Resenha: A Morte da Sra. Westaway – Ruth Ware

Oi pessoal, tudo bem?

Eu vivo comentando por aqui o quanto sou apaixonada por thrillers e romances policiais, então tenho gostado bastante de conferir os suspenses da Ruth Ware. Recentemente li seu último livro lançado no Brasil, A Morte da Sra. Westaway, e hoje vim dividir a experiência com vocês.

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Sinopse: Hal Westaway lê cartas de tarô no cais de Brighton e, desde a morte da mãe, luta diariamente para pagar suas contas e sobreviver. Quando ela recebe uma carta inesperada anunciando que ela herdou uma soma substancial de sua avó da Cornualha, aquilo lhe parece uma resposta às suas preces. Ela deve dinheiro a um agiota e as ameaças do sujeito estão cada vez mais agressivas: ela precisa botar a mão em dinheiro vivo o mais breve possível. Existe apenas um problema: as avós de Hal morreram há mais de vinte anos. A carta foi enviada à pessoa errada. Hal sabe, no entanto, que as técnicas que usa para “ler” as pessoas através do tarô podem ajudá-la a conseguir esse dinheiro. Se alguém tem habilidade para comparecer ao funeral de um estranho e reivindicar um espólio que não lhe pertence, é ela. Ao chegar à cerimônia, porém, Hal percebe que há algo muito, muito errado a respeito de toda aquela situação, e a herança está no centro de tudo. Mas Hal Westaway fez sua escolha, e não pode voltar atrás. Ela precisa continuar ou arriscar perder tudo. Até mesmo a própria vida.

Hal é uma jovem em apuros. Após perder a mãe em um atropelamento, a garota assumiu o quiosque que as sustentava, herdando seu ofício e fazendo leituras de tarô. Porém, graças a dificuldades financeiras, Hal fez um empréstimo com um agiota, que além de cobrar juros cada vez mais exorbitantes agora também ameaça sua vida. Quando a garota recebe uma carta de um advogado explicando que sua avó faleceu e lhe deixou uma herança, Hal experimenta duas emoções conflitantes: a primeira delas é esperança, já que qualquer quantia seria uma salvação no momento; a segunda é perplexidade, porque sua avó já morreu há anos. Tomada pelo medo do agiota, Hal decide ir ao funeral para receber a herança, mesmo sabendo que terá que interpretar um papel complicado e cometer uma fraude. O que Hal não sabe, porém, é que a família que entrou em contato – que compartilha seu sobrenome, Westaway – tem muito mais segredos e conflitos do que ela esperava.

Eu sei que a atitude de Hal parece provocar antipatia à primeira vista, mas eu juro pra vocês: Ruth Ware constrói a protagonista de uma forma que nos provoque empatia. Hal não deseja passar a perna em ninguém por maldade ou por cobiça; o que ela espera é uma salvação para uma situação desesperadora da qual ela não sabe como sair. Isso não justifica a atitude, é claro, mas faz com que seja mais fácil “calçar seus sapatos”. Como o advogado cita seu nome e seu endereço na carta, Hal pensa que talvez exista alguma explicação que a conecte àquela família, principalmente porque ela não tem muitas informações sobre o passado da mãe, enquanto seu pai é alguém que ela nunca conheceu. Mas quando chega ao enterro da Sra. Westaway e conhece seus filhos (o tenso Harding, o cortês Abel e o sarcástico Ezra), Hal começa a se sentir ainda pior, porque se torna tangível a quem ela poderia prejudicar com a fraude.

Aos poucos, Ruth Ware vai revelando a animosidade entre os irmãos e os mistérios dos Westaway sobre os quais ninguém fala. O livro traz as sequelas de uma família em que o diálogo era raro, mas as punições eram abundantes. Somado a esse passado doloroso está o misterioso desaparecimento de Maud Westaway, irmã dos novos “tios” de Hal, que paira sobre todos eles como uma espécie de sombra ou tabu. Enquanto Hal se aprofunda na história daquelas pessoas, o leitor também vai conhecendo um outro personagem importante: a casa em que a história acontece, Trepassen House. Ela tem seus próprios segredos e foi palco de acontecimentos há muito esquecidos ou enterrados, e é tão importante quanto qualquer um dos Westaway.

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A história oscila entre o presente, com uma narração em terceira pessoa que acompanha Hal, e o passado, com os escritos do diário de sua mãe. Dessa forma, o leitor consegue ir desenhando mentalmente a figura dessa mulher tão importante na vida da protagonista, enquanto tenta encaixar as peças e entender como alguém pode ter mudado tanto – já que Hal conheceu uma versão muito mais cética e prática de sua mãe, diferente da adolescente sonhadora que o diário revela. Nesse sentido o tarô se torna um elemento muito importante: ele vai além do sustento de Hal, sendo também o elo que ela possui com sua mãe. A habilidade de leitura de cartas é útil não apenas como ofício, mas principalmente porque ajuda Hal a ler o comportamento humano. E é com essa sensibilidade que a personagem vai desvendando os segredos de Trepassen House, tornando mais crível o desenvolvimento da história.

Apesar do mistério se revelar gradualmente, o livro não é cansativo. Diferente do que acontece em O Jogo da Mentira (da mesma autora), que tem mais páginas do que o necessário, A Morte da Sra. Westaway é instigante e protagonizado por alguém que cativa. Hal é uma personagem com o coração no lugar certo e que, infelizmente, teve perdas e sofrimento demais sendo muito jovem. Para completar, mistério é bem construído e amarra as pistas soltas ao longo da trama. Apesar de eu ter desconfiado da pessoa certa de início, a autora conseguiu me confundir e levar minha atenção pra outra hipótese. É desse jeito que eu gosto de ser enganada! 😂

A Morte da Sra. Westaway foi uma ótima experiência, sendo capaz de me fazer torcer e me importar muito com a protagonista ao mesmo tempo em que me fez querer desvendar os segredos de uma família cheia de mágoas e assuntos mal resolvidos. Envolvente e bem amarrado, é uma excelente opção pra quem tá buscando um suspense bacana ou deseja conhecer a escrita da Ruth Ware – que ganhou minha atenção com A Mulher na Cabine 10. Recomendo! 🙌

Título Original: The Death of Mrs. Westaway
Autora:
Ruth Ware
Editora: Rocco
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: O Jogo da Mentira – Ruth Ware

Oi gente, tudo bem?

Depois de ter adorado A Mulher na Cabine 10, fiquei super empolgada ao descobrir que a Editora Rocco publicaria o novo livro de Ruth Ware, O Jogo da Mentira. Vamos descobrir o que eu achei dele?

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Sinopse: A obra acompanha Isa, jovem que quando recebe o chamado de Kate, uma de suas mais antigas amigas, sabe que tem que voltar para o local onde passou o melhor semestre de sua vida. Até que para ajudar a amiga, Isa, Fatima e Thea tomam uma decisão que para sempre assombrará suas vidas.

Preciso de vocês. Essas três palavras são capazes de virar de cabeça para baixo a vida de Isa Wilde, a protagonista-narradora de O Jogo da Mentira. Enviadas por Kate, sua amiga dos tempos da escola, fazem com que não apenas Isa corra para encontrá-la, como também as outras duas mulheres que faziam parte de um quarteto inseparável, Fatima e Thea. Mas por quê uma frase tão “inofensiva” pode causar tanto alvoroço? O que torna o encontro de Isa, Fatima, Thea e Kate tão emergencial? Esses são os primeiros mistérios (mas não os únicos) que O Jogo da Mentira apresenta.

Com uma narrativa nem sempre linear, vamos descobrindo aos poucos a maneira como o quarteto inseparável – formado pelas já mencionadas Isa, Fatima, Thea e Kate – se conheceu, como a amizade se fortaleceu e como o Jogo da Mentira, que dá título ao livro, começou. Por motivos diferentes, cada uma delas foi enviada a um colégio interno localizado na cidade costeira de Salten. Kate era filha de um dos professores da escola, Ambrose, e era a única que tinha família e casa por perto; consequentemente, o lugar acabou se tornando o abrigo e o refúgio das outras três meninas, que em plena adolescência sentiam-se desamparadas e em busca da própria identidade. Além das quatro, Luc (irmão adotivo de Kate) completava o grupo, do qual Ambrose cuidava com carinho e afeto. Mas há algo de muito sombrio no passado das garotas, relacionado ao desaparecimento repentino de Ambrose e à sua expulsão da Salten House, que aos poucos vai sendo revelado ao leitor, conforme Isa adentra em memórias contra as quais lutou a vida inteira.

O título do livro se dá por uma brincadeira que as amigas faziam na adolescência, que consistia em enganar o máximo possível de pessoas e contabilizar pontos por isso. Porém, existiam regras, e uma das mais importantes era “não mintam umas para as outras”. Será que essa regra foi cumprida? Quando um osso humano é encontrado no rio Reach, que banha a cidade de Salten, o grupo é obrigado a enfrentar lembranças que ainda não cicatrizaram. E esse mistério (que acaba sendo um tanto previsível, apesar de não ser o único da trama) demora um bocado para ser solucionado, o que está relacionado a um dos problemas do livro: a falta de objetividade.

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Permeando o presente e o passado, a autora foca em transmitir as aflições de Isa sobre suas atitudes enquanto adolescente e também enquanto adulta. Em uma relação estável e com uma filha de apenas seis meses, Isa passa a temer não apenas por si mesma, mas pela pequena Freya (Isa, você realmente não deveria levar sua filha para situações tão arriscadas, mulher!). O remorso pelo passado somado às ameaças que sua amiga Kate sofre no presente e às inconsistências em alguns de seus discursos fazem com que Isa questione tudo aquilo que acreditou a vida toda. Com o passar das páginas, vai ficando cada vez mais difícil confiar em quem a rodeia, ainda que não saibamos o porquê dessa sensação, já que a amizade do grupo parece a única coisa sólida em toda a trama, em que até mesmo o cenário parece estar prestes a ruir.

O Jogo da Mentira por si só acaba tendo um papel menos importante do que aparenta de início, já que a trama não gira ao redor da brincadeira venenosa das amigas. A história acaba se transformando em uma espécie de drama, abordando diversos outros assuntos: há a sensação de se sentir perdida, a busca por uma conexão real, o conforto que uma amizade pode oferecer, o desejo de proteger quem amamos independentemente do custo (e os sacrifícios exigidos para isso), as consequências psicológicas dos nossos atos… Por meio de um mistério, Ruth Ware desenvolve as diversas emoções e anseios de suas personagens, todas mulheres fortes a seu próprio modo.

O Jogo da Mentira é uma obra bacana e com um final que conecta todas as pontas soltas, mas que deve ser considerado mais um drama sobre mistérios e mentiras do que um thriller propriamente dito. Com o passar das páginas, vamos conhecendo os fantasmas das protagonistas, desenterrando seus segredos e mergulhando mais fundo em seu remorso, mas não é fácil fugir dos erros do passado. E esse é um dos pontos de interrogação da trama: até que ponto é possível viver uma vida plena baseada em uma mentira? Independentemente da resposta, algo é inegável: a lealdade que Isa, Kate, Fatima e Thea sentem uma pela outra. E é essa relação o grande destaque da obra que, apesar de não ser perfeita, me proporcionou uma ótima experiência de leitura.

Título Original: The Lying Game
Autor: Ruth Ware
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: A Mulher Na Cabine 10 – Ruth Ware

Oi gente, tudo bem?

Hoje trago a resenha de um excelente thriller pra vocês: A Mulher Na Cabine 10, de Ruth Ware, publicado pela Editora Rocco.

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Sinopse: No livro, uma jornalista de turismo tenta se recuperar de um trauma quando é convidada para cobrir a viagem inaugural de um luxuoso navio. Mas, o que parecia a oportunidade perfeita para se esquecer dos recentes acontecimentos acaba se tornando um pesadelo quando, numa noite durante o cruzeiro, ela vê um corpo sendo jogado ao mar da cabine vizinha à sua. E o pior: os registros do navio mostram que ninguém se hospedara ao seu lado e que a lista de passageiros está completa. Abalada emocionalmente e desacreditada por todos, Lo Blacklock precisa encarar a possibilidade de que talvez tenha cometido um terrível engano. Ou encontrar qualquer prova de que foi testemunha de um crime e de que há um assassino entre as cabines e salões luxuosos e os passageiros indiferentes do Aurora borealis.

Lo Blacklock é uma jornalista de viagens que vive uma experiência traumatizante: no meio da noite, percebe que sua casa está sendo invadida. Apesar dos ladrões não a agredirem diretamente, o trauma e a sensação de violação causam na personagem sintomas semelhantes ao TEPT (crises de ansiedade, pesadelos e até mesmo alucinações). Dali a dois dias, Lo precisa viajar a trabalho para cobrir a viagem inaugural do cruzeiro de luxo Aurora borealis e, mesmo estando com o emocional virado de cabeça para baixo, ela decide não abrir mão da oportunidade de crescer na carreira. Na primeira noite a bordo do navio, Lo se dá conta que esqueceu o rímel, e decide recorrer à pessoa na cabine ao lado da sua, a cabine 10. Lá, Lo se depara com uma mulher jovem e bonita, que empresta o rímel com pressa, fechando-se novamente em sua cabine. Até aí, nada de (muito) estranho, né? O problema acontece durante a noite: Lo escuta um grito na cabine vizinha e, logo depois, o barulho de algo pesado sendo jogado no mar. Ao espiar pela varanda, uma mancha escura muito semelhante a sangue chama a sua atenção, e ela corre para acionar a segurança do navio. A questão é: segundo a equipe, não havia ninguém hospedado na cabine 10.

O plot de A Mulher Na Cabine 10 me conquistou de cara: uma personagem instável emocionalmente devido a um trauma, passando por uma situação tensa em um ambiente claustrofóbico e sem ninguém que acredite nela. A minha curiosidade para entender o que estava acontecendo era instigada a cada página, ao mesmo tempo em que Ruth Ware nos fazia duvidar da sanidade de Lo. A única prova que a personagem dispunha para provar a existência da tal mulher era o rímel que fora emprestado por ela, mas as evidências iam todas contra a teoria de Lo: ninguém da equipe vira tal mulher, ela não estava na lista da tripulação, tampouco dos passageiros. Não havia nenhum registro que comprovasse sua existência. A experiência traumática recente e o excessivo consumo de bebida alcoólica também não estavam a favor de Lo, que acaba entrando em um estado paranoico, temendo tudo e todos ao seu redor.

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Um recurso que Ruth Ware adotou e eu achei genial para aumentar ainda mais a tensão foi utilizar, ao fim de cada parte do livro, informações sobre o que estava acontecendo com pessoas externas ao navio, como o namorado de Lo (Jude) ou notícias que saíam na mídia. Essas passagens eram narradas alguns dias no futuro, e mostravam fatos como, por exemplo, Jude entrando em contato com os amigos pois estava sem notícias de Lo, uma notícia falando sobre um corpo encontrado no mar, outra notícia narrando o desaparecimento de uma jornalista do Aurora borealis chamada Laura Blacklock… Esses momentos do livro aumentavam em muito a curiosidade, a tensão e a expectativa para saber o que afinal aconteceria com Lo, mais até do que descobrir afinal quem era a tal mulher. O plot twist que envolve a revelação final também foi muito bom e convincente, me deixando muito satisfeita com o desfecho do livro.

A ambientação em um navio a mar aberto colabora muito com a sensação de claustrofobia e medo sentido pela personagem (e por nós, leitores). Me lembrei muito de Assassinato no Expresso do Oriente (o filme, pois não li o livro) e o receio constante de que qualquer pessoa ali possa ser um assassino. O fato de Lo estar sozinha, encarando a possibilidade de ter um criminoso em seu encalço, é uma situação muito aflitiva. O cansaço da personagem, que não consegue dormir direito desde a invasão ao seu apartamento, também é palpável, e o leitor fica agoniado com a exaustão psicológica da protagonista. Mas ela também se revela uma personagem forte, especialmente na reta final, e empática. Apesar de sofrer muito nas mãos dos responsáveis por tudo que aconteceu, ela ainda consegue perceber quem é também uma vítima e quem é apenas algoz na situação.

A Mulher Na Cabine 10 é um livro incrível e envolvente, excelente para quem é apaixonado por thrillers. Vai ser impossível não ficar angustiado, querendo descobrir o que realmente aconteceu no luxuoso Aurora borealis. Recomendo muito!

Título Original: The Woman in Cabin 10
Autor: Ruth Ware
Editora: Rocco
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.