Review: It: A Coisa

Oi gente, tudo bem?

Apesar de sempre ter odiado palhaços e não ser fã de filmes terror (confesso: morro de medo!), os trailers, o burburinho e a curiosidade falaram mais alto e ontem fui conferir It: A Coisa, nova adaptação do clássico de Stephen King.

poster it a coisa.png

Sinopse: Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado “Losers Club” – o Clube dos Otários. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do “Losers Club” acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

O longa já começa mostrando a que veio, com a clássica cena do bueiro, em que o pequeno Georgie Denbrough desaparece. Após um salto temporal de alguns meses, vemos que seu irmão, Bill, não está lidando bem com a situação e estuda uma forma de encontrá-lo. Junto com seus amigos mais antigos (Richie, Eddie e Stanley) e com algumas novas amizades (Ben, Beverly e Mike), o grupo – que se intitula Clube dos Otários – passa a investigar não apenas o desaparecimento de Georgie, mas também a estranha circunstância que faz com que diversas crianças também estejam desaparecendo. 

it a coisa review.png

O filme dedica um bom tempo de tela a desenvolver cada criança individualmente, mostrando não apenas suas personalidades, mas também o contexto na qual estão inseridas e, principalmente, seus medos. São esses medos que servem como combustível para que Pennywise os atormente e os atraia, fazendo com que eles vivam diversos momentos de puro terror. Como se não bastasse a ameaça do palhaço, o grupo ainda sofre com o bullying de alguns valentões (momento no qual o filme aproveita para mostrar como violência gera violência) e com conflitos na própria casa (especialmente no caso de Beverly, mas esse tópico merece uma atenção especial). O pano de fundo, desenvolvido gradualmente, bem como as atuações incríveis e extremamente competentes – destaque para Finn Wolfhard, que não lembra em nada o Mike de Stranger Things –, fazem com que o público se apegue aos personagens e também explica a origem de seus temores, dando motivação para que o grupo enfrente a ameaça que atormenta a cidade de Derry há séculos – e aparece a cada 27 anos.

it a coisa review 2.png

Pelas resenhas que li e comentários que ouvi, eu achei que o filme seria mais brutal visualmente, mas não é tanto assim. Ele assusta, sim, e as cenas feitas para te dar pulos na cadeira funcionam. Entretanto, pelo menos pra mim, o que realmente apavora é o clima de insegurança que toma conta dos personagens. A ameaça era quase onipresente, já que Pennywise faz aparições em diversos pontos distintos. As cenas foram construídas com uma tensão crescente, da trilha sonora à iluminação. Ao mesmo tempo, o filme é muito… engraçado! Eu ri alto em diversos momentos, porque as piadas eram naturais e com excelente timing. Richie e Eddie são os personagens que mais me fizeram rir, cada um à sua maneira: enquanto o primeiro tem aquele jeitão desaforado e imaturo típico da idade, o segundo é hipocondríaco e começa a trama se preocupando mais com higiene e doenças do que com o perigo que se aproxima. Esses momentos engraçado foram ótimos, pois trouxeram leveza a um filme que assusta na medida certa, sem forçar a barra.

it a coisa review 5.png

Agora, preciso comentar sobre o medo da Beverly. Se você não quiser saber o que é, pule para o próximo parágrafo. 😉 A menina vive sozinha com o pai, é abusada e vive em pânico das investidas dadas por ele. O homem, que é desprezível em cada fio de cabelo, sexualiza e objetifica a filha, das roupas aos longos cabelos (que ela corta para causar repulsa no pai, que diz que ela ficou parecendo um menino). Uma das cenas mais tensas e assustadoras do filme não envolveu o Pennywise, mas sim uma tentativa de abuso por parte do pai de Beverly: revoltado por saber que a menina está andando com os garotos, ele vai pra cima dela, que revida e consegue se defender. Quando ela vence o homem que a aterroriza (acertando-o com um golpe poderoso na cabeça) é impossível não ficar exultante. E mesmo no fim, quando o palhaço tenta assombrá-la com a imagem do pai, Beverly consegue enfrentá-lo novamente. Pra mim, esse foi o pior dos medos trabalhados no filme, simplesmente porque ele é… real. Acontece todos os dias, com milhares de meninas (70% dos estupros acontecem dentro de casa, cometidos por parentes da vítima). E isso torna a vivência da Beverly muito mais assustadora do que qualquer entidade fictícia, pois ilustra com maestria como o ser humano pode ser um dos piores vilões.

it a coisa review 4.png

It: A Coisa é um filme assustador e divertido, com atuações impecáveis e uma trama que te prende na cadeira e não te deixa desviar os olhos do que ocorre na tela. Vale a pena seguir o exemplo do Clube dos Otários e vencer o medo para conferir esse longa. 😉

Título original: It
Ano de lançamento: 2017
Direção: Andy Muschietti
Elenco:  Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs,  Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Bill Skarsgård, Nicholas Hamilton

Anúncios

Review: Planeta dos Macacos – A Guerra

Oi, pessoal. Tudo certo?

Apesar de não ter assistido a Planeta dos Macacos – A Origem e a Planeta dos Macacos – O Confronto no cinema, eu tinha muita simpatia pela série por ter visto algumas cenas do primeiro filme na TV e curtido. Com a estreia do terceiro longa, resolvi assistir aos predecessores e, feito isso, fui ao cinema conferir Planeta dos Macacos – A Guerra. E já posso adiantar: estou muito feliz com essa saga!

poster planeta dos macacos a guerra

Sinopse: Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César (Andy Serkis) e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel (Woody Harrelson). Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito e outros são capturados, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.

Após o confronto que aconteceu no filme anterior, César e seu grupo de macacos vivem em uma comunidade na floresta. Eles estão sob constante ataque por parte dos militares – comandados pelo inescrupuloso Coronel – que foram chamados pelo rádio também no filme anterior. A primeira cena do filme já nos apresenta a esse clima de tensão constante, com um embate feroz na floresta repleto de baixas para ambos os lados, símios e humanos. Os macacos pretendem ir embora para um local afastado, com o intuito de fugir dessa guerra incessante, mas o Coronel surge para impedir esses planos. Em uma sequência extremamente tensa – com vários cortes, muitas sombras e uma trilha sonora angustiante – uma tragédia acontece, colocando César em um caminho de ódio e vingança. Com o intuito de acabar de uma vez por todas com o Coronel, César parte com mais três fieis companheiros (Maurice, Rocket e Luca) em busca da base militar humana.

planeta dos macacos a guerra 2

Toda a nova trilogia de Planeta dos Macacos traz diversos questionamentos importantes, como a questão da empatia e o que realmente é ser “humano” ou “racional”. Toda a história é contada pela perspectiva de César, então acompanhamos os conflitos internos do personagem – que um dia foi criado e amado por humanos, mas há muito tempo tem se deparado com o pior deles – bem como as dores e a luta para manter sua comunidade segura. Em contrapartida, do lado humano da narrativa (que nunca assume o fio condutor do enredo) temos terríveis exemplos, muito mais bestiais e incapazes de dialogar e tentar fazer as coisas de uma nova forma. Mais uma vez, humanos cometem os mesmos erros do passado, causando segregação, extermínio e intolerância. Já deu pra perceber que o filme é uma alegoria incrível sobre o que acontece na política mundial hoje, né? A própria construção de um muro para a separação dos inimigos é mostrada no longa, que não poderia ser mais atual, ao mesmo tempo em que faz referências ao holocausto em uma espécie de “campo de concentração símio”.

planeta dos macacos a guerra 3.png

A atuação de Andy Serkis por meio da tecnologia de captura de movimentos é sensacional, e ficou cada vez mais profunda com o passar dos filmes, acompanhando a evolução do protagonista (há uma cena em específico na qual toda a dor e sofrimento do personagem transparecem, e eu fiquei de boca aberta com a competência do ator e com a evolução dessa tecnologia). César é um personagem extremamente verossímil, cheio de nuances e sentimentos conflitantes. Após passar por uma perda terrível em A Guerra, o personagem fica cada vez mais sombrio e parecido com seu antigo amigo e traidor, Koba, o antagonista de O Confronto. Ao mesmo tempo, o espectador nunca deixa de compreender suas motivações, justamente porque acompanhamos a complexidade do personagem ser construída ao longo da trilogia. Outra atuação importante é a de Woody Harrelson no papel de Coronel. Cruel, o personagem é ao mesmo tempo insano e crível, porque o enredo o constrói de modo a explicar (mas jamais justificar) suas ações.

planeta dos macacos a guerra 6.png

Cenários espetaculares, trilha sonora impecável e jogo de luzes envolvente são alguns dos elementos que mais chamaram a atenção no filme, porque constroem perfeitamente a atmosfera. Também não faltam cenas emocionantes que me levaram às lágrimas mais de uma vez. Contudo, nem tudo são flores, e eu achei que o filme peca em alguns quesitos (principalmente quando comparo aos longas anteriores, que pra mim foram extremamente envolventes). O roteiro parece se perder um pouco da metade para o final do filme, com a inserção de muitas informações novas que eu julguei desnecessárias. Parece que forçaram um pouco a analogia (que já estava bem clara) de que humanos são mais feras que os macacos com a nova mutação do vírus, sei lá. Também achei que o foco na humana Nova foi um desperdício, já que as estrelas do filme sempre foram os macacos. Ela protagoniza algumas cenas sensíveis que, ao meu ver, não tinham espaço para a participação dela (pôster incluso, cof cof). O Macaco Mau é um novo personagem que traz alívio cômico ao longa, é cativante, mas me pareceu deslocado, já que nenhum filme da trilogia tinha essa pegada. E em relação ao desfecho… bom, achei coerente, mas previsível. Antes de entrar na sala de cinema eu ainda comentei com o meu namorado que imaginava que determinada coisa aconteceria, e aconteceu. Faz sentido com a jornada do personagem, mas a maneira como isso aconteceu me pareceu um pouco utópica (selecione se quiser ler: o César se machucou seriamente na batalha, mas ainda assim conseguiu marchar com sua família até a nova “terra prometida” e só morreu ao chegar lá. Forçado, né?).

planeta dos macacos a guerra 5.png

Planeta dos Macacos – A Guerra não é o meu filme favorito da trilogia, mas encerra de forma digna, competente e emocionante a jornada de César. Por mais que existam algumas falhas em relação aos longas anteriores, o filme foi capaz de me emocionar e me deixar satisfeita com os rumos tomados por essa saga que me conquistou completamente. Recomendo não apenas esse filme, mas a nova trilogia Planeta dos Macacos como um todo. Vocês não vão se arrepender!

Título original: War for the Planet of the Apes
Ano de lançamento: 2017
Direção: Matt Reeves
Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Karin Konoval, Steve Zahn, Terry Notary, Michael Adamthwaite, Amiah Miller

Review: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Oi pessoal, como estão?

Ontem fui conferir o tão aguardado Homem-Aranha: De Volta ao Lar! Cheguei uns 10 minutos atrasada na sessão, mas deu tudo certo hahaha!

homem aranha de volta ao lar poster.png

Sinopse: Depois de atuar ao lado dos Vingadores, chegou a hora do pequeno Peter Parker (Tom Holland) voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o terrível vilão Abutre (Michael Keaton) surge amedrontando a cidade. O problema é que a tarefa não será tão fácil como ele imaginava.

Obviamente, o filme se passa após Capitão América: Guerra Civil, então temos um Peter Park que já é Homem-Aranha há algum tempo e que, agora, está em contato com Tony Stark. Ou melhor, com Happy, um assistente do Tony. Enquanto as instruções de Peter dizem para ele trabalhar na sua própria região, ajudando quem precisa, o garoto aspira por mais, empolgado com a perspectiva de se tornar um Vingador de verdade. E esse desejo faz com que ele acabe se envolvendo na luta contra um traficante de armas perigoso, ao mesmo tempo em que precisa lidar com as responsabilidades (não foi piadinha, juro!) na escola e nas suas relações pessoais.

homem aranha de volta ao lar 3.png

O que eu mais gostei de Homem-Aranha (não vou voltar o título todo sempre, tá?) foi o humor. O filme me fez rir o tempo todo, trazendo uma leveza enorme na maneira como o personagem foi retratado. Peter é engraçado, divertido, carismático e é um típico menino de 15 anos que quer provar o seu valor, mas mal tem coragem de chamar a garota que gosta pra sair, o que também o torna muito real. Além disso, uma das melhores sequências é quando o Homem-Aranha ajuda as pessoas do Queens das maneiras mais adoráveis possíveis (como instruir uma senhora a chegar em determinado endereço), mostrando o lado “amigo da vizinhança” que todos queríamos ver. Outra cena super bacana foi aquela na balsa, em que há uma clara referência à primeira trilogia do Homem-Aranha, de Sam Reimi.

homem aranha de volta ao lar 2.png

Outro aspecto positivo: a participação do Homem de Ferro não foi maior do que precisava ser. Muitos fãs temiam que ele fosse tomar conta do longa, mas não foi o que aconteceu. E, pra mim, ainda foi ainda mais legal porque mostraram novamente uma personagem da qual senti falta, então foi só sucesso hahaha! Outros personagens não tiveram uma importância tão grande no longa, com exceção talvez de Ned, o melhor amigo de Peter. Deslumbrado com a possibilidade de auxiliá-lo na luta contra o crime, Ned é aquele personagem total alívio cômico. Porém, muitas vezes acabei achando-o sem graça, já que o próprio Peter cumpria esse papel do humor muito bem. Por fim, vale mencionar que Zendaya teve uma participação muito pequena. Os fãs (racistas, cof cof) fizeram um auê enorme pensando que ela seria a Mary Jane e, no fim, ela nem teve tanto tempo de tela. Porém, gostei da personagem, que é divertida e carismática.

homem aranha de volta ao lar peter ned.png

O ponto fraco do filme, novamente, foi o vilão. Mas também existe um ponto positivo nele. Calma, vou explicar! 😛 O lado negativo é que novamente não temos um desenvolvimento bacana, as motivações do personagem são muito fracas e vazias. O lado positivo é que não era um vilão megalomaníaco, não era um combate contra a destruição do mundo, ou algo semelhante, sabem? E isso é bacana, porque deixa o filme mais coerente e com uma história própria e fechadinha em si mesma. 🙂

homem aranha de volta ao lar abutre.png

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um filme carismático, leve e divertido. Foi prazeroso assistir a Peter realmente se transformando em Homem-Aranha e entendendo seu valor. A Marvel fez um excelente trabalho com esse personagem, mostrando que soube lidar com as expectativas e com a responsabilidade (tá, agora foi zuera, sorry HAHA!). Bem-vindo ao MCU, Peter! ❤

Título original: Spider-Man: Homecoming
Ano de lançamento: 2017
Direção: Jon Watts
Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Zendaya, Jacob Batalon, Marisa Tomei, Laura Harrier

Review: Mulher-Maravilha

Oi, pessoal! Como estão?

Demorei um pouquinho, mas finalmente vim escrever um pouquinho sobre esse Filmão da Porra™ que estreou no início do mês: Mulher-Maravilha! ❤

mulher maravilha poster.png

Sinopse: Treinada desde cedo para ser uma guerreira imbatível, Diana Prince (Gal Gadot) nunca saiu da paradisíaca ilha em que é reconhecida como princesa das Amazonas. Quando o piloto Steve Trevor (Chris Pine) se acidenta e cai numa praia do local, ela descobre que uma guerra sem precedentes está se espalhando pelo mundo e decide deixar seu lar certa de que pode parar o conflito. Lutando para acabar com todas as lutas, Diana percebe o alcance de seus poderes e sua verdadeira missão na Terra.

Minhas expectativas pra esse filme estavam altas. Bem altas. Primeiro porque a Mulher-Maravilha é minha heroína favorita. Ela é um ícone para todas nós, mulheres. Segundo porque né, a DC não tem feito um trabalho muito bom nos últimos filmes, então sempre rolava um medinho de que as coisas não dessem certo nesse filme. E, sendo esse um dos maiores e mais esperados filmes protagonizados por uma heroína, era muito importante que desse certo! E gente… deu! ❤ Todas as minhas expectativas foram atendidas (e superadas!) e eu saí da sala de cinema me sentindo plena.

mulher maravilha3.png

A história começa quando Diana recebe uma foto de Bruce Wayne (a mesma foto dela e de alguns soldados na Primeira Guerra, que apareceu pela primeira vez em Batman vs Superman) e ela passa a relembrar seu passado. Acompanhamos então sua história desde pequena: a pequena Diana, filha de Hipólita, rainha da ilha de Themyscira, sonha em ser uma guerreira feroz como as outras Amazonas. Depois de muita insistência, a rainha autoriza que sua irmã, a maior guerreira da ilha, Antíope, treine a garota. A resistência da rainha em relação a esse treinamento se dá pelo fato de que ela teme que Diana descubra a verdade sobre si mesma: ela é uma semideusa, filha de Hipólita e Zeus, e está destinada a derrotar Ares, o Deus da Guerra. Os anos passam e, em um certo dia, um avião cai na ilha de Themyscira. Diana salva o único tripulante, o soldado Steve Trevor, que conta às Amazonas que o mundo está em guerra. Diana fica perturbada ao saber o que acontece fora de Themyscira e decide ir embora com Steve, no intuito de matar Ares e salvar o mundo dos homens. E é a partir desse momento que os dois passam a trabalhar juntos e lutar na guerra.

diana hipolita.png

Mulher-Maravilha é um filme de origem excelente. Acompanhamos uma Diana que sonha em se tornar uma grande guerreira e, aos poucos, transforma-se em uma mulher que deseja genuinamente salvar o mundo. As cenas em Themyscira são de tirar o fôlego: as Amazonas são totalmente badass, independentes, fortes e determinadas. É lindo ver mulheres sendo representadas daquela maneira no cinema, principalmente quando vemos tantos exemplos de personagens femininas sendo ou hipersexualizadas ou sendo trabalhadas apenas como interesse romântico do mocinho, sabem? Fiquei toda arrepiada HAHAHA!

mulher maravilha2.png

Mas uma das melhores cenas do longa não acontece na Ilha Paraíso (como foi apelidada por Steve), mas na Terra de Ninguém, uma zona de guerra na qual os soldados não conseguiam progredir e as mortes eram incessantes. Lá, vemos Diana transformando-se na Mulher-Maravilha de fato. É a primeira vez que o uniforme completo da personagem surge na tela, e podemos assistir à heroína colocando seu altruísmo acima de qualquer plano que ela e seu grupo pudessem ter em relação à guerra. Ela simplesmente larga tudo e vai em direção às trincheiras inimigas em uma cena cheia de slow motion, girl power e muito impacto visual. ❤

mulher maravilha.png

Falando um pouquinho sobre os personagens, Diana Prince/Mulher-Maravilha e Steve Trevor roubaram a cena. Ela é uma mulher determinada, forte e corajosa, que tem uma certa inocência por desconhecer o mundo fora da ilha na qual viveu. Isso faz com que Steve muitas vezes seja meio babaca condescendente com Diana. Mas em momento algum ela deixa que ele a diminua ou menospreze. Aos poucos, mesmo duvidando de que Ares seja real, Steve consegue enxergar a obstinação e a força de vontade de Diana, e inevitavelmente se apaixona por ela. E gente, é impossível não shippar. ❤ A química entre os personagens é palpável (e entre os atores também HAHAHA). Os companheiros do casal, antigos amigos de Steve, também são carismáticos e leais, apesar de não terem me feito sentir uma grande conexão com eles. Acredito que o único desperdício do filme tenha ficado por conta dos vilões. Não vou falar muitos detalhes a respeito para não dar spoilers, mas acho que a Doutora Veneno e Ares poderiam ter sido muito melhores do que foram. A Mulher-Maravilha é uma heroína tão incrível, mas infelizmente os vilões não chegaram aos pés dela.

mulher maravilha steve trevor.png

Em suma, Mulher-Maravilha é um dos melhores filmes de super-heróis que saíram nos últimos anos, e merece todos os elogios e toda a excelente bilheteria que vem conquistando. Gal Gadot fez um trabalho memorável e estou muito feliz por ela representar essa personagem tão icônica nos cinemas. DC, continue assim, porque você acertou 100% a mão nesse longa! ❤

Título original: Wonder Woman
Ano de lançamento: 2017
Direção: Patty Jenkins
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Elena Anaya

Review: Antes Que Eu Vá

Oi, pessoal. Como estão?

Essa semana fui com uma super amiga conferir o longa Antes Que Eu Vá, adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome da autora Lauren Oliver. O trailer e a sinopse já tinham chamado minha atenção, então eu estava louca pra assistir!

antes que eu vá poster.png

Sinopse: Samantha Kingston (Zoey Deutch) é uma jovem que tem tudo o que uma jovem pode desejar da vida. No entanto, essa vida perfeita chega a um final abrupto e repentino no dia 12 de fevereiro, um dia que seria um dia como outro qualquer se não fosse o dia de sua morte. Porém, segundos antes de realmente morrer, ela terá a oportunidade de mudar a sua última semana e, talvez, o seu destino.

Antes Que Eu Vá conta a história da Samantha (ou, simplesmente, Sam): uma garota popular, com três melhores amigas igualmente populares (Lindsay, Elody e Ally), que namora um dos caras mais cobiçados da escola. A história começa dia 12 de fevereiro, o Valentine’s Day. Nesse dia, é permitido o envio de rosas de aluno para aluno, que funcionam como “cartas” românticas. Sam e seu grupo, é claro, recebem várias. Enquanto debocham de Juliet, uma menina peculiar que sofre bullying, e se preparam para a festa de Kent, um colega que visivelmente gosta de Sam, vamos acompanhando um dia perfeito vivido por Sam e seu grupo. Contudo, após uma briga ocorrida na festa, as meninas decidem ir embora. Uma tragédia acontece e, repentinamente, Sam acorda. É dia 12 de fevereiro de novo.

antes que eu vá 4.png

Sim, eu sei que o enredo parece clichê: Sam vive o mesmo dia várias vezes até perceber o que realmente precisa fazer. Mas, sinceramente, não é exatamente isso que me prendeu durante o filme. O que me prendeu não foi imaginar o final, mas vivenciar o percurso junto da protagonista. A personagem não demora muito a perceber que algo está errado e que ela não está tendo um déjà-vu ou algo do tipo. Ela vive o dia da mesma forma apenas uma vez e logo entende que precisa fazer algo de diferente para que aquela situação mude. E é esse processo que torna o filme interessante. Vemos várias versões de Sam: a que tenta mudar o fatídico fim da noite; a que resolve chutar o balde e agir da maneira que bem entender, pois sabe que vai viver tudo de novo; a que decide fazer a diferença na vida daqueles que ama… O bacana é que, nesse processo, Sam vai descobrindo novas realidades sobre si mesma e sobre as pessoas que a cercam. A garota vive um exemplo da teoria do caos, citada por Ally em determinado momento do longa: fatos e ações que ela jamais poderia imaginar que teriam tais consequências a levam até aquele momento.

antes que eu vá 2.png

Eu gostei muito da interpretação da Zoey Deutch. Ela fez de Sam uma personagem que aprendemos a gostar. Se no início ela vive uma vida perfeita e se deixa levar pelas amigas e pela futilidade da sua realidade – inclusive tendo atitudes bem babacas, como o bullying com Juliet –, ao longo do filme vemos a personagem se transformar. Ela passa a enxergar não apenas as próprias atitudes, mas também a das pessoas com quem se relaciona e, com isso, os sentimentos dela vão mudando. E o filme consegue demonstrar que sim, existe uma passagem de tempo, e que Sam vivencia o  fatídico 12 de fevereiro muitas vezes.

antes que eu vá 3.png

Infelizmente, um dos defeitos do filme diz respeito a quase todos os outros personagens. Em primeiro lugar, eles são estereotipados. Entendo que, por ser um filme curto, talvez a estratégia tenha sido de realmente se utilizar desses clichês para facilitar a narrativa. Mas isso faz com que os personagens não tenham grande importância pro espectador. Bons exemplos disso são as amigas de Sam e Juliet, a menina que sofre bullying. Esta, inclusive, é um estereótipo ambulante: mal fala, o cabelo é desgrenhado, as roupas são estranhas e ela faz desenhos com uma postura que lembra até mesmo a esquizofrenia. E justamente por ela ser uma personagem tão “forçada”, ao mesmo tempo em que as amigas de Sam são apresentadas de modo tão superficial, que o filme não consegue criar um grande impacto com toda a questão do bullying. Esse lado da trama só ganha força mais para o final, quando Sam realmente entende todas as consequências do que faziam com Juliet – mas ainda assim não foi o suficiente para que eu me importasse com qualquer uma delas. Lindsay é a única das amigas de Sam que tem uma abordagem um pouco mais aprofundada, mas isso acabou me fazendo pegar mais raiva dela. Kent, felizmente, é outro personagem que ganha espaço na trama e tem um pouco mais de desenvolvimento do que boa parte das personagens. Desde o início gostei muito dele (não adianta, sou fã dos good guys! ♥).

sam kent antes que eu vá.png

A fotografia do filme também é muito bonita, e combina com todo o tom melancólico que é dado desde as primeiras cenas, narradas por Sam (que já deixam claro que uma tragédia aconteceu). A maioria das cenas são azuladas e frias, principalmente depois que a tragédia acontece. Outro aspecto (meio “fun fact”) que achei interessante diz respeito a uma aula a que Sam assiste: o tema é Sísifo, um personagem da mitologia grega fadado a repetir sempre a mesma tarefa (carregar uma pedra até o topo de uma montanha, sendo que toda vez a pedra rola de volta e ele precisa começar do zero). É uma alegoria interessante para o que Sam passa a viver.

sam antes que eu vá.png

A verdade é que Antes Que Eu Vá não consegue (ou talvez nem se proponha a isso mesmo) fazer uma discussão muito aprofundada sobre bullying, tampouco tem um roteiro surpreendente. E eu sei que esses fatos poderiam ser motivos pra eu não curtir o longa. Mas a verdade é que eu curti, e muito. Me peguei pensando no enredo em vários momentos desde que o vi. Porque eu fui tocada pela forma como o filme se desenrola, fiquei emocionada com as mudanças de Samantha e fiquei triste por saber que não havia nada que pudesse mudar o que aconteceu. Mas as coisas mudam. E Sam é a catalisadora dessa mudança. No fim, a grande lição do filme não fica girando em torno do “não faça bullying” (em termos bem simplistas), mas sim em nos lembrar de que cada dia conta, e de que não sabemos quantos dias teremos pela frente. O que importa mesmo é fazer cada um deles valer a pena, aproveitando cada momento como pudermos e ao lado de quem amamos. Por mais que o filme não seja uma obra-prima, ele me emocionou (apesar de não ter me feito chorar, por motivos que explico – com spoilers – no próximo parágrafo, caso você queira ler). Pra quem gosta de dramas adolescentes com essa pegada, eu recomendo muito!

Comentário com spoiler, selecione se quiser ler (quem já assistiu, por favor leia e comente a respeito comigo HAHAHA): EU ACHEI MUITO INJUSTO QUE TENHA SIDO A SAM A PAGAR POR TUDO QUE ACONTECEU!!! Afinal de contas, quem iniciou todo o bullying foi a Lindsay, com a mentira sobre a Juliet. D: No fim, dá a entender que a Sam finalmente consegue mudar as coisa salvando a Juliet do suicídio – e, pela minha interpretação, ela acaba salvando as amigas também. Talvez o filme tivesse me emocionado mais se fosse a própria Sam a responsável pelo bullying e, por isso, ela tivesse que “se redimir”.

Título original: Before I Fall
Ano de lançamento: 2017
Direção: Ry Russo-Young
Elenco: Zoey Deutch, Halson Sage, Medalion Rahimi, Cynthy Wu, Logan Miller, Elena Kampouris, Kian Lawley

Review: A Bela e a Fera

Oi, gente! Tudo certo?

Quinta-feira fui na estreia do filme pelo qual vim esperando com tanta ansiedade: A Bela e a Fera! A animação original faz parte da minha tríplice de filmes favoritos (junto com O Rei Leão e Mulan), então vocês podem imaginar o quanto eu esperava e quantas expectativas eu tinha por essa versão live-action. ❤

a bela e a fera poster.png

Sinopse: Moradora de uma pequena aldeia francesa, Bela (Emma Watson) tem o pai capturado pela Fera (Dan Stevens) e decide entregar sua vida ao estranho ser em troca da liberdade dele. No castelo, ela conhece objetos mágicos e descobre que a Fera é, na verdade, um príncipe que precisa de amor para voltar à forma humana.

O enredo segue com muita fidelidade o clássico de 1991. Um príncipe arrogante e todos que trabalham em seu castelo são amaldiçoados após a recusa dele em receber uma senhora idosa (que é na realidade uma feiticeira) em seu lar. A maldição só será quebrada se a Fera se apaixonar e o sentimento for recíproco. Próximo dali vive Bela, uma garota inteligente que vive com seu pai em uma aldeia provinciana (também alvo da maldição, mas de modo diferente). Todos a acham linda, mas muito esquisita – ela gosta de ler e não se preocupa com casamento, por mais que um dos homens mais cobiçados do lugar, Gaston, queira desposá-la. O cerne da trama não difere do clássico: Maurice, o pai de Bela, é aprisionado pela Fera, e a moça toma seu lugar. A partir disso, a relação dela com a Fera vai sendo construída, até que o amor floresça. Isso não é spoiler, viu? 😛

a bela e a fera.png

Eu não esperava que A Bela e a Fera fosse ser tão fiel à animação, já que outros live-actions da Disney tiveram mudanças bem significativas. Contudo, gostei muito de terem mantido a história original (com algumas adições das quais falarei em breve). A sensação que tive foi de encantamento, nostalgia e magia, pois foi indescritível ver cenas tão lindas quanto às do filme animado serem transportadas para a realidade. Os efeitos especiais deixaram o clima do longa ainda mais encantador, e cada detalhe era de encher os olhos (e o coração!). ❤ Ao mesmo tempo, as cenas novas e as camadas adicionadas aos personagens deram um ar moderno e foram gratas surpresas.

a bela e a fera 2.png

A trilha sonora é um dos pontos fortes de A Bela e a Fera (não é à toa que a animação ganhou o Oscar pela canção original e pela trilha sonora). No live-action, as músicas originais foram mantidas e estão maravilhosas. Amei ouvir a Emma cantando! Também gostei muito das canções interpretadas por Daniel Stevens (Fera) e Luke Evans (Gaston). Porém, o filme seguiu surpreendendo: novas músicas foram incluídas, e elas serviram para dar mais profundidade aos protagonistas, Bela e Fera. 

a bela e a fera 4.png

Falando em profundidade, o filme acertou em cheio ao mostrar mais da personalidade e do plano de fundo dos personagens. Bela agora não é “apenas” uma garota inteligente: ela é uma inventora. Ela auxilia o pai (que na nova versão é artista) e constrói até mesmo uma “máquina de lavar” rudimentar, para poder ler por mais tempo. A Fera também tem um outro lado apresentado ao espectador: se na animação nós não sabemos o que o fez ficar tão arrogante, agora descobrimos que ele já foi uma criança gentil e inocente, mas que foi levado a agir daquele modo. Isso torna sua “redenção” e sua mudança mais verossímeis, pois é mostrado que ele já foi bom um dia – e que pode voltar a ser. Outro grande acerto do live-action foi a inserção de mais personagens negros e dois personagens gays, sendo um deles LeFou. O personagem ganha mais complexidade e até mesmo coerência com esse lado sendo explorado – trabalhando muito bem com sua devoção a Gaston -, e mostra que a Disney está sendo mais representativa.

a bela e a fera 3.png

Os cenários e figurinos também estão fantásticos (apesar de alguns personagens amaldiçoados terem ficado um pouco creepy, por serem mais realistas #prontofalei). Tudo é muito luxuoso e exuberante: o castelo é maravilhoso, as roupas do baile são incríveis e o figurino da Fera no baile final é lindo! ❤

a bela e a fera 5.png

Espero que eu tenha conseguido, por meio desse review, mostrar o quanto o resultado desse filme foi maravilhoso. A Bela e Fera sempre foi meu filme de princesa favorito, e eu saí da sala de cinema com o rosto cheio de lágrimas e um sorriso enorme. Se eu vou assistir de novo? Com certeza! ❤ Assistam também!

a bela e a fera 6.png

Abaixo eu vou comentar duas coisinhas com spoiler, então selecione apenas se já tiver visto o filme (ou não se importar com spoilers haha!):

  • Achei mancada o fato da Disney ter perdido a oportunidade de ter dito o nome da Fera. Tem uma cena em que ele diz especificamente “eu não sou uma fera”, e eu já fiquei na expectativa esperando que ele fosse dizer o próprio nome. Não diz. A Bela se refere a ele como Fera antes, mas depois dessa cena não é falado mais nisso. 😦 Depois de terem dado um plano de fundo ao personagem, que o tornou mais humano e mais profundo, o mínimo que eu esperava era que ele tivesse nome!!!
  • Curti o novo artefato que surgiu no filme, o livro mágico que é capaz de transportá-los para qualquer lugar. Também serviu para trabalhar a origem da Bela, falando sobre sua mãe.

Título original: Beauty and the Beast
Ano de lançamento: 2017
Direção: Bill Condon
Elenco: Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, Kevin Kline, Josh Gad, Ewan McGregor, Emma Thompson, Ian McKellen, Audra McDonald, Stanley Tucci

Review: Logan

Oi, gente! Tudo bem?

Vocês devem ter notado que o post dessa semana veio um dia depois do habitual, né? Acontece que eu estava na praia aproveitando minhas merecidas férias, e acabei não deixando o post agendado. Vocês me perdoam, né? 😛

Mas voltando à rotina, hoje vim contar um pouquinho do que achei de Logan, o filme de despedida de Hugh Jackman como Wolverine!

logan poster.png

Sinopse: Em 2029, Logan (Hugh Jackman) ganha a vida como chofer de limousine para cuidar do nonagenário Charles Xavier (Patrick Stewart). Debilitado fisicamente e esgotado emocionalmente, ele é procurado por Gabriela (Elizabeth Rodriguez), uma mexicana que precisa da ajuda do ex-X-Men para defender a pequena Laura Kinney / X-23 (Dafne Keen). Ao mesmo tempo em que se recusa a voltar à ativa, Logan é perseguido pelo mercenário Donald Pierce (Boyd Holbrook), interessado na menina.

Depois de tantas mancadas por parte da Fox – tanto nos filmes dos X-Men como nos dos Wolverine –, admito que eu não estava na hype de Logan. Contudo, conforme as primeiras críticas (super) positivas começaram a sair, fui ficando mais e mais curiosa. E valeu a pena! O filme é incrível, sendo e não sendo um filme de super-herói ao mesmo tempo, além de seguir um estilo totalmente diferente dentro desse tema.

filme logan 7.png

O longa se passa em um futuro distópico (2029, mais precisamente), e os mutantes praticamente não existem mais. Logan se vê com suas habilidades regenerativas debilitadas e vivendo isolado na companhia do mutante Caliban e do velho amigo Charles Xavier, que agora sofre com o Alzheimer. A rotina do grupo muda quando Gabriela López, uma enfermeira que trabalhava para a Transigen (empresa que herdou o projeto Arma X), entra em contato com Logan. Ela está acompanhada da jovem Laura/X-23, uma mutante sobrevivente do projeto originada a partir do DNA de Logan, e implora para que ele as leve ao “Eden”, o único local seguro para a menina. Com a morte de Gabriela e a perseguição por parte de Donald Pierce – um membro da Transigen –, Logan se vê responsável pela menina.

filme logan 6.png

Logan tem um estilo road movie, já que a maior parte de seu enredo é contado na estrada. A partir do momento em que Logan assume a responsabilidade por Laura, ele sabe que não pode parar, pois a perseguição ao grupo é implacável. Incentivado por Charles, que ainda carrega aquele sentimento de esperança em relação aos mutantes, Logan enfrenta diversas dificuldades para levar Laura a seu destino.

filme logan 5.png

O clima do filme é tenso. Não apenas pelo ritmo frenético, pela perseguição constante e pelas diversas tragédias que acontecem ao longo da trama. Mas principalmente pelo triste estado em que vemos personagens tão queridos e que acompanhamos há tanto tempo. É difícil ver Logan sofrendo para colocar as garras pra dentro, por exemplo, assim como é doloroso ver Charles convulsionando e causando um risco enorme a quem o cerca, devido ao seu poder telepático. Aliás, essas convulsões foram responsáveis por um episódio decisivo no passado dos personagens – que não é contado de maneira explícita, mas que ainda assim dá pra entender. Por sinal, diversos acontecimentos entre Dias de um Futuro Esquecido e Logan ficam nas entrelinhas, sendo necessária atenção pra captar tudo o que o filme está mostrando. Outro aspecto que merece destaque são as cenas de luta, tanto as de Logan como as de Laura: é impossível desgrudar os olhos da tela enquanto esses momentos acontecem. As batalhas são brutais, sangrentas e eletrizantes!

filme logan 2.png

As atuações também são intensas. Hugh Jackman encerra seu ciclo como Logan/Wolverine de uma maneira sublime, mostrando o cansaço do personagem – que já viveu tempo demais e sofreu perdas demais. (Sir) Patrick Stewart também é maravilhoso, com um Charles extremamente debilitado, mas que segue  fiel a suas crenças. Donald Pierce e os cientistas da Transigen são insistentes, mas não me marcaram muito. E por último, mas não menos importante, temos Laura (ou X-23). Durante boa parte do longa, a garota não fala uma única palavra. E tampouco é necessário: a expressividade dela fala por si só. Laura tem um passado sofrido, e a personagem transparece tudo aquilo que faz parte de sua construção: insegurança, desconfiança, raiva, agressividade, mas também a capacidade de amar as pessoas que cuidam dela.

filme logan 4.png

Logan é um filme diferente de qualquer filme dos X-Men ou do Wolverine até agora. Como eu disse no início do post, ele é e não é um filme de super-herói. Apesar de falar sobre um, dessa vez a abordagem é humana. Não nos deparamos com uma “aventura” dos X-Men, mas sim com um outro lado de Logan (e Charles): o das pessoas, e não dos mutantes. Logan traz o encerramento perfeito para personagens icônicos, com um enredo envolvente e emocionante. Recomendo demais!

Título original: Logan
Ano de lançamento: 2017
Direção: James Mangold
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Holbrook, Stephen Merchant, Elizabeth Rodriguez