Review: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Oi pessoal, como estão?

Ontem fui conferir o tão aguardado Homem-Aranha: De Volta ao Lar! Cheguei uns 10 minutos atrasada na sessão, mas deu tudo certo hahaha!

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Sinopse: Depois de atuar ao lado dos Vingadores, chegou a hora do pequeno Peter Parker (Tom Holland) voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o terrível vilão Abutre (Michael Keaton) surge amedrontando a cidade. O problema é que a tarefa não será tão fácil como ele imaginava.

Obviamente, o filme se passa após Capitão América: Guerra Civil, então temos um Peter Park que já é Homem-Aranha há algum tempo e que, agora, está em contato com Tony Stark. Ou melhor, com Happy, um assistente do Tony. Enquanto as instruções de Peter dizem para ele trabalhar na sua própria região, ajudando quem precisa, o garoto aspira por mais, empolgado com a perspectiva de se tornar um Vingador de verdade. E esse desejo faz com que ele acabe se envolvendo na luta contra um traficante de armas perigoso, ao mesmo tempo em que precisa lidar com as responsabilidades (não foi piadinha, juro!) na escola e nas suas relações pessoais.

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O que eu mais gostei de Homem-Aranha (não vou voltar o título todo sempre, tá?) foi o humor. O filme me fez rir o tempo todo, trazendo uma leveza enorme na maneira como o personagem foi retratado. Peter é engraçado, divertido, carismático e é um típico menino de 15 anos que quer provar o seu valor, mas mal tem coragem de chamar a garota que gosta pra sair, o que também o torna muito real. Além disso, uma das melhores sequências é quando o Homem-Aranha ajuda as pessoas do Queens das maneiras mais adoráveis possíveis (como instruir uma senhora a chegar em determinado endereço), mostrando o lado “amigo da vizinhança” que todos queríamos ver. Outra cena super bacana foi aquela na balsa, em que há uma clara referência à primeira trilogia do Homem-Aranha, de Sam Reimi.

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Outro aspecto positivo: a participação do Homem de Ferro não foi maior do que precisava ser. Muitos fãs temiam que ele fosse tomar conta do longa, mas não foi o que aconteceu. E, pra mim, ainda foi ainda mais legal porque mostraram novamente uma personagem da qual senti falta, então foi só sucesso hahaha! Outros personagens não tiveram uma importância tão grande no longa, com exceção talvez de Ned, o melhor amigo de Peter. Deslumbrado com a possibilidade de auxiliá-lo na luta contra o crime, Ned é aquele personagem total alívio cômico. Porém, muitas vezes acabei achando-o sem graça, já que o próprio Peter cumpria esse papel do humor muito bem. Por fim, vale mencionar que Zendaya teve uma participação muito pequena. Os fãs (racistas, cof cof) fizeram um auê enorme pensando que ela seria a Mary Jane e, no fim, ela nem teve tanto tempo de tela. Porém, gostei da personagem, que é divertida e carismática.

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O ponto fraco do filme, novamente, foi o vilão. Mas também existe um ponto positivo nele. Calma, vou explicar! 😛 O lado negativo é que novamente não temos um desenvolvimento bacana, as motivações do personagem são muito fracas e vazias. O lado positivo é que não era um vilão megalomaníaco, não era um combate contra a destruição do mundo, ou algo semelhante, sabem? E isso é bacana, porque deixa o filme mais coerente e com uma história própria e fechadinha em si mesma. 🙂

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Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um filme carismático, leve e divertido. Foi prazeroso assistir a Peter realmente se transformando em Homem-Aranha e entendendo seu valor. A Marvel fez um excelente trabalho com esse personagem, mostrando que soube lidar com as expectativas e com a responsabilidade (tá, agora foi zuera, sorry HAHA!). Bem-vindo ao MCU, Peter! ❤

Título original: Spider-Man: Homecoming
Ano de lançamento: 2017
Direção: Jon Watts
Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Zendaya, Jacob Batalon, Marisa Tomei, Laura Harrier

Dica de Série: Shadowhunters

Oi pessoal, tudo bem?

No ano passado, quando Shadowhunters estreou, eu fiz um post de primeiras impressões, lembram? Na época, prometi que voltaria pra falar mais sobre a série quando tivesse uma opinião mais formada a respeito dela e… cá estou! 🙂

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Sinopse: Baseada nos livros Os Instrumentos Mortais, a série Shadowhunters acompanha a jovem Clary Fray, de 18 anos de idade, que descobre em seu aniversário que ela não é quem pensava ser, mas que vem de uma antiga linha de Caçadores de Sombras – seres híbridos de humanos e anjos que caçam demônios. Quando sua mãe Jocelyn é sequestrada, Clary se lançada no mundo de caça aos demônios junto do misterioso Caçador de Sombras Jace e seu melhor amigo, Simon. Agora vivendo entre fadas, feiticeiros, vampiros e lobisomens, Clary começa uma jornada de autodescoberta enquanto aprende mais sobre seu passado e percebe como poderá ser seu futuro.

A sinopse da série já diz exatamente do que ela se trata, então não vejo necessidade de falar muito além dela a respeito do enredo. A primeira temporada tem aquele clima introdutório, que apresenta aos espectador um novo universo e suas particularidades. Já na segunda, vemos esse novo mundo sendo mais aprofundado e desenvolvido.

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Admito pra vocês: Shadowhunters me ganhou no cansaço. Eu não costumo largar séries pela metade (fiz isso com pouquíssimas até hoje) e, como me interesso pelo universo construído pela Cassandra Clare, acabei “relevando” todos os defeitos que mencionei no post de primeiras impressões e segui assistindo. E eu fui recompensada! A segunda temporada (que, inclusive, tem mais orçamento, graças à Netflix) está se saindo muito melhor do que a primeira, me fazendo realmente gostar do desenvolvimento da série até o momento (sei que os fãs têm reclamado de várias alterações em relação aos livros mas, como só li o primeiro volume, isso não tem me incomodado).

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Shadowhunters é uma série fantasiosa e bastante juvenil, mas acaba ganhando o espectador devido aos constantes desafios que os personagens precisam vencer ao longo dos episódios (e também aos shipps). Se a primeira temporada é focada em Clary, em sua descoberta como sendo uma Caçadora de Sombras e em sua busca pela mãe – sequestrada pelo ex-marido e pai da protagonista, Valentine –, a segunda se equilibra entre a luta contra Valentine, revelações importantes e um novo (e ameaçador) vilão. A série também dá um passo acertado, ainda que não perfeito, em direção à diversidade, pois traz um casal gay super importante (Malec ftw ♥) e personagens negros (como Luke e Maia) que ganham espaço no enredo da segunda temporada.

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Outra coisa bacana que vale mencionar: os personagens tiveram um desenvolvimento notável e as atuações também melhoraram. Katherine McNamara, principalmente, evoluiu muito em relação à season anterior. Simon e Magnus continuam sendo meus personagens favoritos. ❤ Enquanto o primeiro ganha mais espaço na temporada (yay!), o segundo infelizmente acaba sendo um pouco desperdiçado. Isabelle também recebe mais atenção e tem um plot próprio, enquanto Alec amadurece e ganha novas responsabilidades.

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Shadowhunters é uma série que teve um grande crescimento da primeira para a segunda temporada, me deixando muito satisfeita por não ter desistido de acompanhar. Essa melhora, inclusive, foi o que me motivou a escrever esse post e melhorar a imagem que eu tinha construído de série aqui no blog. Sim, é uma produção um pouco guilty pleasure, porque tem várias falhas, mas ainda assim é muito envolvente e divertida. É uma série gostosa de acompanhar, mas da qual não podemos esperar um roteiro inesquecível ou um enredo impecável. Recomendo pra quem gosta do universo de Os Instrumentos Mortais e/ou deseja uma série despretensiosa, cujo objetivo é apenas manter os fãs entretidos e envolvidos sem maiores expectativas ou pretensões. 😉

P. S.: grazadeus arrumaram a cor do cabelo da Clary, que na primeira temporada mais parecia uma cenoura! HAHAHA 😛
P. S. 2: eu sei que a galera shippa Clary x Jace, mas o desenvolvimento da série me fez shippar Clary x Simon loucamente HAHAHA! ❤

Título original:  Shadowhunters
Ano de lançamento: 2016
Criador: Todd Slavkin, Darren Swimmer
Elenco: Katherine McNamara, Dominic Sherwood, Alberto Rosende, Matthew Daddario, Emeraude Toubia, Harry Shum Jr., Isaiah Mustafah

Review: Mulher-Maravilha

Oi, pessoal! Como estão?

Demorei um pouquinho, mas finalmente vim escrever um pouquinho sobre esse Filmão da Porra™ que estreou no início do mês: Mulher-Maravilha! ❤

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Sinopse: Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince (Gal Gadot) nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.

Minhas expectativas pra esse filme estavam altas. Bem altas. Primeiro porque a Mulher-Maravilha é minha heroína favorita. Ela é um ícone para todas nós, mulheres. Segundo porque né, a DC não tem feito um trabalho muito bom nos últimos filmes, então sempre rolava um medinho de que as coisas não dessem certo nesse filme. E, sendo esse um dos maiores e mais esperados filmes protagonizados por uma heroína, era muito importante que desse certo! E gente… deu! ❤ Todas as minhas expectativas foram atendidas (e superadas!) e eu saí da sala de cinema me sentindo plena.

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A história começa quando Diana recebe uma foto de Bruce Wayne (a mesma foto dela e de alguns soldados na Primeira Guerra, que apareceu pela primeira vez em Batman vs Superman) e ela passa a relembrar seu passado. Acompanhamos então sua história desde pequena: a pequena Diana, filha de Hipólita, rainha da ilha de Themyscira, sonha em ser uma guerreira feroz como as outras Amazonas. Depois de muita insistência, a rainha autoriza que sua irmã, a maior guerreira da ilha, Antíope, treine a garota. A resistência da rainha em relação a esse treinamento se dá pelo fato de que ela teme que Diana descubra a verdade sobre si mesma: ela é uma semideusa, filha de Hipólita e Zeus, e está destinada a derrotar Ares, o Deus da Guerra. Os anos passam e, em um certo dia, um avião cai na ilha de Themyscira. Diana salva o único tripulante, o soldado Steve Trevor, que conta às Amazonas que o mundo está em guerra. Diana fica perturbada ao saber o que acontece fora de Themyscira e decide ir embora com Steve, no intuito de matar Ares e salvar o mundo dos homens. E é a partir desse momento que os dois passam a trabalhar juntos e lutar na guerra.

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Mulher-Maravilha é um filme de origem excelente. Acompanhamos uma Diana que sonha em se tornar uma grande guerreira e, aos poucos, transforma-se em uma mulher que deseja genuinamente salvar o mundo. As cenas em Themyscira são de tirar o fôlego: as Amazonas são totalmente badass, independentes, fortes e determinadas. É lindo ver mulheres sendo representadas daquela maneira no cinema, principalmente quando vemos tantos exemplos de personagens femininas sendo ou hipersexualizadas ou sendo trabalhadas apenas como interesse romântico do mocinho, sabem? Fiquei toda arrepiada HAHAHA!

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Mas uma das melhores cenas do longa não acontece na Ilha Paraíso (como foi apelidada por Steve), mas na Terra de Ninguém, uma zona de guerra na qual os soldados não conseguiam progredir e as mortes eram incessantes. Lá, vemos Diana transformando-se na Mulher-Maravilha de fato. É a primeira vez que o uniforme completo da personagem surge na tela, e podemos assistir à heroína colocando seu altruísmo acima de qualquer plano que ela e seu grupo pudessem ter em relação à guerra. Ela simplesmente larga tudo e vai em direção às trincheiras inimigas em uma cena cheia de slow motion, girl power e muito impacto visual. ❤

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Falando um pouquinho sobre os personagens, Diana Prince/Mulher-Maravilha e Steve Trevor roubaram a cena. Ela é uma mulher determinada, forte e corajosa, que tem uma certa inocência por desconhecer o mundo fora da ilha na qual viveu. Isso faz com que Steve muitas vezes seja meio babaca condescendente com Diana. Mas em momento algum ela deixa que ele a diminua ou menospreze. Aos poucos, mesmo duvidando de que Ares seja real, Steve consegue enxergar a obstinação e a força de vontade de Diana, e inevitavelmente se apaixona por ela. E gente, é impossível não shippar. ❤ A química entre os personagens é palpável (e entre os atores também HAHAHA). Os companheiros do casal, antigos amigos de Steve, também são carismáticos e leais, apesar de não terem me feito sentir uma grande conexão com eles. Acredito que o único desperdício do filme tenha ficado por conta dos vilões. Não vou falar muitos detalhes a respeito para não dar spoilers, mas acho que a Doutora Veneno e Ares poderiam ter sido muito melhores do que foram. A Mulher-Maravilha é uma heroína tão incrível, mas infelizmente os vilões não chegaram aos pés dela.

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Em suma, Mulher-Maravilha é um dos melhores filmes de super-heróis que saíram nos últimos anos, e merece todos os elogios e toda a excelente bilheteria que vem conquistando. Gal Gadot fez um trabalho memorável e estou muito feliz por ela representar essa personagem tão icônica nos cinemas. DC, continue assim, porque você acertou 100% a mão nesse longa! ❤

Título original: Wonder Woman
Ano de lançamento: 2017
Direção: Patty Jenkins
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Elena Anaya

Review: Antes Que Eu Vá

Oi, pessoal. Como estão?

Essa semana fui com uma super amiga conferir o longa Antes Que Eu Vá, adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome da autora Lauren Oliver. O trailer e a sinopse já tinham chamado minha atenção, então eu estava louca pra assistir!

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Sinopse: Samantha Kingston (Zoey Deutch) é uma jovem que tem tudo o que uma jovem pode desejar da vida. No entanto, essa vida perfeita chega a um final abrupto e repentino no dia 12 de fevereiro, um dia que seria um dia como outro qualquer se não fosse o dia de sua morte. Porém, segundos antes de realmente morrer, ela terá a oportunidade de mudar a sua última semana e, talvez, o seu destino.

Antes Que Eu Vá conta a história da Samantha (ou, simplesmente, Sam): uma garota popular, com três melhores amigas igualmente populares (Lindsay, Elody e Ally), que namora um dos caras mais cobiçados da escola. A história começa dia 12 de fevereiro, o Valentine’s Day. Nesse dia, é permitido o envio de rosas de aluno para aluno, que funcionam como “cartas” românticas. Sam e seu grupo, é claro, recebem várias. Enquanto debocham de Juliet, uma menina peculiar que sofre bullying, e se preparam para a festa de Kent, um colega que visivelmente gosta de Sam, vamos acompanhando um dia perfeito vivido por Sam e seu grupo. Contudo, após uma briga ocorrida na festa, as meninas decidem ir embora. Uma tragédia acontece e, repentinamente, Sam acorda. É dia 12 de fevereiro de novo.

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Sim, eu sei que o enredo parece clichê: Sam vive o mesmo dia várias vezes até perceber o que realmente precisa fazer. Mas, sinceramente, não é exatamente isso que me prendeu durante o filme. O que me prendeu não foi imaginar o final, mas vivenciar o percurso junto da protagonista. A personagem não demora muito a perceber que algo está errado e que ela não está tendo um déjà-vu ou algo do tipo. Ela vive o dia da mesma forma apenas uma vez e logo entende que precisa fazer algo de diferente para que aquela situação mude. E é esse processo que torna o filme interessante. Vemos várias versões de Sam: a que tenta mudar o fatídico fim da noite; a que resolve chutar o balde e agir da maneira que bem entender, pois sabe que vai viver tudo de novo; a que decide fazer a diferença na vida daqueles que ama… O bacana é que, nesse processo, Sam vai descobrindo novas realidades sobre si mesma e sobre as pessoas que a cercam. A garota vive um exemplo da teoria do caos, citada por Ally em determinado momento do longa: fatos e ações que ela jamais poderia imaginar que teriam tais consequências a levam até aquele momento.

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Eu gostei muito da interpretação da Zoey Deutch. Ela fez de Sam uma personagem que aprendemos a gostar. Se no início ela vive uma vida perfeita e se deixa levar pelas amigas e pela futilidade da sua realidade – inclusive tendo atitudes bem babacas, como o bullying com Juliet –, ao longo do filme vemos a personagem se transformar. Ela passa a enxergar não apenas as próprias atitudes, mas também a das pessoas com quem se relaciona e, com isso, os sentimentos dela vão mudando. E o filme consegue demonstrar que sim, existe uma passagem de tempo, e que Sam vivencia o  fatídico 12 de fevereiro muitas vezes.

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Infelizmente, um dos defeitos do filme diz respeito a quase todos os outros personagens. Em primeiro lugar, eles são estereotipados. Entendo que, por ser um filme curto, talvez a estratégia tenha sido de realmente se utilizar desses clichês para facilitar a narrativa. Mas isso faz com que os personagens não tenham grande importância pro espectador. Bons exemplos disso são as amigas de Sam e Juliet, a menina que sofre bullying. Esta, inclusive, é um estereótipo ambulante: mal fala, o cabelo é desgrenhado, as roupas são estranhas e ela faz desenhos com uma postura que lembra até mesmo a esquizofrenia. E justamente por ela ser uma personagem tão “forçada”, ao mesmo tempo em que as amigas de Sam são apresentadas de modo tão superficial, que o filme não consegue criar um grande impacto com toda a questão do bullying. Esse lado da trama só ganha força mais para o final, quando Sam realmente entende todas as consequências do que faziam com Juliet – mas ainda assim não foi o suficiente para que eu me importasse com qualquer uma delas. Lindsay é a única das amigas de Sam que tem uma abordagem um pouco mais aprofundada, mas isso acabou me fazendo pegar mais raiva dela. Kent, felizmente, é outro personagem que ganha espaço na trama e tem um pouco mais de desenvolvimento do que boa parte das personagens. Desde o início gostei muito dele (não adianta, sou fã dos good guys! ♥).

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A fotografia do filme também é muito bonita, e combina com todo o tom melancólico que é dado desde as primeiras cenas, narradas por Sam (que já deixam claro que uma tragédia aconteceu). A maioria das cenas são azuladas e frias, principalmente depois que a tragédia acontece. Outro aspecto (meio “fun fact”) que achei interessante diz respeito a uma aula a que Sam assiste: o tema é Sísifo, um personagem da mitologia grega fadado a repetir sempre a mesma tarefa (carregar uma pedra até o topo de uma montanha, sendo que toda vez a pedra rola de volta e ele precisa começar do zero). É uma alegoria interessante para o que Sam passa a viver.

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A verdade é que Antes Que Eu Vá não consegue (ou talvez nem se proponha a isso mesmo) fazer uma discussão muito aprofundada sobre bullying, tampouco tem um roteiro surpreendente. E eu sei que esses fatos poderiam ser motivos pra eu não curtir o longa. Mas a verdade é que eu curti, e muito. Me peguei pensando no enredo em vários momentos desde que o vi. Porque eu fui tocada pela forma como o filme se desenrola, fiquei emocionada com as mudanças de Samantha e fiquei triste por saber que não havia nada que pudesse mudar o que aconteceu. Mas as coisas mudam. E Sam é a catalisadora dessa mudança. No fim, a grande lição do filme não fica girando em torno do “não faça bullying” (em termos bem simplistas), mas sim em nos lembrar de que cada dia conta, e de que não sabemos quantos dias teremos pela frente. O que importa mesmo é fazer cada um deles valer a pena, aproveitando cada momento como pudermos e ao lado de quem amamos. Por mais que o filme não seja uma obra-prima, ele me emocionou (apesar de não ter me feito chorar, por motivos que explico – com spoilers – no próximo parágrafo, caso você queira ler). Pra quem gosta de dramas adolescentes com essa pegada, eu recomendo muito!

Comentário com spoiler, selecione se quiser ler (quem já assistiu, por favor leia e comente a respeito comigo HAHAHA): EU ACHEI MUITO INJUSTO QUE TENHA SIDO A SAM A PAGAR POR TUDO QUE ACONTECEU!!! Afinal de contas, quem iniciou todo o bullying foi a Lindsay, com a mentira sobre a Juliet. D: No fim, dá a entender que a Sam finalmente consegue mudar as coisa salvando a Juliet do suicídio – e, pela minha interpretação, ela acaba salvando as amigas também. Talvez o filme tivesse me emocionado mais se fosse a própria Sam a responsável pelo bullying e, por isso, ela tivesse que “se redimir”.

Título original: Before I Fall
Ano de lançamento: 2017
Direção: Ry Russo-Young
Elenco: Zoey Deutch, Halson Sage, Medalion Rahimi, Cynthy Wu, Logan Miller, Elena Kampouris, Kian Lawley

Dica de Série dupla: Luke Cage e Punho de Ferro

Oi gente! Tudo bem com vocês?

Pra finalizar as séries de super-heróis da Netflix e da Marvel, hoje eu trago pra vocês minha opinião sobre Luke Cage e Punho de Ferro! 🙂

Resolvi fazer essa Dica de Série dupla por três fatores: 1) acho que combina falar deles juntos, já que eles formam uma bela amizade nas HQs; 2) fiquei pilhadíssima com o trailer de Os Defensores, que saiu há algum tempo e 3) essas foram as duas séries da parceria Netflix e Marvel de que menos gostei. Vamos aos reviews?

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Sinopse: Depois que um experimento sabotado ter deixado Luke Cage com uma super-força e pele indestrutível, ele se torna um fugitivo que tenta reconstruir a vida no Harlem, bairro de Nova York. Mas logo ele é forçado a sair das sombras e lutar pela sua cidade, bem como confrontar o passado do qual tentou fugir e assumir a identidade de herói.

A história de Luke Cage pode ter começado em Jessica Jones, mas na sua série solo ela ganha mais profundidade e conhecemos mais do passado do herói. A série começa com Luke trabalhando na Barbearia do Pop, localizada no Harlem – um bairro majoritariamente negro. Lá, a violência fica cada vez mais expressiva, principalmente pela ação dos primos Cornell “Boca de Algodão” Stokes (dono da boate mais popular do local, onde ocorrem diversas atividades criminosas) e Mariah Dillard (vereadora que usa sua influência para ajudar Cornell). Luke mantém suas habilidades especiais – ele é super forte e sua pele é à prova de balas, extremamente resistente – em segredo, e apenas Pop sabe a verdade. Quando o dono da barbearia é assassinado, Luke toma para si a responsabilidade de acabar com Boca de Algodão e Mariah Dillard, ao mesmo tempo em que desvenda segredos sobre seu próprio passado.

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Luke Cage tem um enredo consistente, apesar de desandar no final – algo que senti também em Jessica Jones. Existem muitos vilões, o que acaba dividindo a atenção do espectador e enfraquecendo todos eles, em especial o último, que deveria ser também o principal e mais ameaçador. Luke não é um protagonista muito carismático, mas felizmente a enfermeira mais badass de Nova York, Claire Temple, supre essa demanda, já que ela ganha bastante destaque nessa série. Outra personagem feminina super forte que merece destaque é a policial Misty Knight: honesta, determinada e corajosa, ela defende o Harlem com unhas e dentes. Luke Cage também é uma série importante por trazer muita negritude e representatividade, já que o Harlem é um bairro predominantemente negro: da trilha sonora aos costumes locais, a série acerta em cheio ao abordar esses aspectos, que normalmente são deixados de lado em outras produções televisivas.

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Em suma, Luke Cage é uma boa série, mas cujo protagonista não encanta. Tem uma história coerente e interessante, mas não a ponto de querer me fazer maratonar. Assisti mais por querer acompanhar os quatro heróis que farão parte de Os Defensores, confesso, mas não me arrependi de dedicar algumas horas à série. 🙂

Título original:  Marvel’s Luke Cage
Ano de lançamento: 2016
Criador: Cheo Hodari Coker
Elenco: Mike Colter, Mahershala Ali, Simone Missick, Alfre Woodard, Theo Rossi, Rosario Dawson, Erik LaRay Harvey

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Sinopse: Daniel Rand (Finn Jones) é um bilionário, herdeiro da fortuna das Indústrias Rand. Por 15 anos, todos acreditaram que ele estava morto, após um acidente de avião no Himalaia que vitimou seus pais, Wendell e Heather Rand. Mas Danny foi salvo e viveu todo esse tempo na cidade mística de K’un-Lun, uma das Sete Capitais do Céu. Lá, Danny aprendeu a canalizar o seu chi e se tornou o Punho de Ferro. De volta a Nova York, ele vai tentar retomar seu posto na empresa, agora sob o comando de seus amigos de infância Joy (Jessica Stroup) e Ward Meachum (Tom Pelphrey). Mas ele precisa convencer a todos que é realmente quem diz ser e combater o Tentáculo, com a ajuda de Colleen Wing (Jessica Henwick).

Em Punho de Ferro, acompanhamos a história de Danny Rand, que volta a Nova York depois de anos treinando em um monastério localizado em outro plano astral. Quando criança, ele e os pais sofreram um acidente de avião, e Danny foi o único sobrevivente. Salvo por monges de K’un-Lun (esse local sagrado em outro plano), Danny foi treinado nas artes do kung fu e conseguiu o título de Punho de Ferro – o herói responsável por proteger K’un-Lun do Tentáculo (que deu as caras pela primeira vez em Demolidor). Danny volta à Nova York para retomar sua antiga vida como herdeiro da empresa que leva seu nome, ao mesmo tempo em que pretende acabar com o Tentáculo. Nesse processo, ele torna-se aliado da instrutora de artes marciais Colleen Wing e entra em conflito com os atuais gestores das Indústrias Rand: Ward e Joy Meachum, seus amigos de infância e filhos do antigo sócio do pai de Danny.

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Serei direta: Punho de Ferro é a pior das quatro séries oriundas da parceria Marvel e Netflix. Finn Jones interpreta um Danny Rand inconsistente, que ora é um monge tranquilo e comedido, ora perde as estribeiras com qualquer situação de conflito. As cenas de luta são vergonhosas, principalmente quando consideramos que o Punho de Ferro é o personagem que mais deveria ter maestria em combates corpo a corpo. A história tenta colocar plot-twists a todo momento, inclusive da metade para o final, quando os personagens já deveriam ter sido bem estabelecidos (como ocorre, por exemplo, com a inserção de Bakuto, mais um dos vilões). Isso tira a força dos plot-twists, que acabam soando mais como tentativas desesperadas de tentar fazer o enredo engrenar. Falando ainda em vilões, Punho de Ferro repete o erro de Luke Cage, mas de modo ainda mais falho: a série tem diversos antagonistas, sendo que um dos maiores já é revelado de cara, não sobrando nenhuma surpresa para o espectador. O único personagem novo que é interessante na série é Ward Meachum – ele é o mais próximo do cinza que temos em Punho de Ferro, tendo suas forças e fraquezas trabalhadas e seu psicológico desenvolvido. Já Claire Temple, como sempre, rouba a cena, sendo a visão do público em meio às loucuras que presencia, sempre com comentários ácidos e engraçados e uma visão mais racional das coisas.

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Punho de Ferro parece ter sido feito às pressas e sem orçamento, mas eu tenho que admitir: o ritmo dos episódios é bom, e dá vontade de assistir um após o outro porque o enredo não chega a ser cansativo (apesar dos diversos momentos nonsense). Espero que o personagem Danny Rand/Punho de Ferro seja melhor desenvolvido em Os Defensores, porque é uma pena ver a qualidade das séries Marvel/Netflix decair. Pra quem pretende acompanhar todas as séries dessa parceria, não há como fugir de conferir Punho de Ferro. Mas meu conselho é que você assista sem muitas expectativas.

Título original:  Marvel’s Iron Fist
Ano de lançamento: 2017
Criador: Scott Buck
Elenco: Finn Jones, Jessica Henwick, Tom Pelphrey, Jessica Stroup, David Wenham, Rosario Dawson

Review: Puella Magi Madoka Magica

Olá, pessoal! Tudo bem?

Conforme o prometido, vim trazer mais um conteúdo que eu queria falar a respeito há um tempo. Já falei de muitos mangás por aqui, mas hoje resolvi trazer um anime pro blog! Trata-se de Puella Magi Madoka Magica ou, simplesmente, Madoka Magica.

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Sinopse: Suicídios sem explicação? Acidentes de trânsito? Mortes de pacientes quase curados? Tudo isso é causado pelo poder das bruxas. Elas causam o mal e estão presentes em todos os lugares. Para combate-las, há apenas uma saída: algumas meninas têm que firmar um contrato com Kyubey e tornarem-se Garotas Mágicas. Em troca, essas garotas receberão como prêmio um desejo concedido. Em Puella Magi Madoka Mágica seguimos a vida de Madoka Kaname e os dramas causados após descobrir a existência das bruxas e das garotas mágicas. Em meio a outras personagens, temos Homura Akemi e sua tentativa de impedir que Madoka se torne uma garota mágica. Fonte.

A história começa quando Madoka Kaname, nossa protagonista, tem um sonho em que uma garota luta sozinha contra um monstro imenso. No dia seguinte, na aula, ela vê que a menina do seu sonho é a nova aluna transferida: Homura Akemi. Posteriormente, enquanto faz compras no shopping com as amigas, Madoka vê Homura perseguindo um animal diferente, que lembra um gato. Madoka e sua melhor amiga, Sayaka, salvam essa criatura – chamada Kyubey – mas acabam presas em uma espécie de mundo paralelo, onde são atacadas por um monstro. As duas são salvas por Mami Tomoe, uma garota mágica. E Kyubey é a criatura capaz de transformar garotas normais em garotas mágicas, como Mami. Ele explica que o objetivo das garotas mágicas é lutar contra as bruxas, criaturas horrendas que se alimentam de humanos, levando-os inclusive a se suicidar, cometer assassinato, entre outras coisas. A trama realmente ganha propósito no momento em que Kyubey oferece a Madoka e a Sayaka um contrato para que elas sejam garotas mágicas também – e, em troca, elas podem ter qualquer desejo atendido. Porém, Homura está determinada a impedir que isso aconteça.

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Os traços delicados e a premissa de “garotas mágicas lutando contra o mal” fazem Madoka Magica parecer um anime bobinho, beirando até mesmo o infantil, certo? Errado. Porque em Madoka Magica todo esse conceito de “mahou shoujo”/garotas mágicas é subvertido e desconstruído, principalmente por ter um enredo profundo e doloroso (coisa que eu nunca vi em nenhum outro “mahou shoujo”, por sinal).

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Em apenas 12 episódios, o anime nos apresenta a personagens femininas complexas, com fardos pesados a carregar e arrependimentos com os quais precisam conviver. Madoka é doce, altruísta e gentil, mas extremamente insegura, e esse sentimento faz com que ela não se sinta importante ou necessária; Sayaka é apaixonada pelo melhor amigo desde a infância, mas ele sofreu um acidente que o impede de tocar violino, seu maior talento e paixão, e ela não tem coragem de dizer o que sente; Mami e Kyoko, outras duas garotas mágicas, tem suas próprias histórias que motivaram a decisão de se tornarem garotas mágicas. E, por fim, temos Homura: uma personagem fria, calculista, com um semblante apático, mas capaz de tudo para cumprir seu objetivo – eliminar Kyubey e impedir Madoka de se tornar uma garota mágica. As motivações da personagem são obscuras e demoramos muito a entendê-la, mas prometo que, quando isso acontece, é impossível não se emocionar.

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Madoka Magica também traz algumas discussões sobre moralidade. As personagens viram garotas mágicas para salvar o mundo das bruxas? Ou para ter seu desejo atendido? A questão é que junto do desejo atendido vem também o sacrifício. E essa é uma palavra importante nesse anime. Porque ser uma garota mágica e ver seu desejo sendo realizado não é nada perto do sofrimento que esse “trabalho” exige. A próxima frase tem um spoiler, selecione se quiser ler: a verdade é que o trabalho de garota mágica é eterno e tem apenas um fim, a morte. Porque as bruxas, na realidade, são antigas garotas mágicas que sucumbiram pelo acúmulo de energias negativas. Kyubey é outro personagem que vale a pena mencionar. Vindo de outro planeta, ele tem uma noção de certo e errado totalmente diferente da nossa. Por isso, ele não vê problema algum em fazer o que faz com jovens garotas – induzi-las a se transformarem em garotas mágicas sem contar a verdade por trás disso.

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Puella Magi Madoka Magica é um anime com protagonismo feminino, que traz uma forma totalmente diferente de apresentar o conceito de garotas mágicas. Ele mostra, sem poupar o espectador, que toda ação tem sua consequência, e que pessoas podem morrer e sofrer no processo. Com personagens repletas de camadas, dores e responsabilidades, além de cenas de luta psicodélicas e visualmente impactantes, Madoka Magica foi uma grata surpresa que tive em 2015. É um anime sofrido, por mais que suas cores delicadas e traços fofos não deixem transparecer essa dor em um primeiro momento. Recomendo muito, principalmente pra quem gosta de histórias surpreendentes. 🙂

Título original: Mahō Shōjo Madoka Magica
Ano de lançamento: 2011
Direção: Akiyuki Shinbo
Roteiro: Atsuhiro Iwakami
Elenco: Aoi Yūki, Chiwa Saitō, Eri Kitamura, Kaori Mizuhashi, Ai Nonaka, Emiri Katō

Vamos conversar sobre 13 Reasons Why?

Oi pessoal, como estão?

Lembram que na semana passada, quando postei sobre Jessica Jones, comentei que tinha terminado 13 Reasons Why e não sabia exatamente como falar a respeito? Pois bem, durante a semana fui maturando meus sentimentos, lendo opiniões diversas e debatendo o assunto, e hoje trago pra vocês a síntese do que senti em relação a essa série. Esse post é e não é ao mesmo tempo um Dica de Série, pois não quero apenas fazer um review, mas levantar também algumas reflexões. Espero que gostem e tenham paciência pra ler esse textão. 🙂

13 reasons why

Sinopse: Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katheriine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida – além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos.

Vamos falar um pouco sobre a série. 13 Reasons Why tem a seguinte premissa: Hannah Baker se suicidou. Enquanto a escola na qual a garota estudava lida com isso, Clay Jensen, nosso protagonista (que era apaixonado por Hannah), recebe uma caixa com fitas gravadas pela garota. Nessas fitas, ela conta os motivos pelos quais tomou tal atitude, e Clay está nessas fitas. Enquanto as ouve, o garoto se depara com o sofrimento de Hannah e com coisas muito mais sombrias do que pensava.

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Eis o grande “trunfo” da série pra manter o espectador curioso: por que Clay está nas fitas? O que ele fez? O que ele deixou de fazer? Essa dúvida faz com que você queira continuar assistindo episódio após episódio, por mais que o desenrolar da trama seja bastante lento em diversos momentos. Alguns episódios são arrastados e talvez não precisassem de 50 minutos pra serem contados. Pra mim, esse é um dos maiores defeitos enquanto série (analisando apenas como uma produção para a TV, sem debates mais profundos).

Contudo, a série acerta muito em outros aspectos: a atuação dos jovens atores é brilhante, com destaque para os dois protagonistas, Katherine Langford e Dylan Minnette (Hannah e Clay, respectivamente). Enquanto Katherine conseguia passar toda a esperança, o sofrimento e as desilusões de Hannah (e ao mesmo tempo imitar perfeitamente o sotaque americano, considerando que ela é australiana), Dylan trouxe à vida um Clay desajustado socialmente, tímido, mas carismático (no passado) e também fechado, magoado e confuso (no presente). Outros dois jovens atores merecem destaque nas atuações: Alisha Boe (Jessica) e Brandon Flynn (Justin). Ambos foram protagonistas de cenas de grande sofrimento e entregaram muita emoção no que faziam. Kate Walsh, que interpreta a mãe de Hannah, também emociona, como uma mãe que não aceita o destino da filha e está obcecada em descobrir por quê Hannah fez o que fez, já que a garota não deixou nenhum bilhete ou explicação.

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Bullying e machismo

A partir de agora, o review contém spoilers!

Bom, agora eu gostaria de entrar no primeiro ponto de debate sobre 13 Reasons Why. Conversando com algumas colegas da faculdade, percebi uma coisa que não tinha notado: sim, a série é sobre bullying. Mas ela é também sobre machismo. E quase ninguém está falando a respeito.

Hannah começa a sofrer quando iniciam um boato de que ela transou com Justin. Depois, ela vai parar em uma lista das “melhores e piores da escola” como tendo a melhor bunda. Depois, uma falsa amiga espalha boatos sobre sua reputação para esconder o próprio segredo. Depois, um cara se acha no direito de tentar tocá-la. Depois, ela presencia um estupro. Depois, ela própria é estuprada. E, por fim, quem deveria ajudá-la acaba culpabilizando a garota pelo que aconteceu. Ou seja, as agressões que a personagem sofre, em sua maioria, são originadas do julgamento alheio a respeito da sua sexualidade. Sim, acontecem outras coisas no meio de tudo isso que entram na categoria de bullying, mas se analisarmos o cerne de tudo que acontece com ela e que faz com que o copo transborde, vamos encontrar um denominador comum: o machismo.

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Em determinado momento, Hannah diz a essa falsa amiga que não se importa com rumores. E, por um tempo, a garota consegue “aguentar o tranco” por mais que sofra com tudo que está acontecendo. O problema é que o acúmulo de coisas vai se tornando um fardo muito pesado, e a personagem (que começa a série mentalmente saudável) vai adoecendo, apesar do enredo não focar nisso com muita eficiência. No final, após o estupro, ela já se sente morta. E eu imagino que muitas mulheres que passam por isso realmente possam se sentir assim – sem esperança, sem vontade de seguir em frente, após terem seu corpo e sua alma violados.

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Ainda dentro desse espectro, unindo bullying e machismo, a série critica comportamentos que, infelizmente, são extremamente comuns na nossa sociedade. Alguns personagens são passivos e deixam coisas erradas acontecerem, motivados pelo desejo de aceitação. Outros, como Bryce, são o estereótipo de sucesso americano: ricos, poderosos, inatingíveis. São aqueles homens que fazem parte do time da escola, que tem um futuro brilhante e que acreditam que todas as mulheres querem estar com eles. São o tipo de cara que não sabem ouvir “não” e que acreditam que o mundo está sob seus pés. Infelizmente, esse tipo de homem é mais comum do que eu gostaria de acreditar.

13 Reasons Why é sobre bullying e suas consequências? Também. Tyler é uma prova disso, já que no final vemos o tipo de personagem que ele vai se tornar. Mas a série traz outra questão fundamental que, infelizmente, nem a própria série parece assumir: machismo. E machismo mata.

Sobre gatilhos, riscos e a cena do suicídio

Outro debate que vem tomando as redes sociais é sobre a irresponsabilidade da série em relação aos riscos que ela traz para pessoas emocionalmente fragilizadas. Explico: alguns estudiosos do assunto, pessoas com depressão e educadores têm se mostrado preocupados com a abordagem escolhida por 13 Reasons Why para tratar da questão do suicídio. Segundo esses críticos, a série não segue recomendações da Organização Mundial de Saúde ao retratar de modo explícito o suicídio, o que pode servir como gatilho para pessoas que já pensam no assunto.

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Honestamente, não posso falar nessa questão com propriedade, pois não me enquadro no grupo de risco. Mas posso dizer o seguinte: a série me causou tanta bad que, no fim de semana em que terminei, eu realmente não queria fazer nada, nem mesmo sair de casa. Tenho crises de ansiedade e, como mulher, sofri especialmente nas cenas de estupro – pois sabia que é um risco que todas nós corremos. A cena da morte da Hannah, pra MIM, não foi romantizada: não havia música de fundo, a personagem sofre ao se machucar e tudo ocorre de modo visceral e agoniante. E, mesmo eu não sendo grupo de risco, fiquei mal. Falei disso com a minha psicóloga, pra vocês terem ideia.

Então se eu, que não sofro com problemas psicológicos graves, fiquei fragilizada, consigo imaginar o que alguém nessa situação possa ter sentido. E isso me fez entender que sim, existem riscos, e essa abordagem pode sim ser gatilho pra alguém que pensa no assunto. Porque o final da Hannah é desesperançoso: quando ela tenta buscar ajuda, ela não consegue. E, por mais que o final tente trazer alguma luz por meio de Clay e Skye, a verdade é que nós nos afeiçoamos à Hannah. Nos identificamos com Hannah. E a Hannah não vê outra solução que não se matar. Entendem como isso é problemático? Não acredito que a série faça suicidas. Infelizmente, pessoas que pretendem fazer isso sabem como fazer e onde pesquisar. É triste, mas é a realidade. Mas eu acredito que sim, a série possa disparar gatilhos em quem já se vê sem esperança.

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Por outro lado, o Centro de Valorização à Vida – que fez uma parceria de divulgação com a Netflix – vem registrando um aumento significativo na busca por ajuda. É algo positivo? Com certeza. Vale o risco de perder alguém que não veja outra solução? Eis o x da questão. 

Eis o que penso que poderia ter ajudado nessas questões: acredito que a série deveria trazer avisos de “conteúdos fortes” desde o primeiro episódio, pois isso começa a acontecer apenas no episódio 9 e, até lá, o espectador já está envolvido com a história. Além disso, acredito que no fim de cada episódio poderia ter alguma cena com algum psicólogo ou psiquiatra dando conselhos a respeito do assunto e divulgando os telefones do CVV. Acho que seria uma forma de minimizar os riscos trazidos pela história e falar no assunto com mais responsabilidade. E, por fim, o adoecimento mental da Hannah – que é mais subentendido do que mostrado – poderia ter mais espaço na trama, em vez de tanto “suspense” acerca das fitas.

Em suma, eu gostei de 13 Reasons Why. É uma série que me fez pensar e mexeu comigo. Porém, acredito que ela funcione mais para pessoas que podem ser “porquês” do que pra pessoas fragilizadas emocionalmente. Se eu recomendo a série? Não pra todo mundo. Leia a respeito dela, pegue spoilers se for preciso, reflita sobre como você se sente e, só depois disso, tome a decisão de assistir ou não. E não esqueça: você é importante. 🙂

(Deixo aqui embaixo o telefone do CVV e alguns links com opiniões que tem mais propriedade pra falar da questão da depressão e do suicídio.)

Título original: 13 Reasons Why
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Brian Yorkey
Elenco: Dylan Minnette, Katherine Langford, Christian Navarro, Brandon Flynn, Alisha Boe, Miles Heizer, Justin Prentice, Michele Ang, Kate Walsh