Resenha: Rede de Sussurros – Chandler Baker

Oi pessoal, tudo bem?

Rede de Sussurros, um thriller baseado no movimento #MeToo, estava no meu radar há meses. Finalmente o coloquei na meta de leitura e hoje posso contar o que achei pra vocês.

Garanta o seu!

Sinopse: Há anos, Sloane, Ardie e Gracie trabalham juntas em uma empresa de roupas esportivas. As três sempre se ajudaram, passando por promoções empolgantes, reuniões intermináveis, casamento, maternidade, divórcio e os desafios impostos pela política no escritório. Elas também têm seus segredos e cada uma fez algo de que se arrepende. Com a morte repentina do presidente da empresa, tudo indica que Ames, o chefe delas, será alçado à liderança da companhia. Ames é um homem complicado, que as três conhecem há muito tempo e que sempre esteve cercado por sussurros a respeito do tratamento que dispensa às subordinadas. Esses sussurros vinham sendo ignorados, varridos para debaixo do tapete e acobertados por aqueles que estão no poder. Depois de descobrirem que Ames adotou uma conduta inaceitável em relação a uma nova funcionária, elas decidem falar. E essa decisão provoca uma mudança catastrófica no escritório. Mentiras serão reveladas. Segredos serão expostos. E nem todo mundo sobreviverá. Suas vidas — como mulheres, colegas, mães, esposas, amigas e até adversárias — estão prestes a mudar drasticamente.

O mistério do livro inicia com alguém que cai (ou é empurrado?) do alto do prédio de uma grande empresa de artigos esportivos, a Truviv. Em seguida, a narrativa passa a alternar entre os acontecimentos prévios à misteriosa queda e as investigações, que são focadas em três amigas, Sloane Glover, Grace Stanton e Ardie Valdez.

À primeira vista, Rede de Sussurros parece ser narrado em primeira pessoa, ainda que não saibamos por quem. Antes da queda fatídica acontecer, há outra morte importante: a do presidente da Truviv, cujo acontecimento funciona como a primeira peça de um dominó, que em seguida derruba todas as outras, pois quem está sendo cotado para substituí-lo é Ames, chefe das três mulheres. Enquanto grande parte da empresa o enxerga como um excelente nome e alguém competente e adequado ao cargo, Sloane e Ardie sabem que Ames é alguém incapaz de de respeitar limites especialmente se quem os coloca é uma mulher. Quando uma nova funcionária é contratada pelo próprio Ames, Sloane sente um ímpeto de protegê-la dos avanços do chefe e, motivada por esse desejo, ela acrescenta o nome de Ames a uma planilha que tem circulado anonimamente, em que homens são denunciados por assédio sexual (sem saber que isso desencadearia uma série de graves consequências para todos).

O livro é bem contundente nas descrições sobre desigualdades de gênero. Ao longo das páginas, o leitor percebe que não é nenhuma das personagens principais quem está narrando a história, mas sim um coletivo – o “nós”. Esse estilo narrativo se faz valer desse afastamento com a trama em si pra trazer aspectos mais gerais do “ser mulher” no mercado de trabalho. Situações como o fato de que mulheres precisam se preocupar com o envelhecimento enquanto homens são levados mais a sério conforme os anos passam são um exemplo disso. No caso de Sloane, que teve um caso com o Ames logo que iniciou na Truviv, o assédio e as consequências na carreira perduram até o presente: ele lança mão de comentários inapropriados sobre seu corpo, deslegitima suas decisões (se aproveitando do fato de ser seu chefe) e ocasionalmente menciona o passado dos dois, como uma mancha de vinho em um sofá branco. Por isso não é de se espantar que Sloane queira colocar seu nome na planilha das denúncias anônimas.

A história do livro em si é bastante previsível: é fácil acertar quem é o corpo na calçada, assim como é fácil prever o que aconteceu com Rosalita, uma personagem cuja importância vai crescendo ao longo da trama e é um exemplo claro de silenciamento feminino. Mas, apesar da história não conter grandes reviravoltas, o grande mérito de Rede de Sussurros é evidenciar o abismo que existe entre homens e mulheres no ambiente de trabalho, sim, mas também na vida. O assédio sexual é o principal tema, claro, mas a trama também expõe os absurdos aos quais as mulheres precisam se submeter para conseguirem ser bem sucedidas. A narradora coletiva fala sobre o nosso perfeccionismo, já que mulheres sofrem com a pressão de serem boas em tudo: boas profissionais, boas mães, boas donas de casa. Temos que nos provar três vezes mais para atingirmos o mesmo patamar de um colega homem, e tendo o cuidado de não sermos lidas como agressivas ou teimosas (o que, no caso deles, é visto como firmeza e confiança). Precisamos voltar ao trabalho pouco tempo após parir, mesmo com o nosso corpo e nossos hormônios pedindo por descanso pois, caso contrário, seremos deixadas para trás na guerra corporativa. Essas são apenas algumas situações que Rede de Sussurros expõe de forma precisa e, infelizmente, relacionável.

Se por um lado a crítica social é competente, a trama peca por sua lentidão e por seus personagens nada marcantes. Não consegui me afeiçoar e nem torcer por nenhuma das protagonistas, e isso é um fator que eu levo bastante em consideração ao avaliar uma leitura. Senti falta de um mistério que perdurasse por mais tempo, além de ter me cansado com a futilidade de Sloane. Foi difícil acreditar que ela estivesse fazendo o que fazia por pensar no bem da nova colega; parecia mais uma atitude de quem queria colocar um ponto final no passado e trazer justiça a um homem que a prejudicou de diversas formas. E eu acho essa motivação muuuito válida, na verdade. O problema é que Sloane tentou fazer parecer que era altruísmo, o que, pra mim, não colou.

Rede de Sussurros não atingiu todas as minhas expectativas e acabou sendo uma leitura bacana, mas mediana. Minha recomendação se concentra muito mais nos fatos abordados pela narradora coletiva do que pela trama em si, porque esses sim precisam vir à luz para serem cada vez mais combatidos – como o excelente Clube da Luta Feminista ensina. O mérito do livro está nessas discussões, e sempre serei a favor de tramas que toquem em pontos delicados que já deveriam ter sido vencidos há muito tempo. E deveríamos fazer isso sem sussurrar, mas gritando aos quatro ventos mesmo.

Título Original: Whisper Network: A Novel
Autora: Chandler Baker
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 384
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Resenha: Acorda Pra Vida, Chloe Brown – Talia Hibbert

Oi pessoal, tudo bem?

Minha experiência com chick-lits ainda não é muito vasta, então quando a editora Paralela me proporcionou a chance de ler mais um, não hesitei. Fiquei ainda mais animada por ter sido ele escrito e protagonizado por uma mulher negra, afinal, precisamos de mais representatividade na literatura. Então bora conhecer Acorda Pra Vida, Chloe Brown? 😉

Garanta o seu!

Sinopse: Depois de quase ser atingida por um carro em alta velocidade, Chloe Brown se deu conta de que seu obituário seria um tanto entediante. Para reverter essa situação, ela decide montar uma lista de atividades necessárias para finalmente “acordar para a vida”. Mudar assim não é nada fácil, mas, para sua sorte, Chloe encontra alguém que — mesmo a contragosto — pode ajudá-la nessa missão. Seu vizinho Red Morgan é um motoqueiro misterioso, que tem várias tatuagens e mais sex appeal que uma estrela de Hollywood. No entanto, um acordo leva Chloe e Red a se aproximarem e perceberem que suas primeiras impressões um do outro estavam erradas. E que, mesmo com traumas do passado e receios quanto ao futuro, o amor nunca perde a chance de surpreender.

Após quase ser atropelada, Chloe Brown se põe a refletir sobre sua vida e chega à conclusão de que ela é muito tediosa. Com o desejo de ter um epitáfio mais digno, ela decide criar uma lista pra “acordar pra vida”, que inclui marcos como acampar, se embebedar e fazer sexo sem compromisso. A lista não parece muito fora da curva, né? Acontece que pra Chloe são verdadeiros desafios: ela sofre de fibromialgia, uma doença crônica que causa dores e fraqueza pelo corpo todo e pode ser muito debilitante. Mas, para tomar o controle da própria vida, Chloe se muda da (rica) casa dos pais para um apartamento alugado e lá ela conhece Redford Morgan, o (charmoso) zelador que parece se dar bem com todo mundo, menos com ela. Acontece que o próprio Red tem uma visão deturpada da personalidade de Chloe, confundindo sua reserva e timidez com esnobismo, mas os dois têm a chance de conversar quando ele a ajuda a… resgatar um gato de uma árvore!

Já começo dizendo que esse plot do gato é maravilhoso. Mesmo dolorida e sabendo que seu corpo vai cobrar um preço, é adorável ver uma rabugenta Chloe se propondo a escalar uma árvore para salvar um gatinho – pelo qual ela se afeiçoa, mesmo sem querer admitir. A personagem é irônica, mau humorada e divertida, ainda mais quando ela fica conversando mentalmente com o gato. 😂 Também é muito gostoso de acompanhar a forma como Red percebe que Chloe não é a menina rica de nariz empinado do apartamento em frente, mas sim uma mulher que se esconde atrás de roupas fofas (e cheias de botões) e uma expressão gelada. E já que falamos no protagonista masculino, vale ressaltar: Red é incrível. Eu gosto dos caras legais (zero fetiche em bad boys), e Red é um deles, brilhando do início ao fim! Carismático, sedutor e seguro de si mesmo, foi impossível não me deixar ser fisgada por ele também.

A narração do livro é em terceira pessoa e intercala os pontos de vista de ambos os personagens. Tanto Chloe quanto Red são pessoas que já tiveram seus corações partidos, e o livro faz questão de mostrar um outro lado do relacionamento abusivo que até então eu não tinha visto – no qual o homem é a vítima. A ex de Red era uma jovem rica que se achava superior a ele e minou tanto sua autoconfiança que isso impactou diretamente na sua profissão, fazendo com que o personagem fique na defensiva com Chloe devido ao seu status social. A protagonista feminina, por sua vez, se viu cada vez mais sozinha conforme suas dores crônicas passaram a ser um impedimento em suas relações, o que fez com que ela simplesmente desistisse de tentar se abrir pro mundo. Mas a química entre os dois e a atração inegável que sentem são o primeiro passo pra que essas barreiras comecem a ser quebradas.

Um ponto que me chamou a atenção reside no fato de que a capa e a sinopse dão a entender que veremos um romance apenas fofo, mas na verdade encontramos também uma trama +18, cheia de palavrões e cenas explícitas de sexo. Não sei vocês, mas eu falo muuuito palavrão, então o fato dos personagens usarem também não me incomodou em nada, porque pra mim eles ficaram ainda mais reais (apesar de reconhecer que o uso de “caralho” pra ênfase foi um pouco exaustivo). No livro há masturbação, cenas de sexo e descrições bem ~calientes, o que até então eu não tinha visto nos chick-lits que li. Isso proporcionou um equilíbrio bem interessante entre ser fofo e provocativo. Além disso, corpos femininos fora do padrão hegemônico e eurocêntrico (não apenas por Chloe ser negra, mas por ser plus size) sendo desejados e apreciados é algo que precisa estar mais presente na cultura pop. Mulheres de todas as formas precisam ser descritas e vistas como pessoas dignas de amor e desejo, independentemente do que o padrão de beleza tente ditar. Arrasou, Acorda Pra Vida, Chloe Brown!

Como pontos negativos, eu diria que o exagero no jeito turrão da Chloe me incomodou, apesar de entender seu mau humor constante. Sofro de enxaqueca e é foda mesmo ser legal quando você tá morrendo de dor.  Agora, o aspecto que mais testou minha paciência (pra não dizer que me irritou profundamente rs) foi a falta de diálogo entre o casal, sendo este o maior gerador de conflitos. Os personagens tem mais de 30 anos mas nem sempre se comportam de acordo. As brigas deles acontecem sempre por mal entendidos, e esse é um dos clichês de que eu menos gosto na literatura (o dos personagens que não conversam como adultos). É meio inadmissível que duas pessoas dessa idade se comportem como jovens de 15 anos que não são capazes de dialogar com clareza e maturidade. Se eu não tenho paciência pra isso nem com protagonistas de YAs, imagina com dois marmanjos. Foi muito por causa disso que diminuí a nota do livro, ainda que tenha gostado bastante dele.

Acorda Pra Vida, Chloe Brown é um romance gostoso, picante, envolvente e com um casal que transborda química. O fato de ter sido escrito por uma mulher negra que traz como protagonista também uma mulher negra é mais um ponto importante, pois precisamos dar espaço pra esse tipo de obra brilhar. Trazer a negritude e o corpo não-padrão como dignos de uma história de amor comum, não guiada exclusivamente por  debates mais profundos, é bacana pra mostrar que pessoas negras podem encontrar espaço em tramas que fazem a gente suspirar – e não apenas com as que evidenciam sua dor. Inclusive, se alguma pessoa negra estiver lendo esse post e quiser se manifestar, vou adorar saber sua opinião sobre isso nos comentários! 😊 Em resumo, Acorda Pra Vida, Chloe Brown é um romance envolvente e que, apesar dos defeitinhos, me entreteve do início ao fim. Recomendo!

Título Original: Get a Life, Chloe Brown
Série: As Irmãs Brown
Autora:
Talia Hibbert
Editora: Paralela
Número de páginas: 296
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Filhos de Virtude e Vingança – Tomi Adeyemi

Oi pessoal, tudo bem?

Filhos de Sangue e Osso, o primeiro livro da trilogia O Legado de Orïsha, foi um verdadeiro sucesso. Por isso, a ansiedade para conferir a continuação, Filhos de Virtude e Vingança, era alta. Hoje conto pra vocês o que achei. 😀

Garanta o seu!

Sinopse: No segundo volume da série, depois de enfrentar o impossível, Zélie e Amari conseguiram trazer a magia de volta para Orïsha. Entretanto, o ritual foi mais poderoso do que elas imaginaram e os poderes reapareceram não somente para os maji, mas também para todos que tinham ancestrais mágicos. Agora, Zélie se esforça para unir todos os maji em uma Orïsha onde o inimigo é tão poderoso quanto eles. Quando a realeza e os militares formam uma aliança perigosa, Zélie precisa lutar para garantir o direito de Amari ao trono e proteger os novos maji da ira da monarquia. Com uma guerra civil iminente, Zélie tem uma missão: encontrar uma forma de unir o reino ou assistir a Orïsha ruir.

O livro começa poucas semanas depois do fim do primeiro. Após o ritual que trouxe a magia de volta, descobrimos que algo no processo saiu errado e despertou magia também naqueles que tivessem ancestrais mágicos, criando assim os tîtán. Com isso, as tensões sociais ficam ainda mais desequilibradas: os maji conseguiram sua magia de volta, sim, mas agora precisam enfrentar a nobreza e o exército que os odeiam e que agora têm magia pra contra-atacar. É nesse contexto que o trio composto por Zélie, Amari e Tzain precisa agir, mas o espírito da protagonista está profundamente abalado. Desde a morte de seu pai, Zél acha que toda a sua jornada não valeu a pena e que só serviu para dar ainda mais poder aos opressores. A personagem está apática e mergulhada na dor, diferente da sua versão no primeiro livro que era impetuosa (e até imprudente). Para tornar a dinâmica ainda mais complicada, uma guerra civil ameaça estourar: um grupo de maji conhecido como Iyika (A Revolução) está disposto a atacar a monarquia com força total, indo contra o desejo de Amari de reivindicar o trono.

Começo essa resenha dizendo que início do livro foi MUITO confuso e truncado pra mim. Ele já mostra Amari tentando realizar comícios para convencer o povo a aceitá-la como rainha, ao mesmo tempo em que a narrativa simplesmente insere o novo conceito de tîtán do nada, como se já tivesse usado esse termo antes (o que volta a se repetir mais pra frente, quando a autora insere nomes de personagens como se já os conhecêssemos). Me obriguei a reler algumas páginas do início para ter certeza de que não, Tomi Adeyemi não tinha feito uma explicação prévia sobre aqueles novos conceitos, e eu meio que me forcei a simplesmente aceitá-los.

Os personagens também estão em lugares sombrios. Zélie está deprimida (e com razão) após perder seu Baba e ser traída por Inan. O que me incomodou nela, na verdade, não foi sua apatia. Foi a forma como sua relação com Amari retrocedeu: a protagonista deixa os Iyika tratarem sua amiga com muita rispidez e preconceito, o que pra mim é um gesto de deslealdade. Esperava que a personagem defendesse o caráter de Amari frente aos Iyika, e não é o que acontece. Em compensação, Zélie floresce ao conhecer três ceifadores que fazem parte do grupo rebelde, em especial seu novo braço direito, Mâzeli. Se responsabilizar por aqueles jovens e ensinar a eles tudo que sabe sobre o poder dado por Oya são duas motivações que a engrandecem como líder e como pessoa. Ainda na família Adebola, preciso dizer quão frustrante foi ver Tzain sendo esquecido no churrasco. O irmão de Zélie foi uma figura central no primeiro livro, ainda que não tenha tido espaço para se desenvolver. Eu torcia para que isso acontecesse nesse volume, mas infelizmente Tzain segue sendo preterido.

Agora vamos falar da monarquia? Os dilemas morais de Amari e Inan não me convenceram. Ambos ficavam argumentando para si mesmos coisas como “se eu fizer isso, serei uma pessoa horrível; mas se eu não fizer, não darei fim a este horror causado pela guerra”. Parecia que eles mudavam seus parâmetros morais o tempo todo, trazendo uma inconsistência irritante pros dois. Amari em especial me incomodou demais, não me lembrando em nada a menina cheia de atitude e justiça do primeiro livro, e sim uma garota mimada que coloca os outros em risco desnecessariamente. Esse vai e vem de decisões e dilemas deixou o livro bem mais cansativo do que precisava ser. Já Inan mete os pés pelas mãos mais de uma vez, em especial sob a influência de sua mãe, Nehanda. Nada de novo no front, né? O príncipe (agora rei) nunca foi consistente, então nem esperava isso dele – ainda que no final ele tenha surpreendido positivamente.

Existem outros personagens importantes, mas não quero entrar no detalhe sobre todos eles, com exceção de dois: Roën, o mercenário do primeiro livro, apareceu pouco, mas roubou a cena. Gostaria que ele tivesse tido uma participação mais constante, considerando seu carisma e sua relação com Zélie. Mama Agma novamente se torna uma presença importante, ainda que não apareça o tempo todo. Ela é decisiva para a condução da guerra e obriga Zélie a abrir mãos dos medos e laços do passado que a impedem de agir.

O que foi complicado pra mim ao ler Filhos de Virtude e Vingança é que o livro anda em círculos. Há diversos momentos que poderiam ter sido mais curtos, o que evitaria tantas inconsistências no comportamento e nos sentimentos dos personagens. A história não é ruim, ela tem bons momentos, mas não consegue atingir o mesmo patamar do livro que iniciou a trilogia. Apesar dos pesares, Tomi Adeyemi nos traz um final bombástico e chocante, e eu realmente não sei o que esperar do que vem por aí. Com todas essas ressalvas e ponderações, continuo gostando e indicando a trilogia O Legado de Orïsha, mas recomendo apenas que vocês não esperem de Filhos de Virtude e Vingança a mesma maestria narrativa vista no livro anterior.

Título Original: Children of Virtue and Vengeance
Série: O Legado de Orïsha
Autor:
 Tomi Adeyemi
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 432
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: A Troca – Beth O’Leary

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de Teto Para Dois ter sido meu livro favorito de 2020, corri para conferir A Troca, da mesma autora, e hoje conto pra vocês minhas impressões.

Garanta o seu!

Sinopse: Leena Cotton tem 29 anos e sente que já não é mais a mesma. Eileen Cotton tem 79 e está em busca de um novo amor. Tudo de que neta e avó precisam no momento é pôr em prática uma mudança radical. Então, para colocar suas respectivas vidas de volta nos trilhos, as duas têm uma ideia inusitada: trocar de lugar uma com a outra. Leena sabe que precisa descansar, mas imagina que a parte mais difícil será se adaptar à calmaria da cidadezinha onde a avó mora. Cadastrada em um site de relacionamentos, Eileen por sua vez embarca na aventura com a qual sonha desde a juventude. Dividindo o apartamento com dois amigos da neta, ela logo percebe que na cidade grande suas ideias mirabolantes não são tão complicadas assim. Ao trocar não só de casas, mas de celulares e computadores, de amigos e rotinas, Leena e Eileen vão descobrir muito mais sobre si mesmas do que imaginam. E se tudo der certo, talvez destrocar não seja a melhor solução.

Leena Cotton é uma mulher competente, determinada e ambiciosa. Porém, a perda recente de sua irmã mais nova para o câncer ainda causa uma dor emocional intensa, que marca vários aspectos de sua vida. Quando Leena tem uma crise de pânico em uma reunião com um cliente, ela é obrigada por sua chefe a tirar uma licença de 2 meses. É aí que surge uma oportunidade inesperada: ela e sua avó, Eileen, que recentemente foi deixada pelo marido, decidem “trocar de vida” durante aqueles 2 meses. Enquanto Leena iria para a casa da avó no interior e ficaria responsável por suas atribuições junto à comunidade, Eileen iria para o apartamento de Leena em Londres para conhecer novos amores e viver a aventura da qual ela desistiu quando engravidou na juventude. Essa mudança de dinâmica causa transformações profundas não apenas na vida das duas, mas de várias pessoas que as cercam.

Assim como ocorre em Teto Para Dois, em A Troca temos capítulos intercalados entre as duas personagens com narração em primeira pessoa. Isso nos ajuda a conhecê-las mais rapidamente, o que inclui seus pontos fortes e fracos. Leena, por exemplo, é uma mulher que ascendeu na carreira por mérito próprio, sendo inteligente e uma líder nata. Porém, ela também é um pouco mimada e egoísta, o que se reflete em dois aspectos principais: o primeiro é a recusa em conversar abertamente com a sua mãe a respeito de uma mágoa envolvendo a perda de Carla, sua irmã; o segundo é a forma como ela parece desdenhar das tarefas da avó, como passear com o cachorro do vizinho ou liderar as reuniões da Patrulha do Bairro – um grupo formado majoritariamente por idosos que passa mais tempo fofocando do que falando sobre segurança de fato. Felizmente, Leena não demora a perceber que seu jeitão londrino não vai conquistar aquelas pessoas, que são leais umas às outras. Ela também exercita humildade ao entender que determinados aspectos do dia a dia da avó são desafiadores mesmo para alguém como ela.

Eileen, por outro lado, me cativou enormemente. Ela pode ser um pouquinho enxerida? Pode. Mas ela faz questão de cuidar de todos à sua volta com tanto carinho e entrega que é fácil perdoar. Ao chegar em Londres, ela rapidamente fica amiga dos colegas de apartamento e da colega de trabalho de Leena, mas vai além: Eileen consegue conquistar também vizinhos que até então nunca tinham trocado mais de duas palavras com sua neta. E dessa aproximação surge uma ideia que transforma o prédio frio em um ambiente caloroso e hospitaleiro: Eileen funda o Clube dos Grisalhos de Soreditch, utilizando o espaço comum do prédio pra criar um ambiente de convivência voltado a idosos que morem sozinhos em Londres. Esse plot é ainda melhor do que a busca de Eileen por um crush!

As duas protagonistas dividem não apenas a vida, mas também novos interesses amorosos. Enquanto Eileen vive um romance tórrido em Londres, ela também é surpreendida por uma pessoa com a qual não imaginava se envolver (e cuja aproximação eu torci durante cada página!). Leena, por sua vez, tem um namorado escrotíssimo, pedante e presunçoso (e que adora usar as ideias dela no trabalho, o que me causou ranço instantâneo), mas encontra em seu antigo/novo lar uma surpresa para o seu coração.

Existe um terceiro elemento essencial na trama que é a reconexão familiar das mulheres Cotton. Ao voltar para sua antiga cidade, Leena é obrigada a confrontar a situação de sua mãe com o luto. A personagem não entende as escolhas da mãe e a pune por isso com frieza e distância, até que descobre o nível de profundidade da dor de sua mãe. Mas, apesar desse tema se fazer presente ao longo do livro, ele não chegou a me comover tanto. Sinto que faltou intensidade nas emoções, e eu não consegui me sentir verdadeiramente conectada à perda de Carla.

A Troca é um bom livro, daqueles que entretêm e divertem, mas não atingiu todas as expectativas que eu tinha se comparado à minha experiência com Teto Para Dois. Leena não foi uma personagem pela qual me apaixonei, mas felizmente Eileen me cativou o bastante. Isso sem contar os excelentes personagens secundários que, pra mim, deram o brilho ao livro. Vale a pena conferir? Vale muito! Só tente não ir com taaanta sede ao pote para curtir mais a leitura. 😀

Título original: The Switch
Autora: Beth O’Leary
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 352
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Resenha: O Impulso – Ashley Audrain

Oi pessoal, tudo bem?

Uma das grandes apostas da editora Paralela para 2021 é O Impulso, cuja prova antecipada tive a oportunidade de conferir. E olha, não vai ser fácil falar desse livro bombástico não, viu? Mas prometo fazer o meu melhor. 😂

Garanta o seu!

Sinopse: Blythe Connor está decidida a ser a mãe perfeita, calorosa e acolhedora que nunca teve. Porém, no começo exaustivo da maternidade, ela descobre que sua filha Violet não se comporta como a maioria das crianças. Ou ela estaria imaginando? Seu marido Fox está certo de que é tudo fruto do cansaço e que essa é apenas uma fase difícil. Conforme seus medos são ignorados, Blythe começa a duvidar da própria sanidade. Mas quando nasce Sam, o segundo filho do casal, a experiência de Blythe é completamente diferente, e até Violet parece se dar bem com o irmãozinho. Bem no momento em que a vida parecia estar finalmente se ajustando, um grave acidente faz tudo sair dos trilhos, e Blythe é obrigada a confrontar a verdade. Neste eletrizante romance de estreia, Ashley Audrain escreve com maestria sobre o que os laços de família escondem e os dilemas invisíveis da maternidade, nos convidando a refletir: até onde precisamos ir para questionar aquilo em que acreditamos?

O Impulso é narrado em primeira pessoa por Blythe em um discurso direcionado ao seu ex-marido, Fox. A obra inicia com Blythe observando a casa do ex, que parece o cenário perfeito com sua esposa grávida e seus dois filhos – sendo a criança mais velha, Violet, filha de Fox com Blythe. A protagonista-narradora diz então que vai contar a ele o seu ponto de vista sobre tudo que aconteceu na vida do casal, e a partir desse ponto ela remonta ao início do relacionamento, bem como nos fornece informações sobre sua mãe e sua avó.

O Impulso é, em essência, um thriller sobre maternidade. Tanto Blythe quanto sua mãe, Cecilia, e sua avó, Ella, tiveram histórias muito difíceis e traumatizantes. Cecilia chegou a dizer à filha que as mulheres da família são problemáticas, e essas palavras marcaram Blythe. Quando ela conhece Fox, que vem de um lar estruturado e feliz, Blythe vê a oportunidade de se afastar das sombras que a acompanham, mas também de fazer diferente. Sabendo que Fox deseja casar e ter filhos, Blythe proporciona isso a ele – mas ela não demora a perceber que a maternidade não é simples e, principalmente, não deveria ser exercida sem vontade genuína.

É impossível ler O Impulso sem pensar em Precisamos Falar Sobre o Kevin. Até a cena do parto, em que Blythe reluta para deixar sua filha vir ao mundo, lembra a reação de Eva (mãe de Kevin). A verdade é que Blythe demora a perceber que a tomada de decisão para ser mãe foi motivada por vontade de agradar ao marido e por pressão social, já que espera-se que toda mulher queira ser mãe. O Impulso expõe as pressões da maternidade compulsória de forma intensa, deixando claro que essas inseguranças e medos são reforçados diariamente quando vemos discursos repetidos à exaustão de que “a maternidade é uma benção” e que “só olhar pro rostinho faz valer a pena”. E não me entendam mal, eu não estou dizendo que não vale a pena ser mãe. O que estou dizendo é que a romantização da maternidade é perigosa e não nos prepara, enquanto mulheres, para uma realidade cheia de mudanças físicas, exaustão mental e até mesmo solidão. Blythe vivencia isso na pele ao achar que é a única mulher do mundo a vivenciar tais problemas, e basta seguir UM Instagram de maternidade real pra sabermos que não, ela não é a única.

O livro ganha a atmosfera de thriller conforme Violet cresce. Blythe e a filha não conseguem criar um vínculo, e a menina só ama e respeita o pai. Recusa em mamar, choro ao ficar no colo de Blythe e uma negação em tratar a mãe com carinho são alguns dos sinais de alerta que preocupam Blythe (e que Fox se recusa a enxergar). Quando Violet passa a demonstrar sinais de crueldade e falta de remorso, a protagonista sente que o abismo entre elas aumenta e que está mais só do que nunca, já que seu marido parece responsabilizá-la pela falta de vínculo. Aliás, já que estou falando no Fox, vamos parar um minutinho pra ressaltar quão lixo é este homem? O cara idealiza a família perfeita e culpa Blythe por não consegui-la, causando também um silenciamento amargo e difícil de digerir. Por amar Violet incondicionalmente, ele tira a voz de sua esposa ao se recusar a tentar compreendê-la, partindo para uma suposição de que Blythe está exercendo seu maternar de um jeito errado (alô alô, gaslighting). Fox queria uma mulher dócil e capaz de suprir as expectativas irreais e idealizadas dele, colocando Blythe em uma posição que a obriga a não apenas tentar atingir os padrões da sociedade, mas também os seus.

Quando Blythe se vê grávida do segundo filho, ela enxerga também a oportunidade de fazer tudo diferente. Dessa vez ela deseja a criança de todo o coração, e o vínculo é imediato. Ela finalmente vê um caminho que a absolva de sua própria culpa, mas o leitor sabe que algo está para acontecer; a protagonista-narradora já deixou isso claro. E é aí que O Impulso fica perturbador, causando em mim uma sensação muito parecida com a que Verity causou (mas no sentido do desconforto, não no do ritmo frenético e impossível de largar). A sensação sufocante e o medo do que vem a seguir permeiam o relato de Blythe, tornando a experiência bem angustiante.

Como pontos negativos, eu traria o formato do relato e a “barriga” que a obra ganha após um evento traumático. Apesar de intercalar a narrativa em primeira pessoa de Blythe com descrições sobre as vidas de Ella e Cecilia, grande parte do livro é um monólogo. Isso pode cansar um pouco, já que traz somente o ponto de vista de Blythe, o que inclui suas divagações. E a “barriga” acontece depois da metade do livro, quando a obra parece não evoluir muito em direção à resolução do mistério. Na minha opinião, isso poderia ter sido um pouco mais ágil e enxuto.

O Impulso é um livro excelente para colocar em xeque nossas crenças a respeito da maternidade. Com um ritmo inquietante e fatos que mexem com o leitor, ele também funciona muito bem como o thriller que se propõe a ser – mas exercendo também o papel de um drama familiar. Acho improvável que ele não faça o leitor refletir em algum nível, e só por isso já vale a pena conferir. Romantizar a maternidade é algo que prejudica a todas as mulheres, e eu adoraria ver mais obras que tocassem nessa ferida por aí.

Título original: The Push
Autora: Ashley Audrain
Editora: Paralela
Número de páginas: 328
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Um Estranho Irresistível – Lisa Kleypas

Oi galera, tudo bem?

Hoje vim dividir com vocês minha experiência com Um Estranho Irresistível, o quarto volume da série Os Ravenels!

Garanta o seu!

Sinopse: Uma mulher que desafia seu tempo. Dr. Garret Gibson, a única médica mulher na Inglaterra, é tão ousada e independente quanto qualquer homem – por que não lidar com os próprios desejos como se fosse um? No entanto, ela nunca ficou tentada a se envolver com alguém, até agora. Ethan Ransom, um ex-detetive da Scotland Yard, é tão galante quanto secreto, e sua lealdade é um verdadeiro mistério. Em uma noite emocionante, eles cedem a uma poderosa atração mútua antes de se tornarem estranhos novamente. Um homem que quebra todas as regras. Ethan tem pouco interesse pela alta sociedade, mas é cativado pela preciosa e bela Garrett. Apesar da promessa de resistir um ao outro depois daquela noite sublime, ela logo será atraída para sua tarefa mais perigosa. Quando a missão dá errado, Garret usa toda a sua habilidade e coragem para se salvar. À medida que enfrentam a ameaça de uma traição do governo, Ethan fica disposto a assumir qualquer risco pelo amor da mulher mais extraordinária que já conheceu.

Talvez pelo fato de eu ter demorado bastante pra ler Um Estranho Irresistível após a leitura de Um Acordo Pecaminoso, mas a verdade é que estranhei muito o começo do livro. Ele me soou abrupto e a forma como Garrett se viu envolvida por Ethan foi muito rápida pra mim, especialmente quando pensamos na animosidade que a doutora dirigiu a ele nos volumes anteriores (sim, me prestei a procurar a participação dele). Há também uma série de detalhes que Um Estranho Irresistível retoma que eu havia esquecido, então reler o envolvimento de Ethan foi útil pra me lembrar de pontas soltas que Lisa Kleypas se propôs a fechar a respeito do personagem.

Tirando esse início truncado causado pelo meu lapso de memória, o livro segue a mesma fórmula de sempre: flertes, algo que impede o casal de ficar junto, mais flertes, sexo, resolução dos problemas. E, no geral, eu adoro essa dinâmica dos romances de época e sempre fico animada e suspirante. Com Um Estranho Irresistível, isso não aconteceu. 😦 Eu esperava ser arrebatada por Garrett, que é uma personagem feminina forte e muito à frente de seu tempo, mas acho que o timing não foi favorável e eu não estava no meu melhor momento pra essa leitura (tanto que levei mais dias do que o normal pra concluí-la). Não há nada específico que tenha me incomodado, é mais como se simplesmente não tivéssemos dado match, sabem? Por isso que não quero ser injusta com Um Estranho Irresistível e criticar coisas que, no geral, eu costumo gostar e que dificilmente me incomodam (como os clichês do gênero, por exemplo).

A história de Ethan é mais interessante: ex-investigador da polícia, agora trabalhando diretamente para um homem de alto escalão do Ministério do Interior, o protagonista masculino é cheio de mistérios. Além da relação abusiva que o seu chefe mantém, sabendo que Ethan tem problemas mal resolvidos com seu pai e usando disso para manipulá-lo, existem elementos sobre seu passado que nos deixam curiosos para descobrir. Para ser justa, é bem fácil desvendar esse segredo, mas a ansiedade fica por conta de saber quando e como ele será revelado, assim como as reações dos envolvidos.

Um Estranho Irresistível se afasta bastante do núcleo principal dos Ravenels, e talvez por isso eu não tenha me envolvido tanto quanto poderia. Felizmente existe espaço para um dos meus favoritos, West, que mais uma vez rouba a cena. Não vejo a hora de ler a história focada nele! Mas, em resumo, Um Estranho Irresistível é um bom romance de época e tem tudo pra agradar, só que pra mim acabou sendo só mais uma leitura. Às vezes acontece, né? 🤷‍♀ Eu adoraria de ouvir a opinião de quem já leu: vocês gostaram desse livro? Se sim, me contem nos comentários! Vou adorar ver pontos de vista diferentes, que talvez me façam sentir mais carinho por essa experiência. 😀

Título original: Hello Stranger
Série: Os Ravenels
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
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Resenha: Por Trás de Seus Olhos – Sarah Pinborough

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje estreou na Netflix a série Por Trás de Seus Olhos, que adapta o livro de mesmo nome. Por isso, antes de dar o play, corri para ler o material original e vou contar pra vocês o que eu achei!

Garanta o seu!

Sinopse: Louise é mãe solteira, trabalha como secretária e está presa à rotina da vida moderna: ir para o escritório, cuidar da casa, do filho e tentar descansar no tempo livre. Em uma rara saída à noite, ela conhece um homem no bar e se deixa envolver. Embora ele se vá logo depois de um beijo, Louise fica muito animada por ter encontrado alguém. Ela só não esperava que seu novo e casadíssimo chefe seria o homem do bar. Apesar de ele fazer questão de logo esclarecer que o beijo foi um equívoco, em pouco tempo os dois passam a ter um caso. Em uma terrível sequência de erros, Louise acaba ficando amiga da esposa do amante. E, se você acha que sabe para onde esta história vai, pense de novo, porque Por trás de seus olhos não se parece com nenhum livro que já tenha passado por suas mãos. À medida que é arrastada para a história do casal, Louise acaba com mais perguntas que respostas e a única coisa certa é que algo naquele casamento está muito, muito errado.

Na trama acompanhamos o dilema de Louise, que inicia um caso com seu chefe, David, ao mesmo tempo em que acaba se tornando amiga da esposa dele, Adele. As duas têm uma conexão quase instantânea, especialmente porque dividem um mesmo fardo, que é a dificuldade para dormir. Adele então passa a ensinar uma técnica de sonhos lúcidos a Louise, de forma que ela consiga controlar seus pesadelos e, assim, efetivamente descansar. Só que, com o virar das páginas, o leitor entende que há algo de errado: os capítulos narrados por Adele indicam que ela sabe que está sendo traída por David e Louise, e há alguma trama em curso que a autora mantém em segredo de nós.

Por Trás de Seus Olhos tem um início que me deixou um pouco confusa, pois são 3 linhas narrativas: no presente há a narração em primeira pessoa feita pelas duas protagonistas femininas, Louise e Adele; no passado, a narração acontece em terceira pessoa e acompanha o tempo de Adele numa instituição psiquiátrica, onde ela convive com aquele que se torna seu melhor amigo, Rob. Mas, depois que saquei o padrão dessas mudanças (de primeira para terceira pessoa), a leitura fluiu demais. Sarah Pinborough escreve capítulos curtos e ágeis, exatamente do jeito que eu gosto, fazendo com que fosse difícil largar o livro.

Um dos aspectos mais difíceis nesse livro é o fato de que nenhum personagem presta. Louise é uma mulher que foi traída e mesmo assim não hesita em manter o caso com o marido da sua nova amiga; Adele é obcecada por David e nitidamente esconde segredos; David trai a esposa e há lampejos de uma violência nele que nos faz pensar que Adele corre perigo. Como torcer por pessoas assim? Além disso, como Louise representa o leitor (ou seja, alguém alheio à verdade), é bastante cansativo acompanhar seus questionamentos e dúvidas a respeito de David e Adele quando, nos capítulos narrados por Adele, sabemos que esta já sabe da traição. Fiquei com uma sensação de que a leitura não avançava e apenas se repetia, já que em um momento estou descobrindo os pensamentos de Adele e no momento seguinte preciso ver Louise se questionando a respeito deles.

Quando chegamos ao final do livro, a autora nos traz um plot twist de cair o queixo, mas que também me fez torcer o nariz porque me senti enganada – e não daquele jeito gostoso, de quando as peças se encaixam. A real é que eu me senti feita de trouxa pela autora. Há um aspecto místico em Por Trás de Seus Olhos sobre o qual não vou falar pra não estragar a sua experiência, mas eu fiquei intrigada e torci muito para que mais detalhes sobre ele fossem revelados, e não é o que acontece. Então, quando chegamos ao final da história, simplesmente temos que engolir a solução proposta por Sarah Pinborough, que tem um quê de sobrenatural, o que nem de longe funciona comigo. Eu gosto de thrillers justamente pela proximidade que eles têm com a vida real, com o medo causado pelo que de fato poderia acontecer, e pra mim Por Trás de Seus Olhos falhou nisso ao usar um recurso mal explicado e pouco crível. Pra não ser injusta, ressalto que há sim um aspecto positivo no desfecho: ele condiz com os capítulos narrados em terceira pessoa e explica os diferentes comportamentos de Adele, que me causavam bastante estranhamento.

A verdade é que eu esperava mais de Por Trás de Seus Olhos, especialmente ao ver a nota dele no Skoob. Sim, o final é surpreendente, mas não me convenceu. A história é instigante (apesar das enrolações) e consegue manter a nossa atenção mas, como mencionei nesse post aqui, finais ruins estragam experiências pra mim. Minha torcida agora é para que a série da Netflix trabalhe com mais competência esses detalhes que me incomodaram. E vocês, já leram Por Trás de Seus Olhos? O que acharam? 😉

Título original: Behind Her Eyes
Autora: Sarah Pinborough
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 352
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Resenha: Pequeno Manual Antirracista – Djamila Ribeiro

Oi galera, tudo bem?

Recentemente tive a oportunidade de ler Pequeno Manual Antirracista, da filósofa e ativista Djamila Ribeiro, e foi uma experiência que eu precisava compartilhar com vocês o mais rápido possível. Em tempos de preconceitos sendo televisionados diariamente sem o menor pudor (alô, BBB), pensar e agir de forma antirracista se torna ainda mais necessário.

Garanta o seu!

Sinopse: Neste pequeno manual, a filósofa e ativista Djamila Ribeiro trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em dez capítulos curtos e contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas.

Pequeno Manual Antirracista é um livro super curtinho e objetivo. A autora traz 10 tópicos fundamentais para que a gente dê o primeiro passo em direção à postura antirracista. Diversos assuntos que Djamila aborda são bem mais complexos, e a autora salienta isso (ou seja, ela deixa claro que existem debates que se estendem para além das páginas), mas a questão principal aqui é entender que a obra é um ponto de partida, e não uma verdade absoluta com a qual podemos “nos acomodar”. Djamila Ribeiro nos incentiva a ir além, mas dá as ferramentas iniciais para a virada de chave. E o melhor de tudo: com uma abordagem fácil de entender e com explicações sempre que um termo mais acadêmico surge. Mais democrático, impossível. Com isso, o livro acaba também sendo um instrumento poderoso até para nos fornecer argumentos em discussões com quem não vê a gravidade do problema, já que a autora explica não apenas os problemas causados no presente como também remonta às origens desses problemas.

Só pra vocês terem um “cheirinho” de tudo que Pequeno Manual Antirracista trata, resolvi trazer a lista de capítulos: 1) Pesquise sobre o racismo; 2) Enxergue a negritude; 3) Reconheça os privilégios da branquitude; 4) Perceba o racismo internalizado em você; 5) Apoie políticas educacionais afirmativas; 6) Transforme seu ambiente de trabalho; 7) Leia autores negros; 8) Questione a cultura que você consome; 9) Questione seus afetos; 10) Combata a violência racial; Conclusão: Sejamos todos antirracistas.

Pessoalmente, os itens 3, 4 e 6 dialogaram muito comigo. Falando um pouquinho sobre enxergar a branquitude, é aqui que Djamila traz a ação do branco no combate ao racismo. Mesmo quem não corrobora com violências de raça também usufrui dos privilégios construídos a partir da escravidão. Em um país com mais de 50% da população sendo negra, deveria ser mais chocante que negros sejam minorias em posições privilegiadas de poder. Djamila diz então que o branco precisa não se culpar (que leva à inércia), mas sim se responsabilizar (que leva à ação), fazendo sua parte para ascender pessoas negras. O item 4, que nos provoca a perceber nosso racismo internalizado, também é intenso. Esse é o capítulo que faz a gente questionar até mesmo as frases de “defesa” que usamos pra afirmar que não somos racistas. Acontece que racismo pode estar até no silenciamento quando alguém faz uma piada racista. Ser antirracista é correr o risco de ser designado como “o chato” e seguir cumprindo essa luta. Por fim, o item 6 (sobre ambiente de trabalho) também conversou diretamente comigo, considerando que estou numa posição em que contrato pessoas. Venho fazendo um esforço pra diversificar a minha equipe por entender que o mercado de trabalho ainda relega às pessoas negras subempregos, em sua maioria. Mas estamos muito, muito longe do ideal, e é importante que as empresas tomem à frente de forma mais completa e incisiva (com a criação de comitês de diversidade, por exemplo).

Trouxe alguns exemplos das minhas reflexões pra ilustrar pra vocês o quanto Pequeno Manual Antirracista faz a gente pensar. Todos os pontos trazidos por Djamila Ribeiro são relevantes e valiosos, cada virar de página traz uma lição importante – que incomoda e, justamente por isso, é necessária. O livro expõe de forma clara e contundente as diversas formas que o racismo age na nossa sociedade, e a única forma de mudarmos isso é saindo da inércia. Repito aqui o que Djamila diz na introdução: o antirracismo é uma luta de todas e todos.

Título original: Pequeno Manual Antirracista
Autora: Djamila Ribeiro
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 136
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Resenha: Depois do Sim – Taylor Jenkins Reid

Oi pessoal, tudo bem?

Faz um tempo que o nome da Taylor Jenkins Reid está no meu radar e, felizmente, tive a chance de entrar em contato com a escrita da autora por meio do excelente Depois do Sim. Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: Após onze anos de casamento, Lauren e Ryan chegam à triste conclusão de que não estão felizes juntos. Esse poderia ser o fim, mas para os dois é só o começo. Eles vão passar por um ano diferente de tudo aquilo que já viveram, no qual aprenderão muito mais sobre si mesmos do que seriam capazes de imaginar. “Depois do sim” é uma história sobre o que acontece quando a paixão parece não estar mais lá. Sobre as várias facetas do amor. Sobre aprender a mantê-lo, perdê-lo, redescobri-lo e aceitá-lo como ele é. Acima de tudo, é a história de um casal preso nas armadilhas de seus hábitos e manias, mas disposto a buscar um novo e inusitado caminho para fazer dar certo.

O livro começa nos apresentando a um casal visivelmente contrariado na companhia um do outro. O motivo do stress e da animosidade é simples (bobo até) e reside no fato dos dois estarem saindo de um estádio lotado e não lembrarem onde deixaram o carro. Desse ponto, a narradora – Lauren  volta no tempo e começa a contar como seu relacionamento iniciou e como ele chegou àquele momento que acabamos de presenciar. Conhecemos a versão jovem universitária de Lauren e também de seu marido, Ryan, e o amor intenso, saudável e sólido que os dois construíram. Depois lemos a respeito do pedido de noivado e do casamento. Até aqui, a história de amor é de fazer suspirar. Pouco a pouco, conforme vamos chegando perto do presente, pequenos sinais de desgaste vão surgindo: o sexo é quase inexistente, as brigas por coisas corriqueiras aumentam e a distância entre os dois também. E o leitor fica tão triste quanto Lauren e Ryan ao presenciar essa transição, que culmina num acordo desesperado: eles ficarão separados por um ano, sem contato, na tentativa de retomarem a relação após esse prazo. E essa decisão promove mudanças profundas nos protagonistas – especialmente Lauren, cujo ponto de vista nos guia.

Qualquer pessoa que já viveu um relacionamento longo tem grandes chances de se identificar bastante com Depois do Sim. Taylor Jenkins Reid é muito competente em fazer a transição natural que acontece do início do namoro (repleta de paixão) para uma relação duradoura (mais baseada na rotina), colocando um ingrediente fundamental pra fazer com que Lauren e Ryan fracassem: o ressentimento. Se no início da relação um era mais paciente com o outro, dispostos inclusive a concordar com certas coisas só pra ver o parceiro feliz, com o tempo essa prática se torna insustentável. Então Lauren e Ryan carregam uma carga de coisas não-ditas e de mágoas não resolvidas que mina a relação ao ponto de ser impossível dividir o mesmo lar. A decisão de ficarem um ano separados é pouco ortodoxa e causa estranhamento, mas os dois decidem que será necessário esse tempo longe pra entenderem se ainda se amam e sentem saudade um do outro.

Adoro que a autora trate da separação e da mudança do amor com realismo, mas sem ser cínica. Lauren não se torna alguém que não acredita mais no amor ou no próprio casamento – mas se questiona pra entender onde eles erraram, o que poderia ter sido diferente. Isso é muito relacionável, especialmente se você já passou por algum tipo de rompimento significativo. Por mais que no início a separação seja sufocante e Lauren ache impossível viver sem Ryan, aos poucos ela percebe que existe muito na vida além da relação que iniciou aos 19 anos. Sua família tem um papel primordial nisso, e eu adorei os pequenos detalhes que caracterizam cada membro dela. Os Spencer são muito carismáticos, incluindo a ácida e divertida vó Lois. Lauren descreve pequenas “manias” da família, como disputar a melhor rota no trânsito, e há pinceladas disso em várias cenas de forma muito natural, o que causa a sensação de que conhecemos aqueles personagens. Além deles, Lauren também conta com o apoio dos amigos para manter a cabeça ocupada e expandir seus horizontes a respeito de onde a vida pode levá-la (e do quão surpreendente ela pode ser).

Um ponto importante reside no fato de que Lauren busca exemplos à sua volta, desejando ser um deles pra saber o que vem a seguir (como sua mãe, tendo um namorado aos 59 anos, ou sua avó, que amou seu avô a vida toda). Mas a verdade é que cada vida e cada relacionamento são únicos. A gente não consegue, por mais que queira, saber o que vem pela frente. E quando ela se dá conta de que precisa deixar a vida acontecer e ser surpreendida pelo que cada dia reserva, Lauren começa a amadurecer de uma forma que ela não imaginava ser possível.

Depois do Sim é um livro que trata de um tema complexo e por vezes doloroso, mas Taylor Jenkins Reid narra cada passo dessa relação de uma forma divertida, suave e inspiradora, mesmo nos momentos mais difíceis. A visão da autora e da protagonista sobre as relações é bastante real, mas de forma que deixe espaço para a esperança e para a renovação. Lauren é uma narradora fácil de gostar, assim como as pessoas que a cercam, e o leitor se vê torcendo pra que de fato o melhor aconteça após aquele ano (mesmo que isso possa significar um divórcio). Mas, mais do que ser um livro envolvente, Depois do Sim também é uma obra que nos mostra o quanto vale a pena nos conhecermos e estarmos felizes com a nossa própria companhia para então apreciarmos a do outro. Terminei o livro com o coração quentinho, acreditando no amor mas também nas inúmeras possibilidades de recomeço que a vida nos oferece. Favoritado! ❤

Título original: After I Do
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Fabulador: O Chamado de Morrigan Crow – Jessica Townsend

Oi pessoal, tudo bem?

A resenha de hoje é um combo entre manter o foco na minha meta literária de 2021 e matar a curiosidade sobre a continuação de Nevermoor, uma série que já me cativou. Fabulador é o segundo volume e desenvolve ainda mais a história da ex-azarada Morrigan Crow. Atenção: a resenha tem alguns spoilers do volume anterior!

Garanta o seu!

Sinopse: Morrigan Crow pode ter derrotado sua maldição mortal, superado os desafios perigosos e entrado para a Sociedade Fabulosa, mas sua jornada por Nevermoor e todos os seus segredos está apenas começando… Os cidadãos da mágica e secreta cidade de Nevermoor têm uma memória viva dos ataques orquestrados pelo único Fabulador que conhecem, Ezra Squall – e sem dar uma chance para Morrigan, agem como se ela fosse tão mortal quanto. Por isso, não é surpresa que, quando integrantes da Sociedade Fabulosa começam a sumir, Morrigan se torne a principal suspeita. Agora, Morrigan e seus amigos, os antigos e os novos, terão que provar sua inocência antes que ela seja expulsa da Sociedade, o único lugar que ela chama de casa, para sempre.

Após descobrir que é uma Fabuladora, compartilhando da mesma habilidade que o grande vilão Ezra Squall possui, Morrigan fica bastante insegura com o seu futuro em Nevermoor. A jovem conseguiu vencer os desafios e ser aceita na Sociedade Fabulosa, mas será que seus colegas de unidade também farão o mesmo por ela? Quando um bilhete que ameaça expor o segredo de Morrigan e da Unidade 919 para toda a Sociedade chega, seus membros passam a ser chantageados – e quase todos se ressentem de Morrigan por isso. Para tornar o ano da garota ainda mais difícil, seu patrono Jupiter North está em uma missão para encontrar membros desaparecidos da Soculosa, e Ezra Squall segue como uma presença que vigia cada passo da menina que ele deseja como aprendiz.

Nevermoor: Os Desafios de Morrigan Crow terminou de um jeito que tornou impossível não aguardar ansiosamente pela continuação. O desejo do vilão em ser professor de Morrigan, somado ao fato de que finalmente conheceremos a Sociedade Fabulosa pela perspectiva da protagonista, foram o gancho perfeito para a continuação. Fabulador flerta bastante com Harry Potter, mais do que o primeiro livro: há uma escola dividida por “casas” (aqui representadas pelas Artes Arcanas e as Artes Mundanas), há um vilão usando uma conexão secreta com a protagonista para plantar dúvidas em sua mente e há até mesmo uma traição. Mas, apesar de isso tornar Fabulador um pouquinho mais lugar-comum, não chega a tirar o brilho da obra. Jessica Townsend conseguiu manter o carisma de sua história e desenvolver mais elementos interessantes.

Jupiter, infelizmente, fica um pouco apagado nesse volume, perdendo aquele arzinho de Chapeleiro Maluco que eu achava bem charmoso nele. Morrigan, por outro lado, se torna uma protagonista da qual gosto mais. Ela tem mais atitude, mas não é egoísta; ela pensa no bem dos outros, mas também luta por si mesma; ela fica triste pela sua exclusão, mas tem empatia para compreender os dilemas de seus colegas. Hawthorne continua sendo o amigo mais leal possível, enquanto Cadence ganha um espaço bastante merecido no trio (mais uma semelhança com Harry Potter, invertendo o gênero dos personagens rs).

Além de aprofundar o cenário que envolve a Sociedade Fabulosa, Fabulador também nos leva a outros lugares em Nevermoor (como o interessantíssimo Museu dos Momentos Roubados). O plot do desaparecimento de membros da Soculosa é muito legal e coloca os jovens protagonistas em uma missão investigativa cheia de ação, o que torna a leitura ágil e envolvente. Além disso, ver Morrigan aprender pouco a pouco sobre o que significa ser uma Fabuladora e a controlar seus poderes é muito instigante.

Fabulador é uma ótima sequência para a série Nevermoor e não caiu na “maldição do segundo livro”. Apesar das semelhanças com outras séries infantojuvenis do gênero, gosto da proposta de Jessica Townsend e do universo construído por ela. Enxergo muito potencial na saga e mal posso esperar pra ver Morrigan aprendendo mais sobre seus poderes e convivendo com outras pessoas habilidosas. ❤ E se você curte esse estilo de livro, te digo que com certeza vale a pena adicionar a série à sua listinha de leituras!

Título original: Wundersmith: The Calling of Morrigan Crow
Série: Nevermoor
Autora: Jessica Townsend
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 368
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.