Review: Capitã Marvel

Oi gente, tudo bem?

Capitã Marvel teve sua estreia no significativo dia 8 de Março, e a data não poderia ter sido melhor escolhida, considerando a força e a representatividade trazidas por Carol Danvers. Vamos conhecê-la? 😉

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Sinopse: Carol Danvers (Brie Larson) é uma ex-agente da Força Aérea norte-americana, que, sem se lembrar de sua vida na Terra, é recrutada pelos Kree para fazer parte de seu exército de elite. Inimiga declarada dos Skrull, ela acaba voltando ao seu planeta de origem para impedir uma invasão dos metaformos, e assim vai acabar descobrindo a verdade sobre si, com a ajuda do agente Nick Fury (Samuel L. Jackson).

Carol Danvers é membro do time Starforce da raça alienígena Kree. Seu principal objetivo é acabar com os Skrulls, uma outra espécie que é capaz de mudar sua aparência para qualquer forma que tenham visto antes, o que possibilita que eles se infiltrem em diversos planetas. Porém, depois de uma missão mal-sucedida, Carol cai na Terra, junto de alguns Skrulls. Devotada à sua missão de capturá-los, ela acaba chamando a atenção do (muito mais jovem) Nick Fury, que inesperadamente se une a Carol ao ver de perto a ameaça dos Skrulls. Sabendo que os inimigos desejam encontrar uma tecnologia secreta, elaborada por uma mulher que faz parte do passado de Carol – cujas memórias da vida na Terra estão apagadas –, a dupla parte em busca de informações. O que encontram, porém, são verdades ocultas, segredos revelados e uma realidade totalmente diferente da que acreditavam.

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Depois de assistir a Capitã Marvel, ficou ainda mais nítido pra mim porque o filme sofreu boicotes no Rotten Tomatoes antes da estreia ou porque tem tanto machinho escroto reclamando pelo fato de Brie Larson ser feminista. Capitã Marvel não precisa fazer nenhum discurso verbal para atacar o machismo de forma contundente; o longa faz isso com maestria em todas as cenas em que Carol é menosprezada, diminuída e desmerecida. Por meio de flashbacks, conhecemos o passado – até então esquecido – da protagonista e, desde a infância, Carol sofreu todos os tipos de desencorajamento possíveis. Ao decidir entrar na Força Aérea, um campo tipicamente masculino, ela teve que lutar o dobro pra provar o seu valor. O filme se passa nos anos 80 e 90, mas estamos tão distantes assim dessa realidade? Acho que vocês sabem a resposta. De qualquer forma, o mais incrível nessas sequências do passado de Carol é ver que ela sempre levanta. Não importa que digam que ela não é capaz, que ela nunca vai conseguir, que aquele não é ambiente pra ela; ela sabe que consegue e sabe o que quer. Uma frase do filme resume tudo: ela não precisa se provar a ninguém. Nem nós, garotas, lembrem-se disso. 😉

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Dito isso, devo dizer que o filme é deveras divertido, equilibrando muito bem as cenas intensas de ação e os alívios cômicos. Que surpresa foi ver essa nova face de Nick Fury, que no longa é responsável por muitas falas cheias de humor. Seu relacionamento com o gato Goose arranca diversas risadas, mas sem necessidade de apelação ou piadas forçadas (viu, Thor: Ragnarok?). Além de Nick, temos duas personagens incríveis chamadas Maria e Monica Rambeau. Mãe e filha, as duas são o elo familiar de Carol e, assim como a protagonista, também são uma força da natureza: Maria é mãe solteira e também fez parte da Força Aérea, sendo uma mulher negra, corajosa e independente; Monica, ainda com sua pouca idade, já demonstra muita força de caráter e visivelmente se inspira nas duas mulheres fortes de sua vida. A amizade de Carol e Maria por si só já é inspiradora pois, além de mostrar uma relação entre mulheres – que estão na mesma profissão e almejam a mesma coisa – sem nem um pingo de rivalidade, as duas são fonte de apoio e impulsionam uma à outra em busca de seus sonhos.

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Ainda falando sobre representatividade, mais um aspecto a respeito de Carol foi totalmente desmistificado após a estreia do filme: vi muitos comentários na internet reclamando que Brie Larson não sorria e, por isso, a chamavam de “sem expressão”. Muitos dos que faziam essa reclamação logo traziam Gal Gadot e seu belo sorriso para a comparação, mostrando como deveria ser um filme de super-heroína. Pois bem, vamos lá: não é segredo que eu amei Mulher-Maravilha e acho que o filme abriu portas pra mostrar quão lucrativos e bem-sucedidos filmes protagonizados por heroínas podem ser. Mas essa exigência de sorriso e afabilidade é uma das expressões mais frequentes do machismo diário que sofremos. Quando um homem é sério, ele é determinado, focado, confiável. Quando uma mulher é séria – mesmo enfrentando todas as dificuldades que Carol enfrenta, por exemplo – ela é antipática e sem expressão. Então fica o recado: nós não somos obrigadas a sorrir. Cuidem das suas vidas e não dos nossos rostos, beleza? 🙂 E eu fico ainda mais puta com o fato de que essas críticas não tem cabimento: Carol Danvers sorri, faz piada, é divertida, debochada e é interpretada pela excelente Brie Larson. Mas, quando a porra fica séria, é óbvio que a personagem se comporta tal como a situação exige. Então caras, na boa… parem de forçar a barra.

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Enfim, seguindo adiante… Duas coisas pra mim não ficaram tão legais, mas nem de longe chegaram a estragar minha experiência com o longa. A primeira delas são os flashbacks do passado de Carol, cujo teor eu elogiei. Justamente por trazerem uma característica tão importante da personalidade de Carol, acho que poderiam ter sido mais bem estruturados, dando um pouco mais de tempo para o espectador absorvê-los. O segundo é a relação dos Kree com Ronan; eu só lembrava que Ronan era um Kree, mas não entendi bem qual o papel dele e qual o “cargo” na hierarquia. Talvez seja falta de memória em relação a Guardiões da Galáxia, mas enfim.

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Capitã Marvel não tem a intenção de ser o melhor filme da Casa das Ideias, nem o mais inovador em termos de enredo. E tá tudo bem! Seu papel é introduzir Carol Danvers ao MCU e mostrar o quão poderosa ela é – antes e depois dos poderes. Ao fazer isso, o filme faz diversas quebras de paradigmas no que diz respeito à representação de super-heroínas (e olha que eu posso falar disso com propriedade, já que foi o tema do meu TCC rs): Carol não precisa de um par romântico, trabalha em um ambiente tipicamente masculino, é forte e determinada, nunca desiste de seus objetivos e é uma fonte de coragem e inspiração. Vocês têm noção do que é ser mulher e poder ver isso no cinema? É impossível não vibrar. Ainda que o caminho seja longo no que diz respeito à representatividade, devo dizer que, como mulher e como nerd, saí da sessão com a esperança renovada, sabendo que as próximas gerações terão perspectivas ainda melhores sobre o que podem ser e fazer no mundo. Obrigada por ser parte disso, Carol!

Título original: Captain Marvel
Ano de lançamento: 2019
Direção: Anna Boden, Ryan Fleck
Elenco: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Jude Law, Ben Mendelsohn, Lashana Lynch, Annette Bening

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Dica de Série: Ordem na Casa com Marie Kondo

Oi gente, tudo bem?

Em uma manhã de domingo, após acordar às 7h da manhã, comecei a assistir Ordem na Casa com Marie Kondo. Aparentemente, abracei de vez a senhorinha que sou! 😂

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Sinopse: A famosa especialista em arrumação Marie Kondo ajuda clientes a colocarem ordem na casa e na própria vida, transformando lares com muita inspiração.

A série é um reality show no qual Marie Kondo, criadora do método de organização KonMari, visita diversas famílias que gostariam de colocar ordem em suas casas e suas vidas. Para auxiliá-los na organização, Marie não apenas ensina técnicas de arrumação, mas também o conceito de “trazer alegria” (spark joy) para que alguém decida se um item permanecerá em sua vida ou não, buscando entender se existe um desejo de levá-lo consigo para o futuro.

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Marie visita famílias dos mais diversos tipos: famílias com filhos pequenos, uma senhora viúva que agora precisa aprender a viver sozinha, casais LGBT, famílias com animais de estimação e casais que estão esperando o primeiro filho. O mais bacana de assistir essas diferentes famílias organizando suas coisas é perceber que existem muitas diferenças entre as pessoas, mas que o apego sentimental é um denominador comum que muitas vezes nos faz acumular coisas de que não precisamos mais. Ainda assim, Marie Kondo respeita cada indivíduo, suas particularidades e decisões sobre o que vai e o que fica. Ela não julga nenhuma escolha, mas faz o seu melhor para guiar os envolvidos em uma análise sobre o que determinado item realmente significa para si.

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Obviamente, as dicas de arrumação são muito boas. É impossível não ficar com vontade de organizar a casa toda enquanto assiste (eu já arrumei meu guarda-roupa, que tá bem bonitinho rs). Marie dá algumas dicas maravilhosas que você fica “como não pensei nisso antes?”. Ela ensina a dobrar roupas, a organizar itens de cozinha, separar documentos, entre diversos outros itens. Claro, como a série é curta (somente 8 episódios de 30-40 minutos), acredito que grande parte das dicas de seus livros tenha ficado de fora. E sim, fiquei com vontade de ler suas obras também!

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Outro aspecto interessante da série é o choque cultural a qual somos apresentados por meio de Marie. Ela é japonesa, um povo bem diferente dos ocidentais em muitos aspectos. Marie tem uma relação bem espiritual com as casas que visita, com o processo KonMari, com os objetos que ficam e que são descartados e com o que tudo representa para as famílias que auxilia. A primeira coisa que ela faz antes de começar a arrumação, por exemplo, é “cumprimentar” a casa, conectando-se com a energia do lugar e visualizando o futuro dele. Para nós, ocidentais, isso pode soar um pouco estranho a princípio; mas com o passar dos episódios vai ficando mais natural, assim como o respeito pela diferença cultural cresce.

Ordem na Casa com Marie Kondo é uma série bem bacana, com cenas emocionantes, famílias diversas e muitas dicas úteis. Se você está buscando inspiração para seu próprio lar ou gosta de realities, recomendo que você dê uma chance. Aposto que vai achar a Marie uma fofa também! ❤

Título original: Tidying Up with Marie Kondo
Ano de lançamento: 2019
Criador: Marie Kondo
Elenco: Marie Kondo

Dica de Série: The Handmaid’s Tale

Oi pessoal, tudo bem?

Agora que The Handmaid’s Tale chegou à TV aberta, acho que é uma ótima oportunidade de falar novamente sobre essa trama tão poderosa, dolorida e necessária – agora no formato de série.

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Sinopse: Baseado na obra de Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale conta a história na distopia de Gilead, uma sociedade totalitária que foi anteriormente parte dos Estados Unidos. Enfrentando desastres ambientais e uma taxa de natalidade em queda, Gilead é governada por um fundamentalismo religioso que trata as mulheres como propriedade do Estado. Como uma das poucas mulheres férteis restantes, Offred é uma serva na casa do Comandante, sendo parte de uma das castas de mulheres forçadas à servidão sexual como uma última tentativa desesperada para repovoar um mundo devastado. Nesta sociedade aterrorizante onde uma palavra errada pode acabar com sua vida, Offred vive entre Comandantes, as suas mulheres cruéis e seus servos – onde qualquer um poderia ser um espião para Gilead – tudo com um único objetivo: sobreviver e encontrar a filha que foi tirada dela.

The Handmaid’s Tale é baseada no livro O Conto da Aia, sobre o qual já falei aqui no blog. A história segue basicamente a mesma premissa e se desenvolve de maneira muito fiel ao que é descrito no livro: em um futuro distópico, uma ditadura religiosa retirou os direitos civis das mulheres nos Estados Unidos (agora República de Gilead), determinando suas funções na sociedade em um modelo de castas. Há as Marthas (mulheres dedicadas ao serviço doméstico), as Tias (que educam as Aias), as Esposas (casadas com os Comandantes, membros do alto escalão militar dessa nova sociedade religiosa) e, por fim, as Aias (mulheres férteis responsáveis pela reprodução). Nossa protagonista é Offred, uma mulher que teve seu marido e filha arrancados de si e agora serve ao lar de seu Comandante como uma Aia. Com o passar dos episódios, Offred vai nos contando como tudo aconteceu e como é a vida nesse novo modelo de existência.

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Porém, diferentemente do livro, aqui temos uma visão bem mais ampla sobre o que ocorre em Gilead. Além do ponto de vista de Offred, também vislumbramos o papel da Esposa do Comandante no golpe, e a angústia que ela sente por ser deixada de lado pelo novo sistema que ajudou a construir. É um paradoxo muito interessante este: ela, a mulher por trás do ideal de Gilead, vê-se praticamente na mesma posição que as mulheres que ela ajudou a oprimir; ou seja, descartada e sem voz. Além disso, na série também temos acesso a mais cenas do passado de Offred com sua família, suas tentativas de fuga e até mesmo sobre o que aconteceu com seu marido, Luke.

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Offred é a personagem que mais muda do livro para a série, mas não de maneira negativa. Na produção audiovisual, ela tem um nome e faz questão de relembrá-lo: June. Mais irônica, sarcástica e afrontosa que sua contraparte literária, a June da série é alguém que causa ainda mais empatia e simpatia no espectador. No livro me entristecia ver a apatia de Offred, que só conseguia transgredir em atitudes muito pequenas. Na série, contudo, June é mais ativa e revoltada, ao mesmo tempo que transmite toda a dor e a emoção que permeiam sua nova existência. Elizabeth Moss, que a interpreta, faz um trabalho fenomenal nesse sentido, pois apenas com o olhar ela consegue passar os mais diversos sentimentos vividos por sua personagem. Mas ela não é a única a realizar um excelente trabalho; as atuações de modo geral são primorosas e causam as mais diversas reações: pena, asco, revolta, tristeza, desprezo.

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De certo modo, achei mais difícil assistir The Handmaid’s Tale do que ler O Conto da Aia. Se no livro Offred rememora tudo que lhe aconteceu de maneira mais linear e apática, em The Handmaid’s Tale somos obrigados a assistir todas as torturas e abusos sofridos pelas mulheres de Gilead. A primeira cena do primeiro episódio já me levou às lágrimas e, devo dizer, praticamente todos os episódios da primeira temporada o fizeram. A cada nova cena que surgia na tela, a cada nova violência a qual as mulheres eram submetidas, era um novo soco no estômago. Por outro lado, diferentemente do livro, existem cenas de MUITO girl power e empoderamento feminino. Há momentos de subversão tão poderosos – ainda que relativamente simples – que é impossível não ficar com cada pelo do corpo arrepiado. Somado a isto está uma fotografia de qualidade impecável, que abusa dos tons pálidos para reforçar ainda mais o destaque e o incômodo causados pelo vermelho das vestes das Aias.

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The Handmaid’s Tale é, assim como O Conto da Aia, uma obra necessária. Em tempos como os nossos, em que o fundamentalismo religioso se faz presente em diversas esferas do governo, é ainda mais necessário que a gente mantenha os olhos abertos. O retrocesso é muito mais fácil de acontecer do que pensamos, e manter nossos direitos é uma luta constante que jamais pode esmorecer. A série traz reflexões sobre o direito aos nossos próprios corpos, sobre a velocidade com que o retrocesso ganha espaço e sobre como precisamos nos unir enquanto mulheres. Todo mundo deveria assistir The Handmaid’s Tale. E cuidado: Gilead pode estar na esquina.

Título original: The Handmaid’s Tale
Ano de lançamento: 2017
Criador: Bruce Miller
Elenco: Elisabeth Moss, Yvonne Strzechowski, Joseph Fiennes, Alexis Bledel, Samira Wiley, Ann Dowd, Madeline Brewer, Max Minghella, O. T. Fagbenle

Dica de Série: Vikings

Oi gente, tudo bem?

Como sou fã de Game of Thrones, ao longo dos anos ouvi de vários amigos que eu também deveria conferir Vikings. E então decidi dar uma chance. 😉

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Sinopse: Produzida pelo History Channel, Vikings apresenta os famosos exploradores, comerciantes, guerreiros e corsários nórdicos a partir do seu ponto de vista. A história é centrada em Ragnar Lothbrok (Travis Fimmel, deBeast), um agricultor e guerreiro que acredita ser descendente direto do deus Odin, que decide partir e lutar para conquistar novas terras.

Vikings é uma série baseada na vida real do Rei Viking Ragnar Lothbrok. Na série, o protagonista é um viking que deseja mais do que apenas fazer incursões em nome do conde a qual serve. Para Ragnar, o mundo é muito grande e existem diversos territórios a serem explorados (e saqueados, é claro). Com o apoio de seguidores leais, ele consegue tal façanha, causando a inveja de seu irmão, Rollo, e do próprio conde. Essa é a pontinha do iceberg, o pontapé inicial que coloca a trama (cheia de traições) em movimento.

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Ragnar é um homem ambicioso e corajoso. Ele acredita ser descendente direto de Odin, o que serve como incentivo em sua busca cada vez mais ousada por territórios inimigos distantes. Em um de seus saques, ele toma como escravo o monge Athelstan, com quem começa uma amizade improvável. Athelstan acaba se afeiçoando a Ragnar e a também sua família, composta por Lagherta (sua esposa) e seus filhos. O interessante dessa relação é o choque cultural advindo dela: Ragnar passa a ouvir as histórias e crenças de Athelstan, cuja religião é o cristianismo, enquanto o monge também faz o mesmo em relação à cultura e religião nórdicos.

A trama vai se desenvolvendo gradualmente, com as conquistas de Ragnar sendo cada vez mais expressivas. Aconselho fortemente que vocês não pesquisem nenhum personagem no Google para não tomar spoilers, já que eles são baseados em figuras reais. 😛 Enfim, voltando… Conforme Ragnar ascende na hierarquia de seu povo e domina novas terras, as batalhas vão ficando cada vez maiores e mais sangrentas. Mas, para ser honesta, não achei Vikings tão brutal quanto eu esperava que fosse. Existem cenas de violência explícita, sim, mas são menos frequentes ou chocantes quanto eu imaginava.

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A série também conta com ótimos personagens e diversas reviravoltas. Lagherta é um exemplo de mulherão da porra que enfrenta várias adversidades de cabeça erguida, além de ser uma guerreira tão incrível quanto qualquer homem. Seu filho, Bjorn, também é um dos meus queridinhos, tendo grande força física e, principalmente, de caráter. Ragnar, entretanto, é alguém de quem eu não gosto. Ele trata as mulheres com quem se relaciona de modo péssimo (embuste, cof cof) e tem uma arrogância difícil de engolir. Com o passar do tempo, mais personagens controversos entram na história, o que acaba gerando mais traições e situações inesperadas.

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A produção da série, os figurinos e a ambientação são incríveis e transportam o espectador para os tempos medievais. Entretanto, nem sempre a narrativa é tão instigante a ponto de nos querer fazer maratonar. Existem momentos alucinantes em Vikings, mas durante algumas fases da série eu meio que me forçava a continuar. Ou seja, é uma produção de grande qualidade, mas que tem seus altos e baixos em alguns plots. Então, para concluir: se você curte séries medievais com muitas lutas, sangue, traições e intrigas políticas, Vikings é pra você!

Título original: Vikings
Ano de lançamento: 2013
Criador: Michael Hirst
Elenco: Travis Fimmel, Katheryn Winnick, Clive Standen, Jessalyn Gilsig, Gustaf Skarsgård, George Blagden, Alyssa Sutherland, Alexander Ludwig

Review: Como Treinar o Seu Dragão 3

Oi gente, tudo bem?

No fim de semana, fui conferir (com um misto de empolgação e tristeza pela despedida) Como Treinar o Seu Dragão 3, e hoje conto pra vocês o que achei do filme que encerra uma das minhas franquias favoritas. ❤

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Sinopse: Soluço tem um grande sonho: encontrar um lar onde os dragões possam viver em paz. Mas, no meio deste plano, o perigo começa a rondar a sociedade viking quando o vilão Grimmel aparece para acabar com a liberdade dos dragões – especialmente Banguela.

Depois de conquistar a paz entre Berk e os dragões, enfrentar um vilão terrível que tinha um exército formado por eles, perder o próprio pai e assumir a liderança de seu povo, Soluço agora se dedica – junto de seus amigos Cavaleiros de Dragões – a resgatar os animais capturados por caçadores. Com uma bela sequência de abertura, o filme nos mostra como os jovens aperfeiçoaram suas vestes e habilidades para poderem lutar pela liberdade das criaturas. Contudo, uma nova ameaça surge: Grimmel, um notório e cruel caçador, responsável pela quase extinção dos Fúrias da Noite, que deseja terminar o que começou (ou seja, destruir Banguela também).

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Entretanto, descobrimos que Banguela não é o único Fúria da Noite existente. Uma fêmea surge em seu caminho, apelidada de Fúria da Luz devido à sua coloração branca e leve brilho da pele. Parênteses: gente, me desculpem, mas achei ela muito feia HAHAHA! Ela parece visguenta e melequenta, e não pude deixar de pensar naquele bichinho, axolote (ou salamandra mexicana). 😂 Desabafo feito, vamos continuar: Banguela obviamente se apaixona pela Fúria da Luz, percebendo que finalmente pode construir os laços de afeto que ele vê outros dragões construindo. Pela primeira vez, o jovem dragão contempla a possibilidade de construir uma família. E, sabendo do peso que essa revelação tem, Soluço está disposto a tudo para proteger Banguela e a Fúria da Luz: inclusive encontrar o Mundo Escondido dos Dragões, um lugar mítico que seu pai sempre acreditou existir, localizado no fim do mundo.

Apesar de ter diversas cenas de ação bem empolgantes, especialmente devido à missão de salvar os dragões de Grimmel, Como Treinar o Seu Dragão 3 não se destaca por esses momentos. As cenas que mais marcam são aquelas que desenvolvem o aspecto emocional dos personagens, que estão em uma difícil jornada de amadurecimento. É muito bonito perceber que Soluço e Banguela vivem as mesmas experiências em simultâneo: viram líderes, depois precisam tomar decisões difíceis para proteger o grupo e vislumbram o desejo de construir uma família. Em Como Treinar o Seu Dragão 3, vemos com clareza duas linhas se formando, e cada uma vai sendo percorrida por Soluço e por Banguela, que precisam decidir em definitivo seus destinos.

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O filme tem um tom mais infantil que seu antecessor, especialmente no plot de Banguela apaixonado. É bem engraçado assistir o inexperiente dragão cortejando a fêmea, mas por ser um filme de conclusão, acaba destoando um pouco do tom a que estamos acostumados – já que os filmes anteriores trazem situações bem desafiadoras e até mesmo tristes em suas tramas. Ainda comparando com o filme anterior, senti que o vilão também foi mais superficial e nada inovador: assim como Drago, Grimmel é um caçador de dragões que foi vitimado por eles no passado, deseja vingança e utiliza uma forma de controle não-ortodoxa para controlá-los. Isso acabou tornando o plot do vilão repetitivo e sem surpresas, sendo a parte mais fraca do filme, na minha opinião. O terceiro ponto não tão legal diz respeito ao Mundo Escondido: apesar de fazer parte até do nome original do filme, sua participação é breve e ele acaba sendo mais uma solução para um problema do que algo explorado e desenvolvido.

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O grande mérito de Como Treinar o Seu Dragão 3 está nas reflexões sobre responsabilidade e autoconfiança que o longa propõe. No caso de Soluço, é nítido que ele duvida MUITO de si mesmo, devido ao seu histórico de achar que só faz besteira. Para o líder de Berk, somente ao lado de Banguela ele foi capaz de fazer coisas grandiosas e, se seu dragão partir, ele não será mais capaz disso. Astrid, que segue como sua namorada, desempenha um papel valioso nessa dinâmica, relembrando a Soluço que todas as suas conquistas vieram de sua personalidade questionadora, impulsiva e determinada – e que Banguela não é o responsável por sua essência. Que casalzão! ❤ Nesse ponto, Soluço percebe que precisa retomar a crença em si mesmo e entender quem realmente é. É tão lindo presenciar personagens que cresceram TANTO para chegar até aqui. ❤

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O final do filme é agridoce, tendo potencial de agradar tanto a quem esperava algo mais triste como quem prefere finais felizes. Existem cenas que emocionam e partem o coração – ainda que eu as tenha achado mais leves que os filmes 1 e 2 –, mas a trama vai sendo construída com delicadeza e competência para nos levar àquele momento. Soluço finalmente compreende que os dragões são especiais demais e que a humanidade não está pronta para lidar com criaturas tão inteligentes e dóceis; Banguela finalmente assume seu papel de liderança, pensando na proteção do grupo e no que é melhor para sua espécie. Não foi tão triste quanto Toy Story 3, por exemplo, mas concluiu de maneira lindíssima essa história de amizade que tanto amamos e respeitamos.

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Como Treinar o Seu Dragão é um dos meus filmes favoritos, e esse amor foi crescendo com o tempo e com os filmes. Não é fácil dar adeus a uma história que amamos, mas – assim como Soluço e Banguela entenderam -, é necessário. Como Treinar o Seu Dragão 3 conclui uma das trilogias de animação mais incríveis já feitas de modo muito bonito, respeitando a trajetória e a evolução de cada um dos personagens. Obrigada por tudo, Berk. Obrigada por tudo, Soluço e Banguela!

P.S.: gente, a Valka não era ruiva no filme anterior, era???
P.S. 2: assistam aos créditos, são lindos e emocionantes. ❤

Título original: How To Train Your Dragon: The Hidden World
Ano de lançamento: 2019
Direção: Dean DeBlois
Elenco: Jay Baruchel, America Ferrera, Gerard Butler, Cate Blanchett, Kit Harington, Craig Ferguson, Kristen Wiig, Jonah Hill, F. Murray Abraham, T. J. Miller, Christoper Mintz-Plasse

Review: Homem-Aranha no Aranhaverso

Oi gente, tudo bem?

Fui conferir o comentadíssimo Homem-Aranha no Aranhaverso e hoje conto pra vocês o que achei desse filme surpreendente.

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Sinopse: Miles Morales é um jovem negro do Brooklyn que se tornou o Homem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entretanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, ele é surpreendido com a presença do próprio Peter, vestindo o traje do herói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras versões do Homem-Aranha.

Eu já tinha lido diversas críticas positivas em relação ao filme mas, ainda assim, fui de coração aberto sem saber bem o que esperar em relação à trama. Para a minha surpresa, o filme já me impressionou nas primeiras cenas pela incrível direção de arte: apesar de ser uma animação 3D, há referências claras a animações 2D e quadrinhos. Até alguns recursos das HQs estão lá, como balões de fala e hachuras, por exemplo. É muito prazeroso de assistir e um verdadeiro espetáculo visual!

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A história também convence: nessa realidade, Peter Parker já está estabelecido como Homem-Aranha. O novo protagonista é Miles Morales, um adolescente que acidentalmente também é picado por uma aranha radioativa, ganhando habilidades muito semelhantes às de Peter. Porém, o Rei do Crime causa a morte do Homem-Aranha original e, em uma experiência perigosa com um colisor de partículas, provoca uma espécie de buraco no espaço-tempo, trazendo para a nossa dimensão outras versões do Homem-Aranha. A missão de Miles a partir de então é cumprir a promessa que fez ao Peter Parker de sua dimensão antes que ele morresse: destruir o colisor e impedir que a realidade seja apagada. Para isso, ele precisa aprender a dominar os seus poderes e, obviamente, lidar com as responsabilidades (sorry não resisti rs).

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Miles é um personagem bastante carismático e com conflitos pessoais que fazem com que o espectador simpatize com ele. Há grandes expectativas por parte de sua família, que deseja que ele seja um estudante exemplar, mas não entendem que as paixões do garoto são a arte, a música e o grafitti. Seu tio Andrew parece ser o único capaz de compreendê-lo, mas ele não é exatamente bem-vindo em sua família. Esses detalhes sobre seu background e sobre sua personalidade enriquecem o personagem, que tem a difícil missão de conquistar um espaço que até então pertencia somente a Peter Parker.

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Os outros Homem-Aranha (e Mulheres-Aranha, por que não?) que chegam de diferentes dimensões também são ótimos. Há um Peter Parker do futuro (desiludido com a vida e já cansado), Gwen Stacy como Spider-Gwen, um Homem-Aranha Noir, outro vindo direto de um cenário de cartoon e uma Homem-Aranha inspirada em animes. É muito divertido como o filme brinca com as origens de cada um, fazendo uma retrospectiva rápida sobre suas histórias nos quadrinhos. Esse estilo narrativo é diferente de tudo que eu já vi antes e eu adorei o bom humor do longa em trazer esses elementos para o espectador de forma didática e engraçada.

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Falando em graça… Eu gargalhei DEMAIS assistindo a Homem-Aranha no Aranhaverso! O Peter Parker do futuro foi um dos maiores responsáveis por isso, mas de forma geral o tom do filme é alto astral. Apesar disso, o longa também foi capaz de me levar às lágrimas nos momentos necessários. Existem mortes importantes (como não ficar chocada ao descobrir que no universo de Miles Morales o Peter Parker morre?!) e diálogos que conseguem comover.

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Resumindo, Homem-Aranha no Aranhaverso é uma animação sensacional, que vale totalmente o ingresso do cinema. Além da riquíssima experiência visual, a trilha sonora também é envolvente e a trama nunca deixa de ser interessante. Se o universo atual do aracnídeo (interpretado por Tom Holland) não me causa muita euforia, podem ter certeza que Homem-Aranha no Aranhaverso conseguiu causar. Recomendo muito e já quero ver de novo! 😉

P.S.: essa participação do Stan Lee foi de aquecer e partir o coração ao mesmo tempo! 😢 ❤

Título original: Spider-Man: Into the Spider-Verse
Ano de lançamento: 2019
Direção: Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman
Elenco: Shameik Moore, Jake Johnson (XVI), Hailee Steinfeld, Mahershala Ali, Brian Tyree Henry, Lily Tomlin, Liev Schreiber, Stan Lee

Review: My Hero Academia

Oi gente, tudo bem?

Faz eras que eu não falo sobre animes por aqui, né? Pra falar a verdade, prefiro produções antigas, que eu assistia quando eu era adolescente, e não assisto a tantos animes novos. Porém, por insistência do meu namorado, dei uma chance a My Hero Academia (ou Boku no Hero) e me apaixonei. ❤

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Sinopse: Em um mundo onde quase toda a população possui algum poder sobre-humano, Izuku Midoriya é um dos poucos casos de pessoas comuns. Mas esse não é o maior de seus problemas. Exatamente por ser desprovido de qualquer poder, Izuku sofre constantemente nas mãos de seus colegas de classe. Nesse mundo fictício, desde o primeiro caso constatado de um recém-nascido com algum tipo de poder, o índice de criminalidade cresceu proporcional ao surgimento de heróis com as mais variadas capacidades. E, como não poderia deixar de ser, o sonho de Izuku é se tornar um super-herói. Isso parecia impossível até o dia que ele ajuda o poderoso All Might na captura de um vilão gosmento. Ao demonstrar grande coragem e um forte senso de justiça, com a ajuda do famoso herói de cabelos louros, o garoto, enfim, terá a chance de se tornar quem sempre sonhou!

No futuro, a maioria das pessoas nasce com alguma habilidade especial, chamada de Peculiaridade. Esses dons, obviamente, também se manifestam em pessoas que os utilizam para o mal, o que faz surgir a necessidade de existirem super-heróis para combatê-las. Só que agora os super-heróis não precisam ocultar suas identidades, pois é uma profissão regulamentada e admirada, sendo o sonho de muitos jovens. Um desses jovens é Midoriya Izuku, o protagonista.

my hero academia

Midoriya sonha em ser um herói e tem como grande ídolo All Might, um dos maiores heróis do mundo, conhecido como Símbolo da Paz. O problema é que, infelizmente, Midoriya é um dos raros casos que nasceu sem Peculiaridade. Entretanto, um dia ele demonstra muita coragem ao tentar salvar seu colega de escola, Bakugou, de um vilão – cena presenciada pelo próprio All Might, que acaba decidindo ajudar o garoto a se tornar um super-herói e entrar para a U.A., uma escola para heróis prestigiada.

A partir daí, Midoriya recebe de All Might sua Peculiaridade, a One For All, e passamos a acompanhar seus desafios na U.A.. O garoto está cercado por pessoas talentosas e habilidosas, que tiveram a vida toda para se habituar a seus dons, enquanto Midoriya precisa aprender a controlar seu novo – e expressivo – poder. Além dos desafios proporcionados pela escola, Midoriya também tem que lidar com colegas cujas personalidades são extremamente difíceis, com destaque para Bakugou, um jovem que ele conhece desde a infância. Bakugou também se inspira em All Might, mas sua personalidade explosiva e o bullying que pratica fazem dele alguém desequilibrado. Seus poderes excepcionais são vistos pelos colegas e professores, mas ele nem sempre consegue atingir seus objetivos devido ao seu temperamento (o que acaba sendo um desafio que o próprio Bakugou precisa enfrentar). Existem inúmeros outros personagens que têm seus sonhos e ambições: Uraraka é uma jovem que quer auxiliar os pais financeiramente; Iida sonha em ser um grande herói, assim como o irmão mais velho; Todoroki tem traumas de infância relacionados ao pai que precisa superar, e por aí vai. E é muuuito legal acompanhar o crescimento desses jovens não apenas como heróis, mas também como pessoas.

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A animação propriamente dita é fantástica. Por ser um anime cheio de lutas, é incrível ver a fluidez dos movimentos e a qualidade dos episódios. A trilha sonora também é ótima e empolgante, o que combina com o tom frenético da maior parte dos episódios. Outro aspecto bacana é que – apesar de ter alguns plots previsíveis (como torneios e treinamentos) – o anime tem muitas reviravoltas e episódios que deixam o espectador tenso, querendo saber o que vai acontecer e se os heróis conseguirão deter os planos dos vilões.

Mas, como nem tudo são flores, minhas críticas negativas começam pelos vilões: existem alguns mais interessantes mas, de modo geral, as situações são mais aflitivas do que os vilões em si. Até agora nenhum apresentou ameaça REAL, exceto pelo arqui-inimigo de All Might, All For One. Outro defeito que My Hero Academia apresenta é compartilhado com muuuuitos outros animes do gênero: pouca valorização das personagens femininas e exploração do corpo delas para entretenimento masculino. 😦 

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Porém, apesar das lutas serem envolventes e emocionantes, o que mais mexe com a gente é a superação dos personagens. É algo bem clichê em animes (especialmente shounen, voltados ao público jovem masculino, com tramas cheias de lutas), mas mesmo assim é difícil não ficar arrepiada quando algum personagem consegue superar seus limites e fazer algo que não conseguia antes. Midoriya é o maior exemplo disso, sendo alguém cuja determinação é inabalável. A cada vez que ele demonstra maior controle sobre o grande poder do One For All, temos vontade de vibrar com ele! ❤

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My Hero Academia é um anime com personagens muito carismáticos, traz uma nova forma de trabalhar a ideia de super-heróis (que podem ser considerados saturados hoje em dia, apesar de eu amar) e tem episódios que prendem e criam expectativa. Se você tem afinidade com animes, vale MUITO a pena dar uma chance!

Título original: Boku no Hīrō Akademia
Ano de lançamento: 2016
Direção: Kenji Nagasaki
Roteiro: Yōsuke Kuroda
Elenco: Daiki Yamashita, Kenta Miyake, Nobuhiko Okamoto, Kaito Ishikawa, Ayane Sakura, Yûki Kaji