Dica de Série: The Morning Show

Oi povo, tudo certinho por aí?

Por aqui, a ansiedade tá enorme pelo dia de hoje. Já deixei claro o quanto sou antibolsonarista em todas as oportunidades que tive (inclusive com dica de leitura), e hoje a esperança de que um país melhor é possível está forte, mas com uma sombra de medo de que 2018 se repita. Então, pra me distrair, coloquei as mãos na massa pra tentar colocar alguns conteúdos pendentes em dia.

Meu ritmo de leituras caiu um pouco, então por enquanto vou focar mais em dicas de séries e filmes por aqui. Mas fiquem tranquilos que tem títulos ótimos pra entrarem no radar de vocês, e é sobre um deles que vou falar sobre: a série The Morning Show, protagonizada pelas incríveis Jennifer Aniston e Reese Whiterspoon.

Sinopse: Alex Levy é âncora do The Morning Show, um popular programa de notícias que mudou a cara da televisão americana. Depois que seu parceiro de 15 anos, Mitch Kessler, é demitido em meio a um escândalo de má conduta sexual, Alex luta para manter seu emprego como principal âncora, provocando uma rivalidade com Bradley Jackson, uma repórter de campo casual cuja série de decisões impulsivas a leva a um novo mundo do jornalismo de TV.

Alex Levy é a prestigiada apresentadora do The Morning Show, um dos programas de maior sucesso dos Estados Unidos. Quando seu co-apresentador, Mitch Kessler, é acusado de má conduta sexual, Alex vê sua vida virar de cabeça para baixo: ela perde uma amizade de 15 anos e se vê no centro da confusão na qual sua emissora (UBA) está imersa Para deixar Alex ainda mais insegura, a emissora começa a dar indícios de interesse em Bradley Jackson, uma repórter de campo que viralizou na internet por explodir ao fazer denúncias na cobertura de uma matéria – atitude que a fez ser lida como um sopro de juventude para o The Morning Show e um potencial nome pra “limpar” a imagem do programa. Alex, com medo de ser substituída, vira o jogo ao anunciar publicamente que Bradley será sua nova co-apresentadora, pegando todos de surpresa, inclusive a própria Bradley (que até o momento havia sido apenas entrevistada por Alex por ter sido viral). Essa atitude faz com que todos os envolvidos no TMS comecem a mover os próprios pauzinhos para conseguir atingir seus objetivos e alcançar o sucesso.

The Morning Show começa de forma explosiva com a denúncia de Mitch, e acompanhamos toda a correria por trás da tentativa de limpar a imagem do programa e de Alex por parte dos produtores e dos empresários da UBA. Porém, infelizmente a série perde um pouco seu ritmo durante os episódios do meio da temporada, o que me fez demorar mais do que o normal para concluí-la. Quando eu já estava desesperançosa e pronta pra desistir de The Morning Show, os últimos episódios trazem reviravoltas bastante chocantes, me fazendo dar uma nova chance ao programa. Digo tudo isso pra deixar claro que a série tem sim alguns problemas de ritmo, mas que no balanço geral a história foi capaz de me fazer querer conferir o que vem por aí.

Acho que um dos principais motivos pra eu não ter entrado de cabeça em The Morning Show é o fato de que não consegui torcer pelos personagens. Mesmo com duas mulheres fortes à frente da trama, a verdade é que ambas me irritaram demais. Alex é bastante humana e falha, e eu gosto que não tenham poupado a personagem dessas características. Ela esteve em silêncio por 15 anos ao lado de Mitch, sendo conivente com um comportamento que todos sabiam existir. Alex é também uma pessoa que se orgulha do que conquistou e não tem vergonha disso, o que é um bom exemplo de força e determinação, mas é difícil esquecer que ela se beneficiou do fato de ser a mulher aceita no Clube do Bolinha sem fazer nada a respeito. Bradley, por sua vez, representa o idealismo jornalístico. Ela quer lutar por justiça, expor a verdade sobre os fatos e fazer o que for certo independente de quem ferir no processo. Por um lado, são objetivos louváveis e o coração da personagem pode estar no lugar certo; por outro, a personalidade perfeitinha que ela assume após entrar no TMS me exauriu, especialmente porque difere completamente da Bradley explosiva que ganhou notoriedade.

O maior mérito de The Morning Show reside no tema que decide abordar. O assédio sexual no ambiente de trabalho é um assunto muito pertinente, e a série usa o movimento #MeToo como o grande impulsionador da discussão. Existe uma cena em que Mitch discute com outro homem exposto pelo movimento que é tão real que embrulha o estômago: homens em posição de poder, em sua maioria, não estão preocupados em refletir sobre seu papel nessa cadeia de abuso; eles só pensam sobre isso quando são pegos, e ainda acham que são as vítimas da situação. Para eles, que controlam a narrativa e as decisões, as mulheres estão ali porque querem e também para subir na carreira, e não porque são coagidas em função do medo de perderem os empregos, as oportunidades e ainda serem expostas e desacreditadas no processo. The Morning Show faz um excelente trabalho em colocar um holofote nessas situações, dando voz às vítimas e mostrando quão devastadoras as consequências do assédio e do abuso podem ser.

Com atuações sólidas e uma crítica relevante, The Morning Show é uma série que recomendo especialmente pelo assunto central. Ela me causou uma sensação semelhante ao do livro Rede de Sussurros: não foi a melhor experiência que tive, mas trata de situações tão sérias e, infelizmente, recorrentes, que acho importante que mais pessoas tenham contato e possam refletir a respeito. Há também intrigas políticas e jogos de poder que buscam tornar os episódios mais instigantes e, ainda que não tenham funcionado comigo, podem funcionar com você. De maneira geral, vale a pena tanto pela reflexão quanto pelas excelentes performances de um elenco de peso, que conseguem transmitir as diversas nuances que uma situação assim possui. Por aqui, vou seguir pra segunda temporada. E se você já conferiu, me conta o que achou nos comentários? 😉

Título original: The Morning Show
Ano de lançamento: 2019
Criação: Jay Carson, Kerry Ehrin
Elenco: Jennifer Aniston, Reese Witherspoon, Billy Crudup, Mark Duplass, Nestor Carbonell, Karen Pittman, Steve Carell

Dica de Série: Uncoupled

Oi pessoal, tudo bem?

Eu adoooro séries de comédia, especialmente se forem sitcoms ou mais “vida real”. A dica de hoje se enquadra bastante nessa segunda categoria, equilibrando comédia e uma pitadinha de drama: Uncoupled, da Netflix.

Sinopse: Atordoado depois do rompimento com o namorado de longa data, Michael enfrenta as expectativas do recomeço e dos encontros depois dos 40.

Quem chamou a minha atenção pra série foi o Neil Patrick Harris, um ator de quem eu gosto muito por causa de How I Met Your Mother. Aí descobri que tinha também a Tisha Campbell-Martin (a inesquecível Jay, de Eu, a Patroa e as Crianças) no elenco e pronto, já quis conferir. Além disso, o enredo gira em torno de um assunto bem interessante: ficar solteiro depois de muitos anos de um relacionamento e em uma idade um pouco mais madura. Uncoupled é, em poucas palavras, uma série sobre recomeçar e redescobrir a si mesmo.

Na trama, Michael (o personagem de Neil) é subitamente abandonado pelo namorado, Colin, com quem se relaciona há 17 anos. Ele descobre a notícia na festa surpresa de 50 anos que preparou para o parceiro, e vê a sua vida virar de cabeça para baixo, especialmente devido à recusa de Colin em conversar a respeito e revelar seus motivos. Inicialmente, parece que Colin está apenas tendo uma crise de meia-idade, mas o personagem “acusa” certos comportamentos de Michael que, com o passar dos episódios, vamos percebendo também. Ainda assim, nada justifica terminar uma relação de modo tão egoísta quanto Colin terminou, o que torna impossível ter muita empatia pelo personagem.

O aspecto da personalidade de Michael que se revela mais difícil é o fato de que ele demonstra fazer tudo girar em torno dele. Porém, é compreensível que durante os primeiros meses do término esse comportamento se acentue; o lado positivo é que o protagonista é obrigado a confrontar esse seu defeito não apenas por causa do que Colin fez, mas também pelos feedbacks de seus amigos, que estão tentando ajudá-lo a dar a volta por cima. E esse é um elemento crucial em Uncoupled: a importância de um círculo de amizades forte para ser sua rede de apoio. São três os principais amigos de Michael: Suzanne (com quem ele trabalha e é um grande alívio cômico, além de ser uma mulher forte e independente que cria um filho sozinha), Stanley (um amigo leal e que provoca um momento de amadurecimento importante em Michael) e Billy (que acaba exercendo um pouco o estereótipo de cara bonitão que só sai com parceiros mais jovens e de forma superficial). Apesar do foco em Michael, esses três personagens ganham um tempo de tela bem interessante e têm plots próprios, de forma que não se transformem apenas em nomes sem importância que orbitam o personagem principal.

Uncoupled também trata da homossexualidade de forma natural, não sendo o único fio condutor da trama. Michael e seus dois amigos homens são gays, e é claro que a vida de solteiro deles gira em torno de conhecer novas pessoas e se abrir pro mundo, mas a trama não é sobre identidade, sobre preconceito ou nada do tipo. É uma comédia dramática sobre ficar solteiro aos 40 e poucos anos com romance gay, e não uma série sobre ser gay necessariamente. Isso traz uma representatividade importante justamente por ser natural, a sexualidade dos personagens é apenas um dos elementos que compõem suas vidas e o desenrolar da história.

Em resumo, Uncoupled é uma série que vale o play. São poucos episódios de curta duração, e meu único receio é que não tenha segunda temporada, porque a primeira termina com um baita cliffhanger. Mas, mesmo que não tenha, acho que a mensagem principal transmitida compensa o tempo investido, porque é sempre bom ser impactada por histórias que nos relembram que nunca é tarde pra mudar de rota, recomeçar, se reinventar e se redescobrir. 😀

P.S.: gente, estou saindo em uma viagem de férias e não levarei meu computador, então os posts retornam dia 21. Até lá! ❤

Título original: Uncoupled
Ano de lançamento: 2022
Criação: Jeffrey Richman, Darren Star
Elenco: Neil Patrick Harris, Tisha Campbell, Brooks Ashmanskas, Emerson Brooks, Marcia Gay Harden, Tuc Watkins

Resenha: A Ponte Entre Reinos – Danielle L. Jensen

Oi pessoal, tudo bem?

A Ponte Entre Reinos se tornou um dos livros queridinhos da blogosfera em 2022 e hoje chegou a minha vez de dividir com vocês o que achei da obra. Vamos nessa? 🥰

Garanta o seu!

Sinopse: Lara é uma princesa treinada para ser uma espiã letal. Ela tem duas certezas: 1) o rei Aren de Ithicana é seu maior inimigo; 2) ela será a responsável por destruí-lo. Por ser a única rota possível num mundo assolado por tempestades, a ponte de Ithicana gera poder e riqueza ― e a miséria dos territórios vizinhos, entre eles a terra natal de Lara. Então, quando é enviada para cumprir um acordo de paz e se casar com Aren, Lara está decidida a descobrir todas as fraquezas desse reino impenetrável. Mas, conforme se infiltra em seu novo lar e entende o preço que Ithicana paga para manter o controle da ponte, Lara começa a questionar suas convicções. E, quando seus sentimentos por Aren passam da hostilidade para uma paixão intensa, ela terá de escolher qual reino vai salvar ― e qual vai destruir.

Ithicana e Maridrina são reinos rivais que travaram uma guerra por anos, até que um tratado de paz – o Tratado de Quinze Anos – foi firmado. Nele, ficou estabelecido que Maridrina forneceria uma princesa para casar com o príncipe e futuro rei de Ithicana. Mas Silas, rei de Maridrina, nunca aceitou a paz de fato, e treinou 20 filhas em segredo pra se transformarem em guerreiras letais e espiãs de ponta, no intuito de seduzirem o novo rei, Aren, e extraírem o maior segredo de Ithicana: como penetrar as defesas da ponte que liga o reino aos vizinhos e é responsável por todo o trajeto do comércio de norte a sul, protegendo os comerciantes dos terríveis mares Tempestuosos. Lara é quem consegue ser a princesa escolhida, e vai até Ithicana determinada a não falhar em sua missão. Porém, aos poucos, a jovem espiã vai percebendo que muitas das coisas que incutiram em sua cabeça durante seu treinamento (que começou aos 5 anos de idade) não eram verdadeiras, colocando sua missão – e sua lealdade – em xeque.

Na minha opinião, diversos livros de fantasia correm o risco de ficarem confusos e cansativos quando estão apresentando muitos conceitos novos de world building, especialmente nos primeiros volumes de uma série. Contudo, aqui a autora consegue equilibrar o “show” com o “tell”, ou seja, ao mesmo tempo em que descreve o mundo proposto, há parágrafos dedicados a explicar as dinâmicas e regras que regem esse mundo também por meio de diálogos ou pensamentos dos personagens, evitando que inúmeros conceitos novos sejam simplesmente largados na narrativa. Isso faz com que A Ponte Entre Reinos não seja enfadonho e prenda a atenção desde as primeiras páginas.

O livro oferece um desenvolvimento bem instigante, com uma narrativa em terceira pessoa ora focada em Lara, ora em Aren. Ainda que desde o início o leitor já saiba que se trata de um romance, a autora leva o desenvolvimento dessa relação com paciência, especialmente porque Lara e Aren têm muito a perder: ela não pode ser descoberta como espiã; ele não pode colocar a segurança de Ithicana em risco. Com o passar das páginas, eles vão ficando mais confortáveis na presença um do outro, em parte porque Aren não deseja fazer de Lara uma prisioneira, dando mais espaço a ela no reino, e em parte porque Lara revela traços reais de sua personalidade que vão cativando o rei (que provavelmente seriam criticados pelos mestres de sedução que lhe ensinaram enquanto crescia rs). Como não sou fã de instalove, gostei que a dinâmica dos dois tenha sido construída com o tempo, e Danielle L. Jensen deixa claro que vários meses se passam desde que o casamento acontece.

Os protagonistas de A Ponte Entre Reinos são bons personagens. Lara é uma garota de fibra e, nas primeiras páginas, já fui enganada por ela e pela autora, que nos faz acreditar que a jovem matou suas irmãs para salvar a própria pele. Felizmente ela não demora a mostrar que se condenou ao destino de ir para Ithicana para salvá-las, devido ao amor profundo que sente por elas. Isso foi fundamental para humanizar uma personagem que, em essência, vai para o Reino da Ponte em uma posição de “vilã”, para espionar. Lara pode ter feito coisas horríveis, mas em sua maior parte foi por coação ou instinto de sobrevivência, e não por maldade – e ela não usa isso pra se vitimizar, reconhecendo seus defeitos ao longo de toda a obra.

Aren, por sua vez, não demora a surpreender a esposa. Logo fica claro para Lara e para o leitor que ele é um homem leal e justo, e que sua ferocidade em batalha é consequência de uma vida tendo que proteger seu reino de ataques. Ithicana não busca a guerra, mas sim é alvo dela. Meu único problema com Aren é que ele é meio perfeitinho demais: é lindo, forte, musculoso, leal, honesto, paciente, respeitoso, bom de cama e ainda se apaixona perdidamente por Lara. Fácil gostar dele assim, né? 😂 Felizmente, ainda que ele seja vítima do odiado (pra mim) recurso instalove, Aren é sensato: não importa que tenha caído de amores por Lara, ele demora a confiar nela e toma várias precauções nos primeiros meses da jovem em seu lar.

Os pontos fracos de A Ponte Entre Reinos começam no seu terço final. Ele é tão slow burn que em determinado ponto as coisas demoram a ganhar velocidade, especialmente quando fica nítido que os sentimentos já “oficialmente” mudaram. Além disso, tem uma atitude de Lara que torna o final do livro bastante óbvio, fazendo com que o impacto do que acontece e qualquer consequência advinda se tornem previsíveis. Apesar disso, o livro termina com um bom gancho; ele promete muita ação e uma necessidade de garra e resiliência por parte dos personagens. Pra uma duologia, foi uma boa forma de encerrar essa primeira parte, capaz de deixar o leitor com muita vontade de ver a ação que sua continuação promete.

A Ponte Entre Reinos é uma ótima fantasia e um ótimo romance. Digo “e” porque o livro foi competente em ambas as esferas: apresentou um universo rico é bem construído, com relações políticas interessantes, ao mesmo tempo em que trouxe um enemies to lovers bem feito. Aren é um pouco perfeitinho demais? Sim. O instalove dele por ela é meio clichê? Também. Mas o fato de que o romance em si tenha demorado um tempo coerente pra se consolidar – especialmente considerando os riscos e responsabilidades de Lara e Aren – me convenceu. Se você curte esse estilo de leitura, A Ponte Entre Reinos está recomendadíssima!

Título original: The Bridge Kingdom
Série: A Ponte Entre Reinos
Autora: Danielle L. Jensen
Editora: Seguinte
Número de páginas: 416
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: The Sandman

Oi pessoal, tudo bem?

Se tem um título que anda no topo da lista de mais assistidos da Netflix nas últimas semanas, é The Sandman. Obviamente eu, que adoro uma boa série de fantasia e um quê sombrio, corri pra assistir. Vamos conhecer? 😉 

Sinopse: Após anos aprisionado, Morpheus, o Rei dos Sonhos, embarca em uma jornada entre mundos para recuperar o que lhe foi roubado e restaurar seu poder.

A trama gira em torno de Sonho, ou Morpheus, que foi invocado por feiticeiros humanos que desejavam invocar sua irmã, a Morte. Aprisionado por mais de cem anos – o que gerou consequências catastróficas no nosso mundo, ou “Mundo Desperto” –, quando Morpheus finalmente retoma sua liberdade ele precisa partir numa jornada em busca de seus três artefatos roubados: um elmo, um rubi e sua poderosa areia. Porém, em seu caminho ele encontrará Pesadelos que fugiram de seu reino e não desejam retornar, além de cruzar com inimigos que não vão facilitar a sua missão.

No universo de The Sandman, existem seres chamados de Perpétuos. Eles existem desde que tudo existe, não sendo deuses, mas sim aquilo que representam em si mesmos, sendo governantes de seus próprios reinos e senhores daquilo que influenciam. Nessa primeira temporada conhecemos quatro deles: Sonho, Morte, Desejo e Desespero. Todos os Perpétuos são irmãos, mas não esperem uma relação necessariamente próxima de todos eles: tirando a boa relação de Morpheus e Morte, a série nos mostrou que existem rivalidades e disputas de poder bem perigosas entre eles. Tudo que eu sabia sobre Sandman era bem superficial, pois não li as HQs, mas foi o bastante pra acompanhar a série sem maiores problemas, ainda que existam elementos que tenham ficado somente nas entrelinhas (como a própria rivalidade entre alguns dos Perpétuos, por exemplo).

Sandman acerta em cheio em não se estender demais na busca de Morpheus por seus itens mágicos, pois isso dá espaço a outras histórias bem bacanas ao longo da temporada. Pode-se dizer que ela é dividida em duas: na primeira parte, acompanhamos a recém retomada liberdade de Morpheus, e na segunda temos como foco sua perseguição a Coríntio, um Pesadelo que deseja se livrar de Morpheus para seguir causando seus terrores no Mundo Desperto. A série tem episódios bem marcantes, sendo o meu favorito o episódio 6, focado na Morte. Ele é um episódio longo com duas histórias amarradinhas: começa com o reencontro de Morpheus e da Morte, em que a série mostra um lado gentil, afetuoso, otimista e caloroso de um momento que costuma ser assustador em nossa cultura (o momento da despedida final); e depois se desenvolve para a amizade do protagonista com um humano que foi agraciado pela Morte com a imortalidade, desde que se encontrasse a cada século com Morpheus para contar se a dádiva havia se transformado em tortura ou não. Sob alguns aspectos, a série funciona quase como uma antologia dentro do universo do protagonista, tendo vários plots que abordam situações e personagens distintos.

E o que dizer da beleza visual de The Sandman? A produção teve um investimento pesado na produção dos efeitos especiais, e cada episódio é deslumbrante. Em tempos nos quais os profissionais de CGI estão tendo burnout ao trabalhar pra Marvel (o que gera memes com terceiros olhos e pele verde), foi um verdadeiro deleite poder assistir a cenários tão bonitos e animações tão caprichadas. O próprio mundo de Morpheus, o Sonhar, é composto dos mais diversos ambientes. Os Perpétuos por si só também têm a aparência que mais se adequa à pessoa ou ao ser com o qual estão interagindo. Ou seja, essa preocupação em fazer com que tudo fosse bem feito e visualmente impactante deu muito certo, porque fiquei de queixo caído em diversos momentos.

Como aspecto mais fraco da produção, pode-se dizer que o desenvolvimento dos personagens secundários acaba sendo preterido. Ao mesmo tempo em que histórias individuais começam e terminam nos mesmos episódios, o que é bacana por passar uma “vibe antológica”, poucos personagens ganham camadas que os transformem em algo além de sua função para aquele momento. Um exemplo disso é Johanna Constantine, cuja aparição pontual serve pra um único fim: ajudar Morpheus em sua busca pela areia mágica. A própria Morte, tão carismática, só aparece em um episódio de transição entre os arcos da busca pelos artefatos e a o arco de Rose Walker, a Vórtice dos Sonhos que é o ponto-chave da segunda metade da temporada. E, já que mencionei Rose, a série perde um pouco de seu fôlego quando a trama passa a girar em torno dela, fazendo com que meu interesse tenha sido levemente diminuído.

The Sandman é uma produção cara e tem chances de cancelamento por conta disso, segundo o próprio criador da HQ, Neil Gaiman. Por isso, fica o convite: vamos mostrar que séries de qualidade, com roteiros interessantes e fora do óbvio, também merecem permanecer na Netflix? Fica o convite para cair de cabeça nesse universo tão criativo, cheio de reflexões e questionamentos sobre a vida. 

Título original: The Sandman
Ano de lançamento: 2022
Criação: Neil Gaiman, David S. Goyer, Allan Heinberg
Elenco: Tom Sturridge, Boyd Holbrook, Patton Oswalt, Vivienne Acheampong, Vanesu Samunyai, Mason Alexander Park, Gwendoline Christie, David Thewlis

Resenha: Heartstopper: Volume 3 (Um Passo Adiante) – Alice Oseman

Oi pessoal, tudo bem?

Como fiz questão de evidenciar na resenha das HQs e da série, me tornei fã de carteirinha de Heartstopper. ❤ Então pensem na alegria dessa pessoinha quando recebi da Seguinte o terceiro volume, Um Passo Adiante. Continua lendo que eu te conto mais!

Garanta o seu!

Sinopse: No terceiro volume da série Heartstopper, acompanhamos os primeiros desafios do namoro de Charlie e Nick enquanto os garotos viajam a Paris. Depois de entenderem o que sentiam um pelo outro, Charlie e Nick se tornaram oficialmente namorados, e cada dia é uma nova oportunidade para se conhecerem um pouco mais. Mas nem tudo é fácil, principalmente quando se trata de se assumir enquanto casal para o mundo. Mesmo com medo da reação das pessoas, os garotos sabem que em breve terão de contar a verdade, pelo menos para os amigos mais próximos ― ainda mais quando a turma toda viaja a Paris. Enquanto decidem como dar este próximo passo, os dois vão descobrir que, não importa qual seja o desafio, eles podem sempre contar um com o outro.

Se no volume 1 a dupla se aproximou e começou a desenvolver seus sentimentos e no volume 2 o foco foi na autodescoberta de Nick como bissexual e o início do namoro dos dois, em Um Passo Adiante o casal precisa tomar decisões sobre como conduzir a relação. Essa edição traz uma vibe gostosíssima ao colocar os personagens em uma viagem escolar com destino a Paris, e o leitor fica imerso naquela atmosfera de comédia romântica cheia de descobertas, cenários lindos e momentos divertidos.

Nick e Charlie ainda não contaram aos amigos sobre seu namoro, e aos poucos eles vão criando coragem – e decidindo juntos – a melhor forma de fazer isso. Achei fundamental que Alice Oseman tenha trabalhado esse tema com tanta delicadeza e cuidado, especialmente quando lembramos que Charlie foi retirado do armário contra sua vontade, causando todo o bullying que ele sofreu na escola. Por isso, o fato de que o casal protagonista está disposto a fazer isso da sua própria maneira é um sinal de empoderamento super importante, além de transmitir uma mensagem positiva a quem possa estar na mesma situação.

Outro aspecto muito bacana de Um Passo Adiante é o foco em outros personagens, que na série da Netflix já ganharam mais atenção mas, até agora nas HQs, nem tanto. É o caso de Tao e Elle, que visivelmente nutrem sentimentos um pelo outro. Durante a viagem, eles têm a oportunidade de passarem mais tempo sozinhos e refletirem sobre os ônus e bônus de se declararem. É natural ter medo de alterar uma relação que até então é pautada na amizade e algo dar errado, mas é lindo ver Tao e Elle tendo coragem de arriscar.

Além do foco na relação de Nick e Charlie como casal, Alice Oseman também insere elementos que desenvolvem os personagens individualmente, o que considero fundamental. No caso de Nick, a autora mostra ao leitor que o personagem tem uma relação fragilizada com seu irmão mais velho e com seu pai. Enquanto o primeiro é rude e faz bullying com ele (que não se deixa intimidar e o enfrenta), o segundo é ausente e, mesmo morando em Paris, não parece fazer questão de ver o filho durante a viagem. Esses elementos dão profundidade a Nick, que até então era “apenas” nosso golden retriever fofo e maravilhoso. Charlie, por sua vez, começa a ser observado pelo namorado devido a um comportamento que vai ficando nítido para o leitor também: em diversas situações de stress, ele mal toca na comida. Alice Oseman ainda não aprofunda o assunto de distúrbios alimentares nesse volume, mas pra mim ficou muito claro que é algo no horizonte. Tenho certeza de que ela vai tratar desse tema com muito cuidado e sensibilidade, como tudo que vi dela até agora.

Heartstopper: Um Passo Adiante é uma leitura deliciosa, com gostinho de verão (europeu rs) e com todo o carisma e fofura que os volumes 1 e 2 da HQ já haviam nos presenteado. É muito bom ser fã de uma obra que consegue deixar meu coração feliz já nas primeiras páginas, e Alice Oseman consegue me transportar pra história de Nick e Charlie sem esforço. É como se o leitor se tornasse parte daquele grupo de amigos, torcendo e vibrando por cada uma de suas conquistas. Se você ainda está em dúvida sobre ler ou não Heartstopper, a dica é: não pensa mais e só se joga! Vai valer a pena. ❤

Título original: Heartstopper #3: A Graphic Novel
Série: Heartstopper
Autora:
 Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 384
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Linguagem da Destruição – Heloisa Starling, Miguel Lago e Newton Bignotto

Oi pessoal, tudo bem?

Decidi ler Linguagem da Destruição: A Democracia Brasileira Em Crise mesmo sabendo a dificuldade que seria para mim mergulhar em uma análise da retórica de Bolsonaro, por quem sinto o mais profundo asco. Ainda assim, achei importante enfrentar esse desafio, especialmente porque sempre fiquei incrédula com a quantidade de pessoas que o defendem apesar de todas as coisas grotescas que ele diz e faz. Esse livro foi uma ótima aula nesse sentido, e só por isso já valeu a pena.

Garanta o seu!

Sinopse: Partilhando a ideia de que o plano de poder de Bolsonaro é pautado pela destruição, Heloisa Starling, Miguel Lago e Newton Bignotto investigam, cada qual sob uma perspectiva, mas em constante diálogo, a atuação do bolsonarismo e seus efeitos para a democracia. O ensaio de Starling aborda o agudo reacionarismo do grupo político no poder, procurando compreender sua constituição histórica e antecedentes. Lago trata da resiliência de Bolsonaro a partir das armadilhas de seu discurso, considerando a dificuldade de se estabelecer uma oposição eficaz e os impactos da hiperconectividade e do neopentecostalismo para sua ação política. Já o capítulo de Bignotto é uma reflexão sobre os conceitos da teoria política empregados para definir o bolsonarismo e seus matizes ideológicos. Ao escrutinar os elementos que constituem a visão de mundo comungada pelos apoiadores de Bolsonaro, os autores combatem a cegueira analítica e descortinam os movimentos do ex-capitão e seu projeto de poder: a destruição da ordem democrática.

Linguagem da Destruição é um livro escrito por um filósofo, uma historiadora e um cientista político. Cada um deles escreve um capítulo do livro, que por sua vez tem subdivisões para tornar a leitura um pouco mais fluida e cadenciada. O objetivo da obra, em última instância, é analisar todo o mecanismo voltado à destruição que traduz o que é a “gestão” de Bolsonaro: um governo que, desde o início, prometeu destruir o status quo sem nenhum plano de reconstrução ou de futuro focado no desenvolvimento do país. Com a chegada da pandemia, esse projeto destruidor ganhou ainda mais força, transformando-se num governo que tem a morte como um dos seus pilares.

É importante deixar claro pra qualquer pessoa que leia essa resenha: eu sou anti-Bolsonaro em todas as instâncias possíveis. Desde 2018 eu digo que, se tiver que escolher entre votar nele e numa batata, eu voto na batata. E eu ressalto isso porque nenhuma resenha é totalmente isenta, e eu nunca me propus a fazer isso aqui no blog; muito pelo contrário, o Infinitas Vidas é um espaço onde, com transparência e honestidade, eu coloco minha opinião no mundo – e torço pra que ressoe em algum de vocês. Pra ser honesta, acho que estou escrevendo esse parágrafo com medo de que esse post um dia seja visto por minions desocupados que resolvam me atacar nos comentários, então já deixo avisado que, se isso acontecer, vou fechar o campo dos comentários pois não sou obrigada a aceitar xingamento e desrespeito rs.

Parênteses concluído, seguimos com a resenha. Os autores buscam criar uma narrativa que, aos poucos, vá explicando diversos aspectos da conduta bolsonarista e, principalmente, o porquê dela ter encontrado um meio fértil para se propagar. Há todo um resgate histórico para nos conduzir até o momento presente, e não são feitas afirmações levianas sem um raciocínio construído previamente para defender a posição dos autores. Eles reconhecem que é difícil encaixar Bolsonaro numa única caixinha de conduta devido a sua aproximação com vários movimentos, e evitam colocar rótulos que o limitem a ser chamado unicamente de populista, fascista ou nazista, por exemplo. É como se Bolsonaro permeasse esses conceitos, flertasse com vários sem se encaixar 100% em nenhum e então os transformasse no bolsonarismo, um movimento muito particular para o qual os autores ainda não possuem total entendimento.

O livro cumpre seu papel de evidenciar que não é a primeira vez que temos governantes autoritários no poder, mas que é inédito vermos alguém eleito pelo povo ter um plano focado em destruir os alicerces democráticos de dentro pra fora. Fomentar crises econômicas e sociais não é algo que Bolsonaro fez “sem querer” ou por ser burro (como eu mesma tantas vezes acusei), mas sim parte de um plano proposital de enfraquecer a sociedade para que ele possa se colocar como o salvador messiânico da população ao mesmo tempo em que se isenta da responsabilidade de consertar as coisas, terceirizando a culpa. Bolsonaro abraça a ideia de que não existe uma visão de futuro para o país, mas sim a necessidade de destruição “de tudo que está errado” (segundo ele) no presente.

O mais marcante dessa leitura pra mim foi perceber que eu estava sendo reducionista em relação à capacidade estratégica do discurso de Bolsonaro. Para mim, era difícil ver suas palavras sem reagir com “como alguém acredita no que esse burro tá falando?” ou “como as pessoas não se revoltam com essa afronta?”. Depois de ler Linguagem da Destruição, percebi que (mesmo ele sendo burro em muitas instâncias sim) Bolsonaro construiu o caos perfeito para que ele pudesse se isentar da responsabilidade do que acontece (afinal, na sua visão a culpa da crise é da pandemia, não dele), minar a confiança das pessoas na democracia (vide suas declarações golpistas de que não aceitará ser derrotado nas eleições e incitações para as pessoas não confiarem na urna eletrônica) e destruir as bases democráticas que vinham sendo fortalecidas no nosso país desde que nos livramos da ditadura. Se eu tiver que resumir essa experiência, posso dizer que Linguagem da Destruição é um livro difícil, por vezes complexo e com passagens mais enfadonhas, mas foi um divisor de águas no meu entendimento político.

Título original: Linguagem da Destruição: A Democracia Brasileira Em Crise
Autores: Heloisa Murgel Starling, Miguel Lago e Newton Bignotto
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 176
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: Bel-Air

Oi pessoal, tudo bem?

Se vocês estavam em busca de uma boa série pra maratonar, a dica de hoje vai cair como uma luva. Vamos conhecer Bel-Air, o reboot de Um Maluco no Pedaço?

Sinopse: Com produção executiva de Will Smith, “Bel-Air” reimagina a icônica comédia dos anos 90 “The Fresh Prince of Bel-Air” para uma nova era. Situado na América moderna, a série dramática de uma hora oferece uma nova e dramática visão da jornada de mudança de vida de Will, das ruas do oeste da Filadélfia às mansões fechadas de Bel-Air. Deixando para trás a única casa que ele já conheceu por uma segunda chance em um lugar desconhecido, Will vê sua vida virada de cabeça para baixo ao encontrar novos desafios e preconceitos em um mundo de riqueza e aspiração.

Antes mesmo de iniciar Bel-Air, eu já tinha um feeling muito bom de que a série tinha potencial, afinal, ela se propõe a contar a história do jovem Will Smith com um viés de drama, e não de humor. Quem assistiu a Um Maluco no Pedaço deve lembrar que a comédia era irreverente e divertida, mas vez ou outra tocava em assuntos sérios como racismo estrutural, abandono parental, porte de armas, entre outros temas. Justamente esse aspecto me deixou tão curiosa com o reboot, pela possibilidade de ver esse universo dramático se desdobrar. E eu fiquei muito satisfeita com o que vi!

Em linhas gerais, a série segue a mesma trama da original: Will Smith é um jovem brilhante da Filadélfia, que arrasa no basquete e já tem convites para universidades graças a esse talento. Porém, ele é temperamental e se deixa levar pela provocação de um traficante local, o que o coloca em um jogo de basquete perigoso. Quando tudo dá errado e seu melhor amigo, Tray, começa a ser agredido pela gangue do traficante, Will utiliza a arma que Tray levou para segurança dos dois e atira pra cima, o que o faz ser preso. Isso obriga sua mãe, Vy, a pedir ajuda de sua irmã rica, Vivian, e seu cunhado, Phil Banks. Cobrando alguns favores e usando de sua influência como um advogado poderoso em Los Angeles, Phil consegue tirar Will da cadeia e ele é enviado pela mãe para morar com os tios e fugir das ameaças de morte do traficante.

Se em Um Maluco no Pedaço a “fuga” de Will é abordada rapidamente na abertura – e com um tom mega leve –, em Bel-Air essa situação é desenvolvida e tem o peso que lhe cabe. Will realmente tem sua vida colocada em perigo, assim como Tray. Além disso, ele perde oportunidades na faculdade e precisa ir para um lugar no qual ele não deseja estar. Esse ponto é super positivo e demonstra como um minuto de uma decisão ruim pode mudar toda a sua vida. Além disso, também já temos evidenciada outra novidade importante: a área cinza em que Phil atua. Se na série original ele é sempre um guia de moralidade pros filhos e pra Will, em Bel-Air o personagem caminha num território mais nebuloso e, por vezes, de moral duvidosa. Pra vários de seus trabalhos menos nobres, o tio Phil conta com a ajuda de Geoffrey, que aqui deixa de ser um mordomo sarcástico para se tornar o braço direito calado, misterioso e implacável que faz os trabalhos sujos do patrão.

Os filhos dos Banks também sofrem transformações consideráveis. A que mais gostei foi Hilary, que é uma microinfluencer em busca do sucesso como uma personalidade do ramo gastronômico. Ainda que use o dinheiro dos pais (por ter desistido da faculdade), a personagem sonha alto e corre atrás dos seus objetivos, bem diferente da patricinha fútil de Um Maluco no Pedaço. A Hilary de Bel-Air é menos bidimensional, além de ter um coração enorme e construir uma relação muito bacana com Will, Ashley e – acreditem – Jazz. Em compensação, uma mudança de personagem que foi difícil de engolir foi a de Carlton. Na nova versão, ele não é o engomadinho inocente de Alfonso Ribeiro, mas sim um atleta popular que sofre de ansiedade e é viciado em drogas. Ele acaba sendo um pouco estereotipado naquela imagem do rico poderoso que usa drogas pesadas pra lidar com o dia a dia, além de ser cruel com Will em diversos momentos. Infelizmente a série coloca um triângulo amoroso pra complicar a relação dos primos, e essa foi uma decisão de roteiro da qual não gostei. Com o passar dos episódios, porém, Carlton vai se abrindo para a presença de Will e eles começam a construir uma relação mais saudável.

Um ponto que adorei em Bel-Air é a forma como a série coloca pequenas homenagens ao material original, mexendo com a nossa nostalgia. A forma como Will usa o blazer do avesso, por exemplo, é super legal. Há também uma homenagem às antigas tia Viv e Vy, assim como ao tio Phil original, que faleceu em 2013. 😥 Quem for mais atento vai perceber o momento em que ele aparece, e é uma inserção singela mas muito bonita. 

Em resumo, Bel-Air é um reboot que faz justiça a Um Maluco no Pedaço e trata superbem de vários dos temas mais pesados que eram mais superficiais na obra original. Jabari Banks, o novo Will Smith, consegue dar vida ao personagem de maneira excelente, trazendo vários dos trejeitos do antigo Will com naturalidade, fazendo o espectador associá-lo com o personagem sem esforço. A série a princípio terá uma segunda temporada, mas talvez demore a ser feita devido à polêmica do verdadeiro Will Smith no Oscar. Fico na torcida pra que não mudem de ideia e continuem com esse projeto, porque realmente gostei muito do novo olhar que essa história recebeu. Se você curtia Um Maluco no Pedaço, vale a pena dar uma chance a Bel-Air. 😉

Título original: Bel-Air
Ano de lançamento: 2022
Criação: Andy Borowitz, Susan Borowitz e T.J. Brady
Elenco: Jabari Banks, Cassandra Freeman, Adrian Holmes, Olly Sholotan, Coco Jones, Jimmy Akingbola, Simone Joy Jones, Akira Akbar, Jordan L. Jones, April Parker Jones

Resenha: Rua do Medo – R. L. Stine

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje a dica é bem nostálgica, porque é a resenha de um livro que me levou pros meus tempos de criança, em que eu pegava livros na biblioteca da escola. O título em questão é Rua do Medo, do R. L. Stine, autor da série Goosebumps e de inúmeros títulos da própria série Rua do Medo, que é enorme rs. A Editora Rocco reuniu três desses títulos em um livro só e, apesar de fazerem parte da mesma série, são histórias independentes. Outro ponto legal de ressaltar é que Rua do Medo inspirou os filmes da Netflix, mas eles não são adaptações dessas histórias sobre as quais falaremos aqui, belê? Agora partiu conhecê-las!

Garanta o seu!

Sinopse: Não leia à noite!!! Edição especial em capa dura e com fitilho, reunindo três das histórias mais aterrorizantes da série que inspirou os filmes de sucesso da Netflix.

Começo essa resenha elogiando a edição física do livro, que está caprichadíssima. Eu tinha na memória as capas breguíssimas e antigas da série Rua do Medo, Casa do Pesadelo e Goosebumps, então foi um colírio ver um livro tão bem feito dessa série. 😂 Além da ilustração linda que acompanha a capa dura, ele tem fitilho e uma diagramação super confortável, que permite ler sem cansar. Claro, outro aspecto que colabora muito pra isso é o fato da narrativa ser bem infantojuvenil, o que torna a experiência de leitura bem tranquila e fluida.

Esse volume reúne três livros da série: Paixão Mortal, Fim de Semana Alucinante e Festa de Halloween. O primeiro tem um quê meio sobrenatural, o segundo me lembra algo meio “Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado” e o terceiro tem uma pitada de “E Não Sobrou Nenhum” (tá, forcei um pouco a barra aqui, mas eu queria um paralelo pros três HAHAHA).

Paixão Mortal foi a história de que menos gostei. Nela, acompanhamos a paixão à primeira vista de um ginasta do colégio Sunnyside, Cory, pela aluna nova, Anna. Acontece que, quando ele decide ligar para a casa da garota para convidá-la pra sair, quem atende o telefone diz que não existe nenhuma Anna lá, pois ela está morta. Eu, que morro de medo de histórias de fantasmas, inicialmente fiquei entusiasmada com esse plot. Mas ao longo da trama esse teor sobrenatural vai se perdendo e a história fica bastante cansativa, porque o autor repete à exaustão o quanto Cory está obcecado por Anna. Eu entendo que essa repetição de palavras e estruturas textuais é provavelmente proposital, de modo que facilite o entendimento de leitores muito jovens, mas pra mim acabou tornando a experiência irritante. Como ponto positivo temos a revelação no final, que é convincente o bastante.

Fim de Semana Alucinante já é bem mais divertido! Aqui acompanhamos a empreitada dos membros do Clube de Campo do colégio Sunnyside (sim, tudo é ambientado no mesmo lugar), que resolvem aproveitar a ausência do monitor do Clube para acamparem sozinhos naquela que é conhecida como Ilha do Medo. Eles estão empolgadíssimos para passar uma noite por lá, mas tudo muda quando uma das alunas, Della, se perde do grupo e é abordada por um homem estranho e violento. Ao se desvencilhar dele, Della o empurra para uma queda fatal, e o grupo precisa encarar o fato de que agora compartilham um segredo terrível que envolve sua morte. As coisas pioram quando eles retornam da ilha, pois começam a ser ameaçados por uma figura misteriosa que aparentemente sabe o que aconteceu por lá. Gostei bastante do senso de urgência que o autor causou ao longo da história, com um perigo iminente à espreita. O desenvolvimento da trama foi bem mais legal que Paixão Mortal mas, em contrapartida, o final foi um banho de água fria sem nenhum plot twist. Talvez eu tenha esperado demais da trama, especialmente por lembrar da minha ótima experiência com Bela Gentileza (da série Casa do Pesadelo, também infantojuvenil), que compartilha dessa vibe de alguém perigoso vigiando os protagonistas.

Por fim, temos o terceiro título, Festa de Halloween. Aqui temos um outro grupo de alunos do Sunnyside sendo convidado para a festa de uma garota misteriosa, Justine, na sua mansão na Rua do Medo. Justine convida apenas 9 pessoas para sua festa, e quando eles chegam lá a garota revela uma noite de surpresas e brincadeiras assustadoras. Com o passar das horas, porém, as coisas começam a sair de controle e um dos convidados aparece morto no meio da festa. Enquanto uns tentam buscar ajuda, outros permanecem na casa tentando descobrir a verdade sobre Justine, com foco para o casal Terry e Niki, de quem gostei bastante. Festa de Halloween foi minha história favorita; adoro essa vibe claustrofóbica e de gente maluca fazendo os outros de refém rs. Considero essa a trama que mais tentou se desenvolver, tanto no aprofundamento de alguns personagens quanto na motivação por trás de tudo que aconteceu. 🙂

Sendo bem honesta com vocês, não dá pra esperar que Rua do Medo seja super profundo e mega desenvolvido, pois além do seu público-alvo ser bem jovem, o livro não se propõe a ser uma obra-prima do terror. É uma obra divertida, despretensiosa e muito nostálgica, especialmente pra quem cresceu lendo as obras da série Goosebumps ou Rua do Medo (e, no meu caso, Casa do Pesadelo também). Acredito que se você encarar essa leitura tendo em mente todos os seus pontos fortes e fracos com clareza, você pode se divertir como eu me diverti. 👻

Título original: Fear Street
Série: Rua do Medo
Autor: R. L. Stine
Editora: Rocco
Número de páginas: 448
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Aurora Ascende – Amie Kaufman e Jay Kristoff

Oi pessoal, tudo bem?

Finalmente pude conferir Aurora Ascende, que recebi em parceria com a Editora Rocco e fez bastante sucesso na blogosfera (tanto aqui quanto lá fora). O livro promete ser uma aventura sci-fi “a la Guardiões da Galáxia”, e hoje eu divido com vocês como foi minha experiência.

Garanta o seu!

Sinopse: O ano é 2380, a humanidade deixou seu ninho para se espalhar pela galáxia: não apenas a Via Láctea, mas dezenas de outras e os recém-formados cadetes da Academia Aurora estão sendo enviados em suas primeiras missões. Tyler Jones, o garoto prodígio, está pronto para recrutar o esquadrão dos sonhos, mas seu próprio heroísmo idiota faz com que ele fique com o que mais ninguém da academia quis… E esse esquadrão nem é o maior problema de Tyler — ele se chama Aurora Jie-Lin O’Malley, uma garota que foi resgatada no meio do espaço interdimensional. Presa em um sono criogênico por dois séculos, Auri é uma garota fora de seu tempo que pode ser o estopim de uma guerra que vem se formando há milhões de anos. Mas a chegada dela não é uma coincidência, e sim o prenúncio de uma grande batalha vindoura. Uma que decidirá o destino de todas as espécies. E o esquadrão de desajustados de Tyler é a última esperança de toda a galáxia.

Tyler Jones é o Garoto de Ouro da Academia Aurora, uma instituição intergaláctica que visa treinar novos cadetes e agentes espaciais da Legião Aurora, uma organização independente pacificadora cujos membros mediam conflitos e patrulham áreas neutras do espaço, em uma atuação similar à da ONU. No dia da formatura de Tyler, ele finalmente colheria os frutos de seus esforços, sendo o primeiro Alfa (ou seja, líder de esquadrão) a escolher os membros do seu, podendo ficar apenas com a nata dos cadetes. Porém, tudo dá errado quando ele recebe um sinal de vida encontrada naquilo que é conhecido como Dobra (uma espécie de “buraco” no espaço que permite viagens galácticas mais curtas, mas também oferece riscos ao corpo humano). Ao ir em busca desse sinal, Tyler não apenas perde a cerimônia (ficando preso ao esquadrão 312 que, apesar de felizmente ter sua irmã, Scarlett, e sua melhor amiga, Cat, é também formado por três membros problemáticos que ninguém mais quis) como também se depara com uma nave que estava desaparecida há mais de 200 anos – e o mais surpreendente é que há uma garota viva dentro dele. O jovem consegue resgatá-la e levá-la para a Academia, mas essa decisão é somente a primeira de uma série de consequências que o resgate da jovem – que, coincidência ou não, se chama Aurora  representa.

Todo esse parágrafo foi uma tentativa de resumir a pontinha do iceberg de Aurora Ascende. O livro tem um universo bastante rico e cheio de informações para serem absorvidas pelo leitor, como costuma acontecer em livros que iniciam uma série. Aprendemos, durante a leitura, que cada esquadrão da Legião é formado por um Alfa (líder), um Ás (piloto), uma Frente (diplomata), um Cérebro (responsável por ciências médicas), um Tanque (guerreiro) e um Mecanismo (uma espécie de engenheiro). Apesar de Tyler ter a melhor Ás (Cat) e uma Frente impecável (Scarlett), os outros três membros que ele recebe são inconsequentes, insubordinados e insolentes. O Cérebro é Zila Madran, uma jovem que adora explodir coisas e usar sua pistola em tudo que se mexe. Ela não sabe lidar com outros seres humanos e tem pouquíssimas falas ao longo da obra, o que espero que seja remediado no próximo volume. 

resenha aurora ascende

O Mecanismo é meu personagem favorito, Finian (ou Fin). Ele é um personagem alienígena irreverente e debochado, que usa de piadas para aliviar qualquer tensão – mas também para esconder sua dor de ser rejeitado por todos que o cercam devido a uma condição física que o fragiliza. Por fim, temos Kal, o guerreiro. Esse personagem é outro alienígena, mas da espécie Sildrathi, que tem uma trama própria correndo paralela. Kal é um cara que é julgado no minuto em que pisa em qualquer ambiente devido ao glifo tatuado em sua testa, que marca seu clã dos Guerreiros, visto com desconfiança devido à rebelião promovida por esse mesmo clã contra o acordo de pacificação entre a Terra e os Sildrathi. Pra finalizar, temos as já mencionadas Scarlett e Cat. A primeira é o estereótipo da garota sexy que conquista tudo com seu charme, o que é cansativo, mas felizmente ela se revela uma jovem empática, sensível e capaz de ajudar todos ao seu redor. Cat é a garota durona que reclama a todo instante da presença de Auri. Ciúmes de Tyler? Vão ter que ler pra descobrir.

E como falar dos personagens sem mencionar aquela que se une ao esquadrão se querer? Aurora O’Malley passa mais de 200 anos em hibernação e, quando acorda, tudo que conhece se foi: seus amigos, sua família, seu lar. Ela estava em uma expedição que iria desbravar um novo planeta conhecido como Octavia III, mas todas as pesquisas que faz negam a existência de qualquer colônia lá. Para piorar, Auri passa a ser acometida por visões estranhas em idiomas que ela nunca ouviu, além de revelar poderes perigosos que surgem sem explicação – colocando não apenas Aurora como todo o esquadrão em perigo.

Aurora Ascende é um livro cheio de ação, e a partir do minuto em que Tyler resgata Aurora nenhum personagem tem paz. Eles partem em uma missão de rotina, mas tudo demonstra ser muito mais perigoso quando a própria Força de Defesa Terráquea e a Agência de Inteligência Global (duas instituições perigosas e poderosas que regulam muitas das dinâmicas intergalácticas) surgem para “levar Aurora para casa”. Só que as visões da jovem a alertam para o real intuito dessas pessoas, e de alguma forma ela sabe que desejam apagá-la do mapa, assim como fizeram com toda a colônia de Octavia III. Movido por seu senso de justiça (e pelo conselho do melhor amigo de seu falecido pai), Tyler decide acreditar em Aurora e defendê-la, aceitando ir até o fim do mistério que cerca a garota e seus poderes telecinéticos – que vão se revelando cada vez mais fortes e instáveis. Quando o esquadrão 312 se torna oficialmente fugitivo, as páginas são tomadas de um ritmo ainda mais intenso, porque nenhum personagem pode relaxar nem por um minuto sem o risco de ser capturado. Essa fuga os leva a novos planetas, faz com que o grupo encontre novos inimigos e também revela que existem segredos mantidos a sete chaves pela FDT e pela AIG – segredos que podem ser uma ameaça não apenas para a Legião Aurora, mas para a galáxia inteira.

resenha aurora ascende 2

Entretanto, Aurora Ascende peca em ser um livro que traz a sensação de “eu já vi isso antes”. A protagonista tendo visões que não entende e sendo possuída por algum tipo de ser/poder/inteligência que perde o controle e coloca seus amigos em perigo me fez lembrar automaticamente de Kira, de Dormir em um Mar de Estrelas. As viagens dos personagens por diferentes planetas e lugares, cheias de perseguições e planos arriscados, me remeteram a Desafiando as Estrelas. E a relação entre Kal e Aurora me lembrou uma versão fraca do imprinting de Jacob por Renesmee em Amanhecer. 😂 O casal tem zero química e em nenhum momento consegui torcer ou suspirar por ele; pelo contrário, fiquei meio que enjoada com a melosidade do instalove que Kal sente por Aurora, assim como achei bem repentino ela subitamente decidir que vai dar uma chance de gostar dele de volta. Essa sensação se agravou pra mim principalmente porque Aurora não é uma protagonista carismática. Todos os personagens possuem características marcantes (mesmo Zila, que mal tem falas), mas Aurora é genérica e esquecível.

Aurora Ascende tem bons personagens, que iniciam sua relação de forma disfuncional mas, com o passar das páginas, aprendem a confiar e a respeitar uns aos outros. É bacana ver o relacionamento deles se desenvolver e, principalmente, ver a evolução que cada um deles tem com as próprias questões. O final do livro traz um clímax bem impactante e me emocionou, ainda que eu nem goste da personagem envolvida – ou seja, foi conduzido de forma competente e convincente. Passei cerca de um mês lendo Aurora Ascende de forma arrastada, mas o final foi capaz de me instigar a querer ler a continuação o mais breve possível. Pena que falte carisma à personagem-título, com a qual não consegui simpatizar, e que muitos aspectos da obra sejam meio lugar-comum. Mas, pra ser honesta, como mencionei na resenha de Lightyear, sci-fi não é a minha praia e sempre exige mais da minha paciência enquanto leitora. Juro que aqui o “não é você, sou eu” não é desculpa esfarrapada. 😂 Então, se você não tem dificuldade com o gênero, é bem provável que adore e se divirta com Aurora Ascende. 😉

Título original: Aurora Rising
Série: Ciclo Aurora
Autores: Amie Kaufman e Jay Kristoff
Editora: Rocco
Número de páginas: 368
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Livro cedido em parceria com a editora.
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Resenha: Eu Só Escrevo Quando Tô Mal – Isadora Salines

Oi pessoal, tudo bem?

Poesia não é um gênero que aparece muito por aqui, mas vez ou outra gosto de sair da zona de conforto. Por isso topei fazer a leitura do livro de estreia da Isadora Salines, Eu Só Escrevo Quando Tô Mal, uma coletânea de poemas que reúne as experiências da autora em relação a amor próprio, paixões, luto e outros temas.

Sinopse: O que você faz com o que acontece com você? Tem gente que grita, que pinta, que guarda, que surta. Tem quem finge que não aconteceu e tem quem diz “faz parte” e segue em frente. Uns desmoronam, outros aprendem. Uns fazem drama, outros fazem arte. Isadora Salines faz poema e poesia. O livro Eu só escrevo quando tô mal é o primeiro da autora, fruto de uma pandemia e de muitos meses de isolamento, onde reviveu histórias, traumas e aprendizados. A obra reúne poemas e poesias que apresentam assuntos como amor, rancor, luto e autoconhecimento de forma dolorosa e reconfortante. Um livro para você se identificar, se descobrir e refletir.

O livro é dividido em capítulos que representam os temas principais dos poemas que virão. A obra como um todo transmite a ideia de que o processo de escrita serve como uma terapia e uma cura para assuntos e momentos difíceis – o que se reflete também no nome do livro, ainda que Salines explique na carta aos leitores que não só as tristezas inspiram seus poemas.

Em Sem parar, o primeiro capítulo, a autora traz a angústia e o medo de ser apagada pela rotina do dia a dia e um receio de ser esmagada pela apatia cotidiana. O gosto da memória, segundo capítulo, foi o que mais gostei (e com o qual mais me identifiquei), porque as palavras giram em torno do processo de luto e da falta que alguém amado faz. Subitamente é outro capítulo que também reúne poemas com a mesma temática, inclusive trazendo uma dedicatória a um amigo que partiu. Entre nós, Dá pra sentir! e Desenlaço são capítulos que trazem poemas mais relacionados a dores amorosas e à saúde dos relacionamentos, bem como as chegadas e partidas na vida de todos nós.

Me convença do contrário foca muito em temas atrelados ao amor próprio, autoaceitação, autoestima e pressão estética, especialmente sob a ótica de uma mulher gorda (como a própria Salines se define). Querer é uma coletânea de assuntos diversos, com poemas que vão desde memórias do passado e reflexões sobre a passagem do tempo. Por fim, Explodi em silêncio explora o uso das palavras como cura e terapia, assim como o desejo de manter a própria essência e autenticidade.

Os conteúdos de Eu Só Escrevo Quando Tô Mal são muito relacionáveis, e Isadora Salines busca traduzir sua experiência de forma clara e transparente. Como aspectos negativos, acredito que as poesias que tentam rimar muito acabaram ficando mais óbvias, porque faltaram nelas a naturalidade e a autenticidade que vi em outras, mais orgânicas. É nítida a inspiração da autora em poetisas como Rupi Kaur e Ryane Leão (ela mesma comenta sobre isso no livro), e apesar de ainda existir um caminho a ser trilhado para o amadurecimento de Salines como escritora, considero que o foco dela esteja no lugar certo pra atingir esse objetivo. E se você quiser apoiar a literatura nacional e adquirir o seu exemplar, ele está em pré-venda no site da editora ou pode ser encomendado diretamente com a Isadora em uma compra coletiva (que barateia o frete). 😉

Título original: Eu Só Escrevo Quando Tô Mal
Autora: Isadora Salines
Editora: Letramento
Número de páginas: 125

Livro cedido em parceria com a autora.
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