Assisti, mas não resenhei #7

Oi pessoal, tudo bem?

Minha listinha de itens assistidos e não resenhados tá grande (oi, procrastinação!), então resolvi reunir essas dicas em mais um Assisti, mas não resenhei

Encanto

Assisti ao novo filme da Disney no cinema, mas ele já chegou ao Disney+ pra quem quiser conferir. A trama acompanha a família Madrigal, cujos membros muitos anos atrás receberam o milagre de ganharem dons especiais e uma casa mágica. A única pessoa que não foi agraciada com tais dons é nossa carismática protagonista, Mirabel. Quando a Casita (o apelido da casa) começa a exibir indícios de que algo está errado com a magia, Mirabel parte em uma missão para tentar salvar a todos. O filme, que explora a cultura colombiana, é lindo visualmente, e tem uma trilha sonora bastante diversa e com referências a estilos variados. Gostei do filme, mas achei que pesaram a mão na parte musical dele. Também achei que faltou um pouco de carisma na trama como um todo: a família Madrigal é enorme e o filme tenta apresentar a todos, mas acaba que o foco não fica nem neles, nem no desenvolvimento mais aprofundado da trama e da Mirabel. É como se tentassem fazer muita coisa e tudo ficasse um pouco meia boca, sabem? Resumindo: é divertido, mas está longe de ser o melhor filme recente da Disney.

Distante da Árvore

Esse é um curta que passou antes de Encanto no cinema, e apresenta uma filhote de guaxinim que tenta explorar o mundo com sua mãe ou seu pai (não fica claro). Porém, existem muitos perigos lá fora, e quando a filhote quase é pega por uma espécie de cachorro do mato, o guaxinim adulto a pune e a assusta. O tempo passa e essa filhote vira uma adulta com sua própria bebê, a qual ela também precisa ensinar sobre os perigos da vida longe da árvore. Porém, depois de perceber que está adotando a mesma postura que tiveram com ela, ela entende que pode romper com aquele ciclo e ensinar sua filhote de uma outra maneira. Chorei muito com esse curta e achei ele lindo – tanto visualmente quanto em termos de roteiro, que nos mostra que não precisamos ficar presos aos padrões construídos por nossos pais. Podemos romper com o que nos faz mal e buscar fazer as coisas do nosso próprio jeito. ❤ Lindo demais!

The Undoing

Como adoro um bom suspense e curti demais Big Little Lies, fiquei empolgada pra assistir a essa minissérie estrelada pela Nicole Kidman. Na trama, a protagonista Grace Fraser vê sua vida virar de cabeça para baixo quando seu marido, Jonathan, é acusado de matar uma jovem mãe – e a desconfiança fica ainda pior quando descobrem que ele tinha um caso com ela. A partir daí, o casal passa por diversas turbulências enquanto tentam montar a estratégia de defesa. O plot twist do final da série é bacana e me agradou (e quando digo plot twist, não estou me referindo à identidade do assassino(a), mas a algo mais legal #fikdik), mas sabe quando a gente que faltou um “algo a mais”? A série é boa, achei que valeu a pena assistir, mas não me arrebatou completamente.

Não Olhe Para Cima

Esse filme ficou na boca do povo nas últimas semanas por satirizar a sociedade quando um grande desastre iminente ameaça nossa sobrevivência e as pessoas se recusam a acreditar nele. Soa familiar? Não Olhe Para Cima foi inspirado na recusa das autoridades e da humanidade em aceitar os efeitos desastrosos do aquecimento global, mas também ilustra perfeitamente como lidamos com a pandemia do Covid-19. Na trama, dois cientistas que descobrem um meteoro gigantesco em rota de colisão com a Terra são ignorados pelo governo, então tentam por meio da exposição midiática trazer luz ao tema. Contudo, não demora pra que políticos e bilionários comecem a usar a situação em seu benefício, instigando inclusive que as pessoas “não olhem pra cima” no sentido mais óbvio: porque, se elas olhassem, literalmente enxergariam o meteoro! Esse é um filme que te faz rir de nervoso, porque as situações absurdas nele mostradas infelizmente não são tão absurdas assim. 😦 Como crítica negativa, achei que a duração é um pouco longa demais.

Se Algo Acontecer, Te Amo

Esse curta eu assisti faz um tempo já, na época da premiação do último Oscar. Ele está disponível na Netflix e, em apenas 12 minutos, consegue comover o espectador e levá-lo às lágrimas ao mostrar um casal tentando se recuperar da perda da filha, morta em um tiroteio escolar. Nos Estados Unidos esse é um problema recorrente, e é de partir o coração pensar que famílias são destruídas por ações como essa. Eu, que sou totalmente contrária ao porte de armas, vejo em histórias assim ainda mais motivos e argumentos pra não colocar instrumentos capazes de matar com facilidade na mão das pessoas. Enfim, apesar de toda essa carga dramática e da óbvia tristeza, o filme também emociona ao mostrar o processo de cura do casal e da reaproximação deles. Perder um filho pode ser uma ruptura irreversível em um casamento, mas o curta explorou a possibilidade de cura que os pais encontraram um no outro com a ajuda das memórias e do espírito (sempre vivo) da filha. ❤

Gente Ansiosa

Habemus decepção na lista? Habemus. Gente Ansiosa foi um dos meus livros favoritos de 2021, então eu estava muito animada pra conferir a adaptação. Infelizmente, o flop veio. O formato de minissérie em 6 episódios não funcionou, os ganchos dos episódios não foram instigantes e todo o brilhantismo da narrativa, com seu estilo irônico e reflexivo, se perdeu. Os personagens perderam sua essência e a série tentou dar mais ênfase no mistério sobre a investigação da identidade do assaltante de banco que acabou se envolvendo em uma situação de reféns – sendo que no livro isso está longe de ser o foco, sendo as relações entre os personagens (e suas angústias, histórias e medos) a parte mais importante da obra. Não recomendo. 😦

Me contem, pessoal: já assistiram a algum dos títulos da lista?
Vou adorar saber a opinião de vocês a respeito!

Beijos e até o próximo post! 😘

Review: Harry Potter: De Volta a Hogwarts

Oi pessoal, tudo bem?

Dia 1º de janeiro foi muito marcante para os potterheads: o especial de 20 anos da estreia de Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter: De Volta a Hogwarts, estreou na HBO Max. ❤ A reunião contou com nomes importantes do elenco e revisitou toda a trajetória dos filmes da franquia de um dos bruxos mais amados da literatura e do cinema, então imaginem minha emoção ao conferir esse documentário. ❤

Sinopse: O tempo passou, e a saga do menino que viveu para enfrentar Lord Voldemort completou 20 anos! E pra comemorar em grande estilo, nada melhor do que reunir todo o elenco. Participe desse reencontro mágico, e reviva a história que marcou toda uma geração.

A HBO tem feito um ótimo trabalho em mexer com o coração de uma fangirl como eu, hein? Primeiro tivemos a reunião de Friends, que foi maravilhosa, e agora fomos presenteados com um especial delicado e bem produzido de Harry Potter. As cenas iniciais do documentário são responsáveis por nos ambientar a esse retorno, mostrando nomes como Emma Watson (Hermione), Robbie Coltrane (Hogwarts) e Matthew Lewis (Neville) recebendo cartas de Hogwarts que os convidam a voltar para celebrar o 20º aniversário do início da saga. Acompanhamos Emma chegando à estação 9 3/4 e reencontrando colegas de elenco como Bonnie Wright (Gina) e Evanna Lynch (Luna) no icônico Expresso de Hogwarts. Ao chegarem à escola, os atores (e os espectadores) são recebidos com cenários deslumbrantes e um baile incrível no Salão Principal, capaz de encher os olhos e nos deixar de queixo caído. Rupert Grint (Rony) também se junta ao time e, pra fechar com chave de ouro, vemos Dan Radcliffe (Harry) caminhando pelo Beco Diagonal – local tão importante pra sua história, o primeiro contato de Harry com o mundo bruxo.

De Volta a Hogwarts se divide em “capítulos” organizados por pares de filmes. Começamos com A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta, depois evoluímos para O Prisioneiro de Azkaban e O Cálice de Fogo, e assim por diante. Cada um desses capítulos conta com entrevistas e relatos não apenas do elenco, mas também da produção. Chris Columbus, o primeiro diretor da saga, tem bastante espaço para dividir a experiência de como foi dar o tom inicial dos filmes, algo tão importante para criar as bases fundamentais para o que viria posteriormente. É muito legal ouvir dos diretores e da produção curiosidades de bastidores, como por exemplo o fato de que Richard Harris (o primeiro Dumbledore) ter achado que Fawkes era um animal real bem treinado, quando na verdade era um animatrônico. 😂 Ou, ainda, descobrir que a Helena Bonham Carter guarda um autógrafo do Dan de quando ele era mais novo, em que ele dizia querer que eles tivessem uma idade parecida pra que ele pudesse ter uma chance com ela HAHAHAHA!

Outro aspecto muito bacana foi perceber como diferentes momentos da vida do elenco pediam por conduções diferentes. Enquanto Chris Columbus precisava lidar com crianças (o que pede mais leveza e sensibilidade pra conduzir a direção), Alfonso Cuarón foi o primeiro diretor a trabalhar com jovens atores, já no período da adolescência. Conforme o elenco dos alunos crescia, novos desafios iam acontecendo, como a chegada dos hormônios e as crises de identidade geradas pela idade. A própria Emma relata que, em determinado ponto da franquia, chegou a pensar em desistir – tamanha a pressão da fama. Pra nós, fãs, é fácil esquecer que aqueles rostos que nos acompanharam enquanto crescíamos também estavam vivendo a mesma experiência (e os mesmos dilemas), então adorei ter a perspectiva dos atores sobre como foi crescer e viver os momentos mais marcantes do início da vida sendo parte de Harry Potter. Algumas das minhas partes favoritas são as cenas em que o trio principal conversa sobre esses momentos e rememora o tempo juntos – ainda que, confesso, pessoalmente eu sinta algum tipo de “distância” entre a Emma, o Rupert e o Dan. 👀

A emoção correu solta em diversos momentos, e ao mesmo tempo em que me provocou muitas risadas, o especial me levou às lágrimas mais de uma vez. Parte do documentário se dedicou a homenagear os membros do elenco e da produção que faleceram, e a falta que essas pessoas fizeram foi sentida. Alan Rickman (Snape) é o nome que provavelmente tem o maior peso nessa questão: além de ser um ator fantástico, ele também era querido por todos e muito generoso. Helen McCrory (Narcisa) também foi mencionada com destaque, e ambos foram pessoas que partiram muito cedo.

Harry Potter: De Volta a Hogwarts é um belo presente a quem cresceu com Harry Potter e às novas gerações que estão se encantando com a saga agora. Ele me lembrou as revistas que eu colecionava na adolescência, que eram lançadas próximo das estreias dos filmes e traziam várias entrevistas e informações de bastidores. 🥰 Essa sensação foi muito nostálgica e aproveitei cada segundo. Harry Potter sempre vai fazer parte da minha vida e voltar a esse universo tem um gostinho mágico que nunca vai embora. ❤

Título original: Harry Potter 20th Anniversary: Return to Hogwarts
Ano de lançamento: 2022
Direção: Casey Patterson
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Gary Oldman, Helena Bonham Carter, Tom Felton, Jason Isaacs, Bonnie Wright, Evanna Lynch, Matthew Lewis, Robbie Coltrane

Dica de Série: Arcane

Oi pessoal, tudo bem?

Começo esse post desejando um feliz Ano Novo a todos, cheio de esperanças renovadas, muita saúde e #ForaBolsonaro. ❤ Espero que tenham passado uma boa virada ao lado de quem vocês amam!

Pra começar 2022, ainda que o timing esteja um pouco atrasado, gostaria de compartilhar uma dica imperdível da Netflix: Arcane, uma série de animação impecável que, por sinal, é baseada nos personagens de League of Legends. E por que digo isso de forma tão casual? Pra não te assustar caso você não goste do jogo: a série não depende nadinha de conhecimentos acerca dele e você não precisa ser gamer pra gostar. 😉 Bora lá?

Sinopse: Em meio ao conflito entre as cidades-gêmeas de Piltover e Zaun, duas irmãs lutam em lados opostos de uma guerra entre tecnologias mágicas e convicções incompatíveis.

A trama de Arcane é focada na rica Piltover, conhecida como a Cidade do Progresso, e sua antítese, a Subferia – uma parte subterrânea da cidade deixada à própria sorte pelos governantes de Piltover. Em ambas as cidades, existem tramas que vão se desenvolvendo paralelamente até se encontrarem e darem início a combates cada vez mais ferrenhos entre elas. Em Piltover, acompanhamos principalmente uma dupla de cientistas (Jayce e Viktor) tentando provar que é seguro usar magia atrelada à tecnologia, no que eles chamam de Hextec. Seu mentor, Heimerdinger, é o principal oponente dessa ideia, porque sabe dos perigos de colocar algo com potencial tão destrutivo nas mãos humanas. Enquanto isso, na Subferia, acompanhamos a ascensão de Silco, um homem determinado a conquistar independência para a região, transformando-a numa própria cidade chamada Zaun. É nesse contexto que conhecemos as duas protagonistas mais marcantes de Arcane: Vi e Powder (ou Jinx).

As duas são irmãs cujos pais morreram numa batalha entre a Subferia e Piltover, mas foram acolhidas pelo gentil Vander, que “comanda” a Subferia com temperança. Quando Silco ascende na região, uma sequência de eventos afasta Vi de Powder, o que dá a Silco a oportunidade de usar o trauma da mais nova (que a leva à beira da insanidade) para transformá-la em Jinx. A partir dessa ruptura, Vi sofre diariamente pelo arrependimento de ter brigado com a irmã, querendo tê-la de volta, enquanto Jinx se vincula de forma intensa a Silco, encontrando um pai substituto nele. Existe uma passagem de tempo entre o início da série, em que as duas são crianças, para a metade final, em que já são adultas, e a transição de Arcane é muito bem feita para que o espectador entenda como elas chegaram onde chegaram. Minha única exceção, e é um ponto de que não gostei, foi a mudança abrupta de Powder para Jinx, que subitamente aceitou como seu mentor o homem que destruiu sua família e seus amigos – mesmo que ela seja desequilibrada mentalmente, me soou forçado, já que nos primeiros episódios ela não demonstra ser alguém desequilibrada a esse ponto. Sim, dá pra ver que ela tem problemas, mas aceitar Silco como seu novo “pai”? Depois de tudo que ele fez? Pra mim, não rolou.

Vale pontuar também que Arcane é uma série visualmente impecável. O traço é maravilhoso e as cores me lembram pintura a óleo, com pinceladas marcadas e uma singularidade que confere muita personalidade à obra. As cenas de luta são bem coreografadas e a animação é fluida, o que torna cada episódio muito bom de assistir. É muito bacana ver as discrepâncias entre Piltover e a Subferia: enquanto a primeira é brilhante, cheia de tons claros, com pessoas bem vestidas e cenários deslumbrantes, a segunda é marcada por tons de preto, roxo e cinza, com muita escuridão, sujeira e contraste. A “fotografia” (entre aspas porque né, é uma animação) dá o tom certo pra ficarem nítidas as desigualdades entre os dois locais.

O plot de Piltover foi o que menos me agradou. Jayce é um personagem muito do chatinho, bem sapatênis mesmo, e a sua luta para fazer a tecnologia Hextec acontecer simplesmente não dialogou comigo. Há em seu plot algumas maquinações políticas que até produzem alguma reviravolta, mas eu fiquei muito mais intrigada pela trama de seu melhor amigo, Viktor. Tão brilhante quanto Jayce, Viktor tem o azar de estar com os dias contados devido a uma doença, e coloca suas esperanças na tecnologia Hextec. Como eu já joguei League of Legends, sei que ele é um personagem jogável bem diferente, então fiquei muito curiosa pra ver como seria seu desenrolar.

Gostei muito da trama da Vi e da Jinx, ainda que eu já tenha dito ali em cima o que não gostei na transformação da segunda. Mas, na busca da irmã mais velha por resgatar a mais nova, vale comentar sobre outra personagem: Caitlyn, uma jovem policial de Piltover que deseja resolver um caso envolvendo a Subferia e acaba se tornando aliada de Vi. As duas têm uma química fortíssima e pra mim já são o shipp do momento. ❤ Cait é uma jovem muito responsável, corajosa e determinada, e traz um pouco de prudência à personalidade explosiva e impulsiva de Vi.

Arcane é uma série tecnicamente impecável e com um roteiro que te prende do início ao fim. Tanto pra quem gosta quanto pra quem não gosta de League of Legends, digo sem sombra de dúvidas que é um play muito bem dado na Netflix. E eu duvido que você não fique com a música de abertura na cabeça (de autoria do Imagine Dragons) por alguns dias depois de começar a assistir. 😛

Título original: Arcane
Ano de lançamento: 2021
Criação: Christian Linke, Alex Yee
Elenco: Hailee Steinfeld, Ella Purnell, Kevin Alejandro, Jason Spisak, Harry Lloyd, Katie Leung

Dica de Série: O Homem das Castanhas

Oi galera, tudo bem?

Eu tava devendo pra vocês a dica de hoje há um tempinho, mas cá estou pra me redimir e contar o que achei de O Homem das Castanhas, série policial da Netflix que adapta o romance As Sombras de Outubro (já resenhado aqui no blog).

Sinopse: Um boneco feito com castanhas é encontrado na cena de um crime e leva dois detetives a caçar um assassino ligado ao desaparecimento de uma criança.

A trama da série segue de forma muito fidedigna a do livro: acompanhamos uma dupla de policiais, Thulin e Hess, correndo contra o tempo para capturar um assassino que logo se torna conhecido como Sr. Castanha. Seus crimes são brutais e não deixam rastros, sendo a única pista possível um bonequinho de castanha deixado no lugar do assassinato. Acontece que nesse bonequinho é identificada a digital da filha da Ministra do Bem-Estar Social, que foi dada como desaparecida e morta no ano anterior.

Eu já esperava que a série fosse adaptar com fidelidade o livro, já que ele foi escrito por um roteirista – ou seja, as cenas já eram muito bem pensadas pra televisão. Søren Sveistrup se envolveu na produção e no roteiro de O Homem das Castanhas, então todo o clima aflitivo do livro acontece, com a vantagem de que a série melhora alguns aspectos que eu não havia curtido tanto na obra original (enquanto mantém outros rs).

A maior diferença positiva está nos protagonistas. Se no livro eu não “comprei” a parceria entre Hess e Thulin, aqui ela se desenvolve de forma mais orgânica. A própria Thulin é uma personagem da qual não gosto nas páginas, mas que conseguiu me cativar na tela. Diferente de sua contraparte literária, temos uma detetive mais empática e menos rabugenta, ainda que continue badass e competente. Ela se envolve mais nas deduções importantes e se torna um elemento que faz a diferença na investigação. Hess, por outro lado, é como imaginei e gostei bastante de vê-lo personificado. A única diferença que não caiu tão bem são seus estouros de raiva, que no livro não acontecem e achei meio fora do personagem. Mas nem só de elogios vivemos: quem leu a resenha talvez se lembre que reclamei dos personagens tomando atitudes burras (tipo entrar sozinho num lugar escuro). Pois é, elas acontecem, e sim, ainda irritam rs.

A ambientação e a trilha sonora da série são excelentes pra criar o clima sombrio que o thriller pede. As paisagens geladas e inóspitas do cenário nórdico casam perfeitamente com a tensão que os personagens experienciam, onde não há espaço para um minuto de paz porque a polícia está sempre muito atrás dos passos do assassino. Cada episódio traz cada vez mais desafios aos detetives, a investigação vai ficando cada vez mais complexa, e isso faz com que seja muito fácil dar o play e maratonar. A única ressalva é que, na adaptação televisiva, achei mais fácil adivinhar quem é a pessoa por trás dos crimes.

Outro aspecto muito bacana em O Homem das Castanhas é que a série coloca um enfoque maior em problematizar/evidenciar a diferença na cobrança de homens e mulheres nos seus papéis como pais. Thulin, por exemplo, é uma mãe bastante ausente por conta do trabalho, e no livro isso é pouco trabalhado. Na série, porém, não somente a mágoa de sua filha é abordada como também Thulin é criticada em determinado momento por conta dessa ausência. Acontece que a detetive não deixa por menos, se posicionando como alguém que não é uma mãe pior apenas porque precisa trabalhar. Sim, a ausência dela é um problema, mas ela está fazendo tudo que está ao seu alcance para encerrar o caso, trocar de departamento e ficar mais perto da filha. A frase seguinte pode ser um spoiler, mas é importante pra esse debate, então pule se não quiser ler: por que o assassino foca seus esforços nas mães que ele julga negligentes em vez de nos pais, que muitas vezes são as pessoas que realmente machucam e prejudicam os filhos? Confesso pra vocês que fico até um pouco incomodada de sempre ver mulheres sendo vítimas desses atos de violência brutais em tramas envolvendo serial killers, porque realmente me dói pensar no sofrimento dessas mulheres.

Resumindo, galera, eu curti muito O Homem das Castanhas e achei que a adaptação fez um trabalho excelente ao trazer a história das páginas para a tela. Se você gosta de romances policiais instigantes e cheios de tensão, essa minissérie é uma ótima pedida pra você. E, assim como no livro, apesar da trama terminar bem fechadinha, há potencial para expandir para uma nova temporada se a Netflix quiser. Quem sabe? 😉

Título original: The Chestnut Man
Ano de lançamento: 2021
Criação: Søren Sveistrup, Dorte W. Høgh, David Sandreuter, Mikkel Serup
Elenco: Danica Curcic, Mikkel Boe Følsgaard, Iben Dorner, David Dencik, Esben Dalgaard Andersen

Dica de Série: Superstore

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje tem uma indicação de série de comédia super gostosinha que vi no Amazon Prime Video, mas que também chegou recentemente à Netflix: Superstore.

Sinopse: Em um hipermercado de Saint Louis, um grupo de funcionários com personalidades únicas lida com os clientes, as tarefas cotidianas e uns com os outros.

Superstore é uma série de 6 temporadas com episódios de 20 minutinhos, ou seja, perfeita pra maratonar. A trama acompanha o dia a dia dos vendedores de uma loja de departamentos, a Cloud Nine, bem como as bizarrices que acontecem em supermercados (normalmente apresentadas em cenas de transição muito engraçadas). O foco principal está em Jonah e Amy: ele consegue um emprego no episódio piloto e já começa com o pé esquerdo ao agir de forma meio condescendente com Amy – que, até então, ele não sabe que é sua supervisora. Porém, logo fica claro que na verdade Jonah é um sonhador otimista, enquanto Amy tem uma visão cética sobre a vida devido a muitos desafios que ela precisou vencer sendo uma mulher latina que engravidou no fim do Ensino Médio. Com o tempo, porém, Jonah vai mostrando que um momento de beleza extraordinário (ou “a moment of beauty”) pode acontecer na vida deles também.

Apesar de Jonah e Amy serem os personagens principais, Superstore está longe de depender dos dois pra funcionar. A série conta com personagens ótimos e muito engraçados, cada um à sua maneira. Dina é a assistente do gerente e é tão correta e rígida que chega a ser um meme ambulante (o desenvolvimento dela é um dos melhores da série, porque ela começa sendo uma general chata e, com o tempo, vai se tornando só meio peculiar de um jeito engraçado), Garrett é o cara que é a definição da lei do menor esforço, Glenn é o gerente inocente e sem noção, Sandra é uma das melhores coadjuvantes de todos os tempos, entre outros.

Em determinado momento, Superstore também flerta com assuntos importantes, como a sindicalização dos profissionais e as injustiças da imigração americana. Contudo, a série deixa a desejar na condução de ambos os assuntos, que tomam um grande espaço de umas duas temporadas e, depois, acabam sendo deixados de lado. Porém, como contraparte positiva, a última temporada de Superstore se passa durante a pandemia, então os episódios conseguem deixar claro o quão vulneráveis os profissionais ficaram e o quanto as grandes corporações não ligam (ou ligam o mínimo) pras suas vidas. As pessoas que precisaram seguir trabalhando em supermercados, farmácias, postos de gasolina e afins também fizeram parte da linha de frente, e é importante que a gente não esqueça do valor dessas profissões. Além disso, Superstore também problematiza estereótipos – principalmente na figura de personagens como Amy e Mateo, que representam grupos minoritários como os latinos e os imigrantes. Para exemplificar, há um episódio em que pedem pra Amy vender um molho de pimenta inspirado nas receitas mexicanas, sendo que ela tem descendência hondurenha.

Admito que a série não me fisgou de cara na primeira temporada, mas da segunda em diante Superstore se tornou uma das minhas queridinhas. A série é equilibrada, tem um senso de humor cativante e me fez rir em diversos momentos. Pra coroar, ela já está terminada e o final é perfeito! ❤ Recomendo muito e torço pra que vocês gostem tanto quanto eu!

Título original: Superstore
Ano de lançamento: 2015
Criação: Justin Spitzer
Elenco: America Ferrera, Ben Feldman, Lauren Ash, Colton Dunn, Nico Santos, Mark McKinney, Nichole Sakura, Kaliko Kauahi

Dica de Série: Nove Desconhecidos

Oi pessoal, tudo bem?

Terminei de assistir à minissérie Nove Desconhecidos, que adapta o livro de mesmo nome que resenhei um tempinho atrás. Bora pro review e pro comparativo com o livro?

Sinopse: Nove pessoas problemáticas se hospedam em um sofisticado retiro de bem-estar que promete uma transformação total. Lá, os hóspedes se entregam a um tratamento radical que ameaça levar esse instável grupo ao limite de suas emoções e medos.

O plot básico da série é o mesmo que o da obra original: nove pessoas contratam um pacote no spa Tranquillum House em busca de descanso para o corpo e para a mente por motivos diversos. Lá, eles encontram cenários paradisíacos, consultores de bem-estar bonitos e de voz tranquila e a diretora do lugar: Masha, uma russa magnética e enigmática. Logo fica claro que ela utiliza abordagens pouco ortodoxas e que o spa não é somente um espaço para o relaxamento, mas sim para terapias que podem levar cada um dos presentes ao extremo.

É nítido que a minissérie traz mais elementos de suspense para a trama do que o livro. Não demora para que o espectador comece a ficar desconfortável com algumas medidas adotadas na Tranquillum House, como o fato de fazerem exames de sangue diários nos hóspedes, por exemplo. Existem tensões entre os hóspedes, alguns rompantes de raiva e outras situações que nos levam a questionar se aquele é um ambiente totalmente seguro. Quando Masha começa a receber vídeos dela na propriedade (como se fosse de um stalker), o clima de mistério – e perigo – se acentua.

Diferente do que ocorre no livro, a série revela um de seus principais mistérios logo de início: a metodologia do tratamento de Masha. A partir daí, vemos os personagens “entrando na onda” e aceitando os tratamentos de forma voluntária. Essa é uma das principais diferenças em relação à obra original, e acho que é uma bem importante; particularmente, senti falta da revolta dos personagens com o que acontece em Tranquillum House. Eles não só aceitam aquilo que lhes é oferecido como entram de cabeça nas propostas arriscadas de Masha, sem medo das consequências.

Enquanto o livro é lento, mais focado no drama de cada personagem e menos no mistério, aqui a série se inverte, tendo mais cenas de tensão e fazendo com que alguns personagens mal tenham tempo de tela (como o casal cujo casamento está em crise, Ben e Jessica). Felizmente, duas das minhas tramas favoritas foram bem exploradas ao longo dos episódios: a primeira delas é a aproximação da escritora Frances (que sofreu um golpe de amor pela internet) e do ex-atleta Tony (que teve que parar de jogar após uma lesão e se fechou para o mundo). A química entre Melissa McCarthy e Bobby Cannavale transborda na tela e eles protagonizam cenas emocionantes e outras engraçadas. A segunda trama que eu curti demais, superando a emoção do livro, foi a da família Marconi, que foi ao spa na tentativa de superar o luto pela perda do filho/irmão. Heather, Napoleon e a filha, Zoe, carregam muita culpa e sofrimento, e todas as cenas em que eles enfrentaram tais sentimentos me fizeram chorar. A atuação visceral de Asher Keddie (Heather) me deixou arrepiada e de coração partido.

A reta final da série é um pouco fraca. O clímax não causa aflição, o que ocorre nas páginas. Por outro lado, a produção televisiva foca em humanizar Masha e suas experiências, transformando-a em uma personagem que causa mais simpatia (enquanto no livro ela está em busca de fama e reconhecimento). Além disso, diferente do que ocorre no material original, a minissérie tem um final aberto – cabendo a você escolher no que acreditar.

A adaptação de Nove Desconhecidos é uma ótima produção, com um enredo bacana e ganchos interessantes. Mas seu maior mérito é o mesmo que o do livro: seus personagens – aqui muito bem representados por um elenco que entrega atuações impecáveis. As mesmas coisas que me incomodaram no livro também me incomodaram na série, mas em ambos os casos minha percepção geral da história é muito boa. Vale a pena colocar Nove Desconhecidos na lista e passar um tempinho em Tranquillum House. 😉

P.S.: pra quem ficou interessado em saber as diferenças entre a série e o livro (com spoilers, obviamente), é só conferir a lista abaixo:

  • Descoberta da verdade sobre o tratamento: quem se liga que Masha está drogando os hóspedes é Heather, que é enfermeira. Ela também é a primeira a se revoltar, assim como Ben, que odeia drogas por ter perdido a irmã para o vício;
  • Plot de Ben e Jessica: o casal vai até o spa para tentar salvar o casamento e, enquanto na série os dois realmente se reaproximam, no livro eles percebem cada vez mais o abismo que se construiu na relação. Ele inclusive se aproxima de Zoe, dando a entender que eles vão manter uma amizade (ou algo mais) no futuro;
  • Propósito das alucinações: diferente do que a série mostra, o livro não traz todo o plot de alucinações com os mortos como uma tentativa de trazê-los de volta;
  • Passado da Masha: no livro ela também perde a filha, mas quando ainda é um bebê. Ela também não tem nenhuma relação com Carmel e não sofreu uma experiência de quase morte pelo tiro, e sim por infarto;
  • Propósito da Masha: enquanto na série ela quer uma forma de reencontrar a filha morta e, por isso, faz os tratamentos nos hóspedes, no livro ela deseja reconhecimento e sucesso por seu método inovador;
  • Yao e Delilah: no livro a Delilah transa com Yao mas não existe a camada romântica/amorosa que a série traz. Consequentemente, ela é uma personagem mais “foda-se” na obra original, que vai embora muito mais por medo de ser pega pela polícia do que por princípios;
  • Plot da Carmel: a mudança mais drástica da série. No livro ela também é uma mulher insegura e magoada pelo fato de ter sido trocada pelo marido e confesso que, no início da trama, achei que ela seria meio maluca por venerar a Masha. No fim, foi uma personagem bem sem sal. Na série ela é completamente desequilibrada, sendo a pessoa por trás do tiro em Masha e responsável por stalkear a diretora da Tranquillum House;
  • Passado do Tony: diferente do que a série mostra, o ex-atleta não se envolveu em uma briga que culminou na morte de um homem, e também não era viciado em analgésicos. Ele decide ir a Tranquillum por estar completamente sozinho e perceber que ficou “triste” ao ir ao médico e descobrir que sua saúde estava ok, servindo de sinal de alerta para buscar ajuda.

Título original: Nine Perfect Strangers
Ano de lançamento: 2021
Criadores: John-Henry ButterworthDavid E. Kelley
Elenco: Amy Poehler, Rashida Jones, Nick Offerman, Aubrey Plaza, Chris Pratt, Adam Scott, Aziz Ansari, Retta, Jim O’Heir, Rob Lowe

Dica de Série: Parks and Recreation

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar do meu gênero favorito ser thriller/policial, ele é seguido de perto por sitcoms. Sempre preciso ter alguma série divertida, com episódios de 20 minutos, no radar. Por isso, vim dividir com vocês uma que ganhou meu coração: Parks and Recreation.

Sinopse: Leslie Knope, uma burocrata de nível médio no Departamento de Parques e Recreação de Indiana espera embelezar sua cidade (e impulsionar sua própria carreira) ajudando a enfermeira Ann Logan a transformar uma construção abandonada em um parque comunitário, mas o que deveria ser um projeto relativamente simples é frustrado o tempo todo por burocratas estúpidos, vizinhos egoístas, a burocracia governamental e um infinidade de outros desafios.

Assim como aconteceu com The Office, foram necessárias duas tentativas pra gostar de Parks. Acredito que ter me acostumado com a vibe da primeira fez com que tornasse mais fácil gostar da segunda quando me propus a tentar de novo. E como valeu a pena! Parks é incrível ao início ao fim, cheia de cenas memoráveis e personagens cativantes.

A trama acompanha Leslie Knope, uma funcionária pública apaixonada pelo que faz e por sua cidade, Pawnee. Ela é vice-diretora do setor de Parques e Recreação da prefeitura, e leva seu trabalho muito a sério. Tentar descrever Leslie é como tentar descrever um unicórnio fofinho e saltitante: ela é otimista, fofa, carinhosa, leal e inocente. Por isso, quando a enfermeira Ann Perkins comparece a uma reunião pública e revela que seu namorado caiu numa cratera que deveria ser de responsabilidade da prefeitura, Leslie faz de sua missão de vida ajudar Ann e conseguir transformar aquele espaço em um parque. Esse é o início de uma das amizades mais fofas da televisão.

Parks and Recreation, portanto, começa girando em torno desse objetivo de fechar a cratera. Porém, com o desenrolar das temporadas, vemos Leslie se envolvendo em mais camadas políticas e assumindo tarefas cada vez mais desafiadoras – tudo isso com muito bom humor e leveza. E, pra mim, o grande mérito da série está nos personagens (e seu elenco que dá vida a cada um deles). O grupo do setor de Parques e Recreação é composto por pessoas muito diferentes, mas com o tempo vemos que há algo em comum entre todos: a lealdade, especialmente à Leslie.

Parks é tão engraçada que conseguiu fazer com que o chefe de Leslie, Ron Swanson, fosse um dos meus personagens favoritos. E por que isso é uma grande conquista da série? Porque Ron personifica tudo que eu abomino e, na vida real, eu atravessaria a rua pra não ter que cruzar com ele: o homem é pró-armas, acha os Estados Unidos a única nação que presta, é conservador e come carne até de sobremesa. Só que eu juro pra vocês que na série esse jeitão dele funciona, e todos os momentos em que ele demonstra seus sentimentos e vulnerabilidade são incríveis de assistir. Há também uma dupla que eu adoro demais, mas sobre a qual não posso falar muito pra não dar spoilers: Ben e Chris. Eles são auditores do governo e chegam à série na segunda temporada, sendo adições essenciais pro desenvolvimento da trama. Por último, mas não menos importante, vale comentar que Pawnee por si só é um personagem. A cidade é a grande paixão de Leslie, que a defende com unhas e dentes, e tem inúmeras peculiaridades (como o fato de idolatrar um pônei, Lil’ Sebastian).

Se você procura um entretenimento capaz de levantar o seu astral, corre na Amazon Prime Video pra dar o play em Parks and Recreation. Você vai se divertir em cada episódio com o jeito marcante de cada personagem e provavelmente vai terminar a série acreditando também que Pawnee é um lugar incrível. 😀

Título original: Parks and Recreation
Ano de lançamento: 2009
Direção: Greg Daniels, Michael Schur
Elenco: Amy Poehler, Rashida Jones, Nick Offerman, Aubrey Plaza, Chris Pratt, Adam Scott, Aziz Ansari, Retta, Jim O’Heir, Rob Lowe

Dica de Série: Clickbait

Oi galera, tudo bem?

O Dica de Série de hoje é um misto de (não) indicação provocada pela indignação. 😂 Mas eu não podia deixar de comentar a série que tem estado no Top 10 da Netflix Brasil e que é do meu gênero favorito (tramas policiais). Estou falando de Clickbait.

Sinopse: Quando Nick Brewer é sequestrado e sua vida passa a depender de um sinistro jogo online, as pessoas próximas a ele correm para descobrir quem está por trás disso.

Clickbait é uma minissérie de 8 episódios que gira em torno do sequestro de Nick Brewer, um fisioterapeuta respeitado, marido e pai amoroso. O fato mais grotesco do sequestro é que os raptores filmaram Nick segurando uma placa dizendo que ele abusa de mulheres e que, quando o vídeo atingir 5 milhões de visualizações, ele vai morrer – sim, no melhor estilo Black Mirror. É desnecessário dizer que não leva 24h pra um vídeo apelativo assim, que descreve perfeitamente o nome da série, viralizar, certo? Com isso, os episódios se concentram em não apenas investigar o caso de Nick, mas também desnudar o personagem (e os segredos por trás das acusações nas placas).

Cada episódio de Clickbait é focado em um personagem, começando pela irmã e melhor amiga de Nick, Pia. Ela é uma mulher intensa e cheia de defeitos, mas com uma vulnerabilidade e um amor tão profundo pelo irmão que fazem o espectador nutrir certa simpatia por ela (mesmo com suas grosserias). Além dela, temos o ponto de vista do detetive Amir (um personagem íntegro, justo e muito comprometido com o seu trabalho), da viúva de Nick, Sophie (outra personagem que não é muito palatável, mas por quem nos solidarizamos), entre outros que não vou mencionar porque seriam spoilers. O bacana dessa dinâmica é que cada personagem tem seu próprio espaço para ser desenvolvido enquanto a trama principal – a investigação – acontece.

Aliás, a investigação em si é muito bacana e envolve muito mais do que os personagens já citados. A série trabalha superbem os cliffhangers e faz com que você não queira sair da frente da tv até descobrir toda a verdade sobre o caso. Obviamente, como o nome da série sugere, existe sim um apelo relacionado ao “cuidado com o que você compartilha por aí” e “cuidado com o que você acredita na internet”, e algumas pessoas podem achar um pouco forçado. A mim, não incomodou. Discussões sobre fornecimento de dados, golpes e fraudes não são coisas recentes, então não vi problema da série abusar um pouco disso pra fins ilustrativos.

O que me incomodou a ponto de causar a indignação do início do post, então? 😂 O final, gente, o final. Quem me acompanha aqui há mais tempo sabe o quanto valorizo bons finais, a ponto de aumentar uma nota de uma obra mediana quando o desfecho é bom ou diminuí-la no caso de uma obra incrível mas cujo final não seja. E Clickbait peca gravemente em seu encerramento, porque se desfaz de todas as premissas construídas até ali em busca de um plot twist chocante que parece ter sido pensado apenas com esse propósito: chocar. Os motivos pelos quais toda a história acontece são esdrúxulos e tudo que a trama estabelece até a season finale é desperdiçado em nome de um caminho completamente sem sentido e preguiçoso – incluindo até mesmo as discussões sobre segurança na internet e (a falta de) limites da mídia sensacionalista e obcecada por cliques. Eu prefiro finais mais óbvios, mas coerentes, do que plot twists de explodir a cabeça que não fazem sentido nenhum, e pra mim esse é o grande problema da série.

Conversei com algumas pessoas que também se frustraram com o final de Clickbait, então queria saber de vocês: quem já assistiu, gostou? Porque se eu tiver que resumir, diria que Clickbait é uma minissérie de ritmo envolvente, premissa instigante e que joga fora seu potencial com um final fraco e mal executado. Uma pena. :/

Título original: Clickbait
Ano de lançamento: 2021
Criação: Tony Ayres, Christian White
Elenco: Zoe Kazan, Betty Gabriel, Phoenix Raei, Adrian Grenier, Camaron Engels, Jaylin Fletcher, Becca Lish

Dica de Série: Falcão e o Soldado Invernal

Oi pessoal, tudo bem?

Eu sou bem cadelinha da Marvel, e provavelmente esse foi o principal motivo que me fez assinar o Disney+ rs. E é óbvio que eu não ia perder a série envolvendo um dos meus personagens favoritos, o Bucky (que inclusive deu nome ao meu cachorro). 🥰 Bora saber mais sobre Falcão e o Soldado Invernal?

Sinopse: Falcão e o Soldado Invernal são obrigados a formar uma dupla incompatível e embarcarem em uma aventura global que deve testar tanto suas habilidades de sobrevivência quanto sua paciência.

Ao final de Vingadores: Ultimato, vemos um Steve Rogers envelhecido, que optou por ficar no passado vivendo ao lado da sua amada Peggy Carter. Quando ele retorna ao presente, ele se despede de seus amigos mais próximos, Bucky e Sam, e oficialmente aposenta o escudo – indicando que deseja que Sam o assuma. Para a nossa surpresa, ao iniciar Falcão e o Soldado Invernal vemos Sam atuando ainda como Falcão, e o escudo do Capitão foi para o museu em sua homenagem. Bucky visivelmente não aceita a decisão de Sam, revoltando-se com o fato de que o Falcão (em sua opinião) está deixando o legado de Steve pra trás, especialmente quando outro soldado (John Walker) é escolhido para vestir o manto. Apesar das suas diferenças, Bucky e Steve precisam se unir quando um grupo terrorista conhecido como Apátridas parece estar fazendo uso do soro do super soldado para promover protestos e atentados em nome da sua ideologia.

Falcão e o Soldado Invernal é, até agora, a série com mais cenas de ação das lançadas no Disney+. Os dois protagonistas são guerreiros competentes e verdadeiros soldados. Mas, apesar disso, os episódios não focam somente nesse aspecto dos personagens, e foi isso que me fez gostar tanto dela: ela trabalha as emoções de Sam e de Bucky de uma forma que até então não havíamos visto nos filmes. Sam, por exemplo, sofre a pressão por não ter carregado o escudo e o manto de Steve. O fato de ser um soldado negro e ele saber que os Estados Unidos escolhem homens brancos, loiros e de olhos azuis para representar o país enquanto afro-americanos são desprezados, sofrem violência e são vítimas da desigualdade é um peso em seus ombros, que fica ainda mais evidente quando ele descobre que houve um super soldado negro (Isaiah Bradley) que, além de não ter tido reconhecimento por parte do país, ainda teve que fingir sua morte e viver escondido para não ser preso ou eliminado. Esse debate sobre as questões raciais também aparece em uma cena na qual Sam e Bucky são abordados por policiais mas somente a Sam é solicitada a documentação, por exemplo. São aspectos bem relevantes e que eu gostei muito de ver na série.

Bucky, por sua vez, lida com outro tipo de pressão: ele é um soldado com mais de 100 anos e que passou os últimos como um servo da H.I.D.R.A. devido à lavagem cerebral sofrida. Apesar de ter conseguido, com a ajuda de Wakanda, retomar seu verdadeiro eu, ele é um homem perdido nesse novo tempo. E a única referência que ele tinha, seu melhor amigo, se foi para sempre. Isso torna ainda mais doloroso pra ele ver Walker assumindo o título de novo Capitão América, porque em sua interpretação Sam não honrou Steve e tampouco merecia a chance de carregar o escudo. Para além de sua mágoa relacionada ao título, vemos Bucky tendo que lidar com profundas cicatrizes emocionais causadas pelo tempo em que foi o Soldado Invernal. Ele é obrigado pelo Estado a fazer terapia como forma de compensação pelos seus atos, e uma parte de seu “tema de casa” é contar a verdade sobre seu passado às pessoas que feriu. Uma dessas pessoas é um dos poucos vínculos que ele tem no presente, e é palpável a dor e o peso que o personagem carrega. Ele e a Wanda são uma dupla e tanto no que diz respeito a cenas difíceis e lágrimas cheias de peso e significado. 😥

Falando um pouco sobre a ação, são interessantes os debates gerados pelos Apátridas. Esse grupo acredita que o planeta estava melhor durante o Blip, pois durante aqueles 5 anos as fronteiras caíram e os países foram obrigados a trabalhar juntos, já que metade da população mundial se foi. Com o retorno de todas essas pessoas, os governos começaram a levantar muros novamente e grande parte da população começou a ser expulsa de sua nova vida para dar espaço às que retornaram. Por mais que a forma como os Apátridas seja questionável, os motivos valem uma reflexão interessante. Sua líder, Karli, é uma jovem disposta a tudo, inclusive perder a própria vida, em nome desse objetivo que ela considera muito maior que ela. Sendo uma pessoa que sofreu preconceito também, Sam vê nela uma intenção boa por trás de seus atos, fazendo com que ele deseje ajudá-la e convencê-la de que existem outras formas pra agir. Isso tudo, é claro, em meio a cenas de luta intensas, já que quase todos Apátridas usam o soro. Por fim, não posso deixar de mencionar uma dupla inesperada que também auxilia Sam e Bucky: o Barão Zemo e Sharon Carter (atenção pra esse nome, que talvez ele tenha mais desdobramentos no futuro do MCU).

John Walker é um personagem que também vale a menção. Ele inicia seu trabalho como novo Capitão América com boas intenções, mas ao longo dos episódios percebemos que ele tem traumas da guerra e não sabe lidar com eles. Walker toma decisões duvidosas, demonstra ser antiético em mais de uma circunstância e faz abuso de seu poder (não apenas como Capitão, mas em seu passado no Afeganistão também). O importante aqui é que Falcão e o Soldado Invernal, por meio de Walker, introduz uma personagem chamada Valentina Allegra de Fontaine, que também aparece em Viúva Negra. Esse tipo de informação que o MCU vai jogando aos poucos em suas produções torna um pouco “obrigatório” acompanhar tudo que eles lançam se você quiser ficar 100% por dentro, mas também se não estiver a fim é só jogar no Youtube ou no Google depois. 😛

Eu gostei muito das séries lançadas pela Marvel até o momento, e minha ordem de preferência é WandaVision, Falcão e o Soldado Invernal e, por último, Loki (ainda que provavelmente tenha sido a mais hypada). Adorei acompanhar essa nova aventura de Sam e de Bucky, assim como ver o nascimento do nosso novo Capitão América e o processo de cura de um dos personagens mais injustiçados do MCU, assim como o surgimento de uma nova amizade e uma parceria cheia de química (e cheia de cenas muito engraçadas). Agora fico ansiosa pra que o Bucky encontre um novo codinome (Lobo Branco, talvez?), porque faz tempo que ele deixou de ser o Soldado Invernal – e, caso mantenha o nome, torço pra que o fardo fique pra trás (e felizmente algumas cenas trazem essa alegria pro coração). ❤ #TeamBucky Enfim, resumindo: adorei a série e recomendo demais!

Título original: The Falcon and the Winter Soldier
Ano de lançamento: 2021
Criação: Malcolm Spellman
Elenco: Anthony Mackie, Sebastian Stan, Wyatt Russell, Erin Kellyman, Daniel Brühl, Emily VanCamp

Dica de Série: Mare of Easttown

Oi pessoal, tudo bem?

Vamos de dica de seriezão da porra? Vamos! Hoje vim falar pra vocês sobre uma das melhores minisséries a que assisti recentemente: Mare of Easttown.

Sinopse: Uma detetive de uma pequena cidade investiga um assassinato local enquanto sua vida desmorona.

Essa minissérie da HBO acompanha a vida na pequena cidade de Easttown, sendo protagonizada pela detetive Mare Sheehan, uma mulher pragmática, competente mas com uma vida pessoal completamente conturbada. Ela é atormentada por um caso que não conseguiu resolver (o desaparecimento de uma menina chamada Katie) e por um acontecimento marcante em seu passado recente (que não vou contar pra evitar spoilers), e tenta viver um dia de cada vez. Porém, quando Erin, uma jovem mãe solteira e parente de sua melhor amiga, é encontrada morta, Mare sente uma necessidade irrefreável de solucionar o caso – especialmente porque acredita ter algum tipo de conexão com o de Katie.

Eu chego a ser repetitiva por aqui, mas sempre gosto de ressaltar pra que pessoas novas aqui no blog saibam: suspenses policiais são meus tipos favoritos de histórias. Se tiver um drama bem desenvolvido junto então, melhor ainda. Isso e muito mais encontramos em Mare of Easttown. Os episódios da minissérie são longos, com cerca de 1h de duração, mas o ritmo flui tão bem que você nem sente o tempo passar. E não porque a série tenha infinitas sequências alucinantes de ação; é que ela tem personagens tão bem construídos e uma trama que se desenrola aos poucos, mas de maneira sólida, que você se vê fisgado pelo dia a dia da pequena cidade.

A vida de Mare dá uma guinada que a leva de chamados de vizinhos idosos em seu telefone particular para uma investigação que aponta para um caminho ainda mais obscuro do que ela imaginava. A morte de Erin é a ponta do iceberg de um caso complexo e perigoso por si só, mas que se agrava quando pensamos que a protagonista está em um momento de fragilidade emocional. Felizmente, ela não precisa trabalhar nisso sozinha, e conta com a ajuda de Colin Zabel, um investigador que vem ganhando notoriedade por ter resolvido outro caso de desaparecimento. A dinâmica dos dois é a clássica “ranzinza e fechado vs otimista e entusiasmado”, sendo Mare a representante do mau humor e do estilo mais reservado. 😛

Conforme os episódios evoluem, Mare of Easttown vai se aprofundando na vida pessoal da protagonista, o que inclui também seus relacionamentos mais próximos. A detetive sofreu uma perda familiar irreparável e, ao longo dos episódios, percebemos como essa dor moldou seu jeito de agir e de viver, destruindo seu casamento e afastando-a da filha. É nítido que ela não processou essa perda e que a forma como ela lida com isso beira a autodestruição. Para além dela, a minissérie também desenvolve aos poucos os personagens que orbitam sua vida, como a família de Erin. A jovem é parente do marido da melhor amiga de Mare, Lori, então o peso da investigação acaba recaindo também nessa relação – uma das únicas com quem Mare é capaz de se abrir.

Por último, mas não menos importante, é impossível não elogiar as atuações. O destaque, é claro, fica para Kate Winslet. Na postura física, no tom de voz e no olhar, a atriz transmite com excelência todas as camadas que Mare possui, indo muito além do clichê da detetive durona. Mas o elenco de apoio também brilha e todos os outros personagens têm suas tramas desenvolvidas de maneira satisfatória, entregando mais do que o necessário para fazer o espectador mergulhar no dia a dia (e nos acontecimentos trágicos) de Easttown.

Com episódios muito bem conduzidos, várias pistas sutis sendo entregues e um final redondo, Mare of Easttown é uma série imperdível pra quem curte um bom drama policial. As relações familiares – especialmente o amor entre mãe e filhos – é um dos principais pilares que regem a trama, assim como o impacto da coletividade em uma pequena comunidade entrelaçada. Altamente recomendada!

Título original: Mare of Easttown
Ano de lançamento: 2021
Criador: Brad Ingelsby
Elenco: Kate Winslet, Julianne Nicholson, Evan Peters, Joe Tippett, John Douglas Thompson, Cameron Mann, Jack Mulhern