Resenha: O Jogo da Mentira – Ruth Ware

Oi gente, tudo bem?

Depois de ter adorado A Mulher na Cabine 10, fiquei super empolgada ao descobrir que a Editora Rocco publicaria o novo livro de Ruth Ware, O Jogo da Mentira. Vamos descobrir o que eu achei dele?

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Sinopse: A obra acompanha Isa, jovem que quando recebe o chamado de Kate, uma de suas mais antigas amigas, sabe que tem que voltar para o local onde passou o melhor semestre de sua vida. Até que para ajudar a amiga, Isa, Fatima e Thea tomam uma decisão que para sempre assombrará suas vidas.

Preciso de vocês. Essas três palavras são capazes de virar de cabeça para baixo a vida de Isa Wilde, a protagonista-narradora de O Jogo da Mentira. Enviadas por Kate, sua amiga dos tempos da escola, fazem com que não apenas Isa corra para encontrá-la, como também as outras duas mulheres que faziam parte de um quarteto inseparável, Fatima e Thea. Mas por quê uma frase tão “inofensiva” pode causar tanto alvoroço? O que torna o encontro de Isa, Fatima, Thea e Kate tão emergencial? Esses são os primeiros mistérios (mas não os únicos) que O Jogo da Mentira apresenta.

Com uma narrativa nem sempre linear, vamos descobrindo aos poucos a maneira como o quarteto inseparável – formado pelas já mencionadas Isa, Fatima, Thea e Kate – se conheceu, como a amizade se fortaleceu e como o Jogo da Mentira, que dá título ao livro, começou. Por motivos diferentes, cada uma delas foi enviada a um colégio interno localizado na cidade costeira de Salten. Kate era filha de um dos professores da escola, Ambrose, e era a única que tinha família e casa por perto; consequentemente, o lugar acabou se tornando o abrigo e o refúgio das outras três meninas, que em plena adolescência sentiam-se desamparadas e em busca da própria identidade. Além das quatro, Luc (irmão adotivo de Kate) completava o grupo, do qual Ambrose cuidava com carinho e afeto. Mas há algo de muito sombrio no passado das garotas, relacionado ao desaparecimento repentino de Ambrose e à sua expulsão da Salten House, que aos poucos vai sendo revelado ao leitor, conforme Isa adentra em memórias contra as quais lutou a vida inteira.

O título do livro se dá por uma brincadeira que as amigas faziam na adolescência, que consistia em enganar o máximo possível de pessoas e contabilizar pontos por isso. Porém, existiam regras, e uma das mais importantes era “não mintam umas para as outras”. Será que essa regra foi cumprida? Quando um osso humano é encontrado no rio Reach, que banha a cidade de Salten, o grupo é obrigado a enfrentar lembranças que ainda não cicatrizaram. E esse mistério (que acaba sendo um tanto previsível, apesar de não ser o único da trama) demora um bocado para ser solucionado, o que está relacionado a um dos problemas do livro: a falta de objetividade.

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Permeando o presente e o passado, a autora foca em transmitir as aflições de Isa sobre suas atitudes enquanto adolescente e também enquanto adulta. Em uma relação estável e com uma filha de apenas seis meses, Isa passa a temer não apenas por si mesma, mas pela pequena Freya (Isa, você realmente não deveria levar sua filha para situações tão arriscadas, mulher!). O remorso pelo passado somado às ameaças que sua amiga Kate sofre no presente e às inconsistências em alguns de seus discursos fazem com que Isa questione tudo aquilo que acreditou a vida toda. Com o passar das páginas, vai ficando cada vez mais difícil confiar em quem a rodeia, ainda que não saibamos o porquê dessa sensação, já que a amizade do grupo parece a única coisa sólida em toda a trama, em que até mesmo o cenário parece estar prestes a ruir.

O Jogo da Mentira por si só acaba tendo um papel menos importante do que aparenta de início, já que a trama não gira ao redor da brincadeira venenosa das amigas. A história acaba se transformando em uma espécie de drama, abordando diversos outros assuntos: há a sensação de se sentir perdida, a busca por uma conexão real, o conforto que uma amizade pode oferecer, o desejo de proteger quem amamos independentemente do custo (e os sacrifícios exigidos para isso), as consequências psicológicas dos nossos atos… Por meio de um mistério, Ruth Ware desenvolve as diversas emoções e anseios de suas personagens, todas mulheres fortes a seu próprio modo.

O Jogo da Mentira é uma obra bacana e com um final que conecta todas as pontas soltas, mas que deve ser considerado mais um drama sobre mistérios e mentiras do que um thriller propriamente dito. Com o passar das páginas, vamos conhecendo os fantasmas das protagonistas, desenterrando seus segredos e mergulhando mais fundo em seu remorso, mas não é fácil fugir dos erros do passado. E esse é um dos pontos de interrogação da trama: até que ponto é possível viver uma vida plena baseada em uma mentira? Independentemente da resposta, algo é inegável: a lealdade que Isa, Kate, Fatima e Thea sentem uma pela outra. E é essa relação o grande destaque da obra que, apesar de não ser perfeita, me proporcionou uma ótima experiência de leitura.

Título Original: The Lying Game
Autor: Ruth Ware
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.