Resenha: O Livro do Cemitério: Volume 1 – Neil Gaiman e P. Craig Russell

Oi gente, tudo bem?

Eu adoro graphic novels e, em maio, tive a oportunidade de ler o primeiro volume da adaptação ilustrada de O Livro do Cemitério, de Neil Gaiman. Foi minha primeira experiência lendo algo do autor (ou talvez, melhor dizendo, uma adaptação de uma obra dele).

o livro do cemitério volume 1.pngGaranta o seu!

Sinopse: Bestseller do The New York Times e premiado com as medalhas Newbery (EUA) e Carnegie (Reino Unido), o romance O livro do cemitério, do cultuado escritor Neil Gaiman, ganha versão em quadrinhos adaptada por P. Craig Russell, parceiro de Gaiman em diversos livros, incluindo a versão em HQ de outro clássico do autor, Coraline. O livro é o primeiro de dois volumes que acompanham a trajetória de Ninguém Owens, ou Nin, um garoto como outro qualquer, exceto pelo fato de morar em um cemitério e ser criado por fantasmas. Cada capítulo nesta adaptação de Russell acompanha dois anos da vida do menino e é ilustrado por um artista diferente, apresentando uma variedade fascinante de estilos que dão ainda mais vida à atmosfera ao mesmo tempo afetuosa e sombria da história.

O livro inicia com o homem chamado Jack (sim, é desse modo que a obra se refere a ele) assassinando uma família (quase) inteira. Porém, ao chegar no quarto do último membro, um bebê, o homem chamado Jack encontra somente um berço vazio. A verdade é que, atraído por um aroma envolvente, o bebê caminhou até o cemitério da cidade, no qual foi encontrado por um casal de fantasmas, o Sr. e a Sra. Owens. Eles decidem adotá-lo e, depois de muita deliberação com os outros membros do cemitério, a criança é aceita – e é chamada de Ninguém Owens. A partir daí, acompanhamos a vida do menino conforme os anos passam, sob a proteção do cemitério.

Nin é um menino vivo que tem a “liberdade do cemitério”, ou seja, pode entrar em lugares e fazer coisas que outras pessoas vivas não podem. Além dos pais adotivos, ele também é protegido por Silas, seu guardião, um vampiro sábio e misterioso, responsável por contar a Nin tudo que existe fora dos muros de onde vivem. A passagem do tempo acompanha também as mudanças naturais da infância, e Nin vai se tornando um menino cada vez mais inquieto e curioso, cheio de vontade de saber mais sobre o mundo e sobre a vida – o que é paradoxal, já que todos ao seu redor, que podem dar algum vislumbre de como ela funciona, estão mortos.

resenha o livro do cemitério volume 1.png

O Livro do Cemitério é uma literatura fantástica no sentido literal da palavra: a trama é fantasiosa, cheia de cenas meio malucas e muita criatividade. O problema, pra mim, é que cada capítulo parece um “conto” à parte, explorando diversas mitologias diferentes (como os sabujos de Deus e a dança macabra) e cuja única coisa em comum com o anterior ou posterior é o núcleo de personagens. Eu não senti como se a obra estivesse evoluindo para um “objetivo final” – e talvez nem fosse essa a ideia; talvez o livro queira somente explorar situações da vida de um menino vivo em meio aos mortos. Seja como for, isso acabou me desestimulando um pouco ao longo da leitura, por não saber aonde a história queria chegar.

O aspecto que me prendeu, pra falar a verdade, foram as artes maravilhosas. Cada capítulo é ilustrado por um artista diferente e, além de amar ilustrações de modo geral, eu também adorei observar com atenção cada quadro, absorvendo e reparando nas diferenças de estilo dos ilustradores. Os traços e cores são fantásticos e imersivos, criando uma atmosfera envolvente e mágica.

resenha o livro do cemitério volume 2

O Livro do Cemitério: Volume 1 tem um estilo narrativo que não me conquistou, mas vou ler o Volume 2 para chegar a conclusões mais embasadas sobre a trama e seus objetivos. A qualidade gráfica da obra é inegável e as ilustrações são belíssimas, o que certamente vai encantar quem já é fã de Neil Gaiman ou da versão original de O Livro do Cemitério. E aguardem, em breve volto com minha conclusão final a respeito da trama. 😉

Título Original: The Graveyard Book: Volume 1
Autor: Neil Gaiman e P. Craig Russell
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 192
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.
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Resenha: O Jogo do Coringa – Marie Lu

Oi gente, tudo bem?

Depois de muita espera e ansiedade, hoje vim contar pra vocês o que achei de O Jogo do Coringa, continuação de Warcross. ❤ Ah, fica o aviso: o texto possui spoilers do livro anterior.

o jogo do coringa marie luGaranta o seu!

Sinopse: Emika Chen quase não conseguiu sair viva do campeonato de Warcross. Agora que ela sabe a verdade por trás do algoritmo e Hideo no NeuroLink, ela não pode mais confiar na pessoa que ela mais acreditava estar do seu lado. Determinada a parar os terríveis planos de Hideo, Emika e os Phoenix Riders se juntam para lutar contra uma nova ameaça a solta nas ruas iluminadas de Tokyo. Entretanto, ela vai descobrir que tudo tem seu preço e que a história por trás de Zero vai muito além do que ela achava que conhecia. Uma vez dentro dessa história, o único caminho é seguir em frente. Determinada a salvar todos que ama, Emika não vai poupar esforços para descobrir a verdade sobre a história da família de Hideo, destruir seu algoritmo e salvar o mundo de Warcross.

Depois de descobrir a verdade sobre o algoritmo de Hideo, bem como sobre a identidade de Zero, Emika Chen se vê em uma verdadeira encruzilhada: tentar caçar o homem que ama sozinha ou se juntar a seu inimigo na missão de impedir Hideo. Após um ataque no mundo real, do qual ela é salva por uma assassina que trabalha para Zero, Emika decide juntar-se a ele – ainda que cheia de desconfianças. A jovem conhece então a organização dos Blackcoats, da qual Zero faz parte, que alega ser uma espécie de justiceira, impedindo que grandes poderes fiquem sob a responsabilidade de uma única pessoa. A partir desse momento, a missão de Emika é se aproximar novamente de Hideo e impedir que ele instale o algoritmo em todas as lentes NeuroLink remanescentes, de modo a ter controle total sobre os pensamentos das pessoas. Porém, a garota também decide investigar mais a fundo o passado sombrio de seus novos “aliados”.

Assim como aconteceu comigo durante a leitura de Warcross, achei o início de O Jogo do Coringa um pouco arrastado. Emika perdeu muito de seu protagonismo, ficando refém de diversas situações que a impediam de efetivamente agir. Especialmente no primeiro terço da obra eu senti falta de sua impetuosidade e temi que ela acabasse se tornando a típica mocinha que precisa ser salva. A verdade é que, infelizmente, Emika acabou ofuscada, sendo alguém pouco ativa na obra – com exceção, talvez, das sequências finais, em que seu pensamento lógico acabou sendo útil. Aqui, Hideo acabou tendo um papel muito mais decisivo, assim como o próprio Zero. E vale dizer que o embate entre os dois, pra mim, foi a parte mais interessante de O Jogo do Coringa (que de “jogo da Coringa”, Emika, não teve praticamente nada).

Marie Lu também aprofunda um pouquinho mais o background dos companheiros de time de Emika, algo que eu tinha sentido falta em Warcross. Apesar de ainda ser um desenvolvimento raso, alguns deles ganharam camadas que os tornaram mais interessantes (especialmente Roshan e Tremaine, que acaba se tornando um aliado valioso). Além dos personagens antigos, temos a inserção de dois novos elementos importantíssimos para a trama: a Dra. Dana Taylor e Jax, ambas dos Blackcoats. A primeira é uma mulher enigmática e discreta; a segunda é a assassina que fica encarregada de proteger Emika, cujo laço misterioso com Zero é bastante instigante.

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Assim como ocorre em Warcross, o plot twist trazido aqui é muito bom e me pegou totalmente desprevenida. Quando você acha que não há muito mais a aprofundar sobre determinados personagens, o livro não hesita em mostrar que você está errado. E, seguindo o exemplo de se seu antecessor, O Jogo do Coringa novamente traz à tona discussões sobre o papel da tecnologia, sobre (falta de) ética em pesquisa, sobre nossas responsabilidades acerca das decisões que tomamos e sobre o real controle que exercemos (ou não) em nosso dia a dia, em meio a tantas evoluções e possibilidades hi-tech. A única coisa que me decepcionou em relação ao final foi o destino de um personagem-chave, que acaba sendo otimista demais em um cenário em que aquilo não parecia “caber”, dando uma sensação forçada e tirando a força de momentos emocionantes e decisivos. Se já tiver lido e quiser saber de quem estou falando, selecione a frase a seguir: para mim, Zero/Sasuke não deveria ter sobrevivido após a destruição do NeuroLink. Quando percebemos que o personagem segue vivo em forma de dados, muito do impacto da cena (e da reação de Hideo) acaba desperdiçado.

Com cenas muito emocionantes – cheias de dor, saudade e arrependimento –, grandes exemplos de amizade e personagens imperfeitos, O Jogo do Coringa é uma obra que encerra de maneira satisfatória a história iniciada em Warcross. E sem deixar de lado as cenas de ação alucinantes e os plot twists de tirar o fôlego! Apesar do segundo volume ser um pouquinho inferior em relação ao primeiro, eu gostei demais desse universo tecnológico criado por Marie Lu. E se você ainda não conferiu essa duologia incrível, está na hora de adentrar em Warcross também. 😉

Título Original: Wildcard
Série: Warcross
Autor: Marie Lu
Editora: Fantástica Rocco (selo da Editora Rocco)
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

5 motivos para ler a série Cormoran Strike

Oi pessoal, tudo bem?

Para comemorar a chegada do mais novo livro da série Cormoran Strike, Branco Letal (escrito por Robert Galbraith, o pseudônimo de J. K. Rowling), resolvi fazer uma lista de 5 motivos pelos quais você deveria dar uma chance à série. ❤

Você também pode conferir as resenhas dos livros anteriores abaixo:

Agora sim! Vamos à lista? 😉

1. Protagonistas carismáticos

Cormoran Strike é o protagonista da série, um ex-militar que hoje trabalha como detetive particular. Apesar do jeito introspectivo e até um pouco mal humorado, o personagem tem carisma, grande sagacidade e uma inteligência pra Sherlock nenhum botar defeito. Além dele, temos uma protagonista feminina incrível, Robin Ellacott. A jovem inicia a história como uma secretária temporária, mas seu olhar atento, sua pró-atividade e sua determinação fazem dela uma aliada valiosa para Strike. A dinâmica entre os dois é cativante e suas personalidades distintas combinam superbem.

2. Ambientação

Os crimes investigados por Strike normalmente se passam em Londres, então o personagem circula por toda a cidade (e também cidades próximas) em busca de pistas. As andanças de Strike inevitavelmente acabam causando no leitor uma vontade de conhecer de perto os pubs, os restaurantes e as ruas da capital inglesa.

3. Mistérios bem amarrados

Nos três livros da série já publicados, Robert Galbraith consegue costurar todos os fatos apresentados na resolução dos casos. Para mim, que adoro um romance policial, isso é imprescindível. Apesar de alguns casos serem mais interessantes do que outros (sendo Vocação Para o Mal o mais fraco deles, na minha opinião), há muita competência em amarrar as pontas soltas, e eu aprecio muito essa qualidade.

série cormoran strike.png

4. Desenvolvimento dos personagens

Tanto Strike quanto Robin têm suas histórias aprofundadas e seu passado revelado com o andamento das histórias. Muitos aspectos da personalidade dos protagonistas possuem explicação, e é muito legal ir descobrindo mais sobre eles com o passar das páginas – especialmente porque é muito difícil não gostar e não se importar com os dois. Eu valorizo muito quando os personagens fazem sentido e têm comportamentos coerentes, então esse aspecto da série me agrada bastante.

5. Narrativa envolvente

Não vou mentir pra vocês: existem momentos arrastados em algumas partes dos livros. O fato de que Strike não compartilha suas suposições com o leitor torna tudo muito misterioso, então certas cenas acabam sendo um pouco mais lentas. Ainda assim, Robert Galbraith/J. K. Rowling tem o talento de me fazer ficar imersa no que ele escreve, graças ao seu estilo narrativo. Os livros são longos e, ainda assim, muitas vezes me peguei devorando vários capítulos em sequência, simplesmente porque eu gosto do jeito que o autor escreve. E, quando penso que Robert Galbraith é J. K. Rowling, isso faz todo sentido: além do meu amor incondicional por Harry Potter, também curti demais Morte Súbita.

Espero que eu tenha conseguido convencer vocês a pensarem com carinho sobre dar uma chance a esses ótimos livros policiais. 😀

E pra quem já curte a série e, assim como eu, está ansioso pelo próximo volume, ele já está em pré-venda e será lançado pela Editora Rocco ainda este mês! Você já pode garantir o seu aqui e ainda ajudar o Infinitas Vidas sem pagar nada a mais por isso. Só sucesso, hein? ❤

E por hoje é isto!
Beijos e até o próximo post. o/

Resenha: Lendo de Cabeça Para Baixo – Jo Platt

Oi gente, tudo bem?

Eu acho que, até este ano, eu nunca tinha lido um chick-lit. Quando a Editora Rocco lançou Lendo de Cabeça Para Baixo, me apaixonei pela sinopse e não pensei 2x em solicitar. Bora descobrir o que eu achei?

lendo de cabeça para baixo jo platt.pngGaranta o seu!

Sinopse: A felicidade parecia estar batendo à porta de Rosalind Shaw naquele que deveria ser o dia mais feliz da vida dela. Abandonada no altar, sem qualquer explicação ou justificativa, a jovem mergulha numa depressão sem fim, daquelas de passar dias e dias largada à frente da TV, sem força para sair do sofá. Até que um dia seu amigo Tom propõe que ela se torne coproprietária de uma loja de livros antigos, numa cidade do interior. Ro aceita a proposta e se torna sócia de Andrew, o reservado amigo de Tom, e conhece novos amigos, capazes de mudar a vida dela para sempre. Uma história leve e divertida sobre sentimentos feridos e mal-entendidos, equívocos e perdões.

Ros passou por um trauma muito grande e humilhante em sua vida pessoal: foi largada no altar. Antes uma mulher bem-sucedida e confiante, agora Ros tenta superar a depressão que a acometeu depois do episódio. Com a ajuda dos amigos e da família, ela decide sair do emprego anterior, se mudar para uma cidade mais tranquila e virar sócia da Chapters, uma livraria especializada em livros antigos. Lá, ela constrói uma amizade muito bacana com Andrew (seu sócio), George e Joan (suas funcionárias; a primeira é uma mulher linda e elegante, com um coração generoso, e a segunda é uma senhora alto-astral, mas um tanto fofoqueira). Porém, um dia Ros é surpreendida por seu vizinho barbudo e desleixado, que bate à sua porta para pedir desculpas e lhe dar a notícia de que atropelou seu porquinho-da-índia acidentalmente. Essa é a primeira de uma série de gafes, mal-entendidos e situações engraçadas que Ros vai viver.

Lendo de Cabeça Para Baixo tem um clima muito leve, apesar de iniciar contando sobre o passado depressivo de Ros devido ao abandono. A personagem começa a obra bastante desmotivada, apenas “existindo” (e fugindo de alguns banhos), porém, com o passar das páginas, a antiga Ros começa a dar as caras novamente, e muito disso se deve à convivência com seus amigos da Chapters e – por que não? – de seu vizinho, Daniel. Ao contrário da atual Ros, Daniel na realidade é um homem confiante, engraçado e irreverente. Para a surpresa da protagonista, ele é também muito bonito – especialmente depois de tirar a barba desgrenhada. Os dois vivem diversas situações constrangedoras, especialmente graças ao comportamento (meio irritante rs) autocentrado de Ros, que é potencializado pela insegurança que a personagem sente. Afinal, depois de ser abandonada no altar, faz sentido que sua autoconfiança não esteja no melhor nível possível.

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Os diálogos do livro são muito divertidos. Eu me peguei rindo em diversos momentos, porque a leveza é uma constante ao longo da obra. Joan é responsável por alguns desses diálogos mas, ao mesmo tempo, a personagem me causou certo ranço, pois ela faz certos comentários que interpretei como homofóbicos e machistas. Andrew e George são personagens excelentes, sendo uma fonte de apoio muito importante na recuperação de Ros. Contudo, eles são tão interessantes que muitas vezes a própria Ros ficava ofuscada durante a trama. Para mim, esse foi um ponto positivo E negativo da leitura: positivo porque os personagens secundários são envolventes e têm vida própria; negativo porque a autora dedicou tanto tempo a seus plots que, em determinado ponto, a história de Ros deixa de ter tanta relevância.

Entretanto, no terço final do livro coisas BEM interessantes começam a acontecer com a protagonista, dando fôlego à história novamente. O relacionamento com Daniel vai aos poucos se transformando, tornando-se menos constrangedor, ao passo em que Ros vai retomando pouco a pouco sua antiga “eu”. E isso é muito bacana: apesar de ter começado o livro como uma pessoa insegura e muito magoada, ao longo dos meses a protagonista consegue voltar a ser quem era: uma pessoa segura de si mesma e com vontade de viver (inclusive um novo amor). O fato de seu relacionamento com Daniel ser divertido e instigante torna o processo ainda melhor. 😉

Lendo de Cabeça Para Baixo é um chick-lit fofo, com um romance bacana, uma narrativa leve e bons personagens. Mesmo com o desvio de foco para os personagens secundários durante a trama, o livro não cansa o leitor, pois todos os personagens são cativantes. E o que falar da capa? Muito amorzinho! ❤ Em suma, o livro foi uma ótima porta de entrada para os chick-lits e já quero ler mais obras do gênero!

Título Original: Reading Upside Down
Autor: Jo Platt
Editora: Fábrica231
Número de páginas: 288
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Livro cedido em parceria com a editora.
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Resenha: Desafiando as Estrelas – Claudia Gray

Oi gente, tudo bem?

A resenha de hoje é sobre Desafiando as Estrelas, um livro de ficção científica cheio de cenas de ação.

desafiando as estrelas claudia gray.pngGaranta o seu!

Sinopse: Noemi Vidal é uma soldado do planeta Gênesis, que um dia já foi uma colônia da Terra e hoje está em guerra por sua independência. Os humanos da Gênesis lutaram contra os exércitos de mecans, robôs humanoides terrestres, por décadas e o conflito não parece estar chegando ao fim. Depois de um ataque surpresa, Noemi acaba presa em uma nave abandonada, onde conhece Abel, o protótipo mecan mais sofisticado já feito. E ele deveria ser seu inimigo. Mas a programação de Abel o força a obedecer a Noemi como sua comandante, o que significa que ele tem que ajudar a salvar a Gênesis — mesmo que o plano dela para chegar à vitória implique a morte dele. Forçados a trabalhar juntos, os dois embarcam numa perigosíssima aventura pela galáxia e se veem obrigados a questionar tudo o que sempre tomaram como verdade absoluta.

Em um futuro muito distante, a Terra atingiu avanços tecnológicos memoráveis, criando inclusive andróides humanóides – chamados mecans, cujos modelos vão de B a Z – com as mais diversas funções: temos o modelo Tare, para a medicina, as Rainhas e os Charlies para a guerra, entre muitos outros. Porém, o avanço tecnológico também culminou na total destruição do meio ambiente, tornando o planeta incapaz de suportar a quantidade de seres humanos que nele vivia. Assim, a Terra conseguiu colonizar outros planetas no que agora é chamado de Loop, um sistema que envolve a própria Terra e seus mundos: Stronghold (onde se extrai ferro, minério e afins), Cray (um local árido, em que vivem as maiores mentes e cientistas oriundos da Terra), Kismet (uma espécie de destino paradisíaco, para onde vão os ricos e famosos de férias) e Gênesis (o planeta mais parecido com a própria Terra). Acontece que a Gênesis iniciou a chamada Guerra da Liberdade, de modo a ter independência da Terra, pois acredita que os terráqueos farão com eles o mesmo que fizeram com o próprio planeta: exploração e destruição.

O plot por si só já é extremamente interessante, com uma construção de universo riquíssima e cheia de detalhes a serem explorados. Isso fica ainda mais interessante quando conhecemos nossos dois protagonistas-narradores: Noemi Vidal, uma jovem de 17 anos e soldado da Gênesis, e Abel, o mecan mais avançado da galáxia e único exemplar do modelo A, criado pelo próprio Burton Mansfield (a mente por trás da invenção dos mecans). Os dois se reúnem da maneira mais improvável: Noemi vê sua melhor amiga se ferir em uma batalha inesperada e a conduz até uma nave aparentemente abandonada; o que ela não sabia é que Abel estava preso lá há 30 anos, após a fuga da tripulação e de seu criador. As coisas ficam ainda mais surpreendentes quando Abel é forçado por sua programação a obedecer a maior autoridade humana à bordo, tornando Noemi sua comandante. A jovem agarra essa chance e traça um plano envolvendo Abel e a destruição do Portão Gênesis, uma construção que une buracos de minhoca e permite viagens espaciais – inclusive dos mecans da Terra, que dizimam cada vez mais soldados da Gênesis. Para isso, os dois partem em uma missão que envolve explorar a galáxia em busca do objeto capaz de destruir o Portão.

É muito difícil falar sobre esse livro sem me aprofundar um pouco mais sobre o enredo, mas acredito que tenha conseguido contar tudo que vocês precisam saber para entender a trama. Apesar de parecer complexo, Desafiando as Estrelas vai apresentando os fatos de maneira gradual e facilmente compreensível. Com o passar dos capítulos, vamos aprendendo mais sobre a personalidade fechada e a baixa autoestima de Noemi, sobre sua relação com a melhor amiga, sobre sua conexão com o planeta natal, sobre a extensão do universo, bem como sobre a solidão sentida por Abel ao longo dos 30 anos presos na nave, sua maneira peculiar de funcionar, os aspectos orgânicos e cibernéticos que formam seu corpo, as novas conexões neurais que seu cérebro foi capaz de produzir nas últimas três décadas… Ou seja, nenhuma informação é jogada de modo brusco ao leitor, tornando fácil acreditar e assimilar esse novo mundo que Claudia Gray propõe.

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E como não amar a dinâmica de Noemi e Abel? Os dois começam a trama como inimigos declarados, tornam-se cúmplices e parceiros, desenvolvem uma amizade sólida e, por fim, sentimentos mais profundos florescem. Só que tudo isso ocorre de maneira gradual, após atitudes e situações que fazem com que tudo faça sentido. Abel inicialmente é compelido a ajudar Noemi devido à sua programação, mas ao conviver com ela percebe sua coragem, seu altruísmo e seu caráter. A jovem, por outro lado, pouco a pouco percebe que Abel está longe de ser somente uma máquina, mas sim um ser diferente de tudo que ela já viu, com pensamentos e opiniões próprias… com uma alma (e vamos separar um minuto para exaltar o fato da personagem ser latina? Já quero ver essa representatividade em um filme ou série!). O melhor de tudo é que cada um aflora no outro o melhor que eles podem ser: enquanto Noemi é a primeira a acreditar na alma de Abel, ele mostra a ela o quanto sua vida é valiosa e o quanto ela é importante. Mas, se eu tivesse que escolher um favorito, acho que ficaria com Abel. Os comentários práticos e diretos dele me divertiram demais (especialmente quando ele sugere prostituição como a solução óbvia para conseguirem dinheiro HAHAHA! Sério, essa cena é bem engraçada).

Outro aspecto muito bacana do livro é que ele nos mostra que as coisas nem sempre são o que parecem ser. Conforme vai conhecendo outras realidades – e as dificuldades que os seres humanos passam em todos os planetas do Loop –, Noemi passa a questionar o quão correto é a Gênesis se fechar para os outros mundos. Ao conviver com pessoas diferentes, a jovem passa a abrir sua mente e entender que nada é preto no branco, e que suas crenças sobre os mundos do Loop eram deturpadas e sem proximidade com a realidade; isso fica nítido em sua relação com Abel. Se antes ela julgava os mecans seres descartáveis, somente objetos, o dia a dia com ele a faz perceber que muito do que ela acreditava não era correto. Perceber como a personagem se abre a novas experiências e permite que suas crenças sejam questionadas é algo interessante e saudável, afinal, nem sempre existe uma única verdade que sirva para todos. Agora, como crítica negativa, deixo somente a obviedade do plot twist, que eu já havia previsto muito tempo antes de acontecer.

Desafiando as Estrelas tem uma excelente construção de universo, uma narrativa muito envolvente e personagens excelentes (inclusive os secundários, que surgem enquanto Abel e Noemi exploram o universo). Eu até admito que demorei mais do que o normal para terminar essa leitura e, em alguns momentos, acabei ficando entediada ou com sono, mas atribuo isso ao fato de que o último mês foi muito exaustivo pra mim (por motivos pessoais e profissionais). Desafiando as Estrelas é uma obra excelente, que tem todos os elementos necessários para agradar a fãs de sci-fi ou, simplesmente, leitores que adoram histórias cheias de ação, novos mundos, personagens divertidos e ambientação bem desenvolvida. Recomendo! ❤

Título Original: Defy the Stars
Série: Constelação
Autor: Claudia Gray
Editora: Fantástica Rocco
Número de páginas: 387
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Livro cedido em parceria com a editora.
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Resenha: Para Sempre Perdida – Amy Gentry

Oi gente, tudo bem?

Mas é claro que a primeira resenha de 2019 seria de um thriller, né? Hoje conto pra vocês o que achei de Para Sempre Perdida.

para sempre perdida amy gentry.pngGaranta o seu!

Sinopse: Transcorridos oito anos de seu sequestro, Julie Whitaker retorna subitamente para casa. A família, ainda que petrificada pela tragédia, se manteve unida e esperou muito por esse momento. Para Anna, no entanto, a volta da filha ao lar desperta mais questões do que respostas, mais dúvidas do que conforto. Ao notar incoerências no discurso da filha, Anna conclui que o seu pesadelo está apenas começando: ela suspeita da identidade da jovem, duvida de seus relatos e conclui que precisa descobrir a verdade sobre o sequestro da filha a qualquer custo.

Quando bati o olho nessa capa e nessa sinopse já me senti instantaneamente curiosa para conferir a trama de uma família que, após enfrentar o sequestro e a perda de sua filha mais velha, se depara com seu súbito retorno oito anos depois. Com o elemento da desconfiança presente – afinal, a mulher que retornou é mesmo Julie, a menina desaparecida? –, esse livro provoca no leitor a sensação de que nenhuma informação é verdadeira.

A narrativa colabora com esse sentimento: os capítulos são intercalados, sendo narrados em primeira pessoa por Anna (mãe de Julie) e em terceira pessoa por jovens que são parte fundamental da trama. São esses os capítulos mais confusos, especialmente no início, porque aparentemente eles não possuem conexão alguma. Com o passar do tempo, entretanto, as peças vão se encaixando e tudo começa a fazer sentido (não posso falar mais nada sem dar spoiler!!!). Minha dica, portanto, é a seguinte: prestem atenção nesses capítulos, pois eles fornecem informações valiosas para compreender o grande mistério da trama.

Ao longo da trama, a autora também aborda as rachaduras familiares causadas pelo sequestro de Julie. Anna e o marido se afastaram, a filha mais nova – que presenciou o sequestro – foi negligenciada pela mãe e os laços entre elas são completamente fragilizados. Achei uma pena que a autora não tenha utilizado Jane, a filha mais nova, como uma das narradoras, já que a personagem carrega um grande trauma e possível culpa por ter presenciado o sequestro da irmã sem poder fazer nada para impedi-lo.

Apesar da autora ter conseguido demonstrar os problemas que a família enfrentou, senti falta de um maior aprofundamento emocional dos personagens. Nos capítulos de Anna temos vislumbres do sofrimento vivido pela família, mas que rapidamente são substituídos pela desconfiança de que aquela mulher não seja realmente sua filha. A partir daí, Anna aceita a ajuda de um detetive particular que está determinado a resolver o mistério. Em contrapartida, os capítulos em terceira pessoa são mais ricos em aprofundamento – porém são todos narrados no passado. Novamente, o desenvolvimento dos personagens no tempo presente acaba sendo superficial.

resenha para sempre perdida amy gentry.png

Nesse sentido, os capítulos narrados no passado se destacam. Com o passar das páginas, o leitor conhece as dores e as dificuldades vividas pela narradora, que precisou vencer muitos desafios cruéis para sobreviver. É bem interessante como o livro utiliza a performance da fragilidade feminina como meio de sobrevivência: nossa narradora em diversos momentos aparenta ser alguém frágil, que precisa ser salva, como estratégia para atingir seus objetivos. Porém, não digo isso de modo a recriminá-la (apesar das atitudes erradas); ela realmente precisava sobreviver, e usou das ferramentas que tinha para tal. Esse aspecto da obra me lembrou muito de Alias Grace, em que também temos uma personagem feminina valendo-se do estereótipo errôneo construído em torno das mulheres para evitar a morte.

Existem algumas coisas que, para mim não fizeram muito sentido. São spoilers, então pule para o próximo parágrafo se não quiser ler. Primeira questão: se Julie é mesmo Julie, por que a obsessão por esconder o cabelo natural? É normal que cabelos loiros escureçam um pouco ao longo dos anos. Segunda questão: quantos anos afinal tinha Charlie/Maxwell? Ele é descrito como um cara mais velho, mas ao mesmo tempo fazia parte do grupo de jovens da igreja (?). Terceira questão: Julie sumiu aos 13 anos e voltou aos 21. Como Anna teve dificuldades em reconhecer seu rosto? Se fosse uma criança muito mais jovem, eu compreenderia, mas não era o caso. Pessoas não mudam TANTO a fisionomia dos 13 aos 21 anos, o rosto permanece reconhecível, já que nossos traços principais já estão bem definidos. Por outro lado, Julie sofreu muito e isso pode ter envelhecido ou mudado um pouco seu semblante, mas ainda assim… Achei meio forçado, uma conveniência de roteiro (para que Julie tivesse idade e ideias próprias o suficiente para ser ~corrompida por alguém na internet).

O final do livro é bastante satisfatório e consegue conectar a maioria das peças apresentadas ao longo da trama. A justificativa para o que acontece é verossímil, tanto que existem casos parecidos (e bem recentes) no mundo real. O desfecho proporciona algumas reflexões sobre como nem sempre conhecemos a fundo as pessoas que amamos e como é fundamental que exista comunicação e apoio no ambiente familiar. E, é claro, do cuidado que devemos ter com a internet, onde jovens podem ser facilmente seduzidos. Aproveito esse momento também para elogiar a capa, que é fantástica: a foto é super aflitiva e os olhos da menina tendo sua boca tapada são expressivos e comoventes. As cruzes espalhadas pela capa também são muito significativas. No final do livro você compreende como a capa foi bem pensada.

Para Sempre Perdida foi uma leitura satisfatória, com um mistério instigante e uma situação bastante delicada e importante como tema. A autora conseguiu concluir a maior parte das pontas soltas com eficiência, entregando uma história redondinha e bem construída – apesar de triste e dolorosa. Recomendo!

Título original: Good As Gone
Autor: Amy Gentry
Editora: Rocco
Número de páginas: 304
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja – Mindy Mejia

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei do ótimo suspense Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja.

tudo que voce quiser que eu seja mindy mejia.pngGaranta o seu!

Sinopse: Hattie Hoffman passou os 17 anos de sua vida representando papéis – de boa filha, ótima aluna, namorada ideal. Mas Hattie espera mais do que isso da vida, e o que ela deseja acaba se tornando muito, muito perigoso. Quando a jovem é encontrada brutalmente assassinada, todos da cidadezinha onde vivia ficam estarrecidos com o crime. Logo vem à tona que Hattie estava envolvida num relacionamento com potencial explosivo. A questão é: alguém mais sabia disso? Será que o namorado de Hattie seria capaz de cometer um crime, se soubesse da traição? Ou será que o comportamento impulsivo da jovem a colocou no lugar errado, na hora errada? Com uma trama repleta de reviravoltas, Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja desafia o leitor a reconhecer o tênue limite entre inocência e culpa, identidade e decepção. E fica a questão: o amor leva ao autoconhecimento ou à destruição?

Hattie Hoffman ama atuar. Sua atuação, entretanto, não se restringe aos palcos. A garota tem diversos papéis prontos que executa com maestria: aluna perfeita, filha dedicada, excelente amiga, namorada ideal. Entretanto, quando ela é encontrada brutalmente assassinada, todos em sua pequena cidade natal, Pine Valley, ficam perplexos e devastados. Com uma narrativa não linear, que alterna entre passado e presente, vamos desvendando esse mistério pela perspectiva de três personagens: Del, o xerife; Peter, o professor de inglês e amante de Hattie; e, por fim, a própria Hattie.

Além do título, a capa do livro já evidencia a principal característica da protagonista: a personalidade de Hattie é fragmentada, e não sabemos ao certo quem ela realmente é. Após sua morte, acompanhamos diversos segredos da vida da personagem sendo desvendados por meio de seus relatos e também da investigação de Del. E, para ser sincera, enquanto a garota ia sendo desvendada, foi impossível não pensar em Hattie quase que como uma sociopata. Ela é capaz de interpretar múltiplas personagens, dependendo do interlocutor, sem o mínimo de remorso, ensaiando mentalmente tudo que precisa dizer ou fazer para obter o que deseja.

Peter, por outro lado, é um personagem que inicialmente causa pena. Ele foi arrastado para o interior porque a mãe de sua esposa está doente e, desde a mudança, sua mulher parece cada vez mais distante e indiferente, fazendo pouco caso de qualquer tentativa de aproximação. Porém, não demora para que o personagem conquiste meu ranço. Quando ele descobre que a mulher com quem conversava pela internet era Hattie, sua primeira atitude é botar um ponto final na relação (o correto a se fazer). Entretanto, após muita “insistência da jovem”, Peter cede aos seus desejos quando a garota completa 18 anos, e os dois vivem um caso durante meses.

Muitas coisas me causaram incômodo nessa relação: em primeiro lugar, é um homem mais velho em uma posição de poder (professor > aluna) olhando de modo sexual para uma adolescente e se relacionando com ela; em segundo, obviamente, a traição em si; por último, mas não menos importante, o fato de que a autora coloca Hattie como a pessoa que “faz” Peter ceder. É Hattie quem insiste e “corrompe o pobre professor” até ele perder a sanidade e não resistir aos seus encantos. Essa vibe de “jovem provocante que seduz o homem mais velho relutante” é muito problemática, porque reforça o estereótipo da menina sedutora e ardilosa, a verdadeira culpada pela corrupção moral do homem. Pelo amor de Deus, Peter era o adulto na relação, ele era o responsável por tomar a atitude correta!

resenha tudo que voce quiser que eu seja mindy mejia

Agora, falando um pouquinho sobre Del. O personagem, assim como o leitor, tenta encaixar as peças para entender o que aconteceu. Apesar de ter menos espaço narrativo do que Hattie e Peter, ainda assim conseguimos conhecer um pouco mais sobre ele e seu passado. Ele é um homem íntegro, solitário, mas que valoriza as amizades acima de tudo (em especial com os Hoffman, de quem é amigo há mais de 20 anos). Para o xerife, é extremamente doloroso investigar a morte de Hattie, devido à sua aproximação com a família. E, é claro, também é doloroso perceber como a garota vivia uma vida de segredos.

O mistério em relação à morte de Hattie não é o que prende o leitor. Inclusive, a resolução do caso deixa bastante a desejar. Mas o brilho de Tudo O Que Você Quiser Que Eu Seja não está no mistério, e sim na excelente construção dos personagens. Mindy Mejia consegue criar indivíduos muito verossímeis, cheios de qualidades e, principalmente, falhas. Seus questionamentos e sentimentos são realistas, e a trama não coloca as coisas preto no branco. Não, eu não me afeiçoei aos personagens, mas isso não quer dizer que eu não tenha conseguido admirar o modo como eles foram sendo desenvolvidos ao longo das páginas. As relações humanas – incluindo as obsessões doentias, as escolhas morais duvidosas e os atos extremos – são apresentadas de uma forma extremamente envolvente e bem construída. Como uma leitora que valoriza MUITO personagens bem desenvolvidos, fiquei totalmente satisfeita.

Enquanto lia Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja, percebi que estava menos interessada no mistério em si do que na vida dos personagens. Nesse sentido, me lembrei de O Segredo do Meu Marido, que também faz um ótimo trabalho em destrinchar as relações e os sentimentos humanos. Mindy Mejia consegue atingir esse objetivo neste livro, trazendo à vida personagens ambíguos e diversos questionamentos sobre identidade, culpa, responsabilidade, escolhas e sobre como nem sempre conhecemos de verdade as pessoas que amamos. Recomendo muito!

Título original: Everything You Want Me To Be
Autor: Mindy Mejia
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.