Resenha: O Impulso – Ashley Audrain

Oi pessoal, tudo bem?

Uma das grandes apostas da editora Paralela para 2021 é O Impulso, cuja prova antecipada tive a oportunidade de conferir. E olha, não vai ser fácil falar desse livro bombástico não, viu? Mas prometo fazer o meu melhor. 😂

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Sinopse: Blythe Connor está decidida a ser a mãe perfeita, calorosa e acolhedora que nunca teve. Porém, no começo exaustivo da maternidade, ela descobre que sua filha Violet não se comporta como a maioria das crianças. Ou ela estaria imaginando? Seu marido Fox está certo de que é tudo fruto do cansaço e que essa é apenas uma fase difícil. Conforme seus medos são ignorados, Blythe começa a duvidar da própria sanidade. Mas quando nasce Sam, o segundo filho do casal, a experiência de Blythe é completamente diferente, e até Violet parece se dar bem com o irmãozinho. Bem no momento em que a vida parecia estar finalmente se ajustando, um grave acidente faz tudo sair dos trilhos, e Blythe é obrigada a confrontar a verdade. Neste eletrizante romance de estreia, Ashley Audrain escreve com maestria sobre o que os laços de família escondem e os dilemas invisíveis da maternidade, nos convidando a refletir: até onde precisamos ir para questionar aquilo em que acreditamos?

O Impulso é narrado em primeira pessoa por Blythe em um discurso direcionado ao seu ex-marido, Fox. A obra inicia com Blythe observando a casa do ex, que parece o cenário perfeito com sua esposa grávida e seus dois filhos – sendo a criança mais velha, Violet, filha de Fox com Blythe. A protagonista-narradora diz então que vai contar a ele o seu ponto de vista sobre tudo que aconteceu na vida do casal, e a partir desse ponto ela remonta ao início do relacionamento, bem como nos fornece informações sobre sua mãe e sua avó.

O Impulso é, em essência, um thriller sobre maternidade. Tanto Blythe quanto sua mãe, Cecilia, e sua avó, Ella, tiveram histórias muito difíceis e traumatizantes. Cecilia chegou a dizer à filha que as mulheres da família são problemáticas, e essas palavras marcaram Blythe. Quando ela conhece Fox, que vem de um lar estruturado e feliz, Blythe vê a oportunidade de se afastar das sombras que a acompanham, mas também de fazer diferente. Sabendo que Fox deseja casar e ter filhos, Blythe proporciona isso a ele – mas ela não demora a perceber que a maternidade não é simples e, principalmente, não deveria ser exercida sem vontade genuína.

É impossível ler O Impulso sem pensar em Precisamos Falar Sobre o Kevin. Até a cena do parto, em que Blythe reluta para deixar sua filha vir ao mundo, lembra a reação de Eva (mãe de Kevin). A verdade é que Blythe demora a perceber que a tomada de decisão para ser mãe foi motivada por vontade de agradar ao marido e por pressão social, já que espera-se que toda mulher queira ser mãe. O Impulso expõe as pressões da maternidade compulsória de forma intensa, deixando claro que essas inseguranças e medos são reforçados diariamente quando vemos discursos repetidos à exaustão de que “a maternidade é uma benção” e que “só olhar pro rostinho faz valer a pena”. E não me entendam mal, eu não estou dizendo que não vale a pena ser mãe. O que estou dizendo é que a romantização da maternidade é perigosa e não nos prepara, enquanto mulheres, para uma realidade cheia de mudanças físicas, exaustão mental e até mesmo solidão. Blythe vivencia isso na pele ao achar que é a única mulher do mundo a vivenciar tais problemas, e basta seguir UM Instagram de maternidade real pra sabermos que não, ela não é a única.

O livro ganha a atmosfera de thriller conforme Violet cresce. Blythe e a filha não conseguem criar um vínculo, e a menina só ama e respeita o pai. Recusa em mamar, choro ao ficar no colo de Blythe e uma negação em tratar a mãe com carinho são alguns dos sinais de alerta que preocupam Blythe (e que Fox se recusa a enxergar). Quando Violet passa a demonstrar sinais de crueldade e falta de remorso, a protagonista sente que o abismo entre elas aumenta e que está mais só do que nunca, já que seu marido parece responsabilizá-la pela falta de vínculo. Aliás, já que estou falando no Fox, vamos parar um minutinho pra ressaltar quão lixo é este homem? O cara idealiza a família perfeita e culpa Blythe por não consegui-la, causando também um silenciamento amargo e difícil de digerir. Por amar Violet incondicionalmente, ele tira a voz de sua esposa ao se recusar a tentar compreendê-la, partindo para uma suposição de que Blythe está exercendo seu maternar de um jeito errado (alô alô, gaslighting). Fox queria uma mulher dócil e capaz de suprir as expectativas irreais e idealizadas dele, colocando Blythe em uma posição que a obriga a não apenas tentar atingir os padrões da sociedade, mas também os seus.

Quando Blythe se vê grávida do segundo filho, ela enxerga também a oportunidade de fazer tudo diferente. Dessa vez ela deseja a criança de todo o coração, e o vínculo é imediato. Ela finalmente vê um caminho que a absolva de sua própria culpa, mas o leitor sabe que algo está para acontecer; a protagonista-narradora já deixou isso claro. E é aí que O Impulso fica perturbador, causando em mim uma sensação muito parecida com a que Verity causou (mas no sentido do desconforto, não no do ritmo frenético e impossível de largar). A sensação sufocante e o medo do que vem a seguir permeiam o relato de Blythe, tornando a experiência bem angustiante.

Como pontos negativos, eu traria o formato do relato e a “barriga” que a obra ganha após um evento traumático. Apesar de intercalar a narrativa em primeira pessoa de Blythe com descrições sobre as vidas de Ella e Cecilia, grande parte do livro é um monólogo. Isso pode cansar um pouco, já que traz somente o ponto de vista de Blythe, o que inclui suas divagações. E a “barriga” acontece depois da metade do livro, quando a obra parece não evoluir muito em direção à resolução do mistério. Na minha opinião, isso poderia ter sido um pouco mais ágil e enxuto.

O Impulso é um livro excelente para colocar em xeque nossas crenças a respeito da maternidade. Com um ritmo inquietante e fatos que mexem com o leitor, ele também funciona muito bem como o thriller que se propõe a ser – mas exercendo também o papel de um drama familiar. Acho improvável que ele não faça o leitor refletir em algum nível, e só por isso já vale a pena conferir. Romantizar a maternidade é algo que prejudica a todas as mulheres, e eu adoraria ver mais obras que tocassem nessa ferida por aí.

Título original: The Push
Autora: Ashley Audrain
Editora: Paralela
Número de páginas: 328
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Um Estranho Irresistível – Lisa Kleypas

Oi galera, tudo bem?

Hoje vim dividir com vocês minha experiência com Um Estranho Irresistível, o quarto volume da série Os Ravenels!

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Sinopse: Uma mulher que desafia seu tempo. Dr. Garret Gibson, a única médica mulher na Inglaterra, é tão ousada e independente quanto qualquer homem – por que não lidar com os próprios desejos como se fosse um? No entanto, ela nunca ficou tentada a se envolver com alguém, até agora. Ethan Ransom, um ex-detetive da Scotland Yard, é tão galante quanto secreto, e sua lealdade é um verdadeiro mistério. Em uma noite emocionante, eles cedem a uma poderosa atração mútua antes de se tornarem estranhos novamente. Um homem que quebra todas as regras. Ethan tem pouco interesse pela alta sociedade, mas é cativado pela preciosa e bela Garrett. Apesar da promessa de resistir um ao outro depois daquela noite sublime, ela logo será atraída para sua tarefa mais perigosa. Quando a missão dá errado, Garret usa toda a sua habilidade e coragem para se salvar. À medida que enfrentam a ameaça de uma traição do governo, Ethan fica disposto a assumir qualquer risco pelo amor da mulher mais extraordinária que já conheceu.

Talvez pelo fato de eu ter demorado bastante pra ler Um Estranho Irresistível após a leitura de Um Acordo Pecaminoso, mas a verdade é que estranhei muito o começo do livro. Ele me soou abrupto e a forma como Garrett se viu envolvida por Ethan foi muito rápida pra mim, especialmente quando pensamos na animosidade que a doutora dirigiu a ele nos volumes anteriores (sim, me prestei a procurar a participação dele). Há também uma série de detalhes que Um Estranho Irresistível retoma que eu havia esquecido, então reler o envolvimento de Ethan foi útil pra me lembrar de pontas soltas que Lisa Kleypas se propôs a fechar a respeito do personagem.

Tirando esse início truncado causado pelo meu lapso de memória, o livro segue a mesma fórmula de sempre: flertes, algo que impede o casal de ficar junto, mais flertes, sexo, resolução dos problemas. E, no geral, eu adoro essa dinâmica dos romances de época e sempre fico animada e suspirante. Com Um Estranho Irresistível, isso não aconteceu. 😦 Eu esperava ser arrebatada por Garrett, que é uma personagem feminina forte e muito à frente de seu tempo, mas acho que o timing não foi favorável e eu não estava no meu melhor momento pra essa leitura (tanto que levei mais dias do que o normal pra concluí-la). Não há nada específico que tenha me incomodado, é mais como se simplesmente não tivéssemos dado match, sabem? Por isso que não quero ser injusta com Um Estranho Irresistível e criticar coisas que, no geral, eu costumo gostar e que dificilmente me incomodam (como os clichês do gênero, por exemplo).

A história de Ethan é mais interessante: ex-investigador da polícia, agora trabalhando diretamente para um homem de alto escalão do Ministério do Interior, o protagonista masculino é cheio de mistérios. Além da relação abusiva que o seu chefe mantém, sabendo que Ethan tem problemas mal resolvidos com seu pai e usando disso para manipulá-lo, existem elementos sobre seu passado que nos deixam curiosos para descobrir. Para ser justa, é bem fácil desvendar esse segredo, mas a ansiedade fica por conta de saber quando e como ele será revelado, assim como as reações dos envolvidos.

Um Estranho Irresistível se afasta bastante do núcleo principal dos Ravenels, e talvez por isso eu não tenha me envolvido tanto quanto poderia. Felizmente existe espaço para um dos meus favoritos, West, que mais uma vez rouba a cena. Não vejo a hora de ler a história focada nele! Mas, em resumo, Um Estranho Irresistível é um bom romance de época e tem tudo pra agradar, só que pra mim acabou sendo só mais uma leitura. Às vezes acontece, né? 🤷‍♀ Eu adoraria de ouvir a opinião de quem já leu: vocês gostaram desse livro? Se sim, me contem nos comentários! Vou adorar ver pontos de vista diferentes, que talvez me façam sentir mais carinho por essa experiência. 😀

Título original: Hello Stranger
Série: Os Ravenels
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304
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Resenha: Por Trás de Seus Olhos – Sarah Pinborough

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje estreou na Netflix a série Por Trás de Seus Olhos, que adapta o livro de mesmo nome. Por isso, antes de dar o play, corri para ler o material original e vou contar pra vocês o que eu achei!

Garanta o seu!

Sinopse: Louise é mãe solteira, trabalha como secretária e está presa à rotina da vida moderna: ir para o escritório, cuidar da casa, do filho e tentar descansar no tempo livre. Em uma rara saída à noite, ela conhece um homem no bar e se deixa envolver. Embora ele se vá logo depois de um beijo, Louise fica muito animada por ter encontrado alguém. Ela só não esperava que seu novo e casadíssimo chefe seria o homem do bar. Apesar de ele fazer questão de logo esclarecer que o beijo foi um equívoco, em pouco tempo os dois passam a ter um caso. Em uma terrível sequência de erros, Louise acaba ficando amiga da esposa do amante. E, se você acha que sabe para onde esta história vai, pense de novo, porque Por trás de seus olhos não se parece com nenhum livro que já tenha passado por suas mãos. À medida que é arrastada para a história do casal, Louise acaba com mais perguntas que respostas e a única coisa certa é que algo naquele casamento está muito, muito errado.

Na trama acompanhamos o dilema de Louise, que inicia um caso com seu chefe, David, ao mesmo tempo em que acaba se tornando amiga da esposa dele, Adele. As duas têm uma conexão quase instantânea, especialmente porque dividem um mesmo fardo, que é a dificuldade para dormir. Adele então passa a ensinar uma técnica de sonhos lúcidos a Louise, de forma que ela consiga controlar seus pesadelos e, assim, efetivamente descansar. Só que, com o virar das páginas, o leitor entende que há algo de errado: os capítulos narrados por Adele indicam que ela sabe que está sendo traída por David e Louise, e há alguma trama em curso que a autora mantém em segredo de nós.

Por Trás de Seus Olhos tem um início que me deixou um pouco confusa, pois são 3 linhas narrativas: no presente há a narração em primeira pessoa feita pelas duas protagonistas femininas, Louise e Adele; no passado, a narração acontece em terceira pessoa e acompanha o tempo de Adele numa instituição psiquiátrica, onde ela convive com aquele que se torna seu melhor amigo, Rob. Mas, depois que saquei o padrão dessas mudanças (de primeira para terceira pessoa), a leitura fluiu demais. Sarah Pinborough escreve capítulos curtos e ágeis, exatamente do jeito que eu gosto, fazendo com que fosse difícil largar o livro.

Um dos aspectos mais difíceis nesse livro é o fato de que nenhum personagem presta. Louise é uma mulher que foi traída e mesmo assim não hesita em manter o caso com o marido da sua nova amiga; Adele é obcecada por David e nitidamente esconde segredos; David trai a esposa e há lampejos de uma violência nele que nos faz pensar que Adele corre perigo. Como torcer por pessoas assim? Além disso, como Louise representa o leitor (ou seja, alguém alheio à verdade), é bastante cansativo acompanhar seus questionamentos e dúvidas a respeito de David e Adele quando, nos capítulos narrados por Adele, sabemos que esta já sabe da traição. Fiquei com uma sensação de que a leitura não avançava e apenas se repetia, já que em um momento estou descobrindo os pensamentos de Adele e no momento seguinte preciso ver Louise se questionando a respeito deles.

Quando chegamos ao final do livro, a autora nos traz um plot twist de cair o queixo, mas que também me fez torcer o nariz porque me senti enganada – e não daquele jeito gostoso, de quando as peças se encaixam. A real é que eu me senti feita de trouxa pela autora. Há um aspecto místico em Por Trás de Seus Olhos sobre o qual não vou falar pra não estragar a sua experiência, mas eu fiquei intrigada e torci muito para que mais detalhes sobre ele fossem revelados, e não é o que acontece. Então, quando chegamos ao final da história, simplesmente temos que engolir a solução proposta por Sarah Pinborough, que tem um quê de sobrenatural, o que nem de longe funciona comigo. Eu gosto de thrillers justamente pela proximidade que eles têm com a vida real, com o medo causado pelo que de fato poderia acontecer, e pra mim Por Trás de Seus Olhos falhou nisso ao usar um recurso mal explicado e pouco crível. Pra não ser injusta, ressalto que há sim um aspecto positivo no desfecho: ele condiz com os capítulos narrados em terceira pessoa e explica os diferentes comportamentos de Adele, que me causavam bastante estranhamento.

A verdade é que eu esperava mais de Por Trás de Seus Olhos, especialmente ao ver a nota dele no Skoob. Sim, o final é surpreendente, mas não me convenceu. A história é instigante (apesar das enrolações) e consegue manter a nossa atenção mas, como mencionei nesse post aqui, finais ruins estragam experiências pra mim. Minha torcida agora é para que a série da Netflix trabalhe com mais competência esses detalhes que me incomodaram. E vocês, já leram Por Trás de Seus Olhos? O que acharam? 😉

Título original: Behind Her Eyes
Autora: Sarah Pinborough
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 352
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Resenha: Pequeno Manual Antirracista – Djamila Ribeiro

Oi galera, tudo bem?

Recentemente tive a oportunidade de ler Pequeno Manual Antirracista, da filósofa e ativista Djamila Ribeiro, e foi uma experiência que eu precisava compartilhar com vocês o mais rápido possível. Em tempos de preconceitos sendo televisionados diariamente sem o menor pudor (alô, BBB), pensar e agir de forma antirracista se torna ainda mais necessário.

Garanta o seu!

Sinopse: Neste pequeno manual, a filósofa e ativista Djamila Ribeiro trata de temas como atualidade do racismo, negritude, branquitude, violência racial, cultura, desejos e afetos. Em dez capítulos curtos e contundentes, a autora apresenta caminhos de reflexão para aqueles que queiram aprofundar sua percepção sobre discriminações racistas estruturais e assumir a responsabilidade pela transformação do estado das coisas.

Pequeno Manual Antirracista é um livro super curtinho e objetivo. A autora traz 10 tópicos fundamentais para que a gente dê o primeiro passo em direção à postura antirracista. Diversos assuntos que Djamila aborda são bem mais complexos, e a autora salienta isso (ou seja, ela deixa claro que existem debates que se estendem para além das páginas), mas a questão principal aqui é entender que a obra é um ponto de partida, e não uma verdade absoluta com a qual podemos “nos acomodar”. Djamila Ribeiro nos incentiva a ir além, mas dá as ferramentas iniciais para a virada de chave. E o melhor de tudo: com uma abordagem fácil de entender e com explicações sempre que um termo mais acadêmico surge. Mais democrático, impossível. Com isso, o livro acaba também sendo um instrumento poderoso até para nos fornecer argumentos em discussões com quem não vê a gravidade do problema, já que a autora explica não apenas os problemas causados no presente como também remonta às origens desses problemas.

Só pra vocês terem um “cheirinho” de tudo que Pequeno Manual Antirracista trata, resolvi trazer a lista de capítulos: 1) Pesquise sobre o racismo; 2) Enxergue a negritude; 3) Reconheça os privilégios da branquitude; 4) Perceba o racismo internalizado em você; 5) Apoie políticas educacionais afirmativas; 6) Transforme seu ambiente de trabalho; 7) Leia autores negros; 8) Questione a cultura que você consome; 9) Questione seus afetos; 10) Combata a violência racial; Conclusão: Sejamos todos antirracistas.

Pessoalmente, os itens 3, 4 e 6 dialogaram muito comigo. Falando um pouquinho sobre enxergar a branquitude, é aqui que Djamila traz a ação do branco no combate ao racismo. Mesmo quem não corrobora com violências de raça também usufrui dos privilégios construídos a partir da escravidão. Em um país com mais de 50% da população sendo negra, deveria ser mais chocante que negros sejam minorias em posições privilegiadas de poder. Djamila diz então que o branco precisa não se culpar (que leva à inércia), mas sim se responsabilizar (que leva à ação), fazendo sua parte para ascender pessoas negras. O item 4, que nos provoca a perceber nosso racismo internalizado, também é intenso. Esse é o capítulo que faz a gente questionar até mesmo as frases de “defesa” que usamos pra afirmar que não somos racistas. Acontece que racismo pode estar até no silenciamento quando alguém faz uma piada racista. Ser antirracista é correr o risco de ser designado como “o chato” e seguir cumprindo essa luta. Por fim, o item 6 (sobre ambiente de trabalho) também conversou diretamente comigo, considerando que estou numa posição em que contrato pessoas. Venho fazendo um esforço pra diversificar a minha equipe por entender que o mercado de trabalho ainda relega às pessoas negras subempregos, em sua maioria. Mas estamos muito, muito longe do ideal, e é importante que as empresas tomem à frente de forma mais completa e incisiva (com a criação de comitês de diversidade, por exemplo).

Trouxe alguns exemplos das minhas reflexões pra ilustrar pra vocês o quanto Pequeno Manual Antirracista faz a gente pensar. Todos os pontos trazidos por Djamila Ribeiro são relevantes e valiosos, cada virar de página traz uma lição importante – que incomoda e, justamente por isso, é necessária. O livro expõe de forma clara e contundente as diversas formas que o racismo age na nossa sociedade, e a única forma de mudarmos isso é saindo da inércia. Repito aqui o que Djamila diz na introdução: o antirracismo é uma luta de todas e todos.

Título original: Pequeno Manual Antirracista
Autora: Djamila Ribeiro
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 136
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Resenha: Depois do Sim – Taylor Jenkins Reid

Oi pessoal, tudo bem?

Faz um tempo que o nome da Taylor Jenkins Reid está no meu radar e, felizmente, tive a chance de entrar em contato com a escrita da autora por meio do excelente Depois do Sim. Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: Após onze anos de casamento, Lauren e Ryan chegam à triste conclusão de que não estão felizes juntos. Esse poderia ser o fim, mas para os dois é só o começo. Eles vão passar por um ano diferente de tudo aquilo que já viveram, no qual aprenderão muito mais sobre si mesmos do que seriam capazes de imaginar. “Depois do sim” é uma história sobre o que acontece quando a paixão parece não estar mais lá. Sobre as várias facetas do amor. Sobre aprender a mantê-lo, perdê-lo, redescobri-lo e aceitá-lo como ele é. Acima de tudo, é a história de um casal preso nas armadilhas de seus hábitos e manias, mas disposto a buscar um novo e inusitado caminho para fazer dar certo.

O livro começa nos apresentando a um casal visivelmente contrariado na companhia um do outro. O motivo do stress e da animosidade é simples (bobo até) e reside no fato dos dois estarem saindo de um estádio lotado e não lembrarem onde deixaram o carro. Desse ponto, a narradora – Lauren  volta no tempo e começa a contar como seu relacionamento iniciou e como ele chegou àquele momento que acabamos de presenciar. Conhecemos a versão jovem universitária de Lauren e também de seu marido, Ryan, e o amor intenso, saudável e sólido que os dois construíram. Depois lemos a respeito do pedido de noivado e do casamento. Até aqui, a história de amor é de fazer suspirar. Pouco a pouco, conforme vamos chegando perto do presente, pequenos sinais de desgaste vão surgindo: o sexo é quase inexistente, as brigas por coisas corriqueiras aumentam e a distância entre os dois também. E o leitor fica tão triste quanto Lauren e Ryan ao presenciar essa transição, que culmina num acordo desesperado: eles ficarão separados por um ano, sem contato, na tentativa de retomarem a relação após esse prazo. E essa decisão promove mudanças profundas nos protagonistas – especialmente Lauren, cujo ponto de vista nos guia.

Qualquer pessoa que já viveu um relacionamento longo tem grandes chances de se identificar bastante com Depois do Sim. Taylor Jenkins Reid é muito competente em fazer a transição natural que acontece do início do namoro (repleta de paixão) para uma relação duradoura (mais baseada na rotina), colocando um ingrediente fundamental pra fazer com que Lauren e Ryan fracassem: o ressentimento. Se no início da relação um era mais paciente com o outro, dispostos inclusive a concordar com certas coisas só pra ver o parceiro feliz, com o tempo essa prática se torna insustentável. Então Lauren e Ryan carregam uma carga de coisas não-ditas e de mágoas não resolvidas que mina a relação ao ponto de ser impossível dividir o mesmo lar. A decisão de ficarem um ano separados é pouco ortodoxa e causa estranhamento, mas os dois decidem que será necessário esse tempo longe pra entenderem se ainda se amam e sentem saudade um do outro.

Adoro que a autora trate da separação e da mudança do amor com realismo, mas sem ser cínica. Lauren não se torna alguém que não acredita mais no amor ou no próprio casamento – mas se questiona pra entender onde eles erraram, o que poderia ter sido diferente. Isso é muito relacionável, especialmente se você já passou por algum tipo de rompimento significativo. Por mais que no início a separação seja sufocante e Lauren ache impossível viver sem Ryan, aos poucos ela percebe que existe muito na vida além da relação que iniciou aos 19 anos. Sua família tem um papel primordial nisso, e eu adorei os pequenos detalhes que caracterizam cada membro dela. Os Spencer são muito carismáticos, incluindo a ácida e divertida vó Lois. Lauren descreve pequenas “manias” da família, como disputar a melhor rota no trânsito, e há pinceladas disso em várias cenas de forma muito natural, o que causa a sensação de que conhecemos aqueles personagens. Além deles, Lauren também conta com o apoio dos amigos para manter a cabeça ocupada e expandir seus horizontes a respeito de onde a vida pode levá-la (e do quão surpreendente ela pode ser).

Um ponto importante reside no fato de que Lauren busca exemplos à sua volta, desejando ser um deles pra saber o que vem a seguir (como sua mãe, tendo um namorado aos 59 anos, ou sua avó, que amou seu avô a vida toda). Mas a verdade é que cada vida e cada relacionamento são únicos. A gente não consegue, por mais que queira, saber o que vem pela frente. E quando ela se dá conta de que precisa deixar a vida acontecer e ser surpreendida pelo que cada dia reserva, Lauren começa a amadurecer de uma forma que ela não imaginava ser possível.

Depois do Sim é um livro que trata de um tema complexo e por vezes doloroso, mas Taylor Jenkins Reid narra cada passo dessa relação de uma forma divertida, suave e inspiradora, mesmo nos momentos mais difíceis. A visão da autora e da protagonista sobre as relações é bastante real, mas de forma que deixe espaço para a esperança e para a renovação. Lauren é uma narradora fácil de gostar, assim como as pessoas que a cercam, e o leitor se vê torcendo pra que de fato o melhor aconteça após aquele ano (mesmo que isso possa significar um divórcio). Mas, mais do que ser um livro envolvente, Depois do Sim também é uma obra que nos mostra o quanto vale a pena nos conhecermos e estarmos felizes com a nossa própria companhia para então apreciarmos a do outro. Terminei o livro com o coração quentinho, acreditando no amor mas também nas inúmeras possibilidades de recomeço que a vida nos oferece. Favoritado! ❤

Título original: After I Do
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Fabulador: O Chamado de Morrigan Crow – Jessica Townsend

Oi pessoal, tudo bem?

A resenha de hoje é um combo entre manter o foco na minha meta literária de 2021 e matar a curiosidade sobre a continuação de Nevermoor, uma série que já me cativou. Fabulador é o segundo volume e desenvolve ainda mais a história da ex-azarada Morrigan Crow. Atenção: a resenha tem alguns spoilers do volume anterior!

Garanta o seu!

Sinopse: Morrigan Crow pode ter derrotado sua maldição mortal, superado os desafios perigosos e entrado para a Sociedade Fabulosa, mas sua jornada por Nevermoor e todos os seus segredos está apenas começando… Os cidadãos da mágica e secreta cidade de Nevermoor têm uma memória viva dos ataques orquestrados pelo único Fabulador que conhecem, Ezra Squall – e sem dar uma chance para Morrigan, agem como se ela fosse tão mortal quanto. Por isso, não é surpresa que, quando integrantes da Sociedade Fabulosa começam a sumir, Morrigan se torne a principal suspeita. Agora, Morrigan e seus amigos, os antigos e os novos, terão que provar sua inocência antes que ela seja expulsa da Sociedade, o único lugar que ela chama de casa, para sempre.

Após descobrir que é uma Fabuladora, compartilhando da mesma habilidade que o grande vilão Ezra Squall possui, Morrigan fica bastante insegura com o seu futuro em Nevermoor. A jovem conseguiu vencer os desafios e ser aceita na Sociedade Fabulosa, mas será que seus colegas de unidade também farão o mesmo por ela? Quando um bilhete que ameaça expor o segredo de Morrigan e da Unidade 919 para toda a Sociedade chega, seus membros passam a ser chantageados – e quase todos se ressentem de Morrigan por isso. Para tornar o ano da garota ainda mais difícil, seu patrono Jupiter North está em uma missão para encontrar membros desaparecidos da Soculosa, e Ezra Squall segue como uma presença que vigia cada passo da menina que ele deseja como aprendiz.

Nevermoor: Os Desafios de Morrigan Crow terminou de um jeito que tornou impossível não aguardar ansiosamente pela continuação. O desejo do vilão em ser professor de Morrigan, somado ao fato de que finalmente conheceremos a Sociedade Fabulosa pela perspectiva da protagonista, foram o gancho perfeito para a continuação. Fabulador flerta bastante com Harry Potter, mais do que o primeiro livro: há uma escola dividida por “casas” (aqui representadas pelas Artes Arcanas e as Artes Mundanas), há um vilão usando uma conexão secreta com a protagonista para plantar dúvidas em sua mente e há até mesmo uma traição. Mas, apesar de isso tornar Fabulador um pouquinho mais lugar-comum, não chega a tirar o brilho da obra. Jessica Townsend conseguiu manter o carisma de sua história e desenvolver mais elementos interessantes.

Jupiter, infelizmente, fica um pouco apagado nesse volume, perdendo aquele arzinho de Chapeleiro Maluco que eu achava bem charmoso nele. Morrigan, por outro lado, se torna uma protagonista da qual gosto mais. Ela tem mais atitude, mas não é egoísta; ela pensa no bem dos outros, mas também luta por si mesma; ela fica triste pela sua exclusão, mas tem empatia para compreender os dilemas de seus colegas. Hawthorne continua sendo o amigo mais leal possível, enquanto Cadence ganha um espaço bastante merecido no trio (mais uma semelhança com Harry Potter, invertendo o gênero dos personagens rs).

Além de aprofundar o cenário que envolve a Sociedade Fabulosa, Fabulador também nos leva a outros lugares em Nevermoor (como o interessantíssimo Museu dos Momentos Roubados). O plot do desaparecimento de membros da Soculosa é muito legal e coloca os jovens protagonistas em uma missão investigativa cheia de ação, o que torna a leitura ágil e envolvente. Além disso, ver Morrigan aprender pouco a pouco sobre o que significa ser uma Fabuladora e a controlar seus poderes é muito instigante.

Fabulador é uma ótima sequência para a série Nevermoor e não caiu na “maldição do segundo livro”. Apesar das semelhanças com outras séries infantojuvenis do gênero, gosto da proposta de Jessica Townsend e do universo construído por ela. Enxergo muito potencial na saga e mal posso esperar pra ver Morrigan aprendendo mais sobre seus poderes e convivendo com outras pessoas habilidosas. ❤ E se você curte esse estilo de livro, te digo que com certeza vale a pena adicionar a série à sua listinha de leituras!

Título original: Wundersmith: The Calling of Morrigan Crow
Série: Nevermoor
Autora: Jessica Townsend
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 368
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: O Ickabog – J. K. Rowling

Oi pessoal, tudo certo?

Assim como boa parte do fandom, eu também me decepcionei demais com a J. K. Rowling desde seus tweets transfóbicos. Inclusive não pretendia (nem pretendo, até o momento) adquirir seus livros novos, mas acabei recebendo como uma ação de divulgação da Editora Rocco um exemplar de O Ickabog. Decidi fazer um esforço de descolar um pouco a experiência de leitura da obra das coisas horríveis que ela disse, e felizmente esse esforço foi recompensado, porque eu me deparei com um ótimo livro (e devo admitir: mesmo zangada, continuo gostando de tudo que essa mulher escreve – exceto seus tweets, obviamente).

Garanta o seu!

Sinopse: Com a altura de dois cavalos, olhos que brilham como bolas de fogo, garras afiadas e compridas feito navalhas, o Ickabog está chegando. Um monstro mítico, um reino em perigo e uma aventura que irá testar a bravura de duas crianças. Descubra uma história brilhantemente original, divertida e irônica, sobre o poder da esperança e da amizade, de J.K. Rowling, autora de Harry Potter, uma das maiores contadoras de história de todos os tempos. O reino da Cornucópia já foi o mais feliz do mundo. Tinha muito ouro, um rei com os melhores bigodes que você poderia imaginar, e açougueiros, padeiros e queijeiros cujas comidas deliciosas faziam uma pessoa dançar de prazer. Tudo parecia perfeito, mas nos pântanos enevoados ao norte, segundo a lenda, vivia o monstruoso Ickabog. Qualquer pessoa sensata sabia que o Ickabog era apenas um mito para assustar as crianças e fazê-las se comportar. Mas quando esse mito ganha vida própria, lançando uma sombra sobre o reino, duas crianças – os melhores amigos Bert e Daisy – embarcam em uma grande aventura para desvendar a verdade, descobrir onde está o verdadeiro monstro e trazer a esperança e a felicidade de volta para Cornucópia. Em uma bela edição capa dura O Ickabog traz 34 ilustrações coloridas de crianças brasileiras de 7 a 12 anos de vários estados do Brasil, vencedoras do Concurso de Ilustração Ickabog.

O Ickabog é um livro que J. K. começou a escrever para os seus filhos quando eles eram pequenos, mas só concluiu durante a pandemia no ano passado. Cada capítulo foi sendo disponibilizado na internet e também rolou um concurso no qual crianças brasileiras foram escolhidas para ilustrar o livro. A edição física está fantástica, a Editora Rocco caprichou muito em cada detalhe: a capa é dura e alguns elementos têm um brilho dourado muito bonito, além das ilustrações nas páginas internas. 

A história começa com um típico “Era uma vez…”, que já nos transporta para o tempo tranquilo da infância. A autora conta a história do reino da Cornucópia, um lugar feliz, tranquilo e conhecido por sua excelente gastronomia e produção de vinho. O reino era governado pelo gentil (mas ingênuo e vaidoso) Rei Fred, cujos amigos mais próximos eram o vil Lorde Cuspêncio e Lorde Palermo, braço direito de Cuspêncio. Quando um aldeão pede ajuda ao rei para que salve seu cachorro desaparecido de um monstro conhecido como Ickabog (até então apenas uma lenda), uma série de eventos trágicos dá a Cuspêncio a desculpa perfeita para manipular o rei e fazer da Cornucópia apenas uma sombra do que era. E mudar esse destino é algo que está em mãos muito jovens: mais precisamente os amigos de infância Daisy e Bert.

Dá pra notar como a premissa já transmite o caráter lúdico da história, não é mesmo? A obra trata de assuntos pertinentes de uma forma fácil para que as crianças entendam, mas também capaz de fazer os adultos refletirem: há um governo que se isenta da responsabilidade (causando muita desigualdade e sofrimento), a corrupção destruindo a vida de milhares de pessoas, as graves consequências das “fake news” (ainda que ditas de outra forma) e também o preconceito contra aquilo que é desconhecido. E ao mesmo tempo em que fiquei impressionada com o quanto o livro dialoga com a realidade em que vivemos, também foi impossível não ficar me perguntando como uma autora que fala com tanta sensibilidade sobre esses assuntos pode corroborar na vida real com discursos que oprimem grupos já marginalizados. Tenho muita dificuldade de assimilar isso, sério. :/

Agora, falando sobre os protagonistas, Daisy e Bert são personagens cativantes. Ambos tiveram perdas familiares causadas pelas pessoas no poder e tiveram suas vidas radicalmente mudadas. Daisy em especial é uma personagem que causa muita afeição: mesmo com toda a crueldade que ela presenciou e mesmo com uma carga tão grande de dor ainda na infância, a menina se transformou numa jovem que cuida do próximo e que crê na bondade dos outros. Daisy é um ótimo exemplo para as crianças, tanto de coragem quanto de resiliência e de empatia.

Como pontos negativos eu traria somente dois aspectos: o livro ganha uma certa “barriga” lá pela metade que torna um pouco mais difícil prosseguir, especialmente porque há uma longa sequência de negatividade acontecendo; o segundo ponto é o final, que soou apressado em comparação a todo o tempo que a autora dedicou ao resto da narrativa – especialmente porque é no terço final que um personagem MUITO importante aparece, e ele merecia mais espaço.

O Ickabog foi uma leitura leve, divertida e que me transportou pras histórias que eu lia quando era pequena, ainda que com uma crítica social mais elaborada. É difícil não fazer paralelos com os (des)governos que ganharam força nos últimos anos e pensar que países como o nosso estão sendo jogados cada vez mais fundo na lama por irresponsabilidade e crueldade alheia. Mas, apesar de trazer a dor e o sofrimento da Cornucópia ao longo das páginas, O Ickabog termina como um livro infantil deve terminar: com a esperança de um “felizes para sempre”. E em tempos como esses, toda dose de esperança é bem-vinda. 🙂

Título original: The Ickabog
Autora:
J. K. Rowling
Editora: Rocco
Número de páginas: 288
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

6 livros pra ler em 2021

Oi pessoal, tudo bem?

Eu não tenho o hábito de entrar em maratonas literárias ou fazer desafios tipo o TBR, mas esse ano fiquei com vontade de estabelecer uma meta modesta pra 2021, reunindo 6 títulos que eu quero ler. Espero que esse post sirva como autocobrança lembrete tanto dos títulos que não vejo a hora de conferir quanto dos esquecidos no churrasco que aguardam há tempos a sua vez. 😂 Bora espiar os títulos escolhidos?

Fabulador: O Chamado de Morrigan Crow

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Eu adorei o universo fantástico criado por Jessica Townsend em Nevermoor: Os Desafios de Morrigan Crow, e o final bombástico do primeiro volume me fez ansiar pela continuação. Já comecei a ler e estou gostando bastante dessa sequência. 😍

Rede de Sussurros

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A sinopse desse livro me lembrou a pegada das obras de Liane Moriarty, com uma trama girando em torno do universo feminino e dos diversos desafios que enfrentamos por sermos mulheres. Ao que parece, Rede de Sussurros dialoga muito com o movimento #MeToo e quero descobrir se essa primeira impressão é real.

Filhos de Virtude e Vingança

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Mais um caso de “segundo livro” na lista! Filhos de Sangue e Osso foi uma leitura incrível com um final chocante, então também não vejo a hora de descobrir o que acontece em Orïsha.

A Rebelde do Deserto

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Chego a ficar com pena do quanto esse livro tem aguardado com paciência na fila de leituras. 🙈 Faz tempo que quero conferir essa história que recebe tantos elogios na blogosfera, e espero que em 2021 essa leitura finalmente aconteça.

Um Estranho Irresistível

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Estou atrasadíssima com a série Os Ravenels, por isso quero conferir o 4º volume da série. Gosto muito dos livros da Lisa Kleypas, mas desejo desbravar outras autoras de romance de época e sei que só vou conseguir fazer isso quando terminar Os Ravenels.

Em Guerra

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Em 2015 eu iniciei minha releitura da coleção A Sétima Torre, que eu adorava quando criança. Já cheguei na parte inédita da história (já que na época li somente os 3 primeiros livros) e estou curiosa pra saber como essa saga termina. A Priscilla de 8 anos vai ficar muito feliz com isso! E a Priscilla de 27 vai ficar contente porque pretendia terminar todos os livros em 2020 e não conseguiu. 😂

Quem mais está com as leituras organizadas pra esse ano?
Me contem nos comentários quais são as escolhidas de vocês! ❤

Top 5 livros favoritos de 2020

Oi gente, tudo bem?

Acho que muitos de vocês podem concordar comigo sobre 2020 não ser um ano do qual queremos lembrar. Por isso, a única retrospectiva que me sinto bem em fazer é a literária, na esperança de que talvez eu possa dar algumas ideias bacanas de livros pra 2021.

O isolamento me deu bastante tempo livre e esse ano consegui concluir 34 livros. Sei que na blogosfera literária esse não é um número estrondoso, mas acreditem: pra mim é uma conquista. O blog nasceu láaa em 2014 com o intuito de me incentivar a ler mais, já que na época eu tinha sido consumida pela faculdade, portanto ver o quanto eu retomei esse hábito me enche de alegria. ❤ Enfim, sem mais delongas, vamos ao Top 5!

5º lugar:
Abelardo: O Bebê Monstruoso de Adelaide Estes

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Aos 45 do segundo tempo, uma leitura feita no final do ano conseguiu figurar entre as melhores de 2020. Abelardo foi resenhado recentemente aqui no blog e conta a história de uma jovem que cai em um sono profundo e só acorda quando está dando à luz um filho que ela nem sabia que esperava. Enquanto tenta descobrir o mistério por trás de seu decúbito, a jovem Adelaide também precisa descobrir se há algo errado com seu bebê, cuja personalidade feroz e violenta faz sua mãe acreditar que há algo de sobrenatural na situação.

4º lugar:
Filhos de Sangue e Osso

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Uma fantasia que explora a cultura iorubá e cujos personagens são em quase sua totalidade negros já são motivos suficientes pra que você coloque Filhos de Sangue e Osso na sua lista de leituras. Foi muito bacana aprender mais sobre religiões de matriz africana e, principalmente, ler uma obra fantástica que foge do padrão eurocêntrico. Filhos de Sangue e Osso tem ação, romance, uma mitologia envolvente e um universo ricamente construído que gira em torno dos maji – pessoas extraordinárias capazes de manipular a magia – e das consequências cruéis do medo e do preconceito.

3º lugar:
O Peso do Pássaro Morto

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Esse foi um livro que mexeu muito comigo e não poderia estar de fora das posições privilegiadas desse “pódio”. Aline Bei conta a história de vida de uma mulher que conheceu a tragédia desde cedo e teve sua história marcada por dores e angústias. Apesar de ser um livro pesado e doloroso, a narrativa é bastante singela e delicada, inclusive poética. É uma obra tocante, que mexe com os nossos sentimentos e nos faz refletir sobre as circunstâncias que nos levam a ser quem somos.

2º lugar:
Verity

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Imaginem se a fã de thrillers não colocaria um deles na lista de leituras favoritas, né? Verity foi minha primeira experiência com a Colleen Hoover e foi… marcante. A obra acompanha uma ghostwriter, Lowen, que tem a missão de finalizar as obras da famosa Verity Crawford – que está em estado vegetativo após um acidente. Enquanto pesquisa os arquivos de Verity em sua casa, Lowen descobre um manuscrito perturbador: trata-se da autobiografia de Verity, que narra sua relação intensa com o marido e segredos sobre seus filhos (inclusive sobre as tragédias que atingiram a família). Verity é um thriller de arrepiar, cheio de cenas angustiantes e impossível de largar até descobrirmos a verdade.

1º lugar:
Teto Para Dois

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Eis meu queridinho de 2020! ❤ Eu soube que favoritaria Teto Para Dois poucos capítulos após iniciar a leitura. A obra acompanha Tiffy e Leon, que firmam um acordo peculiar: dividirem o mesmo apartamento que, pasmem, tem apenas uma cama. Como isso pode funcionar? Tiffy trabalha durante o dia e Leon, à noite. O que começa com um contrato de aluguel pouco ortodoxo se desenvolve para uma amizade alimentada por troca de bilhetes e gentilezas. Mas, por mais que Teto Para Dois pareça apenas uma comédia romântica, o livro trata de assuntos muito mais complexos, como relacionamento abusivo, de uma forma sensível, mas realista. É uma leitura que evidencia o quão difícil pode ser a recuperação desse tipo de trauma, mas que enche o nosso coração de esperança e causa aquele quentinho gostoso conforme viramos as páginas. Muito amor envolvido!

E quais foram as leituras favoritas de vocês esse ano?
Me contem nos comentários, vou adorar saber! ❤

Aproveito para desejar que 2021 seja melhor para todos nós. Que seja um ano de saúde, que nos possibilite abraçar de novo, que nos ajude a superar tudo que vivemos nesse período tão conturbado. Resumindo, desejo muita luz a vocês! Feliz Ano Novo

Resenha: Sono: Mude Seu Modo de Dormir em 90 Minutos – Nick Littlehales

Oi pessoal, tudo bem?

Em função da pandemia, a parceria com as editoras foi um pouquinho diferente esse ano. No caso da Editora Rocco, o foco dos envios foi lançamentos e livros de ação promocional, o que me fez sair da zona de conforto em mais de uma oportunidade. Nem todas foram experiências bacanas, como por exemplo Você É Fodona!, mas Sono: Mude Seu Modo de Dormir em 90 Minutos, de Nick Littlehales, é um exemplo um pouco melhor. Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: Neste livro inovador, Nick Littlehales, coach do sono para algumas das principais estrelas do mundo do esporte, como Cristiano Ronaldo e David Beckham, expõe suas estratégias para que as utilizemos de forma ideal. Ele apresenta seu programa de recuperação do sono R90 sustentado por sete elementos que chama de Indicadores-Chave, ou os sete passos para melhorar a qualidade do descanso e da recuperação. Você vai descobrir como mapear seu próprio ciclo do sono, melhorar o ambiente em que dorme, identificando qual a temperatura ideal e o melhor colchão, e por que tirar um cochilo é realmente bom para você. A observação dessas condições, aliada a uma consequente mudança de hábitos, fará com que utilize o tempo que passa dormindo para obter o máximo de recuperação física e mental. Você sentirá uma melhora de ânimo e, em consequência, na sua capacidade de desempenho no trabalho, em casa, nas relações interpessoais, assim como conseguirá identificar o momento certo para se desligar (e também as luzes e o celular) e, desta forma, evitar o estresse, outras doenças e viver mais confiante e feliz.

Eu sempre tive problemas pra dormir, tanto para pegar no sono quanto com a leveza dele. Eu culpo, no geral, minha ansiedade. 😛 Mas ao ler Sono eu aprendi que existem outros fatores que interferem na qualidade do nosso descanso, e alguns deles são mais fáceis de controlar do que eu pensava.

Nick Littlehales ascendeu como coach do sono ao trabalhar para grandes clubes de futebol, como Real Madrid e Manchester United. Ao estudar o assunto e conseguir colocar suas orientações em prática com atletas de elite, o autor criou sua própria metodologia, o programa R90. O ambiente em que você dorme, o tamanho do colchão e sua rotina diária são alguns exemplos que estão contemplados nesse programa, e não faltam dicas práticas pra tentarmos adaptar em casa.

Apesar de o livro ter uma narrativa “bem de coach” (o que, vindo de mim, não é um elogio), eu aprendi várias informações interessantes sobre o sono. Uma delas diz respeito ao nosso ritmo circadiano, ou seja, a forma como nosso cérebro reage às mudanças de horário e de luz do sol ao longo de 24h. Entender o ritmo circadiano é entender também o porquê algumas medidas práticas são importantes pra nos levar ao repouso. Quer um exemplo? Usar luzes azuis ou brancas à noite é prejudicial porque atrapalha a síntese de melatonina pela glândula pineal; a melatonina é liberada à medida que escurece, portanto o cuidado com a luz ambiente é fundamental após determinado horário. Pra ser honesta, eu já sabia dessa informação antes de ler Sono, mas Nick Littlehales reforça a necessidade desse tipo de cuidado e é um exemplo fácil do tipo de conteúdo que o livro traz. 🙂

Outro ponto que eu gostei bastante diz respeito aos nossos cronótipos, ou seja, nosso modo de funcionamento natural. Existem pessoas matutinas (cronótipo M), vespertinas (cronótipo V) e intermediárias, que se adequam a ambas as faixas com mais facilidade. As pessoas M têm muito mais facilidade de serem produtivas pela manhã, enquanto as pessoas V são o posto. Sabendo qual é o nosso cronótipo (e o autor indica um teste de uma universidade que auxilia nisso) é possível remanejar as nossas tarefas diárias para os momentos em que estamos mais despertos e, portanto, mais alertas. Se você tem o cronótipo M, pode deixar aquele relatório importante para o período da manhã e atividades mais chatas e mecânicas, como organizar um arquivo, para o período da tarde, por exemplo.

Apesar de ter dicas relevantes e que fazem sentido, o livro cansa pelo já mencionado tom de coach, que considerei meio exagerado. Em determinado momento eu não aguentava mais ler as palavras “com o programa R90”, e fiquei incomodada com o quanto o texto parecia um publipost em forma de livro. Mas, relevando esse aspecto, dá pra tirar informações e dicas proveitosas – ainda que eu tenha sido uma cara de pau que pegava o celular depois de fechar o livro, mesmo sabendo que isso prejudica o sono. 😂

Sono: Mude Seu Modo de Dormir em 90 Minutos talvez não transforme totalmente a sua vida, mas é uma boa leitura pra quem quer entender mais sobre a importância da recuperação para o nosso cérebro e pra nossa saúde. Colocar o repouso adequado com o mesmo peso de “alimentação saudável” e “praticar exercícios regularmente” no discurso para uma vida mais saudável é algo que Nick Littlehales defende e que faz todo o sentido. Vale a pena olhar com mais carinho pra esse momento e fazer o possível pra dar ao nosso corpo o descanso que ele merece.

Título original: Sleep: Change the Way You Sleep with this 90 Minute Read
Autor:
Nick Littlehales
Editora: Rocco
Número de páginas: 192
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.