Resenha: Você Não É Invisível – Lázaro Ramos

Oi oi, tudo bem com vocês?

Se tem uma coisa que minhas experiências literárias e audiovisuais recentes têm me ensinado, é a controlar as expectativas e lidar com decepções. 😂 E isso infelizmente aconteceu com Você Não É Invisível, do Lázaro Ramos.

Garanta o seu!

Sinopse: Esta é a história de uma família em quarentena. Carlos e Vitória são irmãos e moram com o pai, mas só o encontram no fim do dia. Muito diferentes um do outro, se expressam cada um a seu modo. Porém, possuem uma mesma motivação: entender seu lugar no mundo. Carlos vive trancado no quarto, gravando vídeos e áudios sobre si mesmo ou postando nas redes sociais. Já Vitória é mais do papel, escreve um diário e inventa contos de fadas num caderno antigo que era de sua mãe. Mesmo confinados, os irmãos vão trilhando seus caminhos com os recursos e instrumentos que possuem. O autor explora os muitos jeitos que temos de nos comunicar e com linguagem ágil, esse livro nos ensina que, se temos de encarar nossos monstros, que o façamos com coragem, segurando na mão de quem nos ama e quer bem – porque ninguém é, ou deveria se sentir, invisível.

Meu respeito pelo trabalho e pelas opiniões do Lázaro Ramos me deixaram muito animada pra conferir seu primeiro livro infantojuvenil, mas a obra infelizmente não funcionou comigo. Faixa etária, talvez? Não sei. Mas vou tentar explicar meus pontos e ser justa ao mesmo tempo.

A obra se passa durante a pior fase da pandemia, em que ficamos naquele “lockdown” (entre aspas porque o governo nunca instituiu um lockdown real), isolados das nossas atividades sociais e das pessoas que amamos. Os protagonistas são os irmãos Carlos (também conhecido como Carrinho) e Vitória, que lidam com a solidão e o isolamento à sua própria maneira. Na falta da companhia do pai (um homem negro que não pôde se dar ao luxo de se isolar e se proteger), Carlos direciona sua energia para a criação de vídeos, lives e áudios, enquanto Vitória busca conforto nas palavras – e no diário da mãe, ausente por estar viajando e estudando.

Meus aspectos favoritos da obra residem nesses dois pontos de tensão que citei: o fato de que o pai dos jovens precisa trabalhar mesmo em um período perigoso da pandemia e a decisão da mãe de fazer sua pós-graduação no exterior. No caso do primeiro, Lázaro Ramos expõe a problemática de qual camada da população foi obrigada a ficar mais vulnerável, enquanto outras (repletas de gente antivacina, pra não dizer pior) podiam usufruir do privilégio da segurança de suas casas. O racismo estrutural não é debatido como maior foco da obra, mas está ali, nítido nas entrelinhas pra qualquer um que esteja disposto a abrir os olhos. Já no caso da mãe, temos o conflito de emoções: ao mesmo tempo em que a empodera como mulher e profissional, mostrando que a família não é um impeditivo para correr atrás dos sonhos, existem também as consequências dolorosas que isso causa na família – especialmente em Carrinho, que se ressente dela por escolher ficar longe. Esses são, na minha opinião, os pontos fortes da leitura, que dão uma camada de profundidade à trama. Em relação à edição física, também fica meu elogio às ilustrações, que tornam a experiência mais imersiva e estão muito bonitas.

Porém, o andamento do enredo é fraquíssimo. Carlos é um personagem chato, que só fala por gírias, mas não de uma forma natural – parece que Lázaro não sabe como “os jovens” falam e me senti constrangida por ler essa tentativa. Ele é um garoto de 16 anos que fica “viajando” nas lives dele e tentando dar lição de moral nos seus seguidores de uma forma que nem sentido faz. Em paralelo, ele pega o diário da irmã às escondidas e lê o que ela escreve, num exemplo terrível de invasão de privacidade. Os dois convivem na mesma casa e mal interagem, então as leituras do diário são o único elo que Carlos constrói com Vitória. Já Vi é uma menina criativa e sonhadora, que entende o que sua mãe está perseguindo e usa sua imaginação pra criar e contar suas próprias histórias – mas que mal aparece no enredo, tendo pouquíssimo (pra não dizer nenhum) espaço.

O livro também é muito raso, sem se aprofundar em nenhum tema. Ainda que seja uma obra infantojuvenil, acho que o autor pecou em trazer muito o ponto de vista de Carrinho em suas lives, focando nos discursos cheios de gírias e expressões que parecem ter vindo direto da Malhação dos anos 2000. O potencial da obra e da premissa eram enormes, mas infelizmente foi desperdiçado por uma falta de foco, por transmitir a sensação de não saber onde a história queria chegar.

Você Não É Invisível não foi uma boa experiência pra mim, mas talvez seja pra um público bem mais jovem, crianças entrando na adolescência, talvez. Apesar disso, ressalto os pontos positivos ditos no início da resenha e o fato da ambientação ser muito relacionável e (infelizmente) fresca na memória. Nesse sentido, você consegue se identificar com os personagens, que fazem de tudo pra que o tempo passe em um período que cada minuto parece se arrastar. Mas infelizmente os minutos se arrastaram durante a leitura também. 😦

Título original: Você Não É Invisível
Autor:
Lázaro Ramos
Editora: Objetiva
Número de páginas: 112
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Carrie Soto Está de Volta

Oi gente, tudo certo?

A resenha de hoje é sobre um livro que li faz um tempinho, mas que ainda não tinha encontrado inspiração pra escrever sobre. Espero que essa resenha consiga fazer jus a ele. 😉 Vamos conhecer Carrie Soto Está de Volta?

Garanta o seu!

Sinopse: A tenista Carrie Soto se aposentou no auge, com a tranquilidade de ter atingido um recorde imbatível: foram vinte títulos Grand Slam conquistados ao longo de sua carreira. Mas apenas cinco anos depois de seu retiro das quadras, ela assiste Nicki Chan igualar sua marca, trazendo a sensação de que seu legado está comprometido. Disposta a chegar aos seus limites, Carrie tem o apoio de seu pai, Javier, ex-tenista que a treina desde os dois anos de idade. Ele parece ter seus próprios motivos para incentivar a filha nesta última temporada que promete desafiar ambos num jogo que exige tanto física quanto mentalmente. Em uma inesquecível história sobre segundas chances e determinação, Taylor Jenkins Reid nos cativa com uma protagonista forte como sempre e um romance emocionante como poucos.

Quem leu Malibu Renasce pode reconhecer esse nome: Carrie é a amante de Brandon, o marido de Nina Riva, protagonista do romance. Por isso, inevitavelmente fiquei curiosa quando soube que a Taylor Jenkins Reid escreveria sobre ela, uma personagem com uma carga tão pesada de antipatia prévia. Mas uma coisa eu já adianto pra vocês: o caso de Carrie com o marido de Nina foi uma fração tão pequena de tudo que ela viveu que logo você esquece e passa a focar na complexidade de sua história.

Carrie perdeu a mãe muito cedo, sendo então criada pelo pai, Javier Soto, um ex-jogador de tênis argentino muito talentoso. Ele dava aulas em um clube de ricaços e desde cedo começou a treinar a filha no esporte, tanto como uma forma de conexão com ela (pois sempre acreditou que Carrie estava destinada à grandeza) como também para afastar a dor causada pela perda da esposa. Desde que começou a se entender por gente, Carrie ouvia do pai que seria a melhor tenista do mundo, e eles não faziam ideia do quanto essa frase teria consequências sérias na vida da garota. A confiança do pai nela era motivadora, mas também foi criando uma expectativa colossal e um objetivo tão fixo que não permitia nenhum tipo de desvio na rota.

Carrie Soto Está de Volta gira em torno da carreira de Carrie antes e após a aposentadoria. Esse contexto de sua criação é o “antes”, contando a sua trajetória da infância até a faixa dos 30 anos, quando é obrigada a se aposentar por uma lesão. Aos 37 anos, porém, Carrie vê uma nova tenista em ascensão, Nicki Chan, conquistando todos os títulos que ela conseguiu e estando a apenas uma vitória de bater o seu recorde mundial. É aí que a protagonista decide voltar às quadras para defendê-lo, entrando novamente numa rotina pesada de treinos e tendo que lidar com feridas físicas e psicológicas junto ao pai.

A pressão causada pela grandeza é o fio condutor de Carrie Soto Está de Volta. Na primeira parte do livro, vemos uma Carrie tão focada em vencer que não consegue criar uma conexão genuína: uma amizade, um amor, nada. Ela vive para vencer sua “nêmesis”, Paulina Stepanova, e rompe com diversos limites para conseguir seu objetivo. A ruptura em sua relação com o pai é uma das consequências disso, quando Carrie decide que ele não está mais apto a treiná-la por não acreditar que ela possa vencer Stepanova. É bastante triste ver o isolamento da tenista e o fato de ela se fechar para o mundo e para a vulnerabilidade, especialmente porque sabemos que muito da obsessão pela vitória foi incutida sem querer por seu pai desde que ela era uma garotinha. Javier, por sua vez, é um homem amoroso e que sente muito orgulho de Carrie, o que também ajuda o leitor a sentir empatia apesar de suas atitudes que levaram a personagem a um nível tão alto de autocobrança. Ainda que as consequências tenham sido essas, Javier sempre se orgulhou da Carrie independentemente do resultado de cada jogo. A relação dos dois é um dos principais pilares do livro e rende cenas emocionantes. O amor que sentem um pelo outro é palpável e o fato de ambos se unirem novamente para ultrapassarem seus limites juntos (cada um à sua maneira) consolida uma relação de pai e filha pautada em devoção, respeito e orgulho.

A história de Carrie fica ainda mais inspiradora quando ela já tem 37 anos e ninguém acredita que ela vai conseguir manter seu recorde ou ganhar um Grand Slam. Aqui a discussão começa a ficar mais forte em torno do machismo e do etarismo. Do machismo porque Carrie é melhor do que inúmeros jogadores masculinos e mesmo assim precisa ficar lendo e ouvindo comentaristas esportivos falando mal dela e de seu comportamento, querendo obrigá-la a ser simpática e sorridente para merecer empatia; do etarismo porque fica evidente que todos colocam um selo com prazo de validade em Carrie, partindo do pressuposto que ela não é capaz de vencer mesmo que treine mais duro que todo mundo e seja um dos maiores talentos que o tênis já viu. Se você envelheceu sendo uma mulher, você já era: é isso que o livro critica.

O que mais gosto em Carrie é sua imperfeição e sua recusa a seguir aquilo que esperam dela. Ela é uma pessoa isolada, competitiva, arrogante, mas também determinada e sincera sobre quem ela é. Ela é um exemplo de mulher que recusa a docilidade que querem impor: se os jornalistas e comentaristas esportivos desejam que ela sorria mais pra ser aprovada por todos, ela faz questão de vencer e bater todos os recordes sem se dobrar a nenhuma expectativa que eles tenham. Ela enfrenta o escárnio público sozinha após o caso com Brandon não dar certo, mostrando mais uma vez como as mulheres saem perdendo mesmo quando o pior erro foi o do homem (já que Brandon era a pessoa casada naquela relação). Com o tempo, porém, Carrie vai se tornando mais maleável. Não pela pressão citada anteriormente, mas porque ela amadurece: a protagonista começa a perceber que vinha aceitando migalhas de afeto e que merece mais; passa a aceitar melhor as derrotas, tão raras na sua carreira e mais recorrentes nesse novo momento; ela também permite que seu parceiro de treinos, Bowe, se aproxime dela; passa a jogar tênis novamente por amor, e não para vencer alguém de forma obcecada. Minha conclusão é que perder faz bem à Carrie e lhe dá perspectiva sobre o que realmente importa.

Carrie Soto Está de Volta é um livro que mexe com você. Mesmo quando Carrie está sendo arrogante, teimosa ou metendo os pés pelas mãos, você sente empatia por entender de onde tudo aquilo está vindo, onde o vazio dela se encontra. Nem todas as atitudes da personagem são louváveis, mas ela é brutalmente honesta sobre si mesma e é retratada como alguém cuja garra é inegável e admirável. Carrie é um exemplo de alguém que tem tudo e todos torcendo contra ela, mas ela vai lá e enfrenta mesmo assim. Acho que só por isso já vale a pena conhecê-la. 😉

P.S.: o final é um pouco abrupto, mas nada que estrague a experiência, principalmente porque faz muito sentido.
P.S. 2: fico admirada com a capacidade da Taylor Jenkins Reid de me entreter com assuntos pelos quais nunca tive o menor interesse, como o tênis. 😂

Título original: Carrie Soto is Back
Autora:
 Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Flores Feitas de Espinhos – Gina Chen

Oi pessoal, tudo bem?

A primeira leitura do ano foi uma fantasia incrível que eu estava louca pra dividir com vocês: Flores Feitas de Espinhos, da autora estreante Gina Chen.

Garanta o seu!

Sinopse: Violet é uma vidente e uma mentirosa que influencia a corte com profecias cuidadosamente formuladas — e nem sempre verdadeiras. Honestidade é para os otários, como o nem-tão-encantado príncipe Cyrus, que planeja destituí-la de seu cargo assim que assumir a coroa, no fim do verão. A menos que ela faça algo a respeito. Mas quando o rei pede que ela invente uma profecia sobre Cyrus encontrar seu verdadeiro amor no próximo baile, Violet sem querer dá início a uma temida maldição, que pode tanto destruir quanto salvar o reino — dependendo de quem o príncipe escolher como futura esposa. Ela então precisa encarar as próprias opções: aproveitar a oportunidade de controlar seu destino, a qualquer custo, ou ceder à perigosa atração que vem crescendo entra ela e Cyrus. Sua esperteza pode protegê-la das tramas cruéis da corte, mas não pode mudar seu destino. Conforme a linha entre ódio e amor se embaça, Violet deve desvendar uma terrível teia de enganações para salvar a si mesma e ao reino… ou condenar a todos.

Como não gosto dessa sinopse, vou resumir a história com minhas próprias palavras pra vocês: Violet é uma garota com o poder da Visão, capaz de enxergar os fios do passado e do futuro, o que faz com que ela exerça o papel de Vidente do rei de Auveny, um dos reinos mais prósperos do Continente Solar. Porém, mesmo com o reino em paz, uma profecia proferida pela Vidente que ocupou o cargo antes dela assombra a todos: ela diz que o coração do príncipe será responsável pela danação ou pela maldição do reino, pois guerra, sangue e rosas estão a caminho. O prazo limite da profecia se aproxima, a Floresta Feérica (uma floresta mágica que faz divisa com o reino e onde residem as fadas) está apodrecendo, e Cyrus, o príncipe, não está nem perto de encontrar uma noiva. Tudo isso leva seu pai, o rei Emilius, a pedir a Violet que proclame uma profecia falsa sobre o verdadeiro amor de Cyrus ser encontrado no baile que o ocorrerá no palácio. As consequências de mexer com o destino passam a pesar nos ombros da jovem, do príncipe e de todos aqueles que residem em Auveny.

Eu gostei de cara de Flores Feitas de Espinhos por causa de Violet. Ela é sarcástica e tem a língua ferina de um jeito perspicaz e genuinamente engraçado, o que me fez sorrir enquanto lia algumas frases debochadas que ela usava pra se referir sobre pessoas ou situações. Seus pensamentos são cínicos e pragmáticos, talvez um pouco pessimistas, mas aos poucos o leitor vai entendendo o motivo de sua casca ser tão grossa e impenetrável. A protagonista ficou órfã antes mesmo de sua mãe lhe dar um nome, então tudo que ela aprendeu foi com e nas ruas do Distrito Lunar, o mais pobre da Capital Solar, e essa criação a tornou desconfiada – mas também independente. Para completar o panorama de sua personalidade, Violet transborda de teimosia e orgulho, que são as partes mais difíceis de lidar da personagem. Apesar disso, o balanço geral a respeito de Violet é de que ela é uma ótima protagonista, bem atrevida e dona de si, e eu criei simpatia por ela sem demora. Além disso, também criei empatia: por mais que Violet diga que prefere o isolamento e afirme não se importar com ninguém, aos poucos fica nítido que a personagem gostaria de acolhimento e aceitação, o que também nos faz torcer ainda mais por ela.

Cyrus, por sua vez, é sua contraparte total: o príncipe é idealista, honrado e – por que não dizer? – charmoso, daquelas pessoas que sabem que são bonitas e usam seus “dotes” pra deixar todo mundo mais confortável e à vontade. Isso enerva Violet, que o enxerga como um hipócrita. Ele, por sua vez, se ressente dela devido às mentiras que ela por ventura conta a pedido do rei. Os dois juntos funcionam como um barril de pólvora que você sabe que vai estourar a qualquer momento, mas fica o aviso: é necessário ter paciência, porque o óbvio romance estilo enemies to lovers demora bastante a engrenar. Os dois se conhecem desde pequenos, após Violet salvá-lo e ele apresentá-la ao pai, e existe uma mágoa bastante grande de ambas as partes pela forma como o relacionamento transcorreu ao longo dos anos.

Gostei muito do fio principal da história, girando em torno da maldição. O livro mescla elementos de vários contos de fada, como por exemplo a Cinderela (na profecia mentirosa da Violet), A Bela e a Fera (com as rosas e as Feras que ameaçam o reino a partir do apodrecimento da Floresta Feérica) e até referências mais simples que aparecem em ditados populares como “tão confiável quanto uma casa feita de doces”. São pequenos detalhes que tornam a experiência de leitura muito divertida, porque você fica com aquela reação de “ahá, peguei essa referência!”, sabem? 😂 Além disso, conforme o prazo da maldição se aproxima, o livro ganha um senso de urgência maior. A vilã por trás dos acontecimentos vem ameaçando Violet ao longo de toda a história, até que finalmente faz a sua estreia e causa uma série de consequências devastadoras – a principal delas sendo a instabilidade causada na mente de Violet.

Como pontos negativos, eu traria a duração do livro (que poderia ser um pouquinho mais objetivo), e também a falta de visão sobre os pensamentos e atitudes de Cyrus, para que ele fosse mais do que “apenas o Príncipe Encantado amaldiçoado”. Acredito que a trama ganharia em profundidade caso os capítulos fossem alternados entre a narração dele e dela, até porque, no meu ponto de vista, isso nos ajudaria a entender o romance um pouco melhor. As cenas entre os dois são muito mais atreladas a tesão do que a amor, então fica bem difícil “comprar” o discurso de homem apaixonado de Cyrus quando isso acontece. Se tivéssemos acesso a seus anseios e angústias, talvez ficasse mais fácil compreender porque Cyrus toma atitudes tão contraditórias em diversos momentos da trama.

Flores Feitas de Espinhos foi uma ótima leitura pra começar o ano. O livro é uma mistura deliciosa de contos de fada com Disney e Once Upon a Time, trazendo uma visão própria a vários elementos conhecidos e unindo todos eles em uma história que tem um fio condutor bem instigante. Recomendo!

Título original: Violet Made of Thorns
Autora:
Gina Chen
Editora: Rocco
Número de páginas: 384
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Amanhã, Amanhã, E Ainda Outro Amanhã – Gabrielle Zevin

Oi gente, tudo bem?

Começo esse post com uma pergunta: é possível não se identificar completamente com um livro, não gostar de metade dele, mas ainda assim se emocionar profundamente? Amanhã, Amanhã, E Ainda Outro Amanhã me mostrou que sim.

Garanta o seu!

Sinopse: Em um dia congelante de dezembro, no seu terceiro ano em Harvard, Sam Masur sai do metrô e vê, entre uma horda de pessoas esperando na plataforma, Sadie Green. Ele a chama. Por um momento, ela finge não ouvir, mas então se vira, e um jogo começa: uma colaboração lendária que vai levá-los ao estrelato. Esses amigos, próximos desde a infância, pegam dinheiro emprestado, pedem favores e, antes mesmo de se formarem, lançam seu primeiro sucesso, Ichigo. De um dia para o outro, o mundo é deles. Com menos de vinte e cinco anos, Sam e Sadie são brilhantes, bem-sucedidos e ricos, mas essas vantagens não vão protegê-los de suas próprias ambições criativas e das traições do coração. Abarcando mais de trinta anos da vida dos protagonistas, de Cambridge à Califórnia, passando por lugares distantes, reais e virtuais, Amanhã, amanhã, e ainda outro amanhã é uma história intrincada, imaginativa e tocante que examina a natureza múltipla e complexa de nossos fracassos, identidades e deficiências, das possibilidades redentoras dos jogos e, acima de tudo, de nossa necessidade de conexão, de amar e sermos amados. Sim, é uma história de amor, mas diferente de tudo que você já leu.

A trama acompanha a amizade cheia de altos e baixos de Sam e Sadie desde os 12 e 11 anos até a faixa dos 35 e 36, aproximadamente. Eles se conhecem no hospital, mais especificamente na sala de videogames, e o amor em comum pelos jogos é a faísca para uma amizade profunda. Um mal-entendido leva ao afastamento dos dois, mas eles se reencontram novamente na faculdade e resolvem criar um jogo juntos. Quem apoia a empreitada é Marx, o colega de quarto de Sam, que cede o apartamento em que moram pra que a dupla possa passar dias (e noites) a fio criando, enquanto Marx auxilia com tudo que eles precisam pra que o trabalho possa continuar. O resultado é Ichigo, um jogo que alavanca suas carreiras e vira um sucesso instantâneo, levando a dupla ao estrelato e possibilitando não apenas uma mudança financeira substancial, como também a criação da Jogo Sujo, a empresa de games que fundam junto com Marx. Mas trabalhar com seu melhor amigo pode também ser uma armadilha perigosa para ressentimentos, mágoas, divergências e outros tantos sentimentos difíceis de lidar – nenhum deles é poupado por Gabrielle Zevin.

Eu já gostei muito de jogos e videogames, mas faz um tempo que não me identifico tanto com o tema. Por isso, até a metade do livro, tive dificuldade de me engajar com a história e fui empurrando com a barriga. A trama é lenta, já que acompanha o processo criativo dos personagens, algumas discussões mais técnicas sobre programação e a passagem do tempo de forma gradual, então isso também não favoreceu que eu engatasse de vez a leitura. Se isso acontecer com você, siga meu conselho: insista mais um pouco, pois será recompensado com um livro profundo sobre relações humanas e sentimentos intensos.

Sam e Sadie se amam, mas são cheios de defeitos. Sam tem a autoestima muito abalada por ser um garoto deficiente, o que o torna muito fechado e inacessível. Ele não se coloca numa posição de vulnerabilidade nem com seus melhores amigos, e enquanto Marx consegue levar isso numa boa, Sadie fica um pouco magoada por não saber se os sentimentos de amor e amizade dele são recíprocos. Além disso, por mais que finja que não, Sam usufrui dos benefícios do machismo para brilhar, enquanto sua parceira é escanteada. A sementinha do ressentimento que vai fazer com que Sadie crie um verdadeiro rancor em relação a Sam vem, inclusive, dessa dinâmica de poder: Sadie é uma mulher num mercado majoritariamente masculino em 1996, ou seja, o espaço dado a ela é ínfimo e ela precisa abrir seu caminho com um facão. É claro que Sam se tornar a cara da Jogo Sujo e deixá-la de lado piora essa situação. Existem outros motivos por trás de sua mágoa, mas não vou aprofundá-los aqui porque acho importante ir descobrindo essas camadas durante a leitura. O que é importante saber é que Sadie representa aquelas pessoas que veem seu trabalho ser atrelado a todo mundo, menos a elas, e que é esmagada pelo peso da frustração em relação a isso. Não são sentimentos bonitos, mas são reais e fáceis de se identificar.

Marx é a cola que mantém o grupo unido. Leve, sensato, altruísta e compreensivo, ele é o produtor da Jogo Sujo, mas seu papel vai muito além disso: ele sabe das dificuldades de Sam e faz de tudo para melhorá-las sem que o amigo precise pedir; ele ameniza as brigas entre Sam e Sadie, mostrando pra ambos (de forma separada) que um faria absolutamente tudo pelo outro; ele tem uma visão de negócios afiada tanto para administrar a Jogo Sujo quanto pra encontrar novos talentos para a equipe… eu poderia ficar horas falando sobre as muitas qualidades de Marx. Pra ser sincera e imparcial, ele é quase perfeito demais. Mas, como os próprios personagens que o conhecem afirmam, é realmente impossível não gostar de Marx. Eu me apaixonei por toda a sua trajetória e me emocionei com todos os aspectos que envolvem o plot focado nele.

Gabrielle Zevin também acerta ao trazer temas universais e importantes pra dentro da trama com naturalidade. Ela aborda a deficiência física de modo ambientado e contextualizado; ela fala sobre relações abusivas por meio de Sadie e sua dependência emocional em relação a um professor mais velho; ela fala sobre o perigo do acesso às armas e as consequências letais dessa política; ela fala sobre relacionamentos homoafetivos e a injustiça envolvendo a impossibilidade de casamentos na Califórnia entre casais do mesmo sexo; ela fala sobre depressão e saúde mental, entre outras questões. Mesmo que pareça que são muitos temas a serem abordados, eles são pequenas partes do enredo ou características dos personagens, então em nenhum momento a história força para um ou outro assunto, ao mesmo tempo em que trata de todos eles de forma verossímil e séria.

Como críticas negativas, os aspectos que não funcionaram tão bem pra mim foram os “vai e vem” temporais, porque costumo me perder em tramas que fazem isso em demasia, e também o final levemente apressado. A relação de Sam e Sadie estava desgastada de uma forma quase irreversível, mas as páginas finais fazem com que a reaproximação dos dois seja meio afetuosa demais – especialmente quando consideramos quanto tempo Sadie passou renegando qualquer contato com Sam. Ainda assim, é possível tirar uma lição bonita desse final apressado, já que ele é essencialmente otimista e mostra como o tempo realmente tem um poder de cura muito valioso.

Amanhã, Amanhã, E Ainda Outro Amanhã começou como um livro que eu mal tinha vontade de pegar pra ler e, da metade em diante, se transformou numa obra que me levou às lágrimas, mexeu com meu coração, me fez sentir a dor dos personagens, me fez sentir identificação com suas frustrações e tirou o meu sono, de tanto que fiquei pensativa após sua conclusão. É um livro que usa o universo dos jogos pra levantar questões sobre a imprevisibilidade da vida, sobre as mudanças de percurso e sobre a força de recomeçar. Ainda que não tenhamos vidas infinitas como os personagens dos jogos, de certa forma cada dia é uma nova oportunidade de dar o play e fazer o nosso melhor. Por isso e por muito mais, esse livro entrou na lista de favoritos do ano. ❤

Título original: Tomorrow, and Tomorrow, and Tomorrow
Autores:
Gabrielle Zevin
Editora: Rocco
Número de páginas: 400
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Almanaque Heartstopper

Oi pessoal, tudo bem?

Resolvi seguir na temática Heartstopper essa semana pra mostrar pra vocês um recebido super fofo que chegou aqui em casa: o Almanaque Heartstopper. ❤

Garanta o seu!

Sinopse: O Almanaque Heartstopper está repleto de conteúdo exclusivo do universo Heartstopper: ilustrações nunca antes vistas, um minicomic exclusivo, perfis de personagens, curiosidades e insights sobre o processo criativo de Alice Oseman, narrado por uma versão cartoon da própria Alice. Pela primeira vez em cores, este livro complementar é perfeito para os fãs de Heartstopper!

O livro é um presente de Alice Oseman pros fãs da série, reunindo conteúdos especiais, teste de personalidade (você é mais Nick ou Charlie?) e dois minicontos (diferente do que a sinopse diz) muito fofos. Ao longo das páginas, a própria Alice vai contando a respeito da história de como criou Heartstopper, bem como divide com o leitor os detalhes do seu processo criativo.

O Almanaque também traz conteúdos bacanas sobre os personagens, principalmente com as ilustrações especiais (algumas criadas especificamente pro livro). É muito fofo ver personagens que são tão queridos pro leitor em situações diversas e inesperadas, em cenas que a graphic novel não apresentou.

Um outro ponto bem fofo é que Alice Oseman traz um mini tutorial de como desenhar os personagens de Heartstopper no estilo dela. Eu sempre amei desenhar e comprava livros de tutoriais quando era criança, então imaginem a nostalgia que senti. ❤ Ver a evolução do traço da Alice Oseman também foi muito legal, porque ela divide esboços da época da criação da série, lá em 2013, e seu estilo artístico mudou e amadureceu bastante de lá pra cá. Almanaque Heartstopper é uma adição bem-vinda às estantes de quem ama a série e deseja conhecer um pouquinho mais do backstage da graphic novel. Mas, como o livro é essencialmente baseado em ilustrações, vou parar o texto por aqui e deixar que vocês mesmos possam dar uma espiadinha no que vão encontrar nas páginas. Espero que gostem!

Título original: The Heartstopper Yearbook
Série: Heartstopper
Autora:
 Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 160
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Livro cedido em parceria com a editora.
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Resenha: Heartstopper: Volume 4 (De Mãos Dadas) – Alice Oseman

Oi pessoal, tudo bem?

Preparados pra mais uma resenha da minha graphic novel queridinha? Estou falando dela, é claro: Heartstopper. ❤ Ah, de praxe, não custa nada avisar: como o tema é o 4º volume da série, essa resenha inevitavelmente tem spoilers das edições anteriores.

Garanta o seu!

Sinopse: Charlie e Nick já não precisam esconder de ninguém no colégio que estão namorando, e agora, mais do que nunca, Charlie quer finalmente dizer “Eu te amo”. O que parece um gesto simples se torna bem complicado quando sua ansiedade o faz questionar se Nick se sente da mesma forma…
Nick, por sua vez, está com a cabeça cheia. Afinal, ele ainda não teve a oportunidade de se assumir para o pai, e se preocupa constantemente com Charlie, que dá sinais claros de ter um transtorno alimentar. Conforme o relacionamento dos dois amadurece, os desafios que vêm pela frente ficam cada vez mais difíceis ― mas os garotos logo vão aprender que amar alguém nada mais é do que estar ao seu lado, juntos, de mãos dadas.

O relacionamento de Nick e Charlie continua firme e forte, mas nessa edição os personagens enfrentam problemas que colocam suas mentes e corações em assuntos mais tensos do que nas edições anteriores da série. Nick lida com um irmão babaca e ainda não conseguiu se encontrar com o pai para contar sobre Charlie; para piorar, ele começa a pesquisar sobre transtornos alimentares ao perceber, desde o volume 3, que o namorado parece ter bastante dificuldade quando o assunto é comida. Charlie, por sua vez, deseja dizer o famigerado “eu te amo” para Nick, mas tem medo de que não seja recíproco e ele não consiga lidar com isso. Toda a ansiedade do personagem está muito mais exacerbada nesse volume, e seus problemas com a comida se tornam cada vez mais claros.

Esse foi o primeiro volume de Heartstopper que me fez chorar. Eu tenho um apego muito grande em Nick e Charlie, e ver os dois sofrendo e passando por situações tão difíceis foi de partir o coração. Nick é uma peça-chave para que Charlie decida contar aos pais sobre seu problema, o que leva a medidas mais drásticas para protegê-lo de si mesmo e de seus pensamentos destrutivos. O lado bom desse plot é que desmistifica as instituições e os tratamentos psiquiátricos, colocando-os sob uma ótica muito positiva. Isso é excelente principalmente ao pensar que o público-alvo da graphic novel é jovem, ou seja, podem ser pessoas que ainda não saibam lidar com essa pressão sozinhas (por medo, desconforto, tabus, pressão familiar, entre mil outros motivos). Ao mesmo tempo que o cuidado psiquiátrico é mostrado de forma bacana, também é de entristecer que a família de Charlie não tivesse notado que o garoto vinha demonstrando sintomas de um distúrbio alimentar. Muitas vezes a gente convive de perto com alguém que está sofrendo e, mesmo assim, não conseguimos enxergar. 😦 Acho que De Mãos Dadas faz um bom trabalho em deixar esse alerta.

Preciso dedicar um momento pra exaltar a mãe do Nick, uma personagem compreensiva, sensível e leal. Ela é a pessoa quem ajuda Nick a ordenar os pensamentos em relação ao distúrbio de Charlie, especialmente porque Nick quer salvá-lo a todo custo dessa condição. É também Sarah Nelson que fala para o filho (e para o leitor) que não é papel de um companheiro “salvar” a outra pessoa de um transtorno mental, pois é um fardo muito pesado pro amor carregar (além de transtornos mentais serem multifatoriais e mais complexos de serem resolvidos). Ela ensina o filho que amar é muito mais sobre estar presente nos momentos difíceis e saber que a pessoa pode contar com seu colo. Sim, essa foi uma das passagens em que eu chorei. 🥲

Heartstopper: De Mãos Dadas é o volume mais “pesado” da série até agora, por finalmente tocar em assuntos com os quais a trama vinha flertando, mas sem se aprofundar. Alice Oseman toma muito cuidado ao abordar o quanto devemos levar a sério o assunto de saúde mental, mas ao mesmo tempo trazendo doses de esperança e caminhos possíveis para a cura. Além de Nick, Charlie pode contar com o apoio incondicional da família e dos amigos, e mesmo que o caminho para a cura seja tortuoso e cheio de percalços, com altos e baixos, é lindo de ver que sempre tem alguém pra segurar a mão dele. ❤

Título original: Heartstopper #4: A Graphic Novel
Série: Heartstopper
Autora:
 Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 384
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Sobre Amor e Estrelas (E a Cabeça Nas Nuvens) – Clara Alves, Lia Rocha e Olívia Pilar

Oi pessoal, tudo bem?

Enquanto a apuração dos votos do segundo turno acontece e o meu estômago fica completamente embrulhado de ansiedade, resolvi me distrair um pouco falando sobre uma leitura bem leve pra ajudar a dissipar um pouco da aflição. Além disso, outubro foi o mês do meu aniversário, por isso a libriana aqui que adora comemorar escolheu conferir a terceira edição da série Sobre Amor e Estrelas, que aqui se complementa com o título E a Cabeça Nas Nuvens. Nesse volume, os signos protagonistas são Libra, Gêmeos e e Aquário.

Garanta o seu!

Sinopse: Ao encontrar um emprego em uma lojinha esotérica, HANNAH, uma libriana bem cética, vai perceber que uma mãozinha do destino é sempre bem-vinda. Com a relação difícil com o pai, que não aceita quem ela é de verdade, Hannah vai precisar acreditar muito em si mesma para ter a coragem de se impor. E quando se vê acidentalmente em um triângulo amoroso, ela sabe que não adianta mais postergar: é hora de agir. Como boa aquariana, JULIETA tem dificuldade em lidar com sentimentos fortes, e sua primeira reação é mergulhar no trabalho e nos projetos sociais em que atua para fugir das emoções. O problema é que, meses depois do término, ela precisa se unir ao ex-namorado para juntar um casal querido. É aí que Jut percebe que a revolução que quer ver no mundo começa dentro dela, e agora vai ter que correr atrás para consertar seus erros. TATIANA terminou um relacionamento recentemente e não se reconhece mais. Para a geminiana que sempre achou fácil se relacionar com todo tipo de gente, mas difícil se concentrar no que quer, é complicado se livrar dos rótulos que aprendeu a considerar negativos. Com um pouco de ajuda, Tatiana vai começar a ver o melhor de si e até mesmo dar chance a um romance que não parece muito compatível. Inspiradas nos signos mais inteligentes, sociáveis e criativos do zodíaco, as autoras Clara Alves, Lia Rocha e Olívia Pilar contam três histórias baseadas nos signos de libra, aquário e gêmeos.

Assim como os outros volumes da coleção, a obra é dividida em três contos focados nos signos. O que me deixou mais animada pra conhecer esse livro foi a participação de Clara Alves, que escreveu o fofíssimo Conectadas e, é claro, o fato de focar em uma personagem do meu signo (libra). De maneira geral, os livros da série Sobre Amor e Estrelas não são muito marcantes, trazendo romances mais simples e sem grande aprofundamento. Isso faz com que eu não me torne fã da coleção, mas ao mesmo tempo não posso dizer que é ruim ler os volumes. E a Cabeça Nas Nuvens é um bom exemplo de leitura fácil, que vai fluindo e você nem percebe, ainda que as histórias não sejam “uau, que incrível”. Vale também salientar como ponto mega positivo que todas as histórias de Sobre Amor e Estrelas (E a Cabeça Nas Nuvens) são repletas de representatividade negra e LGBTQIA+. 

O primeiro conto se chama Desequi(libra) e foi meu favorito. A protagonista é Hannah, uma menina LGBTQIA+ oriunda de uma família evangélica super conservadora. Ela tem uma relação complicada com os pais por conta disso e sonha em conquistar independência financeira. Porém, cética como ela é, esse universo de signos e misticismo é uma bobagem – o que não a impede de pedir emprego numa loja esotérica. Hannah rapidamente faz amizade com a dona da loja ao mostrar que é inteligente e dedicada, mas um erro cometido na leitura de um mapa astral deixa a garota em pânico de contar a verdade. Tá, e o romance, cadê? Calma que vou chegar lá. O mapa astral que Hannah erra é o de Thalita, uma garota que está acompanhando a melhor amiga, Lis, num campeonato de surfe no Rio de Janeiro (onde a história se passa). Hannah crusha na garota quase que instantaneamente, mas Thali está a fim da melhor amiga. O livro gira em torno dos dois dilemas da protagonista: 1) ela vai confessar seus sentimentos? 2) Ela vai contar a Thali que errou na impressão do mapa astral? Esse conto é aquele tipo de história que daria facilmente uma comédia romântica cheia de trapalhadas, na qual a protagonista se afunda cada vez mais na própria confusão, o que tornou a leitura bem divertida. Meu único problema com esse tipo de plot é que já tô velha demais pra situações que poderiam ser resolvidas com uma simples conversa. 😂

O segundo conto, Tecido Pelas Estrelas, é focado em Julieta, uma professora que terminou um namoro há alguns meses e colocou toda a energia no trabalho e nos projetos sociais que ajuda. Não fica claro o motivo do término até a porção final do livro, mas o leitor já percebe que Jut sofreu bastante com a decisão e não superou 100% a situação. Sua vida dá uma guinada surpreendente ao descobrir que suas mães, donas de um atelier de moda famoso, estão se divorciando, e o clima no ambiente tem estado cada vez mais tenso. É aí que o ex de Julieta entra em cena: Leonardo trabalha no atelier e quer ajudar na reconciliação das suas chefes. Os dois resolvem fingir que voltaram a namorar pra terem desculpas de promoverem encontros familiares para que as mães de Jut voltem a conversar; o problema é que Leo está magoado com o término e logo fica claro que o plano tem machucado o coração de ambos. Julieta é representante do signo de aquário, então o conto dela é focado no dilema dela conseguir ser mais aberta emocionalmente e admitir que deseja Leo de volta.

Por fim, temos a história de Tatiana no conto Duas de Mim. Depois de passar por um término com a ex-namorada, a geminiana Tati se enclausurou em casa e nos estudos, evitando novos encontros sociais – algo bem atípico, de acordo com seu signo. Sua irmã mais velha e seu cunhado passam a insistir que a garota se exponha ao mundo novamente, preocupados com o comportamento não usual de Tati, que costumava ser falante e extrovertida. Eles propõem que a garota aceite os encontros a cegas que o casal tem em mente, e logo de cara as coisas não saem como o esperado, quando a protagonista conhece Camila, com quem tem química zero. O encontro foi constrangedor, não fluiu e fez Tati ficar bastante incomodada. Porém, em outra ocasião, Tati encontra a menina novamente enquanto andava de bike e as duas começam a conversar. O papo flui e a química acontece, para surpresa total de Tatiana. Porém, Camila está vivendo um período difícil e isso atrapalha bastante a relação entre as duas, e o conto gira em torno de deixar o leitor curioso pra saber se elas conseguirão superar esses desafios ou não. Esse foi o conto de que menos gostei, porque achei Tatiana e Camila bem chatinhas como personagens e não consegui torcer pelo romance – diferente das outras duas histórias, cujas protagonistas e pares românticos são mais simpáticos.

Sobre Amor e Estrelas (E a Cabeça Nas Nuvens) é uma boa pedida pra quem busca entretenimento fácil e/ou se identifica com a temática de signos. Ainda que em alguns momentos as autoras forcem a conexão com o horóscopo (pra ser sincera, eu só achei natural a forma como Clara Alves trabalhou o tema), quem curte o assunto pode achar divertido ver as características sendo trabalhadas ao longo das histórias. Não é uma leitura inesquecível mas cumpre seu papel de entreter por algumas horas. 😀 

Título original: Sobre Amor e Estrelas (E a Cabeça Nas Nuvens)
Série: Sobre Amor e Estrelas
Autores:
Clara Alves, Lia Rocha e Olívia Pilar
Editora: Rocco
Número de páginas: 240
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Solitária – Eliana Alves Cruz

Oi pessoal, tudo bem?

A dica de hoje é sobre um título que já entrou pra lista de favoritos do ano: Solitária, de Eliana Alves Cruz. É um livro curtinho, mas que atinge dores da sociedade brasileira com uma maestria ímpar. Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: Solitária conta a história de duas mulheres negras, Mabel e Eunice, mãe e filha, que “moram no trabalho”, um condomínio de luxo situado em localidade não nomeada, mas que pode ser qualquer grande cidade brasileira. Eunice, a mãe, é testemunha-chave de um crime chocante ocorrido na casa dos patrões. Mabel, a filha, constrói o caminho que levará à elucidação do crime e à libertação de ambas. Em prosa direta e ágil, voraz e assertiva, Eliana Alves Cruz remexe o imaginário do trabalho doméstico no Brasil, ainda tão vinculado ao mundo escravocrata, e o relaciona a questões contemporâneas fundamentais, como o debate sobre ações afirmativas, a ascensão da extrema direita e a pandemia. Testemunho de uma crucial mudança de sensibilidade no espírito de nosso tempo, Solitária dá provas do quão urgente se tornou elaborar – sem meias-palavras – não apenas a história, mas as sobrevidas da escravidão colonial. E, ao fazê-lo, mostra como é possível enfrentar o desafio moral e ético de abordar estas experiências de vida sem replicar narrativamente a violência a que estão sujeitas nem reencená-las sob a égide de qualquer pacto sub-reptício de subalternidade. É um romance libertação.

A obra acompanha os anos de vida de duas mulheres negras, mãe e filha, que têm suas vidas marcadas pelas consequências de um país que coloca corpos negros em posição de servidão. Mabel, a filha, sabe desde cedo que não quer traçar os mesmos passos da mãe, almejando um futuro melhor e conquistando sua tão sonhada vaga no curso de Medicina; Eunice, a mãe, trabalhou como empregada doméstica a vida toda e tem um conflito interno muito forte sobre os sentimentos em relação à família de classe média alta que por tantos anos a empregou. Um acontecimento trágico é um catalisador para que Mabel pressione a mãe a se libertar desse vínculo, ao mesmo tempo em que Eunice tenta entender como lidar com o que aconteceu. Os capítulos são (quase) todos narrados em primeira pessoa por essas personagens e trazem experiências de anos, o que permite que o leitor mergulhe a fundo em suas vidas.

Uma alegoria importantíssima ao longo da obra é o conceito do quartinho – não apenas como cômodo, mas como espaço metafórico para o corpo negro. Eliana Alves Cruz não teme expor as fragilidades raciais da nossa sociedade, tendo um texto pungente e, ao mesmo tempo, de grande fluidez (o que torna o livro ágil). Mabel observa desde criança sua mãe sendo obrigada a limpar, cuidar, organizar e fazer tudo para seus empregadores brancos, que adoram dizer que “ela é praticamente da família” ao mesmo tempo em que a relegam a um espaço apertado e apartado dos demais. A própria Mabel, diferente das crianças que ela vê crescer na casa dos patrões (como a filha do casal, Camila, e outros amigos do prédio), também não recebe o mesmo tratamento: enquanto a infância de uns é preservada, a de outros é destinada a ajudar “na lida”, fazendo o possível para se tornar invisível e não atrapalhar o dia a dia da branquitude que frequenta aquele apartamento.

A história de Mabel é uma história de superação. Mesmo estando nesse ambiente desde novinha e passando por uma experiência traumática aos 14 anos (que reflete o destino de muitas meninas da mesma idade e classe social), ela conseque realizar o sonho de entrar na faculdade de Medicina. Mas o livro não faz com que pareça uma meritocracia utópica da qual a classe média tanto gosta de falar; vemos na prática a dor e os sacrifícios que sua família passa pra que ela chegue lá. Sua infância é roubada muito cedo e ela logo percebe que não pode se dar ao luxo de ter as mesmas experiências e erros que os “verdadeiros moradores” do condomínio podem se permitir. O acesso a clínicas e a medicamentos importantes são um bom exemplo disso, mostrando que a autora ainda consegue falar com sutileza sobre temas pesados como aborto e saúde coletiva.

Eunice também é uma personagem profunda e bem trabalhada. Para ela, de origem humilde, a vida doméstica acabou trazendo certa estabilidade pela qual ela é grata. Cada pequeno gesto de seus patrões parecem vir carregados de uma expectativa de gratidão eterna por parte de Nice, e durante parte do livro ela cumpre esse papel. Seu maior conflito interno reside no fato de que ela passa mais tempo cuidando da filha do casal, Camila, do que da sua própria; é uma necessidade que, além de doer, faz com que ela sinta que Camila também é “um pouco sua filha”. Quando a garota se envolve no evento propulsor do livro, Eunice é confrontada e precisa olhar para o seu passado a fim de entender qual o seu papel nos desdobramentos de tal evento. É como ler sobre o caso Miguel novamente, só que dessa vez nas páginas de uma ficção (nem tão ficção assim).

Para além das duas personagens e da família branca para a qual Eunice trabalha, também entramos em contato com Jurandir, o porteiro e novo amor de Eunice, e seus dois filhos, Cacau e João Pedro, que possuem laços fortes com Mabel. João Pedro é o símbolo da rebeldia dentro desse contexto, sendo aquele que se recusa ao papel de subserviência que percebe em seu pai e em Nice. Ele é julgado por seu “jeito problemático”, mas é também um grito de liberdade e de revolta muito necessário. E já que estou falando em personagens, digo apenas que os espaços ocupados por todos já citados também têm um papel interessante e marcante na narrativa do livro – mas o como eu vou deixar pra vocês descobrirem.

Solitária é um livro excelente, que toca em diversas feridas abertas em relação ao racismo no Brasil. Com uma narrativa leve, mas firme, Eliana Alves Cruz faz um passeio por diversas desigualdades que assolam com muito mais força a camada mais vulnerável da população: de subempregos a gravidez indesejada, de escravidão moderna (mas sem a espetacularização de A Mulher da Casa Abandonada) até a maior vulnerabilidade frente à Covid-19. São temas pesados, que impactam, mas trabalhados de forma tão didática que as páginas fluem e você sente a revolta no fundo do coração por saber que nada do que está escrito ali é tão ficcional assim. Pra mim, Solitária entrou pro hall de livros que todo mundo deveria ler.

Título original: Solitária
Autora: Eliana Alves Cruz
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 168
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: A Ponte Entre Reinos – Danielle L. Jensen

Oi pessoal, tudo bem?

A Ponte Entre Reinos se tornou um dos livros queridinhos da blogosfera em 2022 e hoje chegou a minha vez de dividir com vocês o que achei da obra. Vamos nessa? 🥰

Garanta o seu!

Sinopse: Lara é uma princesa treinada para ser uma espiã letal. Ela tem duas certezas: 1) o rei Aren de Ithicana é seu maior inimigo; 2) ela será a responsável por destruí-lo. Por ser a única rota possível num mundo assolado por tempestades, a ponte de Ithicana gera poder e riqueza ― e a miséria dos territórios vizinhos, entre eles a terra natal de Lara. Então, quando é enviada para cumprir um acordo de paz e se casar com Aren, Lara está decidida a descobrir todas as fraquezas desse reino impenetrável. Mas, conforme se infiltra em seu novo lar e entende o preço que Ithicana paga para manter o controle da ponte, Lara começa a questionar suas convicções. E, quando seus sentimentos por Aren passam da hostilidade para uma paixão intensa, ela terá de escolher qual reino vai salvar ― e qual vai destruir.

Ithicana e Maridrina são reinos rivais que travaram uma guerra por anos, até que um tratado de paz – o Tratado de Quinze Anos – foi firmado. Nele, ficou estabelecido que Maridrina forneceria uma princesa para casar com o príncipe e futuro rei de Ithicana. Mas Silas, rei de Maridrina, nunca aceitou a paz de fato, e treinou 20 filhas em segredo pra se transformarem em guerreiras letais e espiãs de ponta, no intuito de seduzirem o novo rei, Aren, e extraírem o maior segredo de Ithicana: como penetrar as defesas da ponte que liga o reino aos vizinhos e é responsável por todo o trajeto do comércio de norte a sul, protegendo os comerciantes dos terríveis mares Tempestuosos. Lara é quem consegue ser a princesa escolhida, e vai até Ithicana determinada a não falhar em sua missão. Porém, aos poucos, a jovem espiã vai percebendo que muitas das coisas que incutiram em sua cabeça durante seu treinamento (que começou aos 5 anos de idade) não eram verdadeiras, colocando sua missão – e sua lealdade – em xeque.

Na minha opinião, diversos livros de fantasia correm o risco de ficarem confusos e cansativos quando estão apresentando muitos conceitos novos de world building, especialmente nos primeiros volumes de uma série. Contudo, aqui a autora consegue equilibrar o “show” com o “tell”, ou seja, ao mesmo tempo em que descreve o mundo proposto, há parágrafos dedicados a explicar as dinâmicas e regras que regem esse mundo também por meio de diálogos ou pensamentos dos personagens, evitando que inúmeros conceitos novos sejam simplesmente largados na narrativa. Isso faz com que A Ponte Entre Reinos não seja enfadonho e prenda a atenção desde as primeiras páginas.

O livro oferece um desenvolvimento bem instigante, com uma narrativa em terceira pessoa ora focada em Lara, ora em Aren. Ainda que desde o início o leitor já saiba que se trata de um romance, a autora leva o desenvolvimento dessa relação com paciência, especialmente porque Lara e Aren têm muito a perder: ela não pode ser descoberta como espiã; ele não pode colocar a segurança de Ithicana em risco. Com o passar das páginas, eles vão ficando mais confortáveis na presença um do outro, em parte porque Aren não deseja fazer de Lara uma prisioneira, dando mais espaço a ela no reino, e em parte porque Lara revela traços reais de sua personalidade que vão cativando o rei (que provavelmente seriam criticados pelos mestres de sedução que lhe ensinaram enquanto crescia rs). Como não sou fã de instalove, gostei que a dinâmica dos dois tenha sido construída com o tempo, e Danielle L. Jensen deixa claro que vários meses se passam desde que o casamento acontece.

Os protagonistas de A Ponte Entre Reinos são bons personagens. Lara é uma garota de fibra e, nas primeiras páginas, já fui enganada por ela e pela autora, que nos faz acreditar que a jovem matou suas irmãs para salvar a própria pele. Felizmente ela não demora a mostrar que se condenou ao destino de ir para Ithicana para salvá-las, devido ao amor profundo que sente por elas. Isso foi fundamental para humanizar uma personagem que, em essência, vai para o Reino da Ponte em uma posição de “vilã”, para espionar. Lara pode ter feito coisas horríveis, mas em sua maior parte foi por coação ou instinto de sobrevivência, e não por maldade – e ela não usa isso pra se vitimizar, reconhecendo seus defeitos ao longo de toda a obra.

Aren, por sua vez, não demora a surpreender a esposa. Logo fica claro para Lara e para o leitor que ele é um homem leal e justo, e que sua ferocidade em batalha é consequência de uma vida tendo que proteger seu reino de ataques. Ithicana não busca a guerra, mas sim é alvo dela. Meu único problema com Aren é que ele é meio perfeitinho demais: é lindo, forte, musculoso, leal, honesto, paciente, respeitoso, bom de cama e ainda se apaixona perdidamente por Lara. Fácil gostar dele assim, né? 😂 Felizmente, ainda que ele seja vítima do odiado (pra mim) recurso instalove, Aren é sensato: não importa que tenha caído de amores por Lara, ele demora a confiar nela e toma várias precauções nos primeiros meses da jovem em seu lar.

Os pontos fracos de A Ponte Entre Reinos começam no seu terço final. Ele é tão slow burn que em determinado ponto as coisas demoram a ganhar velocidade, especialmente quando fica nítido que os sentimentos já “oficialmente” mudaram. Além disso, tem uma atitude de Lara que torna o final do livro bastante óbvio, fazendo com que o impacto do que acontece e qualquer consequência advinda se tornem previsíveis. Apesar disso, o livro termina com um bom gancho; ele promete muita ação e uma necessidade de garra e resiliência por parte dos personagens. Pra uma duologia, foi uma boa forma de encerrar essa primeira parte, capaz de deixar o leitor com muita vontade de ver a ação que sua continuação promete.

A Ponte Entre Reinos é uma ótima fantasia e um ótimo romance. Digo “e” porque o livro foi competente em ambas as esferas: apresentou um universo rico é bem construído, com relações políticas interessantes, ao mesmo tempo em que trouxe um enemies to lovers bem feito. Aren é um pouco perfeitinho demais? Sim. O instalove dele por ela é meio clichê? Também. Mas o fato de que o romance em si tenha demorado um tempo coerente pra se consolidar – especialmente considerando os riscos e responsabilidades de Lara e Aren – me convenceu. Se você curte esse estilo de leitura, A Ponte Entre Reinos está recomendadíssima!

Título original: The Bridge Kingdom
Série: A Ponte Entre Reinos
Autora: Danielle L. Jensen
Editora: Seguinte
Número de páginas: 416
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Livro cedido em parceria com a editora.
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Resenha: Heartstopper: Volume 3 (Um Passo Adiante) – Alice Oseman

Oi pessoal, tudo bem?

Como fiz questão de evidenciar na resenha das HQs e da série, me tornei fã de carteirinha de Heartstopper. ❤ Então pensem na alegria dessa pessoinha quando recebi da Seguinte o terceiro volume, Um Passo Adiante. Continua lendo que eu te conto mais!

Garanta o seu!

Sinopse: No terceiro volume da série Heartstopper, acompanhamos os primeiros desafios do namoro de Charlie e Nick enquanto os garotos viajam a Paris. Depois de entenderem o que sentiam um pelo outro, Charlie e Nick se tornaram oficialmente namorados, e cada dia é uma nova oportunidade para se conhecerem um pouco mais. Mas nem tudo é fácil, principalmente quando se trata de se assumir enquanto casal para o mundo. Mesmo com medo da reação das pessoas, os garotos sabem que em breve terão de contar a verdade, pelo menos para os amigos mais próximos ― ainda mais quando a turma toda viaja a Paris. Enquanto decidem como dar este próximo passo, os dois vão descobrir que, não importa qual seja o desafio, eles podem sempre contar um com o outro.

Se no volume 1 a dupla se aproximou e começou a desenvolver seus sentimentos e no volume 2 o foco foi na autodescoberta de Nick como bissexual e o início do namoro dos dois, em Um Passo Adiante o casal precisa tomar decisões sobre como conduzir a relação. Essa edição traz uma vibe gostosíssima ao colocar os personagens em uma viagem escolar com destino a Paris, e o leitor fica imerso naquela atmosfera de comédia romântica cheia de descobertas, cenários lindos e momentos divertidos.

Nick e Charlie ainda não contaram aos amigos sobre seu namoro, e aos poucos eles vão criando coragem – e decidindo juntos – a melhor forma de fazer isso. Achei fundamental que Alice Oseman tenha trabalhado esse tema com tanta delicadeza e cuidado, especialmente quando lembramos que Charlie foi retirado do armário contra sua vontade, causando todo o bullying que ele sofreu na escola. Por isso, o fato de que o casal protagonista está disposto a fazer isso da sua própria maneira é um sinal de empoderamento super importante, além de transmitir uma mensagem positiva a quem possa estar na mesma situação.

Outro aspecto muito bacana de Um Passo Adiante é o foco em outros personagens, que na série da Netflix já ganharam mais atenção mas, até agora nas HQs, nem tanto. É o caso de Tao e Elle, que visivelmente nutrem sentimentos um pelo outro. Durante a viagem, eles têm a oportunidade de passarem mais tempo sozinhos e refletirem sobre os ônus e bônus de se declararem. É natural ter medo de alterar uma relação que até então é pautada na amizade e algo dar errado, mas é lindo ver Tao e Elle tendo coragem de arriscar.

Além do foco na relação de Nick e Charlie como casal, Alice Oseman também insere elementos que desenvolvem os personagens individualmente, o que considero fundamental. No caso de Nick, a autora mostra ao leitor que o personagem tem uma relação fragilizada com seu irmão mais velho e com seu pai. Enquanto o primeiro é rude e faz bullying com ele (que não se deixa intimidar e o enfrenta), o segundo é ausente e, mesmo morando em Paris, não parece fazer questão de ver o filho durante a viagem. Esses elementos dão profundidade a Nick, que até então era “apenas” nosso golden retriever fofo e maravilhoso. Charlie, por sua vez, começa a ser observado pelo namorado devido a um comportamento que vai ficando nítido para o leitor também: em diversas situações de stress, ele mal toca na comida. Alice Oseman ainda não aprofunda o assunto de distúrbios alimentares nesse volume, mas pra mim ficou muito claro que é algo no horizonte. Tenho certeza de que ela vai tratar desse tema com muito cuidado e sensibilidade, como tudo que vi dela até agora.

Heartstopper: Um Passo Adiante é uma leitura deliciosa, com gostinho de verão (europeu rs) e com todo o carisma e fofura que os volumes 1 e 2 da HQ já haviam nos presenteado. É muito bom ser fã de uma obra que consegue deixar meu coração feliz já nas primeiras páginas, e Alice Oseman consegue me transportar pra história de Nick e Charlie sem esforço. É como se o leitor se tornasse parte daquele grupo de amigos, torcendo e vibrando por cada uma de suas conquistas. Se você ainda está em dúvida sobre ler ou não Heartstopper, a dica é: não pensa mais e só se joga! Vai valer a pena. ❤

Título original: Heartstopper #3: A Graphic Novel
Série: Heartstopper
Autora:
 Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 384
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.