Vou, mas volto logo!

Oi gente, tudo bem?

Pra quem não sabe, no último dia 09 de fevereiro eu me formei em Publicidade e Propaganda. ❤ Para comemorar, eu havia decidido me dar de presente minha primeira viagem internacional: vou para San Andres e Providencia, no Caribe colombiano! \o/

Como meu destino é uma ilha com acesso difícil à internet, não vai ser possível me dedicar ao blog durante cerca de duas semanas. Além disso, eu ando bastante cansada (física e mentalmente) e acredito que umas férias daqui também serão muito bem-vindas.

Então saibam que vou, mas volto logo, com a cabeça descansada e as energias renovadas! Já aproveito também para perguntar: vocês gostariam de ver posts especiais da viagem para San Andres e Providencia por aqui? Me contem nos comentários! 😀

Beijos e até breve!

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Resenha: Lendo de Cabeça Para Baixo – Jo Platt

Oi gente, tudo bem?

Eu acho que, até este ano, eu nunca tinha lido um chick-lit. Quando a Editora Rocco lançou Lendo de Cabeça Para Baixo, me apaixonei pela sinopse e não pensei 2x em solicitar. Bora descobrir o que eu achei?

lendo de cabeça para baixo jo platt.pngGaranta o seu!

Sinopse: A felicidade parecia estar batendo à porta de Rosalind Shaw naquele que deveria ser o dia mais feliz da vida dela. Abandonada no altar, sem qualquer explicação ou justificativa, a jovem mergulha numa depressão sem fim, daquelas de passar dias e dias largada à frente da TV, sem força para sair do sofá. Até que um dia seu amigo Tom propõe que ela se torne coproprietária de uma loja de livros antigos, numa cidade do interior. Ro aceita a proposta e se torna sócia de Andrew, o reservado amigo de Tom, e conhece novos amigos, capazes de mudar a vida dela para sempre. Uma história leve e divertida sobre sentimentos feridos e mal-entendidos, equívocos e perdões.

Ros passou por um trauma muito grande e humilhante em sua vida pessoal: foi largada no altar. Antes uma mulher bem-sucedida e confiante, agora Ros tenta superar a depressão que a acometeu depois do episódio. Com a ajuda dos amigos e da família, ela decide sair do emprego anterior, se mudar para uma cidade mais tranquila e virar sócia da Chapters, uma livraria especializada em livros antigos. Lá, ela constrói uma amizade muito bacana com Andrew (seu sócio), George e Joan (suas funcionárias; a primeira é uma mulher linda e elegante, com um coração generoso, e a segunda é uma senhora alto-astral, mas um tanto fofoqueira). Porém, um dia Ros é surpreendida por seu vizinho barbudo e desleixado, que bate à sua porta para pedir desculpas e lhe dar a notícia de que atropelou seu porquinho-da-índia acidentalmente. Essa é a primeira de uma série de gafes, mal-entendidos e situações engraçadas que Ros vai viver.

Lendo de Cabeça Para Baixo tem um clima muito leve, apesar de iniciar contando sobre o passado depressivo de Ros devido ao abandono. A personagem começa a obra bastante desmotivada, apenas “existindo” (e fugindo de alguns banhos), porém, com o passar das páginas, a antiga Ros começa a dar as caras novamente, e muito disso se deve à convivência com seus amigos da Chapters e – por que não? – de seu vizinho, Daniel. Ao contrário da atual Ros, Daniel na realidade é um homem confiante, engraçado e irreverente. Para a surpresa da protagonista, ele é também muito bonito – especialmente depois de tirar a barba desgrenhada. Os dois vivem diversas situações constrangedoras, especialmente graças ao comportamento (meio irritante rs) autocentrado de Ros, que é potencializado pela insegurança que a personagem sente. Afinal, depois de ser abandonada no altar, faz sentido que sua autoconfiança não esteja no melhor nível possível.

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Os diálogos do livro são muito divertidos. Eu me peguei rindo em diversos momentos, porque a leveza é uma constante ao longo da obra. Joan é responsável por alguns desses diálogos mas, ao mesmo tempo, a personagem me causou certo ranço, pois ela faz certos comentários que interpretei como homofóbicos e machistas. Andrew e George são personagens excelentes, sendo uma fonte de apoio muito importante na recuperação de Ros. Contudo, eles são tão interessantes que muitas vezes a própria Ros ficava ofuscada durante a trama. Para mim, esse foi um ponto positivo E negativo da leitura: positivo porque os personagens secundários são envolventes e têm vida própria; negativo porque a autora dedicou tanto tempo a seus plots que, em determinado ponto, a história de Ros deixa de ter tanta relevância.

Entretanto, no terço final do livro coisas BEM interessantes começam a acontecer com a protagonista, dando fôlego à história novamente. O relacionamento com Daniel vai aos poucos se transformando, tornando-se menos constrangedor, ao passo em que Ros vai retomando pouco a pouco sua antiga “eu”. E isso é muito bacana: apesar de ter começado o livro como uma pessoa insegura e muito magoada, ao longo dos meses a protagonista consegue voltar a ser quem era: uma pessoa segura de si mesma e com vontade de viver (inclusive um novo amor). O fato de seu relacionamento com Daniel ser divertido e instigante torna o processo ainda melhor. 😉

Lendo de Cabeça Para Baixo é um chick-lit fofo, com um romance bacana, uma narrativa leve e bons personagens. Mesmo com o desvio de foco para os personagens secundários durante a trama, o livro não cansa o leitor, pois todos os personagens são cativantes. E o que falar da capa? Muito amorzinho! ❤ Em suma, o livro foi uma ótima porta de entrada para os chick-lits e já quero ler mais obras do gênero!

Título Original: Reading Upside Down
Autor: Jo Platt
Editora: Fábrica231
Número de páginas: 288
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

#Lista 8: Livros com protagonistas femininas fortes

Oi gente, tudo bem?

Seguindo a inspiração do Dia Internacional da Mulher e as pautas relacionadas a esse universo – como igualdade de gênero e empoderamento –, hoje resolvi indicar algumas leituras protagonizadas por mulheres fortes!

Katniss Everdeen – Jogos Vorazes

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Katniss é um grande exemplo de força feminina. Responsável pelo sustento do lar, a protagonista da trilogia Jogos Vorazes sempre cuidou de sua família com determinação. Ao ver sua irmã sendo selecionada para os Jogos, não hesitou em tomar seu lugar, atitude que deu início à revolução.

Nihal – As Crônicas do Mundo Emerso

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Nihal é uma jovem que sempre sonhou em ser uma Cavaleiro de Dragão. Desde a infância, alimentou esse sonho e fez de tudo para conquistá-lo, mesmo que a atividade fosse predominantemente masculina. Mesmo sofrendo diversas perdas e enfrentando batalhas sangrentas, Nihal nunca desistiu de ir busca do que acreditava ser certo.

Lou Clark – Como Eu Era Antes de Você

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Nem só poder físico e atitudes destemidas em batalha definem força. Lou Clark é uma personagem que tem grande crescimento no decorrer de Como Eu Era Antes de Você e, ao longo da trama, descobrimos as diversas provações que ela enfrentou em seu passado. Convivendo com o Will, ela desabrocha e reencontra sua luz e força próprias.

Offred – O Conto da Aia

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Força também pode significar sobrevivência. Offred perdeu tudo: sua família, sua liberdade e seus direitos. Oprimida por um governo autocrático e religioso, Offred encontra força em pequenas transgressões, que revelam que sua essência não foi apagada.

Noemi Vidal – Desafiando as Estrelas

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Soldado da Gênesis, um planeta colonizado pela Terra, Noemi é uma jovem de 17 anos que perdeu os pais muito cedo e precisou aprender a se virar sozinha. Entretanto, as desgraças de sua vida não a transformaram em alguém amarga ou cruel; Noemi é empática, corajosa e altruísta – além de ser uma soldado implacável.

E vocês, que personagens femininas fortes escolheriam para essa lista?
Me contem nos comentários quem inspira vocês! ❤

Beijos e até o próximo post. o/

Review: Capitã Marvel

Oi gente, tudo bem?

Capitã Marvel teve sua estreia no significativo dia 8 de Março, e a data não poderia ter sido melhor escolhida, considerando a força e a representatividade trazidas por Carol Danvers. Vamos conhecê-la? 😉

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Sinopse: Carol Danvers (Brie Larson) é uma ex-agente da Força Aérea norte-americana, que, sem se lembrar de sua vida na Terra, é recrutada pelos Kree para fazer parte de seu exército de elite. Inimiga declarada dos Skrull, ela acaba voltando ao seu planeta de origem para impedir uma invasão dos metaformos, e assim vai acabar descobrindo a verdade sobre si, com a ajuda do agente Nick Fury (Samuel L. Jackson).

Carol Danvers é membro do time Starforce da raça alienígena Kree. Seu principal objetivo é acabar com os Skrulls, uma outra espécie que é capaz de mudar sua aparência para qualquer forma que tenham visto antes, o que possibilita que eles se infiltrem em diversos planetas. Porém, depois de uma missão mal-sucedida, Carol cai na Terra, junto de alguns Skrulls. Devotada à sua missão de capturá-los, ela acaba chamando a atenção do (muito mais jovem) Nick Fury, que inesperadamente se une a Carol ao ver de perto a ameaça dos Skrulls. Sabendo que os inimigos desejam encontrar uma tecnologia secreta, elaborada por uma mulher que faz parte do passado de Carol – cujas memórias da vida na Terra estão apagadas –, a dupla parte em busca de informações. O que encontram, porém, são verdades ocultas, segredos revelados e uma realidade totalmente diferente da que acreditavam.

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Depois de assistir a Capitã Marvel, ficou ainda mais nítido pra mim porque o filme sofreu boicotes no Rotten Tomatoes antes da estreia ou porque tem tanto machinho escroto reclamando pelo fato de Brie Larson ser feminista. Capitã Marvel não precisa fazer nenhum discurso verbal para atacar o machismo de forma contundente; o longa faz isso com maestria em todas as cenas em que Carol é menosprezada, diminuída e desmerecida. Por meio de flashbacks, conhecemos o passado – até então esquecido – da protagonista e, desde a infância, Carol sofreu todos os tipos de desencorajamento possíveis. Ao decidir entrar na Força Aérea, um campo tipicamente masculino, ela teve que lutar o dobro pra provar o seu valor. O filme se passa nos anos 80 e 90, mas estamos tão distantes assim dessa realidade? Acho que vocês sabem a resposta. De qualquer forma, o mais incrível nessas sequências do passado de Carol é ver que ela sempre levanta. Não importa que digam que ela não é capaz, que ela nunca vai conseguir, que aquele não é ambiente pra ela; ela sabe que consegue e sabe o que quer. Uma frase do filme resume tudo: ela não precisa se provar a ninguém. Nem nós, garotas, lembrem-se disso. 😉

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Dito isso, devo dizer que o filme é deveras divertido, equilibrando muito bem as cenas intensas de ação e os alívios cômicos. Que surpresa foi ver essa nova face de Nick Fury, que no longa é responsável por muitas falas cheias de humor. Seu relacionamento com o gato Goose arranca diversas risadas, mas sem necessidade de apelação ou piadas forçadas (viu, Thor: Ragnarok?). Além de Nick, temos duas personagens incríveis chamadas Maria e Monica Rambeau. Mãe e filha, as duas são o elo familiar de Carol e, assim como a protagonista, também são uma força da natureza: Maria é mãe solteira e também fez parte da Força Aérea, sendo uma mulher negra, corajosa e independente; Monica, ainda com sua pouca idade, já demonstra muita força de caráter e visivelmente se inspira nas duas mulheres fortes de sua vida. A amizade de Carol e Maria por si só já é inspiradora pois, além de mostrar uma relação entre mulheres – que estão na mesma profissão e almejam a mesma coisa – sem nem um pingo de rivalidade, as duas são fonte de apoio e impulsionam uma à outra em busca de seus sonhos.

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Ainda falando sobre representatividade, mais um aspecto a respeito de Carol foi totalmente desmistificado após a estreia do filme: vi muitos comentários na internet reclamando que Brie Larson não sorria e, por isso, a chamavam de “sem expressão”. Muitos dos que faziam essa reclamação logo traziam Gal Gadot e seu belo sorriso para a comparação, mostrando como deveria ser um filme de super-heroína. Pois bem, vamos lá: não é segredo que eu amei Mulher-Maravilha e acho que o filme abriu portas pra mostrar quão lucrativos e bem-sucedidos filmes protagonizados por heroínas podem ser. Mas essa exigência de sorriso e afabilidade é uma das expressões mais frequentes do machismo diário que sofremos. Quando um homem é sério, ele é determinado, focado, confiável. Quando uma mulher é séria – mesmo enfrentando todas as dificuldades que Carol enfrenta, por exemplo – ela é antipática e sem expressão. Então fica o recado: nós não somos obrigadas a sorrir. Cuidem das suas vidas e não dos nossos rostos, beleza? 🙂 E eu fico ainda mais puta com o fato de que essas críticas não tem cabimento: Carol Danvers sorri, faz piada, é divertida, debochada e é interpretada pela excelente Brie Larson. Mas, quando a porra fica séria, é óbvio que a personagem se comporta tal como a situação exige. Então caras, na boa… parem de forçar a barra.

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Enfim, seguindo adiante… Duas coisas pra mim não ficaram tão legais, mas nem de longe chegaram a estragar minha experiência com o longa. A primeira delas são os flashbacks do passado de Carol, cujo teor eu elogiei. Justamente por trazerem uma característica tão importante da personalidade de Carol, acho que poderiam ter sido mais bem estruturados, dando um pouco mais de tempo para o espectador absorvê-los. O segundo é a relação dos Kree com Ronan; eu só lembrava que Ronan era um Kree, mas não entendi bem qual o papel dele e qual o “cargo” na hierarquia. Talvez seja falta de memória em relação a Guardiões da Galáxia, mas enfim.

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Capitã Marvel não tem a intenção de ser o melhor filme da Casa das Ideias, nem o mais inovador em termos de enredo. E tá tudo bem! Seu papel é introduzir Carol Danvers ao MCU e mostrar o quão poderosa ela é – antes e depois dos poderes. Ao fazer isso, o filme faz diversas quebras de paradigmas no que diz respeito à representação de super-heroínas (e olha que eu posso falar disso com propriedade, já que foi o tema do meu TCC rs): Carol não precisa de um par romântico, trabalha em um ambiente tipicamente masculino, é forte e determinada, nunca desiste de seus objetivos e é uma fonte de coragem e inspiração. Vocês têm noção do que é ser mulher e poder ver isso no cinema? É impossível não vibrar. Ainda que o caminho seja longo no que diz respeito à representatividade, devo dizer que, como mulher e como nerd, saí da sessão com a esperança renovada, sabendo que as próximas gerações terão perspectivas ainda melhores sobre o que podem ser e fazer no mundo. Obrigada por ser parte disso, Carol!

Título original: Captain Marvel
Ano de lançamento: 2019
Direção: Anna Boden, Ryan Fleck
Elenco: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Jude Law, Ben Mendelsohn, Lashana Lynch, Annette Bening

Review: Dumplin’

Oi pessoal, tudo certo?

Para o mês de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) escolheu o tema “filmes protagonizados por mulheres”, de forma a comemorar a data, discutir temas pertinentes ao universo feminino e trazer dicas bem incríveis pra vocês. ❤

uma amiga indicou

Eu escolhi falar sobre Dumplin’, uma das novas produções da Netflix que, além de ter um elenco predominantemente feminino (e, é claro,  protagonistas mulheres), também vai contra diversos paradigmas relacionados à representação de pessoas gordas.

dumplin poster.png

Sinopse: Determinada a desafiar os padrões impostos pela sociedade, a adolescente Willowdean Dickson se inscreve no concurso de beleza organizado por sua mãe, uma ex-miss.

Willowdean, ou simplesmente Will, é uma jovem do Texas que é completamente apaixonada por Dolly Parton, vive trocando confidências com a melhor amiga, trabalha em uma lanchonete, flerta com o colega charmoso e está em constante conflito com sua mãe, Rosie, uma ex-miss e organizadora do concurso de beleza das jovens da cidade. Outra característica de Will é que ela é uma garota gorda; porém, ao contrário de muitas produções por aí, em Dumplin’ isso não é apresentado como algo a ser desesperadamente alterado, pois desde o início do longa percebemos a referência corporal positiva que Will teve por meio de sua tia, Lucy, também uma mulher gorda – e linda e feliz. Contudo, desde a morte precoce de Lucy, Will está enfrentando uma fase difícil, tendo que lidar sozinha não apenas com o luto, mas também com a obsessão de sua mãe com dietas e aparência física. Em um certo dia, ao mexer nos pertences de Lucy, Will encontra uma inscrição jamais feita no concurso de misses da cidade e, em um impulso, decide ela mesma se inscrever – para honrar sua tia e desafiar os padrões que sua própria mãe tanto exalta. A partir desse momento, outras meninas seguem o exemplo de Will por suas próprias razões e acompanhamos sua jornada de preparação para o concurso.

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Dumplin’, em essência, é um filme bem clichê. Temos a protagonista insegura, o boy magia, o makeover e a superação. Mas o que chama a atenção no longa é que todos esses elementos respeitam a identidade gorda de Will, sem necessidade de mudá-la ou emagrecê-la. Ao mesmo tempo, Dumplin’ também consegue mostrar com delicadeza as inseguranças sentidas pela protagonista: em uma cena específica com o garoto dos seus sonhos, vivendo um momento lindo, ela fica travada por pensar nas dobrinhas de sua cintura. A personagem fica emocionalmente fragilizada por conta da situação, mas nem por isso corre para a academia ou para uma dieta restritiva, o que é um ponto MUITO positivo do filme. Afinal, a autoestima é uma construção diária e, não é porque gostamos de quem somos que isso nos impede de ter momentos de insegurança.

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E Will é alguém que vive nesse limiar da (in)segurança. Ela não demonstra o desejo de mudar seu corpo, mas ainda assim se julga indigna de amor por conta da sua forma. Com o passar da trama, entretanto, ela vai entendendo cada vez mais a importância de ser quem ela é e não se desculpar por isso. Uma das frases de Dolly Parton, musa inspiradora da personagem, é recitada mais de uma vez: “Descubra quem você é e faça de propósito”, e esse lema conduz a narrativa até o fim. Além disso, temos a participação de incríveis drag queens que auxiliam no processo de ajudar Will e suas amigas a desabrocharem e ganharem autoconfiança. Entretanto, apesar dessas boas intenções do longa, eu tive grande dificuldade de gostar genuinamente de Will. Não sei se foi falta de carisma da atriz ou se foi a personalidade da personagem, mas pra mim ela era a pessoa menos interessante de acompanhar ao longo da trama. Ainda assim, isso não impediu que eu admirasse sua trajetória de construção de amor próprio e o fortalecimento de suas relações interpessoais.

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Essas relações, por sinal, são a base do filme. O relacionamento com Rosie sempre foi conturbado, afinal, Will nunca se “encaixou” no mundo perfeito da mãe, que passava a maior parte do tempo ocupada e ausente. Justamente por isso, o vínculo criado com a tia tornou-se ainda mais forte, já que Lucy foi um modelo presente e acessível durante toda a infância da jovem. Além disso, a relação com a melhor amiga, Ellen, também tem um peso enorme: entretanto, apesar de Ellen ter deixado claro que nunca viu Will como alguém gordo, essa característica – ou melhor, a diferença entre seus corpos – é vista por Will e acaba se tornando um tema delicado entre as duas em determinado momento da trama. Por fim, temos também a relação com Bo (o crush) e com os novos amigos e amigas que a auxiliam no concurso. Em suma, os elos construídos por Will ao longo da vida são a base para o que ela é hoje e para o que ela vem a se tornar, sendo fonte de apoio na construção e fortalecimento de sua identidade.

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Dumplin’ não é um filme memorável por sua trama, que pode ser encontrada em muitas outras comédias românticas. Entretanto, apesar de não ser meu lugar de fala, acredito que o longa trabalhe com delicadeza o ser gordo, bem como o sentimento de perda, a jornada de autodescoberta e a construção do amor próprio. É um filme que não precisa machucar nenhuma existência para passar sua mensagem, e é sempre importante celebrar produções assim (mesmo que suas tramas não sejam inesquecíveis). Afinal, enquanto mulheres, somos constantemente vigiadas e pressionadas por conta de questões estéticas, e já passou da hora de repensarmos os estereótipos que estamos reforçando e o tipo de produção (seja ela filme, série ou livro) que estamos exaltando. 😉

Título original: Dumplin’
Ano de lançamento: 2018
Direção: Anne Fletcher
Elenco: Danielle Macdonald, Jennifer Aniston, Odeya Rush, Maddie Baillio, Bex Taylor-Klaus, Luke Benward, Harold Perrineau, Hilliary Begley

Livros para ler no Carnaval

Oi gente, tudo bem?

Pensando em quem também é do Bloquinho da Netflix e dos Livros e prefere curtir o Carnaval longe da folia, preparei uma lista de leituras fluidas e envolventes para ler no feriadão. Espero que gostem! 😀

E Não Sobrou Nenhum

e nao sobrou nenhum agatha christie

400 páginas | Resenha |  Compre aqui

Esse é um dos meus livros favoritos e eu li mais da metade dele em uma única tarde. Foi meu primeiro contato com Agatha Christie e já pude perceber porquê ela é chamada de Rainha do Crime. Minha dica é: não se assustem com o número de páginas, tenho certeza que a leitura será fluida. Afinal, será impossível segurar a curiosidade até descobrir quem é o assassino da Ilha do Soldado.

Mentirosos

mentirosos e lockhart

272 páginas | Resenha | Compre aqui

Um livro que me surpreendeu pelo final, Mentirosos também é uma boa opção para o feriadão. Com menos de 300 páginas, a obra consegue manter o leitor confuso até o último (e surpreendente) capítulo.

O Sorriso da Hiena

capa o sorriso da hiena gustavo avila

304 páginas | Resenha | Compre aqui

Aqui, acompanhamos o dilema moral de um psicólogo que é instigado por um serial killer a estudar a origem da maldade humana. Como não ficar curiosa(o) com uma trama assim? Além disso, a narrativa é ágil e o livro não é muito longo, o que super favorece uma maratona de Carnaval.

Outros Jeitos de Usar a Boca

outros jeitos de usar a boca rupi kaur

208 páginas | Resenha | Compre aqui

Apesar de eu não ser a maior fã de poesia, essa obra me tocou. Com poemas que retratam as diferentes experiências (e dores) do ser mulher, Rupi Kaur não nos poupa com suas palavras – em alguns momentos doces, em outros contundentes.

A Sutil Arte de Ligar o F*da-se

a sutil arte de ligar o foda-se

224 páginas | ResenhaCompre aqui

Mais um exemplar de obras que não costumo ler, mas que acabei gostando. O livro é curto, chama a atenção já pelo título e traz um cinismo interessante sobre a vida e sobre a importância que damos a certas coisas. Aprendi algumas lições bem valiosas com ele!

Clube da Luta Feminista

clube da luta feminista

336 páginas | Resenha | Compre aqui

Uma das minhas leituras favoritas do ano passado, eu recomendo esse livro pra todo mundo! Jessica Bennett explora as diversas facetas do machismo no ambiente corporativo e nos mune com táticas para combatê-lo. É um livro importante, mas fácil de devorar graças à sua narrativa divertida.

A Revolução dos Bichos

a revolução dos bichos george orwell

152 páginas | Resenha | Compre aqui

Um dos meus livros favoritos da vida, essa fábula é uma obra fácil de ler, mas isso não diminui em nada sua mensagem poderosa. George Orwell utiliza diversas alegorias para falar sobre a hipocrisia humana e sobre o que acontece quando certos tipos sobem ao poder.

Para Todos os Garotos Que Já Amei

capa para todos os garotos que ja amei

320 páginas | Resenha |  Compre aqui

Não podia faltar um romance bem água com açúcar nessa lista, né? A história inusitada de Lara Jean e Peter Kavinsky cai muito bem um feriadão, já que é difícil largar o livro até a história terminar. E, se você quiser conferir a adaptação, ela está disponível na Netflix. 😉

@mor

@mor

188 páginas | ResenhaCompre aqui

Eu li esse livro há uns anos, mas ainda o adoro! Nele, duas pessoas começam a trocar e-mails após um erro de digitação da protagonista, que desejava entrar em contato com uma revista. Acompanhar os diálogos dessa amizade virtual é muito divertido – especialmente quando os sentimentos começam a mudar.

Confissões de Uma Garota Desastrada

confissoes de uma garota desastrada emma chastain

320 páginas | Resenha | Compre aqui

Uma opção de livro bem leve sobre a adolescência, que traz diversas situações pelas quais a maioria de nós já passou: a ansiedade sobre o primeiro beijo, o primeiro crush, o afastamento natural de algumas amizades… É um livro despretensioso, ótimo para passar o tempo com leveza.

Gostaram das dicas? Já leram alguma das obras sugeridas?
Me contem nos comentários!

E bom Carnaval. 🎉

Resenha: Uma Curva no Tempo – Dani Atkins

Oi gente, tudo bem?

Em fevereiro, o tema da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) foi “livros encalhados”. Basicamente, listamos aqueles livros que estavam esperando há um tempão na estante (ou nos e-readers rs) e que nunca ganhavam vez.

uma amiga indicou

A Carol, do Caverna Literária, me indicou a leitura de Uma Curva no Tempo, e hoje vim contar pra vocês o que achei. Preparem os lencinhos!

uma curva no tempo dani atkins.pngGaranta o seu!

Sinopse: A noite do acidente mudou tudo… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim… Ou funciona? A noite do acidente foi uma grande sorte… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel é perfeita. Ela tem um noivo maravilhoso, pai e amigos adoráveis e a carreira com que sempre sonhou. Mas por que será que ela não consegue afastar as lembranças de uma vida muito diferente?

Rachel vivia uma vida praticamente perfeita: estava terminando o Ensino Médio, tinha um namorado lindo e em breve iria para a faculdade. Até que, no jantar de despedida com os amigos, um acidente mudou tudo. Um carro desgovernado atingiu o restaurante no qual eles estavam e seu melhor amigo, Jimmy, morreu ao salvar a vida de Rachel. O livro então dá um salto para 5 anos para o futuro (vou chamar de realidade A) e descobrimos que a vida da protagonista saiu totalmente dos trilhos: ela convive com dores de cabeça atordoantes, mora em um apartamento minúsculo e nunca foi para a faculdade. A morte de Jimmy afetou Rachel das mais diferentes maneiras e ela sente o luto com uma intensidade esmagadora. Quando é forçada a voltar à sua cidade natal para o casamento de sua outra melhor amiga, Sarah, Rachel decide confrontar a sua dor e visitar a lápide de Jimmy; entretanto, uma crise de enxaqueca a faz desmaiar e bater a cabeça no chão frio do cemitério. E então o livro nos mostra outra realidade 5 anos depois do acidente – que agora vou chamar de realidade B. Nela, Rachel conquistou tudo o que queria: seu namoro de Ensino Médio transformou-se em noivado, ela formou-se em jornalismo e tem um apartamento incrível. Porém, ao voltar à cidade natal para o casamento de Sarah, um assalto faz com que ela caia no chão e bata a cabeça com força. Quem acorda na realidade B, entretanto, é a Rachel da realidade A, e ela se depara com esse turbilhão de novidades, sendo a principal delas o fato de que Jimmy está vivo. O problema é que ela não tem nenhuma memória dessa linha do tempo e tenta a todo custo provar que as vivências estão trocadas.

Dani Atkins consegue nos deixar tão confusos quanto Rachel quando as realidades paralelas – se é que podemos chamar assim – se misturam. De certa forma, conhecemos a Rachel A (da realidade em que Jimmy morreu), depois Rachel B (da realidade em que Jimmy não morreu) e, por fim, Rachel A inserida na realidade da Rachel B. Deu pra entender, né? 😂 Entretanto, acredito que a autora tenha dedicado tempo demais ao momento de confusão da “Rachel A”, com muitas e muitas páginas desenvolvendo sua estranheza com aquele mundo e sua tentativa de retornar ao velho. Isso torna a reação dela verossímil? Talvez. Mas quando você vive uma vida terrível e tem a chance de recomeçar, você realmente tentaria voltar? Eu, no lugar dela, acho que não. E todo esse plot de Rachel tentando se conectar com sua “verdadeira realidade” acaba sendo um pouco cansativo, porque não ajuda a conferir carisma à protagonista-narradora.

Com o passar das páginas, Rachel tem a oportunidade de se aproximar de uma versão adulta de Jimmy e finalmente confrontar uma situação que todos ao seu redor já tinham percebido, menos ela: o sentimento que o rapaz sempre nutriu a vida toda pela melhor amiga. Na nova realidade, Rachel tem a chance de visualizar como as coisas poderiam ser entre eles e percebe que Jimmy – ou melhor, seus sentimentos por ele – sempre foram a resposta para tudo que ela viveu desde o acidente. E, já que o rapaz está em pauta, devo dizer que o personagem é um amor, mas não causa o mesmo impacto da linha do tempo “original”. Acontece que o relato de Rachel sobre a noite do acidente deixou a importância de Jimmy tão evidentes que o apego foi instantâneo – assim como a dor que sentimos quando descobrimos que ele se foi.

resenha uma curva no tempo

Apesar do romance ser um aspecto importante da trama, meu conselho pra vocês é o seguinte: não se deixem enganar pela capa e pela sinopse, essa não é só uma história de amor. Eu me mantive desconfiada durante a leitura inteira e simplesmente não consegui comprar aquilo que Rachel estava vivendo como real. A verdade é que o livro fala sobre perda, escolhas, a importância da família e o quanto, muitas vezes, gostaríamos de ter uma segunda chance na vida. Além disso, a obra também mostra a importância de abrir o coração, falar o que sente e ser honesto consigo mesmo. Nunca sabemos qual será a próxima oportunidade de fazê-lo, então cada dia importa e cada momento é único, justamente por sua fugacidade. O final do livro é um pouco previsível, pois as pistas estavam todas lá, no decorrer das páginas. Ainda assim, é impossível não concluir a leitura com um misto de tristeza e conformidade, pois ele nos faz pensar que talvez tenha sido melhor daquele jeito. Afinal, na situação apresentada pela obra, o que é melhor: viver uma realidade esmagadora ou aquilo que você sempre sonhou, ainda que com sacrifícios? Portanto, o fim acaba tendo um sabor agridoce.

Falando um pouco sobre o que não curti na obra: existem alguns erros de continuidade ao longo do livro (por exemplo: uma hora a Rachel fala em cinco anos e em outro, sete). Também menciona que jamais revelaria x informação ao pai, e páginas depois ela o faz. São pequenos detalhes que não chegam a atrapalhar a trama, mas os notei. Outro aspecto não tão legal diz respeito ao fato de que as coisas demoram a “pegar no tranco”, especialmente pela confusão experimentada por Rachel A ao acordar na realidade B. O livro se demora muito nisso e, somado ao fato de que a narrativa de Dani Atkins é mais poética e trabalhada, a leitura não foi tão ágil quanto eu esperava.

Em suma, Uma Curva no Tempo me agradou bastante, mesmo não entrando para o meu hall de favoritos. É um livro tocante, que utiliza uma situação triste para trazer belas lições. Se você gosta de romances dramáticos, vale a pena dar uma chance. Porém, prepare-se para as eventuais lágrimas que surgirem pelo caminho. 😉

Título Original: Fractured
Autor: Dani Atkins
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 240
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤