Review: Mãe!

Oi pessoal, como estão?

Apesar de ter visto Mãe! no cinema, outras pautas acabaram virando prioridade aqui no blog e demorei um pouquinho pra escrever o review. Porém, sem mais delongas, vamos à minha opinião sobre esse filme simbólico e controverso. 😉

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Sinopse: Um casal vive em um imenso casarão no campo. Enquanto a jovem esposa (Jennifer Lawrence) passa os dias restaurando o lugar, afetado por um incêndio no passado, o marido mais velho (Javier Bardem) tenta desesperadamente recuperar a inspiração para voltar a escrever os poemas que o tornaram famoso. Os dias pacíficos se transformam com a chegada de uma série de visitantes que se impõem à rotina do casal e escondem suas verdadeiras intenções.

Infelizmente, eu acabei lendo uma crítica com spoilers (odeio quem não avisa que a resenha tem spoiler) e já sabia qual era a simbologia principal do filme antes de assisti-lo. Achei que isso estragaria minha experiência mas, no fim das contas, fiquei absorta na história mesmo sabendo de antemão qual era a metáfora que o diretor estava fazendo.

Basicamente, Mãe! conta a história de um casal que vive tranquilamente em uma casa isolada. Ele (Javier Barden) é um poeta que enfrenta uma crise criativa; Ela, a Mãe (Jennifer Lawrence), é uma dona de casa devotada ao marido, que está empenhada em reformar a casa onde moram e transformá-la em um paraíso para o casal. A paz da personagem termina quando um visitante misterioso (vou chamá-lo pelo nome do ator, Ed Harris) chega ao local e é convidado pelo anfitrião a passar a noite. Posteriormente, o casal é incomodado novamente: a esposa de “Ed Harris” chega à casa e também se instala – mesmo contra a vontade da Mãe. A chegada dessa dupla misteriosa desencadeia eventos perturbadores.

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O forte de Mãe! não está nessa premissa, mas sim na metáfora e no simbolismo por trás de cada cena. A próxima frase tem spoiler, selecione se quiser ler: o diretor disse que o filme conta a história da Bíblia (de Gênesis ao Apocalipse), mas também existem outras interpretações possíveis. Podemos ver uma crítica ao modo como o ser humano lida com a Terra e os recursos naturais – explorando, machucando, destruindo; podemos também ver também o silenciamento feminino – já que o filme é um grito por socorro por parte da personagem de Jennifer Lawrence, que tem todos os seus pedidos negados. Acredito que cada espectador possa ter tirado uma lição diferente do filme, e isso é o mais interessante sobre o longa: ele te deixa com vontade de falar a respeito depois que você assiste.

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Esse parágrafo tem spoilers, pule para o próximo se não quiser ler. 😉 A metáfora da Bíblia, contudo, é a mais interessante (e óbvia). Ele é um Deus egocêntrico e punitivo, que é apaixonado pela devoção humana. Não sou religiosa e nunca li a Bíblia, mas o pouco que sei e pesquisei me mostrou que no Antigo Testamento essas eram as características de Deus. Depois que a Mãe! engravida e perde o bebê por causa dos seres humanos, vemos o Deus benevolente, que crê que a humanidade merece perdão. No fim, a Mãe (ou a Terra) decide dar um fim a todo aquele ciclo de sofrimento, tortura e massacre.

Tenho que mencionar a atuação de Jennifer Lawrence, que deu tudo de si nesse papel e mostrou do que é capaz. Eu estava um pouco implicante com ela após X-Men: Apocalipse (no qual ela fez da Mística uma versão loira da Katniss), mas em Mãe! ela superou minhas expectativas. Durante todo o filme a expressão da atriz ficou em evidência, já que a câmera acompanhou cada passo seu e toda a narrativa foi dada pelo seu ponto de vista. Com isso, pudemos ver todas as nuances da interpretação: o medo, a fragilidade, a revolta, o sofrimento, a força.

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Mãe! é um filme que não agrada a todos os públicos, principalmente por lidar com tantas simbologias e trazer um tema tão controverso. Pra mim, foi uma experiência instigante e envolvente e, por isso, recomendo! 😉

Título original: Mother!
Ano de lançamento: 2017
Direção: Darren Aronofsky
Elenco:  Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michele Pfeiffer, Brian Gleeson. Domhnall Gleeson, Kristen Wiig

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Dica de Série: Mindhunter

Oi, pessoal. Tudo bem?

Hoje trago pra vocês minhas impressões sobre uma das séries mais recentes (e interessantes) da Netflix: Mindhunter!

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Sinopse: Baseada no livro Mind Hunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit, a série se passa em 1977 e gira em torno de dois agentes do FBI, interpretados por Jonathan Groff e Holt McCallany, que entrevistam assassinos em série presos para tentar resolver casos em andamento.

Como a sinopse já menciona, Mindhunter conta a história de dois agentes do FBI que passam a entrevistar serial killers presos para entender um pouco mais sobre eles: como eles pensam, o que os motiva, o que aconteceu em seu passado, etc. Holden Ford, o protagonista, é um jovem agente muito idealista, que trabalhava como negociador em casos de sequestro. Insatisfeito e incompreendido por seus métodos, ele é transferido e passa a ser assistente de Bill Tench, um agente veterano responsável pela escola móvel, um programa do FBI que viaja por todo o país para capacitar policiais e ensinar algumas técnicas da instituição. Nessas viagens, Holden e Bill passam a entrevistar também alguns presos – chamados inicialmente de “assassinos sequenciais” – para compreender o aspecto psicológico que os envolve e tentar detectar esses mesmos sinais em outros possíveis criminosos ou casos em aberto. Após muita dificuldade e burocracia, os dois passam a representar a Unidade de Ciência Comportamental do FBI e ganham uma aliada: a Dra. Wendy Carr, uma psicóloga e pesquisadora que vê grande potencial no projeto.

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Mindhunter, que foi produzida por David Fincher e Charlize Theron, tem a cara do diretor: o clima é tenso, os diálogos são inteligentes e a história vai se desenrolando aos poucos, enquanto aprofunda cada aspecto da narrativa e dos personagens. Mesmo uma cena inocente (como aquela em que Wendy alimenta um gato que vive escondido na lavanderia) traz uma tensão e uma urgência palpáveis, deixando o espectador desconfiado e acreditando que a qualquer momento algo horrível irá acontecer. Mas Mindhunter não é focada em plot twists e em cenas de ação. O grande atrativo da série está em seus personagens.

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A dinâmica entre Holden e Bill é muito interessante. Eles começam a série como pupilo e professor mas, aos poucos, Holden vai criando mais confiança em si mesmo e em seus métodos – aproximando-se muito de seus próprios objetos de estudo. Desde o início, o personagem demonstra seu lado egocêntrico, que vai ficando mais evidente conforme ele adentra o mundo (e a mente) dos serial killers. Bill, por outro lado, seria aquele estereótipo do agente durão, mas que tem mais jogo de cintura para lidar com a burocracia do FBI. Ao longo dos episódios, o espectador se depara com a fragilidade do personagem, que tem uma situação complicada e questões mal resolvidas na família (especialmente por não saber lidar com um filho autista).

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Temos também duas mulheres importantes na trama: a Dra. Wendy é uma acadêmica cética e centrada, que tenta  (muitas vezes em vão) manter o estudo com os assassinos dentro de parâmetros acadêmicos, para que os dados sejam válidos em termos de pesquisa. Ela sugere questionários e metodologias, mas Holden é resistente e prefere ser metido seguir seus instintos. A outra mulher é a namorada de Holden, Debbie. Estudante de Sociologia, a moça tem uma visão bem diferente de Holden e, no início da série, acaba sendo uma influência que flexibiliza o namorado. Com o passar dos episódios, contudo, Holden fica cada vez mais autocentrado e a relação dos dois enfrenta diversas tensões. Afinal, Holden lida todos os dias com assassinos que – em sua maioria – subjugam, humilham, estupram e assassinam mulheres (pelas mais diversas motivações). Seria praticamente impossível sair imune desse tipo de proximidade, e Holden sente as consequências de seu trabalho na pele.

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Outro aspecto muito bacana é ver os desafios que a equipe precisa enfrentar para se fazer ouvir. Se hoje o termo serial killer já existe e é encarado com seriedade, naquela época esse conceito nem existia. Nos anos 70, as autoridades só se importavam com capturar os criminosos e condená-los à pena de morte, por isso foi extremamente complicado para a Unidade de Ciência Comportamental encontrar seu espaço nesse contexto. Tanto o FBI quanto os policiais tinham resistência de acreditar e até mesmo aceitar o trabalho que eles faziam com as entrevistas, mapeamento e catalogação de comportamentos dos criminosos. Mas, aos poucos, as pessoas passam a enxergar a importância desse estudo quando eles passam a dar frutos e a equipe auxilia em alguns casos de difícil resolução pelo país.

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Mindhunter é uma série extremamente interessante e envolvente, que disseca não apenas o comportamento dos serial killers, mas de seus próprios protagonistas. Com episódios instigantes – ainda que focados no diálogo –, atuações sensacionais, fotografia que nos leva direto aos anos 70 e trilha sonora cheia de clássicos, é uma experiência obrigatória pra quem gosta do tema. Recomendo muito!

Título original: Mindhunter
Ano de lançamento: 2017
Criador: Joe Penhall
Elenco: Jonathan Gorff, Holt McCallany, Anna Torv, Hannah Gross, Cotter Smith

Dica de Série: Modern Family

Oi, gente! Tudo certo?

Para o post de hoje, decidi aproveitar a estreia recente da 9º temporada para falar um pouquinho sobre uma (das inúmeras) séries que eu assisti esse ano, uma comédia que ganhou meu coração: Modern Family!

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Sinopse: A série de comédia é filmada no estilo de documentário e mostra a vida da família Pritchett. O pai, Jay, é um homem bem sucedido nos negócios e casou-se recentemente com uma bela colombiana, Gloria, que vem morar nos EUA junto com seu filho pré-adolescente, Manny. A filha mais velha de Jay, Claire, tem seus próprios “bebezões” para cuidar: o que inclui um marido, que sempre tenta fazer o papel de “pai legal”; uma adolescente que está começando a dar dor cabeça para a família; e o filho mais novo, que sempre tem atitudes bizarras. Talvez a mais adulta da casa seja a filha do meio, que tenta manter um ar de intelectual. O seriado acompanha também a vida do casal gay Mitchell, filho de Jay, e Cameron, que recentemente adotaram uma bebê vietnamita.

Modern Family tem um formato curioso: é como se o espectador estivesse acompanhando a gravação de um documentário sobre os personagens, que frequentemente dão seus depoimentos sobre determinadas situações. Na série, acompanhamos a rotina de três famílias (que são parentes): os Pritchett (formados pelo patriarca, Jay, sua nova esposa Gloria, e o filho dela, Manny), os Dunphy (formados pela filha de Jay, Claire, por Phil e pelos três filhos do casal: Haley, Alex e Luke) e o casal Mitchell Pritchett (filho de Jay, irmão de Claire) e Cameron Turner, que acaba de adotar uma menina vietnamita, Lily. A série nos mostra o dia a dia dessas pessoas e suas interações uns com os outros, o que proporciona cenas muito engraçadas e também reflexões sobre amor, amizade e, é claro, família.

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Como em toda família, existem tensões e questões mal resolvidas. Claire, a filha de Jay, tem certa relutância em aceitar a nova esposa do pai, uma mulher muito mais jovem do que ele; para Jay, é complicado aceitar a sexualidade do filho e seu casamento com outro homem; para Mitchell, não atender às expectativas do pai é fonte de frustração, e por aí vai. Apesar de Jay e seus filhos serem o fio condutor e núcleo da narrativa, os seus parceiros têm tanta importância quanto eles na trama. Phil Dunphy, por exemplo, é meu personagem favorito! ❤ Ele é engraçado de um jeito muito inocente e nonsense. Gloria também é ótima: uma latina com sangue quente que adora falar alto (impossível não rir quando ela grita “JAAAY!” pela casa). As crianças também têm uma dinâmica muito divertida, especialmente Luke e Manny, que são opostos um do outro: enquanto o primeiro é… hmmm… dono de uma inteligência peculiar HAHAHA, Manny é um gentleman que parece ter muito mais idade do que aparenta.

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O que eu mais gosto em Modern Family é que a série não tem um enredo mirabolante. O gostoso mesmo é acompanhar o dia a dia (e as maluquices, é claro) dessas famílias, suas relações, seus conflitos e seu amadurecimento. Existem vários episódios com lições importantes sobre compreensão, empatia, perdão e sobre valorizar o que realmente importa na vida: o amor e a convivência com quem nos é querido. ❤ Tudo isso em meio a MUITAS gargalhadas! Sério, Modern Family é uma das séries de comédia que mais me faz rir. Além disso, a série lida com muita naturalidade várias questões, como homossexualidade (a relação de Mitchell e Cam é como qualquer outra, exatamente como deveria ser!), e também com a diferença de idade entre Jay e Gloria.

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Infelizmente, a série tem perdido o fôlego nas últimas temporadas. Acredito que ela esteja se arrastando um pouco além do necessário e, com isso, vem repetindo alguns plots e perdendo um pouco do brilho que tinha no início (o que fica bastante claro nas crianças, que cresceram e perderam não só a graça, como também desenvolvimento). Sigo como uma fã fiel e acompanho cada episódio, mas confesso que já estou na torcida para um desfecho digno para essa série que fala sobre relações familiares de maneira tão doce e engraçada. Apesar dessas ressalvas, eu recomendo DEMAIS Modern Family!Em seu humor singelo e em suas situações cotidianas, é uma série que conquista e conforta ao mesmo tempo em que te arranca gargalhadas. Vale a pena! 😉

Título original: Modern Family
Ano de lançamento: 2009
Criadores: Christopher Lloyd, Steven Levitan
Elenco: Ed O’Neill, Sofía Vergara, Julie Bowen, Ty Burrell, Jesse Tyler Ferguson, Eric Stonestreet, Sarah Hyland, Ariel Winter, Nolan Gould, Rico Rodriguez

Review: It: A Coisa

Oi gente, tudo bem?

Apesar de sempre ter odiado palhaços e não ser fã de filmes terror (confesso: morro de medo!), os trailers, o burburinho e a curiosidade falaram mais alto e ontem fui conferir It: A Coisa, nova adaptação do clássico de Stephen King.

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Sinopse: Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado “Losers Club” – o Clube dos Otários. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do “Losers Club” acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

O longa já começa mostrando a que veio, com a clássica cena do bueiro, em que o pequeno Georgie Denbrough desaparece. Após um salto temporal de alguns meses, vemos que seu irmão, Bill, não está lidando bem com a situação e estuda uma forma de encontrá-lo. Junto com seus amigos mais antigos (Richie, Eddie e Stanley) e com algumas novas amizades (Ben, Beverly e Mike), o grupo – que se intitula Clube dos Otários – passa a investigar não apenas o desaparecimento de Georgie, mas também a estranha circunstância que faz com que diversas crianças também estejam desaparecendo. 

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O filme dedica um bom tempo de tela a desenvolver cada criança individualmente, mostrando não apenas suas personalidades, mas também o contexto na qual estão inseridas e, principalmente, seus medos. São esses medos que servem como combustível para que Pennywise os atormente e os atraia, fazendo com que eles vivam diversos momentos de puro terror. Como se não bastasse a ameaça do palhaço, o grupo ainda sofre com o bullying de alguns valentões (momento no qual o filme aproveita para mostrar como violência gera violência) e com conflitos na própria casa (especialmente no caso de Beverly, mas esse tópico merece uma atenção especial). O pano de fundo, desenvolvido gradualmente, bem como as atuações incríveis e extremamente competentes – destaque para Finn Wolfhard, que não lembra em nada o Mike de Stranger Things –, fazem com que o público se apegue aos personagens e também explica a origem de seus temores, dando motivação para que o grupo enfrente a ameaça que atormenta a cidade de Derry há séculos – e aparece a cada 27 anos.

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Pelas resenhas que li e comentários que ouvi, eu achei que o filme seria mais brutal visualmente, mas não é tanto assim. Ele assusta, sim, e as cenas feitas para te dar pulos na cadeira funcionam. Entretanto, pelo menos pra mim, o que realmente apavora é o clima de insegurança que toma conta dos personagens. A ameaça era quase onipresente, já que Pennywise faz aparições em diversos pontos distintos. As cenas foram construídas com uma tensão crescente, da trilha sonora à iluminação. Ao mesmo tempo, o filme é muito… engraçado! Eu ri alto em diversos momentos, porque as piadas eram naturais e com excelente timing. Richie e Eddie são os personagens que mais me fizeram rir, cada um à sua maneira: enquanto o primeiro tem aquele jeitão desaforado e imaturo típico da idade, o segundo é hipocondríaco e começa a trama se preocupando mais com higiene e doenças do que com o perigo que se aproxima. Esses momentos engraçado foram ótimos, pois trouxeram leveza a um filme que assusta na medida certa, sem forçar a barra.

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Agora, preciso comentar sobre o medo da Beverly. Se você não quiser saber o que é, pule para o próximo parágrafo. 😉 A menina vive sozinha com o pai, é abusada e vive em pânico das investidas dadas por ele. O homem, que é desprezível em cada fio de cabelo, sexualiza e objetifica a filha, das roupas aos longos cabelos (que ela corta para causar repulsa no pai, que diz que ela ficou parecendo um menino). Uma das cenas mais tensas e assustadoras do filme não envolveu o Pennywise, mas sim uma tentativa de abuso por parte do pai de Beverly: revoltado por saber que a menina está andando com os garotos, ele vai pra cima dela, que revida e consegue se defender. Quando ela vence o homem que a aterroriza (acertando-o com um golpe poderoso na cabeça) é impossível não ficar exultante. E mesmo no fim, quando o palhaço tenta assombrá-la com a imagem do pai, Beverly consegue enfrentá-lo novamente. Pra mim, esse foi o pior dos medos trabalhados no filme, simplesmente porque ele é… real. Acontece todos os dias, com milhares de meninas (70% dos estupros acontecem dentro de casa, cometidos por parentes da vítima). E isso torna a vivência da Beverly muito mais assustadora do que qualquer entidade fictícia, pois ilustra com maestria como o ser humano pode ser um dos piores vilões.

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It: A Coisa é um filme assustador e divertido, com atuações impecáveis e uma trama que te prende na cadeira e não te deixa desviar os olhos do que ocorre na tela. Vale a pena seguir o exemplo do Clube dos Otários e vencer o medo para conferir esse longa. 😉

Título original: It
Ano de lançamento: 2017
Direção: Andy Muschietti
Elenco:  Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs,  Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Bill Skarsgård, Nicholas Hamilton

Review: Planeta dos Macacos – A Guerra

Oi, pessoal. Tudo certo?

Apesar de não ter assistido a Planeta dos Macacos – A Origem e a Planeta dos Macacos – O Confronto no cinema, eu tinha muita simpatia pela série por ter visto algumas cenas do primeiro filme na TV e curtido. Com a estreia do terceiro longa, resolvi assistir aos predecessores e, feito isso, fui ao cinema conferir Planeta dos Macacos – A Guerra. E já posso adiantar: estou muito feliz com essa saga!

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Sinopse: Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César (Andy Serkis) e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel (Woody Harrelson). Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito e outros são capturados, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.

Após o confronto que aconteceu no filme anterior, César e seu grupo de macacos vivem em uma comunidade na floresta. Eles estão sob constante ataque por parte dos militares – comandados pelo inescrupuloso Coronel – que foram chamados pelo rádio também no filme anterior. A primeira cena do filme já nos apresenta a esse clima de tensão constante, com um embate feroz na floresta repleto de baixas para ambos os lados, símios e humanos. Os macacos pretendem ir embora para um local afastado, com o intuito de fugir dessa guerra incessante, mas o Coronel surge para impedir esses planos. Em uma sequência extremamente tensa – com vários cortes, muitas sombras e uma trilha sonora angustiante – uma tragédia acontece, colocando César em um caminho de ódio e vingança. Com o intuito de acabar de uma vez por todas com o Coronel, César parte com mais três fieis companheiros (Maurice, Rocket e Luca) em busca da base militar humana.

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Toda a nova trilogia de Planeta dos Macacos traz diversos questionamentos importantes, como a questão da empatia e o que realmente é ser “humano” ou “racional”. Toda a história é contada pela perspectiva de César, então acompanhamos os conflitos internos do personagem – que um dia foi criado e amado por humanos, mas há muito tempo tem se deparado com o pior deles – bem como as dores e a luta para manter sua comunidade segura. Em contrapartida, do lado humano da narrativa (que nunca assume o fio condutor do enredo) temos terríveis exemplos, muito mais bestiais e incapazes de dialogar e tentar fazer as coisas de uma nova forma. Mais uma vez, humanos cometem os mesmos erros do passado, causando segregação, extermínio e intolerância. Já deu pra perceber que o filme é uma alegoria incrível sobre o que acontece na política mundial hoje, né? A própria construção de um muro para a separação dos inimigos é mostrada no longa, que não poderia ser mais atual, ao mesmo tempo em que faz referências ao holocausto em uma espécie de “campo de concentração símio”.

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A atuação de Andy Serkis por meio da tecnologia de captura de movimentos é sensacional, e ficou cada vez mais profunda com o passar dos filmes, acompanhando a evolução do protagonista (há uma cena em específico na qual toda a dor e sofrimento do personagem transparecem, e eu fiquei de boca aberta com a competência do ator e com a evolução dessa tecnologia). César é um personagem extremamente verossímil, cheio de nuances e sentimentos conflitantes. Após passar por uma perda terrível em A Guerra, o personagem fica cada vez mais sombrio e parecido com seu antigo amigo e traidor, Koba, o antagonista de O Confronto. Ao mesmo tempo, o espectador nunca deixa de compreender suas motivações, justamente porque acompanhamos a complexidade do personagem ser construída ao longo da trilogia. Outra atuação importante é a de Woody Harrelson no papel de Coronel. Cruel, o personagem é ao mesmo tempo insano e crível, porque o enredo o constrói de modo a explicar (mas jamais justificar) suas ações.

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Cenários espetaculares, trilha sonora impecável e jogo de luzes envolvente são alguns dos elementos que mais chamaram a atenção no filme, porque constroem perfeitamente a atmosfera. Também não faltam cenas emocionantes que me levaram às lágrimas mais de uma vez. Contudo, nem tudo são flores, e eu achei que o filme peca em alguns quesitos (principalmente quando comparo aos longas anteriores, que pra mim foram extremamente envolventes). O roteiro parece se perder um pouco da metade para o final do filme, com a inserção de muitas informações novas que eu julguei desnecessárias. Parece que forçaram um pouco a analogia (que já estava bem clara) de que humanos são mais feras que os macacos com a nova mutação do vírus, sei lá. Também achei que o foco na humana Nova foi um desperdício, já que as estrelas do filme sempre foram os macacos. Ela protagoniza algumas cenas sensíveis que, ao meu ver, não tinham espaço para a participação dela (pôster incluso, cof cof). O Macaco Mau é um novo personagem que traz alívio cômico ao longa, é cativante, mas me pareceu deslocado, já que nenhum filme da trilogia tinha essa pegada. E em relação ao desfecho… bom, achei coerente, mas previsível. Antes de entrar na sala de cinema eu ainda comentei com o meu namorado que imaginava que determinada coisa aconteceria, e aconteceu. Faz sentido com a jornada do personagem, mas a maneira como isso aconteceu me pareceu um pouco utópica (selecione se quiser ler: o César se machucou seriamente na batalha, mas ainda assim conseguiu marchar com sua família até a nova “terra prometida” e só morreu ao chegar lá. Forçado, né?).

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Planeta dos Macacos – A Guerra não é o meu filme favorito da trilogia, mas encerra de forma digna, competente e emocionante a jornada de César. Por mais que existam algumas falhas em relação aos longas anteriores, o filme foi capaz de me emocionar e me deixar satisfeita com os rumos tomados por essa saga que me conquistou completamente. Recomendo não apenas esse filme, mas a nova trilogia Planeta dos Macacos como um todo. Vocês não vão se arrepender!

Título original: War for the Planet of the Apes
Ano de lançamento: 2017
Direção: Matt Reeves
Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Karin Konoval, Steve Zahn, Terry Notary, Michael Adamthwaite, Amiah Miller

Dica de Série: Os Defensores

Oi gente! Como vocês estão?

Depois de aguardar com MUITA ansiedade, finalmente Os Defensores chegaram à Netflix! ❤ Apesar de ter visto a série numa sentada no fim de semana passado, resolvi esperar os ânimos acalmarem pra falar a respeito. Então vamos ao review!

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Sinopse: Eles não estão nem aí para fazer amigos. O lance deles é salvar Nova York. Demolidor, Luke Cage, Jessica Jones e Punho de Ferro são os Defensores.

Na cronologia das séries Marvel e Netflix, Os Defensores se passa alguns meses depois da segunda temporada de Demolidor e começa mostrando cada personagem individualmente: Matt deixou o uniforme pra trás e está trabalhando como advogado de casos pro bono; Jessica não voltou a atuar como investigadora após vencer Kilgrave; Luke saiu da prisão e voltou ao Harlem e Danny segue caçando membros do Tentáculo pelo mundo na companhia de Colleen. Contudo, após um terremoto suspeito, todos os personagens acabam se envolvendo com investigações próprias que culminam no mesmo ponto: o prédio do Mirdland Circle, epicentro dos tremores e sede do Tentáculo. Movidos por motivações próprias, mas com um inimigo em comum, Os Defensores acabam se unindo contra a ameaça.

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Eu amei o fato da série ter levado alguns episódios construindo o enredo individual de cada personagem antes de unir o grupo. Isso fez com que eles não parecessem um time de super amigos (uma piada da própria série, btw) repentinamente, mas sim pessoas com interesses próprios que viram nessa união algo imprescindível para a vitória. Outro aspecto extremamente positivo é que a trama do Tentáculo – que vinha se desenrolando desde as temporadas solo de Demolidor – teve aprofundamento e explicações, e eu fiquei muito satisfeita.

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Agora vamos falar dos personagens. Como não amar cada momento que aproximava Matt, Jessica, Luke e Danny? Se antes eu achava que a Claire seria o principal ponto de contato deles, com o passar dos episódios vi que a trama por si só estruturou esses encontros de maneira muito coerente. A dinâmica entre eles foi maravilhosa e rolou muita química entre os personagens. Destaque para Luke e Jessica (que são casados nas HQs): foi possível ver o carinho existente entre os personagens nos diálogos e no apoio mútuo. Só achei um pouco esquisito ver tanto afeto porque, na série solo de Luke, ele parece nem querer falar a respeito dela. De qualquer forma, se forem construir um romance novamente, espero que a Claire não saia magoada nesse processo (amo a Jess, mas também amo a Claire!).

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Também gostei da evolução de Danny nessa série. Se eu achei Punho de Ferro péssima, acredito que o personagem tenha melhorado muito em Os Defensores. A dinâmica dele com Luke foi super bacana, trazendo a jovialidade do personagem de uma maneira mais positiva (e não tão impulsiva como na sua série solo). Também adorei a reação dos personagens e as zoações sempre que Danny falava de K’un-Lun. Por último, temos Matt, que está vivendo um momento de crise por tentar viver apenas como advogado – sendo que sua essência e real personalidade é a de Demolidor. Eu admito que o plot dele foi o menos interessante pra mim, por não ser fã da Elektra (em seguida me aprofundarei nisso), mas ainda assim gosto muito do personagem.

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O Tentáculo também foi bem trabalhado, e Alexandra foi uma líder muito interessante. Porém, como já mencionei, meu ranço fica por conta da Elektra: eu acho a personagem boring e sem carisma. Não consigo gostar dela e acho que já deu de Elektra (ao menos como vilã) nesse universo. Alguns membros da organização não tiveram tanto destaque, como Bakuto, Sowande e Murakami. Parecia que eles estavam ali apenas para serem os outros braços do Tentáculo, já que Alexandra e, principalmente, Gao, roubavam a cena.

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Outra coisa que eu preciso elogiar são os jogos de luzes e cores na abertura (que é fantástica!) e ao longo dos episódios! Eu adorava assistir as cenas de transição dos personagens e perceber como as cores influenciavam o ambiente dependendo de quem fosse o foco. Quando Os Defensores finalmente estão juntos, também é possível perceber as luzes e as cores tendo maior ou menor destaque, dependendo de quem fosse o “protagonista” de determinado diálogo ou enquadramento (eu ficava dizendo “vermelho!”, “roxo!”, “verde!”, “amarelo!” que nem uma criança chata e empolgada nesses momentos HAHAHA!).

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Em suma, eu amei real oficial Os Defensores. 😛 Amei a história, amei a forma como os personagens se uniram e amei como a série encaminhou as histórias deles individualmente, deixando muito material para as próximas temporadas solo. Apesar da temporada ter sido mais curta (Punho de Ferro é que deveria ter tido apenas 8 episódios #fikdik) e eu já estar morrendo de saudade dos personagens, acredito que a história ficou na medida perfeita! ❤ Recomendo mil vezes!

Título original: Marvel’s The Defenders
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Douglas Petrie, Marco Ramirez
Elenco: Charlie Cox, Krysten Ritter, Mike Colter, Finn Jones, Elodie Yung, Sigourney Weaver, Wai Ching Ho

Dica de Série: Big Little Lies

Oi, gente! Tudo bem?

Para o post de hoje, trouxe a resenha de uma minissérie maravilhosa da HBO: Big Little Lies! Baseada no livro homônimo da autora Liane Moriarty, a série conquistou várias indicações (merecidas) ao Emmy desse ano.

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Sinopse: Big Little Lies conta a história de três mães que se aproximam quando seus filhos passam a estudar juntos no jardim de infância. Até então, elas levam vidas aparentemente perfeitas, mas os acontecimentos que se desenrolam levam as três a extremos como assassinato e subversão.

Em Big Little Lies, acompanhamos três mulheres de uma cidade australiana: Madeline, Celeste e Jane. As três acabam se aproximando, pois seus filhos estudam juntos, e uma amizade muito forte nasce entre elas. Ao longo dos episódios, vemos esse laço se estreitando, ao mesmo tempo em que acompanhamos os segredos que elas guardam, entre eles relacionamento abusivo, infidelidade, abuso sexual, entre outros.

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É complicado falar sobre Big Little Lies sem dar spoilers, já que a série é bem curtinha (com apenas 7 episódios) e fala de assuntos muito importantes. Mas vamos lá, vou me esforçar. 😛 A série tem duas linhas temporais: no presente, sabemos que uma pessoa morreu – mas não sabemos quem, sendo este o mistério condutor da narrativa. Diversas pessoas da cidade estão sendo interrogadas, e elas opinam a respeito das três protagonistas sob diversos aspectos. A outra linha temporal mostra o que aconteceu antes dessa morte, e a maior parte das cenas se dá nesse contexto.

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O mistério a respeito de quem morreu é uma das coisas que mantém o espectador atento? Sem dúvidas. Mas, definitivamente, não é esse o aspecto mais interessante da trama. O que realmente me envolveu em Big Little Lies é a relação entre as mulheres: suas rivalidades, suas amizades, seus segredos. A série se passa inteiramente sob a perspectiva de mulheres, sendo elas totalmente diferentes entre si, com qualidades e defeitos. Assuntos importantes, como estupro e violência doméstica, não são romantizados e são representados de forma realista, o que nos causa extremo desconforto e revolta – justamente pela aproximação com a realidade. Outro fator muito importante e empoderador de Big Little Lies é a sororidade. Na minissérie, vemos mulheres apoiando uma a outra de modo inspirador. As três amigas protagonistas são o maior exemplo disso, mas com o passar dos episódios temos outras provas de que que mulheres unidas são muito mais fortes. ❤

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Acho complicado falar das personagens individualmente, justamente porque quero evitar dar spoilers. O que posso dizer é que Madeline, Celeste e Jane me conquistaram, ainda que não sejam perfeitas (ou talvez justamente por isso). Madeline é meio obsessiva, mas tem um coração de ouro. Celeste é uma mãe dedicada e uma mulher muito sensível. Jane é jovem, mas tem muitas responsabilidades nos ombros, principalmente por ser uma mãe solteira. Ainda assim, a personagem lida com tudo da melhor maneira que consegue, sendo um grande exemplo de força (bem como Celeste). As atuações também estão fantásticas, com destaque para Nicole Kidman, que teve uma carga emocional bastante pesada em sua personagem, e Shailene Woodley, que me surpreendeu muito pelas diversas nuances apresentadas. Alexander Skarsgård também fez muito bem o seu papel, mostrando com perfeição como um homem abusivo se comporta e manipula suas vítimas (e me fazendo odiá-lo mais a cada segundo). Por fim, as crianças também roubam a cena, com destaque para a filha mais nova de Madeline (que faz as melhores playlists!) e o filhinho de Jane (que é um amorzinho). ❤

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Outro aspecto incrível da série é a montagem. Com diversas alegorias maravilhosas, que incluem cenas com o oceano batendo nas pedras para representar violência, a série tem diversas cenas hipnotizantes. A fotografia é incrível e o desenrolar dos episódios é extremamente envolvente.

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Peço desculpas se a resenha ficou um pouco vaga, mas realmente não quero estragar a surpresa de ninguém revelando mais do que o necessário a respeito do enredo. O que eu posso dizer com convicção é: Big Little Lies é uma minissérie girl power de qualidade inquestionável, com um enredo maravilhoso e temas extremamente importantes – por mais dolorosos e difíceis que sejam. O único ponto negativo fica por conta do final. Não me entendam mal: ele me fez vibrar! Mas, ainda assim, foi bem previsível. De qualquer forma, essa foi uma das melhores séries que já assisti e me deixou de boca aberta. Recomendo demais!

Título original:  Big Little Lies
Ano de lançamento: 2017
Criador: David E. Kelley
Elenco: Reese Witherspoon, Nicole Kidman, Shailene Woodley, Zoë Kravitz, Laura Dern, Alexander Skarsgård, Adam Scott, James Tupper