Dica de Série: The Morning Show

Oi povo, tudo certinho por aí?

Por aqui, a ansiedade tá enorme pelo dia de hoje. Já deixei claro o quanto sou antibolsonarista em todas as oportunidades que tive (inclusive com dica de leitura), e hoje a esperança de que um país melhor é possível está forte, mas com uma sombra de medo de que 2018 se repita. Então, pra me distrair, coloquei as mãos na massa pra tentar colocar alguns conteúdos pendentes em dia.

Meu ritmo de leituras caiu um pouco, então por enquanto vou focar mais em dicas de séries e filmes por aqui. Mas fiquem tranquilos que tem títulos ótimos pra entrarem no radar de vocês, e é sobre um deles que vou falar sobre: a série The Morning Show, protagonizada pelas incríveis Jennifer Aniston e Reese Whiterspoon.

Sinopse: Alex Levy é âncora do The Morning Show, um popular programa de notícias que mudou a cara da televisão americana. Depois que seu parceiro de 15 anos, Mitch Kessler, é demitido em meio a um escândalo de má conduta sexual, Alex luta para manter seu emprego como principal âncora, provocando uma rivalidade com Bradley Jackson, uma repórter de campo casual cuja série de decisões impulsivas a leva a um novo mundo do jornalismo de TV.

Alex Levy é a prestigiada apresentadora do The Morning Show, um dos programas de maior sucesso dos Estados Unidos. Quando seu co-apresentador, Mitch Kessler, é acusado de má conduta sexual, Alex vê sua vida virar de cabeça para baixo: ela perde uma amizade de 15 anos e se vê no centro da confusão na qual sua emissora (UBA) está imersa Para deixar Alex ainda mais insegura, a emissora começa a dar indícios de interesse em Bradley Jackson, uma repórter de campo que viralizou na internet por explodir ao fazer denúncias na cobertura de uma matéria – atitude que a fez ser lida como um sopro de juventude para o The Morning Show e um potencial nome pra “limpar” a imagem do programa. Alex, com medo de ser substituída, vira o jogo ao anunciar publicamente que Bradley será sua nova co-apresentadora, pegando todos de surpresa, inclusive a própria Bradley (que até o momento havia sido apenas entrevistada por Alex por ter sido viral). Essa atitude faz com que todos os envolvidos no TMS comecem a mover os próprios pauzinhos para conseguir atingir seus objetivos e alcançar o sucesso.

The Morning Show começa de forma explosiva com a denúncia de Mitch, e acompanhamos toda a correria por trás da tentativa de limpar a imagem do programa e de Alex por parte dos produtores e dos empresários da UBA. Porém, infelizmente a série perde um pouco seu ritmo durante os episódios do meio da temporada, o que me fez demorar mais do que o normal para concluí-la. Quando eu já estava desesperançosa e pronta pra desistir de The Morning Show, os últimos episódios trazem reviravoltas bastante chocantes, me fazendo dar uma nova chance ao programa. Digo tudo isso pra deixar claro que a série tem sim alguns problemas de ritmo, mas que no balanço geral a história foi capaz de me fazer querer conferir o que vem por aí.

Acho que um dos principais motivos pra eu não ter entrado de cabeça em The Morning Show é o fato de que não consegui torcer pelos personagens. Mesmo com duas mulheres fortes à frente da trama, a verdade é que ambas me irritaram demais. Alex é bastante humana e falha, e eu gosto que não tenham poupado a personagem dessas características. Ela esteve em silêncio por 15 anos ao lado de Mitch, sendo conivente com um comportamento que todos sabiam existir. Alex é também uma pessoa que se orgulha do que conquistou e não tem vergonha disso, o que é um bom exemplo de força e determinação, mas é difícil esquecer que ela se beneficiou do fato de ser a mulher aceita no Clube do Bolinha sem fazer nada a respeito. Bradley, por sua vez, representa o idealismo jornalístico. Ela quer lutar por justiça, expor a verdade sobre os fatos e fazer o que for certo independente de quem ferir no processo. Por um lado, são objetivos louváveis e o coração da personagem pode estar no lugar certo; por outro, a personalidade perfeitinha que ela assume após entrar no TMS me exauriu, especialmente porque difere completamente da Bradley explosiva que ganhou notoriedade.

O maior mérito de The Morning Show reside no tema que decide abordar. O assédio sexual no ambiente de trabalho é um assunto muito pertinente, e a série usa o movimento #MeToo como o grande impulsionador da discussão. Existe uma cena em que Mitch discute com outro homem exposto pelo movimento que é tão real que embrulha o estômago: homens em posição de poder, em sua maioria, não estão preocupados em refletir sobre seu papel nessa cadeia de abuso; eles só pensam sobre isso quando são pegos, e ainda acham que são as vítimas da situação. Para eles, que controlam a narrativa e as decisões, as mulheres estão ali porque querem e também para subir na carreira, e não porque são coagidas em função do medo de perderem os empregos, as oportunidades e ainda serem expostas e desacreditadas no processo. The Morning Show faz um excelente trabalho em colocar um holofote nessas situações, dando voz às vítimas e mostrando quão devastadoras as consequências do assédio e do abuso podem ser.

Com atuações sólidas e uma crítica relevante, The Morning Show é uma série que recomendo especialmente pelo assunto central. Ela me causou uma sensação semelhante ao do livro Rede de Sussurros: não foi a melhor experiência que tive, mas trata de situações tão sérias e, infelizmente, recorrentes, que acho importante que mais pessoas tenham contato e possam refletir a respeito. Há também intrigas políticas e jogos de poder que buscam tornar os episódios mais instigantes e, ainda que não tenham funcionado comigo, podem funcionar com você. De maneira geral, vale a pena tanto pela reflexão quanto pelas excelentes performances de um elenco de peso, que conseguem transmitir as diversas nuances que uma situação assim possui. Por aqui, vou seguir pra segunda temporada. E se você já conferiu, me conta o que achou nos comentários? 😉

Título original: The Morning Show
Ano de lançamento: 2019
Criação: Jay Carson, Kerry Ehrin
Elenco: Jennifer Aniston, Reese Witherspoon, Billy Crudup, Mark Duplass, Nestor Carbonell, Karen Pittman, Steve Carell

Dica de Série: Uncoupled

Oi pessoal, tudo bem?

Eu adoooro séries de comédia, especialmente se forem sitcoms ou mais “vida real”. A dica de hoje se enquadra bastante nessa segunda categoria, equilibrando comédia e uma pitadinha de drama: Uncoupled, da Netflix.

Sinopse: Atordoado depois do rompimento com o namorado de longa data, Michael enfrenta as expectativas do recomeço e dos encontros depois dos 40.

Quem chamou a minha atenção pra série foi o Neil Patrick Harris, um ator de quem eu gosto muito por causa de How I Met Your Mother. Aí descobri que tinha também a Tisha Campbell-Martin (a inesquecível Jay, de Eu, a Patroa e as Crianças) no elenco e pronto, já quis conferir. Além disso, o enredo gira em torno de um assunto bem interessante: ficar solteiro depois de muitos anos de um relacionamento e em uma idade um pouco mais madura. Uncoupled é, em poucas palavras, uma série sobre recomeçar e redescobrir a si mesmo.

Na trama, Michael (o personagem de Neil) é subitamente abandonado pelo namorado, Colin, com quem se relaciona há 17 anos. Ele descobre a notícia na festa surpresa de 50 anos que preparou para o parceiro, e vê a sua vida virar de cabeça para baixo, especialmente devido à recusa de Colin em conversar a respeito e revelar seus motivos. Inicialmente, parece que Colin está apenas tendo uma crise de meia-idade, mas o personagem “acusa” certos comportamentos de Michael que, com o passar dos episódios, vamos percebendo também. Ainda assim, nada justifica terminar uma relação de modo tão egoísta quanto Colin terminou, o que torna impossível ter muita empatia pelo personagem.

O aspecto da personalidade de Michael que se revela mais difícil é o fato de que ele demonstra fazer tudo girar em torno dele. Porém, é compreensível que durante os primeiros meses do término esse comportamento se acentue; o lado positivo é que o protagonista é obrigado a confrontar esse seu defeito não apenas por causa do que Colin fez, mas também pelos feedbacks de seus amigos, que estão tentando ajudá-lo a dar a volta por cima. E esse é um elemento crucial em Uncoupled: a importância de um círculo de amizades forte para ser sua rede de apoio. São três os principais amigos de Michael: Suzanne (com quem ele trabalha e é um grande alívio cômico, além de ser uma mulher forte e independente que cria um filho sozinha), Stanley (um amigo leal e que provoca um momento de amadurecimento importante em Michael) e Billy (que acaba exercendo um pouco o estereótipo de cara bonitão que só sai com parceiros mais jovens e de forma superficial). Apesar do foco em Michael, esses três personagens ganham um tempo de tela bem interessante e têm plots próprios, de forma que não se transformem apenas em nomes sem importância que orbitam o personagem principal.

Uncoupled também trata da homossexualidade de forma natural, não sendo o único fio condutor da trama. Michael e seus dois amigos homens são gays, e é claro que a vida de solteiro deles gira em torno de conhecer novas pessoas e se abrir pro mundo, mas a trama não é sobre identidade, sobre preconceito ou nada do tipo. É uma comédia dramática sobre ficar solteiro aos 40 e poucos anos com romance gay, e não uma série sobre ser gay necessariamente. Isso traz uma representatividade importante justamente por ser natural, a sexualidade dos personagens é apenas um dos elementos que compõem suas vidas e o desenrolar da história.

Em resumo, Uncoupled é uma série que vale o play. São poucos episódios de curta duração, e meu único receio é que não tenha segunda temporada, porque a primeira termina com um baita cliffhanger. Mas, mesmo que não tenha, acho que a mensagem principal transmitida compensa o tempo investido, porque é sempre bom ser impactada por histórias que nos relembram que nunca é tarde pra mudar de rota, recomeçar, se reinventar e se redescobrir. 😀

P.S.: gente, estou saindo em uma viagem de férias e não levarei meu computador, então os posts retornam dia 21. Até lá! ❤

Título original: Uncoupled
Ano de lançamento: 2022
Criação: Jeffrey Richman, Darren Star
Elenco: Neil Patrick Harris, Tisha Campbell, Brooks Ashmanskas, Emerson Brooks, Marcia Gay Harden, Tuc Watkins

Dica de Série: The Sandman

Oi pessoal, tudo bem?

Se tem um título que anda no topo da lista de mais assistidos da Netflix nas últimas semanas, é The Sandman. Obviamente eu, que adoro uma boa série de fantasia e um quê sombrio, corri pra assistir. Vamos conhecer? 😉 

Sinopse: Após anos aprisionado, Morpheus, o Rei dos Sonhos, embarca em uma jornada entre mundos para recuperar o que lhe foi roubado e restaurar seu poder.

A trama gira em torno de Sonho, ou Morpheus, que foi invocado por feiticeiros humanos que desejavam invocar sua irmã, a Morte. Aprisionado por mais de cem anos – o que gerou consequências catastróficas no nosso mundo, ou “Mundo Desperto” –, quando Morpheus finalmente retoma sua liberdade ele precisa partir numa jornada em busca de seus três artefatos roubados: um elmo, um rubi e sua poderosa areia. Porém, em seu caminho ele encontrará Pesadelos que fugiram de seu reino e não desejam retornar, além de cruzar com inimigos que não vão facilitar a sua missão.

No universo de The Sandman, existem seres chamados de Perpétuos. Eles existem desde que tudo existe, não sendo deuses, mas sim aquilo que representam em si mesmos, sendo governantes de seus próprios reinos e senhores daquilo que influenciam. Nessa primeira temporada conhecemos quatro deles: Sonho, Morte, Desejo e Desespero. Todos os Perpétuos são irmãos, mas não esperem uma relação necessariamente próxima de todos eles: tirando a boa relação de Morpheus e Morte, a série nos mostrou que existem rivalidades e disputas de poder bem perigosas entre eles. Tudo que eu sabia sobre Sandman era bem superficial, pois não li as HQs, mas foi o bastante pra acompanhar a série sem maiores problemas, ainda que existam elementos que tenham ficado somente nas entrelinhas (como a própria rivalidade entre alguns dos Perpétuos, por exemplo).

Sandman acerta em cheio em não se estender demais na busca de Morpheus por seus itens mágicos, pois isso dá espaço a outras histórias bem bacanas ao longo da temporada. Pode-se dizer que ela é dividida em duas: na primeira parte, acompanhamos a recém retomada liberdade de Morpheus, e na segunda temos como foco sua perseguição a Coríntio, um Pesadelo que deseja se livrar de Morpheus para seguir causando seus terrores no Mundo Desperto. A série tem episódios bem marcantes, sendo o meu favorito o episódio 6, focado na Morte. Ele é um episódio longo com duas histórias amarradinhas: começa com o reencontro de Morpheus e da Morte, em que a série mostra um lado gentil, afetuoso, otimista e caloroso de um momento que costuma ser assustador em nossa cultura (o momento da despedida final); e depois se desenvolve para a amizade do protagonista com um humano que foi agraciado pela Morte com a imortalidade, desde que se encontrasse a cada século com Morpheus para contar se a dádiva havia se transformado em tortura ou não. Sob alguns aspectos, a série funciona quase como uma antologia dentro do universo do protagonista, tendo vários plots que abordam situações e personagens distintos.

E o que dizer da beleza visual de The Sandman? A produção teve um investimento pesado na produção dos efeitos especiais, e cada episódio é deslumbrante. Em tempos nos quais os profissionais de CGI estão tendo burnout ao trabalhar pra Marvel (o que gera memes com terceiros olhos e pele verde), foi um verdadeiro deleite poder assistir a cenários tão bonitos e animações tão caprichadas. O próprio mundo de Morpheus, o Sonhar, é composto dos mais diversos ambientes. Os Perpétuos por si só também têm a aparência que mais se adequa à pessoa ou ao ser com o qual estão interagindo. Ou seja, essa preocupação em fazer com que tudo fosse bem feito e visualmente impactante deu muito certo, porque fiquei de queixo caído em diversos momentos.

Como aspecto mais fraco da produção, pode-se dizer que o desenvolvimento dos personagens secundários acaba sendo preterido. Ao mesmo tempo em que histórias individuais começam e terminam nos mesmos episódios, o que é bacana por passar uma “vibe antológica”, poucos personagens ganham camadas que os transformem em algo além de sua função para aquele momento. Um exemplo disso é Johanna Constantine, cuja aparição pontual serve pra um único fim: ajudar Morpheus em sua busca pela areia mágica. A própria Morte, tão carismática, só aparece em um episódio de transição entre os arcos da busca pelos artefatos e a o arco de Rose Walker, a Vórtice dos Sonhos que é o ponto-chave da segunda metade da temporada. E, já que mencionei Rose, a série perde um pouco de seu fôlego quando a trama passa a girar em torno dela, fazendo com que meu interesse tenha sido levemente diminuído.

The Sandman é uma produção cara e tem chances de cancelamento por conta disso, segundo o próprio criador da HQ, Neil Gaiman. Por isso, fica o convite: vamos mostrar que séries de qualidade, com roteiros interessantes e fora do óbvio, também merecem permanecer na Netflix? Fica o convite para cair de cabeça nesse universo tão criativo, cheio de reflexões e questionamentos sobre a vida. 

Título original: The Sandman
Ano de lançamento: 2022
Criação: Neil Gaiman, David S. Goyer, Allan Heinberg
Elenco: Tom Sturridge, Boyd Holbrook, Patton Oswalt, Vivienne Acheampong, Vanesu Samunyai, Mason Alexander Park, Gwendoline Christie, David Thewlis

Dica de Série: Bel-Air

Oi pessoal, tudo bem?

Se vocês estavam em busca de uma boa série pra maratonar, a dica de hoje vai cair como uma luva. Vamos conhecer Bel-Air, o reboot de Um Maluco no Pedaço?

Sinopse: Com produção executiva de Will Smith, “Bel-Air” reimagina a icônica comédia dos anos 90 “The Fresh Prince of Bel-Air” para uma nova era. Situado na América moderna, a série dramática de uma hora oferece uma nova e dramática visão da jornada de mudança de vida de Will, das ruas do oeste da Filadélfia às mansões fechadas de Bel-Air. Deixando para trás a única casa que ele já conheceu por uma segunda chance em um lugar desconhecido, Will vê sua vida virada de cabeça para baixo ao encontrar novos desafios e preconceitos em um mundo de riqueza e aspiração.

Antes mesmo de iniciar Bel-Air, eu já tinha um feeling muito bom de que a série tinha potencial, afinal, ela se propõe a contar a história do jovem Will Smith com um viés de drama, e não de humor. Quem assistiu a Um Maluco no Pedaço deve lembrar que a comédia era irreverente e divertida, mas vez ou outra tocava em assuntos sérios como racismo estrutural, abandono parental, porte de armas, entre outros temas. Justamente esse aspecto me deixou tão curiosa com o reboot, pela possibilidade de ver esse universo dramático se desdobrar. E eu fiquei muito satisfeita com o que vi!

Em linhas gerais, a série segue a mesma trama da original: Will Smith é um jovem brilhante da Filadélfia, que arrasa no basquete e já tem convites para universidades graças a esse talento. Porém, ele é temperamental e se deixa levar pela provocação de um traficante local, o que o coloca em um jogo de basquete perigoso. Quando tudo dá errado e seu melhor amigo, Tray, começa a ser agredido pela gangue do traficante, Will utiliza a arma que Tray levou para segurança dos dois e atira pra cima, o que o faz ser preso. Isso obriga sua mãe, Vy, a pedir ajuda de sua irmã rica, Vivian, e seu cunhado, Phil Banks. Cobrando alguns favores e usando de sua influência como um advogado poderoso em Los Angeles, Phil consegue tirar Will da cadeia e ele é enviado pela mãe para morar com os tios e fugir das ameaças de morte do traficante.

Se em Um Maluco no Pedaço a “fuga” de Will é abordada rapidamente na abertura – e com um tom mega leve –, em Bel-Air essa situação é desenvolvida e tem o peso que lhe cabe. Will realmente tem sua vida colocada em perigo, assim como Tray. Além disso, ele perde oportunidades na faculdade e precisa ir para um lugar no qual ele não deseja estar. Esse ponto é super positivo e demonstra como um minuto de uma decisão ruim pode mudar toda a sua vida. Além disso, também já temos evidenciada outra novidade importante: a área cinza em que Phil atua. Se na série original ele é sempre um guia de moralidade pros filhos e pra Will, em Bel-Air o personagem caminha num território mais nebuloso e, por vezes, de moral duvidosa. Pra vários de seus trabalhos menos nobres, o tio Phil conta com a ajuda de Geoffrey, que aqui deixa de ser um mordomo sarcástico para se tornar o braço direito calado, misterioso e implacável que faz os trabalhos sujos do patrão.

Os filhos dos Banks também sofrem transformações consideráveis. A que mais gostei foi Hilary, que é uma microinfluencer em busca do sucesso como uma personalidade do ramo gastronômico. Ainda que use o dinheiro dos pais (por ter desistido da faculdade), a personagem sonha alto e corre atrás dos seus objetivos, bem diferente da patricinha fútil de Um Maluco no Pedaço. A Hilary de Bel-Air é menos bidimensional, além de ter um coração enorme e construir uma relação muito bacana com Will, Ashley e – acreditem – Jazz. Em compensação, uma mudança de personagem que foi difícil de engolir foi a de Carlton. Na nova versão, ele não é o engomadinho inocente de Alfonso Ribeiro, mas sim um atleta popular que sofre de ansiedade e é viciado em drogas. Ele acaba sendo um pouco estereotipado naquela imagem do rico poderoso que usa drogas pesadas pra lidar com o dia a dia, além de ser cruel com Will em diversos momentos. Infelizmente a série coloca um triângulo amoroso pra complicar a relação dos primos, e essa foi uma decisão de roteiro da qual não gostei. Com o passar dos episódios, porém, Carlton vai se abrindo para a presença de Will e eles começam a construir uma relação mais saudável.

Um ponto que adorei em Bel-Air é a forma como a série coloca pequenas homenagens ao material original, mexendo com a nossa nostalgia. A forma como Will usa o blazer do avesso, por exemplo, é super legal. Há também uma homenagem às antigas tia Viv e Vy, assim como ao tio Phil original, que faleceu em 2013. 😥 Quem for mais atento vai perceber o momento em que ele aparece, e é uma inserção singela mas muito bonita. 

Em resumo, Bel-Air é um reboot que faz justiça a Um Maluco no Pedaço e trata superbem de vários dos temas mais pesados que eram mais superficiais na obra original. Jabari Banks, o novo Will Smith, consegue dar vida ao personagem de maneira excelente, trazendo vários dos trejeitos do antigo Will com naturalidade, fazendo o espectador associá-lo com o personagem sem esforço. A série a princípio terá uma segunda temporada, mas talvez demore a ser feita devido à polêmica do verdadeiro Will Smith no Oscar. Fico na torcida pra que não mudem de ideia e continuem com esse projeto, porque realmente gostei muito do novo olhar que essa história recebeu. Se você curtia Um Maluco no Pedaço, vale a pena dar uma chance a Bel-Air. 😉

Título original: Bel-Air
Ano de lançamento: 2022
Criação: Andy Borowitz, Susan Borowitz e T.J. Brady
Elenco: Jabari Banks, Cassandra Freeman, Adrian Holmes, Olly Sholotan, Coco Jones, Jimmy Akingbola, Simone Joy Jones, Akira Akbar, Jordan L. Jones, April Parker Jones

Minhas impressões sobre Stranger Things 4

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de 3 longos anos de espera, a quarta temporada de Stranger Things estreou e foi finalizada anteontem, dia 1º. Como praticamente toda a internet, eu também estava no maior hype e devorei os episódios – com direito a enxaqueca provocada pelas lágrimas da series finale rs. E agora que a temporada oficialmente terminou, vim dividir com vocês minhas opiniões (positivas e negativas) do que vimos até aqui. \o/ Obviamente esse post contém spoilers, então se você não terminou de assistir, não recomendo que leia.

Atmosfera que inspira medo

Stranger Things sempre teve aquele pé no suspense/terror, mas de uma forma que considero jovem e “inocente”, especialmente na primeira temporada. Contudo, na season 4 eu me peguei apreensiva e com medo real em vários momentos. O som dissonante das badaladas do relógio do Vecna mexeram comigo e, sendo medrosa como sou, pedi até pro meu namorado me acompanhar em alguns episódios. 😂 

Um vilão ainda mais ameaçador

Além desse clima perigoso que a temporada trouxe, adorei o fato de haver um vilão humanoide, cruel e inteligente – muito mais ameaçador que qualquer demogorgon. Durante a maior parte do tempo, não sabemos o quê e quem é Vecna, apenas que é um ser capaz de atacar a mente das pessoas. O fato dele se apropriar das fraqueza emocionais das pessoas e explorá-las para seu próprio benefício – sendo uma analogia bem factível à depressão – o torna ainda mais cruel. A revelação de sua identidade também foi um dos pontos altos da temporada, conectando todo o perigo que está sendo apresentado desde 2016, quando a Eleven era uma criança misteriosa encontrada na chuva no meio da floresta.

Pontas soltas que precisam ser logo resolvidas

Apesar de terem revelado a identidade de Vecna (a primeira cobaia de Brenner), muitas coisas não ficaram claras. Afinal, o Devorador de Mentes é uma criatura manipulada pelo grande vilão ou é algum tipo de energia que Henry Creel/Vecna/001 absorveu? Como ele já desenhava essa criatura quando ainda era criança, sendo que ainda nem tinha ido para o Mundo Invertido? Considerando que já mostraram o passado do personagem, estou um pouco cética sobre investirem muito mais tempo nisso na próxima temporada, mas eu acho que esse tema ainda rende e gostaria que esses pontos ficassem mais claros.

Max: ponto forte e ponto fraco ao mesmo tempo

Eu adoro a Max e acho que ela acrescentou muitas coisas positivas desde que entrou para o grupo na segunda temporada. Por isso, fiquei de coração partido ao vê-la distante e tão quebrada emocionalmente após a morte de Billy em Stranger Things 3. Ela acaba sendo marcada por Vecna, mas consegue escapar em uma das cenas mais incríveis e emocionantes da temporada, em que ela corre na direção da luz e de seus amigos ao som de Running Up That Hill, de Kate Bush. Porém, Stranger Things 4 foi covarde ao selar seu destino. A garota bola um plano arriscado, em que sua vida está em perigo, e ela realmente se torna uma vítima de Vecna. Por mais que Eleven faça de tudo para impedir, ela ainda não está forte o bastante (falarei sobre os poderes dela em seguida), e Max sucumbe ao vilão. A cena em que ela diz a Lucas que não enxerga nem sente nada e que não está pronta pra morrer me levou às lágrimas, sendo emocionante e significativa… até Eleven dar uma de Jesus e reviver a menina, cujo coração havia parado. Desde quando telecinese faz isso, gente? Privilégio de protagonista, só pode. E o pior de tudo: El não sente a mente de Max voltar – o que pode ser a explicação para o portal de Vecna para a Hawkins real se abrir: ele precisava de uma quarta vítima e aparentemente Max concluiu essa necessidade, ainda que sua amiga tenha feito seu coração voltar a bater. Sinto que a temporada terminaria de forma mais impactante se os roteiristas tivessem tido coragem de dar adeus à ruiva que amamos.

O que fizeram com a Robin?

Desde sua primeira aparição, Robin roubou a cena. Sua dinâmica com Steve é incrível e os dois são amigos cujo apoio mútuo é inspirador – isso sem contar a representatividade LGBTQIA+ que a personagem trouxe para a série antes disso ser explorado por meio de Will. Mas se antes eu via Robin como uma pessoa sagaz e espirituosa, nessa temporada transformaram a garota numa goofy atrapalhada, que tem medo até de tropeçar nos próprios pés. :/

Eddie Munson: outro queridinho desperdiçado

Desde a primeira cena do novo personagem, Eddie Munson, seu carisma ficou explícito para o espectador. Líder do novo grupo de RPG do qual os meninos fazem parte, ele é caçado pela cidade por pensarem que ele faz rituais satânicos e é culpado das mortes dos adolescentes – uma crítica bem interessante ao fundamentalismo religioso e ao conservadorismo irracional. Ele tem uma dinâmica com Dustin que é de muita parceria, similar a que o garoto tem com Steve, causando até olhares de ciúme por parte deste rs. Mas Eddie é mais um personagem novato colocado na série pra que a gente se apegue e logo em seguida tenha que ver morrer. E o pior de tudo: morreu protegendo a cidade que o considera culpado e, dois dias depois, ninguém mais falava nele no grupo, exceto Dustin. Seja como for, a verdade é que a despedida dele e de Dustin me fez chorar rios, com direito a nariz entupido e tudo mais.

Nancy, Steve e Jonathan: wtf?

Se teve alguém que me tirou do sério nessa temporada, foi Nancy. Ela e Jonathan agem covardemente um com o outro durante a temporada inteira, porque ambos não se abrem para uma conversa honesta a respeito da distância e dos planos futuros. E aí o que acontece? Ela começa a se engraçar pro Steve de novo. Ele é um dos meus personagens favoritos e simplesmente merece mais que uma garota que pula dele pro Jonathan e do Jonathan pra ele de volta. 😦

Plot da Eleven e do Mike: dai-me forças, Senhor

Eu não gosto da Eleven. Pronto, falei. Senti pena dela sofrendo bullying, é claro, mas todas as cenas que a envolviam foram muito cansativas pra mim. Seu drama amoroso com Mike não me comoveu (somente me cansou) e senti muita vergonha alheia da declaração de amor dele na series finale. Aliás, esse garoto foi uma pamonha a temporada inteira e tem sido irritante desde a season passada, em que não dava a menor bola pro Will – que realmente tem que estar muito crushado pra dizer que o Mike (ainda) é o coração de tudo. 😂 Pode até ter sido, mas faz tempo que não é mais. Em relação a essa dupla de personagens, a única coisa de que gostei foi o foco no passado de Eleven durante as imersões para que ela recuperasse seus poderes, mas somente porque estava relacionado à origem de Vecna também. De resto, zZzzZzzZzz.

Will: reizinho queer, mas injustiçado

Eu amo os underdogs, e Will claramente sempre foi um deles: não fazia parte de um grupo popular, foi levado para o Mundo Invertido, quando voltou foi hospedeiro do Devorador de Mentes e, ao se ver livre de tudo isso, viu que seus amigos estavam em outra fase da vida, com namoradas e outros compromissos (ele só queria jogar um RPGzinho, gente! Que que custa?). Essa temporada trouxe mais uma camada de profundidade ao personagem, que é a indicação de que Will é gay (ou, no mínimo, bi). Esse fato gerou uma cena emocionante em que ele projeta um discurso sobre a Eleven pro Mike que, na verdade, é sobre ele, e também um momento entre irmãos na qual Jonathan fala nas entrelinhas – pra não forçá-lo – que o ama independentemente de qualquer coisa. O Jonathan não serviu pra quase nada nessa temporada, mas essa cena foi de arrepiar. ❤ Como ponto negativo, ressalto apenas o fato de que Will nunca ganhou o espaço merecido na trama como um personagem ativo e condutor de ações importantes, e espero que isso mude na próxima temporada.

Trama arrastada de resgate ao Hopper

Gostei de como os roteiristas não tornaram fácil libertar o Hopper, mas não posso dizer que essa parte da trama tenha me instigado. Achei cansativa e dando muitas voltas no mesmo lugar, sem realmente provocar um frio na barriga. Afinal, se salvaram o personagem no fim da temporada passada, minha conclusão é de que não o matariam nessa. Portanto, não consegui engajar com os riscos sofridos e com as dificuldades enfrentadas.

Squad de Hawkins

Sem sombra de dúvidas, o plot mais interessante foi o que chamo de squad de Hawkins. Adorei a dinâmica do grupo que estava na cidade e de como eles foram investigando cada vez mais a fundo as mortes dos adolescentes e descobrindo um passado sombrio da cidade. Fiquei instigada e muito curiosa durante todo esse processo, entretanto meu elogio não se resume à investigação em si, mas também à coragem de cada um deles. Afinal, sem sequer hesitar, Nancy, Steve, Dustin, Max e o resto do grupo se arriscaram para enfrentar Vecna sem contar com o apoio dos poderes de Eleven. Badass é pouco pra defini-los! 💪

De forma geral, gostei muito de Stranger Things 4 e sigo sendo fã dessa história tão cativante e envolvente. Claro que nem tudo foi perfeito, contudo nesse caso os pontos positivos me impactaram mais do que os negativos. Estou ansiosíssima para a próxima e última temporada (e torcendo pra que não leve mais 3 anos pra chegar), mas ao mesmo tempo sem coragem de dar um adeus definitivo.

E vocês, o que acharam de Stranger Things 4?
Me contem nos comentários! 😍

Dica de Série: Fundamentos do Prazer

Oi pessoal, tudo bem?

Vamos de dica +18 hoje? Vamos! Quero apresentar a vocês a um documentário curtinho – mas bem relevante – da Netflix chamado Fundamentos do Prazer. 🙂

Sinopse: Sexo, alegria e ciência moderna se unem nesta série reveladora para enaltecer a complexidade do prazer feminino e destruir mitos antiquados.

A produção de apenas 3 episódios tem como objetivo principal levantar o debate sobre como o sexo e o prazer se relacionam com o gênero feminino. O fato é que ainda vivemos em uma sociedade machista, que inibe as mulheres de descobrirem o próprio corpo e aquilo que funciona pra elas no âmbito erótico, portanto é muito comum encontrar mulheres adultas que nunca experimentaram um orgasmo ou tiveram uma relação sexual satisfatória. Some isso ao fato de que o conservadorismo também cumpre seu papel de tentar impedir a educação sexual nas escolas e teremos como resultado um número enorme de mulheres insatisfeitas sexualmente ou propensas a aceitar relações que não as satisfazem por tratar tal situação como normalidade.

O primeiro episódio é focado no corpo feminino. E aqui vale mencionar o acerto do documentário em trazer uma diversidade enorme: mulheres de diversas faixas etárias, heterossexuais, lésbicas ou bissexuais, trans, negras, gordas, magras… as convidadas que participam com seus depoimentos são diversas e consequentemente causam uma empatia imediata, pois é possível nos enxergarmos em seus relatos. Além disso, o documentário também traz pesquisadoras importantes do ramo, bem como profissionais do meio sexual (como uma empresária dona de uma sex shop) para aprofundar o debate. O primeiro episódio gira em torno da biologia por trás do orgasmo feminino: o documentário apresenta claramente o potencial clitoriano, que por tantos (homens, cof cof) é visto como algo tão pequeno e insignificante – sendo um órgão bem maior do que o que vemos no exterior. As participantes do documentário focadas em elucidar questões e tirar dúvidas explicam como o corpo feminino opera do ponto de vista mais funcional, enquanto as mulheres que compartilham suas experiências revelam seu processo de aprender mais sobre o próprio corpo.

O segundo episódio tem como pauta o poder da mente e do impacto dos pensamentos para o prazer feminino. Mas não de um jeito estereotipado, de que as mulheres têm mais dificuldades do que os homens para sentirem prazer. Na verdade, o documentário provoca a reflexão de que o sexo deve começar muito antes da iniciativa física, e que uma responsividade corporal não necessariamente reflete uma disposição mental para o ato em si. O que eu quero dizer com isso? Que mesmo uma resposta física positiva ao estímulo pode não significar necessariamente que a mulher esteja pronta para de fato engajar em uma relação, porque sua mente pode não estar no lugar certo naquele momento. E por que falar sobre isso é importante? Porque entender como funcionamos é essencial para saber quando queremos de fato dizer sim ou não a uma investida – o famoso consentimento, mais aprofundado no episódio 3.

É no último episódio do documentário que ele se debruça sobre as relações de afeto e a sexualidade. E aqui vale trazer novamente o peso do consentimento para as relações. Um tema ainda nebuloso, mas real, é o estupro marital. Em um casamento (principalmente heterossexual), existem parceiros que podem sentir que possuem “direito” ao corpo do outro, sendo o sexo uma obrigação que faz parte do relacionamento. Essa objetificação do corpo feminino é grave e trata-se de um sintoma de uma sociedade que ainda coloca mulheres como seres à disposição dos homens, devendo cumprir seus “deveres” pressupostos. Por isso é tão importante refletir sobre a saúde das relações afetivo-sexuais e empoderar mulheres a respeito de seus corpos e seus prazeres, de modo a entender o que é uma resposta genuína ao desejo daquilo que é uma resposta unicamente física e biológica.

Fundamentos do Prazer é um documentário curtinho, com abordagem irreverente e traz participantes diversas – todas com suas próprias histórias, medos, dúvidas e conquistas. É um lembrete importante do quão empoderador é ser dona do próprio corpo e das próprias vontades, e nada como o autoconhecimento para nos dar as ferramentas necessárias a esse processo. Talvez, como crítica negativa, tenha faltado um pouco mais de aprofundamento nas questões que envolvam prevenção de ISTs e afins, que também é um fator importante que deve ser levado em consideração em cada relação. Recomendo não apenas às mulheres, mas também aos homens que desejam abrir a mente e entender mais sobre o universo do prazer feminino. Todo mundo sai ganhando. 🙂

Título original: The Principles of Pleasure
Ano de lançamento: 2022
Direção: Niharika Desai
Elenco: Michelle Buteau, Supriya Ganesh, Annie Pisapia, Gina Nicole Brown

Dica de Série: Em Defesa de Jacob

Oi pessoal, tudo bem?

Como boa fã de suspenses que sou, conferi uma série que estava no meu radar há tempos: Em Defesa de Jacob. Bora conhecer?

Sinopse: Uma família sofre um grande baque quando o filho é acusado de matar um colega de classe.

Os Barber são, aparentemente, a família perfeita: Andy, o pai, é um assistente de promotoria bem-sucedido; Laurie, a mãe, trabalha com educação infantil; e Jacob, o filho, é um adolescente de 14 anos tímido e comum. Esse status quo sofre uma ruptura quando Ben Rifkin, colega de Jacob, é encontrado morto – e as evidências apontam para Jacob como autor do crime. A partir desse momento começa a luta contra o tempo dos Barber pra provar a inocência do filho, ao mesmo tempo em que precisam lidar com as próprias dúvidas e questões ao longo do processo.

De modo geral, achei Em Defesa de Jacob um tantinho lenta demais, mas não necessariamente cansativa ou enfadonha. Somos guiados pela trama por Andy que, afastado da promotoria enquanto o caso se desenrola, fica obcecado em investigar por conta própria Leonard Patz, um outro suspeito que poderia inocentar seu filho. Além disso, Andy também precisa lidar com um segredo de seu passado vindo à tona, agora que a mídia caiu em cima de sua família como abutres: ele é filho de um estuprador e assassino conhecido como Billy Sangrento, que cumpre prisão perpétua desde que Andy tinha 5 anos. Esse segredo vem para abalar ainda mais a confiança da família Barber, especialmente a de Laurie, que fica estupefata com uma revelação dessas feita após 15 anos de relacionamento.

Aliás, confiança é a palavra-chave aqui. Laurie se torna a personagem mais interessante da série justamente por conta disso: é ela que fica mais abalada com as revelações sobre o passado de Andy e com as suspeitas sobre seu filho. Mas, indo além, Laurie também teme ter falhado como mãe, ter perdido sinais que apontassem que seu filho pudesse ser um sociopata. As cenas de flashback, em que Laurie relembra um momento potencialmente violento de seu filho na infância, cumprem o papel de evidenciar que, desde sempre, Laurie temia que algo não estivesse certo com Jacob. O fato de que Andy permanece irredutível em sua crença no filho faz com que a esposa se sinta sozinha, culpada e incompreendida, temendo ter errado tanto na criação do filho quanto por desconfiar dele. Essa zona cinzenta dos sentimentos de Laurie me fez lembrar de O Impulso, que também explora a dúvida de uma mãe sobre a inocência de seu filho. Como reagir quando, no fundo do seu coração, você sente que seu filho pode ter feito algo imperdoável? É essa a pergunta que Laurie se faz ao longo dos 8 episódios que compõem a minissérie.

Gostei também da atuação do elenco como um todo. A série se passa no presente, 10 meses após o assassinato de Ben, e no passado, durante o processo de julgamento. No presente Andy está conversando com Neal, o assistente de promotor que o substituiu no caso dos Rifkin. As perguntas parecem pressionar Andy em direção à revelação do veredicto a respeito de Jacob, e é palpável no rosto de Chris Evans que naquele momento o personagem está carregando um fardo muito pesado. É com o passar dos episódios, conforme o interrogatório no presente se aproxima dos acontecimentos da época do julgamento, que entendemos o verdadeiro plot twist que a série nos reserva. Além da atuação de Evans, Michelle Dockery entrega a dor, a confusão e o dilema interno de Laurie com muita competência, sendo a personagem que mais mexeu comigo ao longo da trama. Fica também meu elogio para Jaeden Martell, que deu vida a um Jacob inexpressivo e apático, diria até que com um quê de falta de emoção. Eu gostei muito da performance dele em It e, no filme, eu curti muito o personagem e senti pena por ele ter perdido o irmão, enquanto aqui ele me surpreendeu por conseguir oferecer uma performance fria e totalmente diferente.

O final da série não me chocou tanto quanto poderia e, de certo modo, foi coerente. Porém, achei um tanto quanto covarde. Fui pesquisar o final do livro pra comparar e achei muito melhor do que sua versão televisiva. O resto do parágrafo tem spoiler, selecione se quiser ler: na série, Laurie vinha sendo trabalhada como uma personagem cuja estabilidade emocional estava muito abalada por ter desconfiado do próprio filho, ter se tornado uma pária em sua comunidade e depois ver Jacob sendo inocentado do caso Rifkin – ou seja, percebendo que suas suspeitas foram teoricamente injustas e infundadas. Quando um novo desaparecimento próximo dos Barber acontece (de Hope, uma namoradinha que Jacob faz enquanto a família viaja de férias para o México) e Laurie desconfia novamente de Jacob, a série perde a oportunidade de mostrar que a decisão final dela foi pautada no medo de que seu filho matasse novamente. Enquanto no livro fica 90% claro que Jacob matou Hope, na série a garota desaparece mas é encontrada alguns dias depois (porque algum cara colocou drogas em sua bebida numa festa). Ou seja, na adaptação Laurie descobre que Jacob não matou a menina e ainda assim tenta se matar junto com ele, parecendo que ela deu uma de surtada do nada. Como disse, achei covarde e colocou uma carga de “exagero” injusta na personagem de Laurie. O final do livro, em que ela vê essa atitude como a única forma de parar seu filho, um potencial serial killer, foi muito mais interessante e corajoso pra mim. Fim do spoiler. 😛

Em Defesa de Jacob é uma boa série de suspense, cuja proposta não gira em torno de ter respostas definitivas sobre culpa ou inocência, mas sim sobre quão longe uma família pode ir para defender quem ama – mesmo que isso signifique medidas extremas. Apesar de ser um pouquinho enrolada, o carisma do elenco principal e as dúvidas que cercam os personagens fazem o espectador se manter atento aos desdobramentos que virão. Um outro ponto que adoro são cenas de julgamento, sempre emocionantes e cheias de reviravoltas, e as encontramos em Em Defesa de Jacob. Resumindo: pra quem gosta do gênero, recomendo bastante! 😉

Título original: Defendind Jacob
Ano de lançamento: 2020
Direção: Morten Tyldum
Elenco: Chris Evans, Michelle Dockery, Jaeden Martell, Cherry Jones, Pablo Schreiber, Betty Gabriel, J.K. Simmons

Dica de Série: Heartstopper

Oi pessoal, tudo bem?

Quem me acompanha no Twitter ou no Instagram já deve ter percebido que há tempos estou monotemática devido a Heartstopper. 😂 Fazia muito tempo que uma leitura feita por puro prazer não me proporcionava tanta endorfina e um sentimento tão gostoso de fangirl, sabem? E sexta-feira estreou a adaptação na Netflix, que eu maratonei e cujo resultado ficou absolutamente perfeito. Tão perfeito que estou escrevendo esse post com um sorriso no rosto e a esperança de convencer vocês a maratonarem também. ❤ Ah, observação: vou fazer algumas comparações com o material original, mas sem spoilers!

Sinopse: Nesta série sobre amadurecimento, os adolescentes Charlie e Nick descobrem que são mais que apenas amigos e precisam lidar com as dificuldades da vida escolar e amorosa.

Pra não ser muito repetitiva com quem leu o post anterior (resenha dos dois primeiros volumes da HQ), vou resumir o plot de Heartstopper: Nick Nelson é o astro do rúgbi, Charlie Spring é o único menino gay assumido na escola para meninos que ambos estudam. Ao se tornarem uma dupla em uma das aulas, uma amizade rapidamente se forma, e eles descobrem uma grande afinidade. Charlie não demora a sentir um crush forte em Nick, mas presume que o garoto seja hétero; Nick começa, aos poucos, a sentir dúvidas sobre se o que sente por Charlie é somente amizade. Quando fica nítido que a relação evoluiu para outro tipo de sentimento, os dois precisam entender a melhor forma de ficarem juntos, especialmente quando sair do armário pode ser um processo tão difícil e particular.

Vamos começar a falar da série pelo casting dos protagonistas. O QUE SÃO KIT CONNOR (Nick) E JOE LOCKE (Charlie), meu Deus do céu??? A química de milhões existe, e é entre eles. Kit Connor tem um jeitinho tão meigo que, inclusive, me lembrou o Rony de Rupert Grint nos primeiros filmes de Harry Potter. A testa franzida, a carinha de sem jeito, o sorrisinho torto… esses trejeitos que ele tem em comum com o Rony me fizeram ter ainda mais simpatia pela interpretação de Kit. Nick é meu personagem favorito de Heartstopper, e a atuação de Kit foi tudo que eu pedi e muito mais.Joe Locke também encaixa perfeitamente no papel de Charlie, principalmente por conseguir transmitir as nuances bastante diversas que o personagem sente: Char é deixado de lado por um boy lixo que tem vergonha dele, sofre bullying, tem seu coração partido enquanto pensa que Nick é hétero, se sente um peso na vida das pessoas que o cercam… são vários elementos que trazem complexidade ao personagem. Mas além dos aspectos mais delicados e tristes, por assim dizer, ele também tem um olhar encantado, um sorriso sem graça, um jeitinho de provocar Nick que é tão FOFO que você se pega sorrindo só de olhar. Melhor casal não há! ❤

A série acerta em cheio ao dar espaço aos dilemas dos personagens secundários que fazem parte do grupo de amigos de Charlie. Tao, por exemplo: o melhor amigo de Char é um personagem bem mais unidimensional na HQ (e pouco carismático, diga-se de passagem). Na série, ele tem algumas atitudes irritantes envolvendo ciúmes de Charlie, mas no geral o espectador consegue compreender seus motivos e simpatizar mais com ele. Ele é um verdadeiro leão defendendo seus amigos, e teme que Charlie sofra o bullying que sofreu ao ser tirado do armário – por isso é tão resistente a sua aproximação com Nick. Além de Tao, a melhor amiga dos dois, Elle, é outra que ganha destaque: a jovem é uma garota trans que recém se mudou para o colégio para meninas que fica em frente (ou ao lado, a geografia que me perdoe rs) ao dos meninos, do qual ela saiu. Ela sente medo de ficar só e tem dificuldades de se enturmar, até que conhece Tara e Darcy, um casal lésbico que acolhe Elle e cria um laço muito bonito com ela. Essa dupla inclusive é super relevante para que Nick tenha coragem de ser honesto sobre o que sente, e a série acertou mais uma vez ao dar mais dimensão para as duas: Tara não se arrepende de ter se assumido, mas ela enfrenta comentários de hate no Instagram e isso abala seus sentimentos. Por isso, todo o processo de ganhar autoconfiança e se empoderar se torna ainda mais bonito na série, sendo uma camada bem-vinda a algo que já funcionava bem nos quadrinhos. 

Existem poucas mudanças substanciais em relação à trama, sendo que nenhuma delas impacta a história a ponto de deturpar aquilo que lemos. Além disso, o roteiro é sagaz em colocar pistas de aspectos que foram trabalhados na HQ 3 (que não foi o material base pra primeira temporada, somente os volumes 1 e 2 por enquanto) e provavelmente nas HQs seguintes. Aliás, Heartstopper é uma das adaptações mais fieis que já vi na minha vida! Tem cenas que são exatamente iguais às das páginas, inclusive com falas icônicas que eu nem acreditei que estava vendo na tela. ❤ Além de elementos gráficos que deixam os episódios lindos (como as folhinhas desenhadas voando ao vento), há pequenos detalhes que os leitores conseguem perceber de imediato: o quarto de Nick e Charlie é igual aos dos quadrinhos, o All Star branco de Char e o Vans de Nick estão sempre ali, e até a touquinha de lã onipresente do Tao não foi esquecida. 😍 Achei uma pena apenas que tenham substituído Aled (um dos protagonistas de Rádio Silêncio, outro livro da autora) por Isaac – que é um fofo, mas não é Aled. Pelo que li por aí, a autora não quis “desperdiçar” o personagem de Aled porque talvez exista uma chance de Rádio Silêncio ser adaptada, mas o tempo dirá.

Além de contar uma bela história de amor, Heartstopper é uma série que dá espaço não apenas à representatividade gay, mas bissexual, lésbica e trans – que costumam ser menos retratadas nas mídias. De modo geral, ela trabalha com muita sensibilidade o processo de se descobrir não-heterossexual. Enquanto Nick tenta entender seus sentimentos, o espectador sente o coração se apertar com o medo que ele sente, especialmente ao se deparar com notícias sobre homofobia. Ao mesmo tempo, a trama de Alice Oseman (seja na HQ, seja na série) não é focada em priorizar a possível dor que envolve se identificar como parte de uma minoria, mas sim em florescer a partir disso e se descobrir como alguém digno de todo o amor que qualquer um merece. O personagem de Charlie representa bem esse processo: se de início ele se esmaga para caber em espaços que não lhe foram dedicados, com o tempo ele percebe (e é ajudado pelo amor de Nick) que não deve aceitar migalhas e tem direito de reivindicar o espaço que merece.

Nem sei descrever o quão delicioso foi ver Heartstopper em carne e osso. Terminei o último episódio com lágrimas que eu não sei se eram de emoção ou de alegria (provavelmente os dois!) por ver essa história sendo contada de um jeito tão lindo, inspirador e importante. A representatividade de Heartstopper é maravilhosa e imprescindível, sendo uma série que mexe com o nosso coração e nossas memórias afetivas ao mostrar o lado mais fofo da adolescência com uma perspectiva queer tão necessária. Desejo que cada vez mais produções desse tipo ganhem espaço na TV, no cinema, nos streamings e no coração das pessoas. ❤ 🌈

Título original: Heartstopper
Ano de lançamento: 2022
Criação: Alice Oseman
Direção: Euros Lyn
Elenco: Joe Locke, Kit Connor, William Gao, Yasmin Finney, Tobie Donovan, Cormac Hyde-Corrin, Rhea Norwood, Sebastian Croft, Olivia Colman

Dica de Série: What If…?

Oi pessoal, tudo bem?

Pra quem adora Marvel como eu, vim dividir minhas impressões sobre What If…?, uma série de animação interessante e muito bem feita. 😀

Sinopse: Reimagine os maiores eventos do universo Marvel e pondere as realidades que poderiam nascer.

Você já parou pra imaginar o que aconteceria se não tivesse sido o Steve Rogers a tomar o soro do Super Soldado? Ou se o Stephen Strange tivesse perdido a mulher que ama, em vez da habilidade com as mãos? E se os Vingadores fossem todos mortos? Essas são algumas das perguntas que essa série imagina e busca responder.

Com episódios curtinhos, entre 20 minutos e meia hora, What If…? dá um gostinho que leitores de HQ provavelmente já experimentaram em algum ponto: presenciar uma história já conhecida sendo totalmente repaginada, em um universo diferente, de forma diferente. E isso é muito legal porque a antologia provoca a nossa imaginação para a ideia do Multiverso.

Aliás, foi aqui que me deparei pela primeira vez com o Multiverso sendo algo de extrema relevância para a próxima fase do MCU. Não vou contar nenhum detalhe, mas é em What If…? que temos o primeiro vislumbre de um Stephen Strange diferente que, pelo menos ao que os trailers indicam, será introduzido também nos cinemas graças a Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Além disso, o conceito de Multiverso também já apareceu na série do Loki e no filme mais recente do Homem-Aranha. Pra quem assistiu What If…?, isso já vinha sendo pavimentado muito bem.

Nem todos os episódios são legais, confesso (no episódio do Thor eu dormi rs). Mas os que são compensam! Além disso, a animação é super bonita e tem um traço bastante único, do qual gostei bastante. São apenas 9 episódios e já houve a confirmação de que teremos uma segunda temporada, agora basta aguardar se ela terá relação com os eventos que se aproximam no MCU.

Resumindo, What If…? é uma série bem produzida, com eventos interessantes e peculiares e também traz um gostinho desse tema tão importante que é o Multiverso. Pra quem gosta da Marvel, vale muito a pena dar o play e se perguntar também o que aconteceria se. Recomendo! 😉

P.S.: um outro motivo muito especial para assistir What If…? é a chance de ouvir pela última vez uma produção inédita com Chadwick Boseman, que dublou nosso querido T’Challa. Wakanda Forever! 🥺💔

Título original: What If…?
Ano de lançamento: 2021
Direção: Bryan Andrews
Elenco: Jeffrey Wright, Samuel L. Jackson, Chadwick Boseman, Hayley Atwell, Mick Wingert, Lake Bell, Jeremy Renner, Benedict Cumberbatch, Josh Keaton, Danai Gurira, Tom Hiddleston, Michael B. Jordan, Karen Gillan, Chris Hemsworth, Sebastian Stan

Dica de Série: Um de Nós Está Mentindo

Oi pessoal, tudo bem?

Já faz um tempo que tramas adolescentes e eu não damos match, mas como eu já quis ler Um de Nós Está Mentindo no passado (e não li), resolvi conhecer a trama por meio da sua adaptação, que estreou recentemente na Netflix. 😉

Sinopse: A detenção reúne cinco estudantes extremamente diferentes. Mas um assassinato e muitos segredos vão manter esse grupo unido até que o mistério seja desvendado.

Cinco alunos são colocados em detenção juntos. Somente quatro saem vivos. Esse é o plot da série, cujo objetivo é fazer o espectador duvidar da inocência dos envolvidos enquanto revela os segredos deles aos poucos. O aluno que morre é Simon, um adolescente que publicava os podres dos colegas em um app chamado About That. Os alunos que restam da detenção são Bronwyn (uma aluna exemplar), Nate (um rapaz problemático que vende drogas), Cooper (um atleta promissor) e Addy (a típica garota loira popular). A morte de Simon acontece na detenção quando a professora se ausenta pra impedir um trote, e o rapaz tem uma reação alérgica. O problema é que não há adrenalina nem na sua bolsa, nem na enfermaria da escola, e é a partir disso que a polícia começa a trabalhar com a hipótese de assassinato. Os suspeitos? Quem estava na detenção, é claro. E enquanto desconfiam uns dos outros, o Clube dos Assassinos (como passam a ser chamados) também precisa contar com o apoio mútuo para irem até o fundo dessa história e descobrirem quem está por trás de tudo.

Eu adoro histórias de investigação, então foi mais fácil pra mim relevar os clichês adolescentes devido a esse atenuante. Um de Nós Está Mentindo tem bons ganchos no final de cada episódio – ou bons o suficiente para me manter interessada, ainda que existam vários probleminhas de roteiro. Além disso, é difícil pra mim assistir atores de 30 anos na cara interpretando jovens de 17, especialmente quando eles têm menos expressão facial do que a Bella em Crepúsculo (Bronwyn, estou falando de você). 😂

O Clube dos Assassinos é composto por estereótipos muito óbvios. Mas, com o passar dos episódios, os adolescentes vão mostrando um pouco mais de profundidade, o que ajuda a criar simpatia. Cooper, por exemplo, é um atleta popular que sofre com um segredo que o impede de ser verdadeiramente honesto consigo mesmo. Addy é uma garota que todos enxergam como “a loira bonitinha”, resumindo-a a isso. Além disso, toda a sua vida gira em torno do namorado rico, Jake, com quem ela já traçou todos os seus planos. Quando a confusão em torno de Simon acontece, ela se vê sem o namorado e acaba passando por transformações que a tornaram minha personagem favorita. Nate é carismático, e tem uma família desestruturada. Ele vende drogas pra sobreviver e perdeu a fé em si mesmo, mas aos poucos a aproximação com Bronwyn o instiga a enxergar seu próprio valor para além de seus atos criminosos. Por último temos a inteligente Bronwyn, a personagem mais sem sal que eu vi em muito tempo. A atriz (que aparenta a idade que tem, o que torna ainda mais esquisito interpretar uma aluna de ensino médio) mantém sempre a mesma expressão seja para transmitir ansiedade, confusão, tristeza, raiva, emoção, alegria – e o mesmo tom de voz também. A química entre ela e Nate não funciona e o relacionamento simplesmente não cola.

Os episódios finais foram meus favoritos em termos de ritmo: eles colocam mais tensão à trama e uma ameaça mais real também. Fiquei curiosa pra descobrir quem era a pessoa responsável pela morte de Simon, e em nenhum momento desconfiei da verdade, o que considero positivo. Entretanto, o motivo pelo qual as coisas aconteceram do modo como aconteceram foi esdrúxulo. Dadas as características de Simon apresentadas pela série, não faz o menor sentido que tudo tivesse transcorrido daquele modo. Se você já assistiu, selecione a frase a seguir: Simon era inteligente e não precisava da aprovação dos outros, por que raios ele arriscaria a própria vida por causa de um desafio de um cara que FOI seu amigo, mas que há tempos não é mais? Ridículo.

Um de Nós Está Mentindo está longe de ser uma obra-prima e tem vários clichês tosquinhos de séries adolescentes. Mas, se você der o play com o intuito de se entreter sem grandes reflexões, a série cumpre bem esse papel. O Clube dos Assassinos (com exceção de Bronwyn) é carismático e me fez querer acompanhar sua missão de descobrir a verdade, bem como torcer para que limpassem seus nomes. Recomendo como entretenimento passageiro e com todas as ressalvas ditas ao longo do post. 😉

Título original: One of Us is Lying
Ano de lançamento: 2022
Criação: Erica Saleh
Elenco:  Annalisa Cochrane, Chibuikem Uche, Marianly Tejada, Cooper van Grootel, Barrett Carnahan, Jessica McLeod, Mark McKenna, Melissa Collazo