Review: Mulan

Oi pessoal, tudo bem?

O live action de Mulan vem dando o que falar desde muito antes de sua estreia no Disney+ e, agora que ele chegou à plataforma, vim dividir com vocês meus sentimentos em relação ao filme. 🙂

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Sinopse: Em Mulan, Hua Mulan (Liu Yifei) é a espirituosa e determinada filha mais velha de um honrado guerreiro. Quando o Imperador da China emite um decreto que um homem de cada família deve servir no exército imperial, Mulan decide tomar o lugar de seu pai, que está doente. Assumindo a identidade de Hua Jun, ela se disfarça de homem para combater os invasores que estão atacando sua nação, provando-se uma grande guerreira.

Antes de tudo, acho importante ressaltar que eu acompanhei as notícias ao longo da produção do longa e, portanto, estava com expectativas alinhadas quanto ao fato do filme não ser um musical e não contar com a participação de personagens icônicos como Mushu e Li Shang. Pra quem não sabe do que estou falando, o novo live action da Disney tem um foco muito maior em honrar o público chinês, que vê no uso do dragão (uma figura mega sagrada) como alívio cômico e sidekick um desrespeito. Dito isso, saibam que minha opinião está pautada no filme pelo filme, e não (apenas) na comparação com o original, combinado? 😀

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Desde menina, Mulan demonstra algo especial: seu chi é intenso e ela é capaz de manipulá-lo como outras pessoas não o são. Porém, o chi é uma característica atrelada a guerreiros e ela, sendo mulher, deve ocultar tal habilidade e honrar sua família por meio do casamento. A jovem cresce com esse “segredo” e tenta se encaixar nos moldes tradicionais, mas quando cada família é convocada a ceder um homem para a guerra contra os Rourans que se aproximam, Mulan decide tomar o lugar de seu velho pai. Passando-se por um homem, ela treina para se aprimorar como guerreira enquanto busca entender seu verdadeiro papel.

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Sabendo que o filme é baseado no conto original de Mulan (que data lá do século VI), eu tentei me manter de coração aberto às novidades, como por exemplo o fato de haver uma mulher chamada de bruxa (apenas porque domina seu chi de maneira excepcional e consegue utilizá-lo como verdadeira magia) e pelo fato de Mulan se diferenciar de seus pares por também demonstrar domínio sobre essa energia. Acontece que, mesmo com toda a boa vontade do mundo, Mulan foi um filme chato de assistir.

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A começar pela protagonista: a atriz que interpreta Mulan é uma versão oriental da Kristen Stewart em Crepúsculo. Ela não demonstra nenhuma emoção, tem zero carisma e me deixou profundamente agoniada com seus golpes no ar que serviam pra ela atirar o cabelo pra longe quando caía no chão, tipo comercial de shampoo. O fato da personagem se destacar devido ao seu chi, e não pelo trabalho duro e pela determinação, também foi outro aspecto broxante: Mulan foi criada para ser uma mulher tradicional, e vê-la rompendo com esses estigmas e se esforçando tanto quanto qualquer homem (e ainda se sobressaindo) era uma das coisas mais poderosas da animação – que aqui perde força porque, apesar do esforço, Mulan tem de fato um aspecto “mágico” que a torna única. A personagem, portanto, se torna menos relacionável com o espectador.

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Os vilões são muito mal desenvolvidos, e os Rourans são caricatos e não oferecem uma ameaça que nos faça temer de fato, já que (diferente do desenho) não causam nenhuma perda a nível “pessoal”. Por outro lado, Xian Lang (a “bruxa”) que os auxilia tem mais camadas e representa uma dualidade com a própria Mulan, levando a personagem a se questionar sobre a própria identidade e sobre a injustiça de ter seu chi oprimido porque os outros não sabem lidar com isso. Ela é uma anti-heroína que oferece uma reflexão sobre o machismo que até hoje nos desencoraja de demonstrar todo o nosso potencial enquanto mulheres, e eu diria que essa provocação quanto aos papéis de gênero é o principal ponto forte do filme.

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Poderíamos pensar que as lutas seriam capazes de salvar o filme, certo? Errado, pelo menos pra mim. O live action tem uma estética típica de filmes de luta orientais, o que inclui movimentos super coreografados em slow motion. Se você curte essa vibe, talvez curta também esse aspecto do longa. Eu não me identifico nadinha com esse tipo de produção, então fiquei com um pouquinho de vergonha alheia nesses momentos de slow motion. Entretanto, reconheço a importância de contar essa história de uma forma que não agrida a cultura chinesa e ressalto como é importante um filme blockbuster contar com um elenco de fenótipo 100% oriental.

Resumindo, eu diria que Mulan é no máximo um filme nota 6 (numa escala de 10). O maior problema é que ele não se destaca, não arrepia, não emociona. Mesmo sem fazer nenhum tipo de comparação, o live action de Mulan se mostrou uma produção genérica e esquecível, que eu provavelmente não vou assistir uma segunda vez. Espero que ao menos para o público ao qual ele foi destinado tenha sido uma boa experiência.

Título original: Mulan
Ano de lançamento: 2020
Direção: Niki Caro
Elenco: Liu Yifei, Donnie Yen, Jet Li, Gong Li, Yoson An, Jason Scott Lee, Susana Tang, Tzi Ma, Rosalind Chao

 

Review: Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica

Oi pessoal, tudo bem?

A Prime Video, da Amazon, tem atualizações constantes no catálogo, e recentemente Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica – o filme mais recente da Disney Pixar – chegou por lá. Conferi e vim correndo contar pra vocês o que achei. ❤

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Sinopse: Em um mundo transformado, no qual as criaturas não dependiam mais da magia para viver, dois irmãos elfos recebem um cajado de bruxo de seu falecido pai, capaz de trazê-lo de volta à vida. Inexperientes com qualquer tipo de magia, Ian e Barley não conseguem executar o feitiço e acabam gerando uma criatura sem cabeça. Para passar mais um dia com seu pai, eles embarcam em uma jornada fantástica. Ao perceber a ausência dos filhos, sua mãe se une à uma lendária manticora para encontrá-los.

Sinceramente, acho que a sinopse já diz claramente a trama central do filme, então não vou me estender muito nisso. Mas, basicamente, Dois Irmãos se passa em um universo fantástico em que a magia deixou de existir, sendo substituída pela tecnologia. No aniversário de 16 anos do elfo Ian, sua mãe entrega a ele e seu irmão mais velho, Barley, um presente deixado pelo falecido pai, Wilden: um cajado mágico e um feitiço para trazê-lo de volta por 24h. Entretanto, a gema necessária para fazer o feitiço acontecer explode no meio do processo e Ian e Barley acabam tendo o pai… da cintura pra baixo! Eles partem então na missão de encontrar uma nova gema para completar o feitiço e ter o resto do dia com Wilden.

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Eu não exponho muitos detalhes da minha vida pessoal por aqui, mas eu perdi meu pai aos 12 anos. Com isso, acredito que vocês possam imaginar o quanto a trama de Dois Irmãos mexeu diretamente com as minhas próprias lembranças e cicatrizes. A jornada de Ian e Barley em busca de uma oportunidade de rever seu pai, ainda que por pouco tempo, é possivelmente algo que todo mundo que já perdeu um ente querido consegue compreender. Dois Irmãos é, portanto, uma história sobre o luto – e sobre o quanto ele impacta em nossas vidas.

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Ian, o irmão mais jovem, é um rapaz inseguro, cujo buraco causado pela ausência de Wilden (que faleceu antes dele nascer) ocupa um grande espaço em sua vida. Apesar do carinho e do suporte dados pela mãe e pelo irmão, Ian sente que lhe falta um referencial fundamental para entender quem ele realmente é. Esse vazio sentido pelo personagem nos leva às lágrimas logo nos primeiros momentos do filme e marca o desespero dele durante a trama, motivado a conseguir a todo custo a pedra mágica que lhe permitirá completar o feitiço. Barley, por outro lado, tem uma personalidade praticamente oposta à do caçula: o rapaz é otimista, completamente fascinado pelo universo mágico que um dia fez parte do mundo em que vive e é nitidamente o fã número 1 do irmão mais novo. O elfo mais velho, porém, lida com o luto de uma maneira diferente: ele teve a oportunidade de conhecer e conviver brevemente com Wilden, sendo obrigado a dizer adeus cedo demais. E o longa também trabalha essa nuance do personagem conforme a trama avança.

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Apesar da trama parecer mega pesada, Dois Irmãos é também divertidíssimo. Há muitos personagens engraçados (como a manticora que se torna uma aliada da mãe dos meninos na busca pelos dois) e diversas cenas capazes de arrancar risadas (a maioria protagonizada pelas pernas do pai). A mistura de um cenário contemporâneo a criaturas saídas de um livro de conto de fadas medieval também funciona superbem, e o visual de tudo isso impressiona. O que esperar de uma produção Disney Pixar, não é mesmo? Lindeza em cada detalhe, como sempre. Para completar, o longa ainda traz cenas que causam apreensão e nervosismo, tendo um ótimo combo de elementos para um filme do gênero.

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O amadurecimento dos personagens ao longo da trama vale o destaque. Enquanto Ian precisa enfrentar seus medos e assumir mais protagonismo ao longo da jornada, também fica claro que Barley deseja provar o seu valor. Tido como um encrenqueiro, o irmão mais velho tem em si uma inocência e uma energia contagiantes, mas uma tendência nata a arranjar confusões. Na minha opinião, Ian não tem taaanto carisma, e acabei me afeiçoando mais a Barley; sua vontade genuína de mostrar que não é alguém inútil, assim como o carinho e a confiança depositada no irmão caçula, fizeram com que o personagem me conquistasse.

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Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica mexe com as nossas emoções. Apesar de não ter sido a obra recente da Disney Pixar que eu mais amei, a trama conversa diretamente com minhas experiências pessoais, o que me fez sentir muito carinho pelo filme. O final é surpreendente e comovente, e traz uma lição importante: às vezes a gente já tem todo o amor e o referencial que precisa, mesmo sem se dar conta. O amor incondicional e o apoio podem vir de um lugar menos óbvio, ainda que nada substitua o amor e a presença dos pais. Sensível ao lidar com o luto e colocando o amor fraternal no centro da narrativa, Dois Irmãos é um filme que vale a pena ser visto. 

Título original: Onward
Ano de lançamento: 2020
Direção: Dan Scanlon
Elenco: Tom Holland, Chris Pratt, Julia Louis-Dreyfus, Octavia Spencer, Wilmer Valderrama

Review: Frozen 2

Oi pessoal, tudo bem?

Seis anos depois da estreia do icônico Frozen, finalmente sua sequência chegou aos cinemas, e eu corri pra conferir. Fiquem tranquilos que o review não tem spoilers!

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Sinopse: De volta à infância de Elsa e Anna, as duas garotas descobrem uma história do pai, quando ainda era príncipe de Arendelle. Ele conta às meninas a história de uma visita à floresta dos elementos, onde um acontecimento inesperado teria provocado a separação dos habitantes da cidade com os quatro elementos fundamentais: ar, fogo, terra e água. Esta revelação ajudará Elsa a compreender a origem de seus poderes.

Tudo parece bem em Arendelle. Elsa governa com carinho e sabedoria, Anna (que segue em um relacionamento com Kristoff) está sempre ali para apoiar a irmã e as coisas seguem seu curso em paz. Porém, quando Elsa começa a ouvir uma voz misteriosa e manifestações estranhas da natureza passam a ocorrer em seu reino, as duas irmãs descobrem que há um segredo oculto sobre o passado de Arendelle. Para descobri-lo – e acalmar os elementos que perturbam o reino –, Elsa e Anna terão que adentrar a chamada Floresta Encantada, cuja névoa a separa do resto do mundo desde que seu povo e o povo nativo da floresta guerreou, há muitos e muitos anos. Nesse processo elas aprendem não apenas sobre o conflito de seus ancestrais, mas também sobre si mesmas.

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Frozen 2 traz um novo elemento à mitologia pouco explorada no primeiro filme: agora somos apresentados ao conceito de que existem espíritos da natureza responsáveis pelo fogo, pelo ar, pela terra e pela água. Esses espíritos estão inquietos e demandam de Elsa e Anna que elas descubram a verdade sobre o conflito entre o exército de Arendelle e o povo de Northuldra que, teoricamente, estavam confraternizando em paz. Uma vez dentro da Floresta Encantada, o grupo carismático que tanto nos conquistou no primeiro longa (formado por Elsa, Anna, Kristoff, Sven e Olaf) se depara com as pessoas que estiveram presas durante todos esses anos e percebem que mesmo para elas o motivo do conflito não era claro. Esse plot promove às jovens uma jornada de aprendizado a respeito do passado de seus pais e da sua verdadeira origem.

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Se Frozen é um filme sobre autoaceitação, Frozen 2 é sobre identificação, sobre a busca do seu lugar no mundo. O primeiro longa termina com Elsa em um lugar feliz, mas ainda assim deslocado. Sem saber de onde vem sua magia (e mesmo o porquê dela ser mágica), a jovem não sabe exatamente qual o seu propósito. Em Frozen 2, entretanto, Elsa parte em uma missão própria que não é motivada apenas pelo desejo de salvar Arendelle, mas também para descobrir mais sobre si mesma e seu papel. Essa jornada confere mais complexidade à personagem, que desde o primeiro filme já era interessante. Outro ponto positivo desse plot é que ele serve para romper o cordão umbilical que conecta Elsa a Anna – por mais que o amor entre as irmãs seja lindo e admirável, eu honestamente fico meio cansada da Anna correndo atrás da Elsa que nem uma desesperada. É sufocante!

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Frozen 2 também é um filme muito engraçado. Olaf é, obviamente, um dos pontos altos da sequência, e ele protagoniza a MELHOR CENA de retrospectiva possível. Fica a dica: o filme tem cena pós-créditos e vale a pena esperar! Mas Olaf não é o único responsável pelas minhas risadas; a cena musical do Kristoff é constrangedoramente engraçada e remete a clipes dos anos 80-90 (eu ri pra caramba!). Já Elsa vivencia uma cena que homenageia e ao mesmo tempo brinca com o primeiro longa, ironizando alguns momentos dramáticos e divertindo ao mesmo tempo. Outro aspecto que merece elogios é a direção de arte: Frozen 2 é um filme deslumbrante. Dos novos figurinos aos ricos detalhes do cenário, cada cena é um deleite visual. Os flocos de neve deixam de ser as únicas estrelas e a Floresta Encantada torna-se o palco de momentos incríveis, com suas folhas coloridas pelo outono. Amei cada detalhe!

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Porém, o filme não é perfeito. Existem dois detalhes que preciso pontuar: o primeiro é referente à trilha sonora. Apesar de ter músicas excelentes (e muitas delas usam o mesmo campo harmônico das canções do primeiro filme, ativando a nossa memória afetiva), a verdade é que não existe uma “Let it Go” em Frozen 2. Nenhuma música me desagradou, mas nenhuma marcou o suficiente pra me fazer sair cantando após a sessão. O segundo aspecto é referente à falta de plot twist: não há um vilão em Frozen 2, não há uma revelação que faça cair o queixo ou um momento de aflição que nos faça temer pelos personagens. O filme transita em um terreno muito seguro e acaba sendo um pouco previsível por conta disso (foi fácil descobrir os dois elementos revelados no longa). Apesar disso, a trama não deixa de ter brilho próprio, porque a jornada de crescimento de Elsa e Anna compensa a falta de surpresas.

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Frozen 2 é uma ótima sequência, que aprofunda a mitologia iniciada no primeiro longa e promove a evolução de suas protagonistas. É nítido o quanto Elsa e Anna crescem no final, assumindo papeis que se encaixam com aquilo que elas acreditam e defendem. E, é claro, reforça a ideia de que o amor nos conecta de qualquer lugar, sendo uma força que motiva e impulsiona mesmo nos momentos mais escuros. Apesar de não ser tão marcante quanto o primeiro filme, Frozen 2 é uma experiência que enriquece muito esse universo (não mais tão) congelado que amamos. ❤

Título original: Frozen II
Ano de lançamento: 2020
Direção: Jennifer Lee, Chris Buck
Elenco: Kristen Bell, Idina Menzel, Josh Gad, Jonathan Groff, Sterling K. Brown, Evan Rachel Wood

Review: O Rei Leão (e diferenças do original!)

Oi gente, tudo bem?

Esse momento finalmente chegou e eu não poderia estar mais ansiosa pra escrever a resenha de O Rei Leão, também conhecido como meu filme favorito da vida! ❤

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Sinopse: Simba (Donald Glover) é um jovem leão cujo destino é se tornar o rei da selva. Entretanto, uma armadilha elaborada por seu tio Scar (Chiwetel Ejiofor) faz com que Mufasa (James Earl Jones), o atual rei, morra ao tentar salvar o filhote. Consumido pela culpa, Simba deixa o reino rumo a um local distante, onde encontra amigos que o ensinam a mais uma vez ter prazer pela vida.

Acho que é desnecessário falar qualquer coisa a respeito do enredo, né? Um clássico que a maioria já conhece, O Rei Leão mora no coração de muita gente, e também mora no meu. Por se tratar do meu filme favorito, é bem provável que essa resenha fique bastante pessoal, mas é impossível falar desse longa sem relacionar com as minhas memórias afetivas e com momentos importantes da minha vida. Dito isso, vamos descobrir o que achei da nova versão hiper-realista de Jon Favreau?

Adaptando praticamente quadro a quadro a animação de 1994, O Rei Leão retorna aos cinemas com aparência totalmente repaginada: o nível de realismo do live-action impressiona. Cada detalhe da grama, cada pelo de cada animal, tudo nos faz acreditar que aquilo não é CGI, mas real. E essa verossimilhança se aplica até mesmo nas canções: um belo exemplo é I Just Can’t Wait To Be King, em que Jon Favreau encontrou uma excelente solução para torná-la divertida, mas sem a psicodelia que a animação original permitia. 

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Apesar de visualmente encantador, o hiper-realismo cobra um preço: as vozes dos dubladores dão o tom e nos guiam pelas emoções dos personagens, mas inevitavelmente o novo O Rei Leão perde um pouco em expressividade. Nas cenas felizes esse aspecto não se sobressai, ficando mais evidente nas cenas mais dramáticas. Eu diria que esse é o principal (e um dos poucos rs) defeito do filme, já que O Rei Leão tem uma história bastante emocional.

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Falando em emocional… bom, eu chorei já nos primeiros segundos de Circle of Life. Como eu disse, O Rei Leão evoca em mim sentimentos bem intensos e me transporta diretamente para a minha infância. Além disso, também faz com que eu me recorde do meu pai (que faleceu quando eu tinha 12 anos), uma das pessoas com quem eu assistia ao filme milhares de vezes. Não é um assunto no qual eu fale sempre, mas é impossível não rememorar essas vivências (e meu pai, é claro) ao assistir ao novo O Rei Leão. 

E, é claro, o mérito também fica por conta da trilha sonora, que é intensa, emocionante e clássica: da primeira aparição de Simba até à morte de Mufasa, as canções originais estão presentes e fazendo o espectador lembrar daquilo que viu tantas e tantas vezes ao longo da infância. Música é um negócio poderoso demais, né? ❤ Porém, aqui vai uma opinião possivelmente impopular (fãs da Beyoncé, não me matem): não curti Spirit e achei que não combinou em nada com o momento do filme. Acho beeem melhor a música sem letra do desenho original, com seu tom aflitivo e urgente, enquanto o close ficava nas patas do Simba correndo. Sorry. 🤷‍♀

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E já que mencionei a trilha sonora, chegou a hora de falar dos dubladores. Eu assisti ao filme legendado (e na semana que vem irei conferir dublado) e gostei das performances. Esse é o momento em que elogio Beyoncé: apesar de em alguns momentos ela ter soado um pouco exagerada no jeito dramático de falar, eu gostei mais do que esperava de sua performance como Nala, sendo uma surpresa mais positiva do que negativa. Do Simba de Donald Glover infelizmente não posso dizer o mesmo: além de ter sido eclipsado por Beyoncé em Can You Feel The Love Tonight, também fiquei um tantinho decepcionada com ele nas cenas mais dramáticas, em que senti falta de mais intensidade. Porém, nos momentos mais leves, achei a atuação suficiente. Não preciso falar nada sobre Mufasa, né? Ouvir a voz clássica é arrepiante. ❤ E, por fim, adorei as novas vozes de Timão e Pumba – que estão divertidíssimos! Minhas impressões positivas se estendem aos vilões também: gostei da voz escolhida para Scar (Chiwetel Ejiofor traz uma versão mais sombria do personagem) e para as hienas, que estão um pouco menos bobas no longa (especialmente Shenzi).

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E para finalizar, que tal um comparativo rapidinho, com as diferenças de O Rei Leão de 1994 e a nova versão em live-action? Leia somente se já tiver visto o filme ou não se importar em saber esses “spoilers”. 😉

  • Scar, diferente da versão em desenho animado, tem um comportamento menos afetado e sarcástico no live-action. Ele inclusive insiste para que Sarabi seja sua rainha – algo que não havíamos visto no filme original, mas que faz bastante sentido, considerando que, como o novo alfa, além do respeito do bando Scar também precisa gerar prole.
  • Shenzi, ao contrário de sua contrapartida de 1994, é uma líder astuta, mais cruel e com mais espaço na trama – rivalizando diretamente com Nala.
  • Be Prepared, que era uma sequência INCRÍVEL no desenho animado, perdeu totalmente a graça no live-action. 😦 O resultado foi uma cena curta, pouco musical e beeem menos impressionante do que eu esperava.
  • O jeito que Scar é descoberto como assassino é diferente e mais sem graça: em vez de Simba o forçando a falar, é Nala quem realmente o pressiona, questionando como ele viu a expressão nos olhos de Mufasa se supostamente não estava no desfiladeiro.

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  • Nala também tem um papel mais ativo ao fugir para procurar ajuda para combater Scar, e não “simplesmente” para buscar ajuda. Zazu é um aliado importante nesse momento, que traz toda uma cena bem diferente da animação original.
  • Há mais animais no local onde Timão, Pumba e Simba vivem. Isso é bem legal, porque realmente não fazia sentido somente os três estarem em uma região tão paradisíaca e fértil. 😛
  • Não temos a cena MARAVILHOSA em que Rafiki ensina Simba sobre os erros e dores do passado. Esse vacilo foi difícil perdoar. 😥 
  • Logo depois dessa cena há o momento em que Simba fala com o espírito de seu pai nas nuvens. No live-action achei um pouco menos emotiva do que no original, além de algumas falas meio clichês (tipo “meu orgulho era você ser meu filho” ou coisa do tipo).
  • Easter-egg: na hora de atrair as hienas, Timão começa a cantar Be Our Guest (de A Bela e a Fera) enquanto apresenta Pumba como prato principal. É bem engraçado, mesmo sem a cena da hula. 

Ufa. Falei bastante, né? Espero que esse review tenha deixado claro o quanto amei a nova versão de O Rei Leão e o quanto vale a pena correr para o cinema para conferir. ❤

Título original: The Lion King
Ano de lançamento: 2019
Direção: Jon Favreau
Elenco: Donald Glover, Beyoncé, Chiwetel Ejiofor, James Earl Jones, Seth Rogen, Billy Eichner, Alfre Woodard, Florence Kasumba, Eric André, Keegan-Michael Key, John Kani, John Oliver

Review: Toy Story 4

Oi gente, tudo bem?

Quando Toy Story 4 foi anunciado, eu fiquei com o pé atrás. Afinal, depois de uma conclusão tão perfeita e emocionante como a do 3, o que mais eles teriam para contar? Pois bem, o filme estreou, fui conferir e hoje trago minhas considerações pra vocês. 😉

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Sinopse: Agora morando na casa da pequena Bonnie, Woody apresenta aos amigos o novo brinquedo construído por ela: Garfinho, baseado em um garfo de verdade. O novo posto de brinquedo não o agrada nem um pouco, o que faz com que Garfinho fuja de casa. Decidido a trazer de volta o atual brinquedo favorito de Bonnie, Woody parte em seu encalço e, no caminho, reencontra Betty, que agora vive em um parque de diversões.

O filme inicia 9 anos no passado, quando Andy ainda era uma criança. Os brinquedos estão empenhados em salvar um de seus companheiros, que está sendo levado por uma chuva torrencial depois de ter sido deixado no jardim. Após concluírem a missão com sucesso, uma situação desagradável acontece: Betty, a namorada de Woody, está sendo doada. Em uma despedida emocionante, o cowboy não tem coragem de ir com ela, optando por ficar com Andy. E, dessa forma, Toy Story 4 começa explicando um dos mistérios do último filme, que era justamente o paradeiro da pastora.

Agora, como brinquedo de Bonnie, Woody enfrenta uma nova dificuldade: ele não é mais o brinquedo favorito da garota, sendo deixado de lado e passando dias guardado no armário. Ainda assim, sua lealdade à menina é inabalável, fazendo com que ele entre na mochila dela para ajudá-la no primeiro dia de escola. Lá, Bonnie constrói um brinquedo feito a partir do lixo, e o apelida de Garfinho. Para a surpresa de Woody e seus amigos, Garfinho cria vida – mas está decidido a ir para a lixeira, convencido de que lá é seu lugar. Ao longo do filme, vemos Woody tentando manter Garfinho com a menina, por saber da importância que ele tem para ela.

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Ufa! Cansei só de escrever esses parágrafos rs. Sim, muita coisa acontece em Toy Story 4. A família de Bonnie parte em uma roadtrip, da qual Garfinho tenta fugir a todo momento. Após uma de suas tentativas de fuga, Woody o resgata e, no caminho de volta, os dois passam por um antiquário, onde Woody reconhece o abajur que fazia conjunto com Betty. É no antiquário que a vilã do filme (que não tem a mesma relevância dos vilões anteriores), Gabby Gabby, reside. A confusão na qual Woody e Garfinho se metem acaba tendo uma consequência positiva e inesperada: Woody reencontra Betty, que agora é um brinquedo perdido. Isso significa que ela não pertence a ninguém, indo aonde quiser, parando em parques de diversões e brincando com várias crianças. Para Woody, esse é um destino horrível; para Betty, significa liberdade. E essa antítese de ambições causa algumas discussões importantes, especialmente para o cowboy, que precisa refletir sobre seu passado decidir o que quer ser no futuro.

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Toy Story 4 é divertido e tem ótimas cenas de humor, protagonizadas principalmente por Buzz (e sua voz interior) e pelos novos brinquedos, o Patinho e Coelhinho. Eles são hilários e as cenas em que fantasiam seus “ataques de fofura” são algumas das melhores do filme. Os brinquedos clássicos (Jessie e companhia) mal aparecem, tendo pouquíssima importância na trama – o que achei uma pena. Entretanto, apesar das boas doses de humor, achei Toy Story 4 um tanto cansativo, com muitas repetições de padrões (especialmente vindas de Woody) que fizeram com que o filme parecesse mais longo do que é.

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O desfecho me causou uma sensação agridoce. Preciso falar com mais detalhes, então selecione se quiser ler: Woody ter escolhido deixar os amigos e Bonnie para trás para ficar com Betty foi algo que me surpreendeu muito. Eu entendo que, de certa forma, Woody sempre pertenceu e sempre vai pertencer a Andy; portanto, se ele não for de Andy, optar por não ser de nenhuma outra criança é algo bem poético e faz sentido com a jornada do personagem. Porém, Betty não foi uma personagem bem construída ao longo dos filmes, então não existe uma conexão forte com ela que faça você torcer pelo casal. Depois de tudo que Woody vivenciou em Toy Story 3 para salvar os amigos (correndo o risco de abandonar Andy, inclusive), darem um desfecho “de casalzinho” pra ele simplesmente não me convenceu.

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Eu queria dizer que Toy Story 4 foi um filme que ganhou meu coração, mas infelizmente não posso. Ele é engraçado e tem cenas emocionantes, além de encerrar o plot de Woody – que tem uma das melhores histórias de evolução e amadurecimento das animações a que já assisti. Contudo, sendo honesta com vocês, a sensação que tive foi a seguinte: bah, desnecessário. O desfecho de Toy Story 3 foi muito mais emocionante e conclusivo pra mim do que o do 4, e eu sinceramente acredito que a história poderia ter terminado lá mesmo. Mas é aquela coisa: gosto é gosto, e muita gente está curtindo a nova aventura de Woody. E vocês, já assistiram? O que acharam? Me contem nos comentários! 🙂

Título original: Toy Story 4
Ano de lançamento: 2019
Direção: Josh Cooley
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Tony Hale, Annie Potts, Christina Hendricks, Keegan-Michael Key, Jordan Peele

Review: Aladdin

Oi gente, tudo bem?

Apesar de não ser a maior fã da animação, fiquei curiosa com a quantidade de elogios ao novo filme do Aladdin. Fui conferir também e não é que eu adoreeei? ❤

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Sinopse: Aladdin (Mena Massoud) é um jovem ladrão que vive de pequenos roubos em Agrabah. Um dia, ele ajuda uma jovem a recuperar um valioso bracelete, sem saber que ela na verdade é a princesa Jasmine (Naomi Scott). Aladdin logo fica interessado nela, que diz ser a criada da princesa. Ao visitá-la em pleno palácio e descobrir sua identidade, ele é capturado por Jafar (Marwan Kenzari), o grão-vizir do sultanato, que deseja que ele recupere uma lâmpada mágica, onde habita um gênio (Will Smith) capaz de conceder três desejos ao seu dono.

O novo filme da Disney não muda a essência da trama original: Aladdin é um jovem ladrão que vive na cidade de Agrabah. Quando Jafar, o vizir do sultão, percebe suas habilidades, o convoca para roubar uma lâmpada na Caverna dos Tesouros. O plano dá errado (para Jafar), mas Aladdin fica de posse do objeto, que ele descobre ser mágico: na lâmpada vive o Gênio, um ser extremamente poderoso que pode realizar 3 desejos ao seu amo. Decidido a conquistar a princesa de Agrabah, Jasmine, que Aladdin conheceu por acaso enquanto a jovem fingia ser plebeia, o rapaz elabora um plano para “ser digno” da princesa.

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Apesar de não alterar praticamente nada do desenrolar da trama, o novo Aladdin traz adições muito válidas quando comparado ao filme original. Os sentimentos dos protagonistas são mais bem desenvolvidos aqui: Aladdin em diversos momentos aborda a sensação de desgosto por ser considerado somente um ladrão, sabendo que tem mais a oferecer; Jasmine, por sua vez, não está preocupada somente com seu direito de escolher com quem se casar, ela também deseja ter participação política e herdar o título do pai.

E esse aspecto da personalidade da princesa foi uma das coisas de que mais gostei nesse live-action. Jasmine sempre foi uma personagem mais afrontosa e decidida, mas seus anseios no filme original ainda giravam em torno do amor romântico e do casamento. Na versão 2019, o filme entende o contexto sociopolítico atual, e Jasmine – que é princesa de uma terra fictícia inspirada na cultura islâmica, onde as mulheres têm seus direitos bastante diminuídos –, quer que sua voz seja ouvida. Ela sabe que é capaz de governar e que não precisa de um homem para ser seu marido e conduzir o reino. Ela é racional, pacífica, justa e preocupada com o povo. E justamente por saber seu valor ela não admite ser silenciada pelos homens que a cercam – o que rende uma das mais belas canções do filme, que não existia no original.

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Os figurinos e ambientação também são de cair o queixo. Aladdin é um verdadeiro musical, exatamente como os desenhos da Disney costumavam ser, e eu adorei o modo como encaixaram as canções ao longo da trama. Com um clima bem Bollywood nas coreografias e cores, cada cena é um encanto. Eu fiquei tão apaixonada que mesmo cenas e canções que eu não curtia tanto no original (como a do Gênio) me conquistaram totalmente no live-action.

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Em relação ao elenco, eu adorei praticamente todas as atuações. O Aladdin de Mena Massoud é carismático, gentil e tem um sorriso que te faz simpatizar com ele na hora. O Gênio de Will Smith é muito bom, dosando muito bem as cenas de humor e as de maior seriedade. Realmente curti muito o trabalho dele nesse papel. Há também uma grata surpresa: trata-se de uma nova personagem, cujo humor inocente é muito bem-vindo. Jasmine, como eu já disse antes, é maravilhosa. O sultão não é o personagem bobo e atrapalhado do longa original, tendo uma personalidade mais realista e uma verdadeira preocupação com o bem-estar da filha (apesar dos erros cometidos).

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Entretanto, nem tudo são flores, e o maior ponto fraco do filme está justamente em seu vilão. Ao contrário do imponente Jafar da animação, o antagonista do live-action não intimida nem impressiona. Além da voz fina (que já destoa da lembrança que eu tinha do Jafar original e sua voz marcante, tanto em inglês quanto em português), o vilão não tem a imponência necessária para que a gente o considere uma verdadeira ameaça. As únicas coisas bacanas a seu respeito são: seu senso de inferioridade é bem trabalhado e o filme consegue demonstrar suas habilidades como ladrão, essenciais para a reviravolta envolvendo a lâmpada. Além de Jafar, um outro detalhe que incomoda é o CGI envolvendo o Gênio: fiquei bem agoniada olhando a cabeça do Will Smith no corpo computadorizado, parecia que ela tava descolada. 😂

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O live-action de Aladdin me surpreendeu e me conquistou, trazendo uma trama atualizada, novas cenas e personagens, mas ainda assim respeitando a essência da animação que o originou. Visualmente muito bonito, com uma trilha sonora maravilhosa e boas atuações, o filme realmente consegue encantar. Se eu não era a maior fã de Aladdin antes, agora posso dizer que me tornei fã de sua versão live-action. ❤

Título original: Aladdin
Ano de lançamento: 2019
Direção: Guy Ritchie
Elenco: Mena Massoud, Naomi Scott, Will Smith, Marwan Kenzari, Nasim Pedrad, Navid Negahban

Review: Viva – A Vida É Uma Festa

Oi pessoal, tudo bem?

Finalmente arranjei um tempinho para ir ao cinema conferir Viva – A Vida É Uma Festa! ❤ Eu amo animações e estava mega ansiosa pra conferir a nova obra da Disney-Pixar (que inclusive até já ganhou Globo de Ouro).

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Sinopse: Miguel é um menino de 12 anos que quer muito ser um músico famoso, mas ele precisa lidar com sua família que desaprova seu sonho. Determinado a virar o jogo, ele acaba desencadeando uma série de eventos ligados a um mistério de 100 anos. A aventura, com inspiração no feriado mexicano do Dia dos Mortos, acaba gerando uma extraordinária reunião familiar.

Miguel é um menino mexicano que vem de uma longa linhagem de sapateiros. Essa linhagem começou com Mama Amélia, sua tataravó, que criou a filha Inês sozinha após seu marido deixá-las para perseguir o sonho de ser um músico famoso. Por causa dessa decisão, a música é proibida e odiada na família de Miguel – o que causa uma grande frustração no garoto, que é apaixonado por cantar e tocar violão.

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As coisas viram de cabeça pra baixo quando Miguel decide se inscrever no show de talentos que ocorre na celebração do Dia dos Mortos. O menino invade a cripta de seu grande ídolo, Ernesto de la Cruz (um músico e ator famoso que morreu precocemente) para pegar seu violão e participar do concurso. Porém, essa atitude desencadeia uma consequência inesperada: Miguel é transportado para o Mundo dos Mortos e precisa da benção de um parente para voltar.

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Viva (fun fact: o nome real do filme, Coco, se refere ao nome original da bisavó de Miguel, Inês. No Brasil, o nome foi mudado em função da semelhança com a palavra… “cocô” hahaha!) já encanta pela animação em si. Os cenários e os personagens são tão detalhados, cheios de cor e de vida (não foi um trocadilho, juro) que é impossível não ficar com os olhos brilhando enquanto assistimos. Toda a mitologia do Dia dos Mortos é muito bem trabalhada no longa, além da beleza visual da data (com suas caveiras mexicanas e altares decorados). O filme também trata da importância dessa data na cultura mexicana: as pessoas preparam cada altar e cada oferenda com todo o carinho, de modo a possibilitar a passagem dos espíritos à Terra para que possam visitar suas famílias. É lindo! Além disso, a trilha sonora (obviamente) tem um papel fundamental na trama, nos envolvendo em cada situação na qual se faz presente. Outro aspecto bacana é que o filme trouxe um vilão de respeito! Sabe aqueles vilões clássicos das animações que nos fazem odiá-los com todas as forças? Temos!

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Já no Mundo dos Mortos, Miguel vivencia uma outra experiência familiar. Se na Terra ele se sentia incompreendido e amaldiçoado por não poder viver de música, no outro plano ele aprende muito mais sobre o passado de sua família ao encontrar Mama Amélia e seus parentes. O garoto foge deles e acaba contando com a ajuda de Héctor, um rapaz que só deseja que alguém leve sua foto para o Mundo dos Vivos para que ele possa cruzar a ponte que une os dois mundos também. Mortos que não possuem foto alguma em nenhum altar não podem retornar e, para piorar, uma vez que esses mortos sejam esquecidos pelos vivos, eles somem para sempre. Já deu pra notar que, apesar das cores alegres e vívidas, a trama tem diversos aspectos melancólicos, né?

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E se teve uma coisa que esse filme provocou em mim foi emoção. Chorei tanto, mas tanto… Viva é um filme lindo e tocante, que aborda o perdão e as relações familiares como poucos filmes de animação já fizeram. Traz o papel da memória para manter os laços com quem amamos, e também a dor de uma mãe solteira que foi deixada, o arrependimento de um pai que não teve tempo suficiente e as cicatrizes que ficaram dessa situação. No fim do filme, não é apenas Miguel aprende que não há nada mais importante do que a família. Nós também saímos com essa mensagem da sala de cinema. ❤

Título original: Coco
Ano de lançamento: 2017 (EUA) e 2018 (Brasil)
Direção: Lee Unkrich, Adrian Molina
Elenco: Anthony Gonzalez (VIII), Gael Garcia Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renée Victor, Ana Ofelia Murguía

Review: A Bela e a Fera

Oi, gente! Tudo certo?

Quinta-feira fui na estreia do filme pelo qual vim esperando com tanta ansiedade: A Bela e a Fera! A animação original faz parte da minha tríplice de filmes favoritos (junto com O Rei Leão e Mulan), então vocês podem imaginar o quanto eu esperava e quantas expectativas eu tinha por essa versão live-action. ❤

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Sinopse: Moradora de uma pequena aldeia francesa, Bela (Emma Watson) tem o pai capturado pela Fera (Dan Stevens) e decide entregar sua vida ao estranho ser em troca da liberdade dele. No castelo, ela conhece objetos mágicos e descobre que a Fera é, na verdade, um príncipe que precisa de amor para voltar à forma humana.

O enredo segue com muita fidelidade o clássico de 1991. Um príncipe arrogante e todos que trabalham em seu castelo são amaldiçoados após a recusa dele em receber uma senhora idosa (que é na realidade uma feiticeira) em seu lar. A maldição só será quebrada se a Fera se apaixonar e o sentimento for recíproco. Próximo dali vive Bela, uma garota inteligente que vive com seu pai em uma aldeia provinciana (também alvo da maldição, mas de modo diferente). Todos a acham linda, mas muito esquisita – ela gosta de ler e não se preocupa com casamento, por mais que um dos homens mais cobiçados do lugar, Gaston, queira desposá-la. O cerne da trama não difere do clássico: Maurice, o pai de Bela, é aprisionado pela Fera, e a moça toma seu lugar. A partir disso, a relação dela com a Fera vai sendo construída, até que o amor floresça. Isso não é spoiler, viu? 😛

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Eu não esperava que A Bela e a Fera fosse ser tão fiel à animação, já que outros live-actions da Disney tiveram mudanças bem significativas. Contudo, gostei muito de terem mantido a história original (com algumas adições das quais falarei em breve). A sensação que tive foi de encantamento, nostalgia e magia, pois foi indescritível ver cenas tão lindas quanto às do filme animado serem transportadas para a realidade. Os efeitos especiais deixaram o clima do longa ainda mais encantador, e cada detalhe era de encher os olhos (e o coração!). ❤ Ao mesmo tempo, as cenas novas e as camadas adicionadas aos personagens deram um ar moderno e foram gratas surpresas.

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A trilha sonora é um dos pontos fortes de A Bela e a Fera (não é à toa que a animação ganhou o Oscar pela canção original e pela trilha sonora). No live-action, as músicas originais foram mantidas e estão maravilhosas. Amei ouvir a Emma cantando! Também gostei muito das canções interpretadas por Daniel Stevens (Fera) e Luke Evans (Gaston). Porém, o filme seguiu surpreendendo: novas músicas foram incluídas, e elas serviram para dar mais profundidade aos protagonistas, Bela e Fera. 

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Falando em profundidade, o filme acertou em cheio ao mostrar mais da personalidade e do plano de fundo dos personagens. Bela agora não é “apenas” uma garota inteligente: ela é uma inventora. Ela auxilia o pai (que na nova versão é artista) e constrói até mesmo uma “máquina de lavar” rudimentar, para poder ler por mais tempo. A Fera também tem um outro lado apresentado ao espectador: se na animação nós não sabemos o que o fez ficar tão arrogante, agora descobrimos que ele já foi uma criança gentil e inocente, mas que foi levado a agir daquele modo. Isso torna sua “redenção” e sua mudança mais verossímeis, pois é mostrado que ele já foi bom um dia – e que pode voltar a ser. Outro grande acerto do live-action foi a inserção de mais personagens negros e dois personagens gays, sendo um deles LeFou. O personagem ganha mais complexidade e até mesmo coerência com esse lado sendo explorado – trabalhando muito bem com sua devoção a Gaston -, e mostra que a Disney está sendo mais representativa.

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Os cenários e figurinos também estão fantásticos (apesar de alguns personagens amaldiçoados terem ficado um pouco creepy, por serem mais realistas #prontofalei). Tudo é muito luxuoso e exuberante: o castelo é maravilhoso, as roupas do baile são incríveis e o figurino da Fera no baile final é lindo! ❤

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Espero que eu tenha conseguido, por meio desse review, mostrar o quanto o resultado desse filme foi maravilhoso. A Bela e Fera sempre foi meu filme de princesa favorito, e eu saí da sala de cinema com o rosto cheio de lágrimas e um sorriso enorme. Se eu vou assistir de novo? Com certeza! ❤ Assistam também!

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Abaixo eu vou comentar duas coisinhas com spoiler, então selecione apenas se já tiver visto o filme (ou não se importar com spoilers haha!):

  • Achei mancada o fato da Disney ter perdido a oportunidade de ter dito o nome da Fera. Tem uma cena em que ele diz especificamente “eu não sou uma fera”, e eu já fiquei na expectativa esperando que ele fosse dizer o próprio nome. Não diz. A Bela se refere a ele como Fera antes, mas depois dessa cena não é falado mais nisso. 😦 Depois de terem dado um plano de fundo ao personagem, que o tornou mais humano e mais profundo, o mínimo que eu esperava era que ele tivesse nome!!!
  • Curti o novo artefato que surgiu no filme, o livro mágico que é capaz de transportá-los para qualquer lugar. Também serviu para trabalhar a origem da Bela, falando sobre sua mãe.

Título original: Beauty and the Beast
Ano de lançamento: 2017
Direção: Bill Condon
Elenco: Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Kevin Kline, Josh Gad, Ewan McGregor, Emma Thompson, Ian McKellen, Audra McDonald, Stanley Tucci

Review: Moana: Um Mar de Aventuras

Oi pessoal, tudo bem?

Moana: Um Mar de Aventuras finalmente chegou aos cinemas em janeiro, e eu fui correndo conferir! Estava super ansiosa pra assistir ao novo filme da Disney e ver de perto a primeira princesa ondulada (lógico que rolou identificação capilar hahaha!) ❤

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Sinopse: Moana Waialiki é uma corajosa jovem, filha do chefe de uma tribo na Oceania, vinda de uma longa linhagem de navegadores. Querendo descobrir mais sobre seu passado e ajudar a família, ela resolve partir em busca de seus ancestrais, habitantes de uma ilha mítica que ninguém sabe onde é. Acompanhada pelo lendário semideus Maui, Moana começa sua jornada em mar aberto, onde enfrenta terríveis criaturas marinhas e descobre histórias do submundo.

Moana é a filha do chefe de uma tribo polinésia da ilha de Moto Nui e, desde pequena, espera-se que a garota siga os passos do pai e guie seu povo em uma vida tranquila na ilha em que vivem. Contudo, ainda na infância, Moana foi escolhida pelo oceano para cumprir uma missão: devolver o coração roubado de Te Fiti, uma deusa com o poder de criar a vida. Maui, o semideus, foi o responsável pelo roubo, e agora todas as ilhas criadas pela deusa estão perecendo. Moana, após descobrir que essa antiga história é real e incentivada pela sua avó, Tala (que conhece a neta como ninguém), parte rumo ao oceano no intuito de encontrar Maui e fazê-lo devolver o coração de Te Fiti.

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De forma muito resumida, esse é o eixo central do enredo do longa. Entretanto, diversos outros temas são abordados no filme: o rompimento com a tradição, a busca pela própria essência, a independência e a determinação na busca por um objetivo. Moana é uma personagem que ama sua família e seu povo e, justamente por isso, quer atender às expectativas que colocaram sobre ela. Porém, ela também não consegue ignorar quem ela realmente é – uma exploradora, com ambição para ir além e descobrir o que há depois do horizonte.

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Moana é um filme bastante feminista. Temos uma protagonista forte e determinada que rompe com diversos padrões de beleza e não precisa ser salva por homem algum. O que me leva a comentar outro aspecto bacana do filme: a falta de um par romântico. Moana encontra Maui e, depois de algumas desavenças, os dois passam a se respeitar e gostar um do outro. Como amigos! E isso é muito bacana, por dois motivos: 1) Moana é perfeitamente segura de si e totalmente independente, não precisando de um par romântico para se manter motivada ou realizar seus objetivos; e 2) o filme mostra que é normal haver amizade entre homens e mulheres, sem que isso seja levado para um sentido romântico.

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Por último, mas não menos importante: a trilha sonora e a arte do filme são fantásticas! ❤ As músicas são maravilhosas e muitas delas têm uma vibe “típica”, o que auxilia muito na ambientação do filme. A arte também é um show à parte: é impossível não se encantar pelo movimento dos cabelos da Moana e pelo mar azul e cristalino representado no filme.

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Com protagonistas fortes e cheios de personalidade, coadjuvantes super engraçados, uma história envolvente e uma pegada feminista, Moana: Um Mar de Aventuras é uma animação necessária. Aos poucos os padrões estão mudando e paradigmas estão sendo quebrados e eu, como fã incondicional da Disney e de animações, não poderia estar mais feliz. ❤ Amei esse filme e recomendo demais! 😉

Título original: Moana
Ano de lançamento: 2017
Direção: John Musker, Ron Clements
Elenco: Auli’i Cravalho, Dwayne Johnson, Rachel House, Temuera Morrison, Nicole Scherzinger, Jemaine Clement, Alan Tudyk

Review: Divertida Mente

Oi gente! Como estão?

A resenha de hoje trata-se do melhor filme de animação que vi nos últimos tempos: Divertida Mente! Eu estava ansiosa desde os trailers e, quando o filme finalmente estreou, corri pra conferir! E bah, eu amei! ❤

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Sinopse: Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle – e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente.

O filme traz Riley, uma garota apaixonada por hóquei que tem um relacionamento super bacana com os pais. Porém, os verdadeiros protagonistas são as emoções dela. No universo do filme, nossa mente é controlada pelas seguintes emoções: Alegria, Tristeza, Nojinho, Medo e Raiva. No caso de Riley, quem opera o “centro de comando” da mente da menina é a Alegria, e ela trabalha duro pra que a maioria das lembranças de Riley sejam alegres. O Medo fica responsável pelas precauções, a Nojinho cuida da aparência e das “relações públicas” de Riley e a Raiva cuida dos momentos de explosão. Quem é sempre jogada de lado, principalmente pela Alegria, é a Tristeza. Contudo, as coisas ficam complicadas quando, após a Tristeza tocar em uma memória base de Riley (memória responsável por criar “ilhas de comportamento” da menina, que são os principais guias da personalidade de Riley, como a paixão por hóquei, as amizades e a boa relação familiar), a Alegria se desespera e tenta impedir o efeito triste sobre a lembrança. Com isso, Alegria e Tristeza acabam indo parar fora da sala de controle, e a mente de Riley fica uma bagunça sob o comando dos três sentimentos remanescentes.

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Sabe aquele filme que não só atende às suas expectativas como também as supera? Pois bem, foi assim com Divertida Mente! Fazia muito tempo que eu não sabia o que era CHORAR DE RIR até perder o fôlego com um filme! Mas chorei um pouquinho pelas cenas tristes também hahaha! O filme tem equilíbrio entre piadas que agradam às crianças e aos adultos, e também traz temas que o público mais velho provavelmente já passou na vida ou consegue compreender: mudanças, conflitos com os pais, um turbilhão de sentimentos com os quais temos dificuldades em lidar… Ou seja, é impossível não se identificar!

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Divertida Mente também aborda de maneira super divertida diversos aspectos da nossa mente: há “funcionários” que descartam memórias inúteis e que também gostam de zuar (como quando colocam uma música de um comercial pra tocar na cabeça de Riley), há um setor responsável pelos sonhos, entre outros. Cada cena da Alegria e da Tristeza fora da sala de comando é mais divertida do que a outra, porque elas passam por várias áreas da mente de Riley e criam situações inusitadas e divertidas!

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Todas as emoções têm seus pontos fracos e fortes, mas a que eu mais gostei foi a Tristeza! ❤ Ela é MUITO engraçada! HAHAHA! Eu não vou contar falas ou cenas específicas pra não estragar a experiência de quem pretende assistir, mas eu dei muitas risadas por causa dela! Já a Alegria é bastante irritante. Ela não só impede a Tristeza de participar de todas as decisões sobre a Riley como impõe que sentir-se alegre é tudo de que a Riley precisa. E isso é muito chato! Porém, aos poucos, convivendo com a Tristeza e percebendo que ela não consegue resolver todos os problemas das pessoas apenas com alegria, ela percebe que um equilíbrio não é apenas saudável, como fundamental. É aquele clichê super verdadeiro: não existe alegria sem tristeza. Os seres humanos são muito complexos pra serem guiados por apenas um sentimento, e a vida não é feita apenas de coisas boas. E não tem problema nenhum! Um dos maiores aspectos de amadurecimento é justamente passar pelos momentos ruins, permitir-se ficar triste e, depois, se reerguer! 😀 E o filme passa essa lição de uma forma incrível. ❤

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Sério, não sei mais o que dizer que possa expressar o quanto eu gostei desse filme! Disney e Pixar estão de parabéns mais uma vez! :’) O filme é criativo (foi comparado inclusive a Toy Story e Monstros SA), divertido e traz uma abordagem inusitada, já que trata dos sentimentos dos próprios sentimentos! Recomendo muuuito Divertida Mente a todos!

Título original: Inside Out
Ano de lançamento: 2015
Direção: Pete Docter
Elenco original: Amy Poehler, Mindy Kaling, Lewis Black, Phyllis Smith, Bill Hader, Kaitlyn Dias
Elenco no Brasil: Miá Mello, Dani Calabresa, Léo Jaime, Katiuscia Canoro, Otaviano Costa, Isabella Guarnieri