Dica de Série: O Homem das Castanhas

Oi galera, tudo bem?

Eu tava devendo pra vocês a dica de hoje há um tempinho, mas cá estou pra me redimir e contar o que achei de O Homem das Castanhas, série policial da Netflix que adapta o romance As Sombras de Outubro (já resenhado aqui no blog).

Sinopse: Um boneco feito com castanhas é encontrado na cena de um crime e leva dois detetives a caçar um assassino ligado ao desaparecimento de uma criança.

A trama da série segue de forma muito fidedigna a do livro: acompanhamos uma dupla de policiais, Thulin e Hess, correndo contra o tempo para capturar um assassino que logo se torna conhecido como Sr. Castanha. Seus crimes são brutais e não deixam rastros, sendo a única pista possível um bonequinho de castanha deixado no lugar do assassinato. Acontece que nesse bonequinho é identificada a digital da filha da Ministra do Bem-Estar Social, que foi dada como desaparecida e morta no ano anterior.

Eu já esperava que a série fosse adaptar com fidelidade o livro, já que ele foi escrito por um roteirista – ou seja, as cenas já eram muito bem pensadas pra televisão. Søren Sveistrup se envolveu na produção e no roteiro de O Homem das Castanhas, então todo o clima aflitivo do livro acontece, com a vantagem de que a série melhora alguns aspectos que eu não havia curtido tanto na obra original (enquanto mantém outros rs).

A maior diferença positiva está nos protagonistas. Se no livro eu não “comprei” a parceria entre Hess e Thulin, aqui ela se desenvolve de forma mais orgânica. A própria Thulin é uma personagem da qual não gosto nas páginas, mas que conseguiu me cativar na tela. Diferente de sua contraparte literária, temos uma detetive mais empática e menos rabugenta, ainda que continue badass e competente. Ela se envolve mais nas deduções importantes e se torna um elemento que faz a diferença na investigação. Hess, por outro lado, é como imaginei e gostei bastante de vê-lo personificado. A única diferença que não caiu tão bem são seus estouros de raiva, que no livro não acontecem e achei meio fora do personagem. Mas nem só de elogios vivemos: quem leu a resenha talvez se lembre que reclamei dos personagens tomando atitudes burras (tipo entrar sozinho num lugar escuro). Pois é, elas acontecem, e sim, ainda irritam rs.

A ambientação e a trilha sonora da série são excelentes pra criar o clima sombrio que o thriller pede. As paisagens geladas e inóspitas do cenário nórdico casam perfeitamente com a tensão que os personagens experienciam, onde não há espaço para um minuto de paz porque a polícia está sempre muito atrás dos passos do assassino. Cada episódio traz cada vez mais desafios aos detetives, a investigação vai ficando cada vez mais complexa, e isso faz com que seja muito fácil dar o play e maratonar. A única ressalva é que, na adaptação televisiva, achei mais fácil adivinhar quem é a pessoa por trás dos crimes.

Outro aspecto muito bacana em O Homem das Castanhas é que a série coloca um enfoque maior em problematizar/evidenciar a diferença na cobrança de homens e mulheres nos seus papéis como pais. Thulin, por exemplo, é uma mãe bastante ausente por conta do trabalho, e no livro isso é pouco trabalhado. Na série, porém, não somente a mágoa de sua filha é abordada como também Thulin é criticada em determinado momento por conta dessa ausência. Acontece que a detetive não deixa por menos, se posicionando como alguém que não é uma mãe pior apenas porque precisa trabalhar. Sim, a ausência dela é um problema, mas ela está fazendo tudo que está ao seu alcance para encerrar o caso, trocar de departamento e ficar mais perto da filha. A frase seguinte pode ser um spoiler, mas é importante pra esse debate, então pule se não quiser ler: por que o assassino foca seus esforços nas mães que ele julga negligentes em vez de nos pais, que muitas vezes são as pessoas que realmente machucam e prejudicam os filhos? Confesso pra vocês que fico até um pouco incomodada de sempre ver mulheres sendo vítimas desses atos de violência brutais em tramas envolvendo serial killers, porque realmente me dói pensar no sofrimento dessas mulheres.

Resumindo, galera, eu curti muito O Homem das Castanhas e achei que a adaptação fez um trabalho excelente ao trazer a história das páginas para a tela. Se você gosta de romances policiais instigantes e cheios de tensão, essa minissérie é uma ótima pedida pra você. E, assim como no livro, apesar da trama terminar bem fechadinha, há potencial para expandir para uma nova temporada se a Netflix quiser. Quem sabe? 😉

Título original: The Chestnut Man
Ano de lançamento: 2021
Criação: Søren Sveistrup, Dorte W. Høgh, David Sandreuter, Mikkel Serup
Elenco: Danica Curcic, Mikkel Boe Følsgaard, Iben Dorner, David Dencik, Esben Dalgaard Andersen