Resenha: Modern Love – Daniel Jones

Oi galera, tudo certo?

Vocês sabiam que Modern Love, da Amazon Prime Video, é baseada numa coluna do New York Times? Esse ano foi publicado pela Editora Rocco o livro homônimo, que reúne não apenas as 8 histórias da série, mas inúmeras outras. Vamos conhecer? 😀

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Sinopse: Algumas das histórias de Modern Love não são nada convencionais, enquanto outras parecem bem familiares. Algumas revelam como a tecnologia mudou para sempre o namoro, outras exploram as lutas atemporais vividas por quem já procurou amor. Acima de tudo, todas constituem relatos honestos que mostram como os relacionamentos começam, como geralmente fracassam e, quando temos sorte, perduram. Organizado pelo editor Daniel Jones, este é o livro perfeito para quem é amado, está perdido ou sendo perseguido por um ex nas redes sociais, ou para aqueles que sempre desejaram um romance verdadeiro. Em outras palavras, uma leitura para qualquer pessoa interessada no funcionamento infinitamente complicado do coração humano.

Modern Love é dividido em 4 partes, focadas em diferentes formas de amor. Entretanto, é importante pontuar que desde a introdução do livro o leitor é avisado de que nem todas as histórias são bonitas e com finais felizes. Existem amores doloridos, amores que não deram certo, amores que mudaram, amores de diferentes tipos. Essa multiplicidade de maneiras de amar torna Modern Love um livro muito real e relacionável, sendo este o primeiro ponto positivo que faz a leitura valer a pena.

E a primeira parte do livro, “Em algum lugar lá fora”, já exemplifica o aviso da introdução: ela conta histórias de relações que não foram para frente ou, quando foram, não necessariamente tiveram seu “felizes para sempre”. As histórias narradas aqui evidenciam que grande parte dos amores não são aqueles vistos em novelas ou filmes, sendo feitos de diferentes formas de viver esse sentimento. Há uma carta que narra a idealização de um rapaz pela namorada (sua própria Maniac Pixie Dream Girl, nas palavras dele); há a reflexão de uma mulher que só quer viver os relacionamentos casuais, mas acaba sofrendo devido a promessas vazias feitas pelos homens com quem se relaciona; e há a minha história favorita dessa primeira parte, que é o material de inspiração para o último episódio da minissérie: “A corrida fica mais gostosa perto da última volta”. Esse capítulo é delicioso e emocionante, mostrando uma relação madura que, apesar de ter a morte como elemento fundamental, não se torna menos importante, feliz ou valiosa.

A segunda parte do livro, “Acho que amo você”, é mais romântica e conta histórias de inúmeros relacionamentos felizes (alguns à primeira vista, outros que sobreviveram aos percalços). Uma história que me surpreendeu bastante foi a de uma mãe que diz que nada supera seu amor pelo marido, nem mesmo os próprios filhos. A maternidade é muito romantizada na nossa sociedade, e eu costumo ser bem crítica disso; entretanto, me vi enfrentando minhas próprias ideias pré-concebidas inconscientes ao me ver surpresa com a narrativa de uma mulher que ama os filhos, mas cujo amor pelo marido é ainda maior. Gosto quando um livro me faz questionar as minhas crenças, e esse capítulo foi interessante por isso. Mas o capítulo que mais gostei foi “Você talvez queira se casar com o meu marido”, escrito por uma mulher com câncer em fase terminal que deseja que seu amado siga em frente após sua partida. Encarar a própria finitude não é uma tarefa fácil, principalmente quando tudo que você gostaria é de mais tempo com quem você ama. Ainda assim, a abnegação da autora em querer que o marido encontre alguém e ame novamente é comovente.

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O título da terceira parte, “Segurando firme nas curvas”, já nos dá uma pista do que vamos encontrar: narrativas cheias de desafios, momentos complicados a serem vencidos e a luta para erguer a cabeça e seguir em frente. Os capítulos aqui agrupados focam nas dores e nas adversidades dos diversos tipos de amores que, mesmo imperfeitos, valem a pena ser contados. É nessa parte que está uma das cartas que originou um dos melhores episódios da minissérie, protagonizado por Anne Hathaway: “Aceite-me como eu sou, não importa quem eu seja”. Apesar de menos intensa e emocionante que sua contraparte televisiva, ainda sim é relevante por falar de saúde mental. A história dos Beatles (“Agora eu preciso de um lugar para me esconder”), de uma mãe que perdeu a filha quando ela ainda era criança, foi dolorosa de ler. Mas a resiliência do ser humano é algo inspirador, e essa história traz essa característica com muita delicadeza. Por fim, a quarta parte, “Assuntos de família”, narra principalmente o amor familiar – romântico ou não. E, encerrando o livro, temos a história que dá início à adaptação televisiva, a respeito da amizade entre uma jovem e seu porteiro (eu amo essa história!).

Assim como ocorre na maioria das coletâneas, existem contos melhores do que outros em Modern Love, o que é esperado e natural. Alguns são meio enfadonhos, outros não provocam muita simpatia, mas em compensação existem inúmeros que renovam sua esperança no amor e na humanidade, bem como provocam muita gratidão pelas pessoas que nos cercam. Agora, falando especificamente sobre as 8 histórias que viraram episódios de TV, eu diria que a dramatização nos episódios conferiu um peso bem maior a elas. No livro, os relatos são mais breves e menos aprofundados, não causando a mesma comoção das contrapartes audiovisuais. Além disso, existem no livro histórias muito mais emocionantes do que as escolhidas para a série (eu realmente não gostei de uns 3 episódios, achei cansativos), e vejo um potencial enorme para uma segunda temporada focada em algumas delas.

Resumindo, Modern Love é uma leitura fácil, gostosa e cheia de emoções. O livro me fez sorrir e me fez chorar enquanto me conectava às histórias de vida de pessoas reais que, assim como eu e você, amam, sorriem, se magoam e seguem em frente dando o melhor de si. Vale a pena? Com toda a certeza. ❤

Título original: Modern Love
Autor:
Daniel Jones
Editora: Rocco
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Contágio – David Quammen

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar de parecer contraditório após tantas dicas com entretenimento leve pra curtir na quarentena, acabei fazendo uma leitura que pode soar pesada para o momento: Contágio, de David Quammen. Por isso, antes de entrar na resenha propriamente dita, tem uma informação sobre mim que vocês precisam saber: eu sempre gostei muito de Biologia. Quase me formei em Nutrição (e curtia disciplinas como Microbiologia e Parasitologia, por exemplo) e vira e mexe assisto a programas do National Geographic ou do Animal Planet. Espero que isso ajude a entender por que decidi ler um livro chamado Contágio em plena pandemia de coronavírus rs. Introdução feita, bora pra resenha!

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Sinopse: Em Contágio, publicado originalmente em 2012, David Quammen demonstra que havia consenso entre os especialistas sobre as características de uma próxima pandemia: o causador seria um vírus novo aos humanos, atingiria primeiro algum tipo de animal selvagem, como um primata ou um morcego, e seria altamente mutável, ao estilo de um vírus influenza ou de um… coronavírus. Escrito com ritmo de tirar o fôlego, o livro investiga os patógenos responsáveis pelas grandes epidemias da história — entre elas, a gripe espanhola, a aids, o ebola e a SARS — e os desafios que elas representam para os seres humanos. Quammen antecipa vários dos embates que enfrentamos hoje, indicando que temos muito o que aprender com os surtos pregressos para combater a atual pandemia. Como afirmou em uma entrevista recente: “Seja uma catástrofe ou algo que consigamos controlar, uma coisa que sabemos sobre essa nova pandemia é que não será a última”. Esta edição inclui um texto de Quammen publicado em 2020 no New York Times sobre o novo coronavírus.

Contágio (não confundir com o filme homônimo, fictício) é um livro de não-ficção escrito pelo escritor de ciência, natureza e viagens David Quammen, cujos textos já foram publicados na National Geographic, Rolling Stone, entre outros títulos importantes. O livro é dividido em capítulos focados em doenças zoonóticas (ou seja, de origem animal) distintas, responsáveis pelas maiores epidemias já enfrentadas. Esses capítulos contam com subcapítulos, nos quais o autor discorre sobre cada patologia: o surgimento dela, os locais onde houve picos, os estudos conduzidos por cientistas que fizeram a diferença e diversas explicações sobre como doenças infecciosas agem. Hendra (descoberta na Austrália), Ebola (endêmica em certos países da África), Malária (transmitida por um vetor) e HIV (cuja origem foram os chimpanzés) são alguns exemplos de doenças infecciosas descritas e explicadas em Contágio.

De modo geral, a leitura é acessível para leigos, e você se sente lendo uma grande matéria jornalística a respeito do assunto. Contudo, apesar de em geral não ter uma narrativa complexa, um aspecto negativo da leitura é que com frequência o autor é repetitivo nos subcapítulos, dizendo de formas diferentes a mesma coisa (talvez para facilitar a compreensão de leitores menos habituados a esse assunto). Sem esse recurso, provavelmente Contágio ganharia agilidade. Contudo, de maneira geral a estrutura narrativa do livro é bastante envolvente: o autor vai criando uma timeline dos eventos e consegue inclusive criar cliffhangers instigantes para as informações que estão por vir.

O autor também relata em detalhes ao longo das páginas sobre o processo investigativo quando surge uma nova doença. Desde pesquisas de campo em meio a florestas tropicais até à reconstrução da linha do tempo a partir do paciente zero são etapas complexas e arriscadas que muitas vezes levam os próprios profissionais a ficarem doentes e/ou falecerem. Esse comprometimento com a agilidade na busca pela solução do problema e pela compreensão do novo são o que nos permitem ter respostas mais rápidas às pandemias (o Covid-19, por exemplo, foi identificado pouco mais de um mês após seu surgimento, em dezembro de 2019). Depois de ler sobre todos esses processos (existem doenças que levaram duas décadas para serem compreendidas, sabe!) eu fico ainda mais abismada com a desvalorização da ciência.

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Contágio tem como objetivo explicar as origens e as consequências de importantes zoonoses, ou seja, doenças transmitidas de um animal para um humano, normalmente de modo acidental. E um ponto importante nesse processo, o fator comum às pandemias, reside no fato de que grande parte desse contágio é causado pela invasão humana à natureza, bem como predação de animais selvagens. A falta de equilíbrio ecológico, causado por queimadas, árvores derrubadas para plantio, caça a animais silvestres, entre outros fatores, saltou aos meus olhos como um grande problema responsável pela variedade de doenças às quais estamos suscetíveis. Evoluímos rapidamente em termos de tecnologia e conhecimento, mas a verdade é que existe uma infinidade de coisas que ainda não sabemos (e a pandemia do coronavírus é uma prova do perigo ao qual estamos expostos a micro-organismos ainda desconhecidos).

Com isso, fica evidente a necessidade de repensarmos nosso modo de vida e de consumo. O jeito que a sociedade se estrutura hoje não é compatível com um futuro sustentável e saudável. A pandemia de Covid-19 não foi uma surpresa total para os estudiosos da área, porque na verdade eles compreendem que a Próxima Grande Pandemia sempre está a um passo de acontecer – basta que um vírus ou bactéria “salte” para um ser humano (ou seja, faça um spillover, termo que designa o pulo de um animal hospedeiro para outro, no qual o patógeno também consegue se desenvolver). Pode ser por meio de um contato com uma árvore derrubada, com um animal morto na floresta ou proveniente do comércio de carne, mas a iminência de uma nova pandemia está à espreita.

Por mais que esse fato possa parecer sensacionalista e/ou assustador, é um assunto necessário. Acho praticamente impossível ler Contágio sem, no mínimo, refletir um instante sobre nossos hábitos de consumo. Não digo que você vai se tornar vegetariano ao fechar o livro. Mas quem sabe você vire. A questão é que, no mínimo, Contágio instiga o leitor a refletir sobre o nosso papel no ecossistema, e deixa uma mensagem muito clara: estamos todos juntos nisso. Não podemos esquecer de que também somos animais – porém, muito mais destrutivos e em total desequilíbrio com os outros que habitam o planeta. A leitura de Contágio nos relembra que somos um elo dessa grande corrente, e não necessariamente o mais importante. Nos resta ter humildade pra entender que somos um fragmento do ecossistema e que, se não buscarmos mais equilíbrio nas nossas relações, não podemos garantir nossa longevidade enquanto espécie.

Título original: Spillover: Animal Infections and the Next Human Pandemic
Autor: David Quammen
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 492
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Morte no Verão – Benjamin Black

Oi galera, tudo bem?

Hoje vim compartilhar com vocês minhas percepções a respeito de Morte no Verão, um livro policial de estilo noir.

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Sinopse: Em uma sufocante tarde de verão em Dublin, o magnata Richard Jewell – conhecido por seus inúmeros inimigos como Diamond Dick – é encontrado com a cabeça estourada por um tiro de espingarda. Jewell era o proprietário de grande parte dos veículos de imprensa do país e diretor do sensacionalista Daily Clarion, o jornal de maior vendagem da capital. Embora tudo leve a crer que tenha sido suicídio, os jornais, por convenção, não mencionam essa possibilidade. Caberá então ao detetive inspetor Hackett tocar as investigações, nas quais irá contar com a ajuda de seu velho amigo, o patologista Garret Quirke.

O que é literatura noir, para início de conversa? Segundo a biblioteca da PUCRS, ela “se caracteriza por apresentar histórias que misturam terror, mistério e elementos policiais, detetives e investigações que vão além dos conhecimentos de investigação criminal.” Na prática, o que eu senti é que é uma narrativa mais lenta, focada nas reflexões dos personagens, com uma ambientação urbana e “pálida”. Morte no Verão se passa na Dublin dos anos 50 e acompanha a investigação da morte de um magnata que aparentemente se suicidou na sua casa de campo. Quando o detetive inspetor Hackett encontra o corpo, ele percebe que, apesar da tentativa de forjar o suicídio, provavelmente trata-se de um homicídio. Então Garret Quirke (um médico forense com quem ele já trabalhou antes) é acionado, sendo ele o verdadeiro protagonista da obra.

Desde o início do livro, especialmente após a chegada de Quirke, senti que a narrativa contava com elementos prévios que eu não conhecia. Fui para o Google e bingo: trata-se do quarto livro de uma série, e nos volumes anteriores provavelmente é explicada a parceria entre Quirke e Hackett, bem como a notoriedade que o primeiro ganhou nos últimos anos. Infelizmente minha leitura foi bastante prejudicada por isso, mas foi desatenção de minha parte ao solicitar o livro à editora sem conferir previamente se era um volume único ou não.

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A narrativa é bastante vagarosa e foca pouquíssimo na investigação policial; entretanto, quando isso acontece, temos as melhores passagens da obra. No geral, acompanhamos o relacionamento de Quirke com sua filha, de quem ele não era muito próximo, e também sua atração pela viúva da vítima, com quem ele passa a ter um caso. A ênfase da história reside na descrição de cenários e das sensações dos personagens, sendo também um livro com uma narrativa um pouco mais rebuscada e metafórica. A vantagem disso é que Morte no Verão me ajudou a expandir meu vocabulário, e fazia tempo que um livro não me proporcionava essa experiência.

Eu esperava mais do final: a resolução do caso é clichê e bastante insossa. Como comentei anteriormente, a investigação não é o que chama a atenção na obra e, pra falar a verdade, não teve nenhum elemento que realmente tenha me conquistado. Os personagens não são carismáticos, você não torce por nenhum deles e não houve conexão entre mim e a obra. Provavelmente o ponto que mais influenciou nisso foi pegar o bonde andando mesmo: Morte no Verão é o tipo de livro que tem início, meio e fim, mas que precisa do background apresentado nos volumes anteriores pra compreensão plena dos personagens.

Apesar de eu amar livros policiais, Morte no Verão não conseguiu me cativar. Parte dessa constatação eu já expliquei no parágrafo anterior, mas outra parte reside no fato de que a obra não me provocou absolutamente nenhum sentimento: nem curiosidade pela investigação e nem afeição pelos personagens (o que me prende à série Cormoran Strike, por exemplo, mesmo quando a investigação não é tão boa). Não recomendo a obra como porta de entrada pra série mas, se você acompanhou os livros anteriores, talvez sua experiência seja diferente da minha. 🙂

Título original: A Death in Summer
Autor:
Benjamin Black
Editora: Rocco
Número de páginas: 256
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Você É Fodona – Jen Sincero

Oi pessoal, tudo bem?

Recebi como parte de uma ação de divulgação da Editora Rocco Você É Fodona, um livro de autoajuda de Jen Sincero que promete colocar o leitor no controle da própria vida e ajudá-lo a conquistar seus objetivos. Mesmo não sendo um gênero do qual eu goste, pensei: por que não? E agora bora que vou contar pra vocês o que achei. 🙂

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Sinopse: Mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo. Neste divertido livro, a autora nº 1 de best-sellers do The New York Times e coach de sucesso, Jen Sincero, oferece capítulos curtos, cheios de histórias hilariantes e inspiradoras, conselhos sábios, exercícios fáceis e palavrões ocasionais. Mostrará como criar uma vida que você ama totalmente, e como criá-la agora.

Eu tenho uma resistência fortíssima à ideia de coaches. Em geral, acredito que a maior parte deles ganha dinheiro com frases prontas e repetidas à exaustão. Por isso, sempre que pego um livro de autoajuda, eu inicio a leitura com desconfiança, e o livro precisa provar que vale a mudança de opinião. Não foi diferente com Você É Fodona, cujo título vergonha alheia já me causou um certo… receio. E em diversos pontos a obra acabou reforçando minha opinião pré-concebida. Felizmente, algumas partes foram capazes de gerar uma reflexão positiva, e vou concentrar os próximos parágrafos em prós e contras da leitura.

Jen Sincero inicia o livro explicando que temos a consciência (que determina o que queremos fazer) e a inconsciência (o que foi incutido na gente sem percebermos). A partir da inconsciência surgem o que ela chama de crenças limitantes – conceito que eu, particularmente, não comprei. Para Jen Sincero, são essas crenças que nos impedem de avançar e atingir nossas metas, e ao longo dos capítulos ela discorre sobre formas de superar esse obstáculo. Gostei que ela fala sobre o perigo das piadas autodepreciativas, que minam a nossa autoconfiança e são uma repetição de impressões negativas a respeito de nós mesmos. Jen Sincero incentiva que sejamos capazes de aceitar os elogios de coração aberto, sem decliná-los. Eu pessoalmente sou uma pessoa que fico bastante sem jeito com elogios, e de uns tempos pra cá tenho tentado me acostumar à ideia de recebê-los e, principalmente, acreditar neles.

Outro conteúdo interessante do livro diz respeito a sermos mais gentis com nossos erros. Esse tema também conversou diretamente comigo, porque sou alguém cuja autocobrança é elevadíssima. Ao aceitar a nossa falibilidade, a gente entende que tá tudo bem tentar algo pela primeira vez e não necessariamente se sair bem nisso, afinal, o erro também faz parte do aprendizado. Por fim, outro conceito bacana abordado pela autora diz respeito à procrastinação: muitas vezes deixamos de cumprir uma tarefa ou objetivo por esperar que saia tudo 100% perfeito, o que é basicamente impossível. Ela sugere então que as tarefas sejam divididas em objetivos menores, de forma que cada passo seja mais factível, não parecendo uma tarefa hercúlea que cause a procrastinação por puro medo de tentar.

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E do que eu não gostei? Bom, a começar pela gama de assuntos que Jen Sincero aborda. Ela fala sobre tantas áreas da vida (carreira, dinheiro, vida amorosa) que parece que nenhum conselho é aprofundado o bastante, sabem? Além disso, faltam exemplos pessoais que justifiquem as dicas – afinal, por que eu acreditaria na autora se ela quase não tem situações reais para provar que aquilo funciona? Acredito que a falta de exemplos, somada a um milhão frases de efeito piegas, foi um dos maiores responsáveis pela minha desconexão com a leitura.

Outra abordagem que não colou comigo diz respeito à vibração dos pensamentos. Segundo Jen Sincero, precisamos emitir a vibração certa ao Universo pra atrair coisas positivas, e para que algo se torne realidade você primeiro precisa acreditar que aquilo é verdade. Com todo respeito a quem acredita nisso mas, pra mim, simplesmente não dá. Considero isso o suprassumo do papo de coach e ainda culpa você por estar atraindo porcaria pra sua vida, sem considerar os diversos fatores externos que podem atravancar o caminho – incluindo privilégios. Isso fica ainda mais grave quando ela começa a falar de prosperidade financeira: os conselhos dela não poderiam ser mais desconectados da realidade, afirmando que “se você sintonizar sua energia à abundância do Universo, você será recompensado” ou, ainda pior, ela exemplifica com o fato de ter comprado um carro caro em vez de um carro barato porque isso deu o sinal necessário para o Universo compreender que ela tava pronta pra prosperar. Bah, apenas não. Eu acredito que sim, precisamos arregaçar as mangas e correr atrás dos nossos objetivos, mas compreendo também que existem muitos fatores envolvidos em fazer um objetivo dar certo ou não: falta de grana, falta de acesso a determinados espaços, desigualdade social… Enfim, já deu pra entender meu ponto, né? Por fim, não posso evitar dizer que as escolhas de analogia dela não poderiam ser mais bregas. Ela se refere ao ego como Grande Dorminhoco, por exemplo… Simplesmente constrangedor.

Em suma, Você É Fodona foi capaz de dialogar com alguns aspectos que eu venho tentado trabalhar em mim mesma há algum tempo. Mas, honestamente? O mérito tá na terapia rs. Alguns conselhos são legais, a intenção é boa, só que pra mim não funcionou. Por isso, não é um livro que eu recomendaria diretamente mas, se a proposta chama a sua atenção, vá em frente. 😉

Título original: You Are a Badass
Autor:
Jen Sincero
Editora: Rocco
Número de páginas: 272
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Conectadas – Clara Alves

Oi pessoal, tudo bem?

Quando vi que Conectadas, da Clara Alves, reunia o amor pelo universo dos jogos, protagonismo feminino e visibilidade LGBTQI+, não pensei duas vezes em solicitar para a Editora Seguinte. E, nesse Mês do Orgulho, nada melhor do que conversar sobre livros que dão espaço a essas vozes, não é mesmo?

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Sinopse: Raíssa e Ayla se conheceram jogando Feéricos, um dos games mais populares do momento, e não se desgrudaram mais — pelo menos virtualmente. Ayla sente que, com Raíssa, finalmente pode ser ela mesma. Raíssa, por sua vez, encontra em Ayla uma conexão que nunca teve com ninguém. Só tem um “pequeno” problema: Raíssa joga com um avatar masculino, então Ayla não sabe que está conversando com outra menina. Quanto mais as duas se envolvem, mais culpa Raíssa sente. Só que ela não está pronta para se assumir — muito menos para perder a garota que ama. Então só vai levando a mentira adiante… Afinal, qual é a chance de as duas se conhecerem pessoalmente, morando em cidades diferentes? Bem alta, já que foi anunciada a primeira feira de Feéricos em São Paulo, o evento perfeito para esse encontro acontecer. Em um fim de semana repleto de cosplays, confidências e corações partidos, será que esse romance on-line conseguirá sobreviver à vida real?

Raíssa é uma adolescente lésbica e geek, completamente apaixonada pelo universo dos games. Porém, a jovem se obrigou a criar um personagem masculino no seu jogo favorito, Feéricos, para não ser mais vítima do machismo de outros gamers, que a evitavam por ser mulher. Entretanto, ao ajudar Ayla, uma nova jogadora, uma amizade se inicia – que acaba se tornando uma paixão correspondida, ainda que aparentemente impossível: as duas são menores de idade, moram em cidades diferentes e dificilmente se encontrariam, certo? Acontece que a empresa responsável pelo jogo anuncia um evento gigante ao qual Raíssa e Ayla estão determinadas a comparecer. Enquanto Ayla imagina que vai conhecer “Leo”, seu crush da internet, Raíssa começa a surtar com a iminência de ser desmascarada pela menina que ama.

Se você é mulher e já jogou online, provavelmente vai se identificar com os motivos de Raíssa para esconder sua identidade: a comunidade nerd pode ser (e muitas vezes é) demasiado tóxica e machista. Contudo, a personagem perde o timing de dizer a verdade a Ayla, usando a identidade do melhor amigo, Leo, para tentar manter a farsa. Além do medo de ser descoberta e rejeitada, Raíssa também sofre com a sua sexualidade, que mantém em segredo. Ouvir comentários homofóbicos de seus parentes não a ajuda em nada, servindo apenas como um reforço ao seu pânico de se assumir. O que Raíssa não imagina é que, do outro lado da tela, Ayla sofre com uma dor parecida: a garota tenta se convencer que a atração que já sentiu por outras meninas foi apenas uma fase, e parece encontrar alívio no fato de estar apaixonada por “Leo”. Com o passar das páginas o leitor compreende – assim como Ayla – que estamos lidando com a bissexualidade, uma letrinha muitas vezes invisibilizada quando falamos na temática LGBTQI+.

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Confesso que, ao longo da leitura, por diversas vezes eu fiquei com um pouquinho de vergonha alheia pelo exagero nas reações de Raíssa, Leo e até mesmo Ayla. Aquela coisa de dar pulinhos de empolgação ou fazer alguma dancinha em público, sabem? Aí eu lembrei que quando eu tinha a idade dos personagens e frequentava eventos de anime eu fazia a mesmíssima coisa! 😂 Foi um belo puxão de orelha em mim mesma – afinal, eu sei BEM o que é surtar de empolgação por alguma coisa da qual você é realmente fã. Relembrar essa fase da minha vida por meio da leitura acabou sendo divertido e empolgante.

Claro, existem algumas frases prontas e clichês que acabaram tirando a naturalidade de certos diálogos, mas de maneira geral Conectadas faz um ótimo trabalho em mostrar o sentimento de fangirl e os relacionamentos online proporcionados por um forte vínculo em comum. O jogo é onde Raíssa e Ayla se sentem à vontade para serem honestas consigo mesmas, onde podem ser quem são sem julgamentos externos. Além disso, temos significativa representatividade na obra: Ayla é oriental, Raíssa tem mãe negra e pai indígena e, é claro, há a questão da sexualidade. O livro consegue transmitir as aflições e dúvidas que as duas meninas sentem, especialmente frente à perspectiva de se assumirem. E, apesar de uma abordagem realista, Clara Alves consegue fugir de um tom desnecessariamente dramático ou pesado em uma obra que se propõe a ser leve.

Resumindo, Conectadas me proporcionou uma viagem no tempo. Lembrei como era ter fakes dos meus personagens favoritos no Orkut, de quando eu adorava o universo gamer e também da época em que não perdia eventos de anime. Eu sempre fui bem fangirl das coisas que eu gosto e consegui me identificar com o que Raíssa e Ayla sentiam em relação a Feéricos. Além de dialogar diretamente com quem já vivenciou esse tipo de hobby, o livro é também um romance fofo entre duas personagens capazes de cativar mesmo não sendo (ou até por isso) perfeitas. E, não somente no Mês do Orgulho, mas sempre, fica aquele lembrete de que todo tipo de amor é válido e importante – afinal, seja no RPG online ou na vida real, é libertador quando podemos ser honestos sobre quem somos e amamos.

Título original: Conectadas
Autor: Clara Alves
Editora: Seguinte
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Mulheres na Luta – Marta Breen e Jenny Jordahl

Oi pessoal, tudo bem?

Graças à leva de e-books gratuitos disponibilizados nessa quarentena, tive a oportunidade de conferir Mulheres na Luta: 150 anos em busca de liberdade, igualdade e sororidade. Vamos conhecer? 🙂

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Sinopse: Há 150 anos, a vida das mulheres era muito diferente: elas não podiam tomar decisões sobre seu corpo, votar ou ganhar o próprio dinheiro. Quando nasciam, os pais estavam no comando; depois, os maridos. O cenário só começou a mudar quando elas passaram a se organizar e a lutar por liberdade e igualdade. Neste livro, Marta Breen e Jenny Jordahl destacam batalhas históricas das mulheres — pelo direito à educação, pela participação na política, pelo uso de contraceptivos, por igualdade no mercado de trabalho, entre várias outras —, relacionando-as a diversos movimentos sociais. O resultado é um rico panorama da luta feminista, que mostra o avanço que já foi feito — e tudo o que ainda precisamos conquistar.

Antes de entrar no conteúdo propriamente dito, a primeira coisa que gostaria de pontuar é que, mesmo sendo e-book, o app do Kindle oferece a experiência de leitura necessária. O que isso quer dizer? Mulheres na Luta é contado essencialmente por meio de ilustrações e quadrinhos. Imaginei que, por conta disso, a leitura no app seria prejudicada, o que não acontece: cada clique para virar a página leva você para o quadrinho seguinte, de maneira bastante fluida. Confesso que o movimento por vezes me deu um pouco de enjoo, mas acho que é uma particularidade minha enquanto leio (às vezes me sentia enjoada no ônibus também). 😛

Dito isso, afirmo que gostei muito de conferir Mulheres na Luta. A obra narra as ondas feministas e fala sobre os principais nomes que fizeram parte das conquistas das mulheres. Contudo, diferente de Extraordinárias, que tenta sair do lugar-comum ao trazer nomes pouco lembrados, Mulheres na Luta dá mais espaço para a visão branca e de classe média do movimento.

resenha mulheres na luta

Apesar desse porém, o livro é muito legal e de fácil leitura. Para quem está se interessando pelo assunto, a obra é ilustrativa e didática, trazendo drops da história do movimento feminista de maneira envolvente. As ilustrações também são muito bacanas e vale a pena dedicar alguns momentos para conferi-las com atenção.

Mulheres na Luta é uma obra mais introdutória a respeito do feminismo, mas nem por isso dispensável. Por meio de tirinhas e ilustrações, o livro passa sua mensagem de maneira leve, mas ainda assim relevante. É uma leitura que eu indicaria especialmente para meninas mais jovens, por exemplo, para instigar a curiosidade a respeito do movimento. E, é claro, pra todo mundo que se interessa em saber um pouco mais sobre a história da luta que possibilitou nossas conquistas. Quando nos damos conta de que não faz muito tempo que determinados direitos foram adquiridos é que a gente percebe que não podemos relaxar. Que a luta das que vieram antes nos inspire sempre. 🙂

Título Original: Women in Battle
Autor: Marta Breen e Jenny Jordahl
Editora: Seguinte
Número de páginas: 128
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Resenha: Codinome Villanelle – Luke Jennings

Oi pessoal, tudo bem?

Em parceria com a Companhia das Letras, recentemente li Codinome Villanelle – obra que inspirou a premiada série Killing Eve.

codinome villanelleGaranta o seu!

Sinopse: Villanelle (um codinome, é claro) é uma das assassinas mais habilidosas do mundo. Uma psicopata hedonista, que ama sua vida de luxo acima de quase qualquer coisa… menos a emoção da caçada. Especializada em matar as pessoas mais ricas e poderosas do mundo, Villanelle é encarregada de aniquilar um influente político russo, e acaba com uma inimiga determinada em seu encalço. Eve Polastri é uma ex-funcionária do serviço secreto inglês, agora contratada pela agência de segurança nacional para uma tarefa peculiar: identificar e capturar a assassina responsável e aqueles que a contrataram. Apesar de levar uma vida tranquila e comum, Eve possui uma inteligência rápida e aguçada – e aceita a missão. Assim começa uma perseguição através do globo, cruzando com governos corruptos e poderosas organizações criminosas, para culminar em um confronto do qual nenhuma das duas poderá sair ilesa. Codinome Villanelle é um thriller veloz, sensual e emocionante, que traz uma nova voz à ficção internacional.

Villanelle gosta de matar. E é muito boa no que faz. A assassina de aluguel, nascida Oxana Vorontsova, finalmente encontrou seu propósito ao fazer parte de uma organização poderosa que decide o destino de nomes importantes e decisivos ao redor do mundo. Porém, apesar de todos os cuidados, ela entra na mira do Serviço de Inteligência do Reino Unido e da investigadora Eve Polastri. Quando alguém próximo de Eve é morto, sua motivação para pegar a misteriosa assassina ganha força.

Killing Eve é uma série que está na minha listinha de “to watch”, então fiquei bem animada com a oportunidade de conferir o livro que a inspirou. Ainda não tenho como comparar as duas obras, então a resenha vai se concentrar exclusivamente no material de origem. Codinome Villanelle é curtinho e de ritmo eletrizante: desde o início somos apresentados ao estilo de vida de Villanelle, que usufrui do luxo e do conforto que sua profissão (arriscada, mas altamente rentável) oferece. Aos poucos, mas sem enrolação, o passado da assassina é revelado: a falta de identificação com as pessoas ao seu redor, a incapacidade de sentir remorso e o prazer pela manipulação são elementos que levam a sociopata ao caminho percorrido no presente. Sedutora e inteligente, Villanelle é apaixonada pela emoção da caçada, e fazer um trabalho bem feito é sua maior fonte de prazer.

Eve Polastri, por outro lado, é uma personagem mais linear (para não dizer entediante). Sua vida se transforma quando um político russo é assassinado sob sua responsabilidade, apesar de Eve ter solicitado reforço na segurança e ter sido ignorada. O episódio a faz ser procurada por Richard Edwards, um nome importante nos serviços de inteligência. Ele alega que a morte não foi acidental e que o governo está corrompido, convidando Eve a fazer parte de sua equipe na segurança nacional. Ao dizer “sim”, a investigadora é levada até a China, em busca de provas que possam levá-los aos mandantes dos assassinatos globais.

resenha codinome villanelle

Codinome Villanelle não perde tempo com grandes aprofundamentos da trama ou dos personagens que não sejam realmente essenciais. Desde o início sabemos a respeito da assassina que dá nome à obra, o que tem duas consequências: torna a leitura instigante, mas também tira um pouco do mistério da personagem. O livro se desenvolve como um típico filme de espionagem, inclusive com seus clichês: temos a femme fatale que consegue sexo facilmente (cujo perigo se esconde em sua fachada sedutora), temos também a investigadora implacável que deixa sua vida pessoal de lado após sofrer uma perda, temos frases de efeito breguíssimas e até mesmo o clichê do vilão russo. Apesar desses aspectos bem duvidosos, é inegável que a trama transcorre de maneira fluida e envolvente, sendo necessários poucos dias para concluir a leitura.

Os capítulos são divididos de forma estranha: são apenas quatro. A narração em terceira pessoa vai de Villanelle para Eve, com espaços entre os parágrafos que permitem ao leitor pausar a leitura mesmo no meio do capítulo. Existem algumas idas e vindas no tempo, especialmente pela abordagem do passado de Villanelle, mas isso não é negativo e tampouco confunde.

Codinome Villanelle é divertido e despretensioso, por isso não espere uma obra-prima. É um livro de espionagem que conta com o ônus e o bônus do gênero: sim, tem vários clichês, mas também tem um ritmo acelerado e intenso. Se você é fã Killing Eve ou se gosta de tramas de ação e espionagem, vale a pena conferir. 😉

Título Original: Codename Villanelle
Série: Killing Eve
Autor: Luke Jennings
Editora: Suma
Número de páginas: 216
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Extraordinárias – Aryane Cararo e Duda Porto de Souza

Oi pessoal, tudo bem?

Várias editoras estão disponibilizando e-books gratuitos nesse período de quarentena, e um dos que eu baixei foi Extraordinárias: Mulheres Que Revolucionaram o Brasil (que por sorte eu queria ler faz tempo e fiquei bem contente por ter sido liberado rs).

resenha extraordinariasGaranta o seu!

Sinopse: Dandara foi uma guerreira negra fundamental para o Quilombo dos Palmares. Bertha Lutz foi a maior representante do movimento sufragista no Brasil. Maria da Penha ficou paraplégica e por pouco não perdeu a vida, mas sua luta resultou na principal lei contra a violência doméstica do país. Essas e muitas outras brasileiras impactaram a nossa história e, indiretamente, a nossa vida, mas raramente aparecem nos livros. Este volume, resultado de uma extensa pesquisa, chega para trazer o reconhecimento que elas merecem. Aqui, você vai encontrar perfis de revolucionárias de etnias e regiões variadas, que viveram desde o século XVI até a atualidade, e conhecer os retratos de cada uma delas, feitos por artistas brasileiras. O que todas essas mulheres têm em comum? A força extraordinária para lutar por seus ideais e transformar o Brasil.

A história do movimento feminista é costumeiramente retratada por meio do que chamamos de ondas do feminismo. Entretanto, quando vamos estudar mais a fundo esse assunto, duas coisas precisam ser ressaltadas: 1) os holofotes de muitos dos conteúdos sobre o tema não trazem tanto a importância das mulheres na história do Brasil; 2) a voz das mulheres negras e indígenas também não ganha o espaço merecido, já que muitos momentos marcantes das ondas feministas foram contados pela ótica das mulheres brancas de classe média que tinham oportunidade de se manifestar (ainda que, mesmo elas, com muito mais privilégios, sofressem repressão em todas essas lutas). Extraordinárias, portanto, é uma leitura excelente pra quem quer descobrir um pouco mais sobre esses pontos. A obra traz diversos nomes de mulheres fundamentais para o movimento  feminista no Brasil, assim como também nos conta a história de mulheres não-brancas inspiradoras e protagonistas de diversas conquistas.

O livro ainda evidencia como tivemos mulheres pioneiras na história do nosso país. Campeãs de atletismo, artistas inovadoras, militantes incansáveis, guerreiras destemidas. Cantoras, atrizes, professoras. Ricas, pobres, brancas, negras, indígenas. Mulheres de todos os tipos, retratadas de uma maneira que permite ao leitor entender um pouquinho mais sobre elas, mas por meio de uma linguagem acessível e de fácil compreensão (algo que nem sempre encontramos em estudos acadêmicos).

resenha extraordinárias

Eu li a versão e-book, portanto não posso opinar sobre a edição física, mas não lembro de ter encontrado erros de revisão ou gramática. Os capítulos são divididos pelos nomes das mulheres, e cada um deles tem uma ilustração (também feita por artistas mulheres) da protagonista daquela história. Suas 208 páginas transcorrem com tranquilidade e instigam o leitor a querer saber mais sobre as pessoas retratadas nas páginas.

Resumindo, Extraordinárias: Mulheres Que Revolucionaram o Brasil é uma excelente porta de entrada para quem quer saber mais sobre feminismo e sobre o papel da mulher nas mudanças históricas e sociais do nosso país. De forma leve e com muita informação interessante, o livro tem a excelente iniciativa de dar espaço a nomes muitas vezes esquecidos. Recomendo!

Título Original: Extraordinárias: Mulheres Que Revolucionaram o Brasil
Autor: Aryane Cararo e Duda Porto de Souza
Editora: Seguinte
Número de páginas: 208
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Resenha: Filhos de Sangue e Osso – Tomi Adeyemi

Oi pessoal, tudo bem?

Elogiadíssimo pela crítica e com direitos comprados para uma adaptação cinematográfica, Filhos de Sangue e Osso é o primeiro livro da trilogia O Legado de Orïsha. Hoje eu conto pra vocês o que achei dessa aventura épica!

filhos de sangue e ossoGaranta o seu!

Sinopse: Zélie Adebola se lembra de quando o solo de Orïsha vibrava com a magia. Queimadores geravam chamas. Mareadores formavam ondas, e a mãe de Zélie, ceifadora, invocava almas. Mas tudo mudou quando a magia desapareceu. Por ordens de um rei cruel, os maji viraram alvo e foram mortos, deixando Zélie sem a mãe e as pessoas sem esperança. Agora Zélie tem uma chance de trazer a magia de volta e atacar a monarquia. Com a ajuda de uma princesa fugitiva, Zélie deve despistar e se livrar do príncipe, que está determinado a erradicar a magia de uma vez por todas. O perigo espreita em Orïsha, onde leopanários-das-neves rondam e espíritos vingativos aguardam nas águas. Apesar disso, a maior ameaça para Zélie pode ser ela mesma, enquanto se esforça para controlar seus poderes — e seu coração.

No passado, o reino de Orïsha (leia-se Orixá) era rico em magia. As pessoas capazes de realizá-la eram conhecidas como maji e eram escolhidos diretamente pelos deuses. Entretanto, um dia a magia enfraqueceu, e o rei de Orïsha, Saran, aproveitou o momento de vulnerabilidade dos maji para incitar a Ofensiva – um ataque mortal a todos capazes de usar a magia. A mãe de Zélie, nossa protagonista, foi uma das maji a sucumbir. Desde então a vida da garota é marcada pela dor, que se intensifica pelo fato dela ser uma divinal: alguém que nasceu para se tornar um futuro maji, mas que nunca alcançará tal potencial devido à morte da magia. Ou pelo menos é o que todos pensavam…

Filhos de Sangue e Osso é um livro que introduz muitos conceitos novos, de modo a ambientar o leitor no rico universo no qual se passa. A autora utiliza a cultura iorubá como base para descrever os deuses que concedem poderes aos maji, utiliza de seu idioma para os encantamentos e explora também suas vestimentas e características. Foi o primeiro livro de fantasia que li voltado à cultura e religião de matrizes africanas, e fiquei ao mesmo tempo admirada com sua riqueza e triste ao pensar na falta de mais obras que deem voz a essa cultura e ao povo negro.

A trama é conduzida por meio de três pontos de vista: o de Zélie, a protagonista, uma garota divinal que mora com o pai e o irmão mais velho, Tzain; ela é treinada em segredo na arte da luta com o bastão por Mama Agba, uma senhora de seu vilarejo que apoia divinais, sendo constantemente punida por isso. Temos também o ponto de vista de Amari, filha de Saran: a jovem princesa vê sua melhor amiga, uma divinal, morrer pelas mãos de seu pai. Essa atitude motiva um ato de rebeldia que muda completamente o destino de Orïsha, pois Amari rouba um pergaminho encontrado pelo exército de Saran que aparentemente é capaz de trazer a magia de volta. Por fim, temos como terceiro narrador Inan, irmão de Amari e futuro rei: o jovem segue os passos do pai por acreditar que é a única forma de proteger o reino, mas quando a magia se manifesta em seu próprio corpo, ele começa a questionar (e temer) tudo que sempre acreditou.

resenha filhos de sangue e osso

Dos três narradores, sem dúvidas Amari é minha favorita. A garota tem uma natureza bondosa, pacífica e até mesmo amedrontada. Contudo, quando sua melhor amiga, Binta, é assassinada na sua frente, Amari decide pôr fim às atrocidades do pai de alguma forma – e é assim que ela resolve roubar o pergaminho que ativa a magia nos divinais. O destino dela se cruza com o de Zélie e, por mais que a protagonista não queira, elas acabam formando uma equipe. O amadurecimento de Amari ao longo do livro é nítido, e mesmo nos momentos de maior temor, a jovem acaba decidindo pelo que é correto. Amari é empática, decidida e justa, e é impossível não passar a admirá-la ao longo da trama. Zélie, por outro lado, não me conquistou tanto. Para falar a verdade, em muitos momentos ela me lembrou a Katniss: teimosa, impulsiva, egoísta. E o que mais me irritou nela é a autopiedade: ela não pensa antes de agir, faz merda e depois fica se lamentando e dizendo que sempre estraga tudo (mas sem mudar seu jeito de agir, ou seja, sem aprender com os erros rs). Não posso dizer, entretanto, que a personagem não seja forte: ela passa por traumas inimagináveis, além de sofrer com preconceito a vida inteira por ser uma divinal. Com o passar do tempo, as características incômodas dela vão se atenuando, e no final do livro meu ranço diminuiu consideravelmente.

Os personagens masculinos principais são Inan e Tzain. No caso de Inan, acompanhamos um personagem cheio de dúvidas e questionamentos. Ele foi criado para acreditar no mantra do pai, “o dever antes do eu” (ele repete isso tantas vezes que eu quis entrar no livro e gritar: JÁ ENTENDI, PORRA!, mas tudo bem), mas quando a magia começa a se manifestar em si mesmo, Inan passa a sofrer por se sentir amaldiçoado. Somente quando consegue ler os pensamentos de Zélie (pois é esse o dom que sua magia permite) ele entende a dor que Saran causou e se aproxima da garota. Entretanto, a volatilidade de suas crenças e atitudes é bastante irritante, fazendo com que ele perdesse minha confiança. Tzain, por outro lado, é uma rocha para Zélie: mesmo quando a irmã erra e coloca todos em risco, o irmão mais velho está lá para protegê-la. Contudo, por mais querido que Tzain seja, ele é um personagem cujo POV não conhecemos, o que o torna mais linear e unilateral que os outros, não permitindo ao leitor acompanhar sua evolução.

O preconceito é constantemente trabalhado em Filhos de Sangue e Osso. A dinâmica entre Zélie e Inan é a mais interessante nesse sentido, porque o príncipe não consegue entender o abismo que separa seu sofrimento do de Zélie. A jovem deixa claro que não vai deixar a ignorância de Inan silenciar sua dor – e quantas vezes isso não pode ser dito na vida real também? A ignorância e o preconceito que atingem a população negra são diários. A própria falta de representatividade é uma violência, provocando uma não-identificação que abala a autoestima e a construção do orgulho das raízes e da ancestralidade. Inan é a representação disso, odiando suas características de maji e a magia por si só: ele odeia seus traços porque não consegue enxergar representações positivas deles.

resenha filhos de sangue e osso (2)

Como crítica negativa, eu diria que a autora repete palavras e expressões à exaustão. Além do já mencionado “o dever antes do eu”, me irritei muito lendo o excesso de uso da palavra “régia” e da palavra “monarquia”. Felizmente, Tomi Adeyemi alivia a mão nessas expressões da metade pro final, mas foi algo que inicialmente me causou um “tá, chega, varia o vocabulário, por favor”. Em contrapartida, preciso elogiar o universo cheio de detalhes criado por ela. Dos cenários aos clãs maji e até mesmo às criaturas que vivem em Orïsha (que a autora utiliza os nomes originais para fazer o leitor criar uma relação e imaginar o animal, como por exemplo um leonário, que é basicamente um leão gigante), tudo é bem descrito e nos transporta para um mundo realmente mágico e cheio de possibilidades.

Filhos de Sangue e Osso foi uma das melhores histórias de fantasia que li nos últimos tempos. Com um ritmo frenético e cheio de ação, as mais de 500 páginas não deixam o leitor entediado em momento algum. Com um pano de fundo riquíssimo, explorando uma cultura pouco abordada na literatura, a obra é original e envolvente. Vale também elogiar a Rocco pela edição física, que conta com o mapa do reino e detalhes brilhantes na capa e na contracapa. Resumindo: se você adora fantasia, esse livro é imperdível. Recomendo muito!

Título Original: Children of Blood and Bone
Série: O Legado de Orïsha
Autor:
Tomi Adeyemi
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 550
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: A Última Palavra – Tamara Ireland Stone

Oi pessoal, tudo bem?

Vim contar pra vocês o que achei de A Última Palavra, um Young Adult que fala sobre Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

capa a ultima palavraGaranta o seu!

Sinopse: Samantha McAllister esconde de todos o que se passa em sua cabeça. Sam sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo caracterizado por pensamentos intrusivos. Seus pensamentos não param um segundo do dia, cada passo e palavra suas são controladas, e esconder isso tudo faz com que viver seja um grande esforço. Tudo piora quando suas amizades começam a se tornar tóxicas e ela é julgada por conta de pequenos erros com suas roupas, comida ou o garoto por quem ela se interessa. Mesmo assim, Sam sabe que ela estaria verdadeiramente louca se deixasse de ser amiga das garotas mais populares da escola. Por causa disso, Sam é constantemente aconselhada por sua terapeuta a conhecer novas pessoas e fazer novos amigos, pessoas que não lhe provoquem crises de ansiedade e pânico constantes. Em um primeiro dia de aula assustador, Sam conhece Caroline, uma menina que vai levá-la para uma sala secreta em que um grupo de pessoas que são ignoradas pelo resto da escola se reúne. Ela rapidamente se identifica com eles, especialmente com um talentoso garoto que toca violão, e começa a descobrir uma nova versão de si mesma. Aos poucos ela passa a se sentir mais normal do que nunca, coisa que jamais tinha se sentido antes… até ela encontrar um novo motivo para questionar sua sanidade e tudo o que ama.

Samantha parece ter tudo o que uma adolescente poderia querer: é bonita, popular e tem um grupo de amigas com quem (teoricamente) pode sempre contar. O que ninguém sabe é que, por trás da fachada de perfeição, Sam esconde um TOC que se manifesta na forma de pensamentos obsessivos intrusivos. Isso significa que, diferentemente de quem manifesta a doença com hábitos físicos, Sam fica obcecada por determinados pensamentos e não consegue se desvencilhar deles. Um dos maiores gatilhos para seus picos de ansiedade são, justamente, suas supostas amigas, um grupo que há muito tempo não colabora com o desenvolvimento de Sam. Em um dia especialmente ruim, a jovem conhece Caroline, com quem (de maneira surpreendente) ela se abre. Caroline então leva Sam a um local secreto na escola chamado Canto da Poesia, e é lá que tudo muda.

A Última Palavra aborda um sentimento muito comum na adolescência: o desejo de pertencimento e o medo da exclusão. Mesmo sabendo que seu grupo de amigas é tóxico, Sam tem dificuldade em abrir mão dele por receio de ser abandonada. Durante suas sessões de terapia, sua psicóloga a incentiva constantemente a buscar novas amizades e a criar novos vínculos, de modo que existam menos gatilhos na rotina de Sam. Quando a garota conhece Caroline e finalmente admite seu TOC, é como se um grande peso fosse retirado de seus ombros, e isso dá a Sam a oportunidade de experimentar uma nova forma de ser ela mesma – ou melhor, quem ela quer ser a partir de agora.

Entretanto, existe um aspecto bastante negativo na obra: o modo com a autora lida com as consequências do bullying. No Canto da Poesia, Sam reencontra um ex-colega, AJ, que parece querer distância dela. A protagonista então se recorda que, no passado, ela e uma amiga praticaram um bullying tão intenso com o garoto que ele até mudou de escola temporariamente. E, para a minha surpresa, não demora para que esse assunto seja perdoado e (pasmem!) os pombinhos fiquem juntos. A química entre os dois existe e as cenas são bem românticas, mas teria sido muito melhor se o episódio do bullying não tivesse existido. A verdade é que as consequências do que Sam e sua amiga fizeram foram muito suavizadas, ainda mais quando consideramos quão rápido AJ se apaixonou pela garota que o traumatizou.

resenha a ultima palavra

Em A Última Palavra, o TOC não ganha tanta profundidade e detalhamento, diferente do que ocorre no excelente Daniel, Daniel, Daniel, por exemplo. Ainda que no caso de Sam o transtorno seja mais focado em pensamentos obsessivos, eu não senti o mesmo impacto (e até consciência) lendo sobre seu sofrimento (o que ocorreu de maneira intensa com o livro de Wesley King). A doença em si é mais abordada como algo que a incomoda e que a faz se sentir anormal do que evidenciada como algo que a atrapalha de verdade.

Apesar de falhar ao abordar algumas questões de saúde mental, há um aspecto muito positivo na obra: a relação de Sam e Sue, sua terapeuta. Assim como acontece em A Lista Negra, aqui a terapia tem um papel fundamental no processo de melhora de Sam, e é muito bonita a forma como o livro desenvolve essa relação. Além disso, a trama me emocionou bastante na sua reta final, a ponto de me fazer chorar. Há uma reviravolta que fica ameaçando eclodir durante um bom tempo (e que eu senti chegar), mas que ainda assim me balançou. Os últimos capítulos trabalham muito mais a questão da perda do que o TOC, e esse tema em particular sempre me toca profundamente.

Por último, mas não menos importante, devo ressaltar o quanto gostei de todo o conceito do Canto da Poesia. Desde a sua fundação, cujas razões são emocionantes, até o presente, o lugar acolhe todos que precisam dele (Hogwarts feelings) de uma maneira intensa. Dentro daquele espaço, os jovens que fazem parte do grupo têm a oportunidade de se expressar e mostrar a sua vulnerabilidade, e muitas vezes isso já é o bastante para conseguir vencer um período tão turbulento e cheio de emoções quanto a adolescência. O grupo também permitiu à protagonista enxergar como as pessoas são repletas de camadas, indo muito além do universo superficial ao qual ela estava acostumada. E, nesse processo, o leitor simpatiza com aqueles jovens também.

A Última Palavra é um livro que gira em torno de dilemas bastante adolescentes (tanto no sentido positivo quanto negativo disso – os medos e implicâncias do grupo de Sam são bastante superficiais, de maneira geral). Não é a melhor opção de leitura pra quem busca uma história mais crível no que diz respeito a bullying e TOC, mas é um YA que cumpre seu papel como entretenimento e apresenta o processo de terapia de maneira muito saudável. Se você curte esse estilo literário, vale espiar. 😉

Título Original: Every Last Word
Autor: Tamara Ireland Stone
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.