Parceria e entrevista: André Souto

Oi gente! Tudo certo?

Lembram quando comentei que mais novidades seriam anunciadas por aqui? 😉 Pois então: André Souto, autor do livro Ossos do Clima, agora é parceiro do Infinitas Vidas! \o/

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Sinopse: O misterioso desaparecimento de um renomado cientista, um incêndio criminoso, um roubo que deu errado e as mortes inexplicáveis de diferentes pesquisadores ao redor do mundo. Aparentemente nenhum desses fatos está relacionado, mas com o desenrolar da história fica evidente cada pequena conexão. Algumas nem tão pequenas assim. Entre inúmeras perguntas sem respostas e enigmas que parecem insolúveis acontece, em Brasília, a Cúpula Mundial do Clima, pano de fundo para tramas políticas que podem mexer com algumas das mais íntimas certezas dos protagonistas da trama, assassinatos e uma caçada pelas pessoas que podem mudar a nova ordem mundial.
Junte-se a Alice Gianne e Amilton Vidal para tentar desvendar esse mistério e entender quais são os Ossos do Clima.

E é claro que eu o convidei para responder à tradicional entrevista que faço com os autores parceiros. 😉 Vamos conferir as respostas dele?

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1. Como e quando você decidiu ser escritor?

Em algum momento na infância migrei dos gibis para os livros, ler sempre foi uma necessidade vital do meu cotidiano. Escrever eclodiu. Ninguém nasce escritor, aos poucos, o desejo de preencher as lacunas foi se delineando impulsionado por uma vontade de contar estórias sob uma ótica brasileira, entendendo que também outras pessoas gostariam de reconhecer-se em nossas ruas e modos típicos. Terminei o primeiro livro antes dos vinte, mas não tenho interesse em publicá-lo. Comecei e abandonei outros ao longo da jornada. Escrevi uma peça de teatro, Ventre Nosso, produzida e dirigida profissionalmente pelo saudoso Wellington Dias. Redigi contos e roteirizei um deles para um curta-metragem. Elaborei artigos e textos acadêmicos. Lapidava a voz narrativa, Ossos do Clima ganhou forma a partir do momento que me senti pronto para retomar minha essência romancista.

2. Quais autores foram as suas maiores inspirações no mundo literário?

Li muitos clássicos antes de escrever. Entretanto, foram dois autores contemporâneos que mudaram o modo que enxergo a literatura, Milton Hatoum, que conheci pessoalmente em 2004; e Patrícia Melo, uma das responsáveis por minha paixão pela literatura policial. Existem vários outros, pois estou sempre querendo aprender, todo autor deve buscar dissecar as estruturas e a forma dos grandes mestres, mesmo quando se busca a especialização no gênero, período em que obrigatoriamente deve conhecer as obras daqueles que fizeram da consagrada estrutura de crime e mistérios uma vertente da literatura urbana. Quando estou escrevendo, as leituras são sempre correlacionadas ao texto em produção.

3. Como foi o processo de desenvolvimento de Ossos do Clima? Quais foram as partes mais bacanas e as mais difíceis ao longo desse processo?

Eu não tenho uma fórmula, mantenho uma rotina de escrita. O desenvolvimento de Ossos do Clima surge da temática tratada como pano de fundo da trama. Sempre que lecionava ou palestrava sobre as questões climatológicas havia uma agitação nas pessoas, percebi que muitos não conheciam as teorias, fadados a um único ponto de vista. Decidi testar as mais íntimas certezas de um maior número de leitores confeccionando um enredo policial, onde as investigações e conflitos são alimentados por uma complexidade moral orquestrada sobre uma teia eletrizante repleta de intrigas, reviravoltas e mistérios.
Uma parte bacana do processo foi aprender sobre os assuntos que permeiam a obra. São elementos e personagens que se enredam em questões globais em uma investigação lógica, um quebra-cabeças, exigindo uma profunda pesquisa, mas estudar sempre foi uma paixão.
O maior desafio consistiu na construção da protagonista, Alice Gianne, portadora de Alexitimia, um tipo raro de autismo, que inibe as reações emocionais. Confeccionar as cenas sob um ponto de vista complexo, em analogia à trama, exigiu o desenvolvimento de uma técnica de percepção escrita a fim de parecer verossímil, e fazer com que o leitor sinta-se como a personagem.

4. Você teria alguma dica para quem também deseja publicar seu próprio livro?

Leia grandes livros, teóricos e ficcionais, anseie sempre melhorar a técnica, escrever melhor. Embora, muitos digam que é apenas inspiração, lembre-se, outros artistas (pintores, cantores e atores) trabalham diariamente. Crie sua rotina. A literatura nacional está crescendo, acredite em você.

5. Fique à vontade para deixar um recado aos leitores do Infinitas Vidas!

Continuem seguindo o Infinitas Vidas! Espero que curtam Ossos do Clima, trabalhei com muito carinho e determinação pensando em você, leitor. Amei escrever esta estória, desejo que experimente em cada da palavra o que senti. Estou sempre à disposição para elogios, críticas e sugestões. Vem comigo!

Meu muito obrigada ao André pela confiança e por participar dessa entrevista!
Estou ansiosa para ler Ossos do Clima e trazer pra vocês uma resenha bem bacana. 😉

E vocês, gostaram de conhecer um pouquinho mais sobre o autor e sua obra?
Me contem nos comentários!

Beijos e até semana que vem! ❤

Parceria e entrevista: Nina Spim

Oi pessoal, como estão?

Tenho uma novidade super bacana pra compartilhar com vocês: a autora Nina Spim agora é parceira do blog! Que belo modo de começar 2017, hein? ❤
E, pra iniciarmos essa parceria com o pé direito, eu trouxe pra vocês uma entrevista com a Nina e também mais informações sobre os contos dela! Espero que gostem. 😉

Sobre a autora

Nina Spim é uma escritora sonhadora dotada de blue feelings e acadêmica do curso de Jornalismo na PUC-RS. Autora dos contos “Heart and Love” e “Coisas, definitivamente, de Amélia”, das Antologias Amor nas Entrelinhas e Aquarela, respectivamente, pela Andross Editora. Autora dos contos “Caleidoscópio”, “Imersão” e “Sutilmente”, publicados na Amazon, e do conto “Roda-gigante”, publicado online na revista Fluxo. “No Silêncio de um retrato” (Antologia Ridículas Cartas de Amor, 2015), “Entre as cinzas e o fogo” (Antologia Valquírias, 2017) e poemas (Antologia Ondas Poéticas, 2016) foram publicados pela Darda Editora. Colaboradora nos sites CONTI outra, Revista Pólen e HEADCANONS.

Sobre as obras

A Nina tem três contos publicados: Sutilmente, Imersão e Caleidoscópio. Vamos conhecer um pouquinho sobre cada um deles?

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Sutilmente: Este conto se encaixa na categoria de literatura LGBT. Por duas vezes, já esteve entre os 100 e-books gratuitos mais vendidos da plataforma e constantemente aparece no ranking geral. Sinopse: A escola pode ser um ambiente hostil para se fazer amizades e, ainda mais, para se apaixonar pela primeira vez. No entanto, é justamente na sala de aula que Giovana conhece a nuance e a cor do amor. Laura poderia ser a típica aluna nova amedrontada, mas seu mundo particular, cheio de certezas escondidas, nunca mais será o mesmo depois de conhecer a libertação que o novo provoca. Compre aqui!

Imersão:  Escrito para o Prêmio Kindle de Literatura em 2015, o conto trata da depressão. Sinopse: Os dias difíceis parecem normais para todos, certo? Mas, no caso de Lou, um dia difícil é muito mais do que isso. É uma luta constante contra si mesma e seus demônios invisíveis. Caio, seu marido, a aceita como é e muitas vezes precisa ser firme. O que é a depressão para você? Até quando você poderia vê-la desgastando a pessoa que mais ama? Compre aqui!

Caleidoscópio: Também escrito para o Prêmio Kindle de Literatura em 2015, o conto traz representação a pessoas com deficiência visual. Sinopse: Conhecer o infinito nunca foi tão fácil para Júlia, até que Daniel a fez sentir que a beleza não precisa ser enxergada para ser contemplada na infinitude de quem eram. Compre aqui! 

E, pra finalizar esse post especial, confiram a entrevista! 😉

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1. Como e quando você decidiu ser escritora?

Eu escrevo desde criança, mas achava que era um passatempo. No ensino médio, uma professora de Português me mostrou que eu tinha potencial para a escrita, mas foi somente aos 18 anos que tive coragem de publicar fanfics como forma de saber se estava mesmo no caminho certo. Eu não acho que decidi ser escritora, eu sempre fui – apenas demorei bastante tempo para me declarar assim.

2. Quais autores foram as suas maiores inspirações no mundo literário?

No começo, foi a Meg Cabot, pois gostava de histórias como as dela. Hoje em dia, me identifico bem mais com a Virginia Woolf, Jennifer Niven, Cecília Meireles e Caio Fernando Abreu.

3. Como foi o processo de desenvolvimento de seus contos? Quais foram as partes mais bacanas e as mais difíceis ao longo desse processo?

Cada um tem um propósito diferente, então, o desenvolvimento também foi diferente. O que houve em comum com eles é que foram histórias que demorei para encontrar e que, quando nasceram, foram grandes orgulhos – e continuam sendo. Eu busco dar voz a grupos invisibilizados ou incompreendidos e essa foi a parte boa, saber que estava fazendo de coração, porque acredito na igualdade e na empatia. A parte difícil foi entender as limitações desses grupos e conseguir passar credibilidade às histórias.

4. Você teria alguma dica para quem também deseja publicar seu próprio livro?

Escreva sem amarras, sem estipular metas loucas. Mas, após terminar o rascunho (a primeira versão de algo), invista muito tempo na revisão. Também digo para não se prender a publicações físicas. Existem muitas e muitas formas de publicações hoje em dia e maneiras alternativas/independentes podem ser muito mais vantajosas do que as tradicionais/físicas.

5. Fique à vontade para deixar um recado aos leitores do Infinitas Vidas!

Oi, gente! Espero que a literatura sempre inspire vocês a buscar sonhos e a transformar aquilo que são e aquilo que desejam às pessoas ao redor.

Espero que tenham gostado da novidade tanto quanto eu!
Obrigada mais uma vez pela confiança, Nina! ❤
E aguardem, pois em breve teremos mais novidades aqui no blog. 😉

Beijos e até semana que vem!

Resenha: O Vilarejo – Raphael Montes

Oi pessoal, como estão?

Para o post de hoje, trago a resenha de um livro que eu queria muito ler: O Vilarejo, do Raphael Montes! 😀

o vilarejo raphael montesGaranta o seu!

Sinopse: Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.

Uma das primeiras coisas a me chamar a atenção nesse livro é que Raphael Montes se apresenta como um tradutor que recebeu um caderno cheio de contos obscuros e ilustrações aterrorizantes e resolveu organizá-los de modo a fazer sentido. Os contos, apesar de independentes, tratam de um mesmo vilarejo e de seus habitantes, e em cada conto temos um demônio que influencia os acontecimentos retratados. Os demônios, que também representam os pecados capitais, são: Belzebu (gula), Leviathan (inveja), Lúcifer (soberba), Asmodeus (luxúria), Belphegor (preguiça), Mammon (ganância) e Satan (ira). Vou contar um pouquinho sobre cada conto pra deixar vocês mais curiosos – sem spoilers, é claro. 😉

o vilarejo 1

Banquete Para Anatole: nesse conto, somos apresentados a uma situação terrível que assola o vilarejo, o frio e a fome. Graças a uma terrível nevasca e a uma guerra civil que acontece na capital, o vilarejo está totalmente isolado da civilização. Felika, uma mãe de família, é a protagonista. O marido, Anatole, saiu do vilarejo há semanas para enfrentar a neve e tentar caçar alguma coisa que possa alimentar a família, mas enquanto isso Felika precisa fazer o que estiver ao seu alcance para manter a família viva e alimentada. Os vizinhos morrem de fome pouco a pouco, e o pânico de que alguém bata à porta e roube o pouco alimento que lhes resta é constante. O clima desse conto é esse: tensão e pânico pelo que pode acontecer. Comentários: Não achei o desfecho surpreendente (para ser honesta, eu suspeitei que seria como foi), mas gostei dele. Foi um dos melhores e mais “aterrorizantes”.

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As Irmãs Vália, Velma e Vonda: aqui, conhecemos as três irmãs que dão nome ao conto. Vália, a mais velha, namora o belo Krieger, e sempre leva as irmãs mais novas (as gêmeas Velma e Vonda) para brincar com a amiga Jekaterina. As garotas têm o hábito de brincar de contar histórias, e cada uma é responsável por uma parte do enredo. Contudo, a tímida e insegura Vonda, sempre à sombra das irmãs, aproveita o momento de contar histórias para fantasiar um romance com Krieger. Essa obsessão acaba levando a garota para caminhos obscuros, que mudam a vida de todos eles. Comentários: É um conto estranho, não gostei muito.

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O Negro Caolho: nesse conto, o vilarejo é surpreendido pela chegada de um homem negro, estrangeiro e muito forte. Ele é capturado por Ivan, o ferreiro, e é quase executado em nome do medo e do preconceito. No último segundo, entretanto, a doce Helga impede a barbárie, defendo o homem perante todos e o acolhendo em sua casa para ajudá-la nas tarefas domésticas e no cuidado com seu bebê recém-nascido. Helga descobre que o homem se chama Mobuto e veio da África em busca das filhas, que foram sequestradas. Porém, com o passar do tempo, a solidão de Helga – cujo marido, o capitão Dimitri, está ocupado na guerra civil que começou na capital – faz com que suas atitudes sejam cada  vez menos humanas em relação a Mobuto. Comentários: Achei esse um dos piores contos, principalmente pela mudança brusca e meio sem sentido no comportamento de Helga. 😦 Sim, dá pra entender a frustração e a solidão da personagem, mas pra mim os fatos não justificam a reviravolta na sua personalidade.

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A Doce Jekaterina: aqui, conhecemos Mikhail, o ferreiro do vilarejo. Desprezível e pervertido, o homem passa seu tempo livre gastando as poucas moedas que tem com prostitutas na capital. Em uma dessas noites, vê uma garota muito jovem sendo acariciada por um homem muito velho, cena que o excita como nada havia excitado. De volta ao vilarejo e com uma vontade não saciada, ele fica obcecado pela jovem Jekaterina, filha do vizinho. Ele a persegue e analisa toda a sua rotina, até que, na primeira oportunidade, abusa da menina. E, por meio de ameaças, ele continua abusando dela por anos. Porém, o passado volta para cobrar o seu preço. Comentários: Esse foi o conto que me deixou mais enojada e com raiva. Nojo e revolta definem a leitura.

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A Verdadeira História de Ivan, o Ferreiro: nesse conto, descobrimos que o ícone de masculinidade e dedicação do vilarejo, Ivan, não passa de uma fraude. Sua alta produção e sua dedicação ao trabalho, na realidade, são uma farsa: quem realiza todas as tarefas de Ivan são duas escravas adquiridas há muito tempo. Ivan é preguiçoso e trata as meninas como objetos, mantendo-as enclausuradas em uma jaula. Porém, a chegada de Mobuto e também do frio impiedoso trazem problemas incomparáveis a Ivan, problemas que não podem ser resolvidos utilizando suas jovens escravas. Comentários: Esse conto é cruel, principalmente no que diz respeito às condições de vida das meninas. Porém, é muito interessante ver as conexões entre os personagens, principalmente no que diz respeito ao (ótimo) desfecho.

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O Bonequinho de Porcelana da Sra. Branka: após a morte da mãe em seu nascimento, a pequena Latasha foi adotada pela avó, Branka. Porém, a vida financeira das duas foi se complicando cada vez mais com o passar dos anos. Aconselhada pelo seu contador, Branka passa a tomar atitudes drásticas para manter as finanças em dia, o que inclui tirar a neta da escola e colocá-la para trabalhar durante horas a fio. A tensão entre as duas piora quando Branka faz com que Latasha trabalhe de graça, pegando todas as moedas recebidas pela neta e colocando-as em um porquinho de porcelana dado pelo misterioso contador. A partir desse momento, mais nada pode restaurar a relação das duas, e o ódio de Latasha pela avó cresce cada vez mais. Comentários: esse conto é um tanto sem graça, e os personagens não são nem um pouco cativantes. Porém, gostei bastante do desfecho.

o vilarejo 7

Um Homem de Muitos Nomes: aqui, acompanhamos a difícil trajetória de Anatole em busca de comida. Descobrimos mais sobre o personagem e sua relação com a família ao mesmo tempo em que o vemos definhar por causa da fome e do frio. Entretanto, sua vida é salva por um velho que o encontra no meio da floresta. Além de alimentá-lo, o velho também presenteia Anatole com alimentos, para que ele volte para casa e salve sua família. Entretanto, após chegar no vilarejo e perceber o que realmente aconteceu por lá, Anatole se desespera e sai de casa em casa em busca de respostas. E ele as encontra da pior maneira possível. Comentários: talvez esse tenha sido meu conto favorito do livro. Ele encerra a história perfeitamente, até mesmo porque retoma a situação do primeiro conto. O desfecho é coerente e traz a conclusão que o livro todo tenta passar: os verdadeiros demônios moram dentro de nós.

O Vilarejo é um livro que me causou muitas expectativas – a proposta de um livro de contos de terror me lembrou muito Branca de Neve e os Sete Zumbis, do qual gostei bastante – mas tenho de admitir: ele não atendeu a todas elas. Muitos contos foram fracos, ou não causaram medo, ou ainda foram muito previsíveis. Contudo, a narrativa de Raphael Montes é envolvente e faz com que o leitor não consiga parar de ler. A maneira como ele entrelaça os contos e coloca elementos se repetindo em todo o livro, costurando todas as histórias, é incrível. A mensagem final é clara e condiz com tudo que é mostrado ao longo das páginas: o mal está nos seres humanos. Em suma, foi uma ótima leitura, apesar dos aspectos negativos. Recomendo! 🙂

Título Original: O Vilarejo
Autor: Raphael Montes
Ilustrações: Marcelo Damm
Editora: Suma de Letras
Número de páginas: 96
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Parceria e entrevista: Raphael Miguel!

Oi pessoal, como estão?

O ano começou muito bem, e eu trouxe mais uma novidade super bacana pra vocês: o autor Raphael Miguel agora é parceiro do Infinitas Vidas! \o/ Sua obra, O Livro do Destino, já vem fazendo sucesso na blogosfera. Confiram a sinopse:

o livro do destino raphael miguel

Sinopse: O que você faria se recebesse um artefato capaz de alterar o destino das pessoas ao seu redor, interferir no futuro e destruir realidades? O que faria se um instrumento de tamanho poder caísse em suas mãos? Praticaria o bem ou o mal? Utilizaria para sanar as desgraças do Mundo ou para alcançar objetivos egoístas? Tentaria salvar àqueles ao seu lado, ou salvaria apenas a si próprio? Eric Dias é um rapaz de recém feitos dezessete anos. Pacato, vive uma vida tranquila, sem grandes preocupações. No entanto, um presente inusitado pode alterar para sempre seu destino e de todos ao seu redor. O que o rapaz fará com tal responsabilidade sobre seus jovens ombros?

Eu convidei o Raphael pra responder a uma rápida entrevista, pra que vocês o conheçam melhor. Vamos conferir? 😀

autor raphael miguel

1. Como e quando você decidiu ser escritor?

Bem, a decisão de se tornar escritor não foi premeditada. Digamos que, simplesmente, aconteceu. Sabe quando você sente que está fazendo o que realmente gosta? Foi bem isso. Desde quando era criança, gostava de roteirizar, criar histórias, enredos, personagens e mundos imaginários. Foi dessa vocação que a escrita se desenvolveu. Na adolescência, arrisquei algumas palavras e textos, mas nada muito sério ou que houvesse comprometimento. Acumulei certo material dessa época, mas acabei perdendo o “time”, sabe? Muito disso se perdeu com o tempo. Foi apenas depois da faculdade, com alguns anos de carreira, casado e pai que comecei a investir mais nessa veia de escritor. A ideia surgiu de uma vontade que eu tinha de registrar no papel algumas histórias vividas apenas no meu imaginário. Assim, em 2012, comecei a escrever e passei mais de dois anos desenvolvendo a trama de uma saga medieval chamada A Saga de Esplendor (ainda não publicada, mas disponível prévia gratuita no WOMOU). Em maio de 2015, com a Andross Editora, publiquei pela primeira vez um conto que se passa dentro do universo dessa saga, O Domador de Dragões foi publicado na antologia Além das Cruzadas. De lá para cá, não parei mais. Então, não houve uma decisão, houve uma vontade que se tornou um sonho e que, agora, vai se tornando uma realidade e meta de vida. Estou vivenciando com muita empolgação cada momento no mundo literário.
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2. Quais autores foram as suas maiores inspirações no mundo literário?

Sempre que me perguntam isso, fico com medo de esquecer de alguém e cometer certa injustiça. Gosto desde clássicos até a modernidade e escrita contemporânea. Vou citar alguns autores que me ocorrem no momento: Júlio Verne (Viagem ao Centro da Terra) ; Victor Hugo (Os Miseráveis); William Shakespeare (Sonhos de uma noite de verão); J.R.R. Tolkien (O Senhor dos Anéis); George R.R. Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo); Douglas Adams (O Guia do Mochileiro das Galáxias); Luis de Camões (Os Lusíadas); Gil Vicente (O Alto da Barca do Inferno); George Orwell (1984); Aluísio Azevedo (O Cortiço); Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás Cubas); Jô Soares (Assassinato na Academia Brasileira de Letras); Creio que esses não são os únicos, mas os mais importantes.

3. Como foi o processo de desenvolvimento de O Livro do Destino? Quais foram as partes mais bacanas e as mais difíceis ao longo desse processo?

O Livro do Destino foi escrito e desenvolvido em 3 meses, rapidinho. Na verdade, eu já tinha imaginado o argumento da trama há um bom tempo e só precisava parar para escrever e desenvolver o enredo. Porém, nada é tão fácil. Quando você começa a escrever, várias outras coisas surgem e interferem no processo da escrita. Quero dizer que muito do que surgiu no livro não estava no argumento original da história. Apesar de a espinha dorsal do enredo não ter sido mexida, muitas subtramas se revelaram, personagens e situações que surpreenderam até mesmo a mim. Agora, quando as pessoas dizem que O LIVRO DO DESTINO tem uma leitura fácil, a explicação para isso é bastante lógica: foi um livro gostoso de escrever, não tive muitas complicações ou enroscos. A escrita fluiu muito bem.

Quanto às partes mais bacanas, muitas poderia citar. O fato de O LIVRO DO DESTINO trazer diversos questionamentos sobre as possibilidades oferecidas pelo próprio encadernado foi algo com que brinquei durante todo o tempo. Eric (o protagonista) representa o garoto comum que não gostaria de ter uma responsabilidade tão grande nas mãos e isso é algo que fica evidente durante toda a trama, o interessante é que todas as situações forçam o leitor a se colocar no lugar do personagem, questionando-o ou até mesmo concordando com suas atitudes. Outra coisa particularmente divertida foi construir diversas possibilidades a partir da existência de outras realidades e dimensões. Eu (autor) acredito que vivemos em um multiverso e poder abordar esse tema foi muito prazeroso.

As partes mais difíceis? Para este enredo, tive muito cuidado para não deixar furos no curso da história. Perguntas sem respostas. O LIVRO DO DESTINO traz uma narrativa leve sem muitas descrições e sem muito floreamento e foi o que me deu medo de não conseguir amarrar tudo em um desenvolvimento fechado. Creio que consegui cumprir meu objetivo.

4. Você teria alguma dica para quem também deseja publicar seu próprio livro?

Poderia fazer até mesmo uma série de dicas. (Risos) Vou mandar 3:

A – A primeira dica que posso dar é: se tens um sonho, escreva-o. O mundo literário é feito de sonhos e esses sonhos se tornam histórias para serem compartilhadas. O livro que não surge de um sonho, não envolve paixão. Mesmo que seja um sucesso do mercado, será um trabalho sem alma, um livro vazio.

B – Antes de tudo, escreva para si mesmo. O escritor deve ser seu maior fã. Se você está começando a escrever pensando na opinião dos outros, o que irão achar de seu trabalho, está fazendo algo errado! Se você não escrever aquilo que gosta, se não olhar para seu trabalho sentindo orgulho, estará fracassando muito em breve.

C – Seja crítico quanto ao seu trabalho. Apesar de ter que amar aquilo que escreve, você deve ser capaz de enxergar aquilo que não está tão bom no final das contas e saber trabalhar com isso. As histórias quando terminadas tendem a ser cruas e devem ser revisadas quantas vezes forem necessárias, como um diamante a ser lapidado. Apesar de ser seu maior fã, deve ser seu maior crítico.

5. Fique à vontade para deixar um recado aos leitores do Infinitas Vidas!

Gostaria de agradecer imensamente a oportunidade de estar participando desta entrevista e muito feliz com o interesse em meu trabalho. Tenham a certeza de que pretendo ter a relação mais íntima possível com meus leitores e fiquem sempre à vontade para me contatar. Um forte abraço a todos e lembrem-se: nós é que traçamos o próprio destino.

Eu adorei as respostas do Raphael e achei as dicas dele incríveis! Até comentei com ele que também fui selecionada para a antologia Além das Cruzadas e pudemos bater um papo a respeito. 😀 O processo de produção de O Livro do Destino, com seus pontos positivos e negativos, também foi muito bacana!

Ao Raphael, meu muito obrigada pelo tempo dedicado à entrevista e pela confiança no Infinitas Vidas! 😉

E vocês, gostaram de conhecer um pouquinho mais sobre o autor e sua obra?
Beijos e até o próximo post! ❤

Resenha: Por Que Aceitei Aquele Pedido? – Renata Varela

Oi pessoal, tudo bem?

Para o post de hoje eu trago mais uma resenha nacional. 😀 A autora Renata Varela me procurou lá na página do blog, me propôs a leitura de seu conto, Por Que Aceitei Aquele Pedido? e, é claro, não pensei duas vezes antes de aceitar! \o/

por que aceitei aquele pedido renata varelaGaranta o seu!

Sinopse: Lilly não quer se casar. Idealiza uma vida de viagens, liberdade e sem compromissos. Mas não precisa estar sozinha; Não. Don, seu namorado desde os tempos da faculdade, está em seus planos para o futuro, mas como um namorado tranquilo, conhecendo o mundo juntos e morando em apartamentos separados. Só que Don quer outra coisa. Na noite de ano novo, com mais de cinqüenta pessoas de testemunha, Don se ajoelha e… pede Lilly em casamento. Em pânico, sem saber como rejeitar um pedido tão genuíno, ela acaba dizendo “sim”, mas se arrepende profundamente quando percebe que a vida de casada não é para ela, e começa a se fazer a pergunta: Por Que Aceitei Aquele Pedido?

O conto é bem curtinho, dividido em oito capítulos e um epílogo, o que deu bastante fluidez à leitura. Somos apresentados a Lilly, uma jovem que aceitou o pedido de casamento do namorado, Don, mas que tem aversão à vida de casada. A trama se desenrola a partir desse conflito, já que Lilly não sabe o que fazer em relação a essa situação: ela ama o namorado, deseja ficar ao seu lado, mas definitivamente quer uma vida totalmente diferente da dele. Ela é aventureira, deseja viajar o mundo todo, morar no exterior e não se fixar a nada nem ninguém. Don, por sua vez, é totalmente romântico, do tipo que sonha com filhos e uma bela casa com jardim. Após um surto de pânico em seu Chá de Panelas, Lilly decide viajar com a melhor amiga, Rachel, rumo à praia. Lá, ela espera fugir um pouco de toda essa confusão em torno do casamento e dar um tempo à si mesma para encontrar as respostas que precisa.

Logo de cara, pelo nome dos protagonistas, eu pude perceber a ligação da autora com as séries de TV. Foi difícil não lembrar de Friends e How I Met Your Mother ao me deparar com os nomes dos personagens (e, posteriormente, a autora confirma isso ao fazer várias referências a essas e outras séries). Não sou muito fã do uso de muitas referências, pois o leitor que não as conhece pode se sentir confuso, mas como eu sou ABSURDAMENTE fã de Friends (e também adoro How I Met Your Mother), eu gostei de identificá-las. 😀

A Lilly foi uma personagem controversa pra mim. Eu adorei o senso de humor dela e achei a narração – feita em primeira pessoa – muito divertida. Eu até me identifiquei com alguns aspectos, como as mudanças de curso (já que eu também cursei outra área antes de vir para a Publicidade). Contudo, com o passar do tempo, eu comecei a me irritar um pouco com a falta de maturidade dela. Muitos problemas poderiam ser evitados se ela agisse como adulta e fosse honesta. Don, em contrapartida, é um poço de paciência (às vezes até quando a Lilly não merece). Acho que a personagem que mais me cativou foi Rachel: ela tem uma personalidade muito leve e bem-humorada.

O conto tem alguns erros de concordância e digitação, mas eles podem ser facilmente corrigidos com uma revisão mais atenciosa. O ponto forte com certeza é a narrativa. Renata escreve de uma maneira descontraída, e eu me sentia como se fosse uma amiga de Lilly, para a qual ela estivesse desabafando. Era muito fácil ler um capítulo após o outro e tentar imaginar qual seria o fim do casal, já que em nenhum momento dava pra ter certeza a respeito das decisões de Lilly (e até mesmo de Don, já que ele poderia se encher daquela situação).

Por Que Aceitei Aquele Pedido? é aquele conto perfeito pra quem saiu de uma leitura muito densa ou de uma ressaca literária: é leve, descontraído e você lê rapidinho. A escrita da autora é agradável e cativante. Recomendo pra quem adora um romance e pra quem busca uma história bacana e curtinha pra passar o tempo. 🙂

Título original: Por Que Aceitei Aquele Pedido?
Autora: Renata Varela
Editora: Amazon
Número de páginas: 91
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Resenha: Miguel & Manuela – Tony Lucas

Oi gente, tudo bem?

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todas as mensagens carinhosas que recebi no post anterior! Muito obrigada pelos parabéns! ❤
Falando nisso, já estão participando do sorteio de aniversário do blog? 😉
Estou ansiosa pra descobrir quem serão os sortudos que vão levar os prêmios pra casa!

Bom, para o post de hoje eu trouxe uma resenha nacional. 😀 Trata-se de um conto, cedido pelo próprio autor (que, por sinal, também é blogueiro): Miguel & Manuela, do Tony Lucas!

conto miguel e manuela tony lucasGaranta o seu!

Sinopse: Miguel e Manuela são diferentes e aparentemente não tinham nada em comum. Mas quando Miguel vê um comentário deixado por Manuela em um videoclipe da banda MS MR, os dois percebem que não só têm gostos parecidos como também têm problemas iguais. Mensagens serão trocadas, telefonemas serão dados e uma forte ligação surgirá entre esses dois. Em uma narrativa embalada por MS MR e que intercala presente e passado, Tony Lucas mostra como a música pode mudar (para melhor) a vida de dois completos estranhos.

Tenho que começar dizendo que adoro narrativas que se dão por meio de mensagens, ligações, e-mails, essas coisas. Minha primeira experiência com esse tipo de leitura foi com @mor, e eu adorei, então fiquei super empolgada com a narrativa de Miguel & Manuela. O livro começa no dia do primeiro encontro do casal, e por meio das diferentes perspectivas (ora de Manuela, ora de Miguel) descobrimos que ela pensou ter levado um bolo, e ele está passando por maus bocados pra chegar ao local combinado. Só aí você já fica super curioso pra descobrir se eles vão conseguir se encontrar. 😛 Além disso, o conto intercala os pensamentos dos protagonistas tanto no dia do encontro como na época em que se conheceram, e também algum tempo depois, com a amizade consolidada. Aliás, me identifiquei muito com a maneira como eles se conheceram: por meio de um comentário em um clipe da MS MR. Eu já fiz muitos amigos virtuais através de chats, Flogão/Fotolog, Orkut, então lembrei da época em que isso era super comum na minha vida.

Um aspecto super bacana da história foi ver como duas pessoas com vidas muito diferentes podem ser tão parecidas. Tanto Manuela quanto Miguel pertencem a classe sociais totalmente distintas e têm acesso a oportunidades bem diferentes, mas ainda assim sofrem de problemas muito semelhantes. Ambos não se sentem compreendidos e sentem que a própria vida não está sob controle. E, é claro, como a música – uma das minhas paixões – pôde criar um laço tão forte entre os dois. Apesar de não gostar muito de longas descrições sobre algo específico (no caso do conto, o clipe Think of You), nesse caso eu pude sentir que era o próprio Tony quem colocava suas emoções na fala dos personagens, demonstrando a paixão pela banda (claro, suposição minha hahaha). Outro aspecto muito positivo é que os capítulos são bem curtinhos e fluidos, então você percebe que já está muito próximo de ler a perspectiva do próximo personagem, e aí a curiosidade para saber o que está acontecendo fala mais alto. 😛 E, por fim, uma ótima sacada do conto é que ele traz uma lição bem clara: sempre há dois lados de uma mesma história. Manuela, acostumada a se decepcionar com as pessoas, já pensou o pior de Miguel: que ele a deixara esperando de propósito. Enquanto isso, Miguel estava passando por um perrengue sem tamanho para conseguir chegar a ela. Fica aquele lembrete de que é sempre bom ouvir o que o outro tem a dizer primeiro, antes de sair tirando conclusões precipitadas. 🙂

Alguns aspectos negativos no conto me incomodaram um pouquinho, mas nada grave: percebi alguns erros de revisão (principalmente vírgulas e acentuação), mas acredito que uma nova revisão com mais calma já resolva todos esses pequenos probleminhas. Eu também não sou muito chegada em merchandising (não que tenha sido a intenção), mas não curto muito quando os personagens ficam nomeando e elogiando um filme específico, um livro, um ator etc., como ocorreu no conto. Sinto um clima meio novela da Globo, sabem? Claro, exceto quando esse “objeto” é de extrema importância pro personagem ou pra história, como o MS MR é para os personagens. Aí não me incomoda. 😛

Eu gostei muito de Miguel & Manuela e pude perceber que Tony tem uma fluidez narrativa que tornou a leitura muito prazerosa. A história é fofa, o desenvolvimento dos personagens é ótimo dentro de um número de páginas limitado e eu gostei muito do que li. O Tony tem talento e acho que Miguel & Manuela poderia facilmente virar um livro. 😛 Leiam, vale a pena!

Título Original: Miguel & Manuela
Autor: Tony Lucas
Editora: Independente
Número de páginas: 52
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Resenha: Coração Artificial – Viviane L. Ribeiro

Oi gente! Tudo bem?

O post de hoje é super especial, pois trata-se da resenha de um livro de uma parceira do blog, e também do 100º post do Infinitas Vidas! \o/ Estou falando de Coração Artificial, da querida Viviane L. Ribeiro! ❤ A Viviane me procurou há alguns meses, me oferecendo essa leitura, e eu estou muito feliz por poder contar pra vocês as minhas impressões sobre ela! 😀

capa coração artificial viviane l ribeiro

Sinopse: Gabriel é filho de um importante magnata da indústria de órgãos artificiais, e Alicia é apenas uma estudante inteligente o bastante para ter uma bolsa de estudo na mesma faculdade privada que Gabriel frequenta. O fato é que eles nunca teriam se conhecido se Gabriel não tivesse parado para ajudar Alicia com seus livros e muito menos se aproximado tanto se não a tivesse visto cantar em um bar numa noite. Então acontece um acidente de carro. E estranhamente as pessoas próximas a eles estão tentando mantê-los afastados, e enquanto isso, eles vivem a vida naturalmente, acreditando que o acidente não trouxe nenhuma consequência para suas vidas. Mas a verdade é que estão completamente errados.

Já pela sinopse eu fiquei curiosa com Coração Artificial. Li algumas resenhas e sempre ficava intrigada, querendo saber o que afastaria Gabriel e Alícia após o dito acidente. Bolei algumas teorias – algumas eu acertei, outras não. Mas posso dizer que nada me preparou para o final.

O livro começa nos apresentando Gabriel, o protagonista e narrador. Descobrimos que ele é extremamente rico e que seu pai é um bioengenheiro importante, envolvido nos estudos com órgãos artificiais. O relacionamento entre os dois é muito complicado, pois o pai impõe a Gabriel todas as suas escolhas: onde o rapaz deve estudar, o que deve cursar, com quem deve se relacionar, o que precisa fazer. Isso somado ao fato do garoto ter sido abandonado pela mãe na infância, sem nem ao menos saber a razão. As mágoas que o protagonista carrega são inúmeras, mas ele age como se não ligasse pra nada disso. Gabriel se esforça pra passar uma imagem de frieza e indiferença, utilizando isto como escudo. As amizades de Gabriel também não são sólidas, e o protagonista encontra nas corridas clandestinas (os “rachas”) a sua válvula de escape. Ele foge dos problemas por meio da adrenalina, o único fator que causa algum tipo de empolgação em sua vida. Até conhecer Alícia.

Alícia é uma bolsista da Faculdade de Villa Nova, onde Gabriel e seus amigos estudam. Os dois se conhecem por acaso, após Gabriel ajudá-la com uns livros que caíram no chão. O interesse do rapaz na moça só ocorre quando ele a vê cantando em um bar. A música é a paixão oculta de Gabriel, que seu pai insiste em oprimir. E vendo Alícia cantar, ele sente uma necessidade incontrolável de se aproximar dela. A partir dessa aproximação, os dois iniciam um “relacionamento” que é interrompido por um acidente de carro. Após o acidente, tudo fica ainda mais delicado e misterioso. Obviamente eu não vou contar os motivos, vocês terão que ler pra descobrir! 😛

Se eu tiver que escolher um personagem favorito, diria que é Alícia – ainda que eu desaprove a maneira como ela é omissa perante os erros de Gabriel. Ela é determinada, luta pelo que quer e provoca verdadeiras mudanças na vida de Gabriel. Aliás, aproveitando o ensejo, não sou muito fã dele. Eu não gosto da maneira fria e indiferente que o personagem a trata, mas ao mesmo tempo eu sinto um conflito em relação a essa antipatia por saber o que ele realmente pensa, o quanto ela o muda e o quanto isso é importante pro crescimento dele. Por mais que eu não seja a maior admiradora do Gabriel, eu gostei de ver que Viviane escreveu um livro cheio de personagens imperfeitos. Reais. Que poderiam agir daquela maneira fora das páginas, porque o mundo é cheio deles.

Eu não posso fazer uma resenha honesta sem apontar os problemas do livro, até porque eles me incomodaram. O primeiro, e mais gritante, são os erros de concordância (e, em alguns casos, gramática). Por diversas vezes eu tive que “substituir” mentalmente palavras ou expressões que não estavam corretas para que a leitura pudesse fluir. Viviane escreve muito bem e sabe desenvolver a história de maneira a prender a atenção do leitor, mas acredito que o livro teria ficado ainda melhor com uma revisão mais caprichada. O segundo ponto do qual não gostei muito foi a queda de ritmo da narrativa, que acontece lá pelo meio do livro. Durante o desenvolvimento da história e dos personagens, o livro acaba ficando um pouco enrolado, e como eu estava vidrada nas primeiras páginas, isso me desanimou um pouco. Felizmente, mais pro final do livro o ritmo intensifica novamente e muitas coisas importantes acontecem, o que me deixou muito mais satisfeita. Outro aspecto que eu notei é que a capa não traz os personagens conforme a descrição do livro (Alícia, por exemplo, tem cabelos cacheados e volumosos), mas isso é mais um detalhe mesmo.

Falando sobre o final do livro: como eu disse antes, bolei diversas teorias na minha cabeça. O que era mais previsível eu acertei, mas eu errei pelo menos duas ou três vezes em relação ao final. Ele me pegou totalmente desprevenida e me deixou com um nó na garganta que demorou a se desfazer. E eu amei cada detalhe! Eu amei como a Viviane conduziu a história até aquele ponto, e como tudo fez sentido, e como tudo se encaixou. Palmas pro final! Eu adoro quando o desfecho de um livro é coerente – ainda que eu não quisesse que certas coisas acontecessem. Eu gosto de ver que o autor levou sua história de maneira coesa ao ponto final, fechando com chave de ouro aquilo que construiu. E a Viviane fez isso muito bem. A única coisa que eu gostaria que fosse um pouquinho diferente, talvez, seria no epílogo (se você quiser saber o motivo, selecione o trecho a seguir: eu gostaria de saber mais sobre o que acontece entre o capítulo da tempestade, em que Gabriel e Alícia ficam sozinhos e se beijam na casa da mãe dele, e o epílogo, em que ele conta que os dois últimos capítulos foram devaneios da cabeça dele. Acho que pulou muito rápido do “está tudo bem, estamos voltando” pro final de verdade).

Resumindo, Coração Artificial foi uma ótima surpresa! Eu agradeço imensamente à Viviane L. Ribeiro por ter confiado no meu trabalho e ter me permitido conhecer um pouco mais sobre o imperfeito Gabriel e a sonhadora Alícia. É uma leitura super recomendada, especialmente pra quem busca não apenas um romance, mas uma história sobre mudanças. 😀

Título Original: Coração Artificial
Autor: Viviane L. Ribeiro
Editora: Multifoco
Número de páginas: 309

Resenha: Terras do Sem-Fim – Jorge Amado

Oi, gente!

Como já comentei anteriormente, eu fiz o vestibular no início de 2014 e ao longo do ano passado tive que ler algumas das leituras obrigatórias exigidas para a prova. Felizmente, todas as leituras que escolhi foram bem fáceis e prazerosas, mas algumas se destacaram. Pensei bastante se valeria a pena ou não escrever sobre o escolhido de hoje, mas decidi que foi um livro muito interessante e, portanto, não havia motivo para não falar sobre ele: refiro-me a Terras do Sem-Fim, de Jorge Amado.

ImagemGaranta o seu!

Sinopse: Durante a guerra pela posse da terra na região cacaueira do sul da Bahia, os irmãos Badaró enfrentam o coronel Horácio da Silveira. A luta pela subsistência se entrelaça com intrigas políticas, relações amorosas e crimes passionais. Dois romances improváveis se destacam em meio aos tiroteios e tocaias – o do jovem advogado Virgílio e Ester, esposa do coronel Horácio, amor condenado a um desfecho sangrento, e o de Don’Ana, a valente filha de Sinhô Badaró, e o ‘capitão’ João Magalhães, um embusteiro que se faz passar por engenheiro militar. Uma página sangrenta da história brasileira elevada à categoria de mito fundador de uma civilização maculada pela cobiça e pela barbárie.

Atraídos pela promessa de uma terra fértil e próspera, onde o dinheiro é fácil e abundante, diversos tipos humanos partem rumo a Ilhéus, no sul da Bahia. Jorge Amado inicia sua narrativa abordando alguns desses tipos que se encontram em um navio destinado a essa cidade. O livro é narrado em terceira pessoa e sob a perspectiva de diversos personagens diferentes. Nessa primeira parte, que acontece durante a viagem, dois dos personagens mais importantes são João Magalhães, um jogador de pôquer que se faz passar por engenheiro militar, e Antônio Vitor, um jovem rapaz que busca enriquecer para poder voltar à cidade de origem reencontrar a amada, Ivone. Esses personagens voltam a aparecer futuramente no livro, apresentando mudanças bem significativas de personalidade.

A história é focada na disputa por uma região de mata chamada Sequeiro Grande. Duas famílias estão interessadas nas terras: os Badaró e os Silveira. O líder dos Badaró, Sinhô-Badaró, é um homem comedido e religioso, que busca na Bíblia as justificativas para os assassinatos que manda seus subordinados (jagunços) cometerem – contra a sua vontade, na maioria das vezes, mas justificados “por ser um mal necessário”. Seu irmão mais novo, Juca, tem um temperamento contrário: é mulherengo, explosivo e violento, sempre buscando nas tocaias e nas trocas de tiros a solução para os problemas. Por fim, temos Don’Ana Badaró, filha de Sinhô, uma mulher determinada, forte e corajosa, que insiste em participar dos negócios da família. Do lado dos Silveira, temos Horácio, um homem descrito como alguém que tem o diabo aprisionado em uma garrafa. Cruel, violento e desonesto, tem duas paixões: o cacau e Ester, sua esposa. Uma mulher refinada, que casou contra a sua vontade e tem horror à mata e aos terrores que nela habitam, segundo sua imaginação. A trama toda se desenvolve com os conflitos gerados pela rivalidade entre Horácio e Sinhô e Juca. Homens determinados a possuir as terras do Sequeiro Grande, que não hesitam em matar quem cruzar o seu caminho.

O mais interessante em Terras do Sem-Fim é o desenvolvimento dos personagens. O livro tem uma abordagem Naturalista, utilizando-se do Determinismo – ou seja, o meio influenciando o sujeito – ao definir o comportamento de vários personagens. Um exemplo muito forte é Antônio Vitor, o rapaz que aparece sonhando com a amada na primeira parte da história. Ele não apenas se esquece de Ivone, como se torna um jagunço de Juca Badaró e se apaixona por uma das empregadas da casa (e afilhada de Sinhô), Raimunda. De um jovem cheio de sonhos e planos inocentes e honestos, ele se torna um matador profissional – e bom no que faz, salvando Juca de duas emboscadas – e esquece totalmente a mulher que deixou pra trás. Outro exemplo pertinente é o de Virgílio, um advogado que é contratado por Horácio e se torna seu protegido. Ele se apaixona por Ester e tem seus sentimentos correspondidos, vivendo um lindo e trágico romance com a esposa de Horácio. O amor dos dois é sincero e único, a ponto de um não conseguir viver na ausência do outro – literalmente, já que o fim do romance é bem triste. A mudança de comportamento de Virgílio acontece depois que ele se envolve com Ester. Antes dela, ele mantinha um relacionamento com uma ex-prostituta, Margot. Na tentativa de se desvencilhar dela, ele a agride com um tapa no rosto. Nesse momento, ele percebe que aquela terra violenta e imoral conseguiu até mesmo corrompê-lo, um homem tão culto, gentil e educado. Por fim, há João Magalhães. O jogador malandro, que foi a Ilhéus com o intuito apenas de conseguir um pouco mais de dinheiro para fugir para outro lugar, encontra em Don’Ana Badaró seu grande amor. Por ela, ele se dispõe a ficar, mesmo com toda a batalha sangrenta que se desenrolava entre a família dela e a de Horácio, abandonando então o seu antigo comportamento egoísta e aproveitador.

Jorge Amado aborda também a questão da política em uma cidade comandada pelo coronelismo. Aqueles que têm dinheiro não apenas determinam a economia, mas elegem seus candidatos e definem a política. Além de toda a violência e da impunidade, já que é algo totalmente rotineiro para a população ver corpos estirados pela estrada, o autor mostra como o sistema naquela região é falho. Os diversos estereótipos de homens e mulheres que buscam uma vida melhor e mais próspera na terra do cacau dificilmente conseguem atingir seus objetivos, pois são poucos os privilegiados que têm acesso às terras, ao plantio e, consequentemente, ao dinheiro. É bastante trágico ver como essas pessoas têm seus destinos totalmente mudados, na maioria dos casos para pior. Jorge Amado faz com maestria um retrato da sociedade inserida naquele contexto.

A leitura de Terras do Sem-Fim não é totalmente fluida, já que o autor dá uns saltos temporais por mudar constantemente a perspectiva do livro. Mas isso não é algo negativo, pois possibilita ao leitor vivenciar um pouco da realidade de diversos personagens diferentes, permitindo uma compreensão das circunstâncias e do psicológico de cada um deles. A crítica social é excelente e a história é muito envolvente, já que existem muitas relações a serem abordadas graças ao conflito gerado pela posse de Sequeiro Grande. Eu sempre pensei que esses livros com temática regionalista fossem entediantes, mas me vi muito envolvida pela história e, principalmente, pelos personagens de Terras do Sem-Fim. E o mais interessante é que o final não é óbvio, as coisas mudam de rumo muito rápido. Os personagens pra quem eu torcia, por exemplo, não são bem sucedidos em seus objetivos. É uma narrativa muito verossímil e uma história muito bem contada. A quem tem interesse em clássicos nacionais, eis uma boa pedida. 🙂

Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 288
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