Dica de Série: Alias Grace

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei da minissérie Alias Grace, baseada no livro Vulgo Grace, da Margaret Atwood (que, por sua vez, é baseado numa história real ocorrida no Canadá, no século 19).

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Sinopse: Nesta série baseada no premiado livro de Margaret Atwood, um psiquiatra tenta decidir se uma assassina deve ser perdoada mediante a alegação de insanidade.

Na série, acompanhamos o psiquiatra Simon Jordan, cujo objetivo é entrevistar a prisioneira Grace Marks (acusada e condenada pelo assassinato de seu antigo patrão, Thomas Kinnear, e sua governanta, Nancy Montgomery) para avaliar sua sanidade e, a partir disso, determinar se ela merece o perdão para ganhar novamente sua liberdade. Em suas conversas com a moça, Grace vai rememorando sua vida sofrida e narrando os fatos que a levaram até ali. Com o passar dos dias, o Dr. Jordan vai ficando fascinado com sua história e, principalmente, com as ambiguidades de seus relatos.

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Alias Grace é uma série que constrói sua narrativa lentamente, mas jamais de modo entediante. Grace é um verdadeiro mistério, para nós e para Jordan, e vai se revelando aos poucos – sempre na perspectiva que a jovem nos permite enxergar. Sua história de vida é bastante sofrida: ela fugiu de uma casa em que passava por maus tratos vindos de um pai abusador, foi trabalhar em uma casa de família na qual sua melhor amiga morreu e, posteriormente, mudou-se para a casa de Kinnear, local que selou seu destino. Sob as ordens da governanta Nancy (que era também amante de Kinnear), Grace passou a ser tratada com rispidez e severidade. Durante sua estada na propriedade, ela conhece o jovem James McDermott, que odeia profundamente Kinnear e Nancy. Ele foi acusado de orquestrar o crime e, por isso, foi para a forca; entretanto, mesmo em seus momentos finais, o rapaz acusava Grace de ser responsável pelo assassinato.

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É inquietante perceber as dissonâncias da narrativa de Grace e dos registros oficiais em relação ao crime. Em nenhum momento a série deixa claro quem está falando a verdade, Grace ou McDermott. Entretanto, é impossível não se afeiçoar à moça (ou melhor, ao seu relato): ela transmite uma tranquilidade e uma inocência que fazem com que a gente queira confiar e acreditar nela. E é justamente sua capacidade de se mostrar como um ser dócil e passivo (características esperadas do gênero feminino, especialmente naquela época) que a salva da morte e permite que ela seja avaliada para ter uma chance de liberdade, como foi dito pela historiadora canadense Ashley Banbury. De certo modo, Grace é bastante subversiva, especialmente por conseguir manipular não apenas o júri, como também o Dr. Jordan e, é claro, o espectador.

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Alias Grace também traz críticas ao modo como a sexualidade feminina é vista pela sociedade. Grace questiona porquê mulheres pagam com a vida quando erram, enquanto homens gozam de privilégios e liberdade. A morte de sua melhor amiga, Mary, tem um grande impacto em sua personalidade, causando uma reviravolta no final que deixa o espectador com a pulga atrás da orelha sobre o que é real ou não em sua história. Ainda assim, a amizade das duas é comovente e de grande importância na vida de Grace.

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Os episódios tem uma fotografia incrível, bem como figurinos belíssimos, que transportam quem assiste diretamente para aquela época. Além disso, o desenrolar lento também é repleto de tensão, especialmente durante as entrevistas do Dr. Jordan e Grace. Eu ficava super ansiosa pelo próximo capítulo, e fiquei muito satisfeita com a duração da série: a história foi perfeitamente contada em 6 episódios de cerca de 45 minutos. O final, em aberto, é sen-sa-cio-nal, e te faz questionar tudo que você assistiu (e acreditou) até então.

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Alias Grace é uma série provocativa, que não se propõe a dar respostas definitivas sobre o que aconteceu no caso de Grace Marks. Ela questiona o papel da mulher na sociedade, bem como mostra o uso da performance feminina para subjugar os homens no poder. Também critica as injustiças que ocorrem com mulheres que não chegam nem perto de atingir os homens. E, é claro, tem um enredo instigante e envolvente, narrado por uma personagem nada confiável, mas fascinante.

Título original: Alias Grace
Ano de lançamento: 2017
Criador: Sarah Polley
Elenco: Sarah Gadon, Edward Holcroft, Anna Paquin, Paul Gross, Zachary Levi, Kerr Logan, Rebecca Liddiard

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Dica de Série: The Alienist

Oi pessoal, tudo bem?

Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer imensamente a quem respondeu à Pesquisa de Opinião no post anterior! ❤ Pude tirar uns insights ótimos graças às respostas de vocês, e prometo me esforçar pra deixar o Infinitas Vidas cada vez melhor. Muuuito obrigada! 😍 E agora vamos à dica de hoje!

Que eu amo histórias de investigação não é novidade, por isso fiquei louca de vontade de conferir The Alienist, da Netflix. Hoje vim contar o que achei dessa série e, já adianto: vale a pena! 😉

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Sinopse: Na trama, quando uma série de horríveis assassinatos de garotos prostitutos assombra a cidade, o recém-nomeado Comissário de Polícia Theodore Roosevelt encarrega o psicólogo criminal (também conhecido como alienista) Dr. Laszlo Kreizler (Brühl) e o jornalista John Moore (Evans) para conduzir a investigação em segredo. Eles contam com a ajuda de uma equipe singular, incluindo a intrépida Sara Howard, uma jovem secretária da equipe de Roosevelt que está determinada a se tornar a primeira detetive de polícia da cidade de Nova York. Usando os conhecimentos emergentes de psicologia e as primeiras técnicas de investigação forense, este grupo investiga um dos primeiros serial killers de Nova York.

The Alienist se passa no século 19, em uma época no qual as doenças mentais eram um terreno nebuloso e desconhecido. Os médicos que se encarregavam de tratar essas doenças eram conhecidos como alienistas, e um desses profissionais protagoniza a trama. Lazslo Kreizler é um alienista com experiência no tratamento de crianças; quando um jovem garoto de programa é encontrado morto de forma brutal, o Dr. Kreizler percebe semelhanças com um antigo caso que acompanhou, o que o perturba, mas também atiça sua curiosidade. Contando como aliados o ilustrador John Moore (um homem de bom coração, que enfrenta dificuldades com o alcoolismo), Sara Howard (a primeira mulher a ser admitida como funcionária do Departamento de Polícia) e dois irmãos peritos em ciência forense, Laszlo Kreizler se vê adentrando em um terreno perigoso, cheio de crueldade e corrupção.

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Os personagens têm grande destaque nessa série, e provavelmente foi isso que mais me deixou envolvida com a trama. Laszlo é o típico homem brilhante, mas com problemas de relacionamento interpessoal. Há mistérios em seu passado que o personagem se recusa a revelar, e seu modo racional muitas vezes afasta quem está ao seu redor. John é extremamente carismático e com forte senso de justiça. Porém, a perda de seu irmão e a traição de sua ex-noiva deixaram nele marcas profundas, que ele tenta compensar com bebida e sexo sem sentido. Sara é uma personagem determinada e independente, mas com traumas de infância que moldaram muito de sua personalidade. Ela não suporta depender de homens, e muito menos ser menosprezada por eles. O machismo do ambiente de trabalho (e fora dele) a perseguem, mas ela sabe lidar com isso sem baixar a cabeça. Por fim, temos os carismáticos irmãos Isaacson: dois jovens brilhantes e cheios de ideias inovadoras sobre a ciência forense. Apesar do menor desenvolvimento, gostei muito deles.

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As atuações são primorosas. Daniel Brühl dá vida a um Laszlo cheio de nuances, com qualidades e defeitos que o tornam um personagem totalmente cinza. Luke Evans, por sua vez, traz um John cativante, por quem é impossível não sentir afeição. Confesso que a atuação de Dakota Fanning não me convenceu durante a maior parte da série, me lembrando muito a Jane, de Crepúsculo. Entretanto, na reta final ela conseguiu me emocionar.

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A trama tem pontos muito fortes e alguns pontos fracos. A excelente ambientação, os figurinos impecáveis e imponentes, a fotografia escura e a trilha sonora aflitiva causam muitos sentimentos ao espectador, combinando perfeitamente com a época na qual a série se passa. A própria Nova York do século 19, com seus prostíbulos, pessoas pobres, carruagens pra todo lado e prédios em construção acaba sendo um personagem vivo e pulsante na trama. Além disso, The Alienist trata de corrupção policial, evidenciando como nomes importantes da sociedade nova-iorquina têm prioridade em relação a assassinatos de jovens prostitutos. Em meio a tudo isso, Ted Roosevelt (o futuro presidente dos EUA, na trama comissário de polícia), tenta fazer o seu melhor – ainda que rodeado de funcionários não confiáveis. O ritmo da série e o desenrolar da investigação também são envolventes e provocam um senso de urgência, já que o próximo assassinato é iminente, e essa ameaça paira o tempo todo no desenrolar dos episódios.

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Entretanto, há alguns pontos negativos também. A série nos entrega um suspeito que encaixa com todas as características para, depois, descartá-lo sem consequências. Fiquei incomodada com isso, especialmente porque não vi razão de tal trama sequer existir. Além disso, a investigação fica um pouco confusa quando o trio protagonista chega perto de descobrir a identidade do assassino; e talvez eu tenha sentido isso justamente por causa das evidências que apontavam para outra pessoa.

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Apesar das poucas ressalvas, eu amei The Alienist. A série tem um desfecho satisfatório, concluindo bem sua trama, mas com uma leve abertura que pode ou não dar margem para futuras investigações. Com personagens bem construídos, uma ambientação impecável e um desenrolar envolvente, The Alienist é uma ótima pedida pra quem aprecia séries investigativas. 😉

Título original: The Alienist
Ano de lançamento: 2018
Criador: Hossein Amini
Elenco: Daniel Brühl, Luke Evans, Dakota Fanning, Brian Geraghty, Douglas Smith, Matthew Shear, Robert Wisdom, Q’Orianka Kilcher, Matthew Lintz

Dica de Série: Suits

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim indicar uma das séries atuais de que mais gosto: Suits!

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Sinopse: Mike Ross (Patrick J. Adams) é um garoto que abandonou a faculdade de direito mas, brilhante como é, consegue uma entrevista com o respeitado Harvey Specter (Gabriel Macht), um dos melhores advogados de Manhattan. Quando percebe o talento nato e a memória fotográfica do garoto, Harvey o contrata e, juntos, eles formam uma dupla imbatível. Mesmo sendo um gênio, Mike ainda tem muito a aprender sobre o Direito. E mesmo sendo um advogado tão competente, Harvey irá aprender com sua nova dupla a ver seus clientes de outra maneira.

Suits conta a história do jovem Mike Ross, um rapaz muito inteligente com memória fotográfica que, por engano, acaba entrando em uma seletiva para novos associados (ou seja, novos advogados) na firma de advocacia do renomado advogado Harvey Specter. Indo contra todas as possibilidades, o rapaz conquista a atenção de Harvey, que fica impressionado com seu conhecimento avançado na área e seu poder de argumentação. O sonho de Mike sempre foi ser advogado mas, devido a problemas no passado, ele acabou sendo expulso da faculdade, e suas esperanças de conseguir trabalhar no ramo eram nulas… até que Harvey decide empregá-lo.

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Suits (em especial nas primeiras temporadas) é o tipo de série que te prende de cara e faz você maratonar sem pensar duas vezes. Em primeiro lugar, há o conflito de Mike não ser um advogado de verdade, fazendo com que ele e Harvey precisem mentir, forjar documentos e quebrar a lei para mantê-lo no emprego. Além disso, a dupla Mike e Harvey tem muita química, sendo extremamente divertido acompanhá-los ao longo dos casos. Harvey é um advogado brilhante e experiente, que tem muito a ensinar a Mike; o rapaz, por outro lado, é idealista e corajoso, trazendo mais humanidade para o dia a dia corporativo e racional de Harvey. As personalidades de ambos combinam: eles são convencidos, audaciosos e bons no que fazem; entretanto, também se desafiam mutuamente: Harvey traz uma visão mais pé no chão do mundo, enquanto Mike o instiga com seu idealismo da juventude. Tudo isso proporciona uma dinâmica que os eleva instantaneamente a BROTP hahaha! ❤

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Além das tramas envolvendo os casos, há muitos relacionamentos pessoais que interferem no desenrolar da história. Harvey tem relacionamentos conturbados, e várias mulheres passam por sua vida. Uma das mais importantes, porém, não é uma de suas namoradas, mas sua secretária: Donna (shippo demais Darvey, cof cof). Ela é tão mordaz quanto ele, além de muito competente e segura de si. Temos também Rachel, o interesse amoroso de Mike: ela é uma assistente legal que sonha em ser advogada. Apesar de ter mais do que muitos associados da Pearson Hardman, ela precisa enfrentar o preconceito por não ser advogada ainda. A amizade de Rachel e Donna é muito bacana: sem rivalidades ou competição feminina, mas sim apoio mútuo e amor uma pela outra. Louis é outro personagem relevante: ele é o supervisor dos associados novatos. Abusivo, inseguro e problemático, ele causa muita irritação no início da série, mas tem grande evolução ao longo dela. Por fim, temos Jessica Pearson, a sócio-gerente da firma. Ela é uma mulher negra que precisou lutar muito pra chegar onde chegou, e não está disposta a abrir mão de suas conquistas.

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Suits é uma série envolvente, com personagens carismáticos e um enredo cheio de reviravoltas. Infelizmente, a última temporada marcou também a despedida de dois dos protagonistas, além de uma leve queda na qualidade da trama. Ainda assim, recomendo a série e acredito no seu potencial. Só pelas primeiras temporadas eu já acho que vale super a pena, então se joguem! 😉

Título original: Suits
Ano de lançamento: 2011
Criador: Aaron Korsh
Elenco: Gabriel Macht, Patrick J. Adams, Meghan Markle, Sarah Rafferty, Rick Hoffman, Gina Torres

Dica de Série: Dear White People

Oi pessoal, tudo bem?

A segunda temporada de Dear White People estreou na Netflix na última sexta-feira e, pra celebrar o retorno da série, vim contar minha opinião pra vocês! 😉

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Sinopse: Alunos negros de uma conceituada universidade norte-americana enfrentam desrespeito e a política evasiva da escola, que está longe de ser “pós-racial”.

Assisti a Dear White People no ano passado e, infelizmente, na época ela não teve a visibilidade que merecia (especialmente depois do boom que foi 13 Reasons Why). A série conta a história de alguns estudantes negros da Universidade de Winchester, um lugar repleto de indivíduos privilegiados e com uma falsa fachada de tolerância racial. Cada episódio da série é focado na perspectiva de um dos alunos negros da universidade e, por isso, são abordados diversos dilemas diferentes, bem como suas origens, posicionamentos e, é claro, opressões sofridas. A trama se inicia após uma festa em que acontece blackface; é esse acontecimento coloca a série em movimento, revoltando os alunos negros e gerando denúncias e tensões.

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Sam é a protagonista, e encabeça o programa de rádio Dear White People. Com sarcasmo e eloquência, ela coloca o dedo na ferida ao abordar diversas formas de racismo, velado ou não, que os negros sofrem. Mas, mesmo ela, uma mulher negra, tem seus privilégios: sua pele é mais clara e seus olhos são verdes, o que lhe confere algumas “vantagens” em relação a mulheres negras de pele mais escura. Isso se chama colorismo: quanto mais escura é a pele do indivíduo, mais discriminação ele sofre. Um episódio que deixa isso bastante claro é protagonizado por Coco: ao contrário de Sam – que exibe seu cabelo afro e é uma militante ativa –, a moça usa os cabelos alisados, está sempre preocupada com a aparência e muitas vezes fecha os olhos para problemas de discriminação racial que ocorrem no campus em nome da diplomacia, pois Coco tem o objetivo de ascender social e politicamente. Mas engana-se quem pensa que Coco não luta contra o sistema apenas porque ela difere dos métodos de Sam; justamente por ter sofrido a vida toda com o colorismo, a personagem criou suas próprias defesas e estratégias para sobreviver e vencer em um mundo que privilegia pessoas de pele clara.

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Além dessas duas personagens, temos também um garoto negro e gay se descobrindo; um rapaz que precisa ser nada menos que excelente em tudo que faz para ser reconhecido; e, por fim, um aluno que se vê vítima de violência policial. Aliás, essa última situação faz parte de um dos melhores episódios da série. É esse episódio que escancara o abismo que existe no que diz respeito à valorização da vida negra e da vida branca, mostrando como um jovem negro pode facilmente ser assassinado apenas por ser quem ele é. Enfim, essas questões todas são apenas a pontinha do iceberg, e a série cumpre muito bem o seu papel ao trazer a visão dos personagens negros em sua narrativa. Suas histórias, suas dores, suas vivências: é disso que Dear White People se trata. A série também traz questões como lugar de fala (que fica mais evidenciado nas discussões entre Sam e seu namorado branco, Gabe) e diferenças políticas dentro do próprio movimento (como a diferença de opressão sofrida por Sam e Coco em função do colorismo, por exemplo, o que faz com que cada uma tenha um modo de agir e ver o mundo).

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Os episódios são curtinhos e o estilo da série é leve e até mesmo engraçado. O narrador (o excelente Giancarlo Esposito) dá um tom irônico e envolvente aos episódios, que narram o dia a dia dos alunos negros em Winchester. Com personagens e situações cotidianas críveis, Dear White People consegue abordar as diversas camadas do racismo – desde o mais óbvio e descarado até o mais sutil e ardiloso – de uma maneira ilustrativa, que incomoda e revolta, justamente por ser algo tão absurdo.

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Enquanto mulher branca, posso apenas imaginar as dores que os negros sofrem diariamente. Porém, o que realmente quero dizer nesse post é: deem uma chance a Dear White People. Além da qualidade das atuações e dos episódios envolventes, as temáticas abordadas são de extrema importância. Não podemos negar a presença do racismo no nosso dia a dia. Mas podemos refletir sobre isso e fazer tudo que estiver ao nosso alcance pra mudar essa realidade. Dear White People merece e precisa ser vista.

Título original: Dear White People
Ano de lançamento: 2017
Criador: Justin Simien
Elenco: Logan Browning, Brandon P. Bell, Marque Richardson, Antoinette Robertson, Ashley Blaine Featherson, DeRon Horton, John Patrick Amedori, Giancarlo Esposito

Dica de Série: La Casa de Papel

Oi meu povo, tudo bem?

Agora que passou um pouco o hype, vim contar o que achei de La Casa de Papel, uma série que deu o que falar. 🙂

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Sinopse: Oito habilidosos ladrões se trancam na Casa da Moeda da Espanha com o ambicioso plano de realizar o maior roubo da história e levar com eles mais de 2 bilhões de euros. Para isso, a gangue precisa lidar com as dezenas de pessoas que manteve como refém, além dos agentes da força de elite da polícia, que farão de tudo para que a investida dos criminosos fracasse.

A premissa de La Casa de Papel já é bastante instigante: criminosos que não se conhecem nem sabem nada uns sobre os outros são unidos pelo misterioso Professor e embarcam na ousada missão de roubar a Casa da Moeda da Espanha. Eles são identificados por nomes de cidades, não devem se relacionar intimamente uns com os outros e precisam seguir à risca as orientações de seu líder. Alguma dúvida de que isso pode dar errado? 😛 Ao longo dos episódios, acompanhamos a dinâmica dos personagens durante o assalto/sequestro e também momentos do passado que os levaram até ali.

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O maior mérito de La Casa de Papel são as reviravoltas, capazes de manter o espectador atento e interessado. Sempre que a inspetora Murillo ou algum de seus colegas investigadores chega perto de descobrir a verdade sobre o Professor, sentimos aquele frio na barriga de quem está torcendo pelos vilões (Dexter, lembrei de você!). Além disso, o plano do Professor é genial e cada etapa do processo está prevista e planejada. Toda vez em que o espectador imagina que algo vai sair dos trilhos, o líder do assalto vem para mostrar que sua astúcia e perspicácia não devem ser subestimadas.

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Infelizmente, eu detestei a personagem “principal” e seu par romântico. Tókio é uma mulher temperamental, egoísta e impulsiva, que vive para atrapalhar o plano e colocar os próprios sentimentos acima de todo o resto. Rio é um rapaz jovem e apaixonado que acaba fazendo todas as vontades de Tókio, mesmo que isso prejudique outras pessoas. Além disso, o garoto é extremamente sem sal. Falando em sem sal, tá pra nascer personagem mais sem graça que Alison Parker, uma refém que é peça-chave para o sucesso do plano. Por outro lado, o carisma de personagens como o próprio Professor, Denver e Nairóbi (uma das poucas a manter a cabeça fria e dona de uma das melhores frases da série) compensa.

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Se por um lado La Casa de Papel é capaz de nos manter entretidos, a reta final tem uma vibe totalmente novela mexicana (especialmente no final). Reviravoltas forçadas e vários Deus ex-machina surgem para solucionar os problemas do Professor e seus comparsas. O desfecho me deixou meio incrédula de tão fantasioso que foi mas, ainda assim, não chegou a estragar minha experiência.

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La Casa de Papel é uma série muito bacana, sim, mas cujo hype não necessariamente condiz com a qualidade do enredo. Existem situações extremamente nonsense que a série trata com a maior naturalidade. Apesar das ressalvas, acho que vale a pena conferir, especialmente por se tratar de uma temporada única com enredo fechado (que a Netflix resolveu dividir em duas sabe-se Deus por quê). Ah! E a abertura é maravilhosa. 😉

Título original: La Casa de Papel
Ano de lançamento: 2017
Criador: Álex Pina
Elenco: Úrsula Corberó, Álvaro Morte, Itziar Ituño, Pedro Alonso, Miguel Herrán, Alba Flores, Jaime Lorente López, Esther Acebo, Enrique Arce, María Pedraza

Dica de Série: Lovesick

Oi, pessoal. Tudo bem?

Hoje eu vim falar um pouquinho sobre uma dramédia romântica que, em poucos episódios, ganhou um espaço muito especial no meu coração: Lovesick!

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Sinopse: Dylan (Johnny Flynn) descobre que contraiu uma DST e precisa entrar em contato com todas as mulheres com quem já teve relações sexuais para informá–las e orientá-las a fazer o teste. Para tal, terá a ajuda do seu melhor amigo Luke (Daniel Ings) e de Evie (Antonia Thomas), uma amiga que já teve uma queda enorme por ele mas manteve o segredo até superar, e hoje está noiva de outro.

Originalmente chamada Scrotal Recall, Lovesick foi salva do cancelamento pela Netflix. Que alegria isso ter acontecido! A série conta a história de Dylan, um rapaz que é diagnosticado com clamídia (uma DST) e aconselhado a entrar em contato com suas parceiras sexuais dos últimos 3 anos para avisá-las (assim elas podem fazer o exame também). Esse plot dá início às situações cômicas da série, pois acompanhamos os acertos e fracassos amorosos do personagem, bem como situações muito relacionáveis e reais (afinal, quem nunca quis ter um encontro perfeito ou sofreu por um amor não correspondido?). Além de Dylan, acompanhamos também a trajetória de seus dois melhores amigos: Luke, o estereótipo de bonitão conquistador, e Evie, uma garota madura e doce que foi secretamente apaixonada por Dylan durante muito tempo. O grande drama da série acontece porque Dylan também está apaixonado por Evie – mas agora ela está noiva.

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O enredo de Lovesick não é extremamente original ou inovador, eu sei. Um triângulo amoroso, um amigo engraçado e mulherengo, a busca pelo amor verdadeiro… Esses elementos já foram utilizados em diversas produções. Mas o carisma de Lovesick está nas situações cotidianas que os personagens enfrentam e em suas “desventuras” amorosas. Cada episódio traz uma lembrança de Dylan em relação a alguma mulher com quem ele se relacionou, e é engraçado acompanhar essa trajetória porque muitos dos encontros foram inusitados e até mesmo cômicos. Por outro lado, a série também tem seu lado dramático ao aprofundar os problemas e dores dos três protagonistas, Dylan, Luke e Evie. 

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Eu não sou uma grande fã do Dylan. O personagem é o mais insosso dos três, além de idealizar o amor de uma maneira um tanto quanto utópica (Ted Mosby feelings). Evie, por outro lado, é uma garota incrível. Seu maior defeito, eu diria, é a falta de iniciativa. Apaixonada por Dylan desde sempre, ela não tem coragem de dizer o que sente e acaba reprimindo seus sentimentos. Luke, surpreendentemente, é meu personagem masculino favorito. Eu não costumo ser fã de conquistadores baratos (seguindo o paralelo com How I Met Your Mother, à primeira vista ele seria tipo o Barney), mas Luke é muito mais do que isso. O personagem tem dores e cicatrizes que só são mostradas ao espectador com o passar dos episódios, e isso não apenas o humaniza como também nos aproxima dele. Ele é um amigo leal, daqueles que você quer ter por perto. E uma das cenas mais engraçadas da série é protagonizada por ele (Luke narrando um filme ao Dylan é priceless hahaha!). Por fim, temos um quarto elemento no grupo de amigos: Angus. Apesar de não ter um enfoque tão grande, também é uma pessoa bacana (e azarada).

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Lovesick é uma série que aquece o coração. Fui conquistada por ela de cara, no primeiro episódio, e estou ansiosa esperando pela renovação (a terceira temporada estreou em janeiro desse ano). Amor, amadurecimento, vida adulta, indecisão, a sensação de estar perdido… todos os elementos que fazem parte do processo de “virar adulto” estão em Lovesick com uma roupagem delicada, doce e engraçada. Recomendo demais! ❤

Título original: Scrotal Recall / Lovesick
Ano de lançamento: 2014
Criador: Tom Edge
Elenco: Johnny Flynn, Antonia Thomas, Daniel Ings, Hannah Britland, Joshua McGuire, Richard Thomson

Dica de Série: One Day at a Time

Oi pessoal, tudo bem?

Fazia tempo que eu não indicava séries por aqui, né? Então hoje decidi falar sobre uma sitcom que ganhou meu coração e se tornou uma das minhas dramédias favoritas: One Day at a Time! A segunda temporada estreou no mês passado na Netflix, então dá pra fazer uma bela maratona, hein? 😉

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Sinopse: Na nova versão do clássico da TV sobre uma família de imigrantes cubanos, a mãe recém-divorciada e a avó careta criam uma adolescente e um pré-adolescente.

One Day at a Time, como toda boa sitcom, traz o dia a dia da família cubana Alvarez, composta por Penelope (a mãe da família, uma ex-veterana do exército americano), Lydia (a Abuelita) e os irmãos Elena (uma adolescente nerd, feminista e politicamente engajada) e Alex (o xodó da Abuelita e um garoto bem popular e descolado na escola). Penelope cria os filhos junto com sua mãe desde que se separou do ex-marido, Victor, e também conta com o apoio e amizade de Schneider, o dono do prédio em que eles moram. Ao longo dos episódios, vamos conhecendo cada vez mais esses personagens cativantes, nos emocionando com suas histórias e morrendo de rir com cada episódio.

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A série traz o orgulho latino com muita força. Lydia teve que fugir de Cuba muito jovem, deixando família e amigos para trás. Sempre que ela fala de sua terra natal, temos duas reações: gargalhadas (sério, ela é muito dramática e afetada, e igualmente maravilhosa) ou lágrimas. As histórias da Abuelita sobre o que passou desde que saiu de casa são emocionantes e refletem a história de diversos imigrantes que sofrem diariamente com a saudade – mas também com o preconceito. A segunda temporada traz esse tema com mais força, fazendo críticas mordazes ao governo segregacionista de Trump.

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Penelope, a protagonista, é um grande exemplo de mulher forte e determinada. Trabalhando como enfermeira, Lupe (como Lydia a chama) precisa lidar com dois filhos adolescentes, uma mãe um tanto controladora e também seus próprios fantasmas do passado: a personagem sofre de Transtorno do Estresse Pós-Traumático, ansiedade e depressão. Todos esses detalhes são trabalhados de forma impecável na série, com seriedade e responsabilidade – ainda que One Day at a Time seja uma série de comédia. Porém, Penelope não se resume a seus transtornos: ela é uma mulher batalhadora, com personalidade e desejos próprios.

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Elena e Alex são ótimos personagens, cada um com seu jeitinho. Elena até pode ser um pouco irritante em sua teimosia, mas sua força de vontade e sua consciência coletiva são admiráveis. Já Alex é um garoto com ótimo coração, mas um jeitinho malandro que conquista qualquer um. Também tenho que elogiar Schneider que é praticamente membro da família e Dr. Berkowitz, chefe de Penelope que tem um crush fortíssimo em Lydia. Ambos proporcionam cenas engraçadíssimas!

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One Day at a Time ainda traz com sensibilidade a questão da homossexualidade, da aceitação e do preconceito familiar. Não vou me prolongar nesse assunto para não dar nenhum spoiler, mas a maneira com a qual a série lida com a descoberta da sexualidade é muito real (em sua doçura e em suas dores). Os transtornos psicológicos também são abordados com excelência e – na medida do possível – leveza. A série exibe de maneira clara muito do que pessoas que enfrentam doenças como ansiedade e depressão sentem, mas sem cair na cilada de romantizar essas questões..

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Em suma, essa é uma série que te faz rir, mas também te faz pensar, chorar e sentir. Com atuações maravilhosas (Abuelita, te amo) e um enredo impecável, cada segundo de One Day at a Time é recompensador. Ela entrou pra minha listinha de séries favoritas e eu recomendo com todas as forças! ❤

Título original: One Day at a Time
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Gloria Calderon Kellett, Mike Royce
Elenco: Justina Machado, Rita Moreno, Isabella Gomez, Marcel Ruiz, Todd Grinnell, Stephen Tobolowsky