Resenha: Entrevista com o Vampiro: A História de Cláudia – Anne Rice e Ashley Marie Witter

Oi pessoal, tudo bem?

Eu estava louca para conferir a graphic novel Entrevista com o Vampiro: A História de Cláudia desde seu lançamento. Recebi um exemplar da Editora Rocco no mês passado e hoje vim contar pra vocês o que achei. ❤

entrevista com o vampiro a historia de claudia.pngGaranta o seu!

Sinopse: Esta não é simplesmente uma adaptação para os quadrinhos de Entrevista com o Vampiro, best-seller de Anne Rice que virou filme em 1994. Meticulosamente ilustrado por Ashley Marie Witter, a versão em graphic novel do livro de estreia da rainha dos vampiros reconta a história sob um ponto de vista inédito: o da vampira criança Cláudia, a imortal de 6 anos de idade, órfã e assassina, vítima e monstro, representada por Kirsten Dunst na versão cinematográfica.

Eu nunca li o livro Entrevista com o Vampiro, mas assisti ao filme e gostei bastante. O universo vampiresco de Anne Rice é o mais sombrio que conheço, e eu gosto dessa visão menos romantizada dos vampiros. A História de Cláudia (vou me referir à graphic novel assim, ok?) traz uma parte da história original – mais especificamente, a vida da personagem-título – sob o ponto de vista da própria vampira. E, assim como no filme, a atmosfera sombria, gótica e sedutora estão presentes nas páginas.

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Cláudia foi transformada em vampira por Lestat, cuja intenção era manter seu companheiro Louis por perto. Lestat determinou que Cláudia seria a filha dois, fazendo com que Louis se sentisse impelido a permanecer ao lado deles. De início, ela tem todo o suporte de que precisa de ambos os pais: Lestat a ensina sobre sua nova natureza, enquanto Louis lhe dá suporte afetivo. Entretanto, conforme os anos (ou melhor, as décadas) vão se passando, a menina vai se transformando em mulher, com exceção de seu corpo, paralisado para sempre na forma de criança. Essa situação, somada à vontade de Cláudia de entender de onde veio e de descobrir se existem mais vampiros por aí, vai criando uma tensão latente entre a “família”, culminando no plano de Cláudia para assassinar Lestat.

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Cláudia não é uma personagem que conquista o leitor. Ela é mesquinha, egoísta e manipuladora – exatamente como Lestat. Ela utiliza do amor de Louis para conseguir o que quer e convencê-lo a fazer suas vontades, por mais arriscadas que sejam. Entretanto, a graphic novel também revela com clareza as angústias da personagem, que se vê presa em um corpo que não lhe permite ter autonomia (já que todas as pessoas a olham como uma criança indefesa). Seus desejos e paixões evoluem para os de um adulto, mas seu físico não lhe permite realizá-los. Todas essas questões levam a personagem a um vazio existencial que é bastante compreensível, ainda que seu caráter seja extremamente falho.

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Mas a melhor parte de A História de Cláudia é, sem sombra de dúvidas, a arte. Eu coloquei mais fotos no post justamente para tentar transmitir a vocês a lindeza que é esse livro! Capa dura, título em letras douradas, páginas e ilustrações em tons de sépia (com exceção do vermelho do sangue)… cada detalhe torna essa graphic novel uma obra de arte! Eu adoro mangás, e o traço de Ashley Marie Witter conversa bastante com esse estilo de ilustração, o que já me conquistou de cara. As expressões dos personagens, seus figurinos e os cenários são feitos com tantos detalhes que é impossível não ficar admirando as ilustrações durante a leitura.

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Do capricho da edição à nova abordagem de uma história vampiresca clássica, Entrevista com o Vampiro: A História de Cláudia tem todos os elementos necessários para conquistar fãs da mitologia de Anne Rice ou de vampiros em si. É um livro que vale a pena ser conferido não apenas pelo enredo, mas pela beleza presente em cada página. Recomendo!

Título Original: Interview with the Vampire: Claudia’s Story
Autor: Anne Rice e Ashley Marie Witter
Editora: Rocco
Número de páginas: 224
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.
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Resenha: O Castelo – Garth Nix

Oi pessoal, tudo bem?

Aos pouquinhos, estou relendo A Sétima Torre, uma série da qual eu gostava muito quando criança. Hoje é dia de resenhar o segundo volume: O Castelo!

o castelo garth nixGaranta o seu!

Sinopse: O Mundo Escuro é um lugar gelado, com ventos e tempestades. Um véu de escuridão cobre todo o céu, e apenas o Castelo brilha com sua luz. Tal e Milla lutam corajosamente, tentando voltar ao Castelo, e têm pela frente uma missão muito perigosa. Para Tal, um Escolhido, o Castelo é seu lar – mesmo que ele já não seja mais bem-vindo ali. Para Milla, uma Garota-do-Gelo, o Castelo é um lugar estranho e misterioso, e sua presença é uma ameaça que os Escolhidos querem deter a qualquer custo. Da fatal Câmara dos Pesadelos aos aposentos mágicos de Tio Ebbitt, Tal e Milla têm que percorrer os caminhos do Castelo sem serem descobertos. Poderes sinistros conspiram contra eles, e os dois vão tentar, com todas suas forças, sobreviver.

O Castelo começa imediatamente após o final de A Queda: após a batalha contra o Merwin, Tal e Milla foram encontrados por Donzelas Guerreiras e imediatamente levados à presença da Matriarca Mãe (a maior autoridade dentre os Homens-do-Gelo), que vive no Navio em ruínas aos pés do Castelo. Após algumas tensões e promessas envolvendo Pedras-do-Sol, as crianças são liberadas para tentarem subir a Montanha de Luz, onde está localizado o lar dos Escolhidos. Muitos desafios esperam por Tal e Milla tanto fora, quanto dentro do Castelo: o gelo impiedoso, o vento da montanha e, é claro, os perigos envolvendo os próprios Escolhidos.

Infelizmente, O Castelo foi uma releitura bem mais lenta do que A Queda. Sendo honesta, não acontece muuuita coisa no enredo, e a luta para chegar aos tubos de aquecimento (que permitem a entrada escondida no Castelo) é bastante parada; por outro lado, o bacana dessa parte da história é que o foco está na aproximação de Tal e Milla. Os dois são muito jovens e teimosos, orgulhosos de suas origens (o que os torna um tanto arrogantes), mas, nesse volume, eles precisam enfrentar as adversidades juntos. Dentro do Castelo existem tantas ameaças quanto no gelo: os jovens são separados e contam apenas com o auxílio de Ebbitt (o tio-avô excêntrico de Tal) para auxiliá-los.

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Tal tem a grande responsabilidade de salvar todos os membros da sua família e, para isso, ele decide que precisa encontrar o Códex dos Escolhidos, há muito perdido em Aenir, o reino dos espíritos. O Códex é uma espécie de “livro” com inteligência própria, detentor de todos os conhecimentos sobre Aenir, suas criaturas e, consequentemente, os Espíritos-Sombra. Tal acredita que, se souber qual Espírito-Sombra capturou seu irmão, ele poderá salvá-lo e rastrear o culpado. Milla, por outro lado, deseja levar às Matriarcas não apenas a Pedra-do-Sol prometida, mas também conhecimento sobre Aenir. Seu desejo de ser ovacionada em seu retorno motiva a garota a viajar ao Mundo dos Espíritos com Tal, onde os desafios serão totalmente diferentes do que ela poderia imaginar.

O Castelo é um livro bacana, mas não me trouxe o mesmo sentimento de nostalgia e reconhecimento que senti ao reler A Queda. Ainda assim, eu adoro o universo fantástico criado por Garth Nix, e ainda acredito que seja um dos mais originais que já li. Os livros são curtos, de narrativa fácil e enredo interessante (ainda que com alguns altos e baixos) e, só por isso, já recomendo a leitura a todos que procuram uma boa fantasia infantojuvenil. 😉

P.S.: sim, as capas são horríveis. 😦

Título Original: Castle
Série: A Sétima Torre
Autor: Garth Nix
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 221
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Resenha: Uma Noite Inesquecível – Lisa Kleypas

Oi galerinha, tudo bem? 😀

Depois de concluir a história das quatro Flores Secas originais em As Quatro Estações do Amor, Lisa Kleypas trouxe mais um volume a essa série fofíssima: Uma Noite Inesquecível. Vamos conferir o que eu achei? 😉

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Sinopse: O Natal está se aproximando e Rafe Bowman acaba de chegar a Londres para uma união arranjada com Natalie Blandford. Com sua beleza estonteante e o físico imponente, ele tem certeza de que a linda aristocrata logo cairá a seus pés. No entanto, seus terríveis modos americanos e sua péssima reputação de farrista deixam Hannah, a prima da moça, chocada. Determinada a proteger Natalie, ela vai tornar a tarefa de cortejar a jovem muito mais difícil do que Rafe esperava. Hannah, porém, logo começa a se importar mais do que gostaria com o rude pretendente da prima. Rafe, por sua vez, passa a apreciar um pouco demais a companhia de Hannah, uma mulher forte e pragmática com um coração doce e gentil. E quando Daisy, Lillian, Annabelle e Evie, quatro amigas inseparáveis que já conseguiram encontrar o homem de seus sonhos, decidem agir como cupidos, quem sabe o que pode acontecer?

O mocinho dessa história de amor é Rafe Bowman, irmão mais velho de Lillian e Daisy. O rapaz vem à Inglaterra para cortejar a bela Natalie Blandford, uma jovem aristocrata com quem deve se casar. Entretanto, ele encontra um obstáculo em seu caminho: Hannah, a acompanhante e prima da jovem. Hannah cresceu com os Blandford e tem muito carinho por Natalie, desejando que a prima case com alguém à sua altura – e Rafe, com seus modos grosseiros e americanizados, bem como seu histórico libertino, com certeza não se encaixa nos pré-requisitos. Entretanto, uma fagulha inesperada se acende entre Rafe e Hannah, o que pode colocar tudo a perder.

O maior defeito deste livro é ele ser tão curto! Eu adorei Rafe e Hannah, e sua dinâmica de gato e rato é encantadora. Rafe é um homem impulsivo, despreocupado e divertido – entretanto, sofre uma cobrança sem tamanho por parte de seu pai, Thomas Bowman. A pressão para atingir as altas expectativas do pai é algo que sempre o acompanha (sendo também o motivo para ele cortejar Natalie). Hannah, por outro lado, é uma jovem dedicada, modesta e leal. É nítido seu sentimento genuíno por Natalie, ainda que esta seja uma personagem bem temperamental. As passagens em que as duas interagem contêm cenas bem engraçadas, especialmente quando Natalie demonstra o seu lado mais “travesso”, desconcertando Hannah e seus modos “puritanos”.

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O livro acaba focando um pouco demais em Lillian e Westcliff, o que eu julguei desnecessário. Pra mim, não havia motivos para esses personagens terem tanto espaço novamente (ainda mais que eu não tenho mais simpatia por Lillian). Também existe uma questão importante envolvendo os sentimentos de Natalie, mas que me deixou bem satisfeita. Todos os casais que são mostrados ao longo das (poucas) páginas tiveram um desfecho que me deixou contente, o que foi positivo. Mas, em função disso, o casal principal acabou tendo menos destaque do que deveria, o que é uma pena (considerando o quão carismáticos Rafe e Hannah são). 😦 Ah! Outra coisinha que me incomodou durante a leitura, e que eu já havia comentado em Escândalos na Primavera, é a questão da cronologia estranha, algo meio recorrente na série que se repete aqui.

Uma Noite Inesquecível demonstra mais uma vez a habilidade de cupido das Flores Secas, que adotam Hannah nesse grupo tão cativante. O livro também reforça a capacidade de Lisa Kleypas de criar uma história leve, divertida e repleta de muito romance. Apesar de curto, o livro é um spin-off digno da série de origem. 🙂

Título Original: A Wallflower Christmas
Série: As Quatro Estações do Amor
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 144
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Resenha: O Conto da Aia – Margaret Atwood

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de O Conto da Aia, clássico distópico de Margaret Wood que deu origem à série The Handmaid’s Tale. 😉

o conto da aia margaret atwood.pngGaranta o seu!

Sinopse: Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump.

Offred é uma moradora da República de Gilead (conhecida, no passado, como Estados Unidos). Diversos fatores fizeram com que grande parte da população tenha se tornado infértil, e há uma grande preocupação com a natalidade em declínio. A função de Offred nessa nova sociedade é ser uma Aia: uma mulher responsável por gerar um filho para a família de um membro do alto escalão do governo. Gilead é um país teocrata, calcado nas crenças do Antigo Testamento, e as mulheres têm papéis bem delimitados: reprodutoras (Aias), esposas, professoras (Tias) ou “domésticas” (Marthas). É através dos olhos de Offred que o leitor tem um vislumbre dos horrores que envolvem esse sistema

Eu terminei de ler esse livro em julho, mas só agora consegui escrever a respeito. A verdade é que O Conto da Aia não é um livro para ser devorado e lido de uma vez, mas sim uma obra que deve ser lida com calma, para que você possa absorver sua atmosfera enquanto compreende sua realidade. A autora é bem misteriosa no início da trama: você vai entendendo aos poucos, de acordo com as reflexões da protagonista.

A narrativa de Offred vai e vem no passado. Sabemos apenas que ela foi capturada 3 anos antes e, desde então, passou pelo treinamento necessário para se tornar uma Aia. Em Gilead, as mulheres são proibidas de ler e escrever (com exceção das Tias), então a oralidade é uma característica da narrativa: como Offred não pode escrever, ela conta ao leitor o que aconteceu com ela; desse modo, acompanhamos seu fluxo de pensamentos e seus devaneios. Isso confere à narrativa um tom intimista e também sufocante: estamos o tempo todo imersos na mente de Offred. Ela narra seu tédio, sua apatia e, claro, suas lembranças. Ela viveu em um mundo com liberdades e direitos civis e presenciou isso ser retirado das mulheres, o que é muito doloroso.

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A autora faz uma reflexão que mexeu bastante comigo: ela mostra ao leitor que as transformações podem ocorrer lentamente. Nem sempre é algo explosivo e repentino que causa mudanças drásticas em uma sociedade; muitas vezes, o discurso dos indivíduos vai dando indícios do que está por vir. Em O Conto da Aia, existem matérias nos jornais que dão pistas de que algo grave está por acontecer, mas a população não liga, não leva a sério, simplesmente porque parece distante e irreal demais. Até que acontece. Não nos comportamos exatamente assim fora da ficção?

Outra reflexão óbvia trazida por Margaret Atwood é a questão do papel da mulher em Gilead. Nessa sociedade extremista religiosa, as mulheres são designadas a papéis estereotipados: reprodutoras, professoras, donas de casa, esposas. Elas não podem ler, trabalhar, amar, conversar… Não podem nada. Nesse contexto, as Tias gozam de autoridade, mas somente sobre as mulheres sob sua tutela. Quando todos os seus direitos e liberdades são retirados, exercer poder sobre um grupo acaba sendo muito tentador, e as Tias ilustram essa situação. O papel biológico dita as regras em Gilead; sendo a reprodução o pilar dessa sociedade, gays e lésbicas não-férteis são descartáveis.

O Conto da Aia faz um trabalho primoroso em expor sutilezas do patriarcado de modo gritante. Por meio de lavagem cerebral (ou imposição de medo mesmo), as Tias fazem com que as mulheres aceitem seus papéis e condenem quem sai da normaGilead também exerce vigilância constante, por meio dos Olhos (espiões) e das próprias Aias, que fiscalizam e denunciam umas às outras, demonstrando o quanto mulheres estão inseridas em um contexto que as coloca contra si mesmas. Além disso, a obra também escancara a hipocrisia do sistema: apesar de ser baseado em regras religiosas rigorosas e punitivas, os Comandantes usufruem de prazeres proibidos graças ao seu status elevado.

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Eu tinha a expectativa de que a trama fosse sofrer alguma reviravolta. Mas a verdade é que o livro não se trata de uma revolta. Inclusive, esse aspecto me lembrou muito 1984 (do George Orwell), cujo foco é fazer o leitor mergulhar na realidade opressora dos personagens, muito mais do que propor um enredo que busque impressionar por conta dos acontecimentos em si. O final do livro incomoda, causa desconforto. As notas históricas mostram Offred sob a luz acadêmica – de um homem. Ele fala de suas vivências com frieza e até certo divertimento/ironia. É muito doloroso perceber a história de Offred, de uma mulher com tantos sofrimentos e nuances, sendo resumida a um estudo.

Como crítica, eu diria que o estilo narrativo é um pouco estranho. Não tem aspas nem travessão pra demarcar a maior parte dos diálogos: eles acontecem realmente como uma narração oral (o que faz sentido, considerando que é essa a sensação que a protagonista deseja transmitir). Essas situações ocorrem quando a personagem rememora conversas do passado, como as lições dadas pelas Tias. Com o tempo o leitor acostuma, mas é estranho ler frases construídas assim: Olá, meninas, disse a Tia Lydia. Vocês são especiais.

Sendo mulher e feminista, devo dizer que foi doloroso chegar ao fim de O Conto da Aia. O livro é poderoso não por trazer inúmeras reviravoltas de tirar o fôlego, mas por narrar com muito realismo e verossimilhança uma situação distópica com alicerces reais. Não é difícil imaginar algo desse nível acontecendo (lembrei da revolução no Irã, por exemplo, e Marjane Satrapi fala sobre as mudanças na sociedade em Persépolis). Entretanto, por mais difícil que a leitura seja, ela também tem seus momentos de inspiração: os lampejos de revolta e insubordinação de Offred dão certo consolo.

Sei que a resenha ficou enorme, mas fiz o melhor que pude pra botar pra fora todos os sentimentos e reflexões que tive ao ler O Conto da Aia. Esse é um daqueles livros que podem até não agradar todo mundo, mas que definitivamente mexem com você. Recomendo MUITO essa leitura, e obrigada por ter lido até aqui! ❤

Título Original: The Handmaid’s Tale
Autor: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Número de páginas: 368
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: Brooklyn Nine-Nine

Oi pessoal, tudo bem?

Sabe quando você se vicia em uma série e quer falar dela pra todo mundo? Após sentir isso por One Day at a Time, cá estou para falar sobre meu novo amor: Brooklyn Nine-Nine!

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Sinopse: O brilhante e imaturo detetive Jake Peralta precisa aprender a seguir as regras e trabalhar em equipe quando um capitão exigente assume o comando de seu esquadrão.

Jake Peralta é um detetive extremamente talentoso, mas muuuito imaturo. Quando Raymond Holt, o novo (e sisudo) capitão, assume o 99º distrito policial do Brooklyn, o rapaz encara o desafio de lidar com alguém tão diferente dele no comando. Essa é a premissa inicial, a pontinha do iceberg de Brooklyn Nine-Nine (carinhosamente chamada pelos fãs de B99). A verdade é que a graça dessa série está em seus diversos personagens, suas relações, as atuações primorosas dos atores e, é claro, em suas excelentes piadas.

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Existem alguns papéis estereotipados em B99, mas eles não têm a função de menosprezar ou minimizar certos perfis de personagens; são arquétipos que ajudam o espectador a identificar as principais características de cada um. Entretanto, os personagens têm mais camadas do que aparentam: Jake é o cara esperto e imaturo, mas ele é um profissional extremamente dedicado e um amigo de ouro; Amy é a CDF que quer agradar seu chefe mais do que qualquer coisa, mas é também uma mulher decidida e competente; o próprio Holt é um homem que tem a postura séria e inabalável, mas que foge do padrão por ser um policial negro e gay; e por aí vai. Cada personagem de B99 colabora do seu modo para tornar a série marcante, engraçada e viciante como é (exceto a Gina, não gosto da Gina… tá, ela é importante também). Como não amar Terry amando iogurtes ou falando de suas filhinhas? Ou Rosa sendo a maior badass? Ou ainda Charles e sua admiração por Jake (e por comidas estranhas)? ❤

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Brooklyn Nine-Nine traz os detetives da 99ª resolvendo diversos crimes, e é deliciosamente engraçado acompanhar esse tipo de trama em uma série de comédia (já que, normalmente, isso ocorre em séries policiais dramáticas). Brooklyn Nine-Nine explora os clichês desse tipo de história propositalmente, sempre com bom humor. E isso funciona perfeitamente, já que a leveza da série sempre se mantém, fazendo o espectador rir das mais diversas situações. Entretanto, mesmo sendo uma série alto astral, existem temas que são trabalhados de modo brilhante (ainda que de modo sutil em alguns casos): homofobia, machismo e racismo são alguns exemplos, e a série consegue desenvolver esses conteúdos de modo competente, mesmo sem utilizar grandes cenas dramáticas como recurso. Discussões como a importância das mulheres se apoiarem, ou a opressão sofrida por negros e gays apenas por serem quem são são alguns exemplos dos temas trazidos por B99. Outro aspecto muito bacana sobre a série é que sua trama não é repetitiva: Brooklyn Nine-Nine não fica explorando os mesmos temas à exaustão e fazendo sempre as mesmas piadas (como a imaturidade do Jake, por exemplo). Ela cresce e se diversifica, assim como seus personagens.

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Brooklyn Nine-Nine entrou para o meu Top 3 de séries de comédia favoritas, junto com Friends e One Day at a Time. É difícil pra mim ser objetiva para explicar todos os motivos pelos quais me apaixonei instantaneamente por Brooklyn Nine-Nine série desde o primeiro episódio, mas o que posso dizer com certeza é que é fácil perceber como todos os envolvidos se dedicam a fazer da série o que ela é. Os atores entregam performances maravilhosas, os personagens se desenvolvem (ganhando nuances e amadurecimento), os episódios envolvem e fazem rir. E os bordões, então? “Noice”, “Cool, cool, c-cool, cool, cool…”, “Nine-Nine!” são alguns dos que fazem parte do meu vocabulário agora. 😂

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Eu não sei o quê passou pela cabeça da Fox ao cancelar essa série, mas sou uma das pessoas que estão exultantes pelo fato da NBC ter escolhido salvá-la. E se você ainda não conhece Brooklyn Nine-Nine, meu conselho hoje é: assista! São poucas as séries que me cativam a ponto de ganhar um espaço garantido no meu coração, e essa é uma delas. Espero que conquiste você também. 😉

Título original: Brooklyn Nine-Nine
Ano de lançamento: 2013
Criadores: Dan Goor, Michael Schur
Elenco: Andy Samberg, Andre Braugher, Melissa Fumero, Joe Lo Truglio, Stephanie Beatriz, Terry Crews, Chelsea Peretti, Dirk Blocker, Joel McKinnon Miller

Resenha: O Bicho-da-Seda – Robert Galbraith

Oi galera, tudo bem?

Li o segundo volume da série Cormoran Strike, O Bicho-da-Seda, e hoje conto pra vocês minhas impressões a respeito. 😉

o bicho da seda robert galbraithGaranta o seu!

Sinopse: Quando o escritor Owen Quine desaparece, sua esposa vai a procura do detetive Cormoran Strike. De início, a Sra. Quine pensa que seu marido apenas se afastou por conta própria, por uns dias — como já tinha feito antes —, e ela pede a Strike para que o encontre e o traga para casa. Mas conforme Strike investiga o caso, se torna claro que há mais no desaparecimento de Owen do que sua mulher pensa. O escritor havia terminado um manuscrito contendo descrições venenosas de quase todos que conhecia. Se o livro fosse publicado, poderia arruinar vidas: o que significa que existiam várias pessoas que poderiam querer silenciá-lo. Quando Quine é encontrado brutalmente assassinado em circunstâncias bizarras, a investigação se torna uma corrida contra o tempo para entender a motivação de um assassino impiedoso, um assassino como Strike nunca havia visto antes.

Que eu adoro livros de investigação, não é novidade pra quem me acompanha aqui no blog. Eu curti bastante a experiência com O Chamado do Cuco e vi muito potencial em J. K. Rowling (ou melhor, Robert Galbraith) de seguir nesse tipo de história. Felizmente, os pontos positivos do primeiro volume se mantiveram; entretanto, os defeitos também.

Após solucionar o caso Lula Landry, Strike ganha certa notoriedade, trazendo mais casos ao seu escritório e permitindo que ele tenha uma vida um pouco mais confortável. Robin segue como sua secretária, mas com a expectativa de tornar-se ajudante de Strike assim que possível. As coisas no escritório iam bem (com Strike investigando, basicamente, maridos e esposas infiéis), até que Leonora Quine bate à sua porta e alega que seu marido, o escritor Owen Quine, está desaparecido. Descrente que a polícia poderá ajudá-la (já que seu excêntrico marido tinha o hábito de fugir), a estranha e rude mulher deposita suas esperanças em Strike, que aceita o caso. Strike não demora a descobrir, entretanto, que Owen Quine não está desaparecido: ele foi brutalmente assassinado. A questão é que Quine recentemente escreveu um livro que difama inúmeros nomes importantes do ramo editorial, dando motivos a diversas pessoas para querer algum tipo de retaliação.

Duas coisas me chamaram a atenção no caso de O Bicho-da-Seda: o modo como Owen Quine foi assassinado e seu próprio manuscrito, Bombyx Mori (que significa, justamente, bicho-da-seda). Para investigar os possíveis suspeitos, Strike adentra na mente doentia de Quine enquanto lê sua obra repleta de violência e sexo, fazendo conexões entre os personagens e as pessoas reais. Assim como ele, o leitor vai tentando conectar as peças enquanto lê ambos os livros: o de Quine e o de Galbraith. O interessante é que novamente Galbraith não revela nenhum detalhe dos pensamentos de Strike em relação ao criminoso ao leitor; há um momento em que o detetive está certo de quem é o assassino, mas várias páginas se passam até que a gente descubra. Se o objetivo é atiçar a curiosidade do leitor, pra mim isso deu certo! Devoreeei as páginas finais. 😛

resenha o bicho da seda robert galbraith

Robin também ganha destaque nesse volume, o que me deixou bem contente. Ela é inteligente, empática e competente. Além da beleza física, sua personalidade conquista o leitor e também os personagens com quem ela interage. Porém, seu plot demora a engrenar, já que durante boa parte do livro ela está magoada com Strike (por não treiná-la) ou brigando com Matthew (um chato que só faz criticá-la por suas escolhas profissionais). Entretanto, quando ela tem a chance de brilhar, é um arraso só! ❤

Em relação à narrativa, Galbraith peca por ser descritivo demais em relação às ruas e locais de Londres. Por um lado, isso torna a leitura bem imersiva. Por outro, é cansativo, já que são descrições específicas e “insiders” (e, como eu não conheço Londres, ficava meio difícil de imaginar, já que muitas vezes o autor cita apenas nomes de lugares). Além disso, ele repete à exaustão alguns recursos que já ficaram claros anteriormente (como as dificuldades de locomoção de Strike ou a instabilidade de Charlotte). Entretanto, no final da trama, o autor consegue fechar todas as pontas soltas, o que considero imprescindível nos romances policiais. Só não gostei tanto da revelação do assassino e suas motivações quanto curti em O Chamado do Cuco; foi menos emocionante, com motivos menos impactantes (ainda que o autor tenha me enganando novamente a respeito de sua identidade).

Em suma, terminei O Bicho-da-Seda tendo a certeza de que, apesar das ressalvas, me tornei fã de Strike e Robin. Essa dupla carismática me cativou, e o modo de Robert Galbraith contar suas histórias e manter o mistério no ar durante toda a leitura conseguiram me envolver. Além disso, o autor conseguiu trazer à tona a disputa de egos que envolve o mercado editorial, fazendo uma crítica ácida e interessante (como também fez em relação à mídia em O Chamado do Cuco, diga-se de passagem). Recomendo! 😉

Título Original: The Silkworm
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 464
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Agora e Para Sempre, Lara Jean – Jenny Han

Oi, meu povo! Turubom? 🙂

Aproveitando que o filme Para Todos Os Garotos Que Já Amei estreia nessa sexta-feira (yay! ❤), hoje vim contar minhas impressões sobre o último volume da trilogia, Agora e Para Sempre, Lara Jean!

agora e para sempre lara jean jenny hanGaranta o seu!

Sinopse: Na surpreendente e emocionante conclusão da série, o último ano de Lara Jean no colégio não podia estar melhor: ela está apaixonadíssima pelo namorado, Peter; seu pai vai se casar em breve com a vizinha, a sra. Rothschild; e sua irmã mais velha, Margot, vai passar o verão em casa. Mas, por mais que esteja se divertindo muito — organizando o casamento do pai e fazendo planos para os passeios de turma e para o baile de formatura —, Lara Jean não pode ignorar as grandes decisões que precisa tomar, e a principal delas envolve a universidade na qual vai estudar. A menina viu Margot passar pelos mesmos questionamentos, e agora é ela quem precisa decidir se vai deixar sua família — e, quem sabe, o amor de sua vida — para trás. Quando o coração e a razão apontam para direções diferentes, qual deles se deve ouvir?

Depois de viverem um relacionamento de mentira que se tornou um namoro de verdade, de superarem dificuldades como o vazamento do vídeo do ofurô e mesmo a dúvida causada por um triângulo amoroso, Lara Jean e Peter estão mais fortes do que nunca. Eles estão prestes a concluir o Ensino Médio e seus destinos estão traçados: eles pretendem ir juntos para a mesma faculdade, a Universidade de Virgínia (ou UVA). Entretanto, a vida às vezes acontece da maneira mais inesperada, e Lara Jean precisa lidar com uma mudança brusca no rumo de seus planos quando ela descobre que não foi aceita na universidade dos seus sonhos.

Agora e Para Sempre, Lara Jean nos traz de volta o romance encantador de Lara Jean e Peter K., que agora estão um pouco mais maduros e certos do que sentem um pelo outro. Contudo, a vida da protagonista vira de cabeça pra baixo quando ela precisa encarar o fato de que 1) não vai para a universidade que tanto queria e 2) vai ter que estudar longe de Peter. A distância iminente é uma sombra que paira na cabeça dos protagonistas. E isso se torna um fardo pesado pois, apesar de eles terem evoluído desde o primeiro volume, Lara Jean e Peter ainda não conseguem sentar e conversar a respeito de modo maduro e honesto (o que é facilmente explicado pela idade dos dois que, afinal, ainda são adolescentes).

O que mais gostei nesse livro foi ver Lara Jean se desafiando. Apesar do baque inicial com a rejeição inesperada, a garota é aceita em outras universidades ainda mais renomadas e concorridas. Apesar de ter uma possibilidade de escolha confortável à frente, Lara Jean se permite ousar e ouvir seu coração, sem abrir mão de sua essência. Chris, sua melhor amiga, tem um papel bem importante nesse processo, incentivando Lara Jean e mostrando as inúmeras possibilidades que ela tem pela frente. Contudo, o ponto negativo é que Peter acaba ficando bastante apagado ao longo da trama, quase como um agente passivo na relação.

resenha agora e para sempre lara jean jenny han

E, em parte, eu culpo a falta de prioridades de Jenny Han pelo pouco desenvolvimento que o casal protagonista teve neste volume. Por que digo isso? Porque a autora preferiu dedicar páginas e mais páginas ao casamento do pai de Lara Jean com a vizinha, Treena. A protagonista se envolveu em cada detalhe do casamento (como válvula de escape para a ansiedade), e o leitor se vê no meio disso tudo: acompanhando a dinâmica familiar, o estranhamento de Margot com a nova membro da família, vendo os preparativos para o casamento, etc. Isso é bacana para aprofundar os outros personagens da família de Lara Jean mas, na minha opinião, foram dedicadas páginas demais a esse plot e de menos ao relacionamento de Lara Jean e Peter. 😦

Outro aspecto negativo é que o livro é linear demais. Tirando a surpresa em relação às universidades, nada demais acontece. Há o baile de formatura, a viagem a Nova York, o casamento… e todos esses acontecimentos são muito sem sal. Você fica esperando que algo bombástico aconteça, mas isso não vem. Talvez eu esperasse mais emoção e entrega nesse último livro, o que não aconteceu. Isso me fez sentir que Jenny Han se manteve na zona de conforto. E o final… sinceramente, não foi o que eu esperava. De certo modo, foi doce e otimista. Por outro lado, a chance de dar merda tudo acabar mal é grande. Eu gostaria de algo mais fechado, que me desse certeza de que eles deram certo. Depois de uma trilogia tão fofinha, o que eu menos queria era um final que desse abertura para sentimentos de tristeza. 😦 Utópico, talvez, mas acho que combinaria com o tom da história como um todo (que em nenhum momento se propôs a ser um retrato cínico dos relacionamentos reais).

Apesar de eu ter considerado parte da obra um desperdício narrativo (em função dessa subtrama toda do casamento, principalmente), Agora e Para Sempre, Lara Jean foi uma experiência mais positiva do que negativa. Ele conclui a história desse casal improvável, unido por uma carta que não deveria ter sido enviada, e nos deixa com gostinho de quero mais. Vou sentir saudades de Lara Jean e de Peter K.

Título Original: Always And Forever, Lara Jean
Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei
Autor: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304
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