Review: Coringa

Oi gente, tudo bem?

Levei alguns dias, mas finalmente consegui organizar os pensamentos para trazer minha opinião sobre Coringa pra vocês. Talvez ela seja um pouco controversa em alguns pontos, então convido vocês pro debate também. 😉

coringa poster (2)

Sinopse: O comediante falido Arthur Fleck encontra violentos bandidos pelas ruas de Gotham City. Desconsiderado pela sociedade, Fleck começa a ficar louco e se transforma no criminoso conhecido como Coringa.

Acho que é redundante dizer que Coringa é tecnicamente impecável. As inúmeras reações positivas e o frisson da crítica especializada já são suficientes para evidenciar que o longa tem qualidade ímpar. Mas teve um sentimento para o qual as críticas não me prepararam: o desconforto.

coringa.png

Coringa é um filme que, do início ao fim, da primeira à última cena, causa desconforto. Causa perturbação. Faz você querer olhar pro lado, sabem? A sessão inteira eu mantive minha testa franzida (sério), me sentindo incomodada mesmo em cenas aparentemente inofensivas. Além da óbvia violência explícita, os cenários e a trilha sonora colaboram para uma sensação aflitiva que nos persegue durante toda a exibição. Uma das maiores responsáveis por todas essas sensações é a atuação de Joaquin Phoenix: intensa, visceral e profundamente marcante. O ator dá vida a um Arthur Fleck/Coringa ambíguo: ora digno de pena, ora condenável. Sua expressão corporal e seu olhar revelam a perturbação que é essencial do personagem, e sua risada causa incômodo em todas as circunstâncias em que ocorre.

coringa (5).png

E já que mencionei a ambiguidade do protagonista, devo dizer: para falar de Coringa é necessário falar primeiro de Arthur Fleck. Trabalhando como palhaço em diversos bicos, o personagem divide um apartamento caindo aos pedaços com a mãe doente e sofre de um problema neurológico que o faz rir em situações de desconforto (ou seja, quando ele NÃO deseja rir). Seu maior sonho é tornar-se um comediante de stand up, mas os acontecimentos ao longo do filme o afastam cada vez mais da vida “normal” que ele tenta construir. Quando as verbas destinadas à assistência social (que lhe fornecia sessões de terapia e medicamentos) são cortadas pelo governo, o caminho do personagem vai se tornando cada vez mais tortuoso.

coringa (2).png

E agora entra a minha opinião possivelmente controversa. Peço que leiam com carinho pra gente debater, tá? Eu acredito que Coringa tenha pecado um pouco na demora para mostrar a “verdadeira face” de Arthur como um psicopata. Qualquer pessoa que conheça o personagem sabe que o vilão é capaz das maiores atrocidades, certo? Mas o filme não é sobre um Coringa já estabelecido, e sim sobre o homem que ele foi antes de tornar-se o Palhaço. E, devido a isso, a verdade é que metade do filme (ou até mais) é dedicada a mostrar as injustiças que Arthur enfrenta e o descaso do governo e da população em relação a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Somos obrigados a ver Arthur apanhando, sendo ridicularizado e hostilizado e confrontando seu passado difícil. O filme me fez sentir revolta em ver Arthur sofrendo tanto. Eu senti empatia por ele. E me senti mal por sentir empatia por um personagem que, eu sei, vai se tornar/se revelar um psicopata. Para mim, faltou explorar mais esse lado de Arthur: a manifestação de psicopatia que independe de sua condição psicológica, aquela que o conduz para o seu “verdadeiro eu”.

coringa (4).png

Dito isso, ainda assim devo elogiar o fato do filme abordar com tanta crueza o abandono do Estado e as consequências disso. Arthur, entre outras coisas, é um fruto do meio: tentando se ajustar ao modelo de sociedade existente, quando as coisas que lhe davam suporte são tiradas dele seu autocontrole também se vai. E as pessoas de Gotham (que poderia facilmente ser qualquer outra metrópole, como Nova York) também sentem esse descaso e refletem o caos, causando destruição e agindo com maldade. Além dos aspectos econômicos e sociais abordados por Coringa, o longa também nos obriga a enfrentar uma dura realidade trazida pelo próprio protagonista: a pior parte de se ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você aja como se não a tivesse. Nosso sistema funciona de modo a excluir quem não consegue se adequar a padrões de beleza, de comportamento e de “utilidade”; essas pessoas muitas vezes são forçadas a permanecerem em subempregos e em condições degradantes por terem transtornos psicológicos. E por mais que esse fato não seja algo totalmente novo, vê-lo totalmente sem maquiagem – como foi feito em Coringa – ainda assim é doloroso.

coringa (3)

Resumindo, Coringa é um filme que toca em diversas feridas. A responsabilidade e o descaso do Estado em cuidar de sua população, a exclusão de pessoas com transtornos psicológicos e até mesmo as consequências desse caos fazem parte da narrativa. É um filme que mostra a trajetória de um homem que abraça esse caos e essa destruição e faz disso sua essência, sem pudor e sem remorso. Em suma, é a origem de um dos maiores vilões da cultura pop narrada de forma realista e visceral. Recomendo, mas alerto: vai ser difícil você não se sentir desconfortável enquanto assiste.

Título original: Joker
Ano de lançamento: 2019
Direção: Todd Phillips
Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen

Review: El Camino: A Breaking Bad Movie

Oi pessoal, tudo bem?

Quem já leu minha resenha de Breaking Bad sabe que minha relação com a série foi do ódio ao amor, e eu terminei de assisti-la totalmente impressionada com a qualidade narrativa e técnica. Portanto, era óbvia minha ansiedade para conferir El Camino: A Breaking Bad Movie, o longa da Netflix que mostra o desfecho da jornada do meu personagem favorito: Jesse Pinkman. Por tratar-se de um epílogo, há spoilers da série!

poster el camino.png

Sinopse: O fugitivo Jesse Pinkman tenta superar o passado. Escrito e dirigido pelo criador de Breaking Bad, Vince Gilligan, e estrelado por Aaron Paul.

Após ser sequestrado, ver a mulher que gostava ser assassinada, ser torturado de todas as formas e finalmente conseguir escapar de Todd, Jack e seus capangas, o último vislumbre que tivemos de Jesse foi dele pilotando o carro que roubou de seus captores (um El Camino, que dá nome ao filme) com os olhos marejados e uma sensação de êxtase. Mas e o que acontece depois? Jesse consegue se recuperar psicologicamente? Ele é preso? Ele foge? São perguntas que o longa vem para esclarecer.

el camino.png

Ao longo das cinco temporadas de Breaking Bad, sempre ficou nítido para mim que Jesse era uma pessoa que tomou decisões erradas, trilhou um caminho ruim, mas tinha um coração essencialmente bom. Senti muita pena de todas as vezes em que ele tentou se desvencilhar de Walter (conhecido como o personagem mais egoísta do mundo, te odeio Walter White bjs) e fiquei de coração partido quando ele foi capturado e torturado na reta final da trama. Por todos esses motivos, mesmo sabendo que o personagem tem sua parcela de culpa em tudo que aconteceu, eu sempre torci por ele, para que ele conseguisse mudar de vida e encontrar a felicidade. El Camino vem para mostrar como essa jornada se desenrola, afinal, os traumas, o remorso e a culpa que acompanham Jesse são profundos.

el camino (2).png

Apesar de descobrirmos mais sobre o tempo de Jesse em cativeiro e também vislumbrarmos as cicatrizes (literais e metafóricas) que toda a vivência do personagem deixou, El Camino não se concentra tempo demais em torno desse drama, evitando superexpor as cenas de sofrimento. A história é ágil, direta, objetiva: são 2h e 2 minutos de duração que têm um ritmo muito semelhante ao da série, fazendo com que o longa pareça um episódio mais duradouro de Breaking Bad. Com adição de alguns flashbacks para contextualizar certas situações, El Camino ainda nos agracia com a possibilidade de matar a saudade de alguns personagens (ou de odiá-los mais um pouquinho rs). Porém, fica um pequeno alerta: mesmo com o resumo no início, há alguns detalhes da trama original que eu não consegui me lembrar tão bem quanto gostaria. O filme contextualiza depois, mas talvez valha a pena assistir à quinta temporada de novo, ou pelo menos aos episódios finais, caso você também fique com a sensação de “hmmm quem é esse mesmo?”. 😛

el camino (3)

Outro aspecto incrível sobre El Camino é a consistência em relação à série. Vince Gilligan conseguiu recriar toda a atmosfera de Breaking Bad mesmo 6 anos após seu fim. E olha que eu não sou a maior entusiasta de spin-offs! Aaron Paul, por sua vez, retoma todo o peso dramático com qual Jesse terminou na series finale e desenvolve os desdobramentos disso com perfeição, até chegar ao ponto de esperança e renovação para o personagem. E o que dizer da fotografia? Assim como sua contraparte televisiva, que trazia cenas icônicas, El Camino também tem momentos tão belos quanto a produção que o antecede. Destaque para um dos cenários finais, que traz toda a sensação de liberdade que a narrativa inteira buscou.

el camino (4).png

El Camino é a história que os fãs de Breaking Bad não sabiam que precisavam: um desfecho digno para Jesse, que finalmente teve a chance de tomar as rédeas da própria vida. O longa faz isso com respeito ao legado da série, com consistência em relação a tudo que faz de Breaking Bad o que ela é e, principalmente, dá protagonismo ao personagem que foi usado como um fantoche em diversos momentos da produção original. Ter a chance de ver Jesse como alguém livre da influência de Walter, com a possibilidade de fazer o que quiser com essa liberdade, foi revigorante. Porque, ao contrário de Walter, Jesse é alguém cuja humanidade nunca desapareceu, apesar dos crimes cometidos. E é nessa humanidade que a gente aposta. 🙂

Título original: El Camino: A Breaking Bad Movie
Ano de lançamento: 2019
Direção: Vince Gilligan
Elenco: Aaron Paul, Jonathan Banks, Matt Jones, Charles Baker, Jesse Plemons, Tom Bower

Review: It – Capítulo 2

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de um longo período cheeeio de expectativa, It – Capítulo 2 chegou aos cinemas e é claro que eu corri para conferir! 🎈

poster it capitulo 2

Sinopse: 27 anos depois dos eventos de “It A Coisa”, Mike (Isaiah Mustafa) percebe que o palhaço Pennywise (Bill Skarsgard) está de volta à cidade de Derry. Ele convoca os antigos amigos do Clube dos Otários para honrar a promessa de infância e acabar com o inimigo de uma vez por todas. Mas quando Bill (James McAvoy), Beverly (Jessica Chastain), Ritchie (Bill Hader), Ben (Jay Ryan) e Eddie (James Ransone) retornam às suas origens, eles precisam se confrontar a traumas nunca resolvidos de suas infâncias, e que repercutem até hoje na vida adulta.

27 anos após a luta com Pennywise na casa amaldiçoada, o Clube dos Otários (agora separado) vive suas próprias vidas. Porém, após um assassinato homofóbico brutal, Mike Hanlon o único que ficou em Derry toma a decisão de ligar para cada um dos membros do grupo, a fim de relembrá-los da promessa feita tantos anos antes: se o Palhaço Dançarino voltasse, eles também voltariam para acabar de uma vez por todas com a ameaça. Uma vez reunidos novamente, os membros do Clube dos Otários precisam enfrentar não apenas Pennywise, mas principalmente as lembranças dolorosas que eles pensavam ter esquecido, bem como seus medos mais profundos.

it capitulo 2.png

O mais complicado quando você ama muito uma produção que terá continuação é que, inevitavelmente, as expectativas vão lá pro alto. E, quando elas não são atendidas, a queda também é grande. E foi isso que senti assistindo It Capítulo 2. 😦 Eu sou completamente apaixonada pelo primeiro filme, mas infelizmente não consegui me conectar ao desfecho da história.

Eu não sou fã de filmes de terror, e It A Coisa é uma exceção justamente porque foge da fórmula tradicional. Ele me remete a uma vibe Stranger Things, quase uma aventura mais sombria, e foca na história e na forte conexão do Clube dos Otários. It Capítulo 2, entretanto, peca ao substituir esses elementos por jump scares e excesso de efeitos especiais. Falando primeiro dos jump scares: além de extremamente cansativos, eles roubam tempo de tela de cenas que, para mim, são realmente assustadoras, envolvendo a persuasão ameaçadora de Pennywise. Para mim não há jump scare que ganhe da tensão que a cena do bueiro com Georgie me causou, por exemplo. Em relação aos efeitos especiais, eles são usados com demasia, beirando o ridículo em diversos momentos. O fato do filme ter focado menos nos personagens e mais nos sustos me decepcionou, porque o que me fez gostar de It foram justamente… os personagens!

it capitulo 2 (2).png

Além disso, é nítido que o longa tem uma “barriga” narrativa no segundo ato, quando cada membro do grupo precisa partir em uma missão individual que faz parte do plano para acabar com a Coisa. Essa parte da narrativa me causou uma sensação de tipo “okay, move oooon”. Em parte essa sensação aconteceu porque a trama traz de volta um antigo inimigo que é totalmente dispensável e só serve para tornar a história mais longa do que o necessário (são quase 3h de duração). E, para concluir as críticas negativas, devo mencionar os erros de continuidade: tudo bem, isso pode ser chatice minha, mas eu assisti ao filme 1 no dia anterior para “aquecer” e, como estava com a memória fresca, percebi cenas refilmadas que estavam diferentes das originais rs. Acho isso bem amador, ainda mais em uma superprodução, cês me desculpem hahaha!

it capitulo 2 (3).png

Porém, não posso deixar de exaltar as qualidades que o filme também tem. O casting foi sensacional e é possível enxergar cada um dos membros originais nos atores adultos. Gostaria de destacar o Richie de Bill Hader, que traz a mesma essência que Finn Wolfhard imprimiu no personagem no longa anterior. De maneira geral, todos os atores se saem muito bem, mas confesso que esperava mais de Jessica Chastain: pra mim, ela não conseguiu invocar o carisma que Sophia Lillis concedeu à versão adolescente de Beverly (cuja personalidade forte ficou apagada na vida adulta). O fato de existirem muitos flashbacks envolvendo o elenco infantil também não ajudou muito no desenvolvimento de suas contrapartes adultas, já que o filme os coloca em comparação o tempo todo (mesmo que de modo não intencional).

Outra coisa bacana envolvendo os personagens é que são reveladas informações a respeito deles que seu predecessor não tinha abordado. Isso dá a eles mais profundidade, mas também explica algumas situações e reações: a culpa de Bill ganha um novo significado, assim como Richie e seus (reais) medos são aprofundados – algo que não aconteceu no primeiro filme, em que ele era mais um alívio cômico.

it capitulo 2 (4).png

Eu não li o livro, mas sei que o Stephen King estava completamente drogado na época em que escreveu It (o que gerou situações bem polêmicas, tipo a cena de sexo infantil). Não sei avaliar o desfecho do filme, mas sendo alguém que apenas assistiu à adaptação, confesso que esperava um encerramento melhor, uma explicação mais estruturada sobre a Coisa. A maneira como eles a derrotam me pareceu bobinha, não condizente com a ameaça que a criatura tinha sido até então. Enfim…

it capitulo 2 (5).png

Eu não odiei It – Capítulo 2, mas dizer que gostei eu também não posso. 😦 Fiquei cansada dos jump scares, achei os efeitos especiais das criaturas bem toscos e senti falta do maior desenvolvimento das emoções dos personagens e de sua ligação. A atmosfera que fez com que eu me apaixonasse pelo primeiro longa não existe aqui e, pra mim, foi isso que fez toda a diferença. Ainda assim, It enquanto obra vale a pena, porque vai além dos argumentos clássicos do terror e abordando muito mais os traumas de infância e os medos que carregamos conosco (muitas vezes) por toda a vida. E vocês, já assistiram It Capítulo 2? Me contem o que acharam nos comentários!

P.S.: o que dizer da aparição ~Marvel que rolou? Entendedores entenderão. 😛

Título original: It Chapter Two
Ano de lançamento: 2019
Direção: Andy Muschietti
Elenco: James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, James Ransone, Jay Ryan (III), Isaiah Mustafa, Bill Skarsgård, Andy Bean

Review: Kimetsu no Yaiba

Oi gente, como estão?

Depois de My Hero Academia, meu namorado conseguiu de novo: me indicou um anime e eu acabei fisgada! Estou falando do ótimo Kimetsu no Yaiba (também conhecido como Demon Slayer).

kimetsu no yaiba poster.png

Sinopse: Desde os tempos antigos, abundam os rumores de demônios devoradores de homens à espreita na floresta. Por causa disso, os moradores locais nunca se aventuram do lado de fora durante a noite. Diz a lenda que um matador de demônios também perambula pela noite, caçando esses demônios sanguinários. Para o jovem Tanjiro, esses rumores logo se tornarão sua dura realidade… Desde a morte de seu pai, Tanjiro assumiu a responsabilidade de sustentar sua família. Embora suas vidas possam ser endurecidas pela tragédia, eles encontraram a felicidade. Mas esse calor efêmero é destruído um dia quando Tanjiro encontra sua família abatida e o único sobrevivente, sua irmã Nezuko, se transformou em um demônio. Para sua surpresa, no entanto, Nezuko ainda mostra sinais de emoção humana e pensamento… Assim começa a busca de Tanjiro para lutar contra os demônios e transformar sua irmã humana novamente.

A primeira coisa que me chamou a atenção nesse anime foi o traço, que é lindo. Sabe quando você fica olhando encantada pros personagens e cenários? Foi assim que me senti no primeiro episódio. A qualidade técnica é impecável, a trilha sonora envolve e as cenas de ação têm muita fluidez e realmente captam a nossa atenção. Mas e a história, é tão boa quanto os aspectos técnicos?

kimetsu no yaiba.png

Sim! Em Kimetsu no Yaiba, acompanhamos a jornada do jovem Tanjiro em busca de uma cura para sua irmã, Nezuko, que foi transformada em um demônio. A fatalidade aconteceu após toda a família dos dois ser morta pela mesma criatura, mas Nezuko acabou sobrevivendo e tornando-se uma delas. Porém, inexplicavelmente, a jovem ainda consegue ter lampejos de sua humanidade e manter seu desejo por carne humana sob controle, o que motivou Tanjiro a encontrar uma forma de reverter o que aconteceu. Para isso, ele faz um treinamento intenso para se tornar um Exterminador de Demônios – uma organização dedicada a liquidar todos aqueles que colocam vidas humanas em risco. Após dois anos de extenuante treinamento, Tanjiro conquista o título e parte com Nezuko para diversas missões, onde faz novas amizades e conquista companheiros.

kimetsu no yaiba (2).png

Tanjiro é a estrela de Kimetsu no Yaiba. Em alguns aspectos, ele me lembra o Midoriya, de My Hero Academia: é muito dedicado, responsável e esbanja empatia, preocupando-se sempre com o bem das pessoas ao seu redor. Ele é um líder nato, de coração gigante e muito senso de responsabilidade (o que já era nítido quando sua família ainda estava viva, já que ele era o mais velho dos irmãos). Seus companheiros também são carismáticos (eu adoro os surtos explosivos do Inosuke e os momentos badass do Zenitsu – que nem sabe ainda de sua total capacidade) e Nezuko é uma fofa, ainda que tenha se destacado muito pouco na maior parte dessa primeira temporada.

kimetsu no yaiba (3)

As batalhas são incríveis e muito boas de assistir. Uma das coisas de que mais gosto em Kimetsu no Yaiba é o fato de que Tanjiro não fica fodão da noite para o dia, usando do privilégio de protagonista. Ele treina MUITO e se esforça MUITO pra chegar aonde chegou e conseguir lutar contra os demônios que enfrenta, o que dá mais credibilidade à sua trajetória. Outro aspecto que torna essas batalhas mais interessantes é que diversos demônios que Tanjiro encontra pelo caminho têm motivos próprios para sofrer: eles também foram humanos um dia e muitos deles ainda carregam as dores de seu passado. Como crítica negativa, acho válido comentar que o vilão principal foi mal explorado, pelo menos na primeira temporada. Ele aparece somente uma vez e, apesar de demonstrar claramente sua capacidade de ser cruel, sua aparição até o momento não trouxe grande desenvolvimento para a história.

kimetsu no yaiba (4).png

Resumindo, Kimetsu no Yaiba é uma excelente opção de anime para quem já gosta do gênero, mas também pode ser sua porta de entrada para esse tipo de produção. Qualidade técnica, história envolvente (ainda que simples) e personagens carismáticos fazem de Kimetsu no Yaiba uma ótima aposta. Recomendo muito!

Título original: Kimetsu no Yaiba
Ano de lançamento: 2019
Direção: Haruo Sotozaki
Roteiro: Ufotable
Elenco: Natsuki Hanae, Akari Kitô, Yoshitsugu Matsuoka, Hiro Shimono, Takahiro Sakurai

Review: Como Ser Solteira

Oi gente, tudo bem?

Na vibe das comédias românticas despretensiosas, acabei assistindo a Como Ser Solteira, um filme do qual nunca tinha ouvido falar, mas que acabou me surpreendendo.

como ser solteira.png

Sinopse: Alice (Dakota Johnson) acabou de sair de um relacionamento e não sabe muito bem como agir sem outra metade. Para sua sorte, ela tem uma animada amiga (Rebel Wilson), especialista na vida noturna de Nova York, que passa a ensiná-la como ser solteira.

Alice é uma jovem acostumada a estar em relacionamentos. Estando em um namoro duradouro com Josh, ela resolve “dar um tempo” para se descobrir. Alice logo percebe que cometeu um erro e, ao tentar voltar com o rapaz, descobre que ele já seguiu em frente. A partir desse momento (e do sofrimento causado pelo término real oficial), a jovem começa a descobrir um novo jeito de viver, aproximando-se de sua nova amiga de trabalho (a solteira inveterada, Robin) e experimentando novas possibilidades. Além da jornada de Alice, o filme também traz de maneira um pouco menos aprofundada os dramas amorosos de Meg (irmã de Alice, que sempre prioriza a carreira e evita relacionamentos) e Lucy (a romântica que não perde a esperança de encontrar o cara ideal).

como ser solteira 2.png

Com os diversos núcleos de personagens, o filme me lembrou outras comédias românticas semelhantes, como Ele Não Está Tão Afim de Você. Ao longo da 1h50 de duração, Como Ser Solteira vai nos conduzindo pelas delícias e dificuldades de não ter um relacionamento, enquanto explora o jeito de cada personagem lidar com a situação. Existem os clichês, obviamente, como o barman gostosão que não abre mão da solteirice, mas se apaixona pela pessoa mais improvável. Mas quem disse que eu ligo pra clichês em comédias românticas? Gosto e assumo. 😂 Contudo, mesmo com os clichês, o filme também traz algumas quebras de expectativas. Quando pensamos que determinado personagem vai ter um desfecho X, a condução da narrativa o leva para o caminho Y. Isso é bem legal, porque tira a obviedade de alguns plots e nos traz algumas surpresas bem-vindas.

como ser solteira 3.png

Mas, sem dúvidas, a trama mais interessante é justamente a de Alice (apesar da performance nada surpreendente de Dakota Johnson, com sua Anastasia 2.0). Existe uma pressão social bem grande para que encontremos um grande amor e, tratando-se das mulheres, isso é redobrado. Se para um homem ser solteirão não é um problema, para mulheres isso (ainda) traz um estigma negativo. E Alice é a jovem que nunca soube ficar sozinha, tendo sua vida orbitando em torno de uma relação; quando ela é forçada a encarar o mundo por si mesma, transformações incríveis acontecem de dentro para fora. Por mais que doa em alguns momentos, é um processo fundamental. Afinal, é impossível estar pleno e feliz ao lado de alguém quando você mesma não se conhece, e essa é a lição mais bacana que o filme traz.

como ser solteira 4.png

Como Ser Solteira é uma comédia romântica bacana, com cenas divertidas e até mesmo algumas reviravoltas. Assisti sem nenhuma expectativa e acabei me surpreendendo, pois o filme conseguiu me entreter e me fazer refletir – mesmo que de modo mais superficial. Não é inesquecível e nem vai marcar a sua vida, mas com uma pipoquinha e um cobertor vale muito a pena conferir! 😀

Título original: How to be Single
Ano de lançamento: 2016
Direção: Christian Ditter
Elenco: Dakota Johnson, Rebel Wilson, Leslie Mann, Alison Brie, Anders Holm, Nicholas Braun, Jason Mantzoukas, Damon Wayans Junior

Review: O Rei Leão (e diferenças do original!)

Oi gente, tudo bem?

Esse momento finalmente chegou e eu não poderia estar mais ansiosa pra escrever a resenha de O Rei Leão, também conhecido como meu filme favorito da vida! ❤

o rei leão poster

Sinopse: Simba (Donald Glover) é um jovem leão cujo destino é se tornar o rei da selva. Entretanto, uma armadilha elaborada por seu tio Scar (Chiwetel Ejiofor) faz com que Mufasa (James Earl Jones), o atual rei, morra ao tentar salvar o filhote. Consumido pela culpa, Simba deixa o reino rumo a um local distante, onde encontra amigos que o ensinam a mais uma vez ter prazer pela vida.

Acho que é desnecessário falar qualquer coisa a respeito do enredo, né? Um clássico que a maioria já conhece, O Rei Leão mora no coração de muita gente, e também mora no meu. Por se tratar do meu filme favorito, é bem provável que essa resenha fique bastante pessoal, mas é impossível falar desse longa sem relacionar com as minhas memórias afetivas e com momentos importantes da minha vida. Dito isso, vamos descobrir o que achei da nova versão hiper-realista de Jon Favreau?

Adaptando praticamente quadro a quadro a animação de 1994, O Rei Leão retorna aos cinemas com aparência totalmente repaginada: o nível de realismo do live-action impressiona. Cada detalhe da grama, cada pelo de cada animal, tudo nos faz acreditar que aquilo não é CGI, mas real. E essa verossimilhança se aplica até mesmo nas canções: um belo exemplo é I Just Can’t Wait To Be King, em que Jon Favreau encontrou uma excelente solução para torná-la divertida, mas sem a psicodelia que a animação original permitia. 

o rei leão

Apesar de visualmente encantador, o hiper-realismo cobra um preço: as vozes dos dubladores dão o tom e nos guiam pelas emoções dos personagens, mas inevitavelmente o novo O Rei Leão perde um pouco em expressividade. Nas cenas felizes esse aspecto não se sobressai, ficando mais evidente nas cenas mais dramáticas. Eu diria que esse é o principal (e um dos poucos rs) defeito do filme, já que O Rei Leão tem uma história bastante emocional.

o rei leão 2.png

Falando em emocional… bom, eu chorei já nos primeiros segundos de Circle of Life. Como eu disse, O Rei Leão evoca em mim sentimentos bem intensos e me transporta diretamente para a minha infância. Além disso, também faz com que eu me recorde do meu pai (que faleceu quando eu tinha 12 anos), uma das pessoas com quem eu assistia ao filme milhares de vezes. Não é um assunto no qual eu fale sempre, mas é impossível não rememorar essas vivências (e meu pai, é claro) ao assistir ao novo O Rei Leão. 

E, é claro, o mérito também fica por conta da trilha sonora, que é intensa, emocionante e clássica: da primeira aparição de Simba até à morte de Mufasa, as canções originais estão presentes e fazendo o espectador lembrar daquilo que viu tantas e tantas vezes ao longo da infância. Música é um negócio poderoso demais, né? ❤ Porém, aqui vai uma opinião possivelmente impopular (fãs da Beyoncé, não me matem): não curti Spirit e achei que não combinou em nada com o momento do filme. Acho beeem melhor a música sem letra do desenho original, com seu tom aflitivo e urgente, enquanto o close ficava nas patas do Simba correndo. Sorry. 🤷‍♀

o rei leão 3.png

E já que mencionei a trilha sonora, chegou a hora de falar dos dubladores. Eu assisti ao filme legendado (e na semana que vem irei conferir dublado) e gostei das performances. Esse é o momento em que elogio Beyoncé: apesar de em alguns momentos ela ter soado um pouco exagerada no jeito dramático de falar, eu gostei mais do que esperava de sua performance como Nala, sendo uma surpresa mais positiva do que negativa. Do Simba de Donald Glover infelizmente não posso dizer o mesmo: além de ter sido eclipsado por Beyoncé em Can You Feel The Love Tonight, também fiquei um tantinho decepcionada com ele nas cenas mais dramáticas, em que senti falta de mais intensidade. Porém, nos momentos mais leves, achei a atuação suficiente. Não preciso falar nada sobre Mufasa, né? Ouvir a voz clássica é arrepiante. ❤ E, por fim, adorei as novas vozes de Timão e Pumba – que estão divertidíssimos! Minhas impressões positivas se estendem aos vilões também: gostei da voz escolhida para Scar (Chiwetel Ejiofor traz uma versão mais sombria do personagem) e para as hienas, que estão um pouco menos bobas no longa (especialmente Shenzi).

o rei leão 4.png

E para finalizar, que tal um comparativo rapidinho, com as diferenças de O Rei Leão de 1994 e a nova versão em live-action? Leia somente se já tiver visto o filme ou não se importar em saber esses “spoilers”. 😉

  • Scar, diferente da versão em desenho animado, tem um comportamento menos afetado e sarcástico no live-action. Ele inclusive insiste para que Sarabi seja sua rainha – algo que não havíamos visto no filme original, mas que faz bastante sentido, considerando que, como o novo alfa, além do respeito do bando Scar também precisa gerar prole.
  • Shenzi, ao contrário de sua contrapartida de 1994, é uma líder astuta, mais cruel e com mais espaço na trama – rivalizando diretamente com Nala.
  • Be Prepared, que era uma sequência INCRÍVEL no desenho animado, perdeu totalmente a graça no live-action. 😦 O resultado foi uma cena curta, pouco musical e beeem menos impressionante do que eu esperava.
  • O jeito que Scar é descoberto como assassino é diferente e mais sem graça: em vez de Simba o forçando a falar, é Nala quem realmente o pressiona, questionando como ele viu a expressão nos olhos de Mufasa se supostamente não estava no desfiladeiro.

o rei leão 5.png

  • Nala também tem um papel mais ativo ao fugir para procurar ajuda para combater Scar, e não “simplesmente” para buscar ajuda. Zazu é um aliado importante nesse momento, que traz toda uma cena bem diferente da animação original.
  • Há mais animais no local onde Timão, Pumba e Simba vivem. Isso é bem legal, porque realmente não fazia sentido somente os três estarem em uma região tão paradisíaca e fértil. 😛
  • Não temos a cena MARAVILHOSA em que Rafiki ensina Simba sobre os erros e dores do passado. Esse vacilo foi difícil perdoar. 😥 
  • Logo depois dessa cena há o momento em que Simba fala com o espírito de seu pai nas nuvens. No live-action achei um pouco menos emotiva do que no original, além de algumas falas meio clichês (tipo “meu orgulho era você ser meu filho” ou coisa do tipo).
  • Easter-egg: na hora de atrair as hienas, Timão começa a cantar Be Our Guest (de A Bela e a Fera) enquanto apresenta Pumba como prato principal. É bem engraçado, mesmo sem a cena da hula. 

Ufa. Falei bastante, né? Espero que esse review tenha deixado claro o quanto amei a nova versão de O Rei Leão e o quanto vale a pena correr para o cinema para conferir. ❤

Título original: The Lion King
Ano de lançamento: 2019
Direção: Jon Favreau
Elenco: Donald Glover, Beyoncé, Chiwetel Ejiofor, James Earl Jones, Seth Rogen, Billy Eichner, Alfre Woodard, Florence Kasumba, Eric André, Keegan-Michael Key, John Kani, John Oliver

Review: Homem-Aranha: Longe de Casa

Oi gente, tudo bem?

Sexta-feira fui conferir o novo filme do MCU, Homem-Aranha: Longe de Casa, e agora conto pra vocês o que achei sem spoilers. 😉

homem aranha longe de casa.png

Sinopse: Peter Parker (Tom Holland) está em uma viagem de duas semanas pela Europa, ao lado de seus amigos de colégio, quando é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson). Precisando de ajuda para enfrentar monstros nomeados como Elementais, Fury o convoca para lutar ao lado de Mysterio (Jake Gyllenhaal), um novo herói que afirma ter vindo de uma Terra paralela. Além da nova ameaça, Peter precisa lidar com a lacuna deixada por Tony Stark, que deixou para si seu óculos pessoal, com acesso a um sistema de inteligência artificial associado à Stark Industries.

Depois dos acontecimentos de Vingadores: Ultimato, Peter carrega o luto pela perda de Tony Stark e alimenta um desejo de viver uma adolescência normal (ou o mais próximo disso). Com uma viagem da escola se aproximando, o jovem planeja se afastar um pouco do universo dos super-heróis e também se declarar para a garota que gosta, MJ. Acontece que as coisas não saem como o planejado e, durante a Eurotrip, ele é contatado por Nick Fury, que precisa de sua ajuda para enfrentar seres Elementais que surgiram na Terra. E é nesse cenário que um novo herói entra em cena: Mysterio, oriundo de uma dimensão paralela, na qual enfrentou os Elementais e perdeu. A partir daí, Peter precisa tomar uma decisão: ele vai se posicionar como Homem-Aranha e priorizar suas responsabilidades como super-herói ou vai deixar tudo isso pra trás em busca de uma vida normal?

homem aranha longe de casa (4).png

O ponto fonte de Homem-Aranha: Longe de Casa são justamente os conflitos emocionais pelos quais Peter está passando. Lidando com a perda de seu mentor e sentindo-se perdido e até mesmo incapaz, o jovem Amigo da Vizinhança passa a maior parte da trama debatendo consigo mesmo, porque seu desejo genuíno é se afastar de tudo isso – e o remorso vem junto com esse sentimento. Existe uma espécie de pressão por parte das pessoas que o cercam, pois Tony Stark deixou um legado e uma expectativa de que Peter possa até mesmo a tomar o seu lugar. A questão é: o garoto genuinamente quer isso para si? E, se não quiser, como lidar com essa decisão sem se sentir uma decepção para Tony e sua memória?

homem aranha longe de casa (2).png

Acontece que eu tenho um problema com o universo do Homem-Aranha do MCU, e isso atrapalha muito a minha experiência com os filmes solo do Cabeça de Teia. Reforçando: EU tenho um problema com isso e EU, pessoalmente, não gosto de algumas coisas que vou pontuar agora (e isso não tem a ver com HQs, porque não as leio). Desde a primeira aparição do Peter de Tom Holland eu simplesmente não sentia que ele fosse o Peter Parker, sabem? Parece que não dá match na minha cabeça as histórias protagonizadas por Tom Holland com o que há no meu imaginário a respeito do Homem-Aranha. A própria conexão com o Tony é algo que, pra mim, nunca engrenou, e eu sempre achei um pouco exagerada. Obviamente, dá para imaginar que não sinto o mesmo impacto com plots envolvendo os dois, né? Depois que assisti Homem-Aranha no Aranhaverso essa sensação de “desconexão” entre Peter Parker x Tom Holland ficou ainda mais forte porque, pra mim, ele é basicamente o Miles Morales, tanto na ambientação quanto na personalidade. Enfim, essas questões fazem com que eu não consiga me sentir conectada ao Homem-Aranha de Tom Holland e, consequentemente, não aprecie tanto os filmes solo dele.

Dito isso, acho justo elogiar as coisas que funcionam no longa. As atuações estão ótimas (o fato de eu não curtir essa versão do Homem-Aranha não muda o fato de que Tom Holland é MUITO bom) e as cenas de ação estão eletrizantes. As batalhas que o Homem-Aranha enfrenta na Europa são muito envolventes e contam com efeitos especiais muito bons, que te deixam com a mesma sensação de desorientação que o super-herói enfrenta. Existem boas cenas de humor também, o que traz um tom jovial que combina bastante com a faixa etária dos personagens. Agora, sobre o vilão: achei suas motivações bem fracas e clichês, mas ele consegue fazer um BELO estrago que me deixou ansiosa pelo futuro (assistam as cenas pós-créditos e vocês vão entender do que estou falando).

homem aranha longe de casa (3).png

Resumindo, Homem-Aranha: Longe de Casa é um filme divertido, que entretém, mas que eu não consigo elogiar muito mais em função da falta de conexão que sinto com essa versão do Amigo da Vizinhança – e toda a “forçação” de barra em cima da relação com Tony Stark. Pra mim, acabou sendo uma experiência mediana, mas se você é fã do personagem e dessa nova proposta, provavelmente vai curtir bem mais que eu. E pra quem já assistiu ao filme: o que acharam? Me contem nos comentários! 😉

Título original: Spider-Man: Far From Home
Ano de lançamento: 2019
Direção: Jon Watts
Elenco: Tom Holland, Jake Gyllenhaal, Zendaya, Samuel L. Jackson, Jon Favreau, Jacob Batalon, Cobie Smulders, Marisa Tomei