Review: Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta

Oi pessoal, tudo bem?

Que tal uma dica de filme pra curtir nesse domingo? Então prepara a pipoca, porque hoje vamos falar de Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta.

Sinopse: Inspirada pelo passado rebelde da mãe e por uma nova amizade, uma adolescente tímida publica um texto anônimo que denuncia o machismo em sua escola.

Vivian é uma adolescente tímida (e super padrão) que passa pelo Ensino Médio com sua melhor amiga, Claudia, tentando não chamar a atenção. Quando Lucy, uma menina nova chega na escola questionando certos comportamentos (ao enfrentar os avanços do capitão do time de futebol, por exemplo), Vivian começa a perceber quão problemático é se manter alheia ao que acontece à sua volta, abrindo seus olhos para violências cotidianas causadas pelo machismo. Isso, somado ao fato de descobrir que sua mãe era uma militante feminista nos anos 90, motiva Vivian a criar um fanzine chamado Moxie em segredo e distribuí-lo pela escola, o que dá início a movimentos e discussões importantes.

Moxie é um filme que entretém ao mesmo tempo que traz uma mensagem positiva a jovens garotas. Vivian nunca pensou no quão ofensivo era ter uma lista que classifica as garotas da sua escola, por exemplo, mas ao fazer amizade com Lucy, que é objetificada não apenas por ser mulher, mas também pela cor de sua pele e pelos estereótipos racistas, ela começa a ver na prática as opressões que mulheres sofrem. Ao criar o fanzine Moxie, Vivian se aproxima de outras garotas e isso gera uma rede de apoio para enfrentar Mitchell (o capitão do time masculino) na disputa por uma bolsa estudantil, indicando sua amiga Kiera (uma atleta ainda mais competente) como concorrente. A aproximação de Vivian com novas meninas faz com que Claudia fique de lado e isso gere uma tensão entre as duas, e tive medo que o filme caísse em alguma armadilha que pudesse colocá-las uma contra a outra, mas felizmente não é o que acontece. Essa situação serve para dar uma pincelada em assuntos relacionados à xenofobia, mas é um toque muito raso e passageiro.

Aliás, esse é o maior defeito de Moxie: o filme é muito superficial em suas críticas. A vibe “garota branca e loira descobrindo o girl power” já não funciona comigo, e existem assuntos muito pesados (como assédio e abuso sexual) tratados de forma quase leviana – em especial nas últimas cenas, em que gritar parece ser a forma de resolver as coisas. Moxie peca em não mostrar os efeitos reais e posteriores de tudo que foi feito na escola graças ao movimento criado pelas meninas, o que faz com que ele perca a sua força e se torne um filme meio “qualquer coisa” em um mar vasto e cheio de opções de entretenimento que temos hoje. Para completar, o filme se passa inteiramente sobre a ótica de uma menina cheia de privilégios, ignorando questões importantes que o feminismo interseccional aborda. Se eu tivesse que indicar um título que faça esse trabalho de forma competente, diria que Sex Education é uma opção muito mais poderosa e responsável. Pra finalizar, Lisa (a mãe de Vivian), que em tese foi sua primeira inspiração, tem poucas falas e é muito mal desenvolvida, sem que a gente entenda o motivo do distanciamento entre as duas (ainda mais em um momento em que a protagonista poderia contar com os conselhos da mãe). 

Entretanto, apesar da superficialidade, acho legal ver que mais obras como Moxie: Quando as Garotas Vão à Luta estão sendo feitas. Eu gostaria de ter crescido com mais exemplos assim, e acho que as futuras gerações terão contato com essas problematizações mais cedo – o que me faz ter um pouquinho mais de esperança no futuro.

Título original: Moxie
Ano de lançamento: 2021
Direção: Amy Poehler
Elenco: Hadley Robinson, Lauren Tsai, Alycia Pascual-Pena, Nico Hiraga, Sydney Park, Patrick Schwarzenegger, Amy Poehler

Review: Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre

Oi pessoal, tudo bem?

A conclusão da trilogia Para Todos os Garotos chegou à Netflix! Agora e Para Sempre encerra a história de amor de Lara Jean e Peter Kavinsky com ternura e novos desafios. Bora pro review?

Sinopse: É o último ano do ensino médio. Lara Jean volta de uma viagem à Coreia e faz planos para a faculdade — com Peter e sem ele.

Agora e Para Sempre, Lara Jean não foi o meu livro favorito da trilogia de Jenny Han, portanto eu não estava especialmente ansiosa pra conferir sua adaptação. Os dois maiores motivos de eu não ter curtido tanto o livro foram as páginas desperdiçadas investidas no casamento do pai de Lara Jean e o apagamento de Peter. Felizmente, o filme consegue equilibrar esses elementos e acabou sendo uma conclusão com a qual simpatizei mais.

Prestes a se formarem no ensino médio, os protagonistas desejam estudar juntos na mesma universidade (que no filme é Standford, diferente do livro). Acontece que, para tristeza dos dois, Lara Jean não é aprovada e precisa refazer seu planejamento. O plano B reside em estudar a 1h de distância de Peter e depois pedir transferência… até que, em uma excursão da escola, a jovem se apaixona pela New York University (que também foi alterada no filme, decisão que achei bem inteligente, porque aproveita melhor a excursão e poupa um tempo valioso). Lara Jean e Peter enfrentam então a insegurança causada pelos 5 mil quilômetros que vão separá-los, sendo este o principal ponto de tensão do longa.

Minha parte favorita de Agora e Para Sempre foram as cenas de Lara Jean com as amigas explorando Nova York e a NYU (apesar de eu ter estranhado bastante a amizade com Gen. Não lembro se se aproximaram tanto assim no livro). Apesar do tom meio pedante que os jovens costumam ter no ambiente universitário, deu pra entender os motivos que levaram Lara Jean a ficar encantada por tudo que a cidade tem a oferecer. Mas tem uma crítica que não posso deixar de fazer: a atuação de Lana Condor mostrou-se bastante limitada e abaixo da média no fechamento da trilogia. Existem momentos de tensão e emoção na história que ela simplesmente não conseguiu transmitir, e isso tirou um pouco do impacto pra mim.

Além das mudanças em relação às universidades que mencionei, o filme também altera um aspecto que considero bastante importante. É um spoiler, selecione se quiser ler: enquanto no livro é Lara Jean que surta e termina com Peter após ser pressionada pela mãe do garoto, no filme a mãe sequer é mencionada, e é Peter quem toma a decisão. Isso coloca Lara Jean numa posição de coitadinha e não curti, especialmente porque é Peter – novamente – quem precisa fazer um gesto grandioso para recuperá-la. Em compensação, faço um elogio a todo o plot do casamento de Dan, pai das meninas, e sua vizinha, Treena (ou Trina, como na legenda da Netflix). A personagem tem muito carisma, faz os comentários certos e é uma adição muito bem-vinda e orgânica à dinâmica dos Covey!

Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre é um filme fofinho que segue a mesma fórmula dos anteriores e encerra a trajetória de Lara Jean e Peter com mais otimismo que sua contraparte literária, o que achei um grande acerto. Fiquei com o coração quentinho e me senti bem por ter acompanhado essa história de amor tão doce (quase tanto quanto os que Lara Jean prepara rs) nas telas também. ❤

Título original: To All The Boys: Always and Forever
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Fimognari
Elenco: Lana Condor, Noah Centineo, Janel Parrish, Anna Cathcart, John Corbett, Sarayu Blue

Review: Soul

Oi, pessoal, tudo certo?

Como fã devota da dupla Disney Pixar, obviamente corri para conferir Soul, o primeiro filme lançado no serviço de streaming Disney+. Vamos conhecer?

Sinopse: O que é que o torna… você? Joe Gardner – um professor de música do ensino fundamental – tem a chance de tocar no melhor clube de jazz da cidade. Mas um pequeno passo em falso o leva das ruas de Nova York para o Pré-vida – um lugar fantástico onde novas almas obtêm suas personalidades, peculiaridades e interesses antes de irem para a Terra.

Joe Gardner é um talentoso musicista que sempre sonhou em fazer sucesso tocando jazz. A realidade, porém, é um pouquinho diferente: em vez de brilhar por sua habilidade ao piano, ele dá aula de música em uma escola de ensino fundamental. Sua sorte parece virar quando um ex-aluno o convida para substituir um dos integrantes de uma banda de jazz já consagrada. Acontece que Joe sofre um acidente e sua alma é separada de seu corpo. O caminho natural é ele ir em direção à luz, mas ele se recusa a morrer e acaba fugindo para um espaço chamado Seminário Você, onde almas aprendem sobre sua personalidade, gostos e propósitos para posteriormente “encarnarem” em recém-nascidos. Nesse local Joe fica responsável por 22, uma alma que já passou por inúmeros tutores e jamais encontrou seu propósito. Isso faz com que 22 seja cética a respeito da experiência na Terra, topando então ajudar Joe a levá-lo de volta. E, novamente, o protagonista é desafiado pelo destino: quando os dois conseguem ir pra Terra, 22 fica no seu corpo e Joe fica em um… gato. Esse é o ponto de partida pra uma sequência de aprendizados para ambos os personagens.

Como vocês já devem imaginar, Soul, assim como qualquer filme da Pixar, tem um forte impacto nos adultos. A trama gira em torno de ser fiel ao seu propósito e encontrar sua razão de existir na vida, e Joe tem certeza de que só vai encontrar isso na música. 22, por sua vez, só consegue entender o motivo pelo qual todas as outras almas desejam ir para a Terra no momento em que tem a oportunidade de vivenciar a experiência na prática. Os cheiros, os sabores e mesmo as coisas desagradáveis são vistas sob a lente de um olhar deslumbrado de quem valoriza cada pequeno instante. Conviver com 22 e ser testemunha do seu encanto pela simplicidade coloca algumas coisas em perspectiva para Joe, e ele começa a olhar sua própria vida “de fora” (no corpo do gato rs), o que provoca uma reflexão sobre toda a sua trajetória.

Se essa provocação não bastasse, Soul ainda vai além: a lição que fica é a de que não somos definidos pelo nosso propósito, e a vida é mais do que isso. Quando o protagonista percebe que grande parte do que ele sonhava era mais uma idealização do que uma visão realista, Joe entende que não é apenas o seu talento que o torna alguém digno e amado. O nosso propósito vai além das nossas habilidades, da nossa profissão e das nossas paixões: claro, são elementos muito importantes, mas não são em sua totalidade aquilo que torna a experiência de viver válida. 

Apesar de ter curtido o longa, o final em si não me surpreendeu muito. Eu esperava um desfecho mais audacioso, que não aconteceu. Mas, mesmo se mantendo num otimismo meio lugar-comum, Soul conseguiu me emocionar. Não tanto pela personalidade de Joe ou de 22 (não me entendam mal, eles são muito legais, mas não foram exatamente inesquecíveis), mas sim porque os assuntos tratados dialogaram com questionamentos e dúvidas que eu mesma já tive. 

Em resumo, Soul é um belo filme, com cenas divertidas e um assunto que coloca você para pensar e examinar a sua história. O fato do longa mostrar como nossa vida não é definida pela nossa vocação tirou um peso enorme dos meus ombros, porque com tantos discursos que falam em propósito rolando nos perfis de Instagram da vida, às vezes eu sentia que eu estava “à deriva” por não ter certeza a respeito do meu, sabem? Por isso, Soul tocou meu coração e colocou um sorriso no meu rosto. Existem muitas coisas que trazem alegria: o amor, a família, as amizades, as experiências, as viagens, os sabores… E tá tudo bem a gente se agarrar nisso e valorizar cada minuto.

Título original: Soul
Ano de lançamento: 2021
Direção: Pete Docter, Kemp Powers
Elenco: Jamie Foxx, Tina Fey, Graham Norton

Review: Mulan

Oi pessoal, tudo bem?

O live action de Mulan vem dando o que falar desde muito antes de sua estreia no Disney+ e, agora que ele chegou à plataforma, vim dividir com vocês meus sentimentos em relação ao filme. 🙂

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Sinopse: Em Mulan, Hua Mulan (Liu Yifei) é a espirituosa e determinada filha mais velha de um honrado guerreiro. Quando o Imperador da China emite um decreto que um homem de cada família deve servir no exército imperial, Mulan decide tomar o lugar de seu pai, que está doente. Assumindo a identidade de Hua Jun, ela se disfarça de homem para combater os invasores que estão atacando sua nação, provando-se uma grande guerreira.

Antes de tudo, acho importante ressaltar que eu acompanhei as notícias ao longo da produção do longa e, portanto, estava com expectativas alinhadas quanto ao fato do filme não ser um musical e não contar com a participação de personagens icônicos como Mushu e Li Shang. Pra quem não sabe do que estou falando, o novo live action da Disney tem um foco muito maior em honrar o público chinês, que vê no uso do dragão (uma figura mega sagrada) como alívio cômico e sidekick um desrespeito. Dito isso, saibam que minha opinião está pautada no filme pelo filme, e não (apenas) na comparação com o original, combinado? 😀

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Desde menina, Mulan demonstra algo especial: seu chi é intenso e ela é capaz de manipulá-lo como outras pessoas não o são. Porém, o chi é uma característica atrelada a guerreiros e ela, sendo mulher, deve ocultar tal habilidade e honrar sua família por meio do casamento. A jovem cresce com esse “segredo” e tenta se encaixar nos moldes tradicionais, mas quando cada família é convocada a ceder um homem para a guerra contra os Rourans que se aproximam, Mulan decide tomar o lugar de seu velho pai. Passando-se por um homem, ela treina para se aprimorar como guerreira enquanto busca entender seu verdadeiro papel.

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Sabendo que o filme é baseado no conto original de Mulan (que data lá do século VI), eu tentei me manter de coração aberto às novidades, como por exemplo o fato de haver uma mulher chamada de bruxa (apenas porque domina seu chi de maneira excepcional e consegue utilizá-lo como verdadeira magia) e pelo fato de Mulan se diferenciar de seus pares por também demonstrar domínio sobre essa energia. Acontece que, mesmo com toda a boa vontade do mundo, Mulan foi um filme chato de assistir.

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A começar pela protagonista: a atriz que interpreta Mulan é uma versão oriental da Kristen Stewart em Crepúsculo. Ela não demonstra nenhuma emoção, tem zero carisma e me deixou profundamente agoniada com seus golpes no ar que serviam pra ela atirar o cabelo pra longe quando caía no chão, tipo comercial de shampoo. O fato da personagem se destacar devido ao seu chi, e não pelo trabalho duro e pela determinação, também foi outro aspecto broxante: Mulan foi criada para ser uma mulher tradicional, e vê-la rompendo com esses estigmas e se esforçando tanto quanto qualquer homem (e ainda se sobressaindo) era uma das coisas mais poderosas da animação – que aqui perde força porque, apesar do esforço, Mulan tem de fato um aspecto “mágico” que a torna única. A personagem, portanto, se torna menos relacionável com o espectador.

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Os vilões são muito mal desenvolvidos, e os Rourans são caricatos e não oferecem uma ameaça que nos faça temer de fato, já que (diferente do desenho) não causam nenhuma perda a nível “pessoal”. Por outro lado, Xian Lang (a “bruxa”) que os auxilia tem mais camadas e representa uma dualidade com a própria Mulan, levando a personagem a se questionar sobre a própria identidade e sobre a injustiça de ter seu chi oprimido porque os outros não sabem lidar com isso. Ela é uma anti-heroína que oferece uma reflexão sobre o machismo que até hoje nos desencoraja de demonstrar todo o nosso potencial enquanto mulheres, e eu diria que essa provocação quanto aos papéis de gênero é o principal ponto forte do filme.

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Poderíamos pensar que as lutas seriam capazes de salvar o filme, certo? Errado, pelo menos pra mim. O live action tem uma estética típica de filmes de luta orientais, o que inclui movimentos super coreografados em slow motion. Se você curte essa vibe, talvez curta também esse aspecto do longa. Eu não me identifico nadinha com esse tipo de produção, então fiquei com um pouquinho de vergonha alheia nesses momentos de slow motion. Entretanto, reconheço a importância de contar essa história de uma forma que não agrida a cultura chinesa e ressalto como é importante um filme blockbuster contar com um elenco de fenótipo 100% oriental.

Resumindo, eu diria que Mulan é no máximo um filme nota 6 (numa escala de 10). O maior problema é que ele não se destaca, não arrepia, não emociona. Mesmo sem fazer nenhum tipo de comparação, o live action de Mulan se mostrou uma produção genérica e esquecível, que eu provavelmente não vou assistir uma segunda vez. Espero que ao menos para o público ao qual ele foi destinado tenha sido uma boa experiência.

Título original: Mulan
Ano de lançamento: 2020
Direção: Niki Caro
Elenco: Liu Yifei, Donnie Yen, Jet Li, Gong Li, Yoson An, Jason Scott Lee, Susana Tang, Tzi Ma, Rosalind Chao

Review: Estou Pensando Em Acabar Com Tudo

Oi pessoal, tudo bem?

Estava ansiosa para conferir e contar pra vocês o que achei da adaptação do livro de Iain Reid que bugou a minha cabeça, então bora falar a respeito de Estou Pensando Em Acabar Com Tudo? 😂

estou pensando em acabar com tudo

Sinopse: Uma jovem vai com o namorado conhecer os pais dele em uma fazenda remota e embarca em uma viagem para dentro de seu próprio psiquismo.

A trama do filme se inicia como a do livro: uma jovem está viajando com o namorado, Jake, para conhecer os seus pais. Apesar do casal estar dando esse passo importante, a moça passa a viagem inteira pensando que deseja acabar com tudo e romper o relacionamento. Quando os dois chegam na fazenda dos pais dele, a trama ganha um tom aflitivo e claustrofóbico, pois coisas estranhas começam a acontecer: há nítidas mudanças de linha temporal, a protagonista muda de nome e profissão, os pais de Jake aparecem cada vez de um jeito e aparece até uma foto da protagonista quando criança – que logo se transforma em uma foto de Jake.

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Essas mudanças surreais e o tom inquietante delas me lembraram muito da sensação que tive ao assistir Mãe!. Os acontecimentos parecem inocentes, mas você sabe, lá no fundo, que não são. Senti algo parecido durante a leitura também, um receio de que algo muito errado estivesse acontecendo por baixo da superfície, o que me fez temer pelos personagens na época. Acontece que, no filme, o diretor consegue deixar mais claro para o espectador que estamos vendo uma trama que se passa na cabeça dos personagens (ou melhor, de um determinado personagem). As cenas do casal na casa dos pais de Jake se intercala com cenas de um zelador idoso vivendo seu cotidiano, e os paralelos entre as situações servem como pista e também como provocação: o que é real?

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Quando li o livro, a viagem de carro e os diálogos na casa foram a parte mais cansativa da história pra mim, enquanto a perseguição na escola me fez devorar as páginas. Assistindo ao filme, o oposto aconteceu: a viagem de carro e a visita aos pais de Jake deram pistas fundamentais para a compreensão da trama, enquanto o final foi um tanto “wtf?”, apesar de ser compreensível. A partir daqui, há spoilers sobre o final: nesse terceiro ato do longa, fica claro que tudo que vimos até então aconteceu na mente do zelador. De forma fragmentada, ele relembra diversos momentos da sua vida, inclusive pessoas com quem namorou e até relações que não aconteceram (como quando a protagonista diz que nunca interagiu com o homem na noite de perguntas). Isso explica as passagens do tempo dentro da casa de seus pais, e explica também porque a foto da protagonista criança se transforma na foto de Jake criança: os dois são a mesma pessoa, ou melhor, a namorada não existe de fato – é a personificação de um desejo de Jake de ter um relacionamento. Na vida real, ou seja, na trama do zelador, fica nítido que ele é um homem solitário e que observa a vida como um espectador. Na última cena, Jake finalmente encontra a grandeza em sua imaginação, e ele “envelhece” mentalmente todas as pessoas com quem cruzou e de cujo reconhecimento ele gostaria de receber. Fim dos spoilers!

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De forma geral, Estou Pensando Em Acabar Com Tudo me causou uma sensação parecida com a que senti lendo a obra de origem: boa parte da trama foi cansativa, senti sono, mas quando as engrenagens começam a funcionar e você se pega tentando conectar os pontos, o interesse surge. Entretanto, diferente do livro que me fez amar o final graças à surpresa, o filme não provocou a mesma sensação. É um final muito mais metafórico e cheio de cenas surreais que, para o meeeu gosto, são chatas de assistir. O impacto que tive com a leitura, daquela verdade nua e crua tão “óbvia” sendo jogada na minha cara, não aconteceu. Ainda assim, o filme não é um desperdício de tempo e é uma boa obra de forma geral: as atuações são competentes, a construção do suspense é eficiente e, se você prestar bem atenção, está tudo explicado nas entrelinhas. Vale espiar!

P.S.: que agonia que no título em português eles tiraram o primeiro “Eu” antes de “Estou” rs.

Título original: I’m Thinking of Ending Things
Ano de lançamento: 2020
Direção: Charlie Kaufman
Elenco: Jessie Buckley, Jesse Plemons, Toni Collette, David Thewlis, Guy Boyd

Assisti, mas não resenhei #6

Oi pessoal, tudo certo?

Ando numa vibe bem cinematográfica nos últimos tempos, então resolvi explorar um pouco mais as opções disponíveis no Prime Video (todos os filmes da lista, com exceção do primeiro, estão disponíveis na plataforma). Com isso, bora pra mais um Assisti, mas não resenhei recheado de dicas? 😉

Contágio

contagio

Não, essa não é uma adaptação do livro que resenhei aqui no blog, sendo este Contágio um filme de ficção – mas que flerta muito com a realidade. Na trama, um novo vírus letal se espalha rapidamente pelo mundo, e vemos os esforços das autoridades globais e dos cientistas de tentarem entender e combater a pandemia. Pasmem, mas eu assisti a esse filme no primeiro fim de semana do isolamento (masoquista talvez? rs). Acho que na época eu tinha esperanças de que não ficaríamos trancafiados por tanto tempo, mas né… Sabemos que a coisa não se desenrolou dessa forma. 😂 Seja como for, eu adorei o longa! Ele tem um ritmo alucinante e é mega envolvente, ainda mais pra quem curte uma pegada mais “teoria da conspiração” feelings.

A Chegada

a chegada

Eu já tinha vontade de conferir A Chegada desde a época do lançamento, que provocou inúmeras críticas positivas e rendeu a Amy Adams uma indicação ao Oscar. A trama de ficção científica aborda a chegada de alienígenas na Terra, e a personagem de Adams é uma linguista renomada convocada para tentar compreender a mensagem dos visitantes. Com um plot digno de fazer qualquer fã de Dark dar uma bugada, esse filme é um prato cheio tanto pra abordar ficção científica quanto para nos fazer refletir sobre o papel da comunicação na compreensão do outro e sobre a humanidade das nossas escolhas (por mais difíceis que sejam). Recomendadíssimo!

Os Suspeitos

os suspeitos

Outro título que estava na minha lista há muito tempo, Os Suspeitos é um excelente thriller protagonizado por Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal. O personagem de Jackman tem sua filha sequestrada e, não confiando na atuação da polícia e do detetive responsável pelo caso (interpretado por Gyllenhaal), ele decide agir por si mesmo e punir o suspeito com as próprias mãos. O final é surpreendente!

Ela

ela

Mega renomado, especialmente no cenário cult, Ela trata essencialmente da solidão humana. Ao interagir com uma inteligência artificial avançadíssima, o protagonista acaba desenvolvendo um relacionamento com ela. Ao longo da narrativa, vemos flashbacks do casamento fracassado do personagem e percebemos a desconexão que ele sente com as pessoas à sua volta desde o divórcio. Confesso que achei o filme só “legal” e não fiquei impactadíssima por ele como grande parte das pessoas que conheço ficou. 🤷‍♀

As Duas Faces de um Crime

as duas faces de um crime

Vocês sabem que eu adoro uma trama envolvendo investigação, né? Esse longa, que lançou Edward Norton ao estrelato, narra a história de um advogado de defesa bem-sucedido e arrogante (interpretado por Richard Gere) que decide ajudar um jovem coroinha acusado de matar o bispo da sua congregação. Ao longo da trama vemos toda a reconstrução do que aconteceu, inclusive o aspecto oculto e podre da vida do bispo. O final tem um plot twist incrível, daqueles que te deixam de boca aberta. Vale a pena!

E você, já assistiu a algum desses filmes?
Me conta nos comentários! 😉

Assisti, mas não resenhei #5

Oi pessoal, tudo bem?

No Assisti, mas não resenhei de hoje, vamos falar sobre filmes! 😀 Tenho algumas dicas bem legais pra compartilhar, então já podem ir preparando a pipoca.

Um Pequeno Favor

um pequeno favor

A trama de Um Pequeno Favor gira em torno da amizade de Stephanie, uma mãe solitária, e Emily, uma mulher de negócios imponente, cujos filhos estudam na mesma escola (o que serve como pontapé para a aproximação). Certo dia, Emily pede a Stephanie que pegue seu filho depois da aula e… desaparece. O sumiço causa grande comoção e a própria Stephanie começa sua busca por respostas. Apesar da premissa, Um Pequeno Favor não segue a fórmula tradicional de thrillers – ele é um filme um tanto quanto… cômico. Apelando pro nonsense, a trama surpreende muito mais pela quebra de expectativa do que pelos mistérios propriamente ditos. É uma boa distração, disponível no Amazon Prime Video. 🙂

12 Homens e Uma Sentença

12 homens e uma sentença

Esse é um filme antigo, em preto e branco, que vi há alguns anos e me surpreendeu muito. A trama é simples em seu cerne: 12 homens (brancos) formam o júri, que vai decidir o destino de um jovem (porto-riquenho) acusado de matar o próprio pai. Para 11 dos jurados o rapaz é culpado. Entretanto, o Sr. Davis (o único membro do júri a ter seu nome revelado) está em dúvida sobre a culpa do jovem, e passa o filme todo tentando convencer os outros homens a repensarem sua opinião. Mesmo se passando em uma única sala e tendo sua trama completa girando em torno do debate, o filme é envolvente e mostra de forma impecável os traços sutis de cada personagem, assim como o abismo racial que os leva para um caminho leviano no processo inicial de tomada de decisão.

Precisamos Falar Sobre o Kevin

precisamos falar sobre o kevin

Sempre tive muita curiosidade sobre esse título, que narra pelo ponto de vista de uma mãe como foi lidar com um filho sociopata, que vai preso após provocar um massacre na escola. A história é desconfortável e mexe bastante com o espectador, além de contar com atuações primorosas por parte de Ezra Miller e Tilda Swinton. O desenrolar da trama é lento, focado na reminiscência da personagem principal a respeito de sua vida enquanto esposa e mãe – um papel que visivelmente lhe era desconfortável. Apesar de sabermos o que leva à prisão de Kevin, o final conta com uma reviravolta chocante (não necessariamente surpreendente, se você reparar nas cenas no presente, mas ainda assim chocante pelo modo como ocorre). É um boa produção de caráter psicológico e também está disponível no Amazon Prime Video.

O Estagiário (ou Um Senhor Estagiário)

um senhor estagiario

A trama acompanha Ben Whittaker, um viúvo que está enjoado da aposentadoria e decide se candidatar a um programa de estágio em uma empresa de moda. Lá, ele é designado para ser assistente da fundadora da marca, a competente e dedicada Jules, com quem uma amizade inesperada se inicia. O relacionamento dos dois vai evoluindo aos poucos e é fofíssimo de acompanhar: ele age como uma espécie de pai, protegendo os interesses de Jules e incentivando-a no seu dia a dia intenso e corrido; Jules, por sua vez, percebe que precisa encontrar espaço na sua agenda lotada para cuidar de si mesma e ter bons momentos com a sua família – mas jamais sendo incentivada a abrir mão da sua empresa, o que considero um dos melhores acertos do filme. O fato de Jules ser poderosa e capaz é algo que Ben admira e incentiva, e precisamos de representações assim nas telas. Além disso, a comédia é mega gostosa e o filme é bem realista no núcleo amoroso da trama. Tem na Netflix e recomendo muito. ❤

Espero que tenham gostado das dicas! 😉
Beijos e até o próximo post.

Review: Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica

Oi pessoal, tudo bem?

A Prime Video, da Amazon, tem atualizações constantes no catálogo, e recentemente Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica – o filme mais recente da Disney Pixar – chegou por lá. Conferi e vim correndo contar pra vocês o que achei. ❤

dois irmãos

Sinopse: Em um mundo transformado, no qual as criaturas não dependiam mais da magia para viver, dois irmãos elfos recebem um cajado de bruxo de seu falecido pai, capaz de trazê-lo de volta à vida. Inexperientes com qualquer tipo de magia, Ian e Barley não conseguem executar o feitiço e acabam gerando uma criatura sem cabeça. Para passar mais um dia com seu pai, eles embarcam em uma jornada fantástica. Ao perceber a ausência dos filhos, sua mãe se une à uma lendária manticora para encontrá-los.

Sinceramente, acho que a sinopse já diz claramente a trama central do filme, então não vou me estender muito nisso. Mas, basicamente, Dois Irmãos se passa em um universo fantástico em que a magia deixou de existir, sendo substituída pela tecnologia. No aniversário de 16 anos do elfo Ian, sua mãe entrega a ele e seu irmão mais velho, Barley, um presente deixado pelo falecido pai, Wilden: um cajado mágico e um feitiço para trazê-lo de volta por 24h. Entretanto, a gema necessária para fazer o feitiço acontecer explode no meio do processo e Ian e Barley acabam tendo o pai… da cintura pra baixo! Eles partem então na missão de encontrar uma nova gema para completar o feitiço e ter o resto do dia com Wilden.

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Eu não exponho muitos detalhes da minha vida pessoal por aqui, mas eu perdi meu pai aos 12 anos. Com isso, acredito que vocês possam imaginar o quanto a trama de Dois Irmãos mexeu diretamente com as minhas próprias lembranças e cicatrizes. A jornada de Ian e Barley em busca de uma oportunidade de rever seu pai, ainda que por pouco tempo, é possivelmente algo que todo mundo que já perdeu um ente querido consegue compreender. Dois Irmãos é, portanto, uma história sobre o luto – e sobre o quanto ele impacta em nossas vidas.

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Ian, o irmão mais jovem, é um rapaz inseguro, cujo buraco causado pela ausência de Wilden (que faleceu antes dele nascer) ocupa um grande espaço em sua vida. Apesar do carinho e do suporte dados pela mãe e pelo irmão, Ian sente que lhe falta um referencial fundamental para entender quem ele realmente é. Esse vazio sentido pelo personagem nos leva às lágrimas logo nos primeiros momentos do filme e marca o desespero dele durante a trama, motivado a conseguir a todo custo a pedra mágica que lhe permitirá completar o feitiço. Barley, por outro lado, tem uma personalidade praticamente oposta à do caçula: o rapaz é otimista, completamente fascinado pelo universo mágico que um dia fez parte do mundo em que vive e é nitidamente o fã número 1 do irmão mais novo. O elfo mais velho, porém, lida com o luto de uma maneira diferente: ele teve a oportunidade de conhecer e conviver brevemente com Wilden, sendo obrigado a dizer adeus cedo demais. E o longa também trabalha essa nuance do personagem conforme a trama avança.

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Apesar da trama parecer mega pesada, Dois Irmãos é também divertidíssimo. Há muitos personagens engraçados (como a manticora que se torna uma aliada da mãe dos meninos na busca pelos dois) e diversas cenas capazes de arrancar risadas (a maioria protagonizada pelas pernas do pai). A mistura de um cenário contemporâneo a criaturas saídas de um livro de conto de fadas medieval também funciona superbem, e o visual de tudo isso impressiona. O que esperar de uma produção Disney Pixar, não é mesmo? Lindeza em cada detalhe, como sempre. Para completar, o longa ainda traz cenas que causam apreensão e nervosismo, tendo um ótimo combo de elementos para um filme do gênero.

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O amadurecimento dos personagens ao longo da trama vale o destaque. Enquanto Ian precisa enfrentar seus medos e assumir mais protagonismo ao longo da jornada, também fica claro que Barley deseja provar o seu valor. Tido como um encrenqueiro, o irmão mais velho tem em si uma inocência e uma energia contagiantes, mas uma tendência nata a arranjar confusões. Na minha opinião, Ian não tem taaanto carisma, e acabei me afeiçoando mais a Barley; sua vontade genuína de mostrar que não é alguém inútil, assim como o carinho e a confiança depositada no irmão caçula, fizeram com que o personagem me conquistasse.

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Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica mexe com as nossas emoções. Apesar de não ter sido a obra recente da Disney Pixar que eu mais amei, a trama conversa diretamente com minhas experiências pessoais, o que me fez sentir muito carinho pelo filme. O final é surpreendente e comovente, e traz uma lição importante: às vezes a gente já tem todo o amor e o referencial que precisa, mesmo sem se dar conta. O amor incondicional e o apoio podem vir de um lugar menos óbvio, ainda que nada substitua o amor e a presença dos pais. Sensível ao lidar com o luto e colocando o amor fraternal no centro da narrativa, Dois Irmãos é um filme que vale a pena ser visto. 

Título original: Onward
Ano de lançamento: 2020
Direção: Dan Scanlon
Elenco: Tom Holland, Chris Pratt, Julia Louis-Dreyfus, Octavia Spencer, Wilmer Valderrama

Review: A Cinco Passos de Você

Oi pessoal, tudo bem?

Vamos conversar sobre o último filme que me deixou com o rosto inchado de chorar? Vamos! Estou falando sobre A Cinco Passos de Você, disponível no Amazon Prime Video.

a cinco passos de você

Sinopse: No enredo de A Cinco Passos de Você, Stella Grant (Haley Lu Richardson), aos dezesseis anos de idade, é diferente da maior parte dos adolescentes: devido a uma fibrose cística, ela passa muito tempo no hospital, entre tratamentos e acompanhamento médico. Um dia, conhece Will Newman (Cole Sprouse), garoto que sofre da mesma doença que ela. A atração é imediata, porém os dois são obrigados a manter distância um do outro por questões de saúde. Enquanto Stella pensa em quebrar as regras e se aproximar do garoto da sua vida, Will começa a se rebelar contra o sistema e recusar o rigoroso tratamento.

Stella é uma adolescente que sofre com a fibrose cística, uma doença genética que causa, entre outros problemas, uma grande quantidade de muco nos pulmões (sendo necessário transplante para evitar que o paciente venha a óbito). Acostumada a viver no hospital, Stella criou um canal para falar sobre a doença e sua rotina, fez amizades no local e segue rigorosamente cada passo do seu tratamento. O que ela não esperava era ter a oportunidade de também se apaixonar nesse lugar tão angustiante; quando Will (que também sofre de fibrose cística) aparece em sua vida, ambos começam a questionar o que é realmente viver. Ainda há um agravante no relacionamento dos dois: Will é portador de uma bactéria que impede o transplante, e portanto ele não pode chegar a menos de 6 passos de Stella para não correr o risco de infectá-la.

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Para ser honesta, acho que me encantei com A Cinco Passos de Você logo nos primeiros minutos. Stella é tão carismática e tão cheia de luz que a afeição por ela ocorre quase que instantaneamente. Sua amizade com as enfermeiras e com seu melhor amigo, Poe,  é encantadora, assim como o modo com que Stella conduz uma situação tão difícil. A chegada de Will mexe com sua rotina controlada e traz um pouco de impulsividade e surpresa, o que também é delicioso de assistir. O jovem encara a vida de uma maneira mais cínica, alegando não se importar com as coisas em função de seu corpo ter “um prazo de validade”. E a forma completamente antagônica com que os jovens lidam com a doença traz ensinamentos para ambos: Stella aprende a se permitir um pouco mais, a fazer o tratamento para efetivamente viver (em vez de viver para seu tratamento); Will compreende que é necessário valorizar a vida que se tem, por isso cuidar de si mesmo tem tanta importância.

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O relacionamento dos dois acontece gradualmente e é tão doce e doloroso que eu não sabia se em determinados momentos eu chorava de emoção ou de tristeza. O filme tem como base para diversas reflexões o toque físico: o abraço apertado, o aperto suave na mão para transmitir força, o beijo apaixonado. Como viver sem tudo isso? Como encontrar uma forma de lidar com a falta do toque humano, necessário desde que nascemos? Ao mesmo tempo que o longa nos leva a refletir sobre isso e valorizar a oportunidade que temos, ele também causa um aperto enorme no coração ao pensarmos sobre quem não tem essa chance – que, para quem não sofre com a doença, parece algo tão básico, tão corriqueiro. É impossível chegar ao final do filme sem querer abraçar alguém sem pressa para soltar.

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O final do filme me surpreendeu. Eu estava esperando uma vibe A Culpa é das Estrelas e, mesmo tratando de uma doença muitas vezes fatal, A Cinco Passos de Você consegue concluir essa história emocionante de uma forma menos óbvia, mas igualmente emocionante. Depois de acompanharmos a trajetória de Stella e Will, que “roubaram da vida” somente um passo para ficarem mais perto um do outro, é tocante perceber o quanto essa relação mudou profundamente cada um deles.

A Cinco Passos de Você me fez chorar do início ao fim, mas também me inspirou de diversas formas. Se nesse momento (de pandemia, ansiedade e isolamento social) você se sente emocionalmente bem para uma trama como essa, recomendo muito o filme! É um romance lindo, apaixonante e que nos relembra do valor da nossa saúde, de sermos gratos pelo que temos e que devemos aproveitar cada segundo com quem amamos.

Título original: Five Feet Apart
Ano de lançamento: 2019
Direção: Justin Baldoni
Elenco: Haley Lu Richardson, Cole Sprouse, Moises Arias, Kimberly Hebert Gregory

Review: Entre Facas e Segredos

Oi pessoal, tudo bem?

Com as críticas positivas, somadas ao fato de que amo histórias policiais, fiquei bem curiosa para assistir a Entre Facas e Segredos. Hoje conferi a produção e vou contar pra vocês meu veredicto.

poster entre facas e segredos

Sinopse: Após comemorar 85 anos de idade, o famoso escritor de histórias policiais Harlan Thrombey (Christopher Plummer) é encontrado morto dentro de sua propriedade. Logo, o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig) é contratado para investigar o caso e descobre que, entre os funcionários misteriosos e a família conflituosa de Harlan, todos podem ser considerados suspeitos do crime.

Entre Facas e Segredos flerta diretamente com o estilo Agatha Christie de construir histórias policiais. Na trama, o chefe de uma família (o famoso escritor Harlan Thrombey) é encontrado morto no que parece ser uma cena de suicídio. Entretanto, o detetive particular Benoit Blanc é anonimamente contratado para investigar o caso, e ele tem vários motivos para acreditar na hipótese de homicídio.

Com um elenco de peso, que reúne nomes como Daniel Craig, Chris Evans, Toni Collette e Jamie Lee Curtis, devo dizer que minhas expectativas pra esse filme eram altas. A premissa é interessante e me lembrou instantaneamente de Ordeal by Innocence, minissérie baseada na obra de Agatha Christie que eu adorei. Contudo, na prática eu acabei achando o filme morno e moroso, me fazendo cochilar lá pelos 50 minutos de duração.

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Há uma abordagem diferente do que costumamos ver em tramas policiais: Entre Facas e Segredos rapidamente revela o que aconteceu com Harlan Thrombley e quem é a pessoa responsável por sua morte. Também diferente da maioria das produções do gênero, o longa discorre por meio da perspectiva da pessoa culpada, e não pela visão do detetive. É interessante por diferir de outras obras similares, mas ao mesmo tempo torna a experiência cansativa e sem causar muita aflição ou urgência pra descobrir o que houve.

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O final, onde todas as peças se encaixam e os segredos são revelados, não impacta. Aliás, nem consegui sentir toda a genialidade do tal detetive Blanc. Por mais que as explicações façam sentido (e isso é algo que eu aprecio e dou o devido mérito), o filme simplesmente não empolga. 😦 Além disso, grande parte do elenco é bastante dispensável. Jamie Lee Curtis, por exemplo, mal e mal tem falas que façam a diferença. Isso pode ser replicado pra quase todos os membros da família Thrombley. A impressão que fica é que usaram nomes de peso pelo marketing, e não porque a trama precisasse de tais talentos (diferente do que acontece em Assassinato no Expresso do Oriente, em que todos os personagens têm um papel importante e cuja presença é justificada).

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Com uma protagonista extremamente sem sal (cujo problema bem besta ao mentir parece só uma conveniência de roteiro), um detetive meio estranho e vários personagens subaproveitados, Entre Facas e Segredos acabou sendo uma decepção. Sigo no aguardo de mais filmes do gênero que realmente me empolguem. :/

Título original: Knives Out
Ano de lançamento: 2019
Direção: Rian Johnson
Elenco: Daniel Craig, Ana de Armas, Chris Evans, Jamie Lee Curtis, Toni Collette, Michael Shannon, Lakeith Stanfield, Christopher Plummer