Resenha: E Não Sobrou Nenhum – Agatha Christie

Oi gente, como estão?

Recentemente, tive minha primeira experiência lendo Agatha Christie e hoje eu vim contar um pouquinho a respeito pra vocês! 🙂 Escolhi um livro que já me ganhou na sinopse: E Não Sobrou Nenhum, que é também um dos maiores best-sellers de todos os tempos e o livro mais vendido da autora.

e nao sobrou nenhum agatha christie

Sinopse: Uma ilha misteriosa, um poema infantil, dez soldadinhos de porcelana e muito suspense são os ingredientes com que Agatha Christie constrói seu romance mais importante. Na ilha do Soldado, antiga propriedade de um milionário norte-americano, dez pessoas sem nenhuma ligação aparente são confrontadas por uma voz misteriosa com fatos marcantes de seus passados. É neste clima de tensão e desconforto que as mortes inexplicáveis começam e, sem comunicação com o continente devido a uma forte tempestade, a estadia transforma-se em um pesadelo. Todos se perguntam: quem é o misterioso anfitrião, mr. Owen? Existe mais alguém na ilha? O assassino pode ser um dos convidados? Que mente ardilosa teria preparado um crime tão complexo? E, sobretudo, por quê? Medo, confinamento e angústia: que o leitor descubra por si mesmo porque E não sobrou nenhum foi eleito o melhor romance policial de todos os tempos.

Dez pessoas são convidadas (com pretextos diferentes) a passar uma semana na ilha do Soldado, nos arredores do condado de Devon. Ao chegar lá, elas descobrem que o misterioso anfitrião, o Mr. U. N. Owen, não chegou ao local ainda, o que causa certo estranhamento. Contudo, as coisas realmente ficam estranhas quando uma gravação começa a tocar por meio de um gramofone, e uma voz misteriosa acusa cada uma daquelas pessoas de ter cometido algum crime e saído impune. Quando as primeiras mortes começam a acontecer, os sobreviventes ficam cada vez mais assustados e, é claro, desconfiados uns dos outros.

Pra vocês terem ideia do quanto esse livro me prendeu, eu li cerca de 317 páginas (ou 226 de 286, na proporção do Kobo) numa sentada. Pra mim, que venho me queixando de não conseguir ficar muito tempo lendo, só essa pequena conquista já foi suficiente pra me deixar exultante. Mas o mérito é da autora e da história extremamente envolvente que ela construiu. A cada página virada eu ficava mais curiosa pra saber o que iria acontecer, por mais que exista o spoiler sem graça do título do livro e uma pista bem óbvia logo de cara. Essa pista não é um spoiler: trata-se do poema que os hóspedes encontram nos quartos, que fala sobre 10 soldadinhos que vão “sumindo” (ou morrendo) um a um. Mesmo com esses dois fatores (o título e o poema), eu queria muito descobrir quem seria o próximo da lista – enquanto tentava descobrir quem era o responsável pelo crime.

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Minha única decepção ficou por conta de alguns aspectos do final do livro. A seguinte frase tem spoiler, selecione se quiser ler: eu achei a última morte, da Vera, meio nonsense. Mesmo com o trauma de ter matado Lombard, eu não achei que ela tinha o perfil de quem se mataria. Pareceu que a personagem tava hipnotizada (apesar de não estar, como o vilão revela mais tarde). O vilão era alguém de quem eu tinha desconfiado até certo ponto da narrativa, mas que descartei, então fiquei surpresa com a maneira que a autora desenvolveu essa revelação e o crime em si. A próxima frase também tem spoiler, selecione se quiser ler: só fiquei decepcionada com a motivação do vilão, que era um psicopata justiceiro com uma doença terminal. Achei essa uma alternativa fácil demais.

A ambientação do livro foi um dos pontos fortes. Por se passar em uma ilha, a sensação de claustrofobia e angústia se manteve presente ao longo de toda a leitura – sensação que os próprios personagens sentiam. Quando uma tempestade atinge o local e impossibilita qualquer chance de resgate, é impossível não sentir ainda mais medo da situação. Além disso, Agatha Christie também consegue desenvolver muito bem as emoções dos seus personagens. Com histórias totalmente diferentes, mas aspectos em comum em seu passado, cada personagem tem uma personalidade bem marcante. Meus favoritos foram Lombard, Armstrong, Vera e Wargrave. Eles tiveram uma participação mais ativa na trama e nos diálogos, então foi mais interessante ler as cenas nas quais eles estavam em evidência. Porém, gostar deles é um paradoxo, já que os personagens são acusados de crimes terríveis (mesmo que alguns deles demonstrem remorso pelo que fizeram). Nesse sentido, Lombard é o meu preferido, pois é o mais autêntico do grupo.

E Não Sobrou Nenhum é um livro de suspense policial incrível, que te deixa aflito e curioso do início ao fim. Já consegui entender porque a autora é considerada Rainha do Crime e meu único arrependimento é não ter começado a ler suas obras antes. 😛 Recomendo!

Título Original: And Then There Were None
Autor: Agatha Christie
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 400

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Review: Mãe!

Oi pessoal, como estão?

Apesar de ter visto Mãe! no cinema, outras pautas acabaram virando prioridade aqui no blog e demorei um pouquinho pra escrever o review. Porém, sem mais delongas, vamos à minha opinião sobre esse filme simbólico e controverso. 😉

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Sinopse: Um casal vive em um imenso casarão no campo. Enquanto a jovem esposa (Jennifer Lawrence) passa os dias restaurando o lugar, afetado por um incêndio no passado, o marido mais velho (Javier Bardem) tenta desesperadamente recuperar a inspiração para voltar a escrever os poemas que o tornaram famoso. Os dias pacíficos se transformam com a chegada de uma série de visitantes que se impõem à rotina do casal e escondem suas verdadeiras intenções.

Infelizmente, eu acabei lendo uma crítica com spoilers (odeio quem não avisa que a resenha tem spoiler) e já sabia qual era a simbologia principal do filme antes de assisti-lo. Achei que isso estragaria minha experiência mas, no fim das contas, fiquei absorta na história mesmo sabendo de antemão qual era a metáfora que o diretor estava fazendo.

Basicamente, Mãe! conta a história de um casal que vive tranquilamente em uma casa isolada. Ele (Javier Barden) é um poeta que enfrenta uma crise criativa; Ela, a Mãe (Jennifer Lawrence), é uma dona de casa devotada ao marido, que está empenhada em reformar a casa onde moram e transformá-la em um paraíso para o casal. A paz da personagem termina quando um visitante misterioso (vou chamá-lo pelo nome do ator, Ed Harris) chega ao local e é convidado pelo anfitrião a passar a noite. Posteriormente, o casal é incomodado novamente: a esposa de “Ed Harris” chega à casa e também se instala – mesmo contra a vontade da Mãe. A chegada dessa dupla misteriosa desencadeia eventos perturbadores.

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O forte de Mãe! não está nessa premissa, mas sim na metáfora e no simbolismo por trás de cada cena. A próxima frase tem spoiler, selecione se quiser ler: o diretor disse que o filme conta a história da Bíblia (de Gênesis ao Apocalipse), mas também existem outras interpretações possíveis. Podemos ver uma crítica ao modo como o ser humano lida com a Terra e os recursos naturais – explorando, machucando, destruindo; podemos também ver também o silenciamento feminino – já que o filme é um grito por socorro por parte da personagem de Jennifer Lawrence, que tem todos os seus pedidos negados. Acredito que cada espectador possa ter tirado uma lição diferente do filme, e isso é o mais interessante sobre o longa: ele te deixa com vontade de falar a respeito depois que você assiste.

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Esse parágrafo tem spoilers, pule para o próximo se não quiser ler. 😉 A metáfora da Bíblia, contudo, é a mais interessante (e óbvia). Ele é um Deus egocêntrico e punitivo, que é apaixonado pela devoção humana. Não sou religiosa e nunca li a Bíblia, mas o pouco que sei e pesquisei me mostrou que no Antigo Testamento essas eram as características de Deus. Depois que a Mãe! engravida e perde o bebê por causa dos seres humanos, vemos o Deus benevolente, que crê que a humanidade merece perdão. No fim, a Mãe (ou a Terra) decide dar um fim a todo aquele ciclo de sofrimento, tortura e massacre.

Tenho que mencionar a atuação de Jennifer Lawrence, que deu tudo de si nesse papel e mostrou do que é capaz. Eu estava um pouco implicante com ela após X-Men: Apocalipse (no qual ela fez da Mística uma versão loira da Katniss), mas em Mãe! ela superou minhas expectativas. Durante todo o filme a expressão da atriz ficou em evidência, já que a câmera acompanhou cada passo seu e toda a narrativa foi dada pelo seu ponto de vista. Com isso, pudemos ver todas as nuances da interpretação: o medo, a fragilidade, a revolta, o sofrimento, a força.

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Mãe! é um filme que não agrada a todos os públicos, principalmente por lidar com tantas simbologias e trazer um tema tão controverso. Pra mim, foi uma experiência instigante e envolvente e, por isso, recomendo! 😉

Título original: Mother!
Ano de lançamento: 2017
Direção: Darren Aronofsky
Elenco:  Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michele Pfeiffer, Brian Gleeson. Domhnall Gleeson, Kristen Wiig

Stranger Things 2: erros e acertos

Oi gente, tudo bem?

Não costumo resenhar séries por temporada aqui no blog e pretendo continuar não o fazendo. Contudo, Stranger Things é um verdadeiro fenômeno e sua continuação foi muito aguardada. Como já resenhei e recomendei a série por aqui, no post de hoje resolvi fazer um balanço entre os erros e acertos da nova temporada. Obviamente, esse post está cheio de spoilers! 😉 Aviso dado, agora vamos lá!

Erros

Pra mim, a temporada realmente ficou boa a partir do 6º episódio (apesar de já ter gostado do 5º). Complicado, considerando que foram apenas 9 no total. Isso quer dizer que mais da metade da season não foi tão bacana quanto eu esperava. Vou tentar explicar o porquê:

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Excesso de plots: ao expandir o universo construído na primeira temporada, acredito que Stranger Things tenha exagerado. Temos a relação Eleven x Hopper, a busca pelo passado de Eleven, as consequências do que aconteceu com Will, a aproximação com Max, o drama familiar de Max, mais crianças parecidas com Eleven, a investigação e exposição da morte de Barb… Foram tantas coisas acontecendo paralelamente que em determinados momentos tive a sensação de estar vendo uma colcha de retalhos. Minha atenção vagou em vários momentos e a vontade de maratonar não foi tão grande (apesar de eu ter feito isso anyway, hihihi). Isso é bem triste, considerando que a série me prendeu já no primeiro episódio na season anterior.

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Kali/Episódio 7: como a primeira cena de Stranger Things 2 foi uma apresentação da 8 (que posteriormente descobrimos se chamar Kali), eu imaginava que ela teria mais importância. No fim, sua participação resumiu-se a um episódio isolado no qual Eleven conhece um pouco mais sobre seu passado e sobre essa antiga amiga/”irmã” de laboratório. A sensação que fica, pelo menos por enquanto, é que foi uma expectativa gerada meio à toa, já que o episódio foi meio fechado em si mesmo. A única coisa útil dele foi que Eleven aprendeu a canalizar melhor seus poderes, o que permitiu à garota vencer o Devorador de Mentes na season finale.

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Dustin vacilão: O QUE FIZERAM COM O MEU DUSTIN??? Se na primeira temporada ele era o garoto mais inteligente e sensato do grupo (sempre com ótimos insights e acabando com as brigas dos amigos), nessa ele foi meio pamonha. Além das piadas dele terem ficado um pouco forçadas em algumas cenas (especialmente nos episódios finais), o Dustin ADOTA UMA LESMA DO MUNDO INVERTIDO COMO PET, PUTA QUE PARIU! Que ideia de jerico foi essa? Tudo bem que ele estivesse encantado pela Max (faz parte da idade), mas o Dustin sempre foi muito esperto. Na primeira temporada ele jamais faria isso, especialmente às custas da segurança dos amigos. Em determinado momento, quando Will revela que aquela “lesma” era oriunda do Mundo Invertido, o Dustin não apenas esconde o fato de que está com ela, como a protege! Sério, essa foi uma das decisões de roteiro mais difíceis de engolir.

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Muito tempo de tela para Billy: Max ganhou importância ao longo da temporada, e acho bacana explorar a personagem e o contexto que a envolve. Mas já entendi que o Billy é um cuzão personagem detestável na primeira cena em que ele surge. Não precisavam ter perdido tanto tempo mostrando o personagem fazendo as mesmas coisas: maltratando a irmã, implicando com o Lucas e provocando o Steve.

Acertos

Agora vamos ao lado bom da temporada? ❤ Felizmente, eles foram mais abundantes (apesar de terem levado alguns episódios pra acontecer):

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Will em destaque: eu me afeiçoei ao Will de cara na primeira temporada. Sempre que Jonathan ou Joyce se lembravam dele, eu podia perceber a criança doce e cativante que ele era. Por isso, estava ansiosa pra vê-lo com maior destaque na continuação, e isso felizmente aconteceu (apesar das circunstâncias difíceis). Noah Schnapp dá um show de atuação, especialmente nos momentos em que vemos Will lidando com o fato de estar conectado ao mal que assola Hawkins e sofrendo as consequências do que aconteceu no ano anterior.

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Steve “Awesome” Harrington: apesar de Steve começar a primeira temporada sendo o típico galã meio babaca, eu sempre vi potencial no personagem. Sempre acreditei no seu amor pela Nancy e na sua boa índole – mesmo quando as pessoas o criticavam e diziam que ele era um idiota. QUERO VER FALAREM MAL DELE AGORA HAHAHA! O personagem cresceu muito, teve uma participação ainda mais importante e provou pra todo mundo porque ele merece o lugar dele no meu coração!

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Parceria entre Steve e Dustin: aproveitando que falei do Steve ali em cima, outro acerto da temporada foi a parceria inusitada entre ele e Dustin. Os dois se unem para enfrentar “Dart” (apelido do filhote de Demogorgon que Dustin criou) e, em meio aos planos, Steve dá dicas amorosas pro Dustin e impressiona o garoto ao servir de isca para a criatura. Muito amorzinho! ❤

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Jonancy: eita tensão sexual que não se desenrolava nunca! Apesar de ter ficado de coração partido pelo Steve, eu torcia pelo Jonathan e pela felicidade dele (adoro os underdogs, admito). Consequentemente, queria que ele ficasse com a Nancy, até porque acredito que a química entre eles sempre funcionou muito bem. ❤

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Bob Newby: apesar de shippar a Joyce com o Hopper, gostei muito de Bob, o namorado dela. Ele é um cara legal, que realmente se importa com Joyce e sua família. E depois de viver um relacionamento tóxico com o ex-marido e ainda lidar com toda a situação envolvendo Will, foi bom ver alguém estável capaz de fazer Joyce feliz. Bob é um amorzinho! E, além disso, é interpretado por Sean Astin, o Sam (um dos meus personagens favoritos de O Senhor dos Anéis). ❤ Minha única tristeza em relação a esse personagem foi o seu fim: ele finalmente virou o Bob Super-Herói. 😥 Sofri e chorei com a cena de sua morte, mas também entendo que – sendo realista – o personagem não tinha uma grande função no futuro da série.

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Família Holland lidando com a morte da Barb: uma das coisas estranhas (ba dum tss) da temporada anterior foi a pouca importância dada pro desaparecimento de Barb. Isso chegou até a virar meme na época! Na season atual, porém, os roteiristas deram a devida atenção a isso, concluindo de vez essa ponta solta.

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Trilha sonora: nessa temporada, diversos clássicos fizeram parte da trilha sonora. Além de Should I Stay or Should I Go, tivemos também Rock You Like a Hurricane, Love is a Battlefield, Time After Time, Every Breath You Take… só musicão!

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Baile da Neve: essa cena foi maravilhosa simplesmente pelo fato de dar algum respiro aos personagens. Pela primeira vez desde que tudo aconteceu, pudemos ver as crianças sendo… crianças! E isso traz um pouco de conforto aos nossos corações, principalmente após uma temporada tão intensa e cheia de sofrimento.

Talvez eu tenha sido um pouco grumpy nas minhas críticas, ou talvez o Monstro da Expectativa tenha feito com que eu me decepcionasse um pouco, principalmente no início da temporada. De modo geral, senti que a segunda temporada foi um “filme 2” que foi ótimo, mas não tão bom quanto o “filme original”. No 6º episódio, a série ganhou novamente o ritmo e as características que me fizeram amá-la de cara no ano passado: enredo envolvente, núcleos de personagens interagindo, tensão, suspense e aquela pitadinha de terror. 

Gostaria muito de saber o que vocês acharam da season e também das minhas observações. Me contem nos comentários? 😉

Beijos e até semana que vem!

Dica de Série: Mindhunter

Oi, pessoal. Tudo bem?

Hoje trago pra vocês minhas impressões sobre uma das séries mais recentes (e interessantes) da Netflix: Mindhunter!

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Sinopse: Baseada no livro Mind Hunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit, a série se passa em 1977 e gira em torno de dois agentes do FBI, interpretados por Jonathan Groff e Holt McCallany, que entrevistam assassinos em série presos para tentar resolver casos em andamento.

Como a sinopse já menciona, Mindhunter conta a história de dois agentes do FBI que passam a entrevistar serial killers presos para entender um pouco mais sobre eles: como eles pensam, o que os motiva, o que aconteceu em seu passado, etc. Holden Ford, o protagonista, é um jovem agente muito idealista, que trabalhava como negociador em casos de sequestro. Insatisfeito e incompreendido por seus métodos, ele é transferido e passa a ser assistente de Bill Tench, um agente veterano responsável pela escola móvel, um programa do FBI que viaja por todo o país para capacitar policiais e ensinar algumas técnicas da instituição. Nessas viagens, Holden e Bill passam a entrevistar também alguns presos – chamados inicialmente de “assassinos sequenciais” – para compreender o aspecto psicológico que os envolve e tentar detectar esses mesmos sinais em outros possíveis criminosos ou casos em aberto. Após muita dificuldade e burocracia, os dois passam a representar a Unidade de Ciência Comportamental do FBI e ganham uma aliada: a Dra. Wendy Carr, uma psicóloga e pesquisadora que vê grande potencial no projeto.

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Mindhunter, que foi produzida por David Fincher e Charlize Theron, tem a cara do diretor: o clima é tenso, os diálogos são inteligentes e a história vai se desenrolando aos poucos, enquanto aprofunda cada aspecto da narrativa e dos personagens. Mesmo uma cena inocente (como aquela em que Wendy alimenta um gato que vive escondido na lavanderia) traz uma tensão e uma urgência palpáveis, deixando o espectador desconfiado e acreditando que a qualquer momento algo horrível irá acontecer. Mas Mindhunter não é focada em plot twists e em cenas de ação. O grande atrativo da série está em seus personagens.

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A dinâmica entre Holden e Bill é muito interessante. Eles começam a série como pupilo e professor mas, aos poucos, Holden vai criando mais confiança em si mesmo e em seus métodos – aproximando-se muito de seus próprios objetos de estudo. Desde o início, o personagem demonstra seu lado egocêntrico, que vai ficando mais evidente conforme ele adentra o mundo (e a mente) dos serial killers. Bill, por outro lado, seria aquele estereótipo do agente durão, mas que tem mais jogo de cintura para lidar com a burocracia do FBI. Ao longo dos episódios, o espectador se depara com a fragilidade do personagem, que tem uma situação complicada e questões mal resolvidas na família (especialmente por não saber lidar com um filho autista).

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Temos também duas mulheres importantes na trama: a Dra. Wendy é uma acadêmica cética e centrada, que tenta  (muitas vezes em vão) manter o estudo com os assassinos dentro de parâmetros acadêmicos, para que os dados sejam válidos em termos de pesquisa. Ela sugere questionários e metodologias, mas Holden é resistente e prefere ser metido seguir seus instintos. A outra mulher é a namorada de Holden, Debbie. Estudante de Sociologia, a moça tem uma visão bem diferente de Holden e, no início da série, acaba sendo uma influência que flexibiliza o namorado. Com o passar dos episódios, contudo, Holden fica cada vez mais autocentrado e a relação dos dois enfrenta diversas tensões. Afinal, Holden lida todos os dias com assassinos que – em sua maioria – subjugam, humilham, estupram e assassinam mulheres (pelas mais diversas motivações). Seria praticamente impossível sair imune desse tipo de proximidade, e Holden sente as consequências de seu trabalho na pele.

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Outro aspecto muito bacana é ver os desafios que a equipe precisa enfrentar para se fazer ouvir. Se hoje o termo serial killer já existe e é encarado com seriedade, naquela época esse conceito nem existia. Nos anos 70, as autoridades só se importavam com capturar os criminosos e condená-los à pena de morte, por isso foi extremamente complicado para a Unidade de Ciência Comportamental encontrar seu espaço nesse contexto. Tanto o FBI quanto os policiais tinham resistência de acreditar e até mesmo aceitar o trabalho que eles faziam com as entrevistas, mapeamento e catalogação de comportamentos dos criminosos. Mas, aos poucos, as pessoas passam a enxergar a importância desse estudo quando eles passam a dar frutos e a equipe auxilia em alguns casos de difícil resolução pelo país.

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Mindhunter é uma série extremamente interessante e envolvente, que disseca não apenas o comportamento dos serial killers, mas de seus próprios protagonistas. Com episódios instigantes – ainda que focados no diálogo –, atuações sensacionais, fotografia que nos leva direto aos anos 70 e trilha sonora cheia de clássicos, é uma experiência obrigatória pra quem gosta do tema. Recomendo muito!

Título original: Mindhunter
Ano de lançamento: 2017
Criador: Joe Penhall
Elenco: Jonathan Gorff, Holt McCallany, Anna Torv, Hannah Gross, Cotter Smith

Resenha: Segredos de Uma Noite de Verão – Lisa Kleypas

Oi pessoal, tudo certo?

Apesar da popularidade na blogosfera, eu nunca tinha lido nenhum romance de época. Para iniciar minha experiência nesse gênero literário, escolhi a série As Quatro Estações do Amor, da Lisa Kleypas, e hoje trago minhas impressões sobre o primeiro volume, Segredos de Uma Noite de Verão!

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Sinopse: Apesar de sua beleza e de seus modos encantadores, Annabelle Peyton nunca foi tirada para dançar nos eventos da sociedade londrina. Como qualquer moça de sua idade, ela mantém as esperanças de encontrar alguém, mas, sem um dote para oferecer e vendo a família em situação difícil, amor é um luxo ao qual não pode se dar. Certa noite, em um dos bailes da temporada, conhece outras três moças também cansadas de ver o tempo passar sem ninguém para dividir sua vida. Juntas, as quatro dão início a um plano: usar todo o seu charme e sua astúcia feminina para encontrar um marido para cada, começando por Annabelle. No entanto, o admirador mais intrigante e persistente de Annabelle, o rico e poderoso Simon Hunt, não parece ter interesse em levá-la ao altar – apenas a prazeres irresistíveis em seu quarto. A jovem está decidida a rejeitar essa proposta, só que é cada vez mais difícil resistir à sedução do rapaz. As amigas se esforçam para encontrar um pretendente mais apropriado para ela. Mas a tarefa se complica depois que, numa noite de verão, Annabelle se entrega aos beijos tentadores de Simon… e descobre que o amor é um jogo perigoso.

Eu realmente não vejo necessidade de explicar mais aspectos do enredo além do que diz a sinopse, que já é bem completa. Por esse motivo, vou passar direto às minhas impressões. Eu já esperava um clichê em Segredos de Uma Noite de Verão e, de fato, o livro é um tanto previsível. Contudo, isso não me incomodou porque, desde que sejam bem construídos, não me importo com clichês. O meu problema durante a leitura foi com a própria Annabelle: mesmo estando em uma situação difícil, a personagem tem um ar soberbo bastante irritante. Entendo que a criação da moça fez com que ela sonhasse com uma vida de nobreza em meio à alta sociedade, mas eu não consigo gostar desse tipo de personagem, que julga os outros por status ou aparências. Contudo, o lado positivo de Annabelle é que a moça é gentil e verdadeiramente preocupada não só com o próprio bem-estar, mas com o da sua família também. Simon Hunt, por outro lado, foi um personagem muito mais interessante. Assim como Annabelle, o leitor vai conhecendo Simon aos poucos, e percebendo nuances dele que a princípio não ficam claras: ele é um homem justo, determinado e muito inteligente. Porém, até que essas camadas do personagem sejam demonstradas, o leitor tem que aguentar muita teimosia e arrogância por parte do casal.

Sim, em diversos momentos fiquei com borboletas no estômago quando Annabelle e Simon estavam juntos. As cenas picantes do livro são realmente muito boas (ainda mais se comparadas às de 50 Tons de Cinza, minha última experiência com livros de teor erótico) mas, mais para o final, acabaram caindo na repetição e perdendo a graça. Eu acho que preferi muito mais o clima de gato e rato que permeava o relacionamento dos dois no início da obra, que foi mudando gradualmente conforme Annabelle baixava a guarda e conhecia um outro lado de Hunt.

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Quem realmente ganhou meu coração nesse volume foram as três outras solteironas, especialmente Lillian e Daisy. ❤ As irmãs americanas não têm problemas financeiros, mas não estão acostumadas à toda pompa britânica. Isso faz com que elas sejam muito diferentes do que a sociedade londrina espera delas (e de um jeito muito engraçado)! Evie, a terceira solteirona, é um doce, sendo uma personagem delicada, confiável e fácil de se afeiçoar.

Um aspecto importante – e um dos pontos altos do livro – foi a ambientação histórica. O enredo se passa durante o declínio da nobreza, que se vê cada vez mais endividada, tentando levar um estilo de vida que não condiz com as mudanças na economia. Por outro lado, temos comerciantes sendo cada vez mais ricos e bem-sucedidos, crescendo em termos de importância – mas com o valor social ainda posto em xeque por quem vive nos antigos moldes (como faz a própria Annabelle ao julgar Simon por seu ofício). O interessante nesse contexto é que a protagonista, aos poucos, começa a perceber que sua idealização de vida perfeita está cada vez mais ultrapassada, e que o futuro já está chegando (com suas rodovias, suas máquinas a vapor e com o progresso oriundo dessas inovações).

Segredos de Uma Noite de Verão foi uma experiência satisfatória, apesar de não ter sido inesquecível. Gostei da ambientação e até mesmo dos clichês, mas Annabelle não me cativou. Eu recomendo esse livro mais para quem já gosta das obras da Lisa Kleypas ou para quem já é fã de romances de época, mas acho válido que o leitor não crie grandes expectativas em relação à obra.

Título Original: Secrets of a Summer Night
Série: As Quatro Estações do Amor
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288

Dica de Série: Modern Family

Oi, gente! Tudo certo?

Para o post de hoje, decidi aproveitar a estreia recente da 9º temporada para falar um pouquinho sobre uma (das inúmeras) séries que eu assisti esse ano, uma comédia que ganhou meu coração: Modern Family!

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Sinopse: A série de comédia é filmada no estilo de documentário e mostra a vida da família Pritchett. O pai, Jay, é um homem bem sucedido nos negócios e casou-se recentemente com uma bela colombiana, Gloria, que vem morar nos EUA junto com seu filho pré-adolescente, Manny. A filha mais velha de Jay, Claire, tem seus próprios “bebezões” para cuidar: o que inclui um marido, que sempre tenta fazer o papel de “pai legal”; uma adolescente que está começando a dar dor cabeça para a família; e o filho mais novo, que sempre tem atitudes bizarras. Talvez a mais adulta da casa seja a filha do meio, que tenta manter um ar de intelectual. O seriado acompanha também a vida do casal gay Mitchell, filho de Jay, e Cameron, que recentemente adotaram uma bebê vietnamita.

Modern Family tem um formato curioso: é como se o espectador estivesse acompanhando a gravação de um documentário sobre os personagens, que frequentemente dão seus depoimentos sobre determinadas situações. Na série, acompanhamos a rotina de três famílias (que são parentes): os Pritchett (formados pelo patriarca, Jay, sua nova esposa Gloria, e o filho dela, Manny), os Dunphy (formados pela filha de Jay, Claire, por Phil e pelos três filhos do casal: Haley, Alex e Luke) e o casal Mitchell Pritchett (filho de Jay, irmão de Claire) e Cameron Turner, que acaba de adotar uma menina vietnamita, Lily. A série nos mostra o dia a dia dessas pessoas e suas interações uns com os outros, o que proporciona cenas muito engraçadas e também reflexões sobre amor, amizade e, é claro, família.

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Como em toda família, existem tensões e questões mal resolvidas. Claire, a filha de Jay, tem certa relutância em aceitar a nova esposa do pai, uma mulher muito mais jovem do que ele; para Jay, é complicado aceitar a sexualidade do filho e seu casamento com outro homem; para Mitchell, não atender às expectativas do pai é fonte de frustração, e por aí vai. Apesar de Jay e seus filhos serem o fio condutor e núcleo da narrativa, os seus parceiros têm tanta importância quanto eles na trama. Phil Dunphy, por exemplo, é meu personagem favorito! ❤ Ele é engraçado de um jeito muito inocente e nonsense. Gloria também é ótima: uma latina com sangue quente que adora falar alto (impossível não rir quando ela grita “JAAAY!” pela casa). As crianças também têm uma dinâmica muito divertida, especialmente Luke e Manny, que são opostos um do outro: enquanto o primeiro é… hmmm… dono de uma inteligência peculiar HAHAHA, Manny é um gentleman que parece ter muito mais idade do que aparenta.

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O que eu mais gosto em Modern Family é que a série não tem um enredo mirabolante. O gostoso mesmo é acompanhar o dia a dia (e as maluquices, é claro) dessas famílias, suas relações, seus conflitos e seu amadurecimento. Existem vários episódios com lições importantes sobre compreensão, empatia, perdão e sobre valorizar o que realmente importa na vida: o amor e a convivência com quem nos é querido. ❤ Tudo isso em meio a MUITAS gargalhadas! Sério, Modern Family é uma das séries de comédia que mais me faz rir. Além disso, a série lida com muita naturalidade várias questões, como homossexualidade (a relação de Mitchell e Cam é como qualquer outra, exatamente como deveria ser!), e também com a diferença de idade entre Jay e Gloria.

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Infelizmente, a série tem perdido o fôlego nas últimas temporadas. Acredito que ela esteja se arrastando um pouco além do necessário e, com isso, vem repetindo alguns plots e perdendo um pouco do brilho que tinha no início (o que fica bastante claro nas crianças, que cresceram e perderam não só a graça, como também desenvolvimento). Sigo como uma fã fiel e acompanho cada episódio, mas confesso que já estou na torcida para um desfecho digno para essa série que fala sobre relações familiares de maneira tão doce e engraçada. Apesar dessas ressalvas, eu recomendo DEMAIS Modern Family!Em seu humor singelo e em suas situações cotidianas, é uma série que conquista e conforta ao mesmo tempo em que te arranca gargalhadas. Vale a pena! 😉

Título original: Modern Family
Ano de lançamento: 2009
Criadores: Christopher Lloyd, Steven Levitan
Elenco: Ed O’Neill, Sofía Vergara, Julie Bowen, Ty Burrell, Jesse Tyler Ferguson, Eric Stonestreet, Sarah Hyland, Ariel Winter, Nolan Gould, Rico Rodriguez

Resenha: Outros Jeitos de Usar a Boca – Rupi Kaur

Oi pessoal. Tudo certo?

Um livro que vem sendo muito comentado é Outros Jeitos de Usar a Boca, da poetisa Rupi Kaur. Vi algumas poesias rolando no Facebook, fiquei curiosa e resolvi conferir a obra, que hoje eu resenho pra vocês. 😉

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Sinopse: ‘outros jeitos de usar a boca’ é um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, e cada uma delas serve a um propósito diferente. Lida com um tipo diferente de dor. Cura uma mágoa diferente. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos, com mais de 1 milhão de exemplares vendidos.

Eu já comentei por aqui que não sou fã de poesias mas, de vez em quando, acabo gostando de uma ou outra. Porém, o teor feminista da obra de Rupi Kaur me deixou com vontade de conhecer o livro e acabei lendo ele todo de uma vez – já que são poemas curtinhos, em sua maioria. Eles são divididos em quatro categorias: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Sim, tudo escrito com letras minúsculas, bem como todas as poesias do livro – o que acredito ser o estilo de escrita da autora.

Em a dor, a autora aborda aspectos difíceis do “ser mulher”. Alguns temas abordados são a violência doméstica, o abuso sexual, as relações complicadas entre pais e filhas, o teor abusivo e violento de alguns discursos dentro de relações diversas (familiares e amorosas), a falta de autoconfiança e autoestima, entre outros. Mas os poemas mais marcantes, ao meu ver, foram os que abordavam violência sexual. Enquanto lia os trechos que falavam sobre esse tema, a empatia e a experiência de ser mulher e viver com medo todos os dias falaram mais forte e eu me senti incomodada – o que, acredito, seja um dos objetivos desses poemas.

Em o amor, Rupi Kaur escreve sobre as delícias de estar apaixonado, sobre a satisfação causada pelo sexo consensual e preocupado com a satisfação feminina, sobre se sentir segura nos braços de alguém que cuida de você, que te compreende e que te apoia. São poemas com uma carga erótica bem presente, mas que também englobam outros aspectos como companheirismo e confiança.

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Em a ruptura, a autora parte para o próximo passo da narrativa. Após sofrer com relações abusivas e finalmente encontrar uma relação saudável, na terceira parte da história ela discorre sobre o fim de um relacionamento. Os poemas transbordam emoção, além de mostrar o lado “feio” de um fim de relacionamento: a frieza, o afastamento, as brigas, o esforço em manter algo que já não tem mais sentido apenas por orgulho… Aqui, o tom das poesias é triste e melancólico.

Por fim, temos a cura. Para fechar o ciclo, a poetisa aborda seu renascimento, além de trazer poemas cheios de amor próprio e sororidade. Ela também traz com orgulho sua herança cultural nesse quarto “bloco”, além de celebrar as mulheres em suas mais variadas formas. A cada página virada, um sentimento de empoderamento ia tomando conta de mim, sendo este meu momento preferido do livro. Aliás, meu poema favorito (que ilustra o post) faz parte dele. ❤

Não vou mentir pra vocês: não gostei de vários poemas. Vários mesmo. Eu ia lendo sem interesse esses trechos que eu não curtia tanto e passando para a próxima página, mas isso não desmerece o conteúdo como um todo. Outros Jeitos de Usar a Boca constrói uma narrativa por meio da poesia e traz temas MUITO importantes e pertinentes, principalmente por abordar a violência contra a mulher, as opressões estruturais que sofremos, o foco no nosso prazer sexual e, principalmente, na nossa capacidade de cura e de fortalecimento – sozinhas enquanto indivíduos e unidas enquanto mulheres. E, por mais que eu não seja uma grande fã de poesia, essa leitura foi extremamente válida justamente por me fazer sentir representada. E, por isso, eu recomendo a todos, mesmo que você (assim como eu) não seja um grande fã do estilo. Vale a pena dar uma chance. 🙂

Título Original: Milk and Honey
Autor: Rupi Kaur
Editora: Planeta
Número de páginas: 208