Review: Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta

Oi pessoal, tudo bem?

Que tal uma dica de filme pra curtir nesse domingo? Então prepara a pipoca, porque hoje vamos falar de Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta.

Sinopse: Inspirada pelo passado rebelde da mãe e por uma nova amizade, uma adolescente tímida publica um texto anônimo que denuncia o machismo em sua escola.

Vivian é uma adolescente tímida (e super padrão) que passa pelo Ensino Médio com sua melhor amiga, Claudia, tentando não chamar a atenção. Quando Lucy, uma menina nova chega na escola questionando certos comportamentos (ao enfrentar os avanços do capitão do time de futebol, por exemplo), Vivian começa a perceber quão problemático é se manter alheia ao que acontece à sua volta, abrindo seus olhos para violências cotidianas causadas pelo machismo. Isso, somado ao fato de descobrir que sua mãe era uma militante feminista nos anos 90, motiva Vivian a criar um fanzine chamado Moxie em segredo e distribuí-lo pela escola, o que dá início a movimentos e discussões importantes.

Moxie é um filme que entretém ao mesmo tempo que traz uma mensagem positiva a jovens garotas. Vivian nunca pensou no quão ofensivo era ter uma lista que classifica as garotas da sua escola, por exemplo, mas ao fazer amizade com Lucy, que é objetificada não apenas por ser mulher, mas também pela cor de sua pele e pelos estereótipos racistas, ela começa a ver na prática as opressões que mulheres sofrem. Ao criar o fanzine Moxie, Vivian se aproxima de outras garotas e isso gera uma rede de apoio para enfrentar Mitchell (o capitão do time masculino) na disputa por uma bolsa estudantil, indicando sua amiga Kiera (uma atleta ainda mais competente) como concorrente. A aproximação de Vivian com novas meninas faz com que Claudia fique de lado e isso gere uma tensão entre as duas, e tive medo que o filme caísse em alguma armadilha que pudesse colocá-las uma contra a outra, mas felizmente não é o que acontece. Essa situação serve para dar uma pincelada em assuntos relacionados à xenofobia, mas é um toque muito raso e passageiro.

Aliás, esse é o maior defeito de Moxie: o filme é muito superficial em suas críticas. A vibe “garota branca e loira descobrindo o girl power” já não funciona comigo, e existem assuntos muito pesados (como assédio e abuso sexual) tratados de forma quase leviana – em especial nas últimas cenas, em que gritar parece ser a forma de resolver as coisas. Moxie peca em não mostrar os efeitos reais e posteriores de tudo que foi feito na escola graças ao movimento criado pelas meninas, o que faz com que ele perca a sua força e se torne um filme meio “qualquer coisa” em um mar vasto e cheio de opções de entretenimento que temos hoje. Para completar, o filme se passa inteiramente sobre a ótica de uma menina cheia de privilégios, ignorando questões importantes que o feminismo interseccional aborda. Se eu tivesse que indicar um título que faça esse trabalho de forma competente, diria que Sex Education é uma opção muito mais poderosa e responsável. Pra finalizar, Lisa (a mãe de Vivian), que em tese foi sua primeira inspiração, tem poucas falas e é muito mal desenvolvida, sem que a gente entenda o motivo do distanciamento entre as duas (ainda mais em um momento em que a protagonista poderia contar com os conselhos da mãe). 

Entretanto, apesar da superficialidade, acho legal ver que mais obras como Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta estão sendo feitas. Eu gostaria de ter crescido com mais exemplos assim, e acho que as futuras gerações terão contato com essas problematizações mais cedo – o que me faz ter um pouquinho mais de esperança no futuro.

Título original: Moxie
Ano de lançamento: 2021
Direção: Amy Poehler
Elenco: Hadley Robinson, Lauren Tsai, Alycia Pascual-Pena, Nico Hiraga, Sydney Park, Patrick Schwarzenegger, Amy Poehler

Resenha: Filhos de Virtude e Vingança – Tomi Adeyemi

Oi pessoal, tudo bem?

Filhos de Sangue e Osso, o primeiro livro da trilogia O Legado de Orïsha, foi um verdadeiro sucesso. Por isso, a ansiedade para conferir a continuação, Filhos de Virtude e Vingança, era alta. Hoje conto pra vocês o que achei. 😀

Garanta o seu!

Sinopse: No segundo volume da série, depois de enfrentar o impossível, Zélie e Amari conseguiram trazer a magia de volta para Orïsha. Entretanto, o ritual foi mais poderoso do que elas imaginaram e os poderes reapareceram não somente para os maji, mas também para todos que tinham ancestrais mágicos. Agora, Zélie se esforça para unir todos os maji em uma Orïsha onde o inimigo é tão poderoso quanto eles. Quando a realeza e os militares formam uma aliança perigosa, Zélie precisa lutar para garantir o direito de Amari ao trono e proteger os novos maji da ira da monarquia. Com uma guerra civil iminente, Zélie tem uma missão: encontrar uma forma de unir o reino ou assistir a Orïsha ruir.

O livro começa poucas semanas depois do fim do primeiro. Após o ritual que trouxe a magia de volta, descobrimos que algo no processo saiu errado e despertou magia também naqueles que tivessem ancestrais mágicos, criando assim os tîtán. Com isso, as tensões sociais ficam ainda mais desequilibradas: os maji conseguiram sua magia de volta, sim, mas agora precisam enfrentar a nobreza e o exército que os odeiam e que agora têm magia pra contra-atacar. É nesse contexto que o trio composto por Zélie, Amari e Tzain precisa agir, mas o espírito da protagonista está profundamente abalado. Desde a morte de seu pai, Zél acha que toda a sua jornada não valeu a pena e que só serviu para dar ainda mais poder aos opressores. A personagem está apática e mergulhada na dor, diferente da sua versão no primeiro livro que era impetuosa (e até imprudente). Para tornar a dinâmica ainda mais complicada, uma guerra civil ameaça estourar: um grupo de maji conhecido como Iyika (A Revolução) está disposto a atacar a monarquia com força total, indo contra o desejo de Amari de reivindicar o trono.

Começo essa resenha dizendo que início do livro foi MUITO confuso e truncado pra mim. Ele já mostra Amari tentando realizar comícios para convencer o povo a aceitá-la como rainha, ao mesmo tempo em que a narrativa simplesmente insere o novo conceito de tîtán do nada, como se já tivesse usado esse termo antes (o que volta a se repetir mais pra frente, quando a autora insere nomes de personagens como se já os conhecêssemos). Me obriguei a reler algumas páginas do início para ter certeza de que não, Tomi Adeyemi não tinha feito uma explicação prévia sobre aqueles novos conceitos, e eu meio que me forcei a simplesmente aceitá-los.

Os personagens também estão em lugares sombrios. Zélie está deprimida (e com razão) após perder seu Baba e ser traída por Inan. O que me incomodou nela, na verdade, não foi sua apatia. Foi a forma como sua relação com Amari retrocedeu: a protagonista deixa os Iyika tratarem sua amiga com muita rispidez e preconceito, o que pra mim é um gesto de deslealdade. Esperava que a personagem defendesse o caráter de Amari frente aos Iyika, e não é o que acontece. Em compensação, Zélie floresce ao conhecer três ceifadores que fazem parte do grupo rebelde, em especial seu novo braço direito, Mâzeli. Se responsabilizar por aqueles jovens e ensinar a eles tudo que sabe sobre o poder dado por Oya são duas motivações que a engrandecem como líder e como pessoa. Ainda na família Adebola, preciso dizer quão frustrante foi ver Tzain sendo esquecido no churrasco. O irmão de Zélie foi uma figura central no primeiro livro, ainda que não tenha tido espaço para se desenvolver. Eu torcia para que isso acontecesse nesse volume, mas infelizmente Tzain segue sendo preterido.

Agora vamos falar da monarquia? Os dilemas morais de Amari e Inan não me convenceram. Ambos ficavam argumentando para si mesmos coisas como “se eu fizer isso, serei uma pessoa horrível; mas se eu não fizer, não darei fim a este horror causado pela guerra”. Parecia que eles mudavam seus parâmetros morais o tempo todo, trazendo uma inconsistência irritante pros dois. Amari em especial me incomodou demais, não me lembrando em nada a menina cheia de atitude e justiça do primeiro livro, e sim uma garota mimada que coloca os outros em risco desnecessariamente. Esse vai e vem de decisões e dilemas deixou o livro bem mais cansativo do que precisava ser. Já Inan mete os pés pelas mãos mais de uma vez, em especial sob a influência de sua mãe, Nehanda. Nada de novo no front, né? O príncipe (agora rei) nunca foi consistente, então nem esperava isso dele – ainda que no final ele tenha surpreendido positivamente.

Existem outros personagens importantes, mas não quero entrar no detalhe sobre todos eles, com exceção de dois: Roën, o mercenário do primeiro livro, apareceu pouco, mas roubou a cena. Gostaria que ele tivesse tido uma participação mais constante, considerando seu carisma e sua relação com Zélie. Mama Agma novamente se torna uma presença importante, ainda que não apareça o tempo todo. Ela é decisiva para a condução da guerra e obriga Zélie a abrir mãos dos medos e laços do passado que a impedem de agir.

O que foi complicado pra mim ao ler Filhos de Virtude e Vingança é que o livro anda em círculos. Há diversos momentos que poderiam ter sido mais curtos, o que evitaria tantas inconsistências no comportamento e nos sentimentos dos personagens. A história não é ruim, ela tem bons momentos, mas não consegue atingir o mesmo patamar do livro que iniciou a trilogia. Apesar dos pesares, Tomi Adeyemi nos traz um final bombástico e chocante, e eu realmente não sei o que esperar do que vem por aí. Com todas essas ressalvas e ponderações, continuo gostando e indicando a trilogia O Legado de Orïsha, mas recomendo apenas que vocês não esperem de Filhos de Virtude e Vingança a mesma maestria narrativa vista no livro anterior.

Título Original: Children of Virtue and Vengeance
Série: O Legado de Orïsha
Autor:
 Tomi Adeyemi
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 432
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Review: Jujutsu Kaisen

Oi pessoal, tudo bem?

Já faz um tempo que meu boy conseguiu reacender em mim uma paixão antiga: animes! No início da adolescência eu era super fã mas, com o tempo, dei uma saturada. Recentemente, porém, estamos assistindo a ótimos títulos, e é sobre um deles que quero falar hoje: Jujutsu Kaisen.

Sinopse: Apesar do estudante colegial Yuuji Itadori ter grande força física, ele se inscreve no Clube de Ocultismo. Certo dia, eles encontram um “objeto amaldiçoado” e retiram o selo, atraindo criaturas chamadas de “maldições”. Itadori corre em socorro de seus colegas, mas será que ele será capaz de abater essas criaturas usando apenas a força física?!

No universo de Jujutsu Kaisen existem ameaças conhecidas como maldições. Elas são uma espécie de personificação da energia amaldiçoada, oriunda dos piores sentimentos dos seres humanos. Algumas são mais “inofensivas”, causando mal estar (por exemplo), mas outras são letais. E, para combatê-las, existem os feiticeiros jujutsu: humanos que usam dessa energia amaldiçoada como fonte para feitiços capazes de exorcizar as maldições. 

Nosso protagonista, Yuuji Itadori, é um jovem estudante que se vê no meio de um fogo cruzado entre uma maldição e um feiticeiro. A batalha gira em torno de um objeto poderoso com o qual Itadori entrou em contato: trata-se do dedo do espírito amaldiçoado mais poderoso que já existiu, Sukuna. No calor da batalha, Itadori se vê obrigado a engolir esse dedo para impedir que a maldição o use, e a partir desse momento seu destino está selado: Sukuna passa a ter consciência dentro dele e, em paralelo, os feiticeiros jujutsu temem o que isso significa, incumbindo Itadori de coletar os outros dedos ou ser executado imediatamente. E é assim que a aventura do jovem nesse mundo obscuro começa.

Eu demorei um tempinho pra entender os conceitos de Jujutsu Kaisen, muito porque o anime já começa na vibe tiro, porrada e bomba. Itadori é um jovem altruísta e com habilidades que vão além da normalidade humana, características que o ajudam a trilhar o caminho dos feiticeiros jujutsu com empatia e habilidade. A perda recente do seu avô, cujo último conselho foi para que o jovem ajudasse as pessoas à sua volta, é praticamente um mantra que o guia, o que deixa seu coração no lugar certo. Além disso, Itadori é muito engraçado! Suas expressões faciais mais “bobas” são típicas dos animes e quebram a tensão dos episódios. A dinâmica como hospedeiro de Sukuna, que sempre tenta tomar o controle de seu corpo, também é muito interessante.

Itadori também tem dois colegas de equipe. O primeiro é Fushiguro Megumi, o jovem que se envolveu na batalha na escola do protagonista. Ele tem muito respeito por Itadori, especialmente pelo autossacrifício que o protagonista fez quando eles se conheceram. A segunda é Nobara Kugisaki, uma garota temperamental que ora briga com Itadori, ora age exatamente como ele. Além dos dois colegas, o protagonista também conta com um mentor (ou, como se diz nos animes, sensei) que é um dos feiticeiros jujutsu mais poderosos da atualidade: Gojo Satoru, um personagem que vai da comédia ao modo badass num piscar de olhos. Com o tempo, vamos conhecendo outros estudantes da Escola Jujutsu (na qual o trio estuda), outros espíritos amaldiçoados poderosos e também intrigas que nada tem a ver com esses espíritos. As ameaças vêm de todos os lados, o que torna a trama muito instigante.

As batalhas de Jujutsu Kaisen são um dos seus maiores pontos fortes. O estúdio fez um trabalho fantástico na animação, as cores são vívidas e os movimentos são fluidos. Os episódios são repletos de combates de tirar o fôlego, com movimentos de câmera empolgantes. E, é claro, há o aspecto místico que também torna tudo ainda mais interessante, já que cada feiticeiro jujutsu utiliza a energia amaldiçoada de uma forma.

Se você gosta de boas histórias de ação com um toque mais sério e “assombrado”, Jujutsu Kaisen é a escolha certa. Empolgante, ágil e com personagens cativantes, o anime é uma ótima pedida pra quem busca um bom entretenimento. Apesar de trazer alguns clichês vistos em outros animes do mesmo estilo (notei semelhanças com Naruto, Fullmetal Alchemist, entre outros), Jujutsu Kaisen parece mais prestar uma homenagem ao gênero do que ser um plágio sem personalidade. Recomendo muito!

Título original: Jujutsu Kaisen
Ano de lançamento: 2020
Direção: Sunghoo Park
Elenco: Junya Enoki, Yûichi Nakamura, Yuma Uchida, Asami Seto, Nobunaga Shimazaki, Jun’ichi Suwabe

Resenha: A Troca – Beth O’Leary

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de Teto Para Dois ter sido meu livro favorito de 2020, corri para conferir A Troca, da mesma autora, e hoje conto pra vocês minhas impressões.

Garanta o seu!

Sinopse: Leena Cotton tem 29 anos e sente que já não é mais a mesma. Eileen Cotton tem 79 e está em busca de um novo amor. Tudo de que neta e avó precisam no momento é pôr em prática uma mudança radical. Então, para colocar suas respectivas vidas de volta nos trilhos, as duas têm uma ideia inusitada: trocar de lugar uma com a outra. Leena sabe que precisa descansar, mas imagina que a parte mais difícil será se adaptar à calmaria da cidadezinha onde a avó mora. Cadastrada em um site de relacionamentos, Eileen por sua vez embarca na aventura com a qual sonha desde a juventude. Dividindo o apartamento com dois amigos da neta, ela logo percebe que na cidade grande suas ideias mirabolantes não são tão complicadas assim. Ao trocar não só de casas, mas de celulares e computadores, de amigos e rotinas, Leena e Eileen vão descobrir muito mais sobre si mesmas do que imaginam. E se tudo der certo, talvez destrocar não seja a melhor solução.

Leena Cotton é uma mulher competente, determinada e ambiciosa. Porém, a perda recente de sua irmã mais nova para o câncer ainda causa uma dor emocional intensa, que marca vários aspectos de sua vida. Quando Leena tem uma crise de pânico em uma reunião com um cliente, ela é obrigada por sua chefe a tirar uma licença de 2 meses. É aí que surge uma oportunidade inesperada: ela e sua avó, Eileen, que recentemente foi deixada pelo marido, decidem “trocar de vida” durante aqueles 2 meses. Enquanto Leena iria para a casa da avó no interior e ficaria responsável por suas atribuições junto à comunidade, Eileen iria para o apartamento de Leena em Londres para conhecer novos amores e viver a aventura da qual ela desistiu quando engravidou na juventude. Essa mudança de dinâmica causa transformações profundas não apenas na vida das duas, mas de várias pessoas que as cercam.

Assim como ocorre em Teto Para Dois, em A Troca temos capítulos intercalados entre as duas personagens com narração em primeira pessoa. Isso nos ajuda a conhecê-las mais rapidamente, o que inclui seus pontos fortes e fracos. Leena, por exemplo, é uma mulher que ascendeu na carreira por mérito próprio, sendo inteligente e uma líder nata. Porém, ela também é um pouco mimada e egoísta, o que se reflete em dois aspectos principais: o primeiro é a recusa em conversar abertamente com a sua mãe a respeito de uma mágoa envolvendo a perda de Carla, sua irmã; o segundo é a forma como ela parece desdenhar das tarefas da avó, como passear com o cachorro do vizinho ou liderar as reuniões da Patrulha do Bairro – um grupo formado majoritariamente por idosos que passa mais tempo fofocando do que falando sobre segurança de fato. Felizmente, Leena não demora a perceber que seu jeitão londrino não vai conquistar aquelas pessoas, que são leais umas às outras. Ela também exercita humildade ao entender que determinados aspectos do dia a dia da avó são desafiadores mesmo para alguém como ela.

Eileen, por outro lado, me cativou enormemente. Ela pode ser um pouquinho enxerida? Pode. Mas ela faz questão de cuidar de todos à sua volta com tanto carinho e entrega que é fácil perdoar. Ao chegar em Londres, ela rapidamente fica amiga dos colegas de apartamento e da colega de trabalho de Leena, mas vai além: Eileen consegue conquistar também vizinhos que até então nunca tinham trocado mais de duas palavras com sua neta. E dessa aproximação surge uma ideia que transforma o prédio frio em um ambiente caloroso e hospitaleiro: Eileen funda o Clube dos Grisalhos de Soreditch, utilizando o espaço comum do prédio pra criar um ambiente de convivência voltado a idosos que morem sozinhos em Londres. Esse plot é ainda melhor do que a busca de Eileen por um crush!

As duas protagonistas dividem não apenas a vida, mas também novos interesses amorosos. Enquanto Eileen vive um romance tórrido em Londres, ela também é surpreendida por uma pessoa com a qual não imaginava se envolver (e cuja aproximação eu torci durante cada página!). Leena, por sua vez, tem um namorado escrotíssimo, pedante e presunçoso (e que adora usar as ideias dela no trabalho, o que me causou ranço instantâneo), mas encontra em seu antigo/novo lar uma surpresa para o seu coração.

Existe um terceiro elemento essencial na trama que é a reconexão familiar das mulheres Cotton. Ao voltar para sua antiga cidade, Leena é obrigada a confrontar a situação de sua mãe com o luto. A personagem não entende as escolhas da mãe e a pune por isso com frieza e distância, até que descobre o nível de profundidade da dor de sua mãe. Mas, apesar desse tema se fazer presente ao longo do livro, ele não chegou a me comover tanto. Sinto que faltou intensidade nas emoções, e eu não consegui me sentir verdadeiramente conectada à perda de Carla.

A Troca é um bom livro, daqueles que entretêm e divertem, mas não atingiu todas as expectativas que eu tinha se comparado à minha experiência com Teto Para Dois. Leena não foi uma personagem pela qual me apaixonei, mas felizmente Eileen me cativou o bastante. Isso sem contar os excelentes personagens secundários que, pra mim, deram o brilho ao livro. Vale a pena conferir? Vale muito! Só tente não ir com taaanta sede ao pote para curtir mais a leitura. 😀

Título original: The Switch
Autora: Beth O’Leary
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 352
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Dica de Série: WandaVision

Oi pessoal, tudo bem?

Matei a saudade que eu tava da Marvel ao assistir WandaVision ao longo da última semana e hoje vim contar o que achei pra vocês. ❤

wandavision poster

Sinopse: Após os eventos de “Vingadores: Endgame” (2019), Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Visão (Paul Bettany) se esforçam para levar uma vida normal no subúrbio e esconder seus poderes. Mas a dupla de super-heróis logo começa a suspeitar que nem tudo está tão certo assim.

Os dois últimos filmes dos Vingadores foram de partir o coração de qualquer um que gostasse do casal que dá nome à nova série disponível no Disney+. Visão é morto duas vezes, Wanda é obrigada a estar envolvida ou presenciar esses dois momentos e, quando os heróis finalmente vencem em Ultimato, não sabemos exatamente o que o futuro reserva. E WandaVision não entrega essa resposta de cara. Pelo contrário: a série começa com um episódio em preto e branco, ambientado nos anos 50 e no formato das sitcoms da época. Wanda e Visão se mudam para um típico subúrbio e parecem viver o clássico “American Dream”. Ao longo dos episódios, a série dá saltos temporais estranhos e eventualmente ganha até cores, ao passo que personagens “de fora” da vida perfeita do casal começam a aparecer. É então que o clima de sitcom vai dando lugar a uma Wanda que quer que as coisas se mantenham sob controle – ainda que ela não entenda completamente o que está acontecendo.

Quem já leu sobre os quadrinhos da Marvel e dos X-Men sabe que a Feiticeira Escarlate é uma das (se não a mais) personagens mais poderosas da Marvel, tendo sido capaz de obliterar os mutantes em quase sua totalidade com apenas uma frase. E WandaVision parece querer explorar o potencial ainda incipiente da personagem, mostrando o quão longe seus poderes são capazes de ir. E ao mesmo tempo que o título WandaVision remete ao casal, ele também deixa na nossa cara o que a trama revela aos poucos: estamos vendo a visão de Wanda para sua vida, ainda que seja uma versão frágil e irreal.

Visão tem um papel muito importante ao longo da série, sendo os nossos olhos dentro da cidade de Westview (o local em que Wanda manipulou a realidade). Ele não tem memórias de antes do seu casamento ou da chegada à cidade, e conforme ele vai percebendo que existe algo de estranho em seu novo lar, ele começa a investigar. Para o espectador, essa é a parte mais interessante: saber como e quando os protagonistas vão perceber que existe algo de muito errado na vida perfeita que levam. 

Além de explorar o luto de Wanda (que vale chamar de “o amor que perdura” 🥺 Alguém deixa essa mulher ser feliz!!!), a série prepara o terreno para a nova fase da Marvel. Aqui também temos a S.W.O.R.D. (achei esse paralelo de Shield e Sword bem tosco, confesso), a organização que lida com incidentes alienígenas e está responsável por resolver o incidente em Westview. Um dos principais nomes associados a essa nova organização é Monica Rambeau (filha da melhor amiga de Carol Danvers, lembram?). A personagem é justa e destemida, e não vejo a hora de reencontrá-la em futuros filmes da Marvel. Por último, mas não menos importante, a magia que vinha sendo trabalhada com a chegada de Doutor Estranho se consolida no universo do MCU, e isso provavelmente trará um novo leque de possibilidades e ameaças no futuro.

Com episódios curtos de cerca de meia hora e atuações cheias de entrega a seus personagens (com destaque para Elizabeth Olsen), WandaVision é uma grata adição ao universo audiovisual da Marvel. A trama é um pouco previsível? Admito que sim. Mas rever personagens importantes, pelos quais sinto tanto carinho, foi uma ótima experiência. Adoro as adaptações da Marvel para o cinema (e agora para a TV) e mal posso esperar pelo que o futuro reserva. 😀

Título original: WandaVision
Ano de lançamento: 2021
Criador: Jac Schaeffer
Elenco: Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Kathryn Hahn, Teyonah Parris, Josh Stamberg, Randall Park, Kat Dennings

Autoras que vale a pena conhecer

Oi galera, tudo bem?

Amanhã é 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Enquanto essa data representa a nossa luta por igualdade, vejo também como uma oportunidade para divulgar e enaltecer mulheres incríveis que merecem espaço e reconhecimento. Por isso, esse ano resolvi reunir autoras que eu acho que vale a pena conhecer. Vem comigo!

Tomi Adeyemi

Autora da trilogia O Legado de Orïsha, que iniciou com o aclamado Filhos de Sangue e Osso, Tomi Adeyemi trouxe a cultura iorubá para o universo da fantasia. Explorando os ritos e figuras sagradas das religiões africanas, Tomi Adeyemi fala sobre opressão, mas também traz uma representatividade poderosa a pessoas negras. Se você é fã de livros de fantasia mas ainda não entrou em contato com sua, recomendo que faça isso o mais breve possível.

Beth O’Leary

Também conhecida como minha nova autora queridinha. A leitura de Teto Para Dois foi a minha favorita do ano passado, e muito disso se deve ao fato de que Beth O’Leary conseguiu tratar de relacionamento abusivo de uma maneira realista e certeira, mas sem sacrificar a leveza da história. Minha segunda experiência com seus livros, A Troca (em breve sai a resenha!) também foi ótima, e eu adorei o fato do livro ser protagonizado por uma avó e uma neta. Recomendo ambos os títulos sem pensar duas vezes!

Taylor Jenkins Reid

O nome dessa autora já estava no meu radar há um tempo, e seus livros têm sido bastante comentados na blogosfera. Realizei minha primeira leitura recentemente (com Depois do Sim) e foi excelente, me causando múltiplas emoções – de um jeito bom. Me baseando nessa única experiência, eu diria que Taylor Jenkins Reid é excelente em prender a atenção do leitor ao mesmo tempo em que aborda situações difíceis e emocionantes. Estou louca pra ler mais de seus livros!

Aline Bei

Uma indicação nacional vai bem, né? Aline Bei me impactou profundamente com O Peso do Pássaro Morto. Algumas das experiências mais dolorosas no “ser mulher” estão presentes no seu livro, como o machismo que tolhe e objetifica a mulher (como se ela fosse uma propriedade), a vergonha e o medo de uma vítima de violência sexual e o desamparo causado por um maternar indesejado. Não é uma leitura fácil, mas é transformadora.

Gostaram da lista, pessoal? Já leram alguma das autoras citadas?
Quero saber quem vocês incluiriam nessa seleção. Me contem nos comentários! ❤

Resenha: O Impulso – Ashley Audrain

Oi pessoal, tudo bem?

Uma das grandes apostas da editora Paralela para 2021 é O Impulso, cuja prova antecipada tive a oportunidade de conferir. E olha, não vai ser fácil falar desse livro bombástico não, viu? Mas prometo fazer o meu melhor. 😂

Garanta o seu!

Sinopse: Blythe Connor está decidida a ser a mãe perfeita, calorosa e acolhedora que nunca teve. Porém, no começo exaustivo da maternidade, ela descobre que sua filha Violet não se comporta como a maioria das crianças. Ou ela estaria imaginando? Seu marido Fox está certo de que é tudo fruto do cansaço e que essa é apenas uma fase difícil. Conforme seus medos são ignorados, Blythe começa a duvidar da própria sanidade. Mas quando nasce Sam, o segundo filho do casal, a experiência de Blythe é completamente diferente, e até Violet parece se dar bem com o irmãozinho. Bem no momento em que a vida parecia estar finalmente se ajustando, um grave acidente faz tudo sair dos trilhos, e Blythe é obrigada a confrontar a verdade. Neste eletrizante romance de estreia, Ashley Audrain escreve com maestria sobre o que os laços de família escondem e os dilemas invisíveis da maternidade, nos convidando a refletir: até onde precisamos ir para questionar aquilo em que acreditamos?

O Impulso é narrado em primeira pessoa por Blythe em um discurso direcionado ao seu ex-marido, Fox. A obra inicia com Blythe observando a casa do ex, que parece o cenário perfeito com sua esposa grávida e seus dois filhos – sendo a criança mais velha, Violet, filha de Fox com Blythe. A protagonista-narradora diz então que vai contar a ele o seu ponto de vista sobre tudo que aconteceu na vida do casal, e a partir desse ponto ela remonta ao início do relacionamento, bem como nos fornece informações sobre sua mãe e sua avó.

O Impulso é, em essência, um thriller sobre maternidade. Tanto Blythe quanto sua mãe, Cecilia, e sua avó, Ella, tiveram histórias muito difíceis e traumatizantes. Cecilia chegou a dizer à filha que as mulheres da família são problemáticas, e essas palavras marcaram Blythe. Quando ela conhece Fox, que vem de um lar estruturado e feliz, Blythe vê a oportunidade de se afastar das sombras que a acompanham, mas também de fazer diferente. Sabendo que Fox deseja casar e ter filhos, Blythe proporciona isso a ele – mas ela não demora a perceber que a maternidade não é simples e, principalmente, não deveria ser exercida sem vontade genuína.

É impossível ler O Impulso sem pensar em Precisamos Falar Sobre o Kevin. Até a cena do parto, em que Blythe reluta para deixar sua filha vir ao mundo, lembra a reação de Eva (mãe de Kevin). A verdade é que Blythe demora a perceber que a tomada de decisão para ser mãe foi motivada por vontade de agradar ao marido e por pressão social, já que espera-se que toda mulher queira ser mãe. O Impulso expõe as pressões da maternidade compulsória de forma intensa, deixando claro que essas inseguranças e medos são reforçados diariamente quando vemos discursos repetidos à exaustão de que “a maternidade é uma benção” e que “só olhar pro rostinho faz valer a pena”. E não me entendam mal, eu não estou dizendo que não vale a pena ser mãe. O que estou dizendo é que a romantização da maternidade é perigosa e não nos prepara, enquanto mulheres, para uma realidade cheia de mudanças físicas, exaustão mental e até mesmo solidão. Blythe vivencia isso na pele ao achar que é a única mulher do mundo a vivenciar tais problemas, e basta seguir UM Instagram de maternidade real pra sabermos que não, ela não é a única.

O livro ganha a atmosfera de thriller conforme Violet cresce. Blythe e a filha não conseguem criar um vínculo, e a menina só ama e respeita o pai. Recusa em mamar, choro ao ficar no colo de Blythe e uma negação em tratar a mãe com carinho são alguns dos sinais de alerta que preocupam Blythe (e que Fox se recusa a enxergar). Quando Violet passa a demonstrar sinais de crueldade e falta de remorso, a protagonista sente que o abismo entre elas aumenta e que está mais só do que nunca, já que seu marido parece responsabilizá-la pela falta de vínculo. Aliás, já que estou falando no Fox, vamos parar um minutinho pra ressaltar quão lixo é este homem? O cara idealiza a família perfeita e culpa Blythe por não consegui-la, causando também um silenciamento amargo e difícil de digerir. Por amar Violet incondicionalmente, ele tira a voz de sua esposa ao se recusar a tentar compreendê-la, partindo para uma suposição de que Blythe está exercendo seu maternar de um jeito errado (alô alô, gaslighting). Fox queria uma mulher dócil e capaz de suprir as expectativas irreais e idealizadas dele, colocando Blythe em uma posição que a obriga a não apenas tentar atingir os padrões da sociedade, mas também os seus.

Quando Blythe se vê grávida do segundo filho, ela enxerga também a oportunidade de fazer tudo diferente. Dessa vez ela deseja a criança de todo o coração, e o vínculo é imediato. Ela finalmente vê um caminho que a absolva de sua própria culpa, mas o leitor sabe que algo está para acontecer; a protagonista-narradora já deixou isso claro. E é aí que O Impulso fica perturbador, causando em mim uma sensação muito parecida com a que Verity causou (mas no sentido do desconforto, não no do ritmo frenético e impossível de largar). A sensação sufocante e o medo do que vem a seguir permeiam o relato de Blythe, tornando a experiência bem angustiante.

Como pontos negativos, eu traria o formato do relato e a “barriga” que a obra ganha após um evento traumático. Apesar de intercalar a narrativa em primeira pessoa de Blythe com descrições sobre as vidas de Ella e Cecilia, grande parte do livro é um monólogo. Isso pode cansar um pouco, já que traz somente o ponto de vista de Blythe, o que inclui suas divagações. E a “barriga” acontece depois da metade do livro, quando a obra parece não evoluir muito em direção à resolução do mistério. Na minha opinião, isso poderia ter sido um pouco mais ágil e enxuto.

O Impulso é um livro excelente para colocar em xeque nossas crenças a respeito da maternidade. Com um ritmo inquietante e fatos que mexem com o leitor, ele também funciona muito bem como o thriller que se propõe a ser – mas exercendo também o papel de um drama familiar. Acho improvável que ele não faça o leitor refletir em algum nível, e só por isso já vale a pena conferir. Romantizar a maternidade é algo que prejudica a todas as mulheres, e eu adoraria ver mais obras que tocassem nessa ferida por aí.

Título original: The Push
Autora: Ashley Audrain
Editora: Paralela
Número de páginas: 328
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: Cidade Invisível

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje tenho mais uma dica de série imperdível pra compartilhar com vocês: Cidade Invisível, uma produção original Netflix focada no folclore brasileiro. ❤

Sinopse: Após uma tragédia familiar, um homem descobre criaturas folclóricas vivendo entre os humanos e logo se dá conta de que elas são a resposta para seu passado misterioso.

Desde criança eu sempre tive bastante fascínio pelas lendas do nosso folclore. Temos uma variedade muito rica de personagens e histórias e, quando eu soube que a nova série da Netflix usava essa mitologia como pano de fundo, não pude deixar de conferir. Em Cidade Invisível, acompanhamos a busca de Eric, um policial da Delegacia Ambiental, em sua busca para sanar o mistério do incêndio florestal que matou sua esposa. Em sua busca, porém, ele encontra um outro tipo de verdade: coisas estranhas começam a acontecer, mais mortes são provocadas e existe uma aura de sobrenatural nisso que Eric não consegue explicar – como o fato de ele ter encontrado um boto cor de rosa que se transforma em um homem, por exemplo. Isso porque as novas vítimas não são seres ordinários, mas lendas folclóricas que existem e vivem entre nós.

Com episódios curtos, de cerca de 30-40 minutos, Cidade Invisível tem um ritmo frenético que mantém o espectador ansioso pelo que está por vir. A trama é focada na investigação de Eric, mas sem deixar de lado o mistério sobre as verdadeiras intenções dos seres folclóricos – e de qual o seu envolvimento com o incêndio. Marco Pigossi entrega uma ótima atuação como Eric, equilibrando o seu luto com a sua motivação irrefreável de descobrir o que realmente aconteceu com sua esposa. O personagem também tem um dilema interno porque sabe que sua investigação está sendo priorizada em detrimento de sua filha, Luna, que visivelmente está tendo problemas pra lidar com todos os acontecimentos recentes. Mas quem rouba a cena em Cidade Invisível são os personagens místicos.

O Saci, a Iara, a Cuca, o Curupira são alguns dos que aparecem na série de uma forma muito legal. A série faz uma releitura interessante de como esses seres viveriam em meio à civilização, muitos deles distanciados da sua verdadeira origem. Unidos pela sobrevivência, são liderados por Inês (a Cuca), interpretada pela ótima Alessandra Negrini. A atriz mantém a aura de mistério da personagem e nos deixa em dúvida sobre seu envolvimento nos acontecimentos e tragédias recentes. Isac, o Saci, também é puro carisma e protagoniza cenas que me levaram de volta à infância (como por exemplo o truque para fazer uma “arapuca” pro Saci).

A produção está muito caprichada e os efeitos especiais são ótimos. A cauda de Iara encanta, assim como as transições envolvendo a Cuca e suas borboletas. O elenco como um todo é competente (tirando talvez a Márcia, parceira de Eric, e a avó do protagonista rs) e o ritmo narrativo nunca perde o fôlego, tornando muito fácil (e divertido) maratonar os episódios. Porém, existe um fato importante de ser abordado: a série também foi alvo de críticas pela falta de representatividade indígena. A lenda da Iara, por exemplo, é baseada em uma mulher indígena que vivia na região amazônica. Considerando que o nosso país foi construído em cima de muito sangue indígena e que sua cultura sofre tanto para permanecer viva, esse é um vacilo que poderia ter sido evitado com mais responsabilidade e sensibilidade. Espero que isso seja corrigido numa possível season 2.

Cidade Invisível é mais uma prova de que produções brasileiras podem bater de frente com as americanas. Roteirizada por uma dupla de escritores conhecidos (Raphael Draccon e Carolina Munhóz) e dirigida por Carlos Saldanha (responsável por A Era do Gelo e Rio), a série também demonstra o potencial desse nicho de entretenimento – tanto produções que adaptem livros existentes como construídas junto a autores criativos e reconhecidos. Mas, principalmente, Cidade Invisível é importante porque exalta um aspecto fundamental da nossa identidade e, ainda que por um momento, traz aquele orgulhinho de ser brasileira (que há muito tempo eu não sentia). Recomendo muito!

Título original: Cidade Invisível
Ano de lançamento: 2021
Criador: Carlos Saldanha
Elenco: Marco Pigossi, Alessandra Negrini, Jéssica Córes, Wesley Guimarães, Manuela Dieguez, José Dumont, Áurea Maranhão, Julia Konrad

Dica de Série: Por Trás de Seus Olhos

Oi pessoal, tudo bem?

Conforme o prometido, hoje vou contar pra vocês o que achei da adaptação de Por Trás de Seus Olhos – com algumas comparações com o livro, é claro. 😉

Sinopse: Uma mãe solo se envolve em um jogo perigoso ao ter um caso com o chefe e fazer amizade com a enigmática esposa dele.

Relembrando pra quem não leu a resenha da obra original, a trama gira em torno do triângulo amoroso composto por Louise, Adele e David. Louise conhece David num bar e eles se beijam, mas pouco tempo depois descobrem que David será chefe de Louise em seu novo emprego. Em paralelo, Adele (esposa de David) acaba esbarrando em Louise por acidente na rua e a convida para um café, o que dá início a uma inesperada amizade. As coisas vão se complicando conforme Louise e David não conseguem segurar a atração que sentem um pelo outro e, em paralelo, a amizade das duas mulheres fica mais íntima.

Por Trás de Seus Olhos é uma produção excelente, com ótimas atuações e uma trilha sonora aflitiva, que consegue dar o tom da trama e nos mostrar que há algo de muito errado na relação dos três personagens. Apesar dos episódios longos (de cerca de 50 minutos), a minissérie consegue manter a atenção do espectador durante toda a duração, seja com cenas dúbias ou com ganchos finais competentes.

A Louise da série é uma personagem melhor que sua contraparte literária. Os episódios dão um background de sua família que justificam algumas posturas de “cuidadora” que ela assume, além de conferir uma personalidade mais agradável a ela. No livro, por termos acesso aos pensamentos da personagem (que é também narradora), Louise rapidamente se transforma em uma pessoa cansativa e desesperada, que se afunda sem pensar na relação com David e com Adele por puro fascínio. A série suaviza esse aspecto e torna Louise uma personagem mais fácil de gostar. O ponto negativo dessa mudança é que fica ainda mais difícil entender sua burrice de se enfiar cada vez mais na areia movediça que é o casamento de David e Adele.

David é exatamente como eu imaginei, e a adaptação faz um trabalho eficiente em nos deixar com dúvidas sobre suas intenções e atitudes. Mas, sinceramente, David é quase um coadjuvante; é Adele quem brilha nesse casamento. Com uma atuação que vai de um sorriso caloroso para um olhar gélido, Eve Hewson dá vida a uma Adele que, desde o primeiro episódio, já nos causa desconforto. No livro isso demora um pouco mais a acontecer, precisamos de alguns capítulos pra sacar que tem algo de muito errado nas atitudes dela. Mas, apesar da Adele da televisão ser mais obviamente inquietante, isso também funcionou como um gancho, de forma a fazer o espectador querer entender logo “qual é a dela”. Essa vontade de desvendar Adele fica ainda mais acentuada graças aos flashbacks que mostram a relação da personagem com Rob, um amigo do passado que é fundamental na construção da trama.

O que eu gostaria de deixar claro nesse review é que, comigo, a série funcionou muito melhor do que o livro. E isso se deve a dois motivos que me incomodaram na obra original e que foram resolvidos: o primeiro deles diz respeito ao ritmo da narrativa. Se durante a leitura a gente visualiza alguns eventos duas vezes (uma pelo ponto de vista de Louise, outro pelo de Adele), nos episódios essa “barriga” não existe, o que deixa a trama mais ágil e envolvente. O segundo aspecto tem relação com o final: eu sigo não gostando do quê de sobrenatural que a trama utiliza para o seu bombástico desfecho, mas a adaptação de Por Trás de Seus Olhos constrói essa revelação com mais calma, dando pinceladas do que está por vir ao longo dos episódios. Algumas pessoas podem achar isso um defeito, já que “entrega” mais da reviravolta, mas eu preferi esse caminho porque a série prepara o espectador para o momento final.

Por Trás de Seus Olhos é uma excelente minissérie de suspense e cada episódio coloca mais camadas à angustiante relação de Louise, Adele e David. Com apenas 6 episódios, a produção tem uma narrativa ágil, provocando aquela vontade de assistir sem parar para descobrir o que virá em seguida. Há também inegável qualidade técnica e a produção impressiona pela ambientação, pelas atuações e pela trilha sonora. Apesar do meu ranço com o viés místico da trama, a adaptação da Netflix fez um trabalho muito melhor de me convencer a comprá-lo. Se você gosta de um bom suspense, pode dar o play sem medo!

Título original: Behind Her Eyes
Ano de lançamento: 2021
Criador: Steve Lightfoot
Elenco: Simona Brown, Eve Hewson, Tom Bateman, Robert Aramayo

Resenha: Um Estranho Irresistível – Lisa Kleypas

Oi galera, tudo bem?

Hoje vim dividir com vocês minha experiência com Um Estranho Irresistível, o quarto volume da série Os Ravenels!

Garanta o seu!

Sinopse: Uma mulher que desafia seu tempo. Dr. Garret Gibson, a única médica mulher na Inglaterra, é tão ousada e independente quanto qualquer homem – por que não lidar com os próprios desejos como se fosse um? No entanto, ela nunca ficou tentada a se envolver com alguém, até agora. Ethan Ransom, um ex-detetive da Scotland Yard, é tão galante quanto secreto, e sua lealdade é um verdadeiro mistério. Em uma noite emocionante, eles cedem a uma poderosa atração mútua antes de se tornarem estranhos novamente. Um homem que quebra todas as regras. Ethan tem pouco interesse pela alta sociedade, mas é cativado pela preciosa e bela Garrett. Apesar da promessa de resistir um ao outro depois daquela noite sublime, ela logo será atraída para sua tarefa mais perigosa. Quando a missão dá errado, Garret usa toda a sua habilidade e coragem para se salvar. À medida que enfrentam a ameaça de uma traição do governo, Ethan fica disposto a assumir qualquer risco pelo amor da mulher mais extraordinária que já conheceu.

Talvez pelo fato de eu ter demorado bastante pra ler Um Estranho Irresistível após a leitura de Um Acordo Pecaminoso, mas a verdade é que estranhei muito o começo do livro. Ele me soou abrupto e a forma como Garrett se viu envolvida por Ethan foi muito rápida pra mim, especialmente quando pensamos na animosidade que a doutora dirigiu a ele nos volumes anteriores (sim, me prestei a procurar a participação dele). Há também uma série de detalhes que Um Estranho Irresistível retoma que eu havia esquecido, então reler o envolvimento de Ethan foi útil pra me lembrar de pontas soltas que Lisa Kleypas se propôs a fechar a respeito do personagem.

Tirando esse início truncado causado pelo meu lapso de memória, o livro segue a mesma fórmula de sempre: flertes, algo que impede o casal de ficar junto, mais flertes, sexo, resolução dos problemas. E, no geral, eu adoro essa dinâmica dos romances de época e sempre fico animada e suspirante. Com Um Estranho Irresistível, isso não aconteceu. 😦 Eu esperava ser arrebatada por Garrett, que é uma personagem feminina forte e muito à frente de seu tempo, mas acho que o timing não foi favorável e eu não estava no meu melhor momento pra essa leitura (tanto que levei mais dias do que o normal pra concluí-la). Não há nada específico que tenha me incomodado, é mais como se simplesmente não tivéssemos dado match, sabem? Por isso que não quero ser injusta com Um Estranho Irresistível e criticar coisas que, no geral, eu costumo gostar e que dificilmente me incomodam (como os clichês do gênero, por exemplo).

A história de Ethan é mais interessante: ex-investigador da polícia, agora trabalhando diretamente para um homem de alto escalão do Ministério do Interior, o protagonista masculino é cheio de mistérios. Além da relação abusiva que o seu chefe mantém, sabendo que Ethan tem problemas mal resolvidos com seu pai e usando disso para manipulá-lo, existem elementos sobre seu passado que nos deixam curiosos para descobrir. Para ser justa, é bem fácil desvendar esse segredo, mas a ansiedade fica por conta de saber quando e como ele será revelado, assim como as reações dos envolvidos.

Um Estranho Irresistível se afasta bastante do núcleo principal dos Ravenels, e talvez por isso eu não tenha me envolvido tanto quanto poderia. Felizmente existe espaço para um dos meus favoritos, West, que mais uma vez rouba a cena. Não vejo a hora de ler a história focada nele! Mas, em resumo, Um Estranho Irresistível é um bom romance de época e tem tudo pra agradar, só que pra mim acabou sendo só mais uma leitura. Às vezes acontece, né? 🤷‍♀ Eu adoraria de ouvir a opinião de quem já leu: vocês gostaram desse livro? Se sim, me contem nos comentários! Vou adorar ver pontos de vista diferentes, que talvez me façam sentir mais carinho por essa experiência. 😀

Título original: Hello Stranger
Série: Os Ravenels
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
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