Resenha: Nada de Novo no Front – Erich Maria Remarque

Oi, pessoal. Tudo bem?

O post dessa semana se trata de um livro bastante forte, mas que foi muito marcante pra mim: Nada de Novo no Front, do escritor alemão Erich Maria Remarque.

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Sinopse: Aos dezoito anos de idade, Erich Maria Remarque conheceu as trincheiras alemãs da Primeira Guerra Mundial. Foi ferido em três ocasiões. Saiu do conflito profundamente marcado e perplexo com a crueldade da guerra. Durante a década de 20, enfrentava a insônia carregada de fantasmas tomando notas sobre os horrores que viu e viveu no front. Os rascunhos formavam o núcleo de um romance. Publicado em livro no ano de 1929, “Nada de Novo no Front” firmou uma posição radicalmente pacifista em um mundo que ainda via a guerra como uma alternativa política e determinou o perfil antibelicista que habita a literatura ocidental até hoje. O protagonista é Paul, jovem alemão de família humilde que, como tantos da sua geração, deu ouvidos aos pais e professores, abandonou a escola e partiu para uma guerra que – conforme descobriria – não era a sua. Não bastasse a legitimização que faz do ser humano pacifista, “Nada de Novo no Front” é um livro assustadoramente comovedor. Resiste ao tempo graças à simplicidade do seu estilo aliada à franqueza com que trata dos sentimento humanos.

Ao contrário do que a sinopse possa sugerir, Nada de Novo no Front não se trata de uma autobiografia. Porém, o livro é um romance baseado nas experiências de guerra do autor, o que torna as cenas descritas e a profundidade da história algo muito mais verossímil e até mesmo chocante.

Paul Bäumer, o protagonista, é um jovem que parte para a guerra junto de seus colegas de escola, motivado pelo patriotismo. Esse sentimento era motivado até mesmo pelos adultos que os rodeavam, como o professor dos rapazes (o rígido Kantorek) e também seus próprios pais. Ir para a guerra representava a coragem daqueles jovens e a vontade de defender e venerar seu país. Contudo, não demora muito tempo para que Paul e seus amigos percebam que a guerra não tem nenhum glamour, e que na realidade ela só é capaz de trazer morte e destruição.

A partir do momento em que os jovens percebem que estão lutando por uma causa que não lhes pertence, mas que foi incutida neles pela sociedade e pelos adultos ao redor, os sentimentos de desolação e de desesperança tomam conta deles. A narrativa é muito reflexiva e cheia de passagens melancólicas, o que nos permite partilhar dos sentimentos e dos anseios do protagonista. Paul vê grande parte de seus amigos morrerem, sendo dizimados não apenas pelas bombas e pelos tiros, mas também pelo desespero e pela angústia. Como o livro narra os acontecimentos da I Guerra Mundial, os alemães estão em total desvantagem e os soldados passam por situações terríveis graças à fome, ao frio e às doenças que lhes acometem.

Para mim, duas cenas são extremamente marcantes no livro: a primeira acontece quando Paul tem a oportunidade de voltar para casa, para visitar a mãe doente. Quando ele volta para a sociedade, ele simplesmente não consegue se encaixar. Ele reencontra os seus vizinhos e seus conhecidos e já não consegue encará-los como pessoas próximas, pois estão em mundos totalmente distintos. O estado psicológico e mental do personagem se mostra totalmente abalado, e fica muito claro o sentimento de não pertencimento. Tudo o que Paul queria era voltar para casa, mas, quando isso finalmente acontece, ele se sente um estranho, como se nada jamais pudesse voltar a ser como era. Outra cena muito marcante acontece durante uma batalha nas trincheiras. Paul se depara com um soldado inimigo e trava seu primeiro embate corpo a corpo. Ele vence, ao conseguir esfaquear e matar o oponente. Devido à troca de tiros e de bombas que está acontecendo com fervor fora do buraco em que Paul se refugiou, ele permanece naquele local, junto com o cadáver e, a partir daí, ele começa a ter um surto nervoso. Paul verifica a carteira do morto e percebe que, apesar de ser um inimigo, ele era um homem comum, com uma família que o esperava. Em sua insanidade momentânea, Paul pede perdão e jura ao soldado que vai cuidar de sua família quando ele sair dali. É uma cena intensa, que mostra o descontrole emocional do protagonista e que, ao mesmo tempo, revela como ambos os lados da guerra sofrem e passam pelos mesmos infortúnios.

Nada de Novo no Front é um livro excelente, que narra de forma profunda os acontecimentos e as consequências da guerra, além das cicatrizes físicas e emocionais que ela gera. Para quem gosta de História, também é uma ótima opção (eu mesma o li para uma aula no segundo ano do Ensino Médio). Acho impossível o leitor não se sentir incomodado, revoltado e triste depois der ler um livro como esse, pois ele nos faz refletir sobre os atos extremos do ser humano e como os envolvidos sempre são aqueles que nada têm a ver com o conflito. Uma grande obra que eu recomendo a todos!

Editora: L&PM Pocket
Número de páginas: 222

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36 comentários sobre “Resenha: Nada de Novo no Front – Erich Maria Remarque

    • Oi, Delmara!
      Eu entendo, não é o tipo de leitura que atraia todo mundo. Mas é uma leitura bem densa e emocional mesmo, impossível não ser marcado de alguma forma por ela.
      Beijos!

    • Oi, Juh!
      Obrigada pelo elogio! *-*
      Se você gosta dessa temática, esse livro é uma ótima opção: tanto pelo ponto de vista histórico quanto pela parte emocional.
      Beijos!

  1. Ola! Ainn tenho um pouco de “medinho” de livros assim, já fiquei empacada em um e demorei meses para conclui-lo. De qualquer maneira sua resenha foi bem esclarecedora.
    Mas no momento ainda não é o tempo para eu me aventurar em outra historia do gênero ^^

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

    • Oi, Joi!
      Eu entendo seu receio, também fiquei insegura quando o professor solicitou a leitura. Entretanto, foi muito bom eu ter dado uma chance com boa vontade: me apaixonei pelo livro!
      Quem sabe em outro momento você não fique curiosa, né? =D
      Beijos!

  2. UAU, eu não conhecia esse livro, mas já fiquei super curiosa para conferir! Amo História e amo livros que se aproveitam de fatos históricos para montar sua narrativa, mesmo quando a trama é intensa e chocante. Imagino o quão verossímil o livro é considerando as experiências do autor, realmente fiquei super empolgada para lê-lo, foi para a minha lista de desejados! Adorei a resenha!! Bjs
    Jéssica – http://lereincrivel.blogspot.com.br/

    • Oi, Jéssica!
      Fico muito feliz que tenha gostado ❤ Também amo História, meu professor do ensino médio vivia dando dicas de livros, filmes e séries que nos davam um panorama sobre o assunto! *-*
      Acho que Nada de Novo no Front pode ser uma boa opção de leitura pra você! Se você o ler, me conta o que achou?!
      Beijos!

    • Oi, Thais!
      Minhas matérias favoritas também eram essas ❤ (e Biologia hahaha)
      Esse livro é ótimo tanto pela parte histórica (da guerra, da desvantagem alemã etc) quando pela parte emocional (que aprofunda bem nos pensamentos do soldado). É ótimo!
      Beijos!

    • Adoro ler…lí esse em 1979 ainda garota,quando o acesso a tv, cinemas,internet,era limitado ou inexistente…portanto menos oportunidade de ver…saber…foi uma leitura de sentimentos intensos,emocionantes, principalmente por tudo que paull passou,vivenciou e no dia da sua morte nada demais acontecia (nada de novo no front)e como se ele não tivesse vivido,presenciado,tantos acontecimentos ,tragédias, horrores…,importantes.

  3. Oie Pri =)

    Não conhecia o livro, mas pela sua resenha já percebi que ele possui todos os ingredientes que gosto em histórias de guerra.

    Já anoite aqui!

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias…
    @mydearlibrary

    • Oi, Ane!
      Fico feliz que minha resenha possa ter te deixado curiosa. *-*
      Sou suspeita pra falar, porque realmente gosto muito desse livro. Espero que você goste tanto quanto eu! =)
      Beijos!

    • Oi, Ká!
      Fico feliz que tenha ficado curiosa pelo livro! 😀
      Foi minha primeira leitura sobre I Guerra (em geral eu me sentia mais atraída pela II), mas eu amei a experiência. Terminei o livro e senti que fui bem “mexida” por ele. Espero que você goste! =)
      Beijão!

  4. Hey
    Infelizmente não conhecia o livro, eu não costumo ler muito enredos que envolvem guerra. Talvez seja por essa sensação ao finalizar que você comentou, de se sentir meio triste HAHAHA

    Porém, gostei bastante da resenha e parece ser uma boa pedida.

    bjs e uma ótima terça
    Nana – Obsession Valley

    • Oi, Nana!
      Obrigada, fico feliz que tenha gostado!
      Infelizmente é essa a sensação que temos mesmo, de tristeza. =(
      Mas é um livro que mexe com o leitor e faz ele refletir sobre os horrores da guerra. Se um dia você ficar curiosa pelo tema, quem sabe ele não se torne uma boa opção, né? 🙂
      Beijos, bom fim de semana!

  5. Oi Pri,

    Eu estou meio que fugindo desse tipo de leitura. Ultimamente essas leituras melancólicas de guerra têm me perseguido, quase tudo o que eu leio fala disso, então estou dando uma desanuviada, rs. Eu já tinha ouvido falar do livro, na escola, mas não foi sugerido como leitura obrigatória, infelizmente, porque na época em que eu estudava só se sugere Machado de Assis, que eu a propósito detesto. kkkk Resenha impecável.

    Beijos,
    Mari Siqueira
    http://loveloversblog.blogspot.com

    • Oi, Mari!
      Obrigada pelo elogio, fico feliz que tenha gostado ❤
      Acredita que nunca li Machado? Tenho curiosidade. Mas sobre você estar evitando guerras no momento: entendo perfeitamente. É um tema pesado, às vezes a gente precisa descansar a cabeça de tanta tristeza e densidade. Quem sabe em outro momento, né? =D
      Beijos!

  6. Nossa, a carga emocional desse livro é gigantesca hein? Eu amo livros que focam nessa época das Grandes Guerras, e ter um narrador que realmente vivenciou isso tudo é um grande extra e aumentou demais minha vontade de lê-lo. Corri pro skoob pra marcar como desejado. As duas cenas que você destacou parecem ser emocionantes, e não vejo a hora de lê-las.

    Beijinhos
    http://escolhasliterarias.blogspot.com.br/

    • Oi, Amanda!
      Também gosto muito de histórias ambientadas nas Grandes Guerras, elas costumam ser bem fortes e até hoje não me deparei com nenhum enredo “ruim”. Espero que você possa ler esse livro e que goste dele tanto quanto eu! 🙂
      Beijão

  7. Pingback: C.L #27 – Livros durante a guerra – Entre Livros e Trânsitos

    • Obrigada pelo feedback, Elivelton, que bom que gostou! 😀
      Concordo com você, o autor nos mostra com muito realismo as faces da guerra (do glamour colocado na mente dos jovens à dura e cruel realidade).
      Abraços!

  8. Resenha PERFEITAA, li o livro recentemente e amei demais sua resenha, vc é ótima em interpretação e escrita, continue assim! Parabéns!!! 😄❤️

    • Oi Andressa, tudo bem?
      O tema do livro é a Primeira Guerra Mundial. O autor usa sua experiência pessoal (ele foi soldado na guerra) pra criar uma história de ficção que mostra o protagonista vivendo os horrores físicos e psicológicos da guerra. Claro, isso é só a ponta do iceberg hahaha!
      Espero ter ajudado. 🙂
      Abraços!

  9. Belíssima resenha!
    Eu e meu namorado, o gatinho Rapha Bittencourt, pretendemos ler a obra o mais breve possível.
    Obrigado por tudo,
    Alberto Aquino Rego.

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