Resenha: O Livro do Cemitério: Volume 1 – Neil Gaiman e P. Craig Russell

Oi gente, tudo bem?

Eu adoro graphic novels e, em maio, tive a oportunidade de ler o primeiro volume da adaptação ilustrada de O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman. Foi minha primeira experiência lendo algo do autor (ou talvez, melhor dizendo, uma adaptação de uma obra dele).

o livro do cemitério volume 1.pngGaranta o seu!

Sinopse: Bestseller do The New York Times e premiado com as medalhas Newbery (EUA) e Carnegie (Reino Unido), o romance O livro do cemitério, do cultuado escritor Neil Gaiman, ganha versão em quadrinhos adaptada por P. Craig Russell, parceiro de Gaiman em diversos livros, incluindo a versão em HQ de outro clássico do autor, Coraline. O livro é o primeiro de dois volumes que acompanham a trajetória de Ninguém Owens, ou Nin, um garoto como outro qualquer, exceto pelo fato de morar em um cemitério e ser criado por fantasmas. Cada capítulo nesta adaptação de Russell acompanha dois anos da vida do menino e é ilustrado por um artista diferente, apresentando uma variedade fascinante de estilos que dão ainda mais vida à atmosfera ao mesmo tempo afetuosa e sombria da história.

O livro inicia com o homem chamado Jack (sim, é desse modo que a obra se refere a ele) assassinando uma família (quase) inteira. Porém, ao chegar no quarto do último membro, um bebê, o homem chamado Jack encontra somente um berço vazio. A verdade é que, atraído por um aroma envolvente, o bebê caminhou até o cemitério da cidade, no qual foi encontrado por um casal de fantasmas, o Sr. e a Sra. Owens. Eles decidem adotá-lo e, depois de muita deliberação com os outros membros do cemitério, a criança é aceita – e é chamada de Ninguém Owens. A partir daí, acompanhamos a vida do menino conforme os anos passam, sob a proteção do cemitério.

Nin é um menino vivo que tem a “liberdade do cemitério”, ou seja, pode entrar em lugares e fazer coisas que outras pessoas vivas não podem. Além dos pais adotivos, ele também é protegido por Silas, seu guardião, um vampiro sábio e misterioso, responsável por contar a Nin tudo que existe fora dos muros de onde vivem. A passagem do tempo acompanha também as mudanças naturais da infância, e Nin vai se tornando um menino cada vez mais inquieto e curioso, cheio de vontade de saber mais sobre o mundo e sobre a vida – o que é paradoxal, já que todos ao seu redor, que podem dar algum vislumbre de como ela funciona, estão mortos.

resenha o livro do cemitério volume 1.png

O Livro do Cemitério é uma literatura fantástica no sentido literal da palavra: a trama é fantasiosa, cheia de cenas meio malucas e muita criatividade. O problema, pra mim, é que cada capítulo parece um “conto” à parte, explorando diversas mitologias diferentes (como os sabujos de Deus e a dança macabra) e cuja única coisa em comum com o anterior ou posterior é o núcleo de personagens. Eu não senti como se a obra estivesse evoluindo para um “objetivo final” – e talvez nem fosse essa a ideia; talvez o livro queira somente explorar situações da vida de um menino vivo em meio aos mortos. Seja como for, isso acabou me desestimulando um pouco ao longo da leitura, por não saber aonde a história queria chegar.

O aspecto que me prendeu, pra falar a verdade, foram as artes maravilhosas. Cada capítulo é ilustrado por um artista diferente e, além de amar ilustrações de modo geral, eu também adorei observar com atenção cada quadro, absorvendo e reparando nas diferenças de estilo dos ilustradores. Os traços e cores são fantásticos e imersivos, criando uma atmosfera envolvente e mágica.

resenha o livro do cemitério volume 2

O Livro do Cemitério: Volume 1 tem um estilo narrativo que não me conquistou, mas vou ler o Volume 2 para chegar a conclusões mais embasadas sobre a trama e seus objetivos. A qualidade gráfica da obra é inegável e as ilustrações são belíssimas, o que certamente vai encantar quem já é fã de Neil Gaiman ou da versão original de O Livro do Cemitério. E aguardem, em breve volto com minha conclusão final a respeito da trama. 😉

Título Original: The Graveyard Book: Volume 1
Autor: Neil Gaiman e P. Craig Russell
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 192
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.
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Resenha: O Jogo do Coringa – Marie Lu

Oi gente, tudo bem?

Depois de muita espera e ansiedade, hoje vim contar pra vocês o que achei de O Jogo do Coringa, continuação de Warcross. ❤ Ah, fica o aviso: o texto possui spoilers do livro anterior.

o jogo do coringa marie luGaranta o seu!

Sinopse: Emika Chen quase não conseguiu sair viva do campeonato de Warcross. Agora que ela sabe a verdade por trás do algoritmo e Hideo no NeuroLink, ela não pode mais confiar na pessoa que ela mais acreditava estar do seu lado. Determinada a parar os terríveis planos de Hideo, Emika e os Phoenix Riders se juntam para lutar contra uma nova ameaça a solta nas ruas iluminadas de Tokyo. Entretanto, ela vai descobrir que tudo tem seu preço e que a história por trás de Zero vai muito além do que ela achava que conhecia. Uma vez dentro dessa história, o único caminho é seguir em frente. Determinada a salvar todos que ama, Emika não vai poupar esforços para descobrir a verdade sobre a história da família de Hideo, destruir seu algoritmo e salvar o mundo de Warcross.

Depois de descobrir a verdade sobre o algoritmo de Hideo, bem como sobre a identidade de Zero, Emika Chen se vê em uma verdadeira encruzilhada: tentar caçar o homem que ama sozinha ou se juntar a seu inimigo na missão de impedir Hideo. Após um ataque no mundo real, do qual ela é salva por uma assassina que trabalha para Zero, Emika decide juntar-se a ele – ainda que cheia de desconfianças. A jovem conhece então a organização dos Blackcoats, da qual Zero faz parte, que alega ser uma espécie de justiceira, impedindo que grandes poderes fiquem sob a responsabilidade de uma única pessoa. A partir desse momento, a missão de Emika é se aproximar novamente de Hideo e impedir que ele instale o algoritmo em todas as lentes NeuroLink remanescentes, de modo a ter controle total sobre os pensamentos das pessoas. Porém, a garota também decide investigar mais a fundo o passado sombrio de seus novos “aliados”.

Assim como aconteceu comigo durante a leitura de Warcross, achei o início de O Jogo do Coringa um pouco arrastado. Emika perdeu muito de seu protagonismo, ficando refém de diversas situações que a impediam de efetivamente agir. Especialmente no primeiro terço da obra eu senti falta de sua impetuosidade e temi que ela acabasse se tornando a típica mocinha que precisa ser salva. A verdade é que, infelizmente, Emika acabou ofuscada, sendo alguém pouco ativa na obra – com exceção, talvez, das sequências finais, em que seu pensamento lógico acabou sendo útil. Aqui, Hideo acabou tendo um papel muito mais decisivo, assim como o próprio Zero. E vale dizer que o embate entre os dois, pra mim, foi a parte mais interessante de O Jogo do Coringa (que de “jogo da Coringa”, Emika, não teve praticamente nada).

Marie Lu também aprofunda um pouquinho mais o background dos companheiros de time de Emika, algo que eu tinha sentido falta em Warcross. Apesar de ainda ser um desenvolvimento raso, alguns deles ganharam camadas que os tornaram mais interessantes (especialmente Roshan e Tremaine, que acaba se tornando um aliado valioso). Além dos personagens antigos, temos a inserção de dois novos elementos importantíssimos para a trama: a Dra. Dana Taylor e Jax, ambas dos Blackcoats. A primeira é uma mulher enigmática e discreta; a segunda é a assassina que fica encarregada de proteger Emika, cujo laço misterioso com Zero é bastante instigante.

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Assim como ocorre em Warcross, o plot twist trazido aqui é muito bom e me pegou totalmente desprevenida. Quando você acha que não há muito mais a aprofundar sobre determinados personagens, o livro não hesita em mostrar que você está errado. E, seguindo o exemplo de se seu antecessor, O Jogo do Coringa novamente traz à tona discussões sobre o papel da tecnologia, sobre (falta de) ética em pesquisa, sobre nossas responsabilidades acerca das decisões que tomamos e sobre o real controle que exercemos (ou não) em nosso dia a dia, em meio a tantas evoluções e possibilidades hi-tech. A única coisa que me decepcionou em relação ao final foi o destino de um personagem-chave, que acaba sendo otimista demais em um cenário em que aquilo não parecia “caber”, dando uma sensação forçada e tirando a força de momentos emocionantes e decisivos. Se já tiver lido e quiser saber de quem estou falando, selecione a frase a seguir: para mim, Zero/Sasuke não deveria ter sobrevivido após a destruição do NeuroLink. Quando percebemos que o personagem segue vivo em forma de dados, muito do impacto da cena (e da reação de Hideo) acaba desperdiçado.

Com cenas muito emocionantes – cheias de dor, saudade e arrependimento –, grandes exemplos de amizade e personagens imperfeitos, O Jogo do Coringa é uma obra que encerra de maneira satisfatória a história iniciada em Warcross. E sem deixar de lado as cenas de ação alucinantes e os plot twists de tirar o fôlego! Apesar do segundo volume ser um pouquinho inferior em relação ao primeiro, eu gostei demais desse universo tecnológico criado por Marie Lu. E se você ainda não conferiu essa duologia incrível, está na hora de adentrar em Warcross também. 😉

Título Original: Wildcard
Série: Warcross
Autor: Marie Lu
Editora: Fantástica Rocco (selo da Editora Rocco)
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

5 motivos para ler a série Cormoran Strike

Oi pessoal, tudo bem?

Para comemorar a chegada do mais novo livro da série Cormoran Strike, Branco Letal (escrito por Robert Galbraith, o pseudônimo de J. K. Rowling), resolvi fazer uma lista de 5 motivos pelos quais você deveria dar uma chance à série. ❤

Você também pode conferir as resenhas dos livros anteriores abaixo:

Agora sim! Vamos à lista? 😉

1. Protagonistas carismáticos

Cormoran Strike é o protagonista da série, um ex-militar que hoje trabalha como detetive particular. Apesar do jeito introspectivo e até um pouco mal humorado, o personagem tem carisma, grande sagacidade e uma inteligência pra Sherlock nenhum botar defeito. Além dele, temos uma protagonista feminina incrível, Robin Ellacott. A jovem inicia a história como uma secretária temporária, mas seu olhar atento, sua pró-atividade e sua determinação fazem dela uma aliada valiosa para Strike. A dinâmica entre os dois é cativante e suas personalidades distintas combinam superbem.

2. Ambientação

Os crimes investigados por Strike normalmente se passam em Londres, então o personagem circula por toda a cidade (e também cidades próximas) em busca de pistas. As andanças de Strike inevitavelmente acabam causando no leitor uma vontade de conhecer de perto os pubs, os restaurantes e as ruas da capital inglesa.

3. Mistérios bem amarrados

Nos três livros da série já publicados, Robert Galbraith consegue costurar todos os fatos apresentados na resolução dos casos. Para mim, que adoro um romance policial, isso é imprescindível. Apesar de alguns casos serem mais interessantes do que outros (sendo Vocação Para o Mal o mais fraco deles, na minha opinião), há muita competência em amarrar as pontas soltas, e eu aprecio muito essa qualidade.

série cormoran strike.png

4. Desenvolvimento dos personagens

Tanto Strike quanto Robin têm suas histórias aprofundadas e seu passado revelado com o andamento das histórias. Muitos aspectos da personalidade dos protagonistas possuem explicação, e é muito legal ir descobrindo mais sobre eles com o passar das páginas – especialmente porque é muito difícil não gostar e não se importar com os dois. Eu valorizo muito quando os personagens fazem sentido e têm comportamentos coerentes, então esse aspecto da série me agrada bastante.

5. Narrativa envolvente

Não vou mentir pra vocês: existem momentos arrastados em algumas partes dos livros. O fato de que Strike não compartilha suas suposições com o leitor torna tudo muito misterioso, então certas cenas acabam sendo um pouco mais lentas. Ainda assim, Robert Galbraith/J. K. Rowling tem o talento de me fazer ficar imersa no que ele escreve, graças ao seu estilo narrativo. Os livros são longos e, ainda assim, muitas vezes me peguei devorando vários capítulos em sequência, simplesmente porque eu gosto do jeito que o autor escreve. E, quando penso que Robert Galbraith é J. K. Rowling, isso faz todo sentido: além do meu amor incondicional por Harry Potter, também curti demais Morte Súbita.

Espero que eu tenha conseguido convencer vocês a pensarem com carinho sobre dar uma chance a esses ótimos livros policiais. 😀

E pra quem já curte a série e, assim como eu, está ansioso pelo próximo volume, ele já está em pré-venda e será lançado pela Editora Rocco ainda este mês! Você já pode garantir o seu aqui e ainda ajudar o Infinitas Vidas sem pagar nada a mais por isso. Só sucesso, hein? ❤

E por hoje é isto!
Beijos e até o próximo post. o/

Resenha: A Mulher na Janela – A. J. Finn

Oi gente, tudo bem?

Há muito tempo eu estava com A Mulher na Janela na wishlist, e estava determinada a ler antes da estreia do filme. Mas é como dizem né: não alimente o Monstro da Expectativa. 🤐 E já conto pra vocês porquê!

a mulher na janela aj finn.pngGaranta o seu!

Sinopse: Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e… espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle?

Anna Fox é uma mulher que vive reclusa em sua casa, abusando da mistura de remédios e álcool. A personagem sofre de agorafobia (um transtorno que, no caso dela, está relacionado ao medo de lugares abertos), está separada do marido e da filha e encontra distração para seus dias em hobbies como ajudar estranhos em um fórum para agorafóbicos, jogar partidas de xadrez online e, é claro, em stalkear seus vizinhos pela janela, utilizando o zoom poderoso de sua câmera. Quando os Russells chegam para ocupar a casa em frente à sua, Anna fica obcecada em observar seus passos, sendo eles um reflexo da família feliz que a sua própria costumava ser. Anna rapidamente faz amizade com o filho do casal, Ethan, e sua mãe, Jane; entretanto, em uma noite particularmente cheia de vinho, Anna presencia o assassinato da vizinha. O problema é que, ao chamar a polícia, ninguém acredita nela – e uma mulher que ela nunca viu antes se apresenta como Jane.

O plot de “eu vi um crime acontecer e ninguém acredita em mim” rapidamente me fez lembrar do ótimo A Mulher na Cabine 10. O problema aqui é que Anna não é uma personagem carismática: ela é alguém que sofre de um transtorno que provoca empatia, mas cuja personalidade não causa o mesmo efeito. Durante as primeiras 100 páginas do livro nada acontece, e vemos somente a rotina enclausurada da protagonista, que não faz outra coisa além de beber, assistir a filmes antigos, participar do fórum e jogar xadrez. A verdade é que o início do livro é extremamente enfadonho e, somado ao fato de que Anna é uma teimosa que faz tudo errado (como, por exemplo, mentir para seu psiquiatra e tomar os remédios com álcool – algo proibido em seu tratamento), fica ainda mais difícil criar afeição por ela.

A casa da protagonista é como um personagem próprio: assim como Anna, a casa está caindo aos pedaços. Suja, mal-cuidada e com traços de descaso, a casa não é somente um cenário para o livro, mas uma fonte de apoio para a protagonista. Somente naquele ambiente Anna sente-se protegida e, portanto, quando Anna começa a ter sua privacidade violada, o livro começa a ficar mais interessante. Certa de que um crime foi cometido na casa dos Russells, Anna cria uma situação bastante delicada com a polícia e os vizinhos, que contestam sua sanidade e a fazem duvidar de si mesma. É nesse momento que acontece o plot twist mais interessante do livro (mais precisamente, na página 261). Sim, a coisa mais interessante da trama demora mais de 200 páginas pra acontecer. 😦

resenha a mulher na janela

Entretanto, devo elogiar o cuidado de A. J. Finn em costurar todos os detalhes da trama. Mesmo as partes mais cansativas da rotina de Anna acabam tendo um propósito e explicam detalhes fundamentais do mistério que a personagem vive. Entretanto, isso também gerou outra questão: previsibilidade. A revelação final foi extremamente frustrante pra mim, que já desconfiava de quem era o culpado e como muitas coisas haviam sido feitas muitas e muitas páginas antes. O lado bom é que elas fizeram sentido, o lado ruim é que o livro não me trouxe um pingo de surpresa. E se você ficou curioso pra saber o que estou falando, selecione o spoiler a seguir: pra mim ficou óbvio que Ethan era o culpado quando o gato, Punch, passou a fugir dele. Animais não mudam assim, de graça, portanto atribuí o novo comportamento de Punch à culpa de Ethan. Além disso, desde o início da trama eu desconfiei da GrannyLizzie, do fórum. Quando Anna começou a se abrir com ela e falar demais sobre a vida pessoal (algo que a personagem não costuma fazer), pensei: “ih, isso aí vai dar merda”. Dito e feito.

Não sei se minhas expectativas estavam altas demais, se as resenhas que li não foram diversas o suficiente ou se simplesmente o livro não funcionou comigo. A verdade é que não gostei de A Mulher na Janela, e os motivos são basicamente o fato da primeira metade ser enfadonha e a segunda ser previsível. Como estou acostumada a ler thrillers e livros policiais, está sendo cada vez mais difícil uma obra do gênero me surpreender, então talvez isso tenha influenciado nessa minha experiência de leitura. Ainda assim, acredito que vou gostar da adaptação cinematográfica, especialmente se a direção optar por focar na tensão dentro da casa e em criar um clima de angústia (que, na obra literária, eu quase não senti). Mas, para ser justa, admito que a sequência de ação no final do livro é bem bacana e acho que vai ficar beeem aflitiva no filme. Então, para resumir: não considero A Mulher na Janela imperdível, mas se você não tiver o hábito de ler esse estilo literário, talvez ele possa te surpreender. Arriscar ou não fica a seu critério! 😉

Título Original: The Woman in the Window
Autor: A. J. Finn
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 352
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Resenha: Lendo de Cabeça Para Baixo – Jo Platt

Oi gente, tudo bem?

Eu acho que, até este ano, eu nunca tinha lido um chick-lit. Quando a Editora Rocco lançou Lendo de Cabeça Para Baixo, me apaixonei pela sinopse e não pensei 2x em solicitar. Bora descobrir o que eu achei?

lendo de cabeça para baixo jo platt.pngGaranta o seu!

Sinopse: A felicidade parecia estar batendo à porta de Rosalind Shaw naquele que deveria ser o dia mais feliz da vida dela. Abandonada no altar, sem qualquer explicação ou justificativa, a jovem mergulha numa depressão sem fim, daquelas de passar dias e dias largada à frente da TV, sem força para sair do sofá. Até que um dia seu amigo Tom propõe que ela se torne coproprietária de uma loja de livros antigos, numa cidade do interior. Ro aceita a proposta e se torna sócia de Andrew, o reservado amigo de Tom, e conhece novos amigos, capazes de mudar a vida dela para sempre. Uma história leve e divertida sobre sentimentos feridos e mal-entendidos, equívocos e perdões.

Ros passou por um trauma muito grande e humilhante em sua vida pessoal: foi largada no altar. Antes uma mulher bem-sucedida e confiante, agora Ros tenta superar a depressão que a acometeu depois do episódio. Com a ajuda dos amigos e da família, ela decide sair do emprego anterior, se mudar para uma cidade mais tranquila e virar sócia da Chapters, uma livraria especializada em livros antigos. Lá, ela constrói uma amizade muito bacana com Andrew (seu sócio), George e Joan (suas funcionárias; a primeira é uma mulher linda e elegante, com um coração generoso, e a segunda é uma senhora alto-astral, mas um tanto fofoqueira). Porém, um dia Ros é surpreendida por seu vizinho barbudo e desleixado, que bate à sua porta para pedir desculpas e lhe dar a notícia de que atropelou seu porquinho-da-índia acidentalmente. Essa é a primeira de uma série de gafes, mal-entendidos e situações engraçadas que Ros vai viver.

Lendo de Cabeça Para Baixo tem um clima muito leve, apesar de iniciar contando sobre o passado depressivo de Ros devido ao abandono. A personagem começa a obra bastante desmotivada, apenas “existindo” (e fugindo de alguns banhos), porém, com o passar das páginas, a antiga Ros começa a dar as caras novamente, e muito disso se deve à convivência com seus amigos da Chapters e – por que não? – de seu vizinho, Daniel. Ao contrário da atual Ros, Daniel na realidade é um homem confiante, engraçado e irreverente. Para a surpresa da protagonista, ele é também muito bonito – especialmente depois de tirar a barba desgrenhada. Os dois vivem diversas situações constrangedoras, especialmente graças ao comportamento (meio irritante rs) autocentrado de Ros, que é potencializado pela insegurança que a personagem sente. Afinal, depois de ser abandonada no altar, faz sentido que sua autoconfiança não esteja no melhor nível possível.

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Os diálogos do livro são muito divertidos. Eu me peguei rindo em diversos momentos, porque a leveza é uma constante ao longo da obra. Joan é responsável por alguns desses diálogos mas, ao mesmo tempo, a personagem me causou certo ranço, pois ela faz certos comentários que interpretei como homofóbicos e machistas. Andrew e George são personagens excelentes, sendo uma fonte de apoio muito importante na recuperação de Ros. Contudo, eles são tão interessantes que muitas vezes a própria Ros ficava ofuscada durante a trama. Para mim, esse foi um ponto positivo E negativo da leitura: positivo porque os personagens secundários são envolventes e têm vida própria; negativo porque a autora dedicou tanto tempo a seus plots que, em determinado ponto, a história de Ros deixa de ter tanta relevância.

Entretanto, no terço final do livro coisas BEM interessantes começam a acontecer com a protagonista, dando fôlego à história novamente. O relacionamento com Daniel vai aos poucos se transformando, tornando-se menos constrangedor, ao passo em que Ros vai retomando pouco a pouco sua antiga “eu”. E isso é muito bacana: apesar de ter começado o livro como uma pessoa insegura e muito magoada, ao longo dos meses a protagonista consegue voltar a ser quem era: uma pessoa segura de si mesma e com vontade de viver (inclusive um novo amor). O fato de seu relacionamento com Daniel ser divertido e instigante torna o processo ainda melhor. 😉

Lendo de Cabeça Para Baixo é um chick-lit fofo, com um romance bacana, uma narrativa leve e bons personagens. Mesmo com o desvio de foco para os personagens secundários durante a trama, o livro não cansa o leitor, pois todos os personagens são cativantes. E o que falar da capa? Muito amorzinho! ❤ Em suma, o livro foi uma ótima porta de entrada para os chick-lits e já quero ler mais obras do gênero!

Título Original: Reading Upside Down
Autor: Jo Platt
Editora: Fábrica231
Número de páginas: 288
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Livros para ler no Carnaval

Oi gente, tudo bem?

Pensando em quem também é do Bloquinho da Netflix e dos Livros e prefere curtir o Carnaval longe da folia, preparei uma lista de leituras fluidas e envolventes para ler no feriadão. Espero que gostem! 😀

E Não Sobrou Nenhum

e nao sobrou nenhum agatha christie

400 páginas | Resenha |  Compre aqui

Esse é um dos meus livros favoritos e eu li mais da metade dele em uma única tarde. Foi meu primeiro contato com Agatha Christie e já pude perceber porquê ela é chamada de Rainha do Crime. Minha dica é: não se assustem com o número de páginas, tenho certeza que a leitura será fluida. Afinal, será impossível segurar a curiosidade até descobrir quem é o assassino da Ilha do Soldado.

Mentirosos

mentirosos e lockhart

272 páginas | Resenha | Compre aqui

Um livro que me surpreendeu pelo final, Mentirosos também é uma boa opção para o feriadão. Com menos de 300 páginas, a obra consegue manter o leitor confuso até o último (e surpreendente) capítulo.

O Sorriso da Hiena

capa o sorriso da hiena gustavo avila

304 páginas | Resenha | Compre aqui

Aqui, acompanhamos o dilema moral de um psicólogo que é instigado por um serial killer a estudar a origem da maldade humana. Como não ficar curiosa(o) com uma trama assim? Além disso, a narrativa é ágil e o livro não é muito longo, o que super favorece uma maratona de Carnaval.

Outros Jeitos de Usar a Boca

outros jeitos de usar a boca rupi kaur

208 páginas | Resenha | Compre aqui

Apesar de eu não ser a maior fã de poesia, essa obra me tocou. Com poemas que retratam as diferentes experiências (e dores) do ser mulher, Rupi Kaur não nos poupa com suas palavras – em alguns momentos doces, em outros contundentes.

A Sutil Arte de Ligar o F*da-se

a sutil arte de ligar o foda-se

224 páginas | ResenhaCompre aqui

Mais um exemplar de obras que não costumo ler, mas que acabei gostando. O livro é curto, chama a atenção já pelo título e traz um cinismo interessante sobre a vida e sobre a importância que damos a certas coisas. Aprendi algumas lições bem valiosas com ele!

Clube da Luta Feminista

clube da luta feminista

336 páginas | Resenha | Compre aqui

Uma das minhas leituras favoritas do ano passado, eu recomendo esse livro pra todo mundo! Jessica Bennett explora as diversas facetas do machismo no ambiente corporativo e nos mune com táticas para combatê-lo. É um livro importante, mas fácil de devorar graças à sua narrativa divertida.

A Revolução dos Bichos

a revolução dos bichos george orwell

152 páginas | Resenha | Compre aqui

Um dos meus livros favoritos da vida, essa fábula é uma obra fácil de ler, mas isso não diminui em nada sua mensagem poderosa. George Orwell utiliza diversas alegorias para falar sobre a hipocrisia humana e sobre o que acontece quando certos tipos sobem ao poder.

Para Todos os Garotos Que Já Amei

capa para todos os garotos que ja amei

320 páginas | Resenha |  Compre aqui

Não podia faltar um romance bem água com açúcar nessa lista, né? A história inusitada de Lara Jean e Peter Kavinsky cai muito bem um feriadão, já que é difícil largar o livro até a história terminar. E, se você quiser conferir a adaptação, ela está disponível na Netflix. 😉

@mor

@mor

188 páginas | ResenhaCompre aqui

Eu li esse livro há uns anos, mas ainda o adoro! Nele, duas pessoas começam a trocar e-mails após um erro de digitação da protagonista, que desejava entrar em contato com uma revista. Acompanhar os diálogos dessa amizade virtual é muito divertido – especialmente quando os sentimentos começam a mudar.

Confissões de Uma Garota Desastrada

confissoes de uma garota desastrada emma chastain

320 páginas | Resenha | Compre aqui

Uma opção de livro bem leve sobre a adolescência, que traz diversas situações pelas quais a maioria de nós já passou: a ansiedade sobre o primeiro beijo, o primeiro crush, o afastamento natural de algumas amizades… É um livro despretensioso, ótimo para passar o tempo com leveza.

Gostaram das dicas? Já leram alguma das obras sugeridas?
Me contem nos comentários!

E bom Carnaval. 🎉

Resenha: Uma Curva no Tempo – Dani Atkins

Oi gente, tudo bem?

Em fevereiro, o tema da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) foi “livros encalhados”. Basicamente, listamos aqueles livros que estavam esperando há um tempão na estante (ou nos e-readers rs) e que nunca ganhavam vez.

uma amiga indicou

A Carol, do Caverna Literária, me indicou a leitura de Uma Curva no Tempo, e hoje vim contar pra vocês o que achei. Preparem os lencinhos!

uma curva no tempo dani atkins.pngGaranta o seu!

Sinopse: A noite do acidente mudou tudo… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim… Ou funciona? A noite do acidente foi uma grande sorte… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel é perfeita. Ela tem um noivo maravilhoso, pai e amigos adoráveis e a carreira com que sempre sonhou. Mas por que será que ela não consegue afastar as lembranças de uma vida muito diferente?

Rachel vivia uma vida praticamente perfeita: estava terminando o Ensino Médio, tinha um namorado lindo e em breve iria para a faculdade. Até que, no jantar de despedida com os amigos, um acidente mudou tudo. Um carro desgovernado atingiu o restaurante no qual eles estavam e seu melhor amigo, Jimmy, morreu ao salvar a vida de Rachel. O livro então dá um salto para 5 anos para o futuro (vou chamar de realidade A) e descobrimos que a vida da protagonista saiu totalmente dos trilhos: ela convive com dores de cabeça atordoantes, mora em um apartamento minúsculo e nunca foi para a faculdade. A morte de Jimmy afetou Rachel das mais diferentes maneiras e ela sente o luto com uma intensidade esmagadora. Quando é forçada a voltar à sua cidade natal para o casamento de sua outra melhor amiga, Sarah, Rachel decide confrontar a sua dor e visitar a lápide de Jimmy; entretanto, uma crise de enxaqueca a faz desmaiar e bater a cabeça no chão frio do cemitério. E então o livro nos mostra outra realidade 5 anos depois do acidente – que agora vou chamar de realidade B. Nela, Rachel conquistou tudo o que queria: seu namoro de Ensino Médio transformou-se em noivado, ela formou-se em jornalismo e tem um apartamento incrível. Porém, ao voltar à cidade natal para o casamento de Sarah, um assalto faz com que ela caia no chão e bata a cabeça com força. Quem acorda na realidade B, entretanto, é a Rachel da realidade A, e ela se depara com esse turbilhão de novidades, sendo a principal delas o fato de que Jimmy está vivo. O problema é que ela não tem nenhuma memória dessa linha do tempo e tenta a todo custo provar que as vivências estão trocadas.

Dani Atkins consegue nos deixar tão confusos quanto Rachel quando as realidades paralelas – se é que podemos chamar assim – se misturam. De certa forma, conhecemos a Rachel A (da realidade em que Jimmy morreu), depois Rachel B (da realidade em que Jimmy não morreu) e, por fim, Rachel A inserida na realidade da Rachel B. Deu pra entender, né? 😂 Entretanto, acredito que a autora tenha dedicado tempo demais ao momento de confusão da “Rachel A”, com muitas e muitas páginas desenvolvendo sua estranheza com aquele mundo e sua tentativa de retornar ao velho. Isso torna a reação dela verossímil? Talvez. Mas quando você vive uma vida terrível e tem a chance de recomeçar, você realmente tentaria voltar? Eu, no lugar dela, acho que não. E todo esse plot de Rachel tentando se conectar com sua “verdadeira realidade” acaba sendo um pouco cansativo, porque não ajuda a conferir carisma à protagonista-narradora.

Com o passar das páginas, Rachel tem a oportunidade de se aproximar de uma versão adulta de Jimmy e finalmente confrontar uma situação que todos ao seu redor já tinham percebido, menos ela: o sentimento que o rapaz sempre nutriu a vida toda pela melhor amiga. Na nova realidade, Rachel tem a chance de visualizar como as coisas poderiam ser entre eles e percebe que Jimmy – ou melhor, seus sentimentos por ele – sempre foram a resposta para tudo que ela viveu desde o acidente. E, já que o rapaz está em pauta, devo dizer que o personagem é um amor, mas não causa o mesmo impacto da linha do tempo “original”. Acontece que o relato de Rachel sobre a noite do acidente deixou a importância de Jimmy tão evidentes que o apego foi instantâneo – assim como a dor que sentimos quando descobrimos que ele se foi.

resenha uma curva no tempo

Apesar do romance ser um aspecto importante da trama, meu conselho pra vocês é o seguinte: não se deixem enganar pela capa e pela sinopse, essa não é só uma história de amor. Eu me mantive desconfiada durante a leitura inteira e simplesmente não consegui comprar aquilo que Rachel estava vivendo como real. A verdade é que o livro fala sobre perda, escolhas, a importância da família e o quanto, muitas vezes, gostaríamos de ter uma segunda chance na vida. Além disso, a obra também mostra a importância de abrir o coração, falar o que sente e ser honesto consigo mesmo. Nunca sabemos qual será a próxima oportunidade de fazê-lo, então cada dia importa e cada momento é único, justamente por sua fugacidade. O final do livro é um pouco previsível, pois as pistas estavam todas lá, no decorrer das páginas. Ainda assim, é impossível não concluir a leitura com um misto de tristeza e conformidade, pois ele nos faz pensar que talvez tenha sido melhor daquele jeito. Afinal, na situação apresentada pela obra, o que é melhor: viver uma realidade esmagadora ou aquilo que você sempre sonhou, ainda que com sacrifícios? Portanto, o fim acaba tendo um sabor agridoce.

Falando um pouco sobre o que não curti na obra: existem alguns erros de continuidade ao longo do livro (por exemplo: uma hora a Rachel fala em cinco anos e em outro, sete). Também menciona que jamais revelaria x informação ao pai, e páginas depois ela o faz. São pequenos detalhes que não chegam a atrapalhar a trama, mas os notei. Outro aspecto não tão legal diz respeito ao fato de que as coisas demoram a “pegar no tranco”, especialmente pela confusão experimentada por Rachel A ao acordar na realidade B. O livro se demora muito nisso e, somado ao fato de que a narrativa de Dani Atkins é mais poética e trabalhada, a leitura não foi tão ágil quanto eu esperava.

Em suma, Uma Curva no Tempo me agradou bastante, mesmo não entrando para o meu hall de favoritos. É um livro tocante, que utiliza uma situação triste para trazer belas lições. Se você gosta de romances dramáticos, vale a pena dar uma chance. Porém, prepare-se para as eventuais lágrimas que surgirem pelo caminho. 😉

Título Original: Fractured
Autor: Dani Atkins
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 240
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