Resenha: Renegados – Marissa Meyer

Oi pessoal, tudo bem?

Depois de escrever a aclamada série sci-fi Crônicas Lunares e reimaginar a origem da Rainha de Copas em Sem Coração, Marissa Meyer agora se aventura pelo mundo dos super-heróis com Renegados, o primeiro livro de sua nova trilogia. Vamos conhecer?

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Sinopse: Os Renegados são um grupo de prodígios – humanos com habilidades extraordinárias – que emergiram das ruínas de uma sociedade colapsada. Foram eles que estabeleceram a paz onde, antes, o caos reinava. Eles continuaram sendo um símbolo de esperança e coragem para todos… exceto para os vilões que foram derrotados por eles. Nova, que faz parte do grupo dos Anarquistas, tem um motivo para odiar os Renegados, e está em uma missão em busca de vingança. Enquanto se aproxima de seu alvo, ela conhece Adrian, um garoto Renegado que acredita na justiça – e em Nova. Mas a lealdade de Nova está com os Anarquistas e há um vilão que tem o poder de acabar com os dois, e tudo em que acreditam.

The Boys encontra My Hero Academia e X-Men: esse é o meu resumo para Renegados. No passado, os prodígios (pessoas com poderes) eram perseguidos pela sociedade, até que Ace Anarquia iniciou uma revolução que deu início à Era da Anarquia. Com a sociedade em colapso, surgiram os super-heróis conhecidos como Renegados, que deram um fio à revolução de Ace e passaram a governar a sociedade. Nossos narradores estão de lados opostos dessa rivalidade: Nova é uma anarquista que nutre profundo rancor dos Renegados após seus pais terem morrido sem a proteção dos heróis; Adrian é filho adotivo de dois Renegados originais, que fazem parte hoje do Conselho que rege a cidade. O destino dos dois se cruza em definitivo quando Nova decide entrar para os Renegados como uma espiã dos anarquistas, e a química entre os dois fica impossível de negar.

Quem acompanha o blog e vê meus reviews empolgadíssimos a respeito dos filmes da Marvel sabe que adoro o universo de super-heróis. Mas, por algum motivo, a proposta de Marissa Meyer simplesmente não me arrebatou como achei que faria. Não me entendam mal: Renegados é um bom livro, mas não foi uma experiência memorável, sabem? Não sei se foi o clichê do romance entre rivais, se foram os inúmeros erros de revisão da edição (ou a mania da autora/da tradução de escrever “a revolução do Ace” em vez de “a revolução de Ace” HAHAHAHAHA implicância boba, mas que eu precisava comentar) ou se foi porque senti que a obra foi uma colcha de retalhos de outras histórias que consumi antes.

Mas não tive dificuldades com todos os aspectos do livro, e eu preciso ser justa com ele. As cenas de ação de Renegados são muuuito boas! É fácil de imaginar esse universo da Marissa Meyer ganhando vida em uma série ou filme, sabem? Os diversos poderes criados pela autora também tornam o livro instigante, porque queremos ver os personagens colocando suas habilidades em prática durante o confronto. A habilidade de Rabisco/Adrian é uma das mais interessantes: ele é capaz de dar vida aos seus desenhos. Isso permite que ele faça experimentos que o transformam no Sentinela, um alterego justiceiro que ele mantém em segredo. O plot do personagem também traz o mistério da morte de sua mãe biológica, que também era uma Renegada original, e essa dúvida que paira na mente do jovem também instiga o leitor a continuar.

Apesar de eu não ter sido a maior entusiasta do romance clichê entre rivais, novamente preciso fazer uma ressalva em nome da justiça: Marissa Meyer soube construí-lo de modo que nos faça torcer por Nova e Adrian. Os personagens são fofos juntos, eles fazem com que o outro questione as próprias verdades e repense os mitos e ideias pré-estabelecidas a respeito de suas origens. Isso é bem legal e eu torço para que essa relação se desenvolva ainda mais nos próximos volumes. 

Nova não é uma protagonista muito carismática. Eu entendo o rancor dela e o fato dela sentir que os Renegados falharam com os seus pais. Também entendo que ela não ache certo que os super-heróis governem a cidade, pois existe uma distribuição injusta de poder (que é um ponto importantíssimo no desenvolvimento da história). Mas eu não consegui comprar a vibe “badass amargurada” dela – pra mim ela é só cansativa mesmo. Porém, apesar dessa falta de conexão com a protagonista, eu gosto desse questionamento que ela levanta sobre o quão perigoso é deixar a condução da sociedade nas mãos de poucos poderosos. É nesse ponto que lembrei de The Boys, que justamente levanta esse ponto (de uma maneira bem mais pungente) ao evidenciar que nem todas as pessoas com poderes são boas pessoas, dispostas a fazer a coisa certa.

Renegados é um livro bacana e que entretém, mas não foi uma obra especialmente marcante. Senti a mesma coisa com Sem Coração, minha única outra experiência com a Marissa Meyer: foi legal, mas talvez em breve eu esqueça de você, sabem? Se você é fã da autora ou da temática de super-heróis, acho que há grandes chances de aproveitar a experiência. Se você não se enquadra em nenhum desses casos, recomendo só que tenha as expectativas sob controle pra curtir essa obra de entretenimento sem se frustrar. 😉

Título original: Renegades
Série: Renegados
Autora:
Marissa Meyer
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 512
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Sem Coração – Marissa Meyer

Oi gente, tudo bem?

Hoje vim contar pra vocês o que achei de Sem Coração, o primeiro romance avulso de Marissa Meyer, autora das Crônicas Lunares.

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Sinopse: Sem Coração é a história da jovem de 17 anos que sonha em abrir uma confeitaria com sua melhor amiga e empregada, Mary Ann. Mas Catherine é de família nobre, e confeiteira é uma função exercida por meros plebeus. Para realizar seu sonho, Catherine tenta conquistar o rei, enviando para ele macarrons, tortas de limão e outras delícias. O que ela não previa era que o rei se apaixonasse por ela e a pedisse em casamento. E pior: numa das festas no palácio, ela conhece o Coringa, o novo bobo da corte, por quem se apaixona perdidamente. Nasce aí um amor proibido que marcará a vida de Catherine para sempre.

Não sou uma grande fã do universo de Lewis Carroll, apesar de ter lido Alice No País das Maravilhas e Alice Através do Espelho e, também, assistido aos filmes. Por algum motivo, o mundo excêntrico do autor nunca conseguiu me cativar. Ainda assim, Sem Coração consegue agradar quem adora esse universo e também quem não dá tanta bola assim (como eu). Apesar das maluquices do Reino de Copas estarem presentes e de vários personagens icônicos aparecerem, esses aspectos não são o foco da narrativa (como nos livros de Alice), mas sim os sonhos e sentimentos de Catherine, bem como sua trajetória rumo à vilania.

Catherine é a filha do Marquês do Recanto da Pedra da Tartaruga. O sonho de seus pais para seu futuro é que ela seja Rainha, dado o fato de que o Rei parece encantado por ela e está decidido a pedi-la em casamento. Porém, o sonho de Cath é abrir uma confeitaria com sua criada e melhor amiga, Mary Ann. Cozinhar e preparar doces é sua grande paixão e, por mais bondoso que o Rei seja, Cath despreza seu jeito atrapalhado e ineficiente de cuidar do reino. Seus sentimentos ficam ainda mais bagunçados após conhecer o novo bobo da corte, Jest. O Coringa, com seus belos olhos amarelos e jeito misterioso, não demora a conquistar o coração de Cath, que se vê em um dilema sobre que caminho seguir: o dos seus sonhos ou o que seus pais esperam para ela.

Falando em Catherine, ela é uma personagem que me causou múltiplos sentimentos: por um lado, gostei de seu jeito sonhador, sua autoconfiança, sua bondade e gentileza; porém, não dá pra negar: ela foi uma covarde o livro inteiro. Entendo que ela tivesse medo de decepcionar os pais, mas de que adianta ser tão sonhadora se ela não é nada determinada? Em diversos momentos a própria personagem conclui que não impediu o Rei de cortejá-la, não disse o que realmente pensava ou não agiu como deveria. Portanto, “corajosa” definitivamente não é o adjetivo que melhor lhe descreve. E isso causa um certo cansaço, porque vemos Catherine “deixando” as coisas acontecerem sem reagir. De Jest eu gostei, fiquei envolvida em seus mistérios e sua personalidade encantadora. Assim como Cath, Jest tem uma essência doce e gentil (o que fica evidente em seu respeito pelo Rei e pelos sentimentos que o monarca nutre por Cath). Entendo que Cath tenha ficado fascinada por ele, já que o personagem consegue “enfeitiçar” todos ao seu redor.

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É meio triste você começar um livro sabendo seu desfecho, especialmente quando se trata da história de origem de uma vilã. Afinal, por mais esperanças que o leitor possa sentir, você sabe que toda a inocência e bondade da protagonista serão afogadas em algum acontecimento que a transformará na temida Rainha de Copas. O que me deixou mais chateada, nesse caso, é que o acontecimento poderia ter sido evitado se ela não fosse tão teimosa e descrente. Há inúmeras evidências de magia e coisas impossíveis em Copas, mas mesmo assim Cath teima e age contra tudo que lhe foi avisado. Porém, devo admitir que o motivo para tal atitude é nobre, o que redimiu um pouco a personagem aos meus olhos.

Outra questão interessante é o modo como Hatta, o Chapeleiro Maluco, foi construído. Em primeiro lugar, seus sentimentos por Jest são genuínos e, no final, faz todo sentido seu comportamento ao longo do livro. Em segundo lugar, seu medo de encarar seu destino – a perda da sanidade – é palpável, e ele busca de todas as formas escapar disso. Até que o final do livro muda tudo, para todos.

E já que mencionei o final, vale dizer que até a metade do livro eu não estava sendo envolvida pela história. Marissa Meyer narra MUITO bem, mas a trama em si não estava conseguindo me prender. Basicamente, nada acontecia: Cath e Jest flertavam, ela ficava indecisa e se acovardava. O mistério sobre Sir Peter e sua esposa (um casal super estranho, com atitudes suspeitas) me deixava mais curiosa do que a trama de Cath, apesar do plot previsível. Entretanto, no terço final do livro as coisas ganham ritmo. Cath passa a agir mais e, junto de Jest, toma atitudes ousadas em nome do próprio futuro e felicidade. As cenas de ação que ocorrem a partir disso são muito boas, e o desfecho de certos personagens conseguiu me deixar com os olhos marejados.

Sem Coração demorou a engrenar e me conquistar mas, no geral, foi uma boa experiência. Adorei o modo de Marissa Meyer de contar histórias (e fiquei com vontade de ler as Crônicas Lunares, inclusive). Apesar do tom fatalista inerente de qualquer história de origem de um vilão, Sem Coração consegue mostrar que a temida Rainha de Copas já teve sonhos, gentileza e amor. O problema é que, quando tudo lhe é tirado, seu coração já não serve pra mais nada. Vale a leitura! 😉

Título original: Heartless
Autor: Marissa Meyer
Editora: Rocco Jovens Leitores
Número de páginas: 416
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.