Dica de Série: The Morning Show

Oi povo, tudo certinho por aí?

Por aqui, a ansiedade tá enorme pelo dia de hoje. Já deixei claro o quanto sou antibolsonarista em todas as oportunidades que tive (inclusive com dica de leitura), e hoje a esperança de que um país melhor é possível está forte, mas com uma sombra de medo de que 2018 se repita. Então, pra me distrair, coloquei as mãos na massa pra tentar colocar alguns conteúdos pendentes em dia.

Meu ritmo de leituras caiu um pouco, então por enquanto vou focar mais em dicas de séries e filmes por aqui. Mas fiquem tranquilos que tem títulos ótimos pra entrarem no radar de vocês, e é sobre um deles que vou falar sobre: a série The Morning Show, protagonizada pelas incríveis Jennifer Aniston e Reese Whiterspoon.

Sinopse: Alex Levy é âncora do The Morning Show, um popular programa de notícias que mudou a cara da televisão americana. Depois que seu parceiro de 15 anos, Mitch Kessler, é demitido em meio a um escândalo de má conduta sexual, Alex luta para manter seu emprego como principal âncora, provocando uma rivalidade com Bradley Jackson, uma repórter de campo casual cuja série de decisões impulsivas a leva a um novo mundo do jornalismo de TV.

Alex Levy é a prestigiada apresentadora do The Morning Show, um dos programas de maior sucesso dos Estados Unidos. Quando seu co-apresentador, Mitch Kessler, é acusado de má conduta sexual, Alex vê sua vida virar de cabeça para baixo: ela perde uma amizade de 15 anos e se vê no centro da confusão na qual sua emissora (UBA) está imersa Para deixar Alex ainda mais insegura, a emissora começa a dar indícios de interesse em Bradley Jackson, uma repórter de campo que viralizou na internet por explodir ao fazer denúncias na cobertura de uma matéria – atitude que a fez ser lida como um sopro de juventude para o The Morning Show e um potencial nome pra “limpar” a imagem do programa. Alex, com medo de ser substituída, vira o jogo ao anunciar publicamente que Bradley será sua nova co-apresentadora, pegando todos de surpresa, inclusive a própria Bradley (que até o momento havia sido apenas entrevistada por Alex por ter sido viral). Essa atitude faz com que todos os envolvidos no TMS comecem a mover os próprios pauzinhos para conseguir atingir seus objetivos e alcançar o sucesso.

The Morning Show começa de forma explosiva com a denúncia de Mitch, e acompanhamos toda a correria por trás da tentativa de limpar a imagem do programa e de Alex por parte dos produtores e dos empresários da UBA. Porém, infelizmente a série perde um pouco seu ritmo durante os episódios do meio da temporada, o que me fez demorar mais do que o normal para concluí-la. Quando eu já estava desesperançosa e pronta pra desistir de The Morning Show, os últimos episódios trazem reviravoltas bastante chocantes, me fazendo dar uma nova chance ao programa. Digo tudo isso pra deixar claro que a série tem sim alguns problemas de ritmo, mas que no balanço geral a história foi capaz de me fazer querer conferir o que vem por aí.

Acho que um dos principais motivos pra eu não ter entrado de cabeça em The Morning Show é o fato de que não consegui torcer pelos personagens. Mesmo com duas mulheres fortes à frente da trama, a verdade é que ambas me irritaram demais. Alex é bastante humana e falha, e eu gosto que não tenham poupado a personagem dessas características. Ela esteve em silêncio por 15 anos ao lado de Mitch, sendo conivente com um comportamento que todos sabiam existir. Alex é também uma pessoa que se orgulha do que conquistou e não tem vergonha disso, o que é um bom exemplo de força e determinação, mas é difícil esquecer que ela se beneficiou do fato de ser a mulher aceita no Clube do Bolinha sem fazer nada a respeito. Bradley, por sua vez, representa o idealismo jornalístico. Ela quer lutar por justiça, expor a verdade sobre os fatos e fazer o que for certo independente de quem ferir no processo. Por um lado, são objetivos louváveis e o coração da personagem pode estar no lugar certo; por outro, a personalidade perfeitinha que ela assume após entrar no TMS me exauriu, especialmente porque difere completamente da Bradley explosiva que ganhou notoriedade.

O maior mérito de The Morning Show reside no tema que decide abordar. O assédio sexual no ambiente de trabalho é um assunto muito pertinente, e a série usa o movimento #MeToo como o grande impulsionador da discussão. Existe uma cena em que Mitch discute com outro homem exposto pelo movimento que é tão real que embrulha o estômago: homens em posição de poder, em sua maioria, não estão preocupados em refletir sobre seu papel nessa cadeia de abuso; eles só pensam sobre isso quando são pegos, e ainda acham que são as vítimas da situação. Para eles, que controlam a narrativa e as decisões, as mulheres estão ali porque querem e também para subir na carreira, e não porque são coagidas em função do medo de perderem os empregos, as oportunidades e ainda serem expostas e desacreditadas no processo. The Morning Show faz um excelente trabalho em colocar um holofote nessas situações, dando voz às vítimas e mostrando quão devastadoras as consequências do assédio e do abuso podem ser.

Com atuações sólidas e uma crítica relevante, The Morning Show é uma série que recomendo especialmente pelo assunto central. Ela me causou uma sensação semelhante ao do livro Rede de Sussurros: não foi a melhor experiência que tive, mas trata de situações tão sérias e, infelizmente, recorrentes, que acho importante que mais pessoas tenham contato e possam refletir a respeito. Há também intrigas políticas e jogos de poder que buscam tornar os episódios mais instigantes e, ainda que não tenham funcionado comigo, podem funcionar com você. De maneira geral, vale a pena tanto pela reflexão quanto pelas excelentes performances de um elenco de peso, que conseguem transmitir as diversas nuances que uma situação assim possui. Por aqui, vou seguir pra segunda temporada. E se você já conferiu, me conta o que achou nos comentários? 😉

Título original: The Morning Show
Ano de lançamento: 2019
Criação: Jay Carson, Kerry Ehrin
Elenco: Jennifer Aniston, Reese Witherspoon, Billy Crudup, Mark Duplass, Nestor Carbonell, Karen Pittman, Steve Carell

Review: Um Lugar Bem Longe Daqui

Oi gente, tudo bem?

Depois de 9 dias maravilhosos em Fernando de Noronha, estou de volta à rotina! Pra retornar com o pé direito, quero indicar um filme que adapta o livro best-seller Um Lugar Bem Longe Daqui.

Sinopse: Kya é uma garota abandonada, que teve que se criar sozinha no brejo da Carolina do Norte. Por anos, rumores da “Menina do Brejo” assombraram Barkley Cove, isolando a afiada e inteligente Kya de sua comunidade. Atraída por dois jovens na cidade, Kya se abre para um mundo novo e estimulante, mas quando um deles é encontrado morto, ela é imediatamente considerada a principal suspeita. Conforme o caso vai se desdobrando, a verdade sobre o que aconteceu se torna cada vez mais nebulosa, ameaçando revelar os muitos segredos que existem no brejo.

Apesar de não ter lido o livro, ele é uma obra muito recomendada pela Pam Gonçalves (em cujo gosto literário confio plenamente), então fiquei bem animada para conferir sua adaptação. Além disso, a produção ficou a cargo da Reese Whiterspoon, que vem apostando em obras focadas na força feminina. Ótimos motivos pra gerar curiosidade, né? A trama gira em torno da vida de Kya Clark, uma jovem que foi abandonada para viver sozinha em um casebre no brejo quando ainda era criança. Sua família foi destruída pela violência de seu pai, e um a um todos foram deixando a casa à beira do lago pra trás: primeiro sua mãe, depois seus irmãos mais velhos, até que o próprio pai também partiu. Kya podia contar apenas com o apoio de um homem chamado Pulinho e sua esposa, Mabel, donos de um mercadinho da cidade que se compadeciam da situação da menina e a ajudavam como podiam. No presente, Kya é uma bela jovem que se vê no centro de uma investigação de assassinato; o filme então vai intercalando passado e presente para apresentar cada fato que levou Kya até o momento desesperador que vivencia.

Impossível falar de Um Lugar Bem Longe Daqui sem enfatizar o desespero que sentimos pela infância de Kya. Ver sua família inteira partir fez com que a garota desenvolvesse traços de personalidade muito marcantes, assim como óbvios traumas: ela tem dificuldade para confiar nas pessoas, vive mais confortavelmente em meio à natureza do que em meio às pessoas, é bastante tímida e reclusa; por outro lado, Kya é sensível, determinada, tem um forte senso de sobrevivência e é uma excelente observadora, o que fica claro nos desenhos que faz da flora e da fauna do brejo. A população da cidade destina muito preconceito a Kya – chamando-a inclusive de “Menina do Brejo” e transformando-a em uma outsider no processo –, mas a garota encontra alento quando seu caminho se cruza com o de Tate Walker, seu primeiro amor. Eles compartilham da paixão pela natureza e ele é a pessoa que alfabetiza Kya, além de incentivá-la a aprender cada vez mais sobre biologia. Tate é um rapaz apaixonante e o relacionamento dos dois não poderia ser mais incrível, até que ele é aprovado na universidade e vai embora, quebrando uma promessa que fez à protagonista. Já podem imaginar o quão doloroso foi ver o coração de Kya se partindo por causa do abandono novamente, né? Passei o filme todo querendo guardá-la num potinho e protegê-la de todo o mal. 😦

Falando em mal… chegamos à vítima do assassinato que foi mostrado no início do longa, Chase Andrews. Ele cumpre bem o estereótipo de mauricinho que tem a vida ganha e cujos passos estão traçados dentro do que a elite da cidade espera dele. Porém, ele se interessa por Kya e logo eles engatam um namoro (que não demora a se revelar extremamente problemático). A verdade é que a protagonista é alguém que, apesar de sobreviver na solidão, deseja desesperadamente uma conexão, o que a torna um alvo fácil para alguém como Chase; é isso que permite que ela acredite no rapaz e se envolva com ele mesmo sem de fato amá-lo. Em contrapartida, Chase vê em Kya uma conquista “exótica”, sentindo-se engrandecido por conseguir para si a “Menina do Brejo”. Sinceramente, só por ele chamá-la desse modo eu já fiquei enojada, pois é claro desde o primeiro instante que ele não a respeita por quem ela é, estando com Kya somente pelo fetiche que criou em torno dela. Parabéns a Harris Dickinson pela atuação, porque conseguiu com sucesso me fazer sentir um asco descomunal pelo seu personagem. 🤮

Kya passa por coisas terríveis nas mãos de Chase, mas no julgamento da garota as pessoas parecem já ter a decisão tomada sobre sua culpa. Como o corpo foi encontrado no brejo, é mais fácil para a população conservadora apontar os dedos para aquela que destoa. Felizmente a protagonista encontra apoio em Tom Milton, que se oferece para ser seu advogado de forma pro bono por acreditar que o preconceito da cidade é o verdadeiro vilão naquela história. Porém, devo avisar: a parte do julgamento em si não é a mais instigante do longa. Não existem boas reviravoltas nem argumentos cortantes, e sim uma condução mais morna que aponta fatos óbvios sobre o caso. O que causa aflição em Um Lugar Bem Longe Daqui não é o presente, mas o passado: não é o julgamento de Kya, mas o medo pelo que pode ter acontecido e pelos traumas que a ela podem ter se somado antes da morte de Chase.

A narrativa me deixou bastante presa à trama e envolvida por ela. É impossível não ficar de coração partido por tudo que Kya passou e torcer para que ela encontre alento e felicidade. Conforme conhecemos Chase, a sensação de revolta cresce e, sendo bem honesta com vocês, me fez sentir um belo “bem feito” pelo desfecho que ele encontra. Além da condução envolvente da trama, o filme conta com belas paisagens bucólicas, que transmitem a sensação ora de paz, ora de isolamento e perigo que Kya precisa lidar diariamente. Todo o clima naturalista do longa conversa com a própria essência de Kya, que encontra na flora e na fauna não só os recursos que precisa para sobreviver, como também para se proteger.

Um Lugar Bem Longe Daqui não é um filme de mistério ou, ainda, sobre crime e julgamento, mas sim um drama que apresenta o abismo entre um romance lindo (atrapalhado pela distância) e uma relação tóxica e suas consequências. É também um filme sobre o poder do instinto de sobrevivência e sobre a garra de persistir e resistir. O final é excelente e traz um plot twist daqueles – e, não vou mentir, fiquei feliz com ele sim. A história de Kya mexeu comigo ao longo de toda a duração do longa: quis chorar com ela, sorri com ela, torci e sofri por ela (muito disso sendo mérito da atuação delicada e envolvente de Daisy Edgar-Jones). Pra mim, está aprovadíssimo!

Título original: Where the Crawdads Sing
Ano de lançamento: 2022
Direção: Olivia Newman
Elenco: Daisy Edgar-Jones, Taylor John Smith, Harris Dickinson, David Strathairn, Michael Hyatt, Sterling Macer Jr.

Dica de Série: Uncoupled

Oi pessoal, tudo bem?

Eu adoooro séries de comédia, especialmente se forem sitcoms ou mais “vida real”. A dica de hoje se enquadra bastante nessa segunda categoria, equilibrando comédia e uma pitadinha de drama: Uncoupled, da Netflix.

Sinopse: Atordoado depois do rompimento com o namorado de longa data, Michael enfrenta as expectativas do recomeço e dos encontros depois dos 40.

Quem chamou a minha atenção pra série foi o Neil Patrick Harris, um ator de quem eu gosto muito por causa de How I Met Your Mother. Aí descobri que tinha também a Tisha Campbell-Martin (a inesquecível Jay, de Eu, a Patroa e as Crianças) no elenco e pronto, já quis conferir. Além disso, o enredo gira em torno de um assunto bem interessante: ficar solteiro depois de muitos anos de um relacionamento e em uma idade um pouco mais madura. Uncoupled é, em poucas palavras, uma série sobre recomeçar e redescobrir a si mesmo.

Na trama, Michael (o personagem de Neil) é subitamente abandonado pelo namorado, Colin, com quem se relaciona há 17 anos. Ele descobre a notícia na festa surpresa de 50 anos que preparou para o parceiro, e vê a sua vida virar de cabeça para baixo, especialmente devido à recusa de Colin em conversar a respeito e revelar seus motivos. Inicialmente, parece que Colin está apenas tendo uma crise de meia-idade, mas o personagem “acusa” certos comportamentos de Michael que, com o passar dos episódios, vamos percebendo também. Ainda assim, nada justifica terminar uma relação de modo tão egoísta quanto Colin terminou, o que torna impossível ter muita empatia pelo personagem.

O aspecto da personalidade de Michael que se revela mais difícil é o fato de que ele demonstra fazer tudo girar em torno dele. Porém, é compreensível que durante os primeiros meses do término esse comportamento se acentue; o lado positivo é que o protagonista é obrigado a confrontar esse seu defeito não apenas por causa do que Colin fez, mas também pelos feedbacks de seus amigos, que estão tentando ajudá-lo a dar a volta por cima. E esse é um elemento crucial em Uncoupled: a importância de um círculo de amizades forte para ser sua rede de apoio. São três os principais amigos de Michael: Suzanne (com quem ele trabalha e é um grande alívio cômico, além de ser uma mulher forte e independente que cria um filho sozinha), Stanley (um amigo leal e que provoca um momento de amadurecimento importante em Michael) e Billy (que acaba exercendo um pouco o estereótipo de cara bonitão que só sai com parceiros mais jovens e de forma superficial). Apesar do foco em Michael, esses três personagens ganham um tempo de tela bem interessante e têm plots próprios, de forma que não se transformem apenas em nomes sem importância que orbitam o personagem principal.

Uncoupled também trata da homossexualidade de forma natural, não sendo o único fio condutor da trama. Michael e seus dois amigos homens são gays, e é claro que a vida de solteiro deles gira em torno de conhecer novas pessoas e se abrir pro mundo, mas a trama não é sobre identidade, sobre preconceito ou nada do tipo. É uma comédia dramática sobre ficar solteiro aos 40 e poucos anos com romance gay, e não uma série sobre ser gay necessariamente. Isso traz uma representatividade importante justamente por ser natural, a sexualidade dos personagens é apenas um dos elementos que compõem suas vidas e o desenrolar da história.

Em resumo, Uncoupled é uma série que vale o play. São poucos episódios de curta duração, e meu único receio é que não tenha segunda temporada, porque a primeira termina com um baita cliffhanger. Mas, mesmo que não tenha, acho que a mensagem principal transmitida compensa o tempo investido, porque é sempre bom ser impactada por histórias que nos relembram que nunca é tarde pra mudar de rota, recomeçar, se reinventar e se redescobrir. 😀

P.S.: gente, estou saindo em uma viagem de férias e não levarei meu computador, então os posts retornam dia 21. Até lá! ❤

Título original: Uncoupled
Ano de lançamento: 2022
Criação: Jeffrey Richman, Darren Star
Elenco: Neil Patrick Harris, Tisha Campbell, Brooks Ashmanskas, Emerson Brooks, Marcia Gay Harden, Tuc Watkins

Review: Luck

Oi pessoal, tudo bem?

Eu adoro conferir animações, então a estreia de Luck na Apple TV caiu como uma luva pra um domingo de preguiça. Bora conhecer? 🍀

Sinopse: A corajosa e azarada Sam Greenfield se aventura na encantada Terra da Sorte, onde terá que se aliar a criaturas mágicas para mudar seu destino

Sam é a garota mais azarada do mundo. Com ela, a torrada sempre cai com a manteiga virada pra baixo, sempre chove se ela estiver sem guarda-chuva ou qualquer outra situação semelhante que vocês possam imaginar. Ao atingir a maioridade, Sam precisa deixar o único lar que conheceu – uma casa de acolhimento para meninas – e se virar sozinha em um apartamento novo e em um emprego no qual ela se atrapalhou toda já no primeiro dia. A vida de Sam dá uma guinada quando ela divide seu sanduíche com um gato preto com o qual cruzou na rua, e ele foge deixando pra trás uma moedinha, que acaba se revelando ser uma moeda da sorte. Quando a moeda é perdida, Sam e o gato – que é capaz de falar e se chama Bob – precisam se unir e adentrar num lugar fantástico e secreto chamado Terra do Sorte para conseguir outra moeda, cada um tendo seus próprios objetivos pro item mágico.

O mundo etéreo e fofo no qual Sam adentra – povoado por leprechauns, coelhos e outras criaturas bonitinhas que fazem alusão à atração de coisas boas – é de encher os olhos, e a ambientação do filme realmente tem muitos cenários e premissas que buscam fazer uma imersão do espectador em seu mundo. Sam e Bob exercem aquele papel de outsiders que estão fora da lei (ela por ser uma humana naquele mundo secreto; ele por ter perdido sua moedinha da sorte), o que confere muitas sequências de planos malucos pra fugir das autoridades e “evoluir” na sua missão ao longo da história.

Entretanto, não consegui me sentir 100% fisgada pelas aventuras de Sam e Bob. Achei o filme um pouquinho mais longo do que o necessário e, depois de um tempo de tê-lo assistido, percebi que nem consegui gravar muitos detalhes da história na memória. Meu maior problema foi provavelmente Sam: ela é uma personagem perfeitinha demais, linear demais. Apesar de ter uma história de origem triste (por nunca ter sido adotada), toda a sua motivação vem de conseguir uma moeda da sorte para que uma amiga da casa de acolhimento, Hazel, possa ser adotada. E é claro que essa é uma meta louvável! Acontece que, pra mim, o problema reside no fato de todo o plot de Sam girar em torno desse objetivo e de Hazel, como se a própria Sam não merecesse receber mais nuances.

Apesar dos pesares, a provocação que Luck deseja fazer é bacana. O filme visa mostrar que uma vida composta apenas de boas marés não é possível, que o azar faz parte do equilíbrio da balança e é elementar para valorizarmos os golpes de sorte que o universo oferece. Dá para se divertir, especialmente porque Bob é um personagem bastante carismático, mas não é o longa de animação mais marcante que vai passar pela sua vida. Ainda assim, é uma opção de entretenimento interessante pra um dia em que você busca aquela leveza descomplicada. Deixo a seu critério dar uma chance ou não! 🙂

Título original: Luck
Ano de lançamento: 2022
Direção: Peggy Holmes
Elenco: Eva Noblezada, Simon Pegg, Jane Fonda, Whoopi Goldberg, Colin O’Donoghue, Flula Borg, Adelynn Spoon

Resenha: A Ponte Entre Reinos – Danielle L. Jensen

Oi pessoal, tudo bem?

A Ponte Entre Reinos se tornou um dos livros queridinhos da blogosfera em 2022 e hoje chegou a minha vez de dividir com vocês o que achei da obra. Vamos nessa? 🥰

Garanta o seu!

Sinopse: Lara é uma princesa treinada para ser uma espiã letal. Ela tem duas certezas: 1) o rei Aren de Ithicana é seu maior inimigo; 2) ela será a responsável por destruí-lo. Por ser a única rota possível num mundo assolado por tempestades, a ponte de Ithicana gera poder e riqueza ― e a miséria dos territórios vizinhos, entre eles a terra natal de Lara. Então, quando é enviada para cumprir um acordo de paz e se casar com Aren, Lara está decidida a descobrir todas as fraquezas desse reino impenetrável. Mas, conforme se infiltra em seu novo lar e entende o preço que Ithicana paga para manter o controle da ponte, Lara começa a questionar suas convicções. E, quando seus sentimentos por Aren passam da hostilidade para uma paixão intensa, ela terá de escolher qual reino vai salvar ― e qual vai destruir.

Ithicana e Maridrina são reinos rivais que travaram uma guerra por anos, até que um tratado de paz – o Tratado de Quinze Anos – foi firmado. Nele, ficou estabelecido que Maridrina forneceria uma princesa para casar com o príncipe e futuro rei de Ithicana. Mas Silas, rei de Maridrina, nunca aceitou a paz de fato, e treinou 20 filhas em segredo pra se transformarem em guerreiras letais e espiãs de ponta, no intuito de seduzirem o novo rei, Aren, e extraírem o maior segredo de Ithicana: como penetrar as defesas da ponte que liga o reino aos vizinhos e é responsável por todo o trajeto do comércio de norte a sul, protegendo os comerciantes dos terríveis mares Tempestuosos. Lara é quem consegue ser a princesa escolhida, e vai até Ithicana determinada a não falhar em sua missão. Porém, aos poucos, a jovem espiã vai percebendo que muitas das coisas que incutiram em sua cabeça durante seu treinamento (que começou aos 5 anos de idade) não eram verdadeiras, colocando sua missão – e sua lealdade – em xeque.

Na minha opinião, diversos livros de fantasia correm o risco de ficarem confusos e cansativos quando estão apresentando muitos conceitos novos de world building, especialmente nos primeiros volumes de uma série. Contudo, aqui a autora consegue equilibrar o “show” com o “tell”, ou seja, ao mesmo tempo em que descreve o mundo proposto, há parágrafos dedicados a explicar as dinâmicas e regras que regem esse mundo também por meio de diálogos ou pensamentos dos personagens, evitando que inúmeros conceitos novos sejam simplesmente largados na narrativa. Isso faz com que A Ponte Entre Reinos não seja enfadonho e prenda a atenção desde as primeiras páginas.

O livro oferece um desenvolvimento bem instigante, com uma narrativa em terceira pessoa ora focada em Lara, ora em Aren. Ainda que desde o início o leitor já saiba que se trata de um romance, a autora leva o desenvolvimento dessa relação com paciência, especialmente porque Lara e Aren têm muito a perder: ela não pode ser descoberta como espiã; ele não pode colocar a segurança de Ithicana em risco. Com o passar das páginas, eles vão ficando mais confortáveis na presença um do outro, em parte porque Aren não deseja fazer de Lara uma prisioneira, dando mais espaço a ela no reino, e em parte porque Lara revela traços reais de sua personalidade que vão cativando o rei (que provavelmente seriam criticados pelos mestres de sedução que lhe ensinaram enquanto crescia rs). Como não sou fã de instalove, gostei que a dinâmica dos dois tenha sido construída com o tempo, e Danielle L. Jensen deixa claro que vários meses se passam desde que o casamento acontece.

Os protagonistas de A Ponte Entre Reinos são bons personagens. Lara é uma garota de fibra e, nas primeiras páginas, já fui enganada por ela e pela autora, que nos faz acreditar que a jovem matou suas irmãs para salvar a própria pele. Felizmente ela não demora a mostrar que se condenou ao destino de ir para Ithicana para salvá-las, devido ao amor profundo que sente por elas. Isso foi fundamental para humanizar uma personagem que, em essência, vai para o Reino da Ponte em uma posição de “vilã”, para espionar. Lara pode ter feito coisas horríveis, mas em sua maior parte foi por coação ou instinto de sobrevivência, e não por maldade – e ela não usa isso pra se vitimizar, reconhecendo seus defeitos ao longo de toda a obra.

Aren, por sua vez, não demora a surpreender a esposa. Logo fica claro para Lara e para o leitor que ele é um homem leal e justo, e que sua ferocidade em batalha é consequência de uma vida tendo que proteger seu reino de ataques. Ithicana não busca a guerra, mas sim é alvo dela. Meu único problema com Aren é que ele é meio perfeitinho demais: é lindo, forte, musculoso, leal, honesto, paciente, respeitoso, bom de cama e ainda se apaixona perdidamente por Lara. Fácil gostar dele assim, né? 😂 Felizmente, ainda que ele seja vítima do odiado (pra mim) recurso instalove, Aren é sensato: não importa que tenha caído de amores por Lara, ele demora a confiar nela e toma várias precauções nos primeiros meses da jovem em seu lar.

Os pontos fracos de A Ponte Entre Reinos começam no seu terço final. Ele é tão slow burn que em determinado ponto as coisas demoram a ganhar velocidade, especialmente quando fica nítido que os sentimentos já “oficialmente” mudaram. Além disso, tem uma atitude de Lara que torna o final do livro bastante óbvio, fazendo com que o impacto do que acontece e qualquer consequência advinda se tornem previsíveis. Apesar disso, o livro termina com um bom gancho; ele promete muita ação e uma necessidade de garra e resiliência por parte dos personagens. Pra uma duologia, foi uma boa forma de encerrar essa primeira parte, capaz de deixar o leitor com muita vontade de ver a ação que sua continuação promete.

A Ponte Entre Reinos é uma ótima fantasia e um ótimo romance. Digo “e” porque o livro foi competente em ambas as esferas: apresentou um universo rico é bem construído, com relações políticas interessantes, ao mesmo tempo em que trouxe um enemies to lovers bem feito. Aren é um pouco perfeitinho demais? Sim. O instalove dele por ela é meio clichê? Também. Mas o fato de que o romance em si tenha demorado um tempo coerente pra se consolidar – especialmente considerando os riscos e responsabilidades de Lara e Aren – me convenceu. Se você curte esse estilo de leitura, A Ponte Entre Reinos está recomendadíssima!

Título original: The Bridge Kingdom
Série: A Ponte Entre Reinos
Autora: Danielle L. Jensen
Editora: Seguinte
Número de páginas: 416
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: The Sandman

Oi pessoal, tudo bem?

Se tem um título que anda no topo da lista de mais assistidos da Netflix nas últimas semanas, é The Sandman. Obviamente eu, que adoro uma boa série de fantasia e um quê sombrio, corri pra assistir. Vamos conhecer? 😉 

Sinopse: Após anos aprisionado, Morpheus, o Rei dos Sonhos, embarca em uma jornada entre mundos para recuperar o que lhe foi roubado e restaurar seu poder.

A trama gira em torno de Sonho, ou Morpheus, que foi invocado por feiticeiros humanos que desejavam invocar sua irmã, a Morte. Aprisionado por mais de cem anos – o que gerou consequências catastróficas no nosso mundo, ou “Mundo Desperto” –, quando Morpheus finalmente retoma sua liberdade ele precisa partir numa jornada em busca de seus três artefatos roubados: um elmo, um rubi e sua poderosa areia. Porém, em seu caminho ele encontrará Pesadelos que fugiram de seu reino e não desejam retornar, além de cruzar com inimigos que não vão facilitar a sua missão.

No universo de The Sandman, existem seres chamados de Perpétuos. Eles existem desde que tudo existe, não sendo deuses, mas sim aquilo que representam em si mesmos, sendo governantes de seus próprios reinos e senhores daquilo que influenciam. Nessa primeira temporada conhecemos quatro deles: Sonho, Morte, Desejo e Desespero. Todos os Perpétuos são irmãos, mas não esperem uma relação necessariamente próxima de todos eles: tirando a boa relação de Morpheus e Morte, a série nos mostrou que existem rivalidades e disputas de poder bem perigosas entre eles. Tudo que eu sabia sobre Sandman era bem superficial, pois não li as HQs, mas foi o bastante pra acompanhar a série sem maiores problemas, ainda que existam elementos que tenham ficado somente nas entrelinhas (como a própria rivalidade entre alguns dos Perpétuos, por exemplo).

Sandman acerta em cheio em não se estender demais na busca de Morpheus por seus itens mágicos, pois isso dá espaço a outras histórias bem bacanas ao longo da temporada. Pode-se dizer que ela é dividida em duas: na primeira parte, acompanhamos a recém retomada liberdade de Morpheus, e na segunda temos como foco sua perseguição a Coríntio, um Pesadelo que deseja se livrar de Morpheus para seguir causando seus terrores no Mundo Desperto. A série tem episódios bem marcantes, sendo o meu favorito o episódio 6, focado na Morte. Ele é um episódio longo com duas histórias amarradinhas: começa com o reencontro de Morpheus e da Morte, em que a série mostra um lado gentil, afetuoso, otimista e caloroso de um momento que costuma ser assustador em nossa cultura (o momento da despedida final); e depois se desenvolve para a amizade do protagonista com um humano que foi agraciado pela Morte com a imortalidade, desde que se encontrasse a cada século com Morpheus para contar se a dádiva havia se transformado em tortura ou não. Sob alguns aspectos, a série funciona quase como uma antologia dentro do universo do protagonista, tendo vários plots que abordam situações e personagens distintos.

E o que dizer da beleza visual de The Sandman? A produção teve um investimento pesado na produção dos efeitos especiais, e cada episódio é deslumbrante. Em tempos nos quais os profissionais de CGI estão tendo burnout ao trabalhar pra Marvel (o que gera memes com terceiros olhos e pele verde), foi um verdadeiro deleite poder assistir a cenários tão bonitos e animações tão caprichadas. O próprio mundo de Morpheus, o Sonhar, é composto dos mais diversos ambientes. Os Perpétuos por si só também têm a aparência que mais se adequa à pessoa ou ao ser com o qual estão interagindo. Ou seja, essa preocupação em fazer com que tudo fosse bem feito e visualmente impactante deu muito certo, porque fiquei de queixo caído em diversos momentos.

Como aspecto mais fraco da produção, pode-se dizer que o desenvolvimento dos personagens secundários acaba sendo preterido. Ao mesmo tempo em que histórias individuais começam e terminam nos mesmos episódios, o que é bacana por passar uma “vibe antológica”, poucos personagens ganham camadas que os transformem em algo além de sua função para aquele momento. Um exemplo disso é Johanna Constantine, cuja aparição pontual serve pra um único fim: ajudar Morpheus em sua busca pela areia mágica. A própria Morte, tão carismática, só aparece em um episódio de transição entre os arcos da busca pelos artefatos e a o arco de Rose Walker, a Vórtice dos Sonhos que é o ponto-chave da segunda metade da temporada. E, já que mencionei Rose, a série perde um pouco de seu fôlego quando a trama passa a girar em torno dela, fazendo com que meu interesse tenha sido levemente diminuído.

The Sandman é uma produção cara e tem chances de cancelamento por conta disso, segundo o próprio criador da HQ, Neil Gaiman. Por isso, fica o convite: vamos mostrar que séries de qualidade, com roteiros interessantes e fora do óbvio, também merecem permanecer na Netflix? Fica o convite para cair de cabeça nesse universo tão criativo, cheio de reflexões e questionamentos sobre a vida. 

Título original: The Sandman
Ano de lançamento: 2022
Criação: Neil Gaiman, David S. Goyer, Allan Heinberg
Elenco: Tom Sturridge, Boyd Holbrook, Patton Oswalt, Vivienne Acheampong, Vanesu Samunyai, Mason Alexander Park, Gwendoline Christie, David Thewlis

Lista #11: 10 livros cujos finais não superei

Oi pessoal, tudo bem?

Vi um post no Imersão Literária com o qual me identifiquei muito e resolvi trazer pra cá também: uma lista com 10 livros cujos finais não superei. Vamos descobrir quais são e os porquês? Observação: por motivos óbvios, esse post tem spoilers

Como Eu Era Antes de Você – Jojo Moyes

Resenha | Compre aqui

Como deixar um romance que me fez chorar litros de fora, né? Impossível. A construção do amor da Lou e do Will é linda, e a forma como um muda a vida do outro é inspiradora – especialmente no caso de Lou, que desabrocha e deixa antigos traumas pra trás. Ainda assim, por mais compreensível que seja a tomada de decisão de Will, meu lado egoísta queria que ele ficasse. 🥺💔 Eu tanto não superei esse final que me recusei a ler os outros dois da trilogia rs. Pra mim, esse livro não precisava de continuação, tendo um início, meio e fim perfeitos e coerentes.

A Esperança – Suzanne Collins

Resenha | Compre aqui

Aqui temos um sentimento agridoce, porque ainda que meu casal favorito tenha ficado junto, todo o resto do livro foi um caos pra mim – o final incluso. A autora passou ⅔ do livro enrolando horrores até a batalha efetivamente começar, e aí no terço final foi um Deus nos acuda com mortes que não tiveram o destaque merecido (sdds Finnick), um final corrido para os vilões e um desenvolvimento precário da relação de Peeta e Katniss após tudo que aconteceu. Eu amo a trilogia, mas A Esperança foi bem decepcionante. 😦

A Revolução dos Bichos – George Orwell

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Que esse é um dos meus livros favoritos da vida eu já contei aqui algumas vezes, mas o final dele também é uma obra-prima com gosto amargo na boca. Ver a decadência da Fazenda dos Animais conforme os porcos tomam o controle de tudo, os sacrifícios de antigos amigos (como o leal Sansão) e, principalmente, os acordos que eles fazem com os humanos para benefício próprio é revoltante. Esse livro é um clássico atemporal que recomendo pra todo mundo.

Eu Estou Pensando Em Acabar Com Tudo – Iain Reed

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Eis aqui uma leitura que não foi fácil, porque é um tanto confusa e não conseguiu me prender – mas o final, meus amigos… Ele te pega completamente desprevenida e causa uma sensação de “como eu não vi isso antes?”. Quando isso acontece, sempre dou uma estrela a mais ao livro, porque sou uma leitora que valoriza muito bons finais. 

Sono – Haruki Murakami

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Esse conto é bem rápido de ler e acompanha uma mulher que, subitamente, não consegue mais dormir. Ao longo das páginas acompanhamos essa nova vida que se abre pra ela, mas ao final da história somos surpreendidos por elementos fantásticos que podem ter uma interpretação bem macabra. 👀

Mentirosos – E. Lockhart

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Mais um caso de um livro que não me fisgou no decorrer das páginas, mas cujo final mexeu muito comigo a ponto de se tornar um título marcante. Ainda que eu siga achando o desenvolvimento da história enfadonho, o final joga na sua cara a explicação pra todas as pistas que estavam sendo dadas desde o início. Me emocionei, chorei bastante (rs) e reli várias passagens pra absorver o que tinha acontecido com os personagens.

O Segredo Do Meu Marido – Liane Moriarty

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Eu gostei bastante desse livro, porque a autora consegue trabalhar muito bem os dramas de três mulheres cujas histórias de vida têm alguma relação. O segredo do tal marido está relacionado à morte da filha de uma dessas mulheres, e ele passa a vida carregando o peso do remorso – até que sua esposa descobre. Porém, nas últimas páginas, Liane Moriarty revela que a jovem tinha um problema de saúde congênito que provavelmente foi o responsável por sua morte, e que ninguém descobriu na autópsia. Isso causa uma sensação de impotência muito grande no leitor, que sabe que famílias foram destruídas e nunca saberão a verdade.

Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven

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Outro livro que me fez morrer de chorar. Fiquei de olho inchado, gente! 😂 A história de Violet e Finn me envolveu completamente e, de modo parecido com o que ocorre na obra de Jojo Moyes, os personagens também exercem uma influência muito positiva na recuperação emocional um do outro. Finn, contudo, é um jovem negligenciado por aqueles que deveriam cuidar dele, e ninguém percebe as crises causadas pela bipolaridade – que o levam a um destino trágico. Nunca vou superar. 😥

Por Trás de Seus Olhos – Sarah Pinborough

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Mais um exemplo de final não superado por revolta rs. Eu achei esse livro mega envolvente, mas o final foi completamente estapafúrdio. E se eu dou uma estrela a mais a livros com bons finais, eu tiro quando o oposto acontece, e foi o caso aqui. A obra, que tinha tudo pra ser um bom thriller com uma personagem psicopata, se revela uma trama com aspectos sobrenaturais tirados DO NADA e que a autora tenta forçar goela abaixo no leitor. Nesse sentido, a adaptação da Netflix fez um trabalho melhor ao ir mostrando, ao longo dos episódios, que existiam elementos místicos na trama, tornando um pouco mais fácil de engolir todo o plot de projeção astral.

Verity – Colleen Hoover

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Esse thriller maravilhoso fez a minha cabeça e entrou pra minha lista de favoritos. O desenvolvimento da trama é super angustiante, e sentimos que a protagonista (Lowen) está em perigo por estar na mesma casa que Verity, a autora em coma que ela substitui como ghost writer. Porém, aquele final… que decepção. Descobrir uma carta de Verity desmentindo todas as coisas horríveis contadas ao longo da sua autobiografia foi anticlimático e, como eu disse na resenha, pareceu uma tentativa da autora de chocar e ser ~genial. Comigo, não funcionou.

Curtiram as escolhas, pessoal? Qual desses livros vocês já leram? 😀
Me contem nos comentários, vou adorar saber!

Review: Morte no Nilo

Oi gente, tudo bem?

Quando Assassinato no Expresso do Oriente estreou, eu simplesmente me apaixonei, e toda vez que o filme está passando eu paro pra assistir. Por isso, a expectativa pra conferir Morte no Nilo também era alta e, como não pude vê-lo no cinema, vibrei quando chegou no Star+. Hoje vim dividir com vocês se a nova adaptação desse livro famoso da Agatha Christie me encantou tanto quanto seu predecessor. Bora?

Sinopse: As férias do detetive belga Hercule Poirot à bordo de um glamouroso cruzeiro no Egito se transforma em uma caçada a um assassino quando a lua de mel de um famoso casal é interrompida.

Morte no Nilo já começa com uma sequência que fez meu estômago virar: Jacqueline de Bellefort e Linnet Ridgeway são duas amigas, sendo a primeira uma moça de origem humilde e a segunda uma herdeira riquíssima. Jacqueline está nas nuvens porque finalmente vai se casar com Simon Doyle, por quem é perdidamente apaixonada, e deseja apresentá-lo à amiga. Ela pede então que seu noivo dance com Linnet pra que eles possam se conhecer melhor e, para a surpresa dela (e do espectador), o que vemos é uma cena cheia de tensão sexual que revela uma posterior “furada de olho” detestável. Sim, Linnet e Simon se apaixonam e se casam, deixando uma amargurada Jacqueline para trás. E é na lua de mel que os principais acontecimentos de Morte no Nilo acontecem, com um assassinato que vai colocar os vários envolvidos no cruzeiro de férias do casal em posições suspeitas. Mas para a sorte (ou não) dos personagens, um dos convidados de honra do casal é o detetive brilhante Hercule Poirot, que desejava uma viagem de férias mas ganhou mais um caso pra resolver.

Bom gente, o que posso dizer… Se envolveu uma amizade traindo a outra pelo bofe/pela mina, já começou mal. Por isso, Morte no Nilo não conquistou minha simpatia e eu não me comovi nem um pouco com a ansiedade dos recém-casados, cujos temores de algum atentado por parte de Jacqueline se mostraram coerentes. Além disso, a lista de convidados para o cruzeiro de lua de mel dos dois era uma verdadeira salada mista que incluía um ex de Linnet, um grande amigo de Poirot (Bouc), a nova namorada de Bouc, a acompanhante de Linnet, entre outros personagens aleatórios cuja falta de carisma me fez até esquecer seus nomes e papéis na trama.

Diferente do que acontece em Assassinato do Expresso do Oriente, que oferece um ambiente verdadeiramente claustrofóbico, não senti essa mesma aflição em Morte no Nilo. Os personagens ficam, sim, isolados no cruzeiro, mas param em alguns pontos turísticos egípcios que fazem com que a ambientação não cause tanta angústia. Quando o assassinato acontece, não é como se o longa realmente conseguisse colocar todos os personagens num ponto-chave que os transforme em verdadeiros suspeitos, o que inclusive tornou o final previsível.

Falando nas atuações, achei todas medianas, sem grandes destaques – com uma exceção negativa e uma positiva. Curti muito a Jacqueline de Emma Mackey (de Sex Education), cuja performance deu vida a uma personagem cheia de mágoa, ressentimento e ódio pela ex-amiga, assim como pelo desejo de ter seu ex-noivo de volta. Em contrapartida, Gal Gadot nos oferece uma personagem linear e sem graça, não trazendo 1% do magnetismo de Mulher-Maravilha, por exemplo.

Infelizmente, Morte no Nilo foi um filme esquecível pra mim, que não atendeu às expectativas que eu tinha de me divertir e – quem sabe – até me emocionar, como aconteceu no desfecho de Assassinato no Expresso do Oriente. Hercule Poirot segue como um personagem carismático, mas aqui acabou sendo mais um coadjuvante do que protagonista. Ainda que o longa tenha tentado aprofundar seu passado e dar mais camadas ao personagem, esses pequenos lampejos de “interessância” (com o perdão da expressão errada haha) foram ofuscados por uma trama bem sem sal. Olhando pelo lado positivo, fiquei feliz por não ter pagado caro nos ingressos de cinema. 🤷‍♀️

P.S.: e que elenco cheio de gente Chernobyl e/ou cancelada, hein? Se procurarem pela Gal, pela Letitia Wright e pelo Armie Hammer no Google vocês vão sacar do que tô falando. 👀

Título original: Death on the Nile
Ano de lançamento: 2022
Direção: Kenneth Branagh
Elenco: Kenneth Branagh, Gal Gadot, Armie Hammer, Tom Bateman, Emma Mackey, Letitia Wright, Russell Brand, Rose Leslie

Resenha: Heartstopper: Volume 3 (Um Passo Adiante) – Alice Oseman

Oi pessoal, tudo bem?

Como fiz questão de evidenciar na resenha das HQs e da série, me tornei fã de carteirinha de Heartstopper. ❤ Então pensem na alegria dessa pessoinha quando recebi da Seguinte o terceiro volume, Um Passo Adiante. Continua lendo que eu te conto mais!

Garanta o seu!

Sinopse: No terceiro volume da série Heartstopper, acompanhamos os primeiros desafios do namoro de Charlie e Nick enquanto os garotos viajam a Paris. Depois de entenderem o que sentiam um pelo outro, Charlie e Nick se tornaram oficialmente namorados, e cada dia é uma nova oportunidade para se conhecerem um pouco mais. Mas nem tudo é fácil, principalmente quando se trata de se assumir enquanto casal para o mundo. Mesmo com medo da reação das pessoas, os garotos sabem que em breve terão de contar a verdade, pelo menos para os amigos mais próximos ― ainda mais quando a turma toda viaja a Paris. Enquanto decidem como dar este próximo passo, os dois vão descobrir que, não importa qual seja o desafio, eles podem sempre contar um com o outro.

Se no volume 1 a dupla se aproximou e começou a desenvolver seus sentimentos e no volume 2 o foco foi na autodescoberta de Nick como bissexual e o início do namoro dos dois, em Um Passo Adiante o casal precisa tomar decisões sobre como conduzir a relação. Essa edição traz uma vibe gostosíssima ao colocar os personagens em uma viagem escolar com destino a Paris, e o leitor fica imerso naquela atmosfera de comédia romântica cheia de descobertas, cenários lindos e momentos divertidos.

Nick e Charlie ainda não contaram aos amigos sobre seu namoro, e aos poucos eles vão criando coragem – e decidindo juntos – a melhor forma de fazer isso. Achei fundamental que Alice Oseman tenha trabalhado esse tema com tanta delicadeza e cuidado, especialmente quando lembramos que Charlie foi retirado do armário contra sua vontade, causando todo o bullying que ele sofreu na escola. Por isso, o fato de que o casal protagonista está disposto a fazer isso da sua própria maneira é um sinal de empoderamento super importante, além de transmitir uma mensagem positiva a quem possa estar na mesma situação.

Outro aspecto muito bacana de Um Passo Adiante é o foco em outros personagens, que na série da Netflix já ganharam mais atenção mas, até agora nas HQs, nem tanto. É o caso de Tao e Elle, que visivelmente nutrem sentimentos um pelo outro. Durante a viagem, eles têm a oportunidade de passarem mais tempo sozinhos e refletirem sobre os ônus e bônus de se declararem. É natural ter medo de alterar uma relação que até então é pautada na amizade e algo dar errado, mas é lindo ver Tao e Elle tendo coragem de arriscar.

Além do foco na relação de Nick e Charlie como casal, Alice Oseman também insere elementos que desenvolvem os personagens individualmente, o que considero fundamental. No caso de Nick, a autora mostra ao leitor que o personagem tem uma relação fragilizada com seu irmão mais velho e com seu pai. Enquanto o primeiro é rude e faz bullying com ele (que não se deixa intimidar e o enfrenta), o segundo é ausente e, mesmo morando em Paris, não parece fazer questão de ver o filho durante a viagem. Esses elementos dão profundidade a Nick, que até então era “apenas” nosso golden retriever fofo e maravilhoso. Charlie, por sua vez, começa a ser observado pelo namorado devido a um comportamento que vai ficando nítido para o leitor também: em diversas situações de stress, ele mal toca na comida. Alice Oseman ainda não aprofunda o assunto de distúrbios alimentares nesse volume, mas pra mim ficou muito claro que é algo no horizonte. Tenho certeza de que ela vai tratar desse tema com muito cuidado e sensibilidade, como tudo que vi dela até agora.

Heartstopper: Um Passo Adiante é uma leitura deliciosa, com gostinho de verão (europeu rs) e com todo o carisma e fofura que os volumes 1 e 2 da HQ já haviam nos presenteado. É muito bom ser fã de uma obra que consegue deixar meu coração feliz já nas primeiras páginas, e Alice Oseman consegue me transportar pra história de Nick e Charlie sem esforço. É como se o leitor se tornasse parte daquele grupo de amigos, torcendo e vibrando por cada uma de suas conquistas. Se você ainda está em dúvida sobre ler ou não Heartstopper, a dica é: não pensa mais e só se joga! Vai valer a pena. ❤

Título original: Heartstopper #3: A Graphic Novel
Série: Heartstopper
Autora:
 Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 384
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Linguagem da Destruição – Heloisa Starling, Miguel Lago e Newton Bignotto

Oi pessoal, tudo bem?

Decidi ler Linguagem da Destruição: A Democracia Brasileira Em Crise mesmo sabendo a dificuldade que seria para mim mergulhar em uma análise da retórica de Bolsonaro, por quem sinto o mais profundo asco. Ainda assim, achei importante enfrentar esse desafio, especialmente porque sempre fiquei incrédula com a quantidade de pessoas que o defendem apesar de todas as coisas grotescas que ele diz e faz. Esse livro foi uma ótima aula nesse sentido, e só por isso já valeu a pena.

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Sinopse: Partilhando a ideia de que o plano de poder de Bolsonaro é pautado pela destruição, Heloisa Starling, Miguel Lago e Newton Bignotto investigam, cada qual sob uma perspectiva, mas em constante diálogo, a atuação do bolsonarismo e seus efeitos para a democracia. O ensaio de Starling aborda o agudo reacionarismo do grupo político no poder, procurando compreender sua constituição histórica e antecedentes. Lago trata da resiliência de Bolsonaro a partir das armadilhas de seu discurso, considerando a dificuldade de se estabelecer uma oposição eficaz e os impactos da hiperconectividade e do neopentecostalismo para sua ação política. Já o capítulo de Bignotto é uma reflexão sobre os conceitos da teoria política empregados para definir o bolsonarismo e seus matizes ideológicos. Ao escrutinar os elementos que constituem a visão de mundo comungada pelos apoiadores de Bolsonaro, os autores combatem a cegueira analítica e descortinam os movimentos do ex-capitão e seu projeto de poder: a destruição da ordem democrática.

Linguagem da Destruição é um livro escrito por um filósofo, uma historiadora e um cientista político. Cada um deles escreve um capítulo do livro, que por sua vez tem subdivisões para tornar a leitura um pouco mais fluida e cadenciada. O objetivo da obra, em última instância, é analisar todo o mecanismo voltado à destruição que traduz o que é a “gestão” de Bolsonaro: um governo que, desde o início, prometeu destruir o status quo sem nenhum plano de reconstrução ou de futuro focado no desenvolvimento do país. Com a chegada da pandemia, esse projeto destruidor ganhou ainda mais força, transformando-se num governo que tem a morte como um dos seus pilares.

É importante deixar claro pra qualquer pessoa que leia essa resenha: eu sou anti-Bolsonaro em todas as instâncias possíveis. Desde 2018 eu digo que, se tiver que escolher entre votar nele e numa batata, eu voto na batata. E eu ressalto isso porque nenhuma resenha é totalmente isenta, e eu nunca me propus a fazer isso aqui no blog; muito pelo contrário, o Infinitas Vidas é um espaço onde, com transparência e honestidade, eu coloco minha opinião no mundo – e torço pra que ressoe em algum de vocês. Pra ser honesta, acho que estou escrevendo esse parágrafo com medo de que esse post um dia seja visto por minions desocupados que resolvam me atacar nos comentários, então já deixo avisado que, se isso acontecer, vou fechar o campo dos comentários pois não sou obrigada a aceitar xingamento e desrespeito rs.

Parênteses concluído, seguimos com a resenha. Os autores buscam criar uma narrativa que, aos poucos, vá explicando diversos aspectos da conduta bolsonarista e, principalmente, o porquê dela ter encontrado um meio fértil para se propagar. Há todo um resgate histórico para nos conduzir até o momento presente, e não são feitas afirmações levianas sem um raciocínio construído previamente para defender a posição dos autores. Eles reconhecem que é difícil encaixar Bolsonaro numa única caixinha de conduta devido a sua aproximação com vários movimentos, e evitam colocar rótulos que o limitem a ser chamado unicamente de populista, fascista ou nazista, por exemplo. É como se Bolsonaro permeasse esses conceitos, flertasse com vários sem se encaixar 100% em nenhum e então os transformasse no bolsonarismo, um movimento muito particular para o qual os autores ainda não possuem total entendimento.

O livro cumpre seu papel de evidenciar que não é a primeira vez que temos governantes autoritários no poder, mas que é inédito vermos alguém eleito pelo povo ter um plano focado em destruir os alicerces democráticos de dentro pra fora. Fomentar crises econômicas e sociais não é algo que Bolsonaro fez “sem querer” ou por ser burro (como eu mesma tantas vezes acusei), mas sim parte de um plano proposital de enfraquecer a sociedade para que ele possa se colocar como o salvador messiânico da população ao mesmo tempo em que se isenta da responsabilidade de consertar as coisas, terceirizando a culpa. Bolsonaro abraça a ideia de que não existe uma visão de futuro para o país, mas sim a necessidade de destruição “de tudo que está errado” (segundo ele) no presente.

O mais marcante dessa leitura pra mim foi perceber que eu estava sendo reducionista em relação à capacidade estratégica do discurso de Bolsonaro. Para mim, era difícil ver suas palavras sem reagir com “como alguém acredita no que esse burro tá falando?” ou “como as pessoas não se revoltam com essa afronta?”. Depois de ler Linguagem da Destruição, percebi que (mesmo ele sendo burro em muitas instâncias sim) Bolsonaro construiu o caos perfeito para que ele pudesse se isentar da responsabilidade do que acontece (afinal, na sua visão a culpa da crise é da pandemia, não dele), minar a confiança das pessoas na democracia (vide suas declarações golpistas de que não aceitará ser derrotado nas eleições e incitações para as pessoas não confiarem na urna eletrônica) e destruir as bases democráticas que vinham sendo fortalecidas no nosso país desde que nos livramos da ditadura. Se eu tiver que resumir essa experiência, posso dizer que Linguagem da Destruição é um livro difícil, por vezes complexo e com passagens mais enfadonhas, mas foi um divisor de águas no meu entendimento político.

Título original: Linguagem da Destruição: A Democracia Brasileira Em Crise
Autores: Heloisa Murgel Starling, Miguel Lago e Newton Bignotto
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 176
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.