Resenha: Você É Fodona – Jen Sincero

Oi pessoal, tudo bem?

Recebi como parte de uma ação de divulgação da Editora Rocco Você É Fodona, um livro de autoajuda de Jen Sincero que promete colocar o leitor no controle da própria vida e ajudá-lo a conquistar seus objetivos. Mesmo não sendo um gênero do qual eu goste, pensei: por que não? E agora bora que vou contar pra vocês o que achei. 🙂

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Sinopse: Mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo. Neste divertido livro, a autora nº 1 de best-sellers do The New York Times e coach de sucesso, Jen Sincero, oferece capítulos curtos, cheios de histórias hilariantes e inspiradoras, conselhos sábios, exercícios fáceis e palavrões ocasionais. Mostrará como criar uma vida que você ama totalmente, e como criá-la agora.

Eu tenho uma resistência fortíssima à ideia de coaches. Em geral, acredito que a maior parte deles ganha dinheiro com frases prontas e repetidas à exaustão. Por isso, sempre que pego um livro de autoajuda, eu inicio a leitura com desconfiança, e o livro precisa provar que vale a mudança de opinião. Não foi diferente com Você É Fodona, cujo título vergonha alheia já me causou um certo… receio. E em diversos pontos a obra acabou reforçando minha opinião pré-concebida. Felizmente, algumas partes foram capazes de gerar uma reflexão positiva, e vou concentrar os próximos parágrafos em prós e contras da leitura.

Jen Sincero inicia o livro explicando que temos a consciência (que determina o que queremos fazer) e a inconsciência (o que foi incutido na gente sem percebermos). A partir da inconsciência surgem o que ela chama de crenças limitantes – conceito que eu, particularmente, não comprei. Para Jen Sincero, são essas crenças que nos impedem de avançar e atingir nossas metas, e ao longo dos capítulos ela discorre sobre formas de superar esse obstáculo. Gostei que ela fala sobre o perigo das piadas autodepreciativas, que minam a nossa autoconfiança e são uma repetição de impressões negativas a respeito de nós mesmos. Jen Sincero incentiva que sejamos capazes de aceitar os elogios de coração aberto, sem decliná-los. Eu pessoalmente sou uma pessoa que fico bastante sem jeito com elogios, e de uns tempos pra cá tenho tentado me acostumar à ideia de recebê-los e, principalmente, acreditar neles.

Outro conteúdo interessante do livro diz respeito a sermos mais gentis com nossos erros. Esse tema também conversou diretamente comigo, porque sou alguém cuja autocobrança é elevadíssima. Ao aceitar a nossa falibilidade, a gente entende que tá tudo bem tentar algo pela primeira vez e não necessariamente se sair bem nisso, afinal, o erro também faz parte do aprendizado. Por fim, outro conceito bacana abordado pela autora diz respeito à procrastinação: muitas vezes deixamos de cumprir uma tarefa ou objetivo por esperar que saia tudo 100% perfeito, o que é basicamente impossível. Ela sugere então que as tarefas sejam divididas em objetivos menores, de forma que cada passo seja mais factível, não parecendo uma tarefa hercúlea que cause a procrastinação por puro medo de tentar.

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E do que eu não gostei? Bom, a começar pela gama de assuntos que Jen Sincero aborda. Ela fala sobre tantas áreas da vida (carreira, dinheiro, vida amorosa) que parece que nenhum conselho é aprofundado o bastante, sabem? Além disso, faltam exemplos pessoais que justifiquem as dicas – afinal, por que eu acreditaria na autora se ela quase não tem situações reais para provar que aquilo funciona? Acredito que a falta de exemplos, somada a um milhão frases de efeito piegas, foi um dos maiores responsáveis pela minha desconexão com a leitura.

Outra abordagem que não colou comigo diz respeito à vibração dos pensamentos. Segundo Jen Sincero, precisamos emitir a vibração certa ao Universo pra atrair coisas positivas, e para que algo se torne realidade você primeiro precisa acreditar que aquilo é verdade. Com todo respeito a quem acredita nisso mas, pra mim, simplesmente não dá. Considero isso o suprassumo do papo de coach e ainda culpa você por estar atraindo porcaria pra sua vida, sem considerar os diversos fatores externos que podem atravancar o caminho – incluindo privilégios. Isso fica ainda mais grave quando ela começa a falar de prosperidade financeira: os conselhos dela não poderiam ser mais desconectados da realidade, afirmando que “se você sintonizar sua energia à abundância do Universo, você será recompensado” ou, ainda pior, ela exemplifica com o fato de ter comprado um carro caro em vez de um carro barato porque isso deu o sinal necessário para o Universo compreender que ela tava pronta pra prosperar. Bah, apenas não. Eu acredito que sim, precisamos arregaçar as mangas e correr atrás dos nossos objetivos, mas compreendo também que existem muitos fatores envolvidos em fazer um objetivo dar certo ou não: falta de grana, falta de acesso a determinados espaços, desigualdade social… Enfim, já deu pra entender meu ponto, né? Por fim, não posso evitar dizer que as escolhas de analogia dela não poderiam ser mais bregas. Ela se refere ao ego como Grande Dorminhoco, por exemplo… Simplesmente constrangedor.

Em suma, Você É Fodona foi capaz de dialogar com alguns aspectos que eu venho tentado trabalhar em mim mesma há algum tempo. Mas, honestamente? O mérito tá na terapia rs. Alguns conselhos são legais, a intenção é boa, só que pra mim não funcionou. Por isso, não é um livro que eu recomendaria diretamente mas, se a proposta chama a sua atenção, vá em frente. 😉

Título original: You Are a Badass
Autor:
Jen Sincero
Editora: Rocco
Número de páginas: 272
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Verity – Colleen Hoover

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar da Colleen Hoover ter uma legião de fãs, os livros dela nunca me chamaram a atenção. Até o lançamento de Verity. Sendo eu apaixonada por thrillers e livros policiais como sou, mal pude esperar para conferir essa obra que deu o que falar na blogosfera. Vamos descobrir o que eu achei? 😉

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Sinopse: Verity Crawford é a autora best-seller por trás de uma série de sucesso. Ela está no auge de sua carreira, aclamada pela crítica e pelo público, no entanto, um súbito e terrível acidente acaba interrompendo suas atividades, deixando-a sem condições de concluir a história… E é nessa complexa circunstância que surge Lowen Ashleigh, uma escritora à beira da falência convidada a escrever, sob um pseudônimo, os três livros restantes da já consolidada série. Para que consiga entender melhor o processo criativo de Verity com relação aos livros publicados e, ainda, tentar descobrir seus possíveis planos para os próximos, Lowen decide passar alguns dias na casa dos Crawford, imersa no caótico escritório de Verity – e, lá, encontra uma espécie de autobiografia onde a escritora narra os fatos acontecidos desde o dia em que conhece Jeremy, seu marido, até os instantes imediatamente anteriores a seu acidente – incluindo sua perspectiva sobre as tragédias ocorridas às filhas do casal. Quanto mais o tempo passa, mais Lowen se percebe envolvida em uma confusa rede de mentiras e segredos, e, lentamente, adquire sua própria posição no jogo psicológico que rodeia aquela casa. Emocional e fisicamente atraída por Jeremy, ela precisa decidir: expor uma versão que nem ele conhece sobre a própria esposa ou manter o sigilo dos escritos de Verity?

“Ouço o barulho do crânio se quebrando antes mesmo de o sangue respingar em mim.” É com essa frase que Verity inicia, e com ela já é possível sentir o impacto de muitas coisas que serão narradas dali em diante. O livro nos apresenta a Lowen, uma autora com problemas financeiros que se depara com um acidente a caminho de uma reunião importante. Ainda em choque, ela é auxiliada por um homem bem vestido que também presenciou a cena e, para a surpresa de ambos, eles voltam a se reencontrar na sala de reuniões. Ele é Jeremy Crawford, marido de uma escritora de sucesso chamada Verity, que se encontra em estado vegetativo após sofrer uma colisão enquanto dirigia. Lowen então recebe a proposta de ser co-autora da série que Verity deixou inacabada, já que o estilo literário de ambas se assemelha. Apesar da insegurança e do medo de assumir um trabalho tão aclamado, as dificuldades financeiras de Lowen fazem com que ela aceite a proposta de trabalho e tope passar alguns dias na casa dos Crawford para conferir todos os materiais deixados por Verity. O que Lowen encontra, porém, é um manuscrito autobiográfico que narra a história do casal de modo perturbador – fazendo com que a casa não pareça mais tão segura assim.

Acredito que eu nunca tenha lido algo tão perturbador quanto o manuscrito de Verity. A obra (dentro da obra rs) inicia com a autora-personagem avisando que as próximas páginas trarão à luz o seu pior lado, os aspectos mais sinistros de sua vida. E Verity cumpre a promessa. Ao longo dos capítulos, ela discorre sobre sua vida após conhecer e se apaixonar por Jeremy, descreve como os dois são o encaixe perfeito e como o sexo é fantástico. Aos poucos, vai se revelando mais do que uma história de amor, mas sim uma obsessão doentia. Em seu manuscrito, Verity se revela como uma mulher manipuladora, dissimulada e extremamente cruel, cujo objetivo é manter Jeremy perto de si e com as atenções voltadas somente a ela. Isso por si só já é bastante incômodo, mas a coisa piora quando o casal engravida: eu não tenho palavras pra descrever os horrores causados por Verity como resposta à gravidez indesejada. A personagem odeia as filhas (pois são gêmeas) antes mesmo delas nascerem, o que não necessariamente ameniza após a chegada das crianças. Eu não vou descrever aqui determinadas situações que Verity protagoniza porque foram capazes de me provocar náuseas, mas preciso avisá-los de que a descrição dos eventos é muito gráfica e perturbadora. Eu provavelmente nunca senti um incômodo tão grande quanto essas cenas me proporcionaram, e olha que eu adoro ler livros policiais que descrevem corpos mutilados sem pudor.

Porém, assim como Lowen, o leitor também não consegue desgrudar os olhos. Inclusive, os capítulos do manuscrito são muito mais interessantes do que os capítulos de Lowen interagindo com os Crawford e lidando com a presença (aparentemente) inofensiva de Verity. Acontece que, com o decorrer das páginas, as atrocidades cometidas por Verity não vão deixando apenas Lowen assustada: o leitor também fica angustiado, temendo pela segurança das pessoas na casa. Essa capacidade de um autor de nos deixar verdadeiramente apreensivos é algo que eu tenho em alta conta, especialmente em livros do gênero. E Colleen Hoover conseguiu provocar esse sentimento com maestria, porque não foram poucas as vezes em que eu, na vida real, senti meu coração acelerar.

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Mas nem tudo são flores. Verity recai em alguns clichês do gênero para os quais eu não tenho muita tolerância e nem paciência. O principal deles é o fato de Lowen não tomar uma atitude para se proteger: sério que você tá lendo sobre a psicopatia de uma mulher que no momento divide o teto com você e ainda assim você não saiu correndo? A desculpa utilizada por Colleen Hoover também é fraca: Lowen precisava ficar na casa para terminar de pesquisar para a série de livros inacabada, ou Lowen duvidava da sua própria sanidade e por isso não conseguia decidir se Verity estava realmente em estado vegetativo ou apenas fingindo… Sério? Gente, se alguém me descreve o que Verity descreveu, eu saía correndo porta afora de calcinha e sutiã se fosse preciso.

Outro aspecto bem fraco da leitura é o romance entre Lowen e Jeremy. De certa forma, ao ler o manuscrito (recheado de cenas sexuais bem explícitas), a protagonista começa a projetar o sentimento de Verity nele. Mesmo com o momento que eles partilharam após o acidente, no início do livro, a conexão entre os personagens não me convenceu. Jeremy é perfeitinho demais, Lowen é o clichê da personagem que duvida de si mesma… Não curti nenhum dos dois e achei a relação bem artificial.

Por fim, me decepcionei também com o final. Após um desenrolar tão envolvente, eu simplesmente… esperava mais. Conduzido de forma mega corrida e com uma revelação totalmente anticlimática, parece que Colleen Hoover se perdeu na conclusão da sua história. O desfecho é ambíguo e não me agradou, parecendo uma tentativa meio forçada de encerrar a história com certa “genialidade”, pensando em chocar. A verdade é que a personagem Verity foi tão intensa que simplesmente eu esperava uma condução mais digna dela (afinal, vilões também podem ser muito bem construídos e merecem algo à altura).

Em resumo, Verity é um excelente livro com um final decepcionante, que não consegue causar a mesma sensação que o resto da obra proporciona. Com isso em mente, ainda assim recomendo a leitura, porque Colleen Hoover faz um excelente trabalho em proporcionar angústia e causar um medo real pela segurança dos personagens. É uma história de arrepiar e eu curti muito a experiência de modo geral. 😉

Título original: Verity
Autor: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Número de páginas: 320
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Resenha: Conectadas – Clara Alves

Oi pessoal, tudo bem?

Quando vi que Conectadas, da Clara Alves, reunia o amor pelo universo dos jogos, protagonismo feminino e visibilidade LGBTQI+, não pensei duas vezes em solicitar para a Editora Seguinte. E, nesse Mês do Orgulho, nada melhor do que conversar sobre livros que dão espaço a essas vozes, não é mesmo?

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Sinopse: Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos, um dos games mais populares do momento, e não se desgrudaram mais — pelo menos virtualmente. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um “pequeno” problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina. Quanto mais as duas se envolvem, mais culpa Raíssa sente. Só que ela não está pronta para se assumir — muito menos para perder a garota que ama. Então só vai levando a mentira adiante… Afinal, qual é a chance de as duas se conhecerem pessoalmente, morando em cidades diferentes? Bem alta, já que foi anunciada a primeira feira de Feéricos em São Paulo, o evento perfeito para esse encontro acontecer. Em um fim de semana repleto de cosplays, confidências e corações partidos, será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?

Raíssa é uma adolescente lésbica e geek, completamente apaixonada pelo universo dos games. Porém, a jovem se obrigou a criar um personagem masculino no seu jogo favorito, Feéricos, para não ser mais vítima do machismo de outros gamers, que a evitavam por ser mulher. Entretanto, ao ajudar Ayla, uma nova jogadora, uma amizade se inicia – que acaba se tornando uma paixão correspondida, ainda que aparentemente impossível: as duas são menores de idade, moram em cidades diferentes e dificilmente se encontrariam, certo? Acontece que a empresa responsável pelo jogo anuncia um evento gigante ao qual Raíssa e Ayla estão determinadas a comparecer. Enquanto Ayla imagina que vai conhecer “Leo”, seu crush da internet, Raíssa começa a surtar com a iminência de ser desmascarada pela menina que ama.

Se você é mulher e já jogou online, provavelmente vai se identificar com os motivos de Raíssa para esconder sua identidade: a comunidade nerd pode ser (e muitas vezes é) demasiado tóxica e machista. Contudo, a personagem perde o timing de dizer a verdade a Ayla, usando a identidade do melhor amigo, Leo, para tentar manter a farsa. Além do medo de ser descoberta e rejeitada, Raíssa também sofre com a sua sexualidade, que mantém em segredo. Ouvir comentários homofóbicos de seus parentes não a ajuda em nada, servindo apenas como um reforço ao seu pânico de se assumir. O que Raíssa não imagina é que, do outro lado da tela, Ayla sofre com uma dor parecida: a garota tenta se convencer que a atração que já sentiu por outras meninas foi apenas uma fase, e parece encontrar alívio no fato de estar apaixonada por “Leo”. Com o passar das páginas o leitor compreende – assim como Ayla – que estamos lidando com a bissexualidade, uma letrinha muitas vezes invisibilizada quando falamos na temática LGBTQI+.

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Confesso que, ao longo da leitura, por diversas vezes eu fiquei com um pouquinho de vergonha alheia pelo exagero nas reações de Raíssa, Leo e até mesmo Ayla. Aquela coisa de dar pulinhos de empolgação ou fazer alguma dancinha em público, sabem? Aí eu lembrei que quando eu tinha a idade dos personagens e frequentava eventos de anime eu fazia a mesmíssima coisa! 😂 Foi um belo puxão de orelha em mim mesma – afinal, eu sei BEM o que é surtar de empolgação por alguma coisa da qual você é realmente fã. Relembrar essa fase da minha vida por meio da leitura acabou sendo divertido e empolgante.

Claro, existem algumas frases prontas e clichês que acabaram tirando a naturalidade de certos diálogos, mas de maneira geral Conectadas faz um ótimo trabalho em mostrar o sentimento de fangirl e os relacionamentos online proporcionados por um forte vínculo em comum. O jogo é onde Raíssa e Ayla se sentem à vontade para serem honestas consigo mesmas, onde podem ser quem são sem julgamentos externos. Além disso, temos significativa representatividade na obra: Ayla é oriental, Raíssa tem mãe negra e pai indígena e, é claro, há a questão da sexualidade. O livro consegue transmitir as aflições e dúvidas que as duas meninas sentem, especialmente frente à perspectiva de se assumirem. E, apesar de uma abordagem realista, Clara Alves consegue fugir de um tom desnecessariamente dramático ou pesado em uma obra que se propõe a ser leve.

Resumindo, Conectadas me proporcionou uma viagem no tempo. Lembrei como era ter fakes dos meus personagens favoritos no Orkut, de quando eu adorava o universo gamer e também da época em que não perdia eventos de anime. Eu sempre fui bem fangirl das coisas que eu gosto e consegui me identificar com o que Raíssa e Ayla sentiam em relação a Feéricos. Além de dialogar diretamente com quem já vivenciou esse tipo de hobby, o livro é também um romance fofo entre duas personagens capazes de cativar mesmo não sendo (ou até por isso) perfeitas. E, não somente no Mês do Orgulho, mas sempre, fica aquele lembrete de que todo tipo de amor é válido e importante – afinal, seja no RPG online ou na vida real, é libertador quando podemos ser honestos sobre quem somos e amamos.

Título original: Conectadas
Autor: Clara Alves
Editora: Seguinte
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Tudo o Que Poderíamos Ter Sido – Zeka Sixx

Oi pessoal, tudo bem?

Fazia tempo que não rolava resenha de literatura nacional por aqui, né? Então hoje vamos conversar sobre Tudo o Que Poderíamos Ter Sido, que recebi do autor gaúcho Zeka Sixx. 🙂

tudo o que poderíamos ter sido

Sinopse: Porto Alegre, abril de 2016. Em meio aos dias tensos que sucederam à votação do impeachment, três jovens sem planos para o futuro – ou mesmo para o presente – se apaixonam e desapaixonam, enquanto flertam com outras tentações e procuram, sem muito esforço, entender se a manjada tríade sexo, drogas e rock-and-roll ainda é a única resposta para o vazio e a desesperança. Lola domina a noite da cidade como uma rainha, entornando toneladas de drinques enquanto digere uma paixonite por um cara que não lhe dá notícias. César tenta se adequar aos novos tempos, que ele não quer realmente compreender, pois deseja, no fundo, que tudo seja simples como antes. Júlia quer se reinventar, após se ver forçada a terminar um relacionamento por divergências políticas. “Tudo o que Poderíamos Ter Sido” é a fotografia de uma geração já nem tão jovem assim, cujo maior pesadelo é simplesmente amadurecer.

O livro, ambientado em Porto Alegre na época do golpe impeachment de 2016, é narrado principalmente por três personagens: Lola, uma DJ sensual que aproveita a vida colecionando transas de uma noite; César, um advogado privilegiado e desmotivado com a vida; e Júlia, irmã de César, que recém terminou um namoro longo e fracassado e está em busca de alguma sensação “real”. Com o decorrer das páginas, o caminho dos três personagens se cruza e provoca algumas reflexões em cada um deles.

Sendo eu mesma de Porto Alegre, reconheci em vários momentos da leitura as características que marcam, principalmente, a noite gaúcha. Entre lugares icônicos da cidade, festas super conhecidas e bairros marcantes, foi fácil imaginar os acontecimentos do livro fora das páginas. Devo dizer inclusive que conheço pessoas que agem (ou um dia agiram) exatamente como Lola, César e Júlia, o que faz com que os personagens sejam bem realistas. Essa característica marca a escrita de Zeka Sixx: a narrativa é bastante direta e o linguajar é chulo, se assemelhando a conversas e diálogos reais – com seu bônus, mas também seu ônus.

Foi interessante ler um livro de teor tão erótico diferente dos romances aos quais estou acostumada. Existe uma objetividade no sexo em Tudo o Que Poderíamos Ter Sido que revela muito dos próprios personagens: eles usam as transas para aliviar o tesão e ter um momento de diversão, e nada mais. Mesmo os personagens que se apaixonam o fazem de modo totalmente diferente de romances mais tradicionais, pendendo mais para um crush intenso do que qualquer outra coisa. Essa escolha é verossímil e reflete muito do comportamento contemporâneo, onde é fácil arranjar uma ficada sem compromisso.

resenha tudo o que poderiamos ter sido

Por outro lado, preciso ser honesta a respeito do que não deu certo comigo. Quando li a sinopse do livro e topei resenhá-lo, eu tinha uma expectativa bem maior em relação ao cenário político. Infelizmente, porém, as discussões a respeito do impeachment não se aprofundam, aparecendo apenas em um ou outro diálogo. Além disso, cada capítulo tinha necessariamente uma cena de sexo no presente ou uma lembrança de sexo épico no passado. É um recurso que acabou me cansando um pouco, porque parecia que a história não tinha um rumo certo além de narrar as noites dos três personagens principais. :/ Aliás, não consegui me afeiçoar a nenhum deles, especialmente aos dois irmãos: César e Júlia são filhinhos de papai – ele, machista de marca maior; ela, feminista classe média cheia de hipocrisias – e me fizeram revirar os olhos várias vezes.

Outra problemática que vale pontuar é o modo como o sexo é explorado no que diz respeito às personagens femininas. É costumeiro confundir liberdade sexual com empoderamento feminino, mas essas duas coisas não necessariamente andam juntas – em um país onde ocorrem em média 180 estupros por dia, eu acredito que a possibilidade de dizer “não” (e ter sua decisão respeitada) é um dos maiores sinais de empoderamento. E, para concluir esse tópico, existe uma cena de revenge porn cujo peso e importância não ganham o destaque merecido, parecendo mais uma fetichização que um crime capaz de destruir vidas.

Apesar dos pontos levantados, eu li Tudo o Que Poderíamos Ter Sido em apenas 2 dias. Os capítulos não cansam e a escrita de Zeka Sixx foi capaz de me manter envolvida com a trama – mesmo que eu não concorde com praticamente nenhuma das decisões tomadas por ele na condução da história e no desenvolvimento dos personagens. Se eu sentisse que houve reflexões sobre esses pontos que levantei, certamente daria outra chance para a escrita do autor. Mas, de modo geral, é um livro que difere muito do que eu pessoalmente acredito. Com tudo isso em mente, reforço que é sempre válido dar uma chance para tirar suas próprias conclusões. 😉

Título original: Tudo o Que Poderíamos Ter Sido
Autor: Zeka Sixx
Editora: Coralina
Número de páginas: 216

Resenha: Teto Para Dois – Beth O’leary

Oi pessoal, tudo bem?

Finalmente realizei a leitura de um livro que há tempos estava na minha wishlist: Teto Para Dois. E que leitura! ❤

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Sinopse: Três meses após o término do seu relacionamento, Tiffy finalmente sai do apartamento do ex-namorado. Agora ela precisa para ontem de um lugar barato para morar. Contrariando os amigos, ela topa um acordo bastante inusitado. Leon está enrolado com questões financeiras e tem uma ideia pouco convencional para arranjar dinheiro rápido: sublocar seu apartamento, onde fica apenas no período da manhã e da tarde nos dias úteis, já que passa os finais de semana com a namorada e trabalha como enfermeiro no turno da noite. Só que tem um detalhe importante: o lugar tem apenas uma cama. Sem nunca terem se encontrado pessoalmente, Leon e Tiffy fecham um contrato de seis meses e passam a resolver as trivialidades do dia a dia por Post-its espalhados pela casa. Mas será que essa solução aparentemente perfeita resiste a um ex-namorado obsessivo, uma namorada ciumenta, um irmão encrencado, dois empregos exigentes e alguns amigos superprotetores?

Tiffy está com a vida de cabeça para baixo: ela terminou um relacionamento complicado, seu ex, que lhe permitia ficar em sua casa até ela se restabelecer, arranjou uma nova namorada e ela precisa urgentemente encontrar um apartamento pra alugar e que caiba em seu restrito orçamento. Leon é um enfermeiro que trabalha à noite, tem uma namorada bastante crítica e precisa lidar com as despesas extras causadas pelo advogado que cuida da prisão injusta de seu irmão. Quando ele coloca seu quarto para alugar por um preço baixíssimo, Tiffy encontra a oportunidade de sair da casa do ex. A questão é que eles não vão dividir somente o apartamento: eles terão que dividir a cama, ainda que em turnos opostos. Comunicando-se por meio de recados e post-its, já que quem tratou do aluguel foi Kay, a namorada de Leon, uma amizade inesperada surge aos poucos, entre um bilhete e outro.

Ai gente, como descrever Teto Para Dois? Eu poderia começar com uma lista de elogios: narrativa envolvente, personagens carismáticos, escrita fluida e cenas engraçadas fazem parte da lista de ingredientes desse chick-lit maravilhoso. Tiffy e Leon são quase opostos: ela é expansiva, gosta de usar roupas coloridas e chamativas e é uma tagarela; ele é introvertido, calmo e bastante racional. Os dois começam a trocar recados por motivos práticos, para combinar questões relacionadas ao apartamento (como comida, espaço no armário, coisas assim). Com o tempo – e com o crescimento da intimidade – os bilhetes se tornam uma conversa, e eles diariamente trocam recados e contam sobre seus dias. É meio óbvio pro leitor, como acontece em qualquer livro do gênero, que os dois vão se apaixonar. Mas engana-se quem pensa que o mérito do livro se encerra quando isso finalmente acontece: há um aprofundamento ainda maior de questões muito relevantes que Teto Para Dois aborda de maneira impecável.

O livro inicia aparentemente despretensioso mas, com o passar das páginas, vai ficando cada vez mais claro que Tiffy não saiu de um “relacionamento complicado”. Ela saiu de uma relação abusiva. A jovem narra as diversas idas e vindas, a montanha-russa emocional que vivia, de uma forma quase idealizada. É perceptível que Tiffy não entende e não conseguiu processar o que viveu. Porém, o livro tem algumas passagens de tempo entre os meses, e vai ficando mais claro para a personagem que ela passou por algo psicologicamente violento. Com o apoio de seus dois melhores amigos (o paciente psicólogo Mo e a cética advogada Gerty), Tiffy decide buscar terapia e começa a encarar o que aconteceu com ela.

resenha teto para dois

O livro é excelente em mostrar as consequências que uma relação abusiva causa na vítima. Em determinado momento Mo verbaliza a possibilidade de que todas as coisas ruins que Tiffy pensou ter esquecido sobre o namoro na verdade eram uma defesa de seu cérebro, um mecanismo de proteção para evitar tanto trauma e tanta dor. Devido às manipulações do ex-namorado, a jovem sempre duvidou de si mesma e das suas próprias percepções sobre certas situações, e ela passa por um longo e doloroso processo de cura ao enfrentar a verdade. A obra narra esse processo com muita delicadeza e responsabilidade, inclusive desmistificando a ideia de que muitos têm de que toda toda relação abusiva tem um episódio de agressão física. O trauma de Tiffy é internalizado, e seu relacionamento com Leon mostra aos poucos os gatilhos que ela vai enfrentar no processo de superação. Além disso, vale pontuar a importância da rede de apoio: Mo e Gerty não pressionaram Tiffy para não correrem o risco dela afastá-los. São amigos leais que, com qualidades e defeitos (cof cof, Gerty grosseirona, cof cof), sempre estiveram ali para ampará-la.

O plot de Leon também é ótimo, e o personagem conquista o leitor tanto quanto Tiffy. Sua subtrama tem outro viés social importante, que é a injustiça do sistema carcerário. O jovem tem traços não-caucasianos, e seu irmão mais novo, Richie, foi preso sem nenhum tipo de prova concreta, podendo ser lido como uma crítica à forma como a cor da pele influencia no julgamento e na condenação dos indivíduos. Além disso, na infância, os dois viram a mãe se relacionar com diversos homens problemáticos, o que causou uma mágoa em ambos – que Leon lida por meio do distanciamento. Mas o amor dos dois irmãos um pelo outro é inabalável e muito bonito de se ver.

O livro é repleto de cenas fofas e tem, sim, momentos clichês que proporcionam aquele quase beijo, aquele friozinho na barriga, aquelas borboletas no estômago. E isso tudo se equilibra com temas relevantes, que dão mais dimensão aos personagens. O que fica claro durante a leitura é que relacionamentos saudáveis são pautados em intimidade, honestidade, em liberdade, em saber que você pode ser você mesmo junto ao outro. Ao mostrar os problemas dos relacionamentos de Tiffy e Leon, é clara a diferença entre a relação que os dois constroem juntos – mesmo que, durante por muito tempo, por meio de bilhetes e zero contato físico. Fazia tempo que um romance não me fazia suspirar, sentir angústia e ficar até de madrugada acordada ansiando pela próxima página. Teto Para Dois fez isso e muito mais, já entrando pra lista de favoritos do ano. Por favor, leiam! ❤

Título Original: The Flatshare: A Novel
Autor: Beth O’Leary
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 400
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Resenha: Mulheres na Luta – Marta Breen e Jenny Jordahl

Oi pessoal, tudo bem?

Graças à leva de e-books gratuitos disponibilizados nessa quarentena, tive a oportunidade de conferir Mulheres na Luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade. Vamos conhecer? 🙂

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Sinopse: Há 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisões sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando; depois, os maridos. O cenário só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade. Neste livro, Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas históricas das mulheres — pelo direito à educação, pela participação na política, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre várias outras —, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado é um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que já foi feito — e tudo o que ainda precisamos conquistar.

Antes de entrar no conteúdo propriamente dito, a primeira coisa que gostaria de pontuar é que, mesmo sendo e-book, o app do Kindle oferece a experiência de leitura necessária. O que isso quer dizer? Mulheres na Luta é contado essencialmente por meio de ilustrações e quadrinhos. Imaginei que, por conta disso, a leitura no app seria prejudicada, o que não acontece: cada clique para virar a página leva você para o quadrinho seguinte, de maneira bastante fluida. Confesso que o movimento por vezes me deu um pouco de enjoo, mas acho que é uma particularidade minha enquanto leio (às vezes me sentia enjoada no ônibus também). 😛

Dito isso, afirmo que gostei muito de conferir Mulheres na Luta. A obra narra as ondas feministas e fala sobre os principais nomes que fizeram parte das conquistas das mulheres. Contudo, diferente de Extraordinárias, que tenta sair do lugar-comum ao trazer nomes pouco lembrados, Mulheres na Luta dá mais espaço para a visão branca e de classe média do movimento.

resenha mulheres na luta

Apesar desse porém, o livro é muito legal e de fácil leitura. Para quem está se interessando pelo assunto, a obra é ilustrativa e didática, trazendo drops da história do movimento feminista de maneira envolvente. As ilustrações também são muito bacanas e vale a pena dedicar alguns momentos para conferi-las com atenção.

Mulheres na Luta é uma obra mais introdutória a respeito do feminismo, mas nem por isso dispensável. Por meio de tirinhas e ilustrações, o livro passa sua mensagem de maneira leve, mas ainda assim relevante. É uma leitura que eu indicaria especialmente para meninas mais jovens, por exemplo, para instigar a curiosidade a respeito do movimento. E, é claro, pra todo mundo que se interessa em saber um pouco mais sobre a história da luta que possibilitou nossas conquistas. Quando nos damos conta de que não faz muito tempo que determinados direitos foram adquiridos é que a gente percebe que não podemos relaxar. Que a luta das que vieram antes nos inspire sempre. 🙂

Título Original: Women in Battle
Autor: Marta Breen e Jenny Jordahl
Editora: Seguinte
Número de páginas: 128
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Resenha: Codinome Villanelle – Luke Jennings

Oi pessoal, tudo bem?

Em parceria com a Companhia das Letras, recentemente li Codinome Villanelle – obra que inspirou a premiada série Killing Eve.

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Sinopse: Villanelle (um codinome, é claro) é uma das assassinas mais habilidosas do mundo. Uma psicopata hedonista, que ama sua vida de luxo acima de quase qualquer coisa… menos a emoção da caçada. Especializada em matar as pessoas mais ricas e poderosas do mundo, Villanelle é encarregada de aniquilar um influente político russo, e acaba com uma inimiga determinada em seu encalço. Eve Polastri é uma ex-funcionária do serviço secreto inglês, agora contratada pela agência de segurança nacional para uma tarefa peculiar: identificar e capturar a assassina responsável e aqueles que a contrataram. Apesar de levar uma vida tranquila e comum, Eve possui uma inteligência rápida e aguçada – e aceita a missão. Assim começa uma perseguição através do globo, cruzando com governos corruptos e poderosas organizações criminosas, para culminar em um confronto do qual nenhuma das duas poderá sair ilesa. Codinome Villanelle é um thriller veloz, sensual e emocionante, que traz uma nova voz à ficção internacional.

Villanelle gosta de matar. E é muito boa no que faz. A assassina de aluguel, nascida Oxana Vorontsova, finalmente encontrou seu propósito ao fazer parte de uma organização poderosa que decide o destino de nomes importantes e decisivos ao redor do mundo. Porém, apesar de todos os cuidados, ela entra na mira do Serviço de Inteligência do Reino Unido e da investigadora Eve Polastri. Quando alguém próximo de Eve é morto, sua motivação para pegar a misteriosa assassina ganha força.

Killing Eve é uma série que está na minha listinha de “to watch”, então fiquei bem animada com a oportunidade de conferir o livro que a inspirou. Ainda não tenho como comparar as duas obras, então a resenha vai se concentrar exclusivamente no material de origem. Codinome Villanelle é curtinho e de ritmo eletrizante: desde o início somos apresentados ao estilo de vida de Villanelle, que usufrui do luxo e do conforto que sua profissão (arriscada, mas altamente rentável) oferece. Aos poucos, mas sem enrolação, o passado da assassina é revelado: a falta de identificação com as pessoas ao seu redor, a incapacidade de sentir remorso e o prazer pela manipulação são elementos que levam a sociopata ao caminho percorrido no presente. Sedutora e inteligente, Villanelle é apaixonada pela emoção da caçada, e fazer um trabalho bem feito é sua maior fonte de prazer.

Eve Polastri, por outro lado, é uma personagem mais linear (para não dizer entediante). Sua vida se transforma quando um político russo é assassinado sob sua responsabilidade, apesar de Eve ter solicitado reforço na segurança e ter sido ignorada. O episódio a faz ser procurada por Richard Edwards, um nome importante nos serviços de inteligência. Ele alega que a morte não foi acidental e que o governo está corrompido, convidando Eve a fazer parte de sua equipe na segurança nacional. Ao dizer “sim”, a investigadora é levada até a China, em busca de provas que possam levá-los aos mandantes dos assassinatos globais.

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Codinome Villanelle não perde tempo com grandes aprofundamentos da trama ou dos personagens que não sejam realmente essenciais. Desde o início sabemos a respeito da assassina que dá nome à obra, o que tem duas consequências: torna a leitura instigante, mas também tira um pouco do mistério da personagem. O livro se desenvolve como um típico filme de espionagem, inclusive com seus clichês: temos a femme fatale que consegue sexo facilmente (cujo perigo se esconde em sua fachada sedutora), temos também a investigadora implacável que deixa sua vida pessoal de lado após sofrer uma perda, temos frases de efeito breguíssimas e até mesmo o clichê do vilão russo. Apesar desses aspectos bem duvidosos, é inegável que a trama transcorre de maneira fluida e envolvente, sendo necessários poucos dias para concluir a leitura.

Os capítulos são divididos de forma estranha: são apenas quatro. A narração em terceira pessoa vai de Villanelle para Eve, com espaços entre os parágrafos que permitem ao leitor pausar a leitura mesmo no meio do capítulo. Existem algumas idas e vindas no tempo, especialmente pela abordagem do passado de Villanelle, mas isso não é negativo e tampouco confunde.

Codinome Villanelle é divertido e despretensioso, por isso não espere uma obra-prima. É um livro de espionagem que conta com o ônus e o bônus do gênero: sim, tem vários clichês, mas também tem um ritmo acelerado e intenso. Se você é fã Killing Eve ou se gosta de tramas de ação e espionagem, vale a pena conferir. 😉

Título Original: Codename Villanelle
Série: Killing Eve
Autor: Luke Jennings
Editora: Suma
Número de páginas: 216
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Extraordinárias – Aryane Cararo e Duda Porto de Souza

Oi pessoal, tudo bem?

Várias editoras estão disponibilizando e-books gratuitos nesse período de quarentena, e um dos que eu baixei foi Extraordinárias: Mulheres Que Revolucionaram o Brasil (que por sorte eu queria ler faz tempo e fiquei bem contente por ter sido liberado rs).

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Sinopse: Dandara foi uma guerreira negra fundamental para o Quilombo dos Palmares. Bertha Lutz foi a maior representante do movimento sufragista no Brasil. Maria da Penha ficou paraplégica e por pouco não perdeu a vida, mas sua luta resultou na principal lei contra a violência doméstica do país. Essas e muitas outras brasileiras impactaram a nossa história e, indiretamente, a nossa vida, mas raramente aparecem nos livros. Este volume, resultado de uma extensa pesquisa, chega para trazer o reconhecimento que elas merecem. Aqui, você vai encontrar perfis de revolucionárias de etnias e regiões variadas, que viveram desde o século XVI até a atualidade, e conhecer os retratos de cada uma delas, feitos por artistas brasileiras. O que todas essas mulheres têm em comum? A força extraordinária para lutar por seus ideais e transformar o Brasil.

A história do movimento feminista é costumeiramente retratada por meio do que chamamos de ondas do feminismo. Entretanto, quando vamos estudar mais a fundo esse assunto, duas coisas precisam ser ressaltadas: 1) os holofotes de muitos dos conteúdos sobre o tema não trazem tanto a importância das mulheres na história do Brasil; 2) a voz das mulheres negras e indígenas também não ganha o espaço merecido, já que muitos momentos marcantes das ondas feministas foram contados pela ótica das mulheres brancas de classe média que tinham oportunidade de se manifestar (ainda que, mesmo elas, com muito mais privilégios, sofressem repressão em todas essas lutas). Extraordinárias, portanto, é uma leitura excelente pra quem quer descobrir um pouco mais sobre esses pontos. A obra traz diversos nomes de mulheres fundamentais para o movimento  feminista no Brasil, assim como também nos conta a história de mulheres não-brancas inspiradoras e protagonistas de diversas conquistas.

O livro ainda evidencia como tivemos mulheres pioneiras na história do nosso país. Campeãs de atletismo, artistas inovadoras, militantes incansáveis, guerreiras destemidas. Cantoras, atrizes, professoras. Ricas, pobres, brancas, negras, indígenas. Mulheres de todos os tipos, retratadas de uma maneira que permite ao leitor entender um pouquinho mais sobre elas, mas por meio de uma linguagem acessível e de fácil compreensão (algo que nem sempre encontramos em estudos acadêmicos).

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Eu li a versão e-book, portanto não posso opinar sobre a edição física, mas não lembro de ter encontrado erros de revisão ou gramática. Os capítulos são divididos pelos nomes das mulheres, e cada um deles tem uma ilustração (também feita por artistas mulheres) da protagonista daquela história. Suas 208 páginas transcorrem com tranquilidade e instigam o leitor a querer saber mais sobre as pessoas retratadas nas páginas.

Resumindo, Extraordinárias: Mulheres Que Revolucionaram o Brasil é uma excelente porta de entrada para quem quer saber mais sobre feminismo e sobre o papel da mulher nas mudanças históricas e sociais do nosso país. De forma leve e com muita informação interessante, o livro tem a excelente iniciativa de dar espaço a nomes muitas vezes esquecidos. Recomendo!

Título Original: Extraordinárias: Mulheres Que Revolucionaram o Brasil
Autor: Aryane Cararo e Duda Porto de Souza
Editora: Seguinte
Número de páginas: 208
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Resenha: Filhos de Sangue e Osso – Tomi Adeyemi

Oi pessoal, tudo bem?

Elogiadíssimo pela crítica e com direitos comprados para uma adaptação cinematográfica, Filhos de Sangue e Osso é o primeiro livro da trilogia O Legado de Orïsha. Hoje eu conto pra vocês o que achei dessa aventura épica!

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Sinopse: Zélie Adebola se lembra de quando o solo de Orïsha vibrava com a magia. Queimadores geravam chamas. Mareadores formavam ondas, e a mãe de Zélie, ceifadora, invocava almas. Mas tudo mudou quando a magia desapareceu. Por ordens de um rei cruel, os maji viraram alvo e foram mortos, deixando Zélie sem a mãe e as pessoas sem esperança. Agora Zélie tem uma chance de trazer a magia de volta e atacar a monarquia. Com a ajuda de uma princesa fugitiva, Zélie deve despistar e se livrar do príncipe, que está determinado a erradicar a magia de uma vez por todas. O perigo espreita em Orïsha, onde leopanários-das-neves rondam e espíritos vingativos aguardam nas águas. Apesar disso, a maior ameaça para Zélie pode ser ela mesma, enquanto se esforça para controlar seus poderes — e seu coração.

No passado, o reino de Orïsha (leia-se Orixá) era rico em magia. As pessoas capazes de realizá-la eram conhecidas como maji e eram escolhidos diretamente pelos deuses. Entretanto, um dia a magia enfraqueceu, e o rei de Orïsha, Saran, aproveitou o momento de vulnerabilidade dos maji para incitar a Ofensiva – um ataque mortal a todos capazes de usar a magia. A mãe de Zélie, nossa protagonista, foi uma das maji a sucumbir. Desde então a vida da garota é marcada pela dor, que se intensifica pelo fato dela ser uma divinal: alguém que nasceu para se tornar um futuro maji, mas que nunca alcançará tal potencial devido à morte da magia. Ou pelo menos é o que todos pensavam…

Filhos de Sangue e Osso é um livro que introduz muitos conceitos novos, de modo a ambientar o leitor no rico universo no qual se passa. A autora utiliza a cultura iorubá como base para descrever os deuses que concedem poderes aos maji, utiliza de seu idioma para os encantamentos e explora também suas vestimentas e características. Foi o primeiro livro de fantasia que li voltado à cultura e religião de matrizes africanas, e fiquei ao mesmo tempo admirada com sua riqueza e triste ao pensar na falta de mais obras que deem voz a essa cultura e ao povo negro.

A trama é conduzida por meio de três pontos de vista: o de Zélie, a protagonista, uma garota divinal que mora com o pai e o irmão mais velho, Tzain; ela é treinada em segredo na arte da luta com o bastão por Mama Agba, uma senhora de seu vilarejo que apoia divinais, sendo constantemente punida por isso. Temos também o ponto de vista de Amari, filha de Saran: a jovem princesa vê sua melhor amiga, uma divinal, morrer pelas mãos de seu pai. Essa atitude motiva um ato de rebeldia que muda completamente o destino de Orïsha, pois Amari rouba um pergaminho encontrado pelo exército de Saran que aparentemente é capaz de trazer a magia de volta. Por fim, temos como terceiro narrador Inan, irmão de Amari e futuro rei: o jovem segue os passos do pai por acreditar que é a única forma de proteger o reino, mas quando a magia se manifesta em seu próprio corpo, ele começa a questionar (e temer) tudo que sempre acreditou.

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Dos três narradores, sem dúvidas Amari é minha favorita. A garota tem uma natureza bondosa, pacífica e até mesmo amedrontada. Contudo, quando sua melhor amiga, Binta, é assassinada na sua frente, Amari decide pôr fim às atrocidades do pai de alguma forma – e é assim que ela resolve roubar o pergaminho que ativa a magia nos divinais. O destino dela se cruza com o de Zélie e, por mais que a protagonista não queira, elas acabam formando uma equipe. O amadurecimento de Amari ao longo do livro é nítido, e mesmo nos momentos de maior temor, a jovem acaba decidindo pelo que é correto. Amari é empática, decidida e justa, e é impossível não passar a admirá-la ao longo da trama. Zélie, por outro lado, não me conquistou tanto. Para falar a verdade, em muitos momentos ela me lembrou a Katniss: teimosa, impulsiva, egoísta. E o que mais me irritou nela é a autopiedade: ela não pensa antes de agir, faz merda e depois fica se lamentando e dizendo que sempre estraga tudo (mas sem mudar seu jeito de agir, ou seja, sem aprender com os erros rs). Não posso dizer, entretanto, que a personagem não seja forte: ela passa por traumas inimagináveis, além de sofrer com preconceito a vida inteira por ser uma divinal. Com o passar do tempo, as características incômodas dela vão se atenuando, e no final do livro meu ranço diminuiu consideravelmente.

Os personagens masculinos principais são Inan e Tzain. No caso de Inan, acompanhamos um personagem cheio de dúvidas e questionamentos. Ele foi criado para acreditar no mantra do pai, “o dever antes do eu” (ele repete isso tantas vezes que eu quis entrar no livro e gritar: JÁ ENTENDI, PORRA!, mas tudo bem), mas quando a magia começa a se manifestar em si mesmo, Inan passa a sofrer por se sentir amaldiçoado. Somente quando consegue ler os pensamentos de Zélie (pois é esse o dom que sua magia permite) ele entende a dor que Saran causou e se aproxima da garota. Entretanto, a volatilidade de suas crenças e atitudes é bastante irritante, fazendo com que ele perdesse minha confiança. Tzain, por outro lado, é uma rocha para Zélie: mesmo quando a irmã erra e coloca todos em risco, o irmão mais velho está lá para protegê-la. Contudo, por mais querido que Tzain seja, ele é um personagem cujo POV não conhecemos, o que o torna mais linear e unilateral que os outros, não permitindo ao leitor acompanhar sua evolução.

O preconceito é constantemente trabalhado em Filhos de Sangue e Osso. A dinâmica entre Zélie e Inan é a mais interessante nesse sentido, porque o príncipe não consegue entender o abismo que separa seu sofrimento do de Zélie. A jovem deixa claro que não vai deixar a ignorância de Inan silenciar sua dor – e quantas vezes isso não pode ser dito na vida real também? A ignorância e o preconceito que atingem a população negra são diários. A própria falta de representatividade é uma violência, provocando uma não-identificação que abala a autoestima e a construção do orgulho das raízes e da ancestralidade. Inan é a representação disso, odiando suas características de maji e a magia por si só: ele odeia seus traços porque não consegue enxergar representações positivas deles.

resenha filhos de sangue e osso (2)

Como crítica negativa, eu diria que a autora repete palavras e expressões à exaustão. Além do já mencionado “o dever antes do eu”, me irritei muito lendo o excesso de uso da palavra “régia” e da palavra “monarquia”. Felizmente, Tomi Adeyemi alivia a mão nessas expressões da metade pro final, mas foi algo que inicialmente me causou um “tá, chega, varia o vocabulário, por favor”. Em contrapartida, preciso elogiar o universo cheio de detalhes criado por ela. Dos cenários aos clãs maji e até mesmo às criaturas que vivem em Orïsha (que a autora utiliza os nomes originais para fazer o leitor criar uma relação e imaginar o animal, como por exemplo um leonário, que é basicamente um leão gigante), tudo é bem descrito e nos transporta para um mundo realmente mágico e cheio de possibilidades.

Filhos de Sangue e Osso foi uma das melhores histórias de fantasia que li nos últimos tempos. Com um ritmo frenético e cheio de ação, as mais de 500 páginas não deixam o leitor entediado em momento algum. Com um pano de fundo riquíssimo, explorando uma cultura pouco abordada na literatura, a obra é original e envolvente. Vale também elogiar a Rocco pela edição física, que conta com o mapa do reino e detalhes brilhantes na capa e na contracapa. Resumindo: se você adora fantasia, esse livro é imperdível. Recomendo muito!

Título Original: Children of Blood and Bone
Série: O Legado de Orïsha
Autor:
Tomi Adeyemi
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 550
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Livro cedido em parceria com a editora.
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Resenha: A Última Palavra – Tamara Ireland Stone

Oi pessoal, tudo bem?

Vim contar pra vocês o que achei de A Última Palavra, um Young Adult que fala sobre Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

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Sinopse: Samantha McAllister esconde de todos o que se passa em sua cabeça. Sam sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo caracterizado por pensamentos intrusivos. Seus pensamentos não param um segundo do dia, cada passo e palavra suas são controladas, e esconder isso tudo faz com que viver seja um grande esforço. Tudo piora quando suas amizades começam a se tornar tóxicas e ela é julgada por conta de pequenos erros com suas roupas, comida ou o garoto por quem ela se interessa. Mesmo assim, Sam sabe que ela estaria verdadeiramente louca se deixasse de ser amiga das garotas mais populares da escola. Por causa disso, Sam é constantemente aconselhada por sua terapeuta a conhecer novas pessoas e fazer novos amigos, pessoas que não lhe provoquem crises de ansiedade e pânico constantes. Em um primeiro dia de aula assustador, Sam conhece Caroline, uma menina que vai levá-la para uma sala secreta em que um grupo de pessoas que são ignoradas pelo resto da escola se reúne. Ela rapidamente se identifica com eles, especialmente com um talentoso garoto que toca violão, e começa a descobrir uma nova versão de si mesma. Aos poucos ela passa a se sentir mais normal do que nunca, coisa que jamais tinha se sentido antes… até ela encontrar um novo motivo para questionar sua sanidade e tudo o que ama.

Samantha parece ter tudo o que uma adolescente poderia querer: é bonita, popular e tem um grupo de amigas com quem (teoricamente) pode sempre contar. O que ninguém sabe é que, por trás da fachada de perfeição, Sam esconde um TOC que se manifesta na forma de pensamentos obsessivos intrusivos. Isso significa que, diferentemente de quem manifesta a doença com hábitos físicos, Sam fica obcecada por determinados pensamentos e não consegue se desvencilhar deles. Um dos maiores gatilhos para seus picos de ansiedade são, justamente, suas supostas amigas, um grupo que há muito tempo não colabora com o desenvolvimento de Sam. Em um dia especialmente ruim, a jovem conhece Caroline, com quem (de maneira surpreendente) ela se abre. Caroline então leva Sam a um local secreto na escola chamado Canto da Poesia, e é lá que tudo muda.

A Última Palavra aborda um sentimento muito comum na adolescência: o desejo de pertencimento e o medo da exclusão. Mesmo sabendo que seu grupo de amigas é tóxico, Sam tem dificuldade em abrir mão dele por receio de ser abandonada. Durante suas sessões de terapia, sua psicóloga a incentiva constantemente a buscar novas amizades e a criar novos vínculos, de modo que existam menos gatilhos na rotina de Sam. Quando a garota conhece Caroline e finalmente admite seu TOC, é como se um grande peso fosse retirado de seus ombros, e isso dá a Sam a oportunidade de experimentar uma nova forma de ser ela mesma – ou melhor, quem ela quer ser a partir de agora.

Entretanto, existe um aspecto bastante negativo na obra: o modo com a autora lida com as consequências do bullying. No Canto da Poesia, Sam reencontra um ex-colega, AJ, que parece querer distância dela. A protagonista então se recorda que, no passado, ela e uma amiga praticaram um bullying tão intenso com o garoto que ele até mudou de escola temporariamente. E, para a minha surpresa, não demora para que esse assunto seja perdoado e (pasmem!) os pombinhos fiquem juntos. A química entre os dois existe e as cenas são bem românticas, mas teria sido muito melhor se o episódio do bullying não tivesse existido. A verdade é que as consequências do que Sam e sua amiga fizeram foram muito suavizadas, ainda mais quando consideramos quão rápido AJ se apaixonou pela garota que o traumatizou.

resenha a ultima palavra

Em A Última Palavra, o TOC não ganha tanta profundidade e detalhamento, diferente do que ocorre no excelente Daniel, Daniel, Daniel, por exemplo. Ainda que no caso de Sam o transtorno seja mais focado em pensamentos obsessivos, eu não senti o mesmo impacto (e até consciência) lendo sobre seu sofrimento (o que ocorreu de maneira intensa com o livro de Wesley King). A doença em si é mais abordada como algo que a incomoda e que a faz se sentir anormal do que evidenciada como algo que a atrapalha de verdade.

Apesar de falhar ao abordar algumas questões de saúde mental, há um aspecto muito positivo na obra: a relação de Sam e Sue, sua terapeuta. Assim como acontece em A Lista Negra, aqui a terapia tem um papel fundamental no processo de melhora de Sam, e é muito bonita a forma como o livro desenvolve essa relação. Além disso, a trama me emocionou bastante na sua reta final, a ponto de me fazer chorar. Há uma reviravolta que fica ameaçando eclodir durante um bom tempo (e que eu senti chegar), mas que ainda assim me balançou. Os últimos capítulos trabalham muito mais a questão da perda do que o TOC, e esse tema em particular sempre me toca profundamente.

Por último, mas não menos importante, devo ressaltar o quanto gostei de todo o conceito do Canto da Poesia. Desde a sua fundação, cujas razões são emocionantes, até o presente, o lugar acolhe todos que precisam dele (Hogwarts feelings) de uma maneira intensa. Dentro daquele espaço, os jovens que fazem parte do grupo têm a oportunidade de se expressar e mostrar a sua vulnerabilidade, e muitas vezes isso já é o bastante para conseguir vencer um período tão turbulento e cheio de emoções quanto a adolescência. O grupo também permitiu à protagonista enxergar como as pessoas são repletas de camadas, indo muito além do universo superficial ao qual ela estava acostumada. E, nesse processo, o leitor simpatiza com aqueles jovens também.

A Última Palavra é um livro que gira em torno de dilemas bastante adolescentes (tanto no sentido positivo quanto negativo disso – os medos e implicâncias do grupo de Sam são bastante superficiais, de maneira geral). Não é a melhor opção de leitura pra quem busca uma história mais crível no que diz respeito a bullying e TOC, mas é um YA que cumpre seu papel como entretenimento e apresenta o processo de terapia de maneira muito saudável. Se você curte esse estilo literário, vale espiar. 😉

Título Original: Every Last Word
Autor: Tamara Ireland Stone
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.