Resenha: Almanaque Heartstopper

Oi pessoal, tudo bem?

Resolvi seguir na temática Heartstopper essa semana pra mostrar pra vocês um recebido super fofo que chegou aqui em casa: o Almanaque Heartstopper. ❤

Garanta o seu!

Sinopse: O Almanaque Heartstopper está repleto de conteúdo exclusivo do universo Heartstopper: ilustrações nunca antes vistas, um minicomic exclusivo, perfis de personagens, curiosidades e insights sobre o processo criativo de Alice Oseman, narrado por uma versão cartoon da própria Alice. Pela primeira vez em cores, este livro complementar é perfeito para os fãs de Heartstopper!

O livro é um presente de Alice Oseman pros fãs da série, reunindo conteúdos especiais, teste de personalidade (você é mais Nick ou Charlie?) e dois minicontos (diferente do que a sinopse diz) muito fofos. Ao longo das páginas, a própria Alice vai contando a respeito da história de como criou Heartstopper, bem como divide com o leitor os detalhes do seu processo criativo.

O Almanaque também traz conteúdos bacanas sobre os personagens, principalmente com as ilustrações especiais (algumas criadas especificamente pro livro). É muito fofo ver personagens que são tão queridos pro leitor em situações diversas e inesperadas, em cenas que a graphic novel não apresentou.

Um outro ponto bem fofo é que Alice Oseman traz um mini tutorial de como desenhar os personagens de Heartstopper no estilo dela. Eu sempre amei desenhar e comprava livros de tutoriais quando era criança, então imaginem a nostalgia que senti. ❤ Ver a evolução do traço da Alice Oseman também foi muito legal, porque ela divide esboços da época da criação da série, lá em 2013, e seu estilo artístico mudou e amadureceu bastante de lá pra cá. Almanaque Heartstopper é uma adição bem-vinda às estantes de quem ama a série e deseja conhecer um pouquinho mais do backstage da graphic novel. Mas, como o livro é essencialmente baseado em ilustrações, vou parar o texto por aqui e deixar que vocês mesmos possam dar uma espiadinha no que vão encontrar nas páginas. Espero que gostem!

Título original: The Heartstopper Yearbook
Série: Heartstopper
Autora:
 Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 160
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Heartstopper: Volume 4 (De Mãos Dadas) – Alice Oseman

Oi pessoal, tudo bem?

Preparados pra mais uma resenha da minha graphic novel queridinha? Estou falando dela, é claro: Heartstopper. ❤ Ah, de praxe, não custa nada avisar: como o tema é o 4º volume da série, essa resenha inevitavelmente tem spoilers das edições anteriores.

Garanta o seu!

Sinopse: Charlie e Nick já não precisam esconder de ninguém no colégio que estão namorando, e agora, mais do que nunca, Charlie quer finalmente dizer “Eu te amo”. O que parece um gesto simples se torna bem complicado quando sua ansiedade o faz questionar se Nick se sente da mesma forma…
Nick, por sua vez, está com a cabeça cheia. Afinal, ele ainda não teve a oportunidade de se assumir para o pai, e se preocupa constantemente com Charlie, que dá sinais claros de ter um transtorno alimentar. Conforme o relacionamento dos dois amadurece, os desafios que vêm pela frente ficam cada vez mais difíceis ― mas os garotos logo vão aprender que amar alguém nada mais é do que estar ao seu lado, juntos, de mãos dadas.

O relacionamento de Nick e Charlie continua firme e forte, mas nessa edição os personagens enfrentam problemas que colocam suas mentes e corações em assuntos mais tensos do que nas edições anteriores da série. Nick lida com um irmão babaca e ainda não conseguiu se encontrar com o pai para contar sobre Charlie; para piorar, ele começa a pesquisar sobre transtornos alimentares ao perceber, desde o volume 3, que o namorado parece ter bastante dificuldade quando o assunto é comida. Charlie, por sua vez, deseja dizer o famigerado “eu te amo” para Nick, mas tem medo de que não seja recíproco e ele não consiga lidar com isso. Toda a ansiedade do personagem está muito mais exacerbada nesse volume, e seus problemas com a comida se tornam cada vez mais claros.

Esse foi o primeiro volume de Heartstopper que me fez chorar. Eu tenho um apego muito grande em Nick e Charlie, e ver os dois sofrendo e passando por situações tão difíceis foi de partir o coração. Nick é uma peça-chave para que Charlie decida contar aos pais sobre seu problema, o que leva a medidas mais drásticas para protegê-lo de si mesmo e de seus pensamentos destrutivos. O lado bom desse plot é que desmistifica as instituições e os tratamentos psiquiátricos, colocando-os sob uma ótica muito positiva. Isso é excelente principalmente ao pensar que o público-alvo da graphic novel é jovem, ou seja, podem ser pessoas que ainda não saibam lidar com essa pressão sozinhas (por medo, desconforto, tabus, pressão familiar, entre mil outros motivos). Ao mesmo tempo que o cuidado psiquiátrico é mostrado de forma bacana, também é de entristecer que a família de Charlie não tivesse notado que o garoto vinha demonstrando sintomas de um distúrbio alimentar. Muitas vezes a gente convive de perto com alguém que está sofrendo e, mesmo assim, não conseguimos enxergar. 😦 Acho que De Mãos Dadas faz um bom trabalho em deixar esse alerta.

Preciso dedicar um momento pra exaltar a mãe do Nick, uma personagem compreensiva, sensível e leal. Ela é a pessoa quem ajuda Nick a ordenar os pensamentos em relação ao distúrbio de Charlie, especialmente porque Nick quer salvá-lo a todo custo dessa condição. É também Sarah Nelson que fala para o filho (e para o leitor) que não é papel de um companheiro “salvar” a outra pessoa de um transtorno mental, pois é um fardo muito pesado pro amor carregar (além de transtornos mentais serem multifatoriais e mais complexos de serem resolvidos). Ela ensina o filho que amar é muito mais sobre estar presente nos momentos difíceis e saber que a pessoa pode contar com seu colo. Sim, essa foi uma das passagens em que eu chorei. 🥲

Heartstopper: De Mãos Dadas é o volume mais “pesado” da série até agora, por finalmente tocar em assuntos com os quais a trama vinha flertando, mas sem se aprofundar. Alice Oseman toma muito cuidado ao abordar o quanto devemos levar a sério o assunto de saúde mental, mas ao mesmo tempo trazendo doses de esperança e caminhos possíveis para a cura. Além de Nick, Charlie pode contar com o apoio incondicional da família e dos amigos, e mesmo que o caminho para a cura seja tortuoso e cheio de percalços, com altos e baixos, é lindo de ver que sempre tem alguém pra segurar a mão dele. ❤

Título original: Heartstopper #4: A Graphic Novel
Série: Heartstopper
Autora:
 Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 384
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Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Resenha: Heartstopper: Volume 3 (Um Passo Adiante) – Alice Oseman

Oi pessoal, tudo bem?

Como fiz questão de evidenciar na resenha das HQs e da série, me tornei fã de carteirinha de Heartstopper. ❤ Então pensem na alegria dessa pessoinha quando recebi da Seguinte o terceiro volume, Um Passo Adiante. Continua lendo que eu te conto mais!

Garanta o seu!

Sinopse: No terceiro volume da série Heartstopper, acompanhamos os primeiros desafios do namoro de Charlie e Nick enquanto os garotos viajam a Paris. Depois de entenderem o que sentiam um pelo outro, Charlie e Nick se tornaram oficialmente namorados, e cada dia é uma nova oportunidade para se conhecerem um pouco mais. Mas nem tudo é fácil, principalmente quando se trata de se assumir enquanto casal para o mundo. Mesmo com medo da reação das pessoas, os garotos sabem que em breve terão de contar a verdade, pelo menos para os amigos mais próximos ― ainda mais quando a turma toda viaja a Paris. Enquanto decidem como dar este próximo passo, os dois vão descobrir que, não importa qual seja o desafio, eles podem sempre contar um com o outro.

Se no volume 1 a dupla se aproximou e começou a desenvolver seus sentimentos e no volume 2 o foco foi na autodescoberta de Nick como bissexual e o início do namoro dos dois, em Um Passo Adiante o casal precisa tomar decisões sobre como conduzir a relação. Essa edição traz uma vibe gostosíssima ao colocar os personagens em uma viagem escolar com destino a Paris, e o leitor fica imerso naquela atmosfera de comédia romântica cheia de descobertas, cenários lindos e momentos divertidos.

Nick e Charlie ainda não contaram aos amigos sobre seu namoro, e aos poucos eles vão criando coragem – e decidindo juntos – a melhor forma de fazer isso. Achei fundamental que Alice Oseman tenha trabalhado esse tema com tanta delicadeza e cuidado, especialmente quando lembramos que Charlie foi retirado do armário contra sua vontade, causando todo o bullying que ele sofreu na escola. Por isso, o fato de que o casal protagonista está disposto a fazer isso da sua própria maneira é um sinal de empoderamento super importante, além de transmitir uma mensagem positiva a quem possa estar na mesma situação.

Outro aspecto muito bacana de Um Passo Adiante é o foco em outros personagens, que na série da Netflix já ganharam mais atenção mas, até agora nas HQs, nem tanto. É o caso de Tao e Elle, que visivelmente nutrem sentimentos um pelo outro. Durante a viagem, eles têm a oportunidade de passarem mais tempo sozinhos e refletirem sobre os ônus e bônus de se declararem. É natural ter medo de alterar uma relação que até então é pautada na amizade e algo dar errado, mas é lindo ver Tao e Elle tendo coragem de arriscar.

Além do foco na relação de Nick e Charlie como casal, Alice Oseman também insere elementos que desenvolvem os personagens individualmente, o que considero fundamental. No caso de Nick, a autora mostra ao leitor que o personagem tem uma relação fragilizada com seu irmão mais velho e com seu pai. Enquanto o primeiro é rude e faz bullying com ele (que não se deixa intimidar e o enfrenta), o segundo é ausente e, mesmo morando em Paris, não parece fazer questão de ver o filho durante a viagem. Esses elementos dão profundidade a Nick, que até então era “apenas” nosso golden retriever fofo e maravilhoso. Charlie, por sua vez, começa a ser observado pelo namorado devido a um comportamento que vai ficando nítido para o leitor também: em diversas situações de stress, ele mal toca na comida. Alice Oseman ainda não aprofunda o assunto de distúrbios alimentares nesse volume, mas pra mim ficou muito claro que é algo no horizonte. Tenho certeza de que ela vai tratar desse tema com muito cuidado e sensibilidade, como tudo que vi dela até agora.

Heartstopper: Um Passo Adiante é uma leitura deliciosa, com gostinho de verão (europeu rs) e com todo o carisma e fofura que os volumes 1 e 2 da HQ já haviam nos presenteado. É muito bom ser fã de uma obra que consegue deixar meu coração feliz já nas primeiras páginas, e Alice Oseman consegue me transportar pra história de Nick e Charlie sem esforço. É como se o leitor se tornasse parte daquele grupo de amigos, torcendo e vibrando por cada uma de suas conquistas. Se você ainda está em dúvida sobre ler ou não Heartstopper, a dica é: não pensa mais e só se joga! Vai valer a pena. ❤

Título original: Heartstopper #3: A Graphic Novel
Série: Heartstopper
Autora:
 Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 384
Gostou do livro? Então adquira seu exemplar aqui e ajude o Infinitas Vidas! ❤

Livro cedido em parceria com a editora.
Esse não é um publipost, e a resenha reflete minha opinião sincera sobre a obra.

Dica de Série: Heartstopper

Oi pessoal, tudo bem?

Quem me acompanha no Twitter ou no Instagram já deve ter percebido que há tempos estou monotemática devido a Heartstopper. 😂 Fazia muito tempo que uma leitura feita por puro prazer não me proporcionava tanta endorfina e um sentimento tão gostoso de fangirl, sabem? E sexta-feira estreou a adaptação na Netflix, que eu maratonei e cujo resultado ficou absolutamente perfeito. Tão perfeito que estou escrevendo esse post com um sorriso no rosto e a esperança de convencer vocês a maratonarem também. ❤ Ah, observação: vou fazer algumas comparações com o material original, mas sem spoilers!

Sinopse: Nesta série sobre amadurecimento, os adolescentes Charlie e Nick descobrem que são mais que apenas amigos e precisam lidar com as dificuldades da vida escolar e amorosa.

Pra não ser muito repetitiva com quem leu o post anterior (resenha dos dois primeiros volumes da HQ), vou resumir o plot de Heartstopper: Nick Nelson é o astro do rúgbi, Charlie Spring é o único menino gay assumido na escola para meninos que ambos estudam. Ao se tornarem uma dupla em uma das aulas, uma amizade rapidamente se forma, e eles descobrem uma grande afinidade. Charlie não demora a sentir um crush forte em Nick, mas presume que o garoto seja hétero; Nick começa, aos poucos, a sentir dúvidas sobre se o que sente por Charlie é somente amizade. Quando fica nítido que a relação evoluiu para outro tipo de sentimento, os dois precisam entender a melhor forma de ficarem juntos, especialmente quando sair do armário pode ser um processo tão difícil e particular.

Vamos começar a falar da série pelo casting dos protagonistas. O QUE SÃO KIT CONNOR (Nick) E JOE LOCKE (Charlie), meu Deus do céu??? A química de milhões existe, e é entre eles. Kit Connor tem um jeitinho tão meigo que, inclusive, me lembrou o Rony de Rupert Grint nos primeiros filmes de Harry Potter. A testa franzida, a carinha de sem jeito, o sorrisinho torto… esses trejeitos que ele tem em comum com o Rony me fizeram ter ainda mais simpatia pela interpretação de Kit. Nick é meu personagem favorito de Heartstopper, e a atuação de Kit foi tudo que eu pedi e muito mais.Joe Locke também encaixa perfeitamente no papel de Charlie, principalmente por conseguir transmitir as nuances bastante diversas que o personagem sente: Char é deixado de lado por um boy lixo que tem vergonha dele, sofre bullying, tem seu coração partido enquanto pensa que Nick é hétero, se sente um peso na vida das pessoas que o cercam… são vários elementos que trazem complexidade ao personagem. Mas além dos aspectos mais delicados e tristes, por assim dizer, ele também tem um olhar encantado, um sorriso sem graça, um jeitinho de provocar Nick que é tão FOFO que você se pega sorrindo só de olhar. Melhor casal não há! ❤

A série acerta em cheio ao dar espaço aos dilemas dos personagens secundários que fazem parte do grupo de amigos de Charlie. Tao, por exemplo: o melhor amigo de Char é um personagem bem mais unidimensional na HQ (e pouco carismático, diga-se de passagem). Na série, ele tem algumas atitudes irritantes envolvendo ciúmes de Charlie, mas no geral o espectador consegue compreender seus motivos e simpatizar mais com ele. Ele é um verdadeiro leão defendendo seus amigos, e teme que Charlie sofra o bullying que sofreu ao ser tirado do armário – por isso é tão resistente a sua aproximação com Nick. Além de Tao, a melhor amiga dos dois, Elle, é outra que ganha destaque: a jovem é uma garota trans que recém se mudou para o colégio para meninas que fica em frente (ou ao lado, a geografia que me perdoe rs) ao dos meninos, do qual ela saiu. Ela sente medo de ficar só e tem dificuldades de se enturmar, até que conhece Tara e Darcy, um casal lésbico que acolhe Elle e cria um laço muito bonito com ela. Essa dupla inclusive é super relevante para que Nick tenha coragem de ser honesto sobre o que sente, e a série acertou mais uma vez ao dar mais dimensão para as duas: Tara não se arrepende de ter se assumido, mas ela enfrenta comentários de hate no Instagram e isso abala seus sentimentos. Por isso, todo o processo de ganhar autoconfiança e se empoderar se torna ainda mais bonito na série, sendo uma camada bem-vinda a algo que já funcionava bem nos quadrinhos. 

Existem poucas mudanças substanciais em relação à trama, sendo que nenhuma delas impacta a história a ponto de deturpar aquilo que lemos. Além disso, o roteiro é sagaz em colocar pistas de aspectos que foram trabalhados na HQ 3 (que não foi o material base pra primeira temporada, somente os volumes 1 e 2 por enquanto) e provavelmente nas HQs seguintes. Aliás, Heartstopper é uma das adaptações mais fieis que já vi na minha vida! Tem cenas que são exatamente iguais às das páginas, inclusive com falas icônicas que eu nem acreditei que estava vendo na tela. ❤ Além de elementos gráficos que deixam os episódios lindos (como as folhinhas desenhadas voando ao vento), há pequenos detalhes que os leitores conseguem perceber de imediato: o quarto de Nick e Charlie é igual aos dos quadrinhos, o All Star branco de Char e o Vans de Nick estão sempre ali, e até a touquinha de lã onipresente do Tao não foi esquecida. 😍 Achei uma pena apenas que tenham substituído Aled (um dos protagonistas de Rádio Silêncio, outro livro da autora) por Isaac – que é um fofo, mas não é Aled. Pelo que li por aí, a autora não quis “desperdiçar” o personagem de Aled porque talvez exista uma chance de Rádio Silêncio ser adaptada, mas o tempo dirá.

Além de contar uma bela história de amor, Heartstopper é uma série que dá espaço não apenas à representatividade gay, mas bissexual, lésbica e trans – que costumam ser menos retratadas nas mídias. De modo geral, ela trabalha com muita sensibilidade o processo de se descobrir não-heterossexual. Enquanto Nick tenta entender seus sentimentos, o espectador sente o coração se apertar com o medo que ele sente, especialmente ao se deparar com notícias sobre homofobia. Ao mesmo tempo, a trama de Alice Oseman (seja na HQ, seja na série) não é focada em priorizar a possível dor que envolve se identificar como parte de uma minoria, mas sim em florescer a partir disso e se descobrir como alguém digno de todo o amor que qualquer um merece. O personagem de Charlie representa bem esse processo: se de início ele se esmaga para caber em espaços que não lhe foram dedicados, com o tempo ele percebe (e é ajudado pelo amor de Nick) que não deve aceitar migalhas e tem direito de reivindicar o espaço que merece.

Nem sei descrever o quão delicioso foi ver Heartstopper em carne e osso. Terminei o último episódio com lágrimas que eu não sei se eram de emoção ou de alegria (provavelmente os dois!) por ver essa história sendo contada de um jeito tão lindo, inspirador e importante. A representatividade de Heartstopper é maravilhosa e imprescindível, sendo uma série que mexe com o nosso coração e nossas memórias afetivas ao mostrar o lado mais fofo da adolescência com uma perspectiva queer tão necessária. Desejo que cada vez mais produções desse tipo ganhem espaço na TV, no cinema, nos streamings e no coração das pessoas. ❤ 🌈

Título original: Heartstopper
Ano de lançamento: 2022
Criação: Alice Oseman
Direção: Euros Lyn
Elenco: Joe Locke, Kit Connor, William Gao, Yasmin Finney, Tobie Donovan, Cormac Hyde-Corrin, Rhea Norwood, Sebastian Croft, Olivia Colman

Resenha: Heartstopper: Volumes 1 e 2 – Alice Oseman

Oi pessoal, tudo bem?

Ser fangirl sempre foi algo que fez parte da minha “identidade”, por assim dizer. Quando eu gosto de uma coisa, gosto MESMO. 😂 Mas, mesmo com várias experiências literárias fantásticas que tive recentemente, fazia tempo que algo não me despertava esse sentimento específico… até Heartstopper chegar. ❤ Vamos conhecer essa série de quadrinhos maravilhosa? Ah! Dia 22 estreia a adaptação da Netflix, então bora que dá tempo de ler antes, hein? 😉

Garanta os seus!

Sinopse: Volume 1: Charlie Spring e Nick Nelson não têm quase nada em comum. Charlie é um aluno dedicado e bastante inseguro por conta do bullying que sofre no colégio desde que se assumiu gay. Já Nick é superpopular, especialmente querido por ser um ótimo jogador de rúgbi. Quando os dois passam a sentar um ao lado do outro toda manhã, uma amizade intensa se desenvolve, e eles ficam cada vez mais próximos. Charlie logo começa a se sentir diferente a respeito do novo amigo, apesar de saber que se apaixonar por um garoto hétero só vai gerar frustrações. Mas o próprio Nick está em dúvida sobre o que sente – e talvez os garotos estejam prestes a descobrir que, quando menos se espera, o amor pode funcionar das formas mais incríveis e surpreendentes. Volume 2: Charlie e Nick são melhores amigos, mas tudo muda depois que eles se beijam em uma festa. Charlie acredita que cometeu um grande erro e arruinou a amizade dos dois para sempre, e Nick está mais confuso do que nunca. Mas aos poucos Nick começa a enxergar o mundo sob uma nova perspectiva e, com a ajuda de Charlie, descobre muitas coisas sobre o mundo que o cerca, sobre seus amigos – e, principalmente, sobre ele mesmo.

Charlie Spring é um garoto gay que sofreu bastante bullying quando foi tirado do armário contra a sua vontade. No novo ano escolar, apesar do pior ter passado, Charlie ainda lida com uma baixa autoestima e emoções conflitantes, pois está saindo com um cara que só o vê às escondidas. Seu dia a dia começa a ganhar um toque mais bonito de cor quando ele faz um novo amigo, o simpático e amigável Nick Nelson, um garoto popular que faz parte do time de rúgbi e que é sua dupla em uma das aulas. Apesar do estereótipo de “heterotop”, Nick é um cara livre de preconceitos, que rapidamente se afeiçoa a Charlie e constrói uma amizade muito forte com ele – convidando-o inclusive para fazer parte do time de rúgbi. Acontece que os caminhos do coração nem sempre são fáceis de trilhar: Charlie não demora a perceber que tem um crush em seu novo amigo, mas sabe que não será correspondido porque Nick é, na sua visão evidentemente hétero; já Nick começa a querer estar perto de Charlie de uma maneira que não ocorre com seus outros amigos, gerando uma dúvida sobre o que ele realmente sente e deixando-o confuso sobre sua sexualidade.

Eu já havia entrado em contato com a escrita de Alice Oseman por meio de Rádio Silêncio, em que ela também aborda temas como bullying, busca pela própria identidade e orientação sexual, sendo estes temas muito presentes em suas obras. Mas se Rádio Silêncio traz melancolia (inclusive um dos personagens dessa HQ aparece por lá), Heartstopper é uma história que vem para nos lembrar que nem sempre ser adolescente é fácil, mas que mudanças são bem-vindas e que é delicioso se apaixonar. A história de Charlie e Nick me deixou com um sorriso bobo no rosto, e ver a amizade dos dois crescendo para um sentimento mais profundo deixou meu coração absolutamente quentinho.

A autora deixa muito claro que a sexualidade das pessoas não é assunto de ninguém além dos próprios envolvidos, bem como evidencia que a aparência de alguém não deve ser levada em consideração para dizer se determinada pessoa é isso ou aquilo (como foi muito bem pontuado pela professora de Charlie e Nick ao ouvir comentários a respeito do segundo). Além disso, Alice Oseman também dá espaço principalmente a Nick, para que ele passe pelos momentos de dúvida necessários ao seu próprio processo. Vivemos em uma sociedade heteronormativa, o que faz com que a heterossexualidade seja esperada como padrão, sem necessidade de justificativa; quando os sentimentos mudam e Nick se vê apaixonado pelo melhor amigo, ele também sente medo e confusão, porque tudo que sabia sobre si mesmo parece nebuloso. Apesar de não forçar rótulos aos seus personagens, Alice Oseman permite que a bissexualidade (tão invisibilizada na mídia) ganhe destaque e faça parte do processo de construção identitária de Nick.

Enquanto no volume 1 acompanhamos com mais enfoque a amizade dos protagonistas sendo construída, é no volume 2 que esses debates que mencionei acontecem, bem como a evolução da relação dos dois. Charlie tem um papel de apoio fundamental a Nick, e isso é possível também graças a uma família amorosa que o acolhe da forma como ele é. Mas não se enganem, ser abertamente gay é só um dos aspectos sobre Charlie, existem muitos outros que o tornam encantador aos olhos de Nick e dos leitores: ele é um ótimo corredor, é super fofo, toca bateria e tem um All Star super cool. Além disso, mesmo tendo uma experiência amorosa triste com o boy que o escondia, ele jamais cobra que Nick saia do armário de forma forçada, acolhendo a necessidade de sigilo até que Nick entenda o que está vivenciando. Já no segundo volume da HQ, posso dizer que é Nick quem brilha ainda mais, sendo impossível não se apaixonar pelo carisma, caráter e gentileza do personagem, foi incrível acompanhar sua jornada de autodescoberta. ❤ Ele é, disparado, meu personagem favorito em toda a HQ (e em todas as minhas leituras recentes). Sua sensibilidade, sua preocupação com quem ele gosta e sua lealdade fazem de Nick um personagem que você quer guardar num potinho e proteger.

Além do casal principal, a autora traz para as páginas o carismático grupo de amigos de Charlie, composto por Tao, Elle e Aled (é ele um dos protagonistas de Rádio Silêncio). Aqui a representatividade se faz presente mais uma vez, sendo Elle uma garota trans e cujo crush em Tao é nitidamente correspondido. Do lado de Nick, ele faz amizade com um casal de namoradas, Tara e Darcy, que dão muita força para que ele se sinta acolhido e confortável com sua sexualidade. Ter essa rede de apoio faz toda a diferença para os personagens, e eles são aquela gang que qualquer um de nós gostaria de ter.

Eu sempre digo que acho importante que minorias possam se ver representadas em histórias felizes, não apenas tramas cheias de dor ou que falem sobre o peso do preconceito. Heartstopper é um exemplo maravilhoso disso, trazendo com muita doçura um relacionamento que começa com um “- Oi! – Oi!” diário e se transforma num amor puro e genuíno entre dois garotos que se encontram por acaso. É um acalento para o coração ler uma história tão fofa e adorável, cheia de cenas divertidas, bem-humoradas e fofíssimas, com direito a muitos beijos e demonstrações de afeto. Conteúdos que tragam a possibilidade de felicidade para quem é tão oprimido são necessários, e eu não poderia ter ficado mais feliz em ver tantas coisas boas na vida de Charlie e de Nick quanto vi em Heartstopper. E, com muita alegria no coração, digo: aqui renasce e reside uma fangirl entusiasmada, que quer ler e reler mil vezes essa história (e maratonar a adaptação da Netflix, é claro!). Se eu recomendo as HQs? Acho que a resenha já deixou isso óbvio, né! ❤

Título original: Heartstopper: A Graphic Novel
Série: Heartstopper
Autora:
 Alice Oseman
Editora: Seguinte
Número de páginas: 288 (volume 1) e 320 (volume 2)
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