Review: Lightyear

Oi pessoal, tudo bem?

Como fã assumida da Disney e da Pixar, dei um voto de confiança e fui conferir Lightyear no cinema. Querem saber como foi? Continuem lendo! 🚀

Sinopse: Nesta aventura de ficção científica cheia de ação, conhecemos a origem definitiva de Buzz Lightyear, o herói que inspirou o brinquedo. “Lightyear” segue o lendário Space Ranger em uma aventura intergaláctica ao lado de um grupo de recrutas ambiciosos e seu companheiro robô Sox.

A proposta do filme não é contar a história do boneco, mas sim a que inspirou a criação dele – ou seja, a história do filme do qual Andy (de Toy Story) se tornou fã. Apesar disso, existem pequenas referências à franquia dos brinquedos, o que traz um pouco de magia ao longa que, sem a associação, acaba se tornando um sci-fi genérico. As falas do Buzz, o modo como ele se movimenta (saltando de um lado para o outro) e até a teimosia em seguir com suas missões fazem a gente lembrar imediatamente do primeiro Toy Story, mas infelizmente isso não foi suficiente pro filme me deslumbrar.

Na trama, Buzz é responsável por um acidente que prende a tripulação de sua nave em um planeta hostil. Com um forte senso de dever, o espaçonauta está determinado a concluir a missão e devolver a vida normal a seus colegas, à sua melhor amiga (Alisha Hawthorne) e a si mesmo, pois todos sonham em ser grandes patrulheiros espaciais. Acontece que para fugir desse planeta, Buzz precisa fazer testes no espaço com combustíveis instáveis à velocidade da luz, tendo como consequência não apenas falha na missão como uma passagem de tempo de 4 anos a cada tentativa – mas somente pra quem ficou no planeta, não para Buzz, que segue sem envelhecer. Em determinado momento, uma passagem de tempo muito maior acontece e ele se depara com uma nave alienígena que está fazendo refém a população humana do planeta em que estão presos, e o protagonista pode contar apenas com o auxílio de três recrutas atrapalhados e um gato-robô.

O ritmo de Lightyear é um pouco confuso e, uma vez que Buzz viaja para o momento em que a nave alienígena se torna a nova grande ameaça, as coisas se tornam bastante arrastadas. O trio que auxilia Buzz é composto pela neta de sua melhor amiga, Izzy (que tem fobia do espaço), uma velha senhora cumprindo condicional, Darby, e um homem inseguro (e chato demais), Mo. Só se salva o gato-robô, Sox, que é maravilhoso e obviamente criado pra vender bonequinhos depois, mas que a gente ama igual. Ele é o autor das melhores piadas do filme, e também as mais naturais. Os cadetes representam a necessidade de Buzz de se possibilitar ser ajudado, se perdoar pelos próprios erros e também vêm para ensiná-lo a ter humildade – já que no começo do longa ele se acha a pessoa mais capaz do mundo e tem baixíssima tolerância a novatos. Porém, a química entre o grupo não funciona, e em mais de um momento me peguei pensando em quanto tempo faltava para o filme terminar.

A tal nave alienígena que ameaça os humanos é comandada por ninguém mais, ninguém menos que Zurg, personagem que gera o boneco que é um dos vilões de Toy Story 2. E apesar das motivações do vilão até fazerem sentido, o plot destinado a ele demora tanto tempo pra acontecer que a minha paciência já tinha se esvaído. Pra vocês entenderem do que estou falando, dá pra dividir o filme em 3 atos: no primeiro, vemos Buzz e Hawthorne testando combustíveis para voltar à vida normal; no segundo, Buzz está conhecendo seus novos aliados forçados e fugindo dos robôs de Zurg com eles; o terceiro acontece na nave de Zurg, em uma batalha contra o vilão. O que me incomodou foi não sentir uma progressão natural e fluida entre eles, com montagens que deram a sensação de um filme mais longo do que precisava ser.

Mas é claro que, além das referências bem feitas a Toy Story, existem pontos a serem exaltados no longa. Hawthorne, por exemplo, é um exemplo de liderança feminina, além de ser uma mulher negra e parte da comunidade LGTBQIA+. Ela protagoniza o primeiro beijo lésbico que a Pixar apresentou de forma explícita e foi de forma natural e muito fofa, em uma montagem que a mostra construindo uma vida no planeta que, forçadamente, foi obrigada a chamar de lar. Hawthorne está lá pra mostrar a Buzz que nem sempre o dever é a única coisa que conta, e que o amor, os amigos e a família são muito mais valiosos. Além dessa personagem super bacana, o filme também é lindo visualmente. As viagens de Buzz na velocidade da luz são bem impressionantes, as cenas têm uma pegada bem Star Wars e os detalhes gráficos do filme são caprichados – como o realismo das gotas de suor na pele de Buzz em momentos de grande tensão, por exemplo.

Lightyear tem sido chamado de “Interestelar das animações” por algumas pessoas, mas como ainda não vi Interestelar, não posso dar meu parecer. 😂 Contudo, uma coisa que tenho tido cada vez mais certeza sobre mim mesma é que sci-fi não é a minha praia, por mais leve e divertida que a trama seja (e em breve esse assunto vai surgir por aqui de novo, numa das próximas resenhas planejadas). A verdade é que faz um tempinho que a Pixar não me arrebata (ainda que Lightyear tenha conseguido arrancar uma ou duas lágrimas), e estou sentindo falta de produções como o incrível e sem defeitos Viva – A Vida é Uma Festa. Lightyear, na minha humilde opinião, é só mais um sci-fi entre tantos que eu provavelmente não vou assistir novamente. Espero que vocês tenham uma experiência melhor mas, no meu coração, quem ganha ainda é o boneco. ❤

Título original: Lightyear
Ano de lançamento: 2022
Direção: Angus MacLane
Elenco: Chris Evans, Uzo Aduba, Peter Sohn, Keke Palmer, Taika Waititi, Darby Steel, James Brolin

Dica de Série: What If…?

Oi pessoal, tudo bem?

Pra quem adora Marvel como eu, vim dividir minhas impressões sobre What If…?, uma série de animação interessante e muito bem feita. 😀

Sinopse: Reimagine os maiores eventos do universo Marvel e pondere as realidades que poderiam nascer.

Você já parou pra imaginar o que aconteceria se não tivesse sido o Steve Rogers a tomar o soro do Super Soldado? Ou se o Stephen Strange tivesse perdido a mulher que ama, em vez da habilidade com as mãos? E se os Vingadores fossem todos mortos? Essas são algumas das perguntas que essa série imagina e busca responder.

Com episódios curtinhos, entre 20 minutos e meia hora, What If…? dá um gostinho que leitores de HQ provavelmente já experimentaram em algum ponto: presenciar uma história já conhecida sendo totalmente repaginada, em um universo diferente, de forma diferente. E isso é muito legal porque a antologia provoca a nossa imaginação para a ideia do Multiverso.

Aliás, foi aqui que me deparei pela primeira vez com o Multiverso sendo algo de extrema relevância para a próxima fase do MCU. Não vou contar nenhum detalhe, mas é em What If…? que temos o primeiro vislumbre de um Stephen Strange diferente que, pelo menos ao que os trailers indicam, será introduzido também nos cinemas graças a Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Além disso, o conceito de Multiverso também já apareceu na série do Loki e no filme mais recente do Homem-Aranha. Pra quem assistiu What If…?, isso já vinha sendo pavimentado muito bem.

Nem todos os episódios são legais, confesso (no episódio do Thor eu dormi rs). Mas os que são compensam! Além disso, a animação é super bonita e tem um traço bastante único, do qual gostei bastante. São apenas 9 episódios e já houve a confirmação de que teremos uma segunda temporada, agora basta aguardar se ela terá relação com os eventos que se aproximam no MCU.

Resumindo, What If…? é uma série bem produzida, com eventos interessantes e peculiares e também traz um gostinho desse tema tão importante que é o Multiverso. Pra quem gosta da Marvel, vale muito a pena dar o play e se perguntar também o que aconteceria se. Recomendo! 😉

P.S.: um outro motivo muito especial para assistir What If…? é a chance de ouvir pela última vez uma produção inédita com Chadwick Boseman, que dublou nosso querido T’Challa. Wakanda Forever! 🥺💔

Título original: What If…?
Ano de lançamento: 2021
Direção: Bryan Andrews
Elenco: Jeffrey Wright, Samuel L. Jackson, Chadwick Boseman, Hayley Atwell, Mick Wingert, Lake Bell, Jeremy Renner, Benedict Cumberbatch, Josh Keaton, Danai Gurira, Tom Hiddleston, Michael B. Jordan, Karen Gillan, Chris Hemsworth, Sebastian Stan

Review: Red: Crescer é uma Fera

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vamos conhecer o super carismático Red: Crescer é uma Fera, o novo filme da Pixar disponibilizado no Disney+. 

Sinopse: Uma menina de 13 anos começa a se transformar em um panda vermelho gigante sempre que fica animada.

Meilin Lee (também conhecida como Mei ou Mei-Mei) é uma garota sino-canadense que divide seus dias entre se divertir com as amigas e falar sobre sua boy band favorita, 4*Town, e auxiliar sua mãe, Ming Lee, com o templo da família, um local turístico que preserva as tradições chinesas e o respeito ao red panda – animal que, segundo a lenda, a ancestral de Mei-Mei era capaz de transformar. A vida tranquila e previsível da garota muda radicalmente quando, em um belo dia, ela própria se vê transformada em um red panda enorme, e nessa ocasião Ming Lee revela que todas as mulheres da família passam por essa transformação. Na tentativa de tranquilizar Mei-Mei, sua mãe explica que há um ritual que pode tirar o panda de dentro de si, mas precisa ser feito em um dia específico, que está a 30 dias de distância. Como Mei vai lidar com as transformações em red panda, que parecem acontecer sempre que suas emoções flutuam?

Red: Crescer é uma Fera traz a alegoria à menstruação diretamente no nome. E esse tema não é tratado como tabu por Ming Lee, que aborda a filha (antes de saber sobre a transformação em red panda) com remédios pra cólica, vários tipos de absorvente com abas e com uma naturalidade muito bacana de ser vista na tela. Ainda mais se pensarmos que a menstruação é um assunto tabu em muitos lugares, que grande parte dos homens não fica confortável com o assunto e que a publicidade reforça a menstruação como algo irreal ao trazer um líquido azul pra mostrar a eficácia de seus absorventes, por exemplo.

O fato de Mei-Mei se transformar em red panda quando suas emoções saem do controle é genial, porque não se limita a emoções negativas, mas também a altos níveis de excitação e alegria. É uma forma gráfica e fofa de mostrar como a adolescência pode ser desafiadora em vários níveis, especialmente porque estamos descobrindo nosso lugar no mundo, lidando com muitas mudanças e com uma dose cavalar de hormônios que não estávamos habituadas. Até o cheirinho acentuado de cecê que chega com as mudanças corporais tem vez, dessa vez associado à transformação num animal peludinho e com cheiro específico. 😂

Outro aspecto muito legal de Red: Crescer é uma Fera é o fato de que o filme é focado e destinado a mulheres como público-alvo. Não que homens não possam se identificar e gostar (pelamor né, a gente sempre vê filmes destinados a homens sem chiar, então se aquietem), mas a essência de Red é realmente as relações de Mei-Mei com as mulheres à sua volta. A amizade dela com Miriam, Addie e Priya é sensacional e me transportou de volta à escola: os crushes nos meninos, o amor por uma banda (no meu caso, RBD rs), aquela sensação de querer fazer de TUDO pra conhecer seus ídolos (de novo, no meu caso, 8h na fila pra ver o show do RBD hahaha)… tudo isso é muito fofo e dá uma sensação gostosinha demais, tanto pela nostalgia quanto pela amizade feminina em foco. ❤

A outra relação marcante é a de Mei com Ming Lee. Li diversos comentários sobre o filme vindos de pessoas com descendência chinesa comentando que o filme não exagera ao retratar a dinâmica entre a protagonista e sua mãe. Existe um nível de exigência enorme e sufocante pela excelência, que não dá espaço à diversão e ao diálogo. Ao mesmo tempo, a protagonista vive um dilema entre manter sua relação com a mãe intacta versus ser fiel a si mesma e às mudanças pelas quais está passando. Um exemplo disso é quando Mei-Mei se esforça pra mostrar à mãe por que precisa ver o 4*Town e é privada de receber um voto de confiança; com isso ela se questiona: por que ser perfeita, afinal, se os pais (ou melhor, a mãe) não confiam nela mesmo com todo o seu empenho em ser uma boa filha? O funcionamento das duas também dá espaço a uma das maiores lições do filme: guardar os sentimentos ruins sem extravasar de forma saudável é algo potencialmente “venenoso” e destrutivo, e que é necessário pedir perdão e ouvir os filhos. Preparem-se, porque o famigerado trauma geracional vem forte nesse ponto do enredo, hein!

Como aspectos negativos, eu acho que só a personalidade da Mei que não me agradou tanto mesmo. Achei a personagem um pouquinho enjoada/cansativa e a preferi na forma de red panda hahaha! Também não gostei muuuito do estilo de traço, a boca dos personagens com seus dentes arredondados me fez lembrar de A Fuga das Galinhas. 😂 Em contrapartida, um dos pontos fortes do filme reside no tom leve e engraçado: perdi as contas de quantas risadas dei nas mais variadas cenas. Acertaram muito a mão na comédia, mas a parte dramática não chegou a me emocionar.

Red: Crescer é uma Fera tem muito mérito por focar no crescimento sob a ótica feminina, trazendo a relação entre mulheres como um pilar de força e acolhimento. A adolescência é um período difícil por si só, mas se torna muito mais tranquilo de velejar por esse mar cheio de mudanças quando temos o apoio daqueles que nos rodeiam. E, como o pai de Mei-Mei ensina sabiamente à filha, é importante que nesse processo a gente abrace todas as nossas facetas, das cheias de qualidade àquelas que também trazem nossas trevas, com o objetivo de equilibrar e aprender a lidar com todos esses nossos lados. Prepara a pipoquinha e dê o play em Red, eu recomendo muito! 

Título original: Turning Red
Ano de lançamento: 2022
Direção: Domee Shi
Elenco: Rosalie Chiang, Sandra Oh, Ava Morse, Hyein Park, Maitreyi Ramakrishnan, Orion Lee

Dica de Série: Gavião Arqueiro

Oi galera, tudo bem?

Sabe quando você não dá nada por uma série e ela te surpreende e te diverte? Foi o que aconteceu comigo e Gavião Arqueiro (ou Hawkeye).

Sinopse: Kate Bishop, uma arqueira habilidosa cujo excesso de confiança pode afetar suas decisões, cai no meio de uma conspiração criminosa. Enquanto isso, a tão aguardada viagem de Natal de Clint Barton com os filhos para a cidade de Nova York é interrompida quando uma parte dolorosa do seu passado ressurge. É uma questão de tempo até os caminhos dos dois se cruzarem, tirando o Gavião Arqueiro da aposentadoria.

Um dos aspectos mais bacanas de Gavião Arqueiro é que ela traz de volta uma pegada menos ambiciosa em termos de desafios e antagonistas. Afinal, nem toda trama da Marvel pode envolver titãs e alienígenas superpoderosos, né? O que é bom, se não vira Dragon Ball, como diria meu namorado. 😂

Gavião Arqueiro apresenta novos personagens e traz de volta rostinhos novos que já ganharam nosso coração. A primeira dessas novas personagens é Kate Bishop: na infância, ela presenciou o ataque a Nova York por parte de Loki e os Chitauri, e a pessoa que ela viu lutando contra eles era Clint Barton. A visão de uma pessoa comum, sem poderes especiais, que apenas armado de arco e flecha era capaz de enfrentar aquelas ameaças terríveis, fez com que Kate sonhasse em se tornar uma heroína também. E a série tem uma forma muito legal de mostrar a trajetória da personagem de forma que justifique suas habilidades: já na abertura fica claro que, desde muito novinha, Kate treinou as mais diversas técnicas, indo da arquearia às artes marciais e ginástica olímpica. Com isso, não se torna nada forçada a capacidade dela de lutar, e os diversos troféus e medalhas dela evidenciam isso.

Kate é uma personagem impulsiva e imatura, ainda que não seja tãaao novinha assim (se não me falha a memória, ela tem 22 anos). Ela começa a investigar o noivo de sua mãe, que ela acredita estar envolvido com leilões ilegais, e acaba se metendo em uma confusão tremenda ao usar o traje do Ronin (que estava sendo leiloado). Pra quem não lembra, Ronin foi a identidade de Clint Barton ao longo dos 5 anos de Blip, e ele era implacável ao matar seus inimigos. Ao usar o uniforme dele, Kate ganha a atenção da Gangue do Agasalho, e nessa confusão ela conhece Clint Barton, que vê o “retorno de Ronin” sendo anunciado na TV e resolve intervir. A relação deles começa a partir daí, com um Clint que deseja resolver a situação logo e ir pra casa e uma Kate que está de frente para seu ídolo e quer ajudá-lo em tudo que puder.

A Gangue do Agasalho (nome ridículo, né? Os personagens fazem graça com isso 😂) é bem cômica, de forma geral. Os bandidos são praticamente uma piada e há diálogos que são feitos para não serem levados a sério. Mas há um personagem bem interessante que reaparece no final da série, sobre o qual não vou falar, que eu queria que tivesse mais tempo de MCU. E é na Gangue do Agasalho que também surge uma possível antagonista recorrente, ou futura anti-heroína, não sei: Maya, uma exímia lutadora que também traz representatividade étnica e PCD (pois é surda e usa uma prótese na perna).

É muito bacana ver a relação de Clint e Kate se desenvolver. Eu nunca fui muito fã dele (e nem do ator, pra ser sincera, já vi falas bem babaquinhas dele), mas ele consegue ter o carisma necessário pra funcionar em sua minissérie. Mas é ela quem brilha, isso é inegável: Kate tem um grande coração, um entusiasmo contagiante e uma personalidade que cativa. Ela faz muita burrada devido à inexperiência, mas aos poucos ela vai conquistando a confiança de Clint, que tenta evitar uma parceria com ela a todo custo por saber que a vida de herói envolve muitas perdas. E, já que falei em perda, é necessário ressaltar a presença (ou melhor, a ausência) de Natasha ao longo de toda a série. Gavião Arqueiro faz questão de deixar clara a falta que a personagem faz pra Clint e como existe uma melancolia permanente em torno de seu nome. Quando Yelena (está nos pôsteres e materiais de divulgação, não é spoiler) surge em busca de vingança pela irmã, a ausência de Nat é ainda mais sentida. Gostei muito dessa honraria à personagem, que teve tão pouco reconhecimento por parte do MCU de 2008 pra cá.

Gavião Arqueiro foi uma grata surpresa, trazendo cenas de ação dinâmicas e divertidas e mostrando o lado mais “comum” da vida de super-herói. Nem todo desafio vai ser colossal, e isso não quer dizer que as histórias não sejam boas e envolventes, né? Demolidor que o diga (sdds). Além disso, passa uma vibe de passagem de bastão, semelhante ao que vimos no filme solo da Viúva Negra, e isso me deixa empolgada pelo que está por vir no MCU. Se você busca uma série que entretém em poucos (mas suficientes) episódios, Gavião Arqueiro é uma ótima pedida. 😉

P.S.: tem um membro do elenco que merece uma menção honrosa: a fofura do Lucky (Sortudo), o cachorro resgatado pela Kate. ❤ Muito amor!

Título original: Hawkeye
Ano de lançamento: 2021
Criação: Jonathan Igla
Elenco: Jeremy Renner, Hailee Steinfeld, Vera Farmiga, Tony Dalton, Fra Fee, Alaqua Cox, Linda Cardellini, Florence Pugh

Dica de Série: Falcão e o Soldado Invernal

Oi pessoal, tudo bem?

Eu sou bem cadelinha da Marvel, e provavelmente esse foi o principal motivo que me fez assinar o Disney+ rs. E é óbvio que eu não ia perder a série envolvendo um dos meus personagens favoritos, o Bucky (que inclusive deu nome ao meu cachorro). 🥰 Bora saber mais sobre Falcão e o Soldado Invernal?

Sinopse: Falcão e o Soldado Invernal são obrigados a formar uma dupla incompatível e embarcarem em uma aventura global que deve testar tanto suas habilidades de sobrevivência quanto sua paciência.

Ao final de Vingadores: Ultimato, vemos um Steve Rogers envelhecido, que optou por ficar no passado vivendo ao lado da sua amada Peggy Carter. Quando ele retorna ao presente, ele se despede de seus amigos mais próximos, Bucky e Sam, e oficialmente aposenta o escudo – indicando que deseja que Sam o assuma. Para a nossa surpresa, ao iniciar Falcão e o Soldado Invernal vemos Sam atuando ainda como Falcão, e o escudo do Capitão foi para o museu em sua homenagem. Bucky visivelmente não aceita a decisão de Sam, revoltando-se com o fato de que o Falcão (em sua opinião) está deixando o legado de Steve pra trás, especialmente quando outro soldado (John Walker) é escolhido para vestir o manto. Apesar das suas diferenças, Bucky e Steve precisam se unir quando um grupo terrorista conhecido como Apátridas parece estar fazendo uso do soro do super soldado para promover protestos e atentados em nome da sua ideologia.

Falcão e o Soldado Invernal é, até agora, a série com mais cenas de ação das lançadas no Disney+. Os dois protagonistas são guerreiros competentes e verdadeiros soldados. Mas, apesar disso, os episódios não focam somente nesse aspecto dos personagens, e foi isso que me fez gostar tanto dela: ela trabalha as emoções de Sam e de Bucky de uma forma que até então não havíamos visto nos filmes. Sam, por exemplo, sofre a pressão por não ter carregado o escudo e o manto de Steve. O fato de ser um soldado negro e ele saber que os Estados Unidos escolhem homens brancos, loiros e de olhos azuis para representar o país enquanto afro-americanos são desprezados, sofrem violência e são vítimas da desigualdade é um peso em seus ombros, que fica ainda mais evidente quando ele descobre que houve um super soldado negro (Isaiah Bradley) que, além de não ter tido reconhecimento por parte do país, ainda teve que fingir sua morte e viver escondido para não ser preso ou eliminado. Esse debate sobre as questões raciais também aparece em uma cena na qual Sam e Bucky são abordados por policiais mas somente a Sam é solicitada a documentação, por exemplo. São aspectos bem relevantes e que eu gostei muito de ver na série.

Bucky, por sua vez, lida com outro tipo de pressão: ele é um soldado com mais de 100 anos e que passou os últimos como um servo da H.I.D.R.A. devido à lavagem cerebral sofrida. Apesar de ter conseguido, com a ajuda de Wakanda, retomar seu verdadeiro eu, ele é um homem perdido nesse novo tempo. E a única referência que ele tinha, seu melhor amigo, se foi para sempre. Isso torna ainda mais doloroso pra ele ver Walker assumindo o título de novo Capitão América, porque em sua interpretação Sam não honrou Steve e tampouco merecia a chance de carregar o escudo. Para além de sua mágoa relacionada ao título, vemos Bucky tendo que lidar com profundas cicatrizes emocionais causadas pelo tempo em que foi o Soldado Invernal. Ele é obrigado pelo Estado a fazer terapia como forma de compensação pelos seus atos, e uma parte de seu “tema de casa” é contar a verdade sobre seu passado às pessoas que feriu. Uma dessas pessoas é um dos poucos vínculos que ele tem no presente, e é palpável a dor e o peso que o personagem carrega. Ele e a Wanda são uma dupla e tanto no que diz respeito a cenas difíceis e lágrimas cheias de peso e significado. 😥

Falando um pouco sobre a ação, são interessantes os debates gerados pelos Apátridas. Esse grupo acredita que o planeta estava melhor durante o Blip, pois durante aqueles 5 anos as fronteiras caíram e os países foram obrigados a trabalhar juntos, já que metade da população mundial se foi. Com o retorno de todas essas pessoas, os governos começaram a levantar muros novamente e grande parte da população começou a ser expulsa de sua nova vida para dar espaço às que retornaram. Por mais que a forma como os Apátridas seja questionável, os motivos valem uma reflexão interessante. Sua líder, Karli, é uma jovem disposta a tudo, inclusive perder a própria vida, em nome desse objetivo que ela considera muito maior que ela. Sendo uma pessoa que sofreu preconceito também, Sam vê nela uma intenção boa por trás de seus atos, fazendo com que ele deseje ajudá-la e convencê-la de que existem outras formas pra agir. Isso tudo, é claro, em meio a cenas de luta intensas, já que quase todos Apátridas usam o soro. Por fim, não posso deixar de mencionar uma dupla inesperada que também auxilia Sam e Bucky: o Barão Zemo e Sharon Carter (atenção pra esse nome, que talvez ele tenha mais desdobramentos no futuro do MCU).

John Walker é um personagem que também vale a menção. Ele inicia seu trabalho como novo Capitão América com boas intenções, mas ao longo dos episódios percebemos que ele tem traumas da guerra e não sabe lidar com eles. Walker toma decisões duvidosas, demonstra ser antiético em mais de uma circunstância e faz abuso de seu poder (não apenas como Capitão, mas em seu passado no Afeganistão também). O importante aqui é que Falcão e o Soldado Invernal, por meio de Walker, introduz uma personagem chamada Valentina Allegra de Fontaine, que também aparece em Viúva Negra. Esse tipo de informação que o MCU vai jogando aos poucos em suas produções torna um pouco “obrigatório” acompanhar tudo que eles lançam se você quiser ficar 100% por dentro, mas também se não estiver a fim é só jogar no Youtube ou no Google depois. 😛

Eu gostei muito das séries lançadas pela Marvel até o momento, e minha ordem de preferência é WandaVision, Falcão e o Soldado Invernal e, por último, Loki (ainda que provavelmente tenha sido a mais hypada). Adorei acompanhar essa nova aventura de Sam e de Bucky, assim como ver o nascimento do nosso novo Capitão América e o processo de cura de um dos personagens mais injustiçados do MCU, assim como o surgimento de uma nova amizade e uma parceria cheia de química (e cheia de cenas muito engraçadas). Agora fico ansiosa pra que o Bucky encontre um novo codinome (Lobo Branco, talvez?), porque faz tempo que ele deixou de ser o Soldado Invernal – e, caso mantenha o nome, torço pra que o fardo fique pra trás (e felizmente algumas cenas trazem essa alegria pro coração). ❤ #TeamBucky Enfim, resumindo: adorei a série e recomendo demais!

Título original: The Falcon and the Winter Soldier
Ano de lançamento: 2021
Criação: Malcolm Spellman
Elenco: Anthony Mackie, Sebastian Stan, Wyatt Russell, Erin Kellyman, Daniel Brühl, Emily VanCamp

Dica de Série: Loki

Oi pessoal, tudo bem?

Na última quarta-feira Loki, a série do Disney+ focada no Deus da Trapaça, chegou ao fim, e hoje vim compartilhar minhas impressões a respeito com vocês!

Sinopse: Depois de roubar o Tesseract em “Vingadores: Ultimato”, Loki acaba perante a Autoridade de Variância Temporal (AVT), uma organização burocrática kafkiana que existe fora do tempo e do espaço.

Quem viu Vingadores: Ultimato lembra que o plano dos heróis era voltar no tempo para recuperar as Joias do Infinito, certo? Ao voltarem para 2012, porém, uma confusão acontece e o Loki daquela timeline escapa, e é nessa série que descobrimos o que acontece com ele. O protagonista não demora a ser capturado por outra organização: a AVT (Autoridade de Variância Temporal), responsável por cuidar da Linha Temporal Sagrada que mantém os eventos do universo onde devem estar, e por eliminar qualquer elemento que fuja desse “script”, as chamadas Variantes (sendo este o caso de Loki). Porém, em vez de ser eliminado, Loki é recrutado por um dos agentes da AVT – Mosbius – para auxiliá-lo num problema muito maior: existe alguma outra Variante do Loki causando perturbações consideráveis na linha do tempo e eliminando os agentes da organização, e Mosbius acredita que não há ninguém melhor que um Loki para ajudá-lo a encontrar outro.

Para ser totalmente sincera com vocês, demorei um pouquinho a gostar de Loki. Os primeiros episódios foram bem medianos pra mim, ainda que divertidos. Tom Hiddleston tem carisma, assim como Owen Wilson, então a dupla funciona bem. Obviamente, Mosbius não confia totalmente em Loki, e Loki também tenta enganar Mosbius sempre que possível para benefício próprio. Mas ao longo dos primeiros episódios os dois conseguem focar na missão de rastrear a Variante Loki que está causando as perturbações: uma mulher que abdicou do nome Loki e se autodenomina Sylvie.

Sylvie teve uma vida ainda mais difícil que a do Loki que conhecemos: ela foi identificada como Variante e removida do seu universo original ainda na infância. Porém, ela deu um jeito de escapar da AVT ao roubar um dos dispositivos que eles usam para se mover pelo espaço-tempo (conhecidos como Temp Pads). Seu objetivo máximo é destruir a AVT e se vingar da vida que lhe roubaram, mas devido a inúmeras situações problemáticas, ela e Loki acabam sendo obrigados a trabalhar em conjunto para escaparem da aniquilação por parte da organização.

Vou dizer pra vocês que o que mais gostei em Loki foi da relação que ele construiu com esses personagens, mais até do que do protagonista. O “nosso” Loki em si, pra mim, brilhou menos do que eu esperava. Na AVT ele tem a oportunidade de assistir ao filme da própria vida e isso faz com que uma chave seja virada em sua mente e ele bruscamente se transforma no Loki que conhecemos em Ultimato. Isso, pra mim, foi um tanto forçado – afinal, um homem que estava no auge da sua vilania se transformou completamente ao ver sua vida em uma tela? Entendo que tenha um apelo forte devido a tudo que ele sofreu, mas o Loki de Ultimato levou 8 anos para chegar naquele estágio de desconstrução, e o espectador acompanhou isso acontecer. Na série, por mais que a AVT não siga as regras do espaço-tempo que conhecemos, ainda assim me pareceu brusca a mudança do protagonista.

Depois dos primeiros dois ou três episódios, que achei mais parados, Loki começa a ter uns plot twists mais interessantes e fui ficando mais animada para descobrir os segredos da AVT. Porém, a season finale veio com um balde de água fria e um excesso de diálogos expositivos que me passou a impressão de que o roteirista correu pra explicar tudo que precisava para pavimentar o terreno para Doutor Estranho 2, que vai focar nessa questão do multiverso. Porém, não posso negar que o carisma de Loki é bastante envolvente e faz você querer assistindo à série. Sua relação de gato e rato com Sylphie também é bacana, exceto quando os roteiristas decidem colocar uma tensão romântica/sexual que me causou o mesmo constrangimento de estar assistindo a uma cena de sexo com minha mãe do lado rs.

Das três séries da Marvel que já saíram no Disney+, considerei Loki a mais fraca. Mas ela traz conceitos importantes para entendermos o que vem pela frente, e vale a pena assistir para matar as saudades do Deus da Trapaça. Não achei genial nem fora da média, mas é um entretenimento legal, com um final BEM mindblowing (adoro!) e que traz de volta um personagem que foi ganhando cada vez mais o coração do fandom ao longo de todos esses anos de MCU. 🙂

Título original: Loki
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Waldron
Elenco: Tom Hiddleston, Owen Wilson, Sophia Di Martino, Gugu Mbatha-Raw

Review: Raya e o Último Dragão

Oi galera, tudo certo?

Faz tempo que não rola um review de animação por aqui, né? Então hoje vamos falar um pouquinho sobre um dos filmes mais recentes da Disney: Raya e o Último Dragão!

Sinopse: Há muito tempo, no mundo de fantasia de Kumandra, humanos e dragões viviam juntos em harmonia. Mas quando uma força maligna ameaçou a terra, os dragões se sacrificaram para salvar a humanidade. Agora, 500 anos depois, o mesmo mal voltou e cabe a uma guerreira solitária, Raya, rastrear o lendário último dragão para restaurar a terra despedaçada e seu povo dividido. No entanto, ao longo de sua jornada, ela aprenderá que será necessário mais do que um dragão para salvar o mundo – também será necessário confiança e trabalho em equipe.

Em um passado longínquo no reino de Kumandra, os dragões eram comuns e responsáveis pela prosperidade dos seres humanos. Porém, o surgimento de criaturas malignas chamadas Druun capazes de transformar aqueles com quem entram em contato em pedra – ameaçam a paz, e os dragões fazem um último esforço para salvar a humanidade. Sem os dragões, Kumandra se dividiu em vários países rivais, que desejam ser os detentores da Pedra do Dragão, uma relíquia deixada pela dragão Sisu no momento em que os Druun foram derrotados. Raya, a protagonista, é uma jovem que carrega um peso em sua consciência: durante um evento pacifista promovido por seu pai, a menina confiou na pessoa errada, Namaari, que tentou roubar a Pedra do Dragão. Essa atitude levou a uma batalha entre os países (Coração, Garra, Presa, Espinha e Cauda), fazendo com que a relíquia fosse partida em vários pedaços, o que culmina no retorno dos Druun e na transformação do pai de Raya (e muitos outros humanos) em pedra. Em sua busca para consertar as coisas, Raya acaba fazendo aliados improváveis e, principalmente, despertando a própria Sisu.

Esse é o contexto de Raya e o Último Dragão e, apesar das criaturas malignas terem dado início à desolação, o filme é muito mais pautado na rivalidade e nas relações humanas. O pai de Raya era um pacifista que acreditava que a união dos países era o melhor caminho para se protegerem do mal. Entretanto, o medo do desconhecido, o egoísmo, a desconfiança e o desejo de proteger os seus tornaram os outros líderes cegos para qualquer caminho diferente do poder. E as consequências disso são mostradas ao espectador: ao chegar na Espinha, por exemplo, Raya encontra um terreno desolado com apenas um único sobrevivente.

Um aspecto muito legal e que torna Raya e o Último Dragão bastante dinâmico é a forma como, a cada local visitado, a garota vai “recrutando” sem querer alguém como aliado. Tudo começa com seu sucesso em despertar Sisu, a única dragão que não foi transformada em pedra. Dali em diante a dupla se une a um pequeno empresário, Boun; ao trio de pilantrinhas composto por três macacos e a bebê Little Noi; e Tong, o guerreiro sobrevivente da Espinha. Apesar de suas personalidades totalmente diferentes, eles compartilham de uma coisa em comum: a perda de entes queridos para os Druun. Isso os motiva a trabalharem juntos em prol do mesmo objetivo, que é resgatar as peças da Pedra do Dragão e usar os poderes de Sisu para trazer as pessoas de volta. 

Ao longo do filme vamos percebendo que a própria Raya se tornou uma pessoa desconfiada. Se na infância ela era inspirada pelo coração e mente abertos do pai, a traição de Namaari deixou uma cicatriz profunda em seu coração. É totalmente compreensível o receio que ela tem de se abrir e tentar o caminho da negociação e da colaboração. Sisu, porém, é uma personagem alegre e cativante, cujo coração aberto pouco a pouco contagia Raya e a inspira a baixar a guarda e repensar seu caminho solitário.

Outro aspecto muito bacana de ser ressaltado é que o mundo fictício de Raya e o Último Dragão é inspirado nos países do Sudoeste Asiático. A cada local que Raya e seu grupo visita temos uma ambientação completamente diferente, o que é ótimo pra combater a ideia de que a Ásia tem apenas uma cultura e uma aparência. A animação é linda e as paisagens também, o que já é de praxe nas animações da Disney.

Raya e o Último Dragão é um ótimo filme de aventura que empolga e entretém. Apesar de ter um tipo de criatura aterrorizante dando o start nos acontecimentos, a trama acerta ao evidenciar que o maior desafio são as próprias fraquezas humanas, e como a colaboração é a peça-chave para vencer dificuldades coletivas. E se tem uma coisa que os últimos dois anos têm nos mostrado é que o individualismo não é uma opção quando um mal atinge a todos, e que a empatia e a cooperação são fundamentais para sairmos vitoriosos de momentos assim. 

Título original: Raya and the Last Dragon
Ano de lançamento: 2021
Direção: Don Hall, Carlos López Estrada
Elenco: Kelly Marie Tran, Awkwafina, Izaac Wang, Gemma Chan, Daniel Dae Kim, Benedict Wong, Jona Xiao, Thalia Tran

Dica de Série: WandaVision

Oi pessoal, tudo bem?

Matei a saudade que eu tava da Marvel ao assistir WandaVision ao longo da última semana e hoje vim contar o que achei pra vocês. ❤

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Sinopse: Após os eventos de “Vingadores: Endgame” (2019), Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Visão (Paul Bettany) se esforçam para levar uma vida normal no subúrbio e esconder seus poderes. Mas a dupla de super-heróis logo começa a suspeitar que nem tudo está tão certo assim.

Os dois últimos filmes dos Vingadores foram de partir o coração de qualquer um que gostasse do casal que dá nome à nova série disponível no Disney+. Visão é morto duas vezes, Wanda é obrigada a estar envolvida ou presenciar esses dois momentos e, quando os heróis finalmente vencem em Ultimato, não sabemos exatamente o que o futuro reserva. E WandaVision não entrega essa resposta de cara. Pelo contrário: a série começa com um episódio em preto e branco, ambientado nos anos 50 e no formato das sitcoms da época. Wanda e Visão se mudam para um típico subúrbio e parecem viver o clássico “American Dream”. Ao longo dos episódios, a série dá saltos temporais estranhos e eventualmente ganha até cores, ao passo que personagens “de fora” da vida perfeita do casal começam a aparecer. É então que o clima de sitcom vai dando lugar a uma Wanda que quer que as coisas se mantenham sob controle – ainda que ela não entenda completamente o que está acontecendo.

Quem já leu sobre os quadrinhos da Marvel e dos X-Men sabe que a Feiticeira Escarlate é uma das (se não a mais) personagens mais poderosas da Marvel, tendo sido capaz de obliterar os mutantes em quase sua totalidade com apenas uma frase. E WandaVision parece querer explorar o potencial ainda incipiente da personagem, mostrando o quão longe seus poderes são capazes de ir. E ao mesmo tempo que o título WandaVision remete ao casal, ele também deixa na nossa cara o que a trama revela aos poucos: estamos vendo a visão de Wanda para sua vida, ainda que seja uma versão frágil e irreal.

Visão tem um papel muito importante ao longo da série, sendo os nossos olhos dentro da cidade de Westview (o local em que Wanda manipulou a realidade). Ele não tem memórias de antes do seu casamento ou da chegada à cidade, e conforme ele vai percebendo que existe algo de estranho em seu novo lar, ele começa a investigar. Para o espectador, essa é a parte mais interessante: saber como e quando os protagonistas vão perceber que existe algo de muito errado na vida perfeita que levam. 

Além de explorar o luto de Wanda (que vale chamar de “o amor que perdura” 🥺 Alguém deixa essa mulher ser feliz!!!), a série prepara o terreno para a nova fase da Marvel. Aqui também temos a S.W.O.R.D. (achei esse paralelo de Shield e Sword bem tosco, confesso), a organização que lida com incidentes alienígenas e está responsável por resolver o incidente em Westview. Um dos principais nomes associados a essa nova organização é Monica Rambeau (filha da melhor amiga de Carol Danvers, lembram?). A personagem é justa e destemida, e não vejo a hora de reencontrá-la em futuros filmes da Marvel. Por último, mas não menos importante, a magia que vinha sendo trabalhada com a chegada de Doutor Estranho se consolida no universo do MCU, e isso provavelmente trará um novo leque de possibilidades e ameaças no futuro.

Com episódios curtos de cerca de meia hora e atuações cheias de entrega a seus personagens (com destaque para Elizabeth Olsen), WandaVision é uma grata adição ao universo audiovisual da Marvel. A trama é um pouco previsível? Admito que sim. Mas rever personagens importantes, pelos quais sinto tanto carinho, foi uma ótima experiência. Adoro as adaptações da Marvel para o cinema (e agora para a TV) e mal posso esperar pelo que o futuro reserva. 😀

Título original: WandaVision
Ano de lançamento: 2021
Criador: Jac Schaeffer
Elenco: Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Kathryn Hahn, Teyonah Parris, Josh Stamberg, Randall Park, Kat Dennings

Review: Soul

Oi, pessoal, tudo certo?

Como fã devota da dupla Disney Pixar, obviamente corri para conferir Soul, o primeiro filme lançado no serviço de streaming Disney+. Vamos conhecer?

Sinopse: O que é que o torna… você? Joe Gardner – um professor de música do ensino fundamental – tem a chance de tocar no melhor clube de jazz da cidade. Mas um pequeno passo em falso o leva das ruas de Nova York para o Pré-vida – um lugar fantástico onde novas almas obtêm suas personalidades, peculiaridades e interesses antes de irem para a Terra.

Joe Gardner é um talentoso musicista que sempre sonhou em fazer sucesso tocando jazz. A realidade, porém, é um pouquinho diferente: em vez de brilhar por sua habilidade ao piano, ele dá aula de música em uma escola de ensino fundamental. Sua sorte parece virar quando um ex-aluno o convida para substituir um dos integrantes de uma banda de jazz já consagrada. Acontece que Joe sofre um acidente e sua alma é separada de seu corpo. O caminho natural é ele ir em direção à luz, mas ele se recusa a morrer e acaba fugindo para um espaço chamado Seminário Você, onde almas aprendem sobre sua personalidade, gostos e propósitos para posteriormente “encarnarem” em recém-nascidos. Nesse local Joe fica responsável por 22, uma alma que já passou por inúmeros tutores e jamais encontrou seu propósito. Isso faz com que 22 seja cética a respeito da experiência na Terra, topando então ajudar Joe a levá-lo de volta. E, novamente, o protagonista é desafiado pelo destino: quando os dois conseguem ir pra Terra, 22 fica no seu corpo e Joe fica em um… gato. Esse é o ponto de partida pra uma sequência de aprendizados para ambos os personagens.

Como vocês já devem imaginar, Soul, assim como qualquer filme da Pixar, tem um forte impacto nos adultos. A trama gira em torno de ser fiel ao seu propósito e encontrar sua razão de existir na vida, e Joe tem certeza de que só vai encontrar isso na música. 22, por sua vez, só consegue entender o motivo pelo qual todas as outras almas desejam ir para a Terra no momento em que tem a oportunidade de vivenciar a experiência na prática. Os cheiros, os sabores e mesmo as coisas desagradáveis são vistas sob a lente de um olhar deslumbrado de quem valoriza cada pequeno instante. Conviver com 22 e ser testemunha do seu encanto pela simplicidade coloca algumas coisas em perspectiva para Joe, e ele começa a olhar sua própria vida “de fora” (no corpo do gato rs), o que provoca uma reflexão sobre toda a sua trajetória.

Se essa provocação não bastasse, Soul ainda vai além: a lição que fica é a de que não somos definidos pelo nosso propósito, e a vida é mais do que isso. Quando o protagonista percebe que grande parte do que ele sonhava era mais uma idealização do que uma visão realista, Joe entende que não é apenas o seu talento que o torna alguém digno e amado. O nosso propósito vai além das nossas habilidades, da nossa profissão e das nossas paixões: claro, são elementos muito importantes, mas não são em sua totalidade aquilo que torna a experiência de viver válida. 

Apesar de ter curtido o longa, o final em si não me surpreendeu muito. Eu esperava um desfecho mais audacioso, que não aconteceu. Mas, mesmo se mantendo num otimismo meio lugar-comum, Soul conseguiu me emocionar. Não tanto pela personalidade de Joe ou de 22 (não me entendam mal, eles são muito legais, mas não foram exatamente inesquecíveis), mas sim porque os assuntos tratados dialogaram com questionamentos e dúvidas que eu mesma já tive. 

Em resumo, Soul é um belo filme, com cenas divertidas e um assunto que coloca você para pensar e examinar a sua história. O fato do longa mostrar como nossa vida não é definida pela nossa vocação tirou um peso enorme dos meus ombros, porque com tantos discursos que falam em propósito rolando nos perfis de Instagram da vida, às vezes eu sentia que eu estava “à deriva” por não ter certeza a respeito do meu, sabem? Por isso, Soul tocou meu coração e colocou um sorriso no meu rosto. Existem muitas coisas que trazem alegria: o amor, a família, as amizades, as experiências, as viagens, os sabores… E tá tudo bem a gente se agarrar nisso e valorizar cada minuto.

Título original: Soul
Ano de lançamento: 2021
Direção: Pete Docter, Kemp Powers
Elenco: Jamie Foxx, Tina Fey, Graham Norton

Review: Mulan

Oi pessoal, tudo bem?

O live action de Mulan vem dando o que falar desde muito antes de sua estreia no Disney+ e, agora que ele chegou à plataforma, vim dividir com vocês meus sentimentos em relação ao filme. 🙂

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Sinopse: Em Mulan, Hua Mulan (Liu Yifei) é a espirituosa e determinada filha mais velha de um honrado guerreiro. Quando o Imperador da China emite um decreto que um homem de cada família deve servir no exército imperial, Mulan decide tomar o lugar de seu pai, que está doente. Assumindo a identidade de Hua Jun, ela se disfarça de homem para combater os invasores que estão atacando sua nação, provando-se uma grande guerreira.

Antes de tudo, acho importante ressaltar que eu acompanhei as notícias ao longo da produção do longa e, portanto, estava com expectativas alinhadas quanto ao fato do filme não ser um musical e não contar com a participação de personagens icônicos como Mushu e Li Shang. Pra quem não sabe do que estou falando, o novo live action da Disney tem um foco muito maior em honrar o público chinês, que vê no uso do dragão (uma figura mega sagrada) como alívio cômico e sidekick um desrespeito. Dito isso, saibam que minha opinião está pautada no filme pelo filme, e não (apenas) na comparação com o original, combinado? 😀

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Desde menina, Mulan demonstra algo especial: seu chi é intenso e ela é capaz de manipulá-lo como outras pessoas não o são. Porém, o chi é uma característica atrelada a guerreiros e ela, sendo mulher, deve ocultar tal habilidade e honrar sua família por meio do casamento. A jovem cresce com esse “segredo” e tenta se encaixar nos moldes tradicionais, mas quando cada família é convocada a ceder um homem para a guerra contra os Rourans que se aproximam, Mulan decide tomar o lugar de seu velho pai. Passando-se por um homem, ela treina para se aprimorar como guerreira enquanto busca entender seu verdadeiro papel.

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Sabendo que o filme é baseado no conto original de Mulan (que data lá do século VI), eu tentei me manter de coração aberto às novidades, como por exemplo o fato de haver uma mulher chamada de bruxa (apenas porque domina seu chi de maneira excepcional e consegue utilizá-lo como verdadeira magia) e pelo fato de Mulan se diferenciar de seus pares por também demonstrar domínio sobre essa energia. Acontece que, mesmo com toda a boa vontade do mundo, Mulan foi um filme chato de assistir.

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A começar pela protagonista: a atriz que interpreta Mulan é uma versão oriental da Kristen Stewart em Crepúsculo. Ela não demonstra nenhuma emoção, tem zero carisma e me deixou profundamente agoniada com seus golpes no ar que serviam pra ela atirar o cabelo pra longe quando caía no chão, tipo comercial de shampoo. O fato da personagem se destacar devido ao seu chi, e não pelo trabalho duro e pela determinação, também foi outro aspecto broxante: Mulan foi criada para ser uma mulher tradicional, e vê-la rompendo com esses estigmas e se esforçando tanto quanto qualquer homem (e ainda se sobressaindo) era uma das coisas mais poderosas da animação – que aqui perde força porque, apesar do esforço, Mulan tem de fato um aspecto “mágico” que a torna única. A personagem, portanto, se torna menos relacionável com o espectador.

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Os vilões são muito mal desenvolvidos, e os Rourans são caricatos e não oferecem uma ameaça que nos faça temer de fato, já que (diferente do desenho) não causam nenhuma perda a nível “pessoal”. Por outro lado, Xian Lang (a “bruxa”) que os auxilia tem mais camadas e representa uma dualidade com a própria Mulan, levando a personagem a se questionar sobre a própria identidade e sobre a injustiça de ter seu chi oprimido porque os outros não sabem lidar com isso. Ela é uma anti-heroína que oferece uma reflexão sobre o machismo que até hoje nos desencoraja de demonstrar todo o nosso potencial enquanto mulheres, e eu diria que essa provocação quanto aos papéis de gênero é o principal ponto forte do filme.

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Poderíamos pensar que as lutas seriam capazes de salvar o filme, certo? Errado, pelo menos pra mim. O live action tem uma estética típica de filmes de luta orientais, o que inclui movimentos super coreografados em slow motion. Se você curte essa vibe, talvez curta também esse aspecto do longa. Eu não me identifico nadinha com esse tipo de produção, então fiquei com um pouquinho de vergonha alheia nesses momentos de slow motion. Entretanto, reconheço a importância de contar essa história de uma forma que não agrida a cultura chinesa e ressalto como é importante um filme blockbuster contar com um elenco de fenótipo 100% oriental.

Resumindo, eu diria que Mulan é no máximo um filme nota 6 (numa escala de 10). O maior problema é que ele não se destaca, não arrepia, não emociona. Mesmo sem fazer nenhum tipo de comparação, o live action de Mulan se mostrou uma produção genérica e esquecível, que eu provavelmente não vou assistir uma segunda vez. Espero que ao menos para o público ao qual ele foi destinado tenha sido uma boa experiência.

Título original: Mulan
Ano de lançamento: 2020
Direção: Niki Caro
Elenco: Liu Yifei, Donnie Yen, Jet Li, Gong Li, Yoson An, Jason Scott Lee, Susana Tang, Tzi Ma, Rosalind Chao