Resenha: O Segredo do Meu Marido – Liane Moriarty

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de O Segredo do Meu Marido, de Liane Moriarty.

capa o segredo do meu marido.pngGaranta o seu!

Sinopse: Imagine que seu marido tenha lhe escrito uma carta para ser aberta apenas depois que ele morresse. Imagine também que essa carta revela o pior e o mais profundo segredo dele – algo com o potencial de destruir não apenas a vida que vocês construíram juntos, mas também a de outras pessoas. Imagine, então, que você esbarra nessa carta enquanto seu marido ainda está bem vivo… Cecilia Fitzpatrick tem tudo. É bem-sucedida no trabalho, um pilar de sua pequena comunidade, uma esposa e mãe devotada. Sua vida é tão organizada e imaculada quanto sua casa. Mas uma carta vai mudar tudo, e não apenas para ela: Rachel e Tess mal conhecem Cecilia – ou uma à outra –, mas também estão prestes a sentir as repercussões do segredo do marido dela. Emocionante, O segredo do meu marido é um livro que nos convida a refletir até onde conhecemos nossos companheiros – e, em última instância, a nós mesmos.

Eu ainda não tinha lido nada de Liane Moriarty, mas fiquei completamente apaixonada pela minissérie da HBO baseada em uma de suas obras, Big Little Lies. Por isso, estava ansiosa para conhecer seus livros também. Em O Segredo do Meu Marido, percebi semelhanças com a série, especialmente em relação às personagens. Consegui ver traços da Madeline em Cecilia Fitzpatrick e de Jane em Tess, por exemplo. Mas, além disso, também vi que Liane Moriarty sabe construir muito bem personagens femininas, suas diferenças, suas qualidades e defeitos e suas motivações pessoais. Isso fica nítido nas três, Cecilia, Tess e Rachel, as personagens que são conectadas pelo segredo do marido de Cecilia.

Cecilia é uma personagem que se vê diante de uma decisão praticamente impossível. A solidez de seu casamento e de sua vida fica completamente ameaçada quando ela descobre a carta que deveria ser aberta apenas quando John-Paul, seu marido, já tivesse morrido. O que ela descobre a desestabiliza e a faz questionar não apenas quem é seu companheiro, mas ela mesma, devido às atitudes que precisa tomar. Tess também enfrenta uma reviravolta ao descobrir que as duas pessoas que mais ama (o marido e a prima/melhor amiga) estão apaixonados. Em um esforço quase irracional de salvar sua família de um divórcio, ela vai embora de casa para que os dois vivam essa paixão, na esperança de que tudo volte ao normal depois disso. Por fim, temos Rachel, uma mulher que recebe a notícia de que seu filho vai se mudar para Nova York com a esposa e o filho, sendo a criança a única alegria na vida de Rachel, que teve a filha assassinada há mais de 20 anos.

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Essas três mulheres, tão diferentes entre si, têm suas vidas conectadas de uma forma inesperada. Para elas, mas não para o leitor. Minha maior crítica em relação ao livro foi a obviedade do segredo de John-Paul, que já tinha ficado claro pra mim muito antes de sua revelação. Entretanto, não é o mistério que move a narrativa, mas sim as consequências do segredo. Liane Moriarty conta uma história que, apesar de ter momentos mais parados, nos faz querer saber o que vai acontecer com aquelas mulheres. E apesar de eu ter gostado de acompanhá-las, também senti que durante parte da narrativa a história andava em círculos, e isso me cansou um pouco.

Contudo, como eu disse antes e enfatizo novamente, a autora sabe como construir mulheres e suas diversas camadas, com qualidades e defeitos. Essa característica ficou evidenciada durante a leitura de O Segredo do Meu Marido. Cecilia, Tess e Rachel tem motivações próprias, atitudes humanas (e, muitas vezes, falhas) e não fazem o que o leitor acha que elas devem fazer, mas sim o que acreditam ser o melhor para si mesmas e para quem amam. Essa habilidade de Liane Moriarty de criar boas personagens femininas é algo que me agrada muito em sua escrita.

Se em determinado momento da trama de O Segredo do Meu Marido eu estava ficando levemente decepcionada, o epílogo chegou e mudou tudo. Arrebatador e, de certo modo, revoltante, ele me chocou e me fez questionar meus pensamentos e insatisfações ao longo da trama. A sensação é de que, assim como Pandora – na alegoria da autora –, era melhor não ter aberto a caixa e descoberto o que descobri. Leitura recomendada!

Título Original: The Husband’s Secret
Autor: Liane Moriarty
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 368
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Resenha: P. S.: Ainda Amo Você – Jenny Han

Oi, pessoal. Tudo certinho?

Hoje vim contar pra vocês minha opinião sobre P.S.: Ainda Amo Você, meu livro favorito da trilogia Para Todos Os Garotos Que Já Amei. ❤

capa ps ainda amo voceGaranta o seu!

Sinopse: Lara Jean sempre teve uma vida amorosa muito movimentada, pelo menos na cabeça dela. Para cada garoto por quem se apaixonou e desapaixonou platonicamente, ela escreveu uma bela carta de despedida. Cartas muito dela, muito pessoais, que de repente e sem explicação foram parar nas mãos dos destinatários. Em “Para todos os garotos que já amei”, Lara Jean não fazia ideia de como sair dessa enrascada, muito menos sabia que o namoro de mentirinha com Peter Kavinsky, inventado apenas para fugir do total constrangimento, se transformaria em algo mais. Agora, em “P.S.: Ainda amo você”, Lara Jean tem que aprender como é estar em um relacionamento que, pela primeira vez, não é de faz de conta. E quando ela parece estar conseguindo, um garoto do passado cai de paraquedas bem no meio de tudo, e os sentimentos de Lara por ele também retornam. Uma história delicada e comovente que vai mostrar que se apaixonar é a parte fácil: emocionante mesmo é o que vem depois.

O livro se passa pouco tempo depois do final do primeiro volume, e Lara Jean está decidida a fazer as pazes com Peter, o que acaba acontecendo. Os dois então voltam a namorar e tudo parece perfeito, até que a protagonista sofre um grande impacto emocional: um vídeo dela e de Peter se beijando no ofurô cai na internet, insinuando para o mundo que os dois transaram naquela situação (o que não é verdade). Completamente desestabilizada, Lara Jean encontra conforto na promessa de Peter de que vai descobrir quem fez isso e tirar o vídeo do ar. Contudo, a garota não consegue tirar da cabeça de que a culpada é Genevieve, a ex-namorada dele.

Eu achei muito interessante que Jenny Han tenha trazido uma ideia que se aproxima do revenge porn nesse livro (ainda que não tenha acontecido nada sexual na ocasião). De forma sutil, a autora problematiza e discute a maneira como homens e mulheres são impactados de formas diferentes por essas situações: enquanto a reputação e o dia a dia de Peter mantiveram-se intactos, Lara Jean viu-se sendo julgada por colegas e até mesmo professores. Esse tipo de debate é extremamente importante, ainda mais quando levamos em consideração que é um livro voltado ao público mais jovem. Só por esse aspecto eu já considero que P.S.: Ainda Amo Você tem um grande mérito.

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Além disso, a trama tem alguns “mistérios” que ao mesmo tempo me instigaram e me revoltaram. Peter, que foi um sonho no primeiro livro, se comporta de um modo totalmente babaca nesse volume. Sem revelar o motivo à namorada, ele passa o livro inteiro apoiando e estando presente na vida de Genevieve, dando como desculpa o fato de ela “precisar dele”. Lara Jean, apesar de tentar ser paciente e compreensiva, obviamente se magoa nesse processo. E é aí que um quarto elemento entra em jogo: Jonh Ambrose McClaren, amigo de infância e um de seus antigos amores,. Ele entra em contato com Lara Jean após receber uma de suas cartas de amor enviadas por engano e os dois retomam a amizade. Entretanto, outros sentimentos acabam florescendo, e eu vou ser sincera com vocês: nesse volume, fui #TeamJohn. Eita garoto perfeito, viu? O Peter pisou TANTO na bola com a Lara Jean que, assim como a protagonista, acabei abrindo meu coração pra esse novo personagem se instalar. Sorry not sorry. ¯\_(ツ)_/¯

Apesar de eu não ser fã de triângulos amorosos, a maneira como Jenny Han construiu essa dinâmica foi muito natural e realista. Não houve drama desnecessário ou situações que fugissem da essência dos personagens, o que é extremamente positivo. Apesar da irritação que eu senti em relação à Peter, o livro prendeu tanto minha atenção que o li em um dia, louca pra saber quem Lara Jean escolheria e, também, quem foi responsável por vazar o vídeo do ofurô.

Os temas atuais e pertinentes, o carisma dos personagens e a maneira singela e real como a autora conduziu a história nesse volume fez de P. S.: Ainda Amo Você meu livro favorito da trilogia. É nítido como os personagens evoluíram e amadureceram, mas também é perceptível que a adolescência é um período cheio de desafios que eles ainda precisam vencer. Leitura mais do que recomendada, especialmente para os fãs da Lara Jean. ❤

Título Original: P.S. I Still Love You
Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei
Autor: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 304
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Resenha: Para Todos Os Garotos Que Já Amei – Jenny Han

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje a dica é um romance muito fofinho que em breve estará também nas telonas: Para Todos Os Garotos Que Já Amei, da Jenny Han! ❤

capa para todos os garotos que ja amei.pngGaranta o seu!

Sinopse: Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.

Lara Jean é uma garota doce e sonhadora. Romântica ao extremo, ela tem o hábito de escrever cartas para todos os garotos por quem já se apaixonou e guardá-las em uma caixa de chapéu. A protagonista vive com o pai e suas duas irmãs, Margot e Kitty (também conhecidas como “as irmãs Song”). Ela e Margot são melhores amigas, e Lara Jean se inspira na irmã mais velha para tudo. Porém, a protagonista tem um segredo doloroso: há anos ela é apaixonada por Josh, namorado de Margot e seu amigo de infância. Esse sentimento, há tanto tempo soterrado, vem à tona quando Margot e Josh terminam, devido à decisão da irmã Song mais velha de estudar fora do país. As coisas se complicam para Lara Jean quando acidentalmente seu segredo é exposto, e ela precisa consertar sua relação com Josh. Para isso, a solução mais rápida na qual consegue pensar é fingir ser namorada de Peter Kavinski – alvo de uma das suas cartas e o garoto mais popular da escola.

Para Todos Os Garotos Que Já Amei pode soar como mais uma comédia romântica na qual a menina nerd finge um relacionamento com o cara popular e, contra todas as chances, os dois acabam se apaixonando. Bom, de fato o livro é sobre isso. Mas o que conquista na obra de Jenny Han é a maneira como os personagens se relacionam e crescem juntos.

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Lara Jean é uma personagem que não me conquistou muito nesse primeiro volume da trilogia. Sua constante mania de se autodepreciar e de se comparar com Margot foram muito irritantes pra mim. Mas ela é uma garota tão gentil e com um coração tão grande que eu entendi o motivo pelo qual as pessoas gostam dela. Josh é um cara legal, mas sem muito brilho. Na verdade, o encanto dele está muito mais nas recordações de Lara Jean a seu respeito do que em sua participação na trama. Quem realmente rouba a cena é o charmosíssimo Peter Kavinski. Ele topa fingir ser namorado de Lara Jean para dar o troco na ex, Genevieve, que o dispensou para ficar com outra pessoa.

Apesar de boa parte do relacionamento de Lara Jean e Peter ser fictício, a dinâmica entre eles é incrível. O mais bacana é que, aos poucos, cada um aprende a ceder um pouquinho, a se comprometer, a fazer parte da vida e do dia a dia um do outro. E não é disso que os relacionamentos são feitos? Com o passar do tempo, Lara Jean vai se tornando mais segura de si graças ao envolvimento com Peter, enquanto ele passa a apreciar cada vez mais a companhia e a personalidade caseira dela, tão diferente da dele. Esse crescimento dos dois é maravilhoso!

Jenny Han soube construir uma relação juvenil que nos deixa suspirando e lembrando de como era ser adolescente. Apesar de eu não ter me apaixonado por Lara Jean nesse volume, eu devorei o livro. Ele é gostoso de ler e traz uma sensação nostálgica e agradável enquanto aquece nossos corações. ❤ Para os fãs de romances bem fofos, é a obra ideal.

Título Original: To All the Boys I’ve Loved Before
Série: Para Todos Os Garotos Que Já Amei
Autor: Jenny Han
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 320
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Resenha: A Hospedeira – Stephenie Meyer

Olá, meu povo! Tudo certo?

Hoje eu trago pra vocês a resenha do que foi provavelmente a leitura mais demorada que já fiz: A Hospedeira, da Stephenie Meyer. Mas isso não quer dizer que foi ruim não. 😉 Calma, já vou explicar!

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Sinopse: Melanie Stryder se recusa a desaparecer. Nosso planeta foi dominado por um inimigo que não pode ser detectado. Os humanos se tornaram hospedeiros dos invasores. Suas mentes são extraídas enquanto seus corpos permanecem intactos e prosseguem suas vidas aparentemente sem alteração. A maior parte da humanidade sucumbiu a tal processo. Quando Melanie, um dos humanos “selvagens” que ainda restam, é capturada, ela tem certeza de que será seu fim. Peregrina, a ‘alma’ invasora designada para o corpo de Melanie, foi alertada sobre os desafios de viver dentro de um ser humano: as emoções irresistíveis, o excesso de sensações, a persistência das lembranças e das memórias vívidas. Mas há uma dificuldade pela qual Peregrina não esperava: a antiga ocupante de seu corpo se recusa a desistir da posse de sua mente. Peregrina investiga os pensamentos de Melanie com o objetivo de descobrir o paradeiro dos remanescentes da resistência humana. Entretanto, Melanie ocupa a mente de sua invasora com visões do homem que ama: Jared, que continua incapaz de se separar dos desejos de seu corpo. Peregrina começa a se sentir intensamente atraída por alguém a quem foi submetida em uma espécie de exposição forçada. Quando os acontecimentos fazem de Melanie e Peregrina improváveis aliadas, elas partem em uma busca incerta e perigosa pelo homem que ambas amam.

Como a sinopse já é bem completa, não vou explicar muito o enredo e vou direto para os meus comentários. Eu comecei a ler A Hospedeira em 2013. Na época eu fazia faculdade e cursinho pré-vestibular pra tentar trocar de curso, ou seja, minha rotina era punk. Talvez por isso a leitura não tenha me fisgado, acho que não era bem o momento, então acabei parando mais ou menos na metade do livro. Esse ano (sim, 4 anos depois!) resolvi continuar de onde tinha parado. Obviamente fiquei com preguiça de começar do zero, especialmente porque o início do livro é bem maçante, então voltei uns dois capítulos pra relembrar a história e segui com a leitura. E não é que eu gostei? 

Até Peg e Mel encontrarem o esconderijo dos humanos, a história é MUITO arrastada. E mesmo depois que elas são levadas para esse lugar, a história demora a engrenar. Só que Stephenie Meyer tem um estilo de narrativa envolvente, então você acaba se apegando aos personagens e ficando curioso pra saber o que vai acontecer. Afinal, trata-se de duas pessoas ocupando o mesmo corpo. Como esse dilema vai se resolver? E é essa questão que me manteve interessada no enredo durante as mais de 500 páginas.

Eu achei a ideia da autora bastante criativa. Primeiro, porque ela criou uma espécie alienígena que, honestamente, é muito melhor do que nós somos. As almas são pacíficas, altruístas, amigáveis, honestas… boas. E em vários momentos do livro vemos características opostas nos seres humanos, as pessoas pelas quais, em tese, deveríamos torcer. Mas, ao mesmo tempo em que Stephenie Meyer nos apresenta ao lado cruel e sujo da humanidade, ela também faz com que a própria Peg fique encantada por nossa espécie: ela vê como humanos são capazes de amar com todo o coração e fazer de tudo pelas pessoas que lhe são importantes.

resenha a hospedeira stephenie meyer

Durante boa parte do livro, Peg é rejeitada pela comunidade humana. Apenas Jeb (tio de Melanie e líder do local), Jamie, Walter, Ian e alguns outros humanos (cuja participação é tão insignificante que eu nem fiz questão de lembrar dos nomes deles) aceitam a presença de Peg no esconderijo. E demora bastante para que a personagem ganhe espaço no local, o que tem dois lados: 1) é cansativo, porque vemos Peg sendo escorraçada por páginas e páginas sem fim e 2) é coerente, porque não faria sentido algum uma alienígena que rouba a consciência humana ser aceita em um piscar de olhos. A demora para que os acontecimentos fluíssem deu veracidade à história, porque tornou a aceitação de Peg na comunidade algo muito mais verossímil – e eu aprecio isso. Confesso que em vários momentos senti que aquele número de páginas não era realmente necessário, mas preciso admitir que essa construção gradual da história e dos personagens tornou tudo mais crível.

Falando um pouquinho sobre os personagens: Peg é maravilhosa! Ela é coerente do início ao fim e entendemos todas as decisões e conflitos da personagem. Suas decisões (especialmente no final) fazem todo o sentido com a sua jornada, e isso me deixou bastante feliz. Mel, apesar de dividir os pensamentos com Peg, não é tão marcante, e é muito insegura também. Tudo bem, ela está numa situação horrível e dá pra entender o azedume da personagem, mas ainda assim ela não me conquistou. Jamie e alguns outros aliados da Peg são bastante indiferentes, não me marcando sob nenhum aspecto. Jared é um cara um tanto irritante e eu não simpatizei com ele (principalmente ao saber que Mel tinha 17 anos quando os dois se conheceram, e ele 34. Sorry, não consigo achar normal). Quem realmente roubou meu coração nesse livro foi Ian. Ao se aproximar de Peg, ele passa a enxergá-la como o ser único que ela é, respeitando-a enquanto alma e enquanto indivíduo. Ele é apaixonante! ❤ Contudo, um defeito importante está no fato de que a Stephenie Meyer tende a escrever personagens masculinos com tendências violentas como sinônimo de “preocupação”/amor. Isso acontece mais de uma vez, tanto com Jared quanto com Ian.

Eu diria que os maiores defeitos do livro ficam por conta do “romance” (muitas aspas aqui) meio meloso com Jared, do desenrolar arrastado até Peg e Mel chegarem às cavernas que abrigam os humanos e, por último, a falta de ameaça real. A vilã da história é quase um bicho-papão, e não sentimos medo pelos personagens durante o livro inteiro. A única cena de ação e perigo envolvendo a antagonista nem é mostrada, Peg apenas fica sabendo. Ou seja, impacto zero. Lembrei muito do final de Amanhecer, na qual está todo mundo apavorado em relação aos Volturi e nem rola batalha nenhuma. 😛

Eu sei que a resenha ficou grande, mas depois de demorar 4 anos pra retomar essa leitura, eu precisava desabafar HAHAHA! Em resumo, eu gostei bastante de A Hospedeira. O plot é criativo e a construção da espécie alienígena é muito bacana. Com personagens interessantes e uma trama que se desenrola de modo bastante coeso, acho que Stephenie Meyer construiu uma história muito interessante e até mesmo mais madura, se comparada com Crepúsculo. Existem alguns defeitos, é claro, mas ainda assim os pontos positivos prevaleceram. Recomendo! 😉

Título Original: The Host
Autor: Stephenie Meyer
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 557
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P.S. (selecione caso não se importe com spoilers): achei bizarro a autora não ter dito como as primeiras almas capturaram os seres humanos, já que são uma espécie bem pequena e frágil, que não sobrevive fora do corpo humano. o.O

Resenha: O Lado Bom da Vida – Matthew Quick

Oi gente, tudo bem?

Mais uma leitura dos “não lidos da estante” cumprida com sucesso! \o/ Finalmente li O Lado Bom da Vida, que eu ganhei de presente em 2014. Até então, eu só tinha assistido ao filme (que deu o Oscar de Melhor Atriz a Jennifer Lawrence) e, no post de hoje, vou aproveitar para compará-los. 😉

o lado bom da vida resenha.pngGaranta o seu!

Sinopse: Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um “tempo separados”. Tentando recompor o quebra-cabeça de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com o pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida.

O Lado Bom da Vida nos apresenta a Pat Peoples, um homem que passou os últimos anos da sua vida em uma instituição psiquiátrica e que precisa lidar com o desafio de estar de volta à sociedade. Ele acredita que ficou apenas alguns meses lá e também não sabe por que teve que ir para “o lugar ruim” (como ele o chama), mas isso tampouco importa, porque Pat tem apenas um objetivo: se reconciliar com a ex-mulher, Nikki. Para Pat, os dois estão vivendo um “tempo separados”, mas que vai chegar ao fim assim que ele terminar de se autoaperfeiçoar, já que no passado não fora um bom marido. O mais estranho na situação é que ninguém da família de Pat menciona Nikki, e sua mãe e seu terapeuta o incentivam a seguir em frente com Tiffany, a cunhada do melhor amigo de Pat.

Narrado em primeira pessoa pelo próprio Pat, O Lado Bom da Vida é fácil de ser lido. Os capítulos são curtos e dão velocidade à história, que flui de maneira muito tranquila. O que mais deixa o leitor curioso é entender o que aconteceu entre Pat e Nikki – pois é evidente desde o início que o personagem vive um grande delírio em relação à possibilidade de voltar com a ex-esposa. Queremos saber o que fez com que Pat fosse levado para a instituição psiquiátrica e também descobrir por que ele perdeu a memória em relação aos últimos anos. E foram esses “mistérios” que me mantiveram curiosa em relação à história, mesmo que eu a achasse um pouco maçante em diversos momentos. Porque sim, apesar da fluidez da narrativa, muitas passagens do livro são cansativas e repetitivas. Vou explicar.

O livro é muito focado em Pat tentando conseguir sua sanidade de volta enquanto busca reconstruir suas relações. A mãe e o irmão o apoiam incondicionalmente, mas o pai é um homem rude que mal lhe dirige a palavra. A única coisa que os dois tem em comum é a paixão pelo time de futebol americano Eagles, e esse é um aspecto de grande importância na trama. Perdi a conta de quantas vezes Pat narra o grito de guerra do time ou conta que ele e os outros torcedores levantaram as mãos pro alto e cantaram o hino dos Birds (como são carinhosamente chamados). Em vários capítulos o autor se dedica a falar a respeito de futebol americano, citando jogadas e nomes de jogadores. E isso, pra mim, é extremamente desinteressante. E mesmo que não fosse, acontece com tanta frequência que acaba ficando enfadonho.

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Em contrapartida, é muito bacana o modo como o autor constrói um protagonista com evidentes problemas psiquiátricos com tanta leveza, por mais que ele aborde assuntos difíceis (não sei dizer exatamente quais são os transtornos de Pat, porque não são ditos abertamente, mas acredito que talvez depressão e bipolaridade estejam entre eles). O único problema é que, por mais que Pat seja carismático, ele também é irritante – especialmente quando insiste na ilusão de que sua vida é um filme e que o final feliz está esperando por ele. Porém, como o livro se passa inteiramente sob a perspectiva do protagonista, acabamos simpatizando com o personagem (que tem um bom coração) e torcendo para que ele consiga se curar das feridas emocionais que o assombram.

Os outros personagens não têm tanta função nas páginas. Tiffany, em teoria, é alguém fundamental na trama, sendo a única amiga de Pat e a única pessoa que é capaz de entendê-lo, mas ainda assim aparece muito pouco (os Eagles acabam tendo mais destaque do que ela). Isso me decepcionou, especialmente por ter visto o filme primeiro.

Eu gostei de O Lado Bom da Vida e acho que foi uma experiência válida. Porém, eu gostei mais do filme, que tem mais carisma. O romance e a comédia presentes no longa me fizeram simpatizar muito mais com Pat (e com Tiffany) do que o livro foi capaz, por mais que Matthew Quick seja talentoso. E, se você já leu o livro (ou não se importa com spoilers), aqui seguem as principais diferenças entre a obra original e o longa:

  • A importância dos Eagles na trama é muito maior no livro do que no filme (o que tornou o livro mais cansativo).
  • Enquanto no filme o concurso de dança é um dos principais acontecimentos, no livro ele é apenas um detalhe que motiva outra situação mais importante: a troca de cartas entre Pat e “Nikki”.
  • Tiffany tem muito menos espaço nas páginas do que na tela. O livro é muito mais focado em Pat e menos no romance entre os dois, que só é sugerido no final.
  • Os sobrenomes dos personagens são diferentes no livro e no filme.
  • A família de Pat é muito mais amigável no filme, em especial seu pai.
  • No livro, Pat não tem o lema “excelsior” para lembrá-lo de ser positivo.
  • A razão pela qual Pat e Nikki romperam, que o levou à instituição psiquiátrica, só é revelada no fim do livro, enquanto no filme isso é dito logo de cara.
  • Danny, o amigo que Pat fez na instituição psiquiátrica, só aparece no fim do livro, enquanto no filme ele tem um papel mais importante.

Pelo que me lembro do filme, essas foram as mudanças mais significativas. Você lembra de mais alguma? Me conte nos comentários! 😉

Título Original: The Silver Linings Playbook
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 256
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