Resenha: É Assim Que se Perde a Guerra do Tempo – Amal El-Mohtar e Max Gladstone

Oi pessoal, tudo bem?

Recentemente li uma obra com uma premissa bem diferente, cujas opiniões a respeito eram um pouco controversas (com alguns leitores amando, outros nem tanto): É Assim Que se Perde a Guerra do Tempo. Tirei minhas próprias conclusões a respeito e hoje as divido com vocês. 😉

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Sinopse: Entre as cinzas de um mundo em ruínas, uma soldada encontra uma carta que diz: Queime antes de ler. E assim tem início uma correspondência improvável entre duas agentes de facções rivais travando uma guerra através do tempo e espaço para assegurar o melhor futuro para seus respectivos times. E então, o que começa como uma provocação se transforma em algo mais. Um romance épico que põe em jogo o passado e o futuro. Se elas forem descobertas, o destino será a morte. Ainda há uma guerra sendo travada, afinal. E alguém precisa vencer.

Red e Blue são guerreiras de facções rivais que batalham pelo controle do tempo. Elas são agentes enviadas para interferir no que chamam de “filamentos” do tempo, influenciando eventos com o intuito de garantir seus futuros tais como seus líderes desejam. Durante suas viagens entre passado e futuro, Blue deixa uma carta para Red. O que começa como provocação de uma rival aos poucos se transforma em um amor proibido, e elas precisam vencer muito mais do que o tempo pra ficarem juntas.

O primeiro adjetivo que me vem à cabeça para falar de É Assim Que se Perde a Guerra do Tempo é… confuso. O segundo, poético. Vamos começar falando sobre o primeiro. O livro é intercalado entre capítulos das cartas propriamente ditas e capítulos que ora focam em Red, ora focam em Blue em suas missões, bem como o momento em que elas encontram a próxima carta. E ao pensar na palavra “carta”, peço que vocês façam o exercício de imaginar as cenas mais abstratas possíveis: uma delas é encontrada no couro de uma foca, por exemplo. E foram esses capítulos que tornaram o livro bem menos agradável pra mim do que poderia ser. Tive muita dificuldade de me engajar com as missões, porque o mundo fantasioso criado pelos autores não é palpável, e as explicações ficaram aquém das minhas expectativas. Me senti perdida sobre o universo proposto, mas também acredito que não era o intuito do livro se debruçar muito em cima disso. Toda a guerra e a viagem no tempo são temas secundários, então senti como se nem valesse a pena ler sobre eles. A sensação que ficou é de “só aceita que é assim e segue o flow”, sabem? E, comigo, isso não funcionou muito bem. Por conta desses fatores, tive imensa dificuldade de me conectar à ambientação criada pelos autores.

Agora, quando falamos no aspecto poético da obra, bem como do romance em si… aqui, sim, temos belas palavras, capazes de envolver e fazer o leitor torcer por Red e Blue. É palpável quando o tom das cartas começa a mudar e as mensagens deixam de ser meras provocações de duas agentes que respeitam o alto nível uma da outra. Aos poucos elas começam a revelar mais de si mesmas por meio das palavras, bem como os segredos de onde elas vêm. Red, por exemplo, faz parte da facção conhecida como Agência. Os soldados da Agência são melhorados com tecnologia, não precisam dormir nem se alimentar de formas tradicionais e vivem em um mundo distópico tecnomecânico. Blue não poderia ser mais diferente: sua origem é a facção chamada de Jardim, na qual os membros se fundem à natureza das mais diversas formas, fazendo parte de um universo “élfico” e praticamente bucólico – se não fosse pela guerra, é claro rs. O interessante é que, conforme baixam suas guardas e se abrem sobre si mesmas e suas origens, fica claro que elas já nem sabem mais porque lutam, e passam a perceber que além das diferenças existem muitas similaridades que as unem.

Não posso negar que É Assim Que se Perde a Guerra do Tempo é bastante imaginativo. Em suas idas e vindas pelos filamentos do tempo, Red e Blue guiam o leitor por várias Atlântidas rumo à submersão, para inúmeras cenas de catástrofes, para um futuro tecnológico, para a época de Gengis Khan, entre outros períodos marcantes. Pra conseguir fazer com que as páginas fluíssem, precisei dar uma desapegada das explicações teóricas; como mencionei antes, o foco do livro não é esse. Se você conseguir “desligar a chavinha da implicância”, é bem provável que aproveite essas passagens com mais entusiasmo do que eu. Agora, como um elogio muito merecido, ressalto não apenas o belo romance entre as duas protagonistas, mas também a reta final da obra: há uma explicação muito interessante para algo que vinha aparecendo desde as primeiras páginas, e eu gostei de como deu sentido a todas essas cenas em questão.

É Assim Que se Perde a Guerra do Tempo foi uma experiência… peculiar. Não posso dizer que amei, mas também não é justo dizer que odiei. O romance sáfico é bonito e comovente, além de ser bem-vindo em termos de representatividade lésbica na literatura. Porém, se você tiver alguma expectativa de que o pano de fundo das viagens no tempo seja explorado, é possível que você se decepcione. Recomendo que alinhe as expectativas quanto a isso antes de iniciar a leitura caso decida dar uma chance. 😉 Ademais, é um livro poético e cheio de palavras intensas, daquelas que transmitem a paixão e a dor de romances impossíveis. 

Título original: This Is How You Lose the Time War
Autores:
Amal El-Mohtar e Max Gladstone
Editora: Suma
Número de páginas: 224
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.