Review: Klaus

Oi gente, tudo bem?

Chega o final de ano e a onda de filmes natalinos chega junto. Apesar de eu não curtir muito esse tipo de longa, um deles chamou imediatamente minha atenção: a animação Klaus.

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Sinopse: Um carteiro egoísta e um fabricante de brinquedos solitário cultivam uma amizade improvável e levam alegria a uma cidade fria e sombria.

A primeira coisa que reparei em Klaus é que o traço do filme remete às produções da Disney na década de 90 e início dos anos 2000. E não é pra menos: o responsável por Klaus trabalhou como animador da empresa e, inclusive, fez um dos filmes favoritos, Planeta do Tesouro. ❤ Só nesse aspecto Klaus já ganhou alguns pontos comigo, porque sinto muita falta de animações 2D – e, nesse caso, a arte ainda tem alguns diferenciais em relação àquela época, tornando o filme visualmente encantador.

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A trama acompanha o jovem Jesper, o preguiçoso e mimado herdeiro de uma grande empresa de correios. Seu pai, cansado de dar diversas chances ao filho, decide enviá-lo como carteiro a uma cidade isolada, Smeerensburg, onde Jesper precisa permanecer por um ano trabalhando seriamente caso queira voltar à vida mansa que levava. Chegando lá, o rapaz percebe que seu ofício é desnecessário, já que o ódio e o rancor tomam conta da cidade devido a uma rixa antiga entre duas famílias e, portanto, ninguém envia cartas. Ao conhecer Klaus, um velho marceneiro que vive na floresta, Jesper acaba provocando uma situação inesperada: ao entregar um brinquedo feito por Klaus a uma criança, a notícia se espalha entre os pequenos e todos começam a enviar cartas na esperança de ganhar um presente também. E é assim que a parceria entre os dois começa.

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Klaus é o filme sobre o Papai Noel mais criativo a que já assisti. O longa ressignifica todos os aspectos da mitologia original e, ainda assim, reconhecemos claramente as referências presentes na trama. É muito divertido acompanhar cada cena e entender qual aspecto do personagem está sendo revelado, especialmente pela forma inesperada que muitas delas acontecem. A cena do trenó voador, por exemplo, é de arrancar risadas!

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Os personagens são carismáticos e têm papéis importantes a cumprir. Jesper é o clichê do egoísta que se transforma, mas seu carisma e jeito atrapalhado nos conquistam; Klaus é o personagem cujas dores são apresentadas, mas também seu coração gigante e sua vontade de fazer o bem; Alva é uma professora sem esperança que acaba sendo tocada pelo movimento iniciado (ainda que sem querer) por Jesper; e até a briga dos vilões acaba sendo divertida.

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A trama se desenrola de maneira cativante, e as mudanças que acontecem com os personagens são graduais e críveis. Aos poucos, a própria cidade vai se transformando, sendo tocada pelos atos generosos do homem misterioso que entrega brinquedos às crianças. São elas, inclusive, que aproximam os adultos e mostram que a rixa secular já está mais do que ultrapassada. Os personagens principais não escapam desse processo e, pouco a pouco, se veem como parte daquela comunidade, que abre mão das brigas sem fim em nome da empatia e da generosidade.

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Klaus é um filme doce, engraçado e emocionante, que vai muito além do conceito simplista de ser um filme de Natal. É uma história sobre mudanças (externas e internas) e sobre o poder da gentileza. Da animação à trama, Klaus encanta em cada detalhe, nos levando das risadas às lágrimas e deixando a sensação de que assistimos a algo incrível. O que é a mais pura verdade. ❤

Tìtulo original: Klaus
Ano de lançamento: 2019
Direção: Sergio Pablos
Elenco: Jason Schwartzman, J. K. Simmons, Rashida Jones, Joan Cusack, Will Sasso, Norm Macdonald, Neda Margrethe Labba

Review: Deixe a Neve Cair

Oi pessoal, tudo bem?

E cá estou para mais uma postagem da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de HistóriasInterrupted Dreamer e Tear de Informações). \o/

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Para novembro, escolhemos falar sobre Deixe a Neve Cair, o novo filme da Netflix baseado no romance de mesmo nome.

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Sinopse: Um forte nevasca atinge a cidade de Gracetown na véspera de Natal e a transforma em um inesperado refúgio romântico. Um trem retido no meio do nada, uma corrida com os amigos no frio congelante e lidar com a tristeza da perda do namorado ideal. Três histórias de amor distintas que se conectam entre si. 

Deixe a Neve Cair é um daqueles filmes de romance com histórias paralelas que têm elementos em comum. Nesse caso, os protagonistas provavelmente frequentam a mesma escola (afinal, o longa não deixa isso claro rs) e também uma casa de waffles da cidade (alguns como funcionários e outros como clientes). As histórias se convergem graças a uma festa de Natal que acontece no local.

São três os núcleos principais: Angie (também conhecida como Duke) e Tobin; Dorrie, sua melhor amiga Addie e sua crush; e Julie e Stuart. Angie e Tobin são melhores amigos desde sempre, mas o que a garota não sabe é que Tobin está perdidamente apaixonado por ela. Quando um rapaz parece demonstrar interesse em Angie, Tobin precisa decidir se vai tomar uma atitude e lutar por ela ou não. Dorrie e Addie também são melhores amigas, mas a relação fica complicada quando Addie coloca seu namorado em primeiro lugar. Ela stalkeia o rapaz e tenta controlar seus passos, e quando Dorrie aponta os erros que ela comete, as duas brigam feio. Para completar, Dorrie está interessada em uma garota com quem saiu e, apesar da jovem dizer o quanto gosta dela, na frente das outras pessoas ela finge que nem a conhece. Por último, temos Julie e Stuart: a primeira é uma jovem dividida entre ir para uma faculdade em Nova York ou ficar na cidade para cuidar da mãe doente, enquanto Stuart é um jovem cantor famoso que acaba passando o Natal sozinho por falta de companhia. Ao se conhecerem em um trem, eles acabam passando o dia juntos e uma química inevitável surge.

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A primeira coisa que preciso dizer sobre Deixe a Neve Cair é que ele é um romance clichê. Em geral, isso não é um problema pra mim, desde que os clichês sejam bem desenvolvidos – o que não acontece aqui. Para vocês terem ideia, a crush de Dorrie NEM TEM NOME! Ela aparece pela primeira vez e Dorrie se refere a ela com uma frase tipo “aquela garota e eu tivemos um lance”. E aí o filme passa o tempo todo tentando convencer o espectador de que devemos nos importar com os sentimentos existentes entre elas – sem nem se dar ao trabalho de desenvolver a tal garota. Eu sinceramente só fui descobrir que a jovem tinha nome olhando no IMDB, e não duvido que a informação tenha sido extraída do livro, mas enfim.

O plot de Julie e Stuart também não poderia ter sido mais forçado. O cantor famoso querendo passar o dia com uma desconhecida só porque ela não deu uma de fã louca foi muito “eye rolling” pra mim. A performance de Shameik Moore no papel não ajudou em nada a tornar Stuart um pouco mais verossímil, já que as expressões faciais eram basicamente as mesmas o tempo todo. Não consegui comprar o romance entre eles, infelizmente. 😦 Já a história de Angie e Tobin também é mais do mesmo. Não tenho muito a criticar, tampouco a elogiar. A melhor cena dos dois é quando cantam juntos, mas nada que tenha aquecido meu coração (como sempre espero desse tipo de filme).

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A personagem mais interessante de Deixe a Neve Cair é a mulher que usa roupas de alumínio. Além de engraçada e carismática, ela divide bons momentos com Addie, trazendo algumas verdades que a personagem precisa ouvir. A jovem é autocentrada, insegura e obcecada pelo namorado, o que a torna bastante controladora. Porém, com o passar do tempo, ela percebe a importância das amizades e de dar valor a quem gosta de você de verdade. Tudo isso em meio a várias brigas com a mulher das roupas de alumínio rs.

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Deixe a Neve Cair é um filme que provavelmente vou esquecer em pouco tempo. Pelo trailer, eu tinha expectativas bem mais altas e realmente esperava uma história que me fizesse dizer “own” em algum momento. Infelizmente, não rolou. 😦

Tìtulo original: Let it Snow
Ano de lançamento: 2019
Direção: Luke Snellin
Elenco: Isabela Merced, Shameik Moore, Odeya Rush, Liv Hewson, Mitchell Hope, Kiernan Shipka, Matthew Noszka, Jacob Batalon, Joan Cusack, Anna Akana

Review: Coringa

Oi gente, tudo bem?

Levei alguns dias, mas finalmente consegui organizar os pensamentos para trazer minha opinião sobre Coringa pra vocês. Talvez ela seja um pouco controversa em alguns pontos, então convido vocês pro debate também. 😉

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Sinopse: O comediante falido Arthur Fleck encontra violentos bandidos pelas ruas de Gotham City. Desconsiderado pela sociedade, Fleck começa a ficar louco e se transforma no criminoso conhecido como Coringa.

Acho que é redundante dizer que Coringa é tecnicamente impecável. As inúmeras reações positivas e o frisson da crítica especializada já são suficientes para evidenciar que o longa tem qualidade ímpar. Mas teve um sentimento para o qual as críticas não me prepararam: o desconforto.

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Coringa é um filme que, do início ao fim, da primeira à última cena, causa desconforto. Causa perturbação. Faz você querer olhar pro lado, sabem? A sessão inteira eu mantive minha testa franzida (sério), me sentindo incomodada mesmo em cenas aparentemente inofensivas. Além da óbvia violência explícita, os cenários e a trilha sonora colaboram para uma sensação aflitiva que nos persegue durante toda a exibição. Uma das maiores responsáveis por todas essas sensações é a atuação de Joaquin Phoenix: intensa, visceral e profundamente marcante. O ator dá vida a um Arthur Fleck/Coringa ambíguo: ora digno de pena, ora condenável. Sua expressão corporal e seu olhar revelam a perturbação que é essencial do personagem, e sua risada causa incômodo em todas as circunstâncias em que ocorre.

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E já que mencionei a ambiguidade do protagonista, devo dizer: para falar de Coringa é necessário falar primeiro de Arthur Fleck. Trabalhando como palhaço em diversos bicos, o personagem divide um apartamento caindo aos pedaços com a mãe doente e sofre de um problema neurológico que o faz rir em situações de desconforto (ou seja, quando ele NÃO deseja rir). Seu maior sonho é tornar-se um comediante de stand up, mas os acontecimentos ao longo do filme o afastam cada vez mais da vida “normal” que ele tenta construir. Quando as verbas destinadas à assistência social (que lhe fornecia sessões de terapia e medicamentos) são cortadas pelo governo, o caminho do personagem vai se tornando cada vez mais tortuoso.

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E agora entra a minha opinião possivelmente controversa. Peço que leiam com carinho pra gente debater, tá? Eu acredito que Coringa tenha pecado um pouco na demora para mostrar a “verdadeira face” de Arthur como um psicopata. Qualquer pessoa que conheça o personagem sabe que o vilão é capaz das maiores atrocidades, certo? Mas o filme não é sobre um Coringa já estabelecido, e sim sobre o homem que ele foi antes de tornar-se o Palhaço. E, devido a isso, a verdade é que metade do filme (ou até mais) é dedicada a mostrar as injustiças que Arthur enfrenta e o descaso do governo e da população em relação a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Somos obrigados a ver Arthur apanhando, sendo ridicularizado e hostilizado e confrontando seu passado difícil. O filme me fez sentir revolta em ver Arthur sofrendo tanto. Eu senti empatia por ele. E me senti mal por sentir empatia por um personagem que, eu sei, vai se tornar/se revelar um psicopata. Para mim, faltou explorar mais esse lado de Arthur: a manifestação de psicopatia que independe de sua condição psicológica, aquela que o conduz para o seu “verdadeiro eu”.

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Dito isso, ainda assim devo elogiar o fato do filme abordar com tanta crueza o abandono do Estado e as consequências disso. Arthur, entre outras coisas, é um fruto do meio: tentando se ajustar ao modelo de sociedade existente, quando as coisas que lhe davam suporte são tiradas dele seu autocontrole também se vai. E as pessoas de Gotham (que poderia facilmente ser qualquer outra metrópole, como Nova York) também sentem esse descaso e refletem o caos, causando destruição e agindo com maldade. Além dos aspectos econômicos e sociais abordados por Coringa, o longa também nos obriga a enfrentar uma dura realidade trazida pelo próprio protagonista: a pior parte de se ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você aja como se não a tivesse. Nosso sistema funciona de modo a excluir quem não consegue se adequar a padrões de beleza, de comportamento e de “utilidade”; essas pessoas muitas vezes são forçadas a permanecerem em subempregos e em condições degradantes por terem transtornos psicológicos. E por mais que esse fato não seja algo totalmente novo, vê-lo totalmente sem maquiagem – como foi feito em Coringa – ainda assim é doloroso.

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Resumindo, Coringa é um filme que toca em diversas feridas. A responsabilidade e o descaso do Estado em cuidar de sua população, a exclusão de pessoas com transtornos psicológicos e até mesmo as consequências desse caos fazem parte da narrativa. É um filme que mostra a trajetória de um homem que abraça esse caos e essa destruição e faz disso sua essência, sem pudor e sem remorso. Em suma, é a origem de um dos maiores vilões da cultura pop narrada de forma realista e visceral. Recomendo, mas alerto: vai ser difícil você não se sentir desconfortável enquanto assiste.

Título original: Joker
Ano de lançamento: 2019
Direção: Todd Phillips
Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen

Review: El Camino: A Breaking Bad Movie

Oi pessoal, tudo bem?

Quem já leu minha resenha de Breaking Bad sabe que minha relação com a série foi do ódio ao amor, e eu terminei de assisti-la totalmente impressionada com a qualidade narrativa e técnica. Portanto, era óbvia minha ansiedade para conferir El Camino: A Breaking Bad Movie, o longa da Netflix que mostra o desfecho da jornada do meu personagem favorito: Jesse Pinkman. Por tratar-se de um epílogo, há spoilers da série!

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Sinopse: O fugitivo Jesse Pinkman tenta superar o passado. Escrito e dirigido pelo criador de Breaking Bad, Vince Gilligan, e estrelado por Aaron Paul.

Após ser sequestrado, ver a mulher que gostava ser assassinada, ser torturado de todas as formas e finalmente conseguir escapar de Todd, Jack e seus capangas, o último vislumbre que tivemos de Jesse foi dele pilotando o carro que roubou de seus captores (um El Camino, que dá nome ao filme) com os olhos marejados e uma sensação de êxtase. Mas e o que acontece depois? Jesse consegue se recuperar psicologicamente? Ele é preso? Ele foge? São perguntas que o longa vem para esclarecer.

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Ao longo das cinco temporadas de Breaking Bad, sempre ficou nítido para mim que Jesse era uma pessoa que tomou decisões erradas, trilhou um caminho ruim, mas tinha um coração essencialmente bom. Senti muita pena de todas as vezes em que ele tentou se desvencilhar de Walter (conhecido como o personagem mais egoísta do mundo, te odeio Walter White bjs) e fiquei de coração partido quando ele foi capturado e torturado na reta final da trama. Por todos esses motivos, mesmo sabendo que o personagem tem sua parcela de culpa em tudo que aconteceu, eu sempre torci por ele, para que ele conseguisse mudar de vida e encontrar a felicidade. El Camino vem para mostrar como essa jornada se desenrola, afinal, os traumas, o remorso e a culpa que acompanham Jesse são profundos.

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Apesar de descobrirmos mais sobre o tempo de Jesse em cativeiro e também vislumbrarmos as cicatrizes (literais e metafóricas) que toda a vivência do personagem deixou, El Camino não se concentra tempo demais em torno desse drama, evitando superexpor as cenas de sofrimento. A história é ágil, direta, objetiva: são 2h e 2 minutos de duração que têm um ritmo muito semelhante ao da série, fazendo com que o longa pareça um episódio mais duradouro de Breaking Bad. Com adição de alguns flashbacks para contextualizar certas situações, El Camino ainda nos agracia com a possibilidade de matar a saudade de alguns personagens (ou de odiá-los mais um pouquinho rs). Porém, fica um pequeno alerta: mesmo com o resumo no início, há alguns detalhes da trama original que eu não consegui me lembrar tão bem quanto gostaria. O filme contextualiza depois, mas talvez valha a pena assistir à quinta temporada de novo, ou pelo menos aos episódios finais, caso você também fique com a sensação de “hmmm quem é esse mesmo?”. 😛

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Outro aspecto incrível sobre El Camino é a consistência em relação à série. Vince Gilligan conseguiu recriar toda a atmosfera de Breaking Bad mesmo 6 anos após seu fim. E olha que eu não sou a maior entusiasta de spin-offs! Aaron Paul, por sua vez, retoma todo o peso dramático com qual Jesse terminou na series finale e desenvolve os desdobramentos disso com perfeição, até chegar ao ponto de esperança e renovação para o personagem. E o que dizer da fotografia? Assim como sua contraparte televisiva, que trazia cenas icônicas, El Camino também tem momentos tão belos quanto a produção que o antecede. Destaque para um dos cenários finais, que traz toda a sensação de liberdade que a narrativa inteira buscou.

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El Camino é a história que os fãs de Breaking Bad não sabiam que precisavam: um desfecho digno para Jesse, que finalmente teve a chance de tomar as rédeas da própria vida. O longa faz isso com respeito ao legado da série, com consistência em relação a tudo que faz de Breaking Bad o que ela é e, principalmente, dá protagonismo ao personagem que foi usado como um fantoche em diversos momentos da produção original. Ter a chance de ver Jesse como alguém livre da influência de Walter, com a possibilidade de fazer o que quiser com essa liberdade, foi revigorante. Porque, ao contrário de Walter, Jesse é alguém cuja humanidade nunca desapareceu, apesar dos crimes cometidos. E é nessa humanidade que a gente aposta. 🙂

Título original: El Camino: A Breaking Bad Movie
Ano de lançamento: 2019
Direção: Vince Gilligan
Elenco: Aaron Paul, Jonathan Banks, Matt Jones, Charles Baker, Jesse Plemons, Tom Bower

Review: It – Capítulo 2

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de um longo período cheeeio de expectativa, It – Capítulo 2 chegou aos cinemas e é claro que eu corri para conferir! 🎈

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Sinopse: 27 anos depois dos eventos de “It A Coisa”, Mike (Isaiah Mustafa) percebe que o palhaço Pennywise (Bill Skarsgard) está de volta à cidade de Derry. Ele convoca os antigos amigos do Clube dos Otários para honrar a promessa de infância e acabar com o inimigo de uma vez por todas. Mas quando Bill (James McAvoy), Beverly (Jessica Chastain), Ritchie (Bill Hader), Ben (Jay Ryan) e Eddie (James Ransone) retornam às suas origens, eles precisam se confrontar a traumas nunca resolvidos de suas infâncias, e que repercutem até hoje na vida adulta.

27 anos após a luta com Pennywise na casa amaldiçoada, o Clube dos Otários (agora separado) vive suas próprias vidas. Porém, após um assassinato homofóbico brutal, Mike Hanlon o único que ficou em Derry toma a decisão de ligar para cada um dos membros do grupo, a fim de relembrá-los da promessa feita tantos anos antes: se o Palhaço Dançarino voltasse, eles também voltariam para acabar de uma vez por todas com a ameaça. Uma vez reunidos novamente, os membros do Clube dos Otários precisam enfrentar não apenas Pennywise, mas principalmente as lembranças dolorosas que eles pensavam ter esquecido, bem como seus medos mais profundos.

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O mais complicado quando você ama muito uma produção que terá continuação é que, inevitavelmente, as expectativas vão lá pro alto. E, quando elas não são atendidas, a queda também é grande. E foi isso que senti assistindo It Capítulo 2. 😦 Eu sou completamente apaixonada pelo primeiro filme, mas infelizmente não consegui me conectar ao desfecho da história.

Eu não sou fã de filmes de terror, e It A Coisa é uma exceção justamente porque foge da fórmula tradicional. Ele me remete a uma vibe Stranger Things, quase uma aventura mais sombria, e foca na história e na forte conexão do Clube dos Otários. It Capítulo 2, entretanto, peca ao substituir esses elementos por jump scares e excesso de efeitos especiais. Falando primeiro dos jump scares: além de extremamente cansativos, eles roubam tempo de tela de cenas que, para mim, são realmente assustadoras, envolvendo a persuasão ameaçadora de Pennywise. Para mim não há jump scare que ganhe da tensão que a cena do bueiro com Georgie me causou, por exemplo. Em relação aos efeitos especiais, eles são usados com demasia, beirando o ridículo em diversos momentos. O fato do filme ter focado menos nos personagens e mais nos sustos me decepcionou, porque o que me fez gostar de It foram justamente… os personagens!

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Além disso, é nítido que o longa tem uma “barriga” narrativa no segundo ato, quando cada membro do grupo precisa partir em uma missão individual que faz parte do plano para acabar com a Coisa. Essa parte da narrativa me causou uma sensação de tipo “okay, move oooon”. Em parte essa sensação aconteceu porque a trama traz de volta um antigo inimigo que é totalmente dispensável e só serve para tornar a história mais longa do que o necessário (são quase 3h de duração). E, para concluir as críticas negativas, devo mencionar os erros de continuidade: tudo bem, isso pode ser chatice minha, mas eu assisti ao filme 1 no dia anterior para “aquecer” e, como estava com a memória fresca, percebi cenas refilmadas que estavam diferentes das originais rs. Acho isso bem amador, ainda mais em uma superprodução, cês me desculpem hahaha!

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Porém, não posso deixar de exaltar as qualidades que o filme também tem. O casting foi sensacional e é possível enxergar cada um dos membros originais nos atores adultos. Gostaria de destacar o Richie de Bill Hader, que traz a mesma essência que Finn Wolfhard imprimiu no personagem no longa anterior. De maneira geral, todos os atores se saem muito bem, mas confesso que esperava mais de Jessica Chastain: pra mim, ela não conseguiu invocar o carisma que Sophia Lillis concedeu à versão adolescente de Beverly (cuja personalidade forte ficou apagada na vida adulta). O fato de existirem muitos flashbacks envolvendo o elenco infantil também não ajudou muito no desenvolvimento de suas contrapartes adultas, já que o filme os coloca em comparação o tempo todo (mesmo que de modo não intencional).

Outra coisa bacana envolvendo os personagens é que são reveladas informações a respeito deles que seu predecessor não tinha abordado. Isso dá a eles mais profundidade, mas também explica algumas situações e reações: a culpa de Bill ganha um novo significado, assim como Richie e seus (reais) medos são aprofundados – algo que não aconteceu no primeiro filme, em que ele era mais um alívio cômico.

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Eu não li o livro, mas sei que o Stephen King estava completamente drogado na época em que escreveu It (o que gerou situações bem polêmicas, tipo a cena de sexo infantil). Não sei avaliar o desfecho do filme, mas sendo alguém que apenas assistiu à adaptação, confesso que esperava um encerramento melhor, uma explicação mais estruturada sobre a Coisa. A maneira como eles a derrotam me pareceu bobinha, não condizente com a ameaça que a criatura tinha sido até então. Enfim…

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Eu não odiei It – Capítulo 2, mas dizer que gostei eu também não posso. 😦 Fiquei cansada dos jump scares, achei os efeitos especiais das criaturas bem toscos e senti falta do maior desenvolvimento das emoções dos personagens e de sua ligação. A atmosfera que fez com que eu me apaixonasse pelo primeiro longa não existe aqui e, pra mim, foi isso que fez toda a diferença. Ainda assim, It enquanto obra vale a pena, porque vai além dos argumentos clássicos do terror e abordando muito mais os traumas de infância e os medos que carregamos conosco (muitas vezes) por toda a vida. E vocês, já assistiram It Capítulo 2? Me contem o que acharam nos comentários!

P.S.: o que dizer da aparição ~Marvel que rolou? Entendedores entenderão. 😛

Título original: It Chapter Two
Ano de lançamento: 2019
Direção: Andy Muschietti
Elenco: James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, James Ransone, Jay Ryan (III), Isaiah Mustafa, Bill Skarsgård, Andy Bean

Review: Homem-Aranha: Longe de Casa

Oi gente, tudo bem?

Sexta-feira fui conferir o novo filme do MCU, Homem-Aranha: Longe de Casa, e agora conto pra vocês o que achei sem spoilers. 😉

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Sinopse: Peter Parker (Tom Holland) está em uma viagem de duas semanas pela Europa, ao lado de seus amigos de colégio, quando é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson). Precisando de ajuda para enfrentar monstros nomeados como Elementais, Fury o convoca para lutar ao lado de Mysterio (Jake Gyllenhaal), um novo herói que afirma ter vindo de uma Terra paralela. Além da nova ameaça, Peter precisa lidar com a lacuna deixada por Tony Stark, que deixou para si seu óculos pessoal, com acesso a um sistema de inteligência artificial associado à Stark Industries.

Depois dos acontecimentos de Vingadores: Ultimato, Peter carrega o luto pela perda de Tony Stark e alimenta um desejo de viver uma adolescência normal (ou o mais próximo disso). Com uma viagem da escola se aproximando, o jovem planeja se afastar um pouco do universo dos super-heróis e também se declarar para a garota que gosta, MJ. Acontece que as coisas não saem como o planejado e, durante a Eurotrip, ele é contatado por Nick Fury, que precisa de sua ajuda para enfrentar seres Elementais que surgiram na Terra. E é nesse cenário que um novo herói entra em cena: Mysterio, oriundo de uma dimensão paralela, na qual enfrentou os Elementais e perdeu. A partir daí, Peter precisa tomar uma decisão: ele vai se posicionar como Homem-Aranha e priorizar suas responsabilidades como super-herói ou vai deixar tudo isso pra trás em busca de uma vida normal?

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O ponto fonte de Homem-Aranha: Longe de Casa são justamente os conflitos emocionais pelos quais Peter está passando. Lidando com a perda de seu mentor e sentindo-se perdido e até mesmo incapaz, o jovem Amigo da Vizinhança passa a maior parte da trama debatendo consigo mesmo, porque seu desejo genuíno é se afastar de tudo isso – e o remorso vem junto com esse sentimento. Existe uma espécie de pressão por parte das pessoas que o cercam, pois Tony Stark deixou um legado e uma expectativa de que Peter possa até mesmo a tomar o seu lugar. A questão é: o garoto genuinamente quer isso para si? E, se não quiser, como lidar com essa decisão sem se sentir uma decepção para Tony e sua memória?

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Acontece que eu tenho um problema com o universo do Homem-Aranha do MCU, e isso atrapalha muito a minha experiência com os filmes solo do Cabeça de Teia. Reforçando: EU tenho um problema com isso e EU, pessoalmente, não gosto de algumas coisas que vou pontuar agora (e isso não tem a ver com HQs, porque não as leio). Desde a primeira aparição do Peter de Tom Holland eu simplesmente não sentia que ele fosse o Peter Parker, sabem? Parece que não dá match na minha cabeça as histórias protagonizadas por Tom Holland com o que há no meu imaginário a respeito do Homem-Aranha. A própria conexão com o Tony é algo que, pra mim, nunca engrenou, e eu sempre achei um pouco exagerada. Obviamente, dá para imaginar que não sinto o mesmo impacto com plots envolvendo os dois, né? Depois que assisti Homem-Aranha no Aranhaverso essa sensação de “desconexão” entre Peter Parker x Tom Holland ficou ainda mais forte porque, pra mim, ele é basicamente o Miles Morales, tanto na ambientação quanto na personalidade. Enfim, essas questões fazem com que eu não consiga me sentir conectada ao Homem-Aranha de Tom Holland e, consequentemente, não aprecie tanto os filmes solo dele.

Dito isso, acho justo elogiar as coisas que funcionam no longa. As atuações estão ótimas (o fato de eu não curtir essa versão do Homem-Aranha não muda o fato de que Tom Holland é MUITO bom) e as cenas de ação estão eletrizantes. As batalhas que o Homem-Aranha enfrenta na Europa são muito envolventes e contam com efeitos especiais muito bons, que te deixam com a mesma sensação de desorientação que o super-herói enfrenta. Existem boas cenas de humor também, o que traz um tom jovial que combina bastante com a faixa etária dos personagens. Agora, sobre o vilão: achei suas motivações bem fracas e clichês, mas ele consegue fazer um BELO estrago que me deixou ansiosa pelo futuro (assistam as cenas pós-créditos e vocês vão entender do que estou falando).

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Resumindo, Homem-Aranha: Longe de Casa é um filme divertido, que entretém, mas que eu não consigo elogiar muito mais em função da falta de conexão que sinto com essa versão do Amigo da Vizinhança – e toda a “forçação” de barra em cima da relação com Tony Stark. Pra mim, acabou sendo uma experiência mediana, mas se você é fã do personagem e dessa nova proposta, provavelmente vai curtir bem mais que eu. E pra quem já assistiu ao filme: o que acharam? Me contem nos comentários! 😉

Título original: Spider-Man: Far From Home
Ano de lançamento: 2019
Direção: Jon Watts
Elenco: Tom Holland, Jake Gyllenhaal, Zendaya, Samuel L. Jackson, Jon Favreau, Jacob Batalon, Cobie Smulders, Marisa Tomei

Review: O Date Perfeito

Oi gente, tudo bem?

Apesar de achar que a Netflix está saturando a imagem do Noah Centineo, resolvi conferir O Date Perfeito, a mais recente comédia romântica estrelada pelo ator, e hoje conto pra vocês o que achei.

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Sinopse: Precisando de dinheiro para pagar pela faculdade, Brooks (Noah Centineo) decide criar um aplicativo que permite contratar um namorado para todo tipo de situação imaginável. Porém, adotar uma personalidade e um par romântico diferente para cada dia começa a se mostrar uma tarefa difícil e ele começa a se perguntar quem ele é de verdade e como pode encontrar o amor verdadeiro.

Brooks é um rapaz que sonha em entrar na prestigiada Universidade Yale. Porém, sua condição financeira não é a melhor possível para realizar esse objetivo e, quando surge a oportunidade de ganhar uma graninha extra saindo com a prima de seu colega de escola, Brooks não hesita em aceitar. A missão da noite é levar a temperamental Celia (que é a cara da Tata Werneck rs) ao baile da escola e trazê-la em segurança para casa mas, inesperadamente, uma amizade entre os dois surge e ela sugere, brincando, que ele ganhe a vida dessa forma. Com a ajuda de seu amigo programador, Murph, Brooks desenvolve um aplicativo de encontros, onde garotas podem determinar o tipo de pessoa com quem elas querem sair, e Brooks interpreta o cara ideal em eventos diversos: bailes, jantares, competições ou qualquer coisa (não sexual!) que necessite de um acompanhante. Porém, quanto mais perto Brooks chega de seu objetivo financeiro, mais questionamentos sobre sua identidade surgem.

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O Date Perfeito é um grande clichê adolescente: o garoto humilde se deslumbra com o mundo das pessoas ricas, há o conflito sobre o “verdadeiro eu” que sempre acontece nessa faixa etária e há um sentimento inesperado que se desenvolve. Porém, o filme traz esses elementos com um desenrolar gostosinho, o que faz dele um bom entretenimento casual. A amizade de Brooks e Celia é natural e a química entre os atores funciona muito bem; é divertido vê-los comentando sobre os crushes e percebendo como só um rostinho bonito não sustenta algo maior.

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O filme até pincela características mais profundas sobre Brooks e Celia – o primeiro tem um relacionamento familiar mal resolvido, enquanto Celia tem dificuldade de se se abrir e se conectar às outras pessoas –, mas o roteiro não aprofunda verdadeiramente essas questões. O conflito mais interessante, na minha opinião, acontece entre Brooks e Murph, cuja amizade fica abalada quando o primeiro (deslumbrado com o novo mundo no qual se inseriu) passa a negligenciar o relacionamento com o segundo. Brooks precisa quebrar a cara pra entender que amizades verdadeiras não são facilmente encontradas e que são necessárias duas pessoas – com esforços iguais – para mantê-las. Outro aspecto interessante envolvendo Murph é o fato do personagem ser gay e isso ser tratado com total naturalidade, sem big deal. Acho bacana que, assim como em Com Amor, Simon, relacionamentos gays apareçam de maneira leve em produções destinadas a adolescentes.

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Por fim, também gostei de perceber a evolução de Brooks ao longo da trama. Se no início do longa ele é um rapaz encantado com a ideia de ir para Yale, uma faculdade de elite, no final ele consegue compreender que há muito mais na vida que o status e as aparências. Entender nossa origem e quem somos não é um processo fácil, especialmente na adolescência, mas é um desafio pelo qual a maioria de nós passa – por isso, a situação do protagonista é bastante relacionável. No fim das contas, acredito que o importante é sermos fiéis a nós mesmos, buscando sempre melhorar. Acho que o Brooks aprende isso também. 😉

O Date Perfeito é um filme fofinho, meio fantasioso, mas ainda assim divertido de assistir. Ideal pra quem quer uma comédia romântica sem maiores pretensões ou expectativas e curtir a química de dois jovens que trazem o melhor um do outro à tona.

Título original: The Perfect Date
Ano de lançamento: 2019
Direção: Chris Nelson
Elenco: Noah Centineo, Laura Marano, Camila Mendes, Matt Walsh, Odiseas Georgiadis