Review: Harry Potter: De Volta a Hogwarts

Oi pessoal, tudo bem?

Dia 1º de janeiro foi muito marcante para os potterheads: o especial de 20 anos da estreia de Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter: De Volta a Hogwarts, estreou na HBO Max. ❤ A reunião contou com nomes importantes do elenco e revisitou toda a trajetória dos filmes da franquia de um dos bruxos mais amados da literatura e do cinema, então imaginem minha emoção ao conferir esse documentário. ❤

Sinopse: O tempo passou, e a saga do menino que viveu para enfrentar Lord Voldemort completou 20 anos! E pra comemorar em grande estilo, nada melhor do que reunir todo o elenco. Participe desse reencontro mágico, e reviva a história que marcou toda uma geração.

A HBO tem feito um ótimo trabalho em mexer com o coração de uma fangirl como eu, hein? Primeiro tivemos a reunião de Friends, que foi maravilhosa, e agora fomos presenteados com um especial delicado e bem produzido de Harry Potter. As cenas iniciais do documentário são responsáveis por nos ambientar a esse retorno, mostrando nomes como Emma Watson (Hermione), Robbie Coltrane (Hogwarts) e Matthew Lewis (Neville) recebendo cartas de Hogwarts que os convidam a voltar para celebrar o 20º aniversário do início da saga. Acompanhamos Emma chegando à estação 9 3/4 e reencontrando colegas de elenco como Bonnie Wright (Gina) e Evanna Lynch (Luna) no icônico Expresso de Hogwarts. Ao chegarem à escola, os atores (e os espectadores) são recebidos com cenários deslumbrantes e um baile incrível no Salão Principal, capaz de encher os olhos e nos deixar de queixo caído. Rupert Grint (Rony) também se junta ao time e, pra fechar com chave de ouro, vemos Dan Radcliffe (Harry) caminhando pelo Beco Diagonal – local tão importante pra sua história, o primeiro contato de Harry com o mundo bruxo.

De Volta a Hogwarts se divide em “capítulos” organizados por pares de filmes. Começamos com A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta, depois evoluímos para O Prisioneiro de Azkaban e O Cálice de Fogo, e assim por diante. Cada um desses capítulos conta com entrevistas e relatos não apenas do elenco, mas também da produção. Chris Columbus, o primeiro diretor da saga, tem bastante espaço para dividir a experiência de como foi dar o tom inicial dos filmes, algo tão importante para criar as bases fundamentais para o que viria posteriormente. É muito legal ouvir dos diretores e da produção curiosidades de bastidores, como por exemplo o fato de que Richard Harris (o primeiro Dumbledore) ter achado que Fawkes era um animal real bem treinado, quando na verdade era um animatrônico. 😂 Ou, ainda, descobrir que a Helena Bonham Carter guarda um autógrafo do Dan de quando ele era mais novo, em que ele dizia querer que eles tivessem uma idade parecida pra que ele pudesse ter uma chance com ela HAHAHAHA!

Outro aspecto muito bacana foi perceber como diferentes momentos da vida do elenco pediam por conduções diferentes. Enquanto Chris Columbus precisava lidar com crianças (o que pede mais leveza e sensibilidade pra conduzir a direção), Alfonso Cuarón foi o primeiro diretor a trabalhar com jovens atores, já no período da adolescência. Conforme o elenco dos alunos crescia, novos desafios iam acontecendo, como a chegada dos hormônios e as crises de identidade geradas pela idade. A própria Emma relata que, em determinado ponto da franquia, chegou a pensar em desistir – tamanha a pressão da fama. Pra nós, fãs, é fácil esquecer que aqueles rostos que nos acompanharam enquanto crescíamos também estavam vivendo a mesma experiência (e os mesmos dilemas), então adorei ter a perspectiva dos atores sobre como foi crescer e viver os momentos mais marcantes do início da vida sendo parte de Harry Potter. Algumas das minhas partes favoritas são as cenas em que o trio principal conversa sobre esses momentos e rememora o tempo juntos – ainda que, confesso, pessoalmente eu sinta algum tipo de “distância” entre a Emma, o Rupert e o Dan. 👀

A emoção correu solta em diversos momentos, e ao mesmo tempo em que me provocou muitas risadas, o especial me levou às lágrimas mais de uma vez. Parte do documentário se dedicou a homenagear os membros do elenco e da produção que faleceram, e a falta que essas pessoas fizeram foi sentida. Alan Rickman (Snape) é o nome que provavelmente tem o maior peso nessa questão: além de ser um ator fantástico, ele também era querido por todos e muito generoso. Helen McCrory (Narcisa) também foi mencionada com destaque, e ambos foram pessoas que partiram muito cedo.

Harry Potter: De Volta a Hogwarts é um belo presente a quem cresceu com Harry Potter e às novas gerações que estão se encantando com a saga agora. Ele me lembrou as revistas que eu colecionava na adolescência, que eram lançadas próximo das estreias dos filmes e traziam várias entrevistas e informações de bastidores. 🥰 Essa sensação foi muito nostálgica e aproveitei cada segundo. Harry Potter sempre vai fazer parte da minha vida e voltar a esse universo tem um gostinho mágico que nunca vai embora. ❤

Título original: Harry Potter 20th Anniversary: Return to Hogwarts
Ano de lançamento: 2022
Direção: Casey Patterson
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Ralph Fiennes, Gary Oldman, Helena Bonham Carter, Tom Felton, Jason Isaacs, Bonnie Wright, Evanna Lynch, Matthew Lewis, Robbie Coltrane

Dica de Série: Arcane

Oi pessoal, tudo bem?

Começo esse post desejando um feliz Ano Novo a todos, cheio de esperanças renovadas, muita saúde e #ForaBolsonaro. ❤ Espero que tenham passado uma boa virada ao lado de quem vocês amam!

Pra começar 2022, ainda que o timing esteja um pouco atrasado, gostaria de compartilhar uma dica imperdível da Netflix: Arcane, uma série de animação impecável que, por sinal, é baseada nos personagens de League of Legends. E por que digo isso de forma tão casual? Pra não te assustar caso você não goste do jogo: a série não depende nadinha de conhecimentos acerca dele e você não precisa ser gamer pra gostar. 😉 Bora lá?

Sinopse: Em meio ao conflito entre as cidades-gêmeas de Piltover e Zaun, duas irmãs lutam em lados opostos de uma guerra entre tecnologias mágicas e convicções incompatíveis.

A trama de Arcane é focada na rica Piltover, conhecida como a Cidade do Progresso, e sua antítese, a Subferia – uma parte subterrânea da cidade deixada à própria sorte pelos governantes de Piltover. Em ambas as cidades, existem tramas que vão se desenvolvendo paralelamente até se encontrarem e darem início a combates cada vez mais ferrenhos entre elas. Em Piltover, acompanhamos principalmente uma dupla de cientistas (Jayce e Viktor) tentando provar que é seguro usar magia atrelada à tecnologia, no que eles chamam de Hextec. Seu mentor, Heimerdinger, é o principal oponente dessa ideia, porque sabe dos perigos de colocar algo com potencial tão destrutivo nas mãos humanas. Enquanto isso, na Subferia, acompanhamos a ascensão de Silco, um homem determinado a conquistar independência para a região, transformando-a numa própria cidade chamada Zaun. É nesse contexto que conhecemos as duas protagonistas mais marcantes de Arcane: Vi e Powder (ou Jinx).

As duas são irmãs cujos pais morreram numa batalha entre a Subferia e Piltover, mas foram acolhidas pelo gentil Vander, que “comanda” a Subferia com temperança. Quando Silco ascende na região, uma sequência de eventos afasta Vi de Powder, o que dá a Silco a oportunidade de usar o trauma da mais nova (que a leva à beira da insanidade) para transformá-la em Jinx. A partir dessa ruptura, Vi sofre diariamente pelo arrependimento de ter brigado com a irmã, querendo tê-la de volta, enquanto Jinx se vincula de forma intensa a Silco, encontrando um pai substituto nele. Existe uma passagem de tempo entre o início da série, em que as duas são crianças, para a metade final, em que já são adultas, e a transição de Arcane é muito bem feita para que o espectador entenda como elas chegaram onde chegaram. Minha única exceção, e é um ponto de que não gostei, foi a mudança abrupta de Powder para Jinx, que subitamente aceitou como seu mentor o homem que destruiu sua família e seus amigos – mesmo que ela seja desequilibrada mentalmente, me soou forçado, já que nos primeiros episódios ela não demonstra ser alguém desequilibrada a esse ponto. Sim, dá pra ver que ela tem problemas, mas aceitar Silco como seu novo “pai”? Depois de tudo que ele fez? Pra mim, não rolou.

Vale pontuar também que Arcane é uma série visualmente impecável. O traço é maravilhoso e as cores me lembram pintura a óleo, com pinceladas marcadas e uma singularidade que confere muita personalidade à obra. As cenas de luta são bem coreografadas e a animação é fluida, o que torna cada episódio muito bom de assistir. É muito bacana ver as discrepâncias entre Piltover e a Subferia: enquanto a primeira é brilhante, cheia de tons claros, com pessoas bem vestidas e cenários deslumbrantes, a segunda é marcada por tons de preto, roxo e cinza, com muita escuridão, sujeira e contraste. A “fotografia” (entre aspas porque né, é uma animação) dá o tom certo pra ficarem nítidas as desigualdades entre os dois locais.

O plot de Piltover foi o que menos me agradou. Jayce é um personagem muito do chatinho, bem sapatênis mesmo, e a sua luta para fazer a tecnologia Hextec acontecer simplesmente não dialogou comigo. Há em seu plot algumas maquinações políticas que até produzem alguma reviravolta, mas eu fiquei muito mais intrigada pela trama de seu melhor amigo, Viktor. Tão brilhante quanto Jayce, Viktor tem o azar de estar com os dias contados devido a uma doença, e coloca suas esperanças na tecnologia Hextec. Como eu já joguei League of Legends, sei que ele é um personagem jogável bem diferente, então fiquei muito curiosa pra ver como seria seu desenrolar.

Gostei muito da trama da Vi e da Jinx, ainda que eu já tenha dito ali em cima o que não gostei na transformação da segunda. Mas, na busca da irmã mais velha por resgatar a mais nova, vale comentar sobre outra personagem: Caitlyn, uma jovem policial de Piltover que deseja resolver um caso envolvendo a Subferia e acaba se tornando aliada de Vi. As duas têm uma química fortíssima e pra mim já são o shipp do momento. ❤ Cait é uma jovem muito responsável, corajosa e determinada, e traz um pouco de prudência à personalidade explosiva e impulsiva de Vi.

Arcane é uma série tecnicamente impecável e com um roteiro que te prende do início ao fim. Tanto pra quem gosta quanto pra quem não gosta de League of Legends, digo sem sombra de dúvidas que é um play muito bem dado na Netflix. E eu duvido que você não fique com a música de abertura na cabeça (de autoria do Imagine Dragons) por alguns dias depois de começar a assistir. 😛

Título original: Arcane
Ano de lançamento: 2021
Criação: Christian Linke, Alex Yee
Elenco: Hailee Steinfeld, Ella Purnell, Kevin Alejandro, Jason Spisak, Harry Lloyd, Katie Leung

Review: Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

Oi pessoal, tudo bem?

Acho que todo fã da Marvel estava ansiosíssimo pelo terceiro filme do Cabeça de Teia, né? A promessa dos pôsteres de trazer inimigos icônicos e o envolvimento do Doutor Estranho já nos deixaram em frenesi, e agora conto pra vocês o que achei de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa. ❤

Sinopse: Com a identidade do Homem-Aranha revelada, Peter pede ajuda ao Doutor Estranho. Quando um feitiço corre mal, inimigos perigosos de outros mundos começam a aparecer, forçando Peter a descobrir o que realmente significa ser o Homem-Aranha.

Sendo sincera, devo dizer que sentia falta de protagonismo nos filmes anteriores estrelados por Tom Holland. Sempre achei que seu Homem-Aranha viveu demais à sombra de Tony Stark, principalmente em Longe de Casa, na qual o próprio vilão tem motivações relacionadas ao Homem de Ferro. Felizmente, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é obrigado a encontrar o próprio caminho com a morte do gênio, bilionário e filantropo, e esse caminho é alucinante!

Quando Mysterio revela a identidade de Peter para o mundo, rapidamente sua vida muda – mas a de seus amigos também. Devido à polêmica, eles não são aceitos em nenhuma universidade, o que faz Peter pedir auxílio a Stephen Strange. O que a princípio seria um feitiço mais “simples” (remover a memória de que o Homem-Aranha é Peter Parker) logo sai de controle porque Peter fica pedindo exceções enquanto o Doutor Estranho o conjura. Com isso, a porta do multiverso é aberta, trazendo vilões das outras duas franquias do Amigo da Vizinhança. Porém, Peter não deseja enviá-los de volta sabendo que o destino de todos eles é a morte: o jovem, cujo coração é enorme, deseja poder curá-los, de modo que se regenerem e tenham seus destinos alterados. E é a partir desse ponto que não dá pra voltar atrás, trazendo consequências catastróficas pra Peter.

Sem Volta Para Casa é um filme que não se limita ou se baseia em (apenas) fanservice: as interações entre os personagens de diferentes universos é incrível e promove um crescimento bastante forçado e dolorido a um Peter Parker (de Tom Holland) ainda muito ingênuo. Mesmo contando que a ajuda de MJ e Ned, Peter vê boa parte do seu mundo ruir por causa desses vilões que surgiram em seu universo. O esforço de lutar contra tantos antagonistas sozinho é insuportável, e o arrependimento gerado por suas ações leva Peter para um caminho bastante sombrio. E aqui aproveito para elogiar novamente a performance de Tom Holland: o ator consegue ir da ira às lágrimas com muita facilidade e intensidade, transmitindo suas emoções ao espectador de forma muito convincente.

Apesar de ter um tom mais sério do que seus antecessores, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa consegue encaixar ótimas cenas de humor. Não posso falar muito sobre os principais envolvidos, mas garanto que vocês vão pegar boas referências. 😂 Também gostei muuuito da participação do Ned e da MJ em momentos cruciais, os dois trouxeram bastante leveza para a trama até então mais pesada envolvendo (este) Peter Parker. E o que dizer das cenas de ação? Obviamente foram dinâmicas, intensas, ágeis e do tipo que faz você nem querer piscar. Dá pra imaginar, né? Afinal, é o Homem-Aranha lutando contra vários vilões icônicos ao mesmo tempo!

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é um dos melhores filmes do MCU, e entrega tudo que eu esperava que fosse entregar: muita ação, sacrifícios, desenvolvimento do protagonista e abandono do legado de Stark para que Peter construa o seu. O final do longa tem um sabor amargo, mas que também me agradou pelo paralelismo que é possível ver em relação ao personagem Peter Parker como um todo. E eu, que não fazia muita questão dos filmes do Tom Holland, me encontro ansiosa para descobrir quais serão seus próximos passos. Corram pro cinema! ❤

P.S.: aqui vai uma listinha com spoilers dos meus surtos ao longo do filme. Selecionem se quiserem ler!

  • PUTA QUE PARIU O MATT FUCKIN’ MURDOCK VOLTOU!!! Pelo amor de Deus, façam um filme do Demolidor, nunca te pedi nada Marvel. 😭
  • A cena dos três Peter’s “se apontando” foi O AUGE. 😂
  • R.I.P. May! 💔 Não lembro se ela era viúva nessa trilogia do Tom Holland e se chegou a existir um tio Ben. Seja como for, fez todo sentido ela representar essa perda “clássica” do herói, já que a do Tony Stark não representou a mesma coisa e com o mesmo impacto.
  • O clichê do Peter de Tobey Maguire ser esfaqueado por trás pelo Osborn foi bem sem graça hahaha! No momento em que ele impede o Peter do Tom já fiquei pensando “tá, quantos minutos vão levar pro Osborn esfaquear ele por trás?”
  • Fiquei MUITO emocionada com o Peter de Andrew Garfield conseguindo salvar a MJ da queda. 🥺
  • Que dó do Peter abrindo mão de falar com a MJ e com o Ned, provavelmente pela segurança deles. 😦
  • O paralelismo que mencionei antes diz respeito ao Peter de Tom agora viver em um apê humilde e não ter dinheiro nem recursos, como acontece com o Peter de Tobey. Parece uma constante no destino de Peter Parker, independente do universo. Será que ele vai trilhar os mesmos passos e se tornar um fotógrafo que ganha a vida vendendo fotos do Homem-Aranha? Mal posso esperar para descobrir!

Título original: Spider-Man: No Way Home
Ano de lançamento: 2021
Direção: Jon Watts
Elenco: Tom Holland, Zendaya, Jacob Batalon, Marisa Tomei, Benedict Cumberbatch, Jon Favreau

Review: Casa Gucci

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vamos conversar um pouquinho sobre Casa Gucci, o novo filme estrelado pela Lady Gaga. 😀

poster casa gucci

Sinopse: Casa Gucci é inspirada na chocante história real do império da família por trás da italiana casa de moda Gucci. Abrangendo três décadas de amor, traição, decadência, vingança e em última instância, assassinato, vemos o que um nome significa, o que vale e quão longe uma família é capaz de ir para se manter no controle.

Adoro histórias de crimes reais, então tava curiosa pra ver a narrativa por trás do assassinato do herdeiro da Gucci, Maurizio, cuja morte foi encomendada pela ex-mulher, Patrizia Reggiani. O longa não foca no crime e nos seus desdobramentos, e sim em todas as intrigas políticas da família que culminaram nesse desfecho. A trama mostra como Patrizia e Maurizio se conheceram (em uma festa de um amigo em comum) e como o relacionamento deles foi de uma chama intensa a um ódio mortal. Além disso, aborda todas as maquinações e traições que os membros da família fizeram para ter mais e mais controle da companhia.

A primeira coisa que me incomodou em Casa Gucci foram os sotaques. Alguém me explica por que fazer os atores imitarem o suposto jeito italiano de falar inglês mesmo quando a trama ainda se passava em Milão? Ficou tão forçado que chegou a me dar dó (e um pouco de vergonha alheia). Jared Leto, que interpreta o primo de Maurizio, por exemplo, entregou uma performance tão caricata que eu queria expulsá-lo de toda cena em que ele aparecia. Mas os sotaques do elenco como um todo me incomodaram demais.

Outro ponto bem desagradável foi a maneira como pintaram Maurizio na trama. Não conheço profundamente a história da Gucci e dos membros da família, então minha opinião se baseia exclusivamente no longa, mas as sensações deixadas por ele são: 1) ele começa sendo um frouxo que acata tudo que Patrizia queria só porque ela oferecia um sexo irresistível sempre que queria convencê-lo de algo; 2) DO NADA a personalidade dele muda completamente, sem explicação plausível pra tal, e ele se transforma em alguém interessado 100% nos negócios da família, capaz inclusive de trair e manipular também. Ou seja, ele começa o filme como alguém que não queria ter nada a ver com os Gucci, depois faz tudo que Patrizia quer porque aparentemente nunca tinha transado antes, e por último ele resolve tomar as mesmas atitudes manipuladoras que a esposa queria que ele tomasse, mas a critica por isso, e se torna alguém repentinamente interessado na Gucci e com um nível de ambição considerável. Sério, pareceu coisa de maluco.

Achei o filme desnecessariamente longo também. Ele tem quase 3h e demora muito tempo pras coisas de desenrolarem, ao passo que o terceiro ato é corrido e gera essas inconsistências, como a personalidade de Maurizio, e o desejo de Patrizia de assassinar o ex. Depois de assistir Casa Gucci fui procurar o que era real e o que não era na trama, e as informações que encontrei dizem que o filme não fez jus ao ódio que Patrizia bradava contra Maurizio, que era bem mais intenso e explanado do que o longa exibiu. Essa lentidão seguida por um desfecho súbito não foi bacana, me deixando inclusive entediada.

Mas também tem pontos fortes no filme, obviamente. Eu acho o Adam Driver muito foda, e especialmente durante a fase apaixonado por Patrizia ele transmitiu perfeitamente a simplicidade e a timidez de Maurizio. Lady Gaga arrasou nas cenas de manipulação, ameaça e raiva. Sua expressão facial conseguia transmitir com excelência o quanto Patrizia era interesseira e ambiciosa, capaz de tudo pra atingir seus objetivos envolvendo riqueza e glória. Por outro lado, a cantora (e agora atriz) não me convence muito em cenas mais alegres, acho que ela fica meio “travadona”, e senti o mesmo em Nasce Uma Estrela. É no drama e na intensidade (seja ela pra algo positivo ou pra algo mais “maquiavélico”) que ela se destaca. Jared Leto, como já mencionei antes, é a vergonha alheia em formato humano, e sua versão de Paolo Gucci é de dar dó. Al Pacino no papel de Aldo Gucci (um dos irmãos fundadores, tio de Maurizio) foi o que mais me convenceu, inclusive no sotaque. 😛

Acho que fui com muita sede ao pote com Casa Gucci, e pela minha experiência isso é sempre perigoso, pois dá muita margem pra expectativas frustradas – e foi exatamente o que aconteceu. Felizmente eu fui no cinema com promoção de Black Friday e paguei só R$ 10 no ingresso, caso contrário eu teria ficado mais chateada. 😛 Mas lembro a vocês que essa é apenas a minha opinião, e relembro que muita gente gostou do filme, então recomendo que assistam e tirem suas próprias conclusões. o/

Título original: House of Gucci
Ano de lançamento: 2021
Direção: Ridley Scott
Elenco: Lady Gaga, Adam Driver, Al Pacino, Jared Leto, Jeremy Irons, Jack Huston, Salma Hayek

Dica de Série: O Homem das Castanhas

Oi galera, tudo bem?

Eu tava devendo pra vocês a dica de hoje há um tempinho, mas cá estou pra me redimir e contar o que achei de O Homem das Castanhas, série policial da Netflix que adapta o romance As Sombras de Outubro (já resenhado aqui no blog).

Sinopse: Um boneco feito com castanhas é encontrado na cena de um crime e leva dois detetives a caçar um assassino ligado ao desaparecimento de uma criança.

A trama da série segue de forma muito fidedigna a do livro: acompanhamos uma dupla de policiais, Thulin e Hess, correndo contra o tempo para capturar um assassino que logo se torna conhecido como Sr. Castanha. Seus crimes são brutais e não deixam rastros, sendo a única pista possível um bonequinho de castanha deixado no lugar do assassinato. Acontece que nesse bonequinho é identificada a digital da filha da Ministra do Bem-Estar Social, que foi dada como desaparecida e morta no ano anterior.

Eu já esperava que a série fosse adaptar com fidelidade o livro, já que ele foi escrito por um roteirista – ou seja, as cenas já eram muito bem pensadas pra televisão. Søren Sveistrup se envolveu na produção e no roteiro de O Homem das Castanhas, então todo o clima aflitivo do livro acontece, com a vantagem de que a série melhora alguns aspectos que eu não havia curtido tanto na obra original (enquanto mantém outros rs).

A maior diferença positiva está nos protagonistas. Se no livro eu não “comprei” a parceria entre Hess e Thulin, aqui ela se desenvolve de forma mais orgânica. A própria Thulin é uma personagem da qual não gosto nas páginas, mas que conseguiu me cativar na tela. Diferente de sua contraparte literária, temos uma detetive mais empática e menos rabugenta, ainda que continue badass e competente. Ela se envolve mais nas deduções importantes e se torna um elemento que faz a diferença na investigação. Hess, por outro lado, é como imaginei e gostei bastante de vê-lo personificado. A única diferença que não caiu tão bem são seus estouros de raiva, que no livro não acontecem e achei meio fora do personagem. Mas nem só de elogios vivemos: quem leu a resenha talvez se lembre que reclamei dos personagens tomando atitudes burras (tipo entrar sozinho num lugar escuro). Pois é, elas acontecem, e sim, ainda irritam rs.

A ambientação e a trilha sonora da série são excelentes pra criar o clima sombrio que o thriller pede. As paisagens geladas e inóspitas do cenário nórdico casam perfeitamente com a tensão que os personagens experienciam, onde não há espaço para um minuto de paz porque a polícia está sempre muito atrás dos passos do assassino. Cada episódio traz cada vez mais desafios aos detetives, a investigação vai ficando cada vez mais complexa, e isso faz com que seja muito fácil dar o play e maratonar. A única ressalva é que, na adaptação televisiva, achei mais fácil adivinhar quem é a pessoa por trás dos crimes.

Outro aspecto muito bacana em O Homem das Castanhas é que a série coloca um enfoque maior em problematizar/evidenciar a diferença na cobrança de homens e mulheres nos seus papéis como pais. Thulin, por exemplo, é uma mãe bastante ausente por conta do trabalho, e no livro isso é pouco trabalhado. Na série, porém, não somente a mágoa de sua filha é abordada como também Thulin é criticada em determinado momento por conta dessa ausência. Acontece que a detetive não deixa por menos, se posicionando como alguém que não é uma mãe pior apenas porque precisa trabalhar. Sim, a ausência dela é um problema, mas ela está fazendo tudo que está ao seu alcance para encerrar o caso, trocar de departamento e ficar mais perto da filha. A frase seguinte pode ser um spoiler, mas é importante pra esse debate, então pule se não quiser ler: por que o assassino foca seus esforços nas mães que ele julga negligentes em vez de nos pais, que muitas vezes são as pessoas que realmente machucam e prejudicam os filhos? Confesso pra vocês que fico até um pouco incomodada de sempre ver mulheres sendo vítimas desses atos de violência brutais em tramas envolvendo serial killers, porque realmente me dói pensar no sofrimento dessas mulheres.

Resumindo, galera, eu curti muito O Homem das Castanhas e achei que a adaptação fez um trabalho excelente ao trazer a história das páginas para a tela. Se você gosta de romances policiais instigantes e cheios de tensão, essa minissérie é uma ótima pedida pra você. E, assim como no livro, apesar da trama terminar bem fechadinha, há potencial para expandir para uma nova temporada se a Netflix quiser. Quem sabe? 😉

Título original: The Chestnut Man
Ano de lançamento: 2021
Criação: Søren Sveistrup, Dorte W. Høgh, David Sandreuter, Mikkel Serup
Elenco: Danica Curcic, Mikkel Boe Følsgaard, Iben Dorner, David Dencik, Esben Dalgaard Andersen

Review: Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Oi pessoal, tudo bem?

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis finalmente chegou ao Disney+ e eu pude conferir, já que não fui ao cinema (se não me engano, não tinha tomado as duas doses da vacina ainda). Hoje divido com vocês minhas impressões sobre o longa. \o/

Sinopse: Shang-Chi é o filho do líder de uma organização criminosa poderosa. O rapaz foi criado desde criança para ser um guerreiro, mas decidiu abandonar esse caminho e fugiu para viver uma vida pacífica. Porém, tudo isso muda quando ele é atacado por um grupo de assassinos e se vê forçado a enfrentar seu passado.

Shang-Chi (vou abreviar o nome do filme, tá?) é um longa que funciona bem sozinho/como um filme de origem, já que sua única referência ao universo Marvel reside em Homem de Ferro 3 e a maioria de nós já esqueceu dele rs. Brincadeiras à parte, no filme somos apresentados à organização Dez Anéis, liderada por Wenwu, um homem que usa o poder desses dez artefatos para ter poderes desmedidos e vida eterna. Ao longo dos séculos, ele movimentou a história, interveio onde desejava e construiu um verdadeiro império. Porém, ao conhecer Leiko Wu (a primeira pessoa capaz de derrotá-lo), Wenwu se apaixona, tendo dois filhos: Shang-Chi e Xialing. Quando a mãe das crianças é morta, Wenwu volta para o caminho do poder e da vingança, e Shang-Chi foge do pai após ser treinado para ser um assassino implacável.

O protagonista é um personagem bastante carismático. Ele e sua melhor amiga, Katy, trabalham como manobristas, e ele mantém uma vida simples e distante de seu passado – que é um segredo não revelado a ninguém. Porém, quando os homens de seu pai vêm atrás dele para roubar uma joia dada por sua mãe, Shang-Chi se obriga a revelar a verdade a Katy e ambos vão atrás de Xialing, que pode estar em perigo. A partir daí, o grupo precisa se unir para impedir os planos de Wenwu de destruir a vila natal de Leiko Wu, pois ele acredita que a sua esposa está sendo mantida presa lá.

Se tem uma coisa que não falta em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis são cenas de ação muito bem coreografadas. Em algum nível, cheguei a lembrar dos filmes do Jackie Chan: meu namorado, que é fã dele, inclusive comentou que os movimentos usando as próprias roupas e o cenário para aplicar golpes são bem característicos do ator. É muito divertido assistir aos combates, eles têm um ritmo diferente do que a Marvel costuma apresentar e trazem as artes marciais orientais como foco.

Gostei muito da personalidade do Shang-Chi e da Katy. Os dois têm uma camaradagem muito legal, que eu espero do fundo do coração que se mantenha no âmbito da amizade. Ele é um cara cativante, divertido, ainda que tenha um passado sangrento e doloroso. Ela é extremamente leal a ele e é a alma da festa, mas também uma mulher corajosa que não hesitou em ajudar como podia nos momentos de confronto. O plot de vingança e de obsessão de Wenwu é clichê, mas o filme ao menos consegue demonstrar os motivos pelos quais ele tomou determinadas decisões. Após séculos de guerras e busca por poder, viver pacificamente com a sua esposa foi uma escolha que, em sua mente, levou à morte dela, e Leiko Wu era o centro de sua vida. Não é tão surpreendente que ele fique obcecado em tentar resgatá-la (ignorando a realidade de que ela está morta).

O que não gostei muito foi a parte mitológica das criaturas e dos anéis. Sua origem não é bem explicada, assim como a do vilarejo natal de Leiko Wu, Ta-Lo. Senti que essas informações foram jogadas de forma meio solta, então não entendemos bem como os anéis se comportam e os porquês. E, sendo um filme “de origem”, não sei se teremos muuuitas explicações além do que já tivemos agora.

Resumindo, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é um filme bem divertido de assistir. Tem alguns plots mal desenvolvidos que enfraquecem um pouco a trama, mas o protagonista e o elenco de apoio carregam bem a trama. Não caí de amores (assim como não caí de amores por Eternos também), mas gostei. 😀

Título original: Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings
Ano de lançamento: 2021
Direção: Destin Daniel Cretton
Elenco: Simu Liu, Tony Chiu-Wai Leung, Awkwafina, Meng’er Zhang, Fala Chen, Michelle Yeoh, Ben Kingsley

Review: Eternos

Oi pessoal, tudo bem?

Nem acredito que essa é uma resenha de um filme que vi no cinema! 😭 Emocionadíssima estou, porque era um dos programas que eu mais curtia fazer antes da pandemia começar. Então, agora que me sinto um pouco mais segura, resolvi pegar uma sessão tranquila e conferir Eternos, o mais novo lançamento da Marvel.

Sinopse: Os Eternos são uma raça de seres imortais que viveram durante a antiguidade da Terra, moldando sua história e suas civilizações enquanto batalhavam os malignos Deviantes.

Acho importante dizer que meu hype pra Eternos tava zerado, independentemente do que os críticos vinham dizendo. Vi o trailer e tudo mais, mas nada em específico me chamou totalmente a atenção, e eu sabia que seria uma história bem diferente do que o MCU apresentou até então. E acho que nesse sentido foi bem positivo ter ido sem expectativas porque, mesmo não achando o filme a melhor coisa do universo, ele me divertiu e me entreteve. A trama nos apresenta aos Celestiais, seres de enorme poder responsáveis por criar a vida no universo. Eles também são criadores dos Eternos, uma espécie de seres imortais que são enviados à Terra para proteger os humanos de criaturas conhecidas como Deviantes. A líder dos Eternos, Ajak, é quem se comunica diretamente com seu líder Celestial, Arishem, e ambos conduzem os Eternos e a vida na Terra rumo à prosperidade por milhares e milhares de anos. Porém, no presente, quando os Deviantes (que até então os Eternos achavam ter sido extintos) retornam e Ajak é encontrada morta, eles correm contra o tempo para descobrir o que está acontecendo – e o motivo do retorno dos Deviantes.

Além de Ajak, o grupo de Eternos é formado por Sersi, Ikaris, Gilgamesh, Thena, Druig, Kingo, Makkari, Sprite/Duende e Phastos. O filme faz o melhor possível pra dar uma trama pra cada um deles, especialmente quando apresenta cada um nos dias presentes. Os Eternos viveram juntos por milhares de anos, mas em determinado momento Ajak os liberou para seguirem seus caminhos, e muitos deles não se viam desde então. Além disso, existem posicionamentos e ideologias diferentes entre os membros do grupo, como Druig, por exemplo, que acha a regra criada por Ajak e Arishem de não interferir nos conflitos humanos absurda. No caso dele, que é capaz de controlar mentes, a dor de ver a humanidade se destruindo ao longo dos séculos é esmagadora.

Eu gostei da interação entre os Eternos de maneira geral. Eles são uma espécie de família, e como em toda família também há questões mal resolvidas e mágoas não superadas. Podemos dizer que a protagonista é Sersi, capaz de transmutar a forma de objetos e seres não sencientes. Ela é a chave pras decisões que os Eternos tomam no presente, porque ela é a escolhida para herdar a jóia que Ajak carregava e permitia o contato com Arishem. Apesar do seu papel central, achei a personagem bem sem sal. Não sei se foi a interpretação de Gemma Chan, mas não me senti conectada a Sersi e seu plot. O mesmo acontece com seu romance com Ikaris, que não me comoveu nem me conquistou.

Uma coisa bem positiva do filme são as cenas de ação! Os poderes dos personagens são legais e os efeitos visuais impressionam. Aqui brilha a personagem de Angelina Jolie, Thena (sem o A, como ela mesma ressalta), que utiliza energia pra criar armas em lutas corpo a corpo. Já em relação a Ikaris, o mais forte do grupo, confesso que achei estranho ver um personagem com poderes tão “Super-Homem vibes” num filme da Marvel. 😂

Ainda nos aspectos positivos, vale salientar a diversidade que faz parte do longa. Temos pessoas de diferentes etnias, credos e orientações sexuais, assim como uma pessoa com deficiência. Temos um beijo gay de um casal que construiu uma família linda e cria seu filho com amor. Como pode haver quem se oponha a isso, né? Mas, felizmente, o filme não cortou essas cenas em países que se opuseram, e ela é mesmo super representativa. As cenas de Makkari também são ótimas porque a comunicação acontece por meio de linguagem de sinais, e foi a primeira vez que eu vi isso acontecendo em um filme – e, sendo um em blockbuster, o impacto em mais pessoas é ainda maior.

Mas o filme também tem problemas. Pra mim, o maior deles é o fato de que é muita história pra contar de uma vez só. Eles introduzem mais informações sobre os Celestiais, nos apresentam às espécies dos Eternos e dos Deviantes, a novos poderes, a novas ameaças, e tudo isso acaba sendo meio jogado, especialmente no ato final, que também acaba sendo um tanto previsível. A sensação que fica é que existem muitas pontas soltas e, por mais que tenha sido recém o primeiro filme desse grupo de heróis, me deu uma sensação de que faltou algo.

Eternos é uma boa distração, pois entretém e conta com ótimas cenas de luta e efeitos visuais incríveis. Não é um filme super memorável por sua história, mas tem disrupções importantes ao trazer um elenco diverso e uma trama que se afasta completamente do que a Marvel trouxe até o momento. Vale a pena dar uma chance e ir se preparando pra próxima fase do MCU. 😀

Título original: Eternals
Ano de lançamento: 2021
Direção: Chloé Zhao
Elenco: Gemma Chan, Richard Madden, Angelina Jolie, Salma Hayek, Ma Dong-seok, Barry Keoghan, Kumail Nanjiani, Lia McHugh, Lauren Ridloff, Brian Tyree Henry, Kit Harington

Dica de Série: Superstore

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje tem uma indicação de série de comédia super gostosinha que vi no Amazon Prime Video, mas que também chegou recentemente à Netflix: Superstore.

Sinopse: Em um hipermercado de Saint Louis, um grupo de funcionários com personalidades únicas lida com os clientes, as tarefas cotidianas e uns com os outros.

Superstore é uma série de 6 temporadas com episódios de 20 minutinhos, ou seja, perfeita pra maratonar. A trama acompanha o dia a dia dos vendedores de uma loja de departamentos, a Cloud Nine, bem como as bizarrices que acontecem em supermercados (normalmente apresentadas em cenas de transição muito engraçadas). O foco principal está em Jonah e Amy: ele consegue um emprego no episódio piloto e já começa com o pé esquerdo ao agir de forma meio condescendente com Amy – que, até então, ele não sabe que é sua supervisora. Porém, logo fica claro que na verdade Jonah é um sonhador otimista, enquanto Amy tem uma visão cética sobre a vida devido a muitos desafios que ela precisou vencer sendo uma mulher latina que engravidou no fim do Ensino Médio. Com o tempo, porém, Jonah vai mostrando que um momento de beleza extraordinário (ou “a moment of beauty”) pode acontecer na vida deles também.

Apesar de Jonah e Amy serem os personagens principais, Superstore está longe de depender dos dois pra funcionar. A série conta com personagens ótimos e muito engraçados, cada um à sua maneira. Dina é a assistente do gerente e é tão correta e rígida que chega a ser um meme ambulante (o desenvolvimento dela é um dos melhores da série, porque ela começa sendo uma general chata e, com o tempo, vai se tornando só meio peculiar de um jeito engraçado), Garrett é o cara que é a definição da lei do menor esforço, Glenn é o gerente inocente e sem noção, Sandra é uma das melhores coadjuvantes de todos os tempos, entre outros.

Em determinado momento, Superstore também flerta com assuntos importantes, como a sindicalização dos profissionais e as injustiças da imigração americana. Contudo, a série deixa a desejar na condução de ambos os assuntos, que tomam um grande espaço de umas duas temporadas e, depois, acabam sendo deixados de lado. Porém, como contraparte positiva, a última temporada de Superstore se passa durante a pandemia, então os episódios conseguem deixar claro o quão vulneráveis os profissionais ficaram e o quanto as grandes corporações não ligam (ou ligam o mínimo) pras suas vidas. As pessoas que precisaram seguir trabalhando em supermercados, farmácias, postos de gasolina e afins também fizeram parte da linha de frente, e é importante que a gente não esqueça do valor dessas profissões. Além disso, Superstore também problematiza estereótipos – principalmente na figura de personagens como Amy e Mateo, que representam grupos minoritários como os latinos e os imigrantes. Para exemplificar, há um episódio em que pedem pra Amy vender um molho de pimenta inspirado nas receitas mexicanas, sendo que ela tem descendência hondurenha.

Admito que a série não me fisgou de cara na primeira temporada, mas da segunda em diante Superstore se tornou uma das minhas queridinhas. A série é equilibrada, tem um senso de humor cativante e me fez rir em diversos momentos. Pra coroar, ela já está terminada e o final é perfeito! ❤ Recomendo muito e torço pra que vocês gostem tanto quanto eu!

Título original: Superstore
Ano de lançamento: 2015
Criação: Justin Spitzer
Elenco: America Ferrera, Ben Feldman, Lauren Ash, Colton Dunn, Nico Santos, Mark McKinney, Nichole Sakura, Kaliko Kauahi

Review: Um Ninho Para Dois

Oi gente, tudo bem?

Desde o lançamento do trailer eu estava ansiosíssima pra conferir Um Ninho Para Dois, novo drama da Netflix com a Melissa McCarthy. Fica a dica: já pega uma caixa de lencinhos.

Sinopse: Uma mulher que tenta superar uma perda precisa lidar com um pássaro genioso que invadiu seu jardim e um marido que luta para seguir em frente.

O filme começa com uma cena fofa entre o casal Lilly e Jack, que estão pintando o quartinho de sua bebê recém-nascida, até que há um corte que nos leva para um futuro bem mais triste: Lilly está vivendo sozinha, pois seu marido está internado em uma instituição psiquiátrica. O motivo não demora a se revelar; o casal perdeu sua filha, Katie, para a síndrome da morte súbita infantil. Esse evento traumático gerou uma ruptura no casamento, e nenhum dos dois sabe como lidar com o presente.

Não sou mãe e mal posso imaginar a dor de perder um filho, mas Um Ninho Para Dois consegue, com delicadeza, transmitir essa devastação por meio das diferentes formas de sofrimento do casal. Lilly tenta seguir em frente da maneira que pode, voltando ao trabalho e tentando manter um senso de normalidade à rotina. Seus erros e falta de atenção durante o expediente, porém, são o primeiro e mais óbvio indício de que a personagem precisa de ajuda. Jack, por outro lado, é um homem cuja dor o paralisou. Sua internação na instituição psiquiátrica é advinda de uma tentativa de suicídio, e fica claro para o espectador de que ele não vem fazendo progresso em sua terapia. Quando uma visita de Lilly ao marido acaba de forma tensa, uma das terapeutas do lugar indica o contato de um velho conhecido que ela acredita poder ajudar Lilly: o Dr. Larry Fine (o jogo de palavras aqui não escapa à protagonista). Acontece que Larry abandonou a psiquiatria para se dedicar a outro ramo: a veterinária. E é com essa situação inusitada que Lilly se vê encarando verdades que ela não tinha tido coragem até então.

Lilly é o espírito do filme, e a atuação cheia de nuances de Melissa McCarthy me levou às lágrimas e aos risos durante a 1h44 de duração do longa. A personagem decide limpar e cultivar o seu quintal, mas acaba sendo atacada por um estorninho, uma espécie de pássaro territorialista que está protegendo seu ninho. Ao longo da trama, o ousado passarinho faz diversas investidas contra Lilly, que vai criando estratégias pra se proteger dele (como usar um capacete de futebol americano rs). Nesses momentos percebemos o tom de comédia dramática do longa, pois essas cenas quebram a tensão de uma forma que diverte e acalenta. O fato de Larry ser um veterinário não impede que os dois construam uma relação de “terapia não oficial”, na qual ele incentiva Lilly a falar sobre seus sentimentos também e processar o próprio luto – já que, até então, só pôde focar na dor do marido.

Mas Jack também mexe com o nosso coração. A apatia que o domina é um sinal claro da depressão que o acomete, e sua recusa em fazer o tratamento correto o leva cada vez mais para o fundo do poço. Mas é importante que isso seja mostrado, porque mesmo com todo o amor e suporte, muitas vezes essa doença ainda assim triunfa. E o filme não culpabiliza Jack por isso, ainda que demonstre que Lilly está carregando uma carga muito pesada por ter sido “abandonada” pelo marido, que não conseguiu apoiá-la com a perda de Katie. Larry inclusive tem uma fala muito importante sobre o ser humano buscar culpados em situações nas quais simplesmente não há quem culpar: é uma dificuldade nossa em aceitar que tragédias acontecem sem nenhuma razão plausível. O médico incentiva que Lilly converse com Jack e exponha seus sentimentos de luto e solidão, e quando a protagonista resolve fazê-lo, é com a intensidade de quem está magoada pelo abandono mas também com desejo de que o marido volte pra ela.

Um Ninho Para Dois é emocionante do início ao fim, sendo intercalado com cenas divertidas que ajudam você a não chorar durante toda a duração do filme. Ele é a história de um casal em luto, mas também de duas pessoas que estão buscando entender quem são e como seguir em frente após um acontecimento tão devastador. Para além disso, é também a história de um casal em busca do caminho que os leve de volta um ao outro: com cicatrizes, sim, mas também com muito amor. Amei (e me emocionei) muito! ❤

Título original: The Starling
Ano de lançamento: 2021
Direção: Theodore Melfi
Elenco: Melissa McCarthy, Chris O’Dowd, Kevin Kline, Kimberly Quinn

Dica de Série: Nove Desconhecidos

Oi pessoal, tudo bem?

Terminei de assistir à minissérie Nove Desconhecidos, que adapta o livro de mesmo nome que resenhei um tempinho atrás. Bora pro review e pro comparativo com o livro?

Sinopse: Nove pessoas problemáticas se hospedam em um sofisticado retiro de bem-estar que promete uma transformação total. Lá, os hóspedes se entregam a um tratamento radical que ameaça levar esse instável grupo ao limite de suas emoções e medos.

O plot básico da série é o mesmo que o da obra original: nove pessoas contratam um pacote no spa Tranquillum House em busca de descanso para o corpo e para a mente por motivos diversos. Lá, eles encontram cenários paradisíacos, consultores de bem-estar bonitos e de voz tranquila e a diretora do lugar: Masha, uma russa magnética e enigmática. Logo fica claro que ela utiliza abordagens pouco ortodoxas e que o spa não é somente um espaço para o relaxamento, mas sim para terapias que podem levar cada um dos presentes ao extremo.

É nítido que a minissérie traz mais elementos de suspense para a trama do que o livro. Não demora para que o espectador comece a ficar desconfortável com algumas medidas adotadas na Tranquillum House, como o fato de fazerem exames de sangue diários nos hóspedes, por exemplo. Existem tensões entre os hóspedes, alguns rompantes de raiva e outras situações que nos levam a questionar se aquele é um ambiente totalmente seguro. Quando Masha começa a receber vídeos dela na propriedade (como se fosse de um stalker), o clima de mistério – e perigo – se acentua.

Diferente do que ocorre no livro, a série revela um de seus principais mistérios logo de início: a metodologia do tratamento de Masha. A partir daí, vemos os personagens “entrando na onda” e aceitando os tratamentos de forma voluntária. Essa é uma das principais diferenças em relação à obra original, e acho que é uma bem importante; particularmente, senti falta da revolta dos personagens com o que acontece em Tranquillum House. Eles não só aceitam aquilo que lhes é oferecido como entram de cabeça nas propostas arriscadas de Masha, sem medo das consequências.

Enquanto o livro é lento, mais focado no drama de cada personagem e menos no mistério, aqui a série se inverte, tendo mais cenas de tensão e fazendo com que alguns personagens mal tenham tempo de tela (como o casal cujo casamento está em crise, Ben e Jessica). Felizmente, duas das minhas tramas favoritas foram bem exploradas ao longo dos episódios: a primeira delas é a aproximação da escritora Frances (que sofreu um golpe de amor pela internet) e do ex-atleta Tony (que teve que parar de jogar após uma lesão e se fechou para o mundo). A química entre Melissa McCarthy e Bobby Cannavale transborda na tela e eles protagonizam cenas emocionantes e outras engraçadas. A segunda trama que eu curti demais, superando a emoção do livro, foi a da família Marconi, que foi ao spa na tentativa de superar o luto pela perda do filho/irmão. Heather, Napoleon e a filha, Zoe, carregam muita culpa e sofrimento, e todas as cenas em que eles enfrentaram tais sentimentos me fizeram chorar. A atuação visceral de Asher Keddie (Heather) me deixou arrepiada e de coração partido.

A reta final da série é um pouco fraca. O clímax não causa aflição, o que ocorre nas páginas. Por outro lado, a produção televisiva foca em humanizar Masha e suas experiências, transformando-a em uma personagem que causa mais simpatia (enquanto no livro ela está em busca de fama e reconhecimento). Além disso, diferente do que ocorre no material original, a minissérie tem um final aberto – cabendo a você escolher no que acreditar.

A adaptação de Nove Desconhecidos é uma ótima produção, com um enredo bacana e ganchos interessantes. Mas seu maior mérito é o mesmo que o do livro: seus personagens – aqui muito bem representados por um elenco que entrega atuações impecáveis. As mesmas coisas que me incomodaram no livro também me incomodaram na série, mas em ambos os casos minha percepção geral da história é muito boa. Vale a pena colocar Nove Desconhecidos na lista e passar um tempinho em Tranquillum House. 😉

P.S.: pra quem ficou interessado em saber as diferenças entre a série e o livro (com spoilers, obviamente), é só conferir a lista abaixo:

  • Descoberta da verdade sobre o tratamento: quem se liga que Masha está drogando os hóspedes é Heather, que é enfermeira. Ela também é a primeira a se revoltar, assim como Ben, que odeia drogas por ter perdido a irmã para o vício;
  • Plot de Ben e Jessica: o casal vai até o spa para tentar salvar o casamento e, enquanto na série os dois realmente se reaproximam, no livro eles percebem cada vez mais o abismo que se construiu na relação. Ele inclusive se aproxima de Zoe, dando a entender que eles vão manter uma amizade (ou algo mais) no futuro;
  • Propósito das alucinações: diferente do que a série mostra, o livro não traz todo o plot de alucinações com os mortos como uma tentativa de trazê-los de volta;
  • Passado da Masha: no livro ela também perde a filha, mas quando ainda é um bebê. Ela também não tem nenhuma relação com Carmel e não sofreu uma experiência de quase morte pelo tiro, e sim por infarto;
  • Propósito da Masha: enquanto na série ela quer uma forma de reencontrar a filha morta e, por isso, faz os tratamentos nos hóspedes, no livro ela deseja reconhecimento e sucesso por seu método inovador;
  • Yao e Delilah: no livro a Delilah transa com Yao mas não existe a camada romântica/amorosa que a série traz. Consequentemente, ela é uma personagem mais “foda-se” na obra original, que vai embora muito mais por medo de ser pega pela polícia do que por princípios;
  • Plot da Carmel: a mudança mais drástica da série. No livro ela também é uma mulher insegura e magoada pelo fato de ter sido trocada pelo marido e confesso que, no início da trama, achei que ela seria meio maluca por venerar a Masha. No fim, foi uma personagem bem sem sal. Na série ela é completamente desequilibrada, sendo a pessoa por trás do tiro em Masha e responsável por stalkear a diretora da Tranquillum House;
  • Passado do Tony: diferente do que a série mostra, o ex-atleta não se envolveu em uma briga que culminou na morte de um homem, e também não era viciado em analgésicos. Ele decide ir a Tranquillum por estar completamente sozinho e perceber que ficou “triste” ao ir ao médico e descobrir que sua saúde estava ok, servindo de sinal de alerta para buscar ajuda.

Título original: Nine Perfect Strangers
Ano de lançamento: 2021
Criadores: John-Henry ButterworthDavid E. Kelley
Elenco: Amy Poehler, Rashida Jones, Nick Offerman, Aubrey Plaza, Chris Pratt, Adam Scott, Aziz Ansari, Retta, Jim O’Heir, Rob Lowe