Assisti, mas não resenhei #7

Oi pessoal, tudo bem?

Minha listinha de itens assistidos e não resenhados tá grande (oi, procrastinação!), então resolvi reunir essas dicas em mais um Assisti, mas não resenhei

Encanto

Assisti ao novo filme da Disney no cinema, mas ele já chegou ao Disney+ pra quem quiser conferir. A trama acompanha a família Madrigal, cujos membros muitos anos atrás receberam o milagre de ganharem dons especiais e uma casa mágica. A única pessoa que não foi agraciada com tais dons é nossa carismática protagonista, Mirabel. Quando a Casita (o apelido da casa) começa a exibir indícios de que algo está errado com a magia, Mirabel parte em uma missão para tentar salvar a todos. O filme, que explora a cultura colombiana, é lindo visualmente, e tem uma trilha sonora bastante diversa e com referências a estilos variados. Gostei do filme, mas achei que pesaram a mão na parte musical dele. Também achei que faltou um pouco de carisma na trama como um todo: a família Madrigal é enorme e o filme tenta apresentar a todos, mas acaba que o foco não fica nem neles, nem no desenvolvimento mais aprofundado da trama e da Mirabel. É como se tentassem fazer muita coisa e tudo ficasse um pouco meia boca, sabem? Resumindo: é divertido, mas está longe de ser o melhor filme recente da Disney.

Distante da Árvore

Esse é um curta que passou antes de Encanto no cinema, e apresenta uma filhote de guaxinim que tenta explorar o mundo com sua mãe ou seu pai (não fica claro). Porém, existem muitos perigos lá fora, e quando a filhote quase é pega por uma espécie de cachorro do mato, o guaxinim adulto a pune e a assusta. O tempo passa e essa filhote vira uma adulta com sua própria bebê, a qual ela também precisa ensinar sobre os perigos da vida longe da árvore. Porém, depois de perceber que está adotando a mesma postura que tiveram com ela, ela entende que pode romper com aquele ciclo e ensinar sua filhote de uma outra maneira. Chorei muito com esse curta e achei ele lindo – tanto visualmente quanto em termos de roteiro, que nos mostra que não precisamos ficar presos aos padrões construídos por nossos pais. Podemos romper com o que nos faz mal e buscar fazer as coisas do nosso próprio jeito. ❤ Lindo demais!

The Undoing

Como adoro um bom suspense e curti demais Big Little Lies, fiquei empolgada pra assistir a essa minissérie estrelada pela Nicole Kidman. Na trama, a protagonista Grace Fraser vê sua vida virar de cabeça para baixo quando seu marido, Jonathan, é acusado de matar uma jovem mãe – e a desconfiança fica ainda pior quando descobrem que ele tinha um caso com ela. A partir daí, o casal passa por diversas turbulências enquanto tentam montar a estratégia de defesa. O plot twist do final da série é bacana e me agradou (e quando digo plot twist, não estou me referindo à identidade do assassino(a), mas a algo mais legal #fikdik), mas sabe quando a gente que faltou um “algo a mais”? A série é boa, achei que valeu a pena assistir, mas não me arrebatou completamente.

Não Olhe Para Cima

Esse filme ficou na boca do povo nas últimas semanas por satirizar a sociedade quando um grande desastre iminente ameaça nossa sobrevivência e as pessoas se recusam a acreditar nele. Soa familiar? Não Olhe Para Cima foi inspirado na recusa das autoridades e da humanidade em aceitar os efeitos desastrosos do aquecimento global, mas também ilustra perfeitamente como lidamos com a pandemia do Covid-19. Na trama, dois cientistas que descobrem um meteoro gigantesco em rota de colisão com a Terra são ignorados pelo governo, então tentam por meio da exposição midiática trazer luz ao tema. Contudo, não demora pra que políticos e bilionários comecem a usar a situação em seu benefício, instigando inclusive que as pessoas “não olhem pra cima” no sentido mais óbvio: porque, se elas olhassem, literalmente enxergariam o meteoro! Esse é um filme que te faz rir de nervoso, porque as situações absurdas nele mostradas infelizmente não são tão absurdas assim. 😦 Como crítica negativa, achei que a duração é um pouco longa demais.

Se Algo Acontecer, Te Amo

Esse curta eu assisti faz um tempo já, na época da premiação do último Oscar. Ele está disponível na Netflix e, em apenas 12 minutos, consegue comover o espectador e levá-lo às lágrimas ao mostrar um casal tentando se recuperar da perda da filha, morta em um tiroteio escolar. Nos Estados Unidos esse é um problema recorrente, e é de partir o coração pensar que famílias são destruídas por ações como essa. Eu, que sou totalmente contrária ao porte de armas, vejo em histórias assim ainda mais motivos e argumentos pra não colocar instrumentos capazes de matar com facilidade na mão das pessoas. Enfim, apesar de toda essa carga dramática e da óbvia tristeza, o filme também emociona ao mostrar o processo de cura do casal e da reaproximação deles. Perder um filho pode ser uma ruptura irreversível em um casamento, mas o curta explorou a possibilidade de cura que os pais encontraram um no outro com a ajuda das memórias e do espírito (sempre vivo) da filha. ❤

Gente Ansiosa

Habemus decepção na lista? Habemus. Gente Ansiosa foi um dos meus livros favoritos de 2021, então eu estava muito animada pra conferir a adaptação. Infelizmente, o flop veio. O formato de minissérie em 6 episódios não funcionou, os ganchos dos episódios não foram instigantes e todo o brilhantismo da narrativa, com seu estilo irônico e reflexivo, se perdeu. Os personagens perderam sua essência e a série tentou dar mais ênfase no mistério sobre a investigação da identidade do assaltante de banco que acabou se envolvendo em uma situação de reféns – sendo que no livro isso está longe de ser o foco, sendo as relações entre os personagens (e suas angústias, histórias e medos) a parte mais importante da obra. Não recomendo. 😦

Me contem, pessoal: já assistiram a algum dos títulos da lista?
Vou adorar saber a opinião de vocês a respeito!

Beijos e até o próximo post! 😘

Review: Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

Oi pessoal, tudo bem?

Acho que todo fã da Marvel estava ansiosíssimo pelo terceiro filme do Cabeça de Teia, né? A promessa dos pôsteres de trazer inimigos icônicos e o envolvimento do Doutor Estranho já nos deixaram em frenesi, e agora conto pra vocês o que achei de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa. ❤

Sinopse: Com a identidade do Homem-Aranha revelada, Peter pede ajuda ao Doutor Estranho. Quando um feitiço corre mal, inimigos perigosos de outros mundos começam a aparecer, forçando Peter a descobrir o que realmente significa ser o Homem-Aranha.

Sendo sincera, devo dizer que sentia falta de protagonismo nos filmes anteriores estrelados por Tom Holland. Sempre achei que seu Homem-Aranha viveu demais à sombra de Tony Stark, principalmente em Longe de Casa, na qual o próprio vilão tem motivações relacionadas ao Homem de Ferro. Felizmente, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é obrigado a encontrar o próprio caminho com a morte do gênio, bilionário e filantropo, e esse caminho é alucinante!

Quando Mysterio revela a identidade de Peter para o mundo, rapidamente sua vida muda – mas a de seus amigos também. Devido à polêmica, eles não são aceitos em nenhuma universidade, o que faz Peter pedir auxílio a Stephen Strange. O que a princípio seria um feitiço mais “simples” (remover a memória de que o Homem-Aranha é Peter Parker) logo sai de controle porque Peter fica pedindo exceções enquanto o Doutor Estranho o conjura. Com isso, a porta do multiverso é aberta, trazendo vilões das outras duas franquias do Amigo da Vizinhança. Porém, Peter não deseja enviá-los de volta sabendo que o destino de todos eles é a morte: o jovem, cujo coração é enorme, deseja poder curá-los, de modo que se regenerem e tenham seus destinos alterados. E é a partir desse ponto que não dá pra voltar atrás, trazendo consequências catastróficas pra Peter.

Sem Volta Para Casa é um filme que não se limita ou se baseia em (apenas) fanservice: as interações entre os personagens de diferentes universos é incrível e promove um crescimento bastante forçado e dolorido a um Peter Parker (de Tom Holland) ainda muito ingênuo. Mesmo contando que a ajuda de MJ e Ned, Peter vê boa parte do seu mundo ruir por causa desses vilões que surgiram em seu universo. O esforço de lutar contra tantos antagonistas sozinho é insuportável, e o arrependimento gerado por suas ações leva Peter para um caminho bastante sombrio. E aqui aproveito para elogiar novamente a performance de Tom Holland: o ator consegue ir da ira às lágrimas com muita facilidade e intensidade, transmitindo suas emoções ao espectador de forma muito convincente.

Apesar de ter um tom mais sério do que seus antecessores, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa consegue encaixar ótimas cenas de humor. Não posso falar muito sobre os principais envolvidos, mas garanto que vocês vão pegar boas referências. 😂 Também gostei muuuito da participação do Ned e da MJ em momentos cruciais, os dois trouxeram bastante leveza para a trama até então mais pesada envolvendo (este) Peter Parker. E o que dizer das cenas de ação? Obviamente foram dinâmicas, intensas, ágeis e do tipo que faz você nem querer piscar. Dá pra imaginar, né? Afinal, é o Homem-Aranha lutando contra vários vilões icônicos ao mesmo tempo!

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é um dos melhores filmes do MCU, e entrega tudo que eu esperava que fosse entregar: muita ação, sacrifícios, desenvolvimento do protagonista e abandono do legado de Stark para que Peter construa o seu. O final do longa tem um sabor amargo, mas que também me agradou pelo paralelismo que é possível ver em relação ao personagem Peter Parker como um todo. E eu, que não fazia muita questão dos filmes do Tom Holland, me encontro ansiosa para descobrir quais serão seus próximos passos. Corram pro cinema! ❤

P.S.: aqui vai uma listinha com spoilers dos meus surtos ao longo do filme. Selecionem se quiserem ler!

  • PUTA QUE PARIU O MATT FUCKIN’ MURDOCK VOLTOU!!! Pelo amor de Deus, façam um filme do Demolidor, nunca te pedi nada Marvel. 😭
  • A cena dos três Peter’s “se apontando” foi O AUGE. 😂
  • R.I.P. May! 💔 Não lembro se ela era viúva nessa trilogia do Tom Holland e se chegou a existir um tio Ben. Seja como for, fez todo sentido ela representar essa perda “clássica” do herói, já que a do Tony Stark não representou a mesma coisa e com o mesmo impacto.
  • O clichê do Peter de Tobey Maguire ser esfaqueado por trás pelo Osborn foi bem sem graça hahaha! No momento em que ele impede o Peter do Tom já fiquei pensando “tá, quantos minutos vão levar pro Osborn esfaquear ele por trás?”
  • Fiquei MUITO emocionada com o Peter de Andrew Garfield conseguindo salvar a MJ da queda. 🥺
  • Que dó do Peter abrindo mão de falar com a MJ e com o Ned, provavelmente pela segurança deles. 😦
  • O paralelismo que mencionei antes diz respeito ao Peter de Tom agora viver em um apê humilde e não ter dinheiro nem recursos, como acontece com o Peter de Tobey. Parece uma constante no destino de Peter Parker, independente do universo. Será que ele vai trilhar os mesmos passos e se tornar um fotógrafo que ganha a vida vendendo fotos do Homem-Aranha? Mal posso esperar para descobrir!

Título original: Spider-Man: No Way Home
Ano de lançamento: 2021
Direção: Jon Watts
Elenco: Tom Holland, Zendaya, Jacob Batalon, Marisa Tomei, Benedict Cumberbatch, Jon Favreau

Review: Casa Gucci

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vamos conversar um pouquinho sobre Casa Gucci, o novo filme estrelado pela Lady Gaga. 😀

poster casa gucci

Sinopse: Casa Gucci é inspirada na chocante história real do império da família por trás da italiana casa de moda Gucci. Abrangendo três décadas de amor, traição, decadência, vingança e em última instância, assassinato, vemos o que um nome significa, o que vale e quão longe uma família é capaz de ir para se manter no controle.

Adoro histórias de crimes reais, então tava curiosa pra ver a narrativa por trás do assassinato do herdeiro da Gucci, Maurizio, cuja morte foi encomendada pela ex-mulher, Patrizia Reggiani. O longa não foca no crime e nos seus desdobramentos, e sim em todas as intrigas políticas da família que culminaram nesse desfecho. A trama mostra como Patrizia e Maurizio se conheceram (em uma festa de um amigo em comum) e como o relacionamento deles foi de uma chama intensa a um ódio mortal. Além disso, aborda todas as maquinações e traições que os membros da família fizeram para ter mais e mais controle da companhia.

A primeira coisa que me incomodou em Casa Gucci foram os sotaques. Alguém me explica por que fazer os atores imitarem o suposto jeito italiano de falar inglês mesmo quando a trama ainda se passava em Milão? Ficou tão forçado que chegou a me dar dó (e um pouco de vergonha alheia). Jared Leto, que interpreta o primo de Maurizio, por exemplo, entregou uma performance tão caricata que eu queria expulsá-lo de toda cena em que ele aparecia. Mas os sotaques do elenco como um todo me incomodaram demais.

Outro ponto bem desagradável foi a maneira como pintaram Maurizio na trama. Não conheço profundamente a história da Gucci e dos membros da família, então minha opinião se baseia exclusivamente no longa, mas as sensações deixadas por ele são: 1) ele começa sendo um frouxo que acata tudo que Patrizia queria só porque ela oferecia um sexo irresistível sempre que queria convencê-lo de algo; 2) DO NADA a personalidade dele muda completamente, sem explicação plausível pra tal, e ele se transforma em alguém interessado 100% nos negócios da família, capaz inclusive de trair e manipular também. Ou seja, ele começa o filme como alguém que não queria ter nada a ver com os Gucci, depois faz tudo que Patrizia quer porque aparentemente nunca tinha transado antes, e por último ele resolve tomar as mesmas atitudes manipuladoras que a esposa queria que ele tomasse, mas a critica por isso, e se torna alguém repentinamente interessado na Gucci e com um nível de ambição considerável. Sério, pareceu coisa de maluco.

Achei o filme desnecessariamente longo também. Ele tem quase 3h e demora muito tempo pras coisas de desenrolarem, ao passo que o terceiro ato é corrido e gera essas inconsistências, como a personalidade de Maurizio, e o desejo de Patrizia de assassinar o ex. Depois de assistir Casa Gucci fui procurar o que era real e o que não era na trama, e as informações que encontrei dizem que o filme não fez jus ao ódio que Patrizia bradava contra Maurizio, que era bem mais intenso e explanado do que o longa exibiu. Essa lentidão seguida por um desfecho súbito não foi bacana, me deixando inclusive entediada.

Mas também tem pontos fortes no filme, obviamente. Eu acho o Adam Driver muito foda, e especialmente durante a fase apaixonado por Patrizia ele transmitiu perfeitamente a simplicidade e a timidez de Maurizio. Lady Gaga arrasou nas cenas de manipulação, ameaça e raiva. Sua expressão facial conseguia transmitir com excelência o quanto Patrizia era interesseira e ambiciosa, capaz de tudo pra atingir seus objetivos envolvendo riqueza e glória. Por outro lado, a cantora (e agora atriz) não me convence muito em cenas mais alegres, acho que ela fica meio “travadona”, e senti o mesmo em Nasce Uma Estrela. É no drama e na intensidade (seja ela pra algo positivo ou pra algo mais “maquiavélico”) que ela se destaca. Jared Leto, como já mencionei antes, é a vergonha alheia em formato humano, e sua versão de Paolo Gucci é de dar dó. Al Pacino no papel de Aldo Gucci (um dos irmãos fundadores, tio de Maurizio) foi o que mais me convenceu, inclusive no sotaque. 😛

Acho que fui com muita sede ao pote com Casa Gucci, e pela minha experiência isso é sempre perigoso, pois dá muita margem pra expectativas frustradas – e foi exatamente o que aconteceu. Felizmente eu fui no cinema com promoção de Black Friday e paguei só R$ 10 no ingresso, caso contrário eu teria ficado mais chateada. 😛 Mas lembro a vocês que essa é apenas a minha opinião, e relembro que muita gente gostou do filme, então recomendo que assistam e tirem suas próprias conclusões. o/

Título original: House of Gucci
Ano de lançamento: 2021
Direção: Ridley Scott
Elenco: Lady Gaga, Adam Driver, Al Pacino, Jared Leto, Jeremy Irons, Jack Huston, Salma Hayek

Review: Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Oi pessoal, tudo bem?

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis finalmente chegou ao Disney+ e eu pude conferir, já que não fui ao cinema (se não me engano, não tinha tomado as duas doses da vacina ainda). Hoje divido com vocês minhas impressões sobre o longa. \o/

Sinopse: Shang-Chi é o filho do líder de uma organização criminosa poderosa. O rapaz foi criado desde criança para ser um guerreiro, mas decidiu abandonar esse caminho e fugiu para viver uma vida pacífica. Porém, tudo isso muda quando ele é atacado por um grupo de assassinos e se vê forçado a enfrentar seu passado.

Shang-Chi (vou abreviar o nome do filme, tá?) é um longa que funciona bem sozinho/como um filme de origem, já que sua única referência ao universo Marvel reside em Homem de Ferro 3 e a maioria de nós já esqueceu dele rs. Brincadeiras à parte, no filme somos apresentados à organização Dez Anéis, liderada por Wenwu, um homem que usa o poder desses dez artefatos para ter poderes desmedidos e vida eterna. Ao longo dos séculos, ele movimentou a história, interveio onde desejava e construiu um verdadeiro império. Porém, ao conhecer Leiko Wu (a primeira pessoa capaz de derrotá-lo), Wenwu se apaixona, tendo dois filhos: Shang-Chi e Xialing. Quando a mãe das crianças é morta, Wenwu volta para o caminho do poder e da vingança, e Shang-Chi foge do pai após ser treinado para ser um assassino implacável.

O protagonista é um personagem bastante carismático. Ele e sua melhor amiga, Katy, trabalham como manobristas, e ele mantém uma vida simples e distante de seu passado – que é um segredo não revelado a ninguém. Porém, quando os homens de seu pai vêm atrás dele para roubar uma joia dada por sua mãe, Shang-Chi se obriga a revelar a verdade a Katy e ambos vão atrás de Xialing, que pode estar em perigo. A partir daí, o grupo precisa se unir para impedir os planos de Wenwu de destruir a vila natal de Leiko Wu, pois ele acredita que a sua esposa está sendo mantida presa lá.

Se tem uma coisa que não falta em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis são cenas de ação muito bem coreografadas. Em algum nível, cheguei a lembrar dos filmes do Jackie Chan: meu namorado, que é fã dele, inclusive comentou que os movimentos usando as próprias roupas e o cenário para aplicar golpes são bem característicos do ator. É muito divertido assistir aos combates, eles têm um ritmo diferente do que a Marvel costuma apresentar e trazem as artes marciais orientais como foco.

Gostei muito da personalidade do Shang-Chi e da Katy. Os dois têm uma camaradagem muito legal, que eu espero do fundo do coração que se mantenha no âmbito da amizade. Ele é um cara cativante, divertido, ainda que tenha um passado sangrento e doloroso. Ela é extremamente leal a ele e é a alma da festa, mas também uma mulher corajosa que não hesitou em ajudar como podia nos momentos de confronto. O plot de vingança e de obsessão de Wenwu é clichê, mas o filme ao menos consegue demonstrar os motivos pelos quais ele tomou determinadas decisões. Após séculos de guerras e busca por poder, viver pacificamente com a sua esposa foi uma escolha que, em sua mente, levou à morte dela, e Leiko Wu era o centro de sua vida. Não é tão surpreendente que ele fique obcecado em tentar resgatá-la (ignorando a realidade de que ela está morta).

O que não gostei muito foi a parte mitológica das criaturas e dos anéis. Sua origem não é bem explicada, assim como a do vilarejo natal de Leiko Wu, Ta-Lo. Senti que essas informações foram jogadas de forma meio solta, então não entendemos bem como os anéis se comportam e os porquês. E, sendo um filme “de origem”, não sei se teremos muuuitas explicações além do que já tivemos agora.

Resumindo, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é um filme bem divertido de assistir. Tem alguns plots mal desenvolvidos que enfraquecem um pouco a trama, mas o protagonista e o elenco de apoio carregam bem a trama. Não caí de amores (assim como não caí de amores por Eternos também), mas gostei. 😀

Título original: Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings
Ano de lançamento: 2021
Direção: Destin Daniel Cretton
Elenco: Simu Liu, Tony Chiu-Wai Leung, Awkwafina, Meng’er Zhang, Fala Chen, Michelle Yeoh, Ben Kingsley

Review: Eternos

Oi pessoal, tudo bem?

Nem acredito que essa é uma resenha de um filme que vi no cinema! 😭 Emocionadíssima estou, porque era um dos programas que eu mais curtia fazer antes da pandemia começar. Então, agora que me sinto um pouco mais segura, resolvi pegar uma sessão tranquila e conferir Eternos, o mais novo lançamento da Marvel.

Sinopse: Os Eternos são uma raça de seres imortais que viveram durante a antiguidade da Terra, moldando sua história e suas civilizações enquanto batalhavam os malignos Deviantes.

Acho importante dizer que meu hype pra Eternos tava zerado, independentemente do que os críticos vinham dizendo. Vi o trailer e tudo mais, mas nada em específico me chamou totalmente a atenção, e eu sabia que seria uma história bem diferente do que o MCU apresentou até então. E acho que nesse sentido foi bem positivo ter ido sem expectativas porque, mesmo não achando o filme a melhor coisa do universo, ele me divertiu e me entreteve. A trama nos apresenta aos Celestiais, seres de enorme poder responsáveis por criar a vida no universo. Eles também são criadores dos Eternos, uma espécie de seres imortais que são enviados à Terra para proteger os humanos de criaturas conhecidas como Deviantes. A líder dos Eternos, Ajak, é quem se comunica diretamente com seu líder Celestial, Arishem, e ambos conduzem os Eternos e a vida na Terra rumo à prosperidade por milhares e milhares de anos. Porém, no presente, quando os Deviantes (que até então os Eternos achavam ter sido extintos) retornam e Ajak é encontrada morta, eles correm contra o tempo para descobrir o que está acontecendo – e o motivo do retorno dos Deviantes.

Além de Ajak, o grupo de Eternos é formado por Sersi, Ikaris, Gilgamesh, Thena, Druig, Kingo, Makkari, Sprite/Duende e Phastos. O filme faz o melhor possível pra dar uma trama pra cada um deles, especialmente quando apresenta cada um nos dias presentes. Os Eternos viveram juntos por milhares de anos, mas em determinado momento Ajak os liberou para seguirem seus caminhos, e muitos deles não se viam desde então. Além disso, existem posicionamentos e ideologias diferentes entre os membros do grupo, como Druig, por exemplo, que acha a regra criada por Ajak e Arishem de não interferir nos conflitos humanos absurda. No caso dele, que é capaz de controlar mentes, a dor de ver a humanidade se destruindo ao longo dos séculos é esmagadora.

Eu gostei da interação entre os Eternos de maneira geral. Eles são uma espécie de família, e como em toda família também há questões mal resolvidas e mágoas não superadas. Podemos dizer que a protagonista é Sersi, capaz de transmutar a forma de objetos e seres não sencientes. Ela é a chave pras decisões que os Eternos tomam no presente, porque ela é a escolhida para herdar a jóia que Ajak carregava e permitia o contato com Arishem. Apesar do seu papel central, achei a personagem bem sem sal. Não sei se foi a interpretação de Gemma Chan, mas não me senti conectada a Sersi e seu plot. O mesmo acontece com seu romance com Ikaris, que não me comoveu nem me conquistou.

Uma coisa bem positiva do filme são as cenas de ação! Os poderes dos personagens são legais e os efeitos visuais impressionam. Aqui brilha a personagem de Angelina Jolie, Thena (sem o A, como ela mesma ressalta), que utiliza energia pra criar armas em lutas corpo a corpo. Já em relação a Ikaris, o mais forte do grupo, confesso que achei estranho ver um personagem com poderes tão “Super-Homem vibes” num filme da Marvel. 😂

Ainda nos aspectos positivos, vale salientar a diversidade que faz parte do longa. Temos pessoas de diferentes etnias, credos e orientações sexuais, assim como uma pessoa com deficiência. Temos um beijo gay de um casal que construiu uma família linda e cria seu filho com amor. Como pode haver quem se oponha a isso, né? Mas, felizmente, o filme não cortou essas cenas em países que se opuseram, e ela é mesmo super representativa. As cenas de Makkari também são ótimas porque a comunicação acontece por meio de linguagem de sinais, e foi a primeira vez que eu vi isso acontecendo em um filme – e, sendo um em blockbuster, o impacto em mais pessoas é ainda maior.

Mas o filme também tem problemas. Pra mim, o maior deles é o fato de que é muita história pra contar de uma vez só. Eles introduzem mais informações sobre os Celestiais, nos apresentam às espécies dos Eternos e dos Deviantes, a novos poderes, a novas ameaças, e tudo isso acaba sendo meio jogado, especialmente no ato final, que também acaba sendo um tanto previsível. A sensação que fica é que existem muitas pontas soltas e, por mais que tenha sido recém o primeiro filme desse grupo de heróis, me deu uma sensação de que faltou algo.

Eternos é uma boa distração, pois entretém e conta com ótimas cenas de luta e efeitos visuais incríveis. Não é um filme super memorável por sua história, mas tem disrupções importantes ao trazer um elenco diverso e uma trama que se afasta completamente do que a Marvel trouxe até o momento. Vale a pena dar uma chance e ir se preparando pra próxima fase do MCU. 😀

Título original: Eternals
Ano de lançamento: 2021
Direção: Chloé Zhao
Elenco: Gemma Chan, Richard Madden, Angelina Jolie, Salma Hayek, Ma Dong-seok, Barry Keoghan, Kumail Nanjiani, Lia McHugh, Lauren Ridloff, Brian Tyree Henry, Kit Harington

Review: Viúva Negra

Oi pessoal, tudo bem?

Nas últimas semanas, Viúva Negra esteve nos holofotes devido à decisão de Scarlett Johansson processar a Disney por quebra de contrato. Mas nem essa informação é capaz de ofuscar um fato: Natasha Romanoff é uma personagem incrível – e merecia mais. Vou explicar mais sobre isso no review, então vem comigo. 😉

Sinopse: Natasha Romanoff, também conhecida como Viúva Negra, confronta o lado mais sombrio de sua história quando surge uma perigosa conspiração ligada ao seu passado. Perseguida por uma força implacável disposta a tudo para destruí-la, Natasha precisa agora lidar com seu passado como espiã e com as relações que deixou para trás muito antes de se tornar uma Vingadora.

Depois de mais de 10 anos de MCU, finalmente Natasha ganhou seu primeiro (e único) filme solo. A personagem, que fez sua estreia de forma sexualizada e estereotipada em Homem de Ferro 2, veio crescendo ao longo dos anos e se tornando uma parte cada vez mais fundamental nos Vingadores, chegando inclusive a liderá-los junto de Steve Rogers. Porém, quem assistiu a Vingadores: Ultimato sabe qual foi o destino da personagem, o que nos deixa com duas sensações: “que desperdício” e “queria ver mais dela”.

A trama de Viúva Negra se passa após os eventos de Capitão América: Guerra Civil. Natasha está vivendo como foragida após apoiar Steve, mas sua rotina isolada chega ao fim quando ameaças do seu passado como espiã russa retornam para atormentá-la. A personagem se depara com uma substância capaz de controlar a mente das Viúvas Negras (esse título é compartilhado entre as meninas que fizeram parte da Sala Vermelha, na qual Nat cresceu) e entende uma verdade terrível: Dreykov, a pessoa por trás da Sala e que Natasha acreditava estar morto, na realidade está vivo e operante. A Vingadora então acaba reunindo forças com pessoas muito importantes de seu passado: sua “família”.

Esse é o primeiro filme em que descobrimos mais sobre a pessoa que Natasha é. Quando criança, ela já fazia parte de uma operação russa nos Estados Unidos, e convivia com uma família de agentes montada pelo governo. Ela tinha uma irmã mais nova, Yelena (que também foi transformada em Viúva Negra); um pai, Alexei (que foi uma figura semelhante ao Capitão América para os russos); e uma mãe, Melina (uma cientista genial). Ainda na infância, a missão nos Estados Unidos dá errado e todos são separados, e desde então Natasha nunca mais teve contato com eles. O surgimento de Dreykov e da substância capaz de controlar mentes é o que coloca a protagonista em movimento para reencontrar cada membro da família – o que gera um equilíbrio maravilhoso entre cenas de luta, momentos engraçados e também um revirar de ressentimentos.

Yelena é a personagem que mais brilha no filme, sendo uma adição muito bem-vinda ao MCU. Ela era muito pequena quando a família foi separada, e sofreu muito com o distanciamento. A jovem se ressente de Natasha por nunca tê-la procurado, mas aos poucos as duas conseguem se reconectar. Yelena é aquela personagem durona, mas de coração enorme, sabem? Ver a interação dela com os outros personagens é bem bacana e ela faz aflorar em Nat um lado que tivemos a oportunidade de ver poucas vezes: uma afeição genuína com uma dose de vulnerabilidade.

O filme também tem ótimas sequências de ação. Existem muitas cenas de luta corpo a corpo, e é bem empolgante assistir. Porém, pra quem espera uma missão que siga um perfil mais de “espionagem” pode acabar se frustrando, porque a pegada é muito mais tiro, porrada e bomba mesmo. E aqui entra um dos aspectos frustrantes que comentei: a história da Natasha é muito mal aproveitada, e a protagonista vai muito além de batalhas físicas e perseguições. O longa até menciona alguns detalhes de como ela desertou da Rússia e integrou a S.H.I.E.L.D., assim como menciona a missão em Budapeste com Clint, mas a gente fica com um gostinho de quero mais. Natasha viveu tantas experiências durante seu treinamento na Sala Vermelha e também como espiã (e Budapeste é só um exemplo delas) que eu, como fã da personagem no MCU, gostaria muito de ter tido a chance de conferir.

O outro ponto negativo do filme é o timing: assistir a uma aventura solo da heroína que serve “só” como uma explicação do que aconteceu entre Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita, assim como introduzir uma possível “nova Viúva Negra”, é um grande desperdício, além de ser anticlimático. A Viúva Negra é muito mais interessante que o Thor e mesmo assim nunca teve um momento só seu, pois mesmo em seu filme solo quem se destaca é a Yelena. Se somarmos a tudo isso o fato de que já sabemos qual será o destino da Nat, o gosto que fica é bastante amargo.

Em resumo, eu gostei de Viúva Negra como um filme de ação e fiquei contente pelo fato de Natasha Romanoff finalmente ter um longa pra chamar de seu. Entretanto, não posso deixar de fora a tristeza por saber que uma personagem tão incrível e cheia de nuances, com tantas histórias pra contar, tenha recebido essa migalha em comparação com outros personagens do MCU. Agora me resta torcer para que a Marvel não falhe dessa forma com as outras personagens femininas que estão ganhando espaço nas telas.

Título original: Black Widow
Ano de lançamento: 2021
Direção: Cate Shortland
Elenco: Scarlett Johansson, Florence Pugh, Rachel Weisz, David Harbour, Ray Winstone

Review: Mulan

Oi pessoal, tudo bem?

O live action de Mulan vem dando o que falar desde muito antes de sua estreia no Disney+ e, agora que ele chegou à plataforma, vim dividir com vocês meus sentimentos em relação ao filme. 🙂

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Sinopse: Em Mulan, Hua Mulan (Liu Yifei) é a espirituosa e determinada filha mais velha de um honrado guerreiro. Quando o Imperador da China emite um decreto que um homem de cada família deve servir no exército imperial, Mulan decide tomar o lugar de seu pai, que está doente. Assumindo a identidade de Hua Jun, ela se disfarça de homem para combater os invasores que estão atacando sua nação, provando-se uma grande guerreira.

Antes de tudo, acho importante ressaltar que eu acompanhei as notícias ao longo da produção do longa e, portanto, estava com expectativas alinhadas quanto ao fato do filme não ser um musical e não contar com a participação de personagens icônicos como Mushu e Li Shang. Pra quem não sabe do que estou falando, o novo live action da Disney tem um foco muito maior em honrar o público chinês, que vê no uso do dragão (uma figura mega sagrada) como alívio cômico e sidekick um desrespeito. Dito isso, saibam que minha opinião está pautada no filme pelo filme, e não (apenas) na comparação com o original, combinado? 😀

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Desde menina, Mulan demonstra algo especial: seu chi é intenso e ela é capaz de manipulá-lo como outras pessoas não o são. Porém, o chi é uma característica atrelada a guerreiros e ela, sendo mulher, deve ocultar tal habilidade e honrar sua família por meio do casamento. A jovem cresce com esse “segredo” e tenta se encaixar nos moldes tradicionais, mas quando cada família é convocada a ceder um homem para a guerra contra os Rourans que se aproximam, Mulan decide tomar o lugar de seu velho pai. Passando-se por um homem, ela treina para se aprimorar como guerreira enquanto busca entender seu verdadeiro papel.

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Sabendo que o filme é baseado no conto original de Mulan (que data lá do século VI), eu tentei me manter de coração aberto às novidades, como por exemplo o fato de haver uma mulher chamada de bruxa (apenas porque domina seu chi de maneira excepcional e consegue utilizá-lo como verdadeira magia) e pelo fato de Mulan se diferenciar de seus pares por também demonstrar domínio sobre essa energia. Acontece que, mesmo com toda a boa vontade do mundo, Mulan foi um filme chato de assistir.

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A começar pela protagonista: a atriz que interpreta Mulan é uma versão oriental da Kristen Stewart em Crepúsculo. Ela não demonstra nenhuma emoção, tem zero carisma e me deixou profundamente agoniada com seus golpes no ar que serviam pra ela atirar o cabelo pra longe quando caía no chão, tipo comercial de shampoo. O fato da personagem se destacar devido ao seu chi, e não pelo trabalho duro e pela determinação, também foi outro aspecto broxante: Mulan foi criada para ser uma mulher tradicional, e vê-la rompendo com esses estigmas e se esforçando tanto quanto qualquer homem (e ainda se sobressaindo) era uma das coisas mais poderosas da animação – que aqui perde força porque, apesar do esforço, Mulan tem de fato um aspecto “mágico” que a torna única. A personagem, portanto, se torna menos relacionável com o espectador.

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Os vilões são muito mal desenvolvidos, e os Rourans são caricatos e não oferecem uma ameaça que nos faça temer de fato, já que (diferente do desenho) não causam nenhuma perda a nível “pessoal”. Por outro lado, Xian Lang (a “bruxa”) que os auxilia tem mais camadas e representa uma dualidade com a própria Mulan, levando a personagem a se questionar sobre a própria identidade e sobre a injustiça de ter seu chi oprimido porque os outros não sabem lidar com isso. Ela é uma anti-heroína que oferece uma reflexão sobre o machismo que até hoje nos desencoraja de demonstrar todo o nosso potencial enquanto mulheres, e eu diria que essa provocação quanto aos papéis de gênero é o principal ponto forte do filme.

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Poderíamos pensar que as lutas seriam capazes de salvar o filme, certo? Errado, pelo menos pra mim. O live action tem uma estética típica de filmes de luta orientais, o que inclui movimentos super coreografados em slow motion. Se você curte essa vibe, talvez curta também esse aspecto do longa. Eu não me identifico nadinha com esse tipo de produção, então fiquei com um pouquinho de vergonha alheia nesses momentos de slow motion. Entretanto, reconheço a importância de contar essa história de uma forma que não agrida a cultura chinesa e ressalto como é importante um filme blockbuster contar com um elenco de fenótipo 100% oriental.

Resumindo, eu diria que Mulan é no máximo um filme nota 6 (numa escala de 10). O maior problema é que ele não se destaca, não arrepia, não emociona. Mesmo sem fazer nenhum tipo de comparação, o live action de Mulan se mostrou uma produção genérica e esquecível, que eu provavelmente não vou assistir uma segunda vez. Espero que ao menos para o público ao qual ele foi destinado tenha sido uma boa experiência.

Título original: Mulan
Ano de lançamento: 2020
Direção: Niki Caro
Elenco: Liu Yifei, Donnie Yen, Jet Li, Gong Li, Yoson An, Jason Scott Lee, Susana Tang, Tzi Ma, Rosalind Chao

Review: Estou Pensando Em Acabar Com Tudo

Oi pessoal, tudo bem?

Estava ansiosa para conferir e contar pra vocês o que achei da adaptação do livro de Iain Reid que bugou a minha cabeça, então bora falar a respeito de Estou Pensando Em Acabar Com Tudo? 😂

estou pensando em acabar com tudo

Sinopse: Uma jovem vai com o namorado conhecer os pais dele em uma fazenda remota e embarca em uma viagem para dentro de seu próprio psiquismo.

A trama do filme se inicia como a do livro: uma jovem está viajando com o namorado, Jake, para conhecer os seus pais. Apesar do casal estar dando esse passo importante, a moça passa a viagem inteira pensando que deseja acabar com tudo e romper o relacionamento. Quando os dois chegam na fazenda dos pais dele, a trama ganha um tom aflitivo e claustrofóbico, pois coisas estranhas começam a acontecer: há nítidas mudanças de linha temporal, a protagonista muda de nome e profissão, os pais de Jake aparecem cada vez de um jeito e aparece até uma foto da protagonista quando criança – que logo se transforma em uma foto de Jake.

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Essas mudanças surreais e o tom inquietante delas me lembraram muito da sensação que tive ao assistir Mãe!. Os acontecimentos parecem inocentes, mas você sabe, lá no fundo, que não são. Senti algo parecido durante a leitura também, um receio de que algo muito errado estivesse acontecendo por baixo da superfície, o que me fez temer pelos personagens na época. Acontece que, no filme, o diretor consegue deixar mais claro para o espectador que estamos vendo uma trama que se passa na cabeça dos personagens (ou melhor, de um determinado personagem). As cenas do casal na casa dos pais de Jake se intercala com cenas de um zelador idoso vivendo seu cotidiano, e os paralelos entre as situações servem como pista e também como provocação: o que é real?

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Quando li o livro, a viagem de carro e os diálogos na casa foram a parte mais cansativa da história pra mim, enquanto a perseguição na escola me fez devorar as páginas. Assistindo ao filme, o oposto aconteceu: a viagem de carro e a visita aos pais de Jake deram pistas fundamentais para a compreensão da trama, enquanto o final foi um tanto “wtf?”, apesar de ser compreensível. A partir daqui, há spoilers sobre o final: nesse terceiro ato do longa, fica claro que tudo que vimos até então aconteceu na mente do zelador. De forma fragmentada, ele relembra diversos momentos da sua vida, inclusive pessoas com quem namorou e até relações que não aconteceram (como quando a protagonista diz que nunca interagiu com o homem na noite de perguntas). Isso explica as passagens do tempo dentro da casa de seus pais, e explica também porque a foto da protagonista criança se transforma na foto de Jake criança: os dois são a mesma pessoa, ou melhor, a namorada não existe de fato – é a personificação de um desejo de Jake de ter um relacionamento. Na vida real, ou seja, na trama do zelador, fica nítido que ele é um homem solitário e que observa a vida como um espectador. Na última cena, Jake finalmente encontra a grandeza em sua imaginação, e ele “envelhece” mentalmente todas as pessoas com quem cruzou e de cujo reconhecimento ele gostaria de receber. Fim dos spoilers!

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De forma geral, Estou Pensando Em Acabar Com Tudo me causou uma sensação parecida com a que senti lendo a obra de origem: boa parte da trama foi cansativa, senti sono, mas quando as engrenagens começam a funcionar e você se pega tentando conectar os pontos, o interesse surge. Entretanto, diferente do livro que me fez amar o final graças à surpresa, o filme não provocou a mesma sensação. É um final muito mais metafórico e cheio de cenas surreais que, para o meeeu gosto, são chatas de assistir. O impacto que tive com a leitura, daquela verdade nua e crua tão “óbvia” sendo jogada na minha cara, não aconteceu. Ainda assim, o filme não é um desperdício de tempo e é uma boa obra de forma geral: as atuações são competentes, a construção do suspense é eficiente e, se você prestar bem atenção, está tudo explicado nas entrelinhas. Vale espiar!

P.S.: que agonia que no título em português eles tiraram o primeiro “Eu” antes de “Estou” rs.

Título original: I’m Thinking of Ending Things
Ano de lançamento: 2020
Direção: Charlie Kaufman
Elenco: Jessie Buckley, Jesse Plemons, Toni Collette, David Thewlis, Guy Boyd

Assisti, mas não resenhei #6

Oi pessoal, tudo certo?

Ando numa vibe bem cinematográfica nos últimos tempos, então resolvi explorar um pouco mais as opções disponíveis no Prime Video (todos os filmes da lista, com exceção do primeiro, estão disponíveis na plataforma). Com isso, bora pra mais um Assisti, mas não resenhei recheado de dicas? 😉

Contágio

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Não, essa não é uma adaptação do livro que resenhei aqui no blog, sendo este Contágio um filme de ficção – mas que flerta muito com a realidade. Na trama, um novo vírus letal se espalha rapidamente pelo mundo, e vemos os esforços das autoridades globais e dos cientistas de tentarem entender e combater a pandemia. Pasmem, mas eu assisti a esse filme no primeiro fim de semana do isolamento (masoquista talvez? rs). Acho que na época eu tinha esperanças de que não ficaríamos trancafiados por tanto tempo, mas né… Sabemos que a coisa não se desenrolou dessa forma. 😂 Seja como for, eu adorei o longa! Ele tem um ritmo alucinante e é mega envolvente, ainda mais pra quem curte uma pegada mais “teoria da conspiração” feelings.

A Chegada

a chegada

Eu já tinha vontade de conferir A Chegada desde a época do lançamento, que provocou inúmeras críticas positivas e rendeu a Amy Adams uma indicação ao Oscar. A trama de ficção científica aborda a chegada de alienígenas na Terra, e a personagem de Adams é uma linguista renomada convocada para tentar compreender a mensagem dos visitantes. Com um plot digno de fazer qualquer fã de Dark dar uma bugada, esse filme é um prato cheio tanto pra abordar ficção científica quanto para nos fazer refletir sobre o papel da comunicação na compreensão do outro e sobre a humanidade das nossas escolhas (por mais difíceis que sejam). Recomendadíssimo!

Os Suspeitos

os suspeitos

Outro título que estava na minha lista há muito tempo, Os Suspeitos é um excelente thriller protagonizado por Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal. O personagem de Jackman tem sua filha sequestrada e, não confiando na atuação da polícia e do detetive responsável pelo caso (interpretado por Gyllenhaal), ele decide agir por si mesmo e punir o suspeito com as próprias mãos. O final é surpreendente!

Ela

ela

Mega renomado, especialmente no cenário cult, Ela trata essencialmente da solidão humana. Ao interagir com uma inteligência artificial avançadíssima, o protagonista acaba desenvolvendo um relacionamento com ela. Ao longo da narrativa, vemos flashbacks do casamento fracassado do personagem e percebemos a desconexão que ele sente com as pessoas à sua volta desde o divórcio. Confesso que achei o filme só “legal” e não fiquei impactadíssima por ele como grande parte das pessoas que conheço ficou. 🤷‍♀

As Duas Faces de um Crime

as duas faces de um crime

Vocês sabem que eu adoro uma trama envolvendo investigação, né? Esse longa, que lançou Edward Norton ao estrelato, narra a história de um advogado de defesa bem-sucedido e arrogante (interpretado por Richard Gere) que decide ajudar um jovem coroinha acusado de matar o bispo da sua congregação. Ao longo da trama vemos toda a reconstrução do que aconteceu, inclusive o aspecto oculto e podre da vida do bispo. O final tem um plot twist incrível, daqueles que te deixam de boca aberta. Vale a pena!

E você, já assistiu a algum desses filmes?
Me conta nos comentários! 😉

Assisti, mas não resenhei #5

Oi pessoal, tudo bem?

No Assisti, mas não resenhei de hoje, vamos falar sobre filmes! 😀 Tenho algumas dicas bem legais pra compartilhar, então já podem ir preparando a pipoca.

Um Pequeno Favor

um pequeno favor

A trama de Um Pequeno Favor gira em torno da amizade de Stephanie, uma mãe solitária, e Emily, uma mulher de negócios imponente, cujos filhos estudam na mesma escola (o que serve como pontapé para a aproximação). Certo dia, Emily pede a Stephanie que pegue seu filho depois da aula e… desaparece. O sumiço causa grande comoção e a própria Stephanie começa sua busca por respostas. Apesar da premissa, Um Pequeno Favor não segue a fórmula tradicional de thrillers – ele é um filme um tanto quanto… cômico. Apelando pro nonsense, a trama surpreende muito mais pela quebra de expectativa do que pelos mistérios propriamente ditos. É uma boa distração, disponível no Amazon Prime Video. 🙂

12 Homens e Uma Sentença

12 homens e uma sentença

Esse é um filme antigo, em preto e branco, que vi há alguns anos e me surpreendeu muito. A trama é simples em seu cerne: 12 homens (brancos) formam o júri, que vai decidir o destino de um jovem (porto-riquenho) acusado de matar o próprio pai. Para 11 dos jurados o rapaz é culpado. Entretanto, o Sr. Davis (o único membro do júri a ter seu nome revelado) está em dúvida sobre a culpa do jovem, e passa o filme todo tentando convencer os outros homens a repensarem sua opinião. Mesmo se passando em uma única sala e tendo sua trama completa girando em torno do debate, o filme é envolvente e mostra de forma impecável os traços sutis de cada personagem, assim como o abismo racial que os leva para um caminho leviano no processo inicial de tomada de decisão.

Precisamos Falar Sobre o Kevin

precisamos falar sobre o kevin

Sempre tive muita curiosidade sobre esse título, que narra pelo ponto de vista de uma mãe como foi lidar com um filho sociopata, que vai preso após provocar um massacre na escola. A história é desconfortável e mexe bastante com o espectador, além de contar com atuações primorosas por parte de Ezra Miller e Tilda Swinton. O desenrolar da trama é lento, focado na reminiscência da personagem principal a respeito de sua vida enquanto esposa e mãe – um papel que visivelmente lhe era desconfortável. Apesar de sabermos o que leva à prisão de Kevin, o final conta com uma reviravolta chocante (não necessariamente surpreendente, se você reparar nas cenas no presente, mas ainda assim chocante pelo modo como ocorre). É um boa produção de caráter psicológico e também está disponível no Amazon Prime Video.

O Estagiário (ou Um Senhor Estagiário)

um senhor estagiario

A trama acompanha Ben Whittaker, um viúvo que está enjoado da aposentadoria e decide se candidatar a um programa de estágio em uma empresa de moda. Lá, ele é designado para ser assistente da fundadora da marca, a competente e dedicada Jules, com quem uma amizade inesperada se inicia. O relacionamento dos dois vai evoluindo aos poucos e é fofíssimo de acompanhar: ele age como uma espécie de pai, protegendo os interesses de Jules e incentivando-a no seu dia a dia intenso e corrido; Jules, por sua vez, percebe que precisa encontrar espaço na sua agenda lotada para cuidar de si mesma e ter bons momentos com a sua família – mas jamais sendo incentivada a abrir mão da sua empresa, o que considero um dos melhores acertos do filme. O fato de Jules ser poderosa e capaz é algo que Ben admira e incentiva, e precisamos de representações assim nas telas. Além disso, a comédia é mega gostosa e o filme é bem realista no núcleo amoroso da trama. Tem na Netflix e recomendo muito. ❤

Espero que tenham gostado das dicas! 😉
Beijos e até o próximo post.