Review: El Camino: A Breaking Bad Movie

Oi pessoal, tudo bem?

Quem já leu minha resenha de Breaking Bad sabe que minha relação com a série foi do ódio ao amor, e eu terminei de assisti-la totalmente impressionada com a qualidade narrativa e técnica. Portanto, era óbvia minha ansiedade para conferir El Camino: A Breaking Bad Movie, o longa da Netflix que mostra o desfecho da jornada do meu personagem favorito: Jesse Pinkman. Por tratar-se de um epílogo, há spoilers da série!

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Sinopse: O fugitivo Jesse Pinkman tenta superar o passado. Escrito e dirigido pelo criador de Breaking Bad, Vince Gilligan, e estrelado por Aaron Paul.

Após ser sequestrado, ver a mulher que gostava ser assassinada, ser torturado de todas as formas e finalmente conseguir escapar de Todd, Jack e seus capangas, o último vislumbre que tivemos de Jesse foi dele pilotando o carro que roubou de seus captores (um El Camino, que dá nome ao filme) com os olhos marejados e uma sensação de êxtase. Mas e o que acontece depois? Jesse consegue se recuperar psicologicamente? Ele é preso? Ele foge? São perguntas que o longa vem para esclarecer.

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Ao longo das cinco temporadas de Breaking Bad, sempre ficou nítido para mim que Jesse era uma pessoa que tomou decisões erradas, trilhou um caminho ruim, mas tinha um coração essencialmente bom. Senti muita pena de todas as vezes em que ele tentou se desvencilhar de Walter (conhecido como o personagem mais egoísta do mundo, te odeio Walter White bjs) e fiquei de coração partido quando ele foi capturado e torturado na reta final da trama. Por todos esses motivos, mesmo sabendo que o personagem tem sua parcela de culpa em tudo que aconteceu, eu sempre torci por ele, para que ele conseguisse mudar de vida e encontrar a felicidade. El Camino vem para mostrar como essa jornada se desenrola, afinal, os traumas, o remorso e a culpa que acompanham Jesse são profundos.

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Apesar de descobrirmos mais sobre o tempo de Jesse em cativeiro e também vislumbrarmos as cicatrizes (literais e metafóricas) que toda a vivência do personagem deixou, El Camino não se concentra tempo demais em torno desse drama, evitando superexpor as cenas de sofrimento. A história é ágil, direta, objetiva: são 2h e 2 minutos de duração que têm um ritmo muito semelhante ao da série, fazendo com que o longa pareça um episódio mais duradouro de Breaking Bad. Com adição de alguns flashbacks para contextualizar certas situações, El Camino ainda nos agracia com a possibilidade de matar a saudade de alguns personagens (ou de odiá-los mais um pouquinho rs). Porém, fica um pequeno alerta: mesmo com o resumo no início, há alguns detalhes da trama original que eu não consegui me lembrar tão bem quanto gostaria. O filme contextualiza depois, mas talvez valha a pena assistir à quinta temporada de novo, ou pelo menos aos episódios finais, caso você também fique com a sensação de “hmmm quem é esse mesmo?”. 😛

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Outro aspecto incrível sobre El Camino é a consistência em relação à série. Vince Gilligan conseguiu recriar toda a atmosfera de Breaking Bad mesmo 6 anos após seu fim. E olha que eu não sou a maior entusiasta de spin-offs! Aaron Paul, por sua vez, retoma todo o peso dramático com qual Jesse terminou na series finale e desenvolve os desdobramentos disso com perfeição, até chegar ao ponto de esperança e renovação para o personagem. E o que dizer da fotografia? Assim como sua contraparte televisiva, que trazia cenas icônicas, El Camino também tem momentos tão belos quanto a produção que o antecede. Destaque para um dos cenários finais, que traz toda a sensação de liberdade que a narrativa inteira buscou.

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El Camino é a história que os fãs de Breaking Bad não sabiam que precisavam: um desfecho digno para Jesse, que finalmente teve a chance de tomar as rédeas da própria vida. O longa faz isso com respeito ao legado da série, com consistência em relação a tudo que faz de Breaking Bad o que ela é e, principalmente, dá protagonismo ao personagem que foi usado como um fantoche em diversos momentos da produção original. Ter a chance de ver Jesse como alguém livre da influência de Walter, com a possibilidade de fazer o que quiser com essa liberdade, foi revigorante. Porque, ao contrário de Walter, Jesse é alguém cuja humanidade nunca desapareceu, apesar dos crimes cometidos. E é nessa humanidade que a gente aposta. 🙂

Título original: El Camino: A Breaking Bad Movie
Ano de lançamento: 2019
Direção: Vince Gilligan
Elenco: Aaron Paul, Jonathan Banks, Matt Jones, Charles Baker, Jesse Plemons, Tom Bower

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Dica de Série: Queer Eye

Oi gente, tudo bem?

Eu tenho um novo vício (por sinal, assisti inteiro em uma semana e meia) e ele se chama Queer Eye. ❤ Hoje vim contar um pouquinho mais pra vocês desse reality que, como o próprio subtítulo já diz, é muito mais que um makeover.

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Sinopse: As caras são novas, mas as missões continuam fabulosas! Estes gênios do makeover são muito mais que rostinhos bonitos.

Eu não sou uma espectadora de reality shows, de maneira geral. Entretanto, buscando por algo leve para passar o tempo, decidi conferir o elogiadíssimo Queer Eye. O reality é um remake da série Queer Eye for the Straight Guy e é formado pelos Fab Five (ou Fabulous Five): Jonathan, responsável pela aparência; Bobby, responsável pelo design e arquitetura; Tan, responsável pela moda; Antoni, responsável pela gastronomia e Karamo, responsável pelos aspectos sociais e psicológicos. Inicialmente, os episódios focavam em homens hétero no sul dos Estados Unidos (já dá pra imaginar o conflito cultural, né?), mas com o passar das temporadas outros tipos de participantes são selecionados.

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É impossível falar de Queer Eye sem falar do carisma dos Fab Five. Eles são homens gays especializados em coisas distintas, mas cujo maior objetivo é ajudar a mudar a vida das pessoas que participam do reality. Os membros do grupo são empáticos, gentis, sensíveis, educados e, quando precisam, não hesitam em pontuar verdades (algumas delas bem difíceis) que os participantes precisam ouvir. Além disso, com o passar dos episódios também vamos descobrindo detalhes das vidas particulares dos Fab Five, e percebemos que o rótulo “homem gay” é restrito demais para resumir toda uma identidade.

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Tan, por exemplo, é casado há anos com outro homem, mas nunca tinha adentrado o universo trans até trabalhar com o participante trans. Bobby cresceu frequentando a igreja e, devido ao preconceito religioso que sofreu, se afastou dela – o que torna difícil pra ele quando precisam ajudar uma senhora que vive dedicada à igreja e também tem um filho gay. Esses são apenas exemplos da diversidade de experiências e sentimentos que as pessoas (sejam elas gay ou não) sentem e vivem. Colocar pessoas em caixinhas jamais vai contemplar as inúmeras nuances, crenças, valores e sentimentos que elas podem sentir, e Queer Eye evidencia isso.

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Outro aspecto muito interessante é, como mencionei antes, o choque cultural que a série provoca em muitos episódios. Por exemplo: os Fab Five visitam a casa de um homem que votou no Trump, sendo que além deles serem gays, um dos membros tem ascendência paquistanesa e o outro é negro. O desconforto é óbvio, né? Mas isso não impede que as pessoas envolvidas tentem se entender e, principalmente, ouvir uns aos outros. Diálogos sobre machismo, racismo, xenofobia, transtornos psicológicos e muito mais fazem parte do reality. Resumindo, Queer Eye dá margem para discussões fundamentais e leva esses debates a pessoas que talvez não tivessem a chance de tê-los.

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Queer Eye realmente vai muito além de um makeover. A aparência é apenas um dos aspectos que os Fab Five utilizam para elevar a autoestima dos participantes. Eles buscam entender todos os problemas que a pessoa está vivenciando naquele momento e que a impedem de buscar seus objetivos ou aquilo que realmente querem ser. Tudo isso em meio a diálogos maravilhosos, MUITO carisma e bom humor e uma infinidade de cenas emocionantes (eu chorei em 95% dos episódios, sério). Assistam, vocês não vão se arrepender! ❤

Título original: Queer Eye
Ano de lançamento: 2018
Criador: David Collins
Elenco: Antoni Porowski, Tan France, Karamo Brown, Bobby Berk, Jonathan Van Ness

Dica de Série: Atypical

Oi gente, tudo bem?

Na minha eterna busca por séries curtinhas e leves, acabei dando uma chance a Atypical. Vamos conhecer? 🙂

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Sinopse: Sam (Keir Gilchrist) é um jovem autista de 18 anos que está em busca de sua própria independência. Nesta jornada, repleta de desafios, mas que rende algumas risadas, ele e sua família aprendem a lidar com as dificuldades da vida e descobrem que o significado de “ser um pessoa normal” não é tão óbvio assim.

Sam é um jovem de 18 anos que faz parte do espectro autista. Ele ama pinguins, trabalha em uma loja de eletrônicos e tem uma rotina bem estruturada – especialmente graças à sua mãe, Elsa, que entrou de cabeça nesse universo e ajuda o filho em todos os aspectos. Porém, em uma de suas sessões de terapia, Sam decide enfrentar o mundo em busca de uma namorada. E essa decisão, que parece tão trivial, acaba gerando grandes movimentações na vida de toda a sua família.

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Se eu tinha alguma dúvida sobre Sheldon (de The Big Bang Theory) fazer parte do espectro autista, vendo Atypical essa dúvida sumiu. Sam tem manias muito semelhantes às de Sheldon, como a incapacidade de entender ironias, ser extremamente sincero e literal, não gostar de ser tocado e também ser muito inteligente. O rapaz tem uma vida bastante funcional, apesar das dificuldades que ocasionalmente surgem em seu caminho. Quando ele decide se arriscar e se expor emocionalmente, sua relação com os outros muda, inclusive com sua família: ele consegue se aproximar do pai, com quem nunca teve uma relação de proximidade, e acaba saindo um pouco debaixo da “asa” de Elsa, o que faz com que a personagem enfrente uma crise de identidade – já que sua única função nos últimos anos era exercer o papel de mãe cuidadora.

Além das descobertas de Sam, acompanhamos sua irmã, Casey, que também vivencia diversas transformações em sua vida. Ela tem o primeiro namorado, precisa mudar de escola, passa por dificuldades com as amizades, aprende mais sobre sua sexualidade… Apesar de Casey e Sam serem muito diferentes (já que Casey não está no espectro), a série mostra como os dois adolescentes vivem um paralelismo de experiências, independentemente do autismo. 

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As relações familiares têm grande destaque na maior parte da trama e, nesse sentido, Elsa é a personagem mais complexa. Ela tem atitudes extremamente questionáveis e comete muitos erros pelo caminho mas, ao mesmo tempo, é interessante assistir aos seus conflitos internos oriundos da decisão de Sam de ser mais independente. Ela é alguém que abriu mão de praticamente tudo na vida para se dedicar ao filho e que subitamente tem isso tirado de si, ficando à mercê de uma fragilidade emocional muito grande. Porém, apesar de cometer erros graves, Elsa também busca sua redenção, fazendo um esforço genuíno para ser uma pessoa melhor e encontrar o perdão da família (inclusive acho que Casey é injusta com Elsa na maior parte do tempo).

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Meu único “problema” com a série talvez seja o fato de que poucos personagens realmente me conquistaram. Por exemplo: o pai de Sam, Doug, é um cara super legal, mas também já pecou muito e ainda assim julga Elsa pelos erros dela; Casey é uma garota chata, implicante e injusta, que não esconde a preferência pelo pai e pega super pesado com a mãe. Felizmente, existem personagens que roubam a cena sendo ótimos de maneiras diferentes: Zahid é um amigo excelente para Sam, tratando-o com naturalidade e carinho; Paige tem uma personalidade cansativa, mas o sentimento que tem por Sam é genuíno e a personagem o defende sem pensar duas vezes. 

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Fugindo do óbvio e trazendo um tema relevante de maneira natural e séria, Atypical é uma comédia gostosa de assistir, com episódios curtos que passam voando. Com personagens que erram, acertam, amadurecem e se desenvolvem, Atypical traz verossimilhança aliada a momentos ora engraçados, ora emotivos. Vale a pena conferir! 😀

Título original: Atypical
Ano de lançamento: 2017
Direção: Robia Rashid
Elenco: Kier Gilchrist, Jennifer Jason Leigh, Michael Rapaport, Brigette Lundy-Paine, Amy Okuda, Graham Rogers, Nik Dodani, Jenna Boyd

Review: O Date Perfeito

Oi gente, tudo bem?

Apesar de achar que a Netflix está saturando a imagem do Noah Centineo, resolvi conferir O Date Perfeito, a mais recente comédia romântica estrelada pelo ator, e hoje conto pra vocês o que achei.

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Sinopse: Precisando de dinheiro para pagar pela faculdade, Brooks (Noah Centineo) decide criar um aplicativo que permite contratar um namorado para todo tipo de situação imaginável. Porém, adotar uma personalidade e um par romântico diferente para cada dia começa a se mostrar uma tarefa difícil e ele começa a se perguntar quem ele é de verdade e como pode encontrar o amor verdadeiro.

Brooks é um rapaz que sonha em entrar na prestigiada Universidade Yale. Porém, sua condição financeira não é a melhor possível para realizar esse objetivo e, quando surge a oportunidade de ganhar uma graninha extra saindo com a prima de seu colega de escola, Brooks não hesita em aceitar. A missão da noite é levar a temperamental Celia (que é a cara da Tata Werneck rs) ao baile da escola e trazê-la em segurança para casa mas, inesperadamente, uma amizade entre os dois surge e ela sugere, brincando, que ele ganhe a vida dessa forma. Com a ajuda de seu amigo programador, Murph, Brooks desenvolve um aplicativo de encontros, onde garotas podem determinar o tipo de pessoa com quem elas querem sair, e Brooks interpreta o cara ideal em eventos diversos: bailes, jantares, competições ou qualquer coisa (não sexual!) que necessite de um acompanhante. Porém, quanto mais perto Brooks chega de seu objetivo financeiro, mais questionamentos sobre sua identidade surgem.

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O Date Perfeito é um grande clichê adolescente: o garoto humilde se deslumbra com o mundo das pessoas ricas, há o conflito sobre o “verdadeiro eu” que sempre acontece nessa faixa etária e há um sentimento inesperado que se desenvolve. Porém, o filme traz esses elementos com um desenrolar gostosinho, o que faz dele um bom entretenimento casual. A amizade de Brooks e Celia é natural e a química entre os atores funciona muito bem; é divertido vê-los comentando sobre os crushes e percebendo como só um rostinho bonito não sustenta algo maior.

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O filme até pincela características mais profundas sobre Brooks e Celia – o primeiro tem um relacionamento familiar mal resolvido, enquanto Celia tem dificuldade de se se abrir e se conectar às outras pessoas –, mas o roteiro não aprofunda verdadeiramente essas questões. O conflito mais interessante, na minha opinião, acontece entre Brooks e Murph, cuja amizade fica abalada quando o primeiro (deslumbrado com o novo mundo no qual se inseriu) passa a negligenciar o relacionamento com o segundo. Brooks precisa quebrar a cara pra entender que amizades verdadeiras não são facilmente encontradas e que são necessárias duas pessoas – com esforços iguais – para mantê-las. Outro aspecto interessante envolvendo Murph é o fato do personagem ser gay e isso ser tratado com total naturalidade, sem big deal. Acho bacana que, assim como em Com Amor, Simon, relacionamentos gays apareçam de maneira leve em produções destinadas a adolescentes.

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Por fim, também gostei de perceber a evolução de Brooks ao longo da trama. Se no início do longa ele é um rapaz encantado com a ideia de ir para Yale, uma faculdade de elite, no final ele consegue compreender que há muito mais na vida que o status e as aparências. Entender nossa origem e quem somos não é um processo fácil, especialmente na adolescência, mas é um desafio pelo qual a maioria de nós passa – por isso, a situação do protagonista é bastante relacionável. No fim das contas, acredito que o importante é sermos fiéis a nós mesmos, buscando sempre melhorar. Acho que o Brooks aprende isso também. 😉

O Date Perfeito é um filme fofinho, meio fantasioso, mas ainda assim divertido de assistir. Ideal pra quem quer uma comédia romântica sem maiores pretensões ou expectativas e curtir a química de dois jovens que trazem o melhor um do outro à tona.

Título original: The Perfect Date
Ano de lançamento: 2019
Direção: Chris Nelson
Elenco: Noah Centineo, Laura Marano, Camila Mendes, Matt Walsh, Odiseas Georgiadis

Review: Castlevania

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar de não ter jogado os jogos que deram origem à série animada, eu assisti e adorei Castlevania, e hoje vim contar um pouquinho mais a respeito pra vocês. 😀

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Sinopse: Um caçador de vampiros luta para salvar uma cidade sitiada por um exército de criaturas controladas pelo próprio Drácula.

A trama se inicia após o temido conde Drácula, um vampiro poderoso, perder sua esposa, Lisa, que é queimada viva na fogueira por acusação de bruxaria – quando na realidade ela apenas ajudava os aldeões com seus conhecimentos em medicina. Convencido de que a humanidade é podre e não merece viver, Drácula libera suas criaturas infernais para exterminar todos os seres humanos. O fanfarrão Trevor Belmont, herdeiro e único membro vivo oriundo de uma família de caçadores de monstros, se opõe à destruição e, com a ajuda de Sypha Belnades (uma maga nômade), combate as criaturas. Após batalhas sangrentas, os dois decidem acordar e se aliar ao poderoso Alucard – meio-vampiro, meio-humano e filho de Dracula, que vê a atitude do pai como completamente insana.

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Castlevania é uma série curtinha, com apenas 2 temporadas (por enquanto) e episódios de cerca de 20 minutos. É uma ótima opção para maratonar, o que é facilitado pelo enredo envolvente e pelas cenas de batalha. O traço é lindíssimo, uma mistura de animações ocidentais com traços orientais. Porém, preciso criticar a animação propriamente dita: eu achei a movimentação dos personagens e suas expressões faciais muito “dura” e travada, sem a fluidez necessária para que eu sentisse naturalidade enquanto assistia. Na segunda temporada há uma melhora, mas na primeira isso me incomodou tanto que quase desisti da série hahaha! 🙈

A dinâmica do trio principal é muito divertida de acompanhar: Sypha é a voz da razão em meio às brigas infantis de Trevor e Alucard, que têm personalidades totalmente opostas. Enquanto o primeiro é malandro e fanfarrão, o segundo é discreto e racional. Entretanto, em batalha, os três se complementam e se protegem, tendo habilidades e conhecimentos únicos que os transformam em um time incrível. Mas é inegável que o personagem mais interessante (e crushante, plmdds) é Alucard, que precisa ir contra o próprio pai para honrar a memória da mãe; em sua opinião, a escolha de Drácula de dizimar a humanidade vai contra tudo o que Lisa acharia certo e, por isso, ele precisa ser impedido. Mas enfrentar essa situação não é fácil, afinal, Drácula é seu único parente e laço sanguíneo no mundo, o que torna o dilema muito mais pesado.

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Os vilões, infelizmente, não são tão interessantes, à exceção do próprio Drácula – que, na minha visão, é praticamente um anti-herói. Devastado pela perda do amor de sua vida, Drácula não foi capaz de seguir em frente. Entretanto, sua decisão de exterminar os seres humanos causou grande discordância entre os vampiros sob seu comando, gerando algumas intrigas políticas e traições ao longo da série. É difícil não torcer (nem que seja um pouquinho) para que Drácula seja bem-sucedido em sua vingança: a cena em que Lisa morre é de uma crueldade tão grande que fica um pouco mais fácil entender as motivações do vilão (não que exterminar inocentes por causa disso se justifique, mas a gente entende a revolta rs).

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Resumindo, Castlevania é uma ótima animação, com uma história bacana, cheia de ação e personagens carismáticos (alguns dublados por nomes de peso, como Richard Armitage e Graham McTavish, ambos de O Hobbit). Para quem gosta do universo do jogo ou simplesmente é fã de vampiros, vale a pena conferir.

Título original: Castlevania
Ano de lançamento: 2017
Direção: Sam Deats
Elenco: Richard Armitage, Graham McTavish, James Callis, Emily Swallow

Review: Megarrromântico

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de uma viagem de férias maravilhosa, estou de volta! ❤ Ainda estou organizando as fotos e preparando os conteúdos sobre a viagem, então para hoje eu trouxe como dica um filme leve e bem divertido disponível na Netflix: Megarrromântico!

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Sinopse: Após bater a cabeça, uma arquiteta com horror a sentimentalidades vê sua vida se transformar em uma comédia romântica cafona e cheia de clichês.

Desde a infância, Natalie foi incentivada a desacreditar no amor e desprezar quaisquer tipos de clichês de comédias românticas. Sua personalidade cética, somada ao fato de que Natalie acredita que uma garota como ela (ou seja, uma mulher gorda) jamais será vista e notada, fazem com que a personagem seja muito fechada e resignada em suas relações. Entretanto, após ser assaltada no metrô e bater a cabeça, Natalie acorda e vê sua vida virada de cabeça pra baixo: TUDO ao seu redor se transformou em um clichê de comédia romântica! Seu apartamento ficou maravilhoso, todos os homens lindos ficam babando por ela, seu emprego é incrível… porém, sua melhor amiga se tornou rival e seu melhor amigo é um homem gay cujo único papel é justamente ser seu amigo. Basicamente, todas as coisas boas e ruins do universo das comédias românticas passam a “assombrar” Natalie, que deseja mais do que tudo voltar à sua realidade – nem que, para isso, ela precise “viver o filme” até o fim.

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Megarrromântico é uma comédia romântica que satiriza comédias românticas. No filme, Nova York é perfumada, há flores por todo lado e o romance está no ar. Entretanto, o sexo não se consuma, o amigo gay é apenas um souvenir e mulheres não podem ser amigas. Essas críticas são bem diretas e óbvias e, ao mesmo tempo que divertem, por exagerarem a situação, também apontam a falta de diversidade nesse tipo de produção.

Entretanto, apesar de satirizar comédias românticas, Megarrromântico acaba reforçando várias delas, principalmente no desenvolvimento do romance da protagonista. Entretanto, isso não me incomodou e não atrapalhou minha experiência, principalmente porque acho incrível que estejam surgindo mais produções que tenham mulheres gordas como protagonistas conquistando tudo que até então apenas mulheres magras conquistavam: sucesso, autoconfiança, amizade e, também, amor romântico. Afinal, é fácil criticar um clichê quando se está dentro dos padrões, não é mesmo? Para quem está à margem, o clichê não é tão fácil de conseguir. E, assim como ocorre em Dumplin’, Natalie chega onde chega sem necessidade de mudar quem ela é, mas sim abraçando suas características – que ela, acima de todos, é capaz de amar.

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Eu adorei Natalie e morri de rir com suas “aventuras” na realidade paralela. A personagem é carismática, divertida e causa simpatia no espectador. Seu melhor amigo, Josh, acaba sendo mais uma variação das interpretações de Adam DeVine (pelo menos as que eu já vi), mas ainda assim é um personagem fofo. Mas um dos que mais fazem rir é Blake, interpretado por Liam Hemsworth. O personagem é o típico ~bonitão bem-sucedido e, justamente por isso, é responsável por muitos e muitos clichês que arrancam boas risadas. A interação dele com Natalie é ótima!

Megarrromântico é um filme leve, curto e divertido, perfeito para uma tarde preguiçosa em que você quer um entretenimento despretensioso – que ainda consegue pincelar algumas críticas aos estereótipos e falar sobre amor próprio. E, apesar de não conseguir se desvencilhar de todos os clichês que critica, é sempre bom ver uma protagonista fora dos padrões estéticos ganhando espaço e voz. 😉

Título original: Isn’t It Romantic
Ano de lançamento: 2019
Direção: Todd Strauss-Schulson
Elenco: Rebel Wilson, Liam Hemsworth, Adam DeVine, Priyanka Chopra, Betty Gilpin, Brandon Scott Jones

Review: Dumplin’

Oi pessoal, tudo certo?

Para o mês de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) escolheu o tema “filmes protagonizados por mulheres”, de forma a comemorar a data, discutir temas pertinentes ao universo feminino e trazer dicas bem incríveis pra vocês. ❤

uma amiga indicou

Eu escolhi falar sobre Dumplin’, uma das novas produções da Netflix que, além de ter um elenco predominantemente feminino (e, é claro,  protagonistas mulheres), também vai contra diversos paradigmas relacionados à representação de pessoas gordas.

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Sinopse: Determinada a desafiar os padrões impostos pela sociedade, a adolescente Willowdean Dickson se inscreve no concurso de beleza organizado por sua mãe, uma ex-miss.

Willowdean, ou simplesmente Will, é uma jovem do Texas que é completamente apaixonada por Dolly Parton, vive trocando confidências com a melhor amiga, trabalha em uma lanchonete, flerta com o colega charmoso e está em constante conflito com sua mãe, Rosie, uma ex-miss e organizadora do concurso de beleza das jovens da cidade. Outra característica de Will é que ela é uma garota gorda; porém, ao contrário de muitas produções por aí, em Dumplin’ isso não é apresentado como algo a ser desesperadamente alterado, pois desde o início do longa percebemos a referência corporal positiva que Will teve por meio de sua tia, Lucy, também uma mulher gorda – e linda e feliz. Contudo, desde a morte precoce de Lucy, Will está enfrentando uma fase difícil, tendo que lidar sozinha não apenas com o luto, mas também com a obsessão de sua mãe com dietas e aparência física. Em um certo dia, ao mexer nos pertences de Lucy, Will encontra uma inscrição jamais feita no concurso de misses da cidade e, em um impulso, decide ela mesma se inscrever – para honrar sua tia e desafiar os padrões que sua própria mãe tanto exalta. A partir desse momento, outras meninas seguem o exemplo de Will por suas próprias razões e acompanhamos sua jornada de preparação para o concurso.

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Dumplin’, em essência, é um filme bem clichê. Temos a protagonista insegura, o boy magia, o makeover e a superação. Mas o que chama a atenção no longa é que todos esses elementos respeitam a identidade gorda de Will, sem necessidade de mudá-la ou emagrecê-la. Ao mesmo tempo, Dumplin’ também consegue mostrar com delicadeza as inseguranças sentidas pela protagonista: em uma cena específica com o garoto dos seus sonhos, vivendo um momento lindo, ela fica travada por pensar nas dobrinhas de sua cintura. A personagem fica emocionalmente fragilizada por conta da situação, mas nem por isso corre para a academia ou para uma dieta restritiva, o que é um ponto MUITO positivo do filme. Afinal, a autoestima é uma construção diária e, não é porque gostamos de quem somos que isso nos impede de ter momentos de insegurança.

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E Will é alguém que vive nesse limiar da (in)segurança. Ela não demonstra o desejo de mudar seu corpo, mas ainda assim se julga indigna de amor por conta da sua forma. Com o passar da trama, entretanto, ela vai entendendo cada vez mais a importância de ser quem ela é e não se desculpar por isso. Uma das frases de Dolly Parton, musa inspiradora da personagem, é recitada mais de uma vez: “Descubra quem você é e faça de propósito”, e esse lema conduz a narrativa até o fim. Além disso, temos a participação de incríveis drag queens que auxiliam no processo de ajudar Will e suas amigas a desabrocharem e ganharem autoconfiança. Entretanto, apesar dessas boas intenções do longa, eu tive grande dificuldade de gostar genuinamente de Will. Não sei se foi falta de carisma da atriz ou se foi a personalidade da personagem, mas pra mim ela era a pessoa menos interessante de acompanhar ao longo da trama. Ainda assim, isso não impediu que eu admirasse sua trajetória de construção de amor próprio e o fortalecimento de suas relações interpessoais.

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Essas relações, por sinal, são a base do filme. O relacionamento com Rosie sempre foi conturbado, afinal, Will nunca se “encaixou” no mundo perfeito da mãe, que passava a maior parte do tempo ocupada e ausente. Justamente por isso, o vínculo criado com a tia tornou-se ainda mais forte, já que Lucy foi um modelo presente e acessível durante toda a infância da jovem. Além disso, a relação com a melhor amiga, Ellen, também tem um peso enorme: entretanto, apesar de Ellen ter deixado claro que nunca viu Will como alguém gordo, essa característica – ou melhor, a diferença entre seus corpos – é vista por Will e acaba se tornando um tema delicado entre as duas em determinado momento da trama. Por fim, temos também a relação com Bo (o crush) e com os novos amigos e amigas que a auxiliam no concurso. Em suma, os elos construídos por Will ao longo da vida são a base para o que ela é hoje e para o que ela vem a se tornar, sendo fonte de apoio na construção e fortalecimento de sua identidade.

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Dumplin’ não é um filme memorável por sua trama, que pode ser encontrada em muitas outras comédias românticas. Entretanto, apesar de não ser meu lugar de fala, acredito que o longa trabalhe com delicadeza o ser gordo, bem como o sentimento de perda, a jornada de autodescoberta e a construção do amor próprio. É um filme que não precisa machucar nenhuma existência para passar sua mensagem, e é sempre importante celebrar produções assim (mesmo que suas tramas não sejam inesquecíveis). Afinal, enquanto mulheres, somos constantemente vigiadas e pressionadas por conta de questões estéticas, e já passou da hora de repensarmos os estereótipos que estamos reforçando e o tipo de produção (seja ela filme, série ou livro) que estamos exaltando. 😉

Título original: Dumplin’
Ano de lançamento: 2018
Direção: Anne Fletcher
Elenco: Danielle Macdonald, Jennifer Aniston, Odeya Rush, Maddie Baillio, Bex Taylor-Klaus, Luke Benward, Harold Perrineau, Hilliary Begley