Resenha: Você É Fodona – Jen Sincero

Oi pessoal, tudo bem?

Recebi como parte de uma ação de divulgação da Editora Rocco Você É Fodona, um livro de autoajuda de Jen Sincero que promete colocar o leitor no controle da própria vida e ajudá-lo a conquistar seus objetivos. Mesmo não sendo um gênero do qual eu goste, pensei: por que não? E agora bora que vou contar pra vocês o que achei. 🙂

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Sinopse: Mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo. Neste divertido livro, a autora nº 1 de best-sellers do The New York Times e coach de sucesso, Jen Sincero, oferece capítulos curtos, cheios de histórias hilariantes e inspiradoras, conselhos sábios, exercícios fáceis e palavrões ocasionais. Mostrará como criar uma vida que você ama totalmente, e como criá-la agora.

Eu tenho uma resistência fortíssima à ideia de coaches. Em geral, acredito que a maior parte deles ganha dinheiro com frases prontas e repetidas à exaustão. Por isso, sempre que pego um livro de autoajuda, eu inicio a leitura com desconfiança, e o livro precisa provar que vale a mudança de opinião. Não foi diferente com Você É Fodona, cujo título vergonha alheia já me causou um certo… receio. E em diversos pontos a obra acabou reforçando minha opinião pré-concebida. Felizmente, algumas partes foram capazes de gerar uma reflexão positiva, e vou concentrar os próximos parágrafos em prós e contras da leitura.

Jen Sincero inicia o livro explicando que temos a consciência (que determina o que queremos fazer) e a inconsciência (o que foi incutido na gente sem percebermos). A partir da inconsciência surgem o que ela chama de crenças limitantes – conceito que eu, particularmente, não comprei. Para Jen Sincero, são essas crenças que nos impedem de avançar e atingir nossas metas, e ao longo dos capítulos ela discorre sobre formas de superar esse obstáculo. Gostei que ela fala sobre o perigo das piadas autodepreciativas, que minam a nossa autoconfiança e são uma repetição de impressões negativas a respeito de nós mesmos. Jen Sincero incentiva que sejamos capazes de aceitar os elogios de coração aberto, sem decliná-los. Eu pessoalmente sou uma pessoa que fico bastante sem jeito com elogios, e de uns tempos pra cá tenho tentado me acostumar à ideia de recebê-los e, principalmente, acreditar neles.

Outro conteúdo interessante do livro diz respeito a sermos mais gentis com nossos erros. Esse tema também conversou diretamente comigo, porque sou alguém cuja autocobrança é elevadíssima. Ao aceitar a nossa falibilidade, a gente entende que tá tudo bem tentar algo pela primeira vez e não necessariamente se sair bem nisso, afinal, o erro também faz parte do aprendizado. Por fim, outro conceito bacana abordado pela autora diz respeito à procrastinação: muitas vezes deixamos de cumprir uma tarefa ou objetivo por esperar que saia tudo 100% perfeito, o que é basicamente impossível. Ela sugere então que as tarefas sejam divididas em objetivos menores, de forma que cada passo seja mais factível, não parecendo uma tarefa hercúlea que cause a procrastinação por puro medo de tentar.

resenha você é fodona

E do que eu não gostei? Bom, a começar pela gama de assuntos que Jen Sincero aborda. Ela fala sobre tantas áreas da vida (carreira, dinheiro, vida amorosa) que parece que nenhum conselho é aprofundado o bastante, sabem? Além disso, faltam exemplos pessoais que justifiquem as dicas – afinal, por que eu acreditaria na autora se ela quase não tem situações reais para provar que aquilo funciona? Acredito que a falta de exemplos, somada a um milhão frases de efeito piegas, foi um dos maiores responsáveis pela minha desconexão com a leitura.

Outra abordagem que não colou comigo diz respeito à vibração dos pensamentos. Segundo Jen Sincero, precisamos emitir a vibração certa ao Universo pra atrair coisas positivas, e para que algo se torne realidade você primeiro precisa acreditar que aquilo é verdade. Com todo respeito a quem acredita nisso mas, pra mim, simplesmente não dá. Considero isso o suprassumo do papo de coach e ainda culpa você por estar atraindo porcaria pra sua vida, sem considerar os diversos fatores externos que podem atravancar o caminho – incluindo privilégios. Isso fica ainda mais grave quando ela começa a falar de prosperidade financeira: os conselhos dela não poderiam ser mais desconectados da realidade, afirmando que “se você sintonizar sua energia à abundância do Universo, você será recompensado” ou, ainda pior, ela exemplifica com o fato de ter comprado um carro caro em vez de um carro barato porque isso deu o sinal necessário para o Universo compreender que ela tava pronta pra prosperar. Bah, apenas não. Eu acredito que sim, precisamos arregaçar as mangas e correr atrás dos nossos objetivos, mas compreendo também que existem muitos fatores envolvidos em fazer um objetivo dar certo ou não: falta de grana, falta de acesso a determinados espaços, desigualdade social… Enfim, já deu pra entender meu ponto, né? Por fim, não posso evitar dizer que as escolhas de analogia dela não poderiam ser mais bregas. Ela se refere ao ego como Grande Dorminhoco, por exemplo… Simplesmente constrangedor.

Em suma, Você É Fodona foi capaz de dialogar com alguns aspectos que eu venho tentado trabalhar em mim mesma há algum tempo. Mas, honestamente? O mérito tá na terapia rs. Alguns conselhos são legais, a intenção é boa, só que pra mim não funcionou. Por isso, não é um livro que eu recomendaria diretamente mas, se a proposta chama a sua atenção, vá em frente. 😉

Título original: You Are a Badass
Autor:
Jen Sincero
Editora: Rocco
Número de páginas: 272
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Conectadas – Clara Alves

Oi pessoal, tudo bem?

Quando vi que Conectadas, da Clara Alves, reunia o amor pelo universo dos jogos, protagonismo feminino e visibilidade LGBTQI+, não pensei duas vezes em solicitar para a Editora Seguinte. E, nesse Mês do Orgulho, nada melhor do que conversar sobre livros que dão espaço a essas vozes, não é mesmo?

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Sinopse: Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos, um dos games mais populares do momento, e não se desgrudaram mais — pelo menos virtualmente. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um “pequeno” problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina. Quanto mais as duas se envolvem, mais culpa Raíssa sente. Só que ela não está pronta para se assumir — muito menos para perder a garota que ama. Então só vai levando a mentira adiante… Afinal, qual é a chance de as duas se conhecerem pessoalmente, morando em cidades diferentes? Bem alta, já que foi anunciada a primeira feira de Feéricos em São Paulo, o evento perfeito para esse encontro acontecer. Em um fim de semana repleto de cosplays, confidências e corações partidos, será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?

Raíssa é uma adolescente lésbica e geek, completamente apaixonada pelo universo dos games. Porém, a jovem se obrigou a criar um personagem masculino no seu jogo favorito, Feéricos, para não ser mais vítima do machismo de outros gamers, que a evitavam por ser mulher. Entretanto, ao ajudar Ayla, uma nova jogadora, uma amizade se inicia – que acaba se tornando uma paixão correspondida, ainda que aparentemente impossível: as duas são menores de idade, moram em cidades diferentes e dificilmente se encontrariam, certo? Acontece que a empresa responsável pelo jogo anuncia um evento gigante ao qual Raíssa e Ayla estão determinadas a comparecer. Enquanto Ayla imagina que vai conhecer “Leo”, seu crush da internet, Raíssa começa a surtar com a iminência de ser desmascarada pela menina que ama.

Se você é mulher e já jogou online, provavelmente vai se identificar com os motivos de Raíssa para esconder sua identidade: a comunidade nerd pode ser (e muitas vezes é) demasiado tóxica e machista. Contudo, a personagem perde o timing de dizer a verdade a Ayla, usando a identidade do melhor amigo, Leo, para tentar manter a farsa. Além do medo de ser descoberta e rejeitada, Raíssa também sofre com a sua sexualidade, que mantém em segredo. Ouvir comentários homofóbicos de seus parentes não a ajuda em nada, servindo apenas como um reforço ao seu pânico de se assumir. O que Raíssa não imagina é que, do outro lado da tela, Ayla sofre com uma dor parecida: a garota tenta se convencer que a atração que já sentiu por outras meninas foi apenas uma fase, e parece encontrar alívio no fato de estar apaixonada por “Leo”. Com o passar das páginas o leitor compreende – assim como Ayla – que estamos lidando com a bissexualidade, uma letrinha muitas vezes invisibilizada quando falamos na temática LGBTQI+.

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Confesso que, ao longo da leitura, por diversas vezes eu fiquei com um pouquinho de vergonha alheia pelo exagero nas reações de Raíssa, Leo e até mesmo Ayla. Aquela coisa de dar pulinhos de empolgação ou fazer alguma dancinha em público, sabem? Aí eu lembrei que quando eu tinha a idade dos personagens e frequentava eventos de anime eu fazia a mesmíssima coisa! 😂 Foi um belo puxão de orelha em mim mesma – afinal, eu sei BEM o que é surtar de empolgação por alguma coisa da qual você é realmente fã. Relembrar essa fase da minha vida por meio da leitura acabou sendo divertido e empolgante.

Claro, existem algumas frases prontas e clichês que acabaram tirando a naturalidade de certos diálogos, mas de maneira geral Conectadas faz um ótimo trabalho em mostrar o sentimento de fangirl e os relacionamentos online proporcionados por um forte vínculo em comum. O jogo é onde Raíssa e Ayla se sentem à vontade para serem honestas consigo mesmas, onde podem ser quem são sem julgamentos externos. Além disso, temos significativa representatividade na obra: Ayla é oriental, Raíssa tem mãe negra e pai indígena e, é claro, há a questão da sexualidade. O livro consegue transmitir as aflições e dúvidas que as duas meninas sentem, especialmente frente à perspectiva de se assumirem. E, apesar de uma abordagem realista, Clara Alves consegue fugir de um tom desnecessariamente dramático ou pesado em uma obra que se propõe a ser leve.

Resumindo, Conectadas me proporcionou uma viagem no tempo. Lembrei como era ter fakes dos meus personagens favoritos no Orkut, de quando eu adorava o universo gamer e também da época em que não perdia eventos de anime. Eu sempre fui bem fangirl das coisas que eu gosto e consegui me identificar com o que Raíssa e Ayla sentiam em relação a Feéricos. Além de dialogar diretamente com quem já vivenciou esse tipo de hobby, o livro é também um romance fofo entre duas personagens capazes de cativar mesmo não sendo (ou até por isso) perfeitas. E, não somente no Mês do Orgulho, mas sempre, fica aquele lembrete de que todo tipo de amor é válido e importante – afinal, seja no RPG online ou na vida real, é libertador quando podemos ser honestos sobre quem somos e amamos.

Título original: Conectadas
Autor: Clara Alves
Editora: Seguinte
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Mulheres na Luta – Marta Breen e Jenny Jordahl

Oi pessoal, tudo bem?

Graças à leva de e-books gratuitos disponibilizados nessa quarentena, tive a oportunidade de conferir Mulheres na Luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade. Vamos conhecer? 🙂

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Sinopse: Há 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisões sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando; depois, os maridos. O cenário só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade. Neste livro, Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas históricas das mulheres — pelo direito à educação, pela participação na política, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre várias outras —, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado é um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que já foi feito — e tudo o que ainda precisamos conquistar.

Antes de entrar no conteúdo propriamente dito, a primeira coisa que gostaria de pontuar é que, mesmo sendo e-book, o app do Kindle oferece a experiência de leitura necessária. O que isso quer dizer? Mulheres na Luta é contado essencialmente por meio de ilustrações e quadrinhos. Imaginei que, por conta disso, a leitura no app seria prejudicada, o que não acontece: cada clique para virar a página leva você para o quadrinho seguinte, de maneira bastante fluida. Confesso que o movimento por vezes me deu um pouco de enjoo, mas acho que é uma particularidade minha enquanto leio (às vezes me sentia enjoada no ônibus também). 😛

Dito isso, afirmo que gostei muito de conferir Mulheres na Luta. A obra narra as ondas feministas e fala sobre os principais nomes que fizeram parte das conquistas das mulheres. Contudo, diferente de Extraordinárias, que tenta sair do lugar-comum ao trazer nomes pouco lembrados, Mulheres na Luta dá mais espaço para a visão branca e de classe média do movimento.

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Apesar desse porém, o livro é muito legal e de fácil leitura. Para quem está se interessando pelo assunto, a obra é ilustrativa e didática, trazendo drops da história do movimento feminista de maneira envolvente. As ilustrações também são muito bacanas e vale a pena dedicar alguns momentos para conferi-las com atenção.

Mulheres na Luta é uma obra mais introdutória a respeito do feminismo, mas nem por isso dispensável. Por meio de tirinhas e ilustrações, o livro passa sua mensagem de maneira leve, mas ainda assim relevante. É uma leitura que eu indicaria especialmente para meninas mais jovens, por exemplo, para instigar a curiosidade a respeito do movimento. E, é claro, pra todo mundo que se interessa em saber um pouco mais sobre a história da luta que possibilitou nossas conquistas. Quando nos damos conta de que não faz muito tempo que determinados direitos foram adquiridos é que a gente percebe que não podemos relaxar. Que a luta das que vieram antes nos inspire sempre. 🙂

Título Original: Women in Battle
Autor: Marta Breen e Jenny Jordahl
Editora: Seguinte
Número de páginas: 128
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Resenha: Codinome Villanelle – Luke Jennings

Oi pessoal, tudo bem?

Em parceria com a Companhia das Letras, recentemente li Codinome Villanelle – obra que inspirou a premiada série Killing Eve.

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Sinopse: Villanelle (um codinome, é claro) é uma das assassinas mais habilidosas do mundo. Uma psicopata hedonista, que ama sua vida de luxo acima de quase qualquer coisa… menos a emoção da caçada. Especializada em matar as pessoas mais ricas e poderosas do mundo, Villanelle é encarregada de aniquilar um influente político russo, e acaba com uma inimiga determinada em seu encalço. Eve Polastri é uma ex-funcionária do serviço secreto inglês, agora contratada pela agência de segurança nacional para uma tarefa peculiar: identificar e capturar a assassina responsável e aqueles que a contrataram. Apesar de levar uma vida tranquila e comum, Eve possui uma inteligência rápida e aguçada – e aceita a missão. Assim começa uma perseguição através do globo, cruzando com governos corruptos e poderosas organizações criminosas, para culminar em um confronto do qual nenhuma das duas poderá sair ilesa. Codinome Villanelle é um thriller veloz, sensual e emocionante, que traz uma nova voz à ficção internacional.

Villanelle gosta de matar. E é muito boa no que faz. A assassina de aluguel, nascida Oxana Vorontsova, finalmente encontrou seu propósito ao fazer parte de uma organização poderosa que decide o destino de nomes importantes e decisivos ao redor do mundo. Porém, apesar de todos os cuidados, ela entra na mira do Serviço de Inteligência do Reino Unido e da investigadora Eve Polastri. Quando alguém próximo de Eve é morto, sua motivação para pegar a misteriosa assassina ganha força.

Killing Eve é uma série que está na minha listinha de “to watch”, então fiquei bem animada com a oportunidade de conferir o livro que a inspirou. Ainda não tenho como comparar as duas obras, então a resenha vai se concentrar exclusivamente no material de origem. Codinome Villanelle é curtinho e de ritmo eletrizante: desde o início somos apresentados ao estilo de vida de Villanelle, que usufrui do luxo e do conforto que sua profissão (arriscada, mas altamente rentável) oferece. Aos poucos, mas sem enrolação, o passado da assassina é revelado: a falta de identificação com as pessoas ao seu redor, a incapacidade de sentir remorso e o prazer pela manipulação são elementos que levam a sociopata ao caminho percorrido no presente. Sedutora e inteligente, Villanelle é apaixonada pela emoção da caçada, e fazer um trabalho bem feito é sua maior fonte de prazer.

Eve Polastri, por outro lado, é uma personagem mais linear (para não dizer entediante). Sua vida se transforma quando um político russo é assassinado sob sua responsabilidade, apesar de Eve ter solicitado reforço na segurança e ter sido ignorada. O episódio a faz ser procurada por Richard Edwards, um nome importante nos serviços de inteligência. Ele alega que a morte não foi acidental e que o governo está corrompido, convidando Eve a fazer parte de sua equipe na segurança nacional. Ao dizer “sim”, a investigadora é levada até a China, em busca de provas que possam levá-los aos mandantes dos assassinatos globais.

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Codinome Villanelle não perde tempo com grandes aprofundamentos da trama ou dos personagens que não sejam realmente essenciais. Desde o início sabemos a respeito da assassina que dá nome à obra, o que tem duas consequências: torna a leitura instigante, mas também tira um pouco do mistério da personagem. O livro se desenvolve como um típico filme de espionagem, inclusive com seus clichês: temos a femme fatale que consegue sexo facilmente (cujo perigo se esconde em sua fachada sedutora), temos também a investigadora implacável que deixa sua vida pessoal de lado após sofrer uma perda, temos frases de efeito breguíssimas e até mesmo o clichê do vilão russo. Apesar desses aspectos bem duvidosos, é inegável que a trama transcorre de maneira fluida e envolvente, sendo necessários poucos dias para concluir a leitura.

Os capítulos são divididos de forma estranha: são apenas quatro. A narração em terceira pessoa vai de Villanelle para Eve, com espaços entre os parágrafos que permitem ao leitor pausar a leitura mesmo no meio do capítulo. Existem algumas idas e vindas no tempo, especialmente pela abordagem do passado de Villanelle, mas isso não é negativo e tampouco confunde.

Codinome Villanelle é divertido e despretensioso, por isso não espere uma obra-prima. É um livro de espionagem que conta com o ônus e o bônus do gênero: sim, tem vários clichês, mas também tem um ritmo acelerado e intenso. Se você é fã Killing Eve ou se gosta de tramas de ação e espionagem, vale a pena conferir. 😉

Título Original: Codename Villanelle
Série: Killing Eve
Autor: Luke Jennings
Editora: Suma
Número de páginas: 216
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Extraordinárias – Aryane Cararo e Duda Porto de Souza

Oi pessoal, tudo bem?

Várias editoras estão disponibilizando e-books gratuitos nesse período de quarentena, e um dos que eu baixei foi Extraordinárias: Mulheres Que Revolucionaram o Brasil (que por sorte eu queria ler faz tempo e fiquei bem contente por ter sido liberado rs).

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Sinopse: Dandara foi uma guerreira negra fundamental para o Quilombo dos Palmares. Bertha Lutz foi a maior representante do movimento sufragista no Brasil. Maria da Penha ficou paraplégica e por pouco não perdeu a vida, mas sua luta resultou na principal lei contra a violência doméstica do país. Essas e muitas outras brasileiras impactaram a nossa história e, indiretamente, a nossa vida, mas raramente aparecem nos livros. Este volume, resultado de uma extensa pesquisa, chega para trazer o reconhecimento que elas merecem. Aqui, você vai encontrar perfis de revolucionárias de etnias e regiões variadas, que viveram desde o século XVI até a atualidade, e conhecer os retratos de cada uma delas, feitos por artistas brasileiras. O que todas essas mulheres têm em comum? A força extraordinária para lutar por seus ideais e transformar o Brasil.

A história do movimento feminista é costumeiramente retratada por meio do que chamamos de ondas do feminismo. Entretanto, quando vamos estudar mais a fundo esse assunto, duas coisas precisam ser ressaltadas: 1) os holofotes de muitos dos conteúdos sobre o tema não trazem tanto a importância das mulheres na história do Brasil; 2) a voz das mulheres negras e indígenas também não ganha o espaço merecido, já que muitos momentos marcantes das ondas feministas foram contados pela ótica das mulheres brancas de classe média que tinham oportunidade de se manifestar (ainda que, mesmo elas, com muito mais privilégios, sofressem repressão em todas essas lutas). Extraordinárias, portanto, é uma leitura excelente pra quem quer descobrir um pouco mais sobre esses pontos. A obra traz diversos nomes de mulheres fundamentais para o movimento  feminista no Brasil, assim como também nos conta a história de mulheres não-brancas inspiradoras e protagonistas de diversas conquistas.

O livro ainda evidencia como tivemos mulheres pioneiras na história do nosso país. Campeãs de atletismo, artistas inovadoras, militantes incansáveis, guerreiras destemidas. Cantoras, atrizes, professoras. Ricas, pobres, brancas, negras, indígenas. Mulheres de todos os tipos, retratadas de uma maneira que permite ao leitor entender um pouquinho mais sobre elas, mas por meio de uma linguagem acessível e de fácil compreensão (algo que nem sempre encontramos em estudos acadêmicos).

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Eu li a versão e-book, portanto não posso opinar sobre a edição física, mas não lembro de ter encontrado erros de revisão ou gramática. Os capítulos são divididos pelos nomes das mulheres, e cada um deles tem uma ilustração (também feita por artistas mulheres) da protagonista daquela história. Suas 208 páginas transcorrem com tranquilidade e instigam o leitor a querer saber mais sobre as pessoas retratadas nas páginas.

Resumindo, Extraordinárias: Mulheres Que Revolucionaram o Brasil é uma excelente porta de entrada para quem quer saber mais sobre feminismo e sobre o papel da mulher nas mudanças históricas e sociais do nosso país. De forma leve e com muita informação interessante, o livro tem a excelente iniciativa de dar espaço a nomes muitas vezes esquecidos. Recomendo!

Título Original: Extraordinárias: Mulheres Que Revolucionaram o Brasil
Autor: Aryane Cararo e Duda Porto de Souza
Editora: Seguinte
Número de páginas: 208
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Resenha: Filhos de Sangue e Osso – Tomi Adeyemi

Oi pessoal, tudo bem?

Elogiadíssimo pela crítica e com direitos comprados para uma adaptação cinematográfica, Filhos de Sangue e Osso é o primeiro livro da trilogia O Legado de Orïsha. Hoje eu conto pra vocês o que achei dessa aventura épica!

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Sinopse: Zélie Adebola se lembra de quando o solo de Orïsha vibrava com a magia. Queimadores geravam chamas. Mareadores formavam ondas, e a mãe de Zélie, ceifadora, invocava almas. Mas tudo mudou quando a magia desapareceu. Por ordens de um rei cruel, os maji viraram alvo e foram mortos, deixando Zélie sem a mãe e as pessoas sem esperança. Agora Zélie tem uma chance de trazer a magia de volta e atacar a monarquia. Com a ajuda de uma princesa fugitiva, Zélie deve despistar e se livrar do príncipe, que está determinado a erradicar a magia de uma vez por todas. O perigo espreita em Orïsha, onde leopanários-das-neves rondam e espíritos vingativos aguardam nas águas. Apesar disso, a maior ameaça para Zélie pode ser ela mesma, enquanto se esforça para controlar seus poderes — e seu coração.

No passado, o reino de Orïsha (leia-se Orixá) era rico em magia. As pessoas capazes de realizá-la eram conhecidas como maji e eram escolhidos diretamente pelos deuses. Entretanto, um dia a magia enfraqueceu, e o rei de Orïsha, Saran, aproveitou o momento de vulnerabilidade dos maji para incitar a Ofensiva – um ataque mortal a todos capazes de usar a magia. A mãe de Zélie, nossa protagonista, foi uma das maji a sucumbir. Desde então a vida da garota é marcada pela dor, que se intensifica pelo fato dela ser uma divinal: alguém que nasceu para se tornar um futuro maji, mas que nunca alcançará tal potencial devido à morte da magia. Ou pelo menos é o que todos pensavam…

Filhos de Sangue e Osso é um livro que introduz muitos conceitos novos, de modo a ambientar o leitor no rico universo no qual se passa. A autora utiliza a cultura iorubá como base para descrever os deuses que concedem poderes aos maji, utiliza de seu idioma para os encantamentos e explora também suas vestimentas e características. Foi o primeiro livro de fantasia que li voltado à cultura e religião de matrizes africanas, e fiquei ao mesmo tempo admirada com sua riqueza e triste ao pensar na falta de mais obras que deem voz a essa cultura e ao povo negro.

A trama é conduzida por meio de três pontos de vista: o de Zélie, a protagonista, uma garota divinal que mora com o pai e o irmão mais velho, Tzain; ela é treinada em segredo na arte da luta com o bastão por Mama Agba, uma senhora de seu vilarejo que apoia divinais, sendo constantemente punida por isso. Temos também o ponto de vista de Amari, filha de Saran: a jovem princesa vê sua melhor amiga, uma divinal, morrer pelas mãos de seu pai. Essa atitude motiva um ato de rebeldia que muda completamente o destino de Orïsha, pois Amari rouba um pergaminho encontrado pelo exército de Saran que aparentemente é capaz de trazer a magia de volta. Por fim, temos como terceiro narrador Inan, irmão de Amari e futuro rei: o jovem segue os passos do pai por acreditar que é a única forma de proteger o reino, mas quando a magia se manifesta em seu próprio corpo, ele começa a questionar (e temer) tudo que sempre acreditou.

resenha filhos de sangue e osso

Dos três narradores, sem dúvidas Amari é minha favorita. A garota tem uma natureza bondosa, pacífica e até mesmo amedrontada. Contudo, quando sua melhor amiga, Binta, é assassinada na sua frente, Amari decide pôr fim às atrocidades do pai de alguma forma – e é assim que ela resolve roubar o pergaminho que ativa a magia nos divinais. O destino dela se cruza com o de Zélie e, por mais que a protagonista não queira, elas acabam formando uma equipe. O amadurecimento de Amari ao longo do livro é nítido, e mesmo nos momentos de maior temor, a jovem acaba decidindo pelo que é correto. Amari é empática, decidida e justa, e é impossível não passar a admirá-la ao longo da trama. Zélie, por outro lado, não me conquistou tanto. Para falar a verdade, em muitos momentos ela me lembrou a Katniss: teimosa, impulsiva, egoísta. E o que mais me irritou nela é a autopiedade: ela não pensa antes de agir, faz merda e depois fica se lamentando e dizendo que sempre estraga tudo (mas sem mudar seu jeito de agir, ou seja, sem aprender com os erros rs). Não posso dizer, entretanto, que a personagem não seja forte: ela passa por traumas inimagináveis, além de sofrer com preconceito a vida inteira por ser uma divinal. Com o passar do tempo, as características incômodas dela vão se atenuando, e no final do livro meu ranço diminuiu consideravelmente.

Os personagens masculinos principais são Inan e Tzain. No caso de Inan, acompanhamos um personagem cheio de dúvidas e questionamentos. Ele foi criado para acreditar no mantra do pai, “o dever antes do eu” (ele repete isso tantas vezes que eu quis entrar no livro e gritar: JÁ ENTENDI, PORRA!, mas tudo bem), mas quando a magia começa a se manifestar em si mesmo, Inan passa a sofrer por se sentir amaldiçoado. Somente quando consegue ler os pensamentos de Zélie (pois é esse o dom que sua magia permite) ele entende a dor que Saran causou e se aproxima da garota. Entretanto, a volatilidade de suas crenças e atitudes é bastante irritante, fazendo com que ele perdesse minha confiança. Tzain, por outro lado, é uma rocha para Zélie: mesmo quando a irmã erra e coloca todos em risco, o irmão mais velho está lá para protegê-la. Contudo, por mais querido que Tzain seja, ele é um personagem cujo POV não conhecemos, o que o torna mais linear e unilateral que os outros, não permitindo ao leitor acompanhar sua evolução.

O preconceito é constantemente trabalhado em Filhos de Sangue e Osso. A dinâmica entre Zélie e Inan é a mais interessante nesse sentido, porque o príncipe não consegue entender o abismo que separa seu sofrimento do de Zélie. A jovem deixa claro que não vai deixar a ignorância de Inan silenciar sua dor – e quantas vezes isso não pode ser dito na vida real também? A ignorância e o preconceito que atingem a população negra são diários. A própria falta de representatividade é uma violência, provocando uma não-identificação que abala a autoestima e a construção do orgulho das raízes e da ancestralidade. Inan é a representação disso, odiando suas características de maji e a magia por si só: ele odeia seus traços porque não consegue enxergar representações positivas deles.

resenha filhos de sangue e osso (2)

Como crítica negativa, eu diria que a autora repete palavras e expressões à exaustão. Além do já mencionado “o dever antes do eu”, me irritei muito lendo o excesso de uso da palavra “régia” e da palavra “monarquia”. Felizmente, Tomi Adeyemi alivia a mão nessas expressões da metade pro final, mas foi algo que inicialmente me causou um “tá, chega, varia o vocabulário, por favor”. Em contrapartida, preciso elogiar o universo cheio de detalhes criado por ela. Dos cenários aos clãs maji e até mesmo às criaturas que vivem em Orïsha (que a autora utiliza os nomes originais para fazer o leitor criar uma relação e imaginar o animal, como por exemplo um leonário, que é basicamente um leão gigante), tudo é bem descrito e nos transporta para um mundo realmente mágico e cheio de possibilidades.

Filhos de Sangue e Osso foi uma das melhores histórias de fantasia que li nos últimos tempos. Com um ritmo frenético e cheio de ação, as mais de 500 páginas não deixam o leitor entediado em momento algum. Com um pano de fundo riquíssimo, explorando uma cultura pouco abordada na literatura, a obra é original e envolvente. Vale também elogiar a Rocco pela edição física, que conta com o mapa do reino e detalhes brilhantes na capa e na contracapa. Resumindo: se você adora fantasia, esse livro é imperdível. Recomendo muito!

Título Original: Children of Blood and Bone
Série: O Legado de Orïsha
Autor:
Tomi Adeyemi
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 550
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: A Última Palavra – Tamara Ireland Stone

Oi pessoal, tudo bem?

Vim contar pra vocês o que achei de A Última Palavra, um Young Adult que fala sobre Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

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Sinopse: Samantha McAllister esconde de todos o que se passa em sua cabeça. Sam sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo caracterizado por pensamentos intrusivos. Seus pensamentos não param um segundo do dia, cada passo e palavra suas são controladas, e esconder isso tudo faz com que viver seja um grande esforço. Tudo piora quando suas amizades começam a se tornar tóxicas e ela é julgada por conta de pequenos erros com suas roupas, comida ou o garoto por quem ela se interessa. Mesmo assim, Sam sabe que ela estaria verdadeiramente louca se deixasse de ser amiga das garotas mais populares da escola. Por causa disso, Sam é constantemente aconselhada por sua terapeuta a conhecer novas pessoas e fazer novos amigos, pessoas que não lhe provoquem crises de ansiedade e pânico constantes. Em um primeiro dia de aula assustador, Sam conhece Caroline, uma menina que vai levá-la para uma sala secreta em que um grupo de pessoas que são ignoradas pelo resto da escola se reúne. Ela rapidamente se identifica com eles, especialmente com um talentoso garoto que toca violão, e começa a descobrir uma nova versão de si mesma. Aos poucos ela passa a se sentir mais normal do que nunca, coisa que jamais tinha se sentido antes… até ela encontrar um novo motivo para questionar sua sanidade e tudo o que ama.

Samantha parece ter tudo o que uma adolescente poderia querer: é bonita, popular e tem um grupo de amigas com quem (teoricamente) pode sempre contar. O que ninguém sabe é que, por trás da fachada de perfeição, Sam esconde um TOC que se manifesta na forma de pensamentos obsessivos intrusivos. Isso significa que, diferentemente de quem manifesta a doença com hábitos físicos, Sam fica obcecada por determinados pensamentos e não consegue se desvencilhar deles. Um dos maiores gatilhos para seus picos de ansiedade são, justamente, suas supostas amigas, um grupo que há muito tempo não colabora com o desenvolvimento de Sam. Em um dia especialmente ruim, a jovem conhece Caroline, com quem (de maneira surpreendente) ela se abre. Caroline então leva Sam a um local secreto na escola chamado Canto da Poesia, e é lá que tudo muda.

A Última Palavra aborda um sentimento muito comum na adolescência: o desejo de pertencimento e o medo da exclusão. Mesmo sabendo que seu grupo de amigas é tóxico, Sam tem dificuldade em abrir mão dele por receio de ser abandonada. Durante suas sessões de terapia, sua psicóloga a incentiva constantemente a buscar novas amizades e a criar novos vínculos, de modo que existam menos gatilhos na rotina de Sam. Quando a garota conhece Caroline e finalmente admite seu TOC, é como se um grande peso fosse retirado de seus ombros, e isso dá a Sam a oportunidade de experimentar uma nova forma de ser ela mesma – ou melhor, quem ela quer ser a partir de agora.

Entretanto, existe um aspecto bastante negativo na obra: o modo com a autora lida com as consequências do bullying. No Canto da Poesia, Sam reencontra um ex-colega, AJ, que parece querer distância dela. A protagonista então se recorda que, no passado, ela e uma amiga praticaram um bullying tão intenso com o garoto que ele até mudou de escola temporariamente. E, para a minha surpresa, não demora para que esse assunto seja perdoado e (pasmem!) os pombinhos fiquem juntos. A química entre os dois existe e as cenas são bem românticas, mas teria sido muito melhor se o episódio do bullying não tivesse existido. A verdade é que as consequências do que Sam e sua amiga fizeram foram muito suavizadas, ainda mais quando consideramos quão rápido AJ se apaixonou pela garota que o traumatizou.

resenha a ultima palavra

Em A Última Palavra, o TOC não ganha tanta profundidade e detalhamento, diferente do que ocorre no excelente Daniel, Daniel, Daniel, por exemplo. Ainda que no caso de Sam o transtorno seja mais focado em pensamentos obsessivos, eu não senti o mesmo impacto (e até consciência) lendo sobre seu sofrimento (o que ocorreu de maneira intensa com o livro de Wesley King). A doença em si é mais abordada como algo que a incomoda e que a faz se sentir anormal do que evidenciada como algo que a atrapalha de verdade.

Apesar de falhar ao abordar algumas questões de saúde mental, há um aspecto muito positivo na obra: a relação de Sam e Sue, sua terapeuta. Assim como acontece em A Lista Negra, aqui a terapia tem um papel fundamental no processo de melhora de Sam, e é muito bonita a forma como o livro desenvolve essa relação. Além disso, a trama me emocionou bastante na sua reta final, a ponto de me fazer chorar. Há uma reviravolta que fica ameaçando eclodir durante um bom tempo (e que eu senti chegar), mas que ainda assim me balançou. Os últimos capítulos trabalham muito mais a questão da perda do que o TOC, e esse tema em particular sempre me toca profundamente.

Por último, mas não menos importante, devo ressaltar o quanto gostei de todo o conceito do Canto da Poesia. Desde a sua fundação, cujas razões são emocionantes, até o presente, o lugar acolhe todos que precisam dele (Hogwarts feelings) de uma maneira intensa. Dentro daquele espaço, os jovens que fazem parte do grupo têm a oportunidade de se expressar e mostrar a sua vulnerabilidade, e muitas vezes isso já é o bastante para conseguir vencer um período tão turbulento e cheio de emoções quanto a adolescência. O grupo também permitiu à protagonista enxergar como as pessoas são repletas de camadas, indo muito além do universo superficial ao qual ela estava acostumada. E, nesse processo, o leitor simpatiza com aqueles jovens também.

A Última Palavra é um livro que gira em torno de dilemas bastante adolescentes (tanto no sentido positivo quanto negativo disso – os medos e implicâncias do grupo de Sam são bastante superficiais, de maneira geral). Não é a melhor opção de leitura pra quem busca uma história mais crível no que diz respeito a bullying e TOC, mas é um YA que cumpre seu papel como entretenimento e apresenta o processo de terapia de maneira muito saudável. Se você curte esse estilo literário, vale espiar. 😉

Título Original: Every Last Word
Autor: Tamara Ireland Stone
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Biblioteca Sobre Rodas – David Whitehouse

Oi pessoal, tudo bem?

Devido à sinopse fofa e a proposta de cenário peculiar (uma biblioteca itinerante), fiquei bem curiosa a respeito de Biblioteca Sobre Rodas. Hoje conto pra vocês o que achei dessa leitura. 😉

biblioteca sobre rodasGaranta o seu!

Sinopse: Bobby Nusku tem um amigo: Sunny Clay. E depois Bobby Nusku tem dois amigos: Sunny Clay e Rosa Reed. E depois Bobby Nusku tem três amigos: Sunny Clay, Rosa Reed e Val Reed. E depois Bobby Nusku tem quatro amigos: Sunny Clay, Rosa Reed, Val Reed e Joe Joe. E depois Bobby Nusku tem quatro amigos e um cachorro: Sunny Clay, Rosa Reed, Val Reed, Joe Joe e Bert. E finalmente Bobby Nusku tem uma família. Em Biblioteca sobre rodas conheceremos a história dessa família às avessas, onde os laços de sangue são o que menos importa na trajetória deles. O que importa de verdade quando todos eles entram naquele caminhão lotado de livros e clássicos valiosos é a confiança que tem uns nos outros e a forma genuína como se amam, cada um com suas características, cada um com seu passado torto, cada um com suas diferenças que os tornam únicos.

Bobby Nusku é um garoto solitário, que vive apenas com seu pai (que frequentemente o agride) e sua madrasta desde que sua mãe partira. Como companhia ele tem um único amigo, Sunny Clay, e também seu hábito de guardar pequenos “fragmentos” da casa e das coisas da mãe para quando ela voltar. Porém, quando a mãe de Sunny decide se mudar, Bobby se vê na posição de ter que enfrentar a solidão e o bullying sozinho. Até que ele conhece Rosa Reed, uma menina doce e muito especial que traz Bobby para dentro de sua família (composta pela própria Rosa, pela sua mãe, Val, e pelo seu cachorro preguiçoso, Bert). Quando Val se depara com sua demissão iminente da biblioteca itinerante na qual trabalha, somando-se ao fato de que Bobby apresenta hematomas causados pelo pai, a personagem decide tomar uma decisão impactante: colocar todos na biblioteca e partir.

Biblioteca Sobre Rodas é uma história sobre formas de ser família. O livro questiona de maneira sensível esse conceito: a família não precisa ser tradicional, mas sim feita de pessoas que se amam e se apoiam. Convivendo uns com os outros, Bobby, Val, Rosa e Bert aprendem a respeitar suas particularidades, apreciando cada instante que vivem juntos e aceitando verdadeiramente uns aos outros. Quando um quarto elemento, Joe, se une ao time, a dinâmica entre eles sofre alguns ruídos mas, mesmo nesse novo contexto, os personagens aprendem a conviver em harmonia.

resenha biblioteca sobre rodas

Outra característica bem interessante da narrativa diz respeito às próprias histórias. Por estarem em meio aos livros (afinal, a biblioteca itinerante por si só é uma espécie de personagem, além de cenário), a nova família de Bobby passa muito tempo lendo e divagando sobre as tramas, e Bobby se questiona se aquelas histórias fantásticas poderiam acontecer com alguém tão normal quanto ele. O menino, porém, não se dá conta que sua própria vida é uma aventura, com direito a perseguição policial, revelações impactantes e até mesmo um plot twist no final. 😛 Entretanto, é importante ressaltar que, apesar de ser um livro doce e gentil, Biblioteca Sobre Rodas carece de ganchos que deixem o leitor ávido por continuar. Mesmo sendo curtinho, eu levei um tempo pra ler devido a essa característica.

Acho que o ensinamento mais valioso de Biblioteca Sobre Rodas reside no fato de que não importa muito o destino ou os desafios no caminho, mas sim quem você tem ao seu lado pra se agarrar e se amparar. E essa lição já é suficiente pra deixar um quentinho no coração ao fechar das páginas – lembrando que, segundo a Val, as histórias nunca têm fim; elas continuam mesmo quando as páginas terminam. E eu gosto de pensar que a história de Bobby Nusku e sua família continua. 🙂

Título Original: Mobile Library
Autor: David Whitehouse
Editora: Rocco
Número de páginas: 288
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Nevermoor: Os Desafios de Morrigan Crow – Jessica Townsend

Oi galera, tudo bem?

Fazia tempo que eu não lia um livro de fantasia, e Nevermoor: Os Desafios de Morrigan Crow (primeiro volume de uma série com 9 títulos planejados) foi uma grata surpresa. Vamos conhecer? 🙂

resenha nevermoor.pngGaranta o seu!

Sinopse: Nascida no Escurecer, o pior dia para uma criança nascer, Morrigan é considerada culpada por todos os infortúnios de sua cidade – de tempestades de granizo a ataques cardíacos – e, o que é pior, a maldição a condena a morrer à meia-noite de seu décimo primeiro aniversário. Mas, enquanto Morrigan aguarda seu destino, um homem estranho e extraordinário chamado Jupiter North aparece. Perseguidos por cães de fumaça e sombrios caçadores montados a cavalo, ele a leva para a segurança de uma cidade secreta e mágica: Nevermoor. Mas, para permanecer definitivamente em Nevermoor, Morrigan precisará passar por quatro desafios difíceis e perigosos, competindo com centenas de outras crianças – caso contrário, terá de deixar a cidade e enfrentar seu destino fatal.

Morrigan Crow é uma menina muito azarada. Nascida no último dia do Escurecer, ela se enquadra na categoria de Crianças Amaldiçoadas e é responsabilizada por tudo de errado que acontece em seu lar, Chacalfax. Mas a pior parte de ser uma Criança Amaldiçoada reside no fato de que Morrigan está fadada a morrer em seu aniversário de 11 anos. Entretanto, no fatídico dia, algo surpreendente acontece: um homem misterioso chamado Jupiter North surge e se oferece como patrono de Morrigan (uma tradição em que escolas prestigiadas fazem ofertas a crianças para que sejam suas alunas). A menina, entusiasmada com a oferta e assustada com a iminência de seu fim, aceita o convite de Jupiter, que não a leva para uma simples escola, mas sim para um lugar até então desconhecido pela protagonista: Nevermoor. Lá, Morrigan terá de vencer diversos desafios para ser considerada digna de entrar para a prestigiada Sociedade Fabulosa, da qual Jupiter faz parte. Entretanto, quando problemas relacionados ao fabulânio (a fonte de energia utilizada no livro) começam a acontecer, Morrigan desconfia que a maldição a seguiu, enquanto os locais temem pelo retorno de uma ameaça secular conhecida como Fabulador – responsável por um verdadeiro massacre que ainda assombra Nevermoor.

Ufa! Acreditem, isso é só a pontinha do iceberg de Os Desafios de Morrigan Crow. O livro, como praticamente toda obra introdutória de uma série de fantasia, traz diversos conceitos novos que são fundamentais para a construção de seu universo e mitologia. Começando pela própria Nevermoor, que é um Estado Livre, diferente de Chacalfax (que faz parte da República do Mar Invernal). Lá não existe a cultura das Crianças Amaldiçoadas, as pessoas são vibrantes e a mágica acontece. Acostumada a ser hostilizada por todos (inclusive sua própria família) devido à maldição, Morrigan encontra em Nevermoor a possibilidade de viver uma vida inimaginável, em que ela não é culpada por tudo de errado que acontece e onde, pela primeira vez, existe a chance de fazer amigos.

resenha nevermoor

Morrigan é uma menina carismática e da qual é possível sentir muita pena. Ela nunca conheceu afeto nem carinho e, mesmo assim, não é uma personagem amarga – ainda que tenha uma personalidade inquieta e por vezes levemente birrenta. Quando ela faz seu primeiro amigo, Hawthorne, outro candidato à Sociedade Fabulosa, é muito bacana vê-la desabrochar e vivenciar momentos que toda criança de 11 anos deveria, inclusive as traquinagens. Jupiter, seu patrono, é um personagem que conquista o leitor de imediato, ainda que pareça maluco em diversos momentos. Suas respostas evasivas às dúvidas de Morrigan me fizeram lembrar de Dumbledore ao tentar escapar de certas perguntas feitas por Harry. E mesmo o vilão tem os elementos que o tornam interessante, desde o mistério sobre sua identidade até a extensão de seus poderes.

E já que mencionei Harry Potter, vale dizer que solicitei Nevermoor à editora Rocco em parte pelos comentários que comparavam as duas séries. Em certo nível, sim, existem semelhanças: a protagonista é uma jovem criança que é resgatada de uma realidade horrível e adentra um mundo mágico onde praticamente tudo é possível. Mas, apesar de seguir a clássica fórmula da Jornada do Herói, Jessica Townsend conseguiu conceber um universo de fantasia bastante original e um enredo que nos prende devido aos desafios que Morrigan precisa ultrapassar. São quatro no total (numa vibe meio Torneio Tribruxo rs), que testam inteligência, determinação e talento, entre outras qualidades. Com o passar das páginas, vamos descobrindo junto da protagonista todos os elementos que tornam Nevermoor tão fantástica – e desejando fazer parte daquela Sociedade também.

Nevermoor: Os Desafios de Morrigan Crow inicia com o pé direito uma série que tem tudo para ser divertida, envolvente e eletrizante. Com uma ótima promessa de vilão, uma personagem aprendendo sobre seu real potencial e um mentor cheio de carisma, não faltam bons personagens para nos conduzir por um universo criativo e cheio de boas promessas. Recomendo! 😉

Título Original: Nevermoor: The Trials of Morrigan Crow
Série: Nevermoor
Autor: Jessica Townsend
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Rádio Silêncio – Alice Oseman

Oi gente, tudo bem?

O post de hoje é sobre Rádio Silêncio, um young adult cheio de diversidade e referências geek.

rádio silêncio alice osemanGaranta o seu!

Sinopse: Rádio Silêncio não é um livro leve e apresenta uma trama que prende o leitor até suas páginas finais. A história principal que envolve Frances e os gêmeos Last é acompanhada por dramas secundários que são tão envolventes quanto o cerne principal desta narrativa. É apenas lutando contra nossos medos mais secretos que podemos superá-los. E é apenas sendo verdadeiros com nós mesmos que podemos encontrar a felicidade. Frances vai precisar de cada gota de coragem que ela tem para viver esta aventura.

Frances é uma garota estudiosa, cujo maior objetivo é entrar em Cambridge. Representante de classe, todos os seus esforços no ensino médio se direcionam para o sonho da universidade. Entretanto, Frances não é a garota tímida e focada que aparenta ser: ela adora roupas coloridas, entende todas as referências geek, é divertida e fã número 1 de um podcast chamado Universe City – que aborda as aventuras de Rádio, o protagonista agênero que precisa enfrentar criaturas ameaçadoras em sua universidade. Quando Frances descobre que Aled, seu vizinho, é o criador do podcast, a vida de Frances se transforma, e ela finalmente vê a oportunidade de agir naturalmente e ser ela mesma.

Apesar de ter Frances como protagonista, Aled é a peça central de Rádio Silêncio. Seu background é peculiar o bastante para nos deixar curiosos: sua irmã, Carys (que por acaso foi amiga de Frances), fugiu de casa há um ano, ele produz Universe City sozinho e em segredo e, por fim, tem uma essência totalmente diferente daquilo que demonstra no exterior, assim como Frances. O jovem é solitário e tímido, mas perto de Daniel (seu amigo de infância) e de Frances, Aled consegue demonstrar sua vulnerabilidade e sua personalidade criativa. Porém, existem segredos que ele esconde, diretamente ligados à fuga de sua irmã – e é aí que o livro entra em temas mais pesados, como relacionamento abusivo (e não de uma forma romântica, mas doméstica, o que me fez lembrar de Eleanor & Park).

Rádio Silêncio também aposta forte na diversidade. Seus protagonistas não são heterossexuais e Frances é não-branca. Esses aspectos são apenas características, o que é algo muito positivo: desde o início sabemos que Frances é bi e em nenhum momento o livro faz disso um big deal. É simplesmente quem ela é. Em vez de utilizar esses recursos como parte do drama, a obra percorre um caminho mais interessante, focando nas consequências da pressão pelo sucesso em uma fase muito mutável da vida, que é a saída da adolescência e o início da vida adulta. O livro consegue desenvolver muito bem as dúvidas que passam pela cabeça de Aled e de Frances, ainda que ambos não se deem conta dos questionamentos sobre o futuro. No caso da protagonista, não entrar em Cambridge nunca foi uma opção, até que ela é obrigada a pensar sobre essa escolha. Sendo eu uma pessoa que entrou na universidade muito jovem, não curtiu o curso, passou por meses (talvez anos?) de pressão psicológica e insatisfação até ter coragem de trocar de faculdade, posso dizer com propriedade que me senti representada por esse plot.

resenha rádio silêncio

Mas existem alguns pontos negativos que fizeram com que Rádio Silêncio perdesse pontos comigo. O primeiro deles diz respeito a Frances. Por mais que ela tenha um ótimo coração, sejamos sinceros: ela é desinteressante. Frances não tem carisma suficiente pra segurar a trama, e Aled é o personagem que rouba a cena. Além disso, a enormidade de referências à cultura pop me cansa (falei disso em outra resenha por aqui), parece que o autor quer forçar o leitor a se conectar com os personagens com um recurso que considero pobre. Por fim, devo dizer que o livro é desnecessariamente longo e por muitas vezes arrastado; somente no final temos uma reviravolta e, quando ela finalmente acontece, tudo se resolve de forma absurdamente simples e corrida. Bastante inverossímil, eu diria. 😦

Apesar de não ter arrebatado meu coração, Rádio Silêncio é uma boa experiência. As discussões sobre futuro e, principalmente, sobre a incerteza quanto ao que seremos e se teremos sucesso em nossas empreitadas são relacionáveis e bem conduzidas. Além disso, é sempre bacana ver um livro que aborda a diversidade de maneira natural, e não como um motivo de sofrimento para os personagens. Se você se identifica com o tema, vale a pena conferir! 😉

Título Original: Radio Silence
Autor: Alice Oseman
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 448
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.