Resenha: Bom dia, Verônica – Andrea Killmore (Raphael Montes e Ilana Casoy)

Oi galera, tudo bem?

Hoje vou dividir com vocês minha experiência com Bom Dia, Verônica – cuja adaptação estreia essa semana na Netflix.

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Sinopse: Em “Bom dia, Verônica”, acompanhamos a secretária da polícia Verônica Torres, que, na mesma semana, presencia de forma chocante o suicídio de uma jovem e recebe uma ligação anônima de uma mulher desesperada clamando por sua vida. Com sua habilidade e sua determinação, ela vê a oportunidade que sempre quis para mostrar sua competência investigativa e decide mergulhar sozinha nos dois casos. No entanto, essas investigações teoricamente simples se tornam verdadeiros redemoinhos e colocam Verônica diante do lado mais sombrio do homem, em que um mundo perverso e irreal precisa ser confrontado.

Pra ser honesta com vocês, comecei o livro sem nem lembrar da sinopse, mas sabia que tinha visto muitos elogios na blogosfera e que a autora era na verdade o pseudônimo de Raphael Montes (em dupla com Ilana Casoy), elogiadíssimo pelos seus thrillers. Dele, eu só tinha lido até então O Vilarejo (que curti), portanto achei que valia dar uma chance também a Bom Dia, Verônica. A trama tem seu pontapé inicial quando uma jovem mulher se suicida na delegacia em que Verônica Torres, uma secretária da polícia civil, trabalha. Como seu chefe, o delegado Carvana, não dá a mínima para o caso (que envolve um estelionatário), Verônica decide investigar por conta própria. Com isso, ela se vê sendo sugada não apenas pelo caso de extorsão da vítima mas também por um segundo pedido de ajuda envolvendo uma situação muito mais macabra.

A boa vontade da protagonista em querer trazer justiça a mulheres parece um fator super positivo a favor dela, certo? Acontece que a irresponsabilidade e a infidelidade conjugal descarada de Verônica fazem dela uma personagem intragável. Eu até admiro sua disposição de ajudar quem precisa, mas convenhamos: ela é alguém que estudou Letras, não uma policial ou detetive. Como ela assume por conta própria uma investigação que pode envolver um possível serial killer, meu Deus do céu? Fora que existem muitas situações dignas de novela na sua investigação (e digo isso no pior sentido de todos): invasão a domicílio é de praxe pra Verônica, que é, repito, uma secretária habituada ao trabalho burocrático (isso sem mencionar o aspecto antiético de sair entrando na casa alheia sem mandado, né). E não que a ocupação atual dela seja um impeditivo: a Robin, da série Cormoran Strike, também começa como secretária e depois é promovida a detetive. A diferença nesse segundo caso é que Robin não atua como detetive atéee fazer um curso de contravigilância específico para a função. O que faltou em Bom Dia, Verônica foi bom senso e verossimilhança.

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Os capítulos são narrados ora em primeira pessoa por Verônica, ora em terceira pessoa quando focados em Janete, a mulher que pede ajuda à protagonista. O plot de Janete e seu marido é bizarro e condizente com minha experiência prévia lendo Raphael Montes: a trama abusa de cenas gore envolvendo um ritual de tortura e estupro que Brandão, o marido, realiza com suas vítimas. De maneira geral, não me considero uma pessoa sensível para esse tipo de coisa, mas achei tão… forçado, sabem? Como se as cenas fossem construídas com o propósito de “causar”, voltadas apenas a chocar o leitor. Mas como nem toda experiência é 100% negativa ou positiva, dou os devidos créditos ao fato de que Bom Dia, Verônica é capaz de prender a atenção do leitor. A narrativa não cansa e é fácil devorar as páginas, especialmente porque a trama tem uma abundância de cenas que deixam você ansioso para saber o que acontece.

Como comentei no início do post, a série que adapta o livro chega à Netflix essa semana. Pelo que vi no trailer, já pude notar algumas mudanças que talvez me façam gostar mais do que do livro. Porque a leitura, de maneira geral, foi uma experiência morna e cheia de situações improváveis que dificultaram muito minha imersão na história. Espero que minha próxima escolha de thriller seja mais bem-sucedida. :/

Título original: Bom Dia, Verônica
Autor:
Raphael Montes e Ilana Casoy
Editora: DarkSide Books
Número de páginas: 256
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Resenha: O Vilarejo – Raphael Montes

Oi pessoal, como estão?

Para o post de hoje, trago a resenha de um livro que eu queria muito ler: O Vilarejo, do Raphael Montes! 😀

o vilarejo raphael montesGaranta o seu!

Sinopse: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

Uma das primeiras coisas a me chamar a atenção nesse livro é que Raphael Montes se apresenta como um tradutor que recebeu um caderno cheio de contos obscuros e ilustrações aterrorizantes e resolveu organizá-los de modo a fazer sentido. Os contos, apesar de independentes, tratam de um mesmo vilarejo e de seus habitantes, e em cada conto temos um demônio que influencia os acontecimentos retratados. Os demônios, que também representam os pecados capitais, são: Belzebu (gula), Leviathan (inveja), Lúcifer (soberba), Asmodeus (luxúria), Belphegor (preguiça), Mammon (ganância) e Satan (ira). Vou contar um pouquinho sobre cada conto pra deixar vocês mais curiosos – sem spoilers, é claro. 😉

o vilarejo 1

Banquete Para Anatole: nesse conto, somos apresentados a uma situação terrível que assola o vilarejo, o frio e a fome. Graças a uma terrível nevasca e a uma guerra civil que acontece na capital, o vilarejo está totalmente isolado da civilização. Felika, uma mãe de família, é a protagonista. O marido, Anatole, saiu do vilarejo há semanas para enfrentar a neve e tentar caçar alguma coisa que possa alimentar a família, mas enquanto isso Felika precisa fazer o que estiver ao seu alcance para manter a família viva e alimentada. Os vizinhos morrem de fome pouco a pouco, e o pânico de que alguém bata à porta e roube o pouco alimento que lhes resta é constante. O clima desse conto é esse: tensão e pânico pelo que pode acontecer. Comentários: Não achei o desfecho surpreendente (para ser honesta, eu suspeitei que seria como foi), mas gostei dele. Foi um dos melhores e mais “aterrorizantes”.

o vilarejo 2

As Irmãs Vália, Velma e Vonda: aqui, conhecemos as três irmãs que dão nome ao conto. Vália, a mais velha, namora o belo Krieger, e sempre leva as irmãs mais novas (as gêmeas Velma e Vonda) para brincar com a amiga Jekaterina. As garotas têm o hábito de brincar de contar histórias, e cada uma é responsável por uma parte do enredo. Contudo, a tímida e insegura Vonda, sempre à sombra das irmãs, aproveita o momento de contar histórias para fantasiar um romance com Krieger. Essa obsessão acaba levando a garota para caminhos obscuros, que mudam a vida de todos eles. Comentários: É um conto estranho, não gostei muito.

o vilarejo 3

O Negro Caolho: nesse conto, o vilarejo é surpreendido pela chegada de um homem negro, estrangeiro e muito forte. Ele é capturado por Ivan, o ferreiro, e é quase executado em nome do medo e do preconceito. No último segundo, entretanto, a doce Helga impede a barbárie, defendo o homem perante todos e o acolhendo em sua casa para ajudá-la nas tarefas domésticas e no cuidado com seu bebê recém-nascido. Helga descobre que o homem se chama Mobuto e veio da África em busca das filhas, que foram sequestradas. Porém, com o passar do tempo, a solidão de Helga – cujo marido, o capitão Dimitri, está ocupado na guerra civil que começou na capital – faz com que suas atitudes sejam cada  vez menos humanas em relação a Mobuto. Comentários: Achei esse um dos piores contos, principalmente pela mudança brusca e meio sem sentido no comportamento de Helga. 😦 Sim, dá pra entender a frustração e a solidão da personagem, mas pra mim os fatos não justificam a reviravolta na sua personalidade.

o vilarejo 4

A Doce Jekaterina: aqui, conhecemos Mikhail, o ferreiro do vilarejo. Desprezível e pervertido, o homem passa seu tempo livre gastando as poucas moedas que tem com prostitutas na capital. Em uma dessas noites, vê uma garota muito jovem sendo acariciada por um homem muito velho, cena que o excita como nada havia excitado. De volta ao vilarejo e com uma vontade não saciada, ele fica obcecado pela jovem Jekaterina, filha do vizinho. Ele a persegue e analisa toda a sua rotina, até que, na primeira oportunidade, abusa da menina. E, por meio de ameaças, ele continua abusando dela por anos. Porém, o passado volta para cobrar o seu preço. Comentários: Esse foi o conto que me deixou mais enojada e com raiva. Nojo e revolta definem a leitura.

o vilarejo 5

A Verdadeira História de Ivan, o Ferreiro: nesse conto, descobrimos que o ícone de masculinidade e dedicação do vilarejo, Ivan, não passa de uma fraude. Sua alta produção e sua dedicação ao trabalho, na realidade, são uma farsa: quem realiza todas as tarefas de Ivan são duas escravas adquiridas há muito tempo. Ivan é preguiçoso e trata as meninas como objetos, mantendo-as enclausuradas em uma jaula. Porém, a chegada de Mobuto e também do frio impiedoso trazem problemas incomparáveis a Ivan, problemas que não podem ser resolvidos utilizando suas jovens escravas. Comentários: Esse conto é cruel, principalmente no que diz respeito às condições de vida das meninas. Porém, é muito interessante ver as conexões entre os personagens, principalmente no que diz respeito ao (ótimo) desfecho.

o vilarejo 6

O Bonequinho de Porcelana da Sra. Branka: após a morte da mãe em seu nascimento, a pequena Latasha foi adotada pela avó, Branka. Porém, a vida financeira das duas foi se complicando cada vez mais com o passar dos anos. Aconselhada pelo seu contador, Branka passa a tomar atitudes drásticas para manter as finanças em dia, o que inclui tirar a neta da escola e colocá-la para trabalhar durante horas a fio. A tensão entre as duas piora quando Branka faz com que Latasha trabalhe de graça, pegando todas as moedas recebidas pela neta e colocando-as em um porquinho de porcelana dado pelo misterioso contador. A partir desse momento, mais nada pode restaurar a relação das duas, e o ódio de Latasha pela avó cresce cada vez mais. Comentários: esse conto é um tanto sem graça, e os personagens não são nem um pouco cativantes. Porém, gostei bastante do desfecho.

o vilarejo 7

Um Homem de Muitos Nomes: aqui, acompanhamos a difícil trajetória de Anatole em busca de comida. Descobrimos mais sobre o personagem e sua relação com a família ao mesmo tempo em que o vemos definhar por causa da fome e do frio. Entretanto, sua vida é salva por um velho que o encontra no meio da floresta. Além de alimentá-lo, o velho também presenteia Anatole com alimentos, para que ele volte para casa e salve sua família. Entretanto, após chegar no vilarejo e perceber o que realmente aconteceu por lá, Anatole se desespera e sai de casa em casa em busca de respostas. E ele as encontra da pior maneira possível. Comentários: talvez esse tenha sido meu conto favorito do livro. Ele encerra a história perfeitamente, até mesmo porque retoma a situação do primeiro conto. O desfecho é coerente e traz a conclusão que o livro todo tenta passar: os verdadeiros demônios moram dentro de nós.

O Vilarejo é um livro que me causou muitas expectativas – a proposta de um livro de contos de terror me lembrou muito Branca de Neve e os Sete Zumbis, do qual gostei bastante – mas tenho de admitir: ele não atendeu a todas elas. Muitos contos foram fracos, ou não causaram medo, ou ainda foram muito previsíveis. Contudo, a narrativa de Raphael Montes é envolvente e faz com que o leitor não consiga parar de ler. A maneira como ele entrelaça os contos e coloca elementos se repetindo em todo o livro, costurando todas as histórias, é incrível. A mensagem final é clara e condiz com tudo que é mostrado ao longo das páginas: o mal está nos seres humanos. Em suma, foi uma ótima leitura, apesar dos aspectos negativos. Recomendo! 🙂

Título Original: O Vilarejo
Autor: Raphael Montes
Ilustrações: Marcelo Damm
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 96
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