Resenha: Mentirosos – E. Lockhart

Oi pessoal, tudo bem?

Para o post de hoje, trago uma resenha de um livro que estava na minha wishlist há muito tempo (graças às resenhas na blogosfera, que super elogiavam a história): Mentirosos, da E. Lockhart.

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Sinopse: Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano eles passam as férias de verão numa ilha particular. Cadence — neta primogênita e principal herdeira —, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos. Cadence admira Gat por suas convicções políticas e, conforme os anos passam, a amizade com aquele garoto intenso evolui para algo mais. Mas tudo desmorona durante o verão de seus quinze anos, quando Cadence sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido… até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.

A sinopse de Mentirosos já resume muito bem a trama, então não vou explicá-la novamente pra não tornar essa resenha maior do que precisa ser. Vou partir direto para a minha análise da obra. 🙂

A narrativa em primeira pessoa tem um tom poético, reminiscente e melancólico. Existem dois momentos da vida da protagonista que são mais esmiuçados ao longo do livro: o verão dos quinze (ou o verão do acidente) e o verão dos dezessete (o presente). Com o passar das páginas, vamos descobrindo fatos sobre o verão dos quinze que Cadence esqueceu ao mesmo tempo em que vivenciamos com ela o que acontece com sua família no presente. O livro tem um desenrolar lento, ainda que não seja maçante. O problema é que os finais de capítulo não tinham ganchos imperdíveis, então nem sempre eu tinha vontade de prosseguir a leitura (por mais curiosa que estivesse pra saber o que havia acontecido). Isso me fez demorar mais do que pretendia pra terminar Mentirosos, que é um livro curto. As descrições também vem na medida certa, sem exageros. A autora se preocupa muito em trabalhar as relações familiares e os personagens, o que é fundamental para a trama.

Falando em personagens, preciso comentar sobre os quatro Mentirosos. Infelizmente, a narrativa de Cadence não foi o ponto forte. Não consegui me afeiçoar a ela no verão dos quinze, e tampouco no verão dos dezessete. A personagem era uma adolescente apaixonada como qualquer outra, mas depois do acidente ela se vê num looping de sofrimento e autopiedade que não causou grandes emoções em mim. Gat, outro personagem fundamental, tinha tudo para ser interessante: ele era o primeiro amor de Cadence, era questionador, era o “estranho no ninho” na família Sinclair… mas faltou carisma. Mirren não ganhou minha simpatia nem no passado, nem no presente. A menina não parecia ter vontade alguma de questionar seus privilégios, além do comportamento autoritário e mimado. Johnny, por fim, foi meu Mentiroso favorito. Tudo que faltou nos outros três elementos do quarteto foi reunido nele: Johnny é carismático, divertido e envolvente. Em determinado momento, ele também mostra a força de seu caráter. O resto da família Sinclair, infelizmente, não tenho como elogiar. Harris, o avô, é o exemplo do patriarca da “família tradicional”, preconceituoso e preocupado com seu poder em primeiro lugar. As filhas são mulheres fracassadas que não conseguem sair debaixo da asa do pai e precisam se humilhar constantemente para garantir seu sustento – com os luxos a que estão acostumadas. E as crianças menores são pouco desenvolvidas, não tendo grande impacto durante a narrativa.

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Mentirosos traz alguns temas bem interessantes em suas páginas, como a crítica às aparências. E. Lockhart nos mostra uma família decadente, cada vez mais fracassada em diversos aspectos da vida, mas que se recusa a deixar a soberba de lado. A verdade é que os quatro Mentirosos não são os únicos a merecer esse título. Além da crítica a essa “aristocracia” da família Sinclair, a autora também traz discussões (ainda que superficiais) raciais e de classe – principalmente pela voz de Gat, que é o personagem responsável por levar Cadence à reflexão.

O final é simplesmente… arrebatador. A autora faz você pensar em mil possibilidades, traça uma linha que parece a explicação mais plausível para, na revelação final, te mostrar que você estava completamente errado. Quando li o final, tive que parar na mesma hora e, juro pra vocês, fiquei olhando pro teto e pras paredes, atordoada. Senti como se tivesse levado um soco na boca do estômago e perdi o fôlego, então precisei reler várias vezes pra assimilar não apenas o final – mas toda a trajetória. Na hora eu pude entender porque tudo foi contado tão aos poucos, com tantos detalhes que, em um primeiro momento, poderiam parecer preciosistas. Se durante a leitura eu havia pensado “ok, já entendi que os Sinclair são assim”, ao terminar o livro eu soube as razões da autora pra desenvolver a história – e os personagens – da forma que desenvolveu. E como eu sou fã de bons finais (sim, um final ruim pode estragar uma experiência pra mim), esse livro, que já era bom, subiu de patamar, entrou pra lista de leituras que provavelmente não vou esquecer e me causou uma ressaca literária violenta, já que não consigo parar de pensar nele. Mesmo agora, que já comecei a próxima leitura, Mentirosos segue constantemente na minha cabeça.

Mentirosos é um livro com alguns problemas (como a falta de carisma de Cadence e o desenrolar lento da trama), mas faz um excelente trabalho ao construir as relações familiares e apresentar aos poucos as memórias da protagonista. O final é de tirar o fôlego, junta todas as peças soltas e te faz questionar como você não percebeu a verdade antes. Só por esse final eu já recomendo Mentirosos sem pensar duas vezes: vale a pena!

Título Original: We Were Liars
Autor: E. Lockhart
Editora: Seguinte
Número de páginas: 272

Resenha: Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven

Oi pessoal, tudo bem?

Tem algumas histórias que chegam na nossa vida e, desde o início, sabemos que elas serão especiais. Foi o que senti lendo as primeiras páginas de Por Lugares Incríveis, da Jennifer Niven. Eu ganhei o livro do My Dear Library e demorei um tempo pra ler porque tinha certeza de que o livro me faria chorar. Ele fez. Mas também fez muito mais. ❤

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Sinopse: Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família. Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.

O livro começa com Theodore Finch parado no parapeito da torre do sino da escola em que estuda. Ele está ponderando quais seriam as vantagens e desvantagens de se matar pulando dali. Porém, ele não está sozinho. Quem lhe faz companhia é Violet Markey, uma das garotas mais populares da escola. Finch percebe que Violet está em pânico e a auxilia a descer, mas o que o garoto não imagina é que ela faz o mesmo por ele (mesmo que ele não pretendesse de fato se jogar). Os dois têm seus próprios motivos para estar ali, e é formando uma dupla para um trabalho de Geografia que eles vão entender um pouco mais a respeito.

Quando um livro tem tantos positivos, fica difícil saber por onde começar a elogiar. Então vou discorrer um pouco sobre os protagonistas, Finch e Violet. Finch é um garoto que faz o que quer. Ele não liga para as autoridades nem para os próprios colegas (ou, pelo menos, se esforça para fingir que não liga). A cada semana ele incorpora um personagem diferente e toma atitudes impulsivas. Essa postura lhe rendeu o apelido de Theodore Aberração e anos e anos de bullying. O que ninguém sabe sobre Theodore Finch é que ele sofre de depressão e vem de uma família desestruturada: o pai violento e abusivo não apenas batia nele como a mãe – após o divórcio – está tão imersa na própria tristeza que não faz ideia de que o filho sofre de apagões constantes. O suicídio é um pensamento constante na vida do garoto, que estuda diversos métodos e sabe de cor inúmeros fun facts sobre o tema. A verdade é que a vida de Finch é repleta de muita solidão. E, apesar de todo o sofrimento, Finch é um garoto engraçado, espirituoso, interessante e com uma coração enorme – o que fez com que eu me apaixonasse por ele, obviamente.

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Violet vem de uma situação oposta: a garota costumava ser popular, tinha muitos amigos, namorava um dos rapazes mais cobiçados da escola e vem de uma família com pais amorosos e atenciosos. Contudo, a vida de Violet sofre uma grande mudança quando sua irmã mais velha (e melhor amiga) morre em um acidente de carro. Violet estava no carro junto da irmã, Eleanor, mas sobrevive. E, desde então, a garota vive dia após dia apenas existindo, com medo de fazer qualquer coisa muito longe de casa. Ela se isolou de tudo e de todos, parou de escrever – sua grande paixão – e não tem grandes perspectivas para si mesma. Aos poucos, Violet e Finch passam a ganhar espaço na vida um do outro, principalmente depois que Finch propõe a ela que eles conheçam os diversos locais interessantes de Indiana (o estado em que moram) para o trabalho de Geografia. É por meio dessas andanças que os dois se aproximam, passam a se conhecer melhor e, inevitavelmente, se apaixonam.

O romance de Finch e Violet transcorre de uma maneira tão orgânica que a gente sente junto com eles as aflições e também as alegrias proporcionadas pelo sentimento que cresce entre os dois. O livro é narrado por ambos e, conforme os capítulos passam, a gente consegue perceber a evolução de Violet, que passa a se abrir pro mundo de novo, e também consegue compreender os conflitos de Finch e as razões dele para agir da maneira como age. Conforme conhecemos os lugares incríveis de Indiana, também vamos conhecendo um pouquinho mais do passado, do presente e (por quê não?) do futuro dos protagonistas.

Assim como eu senti meu coração sendo aquecido várias vezes durante a leitura, eu também sofri, especialmente por causa de Finch. Eu sentia muita raiva. Dos colegas de escola, que fizeram bullying. Do antigo amigo Roamer, que iniciou esse ciclo vicioso. Do pai violento e abusivo. Da mãe e irmãs omissas. Dos amigos indiferentes. Dos professores passivos. Todas essas pessoas foram cruciais para que Finch se sentisse sozinho, sem esperança, sem importância. E eu só queria poder abraçá-lo e dizer que tudo ia ficar bem, mesmo enquanto chorava litros e litros lendo sozinha no quarto. 😥

A única coisa que me incomodou durante a leitura foram alguns erros de revisão, porque em termos de enredo não há nada que eu não tenha gostado. Por Lugares Incríveis fala de superação, de aproveitar cada instante, de perda, de reencontro (principalmente consigo mesmo). O final me destruiu e deixou um gosto agridoce. Me revoltou, mas também me trouxe esperança. O que eu posso dizer é que me apaixonei pela narrativa de Jennifer Niven. Me apaixonei pelos lugares incríveis e pelas andanças. Me apaixonei por Violet e Finch. Espero que você se apaixone também!

Título Original: All The Bright Places
Autor: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Número de páginas: 336

Resenha: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada – J. K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Oi, gente! Tudo bem?

Essa é provavelmente uma das resenhas mais difíceis que já fiz. Hoje vim falar um pouquinho (mentira, vai ter textão) sobre um livro um tanto controverso, que eu demorei meses pra ler por puro medo: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. 

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Sinopse: Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

A história é basicamente a seguinte: Harry e seu filho do meio, Alvo Potter, não têm uma relação próxima. O afastamento entre os dois se deu principalmente após a entrada do garoto em Hogwarts, onde foi selecionado para a Sonserina e fez um único amigo: Escórpio Malfoy. Após uma briga, Alvo decide voltar no tempo usando um Vira-Tempo que Harry – agora chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia – confiscou, com o intuito de salvar Cedrico Diggory. Essa motivação vem não apenas da briga com o pai, mas também da visita de Amos Diggory e sua sobrinha, Delphi, à casa de Harry. Amos não aceita que o filho tenha morrido em vão e, ao ouvir os rumores de que um novo Vira-Tempo foi encontrado, pressiona Harry a usá-lo. A atitude de Alvo em roubar o Vira-Tempo e voltar até o Torneio Tribruxo com Escórpio acaba causando desdobramentos terríveis no futuro, e não apenas os dois, como os personagens adultos (Harry, Gina, Hermione, Rony e Draco) precisam correr pra consertar as falhas temporais.

Como vocês já devem saber, a narrativa de A Criança Amaldiçoada é diferente de todos os outros livros da saga, pois trata-se de um roteiro de uma peça de teatro. Particularmente, esse tipo de narrativa não me incomodou. O roteiro tem algumas descrições que nos ajudam a imaginar a cena e segue um ritmo bem tranquilo de acompanhar. Durante a leitura eu me peguei em diversos momentos divagando sobre como aquelas cenas seriam levadas para um palco. Nos cinemas temos os efeitos especiais que fazem a magia acontecer, mas e no teatro? Fiquei bem curiosa.

Se meus problemas com A Criança Amaldiçoada não começaram na narrativa, eles começaram em algo mais importante e grave: no enredo. Não vou dar spoilers, obviamente, mas a questão é que o livro desconstrói muita coisa da saga original de uma maneira impiedosa. A mitologia por trás de vários artefatos – principalmente o Vira-Tempo – é ignorada e totalmente modificada sem maiores explicações. O uso desse objeto faz de A Criança Amaldiçoada praticamente um Efeito Borboleta bruxo! 😛 Além disso, os personagens (com exceção de Draco) não eram condizentes com os sete livros anteriores, sendo um esboço bem fraco do que eles costumavam ser ou, talvez, sendo um esboço mal feito dos filmes. Aliás, parece que o livro inteiro foi escrito por alguém que não leu os livros e só assistiu às adaptações: os personagens são rasos e tomam atitudes que não correspondem às suas contrapartes literárias, alguns plots que já ficaram no passado há eras são retomados (oi, Cedrico), algumas cenas e personagens são romantizados de uma maneira que não faz sentido nenhum, os artefatos utilizados são aqueles famosinhos nos filmes (Vira-Tempo e Mapa do Maroto)… Enfim, sinto que, na tentativa de fazer uma homenagem a aspectos clássicos da saga, A Criança Amaldiçoada se tornou apenas um fanservice fraquíssimo.

Foram vários os aspectos que eu não gostei, né? Pois é, dei rage em diversos momentos durante a leitura. Mas não posso ser injusta, existem pontos positivos em A Criança Amaldiçoada. O primeiro deles: Escórpio Malfoy. ❤ Ele tem a fofura da Luna, mas sem a esquisitice, sabem? É um personagem doce, leal e inteligente. Na verdade, nem sei porque foi parar na Sonserina, Lufa-Lufa ou Corvinal combinariam muito mais com ele! Escórpio salva A Criança Amaldiçoada, porque Alvo é um péssimo protagonista. Além dele, outro Malfoy teve destaque no livro: Draco. Ele foi o único personagem que manteve sua essência original, e foi além: mostrou-se um pai feroz, que faria de tudo pelo filho. Apesar de sua comunicação com Escórpio não ser tão boa, sentimos a cada fala do personagem quão intenso é seu amor. Além deles, A Criança Amaldiçoada também traz algumas passagens interessantes: no último Ato existe uma cena muito triste e bonita, que conseguiu me fazer chorar.

Em suma, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é um livro “ok”. Tem alguns momentos bacanas, mas em geral eu senti que não passava de um fanservice mercenário. Como potterhead desde os 8 ou 9 anos, isso é muito difícil pra mim. Talvez a peça seja incrível, mas não foi fácil ler o que li e ver meus personagens favoritos transformados no que se transformaram. Não gostei de ver a saga que mais amo na vida transformada em algo tão tosco. Na verdade, se a J. K. Rowling não tivesse considerado o livro canônico (ou seja, parte da saga original), eu olharia pra ele de modo mais tranquilo. Agora, sabendo que ele é de fato a continuação, fiquei frustrada. Infelizmente, não tive aquela sensação gostosa de voltar a Hogwarts, sabem? Espero que um dia eu possa assistir à peça ao vivo e mudar de ideia. 🙂

Agora, pra quem quiser ler, seguem abaixo algumas considerações COM SPOILER. Selecione se quiser ler:

  • Harry usando a influência dele no Ministério pra ameaçar a Minerva (agora diretora de Hogwarts)? Achei muito nonsense, considerando que o personagem sempre desprezou os Malfoy justamente por menosprezarem as pessoas e usarem de poder para conseguirem o que queriam.
  • Não faz sentido todo esse drama entre Harry e Alvo pelo fato do garoto ter sido colocado na Sonserina, principalmente porque As Relíquias da Morte termina justamente com Harry dizendo que isso não é importante.
  • Gina virou a ameba inútil dos filmes, com falas e ações que não acrescentam nada na história.
  • Hermione foi muito burra ao deixar o Vira-Tempo escondido nos livros. Ela é muito mais brilhante do que isso!
  • Rony foi transformado e resumido a um tiozão do “é pavê ou pacumê”. Botem logo um nariz de palhaço no personagem e terminam de avacalhá-lo.
  • Não consigo imaginar o Voldemort transando e tendo uma filha. Talvez porque a saga original não explore tanto esses quesitos. Mas ok, até que dá pra engolir.
  • Alvo Potter PIOR PESSOA. Todo mundo reclama que o Harry fala umas coisas pesadas pro filho, mas quem não perderia a paciência com Alvo? Harry faz de tudo pra demonstrar seu amor e o guri não aceita nenhuma das tentativas do pai, sempre agindo com revolta e autopiedade (sendo que Escórpio tem muito mais problemas do que ele).
  • Snape aliado a Rony e Hermione? Que romantização escrota do personagem. Gente, aceitem: Snape pode ter sido corajoso e heroico, mas não era uma BOA pessoa. Ele era um professor abusivo e ponto. Mais um fanservice descarado.
  • A cena do quadro do Dumbledore também foi difícil de engolir. Nunca vi um quadro se comportar daquele jeito e demonstrar emoções.

Título Original: Harry Potter and the Cursed Child
Autor: J. K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne
Editora: Rocco
Número de páginas: 352

Resenha: O Símbolo Perdido – Dan Brown

Oi pessoal, tudo bem?

Uma das minhas metas desde 2015 (!!!) era não comprar mais tantos livros e me concentrar no que eu tinha na minha estante. Digamos que isso tenha dado certo parcialmente: eu realmente não comprei livros por impulso, comprei apenas livros “de colecionador” (como Harry Potter e a Pedra Filosofal – Edição Ilustrada, O Livro dos Personagens de Harry Potter, etc.). Porém, acabei colocando várias leituras na frente do que eu tinha na estante: livros de parcerias ou que ganhei de presente, por exemplo. Mas, para o post de hoje, eu trouxe a resenha de um livro que ganhei há anos e que estava na minha estante esperando pacientemente pra ser lido: O Símbolo Perdido.

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Sinopse: Em O Símbolo Perdido, o célebre professor de Harvard é convidado às pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon – eminente maçom e filantropo – a dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos. Ao chegar lá, descobre que caiu numa armadilha. Não há palestra nenhuma, Solomon está desaparecido e, ao que tudo indica, correndo grande perigo. Mal’akh, o sequestrador, acredita que os fundadores de Washington, a maioria deles mestres maçons, esconderam na cidade um tesouro capaz de dar poderes sobre-humanos a quem o encontrasse. E está convencido de que Langdon é a única pessoa que pode localizá-lo.

Em O Símbolo Perdido, a nova aventura do simbologista Robert Langdon após O Código da Vinci, nós somos apresentados aos mistérios da maçonaria. O professor é levado a acreditar que vai dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos a pedido de seu velho amigo Peter Solomon – um maçom de alto grau -, mas lá ele descobre que seu amigo foi sequestrado por um homem que se apresenta como Mal’akh. Ele está em busca de um velho segredo maçom (a Pirâmide Maçônica) e acredita que Robert Langdon é o único que pode decifrá-lo.

Dan Brown é um autor que utiliza de diversos elementos reais para dar veracidade às suas histórias e nos fazer acreditar que tudo que estamos lendo é verdade. Obviamente não é o caso, mas a sensação ao ler suas obras é essa. Eu já havia lido Anjos e Demônios há alguns anos e lembro de ter adorado, então comecei O Símbolo Perdido tendo ciência desse estilo do autor. Apesar do tema não ser tão envolvente pra mim – maçonaria –, Dan Brown continua utilizando dos recursos que vi em Anjos e Demônios: mistérios envolvendo lugares reais, longas explicações históricas e capítulos com desfechos instigantes, que te fazem não fechar o livro enquanto você não descobre o que aconteceu.

Outro aspecto positivo da narrativa de Dan Brown que se faz presente em O Símbolo Perdido é o uso de mais de uma perspectiva pra narrar a história. Apesar de grande parte do livro se passar sob a ótica de Robert Langdon, vemos também o que se passa com Katherine Solomon, irmã de Peter; Sato Inoue, a diretora do Escritório de Segurança da CIA; Bellamy Warren, o Arquiteto do Capitólio; e, é claro, Mal’akh. O que eu mais gosto nesse tipo de narrativa é que ela permite que o leitor possa ter uma visão mais ampla da história, dos personagens e de seus objetivos, sem ficar preso à visão limitada do protagonista.

Porém, apesar desses pontos positivos, o livro também possui alguns aspectos que eu não curti (e que me fizeram quase desistir da leitura): o início é MUITO arrastado. Leva mais ou menos 100 páginas pra que as coisas comecem a acontecer, pois até então os personagens ficam discutindo no mesmo ambiente. É bem cansativo. Porém, para ser justa, depois que a ação começa, ela não para mais! Dan Brown dedica longos parágrafos a explicar aspectos históricos para tentar “enganar” o leitor de que tudo que está dizendo – inclusive as conspirações – são reais, então muitas vezes parecia que o livro não era mais uma ficção, mas um livro didático. 😛 De modo geral, gosto dessas explicações, porque elas conseguem nos deixar mais imersos na história, mas em O Símbolo Perdido especificamente eu achei cansativo, porque o desenrolar da trama demorou a acontecer. E, por último, o vilão foi extremamente previsível. Eu estava na metade da leitura e já sabia quem ele era (até twittei sobre isso HAHAHA), o que tirou totalmente o impacto de sua revelação.

Em suma, O Símbolo Perdido é uma leitura despretensiosa, na qual Dan Brown segue o mesmo molde ao qual está acostumado a escrever. Tem momentos mais cansativos no início, mas depois o desenrolar da trama se dá de maneira frenética e envolvente, em especial graças aos capítulos com desfechos cheios de cliffhangers. Pra quem gosta do estilo do autor ou curte leituras repletas de mistérios e ação, O Símbolo Perdido é uma boa escolha! 

Título Original: The Lost Symbol
Autor: Dan Brown
Editora: Sextante
Número de páginas: 496

Resenha: Anexos – Rainbow Rowell

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje trago pra vocês minhas impressões sobre o primeiro livro que li da Rainbow Rowell: Anexos!

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Sinopse: Beth Fremont e Jennifer Scribner-Snyder sabem que alguém está monitorando seus e-mails de trabalho. (Todo mundo na redação sabe. É política da empresa.) Mas elas não conseguem levar isso tão a sério, e continuam trocando e-mails intermináveis e infinitamente hilariantes, discutindo cada aspecto de suas vidas. Enquanto isso, Lincoln O’Neill não consegue acreditar que este é agora o seu trabalho ler os e-mails de outras pessoas. Quando ele se candidatou para ser agente de segurança da internet, se imaginou construindo firewalls e desmascarando hackers e não escrevendo um relatório toda vez que uma mensagem esportiva vinha acompanhada de uma piada suja. Quando Lincoln se depara com as mensagens de Beth e Jennifer, ele sabe que deveria denunciá-las. Mas ele não consegue deixar de se divertir e se cativar por suas histórias. No momento em que Lincoln percebe que está se apaixonando por Beth, é tarde demais para se apresentar. Afinal, o que ele diria…?

Desde que li @mor, do Daniel Glattauer, eu passei a curtir muito livros cuja narrativa envolvem cartas, e-mails, trocas de mensagens, e por aí vai. Por isso, escolhi conhecer a escrita de Rainbow Rowell (autora super elogiada na blogosfera) por meio de Anexos, que tem parte de sua história contada em e-mails. O livro se divide em duas narrativas: na primeira acompanhamos a troca de mensagens entre Beth e Jennifer, duas amigas que trabalham no mesmo jornal, o The Courier; na segunda, acompanhamos a rotina de Lincoln, um técnico de informática contratado pelo jornal para ler e acompanhar todos os e-mails, a fim de enviar advertências para os funcionários que utilizarem a ferramenta de modo não profissional. Porém, ao ler as divertidas mensagens que Beth e Jennifer enviam uma para a outra, Lincoln começa a se afeiçoar a elas, decide não enviar nenhuma advertência e passa a acompanhar todas as conversas como um espectador. O problema real se dá quando Lincoln se apaixona por Beth, já que ele jamais poderia contar a verdade a ela (afinal, seria bem creepy).

Bom, a premissa do livro parece super leve e divertida: o cara da TI atrapalhado se apaixona pela mulher inatingível de uma maneira doida. Praticamente um filme da Sessão da Tarde, né? Pois é, eu gosto de romances assim, costumam me fazer rir e acho que são uma ótima maneira de passar o tempo. De fato, era super gostoso acompanhar as conversas de Beth e Jennifer e eu entendo porque Lincoln quis continuar lendo suas mensagens: as duas são engraçadas, carismáticas e cheias de personalidade. Jennifer é casada, mas morre de medo de ser mães; Beth namora desde a faculdade, mora com o namorado e sonha em se casar, mas Chris (seu namorado) está mais preocupado com a sua banda e seu sonho de ser rockstar. Ou seja, não faltam desabafos e comentários interessantes nas conversas das duas. O grande problema do livro tem nome: Lincoln.

Lincoln seria o tipo de personagem pra quem eu torceria e por quem eu me afeiçoaria: ele é o típico good guy. O problema é que, lendo os capítulos narrados pela perspectiva dele, é impossível não pensar que ele é um loser. Ele é assombrado pelo fracasso de sua única experiência amorosa (foi traído pela ex, seu primeiro amor), mora com a mãe, não tem a menor ambição de sair de casa e é extremamente acomodado na vida. Ele odeia trabalhar à noite vigiando os e-mails do jornal, mas ainda assim não busca outro emprego. Ele se incomoda com a mãe dando pitaco sobre tudo, mas ainda assim acha conveniente morar na casa dela. Toda a narrativa dele é arrastada, cheia de autopiedade e estagnação, o que fez eu não curtir o personagem do início ao fim por puro cansaço.

Um dos pontos positivos do livro foi que todos os personagens tiveram evolução. Tanto Jennifer quanto Beth passaram por situações difíceis ao longo da história e tiveram coragem para tomar as decisões necessárias. Lincoln, ao “conviver” com as garotas, também se transformou, tornando-se alguém mais corajoso e dono da própria vida. Gosto de ver personagens que melhoram ao longo do enredo e, nesse caso, me senti “recompensada” pela paciência que dediquei a essa leitura. Outro aspecto positivo foram os companheiros de RPG de Lincoln: são aqueles amigos divertidos que todo mundo adoraria ter. 🙂

Anexos não foi um livro que fez eu me apaixonar por Rainbow Rowell e fiquei um tanto decepcionada, considerando os elogios que a autora recebe. A leitura tinha momentos ótimos (em especial nos capítulos de Jennifer e Beth), mas sempre que o ponto de vista era focado em Lincoln eu me sentia extremamente cansada e entediada. Acredito que foram páginas demais pra uma história relativamente simples. Eu não leria mais nada da autora, mas ganhei Eleanor & Park de presente e resolvi dar uma segunda chance (ainda bem, tô adorando!). Em suma, Anexos não foi uma leitura ruim, mas também não foi nem um pouco memorável.

Título Original: Attachments
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Número de páginas: 368

Resenha: O Vilarejo – Raphael Montes

Oi pessoal, como estão?

Para o post de hoje, trago a resenha de um livro que eu queria muito ler: O Vilarejo, do Raphael Montes! 😀

o vilarejo raphael montes

Sinopse: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

Uma das primeiras coisas a me chamar a atenção nesse livro é que Raphael Montes se apresenta como um tradutor que recebeu um caderno cheio de contos obscuros e ilustrações aterrorizantes e resolveu organizá-los de modo a fazer sentido. Os contos, apesar de independentes, tratam de um mesmo vilarejo e de seus habitantes, e em cada conto temos um demônio que influencia os acontecimentos retratados. Os demônios, que também representam os pecados capitais, são: Belzebu (gula), Leviathan (inveja), Lúcifer (soberba), Asmodeus (luxúria), Belphegor (preguiça), Mammon (ganância) e Satan (ira). Vou contar um pouquinho sobre cada conto pra deixar vocês mais curiosos – sem spoilers, é claro. 😉

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Banquete Para Anatole: nesse conto, somos apresentados a uma situação terrível que assola o vilarejo, o frio e a fome. Graças a uma terrível nevasca e a uma guerra civil que acontece na capital, o vilarejo está totalmente isolado da civilização. Felika, uma mãe de família, é a protagonista. O marido, Anatole, saiu do vilarejo há semanas para enfrentar a neve e tentar caçar alguma coisa que possa alimentar a família, mas enquanto isso Felika precisa fazer o que estiver ao seu alcance para manter a família viva e alimentada. Os vizinhos morrem de fome pouco a pouco, e o pânico de que alguém bata à porta e roube o pouco alimento que lhes resta é constante. O clima desse conto é esse: tensão e pânico pelo que pode acontecer. Comentários: Não achei o desfecho surpreendente (para ser honesta, eu suspeitei que seria como foi), mas gostei dele. Foi um dos melhores e mais “aterrorizantes”.

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As Irmãs Vália, Velma e Vonda: aqui, conhecemos as três irmãs que dão nome ao conto. Vália, a mais velha, namora o belo Krieger, e sempre leva as irmãs mais novas (as gêmeas Velma e Vonda) para brincar com a amiga Jekaterina. As garotas têm o hábito de brincar de contar histórias, e cada uma é responsável por uma parte do enredo. Contudo, a tímida e insegura Vonda, sempre à sombra das irmãs, aproveita o momento de contar histórias para fantasiar um romance com Krieger. Essa obsessão acaba levando a garota para caminhos obscuros, que mudam a vida de todos eles. Comentários: É um conto estranho, não gostei muito.

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O Negro Caolho: nesse conto, o vilarejo é surpreendido pela chegada de um homem negro, estrangeiro e muito forte. Ele é capturado por Ivan, o ferreiro, e é quase executado em nome do medo e do preconceito. No último segundo, entretanto, a doce Helga impede a barbárie, defendo o homem perante todos e o acolhendo em sua casa para ajudá-la nas tarefas domésticas e no cuidado com seu bebê recém-nascido. Helga descobre que o homem se chama Mobuto e veio da África em busca das filhas, que foram sequestradas. Porém, com o passar do tempo, a solidão de Helga – cujo marido, o capitão Dimitri, está ocupado na guerra civil que começou na capital – faz com que suas atitudes sejam cada  vez menos humanas em relação a Mobuto. Comentários: Achei esse um dos piores contos, principalmente pela mudança brusca e meio sem sentido no comportamento de Helga. 😦 Sim, dá pra entender a frustração e a solidão da personagem, mas pra mim os fatos não justificam a reviravolta na sua personalidade.

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A Doce Jekaterina: aqui, conhecemos Mikhail, o ferreiro do vilarejo. Desprezível e pervertido, o homem passa seu tempo livre gastando as poucas moedas que tem com prostitutas na capital. Em uma dessas noites, vê uma garota muito jovem sendo acariciada por um homem muito velho, cena que o excita como nada havia excitado. De volta ao vilarejo e com uma vontade não saciada, ele fica obcecado pela jovem Jekaterina, filha do vizinho. Ele a persegue e analisa toda a sua rotina, até que, na primeira oportunidade, abusa da menina. E, por meio de ameaças, ele continua abusando dela por anos. Porém, o passado volta para cobrar o seu preço. Comentários: Esse foi o conto que me deixou mais enojada e com raiva. Nojo e revolta definem a leitura.

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A Verdadeira História de Ivan, o Ferreiro: nesse conto, descobrimos que o ícone de masculinidade e dedicação do vilarejo, Ivan, não passa de uma fraude. Sua alta produção e sua dedicação ao trabalho, na realidade, são uma farsa: quem realiza todas as tarefas de Ivan são duas escravas adquiridas há muito tempo. Ivan é preguiçoso e trata as meninas como objetos, mantendo-as enclausuradas em uma jaula. Porém, a chegada de Mobuto e também do frio impiedoso trazem problemas incomparáveis a Ivan, problemas que não podem ser resolvidos utilizando suas jovens escravas. Comentários: Esse conto é cruel, principalmente no que diz respeito às condições de vida das meninas. Porém, é muito interessante ver as conexões entre os personagens, principalmente no que diz respeito ao (ótimo) desfecho.

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O Bonequinho de Porcelana da Sra. Branka: após a morte da mãe em seu nascimento, a pequena Latasha foi adotada pela avó, Branka. Porém, a vida financeira das duas foi se complicando cada vez mais com o passar dos anos. Aconselhada pelo seu contador, Branka passa a tomar atitudes drásticas para manter as finanças em dia, o que inclui tirar a neta da escola e colocá-la para trabalhar durante horas a fio. A tensão entre as duas piora quando Branka faz com que Latasha trabalhe de graça, pegando todas as moedas recebidas pela neta e colocando-as em um porquinho de porcelana dado pelo misterioso contador. A partir desse momento, mais nada pode restaurar a relação das duas, e o ódio de Latasha pela avó cresce cada vez mais. Comentários: esse conto é um tanto sem graça, e os personagens não são nem um pouco cativantes. Porém, gostei bastante do desfecho.

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Um Homem de Muitos Nomes: aqui, acompanhamos a difícil trajetória de Anatole em busca de comida. Descobrimos mais sobre o personagem e sua relação com a família ao mesmo tempo em que o vemos definhar por causa da fome e do frio. Entretanto, sua vida é salva por um velho que o encontra no meio da floresta. Além de alimentá-lo, o velho também presenteia Anatole com alimentos, para que ele volte para casa e salve sua família. Entretanto, após chegar no vilarejo e perceber o que realmente aconteceu por lá, Anatole se desespera e sai de casa em casa em busca de respostas. E ele as encontra da pior maneira possível. Comentários: talvez esse tenha sido meu conto favorito do livro. Ele encerra a história perfeitamente, até mesmo porque retoma a situação do primeiro conto. O desfecho é coerente e traz a conclusão que o livro todo tenta passar: os verdadeiros demônios moram dentro de nós.

O Vilarejo é um livro que me causou muitas expectativas – a proposta de um livro de contos de terror me lembrou muito Branca de Neve e os Sete Zumbis, do qual gostei bastante – mas tenho de admitir: ele não atendeu a todas elas. Muitos contos foram fracos, ou não causaram medo, ou ainda foram muito previsíveis. Contudo, a narrativa de Raphael Montes é envolvente e faz com que o leitor não consiga parar de ler. A maneira como ele entrelaça os contos e coloca elementos se repetindo em todo o livro, costurando todas as histórias, é incrível. A mensagem final é clara e condiz com tudo que é mostrado ao longo das páginas: o mal está nos seres humanos. Em suma, foi uma ótima leitura, apesar dos aspectos negativos. Recomendo! 🙂

Título Original: O Vilarejo
Autor: Raphael Montes
Ilustrações: Marcelo Damm
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 96

Resenha: Como Eu Era Antes de Você – Jojo Moyes

Oi, pessoal! Tudo bem?

Teve resenha do filme e hoje vai ter resenha do livro! 😀
O post de hoje é sobre uma das minhas melhores leituras dos últimos tempos: Como Eu Era Antes de Você! ❤

como eu era antes de voce jojo moyes

Sinopse: Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Sua vidinha ainda inclui o trabalho como garçonete num café de sua pequena cidade – um emprego que não paga muito, mas ajuda com as despesas – e o namoro com Patrick, um triatleta que não parece muito interessado nela. Não que ela se importe. Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor tem 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de ter sido atropelado por uma moto, o antes ativo e esportivo Will agora desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Sua vida parece sem sentido e dolorosa demais para ser levada adiante. Obstinado, ele planeja com cuidado uma forma de acabar com esse sofrimento. Só não esperava que Lou aparecesse e se empenhasse tanto para convencê-lo do contrário. Uma comovente história sobre amor e família, Como eu era antes de você mostra, acima de tudo, a coragem e o esforço necessários para retomar a vida quando tudo parece acabado.

A leitura desse livro não começou de maneira fluida. Além de eu ter começado a ler pelo celular, a caminho do trabalho, a narrativa também não prendeu minha atenção de maneira instantânea. Os fatos são mostrados de forma lenta, e Jojo Moyes descreve aspectos muito subjetivos a respeito de Lou, nossa narradora, e seu dia a dia. Por isso, dei um tempo na leitura, até que pedi o exemplar físico emprestado a uma amiga e retomei da onde tinha parado. Despretensiosamente e sem que eu me desse conta, Como Eu Era Antes de Você simplesmente fez com que eu não conseguisse mais largá-lo, como há muito tempo nenhum livro fazia.

Na história, conhecemos Louisa Clark. Ela tem 26 anos, ainda mora com a família em um quarto que mais parece um cubículo e tem um namoro preguiçoso e sem propósito há anos com Patrick, um homem mais preocupado com seu físico de maratonista do que com ela. Também conhecemos Will Traynor. Ele era um homem de negócios rico e bem sucedido, que namorava belas garotas e era apaixonado por adrenalina e esportes radicais, até ser atropelado por uma moto – acidente que o deixou tetraplégico. A vida dos dois colide quando Lou perde o emprego no café em que trabalhava e acaba se tornando cuidadora de Will.

O que dizer de Lou e Will? Sinceramente, demorei a gostar dela. A personalidade apagada e acomodada dela, além das reclamações constantes sobre emprego, me faziam ficar sem a menor paciência. Mas Will também não facilitava a vida de Lou com seu mau humor, com sua maneira ríspida e sua superioridade constante. Mas o que posso dizer? Comecei a amá-los sem nem me dar conta. Lou é uma personagem conformada: ela aceita sua vidinha medíocre, aceita ser menosprezada pela família, aceita que sua irmã mais nova continue sendo a esperança dos pais (sendo mãe solteira e sem emprego, mas egoísta a ponto de usar o dinheiro de Lou e da família pra voltar à faculdade), aceita um relacionamento sem afeto. E todos esses fatores me incomodavam de uma maneira absurda, porque eu detesto personagens assim. Gosto de gente decidida, que se impõe, que luta pelo que quer. E Will faz com Lou o que eu gostaria de fazer: incentivá-la, provocá-la, testá-la. Apesar de eu não aprovar a maneira autoritária com que ele a fazia repensar as coisas, eu ficava admirada ao perceber o quanto a convivência com ele era construtiva pra ela. E também achava encantador como Lou fazia Will se sentir normal em uma realidade na qual todos, inclusive sua família, o tratavam como se ele fosse incapaz de fazer escolhas.

Os personagens de Como Eu Era Antes de Você são magistralmente construídos. A narrativa mais lenta de Jojo Moyes faz com que o leitor seja parte daquela história de uma maneira muito real. Eu podia ver a mágoa de Lou com sua família, eu podia sentir a frustração de Will por ter que lidar com uma mãe que o trata como criança. Eu também podia sentir a dor de Camilla Traynor, mãe de Will, por lidar com a dolorosa escolha do filho. Eu também pude presenciar a evolução de Lou, os conflitos morais com os quais ela teve que lidar, seu contato com outros tetraplégicos na tentativa de ajudar Will… Enfim. Por meio de uma história que mostra, passo a passo, como a vida daqueles personagens funciona, a autora consegue nos transportar para a realidade deles e fazer com que a gente viva junto deles seus conflitos e tristezas.

O livro é muito mais profundo do que o filme. O livro não se trata apenas de um romance. Na realidade, o livro fala sobre poder de escolha e sobre mudanças. Ele levanta um debate sobre o livre arbítrio, mas também nos mostra que sempre podemos evoluir e mudar. Por meio do passado traumático de Lou, conseguimos entender porque a personagem trilhou o caminho que a trouxe até esse presente sem perspectivas. Por meio da situação atual de Will, é possível refletir os motivos pelos quais ele toma suas decisões. Até mesmo ao aprofundar as cenas em que Lou interage com a sua família (observação: ODEIO a família de Lou com todas as forças. De Katrina, a irmã aproveitadora, aos pais que a depreciam e não prezam por ela. O único que se salva é o avô.) a autora mostra nuances da protagonista que são muito importantes para compreendê-la e compreender também sua evolução ao lado de Will.

Como Eu Era Antes de Você foi o único livro em muito tempo que me fez passar 4h diárias lendo. Fazia anos que isso não acontecia e significa muito pra mim, vocês não têm ideia. ❤ Como comentei no review do filme, terminei a leitura no mesmo dia em que fui ao cinema, então as emoções foram tantas que eu chorava até ouvindo alguma música da trilha sonora. Essa leitura foi uma experiência inesquecível pra mim. Lou e Will estão marcados pra sempre no meu coração, assim como esse livro. O que posso dizer? Leiam! ❤

Título Original: Me Before You
Autor: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 320