Dica de Série: Ted Lasso

Oi gente, tudo bem?

Nem só de decepções minhas últimas semanas têm sido (quem leu os dois posts anteriores vai entender 😂). Hoje eu quero dividir com vocês uma dica que simplesmente ganhou meu coração todinho, me arrancando sorrisos, lágrimas e esperança: Ted Lasso, uma série que já ganhou vários prêmios e é super elogiada. ❤

Sinopse: Jason Sudeikis é Ted Lasso, treinador de um pequeno time de futebol americano de faculdade da cidade de Kansas contratado para ser o técnico de um time de futebol profissional na Inglaterra, apesar da falta de experiência.

Quem diria que eu, que sou zero apegada a esportes, teria meu coração arrebatado por uma série que fala sobre isso? Na trama, Ted Lasso é um treinador de futebol americano que é contratado, junto de seu treinador técnico – Beard –, para treinar um time de futebol inglês (ou seja, nosso futebol tradicional). Ted nada entende do assunto, mas topa o desafio mesmo assim, e é recebido em Londres com muita animosidade, já que o esporte é forte na cultura do país e o time para qual Ted é contratado – AFC Richmond – tem uma legião leal de fãs. Com o tempo, Ted precisa construir relações fortes no time, ao mesmo tempo que passa por desafios na sua vida pessoal.

Como descrever Ted Lasso? Bom, começo dizendo que ele é o tipo de amigo que todo mundo deveria ter na vida. Ele é quase irreal de tão perfeito? Sim, mas isso não vem ao caso. 😂 Ted é alguém que te cativa à primeira vista. Ele tem um nível de empatia enorme, um coração que mal cabe no peito e uma crença ferrenha no potencial de cada uma das pessoas com quem trabalha. Um exemplo dos seus gestos de carinho tão naturais é o ritual que ele constrói com Rebecca, sua chefe: toda segunda-feira ele vai até o escritório dela com biscoitos pelos quais ela se apaixona, e esse dia da semana ganha um caráter especial graças a esse pequeno momento.

Rebecca é uma personagem que, à primeira vista, pode incomodar. Ela contratou Ted sabendo que ele tinha zero experiência com futebol porque seu intuito verdadeiro era afundar o Richmond. Essa atitude é um desejo de vingança contra o ex-marido, que a traiu e a trocou por mulheres mais jovens, mas que tinha no clube de futebol sua maior paixão. Como Rebecca ficou com Richmond após a separação, ela quer feri-lo levando o time para o buraco. Isso é super mesquinho, né? É claro. Mas juro pra vocês, a série consegue humanizar Rebecca de uma forma muito natural. A gente sente a dor do abandono, o medo de ficar sozinha e a humilhação e o escárnio públicos que ela enfrenta. Porém, quanto mais convive com Ted, mais ela vai sendo contagiada por seu otimismo e a amizade que os dois constroem pouco a pouco se torna uma das melhores coisas da produção.

Os personagens são definitivamente o ponto alto de Ted Lasso. Adoro a alegria contagiante de Keeley (e sua amizade com Rebecca), os palavrões do craque veterano Roy Kent, o caminho de redenção do petulante Jamie Tartt, o jeitão taciturno (mas leal ao Ted) de Beard, entre outros personagens que roubam a cena quando estão na tela. Até os vilões conseguem causar uma profunda comoção na gente. Por mais que Ted Lasso seja uma série sobre um time de futebol, ela é muito mais sobre as relações humanas, o poder dos laços e, é claro, sobre liderança.

Me senti inspirada pelo jeito de liderar de Ted. Ele é muito mais atento do que as pessoas ao seu redor imaginam, prestando atenção em pequenos detalhes que podem fazer a diferença na motivação de alguém. Ele se preocupa genuinamente com as pessoas que ele lidera, fazendo tudo que está ao seu alcance pra que elas acreditem em si mesmas tanto quanto ele acredita nelas. Ted Lasso foi uma série que mexeu comigo até em questões profissionais, no sentido de admirar profundamente o modo que o personagem lida com o dia a dia e querer ser cada vez mais parecida com ele. ❤

Ted Lasso é tudo e mais um pouco. Ela é bom humor, ela é emoção, ela é amadurecimento, ela é sensível (fala inclusive sobre saúde mental), ela é emoção (com os jogos de futebol) e ela é inspiração. Se você nunca quis dar uma chance por não se identificar com o mundo esportivo, juro que te entendo porque eu também não me identifico. Mas meu conselho é: abra seu coração e conheça essa série e esse personagem – ou melhor, essa gama de personagens – que vão te deixar com um sorriso no rosto.

Título original: Ted Lasso
Ano de lançamento: 2020
Direção: Jason Sudeikis, Bill Lawrence, Joe Kelly
Elenco: Jason Sudeikis, Brendan Hunt, Hannah Waddingham, Nick Mohammed, Brett Goldstein, Juno Temple, Phil Dunster, Jeremy Swift, Toheeb Jimoh

Resenha: Você Não É Invisível – Lázaro Ramos

Oi oi, tudo bem com vocês?

Se tem uma coisa que minhas experiências literárias e audiovisuais recentes têm me ensinado, é a controlar as expectativas e lidar com decepções. 😂 E isso infelizmente aconteceu com Você Não É Invisível, do Lázaro Ramos.

Garanta o seu!

Sinopse: Esta é a história de uma família em quarentena. Carlos e Vitória são irmãos e moram com o pai, mas só o encontram no fim do dia. Muito diferentes um do outro, se expressam cada um a seu modo. Porém, possuem uma mesma motivação: entender seu lugar no mundo. Carlos vive trancado no quarto, gravando vídeos e áudios sobre si mesmo ou postando nas redes sociais. Já Vitória é mais do papel, escreve um diário e inventa contos de fadas num caderno antigo que era de sua mãe. Mesmo confinados, os irmãos vão trilhando seus caminhos com os recursos e instrumentos que possuem. O autor explora os muitos jeitos que temos de nos comunicar e com linguagem ágil, esse livro nos ensina que, se temos de encarar nossos monstros, que o façamos com coragem, segurando na mão de quem nos ama e quer bem – porque ninguém é, ou deveria se sentir, invisível.

Meu respeito pelo trabalho e pelas opiniões do Lázaro Ramos me deixaram muito animada pra conferir seu primeiro livro infantojuvenil, mas a obra infelizmente não funcionou comigo. Faixa etária, talvez? Não sei. Mas vou tentar explicar meus pontos e ser justa ao mesmo tempo.

A obra se passa durante a pior fase da pandemia, em que ficamos naquele “lockdown” (entre aspas porque o governo nunca instituiu um lockdown real), isolados das nossas atividades sociais e das pessoas que amamos. Os protagonistas são os irmãos Carlos (também conhecido como Carrinho) e Vitória, que lidam com a solidão e o isolamento à sua própria maneira. Na falta da companhia do pai (um homem negro que não pôde se dar ao luxo de se isolar e se proteger), Carlos direciona sua energia para a criação de vídeos, lives e áudios, enquanto Vitória busca conforto nas palavras – e no diário da mãe, ausente por estar viajando e estudando.

Meus aspectos favoritos da obra residem nesses dois pontos de tensão que citei: o fato de que o pai dos jovens precisa trabalhar mesmo em um período perigoso da pandemia e a decisão da mãe de fazer sua pós-graduação no exterior. No caso do primeiro, Lázaro Ramos expõe a problemática de qual camada da população foi obrigada a ficar mais vulnerável, enquanto outras (repletas de gente antivacina, pra não dizer pior) podiam usufruir do privilégio da segurança de suas casas. O racismo estrutural não é debatido como maior foco da obra, mas está ali, nítido nas entrelinhas pra qualquer um que esteja disposto a abrir os olhos. Já no caso da mãe, temos o conflito de emoções: ao mesmo tempo em que a empodera como mulher e profissional, mostrando que a família não é um impeditivo para correr atrás dos sonhos, existem também as consequências dolorosas que isso causa na família – especialmente em Carrinho, que se ressente dela por escolher ficar longe. Esses são, na minha opinião, os pontos fortes da leitura, que dão uma camada de profundidade à trama. Em relação à edição física, também fica meu elogio às ilustrações, que tornam a experiência mais imersiva e estão muito bonitas.

Porém, o andamento do enredo é fraquíssimo. Carlos é um personagem chato, que só fala por gírias, mas não de uma forma natural – parece que Lázaro não sabe como “os jovens” falam e me senti constrangida por ler essa tentativa. Ele é um garoto de 16 anos que fica “viajando” nas lives dele e tentando dar lição de moral nos seus seguidores de uma forma que nem sentido faz. Em paralelo, ele pega o diário da irmã às escondidas e lê o que ela escreve, num exemplo terrível de invasão de privacidade. Os dois convivem na mesma casa e mal interagem, então as leituras do diário são o único elo que Carlos constrói com Vitória. Já Vi é uma menina criativa e sonhadora, que entende o que sua mãe está perseguindo e usa sua imaginação pra criar e contar suas próprias histórias – mas que mal aparece no enredo, tendo pouquíssimo (pra não dizer nenhum) espaço.

O livro também é muito raso, sem se aprofundar em nenhum tema. Ainda que seja uma obra infantojuvenil, acho que o autor pecou em trazer muito o ponto de vista de Carrinho em suas lives, focando nos discursos cheios de gírias e expressões que parecem ter vindo direto da Malhação dos anos 2000. O potencial da obra e da premissa eram enormes, mas infelizmente foi desperdiçado por uma falta de foco, por transmitir a sensação de não saber onde a história queria chegar.

Você Não É Invisível não foi uma boa experiência pra mim, mas talvez seja pra um público bem mais jovem, crianças entrando na adolescência, talvez. Apesar disso, ressalto os pontos positivos ditos no início da resenha e o fato da ambientação ser muito relacionável e (infelizmente) fresca na memória. Nesse sentido, você consegue se identificar com os personagens, que fazem de tudo pra que o tempo passe em um período que cada minuto parece se arrastar. Mas infelizmente os minutos se arrastaram durante a leitura também. 😦

Título original: Você Não É Invisível
Autor:
Lázaro Ramos
Editora: Objetiva
Número de páginas: 112
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: Quem Era Ela

Oi pessoal, tudo bem?

Quem Era Ela estava no meu radar de leituras há mil anos, mas acabei conhecendo a história por meio da sua adaptação em minissérie. Hoje divido minha opinião sobre essa produção com vocês!

Sinopse: Uma mulher se apaixona por um arquiteto e tem uma estranha premonição sobre sua casa, quando descobre que outra mulher morreu ali.

Jane é uma mulher que passou por um terrível trauma pessoal e decide se mudar para começar seu processo de cura. Ao ser aprovada em um rígido “processo seletivo” para morar na Folgate Street, Nº 1 – uma casa minimalista projetada por um arquiteto de renome –, Jane sente que finalmente terá seu recomeço. Só que, morando na casa, ela começa a se sentir desconfortável ao perceber as inúmeras interações tecnológicas que parecem vigiá-la. Ao mesmo tempo, ela descobre que a inquilina anterior morreu na residência e, para completar o estranho panorama, ela se aproxima do tal arquiteto, Edward. Aos poucos Jane fica em dúvida do papel desse homem tão misterioso nos acontecimentos trágicos da casa, e começa a investigar tudo que aconteceu ali.

Quem Era Ela transcorre em duas timelines diferentes: a de Jane e a de Emma, a garota que morreu. Na história de Emma, descobrimos que ela se mudou para a casa com Simon, seu então noivo. A jovem também tem seus traumas e segredos, buscando na casa consolo e também status. Assim como Jane, Emma se vê envolvida pelo mistério e charme de Edward, rompendo com Simon e entrando de cabeça nesse novo relacionamento. Em ambas as linhas do tempo, a série nos apresenta a um Edward metódico, agindo inclusive da mesma forma com ambas as mulheres. É óbvia a tentativa do roteiro de deixar claro o quão problemático é esse comportamento, já que Edward também tem traços controladores não só na casa que projetou, mas em sua vida pessoal também.

A premissa de Quem Era Ela sempre me interessou muito, mas a execução da minissérie se revelou decepcionante. Achei o andamento dos episódios morno e, além de tudo, o roteiro inverossímil. Não consegui engolir o encantamento das duas personagens por Edward, mas especialmente o de Jane (já que Emma era mais bobinha e imatura mesmo). A personagem desconfia dele, se sente desconfortável com o que passa a descobrir na casa e, mesmo assim, entra em um relacionamento com o arquiteto. Why, God? Esse tipo de atitude me faz querer gritar com a personagem e xingá-la por não ter um único neurônio operante na cabeça.

Emma, a personagem por quem deveríamos sentir empatia, é alguém bem difícil de engolir. Carente, chata e dependente, a forma como ela se apoia em Edward é meio deprimente. Isso faz com que metade do enredo – que foca nela – seja difícil de assistir. Jane pelo menos tem um senso de autopreservação e, ao mesmo tempo que se relaciona com Edward, resolve investigá-lo, bem como a planta da casa em si.

A casa por si só é um personagem bem assustador. Ela não é só minimalista: ela é sem vida, sem alma, sem aconchego. Existem regras inegociáveis para morar nela: você não pode redecorá-la, você não pode beber no sofá, você não pode fazer isso, você não pode fazer aquilo. Como chamar um espaço assim de lar? Ela é toda tecnológica e faz tudo por comando de voz (o que encanta Emma, por exemplo, que quer exibir o sucesso pros amigos), mas aos poucos vai ficando doentio o fato de que a casa pergunta coisas cada vez mais pessoais e determinantes para o morador, como seu posicionamento político, crenças e valores pessoais. Cadê a LGPD pra barrar esse projeto? 🗣️

Queria dizer pra vocês que gostei de Quem Era Ela, mas a verdade é que minhas expectativas foram bastante frustradas. Gostei apenas do final, em que Jane toma uma atitude muito bacana em relação a si mesma, protegendo seus interesses e respeitando o seu momento. Apesar de não ter sido um final “comercial de margarina”, ele foi bem otimista, dado tudo que aconteceu. Infelizmente, já tirei o livro da minha wishlist de leituras, porque não fiquei morrendo de vontade de conferir essa história de novo. :/ E vocês, já leram ou assistiram? Se sim, quero saber o que acharam nos comentários!

Título original: The Girl Before
Ano de lançamento: 2021
Direção: Lisa Brühlmann
Elenco: Gugu Mbatha-Raw, David Oyelowo, Jessica Plummer, Ben Hardy

Resenha: Carrie Soto Está de Volta

Oi gente, tudo certo?

A resenha de hoje é sobre um livro que li faz um tempinho, mas que ainda não tinha encontrado inspiração pra escrever sobre. Espero que essa resenha consiga fazer jus a ele. 😉 Vamos conhecer Carrie Soto Está de Volta?

Garanta o seu!

Sinopse: A tenista Carrie Soto se aposentou no auge, com a tranquilidade de ter atingido um recorde imbatível: foram vinte títulos Grand Slam conquistados ao longo de sua carreira. Mas apenas cinco anos depois de seu retiro das quadras, ela assiste Nicki Chan igualar sua marca, trazendo a sensação de que seu legado está comprometido. Disposta a chegar aos seus limites, Carrie tem o apoio de seu pai, Javier, ex-tenista que a treina desde os dois anos de idade. Ele parece ter seus próprios motivos para incentivar a filha nesta última temporada que promete desafiar ambos num jogo que exige tanto física quanto mentalmente. Em uma inesquecível história sobre segundas chances e determinação, Taylor Jenkins Reid nos cativa com uma protagonista forte como sempre e um romance emocionante como poucos.

Quem leu Malibu Renasce pode reconhecer esse nome: Carrie é a amante de Brandon, o marido de Nina Riva, protagonista do romance. Por isso, inevitavelmente fiquei curiosa quando soube que a Taylor Jenkins Reid escreveria sobre ela, uma personagem com uma carga tão pesada de antipatia prévia. Mas uma coisa eu já adianto pra vocês: o caso de Carrie com o marido de Nina foi uma fração tão pequena de tudo que ela viveu que logo você esquece e passa a focar na complexidade de sua história.

Carrie perdeu a mãe muito cedo, sendo então criada pelo pai, Javier Soto, um ex-jogador de tênis argentino muito talentoso. Ele dava aulas em um clube de ricaços e desde cedo começou a treinar a filha no esporte, tanto como uma forma de conexão com ela (pois sempre acreditou que Carrie estava destinada à grandeza) como também para afastar a dor causada pela perda da esposa. Desde que começou a se entender por gente, Carrie ouvia do pai que seria a melhor tenista do mundo, e eles não faziam ideia do quanto essa frase teria consequências sérias na vida da garota. A confiança do pai nela era motivadora, mas também foi criando uma expectativa colossal e um objetivo tão fixo que não permitia nenhum tipo de desvio na rota.

Carrie Soto Está de Volta gira em torno da carreira de Carrie antes e após a aposentadoria. Esse contexto de sua criação é o “antes”, contando a sua trajetória da infância até a faixa dos 30 anos, quando é obrigada a se aposentar por uma lesão. Aos 37 anos, porém, Carrie vê uma nova tenista em ascensão, Nicki Chan, conquistando todos os títulos que ela conseguiu e estando a apenas uma vitória de bater o seu recorde mundial. É aí que a protagonista decide voltar às quadras para defendê-lo, entrando novamente numa rotina pesada de treinos e tendo que lidar com feridas físicas e psicológicas junto ao pai.

A pressão causada pela grandeza é o fio condutor de Carrie Soto Está de Volta. Na primeira parte do livro, vemos uma Carrie tão focada em vencer que não consegue criar uma conexão genuína: uma amizade, um amor, nada. Ela vive para vencer sua “nêmesis”, Paulina Stepanova, e rompe com diversos limites para conseguir seu objetivo. A ruptura em sua relação com o pai é uma das consequências disso, quando Carrie decide que ele não está mais apto a treiná-la por não acreditar que ela possa vencer Stepanova. É bastante triste ver o isolamento da tenista e o fato de ela se fechar para o mundo e para a vulnerabilidade, especialmente porque sabemos que muito da obsessão pela vitória foi incutida sem querer por seu pai desde que ela era uma garotinha. Javier, por sua vez, é um homem amoroso e que sente muito orgulho de Carrie, o que também ajuda o leitor a sentir empatia apesar de suas atitudes que levaram a personagem a um nível tão alto de autocobrança. Ainda que as consequências tenham sido essas, Javier sempre se orgulhou da Carrie independentemente do resultado de cada jogo. A relação dos dois é um dos principais pilares do livro e rende cenas emocionantes. O amor que sentem um pelo outro é palpável e o fato de ambos se unirem novamente para ultrapassarem seus limites juntos (cada um à sua maneira) consolida uma relação de pai e filha pautada em devoção, respeito e orgulho.

A história de Carrie fica ainda mais inspiradora quando ela já tem 37 anos e ninguém acredita que ela vai conseguir manter seu recorde ou ganhar um Grand Slam. Aqui a discussão começa a ficar mais forte em torno do machismo e do etarismo. Do machismo porque Carrie é melhor do que inúmeros jogadores masculinos e mesmo assim precisa ficar lendo e ouvindo comentaristas esportivos falando mal dela e de seu comportamento, querendo obrigá-la a ser simpática e sorridente para merecer empatia; do etarismo porque fica evidente que todos colocam um selo com prazo de validade em Carrie, partindo do pressuposto que ela não é capaz de vencer mesmo que treine mais duro que todo mundo e seja um dos maiores talentos que o tênis já viu. Se você envelheceu sendo uma mulher, você já era: é isso que o livro critica.

O que mais gosto em Carrie é sua imperfeição e sua recusa a seguir aquilo que esperam dela. Ela é uma pessoa isolada, competitiva, arrogante, mas também determinada e sincera sobre quem ela é. Ela é um exemplo de mulher que recusa a docilidade que querem impor: se os jornalistas e comentaristas esportivos desejam que ela sorria mais pra ser aprovada por todos, ela faz questão de vencer e bater todos os recordes sem se dobrar a nenhuma expectativa que eles tenham. Ela enfrenta o escárnio público sozinha após o caso com Brandon não dar certo, mostrando mais uma vez como as mulheres saem perdendo mesmo quando o pior erro foi o do homem (já que Brandon era a pessoa casada naquela relação). Com o tempo, porém, Carrie vai se tornando mais maleável. Não pela pressão citada anteriormente, mas porque ela amadurece: a protagonista começa a perceber que vinha aceitando migalhas de afeto e que merece mais; passa a aceitar melhor as derrotas, tão raras na sua carreira e mais recorrentes nesse novo momento; ela também permite que seu parceiro de treinos, Bowe, se aproxime dela; passa a jogar tênis novamente por amor, e não para vencer alguém de forma obcecada. Minha conclusão é que perder faz bem à Carrie e lhe dá perspectiva sobre o que realmente importa.

Carrie Soto Está de Volta é um livro que mexe com você. Mesmo quando Carrie está sendo arrogante, teimosa ou metendo os pés pelas mãos, você sente empatia por entender de onde tudo aquilo está vindo, onde o vazio dela se encontra. Nem todas as atitudes da personagem são louváveis, mas ela é brutalmente honesta sobre si mesma e é retratada como alguém cuja garra é inegável e admirável. Carrie é um exemplo de alguém que tem tudo e todos torcendo contra ela, mas ela vai lá e enfrenta mesmo assim. Acho que só por isso já vale a pena conhecê-la. 😉

P.S.: o final é um pouco abrupto, mas nada que estrague a experiência, principalmente porque faz muito sentido.
P.S. 2: fico admirada com a capacidade da Taylor Jenkins Reid de me entreter com assuntos pelos quais nunca tive o menor interesse, como o tênis. 😂

Título original: Carrie Soto is Back
Autora:
 Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: Wandinha

Oi gente, tudo bem?

Ainda dá tempo de falar sobre a série que se tornou febre no TikTok? Espero que sim, porque eu amei Wandinha e não poderia deixar de indicar por aqui. 🤭

Sinopse: Inteligente, sarcástica e apática, Wandinha Addams pode estar meio morta por dentro, mas na Escola Nunca Mais ela vai fazer amigos, inimigos e investigar assassinatos.

Após um… digamos… “incidente” na escola que Wandinha frequentava (também conhecido como defender seu irmão de bullies usando piranhas enquanto eles treinavam na piscina), a jovem Addams é transferida pra uma escola especial, na qual seus pais também estudaram: a Nevermore Academy. Ela é conhecida por ser um internato para quem tem habilidades e características especiais, então por lá existem lobisomens, vampiros, sereias e outras pessoas excluídas da sociedade que possuem dons. A escola fica ao lado de uma cidade minúscula, Jericho, cuja economia até gira em torno do internato, mas tem um histórico não superado de ódio aos excluídos. Quando mortes estranhas começam a acontecer e todos passam a desconfiar dos alunos da Nevermore, Wandinha decide investigar por conta própria, dando início a uma trama muito maior do que ela – e com consequências letais.

É impossível falar desse fenômeno da Netflix sem mencionar a atuação de Jenna Ortega, que entregou uma Wandinha maravilhosamente ácida e cativante, mesmo que cheia de defeitos. A arrogância é um deles, por exemplo. 😂 Pra completar, ela tem uma postura totalmente fechada a novos amigos e relações. Por outro lado, Wandinha é inteligente, destemida e obstinada, além de engraçada justamente pelo seu modo seco, apático e cínico de ver a vida. Os comentários dela envolvendo morte e outras coisas obscuras são divertidos e rapidamente você se afeiçoa ao jeito turrão da personagem. O grande mérito por trás disso reside na atuação entregue e dedicada de Jenna Ortega, que se empenhou a criar vários “detalhes” na personagem (como o fato de atuar sem piscar). 

As amizades que a série constrói também são um ponto forte. Wandinha e Mãozinha, sua fiel escudeira, bolam planos juntas e Mãozinha está sempre ali para o que a protagonista precisa: seja entrar num cômodo trancado e desligar as câmeras, seja para amolecer um pouco o coração de gelo da garota. Como pode a gente torcer tanto pra uma mão, né? 😂 A outra amizade que surge na vida de Wandinha é Enid, sua colega de quarto e exato oposto em todos os sentidos possíveis. Eu adoro os paralelos de como tudo que cerca Enid é colorido, vibrante e otimista, enquanto o universo de Wandinha é preto, branco e cinza. Enid tem que insistir nessa amizade e por um bom tempo se doa mais do que Wandinha, mas é também com essa persistência que Enid consegue transformar o coração da amiga de uma forma significativa e bonita.

O único ponto que não gostei é o triângulo amoroso da primeira temporada, envolvendo um “normie” de Jericho e um aluno da Nevermore. Enquanto o primeiro, Tyler, vai conquistando Wandinha aos poucos por mostrar que, independentemente dela ser diferente, ela merece seu afeto, o segundo, Xavier, tem uma aura de mistério e uma química com a garota que fica clara desde o início da série. Os dois acabam envolvidos na investigação de Wandinha, que descobre que há um monstro à solta causando as mortes, e são muito importantes para todo o desenrolar da trama. Não posso falar muito sobre nenhum deles pra não soltar spoilers, mas posso dizer que são nomes que vão estar presentes de forma significativa em toda a investigação – e na conclusão dela.

Adorei o plot investigativo, porque naturalmente tenho afinidade com esse tipo de história. O fato de Wandinha não ser só uma série adolescente sobre romance, os poderes de clarividência da protagonista ou sua adaptação à escola nova me agradou muito, porque deu um senso de propósito à história e ótimos ganchos. A cada nova descoberta que Wandinha faz sobre o monstro e os mistérios envolvendo Jericho e Nevermore, você fica com mais e mais vontade de continuar dando play. Gostei bastante do desfecho da história e acho que amarrou bem as pontas soltas, deixando um caminho de possibilidades para uma segunda temporada, mas sem depender exclusivamente dela (ainda bem que a confirmação da renovação já chegou!).

Independentemente da coreografia que tomou conta do TikTok, Wandinha é uma série divertida e envolvente por si só. O clima macabro, o humor ácido e a investigação são pontos fortes que tornam a produção um entretenimento de qualidade, daqueles que divertem e fazem você nem ver o tempo passar, mesmo com episódios mais longos. Vale o hype e vale o play! 📺

Título original: Wednesday
Ano de lançamento: 2022
Criação: Alfred Gough, Miles Millar
Elenco: Jenna Ortega, Emma Myers, Hunter Doohan, Percy Hynes White, Joy Sunday, Georgie Farmer, Christina Ricci, Victor Dorobantu, Gwendoline Christie, Riki Lindhome

Dica de Série: Abbott Elementary

Oi galera, tudo bem por aí?

No clima de Critics Choice Awards (que rolou no último domingo) vim indicar pra vocês uma série maravilhosa que levou dois prêmios pra casa, incluindo de melhor comédia: Abbott Elementary!

Sinopse: Abbott Elementary conta os dramas de um grupo de professores dedicados os quais provam seu amor ao ensino nas escolas públicas da Filadélfia.

A trama acompanha um grupo de professores que atua numa escola carente da Filadélfia, a Abbott Elementary. A série é feita no estilo mocumentário (como The Office e Modern Family) e segue como principal ponto de vista o da jovem professora Janine Teagues. Otimista, determinada e um tanto ingênua, Janine coloca toda a sua energia e seu coração em ser uma boa professora para as crianças, mas muitas vezes sua boa vontade acaba colocando a si mesma e aos outros professores em maus lençóis. Ao longo da primeira temporada, vemos a personagem ganhar mais camadas enquanto ela evolui de uma profissional insegura e uma mulher na zona de conforto para alguém que confia mais em si mesma e nas suas decisões, ao mesmo tempo que provoca mudanças importantes em seus colegas.

O grupo de funcionários da escola também é sensacional. Jacob Hill é um dos professores mais jovens, assim como a protagonista, o que lhes confere um vínculo de amizade mais próximo; Barbara Howard é uma veterana da escola bastante competente, mas sisuda, e a verdadeira ídola de Janine, que tenta fazer de tudo pra agradá-la; Melissa Schemmenti é engraçadíssima, uma personagem que se envolve em várias “mutretas” estranhas e possivelmente tem umas conexões criminosas aqui e acolá; Gregory Eddie é o novato que deseja ser diretor da escola, mas que começa a admirar o trabalho diário que Janine faz (e eu diria que não só o trabalho… 👀); e como não falar da personagem mais sem noção que vi nos últimos tempos? Me refiro à hilária diretora Ava Coleman, que só conseguiu o cargo por ter chantageado o superintendente ao pegá-lo traindo a esposa. Sério, inacreditável. 😂 Por último, mas não menos importante, temos também o rabugento zelador, Mr. Johnson, que sempre tem umas tiradas que nos fazem rir.

A química dos personagens em tela faz com que você logo se afeiçoe a cada um deles, e a relação que eles constroem fica cada vez mais interessante. Muitos dos professores mais antigos meio que já perderam a fé no sistema e sabem que o governo pouco se importa com uma escola periférica de população mais expressivamente negra. Verbas pra coisas simples, como materiais escolares, um novo tapetinho de descanso pros alunos ou pra consertar uma luz no corredor são dificílimas e burocráticas de se conseguir, e o tempo fez com que os funcionários da escola se tornassem céticos e simplesmente aceitassem que a vida é assim mesmo. É aí que Janine, sendo praticamente um unicórnio brilhante e cheio de alegria, faz a diferença: por mais que suas atitudes às vezes gerem algumas confusões, ela também consegue inspirar seus colegas a não desistirem. Janine surge como um sopro de esperança e de motivação para que, trabalhando juntos, eles ofereçam o melhor que podem às crianças.

Claro que isso é uma crítica social ao sucateamento da educação pública e periférica dos Estados Unidos (aplicável ao Brasil também), que muitas vezes terceiriza para o professor resolver problemas que a escola e o governo deveriam se encarregar, mas apesar disso ela é trazida com um viés positivo. A série ainda explora alguns dramas de pais e alunos, o que traz um peso leve, mas bem-vindo, à história, dando-lhe dimensões mais profundas. Ainda assim, Abbott Elementary consegue fazer isso sem perder de vista seu cerne engraçado e contagiante, que foca mais na esperança do que nas dificuldades.

E tem espaço pra uma pitadinha de romance também, viu? 👀 Pra quem assistiu The Office, acredito que rapidamente vocês vão identificar um mood “Jim e Pam” entre a Janine e o Gregory. Ela também namora um cara desde a escola, e Gregory é pego pela câmera olhando pra ela em diversos momentos (e ficando todo sem graça por isso rs). Eles têm afinidade e Janine ajuda Gregory a enxergar como seu papel de professor temporário pode mudar a vida das crianças para as quais ele leciona. O vínculo entre eles cresce aos poucos e é impossível não shippar esse casal.

Abbott Elementary era tudo que eu vinha buscando numa série de comédia: episódios curtinhos, personagens um pouquinho caricatos mas cheios de carisma e situações genuinamente engraçadas. Ri alto em diversos episódios e me diverti do início ao fim da primeira temporada. Não vejo a hora da segunda também chegar ao Star+, porque já quero rever o corpo docente dessa escola que deixou saudades. 🥰 Série recomendadíssima!

Título original: Abbott Elementary
Ano de lançamento: 2021
Criação: Quinta Brunson
Elenco: Quinta Brunson, Tyler James Williams, Janelle James, Lisa Ann Walter, Sheryl Lee Ralph, Chris Perfetti, William Stanford Davis

Resenha: Flores Feitas de Espinhos – Gina Chen

Oi pessoal, tudo bem?

A primeira leitura do ano foi uma fantasia incrível que eu estava louca pra dividir com vocês: Flores Feitas de Espinhos, da autora estreante Gina Chen.

Garanta o seu!

Sinopse: Violet é uma vidente e uma mentirosa que influencia a corte com profecias cuidadosamente formuladas — e nem sempre verdadeiras. Honestidade é para os otários, como o nem-tão-encantado príncipe Cyrus, que planeja destituí-la de seu cargo assim que assumir a coroa, no fim do verão. A menos que ela faça algo a respeito. Mas quando o rei pede que ela invente uma profecia sobre Cyrus encontrar seu verdadeiro amor no próximo baile, Violet sem querer dá início a uma temida maldição, que pode tanto destruir quanto salvar o reino — dependendo de quem o príncipe escolher como futura esposa. Ela então precisa encarar as próprias opções: aproveitar a oportunidade de controlar seu destino, a qualquer custo, ou ceder à perigosa atração que vem crescendo entra ela e Cyrus. Sua esperteza pode protegê-la das tramas cruéis da corte, mas não pode mudar seu destino. Conforme a linha entre ódio e amor se embaça, Violet deve desvendar uma terrível teia de enganações para salvar a si mesma e ao reino… ou condenar a todos.

Como não gosto dessa sinopse, vou resumir a história com minhas próprias palavras pra vocês: Violet é uma garota com o poder da Visão, capaz de enxergar os fios do passado e do futuro, o que faz com que ela exerça o papel de Vidente do rei de Auveny, um dos reinos mais prósperos do Continente Solar. Porém, mesmo com o reino em paz, uma profecia proferida pela Vidente que ocupou o cargo antes dela assombra a todos: ela diz que o coração do príncipe será responsável pela danação ou pela maldição do reino, pois guerra, sangue e rosas estão a caminho. O prazo limite da profecia se aproxima, a Floresta Feérica (uma floresta mágica que faz divisa com o reino e onde residem as fadas) está apodrecendo, e Cyrus, o príncipe, não está nem perto de encontrar uma noiva. Tudo isso leva seu pai, o rei Emilius, a pedir a Violet que proclame uma profecia falsa sobre o verdadeiro amor de Cyrus ser encontrado no baile que o ocorrerá no palácio. As consequências de mexer com o destino passam a pesar nos ombros da jovem, do príncipe e de todos aqueles que residem em Auveny.

Eu gostei de cara de Flores Feitas de Espinhos por causa de Violet. Ela é sarcástica e tem a língua ferina de um jeito perspicaz e genuinamente engraçado, o que me fez sorrir enquanto lia algumas frases debochadas que ela usava pra se referir sobre pessoas ou situações. Seus pensamentos são cínicos e pragmáticos, talvez um pouco pessimistas, mas aos poucos o leitor vai entendendo o motivo de sua casca ser tão grossa e impenetrável. A protagonista ficou órfã antes mesmo de sua mãe lhe dar um nome, então tudo que ela aprendeu foi com e nas ruas do Distrito Lunar, o mais pobre da Capital Solar, e essa criação a tornou desconfiada – mas também independente. Para completar o panorama de sua personalidade, Violet transborda de teimosia e orgulho, que são as partes mais difíceis de lidar da personagem. Apesar disso, o balanço geral a respeito de Violet é de que ela é uma ótima protagonista, bem atrevida e dona de si, e eu criei simpatia por ela sem demora. Além disso, também criei empatia: por mais que Violet diga que prefere o isolamento e afirme não se importar com ninguém, aos poucos fica nítido que a personagem gostaria de acolhimento e aceitação, o que também nos faz torcer ainda mais por ela.

Cyrus, por sua vez, é sua contraparte total: o príncipe é idealista, honrado e – por que não dizer? – charmoso, daquelas pessoas que sabem que são bonitas e usam seus “dotes” pra deixar todo mundo mais confortável e à vontade. Isso enerva Violet, que o enxerga como um hipócrita. Ele, por sua vez, se ressente dela devido às mentiras que ela por ventura conta a pedido do rei. Os dois juntos funcionam como um barril de pólvora que você sabe que vai estourar a qualquer momento, mas fica o aviso: é necessário ter paciência, porque o óbvio romance estilo enemies to lovers demora bastante a engrenar. Os dois se conhecem desde pequenos, após Violet salvá-lo e ele apresentá-la ao pai, e existe uma mágoa bastante grande de ambas as partes pela forma como o relacionamento transcorreu ao longo dos anos.

Gostei muito do fio principal da história, girando em torno da maldição. O livro mescla elementos de vários contos de fada, como por exemplo a Cinderela (na profecia mentirosa da Violet), A Bela e a Fera (com as rosas e as Feras que ameaçam o reino a partir do apodrecimento da Floresta Feérica) e até referências mais simples que aparecem em ditados populares como “tão confiável quanto uma casa feita de doces”. São pequenos detalhes que tornam a experiência de leitura muito divertida, porque você fica com aquela reação de “ahá, peguei essa referência!”, sabem? 😂 Além disso, conforme o prazo da maldição se aproxima, o livro ganha um senso de urgência maior. A vilã por trás dos acontecimentos vem ameaçando Violet ao longo de toda a história, até que finalmente faz a sua estreia e causa uma série de consequências devastadoras – a principal delas sendo a instabilidade causada na mente de Violet.

Como pontos negativos, eu traria a duração do livro (que poderia ser um pouquinho mais objetivo), e também a falta de visão sobre os pensamentos e atitudes de Cyrus, para que ele fosse mais do que “apenas o Príncipe Encantado amaldiçoado”. Acredito que a trama ganharia em profundidade caso os capítulos fossem alternados entre a narração dele e dela, até porque, no meu ponto de vista, isso nos ajudaria a entender o romance um pouco melhor. As cenas entre os dois são muito mais atreladas a tesão do que a amor, então fica bem difícil “comprar” o discurso de homem apaixonado de Cyrus quando isso acontece. Se tivéssemos acesso a seus anseios e angústias, talvez ficasse mais fácil compreender porque Cyrus toma atitudes tão contraditórias em diversos momentos da trama.

Flores Feitas de Espinhos foi uma ótima leitura pra começar o ano. O livro é uma mistura deliciosa de contos de fada com Disney e Once Upon a Time, trazendo uma visão própria a vários elementos conhecidos e unindo todos eles em uma história que tem um fio condutor bem instigante. Recomendo!

Título original: Violet Made of Thorns
Autora:
Gina Chen
Editora: Rocco
Número de páginas: 384
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo – Taylor Jenkins Reid

Oi pessoal, tudo bem?

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é um livro que dispensa apresentações, considerando que é praticamente unânime sua avaliação positiva entre os leitores. Chegou a minha vez de entrar pro fã-clube e panfletar essa obra que se tornou não só a favorita de 2022 como uma das favoritas da vida! Bora conhecer essa história maravilhosa, que é pra começar o ano em grande estilo. 🙌

Garanta o seu!

Sinopse: Lendária estrela de Hollywood, Evelyn Hugo sempre esteve sob os holofotes – seja estrelando uma produção vencedora do Oscar, protagonizando algum escândalo ou aparecendo com um novo marido… pela sétima vez. Agora, prestes a completar oitenta anos e reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história – ou sua “verdadeira história” –, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora. Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso – e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo tem uma premissa simples, mas instigante: a estrela de cinema que dá nome ao livro, já na casa dos 70 anos, praticamente “convoca” uma jornalista de pouco renome, Monique Grant, para entrevistá-la. Escolhi a palavra “convoca” porque Evelyn se recusa a conversar com outro redator da revista em que Monique trabalha que não ela. Quando a jornalista enfim conhece a grande estrela, Evelyn Hugo revela que seu verdadeiro desejo é que Monique escreva sua biografia, que promete ser um estouro de vendas. As únicas regras são: ela só deve ser publicada após a morte de Evelyn e Monique deve ser fiel às palavras da atriz, revelando sua verdade sem manipulação ou incompreensão. Ainda que desconfiada do motivo para ter sido escolhida, Monique aceita a proposta, que pode ser sua chance de finalmente crescer na carreira. A partir desse acordo inesperado, Evelyn começa sua história, que inicia na infância com o sonho de se mudar para Hollywood.

Eu amei tanto esse livro e essa personagem que, quando terminei, senti um vazio esquisito por não estar mais na companhia de Evelyn Hugo. Ela é uma personagem tão real que é difícil virar a última página e saber que você não lerá mais nenhuma história, não saberá mais nenhum detalhe de sua vida. E essa é a característica que sempre me encanta na escrita de Taylor Jenkins Reid, mesmo nos livros dela que não me arrebatam tanto: ela domina com maestria a arte de criar personagens reais e multifacetados, com sonhos próprios, qualidades e falhas. Evelyn, apesar de ser a protagonista e a principal narradora, não é a única a ter seu desenvolvimento bem feito: Monique também tem revelados aspectos de sua vida pessoal que impactam diretamente nas decisões que ela toma. Conforme ouve o relato de Evelyn, Monique vai criando coragem e questionando as próprias decisões: ela é inspirada e desafiada pela atriz, aprende com suas artimanhas e faz movimentos pelos próprios interesses que são capazes de deixar sua entrevistada orgulhosa.

Um dos grandes segredos que Evelyn se dispõe a contar no livro é quem foi seu grande amor. Preciso falar sobre essa parte da história porque é uma questão-chave no estilo do livro e no porquê ele emociona tanto, então se quiser evitar, pule este e o próximo parágrafo. A obra é dividida entre os sete maridos de Evelyn, cada um marcando uma fase importante da sua vida. Há Ernie, com quem ela casou por interesse pra ser levada pra Hollywood; há o nojento Mick Riva, que aparece em Malibu Renasce e por quem sinto o mais profundo desprezo; há Rex, com quem ela mantém um casamento de fachada pra evitar escândalos, entre outros. Mas nenhum deles foi seu grande amor romântico. Seu grande amor romântico foi Celia St. James, sua primeira amiga e a segunda (e última) pessoa por quem se apaixonou. Após casar por amor com Don Adler e ser vítima de um relacionamento abusivo, Evelyn vira uma amiga inseparável de Celia, encontrando conforto e compreensão na sua presença. Quando Evelyn descobre que Celia é lésbica, seu coração entra em descompasso e ela percebe que o que pensava ser amizade era na verdade outra coisa. Porém, as duas estão vivendo a década de 50, e o preconceito era pesado demais para suportar – podendo levá-las à ruina. Evelyn sempre soube disso, e o desejo de não expor o segredo das duas é o principal motivo que as afasta durante muitos anos. O amor de Evelyn e Celia é inspirador e verdadeiro, intenso e imutável, mas também comove porque as duas perdem muito tempo devido à teimosia, ao medo e ao risco de perderem tudo caso sejam descobertas.

Celia é uma personagem doce e afetuosa, mas ela sabe ser cruel também. Ela fere Evelyn com suas palavras em mais de uma ocasião, e se recusa a enxergar que algumas decisões que sua amada toma visam protegê-la, considerando que Celia é uma atriz talentosíssima e em ascensão, ganhando mais de um Oscar ao longo da carreira. Evelyn, por sua vez, é muito conhecida pela sensualidade, ainda que a reconheçam como a excelente atriz que é. Mas Taylor Jenkins Reid usa de sua protagonista pra exibir o machismo do ramo, e em mais de uma ocasião Evelyn é punida pela academia e pela sociedade, perdendo chances de reconhecimento e aparecendo nos tabloides (principalmente por causa de seus casamentos). As passagens em que Evelyn e Celia estão sem se falar são aflitivas porque o leitor sabe o quanto elas se amam, mas existe um caminho a ser trilhado para que estejam prontas para ficarem juntas.

Outro personagem que vale ser mencionado é Harry Cameron, o melhor amigo de Evelyn. Ele é um produtor de Hollywood conhecido pelo bom gosto e é quem descobre uma Evelyn com menos de 17 anos atendendo em uma lanchonete. Encantado por sua beleza, ele sabe que a garota tem potencial de brilhar, e é quem a ajuda a dar os primeiros passos em Hollywood. Com o tempo, porém, ele se revela um amigo leal, uma pessoa que está ali para defendê-la e com quem ela cria uma família – real e metafórica. Harry é um personagem pelo qual o leitor se afeiçoa, e ele tem suas próprias questões para resolver, algumas delas bastante trágicas e comoventes. Mais um exemplo de que os personagens inseridos na história têm um papel a cumprir, causando sentimentos intensos no leitor.

A obra também é interessantíssima por revelar com leveza e fluidez os bastidores do cinema, os escândalos das celebridades, as maquinações necessárias para chegar ao estrelato – e, principalmente, mantê-lo – e as falsidades que acontecem por trás das cortinas. Taylor Jenkins Reid constrói a história de modo que o leitor sinta que está lendo uma biografia de verdade, de tão imersivas que essas passagens são. Você realmente se sente “aprendendo” sobre o backstage do cinema e vendo de perto os segredos desse ramo sendo revelados.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é um livro comovente, que fala sobre amar verdadeiramente e sobre o quanto o preconceito pode roubar a sua vida quando você não se encaixa no “modelo pré-estabelecido” de amor. Fala também sobre uma mulher que tomou atitudes condenáveis e egoístas para crescer na vida e proteger seus interesses, mas que também agiu da forma mais altruísta possível pra cuidar daqueles que amava. Evelyn Hugo é uma personagem complexa, apaixonante, cativante e instigante. Você pode até não concordar com suas decisões, mas decididamente você vai compreendê-las e possivelmente respeitá-las. Evelyn é um exemplo de força e de determinação, alguém que acredita em si mesma sem pensar duas vezes. Acho que, no fundo, eu queria ser um pouquinho mais como ela. Sei que Monique também, e a gente vê isso acontecendo diante dos nossos olhos ao longo da leitura. Se você ainda não conheceu essa mulher marcante, meu conselho é que o faça o mais breve possível. Assim como todos que a viram atuar durante seus anos de ouro, você vai se apaixonar por ela também. ❤

Título original: The Seven Husbands of Evelyn Hugo: A Novel
Autores:
Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 360
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Resenha: Amanhã, Amanhã, E Ainda Outro Amanhã – Gabrielle Zevin

Oi gente, tudo bem?

Começo esse post com uma pergunta: é possível não se identificar completamente com um livro, não gostar de metade dele, mas ainda assim se emocionar profundamente? Amanhã, Amanhã, E Ainda Outro Amanhã me mostrou que sim.

Garanta o seu!

Sinopse: Em um dia congelante de dezembro, no seu terceiro ano em Harvard, Sam Masur sai do metrô e vê, entre uma horda de pessoas esperando na plataforma, Sadie Green. Ele a chama. Por um momento, ela finge não ouvir, mas então se vira, e um jogo começa: uma colaboração lendária que vai levá-los ao estrelato. Esses amigos, próximos desde a infância, pegam dinheiro emprestado, pedem favores e, antes mesmo de se formarem, lançam seu primeiro sucesso, Ichigo. De um dia para o outro, o mundo é deles. Com menos de vinte e cinco anos, Sam e Sadie são brilhantes, bem-sucedidos e ricos, mas essas vantagens não vão protegê-los de suas próprias ambições criativas e das traições do coração. Abarcando mais de trinta anos da vida dos protagonistas, de Cambridge à Califórnia, passando por lugares distantes, reais e virtuais, Amanhã, amanhã, e ainda outro amanhã é uma história intrincada, imaginativa e tocante que examina a natureza múltipla e complexa de nossos fracassos, identidades e deficiências, das possibilidades redentoras dos jogos e, acima de tudo, de nossa necessidade de conexão, de amar e sermos amados. Sim, é uma história de amor, mas diferente de tudo que você já leu.

A trama acompanha a amizade cheia de altos e baixos de Sam e Sadie desde os 12 e 11 anos até a faixa dos 35 e 36, aproximadamente. Eles se conhecem no hospital, mais especificamente na sala de videogames, e o amor em comum pelos jogos é a faísca para uma amizade profunda. Um mal-entendido leva ao afastamento dos dois, mas eles se reencontram novamente na faculdade e resolvem criar um jogo juntos. Quem apoia a empreitada é Marx, o colega de quarto de Sam, que cede o apartamento em que moram pra que a dupla possa passar dias (e noites) a fio criando, enquanto Marx auxilia com tudo que eles precisam pra que o trabalho possa continuar. O resultado é Ichigo, um jogo que alavanca suas carreiras e vira um sucesso instantâneo, levando a dupla ao estrelato e possibilitando não apenas uma mudança financeira substancial, como também a criação da Jogo Sujo, a empresa de games que fundam junto com Marx. Mas trabalhar com seu melhor amigo pode também ser uma armadilha perigosa para ressentimentos, mágoas, divergências e outros tantos sentimentos difíceis de lidar – nenhum deles é poupado por Gabrielle Zevin.

Eu já gostei muito de jogos e videogames, mas faz um tempo que não me identifico tanto com o tema. Por isso, até a metade do livro, tive dificuldade de me engajar com a história e fui empurrando com a barriga. A trama é lenta, já que acompanha o processo criativo dos personagens, algumas discussões mais técnicas sobre programação e a passagem do tempo de forma gradual, então isso também não favoreceu que eu engatasse de vez a leitura. Se isso acontecer com você, siga meu conselho: insista mais um pouco, pois será recompensado com um livro profundo sobre relações humanas e sentimentos intensos.

Sam e Sadie se amam, mas são cheios de defeitos. Sam tem a autoestima muito abalada por ser um garoto deficiente, o que o torna muito fechado e inacessível. Ele não se coloca numa posição de vulnerabilidade nem com seus melhores amigos, e enquanto Marx consegue levar isso numa boa, Sadie fica um pouco magoada por não saber se os sentimentos de amor e amizade dele são recíprocos. Além disso, por mais que finja que não, Sam usufrui dos benefícios do machismo para brilhar, enquanto sua parceira é escanteada. A sementinha do ressentimento que vai fazer com que Sadie crie um verdadeiro rancor em relação a Sam vem, inclusive, dessa dinâmica de poder: Sadie é uma mulher num mercado majoritariamente masculino em 1996, ou seja, o espaço dado a ela é ínfimo e ela precisa abrir seu caminho com um facão. É claro que Sam se tornar a cara da Jogo Sujo e deixá-la de lado piora essa situação. Existem outros motivos por trás de sua mágoa, mas não vou aprofundá-los aqui porque acho importante ir descobrindo essas camadas durante a leitura. O que é importante saber é que Sadie representa aquelas pessoas que veem seu trabalho ser atrelado a todo mundo, menos a elas, e que é esmagada pelo peso da frustração em relação a isso. Não são sentimentos bonitos, mas são reais e fáceis de se identificar.

Marx é a cola que mantém o grupo unido. Leve, sensato, altruísta e compreensivo, ele é o produtor da Jogo Sujo, mas seu papel vai muito além disso: ele sabe das dificuldades de Sam e faz de tudo para melhorá-las sem que o amigo precise pedir; ele ameniza as brigas entre Sam e Sadie, mostrando pra ambos (de forma separada) que um faria absolutamente tudo pelo outro; ele tem uma visão de negócios afiada tanto para administrar a Jogo Sujo quanto pra encontrar novos talentos para a equipe… eu poderia ficar horas falando sobre as muitas qualidades de Marx. Pra ser sincera e imparcial, ele é quase perfeito demais. Mas, como os próprios personagens que o conhecem afirmam, é realmente impossível não gostar de Marx. Eu me apaixonei por toda a sua trajetória e me emocionei com todos os aspectos que envolvem o plot focado nele.

Gabrielle Zevin também acerta ao trazer temas universais e importantes pra dentro da trama com naturalidade. Ela aborda a deficiência física de modo ambientado e contextualizado; ela fala sobre relações abusivas por meio de Sadie e sua dependência emocional em relação a um professor mais velho; ela fala sobre o perigo do acesso às armas e as consequências letais dessa política; ela fala sobre relacionamentos homoafetivos e a injustiça envolvendo a impossibilidade de casamentos na Califórnia entre casais do mesmo sexo; ela fala sobre depressão e saúde mental, entre outras questões. Mesmo que pareça que são muitos temas a serem abordados, eles são pequenas partes do enredo ou características dos personagens, então em nenhum momento a história força para um ou outro assunto, ao mesmo tempo em que trata de todos eles de forma verossímil e séria.

Como críticas negativas, os aspectos que não funcionaram tão bem pra mim foram os “vai e vem” temporais, porque costumo me perder em tramas que fazem isso em demasia, e também o final levemente apressado. A relação de Sam e Sadie estava desgastada de uma forma quase irreversível, mas as páginas finais fazem com que a reaproximação dos dois seja meio afetuosa demais – especialmente quando consideramos quanto tempo Sadie passou renegando qualquer contato com Sam. Ainda assim, é possível tirar uma lição bonita desse final apressado, já que ele é essencialmente otimista e mostra como o tempo realmente tem um poder de cura muito valioso.

Amanhã, Amanhã, E Ainda Outro Amanhã começou como um livro que eu mal tinha vontade de pegar pra ler e, da metade em diante, se transformou numa obra que me levou às lágrimas, mexeu com meu coração, me fez sentir a dor dos personagens, me fez sentir identificação com suas frustrações e tirou o meu sono, de tanto que fiquei pensativa após sua conclusão. É um livro que usa o universo dos jogos pra levantar questões sobre a imprevisibilidade da vida, sobre as mudanças de percurso e sobre a força de recomeçar. Ainda que não tenhamos vidas infinitas como os personagens dos jogos, de certa forma cada dia é uma nova oportunidade de dar o play e fazer o nosso melhor. Por isso e por muito mais, esse livro entrou na lista de favoritos do ano. ❤

Título original: Tomorrow, and Tomorrow, and Tomorrow
Autores:
Gabrielle Zevin
Editora: Rocco
Número de páginas: 400
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Uma Tentação Perigosa – Lisa Kleypas

Oi pessoal, tudo bem?

Finalmente chegamos ao livro que encerra a série Os Ravenels, mas que de Ravenel não tem (quase) nada. 😛 Vamos conversar sobre Uma Tentação Perigosa?

Garanta o seu!

Sinopse: Lady Merritt Sterling, uma jovem viúva que dirige a empresa de navegação do falecido marido, sabe que tudo que a sociedade londrina quer é flagrá-la em um escândalo. Até agora, ela foi inteligente o suficiente para não lhe dar essa satisfação. Mas ao conhecer Keir MacRae, um destilador de uísque escocês rude e lindo de morrer, todos os seus planos sensatos podem virar fumaça. Embora sejam de mundos totalmente diferentes, a atração que surge entre os dois é poderosa e irresistível. Quando Keir chega a Londres, tem os seguintes objetivos: não se apaixonar pela deslumbrante lady Merritt e evitar ser assassinado. Até agora, nenhum dos dois está indo muito bem. Seu mundo está de cabeça para baixo e a única pessoa em quem ele confia é ela. Conforme o perigo se aproxima, Merritt fará o que for preciso para salvar o escocês, enquanto ele precisa descobrir se é capaz de oferecer a única coisa que ela deseja mais que a segurança dele: seu amor.

Desde que eu soube que o último volume de Os Ravenels seria focado em personagens distintos, e não na família Ravenel, torci o nariz. Achei uma atitude meio caça-níquel pra aproveitar a facilidade de vender mais um título atrelado à série, sabem? Uma Tentação Perigosa poderia facilmente ser um spin-off ou um livro extra da série As Quatro Estações do Amor, assim como aconteceu com Uma Noite Inesquecível. Por que estou dizendo isso? Porque o foco é todinho em personagens atrelados à família de Westcliff (protagonista do livro 2 de As Quatro Estações do Amor) e Sebastian (protagonista do livro 3), com uma ou outra menção honrosa a personagens originalmente criados para Os Ravenels.

É fácil perceber que Sebastian é, dentre os livros de As Quatro Estações, o personagem favorito da Lisa Kleypas. 😂 Sempre que pode, a autora enfia uma participação dele aqui e ali. Não que eu não goste dele e de sua família, porque eu gosto bastante. Mas sei lá, achei forçado que mais uma vez tudo gire em torno das mesmas pessoas.

Críticas às decisões da autora feitas, vamos focar na história de Uma Tentação Perigosa: aqui conhecemos a inteligente e decidida Lady Merritt, filha de Westcliff e Lillian, que teve que assumir a empresa de navegação e importação do marido após ficar viúva. Quando há um acidente no cais envolvendo um produtor de uísque, a própria Merritt vai resolver – e fica imediatamente encantada pela virilidade e pelo jeito direto (e meio bruto) do homem com quem tem que lidar. Trata-se de Keir MacRae, dono da destilaria que está utilizando a empresa de Merritt pra trazer seu excelente produto para Londres. Para compensar por alguns litros valiosos de uísque perdidos, Merritt se aproxima dele e é um pouquinho mais cortês do que o decoro permite, não demorando pra que os dois se envolvam em uma atração explosiva. Enquanto tentam lidar com os sentimentos inesperados (e nada convenientes), Keir passa a sofrer atentados à sua vida, o que dá ao livro um tom de mistério muito bem-vindo.

Esse foi o primeiro romance de época que li em que o romance deslanchou numa velocidade absurda, sem enrolação nem nada de slow burn. A Merritt é independente e dona de si de uma maneira bastante inspiradora e arriscada para os padrões da época, e ela não liga de infringir as regras da sociedade londrina para atrair Keir para sua cama. Ele, por sua vez, é mais cauteloso; tenta fugir de Merritt o quanto pode, especialmente por se achar muito abaixo dela na hierarquia social. Keir sabe que se forem pegos juntos, as consequências pra ela são muito piores do que pra ele. Isso faz de Keir um good guy maravilhoso, meu tipo exato de mocinho. ❤ Então gostei muito da combinação dos dois como casal e fiquei empolgadíssima pra ver sua relação crescer e amadurecer.

Como mencionei antes, há também um quê de investigação no livro devido ao mistério de quem está por trás dos atentados a Keir e os motivos por trás deles. Contudo, esse mistério é fácil de ser resolvido, especialmente quando Sebastian entra em cena, então não esperem algo muito desafiador. As pistas estão ali desde o início pra quem observar bem, e quando a verdade vem à tona, as peças se encaixam. É bacana ver Sebastian interagindo com esses personagens novos, porque ele foi o mocinho mais controverso da série As Quatro Estações do Amor, tendo um longo caminho de redenção que se comprovou muito bem aqui. Sua relação com Lillian, que sempre foi mais delicada devido ao fato dele tê-la sequestrado no passado (sim, pois é 😂) também foi bem desenvolvida, e gostei desse parênteses na história de Merritt e Keir pra fechar essa ponta solta.

Apesar de Os Ravenels aparecerem como coadjuvantes de luxo nesse volume, o encerramento da série como um todo se deu de uma forma que me satisfez. Gostei muito de Uma Tentação Perigosa e do relacionamento maduro, sincero, apaixonado e altruísta de Merritt e Keir, que se entregam um ao outro de corpo e alma. É um ótimo título pra quem quer suspirar e, é claro, pra quem deseja matar as saudades de As Quatro Estações do Amor. 😉

Título original: Devil in Disguise
Série: Os Ravenels
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288
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