Dica de Série: Alias Grace

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei da minissérie Alias Grace, baseada no livro Vulgo Grace, da Margaret Atwood (que, por sua vez, é baseado numa história real ocorrida no Canadá, no século 19).

poster alias grace

Sinopse: Nesta série baseada no premiado livro de Margaret Atwood, um psiquiatra tenta decidir se uma assassina deve ser perdoada mediante a alegação de insanidade.

Na série, acompanhamos o psiquiatra Simon Jordan, cujo objetivo é entrevistar a prisioneira Grace Marks (acusada e condenada pelo assassinato de seu antigo patrão, Thomas Kinnear, e sua governanta, Nancy Montgomery) para avaliar sua sanidade e, a partir disso, determinar se ela merece o perdão para ganhar novamente sua liberdade. Em suas conversas com a moça, Grace vai rememorando sua vida sofrida e narrando os fatos que a levaram até ali. Com o passar dos dias, o Dr. Jordan vai ficando fascinado com sua história e, principalmente, com as ambiguidades de seus relatos.

alias grace

Alias Grace é uma série que constrói sua narrativa lentamente, mas jamais de modo entediante. Grace é um verdadeiro mistério, para nós e para Jordan, e vai se revelando aos poucos – sempre na perspectiva que a jovem nos permite enxergar. Sua história de vida é bastante sofrida: ela fugiu de uma casa em que passava por maus tratos vindos de um pai abusador, foi trabalhar em uma casa de família na qual sua melhor amiga morreu e, posteriormente, mudou-se para a casa de Kinnear, local que selou seu destino. Sob as ordens da governanta Nancy (que era também amante de Kinnear), Grace passou a ser tratada com rispidez e severidade. Durante sua estada na propriedade, ela conhece o jovem James McDermott, que odeia profundamente Kinnear e Nancy. Ele foi acusado de orquestrar o crime e, por isso, foi para a forca; entretanto, mesmo em seus momentos finais, o rapaz acusava Grace de ser responsável pelo assassinato.

alias grace 3

É inquietante perceber as dissonâncias da narrativa de Grace e dos registros oficiais em relação ao crime. Em nenhum momento a série deixa claro quem está falando a verdade, Grace ou McDermott. Entretanto, é impossível não se afeiçoar à moça (ou melhor, ao seu relato): ela transmite uma tranquilidade e uma inocência que fazem com que a gente queira confiar e acreditar nela. E é justamente sua capacidade de se mostrar como um ser dócil e passivo (características esperadas do gênero feminino, especialmente naquela época) que a salva da morte e permite que ela seja avaliada para ter uma chance de liberdade, como foi dito pela historiadora canadense Ashley Banbury. De certo modo, Grace é bastante subversiva, especialmente por conseguir manipular não apenas o júri, como também o Dr. Jordan e, é claro, o espectador.

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Alias Grace também traz críticas ao modo como a sexualidade feminina é vista pela sociedade. Grace questiona porquê mulheres pagam com a vida quando erram, enquanto homens gozam de privilégios e liberdade. A morte de sua melhor amiga, Mary, tem um grande impacto em sua personalidade, causando uma reviravolta no final que deixa o espectador com a pulga atrás da orelha sobre o que é real ou não em sua história. Ainda assim, a amizade das duas é comovente e de grande importância na vida de Grace.

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Os episódios tem uma fotografia incrível, bem como figurinos belíssimos, que transportam quem assiste diretamente para aquela época. Além disso, o desenrolar lento também é repleto de tensão, especialmente durante as entrevistas do Dr. Jordan e Grace. Eu ficava super ansiosa pelo próximo capítulo, e fiquei muito satisfeita com a duração da série: a história foi perfeitamente contada em 6 episódios de cerca de 45 minutos. O final, em aberto, é sen-sa-cio-nal, e te faz questionar tudo que você assistiu (e acreditou) até então.

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Alias Grace é uma série provocativa, que não se propõe a dar respostas definitivas sobre o que aconteceu no caso de Grace Marks. Ela questiona o papel da mulher na sociedade, bem como mostra o uso da performance feminina para subjugar os homens no poder. Também critica as injustiças que ocorrem com mulheres que não chegam nem perto de atingir os homens. E, é claro, tem um enredo instigante e envolvente, narrado por uma personagem nada confiável, mas fascinante.

Título original: Alias Grace
Ano de lançamento: 2017
Criador: Sarah Polley
Elenco: Sarah Gadon, Edward Holcroft, Anna Paquin, Paul Gross, Zachary Levi, Kerr Logan, Rebecca Liddiard

28 comentários sobre “Dica de Série: Alias Grace

  1. Oi Priih! Nenhuma das séries baseadas nos livros dessa autora despertaram meu interesse até o momento, acho que o que mais me deixa receosa para ver é que são muito elogiadas e tenho medo de me decepcionar. Bjos!! Cida
    Moonlight Books

  2. Oi, priscila
    Eu vi muita gente comentando dessa série assim que lançou e eu achei genial ela brincar com a empatia do leitor. Saber quem cometeu o crime ou não não é algo vital, mas saber se acreditamos na história de Grace. É tipo saber se Capitu traiu Bentinho ou não KKK
    Eu não sei se assistiria porque apesar de tudo, não gosto de séries, mas ela tá na lista.
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com

  3. Eu quero muito assistir essa série, descobri ela quando estava pesquisando mais coisas sobre THT e vi essa série da mesma autora. Acho super legal as protagonistas serem personagens fortes
    beijos

  4. Olá, Priih.
    A Olivia lá do blog assistiu e me recomendou porque ela gostou muito. Eu gosto desse tipo de livro/filme/série onde somos manipulados e não sabemos se a pessoa está falando a verdade ou não. Mas fiquei meio com um pé atrás por causa desse final aberto que não sou muito fã. mas acho que vou assistir sim.

    Prefácio

  5. Adorei a dica de série, ainda não conhecia mas fiquei mega curiosa com o enredo. Já conferi e vi que tem na netflix já vou assistir 😀 .

  6. AMEI o post, Priih! Faz um tempão que tenho vontade de assistir Alias Grace, lembro que até comecei a assistir o piloto, mas não terminei e nem sei porquê. O fato é que esse post me fez ter vontade de dar uma chance de novo, viu? Parece ser sensacional e também adorei que tem pouquinhos episódios.
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

  7. Oi Priih! Ameeeeeeeei a tua resenha!!! Já me senti assistindo a série mas AINDA BEM que vc disse que o final fica em aberto pois eu deteeeesto quando isso acontece kkkkkkk mas talvez assista assim mesmo só pelo figurino… 🙂 falei e repito: amei sua resenha! Kissinhos

  8. Oi, Priih! Não conhecia essa série nem nada, mas já coloquei na listinha (que só aumenta). O bom é que é bem curtinha, com poucos episódios e com uma história bem diferente. Adorei a resenha! ❤

    Beijos, quebrarosilencio.blogspot.com ❥

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