Dica de Série: The Alienist

Oi pessoal, tudo bem?

Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer imensamente a quem respondeu à Pesquisa de Opinião no post anterior! ❤ Pude tirar uns insights ótimos graças às respostas de vocês, e prometo me esforçar pra deixar o Infinitas Vidas cada vez melhor. Muuuito obrigada! 😍 E agora vamos à dica de hoje!

Que eu amo histórias de investigação não é novidade, por isso fiquei louca de vontade de conferir The Alienist, da Netflix. Hoje vim contar o que achei dessa série e, já adianto: vale a pena! 😉

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Sinopse: Na trama, quando uma série de horríveis assassinatos de garotos prostitutos assombra a cidade, o recém-nomeado Comissário de Polícia Theodore Roosevelt encarrega o psicólogo criminal (também conhecido como alienista) Dr. Laszlo Kreizler (Brühl) e o jornalista John Moore (Evans) para conduzir a investigação em segredo. Eles contam com a ajuda de uma equipe singular, incluindo a intrépida Sara Howard, uma jovem secretária da equipe de Roosevelt que está determinada a se tornar a primeira detetive de polícia da cidade de Nova York. Usando os conhecimentos emergentes de psicologia e as primeiras técnicas de investigação forense, este grupo investiga um dos primeiros serial killers de Nova York.

The Alienist se passa no século 19, em uma época no qual as doenças mentais eram um terreno nebuloso e desconhecido. Os médicos que se encarregavam de tratar essas doenças eram conhecidos como alienistas, e um desses profissionais protagoniza a trama. Lazslo Kreizler é um alienista com experiência no tratamento de crianças; quando um jovem garoto de programa é encontrado morto de forma brutal, o Dr. Kreizler percebe semelhanças com um antigo caso que acompanhou, o que o perturba, mas também atiça sua curiosidade. Contando como aliados o ilustrador John Moore (um homem de bom coração, que enfrenta dificuldades com o alcoolismo), Sara Howard (a primeira mulher a ser admitida como funcionária do Departamento de Polícia) e dois irmãos peritos em ciência forense, Laszlo Kreizler se vê adentrando em um terreno perigoso, cheio de crueldade e corrupção.

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Os personagens têm grande destaque nessa série, e provavelmente foi isso que mais me deixou envolvida com a trama. Laszlo é o típico homem brilhante, mas com problemas de relacionamento interpessoal. Há mistérios em seu passado que o personagem se recusa a revelar, e seu modo racional muitas vezes afasta quem está ao seu redor. John é extremamente carismático e com forte senso de justiça. Porém, a perda de seu irmão e a traição de sua ex-noiva deixaram nele marcas profundas, que ele tenta compensar com bebida e sexo sem sentido. Sara é uma personagem determinada e independente, mas com traumas de infância que moldaram muito de sua personalidade. Ela não suporta depender de homens, e muito menos ser menosprezada por eles. O machismo do ambiente de trabalho (e fora dele) a perseguem, mas ela sabe lidar com isso sem baixar a cabeça. Por fim, temos os carismáticos irmãos Isaacson: dois jovens brilhantes e cheios de ideias inovadoras sobre a ciência forense. Apesar do menor desenvolvimento, gostei muito deles.

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As atuações são primorosas. Daniel Brühl dá vida a um Laszlo cheio de nuances, com qualidades e defeitos que o tornam um personagem totalmente cinza. Luke Evans, por sua vez, traz um John cativante, por quem é impossível não sentir afeição. Confesso que a atuação de Dakota Fanning não me convenceu durante a maior parte da série, me lembrando muito a Jane, de Crepúsculo. Entretanto, na reta final ela conseguiu me emocionar.

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A trama tem pontos muito fortes e alguns pontos fracos. A excelente ambientação, os figurinos impecáveis e imponentes, a fotografia escura e a trilha sonora aflitiva causam muitos sentimentos ao espectador, combinando perfeitamente com a época na qual a série se passa. A própria Nova York do século 19, com seus prostíbulos, pessoas pobres, carruagens pra todo lado e prédios em construção acaba sendo um personagem vivo e pulsante na trama. Além disso, The Alienist trata de corrupção policial, evidenciando como nomes importantes da sociedade nova-iorquina têm prioridade em relação a assassinatos de jovens prostitutos. Em meio a tudo isso, Ted Roosevelt (o futuro presidente dos EUA, na trama comissário de polícia), tenta fazer o seu melhor – ainda que rodeado de funcionários não confiáveis. O ritmo da série e o desenrolar da investigação também são envolventes e provocam um senso de urgência, já que o próximo assassinato é iminente, e essa ameaça paira o tempo todo no desenrolar dos episódios.

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Entretanto, há alguns pontos negativos também. A série nos entrega um suspeito que encaixa com todas as características para, depois, descartá-lo sem consequências. Fiquei incomodada com isso, especialmente porque não vi razão de tal trama sequer existir. Além disso, a investigação fica um pouco confusa quando o trio protagonista chega perto de descobrir a identidade do assassino; e talvez eu tenha sentido isso justamente por causa das evidências que apontavam para outra pessoa.

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Apesar das poucas ressalvas, eu amei The Alienist. A série tem um desfecho satisfatório, concluindo bem sua trama, mas com uma leve abertura que pode ou não dar margem para futuras investigações. Com personagens bem construídos, uma ambientação impecável e um desenrolar envolvente, The Alienist é uma ótima pedida pra quem aprecia séries investigativas. 😉

Título original: The Alienist
Ano de lançamento: 2018
Criador: Hossein Amini
Elenco: Daniel Brühl, Luke Evans, Dakota Fanning, Brian Geraghty, Douglas Smith, Matthew Shear, Robert Wisdom, Q’Orianka Kilcher, Matthew Lintz

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Review: Jurassic World: Reino Ameaçado

Oi galera, tudo bem?

Ontem fui conferir Jurassic World: Reino Ameaçado e hoje conto o que achei pra vocês, sem spoilers. 😉

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Sinopse: Três anos após o fechamento do Jurassic World, um vulcão prestes a entrar em erupção põe em risco a vida na ilha Nublar. No local não há mais qualquer presença humana, com os dinossauros vivendo livremente. Diante da situação, é preciso tomar uma decisão: deve-se retornar à ilha para salvar os animais ou abandoná-los para uma nova extinção? Decidida a resgatá-los, Claire (Bryce Dallas Howard) convoca Owen (Chris Pratt) a retornar à ilha com ela.

O filme se passa 3 anos após seu antecessor, O Mundo dos Dinossauros. Claire e Owen não estão juntos, e ela trabalha em uma organização que luta pela preservação dos dinossauros. Os animais estão novamente ameaçados de extinção, pois um vulcão da Ilha Nublar foi reclassificado como ativo, e a qualquer minuto ele pode entrar em erupção. As esperanças de Claire se renovam quando Benjamin Lockwood, antigo parceiro de John Hammond (cuja companhia criou os clones dos dinossauros), oferece a Claire a chance de resgatar os animais da Ilha Nublar. Quem organiza toda a empreitada é o braço direito do idoso, Mills, que é também responsável por gerenciar a fortuna de Lockwood. Claire, então, procura Owen para ajudá-la na missão de trazer os dinossauros em segurança, e ele aceita. Entretanto, a ganância humana e a falta de escrúpulos levam os protagonistas a uma situação extremamente perigosa.

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Não posso negar, existem algumas coisas que são óbvias ao espectador logo de cara. O chefe da expedição tem todo o estereótipo de vilão traidor, e o alívio cômico do filme passa 80% do longa sendo apenas isso. Como críticas negativas, ressalto ainda as repetições no roteiro. T-Rex e Blue aparecendo no último minuto pra salvar os humanos é uma fórmula que já não surpreende mais. Ainda assim, o filme é cativante e, assim como o longa anterior, tem cenas de ação que te fazem prender a respiração e agarrar a poltrona do cinema. Seja na erupção do vulcão ou nas cenas da mansão Lockwood, eu levei vários sustinhos e fiquei imóvel de expectativa, tamanha a tensão que Reino Ameaçado causa.

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Nesse longa, o objetivo dos vilões é transformar os dinossauros em armas, leiloando-os a ricaços pelo mundo inteiro (fica aqui a crítica pro estereótipo tosco de comprador russo). O animal mais precioso do “catálogo” é o Indoraptor, uma espécie de fusão entre a Indominus Rex (do filme anterior) com o velociraptor. Além da crítica à ganância humana em si, que brinca com a natureza sem pensar nas consequências, o filme também mostra os maus tratos aos animais, que ficam sofrendo agressões em jaulas minúsculas. Essa atitude causa ainda mais desconforto quando percebemos que os animais sentem dor, medo e outras emoções – como fica nítido no caso de Blue, que demonstra também sentir empatia.

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Os personagens principais seguem carismáticos, e eu gosto muito da dinâmica de gato e rato de Claire e Owen. A nova adição infantil ao elenco, Maisie, também conquista (e está envolvida em um plot twist bem mindblowing, mas que não tem impacto na trama). A menina é neta de Lockwood e tem um papel fundamental no desfecho do longa. Aliás, o final deixa uma possibilidade de continuação incrível, questionando como será possível que a humanidade conviva com os dinossauros, que agora estão em liberdade. Devo dizer, inclusive, que a condução dos fatos nesses novos filmes me lembram a nova trilogia Planeta dos Macacos: inicia com um macaco que passa por experimentos, aí no segundo filme eles ganham o mundo e, no terceiro, há uma batalha pela sobrevivência. Ficarei de olho no terceiro longa de Jurassic World pra ver se vai rolar mais alguma semelhança. 😛

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Jurassic World: Reino Ameaçado é um filme de ação com várias cenas que deixam o espectador tenso e na expectativa pelo que vai acontecer (ainda que eu não tenha achado que seja uma vibe de terror, como outras críticas na internet comentaram). É um excelente entretenimento, que diverte e empolga durante sua duração. Recomendo!

Título original: Jurassic World: Fallen Kingdom
Ano de lançamento: 2018
Direção: Juan Antonio Bayona
Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Justice Smith, Daniella Pineda, Rafe Spall, Isabella Sermon, James Cromwell, Toby Jones, Jeff Goldblum

Review: Aggretsuko

Oi galera, tudo bem?

Faz tempo que eu não falo sobre animes por aqui, né? E se eu te contar que Aggretsuko (de Aggresive Retsuko) foi uma das surpresas mais agradáveis e engraçadas dos últimos tempos? 😉 Vamos conhecer!

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Sinopse: Frustrada com o emprego, Retsuko, a panda vermelha, encara a luta diária cantando heavy metal em um karaokê depois do expediente.

Uma red panda fofinha de 25 anos, que trabalha no setor de Contabilidade de uma grande empresa, sofre diariamente com o abuso de seu chefe preguiçoso e machista e desconta as frustrações do dia a dia cantando death metal num karaokê. Sim, essa é a trama de Aggretsuko, o novo anime da Sanrio (a mesma empresa criadora da Hello Kitty). 😂 E sabem o que é mais engraçado? A trama não é nada surreal, não!

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Retsuko é uma jovem solteira, infeliz no trabalho, insegura quanto sua aparência e que precisa contar as moedinhas no fim do mês pra pagar o aluguel e viver com dignidade. Seus dias são repletos de gritos e cobranças infundadas por parte de seu chefe, o Supervisor Porcão, um homem abusivo, machista e preguiçoso, que passa o dia inteiro polindo seus tacos de golfe e treinando novos movimentos e tacadas. Como todo jovem adulto que precisa do emprego, Retsuko engole diversos sapos e tenta lidar com a rotina da melhor forma possível. Sua maneira de extravasar é cantando sozinha no karaokê, e a comédia fica por conta da discrepância entre sua aparência fofa e o estilo musical favorito da protagonista, o death metal. Gritos, riffs pesados de guitarra, letras xingando o chefe e muito headbang marcam essas cenas, nas quais Retsuko aparece “possuída” pela música, com maquiagem pesada e língua de fora. Impossível não rir! 😂

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Aggretsuko traz, de maneira leve (mas surpreendentemente real) situações cotidianas que todo mundo já passou ou vai passar um dia: a convivência com colegas puxa-saco e fofoqueiros, um crush em um colega de trabalho, a cegueira em relação aos defeitos de alguém logo que nos apaixonamos, a dor de ter que dar um presente caro a amigos que estão se casando (o que compromete as finanças do mês), a sensação de frustração ao comparar sua vida à de uma amiga… São inúmeras situações relacionáveis, o que nos faz criar uma empatia instantânea por Retsuko.

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As amizades femininas também merecem destaque. Para a surpresa da protagonista, ela se vê amiga de duas funcionárias importantes da empresa em que trabalha: Gori e Washimi. Bonitas e bem-sucedidas, elas eram objeto de admiração de Retsuko, até que uma aula de yoga em comum acaba por uni-las. E as duas são incríveis, apoiando e incentivando Retsuko, especialmente  no que diz respeito à vida profissional.

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Com episódios de apenas 15 minutos, Aggretsuko foi uma grata surpresa que a Netflix me proporcionou. Confesso que só topei assistir porque meu namorado insistiu mas, no fim, me vi gargalhando e me identificando com os dramas da vida de Retsuko (que, aliás, tem praticamente a mesma idade que eu kkk rindo de nervoso). É um anime curtinho, que você assiste numa sentada, e vai te arrancar boas risadas. Vale a pena dar uma chance! 😀

Título original: Aggretsuko
Ano de lançamento: 2018
Criador: “Yeti” (pseudônimo)
Elenco: Kaolip, Komegumi Koiwasaki, Maki Tsuruta, Sohta Arai, Rina Inoue, Shingo Kato, Yuki Takahashi

Dica de Série: Suits

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim indicar uma das séries atuais de que mais gosto: Suits!

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Sinopse: Mike Ross (Patrick J. Adams) é um garoto que abandonou a faculdade de direito mas, brilhante como é, consegue uma entrevista com o respeitado Harvey Specter (Gabriel Macht), um dos melhores advogados de Manhattan. Quando percebe o talento nato e a memória fotográfica do garoto, Harvey o contrata e, juntos, eles formam uma dupla imbatível. Mesmo sendo um gênio, Mike ainda tem muito a aprender sobre o Direito. E mesmo sendo um advogado tão competente, Harvey irá aprender com sua nova dupla a ver seus clientes de outra maneira.

Suits conta a história do jovem Mike Ross, um rapaz muito inteligente com memória fotográfica que, por engano, acaba entrando em uma seletiva para novos associados (ou seja, novos advogados) na firma de advocacia do renomado advogado Harvey Specter. Indo contra todas as possibilidades, o rapaz conquista a atenção de Harvey, que fica impressionado com seu conhecimento avançado na área e seu poder de argumentação. O sonho de Mike sempre foi ser advogado mas, devido a problemas no passado, ele acabou sendo expulso da faculdade, e suas esperanças de conseguir trabalhar no ramo eram nulas… até que Harvey decide empregá-lo.

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Suits (em especial nas primeiras temporadas) é o tipo de série que te prende de cara e faz você maratonar sem pensar duas vezes. Em primeiro lugar, há o conflito de Mike não ser um advogado de verdade, fazendo com que ele e Harvey precisem mentir, forjar documentos e quebrar a lei para mantê-lo no emprego. Além disso, a dupla Mike e Harvey tem muita química, sendo extremamente divertido acompanhá-los ao longo dos casos. Harvey é um advogado brilhante e experiente, que tem muito a ensinar a Mike; o rapaz, por outro lado, é idealista e corajoso, trazendo mais humanidade para o dia a dia corporativo e racional de Harvey. As personalidades de ambos combinam: eles são convencidos, audaciosos e bons no que fazem; entretanto, também se desafiam mutuamente: Harvey traz uma visão mais pé no chão do mundo, enquanto Mike o instiga com seu idealismo da juventude. Tudo isso proporciona uma dinâmica que os eleva instantaneamente a BROTP hahaha! ❤

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Além das tramas envolvendo os casos, há muitos relacionamentos pessoais que interferem no desenrolar da história. Harvey tem relacionamentos conturbados, e várias mulheres passam por sua vida. Uma das mais importantes, porém, não é uma de suas namoradas, mas sua secretária: Donna (shippo demais Darvey, cof cof). Ela é tão mordaz quanto ele, além de muito competente e segura de si. Temos também Rachel, o interesse amoroso de Mike: ela é uma assistente legal que sonha em ser advogada. Apesar de ter mais do que muitos associados da Pearson Hardman, ela precisa enfrentar o preconceito por não ser advogada ainda. A amizade de Rachel e Donna é muito bacana: sem rivalidades ou competição feminina, mas sim apoio mútuo e amor uma pela outra. Louis é outro personagem relevante: ele é o supervisor dos associados novatos. Abusivo, inseguro e problemático, ele causa muita irritação no início da série, mas tem grande evolução ao longo dela. Por fim, temos Jessica Pearson, a sócio-gerente da firma. Ela é uma mulher negra que precisou lutar muito pra chegar onde chegou, e não está disposta a abrir mão de suas conquistas.

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Suits é uma série envolvente, com personagens carismáticos e um enredo cheio de reviravoltas. Infelizmente, a última temporada marcou também a despedida de dois dos protagonistas, além de uma leve queda na qualidade da trama. Ainda assim, recomendo a série e acredito no seu potencial. Só pelas primeiras temporadas eu já acho que vale super a pena, então se joguem! 😉

Título original: Suits
Ano de lançamento: 2011
Criador: Aaron Korsh
Elenco: Gabriel Macht, Patrick J. Adams, Meghan Markle, Sarah Rafferty, Rick Hoffman, Gina Torres

Review: Jogador Nº 1

Oi gente, tudo certo?

Apesar do filme ter estreado há um tempinho, vim contar pra vocês o que achei de Jogador Nº 1.

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Sinopse: Num futuro distópico, Wade Watts (Tye Sheridan), como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo OASIS ao mundo real. Quando o criador do jogo, o excêntrico James Halliday (Mark Rylance) morre, os jogadores devem descobrir a chave de um quebra-cabeça diabólico para conquistar sua fortuna inestimável. Para vencer, porém, Watts terá de abandonar a existência virtual e ceder a uma vida de amor e realidade da qual sempre tentou fugir.

Nosso protagonista é Wade Watts, um rapaz que vive com a tia em uma zona bem pobre de Columbus, nos Estados Unidos. O ano é 2045, e existe um jogo chamado Oasis, no qual as pessoas podem ser e fazer qualquer coisa por meio de seus avatares. Nesse mundo, Wade é Parzival, o Z, e é lá que ele encontra seus melhores amigos e passa a maior parte do seu tempo. Contudo, o Oasis está ameaçado; o criador do jogo deixou alguns easter-eggs escondidos e, quem encontrá-los, herdará suas ações e o controle de tudo. Obviamente, todos querem atingir esse objetivo, o que inclui uma corporação que visa somente os lucros que o Oasis pode oferecer.

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Assim, vou ser sincera, como sempre: eu achei muito burburinho pra pouca coisa. O filme é muito clichê, e isso pra mim não é necessariamente um problema, desde que bem trabalhado. Porém, o enredo é previsível e deixa várias coisas sem um desenvolvimento satisfatório. Uma delas é a relação (ou melhor, o rompimento) dos dois sócios que criaram o Oasis, James Halliday e Ogden Morrow. Existe a tensão causada por um triângulo amoroso do passado, beleza, mas o filme me deixou sem ter certeza de que foi essa a causa da separação dos sócios. Talvez isso fique mais claro pra quem tenha lido o livro, mas filmes devem ser capazes de contar uma história independentemente da obra original. Além disso, os vilões são caricatos (o que é aquela F’Nale?) e não inspiram ameaça real.

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Outro aspecto um tanto quanto decepcionante é o quanto os personagens secundários, amigos de Parzival, são deixados de lado, com exceção de Art3mis, seu par romântico. É somente quando a coisa esquenta que Daito e Shoto ganham espaço, mas aí o filme já está rolando há tanto tempo que eu nem consegui sentir nada por eles. Aech é ótimo, e Helen também. Só achei engraçado ver Lena Waithe interpretando uma personagem mais adolescente, já que conheci a atriz em Master of None (em que ela interpreta uma mulher perto da casa dos 30 – ou seja, sua idade real), mas isso não é um defeito, é só um fun fact de estranhamento mesmo. Por fim, achei que o filme falhou muito em contextualizar o espectador em relação à realidade na qual os personagens estão inseridos. É um mundo futurista, aparentemente muitas coisas estão dando errado no planeta, mas afinal… o que aconteceu? Não são todos os lugares que estão como Columbus, mas ficamos totalmente no escuro em relação ao que ocorre no mundo fora de Oasis.

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Entretanto, também há aspectos positivos. O filme é muito bonito visualmente, já que grande parte dele se passa no jogo. Ainda assim, não vale o ingresso pra sessão 3D, os efeitos são poucos e não fazem tanta diferença. A trilha sonora é ótima, com diversos clássicos. A ação também é bem conduzida, mantendo o espectador atento a cada detalhe do que acontece no Oasis. A prova para conseguir a segunda chave de Halloway foi muito divertida (ainda que eu tenha dado alguns pulinhos na cadeira, por ter medo de filmes de terror). Por fim, as referências à cultura pop também são bacanas, e é bem provável que você fique tentando identificá-las. 😛

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Jogador Nº 1 foi um filme que, infelizmente, não funcionou pra mim. Eu gosto de filmes de puro entretenimento mas, nesse caso, o desenvolvimento precário na relação dos personagens fez com que eu não sentisse nada por eles (fator importante que me fez não curtir tanto assim o longa). Não me arrependo de ter conferido, mas pra mim foi uma obra esquecível que eu não me vejo assistindo novamente.

Título original: Ready Player One
Ano de lançamento: 2018
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, Mark Rylance, Win Morisaki, Philip Zhao, Hannah John-Kamen

Dica de Série: Dear White People

Oi pessoal, tudo bem?

A segunda temporada de Dear White People estreou na Netflix na última sexta-feira e, pra celebrar o retorno da série, vim contar minha opinião pra vocês! 😉

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Sinopse: Alunos negros de uma conceituada universidade norte-americana enfrentam desrespeito e a política evasiva da escola, que está longe de ser “pós-racial”.

Assisti a Dear White People no ano passado e, infelizmente, na época ela não teve a visibilidade que merecia (especialmente depois do boom que foi 13 Reasons Why). A série conta a história de alguns estudantes negros da Universidade de Winchester, um lugar repleto de indivíduos privilegiados e com uma falsa fachada de tolerância racial. Cada episódio da série é focado na perspectiva de um dos alunos negros da universidade e, por isso, são abordados diversos dilemas diferentes, bem como suas origens, posicionamentos e, é claro, opressões sofridas. A trama se inicia após uma festa em que acontece blackface; é esse acontecimento coloca a série em movimento, revoltando os alunos negros e gerando denúncias e tensões.

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Sam é a protagonista, e encabeça o programa de rádio Dear White People. Com sarcasmo e eloquência, ela coloca o dedo na ferida ao abordar diversas formas de racismo, velado ou não, que os negros sofrem. Mas, mesmo ela, uma mulher negra, tem seus privilégios: sua pele é mais clara e seus olhos são verdes, o que lhe confere algumas “vantagens” em relação a mulheres negras de pele mais escura. Isso se chama colorismo: quanto mais escura é a pele do indivíduo, mais discriminação ele sofre. Um episódio que deixa isso bastante claro é protagonizado por Coco: ao contrário de Sam – que exibe seu cabelo afro e é uma militante ativa –, a moça usa os cabelos alisados, está sempre preocupada com a aparência e muitas vezes fecha os olhos para problemas de discriminação racial que ocorrem no campus em nome da diplomacia, pois Coco tem o objetivo de ascender social e politicamente. Mas engana-se quem pensa que Coco não luta contra o sistema apenas porque ela difere dos métodos de Sam; justamente por ter sofrido a vida toda com o colorismo, a personagem criou suas próprias defesas e estratégias para sobreviver e vencer em um mundo que privilegia pessoas de pele clara.

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Além dessas duas personagens, temos também um garoto negro e gay se descobrindo; um rapaz que precisa ser nada menos que excelente em tudo que faz para ser reconhecido; e, por fim, um aluno que se vê vítima de violência policial. Aliás, essa última situação faz parte de um dos melhores episódios da série. É esse episódio que escancara o abismo que existe no que diz respeito à valorização da vida negra e da vida branca, mostrando como um jovem negro pode facilmente ser assassinado apenas por ser quem ele é. Enfim, essas questões todas são apenas a pontinha do iceberg, e a série cumpre muito bem o seu papel ao trazer a visão dos personagens negros em sua narrativa. Suas histórias, suas dores, suas vivências: é disso que Dear White People se trata. A série também traz questões como lugar de fala (que fica mais evidenciado nas discussões entre Sam e seu namorado branco, Gabe) e diferenças políticas dentro do próprio movimento (como a diferença de opressão sofrida por Sam e Coco em função do colorismo, por exemplo, o que faz com que cada uma tenha um modo de agir e ver o mundo).

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Os episódios são curtinhos e o estilo da série é leve e até mesmo engraçado. O narrador (o excelente Giancarlo Esposito) dá um tom irônico e envolvente aos episódios, que narram o dia a dia dos alunos negros em Winchester. Com personagens e situações cotidianas críveis, Dear White People consegue abordar as diversas camadas do racismo – desde o mais óbvio e descarado até o mais sutil e ardiloso – de uma maneira ilustrativa, que incomoda e revolta, justamente por ser algo tão absurdo.

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Enquanto mulher branca, posso apenas imaginar as dores que os negros sofrem diariamente. Porém, o que realmente quero dizer nesse post é: deem uma chance a Dear White People. Além da qualidade das atuações e dos episódios envolventes, as temáticas abordadas são de extrema importância. Não podemos negar a presença do racismo no nosso dia a dia. Mas podemos refletir sobre isso e fazer tudo que estiver ao nosso alcance pra mudar essa realidade. Dear White People merece e precisa ser vista.

Título original: Dear White People
Ano de lançamento: 2017
Criador: Justin Simien
Elenco: Logan Browning, Brandon P. Bell, Marque Richardson, Antoinette Robertson, Ashley Blaine Featherson, DeRon Horton, John Patrick Amedori, Giancarlo Esposito

Review: Vingadores: Guerra Infinita

Olar, meu povo! Tudo bem?

Hoje trago minha opinião SEM SPOILERS sobre Vingadores: Guerra Infinita! ❤ Após 10 anos do início da construção do Universo Cinematográfico da Marvel, finalmente chegamos ao ponto em que tudo converge.

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Sinopse: Thanos (Josh Brolin) enfim chega à Terra, disposto a reunir as Joias do Infinito. Para enfrentá-lo, os Vingadores precisam unir forças com os Guardiões da Galáxia, ao mesmo tempo em que lidam com desavenças entre alguns de seus integrantes.

Em Guerra Infinita, a ameaça que vinha pairando ao longo da última década finalmente aparece: Thanos causa destruição por onde passa, implacável em sua missão de reunir as seis Joias do Infinito. Seu objetivo? Trazer equilíbrio ao universo já que, na visão do vilão, há pessoas demais e os recursos são finitos. Devido a essa ameaça e algumas coincidências, grupos de heróis distintos veem-se unidos, lutando contra esse mal avassalador.

E que mal, hein? Thanos é um vilão digno da palavra. Se a Marvel muitas vezes peca ao trazer antagonistas rasos, que não condizem com a ameaça que tentam transmitir, Thanos já intimida com sua própria presença. Na primeira cena ele mostra a que veio, não dando espaço para o espectador sequer respirar, tamanha a tensão. Apesar da força dos seus aliados, que também são adversários difíceis, nenhum se compara à ameaça que Thanos representa. Mas o personagem vai além de pura força física: com seu jeito racional e tranquilo de falar, ele demonstra que tem plena convicção em seus objetivos, que ele realmente crê que está sendo benevolente e fazendo algo em prol do universo. A excelente atuação de Josh Brolin humaniza o personagem, dando-lhe camadas que o tornam ainda mais interessante.

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O segundo aspecto que merece todos os elogios é a união entre os grupos de heróis. A dinâmica entre eles foi impecável, e os personagens se aliaram de modo convincente e orgânico. Tony Stark e Stephen Strange, por exemplo, não se dão bem logo de cara, tendo uma animosidade presente na relação. Os Guardiões da Galáxia e Thor são protagonistas de uma cena pra lá de engraçada, o que condiz com o tom de seus próprios filmes (no caso de Thor, especialmente após Ragnarok). A parceria entre Steve Rogers e T’Challa é nítida, algo que teve início lá em Guerra Civil. Ou seja, é em Guerra Infinita que todas essas pontas finalmente se uniram, e isso foi feito de modo exemplar. ❤ As cenas de ação são de tirar o fôlego, e os efeitos especiais combinados à trilha sonora dão toda a imponência que o momento pede e precisa. Em termos de narrativa, minha única ressalva fica por conta do plot do Thor, que me pareceu um retrocesso em relação ao que foi construído em Ragnarok. Selecione se quiser ler: em Thor 3, o personagem perdeu o Mjolnir e, no fim, percebeu que não precisava do martelo para ser quem é, dominando os trovões e tudo mais. Em Guerra Infinita, a primeira coisa que ele precisa pra ficar fodão de novo é justamente uma arma nova, agora um machado. Confesso que fiquei meio “ué”, mas ok, a gente ignora pelo bem do espetáculo. 😛

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Ainda sobre a narrativa, notei que em alguns momentos o ritmo do longa acaba sendo um pouco prejudicado. O filme precisa mostrar as jornadas individuais dos grupos de heróis que estão espalhados pela galáxia, o que acaba quebrando um pouco o clímax. Entretanto, compreendo que isso é necessário: os heróis precisam realizar seus próprios objetivos para tentar impedir o Titã Louco. São justamente nesses momentos que presenciamos encontros inesperados e temos a oportunidade de ver dinâmicas jamais imaginadas, além de interações que nos arrancam risadas e também emoção.

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Aliás, o filme soube dosar com perfeição a comédia e o drama. Ao contrário de Thor: Ragnarok, aqui as piadas não são estilo pastelão, tendo um timing maravilhoso e arrancando gargalhadas genuínas; por outro lado, as cenas dramáticas são poderosas, e as atuações competentes são fundamentais pra trazer a carga emocional relativa à tudo que acontece no filme. E olha, não é pouca coisa, viu? Saí do cinema de queixo caído.

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Vingadores: Guerra Infinita é um verdadeiro presente aos fãs da Marvel e aos fãs de super-heróis. Essa primeira parte da guerra trouxe não apenas um crossover digno entre todo o universo Marvel, como também um vilão à altura de tantos super-heróis que aprendemos a amar. O filme celebra os 10 anos desse Universo Cinematográfico exaltando tudo que a Marvel tem de melhor. O resultado não poderia ser outro: imperdível, sensacional, arrebatador. ❤ Assistam!

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Agora, pra quem já assistiu, seguem comentários com spoilers (selecionem se quiserem ler):

  • Não acredito que levaram meu Bucky embora de novo! 💔
  • Achei que o Capitão América teria uma presença mais marcante do que teve.
  • Como a galera conseguiu respirar sem os capacetes no planeta Titan???
  • CHO-CA-DA com a morte da Gamora! 😱
  • Algo me diz que na próxima parte as mortes serão revertidas (até porque teremos mais um filme de Homem-Aranha, pelo que sei). Porém, nada me tira da cabeça que alguém da formação original dos Vingadores vai morrer real oficial. 😦
  • Sobre a cena pós-créditos: quero só ver como vão justificar o sumiço/não-participação da Capitã Marvel na batalha. Será que ela tá presa em algum lugar? 🤔

Título original: Avengers: Infinity War
Ano de lançamento: 2018
Direção: Joe Russo, Anthony Russo
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Mark Ruffalo, Josh Brolin, Chadwick Boseman, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Chris Pratt, Zoe Saldana, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Sebastian Stan, Bradley Cooper