Review: Um Ninho Para Dois

Oi gente, tudo bem?

Desde o lançamento do trailer eu estava ansiosíssima pra conferir Um Ninho Para Dois, novo drama da Netflix com a Melissa McCarthy. Fica a dica: já pega uma caixa de lencinhos.

Sinopse: Uma mulher que tenta superar uma perda precisa lidar com um pássaro genioso que invadiu seu jardim e um marido que luta para seguir em frente.

O filme começa com uma cena fofa entre o casal Lilly e Jack, que estão pintando o quartinho de sua bebê recém-nascida, até que há um corte que nos leva para um futuro bem mais triste: Lilly está vivendo sozinha, pois seu marido está internado em uma instituição psiquiátrica. O motivo não demora a se revelar; o casal perdeu sua filha, Katie, para a síndrome da morte súbita infantil. Esse evento traumático gerou uma ruptura no casamento, e nenhum dos dois sabe como lidar com o presente.

Não sou mãe e mal posso imaginar a dor de perder um filho, mas Um Ninho Para Dois consegue, com delicadeza, transmitir essa devastação por meio das diferentes formas de sofrimento do casal. Lilly tenta seguir em frente da maneira que pode, voltando ao trabalho e tentando manter um senso de normalidade à rotina. Seus erros e falta de atenção durante o expediente, porém, são o primeiro e mais óbvio indício de que a personagem precisa de ajuda. Jack, por outro lado, é um homem cuja dor o paralisou. Sua internação na instituição psiquiátrica é advinda de uma tentativa de suicídio, e fica claro para o espectador de que ele não vem fazendo progresso em sua terapia. Quando uma visita de Lilly ao marido acaba de forma tensa, uma das terapeutas do lugar indica o contato de um velho conhecido que ela acredita poder ajudar Lilly: o Dr. Larry Fine (o jogo de palavras aqui não escapa à protagonista). Acontece que Larry abandonou a psiquiatria para se dedicar a outro ramo: a veterinária. E é com essa situação inusitada que Lilly se vê encarando verdades que ela não tinha tido coragem até então.

Lilly é o espírito do filme, e a atuação cheia de nuances de Melissa McCarthy me levou às lágrimas e aos risos durante a 1h44 de duração do longa. A personagem decide limpar e cultivar o seu quintal, mas acaba sendo atacada por um estorninho, uma espécie de pássaro territorialista que está protegendo seu ninho. Ao longo da trama, o ousado passarinho faz diversas investidas contra Lilly, que vai criando estratégias pra se proteger dele (como usar um capacete de futebol americano rs). Nesses momentos percebemos o tom de comédia dramática do longa, pois essas cenas quebram a tensão de uma forma que diverte e acalenta. O fato de Larry ser um veterinário não impede que os dois construam uma relação de “terapia não oficial”, na qual ele incentiva Lilly a falar sobre seus sentimentos também e processar o próprio luto – já que, até então, só pôde focar na dor do marido.

Mas Jack também mexe com o nosso coração. A apatia que o domina é um sinal claro da depressão que o acomete, e sua recusa em fazer o tratamento correto o leva cada vez mais para o fundo do poço. Mas é importante que isso seja mostrado, porque mesmo com todo o amor e suporte, muitas vezes essa doença ainda assim triunfa. E o filme não culpabiliza Jack por isso, ainda que demonstre que Lilly está carregando uma carga muito pesada por ter sido “abandonada” pelo marido, que não conseguiu apoiá-la com a perda de Katie. Larry inclusive tem uma fala muito importante sobre o ser humano buscar culpados em situações nas quais simplesmente não há quem culpar: é uma dificuldade nossa em aceitar que tragédias acontecem sem nenhuma razão plausível. O médico incentiva que Lilly converse com Jack e exponha seus sentimentos de luto e solidão, e quando a protagonista resolve fazê-lo, é com a intensidade de quem está magoada pelo abandono mas também com desejo de que o marido volte pra ela.

Um Ninho Para Dois é emocionante do início ao fim, sendo intercalado com cenas divertidas que ajudam você a não chorar durante toda a duração do filme. Ele é a história de um casal em luto, mas também de duas pessoas que estão buscando entender quem são e como seguir em frente após um acontecimento tão devastador. Para além disso, é também a história de um casal em busca do caminho que os leve de volta um ao outro: com cicatrizes, sim, mas também com muito amor. Amei (e me emocionei) muito! ❤

Título original: The Starling
Ano de lançamento: 2021
Direção: Theodore Melfi
Elenco: Melissa McCarthy, Chris O’Dowd, Kevin Kline, Kimberly Quinn

Dica de Série: Nove Desconhecidos

Oi pessoal, tudo bem?

Terminei de assistir à minissérie Nove Desconhecidos, que adapta o livro de mesmo nome que resenhei um tempinho atrás. Bora pro review e pro comparativo com o livro?

Sinopse: Nove pessoas problemáticas se hospedam em um sofisticado retiro de bem-estar que promete uma transformação total. Lá, os hóspedes se entregam a um tratamento radical que ameaça levar esse instável grupo ao limite de suas emoções e medos.

O plot básico da série é o mesmo que o da obra original: nove pessoas contratam um pacote no spa Tranquillum House em busca de descanso para o corpo e para a mente por motivos diversos. Lá, eles encontram cenários paradisíacos, consultores de bem-estar bonitos e de voz tranquila e a diretora do lugar: Masha, uma russa magnética e enigmática. Logo fica claro que ela utiliza abordagens pouco ortodoxas e que o spa não é somente um espaço para o relaxamento, mas sim para terapias que podem levar cada um dos presentes ao extremo.

É nítido que a minissérie traz mais elementos de suspense para a trama do que o livro. Não demora para que o espectador comece a ficar desconfortável com algumas medidas adotadas na Tranquillum House, como o fato de fazerem exames de sangue diários nos hóspedes, por exemplo. Existem tensões entre os hóspedes, alguns rompantes de raiva e outras situações que nos levam a questionar se aquele é um ambiente totalmente seguro. Quando Masha começa a receber vídeos dela na propriedade (como se fosse de um stalker), o clima de mistério – e perigo – se acentua.

Diferente do que ocorre no livro, a série revela um de seus principais mistérios logo de início: a metodologia do tratamento de Masha. A partir daí, vemos os personagens “entrando na onda” e aceitando os tratamentos de forma voluntária. Essa é uma das principais diferenças em relação à obra original, e acho que é uma bem importante; particularmente, senti falta da revolta dos personagens com o que acontece em Tranquillum House. Eles não só aceitam aquilo que lhes é oferecido como entram de cabeça nas propostas arriscadas de Masha, sem medo das consequências.

Enquanto o livro é lento, mais focado no drama de cada personagem e menos no mistério, aqui a série se inverte, tendo mais cenas de tensão e fazendo com que alguns personagens mal tenham tempo de tela (como o casal cujo casamento está em crise, Ben e Jessica). Felizmente, duas das minhas tramas favoritas foram bem exploradas ao longo dos episódios: a primeira delas é a aproximação da escritora Frances (que sofreu um golpe de amor pela internet) e do ex-atleta Tony (que teve que parar de jogar após uma lesão e se fechou para o mundo). A química entre Melissa McCarthy e Bobby Cannavale transborda na tela e eles protagonizam cenas emocionantes e outras engraçadas. A segunda trama que eu curti demais, superando a emoção do livro, foi a da família Marconi, que foi ao spa na tentativa de superar o luto pela perda do filho/irmão. Heather, Napoleon e a filha, Zoe, carregam muita culpa e sofrimento, e todas as cenas em que eles enfrentaram tais sentimentos me fizeram chorar. A atuação visceral de Asher Keddie (Heather) me deixou arrepiada e de coração partido.

A reta final da série é um pouco fraca. O clímax não causa aflição, o que ocorre nas páginas. Por outro lado, a produção televisiva foca em humanizar Masha e suas experiências, transformando-a em uma personagem que causa mais simpatia (enquanto no livro ela está em busca de fama e reconhecimento). Além disso, diferente do que ocorre no material original, a minissérie tem um final aberto – cabendo a você escolher no que acreditar.

A adaptação de Nove Desconhecidos é uma ótima produção, com um enredo bacana e ganchos interessantes. Mas seu maior mérito é o mesmo que o do livro: seus personagens – aqui muito bem representados por um elenco que entrega atuações impecáveis. As mesmas coisas que me incomodaram no livro também me incomodaram na série, mas em ambos os casos minha percepção geral da história é muito boa. Vale a pena colocar Nove Desconhecidos na lista e passar um tempinho em Tranquillum House. 😉

P.S.: pra quem ficou interessado em saber as diferenças entre a série e o livro (com spoilers, obviamente), é só conferir a lista abaixo:

  • Descoberta da verdade sobre o tratamento: quem se liga que Masha está drogando os hóspedes é Heather, que é enfermeira. Ela também é a primeira a se revoltar, assim como Ben, que odeia drogas por ter perdido a irmã para o vício;
  • Plot de Ben e Jessica: o casal vai até o spa para tentar salvar o casamento e, enquanto na série os dois realmente se reaproximam, no livro eles percebem cada vez mais o abismo que se construiu na relação. Ele inclusive se aproxima de Zoe, dando a entender que eles vão manter uma amizade (ou algo mais) no futuro;
  • Propósito das alucinações: diferente do que a série mostra, o livro não traz todo o plot de alucinações com os mortos como uma tentativa de trazê-los de volta;
  • Passado da Masha: no livro ela também perde a filha, mas quando ainda é um bebê. Ela também não tem nenhuma relação com Carmel e não sofreu uma experiência de quase morte pelo tiro, e sim por infarto;
  • Propósito da Masha: enquanto na série ela quer uma forma de reencontrar a filha morta e, por isso, faz os tratamentos nos hóspedes, no livro ela deseja reconhecimento e sucesso por seu método inovador;
  • Yao e Delilah: no livro a Delilah transa com Yao mas não existe a camada romântica/amorosa que a série traz. Consequentemente, ela é uma personagem mais “foda-se” na obra original, que vai embora muito mais por medo de ser pega pela polícia do que por princípios;
  • Plot da Carmel: a mudança mais drástica da série. No livro ela também é uma mulher insegura e magoada pelo fato de ter sido trocada pelo marido e confesso que, no início da trama, achei que ela seria meio maluca por venerar a Masha. No fim, foi uma personagem bem sem sal. Na série ela é completamente desequilibrada, sendo a pessoa por trás do tiro em Masha e responsável por stalkear a diretora da Tranquillum House;
  • Passado do Tony: diferente do que a série mostra, o ex-atleta não se envolveu em uma briga que culminou na morte de um homem, e também não era viciado em analgésicos. Ele decide ir a Tranquillum por estar completamente sozinho e perceber que ficou “triste” ao ir ao médico e descobrir que sua saúde estava ok, servindo de sinal de alerta para buscar ajuda.

Título original: Nine Perfect Strangers
Ano de lançamento: 2021
Criadores: John-Henry ButterworthDavid E. Kelley
Elenco: Amy Poehler, Rashida Jones, Nick Offerman, Aubrey Plaza, Chris Pratt, Adam Scott, Aziz Ansari, Retta, Jim O’Heir, Rob Lowe

Dica de Série: Parks and Recreation

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar do meu gênero favorito ser thriller/policial, ele é seguido de perto por sitcoms. Sempre preciso ter alguma série divertida, com episódios de 20 minutos, no radar. Por isso, vim dividir com vocês uma que ganhou meu coração: Parks and Recreation.

Sinopse: Leslie Knope, uma burocrata de nível médio no Departamento de Parques e Recreação de Indiana espera embelezar sua cidade (e impulsionar sua própria carreira) ajudando a enfermeira Ann Logan a transformar uma construção abandonada em um parque comunitário, mas o que deveria ser um projeto relativamente simples é frustrado o tempo todo por burocratas estúpidos, vizinhos egoístas, a burocracia governamental e um infinidade de outros desafios.

Assim como aconteceu com The Office, foram necessárias duas tentativas pra gostar de Parks. Acredito que ter me acostumado com a vibe da primeira fez com que tornasse mais fácil gostar da segunda quando me propus a tentar de novo. E como valeu a pena! Parks é incrível ao início ao fim, cheia de cenas memoráveis e personagens cativantes.

A trama acompanha Leslie Knope, uma funcionária pública apaixonada pelo que faz e por sua cidade, Pawnee. Ela é vice-diretora do setor de Parques e Recreação da prefeitura, e leva seu trabalho muito a sério. Tentar descrever Leslie é como tentar descrever um unicórnio fofinho e saltitante: ela é otimista, fofa, carinhosa, leal e inocente. Por isso, quando a enfermeira Ann Perkins comparece a uma reunião pública e revela que seu namorado caiu numa cratera que deveria ser de responsabilidade da prefeitura, Leslie faz de sua missão de vida ajudar Ann e conseguir transformar aquele espaço em um parque. Esse é o início de uma das amizades mais fofas da televisão.

Parks and Recreation, portanto, começa girando em torno desse objetivo de fechar a cratera. Porém, com o desenrolar das temporadas, vemos Leslie se envolvendo em mais camadas políticas e assumindo tarefas cada vez mais desafiadoras – tudo isso com muito bom humor e leveza. E, pra mim, o grande mérito da série está nos personagens (e seu elenco que dá vida a cada um deles). O grupo do setor de Parques e Recreação é composto por pessoas muito diferentes, mas com o tempo vemos que há algo em comum entre todos: a lealdade, especialmente à Leslie.

Parks é tão engraçada que conseguiu fazer com que o chefe de Leslie, Ron Swanson, fosse um dos meus personagens favoritos. E por que isso é uma grande conquista da série? Porque Ron personifica tudo que eu abomino e, na vida real, eu atravessaria a rua pra não ter que cruzar com ele: o homem é pró-armas, acha os Estados Unidos a única nação que presta, é conservador e come carne até de sobremesa. Só que eu juro pra vocês que na série esse jeitão dele funciona, e todos os momentos em que ele demonstra seus sentimentos e vulnerabilidade são incríveis de assistir. Há também uma dupla que eu adoro demais, mas sobre a qual não posso falar muito pra não dar spoilers: Ben e Chris. Eles são auditores do governo e chegam à série na segunda temporada, sendo adições essenciais pro desenvolvimento da trama. Por último, mas não menos importante, vale comentar que Pawnee por si só é um personagem. A cidade é a grande paixão de Leslie, que a defende com unhas e dentes, e tem inúmeras peculiaridades (como o fato de idolatrar um pônei, Lil’ Sebastian).

Se você procura um entretenimento capaz de levantar o seu astral, corre na Amazon Prime Video pra dar o play em Parks and Recreation. Você vai se divertir em cada episódio com o jeito marcante de cada personagem e provavelmente vai terminar a série acreditando também que Pawnee é um lugar incrível. 😀

Título original: Parks and Recreation
Ano de lançamento: 2009
Direção: Greg Daniels, Michael Schur
Elenco: Amy Poehler, Rashida Jones, Nick Offerman, Aubrey Plaza, Chris Pratt, Adam Scott, Aziz Ansari, Retta, Jim O’Heir, Rob Lowe

Dica de Série: Clickbait

Oi galera, tudo bem?

O Dica de Série de hoje é um misto de (não) indicação provocada pela indignação. 😂 Mas eu não podia deixar de comentar a série que tem estado no Top 10 da Netflix Brasil e que é do meu gênero favorito (tramas policiais). Estou falando de Clickbait.

Sinopse: Quando Nick Brewer é sequestrado e sua vida passa a depender de um sinistro jogo online, as pessoas próximas a ele correm para descobrir quem está por trás disso.

Clickbait é uma minissérie de 8 episódios que gira em torno do sequestro de Nick Brewer, um fisioterapeuta respeitado, marido e pai amoroso. O fato mais grotesco do sequestro é que os raptores filmaram Nick segurando uma placa dizendo que ele abusa de mulheres e que, quando o vídeo atingir 5 milhões de visualizações, ele vai morrer – sim, no melhor estilo Black Mirror. É desnecessário dizer que não leva 24h pra um vídeo apelativo assim, que descreve perfeitamente o nome da série, viralizar, certo? Com isso, os episódios se concentram em não apenas investigar o caso de Nick, mas também desnudar o personagem (e os segredos por trás das acusações nas placas).

Cada episódio de Clickbait é focado em um personagem, começando pela irmã e melhor amiga de Nick, Pia. Ela é uma mulher intensa e cheia de defeitos, mas com uma vulnerabilidade e um amor tão profundo pelo irmão que fazem o espectador nutrir certa simpatia por ela (mesmo com suas grosserias). Além dela, temos o ponto de vista do detetive Amir (um personagem íntegro, justo e muito comprometido com o seu trabalho), da viúva de Nick, Sophie (outra personagem que não é muito palatável, mas por quem nos solidarizamos), entre outros que não vou mencionar porque seriam spoilers. O bacana dessa dinâmica é que cada personagem tem seu próprio espaço para ser desenvolvido enquanto a trama principal – a investigação – acontece.

Aliás, a investigação em si é muito bacana e envolve muito mais do que os personagens já citados. A série trabalha superbem os cliffhangers e faz com que você não queira sair da frente da tv até descobrir toda a verdade sobre o caso. Obviamente, como o nome da série sugere, existe sim um apelo relacionado ao “cuidado com o que você compartilha por aí” e “cuidado com o que você acredita na internet”, e algumas pessoas podem achar um pouco forçado. A mim, não incomodou. Discussões sobre fornecimento de dados, golpes e fraudes não são coisas recentes, então não vi problema da série abusar um pouco disso pra fins ilustrativos.

O que me incomodou a ponto de causar a indignação do início do post, então? 😂 O final, gente, o final. Quem me acompanha aqui há mais tempo sabe o quanto valorizo bons finais, a ponto de aumentar uma nota de uma obra mediana quando o desfecho é bom ou diminuí-la no caso de uma obra incrível mas cujo final não seja. E Clickbait peca gravemente em seu encerramento, porque se desfaz de todas as premissas construídas até ali em busca de um plot twist chocante que parece ter sido pensado apenas com esse propósito: chocar. Os motivos pelos quais toda a história acontece são esdrúxulos e tudo que a trama estabelece até a season finale é desperdiçado em nome de um caminho completamente sem sentido e preguiçoso – incluindo até mesmo as discussões sobre segurança na internet e (a falta de) limites da mídia sensacionalista e obcecada por cliques. Eu prefiro finais mais óbvios, mas coerentes, do que plot twists de explodir a cabeça que não fazem sentido nenhum, e pra mim esse é o grande problema da série.

Conversei com algumas pessoas que também se frustraram com o final de Clickbait, então queria saber de vocês: quem já assistiu, gostou? Porque se eu tiver que resumir, diria que Clickbait é uma minissérie de ritmo envolvente, premissa instigante e que joga fora seu potencial com um final fraco e mal executado. Uma pena. :/

Título original: Clickbait
Ano de lançamento: 2021
Criação: Tony Ayres, Christian White
Elenco: Zoe Kazan, Betty Gabriel, Phoenix Raei, Adrian Grenier, Camaron Engels, Jaylin Fletcher, Becca Lish

Dica de Série: Falcão e o Soldado Invernal

Oi pessoal, tudo bem?

Eu sou bem cadelinha da Marvel, e provavelmente esse foi o principal motivo que me fez assinar o Disney+ rs. E é óbvio que eu não ia perder a série envolvendo um dos meus personagens favoritos, o Bucky (que inclusive deu nome ao meu cachorro). 🥰 Bora saber mais sobre Falcão e o Soldado Invernal?

Sinopse: Falcão e o Soldado Invernal são obrigados a formar uma dupla incompatível e embarcarem em uma aventura global que deve testar tanto suas habilidades de sobrevivência quanto sua paciência.

Ao final de Vingadores: Ultimato, vemos um Steve Rogers envelhecido, que optou por ficar no passado vivendo ao lado da sua amada Peggy Carter. Quando ele retorna ao presente, ele se despede de seus amigos mais próximos, Bucky e Sam, e oficialmente aposenta o escudo – indicando que deseja que Sam o assuma. Para a nossa surpresa, ao iniciar Falcão e o Soldado Invernal vemos Sam atuando ainda como Falcão, e o escudo do Capitão foi para o museu em sua homenagem. Bucky visivelmente não aceita a decisão de Sam, revoltando-se com o fato de que o Falcão (em sua opinião) está deixando o legado de Steve pra trás, especialmente quando outro soldado (John Walker) é escolhido para vestir o manto. Apesar das suas diferenças, Bucky e Steve precisam se unir quando um grupo terrorista conhecido como Apátridas parece estar fazendo uso do soro do super soldado para promover protestos e atentados em nome da sua ideologia.

Falcão e o Soldado Invernal é, até agora, a série com mais cenas de ação das lançadas no Disney+. Os dois protagonistas são guerreiros competentes e verdadeiros soldados. Mas, apesar disso, os episódios não focam somente nesse aspecto dos personagens, e foi isso que me fez gostar tanto dela: ela trabalha as emoções de Sam e de Bucky de uma forma que até então não havíamos visto nos filmes. Sam, por exemplo, sofre a pressão por não ter carregado o escudo e o manto de Steve. O fato de ser um soldado negro e ele saber que os Estados Unidos escolhem homens brancos, loiros e de olhos azuis para representar o país enquanto afro-americanos são desprezados, sofrem violência e são vítimas da desigualdade é um peso em seus ombros, que fica ainda mais evidente quando ele descobre que houve um super soldado negro (Isaiah Bradley) que, além de não ter tido reconhecimento por parte do país, ainda teve que fingir sua morte e viver escondido para não ser preso ou eliminado. Esse debate sobre as questões raciais também aparece em uma cena na qual Sam e Bucky são abordados por policiais mas somente a Sam é solicitada a documentação, por exemplo. São aspectos bem relevantes e que eu gostei muito de ver na série.

Bucky, por sua vez, lida com outro tipo de pressão: ele é um soldado com mais de 100 anos e que passou os últimos como um servo da H.I.D.R.A. devido à lavagem cerebral sofrida. Apesar de ter conseguido, com a ajuda de Wakanda, retomar seu verdadeiro eu, ele é um homem perdido nesse novo tempo. E a única referência que ele tinha, seu melhor amigo, se foi para sempre. Isso torna ainda mais doloroso pra ele ver Walker assumindo o título de novo Capitão América, porque em sua interpretação Sam não honrou Steve e tampouco merecia a chance de carregar o escudo. Para além de sua mágoa relacionada ao título, vemos Bucky tendo que lidar com profundas cicatrizes emocionais causadas pelo tempo em que foi o Soldado Invernal. Ele é obrigado pelo Estado a fazer terapia como forma de compensação pelos seus atos, e uma parte de seu “tema de casa” é contar a verdade sobre seu passado às pessoas que feriu. Uma dessas pessoas é um dos poucos vínculos que ele tem no presente, e é palpável a dor e o peso que o personagem carrega. Ele e a Wanda são uma dupla e tanto no que diz respeito a cenas difíceis e lágrimas cheias de peso e significado. 😥

Falando um pouco sobre a ação, são interessantes os debates gerados pelos Apátridas. Esse grupo acredita que o planeta estava melhor durante o Blip, pois durante aqueles 5 anos as fronteiras caíram e os países foram obrigados a trabalhar juntos, já que metade da população mundial se foi. Com o retorno de todas essas pessoas, os governos começaram a levantar muros novamente e grande parte da população começou a ser expulsa de sua nova vida para dar espaço às que retornaram. Por mais que a forma como os Apátridas seja questionável, os motivos valem uma reflexão interessante. Sua líder, Karli, é uma jovem disposta a tudo, inclusive perder a própria vida, em nome desse objetivo que ela considera muito maior que ela. Sendo uma pessoa que sofreu preconceito também, Sam vê nela uma intenção boa por trás de seus atos, fazendo com que ele deseje ajudá-la e convencê-la de que existem outras formas pra agir. Isso tudo, é claro, em meio a cenas de luta intensas, já que quase todos Apátridas usam o soro. Por fim, não posso deixar de mencionar uma dupla inesperada que também auxilia Sam e Bucky: o Barão Zemo e Sharon Carter (atenção pra esse nome, que talvez ele tenha mais desdobramentos no futuro do MCU).

John Walker é um personagem que também vale a menção. Ele inicia seu trabalho como novo Capitão América com boas intenções, mas ao longo dos episódios percebemos que ele tem traumas da guerra e não sabe lidar com eles. Walker toma decisões duvidosas, demonstra ser antiético em mais de uma circunstância e faz abuso de seu poder (não apenas como Capitão, mas em seu passado no Afeganistão também). O importante aqui é que Falcão e o Soldado Invernal, por meio de Walker, introduz uma personagem chamada Valentina Allegra de Fontaine, que também aparece em Viúva Negra. Esse tipo de informação que o MCU vai jogando aos poucos em suas produções torna um pouco “obrigatório” acompanhar tudo que eles lançam se você quiser ficar 100% por dentro, mas também se não estiver a fim é só jogar no Youtube ou no Google depois. 😛

Eu gostei muito das séries lançadas pela Marvel até o momento, e minha ordem de preferência é WandaVision, Falcão e o Soldado Invernal e, por último, Loki (ainda que provavelmente tenha sido a mais hypada). Adorei acompanhar essa nova aventura de Sam e de Bucky, assim como ver o nascimento do nosso novo Capitão América e o processo de cura de um dos personagens mais injustiçados do MCU, assim como o surgimento de uma nova amizade e uma parceria cheia de química (e cheia de cenas muito engraçadas). Agora fico ansiosa pra que o Bucky encontre um novo codinome (Lobo Branco, talvez?), porque faz tempo que ele deixou de ser o Soldado Invernal – e, caso mantenha o nome, torço pra que o fardo fique pra trás (e felizmente algumas cenas trazem essa alegria pro coração). ❤ #TeamBucky Enfim, resumindo: adorei a série e recomendo demais!

Título original: The Falcon and the Winter Soldier
Ano de lançamento: 2021
Criação: Malcolm Spellman
Elenco: Anthony Mackie, Sebastian Stan, Wyatt Russell, Erin Kellyman, Daniel Brühl, Emily VanCamp

Dica de Série: Mare of Easttown

Oi pessoal, tudo bem?

Vamos de dica de seriezão da porra? Vamos! Hoje vim falar pra vocês sobre uma das melhores minisséries a que assisti recentemente: Mare of Easttown.

Sinopse: Uma detetive de uma pequena cidade investiga um assassinato local enquanto sua vida desmorona.

Essa minissérie da HBO acompanha a vida na pequena cidade de Easttown, sendo protagonizada pela detetive Mare Sheehan, uma mulher pragmática, competente mas com uma vida pessoal completamente conturbada. Ela é atormentada por um caso que não conseguiu resolver (o desaparecimento de uma menina chamada Katie) e por um acontecimento marcante em seu passado recente (que não vou contar pra evitar spoilers), e tenta viver um dia de cada vez. Porém, quando Erin, uma jovem mãe solteira e parente de sua melhor amiga, é encontrada morta, Mare sente uma necessidade irrefreável de solucionar o caso – especialmente porque acredita ter algum tipo de conexão com o de Katie.

Eu chego a ser repetitiva por aqui, mas sempre gosto de ressaltar pra que pessoas novas aqui no blog saibam: suspenses policiais são meus tipos favoritos de histórias. Se tiver um drama bem desenvolvido junto então, melhor ainda. Isso e muito mais encontramos em Mare of Easttown. Os episódios da minissérie são longos, com cerca de 1h de duração, mas o ritmo flui tão bem que você nem sente o tempo passar. E não porque a série tenha infinitas sequências alucinantes de ação; é que ela tem personagens tão bem construídos e uma trama que se desenrola aos poucos, mas de maneira sólida, que você se vê fisgado pelo dia a dia da pequena cidade.

A vida de Mare dá uma guinada que a leva de chamados de vizinhos idosos em seu telefone particular para uma investigação que aponta para um caminho ainda mais obscuro do que ela imaginava. A morte de Erin é a ponta do iceberg de um caso complexo e perigoso por si só, mas que se agrava quando pensamos que a protagonista está em um momento de fragilidade emocional. Felizmente, ela não precisa trabalhar nisso sozinha, e conta com a ajuda de Colin Zabel, um investigador que vem ganhando notoriedade por ter resolvido outro caso de desaparecimento. A dinâmica dos dois é a clássica “ranzinza e fechado vs otimista e entusiasmado”, sendo Mare a representante do mau humor e do estilo mais reservado. 😛

Conforme os episódios evoluem, Mare of Easttown vai se aprofundando na vida pessoal da protagonista, o que inclui também seus relacionamentos mais próximos. A detetive sofreu uma perda familiar irreparável e, ao longo dos episódios, percebemos como essa dor moldou seu jeito de agir e de viver, destruindo seu casamento e afastando-a da filha. É nítido que ela não processou essa perda e que a forma como ela lida com isso beira a autodestruição. Para além dela, a minissérie também desenvolve aos poucos os personagens que orbitam sua vida, como a família de Erin. A jovem é parente do marido da melhor amiga de Mare, Lori, então o peso da investigação acaba recaindo também nessa relação – uma das únicas com quem Mare é capaz de se abrir.

Por último, mas não menos importante, é impossível não elogiar as atuações. O destaque, é claro, fica para Kate Winslet. Na postura física, no tom de voz e no olhar, a atriz transmite com excelência todas as camadas que Mare possui, indo muito além do clichê da detetive durona. Mas o elenco de apoio também brilha e todos os outros personagens têm suas tramas desenvolvidas de maneira satisfatória, entregando mais do que o necessário para fazer o espectador mergulhar no dia a dia (e nos acontecimentos trágicos) de Easttown.

Com episódios muito bem conduzidos, várias pistas sutis sendo entregues e um final redondo, Mare of Easttown é uma série imperdível pra quem curte um bom drama policial. As relações familiares – especialmente o amor entre mãe e filhos – é um dos principais pilares que regem a trama, assim como o impacto da coletividade em uma pequena comunidade entrelaçada. Altamente recomendada!

Título original: Mare of Easttown
Ano de lançamento: 2021
Criador: Brad Ingelsby
Elenco: Kate Winslet, Julianne Nicholson, Evan Peters, Joe Tippett, John Douglas Thompson, Cameron Mann, Jack Mulhern

Review: Viúva Negra

Oi pessoal, tudo bem?

Nas últimas semanas, Viúva Negra esteve nos holofotes devido à decisão de Scarlett Johansson processar a Disney por quebra de contrato. Mas nem essa informação é capaz de ofuscar um fato: Natasha Romanoff é uma personagem incrível – e merecia mais. Vou explicar mais sobre isso no review, então vem comigo. 😉

Sinopse: Natasha Romanoff, também conhecida como Viúva Negra, confronta o lado mais sombrio de sua história quando surge uma perigosa conspiração ligada ao seu passado. Perseguida por uma força implacável disposta a tudo para destruí-la, Natasha precisa agora lidar com seu passado como espiã e com as relações que deixou para trás muito antes de se tornar uma Vingadora.

Depois de mais de 10 anos de MCU, finalmente Natasha ganhou seu primeiro (e único) filme solo. A personagem, que fez sua estreia de forma sexualizada e estereotipada em Homem de Ferro 2, veio crescendo ao longo dos anos e se tornando uma parte cada vez mais fundamental nos Vingadores, chegando inclusive a liderá-los junto de Steve Rogers. Porém, quem assistiu a Vingadores: Ultimato sabe qual foi o destino da personagem, o que nos deixa com duas sensações: “que desperdício” e “queria ver mais dela”.

A trama de Viúva Negra se passa após os eventos de Capitão América: Guerra Civil. Natasha está vivendo como foragida após apoiar Steve, mas sua rotina isolada chega ao fim quando ameaças do seu passado como espiã russa retornam para atormentá-la. A personagem se depara com uma substância capaz de controlar a mente das Viúvas Negras (esse título é compartilhado entre as meninas que fizeram parte da Sala Vermelha, na qual Nat cresceu) e entende uma verdade terrível: Dreykov, a pessoa por trás da Sala e que Natasha acreditava estar morto, na realidade está vivo e operante. A Vingadora então acaba reunindo forças com pessoas muito importantes de seu passado: sua “família”.

Esse é o primeiro filme em que descobrimos mais sobre a pessoa que Natasha é. Quando criança, ela já fazia parte de uma operação russa nos Estados Unidos, e convivia com uma família de agentes montada pelo governo. Ela tinha uma irmã mais nova, Yelena (que também foi transformada em Viúva Negra); um pai, Alexei (que foi uma figura semelhante ao Capitão América para os russos); e uma mãe, Melina (uma cientista genial). Ainda na infância, a missão nos Estados Unidos dá errado e todos são separados, e desde então Natasha nunca mais teve contato com eles. O surgimento de Dreykov e da substância capaz de controlar mentes é o que coloca a protagonista em movimento para reencontrar cada membro da família – o que gera um equilíbrio maravilhoso entre cenas de luta, momentos engraçados e também um revirar de ressentimentos.

Yelena é a personagem que mais brilha no filme, sendo uma adição muito bem-vinda ao MCU. Ela era muito pequena quando a família foi separada, e sofreu muito com o distanciamento. A jovem se ressente de Natasha por nunca tê-la procurado, mas aos poucos as duas conseguem se reconectar. Yelena é aquela personagem durona, mas de coração enorme, sabem? Ver a interação dela com os outros personagens é bem bacana e ela faz aflorar em Nat um lado que tivemos a oportunidade de ver poucas vezes: uma afeição genuína com uma dose de vulnerabilidade.

O filme também tem ótimas sequências de ação. Existem muitas cenas de luta corpo a corpo, e é bem empolgante assistir. Porém, pra quem espera uma missão que siga um perfil mais de “espionagem” pode acabar se frustrando, porque a pegada é muito mais tiro, porrada e bomba mesmo. E aqui entra um dos aspectos frustrantes que comentei: a história da Natasha é muito mal aproveitada, e a protagonista vai muito além de batalhas físicas e perseguições. O longa até menciona alguns detalhes de como ela desertou da Rússia e integrou a S.H.I.E.L.D., assim como menciona a missão em Budapeste com Clint, mas a gente fica com um gostinho de quero mais. Natasha viveu tantas experiências durante seu treinamento na Sala Vermelha e também como espiã (e Budapeste é só um exemplo delas) que eu, como fã da personagem no MCU, gostaria muito de ter tido a chance de conferir.

O outro ponto negativo do filme é o timing: assistir a uma aventura solo da heroína que serve “só” como uma explicação do que aconteceu entre Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita, assim como introduzir uma possível “nova Viúva Negra”, é um grande desperdício, além de ser anticlimático. A Viúva Negra é muito mais interessante que o Thor e mesmo assim nunca teve um momento só seu, pois mesmo em seu filme solo quem se destaca é a Yelena. Se somarmos a tudo isso o fato de que já sabemos qual será o destino da Nat, o gosto que fica é bastante amargo.

Em resumo, eu gostei de Viúva Negra como um filme de ação e fiquei contente pelo fato de Natasha Romanoff finalmente ter um longa pra chamar de seu. Entretanto, não posso deixar de fora a tristeza por saber que uma personagem tão incrível e cheia de nuances, com tantas histórias pra contar, tenha recebido essa migalha em comparação com outros personagens do MCU. Agora me resta torcer para que a Marvel não falhe dessa forma com as outras personagens femininas que estão ganhando espaço nas telas.

Título original: Black Widow
Ano de lançamento: 2021
Direção: Cate Shortland
Elenco: Scarlett Johansson, Florence Pugh, Rachel Weisz, David Harbour, Ray Winstone

Dica de Série: Loki

Oi pessoal, tudo bem?

Na última quarta-feira Loki, a série do Disney+ focada no Deus da Trapaça, chegou ao fim, e hoje vim compartilhar minhas impressões a respeito com vocês!

Sinopse: Depois de roubar o Tesseract em “Vingadores: Ultimato”, Loki acaba perante a Autoridade de Variância Temporal (AVT), uma organização burocrática kafkiana que existe fora do tempo e do espaço.

Quem viu Vingadores: Ultimato lembra que o plano dos heróis era voltar no tempo para recuperar as Joias do Infinito, certo? Ao voltarem para 2012, porém, uma confusão acontece e o Loki daquela timeline escapa, e é nessa série que descobrimos o que acontece com ele. O protagonista não demora a ser capturado por outra organização: a AVT (Autoridade de Variância Temporal), responsável por cuidar da Linha Temporal Sagrada que mantém os eventos do universo onde devem estar, e por eliminar qualquer elemento que fuja desse “script”, as chamadas Variantes (sendo este o caso de Loki). Porém, em vez de ser eliminado, Loki é recrutado por um dos agentes da AVT – Mosbius – para auxiliá-lo num problema muito maior: existe alguma outra Variante do Loki causando perturbações consideráveis na linha do tempo e eliminando os agentes da organização, e Mosbius acredita que não há ninguém melhor que um Loki para ajudá-lo a encontrar outro.

Para ser totalmente sincera com vocês, demorei um pouquinho a gostar de Loki. Os primeiros episódios foram bem medianos pra mim, ainda que divertidos. Tom Hiddleston tem carisma, assim como Owen Wilson, então a dupla funciona bem. Obviamente, Mosbius não confia totalmente em Loki, e Loki também tenta enganar Mosbius sempre que possível para benefício próprio. Mas ao longo dos primeiros episódios os dois conseguem focar na missão de rastrear a Variante Loki que está causando as perturbações: uma mulher que abdicou do nome Loki e se autodenomina Sylvie.

Sylvie teve uma vida ainda mais difícil que a do Loki que conhecemos: ela foi identificada como Variante e removida do seu universo original ainda na infância. Porém, ela deu um jeito de escapar da AVT ao roubar um dos dispositivos que eles usam para se mover pelo espaço-tempo (conhecidos como Temp Pads). Seu objetivo máximo é destruir a AVT e se vingar da vida que lhe roubaram, mas devido a inúmeras situações problemáticas, ela e Loki acabam sendo obrigados a trabalhar em conjunto para escaparem da aniquilação por parte da organização.

Vou dizer pra vocês que o que mais gostei em Loki foi da relação que ele construiu com esses personagens, mais até do que do protagonista. O “nosso” Loki em si, pra mim, brilhou menos do que eu esperava. Na AVT ele tem a oportunidade de assistir ao filme da própria vida e isso faz com que uma chave seja virada em sua mente e ele bruscamente se transforma no Loki que conhecemos em Ultimato. Isso, pra mim, foi um tanto forçado – afinal, um homem que estava no auge da sua vilania se transformou completamente ao ver sua vida em uma tela? Entendo que tenha um apelo forte devido a tudo que ele sofreu, mas o Loki de Ultimato levou 8 anos para chegar naquele estágio de desconstrução, e o espectador acompanhou isso acontecer. Na série, por mais que a AVT não siga as regras do espaço-tempo que conhecemos, ainda assim me pareceu brusca a mudança do protagonista.

Depois dos primeiros dois ou três episódios, que achei mais parados, Loki começa a ter uns plot twists mais interessantes e fui ficando mais animada para descobrir os segredos da AVT. Porém, a season finale veio com um balde de água fria e um excesso de diálogos expositivos que me passou a impressão de que o roteirista correu pra explicar tudo que precisava para pavimentar o terreno para Doutor Estranho 2, que vai focar nessa questão do multiverso. Porém, não posso negar que o carisma de Loki é bastante envolvente e faz você querer assistindo à série. Sua relação de gato e rato com Sylphie também é bacana, exceto quando os roteiristas decidem colocar uma tensão romântica/sexual que me causou o mesmo constrangimento de estar assistindo a uma cena de sexo com minha mãe do lado rs.

Das três séries da Marvel que já saíram no Disney+, considerei Loki a mais fraca. Mas ela traz conceitos importantes para entendermos o que vem pela frente, e vale a pena assistir para matar as saudades do Deus da Trapaça. Não achei genial nem fora da média, mas é um entretenimento legal, com um final BEM mindblowing (adoro!) e que traz de volta um personagem que foi ganhando cada vez mais o coração do fandom ao longo de todos esses anos de MCU. 🙂

Título original: Loki
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Waldron
Elenco: Tom Hiddleston, Owen Wilson, Sophia Di Martino, Gugu Mbatha-Raw

Review: A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Oi pessoal, tudo bem?

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi um play despretensioso que eu dei na Netflix, mas que me arrancou muitas risadas, me entreteve e também me comoveu. Preparados pra conhecer?

Sinopse: Uma revolta de robôs interrompe a viagem da família. Agora o destino da raça humana está nas mãos dos Mitchells — a família mais estranha do mundo.

A trama tem seu pontapé inicial quando Katie, a filha mais velha dos Mitchell, é aceita para cursar a faculdade de cinema. Empolgada para conhecer pessoas que compartilhem da sua paixão – já que, em geral, ela se sente uma outsider -, Katie não contava com a decisão de seu pai, Rick, de fazer uma viagem de carro em família (em vez de deixá-la ir de avião). A relação dos dois, que no passado era muito cúmplice, está num momento delicado: Katie não sente que seu pai a compreenda, enquanto Rick acha que a filha está distante. Em paralelo a esse plot, temos outro catalisador superimportante que acontece bem longe da road trip: no Vale do Silício, uma convenção de tecnologia comandada pelo gênio Mark Bowman, que inventou a inteligência artificial PAL, anuncia um modelo novo de robôs com tecnologia de ponta; o problema é que Mark descarta PAL como algo ultrapassado, fazendo com que ela decida se revoltar e comandar os robôs, colocando-os contra a humanidade. E é assim, em meio ao caos, que a família Mitchell é pega de surpresa e precisa encontrar não apenas uma forma de fugir e sobreviver, mas também de impedir PAL.

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é produzido pelos responsáveis pelo excelente Homem-Aranha no Aranhaverso, e podemos encontrar algumas similaridades no que diz respeito à arte. Como no filme do Cabeça de Teia, aqui também temos um visual predominantemente 3D, mas cheio de elementos 2D e intervenções interessantes. Isso torna o longa visualmente atrativo e, no meu caso, foi um recurso que prendeu bastante minha atenção. A identidade visual é muito bacana e a atmosfera é muito divertida e imersiva, tornando as quase 2h de duração muito gostosas de assistir.

O filme também acerta em cheio no humor. Além dos quatro membros da família Mitchell (os já mencionados Katie e Rick, mas também Linda, a mãe, e Aaron, o filho mais novo), temos ainda dois robôs comandados por PAL que sofrem uma pane parcial ao serem danificados e acabam se tornando aliados improváveis de Katie e sua família. E todos eles se veem numa posição totalmente inesperada: a de heróis da humanidade. Enquanto PAL comanda os robôs para capturar os humanos, os Mitchell (com o auxílio dos seus novos companheiros inorgânicos) conseguem escapar, e precisam ir até o epicentro da revolta pra desativar a inteligência artificial – caso contrário, todas as pessoas capturadas serão enviadas para o espaço (sim, pra morrer mesmo). E todas as situações que a família passa pra tentar chegar até PAL em segurança são muito engraçadas, assim como as perseguições pela estrada e as interações com outros eletroeletrônicos. Pra fechar com chave de ouro há também o humor sarcástico em torno de um jovem genial que revolucionou a tecnologia e as consequências de suas atitudes. Qualquer semelhança com a realidade pode ou não ser mera coincidência. 😛

Mas meu elemento favorito de A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas não poderia ser outro se não os próprios Mitchell (e seu maravilhoso pug, Monchi). Cada personagem tem uma personalidade marcante e protagoniza cenas engraçadas, por mais que o foco maior seja em Katie e Rick. Linda é uma mulher engraçada e, quando os filhos estão em perigo, reage como uma leoa; Aaron é um irmão mais novo fofíssimo que é tão “esquisito” quando Katie e olha pra irmã com admiração; Rick é um pai zeloso e que ama os filhos, mas que nem sempre consegue demonstrar isso da forma como eles – especialmente Katie – precisam; e a própria Katie é uma jovem criativa e irreverente, mas que também não consegue enxergar os sacrifícios que o pai fez por ela. Com o passar do tempo e com a convivência forçada no carro (somada ao medo da extinção, é claro), os personagens são obrigados a olhar com mais atenção um para o outro, e os laços vão se estreitando. Pra fechar, também adorei como a sexualidade de um dos personagens é trabalhada: de forma totalmente natural e leve.

Resumindo, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi um dos melhores filmes de animação a que assisti recentemente, reunindo em si uma produção de alta qualidade, um enredo divertido e envolvente e personagens muito cativantes. Se você não sabe o que fazer nesse domingo, corre lá na Netflix e dê o play. Prometo que vai valer a pena! 😉

Título original: The Mitchells vs the Machines
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Rianda
Elenco: Abbi Jacobson, Danny McBride, Maya Rudolph, Michael Rianda, Eric André, Olivia Colman

Review: Raya e o Último Dragão

Oi galera, tudo certo?

Faz tempo que não rola um review de animação por aqui, né? Então hoje vamos falar um pouquinho sobre um dos filmes mais recentes da Disney: Raya e o Último Dragão!

Sinopse: Há muito tempo, no mundo de fantasia de Kumandra, humanos e dragões viviam juntos em harmonia. Mas quando uma força maligna ameaçou a terra, os dragões se sacrificaram para salvar a humanidade. Agora, 500 anos depois, o mesmo mal voltou e cabe a uma guerreira solitária, Raya, rastrear o lendário último dragão para restaurar a terra despedaçada e seu povo dividido. No entanto, ao longo de sua jornada, ela aprenderá que será necessário mais do que um dragão para salvar o mundo – também será necessário confiança e trabalho em equipe.

Em um passado longínquo no reino de Kumandra, os dragões eram comuns e responsáveis pela prosperidade dos seres humanos. Porém, o surgimento de criaturas malignas chamadas Druun capazes de transformar aqueles com quem entram em contato em pedra – ameaçam a paz, e os dragões fazem um último esforço para salvar a humanidade. Sem os dragões, Kumandra se dividiu em vários países rivais, que desejam ser os detentores da Pedra do Dragão, uma relíquia deixada pela dragão Sisu no momento em que os Druun foram derrotados. Raya, a protagonista, é uma jovem que carrega um peso em sua consciência: durante um evento pacifista promovido por seu pai, a menina confiou na pessoa errada, Namaari, que tentou roubar a Pedra do Dragão. Essa atitude levou a uma batalha entre os países (Coração, Garra, Presa, Espinha e Cauda), fazendo com que a relíquia fosse partida em vários pedaços, o que culmina no retorno dos Druun e na transformação do pai de Raya (e muitos outros humanos) em pedra. Em sua busca para consertar as coisas, Raya acaba fazendo aliados improváveis e, principalmente, despertando a própria Sisu.

Esse é o contexto de Raya e o Último Dragão e, apesar das criaturas malignas terem dado início à desolação, o filme é muito mais pautado na rivalidade e nas relações humanas. O pai de Raya era um pacifista que acreditava que a união dos países era o melhor caminho para se protegerem do mal. Entretanto, o medo do desconhecido, o egoísmo, a desconfiança e o desejo de proteger os seus tornaram os outros líderes cegos para qualquer caminho diferente do poder. E as consequências disso são mostradas ao espectador: ao chegar na Espinha, por exemplo, Raya encontra um terreno desolado com apenas um único sobrevivente.

Um aspecto muito legal e que torna Raya e o Último Dragão bastante dinâmico é a forma como, a cada local visitado, a garota vai “recrutando” sem querer alguém como aliado. Tudo começa com seu sucesso em despertar Sisu, a única dragão que não foi transformada em pedra. Dali em diante a dupla se une a um pequeno empresário, Boun; ao trio de pilantrinhas composto por três macacos e a bebê Little Noi; e Tong, o guerreiro sobrevivente da Espinha. Apesar de suas personalidades totalmente diferentes, eles compartilham de uma coisa em comum: a perda de entes queridos para os Druun. Isso os motiva a trabalharem juntos em prol do mesmo objetivo, que é resgatar as peças da Pedra do Dragão e usar os poderes de Sisu para trazer as pessoas de volta. 

Ao longo do filme vamos percebendo que a própria Raya se tornou uma pessoa desconfiada. Se na infância ela era inspirada pelo coração e mente abertos do pai, a traição de Namaari deixou uma cicatriz profunda em seu coração. É totalmente compreensível o receio que ela tem de se abrir e tentar o caminho da negociação e da colaboração. Sisu, porém, é uma personagem alegre e cativante, cujo coração aberto pouco a pouco contagia Raya e a inspira a baixar a guarda e repensar seu caminho solitário.

Outro aspecto muito bacana de ser ressaltado é que o mundo fictício de Raya e o Último Dragão é inspirado nos países do Sudoeste Asiático. A cada local que Raya e seu grupo visita temos uma ambientação completamente diferente, o que é ótimo pra combater a ideia de que a Ásia tem apenas uma cultura e uma aparência. A animação é linda e as paisagens também, o que já é de praxe nas animações da Disney.

Raya e o Último Dragão é um ótimo filme de aventura que empolga e entretém. Apesar de ter um tipo de criatura aterrorizante dando o start nos acontecimentos, a trama acerta ao evidenciar que o maior desafio são as próprias fraquezas humanas, e como a colaboração é a peça-chave para vencer dificuldades coletivas. E se tem uma coisa que os últimos dois anos têm nos mostrado é que o individualismo não é uma opção quando um mal atinge a todos, e que a empatia e a cooperação são fundamentais para sairmos vitoriosos de momentos assim. 

Título original: Raya and the Last Dragon
Ano de lançamento: 2021
Direção: Don Hall, Carlos López Estrada
Elenco: Kelly Marie Tran, Awkwafina, Izaac Wang, Gemma Chan, Daniel Dae Kim, Benedict Wong, Jona Xiao, Thalia Tran