Resenha: Abelardo: o Bebê Monstruoso de Adelaide Estes – Filipe Tasbiat

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje a dica é de literatura nacional. 😀 Vim contar pra vocês o que achei de Abelardo: o Bebê Monstruoso de Adelaide Estes, do autor gaúcho Filipe Tasbiat. Apesar de termos da faculdade em comum, só conheci o Filipe quando ele me procurou pra perguntar se eu tinha interesse em ler Abelardo. Fiquei lisonjeada ao descobrir que o blog foi uma indicação desses amigos e também muuuito curiosa ao ler a sinopse. Amo livros de suspense, mistério e fantasia, e Abelardo prometia reunir esses 3 elementos numa história com uma pitada sobrenatural. 

Garanta o seu!

Sinopse: Em “Abelardo: o bebê monstruoso de Adelaide Estes”, o império está por um fio, a abolição dos escravos é iminente e as primeiras centelhas da eletricidade começam a faiscar. O mundo está mudando, mas mudará depressa o bastante para livrar Adelaide da difícil missão que os Távoras a incumbiram? A província inteira quer saber o que aconteceu com Adelaide Estes, a Adormecida de São Pedro, que caiu em decúbito, um sono profundo e inexplicável, e acordou meses depois dando à luz a um bebê que nem ela sabia que esperava. Adelaide acredita que os Távoras, uma família cuja ambição aparenta não ter limites, podem estar envolvidos. Mas primeiro ela terá que descobrir o que há de errado com o bebê. “Abelardo” narra a história por trás de uma lenda na província de São Pedro. Em uma vila reminiscente do século 19, nos anos derradeiros do Brasil Imperial, mistério, fantasia e história se misturam em uma odisseia de monstros e heróis, servos e patrões, freiras e bruxas, na qual todos parecem guardar segredos.

Abelardo se passa no século XIX, em um tempo em que a escravidão tinha sido abolida em apenas algumas províncias e a eletricidade vinha chegando para mudar o dia a dia das pessoas. É nesse contexto que a jovem Adelaide Estes cai em decúbito, ou seja, adormece sem motivo aparente e não consegue acordar (meio A Bela Adormecida vibes). Seu corpo é enviado para a casa de sua tia, Guadalupe de Távora, uma mulher ambiciosa cujo marido é um figurão do mercado de óleo de baleia, na época usado nos lampiões. Guadalupe aproveita a chegada de Adelaide para fazer um espetáculo em sua casa, chamando-a de Adormecida de São Pedro, e pessoas de toda a província vinham visitar a misteriosa jovem. Para a surpresa de todos, entretanto, descobrem que Adelaide está grávida, e ela acorda repentinamente no momento do parto. Surpresa com o fato de ter dormido por cerca de um ano e agora ter um bebê nos braços, a pobre Adelaide precisa entender seu novo papel como mãe, solucionar o mistério de seu decúbito e, principalmente, lidar com um bebê estranho, que dá indícios de estar possuído por alguma entidade sobrenatural, dado seu comportamento violento e atípico.

Ler Abelardo me fez viajar pra uma época totalmente diferente, e o vilarejo fictício em que a história se passa ganhou vida na minha imaginação. Me sentia assistindo a uma novela ou série de época, porque as descrições dos cenários e situações são tão bem detalhadas que me vi sendo transportada para o vilarejo de Trás-os-Montes. Além disso, o vocabulário do autor é variado, o que incentiva a pesquisa por termos desconhecidos, e acaba trazendo aprendizado aliado ao entretenimento (fun fact: lembrei de quando eu era pequena e pedia ajuda ao meu pai pra “traduzir” certas palavras haha ❤). Apesar de ser uma história fantástica com elementos de suspense/terror, o livro não chega a provocar medo. Existem algumas cenas em que você teme pela segurança de certos personagens mas, no geral, essa tensão é quebrada pelo tom irônico e bem-humorado que o autor imprime na narrativa, com suas diversas provocações sarcásticas (como por exemplo as repetidas menções à cabeça ligeiramente grande da senhora Guadalupe rs). Mesmo quando Abelardo começa a revelar o seu lado selvagem e possivelmente assassino, o livro não foca em assustar o leitor, mas em evidenciar o quanto a vida de Adelaide virou de cabeça pra baixo.

Aliás, preciso dizer que adorei Adelaide. Seu estranhamento com a maternidade e o fato de não conseguir amar o próprio filho são muito compreensíveis: a jovem era virgem, caiu em um sono que lhe roubou um ano de vida e, ao acordar, se viu com um bebê sob sua responsabilidade. A situação por si só é aflitiva e, quando ela descobre a índole violenta de seu filho, é natural que a personagem tenha medo e busque ajuda de formas desesperadas. A maneira como seu afeto por Abelardo vai se desenvolvendo é natural e gradual, o que tornou a história mais crível pra mim – mesmo se tratando de uma fantasia. 

O livro tem duas linhas temporais: uma explora o presente e o cotidiano de Adelaide e outros personagens de Trás-os-Montes; a outra foca no passado da jovem no convento em que cresceu. Ambos os núcleos são bem desenvolvidos e fornecem informações valiosas sobre os personagens, inclusive os secundários, como a já mencionada Guadalupe de Távora, tia de Adelaide; Peregrina de Társea, uma peça-chave do passado da protagonista; a doce Greisel, parteira que trouxe Abel ao mundo; e Cravo, a fiel doula de Adelaide e maior defensora de seu bebê. Existem mais nomes importantes, e todos eles têm um papel a cumprir na história – que vai além do bebê monstruoso, mas cujo plot não posso dar detalhes pra não estragar certas surpresas.

Tenho poucos aspectos não tão positivos para comentar, mas um deles é a questão da revisão do texto: Abelardo tem uma série de errinhos, nada que atrapalhe o entendimento do texto, mas eu sou bastante chata com esse tipo de detalhe. É importante frisar, contudo, que durante a minha leitura o Filipe me contou que já estava subindo uma versão com revisão atualizada do livro na Amazon, então é bem provável que vocês não encontrem esses problemas. 😉 O segundo aspecto que eu cito aqui não é exatamente negativo, mas sim uma característica que eu, pessoalmente, não curto tanto: capítulos longos com poucos espaços de pausa. Já falei em diversas resenhas que eu adoro capítulos curtos porque me dão agilidade na leitura e, quando são longos, prefiro que tenham aqueles espaços de “troca de cena” que favorecem uma pausa. É uma questão de gosto mesmo, mas vale pontuar que mesmo com capítulos mais longos eu ~fiz o Abelardo e devorei as páginas. 😛

Não é exagero dizer que Abelardo: o Bebê Monstruoso de Adelaide Estes foi uma das minhas melhores leituras do ano. O livro reúne uma história bem amarrada, uma narrativa envolvente, um plot criativo e bons personagens, além de instigar o leitor a querer descobrir os mistérios que envolvem Adelaide, os Távoras e os segredos de Trás-os-Montes. Se você gosta de fantasia, mistério e um toque sobrenatural, dê uma chance a Abelardo. Eu já virei fã. 😉

Título original: Abelardo: o Bebê Monstruoso de Adelaide Estes
Autora:
Filipe Tasbiat
Editora: Independente
Número de páginas: 438
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Resenha: O Peso do Pássaro Morto – Aline Bei

Oi gente, tudo bem?

O post de hoje é sobre uma leitura que mexeu muito comigo recentemente: O Peso do Pássaro Morto. Peguem os lencinhos!

o peso do passaro morto aline beiGaranta o seu!

Sinopse: A vida de uma mulher, dos 8 aos 52, desde as singelezas cotidianas até as tragédias que persistem, uma geração após a outra. Um livro denso e leve, violento e poético. É assim O peso do pássaro morto, romance de estreia de Aline Bei, onde acompanhamos uma mulher que, com todas as forças, tenta não coincidir apenas com a dor de que é feita.

Contando a história de uma mulher dos 8 aos 52 anos de forma poética e reflexiva em primeira pessoa, O Peso do Pássaro Morto nos transporta para a mente e para o coração dessa personagem que desde o início da vida foi marcada pela dor. O primeiro capítulo se passa quando ela é uma menina de 8 anos, e a linguagem lúdica transmite o raciocínio imaginativo de uma criança. Essa inocência não demora a sofrer um baque ao ser exposta a duas perdas que vão marcar a sua vida: a de Seu Luís, um benzedeiro que cuidava dela e de sua família, e de sua melhor amiga, Carla. A protagonista conhece a solidão cedo demais e, na ausência de sua amiga, ela se vê numa escola nova, sem amigos e sem nenhum referencial de beleza e alegria que tinha até então. Pensar (e sentir, por meio da narrativa) em uma criança sofrendo isso já é suficiente para nos deixar de olhos marejados.

Mas a tristeza da protagonista não acaba nesse momento. Aos 17 ela é marcada por uma violência sexual que redefine toda a sua vida: ela é estuprada, não tem coragem de dizer o que aconteceu, se vê grávida e dando à luz o filho do homem que destruiu os seus sonhos e o seu futuro. Conforme os capítulos (ou seja, os anos) se passam, ela divide com o leitor as suas angústias e percebemos que nada do que ela planejava se realizou: se ela pretendia ser uma aeromoça e conhecer o mundo, agora ela se vê presa a um escritório tendo que sustentar sozinha o filho que ela nunca quis. E essa rejeição é um dilema e uma dor com a qual ela convive todos os dias.

Conforme Lucas, seu filho, cresce, vai ficando mais nítido que o afastamento dele para uma universidade é um alívio para ambos. A conexão entre os dois nunca aconteceu e, por mais que ela se esforce, a verdade é que olhar para Lucas é lembrar da sua agressão. Sua vida foi marcada por tragédias e a maior delas é ter um filho que ela nunca conseguiu amar. A melancolia presente nesse fato é sufocante, e a gente torce com todas as forças para que a protagonista consiga encontrar alguma fonte de esperança na sua rotina. E a esperança vem na forma de um cachorro vira-lata que ela decide adotar, Vento. Ao lado dele a vida ganha cor de novo e os dias são marcados pelo amor que ela nunca sentiu. São nessas páginas que a narradora (e o leitor) sente um pouco de alívio frente a todas as tristezas que inundam as páginas.

resenha o peso do passaro morto

O Peso do Pássaro Morto é um relato poético e melancólico das mazelas da vida de uma mulher que, desde muito cedo – cedo demais –, teve tudo tirado de si. A inocência, os sonhos, a vontade de viver. A morte ao seu redor e a morte da sua própria essência marcam cada linha do livro, e nossa protagonista de fato parece um passarinho que caiu da árvore sem sequer ter a chance de voar. É muito difícil não derramar algumas lágrimas conforme as páginas avançam, porque além do realismo presente nelas, nos deparamos também com uma grande sensibilidade pra narrar tanto desalento.

Eu amei a experiência de ler O Peso do Pássaro Morto, mas entendo também que ele não seja um livro pra qualquer momento. Eu acho inclusive que escolhi um momento complicado para lê-lo, e fiquei triste por alguns dias após terminá-lo. Então meu conselho é que você dê uma chance a essa leitura quando se sentir emocionalmente forte e menos vulnerável, pra que essa experiência não seja mais triste do que precisa ser. E, quando esse momento chegar, leia O Peso do Pássaro Morto. É um livro do qual é impossível esquecer.

Título original: O Peso do Pássaro Morto
Autora: Aline Bei
Editora: Nós
Número de páginas: 168
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Resenha: Bom dia, Verônica – Andrea Killmore (Raphael Montes e Ilana Casoy)

Oi galera, tudo bem?

Hoje vou dividir com vocês minha experiência com Bom Dia, Verônica – cuja adaptação estreia essa semana na Netflix.

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Sinopse: Em “Bom dia, Verônica”, acompanhamos a secretária da polícia Verônica Torres, que, na mesma semana, presencia de forma chocante o suicídio de uma jovem e recebe uma ligação anônima de uma mulher desesperada clamando por sua vida. Com sua habilidade e sua determinação, ela vê a oportunidade que sempre quis para mostrar sua competência investigativa e decide mergulhar sozinha nos dois casos. No entanto, essas investigações teoricamente simples se tornam verdadeiros redemoinhos e colocam Verônica diante do lado mais sombrio do homem, em que um mundo perverso e irreal precisa ser confrontado.

Pra ser honesta com vocês, comecei o livro sem nem lembrar da sinopse, mas sabia que tinha visto muitos elogios na blogosfera e que a autora era na verdade o pseudônimo de Raphael Montes (em dupla com Ilana Casoy), elogiadíssimo pelos seus thrillers. Dele, eu só tinha lido até então O Vilarejo (que curti), portanto achei que valia dar uma chance também a Bom Dia, Verônica. A trama tem seu pontapé inicial quando uma jovem mulher se suicida na delegacia em que Verônica Torres, uma secretária da polícia civil, trabalha. Como seu chefe, o delegado Carvana, não dá a mínima para o caso (que envolve um estelionatário), Verônica decide investigar por conta própria. Com isso, ela se vê sendo sugada não apenas pelo caso de extorsão da vítima mas também por um segundo pedido de ajuda envolvendo uma situação muito mais macabra.

A boa vontade da protagonista em querer trazer justiça a mulheres parece um fator super positivo a favor dela, certo? Acontece que a irresponsabilidade e a infidelidade conjugal descarada de Verônica fazem dela uma personagem intragável. Eu até admiro sua disposição de ajudar quem precisa, mas convenhamos: ela é alguém que estudou Letras, não uma policial ou detetive. Como ela assume por conta própria uma investigação que pode envolver um possível serial killer, meu Deus do céu? Fora que existem muitas situações dignas de novela na sua investigação (e digo isso no pior sentido de todos): invasão a domicílio é de praxe pra Verônica, que é, repito, uma secretária habituada ao trabalho burocrático (isso sem mencionar o aspecto antiético de sair entrando na casa alheia sem mandado, né). E não que a ocupação atual dela seja um impeditivo: a Robin, da série Cormoran Strike, também começa como secretária e depois é promovida a detetive. A diferença nesse segundo caso é que Robin não atua como detetive atéee fazer um curso de contravigilância específico para a função. O que faltou em Bom Dia, Verônica foi bom senso e verossimilhança.

resenha bom dia veronica

Os capítulos são narrados ora em primeira pessoa por Verônica, ora em terceira pessoa quando focados em Janete, a mulher que pede ajuda à protagonista. O plot de Janete e seu marido é bizarro e condizente com minha experiência prévia lendo Raphael Montes: a trama abusa de cenas gore envolvendo um ritual de tortura e estupro que Brandão, o marido, realiza com suas vítimas. De maneira geral, não me considero uma pessoa sensível para esse tipo de coisa, mas achei tão… forçado, sabem? Como se as cenas fossem construídas com o propósito de “causar”, voltadas apenas a chocar o leitor. Mas como nem toda experiência é 100% negativa ou positiva, dou os devidos créditos ao fato de que Bom Dia, Verônica é capaz de prender a atenção do leitor. A narrativa não cansa e é fácil devorar as páginas, especialmente porque a trama tem uma abundância de cenas que deixam você ansioso para saber o que acontece.

Como comentei no início do post, a série que adapta o livro chega à Netflix essa semana. Pelo que vi no trailer, já pude notar algumas mudanças que talvez me façam gostar mais do que do livro. Porque a leitura, de maneira geral, foi uma experiência morna e cheia de situações improváveis que dificultaram muito minha imersão na história. Espero que minha próxima escolha de thriller seja mais bem-sucedida. :/

Título original: Bom Dia, Verônica
Autor:
Raphael Montes e Ilana Casoy
Editora: DarkSide Books
Número de páginas: 256
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Resenha: Tudo o Que Poderíamos Ter Sido – Zeka Sixx

Oi pessoal, tudo bem?

Fazia tempo que não rolava resenha de literatura nacional por aqui, né? Então hoje vamos conversar sobre Tudo o Que Poderíamos Ter Sido, que recebi do autor gaúcho Zeka Sixx. 🙂

tudo o que poderíamos ter sido

Sinopse: Porto Alegre, abril de 2016. Em meio aos dias tensos que sucederam à votação do impeachment, três jovens sem planos para o futuro – ou mesmo para o presente – se apaixonam e desapaixonam, enquanto flertam com outras tentações e procuram, sem muito esforço, entender se a manjada tríade sexo, drogas e rock-and-roll ainda é a única resposta para o vazio e a desesperança. Lola domina a noite da cidade como uma rainha, entornando toneladas de drinques enquanto digere uma paixonite por um cara que não lhe dá notícias. César tenta se adequar aos novos tempos, que ele não quer realmente compreender, pois deseja, no fundo, que tudo seja simples como antes. Júlia quer se reinventar, após se ver forçada a terminar um relacionamento por divergências políticas. “Tudo o que Poderíamos Ter Sido” é a fotografia de uma geração já nem tão jovem assim, cujo maior pesadelo é simplesmente amadurecer.

O livro, ambientado em Porto Alegre na época do golpe impeachment de 2016, é narrado principalmente por três personagens: Lola, uma DJ sensual que aproveita a vida colecionando transas de uma noite; César, um advogado privilegiado e desmotivado com a vida; e Júlia, irmã de César, que recém terminou um namoro longo e fracassado e está em busca de alguma sensação “real”. Com o decorrer das páginas, o caminho dos três personagens se cruza e provoca algumas reflexões em cada um deles.

Sendo eu mesma de Porto Alegre, reconheci em vários momentos da leitura as características que marcam, principalmente, a noite gaúcha. Entre lugares icônicos da cidade, festas super conhecidas e bairros marcantes, foi fácil imaginar os acontecimentos do livro fora das páginas. Devo dizer inclusive que conheço pessoas que agem (ou um dia agiram) exatamente como Lola, César e Júlia, o que faz com que os personagens sejam bem realistas. Essa característica marca a escrita de Zeka Sixx: a narrativa é bastante direta e o linguajar é chulo, se assemelhando a conversas e diálogos reais – com seu bônus, mas também seu ônus.

Foi interessante ler um livro de teor tão erótico diferente dos romances aos quais estou acostumada. Existe uma objetividade no sexo em Tudo o Que Poderíamos Ter Sido que revela muito dos próprios personagens: eles usam as transas para aliviar o tesão e ter um momento de diversão, e nada mais. Mesmo os personagens que se apaixonam o fazem de modo totalmente diferente de romances mais tradicionais, pendendo mais para um crush intenso do que qualquer outra coisa. Essa escolha é verossímil e reflete muito do comportamento contemporâneo, onde é fácil arranjar uma ficada sem compromisso.

resenha tudo o que poderiamos ter sido

Por outro lado, preciso ser honesta a respeito do que não deu certo comigo. Quando li a sinopse do livro e topei resenhá-lo, eu tinha uma expectativa bem maior em relação ao cenário político. Infelizmente, porém, as discussões a respeito do impeachment não se aprofundam, aparecendo apenas em um ou outro diálogo. Além disso, cada capítulo tinha necessariamente uma cena de sexo no presente ou uma lembrança de sexo épico no passado. É um recurso que acabou me cansando um pouco, porque parecia que a história não tinha um rumo certo além de narrar as noites dos três personagens principais. :/ Aliás, não consegui me afeiçoar a nenhum deles, especialmente aos dois irmãos: César e Júlia são filhinhos de papai – ele, machista de marca maior; ela, feminista classe média cheia de hipocrisias – e me fizeram revirar os olhos várias vezes.

Outra problemática que vale pontuar é o modo como o sexo é explorado no que diz respeito às personagens femininas. É costumeiro confundir liberdade sexual com empoderamento feminino, mas essas duas coisas não necessariamente andam juntas – em um país onde ocorrem em média 180 estupros por dia, eu acredito que a possibilidade de dizer “não” (e ter sua decisão respeitada) é um dos maiores sinais de empoderamento. E, para concluir esse tópico, existe uma cena de revenge porn cujo peso e importância não ganham o destaque merecido, parecendo mais uma fetichização que um crime capaz de destruir vidas.

Apesar dos pontos levantados, eu li Tudo o Que Poderíamos Ter Sido em apenas 2 dias. Os capítulos não cansam e a escrita de Zeka Sixx foi capaz de me manter envolvida com a trama – mesmo que eu não concorde com praticamente nenhuma das decisões tomadas por ele na condução da história e no desenvolvimento dos personagens. Se eu sentisse que houve reflexões sobre esses pontos que levantei, certamente daria outra chance para a escrita do autor. Mas, de modo geral, é um livro que difere muito do que eu pessoalmente acredito. Com tudo isso em mente, reforço que é sempre válido dar uma chance para tirar suas próprias conclusões. 😉

Título original: Tudo o Que Poderíamos Ter Sido
Autor: Zeka Sixx
Editora: Coralina
Número de páginas: 216

Resenha: Meu Erro – Cinthia Freire

Oi pessoal, tudo bem?

Estou de volta com mais um post da coluna Uma Amiga Indicou, em parceria com os blogs Estante da Ale, Caverna Literária, A Colecionadora de Histórias e Interrupted Dreamer. ❤

uma amiga indicou

Em setembro, resolvemos aproveitar o gancho do feriado da Independência para lermos obras nacionais. A Ale me indicou Meu Erro, da Cinthia Freire, e hoje conto o que achei da experiência. 😉

meu erro cinthia freire.pngGaranta o seu!

Sinopse: Segredos são como fantasmas nos assombrando e nos fazendo crer que são reais. Todos tem os seus fantasmas. Carol tem os seus e há algum tempo eles parecem estar adormecidos. Gabriel desistiu de tentar frear os seus fantasmas há muito tempo e decidiu o caminho mais fácil, vivendo uma vida sem regras e limites. Eles estão na mesma estrada, mesmo que estejam em sentidos opostos. Enquanto ela tenta fugir da escuridão, ele só quer se perder ainda mais. Uma história emocionante sobre até onde somos capazes de ir para salvar aqueles que amamos e sobre acreditar que todos tem uma segunda chance. Mesmo que para o resto do mundo isso pareça um erro.

Carol é uma jovem que mora com a amiga, Verônica, na cidade universitária onde estuda. A garota sofreu algum tipo de trauma no passado, e sua independência é uma forma de lutar contra esses fantasmas. Gabriel é um rapaz que estuda na mesma universidade e é a definição de garoto problema: é dependente químico, adora uma briga, não se envolve emocionalmente com nenhuma garota com quem sai e tem um relacionamento terrível com o pai. De uma forma inesperada – envolvendo uma transa de uma noite com Verônica – Gabriel conhece Carol e os dois acabam se apaixonando.

Então, gente… Não sei se eu não sirvo pra ler New Adults ou se a narrativa de Cinthia Freire não atendeu às minhas expectativas, mas de uma coisa eu tenho certeza: não consigo comprar esse plot de personagens “quebrados” encontrando a cura no amor. Não me entendam mal, eu sou uma pessoa muito romântica e acredito que o amor é sim capaz de transformar. Meu problema são com situações pesadas (que não podem ser resolvidas somente com amor) sendo solucionadas desse modo. Durante a maior parte de Meu Erro, Cinthia Freire dá a entender que Carol é a solução para o vício de Gabriel e para ajudá-lo a ficar sóbrio, movido somente pelo amor. Entretanto, dependência química é uma coisa muito séria e precisa de terapia e apoio especializado, o que não ocorre durante a maior parte da trama.

Também tem outro motivo que me faz  não curtir esse discurso de “o amor cura tudo”. A Carol fica dizendo que ela é a pessoa certa pra curar o Gabriel, baseando-se numa crença que muitas mulheres têm na vida real: ele vai mudar, ele vai melhorar, ele vai fazer isso por mim. Eu não concordo com esse posicionamento e acho terrivelmente problemático, por não achar nada saudável alguém achar que pode ser a cura de outra pessoa e permanecer em uma situação possivelmente tóxica. No caso de Carol e Gabriel, o maior problema era a instabilidade do rapaz e as idas e vindas do relacionamento, mas sabemos que muitas vezes a violência pode fazer parte da rotina de alguém na situação dele.

meu erro cinthia freire.png

Eu achei a escrita da Cinthia Freire um pouco imatura, especialmente na construção das frases. Me parecia, durante a leitura, que a autora estava com pressa para contar a história, tornando a cadência dos acontecimentos um pouco incômoda pra mim. Também notei alguns lugares-comum e estereótipos sendo reproduzidos no que diz respeito às mulheres (por mais que a intenção da autora possa ser feminista). E a melação entre a Carol e o Gabi (milhares de apelidos e “eu te amo” a todo momento) também me deixaram um tanto cansada.

Críticas feitas, vamos aos elogios. O plot twist do livro foi bastante surpreendente, e a virada no final me pegou bastante desprevenida. Não imaginava que certo personagem seria capaz de fazer o que fez, e achei a situação em si muito aflitiva e desesperadora. Ao fim de tudo, também gostei do enfoque na saúde mental que Cinthia Freire abordou por meio da fala de Carol. O estigma envolvendo distúrbios psiquiátricos ainda existe, e muitas pessoas não pedem ajuda por medo, insegurança e diversos outros motivos. Por isso, acho muito bacana que a autora tenha trazido uma personagem que – com o apoio da terapia, da família e também do amor – consegue se reerguer e tornar-se saudável novamente.

Como deve ter dado pra notar, Meu Erro não funcionou pra mim. Entretanto, a experiência de me desafiar a ler um gênero diferente é sempre bacana. Então, para concluir, se você curte New Adults e os clichês do gênero, é provável que se dê melhor com essa leitura do que eu. 😉

Título original: Meu Erro
Série: Segredos
Autor: Cinthia Freire
Editora: Independente
Número de páginas: 223
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Resenha: O Saotur: Segredos de um Reino Sem Nome – N. S. Moraes

Oi pessoal, tudo bem?

Hoje trago pra vocês a resenha de O Saotur: Segredos de um Reino Sem Nome, da autora parceira N. S. Moraes. Pra facilitar, vou chamá-lo apenas de O Saotur, certo? 😉

O Saotur - Natalia Smirnova Moraes - Livro 1Garanta o seu!

Sinopse: Depois de se aventurar pelo mundo em um navio de saqueadores e criminosos, Constantin Teller é levado por um trágico naufrágio à terras das quais o mundo nunca ouviu falar. Terras guardadas por escudos de Menelau como se fossem o maior dos segredos. O forasteiro é resgatado por Lyhty Morken Fin, uma jovem que chama a atenção pelo olhar de cor púrpura e vitalidade contagiante, e que torna-se uma amiga para a qual ele confessa uma vida de crimes e promiscuidade. Aspirante a escritor, Constantin deseja espiar seus crimes quando é levado até a capital onde passa a morar. Mas nem tudo está em paz nessas terras estranhas e a aparição do forasteiro apenas esquenta ainda mais os ânimos de um povo dividido, de uma raça oprimida e de um castelo envolto em mistérios. Um confronto entre o povo das águas e o reino já é inevitável. Aventuras, segredos, traições, orgulho e amores proibidos são apenas algumas das facetas de um lugar cuja existência foi oculta por séculos. Histórias envolventes que vão mudar o rumo de muitas vidas, criaturas majestosas e revelações chocantes ilustram os capítulos deste livro.

A obra nos apresenta a Constantin Teller, um rapaz que passou a vida toda a bordo do navio pirata Volvet, até que uma tempestade causou o seu naufrágio. Contudo, ele sobrevive ao acidente e acorda em uma praia – lembrando apenas do desastre e de uma mão cadavérica que parece tê-lo guiado até o local. O rapaz é resgatado por uma bela e curiosa jovem, Lyhty, com quem rapidamente faz amizade. Conforme se recupera, Constantin percebe que as terras nas quais se encontra parecem fazer parte de um mundo totalmente à parte do nosso. E, ao ser convocado pela realeza – os governantes e protetores do local –, Constantin tem uma chance de deixar de ser um forasteiro e fazer parte daquele mundo fantástico.

Eu fiquei muito impressionada com a criatividade da Natalia. Ela construiu um universo tão rico que, a cada página, eu me encantava tanto quanto o próprio Constantin. Com a ajuda de Lyhty, o forasteiro vai descobrindo como aquelas terras desconhecidas funcionam. O local é protegido pelos Escudos de Menelau, que o separa do mundo exterior (algo semelhante à ilha de Themyscira, da Mulher-Maravilha). As pessoas fazem parte de casas que determinam seu ofício: a casa de Astoria, por exemplo, é a casa dos estudiosos; a casa de Paeron é a casa dos escritores, a qual Constantin almeja pertencer; a casa Silith (da qual Lyhty faz parte) é a casa dos costureiros, e por aí vai. A princípio, o lugar é muito pacifico e harmonioso, com uma exceção: as pessoas vivem com medo das criaturas conhecidas como Saotur, que vivem no mar e se alimentam de carne – inclusive humana. Devido a acordos antigos, da época da construção dos Escudos de Menelau, é permitido aos Saotur viver sob sua proteção. Contudo, existe um clima de tensão entre as espécies, porque os Saotur não podem pisar em terra firme e, nos mares, os alimentos ficam cada vez mais escassos. Enquanto os personagens temem e odeiam essa espécie, a autora habilmente apresenta ao leitor outros aspectos dessas criaturas. Por meio de uma narrativa em terceira pessoa com múltiplos enfoques, N. S. Moraes nos permite conhecer um lado dos Saotur que os humanos da história se recusam a enxergar. E Saphere, uma criança meio-humana, meio-Saotur, é um elemento-chave nesse dilema entre as espécies.

o saotur ns moraes.png

Os personagens são muito cativantes. Constantin foi um homem que viveu diversas aventuras e partiu muitos corações ao longo da sua jornada com os piratas. Contudo, seu sonho é deixar essa vida para trás e tornar-se um escritor – oportunidade que lhe é concedida pela realeza. Lyhty é uma personagem encantadora: divertida, carismática, curiosa e cheia de vida. Os dois têm uma química incrível e eu amei a amizade (e o posterior interesse) entre eles se desenvolver. Mas uma das tramas que mais me conquistou foi a história de amor proibida entre Helena e Lótus. Fiquei emocionada com o sentimento deles, que era genuíno e teve como fruto Saphere. Outros personagens interessantes surgiram, como Orpheu (o líder do Alto Conselho), Theonis (um dos sábios da casa de Astoria) e a própria realeza em si: Amaranth (que eu já odeio!), Ayohan (odeio mais ainda!) e Eliot. Acredito que existem muitas coisas esperando por esses personagens no futuro, e mal posso esperar para descobrir.

Encontrei pouquíssimos erros de revisão ou ortografia. Aliás, fiquei admirada com a habilidade de Natalia – que é uma autora russa – escrevendo uma fantasia tão rica em português. Claro, ela veio para o Brasil muito jovem (conforme ela contou na entrevista aqui do blog), mas nosso idioma não é tão simples, e ela o domina perfeitamente (escrevendo melhor do que muitos autores que já li, inclusive). Enquanto eu lia O Saotur, eu podia facilmente imaginar a história tornando-se um filme ou uma série de TV. Potencial para isso a obra tem, pois é cheia de elementos fantásticos criativos, personagens cativantes e intrigas políticas que, suponho, serão aprofundadas no volume seguinte.

O Saotur: Segredos de um Reino Sem Nome foi uma leitura maravilhosa e envolvente. O final é de cair o queixo (sério, fui correndo chamar a Natalia inbox para falar a respeito quando terminei de ler HAHAHA!) e eu me apaixonei pelo universo construído pela autora. Mal vejo a hora de poder conferir a continuação! ❤ Agradeço novamente à autora por ter confiado no meu trabalho e ter me dado a oportunidade de conferir essa história incrível. ❤ Se você é fã de fantasias, O Saotur é uma obra promissora e imperdível. Vale a pena conferir!

Título Original: O Saotur: Segredos de um Reino Sem Nome
Série: Segredos de um Reino Sem Nome
Autor: N. S. Moraes
Editora: Independente
Número de páginas: 230
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Resenha: Ossos do Clima – André Souto

Oi pessoal, tudo bem?

Para o post de hoje, trago mais uma resenha de parceria! \o/ Trata-se de Ossos do Clima, do autor André Souto.

ossos do clima andre soutoGaranta o seu!

Sinopse: O misterioso desaparecimento de um renomado cientista, um incêndio criminoso, um roubo que deu errado e as mortes inexplicáveis de diferentes pesquisadores ao redor do mundo. Aparentemente nenhum desses fatos está relacionado, mas com o desenrolar da história fica evidente cada pequena conexão. Algumas nem tão pequenas assim. Entre inúmeras perguntas sem respostas e enigmas que parecem insolúveis acontece, em Brasília, a Cúpula Mundial do Clima, pano de fundo para tramas políticas que podem mexer com algumas das mais íntimas certezas dos protagonistas da trama, assassinatos e uma caçada pelas pessoas que podem mudar a nova ordem mundial. Junte-se a Alice Gianne e Amilton Vidal para tentar desvendar esse mistério e entender quais são os Ossos do Clima.

Como adoro livros policiais, me interessei de cara pela sinopse de Ossos do Clima. O livro nos apresenta à professora Alice Gianne, que sofre com uma espécie de autismo (alexitimia) que faz com que ela não saiba demonstrar emoções. Contudo, Alice acaba sendo dominada por elas quando seu padrasto, Caio Sodré, desaparece. Ele deixa diversas pistas de que uma conspiração está acontecendo, e o auge dela acontecerá na Cúpula do Clima, em Brasília – um evento organizado pela ONU, em que as nações do mundo todo discutem a mudança climática. Contando com um aliado um tanto improvável (Amilton Vidal, um mercenário que ganha a vida roubando obras de arte) e um antigo amigo de Caio (Oliver Hermann), Alice acaba descobrindo que existem evidências de que o aquecimento global é uma mentira, e que pessoas poderosas estão dispostas a mantê-la.

Ossos do Clima tem um estilo de narrativa muito parecido com os livros de Dan Brown: uma dupla, que até então não se conhecia, acaba se unindo para impedir alguma conspiração em meio a diversas cenas de ação. A fórmula é usada em diversas obras, mas isso não me incomoda, porque dá agilidade à história. Alice é uma personagem que não tem muito carisma (talvez até pelo seu tipo de autismo), mas Amilton compensa: ele é um anti-herói que dá a personalidade necessária à história. A única coisa que sabemos dele é que ele fazia parte de uma organização mercenária que roubava obras de arte. No início da história ele deserta, fugindo com peças valiosas, e é caçado durante todo o livro por essa organização. Contudo, Alice e Amilton também são perseguidos pelos seguranças do diretor-executivo do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), Philip Saduceu. E, enquanto fogem, os dois precisam desvendar os mistérios deixados pelo desaparecido Caio Sodré e provar a verdade ao mundo.

resenha ossos do clima andre souto

Meu maior problema com Ossos do Clima se deu pelo fato de que não “comprei” a justificativa. O aquecimento global sendo uma mentira utilizada pelos países desenvolvidos para manter os países pobres atrasados tecnológica e financeiramente não me convenceu (principalmente porque, na vida real, são os países desenvolvidos os que mais relutam em aceitar tais medidas de proteção ambiental – vide os Estados Unidos, por exemplo). E, por não ter ficado convencida pelo plot central, eu acabei não me envolvendo com o livro e com os personagens, cujas motivações não mexeram comigo.

Contudo, achei que o autor foi corajoso em abordar algo totalmente diferente. Outro aspecto positivo é o ritmo da narrativa, que se mantém intenso e com cenas cheias de reviravoltas. Minha ressalva na narrativa fica por conta do excesso de analogias rebuscadas, o que atrapalha um pouco a leitura, pois compromete a naturalidade. O final é um pouco abrupto e deixa muitas pontas soltas – não tanto para o enredo, mas para o fechamento dos personagens.

Ossos do Clima tem uma premissa interessante e uma narrativa bastante fluida. André Souto é um autor criativo, e espero que ele continue escrevendo e se aperfeiçoando, porque vejo muito potencial nele. 🙂

Título Original: Ossos do Clima
Autor: André Souto
Editora: Arwen
Número de páginas: 206
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Resenha: Histórias em Retalhos – Alana Gabriela

Oi, povo! Tudo certo?

Hoje eu trago pra vocês a resenha do primeiro livro que li da autora parceira Alana Gabriela! 🙂 Trata-se de Histórias em Retalhos, uma coletânea de “histórias curtas” (como a autora as chama) e poemas.

historias em retalhos alana gabriela.pngGaranta o seu!

Sinopse: O amor é a meta infinita da história do mundo. Histórias em Retalhos é uma coletânea de histórias curtas intrínsecas e sinceras, que narra de forma sensível o sentimento mais singelo de todos: o amor. Um relato de uma mãe introspectiva, o amor de uma irmã pelos irmãos, uma carta de uma garota apaixonada para seu melhor amigo e uma filha que enfrenta dificuldades com a perda dos pais. Além, de uma história extra sobre o descobrimento do amor pela leitura. Todas essas histórias compactam a sutileza e nuances desse sentimento dolorido, complicado e bonito em seus diversos ângulos.

Histórias em Retalhos é formado por duas partes, por assim dizer: contos e poemas. No primeiro conto (Querido Louis) eu já senti que o livro tinha, de certa forma, um caráter autobiográfico – informação que foi confirmada na Nota da Autora, nas últimas páginas. A personagem principal tinha um jeito de falar semelhante ao da Alana, além de também escrever músicas e livros. Deu pra sentir que havia emoções reais naquela história. O segundo conto (Os Filhos do Meu Pai) também parecia um desabafo, além de trazer um tema mais polêmico: a relação de uma garota com os irmãos, que são frutos do adultério do pai. Nesse conto algumas coisas me incomodaram: o uso de estrangeirismos, ao mesmo tempo em que eram utilizadas palavras regionais (como “painho”), e também a idade dos irmãos mais novos (Tommy teria 5 anos, mas no final do conto a narradora diz que ele sabe mexer no Skoob, o que me parece um pouco avançado para uma criança dessa idade).

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Os contos seguintes (O Inverno de Aurora e A Menina da Biblioteca) são carregados de melancolia, mas ambos trazem uma mensagem bonita e otimista no final. Enquanto O Inverno de Aurora nos lembra que devemos valorizar os pequenos momentos com quem amamos, e A Menina da Biblioteca nos mostra que pequenas atitudes podem transformar o mundo de alguém de um modo muito positivo. Por fim, Rosas de Cabeceira (o último conto) e encerra essa primeira parte de um modo bastante triste: somos apresentados a uma mãe que se arrepende por nunca ter dito “eu te amo” à filha, que morreu prematuramente de câncer. E o recado do conto é claro: diga o que você sente a quem você ama, pois nunca sabemos quando será tarde demais.

Infelizmente não sou uma grande fã de poemas, por isso não me senti muito conectada a nenhum em especial. É um estilo que não me chama muito a atenção e, consequentemente, não mexe muito comigo. Se eu tiver que escolher um como destaque, eu escolheria Manga Longa ou Manga Curta?, por trazer um tema bem relevante.

De modo geral, eu acho que Histórias em Retalhos é uma série de desabafos que a autora decidiu dividir com o mundo. Infelizmente, notei que existem diversos erros de revisão e ortografia, e não posso negar: eles me incomodaram bastante durante a leitura. Acredito que uma revisão mais caprichada deixaria o livro mais coeso e “redondinho”. Quem sabe não rola uma nova edição no futuro? 🙂

Título Original: Histórias em Retalhos
Autor: Alana Gabriela
Editora: Amazon
Número de páginas: 109
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Resenha tripla: Sutilmente, Imersão e Caleidoscópio – Nina Spim

Oi gente, tudo bem?
Estão aproveitando bastante o feriado de Carnaval? Espero que sim! ❤

Hoje eu trago pra vocês as primeiras resenhas de parceria do ano, começando pelas obras da Nina Spim: Sutilmente, Imersão e Caleidoscópio! 😀
Como os contos da Nina são bem curtinhos, resolvi falar um pouquinho sobre cada um nesse post.

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Sinopse: A escola pode ser um ambiente hostil para se fazer amizades e, ainda mais, para se apaixonar pela primeira vez. No entanto, é justamente na sala de aula que Giovana conhece a nuance e a cor do amor. Laura poderia ser a típica aluna nova amedrontada, mas seu mundo particular, cheio de certezas escondidas, nunca mais será o mesmo depois de conhecer a libertação que o novo provoca.

Sutilmente é narrado em primeira pessoa por Giovana, uma estudante que fica imediatamente interessada na nova colega de classe, Laura. Enquanto narra seu dia na escola e o fascínio que Laura exerce sobre ela, Giovana vai nos mostrando um pouco do seu dia a dia e também como é a sensação de se interessar por uma pessoa à primeira vista. O jeito tímido e misterioso de Laura – que parece assustada, mas ao mesmo tempo tem uma energia envolvente – conquista Giovana, que faz de tudo para se aproximar da garota.

Pela sinopse, eu achei que Sutilmente falaria mais de um romance em si, mas na realidade o conto aborda o início do interesse entre as duas garotas. Não consegui me conectar às personagens, porque os devaneios da protagonista me deixaram um pouco confusa, e algumas frases curtas deixaram a narrativa um pouco truncada. O ponto forte desse conto, sem dúvida, é a naturalidade com que a sexualidade de Giovana e Laura foi tratada. Com leveza (e até mesmo poesia), Nina construiu  o interesse romântico das duas de um modo muito tranquilo – exatamente como esse tema deve ser. Fiquei muito contente com essa abordagem e espero ver mais obras assim!

Título Original: Sutilmente
Autor: Nina Spim
Editora: Amazon
Número de páginas: 14
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Sinopse: Os dias difíceis parecem normais para todos, certo? Mas, no caso de Lou, um dia difícil é muito mais do que isso. É uma luta constante contra si mesma e seus demônios invisíveis. Caio, seu marido, a aceita como é e muitas vezes precisa ser firme. O que é a depressão para você? Até quando você poderia vê-la desgastando a pessoa que mais ama?

O conto traz a história do casal Lou e Caio, que se conhecem desde a escola e estão juntos há aproximadamente 10 anos. Lou convive com a depressão, uma doença invisível incompreendida por muitos. O conto, contudo, é narrado por Caio, e pelos olhos dele conseguimos vivenciar alguns dos sentimentos de alguém que ama uma pessoa com depressão.

Imersão foi, de longe, o conto que mais gostei. Em suas poucas páginas, pude me sentir conectada à história de Lou e Caio e de seu amor genuíno e duradouro. Por meio da visão de Caio não apenas vivenciamos junto a ele o que é conviver com alguém que tem depressão, mas também sentimos o amor incondicional que ele tem pela esposa. Apesar de um ou outro errinho de revisão, esse conto me envolveu e me emocionou. Nina desenvolveu esse tema com muita sensibilidade e doçura.

Título Original: Imersão
Autor: Nina Spim
Editora: Amazon
Número de páginas: 4
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Sinopse: Conhecer o infinito nunca foi tão fácil para Júlia, até que Daniel a fez sentir que a beleza não precisa ser enxergada para ser contemplada na infinitude de quem eram.

Caleidoscópio traz um tema interessante, sobre o qual até então eu não havia lido: a deficiência visual. Júlia e Daniel se conhecem desde pequenos, e o rapaz é cego desde que nasceu. Por conviver com ele desde pequena, Júlia sempre lidou com a situação com naturalidade. Porém, o conto nos lembra que, infelizmente, nem todo mundo lida com isso dessa forma.

Por meio da narrativa de Júlia, Caleidoscópio nos mostra formas distintas de lidar com as diferenças: enquanto criança, Júlia só queria tratar Daniel como um igual e, depois de adulta, ela admira justamente aquilo que o faz diferente. Em um mundo de preconceitos e falta de empatia, Caleidoscópio nos lembra de que as pessoas são diferentes e que está tudo bem ser assim. Daniel pode não enxergar, mas isso não limita o personagem de maneira nenhuma, e Caleidoscópio mostra que ele é muito mais do que sua deficiência. O final é super fofinho, me lembrou A Culpa é das Estrelas hahaha! :3

Título Original: Caleidoscópio
Autor: Nina Spim
Editora: Amazon
Número de páginas: 4
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Espero que tenham gostado da resenha tripla, pessoal. Foi um prazer ter esse primeiro contato com a escrita da Nina e espero que ela continue publicando cada vez mais. \o/

Beijos e até semana que vem! ❤

Parceria e entrevista: Alana Gabriela

Oi, meu povo! Tudo certo com vocês?

Sim, o blog tem mais uma parceria pra anunciar: dessa vez com a autora Alana Gabriela! ❤
Eu estou super feliz com esse início de ano, que veio cheio de surpresas bacanas!

A Alana tem diversos livros publicados, vamos conhecê-los? 😉

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A Estranha Mente de Seth: Seth R. é um jovem extremista, um pensador que vive entre aulas matinais na faculdade e noites de treino numa sociedade clandestina e assassina em Vojerasa. Seth tem duas obsessões que controla com frieza e paciência: manter Lauren, seu amor platônico e sôfrego, pura para sempre e matar o conde Luendres Marquez. Tudo foi planejado. Ele tem um plano perfeito. O mártir perfeito em quem se apoiar. Seth fará o impensado e causará a Primeira Grande Guerra.

Efeito Dominó – Parte I: “É melhor ser enganado do que não confiar.” Um assassinato. Um caso sem suspeitos… Uma testemunha ocular misteriosa. Após a morte de sua mãe, Helena, em um passeio à Saquarema, Cora se vê solitária e desestabilizada pela perda do pilar de sua vida. Reclusa, a garota se torna relapsa e instável e a relação com seu pai bem como com a maioria das pessoas a sua volta fica cada vez mais distante e frágil. Sua vida caótica vira do avesso quando presencia uma tentativa de homicídio que põe a vida de Lucas, seu amigo, em perigo. No processo, Cora é feita refém de um criminoso enigmático que está disposto a tudo para trazer à luz todos os segredos que rodeiam a morte de Helena. Ela só precisa decidir entrar no jogo. Entre mentiras, assassinatos e segredos perigosos, Cora se vê num impasse pelo qual lado se aliar. Ela precisa decidir qual segredo é digno do silêncio e se estará pronta para desencadear o efeito dominó.

Flor de Cerejeira: “Qualquer um pode cometer um erro.” Yoko tinha uma vida relativamente boa e estável. Participava da organização do Festival Cherry Blossom todos os anos, tinha amigos na escola, tocava violino e estava treinando para fazer parte da orquestra da Juventude de Macon quando tudo começou a dar errado. Seu pai causou um grave acidente e foi parar na prisão. Em meio à dor da ausência, Yoko conhece Aidan Hirsch, um garoto que parece tão desestruturado, taciturno e solitário quanto ela, e que é capaz, acima de tudo, de não julgar, simplesmente ouvir. Aos poucos, um sentimento singelo e inefável ganha forma, surgindo uma história delicada de autoconhecimento, arrependimento, culpa e superação que poderá mudar a vida desses adolescentes se assim escolherem.

Histórias em Retalhos: O amor é a meta infinita da história do mundo. Histórias em Retalhos é uma coletânea de histórias curtas intrínsecas e sinceras, que narra de forma sensível o sentimento mais singelo de todos: o amor. Um relato de uma mãe introspectiva, o amor de uma irmã pelos irmãos, uma carta de uma garota apaixonada para seu melhor amigo e uma filha que enfrenta dificuldades com a perda dos pais. Além, de uma história extra sobre o descobrimento do amor pela leitura. Todas essas histórias compactam a sutileza e nuances desse sentimento dolorido, complicado e bonito em seus diversos ângulos.

E, pra terminar esse post com o pé direito, eu convidei a Alana pra responder à tradicional entrevista do Infinitas Vidas! \o/

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1. Como e quando você decidiu ser escritora?

Helloo! Bem, eu não tinha pensado em ser escritora quando comecei a desenvolver meu primeiro livro em 2013. Eu só queria escrever uma história e comecei a fazer isso. Não foi algo premeditado. Acredito que as coisas simplesmente acontecem e se você tem uma habilidade escondida, em algum momento ele vai aparecer.

2. Quais autores foram as suas maiores inspirações no mundo literário?

Quando comecei a escrever não lia muito, tinha certa dificuldade para me concentrar então não tive inspirações literárias. Mas um autor que gosto muito é o – muso – Pierce Brown.

3. Como foi o processo de desenvolvimento dos seus livros? Quais foram as partes mais bacanas e as mais difíceis ao longo desse processo?

O primeiro livro que escrevi demorei pelo menos cinco meses. Depois disso deslanchei e passei a escrever de forma desenfreada. Acredito que o tempo mais rápido que escrevi um livro foi em um dia. Sempre estudo para escrever meus livros, então alguns tenho mais dificuldades que outros. Porque por exemplo, um livro de fantasia é muito mais complicado de escrever do que um romance, pois tem muito mais coisa para estudar e leva mais tempo em decorrência de tudo que precisa estudar.

4. Você teria alguma dica para quem também deseja publicar seu próprio livro?

Bem, é super difícil publicar um livro no Brasil, com todas as condições que um autor almeja. Mas digo que se você, novo autor, tem o desejo de compartilhar suas histórias com os leitores, encontre uma maneira de conseguir esse canal de comunicação e leitura. Eu não gostaria de dizer isso, mas a realidade é que um autor brasileiro precisa de dinheiro para ser publicado.

5. Fique à vontade para deixar um recado aos leitores do Infinitas Vidas!

Well, muito boas leituras para vocês.

Espero que tenham gostado da novidade e da entrevista, pessoal!
Em breve teremos as resenhas dos autores parceiros aqui no blog, então fiquem ligados. ❤

Beijos e até semana que vem! :*