Resenha: A Mulher Na Cabine 10 – Ruth Ware

Oi gente, tudo bem?

Hoje trago a resenha de um excelente thriller pra vocês: A Mulher Na Cabine 10, de Ruth Ware, publicado pela Editora Rocco.

capa a mulher na cabine 10 ruth wareGaranta o seu!

Sinopse: No livro, uma jornalista de turismo tenta se recuperar de um trauma quando é convidada para cobrir a viagem inaugural de um luxuoso navio. Mas, o que parecia a oportunidade perfeita para se esquecer dos recentes acontecimentos acaba se tornando um pesadelo quando, numa noite durante o cruzeiro, ela vê um corpo sendo jogado ao mar da cabine vizinha à sua. E o pior: os registros do navio mostram que ninguém se hospedara ao seu lado e que a lista de passageiros está completa. Abalada emocionalmente e desacreditada por todos, Lo Blacklock precisa encarar a possibilidade de que talvez tenha cometido um terrível engano. Ou encontrar qualquer prova de que foi testemunha de um crime e de que há um assassino entre as cabines e salões luxuosos e os passageiros indiferentes do Aurora borealis.

Lo Blacklock é uma jornalista de viagens que vive uma experiência traumatizante: no meio da noite, percebe que sua casa está sendo invadida. Apesar dos ladrões não a agredirem diretamente, o trauma e a sensação de violação causam na personagem sintomas semelhantes ao TEPT (crises de ansiedade, pesadelos e até mesmo alucinações). Dali a dois dias, Lo precisa viajar a trabalho para cobrir a viagem inaugural do cruzeiro de luxo Aurora borealis e, mesmo estando com o emocional virado de cabeça para baixo, ela decide não abrir mão da oportunidade de crescer na carreira. Na primeira noite a bordo do navio, Lo se dá conta que esqueceu o rímel, e decide recorrer à pessoa na cabine ao lado da sua, a cabine 10. Lá, Lo se depara com uma mulher jovem e bonita, que empresta o rímel com pressa, fechando-se novamente em sua cabine. Até aí, nada de (muito) estranho, né? O problema acontece durante a noite: Lo escuta um grito na cabine vizinha e, logo depois, o barulho de algo pesado sendo jogado no mar. Ao espiar pela varanda, uma mancha escura muito semelhante a sangue chama a sua atenção, e ela corre para acionar a segurança do navio. A questão é: segundo a equipe, não havia ninguém hospedado na cabine 10.

O plot de A Mulher Na Cabine 10 me conquistou de cara: uma personagem instável emocionalmente, devido a um trauma, passando por uma situação tensa em um ambiente claustrofóbico e sem ninguém que acredite nela. A minha curiosidade para entender o que estava acontecendo era instigada a cada página, ao mesmo tempo em que Ruth Ware nos fazia duvidar da sanidade de Lo. A única prova que a personagem dispunha para provar a existência da tal mulher era o rímel que fora emprestado por ela, mas as evidências iam todas contra a teoria de Lo: ninguém da equipe vira tal mulher, ela não estava na lista da tripulação, tampouco dos passageiros. Não havia nenhum registro que comprovasse sua existência. A experiência traumática recente e o excessivo consumo de bebida alcoólica também não estavam a favor de Lo, que acaba entrando em um estado paranoico, temendo tudo e todos ao seu redor.

resenha a mulher na cabine 10 ruth ware

Um recurso que Ruth Ware adotou e eu achei genial para aumentar ainda mais a tensão foi utilizar, ao fim de cada parte do livro, informações sobre o que estava acontecendo com pessoas externas ao navio, como o namorado de Lo (Jude) ou notícias que saíam na mídia. Essas passagens eram narradas alguns dias no futuro, e mostravam fatos como, por exemplo, Jude entrando em contato com os amigos pois estava sem notícias de Lo, uma notícia falando sobre um corpo encontrado no mar, outra notícia narrando o desaparecimento de uma jornalista do Aurora borealis chamada Laura Blacklock… Esses momentos do livro aumentavam em muito a curiosidade, a tensão e a expectativa para saber o que afinal aconteceria com Lo, mais até do que descobrir afinal quem era a tal mulher. O plot twist que envolve a revelação final também foi muito bom e convincente, me deixando muito satisfeita com o desfecho do livro.

A ambientação em um navio a mar aberto colabora muito com a sensação de claustrofobia e medo sentido pela personagem (e por nós, leitores). Me lembrei muito de Assassinato no Expresso do Oriente (o filme, pois não li o livro) e o receio constante de que qualquer pessoa ali possa ser um assassino. O fato de Lo estar sozinha, encarando a possibilidade de ter um criminoso em seu encalço, é uma situação muito aflitiva. O cansaço da personagem, que não consegue dormir direito desde a invasão ao seu apartamento, também é palpável, e o leitor fica agoniado com a exaustão psicológica da protagonista. Mas ela também se revela uma personagem forte, especialmente na reta final, e empática. Apesar de sofrer muito nas mãos dos responsáveis por tudo que aconteceu, ela ainda consegue perceber quem é também uma vítima e quem é apenas algoz na situação.

A Mulher Na Cabine 10 é um livro incrível e envolvente, excelente para quem é apaixonado por thrillers. Vai ser impossível não ficar angustiado, querendo descobrir o que realmente aconteceu no luxuoso Aurora borealis. Recomendo muito!

Título Original: The Woman in Cabin 10
Autor: Ruth Ware
Editora: Rocco
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.
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Resenha: Warcross – Marie Lu

Oi povo, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Warcross, uma leitura UAU que foi também minha primeira experiência com a autora Marie Lu.

warcross marie lu.pngGaranta o seu!

Sinopse: O Warcross não é apenas um jogo. Para seus milhões de fãs, é uma fuga, uma forma de ganhar dinheiro, um modo de vida. Com tecnologias avançadas e uma proposta de realidade virtual impressionante, o jogo conquistou adeptos em todo o mundo… inclusive Emika Chen, um jovem hacker órfã que luta pela sobrevivência em Nova York. Agora, uma decisão precipitada está prestar a mudar sua vida. Emika viaja para o outro lado do planeta e vai precisar de toda a sua experiência no mundo virtual para enfrentar uma ameaça desconhecida, que pode transformar o jogo numa guerra cruzada e afetar toda a humanidade.

Imagine que existe um gadget chamado NeuroLink capaz de projetar realidade virtual em absolutamente tudo ao seu redor. Utilizando-o, é possível ver tudo mais colorido, animações nas paredes dos prédios, pessoas utilizando armaduras ou a aparência que desejarem ao andar na rua. Além disso, imagine que essa tecnologia é utilizada para jogar o jogo mais popular do mundo, que também acontece em realidade virtual. É esse o cenário de Warcross. O jogo (que dá nome ao livro) e, principalmente, o universo virtual que o envolve determinam como os indivíduos se relacionam (entre si e com o mundo), devido às inúmeras possibilidades oferecidas pelo NeuroLink. A invenção, que revolucionou a tecnologia, pertence a Hideo Tanaka que, aos 13 anos, criou o gadget e o jogo. O NeuroLink é um óculos capaz de “enganar” o usuário, fazendo com que o cérebro crie projeções realistas, semelhantes a um sonho. Agora, aos 21, o rapaz é bilionário e dono da bem-sucedida Henka Games, proprietária de Warcross. Emika Chen, nossa protagonista, é uma caçadora de recompensas endividada que decide hackear a transmissão da abertura do campeonato mundial de Warcross para tentar capturar um item do jogo e posteriormente vendê-lo; contudo, ela é exposta para o mundo inteiro durante a tentativa. Em vez de ser processada, a moça de 18 anos (dona de um talento sem igual para a programação) é surpreendida por uma proposta de trabalho vinda do próprio Hideo, que desconfia de ataques de um hacker ao sistema de Warcross.

Sendo bem sincera, o início do livro não me fisgou. Apesar de eu já ter sido uma grande fã de videogames, atualmente esse universo não faz parte do meu dia a dia, então fiquei um pouco saturada com as inúmeras descrições das maravilhas possibilitadas pelo NeuroLink. Em cada cenário no qual Emika aparece são feitas descrições detalhadas e esplendorosas sobre luzes, cores e detalhes que só são vistos e possibilitados pela realidade virtual. Entendo que isso seja importante para criar uma base sólida a um novo universo mas, infelizmente, essa parte do livro não prendeu minha atenção. Porém, quando a trama engatou, não consegui mais parar de ler!

Emika é colocada em um time profissional de Warcross, os Phoenix Riders, de modo que possa investigar de perto os jogadores (pois Hideo acredita que um deles é o hacker). A partir daí, mergulhamos com Emika no dia a dia com o time, nos treinamentos exaustivos, nos riscos do DarkWorld (uma espécie de Deep Web do mundo de Warcross) e, também, nos sentimentos avassaladores que surgem durante o processo. Eu shippei DEMAIS um certo casal desse livro. ❤

resenha warcross marie lu.png

Outro aspecto bacana do livro é a representatividade. Emika e Hideo são orientais, Asher (o capitão dos Phoenix Riders) é cadeirante, Hammie (a Ladra do  time) é latina e possivelmente negra e Roshan (o Escudo) tem ascendência indiana e é gay ou bissexual. Emika, ainda, é uma personagem que está saindo da adolescência e entrando na vida adulta – ou seja, com os hormônios em ebulição -, e demonstra sua sexualidade com muita segurança e desenvoltura, sem aquela limitação somente do amor romântico. Ainda sobre a protagonista, devo dizer que ela me conquistou totalmente. Ela é muito inteligente e também é bonita (ou seja, as coisas não precisam ser excludentes). Contudo, ela é bonita de um jeito diferente: como eu já disse, sua beleza não é a do padrão ocidental, e ela tem um estilo marcante graças ao cabelo multicolorido e ao braço tatuado. Mas, mais do que suas características físicas, me encantei pela personalidade de Emika: ela passou por inúmeras dificuldades na vida e sofreu grandes perdas pessoais, mas não se tornou alguém amargo, egoísta ou injusto por conta disso. Apesar da dificuldade em trabalhar em equipe, Emika é guiada pela sua coragem, discernindo o certo do errado – mesmo nos momentos mais difíceis. E, por fim, é especialista em um assunto predominantemente masculino, mostrando que mulheres são tão capazes quanto homens no universo da tecnologia e da programação. É um baita mulherão ou não é? ❤

Da metade pro final do livro, o ritmo da narrativa fica alucinante. Emika passa a compreender que os riscos que corre vão muito além do mundo virtual. Zero, o hacker misterioso por trás dos ataques, mostra que é uma ameaça palpável, e não apenas um avatar de um jogo online. Eu até tinha uma aposta para o desfecho e acertei 50% da minha teoria. Ainda assim, fiquei impactada. Quando eu menos esperava, Marie Lu conseguiu trazer à tona um dilema que não poderia ser mais atual, provocando reflexões sobre o papel da tecnologia nas nossas vidas e o quanto realmente somos livres ao utilizá-la do modo que utilizamos hoje. Tudo isso em meio a revelações bombásticas e muita ação, é claro.

Warcross foi uma leitura maravilhosa com diversos elementos que conquistam: a trama é envolvente, o universo é bem construído e os personagens têm um excelente desenvolvimento. Comecei Warcross com um leve desinteresse pelo universo sci-fi de Marie Lu e terminei a leitura implorando pelo segundo volume. Recomendo MUITO!

Título Original: Warcross: player, hunter, hacker, pawn
Série: Warcross
Autor: Marie Lu
Editora: Fantástica Rocco (selo da Editora Rocco)
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: A Fogueira – Krysten Ritter

Oi pessoal, tudo bem?

Preparados para mais uma resenha em parceria com a Editora Rocco? 😀 Hoje vim contar pra vocês o que achei de A Fogueira, o livro de estreia de Krysten Ritter (mais conhecida por interpretar a personagem Jessica Jones).

a fogueira krysten ritter.pngGaranta o seu!

Sinopse: Na trama, Abby Williams é uma advogada de 28 anos especializada em questões ambientais. Hoje uma mulher independente vivendo em Chicago, Abby teve uma adolescência problemática numa cidadezinha no estado de Indiana que até hoje ela luta para esquecer. Mas um caso de contaminação envolvendo uma grande empresa obriga Abby a voltar à pequena Barrens e confrontar seu próprio passado. Quanto mais sua equipe avança nas investigações sobre a Optimal Plastics, mais Abby se aproxima também da verdade sobre o misterioso desaparecimento de sua antiga melhor amiga anos atrás e de outros acontecimentos até então sem resposta.

A Fogueira tem um enredo bastante familiar a quem está acostumado a ler thrillers: uma jovem bem-sucedida precisa voltar à cidade natal (normalmente no interior) e se vê envolvida por mistérios do passado. A trama não é muito original e remete a várias outras obras do gênero, causando uma sensação de “já vi isso antes” durante a leitura. Porém, Krysten Ritter é capaz de unir esses elementos clichês em uma história envolvente com uma narração competente: a autora usa diversas alegorias e analogias interessantes, que deixam a escrita rica sem ser cansativa.

Outro aspecto positivo da leitura são os capítulos curtos, que conferem agilidade à história. O livro é narrado por Abby, a protagonista, e consequentemente tem muitos devaneios dela em relação ao passado (muitos deles extremamente “convenientes” à trama, como se viessem para preencher a lacuna necessária naquele instante. Isso me desagradou um pouco). Entretanto, apesar de Abby ficar refletindo bastante sobre o que aconteceu, a personagem não é irritante ou enfadonha, e seus pensamentos não entediam o leitor. Além disso, o final foi muito satisfatório! Em determinado ponto, eu já pensava que não aconteceria nada muito “uau” na trama, e Krysten Ritter me surpreendeu com o desenrolar dos fatos na reta final. Surge uma situação aflitiva e uma resolução pra trama que fecha muito bem o enredo, concluindo não só a história do livro, mas também o passado de Abby. Por fim, vale elogiar a edição em si, que tem páginas amareladas e fonte confortável, com poucos erros de revisão ao longo do livro.

resenha a fogueira krysten ritter

Agora, preciso falar sobre os aspectos negativos da obra. Em primeiro lugar, fiquei meio ??? com as atitudes da Abby assim que chega em Barrens. Ela vai até o local para resolver uma questão profissional (investigar a maior empresa da região, a Optimal Plastics, e seu envolvimento com a possível poluição da represa local); entretanto, a personagem passa mais tempo beijando as duas primeiras bocas do passado (aka ex-colegas de escola) que vê pela frente: Condor, um cara fortão e bonito que trabalha em uma loja de bebidas, e Brent, um executivo importante da Optimal, por quem Abby foi apaixonada na adolescência. A advogada me pareceu meio imatura demais com essa atitude, que desviou muito a atenção dela em relação ao caso.

Outro aspecto decepcionante diz mais respeito à trama em si. A trama da poluição se resolve rapidamente, e o livro dá uma guinada em uma direção que não tem nada a ver com esse problema em si. Foi isso que me deu a sensação de que a autora tentou juntar elementos demais em um livro tão curto. Ela poderia ter focado em um plot só, desenvolvendo-o melhor, mas acabou falando em poluição de água, o tal Jogo, o mistério de Kaycee, entre outras coisas. Achei too much. Falando em Kaycee, infelizmente não consegui comprar toda a consternação sentida por Abby em relação à antiga amiga desaparecida; por mais que as duas tenham sido muito próximas quando crianças, o adoecimento e posterior “fuga” de Kaycee me parecem situações quase triviais pra perturbar tanto assim a protagonista.

Como tenho experiência lendo thrillers (já que sou apaixonada pelo gênero), não vi nada de muito novo em A Fogueira. Entretanto, percebi o incrível potencial de Krysten Ritter para criar uma história envolvente e bem escrita, que conseguiu me manter entretida mesmo nos pontos da trama que não me agradavam tanto assim. A autora tem potencial, isso é inegável. Eu diria que A Fogueira é uma ótima obra pra quem quer dar o pontapé inicial na leitura de thrillers: é de rápida leitura, tem narração objetiva e uma conclusão satisfatória. Se você está procurando uma obra para começar a se aventurar nesse gênero literário, A Fogueira é uma ótima pedida. 😉

Título Original: Bonfire
Autor: Krysten Ritter
Editora: Fábrica231 (selo da Editora Rocco)
Número de páginas: 288
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Clube da Luta Feminista – Jessica Bennett

Oi galera, tudo certo?

A resenha de hoje trata-se do primeiro livro recebido em parceria com a Editora Rocco: Clube da Luta Feminista, da jornalista Jessica Bennett! 💪

clube da luta feministaGaranta o seu!

Sinopse: Contratada para assumir a recém-criada editoria de gênero do The New York Times, a jornalista Jessica Benett constrói um guia incisivo e irônico de como sobreviver ao sexismo no ambiente de trabalho em Clube da Luta Feminista. Mesclando experiências pessoais e de outras mulheres e conselhos nada politicamente corretos com pesquisas e estatísticas sérias, Bennett oferece dicas valiosas e bem-humoradas para a mulher enfrentar o machismo na sociedade atual e combater o terreno minado e muitas vezes sutil do preconceito no ambiente corporativo. Com projeto gráfico moderno, repleto de ilustrações e esquemas divertidos, o livro fala tanto dos desafios externos enfrentados pelas mulheres cotidianamente, quanto dos comportamentos arraigados e autossabotadores delas próprias no dia a dia do escritório, sempre num tom informal e sarcástico.

Mesmo não sendo uma grande fã de obras de não-ficção, quando vi a temática desse livro não hesitei em solicitá-lo à editora. E que acerto foi ter tomado essa decisão, viu? Jessica Bennett, com uma acidez deliciosa e um bom humor envolvente, começa seu livro explicando a origem do Clube da Luta Feminista (o CLF). Mulheres entre 20 e 40 anos reuniam-se em um apartamento para reclamar sobre as frustrações profissionais e, juntas, perceberam que suas vivências eram muito similares: era um cara que roubava suas ideias, uma promoção dada a um colega homem, uma piadinha machista no ambiente de trabalho. A partir disso, a autora nos leva a refletir sobre como o machismo institucionalizado é sutil nos dias de hoje. Se antes essas atitudes eram escancaradas, agora a dificuldade está em reconhecê-las, pois elas fazem com que nós, mulheres, questionemos: “será que isso aconteceu? Será que exagerei?”.

Com essa reflexão, Jessica Bennett nos apresenta aos diversos tipos de inimigos no ambiente de trabalho. Temos o Mansplainer (o cara que acha necessário explicar tudo à mulher de modo condescendente e pedante); o Bropropriator (o colega que toma para si uma ideia de uma mulher); o Fiscal da Menstruação (aquele inconveniente que atribui qualquer stress ou fala agressiva da mulher – que muitas vezes pode ser oriunda de incompetência de colegas no ambiente de trabalho – à TPM), entre muitos outros. Além de apresentá-los, a autora propõe diversas formas de combatermos e vencermos essas situações constrangedoras no dia a dia profissional.

resenha clube da luta feminista jessica bennett.png

Mas Jessica Bennett também aborda uma questão fundamental: como nós, mulheres, nos autossabotamos. Histórica e socialmente, as mulheres não foram incentivadas tanto quanto os homens a serem ambiciosas, confiantes e independentes. Consequentemente, é um desafio para nós nos impormos e garantirmos nosso espaço quando homens naturalmente sentem que sua autoridade é validada. Nessa segunda parte da obra, a autora reflete essa autossabotagem feminina, com dicas práticas e empoderadoras. Sério, se você é uma mulher inserida no mercado de trabalho, você vai se identificar com essas situações. Sabe quando você ri de nervoso por enxergar uma semelhança que não gostaria? Me senti dessa forma lendo algumas atitudes prejudiciais que não apenas eu, mas muitas profissionais mulheres acabam tomando. Por outro lado, foi extremamente confortador perceber que isso acontece com muitas de nós. O sentimento é de acolhimento e compreensão, o que é sempre muito bem-vindo. Aliás, um dos maiores ensinamentos do livro é: mulheres, unam-se. Cresçam e ajudem outras mulheres a crescerem com vocês. Sejam impulso para outras mulheres.

Com dicas práticas, exemplos reais, ilustrações divertidas e MUITOS dados (durante a leitura eu fiquei me questionando de onde a autora tirava suas informações, até que vi ao fim do livro as referências), Jessica Bennett aborda um tema extremamente atual de modo leve, irônico e envolvente. Ao expor as diversas formas de sexismo sutil que as mulheres enfrentam diariamente no ambiente corporativo, a jornalista nos mune não apenas de conhecimento para saber que sim, isso ocorre, e não, não estamos loucas, mas também de coragem para enfrentar essas situações. Além disso, a edição está extremamente caprichada, com excelente revisão, diagramação confortável e miolo da capa e da contracapa cor de rosa hahaha! ❤

Clube da Luta Feminista já se tornou uma das melhores leituras desse ano e eu recomendo fortemente, especialmente se você é mulher e já está inserida no mercado de trabalho. Mas homens, não se acanhem: o livro é excelente pra vocês nos compreenderem (e se unirem à nossa luta) também. 😉

Título Original: Feminist Fight Club: A Survival Manual for a Sexist Workplace
Autor: Jessica Bennett
Editora: Fábrica231 (selo da Editora Rocco)
Número de páginas: 336
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Livro cedido em parceria com a editora.
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Resenha: O Segredo do Meu Marido – Liane Moriarty

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de O Segredo do Meu Marido, de Liane Moriarty.

capa o segredo do meu marido.pngGaranta o seu!

Sinopse: Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta para ser aberta apenas depois que ele morresse. Imagine também que essa carta revela o pior e o mais profundo segredo dele – algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você esbarra nessa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo… Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar de sua pequena comunidade, uma esposa e mãe devotada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia – ou uma à outra –, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela. Emocionante, O segredo do meu marido é um livro que nos convida a refletir até onde conhecemos nossos companheiros – e, em última instância, a nós mesmos.

Eu ainda não tinha lido nada de Liane Moriarty, mas fiquei completamente apaixonada pela minissérie da HBO baseada em uma de suas obras, Big Little Lies. Por isso, estava ansiosa para conhecer seus livros também. Em O Segredo do Meu Marido, percebi semelhanças com a série, especialmente em relação às personagens. Consegui ver traços da Madeline em Cecilia Fitzpatrick e de Jane em Tess, por exemplo. Mas, além disso, também vi que Liane Moriarty sabe construir muito bem personagens femininas, suas diferenças, suas qualidades e defeitos e suas motivações pessoais. Isso fica nítido nas três, Cecilia, Tess e Rachel, as personagens que são conectadas pelo segredo do marido de Cecilia.

Cecilia é uma personagem que se vê diante de uma decisão praticamente impossível. A solidez de seu casamento e de sua vida fica completamente ameaçada quando ela descobre a carta que deveria ser aberta apenas quando John-Paul, seu marido, já tivesse morrido. O que ela descobre a desestabiliza e a faz questionar não apenas quem é seu companheiro, mas ela mesma, devido às atitudes que precisa tomar. Tess também enfrenta uma reviravolta ao descobrir que as duas pessoas que mais ama (o marido e a prima/melhor amiga) estão apaixonados. Em um esforço quase irracional de salvar sua família de um divórcio, ela vai embora de casa para que os dois vivam essa paixão, na esperança de que tudo volte ao normal depois disso. Por fim, temos Rachel, uma mulher que recebe a notícia de que seu filho vai se mudar para Nova York com a esposa e o filho, sendo a criança a única alegria na vida de Rachel, que teve a filha assassinada há mais de 20 anos.

o segredo do meu marido liane moriarty.png

Essas três mulheres, tão diferentes entre si, têm suas vidas conectadas de uma forma inesperada. Para elas, mas não para o leitor. Minha maior crítica em relação ao livro foi a obviedade do segredo de John-Paul, que já tinha ficado claro pra mim muito antes de sua revelação. Entretanto, não é o mistério que move a narrativa, mas sim as consequências do segredo. Liane Moriarty conta uma história que, apesar de ter momentos mais parados, nos faz querer saber o que vai acontecer com aquelas mulheres. E apesar de eu ter gostado de acompanhá-las, também senti que durante parte da narrativa a história andava em círculos, e isso me cansou um pouco.

Contudo, como eu disse antes e enfatizo novamente, a autora sabe como construir mulheres e suas diversas camadas, com qualidades e defeitos. Essa característica ficou evidenciada durante a leitura de O Segredo do Meu Marido. Cecilia, Tess e Rachel tem motivações próprias, atitudes humanas (e, muitas vezes, falhas) e não fazem o que o leitor acha que elas devem fazer, mas sim o que acreditam ser o melhor para si mesmas e para quem amam. Essa habilidade de Liane Moriarty de criar boas personagens femininas é algo que me agrada muito em sua escrita.

Se em determinado momento da trama de O Segredo do Meu Marido eu estava ficando levemente decepcionada, o epílogo chegou e mudou tudo. Arrebatador e, de certo modo, revoltante, ele me chocou e me fez questionar meus pensamentos e insatisfações ao longo da trama. A sensação é de que, assim como Pandora – na alegoria da autora –, era melhor não ter aberto a caixa e descoberto o que descobri. Leitura recomendada!

Título Original: The Husband’s Secret
Autor: Liane Moriarty
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 368
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Resenha: P. S.: Ainda Amo Você – Jenny Han

Oi, pessoal. Tudo certinho?

Hoje vim contar pra vocês minha opinião sobre P.S.: Ainda Amo Você, meu livro favorito da trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei. ❤

capa ps ainda amo voceGaranta o seu!

Sinopse: Lara Jean sempre teve uma vida amorosa muito movimentada, pelo menos na cabeça dela. Para cada garoto por quem se apaixonou e desapaixonou platonicamente, ela escreveu uma bela carta de despedida. Cartas muito dela, muito pessoais, que de repente e sem explicação foram parar nas mãos dos destinatários. Em “Para todos os garotos que já amei”, Lara Jean não fazia ideia de como sair dessa enrascada, muito menos sabia que o namoro de mentirinha com Peter Kavinsky, inventado apenas para fugir do total constrangimento, se transformaria em algo mais. Agora, em “P.S.: Ainda amo você”, Lara Jean tem que aprender como é estar em um relacionamento que, pela primeira vez, não é de faz de conta. E quando ela parece estar conseguindo, um garoto do passado cai de paraquedas bem no meio de tudo, e os sentimentos de Lara por ele também retornam. Uma história delicada e comovente que vai mostrar que se apaixonar é a parte fácil: emocionante mesmo é o que vem depois.

O livro se passa pouco tempo depois do final do primeiro volume, e Lara Jean está decidida a fazer as pazes com Peter, o que acaba acontecendo. Os dois então voltam a namorar e tudo parece perfeito, até que a protagonista sofre um grande impacto emocional: um vídeo dela e de Peter se beijando no ofurô cai na internet, insinuando para o mundo que os dois transaram naquela situação (o que não é verdade). Completamente desestabilizada, Lara Jean encontra conforto na promessa de Peter de que vai descobrir quem fez isso e tirar o vídeo do ar. Contudo, a garota não consegue tirar da cabeça de que a culpada é Genevieve, a ex-namorada dele.

Eu achei muito interessante que Jenny Han tenha trazido uma ideia que se aproxima do revenge porn nesse livro (ainda que não tenha acontecido nada sexual na ocasião). De forma sutil, a autora problematiza e discute a maneira como homens e mulheres são impactados de formas diferentes por essas situações: enquanto a reputação e o dia a dia de Peter mantiveram-se intactos, Lara Jean viu-se sendo julgada por colegas e até mesmo professores. Esse tipo de debate é extremamente importante, ainda mais quando levamos em consideração que é um livro voltado ao público mais jovem. Só por esse aspecto eu já considero que P.S.: Ainda Amo Você tem um grande mérito.

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Além disso, a trama tem alguns “mistérios” que ao mesmo tempo me instigaram e me revoltaram. Peter, que foi um sonho no primeiro livro, se comporta de um modo totalmente babaca nesse volume. Sem revelar o motivo à namorada, ele passa o livro inteiro apoiando e estando presente na vida de Genevieve, dando como desculpa o fato de ela “precisar dele”. Lara Jean, apesar de tentar ser paciente e compreensiva, obviamente se magoa nesse processo. E é aí que um quarto elemento entra em jogo: Jonh Ambrose McClaren, amigo de infância e um de seus antigos amores,. Ele entra em contato com Lara Jean após receber uma de suas cartas de amor enviadas por engano e os dois retomam a amizade. Entretanto, outros sentimentos acabam florescendo, e eu vou ser sincera com vocês: nesse volume, fui #TeamJohn. Eita garoto perfeito, viu? O Peter pisou TANTO na bola com a Lara Jean que, assim como a protagonista, acabei abrindo meu coração pra esse novo personagem se instalar. Sorry not sorry. ¯\_(ツ)_/¯

Apesar de eu não ser fã de triângulos amorosos, a maneira como Jenny Han construiu essa dinâmica foi muito natural e realista. Não houve drama desnecessário ou situações que fugissem da essência dos personagens, o que é extremamente positivo. Apesar da irritação que eu senti em relação à Peter, o livro prendeu tanto minha atenção que o li em um dia, louca pra saber quem Lara Jean escolheria e, também, quem foi responsável por vazar o vídeo do ofurô.

Os temas atuais e pertinentes, o carisma dos personagens e a maneira singela e real como a autora conduziu a história nesse volume fez de P. S.: Ainda Amo Você meu livro favorito da trilogia. É nítido como os personagens evoluíram e amadureceram, mas também é perceptível que a adolescência é um período cheio de desafios que eles ainda precisam vencer. Leitura mais do que recomendada, especialmente para os fãs da Lara Jean. ❤

Título Original: P.S. I Still Love You
Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei
Autor: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304
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Resenha: Pecados no Inverno – Lisa Kleypas

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje eu trago pra vocês a resenha do livro mais diferentão da série As Quatro Estações do Amor: Pecados no Inverno. 🙂

pecados no inverno lisa kleypas.pngGaranta o seu!

Sinopse: Do quarteto de amigas, Evangeline Jenner é certamente a mais tímida. E se tornará a mais rica quando receber a herança de seu pai, acamado com tuberculose. Mas Evie não se importa com o dinheiro. Tudo o que deseja é estar ao lado do pai em seus últimos dias. Porém isso só será possível se ela puder escapar da casa dos tios que a criaram. E, para isso, sua única alternativa é casar-se – e rápido. Assim, ela foge no meio da noite para a casa do devasso lorde St. Vincent e lhe propõe casamento em troca de poder cuidar do pai. Para um aristocrata que precisa de dinheiro, essa é uma excelente proposta. Afinal, é difícil conquistar uma moça rica e solteira quando se tem a reputação de Sebastian – trinta segundos a sós com ele arruinariam o bom nome de qualquer donzela. Mas há uma condição na proposta de Evie: uma vez consumado o casamento, eles nunca mais dormirão juntos. Ela não será mais uma mulher descartada por ele com o coração partido. Se Sebastian realmente a deseja em sua cama, terá que se esforçar mais em sua sedução… ou entregar seu coração pela primeira vez na vida.

Eu fiquei muito curiosa com esse título quando percebi, ao final de Era Uma Vez no Outono, que o casal protagonista seria Evie e ninguém mais, ninguém menos Lorde St. Vincent (sim, o vilão do livro anterior). Achava que Lisa Kleypas precisaria rebolar muito pra conseguir transformar um homem que sequestrou a noiva do melhor amigo em um mocinho confiável, por quem os leitores pudessem se apaixonar também. E, em partes, ela conseguiu essa façanha.

Evie procura Sebastian, o Lorde St. Vincent, unicamente por interesse. Ela deseja se casar com ele para escapar do controle que sua família exerce sobre ela e, com isso, voltar a visitar o pai (um rico dono de um clube de jogos que está à beira da morte). St. Vincent aceita de imediato, motivado por duas razões principais: 1) ele está quase falido e precisa de uma esposa rica e 2) fica encantando com as curvas voluptuosas de Evie. Contudo, com o passar do tempo, Sebastian não apenas assume o controle do salão de jogos após o falecimento do sogro como também se dá conta de que o afeto pela esposa cresce desenfreadamente. No caminho dos dois, há a família da jovem e um antigo funcionário do clube de jogos que pode ter mais coisas em comum com Evie do que ela imaginava…

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Uma das maiores qualidades de Pecados no Inverno é que ele é o volume que mais se afasta da fórmula da série. Aqui, o cenário não é Hampshire e a bela mansão de Westcliff, mas sim o clube de jogos do pai de Evie. Também não temos um outro homem lutando pelo coração da protagonista, já que ela se casa logo de início. O único outro rapaz charmoso (além de Sebastian, é claro) é Cam Rohan, que tem por Evie uma afeição fraternal. Eu jurava que ele seria o mocinho do volume seguinte, mas descobri que ele faz parte da série Os Hathaways. Enfim… Por outro lado, um dos pontos negativos (mas que, ainda assim, foge da fórmula pronta dos outros livros) é que As Flores Secas não têm uma participação tão expressiva em Pecados no Inverno, à exceção de Lillian (com quem Sebastian tem uma relação complicada devido ao sequestro).

A grande estrela desse livro é, sem dúvidas, o libertino St. Vincent. Ainda acho que Lisa Kleypas pegou pesado no fato do personagem ter pulado de sequestrador para marido exemplar mas, ainda assim, gostei muito de quem ele se tornou. O personagem não mudou completamente: ele segue malicioso, charmoso e galante, e o flerte segue sendo uma de suas características predominantes. Contudo, com o passar do tempo ele passa a enxergar as qualidades de Evie (sua determinação, sua resiliência e sua gentileza) e se permite se apaixonar. Infelizmente eu não consigo ser muito fã de Evie. Ela é uma personagem querida e muito doce mas, pra mim, é totalmente sem sal. 😦 Não consegui “comprar” toda a personalidade da protagonista que Lisa Kleypas tentou “vender”, sabem?

Pecados no Inverno merece o destaque por ser o livro mais singular da série As Quatro Estações do Amor, evitando as fórmulas prontas que Lisa Kleypas vinha utilizando e se mostrando mais ousado e com reviravoltas mais interessantes. Gostei muito mais dele do que de seus predecessores, ainda que Evie não seja uma protagonista tão carismática. E, apesar das ressalvas (e para a minha própria surpresa), Lisa Kleypas conseguiu rebolar o bastante pra tornar Sebastian um mocinho capaz de conquistar meu coração. 😉 Recomendo!

P.S.: tenho profunda agonia da capa desse livro. É a única que mostra o rosto da modelo, fugindo totalmente do padrão das outras capas! Apesar disso combinar com a vibe do livro, que também é diferente, acabou mais me incomodando mesmo. 😛 Prefiro padrões no que diz respeito a capas de séries literárias hahaha!

Título Original: The Devil in Winter
Série: As Quatro Estações do Amor
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288
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