Dica de Série: Fundamentos do Prazer

Oi pessoal, tudo bem?

Vamos de dica +18 hoje? Vamos! Quero apresentar a vocês a um documentário curtinho – mas bem relevante – da Netflix chamado Fundamentos do Prazer. 🙂

Sinopse: Sexo, alegria e ciência moderna se unem nesta série reveladora para enaltecer a complexidade do prazer feminino e destruir mitos antiquados.

A produção de apenas 3 episódios tem como objetivo principal levantar o debate sobre como o sexo e o prazer se relacionam com o gênero feminino. O fato é que ainda vivemos em uma sociedade machista, que inibe as mulheres de descobrirem o próprio corpo e aquilo que funciona pra elas no âmbito erótico, portanto é muito comum encontrar mulheres adultas que nunca experimentaram um orgasmo ou tiveram uma relação sexual satisfatória. Some isso ao fato de que o conservadorismo também cumpre seu papel de tentar impedir a educação sexual nas escolas e teremos como resultado um número enorme de mulheres insatisfeitas sexualmente ou propensas a aceitar relações que não as satisfazem por tratar tal situação como normalidade.

O primeiro episódio é focado no corpo feminino. E aqui vale mencionar o acerto do documentário em trazer uma diversidade enorme: mulheres de diversas faixas etárias, heterossexuais, lésbicas ou bissexuais, trans, negras, gordas, magras… as convidadas que participam com seus depoimentos são diversas e consequentemente causam uma empatia imediata, pois é possível nos enxergarmos em seus relatos. Além disso, o documentário também traz pesquisadoras importantes do ramo, bem como profissionais do meio sexual (como uma empresária dona de uma sex shop) para aprofundar o debate. O primeiro episódio gira em torno da biologia por trás do orgasmo feminino: o documentário apresenta claramente o potencial clitoriano, que por tantos (homens, cof cof) é visto como algo tão pequeno e insignificante – sendo um órgão bem maior do que o que vemos no exterior. As participantes do documentário focadas em elucidar questões e tirar dúvidas explicam como o corpo feminino opera do ponto de vista mais funcional, enquanto as mulheres que compartilham suas experiências revelam seu processo de aprender mais sobre o próprio corpo.

O segundo episódio tem como pauta o poder da mente e do impacto dos pensamentos para o prazer feminino. Mas não de um jeito estereotipado, de que as mulheres têm mais dificuldades do que os homens para sentirem prazer. Na verdade, o documentário provoca a reflexão de que o sexo deve começar muito antes da iniciativa física, e que uma responsividade corporal não necessariamente reflete uma disposição mental para o ato em si. O que eu quero dizer com isso? Que mesmo uma resposta física positiva ao estímulo pode não significar necessariamente que a mulher esteja pronta para de fato engajar em uma relação, porque sua mente pode não estar no lugar certo naquele momento. E por que falar sobre isso é importante? Porque entender como funcionamos é essencial para saber quando queremos de fato dizer sim ou não a uma investida – o famoso consentimento, mais aprofundado no episódio 3.

É no último episódio do documentário que ele se debruça sobre as relações de afeto e a sexualidade. E aqui vale trazer novamente o peso do consentimento para as relações. Um tema ainda nebuloso, mas real, é o estupro marital. Em um casamento (principalmente heterossexual), existem parceiros que podem sentir que possuem “direito” ao corpo do outro, sendo o sexo uma obrigação que faz parte do relacionamento. Essa objetificação do corpo feminino é grave e trata-se de um sintoma de uma sociedade que ainda coloca mulheres como seres à disposição dos homens, devendo cumprir seus “deveres” pressupostos. Por isso é tão importante refletir sobre a saúde das relações afetivo-sexuais e empoderar mulheres a respeito de seus corpos e seus prazeres, de modo a entender o que é uma resposta genuína ao desejo daquilo que é uma resposta unicamente física e biológica.

Fundamentos do Prazer é um documentário curtinho, com abordagem irreverente e traz participantes diversas – todas com suas próprias histórias, medos, dúvidas e conquistas. É um lembrete importante do quão empoderador é ser dona do próprio corpo e das próprias vontades, e nada como o autoconhecimento para nos dar as ferramentas necessárias a esse processo. Talvez, como crítica negativa, tenha faltado um pouco mais de aprofundamento nas questões que envolvam prevenção de ISTs e afins, que também é um fator importante que deve ser levado em consideração em cada relação. Recomendo não apenas às mulheres, mas também aos homens que desejam abrir a mente e entender mais sobre o universo do prazer feminino. Todo mundo sai ganhando. 🙂

Título original: The Principles of Pleasure
Ano de lançamento: 2022
Direção: Niharika Desai
Elenco: Michelle Buteau, Supriya Ganesh, Annie Pisapia, Gina Nicole Brown

Dica de Série: Heartstopper

Oi pessoal, tudo bem?

Quem me acompanha no Twitter ou no Instagram já deve ter percebido que há tempos estou monotemática devido a Heartstopper. 😂 Fazia muito tempo que uma leitura feita por puro prazer não me proporcionava tanta endorfina e um sentimento tão gostoso de fangirl, sabem? E sexta-feira estreou a adaptação na Netflix, que eu maratonei e cujo resultado ficou absolutamente perfeito. Tão perfeito que estou escrevendo esse post com um sorriso no rosto e a esperança de convencer vocês a maratonarem também. ❤ Ah, observação: vou fazer algumas comparações com o material original, mas sem spoilers!

Sinopse: Nesta série sobre amadurecimento, os adolescentes Charlie e Nick descobrem que são mais que apenas amigos e precisam lidar com as dificuldades da vida escolar e amorosa.

Pra não ser muito repetitiva com quem leu o post anterior (resenha dos dois primeiros volumes da HQ), vou resumir o plot de Heartstopper: Nick Nelson é o astro do rúgbi, Charlie Spring é o único menino gay assumido na escola para meninos que ambos estudam. Ao se tornarem uma dupla em uma das aulas, uma amizade rapidamente se forma, e eles descobrem uma grande afinidade. Charlie não demora a sentir um crush forte em Nick, mas presume que o garoto seja hétero; Nick começa, aos poucos, a sentir dúvidas sobre se o que sente por Charlie é somente amizade. Quando fica nítido que a relação evoluiu para outro tipo de sentimento, os dois precisam entender a melhor forma de ficarem juntos, especialmente quando sair do armário pode ser um processo tão difícil e particular.

Vamos começar a falar da série pelo casting dos protagonistas. O QUE SÃO KIT CONNOR (Nick) E JOE LOCKE (Charlie), meu Deus do céu??? A química de milhões existe, e é entre eles. Kit Connor tem um jeitinho tão meigo que, inclusive, me lembrou o Rony de Rupert Grint nos primeiros filmes de Harry Potter. A testa franzida, a carinha de sem jeito, o sorrisinho torto… esses trejeitos que ele tem em comum com o Rony me fizeram ter ainda mais simpatia pela interpretação de Kit. Nick é meu personagem favorito de Heartstopper, e a atuação de Kit foi tudo que eu pedi e muito mais.Joe Locke também encaixa perfeitamente no papel de Charlie, principalmente por conseguir transmitir as nuances bastante diversas que o personagem sente: Char é deixado de lado por um boy lixo que tem vergonha dele, sofre bullying, tem seu coração partido enquanto pensa que Nick é hétero, se sente um peso na vida das pessoas que o cercam… são vários elementos que trazem complexidade ao personagem. Mas além dos aspectos mais delicados e tristes, por assim dizer, ele também tem um olhar encantado, um sorriso sem graça, um jeitinho de provocar Nick que é tão FOFO que você se pega sorrindo só de olhar. Melhor casal não há! ❤

A série acerta em cheio ao dar espaço aos dilemas dos personagens secundários que fazem parte do grupo de amigos de Charlie. Tao, por exemplo: o melhor amigo de Char é um personagem bem mais unidimensional na HQ (e pouco carismático, diga-se de passagem). Na série, ele tem algumas atitudes irritantes envolvendo ciúmes de Charlie, mas no geral o espectador consegue compreender seus motivos e simpatizar mais com ele. Ele é um verdadeiro leão defendendo seus amigos, e teme que Charlie sofra o bullying que sofreu ao ser tirado do armário – por isso é tão resistente a sua aproximação com Nick. Além de Tao, a melhor amiga dos dois, Elle, é outra que ganha destaque: a jovem é uma garota trans que recém se mudou para o colégio para meninas que fica em frente (ou ao lado, a geografia que me perdoe rs) ao dos meninos, do qual ela saiu. Ela sente medo de ficar só e tem dificuldades de se enturmar, até que conhece Tara e Darcy, um casal lésbico que acolhe Elle e cria um laço muito bonito com ela. Essa dupla inclusive é super relevante para que Nick tenha coragem de ser honesto sobre o que sente, e a série acertou mais uma vez ao dar mais dimensão para as duas: Tara não se arrepende de ter se assumido, mas ela enfrenta comentários de hate no Instagram e isso abala seus sentimentos. Por isso, todo o processo de ganhar autoconfiança e se empoderar se torna ainda mais bonito na série, sendo uma camada bem-vinda a algo que já funcionava bem nos quadrinhos. 

Existem poucas mudanças substanciais em relação à trama, sendo que nenhuma delas impacta a história a ponto de deturpar aquilo que lemos. Além disso, o roteiro é sagaz em colocar pistas de aspectos que foram trabalhados na HQ 3 (que não foi o material base pra primeira temporada, somente os volumes 1 e 2 por enquanto) e provavelmente nas HQs seguintes. Aliás, Heartstopper é uma das adaptações mais fieis que já vi na minha vida! Tem cenas que são exatamente iguais às das páginas, inclusive com falas icônicas que eu nem acreditei que estava vendo na tela. ❤ Além de elementos gráficos que deixam os episódios lindos (como as folhinhas desenhadas voando ao vento), há pequenos detalhes que os leitores conseguem perceber de imediato: o quarto de Nick e Charlie é igual aos dos quadrinhos, o All Star branco de Char e o Vans de Nick estão sempre ali, e até a touquinha de lã onipresente do Tao não foi esquecida. 😍 Achei uma pena apenas que tenham substituído Aled (um dos protagonistas de Rádio Silêncio, outro livro da autora) por Isaac – que é um fofo, mas não é Aled. Pelo que li por aí, a autora não quis “desperdiçar” o personagem de Aled porque talvez exista uma chance de Rádio Silêncio ser adaptada, mas o tempo dirá.

Além de contar uma bela história de amor, Heartstopper é uma série que dá espaço não apenas à representatividade gay, mas bissexual, lésbica e trans – que costumam ser menos retratadas nas mídias. De modo geral, ela trabalha com muita sensibilidade o processo de se descobrir não-heterossexual. Enquanto Nick tenta entender seus sentimentos, o espectador sente o coração se apertar com o medo que ele sente, especialmente ao se deparar com notícias sobre homofobia. Ao mesmo tempo, a trama de Alice Oseman (seja na HQ, seja na série) não é focada em priorizar a possível dor que envolve se identificar como parte de uma minoria, mas sim em florescer a partir disso e se descobrir como alguém digno de todo o amor que qualquer um merece. O personagem de Charlie representa bem esse processo: se de início ele se esmaga para caber em espaços que não lhe foram dedicados, com o tempo ele percebe (e é ajudado pelo amor de Nick) que não deve aceitar migalhas e tem direito de reivindicar o espaço que merece.

Nem sei descrever o quão delicioso foi ver Heartstopper em carne e osso. Terminei o último episódio com lágrimas que eu não sei se eram de emoção ou de alegria (provavelmente os dois!) por ver essa história sendo contada de um jeito tão lindo, inspirador e importante. A representatividade de Heartstopper é maravilhosa e imprescindível, sendo uma série que mexe com o nosso coração e nossas memórias afetivas ao mostrar o lado mais fofo da adolescência com uma perspectiva queer tão necessária. Desejo que cada vez mais produções desse tipo ganhem espaço na TV, no cinema, nos streamings e no coração das pessoas. ❤ 🌈

Título original: Heartstopper
Ano de lançamento: 2022
Criação: Alice Oseman
Direção: Euros Lyn
Elenco: Joe Locke, Kit Connor, William Gao, Yasmin Finney, Tobie Donovan, Cormac Hyde-Corrin, Rhea Norwood, Sebastian Croft, Olivia Colman

Dica de Série: Um de Nós Está Mentindo

Oi pessoal, tudo bem?

Já faz um tempo que tramas adolescentes e eu não damos match, mas como eu já quis ler Um de Nós Está Mentindo no passado (e não li), resolvi conhecer a trama por meio da sua adaptação, que estreou recentemente na Netflix. 😉

Sinopse: A detenção reúne cinco estudantes extremamente diferentes. Mas um assassinato e muitos segredos vão manter esse grupo unido até que o mistério seja desvendado.

Cinco alunos são colocados em detenção juntos. Somente quatro saem vivos. Esse é o plot da série, cujo objetivo é fazer o espectador duvidar da inocência dos envolvidos enquanto revela os segredos deles aos poucos. O aluno que morre é Simon, um adolescente que publicava os podres dos colegas em um app chamado About That. Os alunos que restam da detenção são Bronwyn (uma aluna exemplar), Nate (um rapaz problemático que vende drogas), Cooper (um atleta promissor) e Addy (a típica garota loira popular). A morte de Simon acontece na detenção quando a professora se ausenta pra impedir um trote, e o rapaz tem uma reação alérgica. O problema é que não há adrenalina nem na sua bolsa, nem na enfermaria da escola, e é a partir disso que a polícia começa a trabalhar com a hipótese de assassinato. Os suspeitos? Quem estava na detenção, é claro. E enquanto desconfiam uns dos outros, o Clube dos Assassinos (como passam a ser chamados) também precisa contar com o apoio mútuo para irem até o fundo dessa história e descobrirem quem está por trás de tudo.

Eu adoro histórias de investigação, então foi mais fácil pra mim relevar os clichês adolescentes devido a esse atenuante. Um de Nós Está Mentindo tem bons ganchos no final de cada episódio – ou bons o suficiente para me manter interessada, ainda que existam vários probleminhas de roteiro. Além disso, é difícil pra mim assistir atores de 30 anos na cara interpretando jovens de 17, especialmente quando eles têm menos expressão facial do que a Bella em Crepúsculo (Bronwyn, estou falando de você). 😂

O Clube dos Assassinos é composto por estereótipos muito óbvios. Mas, com o passar dos episódios, os adolescentes vão mostrando um pouco mais de profundidade, o que ajuda a criar simpatia. Cooper, por exemplo, é um atleta popular que sofre com um segredo que o impede de ser verdadeiramente honesto consigo mesmo. Addy é uma garota que todos enxergam como “a loira bonitinha”, resumindo-a a isso. Além disso, toda a sua vida gira em torno do namorado rico, Jake, com quem ela já traçou todos os seus planos. Quando a confusão em torno de Simon acontece, ela se vê sem o namorado e acaba passando por transformações que a tornaram minha personagem favorita. Nate é carismático, e tem uma família desestruturada. Ele vende drogas pra sobreviver e perdeu a fé em si mesmo, mas aos poucos a aproximação com Bronwyn o instiga a enxergar seu próprio valor para além de seus atos criminosos. Por último temos a inteligente Bronwyn, a personagem mais sem sal que eu vi em muito tempo. A atriz (que aparenta a idade que tem, o que torna ainda mais esquisito interpretar uma aluna de ensino médio) mantém sempre a mesma expressão seja para transmitir ansiedade, confusão, tristeza, raiva, emoção, alegria – e o mesmo tom de voz também. A química entre ela e Nate não funciona e o relacionamento simplesmente não cola.

Os episódios finais foram meus favoritos em termos de ritmo: eles colocam mais tensão à trama e uma ameaça mais real também. Fiquei curiosa pra descobrir quem era a pessoa responsável pela morte de Simon, e em nenhum momento desconfiei da verdade, o que considero positivo. Entretanto, o motivo pelo qual as coisas aconteceram do modo como aconteceram foi esdrúxulo. Dadas as características de Simon apresentadas pela série, não faz o menor sentido que tudo tivesse transcorrido daquele modo. Se você já assistiu, selecione a frase a seguir: Simon era inteligente e não precisava da aprovação dos outros, por que raios ele arriscaria a própria vida por causa de um desafio de um cara que FOI seu amigo, mas que há tempos não é mais? Ridículo.

Um de Nós Está Mentindo está longe de ser uma obra-prima e tem vários clichês tosquinhos de séries adolescentes. Mas, se você der o play com o intuito de se entreter sem grandes reflexões, a série cumpre bem esse papel. O Clube dos Assassinos (com exceção de Bronwyn) é carismático e me fez querer acompanhar sua missão de descobrir a verdade, bem como torcer para que limpassem seus nomes. Recomendo como entretenimento passageiro e com todas as ressalvas ditas ao longo do post. 😉

Título original: One of Us is Lying
Ano de lançamento: 2022
Criação: Erica Saleh
Elenco:  Annalisa Cochrane, Chibuikem Uche, Marianly Tejada, Cooper van Grootel, Barrett Carnahan, Jessica McLeod, Mark McKenna, Melissa Collazo

Dica de Série: Arcane

Oi pessoal, tudo bem?

Começo esse post desejando um feliz Ano Novo a todos, cheio de esperanças renovadas, muita saúde e #ForaBolsonaro. ❤ Espero que tenham passado uma boa virada ao lado de quem vocês amam!

Pra começar 2022, ainda que o timing esteja um pouco atrasado, gostaria de compartilhar uma dica imperdível da Netflix: Arcane, uma série de animação impecável que, por sinal, é baseada nos personagens de League of Legends. E por que digo isso de forma tão casual? Pra não te assustar caso você não goste do jogo: a série não depende nadinha de conhecimentos acerca dele e você não precisa ser gamer pra gostar. 😉 Bora lá?

Sinopse: Em meio ao conflito entre as cidades-gêmeas de Piltover e Zaun, duas irmãs lutam em lados opostos de uma guerra entre tecnologias mágicas e convicções incompatíveis.

A trama de Arcane é focada na rica Piltover, conhecida como a Cidade do Progresso, e sua antítese, a Subferia – uma parte subterrânea da cidade deixada à própria sorte pelos governantes de Piltover. Em ambas as cidades, existem tramas que vão se desenvolvendo paralelamente até se encontrarem e darem início a combates cada vez mais ferrenhos entre elas. Em Piltover, acompanhamos principalmente uma dupla de cientistas (Jayce e Viktor) tentando provar que é seguro usar magia atrelada à tecnologia, no que eles chamam de Hextec. Seu mentor, Heimerdinger, é o principal oponente dessa ideia, porque sabe dos perigos de colocar algo com potencial tão destrutivo nas mãos humanas. Enquanto isso, na Subferia, acompanhamos a ascensão de Silco, um homem determinado a conquistar independência para a região, transformando-a numa própria cidade chamada Zaun. É nesse contexto que conhecemos as duas protagonistas mais marcantes de Arcane: Vi e Powder (ou Jinx).

As duas são irmãs cujos pais morreram numa batalha entre a Subferia e Piltover, mas foram acolhidas pelo gentil Vander, que “comanda” a Subferia com temperança. Quando Silco ascende na região, uma sequência de eventos afasta Vi de Powder, o que dá a Silco a oportunidade de usar o trauma da mais nova (que a leva à beira da insanidade) para transformá-la em Jinx. A partir dessa ruptura, Vi sofre diariamente pelo arrependimento de ter brigado com a irmã, querendo tê-la de volta, enquanto Jinx se vincula de forma intensa a Silco, encontrando um pai substituto nele. Existe uma passagem de tempo entre o início da série, em que as duas são crianças, para a metade final, em que já são adultas, e a transição de Arcane é muito bem feita para que o espectador entenda como elas chegaram onde chegaram. Minha única exceção, e é um ponto de que não gostei, foi a mudança abrupta de Powder para Jinx, que subitamente aceitou como seu mentor o homem que destruiu sua família e seus amigos – mesmo que ela seja desequilibrada mentalmente, me soou forçado, já que nos primeiros episódios ela não demonstra ser alguém desequilibrada a esse ponto. Sim, dá pra ver que ela tem problemas, mas aceitar Silco como seu novo “pai”? Depois de tudo que ele fez? Pra mim, não rolou.

Vale pontuar também que Arcane é uma série visualmente impecável. O traço é maravilhoso e as cores me lembram pintura a óleo, com pinceladas marcadas e uma singularidade que confere muita personalidade à obra. As cenas de luta são bem coreografadas e a animação é fluida, o que torna cada episódio muito bom de assistir. É muito bacana ver as discrepâncias entre Piltover e a Subferia: enquanto a primeira é brilhante, cheia de tons claros, com pessoas bem vestidas e cenários deslumbrantes, a segunda é marcada por tons de preto, roxo e cinza, com muita escuridão, sujeira e contraste. A “fotografia” (entre aspas porque né, é uma animação) dá o tom certo pra ficarem nítidas as desigualdades entre os dois locais.

O plot de Piltover foi o que menos me agradou. Jayce é um personagem muito do chatinho, bem sapatênis mesmo, e a sua luta para fazer a tecnologia Hextec acontecer simplesmente não dialogou comigo. Há em seu plot algumas maquinações políticas que até produzem alguma reviravolta, mas eu fiquei muito mais intrigada pela trama de seu melhor amigo, Viktor. Tão brilhante quanto Jayce, Viktor tem o azar de estar com os dias contados devido a uma doença, e coloca suas esperanças na tecnologia Hextec. Como eu já joguei League of Legends, sei que ele é um personagem jogável bem diferente, então fiquei muito curiosa pra ver como seria seu desenrolar.

Gostei muito da trama da Vi e da Jinx, ainda que eu já tenha dito ali em cima o que não gostei na transformação da segunda. Mas, na busca da irmã mais velha por resgatar a mais nova, vale comentar sobre outra personagem: Caitlyn, uma jovem policial de Piltover que deseja resolver um caso envolvendo a Subferia e acaba se tornando aliada de Vi. As duas têm uma química fortíssima e pra mim já são o shipp do momento. ❤ Cait é uma jovem muito responsável, corajosa e determinada, e traz um pouco de prudência à personalidade explosiva e impulsiva de Vi.

Arcane é uma série tecnicamente impecável e com um roteiro que te prende do início ao fim. Tanto pra quem gosta quanto pra quem não gosta de League of Legends, digo sem sombra de dúvidas que é um play muito bem dado na Netflix. E eu duvido que você não fique com a música de abertura na cabeça (de autoria do Imagine Dragons) por alguns dias depois de começar a assistir. 😛

Título original: Arcane
Ano de lançamento: 2021
Criação: Christian Linke, Alex Yee
Elenco: Hailee Steinfeld, Ella Purnell, Kevin Alejandro, Jason Spisak, Harry Lloyd, Katie Leung

Dica de Série: O Homem das Castanhas

Oi galera, tudo bem?

Eu tava devendo pra vocês a dica de hoje há um tempinho, mas cá estou pra me redimir e contar o que achei de O Homem das Castanhas, série policial da Netflix que adapta o romance As Sombras de Outubro (já resenhado aqui no blog).

Sinopse: Um boneco feito com castanhas é encontrado na cena de um crime e leva dois detetives a caçar um assassino ligado ao desaparecimento de uma criança.

A trama da série segue de forma muito fidedigna a do livro: acompanhamos uma dupla de policiais, Thulin e Hess, correndo contra o tempo para capturar um assassino que logo se torna conhecido como Sr. Castanha. Seus crimes são brutais e não deixam rastros, sendo a única pista possível um bonequinho de castanha deixado no lugar do assassinato. Acontece que nesse bonequinho é identificada a digital da filha da Ministra do Bem-Estar Social, que foi dada como desaparecida e morta no ano anterior.

Eu já esperava que a série fosse adaptar com fidelidade o livro, já que ele foi escrito por um roteirista – ou seja, as cenas já eram muito bem pensadas pra televisão. Søren Sveistrup se envolveu na produção e no roteiro de O Homem das Castanhas, então todo o clima aflitivo do livro acontece, com a vantagem de que a série melhora alguns aspectos que eu não havia curtido tanto na obra original (enquanto mantém outros rs).

A maior diferença positiva está nos protagonistas. Se no livro eu não “comprei” a parceria entre Hess e Thulin, aqui ela se desenvolve de forma mais orgânica. A própria Thulin é uma personagem da qual não gosto nas páginas, mas que conseguiu me cativar na tela. Diferente de sua contraparte literária, temos uma detetive mais empática e menos rabugenta, ainda que continue badass e competente. Ela se envolve mais nas deduções importantes e se torna um elemento que faz a diferença na investigação. Hess, por outro lado, é como imaginei e gostei bastante de vê-lo personificado. A única diferença que não caiu tão bem são seus estouros de raiva, que no livro não acontecem e achei meio fora do personagem. Mas nem só de elogios vivemos: quem leu a resenha talvez se lembre que reclamei dos personagens tomando atitudes burras (tipo entrar sozinho num lugar escuro). Pois é, elas acontecem, e sim, ainda irritam rs.

A ambientação e a trilha sonora da série são excelentes pra criar o clima sombrio que o thriller pede. As paisagens geladas e inóspitas do cenário nórdico casam perfeitamente com a tensão que os personagens experienciam, onde não há espaço para um minuto de paz porque a polícia está sempre muito atrás dos passos do assassino. Cada episódio traz cada vez mais desafios aos detetives, a investigação vai ficando cada vez mais complexa, e isso faz com que seja muito fácil dar o play e maratonar. A única ressalva é que, na adaptação televisiva, achei mais fácil adivinhar quem é a pessoa por trás dos crimes.

Outro aspecto muito bacana em O Homem das Castanhas é que a série coloca um enfoque maior em problematizar/evidenciar a diferença na cobrança de homens e mulheres nos seus papéis como pais. Thulin, por exemplo, é uma mãe bastante ausente por conta do trabalho, e no livro isso é pouco trabalhado. Na série, porém, não somente a mágoa de sua filha é abordada como também Thulin é criticada em determinado momento por conta dessa ausência. Acontece que a detetive não deixa por menos, se posicionando como alguém que não é uma mãe pior apenas porque precisa trabalhar. Sim, a ausência dela é um problema, mas ela está fazendo tudo que está ao seu alcance para encerrar o caso, trocar de departamento e ficar mais perto da filha. A frase seguinte pode ser um spoiler, mas é importante pra esse debate, então pule se não quiser ler: por que o assassino foca seus esforços nas mães que ele julga negligentes em vez de nos pais, que muitas vezes são as pessoas que realmente machucam e prejudicam os filhos? Confesso pra vocês que fico até um pouco incomodada de sempre ver mulheres sendo vítimas desses atos de violência brutais em tramas envolvendo serial killers, porque realmente me dói pensar no sofrimento dessas mulheres.

Resumindo, galera, eu curti muito O Homem das Castanhas e achei que a adaptação fez um trabalho excelente ao trazer a história das páginas para a tela. Se você gosta de romances policiais instigantes e cheios de tensão, essa minissérie é uma ótima pedida pra você. E, assim como no livro, apesar da trama terminar bem fechadinha, há potencial para expandir para uma nova temporada se a Netflix quiser. Quem sabe? 😉

Título original: The Chestnut Man
Ano de lançamento: 2021
Criação: Søren Sveistrup, Dorte W. Høgh, David Sandreuter, Mikkel Serup
Elenco: Danica Curcic, Mikkel Boe Følsgaard, Iben Dorner, David Dencik, Esben Dalgaard Andersen

Dica de Série: Superstore

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje tem uma indicação de série de comédia super gostosinha que vi no Amazon Prime Video, mas que também chegou recentemente à Netflix: Superstore.

Sinopse: Em um hipermercado de Saint Louis, um grupo de funcionários com personalidades únicas lida com os clientes, as tarefas cotidianas e uns com os outros.

Superstore é uma série de 6 temporadas com episódios de 20 minutinhos, ou seja, perfeita pra maratonar. A trama acompanha o dia a dia dos vendedores de uma loja de departamentos, a Cloud Nine, bem como as bizarrices que acontecem em supermercados (normalmente apresentadas em cenas de transição muito engraçadas). O foco principal está em Jonah e Amy: ele consegue um emprego no episódio piloto e já começa com o pé esquerdo ao agir de forma meio condescendente com Amy – que, até então, ele não sabe que é sua supervisora. Porém, logo fica claro que na verdade Jonah é um sonhador otimista, enquanto Amy tem uma visão cética sobre a vida devido a muitos desafios que ela precisou vencer sendo uma mulher latina que engravidou no fim do Ensino Médio. Com o tempo, porém, Jonah vai mostrando que um momento de beleza extraordinário (ou “a moment of beauty”) pode acontecer na vida deles também.

Apesar de Jonah e Amy serem os personagens principais, Superstore está longe de depender dos dois pra funcionar. A série conta com personagens ótimos e muito engraçados, cada um à sua maneira. Dina é a assistente do gerente e é tão correta e rígida que chega a ser um meme ambulante (o desenvolvimento dela é um dos melhores da série, porque ela começa sendo uma general chata e, com o tempo, vai se tornando só meio peculiar de um jeito engraçado), Garrett é o cara que é a definição da lei do menor esforço, Glenn é o gerente inocente e sem noção, Sandra é uma das melhores coadjuvantes de todos os tempos, entre outros.

Em determinado momento, Superstore também flerta com assuntos importantes, como a sindicalização dos profissionais e as injustiças da imigração americana. Contudo, a série deixa a desejar na condução de ambos os assuntos, que tomam um grande espaço de umas duas temporadas e, depois, acabam sendo deixados de lado. Porém, como contraparte positiva, a última temporada de Superstore se passa durante a pandemia, então os episódios conseguem deixar claro o quão vulneráveis os profissionais ficaram e o quanto as grandes corporações não ligam (ou ligam o mínimo) pras suas vidas. As pessoas que precisaram seguir trabalhando em supermercados, farmácias, postos de gasolina e afins também fizeram parte da linha de frente, e é importante que a gente não esqueça do valor dessas profissões. Além disso, Superstore também problematiza estereótipos – principalmente na figura de personagens como Amy e Mateo, que representam grupos minoritários como os latinos e os imigrantes. Para exemplificar, há um episódio em que pedem pra Amy vender um molho de pimenta inspirado nas receitas mexicanas, sendo que ela tem descendência hondurenha.

Admito que a série não me fisgou de cara na primeira temporada, mas da segunda em diante Superstore se tornou uma das minhas queridinhas. A série é equilibrada, tem um senso de humor cativante e me fez rir em diversos momentos. Pra coroar, ela já está terminada e o final é perfeito! ❤ Recomendo muito e torço pra que vocês gostem tanto quanto eu!

Título original: Superstore
Ano de lançamento: 2015
Criação: Justin Spitzer
Elenco: America Ferrera, Ben Feldman, Lauren Ash, Colton Dunn, Nico Santos, Mark McKinney, Nichole Sakura, Kaliko Kauahi

Review: Um Ninho Para Dois

Oi gente, tudo bem?

Desde o lançamento do trailer eu estava ansiosíssima pra conferir Um Ninho Para Dois, novo drama da Netflix com a Melissa McCarthy. Fica a dica: já pega uma caixa de lencinhos.

Sinopse: Uma mulher que tenta superar uma perda precisa lidar com um pássaro genioso que invadiu seu jardim e um marido que luta para seguir em frente.

O filme começa com uma cena fofa entre o casal Lilly e Jack, que estão pintando o quartinho de sua bebê recém-nascida, até que há um corte que nos leva para um futuro bem mais triste: Lilly está vivendo sozinha, pois seu marido está internado em uma instituição psiquiátrica. O motivo não demora a se revelar; o casal perdeu sua filha, Katie, para a síndrome da morte súbita infantil. Esse evento traumático gerou uma ruptura no casamento, e nenhum dos dois sabe como lidar com o presente.

Não sou mãe e mal posso imaginar a dor de perder um filho, mas Um Ninho Para Dois consegue, com delicadeza, transmitir essa devastação por meio das diferentes formas de sofrimento do casal. Lilly tenta seguir em frente da maneira que pode, voltando ao trabalho e tentando manter um senso de normalidade à rotina. Seus erros e falta de atenção durante o expediente, porém, são o primeiro e mais óbvio indício de que a personagem precisa de ajuda. Jack, por outro lado, é um homem cuja dor o paralisou. Sua internação na instituição psiquiátrica é advinda de uma tentativa de suicídio, e fica claro para o espectador de que ele não vem fazendo progresso em sua terapia. Quando uma visita de Lilly ao marido acaba de forma tensa, uma das terapeutas do lugar indica o contato de um velho conhecido que ela acredita poder ajudar Lilly: o Dr. Larry Fine (o jogo de palavras aqui não escapa à protagonista). Acontece que Larry abandonou a psiquiatria para se dedicar a outro ramo: a veterinária. E é com essa situação inusitada que Lilly se vê encarando verdades que ela não tinha tido coragem até então.

Lilly é o espírito do filme, e a atuação cheia de nuances de Melissa McCarthy me levou às lágrimas e aos risos durante a 1h44 de duração do longa. A personagem decide limpar e cultivar o seu quintal, mas acaba sendo atacada por um estorninho, uma espécie de pássaro territorialista que está protegendo seu ninho. Ao longo da trama, o ousado passarinho faz diversas investidas contra Lilly, que vai criando estratégias pra se proteger dele (como usar um capacete de futebol americano rs). Nesses momentos percebemos o tom de comédia dramática do longa, pois essas cenas quebram a tensão de uma forma que diverte e acalenta. O fato de Larry ser um veterinário não impede que os dois construam uma relação de “terapia não oficial”, na qual ele incentiva Lilly a falar sobre seus sentimentos também e processar o próprio luto – já que, até então, só pôde focar na dor do marido.

Mas Jack também mexe com o nosso coração. A apatia que o domina é um sinal claro da depressão que o acomete, e sua recusa em fazer o tratamento correto o leva cada vez mais para o fundo do poço. Mas é importante que isso seja mostrado, porque mesmo com todo o amor e suporte, muitas vezes essa doença ainda assim triunfa. E o filme não culpabiliza Jack por isso, ainda que demonstre que Lilly está carregando uma carga muito pesada por ter sido “abandonada” pelo marido, que não conseguiu apoiá-la com a perda de Katie. Larry inclusive tem uma fala muito importante sobre o ser humano buscar culpados em situações nas quais simplesmente não há quem culpar: é uma dificuldade nossa em aceitar que tragédias acontecem sem nenhuma razão plausível. O médico incentiva que Lilly converse com Jack e exponha seus sentimentos de luto e solidão, e quando a protagonista resolve fazê-lo, é com a intensidade de quem está magoada pelo abandono mas também com desejo de que o marido volte pra ela.

Um Ninho Para Dois é emocionante do início ao fim, sendo intercalado com cenas divertidas que ajudam você a não chorar durante toda a duração do filme. Ele é a história de um casal em luto, mas também de duas pessoas que estão buscando entender quem são e como seguir em frente após um acontecimento tão devastador. Para além disso, é também a história de um casal em busca do caminho que os leve de volta um ao outro: com cicatrizes, sim, mas também com muito amor. Amei (e me emocionei) muito! ❤

Título original: The Starling
Ano de lançamento: 2021
Direção: Theodore Melfi
Elenco: Melissa McCarthy, Chris O’Dowd, Kevin Kline, Kimberly Quinn

Dica de Série: Clickbait

Oi galera, tudo bem?

O Dica de Série de hoje é um misto de (não) indicação provocada pela indignação. 😂 Mas eu não podia deixar de comentar a série que tem estado no Top 10 da Netflix Brasil e que é do meu gênero favorito (tramas policiais). Estou falando de Clickbait.

Sinopse: Quando Nick Brewer é sequestrado e sua vida passa a depender de um sinistro jogo online, as pessoas próximas a ele correm para descobrir quem está por trás disso.

Clickbait é uma minissérie de 8 episódios que gira em torno do sequestro de Nick Brewer, um fisioterapeuta respeitado, marido e pai amoroso. O fato mais grotesco do sequestro é que os raptores filmaram Nick segurando uma placa dizendo que ele abusa de mulheres e que, quando o vídeo atingir 5 milhões de visualizações, ele vai morrer – sim, no melhor estilo Black Mirror. É desnecessário dizer que não leva 24h pra um vídeo apelativo assim, que descreve perfeitamente o nome da série, viralizar, certo? Com isso, os episódios se concentram em não apenas investigar o caso de Nick, mas também desnudar o personagem (e os segredos por trás das acusações nas placas).

Cada episódio de Clickbait é focado em um personagem, começando pela irmã e melhor amiga de Nick, Pia. Ela é uma mulher intensa e cheia de defeitos, mas com uma vulnerabilidade e um amor tão profundo pelo irmão que fazem o espectador nutrir certa simpatia por ela (mesmo com suas grosserias). Além dela, temos o ponto de vista do detetive Amir (um personagem íntegro, justo e muito comprometido com o seu trabalho), da viúva de Nick, Sophie (outra personagem que não é muito palatável, mas por quem nos solidarizamos), entre outros que não vou mencionar porque seriam spoilers. O bacana dessa dinâmica é que cada personagem tem seu próprio espaço para ser desenvolvido enquanto a trama principal – a investigação – acontece.

Aliás, a investigação em si é muito bacana e envolve muito mais do que os personagens já citados. A série trabalha superbem os cliffhangers e faz com que você não queira sair da frente da tv até descobrir toda a verdade sobre o caso. Obviamente, como o nome da série sugere, existe sim um apelo relacionado ao “cuidado com o que você compartilha por aí” e “cuidado com o que você acredita na internet”, e algumas pessoas podem achar um pouco forçado. A mim, não incomodou. Discussões sobre fornecimento de dados, golpes e fraudes não são coisas recentes, então não vi problema da série abusar um pouco disso pra fins ilustrativos.

O que me incomodou a ponto de causar a indignação do início do post, então? 😂 O final, gente, o final. Quem me acompanha aqui há mais tempo sabe o quanto valorizo bons finais, a ponto de aumentar uma nota de uma obra mediana quando o desfecho é bom ou diminuí-la no caso de uma obra incrível mas cujo final não seja. E Clickbait peca gravemente em seu encerramento, porque se desfaz de todas as premissas construídas até ali em busca de um plot twist chocante que parece ter sido pensado apenas com esse propósito: chocar. Os motivos pelos quais toda a história acontece são esdrúxulos e tudo que a trama estabelece até a season finale é desperdiçado em nome de um caminho completamente sem sentido e preguiçoso – incluindo até mesmo as discussões sobre segurança na internet e (a falta de) limites da mídia sensacionalista e obcecada por cliques. Eu prefiro finais mais óbvios, mas coerentes, do que plot twists de explodir a cabeça que não fazem sentido nenhum, e pra mim esse é o grande problema da série.

Conversei com algumas pessoas que também se frustraram com o final de Clickbait, então queria saber de vocês: quem já assistiu, gostou? Porque se eu tiver que resumir, diria que Clickbait é uma minissérie de ritmo envolvente, premissa instigante e que joga fora seu potencial com um final fraco e mal executado. Uma pena. :/

Título original: Clickbait
Ano de lançamento: 2021
Criação: Tony Ayres, Christian White
Elenco: Zoe Kazan, Betty Gabriel, Phoenix Raei, Adrian Grenier, Camaron Engels, Jaylin Fletcher, Becca Lish

Review: A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Oi pessoal, tudo bem?

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi um play despretensioso que eu dei na Netflix, mas que me arrancou muitas risadas, me entreteve e também me comoveu. Preparados pra conhecer?

Sinopse: Uma revolta de robôs interrompe a viagem da família. Agora o destino da raça humana está nas mãos dos Mitchells — a família mais estranha do mundo.

A trama tem seu pontapé inicial quando Katie, a filha mais velha dos Mitchell, é aceita para cursar a faculdade de cinema. Empolgada para conhecer pessoas que compartilhem da sua paixão – já que, em geral, ela se sente uma outsider -, Katie não contava com a decisão de seu pai, Rick, de fazer uma viagem de carro em família (em vez de deixá-la ir de avião). A relação dos dois, que no passado era muito cúmplice, está num momento delicado: Katie não sente que seu pai a compreenda, enquanto Rick acha que a filha está distante. Em paralelo a esse plot, temos outro catalisador superimportante que acontece bem longe da road trip: no Vale do Silício, uma convenção de tecnologia comandada pelo gênio Mark Bowman, que inventou a inteligência artificial PAL, anuncia um modelo novo de robôs com tecnologia de ponta; o problema é que Mark descarta PAL como algo ultrapassado, fazendo com que ela decida se revoltar e comandar os robôs, colocando-os contra a humanidade. E é assim, em meio ao caos, que a família Mitchell é pega de surpresa e precisa encontrar não apenas uma forma de fugir e sobreviver, mas também de impedir PAL.

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é produzido pelos responsáveis pelo excelente Homem-Aranha no Aranhaverso, e podemos encontrar algumas similaridades no que diz respeito à arte. Como no filme do Cabeça de Teia, aqui também temos um visual predominantemente 3D, mas cheio de elementos 2D e intervenções interessantes. Isso torna o longa visualmente atrativo e, no meu caso, foi um recurso que prendeu bastante minha atenção. A identidade visual é muito bacana e a atmosfera é muito divertida e imersiva, tornando as quase 2h de duração muito gostosas de assistir.

O filme também acerta em cheio no humor. Além dos quatro membros da família Mitchell (os já mencionados Katie e Rick, mas também Linda, a mãe, e Aaron, o filho mais novo), temos ainda dois robôs comandados por PAL que sofrem uma pane parcial ao serem danificados e acabam se tornando aliados improváveis de Katie e sua família. E todos eles se veem numa posição totalmente inesperada: a de heróis da humanidade. Enquanto PAL comanda os robôs para capturar os humanos, os Mitchell (com o auxílio dos seus novos companheiros inorgânicos) conseguem escapar, e precisam ir até o epicentro da revolta pra desativar a inteligência artificial – caso contrário, todas as pessoas capturadas serão enviadas para o espaço (sim, pra morrer mesmo). E todas as situações que a família passa pra tentar chegar até PAL em segurança são muito engraçadas, assim como as perseguições pela estrada e as interações com outros eletroeletrônicos. Pra fechar com chave de ouro há também o humor sarcástico em torno de um jovem genial que revolucionou a tecnologia e as consequências de suas atitudes. Qualquer semelhança com a realidade pode ou não ser mera coincidência. 😛

Mas meu elemento favorito de A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas não poderia ser outro se não os próprios Mitchell (e seu maravilhoso pug, Monchi). Cada personagem tem uma personalidade marcante e protagoniza cenas engraçadas, por mais que o foco maior seja em Katie e Rick. Linda é uma mulher engraçada e, quando os filhos estão em perigo, reage como uma leoa; Aaron é um irmão mais novo fofíssimo que é tão “esquisito” quando Katie e olha pra irmã com admiração; Rick é um pai zeloso e que ama os filhos, mas que nem sempre consegue demonstrar isso da forma como eles – especialmente Katie – precisam; e a própria Katie é uma jovem criativa e irreverente, mas que também não consegue enxergar os sacrifícios que o pai fez por ela. Com o passar do tempo e com a convivência forçada no carro (somada ao medo da extinção, é claro), os personagens são obrigados a olhar com mais atenção um para o outro, e os laços vão se estreitando. Pra fechar, também adorei como a sexualidade de um dos personagens é trabalhada: de forma totalmente natural e leve.

Resumindo, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi um dos melhores filmes de animação a que assisti recentemente, reunindo em si uma produção de alta qualidade, um enredo divertido e envolvente e personagens muito cativantes. Se você não sabe o que fazer nesse domingo, corre lá na Netflix e dê o play. Prometo que vai valer a pena! 😉

Título original: The Mitchells vs the Machines
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Rianda
Elenco: Abbi Jacobson, Danny McBride, Maya Rudolph, Michael Rianda, Eric André, Olivia Colman

Dica de Série: O Inocente

Oi pessoal, tudo bem?

Prontos pra mais uma dica de minissérie bem bacana pra maratonar? Hoje vamos conhecer O Inocente que, até agora, é minha produção favorita das que adaptam os livros do Harlan Coben e estão sendo disponibilizadas na Netflix. 😀

Sinopse: Uma morte acidental lança um homem em uma espiral de intrigas e assassinato. Ele encontra o amor e recupera a liberdade, mas um telefonema traz de volta o seu passado.

Mateo era um jovem com um futuro brilhante pela frente, até que um piscar de olhos mudou sua vida completamente: em uma briga de bar, causada por um homem que ficou com ciúmes dele, Mat acabou empurrando um dos envolvidos, que caiu e quebrou o pescoço. Mesmo tendo sido um acidente, a justiça condenou Mat à maior pena possível, transformando sua vida de forma permanente. Apesar disso, ao sair da cadeia Mat teve apoio para se restabelecer: seu irmão, já formado, chamou Mat para trabalhar em seu escritório de advocacia e, por coincidência, no escritório Mat reencontrou uma jovem com quem ele teve uma noite incrível em uma das suas saídas condicionais no tempo de prisão. Esse reencontro reacendeu a chama entre Mat e a jovem, Olivia, e os dois casaram e deram início a uma vida juntos… até que Olivia some misteriosamente e Mat começa a receber vídeos dela adormecida com um homem ao seu lado.

De início, podemos dizer que O Inocente conta com duas narrativas: a primeira delas é a de Mat e Olivia, e gira em torno do desaparecimento desta. Mat está determinado a encontrá-la custe o que custar, contando com a ajuda de uma hacker bastante leal para rastrear os movimentos da esposa. A segunda narrativa é mais focada em Lorena Ortiz, uma detetive da polícia competente e focada, que é acionada para investigar o suposto suicídio de uma freira. E por mais que ambas as histórias não pareçam ter o menor link, aos poucos as camadas da trama vão sendo removidas e o espectador vai chegando ao cerne do mistério – junto com Mat e com Lorena.

Um recurso muito bacana utilizado pela série é o de começar cada episódio focando em um personagem-chave da trama, contando um pouco mais sobre seu passado e sobre como ele chegou até o presente momento. Isso ajuda o espectador a criar empatia de forma mais rápida, ao mesmo tempo em que instiga a curiosidade de saber qual é a relação daquelas pessoas. O episódio 1, por exemplo, é totalmente focado na história de Mat. O episódio 2 mal o menciona, pois é focado em Lorena, chegando até a dar uma “bugada” na mente de quem assiste. 😛 Eu gostei bastante dessa estrutura, acho que ajudou a manter o mistério e, ao mesmo tempo, provocar a imaginação na tentativa de juntar as peças também.

Eu diria que O Inocente gira em torno de três grandes problemáticas: a prostituição (e toda a sujeira por trás), a crueldade do sistema carcerário e a corrupção policial. Não posso me alongar muito em cada tema pra não dar nenhum tipo de spoiler, mas é importante dizer que a série expõe toda a crueldade que jovens mulheres passam nas mãos de seus cafetões, que lucram quantias exorbitantes em cima de seus corpos e de sua falta de liberdade. Somado a isso, vemos com revolta como pessoas ricas, poderosas e bem-relacionadas fazem uso desse privilégio pra fortalecer não apenas esse sistema de opressão às mulheres como também manipular a justiça.

Assim como acontece em Safe e em Não Fale Com Estranhos, existem momentos beeem forçados e inverossímeis em O Inocente. Felizmente, aqui eles são mais escassos, o que já me fez gostar bem mais dessa minissérie do que das adaptações anteriores de trabalhos do Harlan Coben. Os personagens me cativaram bastante, especialmente as mulheres fortes que fazem a história girar. Mat, infelizmente, não tem nenhum carisma, e eu juro pra vocês que não entendo porque 1) acham que o Mario Casas é um galã e 2) dizem que ele é um ótimo ator. Assisti Um Contratempo e ele tem a mesmíssima expressão facial o filme inteiro, assim como acontece aqui. 🤷‍♀ #sorrynotsorry

Com apenas 8 episódios, O Inocente é uma ótima opção na Netflix pra quem busca uma série investigativa capaz de envolver, construir bem os momentos de tensão e trazer personagens pelos quais queremos torcer. Recomendo bastante! 😉

Título original: El Inocente
Ano de lançamento: 2021
Direção: Oriol Paulo
Elenco: Mario Casas, Aura Garrido, Alexandra Jiménez, Xavi Sáez, Santi Pons, Miki Esparbé, Jose Coronado, Martina Gusman, Juana Acosta, Susi Sánchez