Resenha: Malibu Renasce – Taylor Jenkins Reid

Oi pessoal, tudo bem?

Falar de Malibu Renasce é desafiador por dois motivos: é um livro muito popular na blogosfera e foi escrito por uma autora que me impressionou muito em seu primeiro romance que eu li, Depois do Sim. Será que essa popularidade toda me arrebatou?

Garanta o seu!

Sinopse: Malibu, agosto de 1983. É o dia da festa anual de Nina Riva, e todos anseiam pelo cair da noite e por toda a emoção que ela promete trazer. A pessoa menos interessada no evento é Nina, que nunca gostou de ser o centro das atenções e acabou de ter o fim do relacionamento com um tenista profissional totalmente explorado pela mídia. Talvez Hud também esteja tenso, pois precisa admitir para o irmão algo que tem mantido em segredo por tempo demais, e parece que esse é o momento. Jay está contando os minutos, pois não vê a hora de encontrar uma menina que não sai de sua cabeça. E Kit também tem seus segredos ― e convidado ― especiais. Até a meia-noite, a festa estará completamente fora de controle. O álcool vai fluir, a música vai tocar e segredos acumulados ao longo de gerações vão voltar para assombrar todos ― até as primeiras horas do dia, quando a primeira faísca surgir e a mansão Riva for totalmente consumida pelas chamas.

Malibu Renasce gira em torno de duas linhas do tempo: a do passado começa nos anos 50, a do presente, nos anos 80. No passado, acompanhamos a criação da família Riva; no presente, a história gira em torno da festa lendária que acontece todo ano e é oferecida pelos quatro irmãos Riva. E são esses cenários que levam o leitor a um drama familiar cheio de sofrimento, traição, resiliência, força, altruísmo, dor e abnegação.

Para começar a falar dos Riva, é importante citar as duas figuras centrais, June e Mick. Os jovens se conhecem e rapidamente se apaixonam, o que leva a um romance ardente que não demora a virar casamento. Mick é um rapaz de origem humilde que tem o sonho de se tornar um cantor famoso, enquanto June deseja mais que tudo escapar do seu futuro inevitável, que é assumir o restaurante da família. Ela encontra em Mick não apenas o amor e a paixão, mas também a possibilidade de realizar esse sonho, enquanto Mick encontra em June a chance de constituir a própria família, já que a sua é completamente desestruturada. Mas conforme Mick ascende na carreira, ele passa a ter diversos affairs e abandona June com os filhos mais de uma vez. É desesperador “presenciar” toda a dor que ele causa à esposa, humilhando-a seguidamente e pedindo a ela que o aceite de volta sempre que se arrepende (momentaneamente, é claro, porque não demora a traí-la de novo). Depois da última e derradeira traição, Mick a deixa de vez e June se afunda cada vez mais no álcool como forma de consolo.

A relação de June e Mick tem como frutos Nina, Jay e Kit – mas, além dos três, June adota Hud, filho de uma das escapadas do então marido. Os quatro crescem tendo a mãe como pilar, e Nina é a única que chegou a conviver com o pai durante mais tempo. Ela cria um vínculo forte com ele, e quando Mick abandona a família mais uma vez, Nina é tão atingida quanto a mãe por essa quebra de confiança. Conforme os anos passam, uma sequência triste de fatos leva Nina a assumir a responsabilidade pela família, e aí o leitor passa a sofrer novamente ao acompanhar tudo que ela precisou abrir mão. A jovem, cedo demais, precisa abandonar suas perspectivas de futuro e dar tudo de si para cuidar dos irmãos mais novos para que nenhum deles caia nas mãos do sistema de adoção. Nina se vê contando cada centavo e administrando uma família e um restaurante sem nenhuma rede de apoio. Felizmente, ela é descoberta por um olheiro e passa a ganhar a vida como modelo, mas nem isso é capaz de tirar dela o medo da pobreza e a postura de abnegação que foi obrigada a tomar durante toda a vida. Em determinado momento, na linha temporal da festa, sua melhor amiga a provoca sobre isso, dizendo que Nina nunca tomou nenhuma decisão sequer pautada em seus verdadeiros desejos. 😦

Apesar desses três nomes (June, Mick e Nina) terem sido os grandes destaques do livro pra mim, Malibu Renasce também trabalha os dramas de Jay, Hud e Kit. Os dois primeiros, além de irmãos, são melhores amigos e parceiros, e ambos escondem segredos sobre os quais estão criando coragem para falar; Kit, a caçula, está em uma fase de autodescoberta e a festa é “o momento da verdade” para ela. Eu gostei dos três, mas nenhum deles ganhou tanto meu coração quanto Nina. Seus dramas são relevantes, mas quando a gente sente “na pele” por meio da narrativa tudo que a irmã mais velha passou, acaba que as histórias dos três não impactam tanto assim.

Mas por mais que as atitudes de Nina sejam admiráveis, são também irritantes. Eu amei a personagem ao mesmo tempo em que queria sacudi-la pelos ombros e gritar “reage, mulher!” (bota um cropped rs), sabem? Tive uma sensação parecida em relação a June, mas em menor intensidade (no caso desta, tive mais pena mesmo). Fiquei muito aflita com tudo que a autora fez as duas passarem por causa de Mick, mas sei que é reflexo de uma cultura e de uma época que esperavam esse tipo de postura das mulheres, voltada para a constituição de uma família e na posição de cuidadoras. E já que o assunto é o sofrimento causado por Mick, quero ressaltar que ele foi o personagem mais odioso das minhas últimas leituras. Ele é um ególatra autocentrado e narcisista que só soube destruir a vida de todo mundo que já se importou com ele. E o pior de tudo é que, além de usar o discursinho do arrependimento, ele parecia realmente achar que suas justificativas pra todo o mal que causou eram válidas. Se preparem pra odiá-lo, caso ainda não tenham lido Malibu Renasce ou Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (fiquei sabendo que ele aparece por lá também, mas ainda não li).

O maior problema de Malibu Renasce pra mim (além do desgraçado do Mick rs) foi a festa em si. Desculpe quem gostou, mas achei muito chata. O livro usa os capítulos da festa pra focar em vários figurantes e na realidade dos ricos de Malibu (regada a glamour, álcool, drogas e sexo), e eu não via a hora de passar logo por aquilo pra chegar de novo ao que me interessava. Se não fosse o estilo envolvente de Taylor Jenkins Reid, teria sido muito mais difícil encarar toda essa encheção de linguiça. E aqui aproveito pra trazer também a dificuldade de ler uma obra quando a gente vem cheio de expectativas: eu esperava muito tanto do título em si quanto da autora, e como não me apaixonei pelo livro, acabei ficando com aquele gostinho levemente decepcionado na boca.

Para resumir, Malibu Renasce é mais uma demonstração de que Taylor Jenkins Reid é capaz de construir uma narrativa envolvente mesmo quando a história em si é capaz de nos fazer odiar vários personagens e aspectos dela rs. Amei? Não, tanto que avaliei com 3 estrelas no Skoob (o que encaro como um “bom”). Mas é inegável o talento que a autora tem de construir personagens e situações tão reais que mexem com o leitor em um nível muito intenso. Infelizmente não me arrebatou como Depois do Sim, mas é uma história muito bem construída. Deixo pra cada um de vocês tirar suas conclusões finais a respeito. 😉

Título original: Malibu Rising
Autora:
Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 368
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Jack e o Porquinho de Natal – J. K. Rowling

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim fazer uma resenha que me causou diversos dilemas, porque enquanto eu fazia a leitura, a autora trouxe mais uma vez comentários preconceituosos à tona. Acho importante ser honesta com vocês – como sempre – e dizer que eu gosto muito do que a J. K. Rowling escreve (tive uma ótima experiência com seu outro livro infantil O Ickabog), mas que não corroboro em nada com seus posicionamentos sobre a comunidade trans. Com isso em pratos limpos, partiu resenhar Jack e o Porquinho de Natal, o novo livro infantil da autora que recebi em parceria com a Rocco. 😀

Garanta o seu!

Sinopse: Jack tem um porquinho de pelúcia cor-de-rosa que ele chama de O Poto. OP, como ficou conhecido, está ao lado de Jack nos bons e maus momentos e compreende todos os seus sentimentos. Até que, em uma véspera de Natal, para grande tristeza do menino, OP é perdido. Jack ganha um novo brinquedo, o Porquinho de Natal, e é este substituto que vai armar um plano para que, juntos, eles embarquem em uma jornada repleta de magia em busca do que foi perdido e a fim de reencontrar o melhor amigo que Jack já teve.

Jack é um menino de 8 anos que tem a sorte de ter um melhor amigo capaz de entendê-lo sem que ele nem precise abrir a boca. Esse amigo é O Poto (ou OP), seu porquinho de pelúcia. Mesmo no período mais difícil que Jack viveu, marcado pela separação de seus pais, ele sabia que podia contar com o cheirinho meio sujo do Poto, com a maciez do seu tecido já gasto e com suas orelhinhas tortas. Porém, quando sua mãe se casa novamente, a vida de Jack se torna um pouco mais difícil: a filha do marido de sua mãe, Holly, é uma colega de escola de Jack que está passando por um período de muita revolta devido ao fato de seu pai ter encontrado um novo amor e também por estar sendo pressionada pela mãe em um esporte que ela não gosta mais. Holly desconta toda essa frustração em Jack e eles começam a brigar feito gato e rato, até que em um certo dia, andando de carro, Holly fica furiosa e joga OP pela janela. Jack entra em desespero e, apesar dos melhores esforços, eles não conseguem encontrar O Poto. Para se desculpar, Holly o presenteia com um porco novinho, que Jack despreza; mas é véspera de Natal, e coisas mágicas acontecem nesse dia. O novo porquinho, que se chama O Porquinho de Natal, ganha vida e oferece a Jack a chance de recuperar OP. Como? Infiltrando-se na Terra das Coisas Perdidas.

Jack e o Porquinho de Natal é um livro infantil lúdico e muito gostoso de ler. Quando a dupla inusitada se une para resgatar O Poto, diversas aventuras têm início. A Terra das Coisas Perdidas é o lugar para onde tudo aquilo que perdemos vai. Lá, as Coisas são categorizadas de acordo com o quão amadas elas são e o quanto seus donos sentem sua falta. Quando você perde algo, aquele item fica durante 1h em Extraviada, onde há maiores chances de ser encontrado e voltar para a Terra dos Vivos. Depois desse tempo, as Coisas são separadas e destinadas a três cidades: Descartável, Alguém-Se-Importa e A Cidade dos Saudosos. Ou é isso que Jack e o Porquinho pensam, pelo menos.

A dinâmica dos dois protagonistas é a clássica “enemies to friends”. Jack é muito relutante em aceitar a ajuda do Porquinho, porque acha ofensivo que ele tenha sido dado como um substituto ao Poto. Já o Porquinho se ressente de Jack pela sua grosseria, já que o menino bateu e quase arrancou a cabeça do bichinho de pelúcia quando Holly o entregou. O acordo entre os dois é que O Porquinho de Natal vai ajudá-lo no resgate a OP, mas depois ele próprio será presenteado a Holly. Jack, obviamente, topou na hora. Mas conforme eles vão adentrando a Terra das Coisas Perdidas, eles percebem o perigo que os rodeia: esse “reino” é comandado pelo Perdedor, uma criatura capaz de matar as Coisas ao comê-las e destruí-las; desse modo, elas nunca poderão ser encontradas na Terra dos Vivos. Enquanto tentam passar despercebidos e fazer de conta que Jack é um boneco articulado, o menino e o porco percebem a necessidade de se unir para vencer as adversidades.

A criatividade de J. K. Rowling está em cada página de Jack e o Porquinho de Natal. Esse universo que ela construiu é muito rico e as explicações seguem uma lógica que torna muito fácil mergulhar de cabeça na proposta da trama. Além disso, é inevitável torcer para que a dupla seja bem-sucedida na missão de resgatar O Poto, porque a autora dedicou um bom tempo nos primeiros capítulos para nos mostrar (e não deixar dúvidas) de quão importante ele é para Jack. Ao longo das páginas, conhecemos personagens que não têm a mesma sorte de serem tão amados quanto OP, e vários deles se tornam aliados da dupla – ganhando também nossa afeição e torcida. Com o desenrolar da trama, vemos que a postura dos protagonistas vai mudando devagarinho: Jack deixa de ser tão implicante com O Porquinho de Natal e se aproxima dele; já O Porquinho vai assumindo uma posição de porto-seguro para Jack.

No fim das contas, Jack e o Porquinho de Natal é um livro infantil encantador que traz lições muito bonitas. Ele nos mostra a importância da amizade e de não desistir daqueles que amamos, assim como também nos faz refletir sobre o fato de que nem tudo é como aparenta ser. Muitas vezes as pessoas ao nosso redor estão lidando com coisas pesadas e difíceis, e ao olharmos somente para o nosso sofrimento nos tornamos insensíveis a essas dores. Além disso, aproveito pra elogiar a edição física, que é em capa dura e recheada de belas ilustrações. Leitura super aprovada!

Título original: The Christmas Pig
Autora:
 J. K. Rowling
Editora: Rocco
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Os melhores livros de 2021

Oi pessoal, tudo bem?

Que eu adoro uma retrospectiva quem me acompanha há mais tempo já deve ter notado, né?
Então, como já é tradição aqui no blog, vim dividir com vocês a minha lista dos melhores livros de 2021. ❤

E aqui estão os links se quiserem conferir também as melhores leituras de 2020, 2019 e 2018. \o/

Depois do Sim – Taylor Jenkins Reid

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Minha primeira experiência com essa autora que vem sendo tão aclamada não poderia ter sido melhor. Amei a forma como ela descreve as dificuldades comuns a um relacionamento longo, a necessidade de afastamento e a busca por uma identidade descolada do parceiro – mas sem cair no cinismo e na amargura. Esse livro é incrível e eu recomendo muito!

O Impulso – Ashley Audrain

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Um thriller de respeito, que te faz roer as unhas e temer pela segurança das pessoas envolvidas. Com um agravante: a causa dessa aflição é uma criança. A obra retrata a dificuldade de uma mãe em se conectar com a filha e o medo de que a criança seja um verdadeiro perigo. Mas, muito além desse plot de suspense, O Impulso é um excelente retrato de como a maternidade compulsória funciona.

A Morte da Sra. Westway – Ruth Ware

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A louca do suspense ataca novamente. 😂 Cês me perdoem, mas não resisto hahaha! E o mais recente livro da Ruth Ware foi uma surpresa mais do que bem-vinda, oferecendo uma trama com um bom suspense, mas também um excelente desenvolvimento da protagonista, Hal, que se vê tomando atitudes de caráter duvidoso (fingir ser herdeira de uma grande fortuna) devido a uma situação impossível.

Sono – Haruki Murakami

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Mais uma primeira experiência bem-sucedida por aqui: Sono, do Haruki Murakami, foi surpreendente. A trama acompanha uma mulher que se vê sem conseguir dormir, e com isso ela passa a ter experiências no seu cotidiano que a vida rotineira não permitia. A trama é muito interessante por colocar em perspectiva o fato da protagonista sem nome retomar o controle da própria vida ao conseguir ter um tempo “secreto” para si mesma. Quando pensamos que é um livro que retrata a realidade japonesa, na qual a vida da mulher gira muito em torno da do marido, isso ganha ainda mais peso. Destaco também essa edição física, que é ilustrada e tá maravilhosa!

Uma Herdeira Apaixonada – Lisa Kleypas

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Tem lugar pra romance nessa lista sim! ❤ Estou curtindo bastante a série Os Ravenels, e esse foi meu volume favorito até agora. Eu sou apaixonada pelo West desde Um Sedutor Sem Coração, então fiquei bem contente em vê-lo encontrando seu final feliz. A química entre os personagens funciona muito bem e eu também gostei muito de conhecer melhor Phoebe, filha de Sebastian e Evie (de As Quatro Estações do Amor), que tinha feito pequenas aparições nos volumes anteriores.

As Sombras de Outubro – Søren Sveistrup

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Livro policial raiz? Temos! As Sombras de Outubro acompanha uma dupla de investigadores correndo contra o tempo para encontrar um serial killer que parece sempre estar vários passos a frente da polícia. A obra, de ritmo intenso e grande fluidez, ganhou uma ótima adaptação pela Netflix, que eu resenhei aqui no blog também.

Gente Ansiosa – Fredrik Backman

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Tive muita sorte esse ano, porque foram várias primeiras vezes excelentes. Gente Ansiosa foi minha estreia com Fredrik Backman e eu amei demais! O livro rapidamente se tornou um dos meus queridinhos e eu venho recomendando pra todo mundo. Ele tem uma trama inusitada (um assalto que deu errado e vira, sem querer, um drama de reféns), uma narrativa irônica e divertida e um desenvolvimento de personagens que faz você se apegar aos envolvidos. Leiam! ❤

E aí pessoal, o que acharam da minha lista? Já leram ou pretendem ler algum dos títulos?
Me contem nos comentários qual foi a leitura favorita de vocês, vou adorar saber! 🥰

Resenha: Garota, 11 – Amy Suiter Clarke

Oi galera, tudo bem?

Apesar de não ser uma ouvinte de podcasts, adoro ler sobre true crimes. Por isso, fiquei bem animada quando recebi Garota, 11, um thriller da Suma que tem um podcast de true crime como enfoque!

Garanta o seu!

Sinopse: Elle Castillo é a apresentadora de um podcast popular sobre crimes reais. Depois de quatro temporadas de sucesso, ela decide encarar um caso pelo qual sempre foi obcecada ― o do Assassino da Contagem Regressiva, um serial-killer que aterrorizou a comunidade vinte anos atrás. Suas vítimas eram sempre meninas, cada qual um ano mais jovem que a anterior. Depois que ele levou sua última vítima, os assassinatos pararam abruptamente. Ninguém nunca soube o motivo. Enquanto a mídia e a polícia concluíram há muito tempo que o assassino havia se suicidado, Elle nunca acreditou que ele estava morto. Ao seguir uma pista inesperada, no entanto, novas vítimas começam a aparecer. Agora, tudo indica que ele está de volta, e Elle está decidida a parar sua contagem regressiva.

Elle Castillo é a voz por trás do Justiça Tardia, um podcast investigativo sobre true crime que se encontra em sua 5ª temporada. O foco do podcast é trazer justiça a vítimas cujos casos nunca foram encerrados, então Elle se dedica (com a ajuda dos ouvintes e de suas próprias skills) a encontrar os criminosos. A apresentadora já conquistou um status de sucesso, pois nas temporadas passadas conseguiu solucionar os casos a que se propôs, além ser convidada pela polícia a trabalhar como consultora vez ou outra. Em sua 5ª temporada, Elle lança seu projeto mais ambicioso: encontrar o serial killer conhecido como Assassino da Contagem Regressiva, conhecido por fazer vítimas sempre um ano mais novas que as anteriores, mas que desapareceu há cerca de 20 anos sem deixar rastros. Porém, ao mexer com o passado, Elle se depara com um perigo iminente em seu presente.

Eu adorei o formato que Garota, 11 é narrado: temos capítulos em terceira pessoa que acompanham o ponto de vista de alguns personagens (sendo em sua maioria o de Elle) intercalados com transcrições de áudios da protagonista e roteiros de episódio do podcast. Minha parte favorita, obviamente, foi a do podcast rs. Amy Suiter Clarke conseguiu me deixar totalmente imersa no caso do ACR e me vi querendo saber mais e mais sobre seu modus operandi e timeline dos acontecimentos. E é com esse gancho que aproveito para fazer um elogio à proposta do livro: ao mergulhar de cabeça no caso mais complexo que já investigou, Elle coloca o assassino em evidência (coisa que até então não fizera). E ela se depara com consequências graves decorrentes disso: ela começa a receber ameaças por e-mail, uma testemunha que colaboraria com ela é encontrada morta e uma pessoa querida se vê ameaçada. Garota, 11 aproveita esses acontecimentos para fazer Elle (e o leitor) enxergar os perigos de glamourizar criminosos, levantando uma provocação sobre a ética por trás desse tipo de conteúdo – que hoje é encontrado à exaustão na internet. Porém, tratando-se de um livro mais juvenil, Garota, 11 acaba ficando em um território mais superficial desse debate, que poderia ser mais aprofundado.

Os capítulos que se passam no presente, com Elle interagindo com a família (composta por seu marido, Martín, sua vizinha e melhor amiga, Sash, e sua afilhada, Natalie) e investigando pistas atuais do ACR são menos instigantes. E eu diria que o maior ponto fraco deles, assim como do livro no geral, é a sua previsibilidade: existem dois plot twists que a autora provavelmente desejou que fossem bombásticos, mas que vi chegando a milhas e milhas de distância. Você nem precisa ler nas entrelinhas com tanta atenção assim pra descobrir, o que é uma pena e causa um efeito bem anticlimático. :/ Quando as evidências indicam que o ACR “despertou” de sua hibernação e voltou a agir, em tese deveríamos ficar aflitos, certo? Mas não é o que acontece, ainda que o ponteiro do relógio esteja correndo contra Elle e a polícia. 

Outro ponto que não achei tão legal é a personalidade da Elle em si. Amy Suiter Clarke tenta nos fazer comprar a imagem de que sua protagonista é fodona e consegue resolver qualquer coisa (o que é reforçado com frases como “se tem alguém que consegue, é você”), mas a verdade é que não temos tantas informações assim que justifiquem por que a Elle é competente no que faz. Os únicos dados que comprovam isso é que ela já trabalhou como assistente social e que conseguiu resolver casos nas temporadas anteriores do podcast. Pra mim, não foi o suficiente, e senti falta de mais momentos que evidenciassem sua competência como investigadora – até porque todas as suas teorias sobre o ACR ao longo do livro foram sendo derrubadas ou mostraram-se problemáticas em algum nível. Pode ser implicância minha? Talvez. Mas né, foi a impressão que me marcou.

De forma geral, Garota, 11 foi uma experiência de leitura legal, porque a trama é ágil e as transcrições do podcast envolvem muito o leitor. Toda a energia que a autora colocou na criação do Assassino da Contagem Regressiva valeu a pena, porque realmente é um caso que instiga a ponto de fazer parecer real. Porém, sendo seu primeiro livro publicado, dá pra ver que existe imaturidade em sua escrita, e isso se reflete principalmente na obviedade dos plot twists (o principal ponto negativo pra mim). Mas, se você relevar esse aspecto (e gostar de podcasts!), é um livro bacana com uma “ambientação” diferente das que já havia visto por aí. 😀

Título original: Girl, 11
Autor:
Amy Suiter Clarke
Editora: Suma
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Roube Como Um Artista – Austin Kleon

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de ler a trilogia do Austin Kleon de trás pra frente, hoje vim dividir minha opinião sobre seu primeiro livro, Roube Como Um Artista.

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Sinopse: Verdadeiro manifesto ilustrado de como ser criativo na era digital, Roube como um artista, do designer e escritor Austin Kleon, ganhou a lista dos mais vendidos do The New York Times e figurou no ranking de 2012 da rede Amazon ao mostrar – com bom humor, ousadia e simplicidade – que não é preciso ser um gênio para ser criativo, basta ser autêntico. Baseado numa palestra feita pelo autor na Universidade do Estado de Nova York que em pouco tempo se viralizou na internet, Roube como um artista coloca os leitores em contato direto com seu lado criativo e artístico e é um verdadeiro manual para o sucesso no século XXI.

Após ter tido ótimas experiências com as publicações posteriores do autor, ler Roube Como Um Artista foi como um belo fechamento dessa experiência. De certo modo, ainda que teoricamente não faça sentido dizer isso em função da cronologia, pra mim a obra serviu como um lembrete de tudo que havia mexido comigo em seus livros até então, principalmente o incentivo que Austin Kleon dá à criação de hobbies (e não sentirmos uma necessidade urgente de capitalizarmos em cima disso), assim como à coragem de colocar seu trabalho no mundo.

Como uma pessoa frequentemente autossabotadora, já deixei vários dos meus trabalhos criativos pela metade ou guardados na gaveta. Se você leu meu post sobre Mostre Seu Trabalho!, talvez possa lembrar que tenho um conto que ainda não tive coragem de publicar. Porém, temos vitórias no caminho também: no post sobre Siga Em Frente eu conto um pouquinho sobre como foi retomar um hobby que eu amava e sentir zero pressão a respeito de ser a melhor possível e ganhar dinheiro com ele. ❤ Essas são duas dicas importantes de Roube Como um Artista: “projetos paralelos e hobbies são importantes” e “o segredo: faça um bom trabalho e compartilhe-o com as pessoas”. 

Além delas, que são fundamentais para que o trabalho criativo ganhe vida e inspiração, o autor também desmistifica a genialidade criativa. Para ele, o trabalho criativo é a soma de várias ideias e referências, pois nada é 100% original, e devemos praticar os “bons roubos” durante o processo de criação. E o que são os “bons roubos”? Diferentes do plágio, eles dão os devidos créditos, são retirados de várias inspirações diferentes, se dedicam a estudar outros trabalhos e transformam o que eram fragmentos de referências em algo seu. Na minha opinião, esse modo de pensar é libertador, pois retira um peso enorme dos ombros daqueles que pensam que somente quando tiverem uma ideia inovadora e totalmente única, sem nenhuma influência externa, é que estarão fazendo um bom trabalho – quando provavelmente quase ninguém consegue fazer isso.

Também existe uma dica dada por Austin Kleon que eu já havia aprendido há pouco tempo, com um líder que tive, que diz: “fingir até conseguir”. Não espere estar totalmente preparado, não espere as condições perfeitas, não espere ser um mestre na skill que você deseja aprimorar: simplesmente comece. Finja desde já que você já é um artista, que você já é um escritor, que você já é um ator ou seja lá a profissão que você deseja conseguir. Coloque a sua energia em tentar todos os dias ser aquilo que você deseja ser até que, quando se der conta, vai ter aprendido o suficiente para que não seja mais fingimento. E, acreditem em mim, ter essa postura no ambiente profissional é capaz de tirar vários quilos dos seus ombros!

Roube Como Um Artista não trouxe muitas novidades pra mim em termos de insights, mas curiosamente funcionou como um bom fechamento aos livros que li anteriormente. A lógica de publicação faz sentido, porque aqui Austin Kleon aborda vários temas que são mais esmiuçados nas obras seguintes, e eu te diria pra ler todas elas na ordem correta – mesmo que você não tenha uma profissão “tradicionalmente” criativa. Afinal, todos nós temos essa habilidade de forma inerente, basta exercitá-la. 😉 

Título original: Steal Like an Artist: 10 Things Nobody Told You About Being Creative
Autor:
 Austin Kleon
Editora: Rocco
Número de páginas: 160
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Gente Ansiosa – Fredrik Backman

Oi pessoal, tudo bem?

Cá estou para falar sobre minha última leitura favoritada, Gente Ansiosa, que em breve vai ganhar uma adaptação na Netflix. ❤ Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: A busca por um apartamento não costuma ser uma situação de vida ou morte, mas uma visita imobiliária toma tais dimensões quando um fracassado assaltante de banco invade o apartamento e faz de reféns um grupo de desconhecidos. O grupo inclui um casal recém-aposentado que procura sem parar, casas para reformar, evitando a verdade dolorosa de que não é possível reformar o casamento. Há um diretor de banco rico, ocupado demais para se preocupar com outras pessoas, e um casal que, prestes a ter o primeiro filho, não concorda sobre nada. Acrescenta-se uma mulher de 87 anos que já viveu demais para temer uma ameaça à mão armada, um corretor imobiliário assustado, mas ainda disposto a vender, e um homem misterioso que se trancou no único banheiro do apartamento, e assim completamos o pior grupo de reféns do mundo. Cada personagem carrega uma vida de reclamações, mágoas, segredos e paixões prestes a transbordar. Ninguém é exatamente o que parece. E todos — inclusive o ladrão — estão desesperados por algum tipo de resgate. Conforme as autoridades e a imprensa cercam o prédio, os aliados relutantes revelam verdades surpreendentes e desencadeiam eventos tão inusitados que nem eles próprios são capazes de explicar.

“A vida não devia ser assim.” Você já teve a sensação de que a sua vida tomou um rumo completamente errado e você nem teve tempo de reajustar a rota? Ou, de maneira ainda mais simples, já enfrentou um daqueles dias de cão em que você tem a certeza de ter levantado com o pé esquerdo da cama? Sob certo ponto de vista, é isso que acontece em Gente Ansiosa: um assaltante de banco tem a brilhante ideia de assaltar um banco que não trabalha com dinheiro físico. Na fuga, ele acaba se refugiando em um apartamento que estava aberto para visitação em plena véspera da véspera de Ano Novo, 30 de dezembro. O que era pra ser um assalto a banco rápido e indolor se transforma em um drama de reféns, já que 8 pessoas estão presentes no tal apartamento. A polícia está com poucos funcionários em serviço devido à proximidade do Réveillon, o assaltante de banco não queria machucar ninguém e as 8 pessoas não poderiam ser mais diversas – inclusive nas reações à situação. Esse é o cenário com que o autor, Fredrik Backman, nos apresenta a uma história cativante desde a primeira página.

Gente Ansiosa é um livro tragicômico, e isso fica nítido no estilo narrativo da obra. O autor usa de ironias muito bem colocadas e tem um senso de humor meio “autodepreciativo” que eu gostei muito. O livro intercala três tipos de narração: uma em que o narrador onisciente se afasta da situação dos reféns pra revelar fatos importantes sobre o passado de uma ponte, na qual 10 anos atrás um homem se suicidou (e isso é relevante); uma em que é a narração do que está ocorrendo dentro do apartamento durante o incidente ou entre os policiais responsáveis pelo caso (que, por sinal, são pai e filho); e uma terceira que são as transcrições dos depoimentos dos reféns após sua liberação por parte do assaltante (que é a parte mais chatinha, confesso). Ao navegar por esses momentos, Fredrik Backman nos conduz por uma história essencialmente simples, mas cheias de conexões entre os personagens que, pouco a pouco, ganham o coração do leitor.

E como falar de Gente Ansiosa sem mencionar as pessoas que inspiram esse título? O livro se passa em uma cidade no interior da Suécia, e o departamento de polícia está despreparado para um caso de sequestro, o que pede o envolvimento de autoridades de Estocolmo, a cidade grande da qual os “figurões” tomam as decisões – e que causa grande mal-estar entre os policiais que conduzem o caso. Acontece que Estocolmo também é uma referência à síndrome referente a vítimas que tentam se identificar ou até mesmo conquistar a simpatia de seus captores, e certamente essa decisão não foi por acaso: talvez eu, como leitora, também tenha sofrido dessa síndrome ao simpatizar imediatamente com o assaltante de banco. Esse personagem tem um background impossível de não provocar empatia, principalmente quando o autor nos fornece informações sobre a quantia que ele desejava do banco e também os motivos pelos quais ele fez o que fez.

Mas a ansiedade (de forma às vezes mais, às vezes menos literal) se manifesta de formas diferentes em cada personagem. Há um casal, por exemplo, cujo “hobby” de aposentados é comprar e reformar apartamentos para vender. Ele, Roger, lida com a falta de propósito da nova rotina. Ela, Anna-Lena, com o medo de não ter mais conexão com o marido e seu único vínculo ser esse hobby. Os dois ilustram muito bem aquele arrependimento de quando a vida passa e você não realizou tudo que queria/podia, e nesse caso a figura que experienciou isso foi Roger, que optou por ficar em casa cuidando dos filhos devido à decolagem da carreira da esposa. Quem nunca se perguntou se não estava vivendo seu máximo potencial, né? Ademais, é uma inversão de gênero muito legal também, que subverte a ideia de que a carreira da mulher deve ser pausada na hora de constituir família.

Outra personagem marcante, ainda que irritante, é Zara. Ela é diretora de um banco e, no passado, recusou um empréstimo para o homem que se jogou da ponte que mencionei antes. Ela é antipática e desagradável mas, ao mesmo tempo, o autor também consegue trazer sua angústia para as páginas, amenizando um pouco o efeito negativo da sua personalidade. Zara também tem alguns dos melhores diálogos, e sua acidez rende frases bem engraçadas. Encontramos representatividade LGBTQIA+ no casal lésbico formado por Julia e Ro, que estão esperando um bebê. Julia é ainda mais irritante do que Zara e só sabe reclamar de Ro, não sendo uma personagem da qual eu tenha gostado. E é claro que vale uma menção honrosa a Estelle, uma senhora que perdeu o marido e foi à visitação do apartamento na tentativa de não se sentir tão sozinha na época do final de ano (revelando-se excelente em acabar com uma garrafa de vinho rs).

Os policiais responsáveis pelo caso, Jack e Jim, não ficam pra trás, tendo seus próprios dramas desenvolvidos. Os motivos pelos quais Jack virou policial são bem comoventes, e é nítido que ele passa a vida tentando fazer o melhor possível para salvar quem está ao seu redor – ainda que isso não dependa dele. Jim, como todo pai deveria fazer, se preocupa com o sofrimento do filho e que sua vida fique paralisada por essa pressão que ele coloca em si mesmo. Os dois brigam em diversos momentos do livro por serem obrigados a trabalhar juntos em um caso complexo, e nesses momentos o leitor percebe os sentimentos não ditos entre os dois.

Ao longo das páginas, o leitor vai se deparando com os pequenos tiques de cada personagem que denunciam sua ansiedade (um tensiona os dedos dos pés, outro esfrega a ponta dos dedos), e aos poucos as preocupações de cada um deles vêm chegando à superfície. Por mais que existam assuntos pesados como a depressão e o suicídio, Gente Ansiosa lida com eles com muita leveza, mas sem deixar de lado a importância de cuidar da saúde mental. Os medos dos personagens são relacionáveis e, ainda que não na mesma medida, muitos de nós provavelmente vão se identificar com eles – porque são medos humanos. Medos de não ser bom o suficiente pra determinada função, remorso por uma culpa do passado, pressão para dar conta de todas as responsabilidades da vida adulta, solidão de enfrentar o mundo sozinho. Gente Ansiosa é sobre isso. E também sobre empatia, sobre a criação de laços e sobre amizades surgindo dos lugares mais inesperados.

Acho que ficou claro que amei Gente Ansiosa, né? Pra mim, é um daqueles livros que a gente lê querendo marcar todas as quotes possíveis, porque elas dialogam diretamente com o nosso coração. Me apaixonei pelos personagens e por tudo que eles viveram juntos, e não vejo a hora de conferir outros livros de Fredrik Backman. Recomendo muito e espero que vocês sejam envolvidos por esse livro que, segundo o próprio autor, é um livro sobre idiotas. E eu amei o tempo que passei com cada um desses idiotas.

Título original: Anxious People
Autor:
Fredrik Backman
Editora: Rocco
Número de páginas: 368
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Blackout – Dhonielle Clayton e outras autoras

Oi pessoal, tudo bem?

Quem aí está no clima de muito romance? ❤ A dica de hoje é um livro encantador publicado pela Seguinte e escrito por várias autoras contemporâneas de sucesso: Blackout: O Amor Também Brilha no Escuro.

Garanta o seu!

Sinopse: Uma onda de calor causa um apagão em Nova York. Multidões se formam nas ruas, o metrô para de funcionar e o trânsito fica congestionado. Conforme o sol se põe e a escuridão toma conta da cidade, seis jovens casais veem outro tipo de eletricidade surgir no ar…Um primeiro encontro ao acaso. Amigos de longa data. Ex-namorados ressentidos. Duas garotas feitas uma para a outra. Dois garotos escondidos sob máscaras. Um namoro repleto de dúvidas. Quando as luzes se apagam, os sentimentos se acendem. Relacionamentos se transformam, o amor desperta e novas possibilidades surgem ― até que a noite atinge seu ápice numa festa a céu aberto no Brooklyn. Neste romance envolvente e apaixonante, composto de seis histórias interligadas, as aclamadas autoras Dhonielle Clayton, Tiffany D. Jackson, Nic Stone, Angie Thomas, Ashley Woodfolk e Nicola Yoon celebram o amor entre adolescentes negros e nos dão esperança mesmo quando já não há mais luz.

A trama de Blackout acompanha diversos personagens passando por situações inusitadas durante um inesperado apagão em Nova York. Cada trama é escrita por uma autora e os personagens estão conectados de alguma forma (amigo de fulano, primo de beltrano, irmã de ciclano). Essa vibe de “você conhece alguém que eu conheço” pode confundir um pouco em função dos muitos nomes dos personagens, mas conforme você se liga em quem é quem se torna muito fácil enxergar as conexões e as histórias ficam ainda mais legais. Pra completar a naturalidade dessas relações, outro ponto muito bacana é a forma como os diálogos são escritos: os personagens usam expressões muito “vida real”, e não de jeito forçado. O uso de expressões como “dar rolê”, “fala, cara” e afins realmente trouxe uma pegada realista e fácil de se identificar. 😀

Outro aspecto super importante de Blackout é a representatividade: os personagens são todos negros e/ou latinos, e há também casais LGBTQIA+. É muito bom ler romances em que esses grupos protagonizam cenas fofas, alegres, otimistas e positivas. O preconceito e as dores causadas pelo racismo e pela homofobia são inegáveis, mas acho importante que esses grupos também possam se sentir representados em histórias nas quais a felicidade, o amor e as conquistas existam (algo que elogiei também em Acorda Pra Vida, Chloe Brown). Ainda assim, a obra traz toques sutis – mas certeiros – sobre como jovens negros são obrigados a se preocupar com os riscos do racismo: Kareem (do primeiro conto) não quis ficar no meio da multidão até escurecer, preferindo ir pra casa; JJ (do segundo conto) anda com um chaveiro com ferramentas e foi ensinado pelo pai a sair de qualquer transporte público em caso de emergência.

Além da ambientação (um blackout em Nova York) e das ligações entre os personagens, os contos têm mais uma coisa em comum: os personagens precisam se dirigir ao Brooklyn – ou pra voltar pra casa, ou pra participar de uma festa incrível de fechar quarteirão que vai rolar por lá. E enquanto a maior parte das histórias tem seu início e fim em si mesmas, existe uma delas (a mais longa) que é dividida em atos. Dá pra dizer que é um dos romances principais, e acompanha um casal de ex-namorados que se vê competindo pela mesma vaga de emprego e tendo que voltar a pé juntos pra casa (já que o transporte público não funciona). E já a ambientação está em pauta, vale dizer que Blackout nos faz querer viajar por Nova York. Os contos acompanham espaços icônicos da cidade, como a Biblioteca Pública de Nova York e o Apollo Theater.

Pra fechar, fiz um resuminho de cada conto pra vocês ficarem ainda mais curiosos com Blackout. 😉

  • A Longa Caminhada: é o conto dividido em atos que acompanha os ex-namorados voltando juntos pra casa e descobrindo que talvez a decisão de terminar não tenha sido tão boa assim.
  • Sem Máscara: meu conto favorito! ❤ Acompanha um jovem que está redescobrindo sua sexualidade. No metrô, ele encontra um antigo e secreto crush, com quem passou conversando durante uma noite em um baile de máscaras. Será que ele vai ter coragem de dizer a verdade?
  • Feitas Para se Encaixar: duas meninas se conhecem e se encantam uma pela outra em um lar para idosos – uma sendo voluntária, a outra sendo neta de um dos moradores (que, aliás, é um belo cupido!).
  • Todas as Grandes Histórias de Amor… e Pó: um conto muito fofo sobre uma garota que está reunindo coragem para contar ao seu melhor amigo de infância que está apaixonada por ele! Difícil não querer estar no mesmo lugar em que os dois: a Biblioteca Pública que mencionei antes. 
  • Sem Dormir até o Brooklyn: esse conto é bem interessante porque tem uma perspectiva diferente sobre amor e relacionamentos. Uma menina está vivendo um triângulo amoroso e precisa refletir sobre com quem deseja ficar – ou se essa é mesmo a melhor decisão.
  • Seymour & Grace: meu segundo conto favorito. 🥰 Aqui acompanhamos uma jovem que está magoada pelo término do namoro indo de Uber até a festa no Brooklyn. O que ela não imaginava era ter tanta afinidade com o motorista (que também narra trechos da história).

Em suma, Blackout é um livro muito gostoso de ler, cheio de histórias fofas e encantadoras e com uma representatividade necessária. Recomendo! 🙌

Título original: Blackout
Autoras:
Dhonielle Clayton, Tiffany D. Jackson, Nic Stone, Angie Thomas, Ashley Woodfolk e Nicola Yoon
Editora: Seguinte
Número de páginas: 272
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: As Sombras de Outubro – Søren Sveistrup

Oi pessoal, tudo bem?

A Priih louca dos romances policiais estava animadíssima pra escrever esse post. Recebi, via Time de Leitores da Companhia das Letras, o romance policial As Sombras de Outubro – que recentemente virou série na Netflix com o título de O Homem das Castanhas (sobre a qual falarei em breve aqui no blog). Fazia tempo que um romance policial não me empolgava tanto, então vem comigo conhecer!

Garanta o seu!

Sinopse: Em uma manhã tempestuosa em um tranquilo bairro de Copenhagen, a polícia faz uma descoberta sinistra: o corpo de uma mulher brutalmente assassinada, com uma das mãos faltando. Sobre ela está pendurado um pequeno boneco feito de castanhas. O caso é entregue à ambiciosa detetive Naia Thulin e a seu novo parceiro, Mark Hess, um investigador introspectivo que acabou de ser expulso da Europol. Logo se descobre uma evidência ligando o sr. Castanha a uma garota desaparecida há um ano: a filha da política Rosa Hartung. O homem que confessou tê-la sequestrado e assassinado está atrás das grades e o caso foi encerrado há tempos ― e qualquer insinuação contrária causa disputas e inimizades na corporação. No entanto, quando novas vítimas e novos bonecos aparecem, Thulin e Hess acham cada vez mais difícil ignorar a conexão entre o caso Hartung e o novo serial killer.

Um dos apelos comerciais de As Sombras de Outubro reside no fato de que seu autor, Søren Sveistrup, é o roteirista de uma série famosa, The Killing. E você nota que ele é um roteirista sem demora: os capítulos do livro são ágeis e curtinhos e as cenas têm fluidez, de modo que a história avança em um ritmo bastante intenso. Essa fórmula funciona bem demais comigo, porque me impulsiona a ler “só mais um capítulo” (e que leitor nunca pensou isso e, quando viu, leu mais uns 20, né?).

Na trama, uma sequência de assassinatos brutais passa a acontecer em Copenhague: as vítimas são mulheres na casa dos 30 anos que são encontradas visivelmente torturadas e com partes do corpo amputadas. O algoz é astuto e não deixa vestígios, com exceção de uma pequena assinatura: um bonequinho feito de castanhas. Na corrida para descobrir o culpado temos uma dupla de detetives: Naia Thulin, uma investigadora talentosa que almeja uma transferência para o núcleo de crimes cibernéticos da polícia e deseja conseguir um carta de recomendação; e Mark Hess, que é na verdade um agente da Europol afastado e só está em Copenhague enquanto espera a decisão do chefe sobre seu futuro. Não sabemos o motivo do afastamento, mas o leitor percebe que Hess não está interessado em seu trabalho atual por saber que é temporário, e isso gera uma tensão com Thulin, que fica bastante incomodada com o jeito indiferente e beirando o irresponsável do colega. Além dos assassinatos, temos uma terceira peça-chave no quebra-cabeça. Os bonecos de castanha contém uma impressão digital surpreendente: a de Kristine Hartung, filha da ministra do Bem-Estar Social, Rosa Hartung, que foi dada como desaparecida e morta um ano antes.

São esses elementos que Søren Sveistrup utiliza para construir uma trama cheia de conexões e pistas ocultas. A narrativa é em terceira pessoa e acompanha diferentes personagens, focando principalmente em Thulin, Hess, Rosa e, nas cenas de assassinato, nas vítimas. Como não temos o ponto de vista do assassino, o leitor fica no escuro sobre suas motivações durante a maior parte do tempo, podendo apenas conjecturar a respeito. Conforme Thulin e Hess avançam nas investigações, algumas hipóteses começam a ganhar força, mas ainda assim o autor consegue manter o suspense até a reta final. Eu suspeitei do personagem certo, mas não consegui deduzir seu background e seus planos, então adorei ser surpreendida pelo autor (acho até que comentei em outra resenha recente por aqui que estava sentindo falta disso nos romances policiais).

As Sombras de Outubro traz alguns elementos que parecem ser o primeiro passo para futuros livros, já que nesse eles não foram bem desenvolvidos. O passado de Hess e de Thulin, a relação da investigadora com o “avô de criação” de sua filha, os motivos pelos quais Hess foi afastado… todas essas pontas soltas ~cheiram a desenvolvimento posterior, sabem? É algo bem comum em séries policiais protagonizadas pelos mesmos investigadores e, apesar de eu não saber se Søren Sveistrup pretende continuar uma série com Hess e Thulin, foi essa a sensação que me causou. Mas, apesar de ambos serem muito competentes, eu não gostei tanto da dinâmica de parceria dos dois. Não senti que eles deram match em personalidade e modo de agir, então ficou difícil torcer por algum tipo de camaradagem ou até mesmo shipp.

Thulin é uma personagem que não me desceu. Ela é antipática e azeda, sendo difícil de gostar. Porém, feminista como sou, também não pude deixar de problematizar essa minha sensação. Afinal, Søren Sveistrup é um autor homem, e sabemos que mulheres são muito mais cobradas a serem afáveis, sorridentes e simpáticas (basta ver a diferença no tratamento que Brie Larson recebeu quando Capitã Marvel estava sendo promovido), então eu tentei me policiar pra não basear minha conclusão sobre Thulin somente nesse aspecto subjetivo. Dito tudo isso e excluindo a personalidade dela da jogada, me incomodou demais que ela tenha se comportado como se fosse superior a Hess – ainda que, na maior parte das vezes, ele tenha conclusões melhores que as dela e seja bem mais responsável pelos avanços da investigação na direção certa. E já que estou falando dele, Hess é um personagem meio misterioso, que de início você não curte tanto por estar com o “foda-se” ligado em uma investigação seríssima, mas com o avançar das páginas ele vai demonstrando não apenas seu potencial como investigador mas também seu comprometimento com a verdade.

Como aspectos negativos, eu preciso ressaltar a burrice de alguns personagens, incluindo o próprio Hess em determinados momentos. Sabem aqueles clichês de filmes de terror em que o espectador quase implora pro personagem não entrar sozinho numa casa abandonada no meio do nada? Fazendo o mesmo paralelo para um romance policial, eu fiquei implorando pra que fulano ou beltrano não entrassem em locais estranhos sozinhos, não saíssem de determinados espaços seguros sem reforços e não tomassem atitudes precipitadas por conta própria. Tudo isso obviamente aconteceu, e em todas as cenas fiquei enervada rs. Além disso, tem um ou outro plot que Søren Sveistrup inicia mas não desenvolve (como a relação de Rosa com seu assessor), o que acaba soando ou preguiçoso ou desatento por parte do autor.

As Sombras de Outubro é um romance policial raiz, daqueles que fazem você devorar as páginas e roer as unhas. Há cenas de ação, planos sendo colocados em prática, uma investigação cheia de perigos e um suspense que permeia o livro do início ao fim: Kristine Hartung está viva? Ao mesmo tempo em que o leitor fica aflito pelo perigo que as futuras vítimas correm, existe também a curiosidade acesa pra saber qual a conexão de tais assassinatos brutais com a família da ministra. E Søren Sveistrup faz um trabalho muito bom em conectar todos esses elementos de forma que a história se mantenha hipnotizante (mesmo com alguns defeitinhos e cenas mais amadoras dos policiais hahaha!). Recomendo muito pra quem curte o gênero! E fiquem ligados que em breve volto pra falar da série. 🙌

Título original: Kastanjemanden
Autor:
Søren Sveistrup
Editora: Suma
Número de páginas: 416
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Dormir em um Mar de Estrelas – Christopher Paolini

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje chegou a vez de conversar sobre o calhamaço que conquistou o título de maior livro que eu já li: Dormir em um Mar de Estrelas, do Christopher Paolini (autor de Eragon). Essa resenha vai ser mais longa que de costume, mas é um livro de mais de 800 páginas, então peço que vocês relevem e tenham paciência comigo, tá? 🙈

Garanta o seu!

Sinopse: Durante uma missão de pesquisa de rotina, Kira encontra uma relíquia alienígena. A princípio, ela fica maravilhada com a descoberta, mas logo esse sentimento se transforma em terror. Depois de cair em uma câmara no meio de um planeta desconhecido, a poeira ao seu redor começa a se mexer. Kira é lançada em uma odisseia de descobertas e transformações que atravessa a galáxia ao mesmo tempo em que uma guerra eclode em meio às estrelas. O primeiro contato com seres alienígenas não é como ela imaginava, e uma série de acontecimentos a levam até seu limite humano. A Terra e suas colônias estão à beira da aniquilação, e Kira, mesmo tendo que encarar seus próprios medos, se torna a última esperança da humanidade.

O ano é 2257 e a humanidade expandiu suas fronteiras para além da Terra. No espaço, há diversas colônias e profissionais especialistas em fazer missões em novos planetas para verificar a viabilidade de a humanidade se instalar ali ou somente minerar materiais necessários. Uma dessas profissionais é Kira Navárez, uma experiente xenobióloga apaixonada pelo que faz e por descobrir novos mundos e formas de vida. Entretanto, em uma missão de rotina, ela entra em contato com um artefato alienígena: uma espécie de traje simbiótico que se liga ao seu corpo e tem atitude própria, o que infelizmente leva à morte de toda a equipe de Kira (incluindo Alan, seu noivo). A partir desse momento, Kira é levada para uma nave do CMU (Comando Militar Unido, responsável pela segurança de todos os planetas da Liga dos Mundos Aliados) para ser examinada e seu corpo é exposto a vários níveis de stress e testes invasivos. Vocês acham que desgraça pouca é bobagem? Essa nave é atacada por outros alienígenas, que também estão em busca do traje. Kira, porém, consegue explodir a nave e escapar em uma pequena nave de fuga, sendo resgatada por aqueles que serão seus novos companheiros de viagem: a tripulação da Wallfish, liderada pelo capitão Falconi.

Isso é só o inicinho da história, e já deu pra sentir que Dormir em um Mar de Estrelas é tiro, porrada e bomba, né? Do instante em que entra em contato com o xeno, a coitada da Kira não tem um minuto de paz. Não somente ela perde autonomia sobre seu corpo, já que existe um novo ser perigoso em simbiose com ela, como também vira alvo de experimentos e desconfianças. Mas, com a tripulação da Wallfish, ela aos poucos vai encontrando seu lugar. Graças ao traje, Kira consegue ter visões de “vidas anteriores” que o xeno experimentou ao estar ligado a outros corpos – e um desses corpos é justamente a espécie alienígena que atacou a nave na qual Kira se encontrava. Por meio das lembranças do traje (que descobrimos se chamar Lâmina Macia), a protagonista vira uma peça-chave para evitar que a humanidade seja extinta e que tenha alguma chance em uma guerra interestelar iminente.

De início, vou dizer que achei o ritmo de Dormir em um Mar de Estrelas bem cansativo. Paolini descreve bastaaante, e demora pra que a ação aconteça (ainda que, quando aconteça, seja bem explosiva). Mas quando a Kira é resgatada pelo pessoal da Wallfish, o livro fica mais legal. Os membros da tripulação são muito carismáticos, cada um a sua maneira: Falconi é o clichê do “macho alfa”/cara durão, mas é muito leal e justo; Sparrow e Hua-Jung são um casal lésbico (e esse relacionamento é tratado com muita naturalidade, o que é sempre bem-vindo!) muito foda, sendo a primeira uma ex-soldado e a segunda a chefe de engenharia; Nielsen é a segunda em comando, muito inteligente e sensata; Vishal é o médico da nave, gentil e atencioso; Trig é um garoto empolgado com a vida e com as novidades que Kira trouxe; e Gregorovich é o Cérebro da Nave, um ser humano que abriu mão do corpo para expandir sua capacidade cerebral. Ah, e como deixar de mencionar o Runcible e o Sr. Fofuchinho, os pets da Wallfish? ❤

Kira é uma protagonista muito corajosa. Ela não é uma guerreira, mas uma cientista, e se vê em uma situação em que precisa lutar, se defender e proteger as pessoas com quem criou um novo vínculo. Tudo isso enquanto precisa superar o luto por (indiretamente) ter causado a morte de seus antigos companheiros e grande amor. Admiro muito as decisões difíceis que ela tomou, pois seria muito compreensível caso ela paralisasse pelo medo. E não me entendam mal: ela sente medo, e muito. Isso deixa seus sentimentos bem mais críveis e demonstra o tamanho de seu mérito. 

Uma coisa importante de pontuar é que o livro é cheio de termos específicos e desconhecidos de seu universo. No fim dele, há um glossário que explica a maioria deles, mas optei por utilizá-lo pouquíssimas vezes. Além desse vai e vem deixar a leitura truncada pra mim, também achei interessante tentar viver a experiência de me sentir tão perdida quanto Kira no que dizia respeito às informações sobre os alienígenas. Essa inclusive foi uma sensação que eu já havia experimentado com Laranja Mecânica, cuja linguagem própria faz o leitor se sentir um outsider do universo jovem e ultraviolento de Alex. 

O autor foca em tornar tudo tão crível e realista do ponto de vista astrofísico que, pra mim, se tornou abstrato imaginar as cenas e lugares, o que atrapalhou minha imersão. Entre algo mega técnico/específico e fluidez narrativa, eu prefiro a fluidez. Algumas passagens que focavam muito em explicações físicas e tecnicidades das naves espaciais e dos processos eu só lia por cima, porque realmente não são temas que me interessam e nem faziam tanta diferença assim pra história. E é nesse ponto que mora o maior problema que tive com o livro: a falta de objetividade tornou muito difícil pra mim mergulhar de cabeça na trama. Mesmo que a história estivesse em momentos legais, a trama de Paolini se arrastou demais, então levei mais de 3 meses pra concluir a leitura. 

Dormir em um Mar de Estrelas é um épico de ficção científica que tem tudo pra conquistar os amantes desse estilo literário. Você vê a profundidade dos estudos do autor pra fazer uma história coerente e verossímil, e isso é um prato cheio pros amantes de boas histórias espaciais. A mitologia criada por ele é muito bacana e, apesar da história de Kira ter sido iniciada e encerrada aqui, o universo do autor tem muito a se expandir. Não dei 5 estrelas pra leitura porque acredito que um bom pedaço do livro poderia ser “cortado” em nome da agilidade narrativa, mas reconheço que isso é uma questão de gosto pessoal e que pode não interferir na experiência de vocês com essa leitura. Espero que gostem da dica e mergulhem de cabeça nessa viagem espacial. 😉

P.S.: vi vários comentários de pessoas que não curtiram o final, cujo gostinho é meio agridoce. Mas, pra mim, ele fez todo sentido com a trajetória de Kira. Gostei muito!

Título original: To Sleep in a Sea of Stars
Autor:
Christopher Paolini
Editora: Rocco
Número de páginas: 832
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Livro cedido em parceria com a editora.
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Resenha: Meu Corpo Virou Poesia – Bruna Vieira

Oi pessoal, tudo bem?

Fazia muito tempo que eu não lia um livro de poemas, então aproveitei a oportunidade de ler Meu Corpo Virou Poesia, disponibilizado pela editora Seguinte ao Time de Leitores. Foi minha primeira experiência lendo a Bruna Vieira e hoje compartilho com vocês como foi. 😉

Garanta o seu!

Sinopse: Em 2017, Bruna Vieira fez as malas, deixou a vida no Brasil de lado e foi escrever uma nova história em outro país, vestida de coragem e guiada por um sentimento que sempre foi sua maior prioridade: o amor. Com o tempo, porém, os dias foram ficando cada vez mais longos e solitários. Era como se naquele lugar o amor tivesse perdido o equilíbrio e se tornado uma obrigação. Foi bem perto do fim e de jeito mais frio que ela finalmente se deu conta: é impossível ser “nós” sozinha. Formado por quatro partes – cabeça, garganta, pulmão e ventre –, este livro é um mapa. Um mapa que leva Bruna de volta à escrita e a si mesma. São relatos reais, repletos de lembranças, aprendizados e cicatrizes, que agora deixam o corpo da autora para encontrar o seu, em forma de poesia. Ao tocar em temas como autoestima, amizade feminina e relacionamentos (com o outro e sobretudo consigo mesma), Bruna olha para dentro e nos convida a percorrer nestes versos nossa própria viagem de autodescoberta.

Eu sigo a Bruna no Instagram há algum tempo e acompanhei a época em que ela se mudou pra Califórnia com o então namorado. Eles chegaram a noivar, mas o relacionamento acabou, ela voltou para o Brasil e lançou um vídeo-poesia contando um pouco sobre as dores que não havia revelado sobre a relação. Esse parece ter sido o primeiro passo do processo de cura da autora, que transformou os últimos anos em poemas que falam com mais profundidade (e exposição) tudo que ela viveu e como tem sido se reencontrar.

O livro é dividido em quatro momentos: cabeça, garganta, pulmão e ventre. A primeira parte é mais sombria e explora a sensação de invisibilidade e inadequação que Bruna experimentou durante o relacionamento e seu período na Califórnia. Fica claro que, em seu coração, ela sente que se doou muito mais do que o parceiro para uma relação que, em grande parte, só existiu verdadeiramente na sua cabeça. Por isso, a solidão também é um tema recorrente nesses primeiros poemas. Bruna também revela o quanto de si ela “perdeu” ao tentar se encaixar em uma vida e em um namoro que não fazia mais sentido, se moldando a expectativas alheias e se encolhendo cada vez mais em si mesma.

resenha meu corpo virou poesia bruna vieira

Conforme avançamos nas páginas, o tom dos poemas vai mudando e ganhando um teor de cura e amor próprio. Ao deixar pra trás o relacionamento e a cidade que não lhe faziam bem, a autora entra num processo de redescobrir a si mesma e curar suas cicatrizes emocionais. Aqui encontramos poemas que falam sobre respeitar e honrar suas diferentes versões, abraçar suas imperfeições e valorizar a mulher que você é. Até o final do livro, o leitor se depara com o processo de libertação e cura de Bruna, que a coloca no momento em que se sente mais confortável consigo mesma: o presente.

Falando sobre o livro no geral, curti boa parte dos poemas e achei vários trechos bem bonitos. Porém, como ponto negativo, ressalto aqui o uso exaustivo do recurso de falar em “todas as suas versões”, é como se Bruna ficasse batendo na mesma tecla porque gosta muito de como a frase soa. Inclusive, senti que esse tipo de frase de efeito traz um teor meio “bobinho” e adolescente pro livro.

Com um ritmo gostoso e vários poemas legais, Meu Corpo Virou Poesia foi uma experiência bem bacana. Apesar de segui-la no Instagram, não me considero uma superfã da Bruna Vieira, então fui com expectativas bem neutras e acabei me surpreendendo positivamente. Se você busca um livro de poesias com várias reflexões sobre buscar o melhor de nós mesmos, vale incluir o título na lista. 😉

Título original: Meu Corpo Virou Poesia
Autora:
Bruna Vieira
Editora: Seguinte
Número de páginas: 184
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.