Resenha: Criatividade S.A. – Ed Catmull (com Amy Wallace)

Oi gente, tudo bem?

A resenha de hoje é de um livro que normalmente não faria parte das minhas leituras, mas que escolhi justamente por me tirar da zona de conforto (e ter um tema muito útil pra mim no momento): Criatividade S.A., escrito pelo fundador da Pixar, Ed Catmull.

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Sinopse: Qual a fórmula do sucesso por trás de filmes adorados por multidões como Toy Story, Monstros S.A. ou Procurando Nemo? Em Criatividade S.A., Ed Catmull conta a trajetória de sucesso do mais importante e lucrativo estúdio de animação da atualidade, a Pixar, que ele ajudou a fundar, ao lado de Steve Jobs e John Lasseter, em 1986. Dos encontros da equipe às sessões de brainstorm, o autor conta a história da empresa que revolucionou a indústria de animação cinematográfica e divide com o leitor sua experiência na gestão de uma das mais bem-sucedidas companhias de criação do mundo, mostrando como se constrói uma cultura da criatividade, num livro definitivo para quem busca inspiração para os próprios negócios.

Para quem não sabe, eu sou publicitária e trabalho com Social Media e conteúdo desde 2015. No início desse ano eu assumi a liderança da minha equipe e, inexperiente no cargo, senti necessidade de estudar a respeito de gestão. Felizmente, Criatividade S.A. conseguiu reunir tudo que eu buscava: é um livro que fala sobre liderança e processos gerenciais, mas também fala sobre uma empresa que eu admiro desde sempre, a Pixar. Foi a oportunidade perfeita para eu me desafiar numa leitura diferente (e realmente foi mais difícil pra mim, levei quase o mês inteiro pra concluir, apesar de ter gostado) e ainda aprender muito no processo. 😀

Criatividade S.A. é um misto de livro de memórias e ensinamentos sobre gestão. Ed Catmull, o fundador da Pixar, era apaixonado por animação e pela Disney desde criança, porém não se via com o talento necessário para trabalhar como animador (nos moldes da época, ou seja, em 2D). Também interessado em física e tecnologia, Ed Catmull voltou seus estudos à área da Ciência da Computação, onde teve grandes oportunidades de trabalhar com pesquisa e desenvolver as ferramentas que conduziriam à realização de seu maior sonho: criar o primeiro longa-metragem inteiramente animado por computador. Essa ambição foi alimentada por cerca de 20 anos, Ed Catmull precisou passar por diversas empresas – entre elas a Lucasfilm –, até que Steve Jobs comprou aquela que futuramente seria conhecida como Pixar Animation Studios (confesso que não sei o que me surpreendeu mais, o envolvimento de George Lucas ou de Steve Jobs rs).

Conforme Ed Catmull narra as etapas que transformaram a Pixar no que ela é hoje, lições importantes são passadas em meio às memórias. O fundador e presidente da Pixar, entre outras coisas, valoriza as pessoas acima de boas ideias, é a favor de sinceridade total independentemente da hierarquia, acredita no poder do feedback e vê a criatividade como algo a ser construído por nós. Além dessas opiniões terem me feito refletir bastante sobre gestão, os fracassos narrados pelo autor também tiveram o mesmo efeito: Ed Catmull não vê as falhas como um problema a ser temido, mas sim como parte fundamental e inevitável de qualquer processo criativo. É muito bacana entender mais sobre o backstage da Pixar, com seus erros e acertos, e saber como uma empresa que quase operou no vermelho e foi engolida pelo mercado transformou-se em referência na arte de contar histórias. Sem dúvidas, é inspirador.

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Porém, em determinado ponto da leitura, me senti um pouco desconfortável sem saber bem a razão, até que um momento de clareza me atingiu: Criatividade S.A. é um livro majoritariamente sobre homens exaltando outros homens. Existem algumas mulheres importantes na história da Pixar? Sim. Elas recebem grande espaço no livro? Não. Entendo que na época a participação de mulheres nesse mercado pudesse ser mais restrita (especialmente por envolver tecnologia), e até hoje vemos disparidade nessa proporção. Mas, apesar do contexto histórico, foi cansativo ler Ed Catmull falando sobre seus brilhantes colegas homens o tempo todo. A sensação de desconforto ficou mil vezes pior quando descobri – não pelo livro, mas pela Wikipédia – que John Lasseter (diretor criativo da Pixar, responsável por Toy Story, o primeiro sucesso do estúdio) foi acusado de assédio sexual. Ler tantos elogios sobre o homem ao longo do livro, ver Ed Catmull exaltando seu brilhantismo e sua importância para a Pixar, tornou-se bem nauseante à luz desses novos fatos. É uma ironia amarga ler sobre a importância da criação de uma cultura empresarial sadia onde um dos principais envolvidos é acusado de assédio. 

Tirando essa importante ressalva, eu diria que Criatividade S.A. é um excelente livro para quem se interessa por liderança e criatividade. Existem partes da obra que são de fato mais enfadonhas, mas o somatório de ensinamentos (e fun facts) é valioso. Eu não tenho o hábito de marcar minhas quotes favoritas nos livros que leio, mas no caso de Criatividade S.A. eu acabei separando alguns pensamentos que, para mim, se destacaram (vou listar alguns no fim do texto pra vocês conferirem). Em resumo, foi ótimo sair da minha zona de conforto e com certeza vou refletir sobre muitas das lições originadas na Pixar. 😉

  • “Acredito que os melhores gerentes reconhecem e abrem espaço para aquilo que não conhecem – não apenas porque a humildade é uma virtude, mas porque até que a pessoa adote essa atitude mental, os grandes avanços mais importantes não podem acontecer.”
  • “[…] os líderes bem-sucedidos aceitam a realidade de que seus modelos podem estar errados ou incompletos. Só quando admitimos não saber algo é que podemos aprender.”
  • “[…] você não é sua ideia e, caso se identifique demais com suas ideias, irá se ofender quando elas forem questionadas. Para montar um sistema de feedback saudável, você precisa remover da equação a dinâmica de poder – em outras palavras, deve ser capaz de focalizar o problema, e não a pessoa.”
  • “Uma boa observação diz o que está errado, o que está faltando, o que não está claro e o que não faz sentido. Uma boa observação é feita no momento oportuno, e não tarde demais para corrigir o problema. […] Mas, acima de tudo, uma boa observação é específica.”
  • “Isto é vital: quando a experimentação é vista como necessária e produtiva, não como uma frustrante perda de tempo, as pessoas gostam do seu trabalho – mesmo que ele as esteja confundindo.”
  • “O trabalho do gerente não é evitar riscos, mas desenvolver a capacidade para se recuperar.”

Título Original: Creativity, Inc.
Autor: Ed Catmull (com Amy Wallace)
Editora: Rocco
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.