Review: Soul

Oi, pessoal, tudo certo?

Como fã devota da dupla Disney Pixar, obviamente corri para conferir Soul, o primeiro filme lançado no serviço de streaming Disney+. Vamos conhecer?

Sinopse: O que é que o torna… você? Joe Gardner – um professor de música do ensino fundamental – tem a chance de tocar no melhor clube de jazz da cidade. Mas um pequeno passo em falso o leva das ruas de Nova York para o Pré-vida – um lugar fantástico onde novas almas obtêm suas personalidades, peculiaridades e interesses antes de irem para a Terra.

Joe Gardner é um talentoso musicista que sempre sonhou em fazer sucesso tocando jazz. A realidade, porém, é um pouquinho diferente: em vez de brilhar por sua habilidade ao piano, ele dá aula de música em uma escola de ensino fundamental. Sua sorte parece virar quando um ex-aluno o convida para substituir um dos integrantes de uma banda de jazz já consagrada. Acontece que Joe sofre um acidente e sua alma é separada de seu corpo. O caminho natural é ele ir em direção à luz, mas ele se recusa a morrer e acaba fugindo para um espaço chamado Seminário Você, onde almas aprendem sobre sua personalidade, gostos e propósitos para posteriormente “encarnarem” em recém-nascidos. Nesse local Joe fica responsável por 22, uma alma que já passou por inúmeros tutores e jamais encontrou seu propósito. Isso faz com que 22 seja cética a respeito da experiência na Terra, topando então ajudar Joe a levá-lo de volta. E, novamente, o protagonista é desafiado pelo destino: quando os dois conseguem ir pra Terra, 22 fica no seu corpo e Joe fica em um… gato. Esse é o ponto de partida pra uma sequência de aprendizados para ambos os personagens.

Como vocês já devem imaginar, Soul, assim como qualquer filme da Pixar, tem um forte impacto nos adultos. A trama gira em torno de ser fiel ao seu propósito e encontrar sua razão de existir na vida, e Joe tem certeza de que só vai encontrar isso na música. 22, por sua vez, só consegue entender o motivo pelo qual todas as outras almas desejam ir para a Terra no momento em que tem a oportunidade de vivenciar a experiência na prática. Os cheiros, os sabores e mesmo as coisas desagradáveis são vistas sob a lente de um olhar deslumbrado de quem valoriza cada pequeno instante. Conviver com 22 e ser testemunha do seu encanto pela simplicidade coloca algumas coisas em perspectiva para Joe, e ele começa a olhar sua própria vida “de fora” (no corpo do gato rs), o que provoca uma reflexão sobre toda a sua trajetória.

Se essa provocação não bastasse, Soul ainda vai além: a lição que fica é a de que não somos definidos pelo nosso propósito, e a vida é mais do que isso. Quando o protagonista percebe que grande parte do que ele sonhava era mais uma idealização do que uma visão realista, Joe entende que não é apenas o seu talento que o torna alguém digno e amado. O nosso propósito vai além das nossas habilidades, da nossa profissão e das nossas paixões: claro, são elementos muito importantes, mas não são em sua totalidade aquilo que torna a experiência de viver válida. 

Apesar de ter curtido o longa, o final em si não me surpreendeu muito. Eu esperava um desfecho mais audacioso, que não aconteceu. Mas, mesmo se mantendo num otimismo meio lugar-comum, Soul conseguiu me emocionar. Não tanto pela personalidade de Joe ou de 22 (não me entendam mal, eles são muito legais, mas não foram exatamente inesquecíveis), mas sim porque os assuntos tratados dialogaram com questionamentos e dúvidas que eu mesma já tive. 

Em resumo, Soul é um belo filme, com cenas divertidas e um assunto que coloca você para pensar e examinar a sua história. O fato do longa mostrar como nossa vida não é definida pela nossa vocação tirou um peso enorme dos meus ombros, porque com tantos discursos que falam em propósito rolando nos perfis de Instagram da vida, às vezes eu sentia que eu estava “à deriva” por não ter certeza a respeito do meu, sabem? Por isso, Soul tocou meu coração e colocou um sorriso no meu rosto. Existem muitas coisas que trazem alegria: o amor, a família, as amizades, as experiências, as viagens, os sabores… E tá tudo bem a gente se agarrar nisso e valorizar cada minuto.

Título original: Soul
Ano de lançamento: 2021
Direção: Pete Docter, Kemp Powers
Elenco: Jamie Foxx, Tina Fey, Graham Norton

Resenha: O Ickabog – J. K. Rowling

Oi pessoal, tudo certo?

Assim como boa parte do fandom, eu também me decepcionei demais com a J. K. Rowling desde seus tweets transfóbicos. Inclusive não pretendia (nem pretendo, até o momento) adquirir seus livros novos, mas acabei recebendo como uma ação de divulgação da Editora Rocco um exemplar de O Ickabog. Decidi fazer um esforço de descolar um pouco a experiência de leitura da obra das coisas horríveis que ela disse, e felizmente esse esforço foi recompensado, porque eu me deparei com um ótimo livro (e devo admitir: mesmo zangada, continuo gostando de tudo que essa mulher escreve – exceto seus tweets, obviamente).

Garanta o seu!

Sinopse: Com a altura de dois cavalos, olhos que brilham como bolas de fogo, garras afiadas e compridas feito navalhas, o Ickabog está chegando. Um monstro mítico, um reino em perigo e uma aventura que irá testar a bravura de duas crianças. Descubra uma história brilhantemente original, divertida e irônica, sobre o poder da esperança e da amizade, de J.K. Rowling, autora de Harry Potter, uma das maiores contadoras de história de todos os tempos. O reino da Cornucópia já foi o mais feliz do mundo. Tinha muito ouro, um rei com os melhores bigodes que você poderia imaginar, e açougueiros, padeiros e queijeiros cujas comidas deliciosas faziam uma pessoa dançar de prazer. Tudo parecia perfeito, mas nos pântanos enevoados ao norte, segundo a lenda, vivia o monstruoso Ickabog. Qualquer pessoa sensata sabia que o Ickabog era apenas um mito para assustar as crianças e fazê-las se comportar. Mas quando esse mito ganha vida própria, lançando uma sombra sobre o reino, duas crianças – os melhores amigos Bert e Daisy – embarcam em uma grande aventura para desvendar a verdade, descobrir onde está o verdadeiro monstro e trazer a esperança e a felicidade de volta para Cornucópia. Em uma bela edição capa dura O Ickabog traz 34 ilustrações coloridas de crianças brasileiras de 7 a 12 anos de vários estados do Brasil, vencedoras do Concurso de Ilustração Ickabog.

O Ickabog é um livro que J. K. começou a escrever para os seus filhos quando eles eram pequenos, mas só concluiu durante a pandemia no ano passado. Cada capítulo foi sendo disponibilizado na internet e também rolou um concurso no qual crianças brasileiras foram escolhidas para ilustrar o livro. A edição física está fantástica, a Editora Rocco caprichou muito em cada detalhe: a capa é dura e alguns elementos têm um brilho dourado muito bonito, além das ilustrações nas páginas internas. 

A história começa com um típico “Era uma vez…”, que já nos transporta para o tempo tranquilo da infância. A autora conta a história do reino da Cornucópia, um lugar feliz, tranquilo e conhecido por sua excelente gastronomia e produção de vinho. O reino era governado pelo gentil (mas ingênuo e vaidoso) Rei Fred, cujos amigos mais próximos eram o vil Lorde Cuspêncio e Lorde Palermo, braço direito de Cuspêncio. Quando um aldeão pede ajuda ao rei para que salve seu cachorro desaparecido de um monstro conhecido como Ickabog (até então apenas uma lenda), uma série de eventos trágicos dá a Cuspêncio a desculpa perfeita para manipular o rei e fazer da Cornucópia apenas uma sombra do que era. E mudar esse destino é algo que está em mãos muito jovens: mais precisamente os amigos de infância Daisy e Bert.

Dá pra notar como a premissa já transmite o caráter lúdico da história, não é mesmo? A obra trata de assuntos pertinentes de uma forma fácil para que as crianças entendam, mas também capaz de fazer os adultos refletirem: há um governo que se isenta da responsabilidade (causando muita desigualdade e sofrimento), a corrupção destruindo a vida de milhares de pessoas, as graves consequências das “fake news” (ainda que ditas de outra forma) e também o preconceito contra aquilo que é desconhecido. E ao mesmo tempo em que fiquei impressionada com o quanto o livro dialoga com a realidade em que vivemos, também foi impossível não ficar me perguntando como uma autora que fala com tanta sensibilidade sobre esses assuntos pode corroborar na vida real com discursos que oprimem grupos já marginalizados. Tenho muita dificuldade de assimilar isso, sério. :/

Agora, falando sobre os protagonistas, Daisy e Bert são personagens cativantes. Ambos tiveram perdas familiares causadas pelas pessoas no poder e tiveram suas vidas radicalmente mudadas. Daisy em especial é uma personagem que causa muita afeição: mesmo com toda a crueldade que ela presenciou e mesmo com uma carga tão grande de dor ainda na infância, a menina se transformou numa jovem que cuida do próximo e que crê na bondade dos outros. Daisy é um ótimo exemplo para as crianças, tanto de coragem quanto de resiliência e de empatia.

Como pontos negativos eu traria somente dois aspectos: o livro ganha uma certa “barriga” lá pela metade que torna um pouco mais difícil prosseguir, especialmente porque há uma longa sequência de negatividade acontecendo; o segundo ponto é o final, que soou apressado em comparação a todo o tempo que a autora dedicou ao resto da narrativa – especialmente porque é no terço final que um personagem MUITO importante aparece, e ele merecia mais espaço.

O Ickabog foi uma leitura leve, divertida e que me transportou pras histórias que eu lia quando era pequena, ainda que com uma crítica social mais elaborada. É difícil não fazer paralelos com os (des)governos que ganharam força nos últimos anos e pensar que países como o nosso estão sendo jogados cada vez mais fundo na lama por irresponsabilidade e crueldade alheia. Mas, apesar de trazer a dor e o sofrimento da Cornucópia ao longo das páginas, O Ickabog termina como um livro infantil deve terminar: com a esperança de um “felizes para sempre”. E em tempos como esses, toda dose de esperança é bem-vinda. 🙂

Título original: The Ickabog
Autora:
J. K. Rowling
Editora: Rocco
Número de páginas: 288
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

6 livros pra ler em 2021

Oi pessoal, tudo bem?

Eu não tenho o hábito de entrar em maratonas literárias ou fazer desafios tipo o TBR, mas esse ano fiquei com vontade de estabelecer uma meta modesta pra 2021, reunindo 6 títulos que eu quero ler. Espero que esse post sirva como autocobrança lembrete tanto dos títulos que não vejo a hora de conferir quanto dos esquecidos no churrasco que aguardam há tempos a sua vez. 😂 Bora espiar os títulos escolhidos?

Fabulador: O Chamado de Morrigan Crow

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Eu adorei o universo fantástico criado por Jessica Townsend em Nevermoor: Os Desafios de Morrigan Crow, e o final bombástico do primeiro volume me fez ansiar pela continuação. Já comecei a ler e estou gostando bastante dessa sequência. 😍

Rede de Sussurros

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A sinopse desse livro me lembrou a pegada das obras de Liane Moriarty, com uma trama girando em torno do universo feminino e dos diversos desafios que enfrentamos por sermos mulheres. Ao que parece, Rede de Sussurros dialoga muito com o movimento #MeToo e quero descobrir se essa primeira impressão é real.

Filhos de Virtude e Vingança

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Mais um caso de “segundo livro” na lista! Filhos de Sangue e Osso foi uma leitura incrível com um final chocante, então também não vejo a hora de descobrir o que acontece em Orïsha.

A Rebelde do Deserto

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Chego a ficar com pena do quanto esse livro tem aguardado com paciência na fila de leituras. 🙈 Faz tempo que quero conferir essa história que recebe tantos elogios na blogosfera, e espero que em 2021 essa leitura finalmente aconteça.

Um Estranho Irresistível

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Estou atrasadíssima com a série Os Ravenels, por isso quero conferir o 4º volume da série. Gosto muito dos livros da Lisa Kleypas, mas desejo desbravar outras autoras de romance de época e sei que só vou conseguir fazer isso quando terminar Os Ravenels.

Em Guerra

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Em 2015 eu iniciei minha releitura da coleção A Sétima Torre, que eu adorava quando criança. Já cheguei na parte inédita da história (já que na época li somente os 3 primeiros livros) e estou curiosa pra saber como essa saga termina. A Priscilla de 8 anos vai ficar muito feliz com isso! E a Priscilla de 27 vai ficar contente porque pretendia terminar todos os livros em 2020 e não conseguiu. 😂

Quem mais está com as leituras organizadas pra esse ano?
Me contem nos comentários quais são as escolhidas de vocês! ❤

Dica de Série: Bridgerton

Oi galera, tudo bem?

Ainda que eu seja uma fã ainda iniciante no mundo dos romances de época (afinal, por enquanto só conheço a escrita da Lisa Kleypas), fiquei empolgadíssima com a chegada de Bridgerton, a série da Netflix que adapta os livros da Julia Quinn. E hoje vou contar pra vocês o que achei, mas lembrando que é uma opinião exclusiva sobre a série, sem comparação com o material original. 😉

Sinopse: Bridgerton apresenta o mundo sensual, luxuoso e competitivo da alta sociedade de Londres do século 19. Na época, a família Bridgerton, composta por oito irmãos, se esforça para lidar com o mercado de casamentos, os bailes suntuosos de Mayfair e os palácios aristocráticos de Park Lane.

Daphne Bridgerton é uma jovem em idade de se casar. Ela faz parte de uma família respeitada e tem uma ótima relação com sua mãe e seus irmãos. Seu destino sofre uma reviravolta quando, em um baile, ela conhece o Duque de Hastings – o solteiro mais cobiçado da sociedade londrina. Após uma investida indesejada de um pretendente que Daphne despreza, ela e o Duque se unem em uma farsa, na qual ele fingirá cortejá-la. Para Daphne, isso significará a atenção de outros cavalheiros interessantes e de boas famílias; para Simon, isso afastará as mães desesperadas por casarem suas filhas, já que ele é um solteiro convicto e pretende se manter assim. Com o passar do tempo, porém, a amizade entre os dois se transforma e ambos passam a relutar contra seus verdadeiros sentimentos.

Ai gente, nem tenho palavras pra descrever o encanto que foi ver na tela tudo que estava somente na minha imaginação: os belos vestidos, os penteados, as danças, as soirées, os bailes, os primeiros toques tímidos e, é claro, as cenas calientes rs. Bridgerton é uma série muito competente em seduzir o espectador com seus belos cenários e figurinos (e Duques, cof cof), além da fotografia que esbanja cores vivas e brilhantes.

Apesar dos clichês do gênero (como o gato e o rato que se apaixonam), Bridgerton consegue atingir o objetivo de nos fazer torcer pelo casal protagonista da primeira temporada. Daphne é uma personagem muito doce e faz o possível para ajudar as pessoas à sua volta (ainda que cometa uma atitude bem condenável contra o Duque mais adiante na relação). Simon, por sua vez, é um personagem duro nas aparências, mas cujo passado dolorido causou profundas cicatrizes que ele tenta superar. A única coisa negativa sobre esse casal é que eu gostei mais dos dois antes de ficarem juntos do que depois. 😦 Não vou dar detalhes pra não estragar sua experiência, mas a construção da amizade deles seguida de flerte foi bem mais “saudável”, digamos assim.

Existem plots secundários que certamente serão aprofundados nas temporadas seguintes. A família Bridgerton é composta por Violet, a matriarca viúva, e seus oito filhos. Acredito que a season 2 foque em Anthony, o atual Visconde e chefe da família. Apesar do personagem ter sido bem chato ao longo dos 8 episódios, torço para que o desenvolvimento de sua história ajude a construir uma personalidade mais afável pra ele. Além dele há outros Bridgertons que ganham espaço até o momento, com destaque para o artístico e curioso Benedict (que aproveita os prazeres da vida nessa season), o jovem e gentil Colin (que, pelo que ouvi dizer, difere muito de sua contraparte literária) e a mordaz Eloise (uma garota inteligente que rejeita a ideia de ser limitada a um casamento). Indo além da família principal, temos os membros da família Featherington, com destaque para Penelope, que é uma grande amiga de Eloise e secretamente apaixonada por Colin. Sem esquecer, é claro, de Lady Whistledown, pseudônimo de uma mulher misteriosa que relata os maiores escândalos da sociedade londrina.

Eu nunca tive muita curiosidade de ler Os Bridgertons, mas fiquei muito satisfeita com o que vi na tela. Adorei que a Netflix tenha dado espaço a esse tipo de produção e também curti muito que a Shonda Rhimes tenha trazido diversidade para os personagens, tanto em forma quanto em cor e sexualidade (já que os romances de época costumam ser bem heteronormativos e eurocêntricos). Em suma, é uma ótima série de romance cujos episódios de quase 1h passam voando, de tão divertidos que são. Se você curte o estilo, dê o play sem medo! ❤

Título original: Bridgerton
Ano de lançamento: 2020
Direção: Chris Van Dusen, Shonda Rhimes
Elenco: Phoebe Dynevor, Regé-Jean Page, Nicola Coughlan, Jonathan Bailey, Julie Andrews, Claudia Jessie, Luke Newton, Ruby Barker, Ruth Gemmell, Adjoa Andoh

Top 5 livros favoritos de 2020

Oi gente, tudo bem?

Acho que muitos de vocês podem concordar comigo sobre 2020 não ser um ano do qual queremos lembrar. Por isso, a única retrospectiva que me sinto bem em fazer é a literária, na esperança de que talvez eu possa dar algumas ideias bacanas de livros pra 2021.

O isolamento me deu bastante tempo livre e esse ano consegui concluir 34 livros. Sei que na blogosfera literária esse não é um número estrondoso, mas acreditem: pra mim é uma conquista. O blog nasceu láaa em 2014 com o intuito de me incentivar a ler mais, já que na época eu tinha sido consumida pela faculdade, portanto ver o quanto eu retomei esse hábito me enche de alegria. ❤ Enfim, sem mais delongas, vamos ao Top 5!

5º lugar:
Abelardo: O Bebê Monstruoso de Adelaide Estes

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Aos 45 do segundo tempo, uma leitura feita no final do ano conseguiu figurar entre as melhores de 2020. Abelardo foi resenhado recentemente aqui no blog e conta a história de uma jovem que cai em um sono profundo e só acorda quando está dando à luz um filho que ela nem sabia que esperava. Enquanto tenta descobrir o mistério por trás de seu decúbito, a jovem Adelaide também precisa descobrir se há algo errado com seu bebê, cuja personalidade feroz e violenta faz sua mãe acreditar que há algo de sobrenatural na situação.

4º lugar:
Filhos de Sangue e Osso

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Uma fantasia que explora a cultura iorubá e cujos personagens são em quase sua totalidade negros já são motivos suficientes pra que você coloque Filhos de Sangue e Osso na sua lista de leituras. Foi muito bacana aprender mais sobre religiões de matriz africana e, principalmente, ler uma obra fantástica que foge do padrão eurocêntrico. Filhos de Sangue e Osso tem ação, romance, uma mitologia envolvente e um universo ricamente construído que gira em torno dos maji – pessoas extraordinárias capazes de manipular a magia – e das consequências cruéis do medo e do preconceito.

3º lugar:
O Peso do Pássaro Morto

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Esse foi um livro que mexeu muito comigo e não poderia estar de fora das posições privilegiadas desse “pódio”. Aline Bei conta a história de vida de uma mulher que conheceu a tragédia desde cedo e teve sua história marcada por dores e angústias. Apesar de ser um livro pesado e doloroso, a narrativa é bastante singela e delicada, inclusive poética. É uma obra tocante, que mexe com os nossos sentimentos e nos faz refletir sobre as circunstâncias que nos levam a ser quem somos.

2º lugar:
Verity

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Imaginem se a fã de thrillers não colocaria um deles na lista de leituras favoritas, né? Verity foi minha primeira experiência com a Colleen Hoover e foi… marcante. A obra acompanha uma ghostwriter, Lowen, que tem a missão de finalizar as obras da famosa Verity Crawford – que está em estado vegetativo após um acidente. Enquanto pesquisa os arquivos de Verity em sua casa, Lowen descobre um manuscrito perturbador: trata-se da autobiografia de Verity, que narra sua relação intensa com o marido e segredos sobre seus filhos (inclusive sobre as tragédias que atingiram a família). Verity é um thriller de arrepiar, cheio de cenas angustiantes e impossível de largar até descobrirmos a verdade.

1º lugar:
Teto Para Dois

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Eis meu queridinho de 2020! ❤ Eu soube que favoritaria Teto Para Dois poucos capítulos após iniciar a leitura. A obra acompanha Tiffy e Leon, que firmam um acordo peculiar: dividirem o mesmo apartamento que, pasmem, tem apenas uma cama. Como isso pode funcionar? Tiffy trabalha durante o dia e Leon, à noite. O que começa com um contrato de aluguel pouco ortodoxo se desenvolve para uma amizade alimentada por troca de bilhetes e gentilezas. Mas, por mais que Teto Para Dois pareça apenas uma comédia romântica, o livro trata de assuntos muito mais complexos, como relacionamento abusivo, de uma forma sensível, mas realista. É uma leitura que evidencia o quão difícil pode ser a recuperação desse tipo de trauma, mas que enche o nosso coração de esperança e causa aquele quentinho gostoso conforme viramos as páginas. Muito amor envolvido!

E quais foram as leituras favoritas de vocês esse ano?
Me contem nos comentários, vou adorar saber! ❤

Aproveito para desejar que 2021 seja melhor para todos nós. Que seja um ano de saúde, que nos possibilite abraçar de novo, que nos ajude a superar tudo que vivemos nesse período tão conturbado. Resumindo, desejo muita luz a vocês! Feliz Ano Novo

Resenha: Sono: Mude Seu Modo de Dormir em 90 Minutos – Nick Littlehales

Oi pessoal, tudo bem?

Em função da pandemia, a parceria com as editoras foi um pouquinho diferente esse ano. No caso da Editora Rocco, o foco dos envios foi lançamentos e livros de ação promocional, o que me fez sair da zona de conforto em mais de uma oportunidade. Nem todas foram experiências bacanas, como por exemplo Você É Fodona!, mas Sono: Mude Seu Modo de Dormir em 90 Minutos, de Nick Littlehales, é um exemplo um pouco melhor. Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: Neste livro inovador, Nick Littlehales, coach do sono para algumas das principais estrelas do mundo do esporte, como Cristiano Ronaldo e David Beckham, expõe suas estratégias para que as utilizemos de forma ideal. Ele apresenta seu programa de recuperação do sono R90 sustentado por sete elementos que chama de Indicadores-Chave, ou os sete passos para melhorar a qualidade do descanso e da recuperação. Você vai descobrir como mapear seu próprio ciclo do sono, melhorar o ambiente em que dorme, identificando qual a temperatura ideal e o melhor colchão, e por que tirar um cochilo é realmente bom para você. A observação dessas condições, aliada a uma consequente mudança de hábitos, fará com que utilize o tempo que passa dormindo para obter o máximo de recuperação física e mental. Você sentirá uma melhora de ânimo e, em consequência, na sua capacidade de desempenho no trabalho, em casa, nas relações interpessoais, assim como conseguirá identificar o momento certo para se desligar (e também as luzes e o celular) e, desta forma, evitar o estresse, outras doenças e viver mais confiante e feliz.

Eu sempre tive problemas pra dormir, tanto para pegar no sono quanto com a leveza dele. Eu culpo, no geral, minha ansiedade. 😛 Mas ao ler Sono eu aprendi que existem outros fatores que interferem na qualidade do nosso descanso, e alguns deles são mais fáceis de controlar do que eu pensava.

Nick Littlehales ascendeu como coach do sono ao trabalhar para grandes clubes de futebol, como Real Madrid e Manchester United. Ao estudar o assunto e conseguir colocar suas orientações em prática com atletas de elite, o autor criou sua própria metodologia, o programa R90. O ambiente em que você dorme, o tamanho do colchão e sua rotina diária são alguns exemplos que estão contemplados nesse programa, e não faltam dicas práticas pra tentarmos adaptar em casa.

Apesar de o livro ter uma narrativa “bem de coach” (o que, vindo de mim, não é um elogio), eu aprendi várias informações interessantes sobre o sono. Uma delas diz respeito ao nosso ritmo circadiano, ou seja, a forma como nosso cérebro reage às mudanças de horário e de luz do sol ao longo de 24h. Entender o ritmo circadiano é entender também o porquê algumas medidas práticas são importantes pra nos levar ao repouso. Quer um exemplo? Usar luzes azuis ou brancas à noite é prejudicial porque atrapalha a síntese de melatonina pela glândula pineal; a melatonina é liberada à medida que escurece, portanto o cuidado com a luz ambiente é fundamental após determinado horário. Pra ser honesta, eu já sabia dessa informação antes de ler Sono, mas Nick Littlehales reforça a necessidade desse tipo de cuidado e é um exemplo fácil do tipo de conteúdo que o livro traz. 🙂

Outro ponto que eu gostei bastante diz respeito aos nossos cronótipos, ou seja, nosso modo de funcionamento natural. Existem pessoas matutinas (cronótipo M), vespertinas (cronótipo V) e intermediárias, que se adequam a ambas as faixas com mais facilidade. As pessoas M têm muito mais facilidade de serem produtivas pela manhã, enquanto as pessoas V são o posto. Sabendo qual é o nosso cronótipo (e o autor indica um teste de uma universidade que auxilia nisso) é possível remanejar as nossas tarefas diárias para os momentos em que estamos mais despertos e, portanto, mais alertas. Se você tem o cronótipo M, pode deixar aquele relatório importante para o período da manhã e atividades mais chatas e mecânicas, como organizar um arquivo, para o período da tarde, por exemplo.

Apesar de ter dicas relevantes e que fazem sentido, o livro cansa pelo já mencionado tom de coach, que considerei meio exagerado. Em determinado momento eu não aguentava mais ler as palavras “com o programa R90”, e fiquei incomodada com o quanto o texto parecia um publipost em forma de livro. Mas, relevando esse aspecto, dá pra tirar informações e dicas proveitosas – ainda que eu tenha sido uma cara de pau que pegava o celular depois de fechar o livro, mesmo sabendo que isso prejudica o sono. 😂

Sono: Mude Seu Modo de Dormir em 90 Minutos talvez não transforme totalmente a sua vida, mas é uma boa leitura pra quem quer entender mais sobre a importância da recuperação para o nosso cérebro e pra nossa saúde. Colocar o repouso adequado com o mesmo peso de “alimentação saudável” e “praticar exercícios regularmente” no discurso para uma vida mais saudável é algo que Nick Littlehales defende e que faz todo o sentido. Vale a pena olhar com mais carinho pra esse momento e fazer o possível pra dar ao nosso corpo o descanso que ele merece.

Título original: Sleep: Change the Way You Sleep with this 90 Minute Read
Autor:
Nick Littlehales
Editora: Rocco
Número de páginas: 192
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Abelardo: o Bebê Monstruoso de Adelaide Estes – Filipe Tasbiat

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje a dica é de literatura nacional. 😀 Vim contar pra vocês o que achei de Abelardo: o Bebê Monstruoso de Adelaide Estes, do autor gaúcho Filipe Tasbiat. Apesar de termos da faculdade em comum, só conheci o Filipe quando ele me procurou pra perguntar se eu tinha interesse em ler Abelardo. Fiquei lisonjeada ao descobrir que o blog foi uma indicação desses amigos e também muuuito curiosa ao ler a sinopse. Amo livros de suspense, mistério e fantasia, e Abelardo prometia reunir esses 3 elementos numa história com uma pitada sobrenatural. 

Garanta o seu!

Sinopse: Em “Abelardo: o bebê monstruoso de Adelaide Estes”, o império está por um fio, a abolição dos escravos é iminente e as primeiras centelhas da eletricidade começam a faiscar. O mundo está mudando, mas mudará depressa o bastante para livrar Adelaide da difícil missão que os Távoras a incumbiram? A província inteira quer saber o que aconteceu com Adelaide Estes, a Adormecida de São Pedro, que caiu em decúbito, um sono profundo e inexplicável, e acordou meses depois dando à luz a um bebê que nem ela sabia que esperava. Adelaide acredita que os Távoras, uma família cuja ambição aparenta não ter limites, podem estar envolvidos. Mas primeiro ela terá que descobrir o que há de errado com o bebê. “Abelardo” narra a história por trás de uma lenda na província de São Pedro. Em uma vila reminiscente do século 19, nos anos derradeiros do Brasil Imperial, mistério, fantasia e história se misturam em uma odisseia de monstros e heróis, servos e patrões, freiras e bruxas, na qual todos parecem guardar segredos.

Abelardo se passa no século XIX, em um tempo em que a escravidão tinha sido abolida em apenas algumas províncias e a eletricidade vinha chegando para mudar o dia a dia das pessoas. É nesse contexto que a jovem Adelaide Estes cai em decúbito, ou seja, adormece sem motivo aparente e não consegue acordar (meio A Bela Adormecida vibes). Seu corpo é enviado para a casa de sua tia, Guadalupe de Távora, uma mulher ambiciosa cujo marido é um figurão do mercado de óleo de baleia, na época usado nos lampiões. Guadalupe aproveita a chegada de Adelaide para fazer um espetáculo em sua casa, chamando-a de Adormecida de São Pedro, e pessoas de toda a província vinham visitar a misteriosa jovem. Para a surpresa de todos, entretanto, descobrem que Adelaide está grávida, e ela acorda repentinamente no momento do parto. Surpresa com o fato de ter dormido por cerca de um ano e agora ter um bebê nos braços, a pobre Adelaide precisa entender seu novo papel como mãe, solucionar o mistério de seu decúbito e, principalmente, lidar com um bebê estranho, que dá indícios de estar possuído por alguma entidade sobrenatural, dado seu comportamento violento e atípico.

Ler Abelardo me fez viajar pra uma época totalmente diferente, e o vilarejo fictício em que a história se passa ganhou vida na minha imaginação. Me sentia assistindo a uma novela ou série de época, porque as descrições dos cenários e situações são tão bem detalhadas que me vi sendo transportada para o vilarejo de Trás-os-Montes. Além disso, o vocabulário do autor é variado, o que incentiva a pesquisa por termos desconhecidos, e acaba trazendo aprendizado aliado ao entretenimento (fun fact: lembrei de quando eu era pequena e pedia ajuda ao meu pai pra “traduzir” certas palavras haha ❤). Apesar de ser uma história fantástica com elementos de suspense/terror, o livro não chega a provocar medo. Existem algumas cenas em que você teme pela segurança de certos personagens mas, no geral, essa tensão é quebrada pelo tom irônico e bem-humorado que o autor imprime na narrativa, com suas diversas provocações sarcásticas (como por exemplo as repetidas menções à cabeça ligeiramente grande da senhora Guadalupe rs). Mesmo quando Abelardo começa a revelar o seu lado selvagem e possivelmente assassino, o livro não foca em assustar o leitor, mas em evidenciar o quanto a vida de Adelaide virou de cabeça pra baixo.

Aliás, preciso dizer que adorei Adelaide. Seu estranhamento com a maternidade e o fato de não conseguir amar o próprio filho são muito compreensíveis: a jovem era virgem, caiu em um sono que lhe roubou um ano de vida e, ao acordar, se viu com um bebê sob sua responsabilidade. A situação por si só é aflitiva e, quando ela descobre a índole violenta de seu filho, é natural que a personagem tenha medo e busque ajuda de formas desesperadas. A maneira como seu afeto por Abelardo vai se desenvolvendo é natural e gradual, o que tornou a história mais crível pra mim – mesmo se tratando de uma fantasia. 

O livro tem duas linhas temporais: uma explora o presente e o cotidiano de Adelaide e outros personagens de Trás-os-Montes; a outra foca no passado da jovem no convento em que cresceu. Ambos os núcleos são bem desenvolvidos e fornecem informações valiosas sobre os personagens, inclusive os secundários, como a já mencionada Guadalupe de Távora, tia de Adelaide; Peregrina de Társea, uma peça-chave do passado da protagonista; a doce Greisel, parteira que trouxe Abel ao mundo; e Cravo, a fiel doula de Adelaide e maior defensora de seu bebê. Existem mais nomes importantes, e todos eles têm um papel a cumprir na história – que vai além do bebê monstruoso, mas cujo plot não posso dar detalhes pra não estragar certas surpresas.

Tenho poucos aspectos não tão positivos para comentar, mas um deles é a questão da revisão do texto: Abelardo tem uma série de errinhos, nada que atrapalhe o entendimento do texto, mas eu sou bastante chata com esse tipo de detalhe. É importante frisar, contudo, que durante a minha leitura o Filipe me contou que já estava subindo uma versão com revisão atualizada do livro na Amazon, então é bem provável que vocês não encontrem esses problemas. 😉 O segundo aspecto que eu cito aqui não é exatamente negativo, mas sim uma característica que eu, pessoalmente, não curto tanto: capítulos longos com poucos espaços de pausa. Já falei em diversas resenhas que eu adoro capítulos curtos porque me dão agilidade na leitura e, quando são longos, prefiro que tenham aqueles espaços de “troca de cena” que favorecem uma pausa. É uma questão de gosto mesmo, mas vale pontuar que mesmo com capítulos mais longos eu ~fiz o Abelardo e devorei as páginas. 😛

Não é exagero dizer que Abelardo: o Bebê Monstruoso de Adelaide Estes foi uma das minhas melhores leituras do ano. O livro reúne uma história bem amarrada, uma narrativa envolvente, um plot criativo e bons personagens, além de instigar o leitor a querer descobrir os mistérios que envolvem Adelaide, os Távoras e os segredos de Trás-os-Montes. Se você gosta de fantasia, mistério e um toque sobrenatural, dê uma chance a Abelardo. Eu já virei fã. 😉

Título original: Abelardo: o Bebê Monstruoso de Adelaide Estes
Autora:
Filipe Tasbiat
Editora: Independente
Número de páginas: 438
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Review: Fruits Basket (2019)

Oi pessoal, tudo certo?

Quem me acompanha aqui há mais tempo pode lembrar que Fruits Basket já apareceu por aqui em uma resenha do mangá. Com o remake do anime (cuja primeira temporada foi lançada no ano passado), vi a oportunidade de indicar novamente essa história linda e comovente – com o plus de agora ter uma animação que faça jus à obra. ♥

Sinopse: Fruits Basket conta a história de Tohru Honda, uma garota órfã que, depois de encontrar Yuki, Kyo e Shigure Sohma, descobre que os treze membros da família Sohma são possuídos pelos animais do zodíaco Chinês e são amaldiçoados a se transformar em suas formas animais quando estão fracos ou quando são abraçados por alguém do sexo oposto que não esteja possuído por um espírito

Fruits Basket acompanha o dia a dia da jovem Tohru Honda, uma estudante órfã que se vê morando em uma barraca para não incomodar seu avô após a morte dos seus pais. Seu caminho se cruza com a família Sohma quando Yuki Sohma, seu colega de escola, descobre sua moradia inusitada. Yuki mora com outros dois membros da família: Shigure e Kyo (seu rival); eles decidem acolher Tohru, que passa a ajudá-los com os afazeres domésticos. Parece tudo muito simples, né? Acontece que os Sohma têm uma peculiaridade: eles são amaldiçoados pelos signos do zodíaco, e ao receberem um abraço do sexo oposto, se transformam nos animais respectivos. E é claro que Tohru descobre isso da maneira mais chocante possível: na prática. Com o passar dos episódios a jovem vai conhecendo outros membros da família Sohma e descobrindo segredos e relações muito mais complexas do que inicialmente ela imaginava.

Fruits Basket (ou simplesmente Furuba) é uma das minhas histórias favoritas. A mitologia por trás dos signos do zodíaco é muito interessante e as relações entre os membros amaldiçoados é cheia de nuances. Kyo e Yuki, por exemplo, fazem jus à dinâmica de gato e rato. Na lenda do zodíaco, Deus fez uma festa para os animais, nas quais os animais do zodíaco chinês compareceram. Entretanto, o rato pregou uma peça no gato, deixando-o de fora da celebração. Com isso, o gato é considerado o pior membro do clã, com gerações de pessoas possuídas por seu espírito sendo excluídas do convívio com os outros Sohma. Para Kyo, isso significa uma vida de amargura, raiva, dor e ressentimento – especialmente contra Yuki. Mas a vida do rato não é muito mais fácil: sendo o favorito do chefe do clã Sohma, Akito, Yuki cresceu sofrendo pressões inimagináveis, ouvindo que seu papel era agradar Akito e ser a companhia perfeita. A ele não foi permitido se descobrir, escolher, pensar por si mesmo – e é por este motivo que ele decidiu sair da casa principal e viver com Shigure (possuído pelo espírito do cachorro).

Cada membro do zodíaco tem uma história própria, e a forma como cada um lida com o fardo da maldição é particular. Ao longo dos episódios, Tohru vai formando laços com essas pessoas e essa relação faz com que o destino por si só comece a mudar. Os membros do zodíaco aos poucos percebem seu valor e entendem que são apreciados, ao menos por ela. Esse amor e amizade que Tohru oferece de coração aberto são fundamentais para a construção da autoestima de cada Sohma que cruza o seu caminho.

Furuba é uma história que fala muito sobre o peso da solidão. Cada personagem, incluindo Tohru, possui cicatrizes emocionais profundas. Bullying, rejeição familiar e isolamento são algumas das dores que eles enfrentam (principalmente os membros do zodíaco). É impossível não se emocionar conforme suas fragilidades vêm à tona, e a vontade que o espectador sente é de abraçar cada um deles com carinho (e dane-se se isso provocar uma transformação). Mas, por mais que a dor seja uma constante no passado e no presente dos personagens, Fruits Basket é também uma história sobre o poder da esperança. Tohru é o símbolo maior disso, a pessoa que perdeu tudo que mais amava e ainda assim consegue sentir gratidão pelas amizades e oportunidades que tem. Ao valorizar e apreciar genuinamente cada Sohma com quem vincula, ela “empresta” um pouquinho da sua força e mostra, mesmo sem querer, que existe amor e aceitação para aquelas pessoas. O tipo de acolhimento (emocional) que Tohru oferece tem um impacto que ela nem sequer pode imaginar ao aceitar ser acolhida por eles (fisicamente).

E pra não dizer que não falei da produção em si, preciso ressaltar a beleza do novo anime. A primeira adaptação televisiva me deixou frustrada porque termina num momento crucial do mangá e não tem continuidade; a nova, entretanto, vem pra corrigir isso e adaptar o mangá em sua totalidade, tendo três temporadas planejadas. O traço é simplesmente fantástico, as cores são lindas e os cenários também encantam. Pra completar, a trilha sonora é emocionante e se encaixa superbem com a proposta da história.

Pra quem já é fã de animes, Fruits Basket é um prato cheio que contempla uma história envolvente, muita emoção e bons personagens. Mas sei que nem todo mundo gosta desse tipo de produção e talvez isso seja por falta de oportunidade. Nesse caso, queria convidar você a começar sua experiência com Fruits Basket. Se você curte drama, fantasia, romance e – por que não dizer? – esperança, essa história tem tudo para te agradar. Não deixe a categoria da obra (ou seja, o fato de ser um anime) te impedir de dar uma chance para uma história que entretém, diverte, emociona e aquece o coração. Promete pensar com carinho? ❤

Título original: Furūtsu Basuketto
Ano de lançamento: 2019
Direção: Yoshihide Ibata
Elenco: Manaka Iwami, Nobunaga Shimazaki, Yuma Uchida, Yuichi Nakamura

Resenha: Pessoas Normais – Sally Rooney

Oi pessoal, tudo bem?

Desde que vi a Pam Gonçalves falando sobre Pessoas Normais, fiquei com o título no meu radar. O fato de ter sido adaptado em uma série foi o incentivo que faltava pra eu finalmente dar uma chance, e hoje divido com vocês minha experiência com a leitura.

Garanta o seu!

Sinopse: Na escola, no interior da Irlanda, Connell e Marianne fingem não se conhecer. Ele é a estrela do time de futebol, ela é solitária e preza por sua privacidade. Mas a mãe de Connell trabalha como empregada na casa dos pais de Marianne, e quando o garoto vai buscar a mãe depois do expediente, uma conexão estranha e indelével cresce entre os dois adolescentes – contudo, um deles está determinado a esconder a relação. Um ano depois, ambos estão na universidade, em Dublin. Marianne encontrou seu lugar em um novo mundo enquanto Connell fica à margem, tímido e inseguro. Ao longo dos anos da graduação, os dois permanecem próximos, como linhas que se encontram e separam conforme as oportunidades da vida. Porém, enquanto Marianne se embrenha em um espiral de autodestruição e Connell começa a duvidar do sentido de suas escolhas, eles precisam entender até que ponto estão dispostos a ir para salvar um ao outro. Uma história de amor entre duas pessoas que tentam ficar separadas, mas descobrem que isso pode ser mais difícil do que tinham imaginado.

Pessoas Normais tem uma narrativa ágil em terceira pessoa, focada principalmente nos diálogos dos dois protagonistas, Marianne e Connell, cobrindo um período de tempo que vai do final do ensino médio até o final da faculdade. A mãe de Connell trabalha como faxineira para a família de Marianne, e as interações entre os dois ficam restritas a quando ele passa para buscá-la. Enquanto a jovem não é aceita socialmente na escola e tampouco tem amigos, Connell faz parte do grupo dos populares, fingindo inclusive não conhecer Marianne para manter as aparências. Um dia, porém, os dois se beijam e começam a sair juntos às escondidas, e essa dinâmica sexual se mantém por anos a fio, cheia de idas e vindas.

A primeira coisa que eu preciso dizer sobre Pessoas Normais é que ele é um livro que parece nunca sair do lugar, e a culpa é exclusiva da falta de diálogo entre os protagonistas. Gente, eu tenho 27 anos, não tenho mais paciência pra adulto agindo feito adolescente. Por isso, esse aspecto do livro foi enervante pra mim. Marianne e Connell (especialmente Connell) causaram mágoas um no outro ao longo dos anos, mas eles funcionam como ímãs que não conseguem se afastar completamente. A química sexual é o que os une em primeiro lugar, mas também existe uma segunda camada nesse relacionamento, que é encontrar compreensão, adequação e aceitação em alguém. 

No ensino médio, Marianne era a excluída, mas na faculdade os papéis se invertem. Agora é ela quem brilha, enquanto Connell se sente desajustado ao conviver com pessoas que não parecem aceitá-lo por quem ele é, e o abismo de classes sociais também o intimida. Na época da escola, Connell interpretava um papel fácil e consolidado que funcionava, não se permitindo ser vulnerável. Marianne, por outro lado, com sua sinceridade implacável e jeito blasé, se encaixou no novo meio – um meio muitas vezes permeado por arrogância intelectual. Quem nunca foi presunçoso aos 20 e poucos anos em uma conversa com outros colegas universitários que atire a primeira pedra.

Apesar de ser um livro muito bom em abordar o sentimento de se sentir perdido e em um lugar ao qual você não pertence, ele também me deixou muito nervosa e irritada, especialmente por causa de Connell. A maneira como ele usa Marianne ao longo dos anos me enojou. Transar com ela às escondidas no ensino médio e, na faculdade, se beneficiar dos confortos que ela poderia proporcionar (como um apartamento no qual ele poderia ficar) foram atitudes horríveis que Marianne não merecia. Connell sabe que gosta dela e ainda assim não expõe seus verdadeiros sentimentos, e ao mesmo tempo ele tem plena consciência do poder que exerce sobre ela, se aproveitando disso. Marianne, por outro lado, vem de uma família desestruturada: ela aprendeu desde cedo que violência é a forma de lidar com as relações, já que presenciou seu falecido pai agredindo sua mãe, e ela própria foi vítima disso. No presente, seu irmão também a trata de forma violenta, tanto física quanto verbal, e Marianne não encontra forças para se defender. Sua autoestima é comprometida e ela acredita não ser digna de amor, o que explica toda a dinâmica autodestrutiva de passividade e permissividade que ela tem não apenas com Connell como também com todos os homens (problemáticos) com quem se relaciona ao longo dos anos. 

O terço final do livro é um pouco decepcionante, porque a autora entra no território da saúde mental de forma abrupta e sai dele de forma tão abrupta quanto. O leitor não tem tempo pra absorver a nova condição e as consequências que isso causa na vida dos personagens, e o capítulo final faz com que isso tudo seja ainda pior. Ele é repentino e causa uma sensação de que faltaram páginas pra construir aquela mudança tão representativa na forma de pensar e agir de Connell e Marianne. A próxima frase tem spoiler, selecione se quiser ler: quando Connell recebe a proposta para ir a Nova York, novamente eles poderiam ter resolvido com diálogo e com planos. Marianne poderia terminar a faculdade e ir encontrá-lo, por exemplo. Mas eles decidem de forma tácita que Connell deve ir e Marianne se sente feliz e conformada com isso. De novo, insisto: cadê o diálogo?

Pessoas Normais é um bom livro, mas nem de longe entrou para a minha lista de favoritos. Como ponto positivo ressalto principalmente o foco em assuntos que dialogam com as nossas experiências de jovens adultos, mas infelizmente a dinâmica da narrativa é cíclica de um jeito cansativo. Você passa páginas e mais páginas e não sente que ninguém ali está amadurecendo de verdade, e o final da história é tão repetitivo quanto seu começo. Agora pretendo conferir a série pra ver se nela eu me sinto menos desconfortável com essa relação conturbada e confusa. Vou torcer para que sim.

Título original: Normal People
Autora:
Sally Rooney
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 264
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: O Caçador – Lars Kepler

Oi pessoal, tudo bem?

Recebi da Alfaguara, selo do grupo Companhia das Letras, o thriller policial O Caçador – e óbvio que corri para ler, já que sou apaixonada pelo gênero. 😉

Garanta o seu!

Sinopse: O detetive Joona Linna passou dois anos em uma prisão de segurança máxima quando recebeu uma inesperada visita. A polícia precisa de sua ajuda para deter um misterioso assassino: o chamam de O Caçador de Coelhos, pois a única conexão entre suas vítimas é que ouvem uma canção de ninar sobre coelhos antes de morrer. Joona agora tem a chance de sair da prisão para, com a policial Saga Bauer, tentar desvendar quem é esse misterioso caçador e salvar seus próximos alvos. Mas o que aparentemente parece ter motivações terroristas se transforma em um dos casos mais complexos de sua carreira. Em O caçador, o romance mais vendido da Suécia e da Noruega em 2016, Lars Kepler apresenta novamente sua fórmula imbatível: ritmo frenético, situações limite e personagens impagáveis.

O Caçador é um livro da série Joona Linna e, como a maior parte das séries policiais que seguem essa fórmula, a história tem início, meio e fim próprios, mas conta com elementos dos volumes anteriores que auxiliam no aprofundamento dos personagens. Mas, diferente da minha experiência com Morte no Verão (em que me senti perdida por não conhecer o background dos personagens), O Caçador foi muito tranquilo de ler. O autor relembrava informações (suponho) relevantes necessárias para entendermos o básico dos personagens, aproximando minha experiência de leitura com a que tive lendo os romances de Cormoran Strike ou o ótimo Boneco de Neve. O fato de ser um romance nórdico também me fez perceber algumas similaridades no estilo narrativo em relação a este último.

A obra acompanha um assassino implacável que não deixa rastros ao eliminar suas vítimas. O governo da Suécia acredita estar lidando com um terrorista, já que sua primeira vítima conhecida é o Ministro das Relações Exteriores. A responsável pelo caso, Saga Bauer, desconfia dessa conclusão, já que o assassino deixou uma testemunha viva – uma atitude bastante inusitada. Ela insiste então que Joona Linna seja envolvido na investigação, um ex-detetive com quem ela já trabalhou e encontra-se preso (por um crime que o livro não explica muito bem). A partir daí, eles passam a correr contra o tempo para descobrir a motivação do crime e impedir os futuros assassinatos.

Até a metade do livro, a história parece não evoluir muito. Os detetives investem muito tempo investigando a hipótese do terrorismo, então eu me senti perdendo um pouco de tempo enquanto essa parte da trama se desenrolava. Entretanto, quando eles começam a juntar as peças, o livro fica impossível de largar. Ao descobrirem a associação entre as vítimas e irem atrás do passado delas, a história fica instigante e as pontas soltas começam a se unir, levando a um ótimo e angustiante final cheio de ação em um ambiente claustrofóbico.

Depois que descobrimos o assassino (e o livro te dá pistas suficientes pra isso), a trama perde um pouquinho de fôlego, porque alguns capítulos narrados por outros personagens nos afastam da investigação em curso. Isso me deixou ansiosa pra voltar pra ação logo rs. Só que a narrativa é tão ágil que mesmo assim você passa as páginas rapidamente, de forma fluida. Eu amo capítulos curtos, eles me dão uma vontade enorme de não largar o livro e isso me fez passar horas imersa na obra de Lars Kepler.

O Caçador é um livro cujo ritmo narrativo é envolvente, os investigadores são competentes e os motivos para o crime são bem embasados (quando eu descobri até passei um pano pro vilão rs). Gostei muito da experiência e fiquei com vontade de conhecer os outros livros da série. Se você é fã de romances policiais, vale deixar esse título no radar. 😉

Título original: Kaninjägaren
Série: Joona Linna
Autor:
Lars Kepler
Editora: Alfaguara
Número de páginas: 528
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.