Dica de Série: Dark

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje é véspera de Natal e “nois” tá como? Produzindo conteúdo pra pauta não atrasar, é claro! 😂 Vim contar pra vocês o que achei de Dark, a nova série da Netflix que foi apelidada por alguns como “a Stranger Things alemã”. Já adianto que apenas o plot inicial é parecido, porque a série tem sua própria personalidade e temas bem distintos. 😉

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Sinopse: A história acompanha quatro diferentes famílias que vivem em uma pequena cidade alemã. Suas vidas pacatas são completamente atormentadas quando duas crianças desaparecem misteriosamente e os segredos obscuros das suas famílias começam a ser desvendados.

A série se passa também em 2019 e seu enredo é posto em movimento com o sumiço do jovem Mikkel Nielsen, uma criança que desaparece na floresta da pequena cidade de Winden. Ele não é o primeiro jovem a desaparecer em um curto espaço de tempo, o que intriga os moradores e a polícia local.

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Dark é uma série de ficção científica que fala sobre buracos de minhoca e viagens no tempo, mas também (e talvez principalmente) sobre personagens. Existem quatro famílias que estão interligadas de diversas formas: os Kahnwald, os Nielsen, os Tiedemann e os Doppler. No centro da trama está Jonas Kahnwald, um jovem cujo pai se suicidou recentemente. Ele estava presente no dia em que Mikkel sumiu e passa a investigar os acontecimentos estranhos que acontecem em Winden – que se assemelham muito a fatos ocorridos 33 anos antes. Ulrich Nielsen, pai de Mikkel, é um policial que também resolve investigar a fundo o sumiço de seu filho, explorando a floresta e os túneis de Winden, que ficam próximos à usina nuclear da cidade (um local bem importante na trama). Além do desaparecimento de Mikkel, Ulrich tem outro trauma pessoal: em 1986, seu irmão sumiu em circunstâncias semelhantes. Quanto mais o personagem se aprofunda na investigação, mais o espectador fica confuso (e intrigado).

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A fotografia e a trilha sonora da série são incríveis. O clima sombrio e chuvoso colabora para nos mostrar o estado de espírito da cidade e de seus moradores. Minha única pergunta é: POR QUE NINGUÉM USA GUARDA-CHUVA? Vão todos pegar friagem. Pronto, passou. 😛

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Com três linhas temporais distintas, é muito importante prestar atenção nos nomes e nos rostos dos personagens (aqui tem uma colinha). Dark vai mostrando cada um deles pouco a pouco, até conectá-los de uma forma surpreendente. O episódio 5 é o melhor de todos, com um incrível plot twist realmente mindblowing.

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Dark conclui sua primeira temporada com muitas pontas soltas, e foi isso que me decepcionou. Quando eu achava que a série resolveria suas questões em aberto (ou pelo menos parte delas), ela apresenta mais caminhos e possibilidades. Eu adorei o desenvolvimento da narrativa e a gradual construção de cada personagem, mas senti que que o final da temporada se perdeu. Contudo, é impossível assistir a essa série e ficar sem teorizar mil possibilidades com quem tenha assistido também. 😛 Vale conferir!

Título original: Dark
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Baran bo Odar, Jantje Friese
Elenco: Louis Hofmann, Oliver Masucci, Daan Lennard Liebrenz, Karoline Eichhorn, Jördis Triebel, Andreas Pietschmann

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Review: Star Wars: Os Últimos Jedi

Oi povo, tudo certo?

Cá estou para tentar falar a respeito do filme mais esperado do ano, Star Wars: Os Últimos Jedi. Fiquem tranquilos que o texto não terá spoilers sem aviso prévio. Podem ler sossegados! 😉

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Sinopse: Após encontrar o mítico e recluso Luke Skywalker (Mark Hammil) em uma ilha isolada, a jovem Rey (Daisy Ridley) busca entender o balanço da Força a partir dos ensinamentos do mestre Jedi. Paralelamente, a Primeira Ordem de Kylo Ren (Adam Driver) se reorganiza para enfrentar a Resistência.

Os Últimos Jedi parte praticamente do mesmo ponto em que O Despertar da Força parou, com dois núcleos distintos: a Resistência está em fuga, sendo bombardeada pela ira da Primeira Ordem, e Rey finalmente encontrou o lendário Luke Skywalker. Enquanto no primeiro núcleo os personagens estão tendo inúmeras perdas, no segundo a protagonista da nova trilogia precisa convencer um Luke recluso e amargurado a ajudá-la e treiná-la no caminho da Força. É possível dizer que há um terceiro núcleo, inserido na Primeira Ordem: o conflito interior de Kylo Ren, que ficou ainda mais desestabilizado emocionalmente após matar o próprio pai, Han Solo.

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O que eu mais gostei em Os Últimos Jedi foi, disparado, a ruptura com a dualidade entre “bem” e “mal”. Rey e Kylo Ren protagonizam algumas das melhores cenas do filme: conectados mentalmente pela Força, os dois percebem algumas semelhanças entre si, caminhando juntos em uma zona cinza e deixando nítido que existe bem e mal dentro de cada um de nós. Após descobrir o que realmente levou Kylo Ren ao Lado Negro da Força, a jovem fica convencida de que, assim como Luke fez com Vader tantos anos antes, ela também pode trazer Kylo Ren (ou melhor, Ben Solo) de volta ao caminho da Luz.

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A atuação de Adam Driver como o instável Kylo Ren roubou a cena: ele traz à tona toda a dor e o ódio que o personagem sente, atormentado por ter matado Han Solo, mas sabendo que já é tarde demais para voltar atrás. Outro aspecto positivo desse núcleo é a dinâmica com Luke Skywalker. A atuação brilhante de Mark Hammill deu muita profundidade ao personagem (que nunca chegou a ser meu favorito na trilogia clássica). Aqui, nos deparamos com um Luke que sofre diariamente com os erros do passado e que perdeu a fé no caminho Jedi. Culpa, amargura e desilusão estão entre os tormentos do personagem. Mas uma cena impecável ao lado de R2-D2 é capaz de fazê-lo mudar de ideia e aceitar o desafio de treinar Rey. Palmas pra essa sacada de mestre! ❤ Devo dizer que temos mais uma presença ilustre além da de R2-D2, mas vou deixar vocês descobrirem. 😉 Além disso tudo, as cenas de luta protagonizadas por Luke no terceiro ato também são fantásticas. Carrie Fisher, nossa eterna Princesa Leia, também nos presenteou com uma atuação sensível, que vai ficar eternizada na história de Star Wars. Agora General, a personagem sabe liderar como ninguém, mas sem perder a sensibilidade sempre que a Resistência sofre perdas.

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Falando em cenas de luta, Rey e Kylo Ren protagonizam uma das melhores, no melhor estilo Jedi/Sith: com muito uso da Força e dos sabres de luz. Mas o núcleo da Resistência também não fica para trás, pois as cenas de combate no espaço são de tirar o fôlego. Poe Dameron é um piloto extremamente talentoso e capaz de verdadeiras façanhas, mas sua personalidade impulsiva acaba tendo consequências com as quais o personagem precisa lidar para amadurecer. Finn também tem seu espaço no longa, agora com uma nova parceira, Rose. A dupla parte rumo ao planeta-cassino Canto Bright em busca de um decodificador que possa ajudá-los a destruir o rastreador da Primeira Ordem (que é responsável por permitir que eles sigam a Resistência mesmo por meio de saltos na velocidade da luz). Esse plot permite que o filme explore alguns conceitos que reforçam que nem tudo é preto no branco: o planeta enriqueceu financiando a guerra, vendendo armas tanto para a Primeira Ordem como para a Resistência. Além disso, o filme mostra a soberba e arrogância da classe alta, que vive de grandes luxos e diversões enquanto explora crianças e animais sem nenhum pesar.

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Por fim, vale elogiar os cenários do filme. A batalha final, no terceiro ato, é deslumbrante. Ela acontece no planeta Crait, cujo solo vermelho é coberto por uma camada de sal. Conforme a luta acontece, a poeira vermelha preenche o ar, simbolizando o sangue e as feridas causadas pela guerra. Aqui, o embate final entre discípulo e mestre (cujo conflito veio sendo trabalhado ao longo de todo o filme) finalmente encontra seu desfecho. Além disso, o contraste do branco com o vermelho é de cair o queixo. A ilha isolada (no planeta Anch-To) na qual Luke se encontra também tem seu papel, refletindo o estado de espírito do personagem: isolamento, tempo nublado e chuvoso, mar revolto. Aliás, a ilha também tem outro mérito: os fofíssimos Porgs, que protagonizam cenas muito engraçadas com Chewie. ❤

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Agora, para falar sobre os ponto que não achei tão legais no filme, precisarei soltar alguns spoilers. Então, se quiser evitá-los, pule para o próximo parágrafo. Bom, vamos lá! Confesso que ainda não sei bem o que senti com a morte de Snoke. O personagem era extremamente poderoso (a ponto de conseguir manipular a mente de Kylo Ren), mas não percebeu a estratégia do rapaz quando ele decidiu matar seu antigo mestre. Ok, podemos atribuir isso à sua arrogância exacerbada. Mas aí fica outra questão: QUEM ERA SNOKE, AFINAL DE CONTAS? Como a Nova República deixou que outro “Império” (agora Primeira Ordem) surgisse? Os episódios I, II e III nos mostraram que o Império surgiu após muitos anos de maquinações políticas, justificando seu enorme poder no episódio IV. Desde O Despertar da Força eu tento entender COMO RAIOS deixaram que isso acontecesse novamente. Outro aspecto que me desapontou um pouco foi o fato de que, no fim das contas, os personagens permaneceram no mesmo lugar em que começaram, apesar do esforço do filme para mostrar que nem tudo na vida é a dualidade bem x mal. Kylo Ren segue sendo vilão e Rey segue sendo heroína. Achei que a aproximação dos dois ao longo do filme traria mais nuances cinzas para o futuro (e desfecho) da nova trilogia.

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Apesar de alguns furos aqui e ali, Star Wars: Os Últimos Jedi me deixou empolgada, aflita, ansiosa, emocionada, feliz e satisfeita. Acho que o resultado final é muito positivo e mal posso esperar para conferir o desfecho no episódio IX. Além disso, vale dizer que essa foi a última atuação da nossa eterna Princesa Leia, Carrie Fisher. Minha dica é: fiquem até os créditos para prestigiar uma singela homenagem à atriz, que faleceu no ano passado. E que a Força esteja com ela!

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Título original: Star Wars: The Last Jedi
Ano de lançamento: 2017
Direção: Rian Johnson
Elenco: Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Mark Hamill, Adam Driver, Carrie Fisher, Kelly Marie Tran, Andy Serkis, Benicio Del Toro

Review: Assassinato no Expresso do Oriente

Oi pessoal, tudo certo?

Quem me acompanha há algum tempo deve saber que histórias policiais são algumas das minhas favoritas. Sou completamente apaixonada pelo estilo e, sempre que possível, confiro obras desse gênero. Dessa vez fui ao cinema assistir a Assassinato no Expresso do Oriente, que adapta uma das obras mais famosas da Rainha do Crime, Agatha Christie!

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Sinopse: O detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh) embarca de última hora no trem Expresso do Oriente, graças à amizade que possui com Bouc (Tom Bateman), que coordena a viagem. Já a bordo, ele conhece os demais passageiros e resiste à insistente aproximação de Edward Ratchett (Johnny Depp), que deseja contratá-lo para ser seu segurança particular. Na noite seguinte, Ratchett é morto em seu vagão. Com a viagem momentaneamente interrompida devido a uma nevasca que fez com que o trem descarrilhasse, Bouc convence Poirot para que use suas habilidades dedutivas de forma a desvendar o crime cometido.

O filme tem um início um pouco lento, o que me desagradou um pouco a priori. Hercule Poirot, um dos mais famosos e competentes detetives do mundo, está em Jerusalém e auxilia na resolução de um caso por lá. Por coincidência, acaba encontrando um velho amigo, Bouc, que é responsável pelo trem Expresso do Oriente (o trem que o detetive precisa tomar) e consegue um encaixe para Poirot em um dos vagões. Contudo, a viagem que tinha tudo para ser tranquila é interrompida por duas coisas: uma tempestade de neve e um assassinato. Bouc implora para que Poirot resolva o caso e, em nome da amizade com o rapaz e movido por seu senso de justiça, ele aceita.

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É aí que o filme ganha ritmo. Com enquadramentos diferenciados (com ângulos vistos de cima, por exemplo) e um ambiente um tanto quanto claustrofóbico (já que o lado de fora do trem é um ambiente inóspito cheio de neve), vamos acompanhando Poirot em sua investigação, em uma tentativa de juntar as peças para desvendar o assassinato do Sr. Ratchett, um comerciante de antiguidades desonesto. No total, são 12 passageiros investigados: cada um com seus segredos, seus álibis (ou falta deles) e histórias. Essa parte do filme é muito interessante, pois vamos conhecendo mais de cada personagem junto de Poirot. O longa conseguiu me enganar em relação ao assassino. Mas a melhor parte é a revelação final no fim do filme: pela primeira vez fiquei emocionada com a resolução de um crime. A cena é intensa e conecta todos os pontos do enredo de uma maneira muito convincente.

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As atuações merecem grande destaque! O Poirot de Kenneth Branagh (que é também o diretor do longa) é engraçado e tem traços caricatos, mas ele vai além: é também um homem muito sensível, com suas próprias cicatrizes do passado, e que se vê na posição de questionar tudo o que acredita. Agora, se teve alguém que mexeu comigo, foi Michelle Pfeiffer, a Sra. Hubbard. Ela entrega grande emoção quando necessário, mas também sabe utilizar a sensualidade e a dissimulação sempre que necessário.

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A trilha sonora é ótima, sendo capaz de criar tensão e emocionar. Os figurinos da década de 30 são maravilhosos e conseguem transmitir características importantes dos personagens. Por fim, os cenários enchem os olhos. As paisagens que vemos enquanto o trem se move são lindas, bem como a desolação causada pela neve. Mas o encanto mesmo está dentro do trem, em cada detalhe que o compõe.

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Eu adorei Assassinato do Expresso do Oriente! Se eu já estava empolgada com Agatha Christie após ler E Não Sobrou Nenhum, agora tenho ainda mais vontade de conferir mais obras da autora. Recomendo muito!

Agora vou comentar duas coisas que não curti muito (são spoilers, leia por sua conta e risco, hein?): 1) em que momento o Poirot sacou que o Ratchett era o Cassetti? Juro que não saquei quando isso aconteceu; 2) Por que raios o Cassetti matou a Daisy? Ele tinha algum “motivo” ou simplesmente decidiu invadir uma casa, sequestrar e matar uma garotinha inocente? Se fosse o segundo caso, gostaria que tivessem desenvolvido isso, mostrado que o personagem é um psicopata ou algo do tipo. Se ele tivesse alguma razão (vingança ou qualquer coisa assim), gostaria que tivesse sido mostrado. Achei o crime do Cassetti muito arbitrário.

Título original: Murder on the Orient Express
Ano de lançamento: 2017
Direção: Kenneth Branagh
Elenco: Kenneth Branagh, Michelle Pfeiffer, Josh Gad, Derek Jacobi, Penélope Cruz, Daisy Ridley, Leslie Odom Jr., Tom Bateman, Johnny Depp

Dica de Série: O Justiceiro

Oi gente! Tudo certo?

Tenho falado muito sobre super-heróis aqui no blog, né? Então, pra variar, o tema hoje é a história de um anti-herói. 😛 Vim contar pra vocês o que achei de O Justiceiro, a nova série da Marvel e da Netflix.

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Sinopse: O ex-marine Frank Castle só quer punir os criminosos responsáveis pela morte da sua família, mas torna-se alvo de uma conspiração militar.

Frank Castle, o Justiceiro, fez sua primeira aparição na segunda temporada de Demolidor e acabou roubando a cena. O personagem era interessante e sua trama, envolvente. Os fãs ficaram enlouquecidos esperando por sua série solo, então um trailer sangrento deixou os ânimos ainda mais alvoroçados e no último dia 15 ela finalmente chegou. E foi intensa!

Após matar todas as pessoas que ele sabia ter envolvido na morte de sua família, Frank passou a trabalhar como pedreiro sob o pseudônimo de Pete Castiglione. Vivendo um dia de cada vez e enfrentando seus fantasmas na forma de pesadelos e noites mal dormidas, seu dia a dia era extremamente solitário. As coisas mudam quando ele recebe uma ligação de um homem que se autodenomina Micro. O homem misterioso alega que Frank e ele podem ser de grande ajuda um para o outro e, após alguns percalços, acabam tornando-se aliados improváveis. Micro é na verdade David Lieberman, um antigo funcionário da NSA (Agência de Segurança Nacional) que foi fingiu a própria morte para não ser assassinado pelo governo americano. Ele foi responsável por enviar à agente Dinah Madani um vídeo que revelava uma ação secreta da CIA que culminou no assassinato de um policial afegão. E, é claro, Frank fazia parte de tal ação. Unidos por motivos distintos, Frank e David passam a trabalhar juntos para descobrir a verdade por trás dos fatos.

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Vi alguns comentários por aí reclamando que O Justiceiro é uma série parada, com diálogos demais e desenvolvimento lento. Eis o primeiro ponto que sou obrigada a discordar. A série é sim violenta e visceral – mas ela não é somente isso. A trama aborda de maneira exemplar o estado psicológico no qual Frank se encontra e dá ao espectador um pano de fundo muito maior em relação à morte de sua família. Graças ao desenvolvimento gradual da trama, percebemos as conexões que faziam parte da vida de Frank na época do exército (como a amizade com Billy Russo) e também o quanto o personagem culpa a si mesmo pela tragédia que aconteceu. Aliás, a atuação de Jon Berthal é impecável ao trazer toda essa angústia e impotência que o personagem sente. Outro aspecto incrível é que O Justiceiro também mostra Frank se conectando a outros seres humanos – especialmente Karen Page, com quem ele tem uma ligação muito forte, mas também David e sua família -, o que humaniza e enriquece o personagem (que deixa de ser uma simples “máquina de matar badass”). Eu sei que o personagem é pautado na violência e que o trailer possa ter levado os fãs a esperarem por isso. Entretanto, os aspectos que mencionei não deixam a trama monótona, mas sim enriquecem a série e a tornam verdadeiramente interessante. Afinal, se eu quisesse assistir apenas violência gratuita, era só colocar qualquer filme de ação pastelão na TV.

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Outro aspecto bacana de O Justiceiro é que, em determinado momento, novamente a série obriga o protagonista a confrontar suas ações ao ser comparado com o terrorista Lewis Walcott, um jovem ex-soldado mentalmente perturbado que aparentemente sofre de Transtorno do Estresse Pós-Traumático. Quando o rapaz utiliza Frank como exemplo para o que faz, Frank se vê em um conflito moral. Além disso, esse plot traz um contraponto muito interessante ao patriotismo americano, ao amor desse povo pelas armas (e pela violência) e à “glamourização” da vida militar. A série mostra que há complicações e danos muitas vezes irreparáveis na vida dos soldados (aliás, aproveito para indicar o livro Nada de Novo no Front, resenhado aqui no blog, que também faz isso muito bem).

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Uma adição valiosa para a trama foi Dinah Madani, uma agente íntegra e determinada que está disposta a tudo para desmascarar a podridão da CIA. A personagem tem um crescimento notável durante a trama, principalmente após ser obrigada a lidar com as trágicas consequências de suas decisões como líder. Karen Page, outra mulher importante no enredo, infelizmente não teve tanto espaço quanto eu imaginava que teria (ainda mais protagonizando um dos pôsteres individuais da série). Ela acaba aparecendo em plots pontuais e acaba servindo mais como um motivador para Frank. A química entre os personagens é notável (prefiro mil vezes ela com o Frank do que com o Matt #prontofalei) e é possível ver uma centelha que pode ficar cada vez mais forte no futuro. Por fim, temos vilões infinitamente melhores do que os apresentados em Luke Cage, Punho de Ferro e até mesmo Os Defensores. Não direi quem são porque é spoiler, mas afirmo que eles são muito bem introduzidos e desenvolvidos ao longo da temporada. O vilão principal, inclusive, me fez sentir raiva e revolta graças às suas ações traiçoeiras e repletas de frieza.

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As cenas de ação são fantásticas, mas também difíceis de assistir. Seja nos flashbacks de Frank no exército ou no presente, enquanto enfrenta seus inimigos, a violência está presente sem pudores. As cenas de tortura sempre são mais complicadas pra mim, e não faltam momentos poderosos nesse sentido. E, justamente por isso, admito que em determinado momento eu fiquei meio “como assim ele já tá fazendo isso se acabou de sofrer tal e tal coisa?”. Mas tudo bem, sou capaz de ignorar esses detalhes. 😛

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O Justiceiro é forte, instigante e também emocional. Abordando os traumas de Frank de modo muito mais profundo do que em sua participação em Demolidor, a série faz com que o espectador tenha empatia pela sua dor e compreenda suas ações (ainda que, muitas vezes, condenáveis). Frank Castle é um anti-herói multifacetado e cheio de fantasmas a serem exorcizados, mas que promete crescer cada vez mais. Amei a série e recomendo demais!

Título original: Marvel’s The Punisher
Ano de lançamento: 2017
Criador: Steve Lightfoot
Elenco: Jon Bernthal, Ebon Moss-Bachrach, Ben Barnes, Amber Rose Revah, Deborah Ann Woll

Review: Thor: Ragnarok

Oi pessoal, tudo certo?

Para o post de hoje, trouxe minha opinião sobre o filme mais recente da Marvel, Thor: Ragnarok.

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Sinopse: Thor (Chris Hemsworth) está preso do outro lado do universo. Ele precisa correr contra o tempo para voltar a Asgard e parar Ragnarok, a destruição de seu mundo, que está nas mãos da poderosa e implacável vilã Hela (Cate Blanchett).

Não sou uma grande fã de Thor, tanto que eu só vi o primeiro filme solo do Deus do Trovão e catei o enredo do segundo na Wikipédia mesmo. Resolvi conferir Ragnarok no cinema porque várias críticas estavam elogiando o longa e dizendo que finalmente acertaram a mão com o personagem. Bom… me frustrei. O filme é divertido, mas não é nada demais.

No longa, Thor descobre que Loki está vivo e usurpando o lugar de Odin em Asgard. Ele obriga o Deus da Trapaça a levá-lo ao encontro de Odin, que após um discurso acaba morrendo. Para a surpresa dos irmãos, um terceiro elemento surge na história: Hela, a primogênita de Odin, que tinha sido exilada pelo pai devido à sua grande ambição de destruir os mais diversos reinos em nome da soberania asgardiana e, com a morte dele, pôde retornar. Em um embate que causa a destruição de Mjolnir e a fuga de Thor e Loki, os dois acabam em um mundo distante comandado por um sujeito espalhafatoso conhecido como Grandmaster. Thor é levado como escravo para ser um gladiador e lá encontra Hulk, que tem um grande prestígio lutando nas arenas. Posso parar por aqui, né? Já estou com uma sensação de “Sessão da Tarde” só por escrever esse parágrafo.

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Por tratar-se basicamente do risco de extinção de Asgard com o Ragnarok, acho que eu esperava um clima mais tenso para esse enredo. Mas fui ao cinema sabendo que o tom do longa era engraçado, e de fato, não faltam piadas. Logo de início eu também achei graça e ri com as cenas cômicas, mas sou da opinião de que quando algo se esforça para ser engraçado o tempo todo, acaba deixando de ser engraçado. É o que acontece com Thor: Ragnarok e, a partir de determinado momento, eu não conseguia nem sorrir.

Thor convence Loki, Hulk e Valquíria (uma asgardiana que vive como mercenária nesse mundo comandado pelo Grandmaster) a ajudá-lo a fugir e voltar para Asgard. Enquanto isso, Hela está destruindo todos que se opõem a ela em sua terra natal e ficando cada vez mais forte, já que seu poder vem da própria Asgard. Ao longo do filme, Thor aprende a lidar com seus poderes mesmo sem o Mjolnir e o grupo trava uma batalha contra Hela no final do filme. Sim, não há nada demais nesse enredo MESMO.

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Thor: Ragnarok é um filme extremamente mediano, que chegou a me dar sono durante a sessão. Os destaques positivos ficam por conta do carisma da Valquíria e da atuação de Cate Blanchett, que está muito bem como a vilã Hela. O único personagem que achei REALMENTE cômico foi Korg: um escravo que tem voz engraçada e jeito simpático. Eu teria gostado mais de Thor se ele não fizesse uma piadinha a cada diálogo, e o Hulk segue a mesma lógica. Loki continua sendo interessante, roubando a cena em diversos momentos. A trilha sonora também é bacana, dando uma ambientação legal pras cenas – especialmente as de luta.

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Não acho que Thor: Ragnarok tenha valido o ingresso, então não indico que você o assista no cinema. Também não acho que seja indispensável pra entender a cronologia da Marvel e a treta com as Joias do Infinito que virá em Vingadores: Guerra Infinita. Em suma, é um filme engraçadinho, mas totalmente esquecível.

Título original: Thor: Ragnarok
Ano de lançamento: 2017
Direção: Taika Waititi
Elenco:  Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Idris Elba, Mark Ruffalo, Tessa Thompson, Jeff Goldblum, Karl Urban

Review: Liga da Justiça

Oi pessoal, tudo bem?

Voltei do cinema agora há pouco e vim correndo contar pra vocês o que achei de um dos filmes mais esperados do ano: Liga da Justiça! 

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Sinopse: Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca sua nova aliada Diana Prince (Gal Gadot) para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes – Batman, Mulher-Maraviha, Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) -, poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque.

Devido a uma sequência de erros da DC, muita gente temia (com razão) o resultado de Liga da Justiça. Felizmente, Mulher-Maravilha acalmou meu coração e eu fui de mente aberta assistir à Liga. E olha, a DC tá de parabéns mais uma vez!

O longa começa nos mostrando onde cada herói está. Bruce está tomado pelo remorso, sentindo-se responsável pela morte do Superman; Diana está lutando contra vilões “nas sombras”, sem revelar sua identidade; Barry Allen, o Flash, não tem uma vida estável, pulando de emprego em emprego, enquanto tenta arrumar um jeito de inocentar seu pai (que está na cadeia); Arthur Curry, o Aquaman, está ajudando uma vila de pescadores, sem assumir sua posição como rei de Atlantis; Victor Stone, o Ciborgue, está em conflito, não sabendo até que ponto ele é homem ou máquina após o acidente com uma das Caixas Maternas (fontes de energia infinita, capazes de criar e destruir). Essa introdução foi bastante necessária e interessante, porque pudemos conhecer um pouco de cada personagem e ter um contexto que justifique sua união posteriormente. A formação da Liga não ocorre “do nada”, os personagens têm motivos para tomarem a decisão de lutarem juntos. Ponto muito positivo!

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A introdução do vilão foi um pouco estranha. Do nada, o Lobo da Estepe – uma criatura que enfrentou as Amazonas, o povo de Atlantis e os homens há muitas eras – volta de seu exílio em busca das Caixas Maternas. A morte do Superman, o medo das pessoas e a falta de fé delas no mundo parecem ser pontos-chave na volta do vilão, que utiliza o medo como combustível e alimento para os demônios que o acompanham. Infelizmente, não achei o desenvolvimento do vilão e de sua mitologia satisfatórios. Outros dois personagens que não teve um desenvolvimento bem feito foram o Aquaman, cujo plot em Atlantis foi rápido e confuso, não deixando muito claras as relações do personagem (especialmente com Mera), e Ciborgue, que não tem muito de seu passado revelado e nem seu “renascimento” como Ciborgue explicado.

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Um aspecto muito positivo foi a adição de humor no longa. Os filmes da DC tendem a ser mais sérios, e isso não me incomoda nem um pouco. Contudo, as doses de comédia (em sua maioria protagonizadas por Barry) caíram muito bem. E o melhor: o personagem do Flash não se resume a piadinhas fora de contexto, justamente porque em suas primeiras cenas conhecemos um lado mais profundo do personagem (ao ver sua conexão com o pai e o drama familiar que o envolve).

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Agora, se teve uma coisa MUITO zoada no filme, foi o CGI. Assim como aconteceu em Mulher-Maravilha, os efeitos foram exagerados e artificiais, especialmente nas cenas de luta. O Lobo da Estepe não tem expressões faciais e fica deslocado em meio aos atores reais. Além disso, o que foi a boca do Superman??? Gente, era impossível não ficar encarando enquanto ele falava! Muuuito tosco, serião. Henry Cavill não podia raspar o bigode por uma questão contratual de outro filme que estava filmando e, no fim, o resultado ficou beeem ruim. Uma pena! Também senti falta de uma trilha sonora mais marcante. Não tivemos os temas clássicos dos heróis, nem o da própria Liga. 😦

Eu saí da sessão MUITO satisfeita com Liga da Justiça. Apesar de alguns deslizes, o filme teve tudo que eu gosto em filmes de super-heróis: boas cenas de luta, uma história que me manteve interessada, personagens (em sua maioria) desenvolvidos, atuações competentes e muita química entre os heróis. Acho que a DC finalmente está encontrando o seu caminho e já estou ansiosa para conferir os próximos! \o/

Título original: Justice League
Ano de lançamento: 2017
Direção: Zack Snyder
Elenco:  Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Amy Adams, Jeremy Irons, Ciarán Hinds

Review: Mãe!

Oi pessoal, como estão?

Apesar de ter visto Mãe! no cinema, outras pautas acabaram virando prioridade aqui no blog e demorei um pouquinho pra escrever o review. Porém, sem mais delongas, vamos à minha opinião sobre esse filme simbólico e controverso. 😉

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Sinopse: Um casal vive em um imenso casarão no campo. Enquanto a jovem esposa (Jennifer Lawrence) passa os dias restaurando o lugar, afetado por um incêndio no passado, o marido mais velho (Javier Bardem) tenta desesperadamente recuperar a inspiração para voltar a escrever os poemas que o tornaram famoso. Os dias pacíficos se transformam com a chegada de uma série de visitantes que se impõem à rotina do casal e escondem suas verdadeiras intenções.

Infelizmente, eu acabei lendo uma crítica com spoilers (odeio quem não avisa que a resenha tem spoiler) e já sabia qual era a simbologia principal do filme antes de assisti-lo. Achei que isso estragaria minha experiência mas, no fim das contas, fiquei absorta na história mesmo sabendo de antemão qual era a metáfora que o diretor estava fazendo.

Basicamente, Mãe! conta a história de um casal que vive tranquilamente em uma casa isolada. Ele (Javier Barden) é um poeta que enfrenta uma crise criativa; Ela, a Mãe (Jennifer Lawrence), é uma dona de casa devotada ao marido, que está empenhada em reformar a casa onde moram e transformá-la em um paraíso para o casal. A paz da personagem termina quando um visitante misterioso (vou chamá-lo pelo nome do ator, Ed Harris) chega ao local e é convidado pelo anfitrião a passar a noite. Posteriormente, o casal é incomodado novamente: a esposa de “Ed Harris” chega à casa e também se instala – mesmo contra a vontade da Mãe. A chegada dessa dupla misteriosa desencadeia eventos perturbadores.

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O forte de Mãe! não está nessa premissa, mas sim na metáfora e no simbolismo por trás de cada cena. A próxima frase tem spoiler, selecione se quiser ler: o diretor disse que o filme conta a história da Bíblia (de Gênesis ao Apocalipse), mas também existem outras interpretações possíveis. Podemos ver uma crítica ao modo como o ser humano lida com a Terra e os recursos naturais – explorando, machucando, destruindo; podemos também ver também o silenciamento feminino – já que o filme é um grito por socorro por parte da personagem de Jennifer Lawrence, que tem todos os seus pedidos negados. Acredito que cada espectador possa ter tirado uma lição diferente do filme, e isso é o mais interessante sobre o longa: ele te deixa com vontade de falar a respeito depois que você assiste.

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Esse parágrafo tem spoilers, pule para o próximo se não quiser ler. 😉 A metáfora da Bíblia, contudo, é a mais interessante (e óbvia). Ele é um Deus egocêntrico e punitivo, que é apaixonado pela devoção humana. Não sou religiosa e nunca li a Bíblia, mas o pouco que sei e pesquisei me mostrou que no Antigo Testamento essas eram as características de Deus. Depois que a Mãe! engravida e perde o bebê por causa dos seres humanos, vemos o Deus benevolente, que crê que a humanidade merece perdão. No fim, a Mãe (ou a Terra) decide dar um fim a todo aquele ciclo de sofrimento, tortura e massacre.

Tenho que mencionar a atuação de Jennifer Lawrence, que deu tudo de si nesse papel e mostrou do que é capaz. Eu estava um pouco implicante com ela após X-Men: Apocalipse (no qual ela fez da Mística uma versão loira da Katniss), mas em Mãe! ela superou minhas expectativas. Durante todo o filme a expressão da atriz ficou em evidência, já que a câmera acompanhou cada passo seu e toda a narrativa foi dada pelo seu ponto de vista. Com isso, pudemos ver todas as nuances da interpretação: o medo, a fragilidade, a revolta, o sofrimento, a força.

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Mãe! é um filme que não agrada a todos os públicos, principalmente por lidar com tantas simbologias e trazer um tema tão controverso. Pra mim, foi uma experiência instigante e envolvente e, por isso, recomendo! 😉

Título original: Mother!
Ano de lançamento: 2017
Direção: Darren Aronofsky
Elenco:  Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michele Pfeiffer, Brian Gleeson. Domhnall Gleeson, Kristen Wiig