Dica de Série: Mindhunter

Oi, pessoal. Tudo bem?

Hoje trago pra vocês minhas impressões sobre uma das séries mais recentes (e interessantes) da Netflix: Mindhunter!

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Sinopse: Baseada no livro Mind Hunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit, a série se passa em 1977 e gira em torno de dois agentes do FBI, interpretados por Jonathan Groff e Holt McCallany, que entrevistam assassinos em série presos para tentar resolver casos em andamento.

Como a sinopse já menciona, Mindhunter conta a história de dois agentes do FBI que passam a entrevistar serial killers presos para entender um pouco mais sobre eles: como eles pensam, o que os motiva, o que aconteceu em seu passado, etc. Holden Ford, o protagonista, é um jovem agente muito idealista, que trabalhava como negociador em casos de sequestro. Insatisfeito e incompreendido por seus métodos, ele é transferido e passa a ser assistente de Bill Tench, um agente veterano responsável pela escola móvel, um programa do FBI que viaja por todo o país para capacitar policiais e ensinar algumas técnicas da instituição. Nessas viagens, Holden e Bill passam a entrevistar também alguns presos – chamados inicialmente de “assassinos sequenciais” – para compreender o aspecto psicológico que os envolve e tentar detectar esses mesmos sinais em outros possíveis criminosos ou casos em aberto. Após muita dificuldade e burocracia, os dois passam a representar a Unidade de Ciência Comportamental do FBI e ganham uma aliada: a Dra. Wendy Carr, uma psicóloga e pesquisadora que vê grande potencial no projeto.

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Mindhunter, que foi produzida por David Fincher e Charlize Theron, tem a cara do diretor: o clima é tenso, os diálogos são inteligentes e a história vai se desenrolando aos poucos, enquanto aprofunda cada aspecto da narrativa e dos personagens. Mesmo uma cena inocente (como aquela em que Wendy alimenta um gato que vive escondido na lavanderia) traz uma tensão e uma urgência palpáveis, deixando o espectador desconfiado e acreditando que a qualquer momento algo horrível irá acontecer. Mas Mindhunter não é focada em plot twists e em cenas de ação. O grande atrativo da série está em seus personagens.

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A dinâmica entre Holden e Bill é muito interessante. Eles começam a série como pupilo e professor mas, aos poucos, Holden vai criando mais confiança em si mesmo e em seus métodos – aproximando-se muito de seus próprios objetos de estudo. Desde o início, o personagem demonstra seu lado egocêntrico, que vai ficando mais evidente conforme ele adentra o mundo (e a mente) dos serial killers. Bill, por outro lado, seria aquele estereótipo do agente durão, mas que tem mais jogo de cintura para lidar com a burocracia do FBI. Ao longo dos episódios, o espectador se depara com a fragilidade do personagem, que tem uma situação complicada e questões mal resolvidas na família (especialmente por não saber lidar com um filho autista).

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Temos também duas mulheres importantes na trama: a Dra. Wendy é uma acadêmica cética e centrada, que tenta  (muitas vezes em vão) manter o estudo com os assassinos dentro de parâmetros acadêmicos, para que os dados sejam válidos em termos de pesquisa. Ela sugere questionários e metodologias, mas Holden é resistente e prefere ser metido seguir seus instintos. A outra mulher é a namorada de Holden, Debbie. Estudante de Sociologia, a moça tem uma visão bem diferente de Holden e, no início da série, acaba sendo uma influência que flexibiliza o namorado. Com o passar dos episódios, contudo, Holden fica cada vez mais autocentrado e a relação dos dois enfrenta diversas tensões. Afinal, Holden lida todos os dias com assassinos que – em sua maioria – subjugam, humilham, estupram e assassinam mulheres (pelas mais diversas motivações). Seria praticamente impossível sair imune desse tipo de proximidade, e Holden sente as consequências de seu trabalho na pele.

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Outro aspecto muito bacana é ver os desafios que a equipe precisa enfrentar para se fazer ouvir. Se hoje o termo serial killer já existe e é encarado com seriedade, naquela época esse conceito nem existia. Nos anos 70, as autoridades só se importavam com capturar os criminosos e condená-los à pena de morte, por isso foi extremamente complicado para a Unidade de Ciência Comportamental encontrar seu espaço nesse contexto. Tanto o FBI quanto os policiais tinham resistência de acreditar e até mesmo aceitar o trabalho que eles faziam com as entrevistas, mapeamento e catalogação de comportamentos dos criminosos. Mas, aos poucos, as pessoas passam a enxergar a importância desse estudo quando eles passam a dar frutos e a equipe auxilia em alguns casos de difícil resolução pelo país.

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Mindhunter é uma série extremamente interessante e envolvente, que disseca não apenas o comportamento dos serial killers, mas de seus próprios protagonistas. Com episódios instigantes – ainda que focados no diálogo –, atuações sensacionais, fotografia que nos leva direto aos anos 70 e trilha sonora cheia de clássicos, é uma experiência obrigatória pra quem gosta do tema. Recomendo muito!

Título original: Mindhunter
Ano de lançamento: 2017
Criador: Joe Penhall
Elenco: Jonathan Gorff, Holt McCallany, Anna Torv, Hannah Gross, Cotter Smith

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Dica de Série: Os Defensores

Oi gente! Como vocês estão?

Depois de aguardar com MUITA ansiedade, finalmente Os Defensores chegaram à Netflix! ❤ Apesar de ter visto a série numa sentada no fim de semana passado, resolvi esperar os ânimos acalmarem pra falar a respeito. Então vamos ao review!

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Sinopse: Eles não estão nem aí para fazer amigos. O lance deles é salvar Nova York. Demolidor, Luke Cage, Jessica Jones e Punho de Ferro são os Defensores.

Na cronologia das séries Marvel e Netflix, Os Defensores se passa alguns meses depois da segunda temporada de Demolidor e começa mostrando cada personagem individualmente: Matt deixou o uniforme pra trás e está trabalhando como advogado de casos pro bono; Jessica não voltou a atuar como investigadora após vencer Kilgrave; Luke saiu da prisão e voltou ao Harlem e Danny segue caçando membros do Tentáculo pelo mundo na companhia de Colleen. Contudo, após um terremoto suspeito, todos os personagens acabam se envolvendo com investigações próprias que culminam no mesmo ponto: o prédio do Mirdland Circle, epicentro dos tremores e sede do Tentáculo. Movidos por motivações próprias, mas com um inimigo em comum, Os Defensores acabam se unindo contra a ameaça.

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Eu amei o fato da série ter levado alguns episódios construindo o enredo individual de cada personagem antes de unir o grupo. Isso fez com que eles não parecessem um time de super amigos (uma piada da própria série, btw) repentinamente, mas sim pessoas com interesses próprios que viram nessa união algo imprescindível para a vitória. Outro aspecto extremamente positivo é que a trama do Tentáculo – que vinha se desenrolando desde as temporadas solo de Demolidor – teve aprofundamento e explicações, e eu fiquei muito satisfeita.

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Agora vamos falar dos personagens. Como não amar cada momento que aproximava Matt, Jessica, Luke e Danny? Se antes eu achava que a Claire seria o principal ponto de contato deles, com o passar dos episódios vi que a trama por si só estruturou esses encontros de maneira muito coerente. A dinâmica entre eles foi maravilhosa e rolou muita química entre os personagens. Destaque para Luke e Jessica (que são casados nas HQs): foi possível ver o carinho existente entre os personagens nos diálogos e no apoio mútuo. Só achei um pouco esquisito ver tanto afeto porque, na série solo de Luke, ele parece nem querer falar a respeito dela. De qualquer forma, se forem construir um romance novamente, espero que a Claire não saia magoada nesse processo (amo a Jess, mas também amo a Claire!).

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Também gostei da evolução de Danny nessa série. Se eu achei Punho de Ferro péssima, acredito que o personagem tenha melhorado muito em Os Defensores. A dinâmica dele com Luke foi super bacana, trazendo a jovialidade do personagem de uma maneira mais positiva (e não tão impulsiva como na sua série solo). Também adorei a reação dos personagens e as zoações sempre que Danny falava de K’un-Lun. Por último, temos Matt, que está vivendo um momento de crise por tentar viver apenas como advogado – sendo que sua essência e real personalidade é a de Demolidor. Eu admito que o plot dele foi o menos interessante pra mim, por não ser fã da Elektra (em seguida me aprofundarei nisso), mas ainda assim gosto muito do personagem.

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O Tentáculo também foi bem trabalhado, e Alexandra foi uma líder muito interessante. Porém, como já mencionei, meu ranço fica por conta da Elektra: eu acho a personagem boring e sem carisma. Não consigo gostar dela e acho que já deu de Elektra (ao menos como vilã) nesse universo. Alguns membros da organização não tiveram tanto destaque, como Bakuto, Sowande e Murakami. Parecia que eles estavam ali apenas para serem os outros braços do Tentáculo, já que Alexandra e, principalmente, Gao, roubavam a cena.

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Outra coisa que eu preciso elogiar são os jogos de luzes e cores na abertura (que é fantástica!) e ao longo dos episódios! Eu adorava assistir as cenas de transição dos personagens e perceber como as cores influenciavam o ambiente dependendo de quem fosse o foco. Quando Os Defensores finalmente estão juntos, também é possível perceber as luzes e as cores tendo maior ou menor destaque, dependendo de quem fosse o “protagonista” de determinado diálogo ou enquadramento (eu ficava dizendo “vermelho!”, “roxo!”, “verde!”, “amarelo!” que nem uma criança chata e empolgada nesses momentos HAHAHA!).

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Em suma, eu amei real oficial Os Defensores. 😛 Amei a história, amei a forma como os personagens se uniram e amei como a série encaminhou as histórias deles individualmente, deixando muito material para as próximas temporadas solo. Apesar da temporada ter sido mais curta (Punho de Ferro é que deveria ter tido apenas 8 episódios #fikdik) e eu já estar morrendo de saudade dos personagens, acredito que a história ficou na medida perfeita! ❤ Recomendo mil vezes!

Título original: Marvel’s The Defenders
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Douglas Petrie, Marco Ramirez
Elenco: Charlie Cox, Krysten Ritter, Mike Colter, Finn Jones, Elodie Yung, Sigourney Weaver, Wai Ching Ho

Dica de Série: Shadowhunters

Oi pessoal, tudo bem?

No ano passado, quando Shadowhunters estreou, eu fiz um post de primeiras impressões, lembram? Na época, prometi que voltaria pra falar mais sobre a série quando tivesse uma opinião mais formada a respeito dela e… cá estou! 🙂

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Sinopse: Baseada nos livros Os Instrumentos Mortais, a série Shadowhunters acompanha a jovem Clary Fray, de 18 anos de idade, que descobre em seu aniversário que ela não é quem pensava ser, mas que vem de uma antiga linha de Caçadores de Sombras – seres híbridos de humanos e anjos que caçam demônios. Quando sua mãe Jocelyn é sequestrada, Clary se lançada no mundo de caça aos demônios junto do misterioso Caçador de Sombras Jace e seu melhor amigo, Simon. Agora vivendo entre fadas, feiticeiros, vampiros e lobisomens, Clary começa uma jornada de autodescoberta enquanto aprende mais sobre seu passado e percebe como poderá ser seu futuro.

A sinopse da série já diz exatamente do que ela se trata, então não vejo necessidade de falar muito além dela a respeito do enredo. A primeira temporada tem aquele clima introdutório, que apresenta aos espectador um novo universo e suas particularidades. Já na segunda, vemos esse novo mundo sendo mais aprofundado e desenvolvido.

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Admito pra vocês: Shadowhunters me ganhou no cansaço. Eu não costumo largar séries pela metade (fiz isso com pouquíssimas até hoje) e, como me interesso pelo universo construído pela Cassandra Clare, acabei “relevando” todos os defeitos que mencionei no post de primeiras impressões e segui assistindo. E eu fui recompensada! A segunda temporada (que, inclusive, tem mais orçamento, graças à Netflix) está se saindo muito melhor do que a primeira, me fazendo realmente gostar do desenvolvimento da série até o momento (sei que os fãs têm reclamado de várias alterações em relação aos livros mas, como só li o primeiro volume, isso não tem me incomodado).

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Shadowhunters é uma série fantasiosa e bastante juvenil, mas acaba ganhando o espectador devido aos constantes desafios que os personagens precisam vencer ao longo dos episódios (e também aos shipps). Se a primeira temporada é focada em Clary, em sua descoberta como sendo uma Caçadora de Sombras e em sua busca pela mãe – sequestrada pelo ex-marido e pai da protagonista, Valentine –, a segunda se equilibra entre a luta contra Valentine, revelações importantes e um novo (e ameaçador) vilão. A série também dá um passo acertado, ainda que não perfeito, em direção à diversidade, pois traz um casal gay super importante (Malec ftw ♥) e personagens negros (como Luke e Maia) que ganham espaço no enredo da segunda temporada.

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Outra coisa bacana que vale mencionar: os personagens tiveram um desenvolvimento notável e as atuações também melhoraram. Katherine McNamara, principalmente, evoluiu muito em relação à season anterior. Simon e Magnus continuam sendo meus personagens favoritos. ❤ Enquanto o primeiro ganha mais espaço na temporada (yay!), o segundo infelizmente acaba sendo um pouco desperdiçado. Isabelle também recebe mais atenção e tem um plot próprio, enquanto Alec amadurece e ganha novas responsabilidades.

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Shadowhunters é uma série que teve um grande crescimento da primeira para a segunda temporada, me deixando muito satisfeita por não ter desistido de acompanhar. Essa melhora, inclusive, foi o que me motivou a escrever esse post e melhorar a imagem que eu tinha construído de série aqui no blog. Sim, é uma produção um pouco guilty pleasure, porque tem várias falhas, mas ainda assim é muito envolvente e divertida. É uma série gostosa de acompanhar, mas da qual não podemos esperar um roteiro inesquecível ou um enredo impecável. Recomendo pra quem gosta do universo de Os Instrumentos Mortais e/ou deseja uma série despretensiosa, cujo objetivo é apenas manter os fãs entretidos e envolvidos sem maiores expectativas ou pretensões. 😉

P. S.: grazadeus arrumaram a cor do cabelo da Clary, que na primeira temporada mais parecia uma cenoura! HAHAHA 😛

Título original:  Shadowhunters
Ano de lançamento: 2016
Criador: Todd Slavkin, Darren Swimmer
Elenco: Katherine McNamara, Dominic Sherwood, Alberto Rosende, Matthew Daddario, Emeraude Toubia, Harry Shum Jr., Isaiah Mustafah

Dica de Série dupla: Luke Cage e Punho de Ferro

Oi gente! Tudo bem com vocês?

Pra finalizar as séries de super-heróis da Netflix e da Marvel, hoje eu trago pra vocês minha opinião sobre Luke Cage e Punho de Ferro! 🙂

Resolvi fazer essa Dica de Série dupla por três fatores: 1) acho que combina falar deles juntos, já que eles formam uma bela amizade nas HQs; 2) fiquei pilhadíssima com o trailer de Os Defensores, que saiu há algum tempo e 3) essas foram as duas séries da parceria Netflix e Marvel de que menos gostei. Vamos aos reviews?

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Sinopse: Depois que um experimento sabotado ter deixado Luke Cage com uma super-força e pele indestrutível, ele se torna um fugitivo que tenta reconstruir a vida no Harlem, bairro de Nova York. Mas logo ele é forçado a sair das sombras e lutar pela sua cidade, bem como confrontar o passado do qual tentou fugir e assumir a identidade de herói.

A história de Luke Cage pode ter começado em Jessica Jones, mas na sua série solo ela ganha mais profundidade e conhecemos mais do passado do herói. A série começa com Luke trabalhando na Barbearia do Pop, localizada no Harlem – um bairro majoritariamente negro. Lá, a violência fica cada vez mais expressiva, principalmente pela ação dos primos Cornell “Boca de Algodão” Stokes (dono da boate mais popular do local, onde ocorrem diversas atividades criminosas) e Mariah Dillard (vereadora que usa sua influência para ajudar Cornell). Luke mantém suas habilidades especiais – ele é super forte e sua pele é à prova de balas, extremamente resistente – em segredo, e apenas Pop sabe a verdade. Quando o dono da barbearia é assassinado, Luke toma para si a responsabilidade de acabar com Boca de Algodão e Mariah Dillard, ao mesmo tempo em que desvenda segredos sobre seu próprio passado.

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Luke Cage tem um enredo consistente, apesar de desandar no final – algo que senti também em Jessica Jones. Existem muitos vilões, o que acaba dividindo a atenção do espectador e enfraquecendo todos eles, em especial o último, que deveria ser também o principal e mais ameaçador. Luke não é um protagonista muito carismático, mas felizmente a enfermeira mais badass de Nova York, Claire Temple, supre essa demanda, já que ela ganha bastante destaque nessa série. Outra personagem feminina super forte que merece destaque é a policial Misty Knight: honesta, determinada e corajosa, ela defende o Harlem com unhas e dentes. Luke Cage também é uma série importante por trazer muita negritude e representatividade, já que o Harlem é um bairro predominantemente negro: da trilha sonora aos costumes locais, a série acerta em cheio ao abordar esses aspectos, que normalmente são deixados de lado em outras produções televisivas.

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Em suma, Luke Cage é uma boa série, mas cujo protagonista não encanta. Tem uma história coerente e interessante, mas não a ponto de querer me fazer maratonar. Assisti mais por querer acompanhar os quatro heróis que farão parte de Os Defensores, confesso, mas não me arrependi de dedicar algumas horas à série. 🙂

Título original:  Marvel’s Luke Cage
Ano de lançamento: 2016
Criador: Cheo Hodari Coker
Elenco: Mike Colter, Mahershala Ali, Simone Missick, Alfre Woodard, Theo Rossi, Rosario Dawson, Erik LaRay Harvey

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Sinopse: Daniel Rand (Finn Jones) é um bilionário, herdeiro da fortuna das Indústrias Rand. Por 15 anos, todos acreditaram que ele estava morto, após um acidente de avião no Himalaia que vitimou seus pais, Wendell e Heather Rand. Mas Danny foi salvo e viveu todo esse tempo na cidade mística de K’un-Lun, uma das Sete Capitais do Céu. Lá, Danny aprendeu a canalizar o seu chi e se tornou o Punho de Ferro. De volta a Nova York, ele vai tentar retomar seu posto na empresa, agora sob o comando de seus amigos de infância Joy (Jessica Stroup) e Ward Meachum (Tom Pelphrey). Mas ele precisa convencer a todos que é realmente quem diz ser e combater o Tentáculo, com a ajuda de Colleen Wing (Jessica Henwick).

Em Punho de Ferro, acompanhamos a história de Danny Rand, que volta a Nova York depois de anos treinando em um monastério localizado em outro plano astral. Quando criança, ele e os pais sofreram um acidente de avião, e Danny foi o único sobrevivente. Salvo por monges de K’un-Lun (esse local sagrado em outro plano), Danny foi treinado nas artes do kung fu e conseguiu o título de Punho de Ferro – o herói responsável por proteger K’un-Lun do Tentáculo (que deu as caras pela primeira vez em Demolidor). Danny volta à Nova York para retomar sua antiga vida como herdeiro da empresa que leva seu nome, ao mesmo tempo em que pretende acabar com o Tentáculo. Nesse processo, ele torna-se aliado da instrutora de artes marciais Colleen Wing e entra em conflito com os atuais gestores das Indústrias Rand: Ward e Joy Meachum, seus amigos de infância e filhos do antigo sócio do pai de Danny.

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Serei direta: Punho de Ferro é a pior das quatro séries oriundas da parceria Marvel e Netflix. Finn Jones interpreta um Danny Rand inconsistente, que ora é um monge tranquilo e comedido, ora perde as estribeiras com qualquer situação de conflito. As cenas de luta são vergonhosas, principalmente quando consideramos que o Punho de Ferro é o personagem que mais deveria ter maestria em combates corpo a corpo. A história tenta colocar plot-twists a todo momento, inclusive da metade para o final, quando os personagens já deveriam ter sido bem estabelecidos (como ocorre, por exemplo, com a inserção de Bakuto, mais um dos vilões). Isso tira a força dos plot-twists, que acabam soando mais como tentativas desesperadas de tentar fazer o enredo engrenar. Falando ainda em vilões, Punho de Ferro repete o erro de Luke Cage, mas de modo ainda mais falho: a série tem diversos antagonistas, sendo que um dos maiores já é revelado de cara, não sobrando nenhuma surpresa para o espectador. O único personagem novo que é interessante na série é Ward Meachum – ele é o mais próximo do cinza que temos em Punho de Ferro, tendo suas forças e fraquezas trabalhadas e seu psicológico desenvolvido. Já Claire Temple, como sempre, rouba a cena, sendo a visão do público em meio às loucuras que presencia, sempre com comentários ácidos e engraçados e uma visão mais racional das coisas.

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Punho de Ferro parece ter sido feito às pressas e sem orçamento, mas eu tenho que admitir: o ritmo dos episódios é bom, e dá vontade de assistir um após o outro porque o enredo não chega a ser cansativo (apesar dos diversos momentos nonsense). Espero que o personagem Danny Rand/Punho de Ferro seja melhor desenvolvido em Os Defensores, porque é uma pena ver a qualidade das séries Marvel/Netflix decair. Pra quem pretende acompanhar todas as séries dessa parceria, não há como fugir de conferir Punho de Ferro. Mas meu conselho é que você assista sem muitas expectativas.

Título original:  Marvel’s Iron Fist
Ano de lançamento: 2017
Criador: Scott Buck
Elenco: Finn Jones, Jessica Henwick, Tom Pelphrey, Jessica Stroup, David Wenham, Rosario Dawson

Vamos conversar sobre 13 Reasons Why?

Oi pessoal, como estão?

Lembram que na semana passada, quando postei sobre Jessica Jones, comentei que tinha terminado 13 Reasons Why e não sabia exatamente como falar a respeito? Pois bem, durante a semana fui maturando meus sentimentos, lendo opiniões diversas e debatendo o assunto, e hoje trago pra vocês a síntese do que senti em relação a essa série. Esse post é e não é ao mesmo tempo um Dica de Série, pois não quero apenas fazer um review, mas levantar também algumas reflexões. Espero que gostem e tenham paciência pra ler esse textão. 🙂

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Sinopse: Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katheriine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida – além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos.

Vamos falar um pouco sobre a série. 13 Reasons Why tem a seguinte premissa: Hannah Baker se suicidou. Enquanto a escola na qual a garota estudava lida com isso, Clay Jensen, nosso protagonista (que era apaixonado por Hannah), recebe uma caixa com fitas gravadas pela garota. Nessas fitas, ela conta os motivos pelos quais tomou tal atitude, e Clay está nessas fitas. Enquanto as ouve, o garoto se depara com o sofrimento de Hannah e com coisas muito mais sombrias do que pensava.

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Eis o grande “trunfo” da série pra manter o espectador curioso: por que Clay está nas fitas? O que ele fez? O que ele deixou de fazer? Essa dúvida faz com que você queira continuar assistindo episódio após episódio, por mais que o desenrolar da trama seja bastante lento em diversos momentos. Alguns episódios são arrastados e talvez não precisassem de 50 minutos pra serem contados. Pra mim, esse é um dos maiores defeitos enquanto série (analisando apenas como uma produção para a TV, sem debates mais profundos).

Contudo, a série acerta muito em outros aspectos: a atuação dos jovens atores é brilhante, com destaque para os dois protagonistas, Katherine Langford e Dylan Minnette (Hannah e Clay, respectivamente). Enquanto Katherine conseguia passar toda a esperança, o sofrimento e as desilusões de Hannah (e ao mesmo tempo imitar perfeitamente o sotaque americano, considerando que ela é australiana), Dylan trouxe à vida um Clay desajustado socialmente, tímido, mas carismático (no passado) e também fechado, magoado e confuso (no presente). Outros dois jovens atores merecem destaque nas atuações: Alisha Boe (Jessica) e Brandon Flynn (Justin). Ambos foram protagonistas de cenas de grande sofrimento e entregaram muita emoção no que faziam. Kate Walsh, que interpreta a mãe de Hannah, também emociona, como uma mãe que não aceita o destino da filha e está obcecada em descobrir por quê Hannah fez o que fez, já que a garota não deixou nenhum bilhete ou explicação.

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Bullying e machismo

A partir de agora, o review contém spoilers!

Bom, agora eu gostaria de entrar no primeiro ponto de debate sobre 13 Reasons Why. Conversando com algumas colegas da faculdade, percebi uma coisa que não tinha notado: sim, a série é sobre bullying. Mas ela é também sobre machismo. E quase ninguém está falando a respeito.

Hannah começa a sofrer quando iniciam um boato de que ela transou com Justin. Depois, ela vai parar em uma lista das “melhores e piores da escola” como tendo a melhor bunda. Depois, uma falsa amiga espalha boatos sobre sua reputação para esconder o próprio segredo. Depois, um cara se acha no direito de tentar tocá-la. Depois, ela presencia um estupro. Depois, ela própria é estuprada. E, por fim, quem deveria ajudá-la acaba culpabilizando a garota pelo que aconteceu. Ou seja, as agressões que a personagem sofre, em sua maioria, são originadas do julgamento alheio a respeito da sua sexualidade. Sim, acontecem outras coisas no meio de tudo isso que entram na categoria de bullying, mas se analisarmos o cerne de tudo que acontece com ela e que faz com que o copo transborde, vamos encontrar um denominador comum: o machismo.

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Em determinado momento, Hannah diz a essa falsa amiga que não se importa com rumores. E, por um tempo, a garota consegue “aguentar o tranco” por mais que sofra com tudo que está acontecendo. O problema é que o acúmulo de coisas vai se tornando um fardo muito pesado, e a personagem (que começa a série mentalmente saudável) vai adoecendo, apesar do enredo não focar nisso com muita eficiência. No final, após o estupro, ela já se sente morta. E eu imagino que muitas mulheres que passam por isso realmente possam se sentir assim – sem esperança, sem vontade de seguir em frente, após terem seu corpo e sua alma violados.

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Ainda dentro desse espectro, unindo bullying e machismo, a série critica comportamentos que, infelizmente, são extremamente comuns na nossa sociedade. Alguns personagens são passivos e deixam coisas erradas acontecerem, motivados pelo desejo de aceitação. Outros, como Bryce, são o estereótipo de sucesso americano: ricos, poderosos, inatingíveis. São aqueles homens que fazem parte do time da escola, que tem um futuro brilhante e que acreditam que todas as mulheres querem estar com eles. São o tipo de cara que não sabem ouvir “não” e que acreditam que o mundo está sob seus pés. Infelizmente, esse tipo de homem é mais comum do que eu gostaria de acreditar.

13 Reasons Why é sobre bullying e suas consequências? Também. Tyler é uma prova disso, já que no final vemos o tipo de personagem que ele vai se tornar. Mas a série traz outra questão fundamental que, infelizmente, nem a própria série parece assumir: machismo. E machismo mata.

Sobre gatilhos, riscos e a cena do suicídio

Outro debate que vem tomando as redes sociais é sobre a irresponsabilidade da série em relação aos riscos que ela traz para pessoas emocionalmente fragilizadas. Explico: alguns estudiosos do assunto, pessoas com depressão e educadores têm se mostrado preocupados com a abordagem escolhida por 13 Reasons Why para tratar da questão do suicídio. Segundo esses críticos, a série não segue recomendações da Organização Mundial de Saúde ao retratar de modo explícito o suicídio, o que pode servir como gatilho para pessoas que já pensam no assunto.

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Honestamente, não posso falar nessa questão com propriedade, pois não me enquadro no grupo de risco. Mas posso dizer o seguinte: a série me causou tanta bad que, no fim de semana em que terminei, eu realmente não queria fazer nada, nem mesmo sair de casa. Tenho crises de ansiedade e, como mulher, sofri especialmente nas cenas de estupro – pois sabia que é um risco que todas nós corremos. A cena da morte da Hannah, pra MIM, não foi romantizada: não havia música de fundo, a personagem sofre ao se machucar e tudo ocorre de modo visceral e agoniante. E, mesmo eu não sendo grupo de risco, fiquei mal. Falei disso com a minha psicóloga, pra vocês terem ideia.

Então se eu, que não sofro com problemas psicológicos graves, fiquei fragilizada, consigo imaginar o que alguém nessa situação possa ter sentido. E isso me fez entender que sim, existem riscos, e essa abordagem pode sim ser gatilho pra alguém que pensa no assunto. Porque o final da Hannah é desesperançoso: quando ela tenta buscar ajuda, ela não consegue. E, por mais que o final tente trazer alguma luz por meio de Clay e Skye, a verdade é que nós nos afeiçoamos à Hannah. Nos identificamos com Hannah. E a Hannah não vê outra solução que não se matar. Entendem como isso é problemático? Não acredito que a série faça suicidas. Infelizmente, pessoas que pretendem fazer isso sabem como fazer e onde pesquisar. É triste, mas é a realidade. Mas eu acredito que sim, a série possa disparar gatilhos em quem já se vê sem esperança.

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Por outro lado, o Centro de Valorização à Vida – que fez uma parceria de divulgação com a Netflix – vem registrando um aumento significativo na busca por ajuda. É algo positivo? Com certeza. Vale o risco de perder alguém que não veja outra solução? Eis o x da questão. 

Eis o que penso que poderia ter ajudado nessas questões: acredito que a série deveria trazer avisos de “conteúdos fortes” desde o primeiro episódio, pois isso começa a acontecer apenas no episódio 9 e, até lá, o espectador já está envolvido com a história. Além disso, acredito que no fim de cada episódio poderia ter alguma cena com algum psicólogo ou psiquiatra dando conselhos a respeito do assunto e divulgando os telefones do CVV. Acho que seria uma forma de minimizar os riscos trazidos pela história e falar no assunto com mais responsabilidade. E, por fim, o adoecimento mental da Hannah – que é mais subentendido do que mostrado – poderia ter mais espaço na trama, em vez de tanto “suspense” acerca das fitas.

Em suma, eu gostei de 13 Reasons Why. É uma série que me fez pensar e mexeu comigo. Porém, acredito que ela funcione mais para pessoas que podem ser “porquês” do que pra pessoas fragilizadas emocionalmente. Se eu recomendo a série? Não pra todo mundo. Leia a respeito dela, pegue spoilers se for preciso, reflita sobre como você se sente e, só depois disso, tome a decisão de assistir ou não. E não esqueça: você é importante. 🙂

(Deixo aqui embaixo o telefone do CVV e alguns links com opiniões que tem mais propriedade pra falar da questão da depressão e do suicídio.)

Título original: 13 Reasons Why
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Brian Yorkey
Elenco: Dylan Minnette, Katherine Langford, Christian Navarro, Brandon Flynn, Alisha Boe, Miles Heizer, Justin Prentice, Michele Ang, Kate Walsh

Dica de Série: Jessica Jones

Oi gente, tudo bem?

Enquanto não organizo os pensamentos pra falar sobre 13 Reasons Why, a nova série da Netflix, resolvi me redimir e escrever um pouquinho sobre outra série do serviço de streaming que eu assisti, gostei, mas não resenhei antes: Jessica Jones! 🙂 Assim, aproveito e cumpro minha promessa do ano passado, na qual eu comentei que traria conteúdos sobre os quais eu queria falar por aqui! 😛

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Sinopse: Desde que sua curta vida como super-heroína acabou de forma trágica, Jessica Jones (Krysten Ritter) vem reconstruindo sua carreira e passou a levar a vida como detetive particular no bairro de Hell’s Kitchen, em Nova York, na sua própria agência de investigações, a Alias Investigations. Traumatizada por eventos anteriores de sua vida, ela sofre de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, e tenta fazer com que seus super-poderes passem despercebidos pelos seus clientes. Mas, mesmo tentando fugir do passado, seus demônios particulares vão voltar a perseguí-la, na figura de Zebediah Kilgrave (David Tennant), um obsessivo vilão que fará de tudo para chamar a atenção de Jessica.

Depois de me viciar totalmente em Demolidor – foi uma das melhores séries de 2015 pra mim –, fiquei cheia de expectativas pra conferir Jessica Jones. Porém, ao contrário da série do Demônio de Hell’s Kitchen, o envolvimento com o enredo demorou a acontecer. Os primeiros episódios de JJ (vou abreviar, tá?) são mais arrastados e tem um desenrolar mais lento, apresentando devagar a protagonista e suas nuances. Jessica sofre de estresse pós-traumático e tem sérios problemas com alcoolismo. No passado, já usou suas habilidades especiais (ela é super forte e resistente) para ajudar outras pessoas, mas hoje ela trabalha como detetive particular – enquanto afoga seus traumas na bebida.

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O motivo pelo qual a personagem se encontra nessa situação é o abuso psicológico e sexual que sofreu graças a Kilgrave, um indivíduo que também tem habilidades especiais: ele é capaz de controlar as pessoas apenas falando com elas. E, por muito tempo, ele fez uso dessas habilidades para controlar Jessica e mantê-la ao seu lado. Em determinado momento, após um acontecimento marcante, a personagem consegue se desvencilhar desse controle e acredita que Kilgrave estava morto. Mas o desaparecimento da estudante Hope Shlottman leva Jessica a enfrentar os seus medos e rever suas crenças.

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Jessica Jones é uma série muuuito girl power. Jessica é uma anti-heroína de personalidade forte, que quebra muitos paradigmas sobre feminilidade. Assombrada pelo passado, cheia de paranoias e emocionalmente destruída, Jessica é uma das representações possíveis de alguém que foi abusada, convive com as consequências disso e tenta seguir em frente. Ela não se preocupa em agradar ninguém, ela não liga pro que pensam dela e ela faz o que precisa ser feito, rompendo o ideal de personagem feminina que vemos em tantas produções. Além dela (e do fato da série ter sido criada por uma mulher), temos também Trish Walker, a melhor amiga de Jessica. Ela é determinada, profissional e corajosa, sendo um ponto de apoio fundamental para a protagonista, que não confia em ninguém. A amizade das duas é uma das melhores amizades femininas das séries porque, mesmo com personalidades tão distintas, as duas se amam e se preocupam genuinamente uma com a outra. Em um mundo em que a rivalidade feminina é incentivada, esse tipo de relação deve ser celebrada. 🙂 Outra personagem feminina forte é Jeri Hogarth, a advogada que muitas vezes contrata os serviços de Jessica. Lésbica, bem-sucedida, inteligente, mas também cheia de defeitos (entre eles a ganância e a indiferença), ela é uma personagem complexa, real e que mostra como personagens femininas podem ser muito mais que mocinhas inocentes. Outro personagem que merece ser comentado é Luke Cage, que é introduzido em JJ e depois ganha sua própria série. Infelizmente o personagem não me conquistou, tanto aqui quanto na sua série solo.

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O vilão também é bem trabalhado e, por muitas vezes, quase consegue nossa simpatia (em parte graças ao carisma de David Tennant). Totalmente obcecado por Jessica, Kilgrave tenta de todas as maneiras manipulá-la, por meio do discurso, da perseguição e da ameaça de violência. Podemos fazer um paralelo com a realidade: muitos homens, por meio do charme e da manipulação psicológica, conseguem fazer as vítimas de abuso acreditarem que eles estão arrependidos e podem mudar. O personagem representa homens que, mesmo sem habilidades especiais, conseguem minar a autoconfiança de suas parceiras e fazê-las duvidar da sua própria sanidade. É um tipo de violência que faz com que as vítimas se vejam em um ciclo vicioso extremamente difícil de sair, já que esses agressores utilizam-se da confiança que suas parceiras têm ou um dia tiveram nelas. No caso de Kilgrave, a relação com a Jessica se inicia devido aos seus poderes de controle mental, mas ainda assim é uma representação do que acontece na vida real.

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Não vou negar: Jessica Jones tem altos e baixos (especialmente da metade pro final, com algumas viagens wtf no roteiro) e não me envolveu tanto quanto a primeira temporada de Demolidor. Mas ela também é genial, pois não foca em mostrar estupro e abuso de maneira explícita, como tantas outras séries fazem e sem motivos importantes. Ela vai além: ela mostra as consequências de tudo isso. Ela mostra o sofrimento de quem passa por esse tipo de trauma e também das pessoas próximas, que são obrigadas a ver alguém querido em um sofrimento constante. Ao abordar de maneira tão verossímil essas questões, Jessica Jones torna-se mais do que uma série de super-heróis, trazendo um tema e uma discussão necessários a milhares de pessoas. Recomendo! 🙂

Título original: Marvel’s Jessica Jones
Ano de lançamento: 2015
Criadores: Melissa Rosenberg
Elenco: Krysten Ritter, David Tennant, Rachel Taylor, Mike Colter, Carrie-Anne Moss

Review: Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar

Oi pessoal! Tudo certo?

Conforme prometi na semana passada, para o post de hoje eu trago meu review/Dica de Série sobre Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar, o tão falado revival da Netflix. Esse especial se passa em quatro episódios, cada um narrando uma estação do ano. 🙂

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Sinopse: Bem-vindo de volta a Stars Hollow. Nove anos depois, saiba o que está acontecendo na vida das mulheres Gilmore: a relação de Lorelai (Lauren Graham) com Luke (Scott Patterson) está em uma pausa desconcertante; a carreira jornalística de Rory (Alexis Bledel) parou antes mesmo de começar e o mundo de Emily (Kelly Bishop) virou de cabeça para baixo após a morte de Richard (Edward Herrmann).

Preciso dizer que, ao contrário da maioria das pessoas, eu gostei da sétima temporada de Gilmore Girls. As pessoas têm muitas críticas a ela por não ter sido obra de Amy-Sherman e Daniel Palladino, que saíram ao final da sexta temporada por problemas contratuais. Porém, todas as coisas toscas e erradas que aconteceram na sétima temporada tiveram origem no fim da sexta, sendo, portanto, criação dos Palladino. Concordo que alguns desenvolvimentos (em especial o de Lane e o de Lorelai e Christopher) foram decepcionantes mas, de modo geral, não achei a temporada ruim. Além disso, a cena final foi perfeita pra mim, sendo um encerramento digno e intimista para uma série como Gilmore Girls, que em seu enredo simples e realista trabalha justamente as relações entre os personagens e os fatos do cotidiano.

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Dito isso, serei sincera: não gostei muito do revival. O primeiro motivo: as duas garotas Gilmore principais não parecem ter evoluído em 9 anos. Lorelai passa por uma crise de meia-idade (bastante compreensível e bem fundamentada), mas continua agindo de modo imaturo em relação à mãe e continua tendo problemas de comunicação com Luke. Contudo, a personagem é extremamente cativante e divertida, então dificilmente consigo me irritar com ela por muito tempo. Além disso, Lauren Graham protagonizou uma das cenas mais bonitas de Gilmore Girls no episódio Outono. Rory, por sua vez, parece não ter aprendido nada com os erros do passado: tem um amante (ou seja, mais uma vez não liga para os sentimentos de outra mulher e, para piorar, dessa vez ela não tem peso algum na consciência), está totalmente perdida na carreira, continua se achando boa demais para determinadas funções (mesmo estando sem perspectiva alguma) e perdeu totalmente a garra que víamos naquela estudante dedicada e focada das primeiras temporadas. A série inclusive brinca com essa inadequação e imaturidade da Rory em relação a vida adulta quando nos apresenta a um novo grupo de Stars Hollow: a Gangue dos 30 e Poucos – jovens adultos que estudaram, viajaram, tiveram várias oportunidades, mas foram “cuspidos” pelo mundo real de volta à casa dos pais. O grande destaque da família Gilmore fica por conta de Emily e – por que não dizer? – Richard. O ator Edward Herrmann, que interpretava Richard, faleceu em 2014, e o revival se preocupa muito em trabalhar a sua ausência durante as quatro estações que compõem o revival. Kelly Bishop que dormiu no formol soube trabalhar de maneira impecável o luto de uma mulher que viveu 50 anos ao lado do marido, vivendo em função dele e cuidando de seu bem estar. Emily passa por diversas fases do luto: vemos a personagem lidando com a tristeza e a melancolia, vemos também um momento “hiperativo” no qual ela tenta se livrar de tudo que há na mansão em que vive, vemos também ela abrindo o coração para novas experiências e, por fim, entendendo como lidar com essa dor. Todo o autoconhecimento e evolução que faltam nas outras duas Gilmore nós encontramos em Emily. Ela foi, de longe, a melhor parte desse revival. ❤ O segundo motivo que me fez não curtir tanto Um Ano Para Recordar é que a passagem do tempo não ficou bacana. Cada episódio mostra uma estação, e a transição não fica natural, sendo um tanto confusa em determinados momentos (principalmente pelas idas e vindas da Rory). Além do mais, alguns minutos preciosos de tela foram gastos com besteiras que estamos cansados de saber que acontecem em Stars Hollow (como aquele musical bizarro, por exemplo).

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Os outros personagens clássicos da série estiveram presentes, e eu gostei da participação de todos. Não vou falar sobre as mudanças na vida de cada um porque o review ficaria muito longo e cansativo, mas fiquei muito satisfeita ao perceber que a maioria deles teve evolução. Apesar de Stars Hollow ser uma cidade pequena e sem grandes novidades, a série soube explorar o que os 9 anos fizeram na vida de seus habitantes. Minha única decepção nesse sentido ficou por conta de Sookie, pois o destino da personagem foi extremamente nonsense. Agora, sobre os tão falados ex-namorados da Rory: quando Gilmore Girls finalmente fez com que eu me apaixonasse pelo Logan, esse revival veio pra me fazer odiá-lo novamente. Assistam, vocês vão entender. Jess, que eu comecei odiando, ganha meu coração desde a season 5, e não foi diferente dessa vez. ❤ E fiquei feliz ao ver o respeito e carinho mútuo entre Dean e Rory. Mas Luke continua sendo o melhor personagem masculino dessa série, e tenho dito! ❤ Por último, mas não menos importante, as duas melhores amigas de Rory voltaram com tudo: Lane continua na música e Paris está mais incrível do que nunca!

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Agora, sobre “as últimas quatro palavras” que Amy-Sherman Palladino pediu para que não divulgássemos: pra mim não foram um bom encerramento. Prefiro a cena final da season 7, honestamente. Quem já assistiu ao revival pode selecionar o próximo trecho (POR FAVOR COMENTEM SOBRE ISSO COMIGO NOS COMENTÁRIOS!): eu entendo que Rory estar grávida possa fechar um ciclo importante na vida das Gilmore. Ela, que sempre foi tão próxima da mãe, agora repete os mesmos passos. Contudo, Lorelai passou por essa experiência com 16 anos, no auge da imaturidade. Rory tem 32, gente! Ela não é uma menininha, toda a relação dela com o Logan é extremamente errada e tóxica. A personagem demonstra que suas graves falhas de caráter continuam, e eu fico muito triste por Rory ter se transformado… nisso. Claro, sem nem precisar mencionar a falta de foco, determinação e perspectivas, características tão marcantes na Rory das primeiras temporadas. Ela é uma pessoa que teve todas as oportunidades do mundo e, ainda assim, sempre deixa a imaturidade e o ego falarem mais alto.

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Bom, pessoal, eu sei que esse review não foi cheio de amores, mas espero que eu tenha conseguido explicar pra vocês o que gostei e o que não gostei em Gilmore Girls: Um Ano Para Recordar. A qualidade da série em si é muito boa e se mantém fiel ao material original. Os relacionamentos estão ali, os diálogos inteligentes e ágeis também. Contudo, os quatro episódios deixam mais pontas soltas do que conclusões, o que é decepcionante. Mas, para ser honesta, Gilmore Girls sempre foi uma série que me trouxe muitas decepções, principalmente quando eu via os personagens cometendo os mesmos erros. E, por um lado, esse é um dos seus charmes: com personagens falhos e situações verossímeis, é impossível não tomar partido e ficar indiferente ao que assistimos. E, se o revival tinha como missão reacender os antigos sentimentos proporcionados pela série original, ele fez isso muito bem.

Título original: Gilmore Girls: A Year in the Life
Ano de lançamento: 2016
Criadora: Amy Sherman-Palladino
Elenco: Lauren Graham, Alexis Bledel, Scott Patterson, Melissa McCarthy, Kelly Bishop, Liza Weil, Keiko Agena, Yanic Truesdale, Matt Czuchry, Milo Ventimiglia