Resenha: Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja – Mindy Mejia

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei do ótimo suspense Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja.

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Sinopse: Hattie Hoffman passou os 17 anos de sua vida representando papéis – de boa filha, ótima aluna, namorada ideal. Mas Hattie espera mais do que isso da vida, e o que ela deseja acaba se tornando muito, muito perigoso. Quando a jovem é encontrada brutalmente assassinada, todos da cidadezinha onde vivia ficam estarrecidos com o crime. Logo vem à tona que Hattie estava envolvida num relacionamento com potencial explosivo. A questão é: alguém mais sabia disso? Será que o namorado de Hattie seria capaz de cometer um crime, se soubesse da traição? Ou será que o comportamento impulsivo da jovem a colocou no lugar errado, na hora errada? Com uma trama repleta de reviravoltas, Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja desafia o leitor a reconhecer o tênue limite entre inocência e culpa, identidade e decepção. E fica a questão: o amor leva ao autoconhecimento ou à destruição?

Hattie Hoffman ama atuar. Sua atuação, entretanto, não se restringe aos palcos. A garota tem diversos papéis prontos que executa com maestria: aluna perfeita, filha dedicada, excelente amiga, namorada ideal. Entretanto, quando ela é encontrada brutalmente assassinada, todos em sua pequena cidade natal, Pine Valley, ficam perplexos e devastados. Com uma narrativa não linear, que alterna entre passado e presente, vamos desvendando esse mistério pela perspectiva de três personagens: Del, o xerife; Peter, o professor de inglês e amante de Hattie; e, por fim, a própria Hattie.

Além do título, a capa do livro já evidencia a principal característica da protagonista: a personalidade de Hattie é fragmentada, e não sabemos ao certo quem ela realmente é. Após sua morte, acompanhamos diversos segredos da vida da personagem sendo desvendados por meio de seus relatos e também da investigação de Del. E, para ser sincera, enquanto a garota ia sendo desvendada, foi impossível não pensar em Hattie quase que como uma sociopata. Ela é capaz de interpretar múltiplas personagens, dependendo do interlocutor, sem o mínimo de remorso, ensaiando mentalmente tudo que precisa dizer ou fazer para obter o que deseja.

Peter, por outro lado, é um personagem que inicialmente causa pena. Ele foi arrastado para o interior porque a mãe de sua esposa está doente e, desde a mudança, sua mulher parece cada vez mais distante e indiferente, fazendo pouco caso de qualquer tentativa de aproximação. Porém, não demora para que o personagem conquiste meu ranço. Quando ele descobre que a mulher com quem conversava pela internet era Hattie, sua primeira atitude é botar um ponto final na relação (o correto a se fazer). Entretanto, após muita “insistência da jovem”, Peter cede aos seus desejos quando a garota completa 18 anos, e os dois vivem um caso durante meses.

Muitas coisas me causaram incômodo nessa relação: em primeiro lugar, é um homem mais velho em uma posição de poder (professor > aluna) olhando de modo sexual para uma adolescente e se relacionando com ela; em segundo, obviamente, a traição em si; por último, mas não menos importante, o fato de que a autora coloca Hattie como a pessoa que “faz” Peter ceder. É Hattie quem insiste e “corrompe o pobre professor” até ele perder a sanidade e não resistir aos seus encantos. Essa vibe de “jovem provocante que seduz o homem mais velho relutante” é muito problemática, porque reforça o estereótipo da menina sedutora e ardilosa, a verdadeira culpada pela corrupção moral do homem. Pelo amor de Deus, Peter era o adulto na relação, ele era o responsável por tomar a atitude correta!

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Agora, falando um pouquinho sobre Del. O personagem, assim como o leitor, tenta encaixar as peças para entender o que aconteceu. Apesar de ter menos espaço narrativo do que Hattie e Peter, ainda assim conseguimos conhecer um pouco mais sobre ele e seu passado. Ele é um homem íntegro, solitário, mas que valoriza as amizades acima de tudo (em especial com os Hoffman, de quem é amigo há mais de 20 anos). Para o xerife, é extremamente doloroso investigar a morte de Hattie, devido à sua aproximação com a família. E, é claro, também é doloroso perceber como a garota vivia uma vida de segredos.

O mistério em relação à morte de Hattie não é o que prende o leitor. Inclusive, a resolução do caso deixa bastante a desejar. Mas o brilho de Tudo O Que Você Quiser Que Eu Seja não está no mistério, e sim na excelente construção dos personagens. Mindy Mejia consegue criar indivíduos muito verossímeis, cheios de qualidades e, principalmente, falhas. Seus questionamentos e sentimentos são realistas, e a trama não coloca as coisas preto no branco. Não, eu não me afeiçoei aos personagens, mas isso não quer dizer que eu não tenha conseguido admirar o modo como eles foram sendo desenvolvidos ao longo das páginas. As relações humanas – incluindo as obsessões doentias, as escolhas morais duvidosas e os atos extremos – são apresentadas de uma forma extremamente envolvente e bem construída. Como uma leitora que valoriza MUITO personagens bem desenvolvidos, fiquei totalmente satisfeita.

Enquanto lia Tudo Que Você Quiser Que Eu Seja, percebi que estava menos interessada no mistério em si do que na vida dos personagens. Nesse sentido, me lembrei de O Segredo do Meu Marido, que também faz um ótimo trabalho em destrinchar as relações e os sentimentos humanos. Mindy Mejia consegue atingir esse objetivo neste livro, trazendo à vida personagens ambíguos e diversos questionamentos sobre identidade, culpa, responsabilidade, escolhas e sobre como nem sempre conhecemos de verdade as pessoas que amamos. Recomendo muito!

Título original: Everything You Want Me To Be
Autor: Mindy Mejia
Editora: Rocco
Número de páginas: 352
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.