Review: Como Treinar o Seu Dragão 3

Oi gente, tudo bem?

No fim de semana, fui conferir (com um misto de empolgação e tristeza pela despedida) Como Treinar o Seu Dragão 3, e hoje conto pra vocês o que achei do filme que encerra uma das minhas franquias favoritas. ❤

poster como treinar o seu dragao 3

Sinopse: Soluço tem um grande sonho: encontrar um lar onde os dragões possam viver em paz. Mas, no meio deste plano, o perigo começa a rondar a sociedade viking quando o vilão Grimmel aparece para acabar com a liberdade dos dragões – especialmente Banguela.

Depois de conquistar a paz entre Berk e os dragões, enfrentar um vilão terrível que tinha um exército formado por eles, perder o próprio pai e assumir a liderança de seu povo, Soluço agora se dedica – junto de seus amigos Cavaleiros de Dragões – a resgatar os animais capturados por caçadores. Com uma bela sequência de abertura, o filme nos mostra como os jovens aperfeiçoaram suas vestes e habilidades para poderem lutar pela liberdade das criaturas. Contudo, uma nova ameaça surge: Grimmel, um notório e cruel caçador, responsável pela quase extinção dos Fúrias da Noite, que deseja terminar o que começou (ou seja, destruir Banguela também).

como treinar o seu dragão 3 (5).png

Entretanto, descobrimos que Banguela não é o único Fúria da Noite existente. Uma fêmea surge em seu caminho, apelidada de Fúria da Luz devido à sua coloração branca e leve brilho da pele. Parênteses: gente, me desculpem, mas achei ela muito feia HAHAHA! Ela parece visguenta e melequenta, e não pude deixar de pensar naquele bichinho, axolote (ou salamandra mexicana). 😂 Desabafo feito, vamos continuar: Banguela obviamente se apaixona pela Fúria da Luz, percebendo que finalmente pode construir os laços de afeto que ele vê outros dragões construindo. Pela primeira vez, o jovem dragão contempla a possibilidade de construir uma família. E, sabendo do peso que essa revelação tem, Soluço está disposto a tudo para proteger Banguela e a Fúria da Luz: inclusive encontrar o Mundo Escondido dos Dragões, um lugar mítico que seu pai sempre acreditou existir, localizado no fim do mundo.

Apesar de ter diversas cenas de ação bem empolgantes, especialmente devido à missão de salvar os dragões de Grimmel, Como Treinar o Seu Dragão 3 não se destaca por esses momentos. As cenas que mais marcam são aquelas que desenvolvem o aspecto emocional dos personagens, que estão em uma difícil jornada de amadurecimento. É muito bonito perceber que Soluço e Banguela vivem as mesmas experiências em simultâneo: viram líderes, depois precisam tomar decisões difíceis para proteger o grupo e vislumbram o desejo de construir uma família. Em Como Treinar o Seu Dragão 3, vemos com clareza duas linhas se formando, e cada uma vai sendo percorrida por Soluço e por Banguela, que precisam decidir em definitivo seus destinos.

como treinar o seu dragão 3

O filme tem um tom mais infantil que seu antecessor, especialmente no plot de Banguela apaixonado. É bem engraçado assistir o inexperiente dragão cortejando a fêmea, mas por ser um filme de conclusão, acaba destoando um pouco do tom a que estamos acostumados – já que os filmes anteriores trazem situações bem desafiadoras e até mesmo tristes em suas tramas. Ainda comparando com o filme anterior, senti que o vilão também foi mais superficial e nada inovador: assim como Drago, Grimmel é um caçador de dragões que foi vitimado por eles no passado, deseja vingança e utiliza uma forma de controle não-ortodoxa para controlá-los. Isso acabou tornando o plot do vilão repetitivo e sem surpresas, sendo a parte mais fraca do filme, na minha opinião. O terceiro ponto não tão legal diz respeito ao Mundo Escondido: apesar de fazer parte até do nome original do filme, sua participação é breve e ele acaba sendo mais uma solução para um problema do que algo explorado e desenvolvido.

como treinar o seu dragão 3

O grande mérito de Como Treinar o Seu Dragão 3 está nas reflexões sobre responsabilidade e autoconfiança que o longa propõe. No caso de Soluço, é nítido que ele duvida MUITO de si mesmo, devido ao seu histórico de achar que só faz besteira. Para o líder de Berk, somente ao lado de Banguela ele foi capaz de fazer coisas grandiosas e, se seu dragão partir, ele não será mais capaz disso. Astrid, que segue como sua namorada, desempenha um papel valioso nessa dinâmica, relembrando a Soluço que todas as suas conquistas vieram de sua personalidade questionadora, impulsiva e determinada – e que Banguela não é o responsável por sua essência. Que casalzão! ❤ Nesse ponto, Soluço percebe que precisa retomar a crença em si mesmo e entender quem realmente é. É tão lindo presenciar personagens que cresceram TANTO para chegar até aqui. ❤

como treinar o seu dragão 3 (3).png

O final do filme é agridoce, tendo potencial de agradar tanto a quem esperava algo mais triste como quem prefere finais felizes. Existem cenas que emocionam e partem o coração – ainda que eu as tenha achado mais leves que os filmes 1 e 2 –, mas a trama vai sendo construída com delicadeza e competência para nos levar àquele momento. Soluço finalmente compreende que os dragões são especiais demais e que a humanidade não está pronta para lidar com criaturas tão inteligentes e dóceis; Banguela finalmente assume seu papel de liderança, pensando na proteção do grupo e no que é melhor para sua espécie. Não foi tão triste quanto Toy Story 3, por exemplo, mas concluiu de maneira lindíssima essa história de amizade que tanto amamos e respeitamos.

como treinar o seu dragão 3 (4).png

Como Treinar o Seu Dragão é um dos meus filmes favoritos, e esse amor foi crescendo com o tempo e com os filmes. Não é fácil dar adeus a uma história que amamos, mas – assim como Soluço e Banguela entenderam -, é necessário. Como Treinar o Seu Dragão 3 conclui uma das trilogias de animação mais incríveis já feitas de modo muito bonito, respeitando a trajetória e a evolução de cada um dos personagens. Obrigada por tudo, Berk. Obrigada por tudo, Soluço e Banguela!

P.S.: gente, a Valka não era ruiva no filme anterior, era???
P.S. 2: assistam aos créditos, são lindos e emocionantes. ❤

Título original: How To Train Your Dragon: The Hidden World
Ano de lançamento: 2019
Direção: Dean DeBlois
Elenco: Jay Baruchel, America Ferrera, Gerard Butler, Cate Blanchett, Kit Harington, Craig Ferguson, Kristen Wiig, Jonah Hill, F. Murray Abraham, T. J. Miller, Christoper Mintz-Plasse

Anúncios

Review: Homem-Aranha no Aranhaverso

Oi gente, tudo bem?

Fui conferir o comentadíssimo Homem-Aranha no Aranhaverso e hoje conto pra vocês o que achei desse filme surpreendente.

homem aranha no aranhaverso

Sinopse: Miles Morales é um jovem negro do Brooklyn que se tornou o Homem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entretanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, ele é surpreendido com a presença do próprio Peter, vestindo o traje do herói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras versões do Homem-Aranha.

Eu já tinha lido diversas críticas positivas em relação ao filme mas, ainda assim, fui de coração aberto sem saber bem o que esperar em relação à trama. Para a minha surpresa, o filme já me impressionou nas primeiras cenas pela incrível direção de arte: apesar de ser uma animação 3D, há referências claras a animações 2D e quadrinhos. Até alguns recursos das HQs estão lá, como balões de fala e hachuras, por exemplo. É muito prazeroso de assistir e um verdadeiro espetáculo visual!

homem aranha no aranhaverso (5)

A história também convence: nessa realidade, Peter Parker já está estabelecido como Homem-Aranha. O novo protagonista é Miles Morales, um adolescente que acidentalmente também é picado por uma aranha radioativa, ganhando habilidades muito semelhantes às de Peter. Porém, o Rei do Crime causa a morte do Homem-Aranha original e, em uma experiência perigosa com um colisor de partículas, provoca uma espécie de buraco no espaço-tempo, trazendo para a nossa dimensão outras versões do Homem-Aranha. A missão de Miles a partir de então é cumprir a promessa que fez ao Peter Parker de sua dimensão antes que ele morresse: destruir o colisor e impedir que a realidade seja apagada. Para isso, ele precisa aprender a dominar os seus poderes e, obviamente, lidar com as responsabilidades (sorry não resisti rs).

homem aranha no aranhaverso (6).png

Miles é um personagem bastante carismático e com conflitos pessoais que fazem com que o espectador simpatize com ele. Há grandes expectativas por parte de sua família, que deseja que ele seja um estudante exemplar, mas não entendem que as paixões do garoto são a arte, a música e o grafitti. Seu tio Andrew parece ser o único capaz de compreendê-lo, mas ele não é exatamente bem-vindo em sua família. Esses detalhes sobre seu background e sobre sua personalidade enriquecem o personagem, que tem a difícil missão de conquistar um espaço que até então pertencia somente a Peter Parker.

homem aranha no aranhaverso (3).png

Os outros Homem-Aranha (e Mulheres-Aranha, por que não?) que chegam de diferentes dimensões também são ótimos. Há um Peter Parker do futuro (desiludido com a vida e já cansado), Gwen Stacy como Spider-Gwen, um Homem-Aranha Noir, outro vindo direto de um cenário de cartoon e uma Homem-Aranha inspirada em animes. É muito divertido como o filme brinca com as origens de cada um, fazendo uma retrospectiva rápida sobre suas histórias nos quadrinhos. Esse estilo narrativo é diferente de tudo que eu já vi antes e eu adorei o bom humor do longa em trazer esses elementos para o espectador de forma didática e engraçada.

homem aranha no aranhaverso (2)

Falando em graça… Eu gargalhei DEMAIS assistindo a Homem-Aranha no Aranhaverso! O Peter Parker do futuro foi um dos maiores responsáveis por isso, mas de forma geral o tom do filme é alto astral. Apesar disso, o longa também foi capaz de me levar às lágrimas nos momentos necessários. Existem mortes importantes (como não ficar chocada ao descobrir que no universo de Miles Morales o Peter Parker morre?!) e diálogos que conseguem comover.

homem aranha no aranhaverso (4)

Resumindo, Homem-Aranha no Aranhaverso é uma animação sensacional, que vale totalmente o ingresso do cinema. Além da riquíssima experiência visual, a trilha sonora também é envolvente e a trama nunca deixa de ser interessante. Se o universo atual do aracnídeo (interpretado por Tom Holland) não me causa muita euforia, podem ter certeza que Homem-Aranha no Aranhaverso conseguiu causar. Recomendo muito e já quero ver de novo! 😉

P.S.: essa participação do Stan Lee foi de aquecer e partir o coração ao mesmo tempo! 😢 ❤

Título original: Spider-Man: Into the Spider-Verse
Ano de lançamento: 2019
Direção: Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman
Elenco: Shameik Moore, Jake Johnson (XVI), Hailee Steinfeld, Mahershala Ali, Brian Tyree Henry, Lily Tomlin, Liev Schreiber, Stan Lee

Review: Bird Box

Oi gente, tudo bem?

Depois de uma divulgação pesada, Bird Box (ou Caixa de Pássaros) chegou à Netflix. Eu não li o livro, então esse review vai ser baseado apenas no filme, ok?

bird box.png

Sinopse: Uma misteriosa presença leva as pessoas ao suicídio. Cinco anos depois, uma sobrevivente e seus dois filhos saem em busca de um abrigo seguro.

O filme começa com Malorie, nossa protagonista, avisando duas crianças de que farão uma viagem perigosa e que eles não podem tirar a venda dos olhos de jeito nenhum. O trio parte então para uma viagem de barco rumo a um abrigo, e então a narrativa muda para cinco anos no passado, período em que Malorie está vivenciando uma gravidez aparentemente indesejada. Ela e sua irmã vão até o hospital para um exame de rotina mas, saindo de lá, as duas percebem que o caos subitamente se instaurou: as pessoas ao redor começam a agir estranhamente, machucando os outros ou a si próprias, cometendo suicídios por toda parte. Durante a tentativa de fuga, a irmã de Malorie parece enxergar algo apavorante, suicidando-se em seguida. Desesperada e sem rumo em meio à confusão, Mal é ajudada por um homem a chegar em uma casa na qual outras pessoas se refugiaram.

bird box (7).png

Bird Box não é um filme que se proponha a explicar de onde surgiram as criaturas que induzem as pessoas a se suicidar (eu aposto em alienígenas). O foco do longa é trabalhar as emoções das pessoas que estão lutando para sobreviver  – o que me lembrou um pouco The Walking Dead e O Nevoeiro nesse sentido. A única coisa que fica claro é que, uma vez que você olha para as criaturas, você perde o controle de si mesmo e precisa se machucar ou machucar alguém próximo. Por isso, os sobreviventes fazem o possível para tapar cada janela, porta e fresta para o mundo exterior. O problema é que dentro da casa também existem desafios, já que o grupo é muito heterogêneo e com interesses e personalidades diferentes. Essa premissa poderia ser bem interessante, mas acaba sendo uma parte do filme bastante clichê e mal desenvolvida. Os personagens da casa são estereotipados e não cativam o espectador. 

bird box (3).png

Bird Box até tentou criar uma conexão entre os personagens, mas não funcionou muito bem. Malorie e Tom são a dupla com mais química, e o desagradável Douglas acaba sendo necessário também pra mexer um pouco com os ânimos (por mais babaca que seja). Olympia, por outro lado, parece alguém totalmente fora da casinha. Não consegui “comprar” a aproximação dela com Malorie, especialmente porque essa amizade parece um tanto quanto indesejada pela segunda. As duas compartilham um momento de ternura envolvendo a gravidez (já que ambas estão com a gestação em uma fase aproximada), mas pra mim não foi forte o suficiente para o desenrolar com as crianças. Acho super estranho que a filha de Olympia pareça ter mais destaque que o filho de Malorie, inclusive. Entretanto, em termos de atuação isso foi positivo, já que a menina é a mais expressiva da dupla mirim.

bird box (8).png

Sandra Bullock é um dos destaques do filme. Ela dá vida a uma protagonista forte e determinada, ainda que tenha dificuldades em lidar com seus sentimentos pelas crianças – já que fica claro no início do longa que talvez a maternidade não fosse algo desejado. O medo é bastante palpável, e ela usa da racionalidade para lidar com a situação, fazendo disso o pilar da criação dos filhos. Chega a ser estranho ver como Malorie interage com eles (de modo seco e rígido o tempo todo), mas também é possível compreender o estado de nervos fragilizado e permanente em que a personagem se encontra (e a vontade de fazer com que as crianças sobrevivam).

bird box (2).png

Os momentos de tensão são dignos de um thriller e conseguiram me deixar apreensiva. Cenas como a busca por suprimentos, a sequência envolvendo Gary e a viagem pelo rio me deixaram atenta, e acredito que muito disso se deva ao mistério que envolve as criaturas e o medo daquilo que não conhecemos. Só de pensar na situação já é algo bastante aflitivo, por saber que a ameaça está à espreita e você não pode abrir os olhos para tentar se defender. Além das criaturas, os personagens também precisam enfrentar algo tão cruel quanto: os próprios seres humanos.

bird box (5).png

Bird Box não é um filme perfeito, especialmente por ter muitas falhas ao desenvolver os personagens e a dinâmica entre eles. Contudo, a experiência não foi negativa. Sim, em alguns momentos senti que o filme estava se arrastando demais, mas em outros fiquei bastante aflita (que é o que espero de um thriller). O pano de fundo da trama assusta, assim como os desafios enfrentados por Malorie e seus filhos. Apesar de alguns defeitos no desenvolvimento, acho que vale a pena conferir! 🙂

Título original: Bird Box
Ano de lançamento: 2018
Direção: Susanne Bier
Elenco: Sandra Bullock, Trevante Rhodes, John Malkovich, Danielle Macdonald, Tom Hollander, Sarah Paulson, Vivien Lyra Blair, Julian Edwards

Review: Aquaman

Oi pessoal, tudo certo?

Fui ao cinema conferir o elogiadíssimo Aquaman e hoje conto tudo pra vocês (sem spoilers!). ❤

aquaman poster

Sinopse: Filho do humano Tom Curry (Temuera Morrison) com a atlante Atlanna (Nicole Kidman), Arthur Curry (Jason Momoa) cresce com a vivência de um humano e as capacidades metahumanas de um atlante. Quando seu irmão Orm (Patrick Wilson) deseja se tornar o Mestre dos Oceanos, subjugando os demais reinos aquáticos para que possa atacar a superfície, cabe a Arthur a tarefa de impedir a guerra iminente. Para tanto, ele recebe a ajuda de Mera (Amber Heard), princesa de um dos reinos, e o apoio de Vulko (Willem Dafoe), que o treinou secretamente desde a adolescência.

Se você é daqueles que achava o Aquaman um super-herói tosco e sem graça, digo apenas uma coisa: reveja seus conceitos, parça! 😂 O Aquaman de Jason Momoa é tão badass que consegue deixar até mesmo o uniforme amarelo e verde incrível. Vimos o personagem pela primeira vez em Liga da Justiça, mas em seu primeiro filme solo podemos conhecer mais de sua personalidade e história de origem.

aquaman (5).png

O filme se passa depois da Liga, mas traz muitos vislumbres do passado do herói: ele nasceu do amor de um humano, Tom, e uma atlante, mais especificamente a rainha de Atlantis, Atlanna (sim, repetitivo rs). A rainha fugiu de um casamento arranjado e acabou se apaixonando por Tom, na superfície, com quem teve o pequeno Arthur. Porém, alguns anos depois, ela retorna a Atlantis para proteger a sua família, já que o noivo abandonado enviou soldados para buscá-la, colocando Arthur e Tom em risco. Já no presente, vemos Arthur desempenhando seu papel heróico de modo mais “tímido”, geralmente ajudando marinheiros e combatendo piratas. Porém, a ação realmente começa quando a princesa Mera procura Arthur para informar que seu meio-irmão, Orm, está reinando em Atlantis e planejando um ataque devastador à superfície. O único modo de impedi-lo é Arthur reivindicar o trono.

aquaman.png

Apesar da trama simples e linear (a típica jornada do herói em sua fórmula mais óbvia), Aquaman consegue costurar cada acontecimento de modo muito satisfatório. A sequência dos fatos ocorre de modo bastante natural, dando muito sentido às escolhas e ações dos personagens. Arthur nunca desejou ser rei mas, ao perceber e ameaça que paira sobre a superfície, ele decide agir para impedir o meio-irmão. Essa decisão o leva em uma jornada em busca do Tridente do primeiro rei de Atlantis, cuja posse o legitima como verdadeiro Mestre dos Oceanos. Como aliados, Arthur conta como Vulko (um conselheiro real que, a pedido de Atlanna, o treinou durante a infância) e Mera (princesa de Xebel, um dos reinos marítimos aliados de Atlantis). A busca pelo tridente é cheia de cenas de ação incríveis, que mantêm o espectador entretido e animado.

aquaman (2).png

E o que dizer dos efeitos especiais? Parte do longa, obviamente, se passa embaixo d’água, e somos apresentados a diversas civilizações que existem no fundo do mar. A riqueza de detalhes das cidades submersas, bem como seus diferentes povos, encantam quem assiste. Atlantis é colorida, cheia de efeitos neon e criaturas interessantes. Além disso, a fluidez dos movimentos embaixo d’água é admirável, tornando tudo o mais verossímil possível (considerando as circunstâncias fantásticas, é claro rs).

aquaman (4).png

Jason Momoa é um ator extremamente carismático, que dá vida a um Aquaman meio fanfarrão, divertido e bem-humorado. As piadas têm um ótimo timing e trazem uma leveza MUITO bem-vinda aos filmes da DC. Apesar de ele não entregar uma performance tão boa em cenas mais dramáticas, isso não chega a prejudicar a experiência. Também gostei de Amber Heard como Mera. Ela é uma personagem bastante firme, um pouco autoritária e muito decidida, além de poderosa e badass (e é a cara da Scarlett Johanson!). A química entre os personagens funciona e, apesar das personalidades muito diferentes, eles se complementam muito bem.

aquaman (6)

Os vilões são um pouco rasos, com motivações um tanto óbvias. Arraia Negra é um pirata que busca vingança pela morte do pai, enquanto Orm tem dois sentimentos principais guiando suas decisões: ressentimento de Arthur (pois o culpa pela morte da mãe) e ódio da superfície (pela poluição e desrespeito com o mar). Nesse cenário, Orm acaba sendo mais interessante, apesar da reflexão bastante superficial sobre os danos causados pelos humanos à vida marinha.

aquaman (7)

Aquaman foi um BAITA acerto da DC esse ano, sendo um filme divertido, fluido e coerente. O tom do longa também é ótimo, entregando uma história eficiente com uma dose de humor acertada e bem-vinda. Os efeitos especiais encantam e a performance dos atores é competente, com destaque para o carisma de Jason Momoa. Resumindo: assistam!

Título original: Aquaman
Ano de lançamento: 2018
Direção: James Wan
Elenco: Jason Momoa, Amber Heard, Willem Dafoe, Patrick Wilson, Yahya Abdul-Mateen II, Nicole Kidman, Temuera Morrison, Dolph Lundgren

Review: Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald

Oi povo, tudo certo?

Cá estou para falar sobre o tão aguardado Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald.

poster os crimes de grindelwald.png

Sinopse: No final do primeiro filme, o poderoso bruxo das trevas Gellert Grindelwald foi capturado pela MACUSA (Congresso Mágico dos Estados Unidos da América) com a ajuda de Newt Scamander. Mas, cumprindo sua ameaça, Grindelwald escapa da custódia e prepara-se para reunir seguidores a fim de criar bruxos de sangue puro e dominar todos os seres não-mágicos. Em um esforço para frustrar os planos de Grindelwald, Alvo Dumbledore recruta seu ex-aluno Newt. Mas essa missão também testará a lealdade deles à medida que enfrentam novos perigos em um mundo mágico cada vez mais perigoso e dividido.

O filme começa alguns meses depois de seu antecessor. Após conseguir aliados infiltrados no MACUSA, Grindelwald foge da prisão e inicia o seu plano de encontrar e recrutar Credence – que sobreviveu – à sua causa. Paralelamente, Alvo Dumbledore incentiva Newt a ir para a França em busca do jovem, de modo a protegê-lo (já que o Ministério da Magia britânico acredita que Credence seja uma ameaça).

os crimes de grindelwald.png

Digamos que esse seja o plot básico que move a trama. Se o foco permanecesse este, acredito que Os Crimes de Grindelwald poderia ter sido um filme muito melhor. Porém, existem muitos outros núcleos no longa: Queenie e seu desejo de se casar com Jacob (algo proibido pelas leis retrógradas dos EUA), a missão de Tina – agora auror – em busca de Credence, o mistério envolvendo o passado de Leta Lestrange, a trama de vingança do novo personagem (Yusuf Kama)… Já deu pra sentir que o filme tem mais histórias do que comporta, né? Porque é exatamente isso que acontece.

os crimes de grindelwald 2.png

O grande problema de Os Crimes de Grindelwald, na minha opinião, foi o roteiro de J. K. Rowling. Sabemos que ela sabe costurar muito bem diversas tramas e personagens ao longo de seus livros, entretanto, a dinâmica no cinema é diferente. Ela tem cerca de 2h para contar uma história (ainda que seja um filme de transição) e nesse tempo o enredo precisa funcionar, nem que para isso sejam cortadas tramas e cenas desnecessárias. Se a J. K. tivesse um roteirista mais experiente trabalhando junto com ela, talvez a sensação de “colcha de retalhos” não tivesse predominado mas, infelizmente, foi isso que senti ao sair da sala de cinema.

os crimes de grindelwald 6.png

O plot de Leta Lestrange, por exemplo, parece um grande filler, com objetivo (falho) de tentar nos enganar sobre o passado de certo personagem. O fanservice ao longo da trama também rolou solto, parecendo que a autora queria conectar Animais Fantásticos a Harry Potter a todo fuckin’ custo. Nagini e todo o auê causado por sua revelação? Esqueçam. Se ela tem quatro ou cinco falas o filme inteiro é muito. A mudança no comportamento de Queenie foi brusca, inverossímil e feita de maneira muito rápida, tornando difícil de engolir sua transformação psicológica. A montagem cheia de cortes não conferiu fluidez ao longa, que acabou me cansando e me provocando a sensação de “tá, mas para onde isso está indo?”. Fora que a divulgação prévia deixou extremamente óbvio o destino de uma das personagens mais importantes do filme anterior.

os crimes de grindelwald 3.png

Mas seria injusto fazer apenas críticas a Os Crimes de Grindelwald. O elenco segue excelente e as atuações merecem destaque. Zoë Kravitz (Leta) e Alison Sudol (Queenie), na minha opinião, tiveram duas das melhores performances, com atuações cheias de nuances e expressividade. Jude Law entregou um ótimo Dumbledore, nos fazendo sentir a conexão com o personagem que conhecemos em Harry Potter. Até o embuste Johnny Depp conseguiu me surpreender, saindo da caricatura de Jack Sparrow e entregando um Grindelwald cujo discurso persuasivo, argumentativo e sedutor o torna muito mais perigoso.

os crimes de grindelwald 4.png

Além disso, a fotografia e os figurinos seguem espetaculares. O filme é visualmente muito bonito, com efeitos especiais incríveis. As magias também foram ótimas, de encher os olhos (algo que eu sentia falta nesse novo universo mágico). Outro detalhe que adorei: ver a casa de Newt e um pouco mais de seu dia a dia com as criaturas mágicas. A ternura do personagem fica evidente no modo como ele as trata, sempre com muito carinho e respeito. E, já que falei em Newt, vale mencionar que a química com Tina também funcionou melhor nesse filme.

os crimes de grindelwald 5.png

Em suma, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald tem alguns pontos positivos, mas é um filme bem mediano. Mesmo sendo potterhead de carteirinha, não pude fechar os olhos às falhas na construção do roteiro e espero, de coração, que a J. K. Rowling entenda que filmes são mídias bem diferentes de livros ao construir o roteiro do próximo longa. De qualquer forma, a experiência não foi ruim: o filme é divertido e entretém. Só não é tão bom quanto poderia ser.

Título original: Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald
Ano de lançamento: 2018
Direção: David Yates
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterson, Alison Sudol, Dan Fogler, Jude Law, Johnny Depp, Ezra Miller, Zoë Kravitz

Review: Jurassic World: Reino Ameaçado

Oi galera, tudo bem?

Ontem fui conferir Jurassic World: Reino Ameaçado e hoje conto o que achei pra vocês, sem spoilers. 😉

jurassic world reino ameaçado poster.png

Sinopse: Três anos após o fechamento do Jurassic World, um vulcão prestes a entrar em erupção põe em risco a vida na ilha Nublar. No local não há mais qualquer presença humana, com os dinossauros vivendo livremente. Diante da situação, é preciso tomar uma decisão: deve-se retornar à ilha para salvar os animais ou abandoná-los para uma nova extinção? Decidida a resgatá-los, Claire (Bryce Dallas Howard) convoca Owen (Chris Pratt) a retornar à ilha com ela.

O filme se passa 3 anos após seu antecessor, O Mundo dos Dinossauros. Claire e Owen não estão juntos, e ela trabalha em uma organização que luta pela preservação dos dinossauros. Os animais estão novamente ameaçados de extinção, pois um vulcão da Ilha Nublar foi reclassificado como ativo, e a qualquer minuto ele pode entrar em erupção. As esperanças de Claire se renovam quando Benjamin Lockwood, antigo parceiro de John Hammond (cuja companhia criou os clones dos dinossauros), oferece a Claire a chance de resgatar os animais da Ilha Nublar. Quem organiza toda a empreitada é o braço direito do idoso, Mills, que é também responsável por gerenciar a fortuna de Lockwood. Claire, então, procura Owen para ajudá-la na missão de trazer os dinossauros em segurança, e ele aceita. Entretanto, a ganância humana e a falta de escrúpulos levam os protagonistas a uma situação extremamente perigosa.

jurassic world reino ameaçado.png

Não posso negar, existem algumas coisas que são óbvias ao espectador logo de cara. O chefe da expedição tem todo o estereótipo de vilão traidor, e o alívio cômico do filme passa 80% do longa sendo apenas isso. Como críticas negativas, ressalto ainda as repetições no roteiro. T-Rex e Blue aparecendo no último minuto pra salvar os humanos é uma fórmula que já não surpreende mais. Ainda assim, o filme é cativante e, assim como o longa anterior, tem cenas de ação que te fazem prender a respiração e agarrar a poltrona do cinema. Seja na erupção do vulcão ou nas cenas da mansão Lockwood, eu levei vários sustinhos e fiquei imóvel de expectativa, tamanha a tensão que Reino Ameaçado causa.

jurassic world reino ameaçado 2.png

Nesse longa, o objetivo dos vilões é transformar os dinossauros em armas, leiloando-os a ricaços pelo mundo inteiro (fica aqui a crítica pro estereótipo tosco de comprador russo). O animal mais precioso do “catálogo” é o Indoraptor, uma espécie de fusão entre a Indominus Rex (do filme anterior) com o velociraptor. Além da crítica à ganância humana em si, que brinca com a natureza sem pensar nas consequências, o filme também mostra os maus tratos aos animais, que ficam sofrendo agressões em jaulas minúsculas. Essa atitude causa ainda mais desconforto quando percebemos que os animais sentem dor, medo e outras emoções – como fica nítido no caso de Blue, que demonstra também sentir empatia.

jurassic world reino ameaçado 4.png

Os personagens principais seguem carismáticos, e eu gosto muito da dinâmica de gato e rato de Claire e Owen. A nova adição infantil ao elenco, Maisie, também conquista (e está envolvida em um plot twist bem mindblowing, mas que não tem impacto na trama). A menina é neta de Lockwood e tem um papel fundamental no desfecho do longa. Aliás, o final deixa uma possibilidade de continuação incrível, questionando como será possível que a humanidade conviva com os dinossauros, que agora estão em liberdade. Devo dizer, inclusive, que a condução dos fatos nesses novos filmes me lembram a nova trilogia Planeta dos Macacos: inicia com um macaco que passa por experimentos, aí no segundo filme eles ganham o mundo e, no terceiro, há uma batalha pela sobrevivência. Ficarei de olho no terceiro longa de Jurassic World pra ver se vai rolar mais alguma semelhança. 😛

jurassic world reino ameaçado 3.png

Jurassic World: Reino Ameaçado é um filme de ação com várias cenas que deixam o espectador tenso e na expectativa pelo que vai acontecer (ainda que eu não tenha achado que seja uma vibe de terror, como outras críticas na internet comentaram). É um excelente entretenimento, que diverte e empolga durante sua duração. Recomendo!

Título original: Jurassic World: Fallen Kingdom
Ano de lançamento: 2018
Direção: Juan Antonio Bayona
Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Justice Smith, Daniella Pineda, Rafe Spall, Isabella Sermon, James Cromwell, Toby Jones, Jeff Goldblum

Review: Jogador Nº 1

Oi gente, tudo certo?

Apesar do filme ter estreado há um tempinho, vim contar pra vocês o que achei de Jogador Nº 1.

jogador numero 1 poster.png

Sinopse: Num futuro distópico, Wade Watts (Tye Sheridan), como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo OASIS ao mundo real. Quando o criador do jogo, o excêntrico James Halliday (Mark Rylance) morre, os jogadores devem descobrir a chave de um quebra-cabeça diabólico para conquistar sua fortuna inestimável. Para vencer, porém, Watts terá de abandonar a existência virtual e ceder a uma vida de amor e realidade da qual sempre tentou fugir.

Nosso protagonista é Wade Watts, um rapaz que vive com a tia em uma zona bem pobre de Columbus, nos Estados Unidos. O ano é 2045, e existe um jogo chamado Oasis, no qual as pessoas podem ser e fazer qualquer coisa por meio de seus avatares. Nesse mundo, Wade é Parzival, o Z, e é lá que ele encontra seus melhores amigos e passa a maior parte do seu tempo. Contudo, o Oasis está ameaçado; o criador do jogo deixou alguns easter-eggs escondidos e, quem encontrá-los, herdará suas ações e o controle de tudo. Obviamente, todos querem atingir esse objetivo, o que inclui uma corporação que visa somente os lucros que o Oasis pode oferecer.

jogador n 1.png

Assim, vou ser sincera, como sempre: eu achei muito burburinho pra pouca coisa. O filme é muito clichê, e isso pra mim não é necessariamente um problema, desde que bem trabalhado. Porém, o enredo é previsível e deixa várias coisas sem um desenvolvimento satisfatório. Uma delas é a relação (ou melhor, o rompimento) dos dois sócios que criaram o Oasis, James Halliday e Ogden Morrow. Existe a tensão causada por um triângulo amoroso do passado, beleza, mas o filme me deixou sem ter certeza de que foi essa a causa da separação dos sócios. Talvez isso fique mais claro pra quem tenha lido o livro, mas filmes devem ser capazes de contar uma história independentemente da obra original. Além disso, os vilões são caricatos (o que é aquela F’Nale?) e não inspiram ameaça real.

jogador n 1 (2).png

Outro aspecto um tanto quanto decepcionante é o quanto os personagens secundários, amigos de Parzival, são deixados de lado, com exceção de Art3mis, seu par romântico. É somente quando a coisa esquenta que Daito e Shoto ganham espaço, mas aí o filme já está rolando há tanto tempo que eu nem consegui sentir nada por eles. Aech é ótimo, e Helen também. Só achei engraçado ver Lena Waithe interpretando uma personagem mais adolescente, já que conheci a atriz em Master of None (em que ela interpreta uma mulher perto da casa dos 30 – ou seja, sua idade real), mas isso não é um defeito, é só um fun fact de estranhamento mesmo. Por fim, achei que o filme falhou muito em contextualizar o espectador em relação à realidade na qual os personagens estão inseridos. É um mundo futurista, aparentemente muitas coisas estão dando errado no planeta, mas afinal… o que aconteceu? Não são todos os lugares que estão como Columbus, mas ficamos totalmente no escuro em relação ao que ocorre no mundo fora de Oasis.

jogador n 1 (3).png

Entretanto, também há aspectos positivos. O filme é muito bonito visualmente, já que grande parte dele se passa no jogo. Ainda assim, não vale o ingresso pra sessão 3D, os efeitos são poucos e não fazem tanta diferença. A trilha sonora é ótima, com diversos clássicos. A ação também é bem conduzida, mantendo o espectador atento a cada detalhe do que acontece no Oasis. A prova para conseguir a segunda chave de Halloway foi muito divertida (ainda que eu tenha dado alguns pulinhos na cadeira, por ter medo de filmes de terror). Por fim, as referências à cultura pop também são bacanas, e é bem provável que você fique tentando identificá-las. 😛

jogador n 1 parzival.png

Jogador Nº 1 foi um filme que, infelizmente, não funcionou pra mim. Eu gosto de filmes de puro entretenimento mas, nesse caso, o desenvolvimento precário na relação dos personagens fez com que eu não sentisse nada por eles (fator importante que me fez não curtir tanto assim o longa). Não me arrependo de ter conferido, mas pra mim foi uma obra esquecível que eu não me vejo assistindo novamente.

Título original: Ready Player One
Ano de lançamento: 2018
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, Mark Rylance, Win Morisaki, Philip Zhao, Hannah John-Kamen