Dica de Série: The Witness for the Prosecution

Oi povo! Como estão?

Hoje eu trago pra vocês o review da última minissérie baseada nas obras da Agatha Christie que conferi recentemente: The Witness for the Prosecution. Vocês podem conferir também aqui no blog os reviews de And Then There Were None, The ABC Murders e Ordeal by Innocence. 😉

the witness for the prosecution

Sinopse: Adaptação feita pela BBC da obra de Agatha Christie. Situada na década de 1920, a minissérie apresenta o julgamento de Leonard Vole (Billy Howle), jovem acusado de ter assassinado Emily French (Cattrall), uma rica senhora a quem prestava conselhos financeiros. Tendo herdado sua fortuna, Leonard se tornou o único suspeito do crime. A sua situação se complica quando Janet Mackenzie (Monica Dolan), governanta da casa, presta seu depoimento. A única chance de Leonard de provar sua inocência é sua esposa Romaine (Andrea Riseborough). Mas esta o surpreende quando se torna uma testemunha de acusação.

Emily French, uma rica senhora solitária e nome importante da sociedade, foi morta. O principal suspeito é Leonard Vole, um rapaz com quem Emily mantivera uma relação nos últimos meses. A empregada de Emily não hesita em acusá-lo, alegando que o rapaz era um oportunista e estava de olho no dinheiro de sua patroa. Leonard então investe todas as suas fichas em sua esposa, Romaine, uma jovem atriz que busca ascensão. Porém, tanto Leonard quanto seu advogado de defesa, John Mayhew, ficam boquiabertos quando Romaine decide ser a testemunha de acusação da promotoria.

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A trama de The Witness for the Prosecution é bem linear e curtinha: são apenas 2 episódios que focam na busca de John por um meio de salvar Leonard. Entre uma cena de julgamento e outra, temos o passado do advogado explorado: seu casamento foi arruinado pela perda do único filho na guerra, da qual somente John retornou vivo. A melancolia do personagem é evidente e ele deposita na missão de salvar Leonard sua redenção.

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Outro aspecto interessante é a figura de Romaine. Ela é uma verdadeira incógnita, cuja verdadeira face está oculta em meio a maquiagens, cenários encantadores e figurinos deslumbrantes. Quem é Romaine, afinal? Uma atriz em ascensão? Uma mulher invejosa que deseja o papel principal no teatro (pertencente a outra mulher)? Uma esposa traída e de coração partido? O fato de Romaine se voltar contra Leonard é o ponto mais interessante do julgamento, apesar de não ser surpreendente o fato dela querer se vingar pelos meses de traição.

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O plot twist no final é satisfatório, explicando a atitude dos personagens de maneira convincente e dando ao espectador um novo olhar sobre eles. Como ponto negativo, eu diria que o ritmo é um pouco enrolado (especialmente nas cenas envolvendo John) e o julgamento em si é fácil demais, não causando nenhuma sensação de aflição no espectador. Em suma, The Witness for the Prosecution é uma minissérie bacana e curtinha, ideal para um entretenimento mais rápido. Não é imperdível e nem a melhor minissérie baseada nas obras de Agatha Christie, mas em geral vale a pena. 😀

Título original: The Witness for the Prosecution
Ano de lançamento: 2016
Direção: Julian Jarrold
Elenco: Toby Jones, Billy Howle, Andrea Riseborough, Kim Cattrall, Monica Dolan

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Dica de Série: The ABC Murders

Oi gente, tudo bem?

Depois de And Then There Were None e Ordeal by Innocence, cá estou pra falar de mais uma minissérie da BBC que adapta um livro de Agatha Christie: The ABC Murders. Vamos descobrir o que achei? Lembrando que não li o livro, então minhas opiniões são exclusivamente sobre o que foi mostrado na série. 😉

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Sinopse: O icônico detetive criado por Agatha Christie, Hercule Poirot (John Malkovich), investiga um inimigo mais inteligente e desafiador do que ele jamais imaginou. Em uma Inglaterra da década de 1930 cada vez mais dividida, um assassino em série conhecido apenas como A.B.C. assola a população. Em cada cena do crime a única pista deixada é um guia de trens popular na Inglaterra de título “ABC”.

A minissérie de 3 episódios adapta uma das aventuras de Hercule Poirot, que agora é um idoso sem a notoriedade de outrora. Visto pelos outros como decadente, Hercule vive uma vida discreta, ainda que demonstre melancolia em sua expressão. Porém, o brilhante detetive é obrigado a entrar em cena novamente quando um criminoso, que se autodenomina A.B.C., lhe envia uma carta, instigando-o a encontrá-lo e demonstrando motivações pessoais para acioná-lo. Quando o primeiro assassinato acontece (cujo local e vítima tinham nomes iniciados em A), Hercule percebe que os planos do assassino são meticulosos e não vão parar. Entretanto, o novo inspetor da polícia – Crome, um jovem querendo provar seu valor – não parece inclinado a deixar Hercule colaborar.

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Que o gênero policial é meu favorito não é novidade, então sempre fico animada para conferir tramas assim, com a perseguição de algum serial killer, um embate entre duas mentes brilhantes e um mistério bem desenvolvido. A primeira coisa que me chamou a atenção em The ABC Murders é que, aparentemente, o último elemento não existia: a série mostra o rosto do homem chamado Alexander Bonaparte Cust logo de cara. No decorrer dos três episódios, acompanhamos duas perspectivas: a de Alexander e a de Hercule, que acaba sendo contratado pelo irmão de uma das vítimas para investigar o caso oficialmente.

Hercule está um tanto abatido em The ABC Murders. Na época em que a trama acontece, a Inglaterra está promovendo campanhas segregacionistas, e é nítido o desconforto do detetive belga, que há anos vive no país e colabora com ele tanto quanto qualquer cidadão inglês. Além desse clima separatista desconfortável e injusto, o detetive também está inseguro com sua idade e com a falta de propósito que parece lhe acometer, e foi bem surpreendente ver Hercule Poirot tão vulnerável. Entretanto, ele é inabalável e em nenhum momento pensou em desistir de investigar o caso, cujo número de vítimas só crescia.

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O que me decepcionou em The ABC Murders foi o fato de que Poirot não brilhou – e isso não tem a ver com o fato de ele estar “decadente”. Sua inteligência e sagacidade seguiram presentes ao longo da trama, mas de algum modo a série não conseguiu transmitir isso. Senti, enquanto assistia, que as contribuições de Hercule para o caso eram pequenas demais, e portanto a resolução do crime também acabou perdendo um pouco o impacto. Entretanto, para ser justa, a revelação final foi muito boa, transformando uma motivação gananciosa em uma psicopatia e um gosto por matar. Outro ponto fraco está no ritmo dos episódios. Por diversas vezes há flashes do passado de Poirot que prometem uma revelação (que, de fato, surpreende); o problema é que esse recurso é usado de modo repetitivo, cansando o espectador. Ainda sobre o ritmo, a série peca em não causar aflição em quem assiste. Em nenhum momento prendi o fôlego ou temi pelos personagens, o que foi uma pena.

As atuações me surpreenderam, especialmente de Andrew Buchan (Franklin Clarke), Eamon Farren (Alexander Cust) e Rupert Grint (Inspetor Crome). Aliás, gostei de ver essa nova faceta de Rupert Grint. Fora Harry Potter, eu só tinha visto outra série com ele, Sicknote, mas detestei e larguei na segunda temporada. Mesmo não tendo curtido a série, já tinha percebido que Rupert tem potencial, e The ABC Murders me confirmou isso. A potterhead que vive em mim espera vê-lo em mais produções por aí. 😀

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Em suma, The ABC Murders não é uma série ruim, mas também não é memorável. Ela tem um plot twist bem bacana (o que fez ganhar pontos comigo), mas peca no ritmo dos episódios e no tratamento dado a Poirot. Apesar disso, a proposta da trama em si me agradou e me deixou com vontade de ler o livro: quero muito ver as diferenças existentes, especialmente na resolução do caso (espero que Poirot seja mais participativo!). Se você tiver um tempinho de sobra e quiser conferir uma série bem produzida, mas não perfeita, vale a pena espiar The ABC Murders. o/

Título original: The ABC Murders
Ano de lançamento: 2018
Direção: Sarah Phelps
Elenco: John Malkovich, Rupert Grint, Eamon Farren, Andrew Buchan, Tara Fitzgerald, Freya Mavor

Top 5 coisas favoritas em Stranger Things 3

Oi galera, tudo bem?

Agora que já faz três semanas que Stranger Things 3 estreou, resolvi trazer pra vocês meus pontos favoritos sobre a temporada. ❤ Dei um tempinho pra falar a respeito pra que mais pessoas pudessem ter terminado de assistir, então esse post CONTÉM SPOILERS, ok?

1) Empoderamento feminino

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Uma coisa que Stranger Things 3 acertou em cheio foi a representação das mulheres na série. Até a segunda temporada, infelizmente não havíamos tido muitas interações relevantes entre mulheres, tendo uma grande repetição da Síndrome da Smurfete: uma mulher badass no meio de um núcleo masculino. Em Stranger Things 3, tivemos três ótimas discussões nesse sentido. A primeira delas diz respeito à amizade de Eleven e Max: as duas, que começaram a relação com animosidade, tornaram-se grandes amigas. Isso é positivo por diversas questões: mostra que mulheres podem ser amigas e que a rivalidade é nociva, trouxe mais independência e segurança para Eleven como indivíduo e fortaleceu a sororidade. Amei demais! ❤ A segunda discussão importante diz respeito ao trabalho de Nancy, que agora é estagiária no jornal local e tem que ouvir piadas misóginas enquanto serve café – mesmo tendo um instinto muito mais aguçado do que os jornalistas homens que a ridicularizam. A série evidencia o quanto era complicado para as mulheres na época conseguirem seu espaço (uma realidade que ainda hoje acontece). Felizmente, a jovem não desiste de seus objetivos, apesar de se sentir emocionalmente abalada. Por fim, esse plot do jornal nos deu um terceiro momento valioso: a conversa entre Nancy e sua mãe, Karen. Além da demonstração de afeto de Nancy, que revela se inspirar na figura materna, também temos uma lição valiosa de Karen, que impulsiona Nancy e não desistir de seus objetivos e não se deixar vencer pelo machismo que ela enfrenta. Um dos melhores diálogos da temporada! ❤

2) Ritmo alucinante

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Em diversos momentos da temporada eu literalmente segurei a respiração. Stranger Things 3 está recheada de cenas de perseguição e outras tantas de muita tensão. Há um quê de filme de terror na temporada, em que você fica ansioso pelo que vai acontecer e com medo pelo destino dos personagens. Nenhuma temporada antes tinha me causado tanta ansiedade quanto essa, e a vontade de maratonar era insaciável. Do início ao fim, Stranger Things 3 se mantém envolvente e eletrizante, mostrando o quanto a série cresceu.

3) Vários núcleos de personagens

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Durante a temporada, vemos os personagens interagindo com pessoas diferentes e envolvendo-se em missões distintas – ainda que ligadas ao mesmo objetivo. Foi muito legal ver Nancy e Jonathan investigando a questão dos fertilizantes enquanto Eleven e companhia se envolviam na investigação das pessoas ~abduzidas pelo Mind Flayer, por exemplo. Essa dinâmica fez com que a série não ficasse repetitiva e trouxesse novos ares para os personagens, e acho que o núcleo que mais se beneficiou disso foi o de Dustin e Steve: como não amar todas as cenas deles com Robin e Erica?

4) Novos (e representativos!) personagens

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Isso nos traz a um item muito bacana da temporada: Stranger Things 3 apresentou sua primeira personagem assumidamente LGBT. Robin roubou a cena durante toda a temporada e, apesar de eu tê-la shippado com o Steve (afinal, meu nenê merece uma namorada tão incrível quanto a Robin), a cena em que ela revela ser lésbica foi emocionante. Além da excelente reação super natural do Steve, apesar de estar apaixonado por ela, foi um grande passo em termos de representatividade – especialmente quando consideramos que, se hoje o preconceito ainda é enorme, nos anos 80 deveria ser mil vezes pior. Além de Robin, tivemos a adição de mais uma personagem negra de modo recorrente e importante na temporada, a atrevida Erica (irmã mais nova de Lucas, que já havia aparecido na season 2). Adorei as interações dela com o grupo e espero que ela participe ativamente da próxima temporada também! 

5) Amadurecimento

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O mote principal da divulgação da terceira temporada foi “eles não são mais crianças”, e a série conseguiu trabalhar em cima desse conceito com sucesso. Isso fica nítido na sensação de deslocamento de Will (cuja infância foi de certa forma roubada), que agora vê seus amigos mais preocupados com namoradas do que com passar tempo juntos jogando e se divertindo; fica nítido também nas dificuldades de Nancy e Jonathan ao enfrentar os primeiros dilemas da vida adulta; e, principalmente, é reforçado no final emocionante da temporada. A perda de Hopper traz uma carga emocional muito importante para todos os protagonistas, demonstrando que os perigos que eles enfrentam são reais e que a vida também pode ser cheia de dor. Para um grupo tão jovem quanto o de Eleven e companhia, é uma lição bastante dura de aprender. E o fato dela ter acontecido enfatiza a necessidade de se adaptar às mudanças e amadurecer (e isso que eu, com quase 26 anos na cara, chorei que nem criança na cena da carta).

E vocês, o que acharam da temporada? Me contem nos comentários, vou adorar saber! ❤
E não esqueçam de deixar 8 centímetros de porta aberta! :’)

Dica de Série: Ordeal by Innocence

Oi meu povo, tudo certinho? 

Tirei 10 dias de férias agora em junho e aproveitei pra conferir várias minisséries baseadas em obras da Agatha Christie. Confesso que depois da experiência maravilhosa que tive com And Then There Were None, minhas expectativas estavam bem altas! Escolhi começar por Ordeal by Innocence, uma minissérie de 3 episódios da BBC baseada em uma obra da Rainha do Crime. 😉

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Sinopse: No Natal de 1954, Rachel Argyll (Anna Chancellor), conhecida por seus trabalhos filantrópicos, é assassinada em sua propriedade familiar Sunny Point. Seu filho adotivo, Jack Argyll (Anthony Boyle), é condenado à prisão por sua morte, mas o jovem nega veementemente todas as acusações. Resta saber se seu depoimento é verdadeiro.

Rachel Argyll, matriarca de uma rica família inglesa, é assassinada brutalmente na própria mansão na véspera de Natal. Conhecida pela filantropia e por ter adotado seus cinco filhos, o caso fica ainda mais sórdido quando um deles, Jack, é acusado e preso – o garoto-problema da família, sempre envolvido em brigas e polêmicas. Jack, contudo, insiste em sua inocência, alegando ter como álibi um rapaz que lhe deu carona para um pub (rapaz este que nunca foi encontrado). Para piorar a tragédia que assombra os Argyll, Jack é assassinado na prisão, após se envolver em uma briga com outro detento. Um ano e meio depois, quando a família parece estar superando o trauma, um rapaz misterioso – Dr. Arthur Calgary – bate à porta e alega ser o álibi de Jack. E essa atitude coloca todos os segredos da família em xeque.

Ordeal by Innocence é uma série que cria uma atmosfera de desconfiança desde o primeiro episódio. As circunstâncias envolvendo a morte de Rachel são suspeitas, o autor do crime parece óbvio demais e, para ajudar, o aparecimento de Arthur (que aparenta ser também uma pessoa de muitos segredos) mexe com os ânimos de todos os Argyll de modo muito estranho. Esse é o primeiro ponto positivo na série: incitar a desconfiança de cada membro da família, bem como das motivações do próprio Arthur, foi um excelente modo de criar tensão e confusão no espectador.

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Com o desenrolar dos episódios, vamos descobrindo mais sobre o passado da família, inclusive a relação entre os irmãos e Rachel. Diferente do que ela inicialmente aparentava ser, Rachel é uma mulher exigente, crítica e aparentemente incapaz de demonstrar sentimentos pelos filhos. Obviamente essa faceta da personagem faz com que cada um dos membros da família se tornem ainda mais suspeitos, pois ada Argyll tem seus motivos particulares para se ressentir de Rachel. O fato de, segundo Arthur, Jack ser inocente e o(a) assassino(a) continuar à solta causa aflição no espectador, que sabe que há um perigo iminente pairando na mansão dos Argyll, podendo agir a qualquer momento.

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As relações familiares são um dos maiores mistérios e também trunfos de Ordeal by Innocence. Os irmãos são (ou foram) unidos, mas também estão marcados pelas tragédias que assolaram a família. Além disso, eles têm suas próprias mágoas envolvendo uns aos outros e a própria mãe; Mary, a primeira a ser adotada, é um bom exemplo disso: sentindo rancor da mãe por não ter sido amada e inveja dos irmãos, que ela alega terem estragado tudo, seus sentimentos são bastante complexos. Há também Kirsten, a empregada da casa, que tem uma relação de grande proximidade com os filhos de Rachel – mas que carrega uma aura pesada, como se tivesse um segredo pesado em seus ombros.

A série faz um ótimo trabalho em desmascarar aos poucos os personagens. Aliás, como eles são poucos, o aprofundamento de cada um é o suficiente para a proposta da trama. As atuações também são ótimas e eu gostei muito de cada membro do elenco (que conta com um nome de peso, Bill Nighy, o Rufus Scrimgeour de Harry Potter). A ambientação, os figurinos e a fotografia são de grande qualidade, nos transportando para a época na qual a série se passa (1954, mais especificamente). O único ponto fraco que me incomodou ocorreu, talvez, no terceiro episódio; a série, que vinha mantendo minha desconfiança em todos os personagens, acabou dando uma informação cedo demais, o que me fez desconfiar do(a) culpado(a) e não sentir o grande “wow” no momento da revelação.

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Ordeal by Innocence é uma ótima minissérie, trazendo um elenco muito competente e um ritmo bastante envolvente. Com personagens bem desenvolvidos (com qualidades, defeitos e atitudes verossímeis), é uma trama que mescla muito bem as relações familiares e um bom mistério. Recomendo, especialmente se você curte Agatha Christie ou obras policiais em geral. 😉

Título original: Ordeal by Innocence
Ano de lançamento: 2018
Direção: Sandra Goldbacher
Elenco: Anthony Boyle, Anna Chancellor, Morven Christie, Bill Nighy, Luke Treadaway, Eleanor Tomlinson, Ella Purnell, Christian Cooke, Crystal Clarke, Matthew Goode, Alice Eve

Dica de Série: Chernobyl

Oi pessoal, tudo bem?

Depois do controverso final de Game of Thrones, a HBO conseguiu se redimir com uma minissérie impactante, real e de qualidade técnica impecável: estou falando de Chernobyl.

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Sinopse: Ucrânia, 1986. Uma explosão seguida de um incêndio na Usina Nuclear de Chernobyl dizima dezenas de pessoas e acaba por se tornar o maior desastre nuclear da história. Enquanto o mundo lamenta o ocorrido, o cientista Valery Legasov (Jared Harris), a física Ulana Khomyuk (Emily Watson) e o vice-presidente do Conselho de Ministros Boris Shcherbina (Stellan Skarsgård) tentam descobrir as causas do acidente.

A série, apesar de não ser um documentário, retrata com muita fidelidade os acontecimentos que levaram ao desastre nuclear de Chernobyl, ocorrido em 26 de abril de 1986. Devido a problemas técnicos mas, principalmente, negligência e falha humana, o pior desastre causado pelo homem aconteceu, tendo como consequência incontáveis mortes, grande devastação natural e um possível colapso da União Soviética.

Chernobyl é uma série dolorosa de assistir, e cada episódio causa mais e mais desconforto e angústia. Ela inicia nos minutos que precedem o acidente e, a partir desse fatídico momento, acompanhamos os esforços dos funcionários da usina tentando entender o que aconteceu, salvar uns aos outros e controlar os danos. Além deles, os bombeiros também são acionados, imaginando que a explosão e o fogo causados eram somente mais um incêndio “de rotina”. A população de Pripyat, cidade construída para os funcionários da usina residirem e que hoje é uma cidade-fantasma, também não imaginava o que aquela explosão havia significado, e muitos deles morreram.

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As cenas são dirigidas impecavelmente, com beleza e tristeza inexplicáveis. A trilha sonora é aflitiva, causando uma sensação impossível de ignorar. Um dos momentos mais impactantes dos primeiros episódios é ver a população de Pripyat encantada com o fogo, assistindo tudo de uma ponte próxima, com a poeira radioativa (que eles imaginavam ser apenas cinzas) caindo sobre eles. Todas as pessoas que assistiram ao incêndio dessa ponte morreram. 😦

Chernobyl acompanha os esforços de três personagens principais, que são responsáveis por controlar os danos e fazer a limpeza do local. Dois deles existiram de verdade: Valery Legasov é o cientista encarregado das questões técnicas, e Boris Shcherbina é o ministro responsável pela missão. O terceiro elemento do trio é Ulana Khomyuk, uma personagem fictícia que representa todos os inúmeros cientistas que apoiaram Legasov em Chernobyl.

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Achei bem interessante a escolha de representarem esses cientistas com uma personagem mulher pois, segundo minhas pesquisas, a União Soviética era mais progressista nesse sentido, e várias mulheres tinham cargos importantes (portanto, a escolha de criar Ulana foi bem acertada). Ao longo dos episódios, vemos todas as medidas que foram necessárias para conter o desastre, incluindo a evacuação (tardia) da população, o extermínio dos animais locais, o envio de homens para trabalhar na radiação, entre outras situações difíceis.

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Logo na primeira cena, descobrimos o destino trágico de Legasov, que se matou 2 anos após o acidente. Ao longo da trama, não é difícil perceber os motivos que o levaram a tal decisão. Responsável pelas estratégias de limpeza de Chernobyl, Legasov e Shcherbina tomaram decisões MUITO difíceis, envolvendo mão-de-obra humana em um dos lugares mais perigosos do planeta. Eles sabiam que suas ordens acarretariam na morte de outrem – de maneiras muito sofridas –, mas era algo inevitável. E isso é a coisa mais difícil a respeito de Chernobyl, pra mim: você assistir e saber que muita gente inocente pagou pelos erros de poderosos engravatados que tomaram decisões inconsequentes, baseadas no dinheiro. E, mesmo mais de três décadas depois, ainda vemos esse tipo de comportamento acontecer (é só lembrarmos dos desastres naturais de Mariana e Brumadinho, aqui no Brasil). É revoltante você pensar que diversas pessoas se sacrificaram e sofreram por algo que poderia ter sido evitado se o desejo por lucro não fosse tão grande – e se as mentiras não fossem inúmeras.

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Isso nos leva a um questionamento importante feito na série: qual é o custo das mentiras? Em Chernobyl, o preço foram incontáveis vidas humanas (perdidas diretamente no acidente e outras devido a câncer causado pela radiação) e uma grande destruição ambiental. Ainda assim, a contagem oficial de mortos é de apenas… 31. Essas mentiras perduram até hoje mas, na época, foram uma das maiores responsáveis pelo desastre (junto da negligência e ganância humanas), já que a União Soviética ocultou um segredo importante envolvendo o design dos reatores nucleares RBMK, usados em suas usinas. E, se não fosse a coragem de Legasov, esses segredos provavelmente não teriam vindo à tona, causando o risco de outros acidentes nucleares ocorrerem novamente.

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Chernobyl é uma série com atuações primorosas, direção impecável, trilha sonora imersiva e angustiante e, principalmente, importante ainda que não seja para todos os públicos, pois pessoas mais sensíveis podem sofrer demais assistindo. Ainda hoje vivemos em uma sociedade que visa o lucro acima da segurança, que não se importa com o impacto ambiental, que considera vidas humanas menos importantes do que status e dinheiro. Por isso, é fundamental lembrar das consequências dessas decisões, lembrar de quem se sacrificou e sofreu por conta disso, e fazer de tudo para que algo assim nunca se repita. 😦

Título original: Chernobyl
Ano de lançamento: 2019
Direção: Craig Mazin
Elenco: Jared Harris, Stellan Skarsgård, Emily Watson, Jessie Buckley, Paul Ritter

Assisti, mas não resenhei

Oi gente, tudo bem?

Eu amo assistir séries e isso não é novidade pra quem me conhece ou acompanha o blog. Porém, nem sempre eu consigo trazer minha opinião sobre todas elas – seja porque é uma série mais antiga, seja porque não foi marcante o suficiente ou talvez porque eu tenha largado no meio do caminho.

Por isso, resolvi fazer uma listinha e falar brevemente sobre algumas séries que se encaixam nesses exemplos. E, se vocês gostarem, posso trazer mais um post nesse estilo no futuro. 😉

Friends

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Começando com a minha série favorita. ❤ Acho que 90% das pessoas conhecem Friends e, por isso, acabei nunca dedicando um post exclusivo para resenhá-la. Acontece que Friends é minha “comfort series” e, sempre que estou mal, sei que ela consegue me animar. Durante uma fase bem tensa da minha vida (de muuuuitas responsabilidades e stress acumulado) eu pude encontrar diversão e conforto em Friends e, por mais datadas que algumas situações e personagens sejam, eu amo com todo o coração. ❤

The Big Bang Theory

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Eu tinha uma grande antipatia por TBBT devido ao meu ranço pelo Sheldon. Porém, decidi dar uma chance pra tirar minhas próprias conclusões e, no fim, acabei gostando. The Big Bang Theory (que chegou ao fim esse ano, após 12 temporadas) não é uma série perfeita e tem muuuitos problemas com diversos personagens e comportamentos. Ainda assim, ela trouxe o mundo geek para um patamar muito mais popular e, é claro, é bem engraçada, o que me fez acabar curtindo bastante.

How I Met Your Mother

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Essa série me causou amor e ódio por diversas vezes. Os personagens são super imperfeitos, o que é bem relacionável, e tanto as cenas de humor quanto as de drama são muito boas. Porém, o final me causou um ranço inexplicável, fico irritada até hoje quando penso nele. E não pela decisão em si, mas sim pela condução mal-feita (mais ou menos como aconteceu com Game of Thrones rs).

House, M. D.

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Eu adoooro House, M. D. (ou simplesmente House), mas também acabei não resenhando por aqui por se tratar de uma série mais antiga, que muitas pessoas já devem ter visto. House foi uma das primeiras séries que eu baixava e acompanhava antes de ter esse hábito mais “consolidado”, então tenho bastante carinho por ela. Além disso, o final é impecável e condizente com a trajetória dos protagonistas.

Master of None

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Essa é uma série que se encaixa na categoria “não fede nem cheira” pra mim. Apesar de algumas sacadas MUITO boas (como nos episódios “Parents” e “Thanksgiving”), Master of None não teve carisma o suficiente pra ME conquistar – apesar das inúmeras críticas positivas que recebe. A série terminou de um modo meio aberto e não há previsão de continuação, por isso acabei não me animando pra fazer uma resenha mais completa.

E por hoje é só!
Me contem nos comentários se vocês curtiram o formato, que eu trago mais posts parecidos. ❤

Beijos e até mais!

Dica de Série: Ordem na Casa com Marie Kondo

Oi gente, tudo bem?

Em uma manhã de domingo, após acordar às 7h da manhã, comecei a assistir Ordem na Casa com Marie Kondo. Aparentemente, abracei de vez a senhorinha que sou! 😂

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Sinopse: A famosa especialista em arrumação Marie Kondo ajuda clientes a colocarem ordem na casa e na própria vida, transformando lares com muita inspiração.

A série é um reality show no qual Marie Kondo, criadora do método de organização KonMari, visita diversas famílias que gostariam de colocar ordem em suas casas e suas vidas. Para auxiliá-los na organização, Marie não apenas ensina técnicas de arrumação, mas também o conceito de “trazer alegria” (spark joy) para que alguém decida se um item permanecerá em sua vida ou não, buscando entender se existe um desejo de levá-lo consigo para o futuro.

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Marie visita famílias dos mais diversos tipos: famílias com filhos pequenos, uma senhora viúva que agora precisa aprender a viver sozinha, casais LGBT, famílias com animais de estimação e casais que estão esperando o primeiro filho. O mais bacana de assistir essas diferentes famílias organizando suas coisas é perceber que existem muitas diferenças entre as pessoas, mas que o apego sentimental é um denominador comum que muitas vezes nos faz acumular coisas de que não precisamos mais. Ainda assim, Marie Kondo respeita cada indivíduo, suas particularidades e decisões sobre o que vai e o que fica. Ela não julga nenhuma escolha, mas faz o seu melhor para guiar os envolvidos em uma análise sobre o que determinado item realmente significa para si.

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Obviamente, as dicas de arrumação são muito boas. É impossível não ficar com vontade de organizar a casa toda enquanto assiste (eu já arrumei meu guarda-roupa, que tá bem bonitinho rs). Marie dá algumas dicas maravilhosas que você fica “como não pensei nisso antes?”. Ela ensina a dobrar roupas, a organizar itens de cozinha, separar documentos, entre diversos outros itens. Claro, como a série é curta (somente 8 episódios de 30-40 minutos), acredito que grande parte das dicas de seus livros tenha ficado de fora. E sim, fiquei com vontade de ler suas obras também!

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Outro aspecto interessante da série é o choque cultural a qual somos apresentados por meio de Marie. Ela é japonesa, um povo bem diferente dos ocidentais em muitos aspectos. Marie tem uma relação bem espiritual com as casas que visita, com o processo KonMari, com os objetos que ficam e que são descartados e com o que tudo representa para as famílias que auxilia. A primeira coisa que ela faz antes de começar a arrumação, por exemplo, é “cumprimentar” a casa, conectando-se com a energia do lugar e visualizando o futuro dele. Para nós, ocidentais, isso pode soar um pouco estranho a princípio; mas com o passar dos episódios vai ficando mais natural, assim como o respeito pela diferença cultural cresce.

Ordem na Casa com Marie Kondo é uma série bem bacana, com cenas emocionantes, famílias diversas e muitas dicas úteis. Se você está buscando inspiração para seu próprio lar ou gosta de realities, recomendo que você dê uma chance. Aposto que vai achar a Marie uma fofa também! ❤

Título original: Tidying Up with Marie Kondo
Ano de lançamento: 2019
Criador: Marie Kondo
Elenco: Marie Kondo