prática uma nova terapia, as coisas ficam mais tensas e, ao que tudo indica, saem de controle.

E quem são os nove desconhecidos? Há Frances, uma escritora em declínio que sofreu um golpe de amor pela internet; a família composta por Napoleon, Heather e Zoe Marconi, que estão no spa para processar um luto; o casal Jessica e Ben, cujo casamento está em crise; Lars, que está tentando fugir da expectativa do companheiro de ter um bebê que ele não deseja; Tony, um antigo atleta de sucesso que se sente estagnado na vida; e Carmel, uma mãe exausta cujo divórcio minou sua autoestima. Os capítulos são narrados em terceira pessoa mas se alternam entre as perspectivas de todos os personagens, e a cada página os conhecemos com mais profundidade. Esse é um traço que gosto bastante no trabalho de Liane Moriarty: ela desenvolve seus personagens aos poucos, desnudando suas camadas e fazendo com que eles se tornem cada vez mais verossímeis e relacionáveis.

resenha nove desconhecidos liane moriarty

Frances é a narradora mais recorrente, sendo uma mulher divertida e carismática, com quem dá vontade de sentar pra beber um drink e jogar papo fora. Além disso, ela é empática e perceptiva, por mais que em alguns momentos as pessoas pensem que não. Sua personalidade efusiva, somada ao fato dela ser escritora de romances, causa certo preconceito por parte de alguns personagens, mas é Frances quem tem alguns dos principais insights necessários para contornar a situação em que Masha os coloca. Além de Frances, me emocionei muito com o plot da família Marconi. A perda de um filho é um tema recorrente e crucial em diferentes momentos da trama. No caso dos Marconi, o processo de cura em relação ao suicídio de seu filho, Zach, é comovente.

E que situação é essa em que Masha coloca seus hóspedes? Não vou dar detalhes pra não estragar a experiência, mas a diretora do spa está convencida de que pode aplicar um novo tipo de tratamento sem o consentimento dos hóspedes. Magnética e eloquente, a diretora da Tranquillum House os incentiva a deixar o ego de lado e mergulhar de cabeça na transformação que ela e sua equipe estão proporcionando. A ironia aqui é que o ego da personagem é o maior que poderia haver entre os presentes no local: ela quer glórias, escrever livros, dar entrevistas. Ela quer gratidão dos hóspedes e se revolta quando não a tem. Em suma, quer reconhecimento. E, para isso, ela assume uma postura autocrática e assustadora.

Como um ponto negativo de Nove Desconhecidos, eu ressaltaria seu tamanho. Como a autora opta por desenvolver de forma mais aprofundada seus personagens, a história em si demora a sair do lugar. E, quando o clímax acontece mais para o final da trama, tudo acaba muito rápido. A conclusão do plot de Masha também não me deixou muito satisfeita, mas não sei dizer se foi por ranço da personagem ou por ter achado meio forçado. Os outros personagens, entretanto, encontraram conclusões suficientes para que suas histórias fossem resolvidas, me deixando satisfeita – e, em alguns casos, emocionada.

Retomo aqui o que disse no início da resenha: Nove Desconhecidos é um livro sobre personagens, não sobre suspense. Se você tiver isso em mente, pode ser uma leitura muito satisfatória pra você. Apesar de eu ter torcido pra encontrar um pouquinho mais de mistério, eu gostei da experiência porque curto personagens bem desenvolvidos. Então, no fim das contas, recomendo a leitura! 😉

Título original: Nine Perfect Strangers
Autora:
Liane Moriarty
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 464
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

TAG: Vou Ler Porque…

Oi pessoal, tudo bem?

Eu vi uma TAG muito legal no blog da Sil e resolvi responder aqui também. Se alguém souber o criador original, me contem nos comentários pra eu creditar também? 😀

1. Vou ler porque tenho há muito tempo:

Compre aqui

Admirável Mundo Novo, que ganhei de presente faz uns 7 anos e ainda não li (mas quero muito!).

2. Vou ler porque me indicaram:

Compre aqui

A Rebelde do Deserto, que vi sendo super elogiado aqui na blogosfera literária. Estou me enrolando um pouquinho, mas juro que uma hora vai rs.

3. Vou ler porque comprei recentemente:

Compre aqui

Faz um tempo que não compro nenhum livro, mas se for válido, pretendo comprar em breve Pelo Amor de Cassandra (o 6º volume da série Os Ravenels).

4. Vou ler porque é um clássico:

Compre aqui

De imediato, não me veio nenhum título à mente. Depois lembrei do meu interesse por Fahrenheit 451, conhecido como um clássico distópico, assim como 1984 (que já li e amo) e Admirável Mundo Novo (que citei na pergunta 1).

5. Vou ler porque amo a adaptação:

Quase sempre fico com preguiça de ler o livro quando confiro a adaptação primeiro. 😦 Então não consegui pensar em nenhuma resposta pra esse item.

6. Vou ler porque a capa é linda:

Compre aqui

Eu recebi recentemente Dormir em um Mar de Estrelas, o novo livro do autor de Eragon. A capa é lindíssima e estou ansiosa pra ler!

7. Vou ler porque preciso continuar a série:

Aqui escolhi Em Guerra, o próximo livro da série A Sétima Torre e também uma das minhas metas de leitura para esse ano.

Gostaram da TAG? Então bora responder também. 🙌
Beijos e boa semana!