Resenha: Evidências de uma Traição – Taylor Jenkins Reid

Oi pessoal, tudo bem?

Adoro romances epistolares e sigo entusiasmada para conhecer novas obras de Taylor Jenkins Reid. Por isso, não perdi a chance de conferir Evidências de uma Traição quando foi liberado ao Time de Leitores da Companhia das Letras. Bora de resenha? 🙌

Garanta o seu!

Sinopse: Uma jovem desesperada no sul da Califórnia se senta para escrever uma carta para um homem que ela nunca conheceu – uma escolha que mudará sua vida para sempre. Pouco a pouco, a correspondência entre Carrie Allsop e David Mayer revela os detalhes de um caso devastador entre seus cônjuges. Ao longo das cartas, eles confessam seus medos e compartilham sentimentos escondidos no fundo de suas almas, tentando decidir como seguir em frente. Contada inteiramente por meio de cartas, Evidências de uma traição é uma história de decepções, mágoas e segredos, mas também de perdão e recomeços, e de como, no caso de algumas pessoas, a dor pode libertar.

Carrie Allsop e David Mayer se conhecem da pior forma possível: descobrindo que seus cônjuges estão tendo um caso. Carrie descobre a traição primeiro ao encontrar cartas de uma mulher (Janet) nas coisas do marido, e envia sua própria carta a David na busca de mais informações a respeito, pedindo que ele lhe envie cartas de seu marido (Ken) que possam estar com a amante. David, de início, fica estupefato e se recusa a acreditar no que está acontecendo, até ele próprio descobrir as cartas que sua esposa guarda. No meio de tanta mágoa e ressentimento, Carrie e David guardam esse segredo até decidirem o que fazer.

Os capítulos são intercalados entre as cartas de Carrie e de David, com algumas semanas de diferença, já que não moram na mesma cidade. Eles desabafam sobre vários aspectos de seus casamentos: Carrie conta como o marido tem deixado-a de lado, enquanto David revela que as condições financeiras da família têm sido fontes de stress entre ele e a esposa, por exemplo. Aos poucos, as cartas vão ganhando cada vez mais nuances pessoais, e os dois protagonistas vão se desnudando um pro outro por meio das palavras. A confiança cresce por compartilharem uma dor em comum, mas aos poucos percebemos que eles têm bastante afinidade, e o teor mais “polido” das cartas vai dando lugar a um tom afetuoso. Quando os dois decidem se encontrar pessoalmente, o livro causa no leitor uma grande curiosidade pra saber como foi esse momento, mas infelizmente não temos essa visualização: o romance epistolar, justamente por ter esse formato, nos faz aguardar o relato parcial de como foi o café que Carrie e David tomaram juntos.

Consigo entender a reticência dos protagonistas em confrontarem seus parceiros, pois ambos acreditam que ainda existe amor em seus relacionamentos. Abrir mão dessa crença pode ser muito difícil, mas conforme eles encontram mais cartas trocadas entre os amantes, pior esse dilema se torna. Senti muita pena de Carrie, especialmente, porque seu marido é um embuste de marca maior. Ela se sente culpada por não conseguir gerar um filho, e a pressão dessa situação sempre recaiu sobre ela. Em nenhum momento seu médico e seu marido (também médico) pensaram em examinar a taxa de espermatozóides de Ken, por exemplo, pra descartar alguma dificuldade na concepção. Carrie abriu mão de seus estudos e de seu futuro pra ser uma dona de casa e mulher exemplar, para atender às expectativas do marido, mas sua vida se transformou em solidão. David, por outro lado, se ressente da quantidade de filhos que teve, ainda que os ame de todo coração. Uma das gravidezes foi acidental e gerou gêmeos, o que comprometeu o orçamento familiar e levou a uma ruptura na parceria entre ele e a esposa. Os dois acabam fingindo que esse tema não existe, mas o elefante na sala está sempre lá.

Eu achei que os dois personagens criados por Taylor Jenkins Reid são muito humanos, e suas motivações, compreensíveis. Gostei do desenrolar dos fatos e de como Carrie e David vão entendendo mais sobre os próprios sentimentos. Um influencia o outro de forma positiva, e é inevitável que o leitor passe a shippá-los. Porém, a autora nem sempre opta pelos caminhos óbvios, e as questões que envolvem o coração e a família são mais complexas do que parecem. O final traz uma reviravolta bacana e que dá um gostinho de justiça, além de colocar os personagens em posições nas quais eles gostariam de estar – a gente concordando ou não com eles.

Resumindo, Evidências de uma Traição é um bom livro sobre os dilemas envolvendo o casamento, a confiança e o amor próprio. Taylor Jenkins Reid é excelente em criar personagens verossímeis, cujos sentimentos nós também poderíamos viver em algum momento. Ademais, o livro tem um ritmo veloz devido ao formato de cartas, fazendo com que seja muito rápido terminá-lo e descobrir as decisões de Carrie e David. Apesar de não ter sido a experiência literária mais marcante da minha vida, é um livro bacana que eu recomendo. 😉

P.S.: aqui temos referências à Daisy Jones, pra quem já leu, e também ao insuportável e odioso Mick Riva (que eu detonei na resenha de Malibu Renasce). Será que já dá pra chamar de Jenkinsverso? 😂

Título original: Evidence of the Affair
Autora:
Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 101
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Malibu Renasce – Taylor Jenkins Reid

Oi pessoal, tudo bem?

Falar de Malibu Renasce é desafiador por dois motivos: é um livro muito popular na blogosfera e foi escrito por uma autora que me impressionou muito em seu primeiro romance que eu li, Depois do Sim. Será que essa popularidade toda me arrebatou?

Garanta o seu!

Sinopse: Malibu, agosto de 1983. É o dia da festa anual de Nina Riva, e todos anseiam pelo cair da noite e por toda a emoção que ela promete trazer. A pessoa menos interessada no evento é Nina, que nunca gostou de ser o centro das atenções e acabou de ter o fim do relacionamento com um tenista profissional totalmente explorado pela mídia. Talvez Hud também esteja tenso, pois precisa admitir para o irmão algo que tem mantido em segredo por tempo demais, e parece que esse é o momento. Jay está contando os minutos, pois não vê a hora de encontrar uma menina que não sai de sua cabeça. E Kit também tem seus segredos ― e convidado ― especiais. Até a meia-noite, a festa estará completamente fora de controle. O álcool vai fluir, a música vai tocar e segredos acumulados ao longo de gerações vão voltar para assombrar todos ― até as primeiras horas do dia, quando a primeira faísca surgir e a mansão Riva for totalmente consumida pelas chamas.

Malibu Renasce gira em torno de duas linhas do tempo: a do passado começa nos anos 50, a do presente, nos anos 80. No passado, acompanhamos a criação da família Riva; no presente, a história gira em torno da festa lendária que acontece todo ano e é oferecida pelos quatro irmãos Riva. E são esses cenários que levam o leitor a um drama familiar cheio de sofrimento, traição, resiliência, força, altruísmo, dor e abnegação.

Para começar a falar dos Riva, é importante citar as duas figuras centrais, June e Mick. Os jovens se conhecem e rapidamente se apaixonam, o que leva a um romance ardente que não demora a virar casamento. Mick é um rapaz de origem humilde que tem o sonho de se tornar um cantor famoso, enquanto June deseja mais que tudo escapar do seu futuro inevitável, que é assumir o restaurante da família. Ela encontra em Mick não apenas o amor e a paixão, mas também a possibilidade de realizar esse sonho, enquanto Mick encontra em June a chance de constituir a própria família, já que a sua é completamente desestruturada. Mas conforme Mick ascende na carreira, ele passa a ter diversos affairs e abandona June com os filhos mais de uma vez. É desesperador “presenciar” toda a dor que ele causa à esposa, humilhando-a seguidamente e pedindo a ela que o aceite de volta sempre que se arrepende (momentaneamente, é claro, porque não demora a traí-la de novo). Depois da última e derradeira traição, Mick a deixa de vez e June se afunda cada vez mais no álcool como forma de consolo.

A relação de June e Mick tem como frutos Nina, Jay e Kit – mas, além dos três, June adota Hud, filho de uma das escapadas do então marido. Os quatro crescem tendo a mãe como pilar, e Nina é a única que chegou a conviver com o pai durante mais tempo. Ela cria um vínculo forte com ele, e quando Mick abandona a família mais uma vez, Nina é tão atingida quanto a mãe por essa quebra de confiança. Conforme os anos passam, uma sequência triste de fatos leva Nina a assumir a responsabilidade pela família, e aí o leitor passa a sofrer novamente ao acompanhar tudo que ela precisou abrir mão. A jovem, cedo demais, precisa abandonar suas perspectivas de futuro e dar tudo de si para cuidar dos irmãos mais novos para que nenhum deles caia nas mãos do sistema de adoção. Nina se vê contando cada centavo e administrando uma família e um restaurante sem nenhuma rede de apoio. Felizmente, ela é descoberta por um olheiro e passa a ganhar a vida como modelo, mas nem isso é capaz de tirar dela o medo da pobreza e a postura de abnegação que foi obrigada a tomar durante toda a vida. Em determinado momento, na linha temporal da festa, sua melhor amiga a provoca sobre isso, dizendo que Nina nunca tomou nenhuma decisão sequer pautada em seus verdadeiros desejos. 😦

Apesar desses três nomes (June, Mick e Nina) terem sido os grandes destaques do livro pra mim, Malibu Renasce também trabalha os dramas de Jay, Hud e Kit. Os dois primeiros, além de irmãos, são melhores amigos e parceiros, e ambos escondem segredos sobre os quais estão criando coragem para falar; Kit, a caçula, está em uma fase de autodescoberta e a festa é “o momento da verdade” para ela. Eu gostei dos três, mas nenhum deles ganhou tanto meu coração quanto Nina. Seus dramas são relevantes, mas quando a gente sente “na pele” por meio da narrativa tudo que a irmã mais velha passou, acaba que as histórias dos três não impactam tanto assim.

Mas por mais que as atitudes de Nina sejam admiráveis, são também irritantes. Eu amei a personagem ao mesmo tempo em que queria sacudi-la pelos ombros e gritar “reage, mulher!” (bota um cropped rs), sabem? Tive uma sensação parecida em relação a June, mas em menor intensidade (no caso desta, tive mais pena mesmo). Fiquei muito aflita com tudo que a autora fez as duas passarem por causa de Mick, mas sei que é reflexo de uma cultura e de uma época que esperavam esse tipo de postura das mulheres, voltada para a constituição de uma família e na posição de cuidadoras. E já que o assunto é o sofrimento causado por Mick, quero ressaltar que ele foi o personagem mais odioso das minhas últimas leituras. Ele é um ególatra autocentrado e narcisista que só soube destruir a vida de todo mundo que já se importou com ele. E o pior de tudo é que, além de usar o discursinho do arrependimento, ele parecia realmente achar que suas justificativas pra todo o mal que causou eram válidas. Se preparem pra odiá-lo, caso ainda não tenham lido Malibu Renasce ou Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (fiquei sabendo que ele aparece por lá também, mas ainda não li).

O maior problema de Malibu Renasce pra mim (além do desgraçado do Mick rs) foi a festa em si. Desculpe quem gostou, mas achei muito chata. O livro usa os capítulos da festa pra focar em vários figurantes e na realidade dos ricos de Malibu (regada a glamour, álcool, drogas e sexo), e eu não via a hora de passar logo por aquilo pra chegar de novo ao que me interessava. Se não fosse o estilo envolvente de Taylor Jenkins Reid, teria sido muito mais difícil encarar toda essa encheção de linguiça. E aqui aproveito pra trazer também a dificuldade de ler uma obra quando a gente vem cheio de expectativas: eu esperava muito tanto do título em si quanto da autora, e como não me apaixonei pelo livro, acabei ficando com aquele gostinho levemente decepcionado na boca. E já que estou falando em aspectos negativos, não posso deixar de fora um aspecto técnico: a diagramação do ebook que recebi. No arquivo que foi para o meu Kindle a estrutura das frases tava com uma péssima fluidez devido ao fato de que inúmeras frases e nomes próprios iniciavam sem letra maiúscula e muitas delas eram “partidas” por parágrafo. Uma pena, porque truncou bastante a minha leitura.

Para resumir, Malibu Renasce é mais uma demonstração de que Taylor Jenkins Reid é capaz de construir uma narrativa envolvente mesmo quando a história em si é capaz de nos fazer odiar vários personagens e aspectos dela rs. Amei? Não, tanto que avaliei com 3 estrelas no Skoob (o que encaro como um “bom”). Mas é inegável o talento que a autora tem de construir personagens e situações tão reais que mexem com o leitor em um nível muito intenso. Infelizmente não me arrebatou como Depois do Sim, mas é uma história muito bem construída. Deixo pra cada um de vocês tirar suas conclusões finais a respeito. 😉

Título original: Malibu Rising
Autora:
Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 368
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Autoras que vale a pena conhecer

Oi galera, tudo bem?

Amanhã é 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Enquanto essa data representa a nossa luta por igualdade, vejo também como uma oportunidade para divulgar e enaltecer mulheres incríveis que merecem espaço e reconhecimento. Por isso, esse ano resolvi reunir autoras que eu acho que vale a pena conhecer. Vem comigo!

Tomi Adeyemi

Autora da trilogia O Legado de Orïsha, que iniciou com o aclamado Filhos de Sangue e Osso, Tomi Adeyemi trouxe a cultura iorubá para o universo da fantasia. Explorando os ritos e figuras sagradas das religiões africanas, Tomi Adeyemi fala sobre opressão, mas também traz uma representatividade poderosa a pessoas negras. Se você é fã de livros de fantasia mas ainda não entrou em contato com sua, recomendo que faça isso o mais breve possível.

Beth O’Leary

Também conhecida como minha nova autora queridinha. A leitura de Teto Para Dois foi a minha favorita do ano passado, e muito disso se deve ao fato de que Beth O’Leary conseguiu tratar de relacionamento abusivo de uma maneira realista e certeira, mas sem sacrificar a leveza da história. Minha segunda experiência com seus livros, A Troca (em breve sai a resenha!) também foi ótima, e eu adorei o fato do livro ser protagonizado por uma avó e uma neta. Recomendo ambos os títulos sem pensar duas vezes!

Taylor Jenkins Reid

O nome dessa autora já estava no meu radar há um tempo, e seus livros têm sido bastante comentados na blogosfera. Realizei minha primeira leitura recentemente (com Depois do Sim) e foi excelente, me causando múltiplas emoções – de um jeito bom. Me baseando nessa única experiência, eu diria que Taylor Jenkins Reid é excelente em prender a atenção do leitor ao mesmo tempo em que aborda situações difíceis e emocionantes. Estou louca pra ler mais de seus livros!

Aline Bei

Uma indicação nacional vai bem, né? Aline Bei me impactou profundamente com O Peso do Pássaro Morto. Algumas das experiências mais dolorosas no “ser mulher” estão presentes no seu livro, como o machismo que tolhe e objetifica a mulher (como se ela fosse uma propriedade), a vergonha e o medo de uma vítima de violência sexual e o desamparo causado por um maternar indesejado. Não é uma leitura fácil, mas é transformadora.

Gostaram da lista, pessoal? Já leram alguma das autoras citadas?
Quero saber quem vocês incluiriam nessa seleção. Me contem nos comentários! ❤

Resenha: Depois do Sim – Taylor Jenkins Reid

Oi pessoal, tudo bem?

Faz um tempo que o nome da Taylor Jenkins Reid está no meu radar e, felizmente, tive a chance de entrar em contato com a escrita da autora por meio do excelente Depois do Sim. Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: Após onze anos de casamento, Lauren e Ryan chegam à triste conclusão de que não estão felizes juntos. Esse poderia ser o fim, mas para os dois é só o começo. Eles vão passar por um ano diferente de tudo aquilo que já viveram, no qual aprenderão muito mais sobre si mesmos do que seriam capazes de imaginar. “Depois do sim” é uma história sobre o que acontece quando a paixão parece não estar mais lá. Sobre as várias facetas do amor. Sobre aprender a mantê-lo, perdê-lo, redescobri-lo e aceitá-lo como ele é. Acima de tudo, é a história de um casal preso nas armadilhas de seus hábitos e manias, mas disposto a buscar um novo e inusitado caminho para fazer dar certo.

O livro começa nos apresentando a um casal visivelmente contrariado na companhia um do outro. O motivo do stress e da animosidade é simples (bobo até) e reside no fato dos dois estarem saindo de um estádio lotado e não lembrarem onde deixaram o carro. Desse ponto, a narradora – Lauren  volta no tempo e começa a contar como seu relacionamento iniciou e como ele chegou àquele momento que acabamos de presenciar. Conhecemos a versão jovem universitária de Lauren e também de seu marido, Ryan, e o amor intenso, saudável e sólido que os dois construíram. Depois lemos a respeito do pedido de noivado e do casamento. Até aqui, a história de amor é de fazer suspirar. Pouco a pouco, conforme vamos chegando perto do presente, pequenos sinais de desgaste vão surgindo: o sexo é quase inexistente, as brigas por coisas corriqueiras aumentam e a distância entre os dois também. E o leitor fica tão triste quanto Lauren e Ryan ao presenciar essa transição, que culmina num acordo desesperado: eles ficarão separados por um ano, sem contato, na tentativa de retomarem a relação após esse prazo. E essa decisão promove mudanças profundas nos protagonistas – especialmente Lauren, cujo ponto de vista nos guia.

Qualquer pessoa que já viveu um relacionamento longo tem grandes chances de se identificar bastante com Depois do Sim. Taylor Jenkins Reid é muito competente em fazer a transição natural que acontece do início do namoro (repleta de paixão) para uma relação duradoura (mais baseada na rotina), colocando um ingrediente fundamental pra fazer com que Lauren e Ryan fracassem: o ressentimento. Se no início da relação um era mais paciente com o outro, dispostos inclusive a concordar com certas coisas só pra ver o parceiro feliz, com o tempo essa prática se torna insustentável. Então Lauren e Ryan carregam uma carga de coisas não-ditas e de mágoas não resolvidas que mina a relação ao ponto de ser impossível dividir o mesmo lar. A decisão de ficarem um ano separados é pouco ortodoxa e causa estranhamento, mas os dois decidem que será necessário esse tempo longe pra entenderem se ainda se amam e sentem saudade um do outro.

Adoro que a autora trate da separação e da mudança do amor com realismo, mas sem ser cínica. Lauren não se torna alguém que não acredita mais no amor ou no próprio casamento – mas se questiona pra entender onde eles erraram, o que poderia ter sido diferente. Isso é muito relacionável, especialmente se você já passou por algum tipo de rompimento significativo. Por mais que no início a separação seja sufocante e Lauren ache impossível viver sem Ryan, aos poucos ela percebe que existe muito na vida além da relação que iniciou aos 19 anos. Sua família tem um papel primordial nisso, e eu adorei os pequenos detalhes que caracterizam cada membro dela. Os Spencer são muito carismáticos, incluindo a ácida e divertida vó Lois. Lauren descreve pequenas “manias” da família, como disputar a melhor rota no trânsito, e há pinceladas disso em várias cenas de forma muito natural, o que causa a sensação de que conhecemos aqueles personagens. Além deles, Lauren também conta com o apoio dos amigos para manter a cabeça ocupada e expandir seus horizontes a respeito de onde a vida pode levá-la (e do quão surpreendente ela pode ser).

Um ponto importante reside no fato de que Lauren busca exemplos à sua volta, desejando ser um deles pra saber o que vem a seguir (como sua mãe, tendo um namorado aos 59 anos, ou sua avó, que amou seu avô a vida toda). Mas a verdade é que cada vida e cada relacionamento são únicos. A gente não consegue, por mais que queira, saber o que vem pela frente. E quando ela se dá conta de que precisa deixar a vida acontecer e ser surpreendida pelo que cada dia reserva, Lauren começa a amadurecer de uma forma que ela não imaginava ser possível.

Depois do Sim é um livro que trata de um tema complexo e por vezes doloroso, mas Taylor Jenkins Reid narra cada passo dessa relação de uma forma divertida, suave e inspiradora, mesmo nos momentos mais difíceis. A visão da autora e da protagonista sobre as relações é bastante real, mas de forma que deixe espaço para a esperança e para a renovação. Lauren é uma narradora fácil de gostar, assim como as pessoas que a cercam, e o leitor se vê torcendo pra que de fato o melhor aconteça após aquele ano (mesmo que isso possa significar um divórcio). Mas, mais do que ser um livro envolvente, Depois do Sim também é uma obra que nos mostra o quanto vale a pena nos conhecermos e estarmos felizes com a nossa própria companhia para então apreciarmos a do outro. Terminei o livro com o coração quentinho, acreditando no amor mas também nas inúmeras possibilidades de recomeço que a vida nos oferece. Favoritado! ❤

Título original: After I Do
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 320
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.