Dica de Série: O Gambito da Rainha

Oi gente, tudo bem?

Mesmo um pouquinho atrasada, resolvi conversar com vocês sobre a aclamada minissérie O Gambito da Rainha. Meu único arrependimento é não ter assistido antes, então espero convencer quem ainda não viu a correr e fazer o mesmo. Vamos conhecer! ❤

Sinopse: Em um orfanato nos anos 1950, uma garota-prodígio do xadrez luta contra o vício em uma jornada improvável para se tornar a número 1 do mundo.

Aos 9 anos, Elizabeth Harmon é envolvida em um acidente de carro causado pela sua mãe, que vem a óbito. A garota é então levada para um orfanato feminino, em que a apatia se faz presente nas aulas do coral, nos ensinamentos religiosos e no dia a dia como um todo. Dois elementos tornam-se fundamentais nesses seus anos de formação: o primeiro é a amizade com uma colega, Jolene, que ensina a Beth a “guardar para mais tarde” as pílulas que elas recebem diariamente (o que inicia o vício da protagonista em tranquilizantes); o segundo é a amizade inesperada e monossilábica com o Sr. Shaibel, o zelador do orfanato, que ensina a Beth como jogar xadrez. Fascinada pelo jogo e com um talento natural, logo Beth vai se destacando e o Sr. Shaibel a incentiva a participar de eventos do clube de xadrez de uma escola próxima. Aos 15 anos, Beth é adotada, e sua vida passa por transformações importantes – todas girando em torno do tabuleiro.

Na adoção, Beth não encontra de cara um lar afetuoso. O seu novo “pai” é alguém que não suporta mais a esposa e vive viajando, chegando ao ponto de abandoná-las. Sua mãe adotiva, Alma, é alguém que afoga as mágoas e frustrações no álcool, sendo uma pianista frustrada presa em um casamento infeliz. Contudo, quando ela percebe o talento de Beth no xadrez e a jovem começa a vencer pequenos campeonatos locais, Alma se torna uma espécie de empresária, impulsionando Beth ainda mais. Temi que a relação das duas fosse evoluir para uma abordagem de “mãe sanguessuga”, mas não é o que acontece: as duas realmente vinculam e querem o bem uma da outra, e Alma investe em Beth não como alguém que dá retorno financeiro, e sim como uma mãe que quer incentivar os sonhos da filha. 

Conforme vai se destacando em campeonatos locais, Beth vai sendo convidada para participar de eventos maiores. Ela se apaixona, tem suas primeiras experiências sexuais, vivencia o vício nos tranquilizantes que começou na infância e passa por diversas dificuldades inerentes ao amadurecimento e à sua origem cheia de traumas. Sua frustração ao perder as primeiras partidas para enxadristas mais experientes é palpável, mas serve como combustível para que ela nunca desista. E um dos aspectos mais bacanas desse processo é que, mesmo sendo muito introspectiva, Beth vai criando laços com mais pessoas – algo que ela praticamente não construiu até encontrar Jolene. Nesse sentido, a série aposta bastante nas amizades que ela faz com os homens que enfrenta, e na admiração deles por ela; é bacana, mas achei um pouco fantasioso. A série se passa majoritariamente nos anos 60, então achei difícil de acreditar que os homens que cruzam o caminho de Beth não sejam todos uns babacas com o ego masculino frágil ferido. Digo isso não porque me tornei cínica quanto ao assunto, mas porque em pleno 2021 mulheres em ambientes tipicamente masculinos precisam lutar (e muito) para serem respeitadas, e esse assunto é pouco tratado (percebam que eu não disse “inexistente”, mas sim “pouco”) em O Gambito da Rainha.

Mas não adianta, quem rouba a cena é Anya Taylor-Joy e seu magnetismo. Mesmo dando vida a uma personagem cheia de vícios e comportamentos autodestrutivos, a atriz – e consequentemente Beth – é capaz de se conectar com o público e fazer com que a gente torça por ela não apenas nas partidas, mas também em cada passo da jornada na sua vida pessoal. Ver Beth crescer como enxadrista e como mulher é muito interessante, e mesmo pra quem não entende nada do jogo (como eu), é impossível desviar os olhos da protagonista quando ela move suas peças pelo tabuleiro. Some isso a uma produção de qualidade inquestionável e figurinos que me fizeram querer usar todo o guarda-roupa de Beth (a partir do momento em que ela passa a escolher e comprar o que veste, claro rs) e temos uma série que é impossível de largar.

O Gambito da Rainha merece todos os prêmios que ganhou desde sua estreia na Netflix e é uma minissérie instigante e redondinha, que desenvolve sua protagonista como alguém humano, cheio de falhas, mas com um espírito imbatível. Se você, assim como eu, demorou pra conferir essa produção, te aconselho a dar o play o mais breve possível. Você não vai se arrepender! 😉

Título original: The Queen’s Gambit
Ano de lançamento: 2020
Criador: Scott Frank, Allan Scott
Elenco: Anya Taylor-Joy, Thomas Brodie-Sangster, Harry Melling, Marielle Heller, Jacob Fortune-Lloyd, Moses Ingram, Bill Camp

10 comentários sobre “Dica de Série: O Gambito da Rainha

  1. Olá, Priih.
    Eu comecei essa série antes de pegar Covid, depois que melhorei acabei começando outras e não voltei a assistir até agora. Mas os episódios que eu assisti eu amei. E realmente não foi abordado essa parte do sexismo, eles parecem aceitar ela meio fácil, como se fosse só um susto inicial o que na verdade a coisa era e ainda é bem diferente.

    Prefácio

  2. Oi Priih,
    Ainda não vi a série, mas ela está sim na lista. Quero muito ver ainda este ano, só não vi antes pq dei prioridade para Sombra e Ossos que não me decepcionou também. Obrigada pelas várias motivações para eu ver essa série o quanto antes.
    Bjos
    Kelen Vasconcelos
    https://www.kelenvasconcelos.com.br/

  3. Oi Priih,
    Tá aí uma série que eu ainda não assisti por falta de vergonha na cara mesmo, haha, pois a curiosidade de conferi-la é grande. Gosto do fato de a série abordar o vício em remédios, pois é algo que pouco se vê em produções cinematográficas. Até comentei com meu marido que havia uma personagem na novela das sete da Globo que sofre de ansiedade e é viciada em tranquilizantes, mas de repente ela sumiu do roteiro, e eu acho interessante comentar sobre esse assunto.
    E concordo com você, é difícil de acreditar que na década de 1960 os homens admirariam uma mulher em competições onde a maioria dos competidores são homens, basta estudar um pouco sobre a geração dessa década para entender que até as próprias mulheres achariam estranho uma moça não ter uma vida padrão de mãe e dona de casa.
    Enfim, como sempre, ótima resenha.
    Beijo, Blog Apenas Leite e Pimenta ♥

  4. Eu estou enrolando há tempos para ver essa série, menina. E sempre acabo deixando para depois, mas preciso mudar isso pra ontem. Eu amo xadrez, aliás tem tempo que não jogo e gostaria de treinar mais um pouco as estratégias. E, mesmo com suas ressalvas, ainda gostaria de ver essa série.
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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