Dica de Série: Say I Do

Oi pessoal, tudo bem?

Prontos pra uma dica perfeita pra aquecer o coração? Hoje vamos conversar sobre Say I Do (ou, na versão em português, Finalmente… Sim!), um reality show da Netflix focado em casamentos.

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Sinopse: Neste reality show, casais devem superar obstáculos para celebrar o amor com uma festa de casamento surpresa preparada por três especialistas em menos de uma semana.

Quando recebi a recomendação de Say I Do, a frase que me convenceu a dar uma chance foi “é a Queer Eye dos casamentos”. Já deixei claro aqui no blog o quanto eu amo Queer Eye, então não é surpresa que eu tenha corrido para dar o play na sua “contraparte casamenteira”. E, apesar de eu costumar levar um tempinho pra mergulhar de cabeça num reality (por sentir a necessidade de entender a dinâmica e me conectar aos “apresentadores”), Say I Do conseguiu me conquistar rapidamente.

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De fato, o reality bebe muito na fonte de Queer Eye, já que compartilha de seu criador em comum. Say I Do tem como protagonistas três homens gays competentes e criativos: Jeremiah (expert em design), Thai (estilista) e Gabe (chef de cozinha). Cada episódio é focado em um casal que os três precisam ajudar. Os apaixonados de cada episódio são ótimos exemplos de representatividade: há casais negros, casais gays e, no caso dos casais hétero, existe a subversão do estereótipo da mulher como a organizadora do casamento – aqui isso fica a cargo do homem, responsável inclusive pela inscrição no reality.

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Falo com tranquilidade que é impossível não se emocionar assistindo Say I Do. Eu sou chorona, admito, então em 7 dos 8 episódios eu fui às lágrimas (de modo abundante, vale dizer). Mas mesmo se você não faz o tipo chorão, tenho certeza de que ainda assim os episódios vão aquecer seu coração. As histórias dos casais são emocionantes e transbordam amor, afeto e, em muitos casos, superação: há uma noiva que precisa superar o luto pela perda do pai e da irmã; há um jovem que venceu o câncer e atribui grande parte da sua recuperação ao amor do parceiro; há um homem gay que ainda internaliza uma homofobia que o impede de viver a vida plenamente, entre outras histórias comoventes. E é claro que Jer, Thai e Gabe dão o seu melhor para tornar o casamento um dia único de amor e celebração, além de oferecer conselhos e ombro amigo em vários momentos.

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Além das histórias, é muito legal acompanhar o processo criativo dos três em suas respectivas áreas. O trabalho do Jeremiah foi o que mais chamou a minha atenção, o que lembrou um pouco minha relação com Bobby, o designer de Queer Eye, responsável pela transformação dos lares. Eu fico de queixo caído com o que eles conseguem fazer em tão pouco tempo, e no caso de Jeremiah ele constrói cenários deslumbrantes e únicos para cada celebração. Agora, em nível de conexão pessoal, a mais forte aconteceu com Thai: ao longo dos episódios ele vai dando pistas de que o assunto “casamento” tem um peso importante na sua vida e vamos compreendendo que, por questões familiares e culturais, ele ainda não pode realizar esse sonho. É bastante emocionante e no episódio final (o meu favorito da temporada!) ficam bem mais claros os desafios que ele enfrenta.

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Resumindo, Say I Do é um reality show perfeito pra quem quer acreditar no amor. Em meio à tanta desesperança, eu fico bastante grata quando encontro uma produção que me mostra o melhor dos sentimentos e das pessoas. Em apenas 8 episódios, Say I Do fez isso com competência e carisma. Recomendo muito! ❤

Título original: Say I Do
Ano de lançamento: 2020
Criador: David Collins
Elenco: Jeremiah Brent, Gabriele Bertaccini, Thai Nguyen

O que eu achei do final de Dark

Oi pessoal, tudo bem?

Uma semana e meia depois da estreia, já podemos falar sobre o final de Dark, né? A aclamada série alemã da Netflix chegou à sua última temporada e, mesmo antes de ser disponibilizada, a crítica já a elogiava como uma verdadeira obra-prima. Obviamente meu hype não poderia estar maior, né? Maratonei a série no fim de semana de estreia e agora vim contar pra vocês o que achei do final. Portanto, obviamente esse post está cheio de spoilers. 😉

As árvores genealógicas fizeram todo mundo de trouxa

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Sim, gente: todo o esforço que fizemos pra saber quem era parente de quem ao longo das idas e vindas temporais foi inútil, falando grosseiramente. No fim das contas, essas conexões pouco tinham a ver com a resolução do problema central (encontrar e acabar com a origem do loop), sendo mais consequência do que causa, já que tais incestos e relações só foram possíveis pelo apocalipse. Quem mais sentiu que fez papel de trouxa levanta a mão! o/

Temporada arrastada, episódio final corrido

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A terceira temporada de Dark investe muito tempo em nos apresentar o mundo alternativo, de onde vem a Martha 2 que salva Jonas no episódio final da temporada anterior. Ficam claros os diversos paralelos, ainda que Jonas não exista no segundo mundo, e a série mostra na prática que o loop sempre encontra uma forma de acontecer. A inevitabilidade do apocalipse é algo que vinha sendo trabalhado há bastante tempo, então esses paralelos fizeram todo o sentido. O problema maior reside no episódio final: somos apresentados a um conceito novo, de um terceiro mundo, que originou as duas dimensões de Jonas e Martha 2. Apesar da existência desse terceiro mundo não ser completamente nonsense – afinal, a triquetra foi o elemento principal do Sic Mundus e da série –, o que espanta é que ele seja apresentado só no último episódio. Com isso, temos apenas 1h pra entender esse conceito, acreditar que ele é o caminho para acabar com a origem e ainda conferir o resultado de todo esse esforço. Achei corrido. :/

Jonas confiando no Adam como se nada tivesse acontecido

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Quando Claudia conta a Adam sobre o mundo original, ele finalmente compreende que o mundo dele e de Eva (a versão idosa da Martha 2) nunca deveriam ter existido, e que a única solução para o loop temporal era impedir a origem (sobre a qual falarei em seguida). Desse modo, ele viaja para o momento da morte de Martha e fala com Jonas sobre esse assunto. Me impressionou negativamente quão rápido Jonas acreditou em Adam e no seu novo plano, considerando que não fazia nem dois minutos que o Adam anterior tinha acabado de atirar na sua amada. Sabe conveniência de roteiro? Pareceu uma das grandes. E adivinhem? Acumulada no episódio final.

Quem era o Tannhaus na fila do pão mesmo?

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Tá, brincadeira. Mas eu tive dificuldade de comprar o drama pessoal do personagem, que foi o pivô para a criação dos mundos de Jonas (Adam) e Martha (Eva). Ao perder o filho, a nora e a neta num acidente de carro, Tannhaus fica obcecado com a ideia de voltar no tempo e é responsável pela explosão que dá origem às realidades paralelas. A origem, portanto, nada tem a ver com o filho de Jonas e Martha e tampouco com os personagens envolvidos nas ramificações familiares. Minha primeira impressão foi não curtir muito esse rolê, principalmente por ter sido trazido somente no… isso mesmo, acertaram: episódio final! Percebam que grande parte dos meus ranços em relação ao desfecho da série residem nisso. 😛

Tá, dúvida real: como a Claudia sacou os paranauês?

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Que Claudia Tiedemann é a rainha de Dark não há dúvidas. Acho totalmente plausível que ela tenha conseguido viajar entre os dois mundos e enganar tanto Adam quanto Eva, porque a inteligência da personagem ficou evidente ao longo das temporadas. Mas, na busca da personagem por uma forma de manter a filha viva, em nenhum momento ficou claro pra mim qual foi o estalo que ela teve que levou à descoberta do mundo de origem e da perda pessoal de Tannhaus. Se eu esqueci de algum detalhe ou se alguém aí entendeu esse ponto, fiquem à vontade pra me contar nos comentários! 😂

Vamos falar de coisa boa: o simbolismo do final

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Não apenas decepções me foram causadas pelo final de Dark. Eu gostei muito da coragem de Jonas e Martha 2 de tomarem a atitude necessária para dar fim a tanto sofrimento. A maneira como eles se despedem é bastante comovente, por trazer a frase do “somos um par perfeito, nunca duvide disso” e tudo mais (apesar que né, Jonas e aquela Martha deram só uma transadinha, não deu pra comprar aquele sentimento todo não). Curti muito como toda a cena foi construída, a forma como os personagens que bugaram a nossa mente ao longo de três temporadas foram aceitando o seu fim e transformando-se em uma espécie de poeira cósmica, partículas, átomos, enfim, seja o que for. A cena do jantar também foi interessante, restando apenas os personagens que nada tinham a ver com a árvore genealógica intrincada das outras famílias. Li uma teoria de que o déjà vu de Hannah e a preferência pelo nome “Jonas” foi a forma como o personagem deixou sua marca no universo (ainda que não seja ele a criança que ela espera) e, sinceramente, eu gostei de acreditar nela. ❤

Ufa! Desde o dia 28 eu não paro de falar a respeito de Dark, então foi um alívio botar tudo isso pra fora em único post hahaha! Pra resumir minha opinião, eu diria que Dark é uma série excelente e original, com atuações primorosas e um desenvolvimento instigante, mas que deixa a peteca cair na sua conclusão – que não atinge a grandiosidade das temporadas anteriores. Ainda assim é uma série que eu não hesito em recomendar, porque a qualidade da produção e o desenrolar da história são provocativos e fazem você querer discutir, entender e mergulhar naquele universo. Já são motivos suficientes pra dar uma chance, não é mesmo? 😉

E vocês, o que acharam do final de Dark?
Vamos conversar sobre nos comentários! 🙌

Dica de Série: Peaky Blinders

Oi galera, tudo bem?

Já que o isolamento me obriga a passar quase todo o tempo livre na frente da TV (como se eu já não fizesse isso antes), vim contar pra vocês o que achei de uma das séries que a que assisti recentemente: Peaky (“focking” – sim, com “o”) Blinders.

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Sinopse: Uma notória gangue da Inglaterra de 1919 é liderada pelo cruel Tommy Shelby, um criminoso disposto a subir na vida a qualquer preço.

Ambientada no início do século XX, a série dramatiza a história do grupo criminoso de mesmo nome. A gangue Peaky Blinders realmente existiu, mas sua influência na vida real foi bem menor. Nas telas, entretanto, vemos a ascensão do grupo – comandado por Thomas Shelby – nos territórios de corridas e apostas ilegais e, posteriormente, com outros tipos de contrabando.

Peaky Blinders é capaz de transportar o espectador para o tempo na qual se passa, dos cenários sujos de fuligem aos figurinos típicos da época. A produção, que se passa pouco depois da Primeira Guerra Mundial, trata de assuntos como Transtorno do Estresse Pós-Traumático, luta de classes, greves operárias, popularização de ideais comunistas, corrupção policial e, é claro, muita violência. Por meio de movimentos estratégicos inteligentes, mas também inúmeras lutas sangrentas com outras gangues e rivais, Thomas guia os Peaky Blinders por um caminho que os eleva a “donos” de Birmingham. Conforme as temporadas avançam, os Shelby buscam expandir seu território, entrando em conflito com outros gângsters e até mesmo com nomes importantes da política inglesa.

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Com a ressalva de ser uma série bastante focada na “virilidade” dos irmãos Shelby (aspecto que pode causar uma reviradinha de olho), Peaky Blinders tem um desenrolar bastante envolvente. A busca de Thomas por ascensão o coloca em diversas situações em que a sagacidade se faz necessária. Entre alianças e traições, o líder do grupo acaba sendo um anti-herói pelo qual nos vemos torcendo. Somado a isso, especialmente na primeira temporada, há toda a tensão causada pela existência de uma infiltrada em seus negócios: Grace é uma agente da coroa que passa a trabalhar em um  dos pubs dos Shelby para fornecer informações à polícia. A tensão sexual entre ela e Thomas vai crescendo com o passar dos episódios, e as reviravoltas no final da primeira temporada são ótimas.

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É difícil dizer que os personagens são exemplares porque, afinal, a maioria deles está envolvida com merda até o pescoço. Ainda assim, as atuações competentes e o desenvolvimento gradual da trama faz com que a gente comece a empatizar com eles, especialmente quando a fragilidade oculta pela dureza do cotidiano se manifesta. Thomas, por exemplo, é um líder implacável, mas também alguém atormentado pelas lembranças da guerra. Arthur, seu irmão mais velho, é um dos personagens mais emocionalmente quebrados da série: ele se questiona por não ser o líder da família (apesar de ser o primogênito), busca consolo nas brigas e na bebida, se envolve com drogas, enfim… tem diversos problemas emocionais com os quais ele não sabe lidar. E, com o passar dos episódios, a série vai revelando as nuances dos outros personagens também – com um foco maior, é claro, em Tommy.

Peaky Blinders trabalha bem a realidade e as dificuldades vividas pela sociedade inglesa no início do século XX. As cenas de violência podem incomodar um pouco os mais sensíveis, mas não chegam nem perto de ser grotescas ou gore. A qualidade da produção – da trama às atuações e ambientação – é inegável, e se você procura uma série capaz de envolver e transportar você pra realidade de outrora, vale a pena dar uma chance. 🙂

Título original: Peaky Blinders
Ano de lançamento: 2013
Direção: Steven Knight
Elenco: Cillian Murphy, Helen McCrory, Paul Anderson (XVIII), Annabelle Wallis, Joe Cole

Dica de Série: The Witcher

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar de estar bem hypada antes da série estrear, demorei eras pra terminar The Witcher. Hoje eu conto um pouquinho mais os porquês.

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Sinopse: Henry Cavill estrela esta série épica repleta de monstros, magia e destino, baseada nos livros de Andrzej Sapkowski.

The Witcher tem três arcos narrativos: o de Geralt de Rívia, um bruxo poderoso que vive como um mercenário, ganhando dinheiro em troca do extermínio de monstros; o da Princesa Cirilla, herdadeira do trono de Cintra, cujo lar foi atacado por outro reino e agora foge em busca de Geralt; e da maga Yennefer, que se transformou de uma menina solitária e alvo de bullying em uma mulher poderosa e sedutora. Ao longo dos episódios vemos como a jornada de cada um desses personagens evolui e como seus destinos se cruzam.

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De certo modo (especialmente no início da série), os episódios de The Witcher parecem contar aventuras isoladas. O plot de Geralt é permeado por suas caçadas aos demônios e pelas suas empreitadas enquanto mercenário. Sabemos muito pouco de seu passado e o personagem mal fala de si. No caso de Ciri isso não acontece, e seu arco narrativo é mais linear: da fuga de Cintra até às inúmeras dificuldades pelo caminho, as cenas focadas na menina se destinam a mostrar sua luta pela sobrevivência. Yennefer, por outro lado, tem o plot que pra mim foi o mais confuso: o backstory da personagem é mal desenvolvido e do nada você entende que ela é uma maga e vai ser treinada pra isso. Aí ela passa por um makeover fodão, se transforma em uma beldade e, daí em diante, vira também uma mulher desagradável e antipática. Sem contar que são poucos os momentos em que a atuação dela enquanto maga faz diferença nas coisas (exceto no episódio final, única vez em que vi a extensão do seu poder e potencial). Sinceramente, não sei porque o fandom baba ovo por ela. 🤷‍♀

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A série constantemente me causou uma sensação de “hmmm que aventura legal, não entendi nada”, e isso me incomoda bastante. A impressão que tive é que, pra entender realmente o que estava sendo mostrado, você precisava ter lido os livros ou jogado os jogos – o que já é uma falha no desenvolvimento, porque cada obra precisa ser autoexplicativa, sem depender do material base. Encontrei muitas informações que fizeram toda a diferença na compreensão da trama lendo os comentários dos episódios no aplicativo em que registro as séries a que assisti, pra vocês terem noção. Isso fez com que eu não me conectasse verdadeiramente à série ou aos seus personagens, tampouco ansiasse em saber sobre seus destinos.

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A série é bem produzida e tem uma ótima trilha sonora (impossível assistir sem ficar com Toss a Coin To Your Witcher na cabeça por semanas). O bardo responsável por parte das canções, Jaskier, é o personagem mais carismático e o único ao qual me afeiçoei. Os figurinos são bonitos e as cenas de luta são muito bem coreografadas, o que dá uma pegada mais épica à série. As atuações também são competentes, à exceção de Henry Cavill como Geralt: os “hmmm” constantes cansam e parece que a voz é modificada pra parecer mais profunda e ameaçadora. Sei lá, não colou. Também vale dizer que, para uma série chamada The Witcher, magia é uma das coisas que menos aparece.

Eu esperava me tornar fã de The Witcher e, quem sabe, preencher a lacuna de uma série medieval deixada por Game of Thrones. A verdade é que isso não aconteceu e foram poucos os episódios que me entusiasmaram. The Witcher não funcionou pra mim e não sei dizer se vou continuar assistindo às próximas temporadas. :/ E vocês, já assistiram? Me contem o que acharam nos comentários!

Título original: The Witcher
Ano de lançamento: 2019
Direção: Lauren Schmidt Hissrich
Elenco: Henry Cavill, Freya Allan, Anya Chalotra, Joey Batey

Dica de Série: A Vida e a História de Madam C.J. Walker

Oi pessoal, tudo certo?

Hoje vim dividir com vocês minha opinião a respeito da minissérie A Vida e a História de Madam C.J. Walker, da Netflix. Pra facilitar a minha vida ao longo do texto, vou chamar a série só de Madam C.J. Walker e a personagem de Sarah, combinado? 😂

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Sinopse: A história de Madam C.J. Walker (Octavia Spencer), ativista social e primeira mulher milionária dos Estados Unidos a conquistar a própria fortuna: por meio de uma linha de produtos capilares e cosméticos para mulheres negras.

A minissérie de apenas 4 episódios é a dramatização da história real de Sarah Breedlove, posteriormente conhecida como Madam C.J. Walker. Tendo uma infância difícil (Sarah foi a primeira filha nascida livre de um casal que fora escravo), a vida adulta não trouxe muito alívio. Sarah casou cedo, ficou viúva, sofreu nas mãos do segundo marido, se separou e sustentava a família com muita dificuldade sendo lavadeira. Em determinado momento, porém, Sarah encontra a oportunidade de mudar de profissão e, consequentemente, de vida. Ela vê na cosmetologia a chance de fazer história, criando produtos específicos para as necessidades capilares das mulheres negras.

Como mencionei antes, Madam C.J. Walker é uma dramatização. Com isso, há um novo elemento na série que não existiu, mas que cumpre seu papel de causar reviravoltas e dificuldades para a protagonista: a vilanização da concorrente Addie Munroe. Addie foi a mulher cujo produto capilar salvou Sarah da calvície; entretanto, foi também a pessoa que recusou Sarah como vendedora devido à sua aparência. E o mais interessante na relação de Sarah e Addie reside no fato de que ambas são mulheres negras, mas que sofrem de maneira diferente com o racismo da época, marcado por uma abolição da escravatura ainda recente: Sarah é uma mulher negra retinta que, em diversos momentos, tem seu potencial questionado por não apresentar a imagem que os outros desejavam; Addie, por sua vez, sendo filha de uma mulher negra e um estuprador pai branco, tem cabelos ondulados e pele clara, e usa sua imagem para vender seus produtos e se aproximar do padrão branco europeu que era é muito mais aceito.

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A discussão sobre colorismo percorre todos os episódios de Madam C.J. Walker. O posicionamento de Sarah é inspirador e ela recusa toda e qualquer alusão a um padrão de mulher ideal atrelado a seus produtos. Da fórmula à embalagem, o objetivo de Sarah é incluir todas as mulheres negras, de todos os tons de pele e de todas as formas. Obviamente a personagem tem suas inseguranças, o que fica claro na sua relação conturbada com Addie e em todas as vezes em que ela reforça não ser aquele modelo padrão, mas isso não faz com que Sarah ceda e mude de ideia. Quando seu terceiro marido (C.J. Walker, de quem Sarah apropria-se do nome) sugere uma campanha publicitária excludente, ela se recusa a utilizá-la. Outro ponto importante é o empoderamento feminino e a construção da autoestima por meio do cabelo (tema também abordado no ótimo Felicidade Por Um Fio). Madam C.J. Walker evidencia que os fios vão além da estética, eles significam ascensão, negritude, ancestralidade e beleza.

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A trama ainda pincela assuntos importantes, além da construção da autoestima negra. Há um acontecimento bem forte, relacionado a movimentos de ódio como Ku Klux Klan, em que homens brancos assassinam um personagem apenas por ele ter tido a “ousadia” de enfrentar seus filhos enquanto eles faziam bullying. E o mais chocante é pensar que, diferente da série (em que a escravidão havia acabado há cerca de 40, 50 anos), até hoje a violência contra pessoas negras acontece e com uma frequência alarmante. Outro ponto importante é a abordagem natural relacionada à sexualidade de Lelia, filha de Sarah – futuramente conhecida como “deusa da alegria do Harlem”, um bairro marcado pela diversidade e pela representatividade negra.

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A transformação de Sarah Breedlove em Madam C.J. Walker é inspiradora. O modo como ela não desiste frente ao racismo, ao machismo e todas as dificuldades impostas em seu caminho é uma lição sobre determinação. De lavadeira a milionária, Madam C. J. Walker transformou a vida de inúmeras pessoas, fazendo uma verdadeira revolução em uma época na qual pessoas negras – principalmente mulheres – não tinham voz nem espaço. Se há algum defeito na série é o fato dela ser tão curta: Madam C.J. Walker não apenas fez a diferença na indústria cosmética, mas também foi ativista e filantropa, sempre colaborando com a causa negra e incentivando a emancipação feminina, e seria bem legal ver isso retratado na tela também. Mas e aí, tá esperando o quê pra dar o play na Netflix e conhecer um pouquinho dessa mulher incrível? 😉

Título original: Self Made: Inspired by the Life of Madam C.J. Walker
Ano de lançamento: 2020
Direção: Nicole Asher
Elenco: Octavia Spencer, Tiffany Haddish, Carmen Ejogo, Blair Underwood, Kevin Carroll

Dica de Série: Sex Education

Oi gente, tudo certo?

Meu vício mais recente tem nome: Sex Education. E hoje vim contar pra vocês as razões para darem o play nessa série o quanto antes. 😉

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Sinopse: Em Sex Education, Otis (Asa Butterfield) é um adolescente socialmente inapto que vive com sua mãe, uma terapeuta sexual. Apesar de não ter perdido a virgindade ainda, ele é uma espécie de especialista em sexo. Junto com Maeve, uma colega de classe rebelde, ele resolve montar sua própria clínica de saúde sexual para ajudar outros estudantes da escola.

Sex Education é protagonizada por Otis, um rapaz tímido e reservado. Apesar de estar no auge da puberdade, sexo é uma questão delicada pra ele, especialmente porque sua mãe, terapeuta sexual, fala abertamente sobre o assunto, o que causa ainda mais constrangimento no garoto. Porém, quando Otis dá um conselho valioso a um colega de escola e passa a ser conhecido como uma espécie de “guru do sexo”, Maeve (uma garota badass que enfrenta sérios problemas financeiros) enxerga uma oportunidade de negócio, e eles viram uma dupla que passa a capitalizar as sessões clandestinas de terapia sexual.

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Eis um exemplo de série que eu gostaria MUITO de ter assistido na adolescência. Ela utiliza o plot dos conselhos sexuais para mergulhar em todas as dúvidas, mitos e tabus que envolvem o assunto e que muitos jovens não têm coragem de admitir. A importância de saber do que você gosta, o prazer feminino, o sexo lésbico, a bissexualidade e a gravidez na adolescência são alguns dos tópicos abordados – nenhum deles de modo estereotipado.

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Além do sexo, a produção também traz debates sobre saúde mental. Os traumas de Otis (que aconteceram na infância mas ainda impactam sua adolescência), as crises de pânico de Jackson (um atleta promissor sufocado pela cobrança materna) e até mesmo o bullying causado e sofrido por Adam (um personagem que ganha complexidade ao longo dos episódios) são alguns exemplos do aprofundamento dos personagens e das consequências de não dar a devida atenção àquilo que machuca. A adolescência é um período conturbado por si só, uma fase na qual buscamos entender quem somos e consolidar nossa identidade. Quando existem feridas expostas sobre as quais não falamos e não tratamos, esse processo (cheio de hormônios e dúvidas) ganha novos níveis de dificuldade.

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Sex Education também nos faz refletir sobre situações que fazem parte do nosso cotidiano, mas não deveriam fazer. Um plot emblemático é o de Aimee, melhor amiga de Maeve: após sofrer assédio sexual no ônibus, a jovem não percebe que está sofrendo profundamente com o trauma. Assim como a maioria de nós, mulheres, é ensinada desde cedo, Aimee se culpa pelo que aconteceu ao mesmo tempo em que relativiza a situação, achando que o agressor era só mais um “maluco” que não fez nada de tão sério assim. Quantas de nós já não fomos assediadas e tivemos como primeiro instinto sentir vergonha ou buscar justificativas (na roupa, no horário, no local)? Sex Education faz um excelente trabalho ao evidenciar que isso não é normal e não deve ser ignorado. Entretanto, a situação não é mostrada de modo ingênuo, e vemos na tela as dificuldades da vida real: a burocracia pra denunciar esse tipo de agressão, as dúvidas veladas das autoridades (também mostradas em Inacreditável) e o receio da vítima em se expor à toa.

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Agora vamos aos maravilhosos personagens? A série tem uma representatividade enorme não apenas no que diz respeito à orientação sexual, mas por contar também com pessoas de todas as cores e formas. Eric, o melhor amigo de Otis (também conhecido como MELHOR personagem da série) merece destaque: negro e gay, o jovem sente na pele a opressão causada pelo preconceito e pela ignorância. Em uma cena dolorosa de assistir, Eric vivencia o quanto as pessoas podem ser cruéis com o que é diferente do padrão hegemônico. Porém, é lindo presenciar quando o personagem cura suas feridas e passa a sentir orgulho de si mesmo de novo. E eu não poderia deixar de falar de Maeve, a cabeça por trás da clínica sexual: abertamente feminista, a jovem é independente e batalhadora. Vivendo sozinha devido ao problema com drogas de sua família, a garota passa por inúmeras situações difíceis. Quando uma professora vê seu potencial sendo desperdiçado e a incentiva a ir mais longe, é um verdadeiro alento, especialmente quando pensamos em quantos professores exercem esse importante papel fora da tela.

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Por fim, vamos a um comentário rápido sobre a fotografia e a ambientação. Sex Education é uma série um tanto anacrônica, e você nunca sabe qual é a época real em que a trama se passa: existem smartphones, mas o visual dos lugares e das pessoas é super oitentista. Os cenários são lindos, com florestas e campos que encantam a cada episódio.

Sex Education é mais um exemplo de série que sabe fazer humor sem ofender, que equilibra cenas engraçadas com assuntos relevantes e intensos e que brilha por trazer representatividade e diversidade. E não importa o quanto você seja experiente, tenho certeza que Sex Education vai te ensinar lições valiosas – sobre amor próprio, sobre respeitar o próximo, sobre machismo, sobre tabus… e sobre sexo. Recomendo demais!

Título original: Sex Education
Ano de lançamento: 2019
Direção: Laurie Nunn
Elenco: Asa Butterfield, Emma Mackey, Ncuti Gatwa, Gillian Anderson, Connor Swindells, Aimee Lou Woods, Kedar Williams-Stirling

Dica de Série: Não Fale Com Estranhos

Oi galera, tudo bem?

A parceria entre Harlan Coben e Netflix promete vários frutos, e um deles é a minissérie Não Fale Com Estranhos (baseada no livro homônimo). Será que ela é melhor que Safe, a primeira produção em conjunto entre esses dois nomes? 😉

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Sinopse: Quando segredos obscuros vêm à tona, o pai de família Adam Price (Richard Armitage) parte em uma busca desesperada e implacável pela verdade sobre todas as pessoas que têm algum nível de proximidade com sua vida.

O que você faria se uma pessoa completamente desconhecida te contasse um segredo horrível sobre alguém que você ama? E se, logo depois disso, essa pessoa exposta sumisse sem maiores explicações? É isso que Adam Price enfrenta quando uma mulher misteriosa revela um segredo sobre Corinne, sua esposa. Quando ele a confronta, Corinne promete que em breve vai esclarecer tudo – mas na verdade ela desaparece sem avisar pra onde foi. Em paralelo, outros mistérios vêm à tona: um jovem é encontrado nu e inconsciente na floresta, uma alpaca é decapitada e a dona de uma cafeteria é assassinada. Situações aparentemente desconexas são o start para instigar no espectador a curiosidade necessária para maratonar a série de apenas 8 episódios.

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Mais uma vez temos uma trama com uma premissa bem interessante, e a série não demora a nos fazer querer saber mais sobre a estranha e suas motivações. Porém, com o decorrer dos episódios, as tramas paralelas ganham mais destaque e envolvem mais do que o plot inicial, o segredo de Corinne. O assassinato na cafeteria, por exemplo, é bastante envolvente – especialmente pela conexão pessoal que a detetive responsável pelas investigações tem com a vítima. 

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Contudo, assim como acontece em Safe, novamente temos uma trama cheia de inverossimilhanças – e eu já identifiquei esse padrão como algo que afasta qualquer vontade que eu tinha de conferir os livros de Harlan Coben. Entretanto, apesar de algumas reviravoltas bem improváveis, Não Fale Com Estranhos se sai melhor do que sua “irmã mais velha” nesse sentido, tendo menos momentos nonsense.

Gostei bastante do elenco, especialmente da química entre a dupla de detetives formada pela veterana Johanna e pelo jovem irreverente Wesley. Richard Armitage entrega uma boa performance como Adam, mas o roteiro não ajuda, já que as tramas paralelas instigam mais do que sua busca pela esposa desaparecida.

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Não Fale Com Estranhos não é uma série memorável, mas é um entretenimento fácil de consumir. Os episódios não são demasiado longos e contam com cliffhangers que fazem você querer dar play no próximo episódio. A abertura também é ótima, outro ponto em comum com Safe. Se você quer conferir uma história policial curtinha (especialmente agora, em tempos de isolamento social, em que vamos usufruir bastante da Netflix), mas sem grandes expectativas, vale espiar.

Título original: The Stranger
Ano de lançamento: 2020
Direção: Harlan Coben, Danny Brocklehurst
Elenco: Richard Armitage, Siobhan Finneran, Hannah John-Kamen, Dervla Kirwan, Shaun Dooley

Review: Para Todos os Garotos: P.S. Ainda Amo Você

Oi galera, tudo bem?

Depois do sucesso de Para Todos Os Garotos Que Já Amei, eu estava ansiosa para conferir P.S. Ainda Amo Você. Depois de 1 ano e meio de espera, o filme finalmente está entre nós! \o/

ps ainda amo você

Sinopse: Lara Jean (Lana Condor) não esperava se apaixonar por Peter Kavinsky (Noah Centineo) quando eles fingiam namorar, mas a relação entre os dois rapidamente deixou de ser artificial. Só que, ao se reconectar com uma paixão do passado, John Ambrose McClaren (Jordan Fisher), tudo fica ainda mais complicado para a jovem, que precisa entender o que se passa internamente para tomar uma grande decisão.

P.S. Ainda Amo Você inevitavelmente difere de modo considerável de sua contraparte literária, já que um dos principais plots (o vazamento do vídeo no ofurô) é trabalhado no primeiro longa. Isso faz com que a continuação não foque tanto nesse aspecto importante da vida da Lara Jean e de seu relacionamento com Peter, começando já no primeiro encontro oficial deles. Tudo parece ir superbem entre os dois, até que a protagonista recebe a resposta de uma de suas cartas de amor: dessa vez quem entra em contato é John Ambrose McClaren, que balançou o coração da garota no início da adolescência. Quando Lara Jean descobre que o jovem vai trabalhar como voluntário na mesma instituição que ela, seus sentimentos ficam ainda mais confusos.

ps ainda amo você (2)

Eu não quero focar totalmente em explorar as diferenças do livro e do filme (que são várias), mas para citar rapidamente algumas das principais: aqui John Ambrose não é neto de Stormy, a senhora com quem Lara Jean faz amizade no instituto Belleview; Josh nem é mencionado; Margot tem uma participação minúscula e a maneira como Lara Jean descobre que Peter e Gen estão se vendo também é menos impactante. Essas mudanças têm como consequência um enfraquecimento dos dilemas vividos pelo casal principal e uma conexão mais fraca entre Lara Jean e John Ambrose. E acho que foi isso que fez com que o filme não causasse em mim o mesmo impacto do primeiro: parece que faltou tempero, sabem?

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Felizmente, a adição de John Ambrose foi bem-vinda. O novo ator transmite a gentileza e a timidez do personagem de uma maneira muito fofa e, assim como no livro, me vi torcendo por ele. Eu realmente detesto as atitudes de Peter em P.S. Ainda Amo Você, e sinceramente não sei se perdoaria todo o rolê do vazamento do vídeo do ofurô. No filme a resolução desse conflito acaba sendo morna e fácil demais, e sinto que o personagem não teve a evolução que precisava. Outra coisa da qual senti falta foi a dinâmica familiar de Lara Jean e seu relacionamento com Stormy. Esta, em especial, é uma personagem muito importante para a protagonista, trazendo conselhos sobre a vida e sobre garotos e incitando Lara Jean a se permitir viver mais experiências. No filme ela aparece bem pouco, o que acaba sendo um desperdício.

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O longa, porém, acerta ao mostrar que é impossível se relacionar com alguém estando com o coração 100% seguro. Amar é ser vulnerável, é saber que seu coração pode ser partido e que você não tem controle sobre isso. Lara Jean é uma garota que sonha em viver um grande romance, mas que na prática se coloca na defensiva. Sua insegurança em relação à Gen a impede de ser ela mesma e de viver seu relacionamento plenamente (ainda que as atitudes de Peter não ajudem em nada na insegurança dela rs). Quando ela finalmente entende que precisa deixar certos medos pra trás, ela consegue se abrir para uma relação de verdade, que tem seus altos e baixos.

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Para Todos Os Garotos: P.S. Ainda Amo Você não brilha tanto quanto o primeiro filme, apesar de ser um romance fofo e que entretém. O potencial dos personagens não é explorado ao máximo, mas o carinho que sentimos por eles se mantém. Agora nos resta aguardar o terceiro longa e torcer para que a conclusão dessa trilogia aqueça nosso coração. 🙂

Título original: To All The Boys: P.S. I Still Love You
Ano de lançamento: 2020
Direção: Michael Fimognari
Elenco: Lana Condor, Noah Centineo, Jordan Fisher, Holland Taylor

 

Review: Por Lugares Incríveis

Oi pessoal, tudo bem?

Um dos filmes mais aguardados por mim finalmente chegou à Netflix, e hoje vou contar pra vocês o que achei de Por Lugares Incríveis.

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Sinopse: Devastada pela perda da irmã, a introvertida Violet Markey (Elle Fanning) recupera a vontade de viver ao conhecer Theodore Finch (Justice Smith), um jovem excêntrico e imprevisível.

Quem leu minha resenha sabe que o livro de Jennifer Niven me tocou profundamente e se tornou um dos meus favoritos. A trágica história de amor de Violet Markey e Theodore Finch arrebatou meu coração, arrancou lágrimas e soluços e me causou uma tremenda ressaca literária. Em parte, sua adaptação conseguiu causar sensações semelhantes.

Na história, conhecemos dois adolescentes repletos de cicatrizes emocionais. Violet perdeu a irmã em um acidente e desde então vive num torpor. Finch, por sua vez, se apresenta com uma fachada irreverente e efusiva – que esconde demônios internos e um quadro depressivo do qual ninguém sabe. Unidos por um projeto da escola, os dois precisam conhecer e escrever a respeito de lugares de Indiana, e essas andanças permitem que um amor nasça e certas feridas se fechem.

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Preciso dizer que me apaixonei pela performance de Elle Fanning como Violet. A atriz superou minhas expectativas e conseguiu dar vida às nuances e profundidade da personagem. Suas expressões apáticas lentamente vão sendo substituídas por sorrisos tímidos e, conforme o longa acontece, ela vai desabrochando. Justice Smith, por outro lado, não conseguiu evocar o mesmo apego que senti pelo Finch do livro. Sinto que até houve esforço na atuação mas, para ser justa, o roteiro não favoreceu: o roteiro foca muito mais em Violet e em sua transformação do que nos problemas que Finch mantêm ocultos. Isso faz com que o personagem perca muito de sua riqueza e até dificulta para o espectador entender o quê afinal ele está vivendo. No livro existem vários momentos narrados pela sua perspectiva, e lá fica claro (ainda que nunca escrito explicitamente) que os quadros de depressão que o acometem são frequentes e intensos. O jovem fala sobre a morte em diversas oportunidades, o que não acontece no filme. Essa foi a maior falha da adaptação, na minha opinião: Finch é importante demais pra ficar em segundo plano, apenas como um trampolim para a melhora de Violet.

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Apesar de não ter me apaixonado pela performance de Justice Smith, gostei da sua química com Elle Fanning. As cenas em que os dois jovens passam juntos e pouco a pouco se apaixonam são encantadoras e prometem arrancar sorrisos bobos. Assim como no livro, o romance acontece de maneira natural, conforme Violet vai se abrindo para viver (e se permitir sentir) novamente.

Infelizmente, os temas importantes tratados no livro não ganham o mesmo espaço no filme (o que pode ser lido até como irresponsabilidade da adaptação, devido à gravidade do assunto abordado). Como mencionei anteriormente, os problemas de Finch ficam em segundo plano quando comparados aos de Violet. Acontece que, para entender o final, é imprescindível ter todo o contexto a respeito do personagem: o bullying que ele sofre, sua família disfuncional, a omissão dos adultos ao seu redor. Esse somatório de eventos faz com que Finch se sinta cada vez mais sem esperança, sem conseguir sair sozinho do vazio no qual ele frequentemente se encontra. No filme temos uma única cena que eu considero poderosa nesse sentido: ao conversar com sua irmã, Finch tenta encontrar um modo de acreditar que seu pai (que também enfrentava momentos sombrios) poderia ser salvo. Indiretamente, ao falar sobre o pai, o jovem revela uma vontade dele próprio ser salvo, um desejo de encontrar algum argumento que prove que há saída. 

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Apesar das falhas relacionadas a Finch, Por Lugares Incríveis me emocionou demais (os olhos inchados que o digam). Parte dessa emoção aconteceu por lembrar do livro e da tristeza que eu senti quando cheguei ao fim, mas a outra parte é mérito do longa. O filme consegue trazer a atmosfera das páginas com competência, a fotografia encanta e a trilha sonora é emocionante, sendo crucial para evocar emoções. Apesar das ressalvas, que considero importantes, eu gostei bastante do que vi na tela, e sinto que foi feito um bom trabalho na adaptação. Foi bom lembrar de todas as cores em uma, em pleno brilho, mais uma vez.

Título original: All The Bright Places
Ano de lançamento: 2020
Direção: Brett Haley
Elenco: Elle Fanning, Justice Smith, Alexandre Shipp, Luke Wilson, Kelli O’Hara, Keegan-Michael Key

Dica de Série: Cara x Cara

Oi pessoal, tudo bem?

Em outubro do ano passado estreou Cara x Cara na Netflix. O trailer instigante e o fato de ser protagonizada por Paul Rudd foram o suficiente para me fazer conferir a série. Bora falar a respeito? 😀

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Sinopse: Empenhado em se tornar uma pessoa melhor, um homem decide começar um tratamento especial e descobre que foi substituído por uma nova e aperfeiçoada versão – revelando que seu pior inimigo é ele mesmo.

Cara x Cara nos apresenta a Miles, um homem cuja vida estagnou: ele não consegue criar uma peça publicitária realmente criativa há muito tempo, seu casamento está à beira da ruína e nenhum dos seus projetos sai do papel. Quando ele ouve falar de um SPA que promete trazer à tona sua melhor versão, ele não hesita em fazer o tratamento (extremamente suspeito, em uma clínica com ares de clandestinidade). O resultado, porém, é surpreendente: Miles é clonado, e é seu clone o indivíduo que tem as tais características aperfeiçoadas, ainda que não saiba que é um doppelgänger. Quando uma das etapas do processo dá errado, o Miles original e o novo Miles ficam frente a frente e precisam decidir juntos como conduzir a situação.

O talento e o carisma de Paul Rudd são inegáveis. O ator consegue transmitir por meio das expressões faciais e da linguagem corporal qual Miles estamos vendo em cena: ora o infeliz Miles original, ora o novo Miles melhorado. Os conflitos na série acontecem em parte porque eles precisam trabalhar juntos pra que ninguém descubra que existem duas versões do mesmo homem, e isso os obriga a olhar para suas imperfeições. O novo Miles traz fôlego à carreira do original e o auxilia na ascensão profissional, mas ele não consegue deixar de se sentir uma fraude, já que todas as suas memórias não são realmente dele. O Miles original, em contrapartida, se sente ameaçado pela suposta perfeição de seu clone, que aparentemente faz tudo muito melhor do que ele seria capaz – inclusive se relacionar com a esposa, Kate.

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Conforme os episódios vão passando e vamos conhecendo mais o personagem de Miles, a série sutilmente nos mostra que ele parece viver um quadro depressivo bastante significativo. O que inicialmente é visto como estagnação vai se revelando como uma apatia pela vida, uma incapacidade de sentir prazer nas coisas e consequentemente uma falta de movimento. Esse aspecto é bem interessante porque torna Miles mais complexo, menos unidimensional: ele não é só um cara que “encheu” o saco das coisas e não tem coragem de mudar. 

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Os dramas do novo Miles também são interessantes. Como se sentir verdadeiramente você quando tudo que você viveu e lembra são experiências de outra pessoa? Como construir sua verdadeira identidade quando você é uma cópia de alguém que já existe? Enquanto tenta conquistar o afeto de Kate, o doppelgänger percebe que não basta ser cheio de qualidades: o amor também é baseado nas coisas difíceis que um casal supera, nos momentos em que uma pessoa está ali para apoiar a outra – e não foi ele quem fez parte daqueles momentos. Toda essa dúvida sobre a própria existência é bem bacana e ajuda a humanizar o personagem.

Contudo, apesar das discussões instigantes e do ritmo dos episódios ser bem fácil de acompanhar, Cara x Cara se perde um pouco na reta final. O triângulo amoroso que se forma não cativa e o final da temporada é bastante brusco, dando margem a uma continuação que possivelmente nem aconteça. Sinto que a série perdeu um pouco da minha atenção quando começou a tirar o foco da dualidade entre os dois Miles e ir por um caminho mais “quem vai ficar com Kate?”.

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Um dos maiores trunfos de Cara x Cara é conseguir equilibrar humor e questões existenciais em episódios de 25 minutos que não cansam o espectador. É muito fácil se relacionar com os conflitos vividos por ambos os Miles. Quem nunca se questionou sobre si mesmo? Buscar a nossa melhor versão nem sempre é fácil, e os traumas pelo caminho podem tornar o processo ainda mais exaustivo. Contudo, vale lembrar que às vezes essa tal “melhor versão” pode ser uma projeção irreal, baseada nas expectativas que os outros (e nós mesmos) criamos. A ironia disso reside no fato de que tanto o Miles original quanto o novo Miles não se sentem completos e suficientes, invejando o outro.

Resumindo, Cara x Cara não foi a série mais inesquecível que assisti no último ano, mas foi uma experiência que me surpreendeu positivamente. Gostei da performance de Paul Rudd e dos debates propostos pela série. O ritmo fluido, os ótimos momentos de humor, as discussões sobre identidade e a curta duração dos episódios formam um combo propício a uma maratona. Vale espiar! 😉

Título original: Living With Yourself
Ano de lançamento: 2019
Direção: Timothy Greenberg
Elenco: Paul Rudd, Aisling Bea, Desmin Borges, Karen Pittman