Resenha: A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes – Suzanne Collins

Oi pessoal, tudo bem?

Quando a gente tem a oportunidade de ler um livro novo de uma saga que amamos, as emoções ficam balançadas, né? Por isso que precisei de um tempo pra assentar minha opinião a respeito de A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes, o prequel de Jogos Vorazes.

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Sinopse: É a manhã do dia da colheita que iniciará a décima edição dos Jogos Vorazes. Na Capital, o jovem de dezoito anos Coriolanus Snow se prepara para sua oportunidade de glória como um mentor dos Jogos. A outrora importante casa Snow passa por tempos difíceis e o destino dela depende da pequena chance de Coriolanus ser capaz de encantar, enganar e manipular seus colegas estudantes para conseguir mentorar o tributo vencedor. A sorte não está a favor dele. A ele foi dada a tarefa humilhante de mentorar a garota tributo do Distrito 12, o pior dos piores. Os destinos dos dois estão agora interligados – toda escolha que Coriolanus fizer pode significar sucesso ou fracasso, triunfo ou ruína. Na arena, a batalha será mortal. Fora da arena, Coriolanus começa a se apegar a já condenada garota tributo… e deverá pesar a necessidade de seguir as regras e o desejo de sobreviver custe o que custar.

Como um país vai do mais profundo pesar e desespero pós-guerra para uma alienação total à base de pão e circo? É isso que A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes se propõe a explicar. Aqui, conhecemos uma versão muito diferente daquele que viria a se tornar o temido presidente de Panem: Coriolanus Snow é um jovem sagaz que vê nos Jogos Vorazes a oportunidade de reconquistar o prestígio e a riqueza dos quais outrora sua família desfrutara ao atuar como mentor. Seu ânimo sofre um baque quando ele é designado à Tributo do Distrito 12, o menos prestigioso de todos. Mas, ao perceber o talento da jovem Lucy Gray (que encanta a todos ao cantar na Colheita), Snow decide utilizar esse elemento a seu favor.

Existe um abismo entre a Capital que conhecemos em Jogos Vorazes versus a Capital apresentada na Cantiga. Os efeitos da guerra ainda são muito recentes, Panem está em processo de reconstrução e mesmo famílias de linhagens importantes ainda flertam com a fome, como é o caso dos Snow. Coriolanus vive com a avó orgulhosa e a prima, Tigris, que faz tudo ao seu alcance para proporcionar um pouco de alegria e dignidade para a família. A ligação dos primos é bastante forte, o que torna mais triste pensar no futuro de Tigris e na corrupção moral de Snow.

Os Jogos Vorazes também não se aproximam em nada da versão antes apresentada. Esqueçam dos bailes luxuosos, dos jantares abundantes e do tratamento especial dedicado aos tributos. Em A Cantiga, vemos um lado ainda pior dessa punição já tão cruel: os tributos são tratados feito lixo, sendo deixados para passar fome e presos em uma cela no zoológico até o momento de entrarem na Arena. Diferente de todo o pão e circo conhecido, na 10ª edição o desafio dos Idealizadores (e dos mentores, incluindo Snow) é justamente fazer com que a prática se torne uma atração capaz de envolver as pessoas. E eu diria que esse é o maior mérito do livro: com transformações sutis e ideias que surgem de forma tímida, o leitor consegue perceber quais foram as atitudes que serviram como faísca para a transformação dos Jogos. Ao mesmo tempo em que ficamos desconfortáveis com o tratamento ainda mais desumano do que aquele que conhecíamos, é também fascinante perceber os primeiros passos na direção do grande espetáculo em que a Capital transforma os Jogos Vorazes. Esse aspecto de A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes foi, sem dúvida, meu favorito: para mim, o livro é sobre isso, sobre a transformação dos Jogos, muito mais do que sobre o Snow.

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Falando em Snow, ressalto que os protagonistas definitivamente não me conquistaram. O livro consegue demonstrar com nem tanta sutileza assim que Coriolanus faz as coisas tendo interesses egoístas por trás. Ele não chega a ser um sociopata desalmado, mas mesmo achando os Jogos Vorazes difíceis de engolir, ele está mais preocupado com a recuperação financeira da sua família e sua própria ascensão. Em diversos momentos ao longo do livro seus pensamentos revelam a frieza com que ele lida com situações delicadas, o seu senso de superioridade e seu desprezo pelos costumes dos distritos e a maneira como ele mantém relações de acordo com que cada pessoa pode oferecer. Sua relação com Lucy Gray é confusa e, pra mim, não funciona (o final deixa isso ainda mais nítido, mas falo sobre isso mais pra frente). A personagem foi feita com a intenção de nos cativar, assim como cativou Coriolanus, mas ela é bastante linear e ganha pouco aprofundamento.

Os personagens secundários não têm carisma e brilho nenhum, e eu não fiz nenhuma questão de guardar seus nomes por saber que na trilogia original eles não causam impacto – com exceção de Tigris, que tem papel crucial em A Esperança, da Dra. Gaul, por ser a Chefe dos Idealizadores dos Jogos, e de Sejanus, que representa a voz da razão em meio ao massacre, nos lembrando de que o sofrimento dos distritos é muito maior do que o da Capital. O livro tem a intenção de narrar os traumas dos cidadãos da Capital em relação à guerra e mostrar o outro lado desse sofrimento; o problema é que não sabemos no detalhe os motivos dessa guerra, então um leitor mais desatento pode acabar sentindo uma empatia mal dimensionada pela Capital. Eu acho que tem muita gente inocente na Capital que sim, merece empatia, mas a gente não pode esquecer que uma vez que a guerra acabou a decisão deles foi de seguir com um massacre na forma de Jogos Vorazes. Pensando nisso, considero a narração em terceira pessoa uma escolha acertada da autora, pois nos afasta do risco de romantizar o ponto de vista do Snow e da Capital. Diferente da trilogia original, em que estamos dentro da cabeça da Katniss, aqui a gente tem acesso a uma visão externa que não mascara as falhas de caráter do personagem e nos ajuda a não esquecer do sofrimento dos distritos.

Assim como os outros livros da série, A Cantiga é dividido em três partes, e na terceira delas o livro tem uma “barriga” que torna a história bem arrastada. O dia a dia de Coriolanus no terço final da trama parece descolado de tudo que vimos até então, e sua dinâmica com Lucy Gray também não melhora. Existem cenas que só me pareceram servir como fanservice (envolvendo a palavra “katniss” e até a música da Árvore-Forca), e o final é abrupto, corrido e até meio sem sentido, de modo que fiquei “sério que isso tá acontecendo?”, tamanha minha descrença.

A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes é um livro bom, ainda que não seja espetacular, e ele não merece todo o hate que recebeu. Ele é competente em nos mostrar a transformação dos Jogos Vorazes e o papel da esperança em toda essa dinâmica da Capital e dos distritos – conceito este tão importante no futuro. Apesar de ser um livro mais longo do que o necessário e dividir um final tão frustrante quanto, achei melhor que A Esperança rs. Resumindo, vale a leitura, tendo em mente as ressalvas que mencionei. 😉

Título original: The Ballad of Songbirds and Snakes
Série: Jogos Vorazes
Autor: Suzanne Collins
Editora: Rocco
Número de páginas: 576
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Resenha: Modern Love – Daniel Jones

Oi galera, tudo certo?

Vocês sabiam que Modern Love, da Amazon Prime Video, é baseada numa coluna do New York Times? Esse ano foi publicado pela Editora Rocco o livro homônimo, que reúne não apenas as 8 histórias da série, mas inúmeras outras. Vamos conhecer? 😀

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Sinopse: Algumas das histórias de Modern Love não são nada convencionais, enquanto outras parecem bem familiares. Algumas revelam como a tecnologia mudou para sempre o namoro, outras exploram as lutas atemporais vividas por quem já procurou amor. Acima de tudo, todas constituem relatos honestos que mostram como os relacionamentos começam, como geralmente fracassam e, quando temos sorte, perduram. Organizado pelo editor Daniel Jones, este é o livro perfeito para quem é amado, está perdido ou sendo perseguido por um ex nas redes sociais, ou para aqueles que sempre desejaram um romance verdadeiro. Em outras palavras, uma leitura para qualquer pessoa interessada no funcionamento infinitamente complicado do coração humano.

Modern Love é dividido em 4 partes, focadas em diferentes formas de amor. Entretanto, é importante pontuar que desde a introdução do livro o leitor é avisado de que nem todas as histórias são bonitas e com finais felizes. Existem amores doloridos, amores que não deram certo, amores que mudaram, amores de diferentes tipos. Essa multiplicidade de maneiras de amar torna Modern Love um livro muito real e relacionável, sendo este o primeiro ponto positivo que faz a leitura valer a pena.

E a primeira parte do livro, “Em algum lugar lá fora”, já exemplifica o aviso da introdução: ela conta histórias de relações que não foram para frente ou, quando foram, não necessariamente tiveram seu “felizes para sempre”. As histórias narradas aqui evidenciam que grande parte dos amores não são aqueles vistos em novelas ou filmes, sendo feitos de diferentes formas de viver esse sentimento. Há uma carta que narra a idealização de um rapaz pela namorada (sua própria Maniac Pixie Dream Girl, nas palavras dele); há a reflexão de uma mulher que só quer viver os relacionamentos casuais, mas acaba sofrendo devido a promessas vazias feitas pelos homens com quem se relaciona; e há a minha história favorita dessa primeira parte, que é o material de inspiração para o último episódio da minissérie: “A corrida fica mais gostosa perto da última volta”. Esse capítulo é delicioso e emocionante, mostrando uma relação madura que, apesar de ter a morte como elemento fundamental, não se torna menos importante, feliz ou valiosa.

A segunda parte do livro, “Acho que amo você”, é mais romântica e conta histórias de inúmeros relacionamentos felizes (alguns à primeira vista, outros que sobreviveram aos percalços). Uma história que me surpreendeu bastante foi a de uma mãe que diz que nada supera seu amor pelo marido, nem mesmo os próprios filhos. A maternidade é muito romantizada na nossa sociedade, e eu costumo ser bem crítica disso; entretanto, me vi enfrentando minhas próprias ideias pré-concebidas inconscientes ao me ver surpresa com a narrativa de uma mulher que ama os filhos, mas cujo amor pelo marido é ainda maior. Gosto quando um livro me faz questionar as minhas crenças, e esse capítulo foi interessante por isso. Mas o capítulo que mais gostei foi “Você talvez queira se casar com o meu marido”, escrito por uma mulher com câncer em fase terminal que deseja que seu amado siga em frente após sua partida. Encarar a própria finitude não é uma tarefa fácil, principalmente quando tudo que você gostaria é de mais tempo com quem você ama. Ainda assim, a abnegação da autora em querer que o marido encontre alguém e ame novamente é comovente.

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O título da terceira parte, “Segurando firme nas curvas”, já nos dá uma pista do que vamos encontrar: narrativas cheias de desafios, momentos complicados a serem vencidos e a luta para erguer a cabeça e seguir em frente. Os capítulos aqui agrupados focam nas dores e nas adversidades dos diversos tipos de amores que, mesmo imperfeitos, valem a pena ser contados. É nessa parte que está uma das cartas que originou um dos melhores episódios da minissérie, protagonizado por Anne Hathaway: “Aceite-me como eu sou, não importa quem eu seja”. Apesar de menos intensa e emocionante que sua contraparte televisiva, ainda sim é relevante por falar de saúde mental. A história dos Beatles (“Agora eu preciso de um lugar para me esconder”), de uma mãe que perdeu a filha quando ela ainda era criança, foi dolorosa de ler. Mas a resiliência do ser humano é algo inspirador, e essa história traz essa característica com muita delicadeza. Por fim, a quarta parte, “Assuntos de família”, narra principalmente o amor familiar – romântico ou não. E, encerrando o livro, temos a história que dá início à adaptação televisiva, a respeito da amizade entre uma jovem e seu porteiro (eu amo essa história!).

Assim como ocorre na maioria das coletâneas, existem contos melhores do que outros em Modern Love, o que é esperado e natural. Alguns são meio enfadonhos, outros não provocam muita simpatia, mas em compensação existem inúmeros que renovam sua esperança no amor e na humanidade, bem como provocam muita gratidão pelas pessoas que nos cercam. Agora, falando especificamente sobre as 8 histórias que viraram episódios de TV, eu diria que a dramatização nos episódios conferiu um peso bem maior a elas. No livro, os relatos são mais breves e menos aprofundados, não causando a mesma comoção das contrapartes audiovisuais. Além disso, existem no livro histórias muito mais emocionantes do que as escolhidas para a série (eu realmente não gostei de uns 3 episódios, achei cansativos), e vejo um potencial enorme para uma segunda temporada focada em algumas delas.

Resumindo, Modern Love é uma leitura fácil, gostosa e cheia de emoções. O livro me fez sorrir e me fez chorar enquanto me conectava às histórias de vida de pessoas reais que, assim como eu e você, amam, sorriem, se magoam e seguem em frente dando o melhor de si. Vale a pena? Com toda a certeza. ❤

Título original: Modern Love
Autor:
Daniel Jones
Editora: Rocco
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Morte no Verão – Benjamin Black

Oi galera, tudo bem?

Hoje vim compartilhar com vocês minhas percepções a respeito de Morte no Verão, um livro policial de estilo noir.

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Sinopse: Em uma sufocante tarde de verão em Dublin, o magnata Richard Jewell – conhecido por seus inúmeros inimigos como Diamond Dick – é encontrado com a cabeça estourada por um tiro de espingarda. Jewell era o proprietário de grande parte dos veículos de imprensa do país e diretor do sensacionalista Daily Clarion, o jornal de maior vendagem da capital. Embora tudo leve a crer que tenha sido suicídio, os jornais, por convenção, não mencionam essa possibilidade. Caberá então ao detetive inspetor Hackett tocar as investigações, nas quais irá contar com a ajuda de seu velho amigo, o patologista Garret Quirke.

O que é literatura noir, para início de conversa? Segundo a biblioteca da PUCRS, ela “se caracteriza por apresentar histórias que misturam terror, mistério e elementos policiais, detetives e investigações que vão além dos conhecimentos de investigação criminal.” Na prática, o que eu senti é que é uma narrativa mais lenta, focada nas reflexões dos personagens, com uma ambientação urbana e “pálida”. Morte no Verão se passa na Dublin dos anos 50 e acompanha a investigação da morte de um magnata que aparentemente se suicidou na sua casa de campo. Quando o detetive inspetor Hackett encontra o corpo, ele percebe que, apesar da tentativa de forjar o suicídio, provavelmente trata-se de um homicídio. Então Garret Quirke (um médico forense com quem ele já trabalhou antes) é acionado, sendo ele o verdadeiro protagonista da obra.

Desde o início do livro, especialmente após a chegada de Quirke, senti que a narrativa contava com elementos prévios que eu não conhecia. Fui para o Google e bingo: trata-se do quarto livro de uma série, e nos volumes anteriores provavelmente é explicada a parceria entre Quirke e Hackett, bem como a notoriedade que o primeiro ganhou nos últimos anos. Infelizmente minha leitura foi bastante prejudicada por isso, mas foi desatenção de minha parte ao solicitar o livro à editora sem conferir previamente se era um volume único ou não.

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A narrativa é bastante vagarosa e foca pouquíssimo na investigação policial; entretanto, quando isso acontece, temos as melhores passagens da obra. No geral, acompanhamos o relacionamento de Quirke com sua filha, de quem ele não era muito próximo, e também sua atração pela viúva da vítima, com quem ele passa a ter um caso. A ênfase da história reside na descrição de cenários e das sensações dos personagens, sendo também um livro com uma narrativa um pouco mais rebuscada e metafórica. A vantagem disso é que Morte no Verão me ajudou a expandir meu vocabulário, e fazia tempo que um livro não me proporcionava essa experiência.

Eu esperava mais do final: a resolução do caso é clichê e bastante insossa. Como comentei anteriormente, a investigação não é o que chama a atenção na obra e, pra falar a verdade, não teve nenhum elemento que realmente tenha me conquistado. Os personagens não são carismáticos, você não torce por nenhum deles e não houve conexão entre mim e a obra. Provavelmente o ponto que mais influenciou nisso foi pegar o bonde andando mesmo: Morte no Verão é o tipo de livro que tem início, meio e fim, mas que precisa do background apresentado nos volumes anteriores pra compreensão plena dos personagens.

Apesar de eu amar livros policiais, Morte no Verão não conseguiu me cativar. Parte dessa constatação eu já expliquei no parágrafo anterior, mas outra parte reside no fato de que a obra não me provocou absolutamente nenhum sentimento: nem curiosidade pela investigação e nem afeição pelos personagens (o que me prende à série Cormoran Strike, por exemplo, mesmo quando a investigação não é tão boa). Não recomendo a obra como porta de entrada pra série mas, se você acompanhou os livros anteriores, talvez sua experiência seja diferente da minha. 🙂

Título original: A Death in Summer
Autor:
Benjamin Black
Editora: Rocco
Número de páginas: 256
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Você É Fodona – Jen Sincero

Oi pessoal, tudo bem?

Recebi como parte de uma ação de divulgação da Editora Rocco Você É Fodona, um livro de autoajuda de Jen Sincero que promete colocar o leitor no controle da própria vida e ajudá-lo a conquistar seus objetivos. Mesmo não sendo um gênero do qual eu goste, pensei: por que não? E agora bora que vou contar pra vocês o que achei. 🙂

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Sinopse: Mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo. Neste divertido livro, a autora nº 1 de best-sellers do The New York Times e coach de sucesso, Jen Sincero, oferece capítulos curtos, cheios de histórias hilariantes e inspiradoras, conselhos sábios, exercícios fáceis e palavrões ocasionais. Mostrará como criar uma vida que você ama totalmente, e como criá-la agora.

Eu tenho uma resistência fortíssima à ideia de coaches. Em geral, acredito que a maior parte deles ganha dinheiro com frases prontas e repetidas à exaustão. Por isso, sempre que pego um livro de autoajuda, eu inicio a leitura com desconfiança, e o livro precisa provar que vale a mudança de opinião. Não foi diferente com Você É Fodona, cujo título vergonha alheia já me causou um certo… receio. E em diversos pontos a obra acabou reforçando minha opinião pré-concebida. Felizmente, algumas partes foram capazes de gerar uma reflexão positiva, e vou concentrar os próximos parágrafos em prós e contras da leitura.

Jen Sincero inicia o livro explicando que temos a consciência (que determina o que queremos fazer) e a inconsciência (o que foi incutido na gente sem percebermos). A partir da inconsciência surgem o que ela chama de crenças limitantes – conceito que eu, particularmente, não comprei. Para Jen Sincero, são essas crenças que nos impedem de avançar e atingir nossas metas, e ao longo dos capítulos ela discorre sobre formas de superar esse obstáculo. Gostei que ela fala sobre o perigo das piadas autodepreciativas, que minam a nossa autoconfiança e são uma repetição de impressões negativas a respeito de nós mesmos. Jen Sincero incentiva que sejamos capazes de aceitar os elogios de coração aberto, sem decliná-los. Eu pessoalmente sou uma pessoa que fico bastante sem jeito com elogios, e de uns tempos pra cá tenho tentado me acostumar à ideia de recebê-los e, principalmente, acreditar neles.

Outro conteúdo interessante do livro diz respeito a sermos mais gentis com nossos erros. Esse tema também conversou diretamente comigo, porque sou alguém cuja autocobrança é elevadíssima. Ao aceitar a nossa falibilidade, a gente entende que tá tudo bem tentar algo pela primeira vez e não necessariamente se sair bem nisso, afinal, o erro também faz parte do aprendizado. Por fim, outro conceito bacana abordado pela autora diz respeito à procrastinação: muitas vezes deixamos de cumprir uma tarefa ou objetivo por esperar que saia tudo 100% perfeito, o que é basicamente impossível. Ela sugere então que as tarefas sejam divididas em objetivos menores, de forma que cada passo seja mais factível, não parecendo uma tarefa hercúlea que cause a procrastinação por puro medo de tentar.

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E do que eu não gostei? Bom, a começar pela gama de assuntos que Jen Sincero aborda. Ela fala sobre tantas áreas da vida (carreira, dinheiro, vida amorosa) que parece que nenhum conselho é aprofundado o bastante, sabem? Além disso, faltam exemplos pessoais que justifiquem as dicas – afinal, por que eu acreditaria na autora se ela quase não tem situações reais para provar que aquilo funciona? Acredito que a falta de exemplos, somada a um milhão frases de efeito piegas, foi um dos maiores responsáveis pela minha desconexão com a leitura.

Outra abordagem que não colou comigo diz respeito à vibração dos pensamentos. Segundo Jen Sincero, precisamos emitir a vibração certa ao Universo pra atrair coisas positivas, e para que algo se torne realidade você primeiro precisa acreditar que aquilo é verdade. Com todo respeito a quem acredita nisso mas, pra mim, simplesmente não dá. Considero isso o suprassumo do papo de coach e ainda culpa você por estar atraindo porcaria pra sua vida, sem considerar os diversos fatores externos que podem atravancar o caminho – incluindo privilégios. Isso fica ainda mais grave quando ela começa a falar de prosperidade financeira: os conselhos dela não poderiam ser mais desconectados da realidade, afirmando que “se você sintonizar sua energia à abundância do Universo, você será recompensado” ou, ainda pior, ela exemplifica com o fato de ter comprado um carro caro em vez de um carro barato porque isso deu o sinal necessário para o Universo compreender que ela tava pronta pra prosperar. Bah, apenas não. Eu acredito que sim, precisamos arregaçar as mangas e correr atrás dos nossos objetivos, mas compreendo também que existem muitos fatores envolvidos em fazer um objetivo dar certo ou não: falta de grana, falta de acesso a determinados espaços, desigualdade social… Enfim, já deu pra entender meu ponto, né? Por fim, não posso evitar dizer que as escolhas de analogia dela não poderiam ser mais bregas. Ela se refere ao ego como Grande Dorminhoco, por exemplo… Simplesmente constrangedor.

Em suma, Você É Fodona foi capaz de dialogar com alguns aspectos que eu venho tentado trabalhar em mim mesma há algum tempo. Mas, honestamente? O mérito tá na terapia rs. Alguns conselhos são legais, a intenção é boa, só que pra mim não funcionou. Por isso, não é um livro que eu recomendaria diretamente mas, se a proposta chama a sua atenção, vá em frente. 😉

Título original: You Are a Badass
Autor:
Jen Sincero
Editora: Rocco
Número de páginas: 272
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Filhos de Sangue e Osso – Tomi Adeyemi

Oi pessoal, tudo bem?

Elogiadíssimo pela crítica e com direitos comprados para uma adaptação cinematográfica, Filhos de Sangue e Osso é o primeiro livro da trilogia O Legado de Orïsha. Hoje eu conto pra vocês o que achei dessa aventura épica!

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Sinopse: Zélie Adebola se lembra de quando o solo de Orïsha vibrava com a magia. Queimadores geravam chamas. Mareadores formavam ondas, e a mãe de Zélie, ceifadora, invocava almas. Mas tudo mudou quando a magia desapareceu. Por ordens de um rei cruel, os maji viraram alvo e foram mortos, deixando Zélie sem a mãe e as pessoas sem esperança. Agora Zélie tem uma chance de trazer a magia de volta e atacar a monarquia. Com a ajuda de uma princesa fugitiva, Zélie deve despistar e se livrar do príncipe, que está determinado a erradicar a magia de uma vez por todas. O perigo espreita em Orïsha, onde leopanários-das-neves rondam e espíritos vingativos aguardam nas águas. Apesar disso, a maior ameaça para Zélie pode ser ela mesma, enquanto se esforça para controlar seus poderes — e seu coração.

No passado, o reino de Orïsha (leia-se Orixá) era rico em magia. As pessoas capazes de realizá-la eram conhecidas como maji e eram escolhidos diretamente pelos deuses. Entretanto, um dia a magia enfraqueceu, e o rei de Orïsha, Saran, aproveitou o momento de vulnerabilidade dos maji para incitar a Ofensiva – um ataque mortal a todos capazes de usar a magia. A mãe de Zélie, nossa protagonista, foi uma das maji a sucumbir. Desde então a vida da garota é marcada pela dor, que se intensifica pelo fato dela ser uma divinal: alguém que nasceu para se tornar um futuro maji, mas que nunca alcançará tal potencial devido à morte da magia. Ou pelo menos é o que todos pensavam…

Filhos de Sangue e Osso é um livro que introduz muitos conceitos novos, de modo a ambientar o leitor no rico universo no qual se passa. A autora utiliza a cultura iorubá como base para descrever os deuses que concedem poderes aos maji, utiliza de seu idioma para os encantamentos e explora também suas vestimentas e características. Foi o primeiro livro de fantasia que li voltado à cultura e religião de matrizes africanas, e fiquei ao mesmo tempo admirada com sua riqueza e triste ao pensar na falta de mais obras que deem voz a essa cultura e ao povo negro.

A trama é conduzida por meio de três pontos de vista: o de Zélie, a protagonista, uma garota divinal que mora com o pai e o irmão mais velho, Tzain; ela é treinada em segredo na arte da luta com o bastão por Mama Agba, uma senhora de seu vilarejo que apoia divinais, sendo constantemente punida por isso. Temos também o ponto de vista de Amari, filha de Saran: a jovem princesa vê sua melhor amiga, uma divinal, morrer pelas mãos de seu pai. Essa atitude motiva um ato de rebeldia que muda completamente o destino de Orïsha, pois Amari rouba um pergaminho encontrado pelo exército de Saran que aparentemente é capaz de trazer a magia de volta. Por fim, temos como terceiro narrador Inan, irmão de Amari e futuro rei: o jovem segue os passos do pai por acreditar que é a única forma de proteger o reino, mas quando a magia se manifesta em seu próprio corpo, ele começa a questionar (e temer) tudo que sempre acreditou.

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Dos três narradores, sem dúvidas Amari é minha favorita. A garota tem uma natureza bondosa, pacífica e até mesmo amedrontada. Contudo, quando sua melhor amiga, Binta, é assassinada na sua frente, Amari decide pôr fim às atrocidades do pai de alguma forma – e é assim que ela resolve roubar o pergaminho que ativa a magia nos divinais. O destino dela se cruza com o de Zélie e, por mais que a protagonista não queira, elas acabam formando uma equipe. O amadurecimento de Amari ao longo do livro é nítido, e mesmo nos momentos de maior temor, a jovem acaba decidindo pelo que é correto. Amari é empática, decidida e justa, e é impossível não passar a admirá-la ao longo da trama. Zélie, por outro lado, não me conquistou tanto. Para falar a verdade, em muitos momentos ela me lembrou a Katniss: teimosa, impulsiva, egoísta. E o que mais me irritou nela é a autopiedade: ela não pensa antes de agir, faz merda e depois fica se lamentando e dizendo que sempre estraga tudo (mas sem mudar seu jeito de agir, ou seja, sem aprender com os erros rs). Não posso dizer, entretanto, que a personagem não seja forte: ela passa por traumas inimagináveis, além de sofrer com preconceito a vida inteira por ser uma divinal. Com o passar do tempo, as características incômodas dela vão se atenuando, e no final do livro meu ranço diminuiu consideravelmente.

Os personagens masculinos principais são Inan e Tzain. No caso de Inan, acompanhamos um personagem cheio de dúvidas e questionamentos. Ele foi criado para acreditar no mantra do pai, “o dever antes do eu” (ele repete isso tantas vezes que eu quis entrar no livro e gritar: JÁ ENTENDI, PORRA!, mas tudo bem), mas quando a magia começa a se manifestar em si mesmo, Inan passa a sofrer por se sentir amaldiçoado. Somente quando consegue ler os pensamentos de Zélie (pois é esse o dom que sua magia permite) ele entende a dor que Saran causou e se aproxima da garota. Entretanto, a volatilidade de suas crenças e atitudes é bastante irritante, fazendo com que ele perdesse minha confiança. Tzain, por outro lado, é uma rocha para Zélie: mesmo quando a irmã erra e coloca todos em risco, o irmão mais velho está lá para protegê-la. Contudo, por mais querido que Tzain seja, ele é um personagem cujo POV não conhecemos, o que o torna mais linear e unilateral que os outros, não permitindo ao leitor acompanhar sua evolução.

O preconceito é constantemente trabalhado em Filhos de Sangue e Osso. A dinâmica entre Zélie e Inan é a mais interessante nesse sentido, porque o príncipe não consegue entender o abismo que separa seu sofrimento do de Zélie. A jovem deixa claro que não vai deixar a ignorância de Inan silenciar sua dor – e quantas vezes isso não pode ser dito na vida real também? A ignorância e o preconceito que atingem a população negra são diários. A própria falta de representatividade é uma violência, provocando uma não-identificação que abala a autoestima e a construção do orgulho das raízes e da ancestralidade. Inan é a representação disso, odiando suas características de maji e a magia por si só: ele odeia seus traços porque não consegue enxergar representações positivas deles.

resenha filhos de sangue e osso (2)

Como crítica negativa, eu diria que a autora repete palavras e expressões à exaustão. Além do já mencionado “o dever antes do eu”, me irritei muito lendo o excesso de uso da palavra “régia” e da palavra “monarquia”. Felizmente, Tomi Adeyemi alivia a mão nessas expressões da metade pro final, mas foi algo que inicialmente me causou um “tá, chega, varia o vocabulário, por favor”. Em contrapartida, preciso elogiar o universo cheio de detalhes criado por ela. Dos cenários aos clãs maji e até mesmo às criaturas que vivem em Orïsha (que a autora utiliza os nomes originais para fazer o leitor criar uma relação e imaginar o animal, como por exemplo um leonário, que é basicamente um leão gigante), tudo é bem descrito e nos transporta para um mundo realmente mágico e cheio de possibilidades.

Filhos de Sangue e Osso foi uma das melhores histórias de fantasia que li nos últimos tempos. Com um ritmo frenético e cheio de ação, as mais de 500 páginas não deixam o leitor entediado em momento algum. Com um pano de fundo riquíssimo, explorando uma cultura pouco abordada na literatura, a obra é original e envolvente. Vale também elogiar a Rocco pela edição física, que conta com o mapa do reino e detalhes brilhantes na capa e na contracapa. Resumindo: se você adora fantasia, esse livro é imperdível. Recomendo muito!

Título Original: Children of Blood and Bone
Série: O Legado de Orïsha
Autor:
Tomi Adeyemi
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 550
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: A Última Palavra – Tamara Ireland Stone

Oi pessoal, tudo bem?

Vim contar pra vocês o que achei de A Última Palavra, um Young Adult que fala sobre Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

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Sinopse: Samantha McAllister esconde de todos o que se passa em sua cabeça. Sam sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo caracterizado por pensamentos intrusivos. Seus pensamentos não param um segundo do dia, cada passo e palavra suas são controladas, e esconder isso tudo faz com que viver seja um grande esforço. Tudo piora quando suas amizades começam a se tornar tóxicas e ela é julgada por conta de pequenos erros com suas roupas, comida ou o garoto por quem ela se interessa. Mesmo assim, Sam sabe que ela estaria verdadeiramente louca se deixasse de ser amiga das garotas mais populares da escola. Por causa disso, Sam é constantemente aconselhada por sua terapeuta a conhecer novas pessoas e fazer novos amigos, pessoas que não lhe provoquem crises de ansiedade e pânico constantes. Em um primeiro dia de aula assustador, Sam conhece Caroline, uma menina que vai levá-la para uma sala secreta em que um grupo de pessoas que são ignoradas pelo resto da escola se reúne. Ela rapidamente se identifica com eles, especialmente com um talentoso garoto que toca violão, e começa a descobrir uma nova versão de si mesma. Aos poucos ela passa a se sentir mais normal do que nunca, coisa que jamais tinha se sentido antes… até ela encontrar um novo motivo para questionar sua sanidade e tudo o que ama.

Samantha parece ter tudo o que uma adolescente poderia querer: é bonita, popular e tem um grupo de amigas com quem (teoricamente) pode sempre contar. O que ninguém sabe é que, por trás da fachada de perfeição, Sam esconde um TOC que se manifesta na forma de pensamentos obsessivos intrusivos. Isso significa que, diferentemente de quem manifesta a doença com hábitos físicos, Sam fica obcecada por determinados pensamentos e não consegue se desvencilhar deles. Um dos maiores gatilhos para seus picos de ansiedade são, justamente, suas supostas amigas, um grupo que há muito tempo não colabora com o desenvolvimento de Sam. Em um dia especialmente ruim, a jovem conhece Caroline, com quem (de maneira surpreendente) ela se abre. Caroline então leva Sam a um local secreto na escola chamado Canto da Poesia, e é lá que tudo muda.

A Última Palavra aborda um sentimento muito comum na adolescência: o desejo de pertencimento e o medo da exclusão. Mesmo sabendo que seu grupo de amigas é tóxico, Sam tem dificuldade em abrir mão dele por receio de ser abandonada. Durante suas sessões de terapia, sua psicóloga a incentiva constantemente a buscar novas amizades e a criar novos vínculos, de modo que existam menos gatilhos na rotina de Sam. Quando a garota conhece Caroline e finalmente admite seu TOC, é como se um grande peso fosse retirado de seus ombros, e isso dá a Sam a oportunidade de experimentar uma nova forma de ser ela mesma – ou melhor, quem ela quer ser a partir de agora.

Entretanto, existe um aspecto bastante negativo na obra: o modo com a autora lida com as consequências do bullying. No Canto da Poesia, Sam reencontra um ex-colega, AJ, que parece querer distância dela. A protagonista então se recorda que, no passado, ela e uma amiga praticaram um bullying tão intenso com o garoto que ele até mudou de escola temporariamente. E, para a minha surpresa, não demora para que esse assunto seja perdoado e (pasmem!) os pombinhos fiquem juntos. A química entre os dois existe e as cenas são bem românticas, mas teria sido muito melhor se o episódio do bullying não tivesse existido. A verdade é que as consequências do que Sam e sua amiga fizeram foram muito suavizadas, ainda mais quando consideramos quão rápido AJ se apaixonou pela garota que o traumatizou.

resenha a ultima palavra

Em A Última Palavra, o TOC não ganha tanta profundidade e detalhamento, diferente do que ocorre no excelente Daniel, Daniel, Daniel, por exemplo. Ainda que no caso de Sam o transtorno seja mais focado em pensamentos obsessivos, eu não senti o mesmo impacto (e até consciência) lendo sobre seu sofrimento (o que ocorreu de maneira intensa com o livro de Wesley King). A doença em si é mais abordada como algo que a incomoda e que a faz se sentir anormal do que evidenciada como algo que a atrapalha de verdade.

Apesar de falhar ao abordar algumas questões de saúde mental, há um aspecto muito positivo na obra: a relação de Sam e Sue, sua terapeuta. Assim como acontece em A Lista Negra, aqui a terapia tem um papel fundamental no processo de melhora de Sam, e é muito bonita a forma como o livro desenvolve essa relação. Além disso, a trama me emocionou bastante na sua reta final, a ponto de me fazer chorar. Há uma reviravolta que fica ameaçando eclodir durante um bom tempo (e que eu senti chegar), mas que ainda assim me balançou. Os últimos capítulos trabalham muito mais a questão da perda do que o TOC, e esse tema em particular sempre me toca profundamente.

Por último, mas não menos importante, devo ressaltar o quanto gostei de todo o conceito do Canto da Poesia. Desde a sua fundação, cujas razões são emocionantes, até o presente, o lugar acolhe todos que precisam dele (Hogwarts feelings) de uma maneira intensa. Dentro daquele espaço, os jovens que fazem parte do grupo têm a oportunidade de se expressar e mostrar a sua vulnerabilidade, e muitas vezes isso já é o bastante para conseguir vencer um período tão turbulento e cheio de emoções quanto a adolescência. O grupo também permitiu à protagonista enxergar como as pessoas são repletas de camadas, indo muito além do universo superficial ao qual ela estava acostumada. E, nesse processo, o leitor simpatiza com aqueles jovens também.

A Última Palavra é um livro que gira em torno de dilemas bastante adolescentes (tanto no sentido positivo quanto negativo disso – os medos e implicâncias do grupo de Sam são bastante superficiais, de maneira geral). Não é a melhor opção de leitura pra quem busca uma história mais crível no que diz respeito a bullying e TOC, mas é um YA que cumpre seu papel como entretenimento e apresenta o processo de terapia de maneira muito saudável. Se você curte esse estilo literário, vale espiar. 😉

Título Original: Every Last Word
Autor: Tamara Ireland Stone
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Biblioteca Sobre Rodas – David Whitehouse

Oi pessoal, tudo bem?

Devido à sinopse fofa e a proposta de cenário peculiar (uma biblioteca itinerante), fiquei bem curiosa a respeito de Biblioteca Sobre Rodas. Hoje conto pra vocês o que achei dessa leitura. 😉

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Sinopse: Bobby Nusku tem um amigo: Sunny Clay. E depois Bobby Nusku tem dois amigos: Sunny Clay e Rosa Reed. E depois Bobby Nusku tem três amigos: Sunny Clay, Rosa Reed e Val Reed. E depois Bobby Nusku tem quatro amigos: Sunny Clay, Rosa Reed, Val Reed e Joe Joe. E depois Bobby Nusku tem quatro amigos e um cachorro: Sunny Clay, Rosa Reed, Val Reed, Joe Joe e Bert. E finalmente Bobby Nusku tem uma família. Em Biblioteca sobre rodas conheceremos a história dessa família às avessas, onde os laços de sangue são o que menos importa na trajetória deles. O que importa de verdade quando todos eles entram naquele caminhão lotado de livros e clássicos valiosos é a confiança que tem uns nos outros e a forma genuína como se amam, cada um com suas características, cada um com seu passado torto, cada um com suas diferenças que os tornam únicos.

Bobby Nusku é um garoto solitário, que vive apenas com seu pai (que frequentemente o agride) e sua madrasta desde que sua mãe partira. Como companhia ele tem um único amigo, Sunny Clay, e também seu hábito de guardar pequenos “fragmentos” da casa e das coisas da mãe para quando ela voltar. Porém, quando a mãe de Sunny decide se mudar, Bobby se vê na posição de ter que enfrentar a solidão e o bullying sozinho. Até que ele conhece Rosa Reed, uma menina doce e muito especial que traz Bobby para dentro de sua família (composta pela própria Rosa, pela sua mãe, Val, e pelo seu cachorro preguiçoso, Bert). Quando Val se depara com sua demissão iminente da biblioteca itinerante na qual trabalha, somando-se ao fato de que Bobby apresenta hematomas causados pelo pai, a personagem decide tomar uma decisão impactante: colocar todos na biblioteca e partir.

Biblioteca Sobre Rodas é uma história sobre formas de ser família. O livro questiona de maneira sensível esse conceito: a família não precisa ser tradicional, mas sim feita de pessoas que se amam e se apoiam. Convivendo uns com os outros, Bobby, Val, Rosa e Bert aprendem a respeitar suas particularidades, apreciando cada instante que vivem juntos e aceitando verdadeiramente uns aos outros. Quando um quarto elemento, Joe, se une ao time, a dinâmica entre eles sofre alguns ruídos mas, mesmo nesse novo contexto, os personagens aprendem a conviver em harmonia.

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Outra característica bem interessante da narrativa diz respeito às próprias histórias. Por estarem em meio aos livros (afinal, a biblioteca itinerante por si só é uma espécie de personagem, além de cenário), a nova família de Bobby passa muito tempo lendo e divagando sobre as tramas, e Bobby se questiona se aquelas histórias fantásticas poderiam acontecer com alguém tão normal quanto ele. O menino, porém, não se dá conta que sua própria vida é uma aventura, com direito a perseguição policial, revelações impactantes e até mesmo um plot twist no final. 😛 Entretanto, é importante ressaltar que, apesar de ser um livro doce e gentil, Biblioteca Sobre Rodas carece de ganchos que deixem o leitor ávido por continuar. Mesmo sendo curtinho, eu levei um tempo pra ler devido a essa característica.

Acho que o ensinamento mais valioso de Biblioteca Sobre Rodas reside no fato de que não importa muito o destino ou os desafios no caminho, mas sim quem você tem ao seu lado pra se agarrar e se amparar. E essa lição já é suficiente pra deixar um quentinho no coração ao fechar das páginas – lembrando que, segundo a Val, as histórias nunca têm fim; elas continuam mesmo quando as páginas terminam. E eu gosto de pensar que a história de Bobby Nusku e sua família continua. 🙂

Título Original: Mobile Library
Autor: David Whitehouse
Editora: Rocco
Número de páginas: 288
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Nevermoor: Os Desafios de Morrigan Crow – Jessica Townsend

Oi galera, tudo bem?

Fazia tempo que eu não lia um livro de fantasia, e Nevermoor: Os Desafios de Morrigan Crow (primeiro volume de uma série com 9 títulos planejados) foi uma grata surpresa. Vamos conhecer? 🙂

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Sinopse: Nascida no Escurecer, o pior dia para uma criança nascer, Morrigan é considerada culpada por todos os infortúnios de sua cidade – de tempestades de granizo a ataques cardíacos – e, o que é pior, a maldição a condena a morrer à meia-noite de seu décimo primeiro aniversário. Mas, enquanto Morrigan aguarda seu destino, um homem estranho e extraordinário chamado Jupiter North aparece. Perseguidos por cães de fumaça e sombrios caçadores montados a cavalo, ele a leva para a segurança de uma cidade secreta e mágica: Nevermoor. Mas, para permanecer definitivamente em Nevermoor, Morrigan precisará passar por quatro desafios difíceis e perigosos, competindo com centenas de outras crianças – caso contrário, terá de deixar a cidade e enfrentar seu destino fatal.

Morrigan Crow é uma menina muito azarada. Nascida no último dia do Escurecer, ela se enquadra na categoria de Crianças Amaldiçoadas e é responsabilizada por tudo de errado que acontece em seu lar, Chacalfax. Mas a pior parte de ser uma Criança Amaldiçoada reside no fato de que Morrigan está fadada a morrer em seu aniversário de 11 anos. Entretanto, no fatídico dia, algo surpreendente acontece: um homem misterioso chamado Jupiter North surge e se oferece como patrono de Morrigan (uma tradição em que escolas prestigiadas fazem ofertas a crianças para que sejam suas alunas). A menina, entusiasmada com a oferta e assustada com a iminência de seu fim, aceita o convite de Jupiter, que não a leva para uma simples escola, mas sim para um lugar até então desconhecido pela protagonista: Nevermoor. Lá, Morrigan terá de vencer diversos desafios para ser considerada digna de entrar para a prestigiada Sociedade Fabulosa, da qual Jupiter faz parte. Entretanto, quando problemas relacionados ao fabulânio (a fonte de energia utilizada no livro) começam a acontecer, Morrigan desconfia que a maldição a seguiu, enquanto os locais temem pelo retorno de uma ameaça secular conhecida como Fabulador – responsável por um verdadeiro massacre que ainda assombra Nevermoor.

Ufa! Acreditem, isso é só a pontinha do iceberg de Os Desafios de Morrigan Crow. O livro, como praticamente toda obra introdutória de uma série de fantasia, traz diversos conceitos novos que são fundamentais para a construção de seu universo e mitologia. Começando pela própria Nevermoor, que é um Estado Livre, diferente de Chacalfax (que faz parte da República do Mar Invernal). Lá não existe a cultura das Crianças Amaldiçoadas, as pessoas são vibrantes e a mágica acontece. Acostumada a ser hostilizada por todos (inclusive sua própria família) devido à maldição, Morrigan encontra em Nevermoor a possibilidade de viver uma vida inimaginável, em que ela não é culpada por tudo de errado que acontece e onde, pela primeira vez, existe a chance de fazer amigos.

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Morrigan é uma menina carismática e da qual é possível sentir muita pena. Ela nunca conheceu afeto nem carinho e, mesmo assim, não é uma personagem amarga – ainda que tenha uma personalidade inquieta e por vezes levemente birrenta. Quando ela faz seu primeiro amigo, Hawthorne, outro candidato à Sociedade Fabulosa, é muito bacana vê-la desabrochar e vivenciar momentos que toda criança de 11 anos deveria, inclusive as traquinagens. Jupiter, seu patrono, é um personagem que conquista o leitor de imediato, ainda que pareça maluco em diversos momentos. Suas respostas evasivas às dúvidas de Morrigan me fizeram lembrar de Dumbledore ao tentar escapar de certas perguntas feitas por Harry. E mesmo o vilão tem os elementos que o tornam interessante, desde o mistério sobre sua identidade até a extensão de seus poderes.

E já que mencionei Harry Potter, vale dizer que solicitei Nevermoor à editora Rocco em parte pelos comentários que comparavam as duas séries. Em certo nível, sim, existem semelhanças: a protagonista é uma jovem criança que é resgatada de uma realidade horrível e adentra um mundo mágico onde praticamente tudo é possível. Mas, apesar de seguir a clássica fórmula da Jornada do Herói, Jessica Townsend conseguiu conceber um universo de fantasia bastante original e um enredo que nos prende devido aos desafios que Morrigan precisa ultrapassar. São quatro no total (numa vibe meio Torneio Tribruxo rs), que testam inteligência, determinação e talento, entre outras qualidades. Com o passar das páginas, vamos descobrindo junto da protagonista todos os elementos que tornam Nevermoor tão fantástica – e desejando fazer parte daquela Sociedade também.

Nevermoor: Os Desafios de Morrigan Crow inicia com o pé direito uma série que tem tudo para ser divertida, envolvente e eletrizante. Com uma ótima promessa de vilão, uma personagem aprendendo sobre seu real potencial e um mentor cheio de carisma, não faltam bons personagens para nos conduzir por um universo criativo e cheio de boas promessas. Recomendo! 😉

Título Original: Nevermoor: The Trials of Morrigan Crow
Série: Nevermoor
Autor: Jessica Townsend
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Rádio Silêncio – Alice Oseman

Oi gente, tudo bem?

O post de hoje é sobre Rádio Silêncio, um young adult cheio de diversidade e referências geek.

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Sinopse: Rádio Silêncio não é um livro leve e apresenta uma trama que prende o leitor até suas páginas finais. A história principal que envolve Frances e os gêmeos Last é acompanhada por dramas secundários que são tão envolventes quanto o cerne principal desta narrativa. É apenas lutando contra nossos medos mais secretos que podemos superá-los. E é apenas sendo verdadeiros com nós mesmos que podemos encontrar a felicidade. Frances vai precisar de cada gota de coragem que ela tem para viver esta aventura.

Frances é uma garota estudiosa, cujo maior objetivo é entrar em Cambridge. Representante de classe, todos os seus esforços no ensino médio se direcionam para o sonho da universidade. Entretanto, Frances não é a garota tímida e focada que aparenta ser: ela adora roupas coloridas, entende todas as referências geek, é divertida e fã número 1 de um podcast chamado Universe City – que aborda as aventuras de Rádio, o protagonista agênero que precisa enfrentar criaturas ameaçadoras em sua universidade. Quando Frances descobre que Aled, seu vizinho, é o criador do podcast, a vida de Frances se transforma, e ela finalmente vê a oportunidade de agir naturalmente e ser ela mesma.

Apesar de ter Frances como protagonista, Aled é a peça central de Rádio Silêncio. Seu background é peculiar o bastante para nos deixar curiosos: sua irmã, Carys (que por acaso foi amiga de Frances), fugiu de casa há um ano, ele produz Universe City sozinho e em segredo e, por fim, tem uma essência totalmente diferente daquilo que demonstra no exterior, assim como Frances. O jovem é solitário e tímido, mas perto de Daniel (seu amigo de infância) e de Frances, Aled consegue demonstrar sua vulnerabilidade e sua personalidade criativa. Porém, existem segredos que ele esconde, diretamente ligados à fuga de sua irmã – e é aí que o livro entra em temas mais pesados, como relacionamento abusivo (e não de uma forma romântica, mas doméstica, o que me fez lembrar de Eleanor & Park).

Rádio Silêncio também aposta forte na diversidade. Seus protagonistas não são heterossexuais e Frances é não-branca. Esses aspectos são apenas características, o que é algo muito positivo: desde o início sabemos que Frances é bi e em nenhum momento o livro faz disso um big deal. É simplesmente quem ela é. Em vez de utilizar esses recursos como parte do drama, a obra percorre um caminho mais interessante, focando nas consequências da pressão pelo sucesso em uma fase muito mutável da vida, que é a saída da adolescência e o início da vida adulta. O livro consegue desenvolver muito bem as dúvidas que passam pela cabeça de Aled e de Frances, ainda que ambos não se deem conta dos questionamentos sobre o futuro. No caso da protagonista, não entrar em Cambridge nunca foi uma opção, até que ela é obrigada a pensar sobre essa escolha. Sendo eu uma pessoa que entrou na universidade muito jovem, não curtiu o curso, passou por meses (talvez anos?) de pressão psicológica e insatisfação até ter coragem de trocar de faculdade, posso dizer com propriedade que me senti representada por esse plot.

resenha rádio silêncio

Mas existem alguns pontos negativos que fizeram com que Rádio Silêncio perdesse pontos comigo. O primeiro deles diz respeito a Frances. Por mais que ela tenha um ótimo coração, sejamos sinceros: ela é desinteressante. Frances não tem carisma suficiente pra segurar a trama, e Aled é o personagem que rouba a cena. Além disso, a enormidade de referências à cultura pop me cansa (falei disso em outra resenha por aqui), parece que o autor quer forçar o leitor a se conectar com os personagens com um recurso que considero pobre. Por fim, devo dizer que o livro é desnecessariamente longo e por muitas vezes arrastado; somente no final temos uma reviravolta e, quando ela finalmente acontece, tudo se resolve de forma absurdamente simples e corrida. Bastante inverossímil, eu diria. 😦

Apesar de não ter arrebatado meu coração, Rádio Silêncio é uma boa experiência. As discussões sobre futuro e, principalmente, sobre a incerteza quanto ao que seremos e se teremos sucesso em nossas empreitadas são relacionáveis e bem conduzidas. Além disso, é sempre bacana ver um livro que aborda a diversidade de maneira natural, e não como um motivo de sofrimento para os personagens. Se você se identifica com o tema, vale a pena conferir! 😉

Título Original: Radio Silence
Autor: Alice Oseman
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 448
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Livro cedido em parceria com a editora.
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Resenha: O Conto da Aia: Graphic Novel – Margaret Atwood e Renee Nault

Oi pessoal, tudo bem?

No ano passado eu contei aqui no blog todas as inquietações e reflexões provocadas pela leitura de O Conto da Aia. 2019 me trouxe a oportunidade de revivê-las por meio de uma graphic novel maravilhosa (e, em breve, com a continuação da história, Os Testamentos). Hoje eu mostro pra vocês alguns detalhes da versão ilustrada desse livro que precisa ser lido por todo mundo. Vem ver!

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Sinopse: Tudo o que as Aias usam é vermelho: como a cor do sangue, que nos define. Offred é uma aia da República de Gilead, um lugar onde as mulheres são proibidas de ler, trabalhar e manter amizades. Ela serve na casa do Comandante e de sua esposa, e sob a nova ordem social ela tem apenas um propósito: uma vez por mês, deve deitar-se de costas e rezar para que o Comandante a engravide, porque em uma época de declínio da natalidade, Offred e as outras Aias têm valor apenas se forem férteis. Mas Offred se recorda dos anos anteriores a Gilead, quando era uma mulher independente, com um emprego, uma família e um nome próprio. Hoje, suas lembranças e sua vontade de sobreviver são atos de rebeldia. Provocante, surpreendente, profético. O conto da Aia é um fenômeno mundial, já adaptado para cinema, ópera, balé e uma premiada série de TV. Nessa nova versão em graphic novel, com arte arrebatadora de Renée Nault, a aterrorizante realidade de Gilead é trazida à vida como nunca antes.

Não é fácil adaptar um livro denso em uma história em quadrinhos. O Conto da Aia é narrado em primeira pessoa por Offred, uma Aia, cujo fluxo de pensamento não é linear. Enquanto rememora o passado e tenta reconstruir o passo a passo vivido pela sociedade para chegarem até onde estão, Offred também narra o presente opressivo no qual vive. E apesar de não ser fácil retratar essas idas e vindas de maneira clara, a graphic novel consegue fazer isso mantendo a fluidez da narrativa. Algumas ilustrações falam por si só, com frases mais soltas que retratam a desconexão das memórias de Offred – bem como sua tentativa de se desconectar com o próprio corpo, para tornar a vida mais suportável.

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Porém, obviamente, nem todos os detalhes da obra original têm espaço na graphic novel (não quero dar spoilers, mas tem um relacionamento importante, especialmente pelo caráter afrontoso, que ganha pouco espaço na HQ). Esse aspecto não chega a atrapalhar a condução da história, e mesmo o controverso (e chocante) epílogo aparece na graphic novel, ainda que de maneira condensada. É normal que algumas coisas precisem ser deixadas de fora quando uma obra é adaptada para os quadrinhos, e nesse caso os principais fatos foram mantidos e a história permaneceu coesa. Entretanto, a narrativa de Margaret Atwood é ímpar, e vale a pena conferir a obra original para absorver toda a intensidade de O Conto da Aia.

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Por último, mas não menos importante: a edição em si está incrível. A capa é aveludada, há um marca-páginas acetinado e as laterais das páginas trazem um pattern floral lindo. Não poderia deixar de mencionar o vermelho, cor marcante da obra (a cor das Aias), que faz parte de todos esses detalhes que mencionei. E o que dizer das ilustrações? Renee Nault usa a aquarela e o vermelho vibrante como pilares em toda a graphic novel. O traço da artista é muito bonito e cada virar de página merece uma atenção especial, para absorver cada detalhe.

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O Conto da Aia: Graphic Novel é uma obra imperdível pra quem já é apaixonado pela obra de Margaret Atwood, pela série The Handmaid’s Tale ou pra quem quer ter um primeiro contato com essa história impactante e necessária. Recomendo mil vezes! ❤

Título Original: The Handmaid’s Tale: Graphic Novel
Autor: Margaret Atwood e Renee Nault
Editora: Rocco
Número de páginas: 240
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Livro cedido em parceria com a editora.
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