Resenha: Acima do Véu – Garth Nix

Oi pessoal, tudo bem?

Estava com saudades do universo construído por Garth Nix, então aproveitei minhas curtas férias para ler Acima do Véu, o quarto volume de A Sétima Torre.

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Sinopse: O Povo Inferior é incansável. Por muito tempo, essa gente se manteve quieta, ocupando os níveis mais baixos do Castelo. Mas, agora, vai se fazer ouvir… Tal e Milla não estão mais sozinhos na busca da verdade sobre seu mundo. O Corvo, um renegado do Povo Inferior, aliou-se a eles, juntamente com seu bando de rebeldes. Eles conhecem muitos segredos sobre o Castelo – e estão prestes a descobrir o maior de todos. A escuridão está ficando cada vez mais intensa. As sombras estão se tornando mais fortes. E, mais que nunca, Tal e Milla estão correndo perigo.

Seguindo o padrão da série, o livro inicia em uma sequência direta do volume antecessor, após o embate com o Mestre-das-Sombras Sushin (que não parece ter se abalado após a perfuração pela lâmina de chifre de Merwin de Milla). Durante a fuga dos protagonistas pelos níveis mais baixos do Castelo, eles reencontram os jovens que os ajudaram nos túneis de aquecimento, mas o clima não é amigável: comandados por um jovem chamado Corvo, o grupo se autodenomina Resistentes – ou seja, membros do Povo Inferior que se recusam a seguir a ordem dos Escolhidos. Apesar da animosidade, o grupo de Corvo, Tal e Milla se veem do mesmo lado, já que os Resistentes têm como líderes Ebbit e Jarnil, um antigo professor do Lectorium dado como morto. Quando Milla e Tal contam a eles sobre tudo que descobriram em Aenir (e Sushin), Ebbitt e Jarnil compreendem que o Véu que protege o Mundo das Trevas dos Aeniranos está em risco. Para restabelecer a segurança, é necessário impedir que Sushin se apodere das Grandes Pedras que o mantêm intacto.

Basicamente, esse é o fio condutor de Acima do Véu. Conforme a série avança, Tal e Milla vão descobrindo pouco a pouco os segredos mantidos tanto pelos Escolhidos quanto pelos Homens-do-Gelo a respeito da origem do Véu e da relação entre os dois povos. Enquanto Tal deseja apenas ter a normalidade de sua vida de volta (e impedir Sushin no processo), Milla ainda se ressente por ter perdido sua sombra natural e está determinada a voltar ao Gelo, contar tudo que descobriu às Matriarcas e dar fim à sua vida. Com isso, é nesse volume que o caminho dos dois protagonistas se separa: a jovem parte rumo ao seu povo enquanto Tal se alia (contra a própria vontade) ao Corvo. E eu acho que foi por causa dessa separação que não curti tanto a obra quanto esperava.

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A dinâmica de Tal e Milla é uma das coisas de que mais gosto na série de Garth Nix, além da criatividade do autor na concepção de seu universo (que eu sempre reforço nas resenhas e até hoje considero único). Quando os dois se separam, um pouco do carisma da narrativa se perde, porque sempre foi muito interessante acompanhar o equilíbrio proporcionado pela sua relação de gato e rato, mas cheia de aprendizado mútuo. Tal e Corvo, por outro lado, são muito clichês: o protagonista desconfia do rapaz hostil, enquanto este odeia Tal por ele ser um Escolhido. Apesar desse ponto negativo, Acima do Véu tem diversas cenas de ação, com capítulos que intercalam entre a missão de Tal e a de Milla. E, mesmo não curtindo a relação entre Tal e o Corvo, reconheço o mérito de sua missão: os dois passam por inúmeras situações capazes de deixar o leitor apreensivo, porque o risco de roubar uma Grande Pedra e não serem capturados por Sushin no processo é bastante considerável.

Em relação ao desenvolvimento dos personagens, Acima do Véu oferece poucos avanços. Como os livros acontecem em um espaço muito pequeno de tempo, sendo sequências diretas uns dos outros, a aventura de Tal desde sua queda para fora do Castelo iniciou há pouco mais de um mês. E eu compreendo isso, de verdade, mas também me decepcionei ao ver o protagonista repetindo preconceitos que eu já esperava que ele estivesse apto a, pelo menos, questionar. Com a intensidade de suas experiências com Milla e ao se dar conta de quão vasto é o mundo fora das paredes onde nasceu e cresceu, eu supunha que Tal já estivesse pronto para não olhar para o Povo Inferior como… inferior. Considerando que eu elogiei justamente o amadurecimento dos protagonistas no volume anterior, fiquei um tantinho chateada.

Acima do Véu foi o primeiro volume inédito desde que decidi revisitar a série A Sétima Torre. Por enquanto, a experiência tem sido bacana, apesar dos altos e baixos (reli minhas resenhas e percebi que intercalei entre “nossa, amei” e “hmmm só gostei” 😂). Estou curiosa para saber o que os dois últimos volumes da saga me reservam e pretendo concluí-la até o fim do ano. Continuo com a opinião de que a série é uma ótima opção pra quem gosta de livros de fantasia e buscam uma leitura rápida, mas criativa e instigante.

Título original: Above the Veil
Série:
A Sétima Torre
Autor:
Garth Nix
Editora:
Nova Fronteira
Número de páginas:
255
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Resenha: Aenir – Garth Nix

Oi povo, tudo bem?

Seguindo as resenhas da série A Sétima Torre, fiz a releitura do terceiro volume, Aenir. Spoiler alert: que experiência ótima! ❤

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Sinopse: O mundo de sonhos de Aenir não é um lugar seguro. Um passo em falso pode levar ao perigo, a ciladas ou… à morte. Tal e Milla precisam encontrar seu caminho através dessa paisagem enganosa. Estão procurando o Códex, um estranho objeto mágico que decidirá o destino de seus mundos. Muitas criaturas se interpõem em seu caminho – desde os Pastores de Tempestades, feitos de nuvens, e do enxame de Vêsboras até uma figura horripilante chamada Rudbrut. Tal e Milla não podem ir embora de Aenir sem o Códex. Mas encontrá-lo é muito mais perigoso do que poderiam imaginar…

Aenir começa logo após o final de O Castelo. Tal, o Escolhido, e Milla, a Garota-do-Gelo, conseguiram fazer a passagem a Aenir, o Reino dos Espíritos. O problema é que, logo de cara, eles são atacados por duas criaturas ameaçadoras, conhecidos como Pastores de Tempestades. A contragosto, Tal acaba selando um pacto com eles, tornando-os Espíritos-Sombra dos dois garotos. Porém, essa atitude impensada causa uma ruptura em sua frágil amizade com a jovem, o que os leva à separação; afinal, os Homens-do-Gelo valorizam as sombras naturais e têm aversão pelos Espíritos-Sombra.

Depois que Tal e Milla partem em jornadas diferentes, o leitor tem a oportunidade de conhecer ambos com mais profundidade. Tal está incomodado por ter tomado para si um Espírito-Sombra que ele julga pouco imponente; Milla sente-se desonrada e acredita que seu sonho de virar uma Donzela Guerreira terminou. A busca pelo Códex dos Escolhidos, missão que os levou a Aenir, é cheia de percalços – que ficam ainda mais desafiadores por estarem separados.

O crescimento dos protagonistas é palpável nesse volume. Apesar de muito jovens, Tal e Milla carregam uma grande responsabilidade. Para o garoto, a missão envolve proteger sua família e descobrir o que aconteceu com seu pai; para a garota, conseguir uma Pedra-do-Sol significa salvar seu clã e provar seu valor como guerreira. Durante seu tempo em Aenir, Tal e Milla enfrentam diversos inimigos e criaturas ameaçadoras, o que só se torna possível com a ajuda dos Pastores de Tempestades.

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Aliás, que adição carismática a desses dois! Adras e Odris são irmãos com personalidades distintas: Adras é “macho”, muito forte, mas completamente burro; Odris é fêmea, tem um tamanho menor, mas é muito inteligente. De certa forma, eles são complementares a Tal e Milla. Enquanto o jovem “letrado e culto” conseguiu um Espírito-Sombra de inteligência abaixo da média, a “bruta e rude” Milla ficou com uma Espírito-Sombra gentil e racional. Essas relações acabam auxiliando os protagonistas em seu crescimento pessoal, por terem que lidar com diferenças tão gritantes de modo tão próximo.

Aenir é um mundo à parte, com criaturas totalmente novas e muita magia. Novamente preciso elogiar a construção de universo feita por Garth Nix, que nos apresenta a uma fantasia infantojuvenil muito original e diversificada. Os mistérios – que envolvem o sumiço do pai de Tal, as diferentes visões que Escolhidos e Homens-do-Gelo têm das sombras e, é claro, as intenções do Mestre-das-Sombras Sushin – permanecem nesse volume, que tem um desfecho cheio de ação. Além disso, nesse volume percebemos ainda mais semelhanças entre o povo dos Escolhidos e o povo dos Homens-do-Gelo, o que inclui antepassados em comum. Espero que em breve mais respostas sejam dadas (já que, a partir daqui, as leituras serão inéditas pra mim, já que nunca concluí a série).

Eu adorei reler Aenir e fiquei, novamente, encantada com o universo de A Sétima Torre. Foi uma leitura muito prazerosa e envolvente, com aquela narrativa fluida típica de livros infantojuvenis – mas sem se tornar superficial ou boba. Se você gosta de universos fantásticos criativos, vale muito a pena dar uma chance a essa série. 😉 Recomendo muito!

Título Original: Aenir
Série: A Sétima Torre
Autor: Garth Nix
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 240

Resenha: O Castelo – Garth Nix

Oi pessoal, tudo bem?

Aos pouquinhos, estou relendo A Sétima Torre, uma série da qual eu gostava muito quando criança. Hoje é dia de resenhar o segundo volume: O Castelo!

o castelo garth nixGaranta o seu!

Sinopse: O Mundo Escuro é um lugar gelado, com ventos e tempestades. Um véu de escuridão cobre todo o céu, e apenas o Castelo brilha com sua luz. Tal e Milla lutam corajosamente, tentando voltar ao Castelo, e têm pela frente uma missão muito perigosa. Para Tal, um Escolhido, o Castelo é seu lar – mesmo que ele já não seja mais bem-vindo ali. Para Milla, uma Garota-do-Gelo, o Castelo é um lugar estranho e misterioso, e sua presença é uma ameaça que os Escolhidos querem deter a qualquer custo. Da fatal Câmara dos Pesadelos aos aposentos mágicos de Tio Ebbitt, Tal e Milla têm que percorrer os caminhos do Castelo sem serem descobertos. Poderes sinistros conspiram contra eles, e os dois vão tentar, com todas suas forças, sobreviver.

O Castelo começa imediatamente após o final de A Queda: após a batalha contra o Merwin, Tal e Milla foram encontrados por Donzelas Guerreiras e imediatamente levados à presença da Matriarca Mãe (a maior autoridade dentre os Homens-do-Gelo), que vive no Navio em ruínas aos pés do Castelo. Após algumas tensões e promessas envolvendo Pedras-do-Sol, as crianças são liberadas para tentarem subir a Montanha de Luz, onde está localizado o lar dos Escolhidos. Muitos desafios esperam por Tal e Milla tanto fora, quanto dentro do Castelo: o gelo impiedoso, o vento da montanha e, é claro, os perigos envolvendo os próprios Escolhidos.

Infelizmente, O Castelo foi uma releitura bem mais lenta do que A Queda. Sendo honesta, não acontece muuuita coisa no enredo, e a luta para chegar aos tubos de aquecimento (que permitem a entrada escondida no Castelo) é bastante parada; por outro lado, o bacana dessa parte da história é que o foco está na aproximação de Tal e Milla. Os dois são muito jovens e teimosos, orgulhosos de suas origens (o que os torna um tanto arrogantes), mas, nesse volume, eles precisam enfrentar as adversidades juntos. Dentro do Castelo existem tantas ameaças quanto no gelo: os jovens são separados e contam apenas com o auxílio de Ebbitt (o tio-avô excêntrico de Tal) para auxiliá-los.

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Tal tem a grande responsabilidade de salvar todos os membros da sua família e, para isso, ele decide que precisa encontrar o Códex dos Escolhidos, há muito perdido em Aenir, o reino dos espíritos. O Códex é uma espécie de “livro” com inteligência própria, detentor de todos os conhecimentos sobre Aenir, suas criaturas e, consequentemente, os Espíritos-Sombra. Tal acredita que, se souber qual Espírito-Sombra capturou seu irmão, ele poderá salvá-lo e rastrear o culpado. Milla, por outro lado, deseja levar às Matriarcas não apenas a Pedra-do-Sol prometida, mas também conhecimento sobre Aenir. Seu desejo de ser ovacionada em seu retorno motiva a garota a viajar ao Mundo dos Espíritos com Tal, onde os desafios serão totalmente diferentes do que ela poderia imaginar.

O Castelo é um livro bacana, mas não me trouxe o mesmo sentimento de nostalgia e reconhecimento que senti ao reler A Queda. Ainda assim, eu adoro o universo fantástico criado por Garth Nix, e ainda acredito que seja um dos mais originais que já li. Os livros são curtos, de narrativa fácil e enredo interessante (ainda que com alguns altos e baixos) e, só por isso, já recomendo a leitura a todos que procuram uma boa fantasia infantojuvenil. 😉

P.S.: sim, as capas são horríveis. 😦

Título Original: Castle
Série: A Sétima Torre
Autor: Garth Nix
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 221
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Resenha: A Queda – Garth Nix

Oi gente, como vão? 😀

Fazia muito tempo que eu não postava uma resenha por aqui, né? Eu sei, estou devendo mesmo.
Eu até pretendo falar sobre isso futuramente, mas por enquanto peço desculpas pela negligência hahaha! 😛

A resenha de hoje foi muito bacana de escrever, pois trata-se de um livro que eu li na minha infância e que resolvi reler esse ano: A Queda, de Garth Nix. O livro pertence a uma coleção de 6 livros chamada A Sétima Torre, e eu lembro de ter lido uns 4 deles quando tinha uns 9 ou 10 anos. Enfim, espero que gostem! ❤

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Sinopse: Tal viveu toda a sua vida na escuridão. Nunca saiu de seu lar, um misterioso castelo de sete torres, e não percebe a ameaça que irá separá-lo de sua família e de seu mundo. Mas Tal não pode ficar a salvo para sempre. Quando chega o perigo, ele precisa desesperadamente escalar a Torre Vermelha para roubar uma Pedra-do-Sol. Ele alcança o topo mas… Cai num estranho e desconhecido mundo de guerreiros, navios no gelo e magia oculta. Lá, Tal faz um inimigo que irá salvar sua vida – e que possui a chave de seu futuro.

O mais legal de você reler um livro que você leu quando criança depois de adulta é que é possível sentir toda a nostalgia da época e, ainda assim, se surpreender com cada detalhe que você não lembrava com clareza. E foi exatamente isso que senti relendo A Queda. Eu lembrava da história de um modo geral, com informações pinceladas de todos os livros que li, mas sem recordar exatamente de como as coisas se desenrolavam. Lembrava também do quanto tinha adorado a história (mesmo que naquela idade fosse muito mais difícil pra mim compreender a leitura) e do quanto eu queria saber como ela terminava. Pois bem, já adianto que reler A Queda foi uma experiência ainda melhor!

A história começa no capítulo zero, e o autor nos apresenta a um garoto que está escalando uma torre muito alta. Não sabemos o motivo pelo qual ele está lá, mas aos poucos ele vai nos revelando por meio das suas lembranças e reflexões. O garoto é Tal, um Escolhido de 13 anos que vive no Castelo. Este Castelo é o seu lar e ele nunca saiu de lá na vida, mas diversos fatores o levaram a embarcar nessa escalada. No Castelo, as pessoas são divididas pelas cores do arco-íris, sendo a Vermelha a Ordem mais baixa e a Violeta a Ordem mais alta. Essas pessoas são os Escolhidos, e cada um tem um Espírito-Sombra que o serve, o protege e o acompanha. Essas criaturas, sombras capazes de assumir qualquer forma, são encontradas em Aenir, o reino dos espíritos. Ao completar treze anos, as crianças – que até então têm sombras-guardiãs, mais fracas – entram em Aenir para capturar seu próprio Espírito-Sombra. Para isso, elas precisam utilizar uma Pedra-do-Sol, um tipo de gema feita pelos Escolhidos que absorve a luz do sol e gera luz e calor. O Castelo está localizado abaixo do Véu, uma enorme cobertura negra que os protege do sol. Acima do Véu ficam as Pedras-do-Sol, e é na tentativa de conseguir uma pedra poderosa o suficiente que Tal escala a Torre Vermelha. Porém, ele é atacado por um Espírito-Sombra (algo inimaginável para ele, já que Espíritos-Sombra não devem jamais atacar Escolhidos) e cai. E é aí que a aventura de Tal começa.

O livro é narrado em terceira pessoa e dividido em duas partes: antes e depois da queda. Antes, nós somos apresentados ao contexto de Tal. O autor nos apresenta como é a vida no Castelo, como funciona a divisão por Ordens e sua hierarquia, entre outras coisas. Descobrimos que Rerem, o pai de Tal, está desaparecido após uma missão para a Imperatriz (a líder do Castelo), com isso, a Pedra-do-Sol da família também sumiu. Com dois irmãos mais novos e uma mãe doente, Tal entra em desespero ao pensar que sua família pode perder os privilégios por não terem uma Pedra-do-Sol verdadeira. A sua, uma pedra de criança, é suficiente para prover calor e luz para si mesmo, mas não para representar sua família. É por isso que Tal parte em diversas missões dentro do Castelo para tentar conseguir uma pedra nova, mas sem sucesso. Ao conversar com seu tio-avô maluco Ebbitt, surge a ideia da escalada, o que nos leva ao “depois” da queda.

Na segunda parte, após cair da Torre Vermelha, Tal acaba em um mundo desconhecido tomado pelo gelo. Como o garoto nunca saiu do Castelo, o mundo exterior é um grande mistério. Ele é encontrado por um grupo que ele julga ser do Povo Inferior, os servos do Castelo. Porém, logo ele percebe que esse povo não obedece às leis que ele conhece: são os Homens-do-Gelo, um povo livre. Milla, uma garota da sua idade que almeja ser uma Donzela Guerreira, deseja matá-lo a todo custo, por não acreditar na sua história. A Matriarca, contudo, vê no garoto a oportunidade de conseguir para o seu clã uma nova Pedra-do-Sol, que os guia na escuridão. Apesar de acreditar que os Espíritos-Sombra são seres terríveis e que o povo do Castelo é uma marionete nas mãos deles, a Matriarca envia Milla e Tal numa missão que visa buscar uma nova Pedra-do-Sol para seu navio. Aproveitando o gancho da Matriarca, é bacana perceber que as líderes do livro são mulheres. Tanto no Castelo como entre os Homens-do-Gelo, as maiores autoridades são figuras femininas, e tratando-se de um livro antigo, foi algo que me deixou bem contente. 🙂

Isso é apenas a ponta do iceberg do enredo. Por ser dividido em duas partes, existe diversas nuances a serem exploradas: algumas dentro do Castelo, outras fora dele. Em poucas páginas, Garth Nix consegue nos entregar uma história de fantasia rica, envolvente e fluida. As descrições não tomam mais páginas do que o necessário e o ritmo dos acontecimentos faz com que a curiosidade se mantenha sempre presente. O autor deixa vários elementos em aberto que fazem com que fiquemos desconfiados da intenção das pessoas e da verdade por trás dos fatos, o que me deixou extremamente aflita por começar a continuação.

Para ser sincera, acho que a coleção A Sétima Torre é uma das mais criativas que já li. Nunca vi um enredo parecido, com esse tipo de criaturas e ambientação. Os personagens são bem construídos e muito peculiares: Tal tem uma certa arrogância para com os Homens-do-Gelo por acreditar na hierarquia e superioridade que aprendeu no Castelo, mas o leitor sabe que ele é um ótimo garoto, com intenções sinceras de proteger e ajudar a sua família. Milla é uma garota forte e obstinada, que coloca o seu sonho de lutar como uma Donzela Guerreira acima de tudo, além da fidelidade inabalável por seu povo. Contudo, sua teimosia pode ser bastante irritante em alguns momentos. Existem alguns personagens odiosos, e outros que nos fazem sentir uma simpatia quase instantânea (oi, Ebbitt), ainda que sua participação seja relativamente curta.

Recomendo muito A Queda para todos que adoram uma boa fantasia infantojuvenil, sem enrolações mas com uma história bem contada. É um livro curtinho, que você devora super rápido, mas cheio de aventuras e de conteúdo! Se antes eu já era fã da série, agora me tornei mais ainda! 🙂

Título Original: The Seventh Tower: The Fall
Série: A Sétima Torre
Autor: Garth Nix
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 206
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Resenha: Ruínas de Gorlan – John Flanagan

Olá, pessoal!

A resenha de hoje trata-se de um livro que li há alguns anos, o primeiro volume da (extensa) série Rangers: Ordem dos Arqueiros, Ruínas de Gorlan.

rangersGaranta o seu!

Sinopse: Durante a vida inteira, o pequeno e frágil Will sonhou em ser um forte e bravo guerreiro, como o pai, que ele nunca conheceu. Por isso, ficou arrasado quando não conseguiu entrar para a Escola de Guerra. A partir daí, sua vida tomou um rumo inesperado: ele se tornou o aprendiz de Halt, o misterioso arqueiro, que muitos acreditam ter habilidades que só podem ser resultado de alguma feitiçaria. Relutante, Will aprendeu a usar as armas secretas dos arqueiros: o arco, a flecha, uma capa manchada e… um pequeno pônei muito teimoso. Podem não ser a espada e o cavalo que ele desejava, mas foi com eles que Will e Halt partiram em uma perigosa missão: impedir o assassinato do rei. Essa será uma viagem de descobertas e aventuras fantásticas, na qual Will aprenderá que as armas dos arqueiros são muito mais valiosas do que ele imaginava.

Há alguns anos atrás (em 2009, para ser mais precisa), eu me senti muito atraída pelas capas dos livros da série Rangers: Ordem dos Arqueiros. Sou fissurada nessa temática medieval e livros “épicos” sempre me chamaram muito a atenção. Porém, demorei um tempo até começar a leitura (acredito que isso aconteceu somente em 2010) e, infelizmente não foi bem o que eu esperava. Li diversas resenhas positivas a respeito e não me senti muito contemplada pela maioria. Bem, a leitura não foi uma experiência ruim, mas também não foi muito marcante.

O nosso protagonista, Will, é um adolescente órfão que vive no feudo Redmont, no castelo do barão Arald, e sonha em entrar para a Escola de Guerra do castelo para se tornar um guerreiro corajoso e destemido como seu pai fora. Todos os jovens precisam escolher uma “escola” na qual entrar no dia da Escolha, uma tradição que define o destino dos jovens candidatos. Porém, Will não é escolhido para a Escola de Guerra devido ao seu porte, que não é bem aquele desejado para um guerreiro: o garoto é franzino e baixinho, bem diferente do que se espera de um cavaleiro. Porém, Will tem outras qualidades, como a inteligência, a perspicácia e a agilidade, o que faz dele um candidato perfeito para ser um aprendiz de arqueiro. E é exatamente isso que acontece: Halt, um grande e misterioso arqueiro, o escolhe como seu pupilo. E é a partir dessa união que a história começa.

Halt é o personagem mais interessante do livro. Ele é o típico mestre exigente que raramente faz elogios, mas que no fundo cria um vínculo afetivo e deseja proteger seu aprendiz. Ele ensina Will os segredos da arquearia e da camuflagem, e também presenteia Will com um pônei muito divertido, Puxão. Diversas cenas cômicas são protagonizadas pelo inteligente pônei. Will também evolui durante a narrativa. Apesar de ter apenas 15 anos, a vida do rapaz nunca foi fácil, já que cresceu sendo órfão e sofrendo gozações graças ao seu sonho de entrar na Escola de Guerra com seu porte pequeno e frágil. Ao longo do livro é mostrado o potencial do garoto e o amadurecimento dele, que passa não só a admirar o mestre como também se orgulhar dos arqueiros. Outro personagem que vale a pena mencionar é Horace, o garoto que cresceu no castelo com Will e que foi um dos causadores do bullying sofrido pelo protagonista. Horace consegue entrar na Escola de Guerra e se mostra um guerreiro talentosíssimo, mas com o passar do tempo ele amadurece e abandona a postura covarde com que tratava Will e se torna um dos melhores amigos do garoto, fazendo tudo que está ao seu alcance para protegê-lo e ajudá-lo.

A trama ganha força quando somos apresentados ao terrível Morgarath, um vilão que há muitos anos entrou em guerra com o reino de Araluen. O senhor das Montanhas da Chuva e da Noite retorna e planeja o assassinato do rei como forma de vingança, e Halt e Will são peças fundamentais para evitar que Morgarath atinja seus objetivos. Halt, inclusive, foi o grande diferencial na antiga guerra, bolando uma estratégia que definiu os rumos da batalha, fazendo do arqueiro uma lenda viva.

A ideia geral de Ruínas de Gorlan é bem interessante, apesar do clichê “vilão em busca de vingança”. Eu gosto muito de livros com esse teor “RPGístico” e adoro as referências a castelos, a cavaleiros, a guerras épicas e a grandes heróis. O grande problema pra mim em Ruínas de Gorlan é o fato de ser um livro infanto-juvenil (beeeem infanto-juvenil). John Flanagan escreveu o livro com a intenção de fazer seu filho de 12 anos começar a se interessar por literatura, então a narrativa e a escrita são fluidas e superficiais, voltadas para uma faixa etária bem jovem. Gosto bastante de livros infanto-juvenis e vários deles estão na minha lista de favoritos, mas acho que não estava preparada para algo tão fácil quanto Ruínas de Gorlan acabou sendo. Não me senti muito envolvida com a história e tampouco me senti aflita ou ansiosa pelo destino dos personagens, porque pra mim era muito claro que as coisas acabariam dando certo. Mesmo assim, gostei da ideia da história e acabei lendo a continuação (li até o terceiro livro; até agora foram 11 volumes publicados no Brasil). Além disso, como vários outros livros voltados a um público mais jovem, Ruínas de Gorlan trata de temas como bullying e superação, além das lições de vida e metáforas que buscam ensinar e transmitir valores, mas sem um tom piegas desagradável. Outro elogio que não posso deixar de fazer: a diagramação! As páginas dos livros são lindíssimas e cada uma delas é decorada no canto inferior.

Ruínas de Gorlan é uma opção divertida pra quem gosta de histórias infanto-juvenis com temática medieval e pitadas de RPG. Não é uma leitura que exija muito tempo e pode ser uma boa opção pra quem busca algo mais leve pra passar o tempo. Porém, é válido lembrar que é uma série longa. Eu acredito que vou demorar bastante até finalizá-la, porque não sinto urgência em saber o que vai acontecer na história, mas pretendo sim conclui-la um dia. 🙂 Acredito que seja uma série bacana, mas não imperdível.

Título Original: Ranger’s Apprentice: The Ruins of Gorlan
Série: Rangers: Ordem dos Arqueiros
Autor: John Flanagan
Editora: Fundamento
Número de páginas: 239
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Resenha: Cidade dos Ossos – Cassandra Clare

Oi, gente!

Peço desculpas pelo atraso do post! 😦 Eu queria muito escrever sobre o livro escolhido para esta resenha, mas só terminei a leitura dele ontem, então optei por atrasar um dia a atualização do blog. Tenho vontade de falar a respeito deste livro há muito tempo: Cidade dos Ossos, o primeiro volume da série Os Instrumentos Mortais, de Cassandra Clare!

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Sinopse: Um mundo oculto está prestes a ser revelado… Quando Clary decide ir a Nova York se divertir numa discoteca, nunca poderia imaginar que testemunharia um assassinato – muito menos um assassinato cometido por três adolescentes cobertos por tatuagens enigmáticas e brandindo armas bizarras. Clary sabe que deve chamar a polícia, mas é difícil explicar um assassinato quando o corpo desaparece e os assassinos são invisíveis para todos, menos para ela. Tão surpresa quanto assustada, Clary aceita ouvir o que os jovens têm a dizer… Uma tribo de guerreiros secreta dedicada a libertar a terra de demônios, os Caçadores das Sombras têm uma missão em nosso mundo, e Clary pode já estar mais envolvida na história do que gostaria.

O livro começa com uma sequência de acontecimentos bastante acelerada: a protagonista, Clary Fray, se depara com os Caçadores de Sombras logo no primeiro capítulo. Pouco tempo depois, sua mãe, Jocelyn, é sequestrada, e Clary parte numa busca por informações que possam ajudá-la a resgatar a mãe, contando com a ajuda dos Caçadores de Sombras Jace, Isabelle e Alec, além de seu melhor amigo, Simon. A partir daí, Clary entra numa jornada de descobertas sobre o verdadeiro passado de sua mãe e sobre quem ela mesma realmente é. Nessa busca por informações, descobrimos que Jocelyn foi uma Caçadora de Sombras e é a responsável pelo desaparecimento de um item poderosíssimo: o Cálice Mortal, capaz de criar novos Caçadores de Sombras. Ela fez isso para evitar que Valentim, o vilão da trama, pusesse as mãos nesse artefato, pois suas intenções eram claramente destrutivas.

Algumas coisas me incomodaram bastante, principalmente na primeira metade do livro. O Mundo das Sombras é explicado a Clary principalmente por Jace e Hodge (o tutor do Instituto de Nova York, onde os três jovens Caçadores de Sombras moram). Entretanto, as informações são jogadas a ela de forma muito superficial. Cassandra Clare elaborou um mundo onde existem demônios, fadas, vampiros, lobisomens, entre outras criaturas, mas não se aprofunda em explorá-los. Ocorre um bombardeio de informações rasas sobre esses seres no começo do livro. Talvez isso se explique pelo fato de ser o primeiro volume de uma série e, portanto, ter um caráter mais explicativo. Mesmo assim, me incomodou.

Além disso, eu achei a Cidade dos Ossos totalmente mal explorada e desinteressante. Por dar nome ao primeiro livro, eu imaginava que a chegada a esse local seria grandiosa e que ela teria grande importância na trama. Bem, me desapontei. Clary precisou ir até lá numa tentativa de recuperar suas memórias, que eram apagadas pelo bruxo Magnus Bane a pedido de sua mãe, que fugira daquela vida de Caçadora de Sombras e de tudo que ela representava. Minha impressão final, depois de toda essa sequência, é de que a cidade não teve impacto algum.

Outro fator que me fez não gostar muito do livro até a metade dele é a falta de identificação com os personagens. Eu não gostei especialmente de nenhum deles e, pra mim, isso influencia bastante. Clary e Jace são personagens ativos e determinados, mas muito irritantes. Apesar de serem adolescentes (ou talvez justamente por isso), as brigas são totalmente infantis, típicas de uma criança que quer chamar a atenção da outra e, para isso, puxa seu cabelo ou pisa no seu pé. Eu não tinha paciência para a maior parte das cenas dos dois, pois os diálogos eram marcados pela ironia de Clary e pelo sarcasmo e presunção de Jace.

Entretanto… da metade pro final do livro, o enredo finalmente começou a se desenvolver e eu comecei a me empolgar muito com a leitura! Os sentimentos de Clary e Jace começaram a ser mostrados, Clary passou a descobrir e desenvolver melhor os seus poderes e, finalmente, pareceu encontrar a solução para salvar a mãe. Uma das reviravoltas mais importantes do livro acontece, com uma traição muito inesperada. E, para finalizar, eu finalmente passei a gostar verdadeiramente de um personagem: Luke, o melhor amigo de Jocelyn que, no início da história, “virou as costas” para Clary quando ela pediu ajuda para salvar a mãe. Ele é realmente incrível e carismático, além de narrar um dos melhores capítulos do livro! ♥

Outra coisa que vale a pena comentar é a aparição do grande vilão do livro, Valentim. Ele é mencionado durante toda a história, mas só se revela para o leitor nos capítulos finais. Valentim é o protagonista de uma das maiores revelações da trama, revelação esta que gera um final devastador, principalmente para Clary e Jace. Eu não consigo deixar de pensar em Sephiroth, o vilão de Final Fantasy VII, quando penso em Valentim, com sua expressão séria e impenetrável hahaha!

Um ponto bastante positivo sobre Cidade dos Ossos é que Cassandra Clare desenvolveu a história em terceira pessoa. Apesar do ponto de vista ser totalmente focado na protagonista, eu realmente fiquei contente com o fato de não ser a própria Clary a narradora, seria difícil lidar ainda mais com a sua imaturidade. Espero sinceramente que ela amadureça nos próximos volumes!

Cidade dos Ossos foi um livro que me causou múltiplas emoções: por diversas vezes pensei em desistir da leitura, por achá-la superficial e infantil demais (grande parte dessa impressão gerada pelos protagonistas). Contudo, o desenvolvimento gradual da trama, tornando-a mais profunda e menos óbvia, foi o que me motivou a terminar o livro e me fez chegar à conclusão de que gostei dele. O mundo criado por Cassandra Clare é muito rico e, apesar de contar com diversos seres vistos comumente em outras histórias e mitologias, ela os aborda de forma diferenciada. Para quem gosta de literatura infanto-juvenil e fantasia, eu recomendo Cidade dos Ossos. Se você tiver paciência pra vencer as partes introdutórias do livro (e a chatice das briguinhas entre Clary e Jace) e seguir com a leitura, você será recompensado! Estou animada para começar o próximo volume! 😀

Série: Os Instrumentos Mortais
Editora: Planeta
Número de páginas: 462
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