Resenha: Acima do Véu – Garth Nix

Oi pessoal, tudo bem?

Estava com saudades do universo construído por Garth Nix, então aproveitei minhas curtas férias para ler Acima do Véu, o quarto volume de A Sétima Torre.

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Sinopse: O Povo Inferior é incansável. Por muito tempo, essa gente se manteve quieta, ocupando os níveis mais baixos do Castelo. Mas, agora, vai se fazer ouvir… Tal e Milla não estão mais sozinhos na busca da verdade sobre seu mundo. O Corvo, um renegado do Povo Inferior, aliou-se a eles, juntamente com seu bando de rebeldes. Eles conhecem muitos segredos sobre o Castelo – e estão prestes a descobrir o maior de todos. A escuridão está ficando cada vez mais intensa. As sombras estão se tornando mais fortes. E, mais que nunca, Tal e Milla estão correndo perigo.

Seguindo o padrão da série, o livro inicia em uma sequência direta do volume antecessor, após o embate com o Mestre-das-Sombras Sushin (que não parece ter se abalado após a perfuração pela lâmina de chifre de Merwin de Milla). Durante a fuga dos protagonistas pelos níveis mais baixos do Castelo, eles reencontram os jovens que os ajudaram nos túneis de aquecimento, mas o clima não é amigável: comandados por um jovem chamado Corvo, o grupo se autodenomina Resistentes – ou seja, membros do Povo Inferior que se recusam a seguir a ordem dos Escolhidos. Apesar da animosidade, o grupo de Corvo, Tal e Milla se veem do mesmo lado, já que os Resistentes têm como líderes Ebbit e Jarnil, um antigo professor do Lectorium dado como morto. Quando Milla e Tal contam a eles sobre tudo que descobriram em Aenir (e Sushin), Ebbitt e Jarnil compreendem que o Véu que protege o Mundo das Trevas dos Aeniranos está em risco. Para restabelecer a segurança, é necessário impedir que Sushin se apodere das Grandes Pedras que o mantêm intacto.

Basicamente, esse é o fio condutor de Acima do Véu. Conforme a série avança, Tal e Milla vão descobrindo pouco a pouco os segredos mantidos tanto pelos Escolhidos quanto pelos Homens-do-Gelo a respeito da origem do Véu e da relação entre os dois povos. Enquanto Tal deseja apenas ter a normalidade de sua vida de volta (e impedir Sushin no processo), Milla ainda se ressente por ter perdido sua sombra natural e está determinada a voltar ao Gelo, contar tudo que descobriu às Matriarcas e dar fim à sua vida. Com isso, é nesse volume que o caminho dos dois protagonistas se separa: a jovem parte rumo ao seu povo enquanto Tal se alia (contra a própria vontade) ao Corvo. E eu acho que foi por causa dessa separação que não curti tanto a obra quanto esperava.

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A dinâmica de Tal e Milla é uma das coisas de que mais gosto na série de Garth Nix, além da criatividade do autor na concepção de seu universo (que eu sempre reforço nas resenhas e até hoje considero único). Quando os dois se separam, um pouco do carisma da narrativa se perde, porque sempre foi muito interessante acompanhar o equilíbrio proporcionado pela sua relação de gato e rato, mas cheia de aprendizado mútuo. Tal e Corvo, por outro lado, são muito clichês: o protagonista desconfia do rapaz hostil, enquanto este odeia Tal por ele ser um Escolhido. Apesar desse ponto negativo, Acima do Véu tem diversas cenas de ação, com capítulos que intercalam entre a missão de Tal e a de Milla. E, mesmo não curtindo a relação entre Tal e o Corvo, reconheço o mérito de sua missão: os dois passam por inúmeras situações capazes de deixar o leitor apreensivo, porque o risco de roubar uma Grande Pedra e não serem capturados por Sushin no processo é bastante considerável.

Em relação ao desenvolvimento dos personagens, Acima do Véu oferece poucos avanços. Como os livros acontecem em um espaço muito pequeno de tempo, sendo sequências diretas uns dos outros, a aventura de Tal desde sua queda para fora do Castelo iniciou há pouco mais de um mês. E eu compreendo isso, de verdade, mas também me decepcionei ao ver o protagonista repetindo preconceitos que eu já esperava que ele estivesse apto a, pelo menos, questionar. Com a intensidade de suas experiências com Milla e ao se dar conta de quão vasto é o mundo fora das paredes onde nasceu e cresceu, eu supunha que Tal já estivesse pronto para não olhar para o Povo Inferior como… inferior. Considerando que eu elogiei justamente o amadurecimento dos protagonistas no volume anterior, fiquei um tantinho chateada.

Acima do Véu foi o primeiro volume inédito desde que decidi revisitar a série A Sétima Torre. Por enquanto, a experiência tem sido bacana, apesar dos altos e baixos (reli minhas resenhas e percebi que intercalei entre “nossa, amei” e “hmmm só gostei” 😂). Estou curiosa para saber o que os dois últimos volumes da saga me reservam e pretendo concluí-la até o fim do ano. Continuo com a opinião de que a série é uma ótima opção pra quem gosta de livros de fantasia e buscam uma leitura rápida, mas criativa e instigante.

Título original: Above the Veil
Série:
A Sétima Torre
Autor:
Garth Nix
Editora:
Nova Fronteira
Número de páginas:
255
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Resenha: Aenir – Garth Nix

Oi povo, tudo bem?

Seguindo as resenhas da série A Sétima Torre, fiz a releitura do terceiro volume, Aenir. Spoiler alert: que experiência ótima! ❤

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Sinopse: O mundo de sonhos de Aenir não é um lugar seguro. Um passo em falso pode levar ao perigo, a ciladas ou… à morte. Tal e Milla precisam encontrar seu caminho através dessa paisagem enganosa. Estão procurando o Códex, um estranho objeto mágico que decidirá o destino de seus mundos. Muitas criaturas se interpõem em seu caminho – desde os Pastores de Tempestades, feitos de nuvens, e do enxame de Vêsboras até uma figura horripilante chamada Rudbrut. Tal e Milla não podem ir embora de Aenir sem o Códex. Mas encontrá-lo é muito mais perigoso do que poderiam imaginar…

Aenir começa logo após o final de O Castelo. Tal, o Escolhido, e Milla, a Garota-do-Gelo, conseguiram fazer a passagem a Aenir, o Reino dos Espíritos. O problema é que, logo de cara, eles são atacados por duas criaturas ameaçadoras, conhecidos como Pastores de Tempestades. A contragosto, Tal acaba selando um pacto com eles, tornando-os Espíritos-Sombra dos dois garotos. Porém, essa atitude impensada causa uma ruptura em sua frágil amizade com a jovem, o que os leva à separação; afinal, os Homens-do-Gelo valorizam as sombras naturais e têm aversão pelos Espíritos-Sombra.

Depois que Tal e Milla partem em jornadas diferentes, o leitor tem a oportunidade de conhecer ambos com mais profundidade. Tal está incomodado por ter tomado para si um Espírito-Sombra que ele julga pouco imponente; Milla sente-se desonrada e acredita que seu sonho de virar uma Donzela Guerreira terminou. A busca pelo Códex dos Escolhidos, missão que os levou a Aenir, é cheia de percalços – que ficam ainda mais desafiadores por estarem separados.

O crescimento dos protagonistas é palpável nesse volume. Apesar de muito jovens, Tal e Milla carregam uma grande responsabilidade. Para o garoto, a missão envolve proteger sua família e descobrir o que aconteceu com seu pai; para a garota, conseguir uma Pedra-do-Sol significa salvar seu clã e provar seu valor como guerreira. Durante seu tempo em Aenir, Tal e Milla enfrentam diversos inimigos e criaturas ameaçadoras, o que só se torna possível com a ajuda dos Pastores de Tempestades.

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Aliás, que adição carismática a desses dois! Adras e Odris são irmãos com personalidades distintas: Adras é “macho”, muito forte, mas completamente burro; Odris é fêmea, tem um tamanho menor, mas é muito inteligente. De certa forma, eles são complementares a Tal e Milla. Enquanto o jovem “letrado e culto” conseguiu um Espírito-Sombra de inteligência abaixo da média, a “bruta e rude” Milla ficou com uma Espírito-Sombra gentil e racional. Essas relações acabam auxiliando os protagonistas em seu crescimento pessoal, por terem que lidar com diferenças tão gritantes de modo tão próximo.

Aenir é um mundo à parte, com criaturas totalmente novas e muita magia. Novamente preciso elogiar a construção de universo feita por Garth Nix, que nos apresenta a uma fantasia infantojuvenil muito original e diversificada. Os mistérios – que envolvem o sumiço do pai de Tal, as diferentes visões que Escolhidos e Homens-do-Gelo têm das sombras e, é claro, as intenções do Mestre-das-Sombras Sushin – permanecem nesse volume, que tem um desfecho cheio de ação. Além disso, nesse volume percebemos ainda mais semelhanças entre o povo dos Escolhidos e o povo dos Homens-do-Gelo, o que inclui antepassados em comum. Espero que em breve mais respostas sejam dadas (já que, a partir daqui, as leituras serão inéditas pra mim, já que nunca concluí a série).

Eu adorei reler Aenir e fiquei, novamente, encantada com o universo de A Sétima Torre. Foi uma leitura muito prazerosa e envolvente, com aquela narrativa fluida típica de livros infantojuvenis – mas sem se tornar superficial ou boba. Se você gosta de universos fantásticos criativos, vale muito a pena dar uma chance a essa série. 😉 Recomendo muito!

Título Original: Aenir
Série: A Sétima Torre
Autor: Garth Nix
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 240

Resenha: O Castelo – Garth Nix

Oi pessoal, tudo bem?

Aos pouquinhos, estou relendo A Sétima Torre, uma série da qual eu gostava muito quando criança. Hoje é dia de resenhar o segundo volume: O Castelo!

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Sinopse: O Mundo Escuro é um lugar gelado, com ventos e tempestades. Um véu de escuridão cobre todo o céu, e apenas o Castelo brilha com sua luz. Tal e Milla lutam corajosamente, tentando voltar ao Castelo, e têm pela frente uma missão muito perigosa. Para Tal, um Escolhido, o Castelo é seu lar – mesmo que ele já não seja mais bem-vindo ali. Para Milla, uma Garota-do-Gelo, o Castelo é um lugar estranho e misterioso, e sua presença é uma ameaça que os Escolhidos querem deter a qualquer custo. Da fatal Câmara dos Pesadelos aos aposentos mágicos de Tio Ebbitt, Tal e Milla têm que percorrer os caminhos do Castelo sem serem descobertos. Poderes sinistros conspiram contra eles, e os dois vão tentar, com todas suas forças, sobreviver.

O Castelo começa imediatamente após o final de A Queda: após a batalha contra o Merwin, Tal e Milla foram encontrados por Donzelas Guerreiras e imediatamente levados à presença da Matriarca Mãe (a maior autoridade dentre os Homens-do-Gelo), que vive no Navio em ruínas aos pés do Castelo. Após algumas tensões e promessas envolvendo Pedras-do-Sol, as crianças são liberadas para tentarem subir a Montanha de Luz, onde está localizado o lar dos Escolhidos. Muitos desafios esperam por Tal e Milla tanto fora, quanto dentro do Castelo: o gelo impiedoso, o vento da montanha e, é claro, os perigos envolvendo os próprios Escolhidos.

Infelizmente, O Castelo foi uma releitura bem mais lenta do que A Queda. Sendo honesta, não acontece muuuita coisa no enredo, e a luta para chegar aos tubos de aquecimento (que permitem a entrada escondida no Castelo) é bastante parada; por outro lado, o bacana dessa parte da história é que o foco está na aproximação de Tal e Milla. Os dois são muito jovens e teimosos, orgulhosos de suas origens (o que os torna um tanto arrogantes), mas, nesse volume, eles precisam enfrentar as adversidades juntos. Dentro do Castelo existem tantas ameaças quanto no gelo: os jovens são separados e contam apenas com o auxílio de Ebbitt (o tio-avô excêntrico de Tal) para auxiliá-los.

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Tal tem a grande responsabilidade de salvar todos os membros da sua família e, para isso, ele decide que precisa encontrar o Códex dos Escolhidos, há muito perdido em Aenir, o reino dos espíritos. O Códex é uma espécie de “livro” com inteligência própria, detentor de todos os conhecimentos sobre Aenir, suas criaturas e, consequentemente, os Espíritos-Sombra. Tal acredita que, se souber qual Espírito-Sombra capturou seu irmão, ele poderá salvá-lo e rastrear o culpado. Milla, por outro lado, deseja levar às Matriarcas não apenas a Pedra-do-Sol prometida, mas também conhecimento sobre Aenir. Seu desejo de ser ovacionada em seu retorno motiva a garota a viajar ao Mundo dos Espíritos com Tal, onde os desafios serão totalmente diferentes do que ela poderia imaginar.

O Castelo é um livro bacana, mas não me trouxe o mesmo sentimento de nostalgia e reconhecimento que senti ao reler A Queda. Ainda assim, eu adoro o universo fantástico criado por Garth Nix, e ainda acredito que seja um dos mais originais que já li. Os livros são curtos, de narrativa fácil e enredo interessante (ainda que com alguns altos e baixos) e, só por isso, já recomendo a leitura a todos que procuram uma boa fantasia infantojuvenil. 😉

P.S.: sim, as capas são horríveis. 😦

Título Original: Castle
Série: A Sétima Torre
Autor: Garth Nix
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 221
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Meus favoritos de 2015

Oi gente, tudo bem? Como foram de Réveillon? 😀

Seguindo o clima de virada de ano, no post de hoje eu resolvi fazer uma retrospectiva de tudo que me marcou em 2015, de livros até música! Teve muita coisa boa no meu ano, e espero que gostem da seleção dos meus favoritos. \o/

Melhor leitura

a queda garth nix

A Queda (Garth Nix): Na verdade, A Queda trata-se de uma releitura. Como expliquei na resenha do livro, eu li essa série há anos, quando era criança, e sempre tive comigo as memórias do quanto eu gostava da história. A releitura foi incrível e eu fiquei com mais vontade ainda de reler todos os volumes. 😀

Melhor filme

poster star wars o despertar da força

Star Wars: O Despertar da Força: O que dizer desse Episódio VII? O filme foi o mais aguardado do ano, bateu recordes como a maior bilheteria e é a continuação de uma das sagas mais icônicas do cinema. Todos esses títulos são justos, porque o filme é sensacional. ❤ Tem review aqui no blog, confiram (sem spoilers). 😉

Melhores animações

poster divertida mente e o pequeno príncipe

Divertida Mente e O Pequeno Príncipe: Libriana indecisa como sou, foi muito difícil escolher de qual animação eu gostei mais. Considerando tramas novas, eu opto por Divertida Mente, mas O Pequeno Príncipe me levou às lágrimas desde o trailer, e trouxe um filme com uma arte incrível, de encher os olhos. Contudo, devo dizer que os personagens e o enredo inovador de Divertida Mente foram os que mais me cativaram em 2015 (juro que não tentei fazer uma piadinha infame). ❤

Melhores séries

poster breaking bad e demolidor

Breaking Bad e Demolidor: Outro caso no qual fiquei absolutamente dividida. Breaking Bad definitivamente mexeu muito mais com as minhas emoções. Conforme expliquei na resenha, foi uma série à qual dei uma segunda chance, que me levou do “ódio” ao amor de forma muito intensa e que me surpreendeu (positivamente) demais. Já Demolidor foi uma série que me agradou desde o primeiro episódio em todos os aspectos (não à toa assisti 7 episódios em um dia). Por isso, as duas foram as melhores séries que assisti esse ano. 😀

Melhores shows

nightwish e tarja turunen

Nightwish e Tarja Turunen: Como comentei nesse post, o ano de 2015 foi recheado de shows incríveis. Dois deles foram da minha banda e cantora favoritos: Nightwish e Tarja Turunen. Em termos de show propriamente dito (playlist, animação do público, vibe) eu diria que Nightwish foi o mais marcante. Porém, o sentimento que a Tarja carrega ao cantar, a atenção que ela dá ao público (gente, ela desceu do palco, sabe!) e, é claro, o quanto eu gosto da sua carreira solo, fizeram com que o show dela fosse muito marcante pra mim. ❤

Melhor descoberta musical

james bay

James Bay: Gente, faz tempo que estou querendo falar desse menino pra vocês (e ainda pretendo). ❤ Conheci James Bay no rádio, ouvindo Hold Back The River. Adorei a música, achei super diferente, e fui procurar mais canções dele no Youtube. Sabem o que é gostar de TODAS? Tipo, sem exceção? Isso raramente acontece comigo! A cada música que eu ia colocando eu ia curtindo mais e mais. E desde então esse rapaz britânico se tornou um dos meus cantores favoritos. ❤

Bom, pessoal, essa foi a minha seleção de tudo que eu mais gostei em 2015. 😀
Me contem nos comentários o que foi mais marcante pra vocês ao longo do ano que passou, vou adorar conhecer as escolhas de vocês!

Beijos e até semana que vem! 😉

Resenha: A Queda – Garth Nix

Oi gente, como vão? 😀

Fazia muito tempo que eu não postava uma resenha por aqui, né? Eu sei, estou devendo mesmo.
Eu até pretendo falar sobre isso futuramente, mas por enquanto peço desculpas pela negligência hahaha! 😛

A resenha de hoje foi muito bacana de escrever, pois trata-se de um livro que eu li na minha infância e que resolvi reler esse ano: A Queda, de Garth Nix. O livro pertence a uma coleção de 6 livros chamada A Sétima Torre, e eu lembro de ter lido uns 4 deles quando tinha uns 9 ou 10 anos. Enfim, espero que gostem! ❤

a queda garth nix

Sinopse: Tal viveu toda a sua vida na escuridão. Nunca saiu de seu lar, um misterioso castelo de sete torres, e não percebe a ameaça que irá separá-lo de sua família e de seu mundo. Mas Tal não pode ficar a salvo para sempre. Quando chega o perigo, ele precisa desesperadamente escalar a Torre Vermelha para roubar uma Pedra-do-Sol. Ele alcança o topo mas… Cai num estranho e desconhecido mundo de guerreiros, navios no gelo e magia oculta. Lá, Tal faz um inimigo que irá salvar sua vida – e que possui a chave de seu futuro.

O mais legal de você reler um livro que você leu quando criança depois de adulta é que é possível sentir toda a nostalgia da época e, ainda assim, se surpreender com cada detalhe que você não lembrava com clareza. E foi exatamente isso que senti relendo A Queda. Eu lembrava da história de um modo geral, com informações pinceladas de todos os livros que li, mas sem recordar exatamente de como as coisas se desenrolavam. Lembrava também do quanto tinha adorado a história (mesmo que naquela idade fosse muito mais difícil pra mim compreender a leitura) e do quanto eu queria saber como ela terminava. Pois bem, já adianto que reler A Queda foi uma experiência ainda melhor!

A história começa no capítulo zero, e o autor nos apresenta a um garoto que está escalando uma torre muito alta. Não sabemos o motivo pelo qual ele está lá, mas aos poucos ele vai nos revelando por meio das suas lembranças e reflexões. O garoto é Tal, um Escolhido de 13 anos que vive no Castelo. Este Castelo é o seu lar e ele nunca saiu de lá na vida, mas diversos fatores o levaram a embarcar nessa escalada. No Castelo, as pessoas são divididas pelas cores do arco-íris, sendo a Vermelha a Ordem mais baixa e a Violeta a Ordem mais alta. Essas pessoas são os Escolhidos, e cada um tem um Espírito-Sombra que o serve, o protege e o acompanha. Essas criaturas, sombras capazes de assumir qualquer forma, são encontradas em Aenir, o reino dos espíritos. Ao completar treze anos, as crianças – que até então têm sombras-guardiãs, mais fracas – entram em Aenir para capturar seu próprio Espírito-Sombra. Para isso, elas precisam utilizar uma Pedra-do-Sol, um tipo de gema feita pelos Escolhidos que absorve a luz do sol e gera luz e calor. O Castelo está localizado abaixo do Véu, uma enorme cobertura negra que os protege do sol. Acima do Véu ficam as Pedras-do-Sol, e é na tentativa de conseguir uma pedra poderosa o suficiente que Tal escala a Torre Vermelha. Porém, ele é atacado por um Espírito-Sombra (algo inimaginável para ele, já que Espíritos-Sombra não devem jamais atacar Escolhidos) e cai. E é aí que a aventura de Tal começa.

O livro é narrado em terceira pessoa e dividido em duas partes: antes e depois da queda. Antes, nós somos apresentados ao contexto de Tal. O autor nos apresenta como é a vida no Castelo, como funciona a divisão por Ordens e sua hierarquia, entre outras coisas. Descobrimos que Rerem, o pai de Tal, está desaparecido após uma missão para a Imperatriz (a líder do Castelo), com isso, a Pedra-do-Sol da família também sumiu. Com dois irmãos mais novos e uma mãe doente, Tal entra em desespero ao pensar que sua família pode perder os privilégios por não terem uma Pedra-do-Sol verdadeira. A sua, uma pedra de criança, é suficiente para prover calor e luz para si mesmo, mas não para representar sua família. É por isso que Tal parte em diversas missões dentro do Castelo para tentar conseguir uma pedra nova, mas sem sucesso. Ao conversar com seu tio-avô maluco Ebbitt, surge a ideia da escalada, o que nos leva ao “depois” da queda.

Na segunda parte, após cair da Torre Vermelha, Tal acaba em um mundo desconhecido tomado pelo gelo. Como o garoto nunca saiu do Castelo, o mundo exterior é um grande mistério. Ele é encontrado por um grupo que ele julga ser do Povo Inferior, os servos do Castelo. Porém, logo ele percebe que esse povo não obedece às leis que ele conhece: são os Homens-do-Gelo, um povo livre. Milla, uma garota da sua idade que almeja ser uma Donzela Guerreira, deseja matá-lo a todo custo, por não acreditar na sua história. A Matriarca, contudo, vê no garoto a oportunidade de conseguir para o seu clã uma nova Pedra-do-Sol, que os guia na escuridão. Apesar de acreditar que os Espíritos-Sombra são seres terríveis e que o povo do Castelo é uma marionete nas mãos deles, a Matriarca envia Milla e Tal numa missão que visa buscar uma nova Pedra-do-Sol para seu navio. Aproveitando o gancho da Matriarca, é bacana perceber que as líderes do livro são mulheres. Tanto no Castelo como entre os Homens-do-Gelo, as maiores autoridades são figuras femininas, e tratando-se de um livro antigo, foi algo que me deixou bem contente. 🙂

Isso é apenas a ponta do iceberg do enredo. Por ser dividido em duas partes, existe diversas nuances a serem exploradas: algumas dentro do Castelo, outras fora dele. Em poucas páginas, Garth Nix consegue nos entregar uma história de fantasia rica, envolvente e fluida. As descrições não tomam mais páginas do que o necessário e o ritmo dos acontecimentos faz com que a curiosidade se mantenha sempre presente. O autor deixa vários elementos em aberto que fazem com que fiquemos desconfiados da intenção das pessoas e da verdade por trás dos fatos, o que me deixou extremamente aflita por começar a continuação.

Para ser sincera, acho que a coleção A Sétima Torre é uma das mais criativas que já li. Nunca vi um enredo parecido, com esse tipo de criaturas e ambientação. Os personagens são bem construídos e muito peculiares: Tal tem uma certa arrogância para com os Homens-do-Gelo por acreditar na hierarquia e superioridade que aprendeu no Castelo, mas o leitor sabe que ele é um ótimo garoto, com intenções sinceras de proteger e ajudar a sua família. Milla é uma garota forte e obstinada, que coloca o seu sonho de lutar como uma Donzela Guerreira acima de tudo, além da fidelidade inabalável por seu povo. Contudo, sua teimosia pode ser bastante irritante em alguns momentos. Existem alguns personagens odiosos, e outros que nos fazem sentir uma simpatia quase instantânea (oi, Ebbitt), ainda que sua participação seja relativamente curta.

Recomendo muito A Queda para todos que adoram uma boa fantasia infantojuvenil, sem enrolações mas com uma história bem contada. É um livro curtinho, que você devora super rápido, mas cheio de aventuras e de conteúdo! Se antes eu já era fã da série, agora me tornei mais ainda! 🙂

Título Original: The Seventh Tower: The Fall
Série: A Sétima Torre
Autor: Garth Nix
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 206
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