Resenha: Você É Fodona – Jen Sincero

Oi pessoal, tudo bem?

Recebi como parte de uma ação de divulgação da Editora Rocco Você É Fodona, um livro de autoajuda de Jen Sincero que promete colocar o leitor no controle da própria vida e ajudá-lo a conquistar seus objetivos. Mesmo não sendo um gênero do qual eu goste, pensei: por que não? E agora bora que vou contar pra vocês o que achei. 🙂

jen sincero voce é fodonaGaranta o seu!

Sinopse: Mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo. Neste divertido livro, a autora nº 1 de best-sellers do The New York Times e coach de sucesso, Jen Sincero, oferece capítulos curtos, cheios de histórias hilariantes e inspiradoras, conselhos sábios, exercícios fáceis e palavrões ocasionais. Mostrará como criar uma vida que você ama totalmente, e como criá-la agora.

Eu tenho uma resistência fortíssima à ideia de coaches. Em geral, acredito que a maior parte deles ganha dinheiro com frases prontas e repetidas à exaustão. Por isso, sempre que pego um livro de autoajuda, eu inicio a leitura com desconfiança, e o livro precisa provar que vale a mudança de opinião. Não foi diferente com Você É Fodona, cujo título vergonha alheia já me causou um certo… receio. E em diversos pontos a obra acabou reforçando minha opinião pré-concebida. Felizmente, algumas partes foram capazes de gerar uma reflexão positiva, e vou concentrar os próximos parágrafos em prós e contras da leitura.

Jen Sincero inicia o livro explicando que temos a consciência (que determina o que queremos fazer) e a inconsciência (o que foi incutido na gente sem percebermos). A partir da inconsciência surgem o que ela chama de crenças limitantes – conceito que eu, particularmente, não comprei. Para Jen Sincero, são essas crenças que nos impedem de avançar e atingir nossas metas, e ao longo dos capítulos ela discorre sobre formas de superar esse obstáculo. Gostei que ela fala sobre o perigo das piadas autodepreciativas, que minam a nossa autoconfiança e são uma repetição de impressões negativas a respeito de nós mesmos. Jen Sincero incentiva que sejamos capazes de aceitar os elogios de coração aberto, sem decliná-los. Eu pessoalmente sou uma pessoa que fico bastante sem jeito com elogios, e de uns tempos pra cá tenho tentado me acostumar à ideia de recebê-los e, principalmente, acreditar neles.

Outro conteúdo interessante do livro diz respeito a sermos mais gentis com nossos erros. Esse tema também conversou diretamente comigo, porque sou alguém cuja autocobrança é elevadíssima. Ao aceitar a nossa falibilidade, a gente entende que tá tudo bem tentar algo pela primeira vez e não necessariamente se sair bem nisso, afinal, o erro também faz parte do aprendizado. Por fim, outro conceito bacana abordado pela autora diz respeito à procrastinação: muitas vezes deixamos de cumprir uma tarefa ou objetivo por esperar que saia tudo 100% perfeito, o que é basicamente impossível. Ela sugere então que as tarefas sejam divididas em objetivos menores, de forma que cada passo seja mais factível, não parecendo uma tarefa hercúlea que cause a procrastinação por puro medo de tentar.

resenha você é fodona

E do que eu não gostei? Bom, a começar pela gama de assuntos que Jen Sincero aborda. Ela fala sobre tantas áreas da vida (carreira, dinheiro, vida amorosa) que parece que nenhum conselho é aprofundado o bastante, sabem? Além disso, faltam exemplos pessoais que justifiquem as dicas – afinal, por que eu acreditaria na autora se ela quase não tem situações reais para provar que aquilo funciona? Acredito que a falta de exemplos, somada a um milhão frases de efeito piegas, foi um dos maiores responsáveis pela minha desconexão com a leitura.

Outra abordagem que não colou comigo diz respeito à vibração dos pensamentos. Segundo Jen Sincero, precisamos emitir a vibração certa ao Universo pra atrair coisas positivas, e para que algo se torne realidade você primeiro precisa acreditar que aquilo é verdade. Com todo respeito a quem acredita nisso mas, pra mim, simplesmente não dá. Considero isso o suprassumo do papo de coach e ainda culpa você por estar atraindo porcaria pra sua vida, sem considerar os diversos fatores externos que podem atravancar o caminho – incluindo privilégios. Isso fica ainda mais grave quando ela começa a falar de prosperidade financeira: os conselhos dela não poderiam ser mais desconectados da realidade, afirmando que “se você sintonizar sua energia à abundância do Universo, você será recompensado” ou, ainda pior, ela exemplifica com o fato de ter comprado um carro caro em vez de um carro barato porque isso deu o sinal necessário para o Universo compreender que ela tava pronta pra prosperar. Bah, apenas não. Eu acredito que sim, precisamos arregaçar as mangas e correr atrás dos nossos objetivos, mas compreendo também que existem muitos fatores envolvidos em fazer um objetivo dar certo ou não: falta de grana, falta de acesso a determinados espaços, desigualdade social… Enfim, já deu pra entender meu ponto, né? Por fim, não posso evitar dizer que as escolhas de analogia dela não poderiam ser mais bregas. Ela se refere ao ego como Grande Dorminhoco, por exemplo… Simplesmente constrangedor.

Em suma, Você É Fodona foi capaz de dialogar com alguns aspectos que eu venho tentado trabalhar em mim mesma há algum tempo. Mas, honestamente? O mérito tá na terapia rs. Alguns conselhos são legais, a intenção é boa, só que pra mim não funcionou. Por isso, não é um livro que eu recomendaria diretamente mas, se a proposta chama a sua atenção, vá em frente. 😉

Título original: You Are a Badass
Autor:
Jen Sincero
Editora: Rocco
Número de páginas: 272
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

O que eu achei do final de Dark

Oi pessoal, tudo bem?

Uma semana e meia depois da estreia, já podemos falar sobre o final de Dark, né? A aclamada série alemã da Netflix chegou à sua última temporada e, mesmo antes de ser disponibilizada, a crítica já a elogiava como uma verdadeira obra-prima. Obviamente meu hype não poderia estar maior, né? Maratonei a série no fim de semana de estreia e agora vim contar pra vocês o que achei do final. Portanto, obviamente esse post está cheio de spoilers. 😉

As árvores genealógicas fizeram todo mundo de trouxa

final de dark

Sim, gente: todo o esforço que fizemos pra saber quem era parente de quem ao longo das idas e vindas temporais foi inútil, falando grosseiramente. No fim das contas, essas conexões pouco tinham a ver com a resolução do problema central (encontrar e acabar com a origem do loop), sendo mais consequência do que causa, já que tais incestos e relações só foram possíveis pelo apocalipse. Quem mais sentiu que fez papel de trouxa levanta a mão! o/

Temporada arrastada, episódio final corrido

final de dark (5)

A terceira temporada de Dark investe muito tempo em nos apresentar o mundo alternativo, de onde vem a Martha 2 que salva Jonas no episódio final da temporada anterior. Ficam claros os diversos paralelos, ainda que Jonas não exista no segundo mundo, e a série mostra na prática que o loop sempre encontra uma forma de acontecer. A inevitabilidade do apocalipse é algo que vinha sendo trabalhado há bastante tempo, então esses paralelos fizeram todo o sentido. O problema maior reside no episódio final: somos apresentados a um conceito novo, de um terceiro mundo, que originou as duas dimensões de Jonas e Martha 2. Apesar da existência desse terceiro mundo não ser completamente nonsense – afinal, a triquetra foi o elemento principal do Sic Mundus e da série –, o que espanta é que ele seja apresentado só no último episódio. Com isso, temos apenas 1h pra entender esse conceito, acreditar que ele é o caminho para acabar com a origem e ainda conferir o resultado de todo esse esforço. Achei corrido. :/

Jonas confiando no Adam como se nada tivesse acontecido

dark (4)

Quando Claudia conta a Adam sobre o mundo original, ele finalmente compreende que o mundo dele e de Eva (a versão idosa da Martha 2) nunca deveriam ter existido, e que a única solução para o loop temporal era impedir a origem (sobre a qual falarei em seguida). Desse modo, ele viaja para o momento da morte de Martha e fala com Jonas sobre esse assunto. Me impressionou negativamente quão rápido Jonas acreditou em Adam e no seu novo plano, considerando que não fazia nem dois minutos que o Adam anterior tinha acabado de atirar na sua amada. Sabe conveniência de roteiro? Pareceu uma das grandes. E adivinhem? Acumulada no episódio final.

Quem era o Tannhaus na fila do pão mesmo?

final de dark (2)

Tá, brincadeira. Mas eu tive dificuldade de comprar o drama pessoal do personagem, que foi o pivô para a criação dos mundos de Jonas (Adam) e Martha (Eva). Ao perder o filho, a nora e a neta num acidente de carro, Tannhaus fica obcecado com a ideia de voltar no tempo e é responsável pela explosão que dá origem às realidades paralelas. A origem, portanto, nada tem a ver com o filho de Jonas e Martha e tampouco com os personagens envolvidos nas ramificações familiares. Minha primeira impressão foi não curtir muito esse rolê, principalmente por ter sido trazido somente no… isso mesmo, acertaram: episódio final! Percebam que grande parte dos meus ranços em relação ao desfecho da série residem nisso. 😛

Tá, dúvida real: como a Claudia sacou os paranauês?

final de dark (3)

Que Claudia Tiedemann é a rainha de Dark não há dúvidas. Acho totalmente plausível que ela tenha conseguido viajar entre os dois mundos e enganar tanto Adam quanto Eva, porque a inteligência da personagem ficou evidente ao longo das temporadas. Mas, na busca da personagem por uma forma de manter a filha viva, em nenhum momento ficou claro pra mim qual foi o estalo que ela teve que levou à descoberta do mundo de origem e da perda pessoal de Tannhaus. Se eu esqueci de algum detalhe ou se alguém aí entendeu esse ponto, fiquem à vontade pra me contar nos comentários! 😂

Vamos falar de coisa boa: o simbolismo do final

final de dark (4)

Não apenas decepções me foram causadas pelo final de Dark. Eu gostei muito da coragem de Jonas e Martha 2 de tomarem a atitude necessária para dar fim a tanto sofrimento. A maneira como eles se despedem é bastante comovente, por trazer a frase do “somos um par perfeito, nunca duvide disso” e tudo mais (apesar que né, Jonas e aquela Martha deram só uma transadinha, não deu pra comprar aquele sentimento todo não). Curti muito como toda a cena foi construída, a forma como os personagens que bugaram a nossa mente ao longo de três temporadas foram aceitando o seu fim e transformando-se em uma espécie de poeira cósmica, partículas, átomos, enfim, seja o que for. A cena do jantar também foi interessante, restando apenas os personagens que nada tinham a ver com a árvore genealógica intrincada das outras famílias. Li uma teoria de que o déjà vu de Hannah e a preferência pelo nome “Jonas” foi a forma como o personagem deixou sua marca no universo (ainda que não seja ele a criança que ela espera) e, sinceramente, eu gostei de acreditar nela. ❤

Ufa! Desde o dia 28 eu não paro de falar a respeito de Dark, então foi um alívio botar tudo isso pra fora em único post hahaha! Pra resumir minha opinião, eu diria que Dark é uma série excelente e original, com atuações primorosas e um desenvolvimento instigante, mas que deixa a peteca cair na sua conclusão – que não atinge a grandiosidade das temporadas anteriores. Ainda assim é uma série que eu não hesito em recomendar, porque a qualidade da produção e o desenrolar da história são provocativos e fazem você querer discutir, entender e mergulhar naquele universo. Já são motivos suficientes pra dar uma chance, não é mesmo? 😉

E vocês, o que acharam do final de Dark?
Vamos conversar sobre nos comentários! 🙌

Resenha: Verity – Colleen Hoover

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar da Colleen Hoover ter uma legião de fãs, os livros dela nunca me chamaram a atenção. Até o lançamento de Verity. Sendo eu apaixonada por thrillers e livros policiais como sou, mal pude esperar para conferir essa obra que deu o que falar na blogosfera. Vamos descobrir o que eu achei? 😉

verity colleen hooverGaranta o seu!

Sinopse: Verity Crawford é a autora best-seller por trás de uma série de sucesso. Ela está no auge de sua carreira, aclamada pela crítica e pelo público, no entanto, um súbito e terrível acidente acaba interrompendo suas atividades, deixando-a sem condições de concluir a história… E é nessa complexa circunstância que surge Lowen Ashleigh, uma escritora à beira da falência convidada a escrever, sob um pseudônimo, os três livros restantes da já consolidada série. Para que consiga entender melhor o processo criativo de Verity com relação aos livros publicados e, ainda, tentar descobrir seus possíveis planos para os próximos, Lowen decide passar alguns dias na casa dos Crawford, imersa no caótico escritório de Verity – e, lá, encontra uma espécie de autobiografia onde a escritora narra os fatos acontecidos desde o dia em que conhece Jeremy, seu marido, até os instantes imediatamente anteriores a seu acidente – incluindo sua perspectiva sobre as tragédias ocorridas às filhas do casal. Quanto mais o tempo passa, mais Lowen se percebe envolvida em uma confusa rede de mentiras e segredos, e, lentamente, adquire sua própria posição no jogo psicológico que rodeia aquela casa. Emocional e fisicamente atraída por Jeremy, ela precisa decidir: expor uma versão que nem ele conhece sobre a própria esposa ou manter o sigilo dos escritos de Verity?

“Ouço o barulho do crânio se quebrando antes mesmo de o sangue respingar em mim.” É com essa frase que Verity inicia, e com ela já é possível sentir o impacto de muitas coisas que serão narradas dali em diante. O livro nos apresenta a Lowen, uma autora com problemas financeiros que se depara com um acidente a caminho de uma reunião importante. Ainda em choque, ela é auxiliada por um homem bem vestido que também presenciou a cena e, para a surpresa de ambos, eles voltam a se reencontrar na sala de reuniões. Ele é Jeremy Crawford, marido de uma escritora de sucesso chamada Verity, que se encontra em estado vegetativo após sofrer uma colisão enquanto dirigia. Lowen então recebe a proposta de ser co-autora da série que Verity deixou inacabada, já que o estilo literário de ambas se assemelha. Apesar da insegurança e do medo de assumir um trabalho tão aclamado, as dificuldades financeiras de Lowen fazem com que ela aceite a proposta de trabalho e tope passar alguns dias na casa dos Crawford para conferir todos os materiais deixados por Verity. O que Lowen encontra, porém, é um manuscrito autobiográfico que narra a história do casal de modo perturbador – fazendo com que a casa não pareça mais tão segura assim.

Acredito que eu nunca tenha lido algo tão perturbador quanto o manuscrito de Verity. A obra (dentro da obra rs) inicia com a autora-personagem avisando que as próximas páginas trarão à luz o seu pior lado, os aspectos mais sinistros de sua vida. E Verity cumpre a promessa. Ao longo dos capítulos, ela discorre sobre sua vida após conhecer e se apaixonar por Jeremy, descreve como os dois são o encaixe perfeito e como o sexo é fantástico. Aos poucos, vai se revelando mais do que uma história de amor, mas sim uma obsessão doentia. Em seu manuscrito, Verity se revela como uma mulher manipuladora, dissimulada e extremamente cruel, cujo objetivo é manter Jeremy perto de si e com as atenções voltadas somente a ela. Isso por si só já é bastante incômodo, mas a coisa piora quando o casal engravida: eu não tenho palavras pra descrever os horrores causados por Verity como resposta à gravidez indesejada. A personagem odeia as filhas (pois são gêmeas) antes mesmo delas nascerem, o que não necessariamente ameniza após a chegada das crianças. Eu não vou descrever aqui determinadas situações que Verity protagoniza porque foram capazes de me provocar náuseas, mas preciso avisá-los de que a descrição dos eventos é muito gráfica e perturbadora. Eu provavelmente nunca senti um incômodo tão grande quanto essas cenas me proporcionaram, e olha que eu adoro ler livros policiais que descrevem corpos mutilados sem pudor.

Porém, assim como Lowen, o leitor também não consegue desgrudar os olhos. Inclusive, os capítulos do manuscrito são muito mais interessantes do que os capítulos de Lowen interagindo com os Crawford e lidando com a presença (aparentemente) inofensiva de Verity. Acontece que, com o decorrer das páginas, as atrocidades cometidas por Verity não vão deixando apenas Lowen assustada: o leitor também fica angustiado, temendo pela segurança das pessoas na casa. Essa capacidade de um autor de nos deixar verdadeiramente apreensivos é algo que eu tenho em alta conta, especialmente em livros do gênero. E Colleen Hoover conseguiu provocar esse sentimento com maestria, porque não foram poucas as vezes em que eu, na vida real, senti meu coração acelerar.

resenha verity colleen hoover

Mas nem tudo são flores. Verity recai em alguns clichês do gênero para os quais eu não tenho muita tolerância e nem paciência. O principal deles é o fato de Lowen não tomar uma atitude para se proteger: sério que você tá lendo sobre a psicopatia de uma mulher que no momento divide o teto com você e ainda assim você não saiu correndo? A desculpa utilizada por Colleen Hoover também é fraca: Lowen precisava ficar na casa para terminar de pesquisar para a série de livros inacabada, ou Lowen duvidava da sua própria sanidade e por isso não conseguia decidir se Verity estava realmente em estado vegetativo ou apenas fingindo… Sério? Gente, se alguém me descreve o que Verity descreveu, eu saía correndo porta afora de calcinha e sutiã se fosse preciso.

Outro aspecto bem fraco da leitura é o romance entre Lowen e Jeremy. De certa forma, ao ler o manuscrito (recheado de cenas sexuais bem explícitas), a protagonista começa a projetar o sentimento de Verity nele. Mesmo com o momento que eles partilharam após o acidente, no início do livro, a conexão entre os personagens não me convenceu. Jeremy é perfeitinho demais, Lowen é o clichê da personagem que duvida de si mesma… Não curti nenhum dos dois e achei a relação bem artificial.

Por fim, me decepcionei também com o final. Após um desenrolar tão envolvente, eu simplesmente… esperava mais. Conduzido de forma mega corrida e com uma revelação totalmente anticlimática, parece que Colleen Hoover se perdeu na conclusão da sua história. O desfecho é ambíguo e não me agradou, parecendo uma tentativa meio forçada de encerrar a história com certa “genialidade”, pensando em chocar. A verdade é que a personagem Verity foi tão intensa que simplesmente eu esperava uma condução mais digna dela (afinal, vilões também podem ser muito bem construídos e merecem algo à altura).

Em resumo, Verity é um excelente livro com um final decepcionante, que não consegue causar a mesma sensação que o resto da obra proporciona. Com isso em mente, ainda assim recomendo a leitura, porque Colleen Hoover faz um excelente trabalho em proporcionar angústia e causar um medo real pela segurança dos personagens. É uma história de arrepiar e eu curti muito a experiência de modo geral. 😉

Título original: Verity
Autor: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Número de páginas: 320
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

5 coisas que aprendi com o meu cachorro

Oi pessoal, tudo bem?

Há pouco mais de 2 meses, eu resolvi dizer “sim” a uma coisa que meu namorado vivia propondo. Não, não é casamento. E não, não é sacanagem. 😂 Ele queria muito ter um cachorro, mas eu (mesmo amando animais) tinha aquelas respostas quase automáticas: o apê é pequeno, não vamos ter tempo de cuidar, ele vai ficar triste por ficar o dia todo sozinho… Até que o isolamento social chegou e, com ele, além do desgraçamento mental, o tempo livre que permitiria cuidar da adaptação de um filhote. Foi assim que o Chris e eu trouxemos o Bucky pra casa, e em pouquíssimo tempo ele já me ensinou algumas lições.

1. A alegria deles ao ver você nunca deixa de impressionar

Eu nunca tive pets, com exceção de um gato do qual cuidei por poucos meses quando era pequena. Em menos de 24h após a chegada do Bucky, eu já me vi completamente apaixonada por ele, e meu coração ainda derrete toda manhã, quando abro a porta do quarto e ele vem correndo e balançando a bundinha de alegria por me ver. Todo dia é a mesma reação e todo dia eu me encanto com o fato dessa criaturinha peluda me amar de forma tão incondicional.

lições cachorro

2. Sua casa não se mantém limpa mais do que 2 ou 3 dias

As faxinas semanais são uma regra tácita aqui em casa: foram raras as vezes em que o meu namorado e eu demos uma matadinha. E mesmo essa matada só era possível porque éramos apenas dois, então a casa se mantinha limpa por bastante tempo. Agora temos um filhote de quase 5 meses: isso quer dizer ocasionais xixis fora do lugar, pelos sendo perdidos por aí, folhas comidas que ele rouba da sacada… Então mesmo com todo o empenho do mundo, não demora a ter alguma coisa fora do lugar ou que tenha que ser limpa de novo.

3. Eles ensinam o desapego

Assim como superei o fato de ter que limpar a casa com mais frequência, o Bucky também me mostrou que eu surto menos do que imaginava por causa de bens materiais. O saldo até agora? Dois chinelos, um fone (de R$ 70 e com uma semana de vida… esse doeu), dois cadarços, uma rasteirinha e a etiqueta do meu coturno. Esse é o montante de coisas roídas e/ou comidas desde que essa bolota de pelos chegou. Óbvio que na hora você tem que contar até 10 pra não fazer sopa de cachorrinho, mas depois passa (e não, a solução não é bater no seu filhote).

lições cachorro 2

4. Você fica obcecado em registrar cada passo que seu pet dá

Me sinto mega ridícula às vezes por ficar tirando 487 fotos do meu cachorro? Um pouco. Me arrependo? De jeito nenhum. Ele é fofo e, sim, merece que eu ocupe mais da metade da memória do meu celular, ora bolas.

5. Eles valem todo o esforço

Pets exigem uma graninha mensal, uma paciência maior quando fazem alguma coisa errada, aquela energia pra brincar e dar atenção e a responsabilidade que cuidar de um ser vivo exige. Mas nada disso é esforço demais em troca de tanto amor e companheirismo. Não me arrependo de nenhuma das concessões que tive que fazer pelo meu cachorro, e meu coração anda muito mais cheio (mesmo em meio a uma pandemia sufocante) graças a ele. 🙂

Agora quero saber de vocês: quem aí tem pet?
E que lição você aprende com ele(a) todos os dias?

Vou adorar ler nos comentários. 😉

Dica de Série: Peaky Blinders

Oi galera, tudo bem?

Já que o isolamento me obriga a passar quase todo o tempo livre na frente da TV (como se eu já não fizesse isso antes), vim contar pra vocês o que achei de uma das séries que a que assisti recentemente: Peaky (“focking” – sim, com “o”) Blinders.

peaky blinders

Sinopse: Uma notória gangue da Inglaterra de 1919 é liderada pelo cruel Tommy Shelby, um criminoso disposto a subir na vida a qualquer preço.

Ambientada no início do século XX, a série dramatiza a história do grupo criminoso de mesmo nome. A gangue Peaky Blinders realmente existiu, mas sua influência na vida real foi bem menor. Nas telas, entretanto, vemos a ascensão do grupo – comandado por Thomas Shelby – nos territórios de corridas e apostas ilegais e, posteriormente, com outros tipos de contrabando.

Peaky Blinders é capaz de transportar o espectador para o tempo na qual se passa, dos cenários sujos de fuligem aos figurinos típicos da época. A produção, que se passa pouco depois da Primeira Guerra Mundial, trata de assuntos como Transtorno do Estresse Pós-Traumático, luta de classes, greves operárias, popularização de ideais comunistas, corrupção policial e, é claro, muita violência. Por meio de movimentos estratégicos inteligentes, mas também inúmeras lutas sangrentas com outras gangues e rivais, Thomas guia os Peaky Blinders por um caminho que os eleva a “donos” de Birmingham. Conforme as temporadas avançam, os Shelby buscam expandir seu território, entrando em conflito com outros gângsters e até mesmo com nomes importantes da política inglesa.

peaky blinders 2

Com a ressalva de ser uma série bastante focada na “virilidade” dos irmãos Shelby (aspecto que pode causar uma reviradinha de olho), Peaky Blinders tem um desenrolar bastante envolvente. A busca de Thomas por ascensão o coloca em diversas situações em que a sagacidade se faz necessária. Entre alianças e traições, o líder do grupo acaba sendo um anti-herói pelo qual nos vemos torcendo. Somado a isso, especialmente na primeira temporada, há toda a tensão causada pela existência de uma infiltrada em seus negócios: Grace é uma agente da coroa que passa a trabalhar em um  dos pubs dos Shelby para fornecer informações à polícia. A tensão sexual entre ela e Thomas vai crescendo com o passar dos episódios, e as reviravoltas no final da primeira temporada são ótimas.

peaky blinders 3

É difícil dizer que os personagens são exemplares porque, afinal, a maioria deles está envolvida com merda até o pescoço. Ainda assim, as atuações competentes e o desenvolvimento gradual da trama faz com que a gente comece a empatizar com eles, especialmente quando a fragilidade oculta pela dureza do cotidiano se manifesta. Thomas, por exemplo, é um líder implacável, mas também alguém atormentado pelas lembranças da guerra. Arthur, seu irmão mais velho, é um dos personagens mais emocionalmente quebrados da série: ele se questiona por não ser o líder da família (apesar de ser o primogênito), busca consolo nas brigas e na bebida, se envolve com drogas, enfim… tem diversos problemas emocionais com os quais ele não sabe lidar. E, com o passar dos episódios, a série vai revelando as nuances dos outros personagens também – com um foco maior, é claro, em Tommy.

Peaky Blinders trabalha bem a realidade e as dificuldades vividas pela sociedade inglesa no início do século XX. As cenas de violência podem incomodar um pouco os mais sensíveis, mas não chegam nem perto de ser grotescas ou gore. A qualidade da produção – da trama às atuações e ambientação – é inegável, e se você procura uma série capaz de envolver e transportar você pra realidade de outrora, vale a pena dar uma chance. 🙂

Título original: Peaky Blinders
Ano de lançamento: 2013
Direção: Steven Knight
Elenco: Cillian Murphy, Helen McCrory, Paul Anderson (XVIII), Annabelle Wallis, Joe Cole

Resenha: Conectadas – Clara Alves

Oi pessoal, tudo bem?

Quando vi que Conectadas, da Clara Alves, reunia o amor pelo universo dos jogos, protagonismo feminino e visibilidade LGBTQI+, não pensei duas vezes em solicitar para a Editora Seguinte. E, nesse Mês do Orgulho, nada melhor do que conversar sobre livros que dão espaço a essas vozes, não é mesmo?

conectadas clara alvesGaranta o seu!

Sinopse: Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos, um dos games mais populares do momento, e não se desgrudaram mais — pelo menos virtualmente. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um “pequeno” problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina. Quanto mais as duas se envolvem, mais culpa Raíssa sente. Só que ela não está pronta para se assumir — muito menos para perder a garota que ama. Então só vai levando a mentira adiante… Afinal, qual é a chance de as duas se conhecerem pessoalmente, morando em cidades diferentes? Bem alta, já que foi anunciada a primeira feira de Feéricos em São Paulo, o evento perfeito para esse encontro acontecer. Em um fim de semana repleto de cosplays, confidências e corações partidos, será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?

Raíssa é uma adolescente lésbica e geek, completamente apaixonada pelo universo dos games. Porém, a jovem se obrigou a criar um personagem masculino no seu jogo favorito, Feéricos, para não ser mais vítima do machismo de outros gamers, que a evitavam por ser mulher. Entretanto, ao ajudar Ayla, uma nova jogadora, uma amizade se inicia – que acaba se tornando uma paixão correspondida, ainda que aparentemente impossível: as duas são menores de idade, moram em cidades diferentes e dificilmente se encontrariam, certo? Acontece que a empresa responsável pelo jogo anuncia um evento gigante ao qual Raíssa e Ayla estão determinadas a comparecer. Enquanto Ayla imagina que vai conhecer “Leo”, seu crush da internet, Raíssa começa a surtar com a iminência de ser desmascarada pela menina que ama.

Se você é mulher e já jogou online, provavelmente vai se identificar com os motivos de Raíssa para esconder sua identidade: a comunidade nerd pode ser (e muitas vezes é) demasiado tóxica e machista. Contudo, a personagem perde o timing de dizer a verdade a Ayla, usando a identidade do melhor amigo, Leo, para tentar manter a farsa. Além do medo de ser descoberta e rejeitada, Raíssa também sofre com a sua sexualidade, que mantém em segredo. Ouvir comentários homofóbicos de seus parentes não a ajuda em nada, servindo apenas como um reforço ao seu pânico de se assumir. O que Raíssa não imagina é que, do outro lado da tela, Ayla sofre com uma dor parecida: a garota tenta se convencer que a atração que já sentiu por outras meninas foi apenas uma fase, e parece encontrar alívio no fato de estar apaixonada por “Leo”. Com o passar das páginas o leitor compreende – assim como Ayla – que estamos lidando com a bissexualidade, uma letrinha muitas vezes invisibilizada quando falamos na temática LGBTQI+.

resenha conectadas clara alves

Confesso que, ao longo da leitura, por diversas vezes eu fiquei com um pouquinho de vergonha alheia pelo exagero nas reações de Raíssa, Leo e até mesmo Ayla. Aquela coisa de dar pulinhos de empolgação ou fazer alguma dancinha em público, sabem? Aí eu lembrei que quando eu tinha a idade dos personagens e frequentava eventos de anime eu fazia a mesmíssima coisa! 😂 Foi um belo puxão de orelha em mim mesma – afinal, eu sei BEM o que é surtar de empolgação por alguma coisa da qual você é realmente fã. Relembrar essa fase da minha vida por meio da leitura acabou sendo divertido e empolgante.

Claro, existem algumas frases prontas e clichês que acabaram tirando a naturalidade de certos diálogos, mas de maneira geral Conectadas faz um ótimo trabalho em mostrar o sentimento de fangirl e os relacionamentos online proporcionados por um forte vínculo em comum. O jogo é onde Raíssa e Ayla se sentem à vontade para serem honestas consigo mesmas, onde podem ser quem são sem julgamentos externos. Além disso, temos significativa representatividade na obra: Ayla é oriental, Raíssa tem mãe negra e pai indígena e, é claro, há a questão da sexualidade. O livro consegue transmitir as aflições e dúvidas que as duas meninas sentem, especialmente frente à perspectiva de se assumirem. E, apesar de uma abordagem realista, Clara Alves consegue fugir de um tom desnecessariamente dramático ou pesado em uma obra que se propõe a ser leve.

Resumindo, Conectadas me proporcionou uma viagem no tempo. Lembrei como era ter fakes dos meus personagens favoritos no Orkut, de quando eu adorava o universo gamer e também da época em que não perdia eventos de anime. Eu sempre fui bem fangirl das coisas que eu gosto e consegui me identificar com o que Raíssa e Ayla sentiam em relação a Feéricos. Além de dialogar diretamente com quem já vivenciou esse tipo de hobby, o livro é também um romance fofo entre duas personagens capazes de cativar mesmo não sendo (ou até por isso) perfeitas. E, não somente no Mês do Orgulho, mas sempre, fica aquele lembrete de que todo tipo de amor é válido e importante – afinal, seja no RPG online ou na vida real, é libertador quando podemos ser honestos sobre quem somos e amamos.

Título original: Conectadas
Autor: Clara Alves
Editora: Seguinte
Número de páginas: 320
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Nem todos os dias serão bons. E tá tudo bem.

Eu acho que Divertida Mente é um dos filmes mais brilhantes que a Disney Pixar já fez. Além da inovação ao imaginar como seriam os nossos sentimentos, o filme traz uma lição que com frequência a gente precisa lembrar: nós precisamos da tristeza para compreender e apreciar o que é a alegria. O que me leva à conclusão mais clichê e verdadeira possível: existem dias bons e existem dias ruins. E faz parte.

Nesse cenário angustiante e inédito que a gente tem enfrentado, por que seria diferente? Eu admiro o seu (e o meu) esforço para ficar bem. As tentativas de se manter sorrindo e seguindo em frente. Precisamos mesmo disso. Mas nem sempre dá, e acolher esses momentos mais sombrios é igualmente necessário.

Quando o peito subitamente aperta e a gente não entende bem o porquê (ainda que existam mil motivos pra isso), o consolo vem na forma de pequenas coisas. Um banho quente e demorado. Uma xícara de café com leite (my comfort beverage). Um edredom quentinho. A companhia de um livro. A permissão pra ficar em silêncio.

Ou um raio de sol, que entra pela janela e te relembra que nem todos os dias vão ser assim, tão (metaforicamente) cinzas.

nem todos os dias serão bons

Resenha: Tudo o Que Poderíamos Ter Sido – Zeka Sixx

Oi pessoal, tudo bem?

Fazia tempo que não rolava resenha de literatura nacional por aqui, né? Então hoje vamos conversar sobre Tudo o Que Poderíamos Ter Sido, que recebi do autor gaúcho Zeka Sixx. 🙂

tudo o que poderíamos ter sido

Sinopse: Porto Alegre, abril de 2016. Em meio aos dias tensos que sucederam à votação do impeachment, três jovens sem planos para o futuro – ou mesmo para o presente – se apaixonam e desapaixonam, enquanto flertam com outras tentações e procuram, sem muito esforço, entender se a manjada tríade sexo, drogas e rock-and-roll ainda é a única resposta para o vazio e a desesperança. Lola domina a noite da cidade como uma rainha, entornando toneladas de drinques enquanto digere uma paixonite por um cara que não lhe dá notícias. César tenta se adequar aos novos tempos, que ele não quer realmente compreender, pois deseja, no fundo, que tudo seja simples como antes. Júlia quer se reinventar, após se ver forçada a terminar um relacionamento por divergências políticas. “Tudo o que Poderíamos Ter Sido” é a fotografia de uma geração já nem tão jovem assim, cujo maior pesadelo é simplesmente amadurecer.

O livro, ambientado em Porto Alegre na época do golpe impeachment de 2016, é narrado principalmente por três personagens: Lola, uma DJ sensual que aproveita a vida colecionando transas de uma noite; César, um advogado privilegiado e desmotivado com a vida; e Júlia, irmã de César, que recém terminou um namoro longo e fracassado e está em busca de alguma sensação “real”. Com o decorrer das páginas, o caminho dos três personagens se cruza e provoca algumas reflexões em cada um deles.

Sendo eu mesma de Porto Alegre, reconheci em vários momentos da leitura as características que marcam, principalmente, a noite gaúcha. Entre lugares icônicos da cidade, festas super conhecidas e bairros marcantes, foi fácil imaginar os acontecimentos do livro fora das páginas. Devo dizer inclusive que conheço pessoas que agem (ou um dia agiram) exatamente como Lola, César e Júlia, o que faz com que os personagens sejam bem realistas. Essa característica marca a escrita de Zeka Sixx: a narrativa é bastante direta e o linguajar é chulo, se assemelhando a conversas e diálogos reais – com seu bônus, mas também seu ônus.

Foi interessante ler um livro de teor tão erótico diferente dos romances aos quais estou acostumada. Existe uma objetividade no sexo em Tudo o Que Poderíamos Ter Sido que revela muito dos próprios personagens: eles usam as transas para aliviar o tesão e ter um momento de diversão, e nada mais. Mesmo os personagens que se apaixonam o fazem de modo totalmente diferente de romances mais tradicionais, pendendo mais para um crush intenso do que qualquer outra coisa. Essa escolha é verossímil e reflete muito do comportamento contemporâneo, onde é fácil arranjar uma ficada sem compromisso.

resenha tudo o que poderiamos ter sido

Por outro lado, preciso ser honesta a respeito do que não deu certo comigo. Quando li a sinopse do livro e topei resenhá-lo, eu tinha uma expectativa bem maior em relação ao cenário político. Infelizmente, porém, as discussões a respeito do impeachment não se aprofundam, aparecendo apenas em um ou outro diálogo. Além disso, cada capítulo tinha necessariamente uma cena de sexo no presente ou uma lembrança de sexo épico no passado. É um recurso que acabou me cansando um pouco, porque parecia que a história não tinha um rumo certo além de narrar as noites dos três personagens principais. :/ Aliás, não consegui me afeiçoar a nenhum deles, especialmente aos dois irmãos: César e Júlia são filhinhos de papai – ele, machista de marca maior; ela, feminista classe média cheia de hipocrisias – e me fizeram revirar os olhos várias vezes.

Outra problemática que vale pontuar é o modo como o sexo é explorado no que diz respeito às personagens femininas. É costumeiro confundir liberdade sexual com empoderamento feminino, mas essas duas coisas não necessariamente andam juntas – em um país onde ocorrem em média 180 estupros por dia, eu acredito que a possibilidade de dizer “não” (e ter sua decisão respeitada) é um dos maiores sinais de empoderamento. E, para concluir esse tópico, existe uma cena de revenge porn cujo peso e importância não ganham o destaque merecido, parecendo mais uma fetichização que um crime capaz de destruir vidas.

Apesar dos pontos levantados, eu li Tudo o Que Poderíamos Ter Sido em apenas 2 dias. Os capítulos não cansam e a escrita de Zeka Sixx foi capaz de me manter envolvida com a trama – mesmo que eu não concorde com praticamente nenhuma das decisões tomadas por ele na condução da história e no desenvolvimento dos personagens. Se eu sentisse que houve reflexões sobre esses pontos que levantei, certamente daria outra chance para a escrita do autor. Mas, de modo geral, é um livro que difere muito do que eu pessoalmente acredito. Com tudo isso em mente, reforço que é sempre válido dar uma chance para tirar suas próprias conclusões. 😉

Título original: Tudo o Que Poderíamos Ter Sido
Autor: Zeka Sixx
Editora: Coralina
Número de páginas: 216

Tatuagens geeks #7

Oi pessoal, tudo certo?

Eu não sei vocês, mas por aqui a quarentena me deixou SEDENTA por uma tatuagem nova. Pra falar a verdade, já tenho duas em mente. 😂 Mas enquanto não estamos seguros e eu continuo em isolamento social, o jeito é babar nas referências do Pinterest, né? E eu selecionei algumas bem bacanas pra compartilhar com vocês!

@kozo_tattoo

Wall-E, por @kozo_tattoo.

@kozo_tattoo 3

Pulp Fiction, por @kozo_tattoo.

@saili_ink

O Pequeno Príncipe, por @saili_ink.

@jonmap

Livro minimalista, por @jonmap.

@elgnoatto

“Não se preocupe/mantenha a calma, Sassenach”, de Outlander, por @elgnoatto.

Curtiram as referências? Fariam alguma delas?
Me contem nos comentários! 😀

Resenha: Teto Para Dois – Beth O’leary

Oi pessoal, tudo bem?

Finalmente realizei a leitura de um livro que há tempos estava na minha wishlist: Teto Para Dois. E que leitura! ❤

teto para dois beth olearyGaranta o seu!

Sinopse: Três meses após o término do seu relacionamento, Tiffy finalmente sai do apartamento do ex-namorado. Agora ela precisa para ontem de um lugar barato para morar. Contrariando os amigos, ela topa um acordo bastante inusitado. Leon está enrolado com questões financeiras e tem uma ideia pouco convencional para arranjar dinheiro rápido: sublocar seu apartamento, onde fica apenas no período da manhã e da tarde nos dias úteis, já que passa os finais de semana com a namorada e trabalha como enfermeiro no turno da noite. Só que tem um detalhe importante: o lugar tem apenas uma cama. Sem nunca terem se encontrado pessoalmente, Leon e Tiffy fecham um contrato de seis meses e passam a resolver as trivialidades do dia a dia por Post-its espalhados pela casa. Mas será que essa solução aparentemente perfeita resiste a um ex-namorado obsessivo, uma namorada ciumenta, um irmão encrencado, dois empregos exigentes e alguns amigos superprotetores?

Tiffy está com a vida de cabeça para baixo: ela terminou um relacionamento complicado, seu ex, que lhe permitia ficar em sua casa até ela se restabelecer, arranjou uma nova namorada e ela precisa urgentemente encontrar um apartamento pra alugar e que caiba em seu restrito orçamento. Leon é um enfermeiro que trabalha à noite, tem uma namorada bastante crítica e precisa lidar com as despesas extras causadas pelo advogado que cuida da prisão injusta de seu irmão. Quando ele coloca seu quarto para alugar por um preço baixíssimo, Tiffy encontra a oportunidade de sair da casa do ex. A questão é que eles não vão dividir somente o apartamento: eles terão que dividir a cama, ainda que em turnos opostos. Comunicando-se por meio de recados e post-its, já que quem tratou do aluguel foi Kay, a namorada de Leon, uma amizade inesperada surge aos poucos, entre um bilhete e outro.

Ai gente, como descrever Teto Para Dois? Eu poderia começar com uma lista de elogios: narrativa envolvente, personagens carismáticos, escrita fluida e cenas engraçadas fazem parte da lista de ingredientes desse chick-lit maravilhoso. Tiffy e Leon são quase opostos: ela é expansiva, gosta de usar roupas coloridas e chamativas e é uma tagarela; ele é introvertido, calmo e bastante racional. Os dois começam a trocar recados por motivos práticos, para combinar questões relacionadas ao apartamento (como comida, espaço no armário, coisas assim). Com o tempo – e com o crescimento da intimidade – os bilhetes se tornam uma conversa, e eles diariamente trocam recados e contam sobre seus dias. É meio óbvio pro leitor, como acontece em qualquer livro do gênero, que os dois vão se apaixonar. Mas engana-se quem pensa que o mérito do livro se encerra quando isso finalmente acontece: há um aprofundamento ainda maior de questões muito relevantes que Teto Para Dois aborda de maneira impecável.

O livro inicia aparentemente despretensioso mas, com o passar das páginas, vai ficando cada vez mais claro que Tiffy não saiu de um “relacionamento complicado”. Ela saiu de uma relação abusiva. A jovem narra as diversas idas e vindas, a montanha-russa emocional que vivia, de uma forma quase idealizada. É perceptível que Tiffy não entende e não conseguiu processar o que viveu. Porém, o livro tem algumas passagens de tempo entre os meses, e vai ficando mais claro para a personagem que ela passou por algo psicologicamente violento. Com o apoio de seus dois melhores amigos (o paciente psicólogo Mo e a cética advogada Gerty), Tiffy decide buscar terapia e começa a encarar o que aconteceu com ela.

resenha teto para dois

O livro é excelente em mostrar as consequências que uma relação abusiva causa na vítima. Em determinado momento Mo verbaliza a possibilidade de que todas as coisas ruins que Tiffy pensou ter esquecido sobre o namoro na verdade eram uma defesa de seu cérebro, um mecanismo de proteção para evitar tanto trauma e tanta dor. Devido às manipulações do ex-namorado, a jovem sempre duvidou de si mesma e das suas próprias percepções sobre certas situações, e ela passa por um longo e doloroso processo de cura ao enfrentar a verdade. A obra narra esse processo com muita delicadeza e responsabilidade, inclusive desmistificando a ideia de que muitos têm de que toda toda relação abusiva tem um episódio de agressão física. O trauma de Tiffy é internalizado, e seu relacionamento com Leon mostra aos poucos os gatilhos que ela vai enfrentar no processo de superação. Além disso, vale pontuar a importância da rede de apoio: Mo e Gerty não pressionaram Tiffy para não correrem o risco dela afastá-los. São amigos leais que, com qualidades e defeitos (cof cof, Gerty grosseirona, cof cof), sempre estiveram ali para ampará-la.

O plot de Leon também é ótimo, e o personagem conquista o leitor tanto quanto Tiffy. Sua subtrama tem outro viés social importante, que é a injustiça do sistema carcerário. O jovem tem traços não-caucasianos, e seu irmão mais novo, Richie, foi preso sem nenhum tipo de prova concreta, podendo ser lido como uma crítica à forma como a cor da pele influencia no julgamento e na condenação dos indivíduos. Além disso, na infância, os dois viram a mãe se relacionar com diversos homens problemáticos, o que causou uma mágoa em ambos – que Leon lida por meio do distanciamento. Mas o amor dos dois irmãos um pelo outro é inabalável e muito bonito de se ver.

O livro é repleto de cenas fofas e tem, sim, momentos clichês que proporcionam aquele quase beijo, aquele friozinho na barriga, aquelas borboletas no estômago. E isso tudo se equilibra com temas relevantes, que dão mais dimensão aos personagens. O que fica claro durante a leitura é que relacionamentos saudáveis são pautados em intimidade, honestidade, em liberdade, em saber que você pode ser você mesmo junto ao outro. Ao mostrar os problemas dos relacionamentos de Tiffy e Leon, é clara a diferença entre a relação que os dois constroem juntos – mesmo que, durante por muito tempo, por meio de bilhetes e zero contato físico. Fazia tempo que um romance não me fazia suspirar, sentir angústia e ficar até de madrugada acordada ansiando pela próxima página. Teto Para Dois fez isso e muito mais, já entrando pra lista de favoritos do ano. Por favor, leiam! ❤

Título Original: The Flatshare: A Novel
Autor: Beth O’Leary
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 400
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤