Review: O Doador de Memórias

Oi gente!

Fui ao cinema essa semana assistir a O Doador de Memórias, filme baseado no livro de Lois Lowry (publicado originalmente em 1993) e o post de hoje é sobre ele! 😀

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Sinopse: Uma pequena comunidade vive em um mundo aparentemente ideal, sem doenças nem guerras, mas também sem sentimentos. Uma pessoa é encarregada a armazenar estas memórias, de forma a poupar os demais habitantes do sofrimento e também guiá-los com sua sabedoria. De tempos em tempos esta tarefa muda de mãos e agora cabe ao jovem Jonas (Brenton Thwaites), que precisa passar por um duro treinamento para provar que é digno da responsabilidade.

O filme começa ambientando o espectador à atual situação da comunidade na qual a história se passa: para manter a paz, a sociedade se organizou de modo a inibir qualquer tipo de comportamento violento ou nocivo à coletividade e, para isso, tudo é planejado e determinado por um grupo de Anciãos. As pessoas nascem de maneira controlada, são designadas a famílias e, ao atingirem certa idade, os Anciãos também decidem qual será o seu trabalho. As mentiras são proibidas, o vocabulário não inclui sentimentos intensos (como o amor, por exemplo) e todos os dias as pessoas recebem doses diárias de medicação para mantê-las “saudáveis”. Além disso, não há memórias do passado. Apenas uma pessoa as detém, e as utiliza para aconselhar e guiar os Anciãos.

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É nesse contexto em que conhecemos Jonas, o protagonista. Diferente das outras pessoas, ele já é capaz de enxergar nuances de cor em alguns momentos, além de demonstrar sentimentos mais vívidos em relação aos amigos – principalmente em relação à Fiona, sua melhor amiga. O trio de amigos (Jonas, Fiona e Asher) passa pela Seleção que vai definir suas profissões e Jonas é escolhido para ser o próximo Recebedor de Memórias, aquele que terá acesso a todas as lembranças do passado para, com elas, aconselhar os Anciãos e a comunidade. Ele começa o treinamento com o Doador de Memórias, um homem melancólico que perdeu sua última Recebedora, que não foi capaz de suportar a dor das lembranças ruins. E então, conforme o treinamento começa e Jonas passa a experimentar as sensações proporcionadas pelas memórias que recebe, ele passa a ficar incrédulo e posteriormente revoltado com o fato dos Anciãos terem optado por abrir mão de todas aquelas vivências.

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O mais interessante no filme é que boa parte dele é em preto e branco. Esse recurso faz com que o espectador se sinta parte daquela sociedade, vendo tudo sem cores, sem diferenças, sem nada de atrativo ou de peculiar. A mesmice é incentivada e é fundamental para que tudo dê certo naquele sistema. Aos poucos, conforme Jonas vai descobrindo novas sensações e memórias, a cor começa a fazer parte da vida dele e, consequentemente, “da vida” de quem assiste ao filme. Ainda falando sobre as sensações que Jonas vivencia, devo dizer que minhas partes favoritas do filme eram a troca de memórias entre Jonas e o Doador. Diversas cenas escolhidas de forma quase aleatória do cotidiano de diversas culturas eram mostradas rapidamente: as cenas trazem cor, alegria, emoção. Meus olhos se encheram de lágrimas algumas vezes e eu achei essa uma grande sacada do filme.

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Eu não me apeguei particularmente a nenhum personagem, e o único que chamou a minha atenção foi o Doador. Ele tinha um passado interessante e motivações consistentes, mas isso foi muito pouco aproveitado no enredo. A “vilã”, interpretada pela consagrada Meryl Streep, na verdade não era uma pessoa realmente má: ela apenas acreditava, como todo mundo naquela comunidade, que o mundo da maneira em que viviam era melhor, e que o ser humano não era capaz de fazer escolhas certas se fosse lhe dada a chance de escolher. Apesar de saber sobre o passado, ela nunca tinha experimentado as emoções como o Doador fizera. Portanto, não consegui sentir “raiva” dela por agir da maneira que agia. Essa falta de desenvolvimento mais aprofundado dos personagens foi um ponto que me fez não criar nenhum vínculo maior com nenhum deles.

Não posso deixar de expressar minha decepção com o final. Nos últimos minutos o filme ganha um ritmo inesperado e intenso, que difere bastante do ritmo que vinha tendo até então. O desfecho me deu a sensação de que faltavam alguns minutos para que ele fosse apresentado apropriadamente e me senti um pouco frustrada com o quão aberto o fim se mostrou. Não sei se haverá continuação ou não, mas me senti decepcionada e achei um fim fraco e pouco satisfatório, infelizmente.

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Eu gostei de assistir O Doador de Memórias porque a história é interessante e algumas cenas valem a pena. Mas seria mentira dizer que o considerei um filme realmente bom. Ele me entreteve durante sua duração, mas me frustrou com o seu desfecho. Fiquei curiosa a respeito de alguns temas que o filme não aborda (como, por exemplo, a maneira que se dá a transferência de memórias e como alguém nasce “destinado” a isso). Não sei se o livro explica, mas minha curiosidade não é tão grande a ponto de me fazer querer correr para as páginas para descobrir as respostas. Valeu a experiência, mas não é um filme que tenha me marcado, infelizmente.

Título original: The Giver
Ano de lançamento: 2014
Direção: Phillip Noyce
Elenco: Brenton Thwaites, Jeff Bridges, Meryl Streep