Dica de Série dupla: Luke Cage e Punho de Ferro

Oi gente! Tudo bem com vocês?

Pra finalizar as séries de super-heróis da Netflix e da Marvel, hoje eu trago pra vocês minha opinião sobre Luke Cage e Punho de Ferro! 🙂

Resolvi fazer essa Dica de Série dupla por três fatores: 1) acho que combina falar deles juntos, já que eles formam uma bela amizade nas HQs; 2) fiquei pilhadíssima com o trailer de Os Defensores, que saiu há algum tempo e 3) essas foram as duas séries da parceria Netflix e Marvel de que menos gostei. Vamos aos reviews?

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Sinopse: Depois que um experimento sabotado ter deixado Luke Cage com uma super-força e pele indestrutível, ele se torna um fugitivo que tenta reconstruir a vida no Harlem, bairro de Nova York. Mas logo ele é forçado a sair das sombras e lutar pela sua cidade, bem como confrontar o passado do qual tentou fugir e assumir a identidade de herói.

A história de Luke Cage pode ter começado em Jessica Jones, mas na sua série solo ela ganha mais profundidade e conhecemos mais do passado do herói. A série começa com Luke trabalhando na Barbearia do Pop, localizada no Harlem – um bairro majoritariamente negro. Lá, a violência fica cada vez mais expressiva, principalmente pela ação dos primos Cornell “Boca de Algodão” Stokes (dono da boate mais popular do local, onde ocorrem diversas atividades criminosas) e Mariah Dillard (vereadora que usa sua influência para ajudar Cornell). Luke mantém suas habilidades especiais – ele é super forte e sua pele é à prova de balas, extremamente resistente – em segredo, e apenas Pop sabe a verdade. Quando o dono da barbearia é assassinado, Luke toma para si a responsabilidade de acabar com Boca de Algodão e Mariah Dillard, ao mesmo tempo em que desvenda segredos sobre seu próprio passado.

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Luke Cage tem um enredo consistente, apesar de desandar no final – algo que senti também em Jessica Jones. Existem muitos vilões, o que acaba dividindo a atenção do espectador e enfraquecendo todos eles, em especial o último, que deveria ser também o principal e mais ameaçador. Luke não é um protagonista muito carismático, mas felizmente a enfermeira mais badass de Nova York, Claire Temple, supre essa demanda, já que ela ganha bastante destaque nessa série. Outra personagem feminina super forte que merece destaque é a policial Misty Knight: honesta, determinada e corajosa, ela defende o Harlem com unhas e dentes. Luke Cage também é uma série importante por trazer muita negritude e representatividade, já que o Harlem é um bairro predominantemente negro: da trilha sonora aos costumes locais, a série acerta em cheio ao abordar esses aspectos, que normalmente são deixados de lado em outras produções televisivas.

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Em suma, Luke Cage é uma boa série, mas cujo protagonista não encanta. Tem uma história coerente e interessante, mas não a ponto de querer me fazer maratonar. Assisti mais por querer acompanhar os quatro heróis que farão parte de Os Defensores, confesso, mas não me arrependi de dedicar algumas horas à série. 🙂

Título original:  Marvel’s Luke Cage
Ano de lançamento: 2016
Criador: Cheo Hodari Coker
Elenco: Mike Colter, Mahershala Ali, Simone Missick, Alfre Woodard, Theo Rossi, Rosario Dawson, Erik LaRay Harvey

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Sinopse: Daniel Rand (Finn Jones) é um bilionário, herdeiro da fortuna das Indústrias Rand. Por 15 anos, todos acreditaram que ele estava morto, após um acidente de avião no Himalaia que vitimou seus pais, Wendell e Heather Rand. Mas Danny foi salvo e viveu todo esse tempo na cidade mística de K’un-Lun, uma das Sete Capitais do Céu. Lá, Danny aprendeu a canalizar o seu chi e se tornou o Punho de Ferro. De volta a Nova York, ele vai tentar retomar seu posto na empresa, agora sob o comando de seus amigos de infância Joy (Jessica Stroup) e Ward Meachum (Tom Pelphrey). Mas ele precisa convencer a todos que é realmente quem diz ser e combater o Tentáculo, com a ajuda de Colleen Wing (Jessica Henwick).

Em Punho de Ferro, acompanhamos a história de Danny Rand, que volta a Nova York depois de anos treinando em um monastério localizado em outro plano astral. Quando criança, ele e os pais sofreram um acidente de avião, e Danny foi o único sobrevivente. Salvo por monges de K’un-Lun (esse local sagrado em outro plano), Danny foi treinado nas artes do kung fu e conseguiu o título de Punho de Ferro – o herói responsável por proteger K’un-Lun do Tentáculo (que deu as caras pela primeira vez em Demolidor). Danny volta à Nova York para retomar sua antiga vida como herdeiro da empresa que leva seu nome, ao mesmo tempo em que pretende acabar com o Tentáculo. Nesse processo, ele torna-se aliado da instrutora de artes marciais Colleen Wing e entra em conflito com os atuais gestores das Indústrias Rand: Ward e Joy Meachum, seus amigos de infância e filhos do antigo sócio do pai de Danny.

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Serei direta: Punho de Ferro é a pior das quatro séries oriundas da parceria Marvel e Netflix. Finn Jones interpreta um Danny Rand inconsistente, que ora é um monge tranquilo e comedido, ora perde as estribeiras com qualquer situação de conflito. As cenas de luta são vergonhosas, principalmente quando consideramos que o Punho de Ferro é o personagem que mais deveria ter maestria em combates corpo a corpo. A história tenta colocar plot-twists a todo momento, inclusive da metade para o final, quando os personagens já deveriam ter sido bem estabelecidos (como ocorre, por exemplo, com a inserção de Bakuto, mais um dos vilões). Isso tira a força dos plot-twists, que acabam soando mais como tentativas desesperadas de tentar fazer o enredo engrenar. Falando ainda em vilões, Punho de Ferro repete o erro de Luke Cage, mas de modo ainda mais falho: a série tem diversos antagonistas, sendo que um dos maiores já é revelado de cara, não sobrando nenhuma surpresa para o espectador. O único personagem novo que é interessante na série é Ward Meachum – ele é o mais próximo do cinza que temos em Punho de Ferro, tendo suas forças e fraquezas trabalhadas e seu psicológico desenvolvido. Já Claire Temple, como sempre, rouba a cena, sendo a visão do público em meio às loucuras que presencia, sempre com comentários ácidos e engraçados e uma visão mais racional das coisas.

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Punho de Ferro parece ter sido feito às pressas e sem orçamento, mas eu tenho que admitir: o ritmo dos episódios é bom, e dá vontade de assistir um após o outro porque o enredo não chega a ser cansativo (apesar dos diversos momentos nonsense). Espero que o personagem Danny Rand/Punho de Ferro seja melhor desenvolvido em Os Defensores, porque é uma pena ver a qualidade das séries Marvel/Netflix decair. Pra quem pretende acompanhar todas as séries dessa parceria, não há como fugir de conferir Punho de Ferro. Mas meu conselho é que você assista sem muitas expectativas.

Título original:  Marvel’s Iron Fist
Ano de lançamento: 2017
Criador: Scott Buck
Elenco: Finn Jones, Jessica Henwick, Tom Pelphrey, Jessica Stroup, David Wenham, Rosario Dawson

Review: Puella Magi Madoka Magica

Olá, pessoal! Tudo bem?

Conforme o prometido, vim trazer mais um conteúdo que eu queria falar a respeito há um tempo. Já falei de muitos mangás por aqui, mas hoje resolvi trazer um anime pro blog! Trata-se de Puella Magi Madoka Magica ou, simplesmente, Madoka Magica.

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Sinopse: Suicídios sem explicação? Acidentes de trânsito? Mortes de pacientes quase curados? Tudo isso é causado pelo poder das bruxas. Elas causam o mal e estão presentes em todos os lugares. Para combate-las, há apenas uma saída: algumas meninas têm que firmar um contrato com Kyubey e tornarem-se Garotas Mágicas. Em troca, essas garotas receberão como prêmio um desejo concedido. Em Puella Magi Madoka Mágica seguimos a vida de Madoka Kaname e os dramas causados após descobrir a existência das bruxas e das garotas mágicas. Em meio a outras personagens, temos Homura Akemi e sua tentativa de impedir que Madoka se torne uma garota mágica. Fonte.

A história começa quando Madoka Kaname, nossa protagonista, tem um sonho em que uma garota luta sozinha contra um monstro imenso. No dia seguinte, na aula, ela vê que a menina do seu sonho é a nova aluna transferida: Homura Akemi. Posteriormente, enquanto faz compras no shopping com as amigas, Madoka vê Homura perseguindo um animal diferente, que lembra um gato. Madoka e sua melhor amiga, Sayaka, salvam essa criatura – chamada Kyubey – mas acabam presas em uma espécie de mundo paralelo, onde são atacadas por um monstro. As duas são salvas por Mami Tomoe, uma garota mágica. E Kyubey é a criatura capaz de transformar garotas normais em garotas mágicas, como Mami. Ele explica que o objetivo das garotas mágicas é lutar contra as bruxas, criaturas horrendas que se alimentam de humanos, levando-os inclusive a se suicidar, cometer assassinato, entre outras coisas. A trama realmente ganha propósito no momento em que Kyubey oferece a Madoka e a Sayaka um contrato para que elas sejam garotas mágicas também – e, em troca, elas podem ter qualquer desejo atendido. Porém, Homura está determinada a impedir que isso aconteça.

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Os traços delicados e a premissa de “garotas mágicas lutando contra o mal” fazem Madoka Magica parecer um anime bobinho, beirando até mesmo o infantil, certo? Errado. Porque em Madoka Magica todo esse conceito de “mahou shoujo”/garotas mágicas é subvertido e desconstruído, principalmente por ter um enredo profundo e doloroso (coisa que eu nunca vi em nenhum outro “mahou shoujo”, por sinal).

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Em apenas 12 episódios, o anime nos apresenta a personagens femininas complexas, com fardos pesados a carregar e arrependimentos com os quais precisam conviver. Madoka é doce, altruísta e gentil, mas extremamente insegura, e esse sentimento faz com que ela não se sinta importante ou necessária; Sayaka é apaixonada pelo melhor amigo desde a infância, mas ele sofreu um acidente que o impede de tocar violino, seu maior talento e paixão, e ela não tem coragem de dizer o que sente; Mami e Kyoko, outras duas garotas mágicas, tem suas próprias histórias que motivaram a decisão de se tornarem garotas mágicas. E, por fim, temos Homura: uma personagem fria, calculista, com um semblante apático, mas capaz de tudo para cumprir seu objetivo – eliminar Kyubey e impedir Madoka de se tornar uma garota mágica. As motivações da personagem são obscuras e demoramos muito a entendê-la, mas prometo que, quando isso acontece, é impossível não se emocionar.

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Madoka Magica também traz algumas discussões sobre moralidade. As personagens viram garotas mágicas para salvar o mundo das bruxas? Ou para ter seu desejo atendido? A questão é que junto do desejo atendido vem também o sacrifício. E essa é uma palavra importante nesse anime. Porque ser uma garota mágica e ver seu desejo sendo realizado não é nada perto do sofrimento que esse “trabalho” exige. A próxima frase tem um spoiler, selecione se quiser ler: a verdade é que o trabalho de garota mágica é eterno e tem apenas um fim, a morte. Porque as bruxas, na realidade, são antigas garotas mágicas que sucumbiram pelo acúmulo de energias negativas. Kyubey é outro personagem que vale a pena mencionar. Vindo de outro planeta, ele tem uma noção de certo e errado totalmente diferente da nossa. Por isso, ele não vê problema algum em fazer o que faz com jovens garotas – induzi-las a se transformarem em garotas mágicas sem contar a verdade por trás disso.

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Puella Magi Madoka Magica é um anime com protagonismo feminino, que traz uma forma totalmente diferente de apresentar o conceito de garotas mágicas. Ele mostra, sem poupar o espectador, que toda ação tem sua consequência, e que pessoas podem morrer e sofrer no processo. Com personagens repletas de camadas, dores e responsabilidades, além de cenas de luta psicodélicas e visualmente impactantes, Madoka Magica foi uma grata surpresa que tive em 2015. É um anime sofrido, por mais que suas cores delicadas e traços fofos não deixem transparecer essa dor em um primeiro momento. Recomendo muito, principalmente pra quem gosta de histórias surpreendentes. 🙂

Título original: Mahō Shōjo Madoka Magica
Ano de lançamento: 2011
Direção: Akiyuki Shinbo
Roteiro: Atsuhiro Iwakami
Elenco: Aoi Yūki, Chiwa Saitō, Eri Kitamura, Kaori Mizuhashi, Ai Nonaka, Emiri Katō

Vamos conversar sobre 13 Reasons Why?

Oi pessoal, como estão?

Lembram que na semana passada, quando postei sobre Jessica Jones, comentei que tinha terminado 13 Reasons Why e não sabia exatamente como falar a respeito? Pois bem, durante a semana fui maturando meus sentimentos, lendo opiniões diversas e debatendo o assunto, e hoje trago pra vocês a síntese do que senti em relação a essa série. Esse post é e não é ao mesmo tempo um Dica de Série, pois não quero apenas fazer um review, mas levantar também algumas reflexões. Espero que gostem e tenham paciência pra ler esse textão. 🙂

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Sinopse: Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katheriine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida – além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos.

Vamos falar um pouco sobre a série. 13 Reasons Why tem a seguinte premissa: Hannah Baker se suicidou. Enquanto a escola na qual a garota estudava lida com isso, Clay Jensen, nosso protagonista (que era apaixonado por Hannah), recebe uma caixa com fitas gravadas pela garota. Nessas fitas, ela conta os motivos pelos quais tomou tal atitude, e Clay está nessas fitas. Enquanto as ouve, o garoto se depara com o sofrimento de Hannah e com coisas muito mais sombrias do que pensava.

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Eis o grande “trunfo” da série pra manter o espectador curioso: por que Clay está nas fitas? O que ele fez? O que ele deixou de fazer? Essa dúvida faz com que você queira continuar assistindo episódio após episódio, por mais que o desenrolar da trama seja bastante lento em diversos momentos. Alguns episódios são arrastados e talvez não precisassem de 50 minutos pra serem contados. Pra mim, esse é um dos maiores defeitos enquanto série (analisando apenas como uma produção para a TV, sem debates mais profundos).

Contudo, a série acerta muito em outros aspectos: a atuação dos jovens atores é brilhante, com destaque para os dois protagonistas, Katherine Langford e Dylan Minnette (Hannah e Clay, respectivamente). Enquanto Katherine conseguia passar toda a esperança, o sofrimento e as desilusões de Hannah (e ao mesmo tempo imitar perfeitamente o sotaque americano, considerando que ela é australiana), Dylan trouxe à vida um Clay desajustado socialmente, tímido, mas carismático (no passado) e também fechado, magoado e confuso (no presente). Outros dois jovens atores merecem destaque nas atuações: Alisha Boe (Jessica) e Brandon Flynn (Justin). Ambos foram protagonistas de cenas de grande sofrimento e entregaram muita emoção no que faziam. Kate Walsh, que interpreta a mãe de Hannah, também emociona, como uma mãe que não aceita o destino da filha e está obcecada em descobrir por quê Hannah fez o que fez, já que a garota não deixou nenhum bilhete ou explicação.

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Bullying e machismo

A partir de agora, o review contém spoilers!

Bom, agora eu gostaria de entrar no primeiro ponto de debate sobre 13 Reasons Why. Conversando com algumas colegas da faculdade, percebi uma coisa que não tinha notado: sim, a série é sobre bullying. Mas ela é também sobre machismo. E quase ninguém está falando a respeito.

Hannah começa a sofrer quando iniciam um boato de que ela transou com Justin. Depois, ela vai parar em uma lista das “melhores e piores da escola” como tendo a melhor bunda. Depois, uma falsa amiga espalha boatos sobre sua reputação para esconder o próprio segredo. Depois, um cara se acha no direito de tentar tocá-la. Depois, ela presencia um estupro. Depois, ela própria é estuprada. E, por fim, quem deveria ajudá-la acaba culpabilizando a garota pelo que aconteceu. Ou seja, as agressões que a personagem sofre, em sua maioria, são originadas do julgamento alheio a respeito da sua sexualidade. Sim, acontecem outras coisas no meio de tudo isso que entram na categoria de bullying, mas se analisarmos o cerne de tudo que acontece com ela e que faz com que o copo transborde, vamos encontrar um denominador comum: o machismo.

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Em determinado momento, Hannah diz a essa falsa amiga que não se importa com rumores. E, por um tempo, a garota consegue “aguentar o tranco” por mais que sofra com tudo que está acontecendo. O problema é que o acúmulo de coisas vai se tornando um fardo muito pesado, e a personagem (que começa a série mentalmente saudável) vai adoecendo, apesar do enredo não focar nisso com muita eficiência. No final, após o estupro, ela já se sente morta. E eu imagino que muitas mulheres que passam por isso realmente possam se sentir assim – sem esperança, sem vontade de seguir em frente, após terem seu corpo e sua alma violados.

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Ainda dentro desse espectro, unindo bullying e machismo, a série critica comportamentos que, infelizmente, são extremamente comuns na nossa sociedade. Alguns personagens são passivos e deixam coisas erradas acontecerem, motivados pelo desejo de aceitação. Outros, como Bryce, são o estereótipo de sucesso americano: ricos, poderosos, inatingíveis. São aqueles homens que fazem parte do time da escola, que tem um futuro brilhante e que acreditam que todas as mulheres querem estar com eles. São o tipo de cara que não sabem ouvir “não” e que acreditam que o mundo está sob seus pés. Infelizmente, esse tipo de homem é mais comum do que eu gostaria de acreditar.

13 Reasons Why é sobre bullying e suas consequências? Também. Tyler é uma prova disso, já que no final vemos o tipo de personagem que ele vai se tornar. Mas a série traz outra questão fundamental que, infelizmente, nem a própria série parece assumir: machismo. E machismo mata.

Sobre gatilhos, riscos e a cena do suicídio

Outro debate que vem tomando as redes sociais é sobre a irresponsabilidade da série em relação aos riscos que ela traz para pessoas emocionalmente fragilizadas. Explico: alguns estudiosos do assunto, pessoas com depressão e educadores têm se mostrado preocupados com a abordagem escolhida por 13 Reasons Why para tratar da questão do suicídio. Segundo esses críticos, a série não segue recomendações da Organização Mundial de Saúde ao retratar de modo explícito o suicídio, o que pode servir como gatilho para pessoas que já pensam no assunto.

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Honestamente, não posso falar nessa questão com propriedade, pois não me enquadro no grupo de risco. Mas posso dizer o seguinte: a série me causou tanta bad que, no fim de semana em que terminei, eu realmente não queria fazer nada, nem mesmo sair de casa. Tenho crises de ansiedade e, como mulher, sofri especialmente nas cenas de estupro – pois sabia que é um risco que todas nós corremos. A cena da morte da Hannah, pra MIM, não foi romantizada: não havia música de fundo, a personagem sofre ao se machucar e tudo ocorre de modo visceral e agoniante. E, mesmo eu não sendo grupo de risco, fiquei mal. Falei disso com a minha psicóloga, pra vocês terem ideia.

Então se eu, que não sofro com problemas psicológicos graves, fiquei fragilizada, consigo imaginar o que alguém nessa situação possa ter sentido. E isso me fez entender que sim, existem riscos, e essa abordagem pode sim ser gatilho pra alguém que pensa no assunto. Porque o final da Hannah é desesperançoso: quando ela tenta buscar ajuda, ela não consegue. E, por mais que o final tente trazer alguma luz por meio de Clay e Skye, a verdade é que nós nos afeiçoamos à Hannah. Nos identificamos com Hannah. E a Hannah não vê outra solução que não se matar. Entendem como isso é problemático? Não acredito que a série faça suicidas. Infelizmente, pessoas que pretendem fazer isso sabem como fazer e onde pesquisar. É triste, mas é a realidade. Mas eu acredito que sim, a série possa disparar gatilhos em quem já se vê sem esperança.

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Por outro lado, o Centro de Valorização à Vida – que fez uma parceria de divulgação com a Netflix – vem registrando um aumento significativo na busca por ajuda. É algo positivo? Com certeza. Vale o risco de perder alguém que não veja outra solução? Eis o x da questão. 

Eis o que penso que poderia ter ajudado nessas questões: acredito que a série deveria trazer avisos de “conteúdos fortes” desde o primeiro episódio, pois isso começa a acontecer apenas no episódio 9 e, até lá, o espectador já está envolvido com a história. Além disso, acredito que no fim de cada episódio poderia ter alguma cena com algum psicólogo ou psiquiatra dando conselhos a respeito do assunto e divulgando os telefones do CVV. Acho que seria uma forma de minimizar os riscos trazidos pela história e falar no assunto com mais responsabilidade. E, por fim, o adoecimento mental da Hannah – que é mais subentendido do que mostrado – poderia ter mais espaço na trama, em vez de tanto “suspense” acerca das fitas.

Em suma, eu gostei de 13 Reasons Why. É uma série que me fez pensar e mexeu comigo. Porém, acredito que ela funcione mais para pessoas que podem ser “porquês” do que pra pessoas fragilizadas emocionalmente. Se eu recomendo a série? Não pra todo mundo. Leia a respeito dela, pegue spoilers se for preciso, reflita sobre como você se sente e, só depois disso, tome a decisão de assistir ou não. E não esqueça: você é importante. 🙂

(Deixo aqui embaixo o telefone do CVV e alguns links com opiniões que tem mais propriedade pra falar da questão da depressão e do suicídio.)

Título original: 13 Reasons Why
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Brian Yorkey
Elenco: Dylan Minnette, Katherine Langford, Christian Navarro, Brandon Flynn, Alisha Boe, Miles Heizer, Justin Prentice, Michele Ang, Kate Walsh

Dica de Série: Jessica Jones

Oi gente, tudo bem?

Enquanto não organizo os pensamentos pra falar sobre 13 Reasons Why, a nova série da Netflix, resolvi me redimir e escrever um pouquinho sobre outra série do serviço de streaming que eu assisti, gostei, mas não resenhei antes: Jessica Jones! 🙂 Assim, aproveito e cumpro minha promessa do ano passado, na qual eu comentei que traria conteúdos sobre os quais eu queria falar por aqui! 😛

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Sinopse: Desde que sua curta vida como super-heroína acabou de forma trágica, Jessica Jones (Krysten Ritter) vem reconstruindo sua carreira e passou a levar a vida como detetive particular no bairro de Hell’s Kitchen, em Nova York, na sua própria agência de investigações, a Alias Investigations. Traumatizada por eventos anteriores de sua vida, ela sofre de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, e tenta fazer com que seus super-poderes passem despercebidos pelos seus clientes. Mas, mesmo tentando fugir do passado, seus demônios particulares vão voltar a perseguí-la, na figura de Zebediah Kilgrave (David Tennant), um obsessivo vilão que fará de tudo para chamar a atenção de Jessica.

Depois de me viciar totalmente em Demolidor – foi uma das melhores séries de 2015 pra mim –, fiquei cheia de expectativas pra conferir Jessica Jones. Porém, ao contrário da série do Demônio de Hell’s Kitchen, o envolvimento com o enredo demorou a acontecer. Os primeiros episódios de JJ (vou abreviar, tá?) são mais arrastados e tem um desenrolar mais lento, apresentando devagar a protagonista e suas nuances. Jessica sofre de estresse pós-traumático e tem sérios problemas com alcoolismo. No passado, já usou suas habilidades especiais (ela é super forte e resistente) para ajudar outras pessoas, mas hoje ela trabalha como detetive particular – enquanto afoga seus traumas na bebida.

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O motivo pelo qual a personagem se encontra nessa situação é o abuso psicológico e sexual que sofreu graças a Kilgrave, um indivíduo que também tem habilidades especiais: ele é capaz de controlar as pessoas apenas falando com elas. E, por muito tempo, ele fez uso dessas habilidades para controlar Jessica e mantê-la ao seu lado. Em determinado momento, após um acontecimento marcante, a personagem consegue se desvencilhar desse controle e acredita que Kilgrave estava morto. Mas o desaparecimento da estudante Hope Shlottman leva Jessica a enfrentar os seus medos e rever suas crenças.

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Jessica Jones é uma série muuuito girl power. Jessica é uma anti-heroína de personalidade forte, que quebra muitos paradigmas sobre feminilidade. Assombrada pelo passado, cheia de paranoias e emocionalmente destruída, Jessica é uma das representações possíveis de alguém que foi abusada, convive com as consequências disso e tenta seguir em frente. Ela não se preocupa em agradar ninguém, ela não liga pro que pensam dela e ela faz o que precisa ser feito, rompendo o ideal de personagem feminina que vemos em tantas produções. Além dela (e do fato da série ter sido criada por uma mulher), temos também Trish Walker, a melhor amiga de Jessica. Ela é determinada, profissional e corajosa, sendo um ponto de apoio fundamental para a protagonista, que não confia em ninguém. A amizade das duas é uma das melhores amizades femininas das séries porque, mesmo com personalidades tão distintas, as duas se amam e se preocupam genuinamente uma com a outra. Em um mundo em que a rivalidade feminina é incentivada, esse tipo de relação deve ser celebrada. 🙂 Outra personagem feminina forte é Jeri Hogarth, a advogada que muitas vezes contrata os serviços de Jessica. Lésbica, bem-sucedida, inteligente, mas também cheia de defeitos (entre eles a ganância e a indiferença), ela é uma personagem complexa, real e que mostra como personagens femininas podem ser muito mais que mocinhas inocentes. Outro personagem que merece ser comentado é Luke Cage, que é introduzido em JJ e depois ganha sua própria série. Infelizmente o personagem não me conquistou, tanto aqui quanto na sua série solo.

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O vilão também é bem trabalhado e, por muitas vezes, quase consegue nossa simpatia (em parte graças ao carisma de David Tennant). Totalmente obcecado por Jessica, Kilgrave tenta de todas as maneiras manipulá-la, por meio do discurso, da perseguição e da ameaça de violência. Podemos fazer um paralelo com a realidade: muitos homens, por meio do charme e da manipulação psicológica, conseguem fazer as vítimas de abuso acreditarem que eles estão arrependidos e podem mudar. O personagem representa homens que, mesmo sem habilidades especiais, conseguem minar a autoconfiança de suas parceiras e fazê-las duvidar da sua própria sanidade. É um tipo de violência que faz com que as vítimas se vejam em um ciclo vicioso extremamente difícil de sair, já que esses agressores utilizam-se da confiança que suas parceiras têm ou um dia tiveram nelas. No caso de Kilgrave, a relação com a Jessica se inicia devido aos seus poderes de controle mental, mas ainda assim é uma representação do que acontece na vida real.

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Não vou negar: Jessica Jones tem altos e baixos (especialmente da metade pro final, com algumas viagens wtf no roteiro) e não me envolveu tanto quanto a primeira temporada de Demolidor. Mas ela também é genial, pois não foca em mostrar estupro e abuso de maneira explícita, como tantas outras séries fazem e sem motivos importantes. Ela vai além: ela mostra as consequências de tudo isso. Ela mostra o sofrimento de quem passa por esse tipo de trauma e também das pessoas próximas, que são obrigadas a ver alguém querido em um sofrimento constante. Ao abordar de maneira tão verossímil essas questões, Jessica Jones torna-se mais do que uma série de super-heróis, trazendo um tema e uma discussão necessários a milhares de pessoas. Recomendo! 🙂

Título original: Marvel’s Jessica Jones
Ano de lançamento: 2015
Criadores: Melissa Rosenberg
Elenco: Krysten Ritter, David Tennant, Rachel Taylor, Mike Colter, Carrie-Anne Moss

Resenha: Mentirosos – E. Lockhart

Oi pessoal, tudo bem?

Para o post de hoje, trago uma resenha de um livro que estava na minha wishlist há muito tempo (graças às resenhas na blogosfera, que super elogiavam a história): Mentirosos, da E. Lockhart.

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Sinopse: Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano eles passam as férias de verão numa ilha particular. Cadence — neta primogênita e principal herdeira —, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos. Cadence admira Gat por suas convicções políticas e, conforme os anos passam, a amizade com aquele garoto intenso evolui para algo mais. Mas tudo desmorona durante o verão de seus quinze anos, quando Cadence sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.

A sinopse de Mentirosos já resume muito bem a trama, então não vou explicá-la novamente pra não tornar essa resenha maior do que precisa ser. Vou partir direto para a minha análise da obra. 🙂

A narrativa em primeira pessoa tem um tom poético, reminiscente e melancólico. Existem dois momentos da vida da protagonista que são mais esmiuçados ao longo do livro: o verão dos quinze (ou o verão do acidente) e o verão dos dezessete (o presente). Com o passar das páginas, vamos descobrindo fatos sobre o verão dos quinze que Cadence esqueceu ao mesmo tempo em que vivenciamos com ela o que acontece com sua família no presente. O livro tem um desenrolar lento, ainda que não seja maçante. O problema é que os finais de capítulo não tinham ganchos imperdíveis, então nem sempre eu tinha vontade de prosseguir a leitura (por mais curiosa que estivesse pra saber o que havia acontecido). Isso me fez demorar mais do que pretendia pra terminar Mentirosos, que é um livro curto. As descrições também vem na medida certa, sem exageros. A autora se preocupa muito em trabalhar as relações familiares e os personagens, o que é fundamental para a trama.

Falando em personagens, preciso comentar sobre os quatro Mentirosos. Infelizmente, a narrativa de Cadence não foi o ponto forte. Não consegui me afeiçoar a ela no verão dos quinze, e tampouco no verão dos dezessete. A personagem era uma adolescente apaixonada como qualquer outra, mas depois do acidente ela se vê num looping de sofrimento e autopiedade que não causou grandes emoções em mim. Gat, outro personagem fundamental, tinha tudo para ser interessante: ele era o primeiro amor de Cadence, era questionador, era o “estranho no ninho” na família Sinclair… mas faltou carisma. Mirren não ganhou minha simpatia nem no passado, nem no presente. A menina não parecia ter vontade alguma de questionar seus privilégios, além do comportamento autoritário e mimado. Johnny, por fim, foi meu Mentiroso favorito. Tudo que faltou nos outros três elementos do quarteto foi reunido nele: Johnny é carismático, divertido e envolvente. Em determinado momento, ele também mostra a força de seu caráter. O resto da família Sinclair, infelizmente, não tenho como elogiar. Harris, o avô, é o exemplo do patriarca da “família tradicional”, preconceituoso e preocupado com seu poder em primeiro lugar. As filhas são mulheres fracassadas que não conseguem sair debaixo da asa do pai e precisam se humilhar constantemente para garantir seu sustento – com os luxos a que estão acostumadas. E as crianças menores são pouco desenvolvidas, não tendo grande impacto durante a narrativa.

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Mentirosos traz alguns temas bem interessantes em suas páginas, como a crítica às aparências. E. Lockhart nos mostra uma família decadente, cada vez mais fracassada em diversos aspectos da vida, mas que se recusa a deixar a soberba de lado. A verdade é que os quatro Mentirosos não são os únicos a merecer esse título. Além da crítica a essa “aristocracia” da família Sinclair, a autora também traz discussões (ainda que superficiais) raciais e de classe – principalmente pela voz de Gat, que é o personagem responsável por levar Cadence à reflexão.

O final é simplesmente… arrebatador. A autora faz você pensar em mil possibilidades, traça uma linha que parece a explicação mais plausível para, na revelação final, te mostrar que você estava completamente errado. Quando li o final, tive que parar na mesma hora e, juro pra vocês, fiquei olhando pro teto e pras paredes, atordoada. Senti como se tivesse levado um soco na boca do estômago e perdi o fôlego, então precisei reler várias vezes pra assimilar não apenas o final – mas toda a trajetória. Na hora eu pude entender porque tudo foi contado tão aos poucos, com tantos detalhes que, em um primeiro momento, poderiam parecer preciosistas. Se durante a leitura eu havia pensado “ok, já entendi que os Sinclair são assim”, ao terminar o livro eu soube as razões da autora pra desenvolver a história – e os personagens – da forma que desenvolveu. E como eu sou fã de bons finais (sim, um final ruim pode estragar uma experiência pra mim), esse livro, que já era bom, subiu de patamar, entrou pra lista de leituras que provavelmente não vou esquecer e me causou uma ressaca literária violenta, já que não consigo parar de pensar nele. Mesmo agora, que já comecei a próxima leitura, Mentirosos segue constantemente na minha cabeça.

Mentirosos é um livro com alguns problemas (como a falta de carisma de Cadence e o desenrolar lento da trama), mas faz um excelente trabalho ao construir as relações familiares e apresentar aos poucos as memórias da protagonista. O final é de tirar o fôlego, junta todas as peças soltas e te faz questionar como você não percebeu a verdade antes. Só por esse final eu já recomendo Mentirosos sem pensar duas vezes: vale a pena!

Título Original: We Were Liars
Autor: E. Lockhart
Editora: Seguinte
Número de páginas: 272

Dica de Série: Agent Carter

Oi, meu povo! Tudo bem com vocês?

Faz tempo que eu não trago um review de série, né? E acreditem: tenho muuuita coisa pra indicar. Entre 2015 e 2016 eu assisti a várias séries, mas minha desorganização não permitiu que eu falasse a respeito. Então, pra começar a dar conta desse conteúdo que eu quero trazer pra vocês, resolvi falar de uma das últimas séries que vi ano passado: Agent Carter (ou Marvel’s Agent Carter)!

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Sinopse: Agent Carter conta a história Peggy Carter (Hayley Atwell). O ano é 1946, e Peggy se encontra marginalizada quando os homens retornam ao lar após a Guerra. Trabalhando para a SSR (Reserva Científica Estratégica, em inglês), Peggy precisa balancear o trabalho administrativo e missões secretas para Howard Stark, ao mesmo tempo em que leva uma vida solteira após perder o seu amor, Steve Rogers.

Agent Carter começa mostrando os acontecimentos após a “morte” do Capitão América, que ocorre no fim do filme de origem do Primeiro Vingador. Peggy Carter, que no filme era o interesse amoroso de Steve Rogers, seguiu sua carreira após a guerra – agora como uma agente da Reserva Científica Estratégica (ou SSR, em inglês). Contudo, a protagonista não usufrui mais do respeito que tinha na época da guerra. Agora, ela é vista por seus colegas como uma simples telefonista ou secretária. Em meio à frustração profissional, Peggy vê seu amigo Howard Stark (sim, o pai do Tony) ser acusado de traição, e ele pede sua ajuda para provar sua inocência. Fazendo um papel de agente dupla, contando apenas com a ajuda do mordomo de Howard, Edwin Jarvis, Peggy vê uma oportunidade de realmente fazer a diferença.

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Agent Carter é uma série extremamente cativante. Primeiro, porque Peggy é maravilhosa. Apesar de se encontrar em um cargo inferior ao que tinha e viver todos os dias situações humilhantes motivadas pelo machismo de seus colegas de trabalho, a personagem segue fiel a seus princípios e lutando pelo que acredita, ao mesmo tempo em que convive com a dor por ter perdido o homem pelo qual se apaixonou. Ao aceitar ajudar Howard Stark, Peggy vê a oportunidade que precisava para sentir-se útil novamente, ao mesmo tempo em que prova para si mesma (e para os outros) sua capacidade.

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Jarvis também rouba a cena, sendo o melhor sidekick que vi em muito tempo: leal, gentil, medroso e corajoso ao mesmo tempo – tudo isso faz de Jarvis uma pessoa a qual nos apegamos sem esforço, e ele acaba ganhando também a afeição de Peggy, que vê nele um grande amigo. Além disso, eu amo a voz do James d’Arcy, que vive o Jarvis. ❤ Outro personagem que vale a pena mencionar é Daniel Sousa, um ex-soldado que, assim como Peggy, é marginalizado e visto como inferior por seus colegas. Isso se deve ao fato dele ter voltado da guerra como deficiente devido a uma lesão na perna. Ele é um dos poucos homens que confiam em Peggy e eu shippo os dois demais hahaha! ❤

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O enredo da primeira temporada é muito instigante, apresentando uma trama que envolve traições do governo americano e espiões russos – algo que super combina com a ambientação pós-Segunda Guerra Mundial. Na segunda temporada o foco é outro, um pouco mais “sobrenatural” e, apesar de não ser tão envolvente quanto a primeira, mantém a excelente qualidade. Infelizmente, a série foi cancelada na segunda temporada, deixando os fãs da Peggy e do Jarvis órfãos. 😦 Com tantas séries ruins no ar, é bem revoltante que tenham cancelado Agent Carter depois de apenas duas temporadas, além de ter sido um grande desperdício de um ótimo material. O final tem alguns encerramentos (o que nos dá certo conforto), mas também deixa pontas soltas para uma próxima temporada que são de cair o queixo (o que me fez querer arrancar os cabelos por saber que não teria mais nenhum episódio).

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Agent Carter não é uma obra-prima incomparável ou uma série totalmente inovadora. Sim, tem alguns clichês e situações fantasiosas. Mas sinceramente? Em um mundo repleto de machismo, em que super-heróis masculinos são referência e garantem lucros às empresas e heroínas femininas ou têm pouco espaço ou são hipersexualizadas, Agent Carter foi uma grata surpresa. Com uma trama interessante, atuações excelentes, figurinos maravilhosos e a mistura perfeita entre ação e comédia, a série é um belo chute na bunda nos machistas – chute este dado pela maravilhosa Peggy Carter, um exemplo maravilhoso de heroína! ❤ Amei a série e recomendo fortemente! 

Título original: Marvel’s Agent Carter
Ano de lançamento: 2015
Criadores: Stephen McFeely, Christopher Markus
Elenco: Hayley Atwell, James d’Arcy, Enver Gjokaj, Chad Michael Murray, Dominic Cooper

Resenha tripla: Sutilmente, Imersão e Caleidoscópio – Nina Spim

Oi gente, tudo bem?
Estão aproveitando bastante o feriado de Carnaval? Espero que sim! ❤

Hoje eu trago pra vocês as primeiras resenhas de parceria do ano, começando pelas obras da Nina Spim: Sutilmente, Imersão e Caleidoscópio! 😀
Como os contos da Nina são bem curtinhos, resolvi falar um pouquinho sobre cada um nesse post.

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Sinopse: A escola pode ser um ambiente hostil para se fazer amizades e, ainda mais, para se apaixonar pela primeira vez. No entanto, é justamente na sala de aula que Giovana conhece a nuance e a cor do amor. Laura poderia ser a típica aluna nova amedrontada, mas seu mundo particular, cheio de certezas escondidas, nunca mais será o mesmo depois de conhecer a libertação que o novo provoca.

Sutilmente é narrado em primeira pessoa por Giovana, uma estudante que fica imediatamente interessada na nova colega de classe, Laura. Enquanto narra seu dia na escola e o fascínio que Laura exerce sobre ela, Giovana vai nos mostrando um pouco do seu dia a dia e também como é a sensação de se interessar por uma pessoa à primeira vista. O jeito tímido e misterioso de Laura – que parece assustada, mas ao mesmo tempo tem uma energia envolvente – conquista Giovana, que faz de tudo para se aproximar da garota.

Pela sinopse, eu achei que Sutilmente falaria mais de um romance em si, mas na realidade o conto aborda o início do interesse entre as duas garotas. Não consegui me conectar às personagens, porque os devaneios da protagonista me deixaram um pouco confusa, e algumas frases curtas deixaram a narrativa um pouco truncada. O ponto forte desse conto, sem dúvida, é a naturalidade com que a sexualidade de Giovana e Laura foi tratada. Com leveza (e até mesmo poesia), Nina construiu  o interesse romântico das duas de um modo muito tranquilo – exatamente como esse tema deve ser. Fiquei muito contente com essa abordagem e espero ver mais obras assim!

Título Original: Sutilmente
Autor: Nina Spim
Editora: Amazon
Número de páginas: 14
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Sinopse: Os dias difíceis parecem normais para todos, certo? Mas, no caso de Lou, um dia difícil é muito mais do que isso. É uma luta constante contra si mesma e seus demônios invisíveis. Caio, seu marido, a aceita como é e muitas vezes precisa ser firme. O que é a depressão para você? Até quando você poderia vê-la desgastando a pessoa que mais ama?

O conto traz a história do casal Lou e Caio, que se conhecem desde a escola e estão juntos há aproximadamente 10 anos. Lou convive com a depressão, uma doença invisível incompreendida por muitos. O conto, contudo, é narrado por Caio, e pelos olhos dele conseguimos vivenciar alguns dos sentimentos de alguém que ama uma pessoa com depressão.

Imersão foi, de longe, o conto que mais gostei. Em suas poucas páginas, pude me sentir conectada à história de Lou e Caio e de seu amor genuíno e duradouro. Por meio da visão de Caio não apenas vivenciamos junto a ele o que é conviver com alguém que tem depressão, mas também sentimos o amor incondicional que ele tem pela esposa. Apesar de um ou outro errinho de revisão, esse conto me envolveu e me emocionou. Nina desenvolveu esse tema com muita sensibilidade e doçura.

Título Original: Imersão
Autor: Nina Spim
Editora: Amazon
Número de páginas: 4
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Sinopse: Conhecer o infinito nunca foi tão fácil para Júlia, até que Daniel a fez sentir que a beleza não precisa ser enxergada para ser contemplada na infinitude de quem eram.

Caleidoscópio traz um tema interessante, sobre o qual até então eu não havia lido: a deficiência visual. Júlia e Daniel se conhecem desde pequenos, e o rapaz é cego desde que nasceu. Por conviver com ele desde pequena, Júlia sempre lidou com a situação com naturalidade. Porém, o conto nos lembra que, infelizmente, nem todo mundo lida com isso dessa forma.

Por meio da narrativa de Júlia, Caleidoscópio nos mostra formas distintas de lidar com as diferenças: enquanto criança, Júlia só queria tratar Daniel como um igual e, depois de adulta, ela admira justamente aquilo que o faz diferente. Em um mundo de preconceitos e falta de empatia, Caleidoscópio nos lembra de que as pessoas são diferentes e que está tudo bem ser assim. Daniel pode não enxergar, mas isso não limita o personagem de maneira nenhuma, e Caleidoscópio mostra que ele é muito mais do que sua deficiência. O final é super fofinho, me lembrou A Culpa é das Estrelas hahaha! :3

Título Original: Caleidoscópio
Autor: Nina Spim
Editora: Amazon
Número de páginas: 4
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Espero que tenham gostado da resenha tripla, pessoal. Foi um prazer ter esse primeiro contato com a escrita da Nina e espero que ela continue publicando cada vez mais. \o/

Beijos e até semana que vem! ❤