Dica de Série: Eu Nunca…

Oi pessoal, tudo bem?

Nas minhas últimas férias aproveitei para conferir alguns títulos que amigos vinham me indicando na Netflix, e um deles é Eu Nunca… (sim, com reticências rs).

Sinopse: Ela teve um ano complicado. Agora, tudo que essa jovem quer é melhorar seu status social. Será que os amigos, a família e seus sentimentos vão ajudar?

A série acompanha a rotina de Devi, uma adolescente de ascendência indiana que passou por maus bocados no último ano: ela perdeu o pai, seu melhor amigo, subitamente e, devido ao trauma, ficou com as pernas paralisadas por meses. Agora que ela voltou a andar, seu maior objetivo é perder a virgindade e se tornar popular na sua escola, de modo a afastar o estigma de “garota estranha e paralisada”.

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Eu Nunca… é uma série bastante engraçada, com episódios de aproximadamente 30 minutos cada. Devi tem duas melhores amigas, a inteligente Fabiola e a criativa Eleanor, que fazem de tudo por ela. O problema é que Devi está obcecada pelo seu crush, Paxton, e ao longo da trama eles vão se aproximando de forma inesperada. Um outro elemento importante nessa equação é o rival de Devi, Ben: os dois competem pelas melhores notas desde crianças, mas aos poucos eles percebem que têm mais em comum do que imaginam.

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Uma das principais características de Eu Nunca… é o fato de que Devi é uma personagem imperfeita. Ela age por impulso, magoa as pessoas e pisa na bola muitas vezes com suas amigas. Mas antes de julgá-la, vamos relembrar como é ter 15 anos? Não sei vocês, mas eu cometia vários erros de julgamento na época e também trocava os pés pelas mãos em muitas situações. Isso não quer dizer que Devi não seja irritante, porque ela é (e eu acho que a atuação linear de Maitreyi Ramakrishnan não ajuda em nada nesse quesito). Sua obsessão por Paxton a torna negligente com sua família e amigos e se revela como uma das válvulas de escape da garota para não lidar com o luto pela perda do pai. O interessante, porém, é vê-la amadurecer: conforme Devi é obrigada a lidar com as consequências dos seus atos, ela passa a crescer como pessoa e, no fim das contas, a adolescência é também sobre isso.

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Outro acerto de Eu Nunca… reside na representatividade. O trio de melhores amigas (Devi, Fabiola e Eleanor) é composto por uma menina indiana, uma negra e uma asiática. Há também uma naturalidade muito grande para lidar com o processo de descoberta de determinada personagem LGBTQI+. Os aspectos culturais da família de Devi também são abordados ao longo da temporada, sendo protagonizados pela própria Devi, sua mãe e sua prima (que mora com elas). O bacana é que a série fala sobre a cultura indiana sem recorrer a estereótipos e, principalmente, sem ser ofensiva – ainda que levante um debate tímido sobre determinadas práticas.

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Eu Nunca… é uma série muito gostosinha e divertida, daquelas que você dá o play e nem vê o tempo passar. Pra quem busca uma comédia adolescente bacana e respeitosa com diferentes culturas e pessoas, é uma ótima pedida! E o melhor: com poucos episódios curtinhos e uma segunda temporada já confirmada. 😉

Título original: Never Have I Ever
Ano de lançamento: 2020
Criador: Mindy Kaling, Lang Fisher
Elenco: Maitreyi Ramakrishnan, Darren Barnet, Jaren Lewison, Lee Rodriguez, Ramona Young, Poorna Jagannathan, Richa Moorjani, Sendhil Ramamurthy

Dica de Série: Little Fires Everywhere

Oi pessoal, tudo bem?

O post de hoje é pra gente conversar a respeito de Little Fires Everywhere, a minissérie que adapta o livro de mesmo nome (Pequenos Incêndios Por Toda Parte). Bora?

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Sinopse: Em Little Fires Everywhere, um encontro entre duas famílias completamente diferentes vai afetar a vida de todos. A dona de casa perfeita Elena Richardson (Reese Witherspoon) aluga a casa de hóspedes à Mia Warren (Kerry Washington), uma artista solteira e enigmática que se muda para Shaker Heights com sua filha adolescente. Em pouco tempo, as duas se tornam mais do que meras inquilinas: todos os quatro filhos da família Richardson se encantam com as novas moradoras de Shaker. Porém, Mia carrega um passado misterioso e um desprezo pelo status quo que ameaça desestruturar uma comunidade tão cuidadosamente ordenada.

A trama se passa em um típico subúrbio norte-americano cheio de famílias de classe média abastadas na cidade de Shaker Heights. A chegada de Mia Warren e sua filha Pearl é o ponto de partida para uma sequência de conflitos entre elas e a família de Elena Richardson, que aluga uma de suas casas para as recém-chegadas. A diferença entre as mulheres vai além da questão racial: Mia, além de negra, é uma artista e mãe solo que vive sem criar raízes, o que causa um conflito com a própria filha; Elena é uma mulher que devota a vida aos filhos e ao trabalho de meio-turno como jornalista que ela tenta fazer parecer mais significativo do que de fato é. Ao longo dos episódios, a animosidade entre as duas cresce, especialmente quando elas se veem em lados opostos em uma briga pela custódia de uma criança.

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Little Fires Everywhere fala de muitos temas, como racismo, xenofobia e desigualdade socioeconômica, mas o principal deles é a maternidade. Apesar do abismo que as separa, Mia e Elena têm uma característica em comum: tudo que fazem e tudo que priorizam está relacionado ao amor pelos filhos. E a minissérie torna fácil de enxergar que a maternidade pode ser vista e encarada de múltiplas formas: assim como existem os sacrifícios pessoais que mães são capazes de fazer, existe também egoísmo ao projetar suas expectativas nos filhos.

Elena é a típica salvadora branca, que tenta “ajudar” Mia em sua chegada em Shaker Heights mas não é capaz de entender como sua abordagem (ao oferecer a casa por um preço mais baixo, ao contratá-la como “governanta” – para não chamar de empregada) é ofensiva, sendo uma representação do racismo estrutural. Além disso, ela tem uma relação problemática com a filha mais nova, Lizzie, que foge de todos os padrões de comportamento que Elena espera. Com o desenrolar da trama, entendemos que Lizzie nunca foi desejada, e o peso da maternidade e a responsabilidade em criar 4 filhos afastou Elena de sonhos profissionais e aventuras que ela não teve coragem de viver.

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Mia, por sua vez, é uma mulher cheia de mistérios. Ela não fala sobre seu passado, não divide com Pearl informações sobre seu pai e é bastante reservada. Em nome do desejo de Pearl em ter um lugar fixo para chamar de lar, ela aceita trabalhar meio-turno para os Richardson e alugar a casa deles, ainda que isso exija que ela lide com a condescendência de Elena. A trama ganha intensidade quando sua colega de trabalho em seu segundo emprego, Bebe, revela que foi obrigada a abandonar sua bebê recém-nascida porque não tinha dinheiro para alimentá-la, mas que faria de tudo para tê-la de volta. Mia reconhece a descrição de Bebe na filha adotiva da melhor amiga de Elena e resolve interferir, emprestando dinheiro a Bebe para a abertura de um processo judicial. Esse plot é o que toca o dedo na ferida a respeito da xenofobia, e um episódio ilustra de maneira cirúrgica a diferença que alguns poucos centavos exercem na vida de uma pessoa de cor (Bebe, uma imigrante chinesa) e uma pessoa branca.

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Apesar dos temas relevantes e bem construídos, teve uma coisa em Little Fires Everywhere que não funcionou comigo: a dupla de protagonistas. A Elena de Reese Whiterspoon é uma versão mais fútil de sua personagem em Big Little Lies, enquanto a Mia de Kerry Washington tem uma série de tiques que me deixaram agoniada. Eu não consegui me afeiçoar a nenhuma das duas, e isso é uma das coisas que levo em consideração quando estou consumindo uma obra: é difícil eu me envolver 100% quando os personagens não me causam nenhum tipo de sentimento.

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Fora essa pequena ressalva, recomendo muito que você dê uma chance a Little Fires Everywhere. A trama gira em torno de temas que causam desconforto e fazem o espectador refletir, não utilizando uma abordagem maniqueísta para falar de nenhum desses assuntos. Expondo as fragilidades de famílias “perfeitas”, colocando em xeque nossas crenças sobre maternidade e jogando na nossa cara o racismo estrutural que dá oportunidades muito diferentes aos indivíduos (como é brilhantemente apontado por Mia em um diálogo ácido com Elena), Little Fires Everywhere certamente vai deixar você intrigado e pensativo. Vale a pena! 😉

Título original: Little Fires Everywhere
Ano de lançamento: 2020
Criador: Liz Tigelaar
Elenco: Reese Whiterspoon, Kerry Washington, Lexi Underwood, Joshua Jackson, Megan Stott, Jade Pettyjohn, Gavin Lewis, Jordan Elsass, Rosemarie DeWitt, Huang Lu

Dica de Série: Disque Amiga Para Matar

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim falar a respeito de uma grata e inesperada surpresa que a Netflix me ofereceu: a série Disque Amiga Para Matar (ou Dead to Me, na versão original).

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Sinopse: Uma viúva furiosa procura quem estava ao volante do carro que matou seu marido e fica amiga de uma otimista excêntrica – mas ela não é bem o que parece.

Ao perder o marido em um acidente de carro, a sarcástica Jen passa a frequentar um grupo de apoio ao luto. Lá ela conhece Judy, que parece ser seu exato oposto: extrovertida e good vibes. Conforme elas se aproximam, uma amizade surge e elas encontram conforto para suas perdas uma na outra. Acontece que Judy esconde segredos que ameaçam colocar essa relação a perder.

Disque Amiga Para Matar (ou Dead to Me, no original) já me ganhou no trailer. A acidez de Jen contrasta de forma tão gritante com a amabilidade de Judy que é impossível resistir à vontade de conferir como essa amizade vai se desenrolar. Além disso, os segredos de Judy trazem a dose certa de suspense e aflição que fazem você dar play no próximo episódio. A duração curta dos episódios (cerca de 30 minutos) também torna Disque Amiga Para Matar uma série fácil de maratonar, apesar de girar em torno do luto.

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Embora seja uma série de comédia, existem diversos momentos emocionantes ao longo das duas temporadas. A dupla de protagonistas carrega um grande peso nas costas: ao perder o marido de forma súbita, Jen se encontra sozinha e perdida, mas com a responsabilidade de manter seus dois filhos em segurança (física e emocional); Judy, por sua vez, tem um histórico de abortos que a separam do sonho de ser mãe, além de uma relação cheia de idas e vindas com Steve, seu ex-noivo. Essas dores unem as duas e rapidamente Judy passa a fazer parte da vida de Jen e sua família. Não são raras as cenas em que vemos a vulnerabilidade da dupla e ficamos com vontade de chorar junto com elas.

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Aliás, esse é um ponto forte que merece ser exaltado: as atuações de Christina Applegate e Linda Cardellini são maravilhosas e versáteis. Eu só as conhecia de Friends (Christina interpretou Jill, a irmã de Rachel) e Scooby Doo (Linda interpretou Velma) e não fazia ideia do potencial de ambas. Christina Applegate consegue equilibrar o sarcasmo e o gênio difícil de Jen com momentos de fragilidade, enquanto Linda Cardellini traz profundidade e ambiguidade à doçura de Judy. As atrizes têm uma química que funciona perfeitamente, além de esbanjarem carisma.

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Disque Amiga Para Matar também flerta com assuntos mais sérios. Além de abordar a temática do luto – situação complexa e multifacetada por si só –, existem muitas cenas girl power e exposição de comportamento abusivo ao longo das duas temporadas já disponíveis (com uma terceira temporada final a caminho). Jen e Judy são mulheres fortes, e seus momentos de vulnerabilidade não diminuem essa característica, mas a reforçam. Na segunda temporada, Jen enfrenta uma situação de assédio e tem a coragem de denunciar de cabeça erguida, o que é muito inspirador. Judy, por outro lado, vai revelando aos poucos os sinais de uma relação abusiva que começa na infância e se estende pelos seus relacionamentos afetivos. Apesar de não girar em torno desses temas, a série deixa clara a perspectiva feminina nessas situações. É possível dizer que todo o relacionamento das duas é pautado em três pilares: remorso, cumplicidade e sororidade.

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Disque Amiga Para Matar é uma comédia que chegou de forma despretensiosa e me fisgou. Com o equilíbrio perfeito de humor ácido, atuações impecáveis e um pouquinho de caos, a série é um entretenimento no qual vale a pena investir o seu tempo. Bora dar o play? 😉

Título original: Dead to Me
Ano de lançamento: 2019
Criador: Liz Feldman
Elenco: Christina Applegate, Linda Cardellini, James Marsden, Sam McCarthy, Luke Roessler

Dica de Série: Say I Do

Oi pessoal, tudo bem?

Prontos pra uma dica perfeita pra aquecer o coração? Hoje vamos conversar sobre Say I Do (ou, na versão em português, Finalmente… Sim!), um reality show da Netflix focado em casamentos.

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Sinopse: Neste reality show, casais devem superar obstáculos para celebrar o amor com uma festa de casamento surpresa preparada por três especialistas em menos de uma semana.

Quando recebi a recomendação de Say I Do, a frase que me convenceu a dar uma chance foi “é a Queer Eye dos casamentos”. Já deixei claro aqui no blog o quanto eu amo Queer Eye, então não é surpresa que eu tenha corrido para dar o play na sua “contraparte casamenteira”. E, apesar de eu costumar levar um tempinho pra mergulhar de cabeça num reality (por sentir a necessidade de entender a dinâmica e me conectar aos “apresentadores”), Say I Do conseguiu me conquistar rapidamente.

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De fato, o reality bebe muito na fonte de Queer Eye, já que compartilha de seu criador em comum. Say I Do tem como protagonistas três homens gays competentes e criativos: Jeremiah (expert em design), Thai (estilista) e Gabe (chef de cozinha). Cada episódio é focado em um casal que os três precisam ajudar. Os apaixonados de cada episódio são ótimos exemplos de representatividade: há casais negros, casais gays e, no caso dos casais hétero, existe a subversão do estereótipo da mulher como a organizadora do casamento – aqui isso fica a cargo do homem, responsável inclusive pela inscrição no reality.

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Falo com tranquilidade que é impossível não se emocionar assistindo Say I Do. Eu sou chorona, admito, então em 7 dos 8 episódios eu fui às lágrimas (de modo abundante, vale dizer). Mas mesmo se você não faz o tipo chorão, tenho certeza de que ainda assim os episódios vão aquecer seu coração. As histórias dos casais são emocionantes e transbordam amor, afeto e, em muitos casos, superação: há uma noiva que precisa superar o luto pela perda do pai e da irmã; há um jovem que venceu o câncer e atribui grande parte da sua recuperação ao amor do parceiro; há um homem gay que ainda internaliza uma homofobia que o impede de viver a vida plenamente, entre outras histórias comoventes. E é claro que Jer, Thai e Gabe dão o seu melhor para tornar o casamento um dia único de amor e celebração, além de oferecer conselhos e ombro amigo em vários momentos.

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Além das histórias, é muito legal acompanhar o processo criativo dos três em suas respectivas áreas. O trabalho do Jeremiah foi o que mais chamou a minha atenção, o que lembrou um pouco minha relação com Bobby, o designer de Queer Eye, responsável pela transformação dos lares. Eu fico de queixo caído com o que eles conseguem fazer em tão pouco tempo, e no caso de Jeremiah ele constrói cenários deslumbrantes e únicos para cada celebração. Agora, em nível de conexão pessoal, a mais forte aconteceu com Thai: ao longo dos episódios ele vai dando pistas de que o assunto “casamento” tem um peso importante na sua vida e vamos compreendendo que, por questões familiares e culturais, ele ainda não pode realizar esse sonho. É bastante emocionante e no episódio final (o meu favorito da temporada!) ficam bem mais claros os desafios que ele enfrenta.

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Resumindo, Say I Do é um reality show perfeito pra quem quer acreditar no amor. Em meio à tanta desesperança, eu fico bastante grata quando encontro uma produção que me mostra o melhor dos sentimentos e das pessoas. Em apenas 8 episódios, Say I Do fez isso com competência e carisma. Recomendo muito! ❤

Título original: Say I Do
Ano de lançamento: 2020
Criador: David Collins
Elenco: Jeremiah Brent, Gabriele Bertaccini, Thai Nguyen

Séries leves na Netflix pra assistir na quarentena

Oi galera, tudo bem?

Quem diria, lá em março, que chegaríamos a julho ainda em isolamento social? Há 4 meses sem ver a minha família e amigos, o que mais tenho valorizado nos últimos tempos é o entretenimento leve e puro, capaz de tirar minha mente das espirais provocadas pela situação atual. E, depois de tantos feedbacks positivos a respeito dos posts de leituras leves pra ler na quarentena, resolvi fazer uma listinha de indicações de séries disponíveis da Netflix capazes de distrair e alegrar. Espero que gostem! ❤

Aggretsuko

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Essa animação fofíssima que acompanha uma jovem red panda lidando com o amadurecimento é simplesmente imperdível. O mais engraçado é o modo com que Retsuko, a protagonista fofa, lida com suas frustrações: cantando death metal no karaokê.

Atypical

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Extremamente cativante, Atypical narra a aventura de Sam em busca de uma namorada. Acontece que Sam não é um garoto totalmente comum: ele faz parte do espectro autista e, para a surpresa de sua família (em especial de sua mãe superprotetora), ele deseja conquistar mais independência. Com uma abordagem responsável, Atypical desmistifica vários tabus com episódios engraçados e emocionantes.

Brooklyn Nine-Nine

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Divertida e cheia de personagens marcantes, Brooklyn Nine-Nine é uma das minhas comédias queridinhas. A série narra o dia a dia dos detetives da 99ª delegacia do Brooklyn resolvendo os mais variados casos, e o clima dos episódios é de leveza (quase) total. Amo! ❤

Dead to Me

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Essa série merece (e vai ter!) uma resenha completa aqui no blog, mas foi uma das minhas surpresas da quarentena. A trama nos apresenta à amizade inesperada de uma recém-viúva cética e sarcástica tentando lidar com o luto, Jen, e de uma doce professora de artes, Judy. O que Jen não imagina é o segredo por trás de tal aproximação – que rende momentos de tensão, lágrimas e também risadas (muitas vezes inapropriadas).

Gilmore Girls

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Apesar de Rory ser uma das piores personagens da vida (tá, exagerei, é o ranço falando), Gilmore Girls é uma série muito gostosinha que fala, principalmente, do laço entre mãe e filha. É uma daquelas produções que te transporta pra cidade fictícia em que a trama acontece e faz você se sentir parte daquilo tudo (inclusive das esquisitices).

Modern Family

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Uma das minhas comédias favoritas não poderia estar de fora dessa lista, especialmente agora, que voltou pra Netflix. Modern Family é protagonizada por uma grande família dividida em três núcleos: o do patriarca, Jay, o da sua filha, Claire, e o de seu filho, Mitchell. Acompanhamos o dia a dia de todos eles com muito bom humor, situações nonsense e lições de vida valiosas.

One Day at a Time

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Uma das melhores comédias do mundo? Sim (e só minha opinião importa #brinks). One Day at a Time é simplesmente perfeita e a Netflix fez a maior besteira ao cancelar. Abençoada seja a Pop TV por salvar essa produção fantástica, focada no cotidiano de uma família de origem cubana nos Estados Unidos. Humor que não ofende, assuntos relevantes e personagens cativantes são os ingredientes que fazem de One Day at a Time uma série que indico de olhos fechados.

Queer Eye

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Sabe aquela série que faz a gente acreditar na humanidade novamente? Essa é Queer Eye. O reality que, como o próprio nome diz, vai muito além de um makeover é protagonizado pelo Fabulous Five, um grupo de homens gays com especialidades distintas. Cada episódio tem um herói ou heroína cuja vida é completamente transformada pelos Fab Five, e as lições transmitidas por esses homens maravilhosos inspiram não apenas os participantes dos episódios, mas o espectador também. Assistam! ❤

Say I Do

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Terminou Queer Eye e precisa de mais uma dose de coração quentinho? Dê o play em Say I Do (ou “Felizmente… Sim”, na versão em português). Esse reality é basicamente o Queer Eye dos casamentos e, sim, a fórmula é meio parecida: três homens gays proporcionam o casamento dos sonhos para casais com histórias emocionantes. Chorei em 7 dos 8 episódios, pra vocês terem noção. É lindo demais e em breve vai ter um post só dela aqui no blog.

The Good Place

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E pra terminar a lista, eis uma série de comédia original e que soube quando terminar: com 4 temporadas e já concluída, The Good Place tem seu start com uma situação inusitada: somos apresentados à Eleanor, que na vida após a morte é enviada para o Lugar Bom (aka paraíso). Entretanto, a personagem tem um segredo: ela foi terrível e mesquinha em vida, portanto sua ida para o Lugar Bom só pode ter sido um engano. E ao buscar uma forma de permanecer lá, a personagem faz amizades e vai aprendendo na prática sobre ser uma pessoa boa.

Por hoje é isso, pessoal. 😉
Agora é só fazer a pipoca e dar o play!

O que eu achei do final de Dark

Oi pessoal, tudo bem?

Uma semana e meia depois da estreia, já podemos falar sobre o final de Dark, né? A aclamada série alemã da Netflix chegou à sua última temporada e, mesmo antes de ser disponibilizada, a crítica já a elogiava como uma verdadeira obra-prima. Obviamente meu hype não poderia estar maior, né? Maratonei a série no fim de semana de estreia e agora vim contar pra vocês o que achei do final. Portanto, obviamente esse post está cheio de spoilers. 😉

As árvores genealógicas fizeram todo mundo de trouxa

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Sim, gente: todo o esforço que fizemos pra saber quem era parente de quem ao longo das idas e vindas temporais foi inútil, falando grosseiramente. No fim das contas, essas conexões pouco tinham a ver com a resolução do problema central (encontrar e acabar com a origem do loop), sendo mais consequência do que causa, já que tais incestos e relações só foram possíveis pelo apocalipse. Quem mais sentiu que fez papel de trouxa levanta a mão! o/

Temporada arrastada, episódio final corrido

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A terceira temporada de Dark investe muito tempo em nos apresentar o mundo alternativo, de onde vem a Martha 2 que salva Jonas no episódio final da temporada anterior. Ficam claros os diversos paralelos, ainda que Jonas não exista no segundo mundo, e a série mostra na prática que o loop sempre encontra uma forma de acontecer. A inevitabilidade do apocalipse é algo que vinha sendo trabalhado há bastante tempo, então esses paralelos fizeram todo o sentido. O problema maior reside no episódio final: somos apresentados a um conceito novo, de um terceiro mundo, que originou as duas dimensões de Jonas e Martha 2. Apesar da existência desse terceiro mundo não ser completamente nonsense – afinal, a triquetra foi o elemento principal do Sic Mundus e da série –, o que espanta é que ele seja apresentado só no último episódio. Com isso, temos apenas 1h pra entender esse conceito, acreditar que ele é o caminho para acabar com a origem e ainda conferir o resultado de todo esse esforço. Achei corrido. :/

Jonas confiando no Adam como se nada tivesse acontecido

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Quando Claudia conta a Adam sobre o mundo original, ele finalmente compreende que o mundo dele e de Eva (a versão idosa da Martha 2) nunca deveriam ter existido, e que a única solução para o loop temporal era impedir a origem (sobre a qual falarei em seguida). Desse modo, ele viaja para o momento da morte de Martha e fala com Jonas sobre esse assunto. Me impressionou negativamente quão rápido Jonas acreditou em Adam e no seu novo plano, considerando que não fazia nem dois minutos que o Adam anterior tinha acabado de atirar na sua amada. Sabe conveniência de roteiro? Pareceu uma das grandes. E adivinhem? Acumulada no episódio final.

Quem era o Tannhaus na fila do pão mesmo?

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Tá, brincadeira. Mas eu tive dificuldade de comprar o drama pessoal do personagem, que foi o pivô para a criação dos mundos de Jonas (Adam) e Martha (Eva). Ao perder o filho, a nora e a neta num acidente de carro, Tannhaus fica obcecado com a ideia de voltar no tempo e é responsável pela explosão que dá origem às realidades paralelas. A origem, portanto, nada tem a ver com o filho de Jonas e Martha e tampouco com os personagens envolvidos nas ramificações familiares. Minha primeira impressão foi não curtir muito esse rolê, principalmente por ter sido trazido somente no… isso mesmo, acertaram: episódio final! Percebam que grande parte dos meus ranços em relação ao desfecho da série residem nisso. 😛

Tá, dúvida real: como a Claudia sacou os paranauês?

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Que Claudia Tiedemann é a rainha de Dark não há dúvidas. Acho totalmente plausível que ela tenha conseguido viajar entre os dois mundos e enganar tanto Adam quanto Eva, porque a inteligência da personagem ficou evidente ao longo das temporadas. Mas, na busca da personagem por uma forma de manter a filha viva, em nenhum momento ficou claro pra mim qual foi o estalo que ela teve que levou à descoberta do mundo de origem e da perda pessoal de Tannhaus. Se eu esqueci de algum detalhe ou se alguém aí entendeu esse ponto, fiquem à vontade pra me contar nos comentários! 😂

Vamos falar de coisa boa: o simbolismo do final

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Não apenas decepções me foram causadas pelo final de Dark. Eu gostei muito da coragem de Jonas e Martha 2 de tomarem a atitude necessária para dar fim a tanto sofrimento. A maneira como eles se despedem é bastante comovente, por trazer a frase do “somos um par perfeito, nunca duvide disso” e tudo mais (apesar que né, Jonas e aquela Martha deram só uma transadinha, não deu pra comprar aquele sentimento todo não). Curti muito como toda a cena foi construída, a forma como os personagens que bugaram a nossa mente ao longo de três temporadas foram aceitando o seu fim e transformando-se em uma espécie de poeira cósmica, partículas, átomos, enfim, seja o que for. A cena do jantar também foi interessante, restando apenas os personagens que nada tinham a ver com a árvore genealógica intrincada das outras famílias. Li uma teoria de que o déjà vu de Hannah e a preferência pelo nome “Jonas” foi a forma como o personagem deixou sua marca no universo (ainda que não seja ele a criança que ela espera) e, sinceramente, eu gostei de acreditar nela. ❤

Ufa! Desde o dia 28 eu não paro de falar a respeito de Dark, então foi um alívio botar tudo isso pra fora em único post hahaha! Pra resumir minha opinião, eu diria que Dark é uma série excelente e original, com atuações primorosas e um desenvolvimento instigante, mas que deixa a peteca cair na sua conclusão – que não atinge a grandiosidade das temporadas anteriores. Ainda assim é uma série que eu não hesito em recomendar, porque a qualidade da produção e o desenrolar da história são provocativos e fazem você querer discutir, entender e mergulhar naquele universo. Já são motivos suficientes pra dar uma chance, não é mesmo? 😉

E vocês, o que acharam do final de Dark?
Vamos conversar sobre nos comentários! 🙌

Dica de Série: Peaky Blinders

Oi galera, tudo bem?

Já que o isolamento me obriga a passar quase todo o tempo livre na frente da TV (como se eu já não fizesse isso antes), vim contar pra vocês o que achei de uma das séries que a que assisti recentemente: Peaky (“focking” – sim, com “o”) Blinders.

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Sinopse: Uma notória gangue da Inglaterra de 1919 é liderada pelo cruel Tommy Shelby, um criminoso disposto a subir na vida a qualquer preço.

Ambientada no início do século XX, a série dramatiza a história do grupo criminoso de mesmo nome. A gangue Peaky Blinders realmente existiu, mas sua influência na vida real foi bem menor. Nas telas, entretanto, vemos a ascensão do grupo – comandado por Thomas Shelby – nos territórios de corridas e apostas ilegais e, posteriormente, com outros tipos de contrabando.

Peaky Blinders é capaz de transportar o espectador para o tempo na qual se passa, dos cenários sujos de fuligem aos figurinos típicos da época. A produção, que se passa pouco depois da Primeira Guerra Mundial, trata de assuntos como Transtorno do Estresse Pós-Traumático, luta de classes, greves operárias, popularização de ideais comunistas, corrupção policial e, é claro, muita violência. Por meio de movimentos estratégicos inteligentes, mas também inúmeras lutas sangrentas com outras gangues e rivais, Thomas guia os Peaky Blinders por um caminho que os eleva a “donos” de Birmingham. Conforme as temporadas avançam, os Shelby buscam expandir seu território, entrando em conflito com outros gângsters e até mesmo com nomes importantes da política inglesa.

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Com a ressalva de ser uma série bastante focada na “virilidade” dos irmãos Shelby (aspecto que pode causar uma reviradinha de olho), Peaky Blinders tem um desenrolar bastante envolvente. A busca de Thomas por ascensão o coloca em diversas situações em que a sagacidade se faz necessária. Entre alianças e traições, o líder do grupo acaba sendo um anti-herói pelo qual nos vemos torcendo. Somado a isso, especialmente na primeira temporada, há toda a tensão causada pela existência de uma infiltrada em seus negócios: Grace é uma agente da coroa que passa a trabalhar em um  dos pubs dos Shelby para fornecer informações à polícia. A tensão sexual entre ela e Thomas vai crescendo com o passar dos episódios, e as reviravoltas no final da primeira temporada são ótimas.

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É difícil dizer que os personagens são exemplares porque, afinal, a maioria deles está envolvida com merda até o pescoço. Ainda assim, as atuações competentes e o desenvolvimento gradual da trama faz com que a gente comece a empatizar com eles, especialmente quando a fragilidade oculta pela dureza do cotidiano se manifesta. Thomas, por exemplo, é um líder implacável, mas também alguém atormentado pelas lembranças da guerra. Arthur, seu irmão mais velho, é um dos personagens mais emocionalmente quebrados da série: ele se questiona por não ser o líder da família (apesar de ser o primogênito), busca consolo nas brigas e na bebida, se envolve com drogas, enfim… tem diversos problemas emocionais com os quais ele não sabe lidar. E, com o passar dos episódios, a série vai revelando as nuances dos outros personagens também – com um foco maior, é claro, em Tommy.

Peaky Blinders trabalha bem a realidade e as dificuldades vividas pela sociedade inglesa no início do século XX. As cenas de violência podem incomodar um pouco os mais sensíveis, mas não chegam nem perto de ser grotescas ou gore. A qualidade da produção – da trama às atuações e ambientação – é inegável, e se você procura uma série capaz de envolver e transportar você pra realidade de outrora, vale a pena dar uma chance. 🙂

Título original: Peaky Blinders
Ano de lançamento: 2013
Direção: Steven Knight
Elenco: Cillian Murphy, Helen McCrory, Paul Anderson (XVIII), Annabelle Wallis, Joe Cole

Dica de Série: The Witcher

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar de estar bem hypada antes da série estrear, demorei eras pra terminar The Witcher. Hoje eu conto um pouquinho mais os porquês.

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Sinopse: Henry Cavill estrela esta série épica repleta de monstros, magia e destino, baseada nos livros de Andrzej Sapkowski.

The Witcher tem três arcos narrativos: o de Geralt de Rívia, um bruxo poderoso que vive como um mercenário, ganhando dinheiro em troca do extermínio de monstros; o da Princesa Cirilla, herdadeira do trono de Cintra, cujo lar foi atacado por outro reino e agora foge em busca de Geralt; e da maga Yennefer, que se transformou de uma menina solitária e alvo de bullying em uma mulher poderosa e sedutora. Ao longo dos episódios vemos como a jornada de cada um desses personagens evolui e como seus destinos se cruzam.

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De certo modo (especialmente no início da série), os episódios de The Witcher parecem contar aventuras isoladas. O plot de Geralt é permeado por suas caçadas aos demônios e pelas suas empreitadas enquanto mercenário. Sabemos muito pouco de seu passado e o personagem mal fala de si. No caso de Ciri isso não acontece, e seu arco narrativo é mais linear: da fuga de Cintra até às inúmeras dificuldades pelo caminho, as cenas focadas na menina se destinam a mostrar sua luta pela sobrevivência. Yennefer, por outro lado, tem o plot que pra mim foi o mais confuso: o backstory da personagem é mal desenvolvido e do nada você entende que ela é uma maga e vai ser treinada pra isso. Aí ela passa por um makeover fodão, se transforma em uma beldade e, daí em diante, vira também uma mulher desagradável e antipática. Sem contar que são poucos os momentos em que a atuação dela enquanto maga faz diferença nas coisas (exceto no episódio final, única vez em que vi a extensão do seu poder e potencial). Sinceramente, não sei porque o fandom baba ovo por ela. 🤷‍♀

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A série constantemente me causou uma sensação de “hmmm que aventura legal, não entendi nada”, e isso me incomoda bastante. A impressão que tive é que, pra entender realmente o que estava sendo mostrado, você precisava ter lido os livros ou jogado os jogos – o que já é uma falha no desenvolvimento, porque cada obra precisa ser autoexplicativa, sem depender do material base. Encontrei muitas informações que fizeram toda a diferença na compreensão da trama lendo os comentários dos episódios no aplicativo em que registro as séries a que assisti, pra vocês terem noção. Isso fez com que eu não me conectasse verdadeiramente à série ou aos seus personagens, tampouco ansiasse em saber sobre seus destinos.

the witcher 3

A série é bem produzida e tem uma ótima trilha sonora (impossível assistir sem ficar com Toss a Coin To Your Witcher na cabeça por semanas). O bardo responsável por parte das canções, Jaskier, é o personagem mais carismático e o único ao qual me afeiçoei. Os figurinos são bonitos e as cenas de luta são muito bem coreografadas, o que dá uma pegada mais épica à série. As atuações também são competentes, à exceção de Henry Cavill como Geralt: os “hmmm” constantes cansam e parece que a voz é modificada pra parecer mais profunda e ameaçadora. Sei lá, não colou. Também vale dizer que, para uma série chamada The Witcher, magia é uma das coisas que menos aparece.

Eu esperava me tornar fã de The Witcher e, quem sabe, preencher a lacuna de uma série medieval deixada por Game of Thrones. A verdade é que isso não aconteceu e foram poucos os episódios que me entusiasmaram. The Witcher não funcionou pra mim e não sei dizer se vou continuar assistindo às próximas temporadas. :/ E vocês, já assistiram? Me contem o que acharam nos comentários!

Título original: The Witcher
Ano de lançamento: 2019
Direção: Lauren Schmidt Hissrich
Elenco: Henry Cavill, Freya Allan, Anya Chalotra, Joey Batey

Dica de Série: A Vida e a História de Madam C.J. Walker

Oi pessoal, tudo certo?

Hoje vim dividir com vocês minha opinião a respeito da minissérie A Vida e a História de Madam C.J. Walker, da Netflix. Pra facilitar a minha vida ao longo do texto, vou chamar a série só de Madam C.J. Walker e a personagem de Sarah, combinado? 😂

madam cj walker

Sinopse: A história de Madam C.J. Walker (Octavia Spencer), ativista social e primeira mulher milionária dos Estados Unidos a conquistar a própria fortuna: por meio de uma linha de produtos capilares e cosméticos para mulheres negras.

A minissérie de apenas 4 episódios é a dramatização da história real de Sarah Breedlove, posteriormente conhecida como Madam C.J. Walker. Tendo uma infância difícil (Sarah foi a primeira filha nascida livre de um casal que fora escravo), a vida adulta não trouxe muito alívio. Sarah casou cedo, ficou viúva, sofreu nas mãos do segundo marido, se separou e sustentava a família com muita dificuldade sendo lavadeira. Em determinado momento, porém, Sarah encontra a oportunidade de mudar de profissão e, consequentemente, de vida. Ela vê na cosmetologia a chance de fazer história, criando produtos específicos para as necessidades capilares das mulheres negras.

Como mencionei antes, Madam C.J. Walker é uma dramatização. Com isso, há um novo elemento na série que não existiu, mas que cumpre seu papel de causar reviravoltas e dificuldades para a protagonista: a vilanização da concorrente Addie Munroe. Addie foi a mulher cujo produto capilar salvou Sarah da calvície; entretanto, foi também a pessoa que recusou Sarah como vendedora devido à sua aparência. E o mais interessante na relação de Sarah e Addie reside no fato de que ambas são mulheres negras, mas que sofrem de maneira diferente com o racismo da época, marcado por uma abolição da escravatura ainda recente: Sarah é uma mulher negra retinta que, em diversos momentos, tem seu potencial questionado por não apresentar a imagem que os outros desejavam; Addie, por sua vez, sendo filha de uma mulher negra e um estuprador pai branco, tem cabelos ondulados e pele clara, e usa sua imagem para vender seus produtos e se aproximar do padrão branco europeu que era é muito mais aceito.

madam cj walker 2

A discussão sobre colorismo percorre todos os episódios de Madam C.J. Walker. O posicionamento de Sarah é inspirador e ela recusa toda e qualquer alusão a um padrão de mulher ideal atrelado a seus produtos. Da fórmula à embalagem, o objetivo de Sarah é incluir todas as mulheres negras, de todos os tons de pele e de todas as formas. Obviamente a personagem tem suas inseguranças, o que fica claro na sua relação conturbada com Addie e em todas as vezes em que ela reforça não ser aquele modelo padrão, mas isso não faz com que Sarah ceda e mude de ideia. Quando seu terceiro marido (C.J. Walker, de quem Sarah apropria-se do nome) sugere uma campanha publicitária excludente, ela se recusa a utilizá-la. Outro ponto importante é o empoderamento feminino e a construção da autoestima por meio do cabelo (tema também abordado no ótimo Felicidade Por Um Fio). Madam C.J. Walker evidencia que os fios vão além da estética, eles significam ascensão, negritude, ancestralidade e beleza.

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A trama ainda pincela assuntos importantes, além da construção da autoestima negra. Há um acontecimento bem forte, relacionado a movimentos de ódio como Ku Klux Klan, em que homens brancos assassinam um personagem apenas por ele ter tido a “ousadia” de enfrentar seus filhos enquanto eles faziam bullying. E o mais chocante é pensar que, diferente da série (em que a escravidão havia acabado há cerca de 40, 50 anos), até hoje a violência contra pessoas negras acontece e com uma frequência alarmante. Outro ponto importante é a abordagem natural relacionada à sexualidade de Lelia, filha de Sarah – futuramente conhecida como “deusa da alegria do Harlem”, um bairro marcado pela diversidade e pela representatividade negra.

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A transformação de Sarah Breedlove em Madam C.J. Walker é inspiradora. O modo como ela não desiste frente ao racismo, ao machismo e todas as dificuldades impostas em seu caminho é uma lição sobre determinação. De lavadeira a milionária, Madam C. J. Walker transformou a vida de inúmeras pessoas, fazendo uma verdadeira revolução em uma época na qual pessoas negras – principalmente mulheres – não tinham voz nem espaço. Se há algum defeito na série é o fato dela ser tão curta: Madam C.J. Walker não apenas fez a diferença na indústria cosmética, mas também foi ativista e filantropa, sempre colaborando com a causa negra e incentivando a emancipação feminina, e seria bem legal ver isso retratado na tela também. Mas e aí, tá esperando o quê pra dar o play na Netflix e conhecer um pouquinho dessa mulher incrível? 😉

Título original: Self Made: Inspired by the Life of Madam C.J. Walker
Ano de lançamento: 2020
Direção: Nicole Asher
Elenco: Octavia Spencer, Tiffany Haddish, Carmen Ejogo, Blair Underwood, Kevin Carroll

Assisti, mas não resenhei #4

Alô, alô, pessoal. Tudo bem?

Cá estou para mais uma edição do Assisti, mas não resenhei. Bora descobrir quais são os títulos da vez? 😉

Black Mirror

black mirror

Black Mirror causou em mim o mesmo efeito que provavelmente causou na maioria das pessoas: choque já no primeiro episódio (que considero um dos melhores da série). A primeira e a segunda temporada trazem a tecnologia como cenário e catalisador de diversos dilemas morais e humanos e eu gostei muito da proposta. Porém, acabei enjoando na terceira temporada e larguei a série. :/

Flash

flash

Flash foi a primeira série derivada do Arrowverse e eu não demorei a maratoná-la (especialmente porque eu gostava muito de Arrow na época). Assisti às duas primeiras temporadas assiduamente, mas quando chegou na terceira eu desisti. Os crossovers começaram a acontecer com frequência demais pro meu gosto, e a adição de títulos derivados como Supergirl e Legends of Tomorrow a esse bolo não ajudou. Além disso, parece que todos os personagens foram ganhando poderes e toda hora aparecia um velocista mais rápido que o Barry. Sem tempo, irmão.

Gypsy

gypsy

A série (cancelada após sua primeira e única temporada) acompanha uma psicóloga que começa a se interessar de maneira obsessiva pela vida pessoal de seus pacientes. Vivendo uma rotina aparentemente perfeita, ela cria uma segunda identidade para se aproximar de pessoas-chave que são tema das conversas no seu consultório. A premissa é bem instigante e, particularmente, gostei da temporada. Achei uma pena ter sido cancelada, ainda mais com o final que a série teve.

Mr. Robot

mr robot

Eu assisti somente à primeira temporada de Mr. Robot, mas adorei. A trama acompanha o programador Elliot, que é  convidado a fazer parte de uma organização de hackers secreta (conhecida como Fsociety), cujo objetivo é destruir uma companhia global – a companhia em que Elliot trabalha.

E aí, quais dessas séries vocês gostariam de assistir? 😀
Me contem nos comentários!