Review: Um Lugar Bem Longe Daqui

Oi gente, tudo bem?

Depois de 9 dias maravilhosos em Fernando de Noronha, estou de volta à rotina! Pra retornar com o pé direito, quero indicar um filme que adapta o livro best-seller Um Lugar Bem Longe Daqui.

Sinopse: Kya é uma garota abandonada, que teve que se criar sozinha no brejo da Carolina do Norte. Por anos, rumores da “Menina do Brejo” assombraram Barkley Cove, isolando a afiada e inteligente Kya de sua comunidade. Atraída por dois jovens na cidade, Kya se abre para um mundo novo e estimulante, mas quando um deles é encontrado morto, ela é imediatamente considerada a principal suspeita. Conforme o caso vai se desdobrando, a verdade sobre o que aconteceu se torna cada vez mais nebulosa, ameaçando revelar os muitos segredos que existem no brejo.

Apesar de não ter lido o livro, ele é uma obra muito recomendada pela Pam Gonçalves (em cujo gosto literário confio plenamente), então fiquei bem animada para conferir sua adaptação. Além disso, a produção ficou a cargo da Reese Whiterspoon, que vem apostando em obras focadas na força feminina. Ótimos motivos pra gerar curiosidade, né? A trama gira em torno da vida de Kya Clark, uma jovem que foi abandonada para viver sozinha em um casebre no brejo quando ainda era criança. Sua família foi destruída pela violência de seu pai, e um a um todos foram deixando a casa à beira do lago pra trás: primeiro sua mãe, depois seus irmãos mais velhos, até que o próprio pai também partiu. Kya podia contar apenas com o apoio de um homem chamado Pulinho e sua esposa, Mabel, donos de um mercadinho da cidade que se compadeciam da situação da menina e a ajudavam como podiam. No presente, Kya é uma bela jovem que se vê no centro de uma investigação de assassinato; o filme então vai intercalando passado e presente para apresentar cada fato que levou Kya até o momento desesperador que vivencia.

Impossível falar de Um Lugar Bem Longe Daqui sem enfatizar o desespero que sentimos pela infância de Kya. Ver sua família inteira partir fez com que a garota desenvolvesse traços de personalidade muito marcantes, assim como óbvios traumas: ela tem dificuldade para confiar nas pessoas, vive mais confortavelmente em meio à natureza do que em meio às pessoas, é bastante tímida e reclusa; por outro lado, Kya é sensível, determinada, tem um forte senso de sobrevivência e é uma excelente observadora, o que fica claro nos desenhos que faz da flora e da fauna do brejo. A população da cidade destina muito preconceito a Kya – chamando-a inclusive de “Menina do Brejo” e transformando-a em uma outsider no processo –, mas a garota encontra alento quando seu caminho se cruza com o de Tate Walker, seu primeiro amor. Eles compartilham da paixão pela natureza e ele é a pessoa que alfabetiza Kya, além de incentivá-la a aprender cada vez mais sobre biologia. Tate é um rapaz apaixonante e o relacionamento dos dois não poderia ser mais incrível, até que ele é aprovado na universidade e vai embora, quebrando uma promessa que fez à protagonista. Já podem imaginar o quão doloroso foi ver o coração de Kya se partindo por causa do abandono novamente, né? Passei o filme todo querendo guardá-la num potinho e protegê-la de todo o mal. 😦

Falando em mal… chegamos à vítima do assassinato que foi mostrado no início do longa, Chase Andrews. Ele cumpre bem o estereótipo de mauricinho que tem a vida ganha e cujos passos estão traçados dentro do que a elite da cidade espera dele. Porém, ele se interessa por Kya e logo eles engatam um namoro (que não demora a se revelar extremamente problemático). A verdade é que a protagonista é alguém que, apesar de sobreviver na solidão, deseja desesperadamente uma conexão, o que a torna um alvo fácil para alguém como Chase; é isso que permite que ela acredite no rapaz e se envolva com ele mesmo sem de fato amá-lo. Em contrapartida, Chase vê em Kya uma conquista “exótica”, sentindo-se engrandecido por conseguir para si a “Menina do Brejo”. Sinceramente, só por ele chamá-la desse modo eu já fiquei enojada, pois é claro desde o primeiro instante que ele não a respeita por quem ela é, estando com Kya somente pelo fetiche que criou em torno dela. Parabéns a Harris Dickinson pela atuação, porque conseguiu com sucesso me fazer sentir um asco descomunal pelo seu personagem. 🤮

Kya passa por coisas terríveis nas mãos de Chase, mas no julgamento da garota as pessoas parecem já ter a decisão tomada sobre sua culpa. Como o corpo foi encontrado no brejo, é mais fácil para a população conservadora apontar os dedos para aquela que destoa. Felizmente a protagonista encontra apoio em Tom Milton, que se oferece para ser seu advogado de forma pro bono por acreditar que o preconceito da cidade é o verdadeiro vilão naquela história. Porém, devo avisar: a parte do julgamento em si não é a mais instigante do longa. Não existem boas reviravoltas nem argumentos cortantes, e sim uma condução mais morna que aponta fatos óbvios sobre o caso. O que causa aflição em Um Lugar Bem Longe Daqui não é o presente, mas o passado: não é o julgamento de Kya, mas o medo pelo que pode ter acontecido e pelos traumas que a ela podem ter se somado antes da morte de Chase.

A narrativa me deixou bastante presa à trama e envolvida por ela. É impossível não ficar de coração partido por tudo que Kya passou e torcer para que ela encontre alento e felicidade. Conforme conhecemos Chase, a sensação de revolta cresce e, sendo bem honesta com vocês, me fez sentir um belo “bem feito” pelo desfecho que ele encontra. Além da condução envolvente da trama, o filme conta com belas paisagens bucólicas, que transmitem a sensação ora de paz, ora de isolamento e perigo que Kya precisa lidar diariamente. Todo o clima naturalista do longa conversa com a própria essência de Kya, que encontra na flora e na fauna não só os recursos que precisa para sobreviver, como também para se proteger.

Um Lugar Bem Longe Daqui não é um filme de mistério ou, ainda, sobre crime e julgamento, mas sim um drama que apresenta o abismo entre um romance lindo (atrapalhado pela distância) e uma relação tóxica e suas consequências. É também um filme sobre o poder do instinto de sobrevivência e sobre a garra de persistir e resistir. O final é excelente e traz um plot twist daqueles – e, não vou mentir, fiquei feliz com ele sim. A história de Kya mexeu comigo ao longo de toda a duração do longa: quis chorar com ela, sorri com ela, torci e sofri por ela (muito disso sendo mérito da atuação delicada e envolvente de Daisy Edgar-Jones). Pra mim, está aprovadíssimo!

Título original: Where the Crawdads Sing
Ano de lançamento: 2022
Direção: Olivia Newman
Elenco: Daisy Edgar-Jones, Taylor John Smith, Harris Dickinson, David Strathairn, Michael Hyatt, Sterling Macer Jr.

Review: Luck

Oi pessoal, tudo bem?

Eu adoro conferir animações, então a estreia de Luck na Apple TV caiu como uma luva pra um domingo de preguiça. Bora conhecer? 🍀

Sinopse: A corajosa e azarada Sam Greenfield se aventura na encantada Terra da Sorte, onde terá que se aliar a criaturas mágicas para mudar seu destino

Sam é a garota mais azarada do mundo. Com ela, a torrada sempre cai com a manteiga virada pra baixo, sempre chove se ela estiver sem guarda-chuva ou qualquer outra situação semelhante que vocês possam imaginar. Ao atingir a maioridade, Sam precisa deixar o único lar que conheceu – uma casa de acolhimento para meninas – e se virar sozinha em um apartamento novo e em um emprego no qual ela se atrapalhou toda já no primeiro dia. A vida de Sam dá uma guinada quando ela divide seu sanduíche com um gato preto com o qual cruzou na rua, e ele foge deixando pra trás uma moedinha, que acaba se revelando ser uma moeda da sorte. Quando a moeda é perdida, Sam e o gato – que é capaz de falar e se chama Bob – precisam se unir e adentrar num lugar fantástico e secreto chamado Terra do Sorte para conseguir outra moeda, cada um tendo seus próprios objetivos pro item mágico.

O mundo etéreo e fofo no qual Sam adentra – povoado por leprechauns, coelhos e outras criaturas bonitinhas que fazem alusão à atração de coisas boas – é de encher os olhos, e a ambientação do filme realmente tem muitos cenários e premissas que buscam fazer uma imersão do espectador em seu mundo. Sam e Bob exercem aquele papel de outsiders que estão fora da lei (ela por ser uma humana naquele mundo secreto; ele por ter perdido sua moedinha da sorte), o que confere muitas sequências de planos malucos pra fugir das autoridades e “evoluir” na sua missão ao longo da história.

Entretanto, não consegui me sentir 100% fisgada pelas aventuras de Sam e Bob. Achei o filme um pouquinho mais longo do que o necessário e, depois de um tempo de tê-lo assistido, percebi que nem consegui gravar muitos detalhes da história na memória. Meu maior problema foi provavelmente Sam: ela é uma personagem perfeitinha demais, linear demais. Apesar de ter uma história de origem triste (por nunca ter sido adotada), toda a sua motivação vem de conseguir uma moeda da sorte para que uma amiga da casa de acolhimento, Hazel, possa ser adotada. E é claro que essa é uma meta louvável! Acontece que, pra mim, o problema reside no fato de todo o plot de Sam girar em torno desse objetivo e de Hazel, como se a própria Sam não merecesse receber mais nuances.

Apesar dos pesares, a provocação que Luck deseja fazer é bacana. O filme visa mostrar que uma vida composta apenas de boas marés não é possível, que o azar faz parte do equilíbrio da balança e é elementar para valorizarmos os golpes de sorte que o universo oferece. Dá para se divertir, especialmente porque Bob é um personagem bastante carismático, mas não é o longa de animação mais marcante que vai passar pela sua vida. Ainda assim, é uma opção de entretenimento interessante pra um dia em que você busca aquela leveza descomplicada. Deixo a seu critério dar uma chance ou não! 🙂

Título original: Luck
Ano de lançamento: 2022
Direção: Peggy Holmes
Elenco: Eva Noblezada, Simon Pegg, Jane Fonda, Whoopi Goldberg, Colin O’Donoghue, Flula Borg, Adelynn Spoon

Review: Morte no Nilo

Oi gente, tudo bem?

Quando Assassinato no Expresso do Oriente estreou, eu simplesmente me apaixonei, e toda vez que o filme está passando eu paro pra assistir. Por isso, a expectativa pra conferir Morte no Nilo também era alta e, como não pude vê-lo no cinema, vibrei quando chegou no Star+. Hoje vim dividir com vocês se a nova adaptação desse livro famoso da Agatha Christie me encantou tanto quanto seu predecessor. Bora?

Sinopse: As férias do detetive belga Hercule Poirot à bordo de um glamouroso cruzeiro no Egito se transforma em uma caçada a um assassino quando a lua de mel de um famoso casal é interrompida.

Morte no Nilo já começa com uma sequência que fez meu estômago virar: Jacqueline de Bellefort e Linnet Ridgeway são duas amigas, sendo a primeira uma moça de origem humilde e a segunda uma herdeira riquíssima. Jacqueline está nas nuvens porque finalmente vai se casar com Simon Doyle, por quem é perdidamente apaixonada, e deseja apresentá-lo à amiga. Ela pede então que seu noivo dance com Linnet pra que eles possam se conhecer melhor e, para a surpresa dela (e do espectador), o que vemos é uma cena cheia de tensão sexual que revela uma posterior “furada de olho” detestável. Sim, Linnet e Simon se apaixonam e se casam, deixando uma amargurada Jacqueline para trás. E é na lua de mel que os principais acontecimentos de Morte no Nilo acontecem, com um assassinato que vai colocar os vários envolvidos no cruzeiro de férias do casal em posições suspeitas. Mas para a sorte (ou não) dos personagens, um dos convidados de honra do casal é o detetive brilhante Hercule Poirot, que desejava uma viagem de férias mas ganhou mais um caso pra resolver.

Bom gente, o que posso dizer… Se envolveu uma amizade traindo a outra pelo bofe/pela mina, já começou mal. Por isso, Morte no Nilo não conquistou minha simpatia e eu não me comovi nem um pouco com a ansiedade dos recém-casados, cujos temores de algum atentado por parte de Jacqueline se mostraram coerentes. Além disso, a lista de convidados para o cruzeiro de lua de mel dos dois era uma verdadeira salada mista que incluía um ex de Linnet, um grande amigo de Poirot (Bouc), a nova namorada de Bouc, a acompanhante de Linnet, entre outros personagens aleatórios cuja falta de carisma me fez até esquecer seus nomes e papéis na trama.

Diferente do que acontece em Assassinato do Expresso do Oriente, que oferece um ambiente verdadeiramente claustrofóbico, não senti essa mesma aflição em Morte no Nilo. Os personagens ficam, sim, isolados no cruzeiro, mas param em alguns pontos turísticos egípcios que fazem com que a ambientação não cause tanta angústia. Quando o assassinato acontece, não é como se o longa realmente conseguisse colocar todos os personagens num ponto-chave que os transforme em verdadeiros suspeitos, o que inclusive tornou o final previsível.

Falando nas atuações, achei todas medianas, sem grandes destaques – com uma exceção negativa e uma positiva. Curti muito a Jacqueline de Emma Mackey (de Sex Education), cuja performance deu vida a uma personagem cheia de mágoa, ressentimento e ódio pela ex-amiga, assim como pelo desejo de ter seu ex-noivo de volta. Em contrapartida, Gal Gadot nos oferece uma personagem linear e sem graça, não trazendo 1% do magnetismo de Mulher-Maravilha, por exemplo.

Infelizmente, Morte no Nilo foi um filme esquecível pra mim, que não atendeu às expectativas que eu tinha de me divertir e – quem sabe – até me emocionar, como aconteceu no desfecho de Assassinato no Expresso do Oriente. Hercule Poirot segue como um personagem carismático, mas aqui acabou sendo mais um coadjuvante do que protagonista. Ainda que o longa tenha tentado aprofundar seu passado e dar mais camadas ao personagem, esses pequenos lampejos de “interessância” (com o perdão da expressão errada haha) foram ofuscados por uma trama bem sem sal. Olhando pelo lado positivo, fiquei feliz por não ter pagado caro nos ingressos de cinema. 🤷‍♀️

P.S.: e que elenco cheio de gente Chernobyl e/ou cancelada, hein? Se procurarem pela Gal, pela Letitia Wright e pelo Armie Hammer no Google vocês vão sacar do que tô falando. 👀

Título original: Death on the Nile
Ano de lançamento: 2022
Direção: Kenneth Branagh
Elenco: Kenneth Branagh, Gal Gadot, Armie Hammer, Tom Bateman, Emma Mackey, Letitia Wright, Russell Brand, Rose Leslie

Review: Lightyear

Oi pessoal, tudo bem?

Como fã assumida da Disney e da Pixar, dei um voto de confiança e fui conferir Lightyear no cinema. Querem saber como foi? Continuem lendo! 🚀

Sinopse: Nesta aventura de ficção científica cheia de ação, conhecemos a origem definitiva de Buzz Lightyear, o herói que inspirou o brinquedo. “Lightyear” segue o lendário Space Ranger em uma aventura intergaláctica ao lado de um grupo de recrutas ambiciosos e seu companheiro robô Sox.

A proposta do filme não é contar a história do boneco, mas sim a que inspirou a criação dele – ou seja, a história do filme do qual Andy (de Toy Story) se tornou fã. Apesar disso, existem pequenas referências à franquia dos brinquedos, o que traz um pouco de magia ao longa que, sem a associação, acaba se tornando um sci-fi genérico. As falas do Buzz, o modo como ele se movimenta (saltando de um lado para o outro) e até a teimosia em seguir com suas missões fazem a gente lembrar imediatamente do primeiro Toy Story, mas infelizmente isso não foi suficiente pro filme me deslumbrar.

Na trama, Buzz é responsável por um acidente que prende a tripulação de sua nave em um planeta hostil. Com um forte senso de dever, o espaçonauta está determinado a concluir a missão e devolver a vida normal a seus colegas, à sua melhor amiga (Alisha Hawthorne) e a si mesmo, pois todos sonham em ser grandes patrulheiros espaciais. Acontece que para fugir desse planeta, Buzz precisa fazer testes no espaço com combustíveis instáveis à velocidade da luz, tendo como consequência não apenas falha na missão como uma passagem de tempo de 4 anos a cada tentativa – mas somente pra quem ficou no planeta, não para Buzz, que segue sem envelhecer. Em determinado momento, uma passagem de tempo muito maior acontece e ele se depara com uma nave alienígena que está fazendo refém a população humana do planeta em que estão presos, e o protagonista pode contar apenas com o auxílio de três recrutas atrapalhados e um gato-robô.

O ritmo de Lightyear é um pouco confuso e, uma vez que Buzz viaja para o momento em que a nave alienígena se torna a nova grande ameaça, as coisas se tornam bastante arrastadas. O trio que auxilia Buzz é composto pela neta de sua melhor amiga, Izzy (que tem fobia do espaço), uma velha senhora cumprindo condicional, Darby, e um homem inseguro (e chato demais), Mo. Só se salva o gato-robô, Sox, que é maravilhoso e obviamente criado pra vender bonequinhos depois, mas que a gente ama igual. Ele é o autor das melhores piadas do filme, e também as mais naturais. Os cadetes representam a necessidade de Buzz de se possibilitar ser ajudado, se perdoar pelos próprios erros e também vêm para ensiná-lo a ter humildade – já que no começo do longa ele se acha a pessoa mais capaz do mundo e tem baixíssima tolerância a novatos. Porém, a química entre o grupo não funciona, e em mais de um momento me peguei pensando em quanto tempo faltava para o filme terminar.

A tal nave alienígena que ameaça os humanos é comandada por ninguém mais, ninguém menos que Zurg, personagem que gera o boneco que é um dos vilões de Toy Story 2. E apesar das motivações do vilão até fazerem sentido, o plot destinado a ele demora tanto tempo pra acontecer que a minha paciência já tinha se esvaído. Pra vocês entenderem do que estou falando, dá pra dividir o filme em 3 atos: no primeiro, vemos Buzz e Hawthorne testando combustíveis para voltar à vida normal; no segundo, Buzz está conhecendo seus novos aliados forçados e fugindo dos robôs de Zurg com eles; o terceiro acontece na nave de Zurg, em uma batalha contra o vilão. O que me incomodou foi não sentir uma progressão natural e fluida entre eles, com montagens que deram a sensação de um filme mais longo do que precisava ser.

Mas é claro que, além das referências bem feitas a Toy Story, existem pontos a serem exaltados no longa. Hawthorne, por exemplo, é um exemplo de liderança feminina, além de ser uma mulher negra e parte da comunidade LGTBQIA+. Ela protagoniza o primeiro beijo lésbico que a Pixar apresentou de forma explícita e foi de forma natural e muito fofa, em uma montagem que a mostra construindo uma vida no planeta que, forçadamente, foi obrigada a chamar de lar. Hawthorne está lá pra mostrar a Buzz que nem sempre o dever é a única coisa que conta, e que o amor, os amigos e a família são muito mais valiosos. Além dessa personagem super bacana, o filme também é lindo visualmente. As viagens de Buzz na velocidade da luz são bem impressionantes, as cenas têm uma pegada bem Star Wars e os detalhes gráficos do filme são caprichados – como o realismo das gotas de suor na pele de Buzz em momentos de grande tensão, por exemplo.

Lightyear tem sido chamado de “Interestelar das animações” por algumas pessoas, mas como ainda não vi Interestelar, não posso dar meu parecer. 😂 Contudo, uma coisa que tenho tido cada vez mais certeza sobre mim mesma é que sci-fi não é a minha praia, por mais leve e divertida que a trama seja (e em breve esse assunto vai surgir por aqui de novo, numa das próximas resenhas planejadas). A verdade é que faz um tempinho que a Pixar não me arrebata (ainda que Lightyear tenha conseguido arrancar uma ou duas lágrimas), e estou sentindo falta de produções como o incrível e sem defeitos Viva – A Vida é Uma Festa. Lightyear, na minha humilde opinião, é só mais um sci-fi entre tantos que eu provavelmente não vou assistir novamente. Espero que vocês tenham uma experiência melhor mas, no meu coração, quem ganha ainda é o boneco. ❤

Título original: Lightyear
Ano de lançamento: 2022
Direção: Angus MacLane
Elenco: Chris Evans, Uzo Aduba, Peter Sohn, Keke Palmer, Taika Waititi, Darby Steel, James Brolin

Review: Doutor Estranho no Multiverso da Loucura

Oi pessoal, tudo bem?

O filme pelo qual eu andava hypadíssima chegou e a dupla que eu amo está de volta: Wanda Maximoff e Stephen Strange, os protagonistas (sim, no plural, e já já explico porquê) de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. ❤ É impossível falar do filme sem mencionar quem é responsável pelo papel de antagonista, então se você considera isso um spoiler, é melhor evitar esse review. Mas o tema já está sendo bastante discutido na internet e nos materiais de divulgação, então acho pouco provável que você ainda não saiba dessa informação. Bora lá?

Sinopse: Em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, do Marvel Studios, o MCU liberta o multiverso e explora seus limites como nunca foi feito antes. Viaje pelo desconhecido com Doutor Estranho, que, com a ajuda de novos e velhos aliados, atravessa insanas e perigosas realidades do Multiverso para confrontar um misterioso novo adversário

Há algum tempo a Marvel vem trabalhando o conceito de Multiverso, sendo as aparições mais recentes e significativas em Loki, What If…? e Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa. Mas é aqui, em Doutor Estranho 2, que esse conceito se expande como nunca, nos oferecendo possibilidades infinitas dentro do MCU.

A trama tem seu pontapé inicial quando Strange e Wong salvam uma menina chamada America Chavez de uma criatura monstruosa. Logo eles descobrem que ela não vem daquele universo, mas sim de outra Terra, e está sendo perseguida por demônios que querem roubar o seu poder – a incrível habilidade de viajar pelo Multiverso (sobre a qual America ainda não tem controle). Stephen decide então recorrer a uma de suas aliadas mais poderosas, alguém que pode ajudá-lo a proteger America: Wanda, que aparentemente vive em isolamento após o incidente em Westview. Mas se você assistiu WandaVision, talvez se lembre que na cena final vemos Wanda estudando um livro misterioso; trata-se do Darkhold, repleto de feitiços sombrios e capaz de corromper aqueles que o usam. E é o que acontece com Wanda: obcecada pela ideia de encontrar um universo no qual seus filhos estejam vivos e viajar para lá, Wanda é a verdadeira pessoa por trás dos ataques a America. De forma inesperada, Stephen se vê do lados oposto daquela que até então vinha sendo uma importante aliada nos Vingadores.

Não é injusto dizer que, apesar do plot do Stephen ser ótimo, o protagonismo real desse filme é da Wanda. A personagem, ainda que num papel de vilã, é capaz de despertar empatia no espectador. Afinal, desde sua primeira aparição em Era de Ultron, ela vem vivendo perdas irreparáveis: primeiro fica órfã, depois perde seu irmão gêmeo, então se apaixona e vê seu amor sendo assassinado e por fim precisa dar fim à realidade na qual ela tem uma família. Não é de se surpreender que Wanda se apegue a qualquer chance de salvar o resquício de felicidade que ela pensa ser possível, ainda que precise sacrificar alguém no caminho. A transformação em Feiticeira Escarlate não é algo que acontece de súbito, e muito menos uma novidade de Multiverso da Loucura; cada produção da Marvel, cada perda pessoal de Wanda a trouxe para esse caminho.

Mas se Wanda foi corrompida pelo Darkhold, Stephen Strange também precisa encarar suas fraquezas. Ao longo do filme, acompanhamos suas viagens pelo Multiverso com America, na tentativa de encontrar um outro Stephen Strange que possa ter conhecimento sobre um livro que é conhecido como a antítese do Darkhold, o Livro de Vishanti. Durante esse processo, ele vê faces de si mesmo que ele não admira: ele percebe como suas falhas também se repetem em outros universos, o que o faz se questionar sobre suas decisões e sobre a inevitabilidade de seus erros. Ele encontra um Strange igualmente corrompido pelo Darkhold, encontra outra Christine que o confronta sobre sua necessidade de controle (algo que “sua” Christine também evidencia), entre outros aspectos que o fazem duvidar de si mesmo. E, particularmente, gosto que Stephen Strange seja um personagem falho; é muito mais relacionável torcer por alguém que está tentando fazer a coisa certa, mas que nem sempre sabe como – e erra no caminho.

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura também nos presenteia com aparições de cair o queixo. Aqui sim vou soltar spoilers, então se quiser ler selecione o texto a seguir: eu vibrei internamente quando os Illuminati apareceram! Amei ver a Capitã Carter, porque sou apaixonada pela Peggy e até hoje não superei o cancelamento da série dela. Tê-la visto em What If…? e agora de volta ao MCU foi sensacional. Além disso, as suspeitas que eu havia lido de que John Krasinski (o Jim, de The Office) seria o Senhor Fantástico se confirmaram, e eu gostei muito dele no papel. Mas, pra fechar com chave de ouro, não poderia deixar de citar o retorno de Patrick Stewart como Charles Xavier. ❤ Essa aparição quase provocou o mesmo queixo caído que o crossover de Peters em Sem Volta Para Casa. 😂 Tudo isso abre tantas portas no MCU que é impossível não ficar animada pelo que está por vir.

Apesar de contar com algumas piadas aqui e ali, o tom de Multiverso da Loucura não é engraçadinho. Sendo sincera, levei até um sustos! 🙈 A busca de Wanda por America rende cenas de perseguição bem sanguinolentas, porque a personagem utiliza a magia das trevas do Darkhold para entrar na mente dos inimigos, manipulá-los e assassiná-los. Alguns personagens morrem de formas brutais, o que não é tão comum nos longas da Marvel. Pra completar a vibe meio “Carrie, A Estranha”, Wanda persegue Stephen e America coberta de sangue da cabeça aos pés, em cenas mais escuras e “opressivas”.

Ainda que Doutor Estranho no Multiverso da Loucura não seja um filme focado em Stephen Strange, mas sim em desenvolver e talvez concluir esse arco narrativo da Wanda, o personagem de Benedict Cumberbatch não é negligenciado. Ele é confrontado por pessoas importantes e pelas suas escolhas de vida – seja na Terra ao qual pertence, seja em outras. O longa cumpre seu papel de mostrar quão vastos são os caminhos que o Multiverso permite, além de dar tempo de tela ao desenvolvimento de dois dos personagens mais interessantes do MCU. Gostei demais!

P.S.: Wanda, faz o que você quiser que eu passo todos os panos do mundo.
P.S. 2: o Visão foi esquecido no churrasco nas ambições da Wanda, né. 😂

Título original: Doctor Strange in the Multiverse of Madness
Ano de lançamento: 2022
Direção: Sam Raimi
Elenco: Benedict Cumberbatch, Elizabeth Olsen, Benedict Wong, Chiwetel Ejiofor, Xochitl Gomez, Rachel McAdams, Jett Klyne, Julian Hilliard

Review: Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore

Oi pessoal, tudo bem?

Depois da colcha de retalhos esquisita e cheia de fanservice mal feito que recebemos em Os Crimes de Grindelwald, confesso pra vocês que eu não tava esperando muita coisa de Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore. Pra ser honesta, acho que Animais Fantásticos poderia ter sido um filme solo, mas segue o baile. 😂 Talvez tenham sido as baixas expectativas, mas no fim das contas o filme ofereceu uma experiência bem melhor que a que tive com seu antecessor, ainda que tenha problemas, sobre os quais vou contar um pouquinho mais ao longo do post.

Sinopse: O professor Alvo Dumbledore (Jude Law) sabe que o poderoso mago das trevas Gellert Grindelwald (Mads Mikkelsen) está se movimentando para assumir o controle do mundo mágico. Incapaz de detê-lo sozinho, ele pede ao magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) para liderar uma intrépida equipe de bruxos, bruxas e um corajoso padeiro trouxa em uma missão perigosa, em que eles encontram velhos e novos animais fantásticos e entram em conflito com a crescente legião de seguidores de Grindelwald. Mas com tantas ameaças, quanto tempo poderá Dumbledore permanecer à margem do embate?

Gellert Grindelwald agora é um homem procurado, e Dumbledore está determinado a pará-lo. Porém, como o pacto de sangue dos dois os impede de lutar, Alvo precisa montar um time de aliados capazes de ajudá-lo. É assim que Newt, Jacob, Theseus, Yusuf Kama, Lally e Bunty (essas duas últimas eu nem lembrava quem eram rs) se transformam no grupo que vai enfrentar o maior bruxo das trevas visto até então. Em paralelo, Grindelwald está em busca de uma forma não apenas de se livrar das acusações, mas de manipular as eleições vindouras para Chefe Supremo da Confederação Internacional dos Bruxos (é nesse contexto que Maria Fernanda Cândido, com suas 2 falas, aparece: ela é uma das candidatas haha).

Mais uma vez, senti que Animais Fantásticos está pecando ao costurar as diversas tramas paralelas que compõem o cenário de luta política envolvendo Grindelwald. O filme tem muitos pontos para apresentar: o passado apaixonado de Gellert e Alvo, os tais segredos da família Dumbledore (que são diferentes da óbvia mentira que o vilão contou a ele no final do filme anterior), a disputa política pela Confederação, a missão dos aliados de Alvo na tentativa de impedir Gellert, a caça a uma criatura mágica raríssima capaz de interferir nas eleições, a redenção de dois personagens-chave… ufa! O que sobra pra mais 2 filmes, já que a franquia pretende ter 5? Não sei dizer.

Porém, apesar desse bolo meio confuso, o ritmo do filme flui bem melhor que o do longa que o precedeu. Foi menos cansativo ver o desenrolar da história, ainda que infelizmente exista uma sensação de que ninguém ali de fato é protagonista de nada. Tenho uma esperança bem grande de que Dumbledore e Grindelwald passem a ser as verdadeiras estrelas daqui pra frente, porque ainda não estou satisfeita com a representação de nenhum deles. Não consigo enxergar o Alvo que conhecemos em Jude Law, e mesmo Mads Mikkelsen sendo um excelente ator e tendo bem mais química com Jude do que Depp tinha, Grindelwald ainda continua sem me causar impacto.

Outro ponto importante a ser tratado é em relação à redenção que mencionei anteriormente. Isso pode ser considerado spoiler, então pule pro próximo parágrafo se não quiser ler. Credence é um personagem importante desde o primeiro filme, e aqui vemos que uma comunicação entre ele e Aberforth acontece por meio do espelho que o segundo possui (o mesmo espelho que vemos em Harry Potter anos depois). Apesar de ficar subentendido que o garoto está sendo acolhido por Aberforth, sua mudança e desejo de ajudar o lado dos Dumbledore são súbitos demais. O mesmo ocorre com Queenie: começa que só o fato dela ter ido pro lado de Grindelwald no filme anterior foi uma decisão abrupta e descabida; sua redenção aconteceu quase tão rápido – o que é igualmente broxante. Do nada a personagem que vinha sendo uma peça-chave para o vilão devido a sua habilidade de ler mentes se vira contra ele e ajuda Alvo e seus aliados. Oi? Não que eu quisesse Queenie do lado das trevas por muito tempo, mas parece que ninguém sabe como conduzir as transformações dos personagens de modo coerente. Querem um exemplo disso? A Tina! Como que alguém tão importante nos primeiros filmes simplesmente se omite nesse? Não faz o menor sentido (mas pode ter a ver com o fato da atriz ter se manifestado publicamente contra a transfobia da J.K.).

Como aspectos positivos, ressalto o uso da magia e as cenas de batalha, bem como as aparições das criaturas mágicas. Newt e Theseus protagonizam uma cena hilária com animais perigosos, rendendo boas risadas. Os aspectos visuais da franquia são muito bonitos e bem feitos, tanto no que diz respeito à magia quanto às criaturas fantásticas em si. Também não posso deixar de fora a trilha sonora, que é ótima, e inclusive traz de volta a música-tema de Harry Potter – capaz de arrepiar qualquer potterhead na hora.

Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore acerta onde seu antecessor falhou, trazendo um ritmo narrativo mais fluido e menos cansativo. Por outro lado, segue sendo um “espichamento” de uma história que parece não ter encontrado seu caminho, o que me soa como uma franquia caça-níquel mal planejada. O lado bom é que, durante a projeção, me senti empolgada pelo que via na tela, ainda que todos esses defeitos me passassem pela cabeça. Então, pelo menos como entretenimento, ele cumpriu seu papel. Magistralmente? Não. Mas cumpriu. Veremos o que o futuro reserva. 👀

Título original: Fantastic Beasts: The Secrets of Dumbledore
Ano de lançamento: 2022
Direção: David Yates
Elenco: Eddie Redmayne, Jude Law, Mads Mikkelsen, Ezra Miller, Dan Fogler, Alison Sudol, Callum Turner, Jessica Williams, Richard Coyle

Review: Red: Crescer é uma Fera

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vamos conhecer o super carismático Red: Crescer é uma Fera, o novo filme da Pixar disponibilizado no Disney+. 

Sinopse: Uma menina de 13 anos começa a se transformar em um panda vermelho gigante sempre que fica animada.

Meilin Lee (também conhecida como Mei ou Mei-Mei) é uma garota sino-canadense que divide seus dias entre se divertir com as amigas e falar sobre sua boy band favorita, 4*Town, e auxiliar sua mãe, Ming Lee, com o templo da família, um local turístico que preserva as tradições chinesas e o respeito ao red panda – animal que, segundo a lenda, a ancestral de Mei-Mei era capaz de transformar. A vida tranquila e previsível da garota muda radicalmente quando, em um belo dia, ela própria se vê transformada em um red panda enorme, e nessa ocasião Ming Lee revela que todas as mulheres da família passam por essa transformação. Na tentativa de tranquilizar Mei-Mei, sua mãe explica que há um ritual que pode tirar o panda de dentro de si, mas precisa ser feito em um dia específico, que está a 30 dias de distância. Como Mei vai lidar com as transformações em red panda, que parecem acontecer sempre que suas emoções flutuam?

Red: Crescer é uma Fera traz a alegoria à menstruação diretamente no nome. E esse tema não é tratado como tabu por Ming Lee, que aborda a filha (antes de saber sobre a transformação em red panda) com remédios pra cólica, vários tipos de absorvente com abas e com uma naturalidade muito bacana de ser vista na tela. Ainda mais se pensarmos que a menstruação é um assunto tabu em muitos lugares, que grande parte dos homens não fica confortável com o assunto e que a publicidade reforça a menstruação como algo irreal ao trazer um líquido azul pra mostrar a eficácia de seus absorventes, por exemplo.

O fato de Mei-Mei se transformar em red panda quando suas emoções saem do controle é genial, porque não se limita a emoções negativas, mas também a altos níveis de excitação e alegria. É uma forma gráfica e fofa de mostrar como a adolescência pode ser desafiadora em vários níveis, especialmente porque estamos descobrindo nosso lugar no mundo, lidando com muitas mudanças e com uma dose cavalar de hormônios que não estávamos habituadas. Até o cheirinho acentuado de cecê que chega com as mudanças corporais tem vez, dessa vez associado à transformação num animal peludinho e com cheiro específico. 😂

Outro aspecto muito legal de Red: Crescer é uma Fera é o fato de que o filme é focado e destinado a mulheres como público-alvo. Não que homens não possam se identificar e gostar (pelamor né, a gente sempre vê filmes destinados a homens sem chiar, então se aquietem), mas a essência de Red é realmente as relações de Mei-Mei com as mulheres à sua volta. A amizade dela com Miriam, Addie e Priya é sensacional e me transportou de volta à escola: os crushes nos meninos, o amor por uma banda (no meu caso, RBD rs), aquela sensação de querer fazer de TUDO pra conhecer seus ídolos (de novo, no meu caso, 8h na fila pra ver o show do RBD hahaha)… tudo isso é muito fofo e dá uma sensação gostosinha demais, tanto pela nostalgia quanto pela amizade feminina em foco. ❤

A outra relação marcante é a de Mei com Ming Lee. Li diversos comentários sobre o filme vindos de pessoas com descendência chinesa comentando que o filme não exagera ao retratar a dinâmica entre a protagonista e sua mãe. Existe um nível de exigência enorme e sufocante pela excelência, que não dá espaço à diversão e ao diálogo. Ao mesmo tempo, a protagonista vive um dilema entre manter sua relação com a mãe intacta versus ser fiel a si mesma e às mudanças pelas quais está passando. Um exemplo disso é quando Mei-Mei se esforça pra mostrar à mãe por que precisa ver o 4*Town e é privada de receber um voto de confiança; com isso ela se questiona: por que ser perfeita, afinal, se os pais (ou melhor, a mãe) não confiam nela mesmo com todo o seu empenho em ser uma boa filha? O funcionamento das duas também dá espaço a uma das maiores lições do filme: guardar os sentimentos ruins sem extravasar de forma saudável é algo potencialmente “venenoso” e destrutivo, e que é necessário pedir perdão e ouvir os filhos. Preparem-se, porque o famigerado trauma geracional vem forte nesse ponto do enredo, hein!

Como aspectos negativos, eu acho que só a personalidade da Mei que não me agradou tanto mesmo. Achei a personagem um pouquinho enjoada/cansativa e a preferi na forma de red panda hahaha! Também não gostei muuuito do estilo de traço, a boca dos personagens com seus dentes arredondados me fez lembrar de A Fuga das Galinhas. 😂 Em contrapartida, um dos pontos fortes do filme reside no tom leve e engraçado: perdi as contas de quantas risadas dei nas mais variadas cenas. Acertaram muito a mão na comédia, mas a parte dramática não chegou a me emocionar.

Red: Crescer é uma Fera tem muito mérito por focar no crescimento sob a ótica feminina, trazendo a relação entre mulheres como um pilar de força e acolhimento. A adolescência é um período difícil por si só, mas se torna muito mais tranquilo de velejar por esse mar cheio de mudanças quando temos o apoio daqueles que nos rodeiam. E, como o pai de Mei-Mei ensina sabiamente à filha, é importante que nesse processo a gente abrace todas as nossas facetas, das cheias de qualidade àquelas que também trazem nossas trevas, com o objetivo de equilibrar e aprender a lidar com todos esses nossos lados. Prepara a pipoquinha e dê o play em Red, eu recomendo muito! 

Título original: Turning Red
Ano de lançamento: 2022
Direção: Domee Shi
Elenco: Rosalie Chiang, Sandra Oh, Ava Morse, Hyein Park, Maitreyi Ramakrishnan, Orion Lee

Review: Batman

Oi pessoal, tudo bem?

Ontem fui assistir ao filme do Morcegão, o famoso Batman! ❤ Bora descobrir o que eu achei do longa, cujo hype está nas alturas?

Sinopse: Batman (The Batman, no original) segue o segundo ano de Bruce Wayne (Robert Pattinson) como o herói de Gotham, causando medo nos corações dos criminosos da sombria cidade. Com apenas alguns aliados de confiança – Alfred Pennyworth (Andy Serkis) e o tenente James Gordon (Jeffrey Wright) – entre a rede corrupta de funcionários e figuras importantes do distrito, o vigilante solitário se estabeleceu como a única personificação da vingança entre seus concidadãos. Durante uma de suas investigações, Bruce acaba envolvendo a si mesmo e Gordon em um jogo de gato e rato, ao investigar uma série de maquinações sádicas em uma trilha de pistas enigmáticas estabelecida pelo vilão Charada. Quando as evidências começam a chegar perto de casa, e a escala do criminoso fica clara, Batman precisa criar novas relações, desmascarar o culpado e levar justiça para o abuso de poder e corrupção que assolam Gotham há muito tempo

De cara a vibe de Batman me lembrou a de Coringa, ao trazer um início sóbrio e sem trilha sonora, com um lettering enorme do nome do filme. Os primeiros minutos já dão certa aflição, com uma cena de abertura em que um homem é observado com uma espécie de binóculo e, como som, há somente uma respiração ofegante. Esse homem é a primeira vítima de Charada, o antagonista do filme, que tem planos grandiosos de destruição em Gotham – contra os quais nosso “herói-anti-herói” (se é que dá pra chamar assim) vai lutar.

A trama se passa cerca de 2 anos após Bruce Wayne assumir o manto de Batman e iniciar seu trabalho como vigilante nas sombras da cidade. O filme acerta em trazer um Batman já estabelecido e em colaboração com o tenente Jim Gordon, porque dessa forma é possível focar mais no personagem, na investigação e nas relações intrincadas dos membros de uma cidade tomada pelo caos, pela criminalidade e pela corrupção. Esta última palavra define tudo aquilo contra o que o Batman luta, e não demoramos a entender que o Charada também tem o mesmo objetivo, mas de forma totalmente deturpada.

Batman tem uma atmosfera pesada e realista, e as cenas que exageram um pouquinho na ação não soam forçadas. Aliás, ação de qualidade é o que não falta no longa: temos coreografias muito bem feitas e movimentos precisos por parte de Robert Pattinson, que coloca muita violência em cada soco dado por Batman. A fotografia colabora muito pra impressionar ainda mais, como por exemplo em uma cena na qual Batman luta em meio a tiros, sendo os disparos a única fonte de iluminação. A forma do diretor de conduzir as lutas impressiona, captura a atenção e nos faz prender a respiração.

Mas não posso falar de Batman sem mencionar os personagens e a performance dos atores. Robert Pattinson entregou tudo e mais um pouco em sua performance, conseguindo transmitir a emoção cansada e desconectada de sua própria humanidade de Bruce Wayne, bem como a ferocidade do Batman. O ator não deixa nada a desejar a Christian Bale (outro Batman que eu adoro), com a diferença primordial aqui sendo o próprio Bruce: enquanto a versão de Bale se utiliza da extravagância pra se misturar às pessoas e não levantar suspeitas, a versão de Pattinson do personagem é sombria e reclusa. Temos também a excelente performance de Zöe Kravitz no papel de Selina Kyle. Sua Mulher-Gato é uma mulher que trabalha no clube de um dos maiores mafiosos de Gotham e tem como objetivo pessoal resgatar sua amiga, que também trabalha lá, do perigo que os principais figurões da cidade representam. Devido ao objetivo em comum de desmascarar essas pessoas, ela e Batman começam a trabalhar juntos, e a tensão sexual entre eles é palpável – ainda que existam poucos momentos pra que isso seja desenrolado. O mais bacana, nesse caso, é perceber que a Mulher-Gato não é simplesmente o interesse amoroso do Morcego: ela é um indivíduo completo, com suas próprias motivações, que faz o que precisa fazer e tem sua história e seu passado trabalhados durante o longa.

As atuações primorosas não se resumem à dupla formada pelo Morcego e pela Gata. O Jim Gordon de Jeffrey Wright não só convence como nos faz criar confiança e empatia, pois no meio de tanta podridão ele é um homem que luta pelo que é certo. O Alfred de Andy Serkis é um aliado vital do Batman, mas é também um vínculo com a humanidade de Bruce. Sem ele, provavelmente não restaria muito do homem, somente do Morcego. Colin Farrell como Pinguim está irreconhecível, e olha que fiz muito esforço pra enxergar o homem por trás da maquiagem. Ele consegue transmitir muito asco ao espectador, e provavelmente terá mais participações caso existam mais filmes por vir. Por último, mas não menos importante, o Charada de Paul Dano é fantástico: eu nunca tinha visto uma versão do personagem tão sombria. O homem é completamente insano e, por mais que seu objetivo seja desmascarar a corrupção de Gotham, seus meios são terríveis e caóticos.

Batman é um filme extraordinário do início ao fim, que equilibra excelentes cenas de ação, uma fotografia sombria e imersiva, atuações impecáveis e uma trama que vai crescendo até o ápice. Se a trilogia de Nolan (mega reconhecida e respeitada, e por isso tão utilizada como parâmetro) é incrível, o novo Batman também é, e merece todo o hype que vem recebendo. O longa ainda deixa espaço para futuros filmes cheios de potencial, e eu mal posso esperar para o que está por vir. Minha dica é: corram pro cinema, vocês não vão se arrepender. 🦇

Título original: The Batman
Ano de lançamento: 2022
Direção: Matt Reeves
Elenco: Robert Pattinson, Zöe Kravitz, Jeffrey Wright, Colin Farrell, Paul Dano, John Turturro, Andy Serkis

Review: Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

Oi pessoal, tudo bem?

Acho que todo fã da Marvel estava ansiosíssimo pelo terceiro filme do Cabeça de Teia, né? A promessa dos pôsteres de trazer inimigos icônicos e o envolvimento do Doutor Estranho já nos deixaram em frenesi, e agora conto pra vocês o que achei de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa. ❤

Sinopse: Com a identidade do Homem-Aranha revelada, Peter pede ajuda ao Doutor Estranho. Quando um feitiço corre mal, inimigos perigosos de outros mundos começam a aparecer, forçando Peter a descobrir o que realmente significa ser o Homem-Aranha.

Sendo sincera, devo dizer que sentia falta de protagonismo nos filmes anteriores estrelados por Tom Holland. Sempre achei que seu Homem-Aranha viveu demais à sombra de Tony Stark, principalmente em Longe de Casa, na qual o próprio vilão tem motivações relacionadas ao Homem de Ferro. Felizmente, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é obrigado a encontrar o próprio caminho com a morte do gênio, bilionário e filantropo, e esse caminho é alucinante!

Quando Mysterio revela a identidade de Peter para o mundo, rapidamente sua vida muda – mas a de seus amigos também. Devido à polêmica, eles não são aceitos em nenhuma universidade, o que faz Peter pedir auxílio a Stephen Strange. O que a princípio seria um feitiço mais “simples” (remover a memória de que o Homem-Aranha é Peter Parker) logo sai de controle porque Peter fica pedindo exceções enquanto o Doutor Estranho o conjura. Com isso, a porta do multiverso é aberta, trazendo vilões das outras duas franquias do Amigo da Vizinhança. Porém, Peter não deseja enviá-los de volta sabendo que o destino de todos eles é a morte: o jovem, cujo coração é enorme, deseja poder curá-los, de modo que se regenerem e tenham seus destinos alterados. E é a partir desse ponto que não dá pra voltar atrás, trazendo consequências catastróficas pra Peter.

Sem Volta Para Casa é um filme que não se limita ou se baseia em (apenas) fanservice: as interações entre os personagens de diferentes universos é incrível e promove um crescimento bastante forçado e dolorido a um Peter Parker (de Tom Holland) ainda muito ingênuo. Mesmo contando que a ajuda de MJ e Ned, Peter vê boa parte do seu mundo ruir por causa desses vilões que surgiram em seu universo. O esforço de lutar contra tantos antagonistas sozinho é insuportável, e o arrependimento gerado por suas ações leva Peter para um caminho bastante sombrio. E aqui aproveito para elogiar novamente a performance de Tom Holland: o ator consegue ir da ira às lágrimas com muita facilidade e intensidade, transmitindo suas emoções ao espectador de forma muito convincente.

Apesar de ter um tom mais sério do que seus antecessores, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa consegue encaixar ótimas cenas de humor. Não posso falar muito sobre os principais envolvidos, mas garanto que vocês vão pegar boas referências. 😂 Também gostei muuuito da participação do Ned e da MJ em momentos cruciais, os dois trouxeram bastante leveza para a trama até então mais pesada envolvendo (este) Peter Parker. E o que dizer das cenas de ação? Obviamente foram dinâmicas, intensas, ágeis e do tipo que faz você nem querer piscar. Dá pra imaginar, né? Afinal, é o Homem-Aranha lutando contra vários vilões icônicos ao mesmo tempo!

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é um dos melhores filmes do MCU, e entrega tudo que eu esperava que fosse entregar: muita ação, sacrifícios, desenvolvimento do protagonista e abandono do legado de Stark para que Peter construa o seu. O final do longa tem um sabor amargo, mas que também me agradou pelo paralelismo que é possível ver em relação ao personagem Peter Parker como um todo. E eu, que não fazia muita questão dos filmes do Tom Holland, me encontro ansiosa para descobrir quais serão seus próximos passos. Corram pro cinema! ❤

P.S.: aqui vai uma listinha com spoilers dos meus surtos ao longo do filme. Selecionem se quiserem ler!

  • PUTA QUE PARIU O MATT FUCKIN’ MURDOCK VOLTOU!!! Pelo amor de Deus, façam um filme do Demolidor, nunca te pedi nada Marvel. 😭
  • A cena dos três Peter’s “se apontando” foi O AUGE. 😂
  • R.I.P. May! 💔 Não lembro se ela era viúva nessa trilogia do Tom Holland e se chegou a existir um tio Ben. Seja como for, fez todo sentido ela representar essa perda “clássica” do herói, já que a do Tony Stark não representou a mesma coisa e com o mesmo impacto.
  • O clichê do Peter de Tobey Maguire ser esfaqueado por trás pelo Osborn foi bem sem graça hahaha! No momento em que ele impede o Peter do Tom já fiquei pensando “tá, quantos minutos vão levar pro Osborn esfaquear ele por trás?”
  • Fiquei MUITO emocionada com o Peter de Andrew Garfield conseguindo salvar a MJ da queda. 🥺
  • Que dó do Peter abrindo mão de falar com a MJ e com o Ned, provavelmente pela segurança deles. 😦
  • O paralelismo que mencionei antes diz respeito ao Peter de Tom agora viver em um apê humilde e não ter dinheiro nem recursos, como acontece com o Peter de Tobey. Parece uma constante no destino de Peter Parker, independente do universo. Será que ele vai trilhar os mesmos passos e se tornar um fotógrafo que ganha a vida vendendo fotos do Homem-Aranha? Mal posso esperar para descobrir!

Título original: Spider-Man: No Way Home
Ano de lançamento: 2021
Direção: Jon Watts
Elenco: Tom Holland, Zendaya, Jacob Batalon, Marisa Tomei, Benedict Cumberbatch, Jon Favreau

Review: Casa Gucci

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vamos conversar um pouquinho sobre Casa Gucci, o novo filme estrelado pela Lady Gaga. 😀

poster casa gucci

Sinopse: Casa Gucci é inspirada na chocante história real do império da família por trás da italiana casa de moda Gucci. Abrangendo três décadas de amor, traição, decadência, vingança e em última instância, assassinato, vemos o que um nome significa, o que vale e quão longe uma família é capaz de ir para se manter no controle.

Adoro histórias de crimes reais, então tava curiosa pra ver a narrativa por trás do assassinato do herdeiro da Gucci, Maurizio, cuja morte foi encomendada pela ex-mulher, Patrizia Reggiani. O longa não foca no crime e nos seus desdobramentos, e sim em todas as intrigas políticas da família que culminaram nesse desfecho. A trama mostra como Patrizia e Maurizio se conheceram (em uma festa de um amigo em comum) e como o relacionamento deles foi de uma chama intensa a um ódio mortal. Além disso, aborda todas as maquinações e traições que os membros da família fizeram para ter mais e mais controle da companhia.

A primeira coisa que me incomodou em Casa Gucci foram os sotaques. Alguém me explica por que fazer os atores imitarem o suposto jeito italiano de falar inglês mesmo quando a trama ainda se passava em Milão? Ficou tão forçado que chegou a me dar dó (e um pouco de vergonha alheia). Jared Leto, que interpreta o primo de Maurizio, por exemplo, entregou uma performance tão caricata que eu queria expulsá-lo de toda cena em que ele aparecia. Mas os sotaques do elenco como um todo me incomodaram demais.

Outro ponto bem desagradável foi a maneira como pintaram Maurizio na trama. Não conheço profundamente a história da Gucci e dos membros da família, então minha opinião se baseia exclusivamente no longa, mas as sensações deixadas por ele são: 1) ele começa sendo um frouxo que acata tudo que Patrizia queria só porque ela oferecia um sexo irresistível sempre que queria convencê-lo de algo; 2) DO NADA a personalidade dele muda completamente, sem explicação plausível pra tal, e ele se transforma em alguém interessado 100% nos negócios da família, capaz inclusive de trair e manipular também. Ou seja, ele começa o filme como alguém que não queria ter nada a ver com os Gucci, depois faz tudo que Patrizia quer porque aparentemente nunca tinha transado antes, e por último ele resolve tomar as mesmas atitudes manipuladoras que a esposa queria que ele tomasse, mas a critica por isso, e se torna alguém repentinamente interessado na Gucci e com um nível de ambição considerável. Sério, pareceu coisa de maluco.

Achei o filme desnecessariamente longo também. Ele tem quase 3h e demora muito tempo pras coisas de desenrolarem, ao passo que o terceiro ato é corrido e gera essas inconsistências, como a personalidade de Maurizio, e o desejo de Patrizia de assassinar o ex. Depois de assistir Casa Gucci fui procurar o que era real e o que não era na trama, e as informações que encontrei dizem que o filme não fez jus ao ódio que Patrizia bradava contra Maurizio, que era bem mais intenso e explanado do que o longa exibiu. Essa lentidão seguida por um desfecho súbito não foi bacana, me deixando inclusive entediada.

Mas também tem pontos fortes no filme, obviamente. Eu acho o Adam Driver muito foda, e especialmente durante a fase apaixonado por Patrizia ele transmitiu perfeitamente a simplicidade e a timidez de Maurizio. Lady Gaga arrasou nas cenas de manipulação, ameaça e raiva. Sua expressão facial conseguia transmitir com excelência o quanto Patrizia era interesseira e ambiciosa, capaz de tudo pra atingir seus objetivos envolvendo riqueza e glória. Por outro lado, a cantora (e agora atriz) não me convence muito em cenas mais alegres, acho que ela fica meio “travadona”, e senti o mesmo em Nasce Uma Estrela. É no drama e na intensidade (seja ela pra algo positivo ou pra algo mais “maquiavélico”) que ela se destaca. Jared Leto, como já mencionei antes, é a vergonha alheia em formato humano, e sua versão de Paolo Gucci é de dar dó. Al Pacino no papel de Aldo Gucci (um dos irmãos fundadores, tio de Maurizio) foi o que mais me convenceu, inclusive no sotaque. 😛

Acho que fui com muita sede ao pote com Casa Gucci, e pela minha experiência isso é sempre perigoso, pois dá muita margem pra expectativas frustradas – e foi exatamente o que aconteceu. Felizmente eu fui no cinema com promoção de Black Friday e paguei só R$ 10 no ingresso, caso contrário eu teria ficado mais chateada. 😛 Mas lembro a vocês que essa é apenas a minha opinião, e relembro que muita gente gostou do filme, então recomendo que assistam e tirem suas próprias conclusões. o/

Título original: House of Gucci
Ano de lançamento: 2021
Direção: Ridley Scott
Elenco: Lady Gaga, Adam Driver, Al Pacino, Jared Leto, Jeremy Irons, Jack Huston, Salma Hayek