Resenha: Contágio – David Quammen

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar de parecer contraditório após tantas dicas com entretenimento leve pra curtir na quarentena, acabei fazendo uma leitura que pode soar pesada para o momento: Contágio, de David Quammen. Por isso, antes de entrar na resenha propriamente dita, tem uma informação sobre mim que vocês precisam saber: eu sempre gostei muito de Biologia. Quase me formei em Nutrição (e curtia disciplinas como Microbiologia e Parasitologia, por exemplo) e vira e mexe assisto a programas do National Geographic ou do Animal Planet. Espero que isso ajude a entender por que decidi ler um livro chamado Contágio em plena pandemia de coronavírus rs. Introdução feita, bora pra resenha!

contagio david quammenGaranta o seu!

Sinopse: Em Contágio, publicado originalmente em 2012, David Quammen demonstra que havia consenso entre os especialistas sobre as características de uma próxima pandemia: o causador seria um vírus novo aos humanos, atingiria primeiro algum tipo de animal selvagem, como um primata ou um morcego, e seria altamente mutável, ao estilo de um vírus influenza ou de um… coronavírus. Escrito com ritmo de tirar o fôlego, o livro investiga os patógenos responsáveis pelas grandes epidemias da história — entre elas, a gripe espanhola, a aids, o ebola e a SARS — e os desafios que elas representam para os seres humanos. Quammen antecipa vários dos embates que enfrentamos hoje, indicando que temos muito o que aprender com os surtos pregressos para combater a atual pandemia. Como afirmou em uma entrevista recente: “Seja uma catástrofe ou algo que consigamos controlar, uma coisa que sabemos sobre essa nova pandemia é que não será a última”. Esta edição inclui um texto de Quammen publicado em 2020 no New York Times sobre o novo coronavírus.

Contágio (não confundir com o filme homônimo, fictício) é um livro de não-ficção escrito pelo escritor de ciência, natureza e viagens David Quammen, cujos textos já foram publicados na National Geographic, Rolling Stone, entre outros títulos importantes. O livro é dividido em capítulos focados em doenças zoonóticas (ou seja, de origem animal) distintas, responsáveis pelas maiores epidemias já enfrentadas. Esses capítulos contam com subcapítulos, nos quais o autor discorre sobre cada patologia: o surgimento dela, os locais onde houve picos, os estudos conduzidos por cientistas que fizeram a diferença e diversas explicações sobre como doenças infecciosas agem. Hendra (descoberta na Austrália), Ebola (endêmica em certos países da África), Malária (transmitida por um vetor) e HIV (cuja origem foram os chimpanzés) são alguns exemplos de doenças infecciosas descritas e explicadas em Contágio.

De modo geral, a leitura é acessível para leigos, e você se sente lendo uma grande matéria jornalística a respeito do assunto. Contudo, apesar de em geral não ter uma narrativa complexa, um aspecto negativo da leitura é que com frequência o autor é repetitivo nos subcapítulos, dizendo de formas diferentes a mesma coisa (talvez para facilitar a compreensão de leitores menos habituados a esse assunto). Sem esse recurso, provavelmente Contágio ganharia agilidade. Contudo, de maneira geral a estrutura narrativa do livro é bastante envolvente: o autor vai criando uma timeline dos eventos e consegue inclusive criar cliffhangers instigantes para as informações que estão por vir.

O autor também relata em detalhes ao longo das páginas sobre o processo investigativo quando surge uma nova doença. Desde pesquisas de campo em meio a florestas tropicais até à reconstrução da linha do tempo a partir do paciente zero são etapas complexas e arriscadas que muitas vezes levam os próprios profissionais a ficarem doentes e/ou falecerem. Esse comprometimento com a agilidade na busca pela solução do problema e pela compreensão do novo são o que nos permitem ter respostas mais rápidas às pandemias (o Covid-19, por exemplo, foi identificado pouco mais de um mês após seu surgimento, em dezembro de 2019). Depois de ler sobre todos esses processos (existem doenças que levaram duas décadas para serem compreendidas, sabe!) eu fico ainda mais abismada com a desvalorização da ciência.

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Contágio tem como objetivo explicar as origens e as consequências de importantes zoonoses, ou seja, doenças transmitidas de um animal para um humano, normalmente de modo acidental. E um ponto importante nesse processo, o fator comum às pandemias, reside no fato de que grande parte desse contágio é causado pela invasão humana à natureza, bem como predação de animais selvagens. A falta de equilíbrio ecológico, causado por queimadas, árvores derrubadas para plantio, caça a animais silvestres, entre outros fatores, saltou aos meus olhos como um grande problema responsável pela variedade de doenças às quais estamos suscetíveis. Evoluímos rapidamente em termos de tecnologia e conhecimento, mas a verdade é que existe uma infinidade de coisas que ainda não sabemos (e a pandemia do coronavírus é uma prova do perigo ao qual estamos expostos a micro-organismos ainda desconhecidos).

Com isso, fica evidente a necessidade de repensarmos nosso modo de vida e de consumo. O jeito que a sociedade se estrutura hoje não é compatível com um futuro sustentável e saudável. A pandemia de Covid-19 não foi uma surpresa total para os estudiosos da área, porque na verdade eles compreendem que a Próxima Grande Pandemia sempre está a um passo de acontecer – basta que um vírus ou bactéria “salte” para um ser humano (ou seja, faça um spillover, termo que designa o pulo de um animal hospedeiro para outro, no qual o patógeno também consegue se desenvolver). Pode ser por meio de um contato com uma árvore derrubada, com um animal morto na floresta ou proveniente do comércio de carne, mas a iminência de uma nova pandemia está à espreita.

Por mais que esse fato possa parecer sensacionalista e/ou assustador, é um assunto necessário. Acho praticamente impossível ler Contágio sem, no mínimo, refletir um instante sobre nossos hábitos de consumo. Não digo que você vai se tornar vegetariano ao fechar o livro. Mas quem sabe você vire. A questão é que, no mínimo, Contágio instiga o leitor a refletir sobre o nosso papel no ecossistema, e deixa uma mensagem muito clara: estamos todos juntos nisso. Não podemos esquecer de que também somos animais – porém, muito mais destrutivos e em total desequilíbrio com os outros que habitam o planeta. A leitura de Contágio nos relembra que somos um elo dessa grande corrente, e não necessariamente o mais importante. Nos resta ter humildade pra entender que somos um fragmento do ecossistema e que, se não buscarmos mais equilíbrio nas nossas relações, não podemos garantir nossa longevidade enquanto espécie.

Título original: Spillover: Animal Infections and the Next Human Pandemic
Autor: David Quammen
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 492
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Morte no Verão – Benjamin Black

Oi galera, tudo bem?

Hoje vim compartilhar com vocês minhas percepções a respeito de Morte no Verão, um livro policial de estilo noir.

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Sinopse: Em uma sufocante tarde de verão em Dublin, o magnata Richard Jewell – conhecido por seus inúmeros inimigos como Diamond Dick – é encontrado com a cabeça estourada por um tiro de espingarda. Jewell era o proprietário de grande parte dos veículos de imprensa do país e diretor do sensacionalista Daily Clarion, o jornal de maior vendagem da capital. Embora tudo leve a crer que tenha sido suicídio, os jornais, por convenção, não mencionam essa possibilidade. Caberá então ao detetive inspetor Hackett tocar as investigações, nas quais irá contar com a ajuda de seu velho amigo, o patologista Garret Quirke.

O que é literatura noir, para início de conversa? Segundo a biblioteca da PUCRS, ela “se caracteriza por apresentar histórias que misturam terror, mistério e elementos policiais, detetives e investigações que vão além dos conhecimentos de investigação criminal.” Na prática, o que eu senti é que é uma narrativa mais lenta, focada nas reflexões dos personagens, com uma ambientação urbana e “pálida”. Morte no Verão se passa na Dublin dos anos 50 e acompanha a investigação da morte de um magnata que aparentemente se suicidou na sua casa de campo. Quando o detetive inspetor Hackett encontra o corpo, ele percebe que, apesar da tentativa de forjar o suicídio, provavelmente trata-se de um homicídio. Então Garret Quirke (um médico forense com quem ele já trabalhou antes) é acionado, sendo ele o verdadeiro protagonista da obra.

Desde o início do livro, especialmente após a chegada de Quirke, senti que a narrativa contava com elementos prévios que eu não conhecia. Fui para o Google e bingo: trata-se do quarto livro de uma série, e nos volumes anteriores provavelmente é explicada a parceria entre Quirke e Hackett, bem como a notoriedade que o primeiro ganhou nos últimos anos. Infelizmente minha leitura foi bastante prejudicada por isso, mas foi desatenção de minha parte ao solicitar o livro à editora sem conferir previamente se era um volume único ou não.

resenha morte no verão benjamin black

A narrativa é bastante vagarosa e foca pouquíssimo na investigação policial; entretanto, quando isso acontece, temos as melhores passagens da obra. No geral, acompanhamos o relacionamento de Quirke com sua filha, de quem ele não era muito próximo, e também sua atração pela viúva da vítima, com quem ele passa a ter um caso. A ênfase da história reside na descrição de cenários e das sensações dos personagens, sendo também um livro com uma narrativa um pouco mais rebuscada e metafórica. A vantagem disso é que Morte no Verão me ajudou a expandir meu vocabulário, e fazia tempo que um livro não me proporcionava essa experiência.

Eu esperava mais do final: a resolução do caso é clichê e bastante insossa. Como comentei anteriormente, a investigação não é o que chama a atenção na obra e, pra falar a verdade, não teve nenhum elemento que realmente tenha me conquistado. Os personagens não são carismáticos, você não torce por nenhum deles e não houve conexão entre mim e a obra. Provavelmente o ponto que mais influenciou nisso foi pegar o bonde andando mesmo: Morte no Verão é o tipo de livro que tem início, meio e fim, mas que precisa do background apresentado nos volumes anteriores pra compreensão plena dos personagens.

Apesar de eu amar livros policiais, Morte no Verão não conseguiu me cativar. Parte dessa constatação eu já expliquei no parágrafo anterior, mas outra parte reside no fato de que a obra não me provocou absolutamente nenhum sentimento: nem curiosidade pela investigação e nem afeição pelos personagens (o que me prende à série Cormoran Strike, por exemplo, mesmo quando a investigação não é tão boa). Não recomendo a obra como porta de entrada pra série mas, se você acompanhou os livros anteriores, talvez sua experiência seja diferente da minha. 🙂

Título original: A Death in Summer
Autor:
Benjamin Black
Editora: Rocco
Número de páginas: 256
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: Say I Do

Oi pessoal, tudo bem?

Prontos pra uma dica perfeita pra aquecer o coração? Hoje vamos conversar sobre Say I Do (ou, na versão em português, Finalmente… Sim!), um reality show da Netflix focado em casamentos.

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Sinopse: Neste reality show, casais devem superar obstáculos para celebrar o amor com uma festa de casamento surpresa preparada por três especialistas em menos de uma semana.

Quando recebi a recomendação de Say I Do, a frase que me convenceu a dar uma chance foi “é a Queer Eye dos casamentos”. Já deixei claro aqui no blog o quanto eu amo Queer Eye, então não é surpresa que eu tenha corrido para dar o play na sua “contraparte casamenteira”. E, apesar de eu costumar levar um tempinho pra mergulhar de cabeça num reality (por sentir a necessidade de entender a dinâmica e me conectar aos “apresentadores”), Say I Do conseguiu me conquistar rapidamente.

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De fato, o reality bebe muito na fonte de Queer Eye, já que compartilha de seu criador em comum. Say I Do tem como protagonistas três homens gays competentes e criativos: Jeremiah (expert em design), Thai (estilista) e Gabe (chef de cozinha). Cada episódio é focado em um casal que os três precisam ajudar. Os apaixonados de cada episódio são ótimos exemplos de representatividade: há casais negros, casais gays e, no caso dos casais hétero, existe a subversão do estereótipo da mulher como a organizadora do casamento – aqui isso fica a cargo do homem, responsável inclusive pela inscrição no reality.

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Falo com tranquilidade que é impossível não se emocionar assistindo Say I Do. Eu sou chorona, admito, então em 7 dos 8 episódios eu fui às lágrimas (de modo abundante, vale dizer). Mas mesmo se você não faz o tipo chorão, tenho certeza de que ainda assim os episódios vão aquecer seu coração. As histórias dos casais são emocionantes e transbordam amor, afeto e, em muitos casos, superação: há uma noiva que precisa superar o luto pela perda do pai e da irmã; há um jovem que venceu o câncer e atribui grande parte da sua recuperação ao amor do parceiro; há um homem gay que ainda internaliza uma homofobia que o impede de viver a vida plenamente, entre outras histórias comoventes. E é claro que Jer, Thai e Gabe dão o seu melhor para tornar o casamento um dia único de amor e celebração, além de oferecer conselhos e ombro amigo em vários momentos.

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Além das histórias, é muito legal acompanhar o processo criativo dos três em suas respectivas áreas. O trabalho do Jeremiah foi o que mais chamou a minha atenção, o que lembrou um pouco minha relação com Bobby, o designer de Queer Eye, responsável pela transformação dos lares. Eu fico de queixo caído com o que eles conseguem fazer em tão pouco tempo, e no caso de Jeremiah ele constrói cenários deslumbrantes e únicos para cada celebração. Agora, em nível de conexão pessoal, a mais forte aconteceu com Thai: ao longo dos episódios ele vai dando pistas de que o assunto “casamento” tem um peso importante na sua vida e vamos compreendendo que, por questões familiares e culturais, ele ainda não pode realizar esse sonho. É bastante emocionante e no episódio final (o meu favorito da temporada!) ficam bem mais claros os desafios que ele enfrenta.

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Resumindo, Say I Do é um reality show perfeito pra quem quer acreditar no amor. Em meio à tanta desesperança, eu fico bastante grata quando encontro uma produção que me mostra o melhor dos sentimentos e das pessoas. Em apenas 8 episódios, Say I Do fez isso com competência e carisma. Recomendo muito! ❤

Título original: Say I Do
Ano de lançamento: 2020
Criador: David Collins
Elenco: Jeremiah Brent, Gabriele Bertaccini, Thai Nguyen

Resenha: Acima do Véu – Garth Nix

Oi pessoal, tudo bem?

Estava com saudades do universo construído por Garth Nix, então aproveitei minhas curtas férias para ler Acima do Véu, o quarto volume de A Sétima Torre.

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Sinopse: O Povo Inferior é incansável. Por muito tempo, essa gente se manteve quieta, ocupando os níveis mais baixos do Castelo. Mas, agora, vai se fazer ouvir… Tal e Milla não estão mais sozinhos na busca da verdade sobre seu mundo. O Corvo, um renegado do Povo Inferior, aliou-se a eles, juntamente com seu bando de rebeldes. Eles conhecem muitos segredos sobre o Castelo – e estão prestes a descobrir o maior de todos. A escuridão está ficando cada vez mais intensa. As sombras estão se tornando mais fortes. E, mais que nunca, Tal e Milla estão correndo perigo.

Seguindo o padrão da série, o livro inicia em uma sequência direta do volume antecessor, após o embate com o Mestre-das-Sombras Sushin (que não parece ter se abalado após a perfuração pela lâmina de chifre de Merwin de Milla). Durante a fuga dos protagonistas pelos níveis mais baixos do Castelo, eles reencontram os jovens que os ajudaram nos túneis de aquecimento, mas o clima não é amigável: comandados por um jovem chamado Corvo, o grupo se autodenomina Resistentes – ou seja, membros do Povo Inferior que se recusam a seguir a ordem dos Escolhidos. Apesar da animosidade, o grupo de Corvo, Tal e Milla se veem do mesmo lado, já que os Resistentes têm como líderes Ebbit e Jarnil, um antigo professor do Lectorium dado como morto. Quando Milla e Tal contam a eles sobre tudo que descobriram em Aenir (e Sushin), Ebbitt e Jarnil compreendem que o Véu que protege o Mundo das Trevas dos Aeniranos está em risco. Para restabelecer a segurança, é necessário impedir que Sushin se apodere das Grandes Pedras que o mantêm intacto.

Basicamente, esse é o fio condutor de Acima do Véu. Conforme a série avança, Tal e Milla vão descobrindo pouco a pouco os segredos mantidos tanto pelos Escolhidos quanto pelos Homens-do-Gelo a respeito da origem do Véu e da relação entre os dois povos. Enquanto Tal deseja apenas ter a normalidade de sua vida de volta (e impedir Sushin no processo), Milla ainda se ressente por ter perdido sua sombra natural e está determinada a voltar ao Gelo, contar tudo que descobriu às Matriarcas e dar fim à sua vida. Com isso, é nesse volume que o caminho dos dois protagonistas se separa: a jovem parte rumo ao seu povo enquanto Tal se alia (contra a própria vontade) ao Corvo. E eu acho que foi por causa dessa separação que não curti tanto a obra quanto esperava.

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A dinâmica de Tal e Milla é uma das coisas de que mais gosto na série de Garth Nix, além da criatividade do autor na concepção de seu universo (que eu sempre reforço nas resenhas e até hoje considero único). Quando os dois se separam, um pouco do carisma da narrativa se perde, porque sempre foi muito interessante acompanhar o equilíbrio proporcionado pela sua relação de gato e rato, mas cheia de aprendizado mútuo. Tal e Corvo, por outro lado, são muito clichês: o protagonista desconfia do rapaz hostil, enquanto este odeia Tal por ele ser um Escolhido. Apesar desse ponto negativo, Acima do Véu tem diversas cenas de ação, com capítulos que intercalam entre a missão de Tal e a de Milla. E, mesmo não curtindo a relação entre Tal e o Corvo, reconheço o mérito de sua missão: os dois passam por inúmeras situações capazes de deixar o leitor apreensivo, porque o risco de roubar uma Grande Pedra e não serem capturados por Sushin no processo é bastante considerável.

Em relação ao desenvolvimento dos personagens, Acima do Véu oferece poucos avanços. Como os livros acontecem em um espaço muito pequeno de tempo, sendo sequências diretas uns dos outros, a aventura de Tal desde sua queda para fora do Castelo iniciou há pouco mais de um mês. E eu compreendo isso, de verdade, mas também me decepcionei ao ver o protagonista repetindo preconceitos que eu já esperava que ele estivesse apto a, pelo menos, questionar. Com a intensidade de suas experiências com Milla e ao se dar conta de quão vasto é o mundo fora das paredes onde nasceu e cresceu, eu supunha que Tal já estivesse pronto para não olhar para o Povo Inferior como… inferior. Considerando que eu elogiei justamente o amadurecimento dos protagonistas no volume anterior, fiquei um tantinho chateada.

Acima do Véu foi o primeiro volume inédito desde que decidi revisitar a série A Sétima Torre. Por enquanto, a experiência tem sido bacana, apesar dos altos e baixos (reli minhas resenhas e percebi que intercalei entre “nossa, amei” e “hmmm só gostei” 😂). Estou curiosa para saber o que os dois últimos volumes da saga me reservam e pretendo concluí-la até o fim do ano. Continuo com a opinião de que a série é uma ótima opção pra quem gosta de livros de fantasia e buscam uma leitura rápida, mas criativa e instigante.

Título original: Above the Veil
Série:
A Sétima Torre
Autor:
Garth Nix
Editora:
Nova Fronteira
Número de páginas:
255
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Assisti, mas não resenhei #5

Oi pessoal, tudo bem?

No Assisti, mas não resenhei de hoje, vamos falar sobre filmes! 😀 Tenho algumas dicas bem legais pra compartilhar, então já podem ir preparando a pipoca.

Um Pequeno Favor

um pequeno favor

A trama de Um Pequeno Favor gira em torno da amizade de Stephanie, uma mãe solitária, e Emily, uma mulher de negócios imponente, cujos filhos estudam na mesma escola (o que serve como pontapé para a aproximação). Certo dia, Emily pede a Stephanie que pegue seu filho depois da aula e… desaparece. O sumiço causa grande comoção e a própria Stephanie começa sua busca por respostas. Apesar da premissa, Um Pequeno Favor não segue a fórmula tradicional de thrillers – ele é um filme um tanto quanto… cômico. Apelando pro nonsense, a trama surpreende muito mais pela quebra de expectativa do que pelos mistérios propriamente ditos. É uma boa distração, disponível no Amazon Prime Video. 🙂

12 Homens e Uma Sentença

12 homens e uma sentença

Esse é um filme antigo, em preto e branco, que vi há alguns anos e me surpreendeu muito. A trama é simples em seu cerne: 12 homens (brancos) formam o júri, que vai decidir o destino de um jovem (porto-riquenho) acusado de matar o próprio pai. Para 11 dos jurados o rapaz é culpado. Entretanto, o Sr. Davis (o único membro do júri a ter seu nome revelado) está em dúvida sobre a culpa do jovem, e passa o filme todo tentando convencer os outros homens a repensarem sua opinião. Mesmo se passando em uma única sala e tendo sua trama completa girando em torno do debate, o filme é envolvente e mostra de forma impecável os traços sutis de cada personagem, assim como o abismo racial que os leva para um caminho leviano no processo inicial de tomada de decisão.

Precisamos Falar Sobre o Kevin

precisamos falar sobre o kevin

Sempre tive muita curiosidade sobre esse título, que narra pelo ponto de vista de uma mãe como foi lidar com um filho sociopata, que vai preso após provocar um massacre na escola. A história é desconfortável e mexe bastante com o espectador, além de contar com atuações primorosas por parte de Ezra Miller e Tilda Swinton. O desenrolar da trama é lento, focado na reminiscência da personagem principal a respeito de sua vida enquanto esposa e mãe – um papel que visivelmente lhe era desconfortável. Apesar de sabermos o que leva à prisão de Kevin, o final conta com uma reviravolta chocante (não necessariamente surpreendente, se você reparar nas cenas no presente, mas ainda assim chocante pelo modo como ocorre). É um boa produção de caráter psicológico e também está disponível no Amazon Prime Video.

O Estagiário (ou Um Senhor Estagiário)

um senhor estagiario

A trama acompanha Ben Whittaker, um viúvo que está enjoado da aposentadoria e decide se candidatar a um programa de estágio em uma empresa de moda. Lá, ele é designado para ser assistente da fundadora da marca, a competente e dedicada Jules, com quem uma amizade inesperada se inicia. O relacionamento dos dois vai evoluindo aos poucos e é fofíssimo de acompanhar: ele age como uma espécie de pai, protegendo os interesses de Jules e incentivando-a no seu dia a dia intenso e corrido; Jules, por sua vez, percebe que precisa encontrar espaço na sua agenda lotada para cuidar de si mesma e ter bons momentos com a sua família – mas jamais sendo incentivada a abrir mão da sua empresa, o que considero um dos melhores acertos do filme. O fato de Jules ser poderosa e capaz é algo que Ben admira e incentiva, e precisamos de representações assim nas telas. Além disso, a comédia é mega gostosa e o filme é bem realista no núcleo amoroso da trama. Tem na Netflix e recomendo muito. ❤

Espero que tenham gostado das dicas! 😉
Beijos e até o próximo post.

Séries leves na Netflix pra assistir na quarentena

Oi galera, tudo bem?

Quem diria, lá em março, que chegaríamos a julho ainda em isolamento social? Há 4 meses sem ver a minha família e amigos, o que mais tenho valorizado nos últimos tempos é o entretenimento leve e puro, capaz de tirar minha mente das espirais provocadas pela situação atual. E, depois de tantos feedbacks positivos a respeito dos posts de leituras leves pra ler na quarentena, resolvi fazer uma listinha de indicações de séries disponíveis da Netflix capazes de distrair e alegrar. Espero que gostem! ❤

Aggretsuko

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Essa animação fofíssima que acompanha uma jovem red panda lidando com o amadurecimento é simplesmente imperdível. O mais engraçado é o modo com que Retsuko, a protagonista fofa, lida com suas frustrações: cantando death metal no karaokê.

Atypical

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Extremamente cativante, Atypical narra a aventura de Sam em busca de uma namorada. Acontece que Sam não é um garoto totalmente comum: ele faz parte do espectro autista e, para a surpresa de sua família (em especial de sua mãe superprotetora), ele deseja conquistar mais independência. Com uma abordagem responsável, Atypical desmistifica vários tabus com episódios engraçados e emocionantes.

Brooklyn Nine-Nine

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Divertida e cheia de personagens marcantes, Brooklyn Nine-Nine é uma das minhas comédias queridinhas. A série narra o dia a dia dos detetives da 99ª delegacia do Brooklyn resolvendo os mais variados casos, e o clima dos episódios é de leveza (quase) total. Amo! ❤

Dead to Me

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Essa série merece (e vai ter!) uma resenha completa aqui no blog, mas foi uma das minhas surpresas da quarentena. A trama nos apresenta à amizade inesperada de uma recém-viúva cética e sarcástica tentando lidar com o luto, Jen, e de uma doce professora de artes, Judy. O que Jen não imagina é o segredo por trás de tal aproximação – que rende momentos de tensão, lágrimas e também risadas (muitas vezes inapropriadas).

Gilmore Girls

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Apesar de Rory ser uma das piores personagens da vida (tá, exagerei, é o ranço falando), Gilmore Girls é uma série muito gostosinha que fala, principalmente, do laço entre mãe e filha. É uma daquelas produções que te transporta pra cidade fictícia em que a trama acontece e faz você se sentir parte daquilo tudo (inclusive das esquisitices).

Modern Family

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Uma das minhas comédias favoritas não poderia estar de fora dessa lista, especialmente agora, que voltou pra Netflix. Modern Family é protagonizada por uma grande família dividida em três núcleos: o do patriarca, Jay, o da sua filha, Claire, e o de seu filho, Mitchell. Acompanhamos o dia a dia de todos eles com muito bom humor, situações nonsense e lições de vida valiosas.

One Day at a Time

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Uma das melhores comédias do mundo? Sim (e só minha opinião importa #brinks). One Day at a Time é simplesmente perfeita e a Netflix fez a maior besteira ao cancelar. Abençoada seja a Pop TV por salvar essa produção fantástica, focada no cotidiano de uma família de origem cubana nos Estados Unidos. Humor que não ofende, assuntos relevantes e personagens cativantes são os ingredientes que fazem de One Day at a Time uma série que indico de olhos fechados.

Queer Eye

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Sabe aquela série que faz a gente acreditar na humanidade novamente? Essa é Queer Eye. O reality que, como o próprio nome diz, vai muito além de um makeover é protagonizado pelo Fabulous Five, um grupo de homens gays com especialidades distintas. Cada episódio tem um herói ou heroína cuja vida é completamente transformada pelos Fab Five, e as lições transmitidas por esses homens maravilhosos inspiram não apenas os participantes dos episódios, mas o espectador também. Assistam! ❤

Say I Do

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Terminou Queer Eye e precisa de mais uma dose de coração quentinho? Dê o play em Say I Do (ou “Felizmente… Sim”, na versão em português). Esse reality é basicamente o Queer Eye dos casamentos e, sim, a fórmula é meio parecida: três homens gays proporcionam o casamento dos sonhos para casais com histórias emocionantes. Chorei em 7 dos 8 episódios, pra vocês terem noção. É lindo demais e em breve vai ter um post só dela aqui no blog.

The Good Place

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E pra terminar a lista, eis uma série de comédia original e que soube quando terminar: com 4 temporadas e já concluída, The Good Place tem seu start com uma situação inusitada: somos apresentados à Eleanor, que na vida após a morte é enviada para o Lugar Bom (aka paraíso). Entretanto, a personagem tem um segredo: ela foi terrível e mesquinha em vida, portanto sua ida para o Lugar Bom só pode ter sido um engano. E ao buscar uma forma de permanecer lá, a personagem faz amizades e vai aprendendo na prática sobre ser uma pessoa boa.

Por hoje é isso, pessoal. 😉
Agora é só fazer a pipoca e dar o play!

Resenha: Você É Fodona – Jen Sincero

Oi pessoal, tudo bem?

Recebi como parte de uma ação de divulgação da Editora Rocco Você É Fodona, um livro de autoajuda de Jen Sincero que promete colocar o leitor no controle da própria vida e ajudá-lo a conquistar seus objetivos. Mesmo não sendo um gênero do qual eu goste, pensei: por que não? E agora bora que vou contar pra vocês o que achei. 🙂

jen sincero voce é fodonaGaranta o seu!

Sinopse: Mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo. Neste divertido livro, a autora nº 1 de best-sellers do The New York Times e coach de sucesso, Jen Sincero, oferece capítulos curtos, cheios de histórias hilariantes e inspiradoras, conselhos sábios, exercícios fáceis e palavrões ocasionais. Mostrará como criar uma vida que você ama totalmente, e como criá-la agora.

Eu tenho uma resistência fortíssima à ideia de coaches. Em geral, acredito que a maior parte deles ganha dinheiro com frases prontas e repetidas à exaustão. Por isso, sempre que pego um livro de autoajuda, eu inicio a leitura com desconfiança, e o livro precisa provar que vale a mudança de opinião. Não foi diferente com Você É Fodona, cujo título vergonha alheia já me causou um certo… receio. E em diversos pontos a obra acabou reforçando minha opinião pré-concebida. Felizmente, algumas partes foram capazes de gerar uma reflexão positiva, e vou concentrar os próximos parágrafos em prós e contras da leitura.

Jen Sincero inicia o livro explicando que temos a consciência (que determina o que queremos fazer) e a inconsciência (o que foi incutido na gente sem percebermos). A partir da inconsciência surgem o que ela chama de crenças limitantes – conceito que eu, particularmente, não comprei. Para Jen Sincero, são essas crenças que nos impedem de avançar e atingir nossas metas, e ao longo dos capítulos ela discorre sobre formas de superar esse obstáculo. Gostei que ela fala sobre o perigo das piadas autodepreciativas, que minam a nossa autoconfiança e são uma repetição de impressões negativas a respeito de nós mesmos. Jen Sincero incentiva que sejamos capazes de aceitar os elogios de coração aberto, sem decliná-los. Eu pessoalmente sou uma pessoa que fico bastante sem jeito com elogios, e de uns tempos pra cá tenho tentado me acostumar à ideia de recebê-los e, principalmente, acreditar neles.

Outro conteúdo interessante do livro diz respeito a sermos mais gentis com nossos erros. Esse tema também conversou diretamente comigo, porque sou alguém cuja autocobrança é elevadíssima. Ao aceitar a nossa falibilidade, a gente entende que tá tudo bem tentar algo pela primeira vez e não necessariamente se sair bem nisso, afinal, o erro também faz parte do aprendizado. Por fim, outro conceito bacana abordado pela autora diz respeito à procrastinação: muitas vezes deixamos de cumprir uma tarefa ou objetivo por esperar que saia tudo 100% perfeito, o que é basicamente impossível. Ela sugere então que as tarefas sejam divididas em objetivos menores, de forma que cada passo seja mais factível, não parecendo uma tarefa hercúlea que cause a procrastinação por puro medo de tentar.

resenha você é fodona

E do que eu não gostei? Bom, a começar pela gama de assuntos que Jen Sincero aborda. Ela fala sobre tantas áreas da vida (carreira, dinheiro, vida amorosa) que parece que nenhum conselho é aprofundado o bastante, sabem? Além disso, faltam exemplos pessoais que justifiquem as dicas – afinal, por que eu acreditaria na autora se ela quase não tem situações reais para provar que aquilo funciona? Acredito que a falta de exemplos, somada a um milhão frases de efeito piegas, foi um dos maiores responsáveis pela minha desconexão com a leitura.

Outra abordagem que não colou comigo diz respeito à vibração dos pensamentos. Segundo Jen Sincero, precisamos emitir a vibração certa ao Universo pra atrair coisas positivas, e para que algo se torne realidade você primeiro precisa acreditar que aquilo é verdade. Com todo respeito a quem acredita nisso mas, pra mim, simplesmente não dá. Considero isso o suprassumo do papo de coach e ainda culpa você por estar atraindo porcaria pra sua vida, sem considerar os diversos fatores externos que podem atravancar o caminho – incluindo privilégios. Isso fica ainda mais grave quando ela começa a falar de prosperidade financeira: os conselhos dela não poderiam ser mais desconectados da realidade, afirmando que “se você sintonizar sua energia à abundância do Universo, você será recompensado” ou, ainda pior, ela exemplifica com o fato de ter comprado um carro caro em vez de um carro barato porque isso deu o sinal necessário para o Universo compreender que ela tava pronta pra prosperar. Bah, apenas não. Eu acredito que sim, precisamos arregaçar as mangas e correr atrás dos nossos objetivos, mas compreendo também que existem muitos fatores envolvidos em fazer um objetivo dar certo ou não: falta de grana, falta de acesso a determinados espaços, desigualdade social… Enfim, já deu pra entender meu ponto, né? Por fim, não posso evitar dizer que as escolhas de analogia dela não poderiam ser mais bregas. Ela se refere ao ego como Grande Dorminhoco, por exemplo… Simplesmente constrangedor.

Em suma, Você É Fodona foi capaz de dialogar com alguns aspectos que eu venho tentado trabalhar em mim mesma há algum tempo. Mas, honestamente? O mérito tá na terapia rs. Alguns conselhos são legais, a intenção é boa, só que pra mim não funcionou. Por isso, não é um livro que eu recomendaria diretamente mas, se a proposta chama a sua atenção, vá em frente. 😉

Título original: You Are a Badass
Autor:
Jen Sincero
Editora: Rocco
Número de páginas: 272
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

O que eu achei do final de Dark

Oi pessoal, tudo bem?

Uma semana e meia depois da estreia, já podemos falar sobre o final de Dark, né? A aclamada série alemã da Netflix chegou à sua última temporada e, mesmo antes de ser disponibilizada, a crítica já a elogiava como uma verdadeira obra-prima. Obviamente meu hype não poderia estar maior, né? Maratonei a série no fim de semana de estreia e agora vim contar pra vocês o que achei do final. Portanto, obviamente esse post está cheio de spoilers. 😉

As árvores genealógicas fizeram todo mundo de trouxa

final de dark

Sim, gente: todo o esforço que fizemos pra saber quem era parente de quem ao longo das idas e vindas temporais foi inútil, falando grosseiramente. No fim das contas, essas conexões pouco tinham a ver com a resolução do problema central (encontrar e acabar com a origem do loop), sendo mais consequência do que causa, já que tais incestos e relações só foram possíveis pelo apocalipse. Quem mais sentiu que fez papel de trouxa levanta a mão! o/

Temporada arrastada, episódio final corrido

final de dark (5)

A terceira temporada de Dark investe muito tempo em nos apresentar o mundo alternativo, de onde vem a Martha 2 que salva Jonas no episódio final da temporada anterior. Ficam claros os diversos paralelos, ainda que Jonas não exista no segundo mundo, e a série mostra na prática que o loop sempre encontra uma forma de acontecer. A inevitabilidade do apocalipse é algo que vinha sendo trabalhado há bastante tempo, então esses paralelos fizeram todo o sentido. O problema maior reside no episódio final: somos apresentados a um conceito novo, de um terceiro mundo, que originou as duas dimensões de Jonas e Martha 2. Apesar da existência desse terceiro mundo não ser completamente nonsense – afinal, a triquetra foi o elemento principal do Sic Mundus e da série –, o que espanta é que ele seja apresentado só no último episódio. Com isso, temos apenas 1h pra entender esse conceito, acreditar que ele é o caminho para acabar com a origem e ainda conferir o resultado de todo esse esforço. Achei corrido. :/

Jonas confiando no Adam como se nada tivesse acontecido

dark (4)

Quando Claudia conta a Adam sobre o mundo original, ele finalmente compreende que o mundo dele e de Eva (a versão idosa da Martha 2) nunca deveriam ter existido, e que a única solução para o loop temporal era impedir a origem (sobre a qual falarei em seguida). Desse modo, ele viaja para o momento da morte de Martha e fala com Jonas sobre esse assunto. Me impressionou negativamente quão rápido Jonas acreditou em Adam e no seu novo plano, considerando que não fazia nem dois minutos que o Adam anterior tinha acabado de atirar na sua amada. Sabe conveniência de roteiro? Pareceu uma das grandes. E adivinhem? Acumulada no episódio final.

Quem era o Tannhaus na fila do pão mesmo?

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Tá, brincadeira. Mas eu tive dificuldade de comprar o drama pessoal do personagem, que foi o pivô para a criação dos mundos de Jonas (Adam) e Martha (Eva). Ao perder o filho, a nora e a neta num acidente de carro, Tannhaus fica obcecado com a ideia de voltar no tempo e é responsável pela explosão que dá origem às realidades paralelas. A origem, portanto, nada tem a ver com o filho de Jonas e Martha e tampouco com os personagens envolvidos nas ramificações familiares. Minha primeira impressão foi não curtir muito esse rolê, principalmente por ter sido trazido somente no… isso mesmo, acertaram: episódio final! Percebam que grande parte dos meus ranços em relação ao desfecho da série residem nisso. 😛

Tá, dúvida real: como a Claudia sacou os paranauês?

final de dark (3)

Que Claudia Tiedemann é a rainha de Dark não há dúvidas. Acho totalmente plausível que ela tenha conseguido viajar entre os dois mundos e enganar tanto Adam quanto Eva, porque a inteligência da personagem ficou evidente ao longo das temporadas. Mas, na busca da personagem por uma forma de manter a filha viva, em nenhum momento ficou claro pra mim qual foi o estalo que ela teve que levou à descoberta do mundo de origem e da perda pessoal de Tannhaus. Se eu esqueci de algum detalhe ou se alguém aí entendeu esse ponto, fiquem à vontade pra me contar nos comentários! 😂

Vamos falar de coisa boa: o simbolismo do final

final de dark (4)

Não apenas decepções me foram causadas pelo final de Dark. Eu gostei muito da coragem de Jonas e Martha 2 de tomarem a atitude necessária para dar fim a tanto sofrimento. A maneira como eles se despedem é bastante comovente, por trazer a frase do “somos um par perfeito, nunca duvide disso” e tudo mais (apesar que né, Jonas e aquela Martha deram só uma transadinha, não deu pra comprar aquele sentimento todo não). Curti muito como toda a cena foi construída, a forma como os personagens que bugaram a nossa mente ao longo de três temporadas foram aceitando o seu fim e transformando-se em uma espécie de poeira cósmica, partículas, átomos, enfim, seja o que for. A cena do jantar também foi interessante, restando apenas os personagens que nada tinham a ver com a árvore genealógica intrincada das outras famílias. Li uma teoria de que o déjà vu de Hannah e a preferência pelo nome “Jonas” foi a forma como o personagem deixou sua marca no universo (ainda que não seja ele a criança que ela espera) e, sinceramente, eu gostei de acreditar nela. ❤

Ufa! Desde o dia 28 eu não paro de falar a respeito de Dark, então foi um alívio botar tudo isso pra fora em único post hahaha! Pra resumir minha opinião, eu diria que Dark é uma série excelente e original, com atuações primorosas e um desenvolvimento instigante, mas que deixa a peteca cair na sua conclusão – que não atinge a grandiosidade das temporadas anteriores. Ainda assim é uma série que eu não hesito em recomendar, porque a qualidade da produção e o desenrolar da história são provocativos e fazem você querer discutir, entender e mergulhar naquele universo. Já são motivos suficientes pra dar uma chance, não é mesmo? 😉

E vocês, o que acharam do final de Dark?
Vamos conversar sobre nos comentários! 🙌

Resenha: Verity – Colleen Hoover

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar da Colleen Hoover ter uma legião de fãs, os livros dela nunca me chamaram a atenção. Até o lançamento de Verity. Sendo eu apaixonada por thrillers e livros policiais como sou, mal pude esperar para conferir essa obra que deu o que falar na blogosfera. Vamos descobrir o que eu achei? 😉

verity colleen hooverGaranta o seu!

Sinopse: Verity Crawford é a autora best-seller por trás de uma série de sucesso. Ela está no auge de sua carreira, aclamada pela crítica e pelo público, no entanto, um súbito e terrível acidente acaba interrompendo suas atividades, deixando-a sem condições de concluir a história… E é nessa complexa circunstância que surge Lowen Ashleigh, uma escritora à beira da falência convidada a escrever, sob um pseudônimo, os três livros restantes da já consolidada série. Para que consiga entender melhor o processo criativo de Verity com relação aos livros publicados e, ainda, tentar descobrir seus possíveis planos para os próximos, Lowen decide passar alguns dias na casa dos Crawford, imersa no caótico escritório de Verity – e, lá, encontra uma espécie de autobiografia onde a escritora narra os fatos acontecidos desde o dia em que conhece Jeremy, seu marido, até os instantes imediatamente anteriores a seu acidente – incluindo sua perspectiva sobre as tragédias ocorridas às filhas do casal. Quanto mais o tempo passa, mais Lowen se percebe envolvida em uma confusa rede de mentiras e segredos, e, lentamente, adquire sua própria posição no jogo psicológico que rodeia aquela casa. Emocional e fisicamente atraída por Jeremy, ela precisa decidir: expor uma versão que nem ele conhece sobre a própria esposa ou manter o sigilo dos escritos de Verity?

“Ouço o barulho do crânio se quebrando antes mesmo de o sangue respingar em mim.” É com essa frase que Verity inicia, e com ela já é possível sentir o impacto de muitas coisas que serão narradas dali em diante. O livro nos apresenta a Lowen, uma autora com problemas financeiros que se depara com um acidente a caminho de uma reunião importante. Ainda em choque, ela é auxiliada por um homem bem vestido que também presenciou a cena e, para a surpresa de ambos, eles voltam a se reencontrar na sala de reuniões. Ele é Jeremy Crawford, marido de uma escritora de sucesso chamada Verity, que se encontra em estado vegetativo após sofrer uma colisão enquanto dirigia. Lowen então recebe a proposta de ser co-autora da série que Verity deixou inacabada, já que o estilo literário de ambas se assemelha. Apesar da insegurança e do medo de assumir um trabalho tão aclamado, as dificuldades financeiras de Lowen fazem com que ela aceite a proposta de trabalho e tope passar alguns dias na casa dos Crawford para conferir todos os materiais deixados por Verity. O que Lowen encontra, porém, é um manuscrito autobiográfico que narra a história do casal de modo perturbador – fazendo com que a casa não pareça mais tão segura assim.

Acredito que eu nunca tenha lido algo tão perturbador quanto o manuscrito de Verity. A obra (dentro da obra rs) inicia com a autora-personagem avisando que as próximas páginas trarão à luz o seu pior lado, os aspectos mais sinistros de sua vida. E Verity cumpre a promessa. Ao longo dos capítulos, ela discorre sobre sua vida após conhecer e se apaixonar por Jeremy, descreve como os dois são o encaixe perfeito e como o sexo é fantástico. Aos poucos, vai se revelando mais do que uma história de amor, mas sim uma obsessão doentia. Em seu manuscrito, Verity se revela como uma mulher manipuladora, dissimulada e extremamente cruel, cujo objetivo é manter Jeremy perto de si e com as atenções voltadas somente a ela. Isso por si só já é bastante incômodo, mas a coisa piora quando o casal engravida: eu não tenho palavras pra descrever os horrores causados por Verity como resposta à gravidez indesejada. A personagem odeia as filhas (pois são gêmeas) antes mesmo delas nascerem, o que não necessariamente ameniza após a chegada das crianças. Eu não vou descrever aqui determinadas situações que Verity protagoniza porque foram capazes de me provocar náuseas, mas preciso avisá-los de que a descrição dos eventos é muito gráfica e perturbadora. Eu provavelmente nunca senti um incômodo tão grande quanto essas cenas me proporcionaram, e olha que eu adoro ler livros policiais que descrevem corpos mutilados sem pudor.

Porém, assim como Lowen, o leitor também não consegue desgrudar os olhos. Inclusive, os capítulos do manuscrito são muito mais interessantes do que os capítulos de Lowen interagindo com os Crawford e lidando com a presença (aparentemente) inofensiva de Verity. Acontece que, com o decorrer das páginas, as atrocidades cometidas por Verity não vão deixando apenas Lowen assustada: o leitor também fica angustiado, temendo pela segurança das pessoas na casa. Essa capacidade de um autor de nos deixar verdadeiramente apreensivos é algo que eu tenho em alta conta, especialmente em livros do gênero. E Colleen Hoover conseguiu provocar esse sentimento com maestria, porque não foram poucas as vezes em que eu, na vida real, senti meu coração acelerar.

resenha verity colleen hoover

Mas nem tudo são flores. Verity recai em alguns clichês do gênero para os quais eu não tenho muita tolerância e nem paciência. O principal deles é o fato de Lowen não tomar uma atitude para se proteger: sério que você tá lendo sobre a psicopatia de uma mulher que no momento divide o teto com você e ainda assim você não saiu correndo? A desculpa utilizada por Colleen Hoover também é fraca: Lowen precisava ficar na casa para terminar de pesquisar para a série de livros inacabada, ou Lowen duvidava da sua própria sanidade e por isso não conseguia decidir se Verity estava realmente em estado vegetativo ou apenas fingindo… Sério? Gente, se alguém me descreve o que Verity descreveu, eu saía correndo porta afora de calcinha e sutiã se fosse preciso.

Outro aspecto bem fraco da leitura é o romance entre Lowen e Jeremy. De certa forma, ao ler o manuscrito (recheado de cenas sexuais bem explícitas), a protagonista começa a projetar o sentimento de Verity nele. Mesmo com o momento que eles partilharam após o acidente, no início do livro, a conexão entre os personagens não me convenceu. Jeremy é perfeitinho demais, Lowen é o clichê da personagem que duvida de si mesma… Não curti nenhum dos dois e achei a relação bem artificial.

Por fim, me decepcionei também com o final. Após um desenrolar tão envolvente, eu simplesmente… esperava mais. Conduzido de forma mega corrida e com uma revelação totalmente anticlimática, parece que Colleen Hoover se perdeu na conclusão da sua história. O desfecho é ambíguo e não me agradou, parecendo uma tentativa meio forçada de encerrar a história com certa “genialidade”, pensando em chocar. A verdade é que a personagem Verity foi tão intensa que simplesmente eu esperava uma condução mais digna dela (afinal, vilões também podem ser muito bem construídos e merecem algo à altura).

Em resumo, Verity é um excelente livro com um final decepcionante, que não consegue causar a mesma sensação que o resto da obra proporciona. Com isso em mente, ainda assim recomendo a leitura, porque Colleen Hoover faz um excelente trabalho em proporcionar angústia e causar um medo real pela segurança dos personagens. É uma história de arrepiar e eu curti muito a experiência de modo geral. 😉

Título original: Verity
Autor: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Número de páginas: 320
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5 coisas que aprendi com o meu cachorro

Oi pessoal, tudo bem?

Há pouco mais de 2 meses, eu resolvi dizer “sim” a uma coisa que meu namorado vivia propondo. Não, não é casamento. E não, não é sacanagem. 😂 Ele queria muito ter um cachorro, mas eu (mesmo amando animais) tinha aquelas respostas quase automáticas: o apê é pequeno, não vamos ter tempo de cuidar, ele vai ficar triste por ficar o dia todo sozinho… Até que o isolamento social chegou e, com ele, além do desgraçamento mental, o tempo livre que permitiria cuidar da adaptação de um filhote. Foi assim que o Chris e eu trouxemos o Bucky pra casa, e em pouquíssimo tempo ele já me ensinou algumas lições.

1. A alegria deles ao ver você nunca deixa de impressionar

Eu nunca tive pets, com exceção de um gato do qual cuidei por poucos meses quando era pequena. Em menos de 24h após a chegada do Bucky, eu já me vi completamente apaixonada por ele, e meu coração ainda derrete toda manhã, quando abro a porta do quarto e ele vem correndo e balançando a bundinha de alegria por me ver. Todo dia é a mesma reação e todo dia eu me encanto com o fato dessa criaturinha peluda me amar de forma tão incondicional.

lições cachorro

2. Sua casa não se mantém limpa mais do que 2 ou 3 dias

As faxinas semanais são uma regra tácita aqui em casa: foram raras as vezes em que o meu namorado e eu demos uma matadinha. E mesmo essa matada só era possível porque éramos apenas dois, então a casa se mantinha limpa por bastante tempo. Agora temos um filhote de quase 5 meses: isso quer dizer ocasionais xixis fora do lugar, pelos sendo perdidos por aí, folhas comidas que ele rouba da sacada… Então mesmo com todo o empenho do mundo, não demora a ter alguma coisa fora do lugar ou que tenha que ser limpa de novo.

3. Eles ensinam o desapego

Assim como superei o fato de ter que limpar a casa com mais frequência, o Bucky também me mostrou que eu surto menos do que imaginava por causa de bens materiais. O saldo até agora? Dois chinelos, um fone (de R$ 70 e com uma semana de vida… esse doeu), dois cadarços, uma rasteirinha e a etiqueta do meu coturno. Esse é o montante de coisas roídas e/ou comidas desde que essa bolota de pelos chegou. Óbvio que na hora você tem que contar até 10 pra não fazer sopa de cachorrinho, mas depois passa (e não, a solução não é bater no seu filhote).

lições cachorro 2

4. Você fica obcecado em registrar cada passo que seu pet dá

Me sinto mega ridícula às vezes por ficar tirando 487 fotos do meu cachorro? Um pouco. Me arrependo? De jeito nenhum. Ele é fofo e, sim, merece que eu ocupe mais da metade da memória do meu celular, ora bolas.

5. Eles valem todo o esforço

Pets exigem uma graninha mensal, uma paciência maior quando fazem alguma coisa errada, aquela energia pra brincar e dar atenção e a responsabilidade que cuidar de um ser vivo exige. Mas nada disso é esforço demais em troca de tanto amor e companheirismo. Não me arrependo de nenhuma das concessões que tive que fazer pelo meu cachorro, e meu coração anda muito mais cheio (mesmo em meio a uma pandemia sufocante) graças a ele. 🙂

Agora quero saber de vocês: quem aí tem pet?
E que lição você aprende com ele(a) todos os dias?

Vou adorar ler nos comentários. 😉