Dica de Série: Fundamentos do Prazer

Oi pessoal, tudo bem?

Vamos de dica +18 hoje? Vamos! Quero apresentar a vocês a um documentário curtinho – mas bem relevante – da Netflix chamado Fundamentos do Prazer. 🙂

Sinopse: Sexo, alegria e ciência moderna se unem nesta série reveladora para enaltecer a complexidade do prazer feminino e destruir mitos antiquados.

A produção de apenas 3 episódios tem como objetivo principal levantar o debate sobre como o sexo e o prazer se relacionam com o gênero feminino. O fato é que ainda vivemos em uma sociedade machista, que inibe as mulheres de descobrirem o próprio corpo e aquilo que funciona pra elas no âmbito erótico, portanto é muito comum encontrar mulheres adultas que nunca experimentaram um orgasmo ou tiveram uma relação sexual satisfatória. Some isso ao fato de que o conservadorismo também cumpre seu papel de tentar impedir a educação sexual nas escolas e teremos como resultado um número enorme de mulheres insatisfeitas sexualmente ou propensas a aceitar relações que não as satisfazem por tratar tal situação como normalidade.

O primeiro episódio é focado no corpo feminino. E aqui vale mencionar o acerto do documentário em trazer uma diversidade enorme: mulheres de diversas faixas etárias, heterossexuais, lésbicas ou bissexuais, trans, negras, gordas, magras… as convidadas que participam com seus depoimentos são diversas e consequentemente causam uma empatia imediata, pois é possível nos enxergarmos em seus relatos. Além disso, o documentário também traz pesquisadoras importantes do ramo, bem como profissionais do meio sexual (como uma empresária dona de uma sex shop) para aprofundar o debate. O primeiro episódio gira em torno da biologia por trás do orgasmo feminino: o documentário apresenta claramente o potencial clitoriano, que por tantos (homens, cof cof) é visto como algo tão pequeno e insignificante – sendo um órgão bem maior do que o que vemos no exterior. As participantes do documentário focadas em elucidar questões e tirar dúvidas explicam como o corpo feminino opera do ponto de vista mais funcional, enquanto as mulheres que compartilham suas experiências revelam seu processo de aprender mais sobre o próprio corpo.

O segundo episódio tem como pauta o poder da mente e do impacto dos pensamentos para o prazer feminino. Mas não de um jeito estereotipado, de que as mulheres têm mais dificuldades do que os homens para sentirem prazer. Na verdade, o documentário provoca a reflexão de que o sexo deve começar muito antes da iniciativa física, e que uma responsividade corporal não necessariamente reflete uma disposição mental para o ato em si. O que eu quero dizer com isso? Que mesmo uma resposta física positiva ao estímulo pode não significar necessariamente que a mulher esteja pronta para de fato engajar em uma relação, porque sua mente pode não estar no lugar certo naquele momento. E por que falar sobre isso é importante? Porque entender como funcionamos é essencial para saber quando queremos de fato dizer sim ou não a uma investida – o famoso consentimento, mais aprofundado no episódio 3.

É no último episódio do documentário que ele se debruça sobre as relações de afeto e a sexualidade. E aqui vale trazer novamente o peso do consentimento para as relações. Um tema ainda nebuloso, mas real, é o estupro marital. Em um casamento (principalmente heterossexual), existem parceiros que podem sentir que possuem “direito” ao corpo do outro, sendo o sexo uma obrigação que faz parte do relacionamento. Essa objetificação do corpo feminino é grave e trata-se de um sintoma de uma sociedade que ainda coloca mulheres como seres à disposição dos homens, devendo cumprir seus “deveres” pressupostos. Por isso é tão importante refletir sobre a saúde das relações afetivo-sexuais e empoderar mulheres a respeito de seus corpos e seus prazeres, de modo a entender o que é uma resposta genuína ao desejo daquilo que é uma resposta unicamente física e biológica.

Fundamentos do Prazer é um documentário curtinho, com abordagem irreverente e traz participantes diversas – todas com suas próprias histórias, medos, dúvidas e conquistas. É um lembrete importante do quão empoderador é ser dona do próprio corpo e das próprias vontades, e nada como o autoconhecimento para nos dar as ferramentas necessárias a esse processo. Talvez, como crítica negativa, tenha faltado um pouco mais de aprofundamento nas questões que envolvam prevenção de ISTs e afins, que também é um fator importante que deve ser levado em consideração em cada relação. Recomendo não apenas às mulheres, mas também aos homens que desejam abrir a mente e entender mais sobre o universo do prazer feminino. Todo mundo sai ganhando. 🙂

Título original: The Principles of Pleasure
Ano de lançamento: 2022
Direção: Niharika Desai
Elenco: Michelle Buteau, Supriya Ganesh, Annie Pisapia, Gina Nicole Brown

Dica de Série: Em Defesa de Jacob

Oi pessoal, tudo bem?

Como boa fã de suspenses que sou, conferi uma série que estava no meu radar há tempos: Em Defesa de Jacob. Bora conhecer?

Sinopse: Uma família sofre um grande baque quando o filho é acusado de matar um colega de classe.

Os Barber são, aparentemente, a família perfeita: Andy, o pai, é um assistente de promotoria bem-sucedido; Laurie, a mãe, trabalha com educação infantil; e Jacob, o filho, é um adolescente de 14 anos tímido e comum. Esse status quo sofre uma ruptura quando Ben Rifkin, colega de Jacob, é encontrado morto – e as evidências apontam para Jacob como autor do crime. A partir desse momento começa a luta contra o tempo dos Barber pra provar a inocência do filho, ao mesmo tempo em que precisam lidar com as próprias dúvidas e questões ao longo do processo.

De modo geral, achei Em Defesa de Jacob um tantinho lenta demais, mas não necessariamente cansativa ou enfadonha. Somos guiados pela trama por Andy que, afastado da promotoria enquanto o caso se desenrola, fica obcecado em investigar por conta própria Leonard Patz, um outro suspeito que poderia inocentar seu filho. Além disso, Andy também precisa lidar com um segredo de seu passado vindo à tona, agora que a mídia caiu em cima de sua família como abutres: ele é filho de um estuprador e assassino conhecido como Billy Sangrento, que cumpre prisão perpétua desde que Andy tinha 5 anos. Esse segredo vem para abalar ainda mais a confiança da família Barber, especialmente a de Laurie, que fica estupefata com uma revelação dessas feita após 15 anos de relacionamento.

Aliás, confiança é a palavra-chave aqui. Laurie se torna a personagem mais interessante da série justamente por conta disso: é ela que fica mais abalada com as revelações sobre o passado de Andy e com as suspeitas sobre seu filho. Mas, indo além, Laurie também teme ter falhado como mãe, ter perdido sinais que apontassem que seu filho pudesse ser um sociopata. As cenas de flashback, em que Laurie relembra um momento potencialmente violento de seu filho na infância, cumprem o papel de evidenciar que, desde sempre, Laurie temia que algo não estivesse certo com Jacob. O fato de que Andy permanece irredutível em sua crença no filho faz com que a esposa se sinta sozinha, culpada e incompreendida, temendo ter errado tanto na criação do filho quanto por desconfiar dele. Essa zona cinzenta dos sentimentos de Laurie me fez lembrar de O Impulso, que também explora a dúvida de uma mãe sobre a inocência de seu filho. Como reagir quando, no fundo do seu coração, você sente que seu filho pode ter feito algo imperdoável? É essa a pergunta que Laurie se faz ao longo dos 8 episódios que compõem a minissérie.

Gostei também da atuação do elenco como um todo. A série se passa no presente, 10 meses após o assassinato de Ben, e no passado, durante o processo de julgamento. No presente Andy está conversando com Neal, o assistente de promotor que o substituiu no caso dos Rifkin. As perguntas parecem pressionar Andy em direção à revelação do veredicto a respeito de Jacob, e é palpável no rosto de Chris Evans que naquele momento o personagem está carregando um fardo muito pesado. É com o passar dos episódios, conforme o interrogatório no presente se aproxima dos acontecimentos da época do julgamento, que entendemos o verdadeiro plot twist que a série nos reserva. Além da atuação de Evans, Michelle Dockery entrega a dor, a confusão e o dilema interno de Laurie com muita competência, sendo a personagem que mais mexeu comigo ao longo da trama. Fica também meu elogio para Jaeden Martell, que deu vida a um Jacob inexpressivo e apático, diria até que com um quê de falta de emoção. Eu gostei muito da performance dele em It e, no filme, eu curti muito o personagem e senti pena por ele ter perdido o irmão, enquanto aqui ele me surpreendeu por conseguir oferecer uma performance fria e totalmente diferente.

O final da série não me chocou tanto quanto poderia e, de certo modo, foi coerente. Porém, achei um tanto quanto covarde. Fui pesquisar o final do livro pra comparar e achei muito melhor do que sua versão televisiva. O resto do parágrafo tem spoiler, selecione se quiser ler: na série, Laurie vinha sendo trabalhada como uma personagem cuja estabilidade emocional estava muito abalada por ter desconfiado do próprio filho, ter se tornado uma pária em sua comunidade e depois ver Jacob sendo inocentado do caso Rifkin – ou seja, percebendo que suas suspeitas foram teoricamente injustas e infundadas. Quando um novo desaparecimento próximo dos Barber acontece (de Hope, uma namoradinha que Jacob faz enquanto a família viaja de férias para o México) e Laurie desconfia novamente de Jacob, a série perde a oportunidade de mostrar que a decisão final dela foi pautada no medo de que seu filho matasse novamente. Enquanto no livro fica 90% claro que Jacob matou Hope, na série a garota desaparece mas é encontrada alguns dias depois (porque algum cara colocou drogas em sua bebida numa festa). Ou seja, na adaptação Laurie descobre que Jacob não matou a menina e ainda assim tenta se matar junto com ele, parecendo que ela deu uma de surtada do nada. Como disse, achei covarde e colocou uma carga de “exagero” injusta na personagem de Laurie. O final do livro, em que ela vê essa atitude como a única forma de parar seu filho, um potencial serial killer, foi muito mais interessante e corajoso pra mim. Fim do spoiler. 😛

Em Defesa de Jacob é uma boa série de suspense, cuja proposta não gira em torno de ter respostas definitivas sobre culpa ou inocência, mas sim sobre quão longe uma família pode ir para defender quem ama – mesmo que isso signifique medidas extremas. Apesar de ser um pouquinho enrolada, o carisma do elenco principal e as dúvidas que cercam os personagens fazem o espectador se manter atento aos desdobramentos que virão. Um outro ponto que adoro são cenas de julgamento, sempre emocionantes e cheias de reviravoltas, e as encontramos em Em Defesa de Jacob. Resumindo: pra quem gosta do gênero, recomendo bastante! 😉

Título original: Defendind Jacob
Ano de lançamento: 2020
Direção: Morten Tyldum
Elenco: Chris Evans, Michelle Dockery, Jaeden Martell, Cherry Jones, Pablo Schreiber, Betty Gabriel, J.K. Simmons

Dica de Série: Heartstopper

Oi pessoal, tudo bem?

Quem me acompanha no Twitter ou no Instagram já deve ter percebido que há tempos estou monotemática devido a Heartstopper. 😂 Fazia muito tempo que uma leitura feita por puro prazer não me proporcionava tanta endorfina e um sentimento tão gostoso de fangirl, sabem? E sexta-feira estreou a adaptação na Netflix, que eu maratonei e cujo resultado ficou absolutamente perfeito. Tão perfeito que estou escrevendo esse post com um sorriso no rosto e a esperança de convencer vocês a maratonarem também. ❤ Ah, observação: vou fazer algumas comparações com o material original, mas sem spoilers!

Sinopse: Nesta série sobre amadurecimento, os adolescentes Charlie e Nick descobrem que são mais que apenas amigos e precisam lidar com as dificuldades da vida escolar e amorosa.

Pra não ser muito repetitiva com quem leu o post anterior (resenha dos dois primeiros volumes da HQ), vou resumir o plot de Heartstopper: Nick Nelson é o astro do rúgbi, Charlie Spring é o único menino gay assumido na escola para meninos que ambos estudam. Ao se tornarem uma dupla em uma das aulas, uma amizade rapidamente se forma, e eles descobrem uma grande afinidade. Charlie não demora a sentir um crush forte em Nick, mas presume que o garoto seja hétero; Nick começa, aos poucos, a sentir dúvidas sobre se o que sente por Charlie é somente amizade. Quando fica nítido que a relação evoluiu para outro tipo de sentimento, os dois precisam entender a melhor forma de ficarem juntos, especialmente quando sair do armário pode ser um processo tão difícil e particular.

Vamos começar a falar da série pelo casting dos protagonistas. O QUE SÃO KIT CONNOR (Nick) E JOE LOCKE (Charlie), meu Deus do céu??? A química de milhões existe, e é entre eles. Kit Connor tem um jeitinho tão meigo que, inclusive, me lembrou o Rony de Rupert Grint nos primeiros filmes de Harry Potter. A testa franzida, a carinha de sem jeito, o sorrisinho torto… esses trejeitos que ele tem em comum com o Rony me fizeram ter ainda mais simpatia pela interpretação de Kit. Nick é meu personagem favorito de Heartstopper, e a atuação de Kit foi tudo que eu pedi e muito mais.Joe Locke também encaixa perfeitamente no papel de Charlie, principalmente por conseguir transmitir as nuances bastante diversas que o personagem sente: Char é deixado de lado por um boy lixo que tem vergonha dele, sofre bullying, tem seu coração partido enquanto pensa que Nick é hétero, se sente um peso na vida das pessoas que o cercam… são vários elementos que trazem complexidade ao personagem. Mas além dos aspectos mais delicados e tristes, por assim dizer, ele também tem um olhar encantado, um sorriso sem graça, um jeitinho de provocar Nick que é tão FOFO que você se pega sorrindo só de olhar. Melhor casal não há! ❤

A série acerta em cheio ao dar espaço aos dilemas dos personagens secundários que fazem parte do grupo de amigos de Charlie. Tao, por exemplo: o melhor amigo de Char é um personagem bem mais unidimensional na HQ (e pouco carismático, diga-se de passagem). Na série, ele tem algumas atitudes irritantes envolvendo ciúmes de Charlie, mas no geral o espectador consegue compreender seus motivos e simpatizar mais com ele. Ele é um verdadeiro leão defendendo seus amigos, e teme que Charlie sofra o bullying que sofreu ao ser tirado do armário – por isso é tão resistente a sua aproximação com Nick. Além de Tao, a melhor amiga dos dois, Elle, é outra que ganha destaque: a jovem é uma garota trans que recém se mudou para o colégio para meninas que fica em frente (ou ao lado, a geografia que me perdoe rs) ao dos meninos, do qual ela saiu. Ela sente medo de ficar só e tem dificuldades de se enturmar, até que conhece Tara e Darcy, um casal lésbico que acolhe Elle e cria um laço muito bonito com ela. Essa dupla inclusive é super relevante para que Nick tenha coragem de ser honesto sobre o que sente, e a série acertou mais uma vez ao dar mais dimensão para as duas: Tara não se arrepende de ter se assumido, mas ela enfrenta comentários de hate no Instagram e isso abala seus sentimentos. Por isso, todo o processo de ganhar autoconfiança e se empoderar se torna ainda mais bonito na série, sendo uma camada bem-vinda a algo que já funcionava bem nos quadrinhos. 

Existem poucas mudanças substanciais em relação à trama, sendo que nenhuma delas impacta a história a ponto de deturpar aquilo que lemos. Além disso, o roteiro é sagaz em colocar pistas de aspectos que foram trabalhados na HQ 3 (que não foi o material base pra primeira temporada, somente os volumes 1 e 2 por enquanto) e provavelmente nas HQs seguintes. Aliás, Heartstopper é uma das adaptações mais fieis que já vi na minha vida! Tem cenas que são exatamente iguais às das páginas, inclusive com falas icônicas que eu nem acreditei que estava vendo na tela. ❤ Além de elementos gráficos que deixam os episódios lindos (como as folhinhas desenhadas voando ao vento), há pequenos detalhes que os leitores conseguem perceber de imediato: o quarto de Nick e Charlie é igual aos dos quadrinhos, o All Star branco de Char e o Vans de Nick estão sempre ali, e até a touquinha de lã onipresente do Tao não foi esquecida. 😍 Achei uma pena apenas que tenham substituído Aled (um dos protagonistas de Rádio Silêncio, outro livro da autora) por Isaac – que é um fofo, mas não é Aled. Pelo que li por aí, a autora não quis “desperdiçar” o personagem de Aled porque talvez exista uma chance de Rádio Silêncio ser adaptada, mas o tempo dirá.

Além de contar uma bela história de amor, Heartstopper é uma série que dá espaço não apenas à representatividade gay, mas bissexual, lésbica e trans – que costumam ser menos retratadas nas mídias. De modo geral, ela trabalha com muita sensibilidade o processo de se descobrir não-heterossexual. Enquanto Nick tenta entender seus sentimentos, o espectador sente o coração se apertar com o medo que ele sente, especialmente ao se deparar com notícias sobre homofobia. Ao mesmo tempo, a trama de Alice Oseman (seja na HQ, seja na série) não é focada em priorizar a possível dor que envolve se identificar como parte de uma minoria, mas sim em florescer a partir disso e se descobrir como alguém digno de todo o amor que qualquer um merece. O personagem de Charlie representa bem esse processo: se de início ele se esmaga para caber em espaços que não lhe foram dedicados, com o tempo ele percebe (e é ajudado pelo amor de Nick) que não deve aceitar migalhas e tem direito de reivindicar o espaço que merece.

Nem sei descrever o quão delicioso foi ver Heartstopper em carne e osso. Terminei o último episódio com lágrimas que eu não sei se eram de emoção ou de alegria (provavelmente os dois!) por ver essa história sendo contada de um jeito tão lindo, inspirador e importante. A representatividade de Heartstopper é maravilhosa e imprescindível, sendo uma série que mexe com o nosso coração e nossas memórias afetivas ao mostrar o lado mais fofo da adolescência com uma perspectiva queer tão necessária. Desejo que cada vez mais produções desse tipo ganhem espaço na TV, no cinema, nos streamings e no coração das pessoas. ❤ 🌈

Título original: Heartstopper
Ano de lançamento: 2022
Criação: Alice Oseman
Direção: Euros Lyn
Elenco: Joe Locke, Kit Connor, William Gao, Yasmin Finney, Tobie Donovan, Cormac Hyde-Corrin, Rhea Norwood, Sebastian Croft, Olivia Colman

Dica de Série: What If…?

Oi pessoal, tudo bem?

Pra quem adora Marvel como eu, vim dividir minhas impressões sobre What If…?, uma série de animação interessante e muito bem feita. 😀

Sinopse: Reimagine os maiores eventos do universo Marvel e pondere as realidades que poderiam nascer.

Você já parou pra imaginar o que aconteceria se não tivesse sido o Steve Rogers a tomar o soro do Super Soldado? Ou se o Stephen Strange tivesse perdido a mulher que ama, em vez da habilidade com as mãos? E se os Vingadores fossem todos mortos? Essas são algumas das perguntas que essa série imagina e busca responder.

Com episódios curtinhos, entre 20 minutos e meia hora, What If…? dá um gostinho que leitores de HQ provavelmente já experimentaram em algum ponto: presenciar uma história já conhecida sendo totalmente repaginada, em um universo diferente, de forma diferente. E isso é muito legal porque a antologia provoca a nossa imaginação para a ideia do Multiverso.

Aliás, foi aqui que me deparei pela primeira vez com o Multiverso sendo algo de extrema relevância para a próxima fase do MCU. Não vou contar nenhum detalhe, mas é em What If…? que temos o primeiro vislumbre de um Stephen Strange diferente que, pelo menos ao que os trailers indicam, será introduzido também nos cinemas graças a Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Além disso, o conceito de Multiverso também já apareceu na série do Loki e no filme mais recente do Homem-Aranha. Pra quem assistiu What If…?, isso já vinha sendo pavimentado muito bem.

Nem todos os episódios são legais, confesso (no episódio do Thor eu dormi rs). Mas os que são compensam! Além disso, a animação é super bonita e tem um traço bastante único, do qual gostei bastante. São apenas 9 episódios e já houve a confirmação de que teremos uma segunda temporada, agora basta aguardar se ela terá relação com os eventos que se aproximam no MCU.

Resumindo, What If…? é uma série bem produzida, com eventos interessantes e peculiares e também traz um gostinho desse tema tão importante que é o Multiverso. Pra quem gosta da Marvel, vale muito a pena dar o play e se perguntar também o que aconteceria se. Recomendo! 😉

P.S.: um outro motivo muito especial para assistir What If…? é a chance de ouvir pela última vez uma produção inédita com Chadwick Boseman, que dublou nosso querido T’Challa. Wakanda Forever! 🥺💔

Título original: What If…?
Ano de lançamento: 2021
Direção: Bryan Andrews
Elenco: Jeffrey Wright, Samuel L. Jackson, Chadwick Boseman, Hayley Atwell, Mick Wingert, Lake Bell, Jeremy Renner, Benedict Cumberbatch, Josh Keaton, Danai Gurira, Tom Hiddleston, Michael B. Jordan, Karen Gillan, Chris Hemsworth, Sebastian Stan

Dica de Série: Um de Nós Está Mentindo

Oi pessoal, tudo bem?

Já faz um tempo que tramas adolescentes e eu não damos match, mas como eu já quis ler Um de Nós Está Mentindo no passado (e não li), resolvi conhecer a trama por meio da sua adaptação, que estreou recentemente na Netflix. 😉

Sinopse: A detenção reúne cinco estudantes extremamente diferentes. Mas um assassinato e muitos segredos vão manter esse grupo unido até que o mistério seja desvendado.

Cinco alunos são colocados em detenção juntos. Somente quatro saem vivos. Esse é o plot da série, cujo objetivo é fazer o espectador duvidar da inocência dos envolvidos enquanto revela os segredos deles aos poucos. O aluno que morre é Simon, um adolescente que publicava os podres dos colegas em um app chamado About That. Os alunos que restam da detenção são Bronwyn (uma aluna exemplar), Nate (um rapaz problemático que vende drogas), Cooper (um atleta promissor) e Addy (a típica garota loira popular). A morte de Simon acontece na detenção quando a professora se ausenta pra impedir um trote, e o rapaz tem uma reação alérgica. O problema é que não há adrenalina nem na sua bolsa, nem na enfermaria da escola, e é a partir disso que a polícia começa a trabalhar com a hipótese de assassinato. Os suspeitos? Quem estava na detenção, é claro. E enquanto desconfiam uns dos outros, o Clube dos Assassinos (como passam a ser chamados) também precisa contar com o apoio mútuo para irem até o fundo dessa história e descobrirem quem está por trás de tudo.

Eu adoro histórias de investigação, então foi mais fácil pra mim relevar os clichês adolescentes devido a esse atenuante. Um de Nós Está Mentindo tem bons ganchos no final de cada episódio – ou bons o suficiente para me manter interessada, ainda que existam vários probleminhas de roteiro. Além disso, é difícil pra mim assistir atores de 30 anos na cara interpretando jovens de 17, especialmente quando eles têm menos expressão facial do que a Bella em Crepúsculo (Bronwyn, estou falando de você). 😂

O Clube dos Assassinos é composto por estereótipos muito óbvios. Mas, com o passar dos episódios, os adolescentes vão mostrando um pouco mais de profundidade, o que ajuda a criar simpatia. Cooper, por exemplo, é um atleta popular que sofre com um segredo que o impede de ser verdadeiramente honesto consigo mesmo. Addy é uma garota que todos enxergam como “a loira bonitinha”, resumindo-a a isso. Além disso, toda a sua vida gira em torno do namorado rico, Jake, com quem ela já traçou todos os seus planos. Quando a confusão em torno de Simon acontece, ela se vê sem o namorado e acaba passando por transformações que a tornaram minha personagem favorita. Nate é carismático, e tem uma família desestruturada. Ele vende drogas pra sobreviver e perdeu a fé em si mesmo, mas aos poucos a aproximação com Bronwyn o instiga a enxergar seu próprio valor para além de seus atos criminosos. Por último temos a inteligente Bronwyn, a personagem mais sem sal que eu vi em muito tempo. A atriz (que aparenta a idade que tem, o que torna ainda mais esquisito interpretar uma aluna de ensino médio) mantém sempre a mesma expressão seja para transmitir ansiedade, confusão, tristeza, raiva, emoção, alegria – e o mesmo tom de voz também. A química entre ela e Nate não funciona e o relacionamento simplesmente não cola.

Os episódios finais foram meus favoritos em termos de ritmo: eles colocam mais tensão à trama e uma ameaça mais real também. Fiquei curiosa pra descobrir quem era a pessoa responsável pela morte de Simon, e em nenhum momento desconfiei da verdade, o que considero positivo. Entretanto, o motivo pelo qual as coisas aconteceram do modo como aconteceram foi esdrúxulo. Dadas as características de Simon apresentadas pela série, não faz o menor sentido que tudo tivesse transcorrido daquele modo. Se você já assistiu, selecione a frase a seguir: Simon era inteligente e não precisava da aprovação dos outros, por que raios ele arriscaria a própria vida por causa de um desafio de um cara que FOI seu amigo, mas que há tempos não é mais? Ridículo.

Um de Nós Está Mentindo está longe de ser uma obra-prima e tem vários clichês tosquinhos de séries adolescentes. Mas, se você der o play com o intuito de se entreter sem grandes reflexões, a série cumpre bem esse papel. O Clube dos Assassinos (com exceção de Bronwyn) é carismático e me fez querer acompanhar sua missão de descobrir a verdade, bem como torcer para que limpassem seus nomes. Recomendo como entretenimento passageiro e com todas as ressalvas ditas ao longo do post. 😉

Título original: One of Us is Lying
Ano de lançamento: 2022
Criação: Erica Saleh
Elenco:  Annalisa Cochrane, Chibuikem Uche, Marianly Tejada, Cooper van Grootel, Barrett Carnahan, Jessica McLeod, Mark McKenna, Melissa Collazo

Dica de Série: Gavião Arqueiro

Oi galera, tudo bem?

Sabe quando você não dá nada por uma série e ela te surpreende e te diverte? Foi o que aconteceu comigo e Gavião Arqueiro (ou Hawkeye).

Sinopse: Kate Bishop, uma arqueira habilidosa cujo excesso de confiança pode afetar suas decisões, cai no meio de uma conspiração criminosa. Enquanto isso, a tão aguardada viagem de Natal de Clint Barton com os filhos para a cidade de Nova York é interrompida quando uma parte dolorosa do seu passado ressurge. É uma questão de tempo até os caminhos dos dois se cruzarem, tirando o Gavião Arqueiro da aposentadoria.

Um dos aspectos mais bacanas de Gavião Arqueiro é que ela traz de volta uma pegada menos ambiciosa em termos de desafios e antagonistas. Afinal, nem toda trama da Marvel pode envolver titãs e alienígenas superpoderosos, né? O que é bom, se não vira Dragon Ball, como diria meu namorado. 😂

Gavião Arqueiro apresenta novos personagens e traz de volta rostinhos novos que já ganharam nosso coração. A primeira dessas novas personagens é Kate Bishop: na infância, ela presenciou o ataque a Nova York por parte de Loki e os Chitauri, e a pessoa que ela viu lutando contra eles era Clint Barton. A visão de uma pessoa comum, sem poderes especiais, que apenas armado de arco e flecha era capaz de enfrentar aquelas ameaças terríveis, fez com que Kate sonhasse em se tornar uma heroína também. E a série tem uma forma muito legal de mostrar a trajetória da personagem de forma que justifique suas habilidades: já na abertura fica claro que, desde muito novinha, Kate treinou as mais diversas técnicas, indo da arquearia às artes marciais e ginástica olímpica. Com isso, não se torna nada forçada a capacidade dela de lutar, e os diversos troféus e medalhas dela evidenciam isso.

Kate é uma personagem impulsiva e imatura, ainda que não seja tãaao novinha assim (se não me falha a memória, ela tem 22 anos). Ela começa a investigar o noivo de sua mãe, que ela acredita estar envolvido com leilões ilegais, e acaba se metendo em uma confusão tremenda ao usar o traje do Ronin (que estava sendo leiloado). Pra quem não lembra, Ronin foi a identidade de Clint Barton ao longo dos 5 anos de Blip, e ele era implacável ao matar seus inimigos. Ao usar o uniforme dele, Kate ganha a atenção da Gangue do Agasalho, e nessa confusão ela conhece Clint Barton, que vê o “retorno de Ronin” sendo anunciado na TV e resolve intervir. A relação deles começa a partir daí, com um Clint que deseja resolver a situação logo e ir pra casa e uma Kate que está de frente para seu ídolo e quer ajudá-lo em tudo que puder.

A Gangue do Agasalho (nome ridículo, né? Os personagens fazem graça com isso 😂) é bem cômica, de forma geral. Os bandidos são praticamente uma piada e há diálogos que são feitos para não serem levados a sério. Mas há um personagem bem interessante que reaparece no final da série, sobre o qual não vou falar, que eu queria que tivesse mais tempo de MCU. E é na Gangue do Agasalho que também surge uma possível antagonista recorrente, ou futura anti-heroína, não sei: Maya, uma exímia lutadora que também traz representatividade étnica e PCD (pois é surda e usa uma prótese na perna).

É muito bacana ver a relação de Clint e Kate se desenvolver. Eu nunca fui muito fã dele (e nem do ator, pra ser sincera, já vi falas bem babaquinhas dele), mas ele consegue ter o carisma necessário pra funcionar em sua minissérie. Mas é ela quem brilha, isso é inegável: Kate tem um grande coração, um entusiasmo contagiante e uma personalidade que cativa. Ela faz muita burrada devido à inexperiência, mas aos poucos ela vai conquistando a confiança de Clint, que tenta evitar uma parceria com ela a todo custo por saber que a vida de herói envolve muitas perdas. E, já que falei em perda, é necessário ressaltar a presença (ou melhor, a ausência) de Natasha ao longo de toda a série. Gavião Arqueiro faz questão de deixar clara a falta que a personagem faz pra Clint e como existe uma melancolia permanente em torno de seu nome. Quando Yelena (está nos pôsteres e materiais de divulgação, não é spoiler) surge em busca de vingança pela irmã, a ausência de Nat é ainda mais sentida. Gostei muito dessa honraria à personagem, que teve tão pouco reconhecimento por parte do MCU de 2008 pra cá.

Gavião Arqueiro foi uma grata surpresa, trazendo cenas de ação dinâmicas e divertidas e mostrando o lado mais “comum” da vida de super-herói. Nem todo desafio vai ser colossal, e isso não quer dizer que as histórias não sejam boas e envolventes, né? Demolidor que o diga (sdds). Além disso, passa uma vibe de passagem de bastão, semelhante ao que vimos no filme solo da Viúva Negra, e isso me deixa empolgada pelo que está por vir no MCU. Se você busca uma série que entretém em poucos (mas suficientes) episódios, Gavião Arqueiro é uma ótima pedida. 😉

P.S.: tem um membro do elenco que merece uma menção honrosa: a fofura do Lucky (Sortudo), o cachorro resgatado pela Kate. ❤ Muito amor!

Título original: Hawkeye
Ano de lançamento: 2021
Criação: Jonathan Igla
Elenco: Jeremy Renner, Hailee Steinfeld, Vera Farmiga, Tony Dalton, Fra Fee, Alaqua Cox, Linda Cardellini, Florence Pugh

Dica de Série: Only Murders in the Building

Oi pessoal, tudo bem?

Cheguei com uma dica de série instigante e divertidíssima. Anotem aí: Only Murders in the Building!

Sinopse: Only Murders in the Building conta a história de três estranhos que compartilham uma obsessão pelo gênero true crime e que, de repente, se veem envolvidos em um crime na vida real. Quando uma morte horrível ocorre dentro de seu exclusivo prédio de apartamentos no Upper West Side, o trio – formado por Mabel (Selena Gomez), Charles (Steve Martin) e Oliver (Martin Short) – começa a suspeitar de assassinato e usa seu conhecimento de true crime para investigar o caso. Mas não demora para que o trio perceba que um assassino pode estar vivendo entre eles e que, portanto, estão em perigo. Agora, eles vão ter de correr para decifrar as pistas e descobrir a verdade – antes que seja tarde demais.

O que dois idosos e uma jovem na casa dos 20 e poucos anos têm em comum? Uma paixão por podcasts de true crime. Charles é um ator aposentado, Oliver é um antigo diretor de musicais e Mabel é uma artista que se aproximam de forma inusitada: quando um de seus vizinhos (Tim Kono) é encontrado morto, o interesse em comum dos três por investigações faz com que eles queiram tirar a limpo se a causa da morte realmente foi suicídio, como a polícia acredita. Os três notam pequenos indícios de que a história é um pouco mais complicada do que isso, e quando eles percebem já estão iniciando o projeto Only Murders in the Building, um podcast que promete desvendar a verdade sobre Tim Kono.

Only Murders conseguiu a proeza de unir em uma mesma história dois estilos de série que eu adoro: comédia e investigação criminal. E, acreditem, funciona bem demais! A parte humorística da trama fica por conta do contraste entre a personalidade do trio principal: Mabel é cínica e objetiva, Charles é um tantinho rabugento, e Oliver é efusivo e desorganizado. Porém, conforme adentram os segredos da vida de Tim Kono (e não apenas dele, mas de outro nome importante nessa dinâmica), os laços de amizade vão se estreitando para além do podcast. Este, por sinal, é o cerne da parte investigativa de Only Murders: os personagens principais partem para interrogatórios e buscas por pistas que vão revelando mais do que as circunstâncias da morte do vizinho – como também o fato de que existe um possível assassino no prédio.

Eu gostei muito da química entre os personagens principais. Mabel é uma jovem que esconde seus próprios segredos e traumas, e tem uma dificuldade enorme em deixar as pessoas se aproximarem dela. Com o tempo, porém, ela se dá conta de que está enxergando seus novos companheiros como amigos – algo que há muito ela não fazia. É engraçado demais ver a interação dela com os dois, porque ela ensina algumas modernidades que geram cenas cômicas (como por exemplo dizer ao Charles que ele não precisa assinar seu nome ao enviar uma mensagem instantânea). Oliver é a alma da festa, aquele cara otimista e visionário que coloca toda a sua energia em seus projetos. Porém, ele é também bastante irresponsável, justamente por faltar um pé no chão em relação a esse assunto. Charles vem para balancear esse lado de Oliver, sendo um homem mais contido e que pensa antes de agir (talvez até demais). Ele vive à sombra de seu passado como um ator de sucesso e de um relacionamento que ruiu, então suas novas amizades dão um novo propósito ao seu dia a dia.

A trama é super bem costuradinha e dá vontade de assistir um episódio atrás do outro, porque a duração de cada um não é muito longa. Only Murders começa com uma cena bem chocante e depois há um salto temporal para algumas semanas anteriores a essa cena, o que é um recurso um pouco batido, mas eficaz, para manter o espectador interessado em saber qual será o desenrolar dos fatos que culminará naquilo que foi exposto. Há um gancho imperdível para uma segunda temporada, que felizmente já foi confirmada!

É engraçado como dar um play despretensioso, bem sem expectativas mesmo, pode nos surpreender, né? Fui conferir o título nesse mood e no fim me diverti demais assistindo a Only Murders in the Building, Me apeguei aos personagens, gostei do ritmo da trama e das reviravoltas finais, e não vejo a hora de conferir a segunda temporada. Série recomendadíssima! 😀

Título original: Only Murders in the Building
Ano de lançamento: 2021
Criação: John Hoffman, Steve Martin
Elenco: Steve Martin, Martin Short, Selena Gomez, Aaron Dominguez, Amy Ryan, Julian Cihi, Nathan Lane

Assisti, mas não resenhei #7

Oi pessoal, tudo bem?

Minha listinha de itens assistidos e não resenhados tá grande (oi, procrastinação!), então resolvi reunir essas dicas em mais um Assisti, mas não resenhei

Encanto

Assisti ao novo filme da Disney no cinema, mas ele já chegou ao Disney+ pra quem quiser conferir. A trama acompanha a família Madrigal, cujos membros muitos anos atrás receberam o milagre de ganharem dons especiais e uma casa mágica. A única pessoa que não foi agraciada com tais dons é nossa carismática protagonista, Mirabel. Quando a Casita (o apelido da casa) começa a exibir indícios de que algo está errado com a magia, Mirabel parte em uma missão para tentar salvar a todos. O filme, que explora a cultura colombiana, é lindo visualmente, e tem uma trilha sonora bastante diversa e com referências a estilos variados. Gostei do filme, mas achei que pesaram a mão na parte musical dele. Também achei que faltou um pouco de carisma na trama como um todo: a família Madrigal é enorme e o filme tenta apresentar a todos, mas acaba que o foco não fica nem neles, nem no desenvolvimento mais aprofundado da trama e da Mirabel. É como se tentassem fazer muita coisa e tudo ficasse um pouco meia boca, sabem? Resumindo: é divertido, mas está longe de ser o melhor filme recente da Disney.

Distante da Árvore

Esse é um curta que passou antes de Encanto no cinema, e apresenta uma filhote de guaxinim que tenta explorar o mundo com sua mãe ou seu pai (não fica claro). Porém, existem muitos perigos lá fora, e quando a filhote quase é pega por uma espécie de cachorro do mato, o guaxinim adulto a pune e a assusta. O tempo passa e essa filhote vira uma adulta com sua própria bebê, a qual ela também precisa ensinar sobre os perigos da vida longe da árvore. Porém, depois de perceber que está adotando a mesma postura que tiveram com ela, ela entende que pode romper com aquele ciclo e ensinar sua filhote de uma outra maneira. Chorei muito com esse curta e achei ele lindo – tanto visualmente quanto em termos de roteiro, que nos mostra que não precisamos ficar presos aos padrões construídos por nossos pais. Podemos romper com o que nos faz mal e buscar fazer as coisas do nosso próprio jeito. ❤ Lindo demais!

The Undoing

Como adoro um bom suspense e curti demais Big Little Lies, fiquei empolgada pra assistir a essa minissérie estrelada pela Nicole Kidman. Na trama, a protagonista Grace Fraser vê sua vida virar de cabeça para baixo quando seu marido, Jonathan, é acusado de matar uma jovem mãe – e a desconfiança fica ainda pior quando descobrem que ele tinha um caso com ela. A partir daí, o casal passa por diversas turbulências enquanto tentam montar a estratégia de defesa. O plot twist do final da série é bacana e me agradou (e quando digo plot twist, não estou me referindo à identidade do assassino(a), mas a algo mais legal #fikdik), mas sabe quando a gente que faltou um “algo a mais”? A série é boa, achei que valeu a pena assistir, mas não me arrebatou completamente.

Não Olhe Para Cima

Esse filme ficou na boca do povo nas últimas semanas por satirizar a sociedade quando um grande desastre iminente ameaça nossa sobrevivência e as pessoas se recusam a acreditar nele. Soa familiar? Não Olhe Para Cima foi inspirado na recusa das autoridades e da humanidade em aceitar os efeitos desastrosos do aquecimento global, mas também ilustra perfeitamente como lidamos com a pandemia do Covid-19. Na trama, dois cientistas que descobrem um meteoro gigantesco em rota de colisão com a Terra são ignorados pelo governo, então tentam por meio da exposição midiática trazer luz ao tema. Contudo, não demora pra que políticos e bilionários comecem a usar a situação em seu benefício, instigando inclusive que as pessoas “não olhem pra cima” no sentido mais óbvio: porque, se elas olhassem, literalmente enxergariam o meteoro! Esse é um filme que te faz rir de nervoso, porque as situações absurdas nele mostradas infelizmente não são tão absurdas assim. 😦 Como crítica negativa, achei que a duração é um pouco longa demais.

Se Algo Acontecer, Te Amo

Esse curta eu assisti faz um tempo já, na época da premiação do último Oscar. Ele está disponível na Netflix e, em apenas 12 minutos, consegue comover o espectador e levá-lo às lágrimas ao mostrar um casal tentando se recuperar da perda da filha, morta em um tiroteio escolar. Nos Estados Unidos esse é um problema recorrente, e é de partir o coração pensar que famílias são destruídas por ações como essa. Eu, que sou totalmente contrária ao porte de armas, vejo em histórias assim ainda mais motivos e argumentos pra não colocar instrumentos capazes de matar com facilidade na mão das pessoas. Enfim, apesar de toda essa carga dramática e da óbvia tristeza, o filme também emociona ao mostrar o processo de cura do casal e da reaproximação deles. Perder um filho pode ser uma ruptura irreversível em um casamento, mas o curta explorou a possibilidade de cura que os pais encontraram um no outro com a ajuda das memórias e do espírito (sempre vivo) da filha. ❤

Gente Ansiosa

Habemus decepção na lista? Habemus. Gente Ansiosa foi um dos meus livros favoritos de 2021, então eu estava muito animada pra conferir a adaptação. Infelizmente, o flop veio. O formato de minissérie em 6 episódios não funcionou, os ganchos dos episódios não foram instigantes e todo o brilhantismo da narrativa, com seu estilo irônico e reflexivo, se perdeu. Os personagens perderam sua essência e a série tentou dar mais ênfase no mistério sobre a investigação da identidade do assaltante de banco que acabou se envolvendo em uma situação de reféns – sendo que no livro isso está longe de ser o foco, sendo as relações entre os personagens (e suas angústias, histórias e medos) a parte mais importante da obra. Não recomendo. 😦

Me contem, pessoal: já assistiram a algum dos títulos da lista?
Vou adorar saber a opinião de vocês a respeito!

Beijos e até o próximo post! 😘

Review: Harry Potter: De Volta a Hogwarts

Oi pessoal, tudo bem?

Dia 1º de janeiro foi muito marcante para os potterheads: o especial de 20 anos da estreia de Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter: De Volta a Hogwarts, estreou na HBO Max. ❤ A reunião contou com nomes importantes do elenco e revisitou toda a trajetória dos filmes da franquia de um dos bruxos mais amados da literatura e do cinema, então imaginem minha emoção ao conferir esse documentário. ❤

Sinopse: O tempo passou, e a saga do menino que viveu para enfrentar Lord Voldemort completou 20 anos! E pra comemorar em grande estilo, nada melhor do que reunir todo o elenco. Participe desse reencontro mágico, e reviva a história que marcou toda uma geração.

A HBO tem feito um ótimo trabalho em mexer com o coração de uma fangirl como eu, hein? Primeiro tivemos a reunião de Friends, que foi maravilhosa, e agora fomos presenteados com um especial delicado e bem produzido de Harry Potter. As cenas iniciais do documentário são responsáveis por nos ambientar a esse retorno, mostrando nomes como Emma Watson (Hermione), Robbie Coltrane (Hogwarts) e Matthew Lewis (Neville) recebendo cartas de Hogwarts que os convidam a voltar para celebrar o 20º aniversário do início da saga. Acompanhamos Emma chegando à estação 9 3/4 e reencontrando colegas de elenco como Bonnie Wright (Gina) e Evanna Lynch (Luna) no icônico Expresso de Hogwarts. Ao chegarem à escola, os atores (e os espectadores) são recebidos com cenários deslumbrantes e um baile incrível no Salão Principal, capaz de encher os olhos e nos deixar de queixo caído. Rupert Grint (Rony) também se junta ao time e, pra fechar com chave de ouro, vemos Dan Radcliffe (Harry) caminhando pelo Beco Diagonal – local tão importante pra sua história, o primeiro contato de Harry com o mundo bruxo.

De Volta a Hogwarts se divide em “capítulos” organizados por pares de filmes. Começamos com A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta, depois evoluímos para O Prisioneiro de Azkaban e O Cálice de Fogo, e assim por diante. Cada um desses capítulos conta com entrevistas e relatos não apenas do elenco, mas também da produção. Chris Columbus, o primeiro diretor da saga, tem bastante espaço para dividir a experiência de como foi dar o tom inicial dos filmes, algo tão importante para criar as bases fundamentais para o que viria posteriormente. É muito legal ouvir dos diretores e da produção curiosidades de bastidores, como por exemplo o fato de que Richard Harris (o primeiro Dumbledore) ter achado que Fawkes era um animal real bem treinado, quando na verdade era um animatrônico. 😂 Ou, ainda, descobrir que a Helena Bonham Carter guarda um autógrafo do Dan de quando ele era mais novo, em que ele dizia querer que eles tivessem uma idade parecida pra que ele pudesse ter uma chance com ela HAHAHAHA!

Outro aspecto muito bacana foi perceber como diferentes momentos da vida do elenco pediam por conduções diferentes. Enquanto Chris Columbus precisava lidar com crianças (o que pede mais leveza e sensibilidade pra conduzir a direção), Alfonso Cuarón foi o primeiro diretor a trabalhar com jovens atores, já no período da adolescência. Conforme o elenco dos alunos crescia, novos desafios iam acontecendo, como a chegada dos hormônios e as crises de identidade geradas pela idade. A própria Emma relata que, em determinado ponto da franquia, chegou a pensar em desistir – tamanha a pressão da fama. Pra nós, fãs, é fácil esquecer que aqueles rostos que nos acompanharam enquanto crescíamos também estavam vivendo a mesma experiência (e os mesmos dilemas), então adorei ter a perspectiva dos atores sobre como foi crescer e viver os momentos mais marcantes do início da vida sendo parte de Harry Potter. Algumas das minhas partes favoritas são as cenas em que o trio principal conversa sobre esses momentos e rememora o tempo juntos – ainda que, confesso, pessoalmente eu sinta algum tipo de “distância” entre a Emma, o Rupert e o Dan. 👀

A emoção correu solta em diversos momentos, e ao mesmo tempo em que me provocou muitas risadas, o especial me levou às lágrimas mais de uma vez. Parte do documentário se dedicou a homenagear os membros do elenco e da produção que faleceram, e a falta que essas pessoas fizeram foi sentida. Alan Rickman (Snape) é o nome que provavelmente tem o maior peso nessa questão: além de ser um ator fantástico, ele também era querido por todos e muito generoso. Helen McCrory (Narcisa) também foi mencionada com destaque, e ambos foram pessoas que partiram muito cedo.

Harry Potter: De Volta a Hogwarts é um belo presente a quem cresceu com Harry Potter e às novas gerações que estão se encantando com a saga agora. Ele me lembrou as revistas que eu colecionava na adolescência, que eram lançadas próximo das estreias dos filmes e traziam várias entrevistas e informações de bastidores. 🥰 Essa sensação foi muito nostálgica e aproveitei cada segundo. Harry Potter sempre vai fazer parte da minha vida e voltar a esse universo tem um gostinho mágico que nunca vai embora. ❤

Título original: Harry Potter 20th Anniversary: Return to Hogwarts
Ano de lançamento: 2022
Direção: Casey Patterson
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Gary Oldman, Helena Bonham Carter, Tom Felton, Jason Isaacs, Bonnie Wright, Evanna Lynch, Matthew Lewis, Robbie Coltrane

Dica de Série: Arcane

Oi pessoal, tudo bem?

Começo esse post desejando um feliz Ano Novo a todos, cheio de esperanças renovadas, muita saúde e #ForaBolsonaro. ❤ Espero que tenham passado uma boa virada ao lado de quem vocês amam!

Pra começar 2022, ainda que o timing esteja um pouco atrasado, gostaria de compartilhar uma dica imperdível da Netflix: Arcane, uma série de animação impecável que, por sinal, é baseada nos personagens de League of Legends. E por que digo isso de forma tão casual? Pra não te assustar caso você não goste do jogo: a série não depende nadinha de conhecimentos acerca dele e você não precisa ser gamer pra gostar. 😉 Bora lá?

Sinopse: Em meio ao conflito entre as cidades-gêmeas de Piltover e Zaun, duas irmãs lutam em lados opostos de uma guerra entre tecnologias mágicas e convicções incompatíveis.

A trama de Arcane é focada na rica Piltover, conhecida como a Cidade do Progresso, e sua antítese, a Subferia – uma parte subterrânea da cidade deixada à própria sorte pelos governantes de Piltover. Em ambas as cidades, existem tramas que vão se desenvolvendo paralelamente até se encontrarem e darem início a combates cada vez mais ferrenhos entre elas. Em Piltover, acompanhamos principalmente uma dupla de cientistas (Jayce e Viktor) tentando provar que é seguro usar magia atrelada à tecnologia, no que eles chamam de Hextec. Seu mentor, Heimerdinger, é o principal oponente dessa ideia, porque sabe dos perigos de colocar algo com potencial tão destrutivo nas mãos humanas. Enquanto isso, na Subferia, acompanhamos a ascensão de Silco, um homem determinado a conquistar independência para a região, transformando-a numa própria cidade chamada Zaun. É nesse contexto que conhecemos as duas protagonistas mais marcantes de Arcane: Vi e Powder (ou Jinx).

As duas são irmãs cujos pais morreram numa batalha entre a Subferia e Piltover, mas foram acolhidas pelo gentil Vander, que “comanda” a Subferia com temperança. Quando Silco ascende na região, uma sequência de eventos afasta Vi de Powder, o que dá a Silco a oportunidade de usar o trauma da mais nova (que a leva à beira da insanidade) para transformá-la em Jinx. A partir dessa ruptura, Vi sofre diariamente pelo arrependimento de ter brigado com a irmã, querendo tê-la de volta, enquanto Jinx se vincula de forma intensa a Silco, encontrando um pai substituto nele. Existe uma passagem de tempo entre o início da série, em que as duas são crianças, para a metade final, em que já são adultas, e a transição de Arcane é muito bem feita para que o espectador entenda como elas chegaram onde chegaram. Minha única exceção, e é um ponto de que não gostei, foi a mudança abrupta de Powder para Jinx, que subitamente aceitou como seu mentor o homem que destruiu sua família e seus amigos – mesmo que ela seja desequilibrada mentalmente, me soou forçado, já que nos primeiros episódios ela não demonstra ser alguém desequilibrada a esse ponto. Sim, dá pra ver que ela tem problemas, mas aceitar Silco como seu novo “pai”? Depois de tudo que ele fez? Pra mim, não rolou.

Vale pontuar também que Arcane é uma série visualmente impecável. O traço é maravilhoso e as cores me lembram pintura a óleo, com pinceladas marcadas e uma singularidade que confere muita personalidade à obra. As cenas de luta são bem coreografadas e a animação é fluida, o que torna cada episódio muito bom de assistir. É muito bacana ver as discrepâncias entre Piltover e a Subferia: enquanto a primeira é brilhante, cheia de tons claros, com pessoas bem vestidas e cenários deslumbrantes, a segunda é marcada por tons de preto, roxo e cinza, com muita escuridão, sujeira e contraste. A “fotografia” (entre aspas porque né, é uma animação) dá o tom certo pra ficarem nítidas as desigualdades entre os dois locais.

O plot de Piltover foi o que menos me agradou. Jayce é um personagem muito do chatinho, bem sapatênis mesmo, e a sua luta para fazer a tecnologia Hextec acontecer simplesmente não dialogou comigo. Há em seu plot algumas maquinações políticas que até produzem alguma reviravolta, mas eu fiquei muito mais intrigada pela trama de seu melhor amigo, Viktor. Tão brilhante quanto Jayce, Viktor tem o azar de estar com os dias contados devido a uma doença, e coloca suas esperanças na tecnologia Hextec. Como eu já joguei League of Legends, sei que ele é um personagem jogável bem diferente, então fiquei muito curiosa pra ver como seria seu desenrolar.

Gostei muito da trama da Vi e da Jinx, ainda que eu já tenha dito ali em cima o que não gostei na transformação da segunda. Mas, na busca da irmã mais velha por resgatar a mais nova, vale comentar sobre outra personagem: Caitlyn, uma jovem policial de Piltover que deseja resolver um caso envolvendo a Subferia e acaba se tornando aliada de Vi. As duas têm uma química fortíssima e pra mim já são o shipp do momento. ❤ Cait é uma jovem muito responsável, corajosa e determinada, e traz um pouco de prudência à personalidade explosiva e impulsiva de Vi.

Arcane é uma série tecnicamente impecável e com um roteiro que te prende do início ao fim. Tanto pra quem gosta quanto pra quem não gosta de League of Legends, digo sem sombra de dúvidas que é um play muito bem dado na Netflix. E eu duvido que você não fique com a música de abertura na cabeça (de autoria do Imagine Dragons) por alguns dias depois de começar a assistir. 😛

Título original: Arcane
Ano de lançamento: 2021
Criação: Christian Linke, Alex Yee
Elenco: Hailee Steinfeld, Ella Purnell, Kevin Alejandro, Jason Spisak, Harry Lloyd, Katie Leung