Dica de Série: The Morning Show

Oi povo, tudo certinho por aí?

Por aqui, a ansiedade tá enorme pelo dia de hoje. Já deixei claro o quanto sou antibolsonarista em todas as oportunidades que tive (inclusive com dica de leitura), e hoje a esperança de que um país melhor é possível está forte, mas com uma sombra de medo de que 2018 se repita. Então, pra me distrair, coloquei as mãos na massa pra tentar colocar alguns conteúdos pendentes em dia.

Meu ritmo de leituras caiu um pouco, então por enquanto vou focar mais em dicas de séries e filmes por aqui. Mas fiquem tranquilos que tem títulos ótimos pra entrarem no radar de vocês, e é sobre um deles que vou falar sobre: a série The Morning Show, protagonizada pelas incríveis Jennifer Aniston e Reese Whiterspoon.

Sinopse: Alex Levy é âncora do The Morning Show, um popular programa de notícias que mudou a cara da televisão americana. Depois que seu parceiro de 15 anos, Mitch Kessler, é demitido em meio a um escândalo de má conduta sexual, Alex luta para manter seu emprego como principal âncora, provocando uma rivalidade com Bradley Jackson, uma repórter de campo casual cuja série de decisões impulsivas a leva a um novo mundo do jornalismo de TV.

Alex Levy é a prestigiada apresentadora do The Morning Show, um dos programas de maior sucesso dos Estados Unidos. Quando seu co-apresentador, Mitch Kessler, é acusado de má conduta sexual, Alex vê sua vida virar de cabeça para baixo: ela perde uma amizade de 15 anos e se vê no centro da confusão na qual sua emissora (UBA) está imersa Para deixar Alex ainda mais insegura, a emissora começa a dar indícios de interesse em Bradley Jackson, uma repórter de campo que viralizou na internet por explodir ao fazer denúncias na cobertura de uma matéria – atitude que a fez ser lida como um sopro de juventude para o The Morning Show e um potencial nome pra “limpar” a imagem do programa. Alex, com medo de ser substituída, vira o jogo ao anunciar publicamente que Bradley será sua nova co-apresentadora, pegando todos de surpresa, inclusive a própria Bradley (que até o momento havia sido apenas entrevistada por Alex por ter sido viral). Essa atitude faz com que todos os envolvidos no TMS comecem a mover os próprios pauzinhos para conseguir atingir seus objetivos e alcançar o sucesso.

The Morning Show começa de forma explosiva com a denúncia de Mitch, e acompanhamos toda a correria por trás da tentativa de limpar a imagem do programa e de Alex por parte dos produtores e dos empresários da UBA. Porém, infelizmente a série perde um pouco seu ritmo durante os episódios do meio da temporada, o que me fez demorar mais do que o normal para concluí-la. Quando eu já estava desesperançosa e pronta pra desistir de The Morning Show, os últimos episódios trazem reviravoltas bastante chocantes, me fazendo dar uma nova chance ao programa. Digo tudo isso pra deixar claro que a série tem sim alguns problemas de ritmo, mas que no balanço geral a história foi capaz de me fazer querer conferir o que vem por aí.

Acho que um dos principais motivos pra eu não ter entrado de cabeça em The Morning Show é o fato de que não consegui torcer pelos personagens. Mesmo com duas mulheres fortes à frente da trama, a verdade é que ambas me irritaram demais. Alex é bastante humana e falha, e eu gosto que não tenham poupado a personagem dessas características. Ela esteve em silêncio por 15 anos ao lado de Mitch, sendo conivente com um comportamento que todos sabiam existir. Alex é também uma pessoa que se orgulha do que conquistou e não tem vergonha disso, o que é um bom exemplo de força e determinação, mas é difícil esquecer que ela se beneficiou do fato de ser a mulher aceita no Clube do Bolinha sem fazer nada a respeito. Bradley, por sua vez, representa o idealismo jornalístico. Ela quer lutar por justiça, expor a verdade sobre os fatos e fazer o que for certo independente de quem ferir no processo. Por um lado, são objetivos louváveis e o coração da personagem pode estar no lugar certo; por outro, a personalidade perfeitinha que ela assume após entrar no TMS me exauriu, especialmente porque difere completamente da Bradley explosiva que ganhou notoriedade.

O maior mérito de The Morning Show reside no tema que decide abordar. O assédio sexual no ambiente de trabalho é um assunto muito pertinente, e a série usa o movimento #MeToo como o grande impulsionador da discussão. Existe uma cena em que Mitch discute com outro homem exposto pelo movimento que é tão real que embrulha o estômago: homens em posição de poder, em sua maioria, não estão preocupados em refletir sobre seu papel nessa cadeia de abuso; eles só pensam sobre isso quando são pegos, e ainda acham que são as vítimas da situação. Para eles, que controlam a narrativa e as decisões, as mulheres estão ali porque querem e também para subir na carreira, e não porque são coagidas em função do medo de perderem os empregos, as oportunidades e ainda serem expostas e desacreditadas no processo. The Morning Show faz um excelente trabalho em colocar um holofote nessas situações, dando voz às vítimas e mostrando quão devastadoras as consequências do assédio e do abuso podem ser.

Com atuações sólidas e uma crítica relevante, The Morning Show é uma série que recomendo especialmente pelo assunto central. Ela me causou uma sensação semelhante ao do livro Rede de Sussurros: não foi a melhor experiência que tive, mas trata de situações tão sérias e, infelizmente, recorrentes, que acho importante que mais pessoas tenham contato e possam refletir a respeito. Há também intrigas políticas e jogos de poder que buscam tornar os episódios mais instigantes e, ainda que não tenham funcionado comigo, podem funcionar com você. De maneira geral, vale a pena tanto pela reflexão quanto pelas excelentes performances de um elenco de peso, que conseguem transmitir as diversas nuances que uma situação assim possui. Por aqui, vou seguir pra segunda temporada. E se você já conferiu, me conta o que achou nos comentários? 😉

Título original: The Morning Show
Ano de lançamento: 2019
Criação: Jay Carson, Kerry Ehrin
Elenco: Jennifer Aniston, Reese Witherspoon, Billy Crudup, Mark Duplass, Nestor Carbonell, Karen Pittman, Steve Carell

Review: Um Lugar Bem Longe Daqui

Oi gente, tudo bem?

Depois de 9 dias maravilhosos em Fernando de Noronha, estou de volta à rotina! Pra retornar com o pé direito, quero indicar um filme que adapta o livro best-seller Um Lugar Bem Longe Daqui.

Sinopse: Kya é uma garota abandonada, que teve que se criar sozinha no brejo da Carolina do Norte. Por anos, rumores da “Menina do Brejo” assombraram Barkley Cove, isolando a afiada e inteligente Kya de sua comunidade. Atraída por dois jovens na cidade, Kya se abre para um mundo novo e estimulante, mas quando um deles é encontrado morto, ela é imediatamente considerada a principal suspeita. Conforme o caso vai se desdobrando, a verdade sobre o que aconteceu se torna cada vez mais nebulosa, ameaçando revelar os muitos segredos que existem no brejo.

Apesar de não ter lido o livro, ele é uma obra muito recomendada pela Pam Gonçalves (em cujo gosto literário confio plenamente), então fiquei bem animada para conferir sua adaptação. Além disso, a produção ficou a cargo da Reese Whiterspoon, que vem apostando em obras focadas na força feminina. Ótimos motivos pra gerar curiosidade, né? A trama gira em torno da vida de Kya Clark, uma jovem que foi abandonada para viver sozinha em um casebre no brejo quando ainda era criança. Sua família foi destruída pela violência de seu pai, e um a um todos foram deixando a casa à beira do lago pra trás: primeiro sua mãe, depois seus irmãos mais velhos, até que o próprio pai também partiu. Kya podia contar apenas com o apoio de um homem chamado Pulinho e sua esposa, Mabel, donos de um mercadinho da cidade que se compadeciam da situação da menina e a ajudavam como podiam. No presente, Kya é uma bela jovem que se vê no centro de uma investigação de assassinato; o filme então vai intercalando passado e presente para apresentar cada fato que levou Kya até o momento desesperador que vivencia.

Impossível falar de Um Lugar Bem Longe Daqui sem enfatizar o desespero que sentimos pela infância de Kya. Ver sua família inteira partir fez com que a garota desenvolvesse traços de personalidade muito marcantes, assim como óbvios traumas: ela tem dificuldade para confiar nas pessoas, vive mais confortavelmente em meio à natureza do que em meio às pessoas, é bastante tímida e reclusa; por outro lado, Kya é sensível, determinada, tem um forte senso de sobrevivência e é uma excelente observadora, o que fica claro nos desenhos que faz da flora e da fauna do brejo. A população da cidade destina muito preconceito a Kya – chamando-a inclusive de “Menina do Brejo” e transformando-a em uma outsider no processo –, mas a garota encontra alento quando seu caminho se cruza com o de Tate Walker, seu primeiro amor. Eles compartilham da paixão pela natureza e ele é a pessoa que alfabetiza Kya, além de incentivá-la a aprender cada vez mais sobre biologia. Tate é um rapaz apaixonante e o relacionamento dos dois não poderia ser mais incrível, até que ele é aprovado na universidade e vai embora, quebrando uma promessa que fez à protagonista. Já podem imaginar o quão doloroso foi ver o coração de Kya se partindo por causa do abandono novamente, né? Passei o filme todo querendo guardá-la num potinho e protegê-la de todo o mal. 😦

Falando em mal… chegamos à vítima do assassinato que foi mostrado no início do longa, Chase Andrews. Ele cumpre bem o estereótipo de mauricinho que tem a vida ganha e cujos passos estão traçados dentro do que a elite da cidade espera dele. Porém, ele se interessa por Kya e logo eles engatam um namoro (que não demora a se revelar extremamente problemático). A verdade é que a protagonista é alguém que, apesar de sobreviver na solidão, deseja desesperadamente uma conexão, o que a torna um alvo fácil para alguém como Chase; é isso que permite que ela acredite no rapaz e se envolva com ele mesmo sem de fato amá-lo. Em contrapartida, Chase vê em Kya uma conquista “exótica”, sentindo-se engrandecido por conseguir para si a “Menina do Brejo”. Sinceramente, só por ele chamá-la desse modo eu já fiquei enojada, pois é claro desde o primeiro instante que ele não a respeita por quem ela é, estando com Kya somente pelo fetiche que criou em torno dela. Parabéns a Harris Dickinson pela atuação, porque conseguiu com sucesso me fazer sentir um asco descomunal pelo seu personagem. 🤮

Kya passa por coisas terríveis nas mãos de Chase, mas no julgamento da garota as pessoas parecem já ter a decisão tomada sobre sua culpa. Como o corpo foi encontrado no brejo, é mais fácil para a população conservadora apontar os dedos para aquela que destoa. Felizmente a protagonista encontra apoio em Tom Milton, que se oferece para ser seu advogado de forma pro bono por acreditar que o preconceito da cidade é o verdadeiro vilão naquela história. Porém, devo avisar: a parte do julgamento em si não é a mais instigante do longa. Não existem boas reviravoltas nem argumentos cortantes, e sim uma condução mais morna que aponta fatos óbvios sobre o caso. O que causa aflição em Um Lugar Bem Longe Daqui não é o presente, mas o passado: não é o julgamento de Kya, mas o medo pelo que pode ter acontecido e pelos traumas que a ela podem ter se somado antes da morte de Chase.

A narrativa me deixou bastante presa à trama e envolvida por ela. É impossível não ficar de coração partido por tudo que Kya passou e torcer para que ela encontre alento e felicidade. Conforme conhecemos Chase, a sensação de revolta cresce e, sendo bem honesta com vocês, me fez sentir um belo “bem feito” pelo desfecho que ele encontra. Além da condução envolvente da trama, o filme conta com belas paisagens bucólicas, que transmitem a sensação ora de paz, ora de isolamento e perigo que Kya precisa lidar diariamente. Todo o clima naturalista do longa conversa com a própria essência de Kya, que encontra na flora e na fauna não só os recursos que precisa para sobreviver, como também para se proteger.

Um Lugar Bem Longe Daqui não é um filme de mistério ou, ainda, sobre crime e julgamento, mas sim um drama que apresenta o abismo entre um romance lindo (atrapalhado pela distância) e uma relação tóxica e suas consequências. É também um filme sobre o poder do instinto de sobrevivência e sobre a garra de persistir e resistir. O final é excelente e traz um plot twist daqueles – e, não vou mentir, fiquei feliz com ele sim. A história de Kya mexeu comigo ao longo de toda a duração do longa: quis chorar com ela, sorri com ela, torci e sofri por ela (muito disso sendo mérito da atuação delicada e envolvente de Daisy Edgar-Jones). Pra mim, está aprovadíssimo!

Título original: Where the Crawdads Sing
Ano de lançamento: 2022
Direção: Olivia Newman
Elenco: Daisy Edgar-Jones, Taylor John Smith, Harris Dickinson, David Strathairn, Michael Hyatt, Sterling Macer Jr.

Dica de Série: Uncoupled

Oi pessoal, tudo bem?

Eu adoooro séries de comédia, especialmente se forem sitcoms ou mais “vida real”. A dica de hoje se enquadra bastante nessa segunda categoria, equilibrando comédia e uma pitadinha de drama: Uncoupled, da Netflix.

Sinopse: Atordoado depois do rompimento com o namorado de longa data, Michael enfrenta as expectativas do recomeço e dos encontros depois dos 40.

Quem chamou a minha atenção pra série foi o Neil Patrick Harris, um ator de quem eu gosto muito por causa de How I Met Your Mother. Aí descobri que tinha também a Tisha Campbell-Martin (a inesquecível Jay, de Eu, a Patroa e as Crianças) no elenco e pronto, já quis conferir. Além disso, o enredo gira em torno de um assunto bem interessante: ficar solteiro depois de muitos anos de um relacionamento e em uma idade um pouco mais madura. Uncoupled é, em poucas palavras, uma série sobre recomeçar e redescobrir a si mesmo.

Na trama, Michael (o personagem de Neil) é subitamente abandonado pelo namorado, Colin, com quem se relaciona há 17 anos. Ele descobre a notícia na festa surpresa de 50 anos que preparou para o parceiro, e vê a sua vida virar de cabeça para baixo, especialmente devido à recusa de Colin em conversar a respeito e revelar seus motivos. Inicialmente, parece que Colin está apenas tendo uma crise de meia-idade, mas o personagem “acusa” certos comportamentos de Michael que, com o passar dos episódios, vamos percebendo também. Ainda assim, nada justifica terminar uma relação de modo tão egoísta quanto Colin terminou, o que torna impossível ter muita empatia pelo personagem.

O aspecto da personalidade de Michael que se revela mais difícil é o fato de que ele demonstra fazer tudo girar em torno dele. Porém, é compreensível que durante os primeiros meses do término esse comportamento se acentue; o lado positivo é que o protagonista é obrigado a confrontar esse seu defeito não apenas por causa do que Colin fez, mas também pelos feedbacks de seus amigos, que estão tentando ajudá-lo a dar a volta por cima. E esse é um elemento crucial em Uncoupled: a importância de um círculo de amizades forte para ser sua rede de apoio. São três os principais amigos de Michael: Suzanne (com quem ele trabalha e é um grande alívio cômico, além de ser uma mulher forte e independente que cria um filho sozinha), Stanley (um amigo leal e que provoca um momento de amadurecimento importante em Michael) e Billy (que acaba exercendo um pouco o estereótipo de cara bonitão que só sai com parceiros mais jovens e de forma superficial). Apesar do foco em Michael, esses três personagens ganham um tempo de tela bem interessante e têm plots próprios, de forma que não se transformem apenas em nomes sem importância que orbitam o personagem principal.

Uncoupled também trata da homossexualidade de forma natural, não sendo o único fio condutor da trama. Michael e seus dois amigos homens são gays, e é claro que a vida de solteiro deles gira em torno de conhecer novas pessoas e se abrir pro mundo, mas a trama não é sobre identidade, sobre preconceito ou nada do tipo. É uma comédia dramática sobre ficar solteiro aos 40 e poucos anos com romance gay, e não uma série sobre ser gay necessariamente. Isso traz uma representatividade importante justamente por ser natural, a sexualidade dos personagens é apenas um dos elementos que compõem suas vidas e o desenrolar da história.

Em resumo, Uncoupled é uma série que vale o play. São poucos episódios de curta duração, e meu único receio é que não tenha segunda temporada, porque a primeira termina com um baita cliffhanger. Mas, mesmo que não tenha, acho que a mensagem principal transmitida compensa o tempo investido, porque é sempre bom ser impactada por histórias que nos relembram que nunca é tarde pra mudar de rota, recomeçar, se reinventar e se redescobrir. 😀

P.S.: gente, estou saindo em uma viagem de férias e não levarei meu computador, então os posts retornam dia 21. Até lá! ❤

Título original: Uncoupled
Ano de lançamento: 2022
Criação: Jeffrey Richman, Darren Star
Elenco: Neil Patrick Harris, Tisha Campbell, Brooks Ashmanskas, Emerson Brooks, Marcia Gay Harden, Tuc Watkins

Review: Luck

Oi pessoal, tudo bem?

Eu adoro conferir animações, então a estreia de Luck na Apple TV caiu como uma luva pra um domingo de preguiça. Bora conhecer? 🍀

Sinopse: A corajosa e azarada Sam Greenfield se aventura na encantada Terra da Sorte, onde terá que se aliar a criaturas mágicas para mudar seu destino

Sam é a garota mais azarada do mundo. Com ela, a torrada sempre cai com a manteiga virada pra baixo, sempre chove se ela estiver sem guarda-chuva ou qualquer outra situação semelhante que vocês possam imaginar. Ao atingir a maioridade, Sam precisa deixar o único lar que conheceu – uma casa de acolhimento para meninas – e se virar sozinha em um apartamento novo e em um emprego no qual ela se atrapalhou toda já no primeiro dia. A vida de Sam dá uma guinada quando ela divide seu sanduíche com um gato preto com o qual cruzou na rua, e ele foge deixando pra trás uma moedinha, que acaba se revelando ser uma moeda da sorte. Quando a moeda é perdida, Sam e o gato – que é capaz de falar e se chama Bob – precisam se unir e adentrar num lugar fantástico e secreto chamado Terra do Sorte para conseguir outra moeda, cada um tendo seus próprios objetivos pro item mágico.

O mundo etéreo e fofo no qual Sam adentra – povoado por leprechauns, coelhos e outras criaturas bonitinhas que fazem alusão à atração de coisas boas – é de encher os olhos, e a ambientação do filme realmente tem muitos cenários e premissas que buscam fazer uma imersão do espectador em seu mundo. Sam e Bob exercem aquele papel de outsiders que estão fora da lei (ela por ser uma humana naquele mundo secreto; ele por ter perdido sua moedinha da sorte), o que confere muitas sequências de planos malucos pra fugir das autoridades e “evoluir” na sua missão ao longo da história.

Entretanto, não consegui me sentir 100% fisgada pelas aventuras de Sam e Bob. Achei o filme um pouquinho mais longo do que o necessário e, depois de um tempo de tê-lo assistido, percebi que nem consegui gravar muitos detalhes da história na memória. Meu maior problema foi provavelmente Sam: ela é uma personagem perfeitinha demais, linear demais. Apesar de ter uma história de origem triste (por nunca ter sido adotada), toda a sua motivação vem de conseguir uma moeda da sorte para que uma amiga da casa de acolhimento, Hazel, possa ser adotada. E é claro que essa é uma meta louvável! Acontece que, pra mim, o problema reside no fato de todo o plot de Sam girar em torno desse objetivo e de Hazel, como se a própria Sam não merecesse receber mais nuances.

Apesar dos pesares, a provocação que Luck deseja fazer é bacana. O filme visa mostrar que uma vida composta apenas de boas marés não é possível, que o azar faz parte do equilíbrio da balança e é elementar para valorizarmos os golpes de sorte que o universo oferece. Dá para se divertir, especialmente porque Bob é um personagem bastante carismático, mas não é o longa de animação mais marcante que vai passar pela sua vida. Ainda assim, é uma opção de entretenimento interessante pra um dia em que você busca aquela leveza descomplicada. Deixo a seu critério dar uma chance ou não! 🙂

Título original: Luck
Ano de lançamento: 2022
Direção: Peggy Holmes
Elenco: Eva Noblezada, Simon Pegg, Jane Fonda, Whoopi Goldberg, Colin O’Donoghue, Flula Borg, Adelynn Spoon

Dica de Série: The Sandman

Oi pessoal, tudo bem?

Se tem um título que anda no topo da lista de mais assistidos da Netflix nas últimas semanas, é The Sandman. Obviamente eu, que adoro uma boa série de fantasia e um quê sombrio, corri pra assistir. Vamos conhecer? 😉 

Sinopse: Após anos aprisionado, Morpheus, o Rei dos Sonhos, embarca em uma jornada entre mundos para recuperar o que lhe foi roubado e restaurar seu poder.

A trama gira em torno de Sonho, ou Morpheus, que foi invocado por feiticeiros humanos que desejavam invocar sua irmã, a Morte. Aprisionado por mais de cem anos – o que gerou consequências catastróficas no nosso mundo, ou “Mundo Desperto” –, quando Morpheus finalmente retoma sua liberdade ele precisa partir numa jornada em busca de seus três artefatos roubados: um elmo, um rubi e sua poderosa areia. Porém, em seu caminho ele encontrará Pesadelos que fugiram de seu reino e não desejam retornar, além de cruzar com inimigos que não vão facilitar a sua missão.

No universo de The Sandman, existem seres chamados de Perpétuos. Eles existem desde que tudo existe, não sendo deuses, mas sim aquilo que representam em si mesmos, sendo governantes de seus próprios reinos e senhores daquilo que influenciam. Nessa primeira temporada conhecemos quatro deles: Sonho, Morte, Desejo e Desespero. Todos os Perpétuos são irmãos, mas não esperem uma relação necessariamente próxima de todos eles: tirando a boa relação de Morpheus e Morte, a série nos mostrou que existem rivalidades e disputas de poder bem perigosas entre eles. Tudo que eu sabia sobre Sandman era bem superficial, pois não li as HQs, mas foi o bastante pra acompanhar a série sem maiores problemas, ainda que existam elementos que tenham ficado somente nas entrelinhas (como a própria rivalidade entre alguns dos Perpétuos, por exemplo).

Sandman acerta em cheio em não se estender demais na busca de Morpheus por seus itens mágicos, pois isso dá espaço a outras histórias bem bacanas ao longo da temporada. Pode-se dizer que ela é dividida em duas: na primeira parte, acompanhamos a recém retomada liberdade de Morpheus, e na segunda temos como foco sua perseguição a Coríntio, um Pesadelo que deseja se livrar de Morpheus para seguir causando seus terrores no Mundo Desperto. A série tem episódios bem marcantes, sendo o meu favorito o episódio 6, focado na Morte. Ele é um episódio longo com duas histórias amarradinhas: começa com o reencontro de Morpheus e da Morte, em que a série mostra um lado gentil, afetuoso, otimista e caloroso de um momento que costuma ser assustador em nossa cultura (o momento da despedida final); e depois se desenvolve para a amizade do protagonista com um humano que foi agraciado pela Morte com a imortalidade, desde que se encontrasse a cada século com Morpheus para contar se a dádiva havia se transformado em tortura ou não. Sob alguns aspectos, a série funciona quase como uma antologia dentro do universo do protagonista, tendo vários plots que abordam situações e personagens distintos.

E o que dizer da beleza visual de The Sandman? A produção teve um investimento pesado na produção dos efeitos especiais, e cada episódio é deslumbrante. Em tempos nos quais os profissionais de CGI estão tendo burnout ao trabalhar pra Marvel (o que gera memes com terceiros olhos e pele verde), foi um verdadeiro deleite poder assistir a cenários tão bonitos e animações tão caprichadas. O próprio mundo de Morpheus, o Sonhar, é composto dos mais diversos ambientes. Os Perpétuos por si só também têm a aparência que mais se adequa à pessoa ou ao ser com o qual estão interagindo. Ou seja, essa preocupação em fazer com que tudo fosse bem feito e visualmente impactante deu muito certo, porque fiquei de queixo caído em diversos momentos.

Como aspecto mais fraco da produção, pode-se dizer que o desenvolvimento dos personagens secundários acaba sendo preterido. Ao mesmo tempo em que histórias individuais começam e terminam nos mesmos episódios, o que é bacana por passar uma “vibe antológica”, poucos personagens ganham camadas que os transformem em algo além de sua função para aquele momento. Um exemplo disso é Johanna Constantine, cuja aparição pontual serve pra um único fim: ajudar Morpheus em sua busca pela areia mágica. A própria Morte, tão carismática, só aparece em um episódio de transição entre os arcos da busca pelos artefatos e a o arco de Rose Walker, a Vórtice dos Sonhos que é o ponto-chave da segunda metade da temporada. E, já que mencionei Rose, a série perde um pouco de seu fôlego quando a trama passa a girar em torno dela, fazendo com que meu interesse tenha sido levemente diminuído.

The Sandman é uma produção cara e tem chances de cancelamento por conta disso, segundo o próprio criador da HQ, Neil Gaiman. Por isso, fica o convite: vamos mostrar que séries de qualidade, com roteiros interessantes e fora do óbvio, também merecem permanecer na Netflix? Fica o convite para cair de cabeça nesse universo tão criativo, cheio de reflexões e questionamentos sobre a vida. 

Título original: The Sandman
Ano de lançamento: 2022
Criação: Neil Gaiman, David S. Goyer, Allan Heinberg
Elenco: Tom Sturridge, Boyd Holbrook, Patton Oswalt, Vivienne Acheampong, Vanesu Samunyai, Mason Alexander Park, Gwendoline Christie, David Thewlis

Review: Morte no Nilo

Oi gente, tudo bem?

Quando Assassinato no Expresso do Oriente estreou, eu simplesmente me apaixonei, e toda vez que o filme está passando eu paro pra assistir. Por isso, a expectativa pra conferir Morte no Nilo também era alta e, como não pude vê-lo no cinema, vibrei quando chegou no Star+. Hoje vim dividir com vocês se a nova adaptação desse livro famoso da Agatha Christie me encantou tanto quanto seu predecessor. Bora?

Sinopse: As férias do detetive belga Hercule Poirot à bordo de um glamouroso cruzeiro no Egito se transforma em uma caçada a um assassino quando a lua de mel de um famoso casal é interrompida.

Morte no Nilo já começa com uma sequência que fez meu estômago virar: Jacqueline de Bellefort e Linnet Ridgeway são duas amigas, sendo a primeira uma moça de origem humilde e a segunda uma herdeira riquíssima. Jacqueline está nas nuvens porque finalmente vai se casar com Simon Doyle, por quem é perdidamente apaixonada, e deseja apresentá-lo à amiga. Ela pede então que seu noivo dance com Linnet pra que eles possam se conhecer melhor e, para a surpresa dela (e do espectador), o que vemos é uma cena cheia de tensão sexual que revela uma posterior “furada de olho” detestável. Sim, Linnet e Simon se apaixonam e se casam, deixando uma amargurada Jacqueline para trás. E é na lua de mel que os principais acontecimentos de Morte no Nilo acontecem, com um assassinato que vai colocar os vários envolvidos no cruzeiro de férias do casal em posições suspeitas. Mas para a sorte (ou não) dos personagens, um dos convidados de honra do casal é o detetive brilhante Hercule Poirot, que desejava uma viagem de férias mas ganhou mais um caso pra resolver.

Bom gente, o que posso dizer… Se envolveu uma amizade traindo a outra pelo bofe/pela mina, já começou mal. Por isso, Morte no Nilo não conquistou minha simpatia e eu não me comovi nem um pouco com a ansiedade dos recém-casados, cujos temores de algum atentado por parte de Jacqueline se mostraram coerentes. Além disso, a lista de convidados para o cruzeiro de lua de mel dos dois era uma verdadeira salada mista que incluía um ex de Linnet, um grande amigo de Poirot (Bouc), a nova namorada de Bouc, a acompanhante de Linnet, entre outros personagens aleatórios cuja falta de carisma me fez até esquecer seus nomes e papéis na trama.

Diferente do que acontece em Assassinato do Expresso do Oriente, que oferece um ambiente verdadeiramente claustrofóbico, não senti essa mesma aflição em Morte no Nilo. Os personagens ficam, sim, isolados no cruzeiro, mas param em alguns pontos turísticos egípcios que fazem com que a ambientação não cause tanta angústia. Quando o assassinato acontece, não é como se o longa realmente conseguisse colocar todos os personagens num ponto-chave que os transforme em verdadeiros suspeitos, o que inclusive tornou o final previsível.

Falando nas atuações, achei todas medianas, sem grandes destaques – com uma exceção negativa e uma positiva. Curti muito a Jacqueline de Emma Mackey (de Sex Education), cuja performance deu vida a uma personagem cheia de mágoa, ressentimento e ódio pela ex-amiga, assim como pelo desejo de ter seu ex-noivo de volta. Em contrapartida, Gal Gadot nos oferece uma personagem linear e sem graça, não trazendo 1% do magnetismo de Mulher-Maravilha, por exemplo.

Infelizmente, Morte no Nilo foi um filme esquecível pra mim, que não atendeu às expectativas que eu tinha de me divertir e – quem sabe – até me emocionar, como aconteceu no desfecho de Assassinato no Expresso do Oriente. Hercule Poirot segue como um personagem carismático, mas aqui acabou sendo mais um coadjuvante do que protagonista. Ainda que o longa tenha tentado aprofundar seu passado e dar mais camadas ao personagem, esses pequenos lampejos de “interessância” (com o perdão da expressão errada haha) foram ofuscados por uma trama bem sem sal. Olhando pelo lado positivo, fiquei feliz por não ter pagado caro nos ingressos de cinema. 🤷‍♀️

P.S.: e que elenco cheio de gente Chernobyl e/ou cancelada, hein? Se procurarem pela Gal, pela Letitia Wright e pelo Armie Hammer no Google vocês vão sacar do que tô falando. 👀

Título original: Death on the Nile
Ano de lançamento: 2022
Direção: Kenneth Branagh
Elenco: Kenneth Branagh, Gal Gadot, Armie Hammer, Tom Bateman, Emma Mackey, Letitia Wright, Russell Brand, Rose Leslie

Dica de Série: Bel-Air

Oi pessoal, tudo bem?

Se vocês estavam em busca de uma boa série pra maratonar, a dica de hoje vai cair como uma luva. Vamos conhecer Bel-Air, o reboot de Um Maluco no Pedaço?

Sinopse: Com produção executiva de Will Smith, “Bel-Air” reimagina a icônica comédia dos anos 90 “The Fresh Prince of Bel-Air” para uma nova era. Situado na América moderna, a série dramática de uma hora oferece uma nova e dramática visão da jornada de mudança de vida de Will, das ruas do oeste da Filadélfia às mansões fechadas de Bel-Air. Deixando para trás a única casa que ele já conheceu por uma segunda chance em um lugar desconhecido, Will vê sua vida virada de cabeça para baixo ao encontrar novos desafios e preconceitos em um mundo de riqueza e aspiração.

Antes mesmo de iniciar Bel-Air, eu já tinha um feeling muito bom de que a série tinha potencial, afinal, ela se propõe a contar a história do jovem Will Smith com um viés de drama, e não de humor. Quem assistiu a Um Maluco no Pedaço deve lembrar que a comédia era irreverente e divertida, mas vez ou outra tocava em assuntos sérios como racismo estrutural, abandono parental, porte de armas, entre outros temas. Justamente esse aspecto me deixou tão curiosa com o reboot, pela possibilidade de ver esse universo dramático se desdobrar. E eu fiquei muito satisfeita com o que vi!

Em linhas gerais, a série segue a mesma trama da original: Will Smith é um jovem brilhante da Filadélfia, que arrasa no basquete e já tem convites para universidades graças a esse talento. Porém, ele é temperamental e se deixa levar pela provocação de um traficante local, o que o coloca em um jogo de basquete perigoso. Quando tudo dá errado e seu melhor amigo, Tray, começa a ser agredido pela gangue do traficante, Will utiliza a arma que Tray levou para segurança dos dois e atira pra cima, o que o faz ser preso. Isso obriga sua mãe, Vy, a pedir ajuda de sua irmã rica, Vivian, e seu cunhado, Phil Banks. Cobrando alguns favores e usando de sua influência como um advogado poderoso em Los Angeles, Phil consegue tirar Will da cadeia e ele é enviado pela mãe para morar com os tios e fugir das ameaças de morte do traficante.

Se em Um Maluco no Pedaço a “fuga” de Will é abordada rapidamente na abertura – e com um tom mega leve –, em Bel-Air essa situação é desenvolvida e tem o peso que lhe cabe. Will realmente tem sua vida colocada em perigo, assim como Tray. Além disso, ele perde oportunidades na faculdade e precisa ir para um lugar no qual ele não deseja estar. Esse ponto é super positivo e demonstra como um minuto de uma decisão ruim pode mudar toda a sua vida. Além disso, também já temos evidenciada outra novidade importante: a área cinza em que Phil atua. Se na série original ele é sempre um guia de moralidade pros filhos e pra Will, em Bel-Air o personagem caminha num território mais nebuloso e, por vezes, de moral duvidosa. Pra vários de seus trabalhos menos nobres, o tio Phil conta com a ajuda de Geoffrey, que aqui deixa de ser um mordomo sarcástico para se tornar o braço direito calado, misterioso e implacável que faz os trabalhos sujos do patrão.

Os filhos dos Banks também sofrem transformações consideráveis. A que mais gostei foi Hilary, que é uma microinfluencer em busca do sucesso como uma personalidade do ramo gastronômico. Ainda que use o dinheiro dos pais (por ter desistido da faculdade), a personagem sonha alto e corre atrás dos seus objetivos, bem diferente da patricinha fútil de Um Maluco no Pedaço. A Hilary de Bel-Air é menos bidimensional, além de ter um coração enorme e construir uma relação muito bacana com Will, Ashley e – acreditem – Jazz. Em compensação, uma mudança de personagem que foi difícil de engolir foi a de Carlton. Na nova versão, ele não é o engomadinho inocente de Alfonso Ribeiro, mas sim um atleta popular que sofre de ansiedade e é viciado em drogas. Ele acaba sendo um pouco estereotipado naquela imagem do rico poderoso que usa drogas pesadas pra lidar com o dia a dia, além de ser cruel com Will em diversos momentos. Infelizmente a série coloca um triângulo amoroso pra complicar a relação dos primos, e essa foi uma decisão de roteiro da qual não gostei. Com o passar dos episódios, porém, Carlton vai se abrindo para a presença de Will e eles começam a construir uma relação mais saudável.

Um ponto que adorei em Bel-Air é a forma como a série coloca pequenas homenagens ao material original, mexendo com a nossa nostalgia. A forma como Will usa o blazer do avesso, por exemplo, é super legal. Há também uma homenagem às antigas tia Viv e Vy, assim como ao tio Phil original, que faleceu em 2013. 😥 Quem for mais atento vai perceber o momento em que ele aparece, e é uma inserção singela mas muito bonita. 

Em resumo, Bel-Air é um reboot que faz justiça a Um Maluco no Pedaço e trata superbem de vários dos temas mais pesados que eram mais superficiais na obra original. Jabari Banks, o novo Will Smith, consegue dar vida ao personagem de maneira excelente, trazendo vários dos trejeitos do antigo Will com naturalidade, fazendo o espectador associá-lo com o personagem sem esforço. A série a princípio terá uma segunda temporada, mas talvez demore a ser feita devido à polêmica do verdadeiro Will Smith no Oscar. Fico na torcida pra que não mudem de ideia e continuem com esse projeto, porque realmente gostei muito do novo olhar que essa história recebeu. Se você curtia Um Maluco no Pedaço, vale a pena dar uma chance a Bel-Air. 😉

Título original: Bel-Air
Ano de lançamento: 2022
Criação: Andy Borowitz, Susan Borowitz e T.J. Brady
Elenco: Jabari Banks, Cassandra Freeman, Adrian Holmes, Olly Sholotan, Coco Jones, Jimmy Akingbola, Simone Joy Jones, Akira Akbar, Jordan L. Jones, April Parker Jones

Review: Lightyear

Oi pessoal, tudo bem?

Como fã assumida da Disney e da Pixar, dei um voto de confiança e fui conferir Lightyear no cinema. Querem saber como foi? Continuem lendo! 🚀

Sinopse: Nesta aventura de ficção científica cheia de ação, conhecemos a origem definitiva de Buzz Lightyear, o herói que inspirou o brinquedo. “Lightyear” segue o lendário Space Ranger em uma aventura intergaláctica ao lado de um grupo de recrutas ambiciosos e seu companheiro robô Sox.

A proposta do filme não é contar a história do boneco, mas sim a que inspirou a criação dele – ou seja, a história do filme do qual Andy (de Toy Story) se tornou fã. Apesar disso, existem pequenas referências à franquia dos brinquedos, o que traz um pouco de magia ao longa que, sem a associação, acaba se tornando um sci-fi genérico. As falas do Buzz, o modo como ele se movimenta (saltando de um lado para o outro) e até a teimosia em seguir com suas missões fazem a gente lembrar imediatamente do primeiro Toy Story, mas infelizmente isso não foi suficiente pro filme me deslumbrar.

Na trama, Buzz é responsável por um acidente que prende a tripulação de sua nave em um planeta hostil. Com um forte senso de dever, o espaçonauta está determinado a concluir a missão e devolver a vida normal a seus colegas, à sua melhor amiga (Alisha Hawthorne) e a si mesmo, pois todos sonham em ser grandes patrulheiros espaciais. Acontece que para fugir desse planeta, Buzz precisa fazer testes no espaço com combustíveis instáveis à velocidade da luz, tendo como consequência não apenas falha na missão como uma passagem de tempo de 4 anos a cada tentativa – mas somente pra quem ficou no planeta, não para Buzz, que segue sem envelhecer. Em determinado momento, uma passagem de tempo muito maior acontece e ele se depara com uma nave alienígena que está fazendo refém a população humana do planeta em que estão presos, e o protagonista pode contar apenas com o auxílio de três recrutas atrapalhados e um gato-robô.

O ritmo de Lightyear é um pouco confuso e, uma vez que Buzz viaja para o momento em que a nave alienígena se torna a nova grande ameaça, as coisas se tornam bastante arrastadas. O trio que auxilia Buzz é composto pela neta de sua melhor amiga, Izzy (que tem fobia do espaço), uma velha senhora cumprindo condicional, Darby, e um homem inseguro (e chato demais), Mo. Só se salva o gato-robô, Sox, que é maravilhoso e obviamente criado pra vender bonequinhos depois, mas que a gente ama igual. Ele é o autor das melhores piadas do filme, e também as mais naturais. Os cadetes representam a necessidade de Buzz de se possibilitar ser ajudado, se perdoar pelos próprios erros e também vêm para ensiná-lo a ter humildade – já que no começo do longa ele se acha a pessoa mais capaz do mundo e tem baixíssima tolerância a novatos. Porém, a química entre o grupo não funciona, e em mais de um momento me peguei pensando em quanto tempo faltava para o filme terminar.

A tal nave alienígena que ameaça os humanos é comandada por ninguém mais, ninguém menos que Zurg, personagem que gera o boneco que é um dos vilões de Toy Story 2. E apesar das motivações do vilão até fazerem sentido, o plot destinado a ele demora tanto tempo pra acontecer que a minha paciência já tinha se esvaído. Pra vocês entenderem do que estou falando, dá pra dividir o filme em 3 atos: no primeiro, vemos Buzz e Hawthorne testando combustíveis para voltar à vida normal; no segundo, Buzz está conhecendo seus novos aliados forçados e fugindo dos robôs de Zurg com eles; o terceiro acontece na nave de Zurg, em uma batalha contra o vilão. O que me incomodou foi não sentir uma progressão natural e fluida entre eles, com montagens que deram a sensação de um filme mais longo do que precisava ser.

Mas é claro que, além das referências bem feitas a Toy Story, existem pontos a serem exaltados no longa. Hawthorne, por exemplo, é um exemplo de liderança feminina, além de ser uma mulher negra e parte da comunidade LGTBQIA+. Ela protagoniza o primeiro beijo lésbico que a Pixar apresentou de forma explícita e foi de forma natural e muito fofa, em uma montagem que a mostra construindo uma vida no planeta que, forçadamente, foi obrigada a chamar de lar. Hawthorne está lá pra mostrar a Buzz que nem sempre o dever é a única coisa que conta, e que o amor, os amigos e a família são muito mais valiosos. Além dessa personagem super bacana, o filme também é lindo visualmente. As viagens de Buzz na velocidade da luz são bem impressionantes, as cenas têm uma pegada bem Star Wars e os detalhes gráficos do filme são caprichados – como o realismo das gotas de suor na pele de Buzz em momentos de grande tensão, por exemplo.

Lightyear tem sido chamado de “Interestelar das animações” por algumas pessoas, mas como ainda não vi Interestelar, não posso dar meu parecer. 😂 Contudo, uma coisa que tenho tido cada vez mais certeza sobre mim mesma é que sci-fi não é a minha praia, por mais leve e divertida que a trama seja (e em breve esse assunto vai surgir por aqui de novo, numa das próximas resenhas planejadas). A verdade é que faz um tempinho que a Pixar não me arrebata (ainda que Lightyear tenha conseguido arrancar uma ou duas lágrimas), e estou sentindo falta de produções como o incrível e sem defeitos Viva – A Vida é Uma Festa. Lightyear, na minha humilde opinião, é só mais um sci-fi entre tantos que eu provavelmente não vou assistir novamente. Espero que vocês tenham uma experiência melhor mas, no meu coração, quem ganha ainda é o boneco. ❤

Título original: Lightyear
Ano de lançamento: 2022
Direção: Angus MacLane
Elenco: Chris Evans, Uzo Aduba, Peter Sohn, Keke Palmer, Taika Waititi, Darby Steel, James Brolin

Dica de Série: Fundamentos do Prazer

Oi pessoal, tudo bem?

Vamos de dica +18 hoje? Vamos! Quero apresentar a vocês a um documentário curtinho – mas bem relevante – da Netflix chamado Fundamentos do Prazer. 🙂

Sinopse: Sexo, alegria e ciência moderna se unem nesta série reveladora para enaltecer a complexidade do prazer feminino e destruir mitos antiquados.

A produção de apenas 3 episódios tem como objetivo principal levantar o debate sobre como o sexo e o prazer se relacionam com o gênero feminino. O fato é que ainda vivemos em uma sociedade machista, que inibe as mulheres de descobrirem o próprio corpo e aquilo que funciona pra elas no âmbito erótico, portanto é muito comum encontrar mulheres adultas que nunca experimentaram um orgasmo ou tiveram uma relação sexual satisfatória. Some isso ao fato de que o conservadorismo também cumpre seu papel de tentar impedir a educação sexual nas escolas e teremos como resultado um número enorme de mulheres insatisfeitas sexualmente ou propensas a aceitar relações que não as satisfazem por tratar tal situação como normalidade.

O primeiro episódio é focado no corpo feminino. E aqui vale mencionar o acerto do documentário em trazer uma diversidade enorme: mulheres de diversas faixas etárias, heterossexuais, lésbicas ou bissexuais, trans, negras, gordas, magras… as convidadas que participam com seus depoimentos são diversas e consequentemente causam uma empatia imediata, pois é possível nos enxergarmos em seus relatos. Além disso, o documentário também traz pesquisadoras importantes do ramo, bem como profissionais do meio sexual (como uma empresária dona de uma sex shop) para aprofundar o debate. O primeiro episódio gira em torno da biologia por trás do orgasmo feminino: o documentário apresenta claramente o potencial clitoriano, que por tantos (homens, cof cof) é visto como algo tão pequeno e insignificante – sendo um órgão bem maior do que o que vemos no exterior. As participantes do documentário focadas em elucidar questões e tirar dúvidas explicam como o corpo feminino opera do ponto de vista mais funcional, enquanto as mulheres que compartilham suas experiências revelam seu processo de aprender mais sobre o próprio corpo.

O segundo episódio tem como pauta o poder da mente e do impacto dos pensamentos para o prazer feminino. Mas não de um jeito estereotipado, de que as mulheres têm mais dificuldades do que os homens para sentirem prazer. Na verdade, o documentário provoca a reflexão de que o sexo deve começar muito antes da iniciativa física, e que uma responsividade corporal não necessariamente reflete uma disposição mental para o ato em si. O que eu quero dizer com isso? Que mesmo uma resposta física positiva ao estímulo pode não significar necessariamente que a mulher esteja pronta para de fato engajar em uma relação, porque sua mente pode não estar no lugar certo naquele momento. E por que falar sobre isso é importante? Porque entender como funcionamos é essencial para saber quando queremos de fato dizer sim ou não a uma investida – o famoso consentimento, mais aprofundado no episódio 3.

É no último episódio do documentário que ele se debruça sobre as relações de afeto e a sexualidade. E aqui vale trazer novamente o peso do consentimento para as relações. Um tema ainda nebuloso, mas real, é o estupro marital. Em um casamento (principalmente heterossexual), existem parceiros que podem sentir que possuem “direito” ao corpo do outro, sendo o sexo uma obrigação que faz parte do relacionamento. Essa objetificação do corpo feminino é grave e trata-se de um sintoma de uma sociedade que ainda coloca mulheres como seres à disposição dos homens, devendo cumprir seus “deveres” pressupostos. Por isso é tão importante refletir sobre a saúde das relações afetivo-sexuais e empoderar mulheres a respeito de seus corpos e seus prazeres, de modo a entender o que é uma resposta genuína ao desejo daquilo que é uma resposta unicamente física e biológica.

Fundamentos do Prazer é um documentário curtinho, com abordagem irreverente e traz participantes diversas – todas com suas próprias histórias, medos, dúvidas e conquistas. É um lembrete importante do quão empoderador é ser dona do próprio corpo e das próprias vontades, e nada como o autoconhecimento para nos dar as ferramentas necessárias a esse processo. Talvez, como crítica negativa, tenha faltado um pouco mais de aprofundamento nas questões que envolvam prevenção de ISTs e afins, que também é um fator importante que deve ser levado em consideração em cada relação. Recomendo não apenas às mulheres, mas também aos homens que desejam abrir a mente e entender mais sobre o universo do prazer feminino. Todo mundo sai ganhando. 🙂

Título original: The Principles of Pleasure
Ano de lançamento: 2022
Direção: Niharika Desai
Elenco: Michelle Buteau, Supriya Ganesh, Annie Pisapia, Gina Nicole Brown

Review: Tokyo Revengers

Oi pessu, tudo certo?

A personagem Pri otaku tava há um tempo sem dar as caras por aqui, né? 😂 Então hoje vim dividir minhas impressões sobre um anime que vem fazendo bastante sucesso e cuja segunda temporada está confirmada: Tokyo Revengers.

Sinopse: Takemichi Hanagaki é um desempregado que sobrevive de bicos e está na fossa. Ele descobriu que Hinata Tachibana, sua primeira e última namorada, com quem namorou no fundamental, foi morta pela impiedosa Gangue Manji de Tóquio. No dia seguinte à notícia, ele está na beira da plataforma do trem e é empurrado pela multidão. Ele fecha os olhos se preparando para morrer, mas ao abrir, ele voltou no tempo para quando tinha 12 anos de idade. Agora que ele está na melhor época de sua vida, Takemichi decide se vingar de sua vida, salvando sua namorada e parando de fugir de si mesmo.

Antes de falar sobre o plot em si, vale ressaltar que Tokyo Revengers explora uma subcultura japonesa dos delinquentes, como os próprios personagens dizem. Mas, apesar da palavra ser abrangente, existem diversos grupos que se enquadram nessa categoria – dos bullies de colégio até gangues de motoqueiros. A questão é que são indivíduos que destoam do bom comportamento esperado, especialmente nesse contexto de animes escolares (como é o caso de Tokyo Revengers).

Ok, com isso posto, vamos à trama: Takemichi é um rapaz de 26 anos que se considera um loser. No passado, ele e seus amigos mais próximos tentaram formar uma espécie de gangue pra amendrontar outros alunos da escola, mas acabaram se tornando “lacaios” de uma gangue importante, a Toman (abreviação de Gangue Manji de Tóquio), até que o Ensino Médio acabou e ele se afastou de tudo isso, deixando namorada e amigos pra trás. Esse passado do qual Takemichi fugiu volta a assombrá-lo quando ele vê uma notícia de que Hina, sua antiga namorada, morreu em uma ação causada pela Toman. Após receber essa notícia chocante, o rapaz é empurrado numa estação de trem em direção aos trilhos, mas acaba sendo salvo pelo irmão mais novo da moça, Naoto, que se tornou policial e investiga a Toman. O aspecto “mágico” do anime fica por conta de uma habilidade que os dois descobrem nesse incidente na estação: ao tocar Naoto, Takemichi é capaz de voltar 12 anos no passado – mas sempre 12 anos a partir do dia presente. Ou seja, ele ganha uma nova chance de mudar a forma como as coisas aconteceram, mas não pode fazer isso várias vezes, já que cada dia é único tanto no presente quanto no passado. Com isso em mente, o objetivo da dupla é impedir que a Toman se torne maligna e cause a morte de Hina, mas a convivência com os membros da gangue e as alterações provocadas fazem com que Takemichi perceba que tem muito mais vidas em jogo do que ele imaginava.

Além da curiosidade provocada pelo questionamento de “será que é possível mudar o passado?”, um dos grandes méritos de Tokyo Revengers reside muito em seus personagens secundários. Quando Takemichi retorna para seus tempos de escola, ele provoca alterações que o levam a se aproximar do comandante da Toman, Mikey, e seu vice, Draken. Os dois são personagens perigosos e, desde sua primeira aparição, é nítido que eles impõem respeito sem esforço. Em contrapartida, Mikey tem um jeito quase infantil quando não está na sua “postura de comandante”, e faz amizade com Takemichi rapidamente. Draken, por sua vez, vai se revelando como o estereótipo do cara que é durão por fora, mas com um bom coração; ele cuida de Mikey com uma lealdade inabalável, e também acolhe o protagonista, estendendo sua proteção a ele também. Os dois são muito carismáticos e não demoram a roubar a cena, especialmente porque o anime tem muito mais desenvolvimento no passado (com Takemichi na escola) do que no presente (quando ele já é adulto), então vemos de perto como a Toman era conduzida por eles no começo da gangue.

Porém, sabemos que no futuro a Gangue Manji de Tóquio foi para um caminho de crimes muito mais pesados, e é aí que a nossa curiosidade é atiçada. Na primeira linha temporal apresentada, o anime nos relata o destino trágico de determinado personagem; Takemichi então acredita que precisa mudar esse acontecimento para evitar o caos no futuro. Mas, conforme ele vai tendo sucesso na sua missão, ele volta ao presente (apertando a mão da versão criança do Naoto) e percebe que ainda assim não conseguiu salvar Hina. É nesse ponto que Tokyo Revengers me instigou: será mesmo possível mudar as coisas ou estamos presos à inevitabilidade do destino? Assistir às tentativas do protagonista de salvar a todos a quem ele se afeiçoa me fez pensar em Efeito Borboleta 1, um filme que até hoje encaro como sensacional e que tem um gosto amargo por mostrar que mexer com o destino pode ser ainda mais perigoso do que simplesmente aceitá-lo.

Esse lado místico de Tokyo Revengers não é o foco da trama, sendo bem mal explicado e algo que considero um defeito. Comentei algo parecido na minha resenha de É Assim Que se Perde a Guerra do Tempo, que também traz o conceito de viagem temporal de modo apenas expositivo, sem maior aprofundamento. Ou você aceita, ou você aceita, a vibe é essa. 😂 Talvez no futuro o anime se debruce mais nessas questões relacionadas à habilidade de Takemichi de voltar no tempo, mas até o momento o que temos é um elemento místico que serve como catalisador de uma trama que é bem mais focada na tentativa do personagem de evitar maquinações políticas e salvar as pessoas que ele ama.

Mas se os membros da Toman (que vão além de Mikey e Draken – menção honrosa a Baji e a Chifuyu, capitão e vice da 1ª Divisão da gangue, respectivamente) são interessantes e aprofundados, o nosso protagonista é o elo fraco da corrente. Infelizmente, durante a primeira temporada ele passa a maior parte do tempo chorando e se sentindo inútil. E sabem o que é pior? Sendo sincera, essa é a reação mais realista possível quando pensamos que até ontem o personagem era um coitado que nem sabia brigar e que agora se vê no meio de tretas pesadas de uma gangue. Faz sentido que ele tenha medo de agir, e eu reconheço isso. Mas como são 25 episódios de Takemichi sofredor, dá uma afliçãozinha que ele demore tanto a entender que precisa fazer alguns sacrifícios e pensar de forma menos inocente e míope para as situações se quiser atingir seus objetivos. Tenho esperança de que todo o sofrimento que ele vivenciou na primeira temporada sirva como força impulsionadora de uma mudança mais ativa na próxima.

É bem interessante assistir a um anime que faz o espectador gostar de personagens que visivelmente estão fazendo coisas erradas – inclusive tendo cenas violentas e com bastante sangue “explícito”. Mas Tokyo Revengers faz um ótimo trabalho em trazer intrigas políticas pro cerne da história, fazendo com que a missão do protagonista vá muito além de mexer em um ou outro acontecimento do passado pra salvar a garota pela qual ele sempre foi apaixonado. O vilão apresentado ainda teve pouco tempo de tela, mas as linhas temporais já deixaram claro o quanto suas garras penetraram na organização e essa ameaça latente também nos ajuda a querer saber o que vai acontecer no próximo episódio. Não é um anime perfeito, tem alguns problemas de conveniência de roteiro e falta de aprofundamento e seu protagonista não é o mais carismático de todos os tempos. Contudo, o olhar focado na subcultura dos deliquentes, a ameaça que gira em torno de movimentações e intrigas políticas, os carismáticos membros da Toman e o foco na lealdade e na amizade fazem com que Tokyo Revengers ganhe um espaço bacana no coração. Se você curte animes, vale espiar. 😉

Título original: Tōkyō Ribenjāzu
Ano de lançamento: 2021
Direção: Koichi Hatsumi
Elenco: Yuuki Shin, Yu Hayashi, Tatsuhisa Suzuki, Griffin Puatu, Azumi Waki