Dica de Série: O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder

Oi gente, tudo bem?

Não tá fácil botar em dia os conteúdos do que andei lendo e assistindo nos últimos meses, mas juro que tô tentando. 😂 E é claro que uma das grandes apostas da Amazon não poderia ficar de fora do meu radar, especialmente porque sou apaixonada pela trilogia dos filmes originais: estou falando dela, a série O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder (que aflição desse “de”, gente, custava colocarem “do”???).

Sinopse: Tendo início em uma época de relativa paz, a série acompanha um grupo de personagens que enfrentam o ressurgimento do mal na Terra-média. Das profundezas escuras das Montanhas de Névoa, das majestosas florestas de Lindon, do belíssimo reino da ilha de Númenor, até os confins do mapa, esses reinos e personagens criarão legados que permanecerão vivos muito além de suas partidas.

Os primeiros minutos de Os Anéis de Poder impressionam: uma narração acompanhada de cenas belíssimas mostra como era o mundo antes da primeira guerra contra Morgoth, o grande responsável pelo mal que assolou a Terra-Média. Ele era um ser poderoso, uma das criações de Eru (o equivalente a Deus na mitologia do Tolkien) e o mentor de Sauron, um vilão que conhecemos bem. Após a queda de Morgoth, Sauron parece ter desaparecido junto de seu mestre, mas uma guerreira élfica não acredita nisso e está obstinada em sua busca para encontrá-lo para se vingar da morte de seu irmão mais velho – essa guerreira é Galadriel, em uma das novas facetas que a série dá a um personagem conhecido pelos fãs.

Confesso pra vocês que tive bastante dificuldade de associar a Galadriel dos filmes com a Galadriel guerreira. Vale lembrar que a versão televisiva da personagem é muito jovem, ainda imatura e impetuosa, enquanto sua contraparte cinematográfica já é uma líder de seu povo em uma idade bem mais “avançada”. Mas quisera eu que meu problema com Galadriel fosse apenas essa nova característica: a verdade é que achei a personagem birrenta, insolente e tediosa, e a atuação linear e insossa de Morfydd Clark não ajudou em nada para mudar minha opinião.

Os Anéis de Poder tem vários plots paralelos: Galadriel tentando convencer o reino de Númenor a combater Sauron; Elrond (sim, o pai da Arwen) tentando salvar seu povo com a ajuda de seu grande amigo, o príncipe anão Durin IV; a chegada de um Estranho caído do céu e sua interação com o povo nômade conhecido como “pés-peludos”; o povo das Terras do Sul tentando sobreviver a um ataque orc iminente. Com episódios de cerca de 1h de duração, a série peca em trazer muitos elementos e desenvolvê-los com grande lentidão, tornando difícil a vontade de maratonar ou não instigando uma grande curiosidade pro próximo episódio. Outro ponto problemático é que muitos eventos da trama ficam subentendidos e não são bem explicados, especialmente para os espectadores que não leram os livros. Isso me incomoda bastante, porque cada mídia precisa funcionar de maneira independente, mesmo que seja uma adaptação. Não foram poucas as situações em que me senti boiando na trama e com a impressão de que só quem leu O Silmarillion tava conseguindo compreender o todo. :/

Como aspecto positivo, não posso deixar de fora o capricho visual em cada cena e cada figurino. A Amazon não poupou esforços pra fazer de Os Anéis do Poder uma produção imersiva e deslumbrante, e enquanto assistia às belezas do mundo imaginado por Tolkien eu só conseguia pensar que se pausasse o episódio em qualquer momento ele me garantiria um lindo wallpaper hahaha! Além disso, a diversidade de corpos e cores de pele também são pontos de destaque, algo em que o gênero fantasia sempre pecou e que felizmente parece estar querendo se redimir nessa produção. 

Enquanto assistia Os Anéis do Poder, me peguei em mais de um momento me perguntando pra onde a série desejava ir. Eu não li O Silmarillion e não tava preocupada com fidelidade em relação ao material original; eu só queria uma boa história baseada no mundo de O Senhor dos Anéis. Apesar de ter momentos bacanas, no geral a série não conseguiu me cativar. O que salvou minha experiência foi o final, que trouxe um plot twist legal e referências bacanas à trilogia que me fazem querer saber como os roteiristas vão se aproximar dela. Mas, se não fosse por isso (e pelo meu amor ao mundo de O Senhor dos Anéis) eu provavelmente abandonaria. :/ E vocês, gostaram de Os Anéis de Poder? Me contem nos comentários!

Título original: The Lord of the Rings: The Rings of Power
Ano de lançamento: 2022
Criação: Patrick McKay, John D. Payne
Elenco: Morfydd Clark, Ismael Cruz Cordova, Charlie Vickers, Markella Kavenagh, Daniel Weyman, Nazanin Boniadi, Robert Aramayo, Owain Arthur

Dica de Série: Superstore

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje tem uma indicação de série de comédia super gostosinha que vi no Amazon Prime Video, mas que também chegou recentemente à Netflix: Superstore.

Sinopse: Em um hipermercado de Saint Louis, um grupo de funcionários com personalidades únicas lida com os clientes, as tarefas cotidianas e uns com os outros.

Superstore é uma série de 6 temporadas com episódios de 20 minutinhos, ou seja, perfeita pra maratonar. A trama acompanha o dia a dia dos vendedores de uma loja de departamentos, a Cloud Nine, bem como as bizarrices que acontecem em supermercados (normalmente apresentadas em cenas de transição muito engraçadas). O foco principal está em Jonah e Amy: ele consegue um emprego no episódio piloto e já começa com o pé esquerdo ao agir de forma meio condescendente com Amy – que, até então, ele não sabe que é sua supervisora. Porém, logo fica claro que na verdade Jonah é um sonhador otimista, enquanto Amy tem uma visão cética sobre a vida devido a muitos desafios que ela precisou vencer sendo uma mulher latina que engravidou no fim do Ensino Médio. Com o tempo, porém, Jonah vai mostrando que um momento de beleza extraordinário (ou “a moment of beauty”) pode acontecer na vida deles também.

Apesar de Jonah e Amy serem os personagens principais, Superstore está longe de depender dos dois pra funcionar. A série conta com personagens ótimos e muito engraçados, cada um à sua maneira. Dina é a assistente do gerente e é tão correta e rígida que chega a ser um meme ambulante (o desenvolvimento dela é um dos melhores da série, porque ela começa sendo uma general chata e, com o tempo, vai se tornando só meio peculiar de um jeito engraçado), Garrett é o cara que é a definição da lei do menor esforço, Glenn é o gerente inocente e sem noção, Sandra é uma das melhores coadjuvantes de todos os tempos, entre outros.

Em determinado momento, Superstore também flerta com assuntos importantes, como a sindicalização dos profissionais e as injustiças da imigração americana. Contudo, a série deixa a desejar na condução de ambos os assuntos, que tomam um grande espaço de umas duas temporadas e, depois, acabam sendo deixados de lado. Porém, como contraparte positiva, a última temporada de Superstore se passa durante a pandemia, então os episódios conseguem deixar claro o quão vulneráveis os profissionais ficaram e o quanto as grandes corporações não ligam (ou ligam o mínimo) pras suas vidas. As pessoas que precisaram seguir trabalhando em supermercados, farmácias, postos de gasolina e afins também fizeram parte da linha de frente, e é importante que a gente não esqueça do valor dessas profissões. Além disso, Superstore também problematiza estereótipos – principalmente na figura de personagens como Amy e Mateo, que representam grupos minoritários como os latinos e os imigrantes. Para exemplificar, há um episódio em que pedem pra Amy vender um molho de pimenta inspirado nas receitas mexicanas, sendo que ela tem descendência hondurenha.

Admito que a série não me fisgou de cara na primeira temporada, mas da segunda em diante Superstore se tornou uma das minhas queridinhas. A série é equilibrada, tem um senso de humor cativante e me fez rir em diversos momentos. Pra coroar, ela já está terminada e o final é perfeito! ❤ Recomendo muito e torço pra que vocês gostem tanto quanto eu!

Título original: Superstore
Ano de lançamento: 2015
Criação: Justin Spitzer
Elenco: America Ferrera, Ben Feldman, Lauren Ash, Colton Dunn, Nico Santos, Mark McKinney, Nichole Sakura, Kaliko Kauahi

Dica de Série: Nove Desconhecidos

Oi pessoal, tudo bem?

Terminei de assistir à minissérie Nove Desconhecidos, que adapta o livro de mesmo nome que resenhei um tempinho atrás. Bora pro review e pro comparativo com o livro?

Sinopse: Nove pessoas problemáticas se hospedam em um sofisticado retiro de bem-estar que promete uma transformação total. Lá, os hóspedes se entregam a um tratamento radical que ameaça levar esse instável grupo ao limite de suas emoções e medos.

O plot básico da série é o mesmo que o da obra original: nove pessoas contratam um pacote no spa Tranquillum House em busca de descanso para o corpo e para a mente por motivos diversos. Lá, eles encontram cenários paradisíacos, consultores de bem-estar bonitos e de voz tranquila e a diretora do lugar: Masha, uma russa magnética e enigmática. Logo fica claro que ela utiliza abordagens pouco ortodoxas e que o spa não é somente um espaço para o relaxamento, mas sim para terapias que podem levar cada um dos presentes ao extremo.

É nítido que a minissérie traz mais elementos de suspense para a trama do que o livro. Não demora para que o espectador comece a ficar desconfortável com algumas medidas adotadas na Tranquillum House, como o fato de fazerem exames de sangue diários nos hóspedes, por exemplo. Existem tensões entre os hóspedes, alguns rompantes de raiva e outras situações que nos levam a questionar se aquele é um ambiente totalmente seguro. Quando Masha começa a receber vídeos dela na propriedade (como se fosse de um stalker), o clima de mistério – e perigo – se acentua.

Diferente do que ocorre no livro, a série revela um de seus principais mistérios logo de início: a metodologia do tratamento de Masha. A partir daí, vemos os personagens “entrando na onda” e aceitando os tratamentos de forma voluntária. Essa é uma das principais diferenças em relação à obra original, e acho que é uma bem importante; particularmente, senti falta da revolta dos personagens com o que acontece em Tranquillum House. Eles não só aceitam aquilo que lhes é oferecido como entram de cabeça nas propostas arriscadas de Masha, sem medo das consequências.

Enquanto o livro é lento, mais focado no drama de cada personagem e menos no mistério, aqui a série se inverte, tendo mais cenas de tensão e fazendo com que alguns personagens mal tenham tempo de tela (como o casal cujo casamento está em crise, Ben e Jessica). Felizmente, duas das minhas tramas favoritas foram bem exploradas ao longo dos episódios: a primeira delas é a aproximação da escritora Frances (que sofreu um golpe de amor pela internet) e do ex-atleta Tony (que teve que parar de jogar após uma lesão e se fechou para o mundo). A química entre Melissa McCarthy e Bobby Cannavale transborda na tela e eles protagonizam cenas emocionantes e outras engraçadas. A segunda trama que eu curti demais, superando a emoção do livro, foi a da família Marconi, que foi ao spa na tentativa de superar o luto pela perda do filho/irmão. Heather, Napoleon e a filha, Zoe, carregam muita culpa e sofrimento, e todas as cenas em que eles enfrentaram tais sentimentos me fizeram chorar. A atuação visceral de Asher Keddie (Heather) me deixou arrepiada e de coração partido.

A reta final da série é um pouco fraca. O clímax não causa aflição, o que ocorre nas páginas. Por outro lado, a produção televisiva foca em humanizar Masha e suas experiências, transformando-a em uma personagem que causa mais simpatia (enquanto no livro ela está em busca de fama e reconhecimento). Além disso, diferente do que ocorre no material original, a minissérie tem um final aberto – cabendo a você escolher no que acreditar.

A adaptação de Nove Desconhecidos é uma ótima produção, com um enredo bacana e ganchos interessantes. Mas seu maior mérito é o mesmo que o do livro: seus personagens – aqui muito bem representados por um elenco que entrega atuações impecáveis. As mesmas coisas que me incomodaram no livro também me incomodaram na série, mas em ambos os casos minha percepção geral da história é muito boa. Vale a pena colocar Nove Desconhecidos na lista e passar um tempinho em Tranquillum House. 😉

P.S.: pra quem ficou interessado em saber as diferenças entre a série e o livro (com spoilers, obviamente), é só conferir a lista abaixo:

  • Descoberta da verdade sobre o tratamento: quem se liga que Masha está drogando os hóspedes é Heather, que é enfermeira. Ela também é a primeira a se revoltar, assim como Ben, que odeia drogas por ter perdido a irmã para o vício;
  • Plot de Ben e Jessica: o casal vai até o spa para tentar salvar o casamento e, enquanto na série os dois realmente se reaproximam, no livro eles percebem cada vez mais o abismo que se construiu na relação. Ele inclusive se aproxima de Zoe, dando a entender que eles vão manter uma amizade (ou algo mais) no futuro;
  • Propósito das alucinações: diferente do que a série mostra, o livro não traz todo o plot de alucinações com os mortos como uma tentativa de trazê-los de volta;
  • Passado da Masha: no livro ela também perde a filha, mas quando ainda é um bebê. Ela também não tem nenhuma relação com Carmel e não sofreu uma experiência de quase morte pelo tiro, e sim por infarto;
  • Propósito da Masha: enquanto na série ela quer uma forma de reencontrar a filha morta e, por isso, faz os tratamentos nos hóspedes, no livro ela deseja reconhecimento e sucesso por seu método inovador;
  • Yao e Delilah: no livro a Delilah transa com Yao mas não existe a camada romântica/amorosa que a série traz. Consequentemente, ela é uma personagem mais “foda-se” na obra original, que vai embora muito mais por medo de ser pega pela polícia do que por princípios;
  • Plot da Carmel: a mudança mais drástica da série. No livro ela também é uma mulher insegura e magoada pelo fato de ter sido trocada pelo marido e confesso que, no início da trama, achei que ela seria meio maluca por venerar a Masha. No fim, foi uma personagem bem sem sal. Na série ela é completamente desequilibrada, sendo a pessoa por trás do tiro em Masha e responsável por stalkear a diretora da Tranquillum House;
  • Passado do Tony: diferente do que a série mostra, o ex-atleta não se envolveu em uma briga que culminou na morte de um homem, e também não era viciado em analgésicos. Ele decide ir a Tranquillum por estar completamente sozinho e perceber que ficou “triste” ao ir ao médico e descobrir que sua saúde estava ok, servindo de sinal de alerta para buscar ajuda.

Título original: Nine Perfect Strangers
Ano de lançamento: 2021
Criadores: John-Henry ButterworthDavid E. Kelley
Elenco: Amy Poehler, Rashida Jones, Nick Offerman, Aubrey Plaza, Chris Pratt, Adam Scott, Aziz Ansari, Retta, Jim O’Heir, Rob Lowe

Dica de Série: Parks and Recreation

Oi pessoal, tudo bem?

Apesar do meu gênero favorito ser thriller/policial, ele é seguido de perto por sitcoms. Sempre preciso ter alguma série divertida, com episódios de 20 minutos, no radar. Por isso, vim dividir com vocês uma que ganhou meu coração: Parks and Recreation.

Sinopse: Leslie Knope, uma burocrata de nível médio no Departamento de Parques e Recreação de Indiana espera embelezar sua cidade (e impulsionar sua própria carreira) ajudando a enfermeira Ann Logan a transformar uma construção abandonada em um parque comunitário, mas o que deveria ser um projeto relativamente simples é frustrado o tempo todo por burocratas estúpidos, vizinhos egoístas, a burocracia governamental e um infinidade de outros desafios.

Assim como aconteceu com The Office, foram necessárias duas tentativas pra gostar de Parks. Acredito que ter me acostumado com a vibe da primeira fez com que tornasse mais fácil gostar da segunda quando me propus a tentar de novo. E como valeu a pena! Parks é incrível ao início ao fim, cheia de cenas memoráveis e personagens cativantes.

A trama acompanha Leslie Knope, uma funcionária pública apaixonada pelo que faz e por sua cidade, Pawnee. Ela é vice-diretora do setor de Parques e Recreação da prefeitura, e leva seu trabalho muito a sério. Tentar descrever Leslie é como tentar descrever um unicórnio fofinho e saltitante: ela é otimista, fofa, carinhosa, leal e inocente. Por isso, quando a enfermeira Ann Perkins comparece a uma reunião pública e revela que seu namorado caiu numa cratera que deveria ser de responsabilidade da prefeitura, Leslie faz de sua missão de vida ajudar Ann e conseguir transformar aquele espaço em um parque. Esse é o início de uma das amizades mais fofas da televisão.

Parks and Recreation, portanto, começa girando em torno desse objetivo de fechar a cratera. Porém, com o desenrolar das temporadas, vemos Leslie se envolvendo em mais camadas políticas e assumindo tarefas cada vez mais desafiadoras – tudo isso com muito bom humor e leveza. E, pra mim, o grande mérito da série está nos personagens (e seu elenco que dá vida a cada um deles). O grupo do setor de Parques e Recreação é composto por pessoas muito diferentes, mas com o tempo vemos que há algo em comum entre todos: a lealdade, especialmente à Leslie.

Parks é tão engraçada que conseguiu fazer com que o chefe de Leslie, Ron Swanson, fosse um dos meus personagens favoritos. E por que isso é uma grande conquista da série? Porque Ron personifica tudo que eu abomino e, na vida real, eu atravessaria a rua pra não ter que cruzar com ele: o homem é pró-armas, acha os Estados Unidos a única nação que presta, é conservador e come carne até de sobremesa. Só que eu juro pra vocês que na série esse jeitão dele funciona, e todos os momentos em que ele demonstra seus sentimentos e vulnerabilidade são incríveis de assistir. Há também uma dupla que eu adoro demais, mas sobre a qual não posso falar muito pra não dar spoilers: Ben e Chris. Eles são auditores do governo e chegam à série na segunda temporada, sendo adições essenciais pro desenvolvimento da trama. Por último, mas não menos importante, vale comentar que Pawnee por si só é um personagem. A cidade é a grande paixão de Leslie, que a defende com unhas e dentes, e tem inúmeras peculiaridades (como o fato de idolatrar um pônei, Lil’ Sebastian).

Se você procura um entretenimento capaz de levantar o seu astral, corre na Amazon Prime Video pra dar o play em Parks and Recreation. Você vai se divertir em cada episódio com o jeito marcante de cada personagem e provavelmente vai terminar a série acreditando também que Pawnee é um lugar incrível. 😀

Título original: Parks and Recreation
Ano de lançamento: 2009
Direção: Greg Daniels, Michael Schur
Elenco: Amy Poehler, Rashida Jones, Nick Offerman, Aubrey Plaza, Chris Pratt, Adam Scott, Aziz Ansari, Retta, Jim O’Heir, Rob Lowe

Dica de Série: The Office

Oi gente, tudo bem?

Quem me acompanha há mais tempo sabe que eu não resisto a uma série de comédia, preferencialmente com episódios curtinhos. Assinando o Amazon Prime Video, vi a oportunidade de conhecer uma bem aclamada: The Office. E, apesar de ter odiado a primeira temporada (inclusive tendo desistido dela no meio), é com muita alegria que digo que paguei com a língua. 😉 Vem que eu te explico melhor.

Sinopse: No formato de pseudodocumentário, a série retrata o cotidiano de um escritório em Scranton, na Pensilvânia, filial da empresa fictícia Dunder Mifflin, de suprimento de papel. Michael Scott (Steve Carell) é um patrão insensível mas que se preocupa com o bem-estar de seus empregados, enquanto a série traça um olhar sobre todos eles, destacando suas diferenças e particularidades. 

The Office (US) é a versão americana de uma minissérie britânica de mesmo nome. A primeira temporada tem só 6 episódios e se inspira bastante no material de origem (que eu não assisti, mas sobre o qual pesquisei). Acontece que essa primeira temporada é insuportável: somos apresentados a Michael Scott, o gerente regional de uma filial da Dunder Mifflin, uma empresa de suprimento de papel. A série tem formato de documentário e o protagonista se dirige às câmeras falando sobre sua excelência como chefe, mas o que o espectador vê é Michael sendo grosseiro, arrogante, sem noção, preconceituoso, machista e desagradável. Como seguir assistindo uma série assim? Bom, um amigo me garantiu que da segunda temporada em diante muita coisa mudava, e eu sou curiosa; portanto, dei uma nova chance. E que chance bem dada, meu povo!

Ao renovarem The Office e planejarem uma série mais longeva, os produtores fizeram uma grande transformação no personagem de Michael. De um idiota sem noção ele passa a ser um idiota sem noção, mas ingênuo, e que se esforça. A série mostra que ele é um homem solitário e que deseja ter amigos acima de tudo, o que faz com que ele force a intimidade com seus funcionários. Mas ele também coloca as pessoas da sua filial como prioridade, sendo um chefe que odeia anunciar demissões, cortes de benefícios ou qualquer coisa que lhe soe injusta ou difícil. E, além da transformação de Michael, The Office também passa a dar espaço a outros personagens marcantes, como Dwight (seu “fiel” escudeiro aka puxa-saco) e o casal dos sonhos que qualquer pessoa que assista à produção vai shippar loucamente: Jim e Pam. ❤

Mas não me entendam mal, mesmo com a mudança progressiva na personalidade de Michael, ele continua sendo protagonista de cenas embaraçosas. Porém, a série encontra equilíbrio ao mostrar lampejos da sua competência que possam justificar seu cargo (algo impensável na primeira temporada). Existem diversas subtramas envolvendo os personagens, mas todas elas se concentram no ambiente de trabalho, então o cenário acaba sendo o mesmo durante boa parte dos episódios. Por mais que possa ser enjoativo, The Office consegue fazer com que não seja. A cena de abertura do episódio Stress Relief (S05E03) foi uma das melhores que eu já vi em séries de comédia, me fazendo gargalhar com vontade.

The Office é uma série que me cativou aos poucos mas, quando isso aconteceu, aconteceu pra valer. Aprendi a gostar dos personagens, mesmo com suas falhas. Aos poucos os episódios vão nos mostrando o que está além da superfície de cada um deles, explorando mais detalhes das suas vidas pessoais e seus sentimentos. Mas sem sombra de dúvidas o ponto forte de The Office é a abundância de cenas nonsense e a infinidade de gifs e memes que seus episódios produzem (e aposto que, assim como eu, vocês vão adorar pegar as referências). 😂 Resumindo: recomendadíssima!

Título original: The Office (US)
Ano de lançamento: 2005
Direção: Greg Daniels, Paul Lieberstein, Ricky Gervais
Elenco: Steve Carell, John Krasinski, Jenna Fischer, Rainn Wilson, Ed Helms

Review: A Cinco Passos de Você

Oi pessoal, tudo bem?

Vamos conversar sobre o último filme que me deixou com o rosto inchado de chorar? Vamos! Estou falando sobre A Cinco Passos de Você, disponível no Amazon Prime Video.

a cinco passos de você

Sinopse: No enredo de A Cinco Passos de Você, Stella Grant (Haley Lu Richardson), aos dezesseis anos de idade, é diferente da maior parte dos adolescentes: devido a uma fibrose cística, ela passa muito tempo no hospital, entre tratamentos e acompanhamento médico. Um dia, conhece Will Newman (Cole Sprouse), garoto que sofre da mesma doença que ela. A atração é imediata, porém os dois são obrigados a manter distância um do outro por questões de saúde. Enquanto Stella pensa em quebrar as regras e se aproximar do garoto da sua vida, Will começa a se rebelar contra o sistema e recusar o rigoroso tratamento.

Stella é uma adolescente que sofre com a fibrose cística, uma doença genética que causa, entre outros problemas, uma grande quantidade de muco nos pulmões (sendo necessário transplante para evitar que o paciente venha a óbito). Acostumada a viver no hospital, Stella criou um canal para falar sobre a doença e sua rotina, fez amizades no local e segue rigorosamente cada passo do seu tratamento. O que ela não esperava era ter a oportunidade de também se apaixonar nesse lugar tão angustiante; quando Will (que também sofre de fibrose cística) aparece em sua vida, ambos começam a questionar o que é realmente viver. Ainda há um agravante no relacionamento dos dois: Will é portador de uma bactéria que impede o transplante, e portanto ele não pode chegar a menos de 6 passos de Stella para não correr o risco de infectá-la.

a cinco passos de você (2)

Para ser honesta, acho que me encantei com A Cinco Passos de Você logo nos primeiros minutos. Stella é tão carismática e tão cheia de luz que a afeição por ela ocorre quase que instantaneamente. Sua amizade com as enfermeiras e com seu melhor amigo, Poe,  é encantadora, assim como o modo com que Stella conduz uma situação tão difícil. A chegada de Will mexe com sua rotina controlada e traz um pouco de impulsividade e surpresa, o que também é delicioso de assistir. O jovem encara a vida de uma maneira mais cínica, alegando não se importar com as coisas em função de seu corpo ter “um prazo de validade”. E a forma completamente antagônica com que os jovens lidam com a doença traz ensinamentos para ambos: Stella aprende a se permitir um pouco mais, a fazer o tratamento para efetivamente viver (em vez de viver para seu tratamento); Will compreende que é necessário valorizar a vida que se tem, por isso cuidar de si mesmo tem tanta importância.

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O relacionamento dos dois acontece gradualmente e é tão doce e doloroso que eu não sabia se em determinados momentos eu chorava de emoção ou de tristeza. O filme tem como base para diversas reflexões o toque físico: o abraço apertado, o aperto suave na mão para transmitir força, o beijo apaixonado. Como viver sem tudo isso? Como encontrar uma forma de lidar com a falta do toque humano, necessário desde que nascemos? Ao mesmo tempo que o longa nos leva a refletir sobre isso e valorizar a oportunidade que temos, ele também causa um aperto enorme no coração ao pensarmos sobre quem não tem essa chance – que, para quem não sofre com a doença, parece algo tão básico, tão corriqueiro. É impossível chegar ao final do filme sem querer abraçar alguém sem pressa para soltar.

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O final do filme me surpreendeu. Eu estava esperando uma vibe A Culpa é das Estrelas e, mesmo tratando de uma doença muitas vezes fatal, A Cinco Passos de Você consegue concluir essa história emocionante de uma forma menos óbvia, mas igualmente emocionante. Depois de acompanharmos a trajetória de Stella e Will, que “roubaram da vida” somente um passo para ficarem mais perto um do outro, é tocante perceber o quanto essa relação mudou profundamente cada um deles.

A Cinco Passos de Você me fez chorar do início ao fim, mas também me inspirou de diversas formas. Se nesse momento (de pandemia, ansiedade e isolamento social) você se sente emocionalmente bem para uma trama como essa, recomendo muito o filme! É um romance lindo, apaixonante e que nos relembra do valor da nossa saúde, de sermos gratos pelo que temos e que devemos aproveitar cada segundo com quem amamos.

Título original: Five Feet Apart
Ano de lançamento: 2019
Direção: Justin Baldoni
Elenco: Haley Lu Richardson, Cole Sprouse, Moises Arias, Kimberly Hebert Gregory

Dica de Série: Modern Love

Oi gente, tudo bem?

Apesar de ter assinado a Amazon Prime logo que a plataforma saiu (afinal, o valor mensal de R$ 9,90 é bem atrativo), ainda assisti a poucas de suas produções. Depois da ótima The Boys, resolvi explorar mais o Prime Video e acabei conferindo outra série original da qual gostei muito: Modern Love.

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Sinopse: Um compilado de histórias reais que exploram não só o amor em suas múltiplas formas – romântica, sexual, familiar, platônica -, mas também outros sentimentos comuns à experiência humana, como perda e redenção.

Essa minissérie antológica dramatiza histórias reais publicadas em uma coluna semanal do The New York Times. Com temáticas e personagens distintos a cada episódio, Modern Love tem aquele gostinho de comédia romântica intercalado com boas cenas de drama. Entretanto, é importante dizer que nem todos os episódios brilham, e em alguns deles falta carisma à trama e aos personagens. Vou contar pra vocês quais foram os maiores destaques. 😀

O primeiro episódio (When the Doorman Is Your Main Man) é provavelmente o meu favorito. Protagonizado por Cristin Miliotti (a eterna Mother, de How I Met Your Mother) e Laurentiu Possa, a trama narra a busca da jovem por um par romântico. Seu porteiro, porém, é a pessoa que sempre a alerta sobre as ciladas, como se sentisse o cheiro de encrenca de longe. Quando a moça fica grávida por acidente, é na amizade com o porteiro que ela encontra suporte. Retratando um amor genuíno e fraternal, esse primeiro episódio me causou melancolia e felicidade na mesma medida.

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O segundo episódio (When Cupid Is a Prying Journalist) também é excelente. Ao entrevistar um jovem desenvolvedor a respeito do sucesso de seu app de relacionamentos, uma jornalista descobre que o rapaz não tem muita sorte nessa área. Após ser traído pela ex-namorada, ele nunca mais conseguiu se reconectar com ninguém. Em paralelo, a própria jornalista precisa encarar pendências do passado e amores não superados. Esse episódio é muito bacana porque retrata personagens absurdamente humanos, com defeitos que não são exaltados, mas que os tornam mais reais. No fim, parece que as peças se encaixam onde de fato deveriam estar.

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O terceiro episódio (Take Me as I Am, Whoever I Am) é incrível, protagonizado pela excelente Anne Hathaway. Vivendo em segredo com o Transtorno Bipolar, a trama nos causa uma angústia muito grande. A personagem oscila entre euforia e depressão e nos sentimos impotentes enquanto a vemos tentando lidar com o dia a dia e com os relacionamentos (tanto amorosos quanto amizades) em meio a um turbilhão de emoções. Aqui temos mais um exemplo de que, muitas vezes, o amor de que tanto precisamos não tem nada a ver com romance.

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Os episódios 4, 5 e 6 não funcionaram pra mim (especialmente o 6º, que é deveras problemático). No episódio 7 temos uma melhora no ritmo com o episódio “Hers Was a World of One, que narra a história de um casal gay que deseja adotar uma criança e da jovem grávida que está esperando o futuro bebê que o casal vai adotar. Eu gostei muito da dinâmica da Olivia Cooke e do Andrew Scott (que também fez Moriarty, em Sherlock), trazendo uma dose de bom humor bem-vinda. Por fim, temos o episódio 8 (The Race Grows Sweeter Near Its Final Lap), que traz o amor maduro como principal pilar. A história é agridoce: ela nos lembra que nunca é tarde para amar, mas também expõe a dor da perda. Sem dúvidas é muito emocionante.

Modern Love é uma daquelas séries curtinhas, com episódios de 30 minutos, que fazem o tempo passar voando. Apesar 3 dos 8 episódios não serem arrebatadores, os outros 5 valem cada segundo. Se você busca histórias de amor pé no chão, que poderiam ser vividas por qualquer um ao seu redor, você vai gostar de Modern Love (e seu coração provavelmente vai ficar quentinho). 🙂

Título original: Modern Love
Ano de lançamento: 2019
Direção: John Carney
Elenco: Cristin Milioti, Laurentiu Possa, Catherine Keener, Dev Patel, Anne Hathaway, Gary Carr, Tina Fey, John Slattery

Dica de Série: The Boys

Oi gente, tudo bem?

Com a chegada do Amazon Prime (que eu corri pra assinar pois: só R$ 9,90 por mês rs), resolvi explorar as produções oferecidas na plataforma. E a primeira delas foi The Boys, que estava sendo muito elogiada pela crítica. Hoje conto pra vocês o que eu achei. 😀

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Sinopse: The Boys é uma visão irreverente do que acontece quando super-heróis, que são tão populares quanto celebridades, tão influentes quanto políticos e tão reverenciados como deuses, abusam de seus superpoderes ao invés de usá-los para o bem. É o sem poder contra o superpoder, quando os rapazes embarcam em uma jornada heroica para expor a verdade sobre “Os Sete” com o apoio da Vought.

Em uma realidade na qual ser um super-herói virou uma profissão que gera bilhões em lucro, quão fácil é se deixar corromper pelo sistema? Em The Boys, corporações enriquecem patrocinando diversos supers, mas as verdadeiras estrelas americanas são o grupo conhecido como Os Sete: além de salvarem a população, também são estrelas de comerciais, garotos e garotas-propaganda, modelos e tudo mais que for necessário. O problema, porém, é que tanto poder nas mãos de poucos não demora a corromper esses heróis que, em tese, deveriam proteger as pessoas. Vidas humanas perdidas são tratadas como fatalidades inevitáveis, como algo que “faz parte do jogo”. E uma dessas perdas dá o start na história.

Hughie perde sua namorada de uma maneira brutal: a um passo da calçada, enquanto se despedem, a moça é literalmente explodida em pedacinhos pela ultravelocidade de um super-herói chamado A-Train, um membro dos Sete. A empresa que o patrocina, Vought, oferece uma quantia ínfima como reparação, além de exigir a assinatura de um contrato de confidencialidade. Depois de recusar a proposta, Hughie decide se vingar, mas acaba se envolvendo numa confusão com outro membro dos Sete e sendo salvo por Butcher, um homem misterioso que vinha observando a situação das sombras. Hughie descobre então que Butcher é líder de um grupo que busca desmascarar os super (como são chamados), expondo seu abuso de poder para a sociedade. Mas como enfrentar seres tão inigualavelmente fortes? Especialmente quando o líder deles, o Capitão Pátria, têm poderes equivalentes ao do Super-Homem?

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The Boys é uma grande sátira à moral imaculada comumente apresentada em histórias de super-heróis. Tendo personagens que podem ser versões debochadas tanto de figuras da Marvel quanto da DC, a série utiliza cenas gore e humor ácido para mostrar uma realidade na qual super-heróis são movidos pelo capitalismo e por interesses próprios. Mesmo aqueles que ainda não perderam a fé em fazer a coisa certa são submetidos e dobrados em algum nível ao sistema. O maior exemplo disso é Starlight, a nova membro dos Sete: a jovem sempre foi motivada por ajudar as pessoas e fazer a diferença, mas é submetida a abuso sexual e uma transformação visual causada por motivos comerciais. E nesse ponto já faço um elogio a The Boys: apesar de ter cenas de sexo, em nenhum momento o abuso sexual é gráfico, ficando apenas nas entrelinhas, mas sendo poderoso o suficiente como denúncia. Starlight é uma das melhores personagens da série porque, paradoxalmente, ela é uma das mais humanas: seu poder grandioso não a salva de sofrer as mesmas pressões psicológicas que mulheres sofrem o tempo todo; além disso, sua essência é bondosa e ela genuinamente quer usar seus poderes para o bem.

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O grupo que dá nome à série também tem elementos interessantes. Butcher odeia todos os Supers porque atribui à Vought o desaparecimento de sua mulher. Seus aliados, Leitinho e Francês, têm uma relação de gato e rato divertida de assistir. A última membro do grupo, “A Fêmea”, também é interessante, tendo um relacionamento surpreendente com o Francês. De todos, eu diria que Hughie é o mais sem graça (mas, para ser honesta, tenho ranço do seu crush na Starlight, já que aparentemente rapidinho ele esquece que acabou de perder a namorada rs).

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É impossível não falar em personagens sem mencionar Os Sete. Odiosos de diversas maneiras, todos eles têm momentos de podridão escancarada, à exceção de Starlight e, em menor escala, Queen Maeve. Porém, nenhum membro dos Sete causa tanta repulsa quanto Capitão Pátria. Tido como símbolo americano e como sinônimo de paz, o personagem é conceitualmente uma mistura de Super-Homem (pelos poderes descomunais) com Capitão América (pela vibe “orgulho americano”). Mas só conceitualmente mesmo, já que na prática ele é um verdadeiro psicopata. Tendo um relacionamento doentio com Madellyn Still, um dos nomes mais importantes da Vought, o Capitão Pátria não hesita em abusar de seus poderes, matar inocentes e ameaçar qualquer um que ouse desafiá-lo. A maior fonte de desconforto que senti ao assistir The Boys veio das cenas em que ele estava envolvido, tamanha sua falta de caráter e humanidade.

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O desenvolvimento da temporada é ágil, há muita ação e reviravoltas interessantes na trama. A série desconstrói o conceito maniqueísta das HQs, onde normalmente é tudo preto no branco, com pouco espaço para tons de cinza. Porém, como eu disse anteriormente, há cenas de sexo e momentos bem gore ao longo da temporada (com direito a sangue e tripas pra todo lado), então talvez esses elementos não agradem todo mundo. Ainda assim, The Boys é uma excelente produção repleta de boas atuações e humor ácido, que traz uma visão nova e uma abordagem diferente do universo de super-heróis. Gostei muito e recomendo! 😉

Título original: The Boys
Ano de lançamento: 2019
Direção: Eric Kripke
Elenco: Karl Urban, Jack Quaid, Antony Starr, Erin Moriarty, Dominique McElligott, Tomer Kapon, Laz Alonso, Karen Fukuhara, Elisabeth Shue, Jessie Usher, Chace Crawford