Resenha: Gente Ansiosa – Fredrik Backman

Oi pessoal, tudo bem?

Cá estou para falar sobre minha última leitura favoritada, Gente Ansiosa, que em breve vai ganhar uma adaptação na Netflix. ❤ Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: A busca por um apartamento não costuma ser uma situação de vida ou morte, mas uma visita imobiliária toma tais dimensões quando um fracassado assaltante de banco invade o apartamento e faz de reféns um grupo de desconhecidos. O grupo inclui um casal recém-aposentado que procura sem parar, casas para reformar, evitando a verdade dolorosa de que não é possível reformar o casamento. Há um diretor de banco rico, ocupado demais para se preocupar com outras pessoas, e um casal que, prestes a ter o primeiro filho, não concorda sobre nada. Acrescenta-se uma mulher de 87 anos que já viveu demais para temer uma ameaça à mão armada, um corretor imobiliário assustado, mas ainda disposto a vender, e um homem misterioso que se trancou no único banheiro do apartamento, e assim completamos o pior grupo de reféns do mundo. Cada personagem carrega uma vida de reclamações, mágoas, segredos e paixões prestes a transbordar. Ninguém é exatamente o que parece. E todos — inclusive o ladrão — estão desesperados por algum tipo de resgate. Conforme as autoridades e a imprensa cercam o prédio, os aliados relutantes revelam verdades surpreendentes e desencadeiam eventos tão inusitados que nem eles próprios são capazes de explicar.

“A vida não devia ser assim.” Você já teve a sensação de que a sua vida tomou um rumo completamente errado e você nem teve tempo de reajustar a rota? Ou, de maneira ainda mais simples, já enfrentou um daqueles dias de cão em que você tem a certeza de ter levantado com o pé esquerdo da cama? Sob certo ponto de vista, é isso que acontece em Gente Ansiosa: um assaltante de banco tem a brilhante ideia de assaltar um banco que não trabalha com dinheiro físico. Na fuga, ele acaba se refugiando em um apartamento que estava aberto para visitação em plena véspera da véspera de Ano Novo, 30 de dezembro. O que era pra ser um assalto a banco rápido e indolor se transforma em um drama de reféns, já que 8 pessoas estão presentes no tal apartamento. A polícia está com poucos funcionários em serviço devido à proximidade do Réveillon, o assaltante de banco não queria machucar ninguém e as 8 pessoas não poderiam ser mais diversas – inclusive nas reações à situação. Esse é o cenário com que o autor, Fredrik Backman, nos apresenta a uma história cativante desde a primeira página.

Gente Ansiosa é um livro tragicômico, e isso fica nítido no estilo narrativo da obra. O autor usa de ironias muito bem colocadas e tem um senso de humor meio “autodepreciativo” que eu gostei muito. O livro intercala três tipos de narração: uma em que o narrador onisciente se afasta da situação dos reféns pra revelar fatos importantes sobre o passado de uma ponte, na qual 10 anos atrás um homem se suicidou (e isso é relevante); uma em que é a narração do que está ocorrendo dentro do apartamento durante o incidente ou entre os policiais responsáveis pelo caso (que, por sinal, são pai e filho); e uma terceira que são as transcrições dos depoimentos dos reféns após sua liberação por parte do assaltante (que é a parte mais chatinha, confesso). Ao navegar por esses momentos, Fredrik Backman nos conduz por uma história essencialmente simples, mas cheias de conexões entre os personagens que, pouco a pouco, ganham o coração do leitor.

E como falar de Gente Ansiosa sem mencionar as pessoas que inspiram esse título? O livro se passa em uma cidade no interior da Suécia, e o departamento de polícia está despreparado para um caso de sequestro, o que pede o envolvimento de autoridades de Estocolmo, a cidade grande da qual os “figurões” tomam as decisões – e que causa grande mal-estar entre os policiais que conduzem o caso. Acontece que Estocolmo também é uma referência à síndrome referente a vítimas que tentam se identificar ou até mesmo conquistar a simpatia de seus captores, e certamente essa decisão não foi por acaso: talvez eu, como leitora, também tenha sofrido dessa síndrome ao simpatizar imediatamente com o assaltante de banco. Esse personagem tem um background impossível de não provocar empatia, principalmente quando o autor nos fornece informações sobre a quantia que ele desejava do banco e também os motivos pelos quais ele fez o que fez.

Mas a ansiedade (de forma às vezes mais, às vezes menos literal) se manifesta de formas diferentes em cada personagem. Há um casal, por exemplo, cujo “hobby” de aposentados é comprar e reformar apartamentos para vender. Ele, Roger, lida com a falta de propósito da nova rotina. Ela, Anna-Lena, com o medo de não ter mais conexão com o marido e seu único vínculo ser esse hobby. Os dois ilustram muito bem aquele arrependimento de quando a vida passa e você não realizou tudo que queria/podia, e nesse caso a figura que experienciou isso foi Roger, que optou por ficar em casa cuidando dos filhos devido à decolagem da carreira da esposa. Quem nunca se perguntou se não estava vivendo seu máximo potencial, né? Ademais, é uma inversão de gênero muito legal também, que subverte a ideia de que a carreira da mulher deve ser pausada na hora de constituir família.

Outra personagem marcante, ainda que irritante, é Zara. Ela é diretora de um banco e, no passado, recusou um empréstimo para o homem que se jogou da ponte que mencionei antes. Ela é antipática e desagradável mas, ao mesmo tempo, o autor também consegue trazer sua angústia para as páginas, amenizando um pouco o efeito negativo da sua personalidade. Zara também tem alguns dos melhores diálogos, e sua acidez rende frases bem engraçadas. Encontramos representatividade LGBTQIA+ no casal lésbico formado por Julia e Ro, que estão esperando um bebê. Julia é ainda mais irritante do que Zara e só sabe reclamar de Ro, não sendo uma personagem da qual eu tenha gostado. E é claro que vale uma menção honrosa a Estelle, uma senhora que perdeu o marido e foi à visitação do apartamento na tentativa de não se sentir tão sozinha na época do final de ano (revelando-se excelente em acabar com uma garrafa de vinho rs).

Os policiais responsáveis pelo caso, Jack e Jim, não ficam pra trás, tendo seus próprios dramas desenvolvidos. Os motivos pelos quais Jack virou policial são bem comoventes, e é nítido que ele passa a vida tentando fazer o melhor possível para salvar quem está ao seu redor – ainda que isso não dependa dele. Jim, como todo pai deveria fazer, se preocupa com o sofrimento do filho e que sua vida fique paralisada por essa pressão que ele coloca em si mesmo. Os dois brigam em diversos momentos do livro por serem obrigados a trabalhar juntos em um caso complexo, e nesses momentos o leitor percebe os sentimentos não ditos entre os dois.

Ao longo das páginas, o leitor vai se deparando com os pequenos tiques de cada personagem que denunciam sua ansiedade (um tensiona os dedos dos pés, outro esfrega a ponta dos dedos), e aos poucos as preocupações de cada um deles vêm chegando à superfície. Por mais que existam assuntos pesados como a depressão e o suicídio, Gente Ansiosa lida com eles com muita leveza, mas sem deixar de lado a importância de cuidar da saúde mental. Os medos dos personagens são relacionáveis e, ainda que não na mesma medida, muitos de nós provavelmente vão se identificar com eles – porque são medos humanos. Medos de não ser bom o suficiente pra determinada função, remorso por uma culpa do passado, pressão para dar conta de todas as responsabilidades da vida adulta, solidão de enfrentar o mundo sozinho. Gente Ansiosa é sobre isso. E também sobre empatia, sobre a criação de laços e sobre amizades surgindo dos lugares mais inesperados.

Acho que ficou claro que amei Gente Ansiosa, né? Pra mim, é um daqueles livros que a gente lê querendo marcar todas as quotes possíveis, porque elas dialogam diretamente com o nosso coração. Me apaixonei pelos personagens e por tudo que eles viveram juntos, e não vejo a hora de conferir outros livros de Fredrik Backman. Recomendo muito e espero que vocês sejam envolvidos por esse livro que, segundo o próprio autor, é um livro sobre idiotas. E eu amei o tempo que passei com cada um desses idiotas.

Título original: Anxious People
Autor:
Fredrik Backman
Editora: Rocco
Número de páginas: 368
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Dormir em um Mar de Estrelas – Christopher Paolini

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje chegou a vez de conversar sobre o calhamaço que conquistou o título de maior livro que eu já li: Dormir em um Mar de Estrelas, do Christopher Paolini (autor de Eragon). Essa resenha vai ser mais longa que de costume, mas é um livro de mais de 800 páginas, então peço que vocês relevem e tenham paciência comigo, tá? 🙈

Garanta o seu!

Sinopse: Durante uma missão de pesquisa de rotina, Kira encontra uma relíquia alienígena. A princípio, ela fica maravilhada com a descoberta, mas logo esse sentimento se transforma em terror. Depois de cair em uma câmara no meio de um planeta desconhecido, a poeira ao seu redor começa a se mexer. Kira é lançada em uma odisseia de descobertas e transformações que atravessa a galáxia ao mesmo tempo em que uma guerra eclode em meio às estrelas. O primeiro contato com seres alienígenas não é como ela imaginava, e uma série de acontecimentos a levam até seu limite humano. A Terra e suas colônias estão à beira da aniquilação, e Kira, mesmo tendo que encarar seus próprios medos, se torna a última esperança da humanidade.

O ano é 2257 e a humanidade expandiu suas fronteiras para além da Terra. No espaço, há diversas colônias e profissionais especialistas em fazer missões em novos planetas para verificar a viabilidade de a humanidade se instalar ali ou somente minerar materiais necessários. Uma dessas profissionais é Kira Navárez, uma experiente xenobióloga apaixonada pelo que faz e por descobrir novos mundos e formas de vida. Entretanto, em uma missão de rotina, ela entra em contato com um artefato alienígena: uma espécie de traje simbiótico que se liga ao seu corpo e tem atitude própria, o que infelizmente leva à morte de toda a equipe de Kira (incluindo Alan, seu noivo). A partir desse momento, Kira é levada para uma nave do CMU (Comando Militar Unido, responsável pela segurança de todos os planetas da Liga dos Mundos Aliados) para ser examinada e seu corpo é exposto a vários níveis de stress e testes invasivos. Vocês acham que desgraça pouca é bobagem? Essa nave é atacada por outros alienígenas, que também estão em busca do traje. Kira, porém, consegue explodir a nave e escapar em uma pequena nave de fuga, sendo resgatada por aqueles que serão seus novos companheiros de viagem: a tripulação da Wallfish, liderada pelo capitão Falconi.

Isso é só o inicinho da história, e já deu pra sentir que Dormir em um Mar de Estrelas é tiro, porrada e bomba, né? Do instante em que entra em contato com o xeno, a coitada da Kira não tem um minuto de paz. Não somente ela perde autonomia sobre seu corpo, já que existe um novo ser perigoso em simbiose com ela, como também vira alvo de experimentos e desconfianças. Mas, com a tripulação da Wallfish, ela aos poucos vai encontrando seu lugar. Graças ao traje, Kira consegue ter visões de “vidas anteriores” que o xeno experimentou ao estar ligado a outros corpos – e um desses corpos é justamente a espécie alienígena que atacou a nave na qual Kira se encontrava. Por meio das lembranças do traje (que descobrimos se chamar Lâmina Macia), a protagonista vira uma peça-chave para evitar que a humanidade seja extinta e que tenha alguma chance em uma guerra interestelar iminente.

De início, vou dizer que achei o ritmo de Dormir em um Mar de Estrelas bem cansativo. Paolini descreve bastaaante, e demora pra que a ação aconteça (ainda que, quando aconteça, seja bem explosiva). Mas quando a Kira é resgatada pelo pessoal da Wallfish, o livro fica mais legal. Os membros da tripulação são muito carismáticos, cada um a sua maneira: Falconi é o clichê do “macho alfa”/cara durão, mas é muito leal e justo; Sparrow e Hua-Jung são um casal lésbico (e esse relacionamento é tratado com muita naturalidade, o que é sempre bem-vindo!) muito foda, sendo a primeira uma ex-soldado e a segunda a chefe de engenharia; Nielsen é a segunda em comando, muito inteligente e sensata; Vishal é o médico da nave, gentil e atencioso; Trig é um garoto empolgado com a vida e com as novidades que Kira trouxe; e Gregorovich é o Cérebro da Nave, um ser humano que abriu mão do corpo para expandir sua capacidade cerebral. Ah, e como deixar de mencionar o Runcible e o Sr. Fofuchinho, os pets da Wallfish? ❤

Kira é uma protagonista muito corajosa. Ela não é uma guerreira, mas uma cientista, e se vê em uma situação em que precisa lutar, se defender e proteger as pessoas com quem criou um novo vínculo. Tudo isso enquanto precisa superar o luto por (indiretamente) ter causado a morte de seus antigos companheiros e grande amor. Admiro muito as decisões difíceis que ela tomou, pois seria muito compreensível caso ela paralisasse pelo medo. E não me entendam mal: ela sente medo, e muito. Isso deixa seus sentimentos bem mais críveis e demonstra o tamanho de seu mérito. 

Uma coisa importante de pontuar é que o livro é cheio de termos específicos e desconhecidos de seu universo. No fim dele, há um glossário que explica a maioria deles, mas optei por utilizá-lo pouquíssimas vezes. Além desse vai e vem deixar a leitura truncada pra mim, também achei interessante tentar viver a experiência de me sentir tão perdida quanto Kira no que dizia respeito às informações sobre os alienígenas. Essa inclusive foi uma sensação que eu já havia experimentado com Laranja Mecânica, cuja linguagem própria faz o leitor se sentir um outsider do universo jovem e ultraviolento de Alex. 

O autor foca em tornar tudo tão crível e realista do ponto de vista astrofísico que, pra mim, se tornou abstrato imaginar as cenas e lugares, o que atrapalhou minha imersão. Entre algo mega técnico/específico e fluidez narrativa, eu prefiro a fluidez. Algumas passagens que focavam muito em explicações físicas e tecnicidades das naves espaciais e dos processos eu só lia por cima, porque realmente não são temas que me interessam e nem faziam tanta diferença assim pra história. E é nesse ponto que mora o maior problema que tive com o livro: a falta de objetividade tornou muito difícil pra mim mergulhar de cabeça na trama. Mesmo que a história estivesse em momentos legais, a trama de Paolini se arrastou demais, então levei mais de 3 meses pra concluir a leitura. 

Dormir em um Mar de Estrelas é um épico de ficção científica que tem tudo pra conquistar os amantes desse estilo literário. Você vê a profundidade dos estudos do autor pra fazer uma história coerente e verossímil, e isso é um prato cheio pros amantes de boas histórias espaciais. A mitologia criada por ele é muito bacana e, apesar da história de Kira ter sido iniciada e encerrada aqui, o universo do autor tem muito a se expandir. Não dei 5 estrelas pra leitura porque acredito que um bom pedaço do livro poderia ser “cortado” em nome da agilidade narrativa, mas reconheço que isso é uma questão de gosto pessoal e que pode não interferir na experiência de vocês com essa leitura. Espero que gostem da dica e mergulhem de cabeça nessa viagem espacial. 😉

P.S.: vi vários comentários de pessoas que não curtiram o final, cujo gostinho é meio agridoce. Mas, pra mim, ele fez todo sentido com a trajetória de Kira. Gostei muito!

Título original: To Sleep in a Sea of Stars
Autor:
Christopher Paolini
Editora: Rocco
Número de páginas: 832
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Mostre Seu Trabalho! – Austin Kleon

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de ter adorado Siga em Frente, fiquei com vontade de conferir as outras obras de Austin Kleon. E, já que comecei pelo caminho inverso de leitura, a resenha de hoje é sobre o “livro do meio”, Mostre Seu Trabalho!.

Garanta o seu!

Sinopse: Depois de Roube como um artista, o escritor e artista gráfico Austin Kleon ensina ao leitor como compartilhar sua criatividade e tornar seu trabalho conhecido na era digital. Dividido em 10 capítulos com regras transformadoras e objetivas, citações, exemplos práticos e ilustrações bem-humoradas, Mostre seu trabalho! derruba de vez o mito do “gênio solitário” ao propor atitudes que valorizam o compartilhamento de ideias durante o processo criativo sem medo de ser “roubado”. Para Kleon, a generosidade supera a genialidade no mundo atual, e a capacidade de estar acessível e de saber usar as redes sociais de maneira produtiva, de forma a criar interesse e curiosidade em torno de seus projetos, é mais efetiva para tornar seu trabalho conhecido e relevante do que o desgastado “networking”.

Pra quem não sabe, sou publicitária e trabalho liderando um time criativo, o que faz com que eu pense e reflita frequentemente sobre esse assunto. Além disso, eu mesma já escrevi dois contos e tenho a escrita como companheira desde a adolescência. Por fim, vale dizer que muitas vezes me pego pensando sobre meu papel como propulsora do hábito da leitura, tanto aqui quando no Instagram. Some todos esses elementos e acho que dá pra sacar porque os livros do Austin Kleon, que falam de forma direta, prática e descomplicada sobre o universo criativo me interessam tanto, né?

Pra mim, trabalhar com criatividade é constantemente se questionar sobre a qualidade desse trabalho. Ele é bom o bastante para que as pessoas se importem com ele? E, se não for, eu deveria mostrá-lo pro mundo mesmo assim? Sob o ponto de vista de Austin Kleon, a resposta é sim. Em Mostre Seu Trabalho!, o autor desmistifica aquela ideia de que a criatividade é algo inerente a pessoas geniais, além de tirar o peso de que cada criação seja uma obra-prima. Muitas das coisas que faremos não serão boas, e tá tudo bem. Para Kleon, é muito mais produtivo a gente parar de tentar ser excepcional e focar na construção diária, tijolinho por tijolinho, do nosso trabalho e da nossa criatividade – e não de uma forma isolada, mas dividindo isso com o mundo, inspirando e sendo inspirado(a).

Enquanto Siga em Frente trabalha muito mais a questão da busca pelo propósito e da aceitação de que não somos criativos o tempo todo, Mostre Seu Trabalho! tem esse papel de incentivar os criativos a serem mais vulneráveis, generosos e se exporem mais. Com isso, Austin Kleon provoca o questionamento: quantos projetos já não deixamos de “parir” por receio do que os outros podem pensar?

Vou dividir uma fragilidade recente minha pra servir de exemplo: faz alguns meses que eu lembrei de um dos contos que mencionei no início do post. Ele foi selecionado para uma antologia em 2015, mas na época eu não tinha orçamento pra bancar a publicação. Quando lembrei dele, eu li e gostei bastante do que encontrei nas páginas, o que me fez pensar em publicá-lo de forma independente – ideia apoiada por diversos amigos, inclusive. Mesmo recebendo elogios de quem foi leitor beta, me perguntem se o conto está publicado. Não, porque procrastino cada detalhe em busca de uma perfeição 1) desnecessária e 2) incapaz de ser atingida. Percebem como a autossabotagem nos impede de colocar nosso trabalho no mundo e, consequentemente, aprender com ele?

Eu gostei muito de Mostre Seu Trabalho!, ainda que as dicas de Austin Kleon não tenham ressoado em mim tanto quanto aquelas trazidas em Siga em Frente (que segue como meu favorito). Acredito que tenha a ver com meu mood pessoal e profissional no momento da leitura de cada um dos livros, mas ainda assim me senti encorajada em diversas passagens de Mostre Seu Trabalho!. Ser lembrada de que o processo criativo não é pautado em genialidade, destinado a poucos escolhidos, me tirou um baita peso dos ombros, assim como a leveza de aceitar que nem todo trabalho precisa ser incrível – e tá tudo bem. Espero que essas lições tirem um peso de você também. 😀

Título original: Show Your Work! 10 Ways To Share Your Creativity And Get Discovered
Autor:
 Austin Kleon
Editora: Rocco
Número de páginas: 224
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: A Morte da Sra. Westaway – Ruth Ware

Oi pessoal, tudo bem?

Eu vivo comentando por aqui o quanto sou apaixonada por thrillers e romances policiais, então tenho gostado bastante de conferir os suspenses da Ruth Ware. Recentemente li seu último livro lançado no Brasil, A Morte da Sra. Westaway, e hoje vim dividir a experiência com vocês.

Garanta o seu!

Sinopse: Hal Westaway lê cartas de tarô no cais de Brighton e, desde a morte da mãe, luta diariamente para pagar suas contas e sobreviver. Quando ela recebe uma carta inesperada anunciando que ela herdou uma soma substancial de sua avó da Cornualha, aquilo lhe parece uma resposta às suas preces. Ela deve dinheiro a um agiota e as ameaças do sujeito estão cada vez mais agressivas: ela precisa botar a mão em dinheiro vivo o mais breve possível. Existe apenas um problema: as avós de Hal morreram há mais de vinte anos. A carta foi enviada à pessoa errada. Hal sabe, no entanto, que as técnicas que usa para “ler” as pessoas através do tarô podem ajudá-la a conseguir esse dinheiro. Se alguém tem habilidade para comparecer ao funeral de um estranho e reivindicar um espólio que não lhe pertence, é ela. Ao chegar à cerimônia, porém, Hal percebe que há algo muito, muito errado a respeito de toda aquela situação, e a herança está no centro de tudo. Mas Hal Westaway fez sua escolha, e não pode voltar atrás. Ela precisa continuar ou arriscar perder tudo. Até mesmo a própria vida.

Hal é uma jovem em apuros. Após perder a mãe em um atropelamento, a garota assumiu o quiosque que as sustentava, herdando seu ofício e fazendo leituras de tarô. Porém, graças a dificuldades financeiras, Hal fez um empréstimo com um agiota, que além de cobrar juros cada vez mais exorbitantes agora também ameaça sua vida. Quando a garota recebe uma carta de um advogado explicando que sua avó faleceu e lhe deixou uma herança, Hal experimenta duas emoções conflitantes: a primeira delas é esperança, já que qualquer quantia seria uma salvação no momento; a segunda é perplexidade, porque sua avó já morreu há anos. Tomada pelo medo do agiota, Hal decide ir ao funeral para receber a herança, mesmo sabendo que terá que interpretar um papel complicado e cometer uma fraude. O que Hal não sabe, porém, é que a família que entrou em contato – que compartilha seu sobrenome, Westaway – tem muito mais segredos e conflitos do que ela esperava.

Eu sei que a atitude de Hal parece provocar antipatia à primeira vista, mas eu juro pra vocês: Ruth Ware constrói a protagonista de uma forma que nos provoque empatia. Hal não deseja passar a perna em ninguém por maldade ou por cobiça; o que ela espera é uma salvação para uma situação desesperadora da qual ela não sabe como sair. Isso não justifica a atitude, é claro, mas faz com que seja mais fácil “calçar seus sapatos”. Como o advogado cita seu nome e seu endereço na carta, Hal pensa que talvez exista alguma explicação que a conecte àquela família, principalmente porque ela não tem muitas informações sobre o passado da mãe, enquanto seu pai é alguém que ela nunca conheceu. Mas quando chega ao enterro da Sra. Westaway e conhece seus filhos (o tenso Harding, o cortês Abel e o sarcástico Ezra), Hal começa a se sentir ainda pior, porque se torna tangível a quem ela poderia prejudicar com a fraude.

Aos poucos, Ruth Ware vai revelando a animosidade entre os irmãos e os mistérios dos Westaway sobre os quais ninguém fala. O livro traz as sequelas de uma família em que o diálogo era raro, mas as punições eram abundantes. Somado a esse passado doloroso está o misterioso desaparecimento de Maud Westaway, irmã dos novos “tios” de Hal, que paira sobre todos eles como uma espécie de sombra ou tabu. Enquanto Hal se aprofunda na história daquelas pessoas, o leitor também vai conhecendo um outro personagem importante: a casa em que a história acontece, Trepassen House. Ela tem seus próprios segredos e foi palco de acontecimentos há muito esquecidos ou enterrados, e é tão importante quanto qualquer um dos Westaway.

resenha a morte da sra westaway

A história oscila entre o presente, com uma narração em terceira pessoa que acompanha Hal, e o passado, com os escritos do diário de sua mãe. Dessa forma, o leitor consegue ir desenhando mentalmente a figura dessa mulher tão importante na vida da protagonista, enquanto tenta encaixar as peças e entender como alguém pode ter mudado tanto – já que Hal conheceu uma versão muito mais cética e prática de sua mãe, diferente da adolescente sonhadora que o diário revela. Nesse sentido o tarô se torna um elemento muito importante: ele vai além do sustento de Hal, sendo também o elo que ela possui com sua mãe. A habilidade de leitura de cartas é útil não apenas como ofício, mas principalmente porque ajuda Hal a ler o comportamento humano. E é com essa sensibilidade que a personagem vai desvendando os segredos de Trepassen House, tornando mais crível o desenvolvimento da história.

Apesar do mistério se revelar gradualmente, o livro não é cansativo. Diferente do que acontece em O Jogo da Mentira (da mesma autora), que tem mais páginas do que o necessário, A Morte da Sra. Westaway é instigante e protagonizado por alguém que cativa. Hal é uma personagem com o coração no lugar certo e que, infelizmente, teve perdas e sofrimento demais sendo muito jovem. Para completar, mistério é bem construído e amarra as pistas soltas ao longo da trama. Apesar de eu ter desconfiado da pessoa certa de início, a autora conseguiu me confundir e levar minha atenção pra outra hipótese. É desse jeito que eu gosto de ser enganada! 😂

A Morte da Sra. Westaway foi uma ótima experiência, sendo capaz de me fazer torcer e me importar muito com a protagonista ao mesmo tempo em que me fez querer desvendar os segredos de uma família cheia de mágoas e assuntos mal resolvidos. Envolvente e bem amarrado, é uma excelente opção pra quem tá buscando um suspense bacana ou deseja conhecer a escrita da Ruth Ware – que ganhou minha atenção com A Mulher na Cabine 10. Recomendo! 🙌

Título Original: The Death of Mrs. Westaway
Autora:
Ruth Ware
Editora: Rocco
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Filhos de Virtude e Vingança – Tomi Adeyemi

Oi pessoal, tudo bem?

Filhos de Sangue e Osso, o primeiro livro da trilogia O Legado de Orïsha, foi um verdadeiro sucesso. Por isso, a ansiedade para conferir a continuação, Filhos de Virtude e Vingança, era alta. Hoje conto pra vocês o que achei. 😀

Garanta o seu!

Sinopse: No segundo volume da série, depois de enfrentar o impossível, Zélie e Amari conseguiram trazer a magia de volta para Orïsha. Entretanto, o ritual foi mais poderoso do que elas imaginaram e os poderes reapareceram não somente para os maji, mas também para todos que tinham ancestrais mágicos. Agora, Zélie se esforça para unir todos os maji em uma Orïsha onde o inimigo é tão poderoso quanto eles. Quando a realeza e os militares formam uma aliança perigosa, Zélie precisa lutar para garantir o direito de Amari ao trono e proteger os novos maji da ira da monarquia. Com uma guerra civil iminente, Zélie tem uma missão: encontrar uma forma de unir o reino ou assistir a Orïsha ruir.

O livro começa poucas semanas depois do fim do primeiro. Após o ritual que trouxe a magia de volta, descobrimos que algo no processo saiu errado e despertou magia também naqueles que tivessem ancestrais mágicos, criando assim os tîtán. Com isso, as tensões sociais ficam ainda mais desequilibradas: os maji conseguiram sua magia de volta, sim, mas agora precisam enfrentar a nobreza e o exército que os odeiam e que agora têm magia pra contra-atacar. É nesse contexto que o trio composto por Zélie, Amari e Tzain precisa agir, mas o espírito da protagonista está profundamente abalado. Desde a morte de seu pai, Zél acha que toda a sua jornada não valeu a pena e que só serviu para dar ainda mais poder aos opressores. A personagem está apática e mergulhada na dor, diferente da sua versão no primeiro livro que era impetuosa (e até imprudente). Para tornar a dinâmica ainda mais complicada, uma guerra civil ameaça estourar: um grupo de maji conhecido como Iyika (A Revolução) está disposto a atacar a monarquia com força total, indo contra o desejo de Amari de reivindicar o trono.

Começo essa resenha dizendo que início do livro foi MUITO confuso e truncado pra mim. Ele já mostra Amari tentando realizar comícios para convencer o povo a aceitá-la como rainha, ao mesmo tempo em que a narrativa simplesmente insere o novo conceito de tîtán do nada, como se já tivesse usado esse termo antes (o que volta a se repetir mais pra frente, quando a autora insere nomes de personagens como se já os conhecêssemos). Me obriguei a reler algumas páginas do início para ter certeza de que não, Tomi Adeyemi não tinha feito uma explicação prévia sobre aqueles novos conceitos, e eu meio que me forcei a simplesmente aceitá-los.

Os personagens também estão em lugares sombrios. Zélie está deprimida (e com razão) após perder seu Baba e ser traída por Inan. O que me incomodou nela, na verdade, não foi sua apatia. Foi a forma como sua relação com Amari retrocedeu: a protagonista deixa os Iyika tratarem sua amiga com muita rispidez e preconceito, o que pra mim é um gesto de deslealdade. Esperava que a personagem defendesse o caráter de Amari frente aos Iyika, e não é o que acontece. Em compensação, Zélie floresce ao conhecer três ceifadores que fazem parte do grupo rebelde, em especial seu novo braço direito, Mâzeli. Se responsabilizar por aqueles jovens e ensinar a eles tudo que sabe sobre o poder dado por Oya são duas motivações que a engrandecem como líder e como pessoa. Ainda na família Adebola, preciso dizer quão frustrante foi ver Tzain sendo esquecido no churrasco. O irmão de Zélie foi uma figura central no primeiro livro, ainda que não tenha tido espaço para se desenvolver. Eu torcia para que isso acontecesse nesse volume, mas infelizmente Tzain segue sendo preterido.

Agora vamos falar da monarquia? Os dilemas morais de Amari e Inan não me convenceram. Ambos ficavam argumentando para si mesmos coisas como “se eu fizer isso, serei uma pessoa horrível; mas se eu não fizer, não darei fim a este horror causado pela guerra”. Parecia que eles mudavam seus parâmetros morais o tempo todo, trazendo uma inconsistência irritante pros dois. Amari em especial me incomodou demais, não me lembrando em nada a menina cheia de atitude e justiça do primeiro livro, e sim uma garota mimada que coloca os outros em risco desnecessariamente. Esse vai e vem de decisões e dilemas deixou o livro bem mais cansativo do que precisava ser. Já Inan mete os pés pelas mãos mais de uma vez, em especial sob a influência de sua mãe, Nehanda. Nada de novo no front, né? O príncipe (agora rei) nunca foi consistente, então nem esperava isso dele – ainda que no final ele tenha surpreendido positivamente.

Existem outros personagens importantes, mas não quero entrar no detalhe sobre todos eles, com exceção de dois: Roën, o mercenário do primeiro livro, apareceu pouco, mas roubou a cena. Gostaria que ele tivesse tido uma participação mais constante, considerando seu carisma e sua relação com Zélie. Mama Agma novamente se torna uma presença importante, ainda que não apareça o tempo todo. Ela é decisiva para a condução da guerra e obriga Zélie a abrir mãos dos medos e laços do passado que a impedem de agir.

O que foi complicado pra mim ao ler Filhos de Virtude e Vingança é que o livro anda em círculos. Há diversos momentos que poderiam ter sido mais curtos, o que evitaria tantas inconsistências no comportamento e nos sentimentos dos personagens. A história não é ruim, ela tem bons momentos, mas não consegue atingir o mesmo patamar do livro que iniciou a trilogia. Apesar dos pesares, Tomi Adeyemi nos traz um final bombástico e chocante, e eu realmente não sei o que esperar do que vem por aí. Com todas essas ressalvas e ponderações, continuo gostando e indicando a trilogia O Legado de Orïsha, mas recomendo apenas que vocês não esperem de Filhos de Virtude e Vingança a mesma maestria narrativa vista no livro anterior.

Título Original: Children of Virtue and Vengeance
Série: O Legado de Orïsha
Autor:
 Tomi Adeyemi
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 432
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Fabulador: O Chamado de Morrigan Crow – Jessica Townsend

Oi pessoal, tudo bem?

A resenha de hoje é um combo entre manter o foco na minha meta literária de 2021 e matar a curiosidade sobre a continuação de Nevermoor, uma série que já me cativou. Fabulador é o segundo volume e desenvolve ainda mais a história da ex-azarada Morrigan Crow. Atenção: a resenha tem alguns spoilers do volume anterior!

Garanta o seu!

Sinopse: Morrigan Crow pode ter derrotado sua maldição mortal, superado os desafios perigosos e entrado para a Sociedade Fabulosa, mas sua jornada por Nevermoor e todos os seus segredos está apenas começando… Os cidadãos da mágica e secreta cidade de Nevermoor têm uma memória viva dos ataques orquestrados pelo único Fabulador que conhecem, Ezra Squall – e sem dar uma chance para Morrigan, agem como se ela fosse tão mortal quanto. Por isso, não é surpresa que, quando integrantes da Sociedade Fabulosa começam a sumir, Morrigan se torne a principal suspeita. Agora, Morrigan e seus amigos, os antigos e os novos, terão que provar sua inocência antes que ela seja expulsa da Sociedade, o único lugar que ela chama de casa, para sempre.

Após descobrir que é uma Fabuladora, compartilhando da mesma habilidade que o grande vilão Ezra Squall possui, Morrigan fica bastante insegura com o seu futuro em Nevermoor. A jovem conseguiu vencer os desafios e ser aceita na Sociedade Fabulosa, mas será que seus colegas de unidade também farão o mesmo por ela? Quando um bilhete que ameaça expor o segredo de Morrigan e da Unidade 919 para toda a Sociedade chega, seus membros passam a ser chantageados – e quase todos se ressentem de Morrigan por isso. Para tornar o ano da garota ainda mais difícil, seu patrono Jupiter North está em uma missão para encontrar membros desaparecidos da Soculosa, e Ezra Squall segue como uma presença que vigia cada passo da menina que ele deseja como aprendiz.

Nevermoor: Os Desafios de Morrigan Crow terminou de um jeito que tornou impossível não aguardar ansiosamente pela continuação. O desejo do vilão em ser professor de Morrigan, somado ao fato de que finalmente conheceremos a Sociedade Fabulosa pela perspectiva da protagonista, foram o gancho perfeito para a continuação. Fabulador flerta bastante com Harry Potter, mais do que o primeiro livro: há uma escola dividida por “casas” (aqui representadas pelas Artes Arcanas e as Artes Mundanas), há um vilão usando uma conexão secreta com a protagonista para plantar dúvidas em sua mente e há até mesmo uma traição. Mas, apesar de isso tornar Fabulador um pouquinho mais lugar-comum, não chega a tirar o brilho da obra. Jessica Townsend conseguiu manter o carisma de sua história e desenvolver mais elementos interessantes.

Jupiter, infelizmente, fica um pouco apagado nesse volume, perdendo aquele arzinho de Chapeleiro Maluco que eu achava bem charmoso nele. Morrigan, por outro lado, se torna uma protagonista da qual gosto mais. Ela tem mais atitude, mas não é egoísta; ela pensa no bem dos outros, mas também luta por si mesma; ela fica triste pela sua exclusão, mas tem empatia para compreender os dilemas de seus colegas. Hawthorne continua sendo o amigo mais leal possível, enquanto Cadence ganha um espaço bastante merecido no trio (mais uma semelhança com Harry Potter, invertendo o gênero dos personagens rs).

Além de aprofundar o cenário que envolve a Sociedade Fabulosa, Fabulador também nos leva a outros lugares em Nevermoor (como o interessantíssimo Museu dos Momentos Roubados). O plot do desaparecimento de membros da Soculosa é muito legal e coloca os jovens protagonistas em uma missão investigativa cheia de ação, o que torna a leitura ágil e envolvente. Além disso, ver Morrigan aprender pouco a pouco sobre o que significa ser uma Fabuladora e a controlar seus poderes é muito instigante.

Fabulador é uma ótima sequência para a série Nevermoor e não caiu na “maldição do segundo livro”. Apesar das semelhanças com outras séries infantojuvenis do gênero, gosto da proposta de Jessica Townsend e do universo construído por ela. Enxergo muito potencial na saga e mal posso esperar pra ver Morrigan aprendendo mais sobre seus poderes e convivendo com outras pessoas habilidosas. ❤ E se você curte esse estilo de livro, te digo que com certeza vale a pena adicionar a série à sua listinha de leituras!

Título original: Wundersmith: The Calling of Morrigan Crow
Série: Nevermoor
Autora: Jessica Townsend
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 368
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: O Ickabog – J. K. Rowling

Oi pessoal, tudo certo?

Assim como boa parte do fandom, eu também me decepcionei demais com a J. K. Rowling desde seus tweets transfóbicos. Inclusive não pretendia (nem pretendo, até o momento) adquirir seus livros novos, mas acabei recebendo como uma ação de divulgação da Editora Rocco um exemplar de O Ickabog. Decidi fazer um esforço de descolar um pouco a experiência de leitura da obra das coisas horríveis que ela disse, e felizmente esse esforço foi recompensado, porque eu me deparei com um ótimo livro (e devo admitir: mesmo zangada, continuo gostando de tudo que essa mulher escreve – exceto seus tweets, obviamente).

Garanta o seu!

Sinopse: Com a altura de dois cavalos, olhos que brilham como bolas de fogo, garras afiadas e compridas feito navalhas, o Ickabog está chegando. Um monstro mítico, um reino em perigo e uma aventura que irá testar a bravura de duas crianças. Descubra uma história brilhantemente original, divertida e irônica, sobre o poder da esperança e da amizade, de J.K. Rowling, autora de Harry Potter, uma das maiores contadoras de história de todos os tempos. O reino da Cornucópia já foi o mais feliz do mundo. Tinha muito ouro, um rei com os melhores bigodes que você poderia imaginar, e açougueiros, padeiros e queijeiros cujas comidas deliciosas faziam uma pessoa dançar de prazer. Tudo parecia perfeito, mas nos pântanos enevoados ao norte, segundo a lenda, vivia o monstruoso Ickabog. Qualquer pessoa sensata sabia que o Ickabog era apenas um mito para assustar as crianças e fazê-las se comportar. Mas quando esse mito ganha vida própria, lançando uma sombra sobre o reino, duas crianças – os melhores amigos Bert e Daisy – embarcam em uma grande aventura para desvendar a verdade, descobrir onde está o verdadeiro monstro e trazer a esperança e a felicidade de volta para Cornucópia. Em uma bela edição capa dura O Ickabog traz 34 ilustrações coloridas de crianças brasileiras de 7 a 12 anos de vários estados do Brasil, vencedoras do Concurso de Ilustração Ickabog.

O Ickabog é um livro que J. K. começou a escrever para os seus filhos quando eles eram pequenos, mas só concluiu durante a pandemia no ano passado. Cada capítulo foi sendo disponibilizado na internet e também rolou um concurso no qual crianças brasileiras foram escolhidas para ilustrar o livro. A edição física está fantástica, a Editora Rocco caprichou muito em cada detalhe: a capa é dura e alguns elementos têm um brilho dourado muito bonito, além das ilustrações nas páginas internas. 

A história começa com um típico “Era uma vez…”, que já nos transporta para o tempo tranquilo da infância. A autora conta a história do reino da Cornucópia, um lugar feliz, tranquilo e conhecido por sua excelente gastronomia e produção de vinho. O reino era governado pelo gentil (mas ingênuo e vaidoso) Rei Fred, cujos amigos mais próximos eram o vil Lorde Cuspêncio e Lorde Palermo, braço direito de Cuspêncio. Quando um aldeão pede ajuda ao rei para que salve seu cachorro desaparecido de um monstro conhecido como Ickabog (até então apenas uma lenda), uma série de eventos trágicos dá a Cuspêncio a desculpa perfeita para manipular o rei e fazer da Cornucópia apenas uma sombra do que era. E mudar esse destino é algo que está em mãos muito jovens: mais precisamente os amigos de infância Daisy e Bert.

Dá pra notar como a premissa já transmite o caráter lúdico da história, não é mesmo? A obra trata de assuntos pertinentes de uma forma fácil para que as crianças entendam, mas também capaz de fazer os adultos refletirem: há um governo que se isenta da responsabilidade (causando muita desigualdade e sofrimento), a corrupção destruindo a vida de milhares de pessoas, as graves consequências das “fake news” (ainda que ditas de outra forma) e também o preconceito contra aquilo que é desconhecido. E ao mesmo tempo em que fiquei impressionada com o quanto o livro dialoga com a realidade em que vivemos, também foi impossível não ficar me perguntando como uma autora que fala com tanta sensibilidade sobre esses assuntos pode corroborar na vida real com discursos que oprimem grupos já marginalizados. Tenho muita dificuldade de assimilar isso, sério. :/

Agora, falando sobre os protagonistas, Daisy e Bert são personagens cativantes. Ambos tiveram perdas familiares causadas pelas pessoas no poder e tiveram suas vidas radicalmente mudadas. Daisy em especial é uma personagem que causa muita afeição: mesmo com toda a crueldade que ela presenciou e mesmo com uma carga tão grande de dor ainda na infância, a menina se transformou numa jovem que cuida do próximo e que crê na bondade dos outros. Daisy é um ótimo exemplo para as crianças, tanto de coragem quanto de resiliência e de empatia.

Como pontos negativos eu traria somente dois aspectos: o livro ganha uma certa “barriga” lá pela metade que torna um pouco mais difícil prosseguir, especialmente porque há uma longa sequência de negatividade acontecendo; o segundo ponto é o final, que soou apressado em comparação a todo o tempo que a autora dedicou ao resto da narrativa – especialmente porque é no terço final que um personagem MUITO importante aparece, e ele merecia mais espaço.

O Ickabog foi uma leitura leve, divertida e que me transportou pras histórias que eu lia quando era pequena, ainda que com uma crítica social mais elaborada. É difícil não fazer paralelos com os (des)governos que ganharam força nos últimos anos e pensar que países como o nosso estão sendo jogados cada vez mais fundo na lama por irresponsabilidade e crueldade alheia. Mas, apesar de trazer a dor e o sofrimento da Cornucópia ao longo das páginas, O Ickabog termina como um livro infantil deve terminar: com a esperança de um “felizes para sempre”. E em tempos como esses, toda dose de esperança é bem-vinda. 🙂

Título original: The Ickabog
Autora:
J. K. Rowling
Editora: Rocco
Número de páginas: 288
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Sono: Mude Seu Modo de Dormir em 90 Minutos – Nick Littlehales

Oi pessoal, tudo bem?

Em função da pandemia, a parceria com as editoras foi um pouquinho diferente esse ano. No caso da Editora Rocco, o foco dos envios foi lançamentos e livros de ação promocional, o que me fez sair da zona de conforto em mais de uma oportunidade. Nem todas foram experiências bacanas, como por exemplo Você É Fodona!, mas Sono: Mude Seu Modo de Dormir em 90 Minutos, de Nick Littlehales, é um exemplo um pouco melhor. Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: Neste livro inovador, Nick Littlehales, coach do sono para algumas das principais estrelas do mundo do esporte, como Cristiano Ronaldo e David Beckham, expõe suas estratégias para que as utilizemos de forma ideal. Ele apresenta seu programa de recuperação do sono R90 sustentado por sete elementos que chama de Indicadores-Chave, ou os sete passos para melhorar a qualidade do descanso e da recuperação. Você vai descobrir como mapear seu próprio ciclo do sono, melhorar o ambiente em que dorme, identificando qual a temperatura ideal e o melhor colchão, e por que tirar um cochilo é realmente bom para você. A observação dessas condições, aliada a uma consequente mudança de hábitos, fará com que utilize o tempo que passa dormindo para obter o máximo de recuperação física e mental. Você sentirá uma melhora de ânimo e, em consequência, na sua capacidade de desempenho no trabalho, em casa, nas relações interpessoais, assim como conseguirá identificar o momento certo para se desligar (e também as luzes e o celular) e, desta forma, evitar o estresse, outras doenças e viver mais confiante e feliz.

Eu sempre tive problemas pra dormir, tanto para pegar no sono quanto com a leveza dele. Eu culpo, no geral, minha ansiedade. 😛 Mas ao ler Sono eu aprendi que existem outros fatores que interferem na qualidade do nosso descanso, e alguns deles são mais fáceis de controlar do que eu pensava.

Nick Littlehales ascendeu como coach do sono ao trabalhar para grandes clubes de futebol, como Real Madrid e Manchester United. Ao estudar o assunto e conseguir colocar suas orientações em prática com atletas de elite, o autor criou sua própria metodologia, o programa R90. O ambiente em que você dorme, o tamanho do colchão e sua rotina diária são alguns exemplos que estão contemplados nesse programa, e não faltam dicas práticas pra tentarmos adaptar em casa.

Apesar de o livro ter uma narrativa “bem de coach” (o que, vindo de mim, não é um elogio), eu aprendi várias informações interessantes sobre o sono. Uma delas diz respeito ao nosso ritmo circadiano, ou seja, a forma como nosso cérebro reage às mudanças de horário e de luz do sol ao longo de 24h. Entender o ritmo circadiano é entender também o porquê algumas medidas práticas são importantes pra nos levar ao repouso. Quer um exemplo? Usar luzes azuis ou brancas à noite é prejudicial porque atrapalha a síntese de melatonina pela glândula pineal; a melatonina é liberada à medida que escurece, portanto o cuidado com a luz ambiente é fundamental após determinado horário. Pra ser honesta, eu já sabia dessa informação antes de ler Sono, mas Nick Littlehales reforça a necessidade desse tipo de cuidado e é um exemplo fácil do tipo de conteúdo que o livro traz. 🙂

Outro ponto que eu gostei bastante diz respeito aos nossos cronótipos, ou seja, nosso modo de funcionamento natural. Existem pessoas matutinas (cronótipo M), vespertinas (cronótipo V) e intermediárias, que se adequam a ambas as faixas com mais facilidade. As pessoas M têm muito mais facilidade de serem produtivas pela manhã, enquanto as pessoas V são o posto. Sabendo qual é o nosso cronótipo (e o autor indica um teste de uma universidade que auxilia nisso) é possível remanejar as nossas tarefas diárias para os momentos em que estamos mais despertos e, portanto, mais alertas. Se você tem o cronótipo M, pode deixar aquele relatório importante para o período da manhã e atividades mais chatas e mecânicas, como organizar um arquivo, para o período da tarde, por exemplo.

Apesar de ter dicas relevantes e que fazem sentido, o livro cansa pelo já mencionado tom de coach, que considerei meio exagerado. Em determinado momento eu não aguentava mais ler as palavras “com o programa R90”, e fiquei incomodada com o quanto o texto parecia um publipost em forma de livro. Mas, relevando esse aspecto, dá pra tirar informações e dicas proveitosas – ainda que eu tenha sido uma cara de pau que pegava o celular depois de fechar o livro, mesmo sabendo que isso prejudica o sono. 😂

Sono: Mude Seu Modo de Dormir em 90 Minutos talvez não transforme totalmente a sua vida, mas é uma boa leitura pra quem quer entender mais sobre a importância da recuperação para o nosso cérebro e pra nossa saúde. Colocar o repouso adequado com o mesmo peso de “alimentação saudável” e “praticar exercícios regularmente” no discurso para uma vida mais saudável é algo que Nick Littlehales defende e que faz todo o sentido. Vale a pena olhar com mais carinho pra esse momento e fazer o possível pra dar ao nosso corpo o descanso que ele merece.

Título original: Sleep: Change the Way You Sleep with this 90 Minute Read
Autor:
Nick Littlehales
Editora: Rocco
Número de páginas: 192
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Renegados – Marissa Meyer

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de escrever a aclamada série sci-fi Crônicas Lunares e reimaginar a origem da Rainha de Copas em Sem Coração, Marissa Meyer agora se aventura pelo mundo dos super-heróis com Renegados, o primeiro livro de sua nova trilogia. Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: Os Renegados são um grupo de prodígios – humanos com habilidades extraordinárias – que emergiram das ruínas de uma sociedade colapsada. Foram eles que estabeleceram a paz onde, antes, o caos reinava. Eles continuaram sendo um símbolo de esperança e coragem para todos… exceto para os vilões que foram derrotados por eles. Nova, que faz parte do grupo dos Anarquistas, tem um motivo para odiar os Renegados, e está em uma missão em busca de vingança. Enquanto se aproxima de seu alvo, ela conhece Adrian, um garoto Renegado que acredita na justiça – e em Nova. Mas a lealdade de Nova está com os Anarquistas e há um vilão que tem o poder de acabar com os dois, e tudo em que acreditam.

The Boys encontra My Hero Academia e X-Men: esse é o meu resumo para Renegados. No passado, os prodígios (pessoas com poderes) eram perseguidos pela sociedade, até que Ace Anarquia iniciou uma revolução que deu início à Era da Anarquia. Com a sociedade em colapso, surgiram os super-heróis conhecidos como Renegados, que deram um fio à revolução de Ace e passaram a governar a sociedade. Nossos narradores estão de lados opostos dessa rivalidade: Nova é uma anarquista que nutre profundo rancor dos Renegados após seus pais terem morrido sem a proteção dos heróis; Adrian é filho adotivo de dois Renegados originais, que fazem parte hoje do Conselho que rege a cidade. O destino dos dois se cruza em definitivo quando Nova decide entrar para os Renegados como uma espiã dos anarquistas, e a química entre os dois fica impossível de negar.

Quem acompanha o blog e vê meus reviews empolgadíssimos a respeito dos filmes da Marvel sabe que adoro o universo de super-heróis. Mas, por algum motivo, a proposta de Marissa Meyer simplesmente não me arrebatou como achei que faria. Não me entendam mal: Renegados é um bom livro, mas não foi uma experiência memorável, sabem? Não sei se foi o clichê do romance entre rivais, se foram os inúmeros erros de revisão da edição (ou a mania da autora/da tradução de escrever “a revolução do Ace” em vez de “a revolução de Ace” HAHAHAHAHA implicância boba, mas que eu precisava comentar) ou se foi porque senti que a obra foi uma colcha de retalhos de outras histórias que consumi antes.

Mas não tive dificuldades com todos os aspectos do livro, e eu preciso ser justa com ele. As cenas de ação de Renegados são muuuito boas! É fácil de imaginar esse universo da Marissa Meyer ganhando vida em uma série ou filme, sabem? Os diversos poderes criados pela autora também tornam o livro instigante, porque queremos ver os personagens colocando suas habilidades em prática durante o confronto. A habilidade de Rabisco/Adrian é uma das mais interessantes: ele é capaz de dar vida aos seus desenhos. Isso permite que ele faça experimentos que o transformam no Sentinela, um alterego justiceiro que ele mantém em segredo. O plot do personagem também traz o mistério da morte de sua mãe biológica, que também era uma Renegada original, e essa dúvida que paira na mente do jovem também instiga o leitor a continuar.

Apesar de eu não ter sido a maior entusiasta do romance clichê entre rivais, novamente preciso fazer uma ressalva em nome da justiça: Marissa Meyer soube construí-lo de modo que nos faça torcer por Nova e Adrian. Os personagens são fofos juntos, eles fazem com que o outro questione as próprias verdades e repense os mitos e ideias pré-estabelecidas a respeito de suas origens. Isso é bem legal e eu torço para que essa relação se desenvolva ainda mais nos próximos volumes. 

Nova não é uma protagonista muito carismática. Eu entendo o rancor dela e o fato dela sentir que os Renegados falharam com os seus pais. Também entendo que ela não ache certo que os super-heróis governem a cidade, pois existe uma distribuição injusta de poder (que é um ponto importantíssimo no desenvolvimento da história). Mas eu não consegui comprar a vibe “badass amargurada” dela – pra mim ela é só cansativa mesmo. Porém, apesar dessa falta de conexão com a protagonista, eu gosto desse questionamento que ela levanta sobre o quão perigoso é deixar a condução da sociedade nas mãos de poucos poderosos. É nesse ponto que lembrei de The Boys, que justamente levanta esse ponto (de uma maneira bem mais pungente) ao evidenciar que nem todas as pessoas com poderes são boas pessoas, dispostas a fazer a coisa certa.

Renegados é um livro bacana e que entretém, mas não foi uma obra especialmente marcante. Senti a mesma coisa com Sem Coração, minha única outra experiência com a Marissa Meyer: foi legal, mas talvez em breve eu esqueça de você, sabem? Se você é fã da autora ou da temática de super-heróis, acho que há grandes chances de aproveitar a experiência. Se você não se enquadra em nenhum desses casos, recomendo só que tenha as expectativas sob controle pra curtir essa obra de entretenimento sem se frustrar. 😉

Título original: Renegades
Série: Renegados
Autora:
Marissa Meyer
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 512
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Siga Em Frente – Austin Kleon

Oi pessoal, tudo bem?

Siga Em Frente é o livro mais recente de Austin Kleon, que ficou famoso com Roube Como Um Artista, e hoje vim contar pra vocês como foi minha experiência com ele. 😉

siga em frente austin kleonGaranta o seu!

Sinopse: A vida criativa não é uma jornada linear em direção a uma linha de chegada, ela é como um loop – portanto, encontre uma rotina diária, já que hoje é o único dia que importa. Desconecte-se do mundo para conectar-se a si mesmo – e às vezes você só precisa mudar para o modo avião para que isso aconteça. SIGA EM FRENTE celebra as atividades ao ar livre e incentiva pequenas escapadas, nem que seja apenas para um passeio curto (como o diretor Ingmar Bergman disse à filha: “Os demônios odeiam ar fresco”). Preste atenção e, principalmente, preste atenção no que você presta atenção. Preocupe-se menos em terminar as coisas e preocupe-se mais com o valor do que você está fazendo. Foque menos em deixar sua marca nas coisas, trabalhe mais para deixar as coisas melhores do que estavam quando você as encontrou. SIGA EM FRENTE traz princípios éticos, atemporais e práticos para aqueles que tentam manter uma vida produtiva e significativa.

Apesar de não ter lido os livros anteriores do autor, fiquei bem animada por ter a chance de conferir Siga Em Frente. O livro é dividido em 10 capítulos com conselhos para quem está buscando motivação para viver uma vida mais criativa, e eu acho que estou num momento muito propício para refletir sobre assunto – tanto na minha vida profissional quanto aqui no blog.

Um dos pontos mais marcantes do livro é que ele nos relembra de que está tudo bem não ser criativo o tempo todo e que faz parte vezes perdermos o rumo. Com uma narrativa irreverente e dialogada, Siga Em Frente causa a sensação de que estamos debatendo sobre a vida com um amigo na mesa do bar ou tomando um café. E o tema dessa conversa é, em essência, focar no nosso propósito. Para isso, é de suma importância encontrarmos nossa “estação da bem-aventurança”, que o autor descreve como um espaço físico ou um período de tempo na rotina dedicado a nos conectarmos a nós mesmos. Temos falado muito sobre autocuidado em 2020 e acho que um bom exercício pra isso é buscar essa nossa estação da bem-aventurança: seja um tempinho produtivo quando você acorda ou um espaço da sua casa dedicado aos seus projetos e à sua rotina.

Outro conselho que dialogou diretamente com o que eu penso é o de tomarmos cuidado com métricas de vaidade. Austin Kleon nos convida a olhar com cuidado para os números por si só: eles não dizem se alguém amou tanto seu trabalho que indicou pros amigos, se ficou pensando nele, se mexeu internamente com suas emoções. E, já que estamos falando de sentimentos, ainda nesse assunto Austin Kleon problematiza a mercantilização das nossas paixões. No sistema capitalista em que vivemos é muito fácil querer monetizar nossos hobbies ou até mesmo elogiar alguém dizendo que o que essa pessoa faz é tão bom que poderia ser vendido. Mas nem tudo precisa ser a respeito de lucro – podemos produzir apenas pelo prazer de trazer algo ao mundo. A minha escolha de foto pra ilustrar esse post não é à toa: eu sempre amei desenhar e por muito tempo parei de fazê-lo porque achava que não era boa o bastante pra ser profissional. Aí 2020 chegou e me fez ver uma coisa: quem disse que preciso ser? Foi maravilhoso me reconectar a essa parte de mim que ficou tanto tempo adormecida. ❤

Siga Em Frente também é uma obra que encoraja a mudança. Eu sou uma pessoa que tem dificuldades de lidar com o imprevisto, mas me senti acolhida pela forma como o autor nos faz repensar esse medo do desconhecido. Austin Kleon nos incentiva a acolher essas possibilidades que o novo traz, pois o trabalho criativo reside nesse não-saber, reside na nossa adaptabilidade e também no fato de que não sabemos onde o processo vai nos levar. E, para lidar com essa incerteza, temos um recurso poderoso: a esperança.

Siga Em Frente é aquela leitura rápida, fácil e leve que proporciona momentos de reflexão e otimismo. Por mais que os conselhos possam parecer lugares-comuns, a maneira como Austin Kleon divide seus pensamentos com o leitor faz com que seja muito fácil se conectar ao que ele diz. É um livro que atende ao que se propõe e o qual recomendo pra todos que precisam de uma boa dose de incentivo pra viver uma vida mais criativa e fiel a seus próprios valores. =)

Título original: Keep Going: 10 Ways to Stay Creative in Good Times and Bad
Autor:
Austin Kleon
Editora: Rocco
Número de páginas: 224
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.