Dica de Série: You

Oi pessoal, tudo bem?

A coluna Uma Amiga Indicou – uma parceria linda com os queridos blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer já começou janeiro bombando! ❤

uma amiga indicou

Hoje vim contar pra vocês o que achei de You (ou Você), o novo thriller da Netflix, que foi escolhido por nós para ser assistido coletivamente.

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Sinopse: Obcecado por uma aspirante a escritora, um charmoso gerente de livraria lança mão de medidas extremas para entrar na vida dela.

Imagine como seria adentrar a mente de um psicopata, saber cada pensamento, lógica distorcida e obsessão. É exatamente isso que You proporciona. Na trama, Joe Goldberg é o carismático gerente de uma livraria que se “apaixona” perdidamente por Guinevere Beck, uma bela aspirante a escritora. Quando a jovem flerta com ele na livraria, o rapaz se encanta completamente, convencendo-se de que eles são perfeitos um para o outro, e utiliza o nome no cartão de crédito da moça para stalkeá-la e conseguir informações a seu respeito na internet. Quanto mais “conhece” Beck, mais determinado Joe fica a conquistá-la – mesmo que para isso precise eliminar quem estiver em seu caminho.

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You é cheia de absurdos. Existem inúmeras situações inverossímeis, especialmente no que tange o stalk de Joe e os crimes que ele comete. Contudo, de maneira surpreendente, a série consegue fazer com que você, espectador, não ligue pra nada disso. A narração em off, feita por Joe e direcionada a Beck, é instigante e cativante, e por mais perturbador que seja o personagem, você quer continuar acompanhando seus devaneios. Os episódios são tão envolventes que você aceita essas situações em nome do espetáculo e da ansiedade para conferir o que está por vir. E muito disso é mérito do insano Joe.

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O personagem é um verdadeiro psicopata doentio. Mas, por mais que ele cause repulsa e revolta, ele também fascina (e aqui cabem muitos elogios ao seu intérprete, Penn Badgley). Joe é um personagem cheio de nuances que nos confundem: ao mesmo tempo em que é capaz de diversas atrocidades, ele também demonstra carinho e zelo com Paco, uma criança que vive no apartamento ao lado e presencia a mãe sofrendo violência doméstica. Certamente Joe vê em Paco a criança que ele mesmo foi, negligenciado e vítima de violência por parte do homem que o criou (outro psicopata sem escrúpulos, diga-se de passagem). As cenas entre os dois são repletas de ternura, o que quase nos faz esquecer da verdadeira faceta do protagonista: a de um homem obsessivo, controlador e doentio.

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Joe passa a temporada inteira justificando suas atitudes “em nome do amor” e “para proteger Beck”. Ele invade a privacidade dela, manipula diversas situações e não demonstra nenhum rancor em relação aos assassinatos que comete. E o pior de tudo: ele acredita piamente que está fazendo a coisa certa. Joe é tão imerso e crente em suas próprias fantasias que se sente no direito de, por exemplo, julgar a melhor amiga de Beck (outra stalker manipuladora) por fazer a MESMA COISA que ele faz. O personagem é totalmente incapaz de compreender o quão abusivo ele é, e suas justificativas me incomodaram DEMAIS (eu só queria dar um tapa na cara dele, sério).

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Beck, por outro lado, é uma personagem difícil de torcer. Além das expressões de “sou muito bonitinha” o tempo todo (que cansam pra caramba), Beck tem falhas de caráter graves: ela trai, mente e não assume a responsabilidade por seus atos, fazendo-se de vítima o tempo todo. O problema é que ela é REALMENTE uma vítima, mas não faz ideia disso. Vamos ser honestos: Beck é burrinha. Foi enervante ver a personagem caindo em desculpas mais furadas que uma peneira, mesmo quando Joe não tinha como justificar determinadas coisas de maneira aceitável (o evento literário no qual ela vai com o pai é um bom exemplo disso entendedores entenderão). Somado a isso está o fato de que Joe vende uma imagem de namorado perfeito, fazendo de tudo para agradá-la e incentivá-la, em uma tentativa de fazer com que não apenas Beck, mas também o espectador também goste dele. Contudo, por mais que Beck seja chata e problemática, NADA justifica as coisas que Joe faz com ela. Em certos momentos, especialmente na reta final, me senti muito mal assistindo You e pensando que – em maior ou menor escala – muitas mulheres na vida real são realmente perseguidas, tolhidas, controladas, agredidas ou até mesmo mortas por homens que se sentem no direito de possuí-las. You pode ter diversas situações absurdas, mas essa infelizmente não é uma delas.

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A série ainda faz diversas críticas ao excesso de exposição na internet e nas redes sociais, jogando na nossa cara como fornecemos muitos detalhes da nossa vida pessoal para completos estranhos. Por meio de Beck e de sua tentativa desesperada de pertencer a um grupo social do qual não faz parte (o que a conduz a uma amizade extremamente nociva com Peach), You mostra como o feed do Instagram pode não estar alinhado com a realidade, sendo somente uma vitrine para aquilo que queremos mostrar. Confesso que foi difícil não sentir uma paranoiazinha ao terminar a série e pensar “e se um stalker estiver olhando minhas coisas?” 😂👀

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You (ou Você) é um thriller excelente e perturbador. Não é fácil acompanhar uma história pelos olhos do vilão (exceto quando ele é o Dexter e mata somente outros assassinos rs), mas os episódios conseguem manter o espectador aflito e querendo mais. As situações inverossímeis não estragam a experiência, já que You não se propõe a ser uma série investigativa, mas um mergulho em uma relação perigosa, obsessiva e disfuncional. Recomendo!

Título original: You
Ano de lançamento: 2018
Criadores: Greg Berlanti, Sera Gamble
Elenco: Penn Badgley, Elizabeth Lail, Shay Mitchell, John Stamos, Zach Cherry, Luca Padovan

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