Review: Aggretsuko

Oi galera, tudo bem?

Faz tempo que eu não falo sobre animes por aqui, né? E se eu te contar que Aggretsuko (de Aggresive Retsuko) foi uma das surpresas mais agradáveis e engraçadas dos últimos tempos? 😉 Vamos conhecer!

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Sinopse: Frustrada com o emprego, Retsuko, a panda vermelha, encara a luta diária cantando heavy metal em um karaokê depois do expediente.

Uma red panda fofinha de 25 anos, que trabalha no setor de Contabilidade de uma grande empresa, sofre diariamente com o abuso de seu chefe preguiçoso e machista e desconta as frustrações do dia a dia cantando death metal num karaokê. Sim, essa é a trama de Aggretsuko, o novo anime da Sanrio (a mesma empresa criadora da Hello Kitty). 😂 E sabem o que é mais engraçado? A trama não é nada surreal, não!

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Retsuko é uma jovem solteira, infeliz no trabalho, insegura quanto sua aparência e que precisa contar as moedinhas no fim do mês pra pagar o aluguel e viver com dignidade. Seus dias são repletos de gritos e cobranças infundadas por parte de seu chefe, o Supervisor Porcão, um homem abusivo, machista e preguiçoso, que passa o dia inteiro polindo seus tacos de golfe e treinando novos movimentos e tacadas. Como todo jovem adulto que precisa do emprego, Retsuko engole diversos sapos e tenta lidar com a rotina da melhor forma possível. Sua maneira de extravasar é cantando sozinha no karaokê, e a comédia fica por conta da discrepância entre sua aparência fofa e o estilo musical favorito da protagonista, o death metal. Gritos, riffs pesados de guitarra, letras xingando o chefe e muito headbang marcam essas cenas, nas quais Retsuko aparece “possuída” pela música, com maquiagem pesada e língua de fora. Impossível não rir! 😂

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Aggretsuko traz, de maneira leve (mas surpreendentemente real) situações cotidianas que todo mundo já passou ou vai passar um dia: a convivência com colegas puxa-saco e fofoqueiros, um crush em um colega de trabalho, a cegueira em relação aos defeitos de alguém logo que nos apaixonamos, a dor de ter que dar um presente caro a amigos que estão se casando (o que compromete as finanças do mês), a sensação de frustração ao comparar sua vida à de uma amiga… São inúmeras situações relacionáveis, o que nos faz criar uma empatia instantânea por Retsuko.

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As amizades femininas também merecem destaque. Para a surpresa da protagonista, ela se vê amiga de duas funcionárias importantes da empresa em que trabalha: Gori e Washimi. Bonitas e bem-sucedidas, elas eram objeto de admiração de Retsuko, até que uma aula de yoga em comum acaba por uni-las. E as duas são incríveis, apoiando e incentivando Retsuko, especialmente  no que diz respeito à vida profissional.

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Com episódios de apenas 15 minutos, Aggretsuko foi uma grata surpresa que a Netflix me proporcionou. Confesso que só topei assistir porque meu namorado insistiu mas, no fim, me vi gargalhando e me identificando com os dramas da vida de Retsuko (que, aliás, tem praticamente a mesma idade que eu kkk rindo de nervoso). É um anime curtinho, que você assiste numa sentada, e vai te arrancar boas risadas. Vale a pena dar uma chance! 😀

Título original: Aggretsuko
Ano de lançamento: 2018
Criador: “Yeti” (pseudônimo)
Elenco: Kaolip, Komegumi Koiwasaki, Maki Tsuruta, Sohta Arai, Rina Inoue, Shingo Kato, Yuki Takahashi

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Dica de Série: Dear White People

Oi pessoal, tudo bem?

A segunda temporada de Dear White People estreou na Netflix na última sexta-feira e, pra celebrar o retorno da série, vim contar minha opinião pra vocês! 😉

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Sinopse: Alunos negros de uma conceituada universidade norte-americana enfrentam desrespeito e a política evasiva da escola, que está longe de ser “pós-racial”.

Assisti a Dear White People no ano passado e, infelizmente, na época ela não teve a visibilidade que merecia (especialmente depois do boom que foi 13 Reasons Why). A série conta a história de alguns estudantes negros da Universidade de Winchester, um lugar repleto de indivíduos privilegiados e com uma falsa fachada de tolerância racial. Cada episódio da série é focado na perspectiva de um dos alunos negros da universidade e, por isso, são abordados diversos dilemas diferentes, bem como suas origens, posicionamentos e, é claro, opressões sofridas. A trama se inicia após uma festa em que acontece blackface; é esse acontecimento coloca a série em movimento, revoltando os alunos negros e gerando denúncias e tensões.

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Sam é a protagonista, e encabeça o programa de rádio Dear White People. Com sarcasmo e eloquência, ela coloca o dedo na ferida ao abordar diversas formas de racismo, velado ou não, que os negros sofrem. Mas, mesmo ela, uma mulher negra, tem seus privilégios: sua pele é mais clara e seus olhos são verdes, o que lhe confere algumas “vantagens” em relação a mulheres negras de pele mais escura. Isso se chama colorismo: quanto mais escura é a pele do indivíduo, mais discriminação ele sofre. Um episódio que deixa isso bastante claro é protagonizado por Coco: ao contrário de Sam – que exibe seu cabelo afro e é uma militante ativa –, a moça usa os cabelos alisados, está sempre preocupada com a aparência e muitas vezes fecha os olhos para problemas de discriminação racial que ocorrem no campus em nome da diplomacia, pois Coco tem o objetivo de ascender social e politicamente. Mas engana-se quem pensa que Coco não luta contra o sistema apenas porque ela difere dos métodos de Sam; justamente por ter sofrido a vida toda com o colorismo, a personagem criou suas próprias defesas e estratégias para sobreviver e vencer em um mundo que privilegia pessoas de pele clara.

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Além dessas duas personagens, temos também um garoto negro e gay se descobrindo; um rapaz que precisa ser nada menos que excelente em tudo que faz para ser reconhecido; e, por fim, um aluno que se vê vítima de violência policial. Aliás, essa última situação faz parte de um dos melhores episódios da série. É esse episódio que escancara o abismo que existe no que diz respeito à valorização da vida negra e da vida branca, mostrando como um jovem negro pode facilmente ser assassinado apenas por ser quem ele é. Enfim, essas questões todas são apenas a pontinha do iceberg, e a série cumpre muito bem o seu papel ao trazer a visão dos personagens negros em sua narrativa. Suas histórias, suas dores, suas vivências: é disso que Dear White People se trata. A série também traz questões como lugar de fala (que fica mais evidenciado nas discussões entre Sam e seu namorado branco, Gabe) e diferenças políticas dentro do próprio movimento (como a diferença de opressão sofrida por Sam e Coco em função do colorismo, por exemplo, o que faz com que cada uma tenha um modo de agir e ver o mundo).

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Os episódios são curtinhos e o estilo da série é leve e até mesmo engraçado. O narrador (o excelente Giancarlo Esposito) dá um tom irônico e envolvente aos episódios, que narram o dia a dia dos alunos negros em Winchester. Com personagens e situações cotidianas críveis, Dear White People consegue abordar as diversas camadas do racismo – desde o mais óbvio e descarado até o mais sutil e ardiloso – de uma maneira ilustrativa, que incomoda e revolta, justamente por ser algo tão absurdo.

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Enquanto mulher branca, posso apenas imaginar as dores que os negros sofrem diariamente. Porém, o que realmente quero dizer nesse post é: deem uma chance a Dear White People. Além da qualidade das atuações e dos episódios envolventes, as temáticas abordadas são de extrema importância. Não podemos negar a presença do racismo no nosso dia a dia. Mas podemos refletir sobre isso e fazer tudo que estiver ao nosso alcance pra mudar essa realidade. Dear White People merece e precisa ser vista.

Título original: Dear White People
Ano de lançamento: 2017
Criador: Justin Simien
Elenco: Logan Browning, Brandon P. Bell, Marque Richardson, Antoinette Robertson, Ashley Blaine Featherson, DeRon Horton, John Patrick Amedori, Giancarlo Esposito

Dica de Série: La Casa de Papel

Oi meu povo, tudo bem?

Agora que passou um pouco o hype, vim contar o que achei de La Casa de Papel, uma série que deu o que falar. 🙂

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Sinopse: Oito habilidosos ladrões se trancam na Casa da Moeda da Espanha com o ambicioso plano de realizar o maior roubo da história e levar com eles mais de 2 bilhões de euros. Para isso, a gangue precisa lidar com as dezenas de pessoas que manteve como refém, além dos agentes da força de elite da polícia, que farão de tudo para que a investida dos criminosos fracasse.

A premissa de La Casa de Papel já é bastante instigante: criminosos que não se conhecem nem sabem nada uns sobre os outros são unidos pelo misterioso Professor e embarcam na ousada missão de roubar a Casa da Moeda da Espanha. Eles são identificados por nomes de cidades, não devem se relacionar intimamente uns com os outros e precisam seguir à risca as orientações de seu líder. Alguma dúvida de que isso pode dar errado? 😛 Ao longo dos episódios, acompanhamos a dinâmica dos personagens durante o assalto/sequestro e também momentos do passado que os levaram até ali.

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O maior mérito de La Casa de Papel são as reviravoltas, capazes de manter o espectador atento e interessado. Sempre que a inspetora Murillo ou algum de seus colegas investigadores chega perto de descobrir a verdade sobre o Professor, sentimos aquele frio na barriga de quem está torcendo pelos vilões (Dexter, lembrei de você!). Além disso, o plano do Professor é genial e cada etapa do processo está prevista e planejada. Toda vez em que o espectador imagina que algo vai sair dos trilhos, o líder do assalto vem para mostrar que sua astúcia e perspicácia não devem ser subestimadas.

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Infelizmente, eu detestei a personagem “principal” e seu par romântico. Tókio é uma mulher temperamental, egoísta e impulsiva, que vive para atrapalhar o plano e colocar os próprios sentimentos acima de todo o resto. Rio é um rapaz jovem e apaixonado que acaba fazendo todas as vontades de Tókio, mesmo que isso prejudique outras pessoas. Além disso, o garoto é extremamente sem sal. Falando em sem sal, tá pra nascer personagem mais sem graça que Alison Parker, uma refém que é peça-chave para o sucesso do plano. Por outro lado, o carisma de personagens como o próprio Professor, Denver e Nairóbi (uma das poucas a manter a cabeça fria e dona de uma das melhores frases da série) compensa.

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Se por um lado La Casa de Papel é capaz de nos manter entretidos, a reta final tem uma vibe totalmente novela mexicana (especialmente no final). Reviravoltas forçadas e vários Deus ex-machina surgem para solucionar os problemas do Professor e seus comparsas. O desfecho me deixou meio incrédula de tão fantasioso que foi mas, ainda assim, não chegou a estragar minha experiência.

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La Casa de Papel é uma série muito bacana, sim, mas cujo hype não necessariamente condiz com a qualidade do enredo. Existem situações extremamente nonsense que a série trata com a maior naturalidade. Apesar das ressalvas, acho que vale a pena conferir, especialmente por se tratar de uma temporada única com enredo fechado (que a Netflix resolveu dividir em duas sabe-se Deus por quê). Ah! E a abertura é maravilhosa. 😉

Título original: La Casa de Papel
Ano de lançamento: 2017
Criador: Álex Pina
Elenco: Úrsula Corberó, Álvaro Morte, Itziar Ituño, Pedro Alonso, Miguel Herrán, Alba Flores, Jaime Lorente López, Esther Acebo, Enrique Arce, María Pedraza

Dica de Série: Lovesick

Oi, pessoal. Tudo bem?

Hoje eu vim falar um pouquinho sobre uma dramédia romântica que, em poucos episódios, ganhou um espaço muito especial no meu coração: Lovesick!

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Sinopse: Dylan (Johnny Flynn) descobre que contraiu uma DST e precisa entrar em contato com todas as mulheres com quem já teve relações sexuais para informá–las e orientá-las a fazer o teste. Para tal, terá a ajuda do seu melhor amigo Luke (Daniel Ings) e de Evie (Antonia Thomas), uma amiga que já teve uma queda enorme por ele mas manteve o segredo até superar, e hoje está noiva de outro.

Originalmente chamada Scrotal Recall, Lovesick foi salva do cancelamento pela Netflix. Que alegria isso ter acontecido! A série conta a história de Dylan, um rapaz que é diagnosticado com clamídia (uma DST) e aconselhado a entrar em contato com suas parceiras sexuais dos últimos 3 anos para avisá-las (assim elas podem fazer o exame também). Esse plot dá início às situações cômicas da série, pois acompanhamos os acertos e fracassos amorosos do personagem, bem como situações muito relacionáveis e reais (afinal, quem nunca quis ter um encontro perfeito ou sofreu por um amor não correspondido?). Além de Dylan, acompanhamos também a trajetória de seus dois melhores amigos: Luke, o estereótipo de bonitão conquistador, e Evie, uma garota madura e doce que foi secretamente apaixonada por Dylan durante muito tempo. O grande drama da série acontece porque Dylan também está apaixonado por Evie – mas agora ela está noiva.

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O enredo de Lovesick não é extremamente original ou inovador, eu sei. Um triângulo amoroso, um amigo engraçado e mulherengo, a busca pelo amor verdadeiro… Esses elementos já foram utilizados em diversas produções. Mas o carisma de Lovesick está nas situações cotidianas que os personagens enfrentam e em suas “desventuras” amorosas. Cada episódio traz uma lembrança de Dylan em relação a alguma mulher com quem ele se relacionou, e é engraçado acompanhar essa trajetória porque muitos dos encontros foram inusitados e até mesmo cômicos. Por outro lado, a série também tem seu lado dramático ao aprofundar os problemas e dores dos três protagonistas, Dylan, Luke e Evie. 

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Eu não sou uma grande fã do Dylan. O personagem é o mais insosso dos três, além de idealizar o amor de uma maneira um tanto quanto utópica (Ted Mosby feelings). Evie, por outro lado, é uma garota incrível. Seu maior defeito, eu diria, é a falta de iniciativa. Apaixonada por Dylan desde sempre, ela não tem coragem de dizer o que sente e acaba reprimindo seus sentimentos. Luke, surpreendentemente, é meu personagem masculino favorito. Eu não costumo ser fã de conquistadores baratos (seguindo o paralelo com How I Met Your Mother, à primeira vista ele seria tipo o Barney), mas Luke é muito mais do que isso. O personagem tem dores e cicatrizes que só são mostradas ao espectador com o passar dos episódios, e isso não apenas o humaniza como também nos aproxima dele. Ele é um amigo leal, daqueles que você quer ter por perto. E uma das cenas mais engraçadas da série é protagonizada por ele (Luke narrando um filme ao Dylan é priceless hahaha!). Por fim, temos um quarto elemento no grupo de amigos: Angus. Apesar de não ter um enfoque tão grande, também é uma pessoa bacana (e azarada).

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Lovesick é uma série que aquece o coração. Fui conquistada por ela de cara, no primeiro episódio, e estou ansiosa esperando pela renovação (a terceira temporada estreou em janeiro desse ano). Amor, amadurecimento, vida adulta, indecisão, a sensação de estar perdido… todos os elementos que fazem parte do processo de “virar adulto” estão em Lovesick com uma roupagem delicada, doce e engraçada. Recomendo demais! ❤

Título original: Scrotal Recall / Lovesick
Ano de lançamento: 2014
Criador: Tom Edge
Elenco: Johnny Flynn, Antonia Thomas, Daniel Ings, Hannah Britland, Joshua McGuire, Richard Thomson

Dica de Série: One Day at a Time

Oi pessoal, tudo bem?

Fazia tempo que eu não indicava séries por aqui, né? Então hoje decidi falar sobre uma sitcom que ganhou meu coração e se tornou uma das minhas dramédias favoritas: One Day at a Time! A segunda temporada estreou no mês passado na Netflix, então dá pra fazer uma bela maratona, hein? 😉

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Sinopse: Na nova versão do clássico da TV sobre uma família de imigrantes cubanos, a mãe recém-divorciada e a avó careta criam uma adolescente e um pré-adolescente.

One Day at a Time, como toda boa sitcom, traz o dia a dia da família cubana Alvarez, composta por Penelope (a mãe da família, uma ex-veterana do exército americano), Lydia (a Abuelita) e os irmãos Elena (uma adolescente nerd, feminista e politicamente engajada) e Alex (o xodó da Abuelita e um garoto bem popular e descolado na escola). Penelope cria os filhos junto com sua mãe desde que se separou do ex-marido, Victor, e também conta com o apoio e amizade de Schneider, o dono do prédio em que eles moram. Ao longo dos episódios, vamos conhecendo cada vez mais esses personagens cativantes, nos emocionando com suas histórias e morrendo de rir com cada episódio.

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A série traz o orgulho latino com muita força. Lydia teve que fugir de Cuba muito jovem, deixando família e amigos para trás. Sempre que ela fala de sua terra natal, temos duas reações: gargalhadas (sério, ela é muito dramática e afetada, e igualmente maravilhosa) ou lágrimas. As histórias da Abuelita sobre o que passou desde que saiu de casa são emocionantes e refletem a história de diversos imigrantes que sofrem diariamente com a saudade – mas também com o preconceito. A segunda temporada traz esse tema com mais força, fazendo críticas mordazes ao governo segregacionista de Trump.

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Penelope, a protagonista, é um grande exemplo de mulher forte e determinada. Trabalhando como enfermeira, Lupe (como Lydia a chama) precisa lidar com dois filhos adolescentes, uma mãe um tanto controladora e também seus próprios fantasmas do passado: a personagem sofre de Transtorno do Estresse Pós-Traumático, ansiedade e depressão. Todos esses detalhes são trabalhados de forma impecável na série, com seriedade e responsabilidade – ainda que One Day at a Time seja uma série de comédia. Porém, Penelope não se resume a seus transtornos: ela é uma mulher batalhadora, com personalidade e desejos próprios.

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Elena e Alex são ótimos personagens, cada um com seu jeitinho. Elena até pode ser um pouco irritante em sua teimosia, mas sua força de vontade e sua consciência coletiva são admiráveis. Já Alex é um garoto com ótimo coração, mas um jeitinho malandro que conquista qualquer um. Também tenho que elogiar Schneider que é praticamente membro da família e Dr. Berkowitz, chefe de Penelope que tem um crush fortíssimo em Lydia. Ambos proporcionam cenas engraçadíssimas!

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One Day at a Time ainda traz com sensibilidade a questão da homossexualidade, da aceitação e do preconceito familiar. Não vou me prolongar nesse assunto para não dar nenhum spoiler, mas a maneira com a qual a série lida com a descoberta da sexualidade é muito real (em sua doçura e em suas dores). Os transtornos psicológicos também são abordados com excelência e – na medida do possível – leveza. A série exibe de maneira clara muito do que pessoas que enfrentam doenças como ansiedade e depressão sentem, mas sem cair na cilada de romantizar essas questões..

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Em suma, essa é uma série que te faz rir, mas também te faz pensar, chorar e sentir. Com atuações maravilhosas (Abuelita, te amo) e um enredo impecável, cada segundo de One Day at a Time é recompensador. Ela entrou pra minha listinha de séries favoritas e eu recomendo com todas as forças! ❤

Título original: One Day at a Time
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Gloria Calderon Kellett, Mike Royce
Elenco: Justina Machado, Rita Moreno, Isabella Gomez, Marcel Ruiz, Todd Grinnell, Stephen Tobolowsky

Dica de Série: Dark

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje é véspera de Natal e “nois” tá como? Produzindo conteúdo pra pauta não atrasar, é claro! 😂 Vim contar pra vocês o que achei de Dark, a nova série da Netflix que foi apelidada por alguns como “a Stranger Things alemã”. Já adianto que apenas o plot inicial é parecido, porque a série tem sua própria personalidade e temas bem distintos. 😉

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Sinopse: A história acompanha quatro diferentes famílias que vivem em uma pequena cidade alemã. Suas vidas pacatas são completamente atormentadas quando duas crianças desaparecem misteriosamente e os segredos obscuros das suas famílias começam a ser desvendados.

A série se passa também em 2019 e seu enredo é posto em movimento com o sumiço do jovem Mikkel Nielsen, uma criança que desaparece na floresta da pequena cidade de Winden. Ele não é o primeiro jovem a desaparecer em um curto espaço de tempo, o que intriga os moradores e a polícia local.

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Dark é uma série de ficção científica que fala sobre buracos de minhoca e viagens no tempo, mas também (e talvez principalmente) sobre personagens. Existem quatro famílias que estão interligadas de diversas formas: os Kahnwald, os Nielsen, os Tiedemann e os Doppler. No centro da trama está Jonas Kahnwald, um jovem cujo pai se suicidou recentemente. Ele estava presente no dia em que Mikkel sumiu e passa a investigar os acontecimentos estranhos que acontecem em Winden – que se assemelham muito a fatos ocorridos 33 anos antes. Ulrich Nielsen, pai de Mikkel, é um policial que também resolve investigar a fundo o sumiço de seu filho, explorando a floresta e os túneis de Winden, que ficam próximos à usina nuclear da cidade (um local bem importante na trama). Além do desaparecimento de Mikkel, Ulrich tem outro trauma pessoal: em 1986, seu irmão sumiu em circunstâncias semelhantes. Quanto mais o personagem se aprofunda na investigação, mais o espectador fica confuso (e intrigado).

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A fotografia e a trilha sonora da série são incríveis. O clima sombrio e chuvoso colabora para nos mostrar o estado de espírito da cidade e de seus moradores. Minha única pergunta é: POR QUE NINGUÉM USA GUARDA-CHUVA? Vão todos pegar friagem. Pronto, passou. 😛

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Com três linhas temporais distintas, é muito importante prestar atenção nos nomes e nos rostos dos personagens (aqui tem uma colinha). Dark vai mostrando cada um deles pouco a pouco, até conectá-los de uma forma surpreendente. O episódio 5 é o melhor de todos, com um incrível plot twist realmente mindblowing.

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Dark conclui sua primeira temporada com muitas pontas soltas, e foi isso que me decepcionou. Quando eu achava que a série resolveria suas questões em aberto (ou pelo menos parte delas), ela apresenta mais caminhos e possibilidades. Eu adorei o desenvolvimento da narrativa e a gradual construção de cada personagem, mas senti que que o final da temporada se perdeu. Contudo, é impossível assistir a essa série e ficar sem teorizar mil possibilidades com quem tenha assistido também. 😛 Vale conferir!

Título original: Dark
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Baran bo Odar, Jantje Friese
Elenco: Louis Hofmann, Oliver Masucci, Daan Lennard Liebrenz, Karoline Eichhorn, Jördis Triebel, Andreas Pietschmann

Dica de Série: O Justiceiro

Oi gente! Tudo certo?

Tenho falado muito sobre super-heróis aqui no blog, né? Então, pra variar, o tema hoje é a história de um anti-herói. 😛 Vim contar pra vocês o que achei de O Justiceiro, a nova série da Marvel e da Netflix.

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Sinopse: O ex-marine Frank Castle só quer punir os criminosos responsáveis pela morte da sua família, mas torna-se alvo de uma conspiração militar.

Frank Castle, o Justiceiro, fez sua primeira aparição na segunda temporada de Demolidor e acabou roubando a cena. O personagem era interessante e sua trama, envolvente. Os fãs ficaram enlouquecidos esperando por sua série solo, então um trailer sangrento deixou os ânimos ainda mais alvoroçados e no último dia 15 ela finalmente chegou. E foi intensa!

Após matar todas as pessoas que ele sabia ter envolvido na morte de sua família, Frank passou a trabalhar como pedreiro sob o pseudônimo de Pete Castiglione. Vivendo um dia de cada vez e enfrentando seus fantasmas na forma de pesadelos e noites mal dormidas, seu dia a dia era extremamente solitário. As coisas mudam quando ele recebe uma ligação de um homem que se autodenomina Micro. O homem misterioso alega que Frank e ele podem ser de grande ajuda um para o outro e, após alguns percalços, acabam tornando-se aliados improváveis. Micro é na verdade David Lieberman, um antigo funcionário da NSA (Agência de Segurança Nacional) que foi fingiu a própria morte para não ser assassinado pelo governo americano. Ele foi responsável por enviar à agente Dinah Madani um vídeo que revelava uma ação secreta da CIA que culminou no assassinato de um policial afegão. E, é claro, Frank fazia parte de tal ação. Unidos por motivos distintos, Frank e David passam a trabalhar juntos para descobrir a verdade por trás dos fatos.

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Vi alguns comentários por aí reclamando que O Justiceiro é uma série parada, com diálogos demais e desenvolvimento lento. Eis o primeiro ponto que sou obrigada a discordar. A série é sim violenta e visceral – mas ela não é somente isso. A trama aborda de maneira exemplar o estado psicológico no qual Frank se encontra e dá ao espectador um pano de fundo muito maior em relação à morte de sua família. Graças ao desenvolvimento gradual da trama, percebemos as conexões que faziam parte da vida de Frank na época do exército (como a amizade com Billy Russo) e também o quanto o personagem culpa a si mesmo pela tragédia que aconteceu. Aliás, a atuação de Jon Berthal é impecável ao trazer toda essa angústia e impotência que o personagem sente. Outro aspecto incrível é que O Justiceiro também mostra Frank se conectando a outros seres humanos – especialmente Karen Page, com quem ele tem uma ligação muito forte, mas também David e sua família -, o que humaniza e enriquece o personagem (que deixa de ser uma simples “máquina de matar badass”). Eu sei que o personagem é pautado na violência e que o trailer possa ter levado os fãs a esperarem por isso. Entretanto, os aspectos que mencionei não deixam a trama monótona, mas sim enriquecem a série e a tornam verdadeiramente interessante. Afinal, se eu quisesse assistir apenas violência gratuita, era só colocar qualquer filme de ação pastelão na TV.

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Outro aspecto bacana de O Justiceiro é que, em determinado momento, novamente a série obriga o protagonista a confrontar suas ações ao ser comparado com o terrorista Lewis Walcott, um jovem ex-soldado mentalmente perturbado que aparentemente sofre de Transtorno do Estresse Pós-Traumático. Quando o rapaz utiliza Frank como exemplo para o que faz, Frank se vê em um conflito moral. Além disso, esse plot traz um contraponto muito interessante ao patriotismo americano, ao amor desse povo pelas armas (e pela violência) e à “glamourização” da vida militar. A série mostra que há complicações e danos muitas vezes irreparáveis na vida dos soldados (aliás, aproveito para indicar o livro Nada de Novo no Front, resenhado aqui no blog, que também faz isso muito bem).

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Uma adição valiosa para a trama foi Dinah Madani, uma agente íntegra e determinada que está disposta a tudo para desmascarar a podridão da CIA. A personagem tem um crescimento notável durante a trama, principalmente após ser obrigada a lidar com as trágicas consequências de suas decisões como líder. Karen Page, outra mulher importante no enredo, infelizmente não teve tanto espaço quanto eu imaginava que teria (ainda mais protagonizando um dos pôsteres individuais da série). Ela acaba aparecendo em plots pontuais e acaba servindo mais como um motivador para Frank. A química entre os personagens é notável (prefiro mil vezes ela com o Frank do que com o Matt #prontofalei) e é possível ver uma centelha que pode ficar cada vez mais forte no futuro. Por fim, temos vilões infinitamente melhores do que os apresentados em Luke Cage, Punho de Ferro e até mesmo Os Defensores. Não direi quem são porque é spoiler, mas afirmo que eles são muito bem introduzidos e desenvolvidos ao longo da temporada. O vilão principal, inclusive, me fez sentir raiva e revolta graças às suas ações traiçoeiras e repletas de frieza.

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As cenas de ação são fantásticas, mas também difíceis de assistir. Seja nos flashbacks de Frank no exército ou no presente, enquanto enfrenta seus inimigos, a violência está presente sem pudores. As cenas de tortura sempre são mais complicadas pra mim, e não faltam momentos poderosos nesse sentido. E, justamente por isso, admito que em determinado momento eu fiquei meio “como assim ele já tá fazendo isso se acabou de sofrer tal e tal coisa?”. Mas tudo bem, sou capaz de ignorar esses detalhes. 😛

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O Justiceiro é forte, instigante e também emocional. Abordando os traumas de Frank de modo muito mais profundo do que em sua participação em Demolidor, a série faz com que o espectador tenha empatia pela sua dor e compreenda suas ações (ainda que, muitas vezes, condenáveis). Frank Castle é um anti-herói multifacetado e cheio de fantasmas a serem exorcizados, mas que promete crescer cada vez mais. Amei a série e recomendo demais!

Título original: Marvel’s The Punisher
Ano de lançamento: 2017
Criador: Steve Lightfoot
Elenco: Jon Bernthal, Ebon Moss-Bachrach, Ben Barnes, Amber Rose Revah, Deborah Ann Woll