Assisti, mas não resenhei #7

Oi pessoal, tudo bem?

Minha listinha de itens assistidos e não resenhados tá grande (oi, procrastinação!), então resolvi reunir essas dicas em mais um Assisti, mas não resenhei

Encanto

Assisti ao novo filme da Disney no cinema, mas ele já chegou ao Disney+ pra quem quiser conferir. A trama acompanha a família Madrigal, cujos membros muitos anos atrás receberam o milagre de ganharem dons especiais e uma casa mágica. A única pessoa que não foi agraciada com tais dons é nossa carismática protagonista, Mirabel. Quando a Casita (o apelido da casa) começa a exibir indícios de que algo está errado com a magia, Mirabel parte em uma missão para tentar salvar a todos. O filme, que explora a cultura colombiana, é lindo visualmente, e tem uma trilha sonora bastante diversa e com referências a estilos variados. Gostei do filme, mas achei que pesaram a mão na parte musical dele. Também achei que faltou um pouco de carisma na trama como um todo: a família Madrigal é enorme e o filme tenta apresentar a todos, mas acaba que o foco não fica nem neles, nem no desenvolvimento mais aprofundado da trama e da Mirabel. É como se tentassem fazer muita coisa e tudo ficasse um pouco meia boca, sabem? Resumindo: é divertido, mas está longe de ser o melhor filme recente da Disney.

Distante da Árvore

Esse é um curta que passou antes de Encanto no cinema, e apresenta uma filhote de guaxinim que tenta explorar o mundo com sua mãe ou seu pai (não fica claro). Porém, existem muitos perigos lá fora, e quando a filhote quase é pega por uma espécie de cachorro do mato, o guaxinim adulto a pune e a assusta. O tempo passa e essa filhote vira uma adulta com sua própria bebê, a qual ela também precisa ensinar sobre os perigos da vida longe da árvore. Porém, depois de perceber que está adotando a mesma postura que tiveram com ela, ela entende que pode romper com aquele ciclo e ensinar sua filhote de uma outra maneira. Chorei muito com esse curta e achei ele lindo – tanto visualmente quanto em termos de roteiro, que nos mostra que não precisamos ficar presos aos padrões construídos por nossos pais. Podemos romper com o que nos faz mal e buscar fazer as coisas do nosso próprio jeito. ❤ Lindo demais!

The Undoing

Como adoro um bom suspense e curti demais Big Little Lies, fiquei empolgada pra assistir a essa minissérie estrelada pela Nicole Kidman. Na trama, a protagonista Grace Fraser vê sua vida virar de cabeça para baixo quando seu marido, Jonathan, é acusado de matar uma jovem mãe – e a desconfiança fica ainda pior quando descobrem que ele tinha um caso com ela. A partir daí, o casal passa por diversas turbulências enquanto tentam montar a estratégia de defesa. O plot twist do final da série é bacana e me agradou (e quando digo plot twist, não estou me referindo à identidade do assassino(a), mas a algo mais legal #fikdik), mas sabe quando a gente que faltou um “algo a mais”? A série é boa, achei que valeu a pena assistir, mas não me arrebatou completamente.

Não Olhe Para Cima

Esse filme ficou na boca do povo nas últimas semanas por satirizar a sociedade quando um grande desastre iminente ameaça nossa sobrevivência e as pessoas se recusam a acreditar nele. Soa familiar? Não Olhe Para Cima foi inspirado na recusa das autoridades e da humanidade em aceitar os efeitos desastrosos do aquecimento global, mas também ilustra perfeitamente como lidamos com a pandemia do Covid-19. Na trama, dois cientistas que descobrem um meteoro gigantesco em rota de colisão com a Terra são ignorados pelo governo, então tentam por meio da exposição midiática trazer luz ao tema. Contudo, não demora pra que políticos e bilionários comecem a usar a situação em seu benefício, instigando inclusive que as pessoas “não olhem pra cima” no sentido mais óbvio: porque, se elas olhassem, literalmente enxergariam o meteoro! Esse é um filme que te faz rir de nervoso, porque as situações absurdas nele mostradas infelizmente não são tão absurdas assim. 😦 Como crítica negativa, achei que a duração é um pouco longa demais.

Se Algo Acontecer, Te Amo

Esse curta eu assisti faz um tempo já, na época da premiação do último Oscar. Ele está disponível na Netflix e, em apenas 12 minutos, consegue comover o espectador e levá-lo às lágrimas ao mostrar um casal tentando se recuperar da perda da filha, morta em um tiroteio escolar. Nos Estados Unidos esse é um problema recorrente, e é de partir o coração pensar que famílias são destruídas por ações como essa. Eu, que sou totalmente contrária ao porte de armas, vejo em histórias assim ainda mais motivos e argumentos pra não colocar instrumentos capazes de matar com facilidade na mão das pessoas. Enfim, apesar de toda essa carga dramática e da óbvia tristeza, o filme também emociona ao mostrar o processo de cura do casal e da reaproximação deles. Perder um filho pode ser uma ruptura irreversível em um casamento, mas o curta explorou a possibilidade de cura que os pais encontraram um no outro com a ajuda das memórias e do espírito (sempre vivo) da filha. ❤

Gente Ansiosa

Habemus decepção na lista? Habemus. Gente Ansiosa foi um dos meus livros favoritos de 2021, então eu estava muito animada pra conferir a adaptação. Infelizmente, o flop veio. O formato de minissérie em 6 episódios não funcionou, os ganchos dos episódios não foram instigantes e todo o brilhantismo da narrativa, com seu estilo irônico e reflexivo, se perdeu. Os personagens perderam sua essência e a série tentou dar mais ênfase no mistério sobre a investigação da identidade do assaltante de banco que acabou se envolvendo em uma situação de reféns – sendo que no livro isso está longe de ser o foco, sendo as relações entre os personagens (e suas angústias, histórias e medos) a parte mais importante da obra. Não recomendo. 😦

Me contem, pessoal: já assistiram a algum dos títulos da lista?
Vou adorar saber a opinião de vocês a respeito!

Beijos e até o próximo post! 😘

Review: Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

Oi pessoal, tudo bem?

Acho que todo fã da Marvel estava ansiosíssimo pelo terceiro filme do Cabeça de Teia, né? A promessa dos pôsteres de trazer inimigos icônicos e o envolvimento do Doutor Estranho já nos deixaram em frenesi, e agora conto pra vocês o que achei de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa. ❤

Sinopse: Com a identidade do Homem-Aranha revelada, Peter pede ajuda ao Doutor Estranho. Quando um feitiço corre mal, inimigos perigosos de outros mundos começam a aparecer, forçando Peter a descobrir o que realmente significa ser o Homem-Aranha.

Sendo sincera, devo dizer que sentia falta de protagonismo nos filmes anteriores estrelados por Tom Holland. Sempre achei que seu Homem-Aranha viveu demais à sombra de Tony Stark, principalmente em Longe de Casa, na qual o próprio vilão tem motivações relacionadas ao Homem de Ferro. Felizmente, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é obrigado a encontrar o próprio caminho com a morte do gênio, bilionário e filantropo, e esse caminho é alucinante!

Quando Mysterio revela a identidade de Peter para o mundo, rapidamente sua vida muda – mas a de seus amigos também. Devido à polêmica, eles não são aceitos em nenhuma universidade, o que faz Peter pedir auxílio a Stephen Strange. O que a princípio seria um feitiço mais “simples” (remover a memória de que o Homem-Aranha é Peter Parker) logo sai de controle porque Peter fica pedindo exceções enquanto o Doutor Estranho o conjura. Com isso, a porta do multiverso é aberta, trazendo vilões das outras duas franquias do Amigo da Vizinhança. Porém, Peter não deseja enviá-los de volta sabendo que o destino de todos eles é a morte: o jovem, cujo coração é enorme, deseja poder curá-los, de modo que se regenerem e tenham seus destinos alterados. E é a partir desse ponto que não dá pra voltar atrás, trazendo consequências catastróficas pra Peter.

Sem Volta Para Casa é um filme que não se limita ou se baseia em (apenas) fanservice: as interações entre os personagens de diferentes universos é incrível e promove um crescimento bastante forçado e dolorido a um Peter Parker (de Tom Holland) ainda muito ingênuo. Mesmo contando que a ajuda de MJ e Ned, Peter vê boa parte do seu mundo ruir por causa desses vilões que surgiram em seu universo. O esforço de lutar contra tantos antagonistas sozinho é insuportável, e o arrependimento gerado por suas ações leva Peter para um caminho bastante sombrio. E aqui aproveito para elogiar novamente a performance de Tom Holland: o ator consegue ir da ira às lágrimas com muita facilidade e intensidade, transmitindo suas emoções ao espectador de forma muito convincente.

Apesar de ter um tom mais sério do que seus antecessores, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa consegue encaixar ótimas cenas de humor. Não posso falar muito sobre os principais envolvidos, mas garanto que vocês vão pegar boas referências. 😂 Também gostei muuuito da participação do Ned e da MJ em momentos cruciais, os dois trouxeram bastante leveza para a trama até então mais pesada envolvendo (este) Peter Parker. E o que dizer das cenas de ação? Obviamente foram dinâmicas, intensas, ágeis e do tipo que faz você nem querer piscar. Dá pra imaginar, né? Afinal, é o Homem-Aranha lutando contra vários vilões icônicos ao mesmo tempo!

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa é um dos melhores filmes do MCU, e entrega tudo que eu esperava que fosse entregar: muita ação, sacrifícios, desenvolvimento do protagonista e abandono do legado de Stark para que Peter construa o seu. O final do longa tem um sabor amargo, mas que também me agradou pelo paralelismo que é possível ver em relação ao personagem Peter Parker como um todo. E eu, que não fazia muita questão dos filmes do Tom Holland, me encontro ansiosa para descobrir quais serão seus próximos passos. Corram pro cinema! ❤

P.S.: aqui vai uma listinha com spoilers dos meus surtos ao longo do filme. Selecionem se quiserem ler!

  • PUTA QUE PARIU O MATT FUCKIN’ MURDOCK VOLTOU!!! Pelo amor de Deus, façam um filme do Demolidor, nunca te pedi nada Marvel. 😭
  • A cena dos três Peter’s “se apontando” foi O AUGE. 😂
  • R.I.P. May! 💔 Não lembro se ela era viúva nessa trilogia do Tom Holland e se chegou a existir um tio Ben. Seja como for, fez todo sentido ela representar essa perda “clássica” do herói, já que a do Tony Stark não representou a mesma coisa e com o mesmo impacto.
  • O clichê do Peter de Tobey Maguire ser esfaqueado por trás pelo Osborn foi bem sem graça hahaha! No momento em que ele impede o Peter do Tom já fiquei pensando “tá, quantos minutos vão levar pro Osborn esfaquear ele por trás?”
  • Fiquei MUITO emocionada com o Peter de Andrew Garfield conseguindo salvar a MJ da queda. 🥺
  • Que dó do Peter abrindo mão de falar com a MJ e com o Ned, provavelmente pela segurança deles. 😦
  • O paralelismo que mencionei antes diz respeito ao Peter de Tom agora viver em um apê humilde e não ter dinheiro nem recursos, como acontece com o Peter de Tobey. Parece uma constante no destino de Peter Parker, independente do universo. Será que ele vai trilhar os mesmos passos e se tornar um fotógrafo que ganha a vida vendendo fotos do Homem-Aranha? Mal posso esperar para descobrir!

Título original: Spider-Man: No Way Home
Ano de lançamento: 2021
Direção: Jon Watts
Elenco: Tom Holland, Zendaya, Jacob Batalon, Marisa Tomei, Benedict Cumberbatch, Jon Favreau

Review: Casa Gucci

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vamos conversar um pouquinho sobre Casa Gucci, o novo filme estrelado pela Lady Gaga. 😀

poster casa gucci

Sinopse: Casa Gucci é inspirada na chocante história real do império da família por trás da italiana casa de moda Gucci. Abrangendo três décadas de amor, traição, decadência, vingança e em última instância, assassinato, vemos o que um nome significa, o que vale e quão longe uma família é capaz de ir para se manter no controle.

Adoro histórias de crimes reais, então tava curiosa pra ver a narrativa por trás do assassinato do herdeiro da Gucci, Maurizio, cuja morte foi encomendada pela ex-mulher, Patrizia Reggiani. O longa não foca no crime e nos seus desdobramentos, e sim em todas as intrigas políticas da família que culminaram nesse desfecho. A trama mostra como Patrizia e Maurizio se conheceram (em uma festa de um amigo em comum) e como o relacionamento deles foi de uma chama intensa a um ódio mortal. Além disso, aborda todas as maquinações e traições que os membros da família fizeram para ter mais e mais controle da companhia.

A primeira coisa que me incomodou em Casa Gucci foram os sotaques. Alguém me explica por que fazer os atores imitarem o suposto jeito italiano de falar inglês mesmo quando a trama ainda se passava em Milão? Ficou tão forçado que chegou a me dar dó (e um pouco de vergonha alheia). Jared Leto, que interpreta o primo de Maurizio, por exemplo, entregou uma performance tão caricata que eu queria expulsá-lo de toda cena em que ele aparecia. Mas os sotaques do elenco como um todo me incomodaram demais.

Outro ponto bem desagradável foi a maneira como pintaram Maurizio na trama. Não conheço profundamente a história da Gucci e dos membros da família, então minha opinião se baseia exclusivamente no longa, mas as sensações deixadas por ele são: 1) ele começa sendo um frouxo que acata tudo que Patrizia queria só porque ela oferecia um sexo irresistível sempre que queria convencê-lo de algo; 2) DO NADA a personalidade dele muda completamente, sem explicação plausível pra tal, e ele se transforma em alguém interessado 100% nos negócios da família, capaz inclusive de trair e manipular também. Ou seja, ele começa o filme como alguém que não queria ter nada a ver com os Gucci, depois faz tudo que Patrizia quer porque aparentemente nunca tinha transado antes, e por último ele resolve tomar as mesmas atitudes manipuladoras que a esposa queria que ele tomasse, mas a critica por isso, e se torna alguém repentinamente interessado na Gucci e com um nível de ambição considerável. Sério, pareceu coisa de maluco.

Achei o filme desnecessariamente longo também. Ele tem quase 3h e demora muito tempo pras coisas de desenrolarem, ao passo que o terceiro ato é corrido e gera essas inconsistências, como a personalidade de Maurizio, e o desejo de Patrizia de assassinar o ex. Depois de assistir Casa Gucci fui procurar o que era real e o que não era na trama, e as informações que encontrei dizem que o filme não fez jus ao ódio que Patrizia bradava contra Maurizio, que era bem mais intenso e explanado do que o longa exibiu. Essa lentidão seguida por um desfecho súbito não foi bacana, me deixando inclusive entediada.

Mas também tem pontos fortes no filme, obviamente. Eu acho o Adam Driver muito foda, e especialmente durante a fase apaixonado por Patrizia ele transmitiu perfeitamente a simplicidade e a timidez de Maurizio. Lady Gaga arrasou nas cenas de manipulação, ameaça e raiva. Sua expressão facial conseguia transmitir com excelência o quanto Patrizia era interesseira e ambiciosa, capaz de tudo pra atingir seus objetivos envolvendo riqueza e glória. Por outro lado, a cantora (e agora atriz) não me convence muito em cenas mais alegres, acho que ela fica meio “travadona”, e senti o mesmo em Nasce Uma Estrela. É no drama e na intensidade (seja ela pra algo positivo ou pra algo mais “maquiavélico”) que ela se destaca. Jared Leto, como já mencionei antes, é a vergonha alheia em formato humano, e sua versão de Paolo Gucci é de dar dó. Al Pacino no papel de Aldo Gucci (um dos irmãos fundadores, tio de Maurizio) foi o que mais me convenceu, inclusive no sotaque. 😛

Acho que fui com muita sede ao pote com Casa Gucci, e pela minha experiência isso é sempre perigoso, pois dá muita margem pra expectativas frustradas – e foi exatamente o que aconteceu. Felizmente eu fui no cinema com promoção de Black Friday e paguei só R$ 10 no ingresso, caso contrário eu teria ficado mais chateada. 😛 Mas lembro a vocês que essa é apenas a minha opinião, e relembro que muita gente gostou do filme, então recomendo que assistam e tirem suas próprias conclusões. o/

Título original: House of Gucci
Ano de lançamento: 2021
Direção: Ridley Scott
Elenco: Lady Gaga, Adam Driver, Al Pacino, Jared Leto, Jeremy Irons, Jack Huston, Salma Hayek

Review: Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis

Oi pessoal, tudo bem?

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis finalmente chegou ao Disney+ e eu pude conferir, já que não fui ao cinema (se não me engano, não tinha tomado as duas doses da vacina ainda). Hoje divido com vocês minhas impressões sobre o longa. \o/

Sinopse: Shang-Chi é o filho do líder de uma organização criminosa poderosa. O rapaz foi criado desde criança para ser um guerreiro, mas decidiu abandonar esse caminho e fugiu para viver uma vida pacífica. Porém, tudo isso muda quando ele é atacado por um grupo de assassinos e se vê forçado a enfrentar seu passado.

Shang-Chi (vou abreviar o nome do filme, tá?) é um longa que funciona bem sozinho/como um filme de origem, já que sua única referência ao universo Marvel reside em Homem de Ferro 3 e a maioria de nós já esqueceu dele rs. Brincadeiras à parte, no filme somos apresentados à organização Dez Anéis, liderada por Wenwu, um homem que usa o poder desses dez artefatos para ter poderes desmedidos e vida eterna. Ao longo dos séculos, ele movimentou a história, interveio onde desejava e construiu um verdadeiro império. Porém, ao conhecer Leiko Wu (a primeira pessoa capaz de derrotá-lo), Wenwu se apaixona, tendo dois filhos: Shang-Chi e Xialing. Quando a mãe das crianças é morta, Wenwu volta para o caminho do poder e da vingança, e Shang-Chi foge do pai após ser treinado para ser um assassino implacável.

O protagonista é um personagem bastante carismático. Ele e sua melhor amiga, Katy, trabalham como manobristas, e ele mantém uma vida simples e distante de seu passado – que é um segredo não revelado a ninguém. Porém, quando os homens de seu pai vêm atrás dele para roubar uma joia dada por sua mãe, Shang-Chi se obriga a revelar a verdade a Katy e ambos vão atrás de Xialing, que pode estar em perigo. A partir daí, o grupo precisa se unir para impedir os planos de Wenwu de destruir a vila natal de Leiko Wu, pois ele acredita que a sua esposa está sendo mantida presa lá.

Se tem uma coisa que não falta em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis são cenas de ação muito bem coreografadas. Em algum nível, cheguei a lembrar dos filmes do Jackie Chan: meu namorado, que é fã dele, inclusive comentou que os movimentos usando as próprias roupas e o cenário para aplicar golpes são bem característicos do ator. É muito divertido assistir aos combates, eles têm um ritmo diferente do que a Marvel costuma apresentar e trazem as artes marciais orientais como foco.

Gostei muito da personalidade do Shang-Chi e da Katy. Os dois têm uma camaradagem muito legal, que eu espero do fundo do coração que se mantenha no âmbito da amizade. Ele é um cara cativante, divertido, ainda que tenha um passado sangrento e doloroso. Ela é extremamente leal a ele e é a alma da festa, mas também uma mulher corajosa que não hesitou em ajudar como podia nos momentos de confronto. O plot de vingança e de obsessão de Wenwu é clichê, mas o filme ao menos consegue demonstrar os motivos pelos quais ele tomou determinadas decisões. Após séculos de guerras e busca por poder, viver pacificamente com a sua esposa foi uma escolha que, em sua mente, levou à morte dela, e Leiko Wu era o centro de sua vida. Não é tão surpreendente que ele fique obcecado em tentar resgatá-la (ignorando a realidade de que ela está morta).

O que não gostei muito foi a parte mitológica das criaturas e dos anéis. Sua origem não é bem explicada, assim como a do vilarejo natal de Leiko Wu, Ta-Lo. Senti que essas informações foram jogadas de forma meio solta, então não entendemos bem como os anéis se comportam e os porquês. E, sendo um filme “de origem”, não sei se teremos muuuitas explicações além do que já tivemos agora.

Resumindo, Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis é um filme bem divertido de assistir. Tem alguns plots mal desenvolvidos que enfraquecem um pouco a trama, mas o protagonista e o elenco de apoio carregam bem a trama. Não caí de amores (assim como não caí de amores por Eternos também), mas gostei. 😀

Título original: Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings
Ano de lançamento: 2021
Direção: Destin Daniel Cretton
Elenco: Simu Liu, Tony Chiu-Wai Leung, Awkwafina, Meng’er Zhang, Fala Chen, Michelle Yeoh, Ben Kingsley

Review: Eternos

Oi pessoal, tudo bem?

Nem acredito que essa é uma resenha de um filme que vi no cinema! 😭 Emocionadíssima estou, porque era um dos programas que eu mais curtia fazer antes da pandemia começar. Então, agora que me sinto um pouco mais segura, resolvi pegar uma sessão tranquila e conferir Eternos, o mais novo lançamento da Marvel.

Sinopse: Os Eternos são uma raça de seres imortais que viveram durante a antiguidade da Terra, moldando sua história e suas civilizações enquanto batalhavam os malignos Deviantes.

Acho importante dizer que meu hype pra Eternos tava zerado, independentemente do que os críticos vinham dizendo. Vi o trailer e tudo mais, mas nada em específico me chamou totalmente a atenção, e eu sabia que seria uma história bem diferente do que o MCU apresentou até então. E acho que nesse sentido foi bem positivo ter ido sem expectativas porque, mesmo não achando o filme a melhor coisa do universo, ele me divertiu e me entreteve. A trama nos apresenta aos Celestiais, seres de enorme poder responsáveis por criar a vida no universo. Eles também são criadores dos Eternos, uma espécie de seres imortais que são enviados à Terra para proteger os humanos de criaturas conhecidas como Deviantes. A líder dos Eternos, Ajak, é quem se comunica diretamente com seu líder Celestial, Arishem, e ambos conduzem os Eternos e a vida na Terra rumo à prosperidade por milhares e milhares de anos. Porém, no presente, quando os Deviantes (que até então os Eternos achavam ter sido extintos) retornam e Ajak é encontrada morta, eles correm contra o tempo para descobrir o que está acontecendo – e o motivo do retorno dos Deviantes.

Além de Ajak, o grupo de Eternos é formado por Sersi, Ikaris, Gilgamesh, Thena, Druig, Kingo, Makkari, Sprite/Duende e Phastos. O filme faz o melhor possível pra dar uma trama pra cada um deles, especialmente quando apresenta cada um nos dias presentes. Os Eternos viveram juntos por milhares de anos, mas em determinado momento Ajak os liberou para seguirem seus caminhos, e muitos deles não se viam desde então. Além disso, existem posicionamentos e ideologias diferentes entre os membros do grupo, como Druig, por exemplo, que acha a regra criada por Ajak e Arishem de não interferir nos conflitos humanos absurda. No caso dele, que é capaz de controlar mentes, a dor de ver a humanidade se destruindo ao longo dos séculos é esmagadora.

Eu gostei da interação entre os Eternos de maneira geral. Eles são uma espécie de família, e como em toda família também há questões mal resolvidas e mágoas não superadas. Podemos dizer que a protagonista é Sersi, capaz de transmutar a forma de objetos e seres não sencientes. Ela é a chave pras decisões que os Eternos tomam no presente, porque ela é a escolhida para herdar a jóia que Ajak carregava e permitia o contato com Arishem. Apesar do seu papel central, achei a personagem bem sem sal. Não sei se foi a interpretação de Gemma Chan, mas não me senti conectada a Sersi e seu plot. O mesmo acontece com seu romance com Ikaris, que não me comoveu nem me conquistou.

Uma coisa bem positiva do filme são as cenas de ação! Os poderes dos personagens são legais e os efeitos visuais impressionam. Aqui brilha a personagem de Angelina Jolie, Thena (sem o A, como ela mesma ressalta), que utiliza energia pra criar armas em lutas corpo a corpo. Já em relação a Ikaris, o mais forte do grupo, confesso que achei estranho ver um personagem com poderes tão “Super-Homem vibes” num filme da Marvel. 😂

Ainda nos aspectos positivos, vale salientar a diversidade que faz parte do longa. Temos pessoas de diferentes etnias, credos e orientações sexuais, assim como uma pessoa com deficiência. Temos um beijo gay de um casal que construiu uma família linda e cria seu filho com amor. Como pode haver quem se oponha a isso, né? Mas, felizmente, o filme não cortou essas cenas em países que se opuseram, e ela é mesmo super representativa. As cenas de Makkari também são ótimas porque a comunicação acontece por meio de linguagem de sinais, e foi a primeira vez que eu vi isso acontecendo em um filme – e, sendo um em blockbuster, o impacto em mais pessoas é ainda maior.

Mas o filme também tem problemas. Pra mim, o maior deles é o fato de que é muita história pra contar de uma vez só. Eles introduzem mais informações sobre os Celestiais, nos apresentam às espécies dos Eternos e dos Deviantes, a novos poderes, a novas ameaças, e tudo isso acaba sendo meio jogado, especialmente no ato final, que também acaba sendo um tanto previsível. A sensação que fica é que existem muitas pontas soltas e, por mais que tenha sido recém o primeiro filme desse grupo de heróis, me deu uma sensação de que faltou algo.

Eternos é uma boa distração, pois entretém e conta com ótimas cenas de luta e efeitos visuais incríveis. Não é um filme super memorável por sua história, mas tem disrupções importantes ao trazer um elenco diverso e uma trama que se afasta completamente do que a Marvel trouxe até o momento. Vale a pena dar uma chance e ir se preparando pra próxima fase do MCU. 😀

Título original: Eternals
Ano de lançamento: 2021
Direção: Chloé Zhao
Elenco: Gemma Chan, Richard Madden, Angelina Jolie, Salma Hayek, Ma Dong-seok, Barry Keoghan, Kumail Nanjiani, Lia McHugh, Lauren Ridloff, Brian Tyree Henry, Kit Harington

Review: Um Ninho Para Dois

Oi gente, tudo bem?

Desde o lançamento do trailer eu estava ansiosíssima pra conferir Um Ninho Para Dois, novo drama da Netflix com a Melissa McCarthy. Fica a dica: já pega uma caixa de lencinhos.

Sinopse: Uma mulher que tenta superar uma perda precisa lidar com um pássaro genioso que invadiu seu jardim e um marido que luta para seguir em frente.

O filme começa com uma cena fofa entre o casal Lilly e Jack, que estão pintando o quartinho de sua bebê recém-nascida, até que há um corte que nos leva para um futuro bem mais triste: Lilly está vivendo sozinha, pois seu marido está internado em uma instituição psiquiátrica. O motivo não demora a se revelar; o casal perdeu sua filha, Katie, para a síndrome da morte súbita infantil. Esse evento traumático gerou uma ruptura no casamento, e nenhum dos dois sabe como lidar com o presente.

Não sou mãe e mal posso imaginar a dor de perder um filho, mas Um Ninho Para Dois consegue, com delicadeza, transmitir essa devastação por meio das diferentes formas de sofrimento do casal. Lilly tenta seguir em frente da maneira que pode, voltando ao trabalho e tentando manter um senso de normalidade à rotina. Seus erros e falta de atenção durante o expediente, porém, são o primeiro e mais óbvio indício de que a personagem precisa de ajuda. Jack, por outro lado, é um homem cuja dor o paralisou. Sua internação na instituição psiquiátrica é advinda de uma tentativa de suicídio, e fica claro para o espectador de que ele não vem fazendo progresso em sua terapia. Quando uma visita de Lilly ao marido acaba de forma tensa, uma das terapeutas do lugar indica o contato de um velho conhecido que ela acredita poder ajudar Lilly: o Dr. Larry Fine (o jogo de palavras aqui não escapa à protagonista). Acontece que Larry abandonou a psiquiatria para se dedicar a outro ramo: a veterinária. E é com essa situação inusitada que Lilly se vê encarando verdades que ela não tinha tido coragem até então.

Lilly é o espírito do filme, e a atuação cheia de nuances de Melissa McCarthy me levou às lágrimas e aos risos durante a 1h44 de duração do longa. A personagem decide limpar e cultivar o seu quintal, mas acaba sendo atacada por um estorninho, uma espécie de pássaro territorialista que está protegendo seu ninho. Ao longo da trama, o ousado passarinho faz diversas investidas contra Lilly, que vai criando estratégias pra se proteger dele (como usar um capacete de futebol americano rs). Nesses momentos percebemos o tom de comédia dramática do longa, pois essas cenas quebram a tensão de uma forma que diverte e acalenta. O fato de Larry ser um veterinário não impede que os dois construam uma relação de “terapia não oficial”, na qual ele incentiva Lilly a falar sobre seus sentimentos também e processar o próprio luto – já que, até então, só pôde focar na dor do marido.

Mas Jack também mexe com o nosso coração. A apatia que o domina é um sinal claro da depressão que o acomete, e sua recusa em fazer o tratamento correto o leva cada vez mais para o fundo do poço. Mas é importante que isso seja mostrado, porque mesmo com todo o amor e suporte, muitas vezes essa doença ainda assim triunfa. E o filme não culpabiliza Jack por isso, ainda que demonstre que Lilly está carregando uma carga muito pesada por ter sido “abandonada” pelo marido, que não conseguiu apoiá-la com a perda de Katie. Larry inclusive tem uma fala muito importante sobre o ser humano buscar culpados em situações nas quais simplesmente não há quem culpar: é uma dificuldade nossa em aceitar que tragédias acontecem sem nenhuma razão plausível. O médico incentiva que Lilly converse com Jack e exponha seus sentimentos de luto e solidão, e quando a protagonista resolve fazê-lo, é com a intensidade de quem está magoada pelo abandono mas também com desejo de que o marido volte pra ela.

Um Ninho Para Dois é emocionante do início ao fim, sendo intercalado com cenas divertidas que ajudam você a não chorar durante toda a duração do filme. Ele é a história de um casal em luto, mas também de duas pessoas que estão buscando entender quem são e como seguir em frente após um acontecimento tão devastador. Para além disso, é também a história de um casal em busca do caminho que os leve de volta um ao outro: com cicatrizes, sim, mas também com muito amor. Amei (e me emocionei) muito! ❤

Título original: The Starling
Ano de lançamento: 2021
Direção: Theodore Melfi
Elenco: Melissa McCarthy, Chris O’Dowd, Kevin Kline, Kimberly Quinn

Review: Viúva Negra

Oi pessoal, tudo bem?

Nas últimas semanas, Viúva Negra esteve nos holofotes devido à decisão de Scarlett Johansson processar a Disney por quebra de contrato. Mas nem essa informação é capaz de ofuscar um fato: Natasha Romanoff é uma personagem incrível – e merecia mais. Vou explicar mais sobre isso no review, então vem comigo. 😉

Sinopse: Natasha Romanoff, também conhecida como Viúva Negra, confronta o lado mais sombrio de sua história quando surge uma perigosa conspiração ligada ao seu passado. Perseguida por uma força implacável disposta a tudo para destruí-la, Natasha precisa agora lidar com seu passado como espiã e com as relações que deixou para trás muito antes de se tornar uma Vingadora.

Depois de mais de 10 anos de MCU, finalmente Natasha ganhou seu primeiro (e único) filme solo. A personagem, que fez sua estreia de forma sexualizada e estereotipada em Homem de Ferro 2, veio crescendo ao longo dos anos e se tornando uma parte cada vez mais fundamental nos Vingadores, chegando inclusive a liderá-los junto de Steve Rogers. Porém, quem assistiu a Vingadores: Ultimato sabe qual foi o destino da personagem, o que nos deixa com duas sensações: “que desperdício” e “queria ver mais dela”.

A trama de Viúva Negra se passa após os eventos de Capitão América: Guerra Civil. Natasha está vivendo como foragida após apoiar Steve, mas sua rotina isolada chega ao fim quando ameaças do seu passado como espiã russa retornam para atormentá-la. A personagem se depara com uma substância capaz de controlar a mente das Viúvas Negras (esse título é compartilhado entre as meninas que fizeram parte da Sala Vermelha, na qual Nat cresceu) e entende uma verdade terrível: Dreykov, a pessoa por trás da Sala e que Natasha acreditava estar morto, na realidade está vivo e operante. A Vingadora então acaba reunindo forças com pessoas muito importantes de seu passado: sua “família”.

Esse é o primeiro filme em que descobrimos mais sobre a pessoa que Natasha é. Quando criança, ela já fazia parte de uma operação russa nos Estados Unidos, e convivia com uma família de agentes montada pelo governo. Ela tinha uma irmã mais nova, Yelena (que também foi transformada em Viúva Negra); um pai, Alexei (que foi uma figura semelhante ao Capitão América para os russos); e uma mãe, Melina (uma cientista genial). Ainda na infância, a missão nos Estados Unidos dá errado e todos são separados, e desde então Natasha nunca mais teve contato com eles. O surgimento de Dreykov e da substância capaz de controlar mentes é o que coloca a protagonista em movimento para reencontrar cada membro da família – o que gera um equilíbrio maravilhoso entre cenas de luta, momentos engraçados e também um revirar de ressentimentos.

Yelena é a personagem que mais brilha no filme, sendo uma adição muito bem-vinda ao MCU. Ela era muito pequena quando a família foi separada, e sofreu muito com o distanciamento. A jovem se ressente de Natasha por nunca tê-la procurado, mas aos poucos as duas conseguem se reconectar. Yelena é aquela personagem durona, mas de coração enorme, sabem? Ver a interação dela com os outros personagens é bem bacana e ela faz aflorar em Nat um lado que tivemos a oportunidade de ver poucas vezes: uma afeição genuína com uma dose de vulnerabilidade.

O filme também tem ótimas sequências de ação. Existem muitas cenas de luta corpo a corpo, e é bem empolgante assistir. Porém, pra quem espera uma missão que siga um perfil mais de “espionagem” pode acabar se frustrando, porque a pegada é muito mais tiro, porrada e bomba mesmo. E aqui entra um dos aspectos frustrantes que comentei: a história da Natasha é muito mal aproveitada, e a protagonista vai muito além de batalhas físicas e perseguições. O longa até menciona alguns detalhes de como ela desertou da Rússia e integrou a S.H.I.E.L.D., assim como menciona a missão em Budapeste com Clint, mas a gente fica com um gostinho de quero mais. Natasha viveu tantas experiências durante seu treinamento na Sala Vermelha e também como espiã (e Budapeste é só um exemplo delas) que eu, como fã da personagem no MCU, gostaria muito de ter tido a chance de conferir.

O outro ponto negativo do filme é o timing: assistir a uma aventura solo da heroína que serve “só” como uma explicação do que aconteceu entre Guerra Civil e Vingadores: Guerra Infinita, assim como introduzir uma possível “nova Viúva Negra”, é um grande desperdício, além de ser anticlimático. A Viúva Negra é muito mais interessante que o Thor e mesmo assim nunca teve um momento só seu, pois mesmo em seu filme solo quem se destaca é a Yelena. Se somarmos a tudo isso o fato de que já sabemos qual será o destino da Nat, o gosto que fica é bastante amargo.

Em resumo, eu gostei de Viúva Negra como um filme de ação e fiquei contente pelo fato de Natasha Romanoff finalmente ter um longa pra chamar de seu. Entretanto, não posso deixar de fora a tristeza por saber que uma personagem tão incrível e cheia de nuances, com tantas histórias pra contar, tenha recebido essa migalha em comparação com outros personagens do MCU. Agora me resta torcer para que a Marvel não falhe dessa forma com as outras personagens femininas que estão ganhando espaço nas telas.

Título original: Black Widow
Ano de lançamento: 2021
Direção: Cate Shortland
Elenco: Scarlett Johansson, Florence Pugh, Rachel Weisz, David Harbour, Ray Winstone

Review: A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas

Oi pessoal, tudo bem?

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi um play despretensioso que eu dei na Netflix, mas que me arrancou muitas risadas, me entreteve e também me comoveu. Preparados pra conhecer?

Sinopse: Uma revolta de robôs interrompe a viagem da família. Agora o destino da raça humana está nas mãos dos Mitchells — a família mais estranha do mundo.

A trama tem seu pontapé inicial quando Katie, a filha mais velha dos Mitchell, é aceita para cursar a faculdade de cinema. Empolgada para conhecer pessoas que compartilhem da sua paixão – já que, em geral, ela se sente uma outsider -, Katie não contava com a decisão de seu pai, Rick, de fazer uma viagem de carro em família (em vez de deixá-la ir de avião). A relação dos dois, que no passado era muito cúmplice, está num momento delicado: Katie não sente que seu pai a compreenda, enquanto Rick acha que a filha está distante. Em paralelo a esse plot, temos outro catalisador superimportante que acontece bem longe da road trip: no Vale do Silício, uma convenção de tecnologia comandada pelo gênio Mark Bowman, que inventou a inteligência artificial PAL, anuncia um modelo novo de robôs com tecnologia de ponta; o problema é que Mark descarta PAL como algo ultrapassado, fazendo com que ela decida se revoltar e comandar os robôs, colocando-os contra a humanidade. E é assim, em meio ao caos, que a família Mitchell é pega de surpresa e precisa encontrar não apenas uma forma de fugir e sobreviver, mas também de impedir PAL.

A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas é produzido pelos responsáveis pelo excelente Homem-Aranha no Aranhaverso, e podemos encontrar algumas similaridades no que diz respeito à arte. Como no filme do Cabeça de Teia, aqui também temos um visual predominantemente 3D, mas cheio de elementos 2D e intervenções interessantes. Isso torna o longa visualmente atrativo e, no meu caso, foi um recurso que prendeu bastante minha atenção. A identidade visual é muito bacana e a atmosfera é muito divertida e imersiva, tornando as quase 2h de duração muito gostosas de assistir.

O filme também acerta em cheio no humor. Além dos quatro membros da família Mitchell (os já mencionados Katie e Rick, mas também Linda, a mãe, e Aaron, o filho mais novo), temos ainda dois robôs comandados por PAL que sofrem uma pane parcial ao serem danificados e acabam se tornando aliados improváveis de Katie e sua família. E todos eles se veem numa posição totalmente inesperada: a de heróis da humanidade. Enquanto PAL comanda os robôs para capturar os humanos, os Mitchell (com o auxílio dos seus novos companheiros inorgânicos) conseguem escapar, e precisam ir até o epicentro da revolta pra desativar a inteligência artificial – caso contrário, todas as pessoas capturadas serão enviadas para o espaço (sim, pra morrer mesmo). E todas as situações que a família passa pra tentar chegar até PAL em segurança são muito engraçadas, assim como as perseguições pela estrada e as interações com outros eletroeletrônicos. Pra fechar com chave de ouro há também o humor sarcástico em torno de um jovem genial que revolucionou a tecnologia e as consequências de suas atitudes. Qualquer semelhança com a realidade pode ou não ser mera coincidência. 😛

Mas meu elemento favorito de A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas não poderia ser outro se não os próprios Mitchell (e seu maravilhoso pug, Monchi). Cada personagem tem uma personalidade marcante e protagoniza cenas engraçadas, por mais que o foco maior seja em Katie e Rick. Linda é uma mulher engraçada e, quando os filhos estão em perigo, reage como uma leoa; Aaron é um irmão mais novo fofíssimo que é tão “esquisito” quando Katie e olha pra irmã com admiração; Rick é um pai zeloso e que ama os filhos, mas que nem sempre consegue demonstrar isso da forma como eles – especialmente Katie – precisam; e a própria Katie é uma jovem criativa e irreverente, mas que também não consegue enxergar os sacrifícios que o pai fez por ela. Com o passar do tempo e com a convivência forçada no carro (somada ao medo da extinção, é claro), os personagens são obrigados a olhar com mais atenção um para o outro, e os laços vão se estreitando. Pra fechar, também adorei como a sexualidade de um dos personagens é trabalhada: de forma totalmente natural e leve.

Resumindo, A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas foi um dos melhores filmes de animação a que assisti recentemente, reunindo em si uma produção de alta qualidade, um enredo divertido e envolvente e personagens muito cativantes. Se você não sabe o que fazer nesse domingo, corre lá na Netflix e dê o play. Prometo que vai valer a pena! 😉

Título original: The Mitchells vs the Machines
Ano de lançamento: 2021
Direção: Michael Rianda
Elenco: Abbi Jacobson, Danny McBride, Maya Rudolph, Michael Rianda, Eric André, Olivia Colman

Review: Raya e o Último Dragão

Oi galera, tudo certo?

Faz tempo que não rola um review de animação por aqui, né? Então hoje vamos falar um pouquinho sobre um dos filmes mais recentes da Disney: Raya e o Último Dragão!

Sinopse: Há muito tempo, no mundo de fantasia de Kumandra, humanos e dragões viviam juntos em harmonia. Mas quando uma força maligna ameaçou a terra, os dragões se sacrificaram para salvar a humanidade. Agora, 500 anos depois, o mesmo mal voltou e cabe a uma guerreira solitária, Raya, rastrear o lendário último dragão para restaurar a terra despedaçada e seu povo dividido. No entanto, ao longo de sua jornada, ela aprenderá que será necessário mais do que um dragão para salvar o mundo – também será necessário confiança e trabalho em equipe.

Em um passado longínquo no reino de Kumandra, os dragões eram comuns e responsáveis pela prosperidade dos seres humanos. Porém, o surgimento de criaturas malignas chamadas Druun capazes de transformar aqueles com quem entram em contato em pedra – ameaçam a paz, e os dragões fazem um último esforço para salvar a humanidade. Sem os dragões, Kumandra se dividiu em vários países rivais, que desejam ser os detentores da Pedra do Dragão, uma relíquia deixada pela dragão Sisu no momento em que os Druun foram derrotados. Raya, a protagonista, é uma jovem que carrega um peso em sua consciência: durante um evento pacifista promovido por seu pai, a menina confiou na pessoa errada, Namaari, que tentou roubar a Pedra do Dragão. Essa atitude levou a uma batalha entre os países (Coração, Garra, Presa, Espinha e Cauda), fazendo com que a relíquia fosse partida em vários pedaços, o que culmina no retorno dos Druun e na transformação do pai de Raya (e muitos outros humanos) em pedra. Em sua busca para consertar as coisas, Raya acaba fazendo aliados improváveis e, principalmente, despertando a própria Sisu.

Esse é o contexto de Raya e o Último Dragão e, apesar das criaturas malignas terem dado início à desolação, o filme é muito mais pautado na rivalidade e nas relações humanas. O pai de Raya era um pacifista que acreditava que a união dos países era o melhor caminho para se protegerem do mal. Entretanto, o medo do desconhecido, o egoísmo, a desconfiança e o desejo de proteger os seus tornaram os outros líderes cegos para qualquer caminho diferente do poder. E as consequências disso são mostradas ao espectador: ao chegar na Espinha, por exemplo, Raya encontra um terreno desolado com apenas um único sobrevivente.

Um aspecto muito legal e que torna Raya e o Último Dragão bastante dinâmico é a forma como, a cada local visitado, a garota vai “recrutando” sem querer alguém como aliado. Tudo começa com seu sucesso em despertar Sisu, a única dragão que não foi transformada em pedra. Dali em diante a dupla se une a um pequeno empresário, Boun; ao trio de pilantrinhas composto por três macacos e a bebê Little Noi; e Tong, o guerreiro sobrevivente da Espinha. Apesar de suas personalidades totalmente diferentes, eles compartilham de uma coisa em comum: a perda de entes queridos para os Druun. Isso os motiva a trabalharem juntos em prol do mesmo objetivo, que é resgatar as peças da Pedra do Dragão e usar os poderes de Sisu para trazer as pessoas de volta. 

Ao longo do filme vamos percebendo que a própria Raya se tornou uma pessoa desconfiada. Se na infância ela era inspirada pelo coração e mente abertos do pai, a traição de Namaari deixou uma cicatriz profunda em seu coração. É totalmente compreensível o receio que ela tem de se abrir e tentar o caminho da negociação e da colaboração. Sisu, porém, é uma personagem alegre e cativante, cujo coração aberto pouco a pouco contagia Raya e a inspira a baixar a guarda e repensar seu caminho solitário.

Outro aspecto muito bacana de ser ressaltado é que o mundo fictício de Raya e o Último Dragão é inspirado nos países do Sudoeste Asiático. A cada local que Raya e seu grupo visita temos uma ambientação completamente diferente, o que é ótimo pra combater a ideia de que a Ásia tem apenas uma cultura e uma aparência. A animação é linda e as paisagens também, o que já é de praxe nas animações da Disney.

Raya e o Último Dragão é um ótimo filme de aventura que empolga e entretém. Apesar de ter um tipo de criatura aterrorizante dando o start nos acontecimentos, a trama acerta ao evidenciar que o maior desafio são as próprias fraquezas humanas, e como a colaboração é a peça-chave para vencer dificuldades coletivas. E se tem uma coisa que os últimos dois anos têm nos mostrado é que o individualismo não é uma opção quando um mal atinge a todos, e que a empatia e a cooperação são fundamentais para sairmos vitoriosos de momentos assim. 

Título original: Raya and the Last Dragon
Ano de lançamento: 2021
Direção: Don Hall, Carlos López Estrada
Elenco: Kelly Marie Tran, Awkwafina, Izaac Wang, Gemma Chan, Daniel Dae Kim, Benedict Wong, Jona Xiao, Thalia Tran

Review: A Mulher na Janela

Oi galera, tudo certo?

A Mulher na Janela foi um livro queridinho de muitos que me decepcionou bastante. Mas, como expliquei na minha resenha (bem negativa rs), eu tinha esperanças de que no formato cinematográfico a história pudesse funcionar. Será que deu certo?

Sinopse: Confinada em casa devido à agorafobia, uma psicóloga fica obcecada pelos novos vizinhos – e por solucionar o crime brutal que viu da janela.

Anna Fox é uma mulher que sofre de agorafobia, o que a impede de sair de casa. Separada do marido e da filha, ela vive sozinha e passa seus dias observando os vizinhos e misturando álcool e remédios. A chegada de novos vizinhos, os Russells, proporciona a Anna uma amizade inesperada com a dona da casa, Jane, com quem passa uma tarde divertida regada a conversas e taças de vinho. Além de Jane, a protagonista também cria um vínculo com seu filho, o adolescente Ethan – um jovem tímido e gentil que leva doces para Anna em nome de sua mãe. A chegada dos Russell não parece ser um problema, até que Anna presencia pela janela a cena de uma discussão que culmina com Jane recebendo uma facada. Porém, quando ela chama a polícia, o pai da família, Alistair, diz que só pode ter havido um engano, e apresenta sua esposa à Anna e aos policiais: só que esta Jane não é a mulher que Anna conheceu.

A premissa da história é muito boa, né? Temos uma narradora não confiável que nos faz duvidar do que ela viu, temos uma família aparentemente normal que esconde um segredo e temos um possível assassinato no centro de tudo isso. Pena que esse plot é desperdiçado e o que o diretor e o roteirista nos oferecem é um longa cansativo, lento e mal conduzido. 

A Mulher na Janela perde um bom tempo nos mostrando a rotina de Anna e, mesmo assim, falha em explorar o quão frágil psicologicamente ela está. A atuação e a caracterização de Amy Adams fazem um trabalho muito melhor em evidenciar o quanto a personagem desistiu de si mesma, mas o roteiro do longa não consegue transmitir o tanto que a personagem sofre. No livro, Anna faz parte de uma comunidade online e aconselha outras pessoas sobre agorafobia, o que é um elemento essencial da trama, mas no filme eles cortaram toda essa parte de sua vida. E, para piorar, incluíram cenas e acontecimentos desnecessários que não colaboraram em nada para o andamento da história. Até o fato dela dedicar grande parte dos seus dias a espiar a vida alheia com uma câmera mal é abordado, tornando o título da obra bem menos relevante rs.

Mesmo um elenco de peso não foi capaz de prender a atenção ao longo da 1h40 de duração do filme (que mais pareceram 3h). Amy Adams é maravilhosa, mas também temos Julianne Moore e Gary Oldman, que são figurantes de luxo. Ethan, um personagem fundamental e muito presente no livro, mal tem cenas relevantes, o que torna difícil até de engolir toda a vontade que Anna sente de protegê-lo de seu suposto pai abusivo. Todas essas pontas soltas, a pouca participação de personagens que não sejam a protagonista e mudanças no roteiro tornaram as duas revelações da trama totalmente anticlimáticas, especialmente na sequência final. A pessoa responsável pela angústia de Anna é revelada sem nem um “aquece” que permita ao espectador acreditar que aquilo que foi mostrado é crível. Só bola fora, na minha opinião.

A Mulher na Janela não me agradou como livro e conseguiu ser ainda mais fraco como filme. As poucas coisas boas que eu tinha gostado na trama original foram cortadas na adaptação e o que sobrou é um filme que não empolga, não angustia e, principalmente, não convence. Não foi dessa vez. :/

Título original: The Woman in the Window
Ano de lançamento: 2021
Direção: Joe Wright
Elenco: Amy Adams, Julianne Moore, Gary Oldman, Wyatt Russell, Fred Hechinger