Review: Mulan

Oi pessoal, tudo bem?

O live action de Mulan vem dando o que falar desde muito antes de sua estreia no Disney+ e, agora que ele chegou à plataforma, vim dividir com vocês meus sentimentos em relação ao filme. 🙂

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Sinopse: Em Mulan, Hua Mulan (Liu Yifei) é a espirituosa e determinada filha mais velha de um honrado guerreiro. Quando o Imperador da China emite um decreto que um homem de cada família deve servir no exército imperial, Mulan decide tomar o lugar de seu pai, que está doente. Assumindo a identidade de Hua Jun, ela se disfarça de homem para combater os invasores que estão atacando sua nação, provando-se uma grande guerreira.

Antes de tudo, acho importante ressaltar que eu acompanhei as notícias ao longo da produção do longa e, portanto, estava com expectativas alinhadas quanto ao fato do filme não ser um musical e não contar com a participação de personagens icônicos como Mushu e Li Shang. Pra quem não sabe do que estou falando, o novo live action da Disney tem um foco muito maior em honrar o público chinês, que vê no uso do dragão (uma figura mega sagrada) como alívio cômico e sidekick um desrespeito. Dito isso, saibam que minha opinião está pautada no filme pelo filme, e não (apenas) na comparação com o original, combinado? 😀

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Desde menina, Mulan demonstra algo especial: seu chi é intenso e ela é capaz de manipulá-lo como outras pessoas não o são. Porém, o chi é uma característica atrelada a guerreiros e ela, sendo mulher, deve ocultar tal habilidade e honrar sua família por meio do casamento. A jovem cresce com esse “segredo” e tenta se encaixar nos moldes tradicionais, mas quando cada família é convocada a ceder um homem para a guerra contra os Rourans que se aproximam, Mulan decide tomar o lugar de seu velho pai. Passando-se por um homem, ela treina para se aprimorar como guerreira enquanto busca entender seu verdadeiro papel.

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Sabendo que o filme é baseado no conto original de Mulan (que data lá do século VI), eu tentei me manter de coração aberto às novidades, como por exemplo o fato de haver uma mulher chamada de bruxa (apenas porque domina seu chi de maneira excepcional e consegue utilizá-lo como verdadeira magia) e pelo fato de Mulan se diferenciar de seus pares por também demonstrar domínio sobre essa energia. Acontece que, mesmo com toda a boa vontade do mundo, Mulan foi um filme chato de assistir.

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A começar pela protagonista: a atriz que interpreta Mulan é uma versão oriental da Kristen Stewart em Crepúsculo. Ela não demonstra nenhuma emoção, tem zero carisma e me deixou profundamente agoniada com seus golpes no ar que serviam pra ela atirar o cabelo pra longe quando caía no chão, tipo comercial de shampoo. O fato da personagem se destacar devido ao seu chi, e não pelo trabalho duro e pela determinação, também foi outro aspecto broxante: Mulan foi criada para ser uma mulher tradicional, e vê-la rompendo com esses estigmas e se esforçando tanto quanto qualquer homem (e ainda se sobressaindo) era uma das coisas mais poderosas da animação – que aqui perde força porque, apesar do esforço, Mulan tem de fato um aspecto “mágico” que a torna única. A personagem, portanto, se torna menos relacionável com o espectador.

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Os vilões são muito mal desenvolvidos, e os Rourans são caricatos e não oferecem uma ameaça que nos faça temer de fato, já que (diferente do desenho) não causam nenhuma perda a nível “pessoal”. Por outro lado, Xian Lang (a “bruxa”) que os auxilia tem mais camadas e representa uma dualidade com a própria Mulan, levando a personagem a se questionar sobre a própria identidade e sobre a injustiça de ter seu chi oprimido porque os outros não sabem lidar com isso. Ela é uma anti-heroína que oferece uma reflexão sobre o machismo que até hoje nos desencoraja de demonstrar todo o nosso potencial enquanto mulheres, e eu diria que essa provocação quanto aos papéis de gênero é o principal ponto forte do filme.

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Poderíamos pensar que as lutas seriam capazes de salvar o filme, certo? Errado, pelo menos pra mim. O live action tem uma estética típica de filmes de luta orientais, o que inclui movimentos super coreografados em slow motion. Se você curte essa vibe, talvez curta também esse aspecto do longa. Eu não me identifico nadinha com esse tipo de produção, então fiquei com um pouquinho de vergonha alheia nesses momentos de slow motion. Entretanto, reconheço a importância de contar essa história de uma forma que não agrida a cultura chinesa e ressalto como é importante um filme blockbuster contar com um elenco de fenótipo 100% oriental.

Resumindo, eu diria que Mulan é no máximo um filme nota 6 (numa escala de 10). O maior problema é que ele não se destaca, não arrepia, não emociona. Mesmo sem fazer nenhum tipo de comparação, o live action de Mulan se mostrou uma produção genérica e esquecível, que eu provavelmente não vou assistir uma segunda vez. Espero que ao menos para o público ao qual ele foi destinado tenha sido uma boa experiência.

Título original: Mulan
Ano de lançamento: 2020
Direção: Niki Caro
Elenco: Liu Yifei, Donnie Yen, Jet Li, Gong Li, Yoson An, Jason Scott Lee, Susana Tang, Tzi Ma, Rosalind Chao

 

Review: Estou Pensando Em Acabar Com Tudo

Oi pessoal, tudo bem?

Estava ansiosa para conferir e contar pra vocês o que achei da adaptação do livro de Iain Reid que bugou a minha cabeça, então bora falar a respeito de Estou Pensando Em Acabar Com Tudo? 😂

estou pensando em acabar com tudo

Sinopse: Uma jovem vai com o namorado conhecer os pais dele em uma fazenda remota e embarca em uma viagem para dentro de seu próprio psiquismo.

A trama do filme se inicia como a do livro: uma jovem está viajando com o namorado, Jake, para conhecer os seus pais. Apesar do casal estar dando esse passo importante, a moça passa a viagem inteira pensando que deseja acabar com tudo e romper o relacionamento. Quando os dois chegam na fazenda dos pais dele, a trama ganha um tom aflitivo e claustrofóbico, pois coisas estranhas começam a acontecer: há nítidas mudanças de linha temporal, a protagonista muda de nome e profissão, os pais de Jake aparecem cada vez de um jeito e aparece até uma foto da protagonista quando criança – que logo se transforma em uma foto de Jake.

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Essas mudanças surreais e o tom inquietante delas me lembraram muito da sensação que tive ao assistir Mãe!. Os acontecimentos parecem inocentes, mas você sabe, lá no fundo, que não são. Senti algo parecido durante a leitura também, um receio de que algo muito errado estivesse acontecendo por baixo da superfície, o que me fez temer pelos personagens na época. Acontece que, no filme, o diretor consegue deixar mais claro para o espectador que estamos vendo uma trama que se passa na cabeça dos personagens (ou melhor, de um determinado personagem). As cenas do casal na casa dos pais de Jake se intercala com cenas de um zelador idoso vivendo seu cotidiano, e os paralelos entre as situações servem como pista e também como provocação: o que é real?

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Quando li o livro, a viagem de carro e os diálogos na casa foram a parte mais cansativa da história pra mim, enquanto a perseguição na escola me fez devorar as páginas. Assistindo ao filme, o oposto aconteceu: a viagem de carro e a visita aos pais de Jake deram pistas fundamentais para a compreensão da trama, enquanto o final foi um tanto “wtf?”, apesar de ser compreensível. A partir daqui, há spoilers sobre o final: nesse terceiro ato do longa, fica claro que tudo que vimos até então aconteceu na mente do zelador. De forma fragmentada, ele relembra diversos momentos da sua vida, inclusive pessoas com quem namorou e até relações que não aconteceram (como quando a protagonista diz que nunca interagiu com o homem na noite de perguntas). Isso explica as passagens do tempo dentro da casa de seus pais, e explica também porque a foto da protagonista criança se transforma na foto de Jake criança: os dois são a mesma pessoa, ou melhor, a namorada não existe de fato – é a personificação de um desejo de Jake de ter um relacionamento. Na vida real, ou seja, na trama do zelador, fica nítido que ele é um homem solitário e que observa a vida como um espectador. Na última cena, Jake finalmente encontra a grandeza em sua imaginação, e ele “envelhece” mentalmente todas as pessoas com quem cruzou e de cujo reconhecimento ele gostaria de receber. Fim dos spoilers!

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De forma geral, Estou Pensando Em Acabar Com Tudo me causou uma sensação parecida com a que senti lendo a obra de origem: boa parte da trama foi cansativa, senti sono, mas quando as engrenagens começam a funcionar e você se pega tentando conectar os pontos, o interesse surge. Entretanto, diferente do livro que me fez amar o final graças à surpresa, o filme não provocou a mesma sensação. É um final muito mais metafórico e cheio de cenas surreais que, para o meeeu gosto, são chatas de assistir. O impacto que tive com a leitura, daquela verdade nua e crua tão “óbvia” sendo jogada na minha cara, não aconteceu. Ainda assim, o filme não é um desperdício de tempo e é uma boa obra de forma geral: as atuações são competentes, a construção do suspense é eficiente e, se você prestar bem atenção, está tudo explicado nas entrelinhas. Vale espiar!

P.S.: que agonia que no título em português eles tiraram o primeiro “Eu” antes de “Estou” rs.

Título original: I’m Thinking of Ending Things
Ano de lançamento: 2020
Direção: Charlie Kaufman
Elenco: Jessie Buckley, Jesse Plemons, Toni Collette, David Thewlis, Guy Boyd

Review: Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica

Oi pessoal, tudo bem?

A Prime Video, da Amazon, tem atualizações constantes no catálogo, e recentemente Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica – o filme mais recente da Disney Pixar – chegou por lá. Conferi e vim correndo contar pra vocês o que achei. ❤

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Sinopse: Em um mundo transformado, no qual as criaturas não dependiam mais da magia para viver, dois irmãos elfos recebem um cajado de bruxo de seu falecido pai, capaz de trazê-lo de volta à vida. Inexperientes com qualquer tipo de magia, Ian e Barley não conseguem executar o feitiço e acabam gerando uma criatura sem cabeça. Para passar mais um dia com seu pai, eles embarcam em uma jornada fantástica. Ao perceber a ausência dos filhos, sua mãe se une à uma lendária manticora para encontrá-los.

Sinceramente, acho que a sinopse já diz claramente a trama central do filme, então não vou me estender muito nisso. Mas, basicamente, Dois Irmãos se passa em um universo fantástico em que a magia deixou de existir, sendo substituída pela tecnologia. No aniversário de 16 anos do elfo Ian, sua mãe entrega a ele e seu irmão mais velho, Barley, um presente deixado pelo falecido pai, Wilden: um cajado mágico e um feitiço para trazê-lo de volta por 24h. Entretanto, a gema necessária para fazer o feitiço acontecer explode no meio do processo e Ian e Barley acabam tendo o pai… da cintura pra baixo! Eles partem então na missão de encontrar uma nova gema para completar o feitiço e ter o resto do dia com Wilden.

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Eu não exponho muitos detalhes da minha vida pessoal por aqui, mas eu perdi meu pai aos 12 anos. Com isso, acredito que vocês possam imaginar o quanto a trama de Dois Irmãos mexeu diretamente com as minhas próprias lembranças e cicatrizes. A jornada de Ian e Barley em busca de uma oportunidade de rever seu pai, ainda que por pouco tempo, é possivelmente algo que todo mundo que já perdeu um ente querido consegue compreender. Dois Irmãos é, portanto, uma história sobre o luto – e sobre o quanto ele impacta em nossas vidas.

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Ian, o irmão mais jovem, é um rapaz inseguro, cujo buraco causado pela ausência de Wilden (que faleceu antes dele nascer) ocupa um grande espaço em sua vida. Apesar do carinho e do suporte dados pela mãe e pelo irmão, Ian sente que lhe falta um referencial fundamental para entender quem ele realmente é. Esse vazio sentido pelo personagem nos leva às lágrimas logo nos primeiros momentos do filme e marca o desespero dele durante a trama, motivado a conseguir a todo custo a pedra mágica que lhe permitirá completar o feitiço. Barley, por outro lado, tem uma personalidade praticamente oposta à do caçula: o rapaz é otimista, completamente fascinado pelo universo mágico que um dia fez parte do mundo em que vive e é nitidamente o fã número 1 do irmão mais novo. O elfo mais velho, porém, lida com o luto de uma maneira diferente: ele teve a oportunidade de conhecer e conviver brevemente com Wilden, sendo obrigado a dizer adeus cedo demais. E o longa também trabalha essa nuance do personagem conforme a trama avança.

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Apesar da trama parecer mega pesada, Dois Irmãos é também divertidíssimo. Há muitos personagens engraçados (como a manticora que se torna uma aliada da mãe dos meninos na busca pelos dois) e diversas cenas capazes de arrancar risadas (a maioria protagonizada pelas pernas do pai). A mistura de um cenário contemporâneo a criaturas saídas de um livro de conto de fadas medieval também funciona superbem, e o visual de tudo isso impressiona. O que esperar de uma produção Disney Pixar, não é mesmo? Lindeza em cada detalhe, como sempre. Para completar, o longa ainda traz cenas que causam apreensão e nervosismo, tendo um ótimo combo de elementos para um filme do gênero.

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O amadurecimento dos personagens ao longo da trama vale o destaque. Enquanto Ian precisa enfrentar seus medos e assumir mais protagonismo ao longo da jornada, também fica claro que Barley deseja provar o seu valor. Tido como um encrenqueiro, o irmão mais velho tem em si uma inocência e uma energia contagiantes, mas uma tendência nata a arranjar confusões. Na minha opinião, Ian não tem taaanto carisma, e acabei me afeiçoando mais a Barley; sua vontade genuína de mostrar que não é alguém inútil, assim como o carinho e a confiança depositada no irmão caçula, fizeram com que o personagem me conquistasse.

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Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica mexe com as nossas emoções. Apesar de não ter sido a obra recente da Disney Pixar que eu mais amei, a trama conversa diretamente com minhas experiências pessoais, o que me fez sentir muito carinho pelo filme. O final é surpreendente e comovente, e traz uma lição importante: às vezes a gente já tem todo o amor e o referencial que precisa, mesmo sem se dar conta. O amor incondicional e o apoio podem vir de um lugar menos óbvio, ainda que nada substitua o amor e a presença dos pais. Sensível ao lidar com o luto e colocando o amor fraternal no centro da narrativa, Dois Irmãos é um filme que vale a pena ser visto. 

Título original: Onward
Ano de lançamento: 2020
Direção: Dan Scanlon
Elenco: Tom Holland, Chris Pratt, Julia Louis-Dreyfus, Octavia Spencer, Wilmer Valderrama

Review: A Cinco Passos de Você

Oi pessoal, tudo bem?

Vamos conversar sobre o último filme que me deixou com o rosto inchado de chorar? Vamos! Estou falando sobre A Cinco Passos de Você, disponível no Amazon Prime Video.

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Sinopse: No enredo de A Cinco Passos de Você, Stella Grant (Haley Lu Richardson), aos dezesseis anos de idade, é diferente da maior parte dos adolescentes: devido a uma fibrose cística, ela passa muito tempo no hospital, entre tratamentos e acompanhamento médico. Um dia, conhece Will Newman (Cole Sprouse), garoto que sofre da mesma doença que ela. A atração é imediata, porém os dois são obrigados a manter distância um do outro por questões de saúde. Enquanto Stella pensa em quebrar as regras e se aproximar do garoto da sua vida, Will começa a se rebelar contra o sistema e recusar o rigoroso tratamento.

Stella é uma adolescente que sofre com a fibrose cística, uma doença genética que causa, entre outros problemas, uma grande quantidade de muco nos pulmões (sendo necessário transplante para evitar que o paciente venha a óbito). Acostumada a viver no hospital, Stella criou um canal para falar sobre a doença e sua rotina, fez amizades no local e segue rigorosamente cada passo do seu tratamento. O que ela não esperava era ter a oportunidade de também se apaixonar nesse lugar tão angustiante; quando Will (que também sofre de fibrose cística) aparece em sua vida, ambos começam a questionar o que é realmente viver. Ainda há um agravante no relacionamento dos dois: Will é portador de uma bactéria que impede o transplante, e portanto ele não pode chegar a menos de 6 passos de Stella para não correr o risco de infectá-la.

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Para ser honesta, acho que me encantei com A Cinco Passos de Você logo nos primeiros minutos. Stella é tão carismática e tão cheia de luz que a afeição por ela ocorre quase que instantaneamente. Sua amizade com as enfermeiras e com seu melhor amigo, Poe,  é encantadora, assim como o modo com que Stella conduz uma situação tão difícil. A chegada de Will mexe com sua rotina controlada e traz um pouco de impulsividade e surpresa, o que também é delicioso de assistir. O jovem encara a vida de uma maneira mais cínica, alegando não se importar com as coisas em função de seu corpo ter “um prazo de validade”. E a forma completamente antagônica com que os jovens lidam com a doença traz ensinamentos para ambos: Stella aprende a se permitir um pouco mais, a fazer o tratamento para efetivamente viver (em vez de viver para seu tratamento); Will compreende que é necessário valorizar a vida que se tem, por isso cuidar de si mesmo tem tanta importância.

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O relacionamento dos dois acontece gradualmente e é tão doce e doloroso que eu não sabia se em determinados momentos eu chorava de emoção ou de tristeza. O filme tem como base para diversas reflexões o toque físico: o abraço apertado, o aperto suave na mão para transmitir força, o beijo apaixonado. Como viver sem tudo isso? Como encontrar uma forma de lidar com a falta do toque humano, necessário desde que nascemos? Ao mesmo tempo que o longa nos leva a refletir sobre isso e valorizar a oportunidade que temos, ele também causa um aperto enorme no coração ao pensarmos sobre quem não tem essa chance – que, para quem não sofre com a doença, parece algo tão básico, tão corriqueiro. É impossível chegar ao final do filme sem querer abraçar alguém sem pressa para soltar.

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O final do filme me surpreendeu. Eu estava esperando uma vibe A Culpa é das Estrelas e, mesmo tratando de uma doença muitas vezes fatal, A Cinco Passos de Você consegue concluir essa história emocionante de uma forma menos óbvia, mas igualmente emocionante. Depois de acompanharmos a trajetória de Stella e Will, que “roubaram da vida” somente um passo para ficarem mais perto um do outro, é tocante perceber o quanto essa relação mudou profundamente cada um deles.

A Cinco Passos de Você me fez chorar do início ao fim, mas também me inspirou de diversas formas. Se nesse momento (de pandemia, ansiedade e isolamento social) você se sente emocionalmente bem para uma trama como essa, recomendo muito o filme! É um romance lindo, apaixonante e que nos relembra do valor da nossa saúde, de sermos gratos pelo que temos e que devemos aproveitar cada segundo com quem amamos.

Título original: Five Feet Apart
Ano de lançamento: 2019
Direção: Justin Baldoni
Elenco: Haley Lu Richardson, Cole Sprouse, Moises Arias, Kimberly Hebert Gregory

Review: Entre Facas e Segredos

Oi pessoal, tudo bem?

Com as críticas positivas, somadas ao fato de que amo histórias policiais, fiquei bem curiosa para assistir a Entre Facas e Segredos. Hoje conferi a produção e vou contar pra vocês meu veredicto.

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Sinopse: Após comemorar 85 anos de idade, o famoso escritor de histórias policiais Harlan Thrombey (Christopher Plummer) é encontrado morto dentro de sua propriedade. Logo, o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) é contratado para investigar o caso e descobre que, entre os funcionários misteriosos e a família conflituosa de Harlan, todos podem ser considerados suspeitos do crime.

Entre Facas e Segredos flerta diretamente com o estilo Agatha Christie de construir histórias policiais. Na trama, o chefe de uma família (o famoso escritor Harlan Thrombey) é encontrado morto no que parece ser uma cena de suicídio. Entretanto, o detetive particular Benoit Blanc é anonimamente contratado para investigar o caso, e ele tem vários motivos para acreditar na hipótese de homicídio.

Com um elenco de peso, que reúne nomes como Daniel Craig, Chris Evans, Toni Collette e Jamie Lee Curtis, devo dizer que minhas expectativas pra esse filme eram altas. A premissa é interessante e me lembrou instantaneamente de Ordeal by Innocence, minissérie baseada na obra de Agatha Christie que eu adorei. Contudo, na prática eu acabei achando o filme morno e moroso, me fazendo cochilar lá pelos 50 minutos de duração.

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Há uma abordagem diferente do que costumamos ver em tramas policiais: Entre Facas e Segredos rapidamente revela o que aconteceu com Harlan Thrombley e quem é a pessoa responsável por sua morte. Também diferente da maioria das produções do gênero, o longa discorre por meio da perspectiva da pessoa culpada, e não pela visão do detetive. É interessante por diferir de outras obras similares, mas ao mesmo tempo torna a experiência cansativa e sem causar muita aflição ou urgência pra descobrir o que houve.

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O final, onde todas as peças se encaixam e os segredos são revelados, não impacta. Aliás, nem consegui sentir toda a genialidade do tal detetive Blanc. Por mais que as explicações façam sentido (e isso é algo que eu aprecio e dou o devido mérito), o filme simplesmente não empolga. 😦 Além disso, grande parte do elenco é bastante dispensável. Jamie Lee Curtis, por exemplo, mal e mal tem falas que façam a diferença. Isso pode ser replicado pra quase todos os membros da família Thrombley. A impressão que fica é que usaram nomes de peso pelo marketing, e não porque a trama precisasse de tais talentos (diferente do que acontece em Assassinato no Expresso do Oriente, em que todos os personagens têm um papel importante e cuja presença é justificada).

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Com uma protagonista extremamente sem sal (cujo problema bem besta ao mentir parece só uma conveniência de roteiro), um detetive meio estranho e vários personagens subaproveitados, Entre Facas e Segredos acabou sendo uma decepção. Sigo no aguardo de mais filmes do gênero que realmente me empolguem. :/

Título original: Knives Out
Ano de lançamento: 2019
Direção: Rian Johnson
Elenco: Daniel Craig, Ana de Armas, Chris Evans, Jamie Lee Curtis, Toni Collette, Michael Shannon, Lakeith Stanfield, Christopher Plummer

Review: Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você

Oi galera, tudo bem?

Depois do sucesso de Para Todos Os Garotos Que Já Amei, eu estava ansiosa para conferir P.S. Ainda Amo Você. Depois de 1 ano e meio de espera, o filme finalmente está entre nós! \o/

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Sinopse: Lara Jean (Lana Condor) não esperava se apaixonar por Peter Kavinsky (Noah Centineo) quando eles fingiam namorar, mas a relação entre os dois rapidamente deixou de ser artificial. Só que, ao se reconectar com uma paixão do passado, John Ambrose McClaren (Jordan Fisher), tudo fica ainda mais complicado para a jovem, que precisa entender o que se passa internamente para tomar uma grande decisão.

P.S. Ainda Amo Você inevitavelmente difere de modo considerável de sua contraparte literária, já que um dos principais plots (o vazamento do vídeo no ofurô) é trabalhado no primeiro longa. Isso faz com que a continuação não foque tanto nesse aspecto importante da vida da Lara Jean e de seu relacionamento com Peter, começando já no primeiro encontro oficial deles. Tudo parece ir superbem entre os dois, até que a protagonista recebe a resposta de uma de suas cartas de amor: dessa vez quem entra em contato é John Ambrose McClaren, que balançou o coração da garota no início da adolescência. Quando Lara Jean descobre que o jovem vai trabalhar como voluntário na mesma instituição que ela, seus sentimentos ficam ainda mais confusos.

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Eu não quero focar totalmente em explorar as diferenças do livro e do filme (que são várias), mas para citar rapidamente algumas das principais: aqui John Ambrose não é neto de Stormy, a senhora com quem Lara Jean faz amizade no instituto Belleview; Josh nem é mencionado; Margot tem uma participação minúscula e a maneira como Lara Jean descobre que Peter e Gen estão se vendo também é menos impactante. Essas mudanças têm como consequência um enfraquecimento dos dilemas vividos pelo casal principal e uma conexão mais fraca entre Lara Jean e John Ambrose. E acho que foi isso que fez com que o filme não causasse em mim o mesmo impacto do primeiro: parece que faltou tempero, sabem?

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Felizmente, a adição de John Ambrose foi bem-vinda. O novo ator transmite a gentileza e a timidez do personagem de uma maneira muito fofa e, assim como no livro, me vi torcendo por ele. Eu realmente detesto as atitudes de Peter em P.S. Ainda Amo Você, e sinceramente não sei se perdoaria todo o rolê do vazamento do vídeo do ofurô. No filme a resolução desse conflito acaba sendo morna e fácil demais, e sinto que o personagem não teve a evolução que precisava. Outra coisa da qual senti falta foi a dinâmica familiar de Lara Jean e seu relacionamento com Stormy. Esta, em especial, é uma personagem muito importante para a protagonista, trazendo conselhos sobre a vida e sobre garotos e incitando Lara Jean a se permitir viver mais experiências. No filme ela aparece bem pouco, o que acaba sendo um desperdício.

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O longa, porém, acerta ao mostrar que é impossível se relacionar com alguém estando com o coração 100% seguro. Amar é ser vulnerável, é saber que seu coração pode ser partido e que você não tem controle sobre isso. Lara Jean é uma garota que sonha em viver um grande romance, mas que na prática se coloca na defensiva. Sua insegurança em relação à Gen a impede de ser ela mesma e de viver seu relacionamento plenamente (ainda que as atitudes de Peter não ajudem em nada na insegurança dela rs). Quando ela finalmente entende que precisa deixar certos medos pra trás, ela consegue se abrir para uma relação de verdade, que tem seus altos e baixos.

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Para Todos Os Garotos: P.S. Ainda Amo Você não brilha tanto quanto o primeiro filme, apesar de ser um romance fofo e que entretém. O potencial dos personagens não é explorado ao máximo, mas o carinho que sentimos por eles se mantém. Agora nos resta aguardar o terceiro longa e torcer para que a conclusão dessa trilogia aqueça nosso coração. 🙂

Título original: To All The Boys: P.S. I Still Love You
Ano de lançamento: 2020
Direção: Michael Fimognari
Elenco: Lana Condor, Noah Centineo, Jordan Fisher, Holland Taylor

 

Review: Por Lugares Incríveis

Oi pessoal, tudo bem?

Um dos filmes mais aguardados por mim finalmente chegou à Netflix, e hoje vou contar pra vocês o que achei de Por Lugares Incríveis.

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Sinopse: Devastada pela perda da irmã, a introvertida Violet Markey (Elle Fanning) recupera a vontade de viver ao conhecer Theodore Finch (Justice Smith), um jovem excêntrico e imprevisível.

Quem leu minha resenha sabe que o livro de Jennifer Niven me tocou profundamente e se tornou um dos meus favoritos. A trágica história de amor de Violet Markey e Theodore Finch arrebatou meu coração, arrancou lágrimas e soluços e me causou uma tremenda ressaca literária. Em parte, sua adaptação conseguiu causar sensações semelhantes.

Na história, conhecemos dois adolescentes repletos de cicatrizes emocionais. Violet perdeu a irmã em um acidente e desde então vive num torpor. Finch, por sua vez, se apresenta com uma fachada irreverente e efusiva – que esconde demônios internos e um quadro depressivo do qual ninguém sabe. Unidos por um projeto da escola, os dois precisam conhecer e escrever a respeito de lugares de Indiana, e essas andanças permitem que um amor nasça e certas feridas se fechem.

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Preciso dizer que me apaixonei pela performance de Elle Fanning como Violet. A atriz superou minhas expectativas e conseguiu dar vida às nuances e profundidade da personagem. Suas expressões apáticas lentamente vão sendo substituídas por sorrisos tímidos e, conforme o longa acontece, ela vai desabrochando. Justice Smith, por outro lado, não conseguiu evocar o mesmo apego que senti pelo Finch do livro. Sinto que até houve esforço na atuação mas, para ser justa, o roteiro não favoreceu: o roteiro foca muito mais em Violet e em sua transformação do que nos problemas que Finch mantêm ocultos. Isso faz com que o personagem perca muito de sua riqueza e até dificulta para o espectador entender o quê afinal ele está vivendo. No livro existem vários momentos narrados pela sua perspectiva, e lá fica claro (ainda que nunca escrito explicitamente) que os quadros de depressão que o acometem são frequentes e intensos. O jovem fala sobre a morte em diversas oportunidades, o que não acontece no filme. Essa foi a maior falha da adaptação, na minha opinião: Finch é importante demais pra ficar em segundo plano, apenas como um trampolim para a melhora de Violet.

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Apesar de não ter me apaixonado pela performance de Justice Smith, gostei da sua química com Elle Fanning. As cenas em que os dois jovens passam juntos e pouco a pouco se apaixonam são encantadoras e prometem arrancar sorrisos bobos. Assim como no livro, o romance acontece de maneira natural, conforme Violet vai se abrindo para viver (e se permitir sentir) novamente.

Infelizmente, os temas importantes tratados no livro não ganham o mesmo espaço no filme (o que pode ser lido até como irresponsabilidade da adaptação, devido à gravidade do assunto abordado). Como mencionei anteriormente, os problemas de Finch ficam em segundo plano quando comparados aos de Violet. Acontece que, para entender o final, é imprescindível ter todo o contexto a respeito do personagem: o bullying que ele sofre, sua família disfuncional, a omissão dos adultos ao seu redor. Esse somatório de eventos faz com que Finch se sinta cada vez mais sem esperança, sem conseguir sair sozinho do vazio no qual ele frequentemente se encontra. No filme temos uma única cena que eu considero poderosa nesse sentido: ao conversar com sua irmã, Finch tenta encontrar um modo de acreditar que seu pai (que também enfrentava momentos sombrios) poderia ser salvo. Indiretamente, ao falar sobre o pai, o jovem revela uma vontade dele próprio ser salvo, um desejo de encontrar algum argumento que prove que há saída. 

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Apesar das falhas relacionadas a Finch, Por Lugares Incríveis me emocionou demais (os olhos inchados que o digam). Parte dessa emoção aconteceu por lembrar do livro e da tristeza que eu senti quando cheguei ao fim, mas a outra parte é mérito do longa. O filme consegue trazer a atmosfera das páginas com competência, a fotografia encanta e a trilha sonora é emocionante, sendo crucial para evocar emoções. Apesar das ressalvas, que considero importantes, eu gostei bastante do que vi na tela, e sinto que foi feito um bom trabalho na adaptação. Foi bom lembrar de todas as cores em uma, em pleno brilho, mais uma vez.

Título original: All The Bright Places
Ano de lançamento: 2020
Direção: Brett Haley
Elenco: Elle Fanning, Justice Smith, Alexandre Shipp, Luke Wilson, Kelli O’Hara, Keegan-Michael Key

Review: História de um Casamento

Oi pessoal, tudo certo?

Os feriados de Natal e Ano Novo foram ótimos pra colocar algumas séries e filmes em dia. Uma das produções a que assisti foi História de um Casamento, que concorre ao Oscar como melhor filme.

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Sinopse: Nicole (Scarlett Johansson) e seu marido Charlie (Adam Driver) estão passando por muitos problemas e decidem se divorciar. Os dois concordam em não contratar advogados para tratar do divórcio, mas Nicole muda de ideia após receber a indicação de Nora Fanshaw (Laura Dern), especialista no assunto. Surpreso com a decisão da agora ex-esposa, Charlie precisa encontrar um advogado para tratar da custódia do filho deles, o pequeno Henry (Azhy Robertson).

O longa inicia com uma espécie de declaração de amor, onde um dos protagonistas, Charlie, narra as diversas qualidades de sua esposa, Nicole. Porém, logo a expectativa de um relacionamento feliz é quebrada: os dois estão em uma sessão de terapia de casal, tentando descobrir a melhor forma de lidar com o divórcio iminente e causar o menor impacto psicológico possível ao filho. O longa então desenvolve o processo de divórcio, mostrando as diversas etapas da separação: a tentativa de resolução tranquila, o envolvimento de advogados, as palavras raivosas, as brigas sem fim e a conclusão de tudo.

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O enredo do filme não traz reviravoltas surpreendentes nem conta uma história de amor fantasiosa. História de um Casamento é um retrato verossímil de um relacionamento no qual houve amor, mas que simplesmente deixou de fazer sentido. E apesar dos sentimentos que possam estar envolvidos, isso não os impede de lutar com unhas e dentes pela guarda do filho (já que Nicole deseja morar em Los Angeles e Charlie pretende ficar em Nova York). E é na briga pela custódia que vemos as faces mais sombrias dos personagens, que muitas vezes deixam o respeito mútuo de lado e são tomados pela fúria e pela frustração.

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Nicole é uma atriz promissora e faz parte da companhia de teatro dirigida por Charlie, que vive um momento de ascensão profissional. Ela é a primeira a buscar o apoio de uma advogada (interpretada pela incrível Laura Dern) e, apesar dela ter combinado com Charlie não tomar essa atitude, a verdade é que a cena das duas no escritório é sensacional. Em primeiro lugar, há um monólogo poderoso de Scarlett Johansson, no qual narra a trajetória de seu relacionamento, da paixão ao declínio, até descrever o quanto ela se sente invalidada e insuficiente enquanto indivíduo. Seus desejos de dirigir uma peça e voltar a morar em Los Angeles são sempre negligenciados por Charlie, o que faz a personagem questionar os rumos de sua vida e tomar a decisão de se divorciar. Nessa mesma cena, Nora (a advogada) também oferece um monólogo cheio de verdades sobre as desigualdades no tratamento de homens e mulheres: a verdade é que Nicole não pode ser uma mulher real e com fragilidades perante o juiz; os “double standards” utilizados pra avaliar a conduta masculina e feminina sempre prejudica as mulheres, que precisam ser perfeitas e sem falhas para serem consideradas dignas de qualquer coisa (especialmente quando se fala na custódia de uma criança). Homens imperfeitos conquistam simpatia, mulheres imperfeitas são párias. E expor essa realidade é um dos melhores momentos do filme.

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Charlie tem defeitos mais difíceis de aceitar. Além de ter traído Nicole, o egocentrismo do diretor – que foca apenas na sua própria carreira e interesses – faz com que ele “saia perdendo” na torcida do espectador. Ele inicialmente busca não prejudicar nem desacreditar Nicole no processo do divórcio, mas também nunca se coloca à disposição para verdadeiramente escutá-la. Ele é um pai presente e dedicado, mas não percebe as expectativas que coloca no filho em relação ao tempo que passam juntos. E, por fim, a cena da discussão acalorada dos dois é um dos momentos mais marcantes do longa, onde ambos os atores imprimem forte emoção em cada linha. Porém, é uma cena que também evidencia alguns dos defeitos do Charlie aos quais Nicole se refere: o personagem explode e se recusa a enxergar sua participação na ruína da relação, projetando na esposa a culpa pelo fracasso. Apesar disso, Charlie não é construído como um vilão unidimensional; os bons momentos do personagem servem pra trazer humanidade à sua caracterização.

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As atuações de Scarlett Johansson e Adam Driver brilham do início ao fim. Eu já conhecia o potencial do ator, que tem uma presença que enche a tela e captura o nosso olhar. Scarlett, por sua vez, me surpreendeu: não acompanho muito os trabalhos da atriz, exceto pelos filmes do MCU, e gostei muito de ver essa performance cheia de nuances. A química entre os dois existe e tanto nas cenas de carinho quanto nos embates acalorados.

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História de um Casamento é um filme agridoce, que nos conduz pelos altos e baixos de uma relação que chega ao fim. Quem já vivenciou algo minimamente semelhante pode se identificar com diversos momentos do longa, mas acho que o ponto forte está no olhar esperançoso que o filme lança a um final de relacionamento, evidenciando que o respeito e o amor podem permanecer, ainda que os envolvidos decidam trilhar caminhos diferentes. Recomendo!

Título original: Marriage Story
Ano de lançamento: 2019
Direção: Noah Baumbach
Elenco: Adam Driver, Scarlett Johansson, Laura Dern, Azhy Robertson

Review: Frozen 2

Oi pessoal, tudo bem?

Seis anos depois da estreia do icônico Frozen, finalmente sua sequência chegou aos cinemas, e eu corri pra conferir. Fiquem tranquilos que o review não tem spoilers!

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Sinopse: De volta à infância de Elsa e Anna, as duas garotas descobrem uma história do pai, quando ainda era príncipe de Arendelle. Ele conta às meninas a história de uma visita à floresta dos elementos, onde um acontecimento inesperado teria provocado a separação dos habitantes da cidade com os quatro elementos fundamentais: ar, fogo, terra e água. Esta revelação ajudará Elsa a compreender a origem de seus poderes.

Tudo parece bem em Arendelle. Elsa governa com carinho e sabedoria, Anna (que segue em um relacionamento com Kristoff) está sempre ali para apoiar a irmã e as coisas seguem seu curso em paz. Porém, quando Elsa começa a ouvir uma voz misteriosa e manifestações estranhas da natureza passam a ocorrer em seu reino, as duas irmãs descobrem que há um segredo oculto sobre o passado de Arendelle. Para descobri-lo – e acalmar os elementos que perturbam o reino –, Elsa e Anna terão que adentrar a chamada Floresta Encantada, cuja névoa a separa do resto do mundo desde que seu povo e o povo nativo da floresta guerreou, há muitos e muitos anos. Nesse processo elas aprendem não apenas sobre o conflito de seus ancestrais, mas também sobre si mesmas.

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Frozen 2 traz um novo elemento à mitologia pouco explorada no primeiro filme: agora somos apresentados ao conceito de que existem espíritos da natureza responsáveis pelo fogo, pelo ar, pela terra e pela água. Esses espíritos estão inquietos e demandam de Elsa e Anna que elas descubram a verdade sobre o conflito entre o exército de Arendelle e o povo de Northuldra que, teoricamente, estavam confraternizando em paz. Uma vez dentro da Floresta Encantada, o grupo carismático que tanto nos conquistou no primeiro longa (formado por Elsa, Anna, Kristoff, Sven e Olaf) se depara com as pessoas que estiveram presas durante todos esses anos e percebem que mesmo para elas o motivo do conflito não era claro. Esse plot promove às jovens uma jornada de aprendizado a respeito do passado de seus pais e da sua verdadeira origem.

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Se Frozen é um filme sobre autoaceitação, Frozen 2 é sobre identificação, sobre a busca do seu lugar no mundo. O primeiro longa termina com Elsa em um lugar feliz, mas ainda assim deslocado. Sem saber de onde vem sua magia (e mesmo o porquê dela ser mágica), a jovem não sabe exatamente qual o seu propósito. Em Frozen 2, entretanto, Elsa parte em uma missão própria que não é motivada apenas pelo desejo de salvar Arendelle, mas também para descobrir mais sobre si mesma e seu papel. Essa jornada confere mais complexidade à personagem, que desde o primeiro filme já era interessante. Outro ponto positivo desse plot é que ele serve para romper o cordão umbilical que conecta Elsa a Anna – por mais que o amor entre as irmãs seja lindo e admirável, eu honestamente fico meio cansada da Anna correndo atrás da Elsa que nem uma desesperada. É sufocante!

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Frozen 2 também é um filme muito engraçado. Olaf é, obviamente, um dos pontos altos da sequência, e ele protagoniza a MELHOR CENA de retrospectiva possível. Fica a dica: o filme tem cena pós-créditos e vale a pena esperar! Mas Olaf não é o único responsável pelas minhas risadas; a cena musical do Kristoff é constrangedoramente engraçada e remete a clipes dos anos 80-90 (eu ri pra caramba!). Já Elsa vivencia uma cena que homenageia e ao mesmo tempo brinca com o primeiro longa, ironizando alguns momentos dramáticos e divertindo ao mesmo tempo. Outro aspecto que merece elogios é a direção de arte: Frozen 2 é um filme deslumbrante. Dos novos figurinos aos ricos detalhes do cenário, cada cena é um deleite visual. Os flocos de neve deixam de ser as únicas estrelas e a Floresta Encantada torna-se o palco de momentos incríveis, com suas folhas coloridas pelo outono. Amei cada detalhe!

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Porém, o filme não é perfeito. Existem dois detalhes que preciso pontuar: o primeiro é referente à trilha sonora. Apesar de ter músicas excelentes (e muitas delas usam o mesmo campo harmônico das canções do primeiro filme, ativando a nossa memória afetiva), a verdade é que não existe uma “Let it Go” em Frozen 2. Nenhuma música me desagradou, mas nenhuma marcou o suficiente pra me fazer sair cantando após a sessão. O segundo aspecto é referente à falta de plot twist: não há um vilão em Frozen 2, não há uma revelação que faça cair o queixo ou um momento de aflição que nos faça temer pelos personagens. O filme transita em um terreno muito seguro e acaba sendo um pouco previsível por conta disso (foi fácil descobrir os dois elementos revelados no longa). Apesar disso, a trama não deixa de ter brilho próprio, porque a jornada de crescimento de Elsa e Anna compensa a falta de surpresas.

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Frozen 2 é uma ótima sequência, que aprofunda a mitologia iniciada no primeiro longa e promove a evolução de suas protagonistas. É nítido o quanto Elsa e Anna crescem no final, assumindo papeis que se encaixam com aquilo que elas acreditam e defendem. E, é claro, reforça a ideia de que o amor nos conecta de qualquer lugar, sendo uma força que motiva e impulsiona mesmo nos momentos mais escuros. Apesar de não ser tão marcante quanto o primeiro filme, Frozen 2 é uma experiência que enriquece muito esse universo (não mais tão) congelado que amamos. ❤

Título original: Frozen II
Ano de lançamento: 2020
Direção: Jennifer Lee, Chris Buck
Elenco: Kristen Bell, Idina Menzel, Josh Gad, Jonathan Groff, Sterling K. Brown, Evan Rachel Wood

Review: Star Wars: A Ascensão Skywalker

Oi pessoal, tudo bem?

Finalmente Star Wars: A Ascensão de Skywalker chegou aos cinemas, encerrando a trajetória da família mais problemática da galáxia. 😂 E podem ficar tranquilos que a resenha não tem spoilers!

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Sinopse: Com o retorno do Imperador Palpatine, todos voltam a temer seu poder e, com isso, a Resistência toma a frente da batalha que ditará os rumos da galáxia. Treinando para ser uma completa Jedi, Rey (Daisy Ridley) ainda se encontra em conflito com seu passado e futuro, mas teme pelas respostas que pode conseguir a partir de sua complexa ligação com Kylo Ren (Adam Driver), que também se encontra em conflito pela Força.

Para falar do episódio IX, preciso esclarecer um ponto: eu não espero de Star Wars roteiros mega complexos e disruptivos. Considero a saga um dos exemplos mais clássicos da jornada do herói e, portanto, não me importo muito que existam alguns clichês do gênero. Com isto posto, devo dizer que curti o longa, apesar dele não ser perfeito.

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O terceiro episódio da nova trilogia traz os personagens principais em momentos decisivos de sua jornada: Poe e Finn estão em busca de informações que possam ajudar a derrotar a Primeira Ordem, Rey está treinando com Leia para se tornar uma Jedi e Kylo Ren (agora líder da Primeira Ordem, após o assassinato de Snoke) se torna aliado de um inimigo poderoso que não esperávamos re-encontrar: Palpatine, que de alguma forma conseguiu ressurgir dos mortos graças ao Lado Negro da Força. Porém, os vilões têm planos dissonantes: Palpatine deseja a morte de Rey, enquanto Kylo Ren deseja trazê-la para o Lado Negro. O filme ganha fôlego quando Rey e seu grupo decidem ir atrás do esconderijo dos seus inimigos em um planeta chamado Exegol, a mesma missão que Luke Skywalker um dia tentou cumprir.

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Se tem uma coisa que não falta em A Ascensão de Skywalker é guerra nas estrelas (ba dum tss). O filme conta com muitas cenas de ação, desde batalhas aéreas até ótimas coreografias com sabres de luz. A conexão de Kylo e Rey permanece aqui, e o rapaz insiste em plantar dúvidas na mente da protagonista – especialmente relacionadas à sua verdadeira origem, finalmente revelada. Pra mim, ambos os personagens mantiveram a coerência e traçaram caminhos condizentes com o que foi apresentado até então. Rey enfrenta questionamentos e inseguranças relacionadas à sua identidade, mas a jornada de Kylo acaba sendo mais cheia de camadas e rende uma das cenas mais bonitas do filme (tem uma frase ali que dificilmente não vai emocionar). Seu caminho bifurcado, que poderia ou guiá-lo para a liderança de um novo império ou para a redenção, é bem interessante e vinha sendo trabalhado desde que o personagem decidiu matar o próprio pai no episódio VII. Porém, gostaria que Kylo Ren tivesse tido mais protagonismo e tempo de tela – o que daria ainda mais peso ao seu arco (que é provavelmente meu favorito).

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Devo confessar que logo que Palpatine é revelado como o verdadeiro maestro por trás da Primeira Ordem, torci o nariz. Reciclar um personagem icônico e subitamente dar a ele uma frota de naves poderosíssimas e destruidoras de planetas foi conveniente demais. Porém, acabei decidindo entrar no modo “let it go” quanto a isso, afinal, não é difícil encontrar incoerências no roteiro de todos os filmes de Star Wars. Ainda abordando aspectos que me incomodaram, teve um elemento que eu curti muito e foi abandonado: a ideia apresentada no filme anterior de que a Força pode ser exercida por qualquer um, e não apenas pelas “figurinhas carimbadas” cujo sobrenome tem poder. Essa disrupção do conceito da Força foi algo muito interessante de Os Últimos Jedi, e trazer a linhagem para o centro da narrativa soou como um retrocesso. 😦

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Vale ressaltar que A Ascensão de Skywalker traz um lembrete bem interessante, especialmente quando pensamos sobre a realidade política que vivemos hoje: o mal vence nos fazendo pensar que estamos sozinhos. É a esperança que motiva a Aliança Rebelde, que faz com que exista uma resistência e que pessoas se coloquem em risco pela causa. Ainda que Star Wars nunca aborde com maior profundidade as questões políticas e sociais causadas pelo sistema totalitário (ora do Império, ora da Primeira Ordem), essa mensagem é algo bacana de ser transmitido.

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Eu entendo quem diz que o filme é uma reciclagem de ideias antigas e remonta a mesma estrutura dos longas anteriores. Pra mim, entretanto, isso não chegou a se tornar um problema (ainda que eu tenha gostado muito das ousadias de Os Últimos Jedi, que é menos maniqueísta e transita em uma zona muito mais cinza). Eu curti o ritmo do filme, as ótimas cenas de ação, o desfecho dos personagens e suas decisões. Como disse inicialmente, não espero muito brilhantismo de Star Wars, e sim um filme de ação que me cative e empolgue – o que A Ascensão de Skywalker conseguiu fazer. Saí do cinema satisfeita e já sentindo aquela pontinha de saudades dos personagens – novos e antigos.

Título original: Star Wars: The Rise of Skywalker
Ano de lançamento: 2019
Direção: J. J. Abrams
Elenco: Daisy Ridley, Adam Driver, John Boyega, Oscar Isaac, Mark Hamill, Carrie Fisher, Billy Dee Williams, Jonas Suotamo, Anthony Daniels