Dica de Série: Sharp Objects

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Sharp Objects, minissérie da HBO (baseada no livro Objetos Cortantes) que rendeu a Amy Adams diversos elogios e concorre a vários prêmios.

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Sinopse: Camille Preaker, repórter do St. Louis Chronicle, é enviada para sua cidade natal para investigar a história de duas garotas que estão desaparecidas e, supostamente, foram assassinadas. O caso, mais o fato de se reunir com sua prepotente mãe, desperta recordações traumáticas de sua infância, incluindo a morte de sua irmã mais nova, Marian.

Camille é uma jornalista que se vê obrigada a voltar à Wind Gap, sua cidade natal, para cobrir o brutal assassinato de duas jovens. Atormentada por lembranças do passado, convivendo com o alcoolismo e odiando tudo que envolva Wind Gap, essa missão é um verdadeiro desafio para Camille. Muito desse sofrimento tem origem familiar: ela perdeu uma irmã ainda na adolescência, tem uma péssima relação com a mãe, Adora, e nem sequer conhece sua meia-irmã mais nova, Amma. Esses elementos combinados levam Camille a uma experiência dolorosa e intensa durante seu período na cidade em que cresceu.

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Como sou apaixonada por thrillers e admiro o trabalho de Amy Adams, estava louca para conferir Sharp Objects. A verdade é que, em um primeiro momento, a série não conseguiu cativar minha atenção. Tentei relevar a lentidão do primeiro episódio porque compreendo que é necessário apresentar com competência o aspecto psicológico de uma protagonista tão quebrada; o problema é que esse ritmo não muda ao longo dos episódios seguintes.

Acompanhamos Camille investigando a morte das jovens assassinadas, enquanto o detetive Richard Willis faz a mesma coisa em paralelo. Assim como Camille, Willis é considerado pela população de Wind Gap um outsider, alguém que não está habituado aos costumes daquela cidade interiorana cheia de segredos. Tanto ele quanto Camille sofrem certos olhares de desconfiança por estarem “fuçando onde não devem”, especialmente por parte de Adora (mãe de Camille), considerada um pilar para a comunidade, e pelo xerife Vickery. Contudo, o plot da investigação dos assassinatos não chega a ser instigante a ponto de deixar o espectador verdadeiramente curioso, porque parece que nada acontece.

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Por outro lado, os mistérios referentes à família de Camille são muito mais interessantes. A morte de sua irmã mais nova marcou muito a dinâmica familiar dos Preaker, e Adora tem uma necessidade de controle doentia. Apesar de ter negligenciado Camille a vida toda, Adora investe todas as suas energias em cuidar de Amma, tratando a adolescente como uma menininha indefesa – sem nem imaginar o quão dissimulada é a filha mais jovem, que se finge de menina comportada na frente da mãe, mas sai às escondidas à noite e mantém seus próprios segredos.

A própria Camille é um grande vulcão emocional, e a cada episódio descobrimos mais detalhes de seu passado que nos fazem sentir pena dela: além de ter perdido a irmã que amava, Camille foi internada em um hospital psiquiátrico, se automutilava, sofreu mais perdas pelo caminho e agora convive com o alcoolismo. No desenvolvimento dos personagens, a série acerta em cheio: eles são muito bem trabalhados, tem diversas nuances e nem sempre agem como esperamos, o que os torna bastante verossímeis. Os mistérios mais interessantes da série, diga-se de passagem, estão relacionados às verdades por trás do que os personagens aparentam ser (e eu não posso falar muito sobre isso porque a graça da série, ao meu ver, está nesses segredos).

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As atuações certamente merecem grande destaque. Amy Adams e Patricia Clarkson (Camille e Adora, respectivamente) roubam a cena por motivos diferentes: de Camille sentimos pena, por Adora, aversão. A dedicação das atrizes – especialmente Amy Adams – aos papéis é intensa e visceral, sendo impossível assistir a diversas cenas sem sentir grande desconforto. Eliza Scanlen (Amma) também surpreende, trazendo à vida uma personagem falsa, sedutora, mentirosa, intensa, vítima e algoz – tudo ao mesmo tempo.

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Sharp Objects traz uma trama de assassinatos que não prendeu minha atenção e me deixou bastante entediada em diversos momentos, porém é muito competente em trabalhar seus personagens imperfeitos e os traumas que se acumulam no seu emocional. O final é surpreendente, me deixou de queixo caído e eu amei! Vi gente que leu o livro reclamando que foi mal explicado (inclusive catei o final do livro pra ler), mas eu achei ótimo o fato da minissérie ter optado por ser mais chocante do que reveladora. Apesar das ressalvas, o desfecho e o desenvolvimento psicológico dos personagens “ganharam a batalha”, tornando a experiência positiva! 😉

Título original: Sharp Objects
Ano de lançamento: 2018
Diretor: Jean-Marc Vallée
Elenco: Amy Adams, Patricia Clarkson, Eliza Scanlen, Chris Messina, Matt Craven, Taylor John Smith

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Dica de Série: Grace and Frankie

Oi gente, tudo bem?

Grace and Frankie é uma ótima comédia da Netflix, e no post de hoje eu te conto porquê acho que você deveria conferir! 😉

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Sinopse: Quando seus maridos pedem o divórcio para se casar um com o outro, a comportada Gracie e a excêntrica Frankie começam uma amizade.

Grace e Frankie não poderiam ser mais diferentes: a primeira é uma mulher vaidosa, elegante e um pouco presunçosa, enquanto a segunda é uma hippie completamente good vibes. O que elas têm em comum? Seus maridos: Robert e Sol são advogados e sócios há anos, mas também são mais do que isso. Em um jantar inesperado, os dois revelam às esposas que são gays e que querem o divórcio para ficarem juntos! Já dá para imaginar o choque sentido por Grace e Frankie, né?

Esse plot inicial já é engraçado por si só: duas mulheres de terceira idade tendo que lidar com o fato de que seus maridos estão apaixonados um pelo outro. Mas a graça da série começa a partir daí, já que Grace e Frankie acabam tendo que dividir a casa de praia, que era propriedade dos quatro. As duas querem fugir de seus maridos por motivos diferentes: Grace se sente humilhada e revoltada, especialmente por ter suportado por tantos anos um casamento sem amor com Robert; Frankie, por outro lado, está de coração partido, já que Sol era sua alma gêmea e seu melhor amigo. Entretanto, além da casa de praia, as duas passam a dividir os sentimentos advindos do divórcio, o que acaba criando uma amizade improvável.

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É tão gostoso ver as interações entre Jane Fonda e Lily Tomlin. Elas dão vida a personagens muito carismáticas, de quem passamos a gostar rapidinho, apesar de seus defeitos. Além disso, é extremamente divertido ver duas personalidades tão distintas tendo que aprender a conviver. Grace, com seu jeito prático e metódico, tem mais dificuldades para “engolir” Frankie em sua vida, graças à personalidade avoada e livre desta. Frankie, por outro lado, acha que Grace é muito rígida e neurótica em seu modo de viver a vida. Entretanto, é possível perceber que elas começam a se completar e a influenciar na vida uma da outra: a leveza de Frankie passa a contagiar Grace, enquanto a praticidade e objetividade de Grace auxiliam Frankie em diversas questões.

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As famílias das duas até têm certo espaço de tela mas, sinceramente, nenhum dos filhos das duas têm muita importância ou carisma suficiente para que a gente se importe de verdade. Brianna, filha mais velha de Grace, talvez seja a mais interessante. Robert e Sol também têm algum destaque, e acompanhamos o casal tentando se ajustar ao “lado de fora do armário” no qual estiveram por cerca de 20 anos. Não é tão simples assim assumir a relação e passarem ao status de casados, especialmente porque precisam lidar com as mágoas que causaram e, é claro, com as dificuldades que qualquer relacionamento traz.

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Por fim, acho válido mencionar como é bacana ver uma série cujos protagonistas são personagens de terceira idade. É raro encontrar produções que deem voz e espaço a essa camada da população e eu adorei acompanhar essa etapa da vida dos personagens. Além disso, Grace and Frankie também fala com naturalidade sobre sexualidade na terceira idade, mostrando que a quantidade de anos vividos não é um empecilho para amar, transar, se divertir e aproveitar a vida.

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Grace and Frankie é uma série muito divertida, com uma dupla de protagonistas carismática e apaixonante. Se você quer uma produção leve, rapidinha de assistir e com ótimas atuações, vale conferir!

Título original: Grace and Frankie
Ano de lançamento: 2015
Criadores: Marta Kauffman, Howard J. Morris
Elenco: Jane Fonda, Lily Tomlin, Martin Sheen, Sam Waterston

Dica de Série: Sherlock

Oi gente, tudo bem?

Muita gente já conhece, mas eu não poderia deixar de falar sobre uma das séries de que mais gosto aqui no blog (e indicar pra quem não viu, é claro!): Sherlock.

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Sinopse: O Dr. John Watson precisa de um lugar para morar em Londres. Ele é apresentado ao detetive Sherlock Holmes e os dois acabam desenvolvendo uma parceria intrigante, na qual a dupla vagará pela capital inglesa solucionando assassinatos e outros crimes brutais. Tudo isso em pleno século XXI.

A versão da BBC de Sherlock traz as clássicas histórias de um dos detetives mais famosos da literatura para o século XXI, modernizando a trama e os personagens. Temos um Sherlock excêntrico e genial (interpretado pelo meu queridinho Benedict Cumberbatch) e um Watson leal e deslumbrado com as habilidades dedutivas do colega de apartamento (interpretado pelo carismático Martin Freeman).

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As temporadas são curtas, compostas de três episódios longos (de cerca de 1h30 de duração). Cada um deles adapta um livro ou história de Sherlock Holmes, mas o tema principal da temporada está todo costurado. Em Sherlock, vemos aventuras clássicas como Um Estudo em Vermelho, O Cão dos Baskerville e O Signo dos Quatro reimaginadas para o nosso tempo, apesar de contar com todo o brilhantismo e extravagância do detetive. ❤

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A produção da série também é fantástica. Os figurinos combinam com os personagens (até o chapéu clássico faz sua aparição!) e a ambientação londrina é apaixonante. Sherlock é uma série de grande qualidade técnica, e isso se aplica também às excelentes atuações. Sinceramente, pra mim não há versão melhor do Sherlock que a de Benedict Cumberbatch. Os trejeitos do personagem e sua inteligência acima da média são muito bem retratados. Entretanto, a série transforma Sherlock em uma figura mais arrogante e grosseira do que me recordo em relação aos livros; porém, mesmo com esses defeitos, Cumberbatch consegue deixá-lo carismático. Também tenho simpatia pelo Watson de Martin Freeman, apesar de achá-lo submisso e conformado (diferente de sua contraparte literária). 🤐 A relação entre os dois – sua amizade cheia de altos e baixos – também tem grande importância durante a trama.

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Apesar da 4ª temporada da série ter decaído um pouco em relação às anteriores, Sherlock é uma série que recomendo de olhos fechados. Talvez não exista uma nova temporada (em função das agendas lotadas dos atores), e a série termina de modo que não precisa necessariamente de uma renovação, o que me deixou satisfeita (já que eu odeio séries que são interrompidas abruptamente, com um gancho no final). Em suma, Sherlock é uma série incrível e vale a pena ser vista, seja você fã ou não de um dos detetives mais notórios da ficção. 🙂

Título original: Sherlock
Ano de lançamento: 2010
Criadores: Steven Moffat, Mark Gatiss
Elenco: Benedict Cumberbatch, Martin Freeman, Mark Gatiss, Rupert Graves, Amanda Abbington, Una Stubbs, Andrew Scott

Dica de Série: O Mundo Sombrio de Sabrina

Oi meu povo, tudo bem?

Pra comemorar o Dia das Bruxas, nesta edição da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da AleCaverna LiteráriaA Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) decidimos escolher entre duas séries que têm tudo a ver com a data: A Maldição da Residência Hill ou O Mundo Sombrio de Sabrina.

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Eu sou SUPER medrosa e, apesar dos elogios à Residência Hill, não tive coragem de assistir. Somado isso ao fato de que eu estava looouca para conferir o remake de Sabrina, bom… resolvi unir o útil ao agradável. 😛

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Sinopse: Bruxa e também mortal, a jovem Sabrina Spellman fica dividida entre a vida normal de adolescente e o legado de sua família feiticeira.

Quando eu era criança, lembro de gostar de Sabrina, Aprendiz de Feiticeira, mas confesso pra vocês de que mal me lembro da história. Por isso, pude assistir a O Mundo Sombrio de Sabrina com a mente totalmente aberta, sem comparações ou expectativas, o que foi ótimo! Adorei o clima macabro, a ambientação sinistra e o cast maravilhoso!

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Sabrina é uma jovem prestes a completar 16 anos que se vê dividida entre dois mundos: ela é metade bruxa, metade mortal. No seu aniversário, ela deverá passar pelo Batismo das Trevas, de modo a entrar para a Academia de Artes Ocultas, onde desenvolverá sua magia e servirá ao Senhor das Trevas (aka Satã). Para isso, entretanto, ela deverá abrir mão de sua vida mortal, ou seja, de seu namorado e suas melhores amigas. Obviamente, Sabrina entra em um conflito frente a tal decisão, optando por não seguir tal caminho – o que causa muito alvoroço na comunidade bruxa.

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Meu primeiro comentário sobre a série é: A PROTAGONISTA É A CARA DA HERMIONE. Reparem! E o namorado de Sabrina, Harvey, é a cara do Tate (American Horror Story). São muitos doppelgangers nessa série, socorro. 😂 Dito isso, preciso elogiar a performance do elenco. Eu adorei cada personagem de seu próprio modo, e todos eles têm uma personalidade bem marcante, com tempo de tela suficiente para que possamos conhecê-los. Sabrina é obstinada, justa, teimosa e empoderada; ela luta pelos direitos das mulheres, pelo fim do bullying na escola e em momento nenhum incentiva briguinhas entre garotas (mesmo aquelas que a provocam). Porém, como toda adolescente, ela toma decisões impulsivas e acaba pecando por sua ingenuidade. Harvey é o namorado fofo que toda garota gostaria de ter. Suas amigas, Ros e Susie, fogem dos padrões estéticos (Ros é negra e tem um black power maravilhoso e Susie é interpretada por um ator não-binário, tendo ainda um plot de transexualidade).

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As tias de Sabrina, Hilda e Zelda, bem como seu primo, Ambrose, também são cativantes e brilham em diversos momentos. Fiquei surpresa com a atuação de Miranda Otto como uma Zelda controladora e rígida, especialmente por só tê-la visto atuando como Éowyn. Os personagens da Igreja da Noite também são interessantes e, até certo ponto, assustadores: o Padre Blackwood e a “Sra. Wardwell”, por exemplo, nos intimidam porque sabemos que eles escondem segredos envolvendo seus planos para Sabrina.

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A estética da série é incrível. Parece meio anos 90 mas, ao mesmo tempo, existem smartphones. Os figurinos são retrô, mas os pensamentos e diálogos são condizentes com nosso momento social atual. Acredito que foi uma estratégia da série para manter uma ideia de atemporalidade, anacronismo. Seja como for, eu gostei. 😀 A série também arrasa nos cenários (o casarão das Spellman é digno de uma história de bruxas!) e fotografia, apostando em tons escuros e sombras para criar uma ambientação mais macabra. A única coisa que me desagradou bastante foram os constantes blur nas cenas, normalmente nas que envolviam feitiços ou coisas sobrenaturais. Me sentia míope assistindo!

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Apesar de falar em rituais satânicos, ocultismo, demônios, bruxaria e afins, não acho que O Mundo Sombrio de Sabrina se enquadre como uma série de terror propriamente dito. Ela equilibra muito bem as cenas mais aflitivas com certo bom humor e ironia, o que colabora bastante para não deixar o tom tão pesado. Algumas cenas são tensas, sim, mas se mesmo eu (que sou medrosa) consegui assistir de boa, acho que você também consegue. Na verdade, o estilo de “medo” que senti em O Mundo Sombrio de Sabrina me faz recordar de Stranger Things. É de boas, juro! 😉

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O Mundo Sombrio de Sabrina é uma série cativante. Apesar dos episódios longos (não curto muito quando eles têm mais de 50 minutos), o carisma dos personagens – em especial de sua protagonista – envolve o espectador, e a trama cheia de mistérios e reviravoltas também faz com que você queira assistir um episódio atrás do outro. Por fim, a série aborda diversas questões relevantes (como o feminismo e a identidade de gênero) de modo natural e preciso. E, se pensarmos bem, a história da bruxaria está totalmente conectada à história das mulheres, não é mesmo? Uma série atual, divertida e envolvente. Recomendadíssima! 😉

Título original: Chilling Adventures of Sabrina
Ano de lançamento: 2018
Criador:Roberto Aguirre-Sacasa
Elenco: Kiernan Shipka, Miranda Otto, Lucy Davis, Ross Lynch, Chance Perdomo, Michelle Gomez, Richard Coyle

Dica de Série: The Sinner

Oi gente, tudo bem?

Se você curte histórias de investigação com muitos mistérios, você vai curtir a dica de hoje: The Sinner!

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Sinopse: A investigação acerca de um crime precisa acabar quando se sabe qual foi o crime e quem foi o criminoso? Quando uma jovem mãe de família comete um crime nefasto em público e se vê incapaz de explicar o motivo que a levou àquele estado de fúria súbito, um investigador se torna cada vez mais obcecado em entender as profundezas da psique da mulher, desenterrando os momentos de violência que ela tenta manter no passado, longe dos olhos do mundo.

The Sinner é uma série curtinha, com duas temporadas lançadas, tendo cada uma 8 episódios. Cada temporada é focada em um caso diferente, mas com um elemento em comum: Harry Ambrose, o detetive veterano que investiga os mistérios. Essa vibe me lembrou séries literárias policiais, em que temos um mesmo protagonista resolvendo diversos casos, o que é algo que gosto bastante. 🙂 Porém, The Sinner tem um grande diferencial: logo no primeiro episódio nós já sabemos quem cometeu o crime. Só não sabemos o porquê.

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A season 1 traz o caso de Cora Tannetti, uma mulher aparentemente normal: ela trabalha, é casada, tem um filho pequeno e parece ser feliz. Até que um dia, curtindo um dia de praia com a família, ela ouve uma música que a perturba, vinda do aparelho de som de um casal próximo. Cora entra em frenesi e parte para cima do homem, assassinando-o com a faca que usava para cortar frutas para o filho. Em estado de choque, ela é levada pela polícia e simplesmente se declara culpada, dizendo que não sabe porquê fez o que fez, mas sabe que é responsável pelo ato. Intrigado com a situação, o detetive Harry Ambrose decide investigar a vida de Cora, tentando compreender o que levaria uma mulher tão comum – e sem nenhum registro na polícia – a cometer um ato explosivo de tamanha violência.

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A atuação de Jessica Biel merece destaque: a atriz consegue trazer toda a confusão de Cora apenas no olhar. Desolada, confusa e resignada, Cora simplesmente aceita o que acontece com ela, até que Harry a convence a ir mais fundo no passado – e nas memórias enterradas. Conforme os episódios vão passando, o espectador vai descobrindo junto de Harry (e da própria Cora) diversos acontecimentos marcantes que foram apagados das lembranças da personagem. E isso deixa a história ainda mais intrigante, porque nada parece fazer sentido.

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Eu desenvolvi diversas teorias enquanto assistia à primeira temporada e, no fim, não acertei nenhuma delas. 😂 Os flashbacks utilizados na série serviram para me confundir e me enganar mas, no final, todas as peças se encaixaram e fizeram sentido. Cheguei ao final da série muito satisfeita com o desenrolar da investigação e com a verdade por trás de tudo, e obviamente esperei ansiosa pela estreia da season 2, que foi ao ar esse ano. A segunda temporada, apesar de menos envolvente que a primeira (em parte pela falta de carisma de alguns dos novos personagens), também me envolveu. A vibe da trama me lembrou muito dos crimes de Charles Manson e sua seita.

The Sinner é uma série investigativa que se diferencia não por correr atrás dos assassinos, mas sim por adentrar na mente deles em busca de respostas. O aspecto psicológico dos personagens é muito bem trabalhado, e o mistério que permeia cada caso nos deixa interessados e curiosos. Recomendo!

Título original: The Sinner
Ano de lançamento: 2017
Criador: Derek Simonds
Elenco: Jessica Biel, Bill Pullman, Christopher Abbott, Jacob Pitts, Nadia Alexander, Carrie Coon, Natalie Paul, Elisha Henig, Hannah Gross

Dica de Série: And Then There Were None

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim recomendar pra vocês a minissérie da BBC And Then There Were None, que adapta o livro de mesmo nome da Agatha Christie. 😀

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Sinopse: Oito estranhos são convidados para visitar uma pequena ilha localizada na costa de Devon, no sul da Inglaterra. Isolados do resto do mundo, eles são recebidos pelos anfitriões Sr. e Sra. U.N. Owen, que passam a maior parte do tempo ausentes. Mas, quando alguns membros do grupo começam a sumir misteriosamente, os convidados logo percebem que há um assassino entre eles.

Uma das minhas melhores leituras do ano passado foi E Não Sobrou Nenhum, então fiquei animadíssima quando soube pela Carol que havia uma série baseada no livro. Com apenas 3 episódios de duração, a série consegue trazer toda a trama e a atmosfera criadas pela Rainha do Crime para a televisão, com atuações competentes e desenvolvimento envolvente.

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O plot principal se mantém fiel ao material de origem: dez pessoas aparentemente sem ligação nenhuma são convidadas (sob diferentes pretextos) por Mr. U. N. Owen a passar o fim de semana na Ilha do Soldado. Contudo, uma gravação misteriosa acusa todos os presentes de terem saído impunes de crimes cometidos no passado, causando um clima de desconfiança e tensão. Quando os convidados passam a morrer, um a um, e toda a comunicação com o mundo exterior é cortada graças a uma tempestade, os convidados passam a tentar descobrir quem é o assassino – bem como controlar o próprio pânico.

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Sou suspeita pra falar dessa trama, porque eu acho essa história genial. ❤ A sensação claustrofóbica presente no livro é transmitida perfeitamente para a tela: os personagens estão em uma ilha, na presença de um assassino misterioso, cercados por desconhecidos e enfrentando uma tempestade que impede qualquer tentativa de fuga. Essas circunstâncias já são suficientes para deixar qualquer um em estado de alerta e ansiedade.

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A série também acerta ao desenvolver as emoções dos personagens. Novamente, Vera, Lombard, Armstrong e Wargrave tiveram maior destaque, assim como no livro. Na série, há uma tensão sexual entre Vera e Lombard, e uma cena que não existe no material original: os personagens fazem uma festa pra tentar acalmar os próprios nervos e relaxar, o que é até bem compreensível, quando você imagina que eles estão em uma situação de extrema tensão, sem chance de fuga ou de “salvação”. Os atores entregam ótimas atuações, passando ao espectador o medo e a desconfiança constante que sentem (e, no caso de alguns, remorso). A fotografia e os figurinos são incríveis, trazendo ainda mais riqueza à produção. Por fim, o final também é bem interessante, trazendo um novo ângulo para o fechamento do caso. 

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And Then There Were None é uma minissérie de grande qualidade, que adapta o (maravilhoso) material de origem com total competência. Se você é fã da Agatha Christie ou de tramas investigativas, não pode deixar de conferir. 😉

Título original:  And Then There Were None
Ano de lançamento: 2015
Roteirista: Sarah Phelps
Elenco: Charles Dance, Maeve Dermody, Aidan Turner, Toby Stephens, Burn Gorman

Dica de Série: The Good Place

Olar, tudo bem?

Cá estou com mais uma dica de série de comédia bem divertida: The Good Place. 😉

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Sinopse: Depois de morrer, a egocêntrica Eleanor é enviada por engano ao lado bom do Além. Agora ela está determinada a se tornar uma pessoa melhor para continuar lá.

Eleanor Shellstrop morreu. No pós-morte, ela acorda no paraíso (o Lugar Bom) e é recepcionada por Michael, seu mentor, que explica que as pessoas recebem pontos ao longo da vida de acordo com suas atitudes (boas ou más), que definem se elas irão para o Céu ou para o Inferno. O problema é que Eleanor não foi uma pessoa boa. Muito pelo contrário! Ela era egoísta, ácida, desagradável, inconsequente, trapaceira, mentirosa… e a lista não para. Houve algum engano e, provavelmente, sua xará foi parar no Lugar Mau (sim, o Inferno). Pra tornar tudo pior, no Lugar Bom as pessoas são apresentadas às suas almas gêmeas, e o par perfeito de Eleanor é um professor de filosofia extremamente ético, Chidi. Já dá pra imaginar a confusão, né?

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The Good Place não é uma série genial, mas ela é muito engraçada por não se levar a sério, abusando de situações nonsense. No Lugar Bom, as pessoas têm as casas perfeitas, convivem com sua alma gêmea, são felizes o tempo todo, têm frozen yogurt à vontade e desfrutam de todas as coisas boas que a vida após a morte poderia oferecer. Mas para alguém egoísta, impulsivo e manipulador como Eleanor, isso é praticamente tortura. Sua vizinha, por exemplo, é enlouquecedora: Tahani é uma socialite inglesa cheia de pompa, casada com um monge que fez voto de silêncio. Nem palavrões são ditos no Lugar Bom (sendo substituídos por palavras inocentes quando tentam ser ditos, como a clássica “What the fork?”), tamanha a santidade do lugar! O problema é que, desde a chegada da Eleanor “falsa”, o paraíso parece dar sinais de colapso – uma provável tentativa de equilíbrio do universo. Eleanor então pede ajuda a Chidi, para ensiná-la a ser uma pessoa boa e, consequentemente, merecedora de estar ali.

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É muito engraçado ver Eleanor penando para tentar se adaptar à ética e às atitudes corretas. E é mais engraçado ainda ver os personagens interagindo, sendo eles tão diferentes uns dos outros. Além dos já mencionados Eleanor, Chidi e Tahani, também dou muita risada com o monge Jianyu e com Janet (uma espécie de “assistente pessoal” onisciente). Com o passar do tempo, esse grupo passa a se conhecer melhor e uma amizade inesperada  (e divertida!) surge.

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O plot twist da primeira temporada é fantástico! Sério, fiquei de queixo caído e adoreeei a ideia dos criadores da série. Foi surpreendente e proporcionou uma reviravolta tremenda para a história. Só lamento que a série tenha decaído um pouco a partir da segunda temporada, tornando-se levemente repetitiva.

The Good Place é aquela série despretensiosa, bacana para passar o tempo de forma leve quando não queremos conferir nada muito longo ou pesado na TV. Tem bons personagens, uma história bastante original e um final surpreendente. E, de quebra, foi criada por um dos responsáveis por Brooklyn Nine-Nine e tem atores que participam dela também, o que é bem divertido de conferir. 😂 Vale a pena dar uma chance. 😉

Título original: The Good Place
Ano de lançamento: 2017
Criador: Michael Schur
Elenco: Kristen Bell, William Jackson Harper, Jameela Jamil, Manny Jacinto, Ted Danson, D’Arcy Carden