Review: Assassinato no Expresso do Oriente

Oi pessoal, tudo certo?

Quem me acompanha há algum tempo deve saber que histórias policiais são algumas das minhas favoritas. Sou completamente apaixonada pelo estilo e, sempre que possível, confiro obras desse gênero. Dessa vez fui ao cinema assistir a Assassinato no Expresso do Oriente, que adapta uma das obras mais famosas da Rainha do Crime, Agatha Christie!

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Sinopse: O detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh) embarca de última hora no trem Expresso do Oriente, graças à amizade que possui com Bouc (Tom Bateman), que coordena a viagem. Já a bordo, ele conhece os demais passageiros e resiste à insistente aproximação de Edward Ratchett (Johnny Depp), que deseja contratá-lo para ser seu segurança particular. Na noite seguinte, Ratchett é morto em seu vagão. Com a viagem momentaneamente interrompida devido a uma nevasca que fez com que o trem descarrilhasse, Bouc convence Poirot para que use suas habilidades dedutivas de forma a desvendar o crime cometido.

O filme tem um início um pouco lento, o que me desagradou um pouco a priori. Hercule Poirot, um dos mais famosos e competentes detetives do mundo, está em Jerusalém e auxilia na resolução de um caso por lá. Por coincidência, acaba encontrando um velho amigo, Bouc, que é responsável pelo trem Expresso do Oriente (o trem que o detetive precisa tomar) e consegue um encaixe para Poirot em um dos vagões. Contudo, a viagem que tinha tudo para ser tranquila é interrompida por duas coisas: uma tempestade de neve e um assassinato. Bouc implora para que Poirot resolva o caso e, em nome da amizade com o rapaz e movido por seu senso de justiça, ele aceita.

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É aí que o filme ganha ritmo. Com enquadramentos diferenciados (com ângulos vistos de cima, por exemplo) e um ambiente um tanto quanto claustrofóbico (já que o lado de fora do trem é um ambiente inóspito cheio de neve), vamos acompanhando Poirot em sua investigação, em uma tentativa de juntar as peças para desvendar o assassinato do Sr. Ratchett, um comerciante de antiguidades desonesto. No total, são 12 passageiros investigados: cada um com seus segredos, seus álibis (ou falta deles) e histórias. Essa parte do filme é muito interessante, pois vamos conhecendo mais de cada personagem junto de Poirot. O longa conseguiu me enganar em relação ao assassino. Mas a melhor parte é a revelação final no fim do filme: pela primeira vez fiquei emocionada com a resolução de um crime. A cena é intensa e conecta todos os pontos do enredo de uma maneira muito convincente.

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As atuações merecem grande destaque! O Poirot de Kenneth Branagh (que é também o diretor do longa) é engraçado e tem traços caricatos, mas ele vai além: é também um homem muito sensível, com suas próprias cicatrizes do passado, e que se vê na posição de questionar tudo o que acredita. Agora, se teve alguém que mexeu comigo, foi Michelle Pfeiffer, a Sra. Hubbard. Ela entrega grande emoção quando necessário, mas também sabe utilizar a sensualidade e a dissimulação sempre que necessário.

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A trilha sonora é ótima, sendo capaz de criar tensão e emocionar. Os figurinos da década de 30 são maravilhosos e conseguem transmitir características importantes dos personagens. Por fim, os cenários enchem os olhos. As paisagens que vemos enquanto o trem se move são lindas, bem como a desolação causada pela neve. Mas o encanto mesmo está dentro do trem, em cada detalhe que o compõe.

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Eu adorei Assassinato do Expresso do Oriente! Se eu já estava empolgada com Agatha Christie após ler E Não Sobrou Nenhum, agora tenho ainda mais vontade de conferir mais obras da autora. Recomendo muito!

Agora vou comentar duas coisas que não curti muito (são spoilers, leia por sua conta e risco, hein?): 1) em que momento o Poirot sacou que o Ratchett era o Cassetti? Juro que não saquei quando isso aconteceu; 2) Por que raios o Cassetti matou a Daisy? Ele tinha algum “motivo” ou simplesmente decidiu invadir uma casa, sequestrar e matar uma garotinha inocente? Se fosse o segundo caso, gostaria que tivessem desenvolvido isso, mostrado que o personagem é um psicopata ou algo do tipo. Se ele tivesse alguma razão (vingança ou qualquer coisa assim), gostaria que tivesse sido mostrado. Achei o crime do Cassetti muito arbitrário.

Título original: Murder on the Orient Express
Ano de lançamento: 2017
Direção: Kenneth Branagh
Elenco: Kenneth Branagh, Michelle Pfeiffer, Josh Gad, Derek Jacobi, Penélope Cruz, Daisy Ridley, Leslie Odom Jr., Tom Bateman, Johnny Depp

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Review: Thor: Ragnarok

Oi pessoal, tudo certo?

Para o post de hoje, trouxe minha opinião sobre o filme mais recente da Marvel, Thor: Ragnarok.

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Sinopse: Thor (Chris Hemsworth) está preso do outro lado do universo. Ele precisa correr contra o tempo para voltar a Asgard e parar Ragnarok, a destruição de seu mundo, que está nas mãos da poderosa e implacável vilã Hela (Cate Blanchett).

Não sou uma grande fã de Thor, tanto que eu só vi o primeiro filme solo do Deus do Trovão e catei o enredo do segundo na Wikipédia mesmo. Resolvi conferir Ragnarok no cinema porque várias críticas estavam elogiando o longa e dizendo que finalmente acertaram a mão com o personagem. Bom… me frustrei. O filme é divertido, mas não é nada demais.

No longa, Thor descobre que Loki está vivo e usurpando o lugar de Odin em Asgard. Ele obriga o Deus da Trapaça a levá-lo ao encontro de Odin, que após um discurso acaba morrendo. Para a surpresa dos irmãos, um terceiro elemento surge na história: Hela, a primogênita de Odin, que tinha sido exilada pelo pai devido à sua grande ambição de destruir os mais diversos reinos em nome da soberania asgardiana e, com a morte dele, pôde retornar. Em um embate que causa a destruição de Mjolnir e a fuga de Thor e Loki, os dois acabam em um mundo distante comandado por um sujeito espalhafatoso conhecido como Grandmaster. Thor é levado como escravo para ser um gladiador e lá encontra Hulk, que tem um grande prestígio lutando nas arenas. Posso parar por aqui, né? Já estou com uma sensação de “Sessão da Tarde” só por escrever esse parágrafo.

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Por tratar-se basicamente do risco de extinção de Asgard com o Ragnarok, acho que eu esperava um clima mais tenso para esse enredo. Mas fui ao cinema sabendo que o tom do longa era engraçado, e de fato, não faltam piadas. Logo de início eu também achei graça e ri com as cenas cômicas, mas sou da opinião de que quando algo se esforça para ser engraçado o tempo todo, acaba deixando de ser engraçado. É o que acontece com Thor: Ragnarok e, a partir de determinado momento, eu não conseguia nem sorrir.

Thor convence Loki, Hulk e Valquíria (uma asgardiana que vive como mercenária nesse mundo comandado pelo Grandmaster) a ajudá-lo a fugir e voltar para Asgard. Enquanto isso, Hela está destruindo todos que se opõem a ela em sua terra natal e ficando cada vez mais forte, já que seu poder vem da própria Asgard. Ao longo do filme, Thor aprende a lidar com seus poderes mesmo sem o Mjolnir e o grupo trava uma batalha contra Hela no final do filme. Sim, não há nada demais nesse enredo MESMO.

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Thor: Ragnarok é um filme extremamente mediano, que chegou a me dar sono durante a sessão. Os destaques positivos ficam por conta do carisma da Valquíria e da atuação de Cate Blanchett, que está muito bem como a vilã Hela. O único personagem que achei REALMENTE cômico foi Korg: um escravo que tem voz engraçada e jeito simpático. Eu teria gostado mais de Thor se ele não fizesse uma piadinha a cada diálogo, e o Hulk segue a mesma lógica. Loki continua sendo interessante, roubando a cena em diversos momentos. A trilha sonora também é bacana, dando uma ambientação legal pras cenas – especialmente as de luta.

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Não acho que Thor: Ragnarok tenha valido o ingresso, então não indico que você o assista no cinema. Também não acho que seja indispensável pra entender a cronologia da Marvel e a treta com as Joias do Infinito que virá em Vingadores: Guerra Infinita. Em suma, é um filme engraçadinho, mas totalmente esquecível.

Título original: Thor: Ragnarok
Ano de lançamento: 2017
Direção: Taika Waititi
Elenco:  Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett, Idris Elba, Mark Ruffalo, Tessa Thompson, Jeff Goldblum, Karl Urban

Review: Liga da Justiça

Oi pessoal, tudo bem?

Voltei do cinema agora há pouco e vim correndo contar pra vocês o que achei de um dos filmes mais esperados do ano: Liga da Justiça! 

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Sinopse: Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca sua nova aliada Diana Prince (Gal Gadot) para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes – Batman, Mulher-Maraviha, Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) -, poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque.

Devido a uma sequência de erros da DC, muita gente temia (com razão) o resultado de Liga da Justiça. Felizmente, Mulher-Maravilha acalmou meu coração e eu fui de mente aberta assistir à Liga. E olha, a DC tá de parabéns mais uma vez!

O longa começa nos mostrando onde cada herói está. Bruce está tomado pelo remorso, sentindo-se responsável pela morte do Superman; Diana está lutando contra vilões “nas sombras”, sem revelar sua identidade; Barry Allen, o Flash, não tem uma vida estável, pulando de emprego em emprego, enquanto tenta arrumar um jeito de inocentar seu pai (que está na cadeia); Arthur Curry, o Aquaman, está ajudando uma vila de pescadores, sem assumir sua posição como rei de Atlantis; Victor Stone, o Ciborgue, está em conflito, não sabendo até que ponto ele é homem ou máquina após o acidente com uma das Caixas Maternas (fontes de energia infinita, capazes de criar e destruir). Essa introdução foi bastante necessária e interessante, porque pudemos conhecer um pouco de cada personagem e ter um contexto que justifique sua união posteriormente. A formação da Liga não ocorre “do nada”, os personagens têm motivos para tomarem a decisão de lutarem juntos. Ponto muito positivo!

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A introdução do vilão foi um pouco estranha. Do nada, o Lobo da Estepe – uma criatura que enfrentou as Amazonas, o povo de Atlantis e os homens há muitas eras – volta de seu exílio em busca das Caixas Maternas. A morte do Superman, o medo das pessoas e a falta de fé delas no mundo parecem ser pontos-chave na volta do vilão, que utiliza o medo como combustível e alimento para os demônios que o acompanham. Infelizmente, não achei o desenvolvimento do vilão e de sua mitologia satisfatórios. Outros dois personagens que não teve um desenvolvimento bem feito foram o Aquaman, cujo plot em Atlantis foi rápido e confuso, não deixando muito claras as relações do personagem (especialmente com Mera), e Ciborgue, que não tem muito de seu passado revelado e nem seu “renascimento” como Ciborgue explicado.

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Um aspecto muito positivo foi a adição de humor no longa. Os filmes da DC tendem a ser mais sérios, e isso não me incomoda nem um pouco. Contudo, as doses de comédia (em sua maioria protagonizadas por Barry) caíram muito bem. E o melhor: o personagem do Flash não se resume a piadinhas fora de contexto, justamente porque em suas primeiras cenas conhecemos um lado mais profundo do personagem (ao ver sua conexão com o pai e o drama familiar que o envolve).

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Agora, se teve uma coisa MUITO zoada no filme, foi o CGI. Assim como aconteceu em Mulher-Maravilha, os efeitos foram exagerados e artificiais, especialmente nas cenas de luta. O Lobo da Estepe não tem expressões faciais e fica deslocado em meio aos atores reais. Além disso, o que foi a boca do Superman??? Gente, era impossível não ficar encarando enquanto ele falava! Muuuito tosco, serião. Henry Cavill não podia raspar o bigode por uma questão contratual de outro filme que estava filmando e, no fim, o resultado ficou beeem ruim. Uma pena! Também senti falta de uma trilha sonora mais marcante. Não tivemos os temas clássicos dos heróis, nem o da própria Liga. 😦

Eu saí da sessão MUITO satisfeita com Liga da Justiça. Apesar de alguns deslizes, o filme teve tudo que eu gosto em filmes de super-heróis: boas cenas de luta, uma história que me manteve interessada, personagens (em sua maioria) desenvolvidos, atuações competentes e muita química entre os heróis. Acho que a DC finalmente está encontrando o seu caminho e já estou ansiosa para conferir os próximos! \o/

Título original: Justice League
Ano de lançamento: 2017
Direção: Zack Snyder
Elenco:  Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Amy Adams, Jeremy Irons, Ciarán Hinds

Review: Mãe!

Oi pessoal, como estão?

Apesar de ter visto Mãe! no cinema, outras pautas acabaram virando prioridade aqui no blog e demorei um pouquinho pra escrever o review. Porém, sem mais delongas, vamos à minha opinião sobre esse filme simbólico e controverso. 😉

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Sinopse: Um casal vive em um imenso casarão no campo. Enquanto a jovem esposa (Jennifer Lawrence) passa os dias restaurando o lugar, afetado por um incêndio no passado, o marido mais velho (Javier Bardem) tenta desesperadamente recuperar a inspiração para voltar a escrever os poemas que o tornaram famoso. Os dias pacíficos se transformam com a chegada de uma série de visitantes que se impõem à rotina do casal e escondem suas verdadeiras intenções.

Infelizmente, eu acabei lendo uma crítica com spoilers (odeio quem não avisa que a resenha tem spoiler) e já sabia qual era a simbologia principal do filme antes de assisti-lo. Achei que isso estragaria minha experiência mas, no fim das contas, fiquei absorta na história mesmo sabendo de antemão qual era a metáfora que o diretor estava fazendo.

Basicamente, Mãe! conta a história de um casal que vive tranquilamente em uma casa isolada. Ele (Javier Barden) é um poeta que enfrenta uma crise criativa; Ela, a Mãe (Jennifer Lawrence), é uma dona de casa devotada ao marido, que está empenhada em reformar a casa onde moram e transformá-la em um paraíso para o casal. A paz da personagem termina quando um visitante misterioso (vou chamá-lo pelo nome do ator, Ed Harris) chega ao local e é convidado pelo anfitrião a passar a noite. Posteriormente, o casal é incomodado novamente: a esposa de “Ed Harris” chega à casa e também se instala – mesmo contra a vontade da Mãe. A chegada dessa dupla misteriosa desencadeia eventos perturbadores.

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O forte de Mãe! não está nessa premissa, mas sim na metáfora e no simbolismo por trás de cada cena. A próxima frase tem spoiler, selecione se quiser ler: o diretor disse que o filme conta a história da Bíblia (de Gênesis ao Apocalipse), mas também existem outras interpretações possíveis. Podemos ver uma crítica ao modo como o ser humano lida com a Terra e os recursos naturais – explorando, machucando, destruindo; podemos também ver também o silenciamento feminino – já que o filme é um grito por socorro por parte da personagem de Jennifer Lawrence, que tem todos os seus pedidos negados. Acredito que cada espectador possa ter tirado uma lição diferente do filme, e isso é o mais interessante sobre o longa: ele te deixa com vontade de falar a respeito depois que você assiste.

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Esse parágrafo tem spoilers, pule para o próximo se não quiser ler. 😉 A metáfora da Bíblia, contudo, é a mais interessante (e óbvia). Ele é um Deus egocêntrico e punitivo, que é apaixonado pela devoção humana. Não sou religiosa e nunca li a Bíblia, mas o pouco que sei e pesquisei me mostrou que no Antigo Testamento essas eram as características de Deus. Depois que a Mãe! engravida e perde o bebê por causa dos seres humanos, vemos o Deus benevolente, que crê que a humanidade merece perdão. No fim, a Mãe (ou a Terra) decide dar um fim a todo aquele ciclo de sofrimento, tortura e massacre.

Tenho que mencionar a atuação de Jennifer Lawrence, que deu tudo de si nesse papel e mostrou do que é capaz. Eu estava um pouco implicante com ela após X-Men: Apocalipse (no qual ela fez da Mística uma versão loira da Katniss), mas em Mãe! ela superou minhas expectativas. Durante todo o filme a expressão da atriz ficou em evidência, já que a câmera acompanhou cada passo seu e toda a narrativa foi dada pelo seu ponto de vista. Com isso, pudemos ver todas as nuances da interpretação: o medo, a fragilidade, a revolta, o sofrimento, a força.

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Mãe! é um filme que não agrada a todos os públicos, principalmente por lidar com tantas simbologias e trazer um tema tão controverso. Pra mim, foi uma experiência instigante e envolvente e, por isso, recomendo! 😉

Título original: Mother!
Ano de lançamento: 2017
Direção: Darren Aronofsky
Elenco:  Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michele Pfeiffer, Brian Gleeson. Domhnall Gleeson, Kristen Wiig

Review: It: A Coisa

Oi gente, tudo bem?

Apesar de sempre ter odiado palhaços e não ser fã de filmes terror (confesso: morro de medo!), os trailers, o burburinho e a curiosidade falaram mais alto e ontem fui conferir It: A Coisa, nova adaptação do clássico de Stephen King.

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Sinopse: Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado “Losers Club” – o Clube dos Otários. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do “Losers Club” acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

O longa já começa mostrando a que veio, com a clássica cena do bueiro, em que o pequeno Georgie Denbrough desaparece. Após um salto temporal de alguns meses, vemos que seu irmão, Bill, não está lidando bem com a situação e estuda uma forma de encontrá-lo. Junto com seus amigos mais antigos (Richie, Eddie e Stanley) e com algumas novas amizades (Ben, Beverly e Mike), o grupo – que se intitula Clube dos Otários – passa a investigar não apenas o desaparecimento de Georgie, mas também a estranha circunstância que faz com que diversas crianças também estejam desaparecendo. 

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O filme dedica um bom tempo de tela a desenvolver cada criança individualmente, mostrando não apenas suas personalidades, mas também o contexto na qual estão inseridas e, principalmente, seus medos. São esses medos que servem como combustível para que Pennywise os atormente e os atraia, fazendo com que eles vivam diversos momentos de puro terror. Como se não bastasse a ameaça do palhaço, o grupo ainda sofre com o bullying de alguns valentões (momento no qual o filme aproveita para mostrar como violência gera violência) e com conflitos na própria casa (especialmente no caso de Beverly, mas esse tópico merece uma atenção especial). O pano de fundo, desenvolvido gradualmente, bem como as atuações incríveis e extremamente competentes – destaque para Finn Wolfhard, que não lembra em nada o Mike de Stranger Things –, fazem com que o público se apegue aos personagens e também explica a origem de seus temores, dando motivação para que o grupo enfrente a ameaça que atormenta a cidade de Derry há séculos – e aparece a cada 27 anos.

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Pelas resenhas que li e comentários que ouvi, eu achei que o filme seria mais brutal visualmente, mas não é tanto assim. Ele assusta, sim, e as cenas feitas para te dar pulos na cadeira funcionam. Entretanto, pelo menos pra mim, o que realmente apavora é o clima de insegurança que toma conta dos personagens. A ameaça era quase onipresente, já que Pennywise faz aparições em diversos pontos distintos. As cenas foram construídas com uma tensão crescente, da trilha sonora à iluminação. Ao mesmo tempo, o filme é muito… engraçado! Eu ri alto em diversos momentos, porque as piadas eram naturais e com excelente timing. Richie e Eddie são os personagens que mais me fizeram rir, cada um à sua maneira: enquanto o primeiro tem aquele jeitão desaforado e imaturo típico da idade, o segundo é hipocondríaco e começa a trama se preocupando mais com higiene e doenças do que com o perigo que se aproxima. Esses momentos engraçado foram ótimos, pois trouxeram leveza a um filme que assusta na medida certa, sem forçar a barra.

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Agora, preciso comentar sobre o medo da Beverly. Se você não quiser saber o que é, pule para o próximo parágrafo. 😉 A menina vive sozinha com o pai, é abusada e vive em pânico das investidas dadas por ele. O homem, que é desprezível em cada fio de cabelo, sexualiza e objetifica a filha, das roupas aos longos cabelos (que ela corta para causar repulsa no pai, que diz que ela ficou parecendo um menino). Uma das cenas mais tensas e assustadoras do filme não envolveu o Pennywise, mas sim uma tentativa de abuso por parte do pai de Beverly: revoltado por saber que a menina está andando com os garotos, ele vai pra cima dela, que revida e consegue se defender. Quando ela vence o homem que a aterroriza (acertando-o com um golpe poderoso na cabeça) é impossível não ficar exultante. E mesmo no fim, quando o palhaço tenta assombrá-la com a imagem do pai, Beverly consegue enfrentá-lo novamente. Pra mim, esse foi o pior dos medos trabalhados no filme, simplesmente porque ele é… real. Acontece todos os dias, com milhares de meninas (70% dos estupros acontecem dentro de casa, cometidos por parentes da vítima). E isso torna a vivência da Beverly muito mais assustadora do que qualquer entidade fictícia, pois ilustra com maestria como o ser humano pode ser um dos piores vilões.

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It: A Coisa é um filme assustador e divertido, com atuações impecáveis e uma trama que te prende na cadeira e não te deixa desviar os olhos do que ocorre na tela. Vale a pena seguir o exemplo do Clube dos Otários e vencer o medo para conferir esse longa. 😉

Título original: It
Ano de lançamento: 2017
Direção: Andy Muschietti
Elenco:  Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs,  Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Bill Skarsgård, Nicholas Hamilton

Review: Planeta dos Macacos – A Guerra

Oi, pessoal. Tudo certo?

Apesar de não ter assistido a Planeta dos Macacos – A Origem e a Planeta dos Macacos – O Confronto no cinema, eu tinha muita simpatia pela série por ter visto algumas cenas do primeiro filme na TV e curtido. Com a estreia do terceiro longa, resolvi assistir aos predecessores e, feito isso, fui ao cinema conferir Planeta dos Macacos – A Guerra. E já posso adiantar: estou muito feliz com essa saga!

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Sinopse: Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César (Andy Serkis) e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel (Woody Harrelson). Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito e outros são capturados, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.

Após o confronto que aconteceu no filme anterior, César e seu grupo de macacos vivem em uma comunidade na floresta. Eles estão sob constante ataque por parte dos militares – comandados pelo inescrupuloso Coronel – que foram chamados pelo rádio também no filme anterior. A primeira cena do filme já nos apresenta a esse clima de tensão constante, com um embate feroz na floresta repleto de baixas para ambos os lados, símios e humanos. Os macacos pretendem ir embora para um local afastado, com o intuito de fugir dessa guerra incessante, mas o Coronel surge para impedir esses planos. Em uma sequência extremamente tensa – com vários cortes, muitas sombras e uma trilha sonora angustiante – uma tragédia acontece, colocando César em um caminho de ódio e vingança. Com o intuito de acabar de uma vez por todas com o Coronel, César parte com mais três fieis companheiros (Maurice, Rocket e Luca) em busca da base militar humana.

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Toda a nova trilogia de Planeta dos Macacos traz diversos questionamentos importantes, como a questão da empatia e o que realmente é ser “humano” ou “racional”. Toda a história é contada pela perspectiva de César, então acompanhamos os conflitos internos do personagem – que um dia foi criado e amado por humanos, mas há muito tempo tem se deparado com o pior deles – bem como as dores e a luta para manter sua comunidade segura. Em contrapartida, do lado humano da narrativa (que nunca assume o fio condutor do enredo) temos terríveis exemplos, muito mais bestiais e incapazes de dialogar e tentar fazer as coisas de uma nova forma. Mais uma vez, humanos cometem os mesmos erros do passado, causando segregação, extermínio e intolerância. Já deu pra perceber que o filme é uma alegoria incrível sobre o que acontece na política mundial hoje, né? A própria construção de um muro para a separação dos inimigos é mostrada no longa, que não poderia ser mais atual, ao mesmo tempo em que faz referências ao holocausto em uma espécie de “campo de concentração símio”.

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A atuação de Andy Serkis por meio da tecnologia de captura de movimentos é sensacional, e ficou cada vez mais profunda com o passar dos filmes, acompanhando a evolução do protagonista (há uma cena em específico na qual toda a dor e sofrimento do personagem transparecem, e eu fiquei de boca aberta com a competência do ator e com a evolução dessa tecnologia). César é um personagem extremamente verossímil, cheio de nuances e sentimentos conflitantes. Após passar por uma perda terrível em A Guerra, o personagem fica cada vez mais sombrio e parecido com seu antigo amigo e traidor, Koba, o antagonista de O Confronto. Ao mesmo tempo, o espectador nunca deixa de compreender suas motivações, justamente porque acompanhamos a complexidade do personagem ser construída ao longo da trilogia. Outra atuação importante é a de Woody Harrelson no papel de Coronel. Cruel, o personagem é ao mesmo tempo insano e crível, porque o enredo o constrói de modo a explicar (mas jamais justificar) suas ações.

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Cenários espetaculares, trilha sonora impecável e jogo de luzes envolvente são alguns dos elementos que mais chamaram a atenção no filme, porque constroem perfeitamente a atmosfera. Também não faltam cenas emocionantes que me levaram às lágrimas mais de uma vez. Contudo, nem tudo são flores, e eu achei que o filme peca em alguns quesitos (principalmente quando comparo aos longas anteriores, que pra mim foram extremamente envolventes). O roteiro parece se perder um pouco da metade para o final do filme, com a inserção de muitas informações novas que eu julguei desnecessárias. Parece que forçaram um pouco a analogia (que já estava bem clara) de que humanos são mais feras que os macacos com a nova mutação do vírus, sei lá. Também achei que o foco na humana Nova foi um desperdício, já que as estrelas do filme sempre foram os macacos. Ela protagoniza algumas cenas sensíveis que, ao meu ver, não tinham espaço para a participação dela (pôster incluso, cof cof). O Macaco Mau é um novo personagem que traz alívio cômico ao longa, é cativante, mas me pareceu deslocado, já que nenhum filme da trilogia tinha essa pegada. E em relação ao desfecho… bom, achei coerente, mas previsível. Antes de entrar na sala de cinema eu ainda comentei com o meu namorado que imaginava que determinada coisa aconteceria, e aconteceu. Faz sentido com a jornada do personagem, mas a maneira como isso aconteceu me pareceu um pouco utópica (selecione se quiser ler: o César se machucou seriamente na batalha, mas ainda assim conseguiu marchar com sua família até a nova “terra prometida” e só morreu ao chegar lá. Forçado, né?).

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Planeta dos Macacos – A Guerra não é o meu filme favorito da trilogia, mas encerra de forma digna, competente e emocionante a jornada de César. Por mais que existam algumas falhas em relação aos longas anteriores, o filme foi capaz de me emocionar e me deixar satisfeita com os rumos tomados por essa saga que me conquistou completamente. Recomendo não apenas esse filme, mas a nova trilogia Planeta dos Macacos como um todo. Vocês não vão se arrepender!

Título original: War for the Planet of the Apes
Ano de lançamento: 2017
Direção: Matt Reeves
Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Karin Konoval, Steve Zahn, Terry Notary, Michael Adamthwaite, Amiah Miller

Review: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Oi pessoal, como estão?

Ontem fui conferir o tão aguardado Homem-Aranha: De Volta ao Lar! Cheguei uns 10 minutos atrasada na sessão, mas deu tudo certo hahaha!

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Sinopse: Depois de atuar ao lado dos Vingadores, chegou a hora do pequeno Peter Parker (Tom Holland) voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o terrível vilão Abutre (Michael Keaton) surge amedrontando a cidade. O problema é que a tarefa não será tão fácil como ele imaginava.

Obviamente, o filme se passa após Capitão América: Guerra Civil, então temos um Peter Park que já é Homem-Aranha há algum tempo e que, agora, está em contato com Tony Stark. Ou melhor, com Happy, um assistente do Tony. Enquanto as instruções de Peter dizem para ele trabalhar na sua própria região, ajudando quem precisa, o garoto aspira por mais, empolgado com a perspectiva de se tornar um Vingador de verdade. E esse desejo faz com que ele acabe se envolvendo na luta contra um traficante de armas perigoso, ao mesmo tempo em que precisa lidar com as responsabilidades (não foi piadinha, juro!) na escola e nas suas relações pessoais.

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O que eu mais gostei de Homem-Aranha (não vou voltar o título todo sempre, tá?) foi o humor. O filme me fez rir o tempo todo, trazendo uma leveza enorme na maneira como o personagem foi retratado. Peter é engraçado, divertido, carismático e é um típico menino de 15 anos que quer provar o seu valor, mas mal tem coragem de chamar a garota que gosta pra sair, o que também o torna muito real. Além disso, uma das melhores sequências é quando o Homem-Aranha ajuda as pessoas do Queens das maneiras mais adoráveis possíveis (como instruir uma senhora a chegar em determinado endereço), mostrando o lado “amigo da vizinhança” que todos queríamos ver. Outra cena super bacana foi aquela na balsa, em que há uma clara referência à primeira trilogia do Homem-Aranha, de Sam Reimi.

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Outro aspecto positivo: a participação do Homem de Ferro não foi maior do que precisava ser. Muitos fãs temiam que ele fosse tomar conta do longa, mas não foi o que aconteceu. E, pra mim, ainda foi ainda mais legal porque mostraram novamente uma personagem da qual senti falta, então foi só sucesso hahaha! Outros personagens não tiveram uma importância tão grande no longa, com exceção talvez de Ned, o melhor amigo de Peter. Deslumbrado com a possibilidade de auxiliá-lo na luta contra o crime, Ned é aquele personagem total alívio cômico. Porém, muitas vezes acabei achando-o sem graça, já que o próprio Peter cumpria esse papel do humor muito bem. Por fim, vale mencionar que Zendaya teve uma participação muito pequena. Os fãs (racistas, cof cof) fizeram um auê enorme pensando que ela seria a Mary Jane e, no fim, ela nem teve tanto tempo de tela. Porém, gostei da personagem, que é divertida e carismática.

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O ponto fraco do filme, novamente, foi o vilão. Mas também existe um ponto positivo nele. Calma, vou explicar! 😛 O lado negativo é que novamente não temos um desenvolvimento bacana, as motivações do personagem são muito fracas e vazias. O lado positivo é que não era um vilão megalomaníaco, não era um combate contra a destruição do mundo, ou algo semelhante, sabem? E isso é bacana, porque deixa o filme mais coerente e com uma história própria e fechadinha em si mesma. 🙂

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Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um filme carismático, leve e divertido. Foi prazeroso assistir a Peter realmente se transformando em Homem-Aranha e entendendo seu valor. A Marvel fez um excelente trabalho com esse personagem, mostrando que soube lidar com as expectativas e com a responsabilidade (tá, agora foi zuera, sorry HAHA!). Bem-vindo ao MCU, Peter! ❤

Título original: Spider-Man: Homecoming
Ano de lançamento: 2017
Direção: Jon Watts
Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Zendaya, Jacob Batalon, Marisa Tomei, Laura Harrier