Dica de Série: Ordeal by Innocence

Oi meu povo, tudo certinho? 

Tirei 10 dias de férias agora em junho e aproveitei pra conferir várias minisséries baseadas em obras da Agatha Christie. Confesso que depois da experiência maravilhosa que tive com And Then There Were None, minhas expectativas estavam bem altas! Escolhi começar por Ordeal by Innocence, uma minissérie de 3 episódios da BBC baseada em uma obra da Rainha do Crime. 😉

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Sinopse: No Natal de 1954, Rachel Argyll (Anna Chancellor), conhecida por seus trabalhos filantrópicos, é assassinada em sua propriedade familiar Sunny Point. Seu filho adotivo, Jack Argyll (Anthony Boyle), é condenado à prisão por sua morte, mas o jovem nega veementemente todas as acusações. Resta saber se seu depoimento é verdadeiro.

Rachel Argyll, matriarca de uma rica família inglesa, é assassinada brutalmente na própria mansão na véspera de Natal. Conhecida pela filantropia e por ter adotado seus cinco filhos, o caso fica ainda mais sórdido quando um deles, Jack, é acusado e preso – o garoto-problema da família, sempre envolvido em brigas e polêmicas. Jack, contudo, insiste em sua inocência, alegando ter como álibi um rapaz que lhe deu carona para um pub (rapaz este que nunca foi encontrado). Para piorar a tragédia que assombra os Argyll, Jack é assassinado na prisão, após se envolver em uma briga com outro detento. Um ano e meio depois, quando a família parece estar superando o trauma, um rapaz misterioso – Dr. Arthur Calgary – bate à porta e alega ser o álibi de Jack. E essa atitude coloca todos os segredos da família em xeque.

Ordeal by Innocence é uma série que cria uma atmosfera de desconfiança desde o primeiro episódio. As circunstâncias envolvendo a morte de Rachel são suspeitas, o autor do crime parece óbvio demais e, para ajudar, o aparecimento de Arthur (que aparenta ser também uma pessoa de muitos segredos) mexe com os ânimos de todos os Argyll de modo muito estranho. Esse é o primeiro ponto positivo na série: incitar a desconfiança de cada membro da família, bem como das motivações do próprio Arthur, foi um excelente modo de criar tensão e confusão no espectador.

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Com o desenrolar dos episódios, vamos descobrindo mais sobre o passado da família, inclusive a relação entre os irmãos e Rachel. Diferente do que ela inicialmente aparentava ser, Rachel é uma mulher exigente, crítica e aparentemente incapaz de demonstrar sentimentos pelos filhos. Obviamente essa faceta da personagem faz com que cada um dos membros da família se tornem ainda mais suspeitos, pois ada Argyll tem seus motivos particulares para se ressentir de Rachel. O fato de, segundo Arthur, Jack ser inocente e o(a) assassino(a) continuar à solta causa aflição no espectador, que sabe que há um perigo iminente pairando na mansão dos Argyll, podendo agir a qualquer momento.

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As relações familiares são um dos maiores mistérios e também trunfos de Ordeal by Innocence. Os irmãos são (ou foram) unidos, mas também estão marcados pelas tragédias que assolaram a família. Além disso, eles têm suas próprias mágoas envolvendo uns aos outros e a própria mãe; Mary, a primeira a ser adotada, é um bom exemplo disso: sentindo rancor da mãe por não ter sido amada e inveja dos irmãos, que ela alega terem estragado tudo, seus sentimentos são bastante complexos. Há também Kirsten, a empregada da casa, que tem uma relação de grande proximidade com os filhos de Rachel – mas que carrega uma aura pesada, como se tivesse um segredo pesado em seus ombros.

A série faz um ótimo trabalho em desmascarar aos poucos os personagens. Aliás, como eles são poucos, o aprofundamento de cada um é o suficiente para a proposta da trama. As atuações também são ótimas e eu gostei muito de cada membro do elenco (que conta com um nome de peso, Bill Nighy, o Rufus Scrimgeour de Harry Potter). A ambientação, os figurinos e a fotografia são de grande qualidade, nos transportando para a época na qual a série se passa (1954, mais especificamente). O único ponto fraco que me incomodou ocorreu, talvez, no terceiro episódio; a série, que vinha mantendo minha desconfiança em todos os personagens, acabou dando uma informação cedo demais, o que me fez desconfiar do(a) culpado(a) e não sentir o grande “wow” no momento da revelação.

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Ordeal by Innocence é uma ótima minissérie, trazendo um elenco muito competente e um ritmo bastante envolvente. Com personagens bem desenvolvidos (com qualidades, defeitos e atitudes verossímeis), é uma trama que mescla muito bem as relações familiares e um bom mistério. Recomendo, especialmente se você curte Agatha Christie ou obras policiais em geral. 😉

Título original: Ordeal by Innocence
Ano de lançamento: 2018
Direção: Sandra Goldbacher
Elenco: Anthony Boyle, Anna Chancellor, Morven Christie, Bill Nighy, Luke Treadaway, Eleanor Tomlinson, Ella Purnell, Christian Cooke, Crystal Clarke, Matthew Goode, Alice Eve