Dica de Série: The Witness for the Prosecution

Oi povo! Como estão?

Hoje eu trago pra vocês o review da última minissérie baseada nas obras da Agatha Christie que conferi recentemente: The Witness for the Prosecution. Vocês podem conferir também aqui no blog os reviews de And Then There Were None, The ABC Murders e Ordeal by Innocence. 😉

the witness for the prosecution

Sinopse: Adaptação feita pela BBC da obra de Agatha Christie. Situada na década de 1920, a minissérie apresenta o julgamento de Leonard Vole (Billy Howle), jovem acusado de ter assassinado Emily French (Cattrall), uma rica senhora a quem prestava conselhos financeiros. Tendo herdado sua fortuna, Leonard se tornou o único suspeito do crime. A sua situação se complica quando Janet Mackenzie (Monica Dolan), governanta da casa, presta seu depoimento. A única chance de Leonard de provar sua inocência é sua esposa Romaine (Andrea Riseborough). Mas esta o surpreende quando se torna uma testemunha de acusação.

Emily French, uma rica senhora solitária e nome importante da sociedade, foi morta. O principal suspeito é Leonard Vole, um rapaz com quem Emily mantivera uma relação nos últimos meses. A empregada de Emily não hesita em acusá-lo, alegando que o rapaz era um oportunista e estava de olho no dinheiro de sua patroa. Leonard então investe todas as suas fichas em sua esposa, Romaine, uma jovem atriz que busca ascensão. Porém, tanto Leonard quanto seu advogado de defesa, John Mayhew, ficam boquiabertos quando Romaine decide ser a testemunha de acusação da promotoria.

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A trama de The Witness for the Prosecution é bem linear e curtinha: são apenas 2 episódios que focam na busca de John por um meio de salvar Leonard. Entre uma cena de julgamento e outra, temos o passado do advogado explorado: seu casamento foi arruinado pela perda do único filho na guerra, da qual somente John retornou vivo. A melancolia do personagem é evidente e ele deposita na missão de salvar Leonard sua redenção.

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Outro aspecto interessante é a figura de Romaine. Ela é uma verdadeira incógnita, cuja verdadeira face está oculta em meio a maquiagens, cenários encantadores e figurinos deslumbrantes. Quem é Romaine, afinal? Uma atriz em ascensão? Uma mulher invejosa que deseja o papel principal no teatro (pertencente a outra mulher)? Uma esposa traída e de coração partido? O fato de Romaine se voltar contra Leonard é o ponto mais interessante do julgamento, apesar de não ser surpreendente o fato dela querer se vingar pelos meses de traição.

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O plot twist no final é satisfatório, explicando a atitude dos personagens de maneira convincente e dando ao espectador um novo olhar sobre eles. Como ponto negativo, eu diria que o ritmo é um pouco enrolado (especialmente nas cenas envolvendo John) e o julgamento em si é fácil demais, não causando nenhuma sensação de aflição no espectador. Em suma, The Witness for the Prosecution é uma minissérie bacana e curtinha, ideal para um entretenimento mais rápido. Não é imperdível e nem a melhor minissérie baseada nas obras de Agatha Christie, mas em geral vale a pena. 😀

Título original: The Witness for the Prosecution
Ano de lançamento: 2016
Direção: Julian Jarrold
Elenco: Toby Jones, Billy Howle, Andrea Riseborough, Kim Cattrall, Monica Dolan

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Review: Kimetsu no Yaiba

Oi gente, como estão?

Depois de My Hero Academia, meu namorado conseguiu de novo: me indicou um anime e eu acabei fisgada! Estou falando do ótimo Kimetsu no Yaiba (também conhecido como Demon Slayer).

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Sinopse: Desde os tempos antigos, abundam os rumores de demônios devoradores de homens à espreita na floresta. Por causa disso, os moradores locais nunca se aventuram do lado de fora durante a noite. Diz a lenda que um matador de demônios também perambula pela noite, caçando esses demônios sanguinários. Para o jovem Tanjiro, esses rumores logo se tornarão sua dura realidade… Desde a morte de seu pai, Tanjiro assumiu a responsabilidade de sustentar sua família. Embora suas vidas possam ser endurecidas pela tragédia, eles encontraram a felicidade. Mas esse calor efêmero é destruído um dia quando Tanjiro encontra sua família abatida e o único sobrevivente, sua irmã Nezuko, se transformou em um demônio. Para sua surpresa, no entanto, Nezuko ainda mostra sinais de emoção humana e pensamento… Assim começa a busca de Tanjiro para lutar contra os demônios e transformar sua irmã humana novamente.

A primeira coisa que me chamou a atenção nesse anime foi o traço, que é lindo. Sabe quando você fica olhando encantada pros personagens e cenários? Foi assim que me senti no primeiro episódio. A qualidade técnica é impecável, a trilha sonora envolve e as cenas de ação têm muita fluidez e realmente captam a nossa atenção. Mas e a história, é tão boa quanto os aspectos técnicos?

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Sim! Em Kimetsu no Yaiba, acompanhamos a jornada do jovem Tanjiro em busca de uma cura para sua irmã, Nezuko, que foi transformada em um demônio. A fatalidade aconteceu após toda a família dos dois ser morta pela mesma criatura, mas Nezuko acabou sobrevivendo e tornando-se uma delas. Porém, inexplicavelmente, a jovem ainda consegue ter lampejos de sua humanidade e manter seu desejo por carne humana sob controle, o que motivou Tanjiro a encontrar uma forma de reverter o que aconteceu. Para isso, ele faz um treinamento intenso para se tornar um Exterminador de Demônios – uma organização dedicada a liquidar todos aqueles que colocam vidas humanas em risco. Após dois anos de extenuante treinamento, Tanjiro conquista o título e parte com Nezuko para diversas missões, onde faz novas amizades e conquista companheiros.

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Tanjiro é a estrela de Kimetsu no Yaiba. Em alguns aspectos, ele me lembra o Midoriya, de My Hero Academia: é muito dedicado, responsável e esbanja empatia, preocupando-se sempre com o bem das pessoas ao seu redor. Ele é um líder nato, de coração gigante e muito senso de responsabilidade (o que já era nítido quando sua família ainda estava viva, já que ele era o mais velho dos irmãos). Seus companheiros também são carismáticos (eu adoro os surtos explosivos do Inosuke e os momentos badass do Zenitsu – que nem sabe ainda de sua total capacidade) e Nezuko é uma fofa, ainda que tenha se destacado muito pouco na maior parte dessa primeira temporada.

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As batalhas são incríveis e muito boas de assistir. Uma das coisas de que mais gosto em Kimetsu no Yaiba é o fato de que Tanjiro não fica fodão da noite para o dia, usando do privilégio de protagonista. Ele treina MUITO e se esforça MUITO pra chegar aonde chegou e conseguir lutar contra os demônios que enfrenta, o que dá mais credibilidade à sua trajetória. Outro aspecto que torna essas batalhas mais interessantes é que diversos demônios que Tanjiro encontra pelo caminho têm motivos próprios para sofrer: eles também foram humanos um dia e muitos deles ainda carregam as dores de seu passado. Como crítica negativa, acho válido comentar que o vilão principal foi mal explorado, pelo menos na primeira temporada. Ele aparece somente uma vez e, apesar de demonstrar claramente sua capacidade de ser cruel, sua aparição até o momento não trouxe grande desenvolvimento para a história.

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Resumindo, Kimetsu no Yaiba é uma excelente opção de anime para quem já gosta do gênero, mas também pode ser sua porta de entrada para esse tipo de produção. Qualidade técnica, história envolvente (ainda que simples) e personagens carismáticos fazem de Kimetsu no Yaiba uma ótima aposta. Recomendo muito!

Título original: Kimetsu no Yaiba
Ano de lançamento: 2019
Direção: Haruo Sotozaki
Roteiro: Ufotable
Elenco: Natsuki Hanae, Akari Kitô, Yoshitsugu Matsuoka, Hiro Shimono, Takahiro Sakurai

Resenha: Soppy: Os Pequenos Detalhes do Amor – Philippa Rice

Oi galera, tudo bem?

Em junho, ainda no clima de Dia dos Namorados, resolvi solicitar à Editora Rocco um livro muito fofo que estava no meu radar há um tempo: Soppy: Os Pequenos Detalhes do Amor, da designer Philippa Rice. Hoje conto (e mostro!) o que achei, além de comparar com Love Is, outra obra bem semelhante da editora.

soppy philippa riceGaranta o seu!

Sinopse: Soppy: os pequenos detalhes do amor, de Philippa Rice, é uma reunião de bem-humoradas tirinhas criadas a partir de momentos da vida real da designer britânica com seu namorado. Bastante popular na web, com mais de meio milhão de postagens no Tumblr, Soppy conquistou as redes sociais com declarações de amor escondidas nos detalhes do cotidiano de um relacionamento, como dividir uma xícara de chá, a leitura de um livro ou comentários irônicos à frente da TV numa tarde chuvosa. As charmosas ilustrações capturam com delicadeza a experiência universal de dividir uma vida a dois, e celebram a beleza de encontrar o amor em todo lugar. Soppy chega às prateleiras pelo Fábrica231, o selo de entretenimento da Rocco, a tempo de se tornar uma ótima opção de presente para o Dia dos Namorados.

É impossível pensar em Soppy e não lembrar imediatamente de Love Is, da Puuung. Afinal, a proposta é a mesma: ilustrar o amor no dia a dia, com suas sutilezas e detalhes do cotidiano. Ao terminar o livro, a conclusão se repete: o amor é algo a ser construído diariamente, com cuidado e dedicação; relacionamentos não duram baseados somente no fogo da paixão, mas se sustentam graças ao empenho em transformar mesmo algo simples em um momento especial. Os gestos mais despretensiosos podem ser uma forma de dizer “eu te amo”, como por exemplo preparar um chá quentinho para o seu amor, ajeitar o cachecol do(a) parceiro(a) em um dia frio, dividir as tarefas de casa ou simplesmente dormir de conchinha (dividindo-se entre quem vai ser a conchinha maior ou menor, é claro!). Me digam: como não ficar com um sorriso no rosto diante disso?

Mas apesar da proposta e conclusão serem semelhantes, Soppy tem diferenças bem importantes e marcantes em relação a Love Is. Philippa Rice traz mais personalidade aos seus personagens e tirinhas, trazendo inclusive diversos diálogos, de tom mais brincalhão e debochado. A protagonista é bem sapeca (como quando “trapaceia” no cara ou coroa para pedir pizza), e o seu namorado também tem uma participação mais ativa. O legal do livro trazer os diálogos dos dois é que isso confere personalidade ao casal, trazendo suas vivências para a nossa realidade de uma maneira mais natural. Além das cenas fofas, Soppy também aborda momentos engraçados, conseguindo me fazer rir durante a leitura (corri pra marcar meu namorado na tirinha da pizza, porque eu também sempre tento trapacear para pedir comida em vez de cozinhar rs). Por fim, também vale elogiar o fato de que a ilustradora traz o ponto de vista dos dois personagens juntos, mas também separados – valorizando a individualidade, um elemento muito importante em qualquer relação.

Apesar do estilo artístico de Love Is ser mais “bonito” visualmente (em função do traço e da aquarela), eu gostei mais de Soppy. Curti o fato de haver diálogos no livro, além de ter me identificado mais com as situações vividas pelos personagens. O traço é mais minimalista, mas não deixa de ser fofíssimo, e é muito legal acompanhar as diferentes situações que o casal vivencia. Recomendo muito, especialmente se você aprecia ilustrações e quer se divertir enquanto tem o coração aquecido ao mesmo tempo. ❤ Sem mais delongas, bora para as fotos!

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“Podemos pedir pizza mesmo assim?” 😂

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Título Original: Soppy: A Love Story
Autor: Philippa Rice
Editora: Fábrica231 (selo da Editora Rocco)
Número de páginas: 112
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: The ABC Murders

Oi gente, tudo bem?

Depois de And Then There Were None e Ordeal by Innocence, cá estou pra falar de mais uma minissérie da BBC que adapta um livro de Agatha Christie: The ABC Murders. Vamos descobrir o que achei? Lembrando que não li o livro, então minhas opiniões são exclusivamente sobre o que foi mostrado na série. 😉

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Sinopse: O icônico detetive criado por Agatha Christie, Hercule Poirot (John Malkovich), investiga um inimigo mais inteligente e desafiador do que ele jamais imaginou. Em uma Inglaterra da década de 1930 cada vez mais dividida, um assassino em série conhecido apenas como A.B.C. assola a população. Em cada cena do crime a única pista deixada é um guia de trens popular na Inglaterra de título “ABC”.

A minissérie de 3 episódios adapta uma das aventuras de Hercule Poirot, que agora é um idoso sem a notoriedade de outrora. Visto pelos outros como decadente, Hercule vive uma vida discreta, ainda que demonstre melancolia em sua expressão. Porém, o brilhante detetive é obrigado a entrar em cena novamente quando um criminoso, que se autodenomina A.B.C., lhe envia uma carta, instigando-o a encontrá-lo e demonstrando motivações pessoais para acioná-lo. Quando o primeiro assassinato acontece (cujo local e vítima tinham nomes iniciados em A), Hercule percebe que os planos do assassino são meticulosos e não vão parar. Entretanto, o novo inspetor da polícia – Crome, um jovem querendo provar seu valor – não parece inclinado a deixar Hercule colaborar.

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Que o gênero policial é meu favorito não é novidade, então sempre fico animada para conferir tramas assim, com a perseguição de algum serial killer, um embate entre duas mentes brilhantes e um mistério bem desenvolvido. A primeira coisa que me chamou a atenção em The ABC Murders é que, aparentemente, o último elemento não existia: a série mostra o rosto do homem chamado Alexander Bonaparte Cust logo de cara. No decorrer dos três episódios, acompanhamos duas perspectivas: a de Alexander e a de Hercule, que acaba sendo contratado pelo irmão de uma das vítimas para investigar o caso oficialmente.

Hercule está um tanto abatido em The ABC Murders. Na época em que a trama acontece, a Inglaterra está promovendo campanhas segregacionistas, e é nítido o desconforto do detetive belga, que há anos vive no país e colabora com ele tanto quanto qualquer cidadão inglês. Além desse clima separatista desconfortável e injusto, o detetive também está inseguro com sua idade e com a falta de propósito que parece lhe acometer, e foi bem surpreendente ver Hercule Poirot tão vulnerável. Entretanto, ele é inabalável e em nenhum momento pensou em desistir de investigar o caso, cujo número de vítimas só crescia.

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O que me decepcionou em The ABC Murders foi o fato de que Poirot não brilhou – e isso não tem a ver com o fato de ele estar “decadente”. Sua inteligência e sagacidade seguiram presentes ao longo da trama, mas de algum modo a série não conseguiu transmitir isso. Senti, enquanto assistia, que as contribuições de Hercule para o caso eram pequenas demais, e portanto a resolução do crime também acabou perdendo um pouco o impacto. Entretanto, para ser justa, a revelação final foi muito boa, transformando uma motivação gananciosa em uma psicopatia e um gosto por matar. Outro ponto fraco está no ritmo dos episódios. Por diversas vezes há flashes do passado de Poirot que prometem uma revelação (que, de fato, surpreende); o problema é que esse recurso é usado de modo repetitivo, cansando o espectador. Ainda sobre o ritmo, a série peca em não causar aflição em quem assiste. Em nenhum momento prendi o fôlego ou temi pelos personagens, o que foi uma pena.

As atuações me surpreenderam, especialmente de Andrew Buchan (Franklin Clarke), Eamon Farren (Alexander Cust) e Rupert Grint (Inspetor Crome). Aliás, gostei de ver essa nova faceta de Rupert Grint. Fora Harry Potter, eu só tinha visto outra série com ele, Sicknote, mas detestei e larguei na segunda temporada. Mesmo não tendo curtido a série, já tinha percebido que Rupert tem potencial, e The ABC Murders me confirmou isso. A potterhead que vive em mim espera vê-lo em mais produções por aí. 😀

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Em suma, The ABC Murders não é uma série ruim, mas também não é memorável. Ela tem um plot twist bem bacana (o que fez ganhar pontos comigo), mas peca no ritmo dos episódios e no tratamento dado a Poirot. Apesar disso, a proposta da trama em si me agradou e me deixou com vontade de ler o livro: quero muito ver as diferenças existentes, especialmente na resolução do caso (espero que Poirot seja mais participativo!). Se você tiver um tempinho de sobra e quiser conferir uma série bem produzida, mas não perfeita, vale a pena espiar The ABC Murders. o/

Título original: The ABC Murders
Ano de lançamento: 2018
Direção: Sarah Phelps
Elenco: John Malkovich, Rupert Grint, Eamon Farren, Andrew Buchan, Tara Fitzgerald, Freya Mavor

Resenha: Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo – Iain Reid

Oi pessoal, tudo certinho?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo, um livro que divide opiniões (especialmente no Skoob rs).

eu estou pensando em acabar com tudoGaranta o seu!

Sinopse: No romance de estreia do canadense Iain Reid, Jake conduz o carro em que ele e a namorada, que narra a história, vão à fazenda dos pais do rapaz. Durante a longa viagem por estradas desertas e escuras, a garota, atormentada com a perseguição de um homem misterioso que deixa sempre a mesma mensagem de voz em seu telefone, pensa em encerrar o relacionamento com Jake. Mas talvez seja tarde demais. Reid, que tem dois livros de não-ficção elogiados pela crítica e contribui para veículos de prestígio como a revista New Yorker, une, numa narrativa profundamente psicológica, tanto referências de terror clássico, quanto elementos de suspenses menos tradicionais, sustentando a trama para além das limitações inerentes ao gênero. Um thriller denso que esconde, em meio ao medo provocado pela sensação de uma tragédia iminente, alegorias sobre a própria vida ser uma tragédia anunciada.

Quando me deparei com esse título, pensei que pudesse ser a história de alguém cogitando o suicídio. Será que é isso mesmo que acontece? Vou deixar pra vocês descobrirem. O que posso dizer é que inicialmente a obra quebra essa expectativa e nos guia pelos conflitos internos de uma jovem que cogita terminar seu relacionamento com o namorado, Jake. Ela decidiu viajar com o rapaz para conhecer seus pais, na esperança de que isso a ajude a tomar a decisão. E é assim que o livro começa: acompanhamos o casal no carro, indo rumo ao interior, enquanto conversam sobre a vida e ela, secretamente, reflete sobre a vontade de manter ou não o namoro. Porém, o livro ganha um tom totalmente diferente quando eles chegam na fazenda dos pais de Jake: em primeiro lugar, o rapaz começa a agir estranhamente, muito mais introspectivo do que de costume; em segundo, a casa e os pais de Jake transmitem uma aura que causa desconforto na protagonista, embora eles sejam gentis e ela não saiba o motivo da sensação. É a partir disso que o livro cumpre o que promete: você vai sentir medo, mas não vai saber porquê.

As primeiras 100 páginas de Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo não são particularmente envolventes, e eu achei o casal um tanto pedante. Jake é o típico cara gentil e intelectual, sempre com algo inteligente na ponta da língua e opiniões bem fortes sobre as coisas (boooring rs). Já a protagonista (cujo nome permanece um mistério) é alguém que se sente muito atraída por Jake, embora tenha o sentimento de que a relação não vai durar por incompatibilidade. Além disso, a moça também guarda um segredo: ela recebe diversas chamadas perturbadoras em seu telefone, e a pessoa que liga sempre deixa mensagens estranhas em sua caixa postal. Nesse ponto o leitor já sente que há algo de muito esquisito na trama, ainda que ela pareça tranquila e mundana. Para deixar as coisas ainda mais interessantes, os capítulos narrados pela protagonista são intercalados com capítulos curtinhos, que se passam no presente, e consistem apenas em um diálogo de duas pessoas que não aparecem na trama: elas estão discutindo sobre uma morte que aconteceu, falando sobre as circunstâncias e sobre alguém que não sabemos quem é. Esses capítulos auxiliam muito a criar o clima de tensão, porque você começa a temer pela segurança dos personagens.

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Quando Jake e a namorada chegam na casa dos pais dele, comecei a me sentir tão desconfortável quanto a protagonista. Sabe aquela sensação de filme de terror, em que você tem certeza de que algo pode acontecer a qualquer momento? É isso que Iain Reid transmite na narrativa. Se até a metade o livro é um tanto cansativo – especialmente pelas filosofadas entediantes do casal –, depois que a obra ganha esse tom inquietante é impossível parar de ler. Pra vocês terem ideia: levei mais de duas semanas para ler a primeira metade do livro, e apenas uma noite para ler o resto. 👀

Conforme os capítulos (tanto os protagonizados pelo casal quanto os capítulos dos diálogos) ganham ritmo, é muito difícil largar a leitura. Mas foi no final que a obra realmente conseguiu me deixar sem fôlego: bem construído e surpreendente, ele quebra todas as expectativas construídas até o momento. A narrativa repentinamente torna-se confusa e talvez você precise ler mais de uma vez pra entender que sim, é aquilo mesmo que está acontecendo. Como crítica ao final eu deixo somente alguns elementos que não foram explicados mas, de resto, foi um desfecho excelente. É o tipo de reviravolta que faz você questionar tudo o que leu até ali, dando uma vontade súbita de voltar as páginas e ler tudo de novo (e eu fiz isso com os capítulos curtos, dos diálogos. Adorei ver como tudo se encaixou, por sinal). E eu sou o tipo de pessoa que leva finais MUITO em consideração pra avaliar uma obra. Quando o enredo é bom, mas o final é ruim, eu costumo ficar decepcionada. Quando o desenrolar não é dos melhores, mas o desfecho é mindblowing, isso costuma fazer a obra ganhar pontos comigo. E foi o que aconteceu com Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo: não foi uma leitura que eu amei, por diversas vezes me deu sono e eu nem mesmo gostei do casal protagonista. Ainda assim, o final foi tão bom e me fez pensar nele por tanto tempo que eu simplesmente não consigo classificá-lo como uma experiência negativa. 

Por fim, vale elogiar a edição caprichada da Fábrica231. Com capa dura e aplicações em verniz, o livro já chama a atenção à primeira vista. As contracapas contam com ilustrações que reforçam o clima perturbador da trama, e as páginas pretas e riscadas combinam com o teor (e até mesmo o desfecho) da obra. É muito legal quando você conclui uma história e percebe que tudo nela conversa entre si, inclusive o trabalho gráfico.

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Com uma construção crescente de tensão – e até mesmo claustrofobia –, Iain Reid nos apresenta uma história aflitiva, surpreendente e (por que não dizer?) triste. A obra traz o conceito da memória como uma invenção: mesmo as lembranças de acontecimentos reais são floreadas e deturpadas pela nossa mente. Com isso (e outras cositas más), a trama evidencia o quanto as nossas mentes podem ser fascinantes e perigosas na mesma medida. Mas é só isso que posso dizer a respeito das reflexões da trama: Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo é o tipo de livro cuja história você não pode aprofundar muito numa resenha para não estragar a experiência de quem lê, pois é muito melhor ir juntando as peças aos poucos. Recomendo, nem que seja para você descobrir por si mesmo se vai amar ou odiar. 😉

Título Original: I’m Thinking of Ending Things
Autor: Iain Reid
Editora: Fábrica231
Número de páginas: 224
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: Ordeal by Innocence

Oi meu povo, tudo certinho? 

Tirei 10 dias de férias agora em junho e aproveitei pra conferir várias minisséries baseadas em obras da Agatha Christie. Confesso que depois da experiência maravilhosa que tive com And Then There Were None, minhas expectativas estavam bem altas! Escolhi começar por Ordeal by Innocence, uma minissérie de 3 episódios da BBC baseada em uma obra da Rainha do Crime. 😉

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Sinopse: No Natal de 1954, Rachel Argyll (Anna Chancellor), conhecida por seus trabalhos filantrópicos, é assassinada em sua propriedade familiar Sunny Point. Seu filho adotivo, Jack Argyll (Anthony Boyle), é condenado à prisão por sua morte, mas o jovem nega veementemente todas as acusações. Resta saber se seu depoimento é verdadeiro.

Rachel Argyll, matriarca de uma rica família inglesa, é assassinada brutalmente na própria mansão na véspera de Natal. Conhecida pela filantropia e por ter adotado seus cinco filhos, o caso fica ainda mais sórdido quando um deles, Jack, é acusado e preso – o garoto-problema da família, sempre envolvido em brigas e polêmicas. Jack, contudo, insiste em sua inocência, alegando ter como álibi um rapaz que lhe deu carona para um pub (rapaz este que nunca foi encontrado). Para piorar a tragédia que assombra os Argyll, Jack é assassinado na prisão, após se envolver em uma briga com outro detento. Um ano e meio depois, quando a família parece estar superando o trauma, um rapaz misterioso – Dr. Arthur Calgary – bate à porta e alega ser o álibi de Jack. E essa atitude coloca todos os segredos da família em xeque.

Ordeal by Innocence é uma série que cria uma atmosfera de desconfiança desde o primeiro episódio. As circunstâncias envolvendo a morte de Rachel são suspeitas, o autor do crime parece óbvio demais e, para ajudar, o aparecimento de Arthur (que aparenta ser também uma pessoa de muitos segredos) mexe com os ânimos de todos os Argyll de modo muito estranho. Esse é o primeiro ponto positivo na série: incitar a desconfiança de cada membro da família, bem como das motivações do próprio Arthur, foi um excelente modo de criar tensão e confusão no espectador.

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Com o desenrolar dos episódios, vamos descobrindo mais sobre o passado da família, inclusive a relação entre os irmãos e Rachel. Diferente do que ela inicialmente aparentava ser, Rachel é uma mulher exigente, crítica e aparentemente incapaz de demonstrar sentimentos pelos filhos. Obviamente essa faceta da personagem faz com que cada um dos membros da família se tornem ainda mais suspeitos, pois ada Argyll tem seus motivos particulares para se ressentir de Rachel. O fato de, segundo Arthur, Jack ser inocente e o(a) assassino(a) continuar à solta causa aflição no espectador, que sabe que há um perigo iminente pairando na mansão dos Argyll, podendo agir a qualquer momento.

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As relações familiares são um dos maiores mistérios e também trunfos de Ordeal by Innocence. Os irmãos são (ou foram) unidos, mas também estão marcados pelas tragédias que assolaram a família. Além disso, eles têm suas próprias mágoas envolvendo uns aos outros e a própria mãe; Mary, a primeira a ser adotada, é um bom exemplo disso: sentindo rancor da mãe por não ter sido amada e inveja dos irmãos, que ela alega terem estragado tudo, seus sentimentos são bastante complexos. Há também Kirsten, a empregada da casa, que tem uma relação de grande proximidade com os filhos de Rachel – mas que carrega uma aura pesada, como se tivesse um segredo pesado em seus ombros.

A série faz um ótimo trabalho em desmascarar aos poucos os personagens. Aliás, como eles são poucos, o aprofundamento de cada um é o suficiente para a proposta da trama. As atuações também são ótimas e eu gostei muito de cada membro do elenco (que conta com um nome de peso, Bill Nighy, o Rufus Scrimgeour de Harry Potter). A ambientação, os figurinos e a fotografia são de grande qualidade, nos transportando para a época na qual a série se passa (1954, mais especificamente). O único ponto fraco que me incomodou ocorreu, talvez, no terceiro episódio; a série, que vinha mantendo minha desconfiança em todos os personagens, acabou dando uma informação cedo demais, o que me fez desconfiar do(a) culpado(a) e não sentir o grande “wow” no momento da revelação.

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Ordeal by Innocence é uma ótima minissérie, trazendo um elenco muito competente e um ritmo bastante envolvente. Com personagens bem desenvolvidos (com qualidades, defeitos e atitudes verossímeis), é uma trama que mescla muito bem as relações familiares e um bom mistério. Recomendo, especialmente se você curte Agatha Christie ou obras policiais em geral. 😉

Título original: Ordeal by Innocence
Ano de lançamento: 2018
Direção: Sandra Goldbacher
Elenco: Anthony Boyle, Anna Chancellor, Morven Christie, Bill Nighy, Luke Treadaway, Eleanor Tomlinson, Ella Purnell, Christian Cooke, Crystal Clarke, Matthew Goode, Alice Eve

Resenha: Branco Letal – Robert Galbraith

Oi gente, tudo bem?

Depois de mais de 600 páginas, cá estou para contar o que achei do muito aguardado (por mim, pelo menos rs) Branco Letal, a nova aventura de Cormoran Strike e Robin Ellacott. ❤ A resenha tem spoilers dos livros anteriores, ok?

branco letal robert galbraithGaranta o seu!

Sinopse: Quando Billy, um jovem problemático, vai à agência do detetive particular Cormoran Strike procurando sua ajuda na investigação de um crime que ele pensa ter testemunhado quando criança, Strike fica profundamente aflito. Embora tenha problemas mentais evidentes e não consiga se lembrar de muitos detalhes concretos, há algo de sincero nele e na história que conta. Mas antes que Strike consiga interrogá-lo melhor, Billy foge de seu escritório em pânico. Tentando chegar ao fundo da história de Billy, Strike e Robin Ellacott — antes sua secretária, agora uma sócia na agência — partem seguindo um rastro tortuoso que os leva pelas ruas do submundo de Londres, até um refúgio secreto dentro do Parlamento e a uma mansão bela, porém sinistra, no interior do país. E durante esta investigação labiríntica, a própria vida de Strike não está nada fácil: graças à fama recente como detetive particular, ele não consegue mais agir nos bastidores, como antigamente. Além disso, sua relação com a antiga secretária carrega mais tensão do que no passado — Robin agora é inestimável para Strike nos negócios, mas a relação pessoal dos dois é muito mais espinhosa.

Após o final bombástico de Vocação Para o Mal, o novo livro de Robert Galbraith vem para elucidar o que aconteceu após o casamento de Robin e Matthew. Strike e ela fazem as pazes e ele pede para que ela volte ao trabalho – mas não é só isso que acontece no casamento. De cara, os sentimentos que até então estavam sutis nos volumes anteriores ficam muito mais evidentes, e é nítido que Robin e Strike sentem mais do que amizade e camaradagem um pelo outro. Ainda assim, movida por diversos sentimentos (culpa, confusão, incerteza), Robin acaba dando uma chance ao casamento – cuja viagem para a lua de mel a afasta de vez de Strike.

Um ano depois, o relacionamento dos dois está abalado, restringindo-se à esfera profissional. Porém, eles precisam trabalhar juntos novamente em um caso quando o jovem Billy, um garoto perturbado, invade o escritório e alega ter visto um assassinato quando era criança. As coisas ficam ainda mais estranhas quando a dupla de detetives é procurada pelo Ministro da Cultura, Jasper Chiswell, que alega estar sendo chantageado por ninguém mais, ninguém menos que o irmão do tal Billy. Isso é o suficiente para que uma pulga persistente fique atrás da orelha de Strike, que aceita o caso e decide investigar Billy também.

Com 656 páginas, é óbvio que acontece MUITA coisa em Branco Letal. Acompanhamos Strike e Robin investigando diversos ambientes – incluindo a Câmara dos Comuns, onde Robin se infiltra para investigar outros políticos – e também várias pessoas diferentes. Enquanto tenta descobrir os segredos daqueles que chantageiam Chiswell, Strike também tenta juntar as peças que formam o quebra-cabeça da história (não tão) maluca de Billy. Porém, é lá pela metade do livro que uma reviravolta surpreendente acontece, e eu diria que é a partir daí que as coisas realmente ganham fôlego. 

branco letal robert galbraith

O maior trunfo de Branco Letal está no desenvolvimento da dupla de detetives que tanto me cativa. Strike e Robin têm seus sentimentos mais explorados do que nunca nesse volume, e muitas vezes seus anseios ganham mais destaque do que a investigação. Sendo fã da série principalmente por causa deles, gostei muito disso e me envolvi com seus dramas – especialmente de Robin, que casou com um verdadeiro embuste. Além disso, esse aprofundamento dos personagens também vai sustentando as mudanças pelas quais eles passam e dão mais força aos seus sentimentos. Por outro lado, o ponto fraco do livro está em uma característica que já pontuei em volumes anteriores: Robert Galbaith enrola demais. Definitivamente, Branco Letal poderia ser um livro mais ágil e mais curto, especialmente quando penso que aquilo que realmente bota a história em movimento acontece lá pela metade (pois, até então, a investigação estava super morna). Sendo bem sincera, existem plots e personagens que são praticamente descartáveis, cuja resolução é tão simplória que poderiam ter sido facilmente removidos (selecione se quiser ler: na boa, todo o auê envolvendo o Billy foi desnecessário, e Robert Galbraith poderia ter feito a história ser bem mais dinâmica sem perder tempo com isso).

Apesar de ser um livro inegavelmente mais longo do que o necessário, a narrativa envolvente da qual tanto gosto não me decepcionou. Mesmo com tantas páginas e plots que pareciam não ter fim, era gostoso ler Branco Letal, e as páginas fluíam com muita facilidade. Tinha dias que eu lia um monte e ficava com aquele gosto de quero mais, sem vontade de ir dormir porque precisava de mais um capítulo. E, quando um livro consegue me causar essa sensação, eu consigo perdoá-lo por ser um pouco prolixo. 😛 Além disso, vale mencionar o final, que trouxe uma resolução bastante surpreendente – me senti enganada pelo(a) culpado(a) e adoro quando isso acontece!

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Sobre questões técnicas da edição em si: há algumas falhas de revisão, e em alguns momentos o nome dos personagens aparece errado, o que me incomoda um pouco. Também não curti muito que a identidade visual da capa tenha mudado, porque agora os livros não combinam na estante. 😦 Por outro lado, amei ver que nessa capa Strike não está sozinho, tendo a companhia de Robin! ❤ Nada mais justo, agora que eles são oficialmente sócios!

Resumindo, Branco Letal foi um livro do qual gostei bastante, apesar de ser desnecessariamente longo. A narrativa de Robert Galbraith sempre me envolve, e o carisma de Strike e Robin, que me cativou desde O Chamado do Cuco, está presente. O final surpreende, com uma ótima reviravolta, e ainda traz novas possibilidades bem interessantes para os protagonistas. Não vejo a hora de conferir a próxima aventura da dupla e, apesar dos deslizes que o autor possa cometer, sei que é grande a probabilidade de eu novamente adorar a experiência. ❤

Título Original: Letal White
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 656
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.