Dica de Série: The Witness for the Prosecution

Oi povo! Como estão?

Hoje eu trago pra vocês o review da última minissérie baseada nas obras da Agatha Christie que conferi recentemente: The Witness for the Prosecution. Vocês podem conferir também aqui no blog os reviews de And Then There Were None, The ABC Murders e Ordeal by Innocence. 😉

the witness for the prosecution

Sinopse: Adaptação feita pela BBC da obra de Agatha Christie. Situada na década de 1920, a minissérie apresenta o julgamento de Leonard Vole (Billy Howle), jovem acusado de ter assassinado Emily French (Cattrall), uma rica senhora a quem prestava conselhos financeiros. Tendo herdado sua fortuna, Leonard se tornou o único suspeito do crime. A sua situação se complica quando Janet Mackenzie (Monica Dolan), governanta da casa, presta seu depoimento. A única chance de Leonard de provar sua inocência é sua esposa Romaine (Andrea Riseborough). Mas esta o surpreende quando se torna uma testemunha de acusação.

Emily French, uma rica senhora solitária e nome importante da sociedade, foi morta. O principal suspeito é Leonard Vole, um rapaz com quem Emily mantivera uma relação nos últimos meses. A empregada de Emily não hesita em acusá-lo, alegando que o rapaz era um oportunista e estava de olho no dinheiro de sua patroa. Leonard então investe todas as suas fichas em sua esposa, Romaine, uma jovem atriz que busca ascensão. Porém, tanto Leonard quanto seu advogado de defesa, John Mayhew, ficam boquiabertos quando Romaine decide ser a testemunha de acusação da promotoria.

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A trama de The Witness for the Prosecution é bem linear e curtinha: são apenas 2 episódios que focam na busca de John por um meio de salvar Leonard. Entre uma cena de julgamento e outra, temos o passado do advogado explorado: seu casamento foi arruinado pela perda do único filho na guerra, da qual somente John retornou vivo. A melancolia do personagem é evidente e ele deposita na missão de salvar Leonard sua redenção.

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Outro aspecto interessante é a figura de Romaine. Ela é uma verdadeira incógnita, cuja verdadeira face está oculta em meio a maquiagens, cenários encantadores e figurinos deslumbrantes. Quem é Romaine, afinal? Uma atriz em ascensão? Uma mulher invejosa que deseja o papel principal no teatro (pertencente a outra mulher)? Uma esposa traída e de coração partido? O fato de Romaine se voltar contra Leonard é o ponto mais interessante do julgamento, apesar de não ser surpreendente o fato dela querer se vingar pelos meses de traição.

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O plot twist no final é satisfatório, explicando a atitude dos personagens de maneira convincente e dando ao espectador um novo olhar sobre eles. Como ponto negativo, eu diria que o ritmo é um pouco enrolado (especialmente nas cenas envolvendo John) e o julgamento em si é fácil demais, não causando nenhuma sensação de aflição no espectador. Em suma, The Witness for the Prosecution é uma minissérie bacana e curtinha, ideal para um entretenimento mais rápido. Não é imperdível e nem a melhor minissérie baseada nas obras de Agatha Christie, mas em geral vale a pena. 😀

Título original: The Witness for the Prosecution
Ano de lançamento: 2016
Direção: Julian Jarrold
Elenco: Toby Jones, Billy Howle, Andrea Riseborough, Kim Cattrall, Monica Dolan

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Review: Kimetsu no Yaiba

Oi gente, como estão?

Depois de My Hero Academia, meu namorado conseguiu de novo: me indicou um anime e eu acabei fisgada! Estou falando do ótimo Kimetsu no Yaiba (também conhecido como Demon Slayer).

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Sinopse: Desde os tempos antigos, abundam os rumores de demônios devoradores de homens à espreita na floresta. Por causa disso, os moradores locais nunca se aventuram do lado de fora durante a noite. Diz a lenda que um matador de demônios também perambula pela noite, caçando esses demônios sanguinários. Para o jovem Tanjiro, esses rumores logo se tornarão sua dura realidade… Desde a morte de seu pai, Tanjiro assumiu a responsabilidade de sustentar sua família. Embora suas vidas possam ser endurecidas pela tragédia, eles encontraram a felicidade. Mas esse calor efêmero é destruído um dia quando Tanjiro encontra sua família abatida e o único sobrevivente, sua irmã Nezuko, se transformou em um demônio. Para sua surpresa, no entanto, Nezuko ainda mostra sinais de emoção humana e pensamento… Assim começa a busca de Tanjiro para lutar contra os demônios e transformar sua irmã humana novamente.

A primeira coisa que me chamou a atenção nesse anime foi o traço, que é lindo. Sabe quando você fica olhando encantada pros personagens e cenários? Foi assim que me senti no primeiro episódio. A qualidade técnica é impecável, a trilha sonora envolve e as cenas de ação têm muita fluidez e realmente captam a nossa atenção. Mas e a história, é tão boa quanto os aspectos técnicos?

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Sim! Em Kimetsu no Yaiba, acompanhamos a jornada do jovem Tanjiro em busca de uma cura para sua irmã, Nezuko, que foi transformada em um demônio. A fatalidade aconteceu após toda a família dos dois ser morta pela mesma criatura, mas Nezuko acabou sobrevivendo e tornando-se uma delas. Porém, inexplicavelmente, a jovem ainda consegue ter lampejos de sua humanidade e manter seu desejo por carne humana sob controle, o que motivou Tanjiro a encontrar uma forma de reverter o que aconteceu. Para isso, ele faz um treinamento intenso para se tornar um Exterminador de Demônios – uma organização dedicada a liquidar todos aqueles que colocam vidas humanas em risco. Após dois anos de extenuante treinamento, Tanjiro conquista o título e parte com Nezuko para diversas missões, onde faz novas amizades e conquista companheiros.

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Tanjiro é a estrela de Kimetsu no Yaiba. Em alguns aspectos, ele me lembra o Midoriya, de My Hero Academia: é muito dedicado, responsável e esbanja empatia, preocupando-se sempre com o bem das pessoas ao seu redor. Ele é um líder nato, de coração gigante e muito senso de responsabilidade (o que já era nítido quando sua família ainda estava viva, já que ele era o mais velho dos irmãos). Seus companheiros também são carismáticos (eu adoro os surtos explosivos do Inosuke e os momentos badass do Zenitsu – que nem sabe ainda de sua total capacidade) e Nezuko é uma fofa, ainda que tenha se destacado muito pouco na maior parte dessa primeira temporada.

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As batalhas são incríveis e muito boas de assistir. Uma das coisas de que mais gosto em Kimetsu no Yaiba é o fato de que Tanjiro não fica fodão da noite para o dia, usando do privilégio de protagonista. Ele treina MUITO e se esforça MUITO pra chegar aonde chegou e conseguir lutar contra os demônios que enfrenta, o que dá mais credibilidade à sua trajetória. Outro aspecto que torna essas batalhas mais interessantes é que diversos demônios que Tanjiro encontra pelo caminho têm motivos próprios para sofrer: eles também foram humanos um dia e muitos deles ainda carregam as dores de seu passado. Como crítica negativa, acho válido comentar que o vilão principal foi mal explorado, pelo menos na primeira temporada. Ele aparece somente uma vez e, apesar de demonstrar claramente sua capacidade de ser cruel, sua aparição até o momento não trouxe grande desenvolvimento para a história.

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Resumindo, Kimetsu no Yaiba é uma excelente opção de anime para quem já gosta do gênero, mas também pode ser sua porta de entrada para esse tipo de produção. Qualidade técnica, história envolvente (ainda que simples) e personagens carismáticos fazem de Kimetsu no Yaiba uma ótima aposta. Recomendo muito!

Título original: Kimetsu no Yaiba
Ano de lançamento: 2019
Direção: Haruo Sotozaki
Roteiro: Ufotable
Elenco: Natsuki Hanae, Akari Kitô, Yoshitsugu Matsuoka, Hiro Shimono, Takahiro Sakurai

Review: Como Ser Solteira

Oi gente, tudo bem?

Na vibe das comédias românticas despretensiosas, acabei assistindo a Como Ser Solteira, um filme do qual nunca tinha ouvido falar, mas que acabou me surpreendendo.

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Sinopse: Alice (Dakota Johnson) acabou de sair de um relacionamento e não sabe muito bem como agir sem outra metade. Para sua sorte, ela tem uma animada amiga (Rebel Wilson), especialista na vida noturna de Nova York, que passa a ensiná-la como ser solteira.

Alice é uma jovem acostumada a estar em relacionamentos. Estando em um namoro duradouro com Josh, ela resolve “dar um tempo” para se descobrir. Alice logo percebe que cometeu um erro e, ao tentar voltar com o rapaz, descobre que ele já seguiu em frente. A partir desse momento (e do sofrimento causado pelo término real oficial), a jovem começa a descobrir um novo jeito de viver, aproximando-se de sua nova amiga de trabalho (a solteira inveterada, Robin) e experimentando novas possibilidades. Além da jornada de Alice, o filme também traz de maneira um pouco menos aprofundada os dramas amorosos de Meg (irmã de Alice, que sempre prioriza a carreira e evita relacionamentos) e Lucy (a romântica que não perde a esperança de encontrar o cara ideal).

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Com os diversos núcleos de personagens, o filme me lembrou outras comédias românticas semelhantes, como Ele Não Está Tão Afim de Você. Ao longo da 1h50 de duração, Como Ser Solteira vai nos conduzindo pelas delícias e dificuldades de não ter um relacionamento, enquanto explora o jeito de cada personagem lidar com a situação. Existem os clichês, obviamente, como o barman gostosão que não abre mão da solteirice, mas se apaixona pela pessoa mais improvável. Mas quem disse que eu ligo pra clichês em comédias românticas? Gosto e assumo. 😂 Contudo, mesmo com os clichês, o filme também traz algumas quebras de expectativas. Quando pensamos que determinado personagem vai ter um desfecho X, a condução da narrativa o leva para o caminho Y. Isso é bem legal, porque tira a obviedade de alguns plots e nos traz algumas surpresas bem-vindas.

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Mas, sem dúvidas, a trama mais interessante é justamente a de Alice (apesar da performance nada surpreendente de Dakota Johnson, com sua Anastasia 2.0). Existe uma pressão social bem grande para que encontremos um grande amor e, tratando-se das mulheres, isso é redobrado. Se para um homem ser solteirão não é um problema, para mulheres isso (ainda) traz um estigma negativo. E Alice é a jovem que nunca soube ficar sozinha, tendo sua vida orbitando em torno de uma relação; quando ela é forçada a encarar o mundo por si mesma, transformações incríveis acontecem de dentro para fora. Por mais que doa em alguns momentos, é um processo fundamental. Afinal, é impossível estar pleno e feliz ao lado de alguém quando você mesma não se conhece, e essa é a lição mais bacana que o filme traz.

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Como Ser Solteira é uma comédia romântica bacana, com cenas divertidas e até mesmo algumas reviravoltas. Assisti sem nenhuma expectativa e acabei me surpreendendo, pois o filme conseguiu me entreter e me fazer refletir – mesmo que de modo mais superficial. Não é inesquecível e nem vai marcar a sua vida, mas com uma pipoquinha e um cobertor vale muito a pena conferir! 😀

Título original: How to be Single
Ano de lançamento: 2016
Direção: Christian Ditter
Elenco: Dakota Johnson, Rebel Wilson, Leslie Mann, Alison Brie, Anders Holm, Nicholas Braun, Jason Mantzoukas, Damon Wayans Junior

Dica de Série: The ABC Murders

Oi gente, tudo bem?

Depois de And Then There Were None e Ordeal by Innocence, cá estou pra falar de mais uma minissérie da BBC que adapta um livro de Agatha Christie: The ABC Murders. Vamos descobrir o que achei? Lembrando que não li o livro, então minhas opiniões são exclusivamente sobre o que foi mostrado na série. 😉

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Sinopse: O icônico detetive criado por Agatha Christie, Hercule Poirot (John Malkovich), investiga um inimigo mais inteligente e desafiador do que ele jamais imaginou. Em uma Inglaterra da década de 1930 cada vez mais dividida, um assassino em série conhecido apenas como A.B.C. assola a população. Em cada cena do crime a única pista deixada é um guia de trens popular na Inglaterra de título “ABC”.

A minissérie de 3 episódios adapta uma das aventuras de Hercule Poirot, que agora é um idoso sem a notoriedade de outrora. Visto pelos outros como decadente, Hercule vive uma vida discreta, ainda que demonstre melancolia em sua expressão. Porém, o brilhante detetive é obrigado a entrar em cena novamente quando um criminoso, que se autodenomina A.B.C., lhe envia uma carta, instigando-o a encontrá-lo e demonstrando motivações pessoais para acioná-lo. Quando o primeiro assassinato acontece (cujo local e vítima tinham nomes iniciados em A), Hercule percebe que os planos do assassino são meticulosos e não vão parar. Entretanto, o novo inspetor da polícia – Crome, um jovem querendo provar seu valor – não parece inclinado a deixar Hercule colaborar.

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Que o gênero policial é meu favorito não é novidade, então sempre fico animada para conferir tramas assim, com a perseguição de algum serial killer, um embate entre duas mentes brilhantes e um mistério bem desenvolvido. A primeira coisa que me chamou a atenção em The ABC Murders é que, aparentemente, o último elemento não existia: a série mostra o rosto do homem chamado Alexander Bonaparte Cust logo de cara. No decorrer dos três episódios, acompanhamos duas perspectivas: a de Alexander e a de Hercule, que acaba sendo contratado pelo irmão de uma das vítimas para investigar o caso oficialmente.

Hercule está um tanto abatido em The ABC Murders. Na época em que a trama acontece, a Inglaterra está promovendo campanhas segregacionistas, e é nítido o desconforto do detetive belga, que há anos vive no país e colabora com ele tanto quanto qualquer cidadão inglês. Além desse clima separatista desconfortável e injusto, o detetive também está inseguro com sua idade e com a falta de propósito que parece lhe acometer, e foi bem surpreendente ver Hercule Poirot tão vulnerável. Entretanto, ele é inabalável e em nenhum momento pensou em desistir de investigar o caso, cujo número de vítimas só crescia.

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O que me decepcionou em The ABC Murders foi o fato de que Poirot não brilhou – e isso não tem a ver com o fato de ele estar “decadente”. Sua inteligência e sagacidade seguiram presentes ao longo da trama, mas de algum modo a série não conseguiu transmitir isso. Senti, enquanto assistia, que as contribuições de Hercule para o caso eram pequenas demais, e portanto a resolução do crime também acabou perdendo um pouco o impacto. Entretanto, para ser justa, a revelação final foi muito boa, transformando uma motivação gananciosa em uma psicopatia e um gosto por matar. Outro ponto fraco está no ritmo dos episódios. Por diversas vezes há flashes do passado de Poirot que prometem uma revelação (que, de fato, surpreende); o problema é que esse recurso é usado de modo repetitivo, cansando o espectador. Ainda sobre o ritmo, a série peca em não causar aflição em quem assiste. Em nenhum momento prendi o fôlego ou temi pelos personagens, o que foi uma pena.

As atuações me surpreenderam, especialmente de Andrew Buchan (Franklin Clarke), Eamon Farren (Alexander Cust) e Rupert Grint (Inspetor Crome). Aliás, gostei de ver essa nova faceta de Rupert Grint. Fora Harry Potter, eu só tinha visto outra série com ele, Sicknote, mas detestei e larguei na segunda temporada. Mesmo não tendo curtido a série, já tinha percebido que Rupert tem potencial, e The ABC Murders me confirmou isso. A potterhead que vive em mim espera vê-lo em mais produções por aí. 😀

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Em suma, The ABC Murders não é uma série ruim, mas também não é memorável. Ela tem um plot twist bem bacana (o que fez ganhar pontos comigo), mas peca no ritmo dos episódios e no tratamento dado a Poirot. Apesar disso, a proposta da trama em si me agradou e me deixou com vontade de ler o livro: quero muito ver as diferenças existentes, especialmente na resolução do caso (espero que Poirot seja mais participativo!). Se você tiver um tempinho de sobra e quiser conferir uma série bem produzida, mas não perfeita, vale a pena espiar The ABC Murders. o/

Título original: The ABC Murders
Ano de lançamento: 2018
Direção: Sarah Phelps
Elenco: John Malkovich, Rupert Grint, Eamon Farren, Andrew Buchan, Tara Fitzgerald, Freya Mavor

Review: O Rei Leão (e diferenças do original!)

Oi gente, tudo bem?

Esse momento finalmente chegou e eu não poderia estar mais ansiosa pra escrever a resenha de O Rei Leão, também conhecido como meu filme favorito da vida! ❤

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Sinopse: Simba (Donald Glover) é um jovem leão cujo destino é se tornar o rei da selva. Entretanto, uma armadilha elaborada por seu tio Scar (Chiwetel Ejiofor) faz com que Mufasa (James Earl Jones), o atual rei, morra ao tentar salvar o filhote. Consumido pela culpa, Simba deixa o reino rumo a um local distante, onde encontra amigos que o ensinam a mais uma vez ter prazer pela vida.

Acho que é desnecessário falar qualquer coisa a respeito do enredo, né? Um clássico que a maioria já conhece, O Rei Leão mora no coração de muita gente, e também mora no meu. Por se tratar do meu filme favorito, é bem provável que essa resenha fique bastante pessoal, mas é impossível falar desse longa sem relacionar com as minhas memórias afetivas e com momentos importantes da minha vida. Dito isso, vamos descobrir o que achei da nova versão hiper-realista de Jon Favreau?

Adaptando praticamente quadro a quadro a animação de 1994, O Rei Leão retorna aos cinemas com aparência totalmente repaginada: o nível de realismo do live-action impressiona. Cada detalhe da grama, cada pelo de cada animal, tudo nos faz acreditar que aquilo não é CGI, mas real. E essa verossimilhança se aplica até mesmo nas canções: um belo exemplo é I Just Can’t Wait To Be King, em que Jon Favreau encontrou uma excelente solução para torná-la divertida, mas sem a psicodelia que a animação original permitia. 

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Apesar de visualmente encantador, o hiper-realismo cobra um preço: as vozes dos dubladores dão o tom e nos guiam pelas emoções dos personagens, mas inevitavelmente o novo O Rei Leão perde um pouco em expressividade. Nas cenas felizes esse aspecto não se sobressai, ficando mais evidente nas cenas mais dramáticas. Eu diria que esse é o principal (e um dos poucos rs) defeito do filme, já que O Rei Leão tem uma história bastante emocional.

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Falando em emocional… bom, eu chorei já nos primeiros segundos de Circle of Life. Como eu disse, O Rei Leão evoca em mim sentimentos bem intensos e me transporta diretamente para a minha infância. Além disso, também faz com que eu me recorde do meu pai (que faleceu quando eu tinha 12 anos), uma das pessoas com quem eu assistia ao filme milhares de vezes. Não é um assunto no qual eu fale sempre, mas é impossível não rememorar essas vivências (e meu pai, é claro) ao assistir ao novo O Rei Leão. 

E, é claro, o mérito também fica por conta da trilha sonora, que é intensa, emocionante e clássica: da primeira aparição de Simba até à morte de Mufasa, as canções originais estão presentes e fazendo o espectador lembrar daquilo que viu tantas e tantas vezes ao longo da infância. Música é um negócio poderoso demais, né? ❤ Porém, aqui vai uma opinião possivelmente impopular (fãs da Beyoncé, não me matem): não curti Spirit e achei que não combinou em nada com o momento do filme. Acho beeem melhor a música sem letra do desenho original, com seu tom aflitivo e urgente, enquanto o close ficava nas patas do Simba correndo. Sorry. 🤷‍♀

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E já que mencionei a trilha sonora, chegou a hora de falar dos dubladores. Eu assisti ao filme legendado (e na semana que vem irei conferir dublado) e gostei das performances. Esse é o momento em que elogio Beyoncé: apesar de em alguns momentos ela ter soado um pouco exagerada no jeito dramático de falar, eu gostei mais do que esperava de sua performance como Nala, sendo uma surpresa mais positiva do que negativa. Do Simba de Donald Glover infelizmente não posso dizer o mesmo: além de ter sido eclipsado por Beyoncé em Can You Feel The Love Tonight, também fiquei um tantinho decepcionada com ele nas cenas mais dramáticas, em que senti falta de mais intensidade. Porém, nos momentos mais leves, achei a atuação suficiente. Não preciso falar nada sobre Mufasa, né? Ouvir a voz clássica é arrepiante. ❤ E, por fim, adorei as novas vozes de Timão e Pumba – que estão divertidíssimos! Minhas impressões positivas se estendem aos vilões também: gostei da voz escolhida para Scar (Chiwetel Ejiofor traz uma versão mais sombria do personagem) e para as hienas, que estão um pouco menos bobas no longa (especialmente Shenzi).

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E para finalizar, que tal um comparativo rapidinho, com as diferenças de O Rei Leão de 1994 e a nova versão em live-action? Leia somente se já tiver visto o filme ou não se importar em saber esses “spoilers”. 😉

  • Scar, diferente da versão em desenho animado, tem um comportamento menos afetado e sarcástico no live-action. Ele inclusive insiste para que Sarabi seja sua rainha – algo que não havíamos visto no filme original, mas que faz bastante sentido, considerando que, como o novo alfa, além do respeito do bando Scar também precisa gerar prole.
  • Shenzi, ao contrário de sua contrapartida de 1994, é uma líder astuta, mais cruel e com mais espaço na trama – rivalizando diretamente com Nala.
  • Be Prepared, que era uma sequência INCRÍVEL no desenho animado, perdeu totalmente a graça no live-action. 😦 O resultado foi uma cena curta, pouco musical e beeem menos impressionante do que eu esperava.
  • O jeito que Scar é descoberto como assassino é diferente e mais sem graça: em vez de Simba o forçando a falar, é Nala quem realmente o pressiona, questionando como ele viu a expressão nos olhos de Mufasa se supostamente não estava no desfiladeiro.

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  • Nala também tem um papel mais ativo ao fugir para procurar ajuda para combater Scar, e não “simplesmente” para buscar ajuda. Zazu é um aliado importante nesse momento, que traz toda uma cena bem diferente da animação original.
  • Há mais animais no local onde Timão, Pumba e Simba vivem. Isso é bem legal, porque realmente não fazia sentido somente os três estarem em uma região tão paradisíaca e fértil. 😛
  • Não temos a cena MARAVILHOSA em que Rafiki ensina Simba sobre os erros e dores do passado. Esse vacilo foi difícil perdoar. 😥 
  • Logo depois dessa cena há o momento em que Simba fala com o espírito de seu pai nas nuvens. No live-action achei um pouco menos emotiva do que no original, além de algumas falas meio clichês (tipo “meu orgulho era você ser meu filho” ou coisa do tipo).
  • Easter-egg: na hora de atrair as hienas, Timão começa a cantar Be Our Guest (de A Bela e a Fera) enquanto apresenta Pumba como prato principal. É bem engraçado, mesmo sem a cena da hula. 

Ufa. Falei bastante, né? Espero que esse review tenha deixado claro o quanto amei a nova versão de O Rei Leão e o quanto vale a pena correr para o cinema para conferir. ❤

Título original: The Lion King
Ano de lançamento: 2019
Direção: Jon Favreau
Elenco: Donald Glover, Beyoncé, Chiwetel Ejiofor, James Earl Jones, Seth Rogen, Billy Eichner, Alfre Woodard, Florence Kasumba, Eric André, Keegan-Michael Key, John Kani, John Oliver

Review: Homem-Aranha: Longe de Casa

Oi gente, tudo bem?

Sexta-feira fui conferir o novo filme do MCU, Homem-Aranha: Longe de Casa, e agora conto pra vocês o que achei sem spoilers. 😉

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Sinopse: Peter Parker (Tom Holland) está em uma viagem de duas semanas pela Europa, ao lado de seus amigos de colégio, quando é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson). Precisando de ajuda para enfrentar monstros nomeados como Elementais, Fury o convoca para lutar ao lado de Mysterio (Jake Gyllenhaal), um novo herói que afirma ter vindo de uma Terra paralela. Além da nova ameaça, Peter precisa lidar com a lacuna deixada por Tony Stark, que deixou para si seu óculos pessoal, com acesso a um sistema de inteligência artificial associado à Stark Industries.

Depois dos acontecimentos de Vingadores: Ultimato, Peter carrega o luto pela perda de Tony Stark e alimenta um desejo de viver uma adolescência normal (ou o mais próximo disso). Com uma viagem da escola se aproximando, o jovem planeja se afastar um pouco do universo dos super-heróis e também se declarar para a garota que gosta, MJ. Acontece que as coisas não saem como o planejado e, durante a Eurotrip, ele é contatado por Nick Fury, que precisa de sua ajuda para enfrentar seres Elementais que surgiram na Terra. E é nesse cenário que um novo herói entra em cena: Mysterio, oriundo de uma dimensão paralela, na qual enfrentou os Elementais e perdeu. A partir daí, Peter precisa tomar uma decisão: ele vai se posicionar como Homem-Aranha e priorizar suas responsabilidades como super-herói ou vai deixar tudo isso pra trás em busca de uma vida normal?

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O ponto fonte de Homem-Aranha: Longe de Casa são justamente os conflitos emocionais pelos quais Peter está passando. Lidando com a perda de seu mentor e sentindo-se perdido e até mesmo incapaz, o jovem Amigo da Vizinhança passa a maior parte da trama debatendo consigo mesmo, porque seu desejo genuíno é se afastar de tudo isso – e o remorso vem junto com esse sentimento. Existe uma espécie de pressão por parte das pessoas que o cercam, pois Tony Stark deixou um legado e uma expectativa de que Peter possa até mesmo a tomar o seu lugar. A questão é: o garoto genuinamente quer isso para si? E, se não quiser, como lidar com essa decisão sem se sentir uma decepção para Tony e sua memória?

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Acontece que eu tenho um problema com o universo do Homem-Aranha do MCU, e isso atrapalha muito a minha experiência com os filmes solo do Cabeça de Teia. Reforçando: EU tenho um problema com isso e EU, pessoalmente, não gosto de algumas coisas que vou pontuar agora (e isso não tem a ver com HQs, porque não as leio). Desde a primeira aparição do Peter de Tom Holland eu simplesmente não sentia que ele fosse o Peter Parker, sabem? Parece que não dá match na minha cabeça as histórias protagonizadas por Tom Holland com o que há no meu imaginário a respeito do Homem-Aranha. A própria conexão com o Tony é algo que, pra mim, nunca engrenou, e eu sempre achei um pouco exagerada. Obviamente, dá para imaginar que não sinto o mesmo impacto com plots envolvendo os dois, né? Depois que assisti Homem-Aranha no Aranhaverso essa sensação de “desconexão” entre Peter Parker x Tom Holland ficou ainda mais forte porque, pra mim, ele é basicamente o Miles Morales, tanto na ambientação quanto na personalidade. Enfim, essas questões fazem com que eu não consiga me sentir conectada ao Homem-Aranha de Tom Holland e, consequentemente, não aprecie tanto os filmes solo dele.

Dito isso, acho justo elogiar as coisas que funcionam no longa. As atuações estão ótimas (o fato de eu não curtir essa versão do Homem-Aranha não muda o fato de que Tom Holland é MUITO bom) e as cenas de ação estão eletrizantes. As batalhas que o Homem-Aranha enfrenta na Europa são muito envolventes e contam com efeitos especiais muito bons, que te deixam com a mesma sensação de desorientação que o super-herói enfrenta. Existem boas cenas de humor também, o que traz um tom jovial que combina bastante com a faixa etária dos personagens. Agora, sobre o vilão: achei suas motivações bem fracas e clichês, mas ele consegue fazer um BELO estrago que me deixou ansiosa pelo futuro (assistam as cenas pós-créditos e vocês vão entender do que estou falando).

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Resumindo, Homem-Aranha: Longe de Casa é um filme divertido, que entretém, mas que eu não consigo elogiar muito mais em função da falta de conexão que sinto com essa versão do Amigo da Vizinhança – e toda a “forçação” de barra em cima da relação com Tony Stark. Pra mim, acabou sendo uma experiência mediana, mas se você é fã do personagem e dessa nova proposta, provavelmente vai curtir bem mais que eu. E pra quem já assistiu ao filme: o que acharam? Me contem nos comentários! 😉

Título original: Spider-Man: Far From Home
Ano de lançamento: 2019
Direção: Jon Watts
Elenco: Tom Holland, Jake Gyllenhaal, Zendaya, Samuel L. Jackson, Jon Favreau, Jacob Batalon, Cobie Smulders, Marisa Tomei

Dica de Série: Ordeal by Innocence

Oi meu povo, tudo certinho? 

Tirei 10 dias de férias agora em junho e aproveitei pra conferir várias minisséries baseadas em obras da Agatha Christie. Confesso que depois da experiência maravilhosa que tive com And Then There Were None, minhas expectativas estavam bem altas! Escolhi começar por Ordeal by Innocence, uma minissérie de 3 episódios da BBC baseada em uma obra da Rainha do Crime. 😉

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Sinopse: No Natal de 1954, Rachel Argyll (Anna Chancellor), conhecida por seus trabalhos filantrópicos, é assassinada em sua propriedade familiar Sunny Point. Seu filho adotivo, Jack Argyll (Anthony Boyle), é condenado à prisão por sua morte, mas o jovem nega veementemente todas as acusações. Resta saber se seu depoimento é verdadeiro.

Rachel Argyll, matriarca de uma rica família inglesa, é assassinada brutalmente na própria mansão na véspera de Natal. Conhecida pela filantropia e por ter adotado seus cinco filhos, o caso fica ainda mais sórdido quando um deles, Jack, é acusado e preso – o garoto-problema da família, sempre envolvido em brigas e polêmicas. Jack, contudo, insiste em sua inocência, alegando ter como álibi um rapaz que lhe deu carona para um pub (rapaz este que nunca foi encontrado). Para piorar a tragédia que assombra os Argyll, Jack é assassinado na prisão, após se envolver em uma briga com outro detento. Um ano e meio depois, quando a família parece estar superando o trauma, um rapaz misterioso – Dr. Arthur Calgary – bate à porta e alega ser o álibi de Jack. E essa atitude coloca todos os segredos da família em xeque.

Ordeal by Innocence é uma série que cria uma atmosfera de desconfiança desde o primeiro episódio. As circunstâncias envolvendo a morte de Rachel são suspeitas, o autor do crime parece óbvio demais e, para ajudar, o aparecimento de Arthur (que aparenta ser também uma pessoa de muitos segredos) mexe com os ânimos de todos os Argyll de modo muito estranho. Esse é o primeiro ponto positivo na série: incitar a desconfiança de cada membro da família, bem como das motivações do próprio Arthur, foi um excelente modo de criar tensão e confusão no espectador.

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Com o desenrolar dos episódios, vamos descobrindo mais sobre o passado da família, inclusive a relação entre os irmãos e Rachel. Diferente do que ela inicialmente aparentava ser, Rachel é uma mulher exigente, crítica e aparentemente incapaz de demonstrar sentimentos pelos filhos. Obviamente essa faceta da personagem faz com que cada um dos membros da família se tornem ainda mais suspeitos, pois ada Argyll tem seus motivos particulares para se ressentir de Rachel. O fato de, segundo Arthur, Jack ser inocente e o(a) assassino(a) continuar à solta causa aflição no espectador, que sabe que há um perigo iminente pairando na mansão dos Argyll, podendo agir a qualquer momento.

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As relações familiares são um dos maiores mistérios e também trunfos de Ordeal by Innocence. Os irmãos são (ou foram) unidos, mas também estão marcados pelas tragédias que assolaram a família. Além disso, eles têm suas próprias mágoas envolvendo uns aos outros e a própria mãe; Mary, a primeira a ser adotada, é um bom exemplo disso: sentindo rancor da mãe por não ter sido amada e inveja dos irmãos, que ela alega terem estragado tudo, seus sentimentos são bastante complexos. Há também Kirsten, a empregada da casa, que tem uma relação de grande proximidade com os filhos de Rachel – mas que carrega uma aura pesada, como se tivesse um segredo pesado em seus ombros.

A série faz um ótimo trabalho em desmascarar aos poucos os personagens. Aliás, como eles são poucos, o aprofundamento de cada um é o suficiente para a proposta da trama. As atuações também são ótimas e eu gostei muito de cada membro do elenco (que conta com um nome de peso, Bill Nighy, o Rufus Scrimgeour de Harry Potter). A ambientação, os figurinos e a fotografia são de grande qualidade, nos transportando para a época na qual a série se passa (1954, mais especificamente). O único ponto fraco que me incomodou ocorreu, talvez, no terceiro episódio; a série, que vinha mantendo minha desconfiança em todos os personagens, acabou dando uma informação cedo demais, o que me fez desconfiar do(a) culpado(a) e não sentir o grande “wow” no momento da revelação.

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Ordeal by Innocence é uma ótima minissérie, trazendo um elenco muito competente e um ritmo bastante envolvente. Com personagens bem desenvolvidos (com qualidades, defeitos e atitudes verossímeis), é uma trama que mescla muito bem as relações familiares e um bom mistério. Recomendo, especialmente se você curte Agatha Christie ou obras policiais em geral. 😉

Título original: Ordeal by Innocence
Ano de lançamento: 2018
Direção: Sandra Goldbacher
Elenco: Anthony Boyle, Anna Chancellor, Morven Christie, Bill Nighy, Luke Treadaway, Eleanor Tomlinson, Ella Purnell, Christian Cooke, Crystal Clarke, Matthew Goode, Alice Eve