Review: Maze Runner: A Cura Mortal

Oi pessoal, tudo bem?

Ontem fui conferir Maze Runner: A Cura Mortal, o desfecho da trilogia Maze Runner, e hoje conto o que achei pra vocês (sem spoilers)! 😉

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Sinopse: No terceiro filme da saga, Thomas (Dylan O’ Brien) embarca em uma missão para encontrar a cura para uma doença mortal e descobre que os planos da C.R.U.E.L podem trazer consequências catastróficas para a humanidade. Agora, ele tem que decidir se vai se entregar para a C.R.U.E.L e confiar na promessa da organização de que esse será seu último experimento.

Tiro, porrada e bomba: isso resume A Cura Mortal. O filme começa com um plano ousado de Thomas e dos outros sobreviventes de resgatar Minho (que, no longa anterior, foi raptado pela C.R.U.E.L. após a traição de Teresa), mas o grupo não é bem sucedido. Thomas, contudo, não desiste de seu objetivo. Na companhia de Newt, Brenda e Jorge, ele parte em direção à Última Cidade (onde fica a sede da C.R.U.E.L.) para resgatar o amigo.

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Eu não gostei muito de Prova de Fogo, o segundo filme da trilogia. Achei confuso, bagunçado, sem foco. A Cura Mortal não é perfeito, mas é muuuito melhor, e encerra com dignidade a saga Maze Runner. Thomas e Newt têm uma parceria incrível, que fica ainda mais evidenciada quanto os sintomas do Fulgor começam a se manifestar com mais força em Newt (que foi mordido no filme anterior). Brenda também é uma personagem bacana, que convence o espectador de suas motivações e emoções.

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Teresa é uma das personagens mais interessantes: comentei no review do filme anterior que eu achava que ela pudesse ter sido manipulada pela C.R.U.E.L. para trair os amigos, mas ela tomou essa decisão por vontade própria. A personagem sabe que está fazendo algo errado, mas acredita que suas atitudes são válidas em nome de um bem maior: a cura da humanidade. Essa dualidade torna Teresa alguém complexo, e eu gosto de personagens assim. Os vilões, entretanto, deixam muito a desejar. O Janson de Aidan Gillen é caricato (e me lembra demais o Mindinho, de Game of Thrones) e Ava é totalmente descartável. Temos também a adição de um novo personagem, Lawrence, que tem zero aproveitamento.

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Apesar dos deslizes em relação a alguns personagens, a trama é mais consistente que Prova de Fogo. Os personagens estão focados em seus objetivos e a ação se mantém sempre ao redor disso. Entretanto, as soluções de último minuto (deus ex-machina) e o excesso de reviravoltas acabam tornando o filme um pouco cansativo – olhei o horário durante a sessão uma ou duas vezes. Os cenários são bastante impressionantes. O ambiente árido mostra a desolação causada pelo Fulgor, enquanto a Última Cidade se ergue em seu esplendor, contrastando com toda a destruição ao redor.

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Apesar dos clichês, das soluções fáceis (é difícil de engolir que Thomas e seu grupo consiga fazer tanta coisa foda) e de alguns personagens subaproveitados, gostei muito de Maze Runner: A Cura Mortal. O filme traz algumas perdas que emocionam, tem um ritmo que te deixa interessado e conclui de forma competente a história iniciada em Correr ou Morrer. Pra quem já é fã da saga, recomendo! 😉

Título original: Maze Runner: The Death Cure
Ano de lançamento: 2018
Direção: Wes Ball
Elenco: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario, Thomas Brodie-Sangster, Rosa Salazar, Aidan Gillen, Ki Hong Lee, Giancarlo Esposito

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Review: Viva – A Vida É Uma Festa

Oi pessoal, tudo bem?

Finalmente arranjei um tempinho para ir ao cinema conferir Viva – A Vida É Uma Festa! ❤ Eu amo animações e estava mega ansiosa pra conferir a nova obra da Disney-Pixar (que inclusive até já ganhou Globo de Ouro).

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Sinopse: Miguel é um menino de 12 anos que quer muito ser um músico famoso, mas ele precisa lidar com sua família que desaprova seu sonho. Determinado a virar o jogo, ele acaba desencadeando uma série de eventos ligados a um mistério de 100 anos. A aventura, com inspiração no feriado mexicano do Dia dos Mortos, acaba gerando uma extraordinária reunião familiar.

Miguel é um menino mexicano que vem de uma longa linhagem de sapateiros. Essa linhagem começou com Mama Amélia, sua tataravó, que criou a filha Inês sozinha após seu marido deixá-las para perseguir o sonho de ser um músico famoso. Por causa dessa decisão, a música é proibida e odiada na família de Miguel – o que causa uma grande frustração no garoto, que é apaixonado por cantar e tocar violão.

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As coisas viram de cabeça pra baixo quando Miguel decide se inscrever no show de talentos que ocorre na celebração do Dia dos Mortos. O menino invade a cripta de seu grande ídolo, Ernesto de la Cruz (um músico e ator famoso que morreu precocemente) para pegar seu violão e participar do concurso. Porém, essa atitude desencadeia uma consequência inesperada: Miguel é transportado para o Mundo dos Mortos e precisa da benção de um parente para voltar.

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Viva (fun fact: o nome real do filme, Coco, se refere ao nome original da bisavó de Miguel, Inês. No Brasil, o nome foi mudado em função da semelhança com a palavra… “cocô” hahaha!) já encanta pela animação em si. Os cenários e os personagens são tão detalhados, cheios de cor e de vida (não foi um trocadilho, juro) que é impossível não ficar com os olhos brilhando enquanto assistimos. Toda a mitologia do Dia dos Mortos é muito bem trabalhada no longa, além da beleza visual da data (com suas caveiras mexicanas e altares decorados). O filme também trata da importância dessa data na cultura mexicana: as pessoas preparam cada altar e cada oferenda com todo o carinho, de modo a possibilitar a passagem dos espíritos à Terra para que possam visitar suas famílias. É lindo! Além disso, a trilha sonora (obviamente) tem um papel fundamental na trama, nos envolvendo em cada situação na qual se faz presente. Outro aspecto bacana é que o filme trouxe um vilão de respeito! Sabe aqueles vilões clássicos das animações que nos fazem odiá-los com todas as forças? Temos!

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Já no Mundo dos Mortos, Miguel vivencia uma outra experiência familiar. Se na Terra ele se sentia incompreendido e amaldiçoado por não poder viver de música, no outro plano ele aprende muito mais sobre o passado de sua família ao encontrar Mama Amélia e seus parentes. O garoto foge deles e acaba contando com a ajuda de Héctor, um rapaz que só deseja que alguém leve sua foto para o Mundo dos Vivos para que ele possa cruzar a ponte que une os dois mundos também. Mortos que não possuem foto alguma em nenhum altar não podem retornar e, para piorar, uma vez que esses mortos sejam esquecidos pelos vivos, eles somem para sempre. Já deu pra notar que, apesar das cores alegres e vívidas, a trama tem diversos aspectos melancólicos, né?

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E se teve uma coisa que esse filme provocou em mim foi emoção. Chorei tanto, mas tanto… Viva é um filme lindo e tocante, que aborda o perdão e as relações familiares como poucos filmes de animação já fizeram. Traz o papel da memória para manter os laços com quem amamos, e também a dor de uma mãe solteira que foi deixada, o arrependimento de um pai que não teve tempo suficiente e as cicatrizes que ficaram dessa situação. No fim do filme, não é apenas Miguel aprende que não há nada mais importante do que a família. Nós também saímos com essa mensagem da sala de cinema. ❤

Título original: Coco
Ano de lançamento: 2017 (EUA) e 2018 (Brasil)
Direção: Lee Unkrich, Adrian Molina
Elenco: Anthony Gonzalez (VIII), Gael Garcia Bernal, Benjamin Bratt, Alanna Ubach, Renée Victor, Ana Ofelia Murguía

Review: Star Wars: Os Últimos Jedi

Oi povo, tudo certo?

Cá estou para tentar falar a respeito do filme mais esperado do ano, Star Wars: Os Últimos Jedi. Fiquem tranquilos que o texto não terá spoilers sem aviso prévio. Podem ler sossegados! 😉

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Sinopse: Após encontrar o mítico e recluso Luke Skywalker (Mark Hammil) em uma ilha isolada, a jovem Rey (Daisy Ridley) busca entender o balanço da Força a partir dos ensinamentos do mestre Jedi. Paralelamente, a Primeira Ordem de Kylo Ren (Adam Driver) se reorganiza para enfrentar a Resistência.

Os Últimos Jedi parte praticamente do mesmo ponto em que O Despertar da Força parou, com dois núcleos distintos: a Resistência está em fuga, sendo bombardeada pela ira da Primeira Ordem, e Rey finalmente encontrou o lendário Luke Skywalker. Enquanto no primeiro núcleo os personagens estão tendo inúmeras perdas, no segundo a protagonista da nova trilogia precisa convencer um Luke recluso e amargurado a ajudá-la e treiná-la no caminho da Força. É possível dizer que há um terceiro núcleo, inserido na Primeira Ordem: o conflito interior de Kylo Ren, que ficou ainda mais desestabilizado emocionalmente após matar o próprio pai, Han Solo.

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O que eu mais gostei em Os Últimos Jedi foi, disparado, a ruptura com a dualidade entre “bem” e “mal”. Rey e Kylo Ren protagonizam algumas das melhores cenas do filme: conectados mentalmente pela Força, os dois percebem algumas semelhanças entre si, caminhando juntos em uma zona cinza e deixando nítido que existe bem e mal dentro de cada um de nós. Após descobrir o que realmente levou Kylo Ren ao Lado Negro da Força, a jovem fica convencida de que, assim como Luke fez com Vader tantos anos antes, ela também pode trazer Kylo Ren (ou melhor, Ben Solo) de volta ao caminho da Luz.

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A atuação de Adam Driver como o instável Kylo Ren roubou a cena: ele traz à tona toda a dor e o ódio que o personagem sente, atormentado por ter matado Han Solo, mas sabendo que já é tarde demais para voltar atrás. Outro aspecto positivo desse núcleo é a dinâmica com Luke Skywalker. A atuação brilhante de Mark Hammill deu muita profundidade ao personagem (que nunca chegou a ser meu favorito na trilogia clássica). Aqui, nos deparamos com um Luke que sofre diariamente com os erros do passado e que perdeu a fé no caminho Jedi. Culpa, amargura e desilusão estão entre os tormentos do personagem. Mas uma cena impecável ao lado de R2-D2 é capaz de fazê-lo mudar de ideia e aceitar o desafio de treinar Rey. Palmas pra essa sacada de mestre! ❤ Devo dizer que temos mais uma presença ilustre além da de R2-D2, mas vou deixar vocês descobrirem. 😉 Além disso tudo, as cenas de luta protagonizadas por Luke no terceiro ato também são fantásticas. Carrie Fisher, nossa eterna Princesa Leia, também nos presenteou com uma atuação sensível, que vai ficar eternizada na história de Star Wars. Agora General, a personagem sabe liderar como ninguém, mas sem perder a sensibilidade sempre que a Resistência sofre perdas.

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Falando em cenas de luta, Rey e Kylo Ren protagonizam uma das melhores, no melhor estilo Jedi/Sith: com muito uso da Força e dos sabres de luz. Mas o núcleo da Resistência também não fica para trás, pois as cenas de combate no espaço são de tirar o fôlego. Poe Dameron é um piloto extremamente talentoso e capaz de verdadeiras façanhas, mas sua personalidade impulsiva acaba tendo consequências com as quais o personagem precisa lidar para amadurecer. Finn também tem seu espaço no longa, agora com uma nova parceira, Rose. A dupla parte rumo ao planeta-cassino Canto Bright em busca de um decodificador que possa ajudá-los a destruir o rastreador da Primeira Ordem (que é responsável por permitir que eles sigam a Resistência mesmo por meio de saltos na velocidade da luz). Esse plot permite que o filme explore alguns conceitos que reforçam que nem tudo é preto no branco: o planeta enriqueceu financiando a guerra, vendendo armas tanto para a Primeira Ordem como para a Resistência. Além disso, o filme mostra a soberba e arrogância da classe alta, que vive de grandes luxos e diversões enquanto explora crianças e animais sem nenhum pesar.

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Por fim, vale elogiar os cenários do filme. A batalha final, no terceiro ato, é deslumbrante. Ela acontece no planeta Crait, cujo solo vermelho é coberto por uma camada de sal. Conforme a luta acontece, a poeira vermelha preenche o ar, simbolizando o sangue e as feridas causadas pela guerra. Aqui, o embate final entre discípulo e mestre (cujo conflito veio sendo trabalhado ao longo de todo o filme) finalmente encontra seu desfecho. Além disso, o contraste do branco com o vermelho é de cair o queixo. A ilha isolada (no planeta Anch-To) na qual Luke se encontra também tem seu papel, refletindo o estado de espírito do personagem: isolamento, tempo nublado e chuvoso, mar revolto. Aliás, a ilha também tem outro mérito: os fofíssimos Porgs, que protagonizam cenas muito engraçadas com Chewie. ❤

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Agora, para falar sobre os ponto que não achei tão legais no filme, precisarei soltar alguns spoilers. Então, se quiser evitá-los, pule para o próximo parágrafo. Bom, vamos lá! Confesso que ainda não sei bem o que senti com a morte de Snoke. O personagem era extremamente poderoso (a ponto de conseguir manipular a mente de Kylo Ren), mas não percebeu a estratégia do rapaz quando ele decidiu matar seu antigo mestre. Ok, podemos atribuir isso à sua arrogância exacerbada. Mas aí fica outra questão: QUEM ERA SNOKE, AFINAL DE CONTAS? Como a Nova República deixou que outro “Império” (agora Primeira Ordem) surgisse? Os episódios I, II e III nos mostraram que o Império surgiu após muitos anos de maquinações políticas, justificando seu enorme poder no episódio IV. Desde O Despertar da Força eu tento entender COMO RAIOS deixaram que isso acontecesse novamente. Outro aspecto que me desapontou um pouco foi o fato de que, no fim das contas, os personagens permaneceram no mesmo lugar em que começaram, apesar do esforço do filme para mostrar que nem tudo na vida é a dualidade bem x mal. Kylo Ren segue sendo vilão e Rey segue sendo heroína. Achei que a aproximação dos dois ao longo do filme traria mais nuances cinzas para o futuro (e desfecho) da nova trilogia.

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Apesar de alguns furos aqui e ali, Star Wars: Os Últimos Jedi me deixou empolgada, aflita, ansiosa, emocionada, feliz e satisfeita. Acho que o resultado final é muito positivo e mal posso esperar para conferir o desfecho no episódio IX. Além disso, vale dizer que essa foi a última atuação da nossa eterna Princesa Leia, Carrie Fisher. Minha dica é: fiquem até os créditos para prestigiar uma singela homenagem à atriz, que faleceu no ano passado. E que a Força esteja com ela!

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Título original: Star Wars: The Last Jedi
Ano de lançamento: 2017
Direção: Rian Johnson
Elenco: Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Mark Hamill, Adam Driver, Carrie Fisher, Kelly Marie Tran, Andy Serkis, Benicio Del Toro

Review: Assassinato no Expresso do Oriente

Oi pessoal, tudo certo?

Quem me acompanha há algum tempo deve saber que histórias policiais são algumas das minhas favoritas. Sou completamente apaixonada pelo estilo e, sempre que possível, confiro obras desse gênero. Dessa vez fui ao cinema assistir a Assassinato no Expresso do Oriente, que adapta uma das obras mais famosas da Rainha do Crime, Agatha Christie!

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Sinopse: O detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh) embarca de última hora no trem Expresso do Oriente, graças à amizade que possui com Bouc (Tom Bateman), que coordena a viagem. Já a bordo, ele conhece os demais passageiros e resiste à insistente aproximação de Edward Ratchett (Johnny Depp), que deseja contratá-lo para ser seu segurança particular. Na noite seguinte, Ratchett é morto em seu vagão. Com a viagem momentaneamente interrompida devido a uma nevasca que fez com que o trem descarrilhasse, Bouc convence Poirot para que use suas habilidades dedutivas de forma a desvendar o crime cometido.

O filme tem um início um pouco lento, o que me desagradou um pouco a priori. Hercule Poirot, um dos mais famosos e competentes detetives do mundo, está em Jerusalém e auxilia na resolução de um caso por lá. Por coincidência, acaba encontrando um velho amigo, Bouc, que é responsável pelo trem Expresso do Oriente (o trem que o detetive precisa tomar) e consegue um encaixe para Poirot em um dos vagões. Contudo, a viagem que tinha tudo para ser tranquila é interrompida por duas coisas: uma tempestade de neve e um assassinato. Bouc implora para que Poirot resolva o caso e, em nome da amizade com o rapaz e movido por seu senso de justiça, ele aceita.

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É aí que o filme ganha ritmo. Com enquadramentos diferenciados (com ângulos vistos de cima, por exemplo) e um ambiente um tanto quanto claustrofóbico (já que o lado de fora do trem é um ambiente inóspito cheio de neve), vamos acompanhando Poirot em sua investigação, em uma tentativa de juntar as peças para desvendar o assassinato do Sr. Ratchett, um comerciante de antiguidades desonesto. No total, são 12 passageiros investigados: cada um com seus segredos, seus álibis (ou falta deles) e histórias. Essa parte do filme é muito interessante, pois vamos conhecendo mais de cada personagem junto de Poirot. O longa conseguiu me enganar em relação ao assassino. Mas a melhor parte é a revelação final no fim do filme: pela primeira vez fiquei emocionada com a resolução de um crime. A cena é intensa e conecta todos os pontos do enredo de uma maneira muito convincente.

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As atuações merecem grande destaque! O Poirot de Kenneth Branagh (que é também o diretor do longa) é engraçado e tem traços caricatos, mas ele vai além: é também um homem muito sensível, com suas próprias cicatrizes do passado, e que se vê na posição de questionar tudo o que acredita. Agora, se teve alguém que mexeu comigo, foi Michelle Pfeiffer, a Sra. Hubbard. Ela entrega grande emoção quando necessário, mas também sabe utilizar a sensualidade e a dissimulação sempre que necessário.

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A trilha sonora é ótima, sendo capaz de criar tensão e emocionar. Os figurinos da década de 30 são maravilhosos e conseguem transmitir características importantes dos personagens. Por fim, os cenários enchem os olhos. As paisagens que vemos enquanto o trem se move são lindas, bem como a desolação causada pela neve. Mas o encanto mesmo está dentro do trem, em cada detalhe que o compõe.

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Eu adorei Assassinato do Expresso do Oriente! Se eu já estava empolgada com Agatha Christie após ler E Não Sobrou Nenhum, agora tenho ainda mais vontade de conferir mais obras da autora. Recomendo muito!

Agora vou comentar duas coisas que não curti muito (são spoilers, leia por sua conta e risco, hein?): 1) em que momento o Poirot sacou que o Ratchett era o Cassetti? Juro que não saquei quando isso aconteceu; 2) Por que raios o Cassetti matou a Daisy? Ele tinha algum “motivo” ou simplesmente decidiu invadir uma casa, sequestrar e matar uma garotinha inocente? Se fosse o segundo caso, gostaria que tivessem desenvolvido isso, mostrado que o personagem é um psicopata ou algo do tipo. Se ele tivesse alguma razão (vingança ou qualquer coisa assim), gostaria que tivesse sido mostrado. Achei o crime do Cassetti muito arbitrário.

Título original: Murder on the Orient Express
Ano de lançamento: 2017
Direção: Kenneth Branagh
Elenco: Kenneth Branagh, Michelle Pfeiffer, Josh Gad, Derek Jacobi, Penélope Cruz, Daisy Ridley, Leslie Odom Jr., Tom Bateman, Johnny Depp

Review: Liga da Justiça

Oi pessoal, tudo bem?

Voltei do cinema agora há pouco e vim correndo contar pra vocês o que achei de um dos filmes mais esperados do ano: Liga da Justiça! 

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Sinopse: Impulsionado pela restauração de sua fé na humanidade e inspirado pelo ato altruísta do Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) convoca sua nova aliada Diana Prince (Gal Gadot) para o combate contra um inimigo ainda maior, recém-despertado. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha buscam e recrutam com agilidade um time de meta-humanos, mas mesmo com a formação da liga de heróis sem precedentes – Batman, Mulher-Maraviha, Aquaman (Jason Momoa), Cyborg (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) -, poderá ser tarde demais para salvar o planeta de um catastrófico ataque.

Devido a uma sequência de erros da DC, muita gente temia (com razão) o resultado de Liga da Justiça. Felizmente, Mulher-Maravilha acalmou meu coração e eu fui de mente aberta assistir à Liga. E olha, a DC tá de parabéns mais uma vez!

O longa começa nos mostrando onde cada herói está. Bruce está tomado pelo remorso, sentindo-se responsável pela morte do Superman; Diana está lutando contra vilões “nas sombras”, sem revelar sua identidade; Barry Allen, o Flash, não tem uma vida estável, pulando de emprego em emprego, enquanto tenta arrumar um jeito de inocentar seu pai (que está na cadeia); Arthur Curry, o Aquaman, está ajudando uma vila de pescadores, sem assumir sua posição como rei de Atlantis; Victor Stone, o Ciborgue, está em conflito, não sabendo até que ponto ele é homem ou máquina após o acidente com uma das Caixas Maternas (fontes de energia infinita, capazes de criar e destruir). Essa introdução foi bastante necessária e interessante, porque pudemos conhecer um pouco de cada personagem e ter um contexto que justifique sua união posteriormente. A formação da Liga não ocorre “do nada”, os personagens têm motivos para tomarem a decisão de lutarem juntos. Ponto muito positivo!

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A introdução do vilão foi um pouco estranha. Do nada, o Lobo da Estepe – uma criatura que enfrentou as Amazonas, o povo de Atlantis e os homens há muitas eras – volta de seu exílio em busca das Caixas Maternas. A morte do Superman, o medo das pessoas e a falta de fé delas no mundo parecem ser pontos-chave na volta do vilão, que utiliza o medo como combustível e alimento para os demônios que o acompanham. Infelizmente, não achei o desenvolvimento do vilão e de sua mitologia satisfatórios. Outros dois personagens que não teve um desenvolvimento bem feito foram o Aquaman, cujo plot em Atlantis foi rápido e confuso, não deixando muito claras as relações do personagem (especialmente com Mera), e Ciborgue, que não tem muito de seu passado revelado e nem seu “renascimento” como Ciborgue explicado.

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Um aspecto muito positivo foi a adição de humor no longa. Os filmes da DC tendem a ser mais sérios, e isso não me incomoda nem um pouco. Contudo, as doses de comédia (em sua maioria protagonizadas por Barry) caíram muito bem. E o melhor: o personagem do Flash não se resume a piadinhas fora de contexto, justamente porque em suas primeiras cenas conhecemos um lado mais profundo do personagem (ao ver sua conexão com o pai e o drama familiar que o envolve).

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Agora, se teve uma coisa MUITO zoada no filme, foi o CGI. Assim como aconteceu em Mulher-Maravilha, os efeitos foram exagerados e artificiais, especialmente nas cenas de luta. O Lobo da Estepe não tem expressões faciais e fica deslocado em meio aos atores reais. Além disso, o que foi a boca do Superman??? Gente, era impossível não ficar encarando enquanto ele falava! Muuuito tosco, serião. Henry Cavill não podia raspar o bigode por uma questão contratual de outro filme que estava filmando e, no fim, o resultado ficou beeem ruim. Uma pena! Também senti falta de uma trilha sonora mais marcante. Não tivemos os temas clássicos dos heróis, nem o da própria Liga. 😦

Eu saí da sessão MUITO satisfeita com Liga da Justiça. Apesar de alguns deslizes, o filme teve tudo que eu gosto em filmes de super-heróis: boas cenas de luta, uma história que me manteve interessada, personagens (em sua maioria) desenvolvidos, atuações competentes e muita química entre os heróis. Acho que a DC finalmente está encontrando o seu caminho e já estou ansiosa para conferir os próximos! \o/

Título original: Justice League
Ano de lançamento: 2017
Direção: Zack Snyder
Elenco:  Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot, Ezra Miller, Jason Momoa, Ray Fisher, Amy Adams, Jeremy Irons, Ciarán Hinds

Review: Mãe!

Oi pessoal, como estão?

Apesar de ter visto Mãe! no cinema, outras pautas acabaram virando prioridade aqui no blog e demorei um pouquinho pra escrever o review. Porém, sem mais delongas, vamos à minha opinião sobre esse filme simbólico e controverso. 😉

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Sinopse: Um casal vive em um imenso casarão no campo. Enquanto a jovem esposa (Jennifer Lawrence) passa os dias restaurando o lugar, afetado por um incêndio no passado, o marido mais velho (Javier Bardem) tenta desesperadamente recuperar a inspiração para voltar a escrever os poemas que o tornaram famoso. Os dias pacíficos se transformam com a chegada de uma série de visitantes que se impõem à rotina do casal e escondem suas verdadeiras intenções.

Infelizmente, eu acabei lendo uma crítica com spoilers (odeio quem não avisa que a resenha tem spoiler) e já sabia qual era a simbologia principal do filme antes de assisti-lo. Achei que isso estragaria minha experiência mas, no fim das contas, fiquei absorta na história mesmo sabendo de antemão qual era a metáfora que o diretor estava fazendo.

Basicamente, Mãe! conta a história de um casal que vive tranquilamente em uma casa isolada. Ele (Javier Barden) é um poeta que enfrenta uma crise criativa; Ela, a Mãe (Jennifer Lawrence), é uma dona de casa devotada ao marido, que está empenhada em reformar a casa onde moram e transformá-la em um paraíso para o casal. A paz da personagem termina quando um visitante misterioso (vou chamá-lo pelo nome do ator, Ed Harris) chega ao local e é convidado pelo anfitrião a passar a noite. Posteriormente, o casal é incomodado novamente: a esposa de “Ed Harris” chega à casa e também se instala – mesmo contra a vontade da Mãe. A chegada dessa dupla misteriosa desencadeia eventos perturbadores.

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O forte de Mãe! não está nessa premissa, mas sim na metáfora e no simbolismo por trás de cada cena. A próxima frase tem spoiler, selecione se quiser ler: o diretor disse que o filme conta a história da Bíblia (de Gênesis ao Apocalipse), mas também existem outras interpretações possíveis. Podemos ver uma crítica ao modo como o ser humano lida com a Terra e os recursos naturais – explorando, machucando, destruindo; podemos também ver também o silenciamento feminino – já que o filme é um grito por socorro por parte da personagem de Jennifer Lawrence, que tem todos os seus pedidos negados. Acredito que cada espectador possa ter tirado uma lição diferente do filme, e isso é o mais interessante sobre o longa: ele te deixa com vontade de falar a respeito depois que você assiste.

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Esse parágrafo tem spoilers, pule para o próximo se não quiser ler. 😉 A metáfora da Bíblia, contudo, é a mais interessante (e óbvia). Ele é um Deus egocêntrico e punitivo, que é apaixonado pela devoção humana. Não sou religiosa e nunca li a Bíblia, mas o pouco que sei e pesquisei me mostrou que no Antigo Testamento essas eram as características de Deus. Depois que a Mãe! engravida e perde o bebê por causa dos seres humanos, vemos o Deus benevolente, que crê que a humanidade merece perdão. No fim, a Mãe (ou a Terra) decide dar um fim a todo aquele ciclo de sofrimento, tortura e massacre.

Tenho que mencionar a atuação de Jennifer Lawrence, que deu tudo de si nesse papel e mostrou do que é capaz. Eu estava um pouco implicante com ela após X-Men: Apocalipse (no qual ela fez da Mística uma versão loira da Katniss), mas em Mãe! ela superou minhas expectativas. Durante todo o filme a expressão da atriz ficou em evidência, já que a câmera acompanhou cada passo seu e toda a narrativa foi dada pelo seu ponto de vista. Com isso, pudemos ver todas as nuances da interpretação: o medo, a fragilidade, a revolta, o sofrimento, a força.

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Mãe! é um filme que não agrada a todos os públicos, principalmente por lidar com tantas simbologias e trazer um tema tão controverso. Pra mim, foi uma experiência instigante e envolvente e, por isso, recomendo! 😉

Título original: Mother!
Ano de lançamento: 2017
Direção: Darren Aronofsky
Elenco:  Jennifer Lawrence, Javier Bardem, Ed Harris, Michele Pfeiffer, Brian Gleeson. Domhnall Gleeson, Kristen Wiig

Review: It: A Coisa

Oi gente, tudo bem?

Apesar de sempre ter odiado palhaços e não ser fã de filmes terror (confesso: morro de medo!), os trailers, o burburinho e a curiosidade falaram mais alto e ontem fui conferir It: A Coisa, nova adaptação do clássico de Stephen King.

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Sinopse: Um grupo de sete adolescentes de Derry, uma cidade no Maine, formam o auto-intitulado “Losers Club” – o Clube dos Otários. A pacata rotina da cidade é abalada quando crianças começam a desaparecer e tudo o que pode ser encontrado delas são partes de seus corpos. Logo, os integrantes do “Losers Club” acabam ficando face a face com o responsável pelos crimes: o palhaço Pennywise.

O longa já começa mostrando a que veio, com a clássica cena do bueiro, em que o pequeno Georgie Denbrough desaparece. Após um salto temporal de alguns meses, vemos que seu irmão, Bill, não está lidando bem com a situação e estuda uma forma de encontrá-lo. Junto com seus amigos mais antigos (Richie, Eddie e Stanley) e com algumas novas amizades (Ben, Beverly e Mike), o grupo – que se intitula Clube dos Otários – passa a investigar não apenas o desaparecimento de Georgie, mas também a estranha circunstância que faz com que diversas crianças também estejam desaparecendo. 

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O filme dedica um bom tempo de tela a desenvolver cada criança individualmente, mostrando não apenas suas personalidades, mas também o contexto na qual estão inseridas e, principalmente, seus medos. São esses medos que servem como combustível para que Pennywise os atormente e os atraia, fazendo com que eles vivam diversos momentos de puro terror. Como se não bastasse a ameaça do palhaço, o grupo ainda sofre com o bullying de alguns valentões (momento no qual o filme aproveita para mostrar como violência gera violência) e com conflitos na própria casa (especialmente no caso de Beverly, mas esse tópico merece uma atenção especial). O pano de fundo, desenvolvido gradualmente, bem como as atuações incríveis e extremamente competentes – destaque para Finn Wolfhard, que não lembra em nada o Mike de Stranger Things –, fazem com que o público se apegue aos personagens e também explica a origem de seus temores, dando motivação para que o grupo enfrente a ameaça que atormenta a cidade de Derry há séculos – e aparece a cada 27 anos.

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Pelas resenhas que li e comentários que ouvi, eu achei que o filme seria mais brutal visualmente, mas não é tanto assim. Ele assusta, sim, e as cenas feitas para te dar pulos na cadeira funcionam. Entretanto, pelo menos pra mim, o que realmente apavora é o clima de insegurança que toma conta dos personagens. A ameaça era quase onipresente, já que Pennywise faz aparições em diversos pontos distintos. As cenas foram construídas com uma tensão crescente, da trilha sonora à iluminação. Ao mesmo tempo, o filme é muito… engraçado! Eu ri alto em diversos momentos, porque as piadas eram naturais e com excelente timing. Richie e Eddie são os personagens que mais me fizeram rir, cada um à sua maneira: enquanto o primeiro tem aquele jeitão desaforado e imaturo típico da idade, o segundo é hipocondríaco e começa a trama se preocupando mais com higiene e doenças do que com o perigo que se aproxima. Esses momentos engraçado foram ótimos, pois trouxeram leveza a um filme que assusta na medida certa, sem forçar a barra.

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Agora, preciso comentar sobre o medo da Beverly. Se você não quiser saber o que é, pule para o próximo parágrafo. 😉 A menina vive sozinha com o pai, é abusada e vive em pânico das investidas dadas por ele. O homem, que é desprezível em cada fio de cabelo, sexualiza e objetifica a filha, das roupas aos longos cabelos (que ela corta para causar repulsa no pai, que diz que ela ficou parecendo um menino). Uma das cenas mais tensas e assustadoras do filme não envolveu o Pennywise, mas sim uma tentativa de abuso por parte do pai de Beverly: revoltado por saber que a menina está andando com os garotos, ele vai pra cima dela, que revida e consegue se defender. Quando ela vence o homem que a aterroriza (acertando-o com um golpe poderoso na cabeça) é impossível não ficar exultante. E mesmo no fim, quando o palhaço tenta assombrá-la com a imagem do pai, Beverly consegue enfrentá-lo novamente. Pra mim, esse foi o pior dos medos trabalhados no filme, simplesmente porque ele é… real. Acontece todos os dias, com milhares de meninas (70% dos estupros acontecem dentro de casa, cometidos por parentes da vítima). E isso torna a vivência da Beverly muito mais assustadora do que qualquer entidade fictícia, pois ilustra com maestria como o ser humano pode ser um dos piores vilões.

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It: A Coisa é um filme assustador e divertido, com atuações impecáveis e uma trama que te prende na cadeira e não te deixa desviar os olhos do que ocorre na tela. Vale a pena seguir o exemplo do Clube dos Otários e vencer o medo para conferir esse longa. 😉

Título original: It
Ano de lançamento: 2017
Direção: Andy Muschietti
Elenco:  Jaeden Lieberher, Jeremy Ray Taylor, Sophia Lillis, Finn Wolfhard, Chosen Jacobs,  Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff, Bill Skarsgård, Nicholas Hamilton