Resenha: Aurora Ascende – Amie Kaufman e Jay Kristoff

Oi pessoal, tudo bem?

Finalmente pude conferir Aurora Ascende, que recebi em parceria com a Editora Rocco e fez bastante sucesso na blogosfera (tanto aqui quanto lá fora). O livro promete ser uma aventura sci-fi “a la Guardiões da Galáxia”, e hoje eu divido com vocês como foi minha experiência.

Garanta o seu!

Sinopse: O ano é 2380, a humanidade deixou seu ninho para se espalhar pela galáxia: não apenas a Via Láctea, mas dezenas de outras e os recém-formados cadetes da Academia Aurora estão sendo enviados em suas primeiras missões. Tyler Jones, o garoto prodígio, está pronto para recrutar o esquadrão dos sonhos, mas seu próprio heroísmo idiota faz com que ele fique com o que mais ninguém da academia quis… E esse esquadrão nem é o maior problema de Tyler — ele se chama Aurora Jie-Lin O’Malley, uma garota que foi resgatada no meio do espaço interdimensional. Presa em um sono criogênico por dois séculos, Auri é uma garota fora de seu tempo que pode ser o estopim de uma guerra que vem se formando há milhões de anos. Mas a chegada dela não é uma coincidência, e sim o prenúncio de uma grande batalha vindoura. Uma que decidirá o destino de todas as espécies. E o esquadrão de desajustados de Tyler é a última esperança de toda a galáxia.

Tyler Jones é o Garoto de Ouro da Academia Aurora, uma instituição intergaláctica que visa treinar novos cadetes e agentes espaciais da Legião Aurora, uma organização independente pacificadora cujos membros mediam conflitos e patrulham áreas neutras do espaço, em uma atuação similar à da ONU. No dia da formatura de Tyler, ele finalmente colheria os frutos de seus esforços, sendo o primeiro Alfa (ou seja, líder de esquadrão) a escolher os membros do seu, podendo ficar apenas com a nata dos cadetes. Porém, tudo dá errado quando ele recebe um sinal de vida encontrada naquilo que é conhecido como Dobra (uma espécie de “buraco” no espaço que permite viagens galácticas mais curtas, mas também oferece riscos ao corpo humano). Ao ir em busca desse sinal, Tyler não apenas perde a cerimônia (ficando preso ao esquadrão 312 que, apesar de felizmente ter sua irmã, Scarlett, e sua melhor amiga, Cat, é também formado por três membros problemáticos que ninguém mais quis) como também se depara com uma nave que estava desaparecida há mais de 200 anos – e o mais surpreendente é que há uma garota viva dentro dele. O jovem consegue resgatá-la e levá-la para a Academia, mas essa decisão é somente a primeira de uma série de consequências que o resgate da jovem – que, coincidência ou não, se chama Aurora  representa.

Todo esse parágrafo foi uma tentativa de resumir a pontinha do iceberg de Aurora Ascende. O livro tem um universo bastante rico e cheio de informações para serem absorvidas pelo leitor, como costuma acontecer em livros que iniciam uma série. Aprendemos, durante a leitura, que cada esquadrão da Legião é formado por um Alfa (líder), um Ás (piloto), uma Frente (diplomata), um Cérebro (responsável por ciências médicas), um Tanque (guerreiro) e um Mecanismo (uma espécie de engenheiro). Apesar de Tyler ter a melhor Ás (Cat) e uma Frente impecável (Scarlett), os outros três membros que ele recebe são inconsequentes, insubordinados e insolentes. O Cérebro é Zila Madran, uma jovem que adora explodir coisas e usar sua pistola em tudo que se mexe. Ela não sabe lidar com outros seres humanos e tem pouquíssimas falas ao longo da obra, o que espero que seja remediado no próximo volume. 

resenha aurora ascende

O Mecanismo é meu personagem favorito, Finian (ou Fin). Ele é um personagem alienígena irreverente e debochado, que usa de piadas para aliviar qualquer tensão – mas também para esconder sua dor de ser rejeitado por todos que o cercam devido a uma condição física que o fragiliza. Por fim, temos Kal, o guerreiro. Esse personagem é outro alienígena, mas da espécie Sildrathi, que tem uma trama própria correndo paralela. Kal é um cara que é julgado no minuto em que pisa em qualquer ambiente devido ao glifo tatuado em sua testa, que marca seu clã dos Guerreiros, visto com desconfiança devido à rebelião promovida por esse mesmo clã contra o acordo de pacificação entre a Terra e os Sildrathi. Pra finalizar, temos as já mencionadas Scarlett e Cat. A primeira é o estereótipo da garota sexy que conquista tudo com seu charme, o que é cansativo, mas felizmente ela se revela uma jovem empática, sensível e capaz de ajudar todos ao seu redor. Cat é a garota durona que reclama a todo instante da presença de Auri. Ciúmes de Tyler? Vão ter que ler pra descobrir.

E como falar dos personagens sem mencionar aquela que se une ao esquadrão se querer? Aurora O’Malley passa mais de 200 anos em hibernação e, quando acorda, tudo que conhece se foi: seus amigos, sua família, seu lar. Ela estava em uma expedição que iria desbravar um novo planeta conhecido como Octavia III, mas todas as pesquisas que faz negam a existência de qualquer colônia lá. Para piorar, Auri passa a ser acometida por visões estranhas em idiomas que ela nunca ouviu, além de revelar poderes perigosos que surgem sem explicação – colocando não apenas Aurora como todo o esquadrão em perigo.

Aurora Ascende é um livro cheio de ação, e a partir do minuto em que Tyler resgata Aurora nenhum personagem tem paz. Eles partem em uma missão de rotina, mas tudo demonstra ser muito mais perigoso quando a própria Força de Defesa Terráquea e a Agência de Inteligência Global (duas instituições perigosas e poderosas que regulam muitas das dinâmicas intergalácticas) surgem para “levar Aurora para casa”. Só que as visões da jovem a alertam para o real intuito dessas pessoas, e de alguma forma ela sabe que desejam apagá-la do mapa, assim como fizeram com toda a colônia de Octavia III. Movido por seu senso de justiça (e pelo conselho do melhor amigo de seu falecido pai), Tyler decide acreditar em Aurora e defendê-la, aceitando ir até o fim do mistério que cerca a garota e seus poderes telecinéticos – que vão se revelando cada vez mais fortes e instáveis. Quando o esquadrão 312 se torna oficialmente fugitivo, as páginas são tomadas de um ritmo ainda mais intenso, porque nenhum personagem pode relaxar nem por um minuto sem o risco de ser capturado. Essa fuga os leva a novos planetas, faz com que o grupo encontre novos inimigos e também revela que existem segredos mantidos a sete chaves pela FDT e pela AIG – segredos que podem ser uma ameaça não apenas para a Legião Aurora, mas para a galáxia inteira.

resenha aurora ascende 2

Entretanto, Aurora Ascende peca em ser um livro que traz a sensação de “eu já vi isso antes”. A protagonista tendo visões que não entende e sendo possuída por algum tipo de ser/poder/inteligência que perde o controle e coloca seus amigos em perigo me fez lembrar automaticamente de Kira, de Dormir em um Mar de Estrelas. As viagens dos personagens por diferentes planetas e lugares, cheias de perseguições e planos arriscados, me remeteram a Desafiando as Estrelas. E a relação entre Kal e Aurora me lembrou uma versão fraca do imprinting de Jacob por Renesmee em Amanhecer. 😂 O casal tem zero química e em nenhum momento consegui torcer ou suspirar por ele; pelo contrário, fiquei meio que enjoada com a melosidade do instalove que Kal sente por Aurora, assim como achei bem repentino ela subitamente decidir que vai dar uma chance de gostar dele de volta. Essa sensação se agravou pra mim principalmente porque Aurora não é uma protagonista carismática. Todos os personagens possuem características marcantes (mesmo Zila, que mal tem falas), mas Aurora é genérica e esquecível.

Aurora Ascende tem bons personagens, que iniciam sua relação de forma disfuncional mas, com o passar das páginas, aprendem a confiar e a respeitar uns aos outros. É bacana ver o relacionamento deles se desenvolver e, principalmente, ver a evolução que cada um deles tem com as próprias questões. O final do livro traz um clímax bem impactante e me emocionou, ainda que eu nem goste da personagem envolvida – ou seja, foi conduzido de forma competente e convincente. Passei cerca de um mês lendo Aurora Ascende de forma arrastada, mas o final foi capaz de me instigar a querer ler a continuação o mais breve possível. Pena que falte carisma à personagem-título, com a qual não consegui simpatizar, e que muitos aspectos da obra sejam meio lugar-comum. Mas, pra ser honesta, como mencionei na resenha de Lightyear, sci-fi não é a minha praia e sempre exige mais da minha paciência enquanto leitora. Juro que aqui o “não é você, sou eu” não é desculpa esfarrapada. 😂 Então, se você não tem dificuldade com o gênero, é bem provável que adore e se divirta com Aurora Ascende. 😉

Título original: Aurora Rising
Série: Ciclo Aurora
Autores: Amie Kaufman e Jay Kristoff
Editora: Rocco
Número de páginas: 368
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Review: Lightyear

Oi pessoal, tudo bem?

Como fã assumida da Disney e da Pixar, dei um voto de confiança e fui conferir Lightyear no cinema. Querem saber como foi? Continuem lendo! 🚀

Sinopse: Nesta aventura de ficção científica cheia de ação, conhecemos a origem definitiva de Buzz Lightyear, o herói que inspirou o brinquedo. “Lightyear” segue o lendário Space Ranger em uma aventura intergaláctica ao lado de um grupo de recrutas ambiciosos e seu companheiro robô Sox.

A proposta do filme não é contar a história do boneco, mas sim a que inspirou a criação dele – ou seja, a história do filme do qual Andy (de Toy Story) se tornou fã. Apesar disso, existem pequenas referências à franquia dos brinquedos, o que traz um pouco de magia ao longa que, sem a associação, acaba se tornando um sci-fi genérico. As falas do Buzz, o modo como ele se movimenta (saltando de um lado para o outro) e até a teimosia em seguir com suas missões fazem a gente lembrar imediatamente do primeiro Toy Story, mas infelizmente isso não foi suficiente pro filme me deslumbrar.

Na trama, Buzz é responsável por um acidente que prende a tripulação de sua nave em um planeta hostil. Com um forte senso de dever, o espaçonauta está determinado a concluir a missão e devolver a vida normal a seus colegas, à sua melhor amiga (Alisha Hawthorne) e a si mesmo, pois todos sonham em ser grandes patrulheiros espaciais. Acontece que para fugir desse planeta, Buzz precisa fazer testes no espaço com combustíveis instáveis à velocidade da luz, tendo como consequência não apenas falha na missão como uma passagem de tempo de 4 anos a cada tentativa – mas somente pra quem ficou no planeta, não para Buzz, que segue sem envelhecer. Em determinado momento, uma passagem de tempo muito maior acontece e ele se depara com uma nave alienígena que está fazendo refém a população humana do planeta em que estão presos, e o protagonista pode contar apenas com o auxílio de três recrutas atrapalhados e um gato-robô.

O ritmo de Lightyear é um pouco confuso e, uma vez que Buzz viaja para o momento em que a nave alienígena se torna a nova grande ameaça, as coisas se tornam bastante arrastadas. O trio que auxilia Buzz é composto pela neta de sua melhor amiga, Izzy (que tem fobia do espaço), uma velha senhora cumprindo condicional, Darby, e um homem inseguro (e chato demais), Mo. Só se salva o gato-robô, Sox, que é maravilhoso e obviamente criado pra vender bonequinhos depois, mas que a gente ama igual. Ele é o autor das melhores piadas do filme, e também as mais naturais. Os cadetes representam a necessidade de Buzz de se possibilitar ser ajudado, se perdoar pelos próprios erros e também vêm para ensiná-lo a ter humildade – já que no começo do longa ele se acha a pessoa mais capaz do mundo e tem baixíssima tolerância a novatos. Porém, a química entre o grupo não funciona, e em mais de um momento me peguei pensando em quanto tempo faltava para o filme terminar.

A tal nave alienígena que ameaça os humanos é comandada por ninguém mais, ninguém menos que Zurg, personagem que gera o boneco que é um dos vilões de Toy Story 2. E apesar das motivações do vilão até fazerem sentido, o plot destinado a ele demora tanto tempo pra acontecer que a minha paciência já tinha se esvaído. Pra vocês entenderem do que estou falando, dá pra dividir o filme em 3 atos: no primeiro, vemos Buzz e Hawthorne testando combustíveis para voltar à vida normal; no segundo, Buzz está conhecendo seus novos aliados forçados e fugindo dos robôs de Zurg com eles; o terceiro acontece na nave de Zurg, em uma batalha contra o vilão. O que me incomodou foi não sentir uma progressão natural e fluida entre eles, com montagens que deram a sensação de um filme mais longo do que precisava ser.

Mas é claro que, além das referências bem feitas a Toy Story, existem pontos a serem exaltados no longa. Hawthorne, por exemplo, é um exemplo de liderança feminina, além de ser uma mulher negra e parte da comunidade LGTBQIA+. Ela protagoniza o primeiro beijo lésbico que a Pixar apresentou de forma explícita e foi de forma natural e muito fofa, em uma montagem que a mostra construindo uma vida no planeta que, forçadamente, foi obrigada a chamar de lar. Hawthorne está lá pra mostrar a Buzz que nem sempre o dever é a única coisa que conta, e que o amor, os amigos e a família são muito mais valiosos. Além dessa personagem super bacana, o filme também é lindo visualmente. As viagens de Buzz na velocidade da luz são bem impressionantes, as cenas têm uma pegada bem Star Wars e os detalhes gráficos do filme são caprichados – como o realismo das gotas de suor na pele de Buzz em momentos de grande tensão, por exemplo.

Lightyear tem sido chamado de “Interestelar das animações” por algumas pessoas, mas como ainda não vi Interestelar, não posso dar meu parecer. 😂 Contudo, uma coisa que tenho tido cada vez mais certeza sobre mim mesma é que sci-fi não é a minha praia, por mais leve e divertida que a trama seja (e em breve esse assunto vai surgir por aqui de novo, numa das próximas resenhas planejadas). A verdade é que faz um tempinho que a Pixar não me arrebata (ainda que Lightyear tenha conseguido arrancar uma ou duas lágrimas), e estou sentindo falta de produções como o incrível e sem defeitos Viva – A Vida é Uma Festa. Lightyear, na minha humilde opinião, é só mais um sci-fi entre tantos que eu provavelmente não vou assistir novamente. Espero que vocês tenham uma experiência melhor mas, no meu coração, quem ganha ainda é o boneco. ❤

Título original: Lightyear
Ano de lançamento: 2022
Direção: Angus MacLane
Elenco: Chris Evans, Uzo Aduba, Peter Sohn, Keke Palmer, Taika Waititi, Darby Steel, James Brolin

Resenha: Eu Só Escrevo Quando Tô Mal – Isadora Salines

Oi pessoal, tudo bem?

Poesia não é um gênero que aparece muito por aqui, mas vez ou outra gosto de sair da zona de conforto. Por isso topei fazer a leitura do livro de estreia da Isadora Salines, Eu Só Escrevo Quando Tô Mal, uma coletânea de poemas que reúne as experiências da autora em relação a amor próprio, paixões, luto e outros temas.

Sinopse: O que você faz com o que acontece com você? Tem gente que grita, que pinta, que guarda, que surta. Tem quem finge que não aconteceu e tem quem diz “faz parte” e segue em frente. Uns desmoronam, outros aprendem. Uns fazem drama, outros fazem arte. Isadora Salines faz poema e poesia. O livro Eu só escrevo quando tô mal é o primeiro da autora, fruto de uma pandemia e de muitos meses de isolamento, onde reviveu histórias, traumas e aprendizados. A obra reúne poemas e poesias que apresentam assuntos como amor, rancor, luto e autoconhecimento de forma dolorosa e reconfortante. Um livro para você se identificar, se descobrir e refletir.

O livro é dividido em capítulos que representam os temas principais dos poemas que virão. A obra como um todo transmite a ideia de que o processo de escrita serve como uma terapia e uma cura para assuntos e momentos difíceis – o que se reflete também no nome do livro, ainda que Salines explique na carta aos leitores que não só as tristezas inspiram seus poemas.

Em Sem parar, o primeiro capítulo, a autora traz a angústia e o medo de ser apagada pela rotina do dia a dia e um receio de ser esmagada pela apatia cotidiana. O gosto da memória, segundo capítulo, foi o que mais gostei (e com o qual mais me identifiquei), porque as palavras giram em torno do processo de luto e da falta que alguém amado faz. Subitamente é outro capítulo que também reúne poemas com a mesma temática, inclusive trazendo uma dedicatória a um amigo que partiu. Entre nós, Dá pra sentir! e Desenlaço são capítulos que trazem poemas mais relacionados a dores amorosas e à saúde dos relacionamentos, bem como as chegadas e partidas na vida de todos nós.

Me convença do contrário foca muito em temas atrelados ao amor próprio, autoaceitação, autoestima e pressão estética, especialmente sob a ótica de uma mulher gorda (como a própria Salines se define). Querer é uma coletânea de assuntos diversos, com poemas que vão desde memórias do passado e reflexões sobre a passagem do tempo. Por fim, Explodi em silêncio explora o uso das palavras como cura e terapia, assim como o desejo de manter a própria essência e autenticidade.

Os conteúdos de Eu Só Escrevo Quando Tô Mal são muito relacionáveis, e Isadora Salines busca traduzir sua experiência de forma clara e transparente. Como aspectos negativos, acredito que as poesias que tentam rimar muito acabaram ficando mais óbvias, porque faltaram nelas a naturalidade e a autenticidade que vi em outras, mais orgânicas. É nítida a inspiração da autora em poetisas como Rupi Kaur e Ryane Leão (ela mesma comenta sobre isso no livro), e apesar de ainda existir um caminho a ser trilhado para o amadurecimento de Salines como escritora, considero que o foco dela esteja no lugar certo pra atingir esse objetivo. E se você quiser apoiar a literatura nacional e adquirir o seu exemplar, ele está em pré-venda no site da editora ou pode ser encomendado diretamente com a Isadora em uma compra coletiva (que barateia o frete). 😉

Título original: Eu Só Escrevo Quando Tô Mal
Autora: Isadora Salines
Editora: Letramento
Número de páginas: 125

Livro cedido em parceria com a autora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: Fundamentos do Prazer

Oi pessoal, tudo bem?

Vamos de dica +18 hoje? Vamos! Quero apresentar a vocês a um documentário curtinho – mas bem relevante – da Netflix chamado Fundamentos do Prazer. 🙂

Sinopse: Sexo, alegria e ciência moderna se unem nesta série reveladora para enaltecer a complexidade do prazer feminino e destruir mitos antiquados.

A produção de apenas 3 episódios tem como objetivo principal levantar o debate sobre como o sexo e o prazer se relacionam com o gênero feminino. O fato é que ainda vivemos em uma sociedade machista, que inibe as mulheres de descobrirem o próprio corpo e aquilo que funciona pra elas no âmbito erótico, portanto é muito comum encontrar mulheres adultas que nunca experimentaram um orgasmo ou tiveram uma relação sexual satisfatória. Some isso ao fato de que o conservadorismo também cumpre seu papel de tentar impedir a educação sexual nas escolas e teremos como resultado um número enorme de mulheres insatisfeitas sexualmente ou propensas a aceitar relações que não as satisfazem por tratar tal situação como normalidade.

O primeiro episódio é focado no corpo feminino. E aqui vale mencionar o acerto do documentário em trazer uma diversidade enorme: mulheres de diversas faixas etárias, heterossexuais, lésbicas ou bissexuais, trans, negras, gordas, magras… as convidadas que participam com seus depoimentos são diversas e consequentemente causam uma empatia imediata, pois é possível nos enxergarmos em seus relatos. Além disso, o documentário também traz pesquisadoras importantes do ramo, bem como profissionais do meio sexual (como uma empresária dona de uma sex shop) para aprofundar o debate. O primeiro episódio gira em torno da biologia por trás do orgasmo feminino: o documentário apresenta claramente o potencial clitoriano, que por tantos (homens, cof cof) é visto como algo tão pequeno e insignificante – sendo um órgão bem maior do que o que vemos no exterior. As participantes do documentário focadas em elucidar questões e tirar dúvidas explicam como o corpo feminino opera do ponto de vista mais funcional, enquanto as mulheres que compartilham suas experiências revelam seu processo de aprender mais sobre o próprio corpo.

O segundo episódio tem como pauta o poder da mente e do impacto dos pensamentos para o prazer feminino. Mas não de um jeito estereotipado, de que as mulheres têm mais dificuldades do que os homens para sentirem prazer. Na verdade, o documentário provoca a reflexão de que o sexo deve começar muito antes da iniciativa física, e que uma responsividade corporal não necessariamente reflete uma disposição mental para o ato em si. O que eu quero dizer com isso? Que mesmo uma resposta física positiva ao estímulo pode não significar necessariamente que a mulher esteja pronta para de fato engajar em uma relação, porque sua mente pode não estar no lugar certo naquele momento. E por que falar sobre isso é importante? Porque entender como funcionamos é essencial para saber quando queremos de fato dizer sim ou não a uma investida – o famoso consentimento, mais aprofundado no episódio 3.

É no último episódio do documentário que ele se debruça sobre as relações de afeto e a sexualidade. E aqui vale trazer novamente o peso do consentimento para as relações. Um tema ainda nebuloso, mas real, é o estupro marital. Em um casamento (principalmente heterossexual), existem parceiros que podem sentir que possuem “direito” ao corpo do outro, sendo o sexo uma obrigação que faz parte do relacionamento. Essa objetificação do corpo feminino é grave e trata-se de um sintoma de uma sociedade que ainda coloca mulheres como seres à disposição dos homens, devendo cumprir seus “deveres” pressupostos. Por isso é tão importante refletir sobre a saúde das relações afetivo-sexuais e empoderar mulheres a respeito de seus corpos e seus prazeres, de modo a entender o que é uma resposta genuína ao desejo daquilo que é uma resposta unicamente física e biológica.

Fundamentos do Prazer é um documentário curtinho, com abordagem irreverente e traz participantes diversas – todas com suas próprias histórias, medos, dúvidas e conquistas. É um lembrete importante do quão empoderador é ser dona do próprio corpo e das próprias vontades, e nada como o autoconhecimento para nos dar as ferramentas necessárias a esse processo. Talvez, como crítica negativa, tenha faltado um pouco mais de aprofundamento nas questões que envolvam prevenção de ISTs e afins, que também é um fator importante que deve ser levado em consideração em cada relação. Recomendo não apenas às mulheres, mas também aos homens que desejam abrir a mente e entender mais sobre o universo do prazer feminino. Todo mundo sai ganhando. 🙂

Título original: The Principles of Pleasure
Ano de lançamento: 2022
Direção: Niharika Desai
Elenco: Michelle Buteau, Supriya Ganesh, Annie Pisapia, Gina Nicole Brown

Resenha: O Visconde Que Me Amava – Julia Quinn

Oi gente bonita! Como estão?

Eu adoro a adaptação de Bridgerton, mas nunca tive vontade de ler os livros (mesmo que eles façam sucesso entre os fãs de romance de época). Acontece que o romance de Anthony e Kate na segunda temporada me deixou muuuito órfã, então resolvi ler unicamente O Visconde Que Me Amava pra matar a saudade dos dois. Todavia, a experiência não foi bem como eu esperava… 👀

Garanta o seu!

Sinopse: A temporada de bailes e festas de 1814 acaba de começar em Londres. Como de costume, as mães ambiciosas já estão ávidas por encontrar um marido adequado para suas filhas. Ao que tudo indica, o solteiro mais cobiçado do ano será Anthony Bridgerton, um visconde charmoso, elegante e muito rico que, contrariando as probabilidades, resolve dar um basta na rotina de libertino e arranjar uma noiva. Logo ele decide que Edwina Sheffield, a debutante mais linda da estação, é a candidata ideal. Mas, para levá-la ao altar, primeiro terá que convencer Kate, a irmã mais velha da jovem, de que merece se casar com ela. Não será uma tarefa fácil, porque Kate não acredita que ex-libertinos possam se transformar em bons maridos e não deixará Edwina cair nas garras dele. Enquanto faz de tudo para afastá-lo da irmã, Kate descobre que o visconde devasso é também um homem honesto e gentil. Ao mesmo tempo, Anthony começa a sonhar com ela, apesar de achá-la a criatura mais intrometida e irritante que já pisou nos salões de Londres. Aos poucos, os dois percebem que essa centelha de desejo pode ser mais do que uma simples atração.

Diferente da adaptação, em O Visconde Que Me Amava temos duas irmãs londrinas, sem ascendência indiana – Kate e Edwina Sheffield – que estão debutando por conta própria com o apoio da mãe. Elas também passam por dificuldades financeiras, então essa temporada social é crucial pra ambas, pois não terão condições de financiar mais tempo na capital inglesa. Edwina é uma verdadeira joia preciosa, bonita e delicada, o sonho de qualquer nobre cavalheiro – e é por isso que Anthony Bridgerton decide que ela deverá ser sua esposa. O chefe da família Bridgerton vê o casamento como um negócio entre duas partes, sem nenhum sentimento envolvido, por isso deseja resolver a questão do modo mais pragmático possível. Porém, existe um obstáculo inesperado: ao conhecer Kate, irmã de Edwina, sua vida vira de cabeça pra baixo. Primeiro porque Kate está determinada a impedir a união (pois acredita que Edwina merece um matrimônio por amor); segundo porque a irmã Sheffield mais velha mexe com todas as suas estruturas.

Acho que existem três diferenças cruciais entre o livro e a série que foram também as coisas que ou contaram pontos a favor do livro ou tiraram pontos dele: a personalidade de Kate e Anthony; o triângulo amoroso; a união do casal principal. Vamos começar pela personalidade dos protagonistas, então. Kate Sheffield, diferente de Kate Sharma, é uma personagem que não se comporta de acordo com a etiqueta social. Ela não sabe dançar, é atrapalhada, não controla a própria língua e se sente desajustada e inadequada nos bailes e soirées. Já na série ela não apenas domina essas situações como é a principal pessoa a instruir Edwina sobre as boas maneiras. A Kate do livro me pareceu uma personagem bem estereotipada, a clássica “garota diferente das outras”, que conquista o mocinho mesmo sendo desajeitada. Além disso, além de não ter a mesma altivez de sua contraparte televisiva, a protagonista feminina não é nem de perto tão mordaz quanto ela. Eu lia os comentários do fandom dizendo que Anthony é cadelinha da Kate, mas o que eu vi foi o contrário: ela apaixonadinha por ele e, uma vez casada, sendo muito mais passiva do que eu jamais esperaria.

Anthony foi outra decepção e também diferiu bastante da versão da Netflix. Como pontos positivos, gostei dele ser mais provocador, engraçado e espirituoso (enquanto na série ele é bem sisudo e formal). Porém, a maneira como ele a trata no início da história é grotesca pros meus parâmetros: ele manda ela calar a boca, segura seu rosto com força a ponto de machucar e a CHUTA em uma cena na qual ela está escondida no escritório dele. Tá, tudo bem que ele só faz isso depois que Kate morde sua canela (outra sem noção) porque ele a viu embaixo da mesa e a está provocando, mas como Julia Quinn espera que eu suspire por um mocinho capaz de chutar seu futuro par romântico? De novo: pros MEUS parâmetros, isso não dá, não é justificável e muito menos fofo e engraçado. Fora a agressão verbal que mencionei antes, quem ele pensa que é pra mandar Kate calar a boca? Enfim, sei que coisas muito piores aconteciam no século 19, mas se eu quisesse ler esse tipo de coisa leria romance histórico, não romance de época.

A união dos dois protagonistas ocorre bem cedo na história, ao serem flagrados em uma situação comprometedora porque Kate foi picada por uma abelha e Anthony tenta sugar o veneno (fiquei com vergonha alheia nessa cena). O lado positivo disso é que temos mais momentos Kathony, que eu senti muita falta na série. O lado negativo é que, por ser um casamento forçado, a coisa toda acaba sendo menos romântica do que aquele momento maravilhoooso no último episódio, em que Anthony se declara e pede Kate em casamento. O livro faz um bom trabalho em explicar os motivos pelos quais o mocinho não deseja envolver afeto na relação: ele se inspirava no pai para tudo e, considerando que o pai morreu aos 38 anos devido a uma picada de abelha, Anthony não acredita que conseguirá ultrapassá-lo nem mesmo em idade. Por isso, ele não quer viver a experiência de ter um grande amor sabendo que seus dias estão contados. Esse trauma é bem trabalhado, assim como o de Kate: sua mãe morreu quando ela era muito pequena em uma noite de tempestade, e ela tem crises de pânico sempre que chove forte. Os dois compartilham um momento de abertura e apoio mútuos muito bonito no livro, que infelizmente não foi retratado na TV. Por fim, temos a falta de triângulo amoroso, a melhor parte da obra pra mim. Detestei esse elemento em Bridgerton, ele serviu apenas pra dar menos tempo de tela pro casal Kathony e causar uma desnecessária briga entre as irmãs – que no livro são muito unidas (e Edwina não tá nem aí pro Anthony, sendo bem sincera).

A verdade é que, de modo geral, eu adoro a série Bridgerton mas não gostei nadinha da escrita de Julia Quinn (não me xinguem, fãs da autora 😂). O Visconde Que Me Amava não me cativou, não me deixou com borboletas no estômago e nem me fez admirar o amor dos protagonistas – elementos que sempre busco nos romances de época. Sendo otimista, foi bom tirar essa prova real, já que sempre via a blogosfera elogiando a autora, e agora comprovei que Julia Quinn não é pra mim. Vou seguir lendo Lisa Kleypas e pretendo me aventurar por outras autoras como Tessa Dare e Sarah MacLean, que também são super elogiadas. E se vocês tiverem mais indicações, deixem nos comentários, por favor. Vou adorar expandir meu repertório. 📚

Título original: The Viscount Who Loved Me
Série: Os Bridgertons
Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288
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Resenha: Os Amadores – Sara Shepard

Oi pessoal, tudo bem?

Sara Shepard é muito conhecida pela famosa, Pretty Little Liars, cujos livros inspiraram uma adaptação televisiva de sucesso. Mas hoje vamos conhecer o primeiro volume da sua mais recente série investigativa: Os Amadores.

Garanta o seu!

Sinopse: Há cinco anos, a estudante do ensino médio Helena Kelly desapareceu do quintal de sua casa, em Dexby, Connecticut. Ninguém nunca mais ouviu falar dela e sua família ficou sem respostas sobre quem sequestrou e matou Helena ou o porquê. Quando Seneca Fraiser, de dezoito anos, vê uma postagem desesperada no site Caso Não Encerrado, ela sabe que é hora de mudar isso. Afinal, o desaparecimento de Helena é o motivo de ela ter ficado obcecada por casos não resolvidos e estar nesse site. Determinada a desvendar esse mistério, ela resolve passar o recesso de primavera em Connecticut trabalhando nesse caso junto com Maddy Wright, sua principal conexão do site Caso Não Encerrado. Mas desde o momento em que ela sai do trem, tudo começa a dar errado. Maddy não é quem ela esperava que fosse, e Aerin, a irmã de Helena, parece não querer nenhuma ajuda. Além disso, Seneca tem um segredo que pode colocar em cheque toda a investigação. Junto com outro usuário do site, Brett, eles vão descobrindo aos poucos os segredos que Helena mantinha até as semanas que antecederam seu desaparecimento. Mas o assassino está por perto… e está determinado a manter esse caso sem solução.

Seneca Fraiser é uma jovem estudante apaixonada por casos de true crime. Ela participa de um fórum chamado Caso Não Encerrado, em que vários usuários contribuem com teorias, imagens, vídeos e evidências sobre inúmeros crimes sem solução. É nesse fórum que Seneca se depara com o pedido de ajuda de Aerin, irmã mais nova de Helena Kelly, cujo desaparecimento seguido de morte nunca foi solucionado. Seneca é obcecada por esse caso e não hesita em viajar para Dexby (a cidade de Aerin) a convite de sua amiga Maddy Wright, que também mora lá. Para a surpresa de Seneca, ao chegar ela descobre que Maddy é na verdade um garoto chamado Maddox, Aerin está menos propensa a colaborar do que Seneca imaginava e alguém misterioso está empenhado em impedir o curso da investigação.

Os Amadores é um livro com narrativa de fácil entendimento e uma pegada BEM teen. Faço esse disclaimer porque, se você não se identifica com esse estilo, talvez acabe se decepcionando – como foi o meu caso. Eu amo tramas investigativas, mas não ando tendo muita afinidade ou paciência para abordagens mais superficiais, e Sara Shepard nos apresenta a personagens bem unidimensionais e previsíveis, ainda que ela tente usar o passado deles como oportunidade de aprofundamento. Outro ponto importante é o uso de recursos inverossímeis para destravar situações impossíveis (um exemplo disso é uma empresa cair em uma engenharia social fraquíssima bolada por um grupo de adolescentes).

Seneca não é uma protagonista cativante, muito pelo contrário. Ao descobrir que Maddy é um garoto, ela muda completamente com ele e permanece assim ao longo da maior parte do livro. Ao mesmo tempo em que ela fica constrangida por ter se aberto com ele na internet imaginando que ele fosse uma garota, ela também se sente atraída por Maddox. Esse clima de “não-romance” não funciona e torna bem difícil não só se envolver com os dois como torcer por eles também. O fato de Maddox ter um rápido romance com sua treinadora também não ajuda, e ele acaba exercendo um papel menos de co-protagonista e mais de coadjuvante.

Aerin é o estereótipo de garota linda e loura que usa o corpo e o álcool pra afogar os sentimentos mais profundos que não deseja enfrentar. A perda da irmã a assombra e a sufoca, e sua solução para lidar com o luto e a ruptura de sua família é sair com o máximo de rapazes possíveis. Sara Shepard constrói a personagem como uma pessoa viciada em flertar, e ela faz isso tanto com o policial que posteriormente surge na história quanto com o quarto membro do grupo de investigadores, Brett, outro membro assíduo do Caso Não Encerrado que foi convidado por Maddox a integrar o time. E já que estamos falando do comportamento de Aerin, a obra me causou uma sensação bem incômoda com relação ao modo que Shepard retrata o gênero feminino. O fato de Aerin ter pouco mais a oferecer do que cenas de flerte somado a vários diálogos que reforçam estereótipos (como quando os irmãos Madison e Maddox falam “garotas sempre mentem” ao se referir à instrutora do segundo) transmitem uma sensação de machismo e misoginia velados na narrativa da escritora, o que me fez ficar de cara fechada em mais de uma ocasião ao longo da leitura.

Como mérito da obra, a investigação do caso de Helena é bem fluida e interessante. A forma como o grupo de amadores vai construindo o caso é bacana e vai adicionando peça por peça ao quebra-cabeça que o caso Kelly representa. Além disso, o plot twist do final é MUITO bom, sendo capaz de me surpreender e me fazer dar uma estrela a mais ao livro. Sara Shepard amarrou direitinho as pontas soltas da história e deixou um ótimo gancho para a continuação – que já foi lançada pela editora Rocco e se chama Os Seguidores (em breve leio e resenho pra vocês).

Os Amadores é uma opção de leitura bem despretensiosa pra quando você estiver buscando um livro investigativo leve, de narrativa simples e sem grandes pretensões. Ele entretém, mas não é uma obra marcante, daquelas que fazem o leitor querer falar sobre sem parar, e também necessita de um olhar crítico para que os estereótipos de gênero não sejam reforçados no imaginário do leitor. Acredito que eu não seja mais o público-alvo dos livros da Sara Shepard, mas muitas pessoas são fãs do estilo de escrita da autora. Fica a seu critério decidir se essa leitura entra na lista. 😉

Título original: The Amateurs
Série: Os Amadores
Autora: Sara Shepard
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Review: Tokyo Revengers

Oi pessu, tudo certo?

A personagem Pri otaku tava há um tempo sem dar as caras por aqui, né? 😂 Então hoje vim dividir minhas impressões sobre um anime que vem fazendo bastante sucesso e cuja segunda temporada está confirmada: Tokyo Revengers.

Sinopse: Takemichi Hanagaki é um desempregado que sobrevive de bicos e está na fossa. Ele descobriu que Hinata Tachibana, sua primeira e última namorada, com quem namorou no fundamental, foi morta pela impiedosa Gangue Manji de Tóquio. No dia seguinte à notícia, ele está na beira da plataforma do trem e é empurrado pela multidão. Ele fecha os olhos se preparando para morrer, mas ao abrir, ele voltou no tempo para quando tinha 12 anos de idade. Agora que ele está na melhor época de sua vida, Takemichi decide se vingar de sua vida, salvando sua namorada e parando de fugir de si mesmo.

Antes de falar sobre o plot em si, vale ressaltar que Tokyo Revengers explora uma subcultura japonesa dos delinquentes, como os próprios personagens dizem. Mas, apesar da palavra ser abrangente, existem diversos grupos que se enquadram nessa categoria – dos bullies de colégio até gangues de motoqueiros. A questão é que são indivíduos que destoam do bom comportamento esperado, especialmente nesse contexto de animes escolares (como é o caso de Tokyo Revengers).

Ok, com isso posto, vamos à trama: Takemichi é um rapaz de 26 anos que se considera um loser. No passado, ele e seus amigos mais próximos tentaram formar uma espécie de gangue pra amendrontar outros alunos da escola, mas acabaram se tornando “lacaios” de uma gangue importante, a Toman (abreviação de Gangue Manji de Tóquio), até que o Ensino Médio acabou e ele se afastou de tudo isso, deixando namorada e amigos pra trás. Esse passado do qual Takemichi fugiu volta a assombrá-lo quando ele vê uma notícia de que Hina, sua antiga namorada, morreu em uma ação causada pela Toman. Após receber essa notícia chocante, o rapaz é empurrado numa estação de trem em direção aos trilhos, mas acaba sendo salvo pelo irmão mais novo da moça, Naoto, que se tornou policial e investiga a Toman. O aspecto “mágico” do anime fica por conta de uma habilidade que os dois descobrem nesse incidente na estação: ao tocar Naoto, Takemichi é capaz de voltar 12 anos no passado – mas sempre 12 anos a partir do dia presente. Ou seja, ele ganha uma nova chance de mudar a forma como as coisas aconteceram, mas não pode fazer isso várias vezes, já que cada dia é único tanto no presente quanto no passado. Com isso em mente, o objetivo da dupla é impedir que a Toman se torne maligna e cause a morte de Hina, mas a convivência com os membros da gangue e as alterações provocadas fazem com que Takemichi perceba que tem muito mais vidas em jogo do que ele imaginava.

Além da curiosidade provocada pelo questionamento de “será que é possível mudar o passado?”, um dos grandes méritos de Tokyo Revengers reside muito em seus personagens secundários. Quando Takemichi retorna para seus tempos de escola, ele provoca alterações que o levam a se aproximar do comandante da Toman, Mikey, e seu vice, Draken. Os dois são personagens perigosos e, desde sua primeira aparição, é nítido que eles impõem respeito sem esforço. Em contrapartida, Mikey tem um jeito quase infantil quando não está na sua “postura de comandante”, e faz amizade com Takemichi rapidamente. Draken, por sua vez, vai se revelando como o estereótipo do cara que é durão por fora, mas com um bom coração; ele cuida de Mikey com uma lealdade inabalável, e também acolhe o protagonista, estendendo sua proteção a ele também. Os dois são muito carismáticos e não demoram a roubar a cena, especialmente porque o anime tem muito mais desenvolvimento no passado (com Takemichi na escola) do que no presente (quando ele já é adulto), então vemos de perto como a Toman era conduzida por eles no começo da gangue.

Porém, sabemos que no futuro a Gangue Manji de Tóquio foi para um caminho de crimes muito mais pesados, e é aí que a nossa curiosidade é atiçada. Na primeira linha temporal apresentada, o anime nos relata o destino trágico de determinado personagem; Takemichi então acredita que precisa mudar esse acontecimento para evitar o caos no futuro. Mas, conforme ele vai tendo sucesso na sua missão, ele volta ao presente (apertando a mão da versão criança do Naoto) e percebe que ainda assim não conseguiu salvar Hina. É nesse ponto que Tokyo Revengers me instigou: será mesmo possível mudar as coisas ou estamos presos à inevitabilidade do destino? Assistir às tentativas do protagonista de salvar a todos a quem ele se afeiçoa me fez pensar em Efeito Borboleta 1, um filme que até hoje encaro como sensacional e que tem um gosto amargo por mostrar que mexer com o destino pode ser ainda mais perigoso do que simplesmente aceitá-lo.

Esse lado místico de Tokyo Revengers não é o foco da trama, sendo bem mal explicado e algo que considero um defeito. Comentei algo parecido na minha resenha de É Assim Que se Perde a Guerra do Tempo, que também traz o conceito de viagem temporal de modo apenas expositivo, sem maior aprofundamento. Ou você aceita, ou você aceita, a vibe é essa. 😂 Talvez no futuro o anime se debruce mais nessas questões relacionadas à habilidade de Takemichi de voltar no tempo, mas até o momento o que temos é um elemento místico que serve como catalisador de uma trama que é bem mais focada na tentativa do personagem de evitar maquinações políticas e salvar as pessoas que ele ama.

Mas se os membros da Toman (que vão além de Mikey e Draken – menção honrosa a Baji e a Chifuyu, capitão e vice da 1ª Divisão da gangue, respectivamente) são interessantes e aprofundados, o nosso protagonista é o elo fraco da corrente. Infelizmente, durante a primeira temporada ele passa a maior parte do tempo chorando e se sentindo inútil. E sabem o que é pior? Sendo sincera, essa é a reação mais realista possível quando pensamos que até ontem o personagem era um coitado que nem sabia brigar e que agora se vê no meio de tretas pesadas de uma gangue. Faz sentido que ele tenha medo de agir, e eu reconheço isso. Mas como são 25 episódios de Takemichi sofredor, dá uma afliçãozinha que ele demore tanto a entender que precisa fazer alguns sacrifícios e pensar de forma menos inocente e míope para as situações se quiser atingir seus objetivos. Tenho esperança de que todo o sofrimento que ele vivenciou na primeira temporada sirva como força impulsionadora de uma mudança mais ativa na próxima.

É bem interessante assistir a um anime que faz o espectador gostar de personagens que visivelmente estão fazendo coisas erradas – inclusive tendo cenas violentas e com bastante sangue “explícito”. Mas Tokyo Revengers faz um ótimo trabalho em trazer intrigas políticas pro cerne da história, fazendo com que a missão do protagonista vá muito além de mexer em um ou outro acontecimento do passado pra salvar a garota pela qual ele sempre foi apaixonado. O vilão apresentado ainda teve pouco tempo de tela, mas as linhas temporais já deixaram claro o quanto suas garras penetraram na organização e essa ameaça latente também nos ajuda a querer saber o que vai acontecer no próximo episódio. Não é um anime perfeito, tem alguns problemas de conveniência de roteiro e falta de aprofundamento e seu protagonista não é o mais carismático de todos os tempos. Contudo, o olhar focado na subcultura dos deliquentes, a ameaça que gira em torno de movimentações e intrigas políticas, os carismáticos membros da Toman e o foco na lealdade e na amizade fazem com que Tokyo Revengers ganhe um espaço bacana no coração. Se você curte animes, vale espiar. 😉

Título original: Tōkyō Ribenjāzu
Ano de lançamento: 2021
Direção: Koichi Hatsumi
Elenco: Yuuki Shin, Yu Hayashi, Tatsuhisa Suzuki, Griffin Puatu, Azumi Waki

Resenha: Se Liga, Dani Brown – Talia Hibbert

Oi galera, tudo bem?

Não se deixem enganar pela capa fofinha do livro de hoje: Se Liga, Dani Brown é um romance +18 cheio de cenas quentes e descrições bem gráficas, então fica o aviso. 😂 O livro é o segundo volume da trilogia Irmãs Brown, sendo que já falei sobre o primeiro (Acorda Pra Vida, Chloe Brown, protagonizado pela Brown primogênita) aqui no blog. Sem mais delongas, vamos conhecer a irmã do meio? 😉

Garanta o seu!

Sinopse: Dani Brown precisa de um sinal. Tudo que ela quer é alguém com quem possa se divertir, sem complicações ou sentimentos envolvidos. O problema é encontrar essa pessoa, por isso ela pede ao universo que lhe avise se aparecer alguém que preencha os requisitos. Quando acaba presa em um elevador durante um treinamento de incêndio e é resgatada por Zaf, o segurança rabugento de quem é mais ou menos amiga, Dani pensa ter entendido o recado e começa a bolar um plano para seduzi-lo. Nenhum dos dois espera que o resgate gere rumores de que eles estejam juntos. Muito menos que tais rumores tragam benefícios para suas vidas, o que os leva a encenar um namoro de mentira. Nos bastidores, porém, Dani continua firme com seu plano de seduzir Zaf e conseguir o que quer, mas aos poucos essa amizade colorida se torna mais complicada que sua tese de doutorado. Será que o tiro saiu pela culatra? Ou será que esse é o verdadeiro sinal do universo e Dani só precisa se ligar para ver?

Danika, ou Dani, é uma doutoranda cujo foco total está no trabalho, pois sua prioridade é conseguir atingir seus objetivos de carreira no tempo planejado. Ela, contudo, também tem suas necessidades enquanto mulher (risos) e por isso faz um ritual pedindo ao universo por um p** amigo. É aí que entra em jogo Zaf, segurança da universidade em que Dani trabalha. Os dois têm uma rotina de conversas breves e flertes diários, e existe uma atração física mútua. Acontece que ele não poderia ser mais diferente de Dani: apesar dele ser um muçulmano não-praticante, o que poderia levá-lo a sexo sem compromisso, Zaf leva relacionamentos e sexo bastante a sério, e sabe que qualquer relação casual com a mulher com a qual fantasia em segredo seria sua ruína emocional. Mas o universo dá o seu jeitinho, e em uma simulação de evacuação de emergência ele “resgata” Dani de um elevador quebrado e sai do prédio com ela no colo, cena que as pessoas filmam e gera uma hashtag viral. Todo esse destaque faz com que descubram duas coisas muito importantes sobre Zaf: ele é um jogador de rúgbi profissional aposentado e comanda uma ONG chamada Enfrente, voltada a auxiliar jovens com suas questões psicológicas por meio do esporte. A visibilidade gerada pela viralização começa a auxiliar a ONG, então a dupla resolve fingir um relacionamento em prol da organização. Clichê dos clichês, eu sei.

Vou ser sincera com vocês: achei de uma breguice tão grande a cena do resgate com a “princesa em apuros no colo” que já tive dificuldade de comprar todo o resto da trama, incluindo o namoro fingido. Não consigo entender o motivo pra tanta gente surtar com um casal saindo do prédio e o tanto que as pessoas shipparam isso pra se tornar viral por mais do que uma semana. E o fato de eu ter achado tudo tão forçado provavelmente me gerou uma experiência pior com a leitura do que poderia ter sido. Sempre digo que gosto de clichês, desde que eles sejam bem conduzidos, e infelizmente não senti isso aqui.

Dani é uma protagonista da qual não consegui gostar. Ainda que ela seja uma pessoa generosa e tenha ajudado Zaf, sua recusa em ter qualquer tipo de envolvimento sentimental me soou boba, teimosa e infantil. Os motivos que a levaram a isso são coerentes, e realmente vale a pena ficar de orelha em pé e desconfiada quando você viveu uma situação parecida. O problema é que ela tirou da equação o fato de Zaf ser… Zaf. Desde a primeira página, fica nítido o quanto o ex-jogador rabugento gosta dela – muito antes dele sequer pensar em admitir isso. Ele presta atenção em cada palavra de Danika, olha pra ela com verdadeira devoção, nunca a cobra ou a exige demais em relação à sua rotina puxada ou ao seu trabalho e, mais do que tudo, a incentiva a fazer o for necessário pra atingir seus objetivos. O máximo que ele cobra dela é que ela cuide de si mesma também, que se alimente, que descanse. Sério, Zaf é tão perfeito que chega a ser irritante.

Gostei do plot dele, falando nisso. O ex-jogador passou por uma perda pessoal devastadora que tirou toda a sua vida dos trilhos. Ele abandonou o rúgbi e ficou em um “dark place” por muito tempo, até conseguir se recuperar e retomar o controle da própria vida. Com essa experiência, e sabendo o quão vulneráveis os seres humanos podem ser, Zaf passou a se dedicar a ensinar a jovens garotos como lidar com as próprias emoções. Considerando que, apesar de algumas evoluções, ainda vivemos em uma situação patriarcal e machista na qual homens são inibidos de chorar e demonstrar o que sentem, foi muito legal ver um personagem masculino tão focado em 1) admitir suas próprias fraquezas e lidar com elas e 2) ajudar a construir um espaço seguro para que outros rapazes também possam se sentir assim.

Outro ponto positivo do livro é o mesmo que mencionei em Acorda Pra Vida, Chloe Brown: Talia Hibbert traz representatividade positiva em seus protagonistas. Dani é uma mulher plus size, negra e bissexual, e ela é muito feliz e segura com cada uma dessas características. Zaf é descendente de paquistaneses, então há representatividade não-branca no mocinho também. É muito bacana ver representações positivas de pessoas que fazem parte de minorias, e eu sempre defendo essa abordagem em livros que optam por esse caminho (como é o caso também de Heartstopper, por exemplo, que traz um olhar inspirador e otimista sobre um romance gay). Mais um elogio merecido ao livro são as descrições espirituosas de Talia Hibbert. Ela intercala capítulos em terceira pessoa focados em cada protagonista, e a autora escolhe palavras e formas de estruturar frases que fazem parecer que estamos contando ou ouvindo uma história de algum amigo, sabem? Queria ter separado um trecho pra explicar isso, mas como não o fiz eu peço que só acreditem em mim. 😂

Se Liga, Dani Brown é um romance despretensioso e bem clichê, mas que infelizmente não me marcou muito profundamente. É um livro legal, mas sem muito carisma, então ficam essas ressalvas pra que vocês decidam se estão curiosos o suficiente ou não pra conferir. 😉

Título Original: Take a Hint, Dani Brown
Série: As Irmãs Brown
Autora:
 Talia Hibbert
Editora: Paralela
Número de páginas: 288
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Review: Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Oi pessoal, tudo bem?

O filme pelo qual eu andava hypadíssima chegou e a dupla que eu amo está de volta: Wanda Maximoff e Stephen Strange, os protagonistas (sim, no plural, e já já explico porquê) de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. ❤ É impossível falar do filme sem mencionar quem é responsável pelo papel de antagonista, então se você considera isso um spoiler, é melhor evitar esse review. Mas o tema já está sendo bastante discutido na internet e nos materiais de divulgação, então acho pouco provável que você ainda não saiba dessa informação. Bora lá?

Sinopse: Em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, do Marvel Studios, o MCU liberta o multiverso e explora seus limites como nunca foi feito antes. Viaje pelo desconhecido com Doutor Estranho, que, com a ajuda de novos e velhos aliados, atravessa insanas e perigosas realidades do Multiverso para confrontar um misterioso novo adversário

Há algum tempo a Marvel vem trabalhando o conceito de Multiverso, sendo as aparições mais recentes e significativas em Loki, What If…? e Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa. Mas é aqui, em Doutor Estranho 2, que esse conceito se expande como nunca, nos oferecendo possibilidades infinitas dentro do MCU.

A trama tem seu pontapé inicial quando Strange e Wong salvam uma menina chamada America Chavez de uma criatura monstruosa. Logo eles descobrem que ela não vem daquele universo, mas sim de outra Terra, e está sendo perseguida por demônios que querem roubar o seu poder – a incrível habilidade de viajar pelo Multiverso (sobre a qual America ainda não tem controle). Stephen decide então recorrer a uma de suas aliadas mais poderosas, alguém que pode ajudá-lo a proteger America: Wanda, que aparentemente vive em isolamento após o incidente em Westview. Mas se você assistiu WandaVision, talvez se lembre que na cena final vemos Wanda estudando um livro misterioso; trata-se do Darkhold, repleto de feitiços sombrios e capaz de corromper aqueles que o usam. E é o que acontece com Wanda: obcecada pela ideia de encontrar um universo no qual seus filhos estejam vivos e viajar para lá, Wanda é a verdadeira pessoa por trás dos ataques a America. De forma inesperada, Stephen se vê do lados oposto daquela que até então vinha sendo uma importante aliada nos Vingadores.

Não é injusto dizer que, apesar do plot do Stephen ser ótimo, o protagonismo real desse filme é da Wanda. A personagem, ainda que num papel de vilã, é capaz de despertar empatia no espectador. Afinal, desde sua primeira aparição em Era de Ultron, ela vem vivendo perdas irreparáveis: primeiro fica órfã, depois perde seu irmão gêmeo, então se apaixona e vê seu amor sendo assassinado e por fim precisa dar fim à realidade na qual ela tem uma família. Não é de se surpreender que Wanda se apegue a qualquer chance de salvar o resquício de felicidade que ela pensa ser possível, ainda que precise sacrificar alguém no caminho. A transformação em Feiticeira Escarlate não é algo que acontece de súbito, e muito menos uma novidade de Multiverso da Loucura; cada produção da Marvel, cada perda pessoal de Wanda a trouxe para esse caminho.

Mas se Wanda foi corrompida pelo Darkhold, Stephen Strange também precisa encarar suas fraquezas. Ao longo do filme, acompanhamos suas viagens pelo Multiverso com America, na tentativa de encontrar um outro Stephen Strange que possa ter conhecimento sobre um livro que é conhecido como a antítese do Darkhold, o Livro de Vishanti. Durante esse processo, ele vê faces de si mesmo que ele não admira: ele percebe como suas falhas também se repetem em outros universos, o que o faz se questionar sobre suas decisões e sobre a inevitabilidade de seus erros. Ele encontra um Strange igualmente corrompido pelo Darkhold, encontra outra Christine que o confronta sobre sua necessidade de controle (algo que “sua” Christine também evidencia), entre outros aspectos que o fazem duvidar de si mesmo. E, particularmente, gosto que Stephen Strange seja um personagem falho; é muito mais relacionável torcer por alguém que está tentando fazer a coisa certa, mas que nem sempre sabe como – e erra no caminho.

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura também nos presenteia com aparições de cair o queixo. Aqui sim vou soltar spoilers, então se quiser ler selecione o texto a seguir: eu vibrei internamente quando os Illuminati apareceram! Amei ver a Capitã Carter, porque sou apaixonada pela Peggy e até hoje não superei o cancelamento da série dela. Tê-la visto em What If…? e agora de volta ao MCU foi sensacional. Além disso, as suspeitas que eu havia lido de que John Krasinski (o Jim, de The Office) seria o Senhor Fantástico se confirmaram, e eu gostei muito dele no papel. Mas, pra fechar com chave de ouro, não poderia deixar de citar o retorno de Patrick Stewart como Charles Xavier. ❤ Essa aparição quase provocou o mesmo queixo caído que o crossover de Peters em Sem Volta Para Casa. 😂 Tudo isso abre tantas portas no MCU que é impossível não ficar animada pelo que está por vir.

Apesar de contar com algumas piadas aqui e ali, o tom de Multiverso da Loucura não é engraçadinho. Sendo sincera, levei até um sustos! 🙈 A busca de Wanda por America rende cenas de perseguição bem sanguinolentas, porque a personagem utiliza a magia das trevas do Darkhold para entrar na mente dos inimigos, manipulá-los e assassiná-los. Alguns personagens morrem de formas brutais, o que não é tão comum nos longas da Marvel. Pra completar a vibe meio “Carrie, A Estranha”, Wanda persegue Stephen e America coberta de sangue da cabeça aos pés, em cenas mais escuras e “opressivas”.

Ainda que Doutor Estranho no Multiverso da Loucura não seja um filme focado em Stephen Strange, mas sim em desenvolver e talvez concluir esse arco narrativo da Wanda, o personagem de Benedict Cumberbatch não é negligenciado. Ele é confrontado por pessoas importantes e pelas suas escolhas de vida – seja na Terra ao qual pertence, seja em outras. O longa cumpre seu papel de mostrar quão vastos são os caminhos que o Multiverso permite, além de dar tempo de tela ao desenvolvimento de dois dos personagens mais interessantes do MCU. Gostei demais!

P.S.: Wanda, faz o que você quiser que eu passo todos os panos do mundo.
P.S. 2: o Visão foi esquecido no churrasco nas ambições da Wanda, né. 😂

Título original: Doctor Strange in the Multiverse of Madness
Ano de lançamento: 2022
Direção: Sam Raimi
Elenco: Benedict Cumberbatch, Elizabeth Olsen, Benedict Wong, Chiwetel Ejiofor, Xochitl Gomez, Rachel McAdams, Jett Klyne, Julian Hilliard

Dica de Série: Em Defesa de Jacob

Oi pessoal, tudo bem?

Como boa fã de suspenses que sou, conferi uma série que estava no meu radar há tempos: Em Defesa de Jacob. Bora conhecer?

Sinopse: Uma família sofre um grande baque quando o filho é acusado de matar um colega de classe.

Os Barber são, aparentemente, a família perfeita: Andy, o pai, é um assistente de promotoria bem-sucedido; Laurie, a mãe, trabalha com educação infantil; e Jacob, o filho, é um adolescente de 14 anos tímido e comum. Esse status quo sofre uma ruptura quando Ben Rifkin, colega de Jacob, é encontrado morto – e as evidências apontam para Jacob como autor do crime. A partir desse momento começa a luta contra o tempo dos Barber pra provar a inocência do filho, ao mesmo tempo em que precisam lidar com as próprias dúvidas e questões ao longo do processo.

De modo geral, achei Em Defesa de Jacob um tantinho lenta demais, mas não necessariamente cansativa ou enfadonha. Somos guiados pela trama por Andy que, afastado da promotoria enquanto o caso se desenrola, fica obcecado em investigar por conta própria Leonard Patz, um outro suspeito que poderia inocentar seu filho. Além disso, Andy também precisa lidar com um segredo de seu passado vindo à tona, agora que a mídia caiu em cima de sua família como abutres: ele é filho de um estuprador e assassino conhecido como Billy Sangrento, que cumpre prisão perpétua desde que Andy tinha 5 anos. Esse segredo vem para abalar ainda mais a confiança da família Barber, especialmente a de Laurie, que fica estupefata com uma revelação dessas feita após 15 anos de relacionamento.

Aliás, confiança é a palavra-chave aqui. Laurie se torna a personagem mais interessante da série justamente por conta disso: é ela que fica mais abalada com as revelações sobre o passado de Andy e com as suspeitas sobre seu filho. Mas, indo além, Laurie também teme ter falhado como mãe, ter perdido sinais que apontassem que seu filho pudesse ser um sociopata. As cenas de flashback, em que Laurie relembra um momento potencialmente violento de seu filho na infância, cumprem o papel de evidenciar que, desde sempre, Laurie temia que algo não estivesse certo com Jacob. O fato de que Andy permanece irredutível em sua crença no filho faz com que a esposa se sinta sozinha, culpada e incompreendida, temendo ter errado tanto na criação do filho quanto por desconfiar dele. Essa zona cinzenta dos sentimentos de Laurie me fez lembrar de O Impulso, que também explora a dúvida de uma mãe sobre a inocência de seu filho. Como reagir quando, no fundo do seu coração, você sente que seu filho pode ter feito algo imperdoável? É essa a pergunta que Laurie se faz ao longo dos 8 episódios que compõem a minissérie.

Gostei também da atuação do elenco como um todo. A série se passa no presente, 10 meses após o assassinato de Ben, e no passado, durante o processo de julgamento. No presente Andy está conversando com Neal, o assistente de promotor que o substituiu no caso dos Rifkin. As perguntas parecem pressionar Andy em direção à revelação do veredicto a respeito de Jacob, e é palpável no rosto de Chris Evans que naquele momento o personagem está carregando um fardo muito pesado. É com o passar dos episódios, conforme o interrogatório no presente se aproxima dos acontecimentos da época do julgamento, que entendemos o verdadeiro plot twist que a série nos reserva. Além da atuação de Evans, Michelle Dockery entrega a dor, a confusão e o dilema interno de Laurie com muita competência, sendo a personagem que mais mexeu comigo ao longo da trama. Fica também meu elogio para Jaeden Martell, que deu vida a um Jacob inexpressivo e apático, diria até que com um quê de falta de emoção. Eu gostei muito da performance dele em It e, no filme, eu curti muito o personagem e senti pena por ele ter perdido o irmão, enquanto aqui ele me surpreendeu por conseguir oferecer uma performance fria e totalmente diferente.

O final da série não me chocou tanto quanto poderia e, de certo modo, foi coerente. Porém, achei um tanto quanto covarde. Fui pesquisar o final do livro pra comparar e achei muito melhor do que sua versão televisiva. O resto do parágrafo tem spoiler, selecione se quiser ler: na série, Laurie vinha sendo trabalhada como uma personagem cuja estabilidade emocional estava muito abalada por ter desconfiado do próprio filho, ter se tornado uma pária em sua comunidade e depois ver Jacob sendo inocentado do caso Rifkin – ou seja, percebendo que suas suspeitas foram teoricamente injustas e infundadas. Quando um novo desaparecimento próximo dos Barber acontece (de Hope, uma namoradinha que Jacob faz enquanto a família viaja de férias para o México) e Laurie desconfia novamente de Jacob, a série perde a oportunidade de mostrar que a decisão final dela foi pautada no medo de que seu filho matasse novamente. Enquanto no livro fica 90% claro que Jacob matou Hope, na série a garota desaparece mas é encontrada alguns dias depois (porque algum cara colocou drogas em sua bebida numa festa). Ou seja, na adaptação Laurie descobre que Jacob não matou a menina e ainda assim tenta se matar junto com ele, parecendo que ela deu uma de surtada do nada. Como disse, achei covarde e colocou uma carga de “exagero” injusta na personagem de Laurie. O final do livro, em que ela vê essa atitude como a única forma de parar seu filho, um potencial serial killer, foi muito mais interessante e corajoso pra mim. Fim do spoiler. 😛

Em Defesa de Jacob é uma boa série de suspense, cuja proposta não gira em torno de ter respostas definitivas sobre culpa ou inocência, mas sim sobre quão longe uma família pode ir para defender quem ama – mesmo que isso signifique medidas extremas. Apesar de ser um pouquinho enrolada, o carisma do elenco principal e as dúvidas que cercam os personagens fazem o espectador se manter atento aos desdobramentos que virão. Um outro ponto que adoro são cenas de julgamento, sempre emocionantes e cheias de reviravoltas, e as encontramos em Em Defesa de Jacob. Resumindo: pra quem gosta do gênero, recomendo bastante! 😉

Título original: Defendind Jacob
Ano de lançamento: 2020
Direção: Morten Tyldum
Elenco: Chris Evans, Michelle Dockery, Jaeden Martell, Cherry Jones, Pablo Schreiber, Betty Gabriel, J.K. Simmons