Resenha: Uma Herdeira Apaixonada – Lisa Kleypas

Oi meu povo, tudo bem?

Bora seguir com as resenhas de Os Ravenels? Hoje vim contar pra vocês minha opinião sobre o livro que já se transformou no meu favorito da série: Uma Herdeira Apaixonada. ❤

Garanta o seu!

Sinopse: Embora a bela jovem viúva Phoebe, Lady Clare, nunca tenha conhecido West Ravenel, ela sabe uma coisa com certeza: ele é mau e um valentão podre. Quando estava no colégio interno, ele fez da vida de seu falecido marido uma desgraça, e ela nunca o perdoará por isso. Mas quando Phoebe participa de um casamento de família, encontra um estranho arrojado e impossivelmente charmoso, que a abala com um choque de atração de fogo e gelo. E então ele se apresenta como ninguém menos que West Ravenel. West é um homem com um passado manchado. Sem perdão, sem desculpas. No entanto, a partir do momento em que conhece Phoebe, West é consumido por um desejo irresistível, sem mencionar a amarga consciência de que uma mulher como ela está fora de seu alcance. O que West não negocia é que Phoebe não é uma dama aristocrática. Ela é filha de uma Wallflower obstinada que há muito tempo fugiu com Sebastian, lorde St. Vincent – o libertino mais diabolicamente perverso da Inglaterra. Em pouco tempo, Phoebe começa a seduzir o homem que despertou sua natureza ardente e demonstrou um prazer inimaginável. Sua paixão avassaladora será suficiente para superar os obstáculos do passado? Só a filha do diabo sabe…

Fui conquistada por West Ravenel desde Um Sedutor Sem Coração. O antigo libertino preguiçoso acaba se inspirando no irmão mais velho, Devon, e decide ajudá-lo com lealdade e força de vontade a transformar o Priorado Eversby em uma propriedade lucrativa e saudável para os arrendatários. Como não amar esse serzinho? É óbvio que eu ia querer acompanhar sua história de amor, né! E aqui ele encontra alguém à altura: Phoebe, lady Clare, filha de ninguém mais, ninguém menos que um dos casais mais populares da série As Quatro Estações do Amor: Eve e Sebastian (a Lisa não perde a chance de aproveitar esse casal, né? 😂). A jovem é uma viúva que já viveu um grande amor e, por conta disso, não sonha em ter uma experiência assim novamente, pois acredita que já tirou a sorte grande por ter tido essa oportunidade uma vez. Para completar, ela inicia sua relação com West de forma antagônica, pois ele esteve envolvido de forma negativa no passado de Henry, seu falecido marido.

Ai, gente, não sei nem o que dizer. Esse livro me fez suspirar do início ao fim! Phoebe e West se conhecem graças às festividades em celebração do noivado de Pandora (prima de West) com Gabriel (irmão de Phoebe), protagonistas do terceiro livro. Como quase sempre acontece nos romances de época, a atração entre eles logo se torna óbvia. Entretanto, há um obstáculo no coração de Phoebe: quando criança, seu marido, Henry, foi vítima de bullying por West. Ambos estudaram no mesmo colégio interno e o jovem foi muito atormentado, relatando tudo em cartas para Phoebe. Por isso, a primeira reação da moça é se afastar de West em respeito à memória do marido, mas ela não contava com as mudanças profundas pelas quais nosso protagonista masculino passou. Logo fica nítida a afinidade existente entre eles, que se divertem juntos e conversam de igual pra igual.

Uma Herdeira Apaixonada é um livro mais tranquilo, por assim dizer. Diferente da maior parte dos volumes antecessores, que contam com mais riscos, vilões e perigos ao longo da trama, a história de West e Phoebe é mais linear, como um rio tranquilo. Isso é um defeito? Na na ni na não. Essa dinâmica funciona muito bem aqui, porque faz total sentido com o comportamento dos personagens e suas dificuldades, que são muito mais emocionais e subjetivas. Ainda que o final da trama tente trazer um elemento mais aflitivo, a verdade é que ele quase não faz diferença, e o que fisga o leitor é realmente o processo gradual e delicioso pelo qual o casal protagonista se aproxima e se apaixona.

Phoebe é uma jovem altruísta e leal a todos que ela ama. Isso inclui a Henry, que foi seu amor de infância e sofreu de uma doença que o manteve debilitado por toda a vida. Por isso, a viúva se contenta com uma vida pacata, dedicando seu amor e energia aos filhos pequenos e aceitando o galanteio tímido do primo de Henry, que foi um candidato aprovado pelo próprio falecido para desposá-la. Porém, quando conhece West, Phoebe se dá conta de duas coisas: em primeiro lugar, ele não é mais o valentão que infernizou a vida de Henry; em segundo lugar, ele não apenas a respeita e a instiga a controlar as rédeas da própria vida como também demonstra um amor genuíno por seus filhos. Com isso em mente, Phoebe muda de postura e se transforma em uma pessoa que toma as próprias decisões e conduz seu destino: o que inclui transar com West mesmo sabendo que ele não deseja se casar e isso pode trazer consequências à sua reputação.

West, em contrapartida, tem mais camadas de si reveladas nesse livro. Quem acompanha a série já sabe que ele é corajoso, carismático e trabalha duro. Ele respeita os arrendatários e estende a mão para quem precisa. Mas seu passado o assombra: ele foi protagonista de vários vexames e, desde a infância, esteve acostumado a resolver as coisas com violência e alarde. Se já tínhamos alguns sinais do motivo por causa de Devon, aqui Lisa Kleypas os reforça: os dois irmãos não tiveram pais amorosos e, quando eles morreram, foram “jogados de mão em mão” entre os parentes, até irem parar no colégio interno. West não conheceu o amor familiar, exceto o do seu irmão, por isso ele tem um medo enorme de estragar tudo com Phoebe e, principalmente, com seus filhos. Ele se sente tão indigno de tal amor que foge de assumir qualquer compromisso com ela, ainda que fique extremamente deprimido quando precisam se afastar. Felizmente existem personagens secundários muuuito úteis pra desenrolar essa história. ❤

Uma Herdeira Apaixonada me lembrou um pouco o meu livro favorito de As Quatro Estações do Amor, Escândalos na Primavera, em termos de estrutura – um romance sólido, tranquilo e com personagens doces e cativantes parece ser a fórmula que mais conquista o meu coração, e Lisa Kleypas conseguiu isso aqui. Comecei a leitura apaixonada pelo West e terminei apaixonada pelo casal. Recomendo muito! 🥰

Título original: Devil’s Daughter
Série: Os Ravenels
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 272
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Dica de Série: Loki

Oi pessoal, tudo bem?

Na última quarta-feira Loki, a série do Disney+ focada no Deus da Trapaça, chegou ao fim, e hoje vim compartilhar minhas impressões a respeito com vocês!

Sinopse: Depois de roubar o Tesseract em “Vingadores: Ultimato”, Loki acaba perante a Autoridade de Variância Temporal (AVT), uma organização burocrática kafkiana que existe fora do tempo e do espaço.

Quem viu Vingadores: Ultimato lembra que o plano dos heróis era voltar no tempo para recuperar as Joias do Infinito, certo? Ao voltarem para 2012, porém, uma confusão acontece e o Loki daquela timeline escapa, e é nessa série que descobrimos o que acontece com ele. O protagonista não demora a ser capturado por outra organização: a AVT (Autoridade de Variância Temporal), responsável por cuidar da Linha Temporal Sagrada que mantém os eventos do universo onde devem estar, e por eliminar qualquer elemento que fuja desse “script”, as chamadas Variantes (sendo este o caso de Loki). Porém, em vez de ser eliminado, Loki é recrutado por um dos agentes da AVT – Mosbius – para auxiliá-lo num problema muito maior: existe alguma outra Variante do Loki causando perturbações consideráveis na linha do tempo e eliminando os agentes da organização, e Mosbius acredita que não há ninguém melhor que um Loki para ajudá-lo a encontrar outro.

Para ser totalmente sincera com vocês, demorei um pouquinho a gostar de Loki. Os primeiros episódios foram bem medianos pra mim, ainda que divertidos. Tom Hiddleston tem carisma, assim como Owen Wilson, então a dupla funciona bem. Obviamente, Mosbius não confia totalmente em Loki, e Loki também tenta enganar Mosbius sempre que possível para benefício próprio. Mas ao longo dos primeiros episódios os dois conseguem focar na missão de rastrear a Variante Loki que está causando as perturbações: uma mulher que abdicou do nome Loki e se autodenomina Sylvie.

Sylvie teve uma vida ainda mais difícil que a do Loki que conhecemos: ela foi identificada como Variante e removida do seu universo original ainda na infância. Porém, ela deu um jeito de escapar da AVT ao roubar um dos dispositivos que eles usam para se mover pelo espaço-tempo (conhecidos como Temp Pads). Seu objetivo máximo é destruir a AVT e se vingar da vida que lhe roubaram, mas devido a inúmeras situações problemáticas, ela e Loki acabam sendo obrigados a trabalhar em conjunto para escaparem da aniquilação por parte da organização.

Vou dizer pra vocês que o que mais gostei em Loki foi da relação que ele construiu com esses personagens, mais até do que do protagonista. O “nosso” Loki em si, pra mim, brilhou menos do que eu esperava. Na AVT ele tem a oportunidade de assistir ao filme da própria vida e isso faz com que uma chave seja virada em sua mente e ele bruscamente se transforma no Loki que conhecemos em Ultimato. Isso, pra mim, foi um tanto forçado – afinal, um homem que estava no auge da sua vilania se transformou completamente ao ver sua vida em uma tela? Entendo que tenha um apelo forte devido a tudo que ele sofreu, mas o Loki de Ultimato levou 8 anos para chegar naquele estágio de desconstrução, e o espectador acompanhou isso acontecer. Na série, por mais que a AVT não siga as regras do espaço-tempo que conhecemos, ainda assim me pareceu brusca a mudança do protagonista.

Depois dos primeiros dois ou três episódios, que achei mais parados, Loki começa a ter uns plot twists mais interessantes e fui ficando mais animada para descobrir os segredos da AVT. Porém, a season finale veio com um balde de água fria e um excesso de diálogos expositivos que me passou a impressão de que o roteirista correu pra explicar tudo que precisava para pavimentar o terreno para Doutor Estranho 2, que vai focar nessa questão do multiverso. Porém, não posso negar que o carisma de Loki é bastante envolvente e faz você querer assistindo à série. Sua relação de gato e rato com Sylphie também é bacana, exceto quando os roteiristas decidem colocar uma tensão romântica/sexual que me causou o mesmo constrangimento de estar assistindo a uma cena de sexo com minha mãe do lado rs.

Das três séries da Marvel que já saíram no Disney+, considerei Loki a mais fraca. Mas ela traz conceitos importantes para entendermos o que vem pela frente, e vale a pena assistir para matar as saudades do Deus da Trapaça. Não achei genial nem fora da média, mas é um entretenimento legal, com um final BEM mindblowing (adoro!) e que traz de volta um personagem que foi ganhando cada vez mais o coração do fandom ao longo de todos esses anos de MCU. 🙂

Título original: Loki
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Waldron
Elenco: Tom Hiddleston, Owen Wilson, Sophia Di Martino, Gugu Mbatha-Raw

Resenha: Arlindo – Ilustralu

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar de já ter visto anteriormente o trabalho da Luiza Souza (mais conhecida como @ilustralu) no Twitter, não fazia ideia do tema da sua webcomic, Arlindo. Porém, já sabia que a história tinha muitos fãs – inclusive rolou um projeto de financiamento coletivo para o livro. Quando a Editora Seguinte me oportunizou a chance de ler, é óbvio que não pensei duas vezes e mergulhei na história desse menino doce, fã de Sandy & Junior e que fala os “ah meu Deus” mais fofos do mundo! ❤

Garanta o seu!

Sinopse: Arlindo é um garoto cheio de sonhos e vontade de encontrar seu lugar no mundo. Tudo o que ele quer é seguir sua vida de adolescente na cidadezinha onde mora, no interior do Rio Grande do Norte. Ele aluga filmes na locadora com as amigas todo sábado, sente o coração bater mais forte pelas primeiras paqueras, canta muito Sandy & Júnior no chuveiro, e ainda cuida da irmã mais nova e ajuda a mãe a fazer doces para vender. Por mais que ele se esforce e dê o seu melhor, muita gente na cidade não aceita Arlindo ― o que traz uma série de problemas na escola e até mesmo dentro de casa. Aos poucos, porém, ele vai perceber que vale a pena lutar para ser quem ele é, ainda mais quando tem tanta gente com quem contar. Com um traço divertido, cores vibrantes e um monte de referências aos anos 2000, esta história em quadrinhos que já conquistou milhares de fãs na internet fala sobre encontrar forças nas pessoas que a gente ama e dentro de nós mesmos.

Arlindo – ou Lindo, como as pessoas mais próximas o chamam – é um adolescente leal aos amigos, gentil com as pessoas e muito cúmplice da mãe, que trabalha fazendo doces. Porém, existe uma face da sua intimidade que o aflige e que ele não consegue revelar: Lindo é um rapaz gay. Vivendo no Rio Grande do Norte e tendo um pai extremamente machista (o próprio estereótipo de “cabra macho”), é comum para o protagonista ouvir comentários negativos sobre outras pessoas que já assumiram sua sexualidade, o que causa um sofrimento constante em seu coração. Ao longo das páginas, o leitor acompanha as aflições de Arlindo e sua transformação enquanto busca se encontrar – no mundo e em si mesmo.

Arlindo é uma HQ que provoca uma identificação imediata em quem cresceu nos anos 2000. Não faltam referências à época, da trilha sonora a hábitos como ir até uma locadora e escolher um filme, por exemplo. Quando Lindo e sua tia cantam Sandy & Junior, o leitor canta junto. Quando Lis, uma das amigas mais próximas do protagonista, coloca “Na Sua Estante” para tocar, a voz da Pitty vem automaticamente à mente. Arlindo nos leva para uma época em que conversar com o crush no MSN depois da meia-noite era uma prática comum, que passávamos menos tempo nas redes sociais e mais tempo de pernas pro ar com os amigos e, é claro, nos faz lembrar de como é ser um adolescente que ainda não sabe muita coisa sobre si mesmo e sobre o mundo.

resenha arlindo ilustralu

Apesar das cores felizes e do traço fofo, existem cenas em Arlindo que são capazes de transmitir com intensidade a dor causada pela homofobia. O que conheço do lado mais machista da cultura nordestina (pelo meu falecido pai, que era de lá) me faz enxergar muitas semelhanças com esse lado da cultura gaúcha (de onde sou) no que diz respeito à masculinidade tóxica. O pai de Arlindo, cujo nome ele passou ao filho (que é Junior), destila seu preconceito sem pensar duas vezes. Quando um amigo gay de Lindo é agredido, seu pai acha que o que aconteceu “foi pouco”. Ele intimida o filho até mesmo quando o menino está ajudando a mãe na cozinha pra que ela não fique sobrecarregada. Esses são exemplos de situações muito reais que inúmeros jovens LGBTQIA+ sofrem diariamente pelo simples fato de serem quem são. Em Arlindo a homofobia é exposta desde suas camadas mais “superficiais” até medidas mais extremas.

Mas, apesar de ter algumas cenas tristes como essas, Arlindo é uma HQ alto astral e que enche o nosso coração de amor. O leitor acompanha de perto Lindo ter seu primeiro crush correspondido e torce pra que tudo dê certo entre eles. O jovem, que nunca tinha revelado esse lado de si, encontra um espaço seguro para trazer seu verdadeiro eu à tona, e isso é muito bonito de ver – além de ser inspirador pra quem possa estar na mesma situação. E a representatividade não termina no protagonista, pois a HQ também tem espaço para outros personagens terem suas questões trabalhadas. Com isso, a história vai avançando para um lugar no qual os personagens conseguem encontrar colo e segurança uns nos outros, substituindo o medo e a solidão por uma sensação de pertencimento.

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Arlindo é uma história em quadrinhos linda e acolhedora que fala sobre a coragem de sermos nós mesmos e a busca pelo nosso lugar no mundo. A HQ traz uma mensagem poderosa sobre não ser errado ser quem somos, porque (como diz Amanda, tia de Lindo) “tudo que a gente tem é a gente”. Histórias assim deveriam ser lidas por todos, pra que a empatia prospere e pra que todos tenham o direito de viver a vida plena que merecem. 🌈

Título original: Arlindo
Autora:
Ilustralu
Editora: Seguinte
Número de páginas: 200
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Mostre Seu Trabalho! – Austin Kleon

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de ter adorado Siga em Frente, fiquei com vontade de conferir as outras obras de Austin Kleon. E, já que comecei pelo caminho inverso de leitura, a resenha de hoje é sobre o “livro do meio”, Mostre Seu Trabalho!.

Garanta o seu!

Sinopse: Depois de Roube como um artista, o escritor e artista gráfico Austin Kleon ensina ao leitor como compartilhar sua criatividade e tornar seu trabalho conhecido na era digital. Dividido em 10 capítulos com regras transformadoras e objetivas, citações, exemplos práticos e ilustrações bem-humoradas, Mostre seu trabalho! derruba de vez o mito do “gênio solitário” ao propor atitudes que valorizam o compartilhamento de ideias durante o processo criativo sem medo de ser “roubado”. Para Kleon, a generosidade supera a genialidade no mundo atual, e a capacidade de estar acessível e de saber usar as redes sociais de maneira produtiva, de forma a criar interesse e curiosidade em torno de seus projetos, é mais efetiva para tornar seu trabalho conhecido e relevante do que o desgastado “networking”.

Pra quem não sabe, sou publicitária e trabalho liderando um time criativo, o que faz com que eu pense e reflita frequentemente sobre esse assunto. Além disso, eu mesma já escrevi dois contos e tenho a escrita como companheira desde a adolescência. Por fim, vale dizer que muitas vezes me pego pensando sobre meu papel como propulsora do hábito da leitura, tanto aqui quando no Instagram. Some todos esses elementos e acho que dá pra sacar porque os livros do Austin Kleon, que falam de forma direta, prática e descomplicada sobre o universo criativo me interessam tanto, né?

Pra mim, trabalhar com criatividade é constantemente se questionar sobre a qualidade desse trabalho. Ele é bom o bastante para que as pessoas se importem com ele? E, se não for, eu deveria mostrá-lo pro mundo mesmo assim? Sob o ponto de vista de Austin Kleon, a resposta é sim. Em Mostre Seu Trabalho!, o autor desmistifica aquela ideia de que a criatividade é algo inerente a pessoas geniais, além de tirar o peso de que cada criação seja uma obra-prima. Muitas das coisas que faremos não serão boas, e tá tudo bem. Para Kleon, é muito mais produtivo a gente parar de tentar ser excepcional e focar na construção diária, tijolinho por tijolinho, do nosso trabalho e da nossa criatividade – e não de uma forma isolada, mas dividindo isso com o mundo, inspirando e sendo inspirado(a).

Enquanto Siga em Frente trabalha muito mais a questão da busca pelo propósito e da aceitação de que não somos criativos o tempo todo, Mostre Seu Trabalho! tem esse papel de incentivar os criativos a serem mais vulneráveis, generosos e se exporem mais. Com isso, Austin Kleon provoca o questionamento: quantos projetos já não deixamos de “parir” por receio do que os outros podem pensar?

Vou dividir uma fragilidade recente minha pra servir de exemplo: faz alguns meses que eu lembrei de um dos contos que mencionei no início do post. Ele foi selecionado para uma antologia em 2015, mas na época eu não tinha orçamento pra bancar a publicação. Quando lembrei dele, eu li e gostei bastante do que encontrei nas páginas, o que me fez pensar em publicá-lo de forma independente – ideia apoiada por diversos amigos, inclusive. Mesmo recebendo elogios de quem foi leitor beta, me perguntem se o conto está publicado. Não, porque procrastino cada detalhe em busca de uma perfeição 1) desnecessária e 2) incapaz de ser atingida. Percebem como a autossabotagem nos impede de colocar nosso trabalho no mundo e, consequentemente, aprender com ele?

Eu gostei muito de Mostre Seu Trabalho!, ainda que as dicas de Austin Kleon não tenham ressoado em mim tanto quanto aquelas trazidas em Siga em Frente (que segue como meu favorito). Acredito que tenha a ver com meu mood pessoal e profissional no momento da leitura de cada um dos livros, mas ainda assim me senti encorajada em diversas passagens de Mostre Seu Trabalho!. Ser lembrada de que o processo criativo não é pautado em genialidade, destinado a poucos escolhidos, me tirou um baita peso dos ombros, assim como a leveza de aceitar que nem todo trabalho precisa ser incrível – e tá tudo bem. Espero que essas lições tirem um peso de você também. 😀

Título original: Show Your Work! 10 Ways To Share Your Creativity And Get Discovered
Autor:
 Austin Kleon
Editora: Rocco
Número de páginas: 224
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Maus – Art Spiegelman

Oi pessoal, tudo bem?

Recentemente eu comprei Maus para dar de presente a um amigo e senti vontade de fazer uma releitura, especialmente porque fazia anos (mais precisamente em 2015) que eu tinha entrado em contato com a graphic novel. Sou da opinião de que, muitas vezes, uma segunda leitura transforma o modo como determinadas obras nos fazem sentir, e posso dizer com tranquilidade que o teor da graphic novel de Art Spiegelman seguiu emocionante pra mim ao narrar a história de seu pai, um sobrevivente de Auschwitz.

Garanta o seu!

Sinopse: Maus (“rato”, em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.

Em Maus, vemos duas histórias sendo delineadas: uma delas é a que Vladek Spiegelman, pai de Art, conta ao filho, na qual ele narra fatos importantes de sua vida antes e durante a Segunda Guerra Mundial; a segunda é a convivência dos dois enquanto Art entrevista o pai para a posterior criação dos quadrinhos. E ambas são capazes de provocar emoções, ainda que por motivos diferentes.

Vladek Spiegelman foi um homem polonês e judeu que era bem-sucedido no ramo dos tecidos. Quando ele conhece Anja Spiegelman, os dois não demoram a se apaixonar e se casar. A felicidade parece ficar completa quando o casal engravida e dá à luz o primogênito Richieu, mas a graphic novel vai ganhando contornos sombrios ao nos apresentar a uma depressão pós-parto que acomete Anja e à propagação da ideologia nazista, que aos poucos se aproxima dos Spiegelman.

Por meio do relato de Vladek, o leitor consegue sentir a surpresa dos judeus na Polônia ao observarem os primeiros signos nazistas sendo exibidos no país, assim como os primeiros assaltos de violência que passam a sofrer. Aos poucos eles são expulsos de suas casas para guetos, são destituídos de seus próprios negócios e começam a conviver com a pobreza e a fome. Ao longo das páginas, a sagacidade de Vladek é essencial para que ele e a esposa encontrem bons esconderijos e consigam se proteger dos nazistas, mas inevitavelmente ambos acabam indo para Auschwitz. A história de terror da Segunda Guerra Mundial é amplamente conhecida, então a partir daqui não vou me alongar mais nas situações vividas por Vladek nesse sentido, focando mais nas sensações subjetivas que a leitura me causou.

Um dos aspectos de que mais gostei em Maus é que os personagens principais – especialmente Vladek e Art – têm suas nuances exploradas, ainda que de formas sutis em diálogos e situações corriqueiras. Nos relatos do passado, o leitor se depara com um Vladek perspicaz, determinado, muito resiliente e capaz de tudo para proteger Anja. No presente, vemos Art exasperado ao lidar com um pai idoso, cheio de manias, teimoso e muquirana (sendo que essa última característica chega a ser até mesmo “temida” por Art, por receio de retratar um estereótipo judeu). Essa ruptura da representação de Vladek é muito eficiente em humanizar o personagem e conferir camadas à sua construção de forma a não romantizá-lo apesar de tudo que ele sofreu (uma cena ótima para colocar isso em evidência é aquela em que Vladek demonstra preconceito contra um rapaz negro; seria de se esperar que alguém que foi perseguido pelo mesmo motivo evitasse reproduzir esse erro). Tal abordagem não se aplica somente ao pai, mas também ao filho: não faltam cenas em que Art perde a paciência com Vladek, além de deixar claro em mais de uma ocasião que não tem interesse em passar muito tempo além das entrevistas em sua companhia.

E já que falei em humanização, vale comentar um aspecto que obviamente chama a atenção em Maus: o antropomorfismo. Art Spiegelman usa desse recurso para categorizar alguns personagens: os alemães são gatos, os poloneses são porcos, os estadunidenses são cachorros e, é claro, os judeus são ratos. Por meio dessas analogias, o ilustrador evidencia as relações de poder e expõe a forma como os judeus eram vistos e tratados: uma praga a ser eliminada. O teor das ilustrações também envia uma mensagem: são traços grossos, pesados, com bastante informação – que ficam ainda mais intensos ao retratar cenas cruéis, como judeus enforcados ou pessoas esmagadas em vagões de trem e abandonadas para morrer mais ao final da guerra.

Um fato que me passou pela cabeça ao longo da leitura foi o quanto o elemento sorte esteve envolvido na sobrevivência das vítimas do nazismo. Sem tirar os méritos de Vladek, que era um homem inteligente, astuto e com boas tomadas de decisão, porém outros tantos tiveram comportamentos parecidos, fizeram esforços parecidos, mas infelizmente não atingiram o mesmo resultado. Esse tipo de impotência traz um peso na boca do estômago, especialmente quando a gente se depara com uma trama assim ao viver um momento em que tantas vidas estão sendo perdidas de forma desnecessária e injusta (ainda que por motivos totalmente diferentes, que não cabem a comparação).

Maus é uma graphic novel que vai além de contar a história de um sobrevivente do Holocausto. A trama nos conduz por um processo de rememoração familiar cheio de feridas e de assuntos mal resolvidos que, com o passar das páginas, parece se dirigir para certo nível de cura. E, apesar do tema em si ser pesado e as emoções dos personagens também, há um trecho de que gosto muito e que me traz uma dose de esperança (muito bem-vinda no momento atual): “e eu vi que inferno não é em toda parte. Ainda tinha vida no mundo”. 🙂

Título original: Maus
Autor:
Art Spiegelman
Editora: Quadrinhos na Cia
Número de páginas: 296
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Resenha: Nove Desconhecidos – Liane Moriarty

Oi pessoal, tudo bem?

Nove Desconhecidos, da Liane Moriarty, vai ganhar uma adaptação em minissérie pelo Hulu. Como o livro já estava no meu radar, corri pra ler e compartilhar com vocês minhas impressões antes da adaptação (que conta com a presença de Nicole Kidman) estrear. Vamos conhecer!

Garanta o seu!

Sinopse: Nove pessoas se reúnem em um spa bem distante da cidade. A quilômetros da civilização, sem carro nem celulares, elas não têm qualquer contato com o mundo exterior. Apenas tempo para pensarem em si mesmas e se conhecerem melhor. Algumas estão lá para perder peso, algumas para tentar recomeçar a vida, outras por razões inconfessáveis até para elas mesmas. No meio de tanto luxo e mimo, sucos e meditação, todos sabem que vão precisar se esforçar nos próximos dez dias. Mas ninguém é capaz de imaginar o tamanho do desafio.

Antes de iniciar a resenha propriamente dita, tenho um disclaimer importante a fazer: entrei em contato com Liane Moriarty de forma “indireta”, ao assistir e me apaixonar por Big Little Lies (a série de TV). A construção do mistério e, principalmente, dos personagens me encantou completamente. Por isso, resolvi ler O Segredo do Meu Marido, e foi com essa leitura que entendi duas coisas: o foco da Liane Moriarty é o desenvolvimento psicológico dos seus personagens e o mistério em si fica em segundo plano. Ainda assim, ao ler a sinopse do livro, imaginei que encontraria um livro que pudesse focar mais no suspense, mas não é o caso: falar sobre Nove Desconhecidos é falar sobre seus personagens.

Em essência, o enredo é muito simples: nove pessoas com intuitos diferentes compram um pacote de transformação pessoal no spa Tranquillum House. Ele é dirigido por Masha (o papel que Nicole Kidman irá interpretar), uma mulher que abandonou a vida de executiva após uma experiência de quase-morte para se dedicar ao mercado de saúde e relaxamento. A abordagem de Masha, que é apoiada por dois consultores de bem-estar (Yao e Delilah), é pouco ortodoxa, mas a princípio parece inofensiva: celulares são proibidos, há um período de silêncio obrigatório e existem momentos para jejum, por exemplo. Quando a diretora decide colocar em prática uma nova terapia, as coisas ficam mais tensas e, ao que tudo indica, saem de controle.

E quem são os nove desconhecidos? Há Frances, uma escritora em declínio que sofreu um golpe de amor pela internet; a família composta por Napoleon, Heather e Zoe Marconi, que estão no spa para processar um luto; o casal Jessica e Ben, cujo casamento está em crise; Lars, que está tentando fugir da expectativa do companheiro de ter um bebê que ele não deseja; Tony, um antigo atleta de sucesso que se sente estagnado na vida; e Carmel, uma mãe exausta cujo divórcio minou sua autoestima. Os capítulos são narrados em terceira pessoa mas se alternam entre as perspectivas de todos os personagens, e a cada página os conhecemos com mais profundidade. Esse é um traço que gosto bastante no trabalho de Liane Moriarty: ela desenvolve seus personagens aos poucos, desnudando suas camadas e fazendo com que eles se tornem cada vez mais verossímeis e relacionáveis.

resenha nove desconhecidos liane moriarty

Frances é a narradora mais recorrente, sendo uma mulher divertida e carismática, com quem dá vontade de sentar pra beber um drink e jogar papo fora. Além disso, ela é empática e perceptiva, por mais que em alguns momentos as pessoas pensem que não. Sua personalidade efusiva, somada ao fato dela ser escritora de romances, causa certo preconceito por parte de alguns personagens, mas é Frances quem tem alguns dos principais insights necessários para contornar a situação em que Masha os coloca. Além de Frances, me emocionei muito com o plot da família Marconi. A perda de um filho é um tema recorrente e crucial em diferentes momentos da trama. No caso dos Marconi, o processo de cura em relação ao suicídio de seu filho, Zach, é comovente.

E que situação é essa em que Masha coloca seus hóspedes? Não vou dar detalhes pra não estragar a experiência, mas a diretora do spa está convencida de que pode aplicar um novo tipo de tratamento sem o consentimento dos hóspedes. Magnética e eloquente, a diretora da Tranquillum House os incentiva a deixar o ego de lado e mergulhar de cabeça na transformação que ela e sua equipe estão proporcionando. A ironia aqui é que o ego da personagem é o maior que poderia haver entre os presentes no local: ela quer glórias, escrever livros, dar entrevistas. Ela quer gratidão dos hóspedes e se revolta quando não a tem. Em suma, quer reconhecimento. E, para isso, ela assume uma postura autocrática e assustadora.

Como um ponto negativo de Nove Desconhecidos, eu ressaltaria seu tamanho. Como a autora opta por desenvolver de forma mais aprofundada seus personagens, a história em si demora a sair do lugar. E, quando o clímax acontece mais para o final da trama, tudo acaba muito rápido. A conclusão do plot de Masha também não me deixou muito satisfeita, mas não sei dizer se foi por ranço da personagem ou por ter achado meio forçado. Os outros personagens, entretanto, encontraram conclusões suficientes para que suas histórias fossem resolvidas, me deixando satisfeita – e, em alguns casos, emocionada.

Retomo aqui o que disse no início da resenha: Nove Desconhecidos é um livro sobre personagens, não sobre suspense. Se você tiver isso em mente, pode ser uma leitura muito satisfatória pra você. Apesar de eu ter torcido pra encontrar um pouquinho mais de mistério, eu gostei da experiência porque curto personagens bem desenvolvidos. Então, no fim das contas, recomendo a leitura! 😉

Título original: Nine Perfect Strangers
Autora:
Liane Moriarty
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 464
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Dica de Série: O Inocente

Oi pessoal, tudo bem?

Prontos pra mais uma dica de minissérie bem bacana pra maratonar? Hoje vamos conhecer O Inocente que, até agora, é minha produção favorita das que adaptam os livros do Harlan Coben e estão sendo disponibilizadas na Netflix. 😀

Sinopse: Uma morte acidental lança um homem em uma espiral de intrigas e assassinato. Ele encontra o amor e recupera a liberdade, mas um telefonema traz de volta o seu passado.

Mateo era um jovem com um futuro brilhante pela frente, até que um piscar de olhos mudou sua vida completamente: em uma briga de bar, causada por um homem que ficou com ciúmes dele, Mat acabou empurrando um dos envolvidos, que caiu e quebrou o pescoço. Mesmo tendo sido um acidente, a justiça condenou Mat à maior pena possível, transformando sua vida de forma permanente. Apesar disso, ao sair da cadeia Mat teve apoio para se restabelecer: seu irmão, já formado, chamou Mat para trabalhar em seu escritório de advocacia e, por coincidência, no escritório Mat reencontrou uma jovem com quem ele teve uma noite incrível em uma das suas saídas condicionais no tempo de prisão. Esse reencontro reacendeu a chama entre Mat e a jovem, Olivia, e os dois casaram e deram início a uma vida juntos… até que Olivia some misteriosamente e Mat começa a receber vídeos dela adormecida com um homem ao seu lado.

De início, podemos dizer que O Inocente conta com duas narrativas: a primeira delas é a de Mat e Olivia, e gira em torno do desaparecimento desta. Mat está determinado a encontrá-la custe o que custar, contando com a ajuda de uma hacker bastante leal para rastrear os movimentos da esposa. A segunda narrativa é mais focada em Lorena Ortiz, uma detetive da polícia competente e focada, que é acionada para investigar o suposto suicídio de uma freira. E por mais que ambas as histórias não pareçam ter o menor link, aos poucos as camadas da trama vão sendo removidas e o espectador vai chegando ao cerne do mistério – junto com Mat e com Lorena.

Um recurso muito bacana utilizado pela série é o de começar cada episódio focando em um personagem-chave da trama, contando um pouco mais sobre seu passado e sobre como ele chegou até o presente momento. Isso ajuda o espectador a criar empatia de forma mais rápida, ao mesmo tempo em que instiga a curiosidade de saber qual é a relação daquelas pessoas. O episódio 1, por exemplo, é totalmente focado na história de Mat. O episódio 2 mal o menciona, pois é focado em Lorena, chegando até a dar uma “bugada” na mente de quem assiste. 😛 Eu gostei bastante dessa estrutura, acho que ajudou a manter o mistério e, ao mesmo tempo, provocar a imaginação na tentativa de juntar as peças também.

Eu diria que O Inocente gira em torno de três grandes problemáticas: a prostituição (e toda a sujeira por trás), a crueldade do sistema carcerário e a corrupção policial. Não posso me alongar muito em cada tema pra não dar nenhum tipo de spoiler, mas é importante dizer que a série expõe toda a crueldade que jovens mulheres passam nas mãos de seus cafetões, que lucram quantias exorbitantes em cima de seus corpos e de sua falta de liberdade. Somado a isso, vemos com revolta como pessoas ricas, poderosas e bem-relacionadas fazem uso desse privilégio pra fortalecer não apenas esse sistema de opressão às mulheres como também manipular a justiça.

Assim como acontece em Safe e em Não Fale Com Estranhos, existem momentos beeem forçados e inverossímeis em O Inocente. Felizmente, aqui eles são mais escassos, o que já me fez gostar bem mais dessa minissérie do que das adaptações anteriores de trabalhos do Harlan Coben. Os personagens me cativaram bastante, especialmente as mulheres fortes que fazem a história girar. Mat, infelizmente, não tem nenhum carisma, e eu juro pra vocês que não entendo porque 1) acham que o Mario Casas é um galã e 2) dizem que ele é um ótimo ator. Assisti Um Contratempo e ele tem a mesmíssima expressão facial o filme inteiro, assim como acontece aqui. 🤷‍♀ #sorrynotsorry

Com apenas 8 episódios, O Inocente é uma ótima opção na Netflix pra quem busca uma série investigativa capaz de envolver, construir bem os momentos de tensão e trazer personagens pelos quais queremos torcer. Recomendo bastante! 😉

Título original: El Inocente
Ano de lançamento: 2021
Direção: Oriol Paulo
Elenco: Mario Casas, Aura Garrido, Alexandra Jiménez, Xavi Sáez, Santi Pons, Miki Esparbé, Jose Coronado, Martina Gusman, Juana Acosta, Susi Sánchez

Resenha: Sem Ar – Jennifer Niven

Oi galera, tudo bem?

Quando li Por Lugares Incríveis, da Jennifer Niven, me apaixonei e me emocionei. Por isso, fiquei animadíssima pra ler Sem Ar, seu mais recente livro publicado no Brasil. E agora conto pra vocês o que achei dessa experiência. 😉

Garanta o seu!

Sinopse: Passar o verão numa ilha remota não era o plano de Claudine Henry. Ela deveria estar viajando de carro com sua melhor amiga, aproveitando cada minuto antes de ir para a faculdade. Mas depois que seus pais anunciam o divórcio, o mundo dela vira de cabeça para baixo — e Claude vai parar nesse destino improvável, acompanhando a mãe que tenta se reconstruir depois da separação. Ali, a garota não tem internet, sinal de celular ou amigos. Até que conhece Jeremiah. Com o espírito livre e um passado misterioso, a química entre os dois é imediata e irresistível. Enquanto vivem aventuras pelas praias, dunas e florestas, Claude e Miah tentam não se apaixonar — afinal, esse relacionamento tem os dias contados. Mas talvez viver esse romance seja exatamente do que Claude precisa para começar a escrever sua própria história.

Claude é uma jovem padrão com uma vida ótima: tem pais amorosos, uma melhor amiga (Saz) cujo carinho e lealdade são inquestionáveis e é bem resolvida com sua autoestima e com sua sexualidade. Ela está prestes a se formar no Ensino Médio e, a poucos dias da formatura, Claude recebe a notícia de que seus pais não apenas estão se divorciando como também pedem segredo a ela até que resolvam como conduzir a situação. Claude então viaja com a mãe para uma ilha remota na qual seus antepassados viveram, para que sua mãe possa fazer pesquisas para seu próximo livro enquanto tenta juntar os pedaços do próprio coração. Chegando na ilha, Claude faz amizade com alguns jovens que trabalham lá no verão e rapidamente se apaixona por Jeremiah (ou, simplesmente, Miah) – um garoto de sorriso fácil que a conduz por diversas primeiras experiências.

Apesar do título, eu diria que “Sem Chão” seria uma metáfora bem melhor para nomear este livro, de tantas vezes que a protagonista usa esse termo ao longo da obra. Toda a confiança na família cai por terra quando ela descobre aquele segredo que os pais ocultaram dela e, principalmente, quando o pedido mais egoísta é feito: de que ela não fale com ninguém a respeito. De um minuto pro outro os planos de Claude viram de cabeça para baixo e a jovem se vê sem nenhum ombro amigo para onde correr, já que ela também está com rancor da mãe por ter guardado segredo. É possível entender porque Claude hesita em confiar e em se abrir, já que as pessoas que ela mais ama a deixaram confusa e, de certa forma, sozinha. É nesse contexto que ela encontra conforto em Miah.

O jovem trabalha na ilha como parte de um programa reformatório para jovens infratores. Ele próprio fez parte desse programa, entrando para o sistema muito jovem. Entretanto, graças ao acolhimento que ele recebeu, foi capaz de dar a volta por cima e se tornar um exemplo para os jovens que vão para a ilha. Ele é a pessoa que acolhe Claude de braços abertos, porque entende bem o que a desestrutura familiar causa: responsável pela mãe e pelas irmãs e com um pai que foi embora, Miah se sente em uma encruzilhada em que um dos caminhos o leva para onde realmente deseja, perseguindo seus sonhos, enquanto o outro o mantém “preso” à família para o caso de sua mãe precisar dele. E com a atração óbvia que sentem um pelo outro, logo Claude e Miah começam a ficar e, mais do que isso, a se abrir um com o outro e expor suas fragilidades sabendo que a outra pessoa estará ali para ouvir.

O plot de Sem Ar não é inovador, me lembrando uma mescla de A Última Música (especialmente pelo rancor de Claude pelo pai e da missão de salvar as tartarugas) com Um Amor Para Recordar (com aquela promessa de “não podemos nos apaixonar”). E eu não me importo com clichês, desde que eles funcionem bem e os personagens cativem. Infelizmente, não foi o caso aqui. Consigo entender os sentimentos de Claude e as dificuldades que ela tem de lidar com tudo que está acontecendo ao seu redor, mas a personagem em si não é carismática o bastante para que o leitor se afeiçoe de verdade e queira protegê-la de sua dor. Miah cumpre melhor esse papel, ainda que reforce o estereótipo do garoto bonitão cheio de gingado que transforma a vida da garota levando-a para várias situações inusitadas e encantadoras (parece que a Jennifer Niven bebeu da própria fórmula de Por Lugares Incríveis, né?).

O romance é fofo e a forma como a sexualidade e a primeira vez são trabalhadas na obra também são bacanas, dando um exemplo positivo de como garotas devem ser donas do próprio corpo e das próprias experiências, além de se conhecerem sem tabus. Mas, apesar disso, não consegui me conectar verdadeiramente com a trama, e achei-a demasiado longa. Sem Ar não precisava de tantas páginas para contar a sua história, que é bastante mediana e clichê, ainda que conte com cenas bonitinhas entre o casal. Um outro ponto importante que influenciou minhas expectativas foi saber que esse é um livro muito pessoal para a autora, então esperei a mesma emoção que encontrei em Por Lugares Incríveis, mas sugiro que vocês não façam o mesmo, para evitar frustrações.

O final do livro merece elogios! Ao longo das páginas, vemos o vínculo entre Claude e Miah crescer, ainda que ambos saibam que aquela relação está com os dias contados, já que cada um deles precisa voltar para sua rotina após o verão. Ainda assim, é nítido que eles se apaixonam e estão sofrendo com a separação. Por isso, as cenas finais deixam o leitor aflito e sem saber o que esperar – da mesma forma que Claude se sente. Essas páginas finais foram aquelas que conseguiram me emocionar e, finalmente, sentir a dor dos personagens. E, ao mesmo tempo em que mexe com o nosso coração, Jennifer Niven também traz uma dose extra de coragem a Claude, que ao longo de toda a trama buscou a sua própria forma de protagonismo, o seu lugar no mundo.

Sem Ar não é um livro ruim, mas não se diferencia dos muitos outros romances que existem por aí. Não recomendaria como um título pra quem quer entrar em contato com a escrita de Jennifer Niven pela primeira vez, porque sei que ela é capaz de emocionar e envolver muito mais. Mas se você busca um romance coming of age bem focado em primeiras vezes e encantamento com o outro e com o mundo, é bem provável que você possa gostar. 😀

P.S.: preciso desabafar que, apesar dessa capa lindíssima, fiquei agoniada com a representação da Claude, porque no livro ela corta o cabelo Joãozinho pouco tempo depois de chegar à ilha rs.

Título original: Breathless
Autora:
Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Número de páginas: 392
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Sete Mentiras – Elizabeth Kay

Oi pessoal, tudo bem?

Recebi da Editora Suma o livro Sete Mentiras, um thriller elogiado por nomes como Harlan Coben e Shari Lapena. Prontos pra conhecer? 😀

Garanta o seu!

Sinopse: Desde crianças, Jane e Marnie são inseparáveis. As duas têm muito em comum. Aos vinte e poucos anos, ambas se apaixonam e se casam com homens jovens e bonitos. Só que Jane nunca gostou do marido de Marnie. Ele é tão arrogante, tão exibicionista, age como se chamar atenção fosse seu objetivo de vida. O que é bem irônico… agora que ele está morto. Se Jane tivesse sido sincera desde o início, se não tivesse mentido, talvez o marido de sua melhor amiga ainda estivesse vivo. Esta é a chance de Jane contar o que de fato aconteceu. Mas a pergunta é: será mesmo a verdade?

Jane e Marnie são melhores amigas desde que tinham 11 anos de idade. Enquanto Jane tem uma família que ruiu (com um pai que saiu de casa, uma mãe com demência que nunca lhe deu muita atenção e uma irmã com uma doença terminal), Marnie nunca teve a presença familiar como uma constante (já que tanto seus pais quanto seu irmão são bastante ausentes). Elas encontram uma na outra o apoio, a alegria e o consolo que precisam, até que um elemento importante se coloca entre as duas: o amor romântico, especialmente o de Marnie. Quando ela se apaixona pelo arrogante Charles, Jane passa a odiá-lo da forma mais intensa que podia, e é devido a esse ódio que um novo hábito se inicia entre as duas: as mentiras de Jane.

O livro já nos revela que Charles está morto, e Jane (nossa narradora em primeira pessoa) começa a contar para o leitor tudo que os levou até aquele momento. Ou seja, quem morre não é o mistério da obra, mas como tudo se desenrola para este destino e, posteriormente, os desdobramentos da morte de Charles. Enquanto intercala os acontecimentos em torno da morte, Jane também vai revelando mais sobre si mesma, sobre sua família e sobre sua relação com Marnie. A própria protagonista já viveu um amor como o da amiga, ao se apaixonar e se casar com Jonathan, seu falecido marido. Viver com Jonathan foi o período mais feliz da vida de Jane, mas ele se foi cedo demais, morrendo ao ser atropelado por um motorista alcoolizado. São nesses momentos da leitura que conseguimos sentir empatia por Jane e desejar que as coisas tivessem sido diferentes pra ela. Mas só aí mesmo.

Porque Jane é uma personagem profundamente egoísta e obcecada pela amiga. Ela narra desde o início da história o quanto a conexão das duas é profunda, o quanto esse amor é inabalável e o quanto elas podem se comunicar sem nada precisar ser dito. O problema é que, conforme as páginas avançam, o leitor deixa de acreditar nessa relação, porque não parece ser bem assim. Quanto mais eu lia, mais eu achava que essa amizade tinha um quê de unilateral, alimentada pela obsessão de Jane de ser amada por alguém (já que foi a filha preterida e, quando finalmente encontrou o amor romântico, ela o perdeu). Isso fica mais evidente na forma como Marnie trata Jane, sempre pedindo favores e dando uma sensação de “se aproveitar” da devoção que Jane lhe dedica. 

E já que comecei a falar de Marnie, devo dizer que ela é rasa como um pires, tornando impossível pra mim entender a obsessão de Jane. A personagem tem pouquíssima participação ativa na história, sendo descrita apenas pelo olhar enviesado da narradora, e nem sob essa lente encantada eu pude me afeiçoar a Marnie. E o fato dela parecer tirar um certo grau de vantagem da dedicação de Jane também me irritou, mais um elemento que corrobora o quanto essa relação de “amizade” é disfuncional. O terceiro elemento desse “trisal”, Charles, também tem pouquíssimo espaço na trama, e é sempre mostrado pelas lentes de Jane. Ele parece ser um homem bem irritante, de fato, mas não a ponto de merecer o destino que teve. E eu evito ao máximo desacreditar a fala de uma mulher, porque sabemos o quanto a sociedade tenta fazer isso com a gente, mas nesse caso é impossível não ter um receio de que Jane tenha construído uma imagem muito pior dele do que a realidade mostraria, considerando a obsessão dela por Marnie. Quando a vida dos dois se entrelaça por um momento fatal, eu fiquei chocada. Até aquele momento, eu imaginava uma cena acidental e passional, mas o que é revelado é uma frieza inesperada.

Sete Mentiras peca também ao manter o interesse no mistério. Lá pela metade da obra o ponto de virada acontece, mas a trama não consegue manter o ritmo. Achei o livro extremamente lento, enrolado, e não conseguiu me instigar nem me manter absorta  na leitura. Além do ritmo cansativo, Sete Mentiras ainda insere uma nova personagem: Valerie, uma jornalista que se propõe a investigar Jane e descobrir seus segredos. O problema é que, assim como ela chega, ela se vai, e não entendemos suas motivações nem os motivos pelos quais ela entra na história. Em relação ao final, gostei de saber com quem Jane estava conversando, mas esse clímax é abrupto e as coisas se desenrolam rápido demais nas últimas páginas, deixando várias pontas soltas.

Como ponto positivo, tem uma discussão que foi abordada muito timidamente na obra, mas que gostei que estivesse lá: a questão de como priorizamos determinados tipos de amor. Para Jane, o amor entre Marnie e ela é enorme, profundo, bem sedimentado – até que o amor romântico chega “para atrapalhar”. Claro, Jane deturpa completamente os limites da relação, mas acho interessante a problematização da personagem de que nós sempre damos mais espaço e importância para o amor romântico, colocando os outros tipos em espaços menores dentro de nossas vidas (seja o amor familiar ou o amor pelos amigos). E especialmente nós, mulheres, somos muuuito incentivadas a colocar nossa energia em encontrar nosso par ideal, em casar e ter filhos, então acho sempre válido quando uma obra nos coloca a questionar esse status quo.

Sete Mentiras fez uma promessa que não cumpriu. As mentiras não são tão relevantes assim e, na minha opinião, não são a causa de tudo que acontece na trama. O mistério não instiga, as personagens são difíceis de engolir e não há nada que realmente te convença sobre aquilo que você está lendo. Pra mim não foi uma experiência legal, mas espero que quem opte por ler goste mais do que eu. =)

Título original: Seven Lies
Autora:
Elizabeth Kay
Editora: Suma
Número de páginas: 272
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Review: Friends: The Reunion

Oi pessoal, tudo bem?

Friends é minha série favorita, e como todos os fãs do sexteto eu estava ansiosíssima pra conferir a tão aguardada reunion. O post de hoje é menos racional e mais emotivo, porque eu quero compartilhar as sensações sentidas ao longo desse especial de quase 2h. Vem comigo?

Sinopse: No episódio especial Friends: The Reunion, acompanhamos os bastidores de uma das maiores sitcoms de todos os tempos. Assista à reunião de Rachel, Ross, Joey, Monica, Chandler, Phoebe e outros personagens, através de entrevistas, relembrando episódios clássicos e contando histórias até então desconhecidas da série que marcou diversas gerações.

Juro pra vocês: aos 2 minutos de exibição eu já tava com lágrimas nos olhos. Assistir cada membro do elenco principal entrar no estúdio depois de tantos anos foi emocionante, e cada um deles expressou seus sentimentos a sua maneira. David Schwimmer, Matt LeBlanc, Lisa Kudrow, Courteney Cox, Matthew Perry e Jennifer Aniston não pisavam naquele espaço que foi uma “segunda casa” por 10 anos desde que a série terminou, então é contagiante ver a reação de cada um ao relembrar os momentos ali vividos.

Friends: The Reunion acerta em cheio ao não mexer com a história da série original. Há, no máximo, a opinião dos atores sobre como seus personagens estariam. O programa é conduzido com uma estrutura dividida mais ou menos em: elenco e produção sendo entrevistado por James Corben; os seis ao redor de uma mesa reproduzindo as falas de determinadas cenas; reprodução de cenas e momentos icônicos; o grupo jogando novamente aquela competição que, na série original, valeu o apartamento de Monica e Rachel; retorno de nomes importantes do elenco (não vou contar quais pra não estragar sua experiência); fãs pelo mundo contando a importância da série em suas vidas; e, é claro, momentos apenas com os seis amigos e suas reminiscências da época.

Ao longo do reunion foi impossível não rir e chorar ao mesmo tempo. A emoção dos envolvidos te contagia, assim como a emoção dos fãs, principalmente quando você se identifica com suas falas. Eu assisti Friends em uma época difícil e conturbada da minha vida, e a série foi uma fonte importante de alegria e conforto, o que me faz ter um carinho incomensurável por ela. E no que diz respeito às risadas e surpresas, elas não faltaram: o show apresenta cenas originais da série, erros e problemas que aconteceram nas gravações e a revelação de um crush que eu fiquei cho-ca-da, porque não fazia ideia. 👀

Não sei se conseguiria ser objetiva o suficiente pra listar minhas partes favoritas, mas vou tentar (pule se não quiser pegar spoilers!):

  1. A abertura, é claro! Aqueles acordes marcantes já te colocam no mood certo e trazem de volta a nostalgia. ❤
  2. Lisa Kudrow cantando Smelly Cat com a fuckin’ Lady Gaga! E o coral também (lembram quando a Phoebe grava um clipe?).
  3. A revelação do crush que comentei anteriormente, que deu pra sentir nitidamente nas filmagens dos bastidores. 👀
  4. Os erros de gravação, em especial aquele em que o Matt LeBlanc fica tropeçando ao entrar no Central Perk e o que Matthew Perry faz a dancinha constrangedora do Chandler e os meninos imitam. 😂
  5. O jogo “pelo apartamento”, onde obviamente a palavra transponster foi mencionada hahaha!

Resumindo, Friends: The Reunion é um presente embalado com todo o carinho pelo elenco e pelos produtores aos fãs. É uma homenagem à série que, mesmo 17 anos após sua conclusão, segue atraindo novos fãs ao redor do mundo. É uma demonstração do amor e do carinho que aquelas pessoas sentem umas pelas outras, ainda que a vida as tenha levado para outras rotinas, o que também nos lembra que nossas próprias vidas podem seguir o mesmo caminho – o que não diminui nosso amor por amizades que não vemos mais todos os dias. É um especial que, para os fãs de Friends, chegou pra deixar o coração quentinho. ❤

Título original: Friends: The Reunion
Ano de lançamento: 2021
Direção: Ben Winston
Elenco: Jennifer Aniston, Courteney Cox, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, Matthew Perry, David Schwimmer