Resenha: Eleanor & Park – Rainbow Rowell

Oi, meu povo! Como estão?

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer por todos os comentários carinhosos e parabenizações pelo meu aniversário no post passado! Vocês são demais! ❤

Agora, em relação ao post de hoje… Lembram que eu comentei na resenha de Anexos que eu estava lendo Eleanor & Park? Pois bem, terminei a leitura e hoje trago minha opinião pra vocês! 😀

eleanor-park-rainbow-rowellGaranta o seu!

Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Fiquei muito feliz de ter dado uma segunda chance a Rainbow Rowell, mesmo não gostando muito de Anexos. Confesso que Eleanor & Park nunca me chamou muito a atenção quando eu o via na blogosfera, mas ganhei o livro de presente e foi a oportunidade perfeita para que a obra rompesse com tudo que eu pensava a respeito dela (e da autora).

Em Eleanor & Park conhecemos dois jovens de 16 anos: Eleanor, uma garota ruiva, com baixíssima autoestima (ela vive se chamando de gorda, de imensa, entre outros adjetivos pouco amigáveis), mas super inteligente e dona de um ótimo humor ácido; e Park, um garoto asiático, geek, que se veste sempre de preto e que, apesar de não ser nem um pouco popular, pelo menos consegue se manter longe de problemas. Eleanor é uma aluna nova na escola de Park e sofre bullying desde o primeiro dia, mas uma pequena atitude muda tudo: ela senta ao lado de Park no ônibus escolar. Apesar da agressividade do garoto com ela nos primeiros dias, conforme Eleanor começa a espiar as HQs que Park lê, ele repara que a garota está lendo também e passa a virar as páginas mais devagar, a emprestar algumas revistas a ela sem dizer nada e, quando nos damos conta, eles se tornam amigos. E essa amizade floresce em um primeiro amor da adolescência cheio de descobertas e borboletas no estômago, com muitas referências nerds e rock n’ roll.

O enredo parece clichê, não parece? O casal esquisito que encontra conforto um no outro, o primeiro romance, as primeiras experiências… mas Eleanor & Park é muito mais do que isso. O livro traz temas muito importantes, como bullying, abuso e violência doméstica. Narrado em terceira pessoa, com perspectiva ora de Eleanor, ora de Park, o livro nos dá um panorama muito maior do que realmente acontece com os personagens, mostrando não apenas quando eles estão juntos, mas também seus problemas e inseguranças em casa. Particularmente, adoro narrativas assim. Gosto muito de conhecer os dois lados da moeda e me aprofundar em cada personagem. Acredito que isso dê muito mais emoção e crie uma conexão muito maior com eles. É o que ocorre em Eleanor & Park: eu senti seus medos, suas dúvidas e, principalmente, sofri com eles. Especialmente com Eleanor.

Eleanor é uma personagem muito bem construída. Ela tem qualidades incríveis, mas também falhas. Só que é possível compreender porque ela age da maneira que age, porque ela tem uma postura tão “defensiva” em relação a Park por mais que, por dentro, ela esteja explodindo de tanto amor. Como dizem por aí, nós não somos capazes de dar algo que não recebemos, não é mesmo? E Eleanor não recebe amor, nem carinho, nem cuidado. Então, para ela, é difícil retribuir. Park, por outro lado, vive em uma família bem estruturada. Apesar dos problemas com o pai – situação pela qual muitos de nós passamos, aquela fase em que sentimentos que nossos pais nunca nos entendem –, ele tem uma família com a qual pode contar. E isso faz TODA a diferença na forma com a qual ele expressa seus sentimentos. Ele é um amor, é impossível não se apaixonar por ele! Mas quem realmente roubou a cena, pra mim, foi Eleanor. Foi muito difícil pra mim ler as partes referentes a ela, porque eu senti muita coisa: pena, dor, angústia, revolta e raiva. Senti vontade de chacoalhar a mãe dela inúmeras vezes, mas ao mesmo tempo eu tentava lembrar de que muitas mulheres não conseguem sair de situações de abuso por medo. Ainda assim, foi difícil controlar a minha raiva e revolta em relação a ela.

Enfim, Eleanor & Park foi uma leitura excelente. Eu diria até que foi a segunda melhor do ano, atrás apenas de Como Eu Era Antes de Você. É um livro que toca em temas sensíveis e tem momentos pesados, mas com uma narrativa tranquila, o que equilibra o tom do livro. Rainbow Rowell trouxe uma obra romântica, nostálgica (afinal, quem nunca sentiu borboletas no estômago ao se apaixonar?) e delicada, que realmente mexe com as emoções do leitor. Recomendo muito!

Título Original: Eleanor & Park
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Número de páginas: 328
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Resenha: Anexos – Rainbow Rowell

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje trago pra vocês minhas impressões sobre o primeiro livro que li da Rainbow Rowell: Anexos!

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Sinopse: Beth Fremont e Jennifer Scribner-Snyder sabem que alguém está monitorando seus e-mails de trabalho. (Todo mundo na redação sabe. É política da empresa.) Mas elas não conseguem levar isso tão a sério, e continuam trocando e-mails intermináveis e infinitamente hilariantes, discutindo cada aspecto de suas vidas. Enquanto isso, Lincoln O’Neill não consegue acreditar que este é agora o seu trabalho ler os e-mails de outras pessoas. Quando ele se candidatou para ser agente de segurança da internet, se imaginou construindo firewalls e desmascarando hackers e não escrevendo um relatório toda vez que uma mensagem esportiva vinha acompanhada de uma piada suja. Quando Lincoln se depara com as mensagens de Beth e Jennifer, ele sabe que deveria denunciá-las. Mas ele não consegue deixar de se divertir e se cativar por suas histórias. No momento em que Lincoln percebe que está se apaixonando por Beth, é tarde demais para se apresentar. Afinal, o que ele diria…?

Desde que li @mor, do Daniel Glattauer, eu passei a curtir muito livros cuja narrativa envolvem cartas, e-mails, trocas de mensagens, e por aí vai. Por isso, escolhi conhecer a escrita de Rainbow Rowell (autora super elogiada na blogosfera) por meio de Anexos, que tem parte de sua história contada em e-mails. O livro se divide em duas narrativas: na primeira acompanhamos a troca de mensagens entre Beth e Jennifer, duas amigas que trabalham no mesmo jornal, o The Courier; na segunda, acompanhamos a rotina de Lincoln, um técnico de informática contratado pelo jornal para ler e acompanhar todos os e-mails, a fim de enviar advertências para os funcionários que utilizarem a ferramenta de modo não profissional. Porém, ao ler as divertidas mensagens que Beth e Jennifer enviam uma para a outra, Lincoln começa a se afeiçoar a elas, decide não enviar nenhuma advertência e passa a acompanhar todas as conversas como um espectador. O problema real se dá quando Lincoln se apaixona por Beth, já que ele jamais poderia contar a verdade a ela (afinal, seria bem creepy).

Bom, a premissa do livro parece super leve e divertida: o cara da TI atrapalhado se apaixona pela mulher inatingível de uma maneira doida. Praticamente um filme da Sessão da Tarde, né? Pois é, eu gosto de romances assim, costumam me fazer rir e acho que são uma ótima maneira de passar o tempo. De fato, era super gostoso acompanhar as conversas de Beth e Jennifer e eu entendo porque Lincoln quis continuar lendo suas mensagens: as duas são engraçadas, carismáticas e cheias de personalidade. Jennifer é casada, mas morre de medo de ser mãe; Beth namora desde a faculdade, mora com o namorado e sonha em se casar, mas Chris (seu namorado) está mais preocupado com a sua banda e seu sonho de ser rockstar. Ou seja, não faltam desabafos e comentários interessantes nas conversas das duas. O grande problema do livro tem nome: Lincoln.

Lincoln seria o tipo de personagem pra quem eu torceria e por quem eu me afeiçoaria: ele é o típico good guy. O problema é que, lendo os capítulos narrados pela perspectiva dele, é impossível não pensar que ele é um loser. Ele é assombrado pelo fracasso de sua única experiência amorosa (foi traído pela ex, seu primeiro amor), mora com a mãe, não tem a menor ambição de sair de casa e é extremamente acomodado na vida. Ele odeia trabalhar à noite vigiando os e-mails do jornal, mas ainda assim não busca outro emprego. Ele se incomoda com a mãe dando pitaco sobre tudo, mas ainda assim acha conveniente morar na casa dela. Toda a narrativa dele é arrastada, cheia de autopiedade e estagnação, o que fez eu não curtir o personagem do início ao fim por puro cansaço.

Um dos pontos positivos do livro foi que todos os personagens tiveram evolução. Tanto Jennifer quanto Beth passaram por situações difíceis ao longo da história e tiveram coragem para tomar as decisões necessárias. Lincoln, ao “conviver” com as garotas, também se transformou, tornando-se alguém mais corajoso e dono da própria vida. Gosto de ver personagens que melhoram ao longo do enredo e, nesse caso, me senti “recompensada” pela paciência que dediquei a essa leitura. Outro aspecto positivo foram os companheiros de RPG de Lincoln: são aqueles amigos divertidos que todo mundo adoraria ter. 🙂

Anexos não foi um livro que fez eu me apaixonar por Rainbow Rowell e fiquei um tanto decepcionada, considerando os elogios que a autora recebe. A leitura tinha momentos ótimos (em especial nos capítulos de Jennifer e Beth), mas sempre que o ponto de vista era focado em Lincoln eu me sentia extremamente cansada e entediada. Acredito que foram páginas demais pra uma história relativamente simples. Eu não leria mais nada da autora, mas ganhei Eleanor & Park de presente e resolvi dar uma segunda chance (ainda bem, tô adorando!). Em suma, Anexos não foi uma leitura ruim, mas também não foi nem um pouco memorável.

Título Original: Attachments
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Número de páginas: 368
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