Dica de Série dupla: Luke Cage e Punho de Ferro

Oi gente! Tudo bem com vocês?

Pra finalizar as séries de super-heróis da Netflix e da Marvel, hoje eu trago pra vocês minha opinião sobre Luke Cage e Punho de Ferro! 🙂

Resolvi fazer essa Dica de Série dupla por três fatores: 1) acho que combina falar deles juntos, já que eles formam uma bela amizade nas HQs; 2) fiquei pilhadíssima com o trailer de Os Defensores, que saiu há algum tempo e 3) essas foram as duas séries da parceria Netflix e Marvel de que menos gostei. Vamos aos reviews?

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Sinopse: Depois que um experimento sabotado ter deixado Luke Cage com uma super-força e pele indestrutível, ele se torna um fugitivo que tenta reconstruir a vida no Harlem, bairro de Nova York. Mas logo ele é forçado a sair das sombras e lutar pela sua cidade, bem como confrontar o passado do qual tentou fugir e assumir a identidade de herói.

A história de Luke Cage pode ter começado em Jessica Jones, mas na sua série solo ela ganha mais profundidade e conhecemos mais do passado do herói. A série começa com Luke trabalhando na Barbearia do Pop, localizada no Harlem – um bairro majoritariamente negro. Lá, a violência fica cada vez mais expressiva, principalmente pela ação dos primos Cornell “Boca de Algodão” Stokes (dono da boate mais popular do local, onde ocorrem diversas atividades criminosas) e Mariah Dillard (vereadora que usa sua influência para ajudar Cornell). Luke mantém suas habilidades especiais – ele é super forte e sua pele é à prova de balas, extremamente resistente – em segredo, e apenas Pop sabe a verdade. Quando o dono da barbearia é assassinado, Luke toma para si a responsabilidade de acabar com Boca de Algodão e Mariah Dillard, ao mesmo tempo em que desvenda segredos sobre seu próprio passado.

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Luke Cage tem um enredo consistente, apesar de desandar no final – algo que senti também em Jessica Jones. Existem muitos vilões, o que acaba dividindo a atenção do espectador e enfraquecendo todos eles, em especial o último, que deveria ser também o principal e mais ameaçador. Luke não é um protagonista muito carismático, mas felizmente a enfermeira mais badass de Nova York, Claire Temple, supre essa demanda, já que ela ganha bastante destaque nessa série. Outra personagem feminina super forte que merece destaque é a policial Misty Knight: honesta, determinada e corajosa, ela defende o Harlem com unhas e dentes. Luke Cage também é uma série importante por trazer muita negritude e representatividade, já que o Harlem é um bairro predominantemente negro: da trilha sonora aos costumes locais, a série acerta em cheio ao abordar esses aspectos, que normalmente são deixados de lado em outras produções televisivas.

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Em suma, Luke Cage é uma boa série, mas cujo protagonista não encanta. Tem uma história coerente e interessante, mas não a ponto de querer me fazer maratonar. Assisti mais por querer acompanhar os quatro heróis que farão parte de Os Defensores, confesso, mas não me arrependi de dedicar algumas horas à série. 🙂

Título original:  Marvel’s Luke Cage
Ano de lançamento: 2016
Criador: Cheo Hodari Coker
Elenco: Mike Colter, Mahershala Ali, Simone Missick, Alfre Woodard, Theo Rossi, Rosario Dawson, Erik LaRay Harvey

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Sinopse: Daniel Rand (Finn Jones) é um bilionário, herdeiro da fortuna das Indústrias Rand. Por 15 anos, todos acreditaram que ele estava morto, após um acidente de avião no Himalaia que vitimou seus pais, Wendell e Heather Rand. Mas Danny foi salvo e viveu todo esse tempo na cidade mística de K’un-Lun, uma das Sete Capitais do Céu. Lá, Danny aprendeu a canalizar o seu chi e se tornou o Punho de Ferro. De volta a Nova York, ele vai tentar retomar seu posto na empresa, agora sob o comando de seus amigos de infância Joy (Jessica Stroup) e Ward Meachum (Tom Pelphrey). Mas ele precisa convencer a todos que é realmente quem diz ser e combater o Tentáculo, com a ajuda de Colleen Wing (Jessica Henwick).

Em Punho de Ferro, acompanhamos a história de Danny Rand, que volta a Nova York depois de anos treinando em um monastério localizado em outro plano astral. Quando criança, ele e os pais sofreram um acidente de avião, e Danny foi o único sobrevivente. Salvo por monges de K’un-Lun (esse local sagrado em outro plano), Danny foi treinado nas artes do kung fu e conseguiu o título de Punho de Ferro – o herói responsável por proteger K’un-Lun do Tentáculo (que deu as caras pela primeira vez em Demolidor). Danny volta à Nova York para retomar sua antiga vida como herdeiro da empresa que leva seu nome, ao mesmo tempo em que pretende acabar com o Tentáculo. Nesse processo, ele torna-se aliado da instrutora de artes marciais Colleen Wing e entra em conflito com os atuais gestores das Indústrias Rand: Ward e Joy Meachum, seus amigos de infância e filhos do antigo sócio do pai de Danny.

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Serei direta: Punho de Ferro é a pior das quatro séries oriundas da parceria Marvel e Netflix. Finn Jones interpreta um Danny Rand inconsistente, que ora é um monge tranquilo e comedido, ora perde as estribeiras com qualquer situação de conflito. As cenas de luta são vergonhosas, principalmente quando consideramos que o Punho de Ferro é o personagem que mais deveria ter maestria em combates corpo a corpo. A história tenta colocar plot-twists a todo momento, inclusive da metade para o final, quando os personagens já deveriam ter sido bem estabelecidos (como ocorre, por exemplo, com a inserção de Bakuto, mais um dos vilões). Isso tira a força dos plot-twists, que acabam soando mais como tentativas desesperadas de tentar fazer o enredo engrenar. Falando ainda em vilões, Punho de Ferro repete o erro de Luke Cage, mas de modo ainda mais falho: a série tem diversos antagonistas, sendo que um dos maiores já é revelado de cara, não sobrando nenhuma surpresa para o espectador. O único personagem novo que é interessante na série é Ward Meachum – ele é o mais próximo do cinza que temos em Punho de Ferro, tendo suas forças e fraquezas trabalhadas e seu psicológico desenvolvido. Já Claire Temple, como sempre, rouba a cena, sendo a visão do público em meio às loucuras que presencia, sempre com comentários ácidos e engraçados e uma visão mais racional das coisas.

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Punho de Ferro parece ter sido feito às pressas e sem orçamento, mas eu tenho que admitir: o ritmo dos episódios é bom, e dá vontade de assistir um após o outro porque o enredo não chega a ser cansativo (apesar dos diversos momentos nonsense). Espero que o personagem Danny Rand/Punho de Ferro seja melhor desenvolvido em Os Defensores, porque é uma pena ver a qualidade das séries Marvel/Netflix decair. Pra quem pretende acompanhar todas as séries dessa parceria, não há como fugir de conferir Punho de Ferro. Mas meu conselho é que você assista sem muitas expectativas.

Título original:  Marvel’s Iron Fist
Ano de lançamento: 2017
Criador: Scott Buck
Elenco: Finn Jones, Jessica Henwick, Tom Pelphrey, Jessica Stroup, David Wenham, Rosario Dawson

Vamos conversar sobre 13 Reasons Why?

Oi pessoal, como estão?

Lembram que na semana passada, quando postei sobre Jessica Jones, comentei que tinha terminado 13 Reasons Why e não sabia exatamente como falar a respeito? Pois bem, durante a semana fui maturando meus sentimentos, lendo opiniões diversas e debatendo o assunto, e hoje trago pra vocês a síntese do que senti em relação a essa série. Esse post é e não é ao mesmo tempo um Dica de Série, pois não quero apenas fazer um review, mas levantar também algumas reflexões. Espero que gostem e tenham paciência pra ler esse textão. 🙂

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Sinopse: Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katheriine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida – além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos.

Vamos falar um pouco sobre a série. 13 Reasons Why tem a seguinte premissa: Hannah Baker se suicidou. Enquanto a escola na qual a garota estudava lida com isso, Clay Jensen, nosso protagonista (que era apaixonado por Hannah), recebe uma caixa com fitas gravadas pela garota. Nessas fitas, ela conta os motivos pelos quais tomou tal atitude, e Clay está nessas fitas. Enquanto as ouve, o garoto se depara com o sofrimento de Hannah e com coisas muito mais sombrias do que pensava.

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Eis o grande “trunfo” da série pra manter o espectador curioso: por que Clay está nas fitas? O que ele fez? O que ele deixou de fazer? Essa dúvida faz com que você queira continuar assistindo episódio após episódio, por mais que o desenrolar da trama seja bastante lento em diversos momentos. Alguns episódios são arrastados e talvez não precisassem de 50 minutos pra serem contados. Pra mim, esse é um dos maiores defeitos enquanto série (analisando apenas como uma produção para a TV, sem debates mais profundos).

Contudo, a série acerta muito em outros aspectos: a atuação dos jovens atores é brilhante, com destaque para os dois protagonistas, Katherine Langford e Dylan Minnette (Hannah e Clay, respectivamente). Enquanto Katherine conseguia passar toda a esperança, o sofrimento e as desilusões de Hannah (e ao mesmo tempo imitar perfeitamente o sotaque americano, considerando que ela é australiana), Dylan trouxe à vida um Clay desajustado socialmente, tímido, mas carismático (no passado) e também fechado, magoado e confuso (no presente). Outros dois jovens atores merecem destaque nas atuações: Alisha Boe (Jessica) e Brandon Flynn (Justin). Ambos foram protagonistas de cenas de grande sofrimento e entregaram muita emoção no que faziam. Kate Walsh, que interpreta a mãe de Hannah, também emociona, como uma mãe que não aceita o destino da filha e está obcecada em descobrir por quê Hannah fez o que fez, já que a garota não deixou nenhum bilhete ou explicação.

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Bullying e machismo

A partir de agora, o review contém spoilers!

Bom, agora eu gostaria de entrar no primeiro ponto de debate sobre 13 Reasons Why. Conversando com algumas colegas da faculdade, percebi uma coisa que não tinha notado: sim, a série é sobre bullying. Mas ela é também sobre machismo. E quase ninguém está falando a respeito.

Hannah começa a sofrer quando iniciam um boato de que ela transou com Justin. Depois, ela vai parar em uma lista das “melhores e piores da escola” como tendo a melhor bunda. Depois, uma falsa amiga espalha boatos sobre sua reputação para esconder o próprio segredo. Depois, um cara se acha no direito de tentar tocá-la. Depois, ela presencia um estupro. Depois, ela própria é estuprada. E, por fim, quem deveria ajudá-la acaba culpabilizando a garota pelo que aconteceu. Ou seja, as agressões que a personagem sofre, em sua maioria, são originadas do julgamento alheio a respeito da sua sexualidade. Sim, acontecem outras coisas no meio de tudo isso que entram na categoria de bullying, mas se analisarmos o cerne de tudo que acontece com ela e que faz com que o copo transborde, vamos encontrar um denominador comum: o machismo.

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Em determinado momento, Hannah diz a essa falsa amiga que não se importa com rumores. E, por um tempo, a garota consegue “aguentar o tranco” por mais que sofra com tudo que está acontecendo. O problema é que o acúmulo de coisas vai se tornando um fardo muito pesado, e a personagem (que começa a série mentalmente saudável) vai adoecendo, apesar do enredo não focar nisso com muita eficiência. No final, após o estupro, ela já se sente morta. E eu imagino que muitas mulheres que passam por isso realmente possam se sentir assim – sem esperança, sem vontade de seguir em frente, após terem seu corpo e sua alma violados.

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Ainda dentro desse espectro, unindo bullying e machismo, a série critica comportamentos que, infelizmente, são extremamente comuns na nossa sociedade. Alguns personagens são passivos e deixam coisas erradas acontecerem, motivados pelo desejo de aceitação. Outros, como Bryce, são o estereótipo de sucesso americano: ricos, poderosos, inatingíveis. São aqueles homens que fazem parte do time da escola, que tem um futuro brilhante e que acreditam que todas as mulheres querem estar com eles. São o tipo de cara que não sabem ouvir “não” e que acreditam que o mundo está sob seus pés. Infelizmente, esse tipo de homem é mais comum do que eu gostaria de acreditar.

13 Reasons Why é sobre bullying e suas consequências? Também. Tyler é uma prova disso, já que no final vemos o tipo de personagem que ele vai se tornar. Mas a série traz outra questão fundamental que, infelizmente, nem a própria série parece assumir: machismo. E machismo mata.

Sobre gatilhos, riscos e a cena do suicídio

Outro debate que vem tomando as redes sociais é sobre a irresponsabilidade da série em relação aos riscos que ela traz para pessoas emocionalmente fragilizadas. Explico: alguns estudiosos do assunto, pessoas com depressão e educadores têm se mostrado preocupados com a abordagem escolhida por 13 Reasons Why para tratar da questão do suicídio. Segundo esses críticos, a série não segue recomendações da Organização Mundial de Saúde ao retratar de modo explícito o suicídio, o que pode servir como gatilho para pessoas que já pensam no assunto.

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Honestamente, não posso falar nessa questão com propriedade, pois não me enquadro no grupo de risco. Mas posso dizer o seguinte: a série me causou tanta bad que, no fim de semana em que terminei, eu realmente não queria fazer nada, nem mesmo sair de casa. Tenho crises de ansiedade e, como mulher, sofri especialmente nas cenas de estupro – pois sabia que é um risco que todas nós corremos. A cena da morte da Hannah, pra MIM, não foi romantizada: não havia música de fundo, a personagem sofre ao se machucar e tudo ocorre de modo visceral e agoniante. E, mesmo eu não sendo grupo de risco, fiquei mal. Falei disso com a minha psicóloga, pra vocês terem ideia.

Então se eu, que não sofro com problemas psicológicos graves, fiquei fragilizada, consigo imaginar o que alguém nessa situação possa ter sentido. E isso me fez entender que sim, existem riscos, e essa abordagem pode sim ser gatilho pra alguém que pensa no assunto. Porque o final da Hannah é desesperançoso: quando ela tenta buscar ajuda, ela não consegue. E, por mais que o final tente trazer alguma luz por meio de Clay e Skye, a verdade é que nós nos afeiçoamos à Hannah. Nos identificamos com Hannah. E a Hannah não vê outra solução que não se matar. Entendem como isso é problemático? Não acredito que a série faça suicidas. Infelizmente, pessoas que pretendem fazer isso sabem como fazer e onde pesquisar. É triste, mas é a realidade. Mas eu acredito que sim, a série possa disparar gatilhos em quem já se vê sem esperança.

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Por outro lado, o Centro de Valorização à Vida – que fez uma parceria de divulgação com a Netflix – vem registrando um aumento significativo na busca por ajuda. É algo positivo? Com certeza. Vale o risco de perder alguém que não veja outra solução? Eis o x da questão. 

Eis o que penso que poderia ter ajudado nessas questões: acredito que a série deveria trazer avisos de “conteúdos fortes” desde o primeiro episódio, pois isso começa a acontecer apenas no episódio 9 e, até lá, o espectador já está envolvido com a história. Além disso, acredito que no fim de cada episódio poderia ter alguma cena com algum psicólogo ou psiquiatra dando conselhos a respeito do assunto e divulgando os telefones do CVV. Acho que seria uma forma de minimizar os riscos trazidos pela história e falar no assunto com mais responsabilidade. E, por fim, o adoecimento mental da Hannah – que é mais subentendido do que mostrado – poderia ter mais espaço na trama, em vez de tanto “suspense” acerca das fitas.

Em suma, eu gostei de 13 Reasons Why. É uma série que me fez pensar e mexeu comigo. Porém, acredito que ela funcione mais para pessoas que podem ser “porquês” do que pra pessoas fragilizadas emocionalmente. Se eu recomendo a série? Não pra todo mundo. Leia a respeito dela, pegue spoilers se for preciso, reflita sobre como você se sente e, só depois disso, tome a decisão de assistir ou não. E não esqueça: você é importante. 🙂

(Deixo aqui embaixo o telefone do CVV e alguns links com opiniões que tem mais propriedade pra falar da questão da depressão e do suicídio.)

Título original: 13 Reasons Why
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Brian Yorkey
Elenco: Dylan Minnette, Katherine Langford, Christian Navarro, Brandon Flynn, Alisha Boe, Miles Heizer, Justin Prentice, Michele Ang, Kate Walsh

Dica de Série: Jessica Jones

Oi gente, tudo bem?

Enquanto não organizo os pensamentos pra falar sobre 13 Reasons Why, a nova série da Netflix, resolvi me redimir e escrever um pouquinho sobre outra série do serviço de streaming que eu assisti, gostei, mas não resenhei antes: Jessica Jones! 🙂 Assim, aproveito e cumpro minha promessa do ano passado, na qual eu comentei que traria conteúdos sobre os quais eu queria falar por aqui! 😛

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Sinopse: Desde que sua curta vida como super-heroína acabou de forma trágica, Jessica Jones (Krysten Ritter) vem reconstruindo sua carreira e passou a levar a vida como detetive particular no bairro de Hell’s Kitchen, em Nova York, na sua própria agência de investigações, a Alias Investigations. Traumatizada por eventos anteriores de sua vida, ela sofre de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, e tenta fazer com que seus super-poderes passem despercebidos pelos seus clientes. Mas, mesmo tentando fugir do passado, seus demônios particulares vão voltar a perseguí-la, na figura de Zebediah Kilgrave (David Tennant), um obsessivo vilão que fará de tudo para chamar a atenção de Jessica.

Depois de me viciar totalmente em Demolidor – foi uma das melhores séries de 2015 pra mim –, fiquei cheia de expectativas pra conferir Jessica Jones. Porém, ao contrário da série do Demônio de Hell’s Kitchen, o envolvimento com o enredo demorou a acontecer. Os primeiros episódios de JJ (vou abreviar, tá?) são mais arrastados e tem um desenrolar mais lento, apresentando devagar a protagonista e suas nuances. Jessica sofre de estresse pós-traumático e tem sérios problemas com alcoolismo. No passado, já usou suas habilidades especiais (ela é super forte e resistente) para ajudar outras pessoas, mas hoje ela trabalha como detetive particular – enquanto afoga seus traumas na bebida.

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O motivo pelo qual a personagem se encontra nessa situação é o abuso psicológico e sexual que sofreu graças a Kilgrave, um indivíduo que também tem habilidades especiais: ele é capaz de controlar as pessoas apenas falando com elas. E, por muito tempo, ele fez uso dessas habilidades para controlar Jessica e mantê-la ao seu lado. Em determinado momento, após um acontecimento marcante, a personagem consegue se desvencilhar desse controle e acredita que Kilgrave estava morto. Mas o desaparecimento da estudante Hope Shlottman leva Jessica a enfrentar os seus medos e rever suas crenças.

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Jessica Jones é uma série muuuito girl power. Jessica é uma anti-heroína de personalidade forte, que quebra muitos paradigmas sobre feminilidade. Assombrada pelo passado, cheia de paranoias e emocionalmente destruída, Jessica é uma das representações possíveis de alguém que foi abusada, convive com as consequências disso e tenta seguir em frente. Ela não se preocupa em agradar ninguém, ela não liga pro que pensam dela e ela faz o que precisa ser feito, rompendo o ideal de personagem feminina que vemos em tantas produções. Além dela (e do fato da série ter sido criada por uma mulher), temos também Trish Walker, a melhor amiga de Jessica. Ela é determinada, profissional e corajosa, sendo um ponto de apoio fundamental para a protagonista, que não confia em ninguém. A amizade das duas é uma das melhores amizades femininas das séries porque, mesmo com personalidades tão distintas, as duas se amam e se preocupam genuinamente uma com a outra. Em um mundo em que a rivalidade feminina é incentivada, esse tipo de relação deve ser celebrada. 🙂 Outra personagem feminina forte é Jeri Hogarth, a advogada que muitas vezes contrata os serviços de Jessica. Lésbica, bem-sucedida, inteligente, mas também cheia de defeitos (entre eles a ganância e a indiferença), ela é uma personagem complexa, real e que mostra como personagens femininas podem ser muito mais que mocinhas inocentes. Outro personagem que merece ser comentado é Luke Cage, que é introduzido em JJ e depois ganha sua própria série. Infelizmente o personagem não me conquistou, tanto aqui quanto na sua série solo.

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O vilão também é bem trabalhado e, por muitas vezes, quase consegue nossa simpatia (em parte graças ao carisma de David Tennant). Totalmente obcecado por Jessica, Kilgrave tenta de todas as maneiras manipulá-la, por meio do discurso, da perseguição e da ameaça de violência. Podemos fazer um paralelo com a realidade: muitos homens, por meio do charme e da manipulação psicológica, conseguem fazer as vítimas de abuso acreditarem que eles estão arrependidos e podem mudar. O personagem representa homens que, mesmo sem habilidades especiais, conseguem minar a autoconfiança de suas parceiras e fazê-las duvidar da sua própria sanidade. É um tipo de violência que faz com que as vítimas se vejam em um ciclo vicioso extremamente difícil de sair, já que esses agressores utilizam-se da confiança que suas parceiras têm ou um dia tiveram nelas. No caso de Kilgrave, a relação com a Jessica se inicia devido aos seus poderes de controle mental, mas ainda assim é uma representação do que acontece na vida real.

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Não vou negar: Jessica Jones tem altos e baixos (especialmente da metade pro final, com algumas viagens wtf no roteiro) e não me envolveu tanto quanto a primeira temporada de Demolidor. Mas ela também é genial, pois não foca em mostrar estupro e abuso de maneira explícita, como tantas outras séries fazem e sem motivos importantes. Ela vai além: ela mostra as consequências de tudo isso. Ela mostra o sofrimento de quem passa por esse tipo de trauma e também das pessoas próximas, que são obrigadas a ver alguém querido em um sofrimento constante. Ao abordar de maneira tão verossímil essas questões, Jessica Jones torna-se mais do que uma série de super-heróis, trazendo um tema e uma discussão necessários a milhares de pessoas. Recomendo! 🙂

Título original: Marvel’s Jessica Jones
Ano de lançamento: 2015
Criadores: Melissa Rosenberg
Elenco: Krysten Ritter, David Tennant, Rachel Taylor, Mike Colter, Carrie-Anne Moss

Dica de Série: Agent Carter

Oi, meu povo! Tudo bem com vocês?

Faz tempo que eu não trago um review de série, né? E acreditem: tenho muuuita coisa pra indicar. Entre 2015 e 2016 eu assisti a várias séries, mas minha desorganização não permitiu que eu falasse a respeito. Então, pra começar a dar conta desse conteúdo que eu quero trazer pra vocês, resolvi falar de uma das últimas séries que vi ano passado: Agent Carter (ou Marvel’s Agent Carter)!

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Sinopse: Agent Carter conta a história Peggy Carter (Hayley Atwell). O ano é 1946, e Peggy se encontra marginalizada quando os homens retornam ao lar após a Guerra. Trabalhando para a SSR (Reserva Científica Estratégica, em inglês), Peggy precisa balancear o trabalho administrativo e missões secretas para Howard Stark, ao mesmo tempo em que leva uma vida solteira após perder o seu amor, Steve Rogers.

Agent Carter começa mostrando os acontecimentos após a “morte” do Capitão América, que ocorre no fim do filme de origem do Primeiro Vingador. Peggy Carter, que no filme era o interesse amoroso de Steve Rogers, seguiu sua carreira após a guerra – agora como uma agente da Reserva Científica Estratégica (ou SSR, em inglês). Contudo, a protagonista não usufrui mais do respeito que tinha na época da guerra. Agora, ela é vista por seus colegas como uma simples telefonista ou secretária. Em meio à frustração profissional, Peggy vê seu amigo Howard Stark (sim, o pai do Tony) ser acusado de traição, e ele pede sua ajuda para provar sua inocência. Fazendo um papel de agente dupla, contando apenas com a ajuda do mordomo de Howard, Edwin Jarvis, Peggy vê uma oportunidade de realmente fazer a diferença.

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Agent Carter é uma série extremamente cativante. Primeiro, porque Peggy é maravilhosa. Apesar de se encontrar em um cargo inferior ao que tinha e viver todos os dias situações humilhantes motivadas pelo machismo de seus colegas de trabalho, a personagem segue fiel a seus princípios e lutando pelo que acredita, ao mesmo tempo em que convive com a dor por ter perdido o homem pelo qual se apaixonou. Ao aceitar ajudar Howard Stark, Peggy vê a oportunidade que precisava para sentir-se útil novamente, ao mesmo tempo em que prova para si mesma (e para os outros) sua capacidade.

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Jarvis também rouba a cena, sendo o melhor sidekick que vi em muito tempo: leal, gentil, medroso e corajoso ao mesmo tempo – tudo isso faz de Jarvis uma pessoa a qual nos apegamos sem esforço, e ele acaba ganhando também a afeição de Peggy, que vê nele um grande amigo. Além disso, eu amo a voz do James d’Arcy, que vive o Jarvis. ❤ Outro personagem que vale a pena mencionar é Daniel Sousa, um ex-soldado que, assim como Peggy, é marginalizado e visto como inferior por seus colegas. Isso se deve ao fato dele ter voltado da guerra como deficiente devido a uma lesão na perna. Ele é um dos poucos homens que confiam em Peggy e eu shippo os dois demais hahaha! ❤

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O enredo da primeira temporada é muito instigante, apresentando uma trama que envolve traições do governo americano e espiões russos – algo que super combina com a ambientação pós-Segunda Guerra Mundial. Na segunda temporada o foco é outro, um pouco mais “sobrenatural” e, apesar de não ser tão envolvente quanto a primeira, mantém a excelente qualidade. Infelizmente, a série foi cancelada na segunda temporada, deixando os fãs da Peggy e do Jarvis órfãos. 😦 Com tantas séries ruins no ar, é bem revoltante que tenham cancelado Agent Carter depois de apenas duas temporadas, além de ter sido um grande desperdício de um ótimo material. O final tem alguns encerramentos (o que nos dá certo conforto), mas também deixa pontas soltas para uma próxima temporada que são de cair o queixo (o que me fez querer arrancar os cabelos por saber que não teria mais nenhum episódio).

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Agent Carter não é uma obra-prima incomparável ou uma série totalmente inovadora. Sim, tem alguns clichês e situações fantasiosas. Mas sinceramente? Em um mundo repleto de machismo, em que super-heróis masculinos são referência e garantem lucros às empresas e heroínas femininas ou têm pouco espaço ou são hipersexualizadas, Agent Carter foi uma grata surpresa. Com uma trama interessante, atuações excelentes, figurinos maravilhosos e a mistura perfeita entre ação e comédia, a série é um belo chute na bunda nos machistas – chute este dado pela maravilhosa Peggy Carter, um exemplo maravilhoso de heroína! ❤ Amei a série e recomendo fortemente! 

Título original: Marvel’s Agent Carter
Ano de lançamento: 2015
Criadores: Stephen McFeely, Christopher Markus
Elenco: Hayley Atwell, James d’Arcy, Enver Gjokaj, Chad Michael Murray, Dominic Cooper

Review: Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar

Oi pessoal! Tudo certo?

Conforme prometi na semana passada, para o post de hoje eu trago meu review/Dica de Série sobre Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar, o tão falado revival da Netflix. Esse especial se passa em quatro episódios, cada um narrando uma estação do ano. 🙂

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Sinopse: Bem-vindo de volta a Stars Hollow. Nove anos depois, saiba o que está acontecendo na vida das mulheres Gilmore: a relação de Lorelai (Lauren Graham) com Luke (Scott Patterson) está em uma pausa desconcertante; a carreira jornalística de Rory (Alexis Bledel) parou antes mesmo de começar e o mundo de Emily (Kelly Bishop) virou de cabeça para baixo após a morte de Richard (Edward Herrmann).

Preciso dizer que, ao contrário da maioria das pessoas, eu gostei da sétima temporada de Gilmore Girls. As pessoas têm muitas críticas a ela por não ter sido obra de Amy-Sherman e Daniel Palladino, que saíram ao final da sexta temporada por problemas contratuais. Porém, todas as coisas toscas e erradas que aconteceram na sétima temporada tiveram origem no fim da sexta, sendo, portanto, criação dos Palladino. Concordo que alguns desenvolvimentos (em especial o de Lane e o de Lorelai e Christopher) foram decepcionantes mas, de modo geral, não achei a temporada ruim. Além disso, a cena final foi perfeita pra mim, sendo um encerramento digno e intimista para uma série como Gilmore Girls, que em seu enredo simples e realista trabalha justamente as relações entre os personagens e os fatos do cotidiano.

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Dito isso, serei sincera: não gostei muito do revival. O primeiro motivo: as duas garotas Gilmore principais não parecem ter evoluído em 9 anos. Lorelai passa por uma crise de meia-idade (bastante compreensível e bem fundamentada), mas continua agindo de modo imaturo em relação à mãe e continua tendo problemas de comunicação com Luke. Contudo, a personagem é extremamente cativante e divertida, então dificilmente consigo me irritar com ela por muito tempo. Além disso, Lauren Graham protagonizou uma das cenas mais bonitas de Gilmore Girls no episódio Outono. Rory, por sua vez, parece não ter aprendido nada com os erros do passado: tem um amante (ou seja, mais uma vez não liga para os sentimentos de outra mulher e, para piorar, dessa vez ela não tem peso algum na consciência), está totalmente perdida na carreira, continua se achando boa demais para determinadas funções (mesmo estando sem perspectiva alguma) e perdeu totalmente a garra que víamos naquela estudante dedicada e focada das primeiras temporadas. A série inclusive brinca com essa inadequação e imaturidade da Rory em relação a vida adulta quando nos apresenta a um novo grupo de Stars Hollow: a Gangue dos 30 e Poucos – jovens adultos que estudaram, viajaram, tiveram várias oportunidades, mas foram “cuspidos” pelo mundo real de volta à casa dos pais. O grande destaque da família Gilmore fica por conta de Emily e – por que não dizer? – Richard. O ator Edward Herrmann, que interpretava Richard, faleceu em 2014, e o revival se preocupa muito em trabalhar a sua ausência durante as quatro estações que compõem o revival. Kelly Bishop que dormiu no formol soube trabalhar de maneira impecável o luto de uma mulher que viveu 50 anos ao lado do marido, vivendo em função dele e cuidando de seu bem estar. Emily passa por diversas fases do luto: vemos a personagem lidando com a tristeza e a melancolia, vemos também um momento “hiperativo” no qual ela tenta se livrar de tudo que há na mansão em que vive, vemos também ela abrindo o coração para novas experiências e, por fim, entendendo como lidar com essa dor. Todo o autoconhecimento e evolução que faltam nas outras duas Gilmore nós encontramos em Emily. Ela foi, de longe, a melhor parte desse revival. ❤ O segundo motivo que me fez não curtir tanto Um Ano Para Recordar é que a passagem do tempo não ficou bacana. Cada episódio mostra uma estação, e a transição não fica natural, sendo um tanto confusa em determinados momentos (principalmente pelas idas e vindas da Rory). Além do mais, alguns minutos preciosos de tela foram gastos com besteiras que estamos cansados de saber que acontecem em Stars Hollow (como aquele musical bizarro, por exemplo).

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Os outros personagens clássicos da série estiveram presentes, e eu gostei da participação de todos. Não vou falar sobre as mudanças na vida de cada um porque o review ficaria muito longo e cansativo, mas fiquei muito satisfeita ao perceber que a maioria deles teve evolução. Apesar de Stars Hollow ser uma cidade pequena e sem grandes novidades, a série soube explorar o que os 9 anos fizeram na vida de seus habitantes. Minha única decepção nesse sentido ficou por conta de Sookie, pois o destino da personagem foi extremamente nonsense. Agora, sobre os tão falados ex-namorados da Rory: quando Gilmore Girls finalmente fez com que eu me apaixonasse pelo Logan, esse revival veio pra me fazer odiá-lo novamente. Assistam, vocês vão entender. Jess, que eu comecei odiando, ganha meu coração desde a season 5, e não foi diferente dessa vez. ❤ E fiquei feliz ao ver o respeito e carinho mútuo entre Dean e Rory. Mas Luke continua sendo o melhor personagem masculino dessa série, e tenho dito! ❤ Por último, mas não menos importante, as duas melhores amigas de Rory voltaram com tudo: Lane continua na música e Paris está mais incrível do que nunca!

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Agora, sobre “as últimas quatro palavras” que Amy-Sherman Palladino pediu para que não divulgássemos: pra mim não foram um bom encerramento. Prefiro a cena final da season 7, honestamente. Quem já assistiu ao revival pode selecionar o próximo trecho (POR FAVOR COMENTEM SOBRE ISSO COMIGO NOS COMENTÁRIOS!): eu entendo que Rory estar grávida possa fechar um ciclo importante na vida das Gilmore. Ela, que sempre foi tão próxima da mãe, agora repete os mesmos passos. Contudo, Lorelai passou por essa experiência com 16 anos, no auge da imaturidade. Rory tem 32, gente! Ela não é uma menininha, toda a relação dela com o Logan é extremamente errada e tóxica. A personagem demonstra que suas graves falhas de caráter continuam, e eu fico muito triste por Rory ter se transformado… nisso. Claro, sem nem precisar mencionar a falta de foco, determinação e perspectivas, características tão marcantes na Rory das primeiras temporadas. Ela é uma pessoa que teve todas as oportunidades do mundo e, ainda assim, sempre deixa a imaturidade e o ego falarem mais alto.

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Bom, pessoal, eu sei que esse review não foi cheio de amores, mas espero que eu tenha conseguido explicar pra vocês o que gostei e o que não gostei em Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar. A qualidade da série em si é muito boa e se mantém fiel ao material original. Os relacionamentos estão ali, os diálogos inteligentes e ágeis também. Contudo, os quatro episódios deixam mais pontas soltas do que conclusões, o que é decepcionante. Mas, para ser honesta, Gilmore Girls sempre foi uma série que me trouxe muitas decepções, principalmente quando eu via os personagens cometendo os mesmos erros. E, por um lado, esse é um dos seus charmes: com personagens falhos e situações verossímeis, é impossível não tomar partido e ficar indiferente ao que assistimos. E, se o revival tinha como missão reacender os antigos sentimentos proporcionados pela série original, ele fez isso muito bem.

Título original: Gilmore Girls: A Year in the Life
Ano de lançamento: 2016
Criadora: Amy Sherman-Palladino
Elenco: Lauren Graham, Alexis Bledel, Scott Patterson, Melissa McCarthy, Kelly Bishop, Liza Weil, Keiko Agena, Yanic Truesdale, Matt Czuchry, Milo Ventimiglia

Dica de Série: Gilmore Girls

Oi pessoal, como estão?

O post de hoje é a primeira parte da minha indicação a respeito dessa série que vem tomando a internet desde que teve um Revival anunciado: Gilmore Girls! 🙂

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Sinopse: Lorelai Gilmore (Lauren Graham) tem uma relação tão amigável com sua filha, Rory (Alexis Bladel), que muitas vezes elas são confundidas como irmãs. Entre o relacionamento de Lorelai com seus pais, a nova escola preparatória de Rory, e os romances nas vidas das duas, há muito drama e muita diversão acontecendo.

Eu comecei a assistir Gilmore Girls por curiosidade, mas sem maiores pretensões. Até comentei que não iria maratonar! Mas, obviamente, eu menti pra mim mesma e maratonei, assistindo as 7 temporadas em três meses e aguardando ansiosa o Revival. 😛 No post de hoje, vou falar sobre a série original e na semana que vem eu dou minha opinião sobre Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar, combinado? 😉

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Em Gilmore Girls, somos apresentados a Lorelai Gilmore, uma mulher forte e decidida. Nascida em berço de ouro, ela engravidou aos 16 anos, não quis se casar com o pai de sua filha e saiu de casa para tentar a vida de modo independente. Também conhecemos Rory Gilmore, filha e melhor amiga de Lorelai, uma menina estudiosa e apaixonada pelos livros. A série tem uma premissa simples: acompanhamos o dia a dia das duas na pequena cidade de Stars Hollow, vemos suas amizades, seus relacionamentos, suas dúvidas, seus medos, suas conquistas, seus diálogos implacáveis e seu vício por café. É como se fôssemos amigos delas e víssemos de perto sua trajetória. A série não tem reviravoltas mirabolantes ou situações impensáveis, pois retrata de maneira bem realista a vida de Lorelai e Rory. A terceira garota Gilmore é Emily, mãe de Lorelai. Ela e a filha sempre tiveram problemas no relacionamento, agravados após a gravidez de Lorelai e sua saída de casa. A história começa com a reaproximação de Lorelai e seus pais, pois ela precisa de dinheiro emprestado para que Rory possa estudar em um colégio particular de elite, Chilton (pois o sonho da menina é ir para Harvard, o que exige uma educação de ponta).

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O grande trunfo de Gilmore Girls está nos personagens. Lorelai e seus diálogos velozes, cheios de referências e entusiasmo, é uma personagem de grande força. Apesar de ter tido uma adolescência repleta de privilégios, no momento em que ficou grávida ela decidiu trilhar o próprio caminho. Sua relação com sua mãe, Emily, e seu pai, Richard, sempre foi controversa, pois a personagem nunca quis a vida regada a luxo e convenções sociais que seus pais sonhavam para ela. E ela se saiu muito bem criando Rory sozinha e construindo um novo lar em Stars Hollow. Infelizmente, não tenho muitas palavras positivas pra falar de Rory, que é a personagem de que menos gosto. Ela começa a série sendo uma pessoa doce e esforçada, fazendo com que eu torcesse por ela e me identificasse com seu amor pelos livros e a pouca habilidade social, mas com o passar do tempo a personagem só dá mancadas com todo mundo. Ela foi protegida em demasia por Lorelai e acaba apresentando falhas de cárater graves, principalmente quando não reconhece os erros que comete e se vitimiza. A próxima frase é um spoiler, selecione se quiser ler: fico pasma com uma personagem que trai o namorado e depois perde a virgindade com ele depois que o cara casou (Dean, no caso)! E o pior: essa não é última vez que a personagem vai fazer algo do tipo. Além de demonstrar ingratidão diversas vezes não apenas em relação à Lorelai, mas aos avós (olá, season 6).

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Os personagens secundários também são ótimos: Luke é um amigo leal e uma pessoa incrível, sendo o pretendente que todo fã deseja ver ao lado de Lorelai; Sookie, a melhor amiga de Lorelai (além da Rory), é engraçada e talentosa; Lane é a melhor amiga que Rory poderia ter, além de possuir o melhor gosto musical da série; Paris rouba a cena desde sua primeira aparição, nos levando do ódio ao amor profundo; os namorados de Rory (Dean, Jess e Logan) também têm papéis importantes na vida da garota, cada um com suas características; Michel é ranzinza, mas ganha um lugar em nossos corações; Kirk, Srta. Patty e Babette são três das figuras mais carismáticas e divertidas de Stars Hollow, e por aí vai. A própria Star Hollow é uma personagem importante, com seus eventos temáticos, seu jeitinho único e suas peculiaridades encantadoras.

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É inegável que grande parte do enredo de Gilmore Girls se concentra em Lorelai, Rory e a relação das duas com os pais de Lorelai. Há muita mágoa por parte de Emily e Richard, que veem na atitude de Lorelai (sair de casa e se afastar totalmente deles) uma repulsa por tudo o que eles representam. Da parte de Lorelai, existe muito ressentimento por ter sido forçada a um estilo de vida que não queria ter. Porém, Rory é o elo que conecta esses dois mundos e tenta ao máximo melhorar essa relação conturbada. Outro aspecto de destaque no enredo é a passagem do tempo para os personagens, pois durante as temporadas eles vivenciam muitas coisas importante: decisões profissionais, relacionamentos, experiências e decisões difíceis… E isso faz com que o espectador se conecte a suas vidas e torça para que eles encontrem aquilo que buscam.

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Sim, a série também tem falhas. Diversas vezes vemos os personagens retrocedendo em sua evolução e cometendo erros que não fazem o menor sentido dado o momento em que eles estão. E, é claro, os próprios personagens têm defeitos: Lorelai, por exemplo, tem momentos de muita infantilidade ao lidar com seus pais. Rory é uma personagem que não tem como defender, pois é mimada ao extremo enquanto tenta manter a pose de certinha. Emily e Richard vivem forçando a barra com a Lorelai, em vez de tentar compreender, ouvir e confiar na filha. Todos esses aspectos – e falhas – tornam Gilmore Girls uma série verossímil e humana, mas também dão nos nervos de vez em quando, especialmente quando certas atitudes não fazem sentido depois de todas as experiências vividas.

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Gilmore Girls foi uma série que me conquistou, mas me fez passar muita raiva (Rory, maior parte dessa raiva é culpa sua, bjs). É gostosa de acompanhar porque os personagens são muito carismáticos e fazem com que você passe a torcer por eles e querer o melhor para suas vidas. É uma série que contempla momentos que todos nós já passamos ou vamos passar: desilusões amorosas, desafios pessoais e profissionais, momentos em que queremos jogar tudo pro alto… Tudo isso regado a diálogos velozes e inteligentes, muita comida e litros de café. Não é uma série perfeita, mas é carismática e aconchegante. Recomendo! 🙂

Título original: Gilmore Girls
Ano de lançamento: 2000
Criadora: Amy Sherman-Palladino
Elenco: Lauren Graham, Alexis Bledel, Scott Patterson, Melissa McCarthy, Kelly Bishop, Edward Hermann, Liza Weil, Keiko Agena, Yanic Truesdale, Matt Czuchry

Dica de Série: Orange is the New Black

Oi gente, tudo bem?

Hoje eu resolvi falar sobre a melhor série a que assisti esse ano e que já entrou pras queridinhas do meu coração: Orange is the New Black! ❤

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Sinopse: Orange is the New Black baseia-se na história real de Piper Chapman, uma mulher cuja vida aparentemente perfeita é virada de cabeça para baixo, quando deve cumprir pena em um presídio feminino por crime de tráfico de drogas cometido há anos.

Pra vocês terem uma ideia, eu assisti às três primeiras temporadas de OITNB (vamos abreviar pra ficar mais fácil, né?) nas minhas férias, ou seja, em 15 dias. Cada temporada tem 13 episódios e cada um deles dura entre 50 e 60 minutos (com season finales mais longas). Ou seja, já deu pra notar que vicia MESMO, né? 😛

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Na primeira temporada somos apresentados a Piper Chapman, uma mulher de classe média que tem sua vida perfeita assombrada por um erro do passado: ela é condenada a 13 meses de prisão por tráfico internacional de drogas, crime cometido na época em que Piper estava com sua ex-namorada, Alex Vause. O início da série tem uma pegada de comédia bem evidente, principalmente porque vemos como Piper é atrapalhada e não tem noção nenhuma da realidade fora da sua bolha. Vemos muitos estereótipos raciais e de classe, principalmente porque nesse primeiro momento nosso contato maior é com a visão da protagonista acerca dos tipos que fazem parte da prisão feminina de segurança mínima de Litchfield. Porém, um dos pontos fortes da série é que com o tempo essa visão vai mudando, nós (e Piper) vamos conhecendo a história de cada uma das detentas e passamos a nutrir sentimentos por elas, que vão da raiva ao carinho e à empatia.

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Vale mencionar que as personagens e seus desenvolvimentos são uma das melhores coisas que já vi em uma série. Poucas produções se comparam a OITNB no que diz respeito a diversidade, complexidade, desenvolvimento, aprofundamento e ambiguidade. Vou dar um exemplo pra ilustrar: na primeira temporada eu detestava Dogget, uma fanática religiosa que pregava palavras de ódio contra boa parte de suas colegas de prisão; na quarta temporada, contudo, ela se tornou uma das minhas personagens favoritas. O desenvolvimento e o crescimento dela são tão evidentes que eu só conseguia ficar impressionada ao perceber o quanto Doggett evoluiu. Outra das minhas personagens favoritas (essa, porém, desde o início da série) é Poussey Washington. Ela é uma personagem incrivelmente doce e é a dona do sorriso mais encantador de todos, apenas isso! Hahaha! ❤

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É engraçado dizer, mas a Piper é uma das menores coisas de OITNB. Apesar da primeira temporada ser totalmente focada nela, a partir da segunda o enredo passa a explorar as outras prisioneiras e também a vida dos guardas que trabalham em Litchfield. Aliás, a própria prisão pode ser considerada um personagem importante, pois mudanças bruscas vão acontecendo no seu funcionamento que mudam totalmente o clima e o dia a dia das mulheres que vivem lá.

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Outro aspecto interessante de OITNB é que podemos ver dois sistemas totalmente diferentes funcionando em paralelo: o sistema prisional, sua burocracia, a falta de pessoas que se preocupem com o bem-estar das detentas e que pensem nela como seres humanos com necessidades, a corrupção; e o sistema das próprias mulheres de Litchfield, que investem em trocas, favores, monetização de serviços (como Sophia Burset e seu salão de beleza) em troca de crédito na lojinha oficial da prisão e contrabando. É bem interessante ver como as coisas funcionam por dentro e por fora, mas em diversos momentos essa perspectiva nos faz sentir impotentes a respeito do que acontece na prisão.

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Orange Is The New Black ganhou meu coração em tantos sentidos que fica até difícil tentar explicar! A série traz tantas quebras de paradigma, tanta versatilidade, tanta diversidade – étnica, sexual, social -, que é impossível não refletir e não ser tocado pelas histórias que presenciamos. É uma série feminista, que mostra mulheres reais e a misoginia presente em diversas camadas do sistema. Além disso, a todo momento levamos um “tapa na cara” em nossos preconceitos, o que torna OITNB simplesmente genial. Aos poucos, aquela visão que temos, principalmente pelo ponto de vista de Piper, de que as personagens são “criminosas pagando pelo que fizeram” vai mudando para “elas são humanas, elas passaram por muitas dificuldades, as coisas são muito mais complicadas do que parecem”, sabem? Até a abertura é incrível! Enfim, gente, essa série é toda maravilhosa. Ela se tornou uma das minhas favoritas e eu garanto que vocês não vão se arrepender se derem uma chance a ela! ❤ Recomendo MUITO!

Título original: Orange Is The New Black
Ano de lançamento: 2013
Criadora: Jenji Kohan
Elenco: Taylor Schilling, Laura Prepon, Uzo Aduba, Danielle Brooks, Samira Wiley, Taryn Manning, Laverne Cox, Kate Mulgrew, Nick Sandow