Resenha: Um Sedutor Sem Coração – Lisa Kleypas

Oi pessoal, como estão?

E quem diria que eu estaria toda interessada em romances de época, depois de ter demorado tanto para conhecê-los? 😀 Pois é! E hoje vim resenhar Um Sedutor Sem Coração, o primeiro livro da nova série da Lisa Kleypas, Os Ravenels.

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Sinopse: Devon Ravenel, o libertino mais maliciosamente charmoso de Londres, acabou de herdar um condado. Só que a nova posição de poder traz muitas responsabilidades indesejadas – e algumas surpresas. A propriedade está afundada em dívidas e as três inocentes irmãs mais novas do antigo conde ainda estão ocupando a casa. Junto com elas vive Kathleen, a bela e jovem viúva, dona de uma inteligência e uma determinação que só se comparam às do próprio Devon. Assim que o conhece, Kathleen percebe que não deve confiar em um cafajeste como ele. Mas a ardente atração que logo nasce entre os dois é impossível de negar. Ao perceber que está sucumbindo à sedução habilmente orquestrada por Devon, ela se vê diante de um dilema: será que deve entregar o coração ao homem mais perigoso que já conheceu?

Após a morte de um primo, o boêmio Devon Ravenel se vê como herdeiro de um título de nobreza e um condado cheio de dívidas. Agora conde Trenear, seu único objetivo é vender o Priorado Eversby e se livrar das responsabilidades o mais breve possível. Entretanto, seus planos vão por água abaixo quando ele conhece a viúva do primo, lady Kathleen. A moça mora com as três cunhadas na casa do ex-marido, com quem ficou casada apenas três dias antes do fatídico acidente que o matou. E, após algumas discussões acaloradas – e uma atração irresistível –, Devon decide manter o condado e assumir aquilo que sempre temeu: responsabilidades.

Esse livro já me chamou a atenção por ser bem mais longo que os volumes da série As Quatro Estações do Amor (meu primeiro contato com Lisa Kleypas). Portanto, aqui a história se desenrola de modo bem mais gradual. Após ser confrontado por Kathleen, Devon encara o desafio de assumir o condado. Para isso, o personagem – antes um libertino beberrão e inconsequente – precisa amadurecer, estudar, trabalhar muito e se dedicar às suas novas atribuições. Kathleen, por outro lado, é uma personagem bastante obstinada e de espírito vigoroso, mas que precisa assumir um manto de luto e a compostura de uma viúva. O grande problema nisso é que ela foi cortejada pelo falecido marido por poucos meses e ficou casada apenas três dias: ou seja, ela mal o conhecia. Com o passar das páginas, Devon vai sendo influenciado pelo senso de responsabilidade de Kathleen, enquanto ela vai relaxando e abrindo mão de algumas convenções sociais por influência dele.

Outro personagem que vale mencionar é West, irmão de Devon. O rapaz inicia o livro como alguém sem propósito, totalmente contrário à decisão do irmão de manter a propriedade. O desenrolar da trama traz profundas transformações em sua personalidade, que ganha uma nova motivação de vida ao se envolver com o dia a dia dos arrendatários do condado. West é alguém que cresce muito ao longo do livro, e é impossível não se apaixonar por ele! Sua amizade fraternal com Kathleen também é comovente, e eu gosto muito dos dois. As irmãs do falecido conde também são fofas: elas viveram a maior parte da vida reclusas, em função do luto (primeiro, pelos pais; depois, pelo irmão). Helen é uma moça doce, gentil e refinada; as gêmeas, Pandora e Cassandra, são inseparáveis e divertidas.

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Preciso fazer uma ressalva em relação ao título! 😛 Para mim, Devon não tem absolutamente NADA de “sedutor sem coração”. Apesar de ter dificuldade em perceber que deseja se casar, o sentimento dele por Kathleen rapidamente se mostra verdadeiro e intenso. Devon é um homem apaixonado, que se esforça continuamente para fazê-la feliz. Desde a decisão de manter sua propriedade, o Priorado Eversby, até uma cena específica em que ele age como um verdadeiro herói, o protagonista demonstra seu bom coração e sua índole honrada. Pronto, defesa ao Devon feita! 😂 Ele é ótimo, e tenho dito hahaha!

O romance de Devon e Kathleen não foi arrebatador, daqueles que tiram o nosso fôlego. A personagem tem traumas relacionados a abandono e foi muito maltratada pelo marido, mesmo na brevidade de seu casamento. O bonito da relação dela com Devon é a paciência dele em lidar com ela, e o modo como as coisas mudam entre eles conforme o tempo passa e o respeito cresce. Pra mim, é o maior mérito da relação dos dois, muito mais que a paixão arrebatadora.

Acredito que o livro poderia ser um pouco mais curto do que ele é, de modo a tornar os acontecimentos mais ágeis. Entretanto, o lado positivo é que a personalidade e a relação entre os personagens se constrói de modo gradual e verossímil. Isso se aplica ao casal protagonista, mas também a West com as meninas e Helen com Winterborne (um amigo de Devon, com quem o protagonista deseja que Helen se case). Isso demonstra a preocupação de Lisa Kleypas em construir a relação dos personagens dessa e das próximas histórias da série, o que acho ótimo.

Em suma, Um Sedutor Sem Coração inicia com o pé direito a nova série de Lisa Kleypas, trazendo personagens bem construídos, que crescem e amadurecem conforme a história evolui. Recomendo a todos os fãs de romances de época! ❤

Título Original: Cold-Hearted Rake
Série: Os Ravenels
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 320
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Resenha: Confissões de Uma Garota Desastrada – Emma Chastain

Oi galera, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Confissões de Uma Garota Desastrada, um dos lançamentos de agosto da Editora Rocco. 😉

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Sinopse: Escrito em forma de diário, Confissões de Uma Garota Desastrada relata um ano na vida de Chloe Snow e sua chegada ao Ensino Médio. Estão lá os típicos dilemas de uma adolescente às voltas com o amadurecimento, as amizades e os amores. Para Chloe, a vida dela é um verdadeiro desastre: ela nunca beijou ninguém, está apaixonada pelo veterano mais desejado da escola e sua melhor amiga não tem mais nada a ver com ela. Para completar, sua mãe se mudou para o México de repente, deixando a menina sozinha com o pai. Divertido, sensível e emocionante, o livro é uma espécie de Diário de Bridget Jones para jovens, capaz de arrancar lágrimas e gargalhadas a cada página.

O livro é narrado em formato de diário por Chloe Snow, uma garota de 14 anos que está prestes a iniciar o primeiro ano do Ensino Médio. Diariamente, a menina escreve os principais acontecimentos do seu dia, além de suas preocupações, medos, alegrias e inseguranças. A principal mudança em sua vida é contada já no primeiro dia: sua mãe, uma escritora, decidiu passar uma temporada no México em busca de inspiração para o próximo livro. Isso, somado ao fato de que o Ensino Médio é uma fase marcante na vida de qualquer jovem, deixa Chloe ainda mais ansiosa (por mais que ela tente fingir que está tudo bem). E, para completar, a garota está decidida a dar o primeiro beijo e perder o BV!

Confissões de Uma Garota Desastrada é um livro leve e fácil de ler, principalmente devido ao formato de relatos diários de Chloe. A protagonista em si não é uma personagem encantadora: ela é meio mimada e irresponsável. Mas, quando lembramos que Chloe tem apenas 14 anos, as atitudes da garota fazem mais sentido. É impossível não lembrar de como era ter a idade (e as preocupações) dela: Chloe é uma adolescente, está com hormônios em ebulição, surta por qualquer coisa e quer descobrir o mundo. Familiar? Pois é! Além disso, Emma Chastain fala sobre sexo e primeiros crushes de modo muito natural e saudável, permitindo que Chloe fale e reflita sobre sua sexualidade e seus desejos.

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Outro aspecto interessante do livro é o modo como a autora aborda as tensões familiares. Para o leitor adulto, é nítido que o casamento dos pais de Chloe está ruindo; para uma menina que idealiza a própria família, não. Toda criança ou adolescente imagina que seus pais são almas gêmeas e que vão ficar juntos pra sempre, mas a realidade pode ser bem diferente disso. E, por mais que Chloe tente encarar a situação de modo positivo (ou até fingir não ligar), é nítido em diversas partes da trama que a garota não está sabendo lidar com a situação, vendo suas emoções transbordarem. E não é apenas o relacionamento dos pais de Chloe que passa por uma ruptura: a amizade de infância com Hannah, sua melhor amiga, também. Essa é outra abordagem bem realista de Confissões de Uma Garota Desastrada: quem nunca se afastou de um BFF sem razão? Apenas porque as mudanças aconteceram e a afinidade morreu? Eu passei por isso várias vezes, e tenho certeza de que vocês também.

O aspecto mais irritante no livro é o fato de Chloe se apaixonar por um cara comprometido e “não largar o osso”. Ela toma atitudes bem mesquinhas e egoístas – o que condiz com seu jeito mimado e sua pouca maturidade -, que tornam difícil torcer por ela. O “casal” não é nada shippável, o que eu considerei ótimo, já que eu dificilmente torço por relacionamentos que começam na infidelidade. Felizmente, a conclusão do livro foi muito satisfatória, trazendo um grande amadurecimento para a protagonista.

Confissões de Uma Garota Desastrada é um túnel do tempo que te transporta direto para a adolescência. É um livro divertido e despretensioso, que você lê e nem vê o tempo passar. É uma literatura voltada a um público mais jovem, mas mesmo os adultos conseguem se divertir (e se identificar) com as situações vividas por Chloe. Vale dar uma chance! 😉

Título original: Confessions of a High School Disaster
Série: O Diário de Chloe Snow
Autor: Emma Chastain
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Meu Erro – Cinthia Freire

Oi pessoal, tudo bem?

Estou de volta com mais um post da coluna Uma Amiga Indicou, em parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer. ❤

uma amiga indicou

Em setembro, resolvemos aproveitar o gancho do feriado da Independência para lermos obras nacionais. A Ale me indicou Meu Erro, da Cinthia Freire, e hoje conto o que achei da experiência. 😉

meu erro cinthia freire.pngGaranta o seu!

Sinopse: Segredos são como fantasmas nos assombrando e nos fazendo crer que são reais. Todos tem os seus fantasmas. Carol tem os seus e há algum tempo eles parecem estar adormecidos. Gabriel desistiu de tentar frear os seus fantasmas há muito tempo e decidiu o caminho mais fácil, vivendo uma vida sem regras e limites. Eles estão na mesma estrada, mesmo que estejam em sentidos opostos. Enquanto ela tenta fugir da escuridão, ele só quer se perder ainda mais. Uma história emocionante sobre até onde somos capazes de ir para salvar aqueles que amamos e sobre acreditar que todos tem uma segunda chance. Mesmo que para o resto do mundo isso pareça um erro.

Carol é uma jovem que mora com a amiga, Verônica, na cidade universitária onde estuda. A garota sofreu algum tipo de trauma no passado, e sua independência é uma forma de lutar contra esses fantasmas. Gabriel é um rapaz que estuda na mesma universidade e é a definição de garoto problema: é dependente químico, adora uma briga, não se envolve emocionalmente com nenhuma garota com quem sai e tem um relacionamento terrível com o pai. De uma forma inesperada – envolvendo uma transa de uma noite com Verônica – Gabriel conhece Carol e os dois acabam se apaixonando.

Então, gente… Não sei se eu não sirvo pra ler New Adults ou se a narrativa de Cinthia Freire não atendeu às minhas expectativas, mas de uma coisa eu tenho certeza: não consigo comprar esse plot de personagens “quebrados” encontrando a cura no amor. Não me entendam mal, eu sou uma pessoa muito romântica e acredito que o amor é sim capaz de transformar. Meu problema são com situações pesadas (que não podem ser resolvidas somente com amor) sendo solucionadas desse modo. Durante a maior parte de Meu Erro, Cinthia Freire dá a entender que Carol é a solução para o vício de Gabriel e para ajudá-lo a ficar sóbrio, movido somente pelo amor. Entretanto, dependência química é uma coisa muito séria e precisa de terapia e apoio especializado, o que não ocorre durante a maior parte da trama.

Também tem outro motivo que me faz  não curtir esse discurso de “o amor cura tudo”. A Carol fica dizendo que ela é a pessoa certa pra curar o Gabriel, baseando-se numa crença que muitas mulheres têm na vida real: ele vai mudar, ele vai melhorar, ele vai fazer isso por mim. Eu não concordo com esse posicionamento e acho terrivelmente problemático, por não achar nada saudável alguém achar que pode ser a cura de outra pessoa e permanecer em uma situação possivelmente tóxica. No caso de Carol e Gabriel, o maior problema era a instabilidade do rapaz e as idas e vindas do relacionamento, mas sabemos que muitas vezes a violência pode fazer parte da rotina de alguém na situação dele.

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Eu achei a escrita da Cinthia Freire um pouco imatura, especialmente na construção das frases. Me parecia, durante a leitura, que a autora estava com pressa para contar a história, tornando a cadência dos acontecimentos um pouco incômoda pra mim. Também notei alguns lugares-comum e estereótipos sendo reproduzidos no que diz respeito às mulheres (por mais que a intenção da autora possa ser feminista). E a melação entre a Carol e o Gabi (milhares de apelidos e “eu te amo” a todo momento) também me deixaram um tanto cansada.

Críticas feitas, vamos aos elogios. O plot twist do livro foi bastante surpreendente, e a virada no final me pegou bastante desprevenida. Não imaginava que certo personagem seria capaz de fazer o que fez, e achei a situação em si muito aflitiva e desesperadora. Ao fim de tudo, também gostei do enfoque na saúde mental que Cinthia Freire abordou por meio da fala de Carol. O estigma envolvendo distúrbios psiquiátricos ainda existe, e muitas pessoas não pedem ajuda por medo, insegurança e diversos outros motivos. Por isso, acho muito bacana que a autora tenha trazido uma personagem que – com o apoio da terapia, da família e também do amor – consegue se reerguer e tornar-se saudável novamente.

Como deve ter dado pra notar, Meu Erro não funcionou pra mim. Entretanto, a experiência de me desafiar a ler um gênero diferente é sempre bacana. Então, para concluir, se você curte New Adults e os clichês do gênero, é provável que se dê melhor com essa leitura do que eu. 😉

Título original: Meu Erro
Série: Segredos
Autor: Cinthia Freire
Editora: Independente
Número de páginas: 223
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Resenha: A Lista Negra – Jennifer Brown

Oi pessoal, como estão?

Hoje vim falar sobre A Lista Negra, de Jennifer Brown. Esse é um dos livros que a Pam Gonçalves vivia elogiando e, por isso, eu estava com as expectativas lá em cima!

[EDIT] Quando escrevi esse post, ainda não tinha lido a notícia do garoto de 17 anos que abriu fogo em uma escola no Texas, nos Estados Unidos. Posteriormente, veio a notícia mais recente do atirador em um torneio de videogames na Flórida. Em ambas as ocasiões, resolvi segurar um pouco a resenha, pois sou contra “pegar carona” em tragédias pra promover um conteúdo (cof cof, Catraca Livre). Por isso, vim editar o post que já estava escrito pra reforçar a importância de obras como A Lista Negra (especialmente agora, em tempos de Setembro Amarelo, de candidatos à Presidência que promovem o ódio e de liberação das armas sendo vista como a salvação do país). A facilidade com que jovens têm acesso a armas nos Estados Unidos é preocupante, e casos de massacres são mais comuns do que eu gostaria de admitir. Por isso, acho importante usarmos essas tragédias para refletirmos sobre que tipo de futuro queremos no nosso país também. Eu sou contra a liberação do porte de armas, e acho importante que a gente olhe pra essas situações e pense a respeito, especialmente para que não ocorram novamente no futuro – nem lá, nem aqui.

a lista negra jennifer brown.pngGaranta o seu!

Sinopse: E se você desejasse a morte de uma pessoa e isso acontecesse? E se o assassino fosse alguém que você ama? O namorado de Valerie Leftman, Nick Levil, abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista com o nome dos estudantes que praticavam bullying contra os dois. A lista que ele usou para escolher seus alvos. Agora, ainda se recuperando do ferimento e do trauma, Val é forçada a enfrentar uma dura realidade ao voltar para a escola para terminar o Ensino Médio. Assombrada pela lembrança do namorado, que ainda ama, passando por problemas de relacionamento com a família, com os ex-amigos e a garota a quem salvou, Val deve enfrentar seus fantasmas e encontrar seu papel nessa história em que todos são, ao mesmo tempo, responsáveis e vítimas.

A Lista Negra é narrado no passado e no presente; no passado, acompanhamos o relacionamento da protagonista, Valerie, e de seu então namorado, Nick. Os dois tinham uma conexão muito forte, especialmente por seu estilo mais alternativo e pelo bullying constante que sofriam (no caso de Nick, isso era agravado pelos abusos que sofria em casa). No presente, Valerie está sozinha; Nick cometeu suicídio após abrir fogo contra os colegas na cafeteria da escola, tendo como alvos os responsáveis pelo bullying – cujos nomes estavam anotados na Lista Negra, um caderno que ele e Valerie mantinham em segredo. Acompanhamos Valerie rememorando o passado, buscando entender em que ponto ela falhou em perceber os planos de Nick, bem como tentando enfrentar o presente e os olhares de rancor e culpabilização velada que as pessoas dirigem a ela.

A Lista Negra é muito bom em colocar dois lados de uma mesma moeda em perspectiva. Por um lado, a obra revolta o leitor quando mostra o relacionamento de Val e Nick e as injustiças que eles sofriam. É triste perceber até que ponto o bullying pode destruir a mente de alguém, levando essa pessoa à depressão, à raiva, às atitudes extremas. Por outro lado, no presente, o leitor é obrigado a encarar o que o ato de Nick causou: a morte de inocentes, a desfiguração de alunos, as famílias destruídas. Quem sofreu mais? O rapaz que sofria com insultos e agressões? Ou quem levou um tiro, tendo sua vida transformada pra sempre (e até mesmo roubada de si)? O livro não se propõe a responder essas perguntas, e essa é sua maior qualidade. Ele abre o espaço à reflexão, levantando questões complicadas e que talvez não tenham uma única resposta correta.

Ao longo da trama, acompanhamos Val enfrentando o mundo novamente. A culpa a corrói e a vergonha faz com que ela nem queira voltar à escola. As lembranças do tiroteio a atormentam, e a personagem tem dificuldade em se abrir para uma amizade improvável com Jessica, a garota que ela salvou ao colocar-se em frente de Nick, e que era justamente uma das que mais a torturavam. Com o passar do tempo, Valerie percebe que o massacre no Colégio Garvin não causou mudanças profundas apenas nela, mas também nos outros alunos, Jessica entre eles. Com a ajuda desse novo relacionamento e, principalmente, da terapia, Val aos poucos consegue se reerguer e encarar o mundo novamente. Aliás, devo elogiar o papel que a terapia tem nessa obra; o médico de Val (o doce Dr. Hieler) é compreensivo, paciente e fundamental no processo de cura da garota. Em meio a tantas obras (alô, 13 Reasons Why) que pecam por não apontarem um caminho para a superação, acredito que A Lista Negra cumpre bem esse papel, sendo uma indicação válida não somente para o Setembro Amarelo, mas sempre.

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Admito que a Val do presente não é a protagonista mais carismática do mundo. Eu preferia ler as passagens que relatavam o passado, ou ainda as cenas com o psiquiatra. Foi a falta de conexão com Val que me fez não dar nota máxima pro livro, porque não foi agradável acompanhar sua narração. Por outro lado, tenho que admitir que é compreensível que a personagem seja fechada e difícil; ela passou por um trauma enorme pelo qual ela se responsabiliza. Na cabeça de Val, se não fosse a tal Lista Negra, talvez Nick não tivesse tido a ideia de matar aqueles colegas. Mas é muito complicado tentar colocar a responsabilidade desse ato em uma coisa só; no caso do livro, encaro a situação como algo multifatorial. Isso fica ainda mais evidente quando conhecemos as diversas faces de Nick (pelas lembranças de Valerie). Para o mundo, Nick tornou-se sinônimo de um monstro cruel; para Val, era o garoto que ela amava, a pessoa mais importante da sua vida: um rapaz sensível, apaixonado por Shakespeare, que se preocupava com ela e a amava de todo o coração. Ao expor essas diversas faces de Nick – o namorado amoroso e o atirador enlouquecido – Jennifer Brown causa desconforto e uma sensação de impotência no leitor: ninguém viu o que estava para acontecer? Ninguém poderia ter impedido? Questões sem resposta, obviamente.

A Lista Negra traz diversas reflexões importantes sobre bullying, saúde mental, armamento (se considerarmos que é um livro americano, onde ocorrem diversos casos de tiroteios em escolas) e até mesmo sobre o papel da mídia em contar (ou distorcer) os fatos. A obra não se propõe a ditar uma verdade absoluta ou apontar culpados; ao contrário, Jennifer Brown nos leva a refletir sobre a importância de uma base familiar sólida, do cuidado com a saúde mental e das consequências trágicas que o bullying pode causar. É um livro com uma temática pesada, apesar das poucas páginas, mas que mexe com as emoções (e convicções) do leitor. Apesar de pessoalmente não ter amado, recomendo por sua importância!

Título Original: Hate List
Autor: Jennifer Brown
Editora: Gutenberg
Número de páginas: 272
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Centro de Valorização à Vida (CVV): 188

Resenha: O Castelo – Garth Nix

Oi pessoal, tudo bem?

Aos pouquinhos, estou relendo A Sétima Torre, uma série da qual eu gostava muito quando criança. Hoje é dia de resenhar o segundo volume: O Castelo!

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Sinopse: O Mundo Escuro é um lugar gelado, com ventos e tempestades. Um véu de escuridão cobre todo o céu, e apenas o Castelo brilha com sua luz. Tal e Milla lutam corajosamente, tentando voltar ao Castelo, e têm pela frente uma missão muito perigosa. Para Tal, um Escolhido, o Castelo é seu lar – mesmo que ele já não seja mais bem-vindo ali. Para Milla, uma Garota-do-Gelo, o Castelo é um lugar estranho e misterioso, e sua presença é uma ameaça que os Escolhidos querem deter a qualquer custo. Da fatal Câmara dos Pesadelos aos aposentos mágicos de Tio Ebbitt, Tal e Milla têm que percorrer os caminhos do Castelo sem serem descobertos. Poderes sinistros conspiram contra eles, e os dois vão tentar, com todas suas forças, sobreviver.

O Castelo começa imediatamente após o final de A Queda: após a batalha contra o Merwin, Tal e Milla foram encontrados por Donzelas Guerreiras e imediatamente levados à presença da Matriarca Mãe (a maior autoridade dentre os Homens-do-Gelo), que vive no Navio em ruínas aos pés do Castelo. Após algumas tensões e promessas envolvendo Pedras-do-Sol, as crianças são liberadas para tentarem subir a Montanha de Luz, onde está localizado o lar dos Escolhidos. Muitos desafios esperam por Tal e Milla tanto fora, quanto dentro do Castelo: o gelo impiedoso, o vento da montanha e, é claro, os perigos envolvendo os próprios Escolhidos.

Infelizmente, O Castelo foi uma releitura bem mais lenta do que A Queda. Sendo honesta, não acontece muuuita coisa no enredo, e a luta para chegar aos tubos de aquecimento (que permitem a entrada escondida no Castelo) é bastante parada; por outro lado, o bacana dessa parte da história é que o foco está na aproximação de Tal e Milla. Os dois são muito jovens e teimosos, orgulhosos de suas origens (o que os torna um tanto arrogantes), mas, nesse volume, eles precisam enfrentar as adversidades juntos. Dentro do Castelo existem tantas ameaças quanto no gelo: os jovens são separados e contam apenas com o auxílio de Ebbitt (o tio-avô excêntrico de Tal) para auxiliá-los.

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Tal tem a grande responsabilidade de salvar todos os membros da sua família e, para isso, ele decide que precisa encontrar o Códex dos Escolhidos, há muito perdido em Aenir, o reino dos espíritos. O Códex é uma espécie de “livro” com inteligência própria, detentor de todos os conhecimentos sobre Aenir, suas criaturas e, consequentemente, os Espíritos-Sombra. Tal acredita que, se souber qual Espírito-Sombra capturou seu irmão, ele poderá salvá-lo e rastrear o culpado. Milla, por outro lado, deseja levar às Matriarcas não apenas a Pedra-do-Sol prometida, mas também conhecimento sobre Aenir. Seu desejo de ser ovacionada em seu retorno motiva a garota a viajar ao Mundo dos Espíritos com Tal, onde os desafios serão totalmente diferentes do que ela poderia imaginar.

O Castelo é um livro bacana, mas não me trouxe o mesmo sentimento de nostalgia e reconhecimento que senti ao reler A Queda. Ainda assim, eu adoro o universo fantástico criado por Garth Nix, e ainda acredito que seja um dos mais originais que já li. Os livros são curtos, de narrativa fácil e enredo interessante (ainda que com alguns altos e baixos) e, só por isso, já recomendo a leitura a todos que procuram uma boa fantasia infantojuvenil. 😉

P.S.: sim, as capas são horríveis. 😦

Título Original: Castle
Série: A Sétima Torre
Autor: Garth Nix
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 221
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Resenha: Uma Noite Inesquecível – Lisa Kleypas

Oi galerinha, tudo bem? 😀

Depois de concluir a história das quatro Flores Secas originais em As Quatro Estações do Amor, Lisa Kleypas trouxe mais um volume a essa série fofíssima: Uma Noite Inesquecível. Vamos conferir o que eu achei? 😉

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Sinopse: O Natal está se aproximando e Rafe Bowman acaba de chegar a Londres para uma união arranjada com Natalie Blandford. Com sua beleza estonteante e o físico imponente, ele tem certeza de que a linda aristocrata logo cairá a seus pés. No entanto, seus terríveis modos americanos e sua péssima reputação de farrista deixam Hannah, a prima da moça, chocada. Determinada a proteger Natalie, ela vai tornar a tarefa de cortejar a jovem muito mais difícil do que Rafe esperava. Hannah, porém, logo começa a se importar mais do que gostaria com o rude pretendente da prima. Rafe, por sua vez, passa a apreciar um pouco demais a companhia de Hannah, uma mulher forte e pragmática com um coração doce e gentil. E quando Daisy, Lillian, Annabelle e Evie, quatro amigas inseparáveis que já conseguiram encontrar o homem de seus sonhos, decidem agir como cupidos, quem sabe o que pode acontecer?

O mocinho dessa história de amor é Rafe Bowman, irmão mais velho de Lillian e Daisy. O rapaz vem à Inglaterra para cortejar a bela Natalie Blandford, uma jovem aristocrata com quem deve se casar. Entretanto, ele encontra um obstáculo em seu caminho: Hannah, a acompanhante e prima da jovem. Hannah cresceu com os Blandford e tem muito carinho por Natalie, desejando que a prima case com alguém à sua altura – e Rafe, com seus modos grosseiros e americanizados, bem como seu histórico libertino, com certeza não se encaixa nos pré-requisitos. Entretanto, uma fagulha inesperada se acende entre Rafe e Hannah, o que pode colocar tudo a perder.

O maior defeito deste livro é ele ser tão curto! Eu adorei Rafe e Hannah, e sua dinâmica de gato e rato é encantadora. Rafe é um homem impulsivo, despreocupado e divertido – entretanto, sofre uma cobrança sem tamanho por parte de seu pai, Thomas Bowman. A pressão para atingir as altas expectativas do pai é algo que sempre o acompanha (sendo também o motivo para ele cortejar Natalie). Hannah, por outro lado, é uma jovem dedicada, modesta e leal. É nítido seu sentimento genuíno por Natalie, ainda que esta seja uma personagem bem temperamental. As passagens em que as duas interagem contêm cenas bem engraçadas, especialmente quando Natalie demonstra o seu lado mais “travesso”, desconcertando Hannah e seus modos “puritanos”.

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O livro acaba focando um pouco demais em Lillian e Westcliff, o que eu julguei desnecessário. Pra mim, não havia motivos para esses personagens terem tanto espaço novamente (ainda mais que eu não tenho mais simpatia por Lillian). Também existe uma questão importante envolvendo os sentimentos de Natalie, mas que me deixou bem satisfeita. Todos os casais que são mostrados ao longo das (poucas) páginas tiveram um desfecho que me deixou contente, o que foi positivo. Mas, em função disso, o casal principal acabou tendo menos destaque do que deveria, o que é uma pena (considerando o quão carismáticos Rafe e Hannah são). 😦 Ah! Outra coisinha que me incomodou durante a leitura, e que eu já havia comentado em Escândalos na Primavera, é a questão da cronologia estranha, algo meio recorrente na série que se repete aqui.

Uma Noite Inesquecível demonstra mais uma vez a habilidade de cupido das Flores Secas, que adotam Hannah nesse grupo tão cativante. O livro também reforça a capacidade de Lisa Kleypas de criar uma história leve, divertida e repleta de muito romance. Apesar de curto, o livro é um spin-off digno da série de origem. 🙂

Título Original: A Wallflower Christmas
Série: As Quatro Estações do Amor
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 144
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Resenha: O Conto da Aia – Margaret Atwood

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de O Conto da Aia, clássico distópico de Margaret Wood que deu origem à série The Handmaid’s Tale. 😉

o conto da aia margaret atwood.pngGaranta o seu!

Sinopse: Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump.

Offred é uma moradora da República de Gilead (conhecida, no passado, como Estados Unidos). Diversos fatores fizeram com que grande parte da população tenha se tornado infértil, e há uma grande preocupação com a natalidade em declínio. A função de Offred nessa nova sociedade é ser uma Aia: uma mulher responsável por gerar um filho para a família de um membro do alto escalão do governo. Gilead é um país teocrata, calcado nas crenças do Antigo Testamento, e as mulheres têm papéis bem delimitados: reprodutoras (Aias), esposas, professoras (Tias) ou “domésticas” (Marthas). É através dos olhos de Offred que o leitor tem um vislumbre dos horrores que envolvem esse sistema

Eu terminei de ler esse livro em julho, mas só agora consegui escrever a respeito. A verdade é que O Conto da Aia não é um livro para ser devorado e lido de uma vez, mas sim uma obra que deve ser lida com calma, para que você possa absorver sua atmosfera enquanto compreende sua realidade. A autora é bem misteriosa no início da trama: você vai entendendo aos poucos, de acordo com as reflexões da protagonista.

A narrativa de Offred vai e vem no passado. Sabemos apenas que ela foi capturada 3 anos antes e, desde então, passou pelo treinamento necessário para se tornar uma Aia. Em Gilead, as mulheres são proibidas de ler e escrever (com exceção das Tias), então a oralidade é uma característica da narrativa: como Offred não pode escrever, ela conta ao leitor o que aconteceu com ela; desse modo, acompanhamos seu fluxo de pensamentos e seus devaneios. Isso confere à narrativa um tom intimista e também sufocante: estamos o tempo todo imersos na mente de Offred. Ela narra seu tédio, sua apatia e, claro, suas lembranças. Ela viveu em um mundo com liberdades e direitos civis e presenciou isso ser retirado das mulheres, o que é muito doloroso.

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A autora faz uma reflexão que mexeu bastante comigo: ela mostra ao leitor que as transformações podem ocorrer lentamente. Nem sempre é algo explosivo e repentino que causa mudanças drásticas em uma sociedade; muitas vezes, o discurso dos indivíduos vai dando indícios do que está por vir. Em O Conto da Aia, existem matérias nos jornais que dão pistas de que algo grave está por acontecer, mas a população não liga, não leva a sério, simplesmente porque parece distante e irreal demais. Até que acontece. Não nos comportamos exatamente assim fora da ficção?

Outra reflexão óbvia trazida por Margaret Atwood é a questão do papel da mulher em Gilead. Nessa sociedade extremista religiosa, as mulheres são designadas a papéis estereotipados: reprodutoras, professoras, donas de casa, esposas. Elas não podem ler, trabalhar, amar, conversar… Não podem nada. Nesse contexto, as Tias gozam de autoridade, mas somente sobre as mulheres sob sua tutela. Quando todos os seus direitos e liberdades são retirados, exercer poder sobre um grupo acaba sendo muito tentador, e as Tias ilustram essa situação. O papel biológico dita as regras em Gilead; sendo a reprodução o pilar dessa sociedade, gays e lésbicas não-férteis são descartáveis.

O Conto da Aia faz um trabalho primoroso em expor sutilezas do patriarcado de modo gritante. Por meio de lavagem cerebral (ou imposição de medo mesmo), as Tias fazem com que as mulheres aceitem seus papéis e condenem quem sai da normaGilead também exerce vigilância constante, por meio dos Olhos (espiões) e das próprias Aias, que fiscalizam e denunciam umas às outras, demonstrando o quanto mulheres estão inseridas em um contexto que as coloca contra si mesmas. Além disso, a obra também escancara a hipocrisia do sistema: apesar de ser baseado em regras religiosas rigorosas e punitivas, os Comandantes usufruem de prazeres proibidos graças ao seu status elevado.

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Eu tinha a expectativa de que a trama fosse sofrer alguma reviravolta. Mas a verdade é que o livro não se trata de uma revolta. Inclusive, esse aspecto me lembrou muito 1984 (do George Orwell), cujo foco é fazer o leitor mergulhar na realidade opressora dos personagens, muito mais do que propor um enredo que busque impressionar por conta dos acontecimentos em si. O final do livro incomoda, causa desconforto. As notas históricas mostram Offred sob a luz acadêmica – de um homem. Ele fala de suas vivências com frieza e até certo divertimento/ironia. É muito doloroso perceber a história de Offred, de uma mulher com tantos sofrimentos e nuances, sendo resumida a um estudo.

Como crítica, eu diria que o estilo narrativo é um pouco estranho. Não tem aspas nem travessão pra demarcar a maior parte dos diálogos: eles acontecem realmente como uma narração oral (o que faz sentido, considerando que é essa a sensação que a protagonista deseja transmitir). Essas situações ocorrem quando a personagem rememora conversas do passado, como as lições dadas pelas Tias. Com o tempo o leitor acostuma, mas é estranho ler frases construídas assim: Olá, meninas, disse a Tia Lydia. Vocês são especiais.

Sendo mulher e feminista, devo dizer que foi doloroso chegar ao fim de O Conto da Aia. O livro é poderoso não por trazer inúmeras reviravoltas de tirar o fôlego, mas por narrar com muito realismo e verossimilhança uma situação distópica com alicerces reais. Não é difícil imaginar algo desse nível acontecendo (lembrei da revolução no Irã, por exemplo, e Marjane Satrapi fala sobre as mudanças na sociedade em Persépolis). Entretanto, por mais difícil que a leitura seja, ela também tem seus momentos de inspiração: os lampejos de revolta e insubordinação de Offred dão certo consolo.

Sei que a resenha ficou enorme, mas fiz o melhor que pude pra botar pra fora todos os sentimentos e reflexões que tive ao ler O Conto da Aia. Esse é um daqueles livros que podem até não agradar todo mundo, mas que definitivamente mexem com você. Recomendo MUITO essa leitura, e obrigada por ter lido até aqui! ❤

Título Original: The Handmaid’s Tale
Autor: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Número de páginas: 368
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.