Resenha: Mentirosos – E. Lockhart

Oi pessoal, tudo bem?

Para o post de hoje, trago uma resenha de um livro que estava na minha wishlist há muito tempo (graças às resenhas na blogosfera, que super elogiavam a história): Mentirosos, da E. Lockhart.

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Sinopse: Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano eles passam as férias de verão numa ilha particular. Cadence — neta primogênita e principal herdeira —, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos. Cadence admira Gat por suas convicções políticas e, conforme os anos passam, a amizade com aquele garoto intenso evolui para algo mais. Mas tudo desmorona durante o verão de seus quinze anos, quando Cadence sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.

A sinopse de Mentirosos já resume muito bem a trama, então não vou explicá-la novamente pra não tornar essa resenha maior do que precisa ser. Vou partir direto para a minha análise da obra. 🙂

A narrativa em primeira pessoa tem um tom poético, reminiscente e melancólico. Existem dois momentos da vida da protagonista que são mais esmiuçados ao longo do livro: o verão dos quinze (ou o verão do acidente) e o verão dos dezessete (o presente). Com o passar das páginas, vamos descobrindo fatos sobre o verão dos quinze que Cadence esqueceu ao mesmo tempo em que vivenciamos com ela o que acontece com sua família no presente. O livro tem um desenrolar lento, ainda que não seja maçante. O problema é que os finais de capítulo não tinham ganchos imperdíveis, então nem sempre eu tinha vontade de prosseguir a leitura (por mais curiosa que estivesse pra saber o que havia acontecido). Isso me fez demorar mais do que pretendia pra terminar Mentirosos, que é um livro curto. As descrições também vem na medida certa, sem exageros. A autora se preocupa muito em trabalhar as relações familiares e os personagens, o que é fundamental para a trama.

Falando em personagens, preciso comentar sobre os quatro Mentirosos. Infelizmente, a narrativa de Cadence não foi o ponto forte. Não consegui me afeiçoar a ela no verão dos quinze, e tampouco no verão dos dezessete. A personagem era uma adolescente apaixonada como qualquer outra, mas depois do acidente ela se vê num looping de sofrimento e autopiedade que não causou grandes emoções em mim. Gat, outro personagem fundamental, tinha tudo para ser interessante: ele era o primeiro amor de Cadence, era questionador, era o “estranho no ninho” na família Sinclair… mas faltou carisma. Mirren não ganhou minha simpatia nem no passado, nem no presente. A menina não parecia ter vontade alguma de questionar seus privilégios, além do comportamento autoritário e mimado. Johnny, por fim, foi meu Mentiroso favorito. Tudo que faltou nos outros três elementos do quarteto foi reunido nele: Johnny é carismático, divertido e envolvente. Em determinado momento, ele também mostra a força de seu caráter. O resto da família Sinclair, infelizmente, não tenho como elogiar. Harris, o avô, é o exemplo do patriarca da “família tradicional”, preconceituoso e preocupado com seu poder em primeiro lugar. As filhas são mulheres fracassadas que não conseguem sair debaixo da asa do pai e precisam se humilhar constantemente para garantir seu sustento – com os luxos a que estão acostumadas. E as crianças menores são pouco desenvolvidas, não tendo grande impacto durante a narrativa.

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Mentirosos traz alguns temas bem interessantes em suas páginas, como a crítica às aparências. E. Lockhart nos mostra uma família decadente, cada vez mais fracassada em diversos aspectos da vida, mas que se recusa a deixar a soberba de lado. A verdade é que os quatro Mentirosos não são os únicos a merecer esse título. Além da crítica a essa “aristocracia” da família Sinclair, a autora também traz discussões (ainda que superficiais) raciais e de classe – principalmente pela voz de Gat, que é o personagem responsável por levar Cadence à reflexão.

O final é simplesmente… arrebatador. A autora faz você pensar em mil possibilidades, traça uma linha que parece a explicação mais plausível para, na revelação final, te mostrar que você estava completamente errado. Quando li o final, tive que parar na mesma hora e, juro pra vocês, fiquei olhando pro teto e pras paredes, atordoada. Senti como se tivesse levado um soco na boca do estômago e perdi o fôlego, então precisei reler várias vezes pra assimilar não apenas o final – mas toda a trajetória. Na hora eu pude entender porque tudo foi contado tão aos poucos, com tantos detalhes que, em um primeiro momento, poderiam parecer preciosistas. Se durante a leitura eu havia pensado “ok, já entendi que os Sinclair são assim”, ao terminar o livro eu soube as razões da autora pra desenvolver a história – e os personagens – da forma que desenvolveu. E como eu sou fã de bons finais (sim, um final ruim pode estragar uma experiência pra mim), esse livro, que já era bom, subiu de patamar, entrou pra lista de leituras que provavelmente não vou esquecer e me causou uma ressaca literária violenta, já que não consigo parar de pensar nele. Mesmo agora, que já comecei a próxima leitura, Mentirosos segue constantemente na minha cabeça.

Mentirosos é um livro com alguns problemas (como a falta de carisma de Cadence e o desenrolar lento da trama), mas faz um excelente trabalho ao construir as relações familiares e apresentar aos poucos as memórias da protagonista. O final é de tirar o fôlego, junta todas as peças soltas e te faz questionar como você não percebeu a verdade antes. Só por esse final eu já recomendo Mentirosos sem pensar duas vezes: vale a pena!

Título Original: We Were Liars
Autor: E. Lockhart
Editora: Seguinte
Número de páginas: 272

Resenha tripla: Sutilmente, Imersão e Caleidoscópio – Nina Spim

Oi gente, tudo bem?
Estão aproveitando bastante o feriado de Carnaval? Espero que sim! ❤

Hoje eu trago pra vocês as primeiras resenhas de parceria do ano, começando pelas obras da Nina Spim: Sutilmente, Imersão e Caleidoscópio! 😀
Como os contos da Nina são bem curtinhos, resolvi falar um pouquinho sobre cada um nesse post.

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Sinopse: A escola pode ser um ambiente hostil para se fazer amizades e, ainda mais, para se apaixonar pela primeira vez. No entanto, é justamente na sala de aula que Giovana conhece a nuance e a cor do amor. Laura poderia ser a típica aluna nova amedrontada, mas seu mundo particular, cheio de certezas escondidas, nunca mais será o mesmo depois de conhecer a libertação que o novo provoca.

Sutilmente é narrado em primeira pessoa por Giovana, uma estudante que fica imediatamente interessada na nova colega de classe, Laura. Enquanto narra seu dia na escola e o fascínio que Laura exerce sobre ela, Giovana vai nos mostrando um pouco do seu dia a dia e também como é a sensação de se interessar por uma pessoa à primeira vista. O jeito tímido e misterioso de Laura – que parece assustada, mas ao mesmo tempo tem uma energia envolvente – conquista Giovana, que faz de tudo para se aproximar da garota.

Pela sinopse, eu achei que Sutilmente falaria mais de um romance em si, mas na realidade o conto aborda o início do interesse entre as duas garotas. Não consegui me conectar às personagens, porque os devaneios da protagonista me deixaram um pouco confusa, e algumas frases curtas deixaram a narrativa um pouco truncada. O ponto forte desse conto, sem dúvida, é a naturalidade com que a sexualidade de Giovana e Laura foi tratada. Com leveza (e até mesmo poesia), Nina construiu  o interesse romântico das duas de um modo muito tranquilo – exatamente como esse tema deve ser. Fiquei muito contente com essa abordagem e espero ver mais obras assim!

Título Original: Sutilmente
Autor: Nina Spim
Editora: Amazon
Número de páginas: 14
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Sinopse: Os dias difíceis parecem normais para todos, certo? Mas, no caso de Lou, um dia difícil é muito mais do que isso. É uma luta constante contra si mesma e seus demônios invisíveis. Caio, seu marido, a aceita como é e muitas vezes precisa ser firme. O que é a depressão para você? Até quando você poderia vê-la desgastando a pessoa que mais ama?

O conto traz a história do casal Lou e Caio, que se conhecem desde a escola e estão juntos há aproximadamente 10 anos. Lou convive com a depressão, uma doença invisível incompreendida por muitos. O conto, contudo, é narrado por Caio, e pelos olhos dele conseguimos vivenciar alguns dos sentimentos de alguém que ama uma pessoa com depressão.

Imersão foi, de longe, o conto que mais gostei. Em suas poucas páginas, pude me sentir conectada à história de Lou e Caio e de seu amor genuíno e duradouro. Por meio da visão de Caio não apenas vivenciamos junto a ele o que é conviver com alguém que tem depressão, mas também sentimos o amor incondicional que ele tem pela esposa. Apesar de um ou outro errinho de revisão, esse conto me envolveu e me emocionou. Nina desenvolveu esse tema com muita sensibilidade e doçura.

Título Original: Imersão
Autor: Nina Spim
Editora: Amazon
Número de páginas: 4
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Sinopse: Conhecer o infinito nunca foi tão fácil para Júlia, até que Daniel a fez sentir que a beleza não precisa ser enxergada para ser contemplada na infinitude de quem eram.

Caleidoscópio traz um tema interessante, sobre o qual até então eu não havia lido: a deficiência visual. Júlia e Daniel se conhecem desde pequenos, e o rapaz é cego desde que nasceu. Por conviver com ele desde pequena, Júlia sempre lidou com a situação com naturalidade. Porém, o conto nos lembra que, infelizmente, nem todo mundo lida com isso dessa forma.

Por meio da narrativa de Júlia, Caleidoscópio nos mostra formas distintas de lidar com as diferenças: enquanto criança, Júlia só queria tratar Daniel como um igual e, depois de adulta, ela admira justamente aquilo que o faz diferente. Em um mundo de preconceitos e falta de empatia, Caleidoscópio nos lembra de que as pessoas são diferentes e que está tudo bem ser assim. Daniel pode não enxergar, mas isso não limita o personagem de maneira nenhuma, e Caleidoscópio mostra que ele é muito mais do que sua deficiência. O final é super fofinho, me lembrou A Culpa é das Estrelas hahaha! :3

Título Original: Caleidoscópio
Autor: Nina Spim
Editora: Amazon
Número de páginas: 4
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Espero que tenham gostado da resenha tripla, pessoal. Foi um prazer ter esse primeiro contato com a escrita da Nina e espero que ela continue publicando cada vez mais. \o/

Beijos e até semana que vem! ❤

Resenha: Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven

Oi pessoal, tudo bem?

Tem algumas histórias que chegam na nossa vida e, desde o início, sabemos que elas serão especiais. Foi o que senti lendo as primeiras páginas de Por Lugares Incríveis, da Jennifer Niven. Eu ganhei o livro do My Dear Library e demorei um tempo pra ler porque tinha certeza de que o livro me faria chorar. Ele fez. Mas também fez muito mais. ❤

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Sinopse: Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família. Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.

O livro começa com Theodore Finch parado no parapeito da torre do sino da escola em que estuda. Ele está ponderando quais seriam as vantagens e desvantagens de se matar pulando dali. Porém, ele não está sozinho. Quem lhe faz companhia é Violet Markey, uma das garotas mais populares da escola. Finch percebe que Violet está em pânico e a auxilia a descer, mas o que o garoto não imagina é que ela faz o mesmo por ele (mesmo que ele não pretendesse de fato se jogar). Os dois têm seus próprios motivos para estar ali, e é formando uma dupla para um trabalho de Geografia que eles vão entender um pouco mais a respeito.

Quando um livro tem tantos positivos, fica difícil saber por onde começar a elogiar. Então vou discorrer um pouco sobre os protagonistas, Finch e Violet. Finch é um garoto que faz o que quer. Ele não liga para as autoridades nem para os próprios colegas (ou, pelo menos, se esforça para fingir que não liga). A cada semana ele incorpora um personagem diferente e toma atitudes impulsivas. Essa postura lhe rendeu o apelido de Theodore Aberração e anos e anos de bullying. O que ninguém sabe sobre Theodore Finch é que ele sofre de depressão e vem de uma família desestruturada: o pai violento e abusivo não apenas batia nele como a mãe – após o divórcio – está tão imersa na própria tristeza que não faz ideia de que o filho sofre de apagões constantes. O suicídio é um pensamento constante na vida do garoto, que estuda diversos métodos e sabe de cor inúmeros fun facts sobre o tema. A verdade é que a vida de Finch é repleta de muita solidão. E, apesar de todo o sofrimento, Finch é um garoto engraçado, espirituoso, interessante e com uma coração enorme – o que fez com que eu me apaixonasse por ele, obviamente.

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Violet vem de uma situação oposta: a garota costumava ser popular, tinha muitos amigos, namorava um dos rapazes mais cobiçados da escola e vem de uma família com pais amorosos e atenciosos. Contudo, a vida de Violet sofre uma grande mudança quando sua irmã mais velha (e melhor amiga) morre em um acidente de carro. Violet estava no carro junto da irmã, Eleanor, mas sobrevive. E, desde então, a garota vive dia após dia apenas existindo, com medo de fazer qualquer coisa muito longe de casa. Ela se isolou de tudo e de todos, parou de escrever – sua grande paixão – e não tem grandes perspectivas para si mesma. Aos poucos, Violet e Finch passam a ganhar espaço na vida um do outro, principalmente depois que Finch propõe a ela que eles conheçam os diversos locais interessantes de Indiana (o estado em que moram) para o trabalho de Geografia. É por meio dessas andanças que os dois se aproximam, passam a se conhecer melhor e, inevitavelmente, se apaixonam.

O romance de Finch e Violet transcorre de uma maneira tão orgânica que a gente sente junto com eles as aflições e também as alegrias proporcionadas pelo sentimento que cresce entre os dois. O livro é narrado por ambos e, conforme os capítulos passam, a gente consegue perceber a evolução de Violet, que passa a se abrir pro mundo de novo, e também consegue compreender os conflitos de Finch e as razões dele para agir da maneira como age. Conforme conhecemos os lugares incríveis de Indiana, também vamos conhecendo um pouquinho mais do passado, do presente e (por quê não?) do futuro dos protagonistas.

Assim como eu senti meu coração sendo aquecido várias vezes durante a leitura, eu também sofri, especialmente por causa de Finch. Eu sentia muita raiva. Dos colegas de escola, que fizeram bullying. Do antigo amigo Roamer, que iniciou esse ciclo vicioso. Do pai violento e abusivo. Da mãe e irmãs omissas. Dos amigos indiferentes. Dos professores passivos. Todas essas pessoas foram cruciais para que Finch se sentisse sozinho, sem esperança, sem importância. E eu só queria poder abraçá-lo e dizer que tudo ia ficar bem, mesmo enquanto chorava litros e litros lendo sozinha no quarto. 😥

A única coisa que me incomodou durante a leitura foram alguns erros de revisão, porque em termos de enredo não há nada que eu não tenha gostado. Por Lugares Incríveis fala de superação, de aproveitar cada instante, de perda, de reencontro (principalmente consigo mesmo). O final me destruiu e deixou um gosto agridoce. Me revoltou, mas também me trouxe esperança. O que eu posso dizer é que me apaixonei pela narrativa de Jennifer Niven. Me apaixonei pelos lugares incríveis e pelas andanças. Me apaixonei por Violet e Finch. Espero que você se apaixone também!

Título Original: All The Bright Places
Autor: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Número de páginas: 336

Resenha: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada – J. K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Oi, gente! Tudo bem?

Essa é provavelmente uma das resenhas mais difíceis que já fiz. Hoje vim falar um pouquinho (mentira, vai ter textão) sobre um livro um tanto controverso, que eu demorei meses pra ler por puro medo: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. 

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Sinopse: Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

A história é basicamente a seguinte: Harry e seu filho do meio, Alvo Potter, não têm uma relação próxima. O afastamento entre os dois se deu principalmente após a entrada do garoto em Hogwarts, onde foi selecionado para a Sonserina e fez um único amigo: Escórpio Malfoy. Após uma briga, Alvo decide voltar no tempo usando um Vira-Tempo que Harry – agora chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia – confiscou, com o intuito de salvar Cedrico Diggory. Essa motivação vem não apenas da briga com o pai, mas também da visita de Amos Diggory e sua sobrinha, Delphi, à casa de Harry. Amos não aceita que o filho tenha morrido em vão e, ao ouvir os rumores de que um novo Vira-Tempo foi encontrado, pressiona Harry a usá-lo. A atitude de Alvo em roubar o Vira-Tempo e voltar até o Torneio Tribruxo com Escórpio acaba causando desdobramentos terríveis no futuro, e não apenas os dois, como os personagens adultos (Harry, Gina, Hermione, Rony e Draco) precisam correr pra consertar as falhas temporais.

Como vocês já devem saber, a narrativa de A Criança Amaldiçoada é diferente de todos os outros livros da saga, pois trata-se de um roteiro de uma peça de teatro. Particularmente, esse tipo de narrativa não me incomodou. O roteiro tem algumas descrições que nos ajudam a imaginar a cena e segue um ritmo bem tranquilo de acompanhar. Durante a leitura eu me peguei em diversos momentos divagando sobre como aquelas cenas seriam levadas para um palco. Nos cinemas temos os efeitos especiais que fazem a magia acontecer, mas e no teatro? Fiquei bem curiosa.

Se meus problemas com A Criança Amaldiçoada não começaram na narrativa, eles começaram em algo mais importante e grave: no enredo. Não vou dar spoilers, obviamente, mas a questão é que o livro desconstrói muita coisa da saga original de uma maneira impiedosa. A mitologia por trás de vários artefatos – principalmente o Vira-Tempo – é ignorada e totalmente modificada sem maiores explicações. O uso desse objeto faz de A Criança Amaldiçoada praticamente um Efeito Borboleta bruxo! 😛 Além disso, os personagens (com exceção de Draco) não eram condizentes com os sete livros anteriores, sendo um esboço bem fraco do que eles costumavam ser ou, talvez, sendo um esboço mal feito dos filmes. Aliás, parece que o livro inteiro foi escrito por alguém que não leu os livros e só assistiu às adaptações: os personagens são rasos e tomam atitudes que não correspondem às suas contrapartes literárias, alguns plots que já ficaram no passado há eras são retomados (oi, Cedrico), algumas cenas e personagens são romantizados de uma maneira que não faz sentido nenhum, os artefatos utilizados são aqueles famosinhos nos filmes (Vira-Tempo e Mapa do Maroto)… Enfim, sinto que, na tentativa de fazer uma homenagem a aspectos clássicos da saga, A Criança Amaldiçoada se tornou apenas um fanservice fraquíssimo.

Foram vários os aspectos que eu não gostei, né? Pois é, dei rage em diversos momentos durante a leitura. Mas não posso ser injusta, existem pontos positivos em A Criança Amaldiçoada. O primeiro deles: Escórpio Malfoy. ❤ Ele tem a fofura da Luna, mas sem a esquisitice, sabem? É um personagem doce, leal e inteligente. Na verdade, nem sei porque foi parar na Sonserina, Lufa-Lufa ou Corvinal combinariam muito mais com ele! Escórpio salva A Criança Amaldiçoada, porque Alvo é um péssimo protagonista. Além dele, outro Malfoy teve destaque no livro: Draco. Ele foi o único personagem que manteve sua essência original, e foi além: mostrou-se um pai feroz, que faria de tudo pelo filho. Apesar de sua comunicação com Escórpio não ser tão boa, sentimos a cada fala do personagem quão intenso é seu amor. Além deles, A Criança Amaldiçoada também traz algumas passagens interessantes: no último Ato existe uma cena muito triste e bonita, que conseguiu me fazer chorar.

Em suma, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é um livro “ok”. Tem alguns momentos bacanas, mas em geral eu senti que não passava de um fanservice mercenário. Como potterhead desde os 8 ou 9 anos, isso é muito difícil pra mim. Talvez a peça seja incrível, mas não foi fácil ler o que li e ver meus personagens favoritos transformados no que se transformaram. Não gostei de ver a saga que mais amo na vida transformada em algo tão tosco. Na verdade, se a J. K. Rowling não tivesse considerado o livro canônico (ou seja, parte da saga original), eu olharia pra ele de modo mais tranquilo. Agora, sabendo que ele é de fato a continuação, fiquei frustrada. Infelizmente, não tive aquela sensação gostosa de voltar a Hogwarts, sabem? Espero que um dia eu possa assistir à peça ao vivo e mudar de ideia. 🙂

Agora, pra quem quiser ler, seguem abaixo algumas considerações COM SPOILER. Selecione se quiser ler:

  • Harry usando a influência dele no Ministério pra ameaçar a Minerva (agora diretora de Hogwarts)? Achei muito nonsense, considerando que o personagem sempre desprezou os Malfoy justamente por menosprezarem as pessoas e usarem de poder para conseguirem o que queriam.
  • Não faz sentido todo esse drama entre Harry e Alvo pelo fato do garoto ter sido colocado na Sonserina, principalmente porque As Relíquias da Morte termina justamente com Harry dizendo que isso não é importante.
  • Gina virou a ameba inútil dos filmes, com falas e ações que não acrescentam nada na história.
  • Hermione foi muito burra ao deixar o Vira-Tempo escondido nos livros. Ela é muito mais brilhante do que isso!
  • Rony foi transformado e resumido a um tiozão do “é pavê ou pacumê”. Botem logo um nariz de palhaço no personagem e terminam de avacalhá-lo.
  • Não consigo imaginar o Voldemort transando e tendo uma filha. Talvez porque a saga original não explore tanto esses quesitos. Mas ok, até que dá pra engolir.
  • Alvo Potter PIOR PESSOA. Todo mundo reclama que o Harry fala umas coisas pesadas pro filho, mas quem não perderia a paciência com Alvo? Harry faz de tudo pra demonstrar seu amor e o guri não aceita nenhuma das tentativas do pai, sempre agindo com revolta e autopiedade (sendo que Escórpio tem muito mais problemas do que ele).
  • Snape aliado a Rony e Hermione? Que romantização escrota do personagem. Gente, aceitem: Snape pode ter sido corajoso e heroico, mas não era uma BOA pessoa. Ele era um professor abusivo e ponto. Mais um fanservice descarado.
  • A cena do quadro do Dumbledore também foi difícil de engolir. Nunca vi um quadro se comportar daquele jeito e demonstrar emoções.

Título Original: Harry Potter and the Cursed Child
Autor: J. K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne
Editora: Rocco
Número de páginas: 352

Resenha: O Símbolo Perdido – Dan Brown

Oi pessoal, tudo bem?

Uma das minhas metas desde 2015 (!!!) era não comprar mais tantos livros e me concentrar no que eu tinha na minha estante. Digamos que isso tenha dado certo parcialmente: eu realmente não comprei livros por impulso, comprei apenas livros “de colecionador” (como Harry Potter e a Pedra Filosofal – Edição Ilustrada, O Livro dos Personagens de Harry Potter, etc.). Porém, acabei colocando várias leituras na frente do que eu tinha na estante: livros de parcerias ou que ganhei de presente, por exemplo. Mas, para o post de hoje, eu trouxe a resenha de um livro que ganhei há anos e que estava na minha estante esperando pacientemente pra ser lido: O Símbolo Perdido.

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Sinopse: Em O Símbolo Perdido, o célebre professor de Harvard é convidado às pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon – eminente maçom e filantropo – a dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos. Ao chegar lá, descobre que caiu numa armadilha. Não há palestra nenhuma, Solomon está desaparecido e, ao que tudo indica, correndo grande perigo. Mal’akh, o sequestrador, acredita que os fundadores de Washington, a maioria deles mestres maçons, esconderam na cidade um tesouro capaz de dar poderes sobre-humanos a quem o encontrasse. E está convencido de que Langdon é a única pessoa que pode localizá-lo.

Em O Símbolo Perdido, a nova aventura do simbologista Robert Langdon após O Código da Vinci, nós somos apresentados aos mistérios da maçonaria. O professor é levado a acreditar que vai dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos a pedido de seu velho amigo Peter Solomon – um maçom de alto grau -, mas lá ele descobre que seu amigo foi sequestrado por um homem que se apresenta como Mal’akh. Ele está em busca de um velho segredo maçom (a Pirâmide Maçônica) e acredita que Robert Langdon é o único que pode decifrá-lo.

Dan Brown é um autor que utiliza de diversos elementos reais para dar veracidade às suas histórias e nos fazer acreditar que tudo que estamos lendo é verdade. Obviamente não é o caso, mas a sensação ao ler suas obras é essa. Eu já havia lido Anjos e Demônios há alguns anos e lembro de ter adorado, então comecei O Símbolo Perdido tendo ciência desse estilo do autor. Apesar do tema não ser tão envolvente pra mim – maçonaria –, Dan Brown continua utilizando dos recursos que vi em Anjos e Demônios: mistérios envolvendo lugares reais, longas explicações históricas e capítulos com desfechos instigantes, que te fazem não fechar o livro enquanto você não descobre o que aconteceu.

Outro aspecto positivo da narrativa de Dan Brown que se faz presente em O Símbolo Perdido é o uso de mais de uma perspectiva pra narrar a história. Apesar de grande parte do livro se passar sob a ótica de Robert Langdon, vemos também o que se passa com Katherine Solomon, irmã de Peter; Sato Inoue, a diretora do Escritório de Segurança da CIA; Bellamy Warren, o Arquiteto do Capitólio; e, é claro, Mal’akh. O que eu mais gosto nesse tipo de narrativa é que ela permite que o leitor possa ter uma visão mais ampla da história, dos personagens e de seus objetivos, sem ficar preso à visão limitada do protagonista.

Porém, apesar desses pontos positivos, o livro também possui alguns aspectos que eu não curti (e que me fizeram quase desistir da leitura): o início é MUITO arrastado. Leva mais ou menos 100 páginas pra que as coisas comecem a acontecer, pois até então os personagens ficam discutindo no mesmo ambiente. É bem cansativo. Porém, para ser justa, depois que a ação começa, ela não para mais! Dan Brown dedica longos parágrafos a explicar aspectos históricos para tentar “enganar” o leitor de que tudo que está dizendo – inclusive as conspirações – são reais, então muitas vezes parecia que o livro não era mais uma ficção, mas um livro didático. 😛 De modo geral, gosto dessas explicações, porque elas conseguem nos deixar mais imersos na história, mas em O Símbolo Perdido especificamente eu achei cansativo, porque o desenrolar da trama demorou a acontecer. E, por último, o vilão foi extremamente previsível. Eu estava na metade da leitura e já sabia quem ele era (até twittei sobre isso HAHAHA), o que tirou totalmente o impacto de sua revelação.

Em suma, O Símbolo Perdido é uma leitura despretensiosa, na qual Dan Brown segue o mesmo molde ao qual está acostumado a escrever. Tem momentos mais cansativos no início, mas depois o desenrolar da trama se dá de maneira frenética e envolvente, em especial graças aos capítulos com desfechos cheios de cliffhangers. Pra quem gosta do estilo do autor ou curte leituras repletas de mistérios e ação, O Símbolo Perdido é uma boa escolha! 

Título Original: The Lost Symbol
Autor: Dan Brown
Editora: Sextante
Número de páginas: 496

Resenha: Eleanor & Park – Rainbow Rowell

Oi, meu povo! Como estão?

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer por todos os comentários carinhosos e parabenizações pelo meu aniversário no post passado! Vocês são demais! ❤

Agora, em relação ao post de hoje… Lembram que eu comentei na resenha de Anexos que eu estava lendo Eleanor & Park? Pois bem, terminei a leitura e hoje trago minha opinião pra vocês! 😀

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Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Fiquei muito feliz de ter dado uma segunda chance a Rainbow Rowell, mesmo não gostando muito de Anexos. Confesso que Eleanor & Park nunca me chamou muito a atenção quando eu o via na blogosfera, mas ganhei o livro de presente e foi a oportunidade perfeita para que a obra rompesse com tudo que eu pensava a respeito dela (e da autora).

Em Eleanor & Park conhecemos dois jovens de 16 anos: Eleanor, uma garota ruiva, com baixíssima autoestima (ela vive se chamando de gorda, de imensa, entre outros adjetivos pouco amigáveis), mas super inteligente e dona de um ótimo humor ácido; e Park, um garoto asiático, geek, que se veste sempre de preto e que, apesar de não ser nem um pouco popular, pelo menos consegue se manter longe de problemas. Eleanor é uma aluna nova na escola de Park e sofre bullying desde o primeiro dia, mas uma pequena atitude muda tudo: ela senta ao lado de Park no ônibus escolar. Apesar da agressividade do garoto com ela nos primeiros dias, conforme Eleanor começa a espiar as HQs que Park lê, ele repara que a garota está lendo também e passa a virar as páginas mais devagar, a emprestar algumas revistas a ela sem dizer nada e, quando nos damos conta, eles se tornam amigos. E essa amizade floresce em um primeiro amor da adolescência cheio de descobertas e borboletas no estômago, com muitas referências nerds e rock n’ roll.

O enredo parece clichê, não parece? O casal esquisito que encontra conforto um no outro, o primeiro romance, as primeiras experiências… mas Eleanor & Park é muito mais do que isso. O livro traz temas muito importantes, como bullying, abuso e violência doméstica. Narrado em terceira pessoa, com perspectiva ora de Eleanor, ora de Park, o livro nos dá um panorama muito maior do que realmente acontece com os personagens, mostrando não apenas quando eles estão juntos, mas também seus problemas e inseguranças em casa. Particularmente, adoro narrativas assim. Gosto muito de conhecer os dois lados da moeda e me aprofundar em cada personagem. Acredito que isso dê muito mais emoção e crie uma conexão muito maior com eles. É o que ocorre em Eleanor & Park: eu senti seus medos, suas dúvidas e, principalmente, sofri com eles. Especialmente com Eleanor.

Eleanor é uma personagem muito bem construída. Ela tem qualidades incríveis, mas também falhas. Só que é possível compreender porque ela age da maneira que age, porque ela tem uma postura tão “defensiva” em relação a Park por mais que, por dentro, ela esteja explodindo de tanto amor. Como dizem por aí, nós não somos capazes de dar algo que não recebemos, não é mesmo? E Eleanor não recebe amor, nem carinho, nem cuidado. Então, para ela, é difícil retribuir. Park, por outro lado, vive em uma família bem estruturada. Apesar dos problemas com o pai – situação pela qual muitos de nós passamos, aquela fase em que sentimentos que nossos pais nunca nos entendem –, ele tem uma família com a qual pode contar. E isso faz TODA a diferença na forma com a qual ele expressa seus sentimentos. Ele é um amor, é impossível não se apaixonar por ele!Mas quem realmente roubou a cena, pra mim, foi Eleanor. Foi muito difícil pra mim ler as partes referentes a ela, porque eu senti muita coisa: pena, dor, angústia, revolta e raiva. Senti vontade de chacoalhar a mãe dela inúmeras vezes, mas ao mesmo tempo eu tentava lembrar de que muitas mulheres não conseguem sair de situações de abuso por medo. Ainda assim, foi difícil controlar a minha raiva e revolta em relação a ela.

Enfim, Eleanor & Park foi uma leitura excelente. Eu diria até que foi a segunda melhor do ano, atrás apenas de Como Eu Era Antes de Você. É um livro que toca em temas sensíveis e tem momentos pesados, mas com uma narrativa tranquila, o que equilibra o tom do livro. Rainbow Rowell trouxe uma obra romântica, nostálgica (afinal, quem nunca sentiu borboletas no estômago ao se apaixonar?) e delicada, que realmente mexe com as emoções do leitor. Recomendo muito!

Título Original: Eleanor & Park
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Número de páginas: 328

Resenha: Anexos – Rainbow Rowell

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje trago pra vocês minhas impressões sobre o primeiro livro que li da Rainbow Rowell: Anexos!

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Sinopse: Beth Fremont e Jennifer Scribner-Snyder sabem que alguém está monitorando seus e-mails de trabalho. (Todo mundo na redação sabe. É política da empresa.) Mas elas não conseguem levar isso tão a sério, e continuam trocando e-mails intermináveis e infinitamente hilariantes, discutindo cada aspecto de suas vidas. Enquanto isso, Lincoln O’Neill não consegue acreditar que este é agora o seu trabalho ler os e-mails de outras pessoas. Quando ele se candidatou para ser agente de segurança da internet, se imaginou construindo firewalls e desmascarando hackers e não escrevendo um relatório toda vez que uma mensagem esportiva vinha acompanhada de uma piada suja. Quando Lincoln se depara com as mensagens de Beth e Jennifer, ele sabe que deveria denunciá-las. Mas ele não consegue deixar de se divertir e se cativar por suas histórias. No momento em que Lincoln percebe que está se apaixonando por Beth, é tarde demais para se apresentar. Afinal, o que ele diria…?

Desde que li @mor, do Daniel Glattauer, eu passei a curtir muito livros cuja narrativa envolvem cartas, e-mails, trocas de mensagens, e por aí vai. Por isso, escolhi conhecer a escrita de Rainbow Rowell (autora super elogiada na blogosfera) por meio de Anexos, que tem parte de sua história contada em e-mails. O livro se divide em duas narrativas: na primeira acompanhamos a troca de mensagens entre Beth e Jennifer, duas amigas que trabalham no mesmo jornal, o The Courier; na segunda, acompanhamos a rotina de Lincoln, um técnico de informática contratado pelo jornal para ler e acompanhar todos os e-mails, a fim de enviar advertências para os funcionários que utilizarem a ferramenta de modo não profissional. Porém, ao ler as divertidas mensagens que Beth e Jennifer enviam uma para a outra, Lincoln começa a se afeiçoar a elas, decide não enviar nenhuma advertência e passa a acompanhar todas as conversas como um espectador. O problema real se dá quando Lincoln se apaixona por Beth, já que ele jamais poderia contar a verdade a ela (afinal, seria bem creepy).

Bom, a premissa do livro parece super leve e divertida: o cara da TI atrapalhado se apaixona pela mulher inatingível de uma maneira doida. Praticamente um filme da Sessão da Tarde, né? Pois é, eu gosto de romances assim, costumam me fazer rir e acho que são uma ótima maneira de passar o tempo. De fato, era super gostoso acompanhar as conversas de Beth e Jennifer e eu entendo porque Lincoln quis continuar lendo suas mensagens: as duas são engraçadas, carismáticas e cheias de personalidade. Jennifer é casada, mas morre de medo de ser mães; Beth namora desde a faculdade, mora com o namorado e sonha em se casar, mas Chris (seu namorado) está mais preocupado com a sua banda e seu sonho de ser rockstar. Ou seja, não faltam desabafos e comentários interessantes nas conversas das duas. O grande problema do livro tem nome: Lincoln.

Lincoln seria o tipo de personagem pra quem eu torceria e por quem eu me afeiçoaria: ele é o típico good guy. O problema é que, lendo os capítulos narrados pela perspectiva dele, é impossível não pensar que ele é um loser. Ele é assombrado pelo fracasso de sua única experiência amorosa (foi traído pela ex, seu primeiro amor), mora com a mãe, não tem a menor ambição de sair de casa e é extremamente acomodado na vida. Ele odeia trabalhar à noite vigiando os e-mails do jornal, mas ainda assim não busca outro emprego. Ele se incomoda com a mãe dando pitaco sobre tudo, mas ainda assim acha conveniente morar na casa dela. Toda a narrativa dele é arrastada, cheia de autopiedade e estagnação, o que fez eu não curtir o personagem do início ao fim por puro cansaço.

Um dos pontos positivos do livro foi que todos os personagens tiveram evolução. Tanto Jennifer quanto Beth passaram por situações difíceis ao longo da história e tiveram coragem para tomar as decisões necessárias. Lincoln, ao “conviver” com as garotas, também se transformou, tornando-se alguém mais corajoso e dono da própria vida. Gosto de ver personagens que melhoram ao longo do enredo e, nesse caso, me senti “recompensada” pela paciência que dediquei a essa leitura. Outro aspecto positivo foram os companheiros de RPG de Lincoln: são aqueles amigos divertidos que todo mundo adoraria ter. 🙂

Anexos não foi um livro que fez eu me apaixonar por Rainbow Rowell e fiquei um tanto decepcionada, considerando os elogios que a autora recebe. A leitura tinha momentos ótimos (em especial nos capítulos de Jennifer e Beth), mas sempre que o ponto de vista era focado em Lincoln eu me sentia extremamente cansada e entediada. Acredito que foram páginas demais pra uma história relativamente simples. Eu não leria mais nada da autora, mas ganhei Eleanor & Park de presente e resolvi dar uma segunda chance (ainda bem, tô adorando!). Em suma, Anexos não foi uma leitura ruim, mas também não foi nem um pouco memorável.

Título Original: Attachments
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Número de páginas: 368