Review: Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta

Oi pessoal, tudo bem?

Que tal uma dica de filme pra curtir nesse domingo? Então prepara a pipoca, porque hoje vamos falar de Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta.

Sinopse: Inspirada pelo passado rebelde da mãe e por uma nova amizade, uma adolescente tímida publica um texto anônimo que denuncia o machismo em sua escola.

Vivian é uma adolescente tímida (e super padrão) que passa pelo Ensino Médio com sua melhor amiga, Claudia, tentando não chamar a atenção. Quando Lucy, uma menina nova chega na escola questionando certos comportamentos (ao enfrentar os avanços do capitão do time de futebol, por exemplo), Vivian começa a perceber quão problemático é se manter alheia ao que acontece à sua volta, abrindo seus olhos para violências cotidianas causadas pelo machismo. Isso, somado ao fato de descobrir que sua mãe era uma militante feminista nos anos 90, motiva Vivian a criar um fanzine chamado Moxie em segredo e distribuí-lo pela escola, o que dá início a movimentos e discussões importantes.

Moxie é um filme que entretém ao mesmo tempo que traz uma mensagem positiva a jovens garotas. Vivian nunca pensou no quão ofensivo era ter uma lista que classifica as garotas da sua escola, por exemplo, mas ao fazer amizade com Lucy, que é objetificada não apenas por ser mulher, mas também pela cor de sua pele e pelos estereótipos racistas, ela começa a ver na prática as opressões que mulheres sofrem. Ao criar o fanzine Moxie, Vivian se aproxima de outras garotas e isso gera uma rede de apoio para enfrentar Mitchell (o capitão do time masculino) na disputa por uma bolsa estudantil, indicando sua amiga Kiera (uma atleta ainda mais competente) como concorrente. A aproximação de Vivian com novas meninas faz com que Claudia fique de lado e isso gere uma tensão entre as duas, e tive medo que o filme caísse em alguma armadilha que pudesse colocá-las uma contra a outra, mas felizmente não é o que acontece. Essa situação serve para dar uma pincelada em assuntos relacionados à xenofobia, mas é um toque muito raso e passageiro.

Aliás, esse é o maior defeito de Moxie: o filme é muito superficial em suas críticas. A vibe “garota branca e loira descobrindo o girl power” já não funciona comigo, e existem assuntos muito pesados (como assédio e abuso sexual) tratados de forma quase leviana – em especial nas últimas cenas, em que gritar parece ser a forma de resolver as coisas. Moxie peca em não mostrar os efeitos reais e posteriores de tudo que foi feito na escola graças ao movimento criado pelas meninas, o que faz com que ele perca a sua força e se torne um filme meio “qualquer coisa” em um mar vasto e cheio de opções de entretenimento que temos hoje. Para completar, o filme se passa inteiramente sobre a ótica de uma menina cheia de privilégios, ignorando questões importantes que o feminismo interseccional aborda. Se eu tivesse que indicar um título que faça esse trabalho de forma competente, diria que Sex Education é uma opção muito mais poderosa e responsável. Pra finalizar, Lisa (a mãe de Vivian), que em tese foi sua primeira inspiração, tem poucas falas e é muito mal desenvolvida, sem que a gente entenda o motivo do distanciamento entre as duas (ainda mais em um momento em que a protagonista poderia contar com os conselhos da mãe). 

Entretanto, apesar da superficialidade, acho legal ver que mais obras como Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta estão sendo feitas. Eu gostaria de ter crescido com mais exemplos assim, e acho que as futuras gerações terão contato com essas problematizações mais cedo – o que me faz ter um pouquinho mais de esperança no futuro.

Título original: Moxie
Ano de lançamento: 2021
Direção: Amy Poehler
Elenco: Hadley Robinson, Lauren Tsai, Alycia Pascual-Pena, Nico Hiraga, Sydney Park, Patrick Schwarzenegger, Amy Poehler

Review: Jujutsu Kaisen

Oi pessoal, tudo bem?

Já faz um tempo que meu boy conseguiu reacender em mim uma paixão antiga: animes! No início da adolescência eu era super fã mas, com o tempo, dei uma saturada. Recentemente, porém, estamos assistindo a ótimos títulos, e é sobre um deles que quero falar hoje: Jujutsu Kaisen.

Sinopse: Apesar do estudante colegial Yuuji Itadori ter grande força física, ele se inscreve no Clube de Ocultismo. Certo dia, eles encontram um “objeto amaldiçoado” e retiram o selo, atraindo criaturas chamadas de “maldições”. Itadori corre em socorro de seus colegas, mas será que ele será capaz de abater essas criaturas usando apenas a força física?!

No universo de Jujutsu Kaisen existem ameaças conhecidas como maldições. Elas são uma espécie de personificação da energia amaldiçoada, oriunda dos piores sentimentos dos seres humanos. Algumas são mais “inofensivas”, causando mal estar (por exemplo), mas outras são letais. E, para combatê-las, existem os feiticeiros jujutsu: humanos que usam dessa energia amaldiçoada como fonte para feitiços capazes de exorcizar as maldições. 

Nosso protagonista, Yuuji Itadori, é um jovem estudante que se vê no meio de um fogo cruzado entre uma maldição e um feiticeiro. A batalha gira em torno de um objeto poderoso com o qual Itadori entrou em contato: trata-se do dedo do espírito amaldiçoado mais poderoso que já existiu, Sukuna. No calor da batalha, Itadori se vê obrigado a engolir esse dedo para impedir que a maldição o use, e a partir desse momento seu destino está selado: Sukuna passa a ter consciência dentro dele e, em paralelo, os feiticeiros jujutsu temem o que isso significa, incumbindo Itadori de coletar os outros dedos ou ser executado imediatamente. E é assim que a aventura do jovem nesse mundo obscuro começa.

Eu demorei um tempinho pra entender os conceitos de Jujutsu Kaisen, muito porque o anime já começa na vibe tiro, porrada e bomba. Itadori é um jovem altruísta e com habilidades que vão além da normalidade humana, características que o ajudam a trilhar o caminho dos feiticeiros jujutsu com empatia e habilidade. A perda recente do seu avô, cujo último conselho foi para que o jovem ajudasse as pessoas à sua volta, é praticamente um mantra que o guia, o que deixa seu coração no lugar certo. Além disso, Itadori é muito engraçado! Suas expressões faciais mais “bobas” são típicas dos animes e quebram a tensão dos episódios. A dinâmica como hospedeiro de Sukuna, que sempre tenta tomar o controle de seu corpo, também é muito interessante.

Itadori também tem dois colegas de equipe. O primeiro é Fushiguro Megumi, o jovem que se envolveu na batalha na escola do protagonista. Ele tem muito respeito por Itadori, especialmente pelo autossacrifício que o protagonista fez quando eles se conheceram. A segunda é Nobara Kugisaki, uma garota temperamental que ora briga com Itadori, ora age exatamente como ele. Além dos dois colegas, o protagonista também conta com um mentor (ou, como se diz nos animes, sensei) que é um dos feiticeiros jujutsu mais poderosos da atualidade: Gojo Satoru, um personagem que vai da comédia ao modo badass num piscar de olhos. Com o tempo, vamos conhecendo outros estudantes da Escola Jujutsu (na qual o trio estuda), outros espíritos amaldiçoados poderosos e também intrigas que nada tem a ver com esses espíritos. As ameaças vêm de todos os lados, o que torna a trama muito instigante.

As batalhas de Jujutsu Kaisen são um dos seus maiores pontos fortes. O estúdio fez um trabalho fantástico na animação, as cores são vívidas e os movimentos são fluidos. Os episódios são repletos de combates de tirar o fôlego, com movimentos de câmera empolgantes. E, é claro, há o aspecto místico que também torna tudo ainda mais interessante, já que cada feiticeiro jujutsu utiliza a energia amaldiçoada de uma forma.

Se você gosta de boas histórias de ação com um toque mais sério e “assombrado”, Jujutsu Kaisen é a escolha certa. Empolgante, ágil e com personagens cativantes, o anime é uma ótima pedida pra quem busca um bom entretenimento. Apesar de trazer alguns clichês vistos em outros animes do mesmo estilo (notei semelhanças com Naruto, Fullmetal Alchemist, entre outros), Jujutsu Kaisen parece mais prestar uma homenagem ao gênero do que ser um plágio sem personalidade. Recomendo muito!

Título original: Jujutsu Kaisen
Ano de lançamento: 2020
Direção: Sunghoo Park
Elenco: Junya Enoki, Yûichi Nakamura, Yuma Uchida, Asami Seto, Nobunaga Shimazaki, Jun’ichi Suwabe

Dica de Série: WandaVision

Oi pessoal, tudo bem?

Matei a saudade que eu tava da Marvel ao assistir WandaVision ao longo da última semana e hoje vim contar o que achei pra vocês. ❤

wandavision poster

Sinopse: Após os eventos de “Vingadores: Endgame” (2019), Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e Visão (Paul Bettany) se esforçam para levar uma vida normal no subúrbio e esconder seus poderes. Mas a dupla de super-heróis logo começa a suspeitar que nem tudo está tão certo assim.

Os dois últimos filmes dos Vingadores foram de partir o coração de qualquer um que gostasse do casal que dá nome à nova série disponível no Disney+. Visão é morto duas vezes, Wanda é obrigada a estar envolvida ou presenciar esses dois momentos e, quando os heróis finalmente vencem em Ultimato, não sabemos exatamente o que o futuro reserva. E WandaVision não entrega essa resposta de cara. Pelo contrário: a série começa com um episódio em preto e branco, ambientado nos anos 50 e no formato das sitcoms da época. Wanda e Visão se mudam para um típico subúrbio e parecem viver o clássico “American Dream”. Ao longo dos episódios, a série dá saltos temporais estranhos e eventualmente ganha até cores, ao passo que personagens “de fora” da vida perfeita do casal começam a aparecer. É então que o clima de sitcom vai dando lugar a uma Wanda que quer que as coisas se mantenham sob controle – ainda que ela não entenda completamente o que está acontecendo.

Quem já leu sobre os quadrinhos da Marvel e dos X-Men sabe que a Feiticeira Escarlate é uma das (se não a mais) personagens mais poderosas da Marvel, tendo sido capaz de obliterar os mutantes em quase sua totalidade com apenas uma frase. E WandaVision parece querer explorar o potencial ainda incipiente da personagem, mostrando o quão longe seus poderes são capazes de ir. E ao mesmo tempo que o título WandaVision remete ao casal, ele também deixa na nossa cara o que a trama revela aos poucos: estamos vendo a visão de Wanda para sua vida, ainda que seja uma versão frágil e irreal.

Visão tem um papel muito importante ao longo da série, sendo os nossos olhos dentro da cidade de Westview (o local em que Wanda manipulou a realidade). Ele não tem memórias de antes do seu casamento ou da chegada à cidade, e conforme ele vai percebendo que existe algo de estranho em seu novo lar, ele começa a investigar. Para o espectador, essa é a parte mais interessante: saber como e quando os protagonistas vão perceber que existe algo de muito errado na vida perfeita que levam. 

Além de explorar o luto de Wanda (que vale chamar de “o amor que perdura” 🥺 Alguém deixa essa mulher ser feliz!!!), a série prepara o terreno para a nova fase da Marvel. Aqui também temos a S.W.O.R.D. (achei esse paralelo de Shield e Sword bem tosco, confesso), a organização que lida com incidentes alienígenas e está responsável por resolver o incidente em Westview. Um dos principais nomes associados a essa nova organização é Monica Rambeau (filha da melhor amiga de Carol Danvers, lembram?). A personagem é justa e destemida, e não vejo a hora de reencontrá-la em futuros filmes da Marvel. Por último, mas não menos importante, a magia que vinha sendo trabalhada com a chegada de Doutor Estranho se consolida no universo do MCU, e isso provavelmente trará um novo leque de possibilidades e ameaças no futuro.

Com episódios curtos de cerca de meia hora e atuações cheias de entrega a seus personagens (com destaque para Elizabeth Olsen), WandaVision é uma grata adição ao universo audiovisual da Marvel. A trama é um pouco previsível? Admito que sim. Mas rever personagens importantes, pelos quais sinto tanto carinho, foi uma ótima experiência. Adoro as adaptações da Marvel para o cinema (e agora para a TV) e mal posso esperar pelo que o futuro reserva. 😀

Título original: WandaVision
Ano de lançamento: 2021
Criador: Jac Schaeffer
Elenco: Elizabeth Olsen, Paul Bettany, Kathryn Hahn, Teyonah Parris, Josh Stamberg, Randall Park, Kat Dennings

Dica de Série: Cidade Invisível

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje tenho mais uma dica de série imperdível pra compartilhar com vocês: Cidade Invisível, uma produção original Netflix focada no folclore brasileiro. ❤

Sinopse: Após uma tragédia familiar, um homem descobre criaturas folclóricas vivendo entre os humanos e logo se dá conta de que elas são a resposta para seu passado misterioso.

Desde criança eu sempre tive bastante fascínio pelas lendas do nosso folclore. Temos uma variedade muito rica de personagens e histórias e, quando eu soube que a nova série da Netflix usava essa mitologia como pano de fundo, não pude deixar de conferir. Em Cidade Invisível, acompanhamos a busca de Eric, um policial da Delegacia Ambiental, em sua busca para sanar o mistério do incêndio florestal que matou sua esposa. Em sua busca, porém, ele encontra um outro tipo de verdade: coisas estranhas começam a acontecer, mais mortes são provocadas e existe uma aura de sobrenatural nisso que Eric não consegue explicar – como o fato de ele ter encontrado um boto cor de rosa que se transforma em um homem, por exemplo. Isso porque as novas vítimas não são seres ordinários, mas lendas folclóricas que existem e vivem entre nós.

Com episódios curtos, de cerca de 30-40 minutos, Cidade Invisível tem um ritmo frenético que mantém o espectador ansioso pelo que está por vir. A trama é focada na investigação de Eric, mas sem deixar de lado o mistério sobre as verdadeiras intenções dos seres folclóricos – e de qual o seu envolvimento com o incêndio. Marco Pigossi entrega uma ótima atuação como Eric, equilibrando o seu luto com a sua motivação irrefreável de descobrir o que realmente aconteceu com sua esposa. O personagem também tem um dilema interno porque sabe que sua investigação está sendo priorizada em detrimento de sua filha, Luna, que visivelmente está tendo problemas pra lidar com todos os acontecimentos recentes. Mas quem rouba a cena em Cidade Invisível são os personagens místicos.

O Saci, a Iara, a Cuca, o Curupira são alguns dos que aparecem na série de uma forma muito legal. A série faz uma releitura interessante de como esses seres viveriam em meio à civilização, muitos deles distanciados da sua verdadeira origem. Unidos pela sobrevivência, são liderados por Inês (a Cuca), interpretada pela ótima Alessandra Negrini. A atriz mantém a aura de mistério da personagem e nos deixa em dúvida sobre seu envolvimento nos acontecimentos e tragédias recentes. Isac, o Saci, também é puro carisma e protagoniza cenas que me levaram de volta à infância (como por exemplo o truque para fazer uma “arapuca” pro Saci).

A produção está muito caprichada e os efeitos especiais são ótimos. A cauda de Iara encanta, assim como as transições envolvendo a Cuca e suas borboletas. O elenco como um todo é competente (tirando talvez a Márcia, parceira de Eric, e a avó do protagonista rs) e o ritmo narrativo nunca perde o fôlego, tornando muito fácil (e divertido) maratonar os episódios. Porém, existe um fato importante de ser abordado: a série também foi alvo de críticas pela falta de representatividade indígena. A lenda da Iara, por exemplo, é baseada em uma mulher indígena que vivia na região amazônica. Considerando que o nosso país foi construído em cima de muito sangue indígena e que sua cultura sofre tanto para permanecer viva, esse é um vacilo que poderia ter sido evitado com mais responsabilidade e sensibilidade. Espero que isso seja corrigido numa possível season 2.

Cidade Invisível é mais uma prova de que produções brasileiras podem bater de frente com as americanas. Roteirizada por uma dupla de escritores conhecidos (Raphael Draccon e Carolina Munhóz) e dirigida por Carlos Saldanha (responsável por A Era do Gelo e Rio), a série também demonstra o potencial desse nicho de entretenimento – tanto produções que adaptem livros existentes como construídas junto a autores criativos e reconhecidos. Mas, principalmente, Cidade Invisível é importante porque exalta um aspecto fundamental da nossa identidade e, ainda que por um momento, traz aquele orgulhinho de ser brasileira (que há muito tempo eu não sentia). Recomendo muito!

Título original: Cidade Invisível
Ano de lançamento: 2021
Criador: Carlos Saldanha
Elenco: Marco Pigossi, Alessandra Negrini, Jéssica Córes, Wesley Guimarães, Manuela Dieguez, José Dumont, Áurea Maranhão, Julia Konrad

Dica de Série: Por Trás de Seus Olhos

Oi pessoal, tudo bem?

Conforme o prometido, hoje vou contar pra vocês o que achei da adaptação de Por Trás de Seus Olhos – com algumas comparações com o livro, é claro. 😉

Sinopse: Uma mãe solo se envolve em um jogo perigoso ao ter um caso com o chefe e fazer amizade com a enigmática esposa dele.

Relembrando pra quem não leu a resenha da obra original, a trama gira em torno do triângulo amoroso composto por Louise, Adele e David. Louise conhece David num bar e eles se beijam, mas pouco tempo depois descobrem que David será chefe de Louise em seu novo emprego. Em paralelo, Adele (esposa de David) acaba esbarrando em Louise por acidente na rua e a convida para um café, o que dá início a uma inesperada amizade. As coisas vão se complicando conforme Louise e David não conseguem segurar a atração que sentem um pelo outro e, em paralelo, a amizade das duas mulheres fica mais íntima.

Por Trás de Seus Olhos é uma produção excelente, com ótimas atuações e uma trilha sonora aflitiva, que consegue dar o tom da trama e nos mostrar que há algo de muito errado na relação dos três personagens. Apesar dos episódios longos (de cerca de 50 minutos), a minissérie consegue manter a atenção do espectador durante toda a duração, seja com cenas dúbias ou com ganchos finais competentes.

A Louise da série é uma personagem melhor que sua contraparte literária. Os episódios dão um background de sua família que justificam algumas posturas de “cuidadora” que ela assume, além de conferir uma personalidade mais agradável a ela. No livro, por termos acesso aos pensamentos da personagem (que é também narradora), Louise rapidamente se transforma em uma pessoa cansativa e desesperada, que se afunda sem pensar na relação com David e com Adele por puro fascínio. A série suaviza esse aspecto e torna Louise uma personagem mais fácil de gostar. O ponto negativo dessa mudança é que fica ainda mais difícil entender sua burrice de se enfiar cada vez mais na areia movediça que é o casamento de David e Adele.

David é exatamente como eu imaginei, e a adaptação faz um trabalho eficiente em nos deixar com dúvidas sobre suas intenções e atitudes. Mas, sinceramente, David é quase um coadjuvante; é Adele quem brilha nesse casamento. Com uma atuação que vai de um sorriso caloroso para um olhar gélido, Eve Hewson dá vida a uma Adele que, desde o primeiro episódio, já nos causa desconforto. No livro isso demora um pouco mais a acontecer, precisamos de alguns capítulos pra sacar que tem algo de muito errado nas atitudes dela. Mas, apesar da Adele da televisão ser mais obviamente inquietante, isso também funcionou como um gancho, de forma a fazer o espectador querer entender logo “qual é a dela”. Essa vontade de desvendar Adele fica ainda mais acentuada graças aos flashbacks que mostram a relação da personagem com Rob, um amigo do passado que é fundamental na construção da trama.

O que eu gostaria de deixar claro nesse review é que, comigo, a série funcionou muito melhor do que o livro. E isso se deve a dois motivos que me incomodaram na obra original e que foram resolvidos: o primeiro deles diz respeito ao ritmo da narrativa. Se durante a leitura a gente visualiza alguns eventos duas vezes (uma pelo ponto de vista de Louise, outro pelo de Adele), nos episódios essa “barriga” não existe, o que deixa a trama mais ágil e envolvente. O segundo aspecto tem relação com o final: eu sigo não gostando do quê de sobrenatural que a trama utiliza para o seu bombástico desfecho, mas a adaptação de Por Trás de Seus Olhos constrói essa revelação com mais calma, dando pinceladas do que está por vir ao longo dos episódios. Algumas pessoas podem achar isso um defeito, já que “entrega” mais da reviravolta, mas eu preferi esse caminho porque a série prepara o espectador para o momento final.

Por Trás de Seus Olhos é uma excelente minissérie de suspense e cada episódio coloca mais camadas à angustiante relação de Louise, Adele e David. Com apenas 6 episódios, a produção tem uma narrativa ágil, provocando aquela vontade de assistir sem parar para descobrir o que virá em seguida. Há também inegável qualidade técnica e a produção impressiona pela ambientação, pelas atuações e pela trilha sonora. Apesar do meu ranço com o viés místico da trama, a adaptação da Netflix fez um trabalho muito melhor de me convencer a comprá-lo. Se você gosta de um bom suspense, pode dar o play sem medo!

Título original: Behind Her Eyes
Ano de lançamento: 2021
Criador: Steve Lightfoot
Elenco: Simona Brown, Eve Hewson, Tom Bateman, Robert Aramayo

Review: Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre

Oi pessoal, tudo bem?

A conclusão da trilogia Para Todos os Garotos chegou à Netflix! Agora e Para Sempre encerra a história de amor de Lara Jean e Peter Kavinsky com ternura e novos desafios. Bora pro review?

Sinopse: É o último ano do ensino médio. Lara Jean volta de uma viagem à Coreia e faz planos para a faculdade — com Peter e sem ele.

Agora e Para Sempre, Lara Jean não foi o meu livro favorito da trilogia de Jenny Han, portanto eu não estava especialmente ansiosa pra conferir sua adaptação. Os dois maiores motivos de eu não ter curtido tanto o livro foram as páginas desperdiçadas investidas no casamento do pai de Lara Jean e o apagamento de Peter. Felizmente, o filme consegue equilibrar esses elementos e acabou sendo uma conclusão com a qual simpatizei mais.

Prestes a se formarem no ensino médio, os protagonistas desejam estudar juntos na mesma universidade (que no filme é Standford, diferente do livro). Acontece que, para tristeza dos dois, Lara Jean não é aprovada e precisa refazer seu planejamento. O plano B reside em estudar a 1h de distância de Peter e depois pedir transferência… até que, em uma excursão da escola, a jovem se apaixona pela New York University (que também foi alterada no filme, decisão que achei bem inteligente, porque aproveita melhor a excursão e poupa um tempo valioso). Lara Jean e Peter enfrentam então a insegurança causada pelos 5 mil quilômetros que vão separá-los, sendo este o principal ponto de tensão do longa.

Minha parte favorita de Agora e Para Sempre foram as cenas de Lara Jean com as amigas explorando Nova York e a NYU (apesar de eu ter estranhado bastante a amizade com Gen. Não lembro se se aproximaram tanto assim no livro). Apesar do tom meio pedante que os jovens costumam ter no ambiente universitário, deu pra entender os motivos que levaram Lara Jean a ficar encantada por tudo que a cidade tem a oferecer. Mas tem uma crítica que não posso deixar de fazer: a atuação de Lana Condor mostrou-se bastante limitada e abaixo da média no fechamento da trilogia. Existem momentos de tensão e emoção na história que ela simplesmente não conseguiu transmitir, e isso tirou um pouco do impacto pra mim.

Além das mudanças em relação às universidades que mencionei, o filme também altera um aspecto que considero bastante importante. É um spoiler, selecione se quiser ler: enquanto no livro é Lara Jean que surta e termina com Peter após ser pressionada pela mãe do garoto, no filme a mãe sequer é mencionada, e é Peter quem toma a decisão. Isso coloca Lara Jean numa posição de coitadinha e não curti, especialmente porque é Peter – novamente – quem precisa fazer um gesto grandioso para recuperá-la. Em compensação, faço um elogio a todo o plot do casamento de Dan, pai das meninas, e sua vizinha, Treena (ou Trina, como na legenda da Netflix). A personagem tem muito carisma, faz os comentários certos e é uma adição muito bem-vinda e orgânica à dinâmica dos Covey!

Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre é um filme fofinho que segue a mesma fórmula dos anteriores e encerra a trajetória de Lara Jean e Peter com mais otimismo que sua contraparte literária, o que achei um grande acerto. Fiquei com o coração quentinho e me senti bem por ter acompanhado essa história de amor tão doce (quase tanto quanto os que Lara Jean prepara rs) nas telas também. ❤

Título original: To All The Boys: Always and Forever
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Fimognari
Elenco: Lana Condor, Noah Centineo, Janel Parrish, Anna Cathcart, John Corbett, Sarayu Blue

Dica de Série: Jane The Virgin

Oi pessoal, tudo bem?

Domingo combina com uma série divertida, né? Então pega a pipoca e vem saber mais sobre a dica de hoje: Jane The Virgin!

Sinopse: Depois de jurar que permaneceria virgem até o casamento, Jane Villanueva fica grávida por um erro médico. Hora de revisar os planos para o futuro…

Jane Villanueva é uma jovem que foi criada pela mãe, Xiomara, e pela avó, Alba, sendo esta última muito religiosa. Desde cedo Jane foi ensinada por Alba que a virgindade deveria ser preservada apenas para depois do casamento, e o fato de sua mãe ter engravidado na adolescência foi um fator a mais para que Jane decidisse seguir o conselho da avó. Sua vida vira de cabeça para baixo quando, ao fazer um exame ginecológico de rotina, a jovem acaba sendo inseminada acidentalmente – ficando grávida de Rafael Solano, herdeiro de um grande hotel de luxo em Miami. Essa nova dinâmica promete mudar não apenas a relação de Jane consigo mesma, como também com sua família, com seu noivo (Michael) e com o próprio pai da criança, Rafael. Se essa confusão já não bastasse, Jane The Virgin segue a narrativa das telenovelas, então podem ter certeza de que não faltarão reviravoltas. 😂

Eu cresci assistindo às novelas da Globo e também às mexicanas no SBT, e Jane The Virgin explora esses estereótipos a cada cena de uma forma que faz humor mas também homenageia, dando uma nova roupagem a esse tipo de produção. Cliffhangers que parecem sem pé na cabeça, personagens que voltam dos mortos, paternidade surpreendente revelada, gêmeos do mal e triângulos amorosos são alguns dos elementos presentes na série. Se você já teve o hábito de assistir novelas certamente vai identificar alguns dos padrões, que provavelmente vão te arrancar boas risadas. Além disso, a série por si só traz a latinidade como pilar central, o que é bastante relevante em termos de representatividade. No geral a abordagem das características e tradições latinas é bastante positiva, mas nem por isso a série deixa de tocar em assuntos mais delicados, como as dificuldades da imigração.

A maior parte dos personagens em Jane The Virgin é bem trabalhada, e vamos mudando nossa opinião sobre eles conforme novos desdobramentos surpreendentes acontecem. A família Villanueva é a estrela principal, é claro: Jane é doce, determinada e responsável, mas um pouco teimosa demais, além de achar que está sempre certa; Xiomara tem muitas atitudes de adolescente e nem sempre age com responsabilidade, mas sua devoção e amor à família são inegáveis; Alba pode incomodar um pouco ao impor suas crenças, mas ela protege Xo e Jane com unhas e dentes, sendo também uma das personagens mais carismáticas e divertidas da série. Rafael e Michael compõem o triângulo amoroso e é bem provável que role uma mudança de #TeamMichael para #TeamRafael ou de #TeamRafael para #TeamMichael. Petra, ex-mulher de Rafael e (por vezes) antagonista é a personagem que coloca o tempero necessário na trama. E como não mencionar Rogelio, pai de Jane e protagonista de uma das maiores novelas da atualidade? Ele é incrível: divertido, engraçado, cativante, egocêntrico e nonsense, um combo que torna impossível não gostar dele. Por último, mas não menos importante, temos o excelente narrador da história: seus comentários mordazes trazem muita da graça dos episódios.

Jane The Virgin é uma série carismática e por vezes sem pé nem cabeça, mas que diverte tanto que você ou 1) releva ou 2) entra na onda tal qual um noveleiro de carteirinha. Pra quem busca um entretenimento despretensioso cheio de risadas e reviravoltas, essa é a escolha certa! 😉

Título original: Jane The Virgin
Ano de lançamento: 2014
Criadora: Jennie Snyder Urman
Elenco: Gina Rodriguez, Andrea Navedo, Ivonne Coll, Justin Baldoni, Yael Grobglas, Brett Dier, Jaime Camil, Anthony Mendez

Review: Soul

Oi, pessoal, tudo certo?

Como fã devota da dupla Disney Pixar, obviamente corri para conferir Soul, o primeiro filme lançado no serviço de streaming Disney+. Vamos conhecer?

Sinopse: O que é que o torna… você? Joe Gardner – um professor de música do ensino fundamental – tem a chance de tocar no melhor clube de jazz da cidade. Mas um pequeno passo em falso o leva das ruas de Nova York para o Pré-vida – um lugar fantástico onde novas almas obtêm suas personalidades, peculiaridades e interesses antes de irem para a Terra.

Joe Gardner é um talentoso musicista que sempre sonhou em fazer sucesso tocando jazz. A realidade, porém, é um pouquinho diferente: em vez de brilhar por sua habilidade ao piano, ele dá aula de música em uma escola de ensino fundamental. Sua sorte parece virar quando um ex-aluno o convida para substituir um dos integrantes de uma banda de jazz já consagrada. Acontece que Joe sofre um acidente e sua alma é separada de seu corpo. O caminho natural é ele ir em direção à luz, mas ele se recusa a morrer e acaba fugindo para um espaço chamado Seminário Você, onde almas aprendem sobre sua personalidade, gostos e propósitos para posteriormente “encarnarem” em recém-nascidos. Nesse local Joe fica responsável por 22, uma alma que já passou por inúmeros tutores e jamais encontrou seu propósito. Isso faz com que 22 seja cética a respeito da experiência na Terra, topando então ajudar Joe a levá-lo de volta. E, novamente, o protagonista é desafiado pelo destino: quando os dois conseguem ir pra Terra, 22 fica no seu corpo e Joe fica em um… gato. Esse é o ponto de partida pra uma sequência de aprendizados para ambos os personagens.

Como vocês já devem imaginar, Soul, assim como qualquer filme da Pixar, tem um forte impacto nos adultos. A trama gira em torno de ser fiel ao seu propósito e encontrar sua razão de existir na vida, e Joe tem certeza de que só vai encontrar isso na música. 22, por sua vez, só consegue entender o motivo pelo qual todas as outras almas desejam ir para a Terra no momento em que tem a oportunidade de vivenciar a experiência na prática. Os cheiros, os sabores e mesmo as coisas desagradáveis são vistas sob a lente de um olhar deslumbrado de quem valoriza cada pequeno instante. Conviver com 22 e ser testemunha do seu encanto pela simplicidade coloca algumas coisas em perspectiva para Joe, e ele começa a olhar sua própria vida “de fora” (no corpo do gato rs), o que provoca uma reflexão sobre toda a sua trajetória.

Se essa provocação não bastasse, Soul ainda vai além: a lição que fica é a de que não somos definidos pelo nosso propósito, e a vida é mais do que isso. Quando o protagonista percebe que grande parte do que ele sonhava era mais uma idealização do que uma visão realista, Joe entende que não é apenas o seu talento que o torna alguém digno e amado. O nosso propósito vai além das nossas habilidades, da nossa profissão e das nossas paixões: claro, são elementos muito importantes, mas não são em sua totalidade aquilo que torna a experiência de viver válida. 

Apesar de ter curtido o longa, o final em si não me surpreendeu muito. Eu esperava um desfecho mais audacioso, que não aconteceu. Mas, mesmo se mantendo num otimismo meio lugar-comum, Soul conseguiu me emocionar. Não tanto pela personalidade de Joe ou de 22 (não me entendam mal, eles são muito legais, mas não foram exatamente inesquecíveis), mas sim porque os assuntos tratados dialogaram com questionamentos e dúvidas que eu mesma já tive. 

Em resumo, Soul é um belo filme, com cenas divertidas e um assunto que coloca você para pensar e examinar a sua história. O fato do longa mostrar como nossa vida não é definida pela nossa vocação tirou um peso enorme dos meus ombros, porque com tantos discursos que falam em propósito rolando nos perfis de Instagram da vida, às vezes eu sentia que eu estava “à deriva” por não ter certeza a respeito do meu, sabem? Por isso, Soul tocou meu coração e colocou um sorriso no meu rosto. Existem muitas coisas que trazem alegria: o amor, a família, as amizades, as experiências, as viagens, os sabores… E tá tudo bem a gente se agarrar nisso e valorizar cada minuto.

Título original: Soul
Ano de lançamento: 2021
Direção: Pete Docter, Kemp Powers
Elenco: Jamie Foxx, Tina Fey, Graham Norton

Dica de Série: Bridgerton

Oi galera, tudo bem?

Ainda que eu seja uma fã ainda iniciante no mundo dos romances de época (afinal, por enquanto só conheço a escrita da Lisa Kleypas), fiquei empolgadíssima com a chegada de Bridgerton, a série da Netflix que adapta os livros da Julia Quinn. E hoje vou contar pra vocês o que achei, mas lembrando que é uma opinião exclusiva sobre a série, sem comparação com o material original. 😉

Sinopse: Bridgerton apresenta o mundo sensual, luxuoso e competitivo da alta sociedade de Londres do século 19. Na época, a família Bridgerton, composta por oito irmãos, se esforça para lidar com o mercado de casamentos, os bailes suntuosos de Mayfair e os palácios aristocráticos de Park Lane.

Daphne Bridgerton é uma jovem em idade de se casar. Ela faz parte de uma família respeitada e tem uma ótima relação com sua mãe e seus irmãos. Seu destino sofre uma reviravolta quando, em um baile, ela conhece o Duque de Hastings – o solteiro mais cobiçado da sociedade londrina. Após uma investida indesejada de um pretendente que Daphne despreza, ela e o Duque se unem em uma farsa, na qual ele fingirá cortejá-la. Para Daphne, isso significará a atenção de outros cavalheiros interessantes e de boas famílias; para Simon, isso afastará as mães desesperadas por casarem suas filhas, já que ele é um solteiro convicto e pretende se manter assim. Com o passar do tempo, porém, a amizade entre os dois se transforma e ambos passam a relutar contra seus verdadeiros sentimentos.

Ai gente, nem tenho palavras pra descrever o encanto que foi ver na tela tudo que estava somente na minha imaginação: os belos vestidos, os penteados, as danças, as soirées, os bailes, os primeiros toques tímidos e, é claro, as cenas calientes rs. Bridgerton é uma série muito competente em seduzir o espectador com seus belos cenários e figurinos (e Duques, cof cof), além da fotografia que esbanja cores vivas e brilhantes.

Apesar dos clichês do gênero (como o gato e o rato que se apaixonam), Bridgerton consegue atingir o objetivo de nos fazer torcer pelo casal protagonista da primeira temporada. Daphne é uma personagem muito doce e faz o possível para ajudar as pessoas à sua volta (ainda que cometa uma atitude bem condenável contra o Duque mais adiante na relação). Simon, por sua vez, é um personagem duro nas aparências, mas cujo passado dolorido causou profundas cicatrizes que ele tenta superar. A única coisa negativa sobre esse casal é que eu gostei mais dos dois antes de ficarem juntos do que depois. 😦 Não vou dar detalhes pra não estragar sua experiência, mas a construção da amizade deles seguida de flerte foi bem mais “saudável”, digamos assim.

Existem plots secundários que certamente serão aprofundados nas temporadas seguintes. A família Bridgerton é composta por Violet, a matriarca viúva, e seus oito filhos. Acredito que a season 2 foque em Anthony, o atual Visconde e chefe da família. Apesar do personagem ter sido bem chato ao longo dos 8 episódios, torço para que o desenvolvimento de sua história ajude a construir uma personalidade mais afável pra ele. Além dele há outros Bridgertons que ganham espaço até o momento, com destaque para o artístico e curioso Benedict (que aproveita os prazeres da vida nessa season), o jovem e gentil Colin (que, pelo que ouvi dizer, difere muito de sua contraparte literária) e a mordaz Eloise (uma garota inteligente que rejeita a ideia de ser limitada a um casamento). Indo além da família principal, temos os membros da família Featherington, com destaque para Penelope, que é uma grande amiga de Eloise e secretamente apaixonada por Colin. Sem esquecer, é claro, de Lady Whistledown, pseudônimo de uma mulher misteriosa que relata os maiores escândalos da sociedade londrina.

Eu nunca tive muita curiosidade de ler Os Bridgertons, mas fiquei muito satisfeita com o que vi na tela. Adorei que a Netflix tenha dado espaço a esse tipo de produção e também curti muito que a Shonda Rhimes tenha trazido diversidade para os personagens, tanto em forma quanto em cor e sexualidade (já que os romances de época costumam ser bem heteronormativos e eurocêntricos). Em suma, é uma ótima série de romance cujos episódios de quase 1h passam voando, de tão divertidos que são. Se você curte o estilo, dê o play sem medo! ❤

Título original: Bridgerton
Ano de lançamento: 2020
Direção: Chris Van Dusen, Shonda Rhimes
Elenco: Phoebe Dynevor, Regé-Jean Page, Nicola Coughlan, Jonathan Bailey, Julie Andrews, Claudia Jessie, Luke Newton, Ruby Barker, Ruth Gemmell, Adjoa Andoh

Review: Fruits Basket (2019)

Oi pessoal, tudo certo?

Quem me acompanha aqui há mais tempo pode lembrar que Fruits Basket já apareceu por aqui em uma resenha do mangá. Com o remake do anime (cuja primeira temporada foi lançada no ano passado), vi a oportunidade de indicar novamente essa história linda e comovente – com o plus de agora ter uma animação que faça jus à obra. ♥

Sinopse: Fruits Basket conta a história de Tohru Honda, uma garota órfã que, depois de encontrar Yuki, Kyo e Shigure Sohma, descobre que os treze membros da família Sohma são possuídos pelos animais do zodíaco Chinês e são amaldiçoados a se transformar em suas formas animais quando estão fracos ou quando são abraçados por alguém do sexo oposto que não esteja possuído por um espírito

Fruits Basket acompanha o dia a dia da jovem Tohru Honda, uma estudante órfã que se vê morando em uma barraca para não incomodar seu avô após a morte dos seus pais. Seu caminho se cruza com a família Sohma quando Yuki Sohma, seu colega de escola, descobre sua moradia inusitada. Yuki mora com outros dois membros da família: Shigure e Kyo (seu rival); eles decidem acolher Tohru, que passa a ajudá-los com os afazeres domésticos. Parece tudo muito simples, né? Acontece que os Sohma têm uma peculiaridade: eles são amaldiçoados pelos signos do zodíaco, e ao receberem um abraço do sexo oposto, se transformam nos animais respectivos. E é claro que Tohru descobre isso da maneira mais chocante possível: na prática. Com o passar dos episódios a jovem vai conhecendo outros membros da família Sohma e descobrindo segredos e relações muito mais complexas do que inicialmente ela imaginava.

Fruits Basket (ou simplesmente Furuba) é uma das minhas histórias favoritas. A mitologia por trás dos signos do zodíaco é muito interessante e as relações entre os membros amaldiçoados é cheia de nuances. Kyo e Yuki, por exemplo, fazem jus à dinâmica de gato e rato. Na lenda do zodíaco, Deus fez uma festa para os animais, nas quais os animais do zodíaco chinês compareceram. Entretanto, o rato pregou uma peça no gato, deixando-o de fora da celebração. Com isso, o gato é considerado o pior membro do clã, com gerações de pessoas possuídas por seu espírito sendo excluídas do convívio com os outros Sohma. Para Kyo, isso significa uma vida de amargura, raiva, dor e ressentimento – especialmente contra Yuki. Mas a vida do rato não é muito mais fácil: sendo o favorito do chefe do clã Sohma, Akito, Yuki cresceu sofrendo pressões inimagináveis, ouvindo que seu papel era agradar Akito e ser a companhia perfeita. A ele não foi permitido se descobrir, escolher, pensar por si mesmo – e é por este motivo que ele decidiu sair da casa principal e viver com Shigure (possuído pelo espírito do cachorro).

Cada membro do zodíaco tem uma história própria, e a forma como cada um lida com o fardo da maldição é particular. Ao longo dos episódios, Tohru vai formando laços com essas pessoas e essa relação faz com que o destino por si só comece a mudar. Os membros do zodíaco aos poucos percebem seu valor e entendem que são apreciados, ao menos por ela. Esse amor e amizade que Tohru oferece de coração aberto são fundamentais para a construção da autoestima de cada Sohma que cruza o seu caminho.

Furuba é uma história que fala muito sobre o peso da solidão. Cada personagem, incluindo Tohru, possui cicatrizes emocionais profundas. Bullying, rejeição familiar e isolamento são algumas das dores que eles enfrentam (principalmente os membros do zodíaco). É impossível não se emocionar conforme suas fragilidades vêm à tona, e a vontade que o espectador sente é de abraçar cada um deles com carinho (e dane-se se isso provocar uma transformação). Mas, por mais que a dor seja uma constante no passado e no presente dos personagens, Fruits Basket é também uma história sobre o poder da esperança. Tohru é o símbolo maior disso, a pessoa que perdeu tudo que mais amava e ainda assim consegue sentir gratidão pelas amizades e oportunidades que tem. Ao valorizar e apreciar genuinamente cada Sohma com quem vincula, ela “empresta” um pouquinho da sua força e mostra, mesmo sem querer, que existe amor e aceitação para aquelas pessoas. O tipo de acolhimento (emocional) que Tohru oferece tem um impacto que ela nem sequer pode imaginar ao aceitar ser acolhida por eles (fisicamente).

E pra não dizer que não falei da produção em si, preciso ressaltar a beleza do novo anime. A primeira adaptação televisiva me deixou frustrada porque termina num momento crucial do mangá e não tem continuidade; a nova, entretanto, vem pra corrigir isso e adaptar o mangá em sua totalidade, tendo três temporadas planejadas. O traço é simplesmente fantástico, as cores são lindas e os cenários também encantam. Pra completar, a trilha sonora é emocionante e se encaixa superbem com a proposta da história.

Pra quem já é fã de animes, Fruits Basket é um prato cheio que contempla uma história envolvente, muita emoção e bons personagens. Mas sei que nem todo mundo gosta desse tipo de produção e talvez isso seja por falta de oportunidade. Nesse caso, queria convidar você a começar sua experiência com Fruits Basket. Se você curte drama, fantasia, romance e – por que não dizer? – esperança, essa história tem tudo para te agradar. Não deixe a categoria da obra (ou seja, o fato de ser um anime) te impedir de dar uma chance para uma história que entretém, diverte, emociona e aquece o coração. Promete pensar com carinho? ❤

Título original: Furūtsu Basuketto
Ano de lançamento: 2019
Direção: Yoshihide Ibata
Elenco: Manaka Iwami, Nobunaga Shimazaki, Yuma Uchida, Yuichi Nakamura