Review: Klaus

Oi gente, tudo bem?

Chega o final de ano e a onda de filmes natalinos chega junto. Apesar de eu não curtir muito esse tipo de longa, um deles chamou imediatamente minha atenção: a animação Klaus.

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Sinopse: Um carteiro egoísta e um fabricante de brinquedos solitário cultivam uma amizade improvável e levam alegria a uma cidade fria e sombria.

A primeira coisa que reparei em Klaus é que o traço do filme remete às produções da Disney na década de 90 e início dos anos 2000. E não é pra menos: o responsável por Klaus trabalhou como animador da empresa e, inclusive, fez um dos filmes favoritos, Planeta do Tesouro. ❤ Só nesse aspecto Klaus já ganhou alguns pontos comigo, porque sinto muita falta de animações 2D – e, nesse caso, a arte ainda tem alguns diferenciais em relação àquela época, tornando o filme visualmente encantador.

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A trama acompanha o jovem Jesper, o preguiçoso e mimado herdeiro de uma grande empresa de correios. Seu pai, cansado de dar diversas chances ao filho, decide enviá-lo como carteiro a uma cidade isolada, Smeerensburg, onde Jesper precisa permanecer por um ano trabalhando seriamente caso queira voltar à vida mansa que levava. Chegando lá, o rapaz percebe que seu ofício é desnecessário, já que o ódio e o rancor tomam conta da cidade devido a uma rixa antiga entre duas famílias e, portanto, ninguém envia cartas. Ao conhecer Klaus, um velho marceneiro que vive na floresta, Jesper acaba provocando uma situação inesperada: ao entregar um brinquedo feito por Klaus a uma criança, a notícia se espalha entre os pequenos e todos começam a enviar cartas na esperança de ganhar um presente também. E é assim que a parceria entre os dois começa.

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Klaus é o filme sobre o Papai Noel mais criativo a que já assisti. O longa ressignifica todos os aspectos da mitologia original e, ainda assim, reconhecemos claramente as referências presentes na trama. É muito divertido acompanhar cada cena e entender qual aspecto do personagem está sendo revelado, especialmente pela forma inesperada que muitas delas acontecem. A cena do trenó voador, por exemplo, é de arrancar risadas!

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Os personagens são carismáticos e têm papéis importantes a cumprir. Jesper é o clichê do egoísta que se transforma, mas seu carisma e jeito atrapalhado nos conquistam; Klaus é o personagem cujas dores são apresentadas, mas também seu coração gigante e sua vontade de fazer o bem; Alva é uma professora sem esperança que acaba sendo tocada pelo movimento iniciado (ainda que sem querer) por Jesper; e até a briga dos vilões acaba sendo divertida.

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A trama se desenrola de maneira cativante, e as mudanças que acontecem com os personagens são graduais e críveis. Aos poucos, a própria cidade vai se transformando, sendo tocada pelos atos generosos do homem misterioso que entrega brinquedos às crianças. São elas, inclusive, que aproximam os adultos e mostram que a rixa secular já está mais do que ultrapassada. Os personagens principais não escapam desse processo e, pouco a pouco, se veem como parte daquela comunidade, que abre mão das brigas sem fim em nome da empatia e da generosidade.

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Klaus é um filme doce, engraçado e emocionante, que vai muito além do conceito simplista de ser um filme de Natal. É uma história sobre mudanças (externas e internas) e sobre o poder da gentileza. Da animação à trama, Klaus encanta em cada detalhe, nos levando das risadas às lágrimas e deixando a sensação de que assistimos a algo incrível. O que é a mais pura verdade. ❤

Tìtulo original: Klaus
Ano de lançamento: 2019
Direção: Sergio Pablos
Elenco: Jason Schwartzman, J. K. Simmons, Rashida Jones, Joan Cusack, Will Sasso, Norm Macdonald, Neda Margrethe Labba

Review: Deixe a Neve Cair

Oi pessoal, tudo bem?

E cá estou para mais uma postagem da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de HistóriasInterrupted Dreamer e Tear de Informações). \o/

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Para novembro, escolhemos falar sobre Deixe a Neve Cair, o novo filme da Netflix baseado no romance de mesmo nome.

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Sinopse: Um forte nevasca atinge a cidade de Gracetown na véspera de Natal e a transforma em um inesperado refúgio romântico. Um trem retido no meio do nada, uma corrida com os amigos no frio congelante e lidar com a tristeza da perda do namorado ideal. Três histórias de amor distintas que se conectam entre si. 

Deixe a Neve Cair é um daqueles filmes de romance com histórias paralelas que têm elementos em comum. Nesse caso, os protagonistas provavelmente frequentam a mesma escola (afinal, o longa não deixa isso claro rs) e também uma casa de waffles da cidade (alguns como funcionários e outros como clientes). As histórias se convergem graças a uma festa de Natal que acontece no local.

São três os núcleos principais: Angie (também conhecida como Duke) e Tobin; Dorrie, sua melhor amiga Addie e sua crush; e Julie e Stuart. Angie e Tobin são melhores amigos desde sempre, mas o que a garota não sabe é que Tobin está perdidamente apaixonado por ela. Quando um rapaz parece demonstrar interesse em Angie, Tobin precisa decidir se vai tomar uma atitude e lutar por ela ou não. Dorrie e Addie também são melhores amigas, mas a relação fica complicada quando Addie coloca seu namorado em primeiro lugar. Ela stalkeia o rapaz e tenta controlar seus passos, e quando Dorrie aponta os erros que ela comete, as duas brigam feio. Para completar, Dorrie está interessada em uma garota com quem saiu e, apesar da jovem dizer o quanto gosta dela, na frente das outras pessoas ela finge que nem a conhece. Por último, temos Julie e Stuart: a primeira é uma jovem dividida entre ir para uma faculdade em Nova York ou ficar na cidade para cuidar da mãe doente, enquanto Stuart é um jovem cantor famoso que acaba passando o Natal sozinho por falta de companhia. Ao se conhecerem em um trem, eles acabam passando o dia juntos e uma química inevitável surge.

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A primeira coisa que preciso dizer sobre Deixe a Neve Cair é que ele é um romance clichê. Em geral, isso não é um problema pra mim, desde que os clichês sejam bem desenvolvidos – o que não acontece aqui. Para vocês terem ideia, a crush de Dorrie NEM TEM NOME! Ela aparece pela primeira vez e Dorrie se refere a ela com uma frase tipo “aquela garota e eu tivemos um lance”. E aí o filme passa o tempo todo tentando convencer o espectador de que devemos nos importar com os sentimentos existentes entre elas – sem nem se dar ao trabalho de desenvolver a tal garota. Eu sinceramente só fui descobrir que a jovem tinha nome olhando no IMDB, e não duvido que a informação tenha sido extraída do livro, mas enfim.

O plot de Julie e Stuart também não poderia ter sido mais forçado. O cantor famoso querendo passar o dia com uma desconhecida só porque ela não deu uma de fã louca foi muito “eye rolling” pra mim. A performance de Shameik Moore no papel não ajudou em nada a tornar Stuart um pouco mais verossímil, já que as expressões faciais eram basicamente as mesmas o tempo todo. Não consegui comprar o romance entre eles, infelizmente. 😦 Já a história de Angie e Tobin também é mais do mesmo. Não tenho muito a criticar, tampouco a elogiar. A melhor cena dos dois é quando cantam juntos, mas nada que tenha aquecido meu coração (como sempre espero desse tipo de filme).

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A personagem mais interessante de Deixe a Neve Cair é a mulher que usa roupas de alumínio. Além de engraçada e carismática, ela divide bons momentos com Addie, trazendo algumas verdades que a personagem precisa ouvir. A jovem é autocentrada, insegura e obcecada pelo namorado, o que a torna bastante controladora. Porém, com o passar do tempo, ela percebe a importância das amizades e de dar valor a quem gosta de você de verdade. Tudo isso em meio a várias brigas com a mulher das roupas de alumínio rs.

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Deixe a Neve Cair é um filme que provavelmente vou esquecer em pouco tempo. Pelo trailer, eu tinha expectativas bem mais altas e realmente esperava uma história que me fizesse dizer “own” em algum momento. Infelizmente, não rolou. 😦

Tìtulo original: Let it Snow
Ano de lançamento: 2019
Direção: Luke Snellin
Elenco: Isabela Merced, Shameik Moore, Odeya Rush, Liv Hewson, Mitchell Hope, Kiernan Shipka, Matthew Noszka, Jacob Batalon, Joan Cusack, Anna Akana

Dica de Série: Special

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim dar uma dica de série de comédia curtinha (curtinha MESMO, os episódios tem só 15 minutos), ideal pra passar o tempo: Special.

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Sinopse: Um jovem gay e com uma leve paralisia cerebral decide recomeçar sua vida e fazer tudo aquilo que sempre desejou, mas adiava: conquistar o primeiro emprego, morar sozinho e longe da mãe controladora e começar um relacionamento amoroso. Mas realizar esses sonhos tem um custo: se passar por vítima de um acidente.

Baseada no seu livro de memórias, Special é protagonizada e produzida por Ryan O’Connell, um rapaz gay e com paralisia cerebral. Eu já tinha lido algumas resenhas sobre o livro na blogosfera e, quando vi que a série estava disponível, resolvi dar uma chance. E, apesar do protagonista não ser alguém apaixonante, é muito interessante conferir uma trama que aborda um aspecto que não costuma ser retratado na mídia.

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Ryan vive com a mãe, Karen, que faz tudo que pode para auxiliá-lo em suas dificuldades. Contudo, aos 27 anos, o desejo do rapaz é viver experiências diferentes, explorar sua sexualidade e se afastar da co-dependência familiar (já que não somente ele depende da mãe, como ela também busca nele uma sensação de “utilidade/propósito”). Porém, as coisas saem um pouco do controle quando Ryan conquista uma vaga como produtor de conteúdo mentindo sobre sua condição física: ele não admite ter paralisia cerebral, mas alega que suas condições físicas são decorrentes de um acidente. E essa mentira traz algumas situações inusitadas e parte da carga cômica da trama.

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Duas coisas principais me chamaram a atenção em Special:
1) O espaço dado à diversidade: além do próprio Ryan fazer parte de uma minoria por conta de sua orientação sexual, ele também tem uma condição física limitante – porém, felizmente, a série não o reduz a isso. Ele é uma pessoa com qualidades E defeitos, e a série não passa pano para os erros do personagem só porque ele é deficiente. Além de Ryan, também temos Kim, sua melhor amiga, uma mulher gorda e não-branca bastante empoderada, apesar das dificuldades e pré-julgamentos que enfrenta por ter o corpo que tem (e o interessante é que o fato de Kim ser confiante não anula o impacto de comentários negativos, o que é bem realista e humano).
2) A naturalidade com que sexo é mostrado: eu nunca tinha visto uma série com uma cena tão explícita e crua de sexo, especialmente gay. Explícita no sentido da naturalidade mesmo, sem toda uma atmosfera ou romantizada ou agressiva, sabem? Ryan perde a virgindade e tudo é mostrado de forma orgânica, sem tabus, sem tornar um big deal. Achei incrível não apenas para naturalizar o sexo mas também para desestigmatizar as relações de pessoas deficientes.

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Com atuações dignas (especialmente por parte de Jessica Hecht, que interpreta Karen, e Punam Patel, que interpreta Kim) e episódios super curtinhos, Special é uma boa opção de série para quem quer se divertir e também conferir algo diferente do que existe por aí. A naturalidade com que Special mostra diversas situações que não costumam ser abordadas em séries e filmes é seu maior ponto forte, e só por isso já vale dar uma chance. 😉

Título original: Special
Ano de lançamento: 2019
Direção: Ryan O’Connell
Elenco: Ryan O’Connell, Jessica Hecht, Punam Patel, Marla Mindelle, Augustus Prew

Review: El Camino: A Breaking Bad Movie

Oi pessoal, tudo bem?

Quem já leu minha resenha de Breaking Bad sabe que minha relação com a série foi do ódio ao amor, e eu terminei de assisti-la totalmente impressionada com a qualidade narrativa e técnica. Portanto, era óbvia minha ansiedade para conferir El Camino: A Breaking Bad Movie, o longa da Netflix que mostra o desfecho da jornada do meu personagem favorito: Jesse Pinkman. Por tratar-se de um epílogo, há spoilers da série!

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Sinopse: O fugitivo Jesse Pinkman tenta superar o passado. Escrito e dirigido pelo criador de Breaking Bad, Vince Gilligan, e estrelado por Aaron Paul.

Após ser sequestrado, ver a mulher que gostava ser assassinada, ser torturado de todas as formas e finalmente conseguir escapar de Todd, Jack e seus capangas, o último vislumbre que tivemos de Jesse foi dele pilotando o carro que roubou de seus captores (um El Camino, que dá nome ao filme) com os olhos marejados e uma sensação de êxtase. Mas e o que acontece depois? Jesse consegue se recuperar psicologicamente? Ele é preso? Ele foge? São perguntas que o longa vem para esclarecer.

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Ao longo das cinco temporadas de Breaking Bad, sempre ficou nítido para mim que Jesse era uma pessoa que tomou decisões erradas, trilhou um caminho ruim, mas tinha um coração essencialmente bom. Senti muita pena de todas as vezes em que ele tentou se desvencilhar de Walter (conhecido como o personagem mais egoísta do mundo, te odeio Walter White bjs) e fiquei de coração partido quando ele foi capturado e torturado na reta final da trama. Por todos esses motivos, mesmo sabendo que o personagem tem sua parcela de culpa em tudo que aconteceu, eu sempre torci por ele, para que ele conseguisse mudar de vida e encontrar a felicidade. El Camino vem para mostrar como essa jornada se desenrola, afinal, os traumas, o remorso e a culpa que acompanham Jesse são profundos.

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Apesar de descobrirmos mais sobre o tempo de Jesse em cativeiro e também vislumbrarmos as cicatrizes (literais e metafóricas) que toda a vivência do personagem deixou, El Camino não se concentra tempo demais em torno desse drama, evitando superexpor as cenas de sofrimento. A história é ágil, direta, objetiva: são 2h e 2 minutos de duração que têm um ritmo muito semelhante ao da série, fazendo com que o longa pareça um episódio mais duradouro de Breaking Bad. Com adição de alguns flashbacks para contextualizar certas situações, El Camino ainda nos agracia com a possibilidade de matar a saudade de alguns personagens (ou de odiá-los mais um pouquinho rs). Porém, fica um pequeno alerta: mesmo com o resumo no início, há alguns detalhes da trama original que eu não consegui me lembrar tão bem quanto gostaria. O filme contextualiza depois, mas talvez valha a pena assistir à quinta temporada de novo, ou pelo menos aos episódios finais, caso você também fique com a sensação de “hmmm quem é esse mesmo?”. 😛

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Outro aspecto incrível sobre El Camino é a consistência em relação à série. Vince Gilligan conseguiu recriar toda a atmosfera de Breaking Bad mesmo 6 anos após seu fim. E olha que eu não sou a maior entusiasta de spin-offs! Aaron Paul, por sua vez, retoma todo o peso dramático com qual Jesse terminou na series finale e desenvolve os desdobramentos disso com perfeição, até chegar ao ponto de esperança e renovação para o personagem. E o que dizer da fotografia? Assim como sua contraparte televisiva, que trazia cenas icônicas, El Camino também tem momentos tão belos quanto a produção que o antecede. Destaque para um dos cenários finais, que traz toda a sensação de liberdade que a narrativa inteira buscou.

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El Camino é a história que os fãs de Breaking Bad não sabiam que precisavam: um desfecho digno para Jesse, que finalmente teve a chance de tomar as rédeas da própria vida. O longa faz isso com respeito ao legado da série, com consistência em relação a tudo que faz de Breaking Bad o que ela é e, principalmente, dá protagonismo ao personagem que foi usado como um fantoche em diversos momentos da produção original. Ter a chance de ver Jesse como alguém livre da influência de Walter, com a possibilidade de fazer o que quiser com essa liberdade, foi revigorante. Porque, ao contrário de Walter, Jesse é alguém cuja humanidade nunca desapareceu, apesar dos crimes cometidos. E é nessa humanidade que a gente aposta. 🙂

Título original: El Camino: A Breaking Bad Movie
Ano de lançamento: 2019
Direção: Vince Gilligan
Elenco: Aaron Paul, Jonathan Banks, Matt Jones, Charles Baker, Jesse Plemons, Tom Bower

Dica de Série: Queer Eye

Oi gente, tudo bem?

Eu tenho um novo vício (por sinal, assisti inteiro em uma semana e meia) e ele se chama Queer Eye. ❤ Hoje vim contar um pouquinho mais pra vocês desse reality que, como o próprio subtítulo já diz, é muito mais que um makeover.

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Sinopse: As caras são novas, mas as missões continuam fabulosas! Estes gênios do makeover são muito mais que rostinhos bonitos.

Eu não sou uma espectadora de reality shows, de maneira geral. Entretanto, buscando por algo leve para passar o tempo, decidi conferir o elogiadíssimo Queer Eye. O reality é um remake da série Queer Eye for the Straight Guy e é formado pelos Fab Five (ou Fabulous Five): Jonathan, responsável pela aparência; Bobby, responsável pelo design e arquitetura; Tan, responsável pela moda; Antoni, responsável pela gastronomia e Karamo, responsável pelos aspectos sociais e psicológicos. Inicialmente, os episódios focavam em homens hétero no sul dos Estados Unidos (já dá pra imaginar o conflito cultural, né?), mas com o passar das temporadas outros tipos de participantes são selecionados.

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É impossível falar de Queer Eye sem falar do carisma dos Fab Five. Eles são homens gays especializados em coisas distintas, mas cujo maior objetivo é ajudar a mudar a vida das pessoas que participam do reality. Os membros do grupo são empáticos, gentis, sensíveis, educados e, quando precisam, não hesitam em pontuar verdades (algumas delas bem difíceis) que os participantes precisam ouvir. Além disso, com o passar dos episódios também vamos descobrindo detalhes das vidas particulares dos Fab Five, e percebemos que o rótulo “homem gay” é restrito demais para resumir toda uma identidade.

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Tan, por exemplo, é casado há anos com outro homem, mas nunca tinha adentrado o universo trans até trabalhar com o participante trans. Bobby cresceu frequentando a igreja e, devido ao preconceito religioso que sofreu, se afastou dela – o que torna difícil pra ele quando precisam ajudar uma senhora que vive dedicada à igreja e também tem um filho gay. Esses são apenas exemplos da diversidade de experiências e sentimentos que as pessoas (sejam elas gay ou não) sentem e vivem. Colocar pessoas em caixinhas jamais vai contemplar as inúmeras nuances, crenças, valores e sentimentos que elas podem sentir, e Queer Eye evidencia isso.

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Outro aspecto muito interessante é, como mencionei antes, o choque cultural que a série provoca em muitos episódios. Por exemplo: os Fab Five visitam a casa de um homem que votou no Trump, sendo que além deles serem gays, um dos membros tem ascendência paquistanesa e o outro é negro. O desconforto é óbvio, né? Mas isso não impede que as pessoas envolvidas tentem se entender e, principalmente, ouvir uns aos outros. Diálogos sobre machismo, racismo, xenofobia, transtornos psicológicos e muito mais fazem parte do reality. Resumindo, Queer Eye dá margem para discussões fundamentais e leva esses debates a pessoas que talvez não tivessem a chance de tê-los.

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Queer Eye realmente vai muito além de um makeover. A aparência é apenas um dos aspectos que os Fab Five utilizam para elevar a autoestima dos participantes. Eles buscam entender todos os problemas que a pessoa está vivenciando naquele momento e que a impedem de buscar seus objetivos ou aquilo que realmente querem ser. Tudo isso em meio a diálogos maravilhosos, MUITO carisma e bom humor e uma infinidade de cenas emocionantes (eu chorei em 95% dos episódios, sério). Assistam, vocês não vão se arrepender! ❤

Título original: Queer Eye
Ano de lançamento: 2018
Criador: David Collins
Elenco: Antoni Porowski, Tan France, Karamo Brown, Bobby Berk, Jonathan Van Ness

Dica de Série: Atypical

Oi gente, tudo bem?

Na minha eterna busca por séries curtinhas e leves, acabei dando uma chance a Atypical. Vamos conhecer? 🙂

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Sinopse: Sam (Keir Gilchrist) é um jovem autista de 18 anos que está em busca de sua própria independência. Nesta jornada, repleta de desafios, mas que rende algumas risadas, ele e sua família aprendem a lidar com as dificuldades da vida e descobrem que o significado de “ser um pessoa normal” não é tão óbvio assim.

Sam é um jovem de 18 anos que faz parte do espectro autista. Ele ama pinguins, trabalha em uma loja de eletrônicos e tem uma rotina bem estruturada – especialmente graças à sua mãe, Elsa, que entrou de cabeça nesse universo e ajuda o filho em todos os aspectos. Porém, em uma de suas sessões de terapia, Sam decide enfrentar o mundo em busca de uma namorada. E essa decisão, que parece tão trivial, acaba gerando grandes movimentações na vida de toda a sua família.

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Se eu tinha alguma dúvida sobre Sheldon (de The Big Bang Theory) fazer parte do espectro autista, vendo Atypical essa dúvida sumiu. Sam tem manias muito semelhantes às de Sheldon, como a incapacidade de entender ironias, ser extremamente sincero e literal, não gostar de ser tocado e também ser muito inteligente. O rapaz tem uma vida bastante funcional, apesar das dificuldades que ocasionalmente surgem em seu caminho. Quando ele decide se arriscar e se expor emocionalmente, sua relação com os outros muda, inclusive com sua família: ele consegue se aproximar do pai, com quem nunca teve uma relação de proximidade, e acaba saindo um pouco debaixo da “asa” de Elsa, o que faz com que a personagem enfrente uma crise de identidade – já que sua única função nos últimos anos era exercer o papel de mãe cuidadora.

Além das descobertas de Sam, acompanhamos sua irmã, Casey, que também vivencia diversas transformações em sua vida. Ela tem o primeiro namorado, precisa mudar de escola, passa por dificuldades com as amizades, aprende mais sobre sua sexualidade… Apesar de Casey e Sam serem muito diferentes (já que Casey não está no espectro), a série mostra como os dois adolescentes vivem um paralelismo de experiências, independentemente do autismo. 

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As relações familiares têm grande destaque na maior parte da trama e, nesse sentido, Elsa é a personagem mais complexa. Ela tem atitudes extremamente questionáveis e comete muitos erros pelo caminho mas, ao mesmo tempo, é interessante assistir aos seus conflitos internos oriundos da decisão de Sam de ser mais independente. Ela é alguém que abriu mão de praticamente tudo na vida para se dedicar ao filho e que subitamente tem isso tirado de si, ficando à mercê de uma fragilidade emocional muito grande. Porém, apesar de cometer erros graves, Elsa também busca sua redenção, fazendo um esforço genuíno para ser uma pessoa melhor e encontrar o perdão da família (inclusive acho que Casey é injusta com Elsa na maior parte do tempo).

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Meu único “problema” com a série talvez seja o fato de que poucos personagens realmente me conquistaram. Por exemplo: o pai de Sam, Doug, é um cara super legal, mas também já pecou muito e ainda assim julga Elsa pelos erros dela; Casey é uma garota chata, implicante e injusta, que não esconde a preferência pelo pai e pega super pesado com a mãe. Felizmente, existem personagens que roubam a cena sendo ótimos de maneiras diferentes: Zahid é um amigo excelente para Sam, tratando-o com naturalidade e carinho; Paige tem uma personalidade cansativa, mas o sentimento que tem por Sam é genuíno e a personagem o defende sem pensar duas vezes. 

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Fugindo do óbvio e trazendo um tema relevante de maneira natural e séria, Atypical é uma comédia gostosa de assistir, com episódios curtos que passam voando. Com personagens que erram, acertam, amadurecem e se desenvolvem, Atypical traz verossimilhança aliada a momentos ora engraçados, ora emotivos. Vale a pena conferir! 😀

Título original: Atypical
Ano de lançamento: 2017
Direção: Robia Rashid
Elenco: Kier Gilchrist, Jennifer Jason Leigh, Michael Rapaport, Brigette Lundy-Paine, Amy Okuda, Graham Rogers, Nik Dodani, Jenna Boyd

Review: O Date Perfeito

Oi gente, tudo bem?

Apesar de achar que a Netflix está saturando a imagem do Noah Centineo, resolvi conferir O Date Perfeito, a mais recente comédia romântica estrelada pelo ator, e hoje conto pra vocês o que achei.

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Sinopse: Precisando de dinheiro para pagar pela faculdade, Brooks (Noah Centineo) decide criar um aplicativo que permite contratar um namorado para todo tipo de situação imaginável. Porém, adotar uma personalidade e um par romântico diferente para cada dia começa a se mostrar uma tarefa difícil e ele começa a se perguntar quem ele é de verdade e como pode encontrar o amor verdadeiro.

Brooks é um rapaz que sonha em entrar na prestigiada Universidade Yale. Porém, sua condição financeira não é a melhor possível para realizar esse objetivo e, quando surge a oportunidade de ganhar uma graninha extra saindo com a prima de seu colega de escola, Brooks não hesita em aceitar. A missão da noite é levar a temperamental Celia (que é a cara da Tata Werneck rs) ao baile da escola e trazê-la em segurança para casa mas, inesperadamente, uma amizade entre os dois surge e ela sugere, brincando, que ele ganhe a vida dessa forma. Com a ajuda de seu amigo programador, Murph, Brooks desenvolve um aplicativo de encontros, onde garotas podem determinar o tipo de pessoa com quem elas querem sair, e Brooks interpreta o cara ideal em eventos diversos: bailes, jantares, competições ou qualquer coisa (não sexual!) que necessite de um acompanhante. Porém, quanto mais perto Brooks chega de seu objetivo financeiro, mais questionamentos sobre sua identidade surgem.

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O Date Perfeito é um grande clichê adolescente: o garoto humilde se deslumbra com o mundo das pessoas ricas, há o conflito sobre o “verdadeiro eu” que sempre acontece nessa faixa etária e há um sentimento inesperado que se desenvolve. Porém, o filme traz esses elementos com um desenrolar gostosinho, o que faz dele um bom entretenimento casual. A amizade de Brooks e Celia é natural e a química entre os atores funciona muito bem; é divertido vê-los comentando sobre os crushes e percebendo como só um rostinho bonito não sustenta algo maior.

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O filme até pincela características mais profundas sobre Brooks e Celia – o primeiro tem um relacionamento familiar mal resolvido, enquanto Celia tem dificuldade de se se abrir e se conectar às outras pessoas –, mas o roteiro não aprofunda verdadeiramente essas questões. O conflito mais interessante, na minha opinião, acontece entre Brooks e Murph, cuja amizade fica abalada quando o primeiro (deslumbrado com o novo mundo no qual se inseriu) passa a negligenciar o relacionamento com o segundo. Brooks precisa quebrar a cara pra entender que amizades verdadeiras não são facilmente encontradas e que são necessárias duas pessoas – com esforços iguais – para mantê-las. Outro aspecto interessante envolvendo Murph é o fato do personagem ser gay e isso ser tratado com total naturalidade, sem big deal. Acho bacana que, assim como em Com Amor, Simon, relacionamentos gays apareçam de maneira leve em produções destinadas a adolescentes.

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Por fim, também gostei de perceber a evolução de Brooks ao longo da trama. Se no início do longa ele é um rapaz encantado com a ideia de ir para Yale, uma faculdade de elite, no final ele consegue compreender que há muito mais na vida que o status e as aparências. Entender nossa origem e quem somos não é um processo fácil, especialmente na adolescência, mas é um desafio pelo qual a maioria de nós passa – por isso, a situação do protagonista é bastante relacionável. No fim das contas, acredito que o importante é sermos fiéis a nós mesmos, buscando sempre melhorar. Acho que o Brooks aprende isso também. 😉

O Date Perfeito é um filme fofinho, meio fantasioso, mas ainda assim divertido de assistir. Ideal pra quem quer uma comédia romântica sem maiores pretensões ou expectativas e curtir a química de dois jovens que trazem o melhor um do outro à tona.

Título original: The Perfect Date
Ano de lançamento: 2019
Direção: Chris Nelson
Elenco: Noah Centineo, Laura Marano, Camila Mendes, Matt Walsh, Odiseas Georgiadis