Dica de Série: Ordem na Casa com Marie Kondo

Oi gente, tudo bem?

Em uma manhã de domingo, após acordar às 7h da manhã, comecei a assistir Ordem na Casa com Marie Kondo. Aparentemente, abracei de vez a senhorinha que sou! 😂

ordem na casa com marie kondo

Sinopse: A famosa especialista em arrumação Marie Kondo ajuda clientes a colocarem ordem na casa e na própria vida, transformando lares com muita inspiração.

A série é um reality show no qual Marie Kondo, criadora do método de organização KonMari, visita diversas famílias que gostariam de colocar ordem em suas casas e suas vidas. Para auxiliá-los na organização, Marie não apenas ensina técnicas de arrumação, mas também o conceito de “trazer alegria” (spark joy) para que alguém decida se um item permanecerá em sua vida ou não, buscando entender se existe um desejo de levá-lo consigo para o futuro.

ordem na casa com marie kondo 2.png

Marie visita famílias dos mais diversos tipos: famílias com filhos pequenos, uma senhora viúva que agora precisa aprender a viver sozinha, casais LGBT, famílias com animais de estimação e casais que estão esperando o primeiro filho. O mais bacana de assistir essas diferentes famílias organizando suas coisas é perceber que existem muitas diferenças entre as pessoas, mas que o apego sentimental é um denominador comum que muitas vezes nos faz acumular coisas de que não precisamos mais. Ainda assim, Marie Kondo respeita cada indivíduo, suas particularidades e decisões sobre o que vai e o que fica. Ela não julga nenhuma escolha, mas faz o seu melhor para guiar os envolvidos em uma análise sobre o que determinado item realmente significa para si.

ordem na casa com marie kondo 4.png

Obviamente, as dicas de arrumação são muito boas. É impossível não ficar com vontade de organizar a casa toda enquanto assiste (eu já arrumei meu guarda-roupa, que tá bem bonitinho rs). Marie dá algumas dicas maravilhosas que você fica “como não pensei nisso antes?”. Ela ensina a dobrar roupas, a organizar itens de cozinha, separar documentos, entre diversos outros itens. Claro, como a série é curta (somente 8 episódios de 30-40 minutos), acredito que grande parte das dicas de seus livros tenha ficado de fora. E sim, fiquei com vontade de ler suas obras também!

ordem na casa com marie kondo 3.png

Outro aspecto interessante da série é o choque cultural a qual somos apresentados por meio de Marie. Ela é japonesa, um povo bem diferente dos ocidentais em muitos aspectos. Marie tem uma relação bem espiritual com as casas que visita, com o processo KonMari, com os objetos que ficam e que são descartados e com o que tudo representa para as famílias que auxilia. A primeira coisa que ela faz antes de começar a arrumação, por exemplo, é “cumprimentar” a casa, conectando-se com a energia do lugar e visualizando o futuro dele. Para nós, ocidentais, isso pode soar um pouco estranho a princípio; mas com o passar dos episódios vai ficando mais natural, assim como o respeito pela diferença cultural cresce.

Ordem na Casa com Marie Kondo é uma série bem bacana, com cenas emocionantes, famílias diversas e muitas dicas úteis. Se você está buscando inspiração para seu próprio lar ou gosta de realities, recomendo que você dê uma chance. Aposto que vai achar a Marie uma fofa também! ❤

Título original: Tidying Up with Marie Kondo
Ano de lançamento: 2019
Criador: Marie Kondo
Elenco: Marie Kondo

Anúncios

Dica de Série: The Handmaid’s Tale

Oi pessoal, tudo bem?

Agora que The Handmaid’s Tale chegou à TV aberta, acho que é uma ótima oportunidade de falar novamente sobre essa trama tão poderosa, dolorida e necessária – agora no formato de série.

the handmaids tale

Sinopse: Baseado na obra de Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale conta a história na distopia de Gilead, uma sociedade totalitária que foi anteriormente parte dos Estados Unidos. Enfrentando desastres ambientais e uma taxa de natalidade em queda, Gilead é governada por um fundamentalismo religioso que trata as mulheres como propriedade do Estado. Como uma das poucas mulheres férteis restantes, Offred é uma serva na casa do Comandante, sendo parte de uma das castas de mulheres forçadas à servidão sexual como uma última tentativa desesperada para repovoar um mundo devastado. Nesta sociedade aterrorizante onde uma palavra errada pode acabar com sua vida, Offred vive entre Comandantes, as suas mulheres cruéis e seus servos – onde qualquer um poderia ser um espião para Gilead – tudo com um único objetivo: sobreviver e encontrar a filha que foi tirada dela.

The Handmaid’s Tale é baseada no livro O Conto da Aia, sobre o qual já falei aqui no blog. A história segue basicamente a mesma premissa e se desenvolve de maneira muito fiel ao que é descrito no livro: em um futuro distópico, uma ditadura religiosa retirou os direitos civis das mulheres nos Estados Unidos (agora República de Gilead), determinando suas funções na sociedade em um modelo de castas. Há as Marthas (mulheres dedicadas ao serviço doméstico), as Tias (que educam as Aias), as Esposas (casadas com os Comandantes, membros do alto escalão militar dessa nova sociedade religiosa) e, por fim, as Aias (mulheres férteis responsáveis pela reprodução). Nossa protagonista é Offred, uma mulher que teve seu marido e filha arrancados de si e agora serve ao lar de seu Comandante como uma Aia. Com o passar dos episódios, Offred vai nos contando como tudo aconteceu e como é a vida nesse novo modelo de existência.

the handmaids tale 2.png

Porém, diferentemente do livro, aqui temos uma visão bem mais ampla sobre o que ocorre em Gilead. Além do ponto de vista de Offred, também vislumbramos o papel da Esposa do Comandante no golpe, e a angústia que ela sente por ser deixada de lado pelo novo sistema que ajudou a construir. É um paradoxo muito interessante este: ela, a mulher por trás do ideal de Gilead, vê-se praticamente na mesma posição que as mulheres que ela ajudou a oprimir; ou seja, descartada e sem voz. Além disso, na série também temos acesso a mais cenas do passado de Offred com sua família, suas tentativas de fuga e até mesmo sobre o que aconteceu com seu marido, Luke.

the handmaids tale 4

Offred é a personagem que mais muda do livro para a série, mas não de maneira negativa. Na produção audiovisual, ela tem um nome e faz questão de relembrá-lo: June. Mais irônica, sarcástica e afrontosa que sua contraparte literária, a June da série é alguém que causa ainda mais empatia e simpatia no espectador. No livro me entristecia ver a apatia de Offred, que só conseguia transgredir em atitudes muito pequenas. Na série, contudo, June é mais ativa e revoltada, ao mesmo tempo que transmite toda a dor e a emoção que permeiam sua nova existência. Elizabeth Moss, que a interpreta, faz um trabalho fenomenal nesse sentido, pois apenas com o olhar ela consegue passar os mais diversos sentimentos vividos por sua personagem. Mas ela não é a única a realizar um excelente trabalho; as atuações de modo geral são primorosas e causam as mais diversas reações: pena, asco, revolta, tristeza, desprezo.

the handmaids tale.png

De certo modo, achei mais difícil assistir The Handmaid’s Tale do que ler O Conto da Aia. Se no livro Offred rememora tudo que lhe aconteceu de maneira mais linear e apática, em The Handmaid’s Tale somos obrigados a assistir todas as torturas e abusos sofridos pelas mulheres de Gilead. A primeira cena do primeiro episódio já me levou às lágrimas e, devo dizer, praticamente todos os episódios da primeira temporada o fizeram. A cada nova cena que surgia na tela, a cada nova violência a qual as mulheres eram submetidas, era um novo soco no estômago. Por outro lado, diferentemente do livro, existem cenas de MUITO girl power e empoderamento feminino. Há momentos de subversão tão poderosos – ainda que relativamente simples – que é impossível não ficar com cada pelo do corpo arrepiado. Somado a isto está uma fotografia de qualidade impecável, que abusa dos tons pálidos para reforçar ainda mais o destaque e o incômodo causados pelo vermelho das vestes das Aias.

the handmaids tale 3.png

The Handmaid’s Tale é, assim como O Conto da Aia, uma obra necessária. Em tempos como os nossos, em que o fundamentalismo religioso se faz presente em diversas esferas do governo, é ainda mais necessário que a gente mantenha os olhos abertos. O retrocesso é muito mais fácil de acontecer do que pensamos, e manter nossos direitos é uma luta constante que jamais pode esmorecer. A série traz reflexões sobre o direito aos nossos próprios corpos, sobre a velocidade com que o retrocesso ganha espaço e sobre como precisamos nos unir enquanto mulheres. Todo mundo deveria assistir The Handmaid’s Tale. E cuidado: Gilead pode estar na esquina.

Título original: The Handmaid’s Tale
Ano de lançamento: 2017
Criador: Bruce Miller
Elenco: Elisabeth Moss, Yvonne Strzechowski, Joseph Fiennes, Alexis Bledel, Samira Wiley, Ann Dowd, Madeline Brewer, Max Minghella, O. T. Fagbenle

Lista #7: Minhas séries de comédia favoritas

Oi gente, como estão?

Vocês sabem que eu sou aloka das séries, né? E, apesar de já ter feito review de várias delas aqui no blog, percebi que ainda não tinha organizado em uma lista as minhas favoritas. Por isso, no post de hoje resolvi contar pra vocês quais são as minhas séries preferidas, começando por um dos estilos que mais gosto: comédia! ❤

#1 Friends

friends (2).png

Friends é a minha série favorita da vida! Eu tenho até uma tatuagem homenageando essa sitcom que foi e é tão importante pra mim. Em momentos bem complicados da minha vida eu encontrei consolo nos seis amigos que dividiam as alegrias e as agruras do dia a dia em um café charmoso e aconchegante de Nova York. ❤ Até hoje, quando estou passando por algum momento mais tenso ou estressante, recorro a Monica, Rachel, Phoebe, Chandler, Joey e Ross. E sempre funciona!

#2 One Day at a Time

one day at a timeReview

Minha segunda série de comédia favorita é essa sitcom MARAVILHOSA que todo mundo deveria conhecer. One Day at a Time acompanha uma família de origem cubana vivendo nos Estados Unidos e é repleta de humor, piadas conscientes, responsabilidade e carisma. Nunca vi uma série que abordasse tão bem questões psicológicas como depressão e ansiedade, além de trazer críticas sociais e temas fortes como alcoolismo, drogas e homossexualidade de maneira natural e responsável. One Day at a Time é uma série necessária, que sabe fazer humor sem ofender e ainda conscientizar sem forçar a barra. É muito amor envolvido! ❤

#3 Brooklyn Nine-Nine

brooklyn nine-nine (3)Review

Mais um exemplo de série que sabe fazer humor sem precisar pisar ou debochar de ninguém. Brooklyn Nine-Nine (ou B99, para os íntimos) fala sobre racismo, homofobia, machismo, empoderamento feminino e muito mais, enquanto acompanha os casos investigados pelos detetives da 99ª delegacia do Brooklyn. Apesar do grande número de personagens masculinos, vai totalmente contra os conceitos de masculinidade tóxica, e as personagens femininas são diversas e badass, cada uma à sua maneira.

#4 Mom

mom.png

Essa série foi uma grata surpresa. Nunca tinha ouvido falar nela mas, um dia, zapeando pela tv a cabo, meu namorado e eu vimos parte de um episódio (que achamos muito engraçado). Começamos a assistir do início e foi amor instantâneo! Trazendo como tema principal o alcoolismo – pois a série acompanha uma relação disfuncional entre mãe e filha, ambas ex-alcoólatras que frequentam o AA) –, Mom tem ótimos personagens, diálogos e cenas de humor. Entretanto, assim como em um momento você está rindo, no próximo você está chorando, pois a série é capaz de trabalhar um tema forte (o vício) de maneira muito tocante e real.

#5 Modern Family

modern family 3Review

Apesar de ter perdido um pouco do fôlego nas temporadas mais recentes (talvez da 5ª ou 6ª em diante), Modern Family ainda ocupa um lugar muito especial no meu coração. A série acompanha uma família muito diversa, cujos pilares são um patriarca bem tradicional, Jay (casado com uma mulher mais jovem, Gloria, que tem um filho do casamento anterior) e seus dois filhos, Claire (uma mulher forte e determinada, mãe de três filhos e casada com o doce Phil) e Mitchell (que é assumidamente gay e casado com Cam). O forte de Modern Family é justamente acompanhar as tensões, reconciliações e os momentos fraternos dessa família tão diversa. E é claro que não faltam boas cenas de comédia e personagens muito engraçados, com destaque para Phil e Gloria.

#6 Grace and Frankie

grace and frankieReview

Como não amar essa dupla? Grace and Frankie tem um plot ótimo: duas mulheres na terceira idade descobrem que seus maridos são gays e pretendem pedir o divórcio para se casar. De modo improvável, as duas acabam morando juntas e, pouco a pouco, vão aprendendo com as diferenças entre elas. A amizade de Grace e Frankie é admirável e vai se construindo aos poucos, até porque as duas têm personalidades opostas. Além disso, a série faz muito bem em trazer a terceira idade como pilar, pois dá voz a essa parcela da população e mostra que essa fase da vida pode ser muito mais interessante do que a gente julga.

Menções honrosas: The Good Place é outra série sensacional e nonsense que me faz rir MUITO. Adoro a temática e acho o plot twist da primeira season finale SENSACIONAL. Além dela, a criança que eu fui ficaria profundamente magoada se eu não citasse as primeiras séries que fizeram parte da minha vida, me aproximando desse tipo de produção: Eu, a Patroa e as Crianças, Um Maluco no Pedaço e Todo Mundo Odeia o Chris. ❤

Já conferiram alguma das séries da lista, pessoal? Gostam de alguma?
Me contem nos comentários quais são as favoritas de vocês! ❤

Beijos e até o próximo post.

Dica de Série: Vikings

Oi gente, tudo bem?

Como sou fã de Game of Thrones, ao longo dos anos ouvi de vários amigos que eu também deveria conferir Vikings. E então decidi dar uma chance. 😉

poster vikings

Sinopse: Produzida pelo History Channel, Vikings apresenta os famosos exploradores, comerciantes, guerreiros e corsários nórdicos a partir do seu ponto de vista. A história é centrada em Ragnar Lothbrok (Travis Fimmel, deBeast), um agricultor e guerreiro que acredita ser descendente direto do deus Odin, que decide partir e lutar para conquistar novas terras.

Vikings é uma série baseada na vida real do Rei Viking Ragnar Lothbrok. Na série, o protagonista é um viking que deseja mais do que apenas fazer incursões em nome do conde a qual serve. Para Ragnar, o mundo é muito grande e existem diversos territórios a serem explorados (e saqueados, é claro). Com o apoio de seguidores leais, ele consegue tal façanha, causando a inveja de seu irmão, Rollo, e do próprio conde. Essa é a pontinha do iceberg, o pontapé inicial que coloca a trama (cheia de traições) em movimento.

vikings 2.png

Ragnar é um homem ambicioso e corajoso. Ele acredita ser descendente direto de Odin, o que serve como incentivo em sua busca cada vez mais ousada por territórios inimigos distantes. Em um de seus saques, ele toma como escravo o monge Athelstan, com quem começa uma amizade improvável. Athelstan acaba se afeiçoando a Ragnar e a também sua família, composta por Lagherta (sua esposa) e seus filhos. O interessante dessa relação é o choque cultural advindo dela: Ragnar passa a ouvir as histórias e crenças de Athelstan, cuja religião é o cristianismo, enquanto o monge também faz o mesmo em relação à cultura e religião nórdicos.

A trama vai se desenvolvendo gradualmente, com as conquistas de Ragnar sendo cada vez mais expressivas. Aconselho fortemente que vocês não pesquisem nenhum personagem no Google para não tomar spoilers, já que eles são baseados em figuras reais. 😛 Enfim, voltando… Conforme Ragnar ascende na hierarquia de seu povo e domina novas terras, as batalhas vão ficando cada vez maiores e mais sangrentas. Mas, para ser honesta, não achei Vikings tão brutal quanto eu esperava que fosse. Existem cenas de violência explícita, sim, mas são menos frequentes ou chocantes quanto eu imaginava.

vikings 3

A série também conta com ótimos personagens e diversas reviravoltas. Lagherta é um exemplo de mulherão da porra que enfrenta várias adversidades de cabeça erguida, além de ser uma guerreira tão incrível quanto qualquer homem. Seu filho, Bjorn, também é um dos meus queridinhos, tendo grande força física e, principalmente, de caráter. Ragnar, entretanto, é alguém de quem eu não gosto. Ele trata as mulheres com quem se relaciona de modo péssimo (embuste, cof cof) e tem uma arrogância difícil de engolir. Com o passar do tempo, mais personagens controversos entram na história, o que acaba gerando mais traições e situações inesperadas.

vikings

A produção da série, os figurinos e a ambientação são incríveis e transportam o espectador para os tempos medievais. Entretanto, nem sempre a narrativa é tão instigante a ponto de nos querer fazer maratonar. Existem momentos alucinantes em Vikings, mas durante algumas fases da série eu meio que me forçava a continuar. Ou seja, é uma produção de grande qualidade, mas que tem seus altos e baixos em alguns plots. Então, para concluir: se você curte séries medievais com muitas lutas, sangue, traições e intrigas políticas, Vikings é pra você!

Título original: Vikings
Ano de lançamento: 2013
Criador: Michael Hirst
Elenco: Travis Fimmel, Katheryn Winnick, Clive Standen, Jessalyn Gilsig, Gustaf Skarsgård, George Blagden, Alyssa Sutherland, Alexander Ludwig

Dica de Série: You

Oi pessoal, tudo bem?

A coluna Uma Amiga Indicou – uma parceria linda com os queridos blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer já começou janeiro bombando! ❤

uma amiga indicou

Hoje vim contar pra vocês o que achei de You (ou Você), o novo thriller da Netflix, que foi escolhido por nós para ser assistido coletivamente.

poster you netflix.png

Sinopse: Obcecado por uma aspirante a escritora, um charmoso gerente de livraria lança mão de medidas extremas para entrar na vida dela.

Imagine como seria adentrar a mente de um psicopata, saber cada pensamento, lógica distorcida e obsessão. É exatamente isso que You proporciona. Na trama, Joe Goldberg é o carismático gerente de uma livraria que se “apaixona” perdidamente por Guinevere Beck, uma bela aspirante a escritora. Quando a jovem flerta com ele na livraria, o rapaz se encanta completamente, convencendo-se de que eles são perfeitos um para o outro, e utiliza o nome no cartão de crédito da moça para stalkeá-la e conseguir informações a seu respeito na internet. Quanto mais “conhece” Beck, mais determinado Joe fica a conquistá-la – mesmo que para isso precise eliminar quem estiver em seu caminho.

you netflix 2.png

You é cheia de absurdos. Existem inúmeras situações inverossímeis, especialmente no que tange o stalk de Joe e os crimes que ele comete. Contudo, de maneira surpreendente, a série consegue fazer com que você, espectador, não ligue pra nada disso. A narração em off, feita por Joe e direcionada a Beck, é instigante e cativante, e por mais perturbador que seja o personagem, você quer continuar acompanhando seus devaneios. Os episódios são tão envolventes que você aceita essas situações em nome do espetáculo e da ansiedade para conferir o que está por vir. E muito disso é mérito do insano Joe.

you netflix 7.png

O personagem é um verdadeiro psicopata doentio. Mas, por mais que ele cause repulsa e revolta, ele também fascina (e aqui cabem muitos elogios ao seu intérprete, Penn Badgley). Joe é um personagem cheio de nuances que nos confundem: ao mesmo tempo em que é capaz de diversas atrocidades, ele também demonstra carinho e zelo com Paco, uma criança que vive no apartamento ao lado e presencia a mãe sofrendo violência doméstica. Certamente Joe vê em Paco a criança que ele mesmo foi, negligenciado e vítima de violência por parte do homem que o criou (outro psicopata sem escrúpulos, diga-se de passagem). As cenas entre os dois são repletas de ternura, o que quase nos faz esquecer da verdadeira faceta do protagonista: a de um homem obsessivo, controlador e doentio.

you netflix 3.png

Joe passa a temporada inteira justificando suas atitudes “em nome do amor” e “para proteger Beck”. Ele invade a privacidade dela, manipula diversas situações e não demonstra nenhum rancor em relação aos assassinatos que comete. E o pior de tudo: ele acredita piamente que está fazendo a coisa certa. Joe é tão imerso e crente em suas próprias fantasias que se sente no direito de, por exemplo, julgar a melhor amiga de Beck (outra stalker manipuladora) por fazer a MESMA COISA que ele faz. O personagem é totalmente incapaz de compreender o quão abusivo ele é, e suas justificativas me incomodaram DEMAIS (eu só queria dar um tapa na cara dele, sério).

you netflix 4.png

Beck, por outro lado, é uma personagem difícil de torcer. Além das expressões de “sou muito bonitinha” o tempo todo (que cansam pra caramba), Beck tem falhas de caráter graves: ela trai, mente e não assume a responsabilidade por seus atos, fazendo-se de vítima o tempo todo. O problema é que ela é REALMENTE uma vítima, mas não faz ideia disso. Vamos ser honestos: Beck é burrinha. Foi enervante ver a personagem caindo em desculpas mais furadas que uma peneira, mesmo quando Joe não tinha como justificar determinadas coisas de maneira aceitável (o evento literário no qual ela vai com o pai é um bom exemplo disso entendedores entenderão). Somado a isso está o fato de que Joe vende uma imagem de namorado perfeito, fazendo de tudo para agradá-la e incentivá-la, em uma tentativa de fazer com que não apenas Beck, mas também o espectador também goste dele. Contudo, por mais que Beck seja chata e problemática, NADA justifica as coisas que Joe faz com ela. Em certos momentos, especialmente na reta final, me senti muito mal assistindo You e pensando que – em maior ou menor escala – muitas mulheres na vida real são realmente perseguidas, tolhidas, controladas, agredidas ou até mesmo mortas por homens que se sentem no direito de possuí-las. You pode ter diversas situações absurdas, mas essa infelizmente não é uma delas.

you netflix 6.png

A série ainda faz diversas críticas ao excesso de exposição na internet e nas redes sociais, jogando na nossa cara como fornecemos muitos detalhes da nossa vida pessoal para completos estranhos. Por meio de Beck e de sua tentativa desesperada de pertencer a um grupo social do qual não faz parte (o que a conduz a uma amizade extremamente nociva com Peach), You mostra como o feed do Instagram pode não estar alinhado com a realidade, sendo somente uma vitrine para aquilo que queremos mostrar. Confesso que foi difícil não sentir uma paranoiazinha ao terminar a série e pensar “e se um stalker estiver olhando minhas coisas?” 😂👀

you netflix 8.png

You (ou Você) é um thriller excelente e perturbador. Não é fácil acompanhar uma história pelos olhos do vilão (exceto quando ele é o Dexter e mata somente outros assassinos rs), mas os episódios conseguem manter o espectador aflito e querendo mais. As situações inverossímeis não estragam a experiência, já que You não se propõe a ser uma série investigativa, mas um mergulho em uma relação perigosa, obsessiva e disfuncional. Recomendo!

Título original: You
Ano de lançamento: 2018
Criadores: Greg Berlanti, Sera Gamble
Elenco: Penn Badgley, Elizabeth Lail, Shay Mitchell, John Stamos, Zach Cherry, Luca Padovan

Dica de Série: Sharp Objects

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Sharp Objects, minissérie da HBO (baseada no livro Objetos Cortantes) que rendeu a Amy Adams diversos elogios e concorre a vários prêmios.

sharp objects poster

Sinopse: Camille Preaker, repórter do St. Louis Chronicle, é enviada para sua cidade natal para investigar a história de duas garotas que estão desaparecidas e, supostamente, foram assassinadas. O caso, mais o fato de se reunir com sua prepotente mãe, desperta recordações traumáticas de sua infância, incluindo a morte de sua irmã mais nova, Marian.

Camille é uma jornalista que se vê obrigada a voltar à Wind Gap, sua cidade natal, para cobrir o brutal assassinato de duas jovens. Atormentada por lembranças do passado, convivendo com o alcoolismo e odiando tudo que envolva Wind Gap, essa missão é um verdadeiro desafio para Camille. Muito desse sofrimento tem origem familiar: ela perdeu uma irmã ainda na adolescência, tem uma péssima relação com a mãe, Adora, e nem sequer conhece sua meia-irmã mais nova, Amma. Esses elementos combinados levam Camille a uma experiência dolorosa e intensa durante seu período na cidade em que cresceu.

sharp objects (5).png

Como sou apaixonada por thrillers e admiro o trabalho de Amy Adams, estava louca para conferir Sharp Objects. A verdade é que, em um primeiro momento, a série não conseguiu cativar minha atenção. Tentei relevar a lentidão do primeiro episódio porque compreendo que é necessário apresentar com competência o aspecto psicológico de uma protagonista tão quebrada; o problema é que esse ritmo não muda ao longo dos episódios seguintes.

Acompanhamos Camille investigando a morte das jovens assassinadas, enquanto o detetive Richard Willis faz a mesma coisa em paralelo. Assim como Camille, Willis é considerado pela população de Wind Gap um outsider, alguém que não está habituado aos costumes daquela cidade interiorana cheia de segredos. Tanto ele quanto Camille sofrem certos olhares de desconfiança por estarem “fuçando onde não devem”, especialmente por parte de Adora (mãe de Camille), considerada um pilar para a comunidade, e pelo xerife Vickery. Contudo, o plot da investigação dos assassinatos não chega a ser instigante a ponto de deixar o espectador verdadeiramente curioso, porque parece que nada acontece.

sharp objects.png

Por outro lado, os mistérios referentes à família de Camille são muito mais interessantes. A morte de sua irmã mais nova marcou muito a dinâmica familiar dos Preaker, e Adora tem uma necessidade de controle doentia. Apesar de ter negligenciado Camille a vida toda, Adora investe todas as suas energias em cuidar de Amma, tratando a adolescente como uma menininha indefesa – sem nem imaginar o quão dissimulada é a filha mais jovem, que se finge de menina comportada na frente da mãe, mas sai às escondidas à noite e mantém seus próprios segredos.

A própria Camille é um grande vulcão emocional, e a cada episódio descobrimos mais detalhes de seu passado que nos fazem sentir pena dela: além de ter perdido a irmã que amava, Camille foi internada em um hospital psiquiátrico, se automutilava, sofreu mais perdas pelo caminho e agora convive com o alcoolismo. No desenvolvimento dos personagens, a série acerta em cheio: eles são muito bem trabalhados, tem diversas nuances e nem sempre agem como esperamos, o que os torna bastante verossímeis. Os mistérios mais interessantes da série, diga-se de passagem, estão relacionados às verdades por trás do que os personagens aparentam ser (e eu não posso falar muito sobre isso porque a graça da série, ao meu ver, está nesses segredos).

sharp objects (2).png

As atuações certamente merecem grande destaque. Amy Adams e Patricia Clarkson (Camille e Adora, respectivamente) roubam a cena por motivos diferentes: de Camille sentimos pena, por Adora, aversão. A dedicação das atrizes – especialmente Amy Adams – aos papéis é intensa e visceral, sendo impossível assistir a diversas cenas sem sentir grande desconforto. Eliza Scanlen (Amma) também surpreende, trazendo à vida uma personagem falsa, sedutora, mentirosa, intensa, vítima e algoz – tudo ao mesmo tempo.

sharp objects (4).png

Sharp Objects traz uma trama de assassinatos que não prendeu minha atenção e me deixou bastante entediada em diversos momentos, porém é muito competente em trabalhar seus personagens imperfeitos e os traumas que se acumulam no seu emocional. O final é surpreendente, me deixou de queixo caído e eu amei! Vi gente que leu o livro reclamando que foi mal explicado (inclusive catei o final do livro pra ler), mas eu achei ótimo o fato da minissérie ter optado por ser mais chocante do que reveladora. Apesar das ressalvas, o desfecho e o desenvolvimento psicológico dos personagens “ganharam a batalha”, tornando a experiência positiva! 😉

Título original: Sharp Objects
Ano de lançamento: 2018
Diretor: Jean-Marc Vallée
Elenco: Amy Adams, Patricia Clarkson, Eliza Scanlen, Chris Messina, Matt Craven, Taylor John Smith

Dica de Série: Grace and Frankie

Oi gente, tudo bem?

Grace and Frankie é uma ótima comédia da Netflix, e no post de hoje eu te conto porquê acho que você deveria conferir! 😉

poster grace and frankie.png

Sinopse: Quando seus maridos pedem o divórcio para se casar um com o outro, a comportada Gracie e a excêntrica Frankie começam uma amizade.

Grace e Frankie não poderiam ser mais diferentes: a primeira é uma mulher vaidosa, elegante e um pouco presunçosa, enquanto a segunda é uma hippie completamente good vibes. O que elas têm em comum? Seus maridos: Robert e Sol são advogados e sócios há anos, mas também são mais do que isso. Em um jantar inesperado, os dois revelam às esposas que são gays e que querem o divórcio para ficarem juntos! Já dá para imaginar o choque sentido por Grace e Frankie, né?

Esse plot inicial já é engraçado por si só: duas mulheres de terceira idade tendo que lidar com o fato de que seus maridos estão apaixonados um pelo outro. Mas a graça da série começa a partir daí, já que Grace e Frankie acabam tendo que dividir a casa de praia, que era propriedade dos quatro. As duas querem fugir de seus maridos por motivos diferentes: Grace se sente humilhada e revoltada, especialmente por ter suportado por tantos anos um casamento sem amor com Robert; Frankie, por outro lado, está de coração partido, já que Sol era sua alma gêmea e seu melhor amigo. Entretanto, além da casa de praia, as duas passam a dividir os sentimentos advindos do divórcio, o que acaba criando uma amizade improvável.

grace and frankie.png

É tão gostoso ver as interações entre Jane Fonda e Lily Tomlin. Elas dão vida a personagens muito carismáticas, de quem passamos a gostar rapidinho, apesar de seus defeitos. Além disso, é extremamente divertido ver duas personalidades tão distintas tendo que aprender a conviver. Grace, com seu jeito prático e metódico, tem mais dificuldades para “engolir” Frankie em sua vida, graças à personalidade avoada e livre desta. Frankie, por outro lado, acha que Grace é muito rígida e neurótica em seu modo de viver a vida. Entretanto, é possível perceber que elas começam a se completar e a influenciar na vida uma da outra: a leveza de Frankie passa a contagiar Grace, enquanto a praticidade e objetividade de Grace auxiliam Frankie em diversas questões.

grace and frankie 4.png

As famílias das duas até têm certo espaço de tela mas, sinceramente, nenhum dos filhos das duas têm muita importância ou carisma suficiente para que a gente se importe de verdade. Brianna, filha mais velha de Grace, talvez seja a mais interessante. Robert e Sol também têm algum destaque, e acompanhamos o casal tentando se ajustar ao “lado de fora do armário” no qual estiveram por cerca de 20 anos. Não é tão simples assim assumir a relação e passarem ao status de casados, especialmente porque precisam lidar com as mágoas que causaram e, é claro, com as dificuldades que qualquer relacionamento traz.

grace and frankie 2.png

Por fim, acho válido mencionar como é bacana ver uma série cujos protagonistas são personagens de terceira idade. É raro encontrar produções que deem voz e espaço a essa camada da população e eu adorei acompanhar essa etapa da vida dos personagens. Além disso, Grace and Frankie também fala com naturalidade sobre sexualidade na terceira idade, mostrando que a quantidade de anos vividos não é um empecilho para amar, transar, se divertir e aproveitar a vida.

grace and frankie 3.png

Grace and Frankie é uma série muito divertida, com uma dupla de protagonistas carismática e apaixonante. Se você quer uma produção leve, rapidinha de assistir e com ótimas atuações, vale conferir!

Título original: Grace and Frankie
Ano de lançamento: 2015
Criadores: Marta Kauffman, Howard J. Morris
Elenco: Jane Fonda, Lily Tomlin, Martin Sheen, Sam Waterston