Review: A Cinco Passos de Você

Oi pessoal, tudo bem?

Vamos conversar sobre o último filme que me deixou com o rosto inchado de chorar? Vamos! Estou falando sobre A Cinco Passos de Você, disponível no Amazon Prime Video.

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Sinopse: No enredo de A Cinco Passos de Você, Stella Grant (Haley Lu Richardson), aos dezesseis anos de idade, é diferente da maior parte dos adolescentes: devido a uma fibrose cística, ela passa muito tempo no hospital, entre tratamentos e acompanhamento médico. Um dia, conhece Will Newman (Cole Sprouse), garoto que sofre da mesma doença que ela. A atração é imediata, porém os dois são obrigados a manter distância um do outro por questões de saúde. Enquanto Stella pensa em quebrar as regras e se aproximar do garoto da sua vida, Will começa a se rebelar contra o sistema e recusar o rigoroso tratamento.

Stella é uma adolescente que sofre com a fibrose cística, uma doença genética que causa, entre outros problemas, uma grande quantidade de muco nos pulmões (sendo necessário transplante para evitar que o paciente venha a óbito). Acostumada a viver no hospital, Stella criou um canal para falar sobre a doença e sua rotina, fez amizades no local e segue rigorosamente cada passo do seu tratamento. O que ela não esperava era ter a oportunidade de também se apaixonar nesse lugar tão angustiante; quando Will (que também sofre de fibrose cística) aparece em sua vida, ambos começam a questionar o que é realmente viver. Ainda há um agravante no relacionamento dos dois: Will é portador de uma bactéria que impede o transplante, e portanto ele não pode chegar a menos de 6 passos de Stella para não correr o risco de infectá-la.

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Para ser honesta, acho que me encantei com A Cinco Passos de Você logo nos primeiros minutos. Stella é tão carismática e tão cheia de luz que a afeição por ela ocorre quase que instantaneamente. Sua amizade com as enfermeiras e com seu melhor amigo, Poe,  é encantadora, assim como o modo com que Stella conduz uma situação tão difícil. A chegada de Will mexe com sua rotina controlada e traz um pouco de impulsividade e surpresa, o que também é delicioso de assistir. O jovem encara a vida de uma maneira mais cínica, alegando não se importar com as coisas em função de seu corpo ter “um prazo de validade”. E a forma completamente antagônica com que os jovens lidam com a doença traz ensinamentos para ambos: Stella aprende a se permitir um pouco mais, a fazer o tratamento para efetivamente viver (em vez de viver para seu tratamento); Will compreende que é necessário valorizar a vida que se tem, por isso cuidar de si mesmo tem tanta importância.

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O relacionamento dos dois acontece gradualmente e é tão doce e doloroso que eu não sabia se em determinados momentos eu chorava de emoção ou de tristeza. O filme tem como base para diversas reflexões o toque físico: o abraço apertado, o aperto suave na mão para transmitir força, o beijo apaixonado. Como viver sem tudo isso? Como encontrar uma forma de lidar com a falta do toque humano, necessário desde que nascemos? Ao mesmo tempo que o longa nos leva a refletir sobre isso e valorizar a oportunidade que temos, ele também causa um aperto enorme no coração ao pensarmos sobre quem não tem essa chance – que, para quem não sofre com a doença, parece algo tão básico, tão corriqueiro. É impossível chegar ao final do filme sem querer abraçar alguém sem pressa para soltar.

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O final do filme me surpreendeu. Eu estava esperando uma vibe A Culpa é das Estrelas e, mesmo tratando de uma doença muitas vezes fatal, A Cinco Passos de Você consegue concluir essa história emocionante de uma forma menos óbvia, mas igualmente emocionante. Depois de acompanharmos a trajetória de Stella e Will, que “roubaram da vida” somente um passo para ficarem mais perto um do outro, é tocante perceber o quanto essa relação mudou profundamente cada um deles.

A Cinco Passos de Você me fez chorar do início ao fim, mas também me inspirou de diversas formas. Se nesse momento (de pandemia, ansiedade e isolamento social) você se sente emocionalmente bem para uma trama como essa, recomendo muito o filme! É um romance lindo, apaixonante e que nos relembra do valor da nossa saúde, de sermos gratos pelo que temos e que devemos aproveitar cada segundo com quem amamos.

Título original: Five Feet Apart
Ano de lançamento: 2019
Direção: Justin Baldoni
Elenco: Haley Lu Richardson, Cole Sprouse, Moises Arias, Kimberly Hebert Gregory

Dica de Série: Modern Love

Oi gente, tudo bem?

Apesar de ter assinado a Amazon Prime logo que a plataforma saiu (afinal, o valor mensal de R$ 9,90 é bem atrativo), ainda assisti a poucas de suas produções. Depois da ótima The Boys, resolvi explorar mais o Prime Video e acabei conferindo outra série original da qual gostei muito: Modern Love.

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Sinopse: Um compilado de histórias reais que exploram não só o amor em suas múltiplas formas – romântica, sexual, familiar, platônica -, mas também outros sentimentos comuns à experiência humana, como perda e redenção.

Essa minissérie antológica dramatiza histórias reais publicadas em uma coluna semanal do The New York Times. Com temáticas e personagens distintos a cada episódio, Modern Love tem aquele gostinho de comédia romântica intercalado com boas cenas de drama. Entretanto, é importante dizer que nem todos os episódios brilham, e em alguns deles falta carisma à trama e aos personagens. Vou contar pra vocês quais foram os maiores destaques. 😀

O primeiro episódio (When the Doorman Is Your Main Man) é provavelmente o meu favorito. Protagonizado por Cristin Miliotti (a eterna Mother, de How I Met Your Mother) e Laurentiu Possa, a trama narra a busca da jovem por um par romântico. Seu porteiro, porém, é a pessoa que sempre a alerta sobre as ciladas, como se sentisse o cheiro de encrenca de longe. Quando a moça fica grávida por acidente, é na amizade com o porteiro que ela encontra suporte. Retratando um amor genuíno e fraternal, esse primeiro episódio me causou melancolia e felicidade na mesma medida.

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O segundo episódio (When Cupid Is a Prying Journalist) também é excelente. Ao entrevistar um jovem desenvolvedor a respeito do sucesso de seu app de relacionamentos, uma jornalista descobre que o rapaz não tem muita sorte nessa área. Após ser traído pela ex-namorada, ele nunca mais conseguiu se reconectar com ninguém. Em paralelo, a própria jornalista precisa encarar pendências do passado e amores não superados. Esse episódio é muito bacana porque retrata personagens absurdamente humanos, com defeitos que não são exaltados, mas que os tornam mais reais. No fim, parece que as peças se encaixam onde de fato deveriam estar.

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O terceiro episódio (Take Me as I Am, Whoever I Am) é incrível, protagonizado pela excelente Anne Hathaway. Vivendo em segredo com o Transtorno Bipolar, a trama nos causa uma angústia muito grande. A personagem oscila entre euforia e depressão e nos sentimos impotentes enquanto a vemos tentando lidar com o dia a dia e com os relacionamentos (tanto amorosos quanto amizades) em meio a um turbilhão de emoções. Aqui temos mais um exemplo de que, muitas vezes, o amor de que tanto precisamos não tem nada a ver com romance.

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Os episódios 4, 5 e 6 não funcionaram pra mim (especialmente o 6º, que é deveras problemático). No episódio 7 temos uma melhora no ritmo com o episódio “Hers Was a World of One, que narra a história de um casal gay que deseja adotar uma criança e da jovem grávida que está esperando o futuro bebê que o casal vai adotar. Eu gostei muito da dinâmica da Olivia Cooke e do Andrew Scott (que também fez Moriarty, em Sherlock), trazendo uma dose de bom humor bem-vinda. Por fim, temos o episódio 8 (The Race Grows Sweeter Near Its Final Lap), que traz o amor maduro como principal pilar. A história é agridoce: ela nos lembra que nunca é tarde para amar, mas também expõe a dor da perda. Sem dúvidas é muito emocionante.

Modern Love é uma daquelas séries curtinhas, com episódios de 30 minutos, que fazem o tempo passar voando. Apesar 3 dos 8 episódios não serem arrebatadores, os outros 5 valem cada segundo. Se você busca histórias de amor pé no chão, que poderiam ser vividas por qualquer um ao seu redor, você vai gostar de Modern Love (e seu coração provavelmente vai ficar quentinho). 🙂

Título original: Modern Love
Ano de lançamento: 2019
Direção: John Carney
Elenco: Cristin Milioti, Laurentiu Possa, Catherine Keener, Dev Patel, Anne Hathaway, Gary Carr, Tina Fey, John Slattery

Dica de Série: The Boys

Oi gente, tudo bem?

Com a chegada do Amazon Prime (que eu corri pra assinar pois: só R$ 9,90 por mês rs), resolvi explorar as produções oferecidas na plataforma. E a primeira delas foi The Boys, que estava sendo muito elogiada pela crítica. Hoje conto pra vocês o que eu achei. 😀

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Sinopse: The Boys é uma visão irreverente do que acontece quando super-heróis, que são tão populares quanto celebridades, tão influentes quanto políticos e tão reverenciados como deuses, abusam de seus superpoderes ao invés de usá-los para o bem. É o sem poder contra o superpoder, quando os rapazes embarcam em uma jornada heroica para expor a verdade sobre “Os Sete” com o apoio da Vought.

Em uma realidade na qual ser um super-herói virou uma profissão que gera bilhões em lucro, quão fácil é se deixar corromper pelo sistema? Em The Boys, corporações enriquecem patrocinando diversos supers, mas as verdadeiras estrelas americanas são o grupo conhecido como Os Sete: além de salvarem a população, também são estrelas de comerciais, garotos e garotas-propaganda, modelos e tudo mais que for necessário. O problema, porém, é que tanto poder nas mãos de poucos não demora a corromper esses heróis que, em tese, deveriam proteger as pessoas. Vidas humanas perdidas são tratadas como fatalidades inevitáveis, como algo que “faz parte do jogo”. E uma dessas perdas dá o start na história.

Hughie perde sua namorada de uma maneira brutal: a um passo da calçada, enquanto se despedem, a moça é literalmente explodida em pedacinhos pela ultravelocidade de um super-herói chamado A-Train, um membro dos Sete. A empresa que o patrocina, Vought, oferece uma quantia ínfima como reparação, além de exigir a assinatura de um contrato de confidencialidade. Depois de recusar a proposta, Hughie decide se vingar, mas acaba se envolvendo numa confusão com outro membro dos Sete e sendo salvo por Butcher, um homem misterioso que vinha observando a situação das sombras. Hughie descobre então que Butcher é líder de um grupo que busca desmascarar os super (como são chamados), expondo seu abuso de poder para a sociedade. Mas como enfrentar seres tão inigualavelmente fortes? Especialmente quando o líder deles, o Capitão Pátria, têm poderes equivalentes ao do Super-Homem?

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The Boys é uma grande sátira à moral imaculada comumente apresentada em histórias de super-heróis. Tendo personagens que podem ser versões debochadas tanto de figuras da Marvel quanto da DC, a série utiliza cenas gore e humor ácido para mostrar uma realidade na qual super-heróis são movidos pelo capitalismo e por interesses próprios. Mesmo aqueles que ainda não perderam a fé em fazer a coisa certa são submetidos e dobrados em algum nível ao sistema. O maior exemplo disso é Starlight, a nova membro dos Sete: a jovem sempre foi motivada por ajudar as pessoas e fazer a diferença, mas é submetida a abuso sexual e uma transformação visual causada por motivos comerciais. E nesse ponto já faço um elogio a The Boys: apesar de ter cenas de sexo, em nenhum momento o abuso sexual é gráfico, ficando apenas nas entrelinhas, mas sendo poderoso o suficiente como denúncia. Starlight é uma das melhores personagens da série porque, paradoxalmente, ela é uma das mais humanas: seu poder grandioso não a salva de sofrer as mesmas pressões psicológicas que mulheres sofrem o tempo todo; além disso, sua essência é bondosa e ela genuinamente quer usar seus poderes para o bem.

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O grupo que dá nome à série também tem elementos interessantes. Butcher odeia todos os Supers porque atribui à Vought o desaparecimento de sua mulher. Seus aliados, Leitinho e Francês, têm uma relação de gato e rato divertida de assistir. A última membro do grupo, “A Fêmea”, também é interessante, tendo um relacionamento surpreendente com o Francês. De todos, eu diria que Hughie é o mais sem graça (mas, para ser honesta, tenho ranço do seu crush na Starlight, já que aparentemente rapidinho ele esquece que acabou de perder a namorada rs).

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É impossível não falar em personagens sem mencionar Os Sete. Odiosos de diversas maneiras, todos eles têm momentos de podridão escancarada, à exceção de Starlight e, em menor escala, Queen Maeve. Porém, nenhum membro dos Sete causa tanta repulsa quanto Capitão Pátria. Tido como símbolo americano e como sinônimo de paz, o personagem é conceitualmente uma mistura de Super-Homem (pelos poderes descomunais) com Capitão América (pela vibe “orgulho americano”). Mas só conceitualmente mesmo, já que na prática ele é um verdadeiro psicopata. Tendo um relacionamento doentio com Madellyn Still, um dos nomes mais importantes da Vought, o Capitão Pátria não hesita em abusar de seus poderes, matar inocentes e ameaçar qualquer um que ouse desafiá-lo. A maior fonte de desconforto que senti ao assistir The Boys veio das cenas em que ele estava envolvido, tamanha sua falta de caráter e humanidade.

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O desenvolvimento da temporada é ágil, há muita ação e reviravoltas interessantes na trama. A série desconstrói o conceito maniqueísta das HQs, onde normalmente é tudo preto no branco, com pouco espaço para tons de cinza. Porém, como eu disse anteriormente, há cenas de sexo e momentos bem gore ao longo da temporada (com direito a sangue e tripas pra todo lado), então talvez esses elementos não agradem todo mundo. Ainda assim, The Boys é uma excelente produção repleta de boas atuações e humor ácido, que traz uma visão nova e uma abordagem diferente do universo de super-heróis. Gostei muito e recomendo! 😉

Título original: The Boys
Ano de lançamento: 2019
Direção: Eric Kripke
Elenco: Karl Urban, Jack Quaid, Antony Starr, Erin Moriarty, Dominique McElligott, Tomer Kapon, Laz Alonso, Karen Fukuhara, Elisabeth Shue, Jessie Usher, Chace Crawford