Dica de Série: Modern Love

Oi gente, tudo bem?

Apesar de ter assinado a Amazon Prime logo que a plataforma saiu (afinal, o valor mensal de R$ 9,90 é bem atrativo), ainda assisti a poucas de suas produções. Depois da ótima The Boys, resolvi explorar mais o Prime Video e acabei conferindo outra série original da qual gostei muito: Modern Love.

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Sinopse: Um compilado de histórias reais que exploram não só o amor em suas múltiplas formas – romântica, sexual, familiar, platônica -, mas também outros sentimentos comuns à experiência humana, como perda e redenção.

Essa minissérie antológica dramatiza histórias reais publicadas em uma coluna semanal do The New York Times. Com temáticas e personagens distintos a cada episódio, Modern Love tem aquele gostinho de comédia romântica intercalado com boas cenas de drama. Entretanto, é importante dizer que nem todos os episódios brilham, e em alguns deles falta carisma à trama e aos personagens. Vou contar pra vocês quais foram os maiores destaques. 😀

O primeiro episódio (When the Doorman Is Your Main Man) é provavelmente o meu favorito. Protagonizado por Cristin Miliotti (a eterna Mother, de How I Met Your Mother) e Laurentiu Possa, a trama narra a busca da jovem por um par romântico. Seu porteiro, porém, é a pessoa que sempre a alerta sobre as ciladas, como se sentisse o cheiro de encrenca de longe. Quando a moça fica grávida por acidente, é na amizade com o porteiro que ela encontra suporte. Retratando um amor genuíno e fraternal, esse primeiro episódio me causou melancolia e felicidade na mesma medida.

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O segundo episódio (When Cupid Is a Prying Journalist) também é excelente. Ao entrevistar um jovem desenvolvedor a respeito do sucesso de seu app de relacionamentos, uma jornalista descobre que o rapaz não tem muita sorte nessa área. Após ser traído pela ex-namorada, ele nunca mais conseguiu se reconectar com ninguém. Em paralelo, a própria jornalista precisa encarar pendências do passado e amores não superados. Esse episódio é muito bacana porque retrata personagens absurdamente humanos, com defeitos que não são exaltados, mas que os tornam mais reais. No fim, parece que as peças se encaixam onde de fato deveriam estar.

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O terceiro episódio (Take Me as I Am, Whoever I Am) é incrível, protagonizado pela excelente Anne Hathaway. Vivendo em segredo com o Transtorno Bipolar, a trama nos causa uma angústia muito grande. A personagem oscila entre euforia e depressão e nos sentimos impotentes enquanto a vemos tentando lidar com o dia a dia e com os relacionamentos (tanto amorosos quanto amizades) em meio a um turbilhão de emoções. Aqui temos mais um exemplo de que, muitas vezes, o amor de que tanto precisamos não tem nada a ver com romance.

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Os episódios 4, 5 e 6 não funcionaram pra mim (especialmente o 6º, que é deveras problemático). No episódio 7 temos uma melhora no ritmo com o episódio “Hers Was a World of One, que narra a história de um casal gay que deseja adotar uma criança e da jovem grávida que está esperando o futuro bebê que o casal vai adotar. Eu gostei muito da dinâmica da Olivia Cooke e do Andrew Scott (que também fez Moriarty, em Sherlock), trazendo uma dose de bom humor bem-vinda. Por fim, temos o episódio 8 (The Race Grows Sweeter Near Its Final Lap), que traz o amor maduro como principal pilar. A história é agridoce: ela nos lembra que nunca é tarde para amar, mas também expõe a dor da perda. Sem dúvidas é muito emocionante.

Modern Love é uma daquelas séries curtinhas, com episódios de 30 minutos, que fazem o tempo passar voando. Apesar 3 dos 8 episódios não serem arrebatadores, os outros 5 valem cada segundo. Se você busca histórias de amor pé no chão, que poderiam ser vividas por qualquer um ao seu redor, você vai gostar de Modern Love (e seu coração provavelmente vai ficar quentinho). 🙂

Título original: Modern Love
Ano de lançamento: 2019
Direção: John Carney
Elenco: Cristin Milioti, Laurentiu Possa, Catherine Keener, Dev Patel, Anne Hathaway, Gary Carr, Tina Fey, John Slattery

Assisti, mas não resenhei #3

Oi, meu povo! Tudo certo?

E lá vamos nós para mais um post da coluna Assisti, mas não resenhei. E dessa vez eu trouxe filmes na lista também. Bora? 😉

Shooter

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Eu não sou muito fã de histórias de guerra e ação, mas como meu namorado curte, resolvi assisti Shooter com ele. Na trama, Bobby Lee Swagger é um ex-fuzileiro que é incriminado em um atentado contra o Presidente. Ao longo dos episódios, vivendo como um fugitivo, Bobby Lee procura formas de encontrar o culpado e provar sua inocência. Apesar dos clichês americanos (soldado patriota badass que mete bala em todo mundo), a série tem um ritmo interessante e acaba prendendo nossa atenção. Contudo, larguei na terceira temporada e não sei se pretendo terminar, já que a série foi cancelada.

Big Mouth

big mouth

Esse desenho com temática adulta da Netflix é ótimo! A trama gira em torno de um grupo de crianças entrando na puberdade, então temas como sexo, mudanças físicas e descobertas a respeito do próprio corpo são constantes. A melhor parte do humor fica por conta dos Monstros Hormonais – responsáveis pela ebulição típica da idade (e por diálogos cheios de piadas sujas e hilárias).

That 70’s Show

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Eis uma comédia que eu maratonei por um bom tempo, até pegar alguns spoilers sobre o final e me emputecer rs. Se tem uma coisa que me tira do sério é quando uma produção desenvolve personagens pra depois retroceder sua evolução (alô alô, 8ª temporada de Game of Thrones). Mas, resumidamente, a trama acompanha um grupo de adolescentes nos anos 70 aprendendo sobre a vida adulta e o amor – com bastante marijuana envolvida, lógico.

Extraordinário

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O filme que adapta o livro homônimo é uma doçura. ❤ Trazendo o espírito da obra original pras telas, Extraordinário é um longa comovente e cheio de lições sobre empatia e amizade. Como ponto fraco eu citaria apenas o pouco tempo de tela dos personagens secundários (que narram alguns capítulos do livro).

Bohemian Rhapsody

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Podem me julgar, mas não achei esse filme nada demais. Assisti na viagem, a caminho de San Andrés, e não consegui me emocionar com a dramatização da história do Queen, especialmente depois de pesquisar as diferenças entre o filme e a vida real (e perceber o quanto a imagem de Freddie Mercury foi apresentada de maneira unilateral). Além disso, achei a interpretação do Remi Malek caricata – apesar da excelente postura corporal, as expressões faciais (e os dentes) ficaram demasiado forçadas. Mas as cenas musicais são boas. ¯\_(ツ)_/¯

E vocês, já assistiram a algum dos títulos citados?
Me contem nos comentários! 😀

Dica de Série: Inacreditável

Oi pessoal, tudo certo?

No finzinho do ano passado conferi uma série poderosa da Netflix – mas muito difícil de assistir, tamanha a dor envolvida na trama: Inacreditável.

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Sinopse: Uma jovem é acusada de falsa denúncia de estupro. Anos depois, duas investigadoras encaram casos assustadoramente parecidos. Série inspirada em fatos reais.

Inacreditável é uma dramatização em 8 episódios de uma reportagem (vencedora do prêmio Pulitzer) que narra a história de uma jovem acusada de falsa denúncia de estupro. A série conta essa história por meio de duas linhas temporais: 2008 e 2011. Em 2008, Marie Adler é estuprada em seu próprio dormitório durante a madrugada. Ao acionar as autoridades, a menina tem dificuldade de lembrar detalhes do ocorrido, e a abordagem é bastante invasiva. Pela falta de evidências físicas e pelas ditas inconsistências no discurso de Marie, a dupla de detetives (homens) responsável pelo caso conduz a investigação de modo que Marie simplesmente desiste de contar a sua história, afirmando ter mentido. Para piorar a situação, o Estado decide processá-la por falso testemunho, o que impacta na vida da jovem em diversas instâncias. Em 2011, em outra parte do país, a detetive Karen Duvall atende a um caso de estupro muito semelhante ao de Marie (ainda que na época ela não saiba disso). Conversando com seu marido, também policial, ela descobre que outra detetive, a experiente Grace Rasmussen, também está lidando com um caso parecido. Karen procura Grace e ambas percebem que as semelhanças nos casos não podem ser coincidência, fundindo as investigações e chegando ao culpado (isso não é spoiler, faz parte do caso real).

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Inacreditável é uma série de paralalelos. Paralelos entre a maneira irresponsável e negligente com que os policiais cuidaram do caso de Marie versus a empatia e a sensibilidade das investigadoras em 2011, que perseguiram o estuprador serial. Paralelos entre as falas das pessoas que circundavam Marie, duvidando de sua história e posicionando-se ao lado do sistema versus a revolta de Karen e Grace ao perceber como seus colegas lidaram com os casos. Paralelos até mesmo entre a forma de lidar com a agressão: enquanto Marie teve dificuldade para lembrar dos detalhes, Amber (a vítima do caso de Karen) podia dar informações precisas. E a série deixa claro como cada reação é particular: outras vítimas também bloquearam completamente a memória do ocorrido (sendo inclusive um mecanismo de defesa do cérebro), mas não foram desacreditadas por isso – diferente do que ocorreu no caso de Marie, em que os envolvidos (tanto os investigadores quanto sua família) não tinham sensibilidade suficiente para entender isso.

Esses paralelos permeiam todos os episódios, que vão e voltam entre 2008 e 2011, deixando o espectador ainda mais desconfortável ao assistir o abismo que existe no tratamento e na condução dos casos. Os dois primeiros episódios evidenciam isso, com uma diferença gritante entre o caso de Marie (hostilizada pela polícia, tratada sem nenhuma delicadeza no hospital e desacreditada pela família) e o caso de Amber (que teve acompanhamento de Karen o tempo todo, além do reforço de que as decisões dela não precisam de justificativa e que ela tem o poder sobre elas – algo que vítimas de estupro sentem que foi tirado delas, o poder sobre o próprio corpo).

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Inacreditável ainda levanta uma discussão pertinente até hoje: ninguém questiona a veracidade de um sequestro, ninguém questiona a veracidade de um assalto. Por que se questiona a veracidade de uma agressão sexual? É um reflexo da cultura do estupro, em que o corpo feminino não é visto como dono de si mesmo, mas sim como parte do prazer masculino, como algo que serve, que está disponível. Marie Adler não foi violentada somente na ocasião do estupro; ela foi violentada pela polícia, pelo sistema e pelas pessoas de seu círculo social. E presenciar o sofrimento silencioso da personagem expõe uma verdade difícil de aceitar: a de que nossa palavra não tem valor. Assistir Inacreditável torna mais fácil de entender porque tantas mulheres hesitam em denunciar seus agressores; quem garante que elas não passarão por uma lente de aumento, em busca de suas fragilidades ou “inconsistências” discursivas? É compreensível que, após sofrer uma violência tão permanente, as vítimas não queiram vivenciar detalhe por detalhe ao fazer uma denúncia (o que faz nosso estômago revirar quando vemos as autoridades obrigando Marie a reviver cada detalhe do estupro).

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Outro ponto positivo de Inacreditável reside no fato de que a produção não explora visualmente os estupros. Existem flashbacks que, sim, são perturbadores, mas que não utilizam o corpo das vítimas como produto. Mesmo quando Karen e Grace conseguem encontrar as fotografias que o estuprador serial tirava de suas vítimas, a câmera passa muito mais tempo concentrada nas expressões faciais das duas. Confesso que em determinado momento as fotos são mostradas rapidamente e, pra mim, isso não era necessário. Achei mais poderoso enquanto a luz ia piscando no monitor, com o foco no rosto das detetives. Ainda assim, a série trata o assunto com muito respeito, dando destaque a todas as mulheres que fizeram parte daquela história. E ter uma mulher como diretora de uma história assim fez toda a diferença.

Também é impossível não elogiar as atuações. Merritt Wever, que eu conhecia de The Walking Dead, dá vida a uma Karen sensível, comprometida e profundamente empática. A personagem é uma detetive que não mede esforços para fazer seu trabalho e dar suporte às vítimas. Uma de suas cenas, em que ela repreende a falta de urgência de um de seus colegas (homens), é impactante. Toni Collette também está fantástica como Grace, uma detetive badass com uma carreira extensa e admirável. A relação das duas não engrena de início, mas elas aprendem a lidar com a personalidade (tão diferente) uma da outra e se tornam uma dupla incansável. Grace também se mostra uma mulher generosa e aplica a sororidade na prática, ao deixar Karen (ainda construindo sua reputação) brilhar. Kaitlyn Dever impressiona como Marie, trazendo todas as nuances de uma personagem cujo sofrimento não era compreendido. Revolta, tristeza e solidão são alguns dos sentimentos que a atriz transmite na fala, no olhar e na linguagem corporal. Esse comportamento também aparece na atuação de Danielle Macdonald, que interpreta Amber. Eu só conhecia a atriz de Dumplin’ e fiquei admirada com a sua performance.

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Não é fácil assistir Inacreditável, ainda mais se você for mulher. A série retrata uma violência física e sistêmica que causa um sentimento de revolta e de impotência, mas também dá voz a mulheres fortes e que sobreviveram às mais diversas dificuldades. É uma produção que coloca as mulheres no centro da narrativa, mas também nos obriga a encarar uma dor que é legitimada por discursos ainda utilizados (duvido que você nunca tenha lido ou ouvido algo semelhante a “ah, mas saiu com essa roupa? Tava pedindo”). Não é fácil lidar com uma trama tão intensa e dolorida, mas é imprescindível que esse tema seja abordado. Torço para que a reflexão proporcionada chegue em quem ainda não entendeu que nossos corpos pertencem somente a nós.

Título original: Unbelievable
Ano de lançamento:
2019
Direção:
Susannah Grant
Elenco: 
Kaitlyn Dever, Merritt Wever, Toni Collette

Dica de Série: Safe

Oi pessoal, tudo bem?

Harlan Coben é um autor mega popular entre os fãs de livros policiais, e agora ele também roteirizou uma minissérie da Netflix, Safe. Hoje eu te conto o que achei dela. 😉

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Sinopse: Após o desaparecimento de sua filha mais velha, um cirurgião viúvo faz descobertas terríveis sobre pessoas bem próximas.

Safe narra a busca de Tom Delaney, um pai viúvo cuja filha mais velha, Jenny, desaparece após sair para uma festa com os amigos em uma das casas do condomínio fechado onde vivem. A comunidade fica ainda mais inquieta quando, além do sumiço de Jenny, seu namorado, Chris, é encontrado morto. Tom então coloca todos os seus esforços em investigar o paradeiro da filha, tendo como apoio seu melhor amigo, Pete, e a detetive Sophie (sua vizinha e envolvimento amoroso).

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Eu amo histórias policiais com todas as forças. Basta ter um sumiço ou uma morte misteriosa que eu já fico enlouquecida querendo maratonar (seja livro, seja série). Safe tem uma premissa bem legal e os episódios mostram flashbacks da noite da festa, de modo que a curiosidade sobre o destino de Jenny é crescente. Ao longo dos 8 episódios que compõem a minissérie vamos descobrindo segredos que a garota esconde – não somente sobre si mesma, mas sobre sua própria família. E fica evidente que apesar da suposta segurança oferecida pelo condomínio, muitos dos problemas estão na verdade no lado de dentro de suas grades.

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Apesar da premissa instigante, Safe sofre com algumas reviravoltas dignas de novela mexicana. Eu nunca li nada do Harlan Coben, então fica difícil dizer se os livros dele também tem esse problema ou se foi no formato de série que ele não conseguiu tornar certas situações mais verossímeis no curto espaço de episódios disponíveis. Existem momentos que a única reação possível é o meme “não pode c”, sinceramente: um corpo sendo encoberto da maneira mais burra possível, um médico metido a McGyver no meio da quebrada e um plot meio DNA no Programa do Ratinho são alguns exemplos disso.

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As atuações também não brilham, sendo raros os momentos em que algum personagem conquista simpatia. O próprio protagonista não tem muito carisma, e isso que ele é interpretado pelo Michael C. Hall, que ganhou meu coração em Dexter. Foi a primeira vez que o vi em um papel diferente e infelizmente não fiquei impressionada. Por outro lado, elogio o fato da série trazer personagens que transitam em uma zona cinza, com qualidades e defeitos facilmente encontrados fora da ficção.

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Não posso negar que há diversas tosquices de Safe, mas também preciso admitir que a série tem um bom ritmo e consegue prender a atenção. Porém, fiquei curiosa pra saber se os livros do Harlan Coben são mais verossímeis, porque não foi apenas uma vez que eu me perguntei “sério que isso é Harlan Coben?” rs. Resumindo, não é uma série perfeita, mas é ágil e entretém. Se você estiver de bobeira e quiser um entretenimento rápido e com temporada única, pode ser uma boa opção.

Título original: Safe
Ano de lançamento: 2018
Direção: Harlan Coben, Danny Brocklehurst
Elenco: Michael C. Hall, Amanda Abbington, Marc Warren, Amy James-Kelly, Hannah Aterton, Audrey Fleurot

Dica de Série: The Boys

Oi gente, tudo bem?

Com a chegada do Amazon Prime (que eu corri pra assinar pois: só R$ 9,90 por mês rs), resolvi explorar as produções oferecidas na plataforma. E a primeira delas foi The Boys, que estava sendo muito elogiada pela crítica. Hoje conto pra vocês o que eu achei. 😀

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Sinopse: The Boys é uma visão irreverente do que acontece quando super-heróis, que são tão populares quanto celebridades, tão influentes quanto políticos e tão reverenciados como deuses, abusam de seus superpoderes ao invés de usá-los para o bem. É o sem poder contra o superpoder, quando os rapazes embarcam em uma jornada heroica para expor a verdade sobre “Os Sete” com o apoio da Vought.

Em uma realidade na qual ser um super-herói virou uma profissão que gera bilhões em lucro, quão fácil é se deixar corromper pelo sistema? Em The Boys, corporações enriquecem patrocinando diversos supers, mas as verdadeiras estrelas americanas são o grupo conhecido como Os Sete: além de salvarem a população, também são estrelas de comerciais, garotos e garotas-propaganda, modelos e tudo mais que for necessário. O problema, porém, é que tanto poder nas mãos de poucos não demora a corromper esses heróis que, em tese, deveriam proteger as pessoas. Vidas humanas perdidas são tratadas como fatalidades inevitáveis, como algo que “faz parte do jogo”. E uma dessas perdas dá o start na história.

Hughie perde sua namorada de uma maneira brutal: a um passo da calçada, enquanto se despedem, a moça é literalmente explodida em pedacinhos pela ultravelocidade de um super-herói chamado A-Train, um membro dos Sete. A empresa que o patrocina, Vought, oferece uma quantia ínfima como reparação, além de exigir a assinatura de um contrato de confidencialidade. Depois de recusar a proposta, Hughie decide se vingar, mas acaba se envolvendo numa confusão com outro membro dos Sete e sendo salvo por Butcher, um homem misterioso que vinha observando a situação das sombras. Hughie descobre então que Butcher é líder de um grupo que busca desmascarar os super (como são chamados), expondo seu abuso de poder para a sociedade. Mas como enfrentar seres tão inigualavelmente fortes? Especialmente quando o líder deles, o Capitão Pátria, têm poderes equivalentes ao do Super-Homem?

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The Boys é uma grande sátira à moral imaculada comumente apresentada em histórias de super-heróis. Tendo personagens que podem ser versões debochadas tanto de figuras da Marvel quanto da DC, a série utiliza cenas gore e humor ácido para mostrar uma realidade na qual super-heróis são movidos pelo capitalismo e por interesses próprios. Mesmo aqueles que ainda não perderam a fé em fazer a coisa certa são submetidos e dobrados em algum nível ao sistema. O maior exemplo disso é Starlight, a nova membro dos Sete: a jovem sempre foi motivada por ajudar as pessoas e fazer a diferença, mas é submetida a abuso sexual e uma transformação visual causada por motivos comerciais. E nesse ponto já faço um elogio a The Boys: apesar de ter cenas de sexo, em nenhum momento o abuso sexual é gráfico, ficando apenas nas entrelinhas, mas sendo poderoso o suficiente como denúncia. Starlight é uma das melhores personagens da série porque, paradoxalmente, ela é uma das mais humanas: seu poder grandioso não a salva de sofrer as mesmas pressões psicológicas que mulheres sofrem o tempo todo; além disso, sua essência é bondosa e ela genuinamente quer usar seus poderes para o bem.

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O grupo que dá nome à série também tem elementos interessantes. Butcher odeia todos os Supers porque atribui à Vought o desaparecimento de sua mulher. Seus aliados, Leitinho e Francês, têm uma relação de gato e rato divertida de assistir. A última membro do grupo, “A Fêmea”, também é interessante, tendo um relacionamento surpreendente com o Francês. De todos, eu diria que Hughie é o mais sem graça (mas, para ser honesta, tenho ranço do seu crush na Starlight, já que aparentemente rapidinho ele esquece que acabou de perder a namorada rs).

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É impossível não falar em personagens sem mencionar Os Sete. Odiosos de diversas maneiras, todos eles têm momentos de podridão escancarada, à exceção de Starlight e, em menor escala, Queen Maeve. Porém, nenhum membro dos Sete causa tanta repulsa quanto Capitão Pátria. Tido como símbolo americano e como sinônimo de paz, o personagem é conceitualmente uma mistura de Super-Homem (pelos poderes descomunais) com Capitão América (pela vibe “orgulho americano”). Mas só conceitualmente mesmo, já que na prática ele é um verdadeiro psicopata. Tendo um relacionamento doentio com Madellyn Still, um dos nomes mais importantes da Vought, o Capitão Pátria não hesita em abusar de seus poderes, matar inocentes e ameaçar qualquer um que ouse desafiá-lo. A maior fonte de desconforto que senti ao assistir The Boys veio das cenas em que ele estava envolvido, tamanha sua falta de caráter e humanidade.

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O desenvolvimento da temporada é ágil, há muita ação e reviravoltas interessantes na trama. A série desconstrói o conceito maniqueísta das HQs, onde normalmente é tudo preto no branco, com pouco espaço para tons de cinza. Porém, como eu disse anteriormente, há cenas de sexo e momentos bem gore ao longo da temporada (com direito a sangue e tripas pra todo lado), então talvez esses elementos não agradem todo mundo. Ainda assim, The Boys é uma excelente produção repleta de boas atuações e humor ácido, que traz uma visão nova e uma abordagem diferente do universo de super-heróis. Gostei muito e recomendo! 😉

Título original: The Boys
Ano de lançamento: 2019
Direção: Eric Kripke
Elenco: Karl Urban, Jack Quaid, Antony Starr, Erin Moriarty, Dominique McElligott, Tomer Kapon, Laz Alonso, Karen Fukuhara, Elisabeth Shue, Jessie Usher, Chace Crawford

Dica de Série: Special

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim dar uma dica de série de comédia curtinha (curtinha MESMO, os episódios tem só 15 minutos), ideal pra passar o tempo: Special.

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Sinopse: Um jovem gay e com uma leve paralisia cerebral decide recomeçar sua vida e fazer tudo aquilo que sempre desejou, mas adiava: conquistar o primeiro emprego, morar sozinho e longe da mãe controladora e começar um relacionamento amoroso. Mas realizar esses sonhos tem um custo: se passar por vítima de um acidente.

Baseada no seu livro de memórias, Special é protagonizada e produzida por Ryan O’Connell, um rapaz gay e com paralisia cerebral. Eu já tinha lido algumas resenhas sobre o livro na blogosfera e, quando vi que a série estava disponível, resolvi dar uma chance. E, apesar do protagonista não ser alguém apaixonante, é muito interessante conferir uma trama que aborda um aspecto que não costuma ser retratado na mídia.

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Ryan vive com a mãe, Karen, que faz tudo que pode para auxiliá-lo em suas dificuldades. Contudo, aos 27 anos, o desejo do rapaz é viver experiências diferentes, explorar sua sexualidade e se afastar da co-dependência familiar (já que não somente ele depende da mãe, como ela também busca nele uma sensação de “utilidade/propósito”). Porém, as coisas saem um pouco do controle quando Ryan conquista uma vaga como produtor de conteúdo mentindo sobre sua condição física: ele não admite ter paralisia cerebral, mas alega que suas condições físicas são decorrentes de um acidente. E essa mentira traz algumas situações inusitadas e parte da carga cômica da trama.

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Duas coisas principais me chamaram a atenção em Special:
1) O espaço dado à diversidade: além do próprio Ryan fazer parte de uma minoria por conta de sua orientação sexual, ele também tem uma condição física limitante – porém, felizmente, a série não o reduz a isso. Ele é uma pessoa com qualidades E defeitos, e a série não passa pano para os erros do personagem só porque ele é deficiente. Além de Ryan, também temos Kim, sua melhor amiga, uma mulher gorda e não-branca bastante empoderada, apesar das dificuldades e pré-julgamentos que enfrenta por ter o corpo que tem (e o interessante é que o fato de Kim ser confiante não anula o impacto de comentários negativos, o que é bem realista e humano).
2) A naturalidade com que sexo é mostrado: eu nunca tinha visto uma série com uma cena tão explícita e crua de sexo, especialmente gay. Explícita no sentido da naturalidade mesmo, sem toda uma atmosfera ou romantizada ou agressiva, sabem? Ryan perde a virgindade e tudo é mostrado de forma orgânica, sem tabus, sem tornar um big deal. Achei incrível não apenas para naturalizar o sexo mas também para desestigmatizar as relações de pessoas deficientes.

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Com atuações dignas (especialmente por parte de Jessica Hecht, que interpreta Karen, e Punam Patel, que interpreta Kim) e episódios super curtinhos, Special é uma boa opção de série para quem quer se divertir e também conferir algo diferente do que existe por aí. A naturalidade com que Special mostra diversas situações que não costumam ser abordadas em séries e filmes é seu maior ponto forte, e só por isso já vale dar uma chance. 😉

Título original: Special
Ano de lançamento: 2019
Direção: Ryan O’Connell
Elenco: Ryan O’Connell, Jessica Hecht, Punam Patel, Marla Mindelle, Augustus Prew

Dica de Série: Queer Eye

Oi gente, tudo bem?

Eu tenho um novo vício (por sinal, assisti inteiro em uma semana e meia) e ele se chama Queer Eye. ❤ Hoje vim contar um pouquinho mais pra vocês desse reality que, como o próprio subtítulo já diz, é muito mais que um makeover.

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Sinopse: As caras são novas, mas as missões continuam fabulosas! Estes gênios do makeover são muito mais que rostinhos bonitos.

Eu não sou uma espectadora de reality shows, de maneira geral. Entretanto, buscando por algo leve para passar o tempo, decidi conferir o elogiadíssimo Queer Eye. O reality é um remake da série Queer Eye for the Straight Guy e é formado pelos Fab Five (ou Fabulous Five): Jonathan, responsável pela aparência; Bobby, responsável pelo design e arquitetura; Tan, responsável pela moda; Antoni, responsável pela gastronomia e Karamo, responsável pelos aspectos sociais e psicológicos. Inicialmente, os episódios focavam em homens hétero no sul dos Estados Unidos (já dá pra imaginar o conflito cultural, né?), mas com o passar das temporadas outros tipos de participantes são selecionados.

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É impossível falar de Queer Eye sem falar do carisma dos Fab Five. Eles são homens gays especializados em coisas distintas, mas cujo maior objetivo é ajudar a mudar a vida das pessoas que participam do reality. Os membros do grupo são empáticos, gentis, sensíveis, educados e, quando precisam, não hesitam em pontuar verdades (algumas delas bem difíceis) que os participantes precisam ouvir. Além disso, com o passar dos episódios também vamos descobrindo detalhes das vidas particulares dos Fab Five, e percebemos que o rótulo “homem gay” é restrito demais para resumir toda uma identidade.

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Tan, por exemplo, é casado há anos com outro homem, mas nunca tinha adentrado o universo trans até trabalhar com o participante trans. Bobby cresceu frequentando a igreja e, devido ao preconceito religioso que sofreu, se afastou dela – o que torna difícil pra ele quando precisam ajudar uma senhora que vive dedicada à igreja e também tem um filho gay. Esses são apenas exemplos da diversidade de experiências e sentimentos que as pessoas (sejam elas gay ou não) sentem e vivem. Colocar pessoas em caixinhas jamais vai contemplar as inúmeras nuances, crenças, valores e sentimentos que elas podem sentir, e Queer Eye evidencia isso.

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Outro aspecto muito interessante é, como mencionei antes, o choque cultural que a série provoca em muitos episódios. Por exemplo: os Fab Five visitam a casa de um homem que votou no Trump, sendo que além deles serem gays, um dos membros tem ascendência paquistanesa e o outro é negro. O desconforto é óbvio, né? Mas isso não impede que as pessoas envolvidas tentem se entender e, principalmente, ouvir uns aos outros. Diálogos sobre machismo, racismo, xenofobia, transtornos psicológicos e muito mais fazem parte do reality. Resumindo, Queer Eye dá margem para discussões fundamentais e leva esses debates a pessoas que talvez não tivessem a chance de tê-los.

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Queer Eye realmente vai muito além de um makeover. A aparência é apenas um dos aspectos que os Fab Five utilizam para elevar a autoestima dos participantes. Eles buscam entender todos os problemas que a pessoa está vivenciando naquele momento e que a impedem de buscar seus objetivos ou aquilo que realmente querem ser. Tudo isso em meio a diálogos maravilhosos, MUITO carisma e bom humor e uma infinidade de cenas emocionantes (eu chorei em 95% dos episódios, sério). Assistam, vocês não vão se arrepender! ❤

Título original: Queer Eye
Ano de lançamento: 2018
Criador: David Collins
Elenco: Antoni Porowski, Tan France, Karamo Brown, Bobby Berk, Jonathan Van Ness

Assisti, mas não resenhei #2

Oi povo, tudo bem?

Vocês curtiram o primeiro post Assisti, mas não resenhei, por isso resolvi continuar com essa temática. 😀 Bora conhecer mais algumas produções que conferi, mas que nunca ganharam um post exclusivo por aqui?

Sex and the City

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Eu assisti a todas as temporadas de SATC recentemente, mas acabei não resenhando por aqui por se tratar de uma série antiga, que talvez a maioria já conheça. As primeiras três temporadas eu assisti um pouco na força do ódio, mas gostei muito das últimas. O aspecto que mais me conquistou foi, sem dúvidas, o laço de amizade das quatro protagonistas: Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda. Elas são totalmente diferentes entre si, com crenças e personalidades distintas, mas que ainda assim conseguem respeitar umas às outras e manter a amizade viva independentemente das mudanças na vida. Quem não gostaria de fazer parte de um grupo assim? ❤

How To Get Away With Murder

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Eu devoreeei a primeira temporada de HTGAWM, que é super instigante e gira em torno de um assassinato. O mais legal é que a série começa com a cena em que as pessoas envolvidas tentam se livrar do corpo e, a partir disso, a trama retrocede para contar como os personagens chegaram naquela situação. É uma ótima primeira temporada! Porém, entretanto, contudo, todavia… a verdade é que com o passar do tempo a série foi adquirindo uma atmosfera de novelão, o que me fez perder o interesse. Eu parei na season 3 e não sei quando (e se) vou continuar. 😦

The Walking Dead

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Eu já fui uma grande fã de The Walking Dead. Acompanhar a tentativa dos humanos de se re-estruturarem após o apocalipse zumbi, acompanhar seus dramas e perdas e testemunhar como os piores inimigos não eram mortos-vivos foi algo que fiz por muito tempo. Acontece que a série acabou se tornando cansativa pra mim, com uma repetição de padrões e plots que me faziam não ter paciência de encarar os longos episódios. Mais um exemplo de série que assisti quase inteira, mas que acabei largando por pura falta de paciência.

Everything Sucks!

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Cancelada após sua única temporada (o que me desestimulou a trazer um post exclusivo a respeito), Everything Sucks! é uma série que retrata a vida de um grupo de estudantes nos anos 90. O aspecto nostálgico é bacana, há representatividade lésbica mas, infelizmente, falta brilho e carisma nos personagens, além de um enredo enfadonho. Não me apaixonei pela trama, apesar de ter assistido super rápido à primeira temporada (provavelmente por falta de opção melhor na época).

Quem aí também assistiu a alguma dessas séries?
Beijos e até o próximo post. 😘

Dica de Série: Atypical

Oi gente, tudo bem?

Na minha eterna busca por séries curtinhas e leves, acabei dando uma chance a Atypical. Vamos conhecer? 🙂

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Sinopse: Sam (Keir Gilchrist) é um jovem autista de 18 anos que está em busca de sua própria independência. Nesta jornada, repleta de desafios, mas que rende algumas risadas, ele e sua família aprendem a lidar com as dificuldades da vida e descobrem que o significado de “ser um pessoa normal” não é tão óbvio assim.

Sam é um jovem de 18 anos que faz parte do espectro autista. Ele ama pinguins, trabalha em uma loja de eletrônicos e tem uma rotina bem estruturada – especialmente graças à sua mãe, Elsa, que entrou de cabeça nesse universo e ajuda o filho em todos os aspectos. Porém, em uma de suas sessões de terapia, Sam decide enfrentar o mundo em busca de uma namorada. E essa decisão, que parece tão trivial, acaba gerando grandes movimentações na vida de toda a sua família.

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Se eu tinha alguma dúvida sobre Sheldon (de The Big Bang Theory) fazer parte do espectro autista, vendo Atypical essa dúvida sumiu. Sam tem manias muito semelhantes às de Sheldon, como a incapacidade de entender ironias, ser extremamente sincero e literal, não gostar de ser tocado e também ser muito inteligente. O rapaz tem uma vida bastante funcional, apesar das dificuldades que ocasionalmente surgem em seu caminho. Quando ele decide se arriscar e se expor emocionalmente, sua relação com os outros muda, inclusive com sua família: ele consegue se aproximar do pai, com quem nunca teve uma relação de proximidade, e acaba saindo um pouco debaixo da “asa” de Elsa, o que faz com que a personagem enfrente uma crise de identidade – já que sua única função nos últimos anos era exercer o papel de mãe cuidadora.

Além das descobertas de Sam, acompanhamos sua irmã, Casey, que também vivencia diversas transformações em sua vida. Ela tem o primeiro namorado, precisa mudar de escola, passa por dificuldades com as amizades, aprende mais sobre sua sexualidade… Apesar de Casey e Sam serem muito diferentes (já que Casey não está no espectro), a série mostra como os dois adolescentes vivem um paralelismo de experiências, independentemente do autismo. 

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As relações familiares têm grande destaque na maior parte da trama e, nesse sentido, Elsa é a personagem mais complexa. Ela tem atitudes extremamente questionáveis e comete muitos erros pelo caminho mas, ao mesmo tempo, é interessante assistir aos seus conflitos internos oriundos da decisão de Sam de ser mais independente. Ela é alguém que abriu mão de praticamente tudo na vida para se dedicar ao filho e que subitamente tem isso tirado de si, ficando à mercê de uma fragilidade emocional muito grande. Porém, apesar de cometer erros graves, Elsa também busca sua redenção, fazendo um esforço genuíno para ser uma pessoa melhor e encontrar o perdão da família (inclusive acho que Casey é injusta com Elsa na maior parte do tempo).

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Meu único “problema” com a série talvez seja o fato de que poucos personagens realmente me conquistaram. Por exemplo: o pai de Sam, Doug, é um cara super legal, mas também já pecou muito e ainda assim julga Elsa pelos erros dela; Casey é uma garota chata, implicante e injusta, que não esconde a preferência pelo pai e pega super pesado com a mãe. Felizmente, existem personagens que roubam a cena sendo ótimos de maneiras diferentes: Zahid é um amigo excelente para Sam, tratando-o com naturalidade e carinho; Paige tem uma personalidade cansativa, mas o sentimento que tem por Sam é genuíno e a personagem o defende sem pensar duas vezes. 

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Fugindo do óbvio e trazendo um tema relevante de maneira natural e séria, Atypical é uma comédia gostosa de assistir, com episódios curtos que passam voando. Com personagens que erram, acertam, amadurecem e se desenvolvem, Atypical traz verossimilhança aliada a momentos ora engraçados, ora emotivos. Vale a pena conferir! 😀

Título original: Atypical
Ano de lançamento: 2017
Direção: Robia Rashid
Elenco: Kier Gilchrist, Jennifer Jason Leigh, Michael Rapaport, Brigette Lundy-Paine, Amy Okuda, Graham Rogers, Nik Dodani, Jenna Boyd

Dica de Série: Mom

Oi gente, tudo bem?

Sabe quando uma série chega de mansinho e conquista um espaço no seu coração? Foi assim que aconteceu com Mom. Depois que assisti parte de um episódio por acaso na TV, não resisti e comecei a série do início (maratonando em pouco tempo rs). Vamos conhecer? 😀

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Sinopse: Christy é uma mãe solteira recém-saída da reabilitação que decide restaurar a ordem em sua vida. Mas sua mãe Bonnie, uma alcoólatra com quem não tinha contato há muitos anos, ressurge e faz com que a tarefa se torne ainda mais complicada.

Christy é uma mãe divorciada, garçonete e ex-alcoólatra. Depois de uma adolescência e início de vida adulta difíceis (que inclusive prejudicaram seu relacionamento com a filha mais velha), Christy está decidida e fazer o seu melhor e, por isso, frequenta religiosamente os encontros do AA. Porém, o que ela não esperava é que em uma dessas reuniões ela fosse reencontrar quem ela julga ser culpada por todos os erros do passado: sua mãe, Bonnie, ex-alcoólatra e ex-dependente química. Determinada a se redimir com Christy, Bonnie vai enfrentar muita resistência e mágoa por parte da filha.

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Mom é uma comédia sensacional, com diálogos irreverentes, cenas engraçadas e personagens carismáticos. Além da relação de Christy e Bonnie, as amizades que as duas constroem no AA são sólidas e cativantes, especialmente porque elas acabam formando um grupo super heterogêneo: temos a certinha Marjorie, a perua Jill, a chorona Wendy e outras mulheres que também criam vínculos ao longo do caminho. Porém, apesar de terem características mais marcantes, todas passam por situações difíceis e demonstram outras facetas ao longo da trama. Claro, é importante frisar que Mom é uma sitcom, então esses estereótipos acabam sendo usados com frequência para fins cômicos, mas as personagens também são mais do que isso.

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Entretanto, apesar de muito cômica, Mom é uma série com MUITOS momentos dramáticos (e foram várias as vezes em que me peguei rindo num momento e chorando no próximo). Por abordar a questão da dependência química e alcoólica, a série tem como tema principal um assunto bem pesado, que atinge inúmeras pessoas e traz consequências desastrosas na vida de muitas delas. Christy e suas amigas conseguiram dar a volta por cima com a ajuda do AA e umas das outras, mas nem todo mundo tem a mesma sorte. E o bacana de Mom é que a série traz uma abordagem responsável, com vários episódios que evidenciam os estragos e a dor que o alcoolismo e a dependência química causam não somente a quem sofre da doença, mas também aos seus amigos e familiares. Além disso, Mom retrata as dificuldades diárias que alcoólatras e dependentes químicos enfrentam para evitar as recaídas (que, infelizmente, não são incomuns).

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As relações entre os personagens são minha coisa favorita em Mom. É incrível ver como a relação de Christy e Bonnie vai se transformando e, por mais que não seja perfeita, é bonito ver como algumas cicatrizes podem se curar – mesmo depois de tanto tempo. Bonnie é a personagem que rouba a cena, sem sombra de dúvidas: ela é engraçada, jovial e um pouco inconsequente, mas no fundo tem um ótimo coração. Christy acaba até um pouco apagada por conta disso rs. E, já que falei em Christy, vale entrar num assunto meio bizarro: com o passar das temporadas, a maternidade de Christy vai ficando em segundo plano em detrimento de seu desenvolvimento como personagem e do espaço dado a Bonnie e às meninas do grupo do AA. Apesar de tornar a série mais interessante (porque os filhos da Christy são um porre), é uma conveniência de roteiro, porque é nítida a importância dos filhos no processo de sobriedade de Christy. Ainda assim, sejamos honestos: é fácil esquecer que os dois chatos existem. ¯\_(ツ)_/¯

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Resumindo, Mom é uma série cativante. É aquela comédia curtinha, que você maratona sem esforço, mas que ainda assim consegue trazer um tema importante e reflexivo enquanto te arranca gargalhadas numa cena e lágrimas na outra. Recomendo muito! 😉

Título original: Mom
Ano de lançamento: 2013
Direção: Eddie Gorodetsky, Gemma Baker, Chuck Lorre
Elenco: Anna Faris, Allison Janney, Mimi Kennedy, Jaime Pressly, Beth Hall, William Fichtner