Dica de Série: Arcane

Oi pessoal, tudo bem?

Começo esse post desejando um feliz Ano Novo a todos, cheio de esperanças renovadas, muita saúde e #ForaBolsonaro. ❤ Espero que tenham passado uma boa virada ao lado de quem vocês amam!

Pra começar 2022, ainda que o timing esteja um pouco atrasado, gostaria de compartilhar uma dica imperdível da Netflix: Arcane, uma série de animação impecável que, por sinal, é baseada nos personagens de League of Legends. E por que digo isso de forma tão casual? Pra não te assustar caso você não goste do jogo: a série não depende nadinha de conhecimentos acerca dele e você não precisa ser gamer pra gostar. 😉 Bora lá?

Sinopse: Em meio ao conflito entre as cidades-gêmeas de Piltover e Zaun, duas irmãs lutam em lados opostos de uma guerra entre tecnologias mágicas e convicções incompatíveis.

A trama de Arcane é focada na rica Piltover, conhecida como a Cidade do Progresso, e sua antítese, a Subferia – uma parte subterrânea da cidade deixada à própria sorte pelos governantes de Piltover. Em ambas as cidades, existem tramas que vão se desenvolvendo paralelamente até se encontrarem e darem início a combates cada vez mais ferrenhos entre elas. Em Piltover, acompanhamos principalmente uma dupla de cientistas (Jayce e Viktor) tentando provar que é seguro usar magia atrelada à tecnologia, no que eles chamam de Hextec. Seu mentor, Heimerdinger, é o principal oponente dessa ideia, porque sabe dos perigos de colocar algo com potencial tão destrutivo nas mãos humanas. Enquanto isso, na Subferia, acompanhamos a ascensão de Silco, um homem determinado a conquistar independência para a região, transformando-a numa própria cidade chamada Zaun. É nesse contexto que conhecemos as duas protagonistas mais marcantes de Arcane: Vi e Powder (ou Jinx).

As duas são irmãs cujos pais morreram numa batalha entre a Subferia e Piltover, mas foram acolhidas pelo gentil Vander, que “comanda” a Subferia com temperança. Quando Silco ascende na região, uma sequência de eventos afasta Vi de Powder, o que dá a Silco a oportunidade de usar o trauma da mais nova (que a leva à beira da insanidade) para transformá-la em Jinx. A partir dessa ruptura, Vi sofre diariamente pelo arrependimento de ter brigado com a irmã, querendo tê-la de volta, enquanto Jinx se vincula de forma intensa a Silco, encontrando um pai substituto nele. Existe uma passagem de tempo entre o início da série, em que as duas são crianças, para a metade final, em que já são adultas, e a transição de Arcane é muito bem feita para que o espectador entenda como elas chegaram onde chegaram. Minha única exceção, e é um ponto de que não gostei, foi a mudança abrupta de Powder para Jinx, que subitamente aceitou como seu mentor o homem que destruiu sua família e seus amigos – mesmo que ela seja desequilibrada mentalmente, me soou forçado, já que nos primeiros episódios ela não demonstra ser alguém desequilibrada a esse ponto. Sim, dá pra ver que ela tem problemas, mas aceitar Silco como seu novo “pai”? Depois de tudo que ele fez? Pra mim, não rolou.

Vale pontuar também que Arcane é uma série visualmente impecável. O traço é maravilhoso e as cores me lembram pintura a óleo, com pinceladas marcadas e uma singularidade que confere muita personalidade à obra. As cenas de luta são bem coreografadas e a animação é fluida, o que torna cada episódio muito bom de assistir. É muito bacana ver as discrepâncias entre Piltover e a Subferia: enquanto a primeira é brilhante, cheia de tons claros, com pessoas bem vestidas e cenários deslumbrantes, a segunda é marcada por tons de preto, roxo e cinza, com muita escuridão, sujeira e contraste. A “fotografia” (entre aspas porque né, é uma animação) dá o tom certo pra ficarem nítidas as desigualdades entre os dois locais.

O plot de Piltover foi o que menos me agradou. Jayce é um personagem muito do chatinho, bem sapatênis mesmo, e a sua luta para fazer a tecnologia Hextec acontecer simplesmente não dialogou comigo. Há em seu plot algumas maquinações políticas que até produzem alguma reviravolta, mas eu fiquei muito mais intrigada pela trama de seu melhor amigo, Viktor. Tão brilhante quanto Jayce, Viktor tem o azar de estar com os dias contados devido a uma doença, e coloca suas esperanças na tecnologia Hextec. Como eu já joguei League of Legends, sei que ele é um personagem jogável bem diferente, então fiquei muito curiosa pra ver como seria seu desenrolar.

Gostei muito da trama da Vi e da Jinx, ainda que eu já tenha dito ali em cima o que não gostei na transformação da segunda. Mas, na busca da irmã mais velha por resgatar a mais nova, vale comentar sobre outra personagem: Caitlyn, uma jovem policial de Piltover que deseja resolver um caso envolvendo a Subferia e acaba se tornando aliada de Vi. As duas têm uma química fortíssima e pra mim já são o shipp do momento. ❤ Cait é uma jovem muito responsável, corajosa e determinada, e traz um pouco de prudência à personalidade explosiva e impulsiva de Vi.

Arcane é uma série tecnicamente impecável e com um roteiro que te prende do início ao fim. Tanto pra quem gosta quanto pra quem não gosta de League of Legends, digo sem sombra de dúvidas que é um play muito bem dado na Netflix. E eu duvido que você não fique com a música de abertura na cabeça (de autoria do Imagine Dragons) por alguns dias depois de começar a assistir. 😛

Título original: Arcane
Ano de lançamento: 2021
Criação: Christian Linke, Alex Yee
Elenco: Hailee Steinfeld, Ella Purnell, Kevin Alejandro, Jason Spisak, Harry Lloyd, Katie Leung

Dica de Série: O Homem das Castanhas

Oi galera, tudo bem?

Eu tava devendo pra vocês a dica de hoje há um tempinho, mas cá estou pra me redimir e contar o que achei de O Homem das Castanhas, série policial da Netflix que adapta o romance As Sombras de Outubro (já resenhado aqui no blog).

Sinopse: Um boneco feito com castanhas é encontrado na cena de um crime e leva dois detetives a caçar um assassino ligado ao desaparecimento de uma criança.

A trama da série segue de forma muito fidedigna a do livro: acompanhamos uma dupla de policiais, Thulin e Hess, correndo contra o tempo para capturar um assassino que logo se torna conhecido como Sr. Castanha. Seus crimes são brutais e não deixam rastros, sendo a única pista possível um bonequinho de castanha deixado no lugar do assassinato. Acontece que nesse bonequinho é identificada a digital da filha da Ministra do Bem-Estar Social, que foi dada como desaparecida e morta no ano anterior.

Eu já esperava que a série fosse adaptar com fidelidade o livro, já que ele foi escrito por um roteirista – ou seja, as cenas já eram muito bem pensadas pra televisão. Søren Sveistrup se envolveu na produção e no roteiro de O Homem das Castanhas, então todo o clima aflitivo do livro acontece, com a vantagem de que a série melhora alguns aspectos que eu não havia curtido tanto na obra original (enquanto mantém outros rs).

A maior diferença positiva está nos protagonistas. Se no livro eu não “comprei” a parceria entre Hess e Thulin, aqui ela se desenvolve de forma mais orgânica. A própria Thulin é uma personagem da qual não gosto nas páginas, mas que conseguiu me cativar na tela. Diferente de sua contraparte literária, temos uma detetive mais empática e menos rabugenta, ainda que continue badass e competente. Ela se envolve mais nas deduções importantes e se torna um elemento que faz a diferença na investigação. Hess, por outro lado, é como imaginei e gostei bastante de vê-lo personificado. A única diferença que não caiu tão bem são seus estouros de raiva, que no livro não acontecem e achei meio fora do personagem. Mas nem só de elogios vivemos: quem leu a resenha talvez se lembre que reclamei dos personagens tomando atitudes burras (tipo entrar sozinho num lugar escuro). Pois é, elas acontecem, e sim, ainda irritam rs.

A ambientação e a trilha sonora da série são excelentes pra criar o clima sombrio que o thriller pede. As paisagens geladas e inóspitas do cenário nórdico casam perfeitamente com a tensão que os personagens experienciam, onde não há espaço para um minuto de paz porque a polícia está sempre muito atrás dos passos do assassino. Cada episódio traz cada vez mais desafios aos detetives, a investigação vai ficando cada vez mais complexa, e isso faz com que seja muito fácil dar o play e maratonar. A única ressalva é que, na adaptação televisiva, achei mais fácil adivinhar quem é a pessoa por trás dos crimes.

Outro aspecto muito bacana em O Homem das Castanhas é que a série coloca um enfoque maior em problematizar/evidenciar a diferença na cobrança de homens e mulheres nos seus papéis como pais. Thulin, por exemplo, é uma mãe bastante ausente por conta do trabalho, e no livro isso é pouco trabalhado. Na série, porém, não somente a mágoa de sua filha é abordada como também Thulin é criticada em determinado momento por conta dessa ausência. Acontece que a detetive não deixa por menos, se posicionando como alguém que não é uma mãe pior apenas porque precisa trabalhar. Sim, a ausência dela é um problema, mas ela está fazendo tudo que está ao seu alcance para encerrar o caso, trocar de departamento e ficar mais perto da filha. A frase seguinte pode ser um spoiler, mas é importante pra esse debate, então pule se não quiser ler: por que o assassino foca seus esforços nas mães que ele julga negligentes em vez de nos pais, que muitas vezes são as pessoas que realmente machucam e prejudicam os filhos? Confesso pra vocês que fico até um pouco incomodada de sempre ver mulheres sendo vítimas desses atos de violência brutais em tramas envolvendo serial killers, porque realmente me dói pensar no sofrimento dessas mulheres.

Resumindo, galera, eu curti muito O Homem das Castanhas e achei que a adaptação fez um trabalho excelente ao trazer a história das páginas para a tela. Se você gosta de romances policiais instigantes e cheios de tensão, essa minissérie é uma ótima pedida pra você. E, assim como no livro, apesar da trama terminar bem fechadinha, há potencial para expandir para uma nova temporada se a Netflix quiser. Quem sabe? 😉

Título original: The Chestnut Man
Ano de lançamento: 2021
Criação: Søren Sveistrup, Dorte W. Høgh, David Sandreuter, Mikkel Serup
Elenco: Danica Curcic, Mikkel Boe Følsgaard, Iben Dorner, David Dencik, Esben Dalgaard Andersen

Dica de Série: Superstore

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje tem uma indicação de série de comédia super gostosinha que vi no Amazon Prime Video, mas que também chegou recentemente à Netflix: Superstore.

Sinopse: Em um hipermercado de Saint Louis, um grupo de funcionários com personalidades únicas lida com os clientes, as tarefas cotidianas e uns com os outros.

Superstore é uma série de 6 temporadas com episódios de 20 minutinhos, ou seja, perfeita pra maratonar. A trama acompanha o dia a dia dos vendedores de uma loja de departamentos, a Cloud Nine, bem como as bizarrices que acontecem em supermercados (normalmente apresentadas em cenas de transição muito engraçadas). O foco principal está em Jonah e Amy: ele consegue um emprego no episódio piloto e já começa com o pé esquerdo ao agir de forma meio condescendente com Amy – que, até então, ele não sabe que é sua supervisora. Porém, logo fica claro que na verdade Jonah é um sonhador otimista, enquanto Amy tem uma visão cética sobre a vida devido a muitos desafios que ela precisou vencer sendo uma mulher latina que engravidou no fim do Ensino Médio. Com o tempo, porém, Jonah vai mostrando que um momento de beleza extraordinário (ou “a moment of beauty”) pode acontecer na vida deles também.

Apesar de Jonah e Amy serem os personagens principais, Superstore está longe de depender dos dois pra funcionar. A série conta com personagens ótimos e muito engraçados, cada um à sua maneira. Dina é a assistente do gerente e é tão correta e rígida que chega a ser um meme ambulante (o desenvolvimento dela é um dos melhores da série, porque ela começa sendo uma general chata e, com o tempo, vai se tornando só meio peculiar de um jeito engraçado), Garrett é o cara que é a definição da lei do menor esforço, Glenn é o gerente inocente e sem noção, Sandra é uma das melhores coadjuvantes de todos os tempos, entre outros.

Em determinado momento, Superstore também flerta com assuntos importantes, como a sindicalização dos profissionais e as injustiças da imigração americana. Contudo, a série deixa a desejar na condução de ambos os assuntos, que tomam um grande espaço de umas duas temporadas e, depois, acabam sendo deixados de lado. Porém, como contraparte positiva, a última temporada de Superstore se passa durante a pandemia, então os episódios conseguem deixar claro o quão vulneráveis os profissionais ficaram e o quanto as grandes corporações não ligam (ou ligam o mínimo) pras suas vidas. As pessoas que precisaram seguir trabalhando em supermercados, farmácias, postos de gasolina e afins também fizeram parte da linha de frente, e é importante que a gente não esqueça do valor dessas profissões. Além disso, Superstore também problematiza estereótipos – principalmente na figura de personagens como Amy e Mateo, que representam grupos minoritários como os latinos e os imigrantes. Para exemplificar, há um episódio em que pedem pra Amy vender um molho de pimenta inspirado nas receitas mexicanas, sendo que ela tem descendência hondurenha.

Admito que a série não me fisgou de cara na primeira temporada, mas da segunda em diante Superstore se tornou uma das minhas queridinhas. A série é equilibrada, tem um senso de humor cativante e me fez rir em diversos momentos. Pra coroar, ela já está terminada e o final é perfeito! ❤ Recomendo muito e torço pra que vocês gostem tanto quanto eu!

Título original: Superstore
Ano de lançamento: 2015
Criação: Justin Spitzer
Elenco: America Ferrera, Ben Feldman, Lauren Ash, Colton Dunn, Nico Santos, Mark McKinney, Nichole Sakura, Kaliko Kauahi

Review: Um Ninho Para Dois

Oi gente, tudo bem?

Desde o lançamento do trailer eu estava ansiosíssima pra conferir Um Ninho Para Dois, novo drama da Netflix com a Melissa McCarthy. Fica a dica: já pega uma caixa de lencinhos.

Sinopse: Uma mulher que tenta superar uma perda precisa lidar com um pássaro genioso que invadiu seu jardim e um marido que luta para seguir em frente.

O filme começa com uma cena fofa entre o casal Lilly e Jack, que estão pintando o quartinho de sua bebê recém-nascida, até que há um corte que nos leva para um futuro bem mais triste: Lilly está vivendo sozinha, pois seu marido está internado em uma instituição psiquiátrica. O motivo não demora a se revelar; o casal perdeu sua filha, Katie, para a síndrome da morte súbita infantil. Esse evento traumático gerou uma ruptura no casamento, e nenhum dos dois sabe como lidar com o presente.

Não sou mãe e mal posso imaginar a dor de perder um filho, mas Um Ninho Para Dois consegue, com delicadeza, transmitir essa devastação por meio das diferentes formas de sofrimento do casal. Lilly tenta seguir em frente da maneira que pode, voltando ao trabalho e tentando manter um senso de normalidade à rotina. Seus erros e falta de atenção durante o expediente, porém, são o primeiro e mais óbvio indício de que a personagem precisa de ajuda. Jack, por outro lado, é um homem cuja dor o paralisou. Sua internação na instituição psiquiátrica é advinda de uma tentativa de suicídio, e fica claro para o espectador de que ele não vem fazendo progresso em sua terapia. Quando uma visita de Lilly ao marido acaba de forma tensa, uma das terapeutas do lugar indica o contato de um velho conhecido que ela acredita poder ajudar Lilly: o Dr. Larry Fine (o jogo de palavras aqui não escapa à protagonista). Acontece que Larry abandonou a psiquiatria para se dedicar a outro ramo: a veterinária. E é com essa situação inusitada que Lilly se vê encarando verdades que ela não tinha tido coragem até então.

Lilly é o espírito do filme, e a atuação cheia de nuances de Melissa McCarthy me levou às lágrimas e aos risos durante a 1h44 de duração do longa. A personagem decide limpar e cultivar o seu quintal, mas acaba sendo atacada por um estorninho, uma espécie de pássaro territorialista que está protegendo seu ninho. Ao longo da trama, o ousado passarinho faz diversas investidas contra Lilly, que vai criando estratégias pra se proteger dele (como usar um capacete de futebol americano rs). Nesses momentos percebemos o tom de comédia dramática do longa, pois essas cenas quebram a tensão de uma forma que diverte e acalenta. O fato de Larry ser um veterinário não impede que os dois construam uma relação de “terapia não oficial”, na qual ele incentiva Lilly a falar sobre seus sentimentos também e processar o próprio luto – já que, até então, só pôde focar na dor do marido.

Mas Jack também mexe com o nosso coração. A apatia que o domina é um sinal claro da depressão que o acomete, e sua recusa em fazer o tratamento correto o leva cada vez mais para o fundo do poço. Mas é importante que isso seja mostrado, porque mesmo com todo o amor e suporte, muitas vezes essa doença ainda assim triunfa. E o filme não culpabiliza Jack por isso, ainda que demonstre que Lilly está carregando uma carga muito pesada por ter sido “abandonada” pelo marido, que não conseguiu apoiá-la com a perda de Katie. Larry inclusive tem uma fala muito importante sobre o ser humano buscar culpados em situações nas quais simplesmente não há quem culpar: é uma dificuldade nossa em aceitar que tragédias acontecem sem nenhuma razão plausível. O médico incentiva que Lilly converse com Jack e exponha seus sentimentos de luto e solidão, e quando a protagonista resolve fazê-lo, é com a intensidade de quem está magoada pelo abandono mas também com desejo de que o marido volte pra ela.

Um Ninho Para Dois é emocionante do início ao fim, sendo intercalado com cenas divertidas que ajudam você a não chorar durante toda a duração do filme. Ele é a história de um casal em luto, mas também de duas pessoas que estão buscando entender quem são e como seguir em frente após um acontecimento tão devastador. Para além disso, é também a história de um casal em busca do caminho que os leve de volta um ao outro: com cicatrizes, sim, mas também com muito amor. Amei (e me emocionei) muito! ❤

Título original: The Starling
Ano de lançamento: 2021
Direção: Theodore Melfi
Elenco: Melissa McCarthy, Chris O’Dowd, Kevin Kline, Kimberly Quinn

Dica de Série: Clickbait

Oi galera, tudo bem?

O Dica de Série de hoje é um misto de (não) indicação provocada pela indignação. 😂 Mas eu não podia deixar de comentar a série que tem estado no Top 10 da Netflix Brasil e que é do meu gênero favorito (tramas policiais). Estou falando de Clickbait.

Sinopse: Quando Nick Brewer é sequestrado e sua vida passa a depender de um sinistro jogo online, as pessoas próximas a ele correm para descobrir quem está por trás disso.

Clickbait é uma minissérie de 8 episódios que gira em torno do sequestro de Nick Brewer, um fisioterapeuta respeitado, marido e pai amoroso. O fato mais grotesco do sequestro é que os raptores filmaram Nick segurando uma placa dizendo que ele abusa de mulheres e que, quando o vídeo atingir 5 milhões de visualizações, ele vai morrer – sim, no melhor estilo Black Mirror. É desnecessário dizer que não leva 24h pra um vídeo apelativo assim, que descreve perfeitamente o nome da série, viralizar, certo? Com isso, os episódios se concentram em não apenas investigar o caso de Nick, mas também desnudar o personagem (e os segredos por trás das acusações nas placas).

Cada episódio de Clickbait é focado em um personagem, começando pela irmã e melhor amiga de Nick, Pia. Ela é uma mulher intensa e cheia de defeitos, mas com uma vulnerabilidade e um amor tão profundo pelo irmão que fazem o espectador nutrir certa simpatia por ela (mesmo com suas grosserias). Além dela, temos o ponto de vista do detetive Amir (um personagem íntegro, justo e muito comprometido com o seu trabalho), da viúva de Nick, Sophie (outra personagem que não é muito palatável, mas por quem nos solidarizamos), entre outros que não vou mencionar porque seriam spoilers. O bacana dessa dinâmica é que cada personagem tem seu próprio espaço para ser desenvolvido enquanto a trama principal – a investigação – acontece.

Aliás, a investigação em si é muito bacana e envolve muito mais do que os personagens já citados. A série trabalha superbem os cliffhangers e faz com que você não queira sair da frente da tv até descobrir toda a verdade sobre o caso. Obviamente, como o nome da série sugere, existe sim um apelo relacionado ao “cuidado com o que você compartilha por aí” e “cuidado com o que você acredita na internet”, e algumas pessoas podem achar um pouco forçado. A mim, não incomodou. Discussões sobre fornecimento de dados, golpes e fraudes não são coisas recentes, então não vi problema da série abusar um pouco disso pra fins ilustrativos.

O que me incomodou a ponto de causar a indignação do início do post, então? 😂 O final, gente, o final. Quem me acompanha aqui há mais tempo sabe o quanto valorizo bons finais, a ponto de aumentar uma nota de uma obra mediana quando o desfecho é bom ou diminuí-la no caso de uma obra incrível mas cujo final não seja. E Clickbait peca gravemente em seu encerramento, porque se desfaz de todas as premissas construídas até ali em busca de um plot twist chocante que parece ter sido pensado apenas com esse propósito: chocar. Os motivos pelos quais toda a história acontece são esdrúxulos e tudo que a trama estabelece até a season finale é desperdiçado em nome de um caminho completamente sem sentido e preguiçoso – incluindo até mesmo as discussões sobre segurança na internet e (a falta de) limites da mídia sensacionalista e obcecada por cliques. Eu prefiro finais mais óbvios, mas coerentes, do que plot twists de explodir a cabeça que não fazem sentido nenhum, e pra mim esse é o grande problema da série.

Conversei com algumas pessoas que também se frustraram com o final de Clickbait, então queria saber de vocês: quem já assistiu, gostou? Porque se eu tiver que resumir, diria que Clickbait é uma minissérie de ritmo envolvente, premissa instigante e que joga fora seu potencial com um final fraco e mal executado. Uma pena. :/

Título original: Clickbait
Ano de lançamento: 2021
Criação: Tony Ayres, Christian White
Elenco: Zoe Kazan, Betty Gabriel, Phoenix Raei, Adrian Grenier, Camaron Engels, Jaylin Fletcher, Becca Lish

Review: A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Oi pessoal, tudo bem?

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi um play despretensioso que eu dei na Netflix, mas que me arrancou muitas risadas, me entreteve e também me comoveu. Preparados pra conhecer?

Sinopse: Uma revolta de robôs interrompe a viagem da família. Agora o destino da raça humana está nas mãos dos Mitchells — a família mais estranha do mundo.

A trama tem seu pontapé inicial quando Katie, a filha mais velha dos Mitchell, é aceita para cursar a faculdade de cinema. Empolgada para conhecer pessoas que compartilhem da sua paixão – já que, em geral, ela se sente uma outsider -, Katie não contava com a decisão de seu pai, Rick, de fazer uma viagem de carro em família (em vez de deixá-la ir de avião). A relação dos dois, que no passado era muito cúmplice, está num momento delicado: Katie não sente que seu pai a compreenda, enquanto Rick acha que a filha está distante. Em paralelo a esse plot, temos outro catalisador superimportante que acontece bem longe da road trip: no Vale do Silício, uma convenção de tecnologia comandada pelo gênio Mark Bowman, que inventou a inteligência artificial PAL, anuncia um modelo novo de robôs com tecnologia de ponta; o problema é que Mark descarta PAL como algo ultrapassado, fazendo com que ela decida se revoltar e comandar os robôs, colocando-os contra a humanidade. E é assim, em meio ao caos, que a família Mitchell é pega de surpresa e precisa encontrar não apenas uma forma de fugir e sobreviver, mas também de impedir PAL.

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é produzido pelos responsáveis pelo excelente Homem-Aranha no Aranhaverso, e podemos encontrar algumas similaridades no que diz respeito à arte. Como no filme do Cabeça de Teia, aqui também temos um visual predominantemente 3D, mas cheio de elementos 2D e intervenções interessantes. Isso torna o longa visualmente atrativo e, no meu caso, foi um recurso que prendeu bastante minha atenção. A identidade visual é muito bacana e a atmosfera é muito divertida e imersiva, tornando as quase 2h de duração muito gostosas de assistir.

O filme também acerta em cheio no humor. Além dos quatro membros da família Mitchell (os já mencionados Katie e Rick, mas também Linda, a mãe, e Aaron, o filho mais novo), temos ainda dois robôs comandados por PAL que sofrem uma pane parcial ao serem danificados e acabam se tornando aliados improváveis de Katie e sua família. E todos eles se veem numa posição totalmente inesperada: a de heróis da humanidade. Enquanto PAL comanda os robôs para capturar os humanos, os Mitchell (com o auxílio dos seus novos companheiros inorgânicos) conseguem escapar, e precisam ir até o epicentro da revolta pra desativar a inteligência artificial – caso contrário, todas as pessoas capturadas serão enviadas para o espaço (sim, pra morrer mesmo). E todas as situações que a família passa pra tentar chegar até PAL em segurança são muito engraçadas, assim como as perseguições pela estrada e as interações com outros eletroeletrônicos. Pra fechar com chave de ouro há também o humor sarcástico em torno de um jovem genial que revolucionou a tecnologia e as consequências de suas atitudes. Qualquer semelhança com a realidade pode ou não ser mera coincidência. 😛

Mas meu elemento favorito de A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas não poderia ser outro se não os próprios Mitchell (e seu maravilhoso pug, Monchi). Cada personagem tem uma personalidade marcante e protagoniza cenas engraçadas, por mais que o foco maior seja em Katie e Rick. Linda é uma mulher engraçada e, quando os filhos estão em perigo, reage como uma leoa; Aaron é um irmão mais novo fofíssimo que é tão “esquisito” quando Katie e olha pra irmã com admiração; Rick é um pai zeloso e que ama os filhos, mas que nem sempre consegue demonstrar isso da forma como eles – especialmente Katie – precisam; e a própria Katie é uma jovem criativa e irreverente, mas que também não consegue enxergar os sacrifícios que o pai fez por ela. Com o passar do tempo e com a convivência forçada no carro (somada ao medo da extinção, é claro), os personagens são obrigados a olhar com mais atenção um para o outro, e os laços vão se estreitando. Pra fechar, também adorei como a sexualidade de um dos personagens é trabalhada: de forma totalmente natural e leve.

Resumindo, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi um dos melhores filmes de animação a que assisti recentemente, reunindo em si uma produção de alta qualidade, um enredo divertido e envolvente e personagens muito cativantes. Se você não sabe o que fazer nesse domingo, corre lá na Netflix e dê o play. Prometo que vai valer a pena! 😉

Título original: The Mitchells vs the Machines
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Rianda
Elenco: Abbi Jacobson, Danny McBride, Maya Rudolph, Michael Rianda, Eric André, Olivia Colman

Dica de Série: O Inocente

Oi pessoal, tudo bem?

Prontos pra mais uma dica de minissérie bem bacana pra maratonar? Hoje vamos conhecer O Inocente que, até agora, é minha produção favorita das que adaptam os livros do Harlan Coben e estão sendo disponibilizadas na Netflix. 😀

Sinopse: Uma morte acidental lança um homem em uma espiral de intrigas e assassinato. Ele encontra o amor e recupera a liberdade, mas um telefonema traz de volta o seu passado.

Mateo era um jovem com um futuro brilhante pela frente, até que um piscar de olhos mudou sua vida completamente: em uma briga de bar, causada por um homem que ficou com ciúmes dele, Mat acabou empurrando um dos envolvidos, que caiu e quebrou o pescoço. Mesmo tendo sido um acidente, a justiça condenou Mat à maior pena possível, transformando sua vida de forma permanente. Apesar disso, ao sair da cadeia Mat teve apoio para se restabelecer: seu irmão, já formado, chamou Mat para trabalhar em seu escritório de advocacia e, por coincidência, no escritório Mat reencontrou uma jovem com quem ele teve uma noite incrível em uma das suas saídas condicionais no tempo de prisão. Esse reencontro reacendeu a chama entre Mat e a jovem, Olivia, e os dois casaram e deram início a uma vida juntos… até que Olivia some misteriosamente e Mat começa a receber vídeos dela adormecida com um homem ao seu lado.

De início, podemos dizer que O Inocente conta com duas narrativas: a primeira delas é a de Mat e Olivia, e gira em torno do desaparecimento desta. Mat está determinado a encontrá-la custe o que custar, contando com a ajuda de uma hacker bastante leal para rastrear os movimentos da esposa. A segunda narrativa é mais focada em Lorena Ortiz, uma detetive da polícia competente e focada, que é acionada para investigar o suposto suicídio de uma freira. E por mais que ambas as histórias não pareçam ter o menor link, aos poucos as camadas da trama vão sendo removidas e o espectador vai chegando ao cerne do mistério – junto com Mat e com Lorena.

Um recurso muito bacana utilizado pela série é o de começar cada episódio focando em um personagem-chave da trama, contando um pouco mais sobre seu passado e sobre como ele chegou até o presente momento. Isso ajuda o espectador a criar empatia de forma mais rápida, ao mesmo tempo em que instiga a curiosidade de saber qual é a relação daquelas pessoas. O episódio 1, por exemplo, é totalmente focado na história de Mat. O episódio 2 mal o menciona, pois é focado em Lorena, chegando até a dar uma “bugada” na mente de quem assiste. 😛 Eu gostei bastante dessa estrutura, acho que ajudou a manter o mistério e, ao mesmo tempo, provocar a imaginação na tentativa de juntar as peças também.

Eu diria que O Inocente gira em torno de três grandes problemáticas: a prostituição (e toda a sujeira por trás), a crueldade do sistema carcerário e a corrupção policial. Não posso me alongar muito em cada tema pra não dar nenhum tipo de spoiler, mas é importante dizer que a série expõe toda a crueldade que jovens mulheres passam nas mãos de seus cafetões, que lucram quantias exorbitantes em cima de seus corpos e de sua falta de liberdade. Somado a isso, vemos com revolta como pessoas ricas, poderosas e bem-relacionadas fazem uso desse privilégio pra fortalecer não apenas esse sistema de opressão às mulheres como também manipular a justiça.

Assim como acontece em Safe e em Não Fale Com Estranhos, existem momentos beeem forçados e inverossímeis em O Inocente. Felizmente, aqui eles são mais escassos, o que já me fez gostar bem mais dessa minissérie do que das adaptações anteriores de trabalhos do Harlan Coben. Os personagens me cativaram bastante, especialmente as mulheres fortes que fazem a história girar. Mat, infelizmente, não tem nenhum carisma, e eu juro pra vocês que não entendo porque 1) acham que o Mario Casas é um galã e 2) dizem que ele é um ótimo ator. Assisti Um Contratempo e ele tem a mesmíssima expressão facial o filme inteiro, assim como acontece aqui. 🤷‍♀ #sorrynotsorry

Com apenas 8 episódios, O Inocente é uma ótima opção na Netflix pra quem busca uma série investigativa capaz de envolver, construir bem os momentos de tensão e trazer personagens pelos quais queremos torcer. Recomendo bastante! 😉

Título original: El Inocente
Ano de lançamento: 2021
Direção: Oriol Paulo
Elenco: Mario Casas, Aura Garrido, Alexandra Jiménez, Xavi Sáez, Santi Pons, Miki Esparbé, Jose Coronado, Martina Gusman, Juana Acosta, Susi Sánchez

Dica de Série: Sombra e Ossos

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar de não ter lido os livros da Leigh Bardugo, sei que são bem queridinhos na blogosfera, então fiquei animada para conferir Sombra e Ossos, série da Netflix que adapta suas obras. Bora saber mais! 😉

Sinopse: Em um mundo destruído pela guerra, a órfã Alina Starkov descobre que tem poderes extraordinários e vira alvo de forças sombrias.

Minha primeira impressão sobre a série é: puta que pariu, que série confusa. Levei 2 ou 3 episódios pra me habituar ao que estava acontecendo, e só descobri graças ao TV Time (app que uso pra acompanhar e registrar as séries a que assisto) que Sombra e Ossos adaptava duas séries distintas da autora ao mesmo tempo. Então, vamos lá: em um núcleo da trama acompanhamos o mercenário Kaz e seus leais companheiros (a assassina Inej e o pistoleiro Jesper) em busca de missões cada vez mais lucrativas; no núcleo principal, acompanhamos Alina Starkov descobrindo que tem um poder raríssimo e sendo levada para longe de seu melhor amigo (e crush) Mal para treinar sob a supervisão do General Kirigan. Com o desenvolvimento da trama, esses núcleos passam a se cruzar e a história fica mais interessante.

As pessoas que têm poderes no universo de Sombra e Ossos são chamadas de Grishas. Os Grishas sofreram perseguição por muito tempo, mas agora são respeitados e até temidos, trabalhando para o rei. Entretanto, o reino é dividido pela Dobra, uma parede de sombras criada há muito tempo e cheia de criaturas malignas. É por causa dessa parede que Alina se torna tão valiosa: ela é capaz de conjurar a luz do sol, um poder tão raro que já era considerado uma lenda. Quando ela é levada para o castelo para aprender a lidar com seu poder, ela se aproxima do General Kirigan, um homem sedutor e cheio de segredos que é também o líder dos Grisha e responde diretamente ao rei.

Sombra e Ossos tem bons momentos, especialmente no núcleo de Kaz. Jesper, por exemplo, é um personagem que eu amei muito! Ele é espirituoso, charmoso e sua habilidade com as pistolas é de cair o queixo. A dinâmica de Kaz e Inej também é muito legal de acompanhar: é palpável que existem sentimentos não pronunciados ali e que ambos são muito reservados, mas fico na torcida para que no futuro eles fiquem juntos. Agora, quando entramos no núcleo da Alina… gente, não curti não. 😂 A protagonista é chata, não tem carisma nenhum, e sua relação com Mal não convence nem faz vibrar. Apesar de ter gostado muito da lealdade que os une, não fiquei empolgada com nenhum dos dois em cena. 

Um outro ponto que eu achei bem negativo da trama é que, principalmente no início, parece que focaram somente nos fãs dos livros. Minha opinião é de que mesmo adaptações devem falar por si mesmas, afinal, são obras independentes. Demorei a me habituar a tantos termos específicos, porque a série já começa com um ritmo bastante intenso, e isso quase me fez desistir dela nos primeiros episódios. Some isso a uma protagonista apagada e com atuação fraca e já dá pra sacar por que não fui arrebatada por Sombra e Ossos, né?

Mas justiça seja feita: a série é muitíssimo bem produzida. Os efeitos especiais são incríveis, os cenários e os figurinos são lindos e você se sente imerso nesse mundo particular criado por Leigh Bardugo. A Netflix caprichou muito na parte estética da obra e não deixa nada a desejar em relação a outras séries de fantasia famosas.

Resumindo, eu não me tornei fã de Sombra e Ossos mas, conforme me habituei ao universo e aos personagens, achei mais tranquilo de acompanhar. Se você for fã dos livros é bem provável que curta muito mais do que eu. Se você não for, talvez tenha uma dificuldadezinha também (ou não, vai saber). No andar da carruagem acabei me envolvendo com a trama e o final dela teve um gancho que vai me fazer conferir a segunda temporada. Espero que eu me empolgue mais quando ela chegar. 

Título original: Shadow and Bone
Ano de lançamento: 2021
Criador: Eric Heisserer
Elenco: Jessie Mei Li, Archie Renaux, Ben Barnes, Freddy Carter, Amita Suman, Kit Young, Danielle Galligan, Calahan Skogman

Review: A Mulher na Janela

Oi galera, tudo certo?

A Mulher na Janela foi um livro queridinho de muitos que me decepcionou bastante. Mas, como expliquei na minha resenha (bem negativa rs), eu tinha esperanças de que no formato cinematográfico a história pudesse funcionar. Será que deu certo?

Sinopse: Confinada em casa devido à agorafobia, uma psicóloga fica obcecada pelos novos vizinhos – e por solucionar o crime brutal que viu da janela.

Anna Fox é uma mulher que sofre de agorafobia, o que a impede de sair de casa. Separada do marido e da filha, ela vive sozinha e passa seus dias observando os vizinhos e misturando álcool e remédios. A chegada de novos vizinhos, os Russells, proporciona a Anna uma amizade inesperada com a dona da casa, Jane, com quem passa uma tarde divertida regada a conversas e taças de vinho. Além de Jane, a protagonista também cria um vínculo com seu filho, o adolescente Ethan – um jovem tímido e gentil que leva doces para Anna em nome de sua mãe. A chegada dos Russell não parece ser um problema, até que Anna presencia pela janela a cena de uma discussão que culmina com Jane recebendo uma facada. Porém, quando ela chama a polícia, o pai da família, Alistair, diz que só pode ter havido um engano, e apresenta sua esposa à Anna e aos policiais: só que esta Jane não é a mulher que Anna conheceu.

A premissa da história é muito boa, né? Temos uma narradora não confiável que nos faz duvidar do que ela viu, temos uma família aparentemente normal que esconde um segredo e temos um possível assassinato no centro de tudo isso. Pena que esse plot é desperdiçado e o que o diretor e o roteirista nos oferecem é um longa cansativo, lento e mal conduzido. 

A Mulher na Janela perde um bom tempo nos mostrando a rotina de Anna e, mesmo assim, falha em explorar o quão frágil psicologicamente ela está. A atuação e a caracterização de Amy Adams fazem um trabalho muito melhor em evidenciar o quanto a personagem desistiu de si mesma, mas o roteiro do longa não consegue transmitir o tanto que a personagem sofre. No livro, Anna faz parte de uma comunidade online e aconselha outras pessoas sobre agorafobia, o que é um elemento essencial da trama, mas no filme eles cortaram toda essa parte de sua vida. E, para piorar, incluíram cenas e acontecimentos desnecessários que não colaboraram em nada para o andamento da história. Até o fato dela dedicar grande parte dos seus dias a espiar a vida alheia com uma câmera mal é abordado, tornando o título da obra bem menos relevante rs.

Mesmo um elenco de peso não foi capaz de prender a atenção ao longo da 1h40 de duração do filme (que mais pareceram 3h). Amy Adams é maravilhosa, mas também temos Julianne Moore e Gary Oldman, que são figurantes de luxo. Ethan, um personagem fundamental e muito presente no livro, mal tem cenas relevantes, o que torna difícil até de engolir toda a vontade que Anna sente de protegê-lo de seu suposto pai abusivo. Todas essas pontas soltas, a pouca participação de personagens que não sejam a protagonista e mudanças no roteiro tornaram as duas revelações da trama totalmente anticlimáticas, especialmente na sequência final. A pessoa responsável pela angústia de Anna é revelada sem nem um “aquece” que permita ao espectador acreditar que aquilo que foi mostrado é crível. Só bola fora, na minha opinião.

A Mulher na Janela não me agradou como livro e conseguiu ser ainda mais fraco como filme. As poucas coisas boas que eu tinha gostado na trama original foram cortadas na adaptação e o que sobrou é um filme que não empolga, não angustia e, principalmente, não convence. Não foi dessa vez. :/

Título original: The Woman in the Window
Ano de lançamento: 2021
Direção: Joe Wright
Elenco: Amy Adams, Julianne Moore, Gary Oldman, Wyatt Russell, Fred Hechinger

Dica de Série: O Gambito da Rainha

Oi gente, tudo bem?

Mesmo um pouquinho atrasada, resolvi conversar com vocês sobre a aclamada minissérie O Gambito da Rainha. Meu único arrependimento é não ter assistido antes, então espero convencer quem ainda não viu a correr e fazer o mesmo. Vamos conhecer! ❤

Sinopse: Em um orfanato nos anos 1950, uma garota-prodígio do xadrez luta contra o vício em uma jornada improvável para se tornar a número 1 do mundo.

Aos 9 anos, Elizabeth Harmon é envolvida em um acidente de carro causado pela sua mãe, que vem a óbito. A garota é então levada para um orfanato feminino, em que a apatia se faz presente nas aulas do coral, nos ensinamentos religiosos e no dia a dia como um todo. Dois elementos tornam-se fundamentais nesses seus anos de formação: o primeiro é a amizade com uma colega, Jolene, que ensina a Beth a “guardar para mais tarde” as pílulas que elas recebem diariamente (o que inicia o vício da protagonista em tranquilizantes); o segundo é a amizade inesperada e monossilábica com o Sr. Shaibel, o zelador do orfanato, que ensina a Beth como jogar xadrez. Fascinada pelo jogo e com um talento natural, logo Beth vai se destacando e o Sr. Shaibel a incentiva a participar de eventos do clube de xadrez de uma escola próxima. Aos 15 anos, Beth é adotada, e sua vida passa por transformações importantes – todas girando em torno do tabuleiro.

Na adoção, Beth não encontra de cara um lar afetuoso. O seu novo “pai” é alguém que não suporta mais a esposa e vive viajando, chegando ao ponto de abandoná-las. Sua mãe adotiva, Alma, é alguém que afoga as mágoas e frustrações no álcool, sendo uma pianista frustrada presa em um casamento infeliz. Contudo, quando ela percebe o talento de Beth no xadrez e a jovem começa a vencer pequenos campeonatos locais, Alma se torna uma espécie de empresária, impulsionando Beth ainda mais. Temi que a relação das duas fosse evoluir para uma abordagem de “mãe sanguessuga”, mas não é o que acontece: as duas realmente vinculam e querem o bem uma da outra, e Alma investe em Beth não como alguém que dá retorno financeiro, e sim como uma mãe que quer incentivar os sonhos da filha. 

Conforme vai se destacando em campeonatos locais, Beth vai sendo convidada para participar de eventos maiores. Ela se apaixona, tem suas primeiras experiências sexuais, vivencia o vício nos tranquilizantes que começou na infância e passa por diversas dificuldades inerentes ao amadurecimento e à sua origem cheia de traumas. Sua frustração ao perder as primeiras partidas para enxadristas mais experientes é palpável, mas serve como combustível para que ela nunca desista. E um dos aspectos mais bacanas desse processo é que, mesmo sendo muito introspectiva, Beth vai criando laços com mais pessoas – algo que ela praticamente não construiu até encontrar Jolene. Nesse sentido, a série aposta bastante nas amizades que ela faz com os homens que enfrenta, e na admiração deles por ela; é bacana, mas achei um pouco fantasioso. A série se passa majoritariamente nos anos 60, então achei difícil de acreditar que os homens que cruzam o caminho de Beth não sejam todos uns babacas com o ego masculino frágil ferido. Digo isso não porque me tornei cínica quanto ao assunto, mas porque em pleno 2021 mulheres em ambientes tipicamente masculinos precisam lutar (e muito) para serem respeitadas, e esse assunto é pouco tratado (percebam que eu não disse “inexistente”, mas sim “pouco”) em O Gambito da Rainha.

Mas não adianta, quem rouba a cena é Anya Taylor-Joy e seu magnetismo. Mesmo dando vida a uma personagem cheia de vícios e comportamentos autodestrutivos, a atriz – e consequentemente Beth – é capaz de se conectar com o público e fazer com que a gente torça por ela não apenas nas partidas, mas também em cada passo da jornada na sua vida pessoal. Ver Beth crescer como enxadrista e como mulher é muito interessante, e mesmo pra quem não entende nada do jogo (como eu), é impossível desviar os olhos da protagonista quando ela move suas peças pelo tabuleiro. Some isso a uma produção de qualidade inquestionável e figurinos que me fizeram querer usar todo o guarda-roupa de Beth (a partir do momento em que ela passa a escolher e comprar o que veste, claro rs) e temos uma série que é impossível de largar.

O Gambito da Rainha merece todos os prêmios que ganhou desde sua estreia na Netflix e é uma minissérie instigante e redondinha, que desenvolve sua protagonista como alguém humano, cheio de falhas, mas com um espírito imbatível. Se você, assim como eu, demorou pra conferir essa produção, te aconselho a dar o play o mais breve possível. Você não vai se arrepender! 😉

Título original: The Queen’s Gambit
Ano de lançamento: 2020
Criador: Scott Frank, Allan Scott
Elenco: Anya Taylor-Joy, Thomas Brodie-Sangster, Harry Melling, Marielle Heller, Jacob Fortune-Lloyd, Moses Ingram, Bill Camp