Review: Dumplin’

Oi pessoal, tudo certo?

Para o mês de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) escolheu o tema “filmes protagonizados por mulheres”, de forma a comemorar a data, discutir temas pertinentes ao universo feminino e trazer dicas bem incríveis pra vocês. ❤

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Eu escolhi falar sobre Dumplin’, uma das novas produções da Netflix que, além de ter um elenco predominantemente feminino (e, é claro,  protagonistas mulheres), também vai contra diversos paradigmas relacionados à representação de pessoas gordas.

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Sinopse: Determinada a desafiar os padrões impostos pela sociedade, a adolescente Willowdean Dickson se inscreve no concurso de beleza organizado por sua mãe, uma ex-miss.

Willowdean, ou simplesmente Will, é uma jovem do Texas que é completamente apaixonada por Dolly Parton, vive trocando confidências com a melhor amiga, trabalha em uma lanchonete, flerta com o colega charmoso e está em constante conflito com sua mãe, Rosie, uma ex-miss e organizadora do concurso de beleza das jovens da cidade. Outra característica de Will é que ela é uma garota gorda; porém, ao contrário de muitas produções por aí, em Dumplin’ isso não é apresentado como algo a ser desesperadamente alterado, pois desde o início do longa percebemos a referência corporal positiva que Will teve por meio de sua tia, Lucy, também uma mulher gorda – e linda e feliz. Contudo, desde a morte precoce de Lucy, Will está enfrentando uma fase difícil, tendo que lidar sozinha não apenas com o luto, mas também com a obsessão de sua mãe com dietas e aparência física. Em um certo dia, ao mexer nos pertences de Lucy, Will encontra uma inscrição jamais feita no concurso de misses da cidade e, em um impulso, decide ela mesma se inscrever – para honrar sua tia e desafiar os padrões que sua própria mãe tanto exalta. A partir desse momento, outras meninas seguem o exemplo de Will por suas próprias razões e acompanhamos sua jornada de preparação para o concurso.

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Dumplin’, em essência, é um filme bem clichê. Temos a protagonista insegura, o boy magia, o makeover e a superação. Mas o que chama a atenção no longa é que todos esses elementos respeitam a identidade gorda de Will, sem necessidade de mudá-la ou emagrecê-la. Ao mesmo tempo, Dumplin’ também consegue mostrar com delicadeza as inseguranças sentidas pela protagonista: em uma cena específica com o garoto dos seus sonhos, vivendo um momento lindo, ela fica travada por pensar nas dobrinhas de sua cintura. A personagem fica emocionalmente fragilizada por conta da situação, mas nem por isso corre para a academia ou para uma dieta restritiva, o que é um ponto MUITO positivo do filme. Afinal, a autoestima é uma construção diária e, não é porque gostamos de quem somos que isso nos impede de ter momentos de insegurança.

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E Will é alguém que vive nesse limiar da (in)segurança. Ela não demonstra o desejo de mudar seu corpo, mas ainda assim se julga indigna de amor por conta da sua forma. Com o passar da trama, entretanto, ela vai entendendo cada vez mais a importância de ser quem ela é e não se desculpar por isso. Uma das frases de Dolly Parton, musa inspiradora da personagem, é recitada mais de uma vez: “Descubra quem você é e faça de propósito”, e esse lema conduz a narrativa até o fim. Além disso, temos a participação de incríveis drag queens que auxiliam no processo de ajudar Will e suas amigas a desabrocharem e ganharem autoconfiança. Entretanto, apesar dessas boas intenções do longa, eu tive grande dificuldade de gostar genuinamente de Will. Não sei se foi falta de carisma da atriz ou se foi a personalidade da personagem, mas pra mim ela era a pessoa menos interessante de acompanhar ao longo da trama. Ainda assim, isso não impediu que eu admirasse sua trajetória de construção de amor próprio e o fortalecimento de suas relações interpessoais.

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Essas relações, por sinal, são a base do filme. O relacionamento com Rosie sempre foi conturbado, afinal, Will nunca se “encaixou” no mundo perfeito da mãe, que passava a maior parte do tempo ocupada e ausente. Justamente por isso, o vínculo criado com a tia tornou-se ainda mais forte, já que Lucy foi um modelo presente e acessível durante toda a infância da jovem. Além disso, a relação com a melhor amiga, Ellen, também tem um peso enorme: entretanto, apesar de Ellen ter deixado claro que nunca viu Will como alguém gordo, essa característica – ou melhor, a diferença entre seus corpos – é vista por Will e acaba se tornando um tema delicado entre as duas em determinado momento da trama. Por fim, temos também a relação com Bo (o crush) e com os novos amigos e amigas que a auxiliam no concurso. Em suma, os elos construídos por Will ao longo da vida são a base para o que ela é hoje e para o que ela vem a se tornar, sendo fonte de apoio na construção e fortalecimento de sua identidade.

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Dumplin’ não é um filme memorável por sua trama, que pode ser encontrada em muitas outras comédias românticas. Entretanto, apesar de não ser meu lugar de fala, acredito que o longa trabalhe com delicadeza o ser gordo, bem como o sentimento de perda, a jornada de autodescoberta e a construção do amor próprio. É um filme que não precisa machucar nenhuma existência para passar sua mensagem, e é sempre importante celebrar produções assim (mesmo que suas tramas não sejam inesquecíveis). Afinal, enquanto mulheres, somos constantemente vigiadas e pressionadas por conta de questões estéticas, e já passou da hora de repensarmos os estereótipos que estamos reforçando e o tipo de produção (seja ela filme, série ou livro) que estamos exaltando. 😉

Título original: Dumplin’
Ano de lançamento: 2018
Direção: Anne Fletcher
Elenco: Danielle Macdonald, Jennifer Aniston, Odeya Rush, Maddie Baillio, Bex Taylor-Klaus, Luke Benward, Harold Perrineau, Hilliary Begley

Resenha: Uma Curva no Tempo – Dani Atkins

Oi gente, tudo bem?

Em fevereiro, o tema da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) foi “livros encalhados”. Basicamente, listamos aqueles livros que estavam esperando há um tempão na estante (ou nos e-readers rs) e que nunca ganhavam vez.

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A Carol, do Caverna Literária, me indicou a leitura de Uma Curva no Tempo, e hoje vim contar pra vocês o que achei. Preparem os lencinhos!

uma curva no tempo dani atkins.pngGaranta o seu!

Sinopse: A noite do acidente mudou tudo… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel está desmoronando. Ela mora sozinha em Londres, num apartamento minúsculo, tem um emprego sem nenhuma perspectiva e vive culpada pela morte de seu melhor amigo. Ela daria tudo para voltar no tempo. Mas a vida não funciona assim… Ou funciona? A noite do acidente foi uma grande sorte… Agora, cinco anos depois, a vida de Rachel é perfeita. Ela tem um noivo maravilhoso, pai e amigos adoráveis e a carreira com que sempre sonhou. Mas por que será que ela não consegue afastar as lembranças de uma vida muito diferente?

Rachel vivia uma vida praticamente perfeita: estava terminando o Ensino Médio, tinha um namorado lindo e em breve iria para a faculdade. Até que, no jantar de despedida com os amigos, um acidente mudou tudo. Um carro desgovernado atingiu o restaurante no qual eles estavam e seu melhor amigo, Jimmy, morreu ao salvar a vida de Rachel. O livro então dá um salto para 5 anos para o futuro (vou chamar de realidade A) e descobrimos que a vida da protagonista saiu totalmente dos trilhos: ela convive com dores de cabeça atordoantes, mora em um apartamento minúsculo e nunca foi para a faculdade. A morte de Jimmy afetou Rachel das mais diferentes maneiras e ela sente o luto com uma intensidade esmagadora. Quando é forçada a voltar à sua cidade natal para o casamento de sua outra melhor amiga, Sarah, Rachel decide confrontar a sua dor e visitar a lápide de Jimmy; entretanto, uma crise de enxaqueca a faz desmaiar e bater a cabeça no chão frio do cemitério. E então o livro nos mostra outra realidade 5 anos depois do acidente – que agora vou chamar de realidade B. Nela, Rachel conquistou tudo o que queria: seu namoro de Ensino Médio transformou-se em noivado, ela formou-se em jornalismo e tem um apartamento incrível. Porém, ao voltar à cidade natal para o casamento de Sarah, um assalto faz com que ela caia no chão e bata a cabeça com força. Quem acorda na realidade B, entretanto, é a Rachel da realidade A, e ela se depara com esse turbilhão de novidades, sendo a principal delas o fato de que Jimmy está vivo. O problema é que ela não tem nenhuma memória dessa linha do tempo e tenta a todo custo provar que as vivências estão trocadas.

Dani Atkins consegue nos deixar tão confusos quanto Rachel quando as realidades paralelas – se é que podemos chamar assim – se misturam. De certa forma, conhecemos a Rachel A (da realidade em que Jimmy morreu), depois Rachel B (da realidade em que Jimmy não morreu) e, por fim, Rachel A inserida na realidade da Rachel B. Deu pra entender, né? 😂 Entretanto, acredito que a autora tenha dedicado tempo demais ao momento de confusão da “Rachel A”, com muitas e muitas páginas desenvolvendo sua estranheza com aquele mundo e sua tentativa de retornar ao velho. Isso torna a reação dela verossímil? Talvez. Mas quando você vive uma vida terrível e tem a chance de recomeçar, você realmente tentaria voltar? Eu, no lugar dela, acho que não. E todo esse plot de Rachel tentando se conectar com sua “verdadeira realidade” acaba sendo um pouco cansativo, porque não ajuda a conferir carisma à protagonista-narradora.

Com o passar das páginas, Rachel tem a oportunidade de se aproximar de uma versão adulta de Jimmy e finalmente confrontar uma situação que todos ao seu redor já tinham percebido, menos ela: o sentimento que o rapaz sempre nutriu a vida toda pela melhor amiga. Na nova realidade, Rachel tem a chance de visualizar como as coisas poderiam ser entre eles e percebe que Jimmy – ou melhor, seus sentimentos por ele – sempre foram a resposta para tudo que ela viveu desde o acidente. E, já que o rapaz está em pauta, devo dizer que o personagem é um amor, mas não causa o mesmo impacto da linha do tempo “original”. Acontece que o relato de Rachel sobre a noite do acidente deixou a importância de Jimmy tão evidentes que o apego foi instantâneo – assim como a dor que sentimos quando descobrimos que ele se foi.

resenha uma curva no tempo

Apesar do romance ser um aspecto importante da trama, meu conselho pra vocês é o seguinte: não se deixem enganar pela capa e pela sinopse, essa não é só uma história de amor. Eu me mantive desconfiada durante a leitura inteira e simplesmente não consegui comprar aquilo que Rachel estava vivendo como real. A verdade é que o livro fala sobre perda, escolhas, a importância da família e o quanto, muitas vezes, gostaríamos de ter uma segunda chance na vida. Além disso, a obra também mostra a importância de abrir o coração, falar o que sente e ser honesto consigo mesmo. Nunca sabemos qual será a próxima oportunidade de fazê-lo, então cada dia importa e cada momento é único, justamente por sua fugacidade. O final do livro é um pouco previsível, pois as pistas estavam todas lá, no decorrer das páginas. Ainda assim, é impossível não concluir a leitura com um misto de tristeza e conformidade, pois ele nos faz pensar que talvez tenha sido melhor daquele jeito. Afinal, na situação apresentada pela obra, o que é melhor: viver uma realidade esmagadora ou aquilo que você sempre sonhou, ainda que com sacrifícios? Portanto, o fim acaba tendo um sabor agridoce.

Falando um pouco sobre o que não curti na obra: existem alguns erros de continuidade ao longo do livro (por exemplo: uma hora a Rachel fala em cinco anos e em outro, sete). Também menciona que jamais revelaria x informação ao pai, e páginas depois ela o faz. São pequenos detalhes que não chegam a atrapalhar a trama, mas os notei. Outro aspecto não tão legal diz respeito ao fato de que as coisas demoram a “pegar no tranco”, especialmente pela confusão experimentada por Rachel A ao acordar na realidade B. O livro se demora muito nisso e, somado ao fato de que a narrativa de Dani Atkins é mais poética e trabalhada, a leitura não foi tão ágil quanto eu esperava.

Em suma, Uma Curva no Tempo me agradou bastante, mesmo não entrando para o meu hall de favoritos. É um livro tocante, que utiliza uma situação triste para trazer belas lições. Se você gosta de romances dramáticos, vale a pena dar uma chance. Porém, prepare-se para as eventuais lágrimas que surgirem pelo caminho. 😉

Título Original: Fractured
Autor: Dani Atkins
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 240
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Resenha: Todos Nós Vemos Estrelas – Larissa Siriani e Leo Oliveira

Oi gente, tudo bem?

Estamos em vibes natalinas por aqui! 🎅🎄 Como diria a Phoebe, de Friends: “Happy Christmas Eve Eve!” 😂 E é claro que vai rolar resenha temática, né? Em parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer, a coluna Uma Amiga Indicou do mês decidiu falar de obras de Natal. 😍uma amiga indicou

Eu resolvi seguir a dica da Pâm e conferir Todos Nós Vemos Estrelas, da Larissa Siriani e Leo Oliveira.

todos nos vemos estrelas.pngGaranta o seu!

Sinopse: Quando o Natal se aproxima, as pessoas ficam mais nostálgicas, amáveis e caridosas. Bem, isso é o que se espera. Porque para Lisa as coisas não são bem assim. Ela só gostaria de passar as férias trancada em seu quarto com seu livro favorito, lendo novamente as aventuras do príncipe Lucien em Trinitam. Mas… E quando seus planos falham miseravelmente e você precisa lidar com acontecimentos inesperados e visitas que parecem – ou talvez sejam mesmo – de outro mundo? Uma novela de fantasia recheada de magia, amizade, família, amor e estrelas. Porque é disso que o Natal é feito.

O que mais me surpreendeu nesse conto é o fato de que, apesar do número limitado de páginas (pouco mais de 100), os autores conseguiram criar duas histórias igualmente instigantes que se conectam e nos conquistam. Lisa é uma menina tímida que ama ler. Sua série favorita é A Glória do Traidor, protagonizada pelo príncipe Lucien. O caminho dos dois se cruza quando Lisa escreve em um caderno que ganhou de amigo secreto (da sua crush, Helô, que faz uma descrição bem ofensiva de Lisa na hora de entregar o presente) que gostaria de ter alguém que realmente a entendesse. Nesse momento, Lucien é transportado das páginas para o mundo real, o que causa uma confusão tremenda em ambos.

É muuuito divertido acompanhar o estranhamento de Lucien no nosso mundo. Lisa tem que explicar tudo a ele, inclusive o uso do banheiro HAHAHA! Existe uma mudança no estilo narrativo que me agradou bastante: os capítulos de Lisa são em primeira pessoa e trazem a fluidez e a modernidade da época dela; os de Lucien são narrados em terceira pessoa por um narrador onisciente. Achei essa escolha acertada, porque mantém o estilo narrativo do livro fictício e combina com obras de fantasia, fazendo o leitor sentir que mesmo em nosso mundo Lucien ainda faz parte de um universo fantástico.

Outro aspecto positivo da leitura é o fato de que 1) Lisa é lésbica e 2) isso não é a coisa mais importante sobre ela. A naturalidade com que a sexualidade da protagonista é trabalhada é muito bacana, e eu sempre fico contente quando vejo esse tema sendo abordado de modo tão tranquilo (como deveria mesmo ser! Espero que um dia cheguemos lá). Representatividade é sempre bem-vinda! ❤ Além disso, o conto consegue abordar a personalidade da protagonista, assim como sua relação com a família e as dificuldades que ela sente de se aproximar da madrasta, Tatiana. Apesar dos assuntos não serem suuuper aprofundados – até pelo número curto de páginas –, eles são trabalhados de modo eficiente para o contexto.

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Minha maior frustração com o conto é saber que A Gloria do Traidor não é de verdade. 😦 Achei a história de Lucien tão interessante que ia amar se os autores decidissem publicá-la! E, como crítica, achei o final um pouco abrupto; é revelada uma grande reviravolta e o leitor não sabe se aquilo realmente acontece ou não. Quando você termina a leitura, a sensação é de “preciso saber o final!!!”, sabem? E eu não gosto dessa sensação. 😛

Tá, mas e o Natal? Ele é só pano de fundo mesmo. O conto acontece na época de Natal, o que pode justificar um pouco a “magia” capaz de realizar o sonho de Lisa e trazer Lucien de Trinitam para nosso mundo. Mas, fora isso, o conto não se preocupa tanto em explorar a data no modo mais “tradicional” (decoração, ceia, etc.). A trama é mais voltada à amizade, a entender as diferenças, a abrir o coração para outra pessoa entrar… Lições muito bonitas que, na minha opinião, combinam muito com essa época. ❤

Todos Nós Vemos Estrelas foi uma grata surpresa que superou minhas expectativas. Divertido, com bons personagens e uma trama construída de maneira eficiente para o número de páginas proposto, é uma ótima opção de leitura para terminar o ano. E também um lembrete de que, se olharmos para o céu, podemos estar mais próximos de quem amamos.

Feliz Natal, povo! 😍🎄

Título Original: Todos Nós Vemos Estrelas
Autores: Larissa Siriani e Leo Oliveira
Editora: Amazon
Número de páginas: 119
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Resenha: Sejamos Todos Feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

Oi galera, tudo bem?

Ontem foi o Dia da Consciência Negra e, considerando importância da data, a coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da AleCaverna LiteráriaA Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) decidiu que em novembro abordaríamos alguma obra produzida ou protagonizada por uma pessoa negra.

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A obra que eu escolhi trazer pra vocês é Sejamos Todos Feministas, da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

sejamos todos feministas chimamanda ngozi adichieGaranta o seu!

Sinopse: Neste ensaio agudo, sagaz e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para pensar o que ainda precisa ser feito de modo que as meninas não anulem mais sua personalidade para ser como esperam que sejam, e os meninos se sintam livres para crescer sem ter que se enquadrar nos estereótipos de masculinidade. Sejamos Todos Feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDxEuston, que conta com mais de 1 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé.

Um livro tão curtinho, mas cheio de verdades: essa é a definição de Sejamos Todos Feministas. A obra adapta um discurso da autora no TEDxEuston, que traz vivências pessoais para pontuar os impactos causados nos sujeitos devido à desigualdade de gênero.

Quando criança, o melhor amigo de Chimamanda disse a ela que ela era feminista. Esse diálogo fez com que a autora buscasse entender o significado do termo, até então desconhecido: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos. Chimamanda parte então para diversas reflexões sobre o tom pejorativo que as pessoas costumam utilizar ao falar sobre feminismo, bem como as diversas desigualdades que ela sofreu ou presenciou apenas por ser mulher.

Outro aspecto importante é que Chimamanda contextualiza sua fala usando como referencial a sociedade nigeriana, de onde ela é originária. As coisas são muito difíceis para as mulheres de lá (a mutilação genital feminina era permitida por lei até pouco tempo), mas diversos relatos não diferem muito do que vemos ao redor do mundo – e no próprio Brasil.

sejamos todos feministas chimamanda ngozi adichie

Mulheres são, desde muito novas, incentivadas a buscar o casamento como o ápice de sua realização. São ensinadas a agradar aos homens e jamais ultrapassá-los no que diz respeito ao sucesso profissional e financeiro. Parafraseando a obra: você pode ser bem-sucedida, mas não muito. Por outro lado, o contexto machista que envolve a criação dos indivíduos desde a infância promove uma masculinidade tóxica de ego muito frágil: os homens também precisam se provar o tempo todo e, caso qualquer coisa fuja do ideal de virilidade que eles devem alcançar, a autoconfiança deles é afetada. Basicamente, ao explorar diversas facetas do machismo, Chimamanda expõe como esse modo de funcionamento da sociedade prejudica homens e mulheres (mulheres em uma escala muito pior, obviamente). Ela propõe que todos nós repensemos nossas atitudes e o modo como criamos as crianças, visando uma relação igualitária entre os gêneros.

Com um tom que me lembrou bastante Clube da Luta Feminista (em função dos relatos pessoais e da narrativa fácil e informal), Sejamos Todos Feministas é uma obra incrível para nos relembrar dos impactos causados pela desigualdade de gêneros. Didático e extremamente simples de compreender, é um livro com um discurso valioso, que deve ser lido por todo mundo. 😉

Título Original: We Should All Be Feminists
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 63
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Dica de Série: O Mundo Sombrio de Sabrina

Oi meu povo, tudo bem?

Pra comemorar o Dia das Bruxas, nesta edição da coluna Uma Amiga Indicou (uma parceria com os blogs Estante da AleCaverna LiteráriaA Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer) decidimos escolher entre duas séries que têm tudo a ver com a data: A Maldição da Residência Hill ou O Mundo Sombrio de Sabrina.

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Eu sou SUPER medrosa e, apesar dos elogios à Residência Hill, não tive coragem de assistir. Somado isso ao fato de que eu estava looouca para conferir o remake de Sabrina, bom… resolvi unir o útil ao agradável. 😛

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Sinopse: Bruxa e também mortal, a jovem Sabrina Spellman fica dividida entre a vida normal de adolescente e o legado de sua família feiticeira.

Quando eu era criança, lembro de gostar de Sabrina, Aprendiz de Feiticeira, mas confesso pra vocês de que mal me lembro da história. Por isso, pude assistir a O Mundo Sombrio de Sabrina com a mente totalmente aberta, sem comparações ou expectativas, o que foi ótimo! Adorei o clima macabro, a ambientação sinistra e o cast maravilhoso!

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Sabrina é uma jovem prestes a completar 16 anos que se vê dividida entre dois mundos: ela é metade bruxa, metade mortal. No seu aniversário, ela deverá passar pelo Batismo das Trevas, de modo a entrar para a Academia de Artes Ocultas, onde desenvolverá sua magia e servirá ao Senhor das Trevas (aka Satã). Para isso, entretanto, ela deverá abrir mão de sua vida mortal, ou seja, de seu namorado e suas melhores amigas. Obviamente, Sabrina entra em um conflito frente a tal decisão, optando por não seguir tal caminho – o que causa muito alvoroço na comunidade bruxa.

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Meu primeiro comentário sobre a série é: A PROTAGONISTA É A CARA DA HERMIONE. Reparem! E o namorado de Sabrina, Harvey, é a cara do Tate (American Horror Story). São muitos doppelgangers nessa série, socorro. 😂 Dito isso, preciso elogiar a performance do elenco. Eu adorei cada personagem de seu próprio modo, e todos eles têm uma personalidade bem marcante, com tempo de tela suficiente para que possamos conhecê-los. Sabrina é obstinada, justa, teimosa e empoderada; ela luta pelos direitos das mulheres, pelo fim do bullying na escola e em momento nenhum incentiva briguinhas entre garotas (mesmo aquelas que a provocam). Porém, como toda adolescente, ela toma decisões impulsivas e acaba pecando por sua ingenuidade. Harvey é o namorado fofo que toda garota gostaria de ter. Suas amigas, Ros e Susie, fogem dos padrões estéticos (Ros é negra e tem um black power maravilhoso e Susie é interpretada por um ator não-binário, tendo ainda um plot de transexualidade).

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As tias de Sabrina, Hilda e Zelda, bem como seu primo, Ambrose, também são cativantes e brilham em diversos momentos. Fiquei surpresa com a atuação de Miranda Otto como uma Zelda controladora e rígida, especialmente por só tê-la visto atuando como Éowyn. Os personagens da Igreja da Noite também são interessantes e, até certo ponto, assustadores: o Padre Blackwood e a “Sra. Wardwell”, por exemplo, nos intimidam porque sabemos que eles escondem segredos envolvendo seus planos para Sabrina.

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A estética da série é incrível. Parece meio anos 90 mas, ao mesmo tempo, existem smartphones. Os figurinos são retrô, mas os pensamentos e diálogos são condizentes com nosso momento social atual. Acredito que foi uma estratégia da série para manter uma ideia de atemporalidade, anacronismo. Seja como for, eu gostei. 😀 A série também arrasa nos cenários (o casarão das Spellman é digno de uma história de bruxas!) e fotografia, apostando em tons escuros e sombras para criar uma ambientação mais macabra. A única coisa que me desagradou bastante foram os constantes blur nas cenas, normalmente nas que envolviam feitiços ou coisas sobrenaturais. Me sentia míope assistindo!

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Apesar de falar em rituais satânicos, ocultismo, demônios, bruxaria e afins, não acho que O Mundo Sombrio de Sabrina se enquadre como uma série de terror propriamente dito. Ela equilibra muito bem as cenas mais aflitivas com certo bom humor e ironia, o que colabora bastante para não deixar o tom tão pesado. Algumas cenas são tensas, sim, mas se mesmo eu (que sou medrosa) consegui assistir de boa, acho que você também consegue. Na verdade, o estilo de “medo” que senti em O Mundo Sombrio de Sabrina me faz recordar de Stranger Things. É de boas, juro! 😉

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O Mundo Sombrio de Sabrina é uma série cativante. Apesar dos episódios longos (não curto muito quando eles têm mais de 50 minutos), o carisma dos personagens – em especial de sua protagonista – envolve o espectador, e a trama cheia de mistérios e reviravoltas também faz com que você queira assistir um episódio atrás do outro. Por fim, a série aborda diversas questões relevantes (como o feminismo e a identidade de gênero) de modo natural e preciso. E, se pensarmos bem, a história da bruxaria está totalmente conectada à história das mulheres, não é mesmo? Uma série atual, divertida e envolvente. Recomendadíssima! 😉

Título original: Chilling Adventures of Sabrina
Ano de lançamento: 2018
Criador:Roberto Aguirre-Sacasa
Elenco: Kiernan Shipka, Miranda Otto, Lucy Davis, Ross Lynch, Chance Perdomo, Michelle Gomez, Richard Coyle

Resenha: Meu Erro – Cinthia Freire

Oi pessoal, tudo bem?

Estou de volta com mais um post da coluna Uma Amiga Indicou, em parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer. ❤

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Em setembro, resolvemos aproveitar o gancho do feriado da Independência para lermos obras nacionais. A Ale me indicou Meu Erro, da Cinthia Freire, e hoje conto o que achei da experiência. 😉

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Sinopse: Segredos são como fantasmas nos assombrando e nos fazendo crer que são reais. Todos tem os seus fantasmas. Carol tem os seus e há algum tempo eles parecem estar adormecidos. Gabriel desistiu de tentar frear os seus fantasmas há muito tempo e decidiu o caminho mais fácil, vivendo uma vida sem regras e limites. Eles estão na mesma estrada, mesmo que estejam em sentidos opostos. Enquanto ela tenta fugir da escuridão, ele só quer se perder ainda mais. Uma história emocionante sobre até onde somos capazes de ir para salvar aqueles que amamos e sobre acreditar que todos tem uma segunda chance. Mesmo que para o resto do mundo isso pareça um erro.

Carol é uma jovem que mora com a amiga, Verônica, na cidade universitária onde estuda. A garota sofreu algum tipo de trauma no passado, e sua independência é uma forma de lutar contra esses fantasmas. Gabriel é um rapaz que estuda na mesma universidade e é a definição de garoto problema: é dependente químico, adora uma briga, não se envolve emocionalmente com nenhuma garota com quem sai e tem um relacionamento terrível com o pai. De uma forma inesperada – envolvendo uma transa de uma noite com Verônica – Gabriel conhece Carol e os dois acabam se apaixonando.

Então, gente… Não sei se eu não sirvo pra ler New Adults ou se a narrativa de Cinthia Freire não atendeu às minhas expectativas, mas de uma coisa eu tenho certeza: não consigo comprar esse plot de personagens “quebrados” encontrando a cura no amor. Não me entendam mal, eu sou uma pessoa muito romântica e acredito que o amor é sim capaz de transformar. Meu problema são com situações pesadas (que não podem ser resolvidas somente com amor) sendo solucionadas desse modo. Durante a maior parte de Meu Erro, Cinthia Freire dá a entender que Carol é a solução para o vício de Gabriel e para ajudá-lo a ficar sóbrio, movido somente pelo amor. Entretanto, dependência química é uma coisa muito séria e precisa de terapia e apoio especializado, o que não ocorre durante a maior parte da trama.

Também tem outro motivo que me faz  não curtir esse discurso de “o amor cura tudo”. A Carol fica dizendo que ela é a pessoa certa pra curar o Gabriel, baseando-se numa crença que muitas mulheres têm na vida real: ele vai mudar, ele vai melhorar, ele vai fazer isso por mim. Eu não concordo com esse posicionamento e acho terrivelmente problemático, por não achar nada saudável alguém achar que pode ser a cura de outra pessoa e permanecer em uma situação possivelmente tóxica. No caso de Carol e Gabriel, o maior problema era a instabilidade do rapaz e as idas e vindas do relacionamento, mas sabemos que muitas vezes a violência pode fazer parte da rotina de alguém na situação dele.

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Eu achei a escrita da Cinthia Freire um pouco imatura, especialmente na construção das frases. Me parecia, durante a leitura, que a autora estava com pressa para contar a história, tornando a cadência dos acontecimentos um pouco incômoda pra mim. Também notei alguns lugares-comum e estereótipos sendo reproduzidos no que diz respeito às mulheres (por mais que a intenção da autora possa ser feminista). E a melação entre a Carol e o Gabi (milhares de apelidos e “eu te amo” a todo momento) também me deixaram um tanto cansada.

Críticas feitas, vamos aos elogios. O plot twist do livro foi bastante surpreendente, e a virada no final me pegou bastante desprevenida. Não imaginava que certo personagem seria capaz de fazer o que fez, e achei a situação em si muito aflitiva e desesperadora. Ao fim de tudo, também gostei do enfoque na saúde mental que Cinthia Freire abordou por meio da fala de Carol. O estigma envolvendo distúrbios psiquiátricos ainda existe, e muitas pessoas não pedem ajuda por medo, insegurança e diversos outros motivos. Por isso, acho muito bacana que a autora tenha trazido uma personagem que – com o apoio da terapia, da família e também do amor – consegue se reerguer e tornar-se saudável novamente.

Como deve ter dado pra notar, Meu Erro não funcionou pra mim. Entretanto, a experiência de me desafiar a ler um gênero diferente é sempre bacana. Então, para concluir, se você curte New Adults e os clichês do gênero, é provável que se dê melhor com essa leitura do que eu. 😉

Título original: Meu Erro
Série: Segredos
Autor: Cinthia Freire
Editora: Independente
Número de páginas: 223
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Review: Para Todos Os Garotos Que Já Amei

Oi gente, tudo bem?

Depois de muita espera e ansiedade, Para Todos Os Garotos Que Já Amei finalmente chegou na Netflix, e hoje eu vim contar pra vocês o que achei dessa adaptação tão aguardada. ❤

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Mas essa não é a única coisa especial do post de hoje: ele também inaugura uma nova parceria aqui do blog: o grupo Uma Amiga Indicou! Junto da Ale (Estante da Ale), da Carol Antonucci (Caverna Literária), da Carol Cristina (A Colecionadora de Histórias) e da Pam (Interrupted Dreamer), todo mês vou trazer aqui no blog alguma indicação bem especial, pensada pelo grupo especialmente pra vocês. ❤ Espero que vocês gostem tanto quanto a gente!

Agora vamos ao review!

filme para todos os garotos que ja amei

Sinopse: Lara Jean Song Covey (Lana Condor) escreve cartas de amor secretas para todos os seus antigos paqueras. Um dia, essas cartas são misteriosamente enviadas para os meninos sobre os quem ela escreve, virando sua vida de cabeça para baixo.

Resumindo o plot principal: Lara Jean é uma garota romântica que escreve cartas de amor para cada garoto por quem se apaixonou. Um dia, as cartas são misteriosamente enviadas, e ela entra em pânico, pois um dos destinatários é Josh, seu melhor amigo e ex-namorado de sua irmã. Para evitar uma confusão entre ela, Josh e sua irmã, ela aceita fingir um namoro com Peter Kavinsky, o garoto mais popular da escola (que deseja reconquistar a ex-namorada, Genevieve).

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Em primeiro lugar, eu amei a atmosfera do longa, e de como ele conseguiu traduzir perfeitamente o clima que permeia a leitura. A decoração do quarto de Lara Jean, suas roupas e até o modo de prender o cabelo refletem perfeitamente aquilo que está escrito nas páginas, transportando o espectador para o universo da trilogia. Lana Condor fez com que eu me apaixonasse de vez por Lara Jean. Se no livro eu a acho um pouco apática e sonhadora demais, no filme eu fiquei encantada com seu jeitinho atrapalhado, doce, gentil – e, ainda assim, determinado e cheio de opiniões. A personalidade de Peter condiz totalmente com sua contraparte literária: ele é confiante e carismático, exatamente como eu imaginei. A única coisa que me decepcionou foi a aparência: desculpa gente, não achei o ator bonito não. 😂 Ele é no máximo ajeitadinho (e o Peter é descrito como deslumbrante, né).

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Existem algumas pequenas mudanças em relação ao livro. Alguns personagens e cenas foram cortados, e isso é compreensível quando pensamos que o filme tem apenas 1h40 (aproximadamente) de duração. Entretanto, conversando com a Carol C., me dei conta de que poderiam existir mais cenas entre Lara Jean e Peter, para que a aproximação dos dois fosse mais natural, como no livro. As mudanças não prejudicaram minha experiência e eu adorei as cenas do casal (especialmente quando conversam sobre família), mas se tivessem mais momentos apenas entre os dois, o filme ficaria ainda mais incrível.

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Outros personagens de quem eu não gostava no livro acabaram me conquistando no filme: Chris mantém a essência “livre” e meio maluca, mas é uma amiga que defende Lara Jean com unhas e dentes (enquanto, no livro, ela me parece meio… aproveitadora); Kitty, que eu acho um pé no saco no livro (sim, devo ser a única a não curtir a personagem, mas paciência) ficou muito engraçada e carismática. Josh tem uma participação quase insignificante, o que considero um ponto negativo: parece mais difícil “comprar” todo o sentimento de Lara Jean por ele, porque o personagem não tem a chance de brilhar e de demonstrar sua personalidade no filme.

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Para Todos Os Garotos Que Já Amei fez um trabalho maravilhoso em adaptar o livro e, principalmente, conquistar seu próprio tom. O filme é engraçado, divertido, romântico e fofo – sem nunca ficar meloso ou forçado demais. O longa também traz a importância da família, do perdão e da força do apoio mútuo. A química entre os atores torna cada cena divertida de assistir, arrancando sorrisos e emoções do espectador. Se eu já tinha me apaixonado antes pelo romance de Lara Jean e Peter K., depois desse filme meu coração ficou ainda mais quentinho ao pensar neles. ❤ Adorei!

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P.S. (com spoilers, selecione se quiser ler): AI QUE MEU JOHN AMBROSE MCCLAREN APARECEU NA CENA PÓS-CRÉDITOS!!! 😱 Cadê o próximo filme, produção?

Título original: To All The Boys I’ve Loved Before
Ano de lançamento: 2018
Direção: Susan Johnson
Elenco: Lana Condor, Noah Centineo, Israel Broussard, John Corbett, Janel Parrish, Anna Cathcart