Resenha: Malibu Renasce – Taylor Jenkins Reid

Oi pessoal, tudo bem?

Falar de Malibu Renasce é desafiador por dois motivos: é um livro muito popular na blogosfera e foi escrito por uma autora que me impressionou muito em seu primeiro romance que eu li, Depois do Sim. Será que essa popularidade toda me arrebatou?

Garanta o seu!

Sinopse: Malibu, agosto de 1983. É o dia da festa anual de Nina Riva, e todos anseiam pelo cair da noite e por toda a emoção que ela promete trazer. A pessoa menos interessada no evento é Nina, que nunca gostou de ser o centro das atenções e acabou de ter o fim do relacionamento com um tenista profissional totalmente explorado pela mídia. Talvez Hud também esteja tenso, pois precisa admitir para o irmão algo que tem mantido em segredo por tempo demais, e parece que esse é o momento. Jay está contando os minutos, pois não vê a hora de encontrar uma menina que não sai de sua cabeça. E Kit também tem seus segredos ― e convidado ― especiais. Até a meia-noite, a festa estará completamente fora de controle. O álcool vai fluir, a música vai tocar e segredos acumulados ao longo de gerações vão voltar para assombrar todos ― até as primeiras horas do dia, quando a primeira faísca surgir e a mansão Riva for totalmente consumida pelas chamas.

Malibu Renasce gira em torno de duas linhas do tempo: a do passado começa nos anos 50, a do presente, nos anos 80. No passado, acompanhamos a criação da família Riva; no presente, a história gira em torno da festa lendária que acontece todo ano e é oferecida pelos quatro irmãos Riva. E são esses cenários que levam o leitor a um drama familiar cheio de sofrimento, traição, resiliência, força, altruísmo, dor e abnegação.

Para começar a falar dos Riva, é importante citar as duas figuras centrais, June e Mick. Os jovens se conhecem e rapidamente se apaixonam, o que leva a um romance ardente que não demora a virar casamento. Mick é um rapaz de origem humilde que tem o sonho de se tornar um cantor famoso, enquanto June deseja mais que tudo escapar do seu futuro inevitável, que é assumir o restaurante da família. Ela encontra em Mick não apenas o amor e a paixão, mas também a possibilidade de realizar esse sonho, enquanto Mick encontra em June a chance de constituir a própria família, já que a sua é completamente desestruturada. Mas conforme Mick ascende na carreira, ele passa a ter diversos affairs e abandona June com os filhos mais de uma vez. É desesperador “presenciar” toda a dor que ele causa à esposa, humilhando-a seguidamente e pedindo a ela que o aceite de volta sempre que se arrepende (momentaneamente, é claro, porque não demora a traí-la de novo). Depois da última e derradeira traição, Mick a deixa de vez e June se afunda cada vez mais no álcool como forma de consolo.

A relação de June e Mick tem como frutos Nina, Jay e Kit – mas, além dos três, June adota Hud, filho de uma das escapadas do então marido. Os quatro crescem tendo a mãe como pilar, e Nina é a única que chegou a conviver com o pai durante mais tempo. Ela cria um vínculo forte com ele, e quando Mick abandona a família mais uma vez, Nina é tão atingida quanto a mãe por essa quebra de confiança. Conforme os anos passam, uma sequência triste de fatos leva Nina a assumir a responsabilidade pela família, e aí o leitor passa a sofrer novamente ao acompanhar tudo que ela precisou abrir mão. A jovem, cedo demais, precisa abandonar suas perspectivas de futuro e dar tudo de si para cuidar dos irmãos mais novos para que nenhum deles caia nas mãos do sistema de adoção. Nina se vê contando cada centavo e administrando uma família e um restaurante sem nenhuma rede de apoio. Felizmente, ela é descoberta por um olheiro e passa a ganhar a vida como modelo, mas nem isso é capaz de tirar dela o medo da pobreza e a postura de abnegação que foi obrigada a tomar durante toda a vida. Em determinado momento, na linha temporal da festa, sua melhor amiga a provoca sobre isso, dizendo que Nina nunca tomou nenhuma decisão sequer pautada em seus verdadeiros desejos. 😦

Apesar desses três nomes (June, Mick e Nina) terem sido os grandes destaques do livro pra mim, Malibu Renasce também trabalha os dramas de Jay, Hud e Kit. Os dois primeiros, além de irmãos, são melhores amigos e parceiros, e ambos escondem segredos sobre os quais estão criando coragem para falar; Kit, a caçula, está em uma fase de autodescoberta e a festa é “o momento da verdade” para ela. Eu gostei dos três, mas nenhum deles ganhou tanto meu coração quanto Nina. Seus dramas são relevantes, mas quando a gente sente “na pele” por meio da narrativa tudo que a irmã mais velha passou, acaba que as histórias dos três não impactam tanto assim.

Mas por mais que as atitudes de Nina sejam admiráveis, são também irritantes. Eu amei a personagem ao mesmo tempo em que queria sacudi-la pelos ombros e gritar “reage, mulher!” (bota um cropped rs), sabem? Tive uma sensação parecida em relação a June, mas em menor intensidade (no caso desta, tive mais pena mesmo). Fiquei muito aflita com tudo que a autora fez as duas passarem por causa de Mick, mas sei que é reflexo de uma cultura e de uma época que esperavam esse tipo de postura das mulheres, voltada para a constituição de uma família e na posição de cuidadoras. E já que o assunto é o sofrimento causado por Mick, quero ressaltar que ele foi o personagem mais odioso das minhas últimas leituras. Ele é um ególatra autocentrado e narcisista que só soube destruir a vida de todo mundo que já se importou com ele. E o pior de tudo é que, além de usar o discursinho do arrependimento, ele parecia realmente achar que suas justificativas pra todo o mal que causou eram válidas. Se preparem pra odiá-lo, caso ainda não tenham lido Malibu Renasce ou Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (fiquei sabendo que ele aparece por lá também, mas ainda não li).

O maior problema de Malibu Renasce pra mim (além do desgraçado do Mick rs) foi a festa em si. Desculpe quem gostou, mas achei muito chata. O livro usa os capítulos da festa pra focar em vários figurantes e na realidade dos ricos de Malibu (regada a glamour, álcool, drogas e sexo), e eu não via a hora de passar logo por aquilo pra chegar de novo ao que me interessava. Se não fosse o estilo envolvente de Taylor Jenkins Reid, teria sido muito mais difícil encarar toda essa encheção de linguiça. E aqui aproveito pra trazer também a dificuldade de ler uma obra quando a gente vem cheio de expectativas: eu esperava muito tanto do título em si quanto da autora, e como não me apaixonei pelo livro, acabei ficando com aquele gostinho levemente decepcionado na boca.

Para resumir, Malibu Renasce é mais uma demonstração de que Taylor Jenkins Reid é capaz de construir uma narrativa envolvente mesmo quando a história em si é capaz de nos fazer odiar vários personagens e aspectos dela rs. Amei? Não, tanto que avaliei com 3 estrelas no Skoob (o que encaro como um “bom”). Mas é inegável o talento que a autora tem de construir personagens e situações tão reais que mexem com o leitor em um nível muito intenso. Infelizmente não me arrebatou como Depois do Sim, mas é uma história muito bem construída. Deixo pra cada um de vocês tirar suas conclusões finais a respeito. 😉

Título original: Malibu Rising
Autora:
Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 368
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Autoras que vale a pena conhecer

Oi galera, tudo bem?

Amanhã é 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Enquanto essa data representa a nossa luta por igualdade, vejo também como uma oportunidade para divulgar e enaltecer mulheres incríveis que merecem espaço e reconhecimento. Por isso, esse ano resolvi reunir autoras que eu acho que vale a pena conhecer. Vem comigo!

Tomi Adeyemi

Autora da trilogia O Legado de Orïsha, que iniciou com o aclamado Filhos de Sangue e Osso, Tomi Adeyemi trouxe a cultura iorubá para o universo da fantasia. Explorando os ritos e figuras sagradas das religiões africanas, Tomi Adeyemi fala sobre opressão, mas também traz uma representatividade poderosa a pessoas negras. Se você é fã de livros de fantasia mas ainda não entrou em contato com sua, recomendo que faça isso o mais breve possível.

Beth O’Leary

Também conhecida como minha nova autora queridinha. A leitura de Teto Para Dois foi a minha favorita do ano passado, e muito disso se deve ao fato de que Beth O’Leary conseguiu tratar de relacionamento abusivo de uma maneira realista e certeira, mas sem sacrificar a leveza da história. Minha segunda experiência com seus livros, A Troca (em breve sai a resenha!) também foi ótima, e eu adorei o fato do livro ser protagonizado por uma avó e uma neta. Recomendo ambos os títulos sem pensar duas vezes!

Taylor Jenkins Reid

O nome dessa autora já estava no meu radar há um tempo, e seus livros têm sido bastante comentados na blogosfera. Realizei minha primeira leitura recentemente (com Depois do Sim) e foi excelente, me causando múltiplas emoções – de um jeito bom. Me baseando nessa única experiência, eu diria que Taylor Jenkins Reid é excelente em prender a atenção do leitor ao mesmo tempo em que aborda situações difíceis e emocionantes. Estou louca pra ler mais de seus livros!

Aline Bei

Uma indicação nacional vai bem, né? Aline Bei me impactou profundamente com O Peso do Pássaro Morto. Algumas das experiências mais dolorosas no “ser mulher” estão presentes no seu livro, como o machismo que tolhe e objetifica a mulher (como se ela fosse uma propriedade), a vergonha e o medo de uma vítima de violência sexual e o desamparo causado por um maternar indesejado. Não é uma leitura fácil, mas é transformadora.

Gostaram da lista, pessoal? Já leram alguma das autoras citadas?
Quero saber quem vocês incluiriam nessa seleção. Me contem nos comentários! ❤

Resenha: Depois do Sim – Taylor Jenkins Reid

Oi pessoal, tudo bem?

Faz um tempo que o nome da Taylor Jenkins Reid está no meu radar e, felizmente, tive a chance de entrar em contato com a escrita da autora por meio do excelente Depois do Sim. Vamos conhecer?

Garanta o seu!

Sinopse: Após onze anos de casamento, Lauren e Ryan chegam à triste conclusão de que não estão felizes juntos. Esse poderia ser o fim, mas para os dois é só o começo. Eles vão passar por um ano diferente de tudo aquilo que já viveram, no qual aprenderão muito mais sobre si mesmos do que seriam capazes de imaginar. “Depois do sim” é uma história sobre o que acontece quando a paixão parece não estar mais lá. Sobre as várias facetas do amor. Sobre aprender a mantê-lo, perdê-lo, redescobri-lo e aceitá-lo como ele é. Acima de tudo, é a história de um casal preso nas armadilhas de seus hábitos e manias, mas disposto a buscar um novo e inusitado caminho para fazer dar certo.

O livro começa nos apresentando a um casal visivelmente contrariado na companhia um do outro. O motivo do stress e da animosidade é simples (bobo até) e reside no fato dos dois estarem saindo de um estádio lotado e não lembrarem onde deixaram o carro. Desse ponto, a narradora – Lauren  volta no tempo e começa a contar como seu relacionamento iniciou e como ele chegou àquele momento que acabamos de presenciar. Conhecemos a versão jovem universitária de Lauren e também de seu marido, Ryan, e o amor intenso, saudável e sólido que os dois construíram. Depois lemos a respeito do pedido de noivado e do casamento. Até aqui, a história de amor é de fazer suspirar. Pouco a pouco, conforme vamos chegando perto do presente, pequenos sinais de desgaste vão surgindo: o sexo é quase inexistente, as brigas por coisas corriqueiras aumentam e a distância entre os dois também. E o leitor fica tão triste quanto Lauren e Ryan ao presenciar essa transição, que culmina num acordo desesperado: eles ficarão separados por um ano, sem contato, na tentativa de retomarem a relação após esse prazo. E essa decisão promove mudanças profundas nos protagonistas – especialmente Lauren, cujo ponto de vista nos guia.

Qualquer pessoa que já viveu um relacionamento longo tem grandes chances de se identificar bastante com Depois do Sim. Taylor Jenkins Reid é muito competente em fazer a transição natural que acontece do início do namoro (repleta de paixão) para uma relação duradoura (mais baseada na rotina), colocando um ingrediente fundamental pra fazer com que Lauren e Ryan fracassem: o ressentimento. Se no início da relação um era mais paciente com o outro, dispostos inclusive a concordar com certas coisas só pra ver o parceiro feliz, com o tempo essa prática se torna insustentável. Então Lauren e Ryan carregam uma carga de coisas não-ditas e de mágoas não resolvidas que mina a relação ao ponto de ser impossível dividir o mesmo lar. A decisão de ficarem um ano separados é pouco ortodoxa e causa estranhamento, mas os dois decidem que será necessário esse tempo longe pra entenderem se ainda se amam e sentem saudade um do outro.

Adoro que a autora trate da separação e da mudança do amor com realismo, mas sem ser cínica. Lauren não se torna alguém que não acredita mais no amor ou no próprio casamento – mas se questiona pra entender onde eles erraram, o que poderia ter sido diferente. Isso é muito relacionável, especialmente se você já passou por algum tipo de rompimento significativo. Por mais que no início a separação seja sufocante e Lauren ache impossível viver sem Ryan, aos poucos ela percebe que existe muito na vida além da relação que iniciou aos 19 anos. Sua família tem um papel primordial nisso, e eu adorei os pequenos detalhes que caracterizam cada membro dela. Os Spencer são muito carismáticos, incluindo a ácida e divertida vó Lois. Lauren descreve pequenas “manias” da família, como disputar a melhor rota no trânsito, e há pinceladas disso em várias cenas de forma muito natural, o que causa a sensação de que conhecemos aqueles personagens. Além deles, Lauren também conta com o apoio dos amigos para manter a cabeça ocupada e expandir seus horizontes a respeito de onde a vida pode levá-la (e do quão surpreendente ela pode ser).

Um ponto importante reside no fato de que Lauren busca exemplos à sua volta, desejando ser um deles pra saber o que vem a seguir (como sua mãe, tendo um namorado aos 59 anos, ou sua avó, que amou seu avô a vida toda). Mas a verdade é que cada vida e cada relacionamento são únicos. A gente não consegue, por mais que queira, saber o que vem pela frente. E quando ela se dá conta de que precisa deixar a vida acontecer e ser surpreendida pelo que cada dia reserva, Lauren começa a amadurecer de uma forma que ela não imaginava ser possível.

Depois do Sim é um livro que trata de um tema complexo e por vezes doloroso, mas Taylor Jenkins Reid narra cada passo dessa relação de uma forma divertida, suave e inspiradora, mesmo nos momentos mais difíceis. A visão da autora e da protagonista sobre as relações é bastante real, mas de forma que deixe espaço para a esperança e para a renovação. Lauren é uma narradora fácil de gostar, assim como as pessoas que a cercam, e o leitor se vê torcendo pra que de fato o melhor aconteça após aquele ano (mesmo que isso possa significar um divórcio). Mas, mais do que ser um livro envolvente, Depois do Sim também é uma obra que nos mostra o quanto vale a pena nos conhecermos e estarmos felizes com a nossa própria companhia para então apreciarmos a do outro. Terminei o livro com o coração quentinho, acreditando no amor mas também nas inúmeras possibilidades de recomeço que a vida nos oferece. Favoritado! ❤

Título original: After I Do
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Paralela
Número de páginas: 320
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.