Resenha: Sem Coração – Marissa Meyer

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Sem Coração, o primeiro romance avulso de Marissa Meyer, autora das Crônicas Lunares.

sem coração marissa meyerGaranta o seu!

Sinopse: Sem Coração é a história da jovem de 17 anos que sonha em abrir uma confeitaria com sua melhor amiga e empregada, Mary Ann. Mas Catherine é de família nobre, e confeiteira é uma função exercida por meros plebeus. Para realizar seu sonho, Catherine tenta conquistar o rei, enviando para ele macarrons, tortas de limão e outras delícias. O que ela não previa era que o rei se apaixonasse por ela e a pedisse em casamento. E pior: numa das festas no palácio, ela conhece o Coringa, o novo bobo da corte, por quem se apaixona perdidamente. Nasce aí um amor proibido que marcará a vida de Catherine para sempre.

Não sou uma grande fã do universo de Lewis Carroll, apesar de ter lido Alice No País das Maravilhas e Alice Através do Espelho e, também, assistido aos filmes. Por algum motivo, o mundo excêntrico do autor nunca conseguiu me cativar. Ainda assim, Sem Coração consegue agradar quem adora esse universo e também quem não dá tanta bola assim (como eu). Apesar das maluquices do Reino de Copas estarem presentes e de vários personagens icônicos aparecerem, esses aspectos não são o foco da narrativa (como nos livros de Alice), mas sim os sonhos e sentimentos de Catherine, bem como sua trajetória rumo à vilania.

Catherine é a filha do Marquês do Recanto da Pedra da Tartaruga. O sonho de seus pais para seu futuro é que ela seja Rainha, dado o fato de que o Rei parece encantado por ela e está decidido a pedi-la em casamento. Porém, o sonho de Cath é abrir uma confeitaria com sua criada e melhor amiga, Mary Ann. Cozinhar e preparar doces é sua grande paixão e, por mais bondoso que o Rei seja, Cath despreza seu jeito atrapalhado e ineficiente de cuidar do reino. Seus sentimentos ficam ainda mais bagunçados após conhecer o novo bobo da corte, Jest. O Coringa, com seus belos olhos amarelos e jeito misterioso, não demora a conquistar o coração de Cath, que se vê em um dilema sobre que caminho seguir: o dos seus sonhos ou o que seus pais esperam para ela.

Falando em Catherine, ela é uma personagem que me causou múltiplos sentimentos: por um lado, gostei de seu jeito sonhador, sua autoconfiança, sua bondade e gentileza; porém, não dá pra negar: ela foi uma covarde o livro inteiro. Entendo que ela tivesse medo de decepcionar os pais, mas de que adianta ser tão sonhadora se ela não é nada determinada? Em diversos momentos a própria personagem conclui que não impediu o Rei de cortejá-la, não disse o que realmente pensava ou não agiu como deveria. Portanto, “corajosa” definitivamente não é o adjetivo que melhor lhe descreve. E isso causa um certo cansaço, porque vemos Catherine “deixando” as coisas acontecerem sem reagir. De Jest eu gostei, fiquei envolvida em seus mistérios e sua personalidade encantadora. Assim como Cath, Jest tem uma essência doce e gentil (o que fica evidente em seu respeito pelo Rei e pelos sentimentos que o monarca nutre por Cath). Entendo que Cath tenha ficado fascinada por ele, já que o personagem consegue “enfeitiçar” todos ao seu redor.

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É meio triste você começar um livro sabendo seu desfecho, especialmente quando se trata da história de origem de uma vilã. Afinal, por mais esperanças que o leitor possa sentir, você sabe que toda a inocência e bondade da protagonista serão afogadas em algum acontecimento que a transformará na temida Rainha de Copas. O que me deixou mais chateada, nesse caso, é que o acontecimento poderia ter sido evitado se ela não fosse tão teimosa e descrente. Há inúmeras evidências de magia e coisas impossíveis em Copas, mas mesmo assim Cath teima e age contra tudo que lhe foi avisado. Porém, devo admitir que o motivo para tal atitude é nobre, o que redimiu um pouco a personagem aos meus olhos.

Outra questão interessante é o modo como Hatta, o Chapeleiro Maluco, foi construído. Em primeiro lugar, seus sentimentos por Jest são genuínos e, no final, faz todo sentido seu comportamento ao longo do livro. Em segundo lugar, seu medo de encarar seu destino – a perda da sanidade – é palpável, e ele busca de todas as formas escapar disso. Até que o final do livro muda tudo, para todos.

E já que mencionei o final, vale dizer que até a metade do livro eu não estava sendo envolvida pela história. Marissa Meyer narra MUITO bem, mas a trama em si não estava conseguindo me prender. Basicamente, nada acontecia: Cath e Jest flertavam, ela ficava indecisa e se acovardava. O mistério sobre Sir Peter e sua esposa (um casal super estranho, com atitudes suspeitas) me deixava mais curiosa do que a trama de Cath, apesar do plot previsível. Entretanto, no terço final do livro as coisas ganham ritmo. Cath passa a agir mais e, junto de Jest, toma atitudes ousadas em nome do próprio futuro e felicidade. As cenas de ação que ocorrem a partir disso são muito boas, e o desfecho de certos personagens conseguiu me deixar com os olhos marejados.

Sem Coração demorou a engrenar e me conquistar mas, no geral, foi uma boa experiência. Adorei o modo de Marissa Meyer de contar histórias (e fiquei com vontade de ler as Crônicas Lunares, inclusive). Apesar do tom fatalista inerente de qualquer história de origem de um vilão, Sem Coração consegue mostrar que a temida Rainha de Copas já teve sonhos, gentileza e amor. O problema é que, quando tudo lhe é tirado, seu coração já não serve pra mais nada. Vale a leitura! 😉

Título original: Heartless
Autor: Marissa Meyer
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 416
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.
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Dica de Série: Sherlock

Oi gente, tudo bem?

Muita gente já conhece, mas eu não poderia deixar de falar sobre uma das séries de que mais gosto aqui no blog (e indicar pra quem não viu, é claro!): Sherlock.

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Sinopse: O Dr. John Watson precisa de um lugar para morar em Londres. Ele é apresentado ao detetive Sherlock Holmes e os dois acabam desenvolvendo uma parceria intrigante, na qual a dupla vagará pela capital inglesa solucionando assassinatos e outros crimes brutais. Tudo isso em pleno século XXI.

A versão da BBC de Sherlock traz as clássicas histórias de um dos detetives mais famosos da literatura para o século XXI, modernizando a trama e os personagens. Temos um Sherlock excêntrico e genial (interpretado pelo meu queridinho Benedict Cumberbatch) e um Watson leal e deslumbrado com as habilidades dedutivas do colega de apartamento (interpretado pelo carismático Martin Freeman).

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As temporadas são curtas, compostas de três episódios longos (de cerca de 1h30 de duração). Cada um deles adapta um livro ou história de Sherlock Holmes, mas o tema principal da temporada está todo costurado. Em Sherlock, vemos aventuras clássicas como Um Estudo em Vermelho, O Cão dos Baskerville e O Signo dos Quatro reimaginadas para o nosso tempo, apesar de contar com todo o brilhantismo e extravagância do detetive. ❤

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A produção da série também é fantástica. Os figurinos combinam com os personagens (até o chapéu clássico faz sua aparição!) e a ambientação londrina é apaixonante. Sherlock é uma série de grande qualidade técnica, e isso se aplica também às excelentes atuações. Sinceramente, pra mim não há versão melhor do Sherlock que a de Benedict Cumberbatch. Os trejeitos do personagem e sua inteligência acima da média são muito bem retratados. Entretanto, a série transforma Sherlock em uma figura mais arrogante e grosseira do que me recordo em relação aos livros; porém, mesmo com esses defeitos, Cumberbatch consegue deixá-lo carismático. Também tenho simpatia pelo Watson de Martin Freeman, apesar de achá-lo submisso e conformado (diferente de sua contraparte literária). 🤐 A relação entre os dois – sua amizade cheia de altos e baixos – também tem grande importância durante a trama.

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Apesar da 4ª temporada da série ter decaído um pouco em relação às anteriores, Sherlock é uma série que recomendo de olhos fechados. Talvez não exista uma nova temporada (em função das agendas lotadas dos atores), e a série termina de modo que não precisa necessariamente de uma renovação, o que me deixou satisfeita (já que eu odeio séries que são interrompidas abruptamente, com um gancho no final). Em suma, Sherlock é uma série incrível e vale a pena ser vista, seja você fã ou não de um dos detetives mais notórios da ficção. 🙂

Título original: Sherlock
Ano de lançamento: 2010
Criadores: Steven Moffat, Mark Gatiss
Elenco: Benedict Cumberbatch, Martin Freeman, Mark Gatiss, Rupert Graves, Amanda Abbington, Una Stubbs, Andrew Scott

Resenha: A Herdeira da Morte – Melinda Salisbury

Oi gente, tudo certinho?

O post de hoje é sobre A Herdeira da Morte, o primeiro volume de uma trilogia de fantasia escrita por Melinda Salisbury. 🙂

a herdeira da morte melinda salisbury.pngGaranta o seu!

Sinopse: Twylla tem 17 anos, vive num castelo e, embora seja noiva do príncipe, não é exatamente um membro da corte. Ela é o carrasco. Primeiro de uma surpreendente série de fantasia, Herdeira da Morte conta a história de uma garota capaz de matar instantaneamente qualquer pessoa que ela toca. Até mesmo seu noivo, cujo sangue real supostamente o torna imune ao toque fatal de Twylla, evita sua companhia. Porém, quando um novo guarda chega ao castelo, ele enxerga a garota por trás da Deusa mortal que ela encarna, e um amor proibido nasce entre os dois. Mas a rainha tem um plano para acabar com seus inimigos, e eles incluem os dons de Twylla. Será que a jovem se manterá fiel a seu reino ou abandonará tudo em nome de um amor condenado?

Twylla é a Daunen Encarnada. Basicamente, isso quer dizer que ela é a reencarnação da filha de dois deuses, Daeg e Naeht (Sol e Lua, respectivamente), e deve servir como fonte de esperança ao reino de Lormere. Mas suas funções vão além de orar, cuidar do templo e ser a futura esposa do príncipe: ela é também o carrasco da corte. Por ser a Daunen Encarnada, ela é a única capaz de sobreviver ao pior veneno do reino, a Praga-da-Manhã, e esse veneno fica impregnado em sua pele – tornando-a capaz de matar com um simples toque. Acostumada a viver isolada e sem nenhum contato humano, Twylla vê sua rotina mudar com a chegada de um novo guarda, Lief: um rapaz jovem, curioso e impulsivo, que a trata sem cerimônias e conversa com ela como igual. Twylla precisa então decidir entre seus sentimentos e seus deveres para com o reino.

A Herdeira da Morte tinha tanto potencial: uma garota com a capacidade de matar, uma rainha odiosa e controladora, uma corte cheia de segredos, uma mitologia bastante rica… Infelizmente, a maior parte da trama não explora esses elementos. Para começar, o livro demora bastante a engrenar, e os acontecimentos relevantes começam a ocorrer lá pela metade da trama. Eu até relevei essa questão, já que os primeiros livros de séries de fantasia costumam ser mais descritivos e introdutórios, mas não posso negar que essa característica fez com que a leitura demorasse a “pegar no tranco”. Entretanto, devo elogiar a capacidade de Melinda Salisbury de criar a ambientação do seu universo, dando aos poucos as informações que foram moldando o mundo fictício onde a história se passa. O problema maior nesse livro foi… o casal.

Eu comecei a leitura achando a proposta super interessante, especialmente devido à mitologia criada pela autora. Mas a verdade é que faltou carisma nos personagens. Twylla não chega a ser irritante, mas está longe de conquistar o leitor. Eu consigo compreender sua personalidade mais fechada, especialmente por carregar a culpa de ser a carrasca do reino, mas a grande questão é que a personagem não brilha. Ela não luta pelo próprio destino, ela não toma decisões, ela permanece estagnada. Lief, por outro lado, é um tanto forçado. A relação entre eles é construída às pressas, e basta apenas um mês para que ambos estejam apaixonadíssimos e fazendo juras de amor eterno. Acho que estou ficando velha, por isso não cola mais pra mim. 😛

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Merek, o príncipe e terceiro elemento do triângulo amoroso, começa como um personagem misterioso e interessante, mas no fim não é nada além de patético e digno de pena. Porém, apesar dos “mocinhos” serem esquecíveis, temos uma vilã bem digna, com uma vibe meio Cersei Lannister/Rainha Má: maldosa, ambiciosa, egoísta e louca. Ela é cruel apenas pelo prazer de ser cruel. O problema? Ela SOME durante METADE do livro! Enquanto o romance se desenrola, a autora cria uma desculpa meio furada para o sumiço da rainha, que deixa de ser uma ameaça real durante boa parte da trama. Que desperdício!

Os plot twists do final conseguem manter o leitor interessado, mas em contrapartida são bem nonsense e, até certo ponto, clichês. A trama do Príncipe Adormecido (uma das lendas que fazem parte da mitologia de Lormere) ganha espaço DO NADA e o leitor fica “ué”. E o epílogo? Não sei até agora o que senti a respeito. Por um lado, foi bacana ver Twylla tomando as rédeas da própria vida; por outro, fiquei insatisfeita com tantas coisas importantes em aberto.

Eu terminei A Herdeira da Morte com sentimentos confusos. De modo geral, não gostei das decisões de Melinda Salisbury para o desenvolvimento da história. Por outro lado, achei muito rico e interessante o universo criado por ela, cheio de mitos e lendas instigantes. Sabe quando um livro tem muito potencial e você fica triste porque ele não foi bem explorado? Pois é. 😦

Título Original: The Sin Eater’s Daughter
Série: A Herdeira da Morte
Autor: Melinda Salisbury
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Review: Sexy Por Acidente

Oi pessoal, tudo bem?

Estou bem louca das comédias românticas ultimamente, então hoje vim falar sobre mais uma que eu conferi nas últimas semanas: Sexy Por Acidente.

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Sinopse: Renee (Amy Schumer) convive diariamente com insegurança e baixa autoestima por conta de suas formas físicas. Depois de cair e bater a cabeça numa aula de spinning, ela volta a si acreditando ter o corpo que sempre sonhou e assim começa uma nova vida cheia de confiança e sem medo de seguir seus desejos.

Renee trabalha no departamento digital de uma grande marca da indústria cosmética feminina. Tendo como escritório um porão apertado e como colega um cara super ranzinza, o maior sonho de Renee é virar recepcionista no prédio principal da marca. Entretanto, seus problemas de autoestima – que envolvem principalmente seu corpo, considerado acima do peso – fazem da protagonista uma mulher bastante insegura. Contudo, em uma aula de spinning, um acidente faz com que ela bata a cabeça e… tudo muda!

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Em primeiro lugar, preciso elogiar a atuação da Amy Schumer. Que atriz engraçada e carismática! Após Renee bater a cabeça, sua visão se transforma e ela passa a enxergar a si mesma como uma mulher deslumbrante, de corpo escultural. Mas o maior acerto do filme é manter Amy Schumer no papel, em vez de substituí-la para mostrar o que Renee está enxergando. É justamente essa decisão que 1) torna tudo tão engraçado, porque a personagem segue a mesma, mas muda totalmente de postura e 2) evidencia justamente como a única coisa que faltava em Renee não era uma aparência de top model, mas sim autoconfiança. E assistir Renee flertando sem medo, dançando sem nenhuma vergonha e falando sobre seu próprio corpo escultural enquanto as pessoas ao redor ficam “ué, por que ela tá agindo assim do nada?” é engraçado demais.

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Ao longo da trama, a recém-adquirida autoconfiança de Renee faz com que a personagem alce voos cada vez mais altos. Creditando todas essas conquistas apenas a seu novo corpo, a personagem acaba deixando parte de sua personalidade para trás, o que a afasta das pessoas próximas e a distancia de sua verdadeira essência. Entretanto, como todo bom clichê de comédia romântica, Renee precisa enfrentar esses dilemas e entender quem ela é de verdade: uma mulher interessante, engraçada e bonita do jeito que ela é. Suas conquistas não são originadas de uma beleza irrefutável e óbvia, mas sim do conjunto de características que a tornam única.

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Sexy Por Acidente tem muitas cenas engraçadas e trata de um ponto muito importante: a autoestima feminina e a cobrança excessiva por padrões. É possível ser bonita e feliz sem necessariamente ter um corpo de modelo da Victoria’s Secret. Existem diversos fatores que nos fazem quem somos, e o corpo é apenas um deles. Lição válida e sempre necessária! 😉

Título original: I Feel Pretty
Ano de lançamento: 2018
Direção: Abby Kohn, Marc Silverstein
Elenco: Amy Schumer, Michelle Williams, Rory Scovel, Busy Philipps, Aidy Bryant, Tom Hopper

Dica de Série: O Mundo Sombrio de Sabrina

Oi meu povo, tudo bem?

Pra comemorar o Dia das Bruxas, nesta edição da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da AleCaverna LiteráriaA Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) decidimos escolher entre duas séries que têm tudo a ver com a data: A Maldição da Residência Hill ou O Mundo Sombrio de Sabrina.

uma amiga indicou

Eu sou SUPER medrosa e, apesar dos elogios à Residência Hill, não tive coragem de assistir. Somado isso ao fato de que eu estava looouca para conferir o remake de Sabrina, bom… resolvi unir o útil ao agradável. 😛

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Sinopse: Bruxa e também mortal, a jovem Sabrina Spellman fica dividida entre a vida normal de adolescente e o legado de sua família feiticeira.

Quando eu era criança, lembro de gostar de Sabrina, Aprendiz de Feiticeira, mas confesso pra vocês de que mal me lembro da história. Por isso, pude assistir a O Mundo Sombrio de Sabrina com a mente totalmente aberta, sem comparações ou expectativas, o que foi ótimo! Adorei o clima macabro, a ambientação sinistra e o cast maravilhoso!

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Sabrina é uma jovem prestes a completar 16 anos que se vê dividida entre dois mundos: ela é metade bruxa, metade mortal. No seu aniversário, ela deverá passar pelo Batismo das Trevas, de modo a entrar para a Academia de Artes Ocultas, onde desenvolverá sua magia e servirá ao Senhor das Trevas (aka Satã). Para isso, entretanto, ela deverá abrir mão de sua vida mortal, ou seja, de seu namorado e suas melhores amigas. Obviamente, Sabrina entra em um conflito frente a tal decisão, optando por não seguir tal caminho – o que causa muito alvoroço na comunidade bruxa.

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Meu primeiro comentário sobre a série é: A PROTAGONISTA É A CARA DA HERMIONE. Reparem! E o namorado de Sabrina, Harvey, é a cara do Tate (American Horror Story). São muitos doppelgangers nessa série, socorro. 😂 Dito isso, preciso elogiar a performance do elenco. Eu adorei cada personagem de seu próprio modo, e todos eles têm uma personalidade bem marcante, com tempo de tela suficiente para que possamos conhecê-los. Sabrina é obstinada, justa, teimosa e empoderada; ela luta pelos direitos das mulheres, pelo fim do bullying na escola e em momento nenhum incentiva briguinhas entre garotas (mesmo aquelas que a provocam). Porém, como toda adolescente, ela toma decisões impulsivas e acaba pecando por sua ingenuidade. Harvey é o namorado fofo que toda garota gostaria de ter. Suas amigas, Ros e Susie, fogem dos padrões estéticos (Ros é negra e tem um black power maravilhoso e Susie é interpretada por um ator não-binário, tendo ainda um plot de transexualidade).

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As tias de Sabrina, Hilda e Zelda, bem como seu primo, Ambrose, também são cativantes e brilham em diversos momentos. Fiquei surpresa com a atuação de Miranda Otto como uma Zelda controladora e rígida, especialmente por só tê-la visto atuando como Éowyn. Os personagens da Igreja da Noite também são interessantes e, até certo ponto, assustadores: o Padre Blackwood e a “Sra. Wardwell”, por exemplo, nos intimidam porque sabemos que eles escondem segredos envolvendo seus planos para Sabrina.

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A estética da série é incrível. Parece meio anos 90 mas, ao mesmo tempo, existem smartphones. Os figurinos são retrô, mas os pensamentos e diálogos são condizentes com nosso momento social atual. Acredito que foi uma estratégia da série para manter uma ideia de atemporalidade, anacronismo. Seja como for, eu gostei. 😀 A série também arrasa nos cenários (o casarão das Spellman é digno de uma história de bruxas!) e fotografia, apostando em tons escuros e sombras para criar uma ambientação mais macabra. A única coisa que me desagradou bastante foram os constantes blur nas cenas, normalmente nas que envolviam feitiços ou coisas sobrenaturais. Me sentia míope assistindo!

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Apesar de falar em rituais satânicos, ocultismo, demônios, bruxaria e afins, não acho que O Mundo Sombrio de Sabrina se enquadre como uma série de terror propriamente dito. Ela equilibra muito bem as cenas mais aflitivas com certo bom humor e ironia, o que colabora bastante para não deixar o tom tão pesado. Algumas cenas são tensas, sim, mas se mesmo eu (que sou medrosa) consegui assistir de boa, acho que você também consegue. Na verdade, o estilo de “medo” que senti em O Mundo Sombrio de Sabrina me faz recordar de Stranger Things. É de boas, juro! 😉

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O Mundo Sombrio de Sabrina é uma série cativante. Apesar dos episódios longos (não curto muito quando eles têm mais de 50 minutos), o carisma dos personagens – em especial de sua protagonista – envolve o espectador, e a trama cheia de mistérios e reviravoltas também faz com que você queira assistir um episódio atrás do outro. Por fim, a série aborda diversas questões relevantes (como o feminismo e a identidade de gênero) de modo natural e preciso. E, se pensarmos bem, a história da bruxaria está totalmente conectada à história das mulheres, não é mesmo? Uma série atual, divertida e envolvente. Recomendadíssima! 😉

Título original: Chilling Adventures of Sabrina
Ano de lançamento: 2018
Criador:Roberto Aguirre-Sacasa
Elenco: Kiernan Shipka, Miranda Otto, Lucy Davis, Ross Lynch, Chance Perdomo, Michelle Gomez, Richard Coyle

Review: Com Amor, Simon

Oi pessoal, como estão?

Demorei, mas finalmente assisti ao fofíssimo Com Amor, Simon! ❤

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Sinopse: Aos 17 anos, Simon Spier (Nick Robinson) aparentemente leva uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: nunca revelou ser gay para sua família e amigos. E tudo fica mais complicado quando ele se apaixona por um dos colegas de escola, anônimo, com quem troca confidências diariamente via internet.

Simon tem uma vida praticamente normal: tem pais amorosos, uma irmã mais nova de quem ele gosta, amigos incríveis e uma rotina confortável. O problema é que ele esconde um segredo: ele é gay. Tentando entender como se sente, Simon não tem coragem de contar a ninguém (nem mesmo a Leah, sua melhor amiga desde os 4 anos) a respeito disso. Até que, em uma página da escola, um aluno admite sua homossexualidade em uma postagem anônima – sob o pseudônimo de Blue –, o que inspira Simon a criar um e-mail secreto para entrar em contato com ele.

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Existem dois fatores centrais que movem a trama de Simon: o primeiro deles é a chantagem que o rapaz sofre por parte de Martin, um colega de escola apaixonado por uma das amigas do protagonista. Para que seus e-mails com Blue não sejam espalhados pela escola, Simon aceita “dar uma de Cupido”, o que resulta em diversas mentiras e mágoas pelo percurso. O segundo ponto são os diálogos entre Simon e Blue: é muito fofo ver Simon se apaixonando e a química entre os dois rolando solta. E, é claro, as cenas em que Simon tenta adivinhar quem é Blue (projetando suas expectativas em cada possível candidato que vai surgindo) são muito engraçadas.

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Com Amor, Simon trata a homossexualidade com muita naturalidade, do jeito que deve ser. O romance é tão bem desenvolvido quanto em qualquer comédia romântica heterossexual, e o espectador shippa e torce para que Simon e Blue tenham uma chance de ficar juntos. Além disso, o filme também mostra como, em pleno século XXI, existem pessoas babacas prontas a julgar e a debochar de quem é diferente. Contudo, apesar dessas cenas existirem, Com Amor, Simon é bastante leve nesse sentido: o rapaz não sofre problemas com a família ou preconceitos mais graves – o que, infelizmente, ainda está longe da realidade da maioria dos jovens da comunidade LGBT. Por outro lado, quem disse que todos os filmes que tratem da homossexualidade precisam ter um viés mais pesado? Vale lembrar que a proposta do longa é ser uma comédia romântica fofa mesmo, e não uma trama mais reflexiva e dramática. Além disso, é muito bacana ver filmes voltados ao público jovem que falem da descoberta do amor e da sexualidade de modo tão tranquilo e positivo. ❤

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Com Amor, Simon tem ótimos personagens, atuações cativantes e um romance pelo qual vale a pena torcer. É um daqueles filmes que te deixa sorrindo e com o coração quentinho quando termina. Adorei e recomendo! ❤

Título original: Love, Simon
Ano de lançamento: 2018
Direção: Greg Berlanti
Elenco: Nick Robinson, Katherine Langford, Alexandra Shipp, Logan Miller, Jorge Lendeborg Jr., Keiynan Lonsdale, Jennifer Garner, Josh Duhamel

Resenha: Vocação Para o Mal – Robert Galbraith

Oi gente, tudo certo?

Terminei o livro mais recente (publicado no Brasil) da série Cormoran Strike, Vocação Para o Mal, e hoje vim contar pra vocês minhas impressões sobre ele.

vocação para o mal robert galbraithGaranta o seu!

Sinopse: Quando um pacote contendo a perna decepada de uma mulher é entregue a Robin Ellacott, seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, suspeita de quatro pessoas de seu passado que poderiam ser capazes de tamanha brutalidade. Mas quando a polícia foca no suspeito que Strike tem cada vez mais certeza de que não é o criminoso, ele e Robin precisam correr contra o tempo para descobrir a verdade. Depois de O chamado do Cuco e O bicho-da-seda, o terceiro romance da aclamada série escrita por Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling, é um suspense inteligente, com reviravoltas inesperadas a cada página, e também a emocionante história de um homem e de uma mulher numa encruzilhada em suas vidas pessoais e profissionais.

Após a resolução de dois casos com grande destaque na mídia, Strike finalmente pode respirar mais tranquilamente, sabendo que as finanças estão ficando em dia e que o escritório prospera. Robin também está exultante nesse volume, após finalmente ter realizado o curso de contravigilância pago por Strike. Entretanto, a calmaria é interrompida quando Robin recebe uma encomenda destinada a ela: em vez das esperadas câmeras descartáveis (para o casamento com Matthew), o que a jovem recebe é uma perna decepada.

Vocação Para o Mal é interessante especialmente porque, nesse caso, existem motivações pessoais contra Strike. De imediato, após o recebimento da perna, o detetive já faz uma lista de homens em seu passado que teriam bons motivos para querer destruí-lo: Jeff Whittaker (ex-marido de sua mãe, que Strike acredita tê-la matado), Noel Brockbank (ex-soldado e pedófilo em quem Strike causou lesão cerebral) e Donald Laing (também ex-membro do Exército, colocado atrás das grades por Strike). Todos os homens têm um grande histórico de violência, que os tornam perfeitamente capazes de terem cometido tal atrocidade. Entretanto, a maior fonte de preocupação de Strike é Robin.

A parceira de Strike vive um turbilhão de emoções nesse livro. Além de ter recebido a perna, ela descobre algo sobre o noivo, Matthew, que a deixa completamente desestabilizada. São nessas circunstâncias que ela conta a Strike o que aconteceu para que ela tivesse tido agorafobia e largado a faculdade de Psicologia. Ao descobrirmos mais sobre o passado de Robin, não apenas entendemos algumas de suas escolhas de vida como também a admiramos ainda mais por sua força e sua coragem. Robin é um mulherão da porra (e merecia mais que o embuste do Matthew). Não sei como me sinto sobre um possível envolvimento romântico dela com Strike nos livros (porque na série eu shippo loucamente, em função da química dos atores) mas, se isso acontecer no futuro, vai ser de maneira natural, já que o autor construiu a relação de confiança dos dois ao longo dos três livros.

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Minha crítica a esse volume permanece a mesma dos anteriores: Robert Galbraith enrola demais! Existem cenas que podem ser facilmente classificadas como fillers, não existindo necessidade de estarem ali. Se o autor fosse um pouco mais direto – mesmo para dar as várias pistas (verdadeiras e falsas) – o livro fluiria muito melhor. Confesso que esse aspecto da escrita de Robert Galbraith está me deixando um pouco apreensiva para o seu novo livro, Lethal White (lançado em setembro no Reino Unido), que tem mais de 600 páginas. Se grande parte delas forem encheção de linguiça, ficarei bastante decepcionada. 😦 A conclusão do livro não foi tão impactante quanto nos volumes anteriores, pois já sabemos quem são os suspeitos e que eles são odiosos. Não é como se fosse uma surpresa descobrir que qualquer um era um assassino, sabem? Nesse sentido, O Chamado do Cuco ganha disparado, tendo o melhor desfecho da série até agora.

Vocação Para o Mal foi um livro muito bacana para desenvolver a dupla de detetives, mas pecou um pouco no mistério em si. A resolução do caso foi arrastada e o final não surpreendeu, o que é um pouco decepcionante em livros policiais. Entretanto, eu gosto demais de Strike e de Robin e curti muito ver suas emoções e pensamentos em destaque. Não foi o melhor livro da série, mas não chegou a decepcionar. 😉

Título Original: Career of Evil
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 496
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.