Dica de Série: The Witness for the Prosecution

Oi povo! Como estão?

Hoje eu trago pra vocês o review da última minissérie baseada nas obras da Agatha Christie que conferi recentemente: The Witness for the Prosecution. Vocês podem conferir também aqui no blog os reviews de And Then There Were None, The ABC Murders e Ordeal by Innocence. 😉

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Sinopse: Adaptação feita pela BBC da obra de Agatha Christie. Situada na década de 1920, a minissérie apresenta o julgamento de Leonard Vole (Billy Howle), jovem acusado de ter assassinado Emily French (Cattrall), uma rica senhora a quem prestava conselhos financeiros. Tendo herdado sua fortuna, Leonard se tornou o único suspeito do crime. A sua situação se complica quando Janet Mackenzie (Monica Dolan), governanta da casa, presta seu depoimento. A única chance de Leonard de provar sua inocência é sua esposa Romaine (Andrea Riseborough). Mas esta o surpreende quando se torna uma testemunha de acusação.

Emily French, uma rica senhora solitária e nome importante da sociedade, foi morta. O principal suspeito é Leonard Vole, um rapaz com quem Emily mantivera uma relação nos últimos meses. A empregada de Emily não hesita em acusá-lo, alegando que o rapaz era um oportunista e estava de olho no dinheiro de sua patroa. Leonard então investe todas as suas fichas em sua esposa, Romaine, uma jovem atriz que busca ascensão. Porém, tanto Leonard quanto seu advogado de defesa, John Mayhew, ficam boquiabertos quando Romaine decide ser a testemunha de acusação da promotoria.

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A trama de The Witness for the Prosecution é bem linear e curtinha: são apenas 2 episódios que focam na busca de John por um meio de salvar Leonard. Entre uma cena de julgamento e outra, temos o passado do advogado explorado: seu casamento foi arruinado pela perda do único filho na guerra, da qual somente John retornou vivo. A melancolia do personagem é evidente e ele deposita na missão de salvar Leonard sua redenção.

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Outro aspecto interessante é a figura de Romaine. Ela é uma verdadeira incógnita, cuja verdadeira face está oculta em meio a maquiagens, cenários encantadores e figurinos deslumbrantes. Quem é Romaine, afinal? Uma atriz em ascensão? Uma mulher invejosa que deseja o papel principal no teatro (pertencente a outra mulher)? Uma esposa traída e de coração partido? O fato de Romaine se voltar contra Leonard é o ponto mais interessante do julgamento, apesar de não ser surpreendente o fato dela querer se vingar pelos meses de traição.

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O plot twist no final é satisfatório, explicando a atitude dos personagens de maneira convincente e dando ao espectador um novo olhar sobre eles. Como ponto negativo, eu diria que o ritmo é um pouco enrolado (especialmente nas cenas envolvendo John) e o julgamento em si é fácil demais, não causando nenhuma sensação de aflição no espectador. Em suma, The Witness for the Prosecution é uma minissérie bacana e curtinha, ideal para um entretenimento mais rápido. Não é imperdível e nem a melhor minissérie baseada nas obras de Agatha Christie, mas em geral vale a pena. 😀

Título original: The Witness for the Prosecution
Ano de lançamento: 2016
Direção: Julian Jarrold
Elenco: Toby Jones, Billy Howle, Andrea Riseborough, Kim Cattrall, Monica Dolan

Dica de Série: The ABC Murders

Oi gente, tudo bem?

Depois de And Then There Were None e Ordeal by Innocence, cá estou pra falar de mais uma minissérie da BBC que adapta um livro de Agatha Christie: The ABC Murders. Vamos descobrir o que achei? Lembrando que não li o livro, então minhas opiniões são exclusivamente sobre o que foi mostrado na série. 😉

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Sinopse: O icônico detetive criado por Agatha Christie, Hercule Poirot (John Malkovich), investiga um inimigo mais inteligente e desafiador do que ele jamais imaginou. Em uma Inglaterra da década de 1930 cada vez mais dividida, um assassino em série conhecido apenas como A.B.C. assola a população. Em cada cena do crime a única pista deixada é um guia de trens popular na Inglaterra de título “ABC”.

A minissérie de 3 episódios adapta uma das aventuras de Hercule Poirot, que agora é um idoso sem a notoriedade de outrora. Visto pelos outros como decadente, Hercule vive uma vida discreta, ainda que demonstre melancolia em sua expressão. Porém, o brilhante detetive é obrigado a entrar em cena novamente quando um criminoso, que se autodenomina A.B.C., lhe envia uma carta, instigando-o a encontrá-lo e demonstrando motivações pessoais para acioná-lo. Quando o primeiro assassinato acontece (cujo local e vítima tinham nomes iniciados em A), Hercule percebe que os planos do assassino são meticulosos e não vão parar. Entretanto, o novo inspetor da polícia – Crome, um jovem querendo provar seu valor – não parece inclinado a deixar Hercule colaborar.

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Que o gênero policial é meu favorito não é novidade, então sempre fico animada para conferir tramas assim, com a perseguição de algum serial killer, um embate entre duas mentes brilhantes e um mistério bem desenvolvido. A primeira coisa que me chamou a atenção em The ABC Murders é que, aparentemente, o último elemento não existia: a série mostra o rosto do homem chamado Alexander Bonaparte Cust logo de cara. No decorrer dos três episódios, acompanhamos duas perspectivas: a de Alexander e a de Hercule, que acaba sendo contratado pelo irmão de uma das vítimas para investigar o caso oficialmente.

Hercule está um tanto abatido em The ABC Murders. Na época em que a trama acontece, a Inglaterra está promovendo campanhas segregacionistas, e é nítido o desconforto do detetive belga, que há anos vive no país e colabora com ele tanto quanto qualquer cidadão inglês. Além desse clima separatista desconfortável e injusto, o detetive também está inseguro com sua idade e com a falta de propósito que parece lhe acometer, e foi bem surpreendente ver Hercule Poirot tão vulnerável. Entretanto, ele é inabalável e em nenhum momento pensou em desistir de investigar o caso, cujo número de vítimas só crescia.

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O que me decepcionou em The ABC Murders foi o fato de que Poirot não brilhou – e isso não tem a ver com o fato de ele estar “decadente”. Sua inteligência e sagacidade seguiram presentes ao longo da trama, mas de algum modo a série não conseguiu transmitir isso. Senti, enquanto assistia, que as contribuições de Hercule para o caso eram pequenas demais, e portanto a resolução do crime também acabou perdendo um pouco o impacto. Entretanto, para ser justa, a revelação final foi muito boa, transformando uma motivação gananciosa em uma psicopatia e um gosto por matar. Outro ponto fraco está no ritmo dos episódios. Por diversas vezes há flashes do passado de Poirot que prometem uma revelação (que, de fato, surpreende); o problema é que esse recurso é usado de modo repetitivo, cansando o espectador. Ainda sobre o ritmo, a série peca em não causar aflição em quem assiste. Em nenhum momento prendi o fôlego ou temi pelos personagens, o que foi uma pena.

As atuações me surpreenderam, especialmente de Andrew Buchan (Franklin Clarke), Eamon Farren (Alexander Cust) e Rupert Grint (Inspetor Crome). Aliás, gostei de ver essa nova faceta de Rupert Grint. Fora Harry Potter, eu só tinha visto outra série com ele, Sicknote, mas detestei e larguei na segunda temporada. Mesmo não tendo curtido a série, já tinha percebido que Rupert tem potencial, e The ABC Murders me confirmou isso. A potterhead que vive em mim espera vê-lo em mais produções por aí. 😀

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Em suma, The ABC Murders não é uma série ruim, mas também não é memorável. Ela tem um plot twist bem bacana (o que fez ganhar pontos comigo), mas peca no ritmo dos episódios e no tratamento dado a Poirot. Apesar disso, a proposta da trama em si me agradou e me deixou com vontade de ler o livro: quero muito ver as diferenças existentes, especialmente na resolução do caso (espero que Poirot seja mais participativo!). Se você tiver um tempinho de sobra e quiser conferir uma série bem produzida, mas não perfeita, vale a pena espiar The ABC Murders. o/

Título original: The ABC Murders
Ano de lançamento: 2018
Direção: Sarah Phelps
Elenco: John Malkovich, Rupert Grint, Eamon Farren, Andrew Buchan, Tara Fitzgerald, Freya Mavor

Dica de Série: Ordeal by Innocence

Oi meu povo, tudo certinho? 

Tirei 10 dias de férias agora em junho e aproveitei pra conferir várias minisséries baseadas em obras da Agatha Christie. Confesso que depois da experiência maravilhosa que tive com And Then There Were None, minhas expectativas estavam bem altas! Escolhi começar por Ordeal by Innocence, uma minissérie de 3 episódios da BBC baseada em uma obra da Rainha do Crime. 😉

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Sinopse: No Natal de 1954, Rachel Argyll (Anna Chancellor), conhecida por seus trabalhos filantrópicos, é assassinada em sua propriedade familiar Sunny Point. Seu filho adotivo, Jack Argyll (Anthony Boyle), é condenado à prisão por sua morte, mas o jovem nega veementemente todas as acusações. Resta saber se seu depoimento é verdadeiro.

Rachel Argyll, matriarca de uma rica família inglesa, é assassinada brutalmente na própria mansão na véspera de Natal. Conhecida pela filantropia e por ter adotado seus cinco filhos, o caso fica ainda mais sórdido quando um deles, Jack, é acusado e preso – o garoto-problema da família, sempre envolvido em brigas e polêmicas. Jack, contudo, insiste em sua inocência, alegando ter como álibi um rapaz que lhe deu carona para um pub (rapaz este que nunca foi encontrado). Para piorar a tragédia que assombra os Argyll, Jack é assassinado na prisão, após se envolver em uma briga com outro detento. Um ano e meio depois, quando a família parece estar superando o trauma, um rapaz misterioso – Dr. Arthur Calgary – bate à porta e alega ser o álibi de Jack. E essa atitude coloca todos os segredos da família em xeque.

Ordeal by Innocence é uma série que cria uma atmosfera de desconfiança desde o primeiro episódio. As circunstâncias envolvendo a morte de Rachel são suspeitas, o autor do crime parece óbvio demais e, para ajudar, o aparecimento de Arthur (que aparenta ser também uma pessoa de muitos segredos) mexe com os ânimos de todos os Argyll de modo muito estranho. Esse é o primeiro ponto positivo na série: incitar a desconfiança de cada membro da família, bem como das motivações do próprio Arthur, foi um excelente modo de criar tensão e confusão no espectador.

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Com o desenrolar dos episódios, vamos descobrindo mais sobre o passado da família, inclusive a relação entre os irmãos e Rachel. Diferente do que ela inicialmente aparentava ser, Rachel é uma mulher exigente, crítica e aparentemente incapaz de demonstrar sentimentos pelos filhos. Obviamente essa faceta da personagem faz com que cada um dos membros da família se tornem ainda mais suspeitos, pois ada Argyll tem seus motivos particulares para se ressentir de Rachel. O fato de, segundo Arthur, Jack ser inocente e o(a) assassino(a) continuar à solta causa aflição no espectador, que sabe que há um perigo iminente pairando na mansão dos Argyll, podendo agir a qualquer momento.

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As relações familiares são um dos maiores mistérios e também trunfos de Ordeal by Innocence. Os irmãos são (ou foram) unidos, mas também estão marcados pelas tragédias que assolaram a família. Além disso, eles têm suas próprias mágoas envolvendo uns aos outros e a própria mãe; Mary, a primeira a ser adotada, é um bom exemplo disso: sentindo rancor da mãe por não ter sido amada e inveja dos irmãos, que ela alega terem estragado tudo, seus sentimentos são bastante complexos. Há também Kirsten, a empregada da casa, que tem uma relação de grande proximidade com os filhos de Rachel – mas que carrega uma aura pesada, como se tivesse um segredo pesado em seus ombros.

A série faz um ótimo trabalho em desmascarar aos poucos os personagens. Aliás, como eles são poucos, o aprofundamento de cada um é o suficiente para a proposta da trama. As atuações também são ótimas e eu gostei muito de cada membro do elenco (que conta com um nome de peso, Bill Nighy, o Rufus Scrimgeour de Harry Potter). A ambientação, os figurinos e a fotografia são de grande qualidade, nos transportando para a época na qual a série se passa (1954, mais especificamente). O único ponto fraco que me incomodou ocorreu, talvez, no terceiro episódio; a série, que vinha mantendo minha desconfiança em todos os personagens, acabou dando uma informação cedo demais, o que me fez desconfiar do(a) culpado(a) e não sentir o grande “wow” no momento da revelação.

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Ordeal by Innocence é uma ótima minissérie, trazendo um elenco muito competente e um ritmo bastante envolvente. Com personagens bem desenvolvidos (com qualidades, defeitos e atitudes verossímeis), é uma trama que mescla muito bem as relações familiares e um bom mistério. Recomendo, especialmente se você curte Agatha Christie ou obras policiais em geral. 😉

Título original: Ordeal by Innocence
Ano de lançamento: 2018
Direção: Sandra Goldbacher
Elenco: Anthony Boyle, Anna Chancellor, Morven Christie, Bill Nighy, Luke Treadaway, Eleanor Tomlinson, Ella Purnell, Christian Cooke, Crystal Clarke, Matthew Goode, Alice Eve

Review: Assassinato no Expresso do Oriente

Oi pessoal, tudo certo?

Quem me acompanha há algum tempo deve saber que histórias policiais são algumas das minhas favoritas. Sou completamente apaixonada pelo estilo e, sempre que possível, confiro obras desse gênero. Dessa vez fui ao cinema assistir a Assassinato no Expresso do Oriente, que adapta uma das obras mais famosas da Rainha do Crime, Agatha Christie!

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Sinopse: O detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh) embarca de última hora no trem Expresso do Oriente, graças à amizade que possui com Bouc (Tom Bateman), que coordena a viagem. Já a bordo, ele conhece os demais passageiros e resiste à insistente aproximação de Edward Ratchett (Johnny Depp), que deseja contratá-lo para ser seu segurança particular. Na noite seguinte, Ratchett é morto em seu vagão. Com a viagem momentaneamente interrompida devido a uma nevasca que fez com que o trem descarrilhasse, Bouc convence Poirot para que use suas habilidades dedutivas de forma a desvendar o crime cometido.

O filme tem um início um pouco lento, o que me desagradou um pouco a priori. Hercule Poirot, um dos mais famosos e competentes detetives do mundo, está em Jerusalém e auxilia na resolução de um caso por lá. Por coincidência, acaba encontrando um velho amigo, Bouc, que é responsável pelo trem Expresso do Oriente (o trem que o detetive precisa tomar) e consegue um encaixe para Poirot em um dos vagões. Contudo, a viagem que tinha tudo para ser tranquila é interrompida por duas coisas: uma tempestade de neve e um assassinato. Bouc implora para que Poirot resolva o caso e, em nome da amizade com o rapaz e movido por seu senso de justiça, ele aceita.

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É aí que o filme ganha ritmo. Com enquadramentos diferenciados (com ângulos vistos de cima, por exemplo) e um ambiente um tanto quanto claustrofóbico (já que o lado de fora do trem é um ambiente inóspito cheio de neve), vamos acompanhando Poirot em sua investigação, em uma tentativa de juntar as peças para desvendar o assassinato do Sr. Ratchett, um comerciante de antiguidades desonesto. No total, são 12 passageiros investigados: cada um com seus segredos, seus álibis (ou falta deles) e histórias. Essa parte do filme é muito interessante, pois vamos conhecendo mais de cada personagem junto de Poirot. O longa conseguiu me enganar em relação ao assassino. Mas a melhor parte é a revelação final no fim do filme: pela primeira vez fiquei emocionada com a resolução de um crime. A cena é intensa e conecta todos os pontos do enredo de uma maneira muito convincente.

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As atuações merecem grande destaque! O Poirot de Kenneth Branagh (que é também o diretor do longa) é engraçado e tem traços caricatos, mas ele vai além: é também um homem muito sensível, com suas próprias cicatrizes do passado, e que se vê na posição de questionar tudo o que acredita. Agora, se teve alguém que mexeu comigo, foi Michelle Pfeiffer, a Sra. Hubbard. Ela entrega grande emoção quando necessário, mas também sabe utilizar a sensualidade e a dissimulação sempre que necessário.

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A trilha sonora é ótima, sendo capaz de criar tensão e emocionar. Os figurinos da década de 30 são maravilhosos e conseguem transmitir características importantes dos personagens. Por fim, os cenários enchem os olhos. As paisagens que vemos enquanto o trem se move são lindas, bem como a desolação causada pela neve. Mas o encanto mesmo está dentro do trem, em cada detalhe que o compõe.

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Eu adorei Assassinato do Expresso do Oriente! Se eu já estava empolgada com Agatha Christie após ler E Não Sobrou Nenhum, agora tenho ainda mais vontade de conferir mais obras da autora. Recomendo muito!

Agora vou comentar duas coisas que não curti muito (são spoilers, leia por sua conta e risco, hein?): 1) em que momento o Poirot sacou que o Ratchett era o Cassetti? Juro que não saquei quando isso aconteceu; 2) Por que raios o Cassetti matou a Daisy? Ele tinha algum “motivo” ou simplesmente decidiu invadir uma casa, sequestrar e matar uma garotinha inocente? Se fosse o segundo caso, gostaria que tivessem desenvolvido isso, mostrado que o personagem é um psicopata ou algo do tipo. Se ele tivesse alguma razão (vingança ou qualquer coisa assim), gostaria que tivesse sido mostrado. Achei o crime do Cassetti muito arbitrário.

Título original: Murder on the Orient Express
Ano de lançamento: 2017
Direção: Kenneth Branagh
Elenco: Kenneth Branagh, Michelle Pfeiffer, Josh Gad, Derek Jacobi, Penélope Cruz, Daisy Ridley, Leslie Odom Jr., Tom Bateman, Johnny Depp

Resenha: E Não Sobrou Nenhum – Agatha Christie

Oi gente, como estão?

Recentemente, tive minha primeira experiência lendo Agatha Christie e hoje eu vim contar um pouquinho a respeito pra vocês! 🙂 Escolhi um livro que já me ganhou na sinopse: E Não Sobrou Nenhum, que é também um dos maiores best-sellers de todos os tempos e o livro mais vendido da autora.

e nao sobrou nenhum agatha christieGaranta o seu!

Sinopse: Uma ilha misteriosa, um poema infantil, dez soldadinhos de porcelana e muito suspense são os ingredientes com que Agatha Christie constrói seu romance mais importante. Na ilha do Soldado, antiga propriedade de um milionário norte-americano, dez pessoas sem nenhuma ligação aparente são confrontadas por uma voz misteriosa com fatos marcantes de seus passados. É neste clima de tensão e desconforto que as mortes inexplicáveis começam e, sem comunicação com o continente devido a uma forte tempestade, a estadia transforma-se em um pesadelo. Todos se perguntam: quem é o misterioso anfitrião, mr. Owen? Existe mais alguém na ilha? O assassino pode ser um dos convidados? Que mente ardilosa teria preparado um crime tão complexo? E, sobretudo, por quê? Medo, confinamento e angústia: que o leitor descubra por si mesmo porque E não sobrou nenhum foi eleito o melhor romance policial de todos os tempos.

Dez pessoas são convidadas (com pretextos diferentes) a passar uma semana na ilha do Soldado, nos arredores do condado de Devon. Ao chegar lá, elas descobrem que o misterioso anfitrião, o Mr. U. N. Owen, não chegou ao local ainda, o que causa certo estranhamento. Contudo, as coisas realmente ficam estranhas quando uma gravação começa a tocar por meio de um gramofone, e uma voz misteriosa acusa cada uma daquelas pessoas de ter cometido algum crime e saído impune. Quando as primeiras mortes começam a acontecer, os sobreviventes ficam cada vez mais assustados e, é claro, desconfiados uns dos outros.

Pra vocês terem ideia do quanto esse livro me prendeu, eu li cerca de 317 páginas (ou 226 de 286, na proporção do Kobo) numa sentada. Pra mim, que venho me queixando de não conseguir ficar muito tempo lendo, só essa pequena conquista já foi suficiente pra me deixar exultante. Mas o mérito é da autora e da história extremamente envolvente que ela construiu. A cada página virada eu ficava mais curiosa pra saber o que iria acontecer, por mais que exista o spoiler sem graça do título do livro e uma pista bem óbvia logo de cara. Essa pista não é um spoiler: trata-se do poema que os hóspedes encontram nos quartos, que fala sobre 10 soldadinhos que vão “sumindo” (ou morrendo) um a um. Mesmo com esses dois fatores (o título e o poema), eu queria muito descobrir quem seria o próximo da lista – enquanto tentava descobrir quem era o responsável pelo crime.

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Minha única decepção ficou por conta de alguns aspectos do final do livro. A seguinte frase tem spoiler, selecione se quiser ler: eu achei a última morte, da Vera, meio nonsense. Mesmo com o trauma de ter matado Lombard, eu não achei que ela tinha o perfil de quem se mataria. Pareceu que a personagem tava hipnotizada (apesar de não estar, como o vilão revela mais tarde). O vilão era alguém de quem eu tinha desconfiado até certo ponto da narrativa, mas que descartei, então fiquei surpresa com a maneira que a autora desenvolveu essa revelação e o crime em si. A próxima frase também tem spoiler, selecione se quiser ler: só fiquei decepcionada com a motivação do vilão, que era um psicopata justiceiro com uma doença terminal. Achei essa uma alternativa fácil demais.

A ambientação do livro foi um dos pontos fortes. Por se passar em uma ilha, a sensação de claustrofobia e angústia se manteve presente ao longo de toda a leitura – sensação que os próprios personagens sentiam. Quando uma tempestade atinge o local e impossibilita qualquer chance de resgate, é impossível não sentir ainda mais medo da situação. Além disso, Agatha Christie também consegue desenvolver muito bem as emoções dos seus personagens. Com histórias totalmente diferentes, mas aspectos em comum em seu passado, cada personagem tem uma personalidade bem marcante. Meus favoritos foram Lombard, Armstrong, Vera e Wargrave. Eles tiveram uma participação mais ativa na trama e nos diálogos, então foi mais interessante ler as cenas nas quais eles estavam em evidência. Porém, gostar deles é um paradoxo, já que os personagens são acusados de crimes terríveis (mesmo que alguns deles demonstrem remorso pelo que fizeram). Nesse sentido, Lombard é o meu preferido, pois é o mais autêntico do grupo.

E Não Sobrou Nenhum é um livro de suspense policial incrível, que te deixa aflito e curioso do início ao fim. Já consegui entender porque a autora é considerada Rainha do Crime e meu único arrependimento é não ter começado a ler suas obras antes. 😛 Recomendo!

Título Original: And Then There Were None
Autor: Agatha Christie
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 400
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