Review: O Dilema das Redes

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar de já ter estreado na Netflix há um tempinho, ainda acho que vale a pena falar sobre O Dilema das Redes. Vamos conhecer?

Sinopse: Especialistas em tecnologia e profissionais da área fazem um alerta: as redes sociais podem ter um impacto devastador sobre a democracia e a humanidade.

Intercalando entrevistas de pessoas responsáveis pelas redes sociais que conhecemos hoje e dramatizações de uma família comum que, assim como a gente, tem acesso ao mundo conectado, O Dilema das Redes revela muito do processo de captura de dados e do uso deles para nos impactar com anúncios mais precisos, conteúdos relacionados às nossas pesquisas, postagens que conversem com nossas crenças, entre outros. Os entrevistados no documentário são pessoas que ajudaram a construir esses algoritmos no Google, no Facebook, no Instagram e outras plataformas, portanto sabem bem quais são os objetivos dessas companhias com o uso de dados. Quem trabalha com marketing digital, como é o meu caso, sabe o quanto essas informações são relevantes para planejar publicidade segmentada. Nesse caso, talvez o choque com o que foi apresentado em O Dilema das Redes seja menor, mas ainda assim a produção da Netflix acende um alerta e nos relembra desse assunto – já que em meio ao dia a dia é fácil esquecer.

O mais perturbador foi pensar no “efeito bolha” que a gente fala tanto, mas não reflete sobre. O Dilema das Redes levanta o questionamento de que as redes sociais como funcionam hoje são uma ameaça à própria democracia: ao nos impactar cada vez mais com opiniões alinhadas às nossas, as redes nos deixam cada vez mais presos às nossas bolhas e o mundo adquire um caráter muito mais polarizado, já que grupos divergentes não dialogam. E nem precisamos pensar na realidade estadunidense pra vislumbrar esse risco: no Brasil também temos discursos polarizados que colocam as pessoas em caixinhas extremamente distantes.

O documentário também fala sobre a construção dificultada da autoestima e o quão abaladas as gerações que já nasceram conectadas podem ficar. Desde muito cedo os jovens são expostos a influencers perfeitos, filtros que modificam o rosto e ao anonimato da internet, estando suscetíveis a inseguranças e bullying. Conseguir racionalizar o uso do Instagram, por exemplo, é um desafio, já que é uma rede social que lucra com a venda de vidas perfeitas.

O Dilema das Redes tem alguns momentos meio sensacionalistas, mas a provocação num geral é válida e pertinente. Eu trabalho diretamente com conteúdo e redes sociais e dificilmente vou conseguir me afastar totalmente desse universo por conta disso, mas tenho tentado ser cada vez mais consciente no uso, tanto no que diz respeito ao tempo passado nas redes sociais quanto que tipo de conteúdo eu consumo nelas. Recomendo O Dilema das Redes pra todo mundo (profissional da comunicação/marketing ou não) que tenha interesse em entender mais sobre como esse universo de algoritmos, recomendações e anúncios funciona. Alguma reflexão o documentário vai te provocar.

Título original: The Social Dilemma
Ano de lançamento: 2020
Direção: Jeff Orlowski
Elenco: Tristan Harris, Jeff Seibert, Bailey Richardson, Joe Toscano, Sandy Parakilas, Guillaume Chaslot

Dica de Série: Bom Dia, Verônica

Oi pessoal, tudo bem?

Lembram da minha resenha não muito satisfeita de Bom Dia, Verônica? Hoje vim contar pra vocês minhas impressões sobre a adaptação da Netflix e comentar um pouquinho sobre as diferenças entre as duas versões.

Sinopse: Uma policial investiga um predador sexual e acaba descobrindo um casal com um segredo horrível e um esquema de corrupção sinistro.

Após presenciar um suicídio na delegacia em que trabalha, a escrivã da Polícia Civil Verônica Torres assume uma missão pessoal de ajudar a vítima, que foi enganada por um estelionatário. Ao longo do processo, Verônica também se vê engolida por um caso de violência doméstica que coloca a sua vida (e a de sua família) em risco, já que o agressor é um membro importante da Polícia Militar. Determinada a ajudar Janete, a mulher que lhe pediu ajuda por sofrer nas mãos do marido, Verônica se expõe a todo tipo de risco e acaba descobrindo um grande esquema de corrupção.

Quem leu o livro ou a resenha já percebeu que essa última frase evidencia uma mudança considerável na trama da Netflix: enquanto no livro Verônica se concentra às escondidas em solucionar o caso de Marta Campos (a moça que se suicidou) e Janete Brandão (a vítima de violência doméstica), na série a protagonista tenta convencer seus superiores a ajudá-la e, com isso, ela acaba descobrindo um esquema de corrupção muito maior do que ela pensava – sendo um gancho óbvio pra uma season 2. Na minha opinião, o fato de Verônica buscar o apoio do delegado é um ponto a favor da série, pois no livro uma coisa que me irritou demais foi o fato de Verônica agir de modo “justiceiro” e irresponsável, causando mortes e situações de risco desnecessárias.

E a maior mudança das páginas para a tela reside justamente na personalidade de Verônica. Enquanto no livro ela é infiel, egoísta, irresponsável e ególatra, na série as coisas são um pouquinho mais maniqueístas. A versão televisiva da personagem é praticamente uma super-heroína, preocupada não apenas com as mulheres que deseja vingar ou defender, mas também com a sua família. Se no livro Verônica mal dá atenção aos filhos, na série ela faz de tudo por eles. Não dá pra ignorar essa mudança do ponto de vista da representação social: uma protagonista que faz de tudo para ser uma mãe exemplar é muito mais palatável à audiência do que uma mulher que coloca os próprios interesses em primeiro lugar, como ocorre no livro. Mas, mesmo tendo consciência dessa problemática, preferi a Verônica da série, porque a do livro é intragável pra mim. 😛

As atuações são espetaculares, assim como a produção. A Netflix caprichou e Bom Dia, Verônica veio para mostrar o potencial de produções brasileiras. Tainá Müller faz um ótimo trabalho oscilando entre os momentos de força e vulnerabilidade de Verônica, mas as grandes estrelas da série são Camila Morgado, no papel de Janete, e Eduardo Moscovis, no papel de Brandão. Houve modificações na personalidade de Janete: ela visivelmente teme o marido e não se sente confortável com ele, o que Camila Morgado transparece tanto no olhar quanto na postura física encolhida e tensa. Se no livro a personagem é completamente apaixonada por Brandão, na série ela o teme. Já Eduardo Moscovis fez um excelente trabalho em mostrar a montanha-russa causada pelo ciclo agressão > lua de mel > agressão. Variando de expressões faciais suaves e voz doce para explosões de agressividade, o modo como o ator e a série retrataram relacionamentos abusivos e violência doméstica foi bastante impactante.

Os temas abordados em Bom Dia, Verônica são pesados. Apesar de ser bem menos gráfica que as descrições literárias de Raphael Montes e Ilana Casoy (especialmente no que diz respeito às cenas de tortura), a série ainda assim causa desconforto e vontade de desviar o olhar. Mas, felizmente, ela não romantiza a violência doméstica, evidenciando o horror desse tipo de situação. Como ponto negativo da trama, ressalto a falta de contexto sobre o passado de Brandão, que é um aspecto bem interessante do livro (não para expiar seus crimes, mas para que suas atitudes ritualísticas ganhem um sentido mais profundo).

Bom Dia, Verônica é uma série de cenas fortes e desconfortáveis, que traz o relacionamento abusivo e as fragilidades do sistema policial e de justiça como temas principais. Bem produzida e com atuações muito competentes, é uma série que não deve em nada para tantos outros nomes gringos que fazem sucesso por aqui. Se você não tem estômago fraco e curte esse estilo de trama, vale a pena dar o play.

Título original: Bom Dia, Verônica
Ano de lançamento: 2020
Direção: José Henrique Fonseca
Elenco: Tainá Müller, Camila Morgado, Eduardo Moscovis, Antônio Grassi, Elisa Volpatto, Silvio Guindane, Adriano Garib, César Mello

Criminal: UK e sua problemática segunda temporada

Oi pessoal, tudo bem?

Esse é um Dica de Série e ao mesmo tempo não é. Recentemente assisti à versão britânica de Criminal (que tem versões na Espanha, na França e na Alemanha também) e curti muito a proposta: cada episódio é focado em um acusado que um grupo de detetives precisa interrogar. E Criminal: UK já inicia com um nome de peso, David Tennant, na posição do acusado – cuja interpretação foi, como sempre, brilhante. Durante a primeira temporada, fiquei muito empolgada com cada trama. Eram acusações diversificadas, com backgrounds distintos e ainda assim muito atuais: enquanto no episódio de David a investigação era o abuso e o assassinato de uma adolescente, no segundo episódio falou-se de violência doméstica e, no terceiro, imigração ilegal. Até que chegamos à segunda temporada e… Bom, pra conseguir problematizá-la, terei que dar spoilers, ok?

Sinopse: Numa sala de interrogatório em Londres, investigadores questionam suspeitos de crimes hediondos até que a verdade seja revelada.

O hype em cima da última season vem acompanhado de um nome ilustre no elenco: Kit Harington, pouco depois de ter finalizado Game of Thrones. Em seu episódio, Kit interpreta um empresário sendo acusado de estupro por uma de suas funcionárias. Acontece que, para a surpresa do espectador, descobre-se que ela fez uma falsa acusação para conseguir dinheiro. Sim. Isso mesmo. A série faz um episódio inteiro focado em um homem de poder sendo falsamente acusado de estupro.

E antes que vocês me acusem e digam que isso acontece na vida real: eu sei. Existem sim difamações, calúnias e falsas acusações. Mas a proporção, gente, é absurdamente discrepante. E quando uma série de amplo alcance (por estar na Netflix) escolhe justamente esse olhar enviesado pra abordar algo que costuma ser exceção, temos um problema. Argumentos como “a denúncia acabou com a vida do cara” e “mas como ela vai provar que não foi consensual?” são um desencorajamento a mulheres que têm medo de denunciar seus agressores. Porque, em geral, a mulher não sofre apenas na mão do abusador; ela sofre de novo na mão do Estado e da mídia ao ter sua história questionada e inúmeras vezes repassada. Lembram de Inacreditável? A minissérie, que dramatiza fatos reais, é um tapa na cara que mostra o quanto estamos despreparados enquanto sociedade pra lidar com a dor das vítimas de abuso sexual – e o impacto negativo que não dar o devido crédito ao relato causa.

E, quanto ao argumento de que uma denúncia dessas “acaba com a vida de um homem”, bom… O goleiro Bruno conseguiu emprego mesmo após esquartejar a mãe de seu filho e dar os pedaços pros cães comerem, né? Até publi ele já fez. 🙂 E o Robinho? Só teve seu contrato com o Santos pausado após muita pressão popular.

Mas tá, até o momento tinha sido apenas um episódio de Criminal: UK a me causar desconforto. Seguimos, certo? Cheguei então no episódio seguinte, em que uma mulher é acusada de difamação ao usar seu site para acusar homens de pedofilia. O episódio é bastante chato, o plot twist no final é sem pé nem cabeça mas o foco aqui é: a dona do site acusou um homem de maneira errônea e causou graves consequências à sua vida.

É óbvio que acusar as pessoas sem provas é errado. No caso do episódio, a mulher era uma desocupada que fazia as vezes de justiceira na internet. E, de fato, ela trouxe problemas enormes para a vida de um homem inocente, o que é bastante condenável. Entretanto, a causa maior de desconforto aqui foi, novamente, em episódios consecutivos, ver uma mulher na posição de falsa acusadora. A segunda temporada da série, roteirizada por homens, parece gostar de colocar suas personagens femininas em um papel de “destruidoras de vidas”, o que corrobora em muito para a visão deturpada que muitos ainda têm e que se reflete diretamente em casos de estupro e abuso, como debati mais acima.

Eu não sou contra colocar mulheres em papel de vilania, pelo contrário. Acho importante romper o estereótipo angelical, afinal, mulheres também são capazes de atrocidades por pura maldade. Mas eu sou MUITO contra o uso de estereótipos deturpados e machistas que causam impactos reais na vida de muitas de nós. Usar o espaço midiático e o amplo alcance pra reforçar esse tipo de visão é problemático e, diria também, misógino: qualquer mulher vítima de abuso que não teve coragem de denunciar, por exemplo, pode assistir a essas tramas e se sentir ainda pior, sabendo que o Estado e a sociedade não iriam acreditar nela.

Então, por mais que Criminal: UK tenha atuações incríveis e uma ótima primeira temporada, não é o tipo de série que eu vá panfletar. Prefiro indicar e fortalecer tramas como a já citada Inacreditável, que faz um trabalho impecável em mostrar o ponto de vista da vítima e a diferença abismal entre a abordagem masculina e a feminina no que diz respeito à sensibilidade quanto a vítimas de estupro. Se tiverem que escolher uma dessas séries para a sua próxima maratona, sugiro que escolham a segunda.

Título original: Criminal: UK
Ano de lançamento: 2019
Criadores: Jim Field Smith
Elenco: Katherine Kelly, Lee Ingleby, Rochenda Sandall, Mark Stanley, Shubham Saraf, David Tennant, Kit Harington, Hayley Atwell, Sharon Horgan, Kunal Nayyar

Dica de Série: Curta Essa com Zac Efron

Oi pessoal, tudo bem?

Desde a leitura de Contágio eu comecei a refletir com mais frequência sobre o nosso papel enquanto seres humanos na preservação do planeta – e consequentemente nas doenças causadas por sua destruição. Isso me fez querer assistir ao documentário Curta Essa com Zac Efron, no qual o ator viaja pelo mundo para conhecer modos de vida mais sustentáveis. Vamos conhecer? 😀

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Sinopse: O ator Zac Efron roda o mundo com o guru dos superalimentos Darin Olien em busca de formas de viver com saúde e sustentabilidade.

Na companhia de seu amigo Darin Olien, conhecido por ser uma espécie de guru dos superalimentos, Zac Efron viaja para diversos locais, alguns mais remotos do que outros, e aprende sobre assuntos variados relacionados à sustentabilidade, ao poder dos nutrientes na nossa saúde, ao “segredo” da longevidade, a tecnologias modernas que permitem a criação de energia sem combustíveis fósseis, entre outros temas. Cada episódio se passa em alguma cidade e foca em alguns desses assuntos, sendo 8 no total.

Um dos aspectos que mais curti em Curta Essa com Zac Efron é a ignorância do protagonista – e eu falo isso no melhor dos sentidos! Calma que eu vou explicar. Zac Efron não assume uma postura arrogante frente ao novo e se permite deslumbrar pelas novas experiências que vive. Ele genuinamente demonstra não entender nada do assunto, mas querer aprender a respeito. É como se ele representasse os olhos do espectador, fazendo as perguntas que qualquer um de nós gostaria de fazer se estivesse em seu lugar. Enquanto Darin tem mais conhecimento e vivência nos assuntos abordados, auxiliando Zac ao longo da jornada mas também aprendendo junto com ele, o próprio Zac fica surpreso, maravilhado, curioso, inseguro e pensativo a respeito de tudo que vivencia.

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De maneira geral, a série é bastante feliz em escolher as pessoas com as quais a dupla vai conversar. Existem episódios que fazem a gente colocar tudo em perspectiva, como por exemplo o que se passa em Porto Rico, que até hoje enfrenta as consequências do furacão Maria – responsável pela destruição de grande parte da ilha. É palpável o desconforto de Zac ao pensar na desigualdade que existe entre pessoas como ele e pessoas como as que moram em Porto Rico, e ele demonstra muita humildade ao conversar com os moradores (ficando visivelmente desconfortável de ser homenageado em pé de igualdade com outros famosos que atuaram na ilha na época do desastre, por exemplo).

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A série comete alguns deslizes? Sim, comete. O episódio que se passa na Costa Rica é bem descolado da realidade alienado, até. Quando Zac e Darin vão de barco até uma comunidade que vive numa ilha pertencente à Costa Rica (sendo levados por dois rapazes que parecem ser adolescentes e nativos do local), somos apresentados a uma comunidade cheia de gente branca não nativa que inevitavelmente nos faz pensar em hippies privilegiados. A abordagem natureba e afastada da tecnologia e das coisas “mundanas” parece mais um ano sabático de americanos que resolveram fugir do seu cotidiano, ao passo que, na minha opinião, seria muito mais interessante conhecer a perspectiva real dos moradores da ilha. Mas enfim, acho que foi o único episódio que me causou esse desconforto.

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Assistir Curta Essa com Zac Efron foi bastante emocionante em muitos momentos e, mais uma vez, me peguei pensando sobre meus hábitos e sobre a vontade de mudá-los. Desde que assisti a série eu passei a seguir perfis vegetarianos e busquei reduzir meu consumo de carne; ainda que esteja longe do ideal e que eu não tenha planos concretos de fazer uma virada de chave alimentar no momento, a série foi capaz de provocar em mim pequenas mudanças de hábito e muuuitas reflexões. Perceber o quão afastados estamos do cuidado com o nosso planeta é um chacoalhão que coloca muita coisa sob uma nova lente, e acho difícil sair ileso ao final da temporada – especialmente com a virada surpreendente (e trágica) que acontece no último episódio.

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Curta Essa com Zac Efron é uma série leve, mas emocionante; divertida, mas capaz de provocar reflexão; aparentemente despretensiosa, mas envolvente. Eu, que não cresci sendo fã do Zac Efron e de High School Musical, fiquei positivamente impressionada com a postura e com a consciência do ator. Espero que retornem para uma segunda temporada mas, caso isso não aconteça, já fico satisfeita com as mudanças que ele e Darin estimularam em mim. Recomendo e torço pra que essa ótima série documental mexa com você também. 😀

Título original: Down to Earth with Zac Efron
Ano de lançamento: 2020
Produtores executivos: Zac Efron, Darin Olien
Elenco: Zac Efron, Darin Olien

Dica de Série: Cobra Kai

Oi galera, tudo bem?

A indicação de hoje é perfeita pra quem está buscando entretenimento puro de qualidade: Cobra Kai!

poster cobra kai

Sinopse: Décadas depois da competição que mudou suas vidas, a rivalidade entre Johnny e Daniel está de volta nesta sequência da trilogia Karatê Kid.

Antes de começar a falar sobre a série em si, é importante dizer que eu nunca assisti a Karatê Kid inteiro (e muito menos seus sucessores). Eu sempre acabava pegando o filme já rolando na TV mas, por ser uma história clássica, sei o que acontece de tanto ver referências na internet. Por que essa introdução é importante? Porque mesmo sem ser um fã dos filmes originais, eu me apaixoneeei e me diverti demais com Cobra Kai.

A trama acontece, obviamente, muitos anos depois daquele embate que culminou na vitória de Daniel-san. Enquanto este se tornou um bem-sucedido dono de uma franquia de automóveis de luxo, Johnny viu sua vida afundando cada vez mais: ele trabalha como faz-tudo, mora em uma kitnet, não se dá bem com o filho e vive de cerveja barata. Certo dia, ele vê uma briga de adolescentes envolvendo seu vizinho, Miguel e, quando a briga o atinge pessoalmente (ou melhor, ao seu carro), Johnny intervém e bate em todo o grupo que agredia o jovem. Isso é o bastante para que Miguel implore que Johnny seja seu sensei, o que o impulsiona a reabrir o Cobra Kai. Ao ficar sabendo do retorno do dojo que tanto lhe causou sofrimento, Daniel se coloca como um antagonista aos objetivos de Johnny.

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Tem uma coisa muito engraçada que me fez querer conferir Cobra Kai: sou fã de How I Met Your Mother e, nela, o personagem Barney alega que o verdadeiro vilão de Karatê Kid é o Daniel, e não o Johnny. O William Zabka inclusive fez participações especiais na série e são bem engraçadas. Mas o propósito de Cobra Kai é muito claro: mostrar que para toda história existem dois lados e, como diz um amigo meu, “ninguém é o vilão da própria história”. A série nos permite entender o background de Johnny e simpatizar com o personagem, que na série esbanja carisma – ainda que tenha inúmeros defeitos, especialmente por ser antiquado e meio machista. Por outro lado, a postura moralista e cheia de boas intenções de Daniel pode ser lida como preconceito e presunção, especialmente porque ele não dá margem ao diálogo. Ou seja, a vida real não é preto no branco e todos estamos suscetíveis a errar.

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É legal perceber a inversão de papéis que acontece em Cobra Kai. Se no filme oitentista o dojo de Johnny era símbolo de bullying e agressão, agora ele é o local que jovens que sofrem disso procuram para se defender e se empoderar. Ainda assim, a série não é irresponsável de fazer com que os ensinamentos do Cobra Kai sejam vistos com romantização: há um personagem em especial que é diretamente influenciado pelo lema do dojo (ataque primeiro, ataque com força e não tenha misericórdia) e se torna um agressor. Ainda assim, ele é uma exceção à regra e, com o passar dos episódios, o próprio Johnny vai aprendendo com seus erros e entendendo que o seu passado não foi pautado em honra, mas que seu futuro vai ser. E ao buscar ensinar a diferença entre não ter misericórdia e não ter honra, percebemos a grande evolução do personagem.

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A rivalidade está presente não apenas entre Johnny e Daniel: seus pupilos também herdam esse comportamento. A segunda temporada trata disso com mais peso, especialmente porque os envolvidos em ambos os dojos têm ligações pessoais bastante fortes, de modo que as emoções ficam à flor da pele. E conforme os treinamentos dos dois senseis progride, as consequências dessa rivalidade vão ficando cada vez mais sérias – até um final CHOCANTE que faz o espectador implorar pela terceira temporada.

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Além de entreter com um ritmo envolvente e uma narrativa cheia de ação, Cobra Kai conta com ótimos personagens. Além dos já citados Johnny e Daniel, o núcleo de adolescentes também é muito bom. Miguel é o meu queridinho, o típico good guy que tenta sempre fazer o que é certo. Ainda que ele cometa erros, o que é esperado de qualquer jovem de 16 anos, ele busca se redimir e evoluir. O mesmo acontece com o filho de Johnny, Robby, que encontra no karatê um modo de fugir da negligência da mãe e do abandono do pai. A única personagem que não me desce é a Samantha, filha de Daniel: ela tem uma postura de boa moça e se coloca num pedestal, mas quando sua antiga amiga sofreu bullying nas mãos do seu novo e popular grupo, ela não fez nada para impedir. Por fim, fica um elogio a Amanda, esposa do Daniel, também conhecida como pessoa mais sensata da série. 😂

Com episódios curtos, ritmo envolvente e muito carisma, Cobra Kai foi uma série que me divertiu do início ao fim. É aquele entretenimento puro, que faz você mergulhar de cabeça, te distrai e te faz vibrar e sofrer com os personagens. Tudo isso com uma trilha sonora cheia de clássicos dos anos 80 e uma ótima temática – afinal, como não se empolgar com uma luta de karatê? 😉 Vale conferir!

Título original: Cobra Kai
Ano de lançamento: 2018
Criador: Josh Heald, Jon Hurwitz, Hayden Schlossberg
Elenco: Ralph Macchio, William Zabka, Xolo Maridueña, Tanner Buchanan, Mary Mouser, Courtney Henggeler

Dica de Série: Eu Nunca…

Oi pessoal, tudo bem?

Nas minhas últimas férias aproveitei para conferir alguns títulos que amigos vinham me indicando na Netflix, e um deles é Eu Nunca… (sim, com reticências rs).

Sinopse: Ela teve um ano complicado. Agora, tudo que essa jovem quer é melhorar seu status social. Será que os amigos, a família e seus sentimentos vão ajudar?

A série acompanha a rotina de Devi, uma adolescente de ascendência indiana que passou por maus bocados no último ano: ela perdeu o pai, seu melhor amigo, subitamente e, devido ao trauma, ficou com as pernas paralisadas por meses. Agora que ela voltou a andar, seu maior objetivo é perder a virgindade e se tornar popular na sua escola, de modo a afastar o estigma de “garota estranha e paralisada”.

eu nunca

Eu Nunca… é uma série bastante engraçada, com episódios de aproximadamente 30 minutos cada. Devi tem duas melhores amigas, a inteligente Fabiola e a criativa Eleanor, que fazem de tudo por ela. O problema é que Devi está obcecada pelo seu crush, Paxton, e ao longo da trama eles vão se aproximando de forma inesperada. Um outro elemento importante nessa equação é o rival de Devi, Ben: os dois competem pelas melhores notas desde crianças, mas aos poucos eles percebem que têm mais em comum do que imaginam.

eu nunca

Uma das principais características de Eu Nunca… é o fato de que Devi é uma personagem imperfeita. Ela age por impulso, magoa as pessoas e pisa na bola muitas vezes com suas amigas. Mas antes de julgá-la, vamos relembrar como é ter 15 anos? Não sei vocês, mas eu cometia vários erros de julgamento na época e também trocava os pés pelas mãos em muitas situações. Isso não quer dizer que Devi não seja irritante, porque ela é (e eu acho que a atuação linear de Maitreyi Ramakrishnan não ajuda em nada nesse quesito). Sua obsessão por Paxton a torna negligente com sua família e amigos e se revela como uma das válvulas de escape da garota para não lidar com o luto pela perda do pai. O interessante, porém, é vê-la amadurecer: conforme Devi é obrigada a lidar com as consequências dos seus atos, ela passa a crescer como pessoa e, no fim das contas, a adolescência é também sobre isso.

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Outro acerto de Eu Nunca… reside na representatividade. O trio de melhores amigas (Devi, Fabiola e Eleanor) é composto por uma menina indiana, uma negra e uma asiática. Há também uma naturalidade muito grande para lidar com o processo de descoberta de determinada personagem LGBTQI+. Os aspectos culturais da família de Devi também são abordados ao longo da temporada, sendo protagonizados pela própria Devi, sua mãe e sua prima (que mora com elas). O bacana é que a série fala sobre a cultura indiana sem recorrer a estereótipos e, principalmente, sem ser ofensiva – ainda que levante um debate tímido sobre determinadas práticas.

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Eu Nunca… é uma série muito gostosinha e divertida, daquelas que você dá o play e nem vê o tempo passar. Pra quem busca uma comédia adolescente bacana e respeitosa com diferentes culturas e pessoas, é uma ótima pedida! E o melhor: com poucos episódios curtinhos e uma segunda temporada já confirmada. 😉

Título original: Never Have I Ever
Ano de lançamento: 2020
Criador: Mindy Kaling, Lang Fisher
Elenco: Maitreyi Ramakrishnan, Darren Barnet, Jaren Lewison, Lee Rodriguez, Ramona Young, Poorna Jagannathan, Richa Moorjani, Sendhil Ramamurthy

Dica de Série: Little Fires Everywhere

Oi pessoal, tudo bem?

O post de hoje é pra gente conversar a respeito de Little Fires Everywhere, a minissérie que adapta o livro de mesmo nome (Pequenos Incêndios Por Toda Parte). Bora?

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Sinopse: Em Little Fires Everywhere, um encontro entre duas famílias completamente diferentes vai afetar a vida de todos. A dona de casa perfeita Elena Richardson (Reese Witherspoon) aluga a casa de hóspedes à Mia Warren (Kerry Washington), uma artista solteira e enigmática que se muda para Shaker Heights com sua filha adolescente. Em pouco tempo, as duas se tornam mais do que meras inquilinas: todos os quatro filhos da família Richardson se encantam com as novas moradoras de Shaker. Porém, Mia carrega um passado misterioso e um desprezo pelo status quo que ameaça desestruturar uma comunidade tão cuidadosamente ordenada.

A trama se passa em um típico subúrbio norte-americano cheio de famílias de classe média abastadas na cidade de Shaker Heights. A chegada de Mia Warren e sua filha Pearl é o ponto de partida para uma sequência de conflitos entre elas e a família de Elena Richardson, que aluga uma de suas casas para as recém-chegadas. A diferença entre as mulheres vai além da questão racial: Mia, além de negra, é uma artista e mãe solo que vive sem criar raízes, o que causa um conflito com a própria filha; Elena é uma mulher que devota a vida aos filhos e ao trabalho de meio-turno como jornalista que ela tenta fazer parecer mais significativo do que de fato é. Ao longo dos episódios, a animosidade entre as duas cresce, especialmente quando elas se veem em lados opostos em uma briga pela custódia de uma criança.

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Little Fires Everywhere fala de muitos temas, como racismo, xenofobia e desigualdade socioeconômica, mas o principal deles é a maternidade. Apesar do abismo que as separa, Mia e Elena têm uma característica em comum: tudo que fazem e tudo que priorizam está relacionado ao amor pelos filhos. E a minissérie torna fácil de enxergar que a maternidade pode ser vista e encarada de múltiplas formas: assim como existem os sacrifícios pessoais que mães são capazes de fazer, existe também egoísmo ao projetar suas expectativas nos filhos.

Elena é a típica salvadora branca, que tenta “ajudar” Mia em sua chegada em Shaker Heights mas não é capaz de entender como sua abordagem (ao oferecer a casa por um preço mais baixo, ao contratá-la como “governanta” – para não chamar de empregada) é ofensiva, sendo uma representação do racismo estrutural. Além disso, ela tem uma relação problemática com a filha mais nova, Lizzie, que foge de todos os padrões de comportamento que Elena espera. Com o desenrolar da trama, entendemos que Lizzie nunca foi desejada, e o peso da maternidade e a responsabilidade em criar 4 filhos afastou Elena de sonhos profissionais e aventuras que ela não teve coragem de viver.

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Mia, por sua vez, é uma mulher cheia de mistérios. Ela não fala sobre seu passado, não divide com Pearl informações sobre seu pai e é bastante reservada. Em nome do desejo de Pearl em ter um lugar fixo para chamar de lar, ela aceita trabalhar meio-turno para os Richardson e alugar a casa deles, ainda que isso exija que ela lide com a condescendência de Elena. A trama ganha intensidade quando sua colega de trabalho em seu segundo emprego, Bebe, revela que foi obrigada a abandonar sua bebê recém-nascida porque não tinha dinheiro para alimentá-la, mas que faria de tudo para tê-la de volta. Mia reconhece a descrição de Bebe na filha adotiva da melhor amiga de Elena e resolve interferir, emprestando dinheiro a Bebe para a abertura de um processo judicial. Esse plot é o que toca o dedo na ferida a respeito da xenofobia, e um episódio ilustra de maneira cirúrgica a diferença que alguns poucos centavos exercem na vida de uma pessoa de cor (Bebe, uma imigrante chinesa) e uma pessoa branca.

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Apesar dos temas relevantes e bem construídos, teve uma coisa em Little Fires Everywhere que não funcionou comigo: a dupla de protagonistas. A Elena de Reese Whiterspoon é uma versão mais fútil de sua personagem em Big Little Lies, enquanto a Mia de Kerry Washington tem uma série de tiques que me deixaram agoniada. Eu não consegui me afeiçoar a nenhuma das duas, e isso é uma das coisas que levo em consideração quando estou consumindo uma obra: é difícil eu me envolver 100% quando os personagens não me causam nenhum tipo de sentimento.

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Fora essa pequena ressalva, recomendo muito que você dê uma chance a Little Fires Everywhere. A trama gira em torno de temas que causam desconforto e fazem o espectador refletir, não utilizando uma abordagem maniqueísta para falar de nenhum desses assuntos. Expondo as fragilidades de famílias “perfeitas”, colocando em xeque nossas crenças sobre maternidade e jogando na nossa cara o racismo estrutural que dá oportunidades muito diferentes aos indivíduos (como é brilhantemente apontado por Mia em um diálogo ácido com Elena), Little Fires Everywhere certamente vai deixar você intrigado e pensativo. Vale a pena! 😉

Título original: Little Fires Everywhere
Ano de lançamento: 2020
Criador: Liz Tigelaar
Elenco: Reese Whiterspoon, Kerry Washington, Lexi Underwood, Joshua Jackson, Megan Stott, Jade Pettyjohn, Gavin Lewis, Jordan Elsass, Rosemarie DeWitt, Huang Lu

Dica de Série: Disque Amiga Para Matar

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim falar a respeito de uma grata e inesperada surpresa que a Netflix me ofereceu: a série Disque Amiga Para Matar (ou Dead to Me, na versão original).

disque amiga para matar

Sinopse: Uma viúva furiosa procura quem estava ao volante do carro que matou seu marido e fica amiga de uma otimista excêntrica – mas ela não é bem o que parece.

Ao perder o marido em um acidente de carro, a sarcástica Jen passa a frequentar um grupo de apoio ao luto. Lá ela conhece Judy, que parece ser seu exato oposto: extrovertida e good vibes. Conforme elas se aproximam, uma amizade surge e elas encontram conforto para suas perdas uma na outra. Acontece que Judy esconde segredos que ameaçam colocar essa relação a perder.

Disque Amiga Para Matar (ou Dead to Me, no original) já me ganhou no trailer. A acidez de Jen contrasta de forma tão gritante com a amabilidade de Judy que é impossível resistir à vontade de conferir como essa amizade vai se desenrolar. Além disso, os segredos de Judy trazem a dose certa de suspense e aflição que fazem você dar play no próximo episódio. A duração curta dos episódios (cerca de 30 minutos) também torna Disque Amiga Para Matar uma série fácil de maratonar, apesar de girar em torno do luto.

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Embora seja uma série de comédia, existem diversos momentos emocionantes ao longo das duas temporadas. A dupla de protagonistas carrega um grande peso nas costas: ao perder o marido de forma súbita, Jen se encontra sozinha e perdida, mas com a responsabilidade de manter seus dois filhos em segurança (física e emocional); Judy, por sua vez, tem um histórico de abortos que a separam do sonho de ser mãe, além de uma relação cheia de idas e vindas com Steve, seu ex-noivo. Essas dores unem as duas e rapidamente Judy passa a fazer parte da vida de Jen e sua família. Não são raras as cenas em que vemos a vulnerabilidade da dupla e ficamos com vontade de chorar junto com elas.

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Aliás, esse é um ponto forte que merece ser exaltado: as atuações de Christina Applegate e Linda Cardellini são maravilhosas e versáteis. Eu só as conhecia de Friends (Christina interpretou Jill, a irmã de Rachel) e Scooby Doo (Linda interpretou Velma) e não fazia ideia do potencial de ambas. Christina Applegate consegue equilibrar o sarcasmo e o gênio difícil de Jen com momentos de fragilidade, enquanto Linda Cardellini traz profundidade e ambiguidade à doçura de Judy. As atrizes têm uma química que funciona perfeitamente, além de esbanjarem carisma.

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Disque Amiga Para Matar também flerta com assuntos mais sérios. Além de abordar a temática do luto – situação complexa e multifacetada por si só –, existem muitas cenas girl power e exposição de comportamento abusivo ao longo das duas temporadas já disponíveis (com uma terceira temporada final a caminho). Jen e Judy são mulheres fortes, e seus momentos de vulnerabilidade não diminuem essa característica, mas a reforçam. Na segunda temporada, Jen enfrenta uma situação de assédio e tem a coragem de denunciar de cabeça erguida, o que é muito inspirador. Judy, por outro lado, vai revelando aos poucos os sinais de uma relação abusiva que começa na infância e se estende pelos seus relacionamentos afetivos. Apesar de não girar em torno desses temas, a série deixa clara a perspectiva feminina nessas situações. É possível dizer que todo o relacionamento das duas é pautado em três pilares: remorso, cumplicidade e sororidade.

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Disque Amiga Para Matar é uma comédia que chegou de forma despretensiosa e me fisgou. Com o equilíbrio perfeito de humor ácido, atuações impecáveis e um pouquinho de caos, a série é um entretenimento no qual vale a pena investir o seu tempo. Bora dar o play? 😉

Título original: Dead to Me
Ano de lançamento: 2019
Criador: Liz Feldman
Elenco: Christina Applegate, Linda Cardellini, James Marsden, Sam McCarthy, Luke Roessler

Dica de Série: Say I Do

Oi pessoal, tudo bem?

Prontos pra uma dica perfeita pra aquecer o coração? Hoje vamos conversar sobre Say I Do (ou, na versão em português, Finalmente… Sim!), um reality show da Netflix focado em casamentos.

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Sinopse: Neste reality show, casais devem superar obstáculos para celebrar o amor com uma festa de casamento surpresa preparada por três especialistas em menos de uma semana.

Quando recebi a recomendação de Say I Do, a frase que me convenceu a dar uma chance foi “é a Queer Eye dos casamentos”. Já deixei claro aqui no blog o quanto eu amo Queer Eye, então não é surpresa que eu tenha corrido para dar o play na sua “contraparte casamenteira”. E, apesar de eu costumar levar um tempinho pra mergulhar de cabeça num reality (por sentir a necessidade de entender a dinâmica e me conectar aos “apresentadores”), Say I Do conseguiu me conquistar rapidamente.

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De fato, o reality bebe muito na fonte de Queer Eye, já que compartilha de seu criador em comum. Say I Do tem como protagonistas três homens gays competentes e criativos: Jeremiah (expert em design), Thai (estilista) e Gabe (chef de cozinha). Cada episódio é focado em um casal que os três precisam ajudar. Os apaixonados de cada episódio são ótimos exemplos de representatividade: há casais negros, casais gays e, no caso dos casais hétero, existe a subversão do estereótipo da mulher como a organizadora do casamento – aqui isso fica a cargo do homem, responsável inclusive pela inscrição no reality.

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Falo com tranquilidade que é impossível não se emocionar assistindo Say I Do. Eu sou chorona, admito, então em 7 dos 8 episódios eu fui às lágrimas (de modo abundante, vale dizer). Mas mesmo se você não faz o tipo chorão, tenho certeza de que ainda assim os episódios vão aquecer seu coração. As histórias dos casais são emocionantes e transbordam amor, afeto e, em muitos casos, superação: há uma noiva que precisa superar o luto pela perda do pai e da irmã; há um jovem que venceu o câncer e atribui grande parte da sua recuperação ao amor do parceiro; há um homem gay que ainda internaliza uma homofobia que o impede de viver a vida plenamente, entre outras histórias comoventes. E é claro que Jer, Thai e Gabe dão o seu melhor para tornar o casamento um dia único de amor e celebração, além de oferecer conselhos e ombro amigo em vários momentos.

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Além das histórias, é muito legal acompanhar o processo criativo dos três em suas respectivas áreas. O trabalho do Jeremiah foi o que mais chamou a minha atenção, o que lembrou um pouco minha relação com Bobby, o designer de Queer Eye, responsável pela transformação dos lares. Eu fico de queixo caído com o que eles conseguem fazer em tão pouco tempo, e no caso de Jeremiah ele constrói cenários deslumbrantes e únicos para cada celebração. Agora, em nível de conexão pessoal, a mais forte aconteceu com Thai: ao longo dos episódios ele vai dando pistas de que o assunto “casamento” tem um peso importante na sua vida e vamos compreendendo que, por questões familiares e culturais, ele ainda não pode realizar esse sonho. É bastante emocionante e no episódio final (o meu favorito da temporada!) ficam bem mais claros os desafios que ele enfrenta.

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Resumindo, Say I Do é um reality show perfeito pra quem quer acreditar no amor. Em meio à tanta desesperança, eu fico bastante grata quando encontro uma produção que me mostra o melhor dos sentimentos e das pessoas. Em apenas 8 episódios, Say I Do fez isso com competência e carisma. Recomendo muito! ❤

Título original: Say I Do
Ano de lançamento: 2020
Criador: David Collins
Elenco: Jeremiah Brent, Gabriele Bertaccini, Thai Nguyen

Séries leves na Netflix pra assistir na quarentena

Oi galera, tudo bem?

Quem diria, lá em março, que chegaríamos a julho ainda em isolamento social? Há 4 meses sem ver a minha família e amigos, o que mais tenho valorizado nos últimos tempos é o entretenimento leve e puro, capaz de tirar minha mente das espirais provocadas pela situação atual. E, depois de tantos feedbacks positivos a respeito dos posts de leituras leves pra ler na quarentena, resolvi fazer uma listinha de indicações de séries disponíveis da Netflix capazes de distrair e alegrar. Espero que gostem! ❤

Aggretsuko

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Essa animação fofíssima que acompanha uma jovem red panda lidando com o amadurecimento é simplesmente imperdível. O mais engraçado é o modo com que Retsuko, a protagonista fofa, lida com suas frustrações: cantando death metal no karaokê.

Atypical

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Extremamente cativante, Atypical narra a aventura de Sam em busca de uma namorada. Acontece que Sam não é um garoto totalmente comum: ele faz parte do espectro autista e, para a surpresa de sua família (em especial de sua mãe superprotetora), ele deseja conquistar mais independência. Com uma abordagem responsável, Atypical desmistifica vários tabus com episódios engraçados e emocionantes.

Brooklyn Nine-Nine

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Divertida e cheia de personagens marcantes, Brooklyn Nine-Nine é uma das minhas comédias queridinhas. A série narra o dia a dia dos detetives da 99ª delegacia do Brooklyn resolvendo os mais variados casos, e o clima dos episódios é de leveza (quase) total. Amo! ❤

Dead to Me

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Essa série merece (e vai ter!) uma resenha completa aqui no blog, mas foi uma das minhas surpresas da quarentena. A trama nos apresenta à amizade inesperada de uma recém-viúva cética e sarcástica tentando lidar com o luto, Jen, e de uma doce professora de artes, Judy. O que Jen não imagina é o segredo por trás de tal aproximação – que rende momentos de tensão, lágrimas e também risadas (muitas vezes inapropriadas).

Gilmore Girls

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Apesar de Rory ser uma das piores personagens da vida (tá, exagerei, é o ranço falando), Gilmore Girls é uma série muito gostosinha que fala, principalmente, do laço entre mãe e filha. É uma daquelas produções que te transporta pra cidade fictícia em que a trama acontece e faz você se sentir parte daquilo tudo (inclusive das esquisitices).

Modern Family

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Uma das minhas comédias favoritas não poderia estar de fora dessa lista, especialmente agora, que voltou pra Netflix. Modern Family é protagonizada por uma grande família dividida em três núcleos: o do patriarca, Jay, o da sua filha, Claire, e o de seu filho, Mitchell. Acompanhamos o dia a dia de todos eles com muito bom humor, situações nonsense e lições de vida valiosas.

One Day at a Time

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Uma das melhores comédias do mundo? Sim (e só minha opinião importa #brinks). One Day at a Time é simplesmente perfeita e a Netflix fez a maior besteira ao cancelar. Abençoada seja a Pop TV por salvar essa produção fantástica, focada no cotidiano de uma família de origem cubana nos Estados Unidos. Humor que não ofende, assuntos relevantes e personagens cativantes são os ingredientes que fazem de One Day at a Time uma série que indico de olhos fechados.

Queer Eye

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Sabe aquela série que faz a gente acreditar na humanidade novamente? Essa é Queer Eye. O reality que, como o próprio nome diz, vai muito além de um makeover é protagonizado pelo Fabulous Five, um grupo de homens gays com especialidades distintas. Cada episódio tem um herói ou heroína cuja vida é completamente transformada pelos Fab Five, e as lições transmitidas por esses homens maravilhosos inspiram não apenas os participantes dos episódios, mas o espectador também. Assistam! ❤

Say I Do

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Terminou Queer Eye e precisa de mais uma dose de coração quentinho? Dê o play em Say I Do (ou “Felizmente… Sim”, na versão em português). Esse reality é basicamente o Queer Eye dos casamentos e, sim, a fórmula é meio parecida: três homens gays proporcionam o casamento dos sonhos para casais com histórias emocionantes. Chorei em 7 dos 8 episódios, pra vocês terem noção. É lindo demais e em breve vai ter um post só dela aqui no blog.

The Good Place

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E pra terminar a lista, eis uma série de comédia original e que soube quando terminar: com 4 temporadas e já concluída, The Good Place tem seu start com uma situação inusitada: somos apresentados à Eleanor, que na vida após a morte é enviada para o Lugar Bom (aka paraíso). Entretanto, a personagem tem um segredo: ela foi terrível e mesquinha em vida, portanto sua ida para o Lugar Bom só pode ter sido um engano. E ao buscar uma forma de permanecer lá, a personagem faz amizades e vai aprendendo na prática sobre ser uma pessoa boa.

Por hoje é isso, pessoal. 😉
Agora é só fazer a pipoca e dar o play!