Resenha: Lendo de Cabeça Para Baixo – Jo Platt

Oi gente, tudo bem?

Eu acho que, até este ano, eu nunca tinha lido um chick-lit. Quando a Editora Rocco lançou Lendo de Cabeça Para Baixo, me apaixonei pela sinopse e não pensei 2x em solicitar. Bora descobrir o que eu achei?

lendo de cabeça para baixo jo platt.pngGaranta o seu!

Sinopse: A felicidade parecia estar batendo à porta de Rosalind Shaw naquele que deveria ser o dia mais feliz da vida dela. Abandonada no altar, sem qualquer explicação ou justificativa, a jovem mergulha numa depressão sem fim, daquelas de passar dias e dias largada à frente da TV, sem força para sair do sofá. Até que um dia seu amigo Tom propõe que ela se torne coproprietária de uma loja de livros antigos, numa cidade do interior. Ro aceita a proposta e se torna sócia de Andrew, o reservado amigo de Tom, e conhece novos amigos, capazes de mudar a vida dela para sempre. Uma história leve e divertida sobre sentimentos feridos e mal-entendidos, equívocos e perdões.

Ros passou por um trauma muito grande e humilhante em sua vida pessoal: foi largada no altar. Antes uma mulher bem-sucedida e confiante, agora Ros tenta superar a depressão que a acometeu depois do episódio. Com a ajuda dos amigos e da família, ela decide sair do emprego anterior, se mudar para uma cidade mais tranquila e virar sócia da Chapters, uma livraria especializada em livros antigos. Lá, ela constrói uma amizade muito bacana com Andrew (seu sócio), George e Joan (suas funcionárias; a primeira é uma mulher linda e elegante, com um coração generoso, e a segunda é uma senhora alto-astral, mas um tanto fofoqueira). Porém, um dia Ros é surpreendida por seu vizinho barbudo e desleixado, que bate à sua porta para pedir desculpas e lhe dar a notícia de que atropelou seu porquinho-da-índia acidentalmente. Essa é a primeira de uma série de gafes, mal-entendidos e situações engraçadas que Ros vai viver.

Lendo de Cabeça Para Baixo tem um clima muito leve, apesar de iniciar contando sobre o passado depressivo de Ros devido ao abandono. A personagem começa a obra bastante desmotivada, apenas “existindo” (e fugindo de alguns banhos), porém, com o passar das páginas, a antiga Ros começa a dar as caras novamente, e muito disso se deve à convivência com seus amigos da Chapters e – por que não? – de seu vizinho, Daniel. Ao contrário da atual Ros, Daniel na realidade é um homem confiante, engraçado e irreverente. Para a surpresa da protagonista, ele é também muito bonito – especialmente depois de tirar a barba desgrenhada. Os dois vivem diversas situações constrangedoras, especialmente graças ao comportamento (meio irritante rs) autocentrado de Ros, que é potencializado pela insegurança que a personagem sente. Afinal, depois de ser abandonada no altar, faz sentido que sua autoconfiança não esteja no melhor nível possível.

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Os diálogos do livro são muito divertidos. Eu me peguei rindo em diversos momentos, porque a leveza é uma constante ao longo da obra. Joan é responsável por alguns desses diálogos mas, ao mesmo tempo, a personagem me causou certo ranço, pois ela faz certos comentários que interpretei como homofóbicos e machistas. Andrew e George são personagens excelentes, sendo uma fonte de apoio muito importante na recuperação de Ros. Contudo, eles são tão interessantes que muitas vezes a própria Ros ficava ofuscada durante a trama. Para mim, esse foi um ponto positivo E negativo da leitura: positivo porque os personagens secundários são envolventes e têm vida própria; negativo porque a autora dedicou tanto tempo a seus plots que, em determinado ponto, a história de Ros deixa de ter tanta relevância.

Entretanto, no terço final do livro coisas BEM interessantes começam a acontecer com a protagonista, dando fôlego à história novamente. O relacionamento com Daniel vai aos poucos se transformando, tornando-se menos constrangedor, ao passo em que Ros vai retomando pouco a pouco sua antiga “eu”. E isso é muito bacana: apesar de ter começado o livro como uma pessoa insegura e muito magoada, ao longo dos meses a protagonista consegue voltar a ser quem era: uma pessoa segura de si mesma e com vontade de viver (inclusive um novo amor). O fato de seu relacionamento com Daniel ser divertido e instigante torna o processo ainda melhor. 😉

Lendo de Cabeça Para Baixo é um chick-lit fofo, com um romance bacana, uma narrativa leve e bons personagens. Mesmo com o desvio de foco para os personagens secundários durante a trama, o livro não cansa o leitor, pois todos os personagens são cativantes. E o que falar da capa? Muito amorzinho! ❤ Em suma, o livro foi uma ótima porta de entrada para os chick-lits e já quero ler mais obras do gênero!

Título Original: Reading Upside Down
Autor: Jo Platt
Editora: Fábrica231
Número de páginas: 288
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.
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Resenha: Desafiando as Estrelas – Claudia Gray

Oi gente, tudo bem?

A resenha de hoje é sobre Desafiando as Estrelas, um livro de ficção científica cheio de cenas de ação.

desafiando as estrelas claudia gray.pngGaranta o seu!

Sinopse: Noemi Vidal é uma soldado do planeta Gênesis, que um dia já foi uma colônia da Terra e hoje está em guerra por sua independência. Os humanos da Gênesis lutaram contra os exércitos de mecans, robôs humanoides terrestres, por décadas e o conflito não parece estar chegando ao fim. Depois de um ataque surpresa, Noemi acaba presa em uma nave abandonada, onde conhece Abel, o protótipo mecan mais sofisticado já feito. E ele deveria ser seu inimigo. Mas a programação de Abel o força a obedecer a Noemi como sua comandante, o que significa que ele tem que ajudar a salvar a Gênesis — mesmo que o plano dela para chegar à vitória implique a morte dele. Forçados a trabalhar juntos, os dois embarcam numa perigosíssima aventura pela galáxia e se veem obrigados a questionar tudo o que sempre tomaram como verdade absoluta.

Em um futuro muito distante, a Terra atingiu avanços tecnológicos memoráveis, criando inclusive andróides humanóides – chamados mecans, cujos modelos vão de B a Z – com as mais diversas funções: temos o modelo Tare, para a medicina, as Rainhas e os Charlies para a guerra, entre muitos outros. Porém, o avanço tecnológico também culminou na total destruição do meio ambiente, tornando o planeta incapaz de suportar a quantidade de seres humanos que nele vivia. Assim, a Terra conseguiu colonizar outros planetas no que agora é chamado de Loop, um sistema que envolve a própria Terra e seus mundos: Stronghold (onde se extrai ferro, minério e afins), Cray (um local árido, em que vivem as maiores mentes e cientistas oriundos da Terra), Kismet (uma espécie de destino paradisíaco, para onde vão os ricos e famosos de férias) e Gênesis (o planeta mais parecido com a própria Terra). Acontece que a Gênesis iniciou a chamada Guerra da Liberdade, de modo a ter independência da Terra, pois acredita que os terráqueos farão com eles o mesmo que fizeram com o próprio planeta: exploração e destruição.

O plot por si só já é extremamente interessante, com uma construção de universo riquíssima e cheia de detalhes a serem explorados. Isso fica ainda mais interessante quando conhecemos nossos dois protagonistas-narradores: Noemi Vidal, uma jovem de 17 anos e soldado da Gênesis, e Abel, o mecan mais avançado da galáxia e único exemplar do modelo A, criado pelo próprio Burton Mansfield (a mente por trás da invenção dos mecans). Os dois se reúnem da maneira mais improvável: Noemi vê sua melhor amiga se ferir em uma batalha inesperada e a conduz até uma nave aparentemente abandonada; o que ela não sabia é que Abel estava preso lá há 30 anos, após a fuga da tripulação e de seu criador. As coisas ficam ainda mais surpreendentes quando Abel é forçado por sua programação a obedecer a maior autoridade humana à bordo, tornando Noemi sua comandante. A jovem agarra essa chance e traça um plano envolvendo Abel e a destruição do Portão Gênesis, uma construção que une buracos de minhoca e permite viagens espaciais – inclusive dos mecans da Terra, que dizimam cada vez mais soldados da Gênesis. Para isso, os dois partem em uma missão que envolve explorar a galáxia em busca do objeto capaz de destruir o Portão.

É muito difícil falar sobre esse livro sem me aprofundar um pouco mais sobre o enredo, mas acredito que tenha conseguido contar tudo que vocês precisam saber para entender a trama. Apesar de parecer complexo, Desafiando as Estrelas vai apresentando os fatos de maneira gradual e facilmente compreensível. Com o passar dos capítulos, vamos aprendendo mais sobre a personalidade fechada e a baixa autoestima de Noemi, sobre sua relação com a melhor amiga, sobre sua conexão com o planeta natal, sobre a extensão do universo, bem como sobre a solidão sentida por Abel ao longo dos 30 anos presos na nave, sua maneira peculiar de funcionar, os aspectos orgânicos e cibernéticos que formam seu corpo, as novas conexões neurais que seu cérebro foi capaz de produzir nas últimas três décadas… Ou seja, nenhuma informação é jogada de modo brusco ao leitor, tornando fácil acreditar e assimilar esse novo mundo que Claudia Gray propõe.

resenha desafiando as estrelas.png

E como não amar a dinâmica de Noemi e Abel? Os dois começam a trama como inimigos declarados, tornam-se cúmplices e parceiros, desenvolvem uma amizade sólida e, por fim, sentimentos mais profundos florescem. Só que tudo isso ocorre de maneira gradual, após atitudes e situações que fazem com que tudo faça sentido. Abel inicialmente é compelido a ajudar Noemi devido à sua programação, mas ao conviver com ela percebe sua coragem, seu altruísmo e seu caráter. A jovem, por outro lado, pouco a pouco percebe que Abel está longe de ser somente uma máquina, mas sim um ser diferente de tudo que ela já viu, com pensamentos e opiniões próprias… com uma alma (e vamos separar um minuto para exaltar o fato da personagem ser latina? Já quero ver essa representatividade em um filme ou série!). O melhor de tudo é que cada um aflora no outro o melhor que eles podem ser: enquanto Noemi é a primeira a acreditar na alma de Abel, ele mostra a ela o quanto sua vida é valiosa e o quanto ela é importante. Mas, se eu tivesse que escolher um favorito, acho que ficaria com Abel. Os comentários práticos e diretos dele me divertiram demais (especialmente quando ele sugere prostituição como a solução óbvia para conseguirem dinheiro HAHAHA! Sério, essa cena é bem engraçada).

Outro aspecto muito bacana do livro é que ele nos mostra que as coisas nem sempre são o que parecem ser. Conforme vai conhecendo outras realidades – e as dificuldades que os seres humanos passam em todos os planetas do Loop –, Noemi passa a questionar o quão correto é a Gênesis se fechar para os outros mundos. Ao conviver com pessoas diferentes, a jovem passa a abrir sua mente e entender que nada é preto no branco, e que suas crenças sobre os mundos do Loop eram deturpadas e sem proximidade com a realidade; isso fica nítido em sua relação com Abel. Se antes ela julgava os mecans seres descartáveis, somente objetos, o dia a dia com ele a faz perceber que muito do que ela acreditava não era correto. Perceber como a personagem se abre a novas experiências e permite que suas crenças sejam questionadas é algo interessante e saudável, afinal, nem sempre existe uma única verdade que sirva para todos. Agora, como crítica negativa, deixo somente a obviedade do plot twist, que eu já havia previsto muito tempo antes de acontecer.

Desafiando as Estrelas tem uma excelente construção de universo, uma narrativa muito envolvente e personagens excelentes (inclusive os secundários, que surgem enquanto Abel e Noemi exploram o universo). Eu até admito que demorei mais do que o normal para terminar essa leitura e, em alguns momentos, acabei ficando entediada ou com sono, mas atribuo isso ao fato de que o último mês foi muito exaustivo pra mim (por motivos pessoais e profissionais). Desafiando as Estrelas é uma obra excelente, que tem todos os elementos necessários para agradar a fãs de sci-fi ou, simplesmente, leitores que adoram histórias cheias de ação, novos mundos, personagens divertidos e ambientação bem desenvolvida. Recomendo! ❤

Título Original: Defy the Stars
Série: Constelação
Autor: Claudia Gray
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 387
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Para Sempre Perdida – Amy Gentry

Oi gente, tudo bem?

Mas é claro que a primeira resenha de 2019 seria de um thriller, né? Hoje conto pra vocês o que achei de Para Sempre Perdida.

para sempre perdida amy gentry.pngGaranta o seu!

Sinopse: Transcorridos oito anos de seu sequestro, Julie Whitaker retorna subitamente para casa. A família, ainda que petrificada pela tragédia, se manteve unida e esperou muito por esse momento. Para Anna, no entanto, a volta da filha ao lar desperta mais questões do que respostas, mais dúvidas do que conforto. Ao notar incoerências no discurso da filha, Anna conclui que o seu pesadelo está apenas começando: ela suspeita da identidade da jovem, duvida de seus relatos e conclui que precisa descobrir a verdade sobre o sequestro da filha a qualquer custo.

Quando bati o olho nessa capa e nessa sinopse já me senti instantaneamente curiosa para conferir a trama de uma família que, após enfrentar o sequestro e a perda de sua filha mais velha, se depara com seu súbito retorno oito anos depois. Com o elemento da desconfiança presente – afinal, a mulher que retornou é mesmo Julie, a menina desaparecida? –, esse livro provoca no leitor a sensação de que nenhuma informação é verdadeira.

A narrativa colabora com esse sentimento: os capítulos são intercalados, sendo narrados em primeira pessoa por Anna (mãe de Julie) e em terceira pessoa por jovens que são parte fundamental da trama. São esses os capítulos mais confusos, especialmente no início, porque aparentemente eles não possuem conexão alguma. Com o passar do tempo, entretanto, as peças vão se encaixando e tudo começa a fazer sentido (não posso falar mais nada sem dar spoiler!!!). Minha dica, portanto, é a seguinte: prestem atenção nesses capítulos, pois eles fornecem informações valiosas para compreender o grande mistério da trama.

Ao longo da trama, a autora também aborda as rachaduras familiares causadas pelo sequestro de Julie. Anna e o marido se afastaram, a filha mais nova – que presenciou o sequestro – foi negligenciada pela mãe e os laços entre elas são completamente fragilizados. Achei uma pena que a autora não tenha utilizado Jane, a filha mais nova, como uma das narradoras, já que a personagem carrega um grande trauma e possível culpa por ter presenciado o sequestro da irmã sem poder fazer nada para impedi-lo.

Apesar da autora ter conseguido demonstrar os problemas que a família enfrentou, senti falta de um maior aprofundamento emocional dos personagens. Nos capítulos de Anna temos vislumbres do sofrimento vivido pela família, mas que rapidamente são substituídos pela desconfiança de que aquela mulher não seja realmente sua filha. A partir daí, Anna aceita a ajuda de um detetive particular que está determinado a resolver o mistério. Em contrapartida, os capítulos em terceira pessoa são mais ricos em aprofundamento – porém são todos narrados no passado. Novamente, o desenvolvimento dos personagens no tempo presente acaba sendo superficial.

resenha para sempre perdida amy gentry.png

Nesse sentido, os capítulos narrados no passado se destacam. Com o passar das páginas, o leitor conhece as dores e as dificuldades vividas pela narradora, que precisou vencer muitos desafios cruéis para sobreviver. É bem interessante como o livro utiliza a performance da fragilidade feminina como meio de sobrevivência: nossa narradora em diversos momentos aparenta ser alguém frágil, que precisa ser salva, como estratégia para atingir seus objetivos. Porém, não digo isso de modo a recriminá-la (apesar das atitudes erradas); ela realmente precisava sobreviver, e usou das ferramentas que tinha para tal. Esse aspecto da obra me lembrou muito de Alias Grace, em que também temos uma personagem feminina valendo-se do estereótipo errôneo construído em torno das mulheres para evitar a morte.

Existem algumas coisas que, para mim não fizeram muito sentido. São spoilers, então pule para o próximo parágrafo se não quiser ler. Primeira questão: se Julie é mesmo Julie, por que a obsessão por esconder o cabelo natural? É normal que cabelos loiros escureçam um pouco ao longo dos anos. Segunda questão: quantos anos afinal tinha Charlie/Maxwell? Ele é descrito como um cara mais velho, mas ao mesmo tempo fazia parte do grupo de jovens da igreja (?). Terceira questão: Julie sumiu aos 13 anos e voltou aos 21. Como Anna teve dificuldades em reconhecer seu rosto? Se fosse uma criança muito mais jovem, eu compreenderia, mas não era o caso. Pessoas não mudam TANTO a fisionomia dos 13 aos 21 anos, o rosto permanece reconhecível, já que nossos traços principais já estão bem definidos. Por outro lado, Julie sofreu muito e isso pode ter envelhecido ou mudado um pouco seu semblante, mas ainda assim… Achei meio forçado, uma conveniência de roteiro (para que Julie tivesse idade e ideias próprias o suficiente para ser ~corrompida por alguém na internet).

O final do livro é bastante satisfatório e consegue conectar a maioria das peças apresentadas ao longo da trama. A justificativa para o que acontece é verossímil, tanto que existem casos parecidos (e bem recentes) no mundo real. O desfecho proporciona algumas reflexões sobre como nem sempre conhecemos a fundo as pessoas que amamos e como é fundamental que exista comunicação e apoio no ambiente familiar. E, é claro, do cuidado que devemos ter com a internet, onde jovens podem ser facilmente seduzidos. Aproveito esse momento também para elogiar a capa, que é fantástica: a foto é super aflitiva e os olhos da menina tendo sua boca tapada são expressivos e comoventes. As cruzes espalhadas pela capa também são muito significativas. No final do livro você compreende como a capa foi bem pensada.

Para Sempre Perdida foi uma leitura satisfatória, com um mistério instigante e uma situação bastante delicada e importante como tema. A autora conseguiu concluir a maior parte das pontas soltas com eficiência, entregando uma história redondinha e bem construída – apesar de triste e dolorosa. Recomendo!

Título original: Good As Gone
Autor: Amy Gentry
Editora: Rocco
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja – Mindy Mejia

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei do ótimo suspense Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja.

tudo que voce quiser que eu seja mindy mejia.pngGaranta o seu!

Sinopse: Hattie Hoffman passou os 17 anos de sua vida representando papéis – de boa filha, ótima aluna, namorada ideal. Mas Hattie espera mais do que isso da vida, e o que ela deseja acaba se tornando muito, muito perigoso. Quando a jovem é encontrada brutalmente assassinada, todos da cidadezinha onde vivia ficam estarrecidos com o crime. Logo vem à tona que Hattie estava envolvida num relacionamento com potencial explosivo. A questão é: alguém mais sabia disso? Será que o namorado de Hattie seria capaz de cometer um crime, se soubesse da traição? Ou será que o comportamento impulsivo da jovem a colocou no lugar errado, na hora errada? Com uma trama repleta de reviravoltas, Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja desafia o leitor a reconhecer o tênue limite entre inocência e culpa, identidade e decepção. E fica a questão: o amor leva ao autoconhecimento ou à destruição?

Hattie Hoffman ama atuar. Sua atuação, entretanto, não se restringe aos palcos. A garota tem diversos papéis prontos que executa com maestria: aluna perfeita, filha dedicada, excelente amiga, namorada ideal. Entretanto, quando ela é encontrada brutalmente assassinada, todos em sua pequena cidade natal, Pine Valley, ficam perplexos e devastados. Com uma narrativa não linear, que alterna entre passado e presente, vamos desvendando esse mistério pela perspectiva de três personagens: Del, o xerife; Peter, o professor de inglês e amante de Hattie; e, por fim, a própria Hattie.

Além do título, a capa do livro já evidencia a principal característica da protagonista: a personalidade de Hattie é fragmentada, e não sabemos ao certo quem ela realmente é. Após sua morte, acompanhamos diversos segredos da vida da personagem sendo desvendados por meio de seus relatos e também da investigação de Del. E, para ser sincera, enquanto a garota ia sendo desvendada, foi impossível não pensar em Hattie quase que como uma sociopata. Ela é capaz de interpretar múltiplas personagens, dependendo do interlocutor, sem o mínimo de remorso, ensaiando mentalmente tudo que precisa dizer ou fazer para obter o que deseja.

Peter, por outro lado, é um personagem que inicialmente causa pena. Ele foi arrastado para o interior porque a mãe de sua esposa está doente e, desde a mudança, sua mulher parece cada vez mais distante e indiferente, fazendo pouco caso de qualquer tentativa de aproximação. Porém, não demora para que o personagem conquiste meu ranço. Quando ele descobre que a mulher com quem conversava pela internet era Hattie, sua primeira atitude é botar um ponto final na relação (o correto a se fazer). Entretanto, após muita “insistência da jovem”, Peter cede aos seus desejos quando a garota completa 18 anos, e os dois vivem um caso durante meses.

Muitas coisas me causaram incômodo nessa relação: em primeiro lugar, é um homem mais velho em uma posição de poder (professor > aluna) olhando de modo sexual para uma adolescente e se relacionando com ela; em segundo, obviamente, a traição em si; por último, mas não menos importante, o fato de que a autora coloca Hattie como a pessoa que “faz” Peter ceder. É Hattie quem insiste e “corrompe o pobre professor” até ele perder a sanidade e não resistir aos seus encantos. Essa vibe de “jovem provocante que seduz o homem mais velho relutante” é muito problemática, porque reforça o estereótipo da menina sedutora e ardilosa, a verdadeira culpada pela corrupção moral do homem. Pelo amor de Deus, Peter era o adulto na relação, ele era o responsável por tomar a atitude correta!

resenha tudo que voce quiser que eu seja mindy mejia

Agora, falando um pouquinho sobre Del. O personagem, assim como o leitor, tenta encaixar as peças para entender o que aconteceu. Apesar de ter menos espaço narrativo do que Hattie e Peter, ainda assim conseguimos conhecer um pouco mais sobre ele e seu passado. Ele é um homem íntegro, solitário, mas que valoriza as amizades acima de tudo (em especial com os Hoffman, de quem é amigo há mais de 20 anos). Para o xerife, é extremamente doloroso investigar a morte de Hattie, devido à sua aproximação com a família. E, é claro, também é doloroso perceber como a garota vivia uma vida de segredos.

O mistério em relação à morte de Hattie não é o que prende o leitor. Inclusive, a resolução do caso deixa bastante a desejar. Mas o brilho de Tudo O Que Você Quiser Que Eu Seja não está no mistério, e sim na excelente construção dos personagens. Mindy Mejia consegue criar indivíduos muito verossímeis, cheios de qualidades e, principalmente, falhas. Seus questionamentos e sentimentos são realistas, e a trama não coloca as coisas preto no branco. Não, eu não me afeiçoei aos personagens, mas isso não quer dizer que eu não tenha conseguido admirar o modo como eles foram sendo desenvolvidos ao longo das páginas. As relações humanas – incluindo as obsessões doentias, as escolhas morais duvidosas e os atos extremos – são apresentadas de uma forma extremamente envolvente e bem construída. Como uma leitora que valoriza MUITO personagens bem desenvolvidos, fiquei totalmente satisfeita.

Enquanto lia Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja, percebi que estava menos interessada no mistério em si do que na vida dos personagens. Nesse sentido, me lembrei de O Segredo do Meu Marido, que também faz um ótimo trabalho em destrinchar as relações e os sentimentos humanos. Mindy Mejia consegue atingir esse objetivo neste livro, trazendo à vida personagens ambíguos e diversos questionamentos sobre identidade, culpa, responsabilidade, escolhas e sobre como nem sempre conhecemos de verdade as pessoas que amamos. Recomendo muito!

Título original: Everything You Want Me To Be
Autor: Mindy Mejia
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Resenha: Sem Coração – Marissa Meyer

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Sem Coração, o primeiro romance avulso de Marissa Meyer, autora das Crônicas Lunares.

sem coração marissa meyerGaranta o seu!

Sinopse: Sem Coração é a história da jovem de 17 anos que sonha em abrir uma confeitaria com sua melhor amiga e empregada, Mary Ann. Mas Catherine é de família nobre, e confeiteira é uma função exercida por meros plebeus. Para realizar seu sonho, Catherine tenta conquistar o rei, enviando para ele macarrons, tortas de limão e outras delícias. O que ela não previa era que o rei se apaixonasse por ela e a pedisse em casamento. E pior: numa das festas no palácio, ela conhece o Coringa, o novo bobo da corte, por quem se apaixona perdidamente. Nasce aí um amor proibido que marcará a vida de Catherine para sempre.

Não sou uma grande fã do universo de Lewis Carroll, apesar de ter lido Alice No País das Maravilhas e Alice Através do Espelho e, também, assistido aos filmes. Por algum motivo, o mundo excêntrico do autor nunca conseguiu me cativar. Ainda assim, Sem Coração consegue agradar quem adora esse universo e também quem não dá tanta bola assim (como eu). Apesar das maluquices do Reino de Copas estarem presentes e de vários personagens icônicos aparecerem, esses aspectos não são o foco da narrativa (como nos livros de Alice), mas sim os sonhos e sentimentos de Catherine, bem como sua trajetória rumo à vilania.

Catherine é a filha do Marquês do Recanto da Pedra da Tartaruga. O sonho de seus pais para seu futuro é que ela seja Rainha, dado o fato de que o Rei parece encantado por ela e está decidido a pedi-la em casamento. Porém, o sonho de Cath é abrir uma confeitaria com sua criada e melhor amiga, Mary Ann. Cozinhar e preparar doces é sua grande paixão e, por mais bondoso que o Rei seja, Cath despreza seu jeito atrapalhado e ineficiente de cuidar do reino. Seus sentimentos ficam ainda mais bagunçados após conhecer o novo bobo da corte, Jest. O Coringa, com seus belos olhos amarelos e jeito misterioso, não demora a conquistar o coração de Cath, que se vê em um dilema sobre que caminho seguir: o dos seus sonhos ou o que seus pais esperam para ela.

Falando em Catherine, ela é uma personagem que me causou múltiplos sentimentos: por um lado, gostei de seu jeito sonhador, sua autoconfiança, sua bondade e gentileza; porém, não dá pra negar: ela foi uma covarde o livro inteiro. Entendo que ela tivesse medo de decepcionar os pais, mas de que adianta ser tão sonhadora se ela não é nada determinada? Em diversos momentos a própria personagem conclui que não impediu o Rei de cortejá-la, não disse o que realmente pensava ou não agiu como deveria. Portanto, “corajosa” definitivamente não é o adjetivo que melhor lhe descreve. E isso causa um certo cansaço, porque vemos Catherine “deixando” as coisas acontecerem sem reagir. De Jest eu gostei, fiquei envolvida em seus mistérios e sua personalidade encantadora. Assim como Cath, Jest tem uma essência doce e gentil (o que fica evidente em seu respeito pelo Rei e pelos sentimentos que o monarca nutre por Cath). Entendo que Cath tenha ficado fascinada por ele, já que o personagem consegue “enfeitiçar” todos ao seu redor.

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É meio triste você começar um livro sabendo seu desfecho, especialmente quando se trata da história de origem de uma vilã. Afinal, por mais esperanças que o leitor possa sentir, você sabe que toda a inocência e bondade da protagonista serão afogadas em algum acontecimento que a transformará na temida Rainha de Copas. O que me deixou mais chateada, nesse caso, é que o acontecimento poderia ter sido evitado se ela não fosse tão teimosa e descrente. Há inúmeras evidências de magia e coisas impossíveis em Copas, mas mesmo assim Cath teima e age contra tudo que lhe foi avisado. Porém, devo admitir que o motivo para tal atitude é nobre, o que redimiu um pouco a personagem aos meus olhos.

Outra questão interessante é o modo como Hatta, o Chapeleiro Maluco, foi construído. Em primeiro lugar, seus sentimentos por Jest são genuínos e, no final, faz todo sentido seu comportamento ao longo do livro. Em segundo lugar, seu medo de encarar seu destino – a perda da sanidade – é palpável, e ele busca de todas as formas escapar disso. Até que o final do livro muda tudo, para todos.

E já que mencionei o final, vale dizer que até a metade do livro eu não estava sendo envolvida pela história. Marissa Meyer narra MUITO bem, mas a trama em si não estava conseguindo me prender. Basicamente, nada acontecia: Cath e Jest flertavam, ela ficava indecisa e se acovardava. O mistério sobre Sir Peter e sua esposa (um casal super estranho, com atitudes suspeitas) me deixava mais curiosa do que a trama de Cath, apesar do plot previsível. Entretanto, no terço final do livro as coisas ganham ritmo. Cath passa a agir mais e, junto de Jest, toma atitudes ousadas em nome do próprio futuro e felicidade. As cenas de ação que ocorrem a partir disso são muito boas, e o desfecho de certos personagens conseguiu me deixar com os olhos marejados.

Sem Coração demorou a engrenar e me conquistar mas, no geral, foi uma boa experiência. Adorei o modo de Marissa Meyer de contar histórias (e fiquei com vontade de ler as Crônicas Lunares, inclusive). Apesar do tom fatalista inerente de qualquer história de origem de um vilão, Sem Coração consegue mostrar que a temida Rainha de Copas já teve sonhos, gentileza e amor. O problema é que, quando tudo lhe é tirado, seu coração já não serve pra mais nada. Vale a leitura! 😉

Título original: Heartless
Autor: Marissa Meyer
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 416
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: A Herdeira da Morte – Melinda Salisbury

Oi gente, tudo certinho?

O post de hoje é sobre A Herdeira da Morte, o primeiro volume de uma trilogia de fantasia escrita por Melinda Salisbury. 🙂

a herdeira da morte melinda salisbury.pngGaranta o seu!

Sinopse: Twylla tem 17 anos, vive num castelo e, embora seja noiva do príncipe, não é exatamente um membro da corte. Ela é o carrasco. Primeiro de uma surpreendente série de fantasia, Herdeira da Morte conta a história de uma garota capaz de matar instantaneamente qualquer pessoa que ela toca. Até mesmo seu noivo, cujo sangue real supostamente o torna imune ao toque fatal de Twylla, evita sua companhia. Porém, quando um novo guarda chega ao castelo, ele enxerga a garota por trás da Deusa mortal que ela encarna, e um amor proibido nasce entre os dois. Mas a rainha tem um plano para acabar com seus inimigos, e eles incluem os dons de Twylla. Será que a jovem se manterá fiel a seu reino ou abandonará tudo em nome de um amor condenado?

Twylla é a Daunen Encarnada. Basicamente, isso quer dizer que ela é a reencarnação da filha de dois deuses, Daeg e Naeht (Sol e Lua, respectivamente), e deve servir como fonte de esperança ao reino de Lormere. Mas suas funções vão além de orar, cuidar do templo e ser a futura esposa do príncipe: ela é também o carrasco da corte. Por ser a Daunen Encarnada, ela é a única capaz de sobreviver ao pior veneno do reino, a Praga-da-Manhã, e esse veneno fica impregnado em sua pele – tornando-a capaz de matar com um simples toque. Acostumada a viver isolada e sem nenhum contato humano, Twylla vê sua rotina mudar com a chegada de um novo guarda, Lief: um rapaz jovem, curioso e impulsivo, que a trata sem cerimônias e conversa com ela como igual. Twylla precisa então decidir entre seus sentimentos e seus deveres para com o reino.

A Herdeira da Morte tinha tanto potencial: uma garota com a capacidade de matar, uma rainha odiosa e controladora, uma corte cheia de segredos, uma mitologia bastante rica… Infelizmente, a maior parte da trama não explora esses elementos. Para começar, o livro demora bastante a engrenar, e os acontecimentos relevantes começam a ocorrer lá pela metade da trama. Eu até relevei essa questão, já que os primeiros livros de séries de fantasia costumam ser mais descritivos e introdutórios, mas não posso negar que essa característica fez com que a leitura demorasse a “pegar no tranco”. Entretanto, devo elogiar a capacidade de Melinda Salisbury de criar a ambientação do seu universo, dando aos poucos as informações que foram moldando o mundo fictício onde a história se passa. O problema maior nesse livro foi… o casal.

Eu comecei a leitura achando a proposta super interessante, especialmente devido à mitologia criada pela autora. Mas a verdade é que faltou carisma nos personagens. Twylla não chega a ser irritante, mas está longe de conquistar o leitor. Eu consigo compreender sua personalidade mais fechada, especialmente por carregar a culpa de ser a carrasca do reino, mas a grande questão é que a personagem não brilha. Ela não luta pelo próprio destino, ela não toma decisões, ela permanece estagnada. Lief, por outro lado, é um tanto forçado. A relação entre eles é construída às pressas, e basta apenas um mês para que ambos estejam apaixonadíssimos e fazendo juras de amor eterno. Acho que estou ficando velha, por isso não cola mais pra mim. 😛

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Merek, o príncipe e terceiro elemento do triângulo amoroso, começa como um personagem misterioso e interessante, mas no fim não é nada além de patético e digno de pena. Porém, apesar dos “mocinhos” serem esquecíveis, temos uma vilã bem digna, com uma vibe meio Cersei Lannister/Rainha Má: maldosa, ambiciosa, egoísta e louca. Ela é cruel apenas pelo prazer de ser cruel. O problema? Ela SOME durante METADE do livro! Enquanto o romance se desenrola, a autora cria uma desculpa meio furada para o sumiço da rainha, que deixa de ser uma ameaça real durante boa parte da trama. Que desperdício!

Os plot twists do final conseguem manter o leitor interessado, mas em contrapartida são bem nonsense e, até certo ponto, clichês. A trama do Príncipe Adormecido (uma das lendas que fazem parte da mitologia de Lormere) ganha espaço DO NADA e o leitor fica “ué”. E o epílogo? Não sei até agora o que senti a respeito. Por um lado, foi bacana ver Twylla tomando as rédeas da própria vida; por outro, fiquei insatisfeita com tantas coisas importantes em aberto.

Eu terminei A Herdeira da Morte com sentimentos confusos. De modo geral, não gostei das decisões de Melinda Salisbury para o desenvolvimento da história. Por outro lado, achei muito rico e interessante o universo criado por ela, cheio de mitos e lendas instigantes. Sabe quando um livro tem muito potencial e você fica triste porque ele não foi bem explorado? Pois é. 😦

Título Original: The Sin Eater’s Daughter
Série: A Herdeira da Morte
Autor: Melinda Salisbury
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Vocação Para o Mal – Robert Galbraith

Oi gente, tudo certo?

Terminei o livro mais recente (publicado no Brasil) da série Cormoran Strike, Vocação Para o Mal, e hoje vim contar pra vocês minhas impressões sobre ele.

vocação para o mal robert galbraithGaranta o seu!

Sinopse: Quando um pacote contendo a perna decepada de uma mulher é entregue a Robin Ellacott, seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, suspeita de quatro pessoas de seu passado que poderiam ser capazes de tamanha brutalidade. Mas quando a polícia foca no suspeito que Strike tem cada vez mais certeza de que não é o criminoso, ele e Robin precisam correr contra o tempo para descobrir a verdade. Depois de O chamado do Cuco e O bicho-da-seda, o terceiro romance da aclamada série escrita por Robert Galbraith, pseudônimo de J. K. Rowling, é um suspense inteligente, com reviravoltas inesperadas a cada página, e também a emocionante história de um homem e de uma mulher numa encruzilhada em suas vidas pessoais e profissionais.

Após a resolução de dois casos com grande destaque na mídia, Strike finalmente pode respirar mais tranquilamente, sabendo que as finanças estão ficando em dia e que o escritório prospera. Robin também está exultante nesse volume, após finalmente ter realizado o curso de contravigilância pago por Strike. Entretanto, a calmaria é interrompida quando Robin recebe uma encomenda destinada a ela: em vez das esperadas câmeras descartáveis (para o casamento com Matthew), o que a jovem recebe é uma perna decepada.

Vocação Para o Mal é interessante especialmente porque, nesse caso, existem motivações pessoais contra Strike. De imediato, após o recebimento da perna, o detetive já faz uma lista de homens em seu passado que teriam bons motivos para querer destruí-lo: Jeff Whittaker (ex-marido de sua mãe, que Strike acredita tê-la matado), Noel Brockbank (ex-soldado e pedófilo em quem Strike causou lesão cerebral) e Donald Laing (também ex-membro do Exército, colocado atrás das grades por Strike). Todos os homens têm um grande histórico de violência, que os tornam perfeitamente capazes de terem cometido tal atrocidade. Entretanto, a maior fonte de preocupação de Strike é Robin.

A parceira de Strike vive um turbilhão de emoções nesse livro. Além de ter recebido a perna, ela descobre algo sobre o noivo, Matthew, que a deixa completamente desestabilizada. São nessas circunstâncias que ela conta a Strike o que aconteceu para que ela tivesse tido agorafobia e largado a faculdade de Psicologia. Ao descobrirmos mais sobre o passado de Robin, não apenas entendemos algumas de suas escolhas de vida como também a admiramos ainda mais por sua força e sua coragem. Robin é um mulherão da porra (e merecia mais que o embuste do Matthew). Não sei como me sinto sobre um possível envolvimento romântico dela com Strike nos livros (porque na série eu shippo loucamente, em função da química dos atores) mas, se isso acontecer no futuro, vai ser de maneira natural, já que o autor construiu a relação de confiança dos dois ao longo dos três livros.

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Minha crítica a esse volume permanece a mesma dos anteriores: Robert Galbraith enrola demais! Existem cenas que podem ser facilmente classificadas como fillers, não existindo necessidade de estarem ali. Se o autor fosse um pouco mais direto – mesmo para dar as várias pistas (verdadeiras e falsas) – o livro fluiria muito melhor. Confesso que esse aspecto da escrita de Robert Galbraith está me deixando um pouco apreensiva para o seu novo livro, Lethal White (lançado em setembro no Reino Unido), que tem mais de 600 páginas. Se grande parte delas forem encheção de linguiça, ficarei bastante decepcionada. 😦 A conclusão do livro não foi tão impactante quanto nos volumes anteriores, pois já sabemos quem são os suspeitos e que eles são odiosos. Não é como se fosse uma surpresa descobrir que qualquer um era um assassino, sabem? Nesse sentido, O Chamado do Cuco ganha disparado, tendo o melhor desfecho da série até agora.

Vocação Para o Mal foi um livro muito bacana para desenvolver a dupla de detetives, mas pecou um pouco no mistério em si. A resolução do caso foi arrastada e o final não surpreendeu, o que é um pouco decepcionante em livros policiais. Entretanto, eu gosto demais de Strike e de Robin e curti muito ver suas emoções e pensamentos em destaque. Não foi o melhor livro da série, mas não chegou a decepcionar. 😉

Título Original: Career of Evil
Série: Cormoran Strike
Autor: Robert Galbraith
Editora: Rocco
Número de páginas: 496
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.