Review: Dumplin’

Oi pessoal, tudo certo?

Para o mês de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) escolheu o tema “filmes protagonizados por mulheres”, de forma a comemorar a data, discutir temas pertinentes ao universo feminino e trazer dicas bem incríveis pra vocês. ❤

uma amiga indicou

Eu escolhi falar sobre Dumplin’, uma das novas produções da Netflix que, além de ter um elenco predominantemente feminino (e, é claro,  protagonistas mulheres), também vai contra diversos paradigmas relacionados à representação de pessoas gordas.

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Sinopse: Determinada a desafiar os padrões impostos pela sociedade, a adolescente Willowdean Dickson se inscreve no concurso de beleza organizado por sua mãe, uma ex-miss.

Willowdean, ou simplesmente Will, é uma jovem do Texas que é completamente apaixonada por Dolly Parton, vive trocando confidências com a melhor amiga, trabalha em uma lanchonete, flerta com o colega charmoso e está em constante conflito com sua mãe, Rosie, uma ex-miss e organizadora do concurso de beleza das jovens da cidade. Outra característica de Will é que ela é uma garota gorda; porém, ao contrário de muitas produções por aí, em Dumplin’ isso não é apresentado como algo a ser desesperadamente alterado, pois desde o início do longa percebemos a referência corporal positiva que Will teve por meio de sua tia, Lucy, também uma mulher gorda – e linda e feliz. Contudo, desde a morte precoce de Lucy, Will está enfrentando uma fase difícil, tendo que lidar sozinha não apenas com o luto, mas também com a obsessão de sua mãe com dietas e aparência física. Em um certo dia, ao mexer nos pertences de Lucy, Will encontra uma inscrição jamais feita no concurso de misses da cidade e, em um impulso, decide ela mesma se inscrever – para honrar sua tia e desafiar os padrões que sua própria mãe tanto exalta. A partir desse momento, outras meninas seguem o exemplo de Will por suas próprias razões e acompanhamos sua jornada de preparação para o concurso.

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Dumplin’, em essência, é um filme bem clichê. Temos a protagonista insegura, o boy magia, o makeover e a superação. Mas o que chama a atenção no longa é que todos esses elementos respeitam a identidade gorda de Will, sem necessidade de mudá-la ou emagrecê-la. Ao mesmo tempo, Dumplin’ também consegue mostrar com delicadeza as inseguranças sentidas pela protagonista: em uma cena específica com o garoto dos seus sonhos, vivendo um momento lindo, ela fica travada por pensar nas dobrinhas de sua cintura. A personagem fica emocionalmente fragilizada por conta da situação, mas nem por isso corre para a academia ou para uma dieta restritiva, o que é um ponto MUITO positivo do filme. Afinal, a autoestima é uma construção diária e, não é porque gostamos de quem somos que isso nos impede de ter momentos de insegurança.

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E Will é alguém que vive nesse limiar da (in)segurança. Ela não demonstra o desejo de mudar seu corpo, mas ainda assim se julga indigna de amor por conta da sua forma. Com o passar da trama, entretanto, ela vai entendendo cada vez mais a importância de ser quem ela é e não se desculpar por isso. Uma das frases de Dolly Parton, musa inspiradora da personagem, é recitada mais de uma vez: “Descubra quem você é e faça de propósito”, e esse lema conduz a narrativa até o fim. Além disso, temos a participação de incríveis drag queens que auxiliam no processo de ajudar Will e suas amigas a desabrocharem e ganharem autoconfiança. Entretanto, apesar dessas boas intenções do longa, eu tive grande dificuldade de gostar genuinamente de Will. Não sei se foi falta de carisma da atriz ou se foi a personalidade da personagem, mas pra mim ela era a pessoa menos interessante de acompanhar ao longo da trama. Ainda assim, isso não impediu que eu admirasse sua trajetória de construção de amor próprio e o fortalecimento de suas relações interpessoais.

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Essas relações, por sinal, são a base do filme. O relacionamento com Rosie sempre foi conturbado, afinal, Will nunca se “encaixou” no mundo perfeito da mãe, que passava a maior parte do tempo ocupada e ausente. Justamente por isso, o vínculo criado com a tia tornou-se ainda mais forte, já que Lucy foi um modelo presente e acessível durante toda a infância da jovem. Além disso, a relação com a melhor amiga, Ellen, também tem um peso enorme: entretanto, apesar de Ellen ter deixado claro que nunca viu Will como alguém gordo, essa característica – ou melhor, a diferença entre seus corpos – é vista por Will e acaba se tornando um tema delicado entre as duas em determinado momento da trama. Por fim, temos também a relação com Bo (o crush) e com os novos amigos e amigas que a auxiliam no concurso. Em suma, os elos construídos por Will ao longo da vida são a base para o que ela é hoje e para o que ela vem a se tornar, sendo fonte de apoio na construção e fortalecimento de sua identidade.

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Dumplin’ não é um filme memorável por sua trama, que pode ser encontrada em muitas outras comédias românticas. Entretanto, apesar de não ser meu lugar de fala, acredito que o longa trabalhe com delicadeza o ser gordo, bem como o sentimento de perda, a jornada de autodescoberta e a construção do amor próprio. É um filme que não precisa machucar nenhuma existência para passar sua mensagem, e é sempre importante celebrar produções assim (mesmo que suas tramas não sejam inesquecíveis). Afinal, enquanto mulheres, somos constantemente vigiadas e pressionadas por conta de questões estéticas, e já passou da hora de repensarmos os estereótipos que estamos reforçando e o tipo de produção (seja ela filme, série ou livro) que estamos exaltando. 😉

Título original: Dumplin’
Ano de lançamento: 2018
Direção: Anne Fletcher
Elenco: Danielle Macdonald, Jennifer Aniston, Odeya Rush, Maddie Baillio, Bex Taylor-Klaus, Luke Benward, Harold Perrineau, Hilliary Begley

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Dica de Série: Ordem na Casa com Marie Kondo

Oi gente, tudo bem?

Em uma manhã de domingo, após acordar às 7h da manhã, comecei a assistir Ordem na Casa com Marie Kondo. Aparentemente, abracei de vez a senhorinha que sou! 😂

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Sinopse: A famosa especialista em arrumação Marie Kondo ajuda clientes a colocarem ordem na casa e na própria vida, transformando lares com muita inspiração.

A série é um reality show no qual Marie Kondo, criadora do método de organização KonMari, visita diversas famílias que gostariam de colocar ordem em suas casas e suas vidas. Para auxiliá-los na organização, Marie não apenas ensina técnicas de arrumação, mas também o conceito de “trazer alegria” (spark joy) para que alguém decida se um item permanecerá em sua vida ou não, buscando entender se existe um desejo de levá-lo consigo para o futuro.

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Marie visita famílias dos mais diversos tipos: famílias com filhos pequenos, uma senhora viúva que agora precisa aprender a viver sozinha, casais LGBT, famílias com animais de estimação e casais que estão esperando o primeiro filho. O mais bacana de assistir essas diferentes famílias organizando suas coisas é perceber que existem muitas diferenças entre as pessoas, mas que o apego sentimental é um denominador comum que muitas vezes nos faz acumular coisas de que não precisamos mais. Ainda assim, Marie Kondo respeita cada indivíduo, suas particularidades e decisões sobre o que vai e o que fica. Ela não julga nenhuma escolha, mas faz o seu melhor para guiar os envolvidos em uma análise sobre o que determinado item realmente significa para si.

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Obviamente, as dicas de arrumação são muito boas. É impossível não ficar com vontade de organizar a casa toda enquanto assiste (eu já arrumei meu guarda-roupa, que tá bem bonitinho rs). Marie dá algumas dicas maravilhosas que você fica “como não pensei nisso antes?”. Ela ensina a dobrar roupas, a organizar itens de cozinha, separar documentos, entre diversos outros itens. Claro, como a série é curta (somente 8 episódios de 30-40 minutos), acredito que grande parte das dicas de seus livros tenha ficado de fora. E sim, fiquei com vontade de ler suas obras também!

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Outro aspecto interessante da série é o choque cultural a qual somos apresentados por meio de Marie. Ela é japonesa, um povo bem diferente dos ocidentais em muitos aspectos. Marie tem uma relação bem espiritual com as casas que visita, com o processo KonMari, com os objetos que ficam e que são descartados e com o que tudo representa para as famílias que auxilia. A primeira coisa que ela faz antes de começar a arrumação, por exemplo, é “cumprimentar” a casa, conectando-se com a energia do lugar e visualizando o futuro dele. Para nós, ocidentais, isso pode soar um pouco estranho a princípio; mas com o passar dos episódios vai ficando mais natural, assim como o respeito pela diferença cultural cresce.

Ordem na Casa com Marie Kondo é uma série bem bacana, com cenas emocionantes, famílias diversas e muitas dicas úteis. Se você está buscando inspiração para seu próprio lar ou gosta de realities, recomendo que você dê uma chance. Aposto que vai achar a Marie uma fofa também! ❤

Título original: Tidying Up with Marie Kondo
Ano de lançamento: 2019
Criador: Marie Kondo
Elenco: Marie Kondo

Dica de Série: You

Oi pessoal, tudo bem?

A coluna Uma Amiga Indicou – uma parceria linda com os queridos blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer já começou janeiro bombando! ❤

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Hoje vim contar pra vocês o que achei de You (ou Você), o novo thriller da Netflix, que foi escolhido por nós para ser assistido coletivamente.

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Sinopse: Obcecado por uma aspirante a escritora, um charmoso gerente de livraria lança mão de medidas extremas para entrar na vida dela.

Imagine como seria adentrar a mente de um psicopata, saber cada pensamento, lógica distorcida e obsessão. É exatamente isso que You proporciona. Na trama, Joe Goldberg é o carismático gerente de uma livraria que se “apaixona” perdidamente por Guinevere Beck, uma bela aspirante a escritora. Quando a jovem flerta com ele na livraria, o rapaz se encanta completamente, convencendo-se de que eles são perfeitos um para o outro, e utiliza o nome no cartão de crédito da moça para stalkeá-la e conseguir informações a seu respeito na internet. Quanto mais “conhece” Beck, mais determinado Joe fica a conquistá-la – mesmo que para isso precise eliminar quem estiver em seu caminho.

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You é cheia de absurdos. Existem inúmeras situações inverossímeis, especialmente no que tange o stalk de Joe e os crimes que ele comete. Contudo, de maneira surpreendente, a série consegue fazer com que você, espectador, não ligue pra nada disso. A narração em off, feita por Joe e direcionada a Beck, é instigante e cativante, e por mais perturbador que seja o personagem, você quer continuar acompanhando seus devaneios. Os episódios são tão envolventes que você aceita essas situações em nome do espetáculo e da ansiedade para conferir o que está por vir. E muito disso é mérito do insano Joe.

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O personagem é um verdadeiro psicopata doentio. Mas, por mais que ele cause repulsa e revolta, ele também fascina (e aqui cabem muitos elogios ao seu intérprete, Penn Badgley). Joe é um personagem cheio de nuances que nos confundem: ao mesmo tempo em que é capaz de diversas atrocidades, ele também demonstra carinho e zelo com Paco, uma criança que vive no apartamento ao lado e presencia a mãe sofrendo violência doméstica. Certamente Joe vê em Paco a criança que ele mesmo foi, negligenciado e vítima de violência por parte do homem que o criou (outro psicopata sem escrúpulos, diga-se de passagem). As cenas entre os dois são repletas de ternura, o que quase nos faz esquecer da verdadeira faceta do protagonista: a de um homem obsessivo, controlador e doentio.

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Joe passa a temporada inteira justificando suas atitudes “em nome do amor” e “para proteger Beck”. Ele invade a privacidade dela, manipula diversas situações e não demonstra nenhum rancor em relação aos assassinatos que comete. E o pior de tudo: ele acredita piamente que está fazendo a coisa certa. Joe é tão imerso e crente em suas próprias fantasias que se sente no direito de, por exemplo, julgar a melhor amiga de Beck (outra stalker manipuladora) por fazer a MESMA COISA que ele faz. O personagem é totalmente incapaz de compreender o quão abusivo ele é, e suas justificativas me incomodaram DEMAIS (eu só queria dar um tapa na cara dele, sério).

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Beck, por outro lado, é uma personagem difícil de torcer. Além das expressões de “sou muito bonitinha” o tempo todo (que cansam pra caramba), Beck tem falhas de caráter graves: ela trai, mente e não assume a responsabilidade por seus atos, fazendo-se de vítima o tempo todo. O problema é que ela é REALMENTE uma vítima, mas não faz ideia disso. Vamos ser honestos: Beck é burrinha. Foi enervante ver a personagem caindo em desculpas mais furadas que uma peneira, mesmo quando Joe não tinha como justificar determinadas coisas de maneira aceitável (o evento literário no qual ela vai com o pai é um bom exemplo disso entendedores entenderão). Somado a isso está o fato de que Joe vende uma imagem de namorado perfeito, fazendo de tudo para agradá-la e incentivá-la, em uma tentativa de fazer com que não apenas Beck, mas também o espectador também goste dele. Contudo, por mais que Beck seja chata e problemática, NADA justifica as coisas que Joe faz com ela. Em certos momentos, especialmente na reta final, me senti muito mal assistindo You e pensando que – em maior ou menor escala – muitas mulheres na vida real são realmente perseguidas, tolhidas, controladas, agredidas ou até mesmo mortas por homens que se sentem no direito de possuí-las. You pode ter diversas situações absurdas, mas essa infelizmente não é uma delas.

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A série ainda faz diversas críticas ao excesso de exposição na internet e nas redes sociais, jogando na nossa cara como fornecemos muitos detalhes da nossa vida pessoal para completos estranhos. Por meio de Beck e de sua tentativa desesperada de pertencer a um grupo social do qual não faz parte (o que a conduz a uma amizade extremamente nociva com Peach), You mostra como o feed do Instagram pode não estar alinhado com a realidade, sendo somente uma vitrine para aquilo que queremos mostrar. Confesso que foi difícil não sentir uma paranoiazinha ao terminar a série e pensar “e se um stalker estiver olhando minhas coisas?” 😂👀

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You (ou Você) é um thriller excelente e perturbador. Não é fácil acompanhar uma história pelos olhos do vilão (exceto quando ele é o Dexter e mata somente outros assassinos rs), mas os episódios conseguem manter o espectador aflito e querendo mais. As situações inverossímeis não estragam a experiência, já que You não se propõe a ser uma série investigativa, mas um mergulho em uma relação perigosa, obsessiva e disfuncional. Recomendo!

Título original: You
Ano de lançamento: 2018
Criadores: Greg Berlanti, Sera Gamble
Elenco: Penn Badgley, Elizabeth Lail, Shay Mitchell, John Stamos, Zach Cherry, Luca Padovan

Review: Bird Box

Oi gente, tudo bem?

Depois de uma divulgação pesada, Bird Box (ou Caixa de Pássaros) chegou à Netflix. Eu não li o livro, então esse review vai ser baseado apenas no filme, ok?

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Sinopse: Uma misteriosa presença leva as pessoas ao suicídio. Cinco anos depois, uma sobrevivente e seus dois filhos saem em busca de um abrigo seguro.

O filme começa com Malorie, nossa protagonista, avisando duas crianças de que farão uma viagem perigosa e que eles não podem tirar a venda dos olhos de jeito nenhum. O trio parte então para uma viagem de barco rumo a um abrigo, e então a narrativa muda para cinco anos no passado, período em que Malorie está vivenciando uma gravidez aparentemente indesejada. Ela e sua irmã vão até o hospital para um exame de rotina mas, saindo de lá, as duas percebem que o caos subitamente se instaurou: as pessoas ao redor começam a agir estranhamente, machucando os outros ou a si próprias, cometendo suicídios por toda parte. Durante a tentativa de fuga, a irmã de Malorie parece enxergar algo apavorante, suicidando-se em seguida. Desesperada e sem rumo em meio à confusão, Mal é ajudada por um homem a chegar em uma casa na qual outras pessoas se refugiaram.

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Bird Box não é um filme que se proponha a explicar de onde surgiram as criaturas que induzem as pessoas a se suicidar (eu aposto em alienígenas). O foco do longa é trabalhar as emoções das pessoas que estão lutando para sobreviver  – o que me lembrou um pouco The Walking Dead e O Nevoeiro nesse sentido. A única coisa que fica claro é que, uma vez que você olha para as criaturas, você perde o controle de si mesmo e precisa se machucar ou machucar alguém próximo. Por isso, os sobreviventes fazem o possível para tapar cada janela, porta e fresta para o mundo exterior. O problema é que dentro da casa também existem desafios, já que o grupo é muito heterogêneo e com interesses e personalidades diferentes. Essa premissa poderia ser bem interessante, mas acaba sendo uma parte do filme bastante clichê e mal desenvolvida. Os personagens da casa são estereotipados e não cativam o espectador. 

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Bird Box até tentou criar uma conexão entre os personagens, mas não funcionou muito bem. Malorie e Tom são a dupla com mais química, e o desagradável Douglas acaba sendo necessário também pra mexer um pouco com os ânimos (por mais babaca que seja). Olympia, por outro lado, parece alguém totalmente fora da casinha. Não consegui “comprar” a aproximação dela com Malorie, especialmente porque essa amizade parece um tanto quanto indesejada pela segunda. As duas compartilham um momento de ternura envolvendo a gravidez (já que ambas estão com a gestação em uma fase aproximada), mas pra mim não foi forte o suficiente para o desenrolar com as crianças. Acho super estranho que a filha de Olympia pareça ter mais destaque que o filho de Malorie, inclusive. Entretanto, em termos de atuação isso foi positivo, já que a menina é a mais expressiva da dupla mirim.

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Sandra Bullock é um dos destaques do filme. Ela dá vida a uma protagonista forte e determinada, ainda que tenha dificuldades em lidar com seus sentimentos pelas crianças – já que fica claro no início do longa que talvez a maternidade não fosse algo desejado. O medo é bastante palpável, e ela usa da racionalidade para lidar com a situação, fazendo disso o pilar da criação dos filhos. Chega a ser estranho ver como Malorie interage com eles (de modo seco e rígido o tempo todo), mas também é possível compreender o estado de nervos fragilizado e permanente em que a personagem se encontra (e a vontade de fazer com que as crianças sobrevivam).

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Os momentos de tensão são dignos de um thriller e conseguiram me deixar apreensiva. Cenas como a busca por suprimentos, a sequência envolvendo Gary e a viagem pelo rio me deixaram atenta, e acredito que muito disso se deva ao mistério que envolve as criaturas e o medo daquilo que não conhecemos. Só de pensar na situação já é algo bastante aflitivo, por saber que a ameaça está à espreita e você não pode abrir os olhos para tentar se defender. Além das criaturas, os personagens também precisam enfrentar algo tão cruel quanto: os próprios seres humanos.

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Bird Box não é um filme perfeito, especialmente por ter muitas falhas ao desenvolver os personagens e a dinâmica entre eles. Contudo, a experiência não foi negativa. Sim, em alguns momentos senti que o filme estava se arrastando demais, mas em outros fiquei bastante aflita (que é o que espero de um thriller). O pano de fundo da trama assusta, assim como os desafios enfrentados por Malorie e seus filhos. Apesar de alguns defeitos no desenvolvimento, acho que vale a pena conferir! 🙂

Título original: Bird Box
Ano de lançamento: 2018
Direção: Susanne Bier
Elenco: Sandra Bullock, Trevante Rhodes, John Malkovich, Danielle Macdonald, Tom Hollander, Sarah Paulson, Vivien Lyra Blair, Julian Edwards

Dica de Série: Grace and Frankie

Oi gente, tudo bem?

Grace and Frankie é uma ótima comédia da Netflix, e no post de hoje eu te conto porquê acho que você deveria conferir! 😉

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Sinopse: Quando seus maridos pedem o divórcio para se casar um com o outro, a comportada Gracie e a excêntrica Frankie começam uma amizade.

Grace e Frankie não poderiam ser mais diferentes: a primeira é uma mulher vaidosa, elegante e um pouco presunçosa, enquanto a segunda é uma hippie completamente good vibes. O que elas têm em comum? Seus maridos: Robert e Sol são advogados e sócios há anos, mas também são mais do que isso. Em um jantar inesperado, os dois revelam às esposas que são gays e que querem o divórcio para ficarem juntos! Já dá para imaginar o choque sentido por Grace e Frankie, né?

Esse plot inicial já é engraçado por si só: duas mulheres de terceira idade tendo que lidar com o fato de que seus maridos estão apaixonados um pelo outro. Mas a graça da série começa a partir daí, já que Grace e Frankie acabam tendo que dividir a casa de praia, que era propriedade dos quatro. As duas querem fugir de seus maridos por motivos diferentes: Grace se sente humilhada e revoltada, especialmente por ter suportado por tantos anos um casamento sem amor com Robert; Frankie, por outro lado, está de coração partido, já que Sol era sua alma gêmea e seu melhor amigo. Entretanto, além da casa de praia, as duas passam a dividir os sentimentos advindos do divórcio, o que acaba criando uma amizade improvável.

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É tão gostoso ver as interações entre Jane Fonda e Lily Tomlin. Elas dão vida a personagens muito carismáticas, de quem passamos a gostar rapidinho, apesar de seus defeitos. Além disso, é extremamente divertido ver duas personalidades tão distintas tendo que aprender a conviver. Grace, com seu jeito prático e metódico, tem mais dificuldades para “engolir” Frankie em sua vida, graças à personalidade avoada e livre desta. Frankie, por outro lado, acha que Grace é muito rígida e neurótica em seu modo de viver a vida. Entretanto, é possível perceber que elas começam a se completar e a influenciar na vida uma da outra: a leveza de Frankie passa a contagiar Grace, enquanto a praticidade e objetividade de Grace auxiliam Frankie em diversas questões.

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As famílias das duas até têm certo espaço de tela mas, sinceramente, nenhum dos filhos das duas têm muita importância ou carisma suficiente para que a gente se importe de verdade. Brianna, filha mais velha de Grace, talvez seja a mais interessante. Robert e Sol também têm algum destaque, e acompanhamos o casal tentando se ajustar ao “lado de fora do armário” no qual estiveram por cerca de 20 anos. Não é tão simples assim assumir a relação e passarem ao status de casados, especialmente porque precisam lidar com as mágoas que causaram e, é claro, com as dificuldades que qualquer relacionamento traz.

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Por fim, acho válido mencionar como é bacana ver uma série cujos protagonistas são personagens de terceira idade. É raro encontrar produções que deem voz e espaço a essa camada da população e eu adorei acompanhar essa etapa da vida dos personagens. Além disso, Grace and Frankie também fala com naturalidade sobre sexualidade na terceira idade, mostrando que a quantidade de anos vividos não é um empecilho para amar, transar, se divertir e aproveitar a vida.

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Grace and Frankie é uma série muito divertida, com uma dupla de protagonistas carismática e apaixonante. Se você quer uma produção leve, rapidinha de assistir e com ótimas atuações, vale conferir!

Título original: Grace and Frankie
Ano de lançamento: 2015
Criadores: Marta Kauffman, Howard J. Morris
Elenco: Jane Fonda, Lily Tomlin, Martin Sheen, Sam Waterston

Dica de Série: O Mundo Sombrio de Sabrina

Oi meu povo, tudo bem?

Pra comemorar o Dia das Bruxas, nesta edição da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da AleCaverna LiteráriaA Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) decidimos escolher entre duas séries que têm tudo a ver com a data: A Maldição da Residência Hill ou O Mundo Sombrio de Sabrina.

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Eu sou SUPER medrosa e, apesar dos elogios à Residência Hill, não tive coragem de assistir. Somado isso ao fato de que eu estava looouca para conferir o remake de Sabrina, bom… resolvi unir o útil ao agradável. 😛

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Sinopse: Bruxa e também mortal, a jovem Sabrina Spellman fica dividida entre a vida normal de adolescente e o legado de sua família feiticeira.

Quando eu era criança, lembro de gostar de Sabrina, Aprendiz de Feiticeira, mas confesso pra vocês de que mal me lembro da história. Por isso, pude assistir a O Mundo Sombrio de Sabrina com a mente totalmente aberta, sem comparações ou expectativas, o que foi ótimo! Adorei o clima macabro, a ambientação sinistra e o cast maravilhoso!

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Sabrina é uma jovem prestes a completar 16 anos que se vê dividida entre dois mundos: ela é metade bruxa, metade mortal. No seu aniversário, ela deverá passar pelo Batismo das Trevas, de modo a entrar para a Academia de Artes Ocultas, onde desenvolverá sua magia e servirá ao Senhor das Trevas (aka Satã). Para isso, entretanto, ela deverá abrir mão de sua vida mortal, ou seja, de seu namorado e suas melhores amigas. Obviamente, Sabrina entra em um conflito frente a tal decisão, optando por não seguir tal caminho – o que causa muito alvoroço na comunidade bruxa.

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Meu primeiro comentário sobre a série é: A PROTAGONISTA É A CARA DA HERMIONE. Reparem! E o namorado de Sabrina, Harvey, é a cara do Tate (American Horror Story). São muitos doppelgangers nessa série, socorro. 😂 Dito isso, preciso elogiar a performance do elenco. Eu adorei cada personagem de seu próprio modo, e todos eles têm uma personalidade bem marcante, com tempo de tela suficiente para que possamos conhecê-los. Sabrina é obstinada, justa, teimosa e empoderada; ela luta pelos direitos das mulheres, pelo fim do bullying na escola e em momento nenhum incentiva briguinhas entre garotas (mesmo aquelas que a provocam). Porém, como toda adolescente, ela toma decisões impulsivas e acaba pecando por sua ingenuidade. Harvey é o namorado fofo que toda garota gostaria de ter. Suas amigas, Ros e Susie, fogem dos padrões estéticos (Ros é negra e tem um black power maravilhoso e Susie é interpretada por um ator não-binário, tendo ainda um plot de transexualidade).

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As tias de Sabrina, Hilda e Zelda, bem como seu primo, Ambrose, também são cativantes e brilham em diversos momentos. Fiquei surpresa com a atuação de Miranda Otto como uma Zelda controladora e rígida, especialmente por só tê-la visto atuando como Éowyn. Os personagens da Igreja da Noite também são interessantes e, até certo ponto, assustadores: o Padre Blackwood e a “Sra. Wardwell”, por exemplo, nos intimidam porque sabemos que eles escondem segredos envolvendo seus planos para Sabrina.

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A estética da série é incrível. Parece meio anos 90 mas, ao mesmo tempo, existem smartphones. Os figurinos são retrô, mas os pensamentos e diálogos são condizentes com nosso momento social atual. Acredito que foi uma estratégia da série para manter uma ideia de atemporalidade, anacronismo. Seja como for, eu gostei. 😀 A série também arrasa nos cenários (o casarão das Spellman é digno de uma história de bruxas!) e fotografia, apostando em tons escuros e sombras para criar uma ambientação mais macabra. A única coisa que me desagradou bastante foram os constantes blur nas cenas, normalmente nas que envolviam feitiços ou coisas sobrenaturais. Me sentia míope assistindo!

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Apesar de falar em rituais satânicos, ocultismo, demônios, bruxaria e afins, não acho que O Mundo Sombrio de Sabrina se enquadre como uma série de terror propriamente dito. Ela equilibra muito bem as cenas mais aflitivas com certo bom humor e ironia, o que colabora bastante para não deixar o tom tão pesado. Algumas cenas são tensas, sim, mas se mesmo eu (que sou medrosa) consegui assistir de boa, acho que você também consegue. Na verdade, o estilo de “medo” que senti em O Mundo Sombrio de Sabrina me faz recordar de Stranger Things. É de boas, juro! 😉

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O Mundo Sombrio de Sabrina é uma série cativante. Apesar dos episódios longos (não curto muito quando eles têm mais de 50 minutos), o carisma dos personagens – em especial de sua protagonista – envolve o espectador, e a trama cheia de mistérios e reviravoltas também faz com que você queira assistir um episódio atrás do outro. Por fim, a série aborda diversas questões relevantes (como o feminismo e a identidade de gênero) de modo natural e preciso. E, se pensarmos bem, a história da bruxaria está totalmente conectada à história das mulheres, não é mesmo? Uma série atual, divertida e envolvente. Recomendadíssima! 😉

Título original: Chilling Adventures of Sabrina
Ano de lançamento: 2018
Criador:Roberto Aguirre-Sacasa
Elenco: Kiernan Shipka, Miranda Otto, Lucy Davis, Ross Lynch, Chance Perdomo, Michelle Gomez, Richard Coyle

Dica de Série: The Good Place

Olar, tudo bem?

Cá estou com mais uma dica de série de comédia bem divertida: The Good Place. 😉

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Sinopse: Depois de morrer, a egocêntrica Eleanor é enviada por engano ao lado bom do Além. Agora ela está determinada a se tornar uma pessoa melhor para continuar lá.

Eleanor Shellstrop morreu. No pós-morte, ela acorda no paraíso (o Lugar Bom) e é recepcionada por Michael, seu mentor, que explica que as pessoas recebem pontos ao longo da vida de acordo com suas atitudes (boas ou más), que definem se elas irão para o Céu ou para o Inferno. O problema é que Eleanor não foi uma pessoa boa. Muito pelo contrário! Ela era egoísta, ácida, desagradável, inconsequente, trapaceira, mentirosa… e a lista não para. Houve algum engano e, provavelmente, sua xará foi parar no Lugar Mau (sim, o Inferno). Pra tornar tudo pior, no Lugar Bom as pessoas são apresentadas às suas almas gêmeas, e o par perfeito de Eleanor é um professor de filosofia extremamente ético, Chidi. Já dá pra imaginar a confusão, né?

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The Good Place não é uma série genial, mas ela é muito engraçada por não se levar a sério, abusando de situações nonsense. No Lugar Bom, as pessoas têm as casas perfeitas, convivem com sua alma gêmea, são felizes o tempo todo, têm frozen yogurt à vontade e desfrutam de todas as coisas boas que a vida após a morte poderia oferecer. Mas para alguém egoísta, impulsivo e manipulador como Eleanor, isso é praticamente tortura. Sua vizinha, por exemplo, é enlouquecedora: Tahani é uma socialite inglesa cheia de pompa, casada com um monge que fez voto de silêncio. Nem palavrões são ditos no Lugar Bom (sendo substituídos por palavras inocentes quando tentam ser ditos, como a clássica “What the fork?”), tamanha a santidade do lugar! O problema é que, desde a chegada da Eleanor “falsa”, o paraíso parece dar sinais de colapso – uma provável tentativa de equilíbrio do universo. Eleanor então pede ajuda a Chidi, para ensiná-la a ser uma pessoa boa e, consequentemente, merecedora de estar ali.

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É muito engraçado ver Eleanor penando para tentar se adaptar à ética e às atitudes corretas. E é mais engraçado ainda ver os personagens interagindo, sendo eles tão diferentes uns dos outros. Além dos já mencionados Eleanor, Chidi e Tahani, também dou muita risada com o monge Jianyu e com Janet (uma espécie de “assistente pessoal” onisciente). Com o passar do tempo, esse grupo passa a se conhecer melhor e uma amizade inesperada  (e divertida!) surge.

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O plot twist da primeira temporada é fantástico! Sério, fiquei de queixo caído e adoreeei a ideia dos criadores da série. Foi surpreendente e proporcionou uma reviravolta tremenda para a história. Só lamento que a série tenha decaído um pouco a partir da segunda temporada, tornando-se levemente repetitiva.

The Good Place é aquela série despretensiosa, bacana para passar o tempo de forma leve quando não queremos conferir nada muito longo ou pesado na TV. Tem bons personagens, uma história bastante original e um final surpreendente. E, de quebra, foi criada por um dos responsáveis por Brooklyn Nine-Nine e tem atores que participam dela também, o que é bem divertido de conferir. 😂 Vale a pena dar uma chance. 😉

Título original: The Good Place
Ano de lançamento: 2017
Criador: Michael Schur
Elenco: Kristen Bell, William Jackson Harper, Jameela Jamil, Manny Jacinto, Ted Danson, D’Arcy Carden