Top 5 livros favoritos de 2020

Oi gente, tudo bem?

Acho que muitos de vocês podem concordar comigo sobre 2020 não ser um ano do qual queremos lembrar. Por isso, a única retrospectiva que me sinto bem em fazer é a literária, na esperança de que talvez eu possa dar algumas ideias bacanas de livros pra 2021.

O isolamento me deu bastante tempo livre e esse ano consegui concluir 34 livros. Sei que na blogosfera literária esse não é um número estrondoso, mas acreditem: pra mim é uma conquista. O blog nasceu láaa em 2014 com o intuito de me incentivar a ler mais, já que na época eu tinha sido consumida pela faculdade, portanto ver o quanto eu retomei esse hábito me enche de alegria. ❤ Enfim, sem mais delongas, vamos ao Top 5!

5º lugar:
Abelardo: O Bebê Monstruoso de Adelaide Estes

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Aos 45 do segundo tempo, uma leitura feita no final do ano conseguiu figurar entre as melhores de 2020. Abelardo foi resenhado recentemente aqui no blog e conta a história de uma jovem que cai em um sono profundo e só acorda quando está dando à luz um filho que ela nem sabia que esperava. Enquanto tenta descobrir o mistério por trás de seu decúbito, a jovem Adelaide também precisa descobrir se há algo errado com seu bebê, cuja personalidade feroz e violenta faz sua mãe acreditar que há algo de sobrenatural na situação.

4º lugar:
Filhos de Sangue e Osso

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Uma fantasia que explora a cultura iorubá e cujos personagens são em quase sua totalidade negros já são motivos suficientes pra que você coloque Filhos de Sangue e Osso na sua lista de leituras. Foi muito bacana aprender mais sobre religiões de matriz africana e, principalmente, ler uma obra fantástica que foge do padrão eurocêntrico. Filhos de Sangue e Osso tem ação, romance, uma mitologia envolvente e um universo ricamente construído que gira em torno dos maji – pessoas extraordinárias capazes de manipular a magia – e das consequências cruéis do medo e do preconceito.

3º lugar:
O Peso do Pássaro Morto

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Esse foi um livro que mexeu muito comigo e não poderia estar de fora das posições privilegiadas desse “pódio”. Aline Bei conta a história de vida de uma mulher que conheceu a tragédia desde cedo e teve sua história marcada por dores e angústias. Apesar de ser um livro pesado e doloroso, a narrativa é bastante singela e delicada, inclusive poética. É uma obra tocante, que mexe com os nossos sentimentos e nos faz refletir sobre as circunstâncias que nos levam a ser quem somos.

2º lugar:
Verity

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Imaginem se a fã de thrillers não colocaria um deles na lista de leituras favoritas, né? Verity foi minha primeira experiência com a Colleen Hoover e foi… marcante. A obra acompanha uma ghostwriter, Lowen, que tem a missão de finalizar as obras da famosa Verity Crawford – que está em estado vegetativo após um acidente. Enquanto pesquisa os arquivos de Verity em sua casa, Lowen descobre um manuscrito perturbador: trata-se da autobiografia de Verity, que narra sua relação intensa com o marido e segredos sobre seus filhos (inclusive sobre as tragédias que atingiram a família). Verity é um thriller de arrepiar, cheio de cenas angustiantes e impossível de largar até descobrirmos a verdade.

1º lugar:
Teto Para Dois

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Eis meu queridinho de 2020! ❤ Eu soube que favoritaria Teto Para Dois poucos capítulos após iniciar a leitura. A obra acompanha Tiffy e Leon, que firmam um acordo peculiar: dividirem o mesmo apartamento que, pasmem, tem apenas uma cama. Como isso pode funcionar? Tiffy trabalha durante o dia e Leon, à noite. O que começa com um contrato de aluguel pouco ortodoxo se desenvolve para uma amizade alimentada por troca de bilhetes e gentilezas. Mas, por mais que Teto Para Dois pareça apenas uma comédia romântica, o livro trata de assuntos muito mais complexos, como relacionamento abusivo, de uma forma sensível, mas realista. É uma leitura que evidencia o quão difícil pode ser a recuperação desse tipo de trauma, mas que enche o nosso coração de esperança e causa aquele quentinho gostoso conforme viramos as páginas. Muito amor envolvido!

E quais foram as leituras favoritas de vocês esse ano?
Me contem nos comentários, vou adorar saber! ❤

Aproveito para desejar que 2021 seja melhor para todos nós. Que seja um ano de saúde, que nos possibilite abraçar de novo, que nos ajude a superar tudo que vivemos nesse período tão conturbado. Resumindo, desejo muita luz a vocês! Feliz Ano Novo

Resenha: O Peso do Pássaro Morto – Aline Bei

Oi gente, tudo bem?

O post de hoje é sobre uma leitura que mexeu muito comigo recentemente: O Peso do Pássaro Morto. Peguem os lencinhos!

o peso do passaro morto aline beiGaranta o seu!

Sinopse: A vida de uma mulher, dos 8 aos 52, desde as singelezas cotidianas até as tragédias que persistem, uma geração após a outra. Um livro denso e leve, violento e poético. É assim O peso do pássaro morto, romance de estreia de Aline Bei, onde acompanhamos uma mulher que, com todas as forças, tenta não coincidir apenas com a dor de que é feita.

Contando a história de uma mulher dos 8 aos 52 anos de forma poética e reflexiva em primeira pessoa, O Peso do Pássaro Morto nos transporta para a mente e para o coração dessa personagem que desde o início da vida foi marcada pela dor. O primeiro capítulo se passa quando ela é uma menina de 8 anos, e a linguagem lúdica transmite o raciocínio imaginativo de uma criança. Essa inocência não demora a sofrer um baque ao ser exposta a duas perdas que vão marcar a sua vida: a de Seu Luís, um benzedeiro que cuidava dela e de sua família, e de sua melhor amiga, Carla. A protagonista conhece a solidão cedo demais e, na ausência de sua amiga, ela se vê numa escola nova, sem amigos e sem nenhum referencial de beleza e alegria que tinha até então. Pensar (e sentir, por meio da narrativa) em uma criança sofrendo isso já é suficiente para nos deixar de olhos marejados.

Mas a tristeza da protagonista não acaba nesse momento. Aos 17 ela é marcada por uma violência sexual que redefine toda a sua vida: ela é estuprada, não tem coragem de dizer o que aconteceu, se vê grávida e dando à luz o filho do homem que destruiu os seus sonhos e o seu futuro. Conforme os capítulos (ou seja, os anos) se passam, ela divide com o leitor as suas angústias e percebemos que nada do que ela planejava se realizou: se ela pretendia ser uma aeromoça e conhecer o mundo, agora ela se vê presa a um escritório tendo que sustentar sozinha o filho que ela nunca quis. E essa rejeição é um dilema e uma dor com a qual ela convive todos os dias.

Conforme Lucas, seu filho, cresce, vai ficando mais nítido que o afastamento dele para uma universidade é um alívio para ambos. A conexão entre os dois nunca aconteceu e, por mais que ela se esforce, a verdade é que olhar para Lucas é lembrar da sua agressão. Sua vida foi marcada por tragédias e a maior delas é ter um filho que ela nunca conseguiu amar. A melancolia presente nesse fato é sufocante, e a gente torce com todas as forças para que a protagonista consiga encontrar alguma fonte de esperança na sua rotina. E a esperança vem na forma de um cachorro vira-lata que ela decide adotar, Vento. Ao lado dele a vida ganha cor de novo e os dias são marcados pelo amor que ela nunca sentiu. São nessas páginas que a narradora (e o leitor) sente um pouco de alívio frente a todas as tristezas que inundam as páginas.

resenha o peso do passaro morto

O Peso do Pássaro Morto é um relato poético e melancólico das mazelas da vida de uma mulher que, desde muito cedo – cedo demais –, teve tudo tirado de si. A inocência, os sonhos, a vontade de viver. A morte ao seu redor e a morte da sua própria essência marcam cada linha do livro, e nossa protagonista de fato parece um passarinho que caiu da árvore sem sequer ter a chance de voar. É muito difícil não derramar algumas lágrimas conforme as páginas avançam, porque além do realismo presente nelas, nos deparamos também com uma grande sensibilidade pra narrar tanto desalento.

Eu amei a experiência de ler O Peso do Pássaro Morto, mas entendo também que ele não seja um livro pra qualquer momento. Eu acho inclusive que escolhi um momento complicado para lê-lo, e fiquei triste por alguns dias após terminá-lo. Então meu conselho é que você dê uma chance a essa leitura quando se sentir emocionalmente forte e menos vulnerável, pra que essa experiência não seja mais triste do que precisa ser. E, quando esse momento chegar, leia O Peso do Pássaro Morto. É um livro do qual é impossível esquecer.

Título original: O Peso do Pássaro Morto
Autora: Aline Bei
Editora: Nós
Número de páginas: 168
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