Review: Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica

Oi pessoal, tudo bem?

A Prime Video, da Amazon, tem atualizações constantes no catálogo, e recentemente Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica – o filme mais recente da Disney Pixar – chegou por lá. Conferi e vim correndo contar pra vocês o que achei. ❤

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Sinopse: Em um mundo transformado, no qual as criaturas não dependiam mais da magia para viver, dois irmãos elfos recebem um cajado de bruxo de seu falecido pai, capaz de trazê-lo de volta à vida. Inexperientes com qualquer tipo de magia, Ian e Barley não conseguem executar o feitiço e acabam gerando uma criatura sem cabeça. Para passar mais um dia com seu pai, eles embarcam em uma jornada fantástica. Ao perceber a ausência dos filhos, sua mãe se une à uma lendária manticora para encontrá-los.

Sinceramente, acho que a sinopse já diz claramente a trama central do filme, então não vou me estender muito nisso. Mas, basicamente, Dois Irmãos se passa em um universo fantástico em que a magia deixou de existir, sendo substituída pela tecnologia. No aniversário de 16 anos do elfo Ian, sua mãe entrega a ele e seu irmão mais velho, Barley, um presente deixado pelo falecido pai, Wilden: um cajado mágico e um feitiço para trazê-lo de volta por 24h. Entretanto, a gema necessária para fazer o feitiço acontecer explode no meio do processo e Ian e Barley acabam tendo o pai… da cintura pra baixo! Eles partem então na missão de encontrar uma nova gema para completar o feitiço e ter o resto do dia com Wilden.

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Eu não exponho muitos detalhes da minha vida pessoal por aqui, mas eu perdi meu pai aos 12 anos. Com isso, acredito que vocês possam imaginar o quanto a trama de Dois Irmãos mexeu diretamente com as minhas próprias lembranças e cicatrizes. A jornada de Ian e Barley em busca de uma oportunidade de rever seu pai, ainda que por pouco tempo, é possivelmente algo que todo mundo que já perdeu um ente querido consegue compreender. Dois Irmãos é, portanto, uma história sobre o luto – e sobre o quanto ele impacta em nossas vidas.

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Ian, o irmão mais jovem, é um rapaz inseguro, cujo buraco causado pela ausência de Wilden (que faleceu antes dele nascer) ocupa um grande espaço em sua vida. Apesar do carinho e do suporte dados pela mãe e pelo irmão, Ian sente que lhe falta um referencial fundamental para entender quem ele realmente é. Esse vazio sentido pelo personagem nos leva às lágrimas logo nos primeiros momentos do filme e marca o desespero dele durante a trama, motivado a conseguir a todo custo a pedra mágica que lhe permitirá completar o feitiço. Barley, por outro lado, tem uma personalidade praticamente oposta à do caçula: o rapaz é otimista, completamente fascinado pelo universo mágico que um dia fez parte do mundo em que vive e é nitidamente o fã número 1 do irmão mais novo. O elfo mais velho, porém, lida com o luto de uma maneira diferente: ele teve a oportunidade de conhecer e conviver brevemente com Wilden, sendo obrigado a dizer adeus cedo demais. E o longa também trabalha essa nuance do personagem conforme a trama avança.

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Apesar da trama parecer mega pesada, Dois Irmãos é também divertidíssimo. Há muitos personagens engraçados (como a manticora que se torna uma aliada da mãe dos meninos na busca pelos dois) e diversas cenas capazes de arrancar risadas (a maioria protagonizada pelas pernas do pai). A mistura de um cenário contemporâneo a criaturas saídas de um livro de conto de fadas medieval também funciona superbem, e o visual de tudo isso impressiona. O que esperar de uma produção Disney Pixar, não é mesmo? Lindeza em cada detalhe, como sempre. Para completar, o longa ainda traz cenas que causam apreensão e nervosismo, tendo um ótimo combo de elementos para um filme do gênero.

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O amadurecimento dos personagens ao longo da trama vale o destaque. Enquanto Ian precisa enfrentar seus medos e assumir mais protagonismo ao longo da jornada, também fica claro que Barley deseja provar o seu valor. Tido como um encrenqueiro, o irmão mais velho tem em si uma inocência e uma energia contagiantes, mas uma tendência nata a arranjar confusões. Na minha opinião, Ian não tem taaanto carisma, e acabei me afeiçoando mais a Barley; sua vontade genuína de mostrar que não é alguém inútil, assim como o carinho e a confiança depositada no irmão caçula, fizeram com que o personagem me conquistasse.

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Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica mexe com as nossas emoções. Apesar de não ter sido a obra recente da Disney Pixar que eu mais amei, a trama conversa diretamente com minhas experiências pessoais, o que me fez sentir muito carinho pelo filme. O final é surpreendente e comovente, e traz uma lição importante: às vezes a gente já tem todo o amor e o referencial que precisa, mesmo sem se dar conta. O amor incondicional e o apoio podem vir de um lugar menos óbvio, ainda que nada substitua o amor e a presença dos pais. Sensível ao lidar com o luto e colocando o amor fraternal no centro da narrativa, Dois Irmãos é um filme que vale a pena ser visto. 

Título original: Onward
Ano de lançamento: 2020
Direção: Dan Scanlon
Elenco: Tom Holland, Chris Pratt, Julia Louis-Dreyfus, Octavia Spencer, Wilmer Valderrama

Resenha: Criatividade S.A. – Ed Catmull (com Amy Wallace)

Oi gente, tudo bem?

A resenha de hoje é de um livro que normalmente não faria parte das minhas leituras, mas que escolhi justamente por me tirar da zona de conforto (e ter um tema muito útil pra mim no momento): Criatividade S.A., escrito pelo fundador da Pixar, Ed Catmull.

criatividade sa ed catmullGaranta o seu!

Sinopse: Qual a fórmula do sucesso por trás de filmes adorados por multidões como Toy Story, Monstros S.A. ou Procurando Nemo? Em Criatividade S.A., Ed Catmull conta a trajetória de sucesso do mais importante e lucrativo estúdio de animação da atualidade, a Pixar, que ele ajudou a fundar, ao lado de Steve Jobs e John Lasseter, em 1986. Dos encontros da equipe às sessões de brainstorm, o autor conta a história da empresa que revolucionou a indústria de animação cinematográfica e divide com o leitor sua experiência na gestão de uma das mais bem-sucedidas companhias de criação do mundo, mostrando como se constrói uma cultura da criatividade, num livro definitivo para quem busca inspiração para os próprios negócios.

Para quem não sabe, eu sou publicitária e trabalho com Social Media e conteúdo desde 2015. No início desse ano eu assumi a liderança da minha equipe e, inexperiente no cargo, senti necessidade de estudar a respeito de gestão. Felizmente, Criatividade S.A. conseguiu reunir tudo que eu buscava: é um livro que fala sobre liderança e processos gerenciais, mas também fala sobre uma empresa que eu admiro desde sempre, a Pixar. Foi a oportunidade perfeita para eu me desafiar numa leitura diferente (e realmente foi mais difícil pra mim, levei quase o mês inteiro pra concluir, apesar de ter gostado) e ainda aprender muito no processo. 😀

Criatividade S.A. é um misto de livro de memórias e ensinamentos sobre gestão. Ed Catmull, o fundador da Pixar, era apaixonado por animação e pela Disney desde criança, porém não se via com o talento necessário para trabalhar como animador (nos moldes da época, ou seja, em 2D). Também interessado em física e tecnologia, Ed Catmull voltou seus estudos à área da Ciência da Computação, onde teve grandes oportunidades de trabalhar com pesquisa e desenvolver as ferramentas que conduziriam à realização de seu maior sonho: criar o primeiro longa-metragem inteiramente animado por computador. Essa ambição foi alimentada por cerca de 20 anos, Ed Catmull precisou passar por diversas empresas – entre elas a Lucasfilm –, até que Steve Jobs comprou aquela que futuramente seria conhecida como Pixar Animation Studios (confesso que não sei o que me surpreendeu mais, o envolvimento de George Lucas ou de Steve Jobs rs).

Conforme Ed Catmull narra as etapas que transformaram a Pixar no que ela é hoje, lições importantes são passadas em meio às memórias. O fundador e presidente da Pixar, entre outras coisas, valoriza as pessoas acima de boas ideias, é a favor de sinceridade total independentemente da hierarquia, acredita no poder do feedback e vê a criatividade como algo a ser construído por nós. Além dessas opiniões terem me feito refletir bastante sobre gestão, os fracassos narrados pelo autor também tiveram o mesmo efeito: Ed Catmull não vê as falhas como um problema a ser temido, mas sim como parte fundamental e inevitável de qualquer processo criativo. É muito bacana entender mais sobre o backstage da Pixar, com seus erros e acertos, e saber como uma empresa que quase operou no vermelho e foi engolida pelo mercado transformou-se em referência na arte de contar histórias. Sem dúvidas, é inspirador.

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Porém, em determinado ponto da leitura, me senti um pouco desconfortável sem saber bem a razão, até que um momento de clareza me atingiu: Criatividade S.A. é um livro majoritariamente sobre homens exaltando outros homens. Existem algumas mulheres importantes na história da Pixar? Sim. Elas recebem grande espaço no livro? Não. Entendo que na época a participação de mulheres nesse mercado pudesse ser mais restrita (especialmente por envolver tecnologia), e até hoje vemos disparidade nessa proporção. Mas, apesar do contexto histórico, foi cansativo ler Ed Catmull falando sobre seus brilhantes colegas homens o tempo todo. A sensação de desconforto ficou mil vezes pior quando descobri – não pelo livro, mas pela Wikipédia – que John Lasseter (diretor criativo da Pixar, responsável por Toy Story, o primeiro sucesso do estúdio) foi acusado de assédio sexual. Ler tantos elogios sobre o homem ao longo do livro, ver Ed Catmull exaltando seu brilhantismo e sua importância para a Pixar, tornou-se bem nauseante à luz desses novos fatos. É uma ironia amarga ler sobre a importância da criação de uma cultura empresarial sadia onde um dos principais envolvidos é acusado de assédio. 

Tirando essa importante ressalva, eu diria que Criatividade S.A. é um excelente livro para quem se interessa por liderança e criatividade. Existem partes da obra que são de fato mais enfadonhas, mas o somatório de ensinamentos (e fun facts) é valioso. Eu não tenho o hábito de marcar minhas quotes favoritas nos livros que leio, mas no caso de Criatividade S.A. eu acabei separando alguns pensamentos que, para mim, se destacaram (vou listar alguns no fim do texto pra vocês conferirem). Em resumo, foi ótimo sair da minha zona de conforto e com certeza vou refletir sobre muitas das lições originadas na Pixar. 😉

  • “Acredito que os melhores gerentes reconhecem e abrem espaço para aquilo que não conhecem – não apenas porque a humildade é uma virtude, mas porque até que a pessoa adote essa atitude mental, os grandes avanços mais importantes não podem acontecer.”
  • “[…] os líderes bem-sucedidos aceitam a realidade de que seus modelos podem estar errados ou incompletos. Só quando admitimos não saber algo é que podemos aprender.”
  • “[…] você não é sua ideia e, caso se identifique demais com suas ideias, irá se ofender quando elas forem questionadas. Para montar um sistema de feedback saudável, você precisa remover da equação a dinâmica de poder – em outras palavras, deve ser capaz de focalizar o problema, e não a pessoa.”
  • “Uma boa observação diz o que está errado, o que está faltando, o que não está claro e o que não faz sentido. Uma boa observação é feita no momento oportuno, e não tarde demais para corrigir o problema. […] Mas, acima de tudo, uma boa observação é específica.”
  • “Isto é vital: quando a experimentação é vista como necessária e produtiva, não como uma frustrante perda de tempo, as pessoas gostam do seu trabalho – mesmo que ele as esteja confundindo.”
  • “O trabalho do gerente não é evitar riscos, mas desenvolver a capacidade para se recuperar.”

Título Original: Creativity, Inc.
Autor: Ed Catmull (com Amy Wallace)
Editora: Rocco
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Review: Toy Story 4

Oi gente, tudo bem?

Quando Toy Story 4 foi anunciado, eu fiquei com o pé atrás. Afinal, depois de uma conclusão tão perfeita e emocionante como a do 3, o que mais eles teriam para contar? Pois bem, o filme estreou, fui conferir e hoje trago minhas considerações pra vocês. 😉

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Sinopse: Agora morando na casa da pequena Bonnie, Woody apresenta aos amigos o novo brinquedo construído por ela: Garfinho, baseado em um garfo de verdade. O novo posto de brinquedo não o agrada nem um pouco, o que faz com que Garfinho fuja de casa. Decidido a trazer de volta o atual brinquedo favorito de Bonnie, Woody parte em seu encalço e, no caminho, reencontra Betty, que agora vive em um parque de diversões.

O filme inicia 9 anos no passado, quando Andy ainda era uma criança. Os brinquedos estão empenhados em salvar um de seus companheiros, que está sendo levado por uma chuva torrencial depois de ter sido deixado no jardim. Após concluírem a missão com sucesso, uma situação desagradável acontece: Betty, a namorada de Woody, está sendo doada. Em uma despedida emocionante, o cowboy não tem coragem de ir com ela, optando por ficar com Andy. E, dessa forma, Toy Story 4 começa explicando um dos mistérios do último filme, que era justamente o paradeiro da pastora.

Agora, como brinquedo de Bonnie, Woody enfrenta uma nova dificuldade: ele não é mais o brinquedo favorito da garota, sendo deixado de lado e passando dias guardado no armário. Ainda assim, sua lealdade à menina é inabalável, fazendo com que ele entre na mochila dela para ajudá-la no primeiro dia de escola. Lá, Bonnie constrói um brinquedo feito a partir do lixo, e o apelida de Garfinho. Para a surpresa de Woody e seus amigos, Garfinho cria vida – mas está decidido a ir para a lixeira, convencido de que lá é seu lugar. Ao longo do filme, vemos Woody tentando manter Garfinho com a menina, por saber da importância que ele tem para ela.

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Ufa! Cansei só de escrever esses parágrafos rs. Sim, muita coisa acontece em Toy Story 4. A família de Bonnie parte em uma roadtrip, da qual Garfinho tenta fugir a todo momento. Após uma de suas tentativas de fuga, Woody o resgata e, no caminho de volta, os dois passam por um antiquário, onde Woody reconhece o abajur que fazia conjunto com Betty. É no antiquário que a vilã do filme (que não tem a mesma relevância dos vilões anteriores), Gabby Gabby, reside. A confusão na qual Woody e Garfinho se metem acaba tendo uma consequência positiva e inesperada: Woody reencontra Betty, que agora é um brinquedo perdido. Isso significa que ela não pertence a ninguém, indo aonde quiser, parando em parques de diversões e brincando com várias crianças. Para Woody, esse é um destino horrível; para Betty, significa liberdade. E essa antítese de ambições causa algumas discussões importantes, especialmente para o cowboy, que precisa refletir sobre seu passado decidir o que quer ser no futuro.

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Toy Story 4 é divertido e tem ótimas cenas de humor, protagonizadas principalmente por Buzz (e sua voz interior) e pelos novos brinquedos, o Patinho e Coelhinho. Eles são hilários e as cenas em que fantasiam seus “ataques de fofura” são algumas das melhores do filme. Os brinquedos clássicos (Jessie e companhia) mal aparecem, tendo pouquíssima importância na trama – o que achei uma pena. Entretanto, apesar das boas doses de humor, achei Toy Story 4 um tanto cansativo, com muitas repetições de padrões (especialmente vindas de Woody) que fizeram com que o filme parecesse mais longo do que é.

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O desfecho me causou uma sensação agridoce. Preciso falar com mais detalhes, então selecione se quiser ler: Woody ter escolhido deixar os amigos e Bonnie para trás para ficar com Betty foi algo que me surpreendeu muito. Eu entendo que, de certa forma, Woody sempre pertenceu e sempre vai pertencer a Andy; portanto, se ele não for de Andy, optar por não ser de nenhuma outra criança é algo bem poético e faz sentido com a jornada do personagem. Porém, Betty não foi uma personagem bem construída ao longo dos filmes, então não existe uma conexão forte com ela que faça você torcer pelo casal. Depois de tudo que Woody vivenciou em Toy Story 3 para salvar os amigos (correndo o risco de abandonar Andy, inclusive), darem um desfecho “de casalzinho” pra ele simplesmente não me convenceu.

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Eu queria dizer que Toy Story 4 foi um filme que ganhou meu coração, mas infelizmente não posso. Ele é engraçado e tem cenas emocionantes, além de encerrar o plot de Woody – que tem uma das melhores histórias de evolução e amadurecimento das animações a que já assisti. Contudo, sendo honesta com vocês, a sensação que tive foi a seguinte: bah, desnecessário. O desfecho de Toy Story 3 foi muito mais emocionante e conclusivo pra mim do que o do 4, e eu sinceramente acredito que a história poderia ter terminado lá mesmo. Mas é aquela coisa: gosto é gosto, e muita gente está curtindo a nova aventura de Woody. E vocês, já assistiram? O que acharam? Me contem nos comentários! 🙂

Título original: Toy Story 4
Ano de lançamento: 2019
Direção: Josh Cooley
Elenco: Tom Hanks, Tim Allen, Tony Hale, Annie Potts, Christina Hendricks, Keegan-Michael Key, Jordan Peele

Review: Viva – A Vida É Uma Festa

Oi pessoal, tudo bem?

Finalmente arranjei um tempinho para ir ao cinema conferir Viva – A Vida É Uma Festa! ❤ Eu amo animações e estava mega ansiosa pra conferir a nova obra da Disney-Pixar (que inclusive até já ganhou Globo de Ouro).

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Sinopse: Miguel é um menino de 12 anos que quer muito ser um músico famoso, mas ele precisa lidar com sua família que desaprova seu sonho. Determinado a virar o jogo, ele acaba desencadeando uma série de eventos ligados a um mistério de 100 anos. A aventura, com inspiração no feriado mexicano do Dia dos Mortos, acaba gerando uma extraordinária reunião familiar.

Miguel é um menino mexicano que vem de uma longa linhagem de sapateiros. Essa linhagem começou com Mama Amélia, sua tataravó, que criou a filha Inês sozinha após seu marido deixá-las para perseguir o sonho de ser um músico famoso. Por causa dessa decisão, a música é proibida e odiada na família de Miguel – o que causa uma grande frustração no garoto, que é apaixonado por cantar e tocar violão.

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As coisas viram de cabeça pra baixo quando Miguel decide se inscrever no show de talentos que ocorre na celebração do Dia dos Mortos. O menino invade a cripta de seu grande ídolo, Ernesto de la Cruz (um músico e ator famoso que morreu precocemente) para pegar seu violão e participar do concurso. Porém, essa atitude desencadeia uma consequência inesperada: Miguel é transportado para o Mundo dos Mortos e precisa da benção de um parente para voltar.

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Viva (fun fact: o nome real do filme, Coco, se refere ao nome original da bisavó de Miguel, Inês. No Brasil, o nome foi mudado em função da semelhança com a palavra… “cocô” hahaha!) já encanta pela animação em si. Os cenários e os personagens são tão detalhados, cheios de cor e de vida (não foi um trocadilho, juro) que é impossível não ficar com os olhos brilhando enquanto assistimos. Toda a mitologia do Dia dos Mortos é muito bem trabalhada no longa, além da beleza visual da data (com suas caveiras mexicanas e altares decorados). O filme também trata da importância dessa data na cultura mexicana: as pessoas preparam cada altar e cada oferenda com todo o carinho, de modo a possibilitar a passagem dos espíritos à Terra para que possam visitar suas famílias. É lindo! Além disso, a trilha sonora (obviamente) tem um papel fundamental na trama, nos envolvendo em cada situação na qual se faz presente. Outro aspecto bacana é que o filme trouxe um vilão de respeito! Sabe aqueles vilões clássicos das animações que nos fazem odiá-los com todas as forças? Temos!

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Já no Mundo dos Mortos, Miguel vivencia uma outra experiência familiar. Se na Terra ele se sentia incompreendido e amaldiçoado por não poder viver de música, no outro plano ele aprende muito mais sobre o passado de sua família ao encontrar Mama Amélia e seus parentes. O garoto foge deles e acaba contando com a ajuda de Héctor, um rapaz que só deseja que alguém leve sua foto para o Mundo dos Vivos para que ele possa cruzar a ponte que une os dois mundos também. Mortos que não possuem foto alguma em nenhum altar não podem retornar e, para piorar, uma vez que esses mortos sejam esquecidos pelos vivos, eles somem para sempre. Já deu pra notar que, apesar das cores alegres e vívidas, a trama tem diversos aspectos melancólicos, né?

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E se teve uma coisa que esse filme provocou em mim foi emoção. Chorei tanto, mas tanto… Viva é um filme lindo e tocante, que aborda o perdão e as relações familiares como poucos filmes de animação já fizeram. Traz o papel da memória para manter os laços com quem amamos, e também a dor de uma mãe solteira que foi deixada, o arrependimento de um pai que não teve tempo suficiente e as cicatrizes que ficaram dessa situação. No fim do filme, não é apenas Miguel aprende que não há nada mais importante do que a família. Nós também saímos com essa mensagem da sala de cinema. ❤

Título original: Coco
Ano de lançamento: 2017 (EUA) e 2018 (Brasil)
Direção: Lee Unkrich, Adrian Molina
Elenco: Anthony Gonzalez (VIII), Gael Garcia Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renée Victor, Ana Ofelia Murguía

Review: Divertida Mente

Oi gente! Como estão?

A resenha de hoje trata-se do melhor filme de animação que vi nos últimos tempos: Divertida Mente! Eu estava ansiosa desde os trailers e, quando o filme finalmente estreou, corri pra conferir! E bah, eu amei! ❤

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Sinopse: Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle – e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente.

O filme traz Riley, uma garota apaixonada por hóquei que tem um relacionamento super bacana com os pais. Porém, os verdadeiros protagonistas são as emoções dela. No universo do filme, nossa mente é controlada pelas seguintes emoções: Alegria, Tristeza, Nojinho, Medo e Raiva. No caso de Riley, quem opera o “centro de comando” da mente da menina é a Alegria, e ela trabalha duro pra que a maioria das lembranças de Riley sejam alegres. O Medo fica responsável pelas precauções, a Nojinho cuida da aparência e das “relações públicas” de Riley e a Raiva cuida dos momentos de explosão. Quem é sempre jogada de lado, principalmente pela Alegria, é a Tristeza. Contudo, as coisas ficam complicadas quando, após a Tristeza tocar em uma memória base de Riley (memória responsável por criar “ilhas de comportamento” da menina, que são os principais guias da personalidade de Riley, como a paixão por hóquei, as amizades e a boa relação familiar), a Alegria se desespera e tenta impedir o efeito triste sobre a lembrança. Com isso, Alegria e Tristeza acabam indo parar fora da sala de controle, e a mente de Riley fica uma bagunça sob o comando dos três sentimentos remanescentes.

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Sabe aquele filme que não só atende às suas expectativas como também as supera? Pois bem, foi assim com Divertida Mente! Fazia muito tempo que eu não sabia o que era CHORAR DE RIR até perder o fôlego com um filme! Mas chorei um pouquinho pelas cenas tristes também hahaha! O filme tem equilíbrio entre piadas que agradam às crianças e aos adultos, e também traz temas que o público mais velho provavelmente já passou na vida ou consegue compreender: mudanças, conflitos com os pais, um turbilhão de sentimentos com os quais temos dificuldades em lidar… Ou seja, é impossível não se identificar!

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Divertida Mente também aborda de maneira super divertida diversos aspectos da nossa mente: há “funcionários” que descartam memórias inúteis e que também gostam de zuar (como quando colocam uma música de um comercial pra tocar na cabeça de Riley), há um setor responsável pelos sonhos, entre outros. Cada cena da Alegria e da Tristeza fora da sala de comando é mais divertida do que a outra, porque elas passam por várias áreas da mente de Riley e criam situações inusitadas e divertidas!

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Todas as emoções têm seus pontos fracos e fortes, mas a que eu mais gostei foi a Tristeza! ❤ Ela é MUITO engraçada! HAHAHA! Eu não vou contar falas ou cenas específicas pra não estragar a experiência de quem pretende assistir, mas eu dei muitas risadas por causa dela! Já a Alegria é bastante irritante. Ela não só impede a Tristeza de participar de todas as decisões sobre a Riley como impõe que sentir-se alegre é tudo de que a Riley precisa. E isso é muito chato! Porém, aos poucos, convivendo com a Tristeza e percebendo que ela não consegue resolver todos os problemas das pessoas apenas com alegria, ela percebe que um equilíbrio não é apenas saudável, como fundamental. É aquele clichê super verdadeiro: não existe alegria sem tristeza. Os seres humanos são muito complexos pra serem guiados por apenas um sentimento, e a vida não é feita apenas de coisas boas. E não tem problema nenhum! Um dos maiores aspectos de amadurecimento é justamente passar pelos momentos ruins, permitir-se ficar triste e, depois, se reerguer! 😀 E o filme passa essa lição de uma forma incrível. ❤

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Sério, não sei mais o que dizer que possa expressar o quanto eu gostei desse filme! Disney e Pixar estão de parabéns mais uma vez! :’) O filme é criativo (foi comparado inclusive a Toy Story e Monstros SA), divertido e traz uma abordagem inusitada, já que trata dos sentimentos dos próprios sentimentos! Recomendo muuuito Divertida Mente a todos!

Título original: Inside Out
Ano de lançamento: 2015
Direção: Pete Docter
Elenco original: Amy Poehler, Mindy Kaling, Lewis Black, Phyllis Smith, Bill Hader, Kaitlyn Dias
Elenco no Brasil: Miá Mello, Dani Calabresa, Léo Jaime, Katiuscia Canoro, Otaviano Costa, Isabella Guarnieri