Autoras que vale a pena conhecer

Oi galera, tudo bem?

Amanhã é 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Enquanto essa data representa a nossa luta por igualdade, vejo também como uma oportunidade para divulgar e enaltecer mulheres incríveis que merecem espaço e reconhecimento. Por isso, esse ano resolvi reunir autoras que eu acho que vale a pena conhecer. Vem comigo!

Tomi Adeyemi

Autora da trilogia O Legado de Orïsha, que iniciou com o aclamado Filhos de Sangue e Osso, Tomi Adeyemi trouxe a cultura iorubá para o universo da fantasia. Explorando os ritos e figuras sagradas das religiões africanas, Tomi Adeyemi fala sobre opressão, mas também traz uma representatividade poderosa a pessoas negras. Se você é fã de livros de fantasia mas ainda não entrou em contato com sua, recomendo que faça isso o mais breve possível.

Beth O’Leary

Também conhecida como minha nova autora queridinha. A leitura de Teto Para Dois foi a minha favorita do ano passado, e muito disso se deve ao fato de que Beth O’Leary conseguiu tratar de relacionamento abusivo de uma maneira realista e certeira, mas sem sacrificar a leveza da história. Minha segunda experiência com seus livros, A Troca (em breve sai a resenha!) também foi ótima, e eu adorei o fato do livro ser protagonizado por uma avó e uma neta. Recomendo ambos os títulos sem pensar duas vezes!

Taylor Jenkins Reid

O nome dessa autora já estava no meu radar há um tempo, e seus livros têm sido bastante comentados na blogosfera. Realizei minha primeira leitura recentemente (com Depois do Sim) e foi excelente, me causando múltiplas emoções – de um jeito bom. Me baseando nessa única experiência, eu diria que Taylor Jenkins Reid é excelente em prender a atenção do leitor ao mesmo tempo em que aborda situações difíceis e emocionantes. Estou louca pra ler mais de seus livros!

Aline Bei

Uma indicação nacional vai bem, né? Aline Bei me impactou profundamente com O Peso do Pássaro Morto. Algumas das experiências mais dolorosas no “ser mulher” estão presentes no seu livro, como o machismo que tolhe e objetifica a mulher (como se ela fosse uma propriedade), a vergonha e o medo de uma vítima de violência sexual e o desamparo causado por um maternar indesejado. Não é uma leitura fácil, mas é transformadora.

Gostaram da lista, pessoal? Já leram alguma das autoras citadas?
Quero saber quem vocês incluiriam nessa seleção. Me contem nos comentários! ❤

Resenha: O Impulso – Ashley Audrain

Oi pessoal, tudo bem?

Uma das grandes apostas da editora Paralela para 2021 é O Impulso, cuja prova antecipada tive a oportunidade de conferir. E olha, não vai ser fácil falar desse livro bombástico não, viu? Mas prometo fazer o meu melhor. 😂

Garanta o seu!

Sinopse: Blythe Connor está decidida a ser a mãe perfeita, calorosa e acolhedora que nunca teve. Porém, no começo exaustivo da maternidade, ela descobre que sua filha Violet não se comporta como a maioria das crianças. Ou ela estaria imaginando? Seu marido Fox está certo de que é tudo fruto do cansaço e que essa é apenas uma fase difícil. Conforme seus medos são ignorados, Blythe começa a duvidar da própria sanidade. Mas quando nasce Sam, o segundo filho do casal, a experiência de Blythe é completamente diferente, e até Violet parece se dar bem com o irmãozinho. Bem no momento em que a vida parecia estar finalmente se ajustando, um grave acidente faz tudo sair dos trilhos, e Blythe é obrigada a confrontar a verdade. Neste eletrizante romance de estreia, Ashley Audrain escreve com maestria sobre o que os laços de família escondem e os dilemas invisíveis da maternidade, nos convidando a refletir: até onde precisamos ir para questionar aquilo em que acreditamos?

O Impulso é narrado em primeira pessoa por Blythe em um discurso direcionado ao seu ex-marido, Fox. A obra inicia com Blythe observando a casa do ex, que parece o cenário perfeito com sua esposa grávida e seus dois filhos – sendo a criança mais velha, Violet, filha de Fox com Blythe. A protagonista-narradora diz então que vai contar a ele o seu ponto de vista sobre tudo que aconteceu na vida do casal, e a partir desse ponto ela remonta ao início do relacionamento, bem como nos fornece informações sobre sua mãe e sua avó.

O Impulso é, em essência, um thriller sobre maternidade. Tanto Blythe quanto sua mãe, Cecilia, e sua avó, Ella, tiveram histórias muito difíceis e traumatizantes. Cecilia chegou a dizer à filha que as mulheres da família são problemáticas, e essas palavras marcaram Blythe. Quando ela conhece Fox, que vem de um lar estruturado e feliz, Blythe vê a oportunidade de se afastar das sombras que a acompanham, mas também de fazer diferente. Sabendo que Fox deseja casar e ter filhos, Blythe proporciona isso a ele – mas ela não demora a perceber que a maternidade não é simples e, principalmente, não deveria ser exercida sem vontade genuína.

É impossível ler O Impulso sem pensar em Precisamos Falar Sobre o Kevin. Até a cena do parto, em que Blythe reluta para deixar sua filha vir ao mundo, lembra a reação de Eva (mãe de Kevin). A verdade é que Blythe demora a perceber que a tomada de decisão para ser mãe foi motivada por vontade de agradar ao marido e por pressão social, já que espera-se que toda mulher queira ser mãe. O Impulso expõe as pressões da maternidade compulsória de forma intensa, deixando claro que essas inseguranças e medos são reforçados diariamente quando vemos discursos repetidos à exaustão de que “a maternidade é uma benção” e que “só olhar pro rostinho faz valer a pena”. E não me entendam mal, eu não estou dizendo que não vale a pena ser mãe. O que estou dizendo é que a romantização da maternidade é perigosa e não nos prepara, enquanto mulheres, para uma realidade cheia de mudanças físicas, exaustão mental e até mesmo solidão. Blythe vivencia isso na pele ao achar que é a única mulher do mundo a vivenciar tais problemas, e basta seguir UM Instagram de maternidade real pra sabermos que não, ela não é a única.

O livro ganha a atmosfera de thriller conforme Violet cresce. Blythe e a filha não conseguem criar um vínculo, e a menina só ama e respeita o pai. Recusa em mamar, choro ao ficar no colo de Blythe e uma negação em tratar a mãe com carinho são alguns dos sinais de alerta que preocupam Blythe (e que Fox se recusa a enxergar). Quando Violet passa a demonstrar sinais de crueldade e falta de remorso, a protagonista sente que o abismo entre elas aumenta e que está mais só do que nunca, já que seu marido parece responsabilizá-la pela falta de vínculo. Aliás, já que estou falando no Fox, vamos parar um minutinho pra ressaltar quão lixo é este homem? O cara idealiza a família perfeita e culpa Blythe por não consegui-la, causando também um silenciamento amargo e difícil de digerir. Por amar Violet incondicionalmente, ele tira a voz de sua esposa ao se recusar a tentar compreendê-la, partindo para uma suposição de que Blythe está exercendo seu maternar de um jeito errado (alô alô, gaslighting). Fox queria uma mulher dócil e capaz de suprir as expectativas irreais e idealizadas dele, colocando Blythe em uma posição que a obriga a não apenas tentar atingir os padrões da sociedade, mas também os seus.

Quando Blythe se vê grávida do segundo filho, ela enxerga também a oportunidade de fazer tudo diferente. Dessa vez ela deseja a criança de todo o coração, e o vínculo é imediato. Ela finalmente vê um caminho que a absolva de sua própria culpa, mas o leitor sabe que algo está para acontecer; a protagonista-narradora já deixou isso claro. E é aí que O Impulso fica perturbador, causando em mim uma sensação muito parecida com a que Verity causou (mas no sentido do desconforto, não no do ritmo frenético e impossível de largar). A sensação sufocante e o medo do que vem a seguir permeiam o relato de Blythe, tornando a experiência bem angustiante.

Como pontos negativos, eu traria o formato do relato e a “barriga” que a obra ganha após um evento traumático. Apesar de intercalar a narrativa em primeira pessoa de Blythe com descrições sobre as vidas de Ella e Cecilia, grande parte do livro é um monólogo. Isso pode cansar um pouco, já que traz somente o ponto de vista de Blythe, o que inclui suas divagações. E a “barriga” acontece depois da metade do livro, quando a obra parece não evoluir muito em direção à resolução do mistério. Na minha opinião, isso poderia ter sido um pouco mais ágil e enxuto.

O Impulso é um livro excelente para colocar em xeque nossas crenças a respeito da maternidade. Com um ritmo inquietante e fatos que mexem com o leitor, ele também funciona muito bem como o thriller que se propõe a ser – mas exercendo também o papel de um drama familiar. Acho improvável que ele não faça o leitor refletir em algum nível, e só por isso já vale a pena conferir. Romantizar a maternidade é algo que prejudica a todas as mulheres, e eu adoraria ver mais obras que tocassem nessa ferida por aí.

Título original: The Push
Autora: Ashley Audrain
Editora: Paralela
Número de páginas: 328
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: Cidade Invisível

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje tenho mais uma dica de série imperdível pra compartilhar com vocês: Cidade Invisível, uma produção original Netflix focada no folclore brasileiro. ❤

Sinopse: Após uma tragédia familiar, um homem descobre criaturas folclóricas vivendo entre os humanos e logo se dá conta de que elas são a resposta para seu passado misterioso.

Desde criança eu sempre tive bastante fascínio pelas lendas do nosso folclore. Temos uma variedade muito rica de personagens e histórias e, quando eu soube que a nova série da Netflix usava essa mitologia como pano de fundo, não pude deixar de conferir. Em Cidade Invisível, acompanhamos a busca de Eric, um policial da Delegacia Ambiental, em sua busca para sanar o mistério do incêndio florestal que matou sua esposa. Em sua busca, porém, ele encontra um outro tipo de verdade: coisas estranhas começam a acontecer, mais mortes são provocadas e existe uma aura de sobrenatural nisso que Eric não consegue explicar – como o fato de ele ter encontrado um boto cor de rosa que se transforma em um homem, por exemplo. Isso porque as novas vítimas não são seres ordinários, mas lendas folclóricas que existem e vivem entre nós.

Com episódios curtos, de cerca de 30-40 minutos, Cidade Invisível tem um ritmo frenético que mantém o espectador ansioso pelo que está por vir. A trama é focada na investigação de Eric, mas sem deixar de lado o mistério sobre as verdadeiras intenções dos seres folclóricos – e de qual o seu envolvimento com o incêndio. Marco Pigossi entrega uma ótima atuação como Eric, equilibrando o seu luto com a sua motivação irrefreável de descobrir o que realmente aconteceu com sua esposa. O personagem também tem um dilema interno porque sabe que sua investigação está sendo priorizada em detrimento de sua filha, Luna, que visivelmente está tendo problemas pra lidar com todos os acontecimentos recentes. Mas quem rouba a cena em Cidade Invisível são os personagens místicos.

O Saci, a Iara, a Cuca, o Curupira são alguns dos que aparecem na série de uma forma muito legal. A série faz uma releitura interessante de como esses seres viveriam em meio à civilização, muitos deles distanciados da sua verdadeira origem. Unidos pela sobrevivência, são liderados por Inês (a Cuca), interpretada pela ótima Alessandra Negrini. A atriz mantém a aura de mistério da personagem e nos deixa em dúvida sobre seu envolvimento nos acontecimentos e tragédias recentes. Isac, o Saci, também é puro carisma e protagoniza cenas que me levaram de volta à infância (como por exemplo o truque para fazer uma “arapuca” pro Saci).

A produção está muito caprichada e os efeitos especiais são ótimos. A cauda de Iara encanta, assim como as transições envolvendo a Cuca e suas borboletas. O elenco como um todo é competente (tirando talvez a Márcia, parceira de Eric, e a avó do protagonista rs) e o ritmo narrativo nunca perde o fôlego, tornando muito fácil (e divertido) maratonar os episódios. Porém, existe um fato importante de ser abordado: a série também foi alvo de críticas pela falta de representatividade indígena. A lenda da Iara, por exemplo, é baseada em uma mulher indígena que vivia na região amazônica. Considerando que o nosso país foi construído em cima de muito sangue indígena e que sua cultura sofre tanto para permanecer viva, esse é um vacilo que poderia ter sido evitado com mais responsabilidade e sensibilidade. Espero que isso seja corrigido numa possível season 2.

Cidade Invisível é mais uma prova de que produções brasileiras podem bater de frente com as americanas. Roteirizada por uma dupla de escritores conhecidos (Raphael Draccon e Carolina Munhóz) e dirigida por Carlos Saldanha (responsável por A Era do Gelo e Rio), a série também demonstra o potencial desse nicho de entretenimento – tanto produções que adaptem livros existentes como construídas junto a autores criativos e reconhecidos. Mas, principalmente, Cidade Invisível é importante porque exalta um aspecto fundamental da nossa identidade e, ainda que por um momento, traz aquele orgulhinho de ser brasileira (que há muito tempo eu não sentia). Recomendo muito!

Título original: Cidade Invisível
Ano de lançamento: 2021
Criador: Carlos Saldanha
Elenco: Marco Pigossi, Alessandra Negrini, Jéssica Córes, Wesley Guimarães, Manuela Dieguez, José Dumont, Áurea Maranhão, Julia Konrad

Dica de Série: Por Trás de Seus Olhos

Oi pessoal, tudo bem?

Conforme o prometido, hoje vou contar pra vocês o que achei da adaptação de Por Trás de Seus Olhos – com algumas comparações com o livro, é claro. 😉

Sinopse: Uma mãe solo se envolve em um jogo perigoso ao ter um caso com o chefe e fazer amizade com a enigmática esposa dele.

Relembrando pra quem não leu a resenha da obra original, a trama gira em torno do triângulo amoroso composto por Louise, Adele e David. Louise conhece David num bar e eles se beijam, mas pouco tempo depois descobrem que David será chefe de Louise em seu novo emprego. Em paralelo, Adele (esposa de David) acaba esbarrando em Louise por acidente na rua e a convida para um café, o que dá início a uma inesperada amizade. As coisas vão se complicando conforme Louise e David não conseguem segurar a atração que sentem um pelo outro e, em paralelo, a amizade das duas mulheres fica mais íntima.

Por Trás de Seus Olhos é uma produção excelente, com ótimas atuações e uma trilha sonora aflitiva, que consegue dar o tom da trama e nos mostrar que há algo de muito errado na relação dos três personagens. Apesar dos episódios longos (de cerca de 50 minutos), a minissérie consegue manter a atenção do espectador durante toda a duração, seja com cenas dúbias ou com ganchos finais competentes.

A Louise da série é uma personagem melhor que sua contraparte literária. Os episódios dão um background de sua família que justificam algumas posturas de “cuidadora” que ela assume, além de conferir uma personalidade mais agradável a ela. No livro, por termos acesso aos pensamentos da personagem (que é também narradora), Louise rapidamente se transforma em uma pessoa cansativa e desesperada, que se afunda sem pensar na relação com David e com Adele por puro fascínio. A série suaviza esse aspecto e torna Louise uma personagem mais fácil de gostar. O ponto negativo dessa mudança é que fica ainda mais difícil entender sua burrice de se enfiar cada vez mais na areia movediça que é o casamento de David e Adele.

David é exatamente como eu imaginei, e a adaptação faz um trabalho eficiente em nos deixar com dúvidas sobre suas intenções e atitudes. Mas, sinceramente, David é quase um coadjuvante; é Adele quem brilha nesse casamento. Com uma atuação que vai de um sorriso caloroso para um olhar gélido, Eve Hewson dá vida a uma Adele que, desde o primeiro episódio, já nos causa desconforto. No livro isso demora um pouco mais a acontecer, precisamos de alguns capítulos pra sacar que tem algo de muito errado nas atitudes dela. Mas, apesar da Adele da televisão ser mais obviamente inquietante, isso também funcionou como um gancho, de forma a fazer o espectador querer entender logo “qual é a dela”. Essa vontade de desvendar Adele fica ainda mais acentuada graças aos flashbacks que mostram a relação da personagem com Rob, um amigo do passado que é fundamental na construção da trama.

O que eu gostaria de deixar claro nesse review é que, comigo, a série funcionou muito melhor do que o livro. E isso se deve a dois motivos que me incomodaram na obra original e que foram resolvidos: o primeiro deles diz respeito ao ritmo da narrativa. Se durante a leitura a gente visualiza alguns eventos duas vezes (uma pelo ponto de vista de Louise, outro pelo de Adele), nos episódios essa “barriga” não existe, o que deixa a trama mais ágil e envolvente. O segundo aspecto tem relação com o final: eu sigo não gostando do quê de sobrenatural que a trama utiliza para o seu bombástico desfecho, mas a adaptação de Por Trás de Seus Olhos constrói essa revelação com mais calma, dando pinceladas do que está por vir ao longo dos episódios. Algumas pessoas podem achar isso um defeito, já que “entrega” mais da reviravolta, mas eu preferi esse caminho porque a série prepara o espectador para o momento final.

Por Trás de Seus Olhos é uma excelente minissérie de suspense e cada episódio coloca mais camadas à angustiante relação de Louise, Adele e David. Com apenas 6 episódios, a produção tem uma narrativa ágil, provocando aquela vontade de assistir sem parar para descobrir o que virá em seguida. Há também inegável qualidade técnica e a produção impressiona pela ambientação, pelas atuações e pela trilha sonora. Apesar do meu ranço com o viés místico da trama, a adaptação da Netflix fez um trabalho muito melhor de me convencer a comprá-lo. Se você gosta de um bom suspense, pode dar o play sem medo!

Título original: Behind Her Eyes
Ano de lançamento: 2021
Criador: Steve Lightfoot
Elenco: Simona Brown, Eve Hewson, Tom Bateman, Robert Aramayo

Resenha: Um Estranho Irresistível – Lisa Kleypas

Oi galera, tudo bem?

Hoje vim dividir com vocês minha experiência com Um Estranho Irresistível, o quarto volume da série Os Ravenels!

Garanta o seu!

Sinopse: Uma mulher que desafia seu tempo. Dr. Garret Gibson, a única médica mulher na Inglaterra, é tão ousada e independente quanto qualquer homem – por que não lidar com os próprios desejos como se fosse um? No entanto, ela nunca ficou tentada a se envolver com alguém, até agora. Ethan Ransom, um ex-detetive da Scotland Yard, é tão galante quanto secreto, e sua lealdade é um verdadeiro mistério. Em uma noite emocionante, eles cedem a uma poderosa atração mútua antes de se tornarem estranhos novamente. Um homem que quebra todas as regras. Ethan tem pouco interesse pela alta sociedade, mas é cativado pela preciosa e bela Garrett. Apesar da promessa de resistir um ao outro depois daquela noite sublime, ela logo será atraída para sua tarefa mais perigosa. Quando a missão dá errado, Garret usa toda a sua habilidade e coragem para se salvar. À medida que enfrentam a ameaça de uma traição do governo, Ethan fica disposto a assumir qualquer risco pelo amor da mulher mais extraordinária que já conheceu.

Talvez pelo fato de eu ter demorado bastante pra ler Um Estranho Irresistível após a leitura de Um Acordo Pecaminoso, mas a verdade é que estranhei muito o começo do livro. Ele me soou abrupto e a forma como Garrett se viu envolvida por Ethan foi muito rápida pra mim, especialmente quando pensamos na animosidade que a doutora dirigiu a ele nos volumes anteriores (sim, me prestei a procurar a participação dele). Há também uma série de detalhes que Um Estranho Irresistível retoma que eu havia esquecido, então reler o envolvimento de Ethan foi útil pra me lembrar de pontas soltas que Lisa Kleypas se propôs a fechar a respeito do personagem.

Tirando esse início truncado causado pelo meu lapso de memória, o livro segue a mesma fórmula de sempre: flertes, algo que impede o casal de ficar junto, mais flertes, sexo, resolução dos problemas. E, no geral, eu adoro essa dinâmica dos romances de época e sempre fico animada e suspirante. Com Um Estranho Irresistível, isso não aconteceu. 😦 Eu esperava ser arrebatada por Garrett, que é uma personagem feminina forte e muito à frente de seu tempo, mas acho que o timing não foi favorável e eu não estava no meu melhor momento pra essa leitura (tanto que levei mais dias do que o normal pra concluí-la). Não há nada específico que tenha me incomodado, é mais como se simplesmente não tivéssemos dado match, sabem? Por isso que não quero ser injusta com Um Estranho Irresistível e criticar coisas que, no geral, eu costumo gostar e que dificilmente me incomodam (como os clichês do gênero, por exemplo).

A história de Ethan é mais interessante: ex-investigador da polícia, agora trabalhando diretamente para um homem de alto escalão do Ministério do Interior, o protagonista masculino é cheio de mistérios. Além da relação abusiva que o seu chefe mantém, sabendo que Ethan tem problemas mal resolvidos com seu pai e usando disso para manipulá-lo, existem elementos sobre seu passado que nos deixam curiosos para descobrir. Para ser justa, é bem fácil desvendar esse segredo, mas a ansiedade fica por conta de saber quando e como ele será revelado, assim como as reações dos envolvidos.

Um Estranho Irresistível se afasta bastante do núcleo principal dos Ravenels, e talvez por isso eu não tenha me envolvido tanto quanto poderia. Felizmente existe espaço para um dos meus favoritos, West, que mais uma vez rouba a cena. Não vejo a hora de ler a história focada nele! Mas, em resumo, Um Estranho Irresistível é um bom romance de época e tem tudo pra agradar, só que pra mim acabou sendo só mais uma leitura. Às vezes acontece, né? 🤷‍♀ Eu adoraria de ouvir a opinião de quem já leu: vocês gostaram desse livro? Se sim, me contem nos comentários! Vou adorar ver pontos de vista diferentes, que talvez me façam sentir mais carinho por essa experiência. 😀

Título original: Hello Stranger
Série: Os Ravenels
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
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Resenha: Por Trás de Seus Olhos – Sarah Pinborough

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje estreou na Netflix a série Por Trás de Seus Olhos, que adapta o livro de mesmo nome. Por isso, antes de dar o play, corri para ler o material original e vou contar pra vocês o que eu achei!

Garanta o seu!

Sinopse: Louise é mãe solteira, trabalha como secretária e está presa à rotina da vida moderna: ir para o escritório, cuidar da casa, do filho e tentar descansar no tempo livre. Em uma rara saída à noite, ela conhece um homem no bar e se deixa envolver. Embora ele se vá logo depois de um beijo, Louise fica muito animada por ter encontrado alguém. Ela só não esperava que seu novo e casadíssimo chefe seria o homem do bar. Apesar de ele fazer questão de logo esclarecer que o beijo foi um equívoco, em pouco tempo os dois passam a ter um caso. Em uma terrível sequência de erros, Louise acaba ficando amiga da esposa do amante. E, se você acha que sabe para onde esta história vai, pense de novo, porque Por trás de seus olhos não se parece com nenhum livro que já tenha passado por suas mãos. À medida que é arrastada para a história do casal, Louise acaba com mais perguntas que respostas e a única coisa certa é que algo naquele casamento está muito, muito errado.

Na trama acompanhamos o dilema de Louise, que inicia um caso com seu chefe, David, ao mesmo tempo em que acaba se tornando amiga da esposa dele, Adele. As duas têm uma conexão quase instantânea, especialmente porque dividem um mesmo fardo, que é a dificuldade para dormir. Adele então passa a ensinar uma técnica de sonhos lúcidos a Louise, de forma que ela consiga controlar seus pesadelos e, assim, efetivamente descansar. Só que, com o virar das páginas, o leitor entende que há algo de errado: os capítulos narrados por Adele indicam que ela sabe que está sendo traída por David e Louise, e há alguma trama em curso que a autora mantém em segredo de nós.

Por Trás de Seus Olhos tem um início que me deixou um pouco confusa, pois são 3 linhas narrativas: no presente há a narração em primeira pessoa feita pelas duas protagonistas femininas, Louise e Adele; no passado, a narração acontece em terceira pessoa e acompanha o tempo de Adele numa instituição psiquiátrica, onde ela convive com aquele que se torna seu melhor amigo, Rob. Mas, depois que saquei o padrão dessas mudanças (de primeira para terceira pessoa), a leitura fluiu demais. Sarah Pinborough escreve capítulos curtos e ágeis, exatamente do jeito que eu gosto, fazendo com que fosse difícil largar o livro.

Um dos aspectos mais difíceis nesse livro é o fato de que nenhum personagem presta. Louise é uma mulher que foi traída e mesmo assim não hesita em manter o caso com o marido da sua nova amiga; Adele é obcecada por David e nitidamente esconde segredos; David trai a esposa e há lampejos de uma violência nele que nos faz pensar que Adele corre perigo. Como torcer por pessoas assim? Além disso, como Louise representa o leitor (ou seja, alguém alheio à verdade), é bastante cansativo acompanhar seus questionamentos e dúvidas a respeito de David e Adele quando, nos capítulos narrados por Adele, sabemos que esta já sabe da traição. Fiquei com uma sensação de que a leitura não avançava e apenas se repetia, já que em um momento estou descobrindo os pensamentos de Adele e no momento seguinte preciso ver Louise se questionando a respeito deles.

Quando chegamos ao final do livro, a autora nos traz um plot twist de cair o queixo, mas que também me fez torcer o nariz porque me senti enganada – e não daquele jeito gostoso, de quando as peças se encaixam. A real é que eu me senti feita de trouxa pela autora. Há um aspecto místico em Por Trás de Seus Olhos sobre o qual não vou falar pra não estragar a sua experiência, mas eu fiquei intrigada e torci muito para que mais detalhes sobre ele fossem revelados, e não é o que acontece. Então, quando chegamos ao final da história, simplesmente temos que engolir a solução proposta por Sarah Pinborough, que tem um quê de sobrenatural, o que nem de longe funciona comigo. Eu gosto de thrillers justamente pela proximidade que eles têm com a vida real, com o medo causado pelo que de fato poderia acontecer, e pra mim Por Trás de Seus Olhos falhou nisso ao usar um recurso mal explicado e pouco crível. Pra não ser injusta, ressalto que há sim um aspecto positivo no desfecho: ele condiz com os capítulos narrados em terceira pessoa e explica os diferentes comportamentos de Adele, que me causavam bastante estranhamento.

A verdade é que eu esperava mais de Por Trás de Seus Olhos, especialmente ao ver a nota dele no Skoob. Sim, o final é surpreendente, mas não me convenceu. A história é instigante (apesar das enrolações) e consegue manter a nossa atenção mas, como mencionei nesse post aqui, finais ruins estragam experiências pra mim. Minha torcida agora é para que a série da Netflix trabalhe com mais competência esses detalhes que me incomodaram. E vocês, já leram Por Trás de Seus Olhos? O que acharam? 😉

Título original: Behind Her Eyes
Autora: Sarah Pinborough
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 352
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Review: Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre

Oi pessoal, tudo bem?

A conclusão da trilogia Para Todos os Garotos chegou à Netflix! Agora e Para Sempre encerra a história de amor de Lara Jean e Peter Kavinsky com ternura e novos desafios. Bora pro review?

Sinopse: É o último ano do ensino médio. Lara Jean volta de uma viagem à Coreia e faz planos para a faculdade — com Peter e sem ele.

Agora e Para Sempre, Lara Jean não foi o meu livro favorito da trilogia de Jenny Han, portanto eu não estava especialmente ansiosa pra conferir sua adaptação. Os dois maiores motivos de eu não ter curtido tanto o livro foram as páginas desperdiçadas investidas no casamento do pai de Lara Jean e o apagamento de Peter. Felizmente, o filme consegue equilibrar esses elementos e acabou sendo uma conclusão com a qual simpatizei mais.

Prestes a se formarem no ensino médio, os protagonistas desejam estudar juntos na mesma universidade (que no filme é Standford, diferente do livro). Acontece que, para tristeza dos dois, Lara Jean não é aprovada e precisa refazer seu planejamento. O plano B reside em estudar a 1h de distância de Peter e depois pedir transferência… até que, em uma excursão da escola, a jovem se apaixona pela New York University (que também foi alterada no filme, decisão que achei bem inteligente, porque aproveita melhor a excursão e poupa um tempo valioso). Lara Jean e Peter enfrentam então a insegurança causada pelos 5 mil quilômetros que vão separá-los, sendo este o principal ponto de tensão do longa.

Minha parte favorita de Agora e Para Sempre foram as cenas de Lara Jean com as amigas explorando Nova York e a NYU (apesar de eu ter estranhado bastante a amizade com Gen. Não lembro se se aproximaram tanto assim no livro). Apesar do tom meio pedante que os jovens costumam ter no ambiente universitário, deu pra entender os motivos que levaram Lara Jean a ficar encantada por tudo que a cidade tem a oferecer. Mas tem uma crítica que não posso deixar de fazer: a atuação de Lana Condor mostrou-se bastante limitada e abaixo da média no fechamento da trilogia. Existem momentos de tensão e emoção na história que ela simplesmente não conseguiu transmitir, e isso tirou um pouco do impacto pra mim.

Além das mudanças em relação às universidades que mencionei, o filme também altera um aspecto que considero bastante importante. É um spoiler, selecione se quiser ler: enquanto no livro é Lara Jean que surta e termina com Peter após ser pressionada pela mãe do garoto, no filme a mãe sequer é mencionada, e é Peter quem toma a decisão. Isso coloca Lara Jean numa posição de coitadinha e não curti, especialmente porque é Peter – novamente – quem precisa fazer um gesto grandioso para recuperá-la. Em compensação, faço um elogio a todo o plot do casamento de Dan, pai das meninas, e sua vizinha, Treena (ou Trina, como na legenda da Netflix). A personagem tem muito carisma, faz os comentários certos e é uma adição muito bem-vinda e orgânica à dinâmica dos Covey!

Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre é um filme fofinho que segue a mesma fórmula dos anteriores e encerra a trajetória de Lara Jean e Peter com mais otimismo que sua contraparte literária, o que achei um grande acerto. Fiquei com o coração quentinho e me senti bem por ter acompanhado essa história de amor tão doce (quase tanto quanto os que Lara Jean prepara rs) nas telas também. ❤

Título original: To All The Boys: Always and Forever
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Fimognari
Elenco: Lana Condor, Noah Centineo, Janel Parrish, Anna Cathcart, John Corbett, Sarayu Blue

Resenha: Pequeno Manual Antirracista – Djamila Ribeiro

Oi galera, tudo bem?

Recentemente tive a oportunidade de ler Pequeno Manual Antirracista, da filósofa e ativista Djamila Ribeiro, e foi uma experiência que eu precisava compartilhar com vocês o mais rápido possível. Em tempos de preconceitos sendo televisionados diariamente sem o menor pudor (alô, BBB), pensar e agir de forma antirracista se torna ainda mais necessário.

Garanta o seu!

Sinopse: Neste pequeno manual, a filósofa e ativista Djamila Ribeiro trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em dez capítulos curtos e contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas.

Pequeno Manual Antirracista é um livro super curtinho e objetivo. A autora traz 10 tópicos fundamentais para que a gente dê o primeiro passo em direção à postura antirracista. Diversos assuntos que Djamila aborda são bem mais complexos, e a autora salienta isso (ou seja, ela deixa claro que existem debates que se estendem para além das páginas), mas a questão principal aqui é entender que a obra é um ponto de partida, e não uma verdade absoluta com a qual podemos “nos acomodar”. Djamila Ribeiro nos incentiva a ir além, mas dá as ferramentas iniciais para a virada de chave. E o melhor de tudo: com uma abordagem fácil de entender e com explicações sempre que um termo mais acadêmico surge. Mais democrático, impossível. Com isso, o livro acaba também sendo um instrumento poderoso até para nos fornecer argumentos em discussões com quem não vê a gravidade do problema, já que a autora explica não apenas os problemas causados no presente como também remonta às origens desses problemas.

Só pra vocês terem um “cheirinho” de tudo que Pequeno Manual Antirracista trata, resolvi trazer a lista de capítulos: 1) Pesquise sobre o racismo; 2) Enxergue a negritude; 3) Reconheça os privilégios da branquitude; 4) Perceba o racismo internalizado em você; 5) Apoie políticas educacionais afirmativas; 6) Transforme seu ambiente de trabalho; 7) Leia autores negros; 8) Questione a cultura que você consome; 9) Questione seus afetos; 10) Combata a violência racial; Conclusão: Sejamos todos antirracistas.

Pessoalmente, os itens 3, 4 e 6 dialogaram muito comigo. Falando um pouquinho sobre enxergar a branquitude, é aqui que Djamila traz a ação do branco no combate ao racismo. Mesmo quem não corrobora com violências de raça também usufrui dos privilégios construídos a partir da escravidão. Em um país com mais de 50% da população sendo negra, deveria ser mais chocante que negros sejam minorias em posições privilegiadas de poder. Djamila diz então que o branco precisa não se culpar (que leva à inércia), mas sim se responsabilizar (que leva à ação), fazendo sua parte para ascender pessoas negras. O item 4, que nos provoca a perceber nosso racismo internalizado, também é intenso. Esse é o capítulo que faz a gente questionar até mesmo as frases de “defesa” que usamos pra afirmar que não somos racistas. Acontece que racismo pode estar até no silenciamento quando alguém faz uma piada racista. Ser antirracista é correr o risco de ser designado como “o chato” e seguir cumprindo essa luta. Por fim, o item 6 (sobre ambiente de trabalho) também conversou diretamente comigo, considerando que estou numa posição em que contrato pessoas. Venho fazendo um esforço pra diversificar a minha equipe por entender que o mercado de trabalho ainda relega às pessoas negras subempregos, em sua maioria. Mas estamos muito, muito longe do ideal, e é importante que as empresas tomem à frente de forma mais completa e incisiva (com a criação de comitês de diversidade, por exemplo).

Trouxe alguns exemplos das minhas reflexões pra ilustrar pra vocês o quanto Pequeno Manual Antirracista faz a gente pensar. Todos os pontos trazidos por Djamila Ribeiro são relevantes e valiosos, cada virar de página traz uma lição importante – que incomoda e, justamente por isso, é necessária. O livro expõe de forma clara e contundente as diversas formas que o racismo age na nossa sociedade, e a única forma de mudarmos isso é saindo da inércia. Repito aqui o que Djamila diz na introdução: o antirracismo é uma luta de todas e todos.

Título original: Pequeno Manual Antirracista
Autora: Djamila Ribeiro
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 136
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Dica de Série: Jane The Virgin

Oi pessoal, tudo bem?

Domingo combina com uma série divertida, né? Então pega a pipoca e vem saber mais sobre a dica de hoje: Jane The Virgin!

Sinopse: Depois de jurar que permaneceria virgem até o casamento, Jane Villanueva fica grávida por um erro médico. Hora de revisar os planos para o futuro…

Jane Villanueva é uma jovem que foi criada pela mãe, Xiomara, e pela avó, Alba, sendo esta última muito religiosa. Desde cedo Jane foi ensinada por Alba que a virgindade deveria ser preservada apenas para depois do casamento, e o fato de sua mãe ter engravidado na adolescência foi um fator a mais para que Jane decidisse seguir o conselho da avó. Sua vida vira de cabeça para baixo quando, ao fazer um exame ginecológico de rotina, a jovem acaba sendo inseminada acidentalmente – ficando grávida de Rafael Solano, herdeiro de um grande hotel de luxo em Miami. Essa nova dinâmica promete mudar não apenas a relação de Jane consigo mesma, como também com sua família, com seu noivo (Michael) e com o próprio pai da criança, Rafael. Se essa confusão já não bastasse, Jane The Virgin segue a narrativa das telenovelas, então podem ter certeza de que não faltarão reviravoltas. 😂

Eu cresci assistindo às novelas da Globo e também às mexicanas no SBT, e Jane The Virgin explora esses estereótipos a cada cena de uma forma que faz humor mas também homenageia, dando uma nova roupagem a esse tipo de produção. Cliffhangers que parecem sem pé na cabeça, personagens que voltam dos mortos, paternidade surpreendente revelada, gêmeos do mal e triângulos amorosos são alguns dos elementos presentes na série. Se você já teve o hábito de assistir novelas certamente vai identificar alguns dos padrões, que provavelmente vão te arrancar boas risadas. Além disso, a série por si só traz a latinidade como pilar central, o que é bastante relevante em termos de representatividade. No geral a abordagem das características e tradições latinas é bastante positiva, mas nem por isso a série deixa de tocar em assuntos mais delicados, como as dificuldades da imigração.

A maior parte dos personagens em Jane The Virgin é bem trabalhada, e vamos mudando nossa opinião sobre eles conforme novos desdobramentos surpreendentes acontecem. A família Villanueva é a estrela principal, é claro: Jane é doce, determinada e responsável, mas um pouco teimosa demais, além de achar que está sempre certa; Xiomara tem muitas atitudes de adolescente e nem sempre age com responsabilidade, mas sua devoção e amor à família são inegáveis; Alba pode incomodar um pouco ao impor suas crenças, mas ela protege Xo e Jane com unhas e dentes, sendo também uma das personagens mais carismáticas e divertidas da série. Rafael e Michael compõem o triângulo amoroso e é bem provável que role uma mudança de #TeamMichael para #TeamRafael ou de #TeamRafael para #TeamMichael. Petra, ex-mulher de Rafael e (por vezes) antagonista é a personagem que coloca o tempero necessário na trama. E como não mencionar Rogelio, pai de Jane e protagonista de uma das maiores novelas da atualidade? Ele é incrível: divertido, engraçado, cativante, egocêntrico e nonsense, um combo que torna impossível não gostar dele. Por último, mas não menos importante, temos o excelente narrador da história: seus comentários mordazes trazem muita da graça dos episódios.

Jane The Virgin é uma série carismática e por vezes sem pé nem cabeça, mas que diverte tanto que você ou 1) releva ou 2) entra na onda tal qual um noveleiro de carteirinha. Pra quem busca um entretenimento despretensioso cheio de risadas e reviravoltas, essa é a escolha certa! 😉

Título original: Jane The Virgin
Ano de lançamento: 2014
Criadora: Jennie Snyder Urman
Elenco: Gina Rodriguez, Andrea Navedo, Ivonne Coll, Justin Baldoni, Yael Grobglas, Brett Dier, Jaime Camil, Anthony Mendez

Resenha: Depois do Sim – Taylor Jenkins Reid

Oi pessoal, tudo bem?

Faz um tempo que o nome da Taylor Jenkins Reid está no meu radar e, felizmente, tive a chance de entrar em contato com a escrita da autora por meio do excelente Depois do Sim. Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: Após onze anos de casamento, Lauren e Ryan chegam à triste conclusão de que não estão felizes juntos. Esse poderia ser o fim, mas para os dois é só o começo. Eles vão passar por um ano diferente de tudo aquilo que já viveram, no qual aprenderão muito mais sobre si mesmos do que seriam capazes de imaginar. “Depois do sim” é uma história sobre o que acontece quando a paixão parece não estar mais lá. Sobre as várias facetas do amor. Sobre aprender a mantê-lo, perdê-lo, redescobri-lo e aceitá-lo como ele é. Acima de tudo, é a história de um casal preso nas armadilhas de seus hábitos e manias, mas disposto a buscar um novo e inusitado caminho para fazer dar certo.

O livro começa nos apresentando a um casal visivelmente contrariado na companhia um do outro. O motivo do stress e da animosidade é simples (bobo até) e reside no fato dos dois estarem saindo de um estádio lotado e não lembrarem onde deixaram o carro. Desse ponto, a narradora – Lauren  volta no tempo e começa a contar como seu relacionamento iniciou e como ele chegou àquele momento que acabamos de presenciar. Conhecemos a versão jovem universitária de Lauren e também de seu marido, Ryan, e o amor intenso, saudável e sólido que os dois construíram. Depois lemos a respeito do pedido de noivado e do casamento. Até aqui, a história de amor é de fazer suspirar. Pouco a pouco, conforme vamos chegando perto do presente, pequenos sinais de desgaste vão surgindo: o sexo é quase inexistente, as brigas por coisas corriqueiras aumentam e a distância entre os dois também. E o leitor fica tão triste quanto Lauren e Ryan ao presenciar essa transição, que culmina num acordo desesperado: eles ficarão separados por um ano, sem contato, na tentativa de retomarem a relação após esse prazo. E essa decisão promove mudanças profundas nos protagonistas – especialmente Lauren, cujo ponto de vista nos guia.

Qualquer pessoa que já viveu um relacionamento longo tem grandes chances de se identificar bastante com Depois do Sim. Taylor Jenkins Reid é muito competente em fazer a transição natural que acontece do início do namoro (repleta de paixão) para uma relação duradoura (mais baseada na rotina), colocando um ingrediente fundamental pra fazer com que Lauren e Ryan fracassem: o ressentimento. Se no início da relação um era mais paciente com o outro, dispostos inclusive a concordar com certas coisas só pra ver o parceiro feliz, com o tempo essa prática se torna insustentável. Então Lauren e Ryan carregam uma carga de coisas não-ditas e de mágoas não resolvidas que mina a relação ao ponto de ser impossível dividir o mesmo lar. A decisão de ficarem um ano separados é pouco ortodoxa e causa estranhamento, mas os dois decidem que será necessário esse tempo longe pra entenderem se ainda se amam e sentem saudade um do outro.

Adoro que a autora trate da separação e da mudança do amor com realismo, mas sem ser cínica. Lauren não se torna alguém que não acredita mais no amor ou no próprio casamento – mas se questiona pra entender onde eles erraram, o que poderia ter sido diferente. Isso é muito relacionável, especialmente se você já passou por algum tipo de rompimento significativo. Por mais que no início a separação seja sufocante e Lauren ache impossível viver sem Ryan, aos poucos ela percebe que existe muito na vida além da relação que iniciou aos 19 anos. Sua família tem um papel primordial nisso, e eu adorei os pequenos detalhes que caracterizam cada membro dela. Os Spencer são muito carismáticos, incluindo a ácida e divertida vó Lois. Lauren descreve pequenas “manias” da família, como disputar a melhor rota no trânsito, e há pinceladas disso em várias cenas de forma muito natural, o que causa a sensação de que conhecemos aqueles personagens. Além deles, Lauren também conta com o apoio dos amigos para manter a cabeça ocupada e expandir seus horizontes a respeito de onde a vida pode levá-la (e do quão surpreendente ela pode ser).

Um ponto importante reside no fato de que Lauren busca exemplos à sua volta, desejando ser um deles pra saber o que vem a seguir (como sua mãe, tendo um namorado aos 59 anos, ou sua avó, que amou seu avô a vida toda). Mas a verdade é que cada vida e cada relacionamento são únicos. A gente não consegue, por mais que queira, saber o que vem pela frente. E quando ela se dá conta de que precisa deixar a vida acontecer e ser surpreendida pelo que cada dia reserva, Lauren começa a amadurecer de uma forma que ela não imaginava ser possível.

Depois do Sim é um livro que trata de um tema complexo e por vezes doloroso, mas Taylor Jenkins Reid narra cada passo dessa relação de uma forma divertida, suave e inspiradora, mesmo nos momentos mais difíceis. A visão da autora e da protagonista sobre as relações é bastante real, mas de forma que deixe espaço para a esperança e para a renovação. Lauren é uma narradora fácil de gostar, assim como as pessoas que a cercam, e o leitor se vê torcendo pra que de fato o melhor aconteça após aquele ano (mesmo que isso possa significar um divórcio). Mas, mais do que ser um livro envolvente, Depois do Sim também é uma obra que nos mostra o quanto vale a pena nos conhecermos e estarmos felizes com a nossa própria companhia para então apreciarmos a do outro. Terminei o livro com o coração quentinho, acreditando no amor mas também nas inúmeras possibilidades de recomeço que a vida nos oferece. Favoritado! ❤

Título original: After I Do
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.