Resenha: Minha Avó Pede Desculpas – Fredrik Backman

Oi pessoal, tudo bem?

Que Gente Ansiosa foi um dos meus queridinhos de 2021, vocês já sabem. Por isso, resolvi ler outras obras de Fredrik Backman e hoje divido minha experiência com Minha Avó Pede Desculpas.

Garanta o seu!

Sinopse: Elsa não é uma criança como qualquer outra. Dona de uma maturidade e inteligência acima da média (graças as suas constantes pesquisas na Wikipedia), ela só lê o que chama de literatura de qualidade: quadrinhos, Harry Potter e os clássicos infantis. Todas as noites, Elsa se refugia nas histórias que sua avó lhe conta, cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Despertos, um lugar mágico onde o normal é ser diferente. Quando a avó morre de repente, Elsa perde o chão e também a capacidade de habitar locais imaginários. De tão desolada, Elsa inicialmente não se entusiasma com a missão que a avó lhe deixou: distribuir cartas que funcionam como um caça ao tesouro. As missivas devem ser entregues às pessoas do prédio onde a menina mora. É assim que começa a aventura de Elsa e também a aventura do leitor. Vamos aos poucos desvendando as cartas juntamente com ela para descobrir a fascinante vida que sua avó viveu e o que se esconde por trás das vidas de cada um dos estranhíssimos moradores de uma comunidade muito especial.

Elsa é uma menina diferente. Em seus quase 8 anos de vida, ela já sabe como isso pode ser difícil. Sozinha na escola e alvo frequente de bullying, Elsa tem como única e melhor amiga a sua excêntrica avó. Mas quando eu digo excêntrica, acreditem em mim: ela é excêntrica mesmo. A ponto de pular a grade de um zoológico e atirar nas pessoas com uma arminha de paintball. Juntas, as duas vivem muitas aventuras, tanto no mundo real quanto em um lugar mágico criado por sua avó chamado Terra-dos-Quase-Despertos. Lá, as histórias sobre princesas, wurses, bichos-nuvem, sombras e cavaleiros se tornam reais. Por isso, quando a avó de Elsa morre, a angústia e a dor preenchem o coração da menina. Mas sua avó deixou para a pequena uma última missão: uma caça ao tesouro envolvendo cartas que ela deixou desculpando-se com diversas pessoas do prédio em que elas moram.

Diferente do que acontece em Gente Ansiosa, aqui Fredrik Backman não explora tanto o humor irônico em sua narrativa, o que é totalmente compreensível considerando que a protagonista é uma garotinha de quase 8 anos (essa informação sim é repetida à exaustão propositalmente). É bastante triste perceber que desde tão novinha Elsa precisa aprender a correr e a aguentar as pancadas provocadas por crianças já tão sombrias. Quando sua avó falece, nosso coração também pesa por ela. Porém, o que Elsa não imaginava é que a caça ao tesouro e a entrega das cartas proporcionaria muito mais do que cumprir um desejo final de sua avó, mas também a criação de novos vínculos e amizades. Uma delas com um wurse, outra com o grande guerreiro Coração de Lobo. Esses termos são oriundos diretamente da Terra-dos-Quase-Despertos. O wurse é um cachorro enorme que vivia no prédio escondido e que sua avó cuidava; Coração de Lobo é um ex-soldado que a avó de Elsa conheceu e salvou (pois era médica) quando ele ainda era uma criança. Eles se tornam um time inesperado, e tanto o wurse quanto Coração de Lobo passam a proteger Elsa de perigos que ela ainda não sabe que existem.

Essa transposição da Terra-dos-Quase-Despertos e do reino de Miamas (o favorito de Elsa naquela Terra) para a vida real é muito bacana. Até a metade do livro, eu não consegui mergulhar de cabeça e não via tanta atratividade nas passagens que falavam sobre os reinos. Porém, em determinado momento, Elsa começa a entender as conexões que sua avó fizera, e o leitor também compreende que tudo que existia nesse mundo da imaginação tinha uma contraparte no nosso mundo. Isso instiga nossa curiosidade e nos faz querer conectar outros links antes que eles sejam revelados de forma mais explícita.

Eu sou uma pessoa bem chorona, mas curiosamente eu não me emocionei com as passagens envolvendo a avó de Elsa. Achei um pouco forçada a excentricidade dela. Porém, a conexão que ela tem com cada morador do prédio é muito bonita e ajudou a criar uma afeição por sua personagem. Existem histórias ali que demoram a serem contadas, mas revelam camadas inesperadas em personagens que pareciam ser rasos. Um exemplo disso é Britt-Marie, a “nêmesis” da vovó, uma mulher implicante e cheia de manias (que protagoniza outro livro de Fredrik Backman), ou “a mulher da saia preta”, uma vizinha que transmite uma imagem inatingível mas guarda uma dor muito profunda dentro de si. Agora, se tem alguém que me emociona, esse alguém é o wurse. É facilmente um dos meus personagens favoritos, e a amizade dele com Elsa ganhou meu coração.

Minha Avó Pede Desculpas é excelente em nos mostrar que as pessoas vão além das aparências, que é importante pedir perdão pelos nossos erros e que está tudo bem ser diferente. Aliás, o livro celebra as diferenças das mais variadas formas: ao evidenciar que Elsa é perfeita do jeito que é, ao mostrar o brilho de seu vizinho com síndrome (cujo tipo nunca é dito, e nem é necessário) e mostrar que cada pessoa no prédio tem uma história e uma personalidade diferentes, mas que são pessoas incríveis mesmo assim – ou talvez por isso. Nesse sentido, o livro me lembrou Gente Ansiosa: mais do que a história sobre Elsa e sua avó, fiquei muito mais interessada nas relações entre os personagens. Apesar de não ter causado o mesmo efeito em mim que o meu queridinho já mencionado, é um ótimo título e eu certamente recomendo! 🙂

Título original: My Grandmother Asked Me to Tell You She’s Sorry
Autor:
Fredrik Backman
Editora: Fábrica231
Número de páginas: 384
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.